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Numero do processo: 12448.737259/2012-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
AMPLA DEFESA. PRESUNÇÃO DE CIÊNCIA DE INTIMAÇÃO. PREVISÃO NORMATIVA INEXISTENTE.
A natureza do direito à ampla defesa não permite que se firme, sem suporte legal, a presunção da ocorrência da comunicação de atos estatais aptos a interferir na esfera jurídica dos particulares. A máxima segurança que deriva da Constituição em prol da ampla defesa não se compatibiliza com qualquer alternativa que intente flexibilizar, sem a autorização da lei, a exigência de ciência real, suscetível à verificação por prova direta.
RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DE FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS E SUFICIENTES DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
É inadmissível o recurso especial, quando o acórdão recorrido está assentando em mais de um fundamento autônomo e suficiente e o recurso não abrange todos eles.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. PLANEJAMENTO FISCAL.
O caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Ademais, sobreleva-se dos citados dispositivos legais que a influência do ágio no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, momento em que o investimento adquirido com ágio torna-se extinto.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EFEITOS NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. VEDAÇÃO.
Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decreto-lei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL.
Numero da decisão: 9101-003.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Costa Pôssas- Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 AMPLA DEFESA. PRESUNÇÃO DE CIÊNCIA DE INTIMAÇÃO. PREVISÃO NORMATIVA INEXISTENTE. A natureza do direito à ampla defesa não permite que se firme, sem suporte legal, a presunção da ocorrência da comunicação de atos estatais aptos a interferir na esfera jurídica dos particulares. A máxima segurança que deriva da Constituição em prol da ampla defesa não se compatibiliza com qualquer alternativa que intente flexibilizar, sem a autorização da lei, a exigência de ciência real, suscetível à verificação por prova direta. RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DE FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS E SUFICIENTES DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. É inadmissível o recurso especial, quando o acórdão recorrido está assentando em mais de um fundamento autônomo e suficiente e o recurso não abrange todos eles. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. PLANEJAMENTO FISCAL. O caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Ademais, sobreleva-se dos citados dispositivos legais que a influência do ágio no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, momento em que o investimento adquirido com ágio torna-se extinto. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EFEITOS NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. VEDAÇÃO. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decreto-lei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL.
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PRESUNÇÃO DE CIÊNCIA DE INTIMAÇÃO. PREVISÃO NORMATIVA INEXISTENTE. A natureza do direito à ampla defesa não permite que se firme, sem suporte legal, a presunção da ocorrência da comunicação de atos estatais aptos a interferir na esfera jurídica dos particulares. A máxima segurança que deriva da Constituição em prol da ampla defesa não se compatibiliza com qualquer alternativa que intente flexibilizar, sem a autorização da lei, a exigência de ciência real, suscetível à verificação por prova direta. RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO DE FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS E SUFICIENTES DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. É inadmissível o recurso especial, quando o acórdão recorrido está assentando em mais de um fundamento autônomo e suficiente e o recurso não abrange todos eles. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. PLANEJAMENTO FISCAL. O caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Ademais, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 72 59 /2 01 2- 81 Fl. 4860DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.861 2 sobrelevase dos citados dispositivos legais que a influência do ágio no resultado tributável pelo IRPJ só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, momento em que o investimento adquirido com ágio tornase extinto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EFEITOS NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. VEDAÇÃO. Os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. (assinado digitalmente) Rodrigo Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (doravante PGFN ou recorrente 1) e por Haztec Tecnologia e Planejamento Ambiental S/A (doravante Contribuinte, HAZTEC ou recorrente 2), em face do Acórdão nº 1401001.741, de 05/10/2016, efls. 4.588/4.616, assim ementado: Fl. 4861DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.862 3 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 POSTERGAÇÃO. ANO DE APROVEITAMENTO. ÁGIO. POSSIBILIDADE. Se o ágio foi aproveitado incorretamente em 2008, mas poderia ter sido aproveitado já em 2009, e considerando que havia lucro real suficiente para deduzir o ágio no ano de 2009, é possível reconhecer a postergação, conforme requerido pela contribuinte em seu Recurso. ÁGIO DE SI MESMO. EMPRESA DE PRATELEIRA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. GLOSA MANTIDA. Tendo em vista que a empresa não tinha substância, que surgiu e desapareceu logo depois para viabilizar uma típica operação com geração de ágio de si mesmo, sem, por exemplo, fluxo financeiro, deve ser mantida a glosa do ágio. ÁGIO. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. GLOSA MANTIDA. No caso concreto, houve permuta de ações na totalidade das ações que pertenciam à própria empresa que as recebeu e que, assim, as manteve em tesouraria. Os fatos indicam ações premeditadas para gerar o ágio, mas sem propósito negocial comprovado, devendo ser mantida a glosa. GLOSA DE DESPESAS. RECONHECIMENTO PARCIAL. Diversos grupos de despesas foram glosados, sendo que uma pequena parte das glosas foi derrubada pela DRJ e outra mantida. Com a comprovação por meio de documentos juntados antes do Recurso Voluntário e a ele, reconhecese as despesas classificadas como motivo 2, no motivo 6 (itens 11.33, 11.34, 11.47, 11.57 e 11.59), no motivo 7 e no motivo 8. MULTAS ISOLADAS. MULTAS DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Seguindo o entendimento majoritário firmado pela turma, como as bases de cálculo das multas de ofício superam as bases de cálculo das multas isoladas, devem ser canceladas essas últimas para evitar a aplicação concomitante de multas." O processo foi encaminhado à PGFN em 06/12/2016 (Despacho de Encaminhamento de efl. 4.617). De acordo com o disposto no art. 79 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a intimação presumida da PGFN ocorreu em 05/01/2017. Em 16/12.2016, tempestivamente, foi interposto o recurso especial de efls. 4.6184.632 (Despacho de Encaminhamento de efl. 4.633). Na oportunidade, a PGFN sustenta o seguinte: "[...] A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por maioria dos votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário da contribuinte para, entre outras questões, excluir a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa por não considerar válida sua aplicação concomitante com a multa de ofício, verbis: [...] Com a devida vênia, o entendimento firmado pelo v. acórdão recorrido quanto à concomitância das multas, além de não refletir a melhor solução para o caso em apreço, diverge daquele adotado por outros Colegiados do CARF, merecendo, por isso, reforma, conforme restará demonstrado a seguir. II – DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL [...] Conforme anteriormente relatado, a e. Câmara a quo houve por bem afastar a aplicação cumulativa da multa de ofício pelo não recolhimento do tributo com a Fl. 4862DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.863 4 multa isolada pelo descumprimento de obrigação de recolhimento da estimativa, verbis: [...] Ocorre que, em casos similares, a 1ª Turma da CSRF (Acórdão nº 9101 00.947, de 29/11/2011) e a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção (Acórdão nº 1202000.964, de 10/04/2013) interpretaram o art. 44 da Lei 9.430/96 de modo diverso, o que autoriza a interposição de recurso especial por divergência. Com efeito, os acórdãos paradigmas acima citados mantiveram a cobrança de multa isolada exigida de contribuinte devido ao não recolhimento do tributo sobre base de cálculo estimada, bem como a multa de ofício cobrada juntamente com o tributo devido: [...] Como se vê, os fatos analisados pelos vv. acórdãos confrontados são similares: discutese, para o anocalendário de 2007 e posteriores, a possibilidade de cumular a multa de ofício (devida em razão do não recolhimento do tributo no prazo legal) com a multa isolada (devida em razão do não recolhimento das estimativas mensais ao longo do anocalendário). Entretanto, as soluções dadas são inteiramente diferentes. A Câmara a quo entende que, quando as bases de cálculo das multas de ofício superam as bases de cálculo das multas isoladas, estas devem ser canceladas para evitar a aplicação concomitante das penalidades. Por sua vez, os vv. acórdãos paradigmas julgaram que essas multas podem, sim, ser exigidas simultaneamente, sem ofensa a qualquer dispositivo da Lei nº 9.430/96, por serem hipóteses legais distintas. Comprovada, portanto, a divergência em relação à interpretação e aplicação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Desse modo, demonstrada a divergência jurisprudencial entre Câmaras do CARF, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial. III – DA INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 105 PARA O ANOCALENDÁRIO DE 2007 (E POSTERIORES) É importante salientar, por oportuno, que, ao contrário [do que] dá a entender o v. acórdão recorrido, não se aplica à espécie a Súmula CARF nº 105, segundo a qual “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício”. Isso porque a cumulação entre as multas só é vedada pela referida súmula em relação às autuações relativas a períodos anteriores a 22 de janeiro de 2007, data da entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou significativamente o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/96 não consta do enunciado da referida súmula, sendo certo que ainda não foi suficientemente debatida pelo CARF, havendo, inclusive, inúmeros precedentes favoráveis à cumulação das multas em questão para o período posterior a janeiro de 2007 (além dos paradigmas, ver os Acórdãos nºs 1401000761, 1102000820, 1302001084 e 1802001592). Fl. 4863DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.864 5 IV – DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO A Recorrida deve pagar a multa disposta no art. 44, inciso II, alínea “b”, pois não se configura, no presente caso, hipótese que dispense a exigência. A teor do referido dispositivo legal, a “multa isolada” é devida em função do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa, ainda que o contribuinte tenha apurado, ao final do período, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. No caso, não há dúvida de que o Recorrido optou por recolher o IRPJ e a CSLL pelo regime de estimativa. Por outro lado, também não há dúvida de que o Recorrido descumpriu o regime, pois não recolheu integralmente o tributo, e não justificou o não recolhimento mediante a apresentação dos balancetes de suspensão ou redução. A Turma Ordinária a quo aduz que não poderia ser exigida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas juntamente com a multa de lançamento de ofício porque não pode incidir duas penalidades sobre a mesma infração. Data venia, há equívoco na afirmação de que o Fisco estaria exigindo duas multas sobre uma única infração ou estaria ocorrendo no caso uma “dupla punição”. Vale dizer, inicialmente, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. Por outro lado, vale destacar que não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades distintas. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito. Analisandose os autos, vêse que a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, resultou de infrações às regras de determinação do lucro real praticadas pelo sujeito passivo, relativo ao anocalendário de 2007 (falta de recolhimento do tributo e/ou declaração inexata). Por outro lado, a denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento, pelo Recorrido, do modo de pagamento do IRPJ sobre base de cálculo estimada (art. 2º da Lei nº 9.430/96), relativo ao anocalendário de 2007. Com efeito, as infrações apenadas pela chamada “multa de ofício” e pela “multa isolada” são diferentes. A multa de ofício decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte. Já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa. Observese, nesse ponto, que essa sistemática de recolhimento se justifica diante da necessidade que possui a União de auferir receitas no decorrer do ano, precisamente a fim de fazer face às despesas em que incorre também nesse período. Caso não ocorresse essa antecipação mensal, a União apenas teria acesso às receitas decorrentes da arrecadação do IRPJ e CSLL ao final do anocalendário, ou no exercício seguinte, por ocasião do Ajuste Anual. Logo, observase que, com a sistemática de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada, o contribuinte desses tributos auxilia a União a fazer Fl. 4864DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.865 6 frente às despesas incorridas durante o anocalendário, o que não ocorreria se a referida exação apenas fosse paga no exercício seguinte. Sob essa ótica, percebese que o não pagamento de referidos tributos sobre bases estimadas é infração bastante diversa daquela consistente em desrespeito às regras de determinação do lucro real praticada pelo sujeito passivo. Sendo assim, nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas: da infração às normas de determinação do lucro real decorre a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, enquanto que do descumprimento da sistemática de pagamento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada decorre a multa isolada prevista no art. 44, II, alínea “b” da mesma Lei. Notese, nesse ponto, que a multa de ofício somente será devida caso exista imposto a pagar por ocasião do Ajuste Anual. Por outro lado, a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, simplesmente, no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa do IRPJ e CSLL, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto. É o que se extrai do art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, segundo o qual a multa isolada será devida ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Sendo assim, com a multa isolada o contribuinte está sendo penalizado por não auxiliar a União a fazer frente às despesas incorridas no decorrer dos anos, pelo regime de pagamento de estimativas, e não, propriamente, por não pagar o IRPJ e a CSLL, até porque, como se percebe da Lei nº 9.430/96, tal multa será devida ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para tais tributos. Por fim, importa destacar que a multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. Com efeito, a multa de ofício deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o Ajuste Anual. Já a multa isolada deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas. Essas antecipações, como o próprio nome diz, não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada neste Conselho Administrativo, são meros adiantamentos do tributo, que será calculado ao final do ano. Como se sabe, nem sempre o conjunto dessas antecipações pagas equivalerá ao tributo efetivamente devido, já que, no cálculo do tributo, feito por ocasião do Ajuste Anual, o contribuinte poderá deduzir determinadas despesas incorridas no decorrer do ano. Em suma, as multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração, e não incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e não configuram nenhum bis in idem, como entendido pela e. Turma a quo, quando afirma que, ao se penalizar o todo, não se pode penalizar parte deste todo. Por consequência é indevida a aplicação do princípio da consunção nesta hipótese. Portanto, não se pode concluir que estaria havendo dupla penalidade pela mesma falta. Data maxima venia, o recorrido cometeu dois atos ilícitos, previstos em lei, e a lei dispõe uma pena para cada um deles. Se não há nenhuma dúvida de que o Recorrido cometeu o ilícito acusado pela fiscalização, como deflui pelo próprio teor da decisão hostilizada e dos elementos colacionados aos autos, não há que se falar em dispensa da punição, apenas porque Fl. 4865DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.866 7 do contribuinte autuado já havia sido exigida multa em decorrência de outro ilícito. Essa não pode ser a ratio da Lei nº 9.430/96. Em abono à tese exposta, é importante transcrever o seguinte aresto do TRF 5ª Região que se pronunciou sobre o assunto: [...] Pelo que se extrai da ementa transcrita, verificase que a aludida decisão judicial está em consonância com o vem sendo exaustivamente defendido pela Fazenda Nacional: não há óbice à cumulação da multa de ofício com a isolada, por serem penalidades distintas. Por outro lado, o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, o seguinte, verbis: [...] O fato de estar sendo exigido do contribuinte a multa de ofício decorrente do não pagamento de tributo não impede a incidência da multa prevista no art. 44, II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96, uma vez que a lei não dispensa a cobrança de penalidade nesses casos. Sob essa ótica, vêse que a e. Turma a quo criou nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, qual seja, a cobrança, concomitante, de multa de ofício decorrente do não pagamento do tributo, o que não pode ser admitido. Diante das considerações acima postas, inegável que a decisão externada pelo órgão recorrido diverge do entendimento sedimentado no seio deste Eg. Conselho Administrativo. Ademais, inferese que o órgão recorrido procurou atenuar o suposto “rigor” do art. 44, II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96. [...] Ora, o Código Tributário Nacional permite o uso da equidade pelo aplicador da lei. Com efeito, o CTN prevê que a lei poderá atribuir ao aplicador juízo de equidade para fundamentar a dispensa de créditos tributários. [...] Notese que o próprio CTN, em seu art. 108, IV, § 2º, dispõe que o emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Como o art. 108 está inserido no capítulo sobre a interpretação da lei tributária, e também face ao art. 172 acima, podese concluir que o Código está consentâneo com o art. 127 do CPC. A equidade somente pode ser utilizada pelo intérprete para a dispensa de crédito tributário quando existe previsão legal que o permita. Fora dessa hipótese, o intérprete não poderá se valer do juízo de equidade para dispensar a exigência de crédito tributário. Aqui resta claro o óbice para a dispensa da multa exigida do recorrido. Não há, no presente caso, norma específica que permita ao aplicador da lei relevar a cobrança da multa prevista no art. 44, II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96, atendendo “a considerações de equidade, em relação com as características pessoais ou materiais do caso”. Como inexiste norma que permita a dispensa da multa prevista no art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96 por considerações de equidade, a posição adotada pela e. Turma a quo também, portanto, incorre em conflito com o art. 172 do CTN. De todo o exposto, resta claro que sempre foi cabível a cobrança concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício. E mais:, após o advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há sequer espaço para discussão do assunto, em face da clareza do texto legal. [...] Fl. 4866DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.867 8 Assim, conforme bem pontuou o Conselheiro Antônio Bezerra Neto, relator do acórdão paradigma nº 1401000.761, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 “foi alterado pela lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; bem assim deixando bem claro, se dúvidas havia, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago”. Frisese que até as bases de cálculo das citadas multas foram diferenciadas, afastandose, dessa forma, qualquer alegação de bis in idem. Com efeito, segundo texto dado pela Lei nº 11.488/2007, a base de cálculo da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa consiste no valor do pagamento mensal, no percentual de 50%, enquanto a multa pelo lançamento de ofício incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, no percentual de 75%. [...] Diante do exposto e considerando que restou plenamente configurado o desrespeito do sujeito passivo ao disposto no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96 e, ainda, que o fato gerador do presente feito é posterior ao advento da MP nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), não há qualquer dúvida sobre a possibilidade/necessidade de cobrança da multa isolada, exigida em face do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa. Tudo considerado, concluise que: i) é possível a cumulação entre multa de ofício e multa isolada, pois são penalidades distintas que incidem sobre bases de cálculo diversas, mormente em face da alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96; e ii) a autoridade autuante agiu de acordo com as normas aplicáveis ao caso, realizando o seu dever de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. V – DO PEDIDO Assim, [...] requer a União (Fazenda Nacional) seja dado provimento ao presente recurso especial para o fim de reformar o acórdão recorrido, mantendose a multa isolada aplicada em razão da falta de recolhimento das estimativas." Para comprovar o dissídio interpretativo, a PGFN apresenta os acórdãos abaixo: 1) Acórdão nº 910100.947, de 29/03/2011: "FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996." Consta do voto condutor do acórdão nº 910100.947: "É necessário destacar que a Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de ofício pela Administração Pública Federal. A partir de janeiro de 2007, o mencionado art. 44 passou a apresentar a seguinte redação, verbis: [...] Fl. 4867DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.868 9 Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir “sobre a totalidade ou diferença de tributo”, mas apenas sobre “valor do pagamento mensal” a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de ofício passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos." 2) Acórdão nº1202000.964, de 10/04/2013: "MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A incidência de multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não elide a aplicação concomitante de multa de ofício calculada sobre diferenças do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, por observarem previsões legais específicas." Consta no voto condutor do Acórdão nº1202000.964: "A recorrente alega que a multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativa não poderia ser exigida após o fim do período anual, quando já se conhece o lucro real; e que não poderia haver a exigência de multa isolada e multa de oficio de 75% exigida juntamente com o tributo, sob pena de haver cumulação de penalidades em decorrência do mesmo fato jurídico. Sem razão, como se demonstrará. Nos casos de ausência de recolhimento das estimativas mensais, a Lei nº 9.430/96, art. 44, prevê a incidência de multa isolada sobre o valor apurado no mês. A alíquota de 50%, prevista na nova redação dada pela Medida Provisória 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, aplicase retroativamente por inserir uma penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos seguintes termos: [...] Enquanto isso, a multa de ofício de 75% é prevista no inciso I do mesmo artigo, consoante redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, como se verificou no caso concreto. A tese alegada pela recorrente, de que não incide multa isolada por falta de recolhimento de estimativas concomitantemente com a apuração de multa de ofício sobre o tributo apurado ao final do ano calendário, embora adotada por boa parte dos membros deste Conselho, data venia, não merece ser reconhecida. Respeitando as opiniões em contrário, entendese que a legislação é expressa. Sendo a opção pela sistemática das estimativas mensais concedida ao contribuinte como uma faculdade pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 2º, uma vez optante, ele estará sujeito às regras daquela sistemática. Fl. 4868DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.869 10 A sistemática de recolhimento por estimativas, de caráter facultativo, não tem o condão de equiparar os recolhimentos com uma antecipação do tributo, já que o fato gerador do imposto e da contribuição social apurado anualmente, de natureza complexiva, apenas irá se configurar em 31 de dezembro do anocalendário em referência. O legislador instituiu a opção como alternativa à regra de apuração trimestral, mas estipulou que esta traz consequências, na medida em que a falta de recolhimento representa um ato ilícito, caracterizado pelo descumprimento de um dever. Assim, a falta de recolhimento gera uma infração específica. Pretender equiparar as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício não parece conforme ao sentido da lei. Ora, são distintos tributo e multa pela sua própria natureza jurídica. Enquanto um decorre de ato lícito – fato gerador –, o outro decorre da realização de um ato ilícito, comissivo ou omissivo, como é o caso em análise. Da mesma forma, distinguese a multa isolada, esta devida nos casos em que for detectada a falta de recolhimento do tributo estimado a cada mês, da multa de ofício incidente sobre o montante do tributo calculado após o encerramento do período de apuração. Entendo que não há que se confundir a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo de eventual multa de ofício, já que, em caso de opção pela sistemática das estimativas, o tributo não é apurado trimestralmente, mas anualmente, e a base de cálculo da multa isolada é a estimativa mensal calculada a partir da receita bruta. A multa de ofício, por sua vez, incide sobre o imposto ou contribuição efetivamente devidos ao final do período de apuração. Nesse sentido, a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, que alterou o percentual da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, de 75% para 50%, veio apenas reforçar essa distinção. Ademais, a legislação possibilita o não recolhimento de antecipação, desde que apresentado o balancete mensal que comprove que as antecipações recolhidas superam o valor do tributo até aquele momento apurado, o que não implica dizer que a multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 não é devida após o encerramento do período. A determinação legal é clara nesse sentido, ao reafirmar que a multa é devida “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente”. Em outras palavras, a regra é clara: o descumprimento do dever de antecipação deve ser sancionado na forma da lei, independentemente do valor do imposto ou contribuição calculada ao final do exercício, ou mesmo da existência de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. Fica ressalvada, apenas, a hipótese de apresentação de balancetes de suspensão ou redução que demonstrem que o valor pago já seria maior do que o devido, o que não se verificou no presente caso. Já o voto condutor do acórdão recorrido expressa entendimento contrário aos acórdãos suprarreferidos, verbis: "Multa isolada por falta de recolhimento de estimativas Fl. 4869DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.870 11 Conforme múltiplos precedentes do CARF que resultaram na Súmula nº 105, as multas isoladas não podem ser cobradas concomitantemente. Se as estimativas deixaram de ser realizadas e a apuração do IRPJ e da CSLL se deram a menor pela mesma razão; uma vez encerrado o período de apuração fiscal, aplicase apenas a multa de ofício. Vide enunciado da Súmula nº 105 do CARF: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". [...] No entendimento deste relator, no entanto, a partir da vigência da Lei nº 11.488/2007, quando a base de cálculo da multa isolada superar o valor da multa de ofício, devese cobrar o valor da multa correspondente à diferença. Em outras palavras, é preciso sempre multiplicar a multa de ofício por 2/3 para equalizálas, pois ela tem alíquota de 75%, enquanto que a multa isolada tem alíquota de 50%, e, então, devese cancelar a multa isolada, caso ela seja igual ou menor à multa de ofício,e cobrar a multa de ofício e mais a diferença entre ela e a multa isolada, caso este seja maior do que aquela após a multiplicação por 2/3. Esse entendimento é um desdobramento da própria Súmula nº 105 do CARF, pois ele evita o problema de se afastar a multa isolada e se manter a multa de ofício quando aquela tinha valor muito maior do que essa. Assim, o contribuinte é sancionado de maneira muito branda, mesmo apesar de ter deixado de recolher altos valores a título de estimativa mensal. Essa parece ser a interpretação mais mediadora, mais justa para a matéria em questão, pois evita a aplicação concomitante de multas ao mesmo tempo em que evita a aplicação de sanções muito brandas quando o contribuinte deixa de recolher valores altos, o que poderia levar, inclusive, a uma perda de eficácia social da norma que impõe o recolhimento da estimativa mensal. Ainda que este Relator tenha um entendimento pessoal no sentido de que a estimativa mensal é uma complexidade injustificável gerada no sistema com o objetivo de antecipar tributos à União Federal, o fato é que ela está prevista na lei e há uma sanção para o caso de descumprimento. No presente caso concreto, as multas isoladas foram lançadas conjuntamente no Auto de Infração. Elas estão somadas como se fossem a multa isolada do IRPJ, que não é algo incomum de ser visto, mas pode levar a confusões. O Termo de Verificação Fiscal, entretanto, traz uma tabela com os cálculos das multas mês a mês e para cada tributo. A multa isolada para o IRPJ, em relação a todo o ano calendário, é de R$ 2.323.490,04, enquanto que a multa isolada para a CSLL é de R$ 735.038,42. A multa de ofício aplicada para o IRPJ é de R$ 2.207.155,85 e para a CSLL é de R$ 799.436,11. Se multiplicadas por 2/3 essas multas, os resultados são, respectivamente, R$ 1.407.437,23 e R$ 532.957,41. Deste modo, as multas isoladas encontramse, conforme o entendimento aqui exposto, absorvidas pelas multas de ofício, devendo aquelas serem canceladas, restando apenas a cobrança dessas últimas." Fl. 4870DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.871 12 Contrarazzões tempestivas do Contribuinte às efls. 4.672/4.688, assim resumidas: 1) o acórdão nº 9101000.947, ofertado como paradigma pela PGFN, revela entendimento idêntico ao acórdão recorrido; 2) a jurisprudência do CARF se consolidou no sentido de que, após o término do anocalendário, não há mais que se falar em saldo devedor de estimativas; 3) a Turma recorrida, apesar de admitir a possibilidade de convivência, em tese, entre as multas de ofício e isolada, afastou essas últimas pelo fato de recaírem sobre bases de cálculo mais extensas que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, o que implica absorção da multa isolada pela multa de ofício; 4) o Recurso Especial da PGFN não teceu uma linha sequer contra as razões do item 3, acima, lançadas no voto condutor do acórdão recorrido. Tal omissão deve acarretar o não conhecimento do apelo especial da PGFN, em aplicação analógica dos Enunciados Sumulares nº 283 e 284 do Supremo Tribunal Federal; 5) a tese central do Recurso Especial da PGFN simplesmente defende a concomitância entre as multas isoladas e de ofício, o que a Turma recorrida não nega, desde que a multa isolada recaia concretamente sobre uma base de cálculo superior à da multa de ofício conjuntamente exigida; 6) a concomitância entre as multas de ofício e isolada não é admitida pela jurisprudência do CARF nem mesmo para fatos geradores posteriores ao advento da Medida Provisória nº 351/2007; 7) por todo o exposto, pugnase pelo não conhecimento do Recurso Especial da PGFN, ou, quando menos, por seu desprovimento. O Contribuinte alega que tomou ciência do acórdão recorrido em 19/01/2017, justo no momento em que obteve acesso, via Domicílio Tributário Eletrônico, à cópia integral dos autos (conforme efl. 4767). Recurso Especial de divergência interposto em 03/02/2017 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada, efl. 4830), limitado à parte do acórdão recorrido em que se decidiu pela manutenção das glosas das despesas com a amortização do ágio que se seguiu à incorporação da sociedade empresária AZURIX. Para comprovar a divergência, o Contribuinte apresenta o acórdão paradigma 1402001.264, assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de provas documentais junto a impugnação, que foram objeto de verificações em diligência fiscal, elide o lançamento. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Na apuração da base de cálculo do tributo exigido de ofício deve ser considerado o prejuízo fiscal apurado no período. Fl. 4871DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.872 13 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PREMISSAS. As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7º, inciso III, e 8º da Lei nº 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Cumprida ou não questionadas essas premissas, cancelase a glosa." Segundo o Contribuinte, discutese, no acórdão recorrido e no acórdão nº 1402001.264, a dedutibilidade do mesmo ágio, surgido em 1999 quando a sociedade Azuríx Brasil RDM Ltda adquiriu quotas e o controle integral da sociedade AZX Participações Ltda. A empresa Geoplan, controlada da AZX, incorporou a Azurix Brasil RDM, e passou a amortizar o ágio. No acórdão paradigma nº 1402001.264, confirmouse a dedutibilidade deste ágio pela Geoplan. Seguiuse a incorporação da Geoplan pelo Contribuinte, que continuou a deduzir o mesmo ágio, sendo que tal dedução foi glosada pelo Fisco e confirmada pelo acórdão recorrido. O Contribuinte aponta trechos que denunciam a conexão dos dois processos, e discorre sobre a similitude dos casos: "O próprio v. Acórdão Recorrido atesta a coerência da assertiva anterior em termos expressos, o que se constata a partir da leitura dos seguintes excertos, verbis: "É por isso que o Processo n° 18471.000808/200791, antes referido, está vinculado ao presente. Lá se discutia a parte do ágio amortizada na Geoplan. Aqui se discute o restante da amortização, realizada pela Haztec após incorporação da Geoplan." (fl. 16 do Acórdão Recorrido, correspondente à fl. 4603 na numeração do eprocesso) É importantíssimo consignar que a amortização fiscal controvertida nesses autos que é justamente a continuação da amortização fiscal do ágio iniciada pela sucedida/incorporada não foi contestada pela r. autoridade fiscal autuante por qualquer motivo associado à incorporação levada a efeito pela Recorrente, sendo certo que o motivo da autuação também não reside em eventual amortização fiscal do ágio em excesso tendo em vista a amortização inicial realizada pela sucedida/incorporada. Com efeito, tanto a r. autoridade fiscal das autuações encerradas no Processo nº 18471.000808/200791 quanto a r. autoridade fiscal responsável pelos lançamentos encerrados nesses autos concluíram que o único ágio de que se cogita não poderia ser amortizado fiscalmente por razões que se ligam exclusivamente às operações que deram ensejo ao nascimento do ágio. Tendo em vista que o v. Acórdão Recorrido (nº 1401001.741) e o v. Acórdão nº 1402001.264 (atinente ao Processo nº 18471.000808/200791) dirimiram lançamentos que se reportam às mesmíssimas operações, é absolutamente estreme de dúvidas que o requisito de similitude fática entre os julgados em cotejo necessário à demonstração de dissídio jurisprudencial está plenamente preenchido. Ocorre que, mesmo se debruçando sobre as mesmíssimas operações, os VV. Acórdãos Recorrido e Paradigma chegaram a conclusões diametralmente opostas. Deveras, ao passo que o v. Acórdão Paradigma houve por bem considerar legítima a amortização fiscal do único ágio controvertido e afastar os lançamentos fiscais correspondentes , o v. Acórdão Recorrido entendeu que a amortização fiscal do mesmíssimo ágio era ilegítima." Fl. 4872DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.873 14 Podese verificar que o acórdão recorrido se refere ao acórdão paradigma de tal modo a refutar o entendimento lá consignado quanto à dedução do ágio, na forma do artigo 7°, inciso III, e 8° da Lei nº 9.532/1997, gerado na aquisição da sociedade AZX Participações Ltda pela sociedade Azurix Brasil RDM Ltda, configurando, dessa forma, a divergência de entendimento em relação aos mesmos dispositivos normativos e para os mesmos fatos. A esse respeito, vale reparar o seguinte excerto do acórdão recorrido: "É por isso que o Processo nº 18471.000808/200791, antes referido, está vinculado ao presente. Lá se discutia a parte do ágio amortizada na Geoplan. Aqui se discute o restante da amortização, realizada pela Haztec após incorporação da Geoplan. No outro processo, a 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 1ª Seção, do CARF, em curioso Voto do Relator Antônio José Praga de Souza, decidiu da seguinte forma: "Pois bem. A matéria é recorrente neste Colegiado e meu posicionamento já conhecido: a amortização do ágio interno, ou ágio de si mesmo, não tem amparo na legislação tributária e, principalmente, fere os princípios básicos da incidência do IRPJ e CSLL haja vista que se trata de uma despesa artificial que desequilibra a apuração desses tributos, reduzindo indevidamente suas bases de cálculo. O litígio é similar em premissas e conclusões ao manifestado por este colegiado quando do julgamento que resultou no Acórdão n.º 140200.802. Nos termos do voto condutor do aludido acórdão, aprovado à unanimidade por esta colenda Turma, prevaleceu o entendimento de que a amortização do ágio, pago com fundamento em previsão de rentabilidade futura, com fulcro no artigo 7.º, inciso III, da Lei n.º 9.532 de 1997, deve atender, inicialmente a três premissas básicas, como forma de comprovação da realização do propósito negocial da operação, quais sejam: 1) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; 2) a realização das operações originais entre partes não ligadas; 3) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Compulsando os autos, verificase que no presente caso essas três premissas básicas foram cumpridas, razão pela qual, a meu ver restou demonstrado o propósito negocial da operação, vejamos: o ágio em questão surgiu em 1999 quando a sociedade Azurix Brasil RDM Ltda. adquiriu quotas e o controle integral da sociedade AZX Participações Ltda., que detinha investimentos dela (Azurix); na operação foi registrado um ágio de R$ 94.688.847,00 (noventa e quatro milhões, seiscentos e oitenta e oito mil, oitocentos e quarenta e sete reais), valor que foi efetivamente pago aos alienantes. no ano seguinte, especificamente em 4 de setembro de 2000, a Azurix Brasil RDM Ltda. Incorporou a sociedade AZX Participações Ltda (empresa veiculo). em seqüência, no dia 6 de setembro do mesmo ano, a Azurix Brasil RDM Ltda. foi incorporada pela contribuinte; Fl. 4873DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.874 15 o ágio acima mencionado foi reclassificado para o ativo diferido, tendo por fundamentação econômica a expectativa de lucros futuros, restando a amortização prevista em seu laudo de avaliação conforme descriminado em suas demonstrações financeiras e pareceres de auditoria independente da lavra de Price Waterhouse Coopers e Deloitte Touche Tohmatsu. Não há qualquer questionamento sobre essa avaliação nos termos fiscais, tampouco no auto de infração". Observase que, no trecho acima, o voto afirma ser contrário ao ágio interno e ao ágio de si mesmo, que parecer ser exatamente o caso analisado naqueles autos e no presente." Quanto ao mérito, o Contribuinte aduz o seguinte: 1) em 3 de setembro de 1999, a sociedade empresária GEOPLAN ASSESSORIA PLANEJAMENTO E PERFURAÇÕES S/A pertencia à AMX DO BRASIL LTDA, que lançou mão dessa participação societária para capitalizar a pessoa jurídica AZX PARTICIPAÇÕES LTDA; 2) ainda em 3 de setembro de 1999, a AMX retirouse do quadro societário da AZX, quando, então, a pessoa jurídica 265 COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA tomou o seu lugar; 3) o quadro societário da 265 era composto por terceiros e também por uma sociedade empresária intitulada PAÚBA PARTICIPAÇÕES LTDA, sendo que essa última, em 20 de setembro de 1999, foi adquirida pelas empresas estrangeiras AZURIX BRASIL DEVELOPMENT (doravante AZURIX DVP) e AZURIX INVESTMENTS LTD (doravante AZURIX INV); 4) ainda nesse dia 20 de setembro de 1999, a razão social da PAÚBA foi alterada para AZURIX BRASIL RDM LTD A. (doravante AZURIX RDM); 5) a pessoa jurídica 265, em 24 de setembro de 1999, adquiriu, para permanência em tesouraria, as ações preferenciais nominativas de sua emissão de titularidade da AZURIX RDM. Nessa data, 265 cedeu e transferiu à AZURIX RDM, a título de permuta, as 10.951.153 quotas do capital que possuía da AZX, pelo valor certo e ajustado de R$ 10.951.153,00 equivalente ao valor patrimonial das quotas cedidas; 6) o ágio em debate nasceu quando da mencionada aquisição, pela 265, das ações de sua emissão, de titularidade da AZURIX RDM. Isso porque a AZURIX RDM cedeu essas ações da 265 à própria 265, em troca da participação que essa sociedade detinha no capital da AZX; 7) ocorre que as cotas da AZX que a AZURIX RDM recebeu correspondiam a um patrimônio líquido muito inferior ao patrimônio líquido que correspondia às ações que esta última sociedade cedeu. Vale dizer, ela abriu mão de um ativo (ações da 265) muito mais valioso que o ativo recebido (cotas da AZX). O ágio no recebimento das quotas da AZX estava justificado exclusivamente pela expectativa de rentabilidade futura da GEOPLAN, sociedade que, consoante visto, era controlada da AZX. Ou seja, essa expectativa foi a justificativa do ágio nessa troca que, em termos dos correlatos patrimônios líquidos, era notadamente desvantajosa à AZURIX RDM; Fl. 4874DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.875 16 8) portanto, após a operação de permuta entre investimentos com patrimônios líquidos absolutamente discrepantes ocasião em que a AZURIX RDM adquiriu a participação societária na AZX, controladora da GEOPLAN veio a lume o ágio de que se cuida, no montante de R$ 94.688.827,00, fundado na expectativa de rentabilidade futura da GEOPLAN; 9) é preciso esclarecer que a AZURIX RDM apenas pagou o preço das cotas da AZX pagamento esse que se deu com a participação que detinha no capital da 265 após a elaboração de laudo de avaliação, por meio do qual restou determinada a expectativa de rentabilidade futura dessa pessoa jurídica. Tal expectativa de rentabilidade futura da AZX derivava basicamente das projeções feitas em relação à sua controlada, a operacional GEOPLAN. Esse laudo repousa às efls. 1310/1333; 10) devese frisar que essa operação de "troca" de participações societárias operouse entre sociedades empresárias que eram controladas por pessoas não relacionadas. Frisese que, embora a AZURIX RDM detivesse participação societária na 265, tal participação era minoritária. Não há a menor dúvida que a 265 não era controlada pela AZURIX RDM; 11) após tais eventos, as citadas sociedades estrangeiras AZURIX DEV e AZURIX INV criaram a sociedade brasileira AZURIX DO BRASIL LTDA (doravante AZURIX BRASIL), que passou a controlar a AZURIX RDM (efl. 4276); 12) em 4 de setembro de 2000, a AZX foi incorporada pela AZURIX RDM, que, em 6 de setembro do mesmo ano, foi incorporada pela GEOPLAN, por meio de incorporação reversa (artigo 264 da Lei n° 6.404/1976), operação positivada em nosso ordenamento jurídico (efl. 4276); 13) foi assim que a GEOPLAN que incorporou sua antiga controladora (AZURIX RDM, na qual estava escriturado o ágio em apreço) acabou por registrar em seu balanço o ágio que, em sua origem, surgiu em virtude da sua expectativa de rentabilidade futura; 14) não existe qualquer vedação a que uma pessoa jurídica passe a amortizar um ágio que, ab initio, surgiu em virtude da sua expectativa de rentabilidade futura; 15) entendimento em sentido contrário teria como consequência a impossibilidade de aproveitamento de ágio na quase totalidade dos casos de incorporação às avessas, em que a investidora detentora da participação societária adquirida com ágio é incorporada pela investida; 16) e não se diga que o aproveitamento do ágio em questão não é legítimo pelo fato de que, quando de seu nascimento, não houve pagamento em dinheiro pela compra e venda da respectiva participação societária; 17) o fato de não ter havido fluxo financeiro nessa operação, que deu ensejo ao nascimento do ágio, foi o determinante à conclusão da Colenda Turma a quo no sentido de que a mais valia sub examen não seria fiscalmente amortizável; 18) o vocábulo empregado pelo caput do artigo 385 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, é claro ao aludir, simplesmente, à aquisição de participação Fl. 4875DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.876 17 societária, sendo certo que a expressão aquisição, no vocabulário jurídico, congrega uma série de operações; 19) in casu, a sociedade empresária AZURIX RDM, ainda que não tenha efetivamente desembolsado dinheiro para adquirir a participação societária da AZX, hialinamente abriu mão de um item constante do seu Ativo a saber, as ações da 265 que inquestionavelmente valia mais, naquele momento, que as cotas recebidas nessa mesma operação; 20) a AZURIX RDM cedeu à 265 um investimento que, em termos de patrimônio líquido, era muitíssimo superior ao investimento recebido. Essa diferença entre o valor entregue a terceiros (ações da 265) e o bem que foi recebido (cotas da AZX) é o que representa o ágio aqui controvertido; 21) em outras palavras, o custo de aquisição da participação societária pela AZURIX RDM equivale ao valor das ações da 265 que foram baixadas do seu Ativo ações essas que valiam mais que a nova participação societária recebida, em termos do correspondente patrimônio líquido. Desse modo, a diferença entre os valores das referidas participações societárias representa justamente o valor que foi pago pela primeira a título de ágio; 22) a controvérsia central do conhecido caso da Casa do Pão de Queijo é essencialmente análoga à controvérsia do presente caso: ao passo que a HAZTEC, ora recorrente, assevera que a permuta de ações com valores patrimoniais diferentes equivale à aquisição de participação societária inserta no artigo 385 do RIR/99 a exemplo do quanto decidido no acórdão n. 1402001.264 , o v. acórdão recorrido limitou o vocábulo "aquisição" a pagamentos realizados em espécie, razão pela qual concluiu que não teria havido pagamento, no caso concreto; 23) o ágio ora em estudo começou a ser amortizado pela sociedade empresária GEOPLAN, o que se deu a partir do momento em que essa pessoa jurídica incorporou sua controladora, ocasião em que passou a ter lugar a "realização" da participação societária adquirida com ágio; 24) após a GEOPLAN ter lançado mão de despesas com a amortização parcial de dito ágio, a ora recorrente decidiu adquirir as ações emitidas pela GEOPLAN de titularidade da AZURIX BRASIL, tornandose controladora da GEOPLAN; 25) posteriormente, a HAZTEC ora Recorrente incorporou a GEOPLAN, momento a partir do qual passou a dar continuidade à amortização do ágio que estava sendo amortizado pela GEOPLAN, que deixou de existir, em decorrência da incorporação; 26) percebese, portanto, que as despesas de ágio aqui controvertidas referemse ao mesmo ágio cuia amortização foi iniciada pela própria GEOPLAN, ou seja, estáse diante da mesma mais valia que foi paga pela AZURIX RDM quando da aquisição das cotas da AZX; 27) em virtude disso, a possibilidade de aproveitamento desse ágio está visceralmente ligada à discussão travada no seio do processo administrativo nº 18471.000808/200791, feito administrativo que encerra o auto de infração lavrado contra a Fl. 4876DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.877 18 GEOPLAN justamente em decorrência das despesas relacionadas à primeira fase da amortização do mesmo ágio controvertido nesses autos; 28) ocorre que esse Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apreciando o referido processo administrativo nº18471.000808/200791, julgou improcedente a glosa das despesas atreladas à amortização do ágio em testilha; 29) por todo o exposto, HAZTEC, ora recorrente, requer que o vertente Recurso Especial seja conhecido e, ao final, acolhido in totum, para que sejam definitivamente afastadas as exigências decorrentes da glosa das despesas reconhecidas em contrapartida à amortização da mais valia discutida nesta irresignação. Contrarrazões da PGFN apresentadas em 20/04/2017, com as seguintes alegações: 1) intempestividade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte; 2) as sociedades empresárias AZX e Azurix RDM, constituídas e extintas em curto espaço de tempo, em total descompasso com o princípio da continuidade, foram utilizadas para transferir o ágio à Geoplan, quando essa exerceu o papel de empresa veículo, transferido o ágio ao interessado, evidenciando a falta de propósito negocial dessas sociedades; 3) não houve fluxo financeiro, mas uma mera permuta de ações entre uma empresa que tinha participação minoritária em outra, dando a ela como pagamento suas próprias ações. Mera troca de ações com pagamento pelo ágio, usando exatamente a totalidade das ações da mesma empresa, guardadas em tesouraria; 4) na verdade, o problema está nos detentores das participações societárias envolvidas, na condição de adquirentes e alienantes, cobrarem de si mesmos ágio na transferência de tais participações, o que daria em tese direito a reduzir a base de cálculo do IRPJ e CSLL mediante dedução da despesa de amortização desse ágio. Esse ágio cobrado dentro do mesmo grupo é meramente escritural, pois ainda que haja desembolso, não há esforço financeiro de qualquer das partes, já que todas são submetidas a um controle único. É como “tirar de um bolso e colocar no outro”. Franquear esta possibilidade é permitir a aferição de benefício fiscal em decorrência de mera reavaliação de ativos; 5) segundo o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, “ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo”; 6) por fim, espera a União (Fazenda Nacional) seja negado provimento ao recurso especial, com a consequente manutenção do auto de lançamento. É o relatório. Voto Fl. 4877DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.878 19 Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Em primeiro lugar, o Recurso Especial do Contribuinte. De início, a intempestividade alegada pela PGFN, ao argumento de que o Contribuinte fora cientificado no dia 29/12/2016 (efls. 4661/4668), quando apresentou pedido de cópia de parte do presente processo. Desse modo, considerando que as peças recursais ingressaram nos autos em 02/02/2017, estaria caracterizada a interposição a destempo, segundo a PGFN. Na verdade, na petição de efls. 4.661, HAZTEC requereu o fornecimento de cópia digitalizada dos autos a partir de fls. 4.617. Ocorre que o acórdão recorrido integra os autos às efls. 4.588/4.616. Assim, não há base para se presumir que o Contribuinte, ao requerer cópia dos autos a partir de efl. 4.617, tenha sido cientificado de todo o material acostado até a página anterior à primeira da sequência peticionada, sob o risco de malferir o direito individual ao exercício da ampla defesa, inscrito no inciso LV do artigo 5º da Constituição Republicana de 1988, segundo o qual "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes." A natureza do direito à ampla defesa não permite que se firme, sem suporte legal, a presunção da ocorrência da comunicação de atos estatais aptos a interferir na esfera jurídica dos particulares. A máxima segurança que deriva da Constituição em prol da ampla defesa não se compatibiliza com qualquer alternativa que intente flexibilizar, sem a autorização da lei, a exigência de ciência real, suscetível à verificação por prova direta. Além disso, a data de 29/12/2016, a que se refere a PGFN, foi lançada pelo Contribuinte em documento de recebimento de cópia parcial deste processo, conforme efl. 4.668. Tal recibo compõe um conjunto de oito elementos entre as efls. 4.661/4.668, juntados pela HAZTEC com o fim de apresentar a antedita petição para o fornecimento das cópias dos autos desde efl. 4.617, seguida de prova do recolhimento bancário da taxa de reprodução xerográfica (efls. 4.662/4.664), instrumentos de subestabelecimento (efls. 4.665/4.666), identidade do estagiário de Direito que assinou o citado recebimento parcial (efl. 4.667) e, por fim, o suprarreferido recibo (efl. 4.668). Nessas circunstâncias, só é possível assegurar a ampla defesa ao Contribuinte desde que se assuma o recebimento parcial no equivalente ao fornecimento de cópias dos autos desde efl. 4.617, o que exclui a ciência do acórdão recorrido na data de 29/12/2007. Engano semelhante alvejou a Delegacia de origem, a teor de efl. 4.837, como declara servidor local ao esclarecer que, diante do pedido de cópia do processo efetuado pelo contribuinte em 26/12/2016, não atentara para o fato de que o Contribuinte havia requerido cópias a partir de efl. 4617. Com razão o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, ao assinalar que a ciência do acórdão recorrido efetivouse em 19/01/2017, mediante acesso, via Domicílio Tributário Eletrônico, da cópia integral dos autos. Sendo incontroverso que a juntada do Recurso Especial de Divergência aos autos data de 03/02/2017, há de se pronunciar a tempestividade da interposição do apelo especial do Contribuinte Uma vez atendidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial da HAZTEC. Fl. 4878DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.879 20 Passando ao mérito. Para a solução da questão posta pelo recorrente, trazse à colação o trecho da decisão da DRJ onde se expôs o painel das operações societárias enredadas no planejamento tributário em foco: “Item 2.5 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1362/1369) 225 No curso do procedimento fiscal, a autoridade lançadora constatou que o interessado apropriou em seu resultado contábil despesas com amortização de ágio, sem que fosse feita a correspondente adição na apuração do lucro real, nos seguintes valores: 226 Para melhor compreender a origem do ágio, cuja amortização foi glosada, serão reproduzidos, em síntese, os esclarecimentos feitos pelo interessado, extraídos de sua resposta (fls. 1258/1266) ao Termo de Intimação nº 15 lavrado pela autoridade lançadora (fls. 1252/1256): “II. DO ÁGIO 5. De acordo com o histórico apresentado no Termo, em 03 de setembro de 1999, a Geoplan era empresa pertencente à AMX DO BRASIL LTDA., que integralizou sua participação naquela empresa, na recémcriada AZX PARTICIPAÇÕES LTDA. ("AZX"), que passa, por decorrência lógica, a se tornar proprietária da Geoplan. 6. Nesta mesma data, a empresa AMX se retira da sociedade e a empresa 265 COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA ocupa seu lugar, remanescendo a seguinte estrutura: Fl. 4879DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.880 21 Aqui, interrompese o relato da DRJ para a entrada, nesse cenário, da pessoa jurídica Paúba Participações Ltda, que participava do capital social da sociedade empresária 265. Digase, ainda nesse ponto, que 17 dias depois, ou seja, em 20/09/1999, Paúba Participações foi adquirida por duas pessoas estrangeiras: Azurix Brasil Development (Azurix Dvp) e Azurix Investments Ltd (Azurix Inv). Retornando à descrição da DRJ: “7. Paralelamente a esta operação, em 20 de Setembro de 1999, a, até então, empresa PAÚBA PARTICIPAÇÕES LTDA, é adquirida pelas empresas AZURIX BRASIL DEVELOPMENT LTD ("Azurix Dev.") e AZURIX INVESTMENTS LTD ("Azurix Inv."), ambas subsidiárias da norteamericana Azurix Corporation, empresa cujo objeto constituía a exploração de atividades no ramo de energia e mercado de água. 8. Destacase que, nesta mesma oportunidade, a PAÚBA PARTICIPAÇÕES LTDA altera sua razão social para AZURIX BRASIL RDM LTDA ("AzurixRDM"). Temos, portanto: É preciso aclarar que o ágio auditado nasceu quando da aquisição, pela 265, de ações de sua emissão de titularidade da Azurix RDM. Ou seja, Azurix RDM cedeu ações da 265 à própria 265, em troca da participação que essa sociedade (265) detinha no capital da AZX. Voltando ao relato da DRJ: “(...) 10. (...), em 24 de Setembro de 1999, a sociedade Azurix RDA adquiriu quotas do capital social da AZX, com ágio de R$ 94.688.827,00, calculado com fundamento na perspectiva de rentabilidade futura da empresa, conforme apresenta laudo de avaliação elaborado por empresa especializada (Doc 02). 11. Veja, douto fiscal, que conforme apresentado no laudo de avaliação, a aquisição da AZX pelo valor referido justifica se apenas em razão da expectativa de rentabilidade futura da Geoplan, eis que a AZX nada mais era do que uma holding que detinha como investimento relevante a Geoplan e, assim, a expectativa de rentabilidade futura dessa afetava diretamente o preço a ser pago pela primeira. (...) Fl. 4880DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.881 22 13. Com isso, a partir dessa aquisição, temos a seguinte situação: 14. Em ato contínuo, na data de 4 de outubro de 2000, criase a pessoa jurídica AZURIX DO BRASIL LTDA ("Azurix Brasil"), que passa a deter as quotas da Azurix Dev. e Azurix Inv., tornandose detentora da Azurix RDM. (...) 16. Como resultado, a Azurix Corporation, detinha, neste momento, três empresas operacionais no país. Entretanto, com o fim de concentrar seu investimento no Brasil minimizando as despesas, facilitando a gestão e reduzindo a malha societária, entendeu por bem a empresa norteamericana remanescer com apenas uma sociedade operante no mercado de água. 17. Assim, em 4 de Setembro de 2000, a AZX foi incorporada pela Azurix RDM, que, em 6 de setembro do mesmo ano, foi incorporada pela Geoplan, por meio de incorporação reversa (art. 264 da Lei nº 6.404/76), operação positivada em nosso ordenamento jurídico. (a parte sublinhada não consta do original) De novo, interrompese a narrativa da DRJ para introduzir, na sequência do relato, a informação que se mostra à necessária compreensão dos fatos: por último, HAZTEC incorporou a Geoplan e continuou a amortizar o ágio antes gerado. O organograma abaixo retrata o quadro completo das operações desenvolvidas para os fins almejados, no planejamento fiscal em referência: Fl. 4881DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.882 23 Em suma, houve permuta de ações: de um lado, Azurix RDM cedeu ações da 265 à própria 265; de outro lado, 265 cedeu ações da AZX, controlada pela 265, à Azurix RDM. As ações da AZX foram transferidas à Azurix RDM com ágio, sob o fundamento da expectativa da rentabilidade futura da Geoplan, controlada da AGX. Ora, é inevitável que se perceba o ágio interno, patenteandose, como efetivamente se patenteia no caso concreto, o vínculo societário entre 265 e Azurix RDM. Alega o contribuinte que a participação de Azurix RDM é minoritária, o que não afasta a relação entre ambos. Bem explicado pelo voto condutor do acórdão recorrido que, tratandose de ágio interno, “não é preciso necessariamente haver controle. A questão é se as empresas são completamente independentes ou se há alguma vinculação entre si que indique uma possibilidade de realização de operações sem substância, apenas com o objetivo de reduzir a tributação por meio de ágio gerado artificialmente.” Aliás, o que transparece dos autos é um panorama de acordo com o qual as pessoas jurídicas que participaram das operações societárias relatadas estavam todas ligadas de alguma forma. Percebase o inusitado da permuta apreciada: Azurix RDM recebeu quotas da AZX, para as quais atribuiu um valor de custo acrescido do ágio em pauta, enquanto 265 pior recebeu como pagamento pelas quotas da AZX as quotas dela própria que a Azurix RDM detinha. Concebese o contrato de permuta ou troca como um contrato comutativo, já que as obrigações devem equivalerse, juridicamente. A despeito dessa necessária equivalência, Azurix RDM registrou o valor do investimento em AZX não pelo equivalente ao valor das quotas da 265 que a esta transferira, mas por um montante muito maior, com ágio, por Fl. 4882DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.883 24 deliberação própria, baseado em laudo. Perguntase: 265 não sabia que o investimento em AZX, que detinha, valia muito mais que as próprias quotas recebidas? Como se verá, a seguir, as pessoas à frente de AZX e Azurix RDM eram as mesmas. Isso é o que explica por que AZX entregou um investimento muito mais valioso em troca das próprias ações, sem qualquer compensação. Se os negócios referentes a essas operações fossem acertados entre partes não relacionadas, esse desajuste na comutatividade, que é inerente ao contrato de permuta, jamais teria acontecido. Não se pode deixar de reportar que a sociedade empresária Paúba (antiga denominação de Azurix RDM) tinha sua sede na Rua Líbero Badaró, 293, 21º andar, São Paulo Capital. Com a alteração contratual empreendida para a saída de sócios antigos e a entrada de novos sócios (Azurix Brasil Inv e Azurix Brasil DVP), sediados nas Ilhas Cayman, efetivouse a mudança para o endereço da Praia do Flamengo, nº 154, 21º, andar, Rio de Janeiro (efl. 1.018). E mais: um dos sócios da AZX Participações Ltda, ao tempo de sua constituição, era Eike Fuhrken Batista (efl. 914), residente e domiciliado na Praia do Flamengo nº 154, 5º andar, Rio de Janeiro. É ele quem assina pela 265, juntamente com Flávio Godinho, também residente e domiciliado na Praia do Flamengo nº 154, 5º andar, Rio de Janeiro, ambos diretores, quando da cessão de quotas da AZX para a Azurix RDM (efl. 935). Flávio Godinho consta (efl. 909) como diretorpresidente da AMX (sócia majoritária da AZX efl. 918) e procurador das pessoas jurídicas estrangeiras Azurix Brasil Inv (efl. 1.040) e Azurix Brasil DVP (efl. 1.040), únicas sócias da Azurix RDM ao tempo da aquisição da AZX. Flávio Godinho também era diretorpresidente da Azurix DVP (efl. 1.041) Claramente, as mesmas pessoas físicas estão presentes na direção ou na representação das sociedades empresárias acima indicadas, o que denota que estão envolvidas em todo o esquema engendrado. Como é frequente em operações societárias entre pessoas jurídicas relacionadas, não houve fluxo financeiro. Sem esse fluxo de dinheiro, as partes relacionadas conceberam a permuta de ativos por meio da qual efetuouse uma reavaliação da participação societária na AZX, após a cessão de suas quotas à Azurix RDM. Não obstante a importância do papel de AZX no planejamento tributário, tal sociedade teve vida curta, pois surgiu em 03/09/1999 e extinguiuse quando incorporada pela Azurix RDM, em 04/09/2000. Esta também teve vida curta, porquanto durou de 16/04/1999 a 22/11/2000, absorvida pela Geoplan. Portanto, são empresas veículos constituídas apenas para gerar despesa com a amortização do ágio. Não se pode esquecer ainda da Azurix Brasil, constituída em 04/10/2000 apenas para ser incorporada pela Geoplan. Respondendo à pergunta acima, a permuta articulada não passou de um artifício para dar a impressão de que haveria aquisições recíprocas de participações societárias com o fito de, supostamente, demonstrar o cumprimento das normas legais que autorizam a dedução do ágio. Desse modo, para o esquema concebido, era desnecessária e inútil a reavaliação das quotas de AZX enquanto estavam detidas por 265, porque o planejamento dependia do aparecimento de um ágio e o surgimento deste demanda um negócio onde exista aquisição. Aí, então, os planejadores idealizaram a troca de quotas para que o ágio surgisse naquela que iria adquirir o investimento em AZX, isto é, a Azurix RDM, para ser aproveitado sucessivamente pelas pessoas jurídicas do grupo Azurix Corporation. Em face dos aspectos acima destacados, afirmase inexistir propósito negocial nas operações societárias descritas. Acrescentese a essa afirmativa a conclusão de que a despesa com ágio amortizado, ora em mira, é decorrência de operações forjadas para o surgimento de um ágio desprovido de substância econômica, porquanto artificialmente gerado. Fl. 4883DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.884 25 Segundo a diretriz emanada do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, ainda que “as operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômico contábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”.” Devese ter em conta que a despesa de ágio não é dedutível no cômputo do lucro real e da base de cálculo negativa da CSLL. Entretanto, a lei excepciona para admitir a dedutibilidade do ágio, na apuração do IRPJ, desde que nos termos precisos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: Fl. 4884DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.885 26 a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Na presença de tais dispositivos legais, depreendese que a dedutibilidade do ágio amortizado, na apuração do lucro real, carece de amparo legal, no caso concreto, já que o ágio não decorreu de sacrifício patrimonial da pessoa jurídica incorporada ou da pessoa jurídica incorporadora. Percebase a esse respeito que o caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997 remete a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à exigência de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Como se pode ver, este artigo se refere ao ágio previsto no artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977, e este dispositivo trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor de patrimônio líquido na época da aquisição. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com a referida mais valia. Ademais, sobrelevase dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 que a influência do ágio no resultado tributável pelo IRPJ, ora em foco, só tem amparo legal se houver a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, momento em que o investimento adquirido com ágio tornase extinto. Todavia, é preciso insistir que não houve o Fl. 4885DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.886 27 pagamento de ágio, mas reavaliação de investimento, o que, por si só, desautoriza a aplicação dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Com supedâneo nessas razões, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, em relação à infração à legislação do IRPJ. No tocante à acusação de prática de infração à legislação da CSLL, impõese ressaltar, antes de tudo, que o ágio pago com lastro em rentabilidade futura deve ser contabilmente amortizado ao longo do tempo, conforme orienta o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI1: "11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio [.. .] c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. [...] 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio a) CONTABILIZAÇÃO V Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente). (...)" (grifei) Portanto, o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, na aquisição de investimento, é despesa amortizável; como tal, está sujeita à norma veiculada pelo artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995: 1 Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke. São Paulo: Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FEA/USP), 7a Edição. Fl. 4886DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.887 28 "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; Isso porque, como é cediço, as ações são bens móveis, conforme previsão do artigo 82 do vigente Código Civil. Nesses termos, o ágio pago sob a justificativa de rentabilidade futura, na aquisição de ações, constitui gasto que deve ser amortizado, como despesa, dentro do período pelo qual se pagou por lucros futuros. Nessas circunstâncias, tal despesa de amortização não pode afetar a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do já mencionado artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995. Ademais, os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decretolei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL. As reflexões supra são apropriadas aos casos em que o ágio é pago com fundamento em rentabilidade futura. No entanto, como já se adiantou neste julgado, não houve pagamento de ágio, mas reavaliação de ativo. Ora, se houvesse ágio pago com fundamento em rentabilidade futura, a despesa com a amortização desse ágio não poderia afetar a apuração da base de cálculo da CSLL. Sequer havendo ágio, é impossível atribuir os efeitos dedutivos pretendidos, que não seriam reconhecidos se ágio pago houvesse. Dessarte, com os argumentos presentemente externados, conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, negar provimento. Em seguida, o Recurso Especial da PGFN, que hostiliza o acórdão recorrido no ponto em que excluiu a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa. O Contribuinte sustenta que o acórdão ofertado como paradigma de nº 9101 00.947 revela entendimento idêntico ao acórdão recorrido. Com efeito, o acórdão nº 9101 00.947 tem a seguinte ementa: " FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996." De fato, a ementa sugere que o acórdão supracitado não diverge do acórdão recorrido. Isso porque o acórdão nº 9101000.947 cuidou de fato ocorrido em 1998, em relação ao qual deve prevalecer o entendimento que se consolidou na Súmula CARF nº 105. Contudo, o voto condutor desse acórdão paradigma não deixou de mencionar que as disposições normativas oriundas da Medida Provisória nº 351/2007, que acabou transformada em Projeto Fl. 4887DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.888 29 de Conversão da Lei nº 11.488/2007, surgiram no ordenamento jurídico em janeiro de 2007. Nesse acórdão paradigma, consignouse que, em consequência das alterações então introduzidas pelas novas regras, "a penalidade isolada não deve mais incidir sobre a "totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a título de recolhimento por estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento por estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação". (grifos no original) A síntese do acórdão nº 9101000.947, supra, vem a calhar para o fim de demonstrar que a PGFN intentou trazer à colação opinião divergente daquela que orientou o voto condutor do acórdão recorrido, que, tratando de fato passado em 2008, assentou que é preciso, sempre, "multiplicar a multa de ofício por 2/3 para equalizálas, pois ela tem alíquota de 75%, enquanto que a multa isolada tem alíquota de 50%, e, então, devese cancelar a multa isolada, caso ela seja igual ou menor à (sic) multa de ofício, e cobrar a multa de ofício e mais a diferença entre ela e a multa isolada, caso esta seja maior do que aquela após a multiplicação por 2/3." No caso em exame, depois da "equalização" consentânea com a metodologia proposta pelo condutor do voto recorrido, afastouse a multa isolada ao argumento de que fora absorvida pela multa de ofício. Segundo o Contribuinte, a Turma recorrida admite a possibilidade de convivência, em tese, entre as multas de ofício e isolada, mas excluiu essa última pelo fato de recair sobre bases de cálculo mais extensas que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, o que implica absorção da multa isolada pela multa de ofício. Aqui, entretanto, exsurge outro ponto de inconformismo do Contribuinte, trazido ao debate em sede de contrarrazões. É que, de acordo com HAZTEC, a PGFN descurouse do encargo de dissertar sobre tal razão de decidir, isto é, sobre a absorção incorrendo em omissão que deve acarretar o não conhecimento do Recurso Especial, em aplicação analógica dos Enunciados Sumulares nº 283 e 284 do Supremo Tribunal Federal. Também o acórdão paradigma de nº 1202000.964 merece a mesma crítica, tecida pelo Contribuinte quanto à demonstração da divergência. Com efeito, o Recurso Especial da PGFN se resumiu à defesa do afastamento da Súmula CARF nº 105, ao argumento de que a multa de ofício decorre do não pagamento de tributo, ao passo que a multa isolada é consequência do descumprimento do regime de estimativa, isto é, não decorrem da mesma infração e não incidem sobre a mesma base de cálculo. Todavia, o acórdão recorrido sequer abeirouse da discussão sobre a diferença entre as infrações determinantes da sanções referidas ou da distinção entre as respectivas bases de cálculo. Como destacado acima, o afastamento da multa isolada fundouse na tese de que a multa isolada deve ser elidida quando for igual ou inferior à multa de ofício multiplicada por 2/3. Em outras palavras, a PGFN não foi atenta à sutileza do voto condutor, que não foi atacado naquilo que substancialmente comandou a decisão tomada pela Turma. Seja como for, é visível o erro cometido no voto, que excluiu a multa isolada, não obstante haver superado o resultado da multiplicação entre a multa de oficio e a fração de 2/3 indicada. Reparese que, sem atenção ao erro antedito, o acórdão recorrido encerrou a seguinte ementa: "MULTAS ISOLADAS. MULTAS DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Seguindo o entendimento majoritário firmado pela turma, como as bases de cálculo Fl. 4888DF CARF MF Processo nº 12448.737259/201281 Acórdão n.º 9101003.274 CSRFT1 Fl. 4.889 30 das multas de ofício superam as bases de cálculo das multas isoladas, devem ser canceladas essas últimas para evitar a aplicação concomitante de multas." Diante do exposto, afirmase que o afastamento da multa isolada decorreu de erro que poderia ter sido reparado pela via dos Embargos, já que a razão que orientou o julgado conduz à conclusão diversa da que restou proclamada. Com base nestes argumentos, não conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Conclusão: conheço do Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, negar provimento, e não conheço do Recurso Especial da PGFN. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 4889DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.005718/2010-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÃO. PRÊMIO. CARÁTER NÃO EVENTUAL.
A totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, independentemente de serem ou não habituais, encontram-se no campo de incidência das contribuições previdenciárias por definição da legislação previdenciária.
As importâncias recebidas a título de ganhos eventuais encontram-se excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias por definição da legislação a elas atinente.
A habitualidade é requisito para que a prestação in natura, integre o salário-de-contribuição e diz respeito à freqüencia da concessão da referida prestação.
Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9º, alínea e, item 7, ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, diz respeito à ocorrência de caso fortuito ou incerto.
No presente caso há de se assinalar que foram realizados pagamentos em pecúnia a título de prêmio, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado, bastando que ele não fosse fortuito para que incidisse a tributação previdenciária.
LEI COMPLEMENTAR 109/2001. LEI 8.212/1991. APLICAÇÃO NORMA POSTERIOR PARA EFEITOS DE APURAÇÃO DO CONCEITO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO
A legislação que disciplina a exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias pode ser afastada por novel legislação de previdência complementar que se reporte expressamente à matéria tributária.
REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. AUTOMÓVEIS CEDIDOS A EMPREGADOS COM CARGO DE GESTÃO.
Integram o salário-de-contribuição os valores das utilidades oferecidas com habitualidade aos empregados em posição de gerência, decorrentes da relação laboral com a empresa, ainda que não se enquadrassem no conceito de salário para os fins do Direito do Trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para afastar a tributação dos valores relacionados à previdência privada aberta, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÃO. PRÊMIO. CARÁTER NÃO EVENTUAL. A totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, independentemente de serem ou não habituais, encontram-se no campo de incidência das contribuições previdenciárias por definição da legislação previdenciária. As importâncias recebidas a título de ganhos eventuais encontram-se excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias por definição da legislação a elas atinente. A habitualidade é requisito para que a prestação in natura, integre o salário-de-contribuição e diz respeito à freqüencia da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9º, alínea e, item 7, ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, diz respeito à ocorrência de caso fortuito ou incerto. No presente caso há de se assinalar que foram realizados pagamentos em pecúnia a título de prêmio, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado, bastando que ele não fosse fortuito para que incidisse a tributação previdenciária. LEI COMPLEMENTAR 109/2001. LEI 8.212/1991. APLICAÇÃO NORMA POSTERIOR PARA EFEITOS DE APURAÇÃO DO CONCEITO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO A legislação que disciplina a exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias pode ser afastada por novel legislação de previdência complementar que se reporte expressamente à matéria tributária. REMUNERAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. AUTOMÓVEIS CEDIDOS A EMPREGADOS COM CARGO DE GESTÃO. Integram o salário-de-contribuição os valores das utilidades oferecidas com habitualidade aos empregados em posição de gerência, decorrentes da relação laboral com a empresa, ainda que não se enquadrassem no conceito de salário para os fins do Direito do Trabalho.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para afastar a tributação dos valores relacionados à previdência privada aberta, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SALÁRIO INDIRETO OUTROS Recorrente GLOBAL VALUE SOLUÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÃO. PRÊMIO. CARÁTER NÃO EVENTUAL. A totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, independentemente de serem ou não habituais, encontramse no campo de incidência das contribuições previdenciárias por definição da legislação previdenciária. As importâncias recebidas a título de ganhos eventuais encontramse excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias por definição da legislação a elas atinente. A habitualidade é requisito para que a prestação in natura, integre o salário decontribuição e diz respeito à freqüencia da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9º, alínea “e”, item “7”, ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, diz respeito à ocorrência de caso fortuito ou incerto. No presente caso há de se assinalar que foram realizados pagamentos em pecúnia a título de prêmio, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado, bastando que ele não fosse fortuito para que incidisse a tributação previdenciária. LEI COMPLEMENTAR 109/2001. LEI 8.212/1991. APLICAÇÃO NORMA POSTERIOR PARA EFEITOS DE APURAÇÃO DO CONCEITO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 57 18 /2 01 0- 79 Fl. 581DF CARF MF 2 A legislação que disciplina a exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias pode ser afastada por novel legislação de previdência complementar que se reporte expressamente à matéria tributária. REMUNERAÇÃO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. AUTOMÓVEIS CEDIDOS A EMPREGADOS COM CARGO DE GESTÃO. Integram o saláriodecontribuição os valores das utilidades oferecidas com habitualidade aos empregados em posição de gerência, decorrentes da relação laboral com a empresa, ainda que não se enquadrassem no conceito de salário para os fins do Direito do Trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para afastar a tributação dos valores relacionados à previdência privada aberta, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Do AI até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de auto de infração AI, DEBCAD nº 37.097.956 7, à efl. 10, no qual foram constituídos créditos referentes a contribuições destinada as Outras Entidades e Fundos, denominados "Terceiros" (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), devida pela empresa, incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. O crédito lançado tem por base o pagamento de valores relativos a prêmios, previdência privada e aluguel de veículos. A empresa colocava veículos à disposição de alguns empregados, 24 horas por dia e pagava o aluguel destes veículos, diretamente à empresa locadora. Como o automóvel encontravase 24 horas por dia à disposição do empregado, a fiscalização considerou como valor mensal, 720 horas (24X30) e como valor sem incidência de contribuição (horas para o trabalho) 220 horas (10X22), que correspondia a 10 horas por dia durantes 22 dias úteis. A diferença entre o valor mensal e o valor sem incidência de contribuição era o valor sobre o qual deveria incidir a contribuição previdenciária. Além disso, os valores pagos ou creditados pela empresa a alguns empregados a titulo de Prêmio com IRRF não integravam o salário de contribuição dos mesmos; a empresa, incorretamente, considerava o ganho como eventual. Por fim, também os valores pagos ou creditados pela empresa a alguns Fl. 582DF CARF MF Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 9202006.133 CSRFT2 Fl. 551 3 empregados a titulo de previdência privada não integraravam o salário de contribuição dos mesmos. O AI foi cientificado à contribuinte em 09/04/2010 (efl. 134) e constituiu crédito com multa e juros no valor de R$ 37.138,58, consolidados em 31/03/2010, e tem seu relatório fiscal de infração posto às efls. 86 a 96. O auto de infração foi impugnado, às efls. 140 a 170, em 05/05/2010. Já a 8ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão nº 0232.456, prolatado em 25/05/2011, às efls. 260 a 269, considerou, por unanimidade, procedente em parte a impugnação, com exclusão dos créditos exigidos relativamente aos aluguéis de veículos das competências de 01/05 a 03/05, por decadência, com base na contagem definida no § 4º do art. 150 do CTN, em face de pagamentos parciais havidos para aquelas competências. Inconformada, em 26/08/2011, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 321 a 341. Essa contestação teve, em apertado resumo, o seguinte conteúdo : a) há decadência da totalidade do crédito tributário lançado no período de janeiro a março de 2005 e não apenas e isoladamente com relação à rubrica de aluguel de veículos; b) é nulo o lançamento como relação aos lançamentos relativos às despesas incorridas a título de aluguel de veículos para cargos gerenciais, por falta de fundamentação legal que apoiasse o procedimento ou mesmo a motivação para utilização de aferição indireta; c) embora os veículos concedidos pela recorrente aos empregados com funções gerenciais tivessem utilização mista (ou seja, para o trabalho e para o uso pessoal) , tais valores não integram o salário e, portanto, não devem compor a base de cálculo das contribuições; d) ainda que assim não fosse, os critérios adotados pela fiscalização na apuração da base de cálculo das contribuições estão equivocados, pois não obedecem nem mesmo ao Parecer COSIT nº 11/92, única norma fiscal que trata de situação de fato idêntica à dos autos, determinando a apuração apenas com base no aluguel correspondente ao período referente aos dias não úteis de disponibilização dos veículos; e) ainda que se acate que infração houve com relação ao aluguel de veículos, tendo em vista que a contribuinte agiu com observância das disposições do Parecer COSIT nº 11/92, ficariam excluídas as penalidades e juros moratórios exigidos, com base no parágrafo único do art. 100 do CTN; f) não são sujeitos à tributação por contribuições previdenciárias os valores de ganhos eventuais pagos aos beneficiários, nos termos do art. 28, § 9º, alínea e), item 7., da Lei nº 8.212/1991, até mesmo porque não repercutirão em benefícios futuros na seguridade social do trabalhador; g) não incidem contribuições sobre pagamento de previdência privada complementar aberta, independentemente de esse Fl. 583DF CARF MF 4 benefício ser, ou não, extensível à totalidade dos empregados da recorrente, por força das regras da LC nº 109, de 29/05/2001, que revogou tacitamente parte da alínea p), § 9o, art. 28, da Lei n° 8.212/1991; h) há que se aplicar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II, alínea c), do CTN, afastandose a multa de mora aplicada de acordo com a legislação anterior à vigência da MP nº 449/2008, ou, limitadoa a 20% em decorrência do disposto no artigo 35 da nova norma. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 10/02/2015, resultando no acórdão nº 2402004.546, às efls. 393 a 415, que (a) reconheceu a decadência até 03/2005, (b) determinou a observância do Parecer Normativo CPSIT n° 11/92 no cálculo da contribuição incidente sobre a parcela relativa à cessão de veículos aos empregados e (c) excluiu do lançamento os valores relativos a prêmios de previdência privada. A seguir, encontramse reproduzidos a ementa e o dispositivo do acórdão: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Salvo fraude, dolo ou simulação, havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, caso contrário, a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, de reprodução obrigatória pelo CARF. Caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa à rubrica especificamente exigida no auto de infração. Inteligência da Súmula CARF nº 99. VALIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL. INOCORRÊNCIA. O custo do aluguel do veículo pago pela empresa é grandeza diretamente relacionada à base de cálculo do salário utilidade relativo ao uso, pelos empregados, de automóveis cedidos pela empresa, não havendo que se falar em arbitramento da base de cálculo. Não desnatura o critério de aferição direta, a adoção, pela fiscalização, de tempo de uso particular do veículo diferente do considerado pela empresa, que decorre da regular atividade de fiscalizar, avaliando a adequação entre os fatos e a interpretação do contribuinte. SALÁRIO INDIRETO. AUTOMÓVEIS CEDIDOS A EMPREGADOS COM CARGO DE GESTÃO. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 9202006.133 CSRFT2 Fl. 552 5 Integram o salário de contribuição as parcelas in natura oferecidas aos empregados com habitualidade e com caráter contraprestativo. Não ficou comprovado que os veículos oferecidos aos empregados com cargo de gestão eram indispensáveis para o trabalho. O salário utilidade relativo aos veículos disponibilizados exclusivamente para os empregados com cargo de gestão, utilizados para fins corporativos e para fins pessoais, deve ser apurado com base no custo do aluguel dos dias não úteis, conforme Parecer Normativo nº COSIT nº 11, de 30/09/1992. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIOS. NÃO EVENTUALIDADE. O conceito de eventualidade está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito e não a um acontecimento descontínuo. Os prêmios não coadunam com o conceito de eventualidade, pois estão atrelados a eventos certos e previsíveis, sendo devidos quando da implementação da condição estipulada pelo empregador. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA DESTINADA A UM GRUPO DE EMPREGADOS. ISENÇÃO. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como uma gratificação. É isenta a previdência complementar aberta destinada ao grupo de empregados exercentes de cargos de gestão desprovida do caráter de gratificação. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa de que trata o art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2000, é aplicável em caso de falta de pagamento espontâneo e não sobre contribuições incluídas em lançamento tributário. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecimento da decadência até 03/2005 e para observância do Parecer Normativo COSIT n° 11/92 no cálculo da contribuição incidente sobre a parcela relativa à cessão de veículos aos empregados, levantamento AV. Por maioria de votos, para exclusão dos Fl. 585DF CARF MF 6 valores relativos ao levantamento PP (Previdência Privada), vencido o Conselheiro Thiago Taborda Simões que também excluía os valores relativos ao pagamento do prêmio quando pago uma vez ao ano. RE da contribuinte Ciente da Intimação nº 1.115 (efl. 420) e do acórdão nº 2402004.546 em 12/06/2015 (efl. 423), no dia 18 do mesmo mês a empresa manejou recurso especial de divergência (e fls. 425 a 434) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF em duas matérias: a) o pagamento de prêmios sem habitualidade, os quais no acórdão recorrido foram considerados não conformes ao conceito de eventualidade, sujeitandoos à tributação de contribuição previdenciária, enquanto nos acórdãos paradigmas nº 2403002.243 e nº 2301003.762, para matéria similar, até três pagamentos em cinco anos, ou mesmo pagamentos não contínuos evidenciariam a sua não habitualidade e eventualidade, afastando a incidência tributária; e b) as despesas com locação de veículos para os gerentes, destinados tanto ao uso corporativo quanto particular, foram consideradas parcelas remuneratórias in natura, oferecidas aos empregados com caráter de contraprestação habitual pelo trabalho, enquanto no acórdão paradigma nº 2401003.809, a utilização de veículos em finais de semana não caracterizaria benefício indireto ao empregado, até mesmo com base na Súmula nº 367 do TST. Com base nas divergências e argumentos aduzidos, requer o conhecimento do seu recurso especial, para integral provimento e consequente cancelamento da integralidade da autuação combatida. O recurso especial de divergência da contribuinte foi apreciado pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que, nos termos dos arts. 67e 68 do ANexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, por meio do despacho de efls. 535 a 542, datado de 14/06/2016, deu seguimento, às divergências arguidas. Contrarrazões da Fazenda A Fazenda Nacional foi cientificada do referido despacho em 08/08/2016 (e fl. 543) e, em 23/08/2016, manejou contrarrazões ao recurso especial da contribuinte, às efls. 544 a 548, nas quais afirma que, relativamente às matérias: a) ausência de continuidade nos pagamentos não caracterizam sua eventualidade, mas sim o fato deste ser incerto, casual e fortuito e mesmo os ganhos não habituais seriam tributáveis de acordo com o art. 22, inc. I, c/c art. 28, ambos da Lei nº 8.212/1991, desde que não excluídos no § 9º do mesmo art. 28, ou caracterizados como indenização; b) quanto aos veículos alugados disponibilizados aos gerentes, esses teriam caráter de contraprestação remuneratória, pois, retomando a fundamentação do acórdão a quo, a contribuinte deixou de comprovar que o uso dos veículos era indispensável para realização do trabalho dos gerentes, tendo alguns deles até mesmo dois veículos à disposição. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 9202006.133 CSRFT2 Fl. 553 7 Com base nesse arrazoado, requer que seja negado provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Passo a analisar as duas matérias recorridas. Disponibilização de veículos a gerentes Entendo que nessa seara a sorte não assiste à contribuinte. Como fundamentação, me utilizo do voto do i. Conselheiro Elias Sampaio Freire no acórdão nº 9202003.044, que distingue os conceito de remuneração e saláriode contribuição, com suas peculiaridades, em relação ao conceito de salário para o Direito do Trabalho, com a seguinte dicção: A Constituição Federal, sobre o financiamento da Previdência Social, preceitua, que dente outras fontes, a seguridade social será financiada por contribuições sociais do trabalhador e dos demais segurados da previdência social e do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício (art. 195, I, “a” e II) Por seu turno, o legislador elegeu a remuneração como elemento nuclear na definição do elemento quantitativo do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias (art. 22, I, II e III da Lei nº 8.212/91). Especificamente, com relação a hipótese de incidência, constitucionalmente prevista, incidentes sobre a folha de salários dos empregados, temos sua previsão legal insculpida no art. 22, I e 28, I da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos. "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à Fl. 587DF CARF MF 8 disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999)." Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)" Notese que os citado dispositivos ao descreverem a remuneração (saláriodecontribuição) como sendo a base imponível da contribuição previdenciária não desceu a pormenorização acerca das parcelas remuneratórias. Portanto, haverá incidência sobre a remuneração, inclusive as gorjetas, sobre ganhos habituais sob a forma de utilidades, sobre os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial e, ainda, sobre outras espécies de remuneração, qualquer que seja sua forma. Entretanto, a incidência deverá restringirseá às hipóteses nas quais as parcelas pagas, devidas ou creditadas destinemse a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador. Portanto, a incidência tributária das contribuições sociais previdenciárias está restrita as importâncias destinadas a retribuir o trabalho, ou seja, que venham a caracterizarse como remuneração. Assim sendo, prevê o Regulamento da Previdência Social RPS (art. 201, § 1º), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que considerase remuneração: “as importâncias auferidas em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades”. A remuneração é instituto que deriva do Direito do Trabalho, com conotação específica. É adotada pelo Direito Previdenciário, observando as peculiaridades que são próprias deste ramo do Direito. Há de se ressaltar que a CLT ao tratar de remuneração o faz especificamente para disciplinar a relação de trabalho dos trabalhadores com vínculo empregatício. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 9202006.133 CSRFT2 Fl. 554 9 Por outro lado, a Lei nº 8.212/91 ao se utilizar da expressão remuneração como base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, o faz no sentido de corroborar a sua incidência sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pelo empregador, pela empresa ou pela entidade a ela equiparada, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício (art. 22, I e III). Neste ponto há de se perquirir se a base de cálculo da contribuição social previdenciária, assim prescrita no art. 22, inciso I e III, da Lei nº 8.212/91 recebe o influxo de regras jurídicas do Direito do Trabalho. Entendo que esta investigação tenha solução calcada na autonomia do Direito Previdenciário em relação ao Direito do Trabalho e demais ramos do Direito. Em atendimento ao princípio da especificidade das normas, a lei trabalhista deve ser apreciada com cautela quando se conflitar com o ordenamento legal previdenciário. O Supremo Tribunal Federal (STF), sob a égide da redação original do art. 195, I da CF, que previa, à época, a incidência de contribuições sociais previdenciárias como sendo “dos empregadores, incidentes sobre a folha de salários (...)” decidiu que a relação jurídica mantida entre o tomador de serviços e os administradores e autônomos não resultam de contrato de trabalho, formalizado à luz da CLT, impossibilitando de se dizer que o tomador dos serviços destas pessoas físicas qualificase como empregador e que a satisfação do que devido ocorra via folha de salários. Afastado, portanto o enquadramento no inciso I do art. 195 da CF. Naquela ocasião, o STF manifestou entendimento no sentido de que outras contribuições que não estivessem enquadradas no conceito de folha de salários decorrentes de uma relação de trabalho conforme disciplinado pela CLT deveriam ser instituídas por lei complementar, conforme previsto no art. 195, § 4º da CF1. Ocorre que, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 20/98, o atual texto constitucional que trata destas contribuições menciona que sua incidência darseá “sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, pelo empregador, pela empresa ou pela entidade a ela equiparada, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, o que tornou possível a lei ordinária fazer incidir contribuições sociais previdenciárias sobre parcelas que não sejam necessariamente incidentes sobre folha de salários. O que corrobora o entendimento de que a sua incidência não se restringe aos conceitos de salário e de remuneração previstos na CLT. Não se trata de alteração no conteúdo técnico de expressão jurídica, e sim, de ampliação da hipótese de incidência prevista 1 STF, Pleno, RE 166772/RS , Ministro MARCO AURÉLIO DE MELLO, DJ 16/12/1994. Fl. 589DF CARF MF 10 na própria Constituição, que não se restringe mais a amplitude conceitual de folha de salários, que decorre de relação de emprego disciplinada pela CLT. Verificase, dos dispositivos transcritos, que a contribuição pode incidir, na autorização constitucional, sobre salários e, também, demais rendimentos do trabalho, conceito do qual não discrepa a lei: “incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho”. Portanto, equivocadas são as lições dos que atribuem ao instituto da remuneração, conforme previsto da CLT, que se restringe a disciplinar exclusivamente as relações entre empregado e empregador, a condição de base de cálculo de contribuições previdenciárias, que alcança a além daquele sujeito a relação de emprego outras pessoas físicas prestadoras de serviços, discriminadas na Lei nº 8.212/91 na condição de segurados obrigatórios da previdência social (art. 12). Conforme demonstrado, a remuneração como base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias em muito se assemelha – porém, não se confunde com conceito de trabalhista de remuneração. Significa dizer que, em regra, as parcelas consideradas ou não consideradas remuneração pela legislação trabalhista irão, respectivamente, integrar ou não integrar a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. O que leva a doutrinadores e a jurisprudência previdenciária a valerse de conceitos próprios do Direito do Trabalho para seus estudos e solução de litígios na esfera tributária previdenciária. (Negritei.) Dessarte, ao socorrerse da Súmula nº 367 do TST, a contribuinte buscou conforto em definições do direito do trabalho com base na CLT, que são extrapoladas na seara tributária e previdenciária, sendo tributados os valores correspondentes à utilidade que representam os veículos alugados disponibilizados aos gerentes da contribuinte fora da necessidade de trabalho, porém decorrentes de sua relação de prestação de serviços à empresa com vínculo trabalhista. Quanto à apuração desses valores, os critérios do Parecer COSIT nº 11/92 já foram adotados na decisão recorrida, atendendo à demanda da contribuinte em seu recurso voluntário. Por essas razões, entendo que não se deva prover o recurso nessa matéria. Pagamento de prêmios Aqui também, sigo o entendimento sobre a tributação de contribuição previdenciária expressa no mesmo voto acima citado, o qual ensina: Apesar de na grande maioria das situações haver uma coincidência entre as normas trabalhistas e as normas previdenciárias no que diz respeito a remuneração de cunho puramente social quando apreciada pelo Direito do Trabalho e de cunho tributário, apesar do viés social, quando apreciada Fl. 590DF CARF MF Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 9202006.133 CSRFT2 Fl. 555 11 pelo Direito Previdenciário – há situações em que esta coincidência não ocorre, especialmente nas hipóteses nas quais a legislação trabalhista considera que determinada parcela não é considerada salário (art. 458, § 2º da CLT) e a legislação previdenciária, por exemplo, faz exigência no sentido de que aquelas parcelas somente não integrarão a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se houver acesso do benefício a todos empregados da empresa (art. 22, § 2º e art. 28, § 9º da Lei 8.212/91). No mesmo sentido leciona Fábio Zambitte Ibrahim2: “Uma causa de grandes prejuízos à autonomia didática do Direito Previdenciário é propiciada pela própria Lei nº 8.212/91, ao definir que o salário de contribuição é, em regra, equivalenente à remuneração do trabalhador. Devido a esta conceituação, freqüentemente a base de cálculo previdenciária é vista como mero sinônimo da própria remuneração, sendo esta analisada exclusivamente perante o prisma trabalhista. É evidente que o Direito do Trabalho é fonte da maior relevância. Entretanto, não se pode, de pronto, admitir que conceitos trabalhistas tenham exatamente o mesmo significado no âmbito previdenciário, embora seja o defendido pela maioria. Como fonte do Direito Previdenciário, é lícito ao aplicador do Direito buscar uma predefinição do conceito de saláriode contribuição, a partir de um conceito trabalhista de remuneração, mas sem aceitar de imediato a similitude. Se o legislador criou instituto próprio previdenciário, como o saláriodecontribuição, cabe ao intérprete subentender que existe uma razão para tanto, pois, se assim não fosse, seria mais fácil utilizarse de pronto signo remuneração” Portanto, há de se concluir que o legislador elegeu a remuneração como elemento nuclear na definição do elemento quantitativo do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias, que é o saláriodecontribuição. (art. 22, I e 28, I da Lei nº 8.212/91). Como se vê, da leitura do art. 22, I e do art, 28, I da Lei nº 8.212/91 e do art. 201, § 1º do RPS, que somente é exigido o requisito da habitualidade no que diz respeito ao “salário in natura”, por incluir, expressamente, no conceito de remuneração os “ganhos habituais sob a forma de utilidades”, sem fazer menção ao requisito habitualidade para os pagamentos em espécie. Ou seja, no campo de incidência das contribuições previdenciárias encontramse: a) a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, 2 IBRAHIM, Fábio Zambitte, Curso de Direito Previdenciário. 15ª ed. Niteróir, RJ: Impetus, 2010, p. 348. Fl. 591DF CARF MF 12 inclusive gorjetas (salário em espécie); e b) os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salário in natura). Podese, então, concluir que a lei, ao definir a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, exige o requisito da habitualidade tão somente para o salário in natura. Por seu turno, o art. 28, § 9º , alínea “e”, item “7” prevê expressamente que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais são isentas de contribuições sociais previdenciárias: “Não integram o saláriodecontribuição (remuneração) para os fins desta Lei, exclusivamente: (...)as importâncias: (...)recebidas a título de ganhos eventuais (...).”Assim sendo, podese afirmar que “a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho”, independentemente de serem ou não habituais, encontramse no campo de incidência das contribuições previdenciárias. Entretanto, “as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais” encontramse excluídas da sua base de cálculo por se tratarem de importâncias atingidas pela isenção. Entendo que está sendo criada uma grande confusão ao tentarem comparar os conceitos de "habitualidade com o de não eventualidade" ou o "não habitualidade com o de eventualidade". Para o Dicionário Michaelis, as definições são: Habitual 1 Que acontece ou se faz por hábito. 2 Frequente, comum, vulgar. 3 Usual. Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. De acordo com o Vocabuário Jurídico de Plácido e Silva: Habitualidade De habitual, entendese a repetição, a sucessividade, a constância, a iteração, na prática ou no exercício de certos e determinados atos, em regra da mesma espécie ou natureza, com a preconcebida intenção de fruir resultados materiais ou de gozo. Eventualidade De evento, significa o caráter e a condição do que é eventual, mostrando assim a possibilidade e a probabilidade do fato, cuja realização é esperada ou aguardada. A habitualidade, como requisito para que a prestação in natura, integre o saláriodecontribuição, diz respeito a freqüencia da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9º , alínea “e”, item “7”, ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, dizem respeito a ocorrência de caso fortuito. Nesse diapasão, verificase improcedente o argumento da contribuinte de que esses prêmios não seriam tributáveis para fins de previdência por falta de habitualidade. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 9202006.133 CSRFT2 Fl. 556 13 Entretanto, cumpre referir que, na acusação inicial, os valores atinentes à previdência privada foram, pela autoridade fiscal autuante, considerados tributáveis por não terem sido disponibilizados à totalidade dos dirigentes e empregados, nos termos do relatório de auditoria fiscal, a seguir reproduzidos: 09 — Também os valores pagos ou creditados pela empresa a alguns empregados a titulo de Previdência Privada não integraram o salário de contribuição dos mesmos. Os valores relativos a este levantamento foram apurados com base nas planilhas emitidas para os pagamentos, através de boletos bancários ao Unibanco — AIG S.A — Seguros e Previdência, conforme contrato em anexo. Os valores relativos à participação dos empregados foram deduzidos, restando apenas os valores que representam a complementação salarial, conforme planilha III com a relação dos beneficiários em anexo. 10 — Tais benefícios foram concedidos apenas a alguns empregados, detentores de cargos executivos, não estando disponíveis à totalidade de seus empregados e dirigentes, passando a integrar o salário de contribuição dos mesmos nos termos do Art 28 — inciso I, da Lei 8.212, de 24/07/91 c/c art. 214, inciso I e parágrafo 9° , XV, e parágrafo 10° do RPS.: ... 11 A alíquota utilizada ... Considerando que a matéria devolvida a este colegiado foi a tributação ou não de valores referentes a previdência privada aberta, não disponibilizada a todos os dirigentes e empregados, fazse necessário referir que esta matéria já foi objeto de profunda discussão no âmbito do colegiado e, em ocasião anterior, já tive a oportunidade de me debruçar sobre ele e me posicionar. Com efeito, nos termos do acórdão n° 9202005.317, de minha autoria, esta 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu, por unanimidade de votos, que, com base na Lei Complementar n° 109, de 2001, não incidem contribuições previdenciárias sobre valores relativos a previdência privada aberta, independentemente de sua disponibilização a todos ou apenas a parcela dos empregados e dirigentes. A seguir, para fins de ilustração, reproduzo as razões de decidir do referido acórdão 9202003.193, que na época acompanhei e que agora utilizo para fundamentar meu voto. No mérito, a discussão nos presentes autos se refere à obrigatoriedade de se disponibilizar programa de previdência privada complementar (em regime aberto) à totalidade dos empregados e dirigentes para que tais valores não integrem o salário de contribuição e, consequentemente, não estejam sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. A fiscalização aplicou à espécie o art. 28, §9°, p, da Lei 8.212/91, segundo o qual contribuições da empresa para planos de previdência privada de seus empregados e dirigentes somente não estão sujeitas a contribuições previdenciárias se estiverem disponíveis à totalidade de seus empregados e dirigentes. In verbis: Fl. 593DF CARF MF 14 “Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT;” (Destaquei) Referido dispositivo foi incluído na Lei 8.212/91 no âmbito das alterações promovidaspelaLei9.528,dedezembrode1997. Nada obstante o dispositivo acima transcrito não tenha sido expressamente revogado, a regulação da matéria foi substancialmente alterada pela Emenda Constitucional 20/1998 e pela Lei Complementar 109/2001. Com o advento da Emenda Constitucional 20/1998, que alterou o art. 202 da Constituição Federal, a previsão de que as contribuições pagas pelo empregador a título de previdência privada para seus empregados não integram a remuneração do empregado ganhou status constitucional, in verbis: “Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado deforma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei.”(Destaquei) A Lei Complementar 109/2001 foi aprovada para regulamentar o referido dispositivo constitucional e previu, no mesmo sentido da Constituição Federal, que as contribuições do empregador feitas a entidades de previdência privada não estão sujeitas a tributação e contribuições de qualquer natureza: “Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (...) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária,são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 9202006.133 CSRFT2 Fl. 557 15 § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...)” (Destaquei) Da leitura dos dispositivos acima se constata que eles não contêm a condição antes prevista no art. 28, §9°, p, da Lei8.212/91. Isto é, nos termos dos arts. 68 e 69 acima citados, as contribuições que o empregador faz ao plano de previdência complementar do empregado não devem ser consideradas parte de sua remuneração e, especificamente, sobre elas não devem incidir quaisquer tributos ou contribuições. Especificamente em relação aos planos abertos de previdência complementar, como é o caso dos presentes autos (conforme item 4.6 do Relatório fiscal da NFLD, fls. 549), a Lei Complementar 109/2001 permite de forma expressa que sejam disponibilizados pelo empregador a grupos de uma ou mais categorias específicas dos seus empregados: Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. §1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos.(Destaquei). A Lei Complementar 109/2001 não apenas omitiu a condição antes prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91 (isto é, estabeleceu que as contribuições do empregador a plano de previdência privada ou complementar dos empregados não devem ser consideradas como remuneração destes e não se submetem à incidência de qualquer imposto ou contribuição) como também expressamente permitiu o estabelecimento de planos de previdência complementar abertos coletivos, os quais Fl. 595DF CARF MF 16 podem ser compostos por grupos de uma ou mais categorias específicas de um mesmo empregador. A ratio motivadora do legislador complementar parece ter sido o de estimular a poupança privada pelos vários meios possíveis, inclusive a instituição de programas pelos empregadores em benefício de categorias específicas de empregados quando se tratar de plano aberto, oferecido pelo mercado, evitando o “engessamento” que por certo desestimularia a concessão de planos se houvesse rigidez exagerada quanto no público alvo do plano. Neste ponto, ainda que se entenda que a regulamentação do art.202,§2º,da Constituição Federal deveria ter sido veiculada por lei formalmente ordinária, em vista do previsto na parte final do dispositivo, a conclusão seria que, nesta parte, a Lei Complementar 109/2001 atua materialmente como lei ordinária, regulando a matéria de modo diferente da regulamentação anterior da Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 9.528/97. A noção de que as leis complementares em sua forma também o são em sua substância ou matéria apenas e tão somente quando regulam matérias reservadas a esta espécie legislativa pela Constituição é assente na moderna doutrina e na jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal, consagrada no julgamento da ADIN 4.0715 (que tratou da COFINS de sociedades civis). Neste caso, o plenário do E. STF entendeu que lei ordinária poderia revogar previsão de lei complementar anterior que tratava de matéria não reservada especificamente à lei complementar pela Constituição Federal já que, neste ponto a previsão contida em lei complementar tem status de lei ordinária (é materialmente lei ordinária). Deste modo, entendo que a condição estabelecida pelo artigo 28, §9º, p, da Lei 8.212/91, isto é, a cláusula “desde que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, esteja disponível à totalidade de empregados e dirigentes” para que a contribuição do empregador a plano de previdência complementar não sofra incidência de contribuição previdenciária não é aplicável aos casos de previdência privada complementar em regime aberto coletivo, uma vez que legislação posterior (arts 68 e 69 c/c art. 26, §§2º e 3º, todos da Lei Complementar 109/2001 e transcritos acima) deixou de prever tal condição e, além disto, expressamente previu a possibilidade de o empregador contratar a previdência privada para grupos ou categorias específicas de empregados. Por óbvio que tal faculdade não pode servir de propósito a transmudar remuneração ou prêmio em contribuição a previdência privada não tributável, aspecto que deve ser aferido considerando as circunstâncias fáticas do caso. ... A meu ver, as exclusões de elegibilidade em questão se aplicam a categorias específicas de empregados, estando dentro dos limites da faculdade conferida ao empregador pelo art. 26, §3º da Lei Complementar 109/2001, não constituindo discriminação ou escolha aleatória ou subjetiva de pessoas pelo empregador que Fl. 596DF CARF MF Processo nº 15504.005718/201079 Acórdão n.º 9202006.133 CSRFT2 Fl. 558 17 pudesse transmudar a contribuição para a previdência privada em prêmio, mas eleição de uma ou mais classes ou categorias de empregados a serem beneficiados. Assim, entendo que deva ser conhecido o recurso especial da contribuinte e, no mérito, darlhe provimento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da contribuinte, para darlhe provimento parcial, para afastar a tributação dos valores relacionados à previdência privada aberta. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 597DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000682/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005
PROCESSUAL - NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de1972.
IRRF - PAGAMENTOS SEM CAUSA - INTELIGÊNCIA DO ART. 674 DO RIR - COMPROVAÇÃO DA NATUREZA, DESTINO E TITULARIDADE DOS VALORES POR DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA
Comprovado pelo titular da conta bancária a natureza das operações, ainda que existente indícios de práticas evasivas pelos destinatários dos recursos, compete a autoridade fiscal proceder o lançamento contra estes últimos e não contra a empresa titular das contas, criada exclusivamente para gerenciar os recursos financeiros dos citados destinatários.
Numero da decisão: 1302-002.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares, inclusive a decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa e Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente Substituta), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: Relator Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005 PROCESSUAL NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de1972. IRRF PAGAMENTOS SEM CAUSA INTELIGÊNCIA DO ART. 674 DO RIR COMPROVAÇÃO DA NATUREZA, DESTINO E TITULARIDADE DOS VALORES POR DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Comprovado pelo titular da conta bancária a natureza das operações, ainda que existente indícios de práticas evasivas pelos destinatários dos recursos, compete a autoridade fiscal proceder o lançamento contra estes últimos e não contra a empresa titular das contas, criada exclusivamente para gerenciar os recursos financeiros dos citados destinatários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares, inclusive a decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa e Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 06 82 /2 00 8- 59 Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10932.000682/200859 Acórdão n.º 1302002.367 S1C3T2 Fl. 1.360 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (Presidente Substituta), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Edgar Braganca Bazhuni (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuidase de auto de infração lavrado em face do contribuinte Projetec Projetos e Tecnologia Ltda. ante a constatação da ocorrência de pagamentos sem causa mediante realização de transferências de valores em favor de terceiras empresas. O valor total do Crédito Constituído alçou a monta de R$ 30.926.815,52. Em linhas gerais, a Fiscalização constatou que a recorrente teria recebido e transferido recursos de uma conta corrente de sua titularidade à empresa PEM Engenharia Ltda., em função de um "contrato de administração de contacorrente" então firmado; sem que tivesse sido demonstrada a idoneidade deste contrato e de recibos trazidos ao feito pelo contribuinte, a Auditoria, então, invocou os preceitos do art. 674 do RIR e exigiu o IRRF na forma descrita no aludido dispositivo. Cientificado dos termos do auto de infração em tela, o contribuinte opôs sua impugnação administrativa, sustentando, em apertada síntese, o que se segue: a) nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa uma vez que os recibos por ele trazidos (recibos emitidos pela empresa PEM Engenharia Ltda., destinatária dos recursos depositados) teriam sido desconsiderados pelo Fisco sem uma justificativa ou a produção de prova que pudesse demonstrar a inidoneidade destes documentos; b) no mérito, sustenta que firmou com a empresa PEM ENGENHARIA LTDA. contrato de administração de conta corrente e que as movimentações ali realizadas "referirseiam apenas a transferências de valores previamente depositados naquelas contas pela empresa PEM ENGENHARIA LTDA. não representando qualquer acréscimo ao seu patrimônio e que estaria unicamente incumbida de administrar, a título gratuito, os recursos depositados, bem como as transferências ao próprio depositante ou a quem este indicasse"; c) afirma, mais, ser controlada pela PEM Engenharia, justificando, por isso a "nãoonerosidade'' do contrato de administração de contacorrente; d) por fim, aduz que, ainda que houvesse tributo a ser pago, "a sua exigibilidade estaria condicionada à prévia apuração do montante devido junto aos pagamentos efetuados pelo titular dos recursos, a quem a lei atribui a responsabilidade exclusiva pela retenção do imposto" (grifos no original), invocando, na hipótese, os preceitos do art. 5º da Lei 9.430/96", premendo, ainda, pela realização de prova pericial a fim de comprovar a retenção do imposto pela empresa depositante. Instada a se pronunciar, a DRJ, num primeiro momento, ao identificar que outras empresas também haviam depositado e sacado valores na conta corrente do contribuinte, converteu o julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscalizadora pudesse, junto às demais empresas identificadas, notadamente, a Setal Engenharia Construções e Perfurações Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10932.000682/200859 Acórdão n.º 1302002.367 S1C3T2 Fl. 1.361 3 S/A (controlada pela PEM) e Consórcio ToyoSetal, obter informações sobre a origem dos recursos depositados. Pediu, mais, que a unidade de origem verificasse a possibilidade de inserir as preditas empresas no pólo passivo, na condição de responsáveis tributários à luz dos preceitos do art. 124, I, do CTN e, ainda, a viabilidade do agravamento da penalidade imposta (multa qualificada). Ao fim, assim dispõs: 2. quanto à comprovação da origem dos depósitos efetuados nas contas correntes da PROJETEC: a. informe se foram adotadas providências em razão da eventual constatação de falta da comprovação da origem destes depósitos bancários, ou se no curso do procedimento fiscal foi prestado algum esclarecimento que afastasse a presunção legal de omissão de receitas; b. em caso negativo, intime a Setal Eng. Construções e Perfurações S.A., CNPJ n° 61.413.423/000128 e o Consórcio SetalToyo, CNPJ n° 05.081.812/000122 a comprovar a causa da transferência dos recursos para a conta corrente da PROJETEC, e sua regular tributação; c. não comprovada a regular tributação e/ou a causa das transferências dos recursos para a conta corrente de titularidade da PROJETEC, propõese que sejam adotadas as providências cabíveis. Em resposta à determinação exarada pela DRJ, a Fiscalização apresentou relatório de diligência descrevendo que, após sucessivas intimações, não foram apresentados documentos suficientes à demonstração da origem dos valores depositados/sacados; ainda assim, concluiu não haver, na hipótese, elementos que permitiriam a aplicação da responsabilidade solidária pretendida pela DRJ. Ainda como consequência da diligência determinada pela DRJ, a Fiscalização lavou um novo auto de infração em face do recorrente (autuado no PA de nº 10932.000454/201001), desta vez para lhe exigir o recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre depósitos de origem não comprovada (realizados tanto pela PEM, como pela Setal e pelo Consórcio). Retornando os autos à DRJ, esta, então, afastou as preliminares arguidas e, julgando conjuntamente este feito e o PA de 10932.000454/201001, negou provimento às impugnações, basicamente, ao argumento de inexistirem documentos hábeis a demonstrar a origem dos recursos que transitaram em conta de titularidade do recorrente (em particular, afastou até mesmo a existência material do contrato de administração, seja por ele não contemplar obrigações mutuas entre os contratantes, seja por ele ter sido assinado antes mesmo da constituição formal da Projetec). O recorrente foi cientificado do acórdão da DRJ em 24/08/2011 (AR de fl. 1308), tendo interposto seu recurso voluntário em 23/09/2011 Em suas razões recursais, o contribuinte reitera as alegações constantes da impugnação, acrescentando, todavia: Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10932.000682/200859 Acórdão n.º 1302002.367 S1C3T2 Fl. 1.362 4 a) a nulidade do auto de infração por desrespeito ao art. 3º da Portaria SRF 666/08 ao não se ter promovido a reunião deste processo ao PA de nº 10932.000454/201001 por "anexação", tendo a DRJ se limitado a julgálos conjuntamente. Tal inobservância teria trazido dificuldades á defesa (sustentando, inclusive, ter sido intimada da decisão em datas distintas para cada processo); b) ainda como preliminar, haveria outra nulidade verificável no auto de infração consistente em erro de tipificação; é que, uma vez desconsideradas as informações constantes de sua escrita contábil, a fiscalização deveria ter promovido o arbitramento dos valores concernentes ao IRPJ, não se aplicando, à espécie, os preceitos do art. 674; invoca, neste particular, os preceitos dos artigos 530 e 927, ambos do RIR. No mérito, insistase, o recorrente reiterou as razões já propostas em sua impugnação. Por se tratar de lançamento de IRRF, em princípio o feito foi distribuído à 2ª Seção deste Conselho; todavia, uma vez que apurado a partir de um mesmo fato ensejador do lançamento também do IRPJ (PIS, COFINS e CSLL), a 1ª Turma da 1ª Câmara da predita Seção, declinou a sua competência para esta Primeira Seção. Os autos, então, foram distribuídos para esta turma. Este o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele, conheço. Antes de se passar a análise das alegações constantes do recurso e a da decisão recorrida, impende, aqui, delimitar o objeto da demanda. Isto porque, não obstante ter sido identificada omissão de receita, caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem seria, alegadamente, desconhecida, neste feito a Fiscalização se limitou à analise das transferências realizadas pelo recorrente à empresa PEM Engenharia, o que, ao ver da União, tipificaria hipótese de "pagamento sem causa", encerrando a exigência do IRRF com espeque nos preceitos do art. 674, e parágrafos, do RIR. Nossa análise, portanto, neste feito, se limitará à exigência do IRRF e a caracterização ou não do fatotipo "pagamento sem causa". I. Das preliminares nulidades. I.1 Da ausência de "anexação" destes autos ao PA de nº 10932.000454/201001 cerceamento de defesa Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10932.000682/200859 Acórdão n.º 1302002.367 S1C3T2 Fl. 1.363 5 A luz dos preceitos do art. 59 do Decreto 70.235/72, são nulos os atos, decisões e despachos que: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A questão, portanto, cinge a saber se, porventura, a falta anexação dos dois processos teria, de fato, trazido eventual prejuízo à defesa, mormente pela limitação ao seu exercício amplo, lato e irrestrito. Discorrendo sobre o princípio da ampla defesa, Ives Gandra da Silva Martins assim pontificava: A clareza do texto constitucional e a utilização de expressões esclarecedoras como: ‘litigantes’, acrescido de ‘acusados em geral’ e ‘contraditório’, acrescido de ‘ampla defesa’, sobre não distinguir o cabimento de tais meios nos ‘processos administrativos e judiciais’, dá a cristalina, meridiana, exuberante demonstração de que não qualquer ‘defesa protocolar’, mas a defesa ‘ampla’, ‘lata’, ‘larga’, ‘sem obstáculos’ é assegurada pelo constituinte (MARTINS, Ives Gandra da Silva. Processo Administrativo Tributário. 1.ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999, pp. 56). No caso, digase, todas as provas produzidas pelo contribuinte, neste feito e também no PA de nº 10932.000454/201001 foram, de fato, consideradas pela Fiscalização e, também, pela DRJ; o contribuinte sustenta a comprovação da origem dos depósitos realizados e causa das transferências identificadas no TVF, a partir de recibos emitidos pelos destinatários dos valores constantes de sua contacorrente e, também, do mencionado "contrato de administração de contas correntes", firmado pelo recorrente e as empresas tratadas no TVF. Mesmo que desconsiderados pela Fiscalização e pelo acórdão recorrido (por considerálos inidôneos a vista de suas características substanciais), o fato é que em momento algum houve qualquer tipo de obstaculização à defesa ou à produção de provas necessárias ao balizamento de seus argumentos. Pelo contrário, tanto a Fiscalização como a DRJ (até pela conversão, inicial, daquele julgamento em diligência) intimaram o contribuinte, vezes sem fim, para apresentar fatos/documentos que pudessem afastar as presunções, decorrentes de lei, diga se, assumidas pela auditoria e pelo órgão julgador de primeira instância administrativa. Em linhas gerais, foi, a meu sentir, disponibilizada oportunidade "ampla, lata, larga e sem obstáculos" para demonstração dos fatos que atenderiam às premissas jurídicas aventadas pelo recorrente. Mesmo em relação alegação de que os prazos deferidos para oferecimento dos recursos seriam distintos para cada processo, vale destacar, não houve supressão ou redução destes de sorte que o contribuinte teve, sim, garantido o tempo preconizado pelo Decreto 70.235 para ofertálos; em verdade, pelo contrário, como o contribuinte foi intimado do resultado do julgamento neste feito em agosto e, nos autos do PA conexo, esta intimação ocorreu apenas em setembro (AR de fls. 493 do PA de nº 10932.000454/201001), o recorrente teve inclusive mais tempo para laborar sobre o recurso endereçado a este último processo. Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10932.000682/200859 Acórdão n.º 1302002.367 S1C3T2 Fl. 1.364 6 Lembrando que não existe nulidade sem prejuízo, não merece acolhida esta preliminar, pelo que voto por afastála. II.2 Da suposta violação à verdade material por desconsideração alegadamente imotivada dos documentos (recibos e contratos de gestão de contas correntes) Além desta questão tangenciar o mérito da querela, vale destacar que tanto a fiscalização como a DRJ (está, inclusive, na parte da análise do mérito feita pelo acórdão recorrido) justificaram e demonstraram os motivos pelos quais consideraram os preditos documentos como insuficientes para comprovar a origem dos depósitos e transferências (pagamentos) identificados neste feito. Certas ou erradas as motivações apresentadas, houve, de fato, análise dos preditos documentos e foram apresentadas as razões pelas quais estes não se prestariam a comprovar as premissas fáticas da defesa. Afasto, pois, também, esta preliminar. I.3 Do alegado erro de critério para cálculo do imposto. Contribuinte sustenta, ainda, haver nulidade no auto de infração ao argumento de que, uma vez desconsideradas as informações lançadas em sua escrita contábil, não caberia à fiscalização lançar mão da regra inserta no art.674 do RIR, mas, isto sim, aquela contida no art. 530 do mesmo diploma normativo. Ou seja, de acordo com o recorrente, a Fiscalização deveria ter arbitrado o lucro da empresa e não efetuar o cálculo da exigência mediante aplicação da alíquota de 35% sobre os valores tidos e havidos como "pagamento sem causa". Todavia, a matéria tributária aqui tratada é o Imposto de Renda Retido na Fonte, pretensamente devido pelo contribuinte na condição de substituto tributário; aqui, diga se, não tratamos da recomposição do IRPJ devido pelo contribuinte na forma do art. 122, I, do CTN, mas, sim, da obrigação a este imposta, por força de lei, nos termo do inciso II do aludido preceito de lei complementar tributária. Não haveria, portanto, que se falar, neste processo, em arbitramento do lucro porque o objeto deste feito era, e é, apenas o imposto devido pelos destinatários das transferências (pagamentos) realizadas, cujo recolhimento deveria ter sido feito, por retenção, pelo recorrente. Mais que isso, vale destacar, não houve, propriamente desconsideração das informações contábeis apresentadas pelo contribuinte; tratase de valoração de prova, mormente porque, o § 1º art. 674 do RIR é suficientemente claro a dispor que a contabilização dos valores tidos como "pagamento sem causa" não é, per se¸ fato que permite, isoladamente, afastar a presunção iures tantum encartada no aludido preceptivo: § 1 A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10932.000682/200859 Acórdão n.º 1302002.367 S1C3T2 Fl. 1.365 7 Neste passo, se a operação foi comprovada, "ou a sua causa", é questão de mérito e o acolhimento das alegações do contribuinte encerraria a reforma da decisão recorrida e não a sua anulação, até porque não estão tipificadas, aqui, as já citadas hipóteses do art. 59 do Decreto 70.235. Não se verifica, portanto, erro no critério fático/jurídico eleito pela Fiscalização para se definir o montante do imposto devido pelo recorrente, na condição, insistase, de responsável pela sua retenção, nos termos do art. 674, pelo que também afasto a preliminar aventada. II. Do mérito Como afirmado anteriormente, a regra encartada no art. 674, pelo que disposto em seu § 1º, somente não se aplicaria ao caso em testilha, caso o contribuinte consiga demonstrar: a) a natureza dos "pagamentos" (transferências) realizados em prol de terceiros que, não obstante identificados, mantem para com o beneficiário relação societária (a empresa PEM Engenharia é controladora do recorrente, como por ele mesmo afirmado); b) o motivo que justificaria tal transferência, de sorte a afastar tipificação do fato gerador do imposto ou, quando menos, a inocorrência de situação que permita identificar a existência ou não de obrigação de se antecipar o seu pagamento por força de substituição tributária. Também como já alertado, o fato dos valores depositados pela, ou creditados em favor da, empresa PEM Engenharia (ou de terceiros por ela indicada, como é o caso da Setal e do Consórcio ToyoSetal), terem sido objeto de escrituração contábil não é suficiente, por si só, para demonstrar tanto a natureza destes pagamentos, como os motivos de sua concretização. Era imperioso que fossem trazidos aos autos documentos, provas e fatos que pudessem, efetivamente, demonstrar que tais valores não concretizariam o fato gerador do imposto ou, lado outro, que, a despeito de devido, inocorreria hipótese de deslocamento da responsabilidade para a fonte pagadora do dever de o recolher. Dito isto, o recorrente, para demonstrar a natureza da operação, trouxe aos autos o por vezes citado "Instrumento de Autorização de Recebimentos e Pagamentos por Conta e Ordem" (fls. 1.186), e, ainda, os recibos emitidos pelo beneficiário, PEM Engenharia (juntados a partir de fls. 206). Ainda, conforme pontuado pela própria Fiscalização, o contribuinte apresentou, também, os livros Razão e Diário (comprovando que os valores tratados nos extratos bancários foram contabilizados pelo contribuinte). Em princípio, os valores declarados nos preditos recibos coincidem, de fato, com aqueles contabilizados no Razão (fls. 973/988); e batem, também (numa análise rasa e por mera amostragem), com os dados constantes dos extratos bancários. A guisa de exemplo, verifiquese o recibo datado de 06/06/2005 (fl. 642), em que o contribuinte declara ter transferido, para a PEM, um valor de R$ 405.000,00. Comparandoo com o Razão e com o Extrato Bancário, terseia a seguinte constatação: Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10932.000682/200859 Acórdão n.º 1302002.367 S1C3T2 Fl. 1.366 8 Data Valor (R$) Instituição Bancaria A crédito de (contrapartida) Recibo (fl. 642) 06/06/2005 405.000,00 x PEM Eng. Razão (fl. 977) 06/06/2005 405.000,00 Bradesco PEM Eng (Setal) Extrato (fl. 24) 06/06/2005 405.000,00 Bradesco Setal Eng. Por óbvio, com já dito, tratase de mera amostragem; mas, numa análise mais detida dos valores considerados como "pagamento sem causa" (relação de fls. 996/999) é, de fato, possível verificar o seu respectivo registro contábil no Razão (fls. 973/988). Não bastasse isto, a própria fiscalização atesta que todos os valores constantes dos recibos e dos extratos foram, de fato, contabilizados pelo contribuinte: Embora, o contribuinte tenha contabilizado os valores em seus livros contábeis não os ofereceu à tributação, haja visto ter apresentado as respectivas DIPJ (Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e DCTF (Declaração de Contribuição e Tributos Federais)" zerados" (fl. 1171). A luz de tais constatações e verificado o fato de que os valores e demais dados constantes dos recibos desconsiderados pela Fiscalização e, também, pela DRJ, foram confirmados pela escrituração contábil e pelos próprios extratos bancários não se justifica a alegação de que tais documentos (e registros) seriam inidôneos. Entretanto, os recibos e registros contábeis contam apenas a estória parcialmente sustentada pelo recorrente; a meu sentir, duas questões ainda demandam demonstração a fim de se permitir identificar todo o quadro fático apresentado pelo contribuinte, isto é: a) de que os recursos transferidos, provieram, de fato, dos depósitos realizados a conta de titularidade do contribuinte de sorte que, considerado que a empresa (como alertado pela DRJ) não dispunha de atividades operacionais, não detinha, de fato, receita própria; b) de que as transferências não se prestaram a nada mais que apenas o pagamento, a ordem da PEM, de obrigações concernentes ao seu diaadia. Quanto a questão declinada em "a" destacase a seguinte assertiva constante do próprio acórdão recorrido: No presente caso, causa também estranhamento o fato de até o anocalendário de 2005, a DIPJ indicar as contas correntes como sendo o único ativo da em presa autuada: um contrato de conta corrente em regra ocorre entre empresas com atividade operacional comprovada, estando fora da normalidade a sua manutenção entre empresas e uma pessoa jurídica, criada unicamente para movimentar recursos de terceiros – conforme alegado pela própria defesa. Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10932.000682/200859 Acórdão n.º 1302002.367 S1C3T2 Fl. 1.367 9 A recorrente não detinha quaisquer outros ativos que permitissem, sponte propria, a criação de riquezas e por isso mesmo, não tinha como contratar serviços, bens ou mercadorias; os recursos, portanto, transferidos de sua conta para as empresas PEM, Setal e, também, utilizados para pagamentos de contas (sim, nos extratos e também no Razão, há anotações de pagamentos de boletos, contas, folhas de salário, etc, procedimentos que, de acordo com contrato de administração de conta, seriam, de fato, realizados). Demais a mais, a simples análise dos extratos, e a sua comparação com os recibos e, ainda, as planilhas de fl. 170 (plano de contas), demonstram que a empresa recebeu os valores apenas da PEM e da Setal; não há provas nem alegações de que a recorrente tenha recebido valores de outras empresas, nem tampouco tenha, de fato, gerado recursos a partir de suas própria atividades de sorte que, é razoável assumir, todos pagamentos, transferências e movimentações realizadas nas contas em análise teriam se limitado aos valores previamente empregados pela PEM e pela Setal. Na opinião deste julgador, ficou clara a demonstração da situação descrita em "a", acima. Quanto questão tratada em "b", ainda que o contrato de administração contenha perplexidades que poderiam, facilmente, afastar a sua materialidade, fato é que a escrituração contábil do contribuinte confirma, a meu ver, a função da recorrente. Basta, para tanto, verificarse o histórico dos lançamentos realizado no razão, concernente às transferências realizadas em prol da PEM ou PEM/Setal; ali, vejase, são descritos pagamentos de INSS; pagamentos de contas, de empresas que, aparentemente seriam fornecedoras, etc. Estes fatos, digase, afastariam, até mesmo, a aplicação da Súmula/CARF 32, invocada pela DRJ já que, não parece haver dúvidas, os valores que transitaram na conta da recorrente, de fato, pertenciam à PEM ou à Setal. Como bem anotado pelo próprio recorrente, a escrita contábil faz prova a favor do contribuinte, a luz do art 927 do RIR; se o contrato de administração de conta corrente, isoladamente não se prestaria para provar a natureza das operações praticadas pela recorrente, (até pelas inconsistências apontadas pela DRJ), a sua análise conjunta com escrituração contábil do contribuinte revela, realmente, que Projetec se limitara, durante todo esse tempo, a gerir custos e valores de titularidade da PEM e da Setal. A fiscalização insistiu que fossem apresentados comprovantes de pagamento, juntamente com contracheques, mas esta prova já havia sido produzida! O confronto entre os recibos, as anotações no Razão e os próprios extratos bancários comprovam quanto, como, quando e a quem foram feitos os pagamentos; que outro documento poderia ser exigido aqui? Notem; o uso de conta de terceiros para movimentar valores que, em razão desta estrutura, transitam entre as empresas do mesmo grupo econômico, por certo, traz estranheza; de fato, semelhante conduta pode eventualmente facilitar ou viabilizar a ocultação de valores por parte das empresas que se utilizam deste expediente; tal procedimento poderia permitir a transferência de recursos de uma empresa para outra a fim de viabilizar fraudes, não só, à legislação tributária mas, também, à outros órgãos e normas (como, v.g., a lei de licitações). Mas, se esta era a suspeita da fiscalização, porque não se verteu esforços para efetivamente investigar as empresas que, potencialmente, estariam mal ferindo as normas Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10932.000682/200859 Acórdão n.º 1302002.367 S1C3T2 Fl. 1.368 10 tributárias? Porque se insistiu em tentar tipificar a regra inserta no art. 674 quando, por tudo o que foi demonstrado estava substancialmente claro a origem dos recursos, o seu destino e natureza das operações (simples manuseio de recursos em contacorrente de empresa, de fato, criada, exclusivamente, para gerir a aludida contacorrente)? Vejam bem, a DRJ inclusive se atentou para este fato e emendou os esforços que lhe cabia emendar para tentar ao converter o julgamento em diligência, mormente para instar a fiscalização a verificar se: (...) não comprovada a origem e a causa dos recursos depositados nas contas correntes da PROJETEC, as depositantes (PEM Engenharia S.A., CNPJ nº 62.458.088/000147, SETAL Eng. Construções e Perfurações S.A., CNPJ nº 61.413.423/000128, e Consórcio SETALTOYO, CNPJ nº 05.081.812/000122), podem ser responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário, por interesse comum, nos termos do art. 124, I, do CTN (...) O problema, notem, me parece suficientemente claro; é que a manutenção e manuseio de valores em conta do recorrente indiciou, e trouxe preocupação ao fisco, de que os recursos ali transitados teriam origem ilícita ou, quando menos, não teriam sido ofertados à tributação pelas empresas operacionais (PEM e Setal). Nesta hipótese, contudo, e assumindose que a própria criação da empresa ora recorrente objetivava ocultar estes valores não tributados nas empresas operacionais, caberia à Fiscalização desconsiderar a própria empresa titular das contas e exigir da PEM e da Setal os tributos devidos (caso, efetivamente, não lograssem demonstrar que tais recursos teriam sido regularmente tributados). A Auditoria Fiscal, todavia, optou aparentemente pelo caminho que lhe parecia mais simples: autuar a empresa alegadamente não operacional por "pagamento sem causa", atingindose, ainda que indiretamente, a sua controladora; e, mais, recusouse a lavrar os competentes termos de solidariedade contra as empresas PEM e Setal, deixando, igualmente, de agravar a multa de ofício, porque, se o fizesse, necessariamente teria que considerar fraudulenta a criação da própria Projetec e, assim, jogar por terra todo o trabalho até então realizado. Se ilícitos tributários foram praticados, o foram pela PEM e pela Setal; quanto ao recorrente, não nos parece possível tipificar a hipótese do art. 674, já que, pela documentação apresentada, a despeito dos protestos da fiscalização, estão comprovados "a operação" e "a sua causa" (§ 1º). IV Conclusão Ante todo o exposto, voto por afastar as preliminares e, no mérito, por dar provimento ao recurso de voluntário para cancelar, na íntegra, o crédito tributário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10932.000682/200859 Acórdão n.º 1302002.367 S1C3T2 Fl. 1.369 11 Fl. 1368DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902193/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA.
Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.664
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente I.J.G. SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 21 93 /2 01 1- 28 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10925.902193/201128 Acórdão n.º 3302004.664 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PERDCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não reconhecendo o direito creditório/não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição e compensação dos débitos informados no PerDcomp. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, inicialmente, que a empresa se dedica ao comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, tendo verificado que estava tributando PIS e Cofins de produtos sujeitos à alíquota zero. Diante disso, constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses. Assevera que foram retificados os Dacon e feito um pedido de restituição do crédito referente ao pagamento do Darf e, posteriormente, feito um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição. Assim, o manifestante não pode ter a DCOMP indeferida sem que se analise o crédito que lhe deu origem como demonstra comprovante em anexo, tendo destacado que não se justifica a não homologação da compensação, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior. Ao final, requer seja homologada a compensação, cujo crédito está demonstrado em Dacon e objeto de pedido de restituição e, se assim não for decidido, que seja determinada a apreciação e julgamento do pedido de restituição mencionado, para que se confirme o crédito pleiteado na forma da legislação. O Acórdão a quo manteve o indeferimento do pleito, nos termos do Acórdão 02056.308. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados na primeira instância, e acrescenta que não apresentou a DCTF retificadora correspondente ao Dacon retificador, com débito reduzido, porque não sabia desta exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.659, de Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10925.902193/201128 Acórdão n.º 3302004.664 S3C3T2 Fl. 4 3 29 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.902188/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.659): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Segundo a decisão recorrida, os fatos ocorreram na seguinte sequência: Vêse que para a retificação do Dacon em 22/11/2007 não houve a correspondente retificação obrigatória da DCTF1. Em 04/10/2007 foi transmitido o PER pedindo restituição de R$ 608,37, antes mesmo de ser retificado o Dacon acima, restando sem análise. Em 17/10/2007, também antes de ser entregue o Dacon retificador, foi transmitida a Dcom indicando como valor original do crédito o mesmo valor de R$ 608,37. finalmente, em 05/07/2011 foi emitido o despacho decisório correspondente à PerdComp 29929.28859.171007.1.3.040235, constante na fl. 2 indicando a não homologação e consequente emissão de DARF para pagamento. 1 Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 4ºA pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10925.902193/201128 Acórdão n.º 3302004.664 S3C3T2 Fl. 5 4 Na análise da matéria, inicialmente verificase que está correta a decisão a quo quando afirma que a Dcomp anula o Per anterior, pois evidentemente o mesmo crédito não pode ser restituído e compensado simultaneamente, pois constituiria dupla repetição de indébito. Evidenciase que o erro cometido pela recorrente ao deixar de apresentar a DCTF retificadora vinculada ao Dacon retificador prejudicou a análise tanto do seu pedido de restituição (Per) quanto da declaração de compensação (Dcomp), estranhamente transmitidos antes do Dacon retificador, uma vez que o débito anteriormente declarado na DCTF original não foi alterado e com isso ele absorveu todo valor do DARF, nada havendo a restituir ou a compensar. Nos autos não existe prova de que a Recorrente teria direito ao crédito pleiteado, pois a retificação do Dacon em si mesmo não produz efeito probatório, mormente quando desacompanhada da correspondente retificação da DCTF que levaria o fisco a intimar a declarante para comprovação. Pedido de reconhecimento de crédito realizado sem as formalidade acima exigem que a requerente desde o início carreie para os autos as provas das suas alegações. A simples menção à legislação que reduziu à zero a alíquota do PIS e da Cofins para determinados produtos não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DCTF, não retificada, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido. Assim sendo, por falta de provas sobre a existência de crédito líquido e certo, não há como se admitir a compensação pleiteada. Conclusão Isto posto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Recorrente não retificou a DCTF e nem trouxe aos autos escrituração e/ou documentos fiscais, não logrando comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 43DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.919925/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez.
Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado
Numero da decisão: 1301-002.715
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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W. KOGOS - PROCEDIMENTOS MEDICOS S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez. Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.919925/2009-68 Acórdão n.º 1301-002.715 S1-C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgá-la improcedente. O presente processo decorre de pedido de Declaração de Compensação, onde o contribuinte utilizou-se de crédito de pagamento a maior de IRPJ. Segundo o despacho decisório, a compensação não foi homologada porque o pagamento considerado indevido foi integralmente utilizado para extinguir débito de IRPJ, inexistindo, portanto, crédito a compensar. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, informando que retificou sua DCTF, apropriando-se integralmente do valor recolhido indevidamente. Pondera que a única justificativa da RFB, ao proferir tal despacho, foi ter-se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora, caso contrário não teria porque não homologar a compensação realizada. Estes argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu pela improcedente da defesa. Anote-se que, em seu decisium, a DRJ consignou que o contribuinte não comprovou a existência do crédito declarado. Após intimado, inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, pugnando por provimento, sustentando a certeza e liquidez do crédito apresentado, pois, em sua ótica, o crédito está devidamente demonstrado através da comparação das obrigações acessórias transmitidas e DARF recolhido. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1301-002.696, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.973679/2009-90. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301-002.696): O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Da análise do recurso Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.919925/2009-68 Acórdão n.º 1301-002.715 S1-C3T1 Fl. 4 3 Como bem apontado na decisão recorrida, a compensação prevista nos artigos 156 e 170 do CTN, e regulada pelo artigo 74, da Lei 9.430/96, constitui-se em um instrumento de extinção de crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. O contribuinte quem figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. No caso de pagamento indevido, que é o caso específico dos autos, o reconhecimento de seu direito creditório exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registro contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. O contribuinte trouxe aos autos apenas suas Declarações (DCTF, Dcomp e DIPJ), informando que retificou sua DCTF, e insiste na comparação das informações declaradas com o DARF recolhido, pois, a partir de tal confronto, em sua ótica, estaria comprovado o crédito que alega ser titular. Não penso assim, pois deveria ter trazido mais elementos de provas, com o escopo de demonstrar não só a origem do crédito, como sua liquidez e certeza. Além do mais, é bom que se diga que as Declarações são documentos produzidos pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe-se a obrigação da recorrente de comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocadamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66. Neste ponto, acresça-se o que dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, como segue: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifou-se) Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF, veja-se: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.919925/2009-68 Acórdão n.º 1301-002.715 S1-C3T1 Fl. 5 4 “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.”(grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) COFINS. DCOMP. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o Per/DComp o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Portanto, a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ. Por fim, com relação ao argumento da recorrente, ao final, de que no Acórdão recorrido, foram acrescentados fatos e alegações novos e estranhos ao processo, desconhecidos da empresa recorrente, em especial por ter feito referência a Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.919925/2009-68 Acórdão n.º 1301-002.715 S1-C3T1 Fl. 6 5 julgamentos de outros processos de compensação, e por isso, por esta referência, sustentou que foi desrespeitado o devido processo legal, entre outros princípios; também não há que se dá razão ao contribuinte. O fato da decisão recorrida ter feito referência a outros processos que discutem a certeza e liquidez de crédito oriundo de pagamento indevido a título de IRPJ, não agride a estes princípios, e nem altera o resultado da decisão recorrida, pois não se reconhece o crédito pretendido por ausência de provas quanto ao fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte. Sendo assim, rejeitam-se suas alegações. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 110DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 35301.009087/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001
SOLIDARIEDADE ENTRE TOMADOR E PRESTADOR DE CONSTRUÇÃO CIVIL
A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços artigo 30, VI da Lei 8.212/1991 (com as alterações da Lei 9.528/1997), c/c artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2402-006.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer o recurso da CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS; por unanimidade de votos, conhecer do recurso do CONSÓRCIO C. N. ODEBRECHT E C. QUEIROZ GALVÃO, formado pelas empresas CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A, e CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A; e no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho que votou por conhecer do recurso da CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS. Declarou-se impedida, nos termos do § 1º do art. 42 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a Conselheira Fernanda Melo Leal.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro VIcente Agostinho e Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2001 a 31/12/2001 SOLIDARIEDADE ENTRE TOMADOR E PRESTADOR DE CONSTRUÇÃO CIVIL A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços artigo 30, VI da Lei 8.212/1991 (com as alterações da Lei 9.528/1997), c/c artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer o recurso da CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS; por unanimidade de votos, conhecer do recurso do CONSÓRCIO C. N. ODEBRECHT E C. QUEIROZ GALVÃO, formado pelas empresas CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A, e CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A; e no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho que votou por conhecer do recurso da CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS. Declarou-se impedida, nos termos do § 1º do art. 42 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a Conselheira Fernanda Melo Leal. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro VIcente Agostinho e Mauricio Nogueira Righetti.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 90 87 /2 00 4- 11 Fl. 1421DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer o recurso da CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS; por unanimidade de votos, conhecer do recurso do CONSÓRCIO C. N. ODEBRECHT E C. QUEIROZ GALVÃO, formado pelas empresas CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A, e CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A; e no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho que votou por conhecer do recurso da CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS. Declarouse impedida, nos termos do § 1º do art. 42 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a Conselheira Fernanda Melo Leal. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro VIcente Agostinho e Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 35301.009087/200411 Acórdão n.º 2402006.000 S2C4T2 Fl. 1.398 3 Relatório Recursos Voluntários interpostos por ambas as empresas autuadas, voltados contra acórdão da 14ª Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (fls. 1.218 / 1.235) onde, por unanimidade de votos, deu parcial provimento às Impugnações, mantendose o valor principal de R$ 1.327.698,50 aposto no lançamento. Assim está lançado o relatório da r. decisão objurgada: DO LANÇAMENTO O presente lançamento referese à NFLD DEBCAD 35.537.5133, que recebeu nova numeração, passando a consubstanciar o processo de nº COMPROT 35301.009087/200411, tendo em vista a extinção da Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social e a conseqüente transferência dos processos administrativofiscais para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme artigo 4º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. 2. Tratase de crédito no montante de R$ 1.522.995,02, acrescido de encargos moratórios, contra a CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS, CNPJ 42.357.483/000126, que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 41/44 do eprocesso, foi apurado com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da obra de construção civil executada pelo CONSÓRCIO C. N. ODEBRECHT E C. QUEIROZ GALVÃO, CNPJ 04.234.701/000146, formado pelas empresas CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A, CNPJ 15.102.288/000263, e CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A, CNPJ 33.412.792/000322. 3. Os serviços objeto deste lançamento foram prestados em cumprimento ao contrato 02800/DT, de acordo com o artigo 30, VI da Lei 8.212/1991, nas competências 04 a 10 e 12/2001. 4. O crédito engloba as contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados empregados e as da empresa (para o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS e aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT). 5. Informa o Relatório Fiscal em seu subitem 3.1. a aplicação do disposto no art. 33, § 3° da Lei 8.212/1991. 5.1. As bases de cálculo foram aferidas, nos termos dos arts. 75 e 76 da Instrução Normativa 69/2002, pela aplicação de 20% (= 40% de 50% do valor bruto) sobre os valores das notas fiscais referentes à obra de construção civil. As contribuições lançadas foram calculadas aplicandose sobre tal base de cálculo as alíquotas que seguem: 8% para a contribuição de segurados empregados, 20% para a contribuição para o FPAS e 3% para o RAT. Fl. 1423DF CARF MF 4 6. A ciência do lançamento ocorreu, respectivamente, conforme fls. 03, 49/50 e 337 do eprocesso: 6.1. pela CBTU, em 02/07/2003; 6.2. pelo CONSÓRCIO e pela consorciada líder ODEBRECHT, em 23/07/2003; 6.3. pela consorciada QUEIROZ GALVÃO, em 10/12/2003; DA IMPUGNAÇÃO 7. A empresa líder do consórcio, CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A, contestou o lançamento em 05/08/2003 e 19/08/2003, com aditivo em 09/10/2003 (fl. 50, 112/224 e 231/335 do eprocesso), juntando folhas de rosto de GFIP, comprovantes de recolhimento, (GPS e agendamentos bancários), folhas de pagamento, mapas de subempreiteiros e notas fiscais. Como razões de defesa, alega: 7.1. Em virtude dos serviços prestados pela impugnante (terraplanagem, pavimentação, obras de arte etc.), com a utilização de equipamentos mecânicos, os percentuais a serem aplicados sobre a fatura deveriam ser outros; 7.2. A requerente apresenta comprovantes de recolhimentos das contribuições previdenciárias calculadas com base na sua folha de pagamento, comprovando o integral recolhimento das contribuições lançadas na presente NFLD. 8. Em 25/08/2003, a COMPANHIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS – CBTU, apresentou impugnação, vide fls. 55 a 58, juntando comprovantes de capacidade postulatória às fls. 59 a 106 do eprocesso, alegando preliminarmente a tempestividade (por conta de greve da Previdência Social) e apresentando os argumentos a seguir: 7.3. Requer a verificação, no cadastro do INSS, da situação das empresas contratadas, o seu chamamento ao processo para fim de apresentar comprovantes de recolhimento ou serem responsabilizadas em conjunto e, desde já, não lhes serem concedidas certidões negativas. 7.4. Nas faturas em questão encontramse não só valores de mãodeobra, como também de materiais e equipamentos, o que, por si só, já demonstra ser incabível a simples imputação dos percentuais sobre os valores constantes das notas fiscais. Isto sem levar em conta que não está provado o não recolhimento. 7.5. Quanto às autuações realizadas com base em fatos geradores anteriores a 02/07/1993, as mesmas devem ser consideradas prescritas, haja vista a inteligência do art. 46 da Lei 8.212/91. 7.6. A responsabilidade solidária alegada no presente auto merece ser reconsiderada, tendo em vista que a obrigação do recolhimento previdenciário à época cabia exclusivamente ao empregador e não ao contratante. 7.7. Por fim, a impugnante solicita a intimação das empresas responsáveis Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 35301.009087/200411 Acórdão n.º 2402006.000 S2C4T2 Fl. 1.399 5 pelos serviços para apresentação de documentos, entendendo que só então será possível apontar com convicção o valor devido, esclarecendo, ainda, que serão trazidos outros elementos probatórios aos autos. DA DILIGÊNCIA FISCAL 8. Em face da apresentação de documentos pelas empresas solidárias e em virtude dos argumentos apresentados em suas defesas, os autos foram encaminhados à Auditoria Fiscal notificante para apreciação. 9. Em cumprimento à diligência solicitada, a Auditoria Fiscal elaborou informação concluindo pela retificação do crédito sob exame, vide fls. 372 a 375 do eprocesso (na numeração antiga, fls. 330 a 333). 1 Tratase de Parecer conclusivo a respeito da documentação acostada aos autos, conforme despacho de folha 160. 2 Tendo em vista a juntada de documentos pela empresa prestadora dos serviços em sua defesa, temos a esclarecer o seguinte: 2.1. Foram juntados os seguintes documentos, não autenticados: a) GPS e GFIP do Consórcio CNO/Queiroz Galvão, no CEI 349500202271, referente à obra contratada com a CBTU e no CNPJ do Consórcio; b) GPS com código de pagamento 2631, de retenção sobre notas fiscais, no CNPJ de diversas empresas prestadoras de serviços; c) Notas fiscais de serviços que serviram de base para as retenções d) Folhas de pagamento do Consórcio CNO/Queiroz Galvão; 2.2 Quanto às GPS e notas fiscais não autenticadas apresentadas, foi enviada, para a empresa Construtora Norberto Odebrecht S.A., a Carta no. 17.401.2/033/2004, às fls. 313 e 314, recebida pela empresa em 03/05/2004, conforme AR à fl. 315, através da qual foi aberto um prazo de 5 dias para a regularização da defesa, mediante a apresentação de cópias autenticadas ou dos documentos originais para verificação da autenticidade. Com base na Carta no. 17.401.2/033/2004, a empresa Construtora Norberto Odebrecht S.A. protocolou, em 05/05/2004, requerimento, anexo à fl. 316, solicitando vista dos autos para verificar quais os documentos deveriam ser autenticados, solicitando ainda a dilação do prazo para a exibição dos documentos originais. Em 09/06/2004, concedeuse vistas do presente processo, conforme despacho à fl. 329. Em 14/06/2004, a empresa requereu juntada de documentos, os quais foram anexados aos autos em 01/07/2004, conforme termos de Abertura e Encerramento do Anexo I. Fl. 1425DF CARF MF 6 2.3 Tendo em vista a juntada de cópias autenticadas de documentos pela empresa prestadora dos serviços, no Anexo I, temos a esclarecer que a documentação apresentada pelo devedor solidário em sua defesa teve sua autenticidade comprovada pela apresentação de cópias autenticadas. 2.4 Com base nos documentos apresentados, a fiscalização reconhece a vinculação das GPS anexadas aos autos, abaixo relacionadas, com os serviços prestados objeto desta NFLD, que deverão ser consideradas para fins de abatimento do valor da contribuição lançada: Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 35301.009087/200411 Acórdão n.º 2402006.000 S2C4T2 Fl. 1.400 7 Fl. 1427DF CARF MF 8 3 Do exposto, concluímos pela retificação parcial dos valores lançados da seguinte forma: a) Nas competências 04/01 a 10/01, o valor lançado é retificado reduzindose os valores da contribuição apurada, conforme FORCÉD em anexo; b) Na competência 12/01 excluise integralmente o crédito lançado. 4 Segue o FORCED para a retificação do crédito. Rio de Janeiro, 05 de julho de 2004. DA DECISÃONOTIFICAÇÃO N.° 17.401.4/0633/2004 10. Em 14 de julho de 2004, vide fls. 379 a 387 do eprocesso, foi emitida a decisão em Primeira Instância, mediante a Decisão Notificação n.° 17.401.4/0633/2004, homologada em 28/07/2004, pela procedência parcial do lançamento, retificandose o valor do Principal para R$ 1.327.698,50, o qual, à época da referida retificação, após acréscimos legais, passou ao valor total de R$ 1.964.133,13 (vide fls. 381 e 386 do eprocesso), de que se deu ciência às empresas e consórcio interessados em 05 e 09/08/2004, vide fls. 388 a 394 do e processo. DO RECURSO 11. Em 03/09/2004, vide fls. 395 a 404 do eprocesso, a COMPANHIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS – CBTU apresentou recurso, como segue: 11.1. A decisão atacada baseouse no prazo decadencial estabelecido no artigo Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 35301.009087/200411 Acórdão n.º 2402006.000 S2C4T2 Fl. 1.401 9 45, I da Lei 8.212/91, que afirma que o prazo de decadência das contribuições previdenciárias é de 10 (dez) anos, mas o entendimento jurisprudencial é pacífico no sentido de estabelece que, de acordo com o artigo 173 do Código Tributário Nacional, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos, sendo assim, o débito em questão deve ser extinto, onde couber. Acosta excertos de jurisprudência. 11.2. A apuração do valor do crédito, feita com base em percentual da Nota Fiscal, não possui qualquer embasamento legal. Somente a lei formal pode fixar alíquota ou estabelecer majoração do tributo, mas, no caso em tela, a Instrução Normativa fixou/modificou a base de cálculo do tributo, extrapolando suas funções. Em matéria tributária, o regulamento não pode criar normas relativas à base de cálculo, logo, o critério adotado não pode ser mantido. 11.3. A Fiscalização não considerou os documentos apresentados pela prestadora e pela tomadora de serviços, eis que a o artigo 16, § 4° da IN INSS/DC 80/2002 afirma que a prestadora de serviços fica dispensada de elaborar Folhas e Guias de Recolhimento especificas quando comprovadamente utilizar os mesmos segurados para atender a vários contratantes. Com base neste artigo, resta comprovado que o lançamento em tela não tem fundamento, pois o INSS não atentou para a norma supra. 11.4. O item 21 da OS 51/1992 dispõe que a construtora, o proprietário dono da obra se isentará da responsabilidade solidária caso o subempreiteiro comprove o recolhimento prévio das contribuições sociais, assim, ante os documentos juntados, deve ser cancelado o débito. 11.5. Requer o provimento do recurso, com a reforma da decisão e decidindo pela não incidência/responsabilidade do tributo em questão. 12. Em 08/09/2004, vide fls. 520 a 526 do eprocesso, a CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A e CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A, componentes do CONSÓRCIO CNO/QUEIROZ GALVÃO, apresentaram suas razões de recurso, como segue: 12.1. A IN 18/2000 prevê apenas a obrigação do tomador de serviços de verificar a GFIP, cópia da folha de pagamento e GPS do prestador de serviços, não havendo a obrigação do tomador de serviço de manter tais documentos arquivados, o que só ocorreu a partir da IN 69/2002. 12.2. Assim, como só a partir da IN 69/2002 é que se dá a obrigação de guarda de tais documentos, há ilegalidade na ação fiscal perpetrada na CBTU, bem como pelo fato de não ter havido fiscalização no prestador de serviço, sem que o INSS desse oportunidade para comprovar a regularidade de recolhimentos antes da lavratura da NFLD. 12.3. É indispensável a fiscalização anterior no prestador de serviços, especialmente considerando a previsão expressa do art. 8° do Decreto 3969/01 e a In INSS/DC70/2002. Fl. 1429DF CARF MF 10 12.4. A aferição indireta que deu origem a este lançamento deve ser considerada nula, pois não foi observado o art. 49 da IN 18/2000, que a condiciona à inexistência de escrituração contábil no prestador de serviços. A aferição indireta só poderia ser feita se constatada a inidoneidade da contabilidade do prestador de serviços. Sem ação fiscal no prestador de serviços, não há que se falar em aferição indireta, que é um critério subsidiário, só podendo ser adotada quando é o único meio que resta à Fiscalização. 12.5. A ação fiscal se deu sem critério, pois, se fossem analisados os contratos celebrados com a CBTU, a Fiscalização constataria que ocorreu fornecimento de equipamentos e materiais, o que inviabilizaria a manutenção da alíquota de 20% (vinte por cento). Por outro lado, a manutenção da base de cálculo das contribuições a partir das notas fiscais de serviços, mesmo existindo folhas de pagamento para serem utilizadas como base de aferição, só pode se fundar na ânsia arrecadadora da Previdência. 12.6. Se a ação fiscal fosse precedida por MPFEx, a constatação da inexistência do débito seria inquestionável. 12.7. Requer seja desconstituído o débito, reconhecendo a nulidade da ação fiscal na tomadora de serviços, ou pela realização dos recolhimentos devidos. DO AFASTAMENTO DO DEPÓSITO RECURSAL 13. Às fls. 508 a 515 do eprocesso, comprovou a CBTU ter obtido liminar garantindolhe o processamento de recurso administrativo mediante o arrolamento de bens, observandose o art. 32 da Lei 10.522/2002. 13.1. Às fls. 553 a 557 e 679 a 681 do eprocesso, comprovou a CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A ter obtido liminar afastando a obrigatoriedade de depósito recursal. DAS CONTRARAZÕES 14. Às fls. 561 a 567 do eprocesso, foi apresentado o termo de CONTRA RAZÕES N°. 17.401.4/0797/2004. DO ADITIVO DE RECURSO 15. Em 18/04/2005, vide fls. 569 a 570 do eprocesso, a CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A apresentou como aditivo de recurso a alegação de que o lançamento seria nulo por não constar do relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD que se trata de aferição indireta nos termos dos §§ 3° e 6° do art. 33, da Lei 8212/1991. DO ACÓRDÃO 04a CaJ/0715/2005 16. Em 20/04/2005, vide fls. 571/581, foi proferido o Acórdão 04ª CaJ/0715/2005, em que restou anulada a NFLD. DO PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO 04a CaJ/0715/2005 Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 35301.009087/200411 Acórdão n.º 2402006.000 S2C4T2 Fl. 1.402 11 17. Em 03/06/2005, vide fls. 582 a 587 do eprocesso, foi feito pedido de revisão do Acórdão 04ª CaJ/0715/2005, do qual foi feita a ciência às interessadas, junto com a ciência do próprio Acórdão, em 22/06/2005, 27/06/2005 e 29/06/2005, vide fls. 588, 591 e 595. DAS CONTRARAZÕES AO PEDIDO DE REVISÃO 18. Em 19/07/2005, vide fls. 596 a 600 do eprocesso, a CBTU apresentou suas contrarazões ao Pedido de Revisão do Acórdão 04ª CaJ/0715/2005. DA JUNTADA EXTEMPORÂNEA DE RECURSO 19. Às fls. 603 a 636 do eprocesso, foram juntados aos autos razões e documentos apresentados pela CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A que haviam sido protocolados em 19/12/2003, sendo encaminhados ao CRPS, pelas razões expostas à fl. 640: 1. Tratase de recursos protocolizado sob o número acima identificado, pela empresa CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A, em relação a NFLD 35.537.5133, lavrada em ação fiscal na empresa COMPANHIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS CBTU, em 19/12/2003, encaminhada, por equívoco, pela Equipe de Protocolo, para a PROCURADORIA, lá permanecendo até 18/02/2005, conforme despacho do Procurador Fábio Ferreira Dias, mat. 1.311.617. 2. Como se verifica a própria empresa QUEIROZ GALVÃO esclarece que a CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A, na qualidade de empresa líder do consórcio CNO/QUEEROZ GALVÃO, fez a apresentação de toda a documentação necessária para a comprovação da regularidade previdenciária, já devidamente analisada pelo Serviço de Fiscalização, desta forma, o recurso apresentado mesmo não tendo sido analisado na época correta, em nada altera o lançamento. 3. Em razão da NFLD estar na 4a Câmara de Julgamento, conforme verificado no andamento de processos SIPPS comando 10298699, estamos encaminhando o presente para ser juntado a respectiva NFLD. 4. A 44.023.015.41 SPT/CRPS/DF Seção de Protocolo do CRPS. DA NEGATIVA AO PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO 04a CaJ/0715/2005 21. Em 10/03/2006, vide fls. 657/659 do eprocesso, foi emitido o Despacho 04ª CaJ n° 134/2006 indeferindo o pedido de revisão do Acórdão 04a CaJ/0715/2005. DO PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO DO DESPACHO 04ª CaJ N° 134/2006 Fl. 1431DF CARF MF 12 22. Em 30/01/2007, vide fls. 665 a 668 do eprocesso, foi formulado novo pedido de revisão, uma vez que sobreveio fato novo, consubstanciado no Enunciado n° 29, do Conselho Pleno do CRPS, editado pela Resolução n° 06, publicado no Diário Oficial da União de 21/12/2006. Foi feita a ciência às interessadas em 08/02/2007 e 13/02/2007, vide fls. 669, 672 e 675. DA MANIFESTAÇÃO CONTRA O PEDIDO DE REVISÃO DO ACÓRDÃO 04a CaJ/0715/2005 23. Em 14/03/2007, vide fls. 683 a 685 do eprocesso, a CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A e CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A, componentes do CONSÓRCIO CNO/QUEIROZ GALVÃO, apresentaram suas razões contrárias ao pedido de revisão formulado pelo Contencioso Administrativo da Secretaria da Receita Previdenciária contra o Acórdão 04ª CaJ/ 0715/2005. 23.1. A CBTU não se manifestou, conforme termo de fl. 687 do eprocesso. 23.2. DO DESPACHO N° 20514/2007 DA QUINTA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 24. Em 27/11/2007, vide fls. 688 a 689 do eprocesso, foi emitido o Despacho n° 20514/2007 pela Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, acolhendo o pedido de revisão do Acórdão 04ª CaJ/ 0715/2005. DO ACÓRDÃO 20501.113 DA QUINTA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 25. Em 03/09/2008, vide fls. 694 a 704 do eprocesso, foi proferido o Acórdão 20501.113 da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes anulando a decisão de primeira instância (Decisão Notificação n.° 17.401.4/0633/2004), nos seguintes termos: (...) Quanto às preliminares, há questão que merece ser analisada. A DRP, antes da emissão da primeira decisão, comandou diligência fiscal, fls.0312, como resultado dessa diligência a fiscalização prestou relevantes informações, fls.0330 a 0332. Ressaltese a relevância das informações prestadas na diligência, que, inclusive, fundamentaram a retificação parcial do lançamento. Não há provas de que as recorrentes foram cientificadas do resultado da diligência, que sanou dúvidas e questões presentes na sua defesa, sendo, portanto, emitida decisão sem a possibilidade do contraditório em relação ao resultado da diligência. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pela fiscalização ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contrarazões aos fatos apontados pela fiscalização ou aos documentos juntados ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado, o direito do contribuinte ao contraditório não foi conferido. Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 35301.009087/200411 Acórdão n.º 2402006.000 S2C4T2 Fl. 1.403 13 (...) Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que ocorreu preterição ao direito de defesa da recorrente, decido pela nulidade da decisão de primeira instância. Em respeito ao § 2o , do Art. 59, do Decreto 70.235/1972, ressalto que a Receita Federal do Brasil deve cientificar o sujeito passivo dessa decisão, reabrir prazo para defesa aos contribuintes e ao solidário, e tomar as devidas providências para a continuação do contencioso. Assim, a decisão não se encontra revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrada em desacordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. C O N C L U S ÃO Em razão do exposto, Voto pela anulação da decisão de primeira instância. 25.1. Em 19/11/2010 e 17/02/2011, vide fls. 707 a 712 e 727 e 728 do e processo, foi dada a ciência do Acórdão 20501.113 — 5ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, de 03/09/2008, e das folhas 330 a 333 (tais folhas receberam a numeração 372 a 375 do eprocesso), referente à diligência de 05/07/2004. DA IMPUGNAÇÃO 26. Retornando o processo ao julgamento em primeira instância administrativa, apresentaram a CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A e CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A, componentes do CONSÓRCIO CNO/QUEIROZ GALVÃO, sua impugnação de fls. 713 a 719, em 17/03/2011, cópia fls. 720 a 726). Como razões, alegam: 26.1. O dever inarredável da Auditoria Fiscal de checar acerca da existência de encerramentos de procedimentos fiscais com cobertura fiscal plena (com análise da contabilidade), para fins de elisão da solidariedade imposta por meio desta NFLD. 26.2. Protesta pela inadequação do critério adotado pela Auditoria Fiscal, que apropriou recolhimentos baseados em folhas de pagamento para abatêlos do saldo devedor apurado por aferição indireta, lastreada em notas fiscais de prestação de serviços; o que faz a aferição alcançar um patamar maior ao que realmente seria devido, tornando ‘a menor’ o correto recolhimento então efetuado. Como exemplo desse equívoco, cita o valor lançado na competência jan/2005. 26.2.1. Defende que o correto seria considerar a elisão completa da solidariedade entre as empresas, já que foram apresentadas GRPSs específicas e com indiscutível vinculação à obra de construção civil, como Fl. 1433DF CARF MF 14 reconheceu a própria Auditoria Fiscal, além de ostentar o prestador de serviços regularidade contábil. Assim sendo, as competências que têm GRPSs específicas, deveriam ser excluídas por completo da NFLD, e não apenas 'abatidas', como indicado no posicionamento fiscal de 05/07/2004, não remanescendo quaisquer valores a cobrar. 26.3. Destaca que, se o Fisco houvesse atentado à existência de matrícula CEI com recolhimentos vinculados, além da existência de contabilidade regular das prestadoras, não teria constituído a NFLD ora analisada. 27. Às fls. 732 a 1085 do eprocesso, constam documentos que a CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A havia protocolado em 14/06/2004, os quais compuseram o Anexo I, formado em 01/07/2004, no antigo formato em papel (anterior ao atual eprocesso). Tais documentos são os mesmos analisados em diligência fiscal, vide fls. 372 a 375 do eprocesso (na numeração antiga, fls. 330 a 333), a qual foi reproduzida no item 10 do relatório acima, de que faço excerto, como segue: (...) Em 14/06/2004, a empresa requereu juntada de documentos, os quais foram anexados aos autos em 01/07/2004, conforme termos de Abertura e Encerramento do Anexo I. (...) 28. Conforme consta à fl. 730 do eprocesso, a CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS não apresentou argumentos. Em sua peça recursal, às fls. 1.280, a CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT E CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A, apresentam seu inconformismo com a decisão guerreada ao asserto de que as diligências fiscais realizadas nos autos estão equivocadas e perfilhadas de falhas e que, com isso, a improcedência da NFLD é situação que se impõe. Em preliminar, propugna a primeira recorrente que haveria a necessidade do fiscal administrativo chegar a existência de encerramento de fiscalização com cobertura plena, posto que, assim, encontrarseia procedimento fiscal referente ao mesmo período do que discutido nos presentes autos, o que levaria à improcedência desta NFLD. Frisa que deveria ser levado em consideração que “a presunção/arbitramento não pode prevalecer, devendo por certo, ser considerada a preponderância do ato fiscal consumado diretamente no contribuinte tido, na espécie, como o principal. No caso dos autos, as ações fiscais realizadas e encerradas nos contribuinterecorrentes ,a contar de 2005, e que tiveram análises contábeis, devem sim ser considerados como fatores caracterizados da total insubsistência desta NFLD”. (palavra por palavra, fls. 1.283). Em seguida, argui que, com as novas vias eletrônicas seria descabido a continuação da presente ação fiscal sem o cruzamento dos diversos fatores necessários, a saber, DIPJ, DIRF e GFIP, para que se culmine em uma análise justa do cenário sob julgamento. Para tanto, advoga no sentido de que a diligência ocorrida nos idos de 2005 não poderia (ou deveria) gerar efeitos em 2012/2013 – data da interposição do recurso ora em julgamento. Ao adentrar no mérito, alega que as razões da d. Fiscalização, às fls. 372, no item 2.4, são contrárias às regras administrativas que são aplicáveis in casu. Assim, aponta que Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 35301.009087/200411 Acórdão n.º 2402006.000 S2C4T2 Fl. 1.404 15 “a partir do momento em que há reconhecimento de vinculação de determinados recolhimentos/GPS a uma específica obra ,É EVIDENTE QUE TAIS RECOLHIMENTOS DEVEM SER RECONHECIDOS COMO BONS PARA FINS DE ABATIMENTO E DE, QUIÇÁ, AFASTAMENTO TOTAL DA SOLIDARIEDADE MENSALMENTE IMPOSTA”. (fls. 1285) Defende que se as GRPSs tem vinculação à obra, foram devidamente recolhidas e que se as empresas contratadas e prestadoras sustentam regularidade contábil, seria evidente a elisão da solidariedade entre as empresas, como disciplinavam as Ordens de Serviço referentes ao período da NFLD. Salienta ainda que, incorre em erro o Fisco ao abater os recolhimentos de valores apurados por arbitramento, pleiteando que o certo seria excluir todas as competências recolhidas presentes na NFLD em debate (referentes a 04/2001 a 10/2001 e 12/2001), posto que haveria vinculação entre o DAD/Ret e as GPS. Menciona também que a pretensão da Fazenda em fazer a aferição por arbitramento é equivocada, eis que o valor alcançaria valor sempre maior que o devido e, em decorrência disso, deveriam os valores efetivamente pagos servir não para o abatimento do que apurado por aferição na NFLD mas, sim para extinção das cobranças. Assevera que “para todos os fins de direito, as competências que têm GRPSs especificas, serem totalmente excluídas desta NFLD e não apenas ‘abatidas’, como indicado no posicionamento fiscal de 2005”. (fls. 1.288) Para sustento de sua tese, traz que estava vigente à época das obras a OS INSS/DAF nº 165/97, com as alterações da OSINSS/DAR nº 185/97, bem como as OS 203 e 209/99, além da Instrução Normativa nº 18/2000, dessa forma o percentual para aferição dos serviços faturados deveria ser de 12%, e não os 20% aplicados pela Fiscalização e mantidos pela d. DRJ. Ao arremate, requer (i) a promoção de nova diligência fiscal para atualização dos históricos fiscais; (ii) que as competências com GRPS específicas devem ser excluídas da NFLD; (iii) alternativamente, requer que, se mantida alguma competência, devem ser observados os 12% das regras legais vigentes à época, e não os 20% aqui perpretado; e (iv) a consideração de que os recolhimentos relacionados à matrícula/CEI foram recolhidos à plenitude. Requer portanto, o conhecimento e provimento do apelo. A seguir, igualmente insatisfeita, apela a COMPANHIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS, e limita a reportarse às Impugnações e Recursos anteriormente acostados nos quais confia ter logrado êxito em demonstrar a “injuridicidade” (fls. 1.328) da Nota Fiscal de Lançamento em testilha. Reivindica o provimento do recurso. Não há contrarrazões. É o que cumpria relatar. Fl. 1435DF CARF MF 16 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator São recorrentes no presente processo a CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS, CNPJ 42.357.483/000126 na condição de responsável solidária relacionada a construção civil, relacionadas a obras realizadas pelo CONSÓRCIO C. N. ODEBRECHT E C. QUEIROZ GALVÃO, CNPJ 04.234.701/000146, formado pelas empresas CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A, CNPJ 15.102.288/000263, e CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A, CNPJ 33.412.792/000322. (Fls 1280 a 1291). Ambos os recursos foram tempestivamente interpostos, contudo, o recursos de fls. 1325 a 1339 merece considerações quanto a sua admissibilidade. Insta, de plano, salientar que, por força do art. 17 do Decreto 70.235 considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A mesma lógica é aplicável aos Recursos, portanto, não merecem ser conhecidos temas não abordados na peça recursal. A CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS, CNPJ 42.357.483/000126 apresentou recursos em que disserta sobre a tempestividade, efeito suspensivo do recursos interposto, resumo da demanda e se reporta as impugnações de demais peças recursais. Pelo disposto na legislação referente apenas as razões expostas nos recursos de fls. 1.325 a 1328 não merecem conhecimento uma vez que, não se deve considerar referência a documento diverso do recurso como manifestação válida. Por tal razão, voto por não conhecer o recurso de CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS, CNPJ 42.357.483/000126. Quanto ao recurso de fls Fls 1280 a 1291 interposto pelo CONSÓRCIO C. N. ODEBRECHT E C. QUEIROZ GALVÃO, CNPJ 04.234.701/000146, formado pelas empresas CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A, CNPJ 15.102.288/000263, e CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A, CNPJ 33.412.792/000322, voto por dele conhecer. 2. PRELIMINAR 2.1. OMISSÃO Preliminarmente, argúem as recorrentes que houve omissão na decisão recorrida, uma vez que ela apenas faria referências à diligência fiscal de fls. 372 a 375, sem, no entanto, incluíla em suas razões de decidir de forma conclusiva, o que faria, a seu ver, com que a NFLD fosse fulminada pelo pagamento. Afirma que existem nos autos, elementos suficientes para o reconhecimento da plena improcedência da NFLD, bem como que o processo, dos idos de 2005, não representa a atual realidade da empresa, seja de modo operacional ou processual, advogando que não há débito previdenciário hábil a ser lançado em sua conta. Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 35301.009087/200411 Acórdão n.º 2402006.000 S2C4T2 Fl. 1.405 17 Tal preliminar confundese com o próprio mérito da questão, e nessa condição será analisada. 2.2. PRELIMINAR DE INSUBSISTÊNCIA DA AÇÃO FISCAL Ainda preliminarmente, alegam as recorrentes que se houvesse checagem, por parte da d. Fiscalização, acerca de procedimento fiscal no mesmo período de que trata a presente NFLD, verseia que o procedimento fiscal levado a efeito nos contribuintes, com a análise de todos os documentos comprobatórios necessários, afastariam a aplicação do lançamento, com mensuração por arbitramento ora combatido. Nesse passo, sustenta que o arbitramento não deve prevalecer, tendo que ser levado em consideração a plena análise contábil, com o cruzamento das diversas informações eletrônicas feito pelas recorrentes, o que poria fim na presente NFLD. Afiança que deveria haver atualização dos dados trazidos a julgamento por parte da Receita Federal, uma vez que os dados aqui analisados, dos idos de 2005, possam agora gerar efeitos jurídicos. Em conclusão, alega que com a vinda das informações atualizadas, o reconhecimento de improcedência do lançamento seria clara. Mais uma vez a questão de confunde com o mérito e neste condição será analisada. 3. MÉRITO 3.1. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A d. DRJ entendeu estar clara a aplicabilidade do disposto no Código Tributário Nacional, art. 121, inciso II, bem como que do art. 30, inc. VI da Lei 8.212/91 contendo previsão expressa da responsabilidade solidária do contratante de obra de construção civil. O recorrente argumenta que, uma vez tendo havido a vinculação de determinados recolhimentos (GPS) (fls. 372 do eprocesso) a uma obra específica, seria o suficiente para a limitação ou, ainda, afastamento da solidariedade imposta. Aponta que, se foram feitas GRPSs específicas e com vinculação à obra civil, a elisão deve ser evidenciada de pronto, posto que era o que determinada as Ordens de Serviços vigentes ao período da presente NFLD. Asseverando que os recolhimentos feitos são fatores cabais para o "aniquilamento" da cobrança mensal pela elisão da solidariedade, propugna que todas as competências presentes da NFLD e ora em rejulgamento devem ser excluídas. Expôs em preliminar a existência de suposto procedimento fiscalizatório realizados nas empresas recorrentes abrangendo a totalidade do período, o que seria fundamento para elisão de responsabilidade solidária da CBTU. Sobre tal alegação, a mesma representa uma inovação na demanda, dada a ausência de tal argumentação na peça impugnatória. Fl. 1437DF CARF MF 18 Ainda que, em respeito a verdade material, tal argumentação fosse levada em consideração, não foi indicado pelos Recorrentes qualquer indicio de ocorrência dos citados procedimentos fiscais, nenhum número ou documento foi apresentando como indicio de que tal fiscalização, de fato ocorreu e se referiu a totalidade do período abrangido pela NFLD combatida. Neste ponto, entendemos não assistir razão aos recorrentes, prevalecendo o entendimento explanado pela turma julgadora a quo quanto a existência de responsabilidade solidária. A solidariedade está prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I. as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II. as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. O artigo 128 do mesmo diploma legal dispõe que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação: Portanto, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem. Compete à Receita Federal do Brasil cobrar de qualquer um dos sujeitos passivos a satisfação da obrigação. Conforme destacado no art. 30, VI da Lei n 8.212/1991, o proprietário, incorporador ou dono da obra não importa qual seja o tipo de contratação é solidário com o construtor pelo cumprimento das obrigações perante a previdência social. Assim, descreve o texto legal: Art. 30. (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Por sua vez, o Decreto nº 2.173, de 5/03/1997, vigente à época do fato gerador, assim dispunha em seu art. 43, verbis: Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 35301.009087/200411 Acórdão n.º 2402006.000 S2C4T2 Fl. 1.406 19 Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Assim, ao atribuir responsabilidade solidária pelo cumprimento da obrigação tributária, o legislador outorgou à autoridade previdenciária a possibilidade de cobrar a obrigação de qualquer dos solidários. A constituição do crédito tributário pode ocorrer tanto no prestador quanto no tomador de serviços. Na mesma linha de fundamentação, não é outro o entendimento firmado pelo STJ, conforme ementa do acórdão no Agravo Regimental nos Embargos de Declaração no Recurso Especial Nº 1.177.895 RS: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELOS EMPREGADOS, TRABALHADORES TEMPORÁRIOS E AVULSOS. CONSTRUÇÃO CIVIL. DONO DA OBRA E CONSTRUTOR OU EMPREITEIRO. SUBSTITUTOS TRIBUTÁRIOS. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA (SÚMULA 126/TRF ANTERIOR À PROMULGAÇÃO DA CF/88). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA (CF/88 ATÉ A LEI 9.711/98). RESPONSABILIDADE PESSOAL DO TOMADOR DO SERVIÇO DE EMPREITADA DE MÃODEOBRA (LEI 9.711/98). (...) 6. A responsabilidade tributária, quanto aos seus efeitos, pode ser solidária ou subsidiária (em havendo coobrigados) e pessoal (quando o contribuinte ou o responsável figura como único sujeito passivo responsável pelo recolhimento da exação). 7. Por oportuno, forçoso ressaltar que a solidariedade tributária não é forma de inclusão de terceiro na relação jurídica tributária, mas grau de responsabilidade dos coobrigados, sejam eles contribuintes ou contribuinte e responsável tributário, vale dizer: a responsabilidade de sujeitos passivos coobrigados (contribuintes entre si, responsáveis entre si ou contribuinte e Fl. 1439DF CARF MF 20 responsável) pode ser solidária ou subsidiária (notas de Mizabel Derzi na atualização da obra "Direito Tributário Brasileiro", de Aliomar Baleeiro, 11ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2000, pág. 729). 8. O artigo 124, do Codex Tributário, ao tratar da solidariedade na seara tributária, fixa que a mesma não comporta benefício de ordem (parágrafo único) quando se estabeleça entre as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (inciso I) e entre as pessoas expressamente designadas por lei (inciso II), o que importa em evidente tautologia, uma vez que a inaplicabilidade do beneficium excussionis decorre da essência do instituto em tela. 9. Deveras, na obrigação solidária, dessumese a unicidade da relação tributária em seu pólo passivo, autorizando a autoridade administrativa a direcionarse contra qualquer dos coobrigados (contribuintes entre si, responsáveis entre si, ou contribuinte e responsável). Nestes casos, qualquer um dos sujeitos passivos elencados na norma respondem in totum et totaliter pela dívida integral. 10. Flagrante ausência de tecnicidade legislativa se verifica no artigo 134, do CTN, em que se indica hipótese de responsabilidade solidária "nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte" , uma vez cediço que o instituto da solidariedade não se coaduna com o benefício de ordem ou de excussão. Em verdade, o aludido preceito normativo cuida de responsabilidade subsidiária. 11. Conseqüentemente, exsurge a necessidade de exame dos diplomas legais que regeram e que regem as relações jurídicas em comento, a fim de se identificar o(s) sujeito(s) passivo(s) eleito(s) pelo ente tributante legiferante e o grau de responsabilidade instituído entre os mesmos ou atribuído a um único sujeito passivo (contribuinte ou responsável). 12. É certo que a responsabilidade solidária prevista na legislação previdenciária abrange tanto as contribuições sociais devidas pela empresa (enquanto contribuinte, portanto), como aquelas decorrentes da substituição tributária (contribuições sociais devidas pela mãodeobra contratada), sobressaindo, ao menos, 3 (três) regimes legais que subordinam o thema iudicandum . 13. Destacase, preliminarmente, o período anterior à promulgação da Constituição Federal de 1988, (...) (...) 15. Outrossim, após a entrada em v gor da Constituição Federal, que reconheceu a natureza tributária das contribuições sociais devidas à Seguridade Social, o preceito normativo inserto no artigo 124, do CTN, passou a ser, indubitavelmente, aplicável à espécie, legitimando a interpretação de que era solidária a responsabilidade prescrita na Lei 3.807/60 e no Decreto 89.312/84, que expressamente dispunham sobre a responsabilidade tributária solidária entre os substitutos tributários (dono da obra/proprietário/condômino e executor/prestador/empreiteiro) quanto às contribuições sociais devidas pela mãodeobra contratada e entre o substituto Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 35301.009087/200411 Acórdão n.º 2402006.000 S2C4T2 Fl. 1.407 21 (dono da obra/proprietário/condômino) e o contribuinte (executor/prestador/empreiteiro) quanto às contribuições sociais devidas pela empresa contratante da mãodeobra. 16. Forçoso reconhecer que o referido regime sobreviveu à edição das Leis 8.212/91 e 9.528/97 (que enfatizou a inaplicabilidade, em qualquer hipótese, do benefício de ordem), findando com o início da produção dos efeitos da Lei 9.711/98, que se deu em 1º de fevereiro de 1999 (artigo 29). 17. Nesses moldes, multifários precedentes do STJ, que pugnam pela solidariedade da responsabilidade tributária, facultando ao ente previdenciário eleger o sujeito passivo de seu crédito tributário, observadas as normas referentes ao direito regressivo do contratante contra o executor, a possibilidade de prévia retenção pelo tomador de serviço e a possibilidade de elisão da responsabilidade tributária do prestador ante a comprovação de recolhimento prévio das contribuições, mediante retenção efetuada pela contratante (REsp 376.318/SC, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 05.02.2002, DJ 18.03.2002; AgRg no Ag 463.744/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 20.05.2003, DJ 02.06.2003; REsp 477.109/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.08.2003, DJ 15.09.2003; AgRg no REsp 186.540/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 28.10.2003, DJ 15.12.2003; REsp 410.104/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.05.2004, DJ 24.05.2004; REsp 623.975/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 23.05.2006, DJ 19.06.2006; REsp 780.703/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 01.06.2006, DJ 16.06.2006; REsp 971.805/PR, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 06.11.2007, DJ 29.11.2007; e AgRg nos EDcl no REsp 375.769/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.12.2007, DJ 14.12.2007). 18. A Lei 9.711/98, entretanto, que introduziu a hodierna redação do artigo 31, da Lei 8.212/91 (terceiro regime legal que se vislumbra), instituiu técnica arrecadatória via substituição tributária (...) (...) 22. Agravo regimental desprovido. Mesmo apos a diligência, não restou comprovada a totalidade dos pagamentos dos créditos lançados e uma vez excluída a parcela onde tal comprovação foi realizada, restou pendente uma série de outras obrigações inadimplidas e que, por consequência, geram a responsabilidade solidária. Em decorrência, votamos por não acolher as razoes recursais neste ponto. 3.2. DO MÉTODO DE AFERIÇÃO Aponta a recorrente que o método de aferição levado a cabo pela Fiscalização "beira o surrealismo" (fls. 1.286), eis que a aferição por arbitramento sempre alcançariam valores maiores daqueles efetivamente pagos. Fl. 1441DF CARF MF 22 Em tal ponto, ressalva que o pronunciamento fiscal, ao invés de extinguir as cobranças fiscais ora combatidas, devido aos valores pagos, apenas faz "abatimento" entre eles, o que, a seu ver, estaria totalmente equivocado. A d. DRJ propõe, no ponto 36 (fls. 1.233), que a ação fiscal está autorizada pela legislação, artigo 33, § 3o da Lei n° 8.212/91. Acerca do procedimento de aferição indireta, temse que a legislação previdenciária oferece à fiscalização mecanismos para lançar os valores devidos, utilizando como base de aferição o valor da nota fiscal de prestação de serviço, que contém a parcela referente à mãodeobra utilizada. De fato a ação fiscal foi realizada na tomadora, a base de cálculo foi apurada por aferição indireta, incidente sobre as notas fiscais de serviços emitidas pela prestadora, em procedimento previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8212/1991, que dá à auditoria fiscal a prerrogativa de, ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Em consequência, ao deixar de apresentar a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária nas respectivas competências, quais sejam, cópia da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento elaborada distintamente pelo executor em relação a cada contratante, a recorrente não conseguiu fazer prova da quitação das contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra constante das notas fiscais de prestação de serviços, justificando, assim, a aplicação da aferição indireta pela fiscalização. Desta feita, correto o lançamento do crédito previdenciário constante dos autos. 3.3. DA ALÍQUOTA APLICADA Ressalta a apelante que a alíquota aplicada no patamar de 20% é abusiva e desarmoniza com a documentação dos autos (notadamente as guias de pagamento colacionadas a partir das fls. 741). Assevera que a alíquota correta seria de 12%, segundo art. 220, §3º, inc. II do Decreto nº 3.048/99. O acórdão objurgado, em continuação do entendimento do Relatório Fiscal, aponta que o ora recorrente não teria juntado aos autos nada que pudesse elidir o lançamento e reformar os valores em testilha. Ora, novamente os Recorrentes não lograram êxito em demonstrar por meio de documentos hábeis e idôneos a existência de inconsistências aptas a desqualificar a alíquota aplicada ou mesmo a base sobre a qual foi realizado o lançamento. Em preliminar, alega que seria necessário promover uma atualização dos dados, o que demonstraria não haver qualquer credito pendente de adimplemento, entretanto, caberia aos recorrentes promover a juntada de tais provas e assim demonstrar que a base de calculo e alíquotas aplicadas seriam inadequadas a realidade fática, entretanto, não só deixou de fazer, como aquilo que juntou não comprova suas alegações. Também neste ponto, votamos por negar provimento ao recurso. Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 35301.009087/200411 Acórdão n.º 2402006.000 S2C4T2 Fl. 1.408 23 Conclusão Por todo exposto votamos por não conhecer o Recursos da CBTU CIA BRASILEIRA DE TRENS URBANOS, CNPJ 42.357.483/000126, e por conhecer o Recurso do CONSÓRCIO C. N. ODEBRECHT E C. QUEIROZ GALVÃO, CNPJ 04.234.701/000146, formado pelas empresas CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S/A, CNPJ 15.102.288/000263, e CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S/A, CNPJ 33.412.792/000322 e no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 1443DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905073/2009-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.966
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. AÇÃO JUDICIAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 50 73 /2 00 9- 57 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10675.905073/200957 Acórdão n.º 9303005.966 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67, do anexo II, do antigo regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3402001.726, de 24/04/2012, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Para melhor contextualizar os fatos ocorridos, transcrevo parte do voto da decisão recorrida: "Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tãosomente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.Custas ex lege. Publiquese" Na decisão recorrida a Turma não incluiu as receitas financeiras decorrentes das operações bancárias na base de cálculo da contribuição. O provimento foi parcial apenas "devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário (...)". A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, recurso especial apontando paradigma e demonstrando a divergência quanto à base de cálculo das contribuições Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10675.905073/200957 Acórdão n.º 9303005.966 CSRFT3 Fl. 4 3 das instituições financeiras. Em apertada síntese, defendeu o entendimento no sentido de que para as instituições financeiras as receitas decorrentes de prestação de serviços abrangem tanto as advindas da cobrança de taxas e tarifas quanto aquelas de intermediação financeira. Aduz que não pode se depreender da declaração de inconstitucionalidade do STF que o conceito de faturamento é restrito. Isso porque a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência das contribuições como as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas, e não somente a venda de mercadorias ou de serviços do contribuinte. Assim, por perfilar desse entendimento, afirma inexistir violação à coisa julgada formada nos autos da ação judicial proposta pelo contribuinte. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões, pedindo que seja negado provimento ao recurso. Em resumo, defende que a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP deve se dar sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviço, com a consequente exclusão das receitas financeiras decorrentes das operações bancárias. Assim, no seu entender, a receita de prestação de serviços, que configura o faturamento das instituições financeiras e seguradoras, englobaria apenas as taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições, sendo que as receitas da atividade financeira propriamente dita estariam fora do conceito de faturamento fixado pelo STF. Assevera ainda que adotar outro entendimento resultaria em ofensa direta à coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, que, na sua compreensão, teria determinado que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP fosse calculada com base no faturamento, entendido como a receita da venda de mercadorias e a prestação de serviços. Ressaltese que, em suas contrarrazçoes, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.944, de 28/11/2017, proferido no julgamento do processo 10675.720831/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.944): Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10675.905073/200957 Acórdão n.º 9303005.966 CSRFT3 Fl. 5 4 "(...) No mérito, discutese entendimento sobre o que vem a ser “receita” para as instituições do mercado financeiro. Como relatado, a Recorrente obteve decisão judicial (Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782,) para calcular o PIS utilizando o conceito de faturamento, cujo significado corresponde a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esse entendimento ficou claro na fundamentação do voto constante da decisão judicial, conforme trechos acima transcritos no Relatório. Portanto, como se vê, a questão referese ao sentido a ser atribuído à expressão “o faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, especificamente para a compreensão do que se entende por “receita de serviços” para as instituições financeiras. Pois bem. No meu entender, a referida decisão judicial efetivamente não adentrou no mérito da discussão sobre o que deve ser entendido por receita de serviços para as instituições financeiras. Logo, não há que se falar em desrespeito a coisa julgada: a decisão judicial apenas afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, na esteira do que já restara assentado no Supremo Tribunal Federal, e definiu que a base de cálculo da contribuição deve ser o faturamento, “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. E mais nada! Contudo, resta ainda a discussão sobre a conceito de “faturamento” para fins de incidência do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, ou seja, sobre o que deve ser entendido por “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” em relação às instituições financeiras. Como muito bem destacado no voto condutor do Acórdão CSRF nº 9303002940, julgado em 03/06/2014, que tratou especificamente sobre a mesma matéria deste litígio, a controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar a matéria decidiu, em sistemática de Repercussão Geral, nos seguintes termos: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10675.905073/200957 Acórdão n.º 9303005.966 CSRFT3 Fl. 6 5 Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Portanto, tanto a decisão judicial obtida pelo contribuinte quanto o julgado do STF que reconheceu a repercussão geral para a matéria, apenas afastou a aplicação do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, mas não adentrou no alcance das receitas financeiras, nem tampouco ventilou a possibilidade de exclusão da receita bruta operacional do faturamento. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal já fixou o conceito de receita bruta como sendo não somente aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também à soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais. Nesse sentido, vejamos o leading case RE 390.840/MG, onde o Ministro Cezar Peluzo delimita o conceito de faturamento nos seguintes termos: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação”. (negritei) No mesmo sentido, vejamos os trechos dos pronunciamentos dos Ministros Marco Aurélio, Carlos Brito, Cezar Peluzo e Sepúlveda Pertence sobre a matéria, trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na ocasião do julgamento do Pleno do STF dos Recursos Extraordinários nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR (leading cases): Min. Marco Aurélio (relator): Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Min. Carlos Brito: Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art. 22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Min. Veloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10675.905073/200957 Acórdão n.º 9303005.966 CSRFT3 Fl. 7 6 “a) a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda; Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente aqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Min. Cezar Peluso: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgado proferido no RE 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Min. Sepúlveda Pertence: “(...) Lamentando não poder nada mais acrescentar a tudo que aqui foi dito hoje, acompanho o voto do Min. Cezar Peluso e, nos outros casos, o do Ministro Marco Aurélio.” Destarte, resta claro que o entendimento assentado no STF é de que faturamento não se restringe unicamente à venda de mercadorias e serviços, mas também às receitas decorrentes de outras atividades empresariais desempenhadas pelo sujeito passivo, como delimita objetivamente o Ministro Cezar Peluzo no RE 444.601ED: “O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." Em conclusão, no meu entender, em consonância com a jurisprudência do STF, o faturamento das instituições financeiras deve compreender não apenas as receitas de prestação de serviços (taxas e tarifas), mas também as demais receitas decorrentes de outras atividades empresariais da recorrente. Pois bem. E quais são as atividades empresariais típicas de um banco? A clara delimitação de quais são as atividades empresariais da Recorrente pode ser extraída do seu próprio Estatuto Social (efls. 79/ss), onde consta: Artigo 2º O objeto social do BANCO TRIÂNGULO S.A. é a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes à carteira comercial, à carteira de crédito, financiamento e investimento e à carteira de investimentos, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Percebese, portanto, que o rol de atividades indicadas no objeto social da Recorrente (operações ativas e passivas inerentes às carteiras comercial, de crédito, financiamento e investimento) envolve necessariamente, de forma ampla, todas as receitas decorrentes e/ou provenientes da prestação de serviços de intermediação financeira, dentre as quais podemos citar os “spreads bancários”, prêmios, ágios/deságios na venda de moedas estrangeiras (receitas cambiais), juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamento bancário, negociação de títulos e valores mobiliários, etc..., em suma, todas as receitas ordinárias, típicas, provenientes da prestação de serviços geradas pelos bancos. A meu ver, não há como fazer uma interpretação restritiva para abarcar no conceito de receita bruta apenas aquelas decorrentes das receitas com “taxas e tarifas” cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários, como pretende a Recorrente. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10675.905073/200957 Acórdão n.º 9303005.966 CSRFT3 Fl. 8 7 Categoricamente, todos sabem, o negócio principal de um banco não se restringe apenas em cobrar taxas ou tarifas pela prestação de serviços bancários (sobre a abertura ou manutenção de contascorrentes, pela emissão de talonário de cheques, pelo fornecimento de extratos bancários, etc...), até mesmo porque em muitos casos, após um determinado volume de movimentação financeira de seus clientes, estas taxas e tarifas são até mesmo isentadas. Estas últimas representam, a bem da verdade, atividades acessórias àquela principal. A essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerente à sua carteira comercial (desconto de duplicatas, com um percentual de deságio, p. ex.), carteira de crédito (os valores depositados por determinados clientes na instituição são oferecidos a outros clientes, por meio de empréstimos, cheques especiais, etc... devidamente remunerados pelos juros cobrados), etc... Aliás, são justamente essas atividades que constam como objeto social no Estatuto Social da Recorrente. Destarte, é de concluirse que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Por conseguinte, as receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, aqui incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeira, compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições. Por fim, registrese que a jurisprudência desta Câmara Superior tem decidido no mesmo sentido defendido neste voto (Acórdãos nº 9303002.962; 9303002.960, 9303 002.957, dentre outros). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial. " No presente processo o recurso especial foi interposto pela Fazenda Nacional, de sorte que o resultado do julgamento deve ser pelo seu provimento, dado que o resultado do paradigma, no qual o recurso especial foi do contribuinte, foi por negar provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 261DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.732426/2011-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. INADMISSIBILIDADE.
Não há que se falar em divergência de interpretação da legislação tributária entre os acórdãos recorrido e paradigma quando envolvem situações fáticas distintas.
Numero da decisão: 9101-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento do conselheiro Flávio Franco Corrêa suscitada pelo patrono, em virtude do Art. 42, Anexo II do RICARF. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que conheceram do recurso. A conselheira Cristiane Silva Costa manifestou intenção de apresentar declaração de voto, porém não o fez até o encerramento do prazo regimental.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Guerra de Macedo. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. INADMISSIBILIDADE. Não há que se falar em divergência de interpretação da legislação tributária entre os acórdãos recorrido e paradigma quando envolvem situações fáticas distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento do conselheiro Flávio Franco Corrêa suscitada pelo patrono, em virtude do Art. 42, Anexo II do RICARF. Acordam, ainda, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que conheceram do recurso. A conselheira Cristiane Silva Costa manifestou intenção de apresentar declaração de voto, porém não o fez até o encerramento do prazo regimental. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Guerra de Macedo. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 24 26 /2 01 1- 61 Fl. 93217DF CARF MF Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 9101003.217 CSRFT1 Fl. 93.218 2 Relatório DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA. recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 92.949 e ss., contra o acórdão nº 1301001.757, de 04 de fevereiro de 2015 (efls. 92.690 e ss.), que negou provimento aos recursos de ofício e voluntário. O recurso foi inadmitido por meio do Despacho de efls. 93.118. A Recorrente interpôs agravo e seu recurso foi parcialmente admitido, tão somente no que se refere "à necessidade, para fins de imputação da multa qualificada, de individualização das condutas, de modo a correlacionálas a um dos tipos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64" (Despacho de efls. 93.180 e ss.). Na matéria objeto da presente discussão, o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 (...) MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Presente o intuito deliberado de o contribuinte, por meio de retificações contábeis, reduzir o montante dos tributos e contribuições devidos ao Fisco, fato confirmado, inclusive, na conduta adotada no curso do procedimento fiscal e na estratégia utilizada nas peças de defesa, a exasperação da penalidade revelase procedente. No que se refere à matéria admitida, a Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação ao acórdão nº 10516.632, cuja ementa está assim redigida na parte de interesse: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA PROVA DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE QUALIFICAÇÃO E INDIVUALIZAÇÃO DA CONDUTA NOS TIPOS DOS ARTS. 71, 72 e 73 DA LEI 4.502/64 NECESSIDADE ART. 112 DO CTN. APLICAÇÃO É improcedente o lançamento de multa de oficio qualificada quando não restar provado o evidente intuito de fraude pelo contribuinte ou quando não qualificada e individualizada sua conduta em um dos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. A tributação com base em omissão de receita não implica, de per se, na configuração do evidente intuito de fraude autorizador da aplicação da penalidade exasperada, que não se presume. Ademais, havendo dúvida quanto à autoria do fato e, ainda, quanto às suas circunstâncias matérias, impõese a aplicação do princípio in dúbio contra fiscum, positivado no art. 112 do CTN. Fl. 93218DF CARF MF Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 9101003.217 CSRFT1 Fl. 93.219 3 Também no que toca à parte admitida do recurso, as alegações de mérito da Recorrente, são, em síntese, as seguintes: a) que os evidentes intuitos de fraude apontados pela autoridade julgadora não passam de simples presunção, a qual "resultou claramente caracterizada na medida em que as conclusões pelo dolo e/ou fraude não resultaram de omissões de receita,de falsificação de documentos, de testemunhos, ou de qualquer outra prova direta", resultando "da análise do conjunto, de 'uma leitura do filme como um todo (...) como disse o relator do voto vencedor". Destaca que essa leitura "foi exclusivamente feita pelos Conselheiros representantes do Fisco, eis que a decisão se deu por voto de minerva do Conselheiro Presidente da Turma", sendo que "a divisão de entendimento evidencia que a decisão tomada pelo voto de qualidade nada mais é do que resultado de uma presunção legal estabelecida pelo voto de minerva"; b) que "a qualificação da penalidade, tampouco o arbitramento, poderiam ser determinados com base em uma presunção, formada objetivamente por força de um voto de qualidade e materialmente por força de fatos que não foram concretamente comprovados"; c) que "o artigo 112 do CTN determina que havendo efetiva dúvida acerca de determinado aspecto fático ou legal, devese interpretara aplicação da regra tributária a partir do principio in dúbio pro reo, no caso especifico, in dúbio pro contribuinte", sendo que as previsões regimentais (art. 54 do RICARF) que estabelecem o voto de qualidade não podem afastar a prescrição contida no art. 112 do CTN. Assim, em função da dúvida se estabeleceu uma presunção inválida porque atenta contra o art. 112 do CTN, o qual exigiria prova inequívoca e sem qualquer dúvida para a aplicação da multa qualificada; d) que a fiscalização e a decisão recorrida apontam sempre para o enquadramento da conduta da recorrente indiscriminadamente nos arts. 71. 72 ou 73 da Lei n° 4.502/64, sem definir especificamente qual deles efetivamente enquadra a conduta praticada pela Recorrente. Assim, não tendo havido a individualização da conduta em um dos tipos dos arts. 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502/64, não há como deixar de se sustentar que a acusação em evidência não passa de mera presunção, a qual deve ser invalidada; e) que a presunção também é materialmente inválida, uma vez que não há prova cabal da intenção da Recorrente de lesar o Fisco e obter vantagem indevida; f) que os indícios que dariam suporte à referida ilação seriam encontrados: i) no cálculo da variação cambial, ii) no registro das despesas de royalties, iii) no registro da movimentação bancária e iv) no registro do inventário, todos decorrentes do processo de reconciliação; g) que conforme se verifica na impugnação e nos documentos a ela acostados, a partir de trabalho de auditoria externa, a Recorrente identificou inconsistências em sua contabilidade, os quais passaram a ser definitivamente eliminados por trabalho de conciliação iniciado pela Contribuinte, com o apoio de empresa de contabilidade. Que conforme relatório dessa empresa fica evidente que a motivação para esse trabalho não era de obter vantagens fiscais ou ocultar passivos fiscais, mas sim eliminálos caso decorressem de inconsistências contábeis; h) que a metodologia utilizada explica o fato de que alguns dos lançamentos de ajuste não foram realizados no exercício de sua competência, mas no exercício de emissão do documento fiscal, que em regra correspondia ao do pagamento, decorrendo daí que em Fl. 93219DF CARF MF Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 9101003.217 CSRFT1 Fl. 93.220 4 nenhum momento houve intenção de manipular a alocação de lançamentos conforme conveniência tributária, mas apenas a execução de uma metodologia que se mostrou a única adequada para efetivar um processo de ajuste de tamanha magnitude; i) que nenhum processo dessa magnitude é imune a erros, mas que não é crível que após esse trabalho, envolvendo uma das maiores empresas de contabilidade e auditoria do Brasil, a contabilidade da empresa resultasse imprestável para apuração do lucro real e é ainda menos crível que toda essa reconciliação, envolvendo todos esses agentes tenha sido feita com a intenção de fraudar o fisco com dolo de causar danos ao Erário; j) que a ilação de que o procedimento realizado pela Empresa faria parte de uma fraude global "chega às raias do absurdo, digna de uma teoria fantasiosa da conspiração". E que a contabilidade da Dell Brasil não é consolidada na Dell Inc.; k) traz o conceito de fraude expresso no art. 72 da Lei n° 4.502/64, afirmando que o elemento distintivo da ocorrência de fraude é a presença do dolo. Traz também doutrina de autores, asseverando que "à fraude do Contribuinte não basta que se prove a sua ação ilícita; também não basta que se prove o dano ao Erário e a obtenção de vantagem com a ação ilícita, relativa a diminuição do tributo ou ao impedimento da sua ocorrência". É necessário "provar haver intenção, vontade para tanto", o que não teria ocorrido no presente processo. Caso contrário, assinala, "o fato não passará de um erro do contribuinte que dará causa ao Fisco somente a cobrança do tributo". Refere que não basta que se prove o mero conhecimento da irregularidade, muito menos basta ilação quanto a esse conhecimento, como o faz a autoridade julgadora no acórdão recorrido quando afirma que não seria crível que "uma pessoa tia envergadura do impugnante não tenha se dado conta" de determinada ação; l) afirma que não há disposição legal que contenha "a presunção de que os erros contábeis cometidos por empresas de grande 'envergadura' são cometidos sempre com intenção subjetiva dolosa" me traz precedentes do CARF no sentido de que a ausência de dolo afasta a caracterização da fraude. Ao final pede a Recorrente que o presente recurso seja conhecido e provido, para "reformar o acórdão de 2ª instância, para que seja cancelado o auto de infração objeto do presente processo, uma vez que ilegal e abusivo o arbitramento de lucro realizado, e, subsidiariamente, caso mantido o arbitramento, seja cancelada a multa qualificada bem como os lançamentos de IRPJ e CSLL relativos aos três primeiros trimestres de 2006 e o PIS e a Cofins relativos aos onze primeiros meses de 2006". A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 93.209 e ss.), aduzindo, em essência, o que segue: a) que o recurso especial não merece ser conhecido, tendo em vista que não se baseia em divergência sobre interpretação de legislação federal. Alega a Fazenda que para concluir pela existência de divergência, o despacho que apreciou o agravo da Contribuinte "avançou sobre a sua impressão acerca da descrição dos fatos trazidos nos autos para justificar a qualificação da multa", uma vez que "em nenhum momento o acórdão recorrido, que desproveu o recurso voluntário externou entendimento contrário a necessidade de individualização das condutas". Acrescenta que "a falta de individualização das condutas sequer era a argumentação principal do recorrente nesse ponto", sendo que "o contribuinte buscava, em verdade, suscitar tese sobre a impossibilidade de qualificação da multa no caso Fl. 93220DF CARF MF Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 9101003.217 CSRFT1 Fl. 93.221 5 de julgamento por voto de qualidade, tese que certamente não viabilizaria o reconhecimento de divergência"; b) no mérito, alega que "está exaustivamente comprovada nos autos a ocorrência de fraude, nos termos do art. 72, da Lei 4.502/1964", destacando trechos do relatório fiscal e da decisão da DRJ, observando que: O voto da DRJ dedica um capítulo inteiro à comprovação da fraude (deixaremos de transcrever por amor à brevidade e economias processuais), razão pela qual causa espécie a admissão do recurso especial. O acórdão da Turma, ao manter a qualificação da multa, adere às manifestações apresentadas ao longo de todo o processo, que escancaram a existência de dolo na perpetuação da fraude descoberta pelo minucioso trabalho da SRFB. Ao final, requer "seja negado provimento ao recurso especial, mantendose o acórdão recorrido". É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O recurso é tempestivo da mesma forma que as contrarrazões. Preliminar de inadmissibilidade do recurso Conforme relatado, a Fazenda Nacional pugna pelo não conhecimento do recurso da Contribuinte, alegando que não se baseia em divergência sobre interpretação de legislação tributária. Aduz a Fazenda que o Despacho que apreciou o agravo da contribuinte interposto em face da negativa de seguimento ao recurso em sede de exame de admissibilidade "avançou sobre a sua impressão acerca da descrição dos fatos trazidos nos autos para justificar a qualificação da multa", uma vez que "em nenhum momento o acórdão recorrido, que desproveu o recurso voluntário externou entendimento contrário a necessidade de individualização das condutas". Com razão a Fazenda Nacional. Compulsandose o Recurso Voluntário (efls. 92.424 e ss) verificase que a Contribuinte constrói sua argumentação pelo descabimento da imposição da multa qualificada em torno da alegação de que "os 'evidentes indícios de fraude' apontados pela autoridade julgadora não passam de simples presunções", as quais "são construídas por uma associação de causas e efeitos definitivamente não comprovadas com provas materiais e concretas; só existem no mundo das ideias da autoridade julgadora e da Fiscalização, razão pela qual não passam de simples e pessoais presunções". Ali a Contribuinte assevera que tais ideias foram construídas pela autoridade julgadora e pela Fiscalização a partir das conclusões de que "a contabilidade 'original' da Recorrente seria imprestável à apuração do lucro e da movimentação bancária da empresa, Fl. 93221DF CARF MF Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 9101003.217 CSRFT1 Fl. 93.222 6 conforme confessado a partir da juntada aos autos do relatório da Grant Thornton" e de que "a Recorrente procedera com a reconciliação de sua contabilidade 'original' para evitar o arbitramento e para obter a redução dos tributos devidos". E busca desqualificar diversos elementos fáticos relacionados à cálculo da variação cambial, registro das despesas de royalties, movimentação bancária e registro do inventário que foram tomados como indiciários, procurando demonstrar que "a motivação da Recorrente para executar o processo de reconciliação da contabilidade não era obter vantagens fiscais ou ocultar passivos fiscais", mas "ao contrário: sua intenção era eliminálos caso decorressem de inconsistências contábeis". Concluindo suas alegações no tema da qualificação da multa a Contribuinte diz não haver disposição legal que contenha presunção de que "erros contábeis cometidos por empresas de grande 'envergadura' são cometidos sempre com intenção subjetiva dolosa" e alega que "não houve qualquer prova quanto ao dolo de fraudar o fisco", sendo que "ilações não sustentam dolo, nem fraude", trazendo diversos julgados do CARF em favor de seus argumentos. Não se vê no Recurso Voluntário, portanto, qualquer alegação no sentido de que a qualificação da multa de ofício não pode ser mantida quando não foi devidamente individualizada especificamente em uma das espécies contidas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964 (respectivamente, sonegação, fraude e conluio). E a leitura atenta do aresto que apreciou o Recurso Voluntário, o acórdão ora recorrido, também não indica que ali se tenha defendido a desnecessidade de individualização das condutas de que tratam os arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964 para se impor multa qualificada. Sequer o voto vencido tratou dessa forma, pois afastou a multa com uma frase: “Considerando que o arbitramento por si não é suficiente para qualificar a multa, afasto a qualificação.” Nos Embargos de Declaração, acostados às efls. 82.856 e ss., a Contribuinte aduz oito omissões no acórdão de recurso voluntário, mas nenhuma delas diz respeito à necessidade de o colegiado se pronunciar sobre o fato de a autoridade fiscal não ter individualizado as condutas de que tratam os arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964 para a qualificação da multa. Até mesmo quando descreve as divergências aduzidas, a ora Recorrente não “traduz” a terceira divergência sob este aspecto, como se pode verificar: Fl. 93222DF CARF MF Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 9101003.217 CSRFT1 Fl. 93.223 7 E , no tocante à defesa do seu prequestionamento, apenas aduziu: Nessa condição, sem sombra de dúvidas, o tema da necessidade da individualização das condutas de que tratam os arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964 para a qualificação da multa é matéria sobre a qual não pode repousar dissídio jurisprudencial a partir do acórdão recorrido, eis que sequer prequestionada. Não pode o recurso especial, assim, ter seguimento nessa parte a teor do § 5º do art. 67 do Anexo II do RICARF, que assim estatui: Art. 67. (...) § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Equivocado, portanto, permissa venia, o despacho que, ante Agravo da Contribuinte, reformou o exame de admissibilidade que negara seguimento ao Recurso Especial relativamente a todos seus tópicos. Dito isso, reafirmase aqui o juízo negativo de admissibilidade referente à matéria da qualificação da multa de ofício calcado na dissimilitude fática entre os acórdãos Fl. 93223DF CARF MF Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 9101003.217 CSRFT1 Fl. 93.224 8 cotejados, proferido por esta Relatora no Despacho de efls. 93.118 e ss, o qual pedese licença para transcrever aqui (destaques do original): Argumenta a Recorrente que o ato decisório recorrido entendeu que a multa qualificada deve ser aplicada mesmo não tendo havido prova inequívoca de fraude ou dolo. Alega que no julgamento objeto do acórdão nº 10516.632 a decisão foi em sentido diametralmente oposto. Afirma que, ali, a decisão foi sentido de que a prova exigida para a aplicação da "multa agravada" deve ser inequívoca, não podendo ser presumida, "e havendo dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato devese decidir contra o entendimento do Fisco, a teor do que dispõe o art. 112 do CTN". A exemplo das hipóteses já apreciadas, aqui também, a meu juízo, para que se possa promover o confronto de interpretações da norma tributária para fins de admissibilidade do recurso especial, é essencial que os fatos enfrentados pelo acórdão paradigma guardem, ainda que minimamente, semelhança com os analisados pelo acórdão recorrido. No que diz respeito ao acórdão recorrido, o contexto, o volume das irregularidades apuradas e, fundamentalmente, a natureza dessas irregularidades, já foram sobejamente descritos. No que tange ao acórdão indicado como paradigma, transcrevo abaixo fragmento da sua ementa, relacionado com a matéria suscitada pela Recorrente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA PROVA DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE QUALIFICAÇÃO E INDIVUALIZAÇÃO (sic) DA CONDUTA NOS TIPOS DOS ARTS. 71, 72 e 73 DA LEI 4.502/64 NECESSIDADE ART. 112 DO CTN. APLICAÇÃO É improcedente o lançamento de multa de oficio qualificada quando não restar provado o evidente intuito de fraude pelo contribuinte ou quando não qualificada e individualizada sua conduta em um dos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. A tributação com base em omissão de receita não implica, de per se, na configuração do evidente intuito de fraude autorizador da aplicação da penalidade exasperada, que não se presume. Ademais, havendo dúvida quanto à autoria do fato e, ainda, quanto às suas circunstâncias matérias, impõese a aplicação do princípio in dúbio contra fiscum, positivado no art. 112 do CTN. Referido acórdão tratou de suspensão de isenção e consequente lançamento tributário, mediante arbitramento do lucro, tendo sido aplicada multa de ofício qualificada. A referida suspensão de isenção teve por lastro as seguintes constatações: apresentação de declarações de rendimentos retificadoras ao desamparo da devida justificação; apresentação de Livros Diário sem autenticação pelo órgão competente e contendo divergências em relação aos registros efetuados nos Livros Razão; aquisição de veículo à margem da escrituração contábil/fiscal; aquisição de imóveis com discrepância de valores constantes dos respectivos contratos de compra e venda, em cotejo com as escrituras lavradas em cartório, e sem comprovação da efetiva escrituração contábil/fiscal; realização de pagamentos sem a devida justificação, evidenciando alocação de recursos em atividades distintas das relacionadas ao objeto social; e auferimento de receitas oriundas de atividade econômicofinanceira (aluguéis de imóveis), alheias aos objetivos sociais da entidade. No que tange à redução do percentual da multa de ofício de 150% para 75%, o acórdão paradigma assinala: Fl. 93224DF CARF MF Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 9101003.217 CSRFT1 Fl. 93.225 9 Como conseqüência da ausência de prova de dolo na conduta da contribuinte autuada, bem como da falta de qualificação e individualização de sua conduta, necessariamente dolosa, em um dos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, e, ainda, tendo em conta o disposto no art. 112, II e III do CTN, julgo improcedente o lançamento da multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada com base no art. 44 L, II da ei n. 9.430/96. O acórdão recorrido, apreciando fatos absolutamente distintos, consignou: No que tange à qualificação da penalidade, os fatos colacionados aos autos, apreciados em seu conjunto, levaram o Colegiado à convicção de que a intenção da Recorrente foi, a partir das retificações contábeis, efetivamente fazer desaparecer pendências fiscais e reduzir a incidência tributária. Concorreram para referida convicção o fato de a Recorrente, em sua peça recursal, sequer tangenciar algumas das graves irregularidades apontadas na peça acusatória, bem como os fatos trazidos por meio da diligência fiscal realizada posteriormente. Nesse contexto, não foram identificados argumentos específicos relacionados à existência de registros sem base documental; às exclusões de pagamentos efetivamente realizados; às incorreções em lançamentos contábeis; às incorreções nos balancetes apresentados; à ausência de observância de princípios contábeis básicos; a registro de fornecedores sem comprovação de pagamento; à realização de ajustes genéricos; aos ajustes realizados nos anos de 2002 e de 2003; aos estornos indevidos de passivos tributários; aos registros de descontos concedidos em 2007 que, na contabilidade original não existiam; ao aproveitamento indevido de prejuízos fiscais e bases negativas; à conduta de, no atendimento inicial à Fiscalização, simplesmente apresentar a documentação relativa à contabilidade original, sem fazer qualquer consideração acerca do denominado “refazimento da escrituração”; aos fatos associados à DELL americana, que, por envolver também retificações contábeis em período similar ao objeto de retificação no Brasil, guarda inteira relação com as irregularidades apontadas pelo procedimento de fiscalização; e à auditoria promovida no processo de admissão à chamada LINHA RÁPIDA, que, ao menos no que diz respeito aos estoques, identificou irregularidades de igual gravidade das que foram indicadas pela Fiscalização. É importante destacar que a argumentação direcionada na peça recursal (para apenas algumas das irregularidades apontadas na autuação, como já dito), em boa parte, não torna insubsistente a irregularidade detectada pela Fiscalização, visa, tão somente, sustentar que seria possível a partir da sua quantificação promover a tributação com base no lucro real, isto é, sem o arbitramento do lucro. Contudo, como reiteradamente esclarecido, as irregularidades apuradas no curso do procedimento fiscal vão muito além das que foram contestadas por meio do recurso voluntário interposto. Aproveito aqui citação que tem sido comum nos julgamentos realizados no âmbito deste Colegiado: seja para apreciar a procedência do arbitramento do lucro, seja para identificar motivos capazes de justificar a qualificação da penalidade, é necessário, no presente caso, não se prender a cenas episódicas, mas, sim, fazer uma leitura do "filme" como um todo. Fl. 93225DF CARF MF Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 9101003.217 CSRFT1 Fl. 93.226 10 A estratégia adotada pela Recorrente, sem sombra de dúvida, foi exatamente a de pinçar determinadas “cenas” com o intuito de demonstrar a insubsistência do arbitramento do lucro, circunstância que simplesmente cancelaria as exigências formalizadas, tornando despicienda, assim, maiores considerações acerca da exasperação da penalidade. Contudo, visitados os fatos como um todo, restou indubitável a imprestabilidade da escrituração resultante do refazimento e o intuito deliberado da autuada de, com isso, impedir ou menos retardar o conhecimento por parte do Fisco da sua verdadeira capacidade contributiva. (GRIFEI) Como se vê, o acórdão recorrido, repisese, apreciando circunstâncias fáticas que em nada se assemelham as enfrentadas pelo paradigma, apontou as condutas dolosas e descreveu o tipo estampado na norma autorizadora da exasperação da penalidade, não havendo que se falar, no caso, em aplicação das disposições do art. 112 do Código Tributário Nacional, eis que ausente dúvida de qualquer natureza no que tange à lei tributária definidora das infrações e da cominação da penalidade. À evidência, aqui, mais uma vez, a Recorrente não logra êxito na comprovação do dissídio jurisprudencial, visto que não se pode pretender comprovar divergência de interpretação da legislação tributária quando os fatos enfrentados pelos acórdãos submetidos à comparação são absolutamente distintos. Desconectada do acórdão que ela própria aponta como paradigma, bem como da decisão que pretende contestar, a Recorrente sustenta que "a decisão recorrida entendeu que a multa qualificada deveria ser aplicada mesmo não tendo havido prova inequívoca de fraude ou dolo", e que "o agravamento da penalidade se deu com base em uma presunção". Tais afirmações, além de não encontrarem respaldo nos autos, em nada colaboram na comprovação da divergência jurisprudencial. É merecedora de transcrição a seguinte passagem da peça recursal: ... Para o acórdão recorrido, graças ao voto de minerva, basta uma presunção evidenciada pelo empate de votos no seio do Colegiado para que se possa aplicar a multa qualificada. Para o acórdão paradigma, graças ao art. 112 do CTN a presunção evidenciada pelo empate de votos no seio do Colegiado impede a aplicação da multa qualificada. Cumpre registrar que: a) a decisão recorrida não manteve a multa qualificada com lastro em presunção; e b) o "empate de votos" não se verificou no julgamento objeto do acórdão nº 10516.632, cabendo destacar que participaram do julgamento seis Conselheiros, sendo dois representantes dos contribuintes e quatro representantes da Fazenda, e, relativamente à redução penalidade, apenas um desses Conselheiros pronunciouse pela manutenção do percentual de 150%. A meu sentir, a divergência não foi comprovada quanto à matéria em relevo. Acolhese, portanto, a preliminar de inadmissibilidade do Recurso Especial da Contribuinte trazida pela Fazenda Nacional. Fl. 93226DF CARF MF Processo nº 11080.732426/201161 Acórdão n.º 9101003.217 CSRFT1 Fl. 93.227 11 Conclusão Em face do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 93227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902176/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 21 76 /2 00 9- 75 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902176/200975 Acórdão n.º 1302002.490 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (IRPJ) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13851.902176/200975 Acórdão n.º 1302002.490 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13851.902176/200975 Acórdão n.º 1302002.490 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902176/200975 Acórdão n.º 1302002.490 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13851.902176/200975 Acórdão n.º 1302002.490 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720584/2013-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal.
Numero da decisão: 1001-000.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal.
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EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efls. 08/10) para o ano calendário 2013, tendose em vista a existência de débitos com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e inscritos em Dívida Ativa da União (PGFN), cuja AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 05 84 /2 01 3- 84 Fl. 149DF CARF MF 2 exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, assim resumidos no relatório do acórdão recorrido (efls. 119/122): (1) de natureza previdenciária identificadas pelos números 367373718, 367373726, 390352853, 390352861, 39454145 6, 394541464, 403139627, 403139635, 403808294, 603000100, 604108150, 604393261, 604649304, 604706111 e 364635347; (2) de Cofins (código 2172), período de apuração 09/2011; (3) de IRPJ (código 2089) e de CSLL (código 2372), períodos de apuração compreendidos entre e inclusive o 4º trimestre/2010 até o 3º trimestre/2012; (4) respeitante à inscrição em Dívida Ativa da União sob o nº 60.7.06.001494 16, controlada nos autos sob nº 10640.500005/200650 (fls. 08/10). (Destaquei) Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 119/122) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender, com base no disposto nas informações consolidadas no despacho de fls. 104/105, que o parcelamento de um dos débitos (o de número 40.380.8294) foi formalizado em 19/02/02013, após o prazo limite de regularização, que era de 31/01/2013. Assim constou no voto condutor: 6. Mas, diziase no parágrafo acima, sobre uma exceção no que importa à regularização do Contribuinte a tempo do limite posto no art. 6º, §§ 1º e 2º, inciso I, da Resolução CGSN nº 94, de 2011. Tratase do débito de natureza previdenciária identificado pelo número 40.380.8294, controlado nos autos sob nº 10640.720326/201306. Como adiantado pela DRF de origem – e isto é o que realmente consta à fl. 41 –, o parcelamento desse débito foi formalizado em 19/02/02013, além, portanto, do último dia útil de janeiro/2013. Por essa última consideração é que se nega o pleito do Interessado. (...) Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 20/11/2014 (efl. 123), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/12/2014 (efls. 125/139), em que alega, em resumo: Anexou os comprovantes da atual situação fiscal (vide Docs.03,06,07,08,09,10,11 e 12 da Impugnação), ocorrendo que o Doc 12 comprovava que o Debcad 403808294 também estava devidamente parcelado e consolidado, sendo que o pedido deste parcelamento só fora feito em 06 de fevereiro de 2013 porque o site da Procuradoria previdenciária não permitiu fazer o parcelamento pela Internet e assim a Impugnante intentou o plantão fiscal, que agendou em 31.01.2013 (vide Doc 12 fl 03) para 06.02.2013 quando a Contribuinte, ora Recorrente regularizou tal parcelamento. Antes era impossível fazêlo por via eletrônica, ou por qualquer outro meio, e somente por interveniência da SRFB, ao restabelecêlo no sistema, é que pode ser regularizado. Houve, pois, um erro material da SRFB por omissão de dados no sistema, como se verifica na Impugnação. E isto ficou demonstrado nos autos da Impugnação pelos documentos acostados!... Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10640.720584/201384 Acórdão n.º 1001000.160 S1C0T1 Fl. 150 3 Questão prejudicial. Fato novo. Antes mesmo de enfrentar o mérito da decisão recorrida, necessário se faz registrar a existência de fato novo determinante de nova apreciação da decisão administrativa, vez que nenhuma palavra, nenhum comentário e nenhum argumento traz a referida decisão para contraporse ao alegado pela Recorrente em sede de Impugnação, quanto ao débito determinante da decisão de indeferimento. Em outras palavras: não obstante o reconhecimento da regularização de todos os créditos tributário de responsabilidade da Contribuinte pendentes, a decisão atacada manteve o indeferimento do pedido por força de um erro formal, qual seja, a Recorrente provou por documentos da própria Receita Federal que quis regularizar a situação do referido débito até 30 de janeiro de 2013, mas o sistema da SRFB tendo excluído o débito acima apontado não o permitia,(vide Doc 01 anexo), tendo sido necessária a visita ao plantão fiscal para o seu restabelecimento. O que fez com que a regularização do crédito tributário indevidamente excluído fosse procedida fora do prazo legal. Mas a manifestação de vontade do Contribuinte comprovada por docs. emitidos do próprio sistema da Receita ( doc. Anexos) comprovam o alegado na Impugnação e que não foi apreciado na decisão! (...) Assim, tendo em vista a identidade das matérias a serem apreciadas pelo órgão julgador administrativo, e a fim de se evitar decisões conflitantes, impõese, ao contrário do entendimento da DRJ, o julgamento conjunto de todos os créditos tributários COMO regularizados em tempo hábil, , sendo o destaque de um único crédito tributário procedido fora do prazo, por erro material de omissão da própria Receita, OCASIONANDO ERRO FORMAL DA CONTRIBUINTE, irrelevante para impedir o pleito. (...) Portanto, deve o Egrégio Conselho e o nobre relator, levar ao conhecimento da Turma, que a decisão atacada não apreciou o argumento fulcral de defesa da Impugnante e, então, baixar os autos em diligência ao DRJ e ao Fisco para que se pronunciem se se comprovam ou não os fatos gue ensejaram a discrepância formal apontada pela Impugnante, ora Recorrente, ou então presumir como verdadeiras as provas colacionadas aos autos considerando regularizadas em tempo hábil todas as pendências apontadas como impeditivas. Como foi dito alhures, e como está demonstrado documentalmente nos autos, houve erro material por omissão da Receita, o qual ocasionou a discrepância formal atacada. Fl. 151DF CARF MF 4 É principio geral de direito que o erro material comprovado de fato vicia o ato jurídico, inquinandoo de nulidade. Também em Direito Tributário é aceito que o erro não pode gerar direito à decisão fiscal contra o Contribuinte, como decidido pela própria Administração Fazendária, " In verbis (...) Ora, considerando a existência de provas nos autos de que a Contribuinte pretendeu regularizar a sua situação fiscal em tempo hábil legal, é inegável que a manutenção da decisão recorrida implicaria em sobrepor a verdade formal , sobre à verdade material. A decisão recorrida desconsidera a realidade dos fatos para fazer valer uma exigência meramente formal. Dessa forma, em vista do princípio da verdade material, balizador da atividade do Poder Público, não poderia a não observância de mero requisito formal servir de fundamento para sustentar o indeferimento do pleito da Recorrente de opção pelo Simples, ainda mais que o erro partiu da própria Administração Tributária!. O sistema procedimental eletrônico formal da Receita, sem dar oportunidade à Recorrente de cumprir mera formalidade, impediu de fato que a vontade manifestada pela Contribuinte regularizasse todos os créditos tributários em aberto. De fato, se mostra desproporcional e desarrazoado o indeferimento de plano, se o único impedimento ao pleito poderia ser facilmente sanado verificandose como data de regularização a data em que a Contribuinte procurou a Receita para emitir o documento próprio ao parcelamento, ou seja em 30 de janeiro de 2013. (Vide doe. 02 ) Pelo princípio da verdade material, cabe à autoridade administrativa a busca da realidade do fato imponivel, ou seja, a busca da forma em que verdadeiramente esse se deu no mundo fenoménico. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, como não poderia deixar de ser, expressamente reconhece a vinculação da atividade administrativa tributária ao princípio da verdade material, conforme se depreende dos seguintes precedentes: Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10640.720584/201384 Acórdão n.º 1001000.160 S1C0T1 Fl. 151 5 V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar as pendências no prazo legal. Isto porque o débito foi regularizado em 19/02/02013. E para inclusão no Simples Nacional no anocalendário de 2013 o contribuinte dispunha do prazo até 31/01/2013, para regularizar eventuais pendências impeditivas. Assim, o débito não se encontrava pago ou com parcelamento no 31/01/2013. Cabe destacar que eventual tentativa de regularização do débito, se infrutífera, não tem o condão de permitir a adesão ao Simples. Isto porque após eventual protocolo de pedido de parcelamento seguese a conferência se as condições a este parcelamento estão presentes. Os efeitos de posterior deferimento retroagirão à data daquele protocolo. Desta feita, o simples agendamento à Central de Atendimento da RFB não permite a suspensão do crédito. Somente o pedido de parcelamento deferido importa na suspensão da exigibilidade do crédito. E este pedido depende de protocolo (somente feito em 19/02/2013) de de pedido de parcelamento de débito que a contribuinte demonstra que conhecia na ocasião do requerimento de adesão. Observo que não foi alegado que houve negativa de aceite deste protocolo em qualquer data, motivo que não vislumbro confirmada qualquer alegação de que a razão para que o parcelamento tenha se iniciado em 19/02/1013 tenhase dado por culpa de RF. Destaco a seguir algumas das normas procedimentais atinentes ao parcelamento deferido ao contribuinte: Portaria Conjunta PGFN/RFB n°15/2009 (...) A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL e o SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto nos arts. 10 a 14F da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, resolvem: (...) Fl. 153DF CARF MF 6 Art. 5º O requerimento de parcelamento será apresentado, conforme o caso, perante a unidade: I da RFB com jurisdição sobre o domicílio tributário do devedor; ou(...) Art. 14. O pedido de parcelamento deferido importa na suspensão da exigibilidade do crédito. Art. 15. Implicará o indeferimento do pedido: I a nãoapresentação de algum dos documentos previstos no art. 6º, exigíveis conforme o caso; II o nãopagamento da 1ª (primeira) parcela; III a existência de vedação ao parcelamento, conforme art. 27 desta Portaria; e IV o nãocumprimento dos requisitos relativos à garantia ou aos bens oferecidos à penhora, quando exigidos. Parágrafo único. O contribuinte deverá ser cientificado dos motivos do indeferimento do pedido de parcelamento, salvo na hipótese do parágrafo único do art. 35. (...) Atendidos os requisitos para a concessão do parcelamento, será feita a consolidação da dívida, considerandose como data de consolidação a data do pedido. O recorrente apela para nova apreciação da decisão administrativa recorrida, uma vez que nenhum argumento teria sido trazido por aquela decisão para contraporse ao alegado pela Recorrente em sede de Impugnação, quanto ao débito determinante da decisão de indeferimento. Mas da análise daquela decisão (efls. 119/122) destacase a apreciação do mérito do pleito, que se resumiu na negativa da inclusão devido á comprovação de que o parcelamento do débito em questão somente foi requerido após o prazo final (31/01/2013): 5. Quanto aos débitos de natureza previdenciária e fazendários, tirante uma exceção, já o firmou a DRF de origem estarem eles regularizados antes da data limite aqui considerada, isto é, o último dia útil de janeiro/2013. Digase que um tal critério, a menos de força de rescisão/exclusão dos expedientes de parcelamentos inaugurados pelo Intressado, é de operatividade que independe de eventual atraso no adimplemento das respectivas prestações (as quais, no particular caso e de toda forma, vão quitadas). Quanto à inscrição em Dívida Ativa da União sob nº 60.7.06.00149416 (sobre a qual não se pronunciou a DRF de origem), consulta aos sistemas eletrônicos da Procuradoria da Fazenda Nacional, dá conta da existência de pedido de parcelamento sob as hostes da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, assim registrado em 02/10/2009. De lá e até agora, dita inscrição encontrase na situação “ATIVA AJUIZADA AGUARD NEG LEI 11.941 – C/PARC ANTTODOS DÉBITOS ATENDEM”. 6. Mas, diziase no parágrafo acima, sobre uma exceção no que importa à regularização do Contribuinte a tempo do limite posto no art. 6º, §§ 1º e 2º, inciso I, da Resolução CGSN nº 94, de Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10640.720584/201384 Acórdão n.º 1001000.160 S1C0T1 Fl. 152 7 2011. Tratase do débito de natureza previdenciária identificado pelo número 40.380.8294, controlado nos autos sob nº 10640.720326/201306. Como adiantado pela DRF de origem – e isto é o que realmente consta à fl. 41 –, o parcelamento desse débito foi formalizado em 19/02/02013, além, portanto, do último dia útil de janeiro/2013. Por essa última consideração é que se nega o pleito do Interessado. Por fim, reafirmamos que não cabe ao agente do Fisco nem a este CARF deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Também não cabe a este CARF deixar de aplicar a legislação tributária por entendêla inconstitucional (Súmula CARF nº 2). Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 155DF CARF MF
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