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Numero do processo: 10855.720889/2012-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal.
Numero da decisão: 1001-000.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 19) para o ano calendário 2012, tendose em vista a existência de débito inscrito em Dívida Ativa da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 08 89 /2 01 2- 90 Fl. 55DF CARF MF 2 União cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V: Débito inscrito em Dívida Ativa da União (Procuradoria–Geral da Fazenda Nacional), cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Débitos 1)Débito Código da Receita : 3551 Nome do Tributo : IRPJ Número do Processo : 10855503928201113 Número da Inscrição: 8021100881803 Data da Inscrição : 17/03/2011 Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 38/41) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o parcelamento estava irregular: No caso, o débito anotado no Termo de Indeferimento (fl. 19), qualificado como impediente ao ingresso no Simples Nacional, ao contrário do que pondera o Contribuinte, não se o pode ter por regularizado na data limite de que se cogita. De fato, instada a dizer nos autos, a PGFN, sobre a inscrição em Dívida Ativa da União sob nº 80.2.11.00881803 (débito causa da negativa ora discutida), assim se manifestou (fl. 35): "Em atenção ao ofício encartado às fls. 53, solicitado informação sobre o crédito inscrito sob nº 80 2 11 00881803, aos 31/01/2012, temos a informar que naquela data estava parcelado, porém com parcela irregular, conforme demonstrativo em anexo". Significa isso, em primeira linha, que o parcelamento a que se refere o Contribuinte não colheu o fruto de sua própria higidez nas instâncias competentes (âmbito da RFB e/ou PGFN).. Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 16/01/2014 (efl. 43) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 14/02/2014 (efl. 45), em que aduz, em resumo, que as parcelas foram pagas regularmente: (...) Os débitos que apareceram foram quitados e o parcelamento estava em dia. Solicitamos que seja verificado novamente junto a Procuradoria Gerai da Fazenda Nacional sobre o parcelamento com processo n° 8021100881803, se por algum motivo alguma guia paga em atraso foi alocada de forma incorreta, e por este motivo estaria aparecendo como Parcelamento irregular. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 07) para o ano calendário 2011. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10855.720889/201290 Acórdão n.º 1001000.152 S1C0T1 Fl. 55 3 “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) Está comprovado que o contribuinte parcelou o débito em questão (inscrição n° 8021100881803), com data do deferimento do parcelamento em 09/04/2011, conforme Informações Gerais da Inscrição – PGFN (efls. 30/35). O mesmo extrato indica que o parcelamento esteve ativo até 04/06/2012, quando foi quitado. Também há informação (de 11/06/2012, efl. 35) de que pelo menos uma parcela foi paga de forma irregular (a paga em 03/01/2012). É suficiente para a adesão ao Simples Nacional, no ano de 2012, que os débitos da requerente estivessem com a exigibilidade suspensa em 31/01/2012 (artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V da Resolução CGSN nº 4/2007). Desta forma, concluo que não havia impedimento para a adesão. Entendo que eventual irregularidade nos pagamento poderia provocar rescisão do parcelamento, conforme disposto no art. 28 ("Implicará rescisão do parcelamento a falta de pagamento de 3 (três) parcelas, consecutivas ou não...") da Portaria Conjunta PGFN/RFB 15/2009, mas tal apuração e exclusão não foram constatadas antes de 31/01/2012. E nem depois, tendose em vista que o parcelamento foi quitado em 04/06/2012. Logo, em 31/01/2012 a exigibilidade do débito em questão estava suspensa (artigos 13 e 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB 15/2009). Art. 13. Considerarseão automaticamente deferidos os pedidos de parcelamento que atendam aos requisitos desta Portaria, após decorridos 90 (noventa) dias da data de seu protocolo sem manifestação da autoridade. Fl. 57DF CARF MF 4 Art. 14. O pedido de parcelamento deferido importa na suspensão da exigibilidade do crédito. Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.730268/2014-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.430 DE 1996. PROCEDIMENTO LÍCITO.
Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico.
O artigo 23 prevê a possibilidade das pessoas físicas transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado.
O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado.
Ademais, o fato dos acionistas planejarem a redução do capital social, celebrando contratos preliminares de que tratam os artigos 462 e 463 do Código Civil, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, não caracteriza a operação de redução de capital como simulação.
Numero da decisão: 1201-001.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Eva Maria Los e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.430 DE 1996. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico. O artigo 23 prevê a possibilidade das pessoas físicas transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado. O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Ademais, o fato dos acionistas planejarem a redução do capital social, celebrando contratos preliminares de que tratam os artigos 462 e 463 do Código Civil, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, não caracteriza a operação de redução de capital como simulação.
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ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.430 DE 1996. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico. O artigo 23 prevê a possibilidade das pessoas físicas transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado. O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Ademais, o fato dos acionistas planejarem a redução do capital social, celebrando contratos preliminares de que tratam os artigos 462 e 463 do Código Civil, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, não caracteriza a operação de redução de capital como simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Eva Maria Los e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, que lhe negavam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 02 68 /2 01 4- 80 Fl. 2036DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa. Relatório TERRATIVA MINERAIS S/A recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0440.755 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. O procedimento de fiscalização é inquisitório, iniciandose a relação jurídica processual com o lançamento e a impugnação. IRPJ E CSLL. DESCONSIDERAÇÃO DE EFEITOS TRIBUTÁRIOS DE ATOS. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. Correto o lançamento relativo às receitas obtidas pela pessoa jurídica na alienação de ativos, quando a reorganização societária teve por fim somente a economia tributária, sem propósito negocial, portanto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 AUTUAÇÃO REFLEXA: CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2011 MULTA QUALIFICADA. Demonstrada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 3 3 MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A multa isolada é aplicada no caso de não pagamento das estimativas, independentemente de ter havido ou não o encerramento do período de apuração e mesmo que lançada a multa de ofício em face de cobrança de tributo apurado no período anual. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, correto o arrolamento desses interessados como sujeitos passivos solidários. VALORES PAGOS. COMPENSAÇÃO. A atividade, tanto do auditorfiscal autuante quanto daqueles lotados nas turmas das Delegacias de Julgamento é plenamente vinculada, não havendo espaço para se proceder à compensação de valores pagos pelas pessoas físicas, cabendo o pedido de restituição do valor pago indevidamente. INTIMAÇÃO AOS PROCURADORES. As intimações são enviadas ao contribuinte e aos responsáveis tributários, por força do disposto na legislação específica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, completandoo ao final: A contribuinte acima identificada teve contra si lavrado o auto de infração relativo ao IRPJ (AI e demonstrativos às fls. 3 a 15) em decorrência de omissão de receitas não operacionais e para cobrança de multa isolada em face de não recolhimento de estimativa. Houve também os lançamentos de CSLL baseados nos mesmos fatos, conforme AI e demonstrativos de fls. 16 a 31. O total do crédito tributário lançado e objeto deste processo é de R$ 460.398.201,96 (fl. 2), incluídos os juros moratórios e as multas qualificadas (150%). Os valores individuais estão discriminados em cada auto de infração. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 32 a 94), parte integrante dos autos de infração, descreve minudentemente o procedimento realizado. A ciência da contribuinte, relativamente aos autos de infração, ocorreu em 16 de dezembro de 2014 (Termo às fls. 108 e 109). Foram arrolados como responsáveis solidários: a) MARSPE Empreendimentos e Participações S.A. (MARSPE); Fl. 2038DF CARF MF 4 b) Ingo Gustav Wender (Ingo) e c) Ricardo Pinho Lara (Ricardo). As pessoas físicas responsáveis tomaram ciência quanto aos lançamentos também no dia 16 de dezembro de 2014 (fls. 112, 113, 115 e 116). A pessoa jurídica foi cientificada por via postal em 23 de dezembro de 2014 (AR às fls. 118 e 119). Em 15 de janeiro de 2015 foi protocolado o documento (arquivo não paginável fl. 1.679), no qual é aduzido, em apertada síntese, que: a) a condução do procedimento fiscalizatório se deu de “forma persecutória”, sendo imputada à contribuinte “constatações que não refletiam a realidade dos fatos”; b) antes de se encerrar o prazo para a impugnante apresentar esclarecimentos, foi encerrada a fiscalização; c) dentre os documentos entregues à autuada não constavam os anexos citados nos Autos de Infração, sendo feito pedido de cópia do processo no mesmo dia em que intimada dos AIs, não sendo atendido pela fiscalização; d) os documentos essenciais à elaboração da defesa só foram disponibilizados no dia 30 de dezembro de 2014, havendo, por certo, uma sobreposição dos fins aos meios, no que tange à fiscalização levada a efeito; e) o ganho de capital foi efetivamente pago, no montante de R$ 62.594.433,22, pelos “acionistas finais” da autuada; f) para a viabilização econômica de pesquisa geológica, alem de Ingo Gustav Wender, houve a participação de parceiros comerciais de longa data e que também são acionistas da autuada: Ricardo Pinho Lara e as pessoas físicas acionistas da MARSPE; g) a impugnante foi utilizada como mero veículo de aportes financeiros e, assim, a pessoa jurídica concentrou as tarefas para a referida pesquisa, sem que fosse necessário que as pessoas físicas contratassem individualmente serviços para tal; h) em 19 de novembro de 2011 a autuada adquiriu de terceiros as ações da Morro do Pilar e da Morro Escuro, realizando um aumento de capital nessas empresas com a emissão de novas ações que foram subscritas pela autuada, Ingo e Ricardo. Nesse mesmo momento, foram transferidos ativos e passivos da autuada para essas empresas que compuseram o acervo líquido, com o conseqüente aumento de capital; i) assim, “todos os custos com pesquisa e desenvolvimento do projeto minerário realizado na região de Morro do Pilar foram integralmente suportados pelos acionistas finais da IMPUGNANTE, e não por ela enquanto pessoa jurídica”; j) “no mesmo dia 19.11.2010, INGO cedeu à MORRO DO PILAR os direitos minerários que possuía em seu próprio nome, dentre os quais aqueles devolvidos pela BHP BILLITON10 (doc. Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 4 5 9), com o objetivo de consolidar todos esses direitos na MORRO DO PILAR e na MORRO ESCURO. Pouco depois, em 26.11.2010, INGO cedeu alguns outros direitos itinerários com Alvarás de Pesquisa, que não haviam sido incluídos no contrato anterior”. k) “como mencionado, todas essas operações materializam o objetivo de equalização das participações dos acionistas finais nos empreendimentos MORRO DO PILAR e MORRO ESCURO e confirmam que a função da IMPUGNANTE, em relação a esses projetos, era de um mero veículo temporário para esses investimentos. l) “seguindo esse racional, em 20.11.2010, os acionistas finais da IMPUGNANTE celebraram entre si um Contrato de Opção de Compra de Ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO (doc. 11) para equalização da participação entre eles nestes projetos”; m) “o referido contrato foi celebrado sob uma condição suspensiva: a implementação de uma reorganização societária da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO no caso de uma possível proposta de venda desses projetos a terceiros”; n) “o objetivo deste contrato e de sua condição suspensiva era muito claro e, novamente, prescindia de questões tributárias: equalizar a participação dos acionistas que financiaram e que assumiram os riscos dos projetos, bem como condicionar qualquer futura venda do projeto à conclusão da reestruturação societária com vistas a que os acionistas que financiaram todo o projeto alcançassem a titularidade das ações de MORRO DO PILAR e MORRO ESCURO”; o) “em 04.02.2011, foi realizado mais um aumento de capital na MORRO DO PILAR, pelo qual a IMPUGNANTE transferiu parte de seu patrimônio à referida empresa, conforme laudo de avaliação (doc. 12), o que acarretou na emissão de 4.000 ações daquela sociedade”; p) “nos mesmos moldes do aumento de capital anterior, o acervo líquido transferido pela IMPUGNANTE possuía baixo valor, uma vez que, juntamente com os ativos transferidos, também foram aportados os respectivos passivos decorrentes do financiamento do projeto pelos acionistas finais da IMPUGNANTE, conforme demonstra o aludido laudo. Mais uma vez, mantevese plena coerência com a estrutura material que vem sendo explicada”; q) “paralelamente, a negociação dos acionistas finais com possíveis investidores prosseguiu e chegouse a um acordo com a MANABI MINERAÇÃO S/A (MANABI), pelos quais aqueles acionistas outorgaram uma opção para uma possível compra das ações de MORRO DO PILAR e MORRO ESCURO, tendo como condição a finalização da reestruturação e o próprio reinvestimento parcial dos recursos oriundos dessa alienação na MANABI”; Fl. 2040DF CARF MF 6 r) “nesse sentido, em 01.03.2011, foi celebrado Contrato Particular de Opção de Compra de Ações (o ‘Contrato de Opção’), pelo qual INGO, RICARDO, ERWIN, GERHARD, MÁRCIO, MARCELO e TRB INDUSTRIES, ‘acionistas finais’ da IMPUGNANTE, outorgaram à MANABI a opção de compra da totalidade das ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO (fls. 452/477) que fossem da propriedade de INGO, RICARDO, ERWIN, GERHARD, MÁRCIO, MARCELO e TRB INDUSTRIES. Foram estes acionistas que assumiram as obrigações contratuais e riscos desta opção, inclusive de indenização nos casos contratualmente previstos”; s) “no referido Contrato de Opção, foi estabelecida como uma das condições precedentes ao negócio a reestruturação societária da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO, que já havia sido anteriormente definida pelos respectivos acionistas no contrato datado de 20.11.2010 (v. doc. 11). Em outras palavras, sem a conclusão desta reestruturação que já estava em andamento , não haveria possibilidade de conclusão de uma compra e venda. Nesse contrato de Opção, a IMPUGNANTE compareceu unicamente para manifestar sua ciência quanto à citada reestruturação, bem como para permitir a due diligence nas empresas objeto da venda, conforme esclarecido detalhadamente mais adiante. t) “ato contínuo e em atendimento às referidas condições precedentes do contrato, em 15.03.2011 os acionistas da IMPUGNANTE deliberaram em Assembleia Geral Extraordinária a redução de seu capital, com devolução de parte de seu capital aos sócios na forma de ativos, quais sejam: a totalidade das ações da MORRO do PILAR e da MORRO ESCURO que possuía, correspondentes a 76,50% do capital dessa companhias”; u) “importante destacar que a ata da assembleia que deliberou a redução de capital da IMPUGNANTE foi publicada em 16.03.2011 (doc. 13) e efetivada apenas em 16.05.2011, após o encerramento do prazo de 60 (sessenta dias) para oposição de credores, em estrito cumprimento ao disposto no art. 174 da Lei nº 6.404/1976”; v) “ademais, devese ressaltar que os ativos da IMPUGNANTE foram devolvidos aos sócios com base no valor contábil, conforme expressamente previsto no art. 22 da Lei n° 9.249/1995 e aprovado na referida Assembleia Geral Extraordinária”; w) “no âmbito da reestruturação, o mesmo procedimento foi adotado pela MARSPE, de modo que as ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO passaram a pertencer aos seus acionistas, conforme a reestruturação societária planejada desde o início dos investimentos, bem antes do início de qualquer negociação com terceiros, e expressamente colocada como condição para a realização do negócio”; x) “após cumpridas todas as condições precedentes para a realização da operação, em 08.06.2011 foi celebrado o Contrato de Compra e Venda de Ações, através do qual INGO, RICARDO, Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 5 7 ERWIN, GERHARD, MARCELO, MÁRCIO e TRB INDUSTRIES alienaram à MANABI a totalidade das ações da MORRO ESCURO e da MORRO DO PILAR (fls. 486/538)”; y) “ressaltese que as pessoas acima mencionadas, únicas e reais vendedoras das ações em questão, efetivamente receberam o preço pela venda das ações (fls. 539/544 e 549/550, 553) e pagaram o Imposto de Renda sobre o ganho de capital apurado, nos exatos moldes exigidos pela legislação em vigor (fls. 561/638 e doc. 14)”; z) a ação da autuada tem esteio no art. 22 da Lei nº9.249/1995; aa) “... a existência de uma opção legal capaz de proporcionar economias tributárias ao contribuinte não constitui qualquer novidade ou distorção”; bb) conforme se depreende da leitura de contrato de opção, o objetivo deste é a futura e possível venda de ações da Morro do Pilar e da Morro Escuro que viessem a ser propriedade dos acionistas finais, após cumpridas as condições estipuladas e apenas caso a Manabi desejasse exercer essa opção no futuro; cc) as partes outorgantes no contrato de opção de compra de ações são unicamente INGO, RICARDO, GERHARD, ERWIN, MARCELO, MÁRCIO E TRB INDUSTRIES; dd) o negócio só poderia ser fechado após o cumprimento e diversas condições suspensivas da compra das ações; ee) se qualquer das partes não cumprisse o pactuado ou se a Manabi não exercesse a opção de compra, a alienação jamais teria ocorrido; ff) no caso da redução do capital, o órgão competente para julgar a existência de capital excessivo é apenas a assembleia geral; gg) desde 16 de maio de 2011, a autuada não era mais proprietária das participações societárias na Morro do Pilar e da Morro Escuro; hh) “... mesmo o encadeamento de operações societárias que vise a redução das incidências tributárias constitui propósito negocial legitimo, como reiteradamente decidido pelo CARF”; ii) “... é necessário apenas que as operações societárias tenham ocorrido anteriormente ao fato gerador, exatamente como no caso em apreço, conforme se verifica do cronograma abaixo: Fl. 2042DF CARF MF 8 jj) a autuada não recebeu nenhum pagamento da Manabi e não figurou como interveniente no contrato de compra e venda de ações de 8 de junho de 2011; kk) a jurisprudência é pacificamente favorável à plena legalidade das operações em tela, conforme julgados indicados; ll) a reestruturação ocorreu muito anteriormente a negociação e à alienação; mm) concomitantemente os acionistas finais começaram tratativas com a Manabi, tendo sido assinado um acordo de confidencialidade, para que se pudesse analisar o potencial mineral dos direitos minerários; nn) as informações técnicas sobre sondagens etc., estavam armazenadas na base de dados da autuada, utilizada por seus sócios finais; oo) esses fatos não indicam o fechamento de uma compra e venda de ações; pp) a autuação foi baseada em artigo de jornal de custo R$ 0,50 com tiragem de menos de trezentos exemplares; qq) a reestruturação societária era condição para se realizar um outro negócio jurídico, possuindo então nítido propósito negocial; rr) a atividade fim da autuada é serviço de sondagem; Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 6 9 ss) a Manabi firmou declaração, durante o procedimento de fiscalização, no sentido de que as negociações foram sempre conduzidas pelos acionistas finais da impugnante e não por esta; tt) os honorários advocatícios e os demais custos foram pagos pelos acionistas finais da autuada; uu) a transferência direta de direitos minerários da autuada à Manabi ocorreu por questões de burocracia, uma vez que o DNPM demora muito em publicar a autorização de cessão de direitos minerários entre duas partes; vv) as capitalizações posteriores realizadas pelos sócias da autuada em favor dela em nada alteraram a essência dos negócios realizados, uma vez que dependem unicamente da vontade dos sócios em face de razões empresariais; ww) foi descabida a qualificação da multa de ofício, uma vez não ter havido fraude, sonegação ou conluio; xx) é impossível a cumulação da multa isolada com a multa de ofício; yy) não se acatando as razões expostas, os valores pagos a título de ganho de capital pelos sócios devem ser considerados no cálculo dos tributos lançados. Ao final, conclui a impugnante que: (a) constitui propósito negocial e econômico legítimo o encadeamento de transformações societárias com o objetivo de atingir economia fiscal, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de custos fictícios, conforme vasta jurisprudência do CARF acerca de casos idênticos ao presente; (b) a IMPUGNANTE utilizou a opção legal veiculada no art. 22 da Lei n° 9.249/1995, que expressamente permite a redução de capital com devolução de bens aos sócios ou acionistas, avaliados pelo valor contábil; (c) todas as operações societárias realizadas pela IMPUGNANTE obedeceram às normas legais, inclusive com o respeito ao prazo para oposição de credores prevista no art. 174 da Lei n° 6.404/1976; (d) compete apenas aos sócios e acionistas as decisões gerenciais de aumentar ou reduzir o capital de uma sociedade, podendo as reduções de capital ser questionadas apenas na hipótese prevista no art. 173, § 1o, da supracitada lei; (e) o início das negociações sobre uma possível venda das ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO não constitui contrato definitivo nem altera a propriedade das referidas participações societárias, sendo certo que a IMPUGNANTE jamais participou de tais negociações; Fl. 2044DF CARF MF 10 (f) os acionistas finais da IMPUGNANTE firmaram Contrato Particular de Opção de Compra de Ações, que constitui contrato preliminar, nos termos dos arts. 426 a 466 do Código Civil; (g) é lícito aos acionistas prometer a venda de coisa futura, que virá a ser da propriedade do alienante em razão de fato de terceiro, conforme os arts. 439 e 483 do Código Civil; (h) o referido Contrato de Opção possuía diversas condições suspensivas, sendo certo que o fato gerador não se considera ocorrido até o implemento dessas condições, como preceituam os arts. 116, II, e 117, I, do CTN; (i) no caso em tela, as ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO só foram alienadas em 08.06.2011, pelos acionistas finais da IMPUGNANTE, únicos proprietários das ações em tela naquele momento; (j) apenas INGO, RICARDO, GERHARD, ERWIN, MARCELO, MÁRCIO e TRB INDUSTRIES, auferiram renda com a referida alienação, posto que eram os proprietários das ações em tela e efetivamente receberam o preço pago pela MANABI, o qual foi integralmente oferecido à tributação pelas citadas pessoas; (k) a jurisprudencia do CARF é totalmente favorável a IMPUGNANTE em todos os aspectos discutidos nos presentes autos; (1) a participação da IMPUGNANTE na MORRO DO PILAR e na MORRO ESCURO foi efêmero, tendo perdurado somente o tempo necessário para a organização dos ativos e passivos, para posterior devolução aos acionistas e venda subsequente, já que sempre foram eles, e não a IMPUGNANTE, que assumiram todos os custos e riscos inerentes ao desenvolvimentos dos projetos; (m) a IMPUGNANTE foi utilizada como mero instrumento para a equalização de participações dos acionistas finais no empreendimento e para a viabilização do financiamento dos projetos pelos seus acionistas; (n) todos os custos no desenvolvimento dos ativos aportados na MORRO DO PILAR e na MORRO ESCURO foram arcados pelos acionistas finais da IMPUGNANTE, conforme comprovam os laudos de avaliação dos aumentos de capital daquelas companhias; (o) a maior parte dos direitos minerários negociados já pertencia originalmente ao sócio INGO, e nunca passaram pela IMPUGNANTE, o que corrobora a utilização da IMPUGNANTE como veículo de equalização da participação dos demais acionistas finais e de financiamento dos projetos (p) é descabido o agravamento da multa de ofício, uma vez que a IMPUGNANTE atuou estritamente dentro dos ditames legais e até mesmo de acordo com ajurisprudência administrativa, inexistindo qualquer dolo de fraudar, simular ou agir em conluio; Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 7 11 (q) não é possível cumular a multa isolada com a multa de oficio, previstas no art. 44, I e II, da Lei n° 9.430/1996, uma vez que ambas possuem a mesma causa e mesma base de cálculo, o que caracteriza flagrante bis in idem; (r) devem ser considerados e compensados os valores pagos pelos acionistas finais da IMPUGNANTE a título de imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente da venda das ações da MORRO DO PILAR e MORRO ESCURO. Requer a impugnante o cancelamento integral dos autos de infração. Caso seja mantida a exigência, que seja cancelada a qualificação da multa de ofício, assim como a multa isolada em face de impossível cumulação dessas duas penalidades e que os valores já pagos pelas pessoas físicas sejam reconhecidos e compensados com os débitos dos autos de infração. Também, que todas as intimações sejam enviadas ao patrono da impugnante, sob pena de nulidade. De igual modo, em 15 de janeiro de 2015 foram protocolados os documentos de fls. 873 a 919 e 1.137 a 1.179, relativamente aos impugnantes responsáveis tributários Ricardo Pinho Lara, Ingo Gustav Wender e MARSPE Empreendimentos e Participações S/A, nas quais são apresentadas considerações sobre a responsabilidade solidária, resumidamente: a) a solidariedade é instituto diferente, e mesmo antagônico, da responsabilidade a que se refere o artigo 135, III, do CTN; b) não é aplicável o artigo 124, inciso I, do CTN, porque não há interesse comum entre a sociedade e o sócio na situação que constituiu o fato gerador, porque não há como um e outro realizarem, ao mesmo tempo, o fato gerador; c) “... a expressão "interesse comum" há de ser considerada somente nas situações em que existente a comunhão da posição jurídica das pessoas em relação direta com o fato gerador da obrigação tributária, tal como ocorre, por exemplo, entre condôminos em relação aos tributos incidentes sobre o imóvel de sua propriedade, ou entre herdeiros em relação aos tributos devidos pela sucessão causa mortis”; d) não é aplicável também o art. 135, III, do CTN ao sócio Ricardo Pinho Lara e à MARSPE, porque estes não detinham poder de gerência e porque não foi cometido nenhum ato ilícito; e) também não cometeu nenhum ato ilícito o sócio Ingo Gustav Wender, não se lhe aplicando, também, o art. 135, III, do CTN. Ao final de cada uma das impugnações, é requerido sejam os responsáveis tributários excluídos do pólo passivo. Também, que todas as intimações sejam enviadas aos patronos dos impugnantes, sob pena de nulidade. A contribuinte e os responsáveis tributários foram cientificados da decisão de primeira instância e apresentaram os respectivos recursos voluntários ás fls. 1.748/1.817 Fl. 2046DF CARF MF 12 (TERRATIVA), 1.820/1.866 (INGO), 1.879/1.911 (RICARDO) e 1.938/1.970 (MARSPE), onde reproduzem, basicamente, as mesmas razões expostas na impugnação ao lançamento. A Fazenda apresenta as suas Contrarrazões ás fls. 2.005/2.034 onde requer seja negado provimento ao recurso voluntário. Os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Os recursos voluntários da contribuinte e dos sujeitos passivos solidários INGO GUSTAV WENDER, RICARDO PINHO LARA e MARSPE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A preenchem os requisitos legais para admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. A acusação fiscal é a de que a alienação que gerou ganho de capital, foi, na realidade, efetuada pela autuada e não por seus acionistas (majoritariamente pessoas físicas), a quem a autuada havia entregado as ações que detinha da Morro do Pilar e Morro Escuro (objeto da alienação), devido a redução de capital. Transcrevo, a seguir, excertos do Relatório Fiscal, que explica as irregularidades apuradas pelo Fisco, verbis: Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 8 13 Fl. 2048DF CARF MF 14 Fl. 2049DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 9 15 Fl. 2050DF CARF MF 16 Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 10 17 Fl. 2052DF CARF MF 18 Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 11 19 Fl. 2054DF CARF MF 20 A contribuinte, em seu recurso voluntário, sobre os fatos que antecederam a autuação, argumentou o seguinte, verbis: Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 12 21 3.2. A RECORRENTE tem como objeto central a prestação de serviços de estudos geológicos, perfurações e sondagem e a locação de equipamentos e possui como sócios INGO GUSTAV WENDER (INGO), RICARDO PINHO LARA (RICARDO) e MARSPE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A (MARSPE). 3.3. Os AIs imputaram à RECORRENTE resultados não operacionais decorrentes da alienação de ações de emissão das empresas MORRO DO PILAR e MORRO ESCURO feita pelos seus acionistas, baseados na equivocada premissa de que a RECORRENTE seria a real alienante aquelas ações. 3.4. Para tanto, desconsideraram que as referidas participações societárias foram devolvidas aos sócios da RECORRENTE pelo valor contábil, nos moldes do art. 22 da Lei nº 9.249/1995, anteriormente à data da venda das ações, conforme será detalhadamente analisado adiante. 3.5. Com efeito, a venda das ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO foi efetivada pelos “acionistas finais” da RECORRENTE (acionistas pessoas físicas da RECORRENTE e acionistas da acionista pessoa jurídica da RECORRENTE), que apuraram normalmente o ganho de capital e pagaram o respectivo imposto, no montante global de R$ 62.594.433,22. 3.6. No entanto, a partir da equivocada premissa de que a RECORRENTE seria a real alienante daquelas ações, foram lavrados três diferentes Autos de Infração para a cobrança de: (a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), com aplicação de multa agravada de 150%, além de multa isolada de 50%, no valor total atualizado de R$ 338.507.401,97; (b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com aplicação de multa agravada de 150%, no valor total atualizado de R$ 103.129.869,02; e (c) multa isolada de 50% do valor da CSLL, por suposto não recolhimento da CSLL sobre a base estimada, no valor de R$ 18.760.930,97. 3.7. Embora não tenham sido considerados pelos AIs ou pelo acórdão recorrido, os fatos que precederam a aquisição e venda da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO são de suma importância para a compreensão da legalidade da operação. 3.8. Com efeito, em 17.03.2006, muito antes da aquisição da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO pela RECORRENTE, o sócio INGO havia cedido à BHP BILLITON METAIS S/A, inscrita no CNPJ sob o nº 42.105.890/000146 (BHP BILLITON), direitos minerários para pesquisa e lavra de jazidas na localidade conhecida como Morro do Pilar, conforme Contrato de Cessão sob condição resolutiva (v. doc. 6 da Impugnação, arquivo não paginável – fl. 1.679, pgs. 122/148). Fl. 2056DF CARF MF 22 3.9. Em 19.03.2009, a BHP BILLITON desistiu do negócio e devolveu os referidos direitos minerários a INGO, conforme previsto nas cláusulas 3.1 e 3.2 do contrato acima mencionado (v. doc. 7 da Impugnação, arquivo não paginável – fl. 1.679, pgs. 149/153). Com isso, INGO passou a ter novamente o direito de explorar os minérios eventualmente existentes na citada localidade de Morro do Pilar e região. 3.10. Como a pesquisa geológica demanda muitos recursos financeiros, dada a necessidade de contratação de estudos técnicos e sondagens de alta complexidade e elevados custos, INGO decidiu dar seguimento aos referidos estudos com a participação de seus parceiros comerciais de longa data, que também são acionistas da RECORRENTE (RICARDO) e as pessoas físicas acionistas da MARSPE (nomeadamente GERHARD, ERWIN, MARCELO e MÁRCIO). 3.11. Em razão dessa parceria, os acionistas da RECORRENTE decidiram financiar os custos da exploração e sondagem dos referidos direitos minerários localizados na região do Morro do Pilar. Para tanto, e com o objetivo de simplificar a equalização da participação de cada um dos sócios nos empreendimentos, utilizaram a RECORRENTE como um mero veículo de aportes financeiros. 3.12. Assim, na medida em que os recursos para a exploração dos referidos direitos minerários se esgotavam, os sócios faziam novos aportes financeiros à RECORRENTE a título de mútuos ou adiantamentos para futuro aumento de capital, a fim de viabilizar financeiramente a continuidade dos projetos. Fica claro que, sempre e unicamente, foram os sócios que assumiram todos os custos e riscos envolvidos nos projetos. 3.13. A justificativa para essa iniciativa é lógica e completamente alheia a questões tributárias: é que a utilização de uma pessoa jurídica torna possível que essas pessoas físicas unam seus esforços financeiros e organizem o percentual de suas participações em cada projeto, as quais poderiam ser refletidas na sua participação societária na referida empresa. A alternativa de que cada um dos sócios contratasse individualmente serviços de fornecedores ou coordenasse pagamentos, sem a utilização de um veiculo jurídico que meramente concentrasse essas tarefas, tornaria inviável, na prática, os empreendimentos em questão. 3.14. Nesse diapasão, em 19.11.2010, a RECORRENTE adquiriu de terceiros as ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO. Na mesma data, foi realizado um aumento de capital nessas duas empresas, com a emissão de novas ações que foram subscritas pela RECORRENTE, INGO e RICARDO, de modo que a participação societária naquelas sociedades restou fixada nas seguintes proporções: (i) de 76,50% para a RECORRENTE; (ii) 21,875% para INGO; e (iii) 1,625% para RICARDO. 3.15. Neste mesmo momento, a RECORRENTE transferiu às referidas companhias parte de seus bens (ativos e passivos) que compuseram determinado acervo líquido, conforme detalhado em laudos de avaliação elaborados por auditores independentes, Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 13 23 com o consequente aumento de capital e emissão de novas ações das referidas companhias (v. doc. 8 da Impugnação, arquivo não paginável – fl. 1.679, pgs. 154/236). 3.16. É importante notar que o acervo líquido transferido pela RECORRENTE possuía um valor extremamente reduzido. Isso porque, além de terem sido transferidos diversos ativos, consistentes basicamente nos direitos minerários em questão e nas despesas préoperacionais do projeto, foram também transferidos os respectivos passivos, decorrentes essencialmente dos mútuos realizados pelos próprios acionistas e demais despesas por eles suportadas, pois que diretamente vinculados àqueles ativos e a despesas préoperacionais, como revela o mencionado laudo de avaliação. Os seguintes quadros demonstram o afirmado acima: Fl. 2058DF CARF MF 24 3.17. Isso demonstra que todos os custos com pesquisa e desenvolvimento do projeto minerário realizado na região de Morro do Pilar foram integralmente suportados pelos acionistas finais da RECORRENTE, e não por ela enquanto pessoa jurídica. 3.18. No mesmo dia 19.11.2010, INGO cedeu à MORRO DO PILAR os direitos minerários que possuía em seu próprio nome, dentre os quais aqueles devolvidos pela BHP BILLITON8 (v. doc. 9 da Impugnação, arquivo não paginável – fl. 1.679, pgs. 237/260), com o objetivo de consolidar todos esses direitos na MORRO DO PILAR e na MORRO ESCURO. Pouco depois, em 26.11.2010, INGO cedeu alguns outros direitos minerários com Alvarás de Pesquisa, que não haviam sido incluídos no contrato anterior (v. doc. 10 da Impugnação, arquivo não paginável – fl. 1.679, pgs. 261/268). 3.19. Como mencionado, todas essas operações materializam o objetivo de equalização das participações dos acionistas finais nos empreendimentos MORRO DO PILAR e MORRO ESCURO e confirmam que a função da RECORRENTE, em relação a esses projetos, era de um mero veículo temporário para esses investimentos. 3.20. Seguindo esse racional, em 20.11.2010, os acionistas finais da RECORRENTE celebraram entre si um Contrato de Opção de Compra de Ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO (v. doc. 11 da Impugnação, arquivo não paginável – fl. 1.679, pgs. 269/276) para equalização da participação entre eles nestes projetos. Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 14 25 3.21. O referido contrato foi celebrado sob uma condição suspensiva: a implementação de uma reorganização societária da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO no caso de uma possível proposta de venda desses projetos a terceiros. 3.22. O objetivo deste contrato e de sua condição suspensiva era muito claro e, novamente, prescindia de questões tributárias: equalizar a participação dos acionistas que financiaram e que assumiram os riscos dos projetos, bem como condicionar qualquer futura venda do projeto à conclusão da reestruturação societária com vistas a que os acionistas que financiaram todo o projeto alcançassem a titularidade das ações de MORRO DO PILAR e MORRO ESCURO. 3.23. Frisese que isso ocorreu em um momento em que esses sócios começavam a buscar no mercado possíveis interessados na aquisição do projeto, muito antes, portanto, da efetivação ou mesmo da negociação de qualquer alienação. 3.24. Em 04.02.2011, foi realizado mais um aumento de capital na MORRO DO PILAR, pelo qual a RECORRENTE transferiu parte de seu patrimônio à referida empresa, conforme laudo de avaliação (v. doc. 12 da Impugnação, arquivo não paginável – fl. 1.679, pgs. 277/311), o que acarretou na emissão de 4.000 ações daquela sociedade. 3.25. Nos mesmos moldes do aumento de capital anterior, o acervo líquido transferido pela RECORRENTE possuía baixo valor, uma vez que, juntamente com os ativos transferidos, também foram aportados os respectivos passivos decorrentes do financiamento do projeto pelos acionistas finais da RECORRENTE, conforme demonstra o aludido laudo. Mais uma vez, mantevese plena coerência com a estrutura material que vem sendo explicada. Vejamse os quadros demonstrativos abaixo: Fl. 2060DF CARF MF 26 3.26. Paralelamente, a negociação dos acionistas finais com possíveis investidores prosseguiu e chegouse a um acordo com a MANABI MINERAÇÃO S/A (MANABI), pelo qual aqueles acionistas outorgaram a esta empresa uma opção para uma possível compra das ações de MORRO DO PILAR e MORRO ESCURO, tendo como condição a finalização da reestruturação e o próprio reinvestimento parcial dos recursos oriundos dessa alienação na MANABI. 3.27. Nesse sentido, em 01.03.2011, foi celebrado Contrato Particular de Opção de Compra de Ações (o “Contrato de Opção”), pelo qual INGO, RICARDO, ERWIN, GERHARD, MARCIO, MARCELO e TRB INDUSTRIES, “acionistas finais” da RECORRENTE, outorgaram à MANABI a opção de compra da totalidade das ações da MORRO DO PILAR e da MORRO Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 15 27 ESCURO (fls. 452/477) que fossem de propriedade de INGO, RICARDO, ERWIN, GERHARD, MARCIO, MARCELO e TRB INDUSTRIES. Foram estes acionistas que assumiram as obrigações contratuais e riscos desta opção, inclusive de indenização nos casos contratualmente previstos. 3.28. No referido Contrato de Opção, foi estabelecida como uma das condições precedentes ao negócio a reestruturação societária da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO, que já havia sido anteriormente definida pelos respectivos acionistas no contrato datado de 20.11.2010 (v. doc. 11 da Impugnação, arquivo não paginável – fl. 1.679, pgs. 269/276). Em outras palavras, sem a conclusão desta reestruturação que já estava em andamento , não haveria possibilidade de conclusão de uma compra e venda. Nesse Contrato de Opção, a RECORRENTE compareceu unicamente para manifestar sua ciência quanto à citada reestruturação, bem como para permitir a due diligence nas empresas objeto da venda, conforme esclarecido detalhadamente mais adiante. 3.29. Ato contínuo e em atendimento às referidas condições precedentes do contrato, em 15.03.2011 os acionistas da RECORRENTE deliberaram em Assembléia Geral Extraordinária a redução de seu capital, com devolução de parte de seu capital aos sócios na forma de ativos, quais sejam: a totalidade das ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO que possuía, correspondentes a 76,50% do capital dessas companhias (fls. 233/241). 3.30. Importante destacar que a ata da assembléia que deliberou a redução de capital da RECORRENTE foi publicada em 16.03.2011 (v. doc. 13 da Impugnação, arquivo não paginável – fl. 1.679, pgs. 312/316) e efetivada apenas em 16.05.2011, após o encerramento do prazo de 60 (sessenta dias) para oposição de credores, em estrito cumprimento ao disposto no art. 174 da Lei nº 6.404/1976. 3.31. Ademais, devese ressaltar que os ativos da RECORRENTE foram devolvidos aos sócios com base no valor contábil, conforme expressamente previsto no art. 22 da Lei nº 9.249/1995 e aprovado na referida Assembléia Geral Extraordinária. 3.32. No âmbito da reestruturação, o mesmo procedimento foi adotado pela MARSPE, de modo que as ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO passaram a pertencer aos seus acionistas, conforme a reestruturação societária planejada desde o início dos investimentos, bem antes do início de qualquer negociação com terceiros, e expressamente colocada como condição para a realização do negócio. 3.33. Após cumpridas todas as condições precedentes para a realização da operação, em 08.06.2011 foi celebrado o Contrato de Compra e Venda de Ações, através do qual INGO, RICARDO, ERWIN, GERHARD, MARCELO, MARCIO e TRB INDUSTRIES alienaram à MANABI a totalidade das ações da MORRO ESCURO e da MORRO DO PILAR (fls. 486/538). Fl. 2062DF CARF MF 28 3.34. Ressaltese que as pessoas acima mencionadas, únicas e reais vendedoras das ações em questão, efetivamente receberam o preço pela venda das ações (fls. 539/544 e 549/550, 553) e pagaram o Imposto de Renda sobre o ganho de capital apurado, nos exatos moldes exigidos pela legislação em vigor (fls. 561/638 e doc. 14 da Impugnação, arquivo não paginável – fl. 1.679, pgs. 317/323). 3.35. Contudo, de forma absolutamente equivocada e sem considerar esses fatos, os quais foram amplamente expostos na Impugnação, o acórdão recorrido manteve os AIs combatidos, por considerar que a venda das referidas ações foi efetivada pela RECORRENTE, sendo o ganho de capital em questão a ela atribuível. 3.36. Como será demonstrado adiante, os Autos de Infração em tela são absolutamente insubsistentes, motivo pelo qual deve ser dado provimento ao presente Recurso Voluntário. Posto isto, passo à análise da lide. Repisese que ponto central da acusação fiscal é de que a redução de capital, mediante devolução para os "acionistas finais" INGO GUSTAV WINDER, RICARDO PINHO LARA e MARSPE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, das ações da Morro do Pilar Minerais S/A e Morro Escuro Minerais S/A pela Autuada foi simulada, a fim de que a incidência da tributação sobre o ganho de capital auferido recaísse nas pessoas físicas, menos gravosa do que se incidisse sobre a Terrativa Minerais S/A. Primeiramente cabe analisar se a redução de capital e devolução aos sócios foi de acordo com a legislação, Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976: Art. 173. A assembléiageral poderá deliberar a redução do capital social se houver perda, até o montante dos prejuízos acumulados, ou se julgálo excessivo. § 1º A proposta de redução do capital social, quando de iniciativa dos administradores, não poderá ser submetida à deliberação da assembléiageral sem o parecer do conselho fiscal, se em funcionamento. § 2º A partir da deliberação de redução ficarão suspensos os direitos correspondentes às ações cujos certificados tenham sido emitidos, até que sejam apresentados à companhia para substituição. Art. 174. Ressalvado o disposto nos artigos 45 e 107, a redução do capital social com restituição aos acionistas de parte do valor das ações, ou pela diminuição do valor destas, quando não integralizadas, à importância das entradas, só se tornará efetiva 60 (sessenta) dias após a publicação da ata da assembléiageral que a tiver deliberado. § 1º Durante o prazo previsto neste artigo, os credores quirografários por títulos anteriores à data da publicação da ata poderão, mediante notificação, de que se dará ciência ao registro do comércio da sede da companhia, oporse à redução do capital; decairão desse direito os credores que o não exercerem dentro do prazo. Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 16 29 § 2º Findo o prazo, a ata da assembléiageral que houver deliberado à redução poderá ser arquivada se não tiver havido oposição ou, se tiver havido oposição de algum credor, desde que feita a prova do pagamento do seu crédito ou do depósito judicial da importância respectiva. § 3º Se houver em circulação debêntures emitidas pela companhia, a redução do capital, nos casos previstos neste artigo, não poderá ser efetivada sem prévia aprovação pela maioria dos debenturistas, reunidos em assembléia especial. O cerne da questão a ser analisado é se a devolução para os "acionistas finais", INGO GUSTAV WINDER, RICARDO PINHO LARA e MARSPE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, das ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO se tratou de planejamento tributário legítimo ou abusivo. O motivo informado para a redução do capital social foi julgálo excessivo, conforme Ata da Assembléia Extraordinária realizada em 15 de março de 2011 (doc. de fls. 233/241) sendo seguidos os procedimentos legais, não havendo oposição de credores à redução, que foi efetivada, tendo sido a decisão pela redução, em 15 de março de 2011; os bens foram avaliados pelo valor contábil. Diz o art 22 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: "Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado.", portanto, a devolução de capital investido pelos acionistas poderá se dar mediante entrega de bens avaliados pelo valor contábil, que foi o caso. As ações da Morro do Pilar Minerais S/A e Morro Escuro Minerais S/A haviam sido conferidas pela MARSPE Empreendimentos e Participações S/A, Ingo Gustav Wender e Ricardo Pinho Lara e, com a devolução, retornaram às mesmas; a operação é legal e cumpriu os trâmites legais, não havendo o que se falar em simulação, definida pelo artigo 167 do Código Civil Brasileiro, abaixo transcrito: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. O mesmo procedimento foi adotado pela MARSPE, de modo que as ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO passaram a pertencer aos seus acionistas, Fl. 2064DF CARF MF 30 conforme Ata da Assembléia Extraordinária realizada em 16 de março de 2011 (doc. de fls. 249/262). Por outro lado, é evidente que a intenção de alienação vinha anterior à redução de capital pela recorrente, conforme consta do Contrato Particular de Opção de Compra de Ações (doc. de fls. 452/477), entre os "acionistas finais" e a Manabi Mineração Ltda, datado de 01/03/2011, onde a Marspe e a Terrativa prometem implementar reestruturações societárias na Morro do Pilar e também na Morro Escuro, que, uma vez concluídas, farão com que os "acionistas finais" passem a deter diretamente 100 % das ações dessas empresas. Porém, a venda das ações da MORRO DO PILAR e da MORRO ESCURO pelos "acionistas finais" se deu em apenas 08/06/2011, conforme Contrato Particular de Compra e Venda de Ações (doc.de fls. 486/538), posteriormente à redução de capital. O contribuinte também se socorreu de jurisprudência do próprio CARF, para pleitear tratarse de planejamento tributário perfeitamente legal: Tipo do Recurso: RECURSO VOLUNTÁRIO Data da publicação: 28/03/2014 Nº Acórdão 1301001.302 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/08/2007 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.430 DE 1996. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico. O artigo 23 prevê a possibilidade das pessoas físicas transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado. O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Ademais, o fato dos acionistas planejarem a redução do capital social, celebrando contratos preliminares de que tratam os artigos 462 e 463 do Código Civil, visando a subsequente Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 17 31 alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, se constitui em procedimento expressamente previsto no direito brasileiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Ainda outras decisões foram em igual sentido: Nº Acórdão 1402001.477 Data da sessão 09/10/2013 Data da publicação: 14/11/2013 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto apresenta declaração de voto. Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO.Os artigos 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico.O artigo 23 prevê a possibilidade das pessoas físicas transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado.O artigo 22, por sua vez, prevê que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Quando os bens, tanto na integralização quanto na devolução de participação no capital social, forem entregues/avaliados por montante superior ao que consta da declaração da pessoa física ou valor contábil da pessoa jurídica, a diferença a maior será tributada como ganho de capital (Inteligência dos artigos 22, § 4º e 23, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995).Não seria lógico exigir ganho de capital quando os bens e direitos fossem entregues pelo valor de mercado na integralização de capital social e não se admitir a devolução destes, aos acionistas, pelo valor contábil. INTERESSE PROTEGIDO E NORMA INDUTORA DE COMPORTAMENTO. É juridicamente protegido o procedimento Fl. 2066DF CARF MF 32 levado a efeito pelas Companhias e seus acionistas por meio do qual se devolve a estes, pelo valor contábil, bens e direitos do ativo da pessoa jurídica (art. 22, caput, da Lei nº 9.249, de 1995). Diante do fato de que o acesso a recursos junto ao mercado financeiro, de que necessitam as empresas, está ligado, em parte, ao capital social das Companhias, a regra que permite a devolução da participação acionária pelo valor contábil, sem que isto implique em custo tributário ao titular dos recursos, se constitui em norma indutora de comportamento que tem por finalidade aumentar o capital social das empresas, garantindo a devolução destes aos sócios acionistas, pelo valor contábil, sem exigência de tributação neste ato. Ademais, o fato de os acionistas planejarem a redução do capital social, celebrando contratos preliminares de que tratam os artigos 462 e 463 do Código Civil, com cláusulas suspensivas, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, se constitui em procedimento expressamente previsto no direito brasileiro. No caso concreto, não se pode confundir os contratos preliminares feitos entre os titulares das ações e o contrato definitivo que foi o instrumento que materializou e conferiu validade e eficácia na transação feita entre os titulares das ações e a empresa adquirente. Por fim, em que pese a autuação invocar o contrato preliminar datado de 3/8/2007 para imputar responsabilidade à empresa POLPAR, esta sequer figurou como parte ou anuente no referido instrumento e tampouco recebeu o produto da venda que foi entregue, mediante crédito em conta, aos titulares das ações. Recurso Voluntário Provido. E ainda: RECURSO VOLUNTÁRIO Data da sessão: 05/03/2013 Data da publicação 04/04/2013 Nº Acórdão 1402001.341 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que dava provimento parcial para deduzir da exigência o imposto pago pelas pessoas físicas. (...) Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR PATRIMONIAL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 15504.730268/201480 Acórdão n.º 1201001.920 S1C2T1 Fl. 18 33 Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor patrimonial, não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. Recurso Provido. Entendo que esse caso se assemelha àquele julgado por esta Turma na sessão de 25 de julho de 2017 (Acórdão nº 1201001.809), onde decidiuse, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício da DRJ/CURITIBA/PR, considerando a redução do capital social ali apresentada como lícita. Abaixo, transcrevo a ementa daquele acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2010 REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELOS ARTS. 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. Os arts. 22 e 23 da Lei nº 9.249, de 1995, adotam o mesmo critério tanto para integralização de capital social, quanto para devolução deste aos sócios ou acionistas, conferindo coerência ao sistema jurídico: o art. 23 prevê que a pessoa física transfira à pessoa jurídica, a título de integralização de capital social, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração ou de mercado; o art. 22, que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, também poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. ALIENAÇÃO POSTERIOR DESTES BENS. O fato dos acionistas efetuarem a redução do capital social, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa jurídica situada no exterior, não caracteriza a operação de redução de capital como simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 2068DF CARF MF 34 Assim, a redução de capital efetuada, mediante devolução aos sócios da TERRATIVA e da MARSPE, das ações da Morro do Pilar Minerais S/A e Morro Escuro Minerais S/A, pelo valor contábil é autorizada pelo artigo 22 da Lei nº 9.249 de 1995. O fato dos acionistas planejarem a redução do capital social, celebrando contratos preliminares de que tratam os artigos 462 e 463 do Código Civil, visando a subsequente alienação de suas ações a terceiros, tributando o ganho de capital na pessoa física, não caracteriza a operação de redução de capital como simulação. Portanto, o procedimento foi lícito e corroborado pela jurisprudência do CARF. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. À vista do voto no sentido de provimento ao recurso voluntário, descabe a análise desses tópicos. CONCLUSÃO. Diante do exposto, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 2069DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.908443/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ACÓRDÃO DRJ. AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO E MOTIVAÇÃO. MATÉRIA AUTÔNOMA REGULARMENTE ARGUIDA PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE PARCIAL. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR.
A carência da devida análise e motivação em decisão administrativa desfavorável ao contribuinte de matéria claramente autônoma, ainda que subsidiária, regularmente aduzida em sua defesa, configura nulidade parcial.
Deve retornar o processo à instância a quo para a prolatação de decisão complementar, suprindo tal nulidade instrumental, retomando-se, posteriormente, o curso natural do feito.
Numero da decisão: 1402-002.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que seja prolatada decisão complementar com apreciação das razões de defesa não analisadas pelo Acórdão original. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que votou por julgar o processo no estágio em que se encontra.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro, Evandro Correa Dias.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO E MOTIVAÇÃO. MATÉRIA AUTÔNOMA REGULARMENTE ARGUIDA PELO CONTRIBUINTE. NULIDADE PARCIAL. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR. A carência da devida análise e motivação em decisão administrativa desfavorável ao contribuinte de matéria claramente autônoma, ainda que subsidiária, regularmente aduzida em sua defesa, configura nulidade parcial. Deve retornar o processo à instância a quo para a prolatação de decisão complementar, suprindo tal nulidade instrumental, retomandose, posteriormente, o curso natural do feito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que seja prolatada decisão complementar com apreciação das razões de defesa não analisadas pelo Acórdão original. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que votou por julgar o processo no estágio em que se encontra. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 84 43 /2 00 9- 00 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13896.908443/200900 Acórdão n.º 1402002.714 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro, Evandro Correa Dias. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de CSLL, declarado em DCOMP. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente a retroação benigna do art. 11 da IN RFB nº 900/08, a necessidade de aplicação dos princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, a ilegalidade do art. 10 da IN nº 600/05, a possibilidade de se compensar débitos com recolhimento a maior e indevidos, e a impossibilidade de aplicação de multa e incidência de juros, quando mantida a não homologação dos valores, além de demonstrar e juntar documentação provando a existência de seu direito creditório. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa. Confirase a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO Só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante de tal revés, o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido, tanto pela suposta alteração do critério jurídico utilizado para a negativa do crédito, nos termos do art. 146 do CTN, bem como por não ter a DRJ a quo conhecido e enfrentado todas as suas alegações. No mérito, restringese a alegar a procedência material do crédito, apontando, em seus livros contábeis e declarações transmitidas ao Fisco, as evidências sobre a existência do seu direito. Pugna, eventualmente, pela necessidade de realização de diligência, para a análise da documentação acostada e a promoção de investigações pela própria Fiscalização da materialidade do crédito informado, como rezaria ao princípio da verdade material. Subsidiariamente, repete sua alegação de impossibilidade de aplicação de multa e incidência de juros. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o Relatório. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13896.908443/200900 Acórdão n.º 1402002.714 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.708, de 27.07.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.907312/200905. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.708): O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega Recorrente ter a DRJ a quo deixado de enfrentar uma de suas alegações, qual seja, a impossibilidade de exigência de multa e juros, caso fosse mantida a não homologação da Declaração de Compensação, ensejando sua nulidade, devendo ser prolatado novo decisório. Verificando o v. Acórdão, confirmase a veracidade dessa alegação da Recorrente. Como se observa da Manifestação de Inconformidade apresentada, o Contribuinte alegou, com base na eventualidade da manutenção do r. despacho decisório, a suposta incorreção de aplicação de multa e incidência de juros sobre os valores decorrentes da denegação sofrida. Tal argumentação jurídica depende, logicamente, da rejeição da tese meritória, atacando elementos distintos da homologação do crédito, tratandose, claramente, de matéria autônoma o que distinguese, diametralmente, de alegações aduzidas cumulativamente, para enriquecer a defesa e reforçar a procedência de seu crédito. Reforçando a afirmação acima colocada, tal tema possui tópico exclusivo na peça de defesa e, não obstante, pedido formulado de forma independente daquele principal, de natureza subsidiária, para seu provimento. Assim, nenhuma das razões de decidir da DRJ, que apenas explora, analisa e julga o mérito da contenda, referente à procedência ou não do direito da Recorrente e as provas trazidas, abarca o conhecimento e o julgamento desse outro tema independente. Digase mais: diante da negativa do pedido principal, de improcedência da Manifestação apresentada, restou imperioso o enfrentamento dessa matéria subsidiária naquele r. decisum, ensejando verdadeiro prejuízo à prerrogativa processual da Parte desfavorecida pelo julgamento do mérito. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13896.908443/200900 Acórdão n.º 1402002.714 S1C4T2 Fl. 5 4 Analisando os termos do v. Acórdão, item a item, fica clara e inquestionável a ausência de qualquer abordagem, menção e, principalmente, motivação em relação a essa matéria, regularmente invocada. A motivação (ou fundamentação) dos decisórios em esfera administrativa é elemento essencial para a sua validade, como extraise das prescrições da Lei nº 9.784/991 e do Decreto nº 70.235/722. Na verdade, tais disposições implementam na esfera processual administrativa as garantias constitucionais ao duplo grau de jurisdição, ao devido processo, ao direito de petição, ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte, assim como o princípio da motivação das decisões jurisdicionais. Ainda que esta C. 2ª Turma Ordinária (segunda instância administrativa) pudesse, agora, em sede de Recurso Voluntário, conhecer, analisar e julgar tal alegação, não só continuaria parcialmente inválido o v. Acórdão recorrido, como restaria suprimida uma instância recursal ordinária concedida ao Contribuinte o que não deve ocorrer. Tanto assim é que, na própria dinâmica processual administrativa deste E. Conselho, no entendimento da sua C. Câmara Superior, quando há decisão meritória, reformando acórdão procedente em relação à tese dos contribuintes, determinase o imediato retorno do feito à Turma Ordinária julgadora para apreciar matérias secundárias, alegadas subsidiariamente, que justamente como no presente feito versam, na maioria da vezes, sobe sanções, juros e correção monetária dos créditos mantidos. Sobre a nulidade dos decisórios carentes de fundamentação, lecionam Fredie Didier Júnior, Paula Sarno Braga e Rafael Alexandria de Oliveira3: Se a decisão não analisa todos os fundamentos da tese derrotada, seja ela invocada pelo autor ou pelo réu, será inválida por falta de fundamentação. Tal entendimento também estampa o Acórdão nº 3402003.465, proferido pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, publicado em 27/12/2016: 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) V decidam recursos administrativos; 2 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. 3 Curso de Direito Processual Civil. 2º vol. 10ª ed. Salvador: Jus Podivm, 2015. p. 337. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13896.908443/200900 Acórdão n.º 1402002.714 S1C4T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2010 a 31/12/2011 Ementa: NULIDADE DE DECISÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. FUNDAMENTO AUTÔNOMO NÃO ANALISADO. PROCEDÊNCIA DO RECURSO. É nula, por ausência de motivação, a decisão que deixa de analisar um dos fundamentos invocados pelo contribuinte em sua impugnação e que, de forma autônoma, é capaz de infirmar a conclusão alcançada pelo órgão julgador na parte dispositiva do julgado. (...) 12. Assim, toda e qualquer decisão proferida no âmbito de processo administrativo federal deve ser fundamentada, ou seja, deve ser justificada em concreto pelo julgador. Com isto o princípio assegura não só a transparência da atividade judiciária, mas também viabiliza que se exercite o adequado controle de todas e quaisquer decisões jurisdicionais. E, quando se fala em controle das decisões de caráter judicativo por meio da sua motivação, se faz menção não só a um controle exterior ao processo, mas em especial a um controle interno, o que se dá pela ideia de recorribilidade. 13. O que se quer dizer, portanto, é que a existência de motivação de uma determinada decisão é que viabiliza (não apenas sob uma perspectiva formal, mas especialmente de modo substancial) o acesso efetivo às instâncias recursais mediante a interposição do recurso cabível. Em contrapartida, decisão imotivada (sem fundamento) é o mesmo que negar acesso ao grau recursal ou reduzilo à uma questão exclusivamente de forma, isso sem falar na própria supressão de instância. 14. Não obstante, ainda quando se fala em decisão motivada, exigise também que a motivação seja completa, sem omitir pontos cuja solução pudesse conduzir o juiz a concluir diferentemente. Assim, sempre que a sentença seja repartida em capítulos, cada um consistindo no julgamento de uma pretensão, todos eles devem ser precedidos de uma motivação que justifique a conclusão assumida pelo juiz. 15. O que se quer dizer, portanto, é que a decisão deve fundamentar o acolhimento ou a rejeição de cada um dos pedidos e, consequentemente, de cada uma das correlatas causas de pedir próximas expostas ao longo da lide. Caso um mesmo pedido e, consequentemente, a mesma causa de pedir próxima correlata tenha mais de um fundamento, basta a adesão ou rejeição de um deles para que a decisão seja motivada. O em contrapartida, é que um determinado pedido e a sua correlata causa de pedir próxima fiquem sem qualquer resolução. Posto isso, resta claro que o v. Acórdão recorrido padece de nulidade processual, ainda que parcial, que ainda pode ser sanada, em prol da validade da demanda como um todo, sem prejudicar a retomada posterior do curso natural do presente processo administrativo. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13896.908443/200900 Acórdão n.º 1402002.714 S1C4T2 Fl. 7 6 Nesse sentido, as demais matérias arguidas, inclusive outras matérias preliminares trazidas pelo Contribuinte em seu Recurso Voluntário, mas referentes a elementos do v. Acórdão que não se cambiarão, vez que alheios a essa nulidade meramente instrumental ora detectada, serão devidamente apreciadas quando do julgamento do mérito. Diante de todo o exposto, voto por conhecer e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade parcial do v. Acórdão recorrido, devendo ser exarado pela DRJ a quo um acórdão complementar, precisamente sobre a matéria de multa e juros, nos termos aduzidos na Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. Após a devida intimação da ora Recorrente de tal decisum, deve serlhe devolvido o mesmo prazo de Recurso Voluntário, propiciando o enfrentamento recursal de tal matéria, garantindo o pleno contraditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para que seja prolatada decisão complementar com apreciação das razões de defesa não analisadas pelo Acórdão original. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000421/2002-28
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 12/08/1997 a 25/08/1997
DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO.
Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime.
Numero da decisão: 9303-005.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 12/08/1997 a 25/08/1997 DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 12/08/1997 a 25/08/1997 DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 04 21 /2 00 2- 28 Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10209.000421/200228 Acórdão n.º 9303005.860 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3201000.990, de 23 de maio de 2012 (efolhas 439 e segs), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 12/08/1997, 25/08/1997 Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Comprovado o cumprimento integral do regime em diligência pela administração tributária, resta adimplido o compromisso de drawback assumido, a despeito do erro cometido pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 450 e segs) diz respeito à repercussão jurídica dos equívocos praticados pelo importador no preenchimento dos Registros de Exportação, especificamente quanto ao enquadramento da operação e/ou vinculação do RE ao AC. A recorrente sustenta essas irregularidades são suficientes para que o regime aduaneiro especial de Drawback seja considerado inadimplido. O Recurso especial foi admitido conforme exame de admissibilidade de e folhas 469 e segs. A contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10209.000421/200228 Acórdão n.º 9303005.860 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial O exame de admissibilidade é irretocável. O recurso foi apresentado dentro do prazo. Dele tomo conhecimento. Mérito Discutemse as consequências jurídicotributárias decorrentes da ausência de informação tempestiva, nos registros de exportação de Drawback, (i) do código da operação de Drawback, 81.101 e/ou (ii) do número do Ato Concessório correspondente. O voto condutor da decisão de primeira instância esclarece as circunstâncias fáticas específicas do caso concreto (efolha 364 e segs): Observase da descrição dos fatos e enquadramento legal, fls.03/04, que em todos os registros de exportação, acostados às fls.136/186, destinados a comprovar a efetiva exportação das mercadorias objeto do Ato Concessório n°: 397/0060, emitido em 13/05/1997 o enquadramento utilizado vinculase a exportações outras, diversas do regime de "Drawback". (...) Notese que o próprio impugnante ratifica a omissão identificada pela fiscalização atribuindoa porém a um mero lapso, registrando inclusive, posteriormente o código de enquadramento correto, conforme documentos acostados à peça de defesa, fls.217/344, providencia essa que só convalida o entendimento acima esposado de impossibilidade de constatação pela fiscalização quando do despacho aduaneiro de exportação, da verificação do cumprimento dos compromissos acordados, notadamente vinculação física requisito essencial e Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10209.000421/200228 Acórdão n.º 9303005.860 CSRFT3 Fl. 5 4 indispensável no regime de drawback, seja através de assistência técnica ou não, se for o caso. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração, à e folha 6 do processo, os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento esclarecem: Ademais, existe no Registro de Exportação local apropriado para que o contribuinte informe o número do Ato Concessório a que se vincula (campo 2f). Essa vinculação do documento de exportação ao Ato Concessório visa o controle fiscal do regime, de modo a evitar a comprovação de mais de uma operação de Drawback com os mesmos documentos de exportação. Sendo que nos Registros de Exportação declarados pela empresa como comprovantes de exportação, não há preenchimento do campo. Analisemos as alegações da recorrente à luz das particularidades do regime e da legislação que regulamenta sua concessão e as condições para o adimplemento da obrigação que lhe confere condição de eficácia. O regime especial de Drawback, modalidade suspensão, está previsto no inciso II do art.78 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, c/c o art.1º, inciso I, da Lei n.° 8.402/92. Ele oferece a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso do importador e beneficiário do regime de aplicálos na fabricação de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos firmados pela contribuinte e que passam a compor o correspondente Ato Concessório expedido pela SECEX, verbis: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição,total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento,ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10209.000421/200228 Acórdão n.º 9303005.860 CSRFT3 Fl. 6 5 fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (Vide Lei nº8.402,de 1992) (...) Na modalidade suspensiva, o Regime permite à contribuinte importar insumos com suspensão dos tributos incidentes na importação, com o compromisso firmado de, em certo prazo e condições, utilizálos no beneficiamento ou industrialização de produtos e efetivamente reexportálos. Cumprido esse compromisso aquela suspensão inicial dos tributos é convertida em uma isenção. Tratandose de uma isenção condicionada, portanto, reclama a aplicação dos art.111, 155 e 179 do CTN, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa,em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (...) §2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10209.000421/200228 Acórdão n.º 9303005.860 CSRFT3 Fl. 7 6 apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor,cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: (...) Pois bem, o Registro de Exportação é o documento que comprova a exportação vinculada ao regime drawback e, por conseguinte, tanto o correto enquadramento do tipo de regime quanto a sua vinculação ao Ato Concessório são obrigações acessórias inerentes ao cumprimento do regime. Não havendo vinculação entre os Registros de Exportação apresentados e o citado Ato Concessório, resta evidenciado que a contribuinte infringiu ao disposto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 91.030/85, vigente à época de ocorrência dos respectivos fatos geradores, in verbis: Art.325 – A utilização do benefício previsto neste Capítulo será anotada no documento comprobatório da exportação. Além disso, o Registro de Exportação que não contenha ou que contenha de forma inexata informação relativa ao código da operação de Drawback também não faz prova do cumprimento do regime. Este entendimento tem como pressuposto o fato de que a indicação de um código de operação diverso ao regime Drawback e/ou a falta da indicação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação impedem o controle na utilização dos benefícios fiscais inerentes ao regime. Nesse sentido, confiramse as disposições normativas que seguem: Portaria SCE nº 02, de 1992: Art. 10 – O Registro de Exportação no SISCOMEX – RE é o conjunto de informações de natureza comercial, financeira e fiscal que caracterizam a operação de exportação de uma mercadoria e definem o seu enquadramento. (...) §3.º As tabelas com os códigos utilizados no preenchimento do RE, do RV e do RC estão contidas no Anexo‘I’desta Portaria. ComunicadoDecex nº 21, de 1997: 3. É obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback, modalidade Suspensão. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10209.000421/200228 Acórdão n.º 9303005.860 CSRFT3 Fl. 8 7 4. Somente será aceito para a comprovação do Regime modalidade Suspensão, Registro de Exportação (RE) contendo, no campo2a, o código de enquadramento constante do AnexoI (10 tabela de Enquadramento da Operação) da Portaria SCE nº 2, de 22/12/92, bem como as informações exigidas nocampo 24 (dados do fabricante).P Portaria Secex nº4, de 1997: Art. 37. Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback,na forma da legislação em vigor. Corroborando esse raciocínio, transcrevemos a seguir, trecho do Parecer COSIT Nº 53, de 22 de julho de 1999: 9. No tocante à questão apresentada no item 4 possibilidade de aceitação, pela SRF, de Registros de Exportação não vinculados aos atos concessórios, informese que sobre o assunto, o art.37 da mencionada Portaria Secex nº 4, de 1997, estabelece que ‘somente poderão ser aceitos para comprovação do regime de drawback modalidade suspensão, Registros de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback, na formada legislação em vigor’. Em simples leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase a necessidade de constar nesses documentos eletrônicos (Registros de Exportação) o correto enquadramento da operação e também a sua vinculação ao Ato Concessório. Sem a devida averbação de tais dados no Registro de Exportação não há como o Fisco controlar a adimplemento do regime aduaneiro especial de drawback. O ônus probatório é da contribuinte. Cabe a ele comprovar que o Registro de Exportação está corretamente preenchido e devidamente vinculado aos respectivos Atos Concessórios. Ademais, o despacho de exportação é a oportunidade que a contribuinte tem de apresentar à autoridade alfandegária os produtos que estão sendo exportados com aproveitamento dos bens beneficiados com o tratamento fiscal do drawback e, desse modo, comprovar o cumprimento da condição suspensiva. E nesse momento, com base nas informações prestadas pela contribuinte no Registro de Exportação é Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10209.000421/200228 Acórdão n.º 9303005.860 CSRFT3 Fl. 9 8 que a Aduana vai inspecionar os produtos e, a partir dessa inspeção, manifestar sua anuência sobre a comprovação aqui em discussão. Se a contribuinte não informa corretamente à Aduana que são exportações decorrentes de regime drawback, elas não recebem o correspondente e necessário procedimento de verificação. Como se vê, a informação inexata nos Registros de Exportação não significa “mero” erro formal, como deseja crer a Recorrente, mas subtração da condição de verificação para se concluir pela extinção da obrigação tributária. Esses "erros de preenchimento" dos Registros de Exportação praticados pela contribuinte, na verdade, mascaram as correspondentes operações de exportação. De todo o exposto, constatase que é da contribuinte a obrigação de comprovar o integral cumprimento das exportações para se beneficiar do referido benefício fiscal. No meu entender, a autuada não obteve esse êxito, além de adotar procedimentos que dificultaram o controle das operações decorrentes da adoção do Drawback Suspensão, como ficou exaustivamente demonstrado no lançamento fiscal. Ressalto que este colegiado, embora utilizando de fundamentação discretamente diferente, também já decidiu nesse sentido.Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão nº 9303003.850, de 17/05/2016, da relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: ASSUNTO:REGIMES ADUANEIROS Período de apuração:23/01/2007 a 12/12/2007 Data do fato gerador:16/07/1996 (...) DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de Drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Com base nessas premissas, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10209.000421/200228 Acórdão n.º 9303005.860 CSRFT3 Fl. 10 9 É como voto. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 500DF CARF MF
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Numero do processo: 12269.002121/2010-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO
A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados.
O Ato Declaratório PGFN Nº 03/2011 somente é aplicável quando demonstrado que, embora não tenha formalizado a adesão ao PAT, o sujeito passivo forneceu alimentação in natura, o que não abrange o pagamento em tickets.
Numero da decisão: 9202-006.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. O Ato Declaratório PGFN Nº 03/2011 somente é aplicável quando demonstrado que, embora não tenha formalizado a adesão ao PAT, o sujeito passivo forneceu alimentação in natura, o que não abrange o pagamento em tickets. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 21 21 /2 01 0- 12 Fl. 99DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.290.8144, no valor total de R$ 49.940,00 (quarenta e nove mil, novecentos e quarenta reais), consolidado em 06/09/2010, referente às contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados, observado o limite máximo do salário de contribuição, incidentes sobre valores da alimentação fornecida pela empresa. No Relatório Fiscal – RF, a autoridade lançadora consigna que a empresa não possui adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). Através do Termo de Intimação Fiscal n° 1, a autuada foi intimada a apresentar as notas fiscais referentes à aquisição dos vales refeição/alimentação, bem como a esclarecer o motivo pelo qual não há os lançamentos contábeis. Segundo informado pela empresa, as notas fiscais de alimentação são fornecidas em nome da empresa Golden Mix Concreto Ltda, CNPJ 04.781.512/000193, para a qual presta serviços. Os valores da alimentação foram aferidos indiretamente, através da aplicação do percentual de 20% sobre o salário de contribuição da folha de pagamento, descontado o valor referente ao "desconto refeição" informado na folha de pagamento, conforme demonstrado na "G", da Planilha 5, constante do Anexo I, do Auto de Infração DEBCAD N° 37.290.8128. Os fatos geradores da obrigação previdenciária não foram declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP antes do início da ação fiscal. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 21/11/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403001.752 (fls. 78/80), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 12269.002121/201012 Acórdão n.º 9202006.222 CSRFT2 Fl. 3 3 ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece aos seus funcionários a alimentação in natura, cesta de alimentos ou tickets, mesmo que não esteja inscrita no PAT. Recurso Voluntário Provido O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 03/07/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 16/08/2013, Recurso Especial (fls. 81/88). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação à incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de ajuda alimentação por meio de tickets. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 1088/2013, da 4ª Câmara, de 01/11/2013 (fls.89/91). O recorrente afirma que os valores fornecidos em forma de pecúnia, vale refeição, valealimentação “in natura” e ticket aos empregados a título de auxílioalimentação integram o saláriodecontribuição, já que não se enquadram como prestação in natura. Argumenta que, conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição, a parcela “in natura” recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, porém, para a não incidência da Contribuição Previdenciária é imprescindível que o pagamento seja feito “in natura”, o que não abrange ticket, valerefeição ou espécie. Ressalta que o Programa de Alimentação do Trabalhador não admite o fornecimento do auxílioalimentação em pecúnia, consoante se depreende do art. 4º do Decreto nº 5/1991 que regulamenta o programa: “Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador; a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis e sociedades cooperativas.” Diz que a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal, e sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Acrescenta que é essa a jurisdição consolidada no CARF e no STJ. Fl. 101DF CARF MF 4 Registra que a Lei nº 10.243/01 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, uma vez que esta é específica. Lembra que o art. 458 da CLT refere se ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes, estando as parcelas não integrantes elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/91. Alega que a prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas é fornecida pela própria Constituição Federal: conforme o art. 195, § 11 da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei; assim, pela singela leitura do texto constitucional é possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário. Por fim, destaca que a Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais editou a Súmula 67 (DOU de 24/09/2012), segundo a qual “o auxílioalimentação recebido em pecúnia por segurado filiado ao Regime Geral de Previdência Social integra o salário de contribuição e sujeitase à incidência de contribuição previdenciária”. Cientificado do Acórdão nº 2403001.752, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 28/01/2015, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 12269.002121/201012 Acórdão n.º 9202006.222 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 89. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Importante ressaltar que o lançamento englobou a incidência de contribuições sobre a alimentação sob a forma de alimentação pronta, cesta de alimentos ou tickets, contudo o recurso referese apenas a alimentação fornecida na modalidade em tickets, mantedose incólume o acórdão recorrido na parcela de alimentação fornecida sob as demais formas. Vejamos o trecho do relatório fiscal que esclarece esse fato: Auxílio Alimentação em Tickets Primeiramente, entendo pertinente fazer considerações sobre o que seria o conceito de salário de contribuições para efeitos previdenciários. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 103DF CARF MF 6 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, entendeu a autoridade fiscal, que ao descumprir os dispositivos legais quanto a concessão dos benefícios alimentação, assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Os termos lançados no relatório fiscal não deixam dúvida que a verba “Auxílio Alimentação” era repassada mediante o fornecimento de tickets aos empregados. A Auditoria entendeu que seriam devidas contribuições sobre essa parcela, posto que a empresa não comprovou o registro no PAT para o período do lançamento. O lançamento em relação ao fornecimento de valerefeição fornecido por tickets, seguiu a estrita observância legal, que define claramente nos limites da lei 6.321/76, a necessária adesão ao PAT. No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, acima transcrita. A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Fl. 104DF CARF MF Processo nº 12269.002121/201012 Acórdão n.º 9202006.222 CSRFT2 Fl. 5 7 Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Portanto, ao fazer o pagamento em tickets, sem nem mesmo comprovar a adsão ao PAT, não se pode dizer que seu programa de alimentação está aprovado pelo Ministério do Trabalho, para fins de não incidência da contribuição previdenciária. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes desses outros pontos. Apenas, para esclarecer o entendimento adotado em relação a mesma matéria em outras oportunidades, acredito que o lançamento ora sob enfoque, não se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna apenas com a fornecida “in natura”, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Fl. 105DF CARF MF 8 O texto do Ato Declaratório, não há dúvida, referese apenas aos casos de fornecimento in natura. Por isso, devemos investigar se o pagamento efetuado na sistemática acima relatada poderia ser considerado prestação in natura. Verifiquemos a jurisprudência em que se baseou a PGFN para exarar o Ato Declaratório em questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PRE QUESTIONAMENTO.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE AOS EMPREGADOS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO DO FGTS. LEI Nº 6.321/76. LIMITAÇÃO. PORTARIA Nº 326/77. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS MORATÓRIOS PELA TR/TRD. APLICABILIDADE.(...)3. O STJ, em inúmeros julgados, assentou o entendimento de que o pagamento in natura do auxílio alimentação não tem natureza salarial e, como tal, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS, igualmente assentado no conceito de "remuneração" (Lei 8.036/90, art. 15). O auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes do STJ (REsp 674.999/CE, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 30.05.2005; REsp 611.406/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, 2ª Turma, DJ de 02.05.2005;EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004; REsp 643.820/CE, Rel. Min. José Delgado, 1ª Turma, DJ de 18.10.2004; REsp 510.070/DF, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 31.05.2004). Por tal razão, o auxílio alimentação pago em espécie com habitualidade também sofrerá a incidência do FGTS.4. "O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT" (EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004).(...)Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.Publiquese. Intimações necessárias.Brasília (DF), 07 de maio de 2010.(REsp nº 1.119.787SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 13/05/2010). *** EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES.1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador Fl. 106DF CARF MF Processo nº 12269.002121/201012 Acórdão n.º 9202006.222 CSRFT2 Fl. 6 9 inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílio alimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária.2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. (grifouse)(...) 5. Recurso especial parcialmente provido.(STJ, REsp 977.238/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ 29/11/2007). *** DECISÃO(...)É pacífica neste Superior Tribunal de Justiça a orientação no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.( STJ, REsp 333.001/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008) *** TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho.2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em conta corrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.3. Precedentes da Seção.4. Embargos de divergência providos. (grifouse)( EREsp 476.194/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ 01.08.2005). Fl. 107DF CARF MF 10 Percebese, que os quatro julgados acima manifestam. claramente. o entendimento de que somente se considera o fornecimento in natura, quando a alimentação é fornecida diretamente pelo próprio empregador, o que nos leva a concluir que o fornecimento de cartões ou tickets, para aquisição de produtos em estabelecimentos comerciais, não representa fornecimento in natura. Concluise, portanto, que o Ato Declaratório mencionado não se aplica ao caso em tela. Observese que a motivação da DRJ para excluir da apuração a verba paga a título de alimentação foi exatamente a aplicação do Ato Declaratório da PGFN acima referido. Entendo, assim, que não tendo a empresa comprovado a sua adesão ao PAT, é cabível a incidência de contribuições sobre essa parcela, posto que disponibilizada em desacordo com a Lei n. 8.212/1991, conforme se verifica do dispositivo: § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de exclusão do benefício fornecido (alimentação) do conceito de salário de contribuição condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Assim, tendo o sujeito passivo fornecido a alimentação na forma de tickets, sem comprovar a adesão ao PAT no período do AI, deve incidir contribuições previdenciárias. Dessa forma, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904264/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 26/02/2010
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 26/02/2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 64 /2 01 2- 36 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904264/201236 Acórdão n.º 1302002.413 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 00719.89443.050511.1.3.041923, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 26/02/2010. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 28/05/2013 (AR de fls. 69/70), tendo interposto o seu recurso voluntário em 24/06/2013 (doc. de fl. 72). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904264/201236 Acórdão n.º 1302002.413 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 26/02/2010. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.904264/201236 Acórdão n.º 1302002.413 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10825.904264/201236 Acórdão n.º 1302002.413 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10825.904264/201236 Acórdão n.º 1302002.413 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10825.904264/201236 Acórdão n.º 1302002.413 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10825.904264/201236 Acórdão n.º 1302002.413 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.001811/2001-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Ano calendário:1996
Ementa: IRPF, RECURSO VOLUNTARIO INTEMPESTIVO.
Constatada a regularidade da intimação do interessado relativa à decisão de primeira instância administrativa, não se pode conhecer do recurso voluntário interposto intempestivamente.
Numero da decisão: 1401-000.625
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso por intempestivo.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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Recorrente SIG PACK LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1996 Ementa: IRPF, RECURSO VOLUNTARIO INTEMPESTIVO. Constatada a regularidade da intimação do interessado relativa à decisão de primeira instância administrativa, não se pode conhecer do recurso voluntário interposto intempestivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso por intempestivo. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 185DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 2 Participaram da sessão os seguintes Conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Roberto Armond Ferreira Da Silva. Relatório O contribuinte recorre a este Conselho contra decisão proferida pela instância administrativa a quo, pleiteando sua reforma`, com fulcro no art. 33 do Decreto n. 70.235/72. Em razão de sua pertinência, peço vênia para adotar o relatório da decisão recorrida, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração do imposto de renda pessoajurídica, lavrado em decorrência de revisão levada a efeito na declaração de rendimentos apresentada pela contribuinte em epígrafe, relativa ao anocalendário de 1996, constituindo o crédito tributário total de R$277.685,96, ai incluídos o principal, multa de oficio e juros de mora, estes calculados até outubro/2000. 2. No 'Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal' do referido auto de infração, consta a motivação do lançamento, como a seguir descrito: "92.01 —Compensação a maior de imposto de renda mensal devido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão, em virtude de insuficiência do imposto retido na fonte utilizado nos cálculos. Lei 8.981/95, art. 37, § 3°, letra "d", e § 4°. Instrução Normativa SRF 11/96, art. 18, § 3°, letra "d" e § 4°." 3. Inconformada com exigência fiscal, da qual foi cientificada em 16/10/2001, a contribuinte, por seus procuradores legalmente habilitados, interpôs, em 09/11/2001, impugnação de fls. 69/73, acompanhada dos documentos de fls. 74/121, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: após um breve resumo do procedimento fiscal, afirma a impugnante que o auto de infração deverá ser julgado totalmente improcedente, bem como insubsistente a multa imputada; na apuração do lucro real de 1996, a impugnante lançou em sua declaração de imposto de renda o valor de R$108.451,20 como valor de IRRF, a ser compensado com o imposto devido; tal valor de IRRF, cujo caráter é de antecipação do pagamento, sendo a compensação liquida e certa, foi apurado pelas retenções efetuadas em serviços prestados e rendimentos em aplicações financeiras, relativos aos anosbase 1991 a 1996; relativamente ao anobase de 1996, registrou a fiscalização o valor de R$4.918,16, tendo desconsiderado o crédito relativo aos demais períodos; Fl. 186DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10882.001811/200192 Acórdão n.º 1401000.625 S1C4T1 Fl. 186 3 "Ora, não há razão para desconsiderar tais valores, sobretudo pelo fato de que os valores de IRRF foram efetivamente retidos e recolhidos pelos tomadores dos serviços e pelas instituições financeiras, no limite de suas obrigações. Desconsiderar estes valores e cobrálos da Impugnante caracteriza uma dupla incidência de IRPJ sobre um mesmo fato gerador, o que é absolutamente vedado no sistema tributário pértrio."; para comprovação das retenções efetuadas, a defendente diligenciou junto aos tomadores e As instituições financeiras, solicitando cópias dos pagamentos do IRRF e extratos bancários e/ou informes de rendimentos, sem lograr êxito na empreitada; por se tratarem de documentos antigos, relativos a competências de até dez anos, houve dificuldades no seu levantamento, pelo fato de muitas empresas já não mais possuirem ditos documentos em seus arquivos; parte da documentação foi colecionada e juntada aos autos, para demonstrar, embora de forma não totalmente satisfatória, a legitimidade das compensações efetuadas; em face dessas dificuldades, fazse necessária diligência, a fim de comprovar as retenções alegadas, bem como atestar que a compensação dos valores ocorreu somente em 1996; formula, a seguir, 4 (quatro) quesitos a serem esclarecidos na diligência requerida; requer, ao final, que seja determinada a realização da diligência, para comprovar a legitimidade da compensação do IRRF de 1991 a 1996, de forma a desconstituir o auto de infração. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP, esta houve por bem julgála improcedente, sendo o acórdão de nº 5.979, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1996 Ementa:IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Os valores compensáveis a este titulo se limitam ao imposto retido na fonte correspondente aos rendimentos incluídos na declaração. Os saldos existentes de períodos anteriores devem – ser registrados em campo distinto, sujeitos comprovação hábil e eficaz. Lançamento Procedente O contribuinte foi regularmente intimado da decisão, em 12 de dezembro de 2008, conforme AR apensado à fl.152 dos autos. Inconformado com a referida decisão, o Fl. 187DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE 4 contribuinte apresentou em 15 de janeiro de 2009, Recurso Voluntário que passa a ser analisado por este Conselho. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é intempestivo e, portanto, não atende aos pressupostos de admissibilidade. Constatase que o contribuinte foi regularmente intimado da decisão de primeira instância, conforme se depreende da fl. 152 O prazo para recorrer é de 30 dias a contar da data do recebimento da intimação, na forma estabelecida pelo artigo 33 de Decreto 70.235 de 1.972— PAF. No processo vertente, a ciência da decisão proferida pela DRJ de origem ocorreu em 12 de dezembro de 2008. O presente recurso voluntário foi apresentado no dia 15 de janeiro de 2009, após o trintídio legal, pelo que não deve ser admitido. Com estas considerações, não conheço do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 188DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE
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Numero do processo: 19515.007718/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 07/01/2010 a 31/12/2012
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. ALTERAÇÃO SUPERVENIENTE. APLICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A modificação superveniente à remessa necessária do seu limite de alçada, para finalidade de conhecimento do recurso de ofício, implica na sua imediata adoção, na data de sua apreciação em segunda instância administrativa, consoante Súmula CARF nº 103.
Numero da decisão: 3401-004.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não estar superado o atual limite de alçada, na forma estabelecida na Súmula CARF no 103.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
MARA CRISTINA SIFUENTES - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D´Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não estar superado o atual limite de alçada, na forma estabelecida na Súmula CARF no 103. ROSALDO TREVISAN - Presidente. MARA CRISTINA SIFUENTES - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D´Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado.
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LIMITE DE ALÇADA. ALTERAÇÃO SUPERVENIENTE. APLICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A modificação superveniente à remessa necessária do seu limite de alçada, para finalidade de conhecimento do recurso de ofício, implica na sua imediata adoção, na data de sua apreciação em segunda instância administrativa, consoante Súmula CARF nº 103. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não estar superado o atual limite de alçada, na forma estabelecida na Súmula CARF no 103. ROSALDO TREVISAN Presidente. MARA CRISTINA SIFUENTES Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D´Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 77 18 /2 00 8- 11 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19515.007718/200811 Acórdão n.º 3401004.007 S3C4T1 Fl. 240 2 A presente autuação versa sobre auto de infração aplicado sobre a cobrança do PIS e Cofins, cumulativo e não cumulativo, com crédito tributário total no valor de R$ 11.346.519,05, composto de principal, multa de ofício de 75% e juros de mora, período de apuração 01/03/2003 a 30/04/2003, 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/01/2004 a 31/10/2004, 01/12/2004 a 30/04/2005, 01/06/2005 a 31/10/2005, 01/12/2005 a 31/01/2007, 01/12/2007 a 31/12/2007. A DRJ julgou e decidiu, por unanimidade de votos, PROCEDENTE EM PARTE a autuação, e recorreu de ofício ao CARF, pois o total do crédito tributário exonerado excedeu a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), conforme Portaria MF vigente à época. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: O1/O3/2003 a 30/04/2003, 01/09/2003 a 30/11/2003, 01/01/2004 a 31/10/2004, 01/12/2004 a 30/04/2005, 01/06/2005 a 31/10/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005, 01/01/2006 a 31/01/2007, 01/12/2007 a 31/12/2007. PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o ato de lançamento obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade.PRELIMINAR. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE E EFICÁCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A ação fiscal suportada por Mandado de procedimento Fiscal (MPF) regularmente emitido e prorrogado por autoridade competente, bem como autorizado e formalizado em conformidade com os pressupostos legais, presumese válida e eficaz em relação aos atos firmados durante sua vigência. PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇAO. Não cabe ao órgão administrativo apreciar arguição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou de violação de princípio constitucional, pois são matérias cuja competência pertence ao Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo aquelas proferidas pelo Conselho de Contribuintes, não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose às matérias e às partes envolvidas no litígio.DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. DECRETO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTENCIA. Inexiste nulidade dos autos que indicam Decreto 4.524/02 como base da pretensão. Tal espécie normativa inserese no conceito de legislação (art. 96, CTN). A descrição dos fatos possibilitou a ampla defesa e não cabe falar em vício ou cerceamento.ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2003, 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/11/2003 a 30/11/2003LANÇAMENTO POR A HOMOLOGAÇÃO. DECADENCIA. INOCORRÊNCIA.Pelo CTN, no cômputo do prazo decadencial quinquenal aplicase o art. 150, § 4°, se houve pagamento ou o art. 173, I, se não houve (como neste caso). Para O fato gerador autuado mais remoto (31/3/2003) a contagem se inicia em 1/1/2004 e termina em 31/12/2008. A ciência deuse em 28/ll/2008. Não houve decadência. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 19515.007718/200811 Acórdão n.º 3401004.007 S3C4T1 Fl. 241 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 30/04/2003,01/09/2003 a 30/09/2003, 01/01/2004 a 31/10/2004,01/12/2004 a 30/04/2005, 01/06/2005 a 31/10/2005,01/12/2005 a 31/01/2007, 01/12/2007 a 31/12/2007VALOR ESCRITURADO E DECLARADO. DIVERGÊNCIA. PRECLUSÃO. Não comprovado pela impugnação O equívoco na autuação precluiu o direito de fazêlo (§4°, art. 16, Dec. 70.235/72) cabendo manter a tributação da diferença apurada entre o valor mensal escriturado e declarado. MULTA DE OFÍCIO. Percentual de 75% (art. 44, I, Lei 9.430/96).ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/11/2003,01/04/2004 a 30/04/2004, 01/01/2005 a 30/04/2005,01/06/2005 a 31/08/2005, 01/10/2005 a 31/10/2005,01/01/2006 a 31/01/2007, 01/12/2007 a 31/12/2007COFINS NÃOCUMULATIVA. EXONERAÇÃO. Tendo utilizado O critério jurídico da cumulatividade em vez da nãocumulatividade, cabe exonerar os créditos mensais lançados às fl 79 a 82 para O período de apuração de 1/1/2006 a 31/12/2006. VALOR A ESCRITURADO E DECLARADO. DIVERGENCIA. PRECLUSÃO. Não comprovado pela impugnação o equívoco na autuação o direito de fazelo (§4°, art. 16, Dec. 70.235/vb), cabendo manter a tributação da diferença apurada entre o valor mensal escriturado e declarado. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL de 75% (ART.. 44, 1, Lei 9.430/96). A empresa devidamente cientificada não apresentou recurso voluntário, conforme consta despacho da DRF, fl. 224: Tendo em vista que o contribuinte não efetuou o pagamento, nem o parcelamento, e não apresentou recurso voluntário referente aos créditos mantidos na decisão de 1” Instância, foi formalizado o processo 16151.000045201071, para cobrança relativa à parte não exonerada. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora Fl. 241DF CARF MF Processo nº 19515.007718/200811 Acórdão n.º 3401004.007 S3C4T1 Fl. 242 4 A DRJ recorreu de ofício por ter exonerado parte do crédito tributário conforme Portaria MF nº 3, de 3/01/2008, que estipulava a remessa necessária quando o total exonerado excedesse R$1.000.000,00 (tributo e multa), conforme consta do voto condutor. Nos meses de 2006 as autuações de Cofins foram pelo critério cumulativo (fl 79 e 89). No segundo auto de Cofins (fl 29 e 31 x 83/84) foi tributada, corretamente, a parcela cumulativa não declarada da metade faltante de 2006 No primeiro auto de infração de Cofins, tomando como exemplo que o contribuinte declarou em DCTF, o débito de janeiro de 2006 de R$ 11.494,02 foi declarado pelo regime da Cofins nãocumulativa (código de receita 585601). A metade faltante foi tributada (fl 80) pelo critério legal da Cofins cumulativa (Dec. 4.524/02) , quando deveria ter sido feita pelo critério da não cumulatividade (art 149 do CTN e artigos 1°, 2° , 5° e 11 da Lei 10.833/03). Por este última circunstância, em face aos litigados fatos de 2006, sem prejuízo de refazer o auto (fls 7182) após atingida a definitividade, voto por exonerar: Em juízo de admissibilidade da remessa necessária verifico, pelos elementos disponíveis nos autos, nos termos do art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 e do art. 70, caput, do Decreto 7.574/2011, que o valor exonerado não atinge o limite de alçada estabelecido pela superveniente Portaria MF 63/2017, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Conforme Súmula CARF nº 103 deve ser aplicado o valor de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância administrativa: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 19515.007718/200811 Acórdão n.º 3401004.007 S3C4T1 Fl. 243 5 Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000173/2007-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 30/07/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 30/07/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14120.000173/200751 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.110 – 2ª Turma Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RIO CORRENTE AGRICOLA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 30/07/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 73 /2 00 7- 51 Fl. 476DF CARF MF Processo nº 14120.000173/200751 Acórdão n.º 9202006.110 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 477DF CARF MF Processo nº 14120.000173/200751 Acórdão n.º 9202006.110 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 14120.000173/200751 Acórdão n.º 9202006.110 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 14120.000173/200751 Acórdão n.º 9202006.110 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 480DF CARF MF Processo nº 14120.000173/200751 Acórdão n.º 9202006.110 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 481DF CARF MF Processo nº 14120.000173/200751 Acórdão n.º 9202006.110 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 482DF CARF MF Processo nº 14120.000173/200751 Acórdão n.º 9202006.110 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 483DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.003611/2009-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
CORREÇÃO DO TEXTO.
Há que se corrigir o texto que leva à contradição no acórdão embargado.
RATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO EMBARGADO.
Reconhece-se a contradição existente entre o voto do relator e o dispositivo do acórdão embargado, devendo ser sanada a decisão, com a alteração do texto sem efeitos infringentes, ratificando-se a decisão embargada.
Numero da decisão: 9202-006.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para re-ratificar o Acórdão nº 9202-005.446, de 23/05/2017, no tocante à admissão das provas apresentadas em sede de recurso especial, implicando a reforma do acórdão de recurso voluntário e exoneração do crédito tributário ainda em litígio, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Há que se corrigir o texto que leva à contradição no acórdão embargado. RATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Reconhecese a contradição existente entre o voto do relator e o dispositivo do acórdão embargado, devendo ser sanada a decisão, com a alteração do texto sem efeitos infringentes, ratificandose a decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para reratificar o Acórdão nº 9202005.446, de 23/05/2017, no tocante à admissão das provas apresentadas em sede de recurso especial, implicando a reforma do acórdão de recurso voluntário e exoneração do crédito tributário ainda em litígio, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 36 11 /2 00 9- 38 Fl. 310DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase dos embargos de declaração opostos relativamente ao acórdão n° 9202005.446 (efls. 286 a 290), desta 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 23 de maio de 2017, que foi assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. PRECLUSÃO. É permitida a produção de provas em sede recursal quando caracterizada a hipótese prevista na alínea "a" do § 4º. do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Hipótese em que os cheques foram apresentados quando disponibilizados pela instituição financeira. (Negritei.) O acórdão tinha o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe negou provimento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro/RJ apresentou despacho à efl. 298, no qual afirmava a existência de contradição no acórdão do recurso especial de divergência. Na conclusão do voto do relator do acórdão do recurso especial de divergência, à efl. 290, se afirmava a manutenção do decidido no acórdão de recurso voluntário nº 2402004.962. Conforme se observa na transcrição acima, o dispositivo do acórdão nº 9202005.446 dava provimento ao recurso especial, o que, contraditoriamente ao voto, implicaria a reforma daquela decisão. Os embargos foram admitidos em despacho (efls. 305 a 307) do Presidente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 21/09/2017. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10768.003611/200938 Acórdão n.º 9202006.273 CSRFT2 Fl. 311 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Sem dúvida, é claro o equívoco constante da conclusão do voto, em contradição para com o acórdão, pois o entendimento do relator resta cristalino em dois pontos: a) nas razões de decidir1 à efl. 290; e b) na parte negritada da ementa transcrita no relatório acima. Ambos deixam claro que houve acatamento das provas trazidas, dando provimento ao recurso especial de divergência do contribuinte, para reformar a decisão do acórdão de recurso voluntário e com isso deveria ser a seguinte a redação da conclusão do voto do relator do acórdão nº 9202005.446: Conclusão Pelos motivos acima expostos, voto por conhecer do recurso especial do contribuinte, para aceitar as provas com ele trazidas e, no mérito, darlhe provimento, reformandose o acórdão de recurso voluntário e afastandose o crédito tributário ainda em litígio. Conclusão Pelas razões acima, há que se acolher e prover os embargos de declaração opostos, sem efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão n° 9202005.446 no tocante à admissão das provas apresentadas em sede de recurso especial, implicando a reforma do acórdão de recurso voluntário e exoneração do crédito tributário ainda em litígio. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos 1 Em que pese a prova ter sido trazida somente em sede de recurso especial, podendo ter sido trazida, em tese, em momento anterior, temos a questão da disposição do contribuinte de produzir as provas e a alegação da dificuldade de sua apresentação. Assim, como os cheques foram apresentados quando fornecidos pelo banco, temos a possibilidade de aplicação da alínea "a" do parágrafo 4o do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Fl. 312DF CARF MF 4 Fl. 313DF CARF MF
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