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Numero do processo: 13642.000321/2007-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA COM PENDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE INSCRIÇÃO AUTOMÁTICA NO SIMPLES NACIONAL.
Nos termos do §4º do art. 16 da Lei Complementar nº 123/2006, se a empresa estiver impedida de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar, não será considerada inscrita no Simples Nacional em 1º de julho de 2007.
SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO. OPÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Excepcionalmente, para o ano-calendário de 2007, a opção pelo Simples Nacional poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007. A solicitação intempestiva é motivo de indeferimento da opção.
Numero da decisão: 1001-000.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA COM PENDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE INSCRIÇÃO AUTOMÁTICA NO SIMPLES NACIONAL. Nos termos do §4º do art. 16 da Lei Complementar nº 123/2006, se a empresa estiver impedida de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar, não será considerada inscrita no Simples Nacional em 1º de julho de 2007. SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO. OPÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Excepcionalmente, para o ano-calendário de 2007, a opção pelo Simples Nacional poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007. A solicitação intempestiva é motivo de indeferimento da opção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 42 1 41 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13642.000321/200785 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.292 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de janeiro de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL INDEFERIMENTO DA OPÇÃO Recorrente ALINE CRISTIANE DA TRINDADE NASCIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA COM PENDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE INSCRIÇÃO AUTOMÁTICA NO SIMPLES NACIONAL. Nos termos do §4º do art. 16 da Lei Complementar nº 123/2006, se a empresa estiver impedida de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar, não será considerada inscrita no Simples Nacional em 1º de julho de 2007. SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO. OPÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção pelo Simples Nacional poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007. A solicitação intempestiva é motivo de indeferimento da opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 00 03 21 /2 00 7- 85 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13642.000321/200785 Acórdão n.º 1001000.292 S1C0T1 Fl. 43 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (MG), mediante o Acórdão nº 0939.945, de 18/04/2012 (efls. 28/30), objetivando a reforma do referido julgado. Em 26/10/2007, a empresa fez o pedido de Inclusão no Simples Nacional, em papel, com efeitos retroativos a 01/07/2007 (efl03), que foi indeferido mediante despacho proferido pela Sacat/DRF/JFAMG (efl. 17), com o fundamento de que não consta solicitação de opção no prazo estabelecido pelo art. 1º da Resolução CGSN nº 19/2007, à vista da consulta ao histórico da empresa no SN (efl. 16). A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, alegando, em síntese, que regularizou a pendência do pagamento do alvará, em 21/07/2007, e ficou aguardando que a Prefeitura de São João Del Rei enviasse para Receita Federal do Brasil a sua auto regularização e lhe desse o direito a migração para o Simples. A DRJ considerou procedente o indeferimento da opção e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. Não comprovada a opção pelo Simples Nacional, não merece reparos o indeferimento do pedido de inclusão retroativo a 01/07/2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 30/05/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 38, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 28/06/2012 (efls. 32/35), conforme carimbo aposto à efl. 32 (apesar de não estar nítida, a data foi confirmada pelo despacho à efl. 41). É o Relatório. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13642.000321/200785 Acórdão n.º 1001000.292 S1C0T1 Fl. 44 3 Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional tendo em vista a solicitação de opção para o anocalendário 2007 ter sido feita após o prazo legal, pois em virtude de possuir pendência, a empresa foi impedida de ter a sua inscrição migrada automaticamente do Simples Federal. A base legal da vedação para a inscrição automática no Simples Nacional é o §4º do art. 16 da Lei Complementar nº. 123/2006, cujo texto foi incluído pela LC nº. 127/2007, verbis: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 4º Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar. (grifo nosso) Nesse particular, mediante os art. 7° e 17, ambos da Resolução CGSN n° 004/2007, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma e prazo de ingresso no regime especial: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1° A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3° deste artigo e observado o disposto no § 3° do artigo 21. (...) Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2007. (Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 19, de 13 de agosto de 2007) Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13642.000321/200785 Acórdão n.º 1001000.292 S1C0T1 Fl. 45 4 No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, que regularizou a pendência do pagamento do alvará, em 21/07/2007, e ficou aguardando que a Prefeitura de São João Del Rei enviasse para Receita Federal do Brasil a sua auto regularização e lhe desse o direito a migração para o Simples. Analisando os fatos, constatase nos autos e no relato acima, que a migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, não foi realizada devido a uma pendência cadastral junto a Prefeitura Municipal, cuja existência a própria recorrente reconhece em seu recurso voluntário, ao afirmar que regularizou a pendência do pagamento do alvará, em 21/07/2007. Como a migração da empresa não se deu de forma automática face ao impedimento citado, tendo em vista que a regularização foi efetuada em 21/07/2007 (como afirma a recorrente), a mesma deveria ter feito a solicitação de opção dentro do prazo estabelecido, ou seja, até 20 de agosto de 2007. A regularização tempestiva de pendências e a solicitação de opção, também de forma tempestiva, são condições sine qua non para o acesso ao regime de tributação do Simples Nacional, nos termos da legislação transcrita acima. Uma vez que a recorrente somente efetuou o pedido de inclusão no Simples Nacional em 26/10/2007, a empresa, por decurso de prazo, perdeu o direito de opção pelo Simples Nacional, nos termos estabelecido pela Resolução CGSN nº 19/2007. A recorrente informa, ainda, em seu recurso, que recebeu um ofício da Receita Federal através do qual foi solicitado a Certidão Negativa da Prefeitura Municipal, mas em nada altera a situação, pois o pedido de inclusão no Simples Nacional se deu a destempo. Outrossim, o art. 79C da Lei Complementar nº. 123/2006 dispõe sobre as empresas que se enquadravam no Simples Federal mas não ingressaram no Simples Nacional, verbis: Art. 79C. A microempresa e a empresa de pequeno porte que, em 30 de junho de 2007, se enquadravam no regime previsto na Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e que não ingressaram no regime previsto no art. 12 desta Lei Complementar sujeitar seão, a partir de 1o de julho de 2007, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Por todo o exposto, face ao decurso de prazo para fazer a solicitação de opção pelo Simples Nacional, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13642.000321/200785 Acórdão n.º 1001000.292 S1C0T1 Fl. 46 5 Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000208/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1996 a 31/12/1996
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1996 a 31/12/1996 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 02 08 /2 00 7- 98 Fl. 202DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11330.000216/200734, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária " O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, Empregados, Empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. O valor originário lançado é relativo ao período de apuração constante do documento fiscal, sobre o qual incidiram multa e juros. A análise do Relatório Fiscal indica: que a Notificação em tela teve por objetivo substituir a NFLD que foi anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, por vício formal, erro na classificação da fundamentação legal do fato gerador das contribuições apuradas; que a lavratura da Notificação tem fundamento no inciso II do art. 45 da Lei 8.212/91, que assegura à Seguridade Social o direito de apurar e constituir seus créditos em até 10 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada; que o fato gerador das contribuições apuradas foi a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados da empresa prestadora, cedidos à empresa NET Rio S.A. (tomadora), cuja responsabilidade foi atribuída a esta última por solidariedade, não afastada nos termos da legislação (§ 4º do art. 31 da Lei 8.212/91). A NET Rio S.A. foi devidamente cientificada do lançamento e, inconformada, formalizou tempestivamente sua impugnação, estruturada nos seguintes tópicos: Preliminares: da necessidade de adequada constituição do pólo passivo desta NFLD; da necessidade de oferecerse ciência ao ora defendente, dos termos de eventual defesa apresentada pelo contribuinte gerador da solidariedade imposta nesta NFLD; Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11330.000208/200798 Acórdão n.º 2201004.048 S2C2T1 Fl. 3 3 da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade; da inexistência de providências fiscais aptas à caracterização da ocorrência da cessão de mãodeobra hábil à geração da solidariedade previdenciária; da ocorrência da decadência quinquenal; De mérito: da condição legal da notificada; dos aspectos valorativos das exageradas alíquotas utilizadas para mensuração dos saláriosdecontribuição extraídos de faturas de serviço; Já a empresa prestadora apresentou intempestivamente sua impugnação. Na análise da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou procedente em parte o lançamento, promovendo a exclusão dos créditos tributários relativos às contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos, por não comportar lançamento por solidariedade. No mais, entendeu improcedentes os argumentos da defesa, inclusive em relação à decadência, que concluiu ser de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual trouxe à balha considerações sobre a edição da então recente Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Na sequência, o recurso, basicamente, constituise na reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação. Posteriormente, o recorrente apresentou nova petição, exclusivamente para reiterar suas considerações sobre a necessidade de cancelamento do lançamento em razão da citada Súmula Vinculante nº 08. É o relatório necessário.." Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11330.000216/200734, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Fl. 204DF CARF MF 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018: Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Por constituir matéria preliminar de mérito, relevante iniciar a análise do presente pela alegação de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vidente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise decorre do cancelamento, por vício formal, de lançamento anterior. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, o prazo decadencial teria início na data em que se tornou definitiva a decisão que cancelou o lançamento julgado nulo por vício formal. Não obstante, por não ter sido juntado aos autos os elementos que pudessem indicar a data efetiva em que esta se tornou definitiva e considerando que tratar do tema agora resultaria em inovação da lide administrativa com a inclusão de questão sobre a qual a autoridade lançadora, a autoridade julgadora e a defesa não se manifestaram, há que se considerar, como início do prazo decadencial, a data em que foi exarada a decisão definitiva que fulminou o lançamento original. Assim, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11330.000208/200798 Acórdão n.º 2201004.048 S2C2T1 Fl. 4 5 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Grifouse Desta forma, considerando a data da prolação de decisão definitiva que anulou o lançamento como termo inicial para contagem do prazo decadencial, em cotejo com a data da ciência do lançamento substitutivo, há que se reconhecer que, nesta data, o direito do fisco em constituir o crédito tributário ora sob análise já se apresentava fulminado pela decadência. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para considerar fulminados pela decadência todos o débitos contidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em discussão. Fl. 206DF CARF MF 6 Quanto às demais matérias questionadas pela recorrente, deixo de analisálas, por restarem prejudicadas em razão da decadência reconhecida. Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Relator” Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.724186/2013-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. OPÇÃO INDEVIDA PELO LUCRO PRESUMIDO.
Na ocorrência de incorporação deve-se somar as receitas das empresas envolvidas para fins de verificar a possibilidade do enquadramento no lucro presumido. Logo, utilizar-se da chamada "incorporação às avessas" para que uma empresa de menor faturamento incorpore uma de grande porte, não autoriza a opção pelo regime.
IRPJ E CSSL (LUCRO REAL TRIMESTRAL). PIS/COFINS (REGIME NÃO CUMULATIVO).
Uma vez constatada a impossibilidade da adoção do Lucro Presumido, correto o lançamento de oficio do IRPJ/CSLL e do PIS/Cofins, pelos regimes do Lucro Real e da incidência não cumulativa, respectivamente.
MULTA DE OFICIO QUALIFICADA.
Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de redução irregular e artificial; dos tributos devidos, mediante incorporação às avessas, é cabível a imposição da multa qualificada de 150%. Todavia, descabe a aplicação da multa qualificada sobre as infrações em que não restar comprovado o dolo, no caso, as relativas às infrações "diferimento de resultados de contratos com entidades governamentais" e "falta de adição de bonificações, doações e brindes".
CONTRATO COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. DESCUMPRIMENTO DAS NORMAS PARA DIFERIMENTO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL.
Verificado o não cumprimento das normas que autorizam o diferimento dos resultados com entidades governamentais, mormente quanto a apuração do resultado e o controle individualizado de cada contrato, correta a tributação no período em que verificada a falta.
IRPJ E CSLL. VALORES RELATIVOS A BONIFICAÇÕES, DOAÇÕES E BRINDES. OBRIGATORIEDADE DE ADIÇÃO AOS RESULTADOS TRIBUTÁVEIS.
À luz do art. 249, parágrafo único, incisos VII e VIII do RIR/99, devem ser adicionados aos resultados as despesas com brindes e doações.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE.
Não compete ao julgador administrativo conhecer de pretensa ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA E PESSOAL.
Não são coobrigados os que não tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e, caso não comprovada a prática de ilícitos tributários por dirigentes de pessoas jurídicas para evadir-se tributação, a responsabilidade tributária não deve recair sobre esses por não terem se beneficiado.
Numero da decisão: 1302-002.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o recurso da responsável solidária Cláudia Oliveira Peres; por voto de qualidade, em manter a desconsideração da opção pelo lucro presumido, vencidos os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues. O Conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho não votou nesta matéria, uma vez que substituiu o conselheiro Alberto no colegiado e este já havia proferido o voto, nos termos regimentais. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial, quanto à adições não computadas no Lucro Real - contratos governamentais dos anos 2005, 2006 e 2007; por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso quanto à não adição de Brindes, Doações e Bonificações ao Lalur, tendo o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa votado pelas conclusões do relator; por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso quanto à exclusão do Lalur das despesas com Pis e Cofins; os Conselheiros Paulo Henrique Figueiredo da Silva e Gustavo Fonseca Guimarães votaram pelas conclusões do relator; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigência do Pis e da Cofins pelo regime não cumulativo e a manutenção da multa qualificada, vencidos os conselheiros Marcos Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues; por unanimidade de votos em manter a incidência de juros sobre a multa; e, por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário dos sujeitos passivos solidários Sérgio Luiz Janikiam e Jannivaldo Marques Santos, vencidos os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Luiz Tadeu Matosinho Machado, votando os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca pelas conclusões do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGÉRIO APARECIDO GIL
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LUCRO PRESUMIDO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Recorrente MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL LTDA. (CONTRIBUINTE), CLÁUDIA OLIVEIRA PERES LESKOVAR BORELLI, ZILA MEIRE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. OPÇÃO INDEVIDA PELO LUCRO PRESUMIDO. Na ocorrência de incorporação devese somar as receitas das empresas envolvidas para fins de verificar a possibilidade do enquadramento no lucro presumido. Logo, utilizarse da chamada "incorporação às avessas" para que uma empresa de menor faturamento incorpore uma de grande porte, não autoriza a opção pelo regime. IRPJ E CSSL (LUCRO REAL TRIMESTRAL). PIS/COFINS (REGIME NÃO CUMULATIVO). Uma vez constatada a impossibilidade da adoção do Lucro Presumido, correto o lançamento de oficio do IRPJ/CSLL e do PIS/Cofins, pelos regimes do Lucro Real e da incidência não cumulativa, respectivamente. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de redução irregular e artificial; dos tributos devidos, mediante incorporação às avessas, é cabível a imposição da multa qualificada de 150%. Todavia, descabe a aplicação da multa qualificada sobre as infrações em que não restar comprovado o dolo, no caso, as relativas às infrações "diferimento de resultados de contratos com entidades governamentais" e "falta de adição de bonificações, doações e brindes". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 41 86 /2 01 3- 83 Fl. 10460DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 3 2 CONTRATO COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. DESCUMPRIMENTO DAS NORMAS PARA DIFERIMENTO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL. Verificado o não cumprimento das normas que autorizam o diferimento dos resultados com entidades governamentais, mormente quanto a apuração do resultado e o controle individualizado de cada contrato, correta a tributação no período em que verificada a falta. IRPJ E CSLL. VALORES RELATIVOS A BONIFICAÇÕES, DOAÇÕES E BRINDES. OBRIGATORIEDADE DE ADIÇÃO AOS RESULTADOS TRIBUTÁVEIS. À luz do art. 249, parágrafo único, incisos VII e VIII do RIR/99, devem ser adicionados aos resultados as despesas com brindes e doações. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. Não compete ao julgador administrativo conhecer de pretensa ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA E PESSOAL. Não são coobrigados os que não tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e, caso não comprovada a prática de ilícitos tributários por dirigentes de pessoas jurídicas para evadirse tributação, a responsabilidade tributária não deve recair sobre esses por não terem se beneficiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o recurso da responsável solidária Cláudia Oliveira Peres; por voto de qualidade, em manter a desconsideração da opção pelo lucro presumido, vencidos os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues. O Conselheiro Carlos César Candal Moreira Filho não votou nesta matéria, uma vez que substituiu o conselheiro Alberto no colegiado e este já havia proferido o voto, nos termos regimentais. Por unanimidade de votos em dar provimento parcial, quanto à adições não computadas no Lucro Real contratos governamentais dos anos 2005, 2006 e 2007; por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso quanto à não adição de Brindes, Doações e Bonificações ao Lalur, tendo o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa votado pelas conclusões do relator; por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso quanto à exclusão do Lalur das despesas com Pis e Cofins; os Conselheiros Paulo Henrique Figueiredo da Silva e Gustavo Fonseca Guimarães votaram pelas conclusões do relator; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à exigência do Pis e da Cofins pelo regime não cumulativo e a manutenção da multa qualificada, vencidos os conselheiros Marcos Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Eduardo Morgado Rodrigues; por unanimidade de votos em manter a incidência de juros sobre a multa; e, por maioria de votos em dar provimento ao recurso Fl. 10461DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 4 3 voluntário dos sujeitos passivos solidários Sérgio Luiz Janikiam e Jannivaldo Marques Santos, vencidos os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Paulo Henrique Silva Figueiredo e Luiz Tadeu Matosinho Machado, votando os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca pelas conclusões do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratamse de recursos voluntários interpostos somente por três devedores solidários, face ao acórdão nº 1456.304, de 26/01/2015 da 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, deram parcial provimento às respectivas impugnações, conforme relatamos a seguir. A empresa contribuinte e os outros três devedores solidários não interpuseram recurso. À época, acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em julgar procedente, em parte, as impugnações interpostas, tão somente para excluir a multa qualificada sobre as infrações relativas aos "diferimento de resultados de contratos com entidades governamentais" e "falta de adição bonificações, doações e brindes". Nessa linha, excluiuse, também, a responsabilidade solidária sobre as exigências tributárias relativa a essas matérias, nos termos do relatório e voto integrantes do acórdão recorrido. Consta, como eixo central do trabalho de fiscalização, que a empresa havia adotado de forma indevida o regime de apuração do IRPJ pelo Lucro Presumido para o período de 05/2008 a 12/2008. Destacouse que, teria havido incorporação às avessas, com o objetivo de simular fato societário, a partir do qual seria possível adotar o regime de tributação do lucro presumido. A seguir, relatamos como ocorreu a incorporação. A empresa DOM JOSÉ TÊXTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO (DOM JOSÉ), até a 10ª Alteração Contratual, que tinha como sócios o Sr. Sérgio Luiz Janikian (80% das quotas) e a Sra. Karin Stamer Janikian (20% das quotas), possuía um capital social de R$ 240.000,00 (240.000 quotas). Na 11ª Alteração Contratual, de 14/06/2007, ocorreu o aumento do capital social para R$ 3.000.000,00 (3.000.000 quotas) devido à transferência do valor de R$2.760.000,00 da Conta de Lucros Acumulados. Fl. 10462DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 5 4 A DOM JOSÉ tinha por objeto social uma gama de atividades que podem ser mais ou menos resumidas da seguinte forma: a) a representação comercial de sociedades nacionais ou estrangeiras; b) participação em outras sociedades; c) industrialização, importação, comércio atacadista e varejista de produtos e artefatos da indústria têxtil, vestuarista e calçadista, assim como de material escolar; d) prestação de serviços de representação comercial de todos os itens relacionados com os objetos sociais citados anteriormente. Nos termos da 12ª Alteração Contratual, de 14/06/2007, ocorreu a mudança de endereço da sede da empresa, de um lado para o outro da mesma rua, ou seja, a empresa mudou do n° 540 para o n° 533 da mesma rua, sendo que o endereço anterior passou a ser ocupado por uma das filiais previamente existentes. Nessa época a MERCOSUL COMERCIAL contava com os sócios quotistas Sra. Cláudia Oliveira Peres (50% das quotas) e Sr. Jannivaldo Marques Santos (50% das quotas), que tinham integralizado um capital social de R$ 15.000.000,00 (15.000.000 de quotas). Verificase, ainda que: a) a sociedade iniciou suas atividades, tendo o contrato social sido registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo em 09/10/1996; b) o nome empresarial adotado pela empresa é MERCOSUL COMERCIAL LTDA.; c) a sede da sociedade era na Rua dos Pinheiros, 870, 17° andar, conjunto 172, Pinheiros, São Paulo, SP; d) a sociedade possuía duas filiais, uma na cidade de Brasília/DF e outra na cidade de São José/SC; d) que a sociedade era administrada isoladamente pelos Srs. Jannivaldo Marques Santos e Cláudia Oliveira Peres que podiam representar a empresa assinando em conjunto ou separadamente. A 13ª Alteração Contratual, de 1°/05/2008, foi o ato societário definidor da reestruturação societária em questão. Pelas disposições contidas no seu interior pode extrairse, entre outras coisas, que: a) houve a retirada da sócia quotista Sra. Karin Stame Janikian, com a correspondente venda das quotas que lhe garantiam 20% (600.000 quotas) de participação na empresa para a Sra. Cláudia Oliveira Peres; b) houve venda de participação societária do sócio quotista Sr. Sérgio Luiz Janikian de 20% (600.000 quotas) da participação total na empresa para a Sra. Cláudia Oliveira Peres; c) houve a aprovação da incorporação da MERCOSUL COMERCIAL pela DOM JOSÉ TÊXTIL, INDÚSTRIA E COMÉRCIO, conforme condições ajustadas no protocolo de justificação celebrado entre os administradores de ambas as empresas na data de 1°/05/2008 (fls. 163 a 168); d) houve aumento de capital na DOM JOSÉ TÊXTIL, INDÚSTRIA E COMÉRCIO, de R$ 3.000.000 (3.000.000 de quotas) para R$ 18.000.000 (18.000.000 de quotas) pela incorporação do acervo líquido da MERCOSUL COMERCIAL LTDA (R$ 15.000.00,00), sendo emitidas 15.000.000 de quotas atribuídas aos antigos quotista da empresa incorporada; Fl. 10463DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 6 5 e) ao final, o quadro societário da DOM JOSÉ TÊXTIL, INDÚSTRIA E COMÉRCIO ficou com a seguinte definição: Quadro 3: Quadro societário da Dom José Têxtil, Indústria e Comércio em 1°/05/2008 Sócios Quotas Valor (R$) Cláudia Oliveira Peres 9.180.000 R$ 9.180.000 Zila Meire Tambelini Nakano 4.320.000 R$ 4.320.000 Jannivaldo Marques Santos 2.700.000 R$ 2.700.000 Sérgio Luiz Janikian 1.800.000 R$ 1.800.000 TOTAL 18.000.000 R$ 18.000.000 f) o nome empresarial estabelecido para a empresa resultante foi MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL LTDA., ficando definido que a empresa poderia adotar como nome fantasia a expressão "MERCOSUL COMERCIAL"; g) a administração da empresa passou a ser realizada mediante deliberações tomadas exclusivamente pela sócia quotista Sra. Cláudia Oliveira Peres em conjunto com um dos demais sócios; h) entre as justificativas presentes no Protocolo e Justificação de Incorporação da Mercosul Comercial Ltda. encontramse as informações de "que a reorganização na forma procedida tornase especialmente conveniente levandose em consideração que os objetos sociais da incorporadora e da incorporada se complementam" e, ainda, "que o nome MERCOSUL goza de grande prestígio junto ao mercado, sobretudo público, já tendo participado de diversas licitações, estando consolidado como fornecedor público de bens". Na 13ª Alteração Contratual, portanto, houve a extinção da DOM JOSÉ TÊXTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Nesse ato ocorreu também a cessão de 32% das quotas da empresa (4.800.000 quotas), que estavam em poder do Sr. Jannivaldo Marques Santos, em parte (480.000 quotas) para a Sra. Cláudia Oliveira Peres e o restante das quotas (4.320.000 quotas) para a Sra. Zila Meire Tambelini Nakano. De forma que, com as mudanças procedidas por esta Alteração Contratual, antes da incorporação e extinção da empresa, a participação societária na MERCOSUL COMERCIAL estava distribuída conforme descrito no quadro abaixo: Quadro 4: Quadro societário da Mercosul Comercial, em H05/2008 Sócios Quotas Valor (R$) Cláudia Oliveira Peres 7.980.000 RS 7.980.000 Zila Meire Tambelini Nakano 4.320.000 RS 4.320.000 Jannivaldo Marques Santos 2.700.000 RS 2.700.000 Com relação aos atos societários da MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL, destacamse os registros de que as residências e domicílios dos sócios Fl. 10464DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 7 6 administradores da empresa são em cidades da região metropolitana ou circunvizinhas da cidade de São Paulo (SP). Esta constatação tornase importante na medida em que demonstra que embora os atos societários referentes à incorporação tenham definido endereço em Blumenau (SC) para a sede da MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL, de fato, o centro decisório da empresa continuou sendo a cidade de São Paulo. À vista desses atos societários, a Fiscalização salientou que, pelas comparações entre os Patrimônios Líquidos das empresas, entre as Receitas Brutas obtidas por elas ano a ano, e, também, entre seus resultados em Lucro Líquidos Antes do IR, era de se esperar que a incorporação realizada entre DOM JOSÉ TÊXTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO e MERCOSUL COMERCIAL se desse no sentido de a incorporada ser a primeira, e a incorporadora a segunda empresa. No entanto, formalmente, a incorporação se deu no sentido inverso. A apuração do sentido dessa reestruturação societária, com a consequente definição das pessoas jurídicas que de fato foram a incorporada e a incorporadora, foram considerados pela Fiscalização como pontos cruciais para a avaliação quanto à ocorrência de simulação na operação em questão. Concluiuse que, a decisão quanto à pessoa jurídica sucedida e a pessoa jurídica sucessora teria se baseado no fato de que somente a DOM JOSÉ TÊXTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO estaria autorizada a optar pelo lucro presumido, considerandose o caput do art. 13 da Lei n° 9.718/98 (com a redação dada pela Lei n° 10.637/02) que autoriza a pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00. A Fiscalização enfatizou que, no anocalendário 2008, esta opção só era possível para a DOM JOSÉ TÊXTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO e estava vedada para a MERCOSUL COMERCIAL. Para seguir nesse raciocínio a Fiscalização destacou que, após a incorporação prevaleceram os sócios provenientes da incorporada MERCOSUL COMERCIAL no quadro societário da empresa resultante (MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL). Na forma indicada no Quadro 3, retro, os sócios quotistas provenientes da MERCOSUL COMERCIAL passaram a deter, no momento seguinte à incorporação, 90% das quotas da MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL, ou seja, 16.200.000 (no valor de R$ 16.200.000,00) de um total de 18.000.000 de quotas, passando a controlar, com larga margem de sobra, a administração da empresa resultante que era realizada, por meio de deliberações tomadas exclusivamente pela sócia Cláudia Oliveira Peres (exsócia da MERCOSUL COMERCIAL) sempre em conjunto com um dos demais sócios. O Protocolo de Justificação de Incorporação apresentam justificativas que teriam evidenciado que, de fato, a incorporadora seria a MERCOSUL COMERCIAL e não a DOM JOSÉ, como formalmente ocorreu, a seguir transcritas: I – JUISTIFICATIVAS: 1. CONSIDERANDO que a incorporação resultará em maior lucratividade e eficiência operacional, administrativa e financeira, bem como na redução dos custos operacionais das sociedades envolvidas; Fl. 10465DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 8 7 2. CONSIDERANDO que a Incorporação otimizará os procedimentos burocráticos, orçamentários, fiscalizatórios e de produção das sociedades envolvidas que garante a qualidade e quantidade doí produtos fabricados, ampliando seus ganhos ou Lucros; 3. CONSIDERANDO que as administrações da INCORPORADORA e da INCORPORADA entendem que esta proposta atende amplamente aos seus interesses, as partes decidem unificar e centralizar as atividades sociais, otimizando a administração e o controle das mesmas c minimizando despesas através da economia de escala Essa reorganização tornase especialmente conveniente levandose em consideração que os objetos sociais da INCORPORADORA e da INCORPORADA se complementam; e se implementa mediante a operação de incorporação que se regerá petos termos do presente instrumento e nas condições aqui estabelecidas; 4. CONSIDERANDO que o nome empresarial MERCOSUL goza de grande prestígio junto ao mercado, sobretudo público, já tendo participado de diversas, licitações, estando consolidado como fornecedor do mercado público de bens; e 5. CONSIDERANDO que a INC0RPORADQRA de longa data mantém um ótimo relacionamento com os fornecedores de matéria prima para a realização do seu objeto social, bem como que a sede da fábrica da sociedade está Localizada no Estado de Santa Catarina, onde os fornecedores, em sua maioria se encontram. Destacouse que não obstante o fato de a matriz da empresa resultante estar estabelecida em Blumenau (SC), o centro administrativo e decisório da empresa, não se configurou no caso da MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL. Verificouse que, as decisões continuaram a ser tomadas conforme se fazia anteriormente à incorporação, ou seja, na sede da MERCOSUL COMERCIAL, direto de São Paulo. Nesse contexto, a Fiscalização concluiu que: A formalização desses atos societários no sentido em que se efetivou teve uma motivação exclusivamente tributária que visava criar uma base documental que amparasse a possibilidade de opção por parte da contribuinte do regime de tributação pelo Lucro Presumido, regime de tributação este que lhe seria mais vantajoso. Neste ponto, cabe destacar que as pessoas jurídicas envolvidas, mas especialmente a MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL, tinham como principais destinos de sua produção e comércio o fornecimento de bens em processos licitatórios e que, por isso, essas empresas tinham condições de prever quanto seria a sua receita futura. Assim, é provável que quando fizeram a indevida opção pelo lucro presumido, já sabiam que sua receita bruta e lucro no ano tornariam a opção pelo lucro presumido muito mais vantajosa. A dita base documental visava gerar, apenas de forma escritural, a condição formal desejada pelo sujeito passivo de poder fazer a opção pelo lucro presumido, com vistas a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o Fl. 10466DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 9 8 conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, o que demonstra claramente a intenção de praticar um ato que se configura como sonegação, conforme estabelecido no art. 71 da Lei n° 4.502/64 O erro do sujeito passivo foi interpretar que a receita bruta que deveria ser considerada era exclusivamente a da pessoa jurídica incorporadora antes da incorporação. Não é assim: a receita bruta a ser considerada, ainda mais quando há incorporação de todo o fundo de comércio e de toda a atividade econômica da empresa incorporada, é a receita resultante da consolidação da receita bruta de todas as pessoas jurídicas participantes da incorporação. Uma interpretação diferente desta seria o mesmo que admitir que, a qualquer momento, qualquer empresa tributada pelo lucro real pudesse mudar seu regime de tributação para o regime do lucro presumido, bastando para isso realizar uma incorporação como a efetuada pela empresa fiscalizada. Pelo exposto, concluímos que nem mesmo se considerássemos como real a situação apresentada nos atos societários da fiscalizada, nem assim poderíamos reconhecer razão para a sua opção pela tributação sob a sistemática do lucro presumido para o período entre 02/05/2008 e 31/12/2008. DAS ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS E DAS EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS. CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS Identificouse parcela significativa da receita e do lucro da empresa fiscalizada que era diferida, juntamente com seus respectivos tributos, por conta, a princípio, de contratos celebrados com entidades governamentais. Tal possibilidade de diferimento está expressa no art. 409 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR99), conforme transcrito abaixo (destaques nossos): Art. 409. No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 10, § 3°, e DecretoLei n° 1.648, de 1978, art. 1°, inciso I): I poderá ser excluída do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada ou fornecimento computado no resultado do período de apuração, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período de apuração; II a parcela excluída nos termos do inciso I deverá ser computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita for recebida. O art. 407, por sua vez, estabelece o seguinte: Fl. 10467DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 10 9 Art. 407. Na apuração do resultado de contratos, com prazo de execução superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço prédeterminado, de bens ou serviços a serem produzidos, serão computados em cada período de apuração (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 10): I o custo de construção ou de produção dos bens ou serviços incorridos durante o período de apuração; II parte do preço total da empreitada, ou dos bens ou serviços a serem fornecidos, determinada mediante aplicação, sobre esse preço total, da percentagem do contrato ou da produção executada no período de apuração. Em conformidade com esses dispositivos, o diferimento se refere apenas ao lucro do contrato com entidade governamental que tenha prazo de execução superior a um ano e, assim, tal diferimento só é possível caso a contribuinte mantenha um controle individualizado para cada contrato que deu origem à operação passível de diferimento. A matéria foi ainda regulamentada pela Instrução Normativa SRF (IN SRF) n° 21, de 1979 (vale ressaltar que os art. 407 e 409 do RIR99, supracitados, têm por base legal o DecretoLei n° 1.598, de 1977, e o DecretoLei n° 1.648, de 1978, tendo a referida IN sido publicada de forma a regulamentar tais diplomas legais). Assim, o item 4 da IN SRF n° 21/79 estabelece o seguinte (destaques nossos): 4 Controles Específicos O contribuinte manterá registro individuado por contrato de produção em longo prazo, de que constara: a descrição sumaria da encomenda; o prazo de execução, bem como eventual dilação; o custo orçado ou estimado e os seus reajustes; o preço total e os reajustes convencionados; em relação a cada períodobase; os custos incorridos; a receita ou parte do preço recebida ou faturada; o resultado apurado. Destacamse os seguintes fundamentos e conclusões: Em resumo, o diferimento dos lucros é uma opção dada pela legislação fiscal; compete ao contribuinte apurar e efetuar corretamente os seus registros contábeis a fim de que possa usufruíla. Do exposto, fica patente que, para o exercício da faculdade prevista no art. 409 do RIR/1999, o contribuinte deve adotar dois procedimentos indispensáveis, quais sejam: Fl. 10468DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 11 10 (a) controles individualizados para cada obra/contrato, para que se possa apurar o resultado de forma também individualizada, haja vista apenas o lucro ser passível de diferimento; e (b) promover no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) os registros específicos que permitam um controle efetivo do diferimento. Assim sendo, sem tais controles individualizados por contrato, tornase impraticável o diferimento do lucro de cada contrato, que é justamente o que a legislação vigente permite. Conforme relatado anteriormente ao tratarmos sobre os principais procedimentos fiscais no item 1.8 do presente Relatório, mais especificamente ao tratarmos do TIF 2012/009009, a empresa fiscalizada, apesar de ter sido direta e objetivamente intimada, de forma clara, a apresentar os controles em questão para cada contrato, não apresentou tais documentos, entregando tão somente uma planilha de controle do saldo total consolidado. Cabe ressaltar que em mais de uma oportunidade, em contato com o Sr. Kunibert, contador e representante da empresa fiscalizada já anteriormente mencionado no presente Relatório, ele informou aos auditoresfiscais que realmente a empresa não possuía controles individualizados para cada contrato que deu origem aos diferimentos. Assim, julgamos desnecessário lavrar outro Termo de Reintimação para requisitar tais documentos, visto que o resultado permaneceria sendo a não apresentação dos documentos. Inclusive, em sua resposta ao TIF 2012/009009, datada de 22/05/2013 e anexada à fl. 5.050 do presente processo, a empresa, em observação ao final do "Protocolo de Entrega", foi taxativa ao afirmar que "São esses os dados que conseguimos levantar", indicando claramente que não possuíam os controles para cada contrato conforme solicitado no referido TIF. Dessa forma, percebese que a fiscalização buscou reconhecer o direito da contribuinte ao diferimento facultado pelo art. 409 do RIR/1999, porém, a contribuinte não apresentou os documentos necessários para que tal faculdade pudesse ser atribuída à empresa. Assim, quaisquer argumentos de cerceamento e/ou apresentação extemporânea de documentos não deverão ser acatados. Isso posto, os saldos de lucros diferidos de períodos de apuração anteriores (anoscalendário 2005 a 2007) foram adicionados ao lucro líquido do período de apuração findo em 01/05/2008 por conta do evento de incorporação. Além disso, foram glosadas as exclusões do lucro líquido realizadas pela empresa fiscalizada em seus LALUR dos anos 2008 e 2009. Tais apurações estão descritas na seção 2.6 DA RECOMPOSIÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL PARA OS ANOS CALENDÁRIO 2008 E 2009. DAS ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS BONIFICAÇÕES, DOAÇÕES E BRINDES Fl. 10469DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 12 11 A Fiscalização constatou que, em 2008 e 2009, a empresa possuía R$3.234.374,13 em notas fiscais emitidas relativamente a "Remessas em bonificação, doação ou brinde" (códigos CFOP 5910 e 6910). Entre os procedimentos fiscais efetuados para o esclarecimento da constatação destacouse: a) a análise dos arquivos digitais de Documentos Fiscais trazidos pelo sujeito passivo; b) a inclusão do questionamento sobre essas notas fiscais no item 1 do TIF 2012/009007; e c) a análise das notas fiscais trazidas, pelo sujeito passivo, em resposta a esse questionamento (fls. 4.250 a 4.445). Nesse sentido, vale destacar o art. 249 do RIR99: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6°, § 2°): Parágrafo único. Incluemse nas adições de que trata este artigo: VII as doações, exceto as referidas nos arts. 365 e 371, caput (Lei n° 9.249, de 1995, art. 13, inciso VI); VIII as despesas com brindes (Lei n° 9.249, de 1995, art. 13, inciso VII); Demonstrouse como foram calculados os valores adicionados ao lucro real relativamente a "bonificações, doações ou brindes" distribuídos pelo sujeito passivo. Os valores adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL foram computados a partir da soma das notas fiscais emitidas em cada período de apuração, conforme demonstrado na planilha "Doações e Brindes" anexada ao presente PAF à fl. 7.503, desconsideradas as notas fiscais canceladas. DAS EXCLUSÕES INDEVIDAS LALUR 2009 Identificaramse quatro exclusões do lucro líquido do exercício 2009 no LALUR escriturado pela empresa para tal período (fls. 447 a 451), no valor total de R$2.050.734,02. As exclusões foram devidamente evidenciadas. Mesmo reintimada, a empresa não apresentou qualquer documentação em atendimento, o que nos levou à glosa de tais exclusões escrituradas pela empresa, uma vez que não foi possível confirmar a regularidade das mesmas. DAS INFRAÇÕES RELATIVAS À CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O FATURAMENTO (COFINS E PIS) Registrouse que, as infrações apuradas em relação às contribuições incidentes sobre o faturamento (PIS e COFINS) são decorrentes das apurações realizadas para o IRPJ e a CSLL e, assim, de forma geral, se baseiam nos mesmos fatos já relatados no Capítulo 2 do presente Relatório. Ressaltouse que, os fatos aqui descritos são válidos tanto para a contribuição ao PIS quanto para a COFINS, visto que ambas as contribuições possuem a mesma base de cálculo e derivam dos mesmos fatos e constatações a que chegou a presente AuditoriaFiscal. Fl. 10470DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 13 12 DA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS A Fiscalização também verificou que, no período entre maio e dezembro de 2008, a empresa havia optado indevidamente pela forma de tributação do IRPJ pelo Lucro Presumido, conforme já relatado na seção 2.2 supra. Dessa forma, nesse período a empresa acabou adotando, também de forma indevida, o regime de incidência cumulativa para a apuração da contribuição para o PIS e da COFINS. Assim, a partir da desconsideração do regime de tributação do IRPJ pelo Lucro Presumido, lançando tal tributo com base no Lucro Real, também realizouse a correspondente desconsideração do regime de incidência cumulativa para a contribuição para o PIS e para a COFINS, adotando o regime de incidência nãocumulativa, realizando os lançamentos dos respectivos tributos. Além disso, como parte do irregular do diferimento dos lucros realizado pela empresa, a empresa também diferia as respectivas receitas oriundas de contratos com entidades governamentais celebrados nos anos 2008 e 2009, o que resultava no irregular diferimento do pagamento dos tributos incidentes sobre o faturamento diferido. Demonstrouse que, a empresa não poderia realizar tais diferimentos e, assim, tal fato repercute diretamente na apuração da contribuição para o PIS e da COFINS, uma vez que a base de cálculo de tais tributos é alterada pelos diferimentos irregulares realizados. Dessa forma, realizaramse os lançamentos dos tributos em tela de modo a anular os efeitos das eventuais receitas diferidas irregularmente. DA RECEITA DIFERIDA IRREGULARMENTE OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E À COFINS Observouse que, havia saldo remanescente de receitas diferidas de períodos de apuração anteriores (anoscalendário 2005 a 2007) e que ainda não haviam sido oferecidas à tributação, nos mesmos moldes anteriormente mencionados. Assim, tais saldos remanescentes foram adicionados ao faturamento da empresa do primeiro mês do período de apuração fiscalizado, ou seja, janeiro de 2008, de modo a oferecêlos à tributação. DA MULTA DE OFÍCIO E JUROS SOBRE A MULTA A Fiscalização, com base nas disposições do artigo 44 da Lei nº 9.430 de 1996, inc. I, § 1º; e artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 1964 apresentou as seguintes conclusões para aplicar a multa de ofício: mesmo sabendo que não poderia adotar o regime de tributação do IRPJ pelo Lucro Presumido (e, consequentemente, o regime de incidência cumulativa para a PIS e a COFINS), conforme amplamente demonstrado no presente Relatório, a empresa fiscalizada optou por realizar uma série de manobras Fl. 10471DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 14 13 societárias e contábeis na tentativa de iludir o Fisco quanto a tal possibilidade, o que demonstra o dolo do sujeito passivo. Tais fatos configuram, também, além da sonegação já citada, a simulação (art. 167, CC), o abuso de personalidade jurídica (art. 50, CC) e o abuso de forma (art. 187, CC). mesmo tendo conhecimento de que deveria adicionar ao lucro líquido do período de apuração os valores destinados a título de doações e brindes, conforme estabelece o art. 249 do RIR99 (já transcrito anteriormente), a empresa optou por não realizar tais adições, o que demonstra o dolo da empresa fiscalizada. mesmo sabendo que não poderia diferir seus lucros e receitas sem manter um controle individualizado dos contratos celebrados com entidades governamentais, conforme já exaustivamente demonstrado no presente Relatório, a empresa fiscalizada optou por realizar tal diferimento de forma irregular, o que demonstra o dolo da contribuinte. Frisouse que todo o exposto foi realizado de forma reiterada pela empresa fiscalizada, ao longo de todo o período fiscalizado. Assim, concluiuse que tais práticas fizeram parte da rotina administrativa da empresa fiscalizada, o que teria comprovado que a intenção da contribuinte teria sido a de reduzir, de forma irregular, os tributos devidos. Tais fatos foram considerados como caracterizadores de práticas de sonegação e/ou fraude descritos nos art. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. Nesse contexto, com base nas disposições do § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, o percentual da multa de ofício foi duplicado, alcançando 150%, em relação a todas as infrações que integram os Autos de Infração. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nesse tópico, a Fiscalização enfatizou que o exame de toda a documentação arrolada ao longo do trabalho de auditoriafiscal, em especial o conjunto de atos societários das empresas envolvidas, levou à conclusão, para efeito das cominações tributárias, a evidenciação da autoria e do grau de responsabilidade na realização dos ilícitos tributários praticados na administração da MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL. Compulsando os referidos documentos pudemos constatar a interação e comprometimento de seus administradores (sócios ou não) tanto na operação de reestruturação societária simuladora da incorporação da MERCOSUL COMERCIAL pela DOM JOSÉ TÊXTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO, quanto nas operações de diferimento de receitas e lucros e de não adição das doações e brindes ao lucro líquido da empresa. Em outras palavras, o relativo sucesso na perseguição da obtenção das desejadas supostas condições formais condizentes com a possibilidade de opção pelo lucro presumido foi obtido pela reunião de esforços, pelo trabalho orquestrado dos administradores responsáveis pelas empresas envolvidas na reestruturação societária, trabalho este que tinha por instrumentos as próprias pessoas jurídicas que foram utilizadas na simulação. Fl. 10472DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 15 14 Destacouse que, o mesmo se verifica quanto ao diferimento das receitas e lucros advindos de contratos com entidades governamentais e quanto à não adição das doações e brindes ao lucro líquido da empresa, uma vez que aos administradores da empresa cabe o fiel cumprimento das disposições legais, especialmente no que se refere às obrigações tributárias da mesma. Atuando de forma diversa, caracterizase a atuação dos administradores com infração de lei. Transcrevese: Além disso, um detalhe importante a ser ressaltado e que reforça a necessidade de se solidarizar os administradores reside no fato de a presente AuditoriaFiscal ter verificado que quase todos os então administradores da empresa retificaram suas Declarações de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda Pessoa Física 2012 / Anocalendário 2011 (DIRPF 2012) logo após a ciência do início da presente ação fiscal, sendo que nessa retificação foram suprimidos praticamente todos os bens imóveis e os veículos que antes integravam o patrimônio declarado dos administradores. Tal ato foi praticado pelos sóciosadministradores: Cláudia Oliveira Peres (CPF n° 164.716.85890), Zila Meire Tambelini Nakano (CPF n° 011.769.89898) e Jannivaldo Marques Santos (CPF n° 022.837.23809), além do procurador e administrador de fato da empresa, Sr. Roberto Giro Nakano (CPF n° 206.806.27804), conforme podese verificar pela Procuração anexada ao presente PAF (fls. 972 a 976) que confere plenos poderes ao Sr. Roberto Nakano para representar a contribuinte ISOLADAMENTE, poder esse que nem mesmo os sóciosadministradores possuem pois, de acordo com os Contratos Sociais da empresa (fls. 119 a 434), a administração da sociedade seria realizada sempre pela Sra. Cláudia Peres em conjunto com um dos demais sócios. Ou seja, ao Sr. Roberto Nakano foram atribuídos poderes de representação e administração da sociedade que nem mesmo os sócios possuíam! Vale ressaltar também que a Sra. Zila Nakano é esposa do Sr. Roberto Nakano e, assim, é declarada na DIRPF de seu marido como sendo sua dependente, não apresentando, por essa razão, DIRPF isoladamente. A título de informação, é interessante observar que a presente fiscalização teve início no dia 27/06/2012 e que as retificações das DIRPF 2012 dos sócios e administradores ocorreu nas seguintes datas e horários: Cláudia Oliveira Peres Entrega da DIRPF Retificadora em 30/08/2012 às 17:24:27; Roberto Giro Nakano (e sua dependente Zila Meire Tambelini Nakano) Entrega da DIRPF Retificadora em 30/08/2012 às 17:25:02; e Jannivaldo Marques Santos Entrega da DIRPF Retificadora em 30/08/2012 às 17:24:45. Ou seja, todas as DIRPF Retificadoras foram entregues no mesmo dia 30/08/2012, dois meses após o início da presente ação fiscal e praticamente no mesmo horário, com diferença de apenas alguns segundos entre uma Fl. 10473DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 16 15 entrega e outra. E todas elas realizaram as mesmas alterações: supressão dos bens imóveis e veículos de cada pessoa física. Tais fatos demonstram, sem deixar margem a dúvidas, que tal ação foi tomada de forma deliberada, organizada e de comum acordo entre os sócios e administradores da empresa, com o único intuito de tentar impedir que o Fisco tomasse conhecimento acerca de boa parte dos bens que compõem seus respectivos patrimônios pessoais, possivelmente por já saberem que a empresa fiscalizada apresentava irregularidades passíveis de punição e, assim, já preverem que seriam solidarizados em tais autuações. Tal fato, por si só, já demonstra claramente a intenção de evitar que o Fisco tome conhecimento do patrimônio de cada sócio/administrador, demonstrando, também, que todos eles estão diretamente vinculados aos fatos constatados pela presente Fiscalização. Assim, a Fiscalização, com base nas disposições do inciso III do art. 135, o art 142 e o inciso VII do art. 149, todos da Lei n° 5.172/66 (CTN), declarou a sujeição passiva solidária dos sóciosadministradores Srs. Cláudia Oliveira Peres (CPF n° 164.716.85890), Zila Meire Tambelini Nakano (CPF n° 011.769.89898), Jannivaldo Marques Santos (CPF n° 022.837.23809) e Sérgio Luiz Janikian (CPF n° 090.332.01852), além do procurador da empresa Sr. Roberto Giro Nakano (CPF n° 206.806.27804), conforme Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. DO ACÓRDÃO RECORRIDO À vista do trabalho da AuditoriaFiscal, dos Autos de Infração, a DRJ Ribeirão Preto concluiu por dar parcial provimento às Impugnações da contribuinte e dos devedores solidários, cujo acórdão recebeu a seguinte ementa: Anocalendário: 2008, 2009 MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de redução irregular e artificial; dos tributos devidos, mediante incorporação às avessas, é cabível a imposição da multa qualificada de 150%. Todavia, descabe a aplicação da multa qualificada sobre as infrações em que não restar comprovado o dolo, no caso as relativas as infrações "diferimento de resultados de contratos com entidades governamentais" e "falta de adição de bonificações, doações e brindes". IRPJ E REFLEXOS. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o termo a quo do prazo de decadência é o primeiro dia do ano seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado; in casu, na sistemática do Lucro Real Trimestral, fato gerador a partir de 01/06/2008, a contagem iniciouse em 1/1/2009, encerrandose em 31/12/2013 pelo que não há que se falar em decadência. Fl. 10474DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 17 16 INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. OPÇÃO INDEVIDA PELO LUCRO PRESUMIDO. Na ocorrência de incorporação devese somar as receitas das empresas envolvidas para fins de verificar a possibilidade do enquadramento no lucro presumido. Logo, utilizarse da chamada "incorporação às avessas" para que uma empresa de menor faturamento incorpore uma de grande porte, não autoriza a opção pelo regime. IRPJ E CSSL (LUCRO REAL TRIMESTRAL). PIS/COFINS (REGIME NÃO CUMULATIVO). Uma vez constatada a impossibilidade da adoção do Lucro Presumido, correto o lançamento de oficio do IRPJ/CSLL e do PIS/Cofins, pelos regimes do Lucro Real e da incidência não cumulativa, respectivamente. CONTRATO COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. DESCUMPRIMENTO DAS NORMAS PARA DIFERIMENTO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL. Verificado o não cumprimento das normas que autorizam o diferimento dos resultados com entidades governamentais, mormente quanto a apuração do resultado e o controle individualizado de cada contrato, correta a tributação no período em que verificada a falta. IRPJ E CSLL. VALORES RELATIVOS A BONIFICAÇÕES, DOAÇÕES E BRINDES. OBRIGATORIEDADE DE ADIÇÃO AOS RESULTADOS TRIBUTÁVEIS. À luz do art. 249, parágrafo único, incisos VII e VIII do RIR/99, devem ser adicionados aos resultados as despesas com brindes e doações. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. Não compete ao julgador administrativo conhecer de pretensa ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. Pelo contrário, ao julgador administrativo compete, apenas, verificar se a lei e os atos normativos do Poder Público foram aplicados conforme editados, uma vez que são dotados de presunção de legitimidade e legalidade. O conhecimento e julgamento de eventual vício formal ou material da legislação aplicada e em vigor compete, apenas, ao Poder Judiciário, o qual tem a última palavra em face do princípio da unidade de jurisdição. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA E PESSOAL. São coobrigados os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e, comprovada a prática de ilícitos tributários por dirigentes de pessoas jurídicas para evadirse tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre aqueles que se beneficiaram desses procedimentos, bem como sobre eventuais empresas criadas para esse fim. Fl. 10475DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 18 17 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Das Intimações e Interposições de Recursos Voluntários Recorrentes Intimação (fl.) AR (fl.) Recebimento AR (Data) Recurso Voluntário (Data Protocolo) Recurso Voluntário (fl.) Advogado Ass. Rec. Procuração (Validade) Mecosul 9405 9861 16/03/2015 Não Interpôs ‐ ‐ ‐ Cláudia 9481 9865 18/03/2015 10/06/2015 10272 Maurício, Augusto, Daniela de 26/05/2015 a 26/05/2016 Jannivaldo 9557 9866 18/03/2015 17/04/2015 9888 Nicoli D'Andretta de 17/04/2015 a 17/04/2016 Roberto Giro 9633 9879 15/05/2015 Não Interpôs ‐ ‐ ‐ Zilda 9709 9878 15/05/2015 Não Interpôs ‐ ‐ ‐ Sérgio Luiz 9785 9864 18/03/2015 17/04/2015 10130 Igor, Rodrigo, Pedro Indeterminado Conforme quadro resumo, acima, a empresa contribuinte e os cinco devedores solidários foram devidamente intimados do acórdão recorrido. Não obstante, interpuseram recurso voluntário, somente os devedores: Cláudia, Jannivaldo e Sérgio Luiz. Não interpuseram recurso voluntário, a contribuinte Mercosul e os devedores solidários Roberto e Zilda. Da Intempestividade do Recurso Voluntário da Devedora Solidária, Cláudia. A devedora, Cláudia, foi devidamente intimada conforme Termo de Intimação de fl. 9.405. O AR juntado à fl. 9.861 indica que Cláudia recebeu a intimação em 18/03/2015. À fl. 10.271 há Termo de Juntada Eletrônica, de 03/06/2015 (quando já teria transcorrido o prazo legal de 30 dias para o recurso). Todavia, somente em 10/06/2015 (fl. 10.272) o advogado de Cláudia, Dr. Maurício Loddi Goncalves, assinou o recurso voluntário, por meio de certificado digital. A vigência da procuração outorgada pela Sra. Cláudia aos seus advogados, expirou em 26/05/2016 (fl. 10.336). Diante da intempestividade do recurso voluntário da devedora solidária, Cláudia, deixamos de relatar suas razões de recurso voluntário. De qualquer forma, verificamos que os termos do recurso intempestivo da Sra. Cláudia, coincide com os do recurso do devedor solidário Jannivaldo, a seguir relatado, por ser tempestivo. Dos Recursos Voluntários de Jannivaldo e Sérgio Luiz O devedor solidário, Jannivaldo apresentou suas razões, com base nas quais adentrou em cada uma das questões mantidas pela DRJ. Arguiu preliminares relativas à suposta falta de indicação dos valores objeto dos lançamentos, sob o argumento de que haveria incongruência entre os quadros demonstrativos elaborados pela Fiscalização e que não seria possível chegar aos valores indicados. Em preliminar o recorrente requereu sua exclusão do polo passivo, vez que segundo a hipótese de incidência constitucionalmente definida, não deteria competência para figurar no polo passivo. Requereu ainda: Fl. 10476DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 19 18 a) a decadência de todos os valores autuados referentes aos anoscalendário 2005, 2006, 2007, bem como o período entre janeiro/08 a novembro/08, mediante a anulação do auto de infração; b) que fosse declarada válida a incorporação por completo, bem como que fosse considerada correta a escolha pelo lucro presumido e, consequentemente, o regime cumulativo para PIS e COFINS, ambos no período entre maio/08 a dezembro/08, anulandose os autos nestes aspectos; c) que os autos fossem cancelados por completo, no tocante ao regime de PIS e COFINS entre maio/08 a dezembro/08, sob o argumento de que a Fiscalização não teria considerado os créditos das respectivas Contribuições; d) que os autos fossem cancelados por completo no tocante ao Diferimento para fins de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, dentre estas razões: a) a Fiscalização não teria considerado os valores efetivamente recolhidos pelo sujeito passivo; e/ou b) não teria considerado os valores recolhidos pelo sujeito passivo posteriormente ao mês de dezembro/09; e) que fossem validados os diferimentos efetuados pelo sujeito passivo para IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, uma vez que foi atendida a legislação, anulandose os autos de infração; f) que fossem anuladas as indevidas adições das despesas de brindes, bonificações e doações apuradas pela Fiscalização no período entre julho/08 a dezembro/09, anulandose os respectivos autos de infração; g) que fossem validadas as exclusões do LALUR 2009 referentes aos valores que foram parcelados, cancelandose os pertinentes autos de infração; h) que na hipótese de prevalecerem quaisquer débitos, que fosse anulada a multa de ofício majorada de 150%, aplicandose aos valores eventualmente pendentes a multa de ofício de 75%; i) que caso restassem quaisquer dúvidas, que fossem os autos baixados em diligência, bem como deixa à disposição da douta Delegacia Regional de Julgamento, toda documentação, que porventura ajude a elucidar a lide. Por sua vez, o devedor solidário, Sérgio Luiz, apresentou, em síntese, as seguintes razões de recurso: Segundo a DRJ, a não adição das despesas com brindes e doações para fins de apuração do Lucro Real e o diferimento da tributação das receitas vinculadas a contratos com entes governamentais, apesar de incorreta do ponto de vista da apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, não poderia ser considerada um ato simulado ou fraudulento, razão Fl. 10477DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 20 19 pela qual a multa qualificada sobre tais lançamentos deveria ser desqualificada, do mesmo modo com que foram afastadas a solidariedade e a responsabilidade dos demais interessados sobre tais créditos tributários. Referido acórdão foi objeto de recurso de ofício em virtude do cancelamento parcial da responsabilidade dos interessados. Contudo, apesar da correção do acórdão da DRJ no que tange à desqualificação da multa sobre referidos lançamentos e o cancelamento da solidariedade e responsabilidade, a decisão deve ser reformada de modo a, no caso do Recorrente, excluilo do polo passivo do restante da autuação, razão pela qual é interposto o presente Recurso Voluntário. Por meio deste, o Recorrente demonstrará que: a) a autuação seria nula, pois não lhe teria sido oportunizada a possibilidade de apresentar documentos e esclarecimentos no curso do procedimento de fiscalização (item 11.1); b) o acórdão da DRJ seria nulo porque não apreciou os argumentos do recorrente aduzidos em sua Impugnação, limitandose a reconhecer sua responsabilidade objetiva, sem qualquer fundamento (item II.2); c) não pode, com base no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional ser considerado devedor solidário dos tributos lançados contra a Dom José/Mercosul, pois ausente o pressuposto fático e jurídico da solidariedade: o interesse comum (item III.1.1). d) ainda que se entenda que mero interesse econômico é suficiente para a caracterização da solidariedade, as autoridades fiscais não demonstraram sua existência, que não se confunde com a simples economia de tributos (item III.1.2); e) não há possibilidade de responsabilização pelos créditos tributários da Dom José/Mercosul com fulcro no artigo 135, III, do CTN, pois não há qualquer ato ilícito não tributário ou com excesso de poderes praticado pelo Recorrente do qual tenham surgido os fatos jurídicos tributários objeto desta autuação. Ainda que se entenda pela ocorrência de simulação na incorporação, a responsabilização do artigo 135, III, do CTN não é aplicável, pois do ato tido por simulado (ato ilícito não tributário) não nasceram quaisquer obrigações jurídicotributárias (item III.2,2); f) subsidiariamente, mesmo que este Conselho entenda pela manutenção da solidariedade do recorrente, essa não pode ser estendida para as penalidades e deve restringirse aos tributos lançados (item III.3); g) sobre a improcedência dos autos de infração, o recorrente demonstrará que não houve qualquer simulação na dita operação de "incorporação às avessas" (item IV.1); h) ainda sobre a improcedência dos autos de infração, alegará a impossibilidade de tributação das receitas diferidas e a ocorrência de decadência parcial (item IV.2); e Fl. 10478DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 21 20 i) não incidem juros moratórios sobre a multa de ofício (item IV.3). É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, interpuseram recurso voluntário, somente os devedores: Cláudia, Jannivaldo e Sérgio Luiz. Não interpuseram recurso voluntário, a contribuinte Mercosul, Roberto e Zilda. A devedora, Cláudia, foi devidamente intimada conforme Termo de Intimação de fl. 9.405. O AR juntado à fl. 9.861 indica que Cláudia recebeu a intimação em 18/03/2015. À fl. 10.271 há Termo de Juntada Eletrônica, de 03/06/2015 (quando já teria transcorrido o prazo legal de 30 dias para o recurso). Todavia, somente em 10/06/2015 (fl. 10.272) o advogado de Cláudia, Dr. Maurício Loddi Goncalves, assinou o recurso voluntário, por meio de certificado digital. A vigência da procuração outorgada pela Sra. Cláudia aos seus advogados, expirou em 26/05/2015 (fl. 10.336). Diante da intempestividade do recurso voluntário da devedora solidária, Cláudia, e da ausência de manifestação a respeito, voto no sentido de não se conhecer do recurso voluntário. À vista da tempestividade e do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade, conheço dos recursos dos devedores, Jannivaldo e Sérgio Luiz, os quais passo a analisar. Das Razões Gerais dos dois Recursos Voluntários tempestivos Assim, tais recorrentes iniciam suas razões, à exceção da exclusão da responsabilidade dos recorrentes, quanto aos créditos tributários decorrentes do indevido "diferimento de resultados de contratos com entidades governamentais" e da "falta de adição de bonificações, doações e brindes", sujeitos ao exame do Recurso de Ofício ao CARF, o acórdão recorrido teria ratificado o conteúdo do Relatório da Atividade Fiscal como “razões adicionais de decidir” (responsabilidade solidária pela indevida apuração pelo lucro presumido, em 2008; pelo pagamento do Pis e da Cofins, indevidamente, pelo método cumulativo; adições não computadas; exclusões indevidas; juros e multa qualificada). Alegam que deveriam ter sido intimados ao longo de todo o procedimento fiscal que antecedeu a lavratura dos autos de infração e do termo de sujeição passiva solidária. Salientam que não teriam sido incluídos no rol dos fiscalizados nem teriam recebido qualquer intimação; que não tiveram oportunidade de prestar esclarecimentos ou apresentar provas que pudessem confirmar ou infirmar as imputações feitas pelos agentes fiscais; que seu direito à ampla defesa e ao contraditório não foram respeitados; que por consequência, tornaramse responsáveis por créditos tributários no valor histórico total de R$ 64.803.156,83. Requereram a decretação de nulidade do termo de sujeição passiva solidária. Fl. 10479DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 22 21 Ressaltam que, a ausência de discriminação dos valores efetivamente utilizados para a realização do cálculo teria dificultado ao contribuinte a compreensão do que efetivamente estaria sendo cobrado e que isso teria dificultado a busca pelos documentos comprobatórios que poderiam ser apresentados com o intuito de afastar as referidas exigências. Destacam que, a Fiscalização não teria sido diligente, conforme determinam os princípios administrativos (legalidade, moralidade, finalidade, razoabilidade, eficiência e motivação); teria deixado de evidenciar ao sujeito passivo os detalhes imprescindíveis à observância dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual sustentam que deveria ser cancelado todo o processo, o que compreenderia a nulidade da decisão na DRJ e do auto de infração. Alegam que também teriam sido desconsiderados valores quitados pela empresa a título de parcelamentos referentes ao período compreendido entre abril/2008 a dezembro de 2009. Juntouse planilha compilando todos os parcelamentos efetuados pela MERCOSUL perante a RFB, cuja soma totalizou R$4.612.607,92 não atualizados. Respeitadas tais razões dos recorrentes, analisaremos, ao longo deste voto, esses questionamentos, em conjunto com os resultados do trabalho de auditoriafiscal, com as matérias discutidas e os fundamentos apresentados pelos recorrentes. Da Decadência (art. 150, § 4º, CTN) Pis e Cofins Os recorrentes alegam que teria havido a decadência dos créditos de Pis e Cofins, com base no § 4º do art. 150, CTN. Pois, em seu entendimento, não teria havido simulação, sonegação, dolo ou fraude, no que diz respeito ao referido diferimento de tributos relativos às receitas de contratos com entes governamentais. Concluem afirmando que, considerando que a ciência do lançamento ocorreu somente em 13 de dezembro de 2013, em relação aos fatos geradores de janeiro a novembro de 2008, teria havido a decadência, pois teriam decorridos mais de 5 anos, entre a ocorrência dos supostos fatos imponíveis e a manifestação do Fisco, razão pela qual sustenta que também nesse tocante deveriam ser cancelados os autos. Diferimentos Os recorrentes sustentam que as receitas decorrentes de contratos celebrados pelo poder público, tidas pela DRJ por indevidamente diferidas, não poderiam ter sido tributadas pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pois, se a falha da contribuinte teria residido na falta de individualização de tais contratos, o lançamento deveria reportarse à data em que o contrato foi celebrado e não ao seu "saldo" na época do lançamento. Detalham, dizendo que o lucro diferido dos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007 não poderia ter sido tributado em 2008, mas nos próprios anoscalendário do diferimento: 2005, 2006 e 2007, o que implica vício na apuração dos tributos devidos e violação ao artigo 142 do CTN. Fl. 10480DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 23 22 Alegam que a DRJ teria incorrido em contradição, pois apenas desqualificou a multa de ofício lavrada sobre os tributos constituídos sobre o "diferimento de resultados de contratos com entidades governamentais" e "falta de adição de bonificações, doações e brindes", enquanto também deveria ter reconhecido a decadência do crédito tributário apurado erroneamente no anocalendário de 2008. Isso porque, inexistindo qualificação de multa, ou seja, ausente fraude, dolo ou simulação, a contagem do prazo é regida pelo artigo 150, § 4º, do CTN, o que resultaria na decadência de parte do crédito lançado relativo ao ano calendário de 2008. Os recorrentes ainda alegaram que teria transcorrido o prazo legal de cinco anos para a Fiscalização manifestarse sobre o diferimento de receitas de contratos com entes governamentais (valores recebidos anteriormente a 2008). Essa alegação não é correta, pois, não há que se falar em decadência do direito de a Fiscalização lançar neste caso. A decadência fica prejudicada. Vejase que, na realidade, houve um equívoco no acórdão recorrido: a Fiscalização não poderia ter lançado em 2008, mesmo com o argumento de que nesse ano houve a referida incorporação. Isso porque, se a Fiscalização concluiu que não poderia ter havido diferimento, em relação aos referidos contratos com entes governamentais, só poderia haver lançamento, em 2005, 2006 e 2007, já que não caberia diferimento. Houve, portanto, erro no lançamento e no momento da ocorrência do fato gerador. Os recorrente ainda alegam que, na forma com que concluíram a DRF e DRJ, não poderiam ter deixado de registrar que, em consequência da não aceitação do regime do lucro presumido, em 2008, e da não aceitação do referido diferimento, estariam resguardados à contribuinte os respectivos créditos de Pis e Cofins. No entanto, não há que se falar em tal direito, pois não houve pagamento de Pis e Cofins, de forma não cumulativa, que deveria ter ocorrido, conjuntamente com a apuração do lucro real. Em que pese a alegação dos recorrentes de que a Fiscalização, em relação ao diferimento de valores decorrentes de contratos com entes governamentais, deveria ter considerado em seu cálculo, os valores oferecidos à tributação durante os diferimentos de 2012 e 2013, temse presente que, em realidade, essa função deverá ser devidamente realizada pela própria contribuinte, quando for efetivar o pagamento dos tributos na forma correta, isto é, pelo lucro real, sem diferimento, e não cumulativamente (Pis e Cofins). Quanto à alegação de que havia controle individualizado, relativo a cada contrato em questão, a Fiscalização verificou que os dados contidos nas planilhas apresentadas, unilateralmente pela empresa autuada, não condiziam com as declarações acessórias e com os pagamentos de tributos, a respeito. Dessa forma, não há como acolher tais planilhas, como prova demonstrativa da verdade material, como insiste o recorrido. Da Alegação de Não Ocorrência de Simulação e do Real Negócio Na forma relatada, a Fiscalização entendeu que teria havido "incorporação às avessas", caracterizado pela relação de controle, onde a incorporadora (Dom José), em realidade, seria controlada pela incorporada (Mercosul Comercial). Isto é, a empresa de menor valor teria incorporado a maior empresa, com o objetivo de se utilizar o regime do lucro presumido, no qual se enquadraria somente a empresa menor (Dom José). Fl. 10481DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 24 23 Sobre essa conclusão, os recorrentes sustentam, em síntese, que a legislação assegura à empresa autuada, optar pela sistemática de apuração pelo Lucro Presumido, ainda que ela ultrapasse, no ano da opção, o limite de receita bruta estabelecido no artigo 13 da Lei n° 9.718/1998, o IRPJ e a CSLL. Defendem que, ainda assim, estava autorizada, naquele ano, adotar o regime do Lucro Presumido; que somente no ano seguinte a empresa passou a ser obrigada a apurar o seu lucro pela sistemática do Lucro Real. Indicam que somente a pessoa jurídica MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL deveria ocupar o polo passivo do presente PAF. Afirmam que haveria falha do Fisco em demonstrar em que legislação pátria baseia sua decisão em desconsiderar a MERCOSUL como apta à opção pelo lucro presumido no anocalendário de 2008, razão pela qual a tributação conduzida pelo sujeito passivo deveria ser ratificada e ser mantida incólume, pois o que teria havido seria tão somente a aplicação do conjunto normativo pertinente. Não obstante as razões sustentadas pelos recorrentes, em defesa da empresa autuada, as conclusões da DRJ, a respeito, devem prevalecer no presente caso. Eis que, a referida autorização legal só poderia ser considerada para a hipótese de se ter presente, a mesma pessoa jurídica, nos dois exercícios. Isto é, a mesma empresa (Dom José) no ano em que ultrapassouse o limite legal de resultado permitido para o Lucro Presumido; e a mesma empresa, no ano seguinte (quando a empresa Dom José já havia sido extinta para dar lugar a uma nova pessoa jurídica [e não sucessora]. No ano em que houve tal extrapolação (2008) surgiu uma nova pessoa jurídica: a Mercosul Comercial e Industrial Ltda., dirigida, de fato, pela mesma administradora da antiga Mercosul Comercial, a Sra. Cláudia, cuja Alteração 13ª do Contrato Social previa que as deliberações da nova empresa também deveria se dar (como que uma continuidade da antiga Mercosul Comercial), exclusivamente por essa sócia, em conjunto com outros sócios). Respeitado o entendimento dos recorrentes, temse, no entanto, que não se trata de desconsiderar o negócio jurídico, em si, tratase de questão legal. Pois, não há impedimento à incorporação, na forma como se verificou, mas há evidente discrepância com os exatos termos da legislação aplicável. Pois, não há como manterse o lucro presumido, no caso, em que, no transcurso do exercício social (05/2008), agregouse ao capital social, novas atividades, novos os resultados etc., que deram origem a uma nova situação fática. Diante dessa nova situação fática, para se verificar com exatidão se exigências legais permaneceriam atendidas de modo a autorizar a manutenção da empresa no lucro presumido, a empresa resultante deveria ter adotado as providências escriturais necessárias, para assim, apresentarse com precisão (o que não foi realizado e que obrigou a Fiscalização demonstrar em seu referido trabalho) os valores, cuja verificação seria necessária para fins do enquadramento em questão. Nesse sentido, alinhado às conclusões da DRF e DRJ, é de se manter a determinação do lucro real no ano de 2008 e seus consectuários na forma do relatório fiscal e dos autos de infração, inclusive com a multa qualificada. Nesse sentido, entendemos que não há fundamento para reformar a decisão da DRJ, de modo que, a incorporação em questão, na forma como foi realizada, não encontra respaldo legal para a opção pelo lucro presumido. Das Adições não Computadas Brindes, Doações e Bonificações Fl. 10482DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 25 24 A alegação aqui, referese ao aproveitamento do crédito do PIS e da COFINS, conforme considerado à fl. 49 do TVF. Os recorrentes exigem que sejam considerados os alegados créditos de PIS e COFINS, relativos aos pagamentos, em regime de não cumulatividade, enquanto estava sobre o regime do lucro presumido. Os recorrentes alegam que a Fiscalização teria apenas suspeitado das emissões das notas fiscais a título de bonificação, doações e brindes; teria apenas alegado estranheza quanto ao volume emitido de notas fiscais, classificando todas as operações descritas nas notas fiscais a uma única espécie, sem ao menos analisálas. Ou seja, em seu entendimento, a Fiscalização deveria, ao menos, de forma genérica, verificar os gastos: itens incluídos nos CFOPs n° 5910 e 6910. No entanto, concluiu que todos os itens seriam indedutíveis, sem ao menos segregálos entre quais são doações, brindes ou bonificações. De outro modo, com se verifica no detalhado relatório fiscal, a confusão que impossibilita a segregação das referidas classes de despesas foi ensejada pela própria contribuinte que, mesmo reintimada a demonstrar com precisão do que se tratavam os itens genericamente indicados nas notas fiscais, como brindes, doações e bonificações, insistem em transferir para a Fiscalização a realização da prova que lhes cabe. A Fiscalizaão, por sua vez, não dispunha de outros elementos, além das notas fiscais, para se identificar a natureza, o objeto e a destinação dos valores. Diante da significativa quantidade de notas fiscais, sem demonstração detalhada e delimitada, que cingiamse a indicar: brindes, doações e bonificações, verificase, assim, que a própria contribuinte deu ensejo à desclassificação das despesas, consideradas dedutíveis pela empresa autuada. Salientese, sobretudo, que esses itens sequer poderiam ser indicados, conjuntamente, pois há previsão legal expressa que afasta a dedutibilidade de brinde; e outra previsão que estabelece regras para doações dedutíveis. Em relação às bonificações, seria necessário à contribuinte, no momento passado oportuno, portanto, demonstrar inequivocamente o enquadramento dessas últimas despesas, às disposições do art. 299 do CPC. Da Alegação de que estariam Corretas as Exclusões Lalur Os recorrentes alegam que a Fiscalização teria glosado o valor relativo à exclusão do lucro líquido do exercício 2009 no LALUR do sujeito passivo, no total de R$2.050.734,02, conforme quadro abaixo: EXCLUSÃO VALOR (R$) Complemento de PIS a Pagar de Jan.07 a Dez.07 e inscrito no Parcelamento da Lei n° 11.941/09 175.377,09 Complemento de COFINS a Pagar de Jan.07 a Dez.07 e inscrito no Parcelamento da Lei n° 11.941/09 808.584,90 Complemento de PIS a Pagar de Jan.08 a Abr.08 e inscrito no Parcelamento da Lei n° 11.941/09 190.311,55 Complemento de COFINS a Pagar de Jan.08 a Abr.08 e inscrito no Parcelamento da Lei n° 11.941/09 876.460,48 Alegaram que a própria empresa havia identificado tal incongruência e teria incluído os respectivos valores em parcelamento amparado pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 10483DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 26 25 Observase que a Fiscalização analisou a documentação relativa ao referido parcelamento. Todavia, concluiu que tais débitos não teriam sido incluídos no parcelamento e manteve a glosa passível de cobrança na forma concluída no relatório fiscal, ratificado no acórdão recorrido. Das Infrações ao PIS e à COFINS. Regras da Não Cumulatividade. Diferimento de Pis e Cofins Sobre esse ponto os recorrentes limitaramse a alegar que, conforme seu entendimento, a contribuinte teria optado acertadamente pelo lucro presumido em 2008. Sendo assim, também estaria correta a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Os recorrentes ainda alegam, caso seu entendimento não prevaleça, que haverá de se considerar os valores devidos de Pis e Cofins, como despesas dedutíveis na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Como já analisado neste voto, somente haveria se falar em tais créditos caso houvessem sido devidamente pagos, no âmbito do regime do Lucro Real. Não há, portanto, como acolher a pretensão dos recorrentes. Da Multa de Ofício. Qualificação Os requeridos alegam que, diferentemente da conclusão da Fiscalização, não teria havido dolo algum no comportamento do sujeito passivo; não haveria sonegação ou simulação; não haveria como se desconsiderar a personalidade jurídica da MERCOSUL COMERCIAL e, ao mesmo tempo, concluir que a MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL teria agido de forma abusiva. Conforme já manifestamos neste voto, a Fiscalização demonstrou, tecnicamente, a prática de atos por parte da empresa autuada, sob as deliberações da Sra. Cláudia e do Procurador Roberto Giro, que se enquadram nas referidas disposições que determinam o agravamento, em dobro, da multa de ofício de 75%. Por sua vez, as arguições contrárias do recorrente, em favor da empresa autuada, não encontram fundamentos para afastar as conclusões do trabalho técnico realizado pela fiscalização. Com tais conclusões a respeito das razões dos recorrentes em defesa da empresa autuada, passamos à análise das razões de recurso sobre as questões que envolvem a responsabilidade solidária dos recorrentes. Da Alegação de Ilegitimidade da Incidência de Juros de Mora sobre Multas de Ofício Os recorrentes, em continuidade de sua defesa à empresa autuada, alegam que desde o vencimento do prazo para recolhimento dos créditos exigidos nos presentes autos, as autoridades fiscais computaram juros de mora, sobre a multa de ofício, não obstante os juros que já incidem sobre os tributos exigidos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Alegam que esse aumento do valor da obrigação tributária seria ilegítima e ilegal. Sustentam que o não adimplemento da obrigação tributária principal, no prazo fixado, implica a incidência de multa e juros, em razão da mora. Afirma que, não Fl. 10484DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 27 26 ocorrido o pagamento, o crédito tributário fica sujeito somente aos juros de mora, equivalentes à Taxa Selic, consoante determinação do § 3º do art. 61, que remete ao § 3º do art. 5º, ambos da Lei n° 9.430/96. Alinhado ao entendimento da DRJ, temse que, o lançamento de ofício, cumulado com multa à razão de 75%, está prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96 e, no caso, houve a qualificação da multa em dobro (150%), em decorrência da simulação e da sonegação, como demonstrado no relatório fiscal e retro relatado. Nesse sentido, da mesma forma, não encontramos fundamento que pudesse respaldar a tese do recorrente, mantendose, assim, os juros sobre a multa. Dos Devedores Solidários Em conformidade com o acórdão recorrido, concluiuse pela exclusão da responsabilidade solidária dos sócios, com relação às exigências cuja multa foi reduzida do percentual de 150% para 75% (diferimento de resultados de contratos com entidades governamentais e falta de adição de bonificações, doações e brindes), diante do entendimento de que não teria havido dolo, fraude, simulação e sonegação. Os recorrentes sustentam que a única pessoa que teria legitimidade para figurar no polo passivo seria a MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL. Alegam que, embora a Fiscalização teria concluído que os sócios e administradores teriam violado a lei, não teriam logrado provar conclusão se limitando a informar que as operações societárias foram "orquestradas por eles". Com isso, os recorrentes salientaram que seria preciso provar, efetivamente, a ocorrência de tal conduta dolosa dos sócios, gerentes e administradores, para que se pudesse responsabilizálos com base no caput do artigo 135 do CTN. Destacam que não bastaria a verificação de falta de recolhimento de tributo. Alegam que esse seria o entendimento pacífico das Cortes Superiores, e cita julgados: (...) a possibilidade do simples não pagamento do tributo pela pessoa jurídica gerar a responsabilidade do sócio gerente significaria reconhecer a responsabilidade objetiva do mesmo, o que não é admissível no sistema tributário nacional, sob pena dos sócios serem sempre responsabilizados pelas dívidas da sociedade, o que colocaria em xeque a autonomia e a individualidade da pessoa jurídica. Requerem atenção para as exigências formais que deveriam ser observadas para a desconsideração da personalidade jurídica (art. 16, do DecretoLei n° 3.708, e 135 do CTN). De forma que, somente os sócios que houvessem deliberado contra as regras contratuais ou legais, com excesso de poderes, poderiam ser responsabilizados pessoal e ilimitadamente pelas obrigações sociais e tributárias. Entendem que para figurar no polo passivo da presente lide, os administradores teriam que, dolosamente, agir em sabida infração legal e essa deveria configurar fato gerador dos tributos federais impugnados. Fl. 10485DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 28 27 Registram que suas razões de recurso teriam afastado a alegação de prática dolosa por cada um dos sócios, ou administradores, que poderiam ensejar a desconsideração da personalidade jurídica. Da Alegação de Inexistência de Interesse Comum (art. 124, I, CTN) Das razões de recurso do devedor solidário, Sérgio Luiz A título de contextualização, o recorrente ressalta que desde a incorporação, sua relação pessoal com os novos administradores da Dom José/Mercosul foi conturbada. Tanto que, em 20.07.2009, o recorrente teria sido expulso da sociedade. Em atitude de defesa, o recorrente teria proposto Ação de Apuração de Haveres, em 11.11.2009 (fls. 8314/8390), que teria resultado em transação entre o recorrente e os demais sócios, homologada pelo juiz da causa nos autos da ação n° 008.09.0261680, que tramitou perante a 5a Vara Cível do Estado de Santa Catarina (fls. 8394/8406). Salienta que a relação era tão instável que o recorrente recusavase a assinar muitos dos documentos que vinculavam a Dom José/Mercosul; que teria sido emitida ordem, por email, vedando o cumprimento, pelos funcionários, de determinações do Recorrente (fl. 8416). Com esses destaques, o recorrente sustentou a inexistência de responsabilidade solidária; sobre a não ocorrência de interesse comum (art. 124, inc. I, CTN), sob o fundamento de que a solidariedade prevista no artigo 124, inciso I, do CTN, somente se aplica aos próprios contribuintes, assim considerados aqueles que efetivamente praticam o verbo do critério material da hipótese de incidência tributária. Isto é, devedor solidário seria aquele que efetivamente teria auferido renda, lucro, receita, o que não teria ocorrido no caso em questão. Argui que, não há que se falar em interesse comum entre a recorrente e a Dom José/Mercosul. Pois, não haveria participação conjunta; não haveria participação dos fatos jurídicos tributários. À vista dessas razões do recorrente, passamos à análise quanto à presença ou não do "interesse comum" preconização pelo inciso I do art. 124 do CTN. Entendemos que o interesse econômico do recorrente, nos fatos geradores em questão, não são suficientes para caracterizar a solidariedade, com base no art. 124, I do CTN. Há a necessidade de se demonstrar a existência de um interesse jurídico. É necessário demonstrar que o recorrente realmente tivesse participado da situação que constitui o fato gerador tributário. De modo que, somente haveria interesse comum se a empresa contribuinte e o recorrente houvessem praticado, conjuntamente, o fato gerador tributário. Sendo assim, concluímos que o recorrente não possui interesse comum com a contribuinte MERCOSUL COMERCIAL. Da Alegação de Inexistência de Responsabilidade (art. 135, III, CTN) Das razões de recurso do devedor solidário, Sérgio Luiz Ao mesmo tempo, o acórdão recorrido atribuiu ao recorrente a responsabilidade tributária, com base nas seguintes disposições do Código Tributário Nacional: Fl. 10486DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 29 28 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." O recorrente ressalta que, para o enquadramento nesse dispositivo, seria necessária a constatação de dois requisitos: (i) a prática de atos com excesso de poderes, infração à lei (que não corresponderia à mera falta de pagamento de tributos) ou contrato social e estatutos; e (ii) a prática de tais atos deve, necessariamente, resultar no surgimento de débitos fiscais. Salientouse que, o primeiro requisito para a responsabilização pessoal, com base no artigo 135, III, do CTN, é a prática de um ato ilícito, como, por exemplo, a alienação de ativos, pelo administrador, à revelia da vontade da sociedade. Esse ilícito não se confunde com o mero descumprimento da legislação tributária. Nesse ponto, o recorrente citou o Parecer CAT n° 55/2009, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), relativamente à aplicação das disposições do artigo 135, III, do CTN: "60. Podemos enumerar aqui as conclusões gerais decorrentes da doutrina da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça: a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade; b) O administrador não responde pelas obrigações tributárias surgidas em período em que não detinha os poderes de gerência; c) A mera ausência de recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse mero inadimplemento da sociedade; d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; e) O ato ilícito ensejador de responsabilidade tributária pode ser tanto culposo quanto doloso; f) A prova da prática de ato ilícito por parte do administrador compete à Fazenda Pública (salvo normas especiais probatórias, como a relativa à CDA). 61. De tudo isso, é importante guardar que o "sóciogerente", de acordo com a jurisprudência hoje aceita pelo STJ, tornase responsável não por ser "sócio", mas por ter cometido ato ilícito enquanto "gerente". Em verdade, a condição de sócio é Fl. 10487DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 30 29 irrelevante. Dois são os elementos verdadeiramente relevantes para sua responsabilização: (a) ser administrador e (b) ter cometido ato ilícito nessa posição. Por ser administrador e ter cometido infração à lei, pode o terceiro ser responsabilizado; não por ser sócio. Destarte, podemos afirmar com segurança que, segundo o entendimento firmado no STJ, o administrador é chamado a pagar o crédito tributário da pessoa jurídica administrada em forma de responsabilidade por ato ilícito. Analisandose as provas dos autos e os registros do relatório fiscal, transcrito no presente relatório, verificase que o recorrente, em momento algum atuou como gerente ou administrador da empresa resultante da referida incorporação, a MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL LTDA. Do mesmo modo, não se encontra, nos autos, sequer relato, de que o recorrente teria cometido ato ilícito. Menos ainda, como gerente ou administrador. Ao contrário, como se vê nos seguintes registros do recorrente: 84. O email enviado aos funcionários da Dom José/Mercosul determinando que as solicitações do Recorrente não fossem atendidas19 (fl. 8416): "AVISO Aos Funcionários da Mercosul Sul Ratifico que as solicitações dos Srs. Nakano, Serginho e Marques, realizadas por email, telefone, celular, fax ou mesmo verbais, NÃO poderão ser atendidas. Somente nos casos em que forem endossadas pelo Sr. Borelli ou Sr. Geraldo." (sublinhados no original, grifos do Recorrente)." (..) o Boletim de Ocorrência registrado pelo Recorrente no qual consta que, pela terceira vez, ele foi impedido de entrar nos estabelecimentos da Dom José/Mercosul (fl. 8410) e sua exclusão da sociedade (fls. 8314/8390) atestam que, no período, a administração não foi por ele exercida. Até porque, pela cláusula oitava do Contrato Social da sociedade, apenas a sócia Claudia Oliveira Peres detinha poderes (exclusivos) para, em conjunto com outro sócio, administrar a sociedade. 85. Inclusive, consta na Ata de Reunião de Quotistas que deliberou pela exclusão do Recorrente da Dom José/Mercosul que, desde agosto de 2008, o Recorrente não mais assinava os documentos da sociedade: "(3) Sem motivo aparente, o sócio SERGIO LUIZ JANIKIAN em meados de agosto de 2008 passou a se recusar ou impor obstáculos com relação à assinatura, na qualidade de representante da empresa ou de seu avalista, em documentos de interesse da sociedade, recusas e obstáculos que anteriormente não eram impostos pelo SÉRGIO LUIZ JANIKIAN. (...)" (fl. 8332) 86. Ou seja, os documentos carreados aos autos não demonstram a prática de qualquer ato de gestão ilícito pelo Recorrente e as autoridades fiscais não comprovaram sua ocorrência, razão pela qual não se encontra presente o primeiro Fl. 10488DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 31 30 pressuposto para a aplicação do artigo 135, III, do CTN: um ato ilícito não tributário. Sendo assim, considerandose que a DRJ excluiu a responsabilidade do recorrente, quanto aos créditos tributários relativos ao indevido "diferimento de resultados de contratos com entidades governamentais" e "falta de adição de bonificações, doações e brindes", afastamos, também, a responsabilidade tributária, pelo fato de que não encontramos, nos autos, fundamento para se atribuir ao recorrente SÉRGIO LUIZ JANIKIAN tal encargo, tão somente pelo fato de ser sócio da empresa autuada. Das Razões do Devedor Solidário, Jannivaldo O recorrente, Jannivaldo, destacou pontos do acórdão recorrido em que foram registrados a forma como teriam agido dos sócios administradores, como: "no caso específico, o que sobressai do exame dos autos é que esses sóciosadministradores buscaram artificialmente reduzir a carga tributária da empresa". Destaca, contudo, que a Fiscalização não teria comprovado a suposta "busca artificial" pela redução da carga tributária – pelo contrário, como nota ao compulsar os autos, as infrações que teriam sido cometidas são apenas impostas aos contribuintes ora autuados sem apresentação de qualquer fulcro legal, pareceres e/ou laudos técnicos, declarações de obrigação principal e/ou acessórias etc., exigidos pela previsão do art. 9° do Decreto n° 70.235/72, indispensáveis à comprovação do ilícito. Não obstante, a DRJ manteve os sócios como devedores solidários sem, contudo, apresentar os cálculos ou quaisquer outros dados que os pudessem consubstanciálos, assim como o fez no caso do item que trata sobre os valores exonerados. No mais, em suas razões o recorrente reapresentou os itens apresentados em defesa da empresa, com o intuito de afastar a responsabilidade tributária e afastar o enquadramento do caso nas disposições dos arts. 124 e 135 do CTN, como também o fez, o devedor solidário, Sérgio Luiz. Nesse ponto, analisamos as tais razões e, alinhado ao entendimento exposto em relação ao devedor Sérgio Luiz, também concluo que não há fundamentos para se imputar ao recorrente, Jannivaldo, a responsabilidade solidária. Da Conclusão sobre os Recursos Voluntários Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial aos recursos voluntários para afastar a responsabilidade solidária dos sócios Jannivaldo e Sérgio Luiz e manter as demais conclusões da DRJ, com relação à empresa contribuinte. Do Recurso de Ofício Exoneração da Multa Qualificada. Adições Não Computadas (Bônus, Bonificações e Doações). Exclusões Indevidas (Diferimentos Sem o Preenchimento de Requisitos Formais de Receitas de Contratos com Entes Governamentais) Fl. 10489DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 32 31 O acórdão recorrido excluiu a responsabilidade solidária sobre os tributos exigidos sem a incidência de multa qualificada. Todavia, consignou que essa exoneração está sujeita a Recurso de Oficio. Assim, mantevese o Relatório de Atividade Fiscais de fls. 76037659, exceto quanto a conclusão pela incidência da multa qualificada sobre as infrações relativas: a) "diferimento de resultados de contratos com entidades governamentais"; e b) "falta de adição de bonificações, doações e brindes", sob o fundamento de que teriam decorrido de juízo de valor. Nesse contexto, a DRJ adotou o conteúdo do aludido Relatório como razões adicionais de decidir, incorporandoos aos fundamentos daquele voto. Dos Valores Exonerados Decidiuse, portanto, reduzir de 150% para 75% a multa de oficio lançada, exceto sobre os seguintes valores: Tributo Período de apuração Valor do Principal (mantido integralmente, com multa de 150%) IRPJ 30/09/2008 673.888,03 IRPJ 31/12/2008 1.067.251,65 CSLL 30/09/2008 160.698,69 CSLL 31/12/2008 177.533,85 PIS 30/06/2008 4.453,08 PIS 30/07/2008 28.117,79 PIS 30/08/2008 73.593,15 PIS 31/10/2008 66.656,27 PIS 30/11/2008 24.663,47 COFINS 30/06/2008 20.511,16 COFINS 30/07/2008 129.512,23 COFINS 30/08/2008 338.974,49 COFINS 31/10/2008 307.022,83 COFINS 30/11/2008 113.601,45 Frisouse que, todos os demais valores lançados, contidos no relatório fiscal, devem ser mantidos, porem com multa de 75%. Verificase, portanto, que tais conclusões estão em consonância com as respectivas finalizações deste voto. Nesse sentido, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 10490DF CARF MF Processo nº 13971.724186/201383 Acórdão n.º 1302002.305 S1C3T2 Fl. 33 32 Fl. 10491DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722769/2013-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIOS.
A infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada é nula por vício material intrínseco ao lançamento, em face da precariedade da motivação, e/ou pela falta do aprofundamento da investigação empregadas pela fiscalização, tendo em vista que poderia implicar em autuação não mais por conta da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, mas em decorrência de possível lançamento de imposto suplementar na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 2401-005.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento para declarar a nulidade do lançamento, por vício material. Votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Mattos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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DEPÓSITO BANCÁRIOS. A infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada é nula por vício material intrínseco ao lançamento, em face da precariedade da motivação, e/ou pela falta do aprofundamento da investigação empregadas pela fiscalização, tendo em vista que poderia implicar em autuação não mais por conta da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, mas em decorrência de possível lançamento de imposto suplementar na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 69 /2 01 3- 33 Fl. 75097DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para declarar a nulidade do lançamento, por vício material. Votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Mattos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier. Fl. 75098DF CARF MF Processo nº 19515.722769/201333 Acórdão n.º 2401005.246 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de retorno de diligência referente ao lançamento de crédito tributário do Imposto de Renda da Pessoa Física, anos calendário de 2008 e 2009, decorrentes de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A base legal do lançamento é o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Impende salientar que foram lançados dois Autos de Infração sob o mesmo fundamento, o presente auto e outro lançado em face de Rogério Mauro D’Avola (19515.722768/201399), que ainda não se encontra disponível para essa relatoria, e que foram julgados em conjunto por essa turma em sessão de 20/09/2016, que determinou a baixa dos autos em diligência. Os autos foram lançados para exigir valores a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, Impugnado o lançamento, a 1ª Turma da DRJ/RJ1 julgou parcialmente procedente a impugnação, nos termos do acórdão nº 1275.893 (fls. 74.607/74.680). Cientificada em 21/08/2015, a Contribuinte apresentou em 18/09/2015, Recurso Voluntário perante este Colegiado (fls. 74.686/74.747). Esta Turma, por maioria, converteu o julgamento em diligência considerando, em síntese, os fatos e fundamentos a seguir expostos: a) Durante a fiscalização os recorrentes juntaram ao processo inúmeros documentos e planilhas para demonstrar, não somente a origem dos recursos depositados, mas também, a natureza das operações, informando que os valores se originaram da atividade de compra e venda de precatórios. Assim a contribuinte juntou aos autos inúmeros documentos justificando os depósitos constantes das suas contas correntes; b) Os esclarecimentos referentes à operação de compra e venda de precatórios foram prestados através de planilhas demonstrativas, nas quais constavam a data do crédito em conta corrente, o nome do depositante, o valor depositado, o nome dos cedentes dos precatórios, o valor pago pelos precatórios, os demais desembolsos de cada operação de venda e compra de precatórios, etc..; c) Ato contínuo, foram juntados os seguintes documentos: Cópia dos Contratos de Instrumento Particular com Identificação dos depositantes, identificação dos cedentes originários e advindos de processo judicial que originou o crédito precatório; Cópia de recibo de pagamento e/ou comprovante de depósito realizado aos cedentes originários e advindos de processo judicial que originou o crédito do precatório; Fl. 75099DF CARF MF 4 Cópia de recibo de pagamento e/ou comprovante de depósito realizado com desembolsos havidos; Nessa mesma ordem, a contribuinte separou cada valor e os respectivos documentos comprobatórios em 26 (vinte e seis) volumes juntados ao processo. Cada operação (e correspondentes depósitos e despesas) foi apontada separadamente — dividida com uma folha na qual consta o nome do depositante. Em todos os casos existem depósitos/recibos, etc. com as comissões pagas conforme tabela e com datas compatíveis com os negócios realizados. Nessa esteira dos acontecimentos, seis dias após a entrega de toda a documentação (milhares de documentos) a autoridade fiscalizadora lançou os autos de infração com fundamento na presunção do art. 42 da Lei 9.430/96 e sob a singela justificativa de que “os documentos apresentados, sob alegação de intermediação na aquisição de precatórios, que justificariam os depósitos na conta corrente n° 8202020, uma vez que apenas apontam suposto depositante, mas não comprovam a origem dos depósitos, isto é, não permitem qualquer vinculação coincidente em data e valor de determinado crédito em conta corrente com a alegada prestação de serviço de intermediação na aquisição de precatório ou qualquer outro tipo de prestação de serviço. Nesse mesmo sentido, também o demonstrativo em planilha não restou suficiente. Vale dizer, para a comprovação da origem é indispensável a apresentação dos contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios, de modo que seja possível concluir, inequivocamente, a relação “depósito/prestação de serviço (…).” Conforme se depreende da Resolução nº 2401000.534 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, constante às fls. 75.063/75.081, tendo em vista que esses documentos que tornaram incerta a presunção legal de omissão de receitas e em decorrência da precariedade da negativa da fiscalização, supra apontada, este Colegiado, entendeu que o lançamento do auto de infração necessitaria de melhor investigação, determinando a conversão do julgamento em diligência para que fossem analisadas, individualmente, as operações comprovadas pelos documentos colacionados aos autos, os quais, s.m.j, estão aptos a demonstrar os dois elementos exigidos pela norma de regência, quais sejam, a origem – a maioria das vezes até apresentada no descritivo do extrato bancário, e a natureza da operação que a originou – compra e venda de precatórios, solicitando que a autoridade fiscal se manifestasse sobre todos esses documentos trazidos pelos Recorrentes, individualmente, e elaborando relatório circunstanciado sobre os referidos fatos, evidenciando, ainda, com base em toda a documentação colacionada aos autos, se tais receitas foram oferecidas à tributação espontaneamente. O processo retornou da diligência cuja conclusão foi a seguinte: (…) Para solução do litígio, a unidade julgadora, baixou os autos em diligência “para o fim de serem confrontados individualmente os documentos apresentados pela Recorrente, documentos esses que em sua grande maioria foram entregues no curso da fiscalização e não obtiveram a detida análise que o caso requer por parte da fiscalização”. Fl. 75100DF CARF MF Processo nº 19515.722769/201333 Acórdão n.º 2401005.246 S2C4T1 Fl. 4 5 Decerto, todos os documentos apresentados no curso da fase investigatória foram analisados. Não só por esta fiscalização, como também pela autoridade julgadora de primeira instância. Ocorre que não consta na vasta documentação apresentada, no caso dos depósitos que a fiscalizada alega serem para aquisição de precatórios, qualquer comprovação da correlação entre o depósito e o precatório aparentemente intermediado, e quando não houver correlação inequívoca entre os rendimentos/recursos recebidos pelo contribuinte e os respectivos depósitos bancários, nem o esclarecimento das operações/fatos/circunstâncias que ensejaram esses créditos, tornase inviável a consideração desses rendimentos para justificação da origem dos créditos bancários. De qualquer forma, a aceitação ou não dos documentos juntados para justificar as alegações da recorrente é atribuição da unidade julgadora. Submetêla a mesma autoridade produtora do feito poderia insinuar uma análise tendenciosa, com risco de ferir o princípio da análise independente pelo órgão recursal. A pretendida auditoria e a análise conclusiva não são temas objeto de um procedimento fiscal de diligência, a teor da definição estabelecida no artigo 3º da então vigente Portaria RFB nº 3.014/2011 (atual art. 3º da Port. RFB nº 1.687/2014): são procedimentos destinados a coletar (e não produzir) informações e outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. A aspirada auditoria e análise equiparase a um segundo exame; vetado pelo artigo 906 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999). Demais disso, com a revogação do artigo 19 do Decreto nº 70.235/1972 (art. 7º da Lei nº 8.748/1993), eliminouse a oitiva do autuante, após conclusão da fase investigatória. Dessa forma, proponho o retorno do processo ao CARF, para solução da fase litigiosa do procedimento. (grifos nossos) Assim, os presentes autos retornaram para prosseguimento, perante este E. CARF. É o relatório. Fl. 75101DF CARF MF 6 Voto Conselheira Luciana Mattos Pereira Barbosa – Relatora Tratase de retorno de diligência, em face do entendimento desta Turma de que a fiscalização não havia examinado a contento a documentação apresentada pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal e esses deveriam ser confrontados, individualmente, para identificar as operações comprovadas pelos documentos colacionados aos autos. Conforme constou do voto que determinou a baixa em diligência restou evidenciado pela documentação acostada que o contribuinte comprovou a origem dos recursos – a maioria das vezes até apresentada no descritivo do extrato bancário como se viu – e a natureza da operação que a originou – a compra e venda de precatórios, isso antes mesmo do lançamento do auto de infração e que a fiscalização deixou de examinar a contento os documentos apresentados para fins de lançar o tributo específico, caso fosse devido, com base no § 2º do artigo 42 da Lei 9.430/1996 e não com base na presunção do caput do referido artigo, por ter rejeitado os documentos e deixado de analisálos sob a alegação de que para a comprovação da origem seria indispensável a apresentação dos contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios, preferindo autuar com base no caput do artigo 42 e não com supedâneo no § 2º. Conforme exposto, o lançamento confundiu origem e natureza da receita conforme já apontado na lacônica e genérica justificativa da autoridade para negar o exame da documentação: “Vale dizer, para a comprovação da origem é indispensável a apresentação dos contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios, de modo que seja possível concluir, inequivocamente, a relação “depósito/prestação de serviço”, o que não foi objeto de atendimento pelo contribuinte, embora tenha sido sucessivamente intimado a fazêlo. Após a comprovação da origem – o que não ocorreu , ainda restaria a esta fiscalização a análise da natureza dos depósitos recebidos (se tributáveis ou não).” Dispõe o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 75102DF CARF MF Processo nº 19515.722769/201333 Acórdão n.º 2401005.246 S2C4T1 Fl. 5 7 Notese que a leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Assim, o deslinde da controvérsia passa, necessariamente, pelo entendimento do que seja comprovar “a origem dos recursos utilizados nessas operações”, condição necessária para desfazer a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada. A Fiscalização, em regra, interpreta o vocábulo “origem” de maneira abrangente, entendendo que a origem abarca a necessidade de se comprovar também a causa ou motivação da operação, sendo irrelevante o aspecto temporal da comprovação (por isso a fiscalização entendeu que era indispensável a apresentação dos contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios). Nesse diapasão, seja na fase anterior à autuação, seja na fase do contencioso administrativo, não bastaria comprovar a mera origem dos depósitos bancários, com informação de quem seria o depositante e a motivação abstrata do depósito, mas seria necessário, ainda, comprovar, documentalmente, tanto quem fez o depósito bancário, quanto a motivação da operação, para então ser afastada a presunção legal. Vale ressaltar ainda que, a jurisprudência deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF adota entendimento de que na fase do procedimento fiscal, antes da constituição do crédito tributário, basta a comprovação da origem dos depósitos bancários, sem necessidade de comprovação de que os valores depositados não estão no campo de incidência do imposto de renda. Nessa linha de raciocínio, data máxima vênia, caberia à Autoridade fiscal, após a comprovação da origem dos depósitos bancários, intimar os depositantes para que estes declinassem a causa ou a motivação da operação. A partir daí, se fosse o caso, submeterseiam os valores depositados às normas previstas no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e seus §§. Nesse sentido, o seguinte precedente: COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/1996. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. (Acórdão nº 2202002.199 da 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 21 de fevereiro de 2013). Fl. 75103DF CARF MF 8 Noutro giro, se o contribuinte fizer a prova da origem após a autuação, na fase do contencioso administrativo, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 somente seria elidida se ele comprovasse, também, que os valores não eram tributáveis. Ou seja, transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, os contribuintes deveriam sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderia ser afastada se o contribuinte comprovasse, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto sobre a renda. Nesse sentido, o seguinte precedente: COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA IMPUGNAÇÃO OU RECURSO VOLUNTÁRIO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA OU NATUREZA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES INEXISTÊNCIA – HIGIDEZ DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA PELOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caso o contribuinte faça a prova da origem dos depósitos após a fase da autuação, ou seja, na impugnação ou no recurso voluntário, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 somente será afastada se o contribuinte comprovar que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois, na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Transposta a fase da autuação, sem comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte deve sofrer o ônus da presunção legal, a qual somente poderá ser afastada se o contribuinte comprovar, iniludivelmente, que os depósitos bancários têm origem em eventos fora do campo da tributação do imposto de renda. Recurso voluntário negado. (Acórdão nº 10617.093, da extinta Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de 8 de outubro de 2008). A razão deste entendimento é óbvia: a possibilidade de comprovação exclusiva da origem na fase contenciosa tornaria inócua a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. É que os contribuintes esperariam a autuação e, em sede de contencioso administrativo, afastariam a presunção de omissão de rendimentos tão somente com a comprovação da origem dos depósitos, sem a necessidade de se comprovar que os rendimentos estariam fora do campo da tributação. Assim, acreditase ser mais razoável o entendimento esposado pela jurisprudência administrativa, em detrimento do entendimento ainda prevalente na Fiscalização da RFB. Entretanto, apresentados os documentos que em tese comprovam a origem dos depósitos bancários no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, caberia à Fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas previstas no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, contudo, isso não foi feito. Sobre a omissão de receitas caracterizada pela ausência de comprovação da origem de depósitos bancários mantidos em instituição financeira, os art. 287 (cujo caput foi usado como fundamento legal da presente autuação) e o artigo 288 do Decreto n° 3.000/1999, dispõem : Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). Fl. 75104DF CARF MF Processo nº 19515.722769/201333 Acórdão n.º 2401005.246 S2C4T1 Fl. 6 9 § 1 ° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 1º). § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 2º). § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, § 3º, inciso I). Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). O suporte fático da autuação são depósitos ou créditos bancários de origem não comprovada. Na presunção em análise, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. À autoridade fiscal compete demonstrar adequada e cuidadosamente o suporte fático da hipótese legal presuntiva (por ex., transferências entre contas de mesma titularidade, que não compõem aquele suporte fático), e intimar o contribuinte para que ele esclareça os depósitos bancários e comprove sua origem. Daí se cuidar de presunção legal de omissão de rendimentos, ilidível diante de contraprova do contribuinte (inversão do ônus da prova). Como se vê, a fiscalização preferiu autuar com base no caput do art. 287, supratranscrito, a aprofundar investigação e, se fosse o caso, autuar nos termos dos seus parágrafos, rejeitando em bloco os documentos apresentados pelo contribuinte, documentos estes que alcançam 26 volumes. No caso dos autos, se está diante de vícios prévios ao lançamento que impediram a formação da presunção de omissão de receita. E sem presunção de omissão de receita não há lançamento válido, não por questão de vício atinente à forma, mas sim por inexistência de infração. Aqui a infração só estaria presente se caracterizada, de forma válida, a presunção de omissão de receita, o que não ocorreu. A jurisprudência do CARF é uníssona nesse sentido, a saber: IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS INSUBSISTÊNCIA DA PRESUNÇÃO LEGAL Não subsiste a presunção legal de omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários de origem não comprovada quando o contribuinte comprova a origem dos recursos depositados/creditados na conta bancária, entendendose por origem a procedência desses recursos, sem se cogitar da natureza da operação que ensejou o creditamento na conta bancária do contribuinte. Poderá o Fazenda, nesse caso, proceder ao lançamento Fl. 75105DF CARF MF 10 com base na legislação especifica, se for o caso. (Acórdão 10420.448, Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) OMISSÃO DE RENDIMENTOS VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PROVA DOCUMENTAL CONTRAPROVA DE INVALIDADE PELA FAZENDA NACIONAL Se o Contribuinte trouxe aos autos documentação, evidenciando a realização de negócio jurídico, justificador de origem de recursos, a sua idoneidade e validade somente pode ser elidida por contraprova da Fazenda, o que não remanesceu demonstrado, eis que a presunção legal invocada é relativa, e que foi afastada por documentos válidos e não invalidados material e formalmente, seja em seus requisitos intrínsecos, seja em seus requisitos extrínsecos. Portanto, é de se considerar a documentação juntada para efeito de computar o valor nele consignado na variação patrimonial apurada, com resultado na autuação fiscal examinada. (Acórdão 10613624, Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. PROCEDIMENTO FISCAL QUE DEIXOU DE ESGOTAR A NECESSÁRIA INVESTIGAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS EFETUADOS NAS CONTAS DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PRESUNÇÃO. A despeito de a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 ser uma presunção legal, que traz para o contribuinte a obrigação de demonstrar a origem dos depósitos efetuados em suas contas, é certo que ela não exime a autoridade fiscal de proceder às investigações que estejam ao seu alcance no sentido de aprofundar e aprimorar o trabalho de fiscalização. Quando o contribuinte traz indícios de que os depósitos efetuados em suas contas têm origem em atividade comercial, cabe à autoridade autuante diligenciar no sentido de buscar a natureza destes pagamentos, sob pena de não se aperfeiçoar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. (Acórdão 210202.082 –2ª Seção 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Em resposta a autoridade diligenciante apenas advoga a presunção absoluta dos termos da autuação (“Decerto, todos os documentos apresentados no curso da fase investigatória foram analisados”), sem, novamente, produzir análise conforme prescrita pela resolução em comento, limitandose a apontar que, uma nova análise da documentação com o escopo de confrontar individualmente os documentos apresentados pela Recorrente equiparar seia a um segundo exame o que vetado pelo artigo 906 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), mas não somente isso, implicaria, igualmente, na modificação dos fundamentos da autuação, o que é defeso nesse momento processual, porque não se pode condescender que o trabalho fiscal da autuação seja complementado ou aperfeiçoado pela autoridade julgadora ou em diligência. O que se observa da Informação Fiscal – proferida me duas páginas às fls. 75.084/75.085 é que a própria autoridade diligenciante confirma a impossibilidade de suprir essa lacuna. Nesse sentido, é preciso atentar novamente para a genérica justificativa da fiscalização para negar o exame individualizado das provas acostadas pela Recorrente, no sentido que as mesmas apenas apontam suposto depositante, mas não comprovam a origem dos depósitos, se o julgador administrativo mantiver a exigência, não mais pela falta de comprovação do suposto depositante, mas porque, não restou comprovado, também, a origem da operação, estaríamos, a meu juízo, operando uma modificação no fundamento da exigência. Vale dizer, estarseia transmudando o fundamento da exigência de uma presunção legal de Fl. 75106DF CARF MF Processo nº 19515.722769/201333 Acórdão n.º 2401005.246 S2C4T1 Fl. 7 11 omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não comprovada, para omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, pessoa jurídica, etc. No ordenamento pátrio a motivação dos atos administrativos sempre foi obrigatória, ou como pressuposto de existência, ou como requisito de validade. Além das expressas disposições em lei, também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do ato e seu resultado, invalidao por completo. Constróise, assim, a teoria dos motivos determinantes. No magistério de Hely Lopes Meirelles, “tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade” (Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Editora Lumen Juris, 1999, p. 81.). Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, deve ser lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. Uma vez notificado do lançamento não pode a autoridade alterálo. Tratase de vício material do lançamento porque a autoridade lançadora não demonstrou/descreveu de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Guarda relação com o conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente o sujeito passivo, como segue: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. No mesmo sentido, o artigo 50 da Lei nº 9.784/1999 estabelece que os atos administrativos devem conter motivação clara, explicita e congruente, sob pena de nulidade. Notese que o erro na construção do lançamento acarreta vício insanável do lançamento, razão pela qual devem ser canceladas as exigências delas decorrentes. Nesse sentido, tenho que a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada é nula por vício material intrínseco ao lançamento, quer por conta da precariedade da motivação, quer pela falta do aprofundamento Fl. 75107DF CARF MF 12 da investigação que poderia implicar em autuação não mais por conta da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, mas em decorrência de possível lançamento de imposto suplementar na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. Registrese, por fim, que no presente processo não houve lançamento de Imposto Suplementar correspondente ao anocalendário de 2008. PELO EXPOSTO, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso da Recorrente para afastar a incidência tributária relativamente à infração Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 75108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.911028/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.192
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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(Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos IPI. O contribuinte apresentou PER/DCOMP informando como origem do direito creditório valores referentes a ressarcimento de crédito presumido de IPI. O Despacho Decisório Eletrônico da unidade local da Receita Federal reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, contudo, o mesmo foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na não homologação parcial da compensação apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que o valor do crédito foi considerado insuficiente para a quitação dos débitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 11 02 8/ 20 09 -8 8 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10980.911028/200988 Resolução nº 3402001.192 S3C4T2 Fl. 334 2 informados em razão de haver sido exigido, além dos juros de mora por ele calculados, também a multa moratória, que no seu entendimento seria indevida, já que encontrase ao amparo de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Discorre sobre o caráter punitivo da multa, aponta desrespeito aos princípios da legalidade, tipicidade, razoabilidade e proporcionalidade e defende ainda o direito a atualização monetária do crédito. Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte. Na questão de fundo, entendeu o colegiado de primeiro grau estar correta a incidência de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, desde o seu vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Entendeu ainda que a denúncia espontânea não ilide o pagamento da multa moratória. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bazerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.188, de 29 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10980.911025/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.188: "O recurso é tempestivo, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como bem pontuado pelo Acórdão recorrido, o valor solicitado pela Recorrente por meio das PER/DOMPs foi integralmente reconhecido, não havendo o que reformar no Despacho Decisório no tocante ao crédito, inclusive quanto à atualização deste pela Taxa Selic. A principal discordância da Contribuinte diz respeito ao critério utilizado pelo Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC para a efetivação das compensações, o qual resultou em insuficiência do crédito para quitar integralmente os débitos declarados. Isto porque nas compensações de débitos na data de transmissão do PER/DCOMP o contribuinte apropriou apenas o principal e juros moratórios enquanto o SCC fez a imputação proporcional também de multa moratória. Assim, percebese que o ponto fulcral da lide é a capacidade da compensação tributária formalizada pela Recorrente implicar nos Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10980.911028/200988 Resolução nº 3402001.192 S3C4T2 Fl. 335 3 efeitos da denúncia espontânea, já que tal instituto lhe exime do recolhimento de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. De um lado, o acórdão recorrido afirma que: A título de esclarecimento, acrescentase que os débitos já vencidos que motivaram a presente controvérsia foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – apresentada antes da transmissão do PERDCOMP em que foi declarada a compensação, estando correta a imputação feita pelo sistema de controle de créditos, sendo legítima a cobrança do saldo devedor remanescente especificado no DDE. A seu turno, a Recorrente em diversas passagens de sua peça dirigida ao CARF afirma que não havia declarado tais débitos em DCTF, vejase um exemplo: De fato a Recorrente ao efetuar a compensação do tributo a que estava em atraso ainda não o havia declarado incidindo, portanto, os exatos termos requeridos pela legislação de regência e interpretação jurisprudencial para a ocorrência da denúncia espontânea. Compulsando os autos, constato que não se encontra juntada a DCTF. Assim, havendo dúvidas sobre o direito da Recorrente e resguardando o futuro julgamento do Colegiado sobre o mérito, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. É a resolução." Importante frisar que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10980.911028/200988 Resolução nº 3402001.192 S3C4T2 Fl. 336 4 ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.905350/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.057
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 50 /2 01 2- 31 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de Contribuição para COFINS. O Despacho Decisório denegatório do direito pleiteado inicialmente, fundamentou a não homologação da compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, na qual alega em síntese que: • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo do previsto no inciso III dos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, para compensar com as Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 3 contribuições vencidas no período, conforme DACONs retificadoras; “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. (...) • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo. Sobreveio então o Acórdão 08033.070, da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que "a eficácia da retificação da DCTF, quando apresentada após a ciência do Despacho Decisório, depende de comprovação, a cargo do contribuinte, do erro em que se funda, mediante escrituração e documentos", comprovação esta que não restou satisfeita. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário com relação ao mérito da questão, bem como alegando que a decisão recorrida não analisou a documentação apresentada no seu entender, suficiente para garantir o crédito pleiteado , deixando prevalecer erro material nas declarações inicialmente prestadas pela Contribuinte, mas depois devidamente sanadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.034, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10283.904567/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.034: "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 4 pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos e créditos que teria direito pela sistemática da não cumulatividade da contribuição social (incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967 e 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 5 com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 6 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na for ma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 7 Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10283.905350/201231 Acórdão n.º 3402005.057 S3C4T2 Fl. 0 8 certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Somente insistiu que as declarações retificadoras seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão da DRJ ter expressamente colocado quais documentos seriam necessários para a efetividade da prova do crédito. Sobre esse ponto, saliento que este Colegiado vem admitindo provas apresentadas em sede de recurso voluntário, haja vista o princípio da verdade material e da informalidade moderada que reinam na esfera do processo administrativo. Todavia, nem em sede recursal a Recorrente se desincumbiu do ônus da prova. Dessarte, não tendo sido comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.904034/2012-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM.
A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
Numero da decisão: 9101-003.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLÍNICA TRAUMATOLOGICA MOINHOS DE VENTO SOCIEDADE SIMPLES LTDA. EPP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399BA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.904183/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 40 34 /2 01 2- 91 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre o coeficiente para cálculo do lucro presumido no caso de empresa que presta serviços por imagem. A recorrente insurgese contra Acórdão que reconhece que a prestação de serviço médico por imagem estava submetido ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente, relativamente à matéria acima mencionada, da que tem sido dada em outros processos. Sustenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1116399 não menciona os serviços por imagem, equiparandoos a serviços hospitalares. Tal julgado tão somente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei nº 9.429/95. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente de Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho fundamentado deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O presente processo trata de CSLL. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.319, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.904183/200994. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.319): Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 4 3 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 5 4 ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 6 5 julgamento do RESP 951.251PR, conforme o destaque feito na transcrição acima. Também é interessante transcrever a ementa dessa decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 7 6 O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 8 7 realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. (grifos acrescidos) Retomando o conteúdo destes autos, vêse que a atividade da contribuinte não consiste em simples prestação de consultas médicas. Em seu recurso, a PGFN argumenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.116.399 não menciona os serviços de radiologia, equiparandoos a serviços hospitalares; que tal julgado tãosomente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, deixando claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento. De fato, a referida decisão do STJ não tratou especificamente de serviços de radiologia, mas tudo o que foi dito naquela decisão sobre a questão em torno da tributação dos serviços hospitalares deve ser aplicado para as várias atividades ligadas à promoção da saúde. Com efeito, o STJ, ao proferir a citada decisão na sistemática dos recursos repetitivos, não restringiu sua análise aos serviços médicos laboratoriais (situação específica daquele REsp). Por outro lado, embora a PGFN reconheça que o STJ deixou claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento no coeficiente de 8%, ela acabou buscando fundamento nas antigas instruções normativas da Receita Federal que defendiam justamente essa linha de interpretação. As decisões invocadas pela PGFN, tanto do antigo Conselho de Contribuintes, quanto do STJ (2006), realmente trazem um entendimento superado, alterado em 2009 pelo próprio STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, conforme já mencionado. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou em outras oportunidades sobre situações semelhantes à destes autos, reconhecendo a aplicação do coeficiente de 8% para entidades que também não são hospitais, mas que se encaixam na referida interpretação do STJ manifestada em sede de recursos repetitivos, e que foi considerada pela CSRF como de observância obrigatória, em razão do art. 62A do RICARFAnexo II: Acórdão nº 9101001.870 Sessão de 30 de janeiro de 2014 Recorrente: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DE SOROCABA LTDA Interessado: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:1999,2000,2001,2002 Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 9 8 As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. [...] Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: [...] A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem ser adicionadas ao lucro presumido e não se Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 10 9 submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. Acórdão nº 9101001.559 Sessão de 23 de janeiro de 2013 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). [...] Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. [...] Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: [...] Com o advento da Lei n° 11.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: [...] Antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: [...] Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11080.904034/201291 Acórdão n.º 9101003.323 CSRFT1 Fl. 11 10 proferiu decisão na mesma linha de raciocínio da decisão do acórdão ora recorrido: [...] Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543–C do Código de Processo Civil (CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: [...] Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. No presente processo, cabe adotar o mesmo posicionamento das referidas decisões desta 1ª Turma da CSRF (acima transcritas). Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722167/2015-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013
RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS. CONCEITO DE FATURAMENTO
O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, em stricto sensu, porém todas as receitas derivadas das atividades-fim do contribuinte. No caso de sociedade seguradora, abrange as receitas com prêmios de seguros.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013
RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS. CONCEITO DE FATURAMENTO
O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, porém todas as receitas derivadas das atividades-fim do contribuinte. No caso de sociedade seguradora, abrange as receitas com prêmios de seguros.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento parcial, acatando o argumento de que não havia base legal para a cobrança de juros sobre multa de ofício.
Jose Henrique Mauri - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS. CONCEITO DE FATURAMENTO O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, em stricto sensu, porém todas as receitas derivadas das atividades-fim do contribuinte. No caso de sociedade seguradora, abrange as receitas com prêmios de seguros. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS. CONCEITO DE FATURAMENTO O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, porém todas as receitas derivadas das atividades-fim do contribuinte. No caso de sociedade seguradora, abrange as receitas com prêmios de seguros. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 540 1 539 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.722167/201587 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.172 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria PIS/PASEP e COFINS Recorrente HSBC SEGUROS (BRASIL) S. A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS. CONCEITO DE FATURAMENTO O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, em stricto sensu, porém todas as receitas derivadas das atividades fim do contribuinte. No caso de sociedade seguradora, abrange as receitas com prêmios de seguros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 RECEITAS TÍPICAS DE SOCIEDADE DE SEGUROS. CONCEITO DE FATURAMENTO O conceito de faturamento abrange não apenas venda de mercadorias e serviços, porém todas as receitas derivadas das atividadesfim do contribuinte. No caso de sociedade seguradora, abrange as receitas com prêmios de seguros. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 21 67 /2 01 5- 87 Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 541 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento parcial, acatando o argumento de que não havia base legal para a cobrança de juros sobre multa de ofício. Jose Henrique Mauri Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 542 3 Relatório Adoto o relatório da decisão da primeira instância: "Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra o contribuinte identificado, foram lavrados os autos de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 2/14), no qual se exige o recolhimento de R$ 83.182.523,99 de Cofins, R$ 23.841.604,08 a título de juros (calculados até 06/2015) e R$ 63.386.893,01 a título de multa de lançamento de ofício (75%); e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 15/27), no qual se exige o recolhimento de R$ 13.517.160,16 de PIS, R$ 3.874.260,68 a título de juros (calculados até 06/2015), e R$ 10.137.870,20 a título de multa de lançamento de ofício (75%). Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 29/58), a contribuinte impetrou Mandado de Segurança, sob nº 2006.70.00.40312, e que na sentença exarada em 10/10/2006 teve reconhecido apenas seu direito de "recolher a contribuição ao PIS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar n° 07/70 e na Lei nº 9.715/98, e aCOFINS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar nº 70/91", e ainda, "de, após o trânsito em julgado (art. 170A do CTN), compensar os valores recolhidos a maior desde janeiro de 2001, em face do direito ora reconhecido, com outros tributos administrados pela Secretaria de Receita Federal, nos termos do art. 74 da Lei n°9.430/96, com a redação da Lei n° 10.637/2002". Dizem as autoridades fiscais que em momento algum a sentença proferida reconheceu que as receitas decorrentes das operações de seguros (praticadas pelo contribuinte) não constituem base de cálculo do PIS e da Cofins do período, por qualquer motivo que fosse, ainda mais pelo entendimento (dado pelo contribuinte) de que a prática de tais operações (securitárias) não se configura prestação de serviços, muito pelo contrário, ainda em sede monocrática, respectivo Juízo fez questão de destacar expressamente a "inexistência de declaração na presente ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos". Assim, fica claro que a ação interposta não se presta a esclarecer quais receitas auferidas pelo contribuinte devem ou não compor a base de cálculo das contribuições em tela. Mencionam as autoridades fiscais que na sentença prolatada respectivo Juízo fez questão de ressalvar, expressamente, ao Fisco "o poder de, sponte sua (princípio da auto executoriedade dos atos administrativos), fiscalizar os recolhimentos realizados pelas impetrantes a partir da decisão liminar, bem assim a compensação após o trânsito em julgado, conferindo a sua idoneidade, em especial quanto às receitas consideradas enquadradas na legislação aplicável quanto à base de cálculo, declarada na presente sentença, podendo, inclusive, proceder ao lançamento ex officio (art. 142 do CTN e demais aplicáveis) e lançar eventual multa devida". Entretanto, em procedimento fiscal ficou constatado que as receitas decorrentes das operações de seguros, praticadas pelo contribuinte entre 07/2010 e 12/2013, não compuseram a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins apuradas (pelo mesmo) no período, vez que, no seu entender, tais receitas não Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 543 4 compõem o faturamento do período, pelo fato de que a prática de operações de seguro não se enquadra no conceito de prestação de serviços, os quais devem decorrer do fazer humano. Cientificada em 19/06/2015, a interessada apresentou, por intermédio de seus representantes legais, a impugnação de fls. 238/285, onde aduz que a fiscalização entendeu que a atividade securitária exercida como atividadefim seria classificável como uma prestação de serviços, muito embora a decisão judicial emanada nos autos do processo nº 000403156.2006.404.7000 (antigo nº 2006.70.00.0040312) determinasse que a Cofins e o PIS somente poderiam incidir sobre receitas oriundas do fornecimento de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Relata que a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterou a base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins, instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e nº 70, de 30 de dezembro de 1991, respectivamente, considerando faturamento como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou o tratamento contábil adotado. Essa modificação trazida por lei ordinária motivou uma discussão acerca de sua inconstitucionalidade, que acabou alcançando o E. Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e concluindo que a base de cálculo equivale ao faturamento, entendido este como sendo o total de receitas auferidas em razão da venda de mercadorias e/ou da prestação de PA BELEM DRJ Fl. 427serviços de qualquer natureza. Posteriormente, acrescenta, foi editada a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que revogou expressamente o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando definitivamente a equiparação do conceito de faturamento à totalidade das receitas da pessoa jurídica. Expõe que, sujeitandose às disposições da Lei nº 9.718/1998, ingressou com ação judicial requerendo lhe fosse reconhecido o direito de calcular o PIS e a Cofins com base no seu faturamento, tal como definido pela Lei Complementar nº 70/91, e não pela totalidade das receitas. O desfecho dessa ação se deu com a decisão do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, declarando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, como já fizera o STF, confirmandose deverem incidir exclusivamente sobre receitas auferidas na venda de mercadorias, na prestação de serviços ou na conjunção de ambos. Ressalta que o provimento em seu favor concedido não implica mera autorização para ‘exclusão’ de receitas da base de cálculo das contribuições, mas sim o reconhecimento de que valores há que jamais a compuseram validamente. Diz, referindose a sua causa de pedir na ação judicial, que o afastamento da base de cálculo prevista na Lei nº 9.718/1998 implicaria a impossibilidade de incidência da Cofins e do PIS sobre receitas financeiras (e equiparadas). Sendo assim, e de acordo com a decisão contida no acórdão proferido pelo TRF/4ª Região, não haveria dúvidas de que as receitas financeiras (e aquelas a elas equiparadas, como as securitárias) não integram e nunca poderiam integrar o conceito de prestação de serviços. Por isso, alega que os autos de infração não merecem prosperar, eis que visam exigir valores afastados por ação judicial, dando interpretação à ação proposta e à decisão proferida de forma totalmente diversa do seu real conteúdo. Alega que a autoridade fiscal visou replicar o posicionamento contido no Parecer/CAT nº 2.772/2007, contudo, se equivocou quanto (i) a natureza jurídica das receitas auferidas pela impugnante em razão de suas atividades típicas; (ii) a amplitude do termo “faturamento”, conforme entendimento jurisprudencial; e (iii) a Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 544 5 aplicabilidade de disposições do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços para a determinação de fatos geradores no âmbito tributário. Em tópico específico, salienta o equívoco cometido pela fiscalização, dada a impossibilidade de enquadramento das receitas de natureza securitária no conceito de contraprestação pela prestação de serviços, conforme conceituação presente no Anexo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio e Serviços GATS, firmado pelo Estado Federativo do Brasil no âmbito do GATT/OMC, e que o STF, em julgamento sobre a incidência de ISS na locação de guindastes, já se posicionou que somente há uma prestação de serviço quando se verificar uma obrigação de fazer relacionada a um esforço humano, que gere uma utilidade material ou imaterial a terceiro. Cita, no mesmo sentido, doutrina a respeito. Salienta, ainda, nesse contexto, que muito embora a sua atividade esteja prevista no item 18.01 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116, o qual prevê “Serviços de regulação de sinistros vinculados a contratos de seguros; inspeção e avaliação de risco para cobertura de contratos de seguros; prevenção e gerência de riscos seguráveis e congêneres”, a jurisprudência do STF foi contundente em afastar a tributação de atividades que pudessem extrapolar o conceito constitucional de serviço. Finaliza que jamais se poderia equiparar receitas tipicamente financeiras (às quais juridicamente se equiparam as receitas securitárias) a uma contraprestação de serviço (preço de serviço). Argumentando que o fato gerador da contribuição é uma prestação de serviços (ou uma venda de mercadorias), e nenhuma outra, afirma que esta não é a causa jurídica das receitas por ela auferidas, eis que não decorrem de uma prestação de serviço, por não remunerar qualquer espécie de esforço humano. Expõe que, por ser companhia seguradora, firma com seus clientes contratos pelos quais se obriga a custear/assumir despesas eventualmente incorridas em razão dos chamados ‘sinistros’, mediante o recebimento de um valor fixo mensal (‘prêmio’), destinado à constituição de um fundo comum que será utilizado para a cobertura de eventuais despesas dos clientes. Essa espécie contratual, complementa, é tipicamente aleatória, na medida em que uma das prestações é sempre incerta, dependente da ocorrência de evento futuro e imprevisível, percebendose, assim, que não se está diante de uma prestação de serviços, já que os valores recebidos não se prestam a remunerar um serviço especificamente prestado; portanto, não se pode equiparar as receitas securitárias auferidas (‘prêmio’) a uma contraprestação por um serviço, sob pena de alterar a definição de faturamento, emprestada do Direito Privado, o que é vedado pelo art. 110 do CTN, restaurando por vias oblíquas a aplicabilidade do dispositivo legal já declarado inconstitucional. Diz que, é possível firmar a premissa de que somente após o advento da Medida Provisória n° 627/13 (posteriormente convertida na Lei n° 12.973/2014) que houve a pretensão de tributar todas as receitas provenientes da atividade principal da empresa, pelo PIS e pela COFINS. Contudo, é notório que essa nova base de cálculo não pode retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos. Refuta o GATS para a caracterização de serviços, uma vez que o âmbito da assinatura e da aplicabilidade do GATS é no comércio internacional de serviços, entre EstadosMembros, não podendo ser utilizada a conceituação ali inserida para fazer incidir a Cofins e o PIS sobre as receitas de natureza securitária. Traçando um paralelo ao caso, transcreve a previsão contida no Código de Defesa do Consumidor CDC (§ 2º, art. 3º, Lei Federal nº 8.078, de 1990): “...serviços é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira e de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”, para concluir que, a despeito de o CDC trazer a atividade securitária (dentre outras) como se serviço fosse, tal previsão não tem o condão de permitir a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas correspondentes; tanto que Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 545 6 esse Código considera que uma operação tipicamente bancária, como um empréstimo, seria um serviço para fins exclusivos de atribuir proteção especial ao cliente/consumidor, o que, de modo algum, poderia significar transferência da competência tributária privativa da União aos Municípios. Por último, assevera que o GATS foi recepcionado no ordenamento por meio de Decreto, o que afasta qualquer possibilidade de que os conceitos por si trazidos possam se sobrepor àqueles pressupostos pela Constituição Federal na definição dos aspectos materiais dos tributos de competência de cada ente tributante (ex.: faturamento, serviço) ou de leis complementares definidoras das respectivas regras matrizes de incidência tributária (ex.: LC 07/70, LC 70/91, CTN). Solicita que seja determinado o sobrestamento do julgamento do presente processo administrativo, em razão de a discussão sobre a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras estar pendente de julgamento definitivo pelo E. STF no Recurso Extraordinário n° 609.096/RS, ao qual foi suscitada repercussão geral. Por fim, diz que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. É o relatório." Em 17/05/2016, a DRJ em Belém (PA) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 0132.836 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE PRÊMIOS RECEBIDOS AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitado em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas de prêmios recebidos, atinentes a sua atividade operacional, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e multa de ofício, por expressa previsão legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE PRÊMIOS RECEBIDOS AÇÃO JUDICIAL. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 546 7 Pela decisão judicial transitado em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei nº 9.718/98, conforme entendimento do Superior Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas de prêmios recebidos, atinentes a sua atividade operacional, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e multa de ofício, por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 547 8 Voto O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. DA CONTENDA Tratase de autos de infração para cobrança de PIS e COFINS sobre receitas líquidas de prêmios de seguros auferidas no período de julho de 2010 a dezembro de 2013, nos montantes de R$ 169.411.021,08 e R$ 27.529.291,04, incluindo principal, multa de ofício de 75% e juros Selic. A fiscalização considerou as receitas de prêmios de seguros, líquidas das deduções admitidas em lei, como integrantes do faturamento e tributáveis para fins de PIS e COFINS, nos termos das redações então vigentes das LC n° 7/70 e 70/91 e Leis n° 9.718/98 e Lei n° 9.715/98. A autuação também fundamentouse: no alcance da sentença judicial proferida em favor da recorrente, em que contatou que "(. . .) o contribuinte teve reconhecido apenas seu direito de 'recolher a contribuição ao PIS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar n°07/70 e na Lei n° 9.715/98, e a COFINS calculada sobre a base de cálculo prevista na Lei Complementar n° 70/91', e ainda, 'de, após o trânsito em julgado (art. 170A do CT1V), compensar os valores recolhidos a maior desde janeiro de 2001, em face do direito ora reconhecido, com outros tributos administrados pela Secretaria de Receita Federal, nos termos do art. 74 da Lei n°9.430/96, com a redação da Lei n° 10.637/2002'"; no § 2° e caput do art. 3° da Lei n° 8.078/90 (definição de fornecedor e serviço do Código de Defesa do Consumidor CDC); no Anexo de Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994); no Parecer PGFN/CAT/n° 2.773/07; e Acórdão CARF n° 3101001.768, de 11/12/2014, que versam sobre as mesmas matérias, porém atinentes ao período de março de 2008 a junho de 2010. A DRJ ratificou a autuação, pelos seus fundamentos, enfatizando aquela que julgou ser a questão central: o alcance da sentença judicial e o conceito de faturamento, que abrangeria as receitas típicas de uma sociedade seguradora. Colacionou trechos de julgamentos do Supremo Tribunal Federal, em que concluíram pela inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Em suas peças de defesa, a recorrente apresenta diversos argumentos para contestar a pretensão fiscal, a saber: i) Trouxe dissertação acerca do perfil constitucional das contribuições para o PIS e COFINS, destacando que o alargamento da base de cálculo promovido pela Lei n° Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 548 9 9.718/98 foi considerado inconstitucional pelo STF, o que fez com que incidam exclusivamente sobre vendas de mercadorias e serviços, nos moldes do art. 2° da LC n° 70/91. ii) Alegou que nem todas as receitas operacionais enquadramse no conceito de faturamento, mencionando: decisão do STF (RE n° 396.514), em que a receita de locação de imóveis não se inclui na base de cálculo da COFINS, por não se tratar de venda de mercadoria ou serviço; trecho de debate, no âmbito do RE 390.840, em que o Ministro Carlos Brito manifestouse no sentido de que receitas financeiras não constituem faturamento; julgados do TRF da 4° Região (MS n° 2005.71.00.0195070/RS e AMS n° 2005.71.00.0236496), para instituição financeira, dispondo que as receitas financeiras não se incluem no conceito de faturamento; que somente a partir de janeiro de 2015, com a edição da MP n° 627/13, convertida na Lei n° 12.973/14, poderseia admitir a inclusão da receita de prêmios nas bases tributáveis pelo PIS e a COFINS, posto que determinou a incidência sobre as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica; e precedente do CARF, no sentido de que as receitas financeiras não integram as bases de PIS e COFINS de instituição financeira (processo n° 15504.015967/201072) e em que foi discutida a aplicação de conteúdo da sentença proferida em favor do contribuinte em questão. iii) Dispôs sobre o alcance da sentença proferida em seu favor, que declarou que o § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 era inconstitucional. Como foi determinado que deveriam ser calculadas com base na LC n° 70/91 venda de mercadorias e serviços e venda de seguros não se configura como prestação de serviços, seria indevido o lançamento de ofício. Para tanto, destacou o seguinte trecho do voto proferido no acórdão transitado em julgado: iv) Aduziu que a DRJ não apreciou os argumentos que contestaram a equiparação de receitas securitárias às de serviços, que teria sido efetuada com base no Anexo de Serviços Financeiros do GATT 1994 e no CDC, quais sejam: O STF, quando do julgamento do RE 116.121/SP, leading case sobre não tributação pelo ISS de locação de guindastes, consignou que somente há serviço, quando se verifica uma obrigação de fazer, o que não ocorre no caso em tela, posto que as receitas que aufere "não se prestam a remunerar qualquer espécie de esforço humano." O GATT 1994 aplicase ao comércio internacional, não podendo ser adotado "no âmbito de atuação interna de cada ente federado". Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 549 10 Cita decisão do STJ, no Resp 222.246/MG, no sentido de que "o conceito constitucional de serviço tributável somente abrange 'a) as obrigações de fazer e nenhuma outra". A previsão do CDC de que a atividade securitária incluise dentre as de prestação de serviços não tem o condão de produzir efeitos no campo tributário. v) Requer o sobrestamento do processo até o julgamento definitivo do RE 609.096/RS, nos termos do art. 1.030, inciso III do Novo Código de Processo Civil. Com efeito, naquele processo discutese a incidência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras auferidas por instituições financeiras. vi) Alega ser ilegal a cobrança de juros Selic sobre multa de ofício. DA ANÁLISE DO MÉRITO Já me pronunciei sobre este tema, quando proferi meu voto no Acórdão n° 3301003.166, de 25/01/17. Propus que fosse negado provimento ao recurso voluntário, no que fui acompanhado por todos os conselheiros então presentes. Verificase que a empresa em questão era a "HSBC EMPRESA DE CAPITALIZAÇÃO (BRASIL) S/A" e que também figurava como parte no processo judicial mencionado pela recorrente (MS n° 2006.70.00.0040312). E que os argumentos de defesa apresentados naquele processo também se encontram no presente. Sendo assim, enfrento os argumentos comuns aos dois processos administrativos da recorrente com trecho do voto que naquela ocasião proferi. Em seguida, aprecio duas questões não contempladas no citado Acórdão n° 3301003.166: impropriedade da equiparação de receitas securitárias às de serviços realizada pela fiscalização, com base no GATT 1994 e no CDC; e ilegalidade da cobrança de juros Selic sobre multa de ofício. Abaixo, transcrição de parte do voto condutor do Acórdão n° 3301003.166, de 25/01/17: " Divirjo da Recorrente. Em suma, não depreendo das ações judiciais em que se discutiu a constitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 que o PIS e a COFINS incidem somente sobre vendas de bens e serviços. Minha oposição, entretanto, não reside na pretensa classificação da venda de seguros e títulos de capitalização como serviços. Indiscutivelmente, não os são. Entendo que o conceito de faturamento, receita bruta, venda de bens e serviços, é amplo, abrangente, evoluiu ao longo dos anos com a expansão da atividade empresarial e deve ser entendido como o fruto, a receita obtida com as atividadesfim, principais e típicas do negócio. Nesta linha, a receita derivada da venda de seguros e títulos de capitalização deve ser incluída nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. (. . .) Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 550 11 De volta ao tema principal, cabe então apresentar aos Conselheiros desta Turma o processo movido pela Recorrente e os fundamentos da opinião que expus em parágrafos anteriores. Apesar da baixa qualidade da reprodução, dada a sua importância, reproduzo trechos das seguintes peças processuais: pedido incluído no citado Mandado de Segurança; a decisão que concedeu parcialmente a segurança; e a sentença que transitou em julgado, prolatada pelo TRF da 4° Região: MS nº 2006.70.00.0040312 (fl. 41) Pedido Concessão parcial da segurança Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 551 12 Sentença transitada em julgado (TRF 4° Região) Dos excertos acima, destaco que: a Recorrente pleiteou pagar PIS sobre o "faturamento"; e não obstante o fato de ser apenas a decisão de primeiro grau, o juízo que concedeu a segurança deixou claro que o conceito de faturamento não foi objeto de apreciação, por não ter sido incluído no pedido: "destacando, apenas, a inexistência de declaração na presente ação acerca da interpretação das referidas leis, ou seja, sobre quais receitas das impetrantes estão efetivamente inseridas nas bases de cálculo referidas, uma vez que não foi a questão objeto de pedido nos autos". No tocante aos textos legais em que fundamento o entendimento acima manifestado sobre "faturamento" ou "receita bruta" ou "receita da venda de bens e serviços", inicio pelos artigos 278 a 280 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99), cujo fundamento legal se encontra no Decretolei n° 1.598/77 e Lei n° 6.404/76 ("Lei das Sociedades Anônimas): Regulamento do Imposto de Renda (RIR) "Lucro Bruto Art. 278. Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 2º). Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 552 13 Parágrafo único. O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços (art. 280) e o custo dos bens e serviços vendidos Subseção III (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, inciso II). Subseção I Disposições Gerais sobre Receitas Receita Bruta Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Receita Líquida Art. 280. A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 1º)." (g.n.) Adicionalmente, na sessão do julgamento do RE 346.084/PR (fls. 1.253 e 1.254), em que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, o Ministro César Peluso expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa e acrescentou que, se determinadas instituições têm receitas financeiras como atividade empresarial típica, tais receitas ingressam no conceito de receita bruta como faturamento: “(. . . ) Quanto ao caput do art. 3°, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme a Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE n° 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de "receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços", adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (..) Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento". (g.n.) O Ministro César Peluso manifestou idêntico posicionamento, quando do julgamento do AgR RE 371.258 e no AgR RE 400.479. Sobre este último, chamo a atenção dos Conselheiros para a reprodução da manifestação do referido ministro, pois trata do caso presente, isto é, tributação pelo PIS e COFINS de receitas da venda de seguros: AgR RE 371.258 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 553 14 “RECURSO. Extraordinário. COFINS. Locação de bens imóveis. Incidência. Agravo regimental improvido. O conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” RE 400.479AgR, manifestação do Relator, Ministro Cezar Peluso “Tendo em conta que a doutrina comercialista mais acatada reconhece há tempos a relevância da chamada teoria da empresa e que o conceito básico do moderno direito comercial seria o de atividade empresarial, substituindo a velha noção de ato de comércio, assentou o relator que se deveria formular a ideia de faturamento sob a perspectiva da natureza e das finalidades da atividade empresarial. Ressaltou que o equívoco dos que querem furtarse ao regulamento das contribuições, alegando não comercializar bens nem serviços, decorreria da não percepção da ideia mais abrangente de atividade empresarial. Disse que, embora se use definir empresa com base na noção de empresário, entendido como quem exerce profissionalmente atividade organizada para a produção e circulação de bens e serviços, obviamente não haveria como nem por onde resumir a ideia da atividade empresarial à de venda de bens e serviços, nem tampouco interpretar restritivamente o sentido da referência a esses bens e serviços. A noção seria ampla e abarcaria o conjunto das atividades empresariais, pouco importando o ramo a que pertençam. Para o relator, não seria possível deixar de correlacionar atualmente a noção jurídica de faturamento com a de atividade empresarial. Realçou que, se nem todas as receitas constituem faturamento, seria preciso reconhecer, por outro lado, que as receitas que o compõem não se exauririam na rubrica das oriundas de vendas de bens e serviços. Não seria lícito, portanto, invocar a concepção curtíssima de mercadorias ou serviços para limitar a noção de faturamento, não procedendo a argumentação quer da seguradora quer das instituições financeiras de que, por não venderem mercadorias nem prestarem serviços, estariam livres da incidência da contribuição sobre o faturamento. Aduziu que a atividade econômica se expressaria das mais variadas formas e o fato de certos ramos não se dedicarem à produção de mercadorias nem à prestação de serviço ‘stricto sensu’, não lhes retiraria nem esmaeceria o caráter empresarial que está indissociavelmente ligado ao pressuposto do fato autorizador do PIS e da COFINS” (Informativo STF n. 556, de 17 a 21 de agosto de 2009 – g. n.). Por fim, imprescindível mencionar que, em sessão de 24/08/2016, a 2° Turma Ordinária destas Seção e Câmara, em processo idêntico e de n° 10980.725458/2011 01, proferiu decisão em desfavor da Recorrente. O Acórdão 3302003.334 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2008 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS SECURITÁRIAS E DE CAPITALIZAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Pela decisão judicial transitada em julgado, que considerou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, trazida pela Lei n. 9.718/98, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, ficaram afastadas da base de cálculo o valor das demais receitas não decorrentes da atividade principal da empresa, não restando estabelecido, na decisão judicial, que as receitas Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 554 15 securitárias e de capitalização, e correlatas, atinentes à atividade operacional da companhia, tenham sido afastadas da incidência das referidas contribuições." (g.n.) No quarto item do recurso voluntário, a Recorrente requer o sobrestamento do processo, "em razão de a discussão sobre a incidência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas por instituições financeiras estar pendente de julgamento definitivo pelo STF, em sede do RE n° 609.096/RS, ao qual foi conferido repercussão geral." Deste resultado, aguardase posicionamento definitivo do STF sobre a abrangência dos conceitos de "faturamento" / "receita bruta" / "receita da venda de bens e serviços", para fins de determinação das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Não obstante a pertinência do RE n° 609.096/RS com a discussão em tela, no Regimento Interno do CARF atualmente em vigor (Portaria MF n° 343/2015), não há mais previsão acerca de sobrestamento. Diante do exposto, entendo que as receitas derivadas da venda de seguros, cosseguros, resseguros, segurossaúde e de títulos de capitalização incluemse no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS, o qual abrange as receitas das atividadesfim do contribuinte. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Consignado meu posicionamento sobre a matéria, isto é, de que considero tributáveis pelo PIS e COFINS as receitas com prêmios de seguros, enfrentarei as duas alegações remanescentes. Segundo a recorrente, a fiscalização teria concluído pela incidência do PIS e da COFINS sobre receitas securitárias, em razão de têlas equiparado às receitas de prestação de serviços, com os seguintes fundamentos: § 2° e caput do art. 3° da Lei n° 8.078/90 (definição de fornecedor e serviço do Código de defesa do Consumidor; e no Anexo de Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT 1994). Nas peças de defesa, a recorrente assim contestou os argumentos da fiscalização, os quais, a seu ver, inclusive, não teriam sido enfrentados pela DRJ: O STF, quando do julgamento do RE 116.121/SP, leading case sobre não tributação pelo ISS de locação de guindastes, consignou que somente há serviço, quando se verifica uma obrigação de fazer, o que não ocorre no caso em tela, posto que as receitas que aufere "não se prestam a remunerar qualquer espécie de esforço humano." O GATT 1994 aplicase ao comércio internacional, não podendo ser adotado "no âmbito de atuação interna de cada ente federado". Cita decisão do STJ, no Resp 222.246/MG, no sentido de que "o conceito constitucional de serviço tributável somente abrange 'a) as obrigações de fazer e nenhuma outra". Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 555 16 A previsão do CDC de que a atividade securitária incluise dentre as de prestação de serviços não tem o condão de produzir efeitos no campo tributário. Minha leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 29 a 48) difere da efetuada pela recorrente. Depreendo que a fiscalização recorreu ao GATT 1994 e ao § 2° e caput do art. 3° da Lei n° 8.078/90 (definição de fornecedor e serviço do Código de Defesa do Consumidor CDC) para consignar quais atividades estavam compreendidas no objeto social de uma sociedade seguradora, cujas receitas compõem seu faturamento e, por conseguinte, estavam sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. E a DRJ, a meu ver, ao consignar que as contribuições incidem sobre as receitas das atividades típicas de uma seguradora, enfrentou a questão, ainda que de forma indireta. Conforme já mencionei, entendo que o faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, abrange todas as receitas das atividades típicas da pessoa jurídica. E, em se tratando de seguradora, compreende, naturalmente, as receitas com prêmios de seguros. Por fim, sobre a suposta ilegalidade da cobrança de juros Selic sobre a multa de ofício, dispõe o art. 113 do CTN: " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (. . .)" (grifo nosso) A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de conceituados tributaristas, que repudiam o fato de o conceito de obrigação tributária compreender tributo e penalidade. Contudo, não podemos nos furtar a aplicálo. Assim, no caso em tela, a obrigação tributária abrange PIS, COFINS e multa de ofício. Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (. . .)" (grifo nosso) Portanto, é lícita a incidência de juros sobre a obrigação tributária, consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Neste sentido, apresentouse o entendimento do STJ no AgRg no REsp n° 1335688/PR (DJ de 10/12/2012): "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10980.722167/201587 Acórdão n.º 3301004.172 S3C3T1 Fl. 556 17 INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso) Sobre a taxa de juros a ser aplicada, reportome à Súmula CARF n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Com base no acima exposto, nego provimento às alegações concernentes à ausência de base legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. DA CONCLUSÃO Nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 556DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914073/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA.
A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-004.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 40 73 /2 00 9- 09Fl. 113DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 26561.40195.060207.1.7.045692, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou a efetiva existência do crédito utilizado, que, devidamente corrigido, seria suficiente à quitação do débito exigido; que promoveu a retificação da DCTF e DACON; e, que houve erro material no preenchimento das declarações. Foram juntados, na ocasião, planilha de atualização do indébito, PERDCOMP (original), DACON e DCTF retificados. A DRJ Porto Alegre/RS julgou o recurso improcedente ao argumento que não havia prova concreta nos autos que conferisse liquidez e certeza ao crédito postulado, para tanto não bastando apenas retificações de declarações desacompanhadas de outros elementos. O recurso voluntário apontou violação ao princípio da verdade material e aduziu a ocorrência de erro material, devidamente caracterizado. Citou doutrina e jurisprudência, em seu favor. A 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF, através do Acórdão 3401001.613, de 02/09/2011, não conheceu do recurso, devido à perempção (perda de prazo processual). A unidade preparadora interpôs embargo de declaração, assinalando omissão, de sua parte, na juntada do competente Aviso de Recebimento – AR, de ciência postal, certificando a tempestividade da peça. Às efls. 111/112 consta o exame de admissibilidade recursal exigido pelo art. 65, § 2º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15). É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Reexaminado o recurso voluntário, à luz do aclaratório interposto, confirmo o preenchimento dos requisitos para sua admissibilidade, visto que proposto dentro do trintídio legal, de modo que deve ser conhecido. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11080.914073/200909 Acórdão n.º 3401004.348 S3C4T1 Fl. 11 3 Nesse diapasão, a questão dessa discussão, a meu ver, diz respeito a prova dos fatos alegados ou, melhor dizendo, à distribuição do ônus probatório correspondente, mais especificamente, a quem caberia a produção dos elementos probatórios do direito de crédito ora altercado. O contribuinte, em sua manifestação recursal, pugnou pela observância do princípio da verdade material, regente do processo administrativo fiscal, contudo, não se pode olvidar que é sua a atribuição de comprovar a existência do indébito alegado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil (CPC/15), utilizado subsidiariamente. Consoante aludido dispositivo, cabe ao autor o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, incumbe ao sujeito passivo, que é seu titular, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo é responsabilidade do sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Mesmo reconhecendo que o aludido princípio é verdadeiro dogma para o procedimento contencioso administrativo, tenho que encontra limite na própria lógica da produção probatória necessária à demonstração do direito invocado, não me parecendo coerente que a Administração Tributária, no caso, tenha que providenciar os elementos de prova que estão em poder do requerente. Também não me parece suficiente que ao administrado basta a invocação do seu direito, desacompanhado de qualquer documento que o ampare, para que dele possa usufruir e, havendo necessidade de instrução probatória, compita à administração pública providenciála com base no princípio da verdade material, mormente quando a mesma dependa de provas que estão justamente na esfera de disponibilidade do administrado requerente. A prova documental colacionada ao processo se limita às declarações retificadoras, que, a meu ver e por si só, não possuem o condão de deflagrar os efeitos desejados pelo contribuinte – demonstração de recolhimento a maior de tributo –, como acentuou a decisão recorrida. Em hipóteses como esta – divergência entre declarações (retificada x retificadora) –, apenas a contabilidade do contribuinte se sobrepõe às declarações firmadas, porquanto a legislação comercial e civil (e. g. art. 226 do Código Civil, art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 56 e ss da Lei nº 4.502/64) lhe conferem expressamente esta força probante, de modo que caberia sua apresentação, ainda que por amostra, para contraposição às declarações apresentadas, para checagem do que é realmente devido. Neste processo, não há um único elemento distinto das sobreditas declarações retificadoras, não vindo aos autos qualquer documento contábil ou fiscal que permita a aferição de seus dados, documentos estes, repitase, que apenas o contribuinte ora recorrente detém, cabendo acentuar que esta circunstância foi expressamente destacada na decisão recorrida: Fl. 115DF CARF MF 4 (...) Em que pese o alerta feito pelo colegiado a quo, o recurso voluntário não trouxe nenhum outro elemento, mas tãosomente um acórdão do TRF – 4ª Região. Repitase: a incumbência da prova cabe ao contribuinte, que não se desvencilhou de produzila, sendo insuficiente a referência às declarações, justamente porque as informações são díspares e não conduzem à conclusão defendida. De outra banda, vale aqui a inteligência do adágio jurídico consoante o qual alegar o direito e não provar é o mesmo que nada alegar (allegare sine probare et non allegare paria sunt). Quanto ao pretenso erro material, o recorrente menciona genericamente a sua ocorrência, divagando sobre seus efeitos, mas sequer indica onde teria ocorrido o equívoco de preenchimento, o que, por outro lado, seria de nenhuma valia, pois, como dito, desacompanhado dos elementos documentais que respaldariam a revisão pretendida. Em síntese, concluo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, não merecendo qualquer censura. Pelo exposto, acolho os embargos de declaração, com efeito infringente, para negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004215/2010-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 15 /2 01 0- 16 Fl. 551DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 19515.004215/201016 37.309.5112 (Emp. e SAT) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.004214/201063 37.309.5139 (Terceiros) Obrig. Principal Recurso Especial 19515.004216/201052 37.252.5334 (AI 78) Obrig. Acessória Recurso Especial 19515.004217/201005 37.309.5074 (AI34) Obrig. Acessória Sem interposição de Recurso Especial 19515.004218/201041 37.309.5120 (AI 68) Obrig. Acessória Recurso Especial O presente processo trata do Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.309.5112, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados, no período de 01/2005 a 13/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 31 a 43. Em sessão plenária de 16/07/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.142 (efls. 482 a 493), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência complementar privada quando não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 19515.004215/201016 Acórdão n.º 9202006.425 CSRFT2 Fl. 552 3 A assistência médica seja a título de seguro saúde, seja a título de reembolso de despesas médicas, é saláriodecontribuição quando não ofertados a todos os empregados e dirigentes da empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para reconhecer a decadência no período de 01/2005 a 11/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, bem como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora." O processo foi encaminhado à PGFN em 13/09/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 494) e, em 01/10/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 495 a 512 (Despacho de Encaminhamento de efls. 513). O apelo está fundamentado nos arts. 64, II, e 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visava rediscutir duas matérias: decadência; e aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas quanto à aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, conforme Despacho nº 2400242/2014, de 24/02/2014 (efls. 515 a 518), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame nº 2400348R/2014, de 07/05/2014 (efls. 519). Quanto à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 02/02/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 528), a Contribuinte ofereceu, em 13/02/2015, as Contrarrazões de efls. 530 a 539 (carimbo de efls. 530), contendo os seguintes argumentos, relativamente à matéria que obteve seguimento: conforme muito bem observado no acórdão recorrido, antes da Medida Provisória n° 449 não havia a previsão de aplicação da multa de ofício mas sim a multa de mora aplicada em duas modalidades distintas: (i) uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea e (ii) outra decorrente da notificação fiscal de lançamento; Fl. 553DF CARF MF 4 posteriormente, com o advento da referida MP, que passou a vigorar a partir de 04/12/2008 e foi convertida na Lei n° 11.941, de 2009, surgiu a previsão da multa de ofício com a nova redação dada ao artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, e com a inclusão do artigo 35 A no dispositivo legal mencionado acima; neste sentido, nos termos do artigo 144, do CTN, o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, de modo que em relação aos fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2008, aplicase apenas a multa de mora e, em relação aos fatos geradores ocorridos após dezembro de 2008, aplicase apenas a multa de ofício; deste modo, também quanto à aplicação da multa, não poderá ser admitido ou provido o Recurso Especial, e, por conseguinte, deverá ser feito o recálculo da multa com base no artigo 61, da Lei n° 9.430, de 1996, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao recurso, mantendose integralmente o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e, relativamente à matéria que obteve seguimento aplicação da retroatividade benigna, em face das penalidades previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009 atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, nesta parte. Embora a Contribuinte, em sede de Contrarrazões, alegue que o Recurso Especial não poderia ser admitido, uma vez que o acórdão recorrido teria aplicado o entendimento da súmula nº 99 do CARF, verificase que a citada súmula referese à matéria da decadência, cujo seguimento foi negado ainda na fase de admissibilidade, conforme os despachos de efls. 515 a 519. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal, Debcad 37.309.5112, referente às Contribuições Previdenciárias, parte patronal e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados, no período de 01/2005 a 13/2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 31 a 43. No que tange à penalidade, no caso do acórdão recorrido determinouse o recálculo da multa de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96). A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que se verifique, na execução do julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. A retroatividade benigna encontrase prevista no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), conforme a seguir: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) Fl. 554DF CARF MF Processo nº 19515.004215/201016 Acórdão n.º 9202006.425 CSRFT2 Fl. 553 5 II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação original da Lei nº 8.212, de 1991, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 555DF CARF MF 6 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (grifei) Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (grifei) Fl. 556DF CARF MF Processo nº 19515.004215/201016 Acórdão n.º 9202006.425 CSRFT2 Fl. 554 7 Destarte, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, determinando que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 557DF CARF MF
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