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Numero do processo: 10660.900359/2006-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/06/1999
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 03 59 /2 00 6- 62 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900359/200662 Acórdão n.º 3801004.581 S3TE01 Fl. 12 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900359/200662 Acórdão n.º 3801004.581 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo contra o acórdão julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 27 de fevereiro de 2014, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. “Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (Per) que visou à restituição de crédito de Cofins (código de arrecadação 2172) oriundo de pagamento indevido/a maior. Referido Per foi indeferido à razão de que, dadas as características do Darf ali discriminado, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição postulada. Na manifestação de inconformidade foi defendido em síntese que: a Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 determinou que a partir de 1º/02/1999, as fundações de direito privado estão isentas da Cofins sobre as receitas provenientes de suas atividades próprias; “Por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, surgindo, incontinenti, o direito de ser restituída dos valores que recolheu aos cofres públicos à título de COFINS”; “providenciou o requerimento através do PER/DCOMP número15693.47903.150703.1.2.047803) sendo surpreendida com o indeferimento do Pedido de Restituição”; “os rendimentos indevidamente tributados não se referem a ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável ou à receitas estranhas às suas atividades próprias”; Ao final, requer: alternativamente “lhe seja reconhecido e autorizado o direito de compensar o seu crédito com outros débitos de competência da Receita Federal do Brasil”; “produção de prova técnica pericial, com a finalidade de demonstrar que se trata de tributo calculado e recolhido tendo em conta as receitas provenientes de suas atividades próprias” Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900359/200662 Acórdão n.º 3801004.581 S3TE01 Fl. 14 4 Em razão de Resolução dessa 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência, em síntese, no sentido de que fossem determinadas quais as receitas isentas da contribuinte, nos termos do § 2º do art. 47 da IN/SRF nº 247/2002. Na Informação Processual da DRFVAR/SAORT/GEDOC, em resumo, foram contextualizados os procedimentos fiscais visando ao cumprimento daquela Resolução, dentre os quais: a solicitação de esclarecimento endereçada à contribuinte a apresentar documentos/informações, bem como a insuficiência dos documentos apresentados em decorrência. Aberta a oportunidade para tanto, em face daquela Informação Processual, a contribuinte apresentou suas razões adicionais de defesa. É o relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO INDEVIDO/A MAIOR. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não comprovado documentalmente o direito creditório postulado, malgrado as oportunidades conferidas à contribuinte para esse mister, há que se manter o indeferimento operado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância, sendo injusto o indeferimento da restituição por não haver juntado as notas fiscais que embasaram o lançamento. É o sucinto relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900359/200662 Acórdão n.º 3801004.581 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado, determina a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. O contribuinte foi intimado, via solicitação de Esclarecimento, a fornecer nova documentação em que contasse descritivamente: 1 – Planilhas e/ou demonstrativos de apuração das receitas próprias (isentas da COFINS com base no artigo 14, inciso X, c/c o artigo 13, inciso VIII da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001) e das demais receitas, referentes aos períodos de apuração dos supostos créditos objetos das Manifestações de Inconformidades, constantes dos processos acima citados. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900359/200662 Acórdão n.º 3801004.581 S3TE01 Fl. 16 6 2 – Cópias dos Livros Contábeis / Fiscais onde constem os lançamentos das receitas mencionadas no item “1”, acompanhados dos documentos que embasaram os lançamentos e que comprovem a natureza das referidas receitas; 3 – Maiores esclarecimentos, que entenderem necessários, para subsidiar as análises e os julgamentos. Em resposta ao solicitado, o contribuinte limitouse a colacionar os mesmos documentos e informa que não possui mais as notas fiscais pertinentes ao fato gerador objeto do pedido de restituição, por entender ser desobrigado de manter esta documentação tão logo tenha decorrido 5 anos. Em divergência do alegado a Nota Cosit nº 338/2007 estabelece que a obrigatoriedade da guarda de documentos fazse necessária até o término da decisão, conforme abaixo, parcialmente transcrito: “A Nota COSIT nº 338, de 2 de outubro de 2007, ratifica a SCI COSIT nº 11 de, 24 de julho de 2006 (...) 2.10 Quanto ao prazo estabelecido que o contribuinte tem obrigação de guardar os documentos relativos a DIRPF apresentada, não se pode olvidar a necessidade do exame dos saldos de Imposto a Restituir apurados pelo contribuinte mesmo após o prazo decadencial para o lançamento, considerando que toda restituição envolve saída de valores dos Cofres Públicos e deve, portanto, ser respaldada em procedimentos capazes de verificar a procedência ou não da respectiva restituição, e, portanto, a restituição pleiteada mediante a DIRPF deve ser pautada nos mesmos procedimentos a que estão sujeitos os demais pedidos de restituição, no sentido de que o interessado deve manter todos os documentos relativos à restituição solicitada enquanto o pedido não tiver sido analisado e decidido.”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando a documentação idônea, completa e capaz de comprovar o direito creditório alegado, devendo ser ressaltado que a delegacia de julgamento propiciou ao contribuinte oportunidade para fazêlo e o recorrente se limitou a apresentar os mesmos documentos outrora colacionados no processo. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900359/200662 Acórdão n.º 3801004.581 S3TE01 Fl. 17 7 Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto à necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável à apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147”. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900359/200662 Acórdão n.º 3801004.581 S3TE01 Fl. 18 8 Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficientes para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333 O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. II – ao réu, quanto à existência de fato impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Quanto ao argumento do contribuinte de que por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, entendo que esse fato não afasta o seu dever de cumprimento de obrigações acessórias. Determina o art. 14, inc. III do CTN que as entidades protegidas pela imunidade e mais ainda aquelas abrangidas pela isenção possuem o dever de: “III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Este dever implica não somente a escrituração e guarda dos livros, mas também dos documentos correspondentes que confirmem as informações contábeis registradas. Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900359/200662 Acórdão n.º 3801004.581 S3TE01 Fl. 19 9 Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11251.000038/2009-93
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1998 a 28/02/2002
DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. ART. 32 DA LEI 4.357(64. POSSIBILIDADE.
A vedação à distribuição dos lucros e/ou bonificações somente é aplicável aos casos em que há débito executado judicialmente e que não tenha sido garantido pela pessoa jurídica.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado:
Numero da decisão: 2803-004.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ART. 32 DA LEI 4.357/64. POSSIBILIDADE. A vedação à distribuição dos lucros e/ou bonificações somente é aplicável aos casos em que há débito executado judicialmente e que não tenha sido garantido pela pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 25 1. 00 00 38 /2 00 9- 93 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TRANSPORTES E TURISMO EROLES LTDA, em face da decisão da Gerência Executiva de Guarulhos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que indeferiu a impugnação apresentada pela recorrente e manteve o crédito exigido. Tratase de penalidade aplicada com base no artigo 285, do RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99 referente as quantias pagas a título de participação nos lucros a sócio quotista, diretor ou membro de órgão dirigente, estando em débito com a seguridade social, nos períodos de 31/05/2000; 30/06/2000; 31/07/2000 e 30/12/2000. Após devidamente intimada do lançamento, a empresa apresentou impugnação tempestiva, às fls. 90/95. Ao analisar os argumentos trazidos, a Gerência Executiva de Guarulhos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário exigido sob os seguintes fundamentos: “a) Não há dúvidas de que realmente houve a distribuição de lucros aos sócios, sendo tal fato cabalmente admitido pela impugnante na contestação apresentada, bem como, comprovado pelo Fiscal autuante, conforme cópias xerox extraídas dos Livros Diários e juntadas Às fls. 28/46; b) Da análise da farta documentação juntada aos autos, restou também comprovado que a impugnante está em débito para com a Seguridade social, fato este constatado não só nos Livros Diário da Empresa (Conta n. 215.010.09 – QUOTAS INSS DA EMPRESA A RECOLHER), como também nas GFIPs/RDE. Vale Lembrar que tanto o livro Diário quanto a GFIP, são documentos elaborados pela empresa, sendo certo que nos termos do art. 23 do Código Comercial, o Livro Diário faz prova plena contra o próprio proprietário e seus sucessores, equivalendo À confissão. c) embora insista a defendente na argumentação de que não há nenhuma decisão transitada em julgado, que diga que é devedora do INSS, tal constatação – débito para com a Seguridade Social – pode ser efetivada de diversas maneiras, sendo a mais importante a própria confissão da empresa, como no caso presente, em que declara em seus Livros Diários e na própria GFIP (que é um documento declaratório por excelência), que encontrase em débito para coma Seguridade Social. d) a alíquota de multa que contesta a contribuinte, foi instituída pela legislação em vigência conforme no “Relatório Fiscal da Aplicação da Multa” de fls. 04 e, a competência do INSS é restrita À sua aplicação e arrecadação, quando cabíveis, não sendo de nossa atribuição d discussão da inconstitucionalidade de leis e sim a correta execução das mesmas”. (com adaptações) (fl. 127) A contribuinte foi devidamente cientificada da decisão supramencionada e apresentou recurso em 02/05/2002 às fls. 132/137, no qual aduz, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11251.000038/200993 Acórdão n.º 2803004.087 S2TE03 Fl. 166 3 Suscita que não há decisão transitada em julgado que comprove que a recorrente é devedora do INSS e que até o momento da autuação, a recorrente não possuía qualquer débito inscrito em dívida ativa ou cobrança em execução fiscal o que, na sua opinião, não legitima o agente fiscal presumir que a empresa tenha débito com o INSS e conclua, por consequência, que os seus lucros não podem ser distribuídos aos seus sócios. Aduz que não é constitucional a cobrança de multa de 50% sobre a distribuição de lucros entre os sócios, por ser esse fato confiscatório e ofensivo ao princípio da livre iniciativa. Questiona o fato de a pessoa jurídica de direito privado ser penalizada, se distribuir lucros e possuir supostos débitos com previdência, ao passo que a União e o INSS, devedores de precatórios a inúmeras pessoas jurídicas ou físicas, nada sofrem de punição pelos atrasos em que são contumazes. Pondera que o governo pode se socorrer da emissão de títulos da dívida pública, a qualquer tempo para honrar os seus compromissos, sem que tais atos comprometam sua atividade normal e o exercício de suas atividades, todavia, o particular, mesmo que não haja uma única sentença contrária de primeira instância, está impedido de obter CND, de distribuir lucros, de contratar com o poder público, deixando claro que a norma que fundamenta a presente multa é inconstitucional. Sem contrarrazões fiscais, os autos vieram à apreciação deste Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário apresentado é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Distribuição de Lucros Quando da autuação da recorrente ainda não estava em vigor o artigo 17 da Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004 (DOU de 30.12.2004), que alterou a redação do artigo 32 da Lei 4.357, de 16 de julho de 1964 (Lei 4.357/64). Em sua redação original, referido artigo 32 dispõe que as pessoas jurídicas, enquanto estiverem em débito, não garantido, para com a União e suas autarquias de Previdência e Assistência Social, por falta de recolhimento de imposto, taxa ou contribuição, no prazo legal, não poderão distribuir bonificações a seus acionistas e dar ou atribuir lucros a seus sócios ou quotistas, bem como a seus diretores e demais membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos. Desde 1964, portanto, esse dispositivo existe no direito brasileiro. No meu entender,o dispositivo em análise obstaculiza as empresas com débito nãogarantido perante a Fazenda Nacional de distribuir bonificações a seus acionistas, dar ou atribuir participações de lucros aos sócios ou quotistas e diretores. Ora, a legislação societária estabelece distinções entre a distribuição de dividendos e a atribuição de bonificações ou participações nos lucros. De fato, a primeira corresponde à remuneração paga aos sócios proporcionalmente pela sua participação no capital social, em virtude da apuração de lucro líquido na empresa; a segunda, a seu turno, constitui espécie de “gratificação” paga ao sócio, diretor ou mesmo terceiro contratado, em virtude do seu desempenho na condução da empresa, devendo ser contabilizada como despesa. Essa distinção conceitual, aliás, foi observada por ocasião da elaboração do projeto originário da Lei 4.357/64, quando o então Presidente da República, Castello Branco, vetou o termo “dividendo” constante da alínea “a” do artigo 32, sob o fundamento de que restringir “a distribuição dos dividendos” afetaria a vida normal das empresas, as quais eram “núcleos propulsores do desenvolvimento da economia nacional”. Destarte, o dispositivo não vedou que sociedade em débito perante a União distribua dividendos a seus acionistas ou quotistas, existindo óbice apenas em relação ao eventual pagamento de bonificações e participações nos lucros. A segunda questão a merecer maior reflexão reside no significado da expressão “débito nãogarantido”. Nesse ponto, vale ressaltar que o dispositivo legal foi editado anteriormente ao Código Tributário Nacional — CTN, devendo ser interpretado à luz deste e da Constituição Federal. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11251.000038/200993 Acórdão n.º 2803004.087 S2TE03 Fl. 167 5 Analisando a questão, a teor do artigo 32 da Lei 4.357/64, empresas devedoras só poderiam distribuir bonificações/participações nos lucros se os débitos estivessem acobertados por penhora, depósito ou fiança bancária, a teor do artigo 9º, da Lei 6.830/80. Essa interpretação, contudo, conflita com o CTN, por desamparar diversas situações legalmente reconhecidas nas quais não haveria pretensão do Fisco de cobrança do crédito, por se encontrar este com a exigibilidade suspensa. Mencionese, por exemplo, a hipótese de obtenção de liminar em Mandado de Segurança ou ação cautelar, situação em que a exigibilidade do crédito estaria suspensa por força do artigo 151, do CTN, embora não garantido por depósito, penhora ou fiança. A suspensão da pretensão de cobrança deuse não por garantia concreta do futuro pagamento, mas pela probabilidade de que o débito venha a ser declarado inexigível. Decerto, a suspensão da exigibilidade do crédito inibe não apenas a cobrança em si, mas também a prática de quaisquer atos ou procedimentos, diretos ou indiretos, que externem a finalidade de coerção para o pagamento. Não por outra razão, existe direito à certidão positiva, com efeitos de negativa, quando o contribuinte possua débitos com o Fisco, mas que estejam com exigibilidade suspensa em virtude de quaisquer das hipóteses previstas no artigo 151 do CTN. Por conseguinte, o artigo 32, da Lei 4.357/64 deve ser interpretado no sentido de que a distribuição de bonificações ou participações nos lucros a acionistas, cotistas ou administradores só é vedada quando a pessoa jurídica possua débito líquido, certo e, sobretudo, exigível, o que não acontece no caso em tela, uma vez que a autuação foi em decorrência das informações da própria contribuinte, não existindo qualquer lançamento para constituir o suposto crédito não honrado pela recorrente. Ademais, entendo que apenas a existência de um débito já executado judicialmente e ainda não garantido pela pessoa jurídica é que configura a situação descrita na lei e que possibilitaria a imposição da penalidade por uma distribuição indevida. Eventuais “apontamentos” ou débitos que ainda não se encontrem na situação em que seja possível o oferecimento de garantia, não podem, na nossa avaliação, caracterizar empecilho para a distribuição de lucros e/ou bonificações, nos termos do dispositivo legal analisado. Não é razoável supor que um Auto de Infração ou uma NFLD caracterize a existência, nos termos da vedação imposta, de um débito desde o seu início e que, se não garantido, impeça a distribuição de lucros e bonificações. Antes de mais nada, é necessário entender que há previsão de um processo administrativo regular, motivo pelo não é possível admitir a hipótese de existência de um débito não garantido, no sentido da lei analisada, antes do esgotamento da fase administrativa. Após o encerramento da fase administrativa, o procedimento regular determina a inscrição do débito em dívida ativa e o conseqüente ajuizamento do executivo fiscal nos termos de lei específica que regula o assunto (Lei 6830/80). Somente a partir desse momento, portanto, há possibilidade de apresentação de diversas modalidades de garantia do débito pelo suposto devedor1. A inscrição do débito em dívida ativa do ente público, por sua vez, possui presunção legal de legitimidade de sua existência, já que somente ocorre após a decisão final no processo administrativo fiscal regular, salvo hipótese de autolançamento (p.ex., declaração em DCTF). A mera inscrição do débito em dívida ativa, contudo, não lança o contribuinte Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 nessa situação de “débito não garantido”, até porque nessa situação o contribuinte ainda não pôde garantir o débito. Apenas a propositura de Execução Fiscal, com a citação válida, abre para o contribuinte a possibilidade de garantir o débito nos termos da lei reguladora do processo de Execução Fiscal. Portanto, penso que a vedação à distribuição dos lucros e/ou bonificações somente é aplicável aos casos em que há débito executado judicialmente e que não tenha sido garantido pela pessoa jurídica. Eventuais “apontamentos” ou débitos que não ainda não se encontrem na situação em que seja possível o oferecimento de garantia, não podem, em meu entender, caracterizar empecilho para a distribuição de lucros e/ou bonificações nos termos do dispositivo legal analisado. Assim sendo, entendo que o recurso voluntário deve ser provido, visto não existir qualquer cobranã judicial em face da contribuinte no momento em que distribuiu bonificações aos seus diretores. Conclusão Pelo exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, exonerando o crédito tributário lançado. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10315.000115/2010-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2005
OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO. EXTRATO BANCÁRIO. LEGALIDADE.
Constatado a resistência do contribuinte em não atender as intimações da fiscalização para apresentar os livros contábeis, fiscais e notas fiscais, bem como, extratos bancários, a utilização de informação obtida junto às instituições financeiras com apoio nas disposições da Lei Complementar nº 105/2001, se justifica, inexistindo contrariedade à formação da base de cálculo, impõe em manter o crédito tributário constituído por meio de lançamento de ofício.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEFESA. ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A contestação da infração imputada na autuação deve ser efetuada pelo responsável a quem se atribui a prática, não podendo o contribuinte fazê-lo em nome de terceiros responsáveis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2005 OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO. EXTRATO BANCÁRIO. LEGALIDADE. Constatado a resistência do contribuinte em não atender as intimações da fiscalização para apresentar os livros contábeis, fiscais e notas fiscais, bem como, extratos bancários, a utilização de informação obtida junto às instituições financeiras com apoio nas disposições da Lei Complementar nº 105/2001, se justifica, inexistindo contrariedade à formação da base de cálculo, impõe em manter o crédito tributário constituído por meio de lançamento de ofício. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEFESA. ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A contestação da infração imputada na autuação deve ser efetuada pelo responsável a quem se atribui a prática, não podendo o contribuinte fazê-lo em nome de terceiros responsáveis. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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APURAÇÃO. EXTRATO BANCÁRIO. LEGALIDADE. Constatado a resistência do contribuinte em não atender as intimações da fiscalização para apresentar os livros contábeis, fiscais e notas fiscais, bem como, extratos bancários, a utilização de informação obtida junto às instituições financeiras com apoio nas disposições da Lei Complementar nº 105/2001, se justifica, inexistindo contrariedade à formação da base de cálculo, impõe em manter o crédito tributário constituído por meio de lançamento de ofício. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEFESA. ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A contestação da infração imputada na autuação deve ser efetuada pelo responsável a quem se atribui a prática, não podendo o contribuinte fazêlo em nome de terceiros responsáveis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 01 15 /2 01 0- 94 Fl. 783DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve integralmente o crédito tributário constituído por meio de auto de infração de COFINS relativo ao período de apuração do ano calendário de 2005. As irregularidades detectadas e consideradas pela fiscalização para promover o lançamento de ofício encontra esmiuçadas no “Relatório Final de Procedimento Fiscal” de fls. 53/60. Acusação é de que o Recorrente deixou de apurar e declarar contribuição devida, bem como, deixou de emitir nota fiscal cujos recursos foram depositados em conta bancária em nome de sua pessoa física e de terceiros (esposa). Transcrevese o relatório da decisão recorrida por espelhar os fatos: “Relatório. Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrado auto de infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 02/09, no valor total de RS 451.155,90, incluindo encargos legais. A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 04/05, foi a seguinte. 1) Falta/Insuficiência de Recolhimento da Cofins. . Valor correspondente ao somatório das receitas escrituradas e dos lançamentos a crédito de contas bancárias utilizadas pela empresa, cuja origem não foi comprovada, conforme relatório fiscal e planilhas anexas aos autos. Enquadramento Legal: Arts. 2°, inciso Il e parágrafo único, 3°, 10, 22 e Sl do Decreto n° 4.524/02. No que concerne ao Relatório de Procedimento Fiscal, fls. 52/56, referenciado no auto de infração destacamse os seguintes trechos: O contribuinte, diversas vezes intimado e reintimado, deixou de apresentar os livros e demonstrativos solicitados, fomecendo à fiscalização apenas os Livros Diário, Razão, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Entradas e de Saídas. Tais livros apresentam diversas irregularidades que toma a contabilidade da empresa imprestável para a análise tributária, quais sejam: Livro Diário sem registro na Junta Comercial; Fl. 784DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10315.000115/201094 Acórdão n.º 3403003.448 S3C4T3 Fl. 7 3 Livros Diário e Razão com termo de abertura indicando a existência de apenas 26 folhas em cada, e contendo duas folhas com esta mesma numeração em cada livro; Ausência de Balanço, DRE e Plano de contas; Verificouse nos últimos lançamentos do Livro Diário (pág. 15, 33, 51 e 92) que a empresa apurou prejuízos contábeis. No entanto, como não apresentou LALUR, assim não se pode saber qual teria sido o prejuízo fiscal; Os valores de estoque escriturado sempre caem (pág 82 do Razão); Isso faz 0 Custo a Mercadoria Vendida ser alto. A empresa pode ter usado esta estratégia para fabricar prejuízo. E impossível verificar se os valores de estoque escriturados estão corretos sem o Livro Registro e Inventário. Todas as vendas escrituradas são à vista com contrapartida na conta caixa. E todas as compras são a prazo, acumulando saldo em caixa, o que pode camuflar saldos credores de caixa; Não há débito na conta "fomecedores" indicando baixa/pagamento das compras com contrapartida na conta "caixa", A empresa não escriturou a movimentação bancária em conta especifica, e os lançamentos constantes dos extratos bancários não foram localizados na conta caixa ou qualquer outra do ativo. Além das irregularidades constantes dos livros apresentados, o contribuinte não atendeu às solicitações, várias vezes reiteradas para apresentação do Livro Registro de Inventário, Lalur, DRE, Balanço Patrimonial, Plano de Contas, Extratos bancários, bem como dos seguintes demonstrativos solicitados: Demonstrativo, mês a mês, do estoque de mercadorias, indicando, para cada produto, a descrição, a quantidade em estoque na data, a unidade de medida, o valor unitário e o valor total; Demonstrativo de Notas Fiscais de entrada e saída, especificando data de emissão, produtos, sua quantidade, valor unitário, valor total da nota, CFOP, identificando Fomecedor ou Cliente; Memória de cálculo dos lançamentos de valor apropriado, mês a mês, em Custo da Mercadoria Vendida, identificando os valores de Estoque Inicial, Final e Compras; Demonstrativo contendo conta creditada, conta debitada, histórico, ata e valor referentes a cada lançamento à credito as contas bancárias A empresa também não atendeu às intimações para apresentar documentação comprobatória dos saldos a conta do passivo "Fomecedores Diversos" (2.1.0l.0l. 000l) ou informar data das baixas e forma de pagamento, indicando lançamento correspondente (contrapartida) em conta do ativo. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Além de todas estas irregularidades descritas, que tornam a contabilidade imprestável à determinação do lucro real, fazse também impossível a identificação nela da efetiva movimentação financeira, principal objeto da fiscalização. E, finalmente, constatouse o evidente intuito de sonegação e fraude, caracterizado pela utilização indevida de contas bancárias de titularidade das pessoas físicas Rosana de Araújo Sampaio e Raimundo Ferreira da Silva, para movimentar recursos oriundos da atividade comercial da empresa, mantendoos à margem da escrituração, e, conseqüentemente, omitindo receitas, o que obriga, inclusive, a qualificação da multa de oficio, conforme inciso II, do artigo 44 da Lei 9.430/96. DO LANÇAMENTO Foi efetuada a lavratura de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, PIS e Cofins, em 18/02/2010, constituindo o crédito tributário através do arbitramento com base nos valores escriturados correspondentes à receita da revenda de mercadorias e nos valores referentes à omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, tendo em vista aí constatação de que a empresa Raimundo Ferreira da Silva, CNPJ 00.659.574/000176, e' de fato”a real proprietária dos recursos omitidos na contabilidade e movimentados nas. contas bancárias: Conta 51.5403, agência 0020, Banco BEC Conta 51.057I, agência 0014, Banco BEC Conta 28.001O, agência 0014, Banco BEC Conta 0000372750, agência 00894, Banco HSBC Conta 6.4181, agência 15989, Banco do Brasil Conta 230939, agência 00894, HSBC. Tendo em vista o evidente intuito de sonegação e fraude (art. 71 a 73 da Lei n° 4502/64), caracterizado pela utilização de interpostas pessoas para movimentação de recursos pertencentes à empresa, mas não escriturados, foi aplicada a multa qualificada de 1150%, conforme inciso II, do artigo 44 da Lei n° 9430/96 e elaborada Representação Fiscal para Fins Penais. Foram considerados nos autos de infração, reduzindo o crédito tributário, os valores constantes nos Sistemas Informatizados da Secretaria da Receita Federal como pagos pelo contribuinte, embora tais valores não tenham sido informados em DIPJ, DCTF ou DACON. Foi elaborada representação para a_ SARAC proceder ao bloqueio de tais valores ora utilizados como dedução do crédito tributário apurado. ' O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, informado sobre a Representação Fiscal para Fins Penais e, no mesmo ato, intimado a comparecer a DRF para receber os livros utilizados durante a fiscalização e documentos de origem bancários não utilizados. Considerando, ainda, o interesse comum do casal, e de acordo com o disposto no inciso l do art. l24_ do Código Tributário Nacional, foi lavrado, em 18/02/2010, TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, constituindose solidariamente obrigados pelo crédito tributário a Sra. Rosana Alves Sampaio, CPF 308.168.82304 e o Sr. Raimundo Ferreira da Silva, CPF 223.680.00372, para os quais foram enviadas, por via postal, Fl. 786DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10315.000115/201094 Acórdão n.º 3403003.448 S3C4T3 Fl. 8 5 cópias de tais termos, juntamente com cópias dos autos de infração e seus anexos, inclusive o presente relatório, que é parte integrante do Auto de Infração. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 23/02/2010, fls. 620, apresentou o contribuinte em 23/03/2010 impugnação, fls. 623/633, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. A defesa questiona inicialmente a obtenção dos extratos bancários junto a instituições financeiras pela fiscalização, explicando que em 27/05/2009 apresentou todos os livros da qual tinha a posse, tendo solicitado uma nova prorrogação de prazo para que o contribuinte fizesse a aquisição e conseqüente remessa da documentação faltante para o Fisco. Considera a requisição de informações sobre movimentação financeira aos bancos HSBC, BRADESCO e BANCO do BRASIL são baseados em Lei Inconstitucional, sendo objeto de interposição de ADIN a qual se encontra em trâmite, aguardando o seu julgamento Afirma que, de posse ilegal ou no mínimo questionável de referidos documentos, e, sem o conhecimento da contribuinte, cuja mesma tentava igual objetivo junto às entidades financeiras as quais estavam a lhe impor taxas exorbitantes e uma boa dose de burocracia para tal fim, o Fisco passou a elaborar planilhas às quais foram enviadas ao contribuinte, solicitando a comprovação da origem dos recursos lançados a crédito das contas por ele mantidas, sendo tal intimação reiterada, exigindo cópia de documentos que embasaram todos os lançamentos a débito e a crédito de tais contas. A defesa não considera normal, ainda que exista qualquer previsão legal para tal exigência, que um contribuinte, pessoa jurídica, detentora de uma ou várias contas bancárias, tenha documentos que comprovem a origem de todo e qualquer recurso por ela depositado em qualquer conta sua. Não acredita sequer que, uma íntima minoria completamente inexpressiva consiga se documentar de todos os depósitos realizados em sua(s) conta(s) corrente(s), quanto mais um contribuinte limitado quanto a procedimentos fiscais e totalmente dependente das informações e orientações tecidas pela sua contabilidade que aqui se mostrou completamente falha, uma vez que, embora plenamente autorizada pelo contribuinte a cumprir com todas as exigências requeridas pelo Fisco, omitiu da própria contribuinte, suas falhas em escriturai' e contabilizar as obrigações da empresa, não lhe indicando sequer os livros necessários modalidade contábil em que se enquadra a contribuinte. E2' A documentação requerida pela Auditorafiscal constante no Item 32 do Relatório de Procedimento Fiscal foi devidamente requerida pela contribuinte à sua contabilidade, cuja determinação era de que tão logo referida documentação estivesse em mãos fosse encaminhada à Secretaria da Receita Fl. 787DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Federal atendendo assim à intimação recebida e para os seus devidos fins. Após várias abordagens com o escritório contábil responsável pela contabilidade da contribuinte, e, em se informando quanto ao atendimento das intimações recebidas e a eles repassadas, obtinha sempre como resposta que toda documentação exigida pelo Fisco havia sido encaminhada, não restando dúvidas para o contribuinte de que a mesma estava cumprindo com o seu dever. Os procedimentos fiscais exigidos pelo Fisco em suas formalidades são de total responsabilidade do setor contábil, o qual é possuidor do conhecimento técnico para realização de tais exigências, e é pago para tanto. Referidos requerimentos, através das várias intimações, foram também repassados para serem cumpridos pela contabilidade responsável pela escrituração da contribuinte, o que aqui, mais uma vez, acreditava o contribuinte, está atendendo em sua plenitude às intimações recebidas. Porém, quanto à exigência de ter documentos para provar a origem de cada depósito realizado individualmente em suas contas correntes, a contribuinte não possui, assiin como 99,99% dos contribuintes brasileiros também não possuem, e os motivos para isso são os mais variados possíveis, havendo inclusive Jurisprudências a mais diversa sobre esse assunto como mais adiante citará, que mostram a impossibilidade de se cumprir integralmente essa exigência. Dos Princípios Basilares que Norteiam o Direito Administrativo. De acordo com a impugnante o direito administrativo impõe regras rígidas e se rege por quatro princípios básicos que o norteiam, sendo que a falta de observação de qualquer deles impõe nulidade total do ato praticado, gerando, inclusive, penalidade ao agente público que o pratica; é a garantia que é dada ao cidadão contribuinte de que a máquina administrativa não será usada com a finalidade de lesálo, nem tão pouco de auferir vantagens e rendas através de meios ilegais. Nesse sentido a defendente faz uma análise sobre os seguintes princípios: Legalidade, Moralidade, Finalidade e Publicidade. Em seguida, afinal que o contribuinte emitiu como faz todo e qualquer titular de conta corrente, vários cheques para várias pessoas, tanto físicas como jurídicas, o que até então não constitui qualquer irregularidade ou crime, entretanto, em momento algum foi a mesma cientificada, seja pela instituição financeira, seja pela contabilidade ou mesmo pelo Fisco de que, teria ela que realizar um verdadeiro inventário quanto aos cheques emitidos, tirando Xerox dos mesmos, anotando os CPF's e/ou CNPJ's dos recebedores dos seus cheques, etc., bem como as suas finalidades. . Por esse motivo, nao podia estar munido de qualquer documento exigido hoje pelo Fisco para comprovar' a destinação dos pagamentos e/ou compras realizadas pela contribuinte. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10315.000115/201094 Acórdão n.º 3403003.448 S3C4T3 Fl. 9 7 Assim, considera que não procede, por qualquer ângulo de observação, a afirmação da Auditora Fiscal de que o contribuinte, pessoa física responsável pela pessoa jurídica que ora se defende, bem como seu cônjuge, ambos, pessoas físicas, movimentavam a pessoa jurídica que leva o mesmo nome da sua pessoa física RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA. Por isso mesmo, seria completamente ilegal e indevido qualificar/nomear/sujeitar ambas as contribuintes (pessoas físicas) como SOLIDÁRIOS PASSIVOS DA OBRIGAÇÃO, o que fica desde já CONTESTADO. Ademais, vale ressaltar que, a suposta omissão de receita da qual foi a contribuinte erroneamente e indevidamente acusada, foi embasada única e exclusivamente nos depósitos bancários, os quais continham depósitos (que foram equivocadamente considerados como renda) e que não foram escriturados e nem comprovada a origem, tudo isso, de acordo com o Relatório de Procedimento Fiscal. Alega que a AuditoraFiscal, por sua ação, exigiu vários documentos fiscais, impondo uma série de exigências de difíceis e, porque não dizer, impossíveis cumprimentos (quanto às suas formalidades), atribuindo prazos mínimos para a apresentação dos mesmos, tanto é verdade que atendeu por mais de uma vez aos reiterados pedidos de prorrogação conforme se depara com a própria redação constante do RELATÓRIO DE PROCEDIMENTO FISCAL, entretanto, tais prorrogações não foram suficientes para o atendimento por parte da contabilidade da contribuinte, à qual determinou taxativamente que os pedidos realizados pela fiscalização fossem de plano atendido sem quaisquer restrições, inobstante as ameaças de penalidades caso não fossem os mesmos entregues na forma e prazos estabelecidos. Exigências essas, que não foram possíveis de serem atendidas pela contabilidade da contribuinte, mediante a escassez de prazo e formalidades não concluídas. Considera que o lançamento tributário levado a efeito contra a contribuinte, e que supostamente materializa a exigência tributária não satisfeita, E INDEVIDA, pois a contribuinte não teve os rendimentos que ali lhe são atribuída. A AuditoraFiscal, em procedimento uniformizado, automatizado e mecânico, simplesmente consideraram que todos os depósitos efetuados nas contas bancárias da contribuinte seriam "rendimentos líquidos omitidos", e assim lavrou o Auto de Infração. Tal procedimento considera claramente ilegal e improcedente. A defesa alega ainda que não Seja admissível, em Direito Tributário, um auto de infração baseado apenas em frágeis PRESUNÇÕES. A esse respeito, o entendimento dos Tribunais Brasileiros, de tão pacífico, teria sido consolidado pelo Tribunal Federal de Recursos, através da Súmula 182. . Fl. 789DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Reforçando seus argumentos a defesa transcreve ementa de julgados do antigo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No presente caso não é apontado qualquer outro vício, indício, presunção, nada que justifique a autuação, ou mesmo se foi apontado, não constituiu o fundamento da lavratura do auto que ora se ataca, incorrendo na nulidade tantas vezes pronunciada pelo Poder Judiciário e pelo E. Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Afirma: “Nem se argumente, no caso, que o ônus de provar a origem dos recursos depositados sería do contribuinte”. Continua. Entretanto, se em algum momento, por motivos desconhecidos da contribuinte, foram dados em pagamentos, rara e escassamente, cheques da pessoa física, responsável pela pessoa jurídica, de maneira puramente equivocada, para pagamento de despesas e/ou compra esporádica e rara, realizada pela pessoa jurídica RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA, não se pode atribuir tal ato a uma suposta voluntariedade da contribuinte no tocante a sua concretização, uma vez que se mostrou provado que ele está completamente surpreso e desconhecedor de tal ato. Por esse motivo, repudia, contesta e não aceita que houvesse o contribuinte corroborado de qualquer forma para uma suposta e infundada e mentirosa afirmação de sonegação ou fraude cometida pela empresa RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA, sendo por esse mesmo motivo inaplicável e descabida a multa imposta a essa empresa, ainda mais no percentual de l50%, o que toma referido AI uma verdadeira FICÇÃO TRIBUTÁRIA, ou no linguajar dos mais salientes, um verdadeiro terrorismo de Estado. Em conclusão: sendo nulo o lançamento, não há dívida tributária, não estando materializada a conduta típica. Afinal, não se pode punir um contribuinte por não ter pagado um débito indevido. Da Impossibilidade de Condenação Fundada em Presunções. De acordo com a defesa, há ainda um dado, da maior relevância, que não pode ser desconsiderado: a impossibilidade de alguém ser punido com base em presunções. Ainda que fosse possível o que nem pra argumentar se admite exigir um tributo (no plano cível) com base apenas em presunções, poderia implicar, sob pena de destruição do princípio da presunção de inocência, a possibilidade de se sancionar penalmente uma pessoa por não ter pagado esse tributo cuja existência é apenas presumida. A presunção pressupõe a existência de um fato conhecido e provado para que dele seja extraída a ilação de veracidade quanto ao fato desconhecido, sendo imprescindível a verificação da causalidade entre ambos, vez que "o direito não tolera que se presuma o fato e dele se induza a presunção, nem se admite que se deduza presunção de presunção". Fl. 790DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10315.000115/201094 Acórdão n.º 3403003.448 S3C4T3 Fl. 10 9 Nunca houve, em momento algum, seja por parte da contribuinte, do seu cônjuge ou da empresa pertencente a ele, qualquer intenção de sonegar ou fraudar o Fisco, seja por qual motivo fosse. Afirma que, quando era constatado algum débito junto ao Fisco, geralmente proveniente de erro contábil, e nunca proveniente de dolo, de máfé' ou de qualquer outro artifício fraudulento que levasse prejuízo aos Cofres Públicos tais como a abominável prática da sonegação fiscal e outras pragas repudiadas pelo nosso sistema tributário e social, isso devidamente provado pelo próprio Fisco, o responsável pela pessoa jurídica, de imediato, se dirigia à Secretaria da Receita Federal, e lá chegando, de plano, fazia um acordo e parcelava o seu respectivo débito, como da mesma forma o honrava até o seu término, provando com esse ato que em tempo algum, quis cometer qualquer irregularidade ou dela foi adepto. Dos Pedidos Diante de todo o aqui exposto requer que seja desconstituído e julgado totalmente improcedente 0 lançamento, por não existirem motivos fáticos e de direito sérios e capazes que possam relacionar 0 contribuinte com qualquer ilícito citado no Auto de Infração. Requer também a desconstituição das penalidades impostas. , _. Os devedores solidários Raimundo Ferreira da Silva e Rosana Alves Sampaio apresentaram, também, impugnação às exigências (fls. 647/657 e 668/678, respectivamente), mantendo basicamente os argumentos acima expendidos e solicitando, ao final, a exclusão da sujeição passiva solidária.” O Acórdão repele todos os argumentos e mantém o lançamento. Ciente em 04 de agosto de 2010, inconformado com o resultado desfavorável apresenta a peça recursal em 06 de setembro de 2010 (segundafeira). Mantém os argumentos apresentados em sede de Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, impondo o seu conhecimento. A contenda gira em torno dos recursos utilizados pela fiscalização para determinar a base de cálculo. Assevera o Recorrente que se trata de presunção. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 Mesmo diante do brilhantismo da peça de Impugnação e a Recursal, os argumentos do Recorrente não merecem prosperar por estarem desprovidos de provas contundentes capazes de demonstrar o desacerto do fisco. A fiscalização reiteradamente intimou o contribuinte para esse apresentar os livros, contábeis e fiscais, bem como, os documentos que serviram para os assentos contábeis, sem êxito. Certo momento o Recorrente transferiu ao profissional responsável pela contabilidade a obrigação de exibir os documentos solicitados e atender o Fisco. É verdade que o processo de fiscalização desencadeado contra a empresa recorrente originou pelo movimento financeiro da senhora ROSANA ALVES SAMPAIO, inscrita no CPF sob o nº 308.168.82304, selecionada para fiscalização em razão de apresentar movimentação financeira elevada (R$ 1.405.561,14), no entanto, estar omissa da entrega da DIRPF/2006, ano calendário de 2005. Posteriormente, verificou que esta senhora encontrava relacionada na condição de dependente na DIRPF do senhor RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA, CPF 223.680.00372, na qualidade de companheira/cônjuge. Indagada, apresentou certidão de casamento, revelou que os depósitos bancário eram provenientes de Raimundo Ferreira da Silva. Esse é o principal motivo da fiscalização arrolála como solidário pelo débito apurado da pessoa física comparada pessoa jurídica de Raimundo Ferreira da Silva, inscrito no CNPJ sob o número 00.659.574/000176. Alegação do contribuinte é de que a fiscalização não poderia utilizar de informação solicitada diretamente às instituições financeiras e tomar o movimento financeiro contido no extrato como faturamento. Apuração do crédito tributário em todo o período fiscalizado foi obtida em informação extraída dos dados de extratos bancários, os depósitos, especificamente materializados em receita proveniente de venda de mercadoria para apurar as contribuições sociais devidas para o PIS e COFINS, considerados para os devidos fins como omissão de receita. Tenho forte resistência a esse método de apuração mesmo escorados nas disposições da Lei Complementar 105/2001, sem autorização judicial. A discussão em torno da inconstitucionalidade ou não dessa lei pouco serventia possui na esfera administrativa. A verdade que a comandos legais impondo que agente cumpra na integra o procedimento diante de vedação expressa em lei, é o caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/71, novel redação dada pela Lei nº 11.941/2009 e Súmula do CARF inibindo apreciação de matéria constitucional. “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, passase ao lado e focase nos fatos trazidos nos autos. O valor tributável apurado se refere omissão de receita com base em presunção legal e valores não recolhidos com base em receitas escrituradas cujos débitos deixaram de ser declarados em documento específico. Deixando o contribuinte de apontar erro na apuração, e, apresentar documentos capazes de provar distorção no valor global da receita utilizadas para determinar o quanto devido, há de se manter o lançamento. Cabia a empresa recorrente aproveitar a Fl. 792DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10315.000115/201094 Acórdão n.º 3403003.448 S3C4T3 Fl. 11 11 oportunidade de defesa e trazer prova robusta e lícita com intuito de modificar a base de cálculo, deixando passar sem contradizer apoiada em documento, não há como acudir o pleito. MULTA QUALIFICADA Aplicação da multa qualificada justifica e deve ser mantida. A movimentação financeira de recursos provenientes da atividade empresarial encontra devidamente comprovada em extratos bancários, tanto em nome do titular da pessoa jurídica quanto da esposa identificada pela substancial atividade financeira em conta corrente bancária. O agravamento dessa situação encontra na resistência da recorrente apresentar a documentação, deixando de atender reiteradamente as intimações da fiscalização, transferindo ao setor de contabilidade a obrigação de atender a fiscalização. Essa pirraça continua mesmo no momento de defesa, oportunidade desperdiçada, quando poderia ter trazido os documentos contábeis e justificar a movimentação financeira, inclusive das contas particulares, mas não o fez, o que demonstra a vontade de fraudar o fisco e causar prejuízo a Administração Tributária. A atitude de acobertar venda de mercadoria cujo produto é mantido em conta bancária de terceiros, cuja prova é feita pela fiscalização, configura uma das cláusulas a justificar aplicação da multa qualificada. Portando, no caso dos autos aplicação da multa não enquadra no caso protegido pela Súmula nº 14 do CARF que veda aplicação por simples apuração de omissão, aqui restou justificada e demonstrada o caráter e o estilo de agir do Recorrente. “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. SUJEIÇÃO PASSIVA. A senhora ROSANA ALVES SAMPAIO, arrolada como solidária pelos débitos apurados em razão da utilização de conta bancário em seu nome. Antes, temse que a mesma é cônjuge do titular da pessoa jurídica, na condição de esposa é impossível não ceder o acuamento do marido, e, muitas das vezes essas contas bancárias são abertas sem o seu conhecimento. Diante da ausência de demonstração eficaz da participação da mesma nas atividades empresariais do marido, RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA, sou inclinado afastar a sujeição passiva. Da responsabilidade dos sócios da empresa Argumenta derradeiramente a recorrente que é incabível a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios da empresa. Afirma a empresa recorrente que houve ausência de individualização da conduta dos sujeitos passivos em relação aos sócios, tendo estes aparentemente sido indicados como responsáveis tão somente pelo fato de serem sócios. Assim, postula em nome da justiça a nulidade completa dos termos de sujeição passiva. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 12 A DRJ analisa a matéria. E, como resultado da análise, acorda com a argumentação da autuação, no sentido de que restou comprovada a responsabilidade dos sócios. Contudo, a nosso ver, há questão fulcral que antecede a análise do tema: os termos de solidariedade passiva foram objeto de ciência aos sócios, que não os impugnaram, operandose individualizadamente a revelia. Assim, como destacado ao início deste voto, os demais sujeitos passivos (exatamente os sócios) não questionaram a autuação. E a pessoa jurídica não pode suprir tal revelia no recurso voluntário, representando as pessoas físicas de seus sócios, individualmente, para postular em seu favor. A contestação da infração imputada na autuação deve ser efetuada pelo responsável a quem se atribui a prática, não podendo o contribuinte fazêlo em nome de terceiros responsáveis. A simples distinção entre as personalidades dos relacionados na autuação já evidencia tratarse de imputação que demanda defesa individualizada. Cada pessoa física ou jurídica tem a possibilidade de defenderse das condutas que lhe são imputadas. Percebase, inclusive, que os interesses (assim como a argumentação de defesa) dos autuados poderia até ser conflitante (o que é não é incomum, em precedentes deste tribunal). Assim, entendemos pela impossibilidade de análise da argumentação da recorrente quando esta efetua defesa em nome alheio, seguindo o entendimento unânime já expresso por esta Terceira Turma em julgado anterior: DA SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS DA EMPRESA. TERCEIROS. Argumenta derradeiramente a recorrente que é incabível a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios da empresa e terceiros. No entanto, não há defesa firmada pelos sujeitos lançados na qualidade de responsáveis, a alegação em nome do titular da firma individual, RAIMUNDO FERREIRA DA SILVA e a sua esposa, ROSANA ALVES SAMPAIO, como restou identificada no “TVF”, foi alegada somente pela empresa em sua impugnação. A conduta dos sujeitos passivos, um por ser o gestor da sonegação e a senhora Rosana Alves Sampaio, em decorrência de emprestar a conta corrente com intuito de acobertar a sonegação praticada pela empresa recorrente, e, tendo estes aparentemente sido indicados como responsáveis pelos fatos, querendo defenderse das acusações deveriam ter oferecido impugnação individualmente, constata ausência, opera individualmente a revelia. Assim, como destacado ao início deste voto, os demais sujeitos passivos (exatamente os sócios) não questionaram a autuação. E a pessoa jurídica não pode suprir tal revelia no recurso voluntário, representando as pessoas físicas de seus sócios, individualmente, para postular em seu favor. A contestação da infração imputada na autuação deve ser efetuada pelo responsável a quem se atribui a prática, não podendo o contribuinte fazêlo em nome de terceiros responsáveis. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10315.000115/201094 Acórdão n.º 3403003.448 S3C4T3 Fl. 12 13 A simples distinção entre as personalidades dos relacionados na autuação já evidencia tratarse de imputação que demanda defesa individualizada. Cada pessoa física ou jurídica tem a possibilidade de defenderse das condutas que lhe são imputadas. Percebase, inclusive, que os interesses (assim como a argumentação de defesa) dos autuados poderia até ser conflitante (o que é não é incomum, em precedentes deste tribunal). Assim, entendemos pela impossibilidade de análise da argumentação da recorrente quando esta efetua defesa em nome alheio, seguindo o entendimento unânime já expresso por esta Terceira Turma em julgado anterior: “RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEFESA. ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A contestação da infração imputada na autuação deve ser efetuada pelo responsável a quem se atribui a prática, não podendo o contribuinte fazêlo em nome de terceiros responsáveis.” (Acórdão no 3403001.822, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25.out.2012) Assim, cabe manter a solidariedade do titular da pessoa individual comprada a pessoa jurídica da pessoa física de Raimundo Ferreira da Silva e de Rosana Alves Sampaio. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e negar provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 795DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 19515.000594/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE.
O recurso especial somente é cabível em caso de divergência jurisprudencial, cuja demonstração deve ser feita analiticamente.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka Relator
EDITADO EM: 17/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator EDITADO EM: 17/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE. O recurso especial somente é cabível em caso de divergência jurisprudencial, cuja demonstração deve ser feita analiticamente. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – Relator EDITADO EM: 17/02/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 94 /2 00 7- 61 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.000594/200761 Acórdão n.º 9202003.492 CSRFT2 Fl. 400 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela contribuinte em 23 de novembro de 2011 (efls. 340/354), em face do Acórdão n° 2801001.815 (efls. 329/336), do qual a Recorrente teve ciência em 08 de novembro de 2011 (efl. 339) e que teve a seguinte ementa: “... DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. SÓCIO. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA PELO LUCRO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL AUSENTE. ISENÇÃO. LIMITE. Na ausência de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, apta a demonstrar que o lucro efetivo é superior ao determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do lucro para o qual houver optado, a distribuição de lucros com isenção do Imposto de Renda Pessoa Física fica limitada à diferença entre o lucro presumido e os valores correspondentes aos tributos a que estiver sujeita a pessoa jurídica....” (efls. 329). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso especial, apontando como paradigma o Acórdão 10613.379, que restou assim ementado: “IRPF DIVIDENDOS ISENÇÃO A partir da Lei n° 9.249, de 1995, toda distribuição de dividendos é isenta do imposto sobre a renda, sem qualquer condição ou limite, inclusive no caso de opção da pessoa jurídica pelo lucro presumido. Recurso negado.” O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 384/385, tendo apresentado a Recorrida as contrarrazões de efls. 388/396.. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Entendo que o recurso especial não deve ser conhecido. De fato, o Regimento Interno do CARF traz, em seu artigo 67, a hipótese de cabimento e os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos seguintes termos: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.000594/200761 Acórdão n.º 9202003.492 CSRFT2 Fl. 401 3 “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício.” Nos termos do caput do artigo 67 do atual Regimento Interno, o recurso especial é cabível em virtude de divergência jurisprudencial, estabelecendo os §§ 4º. e 6º. que o recurso deverá demonstrar analiticamente a divergência jurisprudencial “com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido”. Ou seja, deve ser feito o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma. No presente caso, não há divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma, pois as situações fáticas entre um e outro são distintas, apesar de ambos os lançamentos decorrerem de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em virtude Fl. 401DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.000594/200761 Acórdão n.º 9202003.492 CSRFT2 Fl. 402 4 da distribuição de lucro apurado pela empresa da qual é sócia, cuja sistemática de cálculo do imposto de renda foi o lucro presumido. No caso do paradigma, a contribuinte mantinha registro contábil das suas operações, embora tenha optado pelo pagamento do imposto de renda com base no lucro presumido. Além disso, procurou observar o limite do lucro presumido, aplicando, no entanto, percentual de presunção equivocado. É o que se extrai do relatório do Acórdão 10613.379: “Contra a Contribuinte em epígrafe foi lavrado auto de infração (fls. 0206) consignando a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em virtude da distribuição de lucro apurado pela empresa da qual é sócia, cuja sistemática de cálculo do imposto sobre a renda foi o lucro presumido. Em realidade, a diferença a maior da distribuição foi verificada pela aplicação, no entendimento da autoridade lançadora incorreta, do percentual de presunção de 8%, quando o correto seria 32%. Inconformada, a Contribuinte apresentou sua Impugnação (fls. 9598), na qual alega que cumpriu o disposto no artigo 51 da Instrução Normativa SRF n.° 51/96, ao manter registro contábil das suas operações, embora tenha optado pelo lucro presumido. Com relação à diferença na apuração do lucro presumido, afirma que essa situação já foi levantada no procedimento administrativo n.° 11030.001066/99 07. A Delegacia de Julgamento em Santa Maria RS (fls. 101105) manteve o lançamento, sob o fundamento de que o "erro" na apuração do lucro presumido da pessoa jurídica ocasionou uma distribuição a maior de lucro para os sócios, dentro os quais a Impugnante.” No que se refere ao acórdão recorrido, a contribuinte não tinha escrituração contábil feita com observância da lei comercial, apta a demonstrar que o lucro efetivo é superior ao lucro presumido, o que se pode observar já a partir da ementa do julgado: “Na ausência de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, apta a demonstra que o lucro efetivo é superior ao determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do lucro para o qual houver optado, a distribuição de lucros com isenção do Imposto de Renda Pessoa Física fica limitada à diferença entre o lucro presumido e os valores correspondentes aos tributos a que estiver sujeita a pessoa jurídica”. Referida situação fática é confirmada pela leitura tanto do relatório como do voto do acórdão recorrido. Verificase, portanto, que não há similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, o que impede a análise do mérito do recurso. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 402DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 19515.000594/200761 Acórdão n.º 9202003.492 CSRFT2 Fl. 403 5 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000100/2007-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
O CTN, na c, II, Art. 106, determina que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Ocorre que para a correta aplicação da determinação deve-se comparar as penalidades que existiam antes com a atual, devido a alteração legislativa.
No presente caso, a decisão a quo - equivocadamente - definiu por penalidade que não é aplicada atualmente.
Numero da decisão: 9202-003.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente na data de formalização do Acórdão
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho arruda Junior
Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator-Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). O CTN, na c, II, Art. 106, determina que a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre que para a correta aplicação da determinação deve-se comparar as penalidades que existiam antes com a atual, devido a alteração legislativa. No presente caso, a decisão a quo - equivocadamente - definiu por penalidade que não é aplicada atualmente.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). O CTN, na “c”, II, Art. 106, determina que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre que para a correta aplicação da determinação devese comparar as penalidades que existiam antes com a atual, devido a alteração legislativa. No presente caso, a decisão a quo equivocadamente definiu por penalidade que não é aplicada atualmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 00 /2 00 7- 93 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data de formalização do Acórdão (Assinado digitalmente) Manoel Coelho arruda Junior Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira RedatorDesignado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 14098.000100/200793 Acórdão n.º 9202003.253 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão no 2403 00.291, proferido pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2 Seção de Julgamento do CARF em 01/12/2010 (fls. 287/297 verso), interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 301/317, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°256, de 22 de junho de 2009. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: "PREVIDENCIÁRIO — NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO — PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL — SÚMULA VINCULANTE STF N° 8. (.) A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 14.08.2007, o período objeto do Auto de Infração é de 01/2000 a 12/2006. Dessa forma, constatase que jet se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 07/2002, inclusive, nos termos do art. 150, §4°, CTN. (.) PREVIDENCIÁRIO — CUSTEIO — AUTO DE INFRAÇÃO — GFIP — APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. (.) CUSTEIO — AUTO DE INFRAÇÃO — ARTIGO 32, IV, §5°, LEI N° 8.212/91 — APLICAÇÃO DO ART. 32,1V, LEI N° 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI N° 8.212/91 — PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA — ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO — ART. 106, II, C, CTN. (.) Recurso Voluntário Provido em Parte." A Fazenda Nacional apresenta, para análise, duas divergências. Inicialmente, afirma que a decisão recorrida diverge dos paradigmas que apresenta, cujas ementas serão reproduzidas a seguir: "DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, I, do CTN. (..)." (AC 910100.460) "PROCESSO ADMINISTRATIVO . FISCAL – MULTA REGULAMENTAR DECADÊNCIA FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS DA ESCRITURAÇÃO – ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário relativo a penalidades, deve observar as regras contidas no Fl. 698DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 artigo 173, do Código Tributário Nacional, ainda que a obrigação acessória inadimplida se refira a tributo sujeito a lançamento por homologação. (.) Recurso negado." (AC 105 14.032)” Ademais, vislumbra nítida divergência entre a decisão recorrida e o paradigma que apresenta, o Acórdão n.° 240100.127. Segue abaixo trecho de sua ementa: "(.) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA — DESCUMPRIMENTO — INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP — Guia do recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL — PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA — APLICAÇÃO. Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o principio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o C7N. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Afirma que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que hora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória em que também se lavrou NFLDs em decorrência da mesma ação fiscal. Explica que, naquela ocorrência, consignouse que o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I da Lei 9430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica as situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, sob pena de bis in idem. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 4ª Câmara, da Segunda Seção prolatou Despacho n. 2400376/2011 [fls. 318] que deu seguimento ao Especial interposto Intimado a se manifestar, o Autuado apresentou contrarrazões [fls. 330 e ss] que, em síntese, reitera os argumentos do acórdão recorrido e requer, ao final, que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto. É o relatório. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 14098.000100/200793 Acórdão n.º 9202003.253 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatadas pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF as divergências suscitadas pela Contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões à respeito da mesma matéria. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória [GFIP] segundo as novas disposições legais. A multa prevista no artigo 32, § 6º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, a qual culminava com determinado valor por campo inexato, omisso ou incompleto, passou a ser prevista no artigo 32A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Incabível a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. DISPOSITIVO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 700DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu voto quanto á forma de cálculo da multa. Quanto à forma de cálculo da retroatividade benigna na autuação em questão, temos a informar que houve alteração nas autuações por descumprimento da obrigação acessória em questão, com o surgimento da Medida Provisória (MP) 449/2009. Para o cálculo da multa em questão (em síntese, preenchimento de GFIP com erros nos dados relacionados aos fatos geradores) foi editada a Medida Provisória (MP) 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4º, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em Lei. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 701DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 14098.000100/200793 Acórdão n.º 9202003.253 CSRFT2 Fl. 5 7 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio de notificação e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32ª Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa, deve prevalecer o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: 1. Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou 2. Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem Fl. 702DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação correlata. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO: Diante o exposto, voto pelo provimento do recurso da PGFN, nos termos solicitados, conforme voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 703DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 15215.720111/2012-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9.
"É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Numero da decisão: 2201-002.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 03/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2010 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9. "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 03/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA.
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INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9. "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 03/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 01 11 /2 01 2- 30 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anocalendário 2009, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 544/552, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.274.076,20. A fiscalização apurou IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados e de operação não comprovada. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício qualificada de 150%. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Em 26/07/2012 o responsável solidário Lindomar Antunes de Assis apresentou impugnação requerendo a desconstituição do crédito tributário em razão de: ter se originado em prova ilícita constituída da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial; ter sido responsabilizado tributariamente com base em depoimentos irregulares e ilegais; não ter a autoridade fiscal respeitado as normais legais e constitucionais; os depósitos bancários não poder figurar como dispêndio em fluxo de caixa que apura acréscimo patrimonial a descoberto, deixando de investigar os dispêndios. A empresa Washington NascimentoME não apresentou impugnação. Em 07/08/2012, foi lavrado Termo de Revelia tendo em vista a apresentação de impugnação intempestiva e o processo passou para a fase de cobrança amigável. Por meio da Intimação nº 079/2012, foi dada ciência ao responsável solidário Lindomar Antunes de Assis que sua impugnação foi considerada intempestiva (ciência por AR em 26/09/2012). Em 05/10/2012 o responsável solidário Lindomar Antunes de Assis, apresentou Recurso ao CARFConselho Administrativo de Recursos Fiscais questionando a intempestividade da impugnação apresentada, alegando que os correios entregaram a intimação em outro endereço. Declara que sempre teve seu domicílio e sua residência na Rua Dr. Paulo de Souza Lima, 733, Cidade Nova, CEP 35020420. No entanto a notificação para apresentar defesa ao auto de infração, apesar de enviada por AR para a Rua Dr. Paulo de Souza Lima, nº 733, Cidade Nova, CEP 35006007, foi entregue no dia 16/06/2012 ao Sr. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15215.720111/201230 Acórdão n.º 2201002.622 S2C2T1 Fl. 3 3 Paulo Roberto de Oliveira, terceiro, vizinho do recorrente e residente no nº 746. O recurso foi recebido pela DRF/Governador Valadares e tratado como pedido de reconsideração e assim decidido: Verificase no Sistema CPF que consta como domicílio tributário de Lindomar Antunes de Assis, desde 01/11/11, a Rua Dr. Paulo de Souza Lima, 736, Cidade Nova, Governador Valadares/MG, CEP 35020420. Todavia, o auto de infração foi postado, em 16/06/2012, para o endereço Rua Dr. Paulo de Souza Lima, 733, Cidade Nova, Governador Valadares/MG, CEP 35063007 (fls. 619). Portanto, a correspondência foi enviada para número e CEP não constante no sistema CPF, ou seja, não constante como domicílio tributário do contribuinte. Consta no item 31 do Relatório Fiscal (fls. 593) que foi enviado Termo de Solicitação de Comparecimento para LINDOMAR no endereço do sistema CPF, mas a correspondência retornou com a indicação de número inexistente, o que podemos comprovar pelo Aviso de Recebimento de fls. 112/115. Todavia, diante dessa situação, deveria o AuditorFiscal ter atualizado, de ofício, no sistema CPF o domicílio correto do contribuinte LINDOMAR, antes de enviar a correspondência de ciência do auto de infração, ou ter enviado o auto para o endereço constante do sistema CPF e posteriormente emitido o edital, caso resultasse improfícua a ciência. Tendo em vista que o auto de infração foi postado para o endereço divergente do domicílio tributário do responsável LINDOMAR, constante no sistema CPF, reconsidero o despacho de fls. 654 e anulo o Termo de Revelia de fls. 653, devendo a impugnação ser encaminhada à DRJ para julgamento, considerandose cientificado do auto de infração na data da impugnação de fls. 628. A 1ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG julgou improcedente a impugnação, quanto à preliminar de tempestividade, e não conheceu da impugnação quanto ao mérito. Transcrevemse as ementas: IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de impugnação contra auto de infração é de trinta dias, a contar da ciência, não se conhecendo de petição apresentada após o prazo legal. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a intimação promovida por meio dos Correios mediante Aviso de Recebimento, entregue no domicílio fiscal verificado em sede de diligência e confirmado/declarado pelo sujeito passivo. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Impugnação Improcedente O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 26/09/2012 (fl. 668) e, em 05/10/2012, interpôs o recurso de fls. 673/680, sustentando, verbis: 1. A decisão recorrida decidiu pela intempestividade da impugnação, dando validade à intimação do contribuinte entregue pelos correios a terceiros em endereço diferente ao pertencente ao notificado e, ao mesmo tempo, determinou que a unidade de origem providenciasse "a retificação de ofício do endereço cadastral do contribuinte no sistema CPF" (sic). 2. A simples determinação da correção cadastral implica no reconhecimento expresso de que o endereço do contribuinte no sistema do CPF estava errado. E foi para este endereço errado que foi encaminhada a intimação do lançamento tributário. 3. Ora, a intimação incorreta é ilegal e nula de pleno direito. E como ato nulo, é frusto em seus efeitos. Assim sendo, o ato deveria ter sido renovado de forma correta. Porém, no caso vertente, após dias da entrega pelos correios, o terceiro que recebeu o lançamento o entregou ao recorrente e este, por vontade própria, formulou sua impugnação. Comparecendo o contribuinte ao processo, restou suprida a "falta de citação" (§ 1o, art. 214, CPC). Porém, pela falta de "citação" (no caso intimação) não havia prazo correndo, já que este somente tem início a partir da data na qual o contribuinte EFETIVA e REALMENTE teve conhecimento do lançamento tributário. A "citação" (intimação) válida é necessária em razão dos princípios constitucionais do due process of taw e ampla defesa. 4. Restou incontroverso que o recorrente sempre teve seu domicílio e sua residência na Rua Dr. Paulo de Souza Lima, 733, Cidade Nova, CEP. 35020420 e que foi para este endereço que foi enviada a intimação, pelos correios (SZ 22504512 2 BR). O próprio fisco constatou tal fato, como consta do "voto". 5. No entanto, a os correios entregaram a notificação ao Sr. Paulo Roberto de Oliveira, terceiro, vizinho do recorrente e que reside no n° 746, da mesma rua. Incontroverso também que a intimação não foi entregue nem ao lançado, nem em seu correto endereço. 6. Entretanto, ao contrário do consta que "voto", a correspondência com a intimação do lançamento não foi entregue no n° 733 da Rua Dr. Paulo de Sousa Lima, mas sim no n° 746 da mesma rua. Mais, a correspondência foi recebida por terceiro (vizinho do lançado) e não pelo contribuinte notificado. 7. A decisão citada no "voto" não se aplica ao caso vertente, porque se reporta a "intimação realizada no correto endereço" e não em endereço diverso. 8. Concluindo, o domicilio tributário do contribuinte, sua residência, era de conhecimento do fisco federal, tanto que nele foi intimado o recorrente por várias vezes. Embora a notificação fiscal tenha sido enviada para o referido domicilio, foi ela entregue em outro local e a terceiro. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15215.720111/201230 Acórdão n.º 2201002.622 S2C2T1 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Do exame dos autos, verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para instauração da fase litigiosa do processo administrativo. Em seu apelo, alega o responsável solidário pela Washington Nascimento – ME, Lindomar Antunes de Assis, que sempre residiu à Rua Dr. Paulo de Souza Lima, 733, Cidade Nova, CEP 35020420. Todavia, a notificação para apresentar defesa ao auto de infração, apesar de enviada por AR para a Rua Dr. Paulo de Souza Lima, nº 733, Cidade Nova, CEP 35006007, foi entregue no dia 16/06/2012 ao Sr. Paulo Roberto de Oliveira, terceiro, vizinho do recorrente e residente no nº 746. Pois bem, analisando o AR de fl. 619, verificase que a autoridade preparadora encaminhou toda documentação relativa ao Auto Infração para a Rua Dr. Paulo de Souza Lima, 733, Cidade Nova, Governador Valadares/MG, domicilio do responsável solidário, Lindomar Antunes de Assis, sendo que a correspondência foi recebida por Paulo Roberto de Oliveira. A alegação que o agente postal entregou a correspondência na Rua Dr. Paulo de Souza Lima, 746, não é capaz de invalidar a intimação regularmente efetuada, já que os documentos carreados às 678/679, por si só, não são aptos a reabrir o prazo, pois, como bem pontuou a autoridade recorrida: “... a Intimação nº 079/2012, pela qual foi dada ciência ao Sr. Lindomar Antunes de Assis que sua impugnação foi considerada intempestiva, também foi enviada ao endereço rua Dr. Paulo de Souza Lima, 733, Cidade Nova e também teve o Aviso de Recebimento assinado pelo Sr. Paulo Roberto de Oliveira em 26/09/2012. Apenas 9 dias depois, o Sr. Lindomar protocolou na DRF/Gov.Valadares o intitulado Recurso ao Carf. Isso descarta a possibilidade de eventual erro por parte do funcionário dos Correios de ter entregue por engano a outra correspondência”. Pelo que se vê, a intimação foi encaminhada para o endereço eleito pelo contribuinte, já que o próprio recorrente afirmou que “Restou incontroverso que o recorrente sempre teve seu domicílio e sua residência na Rua Dr. Paulo de Souza Lima, 733 ...”. Portanto, é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário, consoante dispõe a Súmula CARF nº 9: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Ressaltese que a determinação da autoridade julgadora de efetuar de ofício a correção dos dados cadastrais, só ocorreu em razão da omissão do próprio recorrente, já que houve descumprimento do art. 30 do Decreto 3.000/1999: Art.30. O contribuinte que transferir sua residência de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo município fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 195). Parágrafo único. A comunicação será feita nas unidades da Secretaria da Receita Federal, podendo ser também efetuada quando da entrega da declaração de rendimentos das pessoas físicas. (grifei) No processo administrativo fiscal, decorrido o lapso temporal previsto em lei, sem que ocorra a apresentação da Impugnação, não se instaura o litígio, tal como estipulado no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972. Dessarte, do exame dos autos, não se verificou qualquer irregularidade que pudesse invalidar a intimação regularmente efetuada, razão pela qual não há qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 714DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10935.721884/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011
IOF. FALTA DE RECOLHIMENTO. OPERAÇÕES DE MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS E ENTRE PESSOAS JURÍDICAS E FÍSICAS
As operações de crédito correspondentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas e entre pessoas jurídicas e físicas sujeitam-se à incidência do imposto segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.
IOF. CONTRATOS DE MÚTUO. BASE DE CÁLCULO. SALDOS DEVEDORES DIÁRIOS APURADOS NO ÚLTIMO DIA DE CADA MÊS.
A base de cálculo do IOF, relativamente aos contratos de mútuo nos quais o valor do empréstimo contraído e o prazo de duração são indefinidos, são os respectivos saldos devedores diários apurados no último dia útil de cada mês.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
O CARF é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Numero da decisão: 3101-001.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 21/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Brito, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.721884/201294 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3101001.796 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2015 Matéria Auto de Infração IOF Recorrente SIPAL S.A.INDÚSTRIA COMÉRCIO E AGROPECUÁRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 IOF. FALTA DE RECOLHIMENTO. OPERAÇÕES DE MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS E ENTRE PESSOAS JURÍDICAS E FÍSICAS As operações de crédito correspondentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas e entre pessoas jurídicas e físicas sujeitamse à incidência do imposto segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. IOF. CONTRATOS DE MÚTUO. BASE DE CÁLCULO. SALDOS DEVEDORES DIÁRIOS APURADOS NO ÚLTIMO DIA DE CADA MÊS. A base de cálculo do IOF, relativamente aos contratos de mútuo nos quais o valor do empréstimo contraído e o prazo de duração são indefinidos, são os respectivos saldos devedores diários apurados no último dia útil de cada mês. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 18 84 /2 01 2- 94 Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 21/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Demes Brito, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Adoto o Relatório do Acórdão nº 3401002.431, até aquela fase (fls. 1507 a 1508): Tratase de auto de infração de IOF, período julho/2007 a dezembro/2011, referente a operações de crédito a pessoas jurídicas e físicas vinculadas à autuada sem o recolhimento do tributo. Registra o Termo de Verificação Fiscal que aludidas operações foram detectadas a partir do exame da escrituração contábil disponibilizada, contratos de mútuo vigentes até 2008, DCTFs entregues no período e extratos do sistema SINAL, além de descrever a infração constatada, as bases de cálculo apuradas – mediante planilhas demonstrativas –, alíquotas incidentes, multa e juros infligidos e a legislação de regência. Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10935.721884/201294 Acórdão n.º 3101001.796 S3C1T1 Fl. 4 3 Em impugnação o contribuinte sustentou a nulidade do lançamento, por errôneo enquadramento legal, ausência de indicação do fato gerador e inadequada descrição da infração, o que ocasionaria o cerceamento do direito de defesa. No mérito, apontou a ilegalidade do Decreto nº 4.494/02 que tratou do IOF, por alterar/modificar a base de cálculo e o aspecto temporal do tributo; que havia um equívoco na apuração procedida pela fiscalização, ao passo que foi transportada para o mês de julho/2007 o saldo existente no mês junho/2007, o que, por via reflexa, resultou na tributação de período de apuração anterior ao objeto de lançamento, bem assim, que o imposto (IOF) incidiu sobre os juros registrados no período; Insurgiuse, ainda, quanto ao percentual da multa de ofício aplicada e a adoção da taxa selic como juros moratórios. A DRJ Curitiba/PR julgou a impugnação improcedente. Em recurso voluntário o contribuinte pugnou, preliminarmente, pela nulidade da decisão recorrida, em face da ausência de apreciação de argumento deduzido em recurso, o que redundaria em cerceamento do direito de defesa por supressão de instância e inobservância do art. 5º, LV da CF/88. Na seqüência, reprisou os fundamentos expostos na impugnação. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, em sessão de julgamento ocorrida em 26 de novembro de 2013, por unanimidade de votos, decretou a nulidade da decisão de primeira instância, pela omissão acerca de ponto controverso, consistente no suposto transporte dos saldos existentes no mês de junho/2007 para o mês de julho/2007 e, como conseqüência, incidência do imposto sobre valores que não deveriam compor o lançamento, questão esta, disposta no tópico 3.2 da impugnação. Devidamente cientificado do Acórdão nº 3401002.431, o contribuinte não apresentou nova manifestação. A 2ª Turma da DRJ Curitiba, em sessão de 28 de maio de 2014, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo o crédito tributário de R$ 435.897,34 a título de IOF, acrescido de multa e juros. Foi afastada a exigência do montante relativo à alíquota adicional de 0,38% para fatos geradores ocorridos antes de 01/01/2008. O acórdão 0647.261 recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008, 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009, 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 31/03/2011, 30/04/2011, 31/05/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011, 30/11/2011, 31/12/2011 Ementa: NULIDADE DA DECISÃO ANTERIOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REALIZAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Tendo o CARF anulado a decisão anterior de primeira instância para que outra seja proferida, apreciando os argumentos contidos na impugnação e não analisados por esta DRJ, procedese a novo julgamento. IOF ADICIONAL DE 0,38%. VIGÊNCIA A PARTIR DE 03/01/2008. LANÇAMENTO INDEVIDO. Considerando que a previsão para a exigência do adicional de 0,38% de IOF só foi implementado em janeiro de 2008, por força do Decreto nº 6.339/2008, impõese deduzir os valores indevidamente lançados no período de 2007. IOF. CONTRATOS DE MÚTUO. INDEFINIÇÃO DO VALOR DO EMPRÉSTIMO CONTRAÍDO E DO PRAZO DE DURAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. SALDOS DEVEDORES DIÁRIOS APURADOS NO ÚLTIMO DIA DE CADA MÊS. A base de cálculo do IOF, relativamente aos contratos de mútuo nos quais o valor do empréstimo contraído e o prazo de duração são indefinidos, são os respectivos saldos devedores diários apurados no último dia útil de cada mês. IOF. BASE DE CÁLCULO. SALDO DEVEDOR. A regra de incidência do IOF, artigo 7º., do Decreto nº. 6.306/2007 é que até o termo final da operação, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários do mutuário apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação, fato este que faz com que o saldo devedor da mutuária em período anterior venha a ser considerado na composição da base de cálculo do mês subseqüente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 PRELIMINAR DE NULIDADE. Incabível a decretação de nulidade do auto de infração quando não configuradas as situações expressamente previstas na legislação. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não se aceita a alegação de cerceamento de defesa quando o auto de detalha o enquadramento legal que efetivamente ensejou a exigência formalizada. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10935.721884/201294 Acórdão n.º 3101001.796 S3C1T1 Fl. 5 5 A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. DESFECHO GENÉRICO POR PRODUÇÃO DE PROVAS. Não deve ser acolhido o protesto genérico, no desfecho da impugnação, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidas, nos termos dos arts. 15 e 16, III e § 4°, do Decreto nº 70.235/1972, que prescreve a preclusão consumativa para apresentação de provas com a interposição da petição contestatória. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CONFISCO. A multa de 75%, prescrita no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, é aplicável sempre nos lançamentos de ofício realizados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. ILEGALIDADES. INCONSTITUCIONALIDADES. Os juros de mora, com base na taxa SELIC, encontram previsão em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando da nova decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, reafirmando os argumentos aduzidos anteriormente, requerendo a nulidade do lançamento efetuado e sua improcedência face à inocorrência de infração a legislação do IOF. O processo foi novamente encaminhado a este órgão julgador e posteriormente distribuído a este conselheiro. É o relatório. Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Preliminarmente, a recorrente alega a nulidade da decisão recorrida, em face da não apreciação de matéria aduzida na impugnação, o que redundaria em cerceamento do direito de defesa por supressão de instância e inobservância do art. 5º, LV da CF/88. A questão alegada referese à alegada recusa da autoridade julgadora em apreciar matéria que envolve interpretação constitucional. Não assiste razão à recorrente, tendo em vista a impossibilidade de pronunciamento do julgador administrativo sobre constitucionalidade de lei tributária. Neste sentido foi editada a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Também nas preliminares, a recorrente alega a nulidade do lançamento, por errôneo enquadramento legal e ausência de indicação do fato gerador e inadequada descrição da infração, o que ocasionaria o cerceamento do direito de defesa. Segundo seu entendimento, o Auto de Infração conteria vícios que o tornam nulo por não indicar corretamente quais teriam sido os dispositivos legais infringidos pela autuada. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Conforme já destacado pelo julgador a quo, o lançamento efetuado contém a indicação dos dispositivos legais infringidos, não prejudicando a defesa do interessado, dado que os fatos foram claramente delineados, permitindolhe trazer à discussão todos os pontos necessários para elucidar a legalidade ou não do crédito tributário exigido. O auto de infração, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal, contém a descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração atribuída à interessada expressos de modo claro, ressaltando que o interessado demonstrou entender perfeitamente a acusação que lhe foi feita e dela se defendeu com facilidade. Rejeitase, portanto, as preliminares suscitadas. No mérito, a recorrente alega ofensa ao Princípio da Legalidade na aplicação do Decreto nº 4.494/02, por alterar/modificar a base de cálculo e o aspecto temporal do tributo. Segundo seu entendimento, o Decreto nº 4.494/02 teria alterado o aspecto temporal da hipótese de incidência, extrapolando a previsão da Lei nº 9.779/1999. Vejamos a previsão legal (Lei nº 9.779/1999): Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10935.721884/201294 Acórdão n.º 3101001.796 S3C1T1 Fl. 6 7 aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2º Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3º O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subsequente à da ocorrência do fato gerador. (grifo nosso) Observese o que dispõe o referido art. 13, é compatível com as disposições do Código Tributário Nacional: Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; Temos também a previsão legal da Lei nº 8894/1994: Art. 1º O Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários será cobrado à alíquota máxima de 1,5% ao dia, sobre o valor das operações de crédito e relativos a títulos e valores mobiliários. O Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, assim como o Decreto nº 4.494, de 3 de dezembro de 2002, reproduziu em seu artigo 3º a previsão contida no CTN, que não diverge daquela prevista na Lei nº 9.779/1999, com os acréscimos regulamentares para a correta aplicação da norma: Art. 3o O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 IV na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7o e 10 do art. 7o; VII na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. § 2o O débito de encargos, exceto na hipótese do § 12 do art. 7o, não configura entrega ou colocação de recursos à disposição do interessado. § 3o A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei no 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1o, inciso I); II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei no 9.532, de 1997, art. 58); III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). Diante do acima exposto, contatase que o critério adotado pelo Decreto nº 4.494/2002 não extrapola a previsão legal, quanto ao fato gerador do IOF. A autoridade fiscal delimitou as operações do contribuinte sujeitas ao imposto, apurado em duas bases de cálculo distintas, previstas nos Decretos nºs 4.494 e 6.306: o valor inicial da entrega e os incrementos subseqüentes; e o somatório dos saldos devedores apurados ao final de cada mês. Quanto à base de cálculo, o artigo 64, I, do CTN determina, quanto às operações de crédito, o montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros. O Decreto nº 6.306, de 14 de dezembro de 2007, assim como o Decreto nº 4.494, de 3 de dezembro de 2002, trata da questão em seu artigo 7º. Portanto, quanto à base de cálculo do imposto nas operações de crédito com valor do principal, vencimento e taxa de juros definidos, ela corresponde ao valor entregue ou colocado à disposição do mutuário, hipótese em que o IOF é calculado mediante aplicação da alíquota diária de 0,0041% multiplicada pelo número de dias efetivamente decorridos entre a data de entrega de recursos e cada vencimento, limitado à 1,5% para toda operação, conforme previsão legal. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10935.721884/201294 Acórdão n.º 3101001.796 S3C1T1 Fl. 7 9 Como restam comprovados nos autos as operações mutuarias sobre as quais incidem o IOF, a autoridade fiscal efetuou o cálculo do imposto devido, utilizando como base de cálculo o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês (art. 7º, inciso I, alínea "a", do Decreto nº 6.306/2007), tributado à alíquota de 0,0041%, acrescido do IOF à alíquota adicional de 0,38% sobre os acréscimos diários dos saldos devedores, a partir de 03/01/2008 (Decreto nº 6.339/2008). Diante do acima exposto, entendo que o critério adotado pelo Decreto nº 4.494/2002 e pelo Decreto nº 6.306/2007 não extrapola a previsão legal. A recorrente alega ainda erro na base de cálculo utilizada pelo fisco. Em seu entendimento, houve um equívoco na apuração procedida pela fiscalização, ao passo que foi transportada para o mês de julho/2007 o saldo existente no mês junho/2007, o que, por via reflexa, resultou na tributação de período de apuração anterior ao objeto de lançamento, bem assim, que o imposto (IOF) incidiu sobre os juros registrados no período. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Conforme acima exposto e também destacado pelo julgador a quo, nos termos dos decretos regulamentares do IOF, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação. A regra de incidência do IOF, artigo 7º., do Decreto nº. 6.306/2007 é que até o termo final da operação, a base de cálculo será o somatório dos saldos devedores diários do mutuário apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação, fato este que faz com que o saldo devedor da mutuária da Interessada em período anterior ao ano mês de julho de 2007, venha a ser considerado na autuação. Quanto à incidência do IOF a título de incremento, tais valores já foram exonerados pelo julgador a quo tendo em vista que poderiam ser exigidos apenas a partir de 01/01/2008, por força do disposto no § 15 do artigo 7º do Decreto nº 6.306, de 2007, introduzido pelo Decreto nº 6.339 de 2008. Quanto à alegação de confiscatoriedade da multa aplicada, por estar prevista em norma vigente (Lei nº 9.430/1996), este julgador encontrase impedido de apreciar tal questão conforme a já citada Súmula CARF nº 2. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das sessões, em 27 de janeiro de 2015. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/02 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11634.720126/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2009
INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃO-CUMULATIVIDADE.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não- cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Os gastos com produtos aplicados em ambientes e instalações para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microorganismos, subsumem-se no conceito de insumo para empresa do setor agroindustrial, e ensejam a tomada de créditos.
APURAÇÃO DE CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO.
Com o advento da Lei n° 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, não gera direito a crédito de PIS as aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda.
AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRODUTO FABRICADO
O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. PARCERIA RURAL AVÍCOLA.
A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditar-se relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria avícola, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarrega-se, dentre outras atribuições, da criação dos pintos que lhe foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber.
Numero da decisão: 3101-001.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão: (i) Por unanimidade, deu-se provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) reconhecer o direito a crédito relativo aos gastos com produtos aplicados em ambientes e instalações para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microorganismos; e b) reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do art. 8°, § 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; (ii) Por maioria, negou-se provimento ao Recurso Voluntário para: a) manter as glosas dos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos para transporte das mercadorias vendidas. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro; b) não se admitir os créditos sobre a totalidade de pintainhos, ração e medicamentos utilizados para a produção de aves no sistema de integração avícola, admitindo apenas o valor dos créditos de forma proporcional ao quinhão da produção que efetivamente lhe toca. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e José Maurício Carvalho Abreu, que fará declaração de voto exclusivamente neste ponto; e (iii) pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa dos gastos com combustíveis utilizados em veículos para transporte de insumos. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Adolpho Bergamini e José Maurício Carvalho Abreu.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados, e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com produtos aplicados em ambientes e instalações para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microorganismos, subsumem se no conceito de insumo para empresa do setor agroindustrial, e ensejam a tomada de créditos. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Com o advento da Lei n° 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, não gera direito a crédito de PIS as aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRODUTO FABRICADO O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 01 26 /2 01 3- 97 Fl. 4455DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. PARCERIA RURAL AVÍCOLA. A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria avícola, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos pintos que lhe foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2009 INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com produtos aplicados em ambientes e instalações para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microorganismos, subsumem se no conceito de insumo para empresa do setor agroindustrial, e ensejam a tomada de créditos. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO. ALÍQUOTA ZERO. Com o advento da Lei n° 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, não gera direito a crédito de PIS as aquisições de insumos com alíquota zero, utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PRODUTO FABRICADO O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. PARCERIA RURAL AVÍCOLA. Fl. 4456DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Acórdão n.º 3101001.807 S3C1T1 Fl. 4 3 A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria avícola, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos pintos que lhe foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão: (i) Por unanimidade, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) reconhecer o direito a crédito relativo aos gastos com produtos aplicados em ambientes e instalações para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microorganismos; e b) reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do art. 8°, § 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; (ii) Por maioria, negouse provimento ao Recurso Voluntário para: a) manter as glosas dos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos para transporte das mercadorias vendidas. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro; b) não se admitir os créditos sobre a totalidade de pintainhos, ração e medicamentos utilizados para a produção de aves no sistema de integração avícola, admitindo apenas o valor dos créditos de forma proporcional ao quinhão da produção que efetivamente lhe toca. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro e José Maurício Carvalho Abreu, que fará declaração de voto exclusivamente neste ponto; e (iii) pelo voto de qualidade, negouse provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa dos gastos com combustíveis utilizados em veículos para transporte de insumos. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Adolpho Bergamini e José Maurício Carvalho Abreu. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Adolpho Bergamini, José Mauricio Carvalho Abreu e Rodrigo Mineiro Fernandes Relatório Fl. 4457DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 Reproduzo o relatório da Resolução 3101000.373 até aquela fase (fls. 4319 a 4323): O processo trata de Recurso Voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ1 nº 1260.493, de 17 de outubro de 2013, exarado pela 17ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, não cumulativas, correspondentes aos períodos de apuração 05/2008 a 12/2009. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2009 INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações, tais como:consumo; desgaste; dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. PARCERIA RURAL AVÍCOLA. A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria avícola, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos pintos que lhe foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA APLICÁVEL EM RELAÇÃO AO INSUMO ADQUIRIDO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatividade que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de Fl. 4458DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Acórdão n.º 3101001.807 S3C1T1 Fl. 5 5 pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1º do mencionado artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido. CRÉDITO/ATIVO IMOBILIZADO/ALÍQUOTA ZERO Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2009 INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações, tais como: consumo; desgaste; dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. PARCERIA RURAL AVÍCOLA. A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria avícola, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos pintos que lhe foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. ALÍQUOTA APLICÁVEL EM RELAÇÃO AO INSUMO ADQUIRIDO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatividade que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1º do mencionado artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido. Fl. 4459DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 CRÉDITO/ATIVO IMOBILIZADO/ALÍQUOTA ZERO Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2009 DECADÊNCIA.CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Após a publicação da Súmula Vinculante STF nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212/91, pacificouse o entendimento de ser qüinqüenal o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Segundo consta no Termo de Verificação e Encerramento Fiscal (fls. 3693 a 3716), a autoridade fiscal efetuou a apuração dos débitos de PIS e COFINS, contemplando as alterações na base de cálculo e nos créditos em função das supostas irregularidades por ela apuradas, resultando em insuficiência de recolhimento das contribuições. Para a apuração do saldo a pagar, os saldos de créditos das contribuições disponíveis foram aproveitados de oficio. Foram apuradas as seguintes irregularidades, segundo o entendimento fiscal: (1) Aproveitamento incorreto dos créditos de PIS e COFINS sobre aquisições não enquadradas como insumos: Gastos com produtos aplicados em ambientes e instalações (para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microorganismos, etc); Gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos para transporte das mercadorias vendidas; Gastos com combustíveis utilizados em veículos para transporte de insumos; Gastos com filtros e lubrificantes, pneus, acessórios de rodagem, partes, peças e manutenção aplicadas em frota própria; (2) Aproveitamento incorreto dos créditos de PIS e COFINS sobre aquisições não sujeitas ao pagamento de contribuição: Aquisições de pintos de um dia, vacinas; Fl. 4460DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Acórdão n.º 3101001.807 S3C1T1 Fl. 6 7 Aquisição de galinha matriz; (3) Aproveitamento indevido de créditos em duplicidade: Nota fiscal 8990 da CJ do Brasil Industria Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, CNPJ 07.450.031/000193, que se refere a remessa por conta e ordem da Nutron Alimentos Ltda, CNPJ 01.961.898/000550 (a nota fiscal 136863 emitida pela Nutron Alimentos foi aceita pela fiscalização); (4) Aproveitamento indevido de crédito sobre aquisições da Danica Termoindustrial Brasil Ltda As aquisições referemse a painéis e acessórios termoisolantes utilizados para fechamento lateral na construção das câmaras para produtos refrigerados e congelados, contabilizados como edificações em andamento – abatedouros (conta 1.3.2.10.002), não se enquadrando no conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS); (5) Aproveitamento indevido de crédito em duplicidade: Nota Fiscal 13245 emitida pela ADM do Brasil, informada em duplicidade; (6) Glosa do crédito sobre a nota fiscal 196 da ADM do Brasil Ltda: Não apresentação do documento; (7) Aproveitamento indevido do crédito presumido sobre aquisições de milho destinadas à revenda, e não utilizadas como insumo; (8) Aplicação incorreta do percentual de crédito presumido; (9) Aproveitamento incorreto do crédito de PIS e COFINS sobre insumos aplicados na parcela de produção do parceirocriador; (10) Aproveitamento indevido de crédito sobre valores de mercadorias adquiridas em consignação; (11) Exportações não comprovadas – ano calendário 2009; (12) Exportações não comprovadas – ano calendário 2008. A empresa autuada não impugnou os seguintes itens objetos do lançamento efetuado: item 3 (aproveitamento indevido de crédito sobre a nota fiscal 8990 da CJ do Brasil Indústria e Comércio de Produtos Alimentícios Ltda), item 4 (aproveitamento indevido de crédito sobre aquisições da Danica Termoindustrial Brasil Ltda), item 5 (aproveitamento indevido de crédito em duplicidade), item 6 (glosa do crédito sobre a nota fiscal 196 da ADM do Brasil Ltda), item 7 (aproveitamento indevido do crédito presumido sobre aquisições destinadas à revenda) e item 10 (mercadorias adquiridas em Fl. 4461DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 8 consignação). Foi efetuado o recolhimento da parte não contestada, conforme DARF´s acostados junto à impugnação. A autoridade julgadora a quo, com base na documentação acostada aos autos na fase impugnatória, entendeu que não teria sustentação a pretensão da autoridade administrativa em desqualificar a Receita de Exportação, visto que as Notas Fiscais elencadas no Termo de Verificação Fiscal, na verdade, ou foram canceladas com a emissão de Nota Fiscal de Entrada, inclusive no mesmo período de apuração, ou foram substituídas por outras Notas Fiscais com a devida comprovação da exportação mediante consultas ao SISCOMEX e os devidos Registros de Operações de Exportação. No recurso voluntário, a recorrente alega a decadência para fatos anteriores a 22/02/2008, alem de contestar as glosas efetuadas relativas aos itens 1, 2, 8 e 9 do Termo de Verificação e Encerramento Fiscal. Em sessão de julgamento datada de 23 de julho de 2014, esta turma julgadora converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem, para intimação do contribuinte, a fim de juntar aos autos: (a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada da fase da produção cujos insumos adquiridos, objeto do litígio, foram utilizados, incluindo sua completa identificação e descrição funcional dentro do processo; (b) Identificação de cada insumo à respectiva exigência de órgão público, se assim for, descrevendo o tipo de controle ou exigência, e qual o órgão que exigiu, apresentando o respectivo ato (Portaria, Resolução, Decisão, etc) do órgão público ou agência reguladora. A unidade de origem, em atendimento ao disposto na Resolução 3101000.373, anexou o Laudo Técnico e considerações adicionais apresentadas pela recorrente (fls. 4330 a 4452). Após a conclusão da diligência, o processo foi novamente encaminhado a este órgão julgador e distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade, e dele tomo conhecimento. Fl. 4462DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Acórdão n.º 3101001.807 S3C1T1 Fl. 7 9 Preliminarmente, a recorrente alega a decadência para os fatos geradores ocorridos até 21/02/2008. Entretanto, constatase que os períodos de apuração lançados nos referidos autos de infração foram de maio de 2008 a dezembro de 2009. Desta forma, tornase inócua a pretensão do sujeito passivo, pois os períodos anteriores a 21/02/2008 não foram objeto de constituição de crédito tributário mediante o presente lançamento. Passo agora à apreciação da questão meritória. Do enquadramento dos gastos como insumos para fins de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS A recorrente é empresa agroindustrial, tendo por objeto social a atividade de criação, abate, comercialização e exploração de aves, suínos e bovinos, vivos ou abatidos, e seus derivados e subprodutos, entre outras. A autoridade fiscal glosou créditos relativos à aquisição de bens para uso e consumo, sob o fundamento de que tais itens não se enquadrariam no conceito de insumos para fins de crédito do PIS e COFINS, a saber: a) gastos com produtos aplicados em ambientes e instalações (para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microorganismos, etc); b) gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos para transporte das mercadorias vendidas; c) gastos com combustíveis utilizados em veículos para transporte de insumos; e d) gastos com filtros e lubrificantes, pneus, acessórios de rodagem, partes, peças e manutenção aplicadas em frota própria. A recorrente alega que todos os créditos aproveitados decorreriam de itens que são indispensáveis ao seu processo produtivo, fundamentais para sua atividade inclusive seguindo exigências de autoridades sanitárias. Alega ainda que seria também fundamental o transporte de matériasprimas entre suas unidades, sendo cabível o creditamento dos dispêndios com a manutenção da frota. Segundo seu entendimento, o conceito de insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS é amplo, e estaria atrelado aos custos, despesas e encargos de tudo que contribui para a obtenção de receitas pela empresa. Os gastos glosados pela fiscalização seriam indispensáveis ao processo produtivo da empresa, e imprescindíveis para o exercício da atividade de produção de aves. Complementa sua defesa afirmando que o Laudo Técnico apresentado em atendimento à Resolução 3101000.373 corrobora seu entendimento. A jurisprudência administrativa acerca do conceito de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas tem evoluído ao longo dos anos, e majoritariamente já adota um conceito mais amplo do que aquele da legislação do IPI, mas mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Seguese, inclusive, o conceito deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317MG, Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original): Fl. 4463DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 10 Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O Min. Campbell Marques extraiu o que há de nuclear na definição de insumo para tal fim: 1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos (pertinência ao processo produtivo); 2º A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Interpreto a questão de forma divergente à posição externada pela recorrente, de que o conceito de insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS seria amplo, atrelado aos custos, despesas e encargos de tudo que contribui para a obtenção de receitas pela empresa. A análise deverá ser feita considerando o processo produtivo da empresa, levando em consideração sua pertinência e essencialidade ao processo produtivo. Inicialmente analisaremos as glosas efetuadas pela fiscalização dos gastos com produtos aplicados em ambientes e instalações para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microorganismos. Segundo o Laudo Técnico elaborado pelo Engenheiro Lauro César Silva Melo, CREA/SC 0618481, ART 52686337 (fls. 4341 a 4379), os produtos abaixo relacionados, aplicados em ambientes e instalações do processo produtivo para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microrganismos, são utilizados para manter a biossegurança no processo de produção e assegurar a conformidade em relação às normas da ANVISA e de saúde pública. Ø ANTIFUNGHI VELA 30GR Ø AVICLOR CHOQUE 50G OU AVICLOR Ø AVICLOR PULVERIZAÇÃO 500G Ø AVICLOR 200 TRICLORO 1,4 Ø AVT450 DESINFETANTE Ø AVT500 DESINFETANTE Ø BDFORTEDESENGRAXANTE ALCALINO Ø CAL VIRGEM Ø CALCÁRIO Ø FORMOL Fl. 4464DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Acórdão n.º 3101001.807 S3C1T1 Fl. 8 11 Ø HALAMID Ø RATUM BLOCO Ø SULFATO DE COBRE NUTRICIONAL MONO 35% 1KG Ø VETANCID Ø VIRKON 10 KG O referido laudo informa ainda que tais insumos são aplicados nas fases do processo produtivo onde existe o risco de contaminação por microrganismos e similares, os quais poderiam comprometer a cadeia de segurança alimentar. Quanto ao Sulfato de cobre nutricional mono 35%, conforme descrito no referido laudo técnico, tratase de um aditivo utilizado com finalidade antifúngica em matérias primas e rações destinadas à alimentação animal. Como se trata de uma empresa agroindustrial, que exerce a atividade de criação, abate, comercialização e exploração de aves, suínos e bovinos, entendo que merece prosperar a argumentação da recorrente, de que os itens acima referidos, aplicados em ambientes e instalações para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microorganismos, enquadramse no conceito de insumos para fins de creditamento do PIS e da COFINS, por serem inerentes à atividade da recorrente, essenciais ao seu processo produtivo, e utilizados ainda que indiretamente na produção. Entendo também que a não aplicação dos insumos no processo produtivo, com a consequente ausência da etapa de limpeza e desinfecção, certamente comprometeria a cadeia de segurança alimentar, inviabilizando a qualidade do produto final. Dessa forma, as glosas dos valores creditados relativos aos gastos com produtos aplicados em ambientes e instalações para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microorganismos (planilha às fls. 3717 a 3720) são indevidas. Quanto às glosas relativas a gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos para transporte das mercadorias vendidas, entendo como correto o entendimento do julgador a quo. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, os dispêndios glosados são aplicados em fase posterior da cadeia de produção da empresa, constituindo em despesas vinculadas à operação de venda, não se enquadrando como insumos para fins de crédito de PIS e COFINS. Em se tratando de serviço de frete, as leis de regência permitem o creditamento, desde que tomados de pessoas jurídicas, quando o serviço seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. No caso em análise não se trata de despesas de frete lastreado em contrato específico de transporte, mas de despesas decorrentes de transporte com frota própria, não se enquadrando na previsão do inciso IX do art. 3º, e inciso II do art.15, da Lei nº 10.833/2003, que trata de frete na operação de venda com suportado pelo vendedor. Fl. 4465DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 12 Desta forma, entendo como corretas as glosas efetuadas pela autoridade fiscal relativa aos gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos para transporte das mercadorias vendidas (fls. 3721 a 3729), por falta de previsão legal para o crédito. Quanto às demais glosas efetuadas (gastos com combustíveis utilizados em veículos para transporte de insumos e gastos com filtros e lubrificantes, pneus, acessórios de rodagem, partes, peças e manutenção aplicadas em frota própria), também entendo que nenhuma ressalva a que ser feita na decisão recorrida. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, os gastos com combustíveis utilizados em veículos para transporte de insumos glosados não se enquadram no conceito de insumo e também não se trata de serviço de frete na operação de venda, inexistindo previsão legal para seu creditamento. Mesmo entendimento tenho com relação aos gastos com filtros e lubrificantes, pneus, acessórios de rodagem, partes, peças e manutenção aplicadas em frota própria. Tratase de despesas sem previsão de crédito das contribuições. Desta forma, mantenho as glosas dos gastos com combustíveis utilizados em veículos para transporte de insumos (fls. 3730 a 3752), e as glosas dos gastos com filtros e lubrificantes, pneus, acessórios de rodagem, partes, peças e manutenção aplicadas em frota própria (fls. 3753 a 3842), por falta de previsão legal para o crédito. Do aproveitamento incorreto dos créditos de PIS e COFINS sobre aquisições não sujeitas ao pagamento de contribuição A autoridade fiscal glosou os créditos indicados pelo contribuinte relativos às aquisições de pintos de um dia e de vacinas, que são sujeitos à alíquota zero de PIS e COFINS, e relativo as aquisições de “galinha matriz”, decorrentes de operação de venda de ativo imobilizado. Alega a recorrente o direito ao crédito das contribuições decorrentes dos insumos que utilizou na fabricação de seus produtos, mesmo no caso de insumos sujeitos à alíquota zero de PIS e COFINS, como no caso do pinto de um dia. Entende que a impossibilidade de creditamento violaria a nãocumulatividade das contribuições e anularia o benefício da alíquota zero concedido aos insumos. Alega que teria direito ao menos ao crédito presumido de 35% na forma do artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004. Não assiste razão à recorrente. A vedação ao creditamento na aquisição de produtos com alíquota zero é tratada de forma expressa no artigo 3º, § 2º, inciso II, tanto da Lei nº 10.637/2002, quanto da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, in verbis: Art.3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ..... § 2º Não dará direito a crédito o valor: ...... II – da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando Fl. 4466DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Acórdão n.º 3101001.807 S3C1T1 Fl. 9 13 revendidos ou utilizados como insumos em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0(zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. A lei fala em “não sujeição ao pagamento” e essa conseqüência, financeira, é gerada pela alíquota zero. Inaplicável, portanto, na espécie, a tese pretendida pela Recorrente. Quanto ao crédito presumido, proveniente da aquisição de Pinto de um dia, conforme já apontado pelo julgador a quo, os mesmo foram concedidos ao contribuinte. A recorrente alega também que não utiliza as Matrizes para integrar seu ativo imobilizado, sendo que são abatidas e vendidas, o que geraria o crédito de PIS/COFINS. Entretanto, a recorrente não apresenta provas de seu argumento, de que não contabiliza as matrizes em seu Ativo Permanente. Notese que a atividade da empresa pressupõe a aquisição de matrizes, e que os recursos ali investidos são destinados à manutenção das atividades da empresa e devem ser registrados no Ativo Permanente/Imobilizado. Portanto, devem ser mantidas as glosas efetuadas pela autoridade fiscal sobre aquisições não sujeitas ao pagamento de contribuição (fls. 3843 a 3847), por expressa vedação legal. Da aplicação incorreta do percentual de crédito presumido; A autoridade fiscal alega que a interessada utilizou indevidamente um percentual único de 60% para todos os insumos objeto do crédito presumido, quando o correto seria utilizar o percentual de 35% para Frangos vivos e galinhas vivas classificados no capítulo 1 da TIPI, percentual de 50% para Soja e derivados classificados nos capítulos 12, 15 e 23 da TIPI e o percentual de 35% para os demais produtos (milho, lenha, briquetes, cavaco de madeira, etc), percentuais esses previstos no artigo 8º, § 3º, inciso III, da Lei nº 10.925/2004. A recorrente alega que não há que se falar nas reduções apontadas uma vez que os itens apurados em razão do crédito presumido da atividade agroindustrial estão sujeitos ao percentual apropriado de 60% (sessenta por cento). Neste caso, assiste razão à Recorrente, tendo em vista uma recente alteração legislativa que interpretou de forma contrária ao argumento do Fisco. O artigo 33 da Lei nº 12.865/13 acresceu enunciado interpretativo ao artigo 8° da Lei nº 10.925/04, verbis: Art. 33. O art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 8º ........................................................................ § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos." (NR) O legislador expressamente consignou a natureza interpretativa do parágrafo 10 incluído pela Lei nº 12.865/13. Desta forma, conforme determinação do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, aplicase o entendimento de que o direito ao crédito na alíquota de Fl. 4467DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 14 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º do art. 8º da Lei º 10.925/2004, de forma retroativa, alcançando os fatos geradores objeto do presente lançamento. Assim, reconhecese à Recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Do aproveitamento incorreto do crédito de PIS e COFINS sobre insumos aplicados na parcela de produção do parceirocriador O item seguinte glosado referese aos dispêndios referentes aos pintainhos, ração e medicamentos utilizados para a produção de aves no sistema de integração avícola, onde o ParceiroProprietário (Jaguafrangos) fornece os referidos itens aos ParceirosCriadores (granjas), que se encarregam da criação e engorda das aves. A fiscalização aponta que como uma parcela da produção das aves cabe aos ParceirosCriadores, os dispêndios referentes aos pintainhos, ração e medicamentos utilizados para a produção dessa parcela não podem ser aproveitados para fins de creditamento do PIS e da COFINS. A recorrente alega que as glosas são indevidas, visto que os custos sobre os itens em questão foram integralmente suportados pela recorrente, de forma a viabilizar a parceria rural, integrando o preço final do produto. Não assiste razão à recorrente. Como existe uma parcela das aves que cabe ao produtor integrado, tal parcela não constitui produção da pessoa jurídica nem tampouco é destinada à venda pela pessoa jurídica. Tratase de produção de terceiros, e os insumos relativos a tal parcela são vinculados ao processo produtivo de terceiros. Apenas gera direito ao crédito a parcela própria do ParceiroProprietário e os dispêndios referentes aos pintainhos, ração e medicamentos utilizados proporcionalmente nessa parcela. Não existe previsão legal para conceder créditos das contribuições sobre insumos relativos a produção de terceiros. Conforme já destacado pelo julgador a quo, o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, autoriza a apuração de créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Está claro nesse comando, diante de seu contexto, que a produção há de pertencer à pessoa jurídica que apura o crédito e que essa produção há de destinarse à venda, a ser por ela realizada. O mesmo entendimento é manifestado na Solução de Consulta nº 1, SRRF/10ª RF, de 18 de maio de 2007, cuja ementa abaixo transcrevemos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. A definição de bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda não está atrelada estritamente Fl. 4468DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Acórdão n.º 3101001.807 S3C1T1 Fl. 10 15 ao conceito de industrialização de bens e serviços, inerente à legislação do IPI, podendo abranger outros processos produtivos não tipificados como industrialização. CRIAÇÃO DE AVES PELO SISTEMA DE INTEGRAÇÃO (PARCERIA AVÍCOLA). A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de aves poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse da Cofins relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação de animais por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria avícola, o parceiro desta pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos pintos que lhe foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. O valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. Dispositivos Legais: Art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003; art. 8º, I, “b”, e § 4º, I, da IN SRF nº 404, de 2004. Assim, confirmo a decisão recorrida de não se admitir o créditos sobre a totalidade de pintainhos, ração e medicamentos utilizados para a produção de aves no sistema de integração avícola, admitindo apenas o valor dos créditos de forma proporcional ao quinhão da produção que efetivamente lhe toca, como foi efetuado no presente lançamento em análise. Das conclusões Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito a crédito relativo aos gastos com produtos aplicados em ambientes e instalações para limpeza, desinfecção, higienização, controle de pragas e microorganismos; e para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002 e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; com a exoneração dos tributos e acréscimos legais incidentes, proporcionais aos créditos reconhecidos no presente julgamento. Sala de sessões, 24 de fevereiro de 2015. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinatura digital] Declaração de Voto Conselheiro José Mauricio Carvalho Abreu, Fl. 4469DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 16 Sopeso a decisão proferida por este Colegiado e o abalizado Voto do Eminente Conselheiro Relator Rodrigo Mineiro Fernandes. Contudo, entendo ser justificada a presente declaração de voto para manifestar os argumentos que nos levam à divergência quanto ao último item do Voto do Relator, cujo trecho inicial ora transcrevo: “Do aproveitamento incorreto do crédito de PIS e COFINS sobre insumos aplicados na parcela de produção do parceirocriador O item seguinte glosado referese aos dispêndios referentes aos pintainhos, ração e medicamentos utilizados para a produção de aves no sistema de integração avícola, onde o ParceiroProprietário (Jaguafrangos) fornece os referidos itens aos ParceirosCriadores (granjas), que se encarregam da criação e engorda das aves.” Divirjo do Voto do Relator por entender ser legítimo o direito da Recorrente ao desconto de créditos na apuração do PIS e da COFINS sobre a totalidade dos dispêndios por ela incorridos com a aquisição de pintainhos, ração e medicamentos. Tais itens são na totalidade incorridos, utilizados e necessários à produção de aves no sistema de integração avícola da Recorrente, e são por ela arcados para a obtenção da totalidade dos bens (aves) que lhe competem no modelo de operação adotado, as quais são efetivamente destinadas à venda. Com efeito, a parcela das aves que cabe ao ParceiroCriador já é pré determinada e decorre exatamente do modelo de operação e produção adotado pela Recorrente, o qual não se questiona. Neste modelo de produção em parceria, a Recorrente incorre integralmente com o custo dos insumos para que, ao final, obtenha um percentual pré determinado de aves. Tal característica é intrínseca ao próprio modelo de integração avícola, fato que não desqualifica nem altera a natureza do dispêndio incorrido, nem tampouco afasta ao contribuinte o direito de crédito integral sobre os insumos por ele incorridos. O montante de insumos utilizados pela Recorrente para produzir um número de aves dentro do modelo de parceria é exatamente aquele que ela incorreu. Em outras palavras, compreendese que, dentro do modelo de parceria, os dispêndios sobre os itens em questão são integralmente suportados pela Recorrente, sendo necessários e suficientes para a produção do número de aves que lhe compete. Do contrário, estaríamos atribuindo à fiscalização não só o direito mas também o dever de glosar créditos de PIS e da COFINS sobre operações em que o contribuinte é ineficiente ou dispendioso na aquisição e consumo de insumos, seja por decorrência de seu ineficiente modelo operacional seja por seu inadequado processo produtivo, o que não nos parece correto por carecer de fundamentação legal. Nesse ponto, parece válido um breve exercício para exemplificar a lógica do racional adotado: Assumase que determinado contribuinte “A”, utilizandose de uma máquina obsoleta, modelo operacional deficiente ou processo produtivo inadequado incorra em um volume de insumos “I”, para obtenção de uma quantidade “X de” produto final. Por sua vez, assumase que outro contribuinte “B”, utilizandose de máquinas modernas, de modelo operacional eficiente ou processo produtivo adequado consuma 50% menos insumos “I/2”, para produzir a mesma quantidade de produto final “X”. Pois bem, sendo inequívoco que o custo incorrido foi com insumos, há fundamento legal para que a fiscalização glose os créditos de PIS e COFINS de “A” por seu consumo excessivo ou ineficiente de insumos? Nos parece que a resposta é não. Ora, o que se identifica no caso da Recorrente é um perfeito paralelo com o exemplo acima descrito. O volume de insumos utilizado pela recorrente é aquele adequado Fl. 4470DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11634.720126/201397 Acórdão n.º 3101001.807 S3C1T1 Fl. 11 17 para a obtenção do número “X” de aves que lhe cabem como decorrência direta de seu modelo operacional, qual seja, o modelo de parceria e integração avícola. Frisese que não se questionou o direito ao crédito em razão da natureza dos dispêndios incorridos (i.e. pintainhos, rações e medicamentos utilizados na produção avícola), sendo efetivamente insumos para fins de creditamento do PIS e da COFINS. Na forma do Artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, é direito do contribuinte o desconto de créditos da não cumulatividade decorrente da aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Sim, o número “X” de aves produzido pela Recorrente foi destinado à venda e para a obtenção do número “X” de aves que lhe compete a recorrente incorreu na totalidade dos insumos em questão. A nosso ver, não há fundamento para desconstituir o modelo de operação da Recorrente com o objetivo de presumir que apenas parte dos insumos apesar de insumos – gera direito ao crédito discutido. Ao contrário, sendo acatados como insumos da atividade produtiva e sendo este o volume de insumos adequado e necessário para a produção das aves da recorrente nas bases de seu modelo operacional, resta configurado à mesma o direito ao crédito de PIS e da COFINS. Vamos além. Permitir a glosa de parte dos insumos efetivamente utilizados na cadeia produtiva dentro do modelo de parceria significaria macular a não cumulatividade do PIS e COFINS. Entendase, caso a Recorrente não tivesse adquirido a quantidade de pintainhos, ração e medicamento em discussão, a mesma não teria obtido a quantidade de aves a que faz jus dentro do modelo de parceria e integração avícola, logo, tais itens são efetivamente insumos, quer pela natureza quer pela sua utilização. Diante do exposto, acato o argumento da Recorrente pelo reconhecimento do direito integral de créditos de PIS e da COFINS sobre a totalidade dos valores incorridos com pintainhos, ração e medicamentos. É como voto. (assinado digitalmente) José Mauricio Carvalho Abreu Fl. 4471DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 11516.007835/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2008
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. CONTABILIDADE. TÍTULOS IMPRÓPRIOS.
É devida a autuação da empresa pela falta de lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. CONTABILIDADE. TÍTULOS IMPRÓPRIOS. É devida a autuação da empresa pela falta de lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 78 35 /2 00 8- 62 Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007835/200862 Acórdão n.º 2402004.538 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória, prevista no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontada, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, para as competências 05/2004 a 05/2008. O Relatório Fiscal informa que a empresa deixou de escriturar devidamente, em títulos próprios de sua contabilidade, contas de receita e despesa, os fatos contábeis relacionados com as obras de construção civil: Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76); Residencial Pedro Coelho (CEI 36.550.01504/76); Residencial Bernardo Koerich (CEI 36.560.00589/73); e Residencial Alaíde (CEI 40.580.00648/79). Em síntese, as razões e motivações do lançamento foram: 1. Cita a fiscalização que por meio do exame dos livros Diário e Razão e da documentação de Caixa referente aos lançamentos contábeis, que a empresa não observa os princípios contábeis em sua escrituração. Discorre sobre os princípios contábeis geralmente aceitos; 2. Informa que do exame nos livros contábeis e folha de pagamento constatou que a empresa não registrou todas as despesas efetuadas com as obras que realizou. Na obra denominada Residencial Guimarães, consta folha de pagamento relativo as competências 07/2004 a 11/2004, e não consta registro contábeis nos centros de custos 1.1.3.5, relativos a este período. Relata que a citada obra iniciou em 07/2004, conforme consta de folha de pagamento apresentada pela empresa, com admissão de 04 empregados nesta competência. Não consta registros contábeis relativos às despesas iniciais da obra, tais como preparação do terreno, despesas de projeto e plantas, despesas com água e luz, impostos sobre a folha de pagamento. O centro de custo relativo a esta obra contem registros de lançamentos contábeis apenas a partir do ano de 2005. Informa que a empresa deixou de lançar em títulos próprio despesas com remuneração e que este fato fere os princípios da oportunidade, continuidade e competência. O balanço patrimonial apresentado no ano de 2004, não apresenta registro com a obra Residencial Guimarães, de forma que este não espelha a realidade; 3. Da análise da folha de pagamento da empresa, informa que a empresa não possui em seu quadro de empregados engenheiros, e não consta dos registros contábeis pagamentos a estes profissionais, exceto para a obra Residencial Alaíde. Não existem registros de despesas, na execução das demais obras com relação aos mesmos; Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4. Cita que não consta diversos registros de despesas correntes e essenciais nas obras verificadas. Como exemplo, relata que a obra Residencial Bernardo Koerich, centro de custo 1.1.14, não consta despesas relativas a confecção de plantas e projetos, serviços de sondagens, serviços de terraplanagem e estaqueamento. Não consta lançamentos relativos a pagamento de profissionais habilitados. Este fato também foi constatado na obra Residencial Alaíde, centro de custo 1.1.3.2. Cita que constam registro de despesas com terreno, ferragens, concretagem, argamassa, salários e encargos, previdência social, FGTS, materiais, fretes, impostos, água, luz e esgoto. Cita que não consta registro de despesas com alimentação dos empregados; 5. Não consta registro contábil das despesas com a contratação do engenheiro civil João Batista Simon Flausino, cujos serviços constam de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), em anexo. Os serviços foram relativos a projeto arquitetônico e complementares do Residencial Bernardo Vicente Koerich. Relata que a contratação do respectivo profissional foi por meio da empresa Solidez Engenharia e Informática Ltda e não constam registros contábeis referentes a pagamentos para a citada empresa. Que este fato ratifica a constatação de que a empresa não registra despesas com profissionais em diversas obras realizadas. O mesmo fato foi apurado com relação a engenheira civil Rosangela Cechella Philippi, contratada para efetuar projeto e execução do Residencial Pedro Coelho, com honorário de R$1.200,00, conforme consta de ART em anexo, sendo que não consta registro contábil relativo a mencionada despesa; 6. Cita que, considerando os fatos apurados, os salários de contribuição das obras foram apurados por aferição indireta com base na área construída, tendo como parâmetro para a apuração da mão de obra empregada o Custo Unitário Básico aplicável para a construção. Apresenta quadro descritivo das obras, Residencial Guimarães, Residencial Pedro Coelho, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c o art. 283, inciso II, alínea “a”, o art. 373 e o art. 290, inciso V, parágrafo único, todos do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 21/11/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 63/76), alegando, em síntese, que: 1. informa que as obras Residencial Dona Martha, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde foram objeto de ações judiciais movidas pela empresa autuada, antes da ação fiscal desenvolvida na empresa. As ações foram motivadas pela recusa do órgão fiscalizador à época, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em conceder a Certidão Negativa de Débito (CND) relativa. as obras mencionadas, quando da solicitação desta, ao término das obras. As ações ordinárias foram de Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007835/200862 Acórdão n.º 2402004.538 S2C4T2 Fl. 4 5 n° 2004.72.00.0076820 (Residencial Dona Martha), 2007.72.00.0115527, (Residencial Bernardo Koerich) e 2005.72.00.0105124 (Residencial Alaíde). Alega que os processos judiciais foram favoráveis à empresa e estes apresentam perícia contábil e que estas indicam que a empresa tem contabilidade formal e regular, e que em momento algum feriu os princípios contábeis geralmente aceitos, conforme afirma a fiscalização. Apresenta documentação relativa às citadas ações judiciais ordinárias em anexo; 2. com relação ao Residencial Bernardo Koerich, ação judicial relativa ao processo 2007.72.00.0115527, informa que foi efetuado depósito judicial no valor de R$208.400,59, conforme extrato juntado aos autos; 3. com relação ao Residencial Guimarães, alega que os empregados relacionados no anexo II dos autos não pertencem a esta obra e tão somente ao Residencial Bernardo Koerich, conforme documentos anexados, sendo que este se encontra com ação em juízo e com perícia judicial deferida; 4. com relação aos contribuintes individuais (engenheiros) citados pela fiscalização, informa que juntou cópias de documentos contábeis, bem como de recolhimentos e GFIPs; 5. alega que o Residencial Guimarães foi adquirido em 09/11/2004 da empresa H.SELL Empreendimentos Ltda, por contrato de permuta, sendo que o terreno foi adquirido com os projetos aprovados e obras de estaqueamento já realizadas no imóvel. Que a obra somente teve registro na contabilidade a partir de abril de 2005, conforme Livro Razão e que antes desta data não poderia ter registro de folha de pagamento; 6. cita que as ART's de n° 26274260 e 26277252, referentes a projeto estrutural e responsabilidade técnica de acompanhamento da obra, são relativas à obra Residencial São José, que se encontra em andamento. Aduz que as obras, com exceção do Residencial Guimarães não necessitam de despesas com preparação de terreno, e que as obras se iniciam com o estaqueamento, posto que os terrenos são planos; 7. discorre sobre o critério de aferição indireta e alega que esta deve ser aplicada apenas nos casos de exceção, ou seja, quando foi impossível a apuração das contribuições previdenciárias devidas através da contabilidade da empresa ou deixar esta exibir documentos pertinentes. Argumenta que a perícia judicial deferida para as obras demonstrou que a contabilidade da empresa é regular e formalizada; 8. argumenta que se ocorresse alguma deficiência na contabilidade, esta não afetaria os cálculos da previdência social a recolher, posto que este é feito de forma extra contábil; Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 9. aduz que, no caso de ser considerado a aferição, deve ser aplicado a atual norma vigente, a Instrução Normativa 24, de 30/04/2007, que alterou o Título V Normas e Procedimentos Aplicáveis à atividade de Construção Civil, da IN MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005; 10. alega que não houve a intenção de sonegar qualquer tributo e que a simples inadimplência não representa crime de sonegação fiscal. Aduz que somente após o julgamento da defesa administrativa do contribuinte é que se pode falar em sonegação fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0717.605 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 587/590) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a empresa possui contabilidade regular. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Florianópolis/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007835/200862 Acórdão n.º 2402004.538 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que – para as competências 05/2004 a 05/2008 – a Recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, eis que ela não contabilizou os valores das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, prestadores de serviços na execução das obras de construção civil: Residencial Guimarães; Residencial Pedro Coelho; Residencial Bernardo Koerich; e Residencial Alaíde. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (grifos nossos) Esse art. 32, inciso II, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, conforme dispõe em seu art. 225, inciso II, §§ 13 a 17: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. (g.n.) O valor da multa aplicada, por sua vez, está em perfeita conformidade com o disposto artigo 283, inciso II, alínea “a” e artigo 373, c/c artigo 290, inciso V e parágrafo único, todos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007835/200862 Acórdão n.º 2402004.538 S2C4T2 Fl. 6 9 prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos autos dos processos 11516.007840/200875 e 11516.007838/200804. Após essas considerações, informo que, quando da análise do processo da obrigação principal, as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação à utilização do arbitramento da base de cálculo da obrigação principal – foram devidamente enfrentadas. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão do processo da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) O processo 11516.007840/200875 assentou em sua ementa os seguintes termos: “[...] AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Caso a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. [...]” Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13971.001497/2005-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.
Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.
Realidade em que foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como insumo de alguns dos bens e serviços adquiridos e contratados pela recorrente, os quais deverão ser considerados para fins de creditamento da contribuição.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. TAXA DE RELIGAÇÃO E PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE.
A taxa de religação e o parcelamento de energia elétrica se enquadram na hipótese de creditamento objeto do regime da não-cumulatividade da COFINS previsto no inciso III do artigo 3º da Lei nº 10.833 de 2003, inerente a custos com energia elétrica.
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE DESPESAS FINANCEIRAS. PAGAMENTOS A EMPRESAS DE FACTORING E DESPESAS COM MORA. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O inciso V do artigo 3o das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 autoriza o desconto de créditos calculados sobre despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optantes pelo SIMPLES.
Por falta de previsão legal, não é possível o desconto de créditos calculados sobre pagamentos a empresas de factoring, além de outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores.
COFINS. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS.
O valor do ICMS, quando recuperável, não compõe o valor do estoque de abertura, e não gera créditos presumidos quando da mudança do regime cumulativo para o da não-cumulatividade.
Numero da decisão: 3802-004.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Indústria e Comércio Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NEGATIVA DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. É legítima a decisão de primeira instância que denega pedido de diligência cujo pleito é demasiadamente genérico, sem a formulação de questionamentos pontuais merecedores de uma diligência para saneamento da suposta dúvida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 14 97 /2 00 5- 61 Fl. 917DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como insumo de alguns dos bens e serviços adquiridos e contratados pela recorrente, os quais deverão ser considerados para fins de creditamento da contribuição. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DOS CUSTOS COM ELETRICIDADE. TAXA DE RELIGAÇÃO E PARCELAMENTO. POSSIBILIDADE. A taxa de religação e o parcelamento de energia elétrica se enquadram na hipótese de creditamento objeto do regime da nãocumulatividade da COFINS previsto no inciso III do artigo 3º da Lei nº 10.833 de 2003, inerente a custos com energia elétrica. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS SOBRE DESPESAS FINANCEIRAS. PAGAMENTOS A EMPRESAS DE FACTORING E DESPESAS COM MORA. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O inciso V do artigo 3o das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 autoriza o desconto de créditos calculados sobre despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optantes pelo SIMPLES. Por falta de previsão legal, não é possível o desconto de créditos calculados sobre pagamentos a empresas de factoring, além de outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001497/200561 Acórdão n.º 3802004.256 S3TE02 Fl. 918 3 COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS. O valor do ICMS, quando recuperável, não compõe o valor do estoque de abertura, e não gera créditos presumidos quando da mudança do regime cumulativo para o da nãocumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Curi, Cláudio Pereira e Solon Sehn, na parte em que votaram para também incluir, na base de cálculo do crédito reconhecido, os valores pagos a título de correção monetária da energia elétrica. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Florianópolis (fls. 799/828 da cópia digitalizada do eprocesso, doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a parte que não foi reconhecida do pedido de ressarcimento de aduzidos créditos da COFINS relativo ao primeiro trimestre de 2004. Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida. Trata o presente processo de Pedido Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativo ao primeiro trimestre de 2004, no valor de R$ 542.779,09. Relatório de Auditoria Fiscal Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento de valores indevidamente incluídos na base de cálculo do crédito apurado pela contribuinte, conforme informado em Dacon e confrontado com as informações e registros por ela apresentados em resposta a intimações fiscais. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 A Autoridade Fiscal relata que ante discrepâncias verificadas entre os montantes das operações, apurados por CFOP, registrados no LRE e os consignados na memória de cálculo (do valor informado em cada linha do Dacon), adotou na análise e apuração da base de cálculo do crédito da contribuinte o seguinte procedimento: em sendo o valor apurado no LRE idêntico ao da memória de cálculo, tal valor foi o considerado como o ponto de partida para o desconto das notas fiscais desconsideradas na análise, resultando em valor ajustado pela diferença; quando o valor apurado no LRE foi inferior ao da memória de cálculo, a diferença foi glosada por falta de comprovação, tendo sido o valor do LRE adotado como o ponto de partida para o desconto das notas fiscais desconsideradas na análise, obtendose, assim, um valor ajustado; quando superior o valor obtido no LRE, deste foram extraídos os valores das notas fiscais desconsideradas: caso o valor resultante tenha sido superior ao informado na memória, validouse o valor da própria memória para fins de determinação do máximo admissível, em relação ao CFOP em análise; caso o valor resultante tenha sido inferior ao informado na memória, considerouse este como sendo o valor ajustado (e o máximo admissível); A Autoridade Fiscal assenta, então, que para os montantes das operações registradas, apurados por CFOP das entradas, obtevese valores ajustados ou valores da memória validados na análise (máximo admissível por CFOP), cujo somatório foi adotado como o máximo admissível em relação à respectiva linha do Dacon, cujo valor do crédito compõem. Tendo em conta a sistemática acima, foram excluídos da base de cálculo do crédito apurado pela contribuinte os valores que seguem: a) aquisições de insumo da linha 02 da ficha 06 do Dacon: as diferenças verificadas nos casos em que os montantes (referentes às entradas com CFOP 1407, 1949 e 2101) indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações; os valores das notas fiscais, cujas cópias se encontram presentes nos autos, por não se referirem a insumos; a Autoridade Fiscal traz uma listagem dessas notas contendo o número, CFOP, valor e “DESCRIÇÃO DOS PRODUTOS”; por fim, ajustados os valores, as diferenças entre estes valores e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a linha 02 do Dacon; b) aquisições de serviços linha 03 da ficha 06 do Dacon: as diferenças verificadas nos casos em que os montantes (referentes às entradas com CFOP 1949, 2125, 2949) indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações; os valores das notas fiscais, cujas cópias se encontram presentes nos autos, por não se referirem a serviços considerados como insumo; a Autoridade Fiscal traz uma listagem dessas notas contendo o número, CFOP, valor e “DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS”; Fl. 920DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001497/200561 Acórdão n.º 3802004.256 S3TE02 Fl. 919 5 por fim, ajustados os valores, foram glosadas as diferenças entre estes valores e os valores máximos a serem admitidos para o crédito referente a esta linha do dacon; c) despesas com energia elétrica linha 04 da ficha 06 do Dacon: valores consignados nas faturas de energia cobrados a título de taxa de religação, parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora, por consistirem de valores não relacionados ao consumo, nos termos prescritos na legislação; d) despesas financeiras linha 07 da ficha 06: por não consistirem de despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoa jurídica com sede no País, nos termos prescritos no art. 3º, inciso V, da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, os valores referentes a: 1) pagamentos de juros de mora decorrentes de atraso no pagamento de duplicatas; 2) pagamentos efetuados a empresas de fomento mercantil (factoring); e 3) pagamentos efetuados a empresas não consideradas instituições financeiras; o valor referente à diferença apurada, a partir dos documentos apresentados pela contribuinte (informação à folha 191 e Razão com Contrapartidas, às folhas 315 a 321), do deságio líquido do mês de março de 2004; Consta ainda que a interessada apropriou crédito presumido relativo ao estoque de abertura (linha 20, ficha 06 do Dacon); intimada apresentou a memória de cálculo correspondente, da qual foram excluídos os valores referentes a materiais de consumo e conservação, por não consistirem de bens destinados à revenda ou insumos e os valores referente ao ICMS, que quando recuperáveis, não devem ser incluídos no custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas. Da Manifestação de Inconformidade 1. Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade onde contesta, primeiro, a glosa de valores referentes a aquisição de insumos. Em relação às diferenças existentes entre o LRE e a memória de cálculo, insurgese contra a adoção pela Autoridade Fiscal do menor valor informado nos demonstrativos apresentados. Nesse sentido aduz que “... nem todos os bens ingressados na empresa, que necessariamente devem constar do livro de registro de entradas, geram direito ao correspondente crédito de PIS/COFINS. Assim, é lógico e natural que em determinadas situações o LRE seja superior à memória de cálculo”. Segue, apontando “alguns equívocos da empresa e também da fiscalização”, que defende não poderem “tolher o cristalino crédito de seu direito”; os equívocos, que diz comprovar por meio dos documentos “Doc. nº 3” e “Doc. nº 4” em anexo, são: a) janeiro CFOP 1407 os insumos correspondentes estão lançados na conta 1101; b) janeiro CFOP 1949 insumos constantes do LRE provável equívoco da fiscalização na conferência dos documentos apresentados; Fl. 921DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 c) janeiro CFOP 2101 os insumos correspondentes estão lançados na conta 2122; d) fevereiro CFOP 1949 insumos constantes do LRE provável equívoco da fiscalização na conferência dos documentos apresentados; e) março CFOP 1949 insumos constantes do LRE provável equívoco da fiscalização na conferência dos documentos apresentados. Alega, ainda, que os materiais cujos valores foram glosados se tratam se insumos, conforme do “doc. nº 4”, pois estão “relacionados diretamente à sua atividade produtiva”. Nesse sentido, aduz a contribuinte: 9. A título meramente exemplificativo e aleatório, citamse as seguintes glosas procedidas, que não podem prosperar, ante o enquadramento legal do crédito pretendido: a) palet material de embalagem; b) barras de ferro utilizadas na montagem dos quadros da estamparia c) oxigênio utilizado para solda dos quadros da estamparia; d) bateria utilizada na empilhadeira, diretamente vinculada à produção; e) gás combustível da empilhadeira; f) lona de freio para empilhadeiras e teares. g) material elétrico/eletrônico reposição e conserto das empilhadeiras da fábrica; h) óleo diesel combustível das máquinas da produção; i) lubrificantes utilizados nas máquinas da produção; j) tintas utilizada na reforma das máquinas da produção; k) pórtico empilhável armazenamento e transporte de insumos; l) adesivo cola dos quadros da estamparia m) canecos brancos 5 litros utilizados para jogar tinta nos quadros da estamparia; n) ribbom usado para impressão de etiquetas dos produtos. E por fim, alega que mesmo que algum dos bens glosados pela fiscalização, não se constituam em insumos, na acepção concebida pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, ainda assim lhe cabe direito aos créditos pretendidos, ante o que dispõe a Constituição Federal acerca da matéria. Nesse sentido, defende que, com a edição da Emenda Constitucional n° 42/2003, a aplicabilidade do princípio da nãocumulatividade às contribuições sociais ganhou contornos constitucionais, passando a estar prevista no § 12, acrescentado ao art. 195 da CF/88. E que, em assim sendo, em que pese as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, serem anteriores à mencionada previsão constitucional, resta evidente que “toda sua regulamentação, e também alterações posteriores, deve ser harmonizada e Fl. 922DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001497/200561 Acórdão n.º 3802004.256 S3TE02 Fl. 920 7 compatibilizada com a sistemática constitucional vigente para esse instituto”. Com base na doutrina, passa então a discorrer, longamente, sobre a sistemática de tributação nãocumulativa, trazendo, dentre outros, os dizeres que seguem transcritos: No caso da COFINS e do PIS, tratandose de tributos incidentes sobre o faturamento e a receita, para que a nãocumulatividade seja efetivamente implementada, devese outorgar créditos sobre todas as mercadorias, insumos, custos e demais despesas incorridas ou pagas que se mostrem necessárias à obtenção dos recursos tributáveis por essas exações, sob pena de tornar sua incidência, ainda que parcialmente, cumulativa, e, portanto, inconstitucional. (...) Vale dizer, na sistemática da incidência tributária nãocumulativa, a regra é que o tributo incidente na etapa anterior seja sempre aproveitado pelo contribuinte empresário na etapa subseqüente, onerando apenas o valor por ele incrementado na operação. Portanto, a vedação ao crédito, por qualquer motivo que seja, é exceção à regra, não podendo prevalecer acaso não esteja constitucionalmente autorizada. (...) Com efeito, isto se pode afirmar porque o objetivo da concessão de créditos para o abatimento (compensação) do COFINS e do PIS devidos, é o mesmo da concessão de créditos para a diminuição do ICMS e do IPI devidos, qual seja, ao menos sob o ponto de vista econômico, tributar apenas a riqueza adicionada ou agregada em cada etapa do ciclo econômico, evitandose a incidência cumulativa ou em cascata também da COFINS e do PIS, de sorte a racionalizar e melhor distribuir a tributação ao longo da cadeia produtiva, dinamizando a economia. (...) Ademais, tendo a EC n. 42/2003, ao incluir o § 12 ao art. 195 da CF/88, atribuído ao legislador ordinário tãosomente a aptidão de estabelecer os ramos de atividade que estariam sujeitos ao princípio da nãocumulatividade, não se lhe mostra dado, dentro do campo das mercadorias, insumos, custos e demais despesas ligadas à obtenção de receitas tributáveis pela COFINS e pelo PIS, permitir a fruição de créditos em relação a uns e tolhela em relação a outros. (...) Com isto em mente, resta inquestionável o direito da empresa de ver reconhecidos os créditos pretendidos, pois a legislação ordinária assim lhe assegura, e eventuais hipóteses que não se enquadrem nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 devem ser aceitas, ante o que dispõe § 12 ao art. 195 da CF/88, nos termos acima alinhados. 2. Também em relação às glosas de valores referentes a aquisição de serviços, inicia sua contestação afirmando que as diferenças apontadas entre o LRE e a memória de cálculo ocorreram em razão dos valores terem sido lançados equivocadamente em outras contas e que igualmente houve lapsos da fiscalização, pois valores constantes do LRE não foram identificados, embora regularmente lançados naquele documento (conforme “Doc. nº 3 e Doc. nº 4, em anexo). Lista então os equívocos, como segue; Fl. 923DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 36. Eis a origem das divergências: (a) fevereiro CFOP 1949 equívoco do fiscal, pois os lançamentos constam do LRE e da planilha disponibilizada à fiscalização; (b) fevereiro CFOP 2125 por equívoco, a diferença de R$ 1.123,50 foi lançado no CFOP 2124; (c) março CFOP 1949 equívoco do fiscal, pois os lançamentos constam do LRE e da planilha disponibilizada à fiscalização; e (d) março CFOP 2949 equívoco do fiscal, pois os lançamentos constam do LRE e da planilha disponibilizada à fiscalização. Outrossim, argumenta que muitos dos serviços glosados pela fiscalização consistem de serviços que se enquadram no campo de creditamento admitido pelas próprias Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e diz que: 39. Entre tais hipóteses, podem ser citadas, a título exemplificativo, as seguintes (doc. n° 6): a) industrialização por encomenda operações lançadas no arquivo anexo (doc. n° 4) no CFOP 1124; b) tratamento de efluentes sem o que as suas atividades restam inviabilizadas, por questões ambientais; c) serviço de faxina destinado à área industrial; d) serviços da empresa Transportec conserto da máquina empilhadeira; e) substituição do óleo do transformador sem isto não há entrada de energia elétrica em seu estabelecimento; f) serviços da empresa Refrigeração Brusquense climatização dos setores de fiação e tecelagem. Sem isto, as máquinas arrebentam os fios por ausência de umidade; g) serviços da empresa Biz manutenção de maquinado da produção; h) serviços da empresa Motores Oliveira rebobinamento de máquinas da produção. (...) 41. Ademais, na eventualidade de alguma operação ser afastada face à legislação ordinária, ainda assim persiste o crédito pretendido, frente à matriz constitucional do crédito perseguido, nos moldes alinhados no tópico III supra. 3. No tocante às despesas financeiras, afirma que a diferença de R$ 17.487,79, decorrente da diferença entre créditos e débitos na conta deságio líquido do mês de março, decorre do fato de a Autoridade Fiscal não ter considerado “o pagamento da fatura n° 980/03, neste exato valor (doc. nº 7)”. No mais, alega que “não pode prosperar o entendimento da fiscalização, no sentido de que os pagamentos implementados a factorings não caracterizariam despesas financeiras” e que “também aqui se fazem integralmente aplicáveis os argumentos lançados no tópico III, que indicam o amplo e irrestrito direito ao crédito de PIS/COFINS". 4. Quanto as glosas em relação ao estoque de abertura, argumenta: 47. Pois bem, inicialmente, no que se refere aos bens de uso e consumo, novamente a contribuinte invoca a argumentação lançada no tópico III supra, que atesta, cristalinamente, o direito amplo e irrestrito ao crédito de PIS/COFINS, não havendo lugar à interpretação restritiva da autoridade fazendária. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001497/200561 Acórdão n.º 3802004.256 S3TE02 Fl. 921 9 48. De outra parte, quanto à inclusão do ICMS, com o devido respeito, beira às raias da imoralidade administrativa negar o direito ao crédito correlato, quando se tem em vista que tal importância é computada na base de cálculo do PIS/COFINS. 49. E cediço que o fisco, ao exigir os tributos em referência, inclui o ICMS na apuração. Não é justo e nem jurídico, portanto, negar o crédito, tendo em vista a incidência do PIS/COFINS sobre esta importância. 5. Com relação à energia elétrica, defende: que a própria legislação ordinária permite o crédito de todas as despesas relacionadas e necessárias ao seu fornecimento e que não poderia receber energia elétrica sem pagamento das despesas em referência. Conclui que, por ser obrigada a estas despesas para ter acesso à energia elétrica, é certo o direito à inclusão do respectivo valor no cálculo do crédito presumido, da forma admitida pela Constituição Federal e pela legislação ordinária. Ao final de suas alegações pugna, com base no art 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, pela realização de diligência fiscal para que, diante do acompanhamento da atividade produtiva da empresa, reste respondida a questão “se os bens e serviços glosados do cálculo geram direito a crédito, frente ao que dispõem as Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003?” Em face do exposto, requer seja recebida e julgada procedente a presente manifestação de conformidade, e concedido integralmente o crédito cujo ressarcimento foi requerido. Não obstante, os argumentos aduzidos pela reclamante não foram acolhidos pela primeira instância, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a repetição de indébito, cabe ao contribuinte, em sede de Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: somente dão direito à crédito os custos com bens e serviços tidos como insumos diretamente aplicados na produção de Fl. 925DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 10 bem destinado à venda e as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade da Cofins, para fins de creditamento de valores, somente são considerados como insumos na fabricação ou produção de bens destinados à venda: as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados diretamente na produção ou fabricação do produto destinado à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. PREVISÃO LEGAL. Por expressa previsão legal, dão direito a crédito os valores gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não gerando crédito os valores incluídos na fatura de energia em relação aos quais não há qualquer permissivo legal para tanto. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS. O valor do ICMS, quando recuperável, não compõe o valor do estoque de abertura, não gerando créditos presumidos quando da mudança do regime cumulativo para o da nãocumulatividade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 06/10/2011 (fls. 833), a interessada, em 07/11/2011 (uma segunda feira), apresentou o recurso voluntário de fls. 834/850, onde reitera os argumentos apresentados na primeira instância, reclamando ainda pela nulidade do acórdão vergastado por ter indeferido a diligência requerida, em suposta ofensa ao princípio da verdade material. Diante do exposto, requer seja anulado o acórdão vergastado ou, alternativamente, seja dado provimento ao recurso, para conceder integralmente o crédito cujo ressarcimento fora requerido. É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Da suposta nulidade do acórdão recorrido Antes de adentrar no exame das questões atinentes ao direito em vista do regime da nãocumulatividade, examino o argumento da recorrente em defesa da nulidade do Fl. 926DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001497/200561 Acórdão n.º 3802004.256 S3TE02 Fl. 922 11 acórdão por este haver indeferido a diligência requerida, em aduzida ofensa ao princípio da verdade material. A diligência foi solicitada com fundamento no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, "para que a fiscalização acompanhe a atividade produtiva da empresa" e, assim, comprove a subsunção dos bens e serviços glosados ao conceito de insumos encampado pelas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. Especificamente, o questionamento que a reclamante apresenta para ser respondido na diligência é "se os bens e serviços glosados do cálculo geram direito a crédito, frente ao que dispõem as Leis nos 10.637/02 e 10.833/03". Com efeito, o inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) garante à reclamante o direito de pleitear as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Porém, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 (com a nova redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93), o julgador – que também poderá determinar de ofício a realização de perícias – tem o direito de deliberar pelo indeferimento dos pedidos nesse sentido se considerálos “[...] prescindíveis ou impraticáveis [...]”. É nessa última hipótese, pois, que se enquadra o caso posto em exame, cujo pedido de diligência envolve pleito demasiadamente genérico, vez que os bens e serviços enumerados em seu recurso o são apenas a título exemplificativo, sem nenhuma correlação com nota fiscal de aquisição acostada aos autos ou a eventual documentação técnica alusiva à utilização do bem ou do serviço no processo produtivo. Com efeito, acaso o sujeito passivo entendesse que determinado custo ou despesa glosado, por razões técnicas específicas, devesse ser enquadrado como insumo, deveria ter acostado aos autos informações concernentes à questão, ou ainda, formulado questionamentos pontuais porventura merecedores de uma diligência para saneamento da suposta dúvida. Contrariamente, a diligência requerida pelo sujeito passivo é de conteúdo genérico, devendo, pois, ser rejeitada. No mais, não há nos autos nenhuma questão que deva ser elucidada mediante diligência. No que concerne à análise documental e à quantificação do crédito faço meus os fundamentos apresentadas no voto condutor do acórdão recorrido, da i. relatora a AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes, abaixo reproduzidos: No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, Fl. 927DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 12 para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens e/ou registros contábeis e/ou documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a confirmação da efetiva ocorrência da operação alegada e/ou a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que há de se aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na comprovação da operação e ou identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte, em termos de cumprimento de seus onus probandi. Em resumo, ao longo deste processo será adotado o critério acima posto, qual seja o de que só é passível de aferição o crédito em relação ao qual o contribuinte define, com clareza, a natureza da operação que o originou e, por óbvio, comprove a ocorrência desta. (grifos nossos) Enfim, no caso presente temse que o pedido de diligência, de forma escorreita, não foi acolhido, em vista da forma genérica e imprecisa quanto aos pontos supostamente carecedores de esclarecimento. E é essencialmente pelo caráter genérico da defesa que entendo não poderá ser dado provimento ao recurso em relação à aquisição de alguns bens e serviços os quais, aparentemente, relacionamse sim ao processo de industrialização da interessada. Essa questão será abordada com mais detalhes doravante. Portanto, entendo que não há nenhuma razão para acolher o pedido de nulidade da decisão a quo, eis que a mesma não me parece minimamente maculada por vício que justifique a sua anulação. Do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Amplitude do conceito de insumo diante das atividades exercidas pela suplicante. Conforme relatado, a lide decorre de pedido de ressarcimento da COFINS do primeiro trimestre de 2004, no montante de R$ 542.779,09, reconhecido apenas em parte pela unidade de origem, e cuja manifestação de inconformidade foi considerada improcedente pela DRJ Florianópolis. O direito em discussão diz respeito ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, instituído, respectivamente, pelas Lei nos 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001497/200561 Acórdão n.º 3802004.256 S3TE02 Fl. 923 13 Assim, aludido regime de incidência nãocumulativa foi inaugurado em relação ao PIS/Pasep, fruto da Medida Provisória no 66, de 2002, posteriormente convertido na Lei nº 10.637/2002. Os efeitos do regime em tela, alusivos à nãocumulatividade do PIS/Pasep, passaram a atingir os fatos geradores a partir de 1o de dezembro de 2002. Quanto à não cumulatividade da COFINS, objeto da Lei nº 10.833/2003 (conversão da Medida Provisória nº 135/2003), a vigência do regime se deu a partir de 1º de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem algumas ressalvas ao direito de creditamento em tela1. O inciso II do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Ressaltese que as normais legais stricto sensu que prevêem a não cumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) – nãocumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004 – nãocumulatividade da COFINS –, segundo os quais, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos, aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; 1 Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 14 II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Especificamente sobre o critério adotado pela IN SRF no 404/2004 para a definição de insumo, o i. conselheiro desta Tuma de julgamento, Solon Sehn2, ressalta que [...] não é válida a equiparação [à legislação do IPI] realizada pela instrução normativa. A contribuição não incide apenas sobre operações que tenham por objeto produtos industrializados. Tais negócios jurídicos abrangem parte da materialidade da exação, que é muito mais ampla e alcança todos os atos de acréscimo ao patrimônio líquido do contribuinte (receita bruta). Desse modo, a aplicação do conceito de insumo da legislação do IPI gera como efeito prático a limitação da não cumulatividade da contribuição a uma parcela dos fatos tributados, mantendo o efeito cascata em relação às demais receitas auferidas pelo contribuinte. Ao mesmo tempo, compromete de forma irremediável a maior virtude da legislação: a previsão de um conceito amplo de insumo, capaz de garantir uma salutar e indispensável maleabilidade da lei em face do dinamismo da atividade empresarial. Uma restrição dessa natureza somente poderia ser prevista em lei formal, diretamente na Lei no 10.833/2003, inclusive porque, ao reduzir o montante do crédito dedutível, a instrução normativa implica o aumento do valor do tributo devido por meio de analogia, o que é vedado pelo art. 108, § 1o, do Código Tributário Nacional. Defende ainda que a Lei no 10.833/2003 adotaria “[...] um conceito de insumo claramente ligado à noção de custo de produção prevista de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 13, § 1o; Decreto no 3.000/1999, arts. 290 e 291)”3. Há ainda os que apregoam a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins4, em sintonia com a tese sustentada pela recorrente. Segundo ele, pelo fato de as contribuições em comento alcançarem a receita total das entidades, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Para Marco Aurélio Greco5 os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da nãocumulatividade, e 2 SEHN, Solon. PISCOFINS: Não Cumulatividade e Regimes de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 315 3 ob. cit., p. 315316. 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001497/200561 Acórdão n.º 3802004.256 S3TE02 Fl. 924 15 explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há ainda outras teses doutrinárias que revelam esse que é um dos mais intrincados assuntos relacionados ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Particularmente, no âmbito do presente foro de discussão destinado a buscar um posicionamento justo para a lide, entendemos que se a lei admite o direito de crédito decorrente de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, dentre várias outras hipóteses, também permite que referido direito creditório decorra da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, ressalvadas as exceções legais. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição a qual defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. Quanto ao alcance do conceito de insumo segundo o regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, entendemos que a acepção correta é aquela ligada à essencialidade do bem ou do serviço para o exercício da atividade empresarial: fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou prestação de serviços. Desde já, afastase a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda. 6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 16 Feito o registro concernente ao alcance das normas alusivas ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, passase à análise das demais questões pontualmente aduzidas no recurso. Das glosas de aquisições de bens não considerados como insumos A suplicante tem como objeto social a “fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico”, CNAE 1351100, conforme consignado em seus dados junto ao CNPJ. Consta ainda do artigo 3º do Estatuto Social registrado em 17/05/2006 na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina: A sociedade tem por objeto a indústria têxtil, compreendendo todos os ramos complementares, comercialização e exportação de seus produtos, importação, atividades relacionadas ao florestamento ou reflorestamento, podendo ainda participar de outras sociedades de igual ou diversa finalidade, como acionista ou quotista, a critério do Conselho de Administração. Sem dúvida, a natureza das atividades exercidas pela interessada é relevante para a caracterização como insumo dos custos e despesas apresentados. Frente a essa realidade, não se pode negar que a maioria das aquisições mencionadas exemplificativamente pela suplicante parecem sim se adequar ao conceito de insumo de seu processo produtivo: pallets ("material de embalagem"), barras de ferro ("utilizadas na montagem dos quadros da estamparia"), oxigênio ("utilizado para solda dos quadros da estamparia"), bateria ("utilizada na empilhadeira, diretamente vinculada à produção"), gás ("combustível da empilhadeira"), lona de freio ("para empilhadeiras e teares"), material elétrico/eletrônico ("reposição e conserto das empilhadeiras da fábrica"), óleo diesel ("combustível das máquinas de produção"), lubrificantes ("utilizados nas máquinas de produção"), tintas ("utilizadas na reforma das máquinas de produção"), pórtico empilhável ("armazenamento e transporte de insumos", adesivo ("cola dos quadros da estamparia"), canecos brancos 5 litros ("utilizados para jogar tinta nos quadros da estamparia") e ribbom ("usado para impressão de etiquetas dos produtos"). Em exame dos autos, especialmente dos documentos acostados à manifestação de inconformidade, pude constatar por amostragem que não há nenhum elemento que desacredite as justificativas apresentadas pela interessada no sentido de que os bens adquiridos pela empresa, acima elencados, devem sim estar relacionados às correspondentes finalidades mencionadas. Mas considerando o princípio da essencialidade como condição sine qua non à caracterização de insumo, somente alguns dos itens supracitados poderão ser admitidos nessa condição. Num rápido exame das notas fiscais apresentadas com a manifestação de inconformidade, verifiquei que algumas dizem respeito a aquisições de "bateria empilhadeira", "P2O carga de gás e PO2 carga de gás ", "acetileno e S.K.20 atal", "ribbon 89x450", "óleo diesel", "chato laminada [...] chapa preta", "pórtico empilhável", "canecos brancos de 5 litros" (adquirido de Texcolor Corantes e Pigmentos Ltda. nome sugestivo de fornecedor de corantes e outros produtos a ele associados), etc. Apenas para ilustrar resolvi consultar na internet o que seria o ribbon. Dessa pesquisa, pude verificar que o citado produto, "conhecido também como fita de transferência térmica – TTR (Thermal Transfer Ribbon) é o suprimento de impressão utilizado nas Fl. 932DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001497/200561 Acórdão n.º 3802004.256 S3TE02 Fl. 925 17 impressoras térmicas. A grosso modo seria como o tonner das impressoras convencionais"7. Me parece, pois, que aludido produto é também necessário à natureza industrial do sujeito passivo. Evidentemente, a análise quanto à aplicação dos produtos acima na atividade industrial da interessada, e, portanto, sua possível caracterização como insumo, é superficial, já que este conselheiro não tem conhecimento técnico específico em relação ao processo produtivo têxtil. Mesmo assim, entendo que a questão não merece sejam os autos baixados em diligência, uma vez que a premissa adotada pela autoridade fiscal obedeceu aos ditames traçados pelas instruções normativas nos 247/02 (para o PIS/Pasep vide § 5º do artigo 66) e 404/04 (para a COFINS vide incisos I e II do § 4º do artigo 8o), as quais, como vimos, seguem conceituação de insumo demasiadamente restritiva por equiparar sua acepção à que é adotada pela legislação do IPI, o que, conforme defendemos, não é adequado ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Não se pode olvidar, ainda, que estáse diante de um processo protocolizado há cerca de uma década, que a maioria dos créditos reclamados já foi deferida, e, por fim, que uma diligência destinada a analisar pontualmente a essencialidade dos bens descritos nas notas fiscais demandaria considerável esforço de uma já tão carente e assoberbada mão de obra competente para citado exame. Assim, diante da fundamentação adotada pela autoridade fiscal, e considerando que o parâmetro aqui adotado é o de dar à acepção de insumo um caráter de essencialidade à concretização da razão de ser do empreendimento, e por fim, fundado nas explicações trazidas pela recorrente e na documentação acostada aos autos, penso que deverão ser admitidos os créditos calculados em relação aos seguintes bens elencados pelo sujeito passivo, quais sejam: pallets (admitindo que são pallets one way – para exportação), barras de ferro, oxigênio, bateria, gás, lona de freio, material elétrico/eletrônico, óleo diesel, lubrificantes, tintas, pórtico empilhável, adesivo, canecos brancos 5 litros e ribbom. Produtos não incluídos dentre os acima citados não deverão ser considerados para fins de apuração do crédito. O mesmo tratamento deverá ser dado no caso de aquisições não escrituradas, ainda que referentes à compra dos produtos acima elencados. Das diferenças apuradas em relação aos bens lançados no LRE No que concerne às diferenças apuradas em relação aos serviços lançados no LRE e as memórias de cálculo, aduz a recorrente que isso ocorreu por equívoco e por lapsos da fiscalização, repetindo em seu recurso idênticas divergências já apresentadas na sua manifestação de inconformidade. Essa questão foi pontualmente examinada pela primeira instância recursal, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, adoto novamente como razões de decidir: 4.1 Diferenças entre o LRE e a Memória de Cálculo – adoção do menor valor Em relação às diferenças existentes entre o LRE e a memória de cálculo, a contribuinte insurgese, inicialmente, contra a adoção pela Autoridade Fiscal do menor valor informado nos demonstrativos 7 fonte: http://blog.creativecopias.com.br/ribbonparaqueserve/, acesso em 12/03/2015 Fl. 933DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 18 apresentados. Nesse sentido aduz que “... nem todos os bens ingressados na empresa, que necessariamente devem constar do livro de registro de entradas, geram direito ao correspondente crédito de PIS/COFINS. Assim, é lógico e natural que em determinadas situações o LRE seja superior à memória de cálculo”. Deste argumento, inferese que a contribuinte pretenda defender que os valores informados na memória de cálculo não poderiam ser tidos como incorretos tão somente por serem inferiores aos informados (para o mesmo CFOP) no LRE. Vislumbrase que intenta, assim, contestar a adoção pela Autoridade Fiscal, como ponto de partida para as glosas procedidas, dos valores apurados das operações (por CFOP) a partir dos registros constantes do LRE, em detrimento dos valores informados pela contribuinte na memória de cálculo (inferiores àqueles). Em análise aos autos, verificase que se mostra correto o procedimento fiscal. Além disso, motivo algum tem a contribuinte para insurgirse contra o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal, haja vista este, além de não lhe ter prejudicado, em verdade laborou a seu favor. Vejamos. A contribuinte foi intimada, e o fez, a apresentar memória de cálculo informando os CFOP utilizados na linha 02 do Dacon, totalizando os valores das operações por mês e por CFOP. A partir desta, a Autoridade Fiscal buscou a confirmação dos montantes das operações de aquisição, conforme os CFOP informados no LRE, livro também apresentado pela contribuinte; neste procedimento, verificou haver inconsistências entre os valores informados em ambos os documentos. Como consta do relatório, quando verificou, em relação a algum CFOP, que o montante registrado no LRE era superior ao informado na memória de cálculo, a Autoridade Fiscal – ao contrário do que entende a contribuinte e, salientese, em benefício desta , adotou este como sendo o valor do crédito a que a contribuinte teria direito (em relação ao CFOP em análise), e não o por ela informado na memória de cálculo. Ou seja, a partir dos valores obtidos no LRE, maiores que os informados na memória de cálculo, é que a Autoridade Fiscal partiu para a análise do crédito, em relação às notas fiscais apresentadas. Outrossim, nos casos em que o LRE apresentou valores inferiores ao da memória de cálculo estes também foram os adotados como o ponto de partida para o desconto das notas fiscais desconsideradas na análise, todavia por conta de a diferença, entre a memória de cálculo e o LRE, ter sido glosada por falta de comprovação. Neste caso, não há qualquer incorreção no procedimento fiscal, haja vista não se poder reputar como comprovada uma operação de entrada não registrada no LRE, em face da função precípua deste livro, qual seja, a escrituração do movimento de entradas de mercadorias, a qualquer título, no estabelecimento ou de serviço por este tomado. 4.2 Diferenças entre o LRE e a Memória de Cálculo – equívocos da empresa e da fiscalização A Autoridade Fiscal também glosou as diferenças verificadas nos casos em que os montantes (referentes às entradas com CFOP 1407, 1949 e 2101) indicados na memória de cálculo são superiores aos obtidos a partir do LRE, por falta de comprovação das operações. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001497/200561 Acórdão n.º 3802004.256 S3TE02 Fl. 926 19 A contribuinte alega que tais diferenças se devem a “alguns equívocos da empresa e também da fiscalização”, que defende não poderem “tolher o cristalino crédito de seu direito”; equívocos, que diz comprovar por meio dos documentos “Doc. nº 3” e “Doc. nº 4” em anexo. Aqui relembrese, o que já posto no item 1 deste voto: que nos casos de repetição de indébito é ônus do contribuinte a apresentação das informações e dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento de seu pleito. Notese, todavia, que em se mostrando insuficientes, os documentos e informações produzidas pela contribuinte, para demonstrar de forma clara e inequívoca o crédito objeto do seu pleito repetitório, a Autoridade Fiscal há que indeferilo total ou parcialmente. Neste caso, cabe ao contribuinte, na Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta apenas alegar sem provar; não basta, simplesmente vir aos autos afirmando que o que foi verificado e relatado pela Autoridade Fiscal não guarda consonância com a realidade dos fatos sem, no entanto, laborar no sentido de demonstrar e comprovar a realidade que alega e que não foi percebida pela Autoridade Fiscal. Dito isto, passase a análise dos equívocos apontados pela contribuinte. As diferenças verificadas pela Autoridade Fiscal em relação ao CFOP 1949 são: MÊS CFOP Total Arquivo Total Memória DIFERENÇA Janeiro 1949 0,00 5.822,00 5.822,00 fevereiro 1949 2.182,30 3.266,48 1.084,18 março 1949 1.376,88 4.322,26 2.945,38 A contribuinte, por seu turno, limitase a explicálas por meio da seguinte frase: “insumos constantes do LRE provável equívoco da fiscalização na conferência dos documentos apresentados”. Ocorre que esta frase nada explica e nem mesmo deixa muito claro o que pretende a contribuinte. Bem, diante da lacônica explicação da contribuinte, somente se pode supor que esta esteja a alegar que a diferença apurada refirase a insumos cujas aquisições foram registradas no LRE, mas que a fiscalização não identificou no momento da conferência dos documentos apresentados. Ocorre, porém, que a glosa de que aqui se trata, se deu não a partir da conferência das notas fiscais apresentadas em confronto com os registros do LRE, ou seja, a Autoridade Fiscal não glosou determinadas notas, CFOP 1949, que entendeu não darem direito a crédito (glosa a ser tratada em tópico seguinte), mas glosou a diferença entre os montantes apurados no LRE, das operações registradas com o tal CFOP, e o valor informado na memória de cálculo para o mesmo CFOP. Neste caso, cabia à contribuinte, a fim de demonstrar o alegado equívoco cometido pela fiscalização, comprovar que registrou corretamente no LRE, com o CFOP 1949, todas as aquisições de insumos consideradas na apuração do montante por ela informado na memória de cálculo para o mesmo CFOP. Todavia, sem a discriminação e as cópias de todas as notas Fl. 935DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 20 fiscais consideradas no cálculo do valor informado na memória de cálculo resta inviabilizada a conferência desta apuração com os registros do LRE. Assim, como visto, somente a partir dos elementos juntados pela contribuinte documentos e “Doc. nº 3”, “Doc. nº 4” – não se confirma que a Autoridade Fiscal tenha de fato cometido o equívoco alegado pela contribuinte. As diferenças verificadas pela Autoridade Fiscal em relação ao CFOP 1404 e 2101 são: MÊS CFOP Total Arquivo Total Memória DIFERENÇA Janeiro 1407 10.387,69 11.363,03 975,34 2101 1.917.540,93 2.052.006,43 134.465,50 Fevereiro 1407 21.089,49 21.182,28 92,79 A contribuinte, por seu turno, limitase a explicálas por meio das seguintes frases: “CFOP 1407 os insumos correspondentes estão lançados na conta 1101” e “CFOP 2101 os insumos correspondentes estão lançados na conta 2122”. Em relação a estas diferenças, supõese que a contribuinte intenta justificálas alegando que computou no cálculo do valor informado na memória de cálculo para os CFOP 1404 e 2101 valores de notas fiscais registradas no LRE nos CFOP 1101 e 2122, respectivamente. Bem, aqui também, considerando que a Autoridade Fiscal glosou a diferença entre o montante apurado no LRE e o informado na memória de cálculo para cada CFOP, cabia a contribuinte discriminar e trazer as notas consideradas no cômputo do valor informado na memória de cálculo e que teriam sido registradas com outro CFOP no LRE, que deram causa às diferenças apuradas pela Autoridade Fiscal. Aqui também, os elementos juntados pela contribuinte documentos e “Doc. nº 3”, “Doc. nº 4” – não servem para demonstrar e muito menos comprovar sua alegação. Como visto, a contribuinte limitase a alegar sem nada provar, razão pela qual o procedimento fiscal não merece reparo. Das diferenças apuradas em relação aos serviços lançados no LRE A reclamante também se insurge contra glosas concernentes a serviços supostamente utilizados como insumos. Primeiramente, quanto às diferenças apuradas em relação aos serviços lançados no LRE e as memórias de cálculo, reproduz os mesmos argumentos já apresentados em relação às diferenças concernentes à aquisição de bens, no sentido de que o motivo foi a ocorrência de equívocos ou devido a lapsos da fiscalização. Enumera, então, as divergências, relativas aos CFOP 1949, 2125 e 2949. Tais diferenças, reproduzidas no voto objeto do acórdão vergastado, são as seguintes: MÊS CFOP Total Arquivo Total Memória DIFERENÇA Janeiro 1949 190.840,92 195.048,92 4.208,00 2125 273.998,38 275.121,88 1.123,50 Fevereiro 1949 183.383,29 183.764,34 381,05 2949 3.276,47 3.468,47 192,00 Fl. 936DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001497/200561 Acórdão n.º 3802004.256 S3TE02 Fl. 927 21 Aqui valem as mesmas observações retratadas no item anterior e apresentadas pela instância reclamada, especialmente quanto à falta de confirmação dos equívocos alegados. Assim, considerando que não foram apresentados documentos capazes de comprovar os erros cometidos pelo Fisco ou pelo sujeito passivo, mantémse os cálculos formulados pela autoridade administrativa. Das glosas de aquisições de serviços por não se enquadrarem como insumos A recorrente também assevera que inúmeros serviços glosados se encontrariam no campo de creditamento objeto das leis nos 10.637/02 e 10.833/02. Cita, por exemplo, a industrialização por encomenda ("operações lançadas no arquivo anexo (fls.) no CFOP 1124"), tratamento de efluentes ("sem o que as suas atividades restam inviabilizadas, por questões ambientais"), serviços de faxina ("destinada à área industrial"), serviços da empresa Transportec ("conserto da máquina empilhadeira"), substituição do óleo do transformador ("sem isto não há entrada de energia elétrica em seu estabelecimento"), serviços da empresa Refrigeração Brusquense ("climatização dos setores de fiação e tecelagem, necessária para que os fios não arrebentem"), serviços da empresa Biz ("manutenção de maquinário da produção") e serviços da empresa Motores Oliveira ("rebobinamento de máquinas da produção"). De fato, a maioria desses serviços, me parece, estão envolvidos com o processo produtivo. Portanto, penso que em muitos desses casos, analisados no item 4.2 do relatório fiscal, foi aplicado o rigorismo adotado pelas instruções normativas que abordaram o regime da nãocumulatividade (IN SRF no 247/02 – para o PIS/Pasep – e IN SRF no 404/04 – para a COFINS). No anexo 6 à manifestação de inconformidade ("doc. nº 6") fls. 694 e seguintes a interessada acosta aos autos diversas notas fiscais referentes a serviços pagos pela mesma. Dentre os documentos acostados consta a prestação de serviços de "substituição de óleo por sistema termovácuo em transformador 750 KVA", "130 horas de serviços prestados na área de refrigeração", "mão de obra em buchas dos rotores OPEN END", "recuperação de pentes ...", "reb. motor ...", "mecânica especializada empilhadeira", manutenção de máquinas, etc.. Tais serviços são exemplos daqueles que, entendo, deverão ser admitidos para fins do creditamento vislumbrado. Em relação aos mesmos acolho as explicações, embora que sintéticas, apresentadas pelo sujeito passivo. Não obstante, há também documentos cuja descrição ou está ilegível ou a correspondente natureza não está clara; há ainda alguns cujo serviço não está devidamente justificado a ponto de ser aceito como insumo, como o "concreto usinado", "serviços gerais", "serviços de torno e solda", "prestação de serviços". Esses, pois, deverão permanecer desconsiderados para fins de creditamento. O mesmo se diga em relação às aludidas industrializações por encomenda. Por falta de clareza na descrição das correspondentes notas fiscais entendo que, nesse caso, também deverá ser mantida a glosa. Pelo exposto, e reiterando as observações acima manifestadas com respeito às glosas dos bens adquiridos como insumos, especialmente por terem sido fundadas em Fl. 937DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 22 premissa restritiva ao direito adotada pela autoridade fiscal, entendo que deverão ser admitidos os créditos calculados em relação aos seguintes serviços dentre os que foram elencados pelo sujeito passivo: serviços da empresa Anglian Water inerente a "tratamento de efluentes", serviços da empresa Transportec referente a "conserto da máquina empilhadeira"), substituição do óleo do transformador, serviços da empresa Refrigeração Brusquense referente a climatização dos setores de fiação e tecelagem, serviços da empresa Biz ("manutenção de maquinário da produção") e serviços da empresa Motores Oliveira ("rebobinamento de máquinas da produção"). Ficam ressalvadas as observações acima no sentido de que não deverão ser considerados, para fins de creditamento, os documentos cuja descrição está ilegível ou a correspondente natureza do serviço não se consegue identificar, devendo ser mantida a glosa também concernente às notas onde a descrição não indica serviço cuja essencialidade foi devidamente justificada a ponto de ser admitido como insumo, como por exemplo: "concreto usinado", "serviços gerais", "serviços de torno e solda", "prestação de serviços". Todos esses deverão permanecer desconsiderados para fins de creditamento. Quanto às despesas acessórias com energia elétrica Conforme assevera o sujeito passivo, a própria fiscalização já reconheceu o direito creditório calculado em relação ao custo com energia elétrica, tendo glosado, contudo, as "despesas acessórias" com eletricidade, as quais, defende, também deveriam ter sido consideradas. Com efeito, o inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.637/02, assim como o inciso III do artigo 3º da Lei nº 10.833/03, permitem o desconto de créditos do PIS e da COFINS calculados sobre a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. A fiscalização excluiu os créditos calculados sobre taxa de religação, parcelamento, correção monetária, multa, iluminação pública e juros de mora. Dessas glosas, no entanto, entendo que deverão ser admitidas aquelas inerentes a taxa de religação e a parcelamento; a primeira por se enquadrar como serviço do processo produtivo; a segunda, em vista de caracterizar mero diferimento dos custos com a energia elétrica consumida. Das despesas financeiras A reclamante aduz em seu recurso que as glosas de despesas financeiras se referem à diferença entre créditos e débitos na conta deságio líquido do mês de março, bem como a despesas financeiras a empresas de factoring e outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores. O inciso V do artigo 3o das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03 autoriza o desconto de créditos calculados sobre despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optantes pelo SIMPLES. O direito em tela foi reconhecido em relação às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos obtidos pela interessada junto a pessoas jurídicas sediadas no País. No entanto, foi negado, dentre outros, o direito inerente aos pagamentos de despesas financeiras efetuados a empresas de fomento mercantil (factoring), já que os mesmos, com efeito, não se enquadram na hipótese de creditamento prevista no art. 3º, inciso V, das Leis nos 10.637/02 e 10.637/03. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001497/200561 Acórdão n.º 3802004.256 S3TE02 Fl. 928 23 Assim, por falta de fundamentação legal, não há como reconhecer o direito inerente a pagamentos a empresas de factoring, além de outras moras decorrentes de pagamentos em atraso a fornecedores. Quanto à diferença entre créditos e débitos na conta deságio líquido do mês de março, adoto, como razões de decidir, os fundamentos que nortearam a decisão de primeira instância, da relatoria da AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes: A Autoridade Fiscal também glosou a diferença apurada, a partir dos documentos apresentados pela contribuinte (informação à folha 191 e Razão com Contrapartidas, às folhas 315 a 321), do deságio líquido do mês de março de 2004. A contribuinte, por seu turno, afirma que a diferença de R$ 17.487,79, decorrente da diferença entre créditos e débitos na conta deságio líquido do mês de março, decorre do fato de a Autoridade Fiscal não ter considerado “o pagamento da fatura n° 980/03, neste exato valor (doc. nº 7)”. Bem, como se vê, a diferença do valor do “Deságio Líquido” foi apurada pela Autoridade Fiscal a partir dos informativos da lavra da própria contribuinte. Em análise a tais demonstrativos verificase: que tal diferença se deu pois o valor dos débitos informados na memória de cálculo (fl. 191) são inferiores aos débitos informados no Razão com Contrapartidas (fls. 315 a 321), resultando em uma diferença no valor de R$ 17.487,79; neste todos os lançamentos possuem históricos que remetem a alguma operação referente a deságio, tais como: DEB.DESÁGIO FAT...N/DATA, DESAGIO FAT...N/DATA, CRÉD REF DESAGIO, DESAGIO FAT...N/DATA, etc. A contribuinte, junto à sua Manifestação de Inconformidade, trouxe outro demonstrativo de sua lavra, no caso, cópia do Razão Analítico (doc. nº 7, fl. 784), a partir do qual intenta comprovar que o valor glosado pela Autoridade Fiscal também referese a deságio líquido, apesar de não se encontrar registrado no Razão com Contrapartidas. Consta, que no tal Razão Analítico estão demonstrados lançamentos da conta contábil nº 34010700223, intitulada de “Deságio Líquido”. A diferença verificada que está consignado na memória de cálculo a débito no Banco do Brasil como sendo referente à conta contábil nº 21010200081, “Grupo contábil ACC” consta deste demonstrativo como “DEB REF ACE FAT 980/03 N/DATA”, diferentemente dos demais lançamentos (tidos como relativos ao alegado deságio) que estão registrados com o histórico “Lançamento de Contas a Receber” Do exposto, é possível perceber que as descrições que constam dos vários registros apresentados pela empresa, referentes ao débito mencionado, muito pouco, ou quase nada esclarecem sobre sua real natureza, razão pela qual não se mostram suficientes a confirmar que componha o referido “Deságio Líquido” e muito menos se refira a uma despesa financeira. Ao contrário: tendo em conta a própria alegação da contribuinte e o histórico do lançamento, o que se pode vislumbrar é que o tal débito, em verdade, se refira a um pagamento de fatura (no caso a de nº 980/03), o que, a princípio, não configura uma despesa que integre a base de cálculo dos créditos pretendidos, pelo menos, não a título de despesa financeira. Desta feita, mantémse a glosa. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 24 Das glosas relativas ao estoque de abertura e do ICMS incidente sobre as aquisições de bens e serviços Em relação às glosas inerentes ao estoque de abertura, em que a fiscalização excluiu os bens de uso e de consumo, aduz a recorrente que teria amplo direito aos correspondentes valores à semelhança do conceito de dedutibilidade do IRPJ. Pelo que já foi exposto acima aludida tese não merece ser admitida, de sorte que são legítimas as glosas realizadas pelo Fisco, mantidas pela decisão a quo. A interessada também assevera que na apuração do crédito com base no estoque de abertura não seria justo nem jurídico negar o montante inerente ao ICMS incidente sobre as aquisições de bens e serviços, já que aludido imposto é incluído na apuração do PIS/COFINS. Não traz, portanto, nenhuma argumentação jurídica que se contraponha aos fundamentos colimados pela autoridade administrativa, os quais, penso, estão adequadamente alicerçados no § 3º do artigo 289 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 26/03/1999), abaixo reproduzido: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). [...] § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. (grifo nosso) Assim, não há razões para afastar o entendimento da fiscalização na retificação do estoque de abertura a partir da exclusão do ICMS da base de cálculo, uma vez demonstrada sua legitimidade. Como bem ressaltado no voto condutor do acórdão recorrido, [...] os valores do ICMS, quando recuperáveis, não devem ser incluídos no custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas como insumos. Raciocínio diverso não pode ser assumido, sob pena de admitir um direito ao crédito sobre outro direito a crédito: o ICMS recuperável. Somente poderseia admitir inclusão dos valores pagos de ICMS quando esses fossem irrecuperáveis, nesse caso, agregandose efetivamente ao custo das mercadorias. Da conclusão Com estas considerações, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário interposto pela interessada, reconhecendo o direito creditório calculado sobre: a) os seguintes bens elencados pelo sujeito passivo: pallets, barras de ferro, oxigênio, bateria, gás, lona de freio, material elétrico/eletrônico, óleo diesel, lubrificantes, tintas, pórtico empilhável, adesivo, canecos brancos 5 litros e ribbom; b) os seguintes serviços: tratamento de efluentes, serviços da empresa Transportec referente a "conserto da máquina empilhadeira"), substituição do óleo do transformador, serviços da empresa Refrigeração Brusquense referente a climatização dos setores de fiação e tecelagem, serviços da Fl. 940DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13971.001497/200561 Acórdão n.º 3802004.256 S3TE02 Fl. 929 25 empresa Biz ("manutenção de maquinário da produção") e serviços da empresa Motores Oliveira ("rebobinamento de máquinas da produção"); e, c) sobre a taxa de religação e o parcelamento de energia elétrica. As demais glosas deverão ser mantidas. Concernente ao cômputo dos créditos calculados sobre os bens e serviços deverá se atentar para as observações aduzidas no corpo do presente voto. Sala de Sessões, em 19 de março de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 941DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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