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Numero do processo: 10945.002248/2006-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3001-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o andamento deste processo, para aguardar o resultado do julgamento do processo nº 10945.002073/2007-12, do mesmo contribuinte, a fim de evitar-se decisões divergentes.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o andamento deste processo, para aguardar o resultado do julgamento do processo nº 10945.002073/2007-12, do mesmo contribuinte, a fim de evitar-se decisões divergentes. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO Adoto, por transcrição e por economia processual, o bem elaborado relatório que lastreou a decisão recorrida (fls. 115/120), verbis. Trata-se de Manifestação de lnconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e Declaração de Compensação - PER/DCOMP de fls. 001/031, protocolizadas respectivamente em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .0 02 24 8/ 20 06 -0 1 Fl. 143DF CARF MF Original Processo nº 10945.002248/2006-01 Resolução nº 3001-000.246 S3-C0T1 Fl. 3 2 09/01/2004, por meio dos quais a contribuinte pretende ter compensado o saldo credor de IPI, no valor total de RS 16.673,28, em débitos do estabelecimento. O valor a ser compensado é originário da apuração de saldo credor decorrente de crédito do IPI incidente sobre insumos adquiridos pela contribuinte para elaboração de produtos saídos sob regime de suspensão de IPI, segundo o entendimento da contribuinte, referente ao 4º trimestre de 2004. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Foz do Iguaçu - PR, em 19/04/2007, mediante Despacho Decisório de fls. 062/064, no qual a autoridade competente indeferiu 0 pedido de ressarcimento, não reconheceu 0 direito creditório e não homologou as compensações declaradas neste processo. O pedido foi indeferido com base na infomiação fiscal de fls. 049, por ter sido constatado pela fiscalização que não se aplica o regime de suspensão do IPI na saída dos produtos da contribuinte, dado que esses produtos tinham por destino estabelecimentos comerciais. ..............................................(omissis)....................................................... Cientiflcada do Despacho Decisório, em 07/05/2007 (Il. 074), a contribuinte ingressou, em 06/06/2007, com a manifestação de inconformidade dc de fls. 075/088 e documentos anexos, na qual alega, em síntese, o disposto a seguir. l. Preliminarmcnte, requer o sobrestamento do processo administrativo em face da interposição de impugnação ao auto de infração 10945002073/2007-l2. lavrado pela. DRI/Foz do Iguaçu, que entendeu pela improcedência da suspensão de IPI e que provocou o não reconhecimento dos créditos objeto da presente compensação. 2. Reapresenta as seguintes contestações em relação à descaracterização da suspensão do IPI que ensejou o referido auto de infração 10945.002073/2007-12, apresentadas.originalmente na impugnação àquele auto: 2.1 Afirma que o fundamento do indeferimento decorre de errônea interpretação da norma legal pela Administração Tributária, pois tal norma não define em termos exatos o que seria a preponderância da elaboração dos produtos especificados dentre as atividades da empresa destinatária das saídas. A lei também não define de forma exata no que consiste o termo “elaboração de produtos” e qual a implicação de tal operação ser ou não caracterizada como industrialização, caracterização essa que a contribuinte entende não ser determinante para a aplicação do instituto da suspensão do IPI. 2.2. lnsurge-se contra a imposição de que os adquirentes declarem expressamente que se enquadram nas condições estabelecidas no art. 29 da Lei n° I0.637/2002, afirmando que tal disposição contraria diversos dispositivos legais pátrios, em especial o art. 5°, inciso II, da Constituição Federal. Mesmo contrária a essa determinação, a contribuinte a atendeu e obteve de seus clientes a referida declaração, que porém foi desconsiderada pela fiscalização, ao que se contrapõe a contribuinte sob 0 argumento de que a exigência normativa foi atendida. 2.3. Ainda em relação às declarações de seus clientes, reclama não ter sido intimada para a apresentação de tais documentos durante a ação fiscal e, portanto, solicita a oportunidade para juntada de novas declarações antes do julgamento. 2.4. Sustenta que a classificação fiscal de parte de seus produtos na posição 3924.10.00 (alíquota I0%) da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI está correta, ao contrário do afirmado pela fiscalização, que se refere somente a “copos para sundae” e classifica-os nas posições correspondentes ao l grupo 3923 (alíquota 15%). Afirma que a fiscalização não conhece os produtos fabricados pela empresa e que generalizou de tal forma sua descrição no Termo de Verificação Fiscal, que pode “levar a crer 'que todos os produtos fabricados pela autuada são copos sundae 170ml ”. Ressalta que a classificação adotada restou Fl. 144DF CARF MF Original Processo nº 10945.002248/2006-01 Resolução nº 3001-000.246 S3-C0T1 Fl. 4 3 evidente nas notas fiscais acostadas ao processo e que a empresa fabrica não só copos para sundae, mas também diversos produtos para embalar sorvetes. Acrescenta ainda que o próprio Regulamento do IPI - RIPI/2002 (Decreto 4.544, de 26/I2/2002) apresenta definição de acondicionamento em seu art. 6°, §1°, inciso II, onde exige capacidade acima de 20 quilos ou superior àquela em que 0 produto é comumente vendido no varejo, o que descaracterizaria a classificação adotada pela fiscalização, pois os produtos fabricados pela autuada são os mesmos adquiridos pelo consumidor. Finalmente, ressalva que os produtos são compostos de duas partes, pote e tampa, e que classifica cada um na posição correspondente da TIPI, e não o conjunto em uma única posição da tabela. 3. Advoga pela inaplicabilidade da taxa SELIC na correção de tributos, por ferir os princípios da legalidade, da anterioridade, da segurança jurídica e da indelegabilidade da competência tributária. Cita jurisprudência. Conclui pedindo o recebimento da presente insatisfação, que seja acolhida a preliminar para sobrestá-la até o julgamento do mérito do auto de infração 10945002073/2007-12 e que sejam acolhidas as argumentações de mérito apresentadas para declarar legítimos os lançamentos efetuados e determinando a homologação dos créditos efetuados e das compensações declaradas, bem corno oportunizada a produção de novas provas. Com a manifestação de inconformidade a recorrente fez anexar aos autos cópia da impugnação formalizada nos autos do mencionado processo nº 10945.002073/2007-12 (fls. 92/106), defendendo a mesma tese produzida nestes autos. O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa e manteve o despacho decisório (fls. 119/120), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 115), verbis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo, pois o princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. COBRANÇA ADMINISTRATIVA DE TRIBUTO CONFESSADO. OBJETO FORA DA COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO. ` A cobrança administrativa dos tributos devidos e confessados, inclusive a decorrente de compensação não homologada, não integra a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, e, portanto, refere-se a tema estranho à competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento Manifestação de Inconformidade Improcedente Regularmente cientificada do teor do acórdão recorrido em 30 de novembro de 2010 (fls. 125/126), ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário em 27 de dezembro de 2010 (fls. 127/140), reeditando os mesmos argumentos deduzidos com a Manifestação de Inconformidade (fls. 76/89). É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Original Processo nº 10945.002248/2006-01 Resolução nº 3001-000.246 S3-C0T1 Fl. 5 4 -VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator O recurso é tempestivo e encontra-se revestido das demais formalidades, pelo que dele tomo conhecimento. A discussão nestes autos resume-se ao pedido de ressarcimento para fins de compensação, no importe de R$ 16.673,28, glosados pela fiscalização, insistindo o contribuinte -- tanto na manifestação de inconformidade, como no recurso voluntário -- que o valor que pretende compensar é originário da apuração de saldo credor decorrente de crédito de IPI incidente sobre insumos adquiridos pela contribuinte para elaboração de produtos saídos sob regime de suspensão de IPI, referente ao 4º trimestre de 2004. Sustenta o acórdão recorrido que o indeferimento do pedido de ressarcimento decorreu do fato de ter sido constatado pela fiscalização que não se aplica o regime de suspensão do IPI na saída dos produtos do contribuinte, dado que esses produtos tinham por destino estabelecimentos comerciais. Desde a manifestação de inconformidade (fato repetido no recurso voluntário), insiste o contribuinte que a presente demanda deverá ser sobrestada até o final julgamento do processo nº 10945.002073/2007-12, decorrente de auto de infração de IPI, por se tratar de processos conexos, e para se evitar decisões conflitantes, já que se trata da mesma matéria e da mesma empresa. Ou seja, o crédito que o recorrente pretende aproveitar encontra-se no bojo do Processo 10945.002073/2007-12, isto é, se o seu recurso neste processo for provido, restará comprovada a existência do crédito pretendido. Daí a conexão entre os dois processos; e por isto a imperiosa necessidade de sobrestamento do mencionado Proc. 10945.002073/2007-12 Examinando-se a impugnação do contribuinte ao referenciado processo nº 10945.002073/2007-12 (exibida com a manifestação de inconformidade), constata-se que, de fato, trata-se de processos conexos. Na impugnação, inclusive, utilizou a empresa os mesmos argumentos de fato e de direito produzidos na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. Note-se que a alegação de conexão deste com o processo 10945.002073/2007- 12 também está expressamente reconhecida pela decisão recorrida, verbis. Preliminarmente, a contribuinte requer o sobrestamento do presente processo administrativo em face da interposição de impugnação ao auto de infração 10945002073/2007-12, lavrado pela DRF Foz do Iguaçu, que entendeu pela improcedência da suspensão de IPI e que provocou o não reconhecimento dos créditos objeto da presente compensação. No entanto, inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo. pois o princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo ate' sua decisão final. Por outro lado, ha evidente conexão lógica entre os objetos dos dois processos, logo ha interesse da própria Administração Tributária na coerência lógica entre as decisões desses processos, em respeito ao principio da segurança jurídica. Em razão disso, os processos foram distribuídos de forma a garantir que os julgamentos atendessem ao sequenciamento lógico dos temas tratados.(Gripos e destaque nosso). Como visto da transcrição acima, o acórdão recorrido não acolheu o pedido de sobrestamento por considerar "inexistente a figura do sobrestamento no processo Fl. 146DF CARF MF Original Processo nº 10945.002248/2006-01 Resolução nº 3001-000.246 S3-C0T1 Fl. 6 5 administrativo", tanto que ressaltou que "a distribuição dos processos foi efetuada atendendo ao encadeamento lógico dos mesmos", e arrematou (fls. 104), verbis. As contestações em relação ao lançamento dos valores considerados pela contribuinte como suspensão do IPI, reapresentadas na manifestação de inconformidade, já foram objeto de apreciação no julgamento do processo n° 10945002073/2007-l2, específico sobre o referido lançamento, no qual foram consideradas improcedentes. Portanto, tais fundamentos não serão analisados no presente voto. Consultado o sitio do e-Processo-CARF, verifica-se que o supracitado processo nº 10945.002073/2007-12 encontra-se neste Conselho, em grau de recurso voluntário pendente de julgamento, com o último andamento datado de 24 de abril de 2017, com a seguinte anotação: "Tratar processo - Distribuição; SEDIS-CEGAP-CARF-CA40 - IPI". Significa dizer que o processo matriz ainda nem foi distribuído e, certamente em virtude do seu valor, será distribuído para uma das turmas ordinárias. Relevante salientar que na sessão de 11 de junho próximo passado, no julgamento do processo nº 16682.720736/2015-09, de interesse da GERDAU AÇOS LONGOS S/A, foi o feito também sobrestado através da Resolução nº 3001-000.241, de minha relatoria, de cujo voto extrai-se o seguinte trecho, verbis. Ademais, a Recorrente vem requerendo, desde a Manifestação de Inconformidade e até o Recurso Voluntário, que seja deferido o julgamento conjunto deste Processo nº 16682.720786/2015-09 com seus outros Processos nºs 16682.722964/2015-13, 16682.904530/2012-89 e 16682.720640/2015-32, os quais foram distribuídos para outras Turmas ou Câmaras. Na prática, significa dizer que o contribuinte pretende é o SOBRESTAMENTO do julgamento deste processo até a definitiva decisão a ser proferida nos demais processos, promovendo-se a juntada das decisões neles proferidas, por apensação, para que se oportunize o pretendido julgamento conjunto de todos os processos. O artigo 6º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, assim estabelece, verbis. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: (...) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Na conformidade das razões acima, entendo que há vinculação deste com o primeiro dos processos acima referenciados, da mesma empresa, por decorrência de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório (art. 6º, § 1º, II), os quais se encontra neste Tribunal aguardando distribuição, sorteio e/ou julgamento. Registre-se, a propósito que, de acordo § 5º, art. 6º, do RICARF, acima citados, os processos vinculados devem ser convertidos em Diligência e sobrestados na Fl. 147DF CARF MF Original Processo nº 10945.002248/2006-01 Resolução nº 3001-000.246 S3-C0T1 Fl. 7 6 respectiva Câmara (ou Turma), de modo a aguardar a decisão do processo principal, tal como já decidiu-se nesta mesma 1ª Turma, a teor da Resolução número 3001- 000.225, de 15 de maio de 2019, na relatoria do eminente Conselheiro-Presidente Marcos Roberto da Silva. Assim -- e muito embora o valor discutido no presente processo (R$ 51.689,65) esteja dentro do valor de alçada desta 1ª Turma Extraordinária, e a matéria discutida seja também da competência deste colegiado -- entendo prudente aguardar-se o julgamento do processo nº 16682.722964/2015-13, da mesma empresa, a fim de evitar decisões divergentes. Ante o exposto, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento do recurso em Diligência para SOBRESTAR o presente processo para aguardar o julgamento do mencionado Processo nº 16682.722964/2015-13, de interesse da mesma empresa GERDAU AÇOS LONGOS S/A. Diante do exposto, e para evitar decisões conflitantes em matéria conexas, do interesse do mesmo contribuinte, também nesta oportunidade VOTO pela conversão do julgamento em diligência para o fim de SOBRESTAR a presente demanda até o julgamento final do processo 10945.002073/2007-12, de interesse do mesmo recorrente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator Fl. 148DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10935.723796/2019-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3401-012.668
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento parcial do Recurso Voluntário, para reverter às glosas sobre os fretes contratados para o transporte dos insumos adquiridos à alíquota zero e fretes contratados para transporte na transferência de produto inacabado ou puro entre os estabelecimentos da empresa. Vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que votou por também reverter as glosas referentes ao frete sobre produto acabado e energia elétrica. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.667, de 29 de fevereiro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10935.723795/2019-59, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro Renan Gomes Rego, substituído pelo conselheiro João Jose Schini Norbiato.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento parcial do Recurso Voluntário, para reverter às glosas sobre os fretes contratados para o transporte dos insumos adquiridos à alíquota zero e fretes contratados para transporte na transferência de produto inacabado ou puro entre os estabelecimentos da empresa. Vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que votou por também reverter as glosas referentes ao frete sobre produto acabado e energia elétrica. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.667, de 29 de fevereiro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10935.723795/2019-59, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro Renan Gomes Rego, substituído pelo conselheiro João Jose Schini Norbiato.
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SERVIÇOS DE FRETES. CRITÉRIOS DEFINIDOS PELO STF NO RESP Nº 1.221.170/PR-RR. São premissas a serem observadas pelo aplicador da norma, caso a caso, a essencialidade e/ou relevância dos insumos e a atividade desempenhada pelo contribuinte (objeto societário), além das demais hipóteses legais tratadas no art. 3º das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. SERVIÇO DESVINCULADO DA OPERAÇÃO DE COMPRA. CRÉDITO CONCEDIDO. O frete contratado para o transporte de matéria-prima é elemento dissociado da operação principal (aquisição do insumo). Uma vez demonstrado que o transporte do insumo é fundamental para o inicio do processo de fabricação ou industrialização dos produtos, as contribuições incidentes na operação são passíveis de ressarcimento, a teor do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. FRETE DE PRODUTOS INACABADOS E MATÉRIA-PRIMA ENTRE ESTABELECIMENTOS. ESSENCIALIDADE DEMONSTRADA. GLOSA REVERTIDA. Provado que os estabelecimentos da contribuinte (matriz e filiais) realizam o processo de industrialização ou fabricação de dos óleos vegetais e farelos, o transporte da matéria-prima de uma unidade a outra se mostra essencial, vez que sem a matéria-prima sequer é iniciada a etapa de industrialização pela unidade produtora. ENERGIA ELÉTRICA CONTRATADA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. CRÉDITO NÃO CONCEDIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 37 96 /2 01 9- 01 Fl. 403DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 Segundo os incisos III e IX, do art. 3º, respectivamente, das Leis nº 10.833/2003 e Lei nº 10.637/2002, apenas a energia consumida no estabelecimento comercial do contribuinte é passível de ressarcimento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento parcial do Recurso Voluntário, para reverter às glosas sobre os fretes contratados para o transporte dos insumos adquiridos à alíquota zero e fretes contratados para transporte na transferência de produto inacabado ou puro entre os estabelecimentos da empresa. Vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que votou por também reverter as glosas referentes ao frete sobre produto acabado e energia elétrica. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-012.667, de 29 de fevereiro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10935.723795/2019-59, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro Renan Gomes Rego, substituído pelo conselheiro João Jose Schini Norbiato. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Simples, mas objetivo adoto o relatório do acórdão recorrido para retratar os fatos: Trata o processo de Pedido de Ressarcimento nº [...] referente à crédito da Contribuição para o [...] não-Cumulativo, no valor pleiteado de R$ [...], relativo ao [...] Trimestre de [...]. Por meio do Despacho Decisório nº [...], a DRF em [...] reconheceu parcialmente o direito creditório no valor deferido de R$ [...]. Em decorrência da análise procedida pela autoridade fiscal com base, inicialmente, nas EFD Contribuições e em memórias de cálculo, planilhas, documentos fiscais apresentados pela contribuinte, foram juntados no Dossiê de Atendimento Digital nº [...]. Foram efetuadas as seguintes glosas, por não gerarem direito a crédito ou pela ausência de efetiva comprovação documental: a) bens não enquadrados como insumos da produção, em especial, ferramentas e algumas máquinas não empregadas no processo produtivo (lavadora de alta pressão, cortador de grama, roçadeira e ventilador industrial); b) energia elétrica não consumida: valores que se referem à disponibilização de potencial de energia elétrica e outros tipos de despesas que não se referem ao consumo de energia elétrica propriamente; Fl. 404DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 c) aquisições cujos documentos fiscais não foram encontrados ou apresentados pela interessada; d) notas fiscais de outros períodos (crédito extemporâneo); e) aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições, ou sem o seu destaque nas notas fiscais; f) fretes na compra de insumos com alíquota zero, suspensão ou não incidência da contribuição; g) frete entre estabelecimentos da interessada; Cientificada da decisão, por meio de seu domicílio tributário eletrônico, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade para pleitear a reforma da decisão pelas razões apresentadas a seguir. Sobre as despesas com energia elétrica – demanda contratada e ICMS-ST –, a manifestante alegou, conforme técnica contábil, não ser apenas a energia consumida, mas, também, o valor da demanda contratada e do ICMS-ST, porque, no caso, estes montantes estão compreendidos como despesas e custos relativos ao consumo de energia elétrica, principalmente, por serem encargos obrigatórios para a unidade consumidora. E mais especificamente sobre o ICMS-ST a manifestante alegou que esse é tributo não recuperável e integra o custo de aquisição, na forma do artigo 301, do RIR/2018, pois faz parte do valor da energia consumida. Sobre as notas fiscais de outros períodos, a manifestante alegou que ocorreu, em verdade, foi o lançamento contábil das notas fiscais ao término do período, em razão de notas fiscais que ainda não estavam disponíveis ou em trânsito, mas que não significa que o crédito é extemporâneo. Segundo ela, esta forma de lançamento contábil é apenas um ajuste de períodos anteriores, o que é permitido, inclusive para a geração da ECD, pois estava impossibilitada de lanças as notas fiscais no período, pelas diversas razões que apresentou. No tocante aos tipos de despesas com fretes contratados pela interessada, a manifestante alegou respeito ao regime da não-cumulatividade, uma vez que o frete contratado é tributado. Quanto ao frete entre estabelecimentos, alegou ser despesa necessária, essencial e relevante, ligada a seu custo logístico e relacionado ao seu processo produtivo. Ao final, a manifestante requereu o reconhecimento da procedência de sua Manifestação de Inconformidade e o ressarcimento dos valores glosados. É o relatório. Ato contínuo foi julgado improcedente/parcialmente procedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Intimada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário discutindo a manutenção das glosas atinentes aos fretes a) sobre compras, b) entre estabelecimentos, c) na remessa para formação de lotes de exportação; d) despesas com energia elétrica – demanda contratada e ICMS-ST. É o breve relatório. Fl. 405DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, e, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Breve Introito. Depreende-se dos autos, que na análise do PER nº 03039.59953.040414.1.1.19-6248, a Autoridade Fiscal respalda-se nas Leis nºs 10.833/2003 e 10.925/2004 e IN/SRF nº 404/2004 como motivação para às glosas efetuadas sobre os fretes. 1. Bens e serviços utilizados como insumo – Enquadramento no conceito de insumos – Geral (...) Assim foram glosados os itens que foram identificados como sendo ferramentas adquiridas para pelo contribuinte, que não se encaixam dentro do conceito de insumo. A relação completa das notas fiscais glosadas pelos motivos mencionados neste tópico está em tabela anexada a este Despacho Decisório, sendo que na última coluna da tabela estará a indicação “insumo” Também no imobilizado foram glosados itens que não são considerados como ligados à produção dos produtos da empresa. Tais itens foram: lavadora de alta pressão, máquina de cortar grama, roçadeiras e ventilador industrial. 2. Energia Elétrica A Lei n' 10.637/02 em seu art. 3', IX e a Lei n' 10.833/03 em seu art. 3', III permitem o creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação a despesas de energia elétrica incorridas no mês de apuração. Este dispositivo legal é claro ao estabelecer que gera direito a créditos do PIS/Pasep e Cofins apenas a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, conforme trecho reproduzido a seguir: (...) 3. Ausência de comprovação das operações (...) Portanto, ficam glosados as bases de cálculo das aquisições cujos documentos fiscais não foram encontrados pelo contribuinte. Na planilha de glosa utilizou-se a nomenclatura “não apresentada”. 4. Notas Fiscais de outros períodos Fl. 406DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 (...) Por isso, foram glosadas as NFs que logrou-se identificar não se referirem aos trimestres em que constam como geradoras de créditos. Na planilha de glosas essas Notas Fiscais estão anotadas como “Período”. Tal motivo de glosa foi aplicado, com mesmo fundamento em todos os itens que compõe a base de cálculo (insumo, serviços, fretes). 5. Aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições Verificou-se, no entanto, que o contribuinte se utilizou de aquisições que não se sujeitaram ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para aproveitamento de crédito, o que é vedado pelo dispositivo supracitado. Identificamos casos de notas fiscais de cavaco (de empresas que não são optantes do SIMPLES NACIONAL) que não trouxeram as contribuições para o PIS e a COFINS destacadas em suas informações. Verificou-se, no entanto, que o contribuinte se utilizou de aquisições que não se sujeitaram ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para aproveitamento de crédito, o que é vedado pelo dispositivo supracitado. Identificamos casos de notas fiscais de cavaco (de empresas que não são optantes do SIMPLES NACIONAL) que não trouxeram as contribuições para o PIS e a COFINS destacadas em suas informações. 6. Frete na aquisição Conforme já mencionado, o art. 3', inciso IX, da Lei n' 10.833, de 2003, dispõe expressamente que o frete na operação de venda ,desde que suportado pelo vendedor, pode gerar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa. No caso das aquisições de bens, os custos com fretes contratados pelo adquirente destes bens não constam expressamente na legislação como geradores de crédito das contribuições. No entanto, considera-se que o frete na compra integra o custo de aquisição dos bens movimentados. Por conseguinte, esses custos poderão possibilitar a apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins desde que permitido o creditamento em relação ao bem adquirido. No entanto, se não for permitido o creditamento em relação ao bem adquirido, também não haverá tal direito em relação aos custos com seu transporte. 7. Transferência entre filiais (...) Como visto, o frete só gera creditamento no caso de aquisição de insumos e no caso de venda de mercadoria. A movimentação entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica não está entre as hipóteses que permite a apuração de crédito. 8. Crédito Presumido (...) Analisadas as disposições legais aplicáveis ao caso e as informações apresentadas pelo contribuinte, não foram encontradas inconsistências e o crédito foi calculado com base na planilha de notas fiscais apresentadas em atendimento à intimação em cada mês da emissão das referidas notas. Fl. 407DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 Adotando o critério de relevância ou essencialidade, a DRJ decidiu pela manutenção das glosas justificando, em síntese, a falta de previsão legal. Colaciono excerto do voto: 2 DA DESPESA COM ENERGIA ELÉTRICA CONSUMIDA E DO ICMS- ST CORRESPONDENTE (...) Fato é que a lei clara quando deixa de afirmar que não despesas com energia elétrica que permitem a tomada de créditos da não cumulatividade, mas a energia elétrica consumida, efetivamente. Há diferença nesses entendimentos e a manifestante expressou essa diferença em sua petição quando alegou que não é apenas a energia consumida passível de créditos, mas todos os custos envolvidos. Especificamente sobre o ICMS-ST incidente sobre a energia elétrica, e em especial ainda, dada a alegação de a interessada ser mera consumidora de energia elétrica, há que se ter em conta, fundamentalmente, que o ICMS-ST não integra a receita do produtor e, portanto, não compõe as bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins da empresa vendedora, assim, o dispêndio relacionado não integra a base de cálculo dos créditos correspondentes na pessoa jurídica adquirente, substituída, pois não está sujeito ao pagamento das contribuições (Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º, § 3º, inciso I, cc, art. 3º, §2º, II; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, § 3º, inciso I, cc, art. 3º, §2º, inciso II). 3 FRETES NA AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO E FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS Assim, o legislador, ao especificar “frete na operação de venda”, limitou a tomada de créditos sobre despesas de fretes. Afinal, caso a sua intenção fosse permitir o creditamento sobre todas as despesas com frete não haveria nenhuma razão para especificar o tipo permitido, conforme disposto no IX da Lei nº 10.833, de 2003, de forma expressa e específica156 em relação à operação de venda. (...) Nesse sentido, em relação às despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de matéria-prima entre estabelecimentos industriais e destes para os estabelecimentos comerciais da mesma pessoa jurídica, o entendimento assentado pela administração tributária era de que o transporte de produtos, seja de matéria prima ou de produtos acabados entre estabelecimentos não integravam o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e, por isso, não geravam direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins e do PIS/Pasep. No tocante à transferência de matérias primas entre estabelecimentos da empresa, considerar o frete contratado para tanto como insumo corresponderia a aceitar esse tipo de frete como despesa autônoma, em si considerada, para a tomada de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, entendimento não empregado por esta Administração Tributária, conforme exposto no tópico anterior. 4 DAS NOTAS FISCAIS DE OUTROS PERÍODOS (...) O fato é que, da análise da planilha que consolida as glosas efetuadas, trazida aos autos em arquivo não paginável de folha 206, extrai-se que as NFs foram Fl. 408DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 emitidas eletronicamente e assim podem ser consultadas, independentemente dos imprevistos alegados, e que diversas dessas notas referem-se a serviços prestados, que não guardam relação com o alegado. Por fim, no tocante à alegação de que a ECD aceita lançamentos extemporâneos, em consulta ao seu manual no sítio eletrônico1 podemos observar que os lançamentos extemporâneos aceitos são aqueles que se destinam a anular, retificar ou complementar um lançamento prévio, o que não é o caso em apreço. Dos fundamentos colocados pela DRJ foram atacados pela contribuinte os itens “2 DA DESPESA COM ENERGIA ELÉTRICA CONSUMIDA E DO ICMS-ST CORRESPONDENTE” e “3 FRETES NA AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO E FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS”, de modo que passo a apreciá-los. 2. Conceito de insumos para fins de creditamento de PIS/PASEP e COFINS. O tema é recorrente no CARF, sendo aplicado por seus conselheiros o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça firmado no bojo do REsp nº 1.221.170/PR, julgado na sistemática dos Recursos Repetitivos (alínea ‘b’, inciso II do art. 98 1 e art. 99 2 , ambos da Portaria MF nº 1.634/2023), posteriormente objeto do Parecer Normativo COSIT/RFB Nº 05/2018. O referido Parecer consolida a definição de insumos e os parâmetros a serem observados para reconhecimento do crédito à luz do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002, sendo eles: 168. Como características adicionais dos bens e serviços (itens) considerados insumos na legislação das contribuições em voga, destacam-se: a) somente podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros, excluindo-se do conceito itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil, etc., bem como itens relacionados à atividade de revenda de bens; 1 Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: [omissi] II - fundamente crédito tributário objeto de: [omissi] b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; [omissi] 2 Art. 99. As decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 409DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 b) permite-se o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerra-se, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindo-se do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); .................................................................................................................................. ........... e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem-insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; .................................................................................................................................. ........... h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permite-se a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem-insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); Restou assentado, portanto, que a essencialidade e/ou relevância dos insumos serão apreciadas pelo julgador, caso a caso, e, de acordo com a atividade desempenhada pelo contribuinte (objeto societário). Além da análise da operação empresarial, a demonstração do emprego do insumo no processo produtivo ou na prestação dos serviços pelo contribuinte também é elemento fundamental. Ou seja, não basta afirmar que o insumo adquirido é imprescindível, é preciso demonstrar como é consumido (etapas e nuances na cadeia produtiva), a teor dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Tem-se, pois, duas premissas a serem observadas em relação ao conceito de insumos para fins de aplicabilidade do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002, o teste da subtração e a prova. Outrossim, deve-se considerar as demais hipóteses legais tratadas no art. 3º das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002, a exemplo do inciso IX em alusão ao serviço de armazenagem e frete na operação de venda (inciso IX). Alicerçados os pressupostos que concedem créditos sobre as contribuições, vejamos a seguir as atividades desempenhadas pela contribuinte, ora Recorrente. Fl. 410DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 3. Atividade desempenhada pela Recorrente. De acordo com o Contrato Social anexado aos autos, a principal atividade desenvolvida pela contribuinte é de fabricação, industrialização de óleos vegetais em bruto, dedicando-se, complementarmente, a importação e exportação de cereais, óleo de soja e farelo de soja, que colaciono: A descrição de sua linha de produção (processo produtivo), resumindo-se ao fluxograma abaixo: Fl. 411DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 Avanço para os itens glosados. 4. Dos Serviços de Frete Glosados. 4.1. Fretes Contratados nas Aquisições de Insumos (matéria-prima tributada à alíquota zero). Evocando os elementos antecedentes, certo é que o cômputo do crédito sobre as contribuições atraiu o frente sobre operação de venda com ônus pelo vendedor (IX), e quando a sua contratação é meio essencial ou imprescindível na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (II). Inexiste, assim, correlação entre as referidas hipóteses e a aquisição matéria-prima. Embora a matéria-prima adquirida não esteja no plano de incidência das contribuições, o frete contratado para o seu transporte é elemento desvinculado da operação principal (aquisição do insumo), vez que sofre a incidência dos tributos de ICMS, IPI, PIS, COFINS, dentre outros, sendo o insumo tributado ou não. Logo, sendo fundamental o transporte da matéria-prima (soja e derivados) comprada pela contribuinte no mercado interno ou externo, desde a dependência do fornecedor ou do porto, até o pátio industrial, para que assim se inicie o processo de fabricação ou industrialização dos óleos vegetais e farelo de soja, entendo que os serviços de frete negociados com terceiros são passíveis de ressarcimento, a teor do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, in verbis: Fl. 412DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [omissis] II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Corrobora o meu posicionamento, o Acórdão nº 3301-010.098 infra colacionado: (...) Em relação ao conceito de insumos, já resta assentado que todos os gastos que integram o processo produtivo, sendo essenciais ou relevantes para a produção do produto destinado a venda devem ser tratados como insumos, afastando o conceito restrito inspirado no IPI. Assim, os bens adquiridos para utilização na fase agrícola e industrial, como componentes do processo produtivo, são insumos, e o frete para o seu transporte integra o seu custo de aquisição quando o frete é incluído no valor da operação pelo fornecedor do produto adquirido. No entanto, o frete pode ser um custo autônomo, independente do custo de aquisição do produto, incorrido pela Recorrente em razão de uma contratação específica para o transporte, assim, não embutido no valor da operação. Neste caso, se o transporte for tributado, será um insumo autônomo, sendo possível a apuração do crédito mesmo que o insumo em si não seja tributado (suspensão ou alíquota zero). Após o julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, a apuração de crédito sobre frete incorrido na aquisição de insumos passou a ser admitido por compor a base de cálculo do próprio produto adquirido, englobado no preço do produto, já que cobrado pelo fornecedor e imputado ao adquirente do produto. (...) A parte em destaque serve para deixar claro que o custo de frete que integra o custo de aquisição do insumo é o custo relativo ao frete fornecido pelo próprio vendedor. Isso porque, se esse frete integra o valor da operação de insumo com suspensão ou alíquota zero, por exemplo, não será tributado pelas contribuições, daí a correta aplicação do inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, e da Lei nº 10.833/2003. No entanto, o frete pode representar uma despesa por um serviço autônomo, desvinculado do preço ou do valor da operação de compra do insumo. Sendo mais claro: apenas será custo de aquisição do produto, porque englobado no valor da operação, quando o frete, seguro e demais despesas acessórias cobradas ou debitadas pelo fornecedor ao comprador ou destinatário, pois, nesse caso, tudo isso compreenderá o valor da operação, no caso, a receita bruta. É assim para o ICMS, é assim para o IPI, é assim para o PIS e COFINS, quando incidente sobre a receita bruta. Mas não é porque um serviço ou outro dispêndio qualquer é um custo e passa a compor o custo de aquisição do produto adquirido, que esse custo passaria a ser totalmente englobado pelo preço da mercadoria, passando a receber a mesma Fl. 413DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 tributação. Fosse assim, todos os custos incorridos pela contribuinte poderiam receber esse tratamento. Pior, fosse assim, esse custo de frete deveria ser também tributado com alíquota zero, o que não é o caso. Quando, ao revés, um custo qualquer é separado do valor da operação, incorrido pela contribuinte-adquirente, por conta própria, e se esse custo for tributado pelas contribuições, deve ser considerado insumo para compor a base de cálculo dos créditos. Especificamente: se o adquirente do produto contrata um serviço de frete para o prestador do serviço buscar o insumo onde quer que ela esteja para trazer até seu estabelecimento, esse frete também é insumo, com direito à crédito, independentemente do produto em si não ser tributado. Destaco que a reversão abarca o frete pactuado com terceiros. Sendo assim, lembrando que a contribuinte também atua na prestação de serviço de transporte rodoviário de cargas, a meu ver, eventual transporte por ela realizado nas compras dos insumos, não gera o direito pretendido, por falta de previsão legal. À vista disso, reverto à glosa sobre o serviço de transporte contratado pela Recorrente para o transporte de insumos sujeitos à alíquota zero. 4.2. Frete Entre Estabelecimentos. Aqui, além da associação do serviço de frete ao insumo sujeito à alíquota zero (transferência de inacabado ou puro), também se considerou a operação pós-processo industrial (produto acabado), pela Autoridade Fiscal como fundamento para a concretização da glosa. É irrefutável que a matriz e filiais da contribuinte importam, exportam e industrialização óleos vegetais e farelo de soja a partir da matéria-prima soja e derivados. À vista disso, entendo que o transporte da matéria-prima de uma unidade a outra para que se execute o processo de fabricação dos óleos vegetais e farelos, mostra-se essencial, porque sem a matéria-prima sequer é iniciada a etapa de industrialização (teste de subtração). Igualmente no tópico anterior, as transferências de insumos entre matriz e filiais, contratadas com terceiros possibilita a apuração de créditos de PIS e COFINS nos moldes do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Parcial provimento pra reverter crédito transferência de inacabado ou puro. 5. Despesas com energia elétrica, demanda contratada e ICMS- ST. Fl. 414DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 Defende a recorrente que a legislação autoriza a apuração do crédito das contribuições sobre todo o valor pago referente ao custo de aquisição da energia, sendo incluída, portanto, a demanda contratada e o ICMS-ST. Discordo da recorrente. Os incisos III e IX, do art. 3º, respectivamente, das Lei nº 10.833/2003 e Lei nº 10.637/2002, apontam expressamente que o desconto dos créditos serão calculados sobre a energia consumida. Vejamos: Art. 3º. III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; Art. 3º. IX - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Portanto, não existe previsão legal autorizando apuração de crédito de PIS/COFINS sobre a demanda contratada. Em relação ao ICMS-ST, por concordar com o argumento da DRJ, adoto como razões de decidir (do inciso II, §12 do art. 114 da Portaria MF nº 1.634/2023): Especificamente sobre o ICMS-ST incidente sobre a energia elétrica, e em especial ainda, dada a alegação de a interessada ser mera consumidora de energia elétrica, há que se ter em conta, fundamentalmente, que o ICMS-ST não integra a receita do produtor e, portanto, não compõe as bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins da empresa vendedora, assim, o dispêndio relacionado não integra a base de cálculo dos créditos correspondentes na pessoa jurídica adquirente, substituída, pois não está sujeito ao pagamento das contribuições (Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º, § 3º, inciso I, cc, art. 3º, §2º, II; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, § 3º, inciso I, cc, art. 3º, §2º, inciso II). Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário, para reverter às glosas sobre os fretes contratados para o transporte dos insumos adquiridos e realizado entre os estabelecimentos para o transporte de insumos e produtos inacabados. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 415DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-012.668 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723796/2019-01 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial do Recurso Voluntário, para reverter às glosas sobre os fretes contratados para o transporte dos insumos adquiridos à alíquota zero e fretes contratados para transporte na transferência de produto inacabado ou puro entre os estabelecimentos da empresa. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 416DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900964/2015-28
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 13/02/2014 a 25/02/2014
NULIDADE DA DECISÃO. INEXISTÊNCIA.
Não se configura nula a decisão que contém todos requisitos processuais. Não há erro material por questão interpretativa do órgão julgador.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 13/02/2014 a 25/02/2014
RESSARCIMENTO. INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO.
Apenas os créditos oriundos das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem são passíveis de ressarcimento.
Numero da decisão: 3001-002.584
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa (relator), Daniel Moreno Castillo e Larissa Cassia Favaro Boldrin, que votaram pelo provimento do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Francisca Elizabeth Barreto. Julgamento realizado após a vigência da Lei nº 14.689/2023.
(documento assinado digitalmente)
João José Schini Norbiato Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Correa - Relator
(documento assinado digitalmente)
Francisca Elizabeth Barreto - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros Bernardo Costa Prates Santos (suplente convocado(a)), Daniel Moreno Castillo, Francisca Elizabeth Barreto, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Wilson Antonio de Souza Correa, Joao Jose Schini Norbiato (Presidente).
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 13/02/2014 a 25/02/2014 NULIDADE DA DECISÃO. INEXISTÊNCIA. Não se configura nula a decisão que contém todos requisitos processuais. Não há erro material por questão interpretativa do órgão julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 13/02/2014 a 25/02/2014 RESSARCIMENTO. INSUMOS. DIREITO CREDITÓRIO. Apenas os créditos oriundos das aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem são passíveis de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa (relator), Daniel Moreno Castillo e Larissa Cassia Favaro Boldrin, que votaram pelo provimento do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Francisca Elizabeth Barreto. Julgamento realizado após a vigência da Lei nº 14.689/2023. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa - Relator (documento assinado digitalmente) Francisca Elizabeth Barreto - Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 09 64 /2 01 5- 28 Fl. 307DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.584 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.900964/2015-28 Participaram do presente julgamento os conselheiros Bernardo Costa Prates Santos (suplente convocado(a)), Daniel Moreno Castillo, Francisca Elizabeth Barreto, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Wilson Antonio de Souza Correa, Joao Jose Schini Norbiato (Presidente). Relatório Por bem relatado adoto o Relatório da DRJ de origem, até seu julgamento. RELATÓRIO Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra a decisão que reconheceu parcialmente o crédito de ressarcimento de IPI relativo ao 3º trimestre de 2013, objeto do PER nº 06039.97191.101013.1.1.01-4051, e, por consequência, homologou apenas parte das compensações declaradas que haviam utilizado referido crédito. Do montante pleiteado, de R$ 1.822.155,60 (um milhão, oitocentos e vinte e dois mil, cento e cinquenta e cinco reais, e sessenta centavos), foram reconhecidos R$ 1.707.530,86 (um milhão, setecentos e sete mil, quinhentos e trinta reais, e oitenta e seis centavos). De acordo com o despacho decisório (e-fl. 202), o crédito não foi integralmente reconhecido em razão da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento era inferior ao valor pleiteado e da glosa de créditos em procedimento fiscal. Instruindo o despacho decisório, os pertinentes demonstrativos de apuração do crédito (e-fls. 203/204) foram disponibilizados à interessada no sítio eletrônico da RFB, em conjunto com os correspondentes relatórios (e-fls. 212/221). No Termo de Constatação Fiscal, a autoridade tributária justificou as glosas nos seguintes termos (e-fl. 213): Acontece que os produtos que estão relacionados nas notas fiscais em que a empresa entendeu-se que são consumidos no processo de industrialização, na verdade são materiais de consumo, que como pode ser notado analisando as notas fiscais apresentadas pela empresa (por volta de 2.700 notas fiscais distribuídas em vários arquivos, que estão em arquivos anexo, denominados Documentos comprobatórios – Outros – Notas Fiscais apresentadas) que inclui também um outro crédito extemporâneo, lançado na competência 12/2012, no valor de R$162.499,69. Os produtos constantes das notas fiscais são: rolamentos, materiais de limpeza, peças de máquinas, ferramentas, correias de máquinas, reparos, porcas e contra porcas, cilindros, mangueiras, enfim, produtos que são usados no processo produtivo, porém se desgasta pela fadiga do uso ou se consome pelo próprio uso como é o caso de materiais de limpeza, não havendo relação com o consumo no processo produtivo, que é aquele que consome pelo contato físico com o produto fabricado, como é o entendimento já pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (...): Cientificada do despacho decisório em 16/03/2018, a interessada manifestou a sua inconformidade em 13/04/2018 (e-fls. 4/14), conforme certifica a unidade preparadora em seu despacho de encaminhamento (e-fl. 209). Em suma, a manifestante faz as seguintes alegações: 1) Nulidade do despacho decisório Verifica-se que não existe cálculo analítico apontando quais insumos dão origem à glosa dos créditos. Desta forma, o despacho decisório está eivado de vícios, sendo totalmente nulo, implicando no cancelamento da exigência. Ao deixar de constatar os insumos passíveis de creditamento e de formular um cálculo analítico, a Fiscalização prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material. Fl. 308DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.584 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.900964/2015-28 Há ofensa ao princípio da ampla defesa, pois são nulos os despachos e decisões que infiram preterição ao direito de defesa. 2) Improcedência das glosas O Fisco lançou débito de IPI com fato gerador no 3º trimestre de 2013, no montante de R$ 114.624,74, com multa de 20%. O débito originou-se da glosa de créditos extemporâneos escriturados no livro de apuração de IPI, referente à materiais intermediários. Referida glosa não pode subsistir, tendo em vista que tais materiais são essenciais para o processo produtivo e, portanto, devem gerar direito ao creditamento. Os produtos adquiridos são produtos intermediários que estão vinculados e são consumidos no processo produtivo, que não se enquadram nem como ativo fixo e nem como bens de uso e consumo, consoante art. 164, I, do RIPI/2002. Ao final, a interessada requer seja considerado improcedente o despacho decisório. É o relatório do essencial. A 27ª TURMA/DRJ08 exarou o Acórdão sob nº 108-027.145, na unanimidade em julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Através do Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, em 26/10/2022 tomou conhecimento do Acórdão de Manifestação de Inconformidade por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 26/10/2022, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Em 25/11/2022 aviou o presente remédio recursivo com as seguintes alegações: Ratifica a sua Manifestação de Inconformidade; Nulidade do despacho decisório, apontando vício material no auto de infração; Da existência dos créditos e da legalidade da compensação; Ao final requer acolhimento do presente remédio recursivo, julgando improcedente a glosa de crédito, dando por válida a compensação. É a síntese do necessário. Voto Vencido Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, Relator. 1. Da competência para julgamento do feito Em virtude da norma contida no artigo 65 do Anexo da Portaria MF nº 1634, de 21 de dezembro de 2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento Fl. 309DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.584 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.900964/2015-28 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Posto isso, passo à análise das razões recursais. 3. Preliminar Nulidade do Despacho Decisório, apontando vício material no Auto de Infração. Alega nulidade do despacho decisório, apontando vício material no auto de infração. Segundo a Recorrente, “A decisão não descreve de modo completo o fato que deu ensejo à autuação, apenas informando genericamente que os créditos glosados seriam de materiais de uso e consumo. Porém, não especifica quais seriam os supostos materiais de uso e consumo, com as respectivas notas fiscais, apenas, genericamente, citando alguns exemplos (ainda por cima, com a descrição equivocada dos produtos, como será demonstrado no próximo tópico)”. Sustenta sua tese no Decreto Lei 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, mormente nos artigos 9, 10 e 59. Especificamente, diz que o despacho decisório não descreve por menor a indicação de todos os supostos materiais de uso e consumo, cujos créditos foram glosados. Diz que ela somente menciona genericamente quais são os itens que não seriam produtos i9ntermediários e sim materiais de uso e consumo, trazendo alguns exemplos. Essa questão foi levada a julgo da DRJ que, equivocamente, segundo a Recorrente, entendeu que é mera questão de cálculo da glosa. Confira: 2- ALEGAÇÕES DE NULIDADE Suscitando a existência de vícios materiais e ofensa ao princípio da ampla defesa, a interessada requer o reconhecimento da nulidade do despacho decisório. Aduz: 2.1. Analisando o Termo de Constatação Fiscal do despacho, verifica-se que não existe cálculo analítico apontando quais insumos dão origem à glosa em questão. (...) A alegação de que “não existe cálculo analítico apontando quais insumos dão origem à glosa em questão” é tecnicamente inapropriada, haja vista que os cálculos não se destinam a identificar os insumos utilizados ou desconsiderados, mas a demonstrar a apuração do direito creditório. De qualquer maneira, tanto as glosas quanto a apuração estão devidamente demonstradas nos anexos que instruem o despacho decisório (e-fls. 203/204), como é atestado pela própria manifestante ao explanar: 3.1. Trata-se de procedimento fiscal no qual a auditoria lançou débito de IPI com fato gerador no 3º trimestre de 2013, no montante de R$ 114.624,74, com multa de 20% (vinte por cento). O débito originou-se da glosa de créditos extemporâneos escriturados no livro de apuração de IPI, referente à materiais intermediários, conforme expôs a auditoria fiscal na descrição dos fatos do termo de constatação fiscal ora inconformado pelo contribuinte. Confira-se: (grifou-se) (...) Com efeito, não se pode deixar de salientar que a autoridade tributária fez constar no Termo de Constatação Fiscal (e-fl. 215): 6. Diante do fato acima exposto, os valores dos créditos extemporâneo lançado no 3º trimestre de 2013, nas competências julho de 2013 e agosto de 2013. Estão sendo glosados. Fl. 310DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.584 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.900964/2015-28 Destarte, não há que se falar em falta de identificação dos insumos glosados e inexistência de “cálculo analítico”. Observa-se ainda um evidente equívoco conceitual na declaração: “(...) a fiscalização prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo”. Em se tratando de glosas de créditos de IPI, é incabível pretender trazer à baila discussões sobre base de cálculo, alíquota aplicável e valor do tributo devido, posto que o crédito de IPI corresponde ao imposto destacado em nota fiscal dos produtos adquiridos e pagos pelo adquirente, até porque não houve lançamento ou revisão de ofício dos débitos de IPI escriturados, incidentes sobre os produtos saídos do estabelecimento fiscalizado. A propósito de nulidades no âmbito do contencioso administrativo-tributário federal, vale mencionar que o PAF estabelece em seus artigos 59 e 60: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Sobre atos, termos e decisões lavrados por autoridade incompetente, não se verifica nos autos a ocorrência desta circunstância. Já em relação ao direito de defesa, esclareça-se que cerceá-lo significa criar impedimentos ou limitações ao contraditório e à ampla defesa, ao arrepio da lei. No processo administrativo-fiscal, o cerceamento à defesa estaria configurado se houvesse restrições à apresentação da peça impugnatória e demais elementos comprobatórios, sem observância das regras impostas pelo Decreto nº 70.235/72, bem como diante da existência de obscuridades e omissões nos fundamentos de fato e de direito que embasaram o lançamento ou, no caso, a apuração do direito creditório, capazes de prejudicar a sua inteira compreensão. No caso concreto, não se verifica a imposição de restrições à apresentação da manifestação de inconformidade, que foi acolhida integralmente, da forma como encaminhada pela interessada. Assiste razão a DRJ quando reconhece que a autoridade tributária lançadora fez constar no Termo de Constatação Fiscal (e-fl.215) que os valores dos créditos extemporâneo lançado no 3º trimestre de 2013, nas competências julho de 2013 e agosto de 201 foram glosados, porque os cálculos não se destinam a identificar os insumos utilizados ou desconsiderados, mas a demonstrar a apuração do direito creditório. De mais a mais, seja como for, tanto as glosas quanto a apuração foram devidamente demonstradas nos anexos que instruem o despacho decisório (e-fls. 203/204), sendo que a própria Recorrente tem consciência disso, que foi reconhecido em sua Manifestação de Inconformidade, onde diz que a glosa originou de créditos extemporâneos escriturados no livro de apuração de IPI, referente à materiais intermediários,. Portanto, não vejo nulidade arguida, eis que não há afronta a legislação de regência, mormente os artigo 59 e 60 do Decreto 70.235/72, bem como não deixou de pormenorizar a atuação a autoridade fiscal lançadora. Rejeito a presente preliminar. Fl. 311DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.584 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.900964/2015-28 4.Mérito Da Existência dos créditos e da legalidade da compensação. Em sua peça recursiva alega que o IPI submete-se à não-cumulatividade, por força do art. 153, §3º, II da Constituição Federal, bem como os arts. 49 do CTN, 25 da Lei 4.502/64 e 226 do Decreto 7.212/2010 preveem a não-cumulatividade do IPI e permite a tomada de crédito de produto intermediário empregado no processo de industrialização, respectivamente. Alega que ela revisou a escrituração do seu IPI e verificou que não foram tomados créditos de produtos intermediários empregados no seu processo de industrialização, sendo que foi extemporânea a escrituração, fazendo a compensação com débitos por PER/DCOMP, cujos quais foram glosados pelo despacho decisório com o entendimento que os produtos seriam materiais de uso e consumo, que foi mantido pela decisão ora objurgada. Entende que a autoridade lançadora e a decisão anatematizada estão equivocadas, pois são produtos intermediários, sendo que o Tema 168 de recurso repetitivo do STJ é nesse sentido e eles têm relação direta com a industrialização. Traz jurisprudência do CARF Tenho o entendimento na seara traçada pela Recorrente, ou seja, há direito ao crédito de IPI a aquisição de produtos intermediários, que embora assim o seja contribui para o processo de industrialização. E, são intermediários exatamente aqueles que não estão integrado ao produto, mas contribuem para produção, como por exemplo a agulha que faz a costura de um sapato; a máquina que serve de forma para moldar uma roda de carro. Nos termos do disposto de dispositivo do n artigo 99 do RICARF, aprovado pela Portaria MF 1.634, de 16 de dezembro de 2023, as decisões definitivas de mérito exaradas pelo STF e pelo STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 1.039 do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, o presente litígio restringe-se a buscar a correta interpretação do repetitivo do STJ da matéria em testilha, que deverá ser adotado para a solução dos litígios no CARF. Ademais, temos que o artigo 82 do Decreto 87.981/1982 do RIPI prevê que poderão creditar-se "do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização". Portanto, como apontado no presente remédio recursivo, parece-me que os produtos indicados pela Recorrente faz parte dos produtos "consumidos no processo de industrialização" significa consumo, desgaste ou alteração de suas propriedades físicas ou químicas durante a industrialização. Então, não se pode olvidar que a legislação tributária considera como produto intermediário aquilo que se integra, de forma física ou química, ao novo produto ou aquilo que sofre consumo, desgaste ou alteração de suas propriedades físicas ou químicas. Por fim, conforme Tema Repetitivo 168 STJ, firmou-se a tese de reconhecer a possibilidade de creditamento de IPI relativo à aquisição de materiais intermediários que se desgastam durante o processo produtivo sem contato físico ou químico direto com as matérias primas (bens destinados ao uso e consumo).Como é o presente caso, onde, junto com a Recurso Fl. 312DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.584 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.900964/2015-28 Voluntário foi juntado laudos demonstrando que os produtos que se pretende o creditamento são os que são consumidos no processo de industrialização. Com razão a Recorrente. Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário aviado, rejeitando a preliminar de nulidade da decisão objurgada, para no mérito dar-lhe provimento, excluindo-se as glosas que impediram a totalidade de seu PER/DCOMP. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa Voto Vencedor Conselheira Francisca Elizabeth Barreto – Redator designado. O relator dava provimento ao presente recurso por entender que os laudos apresentados pela recorrente demonstram que os produtos, para os quais se pretende o creditamento de IPI, seriam materiais intermediários consumidos no processo de industrialização, nos termos do Tema Repetitivo 168 STJ. Tal entendimento não deve prosperar, pois o fato de se desgastar no processo de industrialização não garante ao produto automaticamente o status de matéria-prima ou produto intermediário que gere direito a crédito de IPI. A legislação é clara ao excluir os bens compreendidos no ativo permanente do rol dos produtos que geram crédito de IPI. No caso em análise, os créditos reclamados foram glosados porque os produtos adquiridos não se enquadram, nos termos da legislação regente, como insumos propiciadores de direito creditório. O RIPI/2010 esclarece que se incluem no conceito de matéria-prima e produto intermediário os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Já o Parecer Normativo nº 181, de 1974, assim dispunha no seu item 13: “13. Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de Fl. 313DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.584 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.900964/2015-28 industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” Pode-se perceber, portanto, que nem tudo que se consome no processo produtivo pode ser considerado insumo, não gerando direito ao crédito os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos. O Parecer Normativo nº 181/74 foi emitido na vigência do Decreto nº 70.162, de 18 de fevereiro de 1972, atualizado pelo Parecer Normativo nº 65/79, que incluiu a possibilidade do direito ao crédito, para as ferramentas manuais e para as intermutáveis e para quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. O Parecer Normativo COSIT/RFB nº 3, de 4 de dezembro de 2018, citando os Pareceres Normativos CST nº 181/74 e o PN CST nº 65/79, concluiu o seguinte: 9. Verifica-se, então, que o crédito de IPI está ligado diretamente ao fato de o insumo participar intrinsecamente do processo produtivo. E isso não ocorre com as máquinas e suas partes e peças e nem com equipamentos e instalações. (...) 10. Não se vislumbra qualquer alteração legislativa ou regulamentar que imponha alteração desse entendimento acerca da matéria. Assim, não se vê razão para admitir�se, ainda que em tese (como fez a SC 24), a possibilidade de crédito de IPI para partes e peças de máquinas. Reitere-se que, pelas mesmas razões, não se admite apuração de crédito de IPI na aquisição de equipamentos e instalações. 11. Portanto, deve ser corroborado o entendimento administrativo assentado no sentido de que não cabe crédito de IPI relativo à aquisição de máquinas, suas partes e peças, equipamentos e instalações. Conclusão 12. Com base no exposto, conclui-se que não há direito a crédito de IPI relativo à aquisição de máquinas, suas partes e peças, equipamentos e instalações, ainda que se desgastem com o uso. 13. Ficam modificadas as conclusões em contrário constantes em Soluções de Consulta ou em Soluções de Divergência emitidas antes da publicação deste ato, independentemente de comunicação aos consulentes. Por conseguinte, fica claro que “máquinas, equipamentos e instalações, bem como suas partes, peças e acessórios não se confundem com as matérias-primas e produtos intermediários”. Ademais, a própria Tese Jurídica do repetitivo 168 do STJ é que "A aquisição de bens integrantes do ativo permanente da empresa não gera direito a creditamento de IPI". Ora, os laudos apresentados demonstram claramente que os produtos para os quais o recorrente busca o creditamento de IPI são partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos compreendidos no ativo permanente, sendo apresentado em cada laudo fotos do local aonde se encaixam nessas máquinas. Portanto, correta a fiscalização ao glosar os referidos créditos. Conclusão Fl. 314DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-002.584 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.900964/2015-28 Nesse sentido, nega-se provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Francisca Elizabeth Barreto – Redator designado Fl. 315DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10880.015667/98-71
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
INTEMPESTIVIDADE. Não se deve conhecer do recurso voluntário interposto após transcorrido o trintídio legal para sua apresentação.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 204-00.492
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso, por intempestivo.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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Recorrida : DRJ em São Paulo - SP PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. I , MIN. DA FAZENDA -2° CC INTEMPESTIVIDADE. Não se deve conhecer do recurso CONFERE CM O ORICNAL voluntário interposto após transcorrido o trintídio legal para sua ERASÁLIA O ti 106 apresentação. 1 - Recurso não conhecido.5,- ...., VISTO ---"-."------- 1 , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RISA 1 COMERCIAL LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso, por intempestivo. 1 Sala das Sessões, em 11 de agosto de 2005. ‘ . P........,( , eriKirtle Piiiheircit Presidente \S"--.JiaJL. Nayr astos I,anatta , Relatora, I Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Gustavo de Freitas Cavalcanti Costa (Suplente) I 1 i 22 CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes MIN. DA FAZENDA - 2 9 CC Fl. CCNFERE csm O ORIGINAI Processo n' : 10880.015667/98-71 BRASlLIA ./61•5 Recurso nn : 129.827 Acórdão n2 : 204-00.492 VISTO - - Recorrente : RISA COMERCIAL LTDA. • RELATÓRIO Adoto o relatório da primeira instância que a seguir transcrevo: O contribuinte acima identificado apresentou manifestação de inconformidade com relação ao Despacho Decisório às fls. 177/184 que indeferiu o pedido de restituição e não homologou a compensação declarada. 2 O pedido foi indeferido pela DERA T-SÃO PAULO pelos seguintes motivos, dentre outros: 2.1 Ocorreu decadência do direito de restituição para os pagamentos de PIS e de FINSOCIAL efetuados até 24/06/1993; 2.2 A partir da edição da Lei n° 7.691/88 não mais subsiste o prazo de seis meses entre o fato gerador e o pagamento da contribuição para o PIS; 2.3Descabe restituição de valores pagos de PIS calculado à aliquota de 0,65% sobre Receita Operacional (que coincidiu com o faturamento) , com base nos Decretos-lei n° 2.445/88 e 2.449/88, uma vez que o valor é menor do que aquele calculado à aliquota de 0,75% sobre o faturamento, com base na Lei Complementar n° 7/70; 3 Na manifestação de inconformidade às fls. 202/210 o contribuinte alegou, fundamentalmente, que: 3.1 O termo a quo para contagem do prazo decadencial de 5 anos para pedir a restituição/compensação dos valores de PIS é, na pior hipótese, a data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido, ou seja, a data da publicação da Resolução do Senado Federal n°49/95; 3.2 Às iterativas decisões do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, a Secretaria da Receita Federal respondeu com a Instrução Normativa n° 31/97, unificando o seu entendimento acerca da questão da semestralidade; 3.3 A Secretaria da Receita Federal elaborou o Parecer Cosit n° 58/98, unificando e consolidando seu entendimento acerca da decadência do direito de pleitear a restituição; 4Finalmente, requer que seja reformado o decisium, para reconhecer o crédito apresentado à compensação. 5 É o relatório. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação da contribuinte, ementando, assim, sua decisão: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/1988, 31/08/1988, 30/09/1988, 31/10/1988, 30/11/1988, 31/12/1988, 31/01/1989, 28/02/1989, 31/03/1989, 30/04/1989, 31/05/1989, 30/06/1989, 31/07/1989, 31/08/1989, 30/09/1989, 31/10/1989, 30/11/1989, 31/1 /1989, 31/01/1990, 11( 2 22 CC-MFMinistério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes MIN. DA FAZENDA - 2° CC Fl. CLUFERE CQ114 O ORIGNAL Processo n2 : 10880.015667/98-71 BRASíLIA 0‘ Recurso dl : 129.827 Acórdão : 204-00.492 VISTO 28/02/1990, 31/03/1990, 30/04/1990, 31/05/1990, 30/06/1990, 31/07/1990, 31/08/1990, 30/09/1990, 31/10/1990, 30/11/1990, 31/01/1991, 28/02/1991, 31/03/1991, 30/04/1991, 31/05/1991, 30/06/1991, 31/07/1991 , 31/08/1991, 30/09/1991, 31/10/1991, 30/11/1991, 31/12/1991, 31/01/1992, 29/02/1992, 31/03/1992, 30/04/1992 , 31/05/1992 , 30/06/1992 , 31/07/1992, 31/08/1992, 30/09/1992, 31/10/1992, 30/11/1992, 31/12/1992, 31/01/1993, 28/02/1993, 31/03/1993, 30/04/1993, 31/05/1993, 30/06/1993, 31/07/1993, 31/08/1993 , 30/09/1993 , 31/10/1993, 30/11/1993, 31/12/1993 , 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 31/05/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/12/1994, 31/01/1995, 28/02/1995, 31/03/1995 Ementa: PIS - COMPENSAÇÃO - DECADÊNCIA - O direito de pleitear a compensação extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. PIS - PRAZO DE PAGAMENTO - Desde a edição da Lei n.° 7691, em 15.12.88, o prazo para pagamento deixou de ser o de seis meses, contados do fato gerador. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/08/1989 a 29/02/1992 Ementa: FINSOCIAL - PRECLUSÀO - Não tendo sido devolvidas, a este órgão julgador, questões referentes ao FINSOCIAL, é de se considerar não contestado o entendimento esposado no Despacho Decisório com relação à citada contribuição (aplicação analógica do art. 17 do Decreto n° 70.235/72).Solicitação Indeferida" A contribuinte tomou ciência do teor do referido Acórdão em 24/03/2005, fl. 246 - verso, e, discordando da decisão de primeira instância, interpôs, em 29/04/2005, Recurso Voluntário a este Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 250/275), reiterando os argumentos da peça impugnatória. Foi apenso ao presente processo o de n° 13807.000449/2004-66 versando sobre a compensação dos créditos, hora em análise, com débitos do _ PIS, Cofins, IRPJ - Lucro Presumido, CSLL e IRPJ- Estimativa Mensal, sendo que os débitos relativos à CSLL e ao IRPJ foram transferidos para os processos de n° 19515.001059/2005-66 e 19515.001060/2005-91 (auto de infração). É o relat o itório. 3 22 CCMinistério da Fazenda -MF Segundo Conselho de Contribuintes i MIN._ DA FAZENDA - CC • CONFERE CM O ORIGINAL Processo nig- : 10880.015667/98-71 BRASÍLIA -V, }A,PC Recurso J : 129.827 v Acórdão n : 204-00.492 - VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANATTA Do exame dos autos, constata-se que o recurso não atende a um dos requisitos de admissibilidade, porquanto fora apresentado extemporaneamente, como demonstrar-se-á a seguir: O documento denominado Aviso de Recebimento - AR, juntado à fl. 246 - verso, dá conta que a cópia da decisão recorrida foi entregue ao reclamante em 24/03/2005 (quinta- feira). O prazo trintenal para apresentação do recurso começa a fluir no primeiro dia útil seguinte, 28/03/2005 (segunda-feira), já que o dia 25/03/2005 (sexta-feira) foi feriado da paixão. Completou-se, pois, o interstício em 26/04/2005, terça-feira. Todavia, o recurso foi protocolado na Delegacia da Receita Federal em São Paulo - SP, conforme atesta o carimbo aposto à fl. 250, somente no dia 29/04/2005, sexta-feira. Portanto, fora do trintídio legal. Posto isso, e considerando que a interposição a destempo do apelo voluntário impede a sua admissibilidade, voto no sentido de não se conhecer do recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de agosto de 2005. BAq& Mi1n12.1TA 4
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001921/2003-06
Data da sessão: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/2003
TRIBUTÁRIO. PIS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF.
0 prazo para a constituição do credito tributário finda-se com o decurso de prazo de 5 anos. Súmula Vinculante no 8 do STF.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.900
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: NANCI GAMA
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PIS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. 0 prazo para a constituição do credito tributário finda-se com o decurso de prazo de 5 anos. Sumula Vinculante no 8 do STF. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto eitas Bi eto - Presidente EDITADO EM: 03/12/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa P6ssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional nos autos do processo n° 16327.001921/2003-06 contra acórdão de no 204-00.497 , proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência parcial nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. A Procuradoria da Fazenda Nacional justifica o cabimento do presente recurso especial em razão de decisões divergentes proferidas por outras da Câmaras do Segundo Conselho, no que tange a aplicação do disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, segundo o qual: "Art. 45. 0 direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. (..)" Diante do dissídio jurisprudencial evidenciado acerca do disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91, a Procuradoria da Fazenda Nacional requer o provimento do presente Recurso. o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do presente Recurso Especial, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Diante das inúmeras discussões acerca do prazo decadencial aplicado As contribuições sociais, em especial, ao PIS, a questão restou dirimida e pacificada com a publicação da Súmula Vinculante de n° 08, do E. Supremo Tribunal Federal, segundo a qual: "Sao inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-Lei n" 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Dessa maneira, qualquer, eventual, dúvida relacionada ao prazo decadencial acaba por findar-se com o advento de tal dispositivo, alicerçado com base na Emenda Constitucional n° 45/2004, que incluiu em nossa Constituição, entre outros, o art. 103-A, o qual dispõe que: 2 Processo n° 16327.001921/2003-06 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.900 Fl. 687 "Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. sç' 1° A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. ,sç 2 0 Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. 5s' 3° Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso." Sendo assim, não há o que se falar em 10 (dez) anos no que diz respeito ao prazo decadencial referente ao PIS vide a suspensão da eficácia normativa do art. 45 da Lei n° 8.212/91. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao presente Recurso Especial. uci 3
score : 1.0
Numero do processo: 13981.000205/2004-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
DILIGÊNCIA. INFORMAÇÕES A CARGO DO CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO.
Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizá-la quando visa a obtenção de informações que deviam fornecidas pelo contribuinte.
PEDIDO RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE.
Tratando-se de crédito restituição, ressarcimento ou compensação, o ônus de provar o crédito alegado é do contribuinte, que o reclama, não sendo dever da Administração Tributária produzir tal prova.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO.
No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de materiais de embalagem, como etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES SEM IDENTIFICAÇÃO ADEQUADA. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO COM OS BENS PRODUZIDOS. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS.
A simples juntada dos documentos de aquisição, desacompanhada de uma identificação precisa dos insumos e dos valores respectivos, impede que se possa vinculá-los aos bens produzidos e constitui obstáculo à apuração dos créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON.
Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte.
Numero da decisão: 3401-001.581
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, para rejeitar a diligência solicitada e reconhecer os créditos relativos às
aquisições de embalagens; II) por maioria, para admitir os créditos extemporâneos comprovados, vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que negava provimento; e III) por unanimidade, para negar provimento quanto aos créditos relativos às notas fiscais com descrição genérica, às despesas de empréstimos e financiamentos e à importação. Fez sustentação oral o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC nº 22912.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DILIGÊNCIA. INFORMAÇÕES A CARGO DO CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO. Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizá-la quando visa a obtenção de informações que deviam fornecidas pelo contribuinte. PEDIDO RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. Tratando-se de crédito restituição, ressarcimento ou compensação, o ônus de provar o crédito alegado é do contribuinte, que o reclama, não sendo dever da Administração Tributária produzir tal prova. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de materiais de embalagem, como etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES SEM IDENTIFICAÇÃO ADEQUADA. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO COM OS BENS PRODUZIDOS. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. A simples juntada dos documentos de aquisição, desacompanhada de uma identificação precisa dos insumos e dos valores respectivos, impede que se possa vinculá-los aos bens produzidos e constitui obstáculo à apuração dos créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte.
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Recorrente FRAME MADEIRAS ESPECIAIS LTDA Recorrida DRJ FLORIANÓPOLISSC Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 DILIGÊNCIA. INFORMAÇÕES A CARGO DO CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO. Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizála quando visa a obtenção de informações que deviam fornecidas pelo contribuinte. PEDIDO RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. Tratandose de crédito restituição, ressarcimento ou compensação, o ônus de provar o crédito alegado é do contribuinte, que o reclama, não sendo dever da Administração Tributária produzir tal prova. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da nãocumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de materiais de embalagem, como etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados. Fl. 350DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 3401001.581 S3C4T1 Fl. 317 2 NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES SEM IDENTIFICAÇÃO ADEQUADA. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO COM OS BENS PRODUZIDOS. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. A simples juntada dos documentos de aquisição, desacompanhada de uma identificação precisa dos insumos e dos valores respectivos, impede que se possa vinculálos aos bens produzidos e constitui obstáculo à apuração dos créditos da nãocumulatividade do PIS e Cofins. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, para rejeitar a diligência solicitada e reconhecer os créditos relativos às aquisições de embalagens; II) por maioria, para admitir os créditos extemporâneos comprovados, vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que negava provimento; e III) por unanimidade, para negar provimento quanto aos créditos relativos às notas fiscais com descrição genérica, às despesas de empréstimos e financiamentos e à importação. Fez sustentação oral o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC nº 22912. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Raquel Minatel, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 4ª Turma da DRJ em Declaração de Compensação (DCOMP) com créditos da Cofins nãocumulativa. O pedido de ressarcimento, amparado no 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003 (receitas decorrentes de exportação), foi deferido parcialmente. Fl. 351DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 3401001.581 S3C4T1 Fl. 318 3 Após a Manifestação de Inconformidade ser julgada procedente em parte, na peça recursal a contribuinte, inicialmente, tece considerações sobre o direito ao crédito da Contribuição nãocumulativa mencionando, dentre outros diplomas legislativos, a Emenda Constitucional nº 42/2003, o art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e a IN SRF nº 247/2002, argüindo que esta não possui competência para restringir o conceito de insumo estabelecido em lei. Em seguida defende o direito ao crédito em relação às glosas abaixo relacionadas, com os argumentos postos em seguida: aquisições de embalagens, que segundo a Recorrente dão direito ao crédito porque os insumos (etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço) integram o produto industrializado e a restrição aplicável ao IPI, adotada pelo Fisco (são materiais de transporte, e não de apresentação) não está amparada nas leis da não cumulatividade do PIS e Cofins; insumos descritos de forma genérica nas notas fiscais, ponto em que contesta o acórdão recorrido asseverando que “juntou aos autos vários documentos que constituem elementos mais que suficientes para descrever e caracterizar tais bens como insumo, sem terem sido considerados” (a DRJ analisou as notas fiscais apresentadas junto com a Manifestação de Inconformidade e manteve a glosa em relação a algumas delas por não saber se o produto adquirido faz parte do processo produtivo da empresa); créditos extemporâneos, por uso notas fiscais emitidas num mês mas computadas pela Recorrente na apuração dos créditos no mês seguinte, porque a lei permite o aproveitamento do crédito nos meses subseqüentes; e créditos da importação, já que segundo a Recorrente foi confirmado o pagamento de valor da Contribuição incidente na importação e o art. 15 da Lei nº 10.865/2004 assegura o desconto (a DRJ manteve a glosa por não ter sido apresentado quaisquer documentos comprovando o ajuste no Dacon). Requer ao final sejam reconhecidos todos os créditos defendidos e homologada completamente a compensação ou, em caso contrário, a realização de diligência, visando verificar a real necessidade dos créditos envolvidos com análise dos documentos juntados com a Manifestação de Inconformidade. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que cabe conhecêlo. DILIGÊNCIA: INDEFERIMENTO PORQUE ÔNUS DA PROVA É DA CONTRIBUINTE A diligência requerida deve ser rejeitada porque, ao contrário do afirmado na peça recursal, a DRJ analisou os documentos apresentados junto com a Manifestação de Inconformidade. Diante do acórdão bastante detalhado, sem qualquer omissão ou contradição, Fl. 352DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 3401001.581 S3C4T1 Fl. 319 4 cabia à Recorrente tratar de forma pormenorizada dos insumos que segundo afirma foram desprezados indevidamente pela primeira instância, explicando como são utilizados no seu processo de industrialização ou em eventual serviço por ela prestado. A Recorrente podia – e devia – ao menos ter enumerado quais documentos teriam sido desprezados pela DRJ, bem como discriminado os insumos não considerados. Todavia, entra em detalhes apenas quando se refere aos materiais de embalagem e a algumas notas fiscais contabilizadas em meses seguintes aos dos de emissão. Ressalto, por oportuno, que na espécie destes autos as provas devem ser apresentados pela contribuinte, por se cuidar de ressarcimento. Outrossim, é cediço que diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizála quando visa a obtenção de informações que deviam fornecidas pelo contribuinte, como se dá no presente processo. Quanto à crítica à DRJ, “porque vários períodos foram autuados e julgados da mesma forma”, é improcedente. Como os diversos processos tratam de glosas (ou temas) que se repetem nos inúmeros meses com apuração de saldo credor da Contribuição e respectivos pedidos de ressarcimento, o voto da DRJ também se repete. A uniformidade nos julgamentos, longe de implicar em qualquer equívoco, contribui para a celeridade e a eficiência que devem nortear o Processo Administrativo Fiscal, sem qualquer mácula à legalidade. DEFINIÇÃO DE INSUMOS NA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS E COFINS: INAPLICABILIDADE DAS RESTRIÇÕES PRÓPRIAS DO IPI E NÃO SUBMISSÃO AO CRITÉRIOS MAIS AMPLOS DO IRPJ Indeferida a diligência, adentro no cerne do debate e trato da definição de insumos que geram créditos na nãocumulatividade do PIS e Cofins. Em seguida, em tópicos específicos, cuido de cada glosa mantida pela DRJ e cujo crédito é novamente defendido pela agora Recorrente. Admitindo a polêmica que os créditos da nãocumulatividade das duas Contribuições encerra, destaco o art. 3º, II, tanto da Lei nº 10.637/2002 (para o PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003 (para a Cofins). Na redação dada pela Lei nº 10.865/2004, os dois dispositivos legais informam (verbis): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Por inexistir um dispositivo específico tratando da maior parte dos valores em questão (diferentemente ocorre, por exemplo, em relação às despesas com energia, aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos etc, que possuem regras particulares, insertas nos incisos III Fl. 353DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 3401001.581 S3C4T1 Fl. 320 5 a X do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), a norma a ser aplicada nos insumos em geral há de ser extraída do inc. II, acima transcrita. Este contempla regra mais genérica, segundo a qual bens e serviços utilizados como insumos na (não é dito “para” ou “visando a”, como poderia ter preferido o legislador) prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Se em vez de “na” tivesse sido empregado “para”, ensejaria uma interpretação funcional ou de simples necessidade à produção, a admitir o emprego do método teleológico na norma ora construída. Para mim, a norma contida no texto do inc. II em comento não exige que determinado insumo seja direta ou imediatamente utilizado no produto ou serviço final. Pode o insumo estar ligado a um produto intermediário. Mas há necessidade de se identificar a qual produto ou serviço está relacionado. Sem essa identificação ou vinculação (em qual produto ou serviço o insumo é empregado), inexiste o crédito. Por essa regra geral, os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos, por um lado, não parecem tão abrangentes quanto as deduções do IRPJ, onde se admitem todas as despesas necessárias à atividade empresarial. Por outro, não se restringem aos insumos empregados em processo industrial, como se dá no âmbito do IPI. Das normas extraídas das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e da amplitude do aspecto material das duas Contribuições que incidem sobre o faturamento ou receita bruta, nesta incluídas as demais receitas além das provenientes da venda de mercadoria e da prestação de serviços , o que se tem é um meiotermo entre a amplitude do IRPJ e a limitação do IPI. A mais, em relação aos insumos do IPI, a nãocumulatividade do PIS e Cofins admite créditos sobre os valores da depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, da amortização edificações e benfeitorias utilizados nas atividades da empresa, da energia elétrica e térmica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica etc. A menos, em relação às despesas dedutíveis do IRPJ, não se admite créditos sobre pagamentos a não contribuintes das duas Contribuições (pessoas físicas, especialmente, excetuados os créditos presumidos) e sobre despesas diversas, por exemplo. Por ser mais ampla do que a nãocumulatividade do IPI, que tem sede constitucional – ao contrário da nãocumulatividade do PIS e Cofins, de suporte infraconstitucional e com nascedouro nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 , não há exigência, aqui, de contato direto do insumo com o produto final, como determina o PN CST nº 65/79. Este Parecer Normativo é aplicável apenas no âmbito do IPI. Diferentemente do que pretendem as IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que parecem remeter ao referido Parecer (refirome à alínea “a” do inc. I do § 4º do art. 8º da IN SRF nº 404/2004, equivalente à alínea “a” do inc. I do § 5º do art. 66 da IN SRF 247/202), não vejo suporte legal para se requerer na nãocumulatividade das Contribuições que “a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação” (redação da citada alínea, na IN SRF nº 404/2004). O que a nãocumulatividade das duas Contribuições requer, em vez do contato direto aluído no referido Parecer, é a vinculação do insumo com esse ou aquele bem produzido (ou serviço prestado). Daí não acolher a interpretação da DRJ, na parte em que aplicou sem reservas as IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. EMBALAGENS: DIREITO AO CRÉDITO PORQUE VINCULADAS AOS PRODUTOS DE MADEIRA INDUSTRIALIZADOS Fl. 354DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 3401001.581 S3C4T1 Fl. 321 6 Diante da definição acima exposta, e considerando que a atividade da Recorrente é a industrialização, o comércio e a exportação de madeiras, incluindo móveis, artefatos e acessórios, tenho para mim que o acórdão recorrido merece reparo, no que deixou de admitir o crédito das aquisições de embalagens. Como informa a Recorrente, tais aquisições dizem respeito a etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço. Esses produtos constituem insumos vinculados aos produtos fabricados, ainda que não sirvam à apresentação, mas ao transporte. Afinal, se não forem embalados corretamente há risco de danos no transporte, que de todo modo é um serviço prestado ou pela Recorrente, na hipótese de a entrega estar embutida no preço (preço CIF), ou pelo transportador, na venda por conta do adquirente (preço FOB). Independentemente da espécie de preço praticada (CIF ou FOB), o certo é que os materiais acima elencados são empregados pela Recorrente e estão vinculados aos produtos por ela fabricados. Por isso os créditos respectivos devem ser computados, descabendo cogitar da diferenciação existente no âmbito do IPI, cujos créditos são concedidos às embalagens de apresentação, mas não às de transporte. Sobre a inaplicabilidade dessa diferenciação para o PIS e Cofins, este Colegiado já decidiu, por maioria, nos termos seguintes (processo nº 13984.001509/200516, Recurso nº 503005, julgado em 10/12/2010, relator o Cons. Odassi Guerzoni Filho, vencido parcialmente, eu designado para o voto vencedor): NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte são consideradas insumos na sistemática da nãocumulatividade do PIS e Cofins e dão direito ao crédito a descontar na apuração dessas Contribuições. INSUMOS DESCRITOS DE FORMA GENÉRICA NAS NOTAS FISCAIS: AUSÊNCIA DE PROVAS A CARGO DA CONTRIBUINTE Neste item descabe reformar o acórdão da DRJ, porque a descrição genérica em notas fiscais, emitidas pelos fornecedores da Recorrente, impossibilita saber, com precisão, dos produtos adquiridos e de sua inserção no processo de fabricação da empresa. A simples juntada dos documentos de aquisição, desacompanhada de um rol dos insumos e dos seus valores, impede o levantamento dos créditos, ainda que em tese possa haver razão à Recorrente, ao menos em relação a um ou outro material que porventura seria caracterizado como insumo. A DRJ, ao analisar notas fiscais apresentadas junto com a Manifestação de Inconformidade e manter a glosa em relação a algumas delas, atuou nos limites de suas possibilidades porque cabia à empresa especificar os insumos e valores da glosa questionada. Vale, aqui, o que já foi dito no tópico da diligência, pois cabia à Recorrente ser mais diligente, em vez de pretender que a administração tributária corresse à procura de informações que deviam ser apresentadas junto com a primeira inconformidade ou com a peça recursal. Devia a Recorrente ter discriminado quais insumos, exatamente, não foram computados pela DRJ, bem como explicado como eles se integram ao seu processo produtivo. A contestação genérica, aliada ao pedido de diligência também genérico, como já demonstrado mais acima, acarreta a manutenção da glosa. Fl. 355DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 3401001.581 S3C4T1 Fl. 322 7 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS: POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO NO PRAZO DE CINCO ANOS A CONTAR DA AQUISIÇÃO DO INSUMO, SEM NECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON Desde que não ultrapassado o prazo decadencial de cinco anos a contar do recebimento da mercadoria, é admissível o aproveitamento dos créditos nos meses seguintes, tal como pretende a Recorrente. Como aqui a discussão é restrita à possibilidade de aproveitamento tardio, sem retificação prévia do Dacon – o que é rejeitado pela DRJ e defendido pela Recorrente , não havendo dúvida quanto ao insumo e o crédito respectivo, e tampouco é questionada eventual duplicidade (um mesmo crédito poderia ser aproveitado no mês de aquisição e, por erro, ser reaproveitado em período seguinte), o acórdão recorrido merece reforma. Verificando as notas fiscais anexadas à Manifestação de Inconformidade, a DRJ manteve as glosas dos créditos correspondentes às emitidas por alguns fornecedores, porque o aproveitamento se deu nos meses seguintes. Ao tratar da energia elétrica (serviço que também teria sido aproveitado extemporaneamente para fins do crédito, segundo a Recorrente, quando de fato a glosa computada no despacho de origem diz respeito à multa, juros e correção monetária que acompanharam o pagamento da energia, como se vê no tópico seguinte), a DRJ rejeita o aproveitamento em período seguinte afirmando o seguinte: ... diferente do que entende a contribuinte, não há possibilidade de creditamento de valores relativos a meses anteriores ao da apuração. Se fosse o caso, deveria a contribuinte retificar os demonstrativos — Dacon — dos meses em que efetivamente ocorreram as despesas com energia elétrica, bem como requerer o crédito em processo relativo ao período correspondente a fim de ter direito aos referidos créditos. Para mim, na situação em tela não há necessidade de a contribuinte retificar o Dacon antes, para somente após aproveitar os créditos em período seguinte. No curso de uma fiscalização ou diligência, constatado incongruência nos dados do Dacon (ou de outra declaração entregue pelos contribuintes, inclusive a DCTF), os cálculos do tributo devido devem ser refeitos de modo a resultar em lançamento de ofício ou em proveito do sujeito passivo. Na hipótese de incongruência favorável ao contribuinte nada impede que a administração tributária adote as providências cabíveis, dispensandose exigências que podem ser supridas por ato da própria administração. É o que se dá no caso sob análise, já que o processamento do Dacon pode ser refeito pela RFB. Para tanto basta instituir controles nos sistemas eletrônicos, a registrar a alteração feita. Não me parece razoável que, após a contribuinte explicar a apuração do crédito em período seguinte e requerer o aproveitamento extemporâneo, dentro do prazo decadencial, sem que haja dúvida sobre o direito alegado este lhe seja negado sob a justificativa de não ter sido retificada previamente uma obrigação acessória. O fato de o Dacon não ter sido retificado há de ser relevado, por não haver dúvida quanto ao crédito correspondente às aquisições das notas fiscais acima mencionadas. Na linha da interpretação ora adotada, já existe, inclusive, decisão de Superintendência da RFB dizendo da desnecessidade de retificação de DCTF, em hipótese que se afigura semelhante à presente situação. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: Fl. 356DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 3401001.581 S3C4T1 Fl. 323 8 ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Pelos fundamentos acima, e levando em conta o § 4º do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637/2002 (PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003 (Cofins), segundo o qual o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, dou provimento parcial para admitir os créditos relativos às aquisições das notas fiscais de fornecedores anexadas à Manifestação de Inconformidade e aproveitadas no mês seguinte ao de emissão. CRÉDITOS DA IMPORTAÇÃO: AUSÊNCIA DE PROVAS A CARGO DA CONTRIBUINTE A glosa do crédito pela Contribuição paga na importação também deve ser mantida, por ausência de provas a cargo da contribuinte. Apesar de o Dacon conter ajuste a título de importação, nem ao menos se sabe qual o bem importado. A peça recursal, que nada acrescenta à Manifestação de Inconformidade, não comprova que o valor do desconto informado no Dacon tem origem em Contribuição efetivamente paga na importação, como exige o § 1º do art. 15 da Lei n 10.865/2004, nem se a importação é relativa a um dos insumos enumerados em um dos incisos do caput desse artigo, cuja redação é a seguinte: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2oe3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1odesta Lei, nas seguintes hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Fl. 357DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000205/200472 Acórdão n.º 3401001.581 S3C4T1 Fl. 324 9 V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. Mais uma vez temse, neste tópico, um direito que em tese poderia ser reconhecido, mas por inexistência da prova necessária é negado. CONCLUSÃO Pelo exposto, nego o pedido de diligência e, no mérito, dou provimento parcial ao Recurso para reconhecer os créditos da Contribuição referentes às aquisições de embalagens e aos valores com créditos negados apenas porque foram aproveitados nos meses seguintes sem retificação prévia do Dacon. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 358DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13981.000095/2005-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
DILIGÊNCIA. INFORMAÇÕES A CARGO DO CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO.
Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizá-la quando visa a obtenção de informações que deviam fornecidas pelo contribuinte.
PEDIDO RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE.
Tratando-se de crédito restituição, ressarcimento ou compensação, o ônus de provar o crédito alegado é do contribuinte, que o reclama, não sendo dever da Administração Tributária produzir tal prova.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO.
No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de materiais de embalagem, como etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados.
NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES SEM IDENTIFICAÇÃO ADEQUADA. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO COM OS BENS PRODUZIDOS. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS.
A simples juntada dos documentos de aquisição, desacompanhada de uma identificação precisa dos insumos e dos valores respectivos, impede que se possa vinculá-los aos bens produzidos e constitui obstáculo à apuração dos créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON.
Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. MULTA, JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO ADMITIDO.
Os valores da multa, dos juros e da correção monetária, ainda que constantes da fatura de energia elétrica, não se confundem com o preço desse insumo e não dão direito a crédito na sistemática da não cumulatividade do PIS e Cofins.
NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO MERCANTIL. DIREITO AO CRÉDITO CALCULADO COM BASE NAS PRESTAÇÕES MENSAIS.
No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias têm direito a créditos calculados com base nas prestações mensais de arrendamento mercantil contratatado junto a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, exceto quando a arrendatária é optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.
NÃO CUMULATIVIDADE. IMOBILIZADO UTILIZADO NA PRODUÇÃO DE ARTEFATOS DE MADEIRA. SISTEMA DE ASPIRAÇÃO E TRANSPORTE DE PARTÍCULAS. DIREITO AO CRÉDITO.
No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de equipamentos empregados na aspiração e transporte de partículas de madeira e seus compostos, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados.
Numero da decisão: 3401-001.567
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, para rejeitar a diligência solicitada e reconhecer os créditos relativos às
aquisições de embalagens, às prestações de arrendamento mercantil comprovadas pelos contratos e notas fiscais juntados aos autos e à depreciação sobre o Sistema de Aspiração; II) por maioria, para admitir os créditos extemporâneos comprovados, vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que negava provimento; III) por unanimidade, para negar provimento quanto aos créditos relativos às notas fiscais com descrição genérica e às despesas de empréstimos e financiamentos; e IV) por maioria, para negar provimento também quanto à correção monetária e aos juros expressos em conta de energia elétrica, vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Fernando Marques Cleto Duarte, que davam provimento. Fez sustentação oral o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC nº 22912.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 DILIGÊNCIA. INFORMAÇÕES A CARGO DO CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO. Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizá-la quando visa a obtenção de informações que deviam fornecidas pelo contribuinte. PEDIDO RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. Tratando-se de crédito restituição, ressarcimento ou compensação, o ônus de provar o crédito alegado é do contribuinte, que o reclama, não sendo dever da Administração Tributária produzir tal prova. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de materiais de embalagem, como etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES SEM IDENTIFICAÇÃO ADEQUADA. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO COM OS BENS PRODUZIDOS. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. A simples juntada dos documentos de aquisição, desacompanhada de uma identificação precisa dos insumos e dos valores respectivos, impede que se possa vinculá-los aos bens produzidos e constitui obstáculo à apuração dos créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. MULTA, JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Os valores da multa, dos juros e da correção monetária, ainda que constantes da fatura de energia elétrica, não se confundem com o preço desse insumo e não dão direito a crédito na sistemática da não cumulatividade do PIS e Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO MERCANTIL. DIREITO AO CRÉDITO CALCULADO COM BASE NAS PRESTAÇÕES MENSAIS. No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias têm direito a créditos calculados com base nas prestações mensais de arrendamento mercantil contratatado junto a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, exceto quando a arrendatária é optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. NÃO CUMULATIVIDADE. IMOBILIZADO UTILIZADO NA PRODUÇÃO DE ARTEFATOS DE MADEIRA. SISTEMA DE ASPIRAÇÃO E TRANSPORTE DE PARTÍCULAS. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de equipamentos empregados na aspiração e transporte de partículas de madeira e seus compostos, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, para rejeitar a diligência solicitada e reconhecer os créditos relativos às aquisições de embalagens, às prestações de arrendamento mercantil comprovadas pelos contratos e notas fiscais juntados aos autos e à depreciação sobre o Sistema de Aspiração; II) por maioria, para admitir os créditos extemporâneos comprovados, vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que negava provimento; III) por unanimidade, para negar provimento quanto aos créditos relativos às notas fiscais com descrição genérica e às despesas de empréstimos e financiamentos; e IV) por maioria, para negar provimento também quanto à correção monetária e aos juros expressos em conta de energia elétrica, vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Fernando Marques Cleto Duarte, que davam provimento. Fez sustentação oral o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC nº 22912.
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Recorrente FRAME MADEIRAS ESPECIAIS LTDA Recorrida DRJ FLORIANÓPOLISSC Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 DILIGÊNCIA. INFORMAÇÕES A CARGO DO CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO. Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizála quando visa a obtenção de informações que deviam fornecidas pelo contribuinte. PEDIDO RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. Tratandose de crédito restituição, ressarcimento ou compensação, o ônus de provar o crédito alegado é do contribuinte, que o reclama, não sendo dever da Administração Tributária produzir tal prova. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da nãocumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de materiais de embalagem, como etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados. Fl. 394DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 358 2 NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES SEM IDENTIFICAÇÃO ADEQUADA. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO COM OS BENS PRODUZIDOS. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. A simples juntada dos documentos de aquisição, desacompanhada de uma identificação precisa dos insumos e dos valores respectivos, impede que se possa vinculálos aos bens produzidos e constitui obstáculo à apuração dos créditos da nãocumulatividade do PIS e Cofins. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. NÃOCUMULATIVIDADE. MULTA, JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Os valores da multa, dos juros e da correção monetária, ainda que constantes da fatura de energia elétrica, não se confundem com o preço desse insumo e não dão direito a crédito na sistemática da nãocumulatividade do PIS e Cofins. NÃOCUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO MERCANTIL. DIREITO AO CRÉDITO CALCULADO COM BASE NAS PRESTAÇÕES MENSAIS. No regime da nãocumulatividade do PIS e Cofins as indústrias têm direito a créditos calculados com base nas prestações mensais de arrendamento mercantil contratatado junto a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, exceto quando a arrendatária é optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. NÃOCUMULATIVIDADE. IMOBILIZADO UTILIZADO NA PRODUÇÃO DE ARTEFATOS DE MADEIRA. SISTEMA DE ASPIRAÇÃO E TRANSPORTE DE PARTÍCULAS. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da nãocumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de equipamentos empregados na aspiração e transporte de partículas de madeira e seus compostos, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 395DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 359 3 ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, para rejeitar a diligência solicitada e reconhecer os créditos relativos às aquisições de embalagens, às prestações de arrendamento mercantil comprovadas pelos contratos e notas fiscais juntados aos autos e à depreciação sobre o Sistema de Aspiração; II) por maioria, para admitir os créditos extemporâneos comprovados, vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, que negava provimento; III) por unanimidade, para negar provimento quanto aos créditos relativos às notas fiscais com descrição genérica e às despesas de empréstimos e financiamentos; e IV) por maioria, para negar provimento também quanto à correção monetária e aos juros expressos em conta de energia elétrica, vencidos os Conselheiros Raquel Motta Brandão Minatel e Fernando Marques Cleto Duarte, que davam provimento. Fez sustentação oral o advogado Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC nº 22912. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Raquel Minatel, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 4ª Turma da DRJ em Declaração de Compensação (DCOMP) com créditos do PIS nãocumulativo. O pedido de ressarcimento, amparado no 1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002 (receitas decorrentes de exportação), foi deferido parcialmente. Após a Manifestação de Inconformidade ser julgada procedente em parte, na peça recursal a contribuinte, inicialmente, tece considerações sobre o direito ao crédito da Contribuição nãocumulativa mencionando, dentre outros diplomas legislativos, a Emenda Constitucional nº 42/2003, o art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e a IN SRF nº 247/2002, argüindo que esta não possui competência para restringir o conceito de insumo estabelecido em lei. Em seguida defende o direito ao crédito em relação às glosas abaixo relacionadas, com os argumentos postos em seguida: aquisições de embalagens, que segundo a Recorrente dão direito ao crédito porque os insumos (etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço) integram o produto industrializado e a restrição aplicável ao IPI, adotada pelo Fisco (são materiais de transporte, e não de apresentação) não está amparada nas leis da não cumulatividade do PIS e Cofins; Fl. 396DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 360 4 insumos descritos de forma genérica nas notas fiscais, ponto em que contesta o acórdão recorrido asseverando que “juntou aos autos vários documentos que constituem elementos mais que suficientes para descrever e caracterizar tais bens como insumo, sem terem sido considerados” (a DRJ analisou as notas fiscais apresentadas junto com a Manifestação de Inconformidade e manteve a glosa em relação a algumas delas por não saber se o produto adquirido faz parte do processo produtivo da empresa); créditos extemporâneos, por uso notas fiscais emitidas num mês mas computadas pela Recorrente na apuração dos créditos no mês seguinte, porque a lei permite o aproveitamento do crédito nos meses subseqüentes; multa, juros e correção monetária relativos ao pagamento de despesas com energia elétrica, que para a DRJ não se confundem com o valor da energia elétrica, esta geradora de crédito quando computada no próprio mês em que ocorreu a despesa (explica que para o aproveitamento extemporâneo de algum insumo o correto seria a contribuinte retificar o Dacon e requerer o crédito em processo referente ao período correspondente). Para a Recorrente os valores de multa, juros e correção monetária, tidos como obrigação acessória, não devem ser isolados do valor da energia; operações de arrendamento mercantil, comprovadas segundo a Recorrente tanto pelos contratos quanto pelas notas fiscais e comprovantes de pagamento apresentados com a Manifestação de Inconformidade (a DRJ manteve a glosa por não ver demonstrada a relação com os valores demonstrados no Dacon); encargos de depreciação do ativo imobilizado, cuja glosa não merece prosperar, segundo a peça recursal, em relação Sistema de Aspiração e Transporte de Partículas, essencial ao processo de produção ao servir para aspirar e transportar partículas de madeira e compostos de madeira como MDF, compensados e aglomerados (a DRJ manteve a glosa por considerar que o referido bem, apesar de poder estar regularmente incluído do ativo imobilizado, tem como função tornar saudável o ambiente de trabalho e não pode ser considerado como estritamente vinculados à produção dos produtos que a empresa posteriormente destina a venda — artefatos de madeira, nos termos do exigido pelo inciso VI do artigo 3.°, tanto da Lei n.° 10.637/2002 quanto da Lei n.° 10.833/2003); Requer ao final sejam reconhecidos todos os créditos defendidos e homologada completamente a compensação ou, em caso contrário, a realização de diligência, visando verificar a real necessidade dos créditos envolvidos com análise dos documentos juntados com a Manifestação de Inconformidade. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que cabe conhecêlo. DILIGÊNCIA: INDEFERIMENTO PORQUE ÔNUS DA PROVA É DA CONTRIBUINTE Fl. 397DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 361 5 A diligência requerida deve ser rejeitada porque, ao contrário do afirmado na peça recursal, a DRJ analisou os documentos apresentados junto com a Manifestação de Inconformidade. Diante do acórdão bastante detalhado, sem qualquer omissão ou contradição, cabia à Recorrente tratar de forma pormenorizada dos insumos que segundo afirma foram desprezados indevidamente pela primeira instância, explicando como são utilizados no seu processo de industrialização ou em eventual serviço por ela prestado. A Recorrente podia – e devia – ao menos ter enumerado quais documentos teriam sido desprezados pela DRJ, bem como discriminado os insumos não considerados. Todavia, entra em detalhes apenas quando se refere aos materiais de embalagem e a algumas notas fiscais contabilizadas em meses seguintes aos dos de emissão. Ressalto, por oportuno, que na espécie destes autos as provas devem ser apresentados pela contribuinte, por se cuidar de ressarcimento. Outrossim, é cediço que diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizála quando visa a obtenção de informações que deviam fornecidas pelo contribuinte, como se dá no presente processo. Quanto à crítica à DRJ, “porque vários períodos foram autuados e julgados da mesma forma”, é improcedente. Como os diversos processos tratam de glosas (ou temas) que se repetem nos inúmeros meses com apuração de saldo credor da Contribuição e respectivos pedidos de ressarcimento, o voto da DRJ também se repete. A uniformidade nos julgamentos, longe de implicar em qualquer equívoco, contribui para a celeridade e a eficiência que devem nortear o Processo Administrativo Fiscal, sem qualquer mácula à legalidade. DEFINIÇÃO DE INSUMOS NA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS E COFINS: INAPLICABILIDADE DAS RESTRIÇÕES PRÓPRIAS DO IPI E NÃO SUBMISSÃO AO CRITÉRIOS MAIS AMPLOS DO IRPJ Indeferida a diligência, adentro no cerne do debate e trato da definição de insumos que geram créditos na nãocumulatividade do PIS e Cofins. Em seguida, em tópicos específicos, cuido de cada glosa mantida pela DRJ e cujo crédito é novamente defendido pela agora Recorrente. Admitindo a polêmica que os créditos da nãocumulatividade das duas Contribuições encerra, destaco o art. 3º, II, tanto da Lei nº 10.637/2002 (para o PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003 (para a Cofins). Na redação dada pela Lei nº 10.865/2004, os dois dispositivos legais informam (verbis): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 398DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 362 6 Por inexistir um dispositivo específico tratando da maior parte dos valores em questão (diferentemente ocorre, por exemplo, em relação às despesas com energia, aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos etc, que possuem regras particulares, insertas nos incisos III a X do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), a norma a ser aplicada nos insumos em geral há de ser extraída do inc. II, acima transcrita. Este contempla regra mais genérica, segundo a qual bens e serviços utilizados como insumos na (não é dito “para” ou “visando a”, como poderia ter preferido o legislador) prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Se em vez de “na” tivesse sido empregado “para”, ensejaria uma interpretação funcional ou de simples necessidade à produção, a admitir o emprego do método teleológico na norma ora construída. Para mim, a norma contida no texto do inc. II em comento não exige que determinado insumo seja direta ou imediatamente utilizado no produto ou serviço final. Pode o insumo estar ligado a um produto intermediário. Mas há necessidade de se identificar a qual produto ou serviço está relacionado. Sem essa identificação ou vinculação (em qual produto ou serviço o insumo é empregado), inexiste o crédito. Por essa regra geral, os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos, por um lado, não parecem tão abrangentes quanto as deduções do IRPJ, onde se admitem todas as despesas necessárias à atividade empresarial. Por outro, não se restringem aos insumos empregados em processo industrial, como se dá no âmbito do IPI. Das normas extraídas das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e da amplitude do aspecto material das duas Contribuições que incidem sobre o faturamento ou receita bruta, nesta incluídas as demais receitas além das provenientes da venda de mercadoria e da prestação de serviços , o que se tem é um meiotermo entre a amplitude do IRPJ e a limitação do IPI. A mais, em relação aos insumos do IPI, a nãocumulatividade do PIS e Cofins admite créditos sobre os valores da depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, da amortização edificações e benfeitorias utilizados nas atividades da empresa, da energia elétrica e térmica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica etc. A menos, em relação às despesas dedutíveis do IRPJ, não se admite créditos sobre pagamentos a não contribuintes das duas Contribuições (pessoas físicas, especialmente, excetuados os créditos presumidos) e sobre despesas diversas, por exemplo. Por ser mais ampla do que a nãocumulatividade do IPI, que tem sede constitucional – ao contrário da nãocumulatividade do PIS e Cofins, de suporte infraconstitucional e com nascedouro nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 , não há exigência, aqui, de contato direto do insumo com o produto final, como determina o PN CST nº 65/79. Este Parecer Normativo é aplicável apenas no âmbito do IPI. Diferentemente do que pretendem as IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004, que parecem remeter ao referido Parecer (refirome à alínea “a” do inc. I do § 4º do art. 8º da IN SRF nº 404/2004, equivalente à alínea “a” do inc. I do § 5º do art. 66 da IN SRF 247/202), não vejo suporte legal para se requerer na nãocumulatividade das Contribuições que “a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação” (redação da citada alínea, na IN SRF nº 404/2004). O que a nãocumulatividade das duas Contribuições requer, em vez do contato direto aluído no referido Parecer, é a vinculação do insumo com esse ou aquele bem produzido (ou serviço prestado). Daí não acolher a interpretação da DRJ, na parte em que aplicou sem reservas as IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Fl. 399DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 363 7 EMBALAGENS: DIREITO AO CRÉDITO PORQUE VINCULADAS AOS PRODUTOS DE MADEIRA INDUSTRIALIZADOS Diante da definição acima exposta, e considerando que a atividade da Recorrente é a industrialização, o comércio e a exportação de madeiras, incluindo móveis, artefatos e acessórios, tenho para mim que o acórdão recorrido merece reparo, no que deixou de admitir o crédito das aquisições de embalagens. Como informa a Recorrente, tais aquisições dizem respeito a etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço. Esses produtos constituem insumos vinculados aos produtos fabricados, ainda que não sirvam à apresentação, mas ao transporte. Afinal, se não forem embalados corretamente há risco de danos no transporte, que de todo modo é um serviço prestado ou pela Recorrente, na hipótese de a entrega estar embutida no preço (preço CIF), ou pelo transportador, na venda por conta do adquirente (preço FOB). Independentemente da espécie de preço praticada (CIF ou FOB), o certo é que os materiais acima elencados são empregados pela Recorrente e estão vinculados aos produtos por ela fabricados. Por isso os créditos respectivos devem ser computados, descabendo cogitar da diferenciação existente no âmbito do IPI, cujos créditos são concedidos às embalagens de apresentação, mas não às de transporte. Sobre a inaplicabilidade dessa diferenciação para o PIS e Cofins, este Colegiado já decidiu, por maioria, nos termos seguintes (processo nº 13984.001509/200516, Recurso nº 503005, julgado em 10/12/2010, relator o Cons. Odassi Guerzoni Filho, vencido parcialmente, eu designado para o voto vencedor): NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte são consideradas insumos na sistemática da nãocumulatividade do PIS e Cofins e dão direito ao crédito a descontar na apuração dessas Contribuições. INSUMOS DESCRITOS DE FORMA GENÉRICA NAS NOTAS FISCAIS: AUSÊNCIA DE PROVAS A CARGO DA CONTRIBUINTE Neste item descabe reformar o acórdão da DRJ, porque a descrição genérica em notas fiscais, emitidas pelos fornecedores da Recorrente, impossibilita saber, com precisão, dos produtos adquiridos e de sua inserção no processo de fabricação da empresa. A simples juntada dos documentos de aquisição, desacompanhada de um rol dos insumos e dos seus valores, impede o levantamento dos créditos, ainda que em tese possa haver razão à Recorrente, ao menos em relação a um ou outro material que porventura seria caracterizado como insumo. A DRJ, ao analisar notas fiscais apresentadas junto com a Manifestação de Inconformidade e manter a glosa em relação a algumas delas, atuou nos limites de suas possibilidades porque cabia à empresa especificar os insumos e valores da glosa questionada. Vale, aqui, o que já foi dito no tópico da diligência, pois cabia à Recorrente ser mais diligente, em vez de pretender que a administração tributária corresse à procura de informações que deviam ser apresentadas junto com a primeira inconformidade ou com a peça recursal. Devia a Recorrente ter discriminado quais insumos, exatamente, não foram computados pela DRJ, bem como explicado como eles se integram ao seu processo produtivo. Fl. 400DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 364 8 A contestação genérica, aliada ao pedido de diligência também genérico, como já demonstrado mais acima, acarreta a manutenção da glosa. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS: POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO NO PRAZO DE CINCO ANOS A CONTAR DA AQUISIÇÃO DO INSUMO, SEM NECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON Desde que não ultrapassado o prazo decadencial de cinco anos a contar do recebimento da mercadoria, é admissível o aproveitamento dos créditos nos meses seguintes, tal como pretende a Recorrente. Como aqui a discussão é restrita à possibilidade de aproveitamento tardio, sem retificação prévia do Dacon – o que é rejeitado pela DRJ e defendido pela Recorrente , não havendo dúvida quanto ao insumo e o crédito respectivo, e tampouco é questionada eventual duplicidade (um mesmo crédito poderia ser aproveitado no mês de aquisição e, por erro, ser reaproveitado em período seguinte), o acórdão recorrido merece reforma. Verificando as notas fiscais anexadas à Manifestação de Inconformidade a DRJ manteve as glosas dos créditos correspondentes às emitidas por alguns fornecedores, porque o aproveitamento se deu nos meses seguintes. Ao tratar da energia elétrica (serviço que também teria sido aproveitado extemporaneamente para fins do crédito, segundo a Recorrente, quando de fato a glosa computada no despacho de origem diz respeito à multa, juros e correção monetária que acompanharam o pagamento da energia, como se vê no tópico seguinte), a DRJ rejeita o aproveitamento em período seguinte afirmando o seguinte: ... diferente do que entende a contribuinte, não há possibilidade de creditamento de valores relativos a meses anteriores ao da apuração. Se fosse o caso, deveria a contribuinte retificar os demonstrativos — Dacon — dos meses em que efetivamente ocorreram as despesas com energia elétrica, bem como requerer o crédito em processo relativo ao período correspondente a fim de ter direito aos referidos créditos. Para mim, na situação em tela não há necessidade de a contribuinte retificar o Dacon antes, para somente após aproveitar os créditos em período seguinte. No curso de uma fiscalização ou diligência, constatado incongruência nos dados do Dacon (ou de outra declaração entregue pelos contribuintes, inclusive a DCTF), os cálculos do tributo devido devem ser refeitos de modo a resultar em lançamento de ofício ou em proveito do sujeito passivo. Na hipótese de incongruência favorável ao contribuinte nada impede que a administração tributária adote as providências cabíveis, dispensandose exigências que podem ser supridas por ato da própria administração. É o que se dá no caso sob análise, já que o processamento do Dacon pode ser refeito pela RFB. Para tanto basta instituir controles nos sistemas eletrônicos, a registrar a alteração feita. Não me parece razoável que, após a contribuinte explicar a apuração do crédito em período seguinte e requerer o aproveitamento extemporâneo, dentro do prazo decadencial, sem que haja dúvida sobre o direito alegado este lhe seja negado sob a justificativa de não ter sido retificada previamente uma obrigação acessória. O fato de o Dacon não ter sido retificado há de ser relevado, por não haver dúvida quanto ao crédito correspondente às aquisições das notas fiscais acima mencionadas. Na linha da interpretação ora adotada, já existe, inclusive, decisão de Superintendência da RFB Fl. 401DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 365 9 dizendo da desnecessidade de retificação de DCTF, em hipótese que se afigura semelhante à presente situação. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Pelos fundamentos acima, e levando em conta o § 4º do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637/2002 (PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003 (Cofins), segundo o qual o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, dou provimento parcial para admitir os créditos relativos às aquisições das notas fiscais de fornecedores anexadas à Manifestação de Inconformidade e aproveitadas no mês seguinte ao de emissão. MULTA, JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA NO PAGAMENTO DE DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA: SEM DIREITO A CRÉDITO POR NÃO SE CONFUNDIREM COM O ENCARGO DE ENERGIA Visando evitar confusão neste tópico, ressalto que a discussão versa sobre os valores da multa, dos juros e da correção monetária exigidos no pagamento em atraso da energia elétrica, e não ao valor do encargo desse insumo. Não restou comprovado qualquer aproveitamento extemporâneo do valor da energia elétrica (principal, e não consectários pelo atraso), de modo que a discussão sobre o aproveitamento tardio de alguns créditos é restrita às notas fiscais mencionadas no tópico anterior, não se repetindo aqui. A multa, os juros e a correção monetária exigidos no pagamento de algum insumo, seja bem ou serviço adquirido, não se confunde com o preço do mesmo. Ao contrário do que argúi a Recorrente, a legislação da nãocumulatividade do PIS e Cofins não admite o crédito sobre tais valores. Sobre o tema este Colegiado já decidiu à unanimidade, em voto da lavra do ilustre Conselheiro Odassi Guerzoni Filho (processo nº 13984.001509/200516, Recurso nº 503005, julgado em 10/12/2010), com a ementa seguinte: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. ENERGIA ELÉTRICA. VALORES ESTRANHOS. “Correção Monetária”, “Multa”e “Juros de Mora”, ainda que constantes da fatura de energia elétrica não podem ser consideradas como tal para fins de apuração do crédito a ser descontado da contribuição. De se aceitar, porém, os valores constantes da fatura a título de “Contribuição para Custeio da Iluminação Pública Cosip”, em face da impossibilidade dos usuários escusaremse de seu pagamento. OPERAÇÕES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL, EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS: CRÉDITOS RECONHECIDOS APENAS EM RELAÇÃO ÀS Fl. 402DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 366 10 PRESTAÇÕES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL COMPROVADAS PELOS CONTRATOS E NOTAS FISCAIS RESPECTIVAS A DRJ manteve a glosa relativa aos créditos dos encargos com arrendamento mercantil – o que também ocorreu em relação a empréstimos e financiamentos, nestes incluídos os Adiantamentos de Contrato de Câmbio (ACC), que são operações de crédito visando antecipar recursos ao exportador –, por não restar comprovada a vinculação entre os valores alegados e os demonstrados no Dacon. A Recorrente, por sua vez, insiste em que os contratos, as notas fiscais e comprovantes de pagamento apresentados com a Manifestação de Inconformidade comprovam o direito. Apesar de em tese o crédito alegado ser passível de reconhecimento, por ausência de provas nego provimento em relação a empréstimos e financiamentos, incluindo ACC, mantendo os mesmos fundamentos do acórdão recorrido. São os seguintes: De fato, da análise dos autos constatase que a contribuinte, quando intimada pela autoridade fiscal, apresentou tão somente notas fiscais e contratos de arrendamento mercantil, sem qualquer demonstração da vinculação dos valores constantes dos documentos com aquele informado no Dacon. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte junta aos autos comprovantes de pagamentos, os quais, segundo alega, comprovariam o direito ao crédito de operações de arrendamento mercantil. Ora, a simples apresentação de notas fiscais, contratos de arrendamento mercantil e comprovantes de pagamento não são suficientes, por si sós, a comprovar o valor pleiteado pela contribuinte, porque, diferente do que afirma a contribuinte, a simples apresentação de tais documentos, neste caso, não possibilita estabelecer uma relação de pertinência com os valores demonstrados no Dacon. De se lembrar que se está aqui num procedimento destinado ao reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo e, neste sentido, cabe a ele demonstrar a existência por meio de provas hábeis. Não lhe basta simplesmente juntar documentos aos autos, sem que cada um deles seja vinculado a uma glosa especifica contestada (não há como justificar um "montante global" de operações, com um "montante genérico" de documentos; é preciso que documentos sejam associados a operações específicas). Da mesma forma que no âmbito dos lançamentos de oficio deve a autoridade comprovar o que alega por meio de documentos que atestem, de forma especifica, as acusações postas, no caso dos processos de reconhecimento de direito creditório é ônus do contribuinte comprovar seus créditos contra a Fazenda Nacional também por meio de documentos que atestem de forma específica a existência destes créditos. Como bem exposto pela DRJ, tratandose de crédito restituição, ressarcimento ou compensação o ônus de provar os créditos alegados é da contribuinte, que os reclama, não sendo dever da Administração Tributária produzir a prova que podia – e devia – ter sido apresentada à primeira instância ou a este Conselho. Fl. 403DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 367 11 Afora a ausência de provas, importa observa também que, para os fatos geradores a partir de agosto de 2004 (levandose em conta a anterioridade nonagesimal, já que a Lei nº 10.865/2004 foi publicada em 30/04/2004), os créditos decorrentes de empréstimos e financiamentos deixaram de ser admitidos, a teor das alterações efetuadas pelos arts. 37 e 21 da Lei nº 10.865/2004 no inc. V do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins). As redações do referido inciso, no original (tracejada) e após modificada, são as seguintes, transcrevendose a partir da Lei nº 10.637/2002 (o inc. V do art. 3º se repete na Lei nº 10.833/2003): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Quanto aos créditos calculados com base nos valores das contraprestações de operações de arrendamento mercantil cujos contratos foram juntados aos autos, acompanhados das notas fiscais de aquisição dos bens, o pleito da Recorrente merece acolhida. É que no caso de arrendamento mercantil os valores das prestações mensais, sobre as quais são cálculos os créditos da nãocumulatividade, podem ser facilmente verificados nos contratos. Assim, tendo sido juntados os contratos e as notas fiscais respectivas, cabe admitir os créditos, desde que nenhuma arrendatária seja optante pelo SIMPLES (destaco inexistir nos autos notícia sobre tal opção). ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO SISTEMA DE ASPIRAÇÃO E TRANSPORTE DE PARTÍCULAS: DIREITO AO CRÉDITO PORQUE É IMOBILIZADO VINCULADO AOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS O crédito correspondente à aquisição do Sistema de Aspiração e Transporte de Partículas não foi reconhecido porque, segundo o acórdão recorrido, tem como função tornar saudável o ambiente de trabalho e não pode ser considerado como estritamente vinculado aos artefatos de madeira que a empresa industrializa e vende. Referido Sistema é composto pelos seguintes equipamentos, como explicado pela contribuinte e transcrito na Manifestação de Inconformidade: Fl. 404DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 368 12 26 unidades de exaustão, compostos por ventiladores e filtros de mangas; 4 ventiladores de transporte: 4 filtros de manga e 4 ciclones instalados sobre silos para armazenagem de resíduos de madeira: As unidades de exaustão têm como finalidade sugar as partículas geradas nas operações de usinagem dos materiais usados na produção de componentes para portas de madeira. Os resíduos são transportados pelo fluxo de ar gerado pelos ventiladores através de tubo que ligam os equipamentos de usinagem até o filtro de mangas. Nos filtros de ar é devidamente _filtrado e liberado para o ambiente enquanto os resíduos são descarregados por uma válvula rotativa na tubulação de transporte. Os ventiladores de transporte, por sua vez, geram o fluxo de ar responsável por transferir os resíduos da tubulação de transporte para os filtros instalados sobre o silo, os quais retêm os resíduos até serem depositados nos silos de armazenagem. Frisase que todo o material aspirado e transportado corresponde a resíduo de madeira e compostos de madeira como MDF, compensados e aglomerado. (...) Caso este volume de resíduos não fosse aspirado e depositado nos silos a produção de portas se tornaria inviável. Grande parte do resíduo gerado é pó, ou seja, partículas muito pequenas que quando inspiradas podem causar doenças respiratórias. Por isso, o sistema de aspiração é equipamento indispensável à produção de portas de madeira. A DRJ, debruçandose sobre a glosa e analisandoa em profundidade, como também fez noutros pontos do acórdão recorrido, considerou o seguinte: Da explicação da contribuinte resta claro que o sistema de aspiração e transporte de partículas, apesar de poder estar regularmente incluído do ativo imobilizado, não pode ser considerado como diretamente associados ao processo produtivo da contribuinte, ou seja, como estritamente vinculados à produção dos produtos que a empresa posteriormente destina a venda — artefatos de madeira, nos termos do exigido pelo inciso VI do artigo 3.°, tanto da Lei n.° 10.637/2002 quanto da Lei n.° 10.833/2003 ("máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços"). A função do sistema de aspiração e transporte de partículas, como esclarece a contribuinte, é tornar saudável o ambiente de trabalho. Fl. 405DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 369 13 Divirjo da conclusão a que chegou a DRJ, ao negar o crédito do imobilizado em debate, por me parecer que o Sistema de Aspiração e Transporte de Partículas, além de importante na indústria da Recorrente, está diretamente vinculado, sim, aos artefatos de madeira por ela fabricados. Ainda que a função seja tãosomente tornar saudável o ambiente, também vejo que o Sistema parece ser específico à indústria da Recorrente, tanto assim que aspira e transporta o resíduo de madeira e seus compostos, como MDF. Eliminandose a restrição particular existente no IPI, segundo a qual “a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação” (redação da alínea “a” do inc. I do § 4º do art. 8º da IN SRF nº 404/2004, ao que tudo indica com inspiração no o PN CST nº 65/79, que a meu ver não se aplica à nãocumulatividade do PIS e Cofins), o crédito calculado com base na depreciação do Sistema em comento deve ser reconhecido. Assim interpreto levando em conta que os equipamentos foram adquiridos novos (fossem usados não dariam direito ao crédito1), em outubro de 2004, e as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, ao tratarem dos créditos de depreciação, não contemplam a limitação imposta pela DRJ. Confira se a redação desses textos legais (transcrição a partir da Lei nº 10.833/2003): Lei n° 10.637/2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) (...) I° O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos V/ e UI do caput. incorridos no mês; Lei n° 10.833/2003 1 Este Colegiado, em sessão de 10/12/2010, decidiu à unanimidade conforme a ementa seguinte (Acórdão nº 340101.149, da minha relatoria, processo nº 11080.00441/200808) INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO USADO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. Aquisição do parque industrial usado de outra empresa, mesmo que ainda não totalmente depreciado, não dá direito ao crédito decorrente da depreciação porque venda do imobilizado não integra a base de cálculo da Contribuição e somente os bens ou serviços sujeitos ao pagamento do PIS e da Cofins geram créditos. Fl. 406DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 370 14 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei n°11.196. de 2005) (...) § I° Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1º do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da aliquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei n°10.925. de 2004) (Vide art. 41 da Lei n°11.727, de 23 de junho de 2008) (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do copia, incorridos no mês; (grifouse) Destaco, por fim, que a data de aquisição assume importância porque a depender de quando adquiridos os bens e dos meses de apuração da depreciação o crédito correspondente sofre restrições, tudo conforme bem observado pela DRJ. Tais restrições em função da data de aquisição, não se aplicam ao bem em questão, de modo que o crédito inicialmente glosado e tratado neste tópico há de ser reconhecido. CONCLUSÃO Pelo exposto, nego o pedido de diligência e, no mérito, dou provimento parcial ao Recurso para reconhecer os créditos da Contribuição referentes às aquisições de embalagens, aos valores com créditos negados apenas porque foram aproveitados nos meses seguintes sem retificação prévia do Dacon, às prestações mensais de arrendamento mercantil cujos contratos e notas fiscais respectivas foram juntados aos autos e aos encargos de depreciação dos equipamentos que compõem o Sistema de Aspiração e Transporte de Partículas e foram adquiridos em outubro de 2004. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 407DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 13981.000095/200520 Acórdão n.º 3401001.567 S3C4T1 Fl. 371 15 Fl. 408DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 23/09/2011 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 10840.720727/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1997 a 30/04/2003
DECADÊNCIA. PRAZO PARA A UNIÃO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O prazo para a União constituir o crédito tributário é de cinco anos, a contar da data do fato gerador, se houver recolhimento parcial, ou a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, caso não haja qualquer recolhimento.
Numero da decisão: 3401-001.618
Decisão: ACORDAM os membros da da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado. Vencido o Conselheiro Carlos Dantas de Assis (relator), que acolhia
a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1997 a 30/04/2003 DECADÊNCIA. PRAZO PARA A UNIÃO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O prazo para a União constituir o crédito tributário é de cinco anos, a contar da data do fato gerador, se houver recolhimento parcial, ou a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, caso não haja qualquer recolhimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1983; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.690 1 1.689 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.720727/200915 Recurso nº 10.840.720727200915 Voluntário Acórdão nº 3401001.618 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de setembro de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA IMPEDIDA POR MEDIDA JUDICIAL. DECADÊNCIA. CONCOMITÂNCIA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR À MP Nº 135/2003. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Recorrente USINA CAROLO S.A. ACÚCAR E ÁLCOOL Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETOSP Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1997 a 30/04/2003 DECADÊNCIA. PRAZO PARA A UNIÃO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O prazo para a União constituir o crédito tributário é de cinco anos, a contar da data do fato gerador, se houver recolhimento parcial, ou a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, caso não haja qualquer recolhimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado. Vencido o Conselheiro Carlos Dantas de Assis (relator), que acolhia a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis – Relator Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10840.720727/200915 Acórdão n.º 3401001.618 S3C4T1 Fl. 1.691 2 (assinado digitalmente) Jean Cleuter Simões Mendonça Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori e Júlio César Alves Ramos. Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10840.720727/200915 Acórdão n.º 3401001.618 S3C4T1 Fl. 1.692 3 Relatório O processo trata de auto de infração relativo ao IPI, lançado com juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%, com ciência em 01/06/2009. Segundo a autuação a infração devese à falta de lançamento do imposto nas notas fiscais de saída de açúcar (classificação fiscal TIPI 1701.99.00), quando a contribuinte gozava de autorização judicial que produziu efeitos no período de 15/10/1997 (publicação da sentença da Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária nº 97.03010695) a 14/11/2007 (publicação do acórdão da Apelação nº 98.03.0714040, que reformou o provimento de primeiro grau). A fiscalização entende ter inexistido decadência dos períodos de apuração lançados porque a sentença proferida na referida Ação obstou o lançamento de ofício. Fundamentando o entendimento de que a decadência não se consumou, transcreve partes do Parecer PGFN/CDA nº 2278/2008. Na impugnação a autuada alega o seguinte, conforme o relatório da primeira instância que reproduzo: a) Preliminarmente, requer a decadência (...) relativamente a fatos geradores ocorridos anteriormente a junho de 2004, tendo em vista o decurso ininterrupto do prazo de 5 (cinco) anos previsto no § 4º do artigo 150 do CTN, mesmo que na pendência de Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídico Tributária, uma vez que: a.1)a tutela antecipada não afasta de sobremaneira o dever de o Fisco constituir o crédito tributário, mas tãosomente de dar prosseguimento à sua cobrança (exigibilidade), nos termos do artigo 151, inciso V do CTN; b.1) em decorrência do êxito da União Federal no requerimento de efeito suspensivo de seu Recurso de Apelação, fora cassada a tutela antecipada favorável à Impugnante ainda em 1997, pelo que não há que falar em “impedimento sob pena de crime de desobediência”; b) Reconheça, ainda em sede preliminar, a nulidade do Auto de Infração em função da duplicidade do lançamento de ofício em combate, haja vista que os mesmos débitos (espécie, períodos de apuração e valores) foram previamente objeto de constituição regular do crédito tributário por meio de Declaração de Compensação protocolizada perante a RFB, razão pela qual há de afastar novo lançamento tributário; c) no mérito julgue integralmente procedente a presente impugnação, dada a inexigibilidade do IPI à alíquota de 18% sobre o açúcar produzido pela Impugnante nos períodos de apuração de novembro de 1997 a abril de 2003... O acórdão recorrido rejeitou a nulidade do auto de infração, considerando que atende ao art. 142 do CTN e não constituiu ofensa ao art. 59 do Decreto nº 70.235/72, bem como a decadência levantada, levando em conta o Parecer PGFN/CDA nº 2278/2008. Ainda Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10840.720727/200915 Acórdão n.º 3401001.618 S3C4T1 Fl. 1.693 4 nas preliminares, tratou da alegação de duplicidade na exigência do crédito tributário, interpretando que antes de 31/10/2003, data de publicação da Medida Provisória nº 135, os pedidos de compensação não contemplavam confissão de dívida e, em conseqüência, os valores do IPI pretensamente não se encontravam constituídos, tornandose obrigatório o lançamento de ofício. No mais, não conheceu do mérito da Impugnação, em face da opção pela via judicial. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte inicialmente traça um histórico da Ação Declaratória já mencionada e informa que após o Recurso de Apelação interposto pela União Federal, recebido em seus efeitos devolutivo e suspensivo nos termos do art. 520 do CPC, diante dos altos montantes em aberto perante a RFB ingressou, em 04 de julho de 2003, com o Pedido de Compensação objeto do processo nº 10840.002372/220393, cujo crédito tem origem no Pedido de Ressarcimento do IPI nº 10840.002284/200391 (neste a contribuinte defende o crédito do imposto nas entradas de produtos isentos, nãotributados ou com alíquota zero). Informa também que, como a compensação não foi homologada, os débitos foram inscritos na Dívida Ativa da União e em seguida a PGFN ajuizou a Execução Fiscal (registro sob o nº 021/2006) com o intuito de cobrar o IPI relativos aos mesmos períodos de apuração do auto de infração em questão, mas referida Execução foi extinta em 12/05/2009, com fundamento no art. 26 da Lei nº 6.830/801, por conta do cancelamento da CDA nº 80304 00345728. Extinga a Execução Fiscal, sobreveio o lançamento de ofício em debate. Em seguida a Recorrente contesta o acórdão da DRJ e repisa alegações da Impugnação, argüindo basicamente o seguinte: omissão da DRJ ao tratar da decadência, por ter analisado o tema fazendo referência ao Parecer PGFN/CDA nº 2278/2008, tãosomente (mais adiante, no item II.2.1 da peça recursal, afirma que o acórdão recorrido não cuidou de forma “aprofundada, motivada e fundamentada” do lançamento extemporâneo, que segundo a fiscalização foi possível em virtude da Ação Declaratória); uma segunda omissão da DRJ, no que deixou de tratar, por completo, da inscrição em Dívida Ativa dos valores lançados no auto de infração; decadência dos fatos geradores anteriores a junho de 2004, por inexistência de obstáculo ao lançamento de ofício em face da Ação Declaratória com Apelação da União recebida, também, no efeito suspensivo; lançamento em duplicidade, em face da compensação e inscrição na Dívida Ativa; impossibilidade de lançamento do IPI referente às vendas de açúcar, por ofensa ao art. 4º, I, do Decreto nº 1.199/714 e outras razões que menciona no item III da peça recursal, sob o título “DO MÉRITO”, tal como constou da Impugnação. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. 1 Art. 26 Se, antes da decisão de primeira instância, a inscrição de Divida Ativa for, a qualquer título, cancelada, a execução fiscal será extinta, sem qualquer ônus para as partes. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10840.720727/200915 Acórdão n.º 3401001.618 S3C4T1 Fl. 1.694 5 Voto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Como relatado, a Recorrente alega duas omissões no acórdão da DRJ. A primeira diz respeito ao tema da decadência, que julgo inexistente porque a primeira instância, embora de modo extremamente sucinto (ou “bastante pobre”, nos dizeres da peça recursal), fundamentou sua interpretação pela rejeição da caducidade invocando o Parecer PGFN/CDA nº 2278/2008. A segunda omissão, esta sim devidamente caracterizada, relacionase com a alegação constante da Impugnação, de que os valores do presente lançamento foram antes inscritos na Dívida Ativa e, por isso, houve “lançamento em duplicidade”, a demandar, segundo a peça recursal, a nulidade do auto de infração. Esta segunda omissão é relevante e implicou em cerceamento do direito de defesa por ter a DRJ desprezado, completamente, a inscrição na Dívida Ativa com origem na não homologação da compensação. Daí o meu voto ser pela anulação do acórdão recorrido, como exposto mais adiante. Antes cuido da decadência, levantada pela Recorrente sob o argumento de que inexiste obstáculo ao lançamento porque a Apelação da União teria sido recebida no efeito suspensivo, inclusive no tocante à tutela antecipada deferida na sentença da Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária nº 97.03010695. Para mim, que fiquei vencido porque os demais Conselheiros acolheram a tese da Recorrente, o efeito suspensivo não abrange a tutela antecipada que, de modo excepcional, impediu o lançamento. Daí a inexistência de decadência. De maneira incomum, já que regra geral os provimentos judiciais impedem apenas a exigibilidade do crédito tributário, e não a sua constituição, na presente situação a tutela antecipada foi além e tolheu “a lavratura de auto de infração”, tal como requerido pela contribuinte na Exordial da ação judicial e relatado na sentença, que informa, verbis (fl. 448, com negrito acrescentado). Pugnou a concessão de tutela antecipada, com base no artigo 273, do CPC, para que não fique sujeita a lavratura de auto de infração por promover saídas de açúcar sem o destaque e o respectivo recolhimento do IPI. Na sentença, ao deferir a tutela antecipada nos exatos termos requeridos, o juízo assim se pronuncia (fls. 452/453): 4. CONCLUSÃO Presente que está um dos requisitos para a concessão da tutela antecipada, nos termos do art. 273 do CPC, defiro a antecipação da tutela pleiteada. 5. DISPOSITIVO Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10840.720727/200915 Acórdão n.º 3401001.618 S3C4T1 Fl. 1.695 6 Do que vem de expor, presentes que estão os requisitos legais, diante da inconstitucionalidade declarada do art. 2º, da lei nº 8.383/91 e Decreto nº 420/92, defiro o pedido da autora, para o fim de determinar à ré que se abstenha de agir contra a autora em face do seu direito de não recolher o IPI no tocante às operações realizadas com o açúcar, relativas às safras de 97/98. Como se vê acima, a sentença, no que deferiu a tutela antecipada requerida, impediu a lavratura de auto de infração. Por isso a PGFN editou Parecer 2278/2008, no qual conclui que a decisão judicial impeditiva do lançamento obstaculou a fluência do prazo decadencial (ver transcrição às fls. 745/749). Sendo indubitável que a tutela antecipada deferida impediu o lançamento, o ponto nodal diz respeito aos efeitos da Apelação interposta pela Fazenda Nacional, que segundo a Recorrente teria sido recebida com efeito suspensivo inclusive em relação à tutela antecipada. Todavia, como a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) não se insurgiu contra a tutela antecipada deferida – não a combateu na Apelação nem interpôs agravo a matéria não foi devolvida e o efeito suspensivo da Apelação, restrito, não retirou o obstáculo à lavratura de auto de infração. Na lição de Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, em Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante, São Paulo, Revista dos Tribunais, 7ª edição atualizada até 07/07/2003, nos comentários ao art. 520 do CPC, notas 4, 17 e 18, temse o seguinte: É comum o juiz julgar, na mesma sentença, ação principal e cautelar. Como o CPC 520 IV prevê apenas o efeito devolutivo da apelação da sentença da cautelar, deve receber o recurso, nessa parte, somente no efeito devolutivo e no duplo efeito na parte que julgou a ação principal. (...) Quando a sentença confirmar a tutela antecipada, concedida no curso do processo, a apelação interposta será recebida no efeito apenas devolutivo, quanto à parte que confirmou a tutela antecipada e no duplo efeito quanto ao mais. (...) Antecipação da tutela dada na sentença. Caso a tutela tenha sido concedida na própria sentença, a apelação eventualmente interposta contra essa sentença será recebida no efeito devolutivo quanto à parte que concedeu a tutela, e no duplo efeito quanto ao mais. Na mesma linha, Theotonio Negrão, in Código de Processo Civil e legislação processual em vigor, São Paulo, Saraiva, 34ª ed., 2002, nos comentários ao art. 273, nota 26a: Se o juiz conceder a antecipação da tutela na sentença, deve o réu agravar dessa decisão e apelar da sentença; na hipótese de apenas interpor apelação, o efeito suspensivo desta não atingirá o deferimento da tutela antecipada (RJ 24674). No mesmo sentido: RF 344/354. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10840.720727/200915 Acórdão n.º 3401001.618 S3C4T1 Fl. 1.696 7 Apesar de o Recurso Voluntário enfatizar que a Apelação da União teria sido recebida em seus efeitos devolutivo e suspensivo, o despacho do recebimento, “nos termos do artigo 520 do CPC” (conforme despacho de 03/12/2007, à fl. 90 da Ação Declaratória nº 97.03010695, com cópia à fl. 977 deste processo administrativo), não cuida da tutela antecipada. A corroborar que a doutrina acima citada, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, representada pelos três acórdãos seguintes (negritos acrescentados): DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. MEDIDA CAUTELAR E AÇÃO PRINCIPAL. SENTENÇA ÚNICA. APELAÇÃO. EFEITOS. Julgadas ao mesmo tempo a ação principal e a cautelar, a respectiva apelação deve ser recebida com efeitos distintos, ou seja, a cautelar no devolutivo e a principal no duplo efeito. As hipóteses em que não há efeito suspensivo para a apelação estão taxativamente enumeradas no art. 520 do CPC, de modo que, verificada qualquer delas, deve o juiz, sem qualquer margem de discricionariedade, receber o recurso somente no efeito devolutivo. Não há razão para subverter ou até mesmo mitigar a aplicação do art. 520 do CPC, com vistas a reduzir as hipóteses em que a apelação deva ser recebida apenas no efeito devolutivo, até porque, o art. 558, § único, do CPC, autoriza que o relator, mediante requerimento da parte, confira à apelação, recebida só no efeito devolutivo, também efeito suspensivo, nos casos dos quais possa resultar lesão grave e de difícil reparação, sendo relevante a fundamentação. Embargos de divergência a que se nega provimento. (STJ, Corte Especial, EREsp 663570/SP, julgado em 15/04/2009, Relatora Min. NANCY ANDRIGHI, unânime). RECURSO ESPECIAL. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA QUE REVOGA A ANTECIPAÇÃO DA TUTELA. EFEITOS DA APELAÇÃO MERAMENTE DEVOLUTIVO NO QUE TOCA À ANTECIPAÇÃO. 1. A interpretação meramente gramatical do Art. 520, VII, do CPC quebra igualdade entre partes. 2. Eventual efeito suspensivo da apelação não atinge o dispositivo da sentença que tratou de antecipação da tutela, anteriormente concedida. (STJ, Terceira Turma, REsp 768363/SP, julgado em 14/02/2008, Relator Min. HUMBERTO GOMES DE BARROS, unânime). PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO INTERPOSTA CONTRA SENTENÇA QUE MANTEVE A ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA. EFEITO DEVOLUTIVO. 1. “A divergência entre julgados do mesmo Tribunal não enseja recurso especial” (Súmula nº 13/STJ) 2. A apelação, quer se trate de provimento urgente cautelar quer de tutela satisfativa antecipatória deferida em sentença ou nesta confirmada, deve ser recebida, apenas, no seu efeito devolutivo. É que não se concilia com a idéia de efetividade, Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10840.720727/200915 Acórdão n.º 3401001.618 S3C4T1 Fl. 1.697 8 autoexecutoriedade e mandamentalidade das decisões judiciais, a sustação do comando que as mesmas encerram, posto presumiram situação de urgência a reclamar satisfatividade imediata. 3. Deveras, a instância local, com ampla cognição fático probatória e à luz do princípio da proporcionalidade não entreviu periculum in mora na exibição documental determinada, máxime à luz dos princípios que regem a atividade pública monopolizada ou delegada pelo Estado. 4. Escusa de exibição calcada em matéria fática analisada pela instância local e interditada a cognição por esta Corte Superior por força da Súmula n.º 07/STJ. 5. O poder concedente tem o poderdever de inspeção e fiscalização das atividades das concessionárias, o que implica, implicitamente, no acesso aos documentos referentes à prestação dos serviços concedidos, máxime quando a pretensão é veiculada e chancelada pelo Poder Judiciário. 6. Consectário desse poderdever é o de manterse informado o que pressupõe o acesso aos documentos. 7. O E. STF assentou que: "compreendese na atividade da Administração Pública fiscalizar a atividade do concessionário, o que implica verificar o atendimento satisfatório dos serviços concedidos, ainda que para o atingimento deste escopo seja mister exame de livros, registros e assentamentos desta" (RDA, STF, apud Celso Antônio Bandeira de Mello, in "Curso de Direito Administrativo", 15ª ed.) 8. Recurso especial parcialmente conhecido, porém, desprovido. (STJ, Primeira Turma, REsp 514409/SP, julgado em 20/11/2003, Relator Min. LUIZ FUX, unânime). Pelos fundamentos acima, considero que o lançamento estava impedido pela tutela antecipada deferida e rejeito a decadência alegada. Doravante retomo a omissão da DRJ em relação à argüição de duplicidade do lançamento em face da anterior inscrição na Dívida Ativa, concluindo, como já antecipado, pela nulidade da decisão recorrida. Não há no voto do acórdão recorrido qualquer menção à inscrição na Dívida Ativa. Seria irrelevante, por ter sido a Certidão da Dívida Ativa (CDA) cancelada antes do auto de infração? Como o cancelamento da CDA acarretou a extinção da Execução Fiscal, também antes do lançamento de ofício, não teria havido a duplicidade alegada? A DRJ também entende que a inscrição estaria amparada no § 2º do º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, como arguiu a então Impugnante? Qual, afinal, o fundamento do Colegiado da primeira instância para não dar relevo à inscrição na Dívida Ativa (se assim entender), independentemente da confissão de dívida estabelecida no § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pela MP nº 135/2003? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Tivesse a alegação de duplicidade de exigência do crédito tributário sido feita com base na confissão de dívida do Pedido de Compensação, não haveria qualquer omissão porque o acórdão recorrido é claro, ao interpretar que antes de 31/10/2003, data de publicação da Medida Provisória nº 135, a compensação declarada não contempla confissão. Todavia, Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10840.720727/200915 Acórdão n.º 3401001.618 S3C4T1 Fl. 1.698 9 segundo a Impugnação houve a inscrição na Dívida Ativa do mesmo imposto lançado, e tal inscrição possui outro suporte legal, inconfundível com a confissão de dívida considerada pela Turma recorrida. Segundo o item III.3 da Impugnação, a inscrição encontra base legal no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com efeitos a partir de outubro de 2002 (antes da compensação declarada em 04/07/2003). Para a então Impugnante, o que interessa na análise do tema não é a confissão de dívida introduzida pela Lei nº 10.833/2003, conversão da MP nº 135 (esta publicada em 31/10/2003 e anterior à compensação em questão, protocolada em 04/07/2003), mas sim a norma extraída do § 2º do º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (posterior à compensação em questão, observa a Impugnação), em conjunto com o art. 150 do CTN. Na Impugnação consta o seguinte, verbis: Assim, não se confunde a “confissão de dívida”, proposta pelo § 6º, artigo 74 da Lei nº. 9.430/96 e com vigência posterior ao protocolo do Pedido de Compensação pela Impugnante, com o status de “lançamento por homologação” que fora dado à compensação declarada à RFB, pelo §2º do mesmo artigo, já em vigência por ocasião do pedido. Isto porque o artigo 150 do CTN, já trazido à discussão nos itens anteriores, assim dispôs (caput) (...) Desta feita, há de se reconhecer que, se não se operou a decadência do direito de o Fisco lançar os valores ora combatidos, dito lançamento foi efetuado em duplicidade, haja vista que a Declaração de Compensação proposta pela Impugnante teve o condão de suprir o lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN, constituindo o crédito tributário de forma definitiva, pelo que levou ao conhecimento da RFB a ocorrência do fato gerador, períodos de apuração e valores devidos – tanto que dela derivou a CDA nº. 80 3 04 00345728 e consequentemente a Execução Fiscal nº. 21/2006. Observo, por oportuno, que cópia da CDA acostada com a Impugnação dá conta de que alguns dos valores lançados no auto de infração em questão e os inscritos na Dívida Ativa são exatamente iguais, como, por exemplo, nos períodos de apuração 30/11/1997 e 20/01/1198 (confrontar fl. 681 com fls. 1174 e 1178 ). Destarte, há omissão no acórdão recorrido, no que desprezou por completo a alegação de que a inscrição na Dívida Ativa, antes do auto de infração, caracteriza duplicidade da exigência e implica na nulidade do segundo. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se rejeitar a nulidade alegada, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/725.2 2 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10840.720727/200915 Acórdão n.º 3401001.618 S3C4T1 Fl. 1.699 10 Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a inscrição na Dívida Ativa mencionada e decida pela rejeição ou não do auto de infração, à vista da duplicidade argüida na Impugnação. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10840.720727/200915 Acórdão n.º 3401001.618 S3C4T1 Fl. 1.700 11 Voto Vencedor Em que pese o respeito que tenho pelo nobre Conselheiro Relator, dele ouso discordar. No caso em tela, houve a Apelação da sentença que confirmou a tutela antecipada, a qual tinha sido concedida liminarmente. Ocorre que a apelação foi recebida no efeito devolutivo e suspensivo, restando a dúvida se a tutela antecipada perdeu força executiva pelo efeito suspensivo da Apelação. A antecipação de tutela é um instituto que entrou no Código de Processo Civil pela reforma processual de 1994. Teori Albino Zavascki3 afirma que a reforma de 1994: “(...) teve por objetivo não o de introduzir mecanismos novos, mas o de aperfeiçoar os já existentes. Em nome da efetividade do processo, reclamo mais urgente de uma sociedade com pressa, foram produzidas modificações expressivas no Código de Processo Civil, destacandose, por sua importância, entre outras, a que ampliou o elenco dos títulos executivos extrajudiciais (Lei n. 8.953, de 13121994), a que reformulou o recurso de agravo (Lei n. 9.139, de 30111995) e a que universalizou o instituto da antecipação da tutela (Lei n. 8.952, de 13121994)”. Assim, a tutela antecipada passou a ser utilizada no processo tributário, após a introdução do art. 273, do CPC, pela Lei nº 8.952/94. Até o ano de 2001 não havia, na legislação, qualquer mandamento em relação aos efeitos com os quais a apelação da sentença, com confirmação de tutela antecipada, deveria ser recebida. Desse modo, essa decisão ficava ao livre convencimento do magistrado. Somente com edição da Lei nº 10.352, de 26 de janeiro de 2001, que acrescentou o inciso VII, ao art. 520 do CPC, a legislação passou a regular a matéria, do seguinte modo: Art. 520. A apelação será recebida em seu efeito devolutivo e suspensivo. Será, no entanto, recebida só no efeito devolutivo, quando interposta de sentença que: (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) VII confirmar a antecipação dos efeitos da tutela; (Incluído pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001) Aprofundando a análise, verificase que a lei modificadora é de dezembro de 2001, tendo a vacatio legis de três meses, conforme art. 2o, da Lei 10.352/01. Sendo assim, o inciso VII, do art. 520 do CPC, começou a vigorar somente em março de 2002. Há de ser observado, portanto, que somente a partir da vigência do inciso VII, ao art. 520, do CPC, o 3 Antecipação da Tutela.7a Ed. São Paulo. Saraiva, 2009. Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10840.720727/200915 Acórdão n.º 3401001.618 S3C4T1 Fl. 1.701 12 recebimento das apelações de sentença que confirmam a antecipação dos efeitos da tutela passou a ser, via de regra, com efeito somente devolutivo. Ocorre que, no presente caso, o despacho que recebeu a apelação da Fazenda no duplo efeito foi prolatado em 03 de dezembro 1997, antes da introdução do inciso VII, do art. 520, do CPC. Sendo assim, quando a Apelação da Fazenda foi recebida no duplo efeito, a extensão do efeito suspensivo atingiu também a confirmação da tutela antecipada, revogando a. E, uma vez revogada, os efeitos da tutela antecipada desaparecem. A decisão que recebeu a apelação em duplo efeito não foi atacada por nenhuma das partes. Se havia dúvida da Fazenda quanto aos efeitos nos quais o recurso foi recebido, ela poderia ter embargado para o esclarecimento, mas, ao contrário, a Fazenda ficou inerte, não tomando qualquer providência para sanar eventual dúvida. Se não havia dúvida, a Fazenda poderia ter efetuado o lançamento, tão logo fosse publicada a decisão que recebeu a apelação em duplo efeito, e não o fez. Em relação à jurisprudência do STJ colacionada no voto vencido, com o devido respeito ao eminente Conselheiro Relator, penso que elas não se aplicam ao presente caso, pois foram decididas com fundamento na nova regra do CPC. Além disso, a primeira decisão trata de decisão de ação cautelar, instituto diverso da antecipação de tutela. A segunda decisão do STJ trata de um caso no qual a sentença foi improcedente e revogou a tutela antecipada, o que a difere do presente caso, no qual a sentença foi procedente e confirmou os efeitos da antecipação da tutela; a última decisão, assim como as outras, e como já mencionado acima, trata de processo no qual a apelação foi recebida na vigência do inciso VII, do art. 520, do CPC, logo, tratouse de erro do juiz, que não observou a modificação processual. Desse modo, a concessão da antecipação da tutela realmente suspendeu o crédito tributário, nos termos do art.151, inciso IV, do CTN. Quando a Fazenda recorreu, a Apelação foi recebida em duplo efeito, isto é, no devolutivo e no suspensivo, ficando, assim, cassada a tutela antecipada. A partir de então, o prazo decadencial passou a ser contado e a Fazenda poderia ter efetuado o lançamento. Como o auto de infração foi lavrado somente em maio de 2009, ou seja mais de cinco anos após a data dos fatos geradores (ocorridos entre novembro de 1997 e abril de 2003) e mais de dez anos após o despacho que suspendeu os efeitos da tutela antecipada (de dezembro de 1997), está decaído o direito da Fazenda exigir o crédito tributário, tanto com fundamento do art. 150, §4o, do CTN, quanto pelo fundamento do art. 173, inciso I, do CTN. Portanto, em razão da decadência, deve ser cancelado o auto de infração. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto para cancelar o auto de infração em razão da operação da decadência. É como voto. (assinado digitalmente) Jean Cleuter Simões Mendonça Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Processo nº 10840.720727/200915 Acórdão n.º 3401001.618 S3C4T1 Fl. 1.702 13 Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 05 /01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Numero do processo: 13308.000141/2002-90
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.NULIDADE. A autoridade julgadora em primeira instância deve referir-se expressamente a todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante contra todas as exigências. O ato administrativo ilegal não produz qualquer efeito válido entre as partes, pela evidente razão de que não se pode adquirir direitos contra a lei. A nulidade reconhecidas, seja pela Administração ou pelo Judiciário, opera-se ex tunc, isto é, retroage às suas origens e alcança todos os seus efeitos passados, presentes e futuros em relação às partes, só se admitindo exceção para com os terceiros de boa-fé, sujeitos às suas conseqüências reflexas.
Processo anulado.
Numero da decisão: 204-00.586
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Sendo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: SANDRA BARBON LEWIS
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Fl. ,1jÀ- Segundo Conselho de Contribuintes .,:.--45'i,.W...,,• uintes Processo 112 : 13308.000141/2002-90 Recurso n2 : 128.432 Rub P u I. 2 4. In doi DW.IL)1_4r 1 d t. 1 , de à rica o" , Acórdão nil : 204-00.586 tviF.segundo Conselbodecieo at 2:0=it_ntrib Recorrente : CERVEJARIAS KAISER BRASIL S/A Recorrida : DRJ em Recife - PE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA.NULIDADE.CONFERE CONI O ORIGINAL A autoridade julgadora em primeira instância deve Brasília, a, JIL,20 1P & referir-se expressamente a todas as razões de defesa .(110:e suscitadas pela impugnante contra todas as exigências. O José de st us'Martins Costa ato administrativo ilegal não produz qualquer efeito N ,t. Sittrie 91792 válido entre as partes, pela evidente razão de que não se pode adquirir direitos contra a lei. A nulidade reconhecidas, seja pela Administração ou pelo Judiciário, opera-se ex tune, isto é, retroage às suas origens e alcança todos os seus efeitos passados, presentes e futuros em relação às partes, só se admitindo exceção para com os terceiros de boa-fé, sujeitos às suas conseqüências reflexas. Processo anulado. , Vis , , relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CER D4 ' 9 ' ' R BRASIL S/A. A o RD ' i os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuin es, palo a ci. a:: aí slhõ.deaad, em l3 de devoteosse, teemmbaromddea2r000p.rocesso a partir da decisão de primeira • • sti i •, inclu 've. f in.," r • ':'' ---... . .gr::: Henriqu, P. 1 - iro l', n rres President • n ‘, Sandra Bar on L -‘ , Relator , Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Flávio de Sá Munhoz, Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bernardes de Carvalho, José Adão Vitorino de Morais (Suplente) e Adriene Maria de Miranda. 1 MF•SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL ár26 Brasília, Pc-,2 .0 CCMF Ministério da Fazenda fnu Ao Fl. Segundo Conselho de Contribuint 4P'Crk>',./,‘ 1,44k José de 4,4112r tins Costa Siape 91792 Processo n' : 13308.000141/2002-90 Recurso n9- : 128.432 Acórdão n2 : 204-00.586 Recorrente : CERVEJARIAS KAISER BRASIL S/A RELATÓRIO Trata-se de pedido de compensação de créditos com débitos de terceiros, referente ao período de apuração de 10/07/2002. Os créditos-prêmio de lPI foram auferidos pela empresa Simab S/A e sua utilização está garantida por decisão judicial, proferida pelo Tribunal Regional Federal da Segunda Região (autos n° 2000.02.01.051555-7). As Cervejarias Kaiser Brasil S/A pretendem, através do pedido de compensação, protocolado em 15 de julho de 2002, utilizar-se dos créditos da empresa Simab S/A, para satisfazer seus débitos de IPI - bebidas (fl. 01), no valor de R$270.000,00. Em Despacho Decisório (fls. 68/69), a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza - CE, Serviço de Orientação e Análise Tributária, decidiu pelo indeferimento do pleito. Fundamentou sua decisão no artigo 1° da Instrução Normativa SRF n° 41, de 7 de abril de 2000 que veda a compensação de débitos do sujeito passivo sob a administração dtt Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros, exceto quando se tratar de Refis e parcelamento alternativo e, ainda, com o artigo 2°, da mesma Instrução Normativa, que revogou o artigo 15°, caput e parágrafos, da IN SRF n° 21, de 10 de março de 1997. Sustenta, ainda, que a IN SRF n° 226, de 18 de outubro de 2002, artigo 1 0, inciso II, alínea "c", estabeleceu como causa de indeferimento liminar os pedidos de compensação protocolados a partir de abril de 2000. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 72/85). Alegou, preliminarmente, que adquiriu parte dos créditos de IPI da empresa Simab S/A através de processo administrativo n° 13706.001764/00-54, sob a competência da Delegacia da Secretaria da Receita Federal no Estado do Rio de Janeiro, que deferiu a utilização dos créditos da Empresa Simab S/A para compensar os débitos das Cervejarias Kaiser Brasil • S/A. No entanto, ao protocolar a segunda via do pedido de compensação de créditos em Fortaleza - CE, local onde está sediada e, obedecendo o que determina a IN/SRF n° 21/97, artigo 5°, parágrafo 2°, surpreendeu-se com a negativa da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza - CE. No mérito, alegou que a IN/SRF 41/00, ao revogar o artigo 15, caput e parágrafos da IN/SRF 21/97, infringiu o Decreto-Lei n° 491/69, artigo ,10, parágrafo segundo e o artigo 179 do Decreto n° 2.637/98, contrariou os ditames legais e jurispiudenciais vigentes e que a supressão do direito de utilização do crédito incentivado só seria possível através de lei formal e nunca através de ato administrativo, hierarquicamente inferior; alegou, ainda, que a competência para analisar o pedido de compensação de créditos de IPI com débitos de terceiros, autorizada por medida judicial, é da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro — RJ, sob a qual o contribuinte titular • do crédito está jurisdicionado e que em razão do reconhecimento do direito à compensação pela DRF-RJ, não poderia a Delegacia em Fortaleza manifestar-se sobre o mérito, posto que o contribuinte, ao protocolar o Documento Comprobatório de Compensação em Fortaleza cumpria mera formalidade de comunicar, conforme previsão 2 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE CONFERE COM O ORIGINAL 4`V, Brasília 12)2 4,1; o• - 4 ', I. ,,Ny Pir I 22 CCMF Ministério da Fazenda litnI .1 ":Segundo Conselho de Contribuir tes José de J e p- .rtms Costa Mal. iape 91792 Processo e : 13308.000141/2002-90 Recurso 112 : 128.432 • Acórdão )1 : 204-00.586 do parágrafo terceiro do artigo 15 da IN/SRF 21/97. Requereu a reforma do despacho decisório combatido. Decidiu a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife - PE (fls. 114/120), em não conhecer da impugnação em razão da concomitância de ação judicial. Fundamentou sua decisão em Ato Declaratório Normativo COSIT n° 03, de 14 de fevereiro de 1996. Declarou definitiva, na esfera administrativa, a decisão que indeferiu a compensação, subordinando-a ao que for decidido judicialmente. Ressaltou não haver nos autos nenhuma informação sobre o trânsito em julgado da decisão judicial, motivo pelo qual os créditos pleiteados não possuem liquidez e certeza, não considerando extintos os • débitos com IPI em face do contribuinte. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 124/140). Preliminarmente, sustenta que a Receita Federal em Fortaleza é incompetente para analisar o mérito do pedido de compensação, posto que a Receita Federal no Rio de Janeiro procedeu a compensação, dando integral cumprimento a decisão judicial. No mérito, aduz que a decisão judicial proferida em Apelação em Mandado de Segurança n° 2000.0201061320-8 é válida e vigente, posto que analisou o • mérito e autorizou a compensação com quaisquer tributos administrados pela SRF, inclusive transferências para terceiros, independente do trânsito em julgado e que a cómpensação está amparada pela IN SRF n° 21/97. Sustenta que não há concomitância de via administrativa e judicial, posto que ao proceder o pedido de compensação na via • administrativa, estava cumprindo formalidade exigida de requerer administrativamente a compensação e não pretendia discutir o mesmo objeto, o qual está autorizado e amparado por medida judicial, cabendo ao Fisco apenas cumpri-la, já que a decisão judicial prevalece sobre a administrativa. Alega, novamente, a incompetência da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza para analisar o pedido de compensação de créditos de IPI com débitos de terceiro, já que além de haver decisão judicial autorizadora da compensação, a Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro já autorizou a compensação. A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, ao ser comunicada da compensação autorizada pela DRF sob a qual o cedente está circunscrito, não poderia proceder a análise do mérito, já que o artigo 15, parágrafo 3° da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal não prevê esta possibilidade, somente a natureza de comunicação. Por fim, requer o acolhimento das preliminares argüidas, o provimento do Recurso Voluntário e a reforma da decisão de primeira instância. Juntou jurisprudência administrativa. O presente Recurso Voluntário está garantido pelo arrolamento de bens (fls. 166/167). É o relatório. 3 -) MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, 0,72 i O-6 , 22 CCMF -"e:- Ministério da Fazenda ..5111P1h. - Fl. Segundo Conselho de Contrib • tes José de Jer Martins Costa Mat. lupe 91792 Processo n2 : 13308.000141/2002-90 Recurso n2 : 128.432 Acórdão n2 : 204-00.586 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA SANDRA BARBON LEWIS Sendo tempestivo o recurso, passo a decidir. A controvérsia cinge-se à Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, cedidos pela SIMAB S/A, na qualidade de detentora de crédito-prêmio de IPI, nos moldes do art. 1° do Decreto-Lei n° 491/69 para a Recorrente solver débitos de IPI — bebidas. Da omissão da DRJ em Fortaleza - CE A recorrente adquiriu parte dos créditos de IPI da empresa Simab S/A através de Processo Administrativo n° 13706.001764/00-54, sob a competência da Delegacia da Secretaria da Receita Federal no Estado do Rio de Janeiro, que deferiu a utilização dos créditos da Empresa Simab S/A para compensar os débitos das Cervejarias Kaisèr Brasil S/A. No entanto, ao protocolar a segunda via do pedido de compensação de créditos em Fortaleza - CE, local onde está sediada e, obedecendo ao que determina a LN/SRF n° 21/97, artigo 5°, parágrafo 2°, surpreendeu-se com a negativa da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza - CE. Assim, em caráter preliminar a recorrente requereu a incompetência da DRJ em Fortaleza — CE para dirimir sobre tal compensação. Tal matéria não foi enfrentada pelo julgador de 1' Instância. Diante do não enfrentamento pelo julgador de primeira instância da • questão que lhe foi posta à apreciação, não pode o julgador de segunda instância sobre ela se manifestar originariamente, vez que a análise de matéria não enfrentada pelo julgador de primeiro grau reverte o devido processo legal, pois transferiria para a fase recursal a instauração do litígio. Se o colegiado de segunda instância acolher tal espécie de recurso estará ferindo, também, o princípio do duplo grau de jurisdição, suprimindo uma instância, o que afrontaria o amplo direito de defesa do sujeito passivo. Tendo como norte a necessidade de garantir ao sujeito passivo o direito à sua plena defesa, faz-se por demais importante que os julgamentos sejam exarados da forma mais clara, com total publicidade, e, induvidosamente, com a análise de todas as objeções que formalmente tenham sido opostas à pretensão do Fisco de constituir o crédito tributário. Os atos administrativos são assinalados pela observância a uma forma determinada, indispensável para a segurança e certeza dos administrados quanto ao processo deliberativo e ao teor da manifestação do Estado, impondo-se aos seus executores, uma completa submissão às pautas normativas. Ao Contencioso Administrativo, no direito brasileiro, é atribuída a função primordial de exercer o controle da legalidade dos atos da Administração Pública, através da revisão dos mesmos, cabendo às instâncias julgadoras administrativas reconhecer e declarar nulo o ato que se deu em desconformidade com as determinações legais. Máxime, quando, por efeito da interposição dos recursos administrtivos, é levado ao 4 MF - SEDUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL • * Brasília, P02 015 22 CCMF ' Ministério da Fazenda Fl. )ni Segundo Conselho de Contribu . es José de rarons Costa I al •• , c Processo d : 13308.000141/2002-9r.-- Recurso d : 128.432 Acórdão n : 204-00.586 pleno conhecimento do julgador ad quem a matéria discutida pela instância inferior, com a transferência, para o juizo superior, do ato decisório recorrido, que, reexaminando-o, profere novo julgamento, que, embora limitado ao recurso interposto, sob o ditame da máxima: tantum devolutum, quantum appellatum, não pode olvidar a averiguação, de oficio, da validade dos atos praticados. O recurso é fórmula encontrada para o Estado efetuar o controle da legalidade do ato administrativo de julgamento, sendo, na sua essência, um remédio contra a prestação jurisdicional que contém defeito. Nas palavras de Antônio da Silva Cabral l (...) por força do recurso o conhecimento da questão é transferido do julgador singular para um órgão colegiado, e esta transferência envolve não só as questões de direito como também as questões de fato. Para o autor, o recurso voluntário remete à instância superior o conhecimento integral das questões suscitadas e discutidas no processo, como também a observância à forma dos atos processuais, que devem obedecer às normas que ditam como devem proceder os agentes públicos, de modo a obter-se uma melhor prestação jurisdicional ao sujeito passivo. E, vez que a ilegalidade inconteste encontra-se entre as determinantes da nulidade dos atos administrativos, cabe às instâncias julgadoras administrativas reconhecer e declarar nulo o ato que se deu em desconformidade com as determinações legais. Posicionamento que se esteia na mais abalizada doutrina, conforme excerto do administrativista Hely Lopes Meirelles2, quando se refere aos atos nulos, a seguir transcrito: (..) é o que nasce afetado de vício insanável por ausência ou defeito substancial em seus elementos constitutivos ou no procedimento formativo. A nulidade pode ser explícita ou virtual. É explícita quando a lei a comina expressamente, indicando os vícios que lhe dão origem; é virtual quando a invalidade decorre da infringência de princípios especificos do Direito Público, reconhecidos por interpretação das normas concernentes ao ato. Em qualquer desses casos o ato é ilegítimo ou ilegal e não produz qualquer efeito válido entre as partes, pela evidente razão de que não se pode adquirir direitos contra a lei. A nulidade, todavia, deve ser reconhecida e proclamada pela Administração ou pelo Judiciáriô (.), mas essa declaração opera ex tune, isto é retroage às suas origens e alcança todos os seus efeitos passados, presentes e futuros em relação às partes, só se admitindo exceção para com os terceiros de boa-fé, sujeitos às suas conseqüências reflexas. (destaques do original) É principio do Direito Administrativo Tributário a ampla defesa, por meio do qual assegura-se ao contribuinte a possibilidade de ver reconhecidas e apreciadas todas as suas alegações, sejam de caráter formal ou material, e de produzir todas as provas necessárias à comprovação de suas alegações. Deste principio emerge o principio da ampla instrução probatória, ou seja, o direito à utilização de todos os meios de prova pertinentes à lide submetida a julgamento administrativo. O direito tributário está intimamente ligado ao principio da estrita legalidade, por meio do qual apenas a lei pode determinar a incidência de tributos em 1 Processo Administrativo Fiscal, Editora Saraiva, p.413. 5 2 Direito Administrativo Brasileiro, 17' edição, Malheiros Editores: 1992, p. 156. —M-F -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia, tirg2" I a9• .# P6 •• • ;4 I r 2' CCMF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contritrintes José de pf minis Costa Ma . Stupe 9 1792 Processo n : 13308.000141/2002-90 Recurso no" : 128.432 Acórdão flQ : 204-00.586 hipóteses nela contempladas. Nasce, pois, o processo administrativo, de um dever que a autoridade fiscal tem de dar cumprimento à lei, ou seja, só pode haver exigência tributária se houver a subsunção dos fatos ao tipo descrito na norma. Desta forma não pode o Fisco, baseado em qualquer informação, afirmação ou impugnação do contribuinte, exigir tributo que não corresponda à efetiva ocorrência do fato imponível. Só se pode exigir tributo na exata medida da lei, e o Fisco tem o dever de buscar a ocorrência dos fatos, verificar a subsunção destes à norma e, em caso positivo exigir o tributo, independente de ter o contribuinte manifestado-se ou não neste sentido. O agir contrário seria aceitar, inconstitucionalmente, a criação de uma receita sem a sua destinação como despesa pública. No direito tributário, onde a obrigação nasce da lei, cabe à autoridade administrativa ater-se única e exclusivamente ao disposto na lei, devendo proceder, com ou sem solicitação por parte do contribuinte, à verificação da ocorrência do fato gerador e declarar a sua ocorrência por meio do lançamento. Permitir que a não comprovação satisfatória ao Fisco de matéria contestada em sua impugnação por parte do contribuinte tenha o condão de impedir a sua apreciação pela autoridade julgadora administrativa seria admitir, em derradeira instancia, a cobrança de tributo sem lei, ou seja, estar-se-ia ofendendo a verdade material — pilar do direito tributário, em beneficio da verdade fopmal, o que seria inadmissível. Desta sorte, não se pode no processo administrativo fiscal suscitar a não apreciação de matérias de fato argüidas pelo contribuinte em sua impugnação, desrespeitando-se os p í , da estrita legalidade, da verdade material, e da vinculação — baluastres do Direito , • -m ativo Tributário, e, em derradeira instancia, estar-se-ia propiciando-se o enrique im. to i' ito do Estado, o que seria contrário a todo e qualquer princípio de Justiça. Conclusão Ante o exposti vote no sendo de que a decisão de primeira instância seja anulada, para que outra seja p duz a na fe a do bom direito, com o enfrentamento de todas as questões de defesa ar . as o suj - *to passivo na impugnação. É como voto. Sala das Sessões, em 3 -t bro de 05. SANDRA BARI304 6 Page 1 _0053200.PDF Page 1 _0053300.PDF Page 1 _0053400.PDF Page 1 _0053500.PDF Page 1 _0053600.PDF Page 1
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Numero do processo: 11080.921356/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3302-002.820
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Nome do relator: MARINA RIGHI RODRIGUES LARA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Sala de Sessões, em 16 de maio de 2024. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fabio Kirzner Ejchel (suplente convocado), Marina Righi Rodrigues Lara, José Renato Pereira de Deus, Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). Ausente o conselheiro Mario Sergio Martinez Piccini. RELATÓRIO Por bem abordar a controvérsia deduzida nos presentes autos, adoto partes do relatório constante da decisão proferida pela DRJ: Trata-se de Manifestação de Inconformidade da interessada contra Despacho Decisório DRF/CCI nº 212/2012, que deferiu apenas parcialmente o pleito da interessada relativo a créditos da não-cumulatividade da Contribuição para o Programa de Fl. 2435DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.820 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.921356/2011-13 2 Integração Social - PIS, vinculados às receitas de exportação e relativos ao 3º trimestre de 2007. O procedimento fiscal foi iniciado em 2011 (MPF nº 05.1.04.00-201100063-2) para análise de pedidos de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e Cofins não cumulativos dos quatro trimestres de 2007 e dos dois primeiros trimestres de 2008 da empresa Ipiranga Petroquímica S/A, incorporada pela Braskem S/A. (…) Após análise dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, a Diligência Fiscal concluiu pela glosa de diversos créditos apurados na sistemática nãocumulativa, recompondo os Dacon’s da contribuinte e concluindo que a interessada não possuía a totalidade dos créditos pleiteados em ressarcimento/compensação. O despacho decisório ora guerreado decorre dessa segunda diligência fiscal. Cientificada do Despacho Decisório, a autuada apresenta a Manifestação de Inconformidade, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • Da glosa decorrente da falta de apresentação de notas fiscais dos bens utilizados como insumos adquiridos no mercado interno. As divergências entre os valores declarados nos Dacon e as notas fiscais decorreram de um erro material cometido pela impugnante quando do preenchimento dos Dacon em foco. É que, ao informar, na linha 02 da Ficha 06A, o valor das aquisições de bens utilizados como insumos, somou, além das operações classificadas nos CFOP 1.101 e 2.101, aquelas classificadas no CFOP 1.124 e 2.124, que se referem a serviços de industrialização efetuados por outras empresas e que, no entendimento da própria Fiscalização, geram direito a crédito. Por outro lado, ao informar, na linha 03 da Ficha 06A, o valor das aquisições de serviços utilizados como insumos, a Impugnante considerou apenas as operações classificadas no CFOP 1.933, conforme evidenciam as planilhas que serviram como base para o cálculo da contribuição do período em debate, o que significa dizer que não houve aproveitamento em duplicidade dos créditos das operações classificadas nos CFOP 1.124 e 2.124. • Da glosa decorrente da falta de apresentação de notas fiscais das despesas de armazenagem e fretes na operação de vendas. No que se refere a essas despesas, a Fiscalização também apurou diferenças entre os valores declarados na linha 07 da Ficha 6A dos DACON's e as notas fiscais constantes dos arquivos digitais apresentados pela Impugnante. A glosa promovida pela autoridade administrativa não merece prosperar, já que decorre da apressada análise empreendida pela Fiscalização sobre os documentos e livros fiscais da Impugnante. Ao somar as operações classificadas nos CFOP's 1.352 e 2.352, que dizem respeito unicamente à aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial dentro e fora do Estado, com vistas a verificar a legitimidade dos créditos lançados na linha 07 da Ficha 6A dos DACON's em comento, a Fiscalização acabou desconsiderando por completo as despesas de armazenagem incorridas pela Impugnante, que foram devidamente registradas na conta contábil 03110476.04200. • Da glosa indevida dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços utilizados como insumos. O Auditor excluiu diversos produtos do cálculo relativo aos créditos de PIS e Cofins vinculados às receitas de exportação, sob o Fl. 2436DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.820 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.921356/2011-13 3 argumento de alguns dos bens adquiridos pela empresa e cujo crédito foi aproveitado não podem ser caracterizados como insumos geradores do crédito objeto do art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003, pois não se enquadram no conceito estabelecido no art. 66 da IN SRF nº 247/2002, no art. 8o, §4°, da IN SRF n° 404/2004 e no Parecer Normativo CST n.° 65/79. A aplicação de tais normas, todavia, está equivocada. • Da nulidade do despacho decisório no que tange à glosa dos serviços utilizados como insumos, por não ter sido disponibilizado para a impugnante os elementos essenciais para elaboração da sua defesa. • Da incorreta interpretação dada às normas de regência do PIS e da Cofins. A fiscalização sustenta que o termo insumo deve ser interpretado como aqueles bens, adquiridos por pessoa jurídica, que, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração, sejam consumidos, sofram desgaste ou perda/modificação de suas propriedades físicas ou químicas. Já em relação aos serviços, a fiscalização concluiu que somente poderiam ser tidos como insumos aqueles aplicados diretamente no processo fabril. Tal posicionamento foi firmado com amparo nas disposições da Instrução Normativa n° 247/2002, editada pela Receita Federal para disciplinar a Lei n.° 10.637/2002, cujo conteúdo foi reproduzido pela IN SRF 404/2004, também aplicável ao PIS, as quais passaram a conceituar insumos para fins de apropriação de créditos compensáveis com o PIS/Cofins devido. Esse conceito de insumo, albergado na legislação de regência do IPI, tomado por empréstimo pelas INs n° 247 e 404, para operacionalizar a sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, é inaplicável, indo de encontro às prescrições das próprias Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. • Dos bens utilizados como insumos no processo produtivo. Valendose das informações contidas em Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas, a Impugnante passa a demonstrar a imprescindibilidade dos mesmos na consecução do seu objeto social, qual seja, industrialização e comercialização de produtos petroquímicos de segunda geração. É o caso, por exemplo, da água desmineralizada, vapor, água potável, cal hidratado, nitrogênio gasoso, tambor para subprodutos e resíduos, graxa, facas hagane para granulador e material de embalagem, entre outros. • Dos serviços utilizados como insumos. A Fiscalização glosou os créditos apurados em relação a diversos serviços contratados por entender que não estariam diretamente relacionados com o processo produtivo. Mas, para a produção dos diversos produtos finais, é imprescindível que a requerente mantenha suas plantas industriais em prefeito estado, sendo necessário que sua estrutura física seja submetida a regulares e periódicos serviços de monitoramento, manutenção, higienização e eventuais reparos. • Da interpretação das Instruções Normativas. Se, entretanto, este não for o entendimento dessa d. Turma de Julgamento, entendendo esse insigne órgão julgador que as IN’s estão conforme a legislação que lhes é hierarquicamente superior, cumpre à ora Impugnante demonstrar qual seria então, nessa hipótese, a única interpretação possível de tais normas regulamentares, consistindo em entender que a "ação direta" não está adstrita ao contato físico do bem ou serviço (insumo) com a Fl. 2437DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.820 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.921356/2011-13 4 mercadoria em produção, mas sim à sua afetação direta aoprocesso produtivo, em vista da essencialidade daquele para a consecução deste. • Da glosa indevida das despesas com energia elétrica. Os valores glosados correspondem às despesas com os serviços de uso e transmissão de rede. O procedimento adotado pela Fiscalização pautouse no entendimento de que apenas os gastos com a energia elétrica consumida ensejariam a aquisição dos tais créditos, o que não se estenderia ao pagamento pela prestação de serviço de transmissão de energia, em decorrência de interpretação restritiva da Lei n.°10.637/2002. Mas o pagamento das referidas despesas com uso e transmissão de rede é condição essencial ao efetivo consumo de energia elétrica, figurandose, ambos, como gastos vinculados, impassíveis de dissociação, para efeitos de creditamento fiscal. • Da glosa indevida das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos. Verificase que também foram rechaçados vários créditos relativos às despesas com a locação de máquinas e equipamentos, sob argumento de que não eram utilizados diretamente na fabricação ou produção de bens. Mas estes créditos são legítimos, nos termos da legislação em vigor, que autoriza o desconto de créditos quando as máquinas e equipamentos são utilizados nas atividades da empresa. • Da glosa indevida ajustes positivos de créditos. A autoridade fiscal glosou os créditos apropriados visto que a contribuinte não apresentou informações detalhadas quanto ao preenchimento desta rubrica dos DACON. Nesse espeque, cumpre esclarecer que os valores glosados referem-se a créditos extemporâneos, sendo que a legislação não faz qualquer restrição para o aproveitamento extemporâneo de créditos. • Da glosa indevida de créditos de PIS/CofinsImportação pago quando da importação de bens utilizados como insumos. Neste aspecto, alega a Fiscalização que não foi possível confirmar o pagamento do PISImportação incidente sobre as importações de bens utilizados como insumos, posto que não há identificação dos números das Declarações de Importação (DI) nos documentos fiscais, nem há registro dos números das notas fiscais relativas às referidas importações no "4.4.2. Arquivo de Importação" do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS n.° 15/2001 apresentado pela Impugnante. Para demonstrar a insubsistência das alegações fazendárias, cumpre à Impugnante esclarecer que, no curso da Fiscalização, apresentou as planilhas anexas, que ora reapresenta, nas quais as notas fiscais que acobertaram a entrada dos insumos em referência no seu estabelecimento estão devidamente relacionadas com as Declarações de Importação respectivas. (…) A DRJ, contudo, julgou improcedente a referida Manifestação de Inconformidade, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DILIGÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. Incabível argumentar que a Administração deveria ter aprofundado as verificações, visto que o ônus de demonstrar o direito ao crédito é daquele que pleiteia. A realização de Fl. 2438DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.820 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.921356/2011-13 5 diligência objetiva subsidiar a convicção do julgador, e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da contribuição para o PIS as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Não se consideram insumos, para fins de desconto de créditos da Cofins, materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela Receita Federal. MATERIAL DE EMBALAGEM. Na sistemática não cumulativa de apuração do PIS, o desconto de créditos apurados sobre a aquisição de insumos vinculados à produção de bens para venda não se estende aos materiais utilizados para permitir ou facilitar o transporte dos produtos, uma vez que essa operação não integra o processo produtivo. DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. O crédito sobre gastos com armazenagem de mercadoria e frete nas operações de venda somente podem se dar se o ônus for suportado pelo vendedor e desde que seja contratado para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, por falta de previsão legal, e nem os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que não sejam comprovadamente empregados na produção. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. Na apuração da Cofins nãocumulativa, podem ser descontados créditos das despesas e custos relativos à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, não se incluindo aí os gastos com serviços de transmissão e distribuição de energia elétrica. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente da sistemática de nãocumulatividade da Cofins, os respectivos Dacon deverão ser retificados, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e atendidas as demais exigências da legislação de regência. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a referida decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando, em síntese, as razões apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade. A Recorrente junta, ainda, uma série de documentos. Posteriormente, às fls. 2342/2361, a Recorrente junta parecer técnico elaborado pela empresa de auditoria Deloitte Touche Tohmatsu. Fl. 2439DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.820 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.921356/2011-13 6 É o relatório. VOTO Conselheira Marina Righi Rodrigues Lara, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Como relatado anteriormente, parte da questão de mérito discutida nos presentes autos perpassa pelo conceito de insumos para fins de crédito de PIS-exportação, no regime não cumulativo referente ao 4º trimestre de 2007, permanecendo a controvérsia sobre os seguintes pontos: (i) Despesas de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos: a. Água desmineralizada; b. Água clarificada; c. Vapor; d. Água potável; e. Cal hidratado; f. Nitrogênio Gasoso g. Tambor; h. Graxa i. Material de embalagem j. Serviços de manutenção e conservação industrial; i. Inspeção de equipamentos e manutenção civil; ii. Serviços de caldeiraria, de mecânica e de elétrica; iii. Gerenciamento de empreendimentos e paradas; iv. Serviços de tubulação; v. Pintura industrial; vi. Isolamento térmico refratário antiácido; vii. Limpeza industrial viii. Manutenção de equipamentos de laboratório; k. Serviços de tratamentos de efluentes e análise físico-química de efluentes; l. Serviços de ensaque e movimentação de produtos acabados; (ii) Despesas com energia elétrica; Fl. 2440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.820 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.921356/2011-13 7 (iii) Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas; (iv) Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. Como mencionado, tanto a fiscalização, quanto a autoridade julgadora a quo aplicaram o conceito restritivo de insumo, com amparo nas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04, conforme pode ser visto do texto do Acórdão a seguir: “Em que pese a tentativa da interessada em demonstrar a importância dos bens/serviços adquiridos para seu processo produtivo, há que se notar que os bens indicados não entram em contato com o produto, e a simples leitura da listagem evidencia que não são consumidos, nem tem suas propriedades físicas ou químicas modificadas/perdidas em razão de ação diretamente exercida sobre os produtos em fabricação. Quanto aos serviços, não são aqueles diretamente ligados ao processo produtivo, mas antes serviços de limpeza, conservação e manutenção da planta fabril que, embora necessários, não se caracterizam como insumos. Logo, improcede a pretensão da contribuinte em considerar como insumos, no cálculo do crédito da Cofins nãocumulativa, todos os custos – diretos e indiretos – de produção, conceituados na legislação do Imposto de Renda. No Dacon, para geração do crédito objeto do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, devem ser informados os valores de bens e serviços adquiridos que se caracterizem como insumos, ou seja, que se enquadrem no conceito abrangido pelo § 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, que assim dispõe: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (...) (grifei) Fl. 2441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.820 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.921356/2011-13 8 A manifestante entende ser ilegal as IN’s SRF nº 247/02 e nº 404/04, ao recepcionar conceito restritivo de insumos não veiculado pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, em nítida usurpação de competência. Porém, é inócuo suscitar na esfera administrativa tais alegações, pois, de acordo com o art. 7º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 58, de 17 de março de 2006, “o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n.º 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF), expresso em atos tributários e aduaneiros”. Ademais, destaquese, por exemplo, que a IN SRF nº 404, de 2004, tem por suporte o art. 92 da Lei nº 10.833, de 2003, que dá competência legal à Secretaria da Receita Federal (SRF), hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para editar normas necessárias à aplicação dessa lei. (...) Para se caracterizar como insumo, é necessário tratarse de bem e serviço intrínseco à atividade, aplicado ou consumido na fabricação do produto ou no serviço prestado, e empregado diretamente na produção. Não basta, como pretende a interessada, que o bem ou serviço tenha gere um custo/despesa fabril. Os bens citados pela interessada não entram em contato direto com o produto, sendo utilizados para garantir a segurança do processo, promover a transferência e mistura das diversas substâncias de um ponto para outro do processo, controlar a pressão dos equipamentos, promover a atuação de todas as válvulas de controle, recuperar gases e solventes, resfriar e secar tubulações e equipamentos, por exemplo. Como se extrai das normas de regência, a simples aquisição de um bem ou serviço não implica, por si só, em imediata autorização para desconto da contribuição. Tal evento irá depender da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. Digase, ainda, quanto à interpretação das IN’s, que há uma clara distinção entre insumos diretos e indiretos. Em outras palavras, quando se fala em “ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”, referese ao produto mesmo, e não ao processo fabril. (...) Portanto, concluise que estão corretas as glosas efetuadas no Despacho Decisório, efetuadas de acordo com as IN’s nº 247/2002 nº 404/2004, cuja legalidade não será apreciada neste julgamento, conforme explicado. Ocorre que, como se sabe, tal entendimento já foi superado definitivamente pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.221.170/PR. O acórdão proferido naquela ocasião, foi publicado no dia 24/04/2018, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições Fl. 2442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.820 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.921356/2011-13 9 denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam- se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp n. 1.221.170/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/2/2018, DJe de 24/4/2018.) Em síntese, restou pacificado que o conceito de insumo deve ser analisado à luz dos critérios de essencialidade e/ou relevância, os quais, de acordo com o voto-vista proferido pela Ministra Regina Helena Costa, devem entendidos nos seguintes termos: “Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” Ademais, com o intuito de expor as principais repercussões decorrentes da definição do conceito de insumos no julgamento do REsp 1.221.170/PR, no âmbito da Secretaria Fl. 2443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.820 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.921356/2011-13 10 da Receita Federal do Brasil, foi emitido o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que consignou a seguinte ementa: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Dessa forma, considerando que a análise efetuada pela autoridade fiscal e pela DRJ não considerou a essencialidade e relevância dos itens no processo produtivo da Recorrente, entendo ser necessária uma reapreciação dos créditos objeto do presente julgamento, em consonância com a nova interpretação determinada pelo STJ, sob pena de se verificar supressão de instância. Diante de todo o exposto, em razão da superveniência do julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, proponho a conversão do presente em diligência, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, para que a Unidade de Origem: intime a Recorrente para demonstrar de forma detalhada e individualizada, por meio de Laudo Técnico, o enquadramento das despesas que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização, devendo ser considerado o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, em conformidade com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF e Parecer Normativo Cosit nº 5, de 17 de dezembro de 2018; intime a Recorrente para apresentar cópia dos autos do processo nº 13502.720656/2012-85; Fl. 2444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3302-002.820 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.921356/2011-13 11 analise todos os documentos e informações apresentadas nos presentes autos após a decisão recorrida, especialmente as notas fiscais juntadas ao Recurso Voluntário e o resultado da diligência fiscal realizada nos autos do processo nº 13502.720656/2012-85, e sendo necessário, realize eventuais diligências para a constatação especificada na presente Resolução; elabore relatório fiscal conclusivo, manifestando-se acerca dos documentos e das informações apresentadas nos presentes autos, avaliando a eventual revisão das glosas realizadas, trazendo os esclarecimentos e as considerações pertinentes, especialmente, quanto ao enquadramento de cada bem e serviço no conceito de insumo delimitado em julgamento ao REsp nº 1.221.170/PR, na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF e Parecer Normativo Cosit nº 5, de 17 de dezembro de 2018 e quanto ao resultado da diligência fiscal realizada nos autos do processo nº 13502.720656/2012-85; recalcule as apurações e resultado da diligência; intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de Resolução Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara Fl. 2445DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
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