Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10880.720770/2006-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. VERDADE MATERIAL. REANÁLISE DO CRÉDITO.
Em função das regras que permitem a busca da verdade material no processo administrativo fiscal (artigos 16, §6.º e 29 do Decreto 70.235/72, Art. 2.º, caput, inciso XII e Art. 38 e 64 da Lei 9.784/99, Art. 112, 113, 142 e 149 do CTN), a decisão judicial que transita em julgado ao longo do processo administrativo fiscal, que suspende a exigibilidade, possibilita a reanálise do crédito na origem.
Numero da decisão: 3201-006.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade de origem a fim de que promova nova análise do crédito e profira novo Despacho Decisório.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. VERDADE MATERIAL. REANÁLISE DO CRÉDITO. Em função das regras que permitem a busca da verdade material no processo administrativo fiscal (artigos 16, §6.º e 29 do Decreto 70.235/72, Art. 2.º, caput, inciso XII e Art. 38 e 64 da Lei 9.784/99, Art. 112, 113, 142 e 149 do CTN), a decisão judicial que transita em julgado ao longo do processo administrativo fiscal, que suspende a exigibilidade, possibilita a reanálise do crédito na origem.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.720770/2006-61
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6102292
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-006.122
nome_arquivo_s : Decisao_10880720770200661.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10880720770200661_6102292.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade de origem a fim de que promova nova análise do crédito e profira novo Despacho Decisório. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
id : 8006872
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649139470336
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-02T15:53:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-02T15:53:49Z; Last-Modified: 2019-12-02T15:53:49Z; dcterms:modified: 2019-12-02T15:53:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-02T15:53:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-02T15:53:49Z; meta:save-date: 2019-12-02T15:53:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-02T15:53:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-02T15:53:49Z; created: 2019-12-02T15:53:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-12-02T15:53:49Z; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-02T15:53:49Z | Conteúdo => SS33--CC 22TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10880.720770/2006-61 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3201-006.122 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 24 de outubro de 2019 RReeccoorrrreennttee UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. VERDADE MATERIAL. REANÁLISE DO CRÉDITO. Em função das regras que permitem a busca da verdade material no processo administrativo fiscal (artigos 16, §6.º e 29 do Decreto 70.235/72, Art. 2.º, caput, inciso XII e Art. 38 e 64 da Lei 9.784/99, Art. 112, 113, 142 e 149 do CTN), a decisão judicial que transita em julgado ao longo do processo administrativo fiscal, que suspende a exigibilidade, possibilita a reanálise do crédito na origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade de origem a fim de que promova nova análise do crédito e profira novo Despacho Decisório. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 07 70 /2 00 6- 61 Fl. 228DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-006.122 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720770/2006-61 Trata-se de Recurso Voluntário de fls. 170 apresentado em face da decisão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 159, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 127, restando mantido Despacho Decisório de fls. 28, que negou o crédito de IPI na aquisição de MP, PI e ME para produtos com saídas isentas ou com alíquota zero. Como de costume nesta Turma de julgamento, segue a reprodução do mesmo relatório apresentado no Acórdão de primeira instância, para o fiel acompanhamento do trâmite e matéria constante nos autos: “O presente processo foi formalizado para tratar Declarações de Compensação, inicialmente vinculadas ao processo n° l0880.720347/2005-8l, com utilização O de créditos de IPI pleiteados junto à Justiça Federal em Ação Ordinária n° 1998.34.00.025521- 6, sem decisão definitiva. Como se verifica nos autos, a Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo - DERAT/SPO, através do Despacho Decisório de fls. 27/29, em 31/08/06, considerou nao admitidas as compensações. O recurso hierárquico interposto pelo contribuinte foi analisado pela Superintendência Regional da Receita Federal que propôs em seu despacho (fls. 83/86), o retomo a DERAT/SPO para retificar a improbidade relatada no item 10 da referida decisão. Sendo assim, a DERAT/SPO em 28/01/2009, às fls. 118/119, ratificou o Despacho Decisório de fls. 27/29 e retificou o tratamento dado às compensações vinculadas ao crédito discutido na esfera judicial, ainda sem decisão definitiva, que foram consideradas NAO HOMOLOGADAS. Também no despacho, são destacados os seguintes pontos: “Vale destacar que os débitos do presente processo foram transferidos para os O processos n° l0880.72l048/2006-44 e n° l0880.72l050/2006-I3, ambos em cobrança pela PFN (fls. ll3/l ló), neste momento. Por outro lado, os créditos pretendidos para esse fim, requeridos tanto na ação ordinária acima citada, quanto na ação ordinária n° l998.34.00.032540~6, inicialmente vinculado ao processo n° l0880.720347/2005-8I, como já explicado antes, foram transpostos para este e outros 2 (dois) processos, estando agora alocados de acordo com o período de apuração, como vemos abaixo: Face ao exposto, deve ser mantido o despacho decisório às fls. 27/29, possibilitando ao contribuinte apresentar manifestação de inconformidade nos moldes do art. 66 da IN RFB n° 900, de 30/l 2/2008, atualmente em vigor.” lnconfonnada com a decisão administrativa, a requerente apresentou, tempestivamente, em 14/04/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 121/134, apresentando, em sintcsc, as seguintes alegações: 1. Com a propositura da manifestação de inconformidade, o débito objeto da compensação efetuada e não homologada encontra-se com a exigibilidade suspensa, nos termos do an. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; _ 2. Nenhuma irregularidade foi cometida pela manifestante, vez que o saldo credor de IPI acumulado e utilizado nas PER/DCOMP não homologadas foi devidamente comprovado e Fl. 229DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-006.122 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720770/2006-61 legitimado por ordem judicial, motivo pelo qual se impõe que se promova o reconhecimento do direito creditório em questão e as compensações a ele vinculadas; 3. A manifestante não precisa aguardar o trânsito em julgado da Ação Ordinária n° 1998.34.00.025521-6, já que sua distribuição se dera em 08/10/1998, dentro de um contexto legislativo que não exigia tal procedimento; 4. Ao final, requer a reforma do despacho decisório em debate, para o fim de se homologar integralmente as compensações.” Este Acórdão de primeira instância da DRJ/SP de fls. 159 foi publicado com a seguinte Ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário importa renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. DCOMP. CREDITO DEFERIDO EM AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Em casos de créditos discutidos judicialmente, a declaração de compensação somente pode ser apresentada e admitida após o trânsito em julgado da sentença/decisão/acórdão. Em cumprimento a ordem judicial (antecipação de tutela ou liminar em mandado de segurança), a compensação deve ser efetuada por conta e risco do próprio contribuinte e admitida a título precário, com suspensão do débito enquanto subsistir a ordem mandamental. Manifestação de inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Os autos digitais foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se esta Resolução. Por conter os requisitos legais e substanciais necessários, o Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em razão de não existir o trânsito em julgado de ação judicial, o crédito de IPI na aquisição de MP, PI e ME para produtos com saídas isentas ou com alíquota zero foi negado. Fl. 230DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-006.122 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720770/2006-61 Contudo, ao longo do presente processo administrativo fiscal a decisão proferida no âmbito do TRF 1.ª região, transitou em julgado, conforme pode ser verificado no acompanhamento eletrônico e conforme fls. 116 e seguintes dos autos: Data Cod Descrição Complemento 04/09/2009 12:49:00 60400 BAIXA À ORIGEM SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL 31/08/2009 14:27:00 270100 TRANSITO EM JULGADO DO ACÓRDÃO AOS 25/08/2009. Ou seja, o Poder Judiciário reconheceu o direito ao crédito de IPI na aquisição de MP, PI e ME para produtos com saídas isentas ou com alíquota zero, conforme decisão de fls. 116 parcialmente reproduzida a seguir: (...) “Hodiernamente, o IPI possui muito mais a função de orientação econômica, estimulando ou desestimulando o mercado, do que a estritamente fiscal (arrecadadora), concedendose, a determinados itens, isenções ou imunidades, confomwe necessidade nacional de estímulo ou desencorajamento dos mercados de produção e comércio. Surge, então, questão referente à possibilidade de contrabalançar os créditos de IPI, quando recolhidos, em relaçäo a matéria-prima, insumos e embalagens, cujo produto final esteja contemplado por isenção ou imunidade. Se os produtos finais, por qualquer razão, não estão sujeitos ao recolhimento do IPI e a possibilidade de creditamento existia somente com o próprio IPI, como as empresas se beneficiariam de tal incentivo se não houvesse como reaver o valor do tributo pago em momento anterior ao da industrialização final, ou intermediária? Nesse contexto, com intuito de tornar efetivos os incentivos de produção e exportação, adveio a Medida Provisória 1.788/98 (publicada em 30 DEZ 1998), convertida na Lei 9.779/99, que, em seu art. 11, possibilitou a utilização desse crédito, compensando-o com débitos referentes a outros tributos administrados pela SRF, na forma dos arts. 73 e 74, da Lei 9.430/96. (...) Fl. 231DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-006.122 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.720770/2006-61 Posto isto e, considerando que o processo administrativo fiscal suspende a exigibilidade, não há como descumprir decisão judicial, ainda que transitada em julgado durante o curso do processo administrativo fiscal. Conforme intepretação sistêmica do que foi disposto no artigos 16, §6.º e 29 do Decreto 70.235/72, Art. 2.º, caput, inciso XII e Art. 38 e 64 da Lei 9.784/99, Art. 112, 113, 142 e 149 do CTN, a verdade material deve ser buscada no processo administrativo fiscal. Diante de todo o exposto, vota-se para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que os autos retornem à unidade de origem a fim de que promova nova análise do crédito e profira novo Despacho Decisório. Voto proferido. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.901509/2010-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente se pronuncie nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201912
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 12448.901509/2010-81
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6115842
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3001-000.320
nome_arquivo_s : Decisao_12448901509201081.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCOS ROBERTO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 12448901509201081_6115842.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente se pronuncie nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2019
id : 8026695
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649142616064
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-18T19:09:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-18T19:09:50Z; Last-Modified: 2019-12-18T19:09:50Z; dcterms:modified: 2019-12-18T19:09:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-18T19:09:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-18T19:09:50Z; meta:save-date: 2019-12-18T19:09:50Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-18T19:09:50Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-18T19:09:50Z; created: 2019-12-18T19:09:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-12-18T19:09:50Z; pdf:charsPerPage: 2276; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-18T19:09:50Z | Conteúdo => 00 SS33--TTEE0011 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 12448.901509/2010-81 RReeccuurrssoo Voluntário RReessoolluuççããoo nnºº 3001-000.320 – 3ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 12 de dezembro de 2019 AAssssuunnttoo DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RReeccoorrrreennttee SUL AMÉRICA SEGUROS DE PESSOAS E PREVIDÊNCIA S.A. IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente se pronuncie nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (Presidente), Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório O presente processo trata do PER/DCOMP n o 13546.55359.300905.1.3.04-6105, pelo qual a Interessada pretende aproveitar um saldo de direito creditório oriundo de suposto pagamento indevido ou a maior de IOF, código 3467, efetuado em 04/06/2003 no valor de R$660.394,35. O valor declarado do crédito original na data de transmissão desta PER/DCOMP foi de R$ 57.401,61. O Despacho Decisório de e-fl. 75 reconheceu o valor do crédito pretendido, entretanto, o valor de R$ 57.401,61 revelou-se insuficiente para compensar todos os débitos informados, de modo que a compensação foi parcialmente homologada. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que a insuficiência decorreu do fato de a RFB ter acrescido a todas as compensações efetuadas mediante PER/DCOMP a multa de mora por recolhimentos extemporâneos. Afirma ainda que ajuizou a Ação Ordinária n o 99.0011582-1 para que fosse declarada a inexistência da relação jurídica com a União que a sujeita ao pagamento da multa de mora, com depósito judicial dos respectivos valores da multa. Com isso, entendeu que não cabia a exigência destes valores em face da discussão judicial. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 01 50 9/ 20 10 -8 1 Fl. 278DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3001-000.320 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901509/2010-81 A DRJ do Rio de Janeiro/RJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, homologando a compensação até o limite do direito creditório reconhecido conforme Acórdão n o 10-38.626. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância alegando, em síntese, que do DARF de R$670.225,74 pago a título de IOF, R$660.394,35 teria sido pago a maior e constou do PER/DCOMP n o 16066.17518.140905.1.3.04-5050, processo n o 12448-905.738/2010-75. Deste montante teria utilizado R$57.401,61 no presente processo. Como o fundamento da decisão recorrida foi baseada unicamente naquele constante do Acórdão da DRJ consubstanciado no processo n o 12448-905.738/2010-75, tomo como razões de defesa o Recurso Voluntário constante deste processo. Dando-se prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da proposta de conversão do julgamento em diligência Conforme consta do Relatório acima, os créditos utilizados na presente declaração de compensação tem origem no DARF de R$670.225,74 pago a título de IOF, cujo valor de R$660.394,35 teria sido pago a maior. Este valor constou do PER/DCOMP n o 16066.17518.140905.1.3.04-5050, processo n o 12448-905.738/2010-75. Portanto, de fato há uma relação direta entre os créditos utilizados tanto no presente processo quanto aquele constante do processo n o 12448-905.738/2010-75, tendo em vista que originam do mesmo DARF. Fl. 279DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3001-000.320 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901509/2010-81 O citado processo n o 12448-905.738/2010-75 foi baixado em diligência para a unidade de origem conforme Resolução n o 3201-001.465 de 27/09/2018. Na ocasião suscitou-se dúvidas em relação a conversão dos valores depositados na Ação Declaratório n o 99.0011582-1 em renda para a União nos importes de R$ 6.868,60; R$ 4.230.707,57; R$ 7.267,74; R$ 25.736,48 e R$ 210,47. Naquele contexto, a Resolução determinou que a unidade de origem apreciasse a “documentação colacionada com o Recurso Voluntário, com a reanálise do despacho decisório considerando para tanto, os valores depositados em Juízo e convertidos em renda da União Federal, bem como, em sendo o entendimento da unidade de origem proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos”. Finalizando, determinou também que a unidade de origem deve “informar se há o direito creditório alegado pela Recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte, com a elaboração de relatório”. Portanto, considerando a relevância e correlação das informações de ambos os citados processos, bem como da necessária análise conjunta dos dados, voto por baixar o presente processo em diligência para que a autoridade competente da unidade fiscal de origem proceda da seguinte forma: 1) Tendo por base os documentos colacionados com o Recurso Voluntário do processo n o 12448-905.738/2010-75 relacionados aos valores depositados em juízo e convertidos em renda para a União na Ação Declaratória n o 99.0011582-1, confirmar a procedência do direito creditório relacionado a tais valores; 2) Apresentar análise conjunta das PER/DCOMPs que tiveram por origem o crédito total derivado do DARF de R$670.225,74 e recolhido em 04/06/2003, discriminando os créditos pleiteados, os valores compensados, as glosas efetuadas, informando de modo detalhado se os valores referentes a parte da declaração de compensação não homologada possuem relação direta com os depósitos convertidos em renda correspondentes, se for o caso. 3) Caso entenda necessário, intimar o sujeito passivo a apresentar novos elementos que jugar relevantes; 4) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados. 5) Dê-se ciência do relatório à recorrente concedendo-lhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestar-se. Após a realização dos procedimentos acima, retorne-se os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Para tanto, devem os presentes autos retornar para a DRF RJ1, para atendimento da diligência. Fl. 280DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3001-000.320 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12448.901509/2010-81 Após esta providência, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.009130/2002-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
IRPF, DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DESCABIMENTO DA
MULTA POR ATRASO.
Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de
Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando as provas
trazidas aos autos indicarem que os bens e direitos do recorrente não foram
superiores a R$ 80.000,00, no anocalendário
de 1999, conforme Instrução
Normativa SRF n° 157, de 22/12/1999.
Numero da decisão: 2201-001.300
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao
recurso.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 IRPF, DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando as provas trazidas aos autos indicarem que os bens e direitos do recorrente não foram superiores a R$ 80.000,00, no anocalendário de 1999, conforme Instrução Normativa SRF n° 157, de 22/12/1999.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13807.009130/2002-44
conteudo_id_s : 6108952
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-001.300
nome_arquivo_s : Decisao_13807009130200244.pdf
nome_relator_s : Eduardo Tadeu Farah
nome_arquivo_pdf_s : 13807009130200244_6108952.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
id : 8022496
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649144713216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.009130/200244 Recurso nº 163.089 Voluntário Acórdão nº 220101.300 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria IRPF Recorrente JOSE BERNARDO MORETI Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 IRPF, DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando as provas trazidas aos autos indicarem que os bens e direitos do recorrente não foram superiores a R$ 80.000,00, no anocalendário de 1999, conforme Instrução Normativa SRF n° 157, de 22/12/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 04/05), que lhe exige multa por atraso na entrega da declaração, referente ao exercício de 2001, no valor de R$ 165,74. Cientificado da exigência, o contribuinte apresenta Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: ... não havia feito a declaração de isento referente ao ano 2000, e teve sua aposentadoria bloqueada. Recebeu a informação de que precisava entregar a declaração referente ao ano 2000 para que sua situação fosse regularizada. Não considera justo ser punido por ter recebido uma informação errada, pois poderia ter regularizado seu CPF junto a uma agência do Banco do Brasil. A 7ª Turma da DRJ – São Paulo/SP II julgou integralmente procedente o lançamento, conforme se extrai da leitura de parte do voto condutor do julgamento de primeira instância: 6. A pesquisa referente à declaração processada, juntada à fl. 17, no item Bens e Direitos, confirma que o impugnante possuía em 31 de dezembro de 2000, bens e direitos no montante de R$ 113.520,42 — quantia que ultrapassa o limite supra, enquadrandose, portanto, na hipótese de obrigatoriedade descrita no inciso VI da IN acima transcrita. 7. Desta forma, não deveria o contribuinte entregar a declaração de isento, pois apesar de não auferir rendimentos tributáveis em montante superior ao limite estipulado para a entrega da declaração de ajuste anual, enquadrouse em outra hipótese de obrigatoriedade, qual seja, a de possuir bens e direitos em valor superior a R$ 80.000,00. 8. Assim, estando o contribuinte obrigado à apresentação da referida declaração e tendo cumprido a obrigação após o prazo fixado para a entrega (29/04/2002), não há respaldo legal para excluir a multa imposta. 9. Diante do exposto, voto por julgar PROCEDENTE O LANÇAMENTO consubstanciado no Auto de Infração de fls. 04/05. Intimado da decisão de primeira instância em 15/08/2007 (fl. 21), José Bernardo Moreti apresenta Recurso Voluntário em 04/09/2007 (fl. 24), sustentando, essencialmente, verbis: José Bernardo Moreti vive atualmente como aposentado, recebendo do governo uma misera aposentadoria que recebe do INSS (conforme comprovante do inss anexo), sofrendo as conseqüências de ser idoso em um pais onde a saúde publica não atende com dignidade aqueles que são menos favorecidos. O Sr. José é proprietário de uma humilde residência cujo valor venal é Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13807.009130/200244 Acórdão n.º 220101.300 S2C2T1 Fl. 2 3 de R$ 22.006,00 (vinte e dois mil e seis reais), segue anexo cópia do IPTU, residência esta que devido à renda que tem atualmente não consegue fazer a manutenção e muitos reparos já são necessários há anos. Também é proprietário de um terreno que o seu valor venal é de R$ 4.936.09 (Quatro mil novecentos e trinta e seis reais e nove centavos), segue anexo cópia do IPTU, terreno este que devido a sua terra arenosa não tem valor comercial, nem sentido produtivo. Com estes fatores o Sr. José é isento de declaração de Imposto de Renda, sendo obrigado apenas fazer a declaração de isento. A entrega da declaração de Imposto de Renda em atraso foi um grande equivoco devido a uma má informação e um desespero por querer solucionar o gigantesco problema que o Sr. José se viu quando soube que sua aposentadoria estava bloqueada, ficando sem dinheiro numa situação indigna e não merecida, a solução correta seria ele procurar uma agência do Banco do Brasil e efetuado a regularização de seu CPF, mas soube disso apenas dias depois. O Sr. José, homem humilde que busca viver com dignidade, vem pedir que sua divida deixe de ser cobrada, e pede com o mais puro de seus sentimentos que esta cobrança seja extinta mesmo sabendo que não há respaldo legal para excluir a multa imposta, acredita que a justiça tem o poder de fazer o que é justo e tem certeza que seu pedido será atendido, e conta com o bom senso dos julgadores deste recurso pois sentese indigno sendo cobrado de um valor que para seu padrão de vida é elevado. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida os autos de multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste/2001 no valor de R$ 165,74. A autoridade fiscal lavrou o Auto de Infração, fls. 04/05, posto que o recorrente, embora tenha informado rendimentos abaixo do limite de tributação, apresentou bens e direitos no valor de R$ 113.520,42, portanto, superior ao limite estipulado para a entrega da declaração de ajuste anual, qual seja, R$ 80.000,00. Em sua peça recursal alega o contribuinte que é aposentado e possui apenas uma humilde residência cujo valor venal é de R$ 22.006,00 e um terreno cujo valor venal é de R$ 4.936.09, conforme cópia do IPTU. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Pois bem, compulsandose os autos, verifico às fls. 26 e 28 duas cópias de IPTU. A primeira informando que o recorrente possui uma propriedade com valor venal de R$ 22.006,00 e outra, de valor venal de R$ 4.936.09. Portanto, de acordo com as provas trazidas aos autos os bens do recorrente, no anocalendário de 1999, não foram superiores a R$ 80.000,00 e, desta feita, não estava obrigado a apresentar a Declaração de Ajuste Anual, conforme Instrução Normativa SRF n° 157, de 22/12/1999. Ante a todo o exposto voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13807.009130/200244 Acórdão n.º 220101.300 S2C2T1 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13807.009130/200244 Recurso nº: 163.089 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.300. Brasília/DF, 29 de setembro de 2011. ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/10/2011 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006390/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 19/11/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Salvo se for comprovado que os excipientes desnaturam as características essenciais das vitaminas, os produtos de denominação comercial Acetato de Vitamina "A" ROVIMIX AD3 500/100, devem ser classificados no Capítulo 29, Seção 36 da TEC, ainda que sejam utilizados como aições a alimentos animais por força das notas explicativas da NESH referente a essa posição.
MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Com base no ADN COSIT nº 12-97, não constitui infração administrativa ao controle das importações as DIs cuja classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado.
MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. Confirmada a classificação incorreta, é cabível a a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, I, da MP 2.158-35/2001.
Numero da decisão: 3201-000.605
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo Garrossino Barbieri e Luciano Lopes de Almeida Moraes no tocante à classificação fiscal das adições 010 e 011 da declaração de importação pertinente.
Nota de Correção: Conforme a ata de julgamento do dia 12/2010, o acórdão formalizado como 3102-000.606 é na verdade o 3102-000.605.
Nome do relator: Daniel Mariz Gudino
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/11/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Salvo se for comprovado que os excipientes desnaturam as características essenciais das vitaminas, os produtos de denominação comercial Acetato de Vitamina "A" ROVIMIX AD3 500/100, devem ser classificados no Capítulo 29, Seção 36 da TEC, ainda que sejam utilizados como aições a alimentos animais por força das notas explicativas da NESH referente a essa posição. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. Com base no ADN COSIT nº 12-97, não constitui infração administrativa ao controle das importações as DIs cuja classificação tarifária errônea exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. Confirmada a classificação incorreta, é cabível a a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, I, da MP 2.158-35/2001.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 11128.006390/2006-13
conteudo_id_s : 6113264
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-000.605
nome_arquivo_s : Decisao_11128006390200613.pdf
nome_relator_s : Daniel Mariz Gudino
nome_arquivo_pdf_s : 11128006390200613_6113264.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo Garrossino Barbieri e Luciano Lopes de Almeida Moraes no tocante à classificação fiscal das adições 010 e 011 da declaração de importação pertinente. Nota de Correção: Conforme a ata de julgamento do dia 12/2010, o acórdão formalizado como 3102-000.606 é na verdade o 3102-000.605.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
id : 8025277
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-10-30T11:41:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 320100605_11128006390200613_201012; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: 14675722172; dcterms:created: 2019-10-30T11:41:48Z; Last-Modified: 2019-10-30T11:41:48Z; dcterms:modified: 2019-10-30T11:41:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 320100605_11128006390200613_201012; xmpMM:DocumentID: uuid:d53cd645-fd65-11e9-0000-b5f557018b27; Last-Save-Date: 2019-10-30T11:41:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2019-10-30T11:41:48Z; meta:save-date: 2019-10-30T11:41:48Z; pdf:encrypted: false; dc:title: 320100605_11128006390200613_201012; modified: 2019-10-30T11:41:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 14675722172; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 14675722172; meta:author: 14675722172; dc:subject: ; meta:creation-date: 2019-10-30T11:41:48Z; created: 2019-10-30T11:41:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-10-30T11:41:48Z; pdf:charsPerPage: 0; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: 14675722172; producer: GPL Ghostscript 9.05; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 9.05; pdf:docinfo:created: 2019-10-30T11:41:48Z | Conteúdo =>
_version_ : 1713052649147858944
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720031/2007-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2003
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO. APTIDÃO AGRÍCOLA. EXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE.
Mantém-se o arbitramento com base no SIPT, quando o VTN apurado observar o requisito legal da aptidão agrícola, e o recorrente deixar de refutá-lo mediante laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, nos termos estabelecidos na NBR 14.653 da ABNT.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343,de09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF).
Numero da decisão: 2402-007.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2003 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO. APTIDÃO AGRÍCOLA. EXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. Mantém-se o arbitramento com base no SIPT, quando o VTN apurado observar o requisito legal da aptidão agrícola, e o recorrente deixar de refutá-lo mediante laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, nos termos estabelecidos na NBR 14.653 da ABNT. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343,de09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13609.720031/2007-68
anomes_publicacao_s : 201911
conteudo_id_s : 6095121
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.696
nome_arquivo_s : Decisao_13609720031200768.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FRANCISCO IBIAPINO LUZ
nome_arquivo_pdf_s : 13609720031200768_6095121.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
id : 7989040
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649148907520
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-20T00:44:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-20T00:44:08Z; Last-Modified: 2019-11-20T00:44:08Z; dcterms:modified: 2019-11-20T00:44:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-20T00:44:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-20T00:44:08Z; meta:save-date: 2019-11-20T00:44:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-20T00:44:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-20T00:44:08Z; created: 2019-11-20T00:44:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-11-20T00:44:08Z; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-20T00:44:08Z | Conteúdo => S2-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13609.720031/2007-68 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-007.696 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de outubro de 2019 Recorrente ALOÍSIO HERMAN LAGOEIRO VALADARES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2003 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO. APTIDÃO AGRÍCOLA. EXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. Mantém-se o arbitramento com base no SIPT, quando o VTN apurado observar o requisito legal da aptidão agrícola, e o recorrente deixar de refutá-lo mediante laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, nos termos estabelecidos na NBR 14.653 da ABNT. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343,de09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 31 /2 00 7- 68 Fl. 278DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720031/2007-68 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante notificação de lançamento. Notificação de Lançamento e Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 03-28.543 - proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília - DRJ/BSB (e-fls. 208 a 220), transcrito a seguir: Contra o contribuinte interessado foi emitida, em 02.07.2007, a Notificação de Lançamento n° 06113/00006/2007 de fls. 01/05, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 22.730,12, a titulo de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, do exercício de 2003, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 29.06.2007, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda São Jose das Gaitas", cadastrado na RFB, sob o n° 6.182.228-0, com Area de 6.603,7 ha, localizado no Município de Buritizeiro/MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2003 incidentes em malha valor, iniciou-se com a intimação de fls. 06/07, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: • 1° - cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA requerido junto ao IBAMA; 2° - Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, caso exista Area de preservação permanente de que trata o art. 2° da Lei n° 4.771/1965, acompanhado de ART registrada no CREA, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o art. 90 do Decreto n° 4.449/2002; 3° - Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3° da Lei n° 4.771/1965, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; 4° - cópia da matricula do registro imobiliário, caso exista averbação de áreas de reserva legal, de reserva particular do patrimônio natural ou de servidão florestal; 5° - cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhada de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matricula no registro imobiliário; 6° - Ato especifico do órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele tenha sido declarado como area de interesse ecológico; 7° - Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 daABNT com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT. Em resposta, foram apresentadas as correspondências de fls. 12, 15 e 20, e juntados aos autos os documentos de fls. 13, 14, 16, 17/19, 21/22, 23, 24, 25/27, 28, 29, 30/43, 44 e 45. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2003, a autoridade fiscal resolveu alterar, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela então SRF, o Valor da Terra Nua (VTN) do • imóvel, que entendeu subavaliado, que passou de R$ 490.796,00 (R$ 74,32 por hectare) para R$ 4.534.298,53 (R$ 686,63 por hectare), disto resultando o imposto suplementar de R$ 9.791,14, conforme demonstrativo As fls. 04. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de oficio e dos juros de mora constam As fls. 02/03 e 05. Fl. 279DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720031/2007-68 Da Impugnação Cientificado do lançamento em 18.07.2007 ("AR" de fls. 99), ingressou o contribuinte, em 14.08.2007, via postal, As fls. 97, com sua impugnação, anexada As fls. 47/53. Apoiado nos documentos de prova de fls. 54/65, 66 e 67/96, alega e solicita o seguinte, em síntese: - entende que os valores do SIPT, informados pela Secretaria de Agricultura do Município de Buritizeiro, utilizados para o arbitramento do VTN, não condizem com a realidade do preço de mercado, conforme demonstrado nos laudos e levantamentos junto a Cartórios e imobiliárias dos municípios de Buritizeiro e Pirapora; - ressalta que apresentou Laudo de Avaliação, em resposta A intimação, e que esse laudo atende aos requisitos da NBR 14653-3 da ABNT; - se insurge contra o valor arbitrado, questionando se o VTN do SIPT não estaria superavaliado e indaga com que critérios são coletados e se seria com o mesmo rigor das normas da ABNT; - ressalta que o que está descrito nas fls. 03 da Notificação como "VTN médio para campos/ha" não é VTN e sim Valor da Terra Bruta, definido no subitem 3.10. da NBR 14653-3 como "Terra não trabalhada, com ou sem vegetação natural"; - da mesma forma, o que aprece como "VTN médio para pastagem/ha", também não é VTN mas sim Valor de Terra Cultivada, conforme subitem 3.11 da referida NBR, que o define como "Terra com cultivo agrícola"; - considera que a Lei n° 9.303/96 instituiu o SIPT para definição de parâmetros mínimos regionais de VTN, mas que o mesmo foi desvirtuado, tornando-se um instrumento elevador de arrecadação do ITR; - os Valores da "Pauta" das prefeituras para avaliação de ITBI não são relativos a VTN, mas a VTI — Valor Total do Imóvel, e mesmo assim freqüentemente esses valores de pauta são inferiores aos V'IN do SIFT; - ressalta que qualquer levantamento de outras DITR relativas a imóveis semelhantes, fracos e inferiores A média em seus municípios, revelaria a tendência dos valores auto lançados; - por fim, requer seja acolhida A impugnação para que seja julgada improcedente a Notificação de Lançamento. Julgamento de Primeira Instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, por unanimidade, julgou improcedente a contestação do impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no Acórdão recorrido, cuja ementa segue transcrita (e-fls. 208 a 220): DO VALOR DA TERRA NUA - VTN Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar o valor pretendido. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, repisando os argumentos apresentados por ocasião da impugnação, acrescentando, em síntese (e- fls. 188 a 210): 1. o laudo só não atendeu aos requisitos da lei, porque resultou um valor de mercado (R$ 50,00 p/ha) bem abaixo do sugerido pela autoridade autuante (R$ 686,63 p/ha.); Fl. 280DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720031/2007-68 2. que sua obrigação foi cumprida, pois o Termo de Intimação não mencionada a necessidade de justificação, caso o VTN apurado no referido Laudo fosse inferior àqueles constantes do SIPT e na média das DITR; 3. que o valor constante do Laudo é o mais apropriado para a valoração do imóvel em questão; 4. discorre acerca do SIPT e do valor de mercado dos imóveis, trazendo posicionamento doutrinário e jurisprudencial sobre o assunto. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz - Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 19/2/2009 (e-fl. 228) e a peça recursal foi recebida em 16/3/2009 (e-fl. 273), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 197219721972, dele tomo conhecimento. Preliminares Não se aplica, porquanto sem alegação na fase recursal. Mérito Delimitação da lide Previamente à apreciação de mencionada contenda, trago a contextualização da autuação, caracterizada pela discriminação das divergências verificadas entre as informações declaradas na DITR e aquelas registradas no "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" (e-fl. 9), nestes termos: Linha Descrição Declarado (DITR) Apurado (NL/AI) 14 Valor Total do Imóvel (R$) 758.296,00 4.801.798,53 Consoante visto no relatório, já que o sujeito passivo não logrou êxito perante o julgamento de primeira instância, restou o litígio instaurado em sua integralidade, cuja matéria se refere ao arbitramento do VTN com base nos valores constantes no SIPT - Sistema de Preços de Terra. Posta assim a questão, passo à análise da lide suscitada. Nesse pressuposto, de inicio, vale registrar que o VTN submetido a julgamento foi arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT, apurado para o respectivo município, levando-se em conta a aptidão agrícola do imóvel (e-fl. 17). A matriz legal que ampara reportado procedimento - arbitramento baseado nas informações do SIPT - está contida no nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 19 de dezembro de 1996, combinado com o art. 12 da Lei 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Confira-se: Fl. 281DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720031/2007-68 Lei nº 9.393, de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios Lei nº 8.629, de 1993 (antes da MP nº 2.183-56, de 2001): Art. 12. Considera-se justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: [...] II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel. Lei nº 8.629, de 1993 (alterada peal MP nº 2.183-56, de 2001): Art.12.Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. Inicialmente, vale registrar o histórico do VTN citado no referido período - DITR/2003, qual seja: 1. valor declarado inicialmente pelo recorrente: R$ 74,32/ha (e-fl. 5); 2. valor arbitrado pela fiscalização, levando-se em conta a aptidão agrícola do imóvel (SIPT): R$ 686,63/ha (e-fls. 7 e 17); 3. valor médio declarados em DITR/2004 para imóveis localizados no município: R$ 179,13/ha (e-fl. 17); 4. valor apurado no laudo de avaliação apresentado: R$ 50,00/há (e-fl. 85). Por oportuno, releva registrar que este Conselho vem decidindo pela possibilidade de utilização do VTN, calculado a partir das informações do SIPT para imóveis localizados em determinado município, quando observado o requisito legal da aptidão agrícola do referido imóvel. Quanto a isso, considerando que o recorrente, em sua peça recursal, reiterou os termos da impugnação apresentada, não trazendo novos fatos que pudessem alterar o Fl. 282DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8629.htm#art12 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8629.htm#art12 Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720031/2007-68 ali decidido, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição de excertos do voto condutor, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, nestes termos: Da análise das peças do presente processo, verifica-se que na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua — VTN, a autoridade fiscal entendeu que houve subavaliação, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393/96, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel na DITR/2003, de R$ 490.796,00 (R$ 74,32/ha), foi aumentado para R$ 4.534.298,53 (R$ 686,63/ha), apurado com base nos valores apontados no SIPT para as aptidões agrícolas "pastagens" e "campos", respectivamente, de R$ 1.000,00/ha e R$ 400,00/ha, consoante extrato do SIPT, As fls. 08 e demonstrativo de fls. 03. Faz-se necessário verificar, a principio, que não poderia a autoridade fiscal deixar de arbitrar novo Valor de Terra Nua, tendo em vista que o VTN declarado, por hectare, para o exercício de 2003, está de fato subavaliado, por ser muito inferior não só a todos os VTN por hectare listados, qualquer que seja a aptidão agrícola da terra [pastagem/pecuária (R$1.000,00/ha), cultura/lavoura (R$1.000,00/ha) e matas (R$600,00/ha)] inclusive "campos" (R$400,00/ha), mas também ao VTN medico, por hectare, apurado no universo das DITRs do exercício de 2003, referentes aos imóveis rurais localizados no município de Buritizeiro - MG, que foi de R$ 179,13, como se observa da "tela/SIPT", As fls. 08, além de não ter sido apresentado Laudo de Avaliação de acordo Corn as nortnas da ABNT, como será discorrido oportunamente. Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$ 74,32 por hectare encontra- se, de fato, subavaliado, por ser muito inferior aos VTN médios, por hectare, listados no SIPT, conforme dito anteriormente. Também não pode passar despercebido que o VTN por hectare declarado para o imóvel de R$ 74,32/ha corresponde a 41,5% do VTN médio por hectare de R$ 179,13/há apurado no universo das declarações do ITR/2003, referente aos imóveis rurais localizados em Buritizeiro — MG, além, de corresponder a, também, apenas 18,6% do menor valor constante do SIPT para aptidão agrícola "campos" (R$400,00/ha), além de corresponder a 10,8% do VTN arbitrado pela autoridade fiscal com base nas aptidões agrícolas "pastagens" e "campos" de acordo com a distribuição de terras declaradas para o imóvel. [...] Ainda, quanto ao VTN, o contribuinte considera aquilo que estaria descrito na Notificação de Lançamento como "VTN médio para campos/ha" não seria VTN e sim Valor de Terra Bruta, definido no subitem 3.10. da NBR 14.653-3 como "Terra não Trabalhada, com ou sem vegetação natural" e da mesma forma aconteceria com o "VTN médio para pastagem/ha", que seria Valor de Terra Cultivada correspondendo, segundo o subitem 3.11 da citada NBR, a "Terra com cultivo agrícola". Registre-se, que a autoridade fiscal adotou, para o arbitramento do VTN, o valor da aptidão agrícola "pastagem" (R$ 1.000,00/ha) multiplicado pela área de pastagem aceita (3.154,7 ha) e somado ao valor da aptidão agrícola "campos" (R$ 400,00/ha) multiplicado pelo restante da Area do imóvel (3.449,0 ha), conforme consta As fls. 03; sendo que, esses valores, constantes do SIPT, correspondem à aptidão agrícola da terra nua e não inclui, no caso das Areas de pastagens, os custos de melhoramento/beneficiamento da terra (aração/gradeação/adubação, etc). [...] De fato, a exemplo do VTN/ha originariamente declarado (R$ 74,32/ha), o VTN/ha apontado pelo autor do trabalho, de R$ 50,00, também se encontra muito abaixo dos VTNs relacionados no SIPT, equivalendo a menos de 13% do menor valor Pele apontado, para terras de campos (R$400,00/ha), além de corresponder a apenas 28% do VTN médio por hectare, apurado no universo das DITRs, de R$ 179,13, referentes aos Fl. 283DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720031/2007-68 imóveis localizados no município de Buritizeiro — MG, para o ano de 2003, de forma que o acatamento da pretensão do contribuinte exigiria uma demonstração que não deixasse dúvidas da inferioridade do imóvel em relação aos outros existentes na região, o que não aconteceu. No presente caso, não há como acatar a revisão do YIN pretendida pelo contribuinte, pois entendo que o teor do documento trazido aos autos realmente não se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, uma vez que não segue a integralidade das normas da ABNT, não demonstrando, de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR12004 (1°.01.2003), nem a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar um VTN/ha muito abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT e até mesmo do VTN/ha originariamente declarado pelo próprio contribuinte na sua DITR/2003. De fato, o laudo não atende A totalidade dos requisitos estabelecidos nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT (NBR 14.653-3), principalmente o item 7 — Pesquisa para estimativa do valor de mercado, pois entendo que a amostra apresentada pelo autor do trabalho não é representativa já que os imóveis que a compõem não apresentam características semelhantes As do avaliado, conforme subitem 7.4.1. da citada NBR. No caso, verifica-se que os imóveis que compõem a amostra possuem dimensões bem inferiores ao imóvel do presente processo. Além disso, não houve detalhamento das características dos imóveis de forma a permitir a devida comparação com a Fazenda São José das Gaitas, de acordo com o subitem 7.4.3.6. da NBR. Verifica-se, ainda, quanto ao item 7 da referida NBR, em seu subitem 7.4.3.3., que as fontes devem ser diversificadas, o que não ocorreu já que as amostra de n° 2 a 6 referem-se somente a consultas ao Cartório de Registro de imóveis. Quanto A amostra de n° 1, descrita sumariamente no Laudo As folhas 35, fala apenas de imóveis, de forma genérica. Não traz os tamanhos definidos das glebas, não demonstra as datas em que os negócios foram realizados, não traz uma única comprovação por escritura de compra e venda. Diz que os dados foram fornecidos por uma Corretora de Imóveis de Pirapora- MG, município diverso do objeto avaliando. Não é possível tomar como válida uma quantidade genérica de amostras, como se todas elas, fossem exatamente iguais, tanto em tamanho, classe de solo, textura do solo, localização, destinação, capacidade de uso, valores negociados sem datas precisas. Também não houve visitas do Engenheiro de Avaliação a nenhuma destes possíveis imóveis, conforme dispõe o subitem 7.4.3.6 da citada NBR. Aqui o campo é de meras generalidades, o que contrasta profundamente com o campo técnico cientifico de uma avaliação tecnicamente criteriosa. Logo a amostra 1 não serve para o modelo de avaliação adotado. Também, o autor do trabalho não fez, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma inequívoca, que o mesmo possui características particulares desfavoráveis diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, que pudessem justificar a revisão pretendida, ressaltando que tais características gerais já são levadas em consideração quando da definição dos valores incluídos no SIPT. Caberia, portanto, o requerente apresentar um "Laudo Técnico" que atendesse aos requisitos da ABNT NBR 14653-3, principalmente no que diz respeito As fontes eventualmente consultadas, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 01 de janeiro de 2003, bem como a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT. Não tendo sido apresentado Laudo Técnico de Avaliação, de acordo com a integralidade da norma da ABNT com as exigências apontadas anteriormente, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preços de 1 0.1.2003, está compatível com a distribuição das suas Areas, de acordo com as suas características Fl. 284DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720031/2007-68 particulares e classes de exploração, não cabe alterar o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Assim sendo, entendo que deva ser mantida a tributação da "Fazenda São Jose das Gaitas" com base no VTN de R$ 4.534.298,53, arbitrado pela fiscalização com base no SIPT (R$ 686,63 por hectare). Jurisprudência administrativa e judicial Como se há verificar, a análise da jurisprudência que o recorrente trouxe no Recurso deve ser contida pelo disposto nos arts. 506 da Lei nº 13.105, de 2015, e 472 do Código de Processo Civil, os quais estabelecem que a sentença não reflete em terceiro estranho ao respectivo processo. Logo, por não ser parte no litígio ali estabelecido, o recorrente dela não pode se aproveitar. Confirma-se: Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil: Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Lei nº 13.105, de 2015 - novo Código de Processo Civil: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Mais precisamente, as decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho, conforme Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Confirma-se: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) Fl. 285DF CARF MF http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=71497#1602411 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=71497#1602411 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=73451#1621789 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=73451#1621789 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=71497#1602414 Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-007.696 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13609.720031/2007-68 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) Como visto, as alegações do Recorrente não podem prosperar, por absoluta falta de amparo na legislação vigente. Conclusão Ante o exposto, NEGO provimento ao Recurso interposto. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 286DF CARF MF http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=73451#1621791 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=73451#1621791
score : 1.0
Numero do processo: 16707.002533/2005-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2000
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA.
São tributáveis os rendimentos certificados pela Justiça do Trabalho como pagos ao reclamante e por ele omitidos na declaração de ajuste anual, cabendo à fonte pagadora/Reclamada o recolhimento do tributo devido. Contudo, a omissão da fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do imposto, ficando o mesmo obrigado a declarar o valor recebido na declaração de ajuste anual. Constatada a não retenção do imposto após a data fixada para a entrega da referida declaração, a exação poderá ser exigida do contribuinte, caso ele não tenha submetido os rendimentos à tributação.
Restando omitidos os rendimentos no quadro dos rendimentos tributáveis da declaração, mantém-se o lançamento do respectivo imposto.
Numero da decisão: 2003-000.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2000 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. São tributáveis os rendimentos certificados pela Justiça do Trabalho como pagos ao reclamante e por ele omitidos na declaração de ajuste anual, cabendo à fonte pagadora/Reclamada o recolhimento do tributo devido. Contudo, a omissão da fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do imposto, ficando o mesmo obrigado a declarar o valor recebido na declaração de ajuste anual. Constatada a não retenção do imposto após a data fixada para a entrega da referida declaração, a exação poderá ser exigida do contribuinte, caso ele não tenha submetido os rendimentos à tributação. Restando omitidos os rendimentos no quadro dos rendimentos tributáveis da declaração, mantém-se o lançamento do respectivo imposto.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16707.002533/2005-21
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6115832
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2003-000.381
nome_arquivo_s : Decisao_16707002533200521.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WILDERSON BOTTO
nome_arquivo_pdf_s : 16707002533200521_6115832.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
id : 8026685
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649154150400
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-04T02:02:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-12-04T02:02:28Z; Last-Modified: 2019-12-04T02:02:28Z; dcterms:modified: 2019-12-04T02:02:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-04T02:02:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-04T02:02:28Z; meta:save-date: 2019-12-04T02:02:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-04T02:02:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-12-04T02:02:28Z; created: 2019-12-04T02:02:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-12-04T02:02:28Z; pdf:charsPerPage: 2141; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-04T02:02:28Z | Conteúdo => S2-TE03 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16707.002533/2005-21 Recurso Voluntário Acórdão nº 2003-000.381 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 21 de novembro de 2019 Recorrente JOSE NAILTON FERNANDES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2000 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. São tributáveis os rendimentos certificados pela Justiça do Trabalho como pagos ao reclamante e por ele omitidos na declaração de ajuste anual, cabendo à fonte pagadora/Reclamada o recolhimento do tributo devido. Contudo, a omissão da fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do imposto, ficando o mesmo obrigado a declarar o valor recebido na declaração de ajuste anual. Constatada a não retenção do imposto após a data fixada para a entrega da referida declaração, a exação poderá ser exigida do contribuinte, caso ele não tenha submetido os rendimentos à tributação. Restando omitidos os rendimentos no quadro dos rendimentos tributáveis da declaração, mantém-se o lançamento do respectivo imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, exigência de IRPF decorrente do procedimento de revisão da declaração de ajuste anual do ano-calendário de 2000, exercício de 2001, no valor total de R$ 13.528,96, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 25 33 /2 00 5- 21 Fl. 84DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.381 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16707.002533/2005-21 valor de R$ 24.959,05, conforme se depreende do auto de infração constante dos autos, culminando com a apuração do imposto suplementar no valor de R$ 5.447,76 (fls. 42/49). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 11-25.027, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife - DRJ/REC (fls. 64/73): Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, conforme se verifica às fls. 41 a 47, relativamente ao ano-calendário de 2000, para exigência do seguinte crédito tributário. 2. Conforme se verifica às fls. 42 a 45, o Auto de Infração oi decorrente de: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício. “O contribuinte deixou de informar rendimentos tributáveis no valor de R$ 24.959,05, conforme certidão da Justiça do Trabalho apresentada pelo mesmo”. 3. Cientificado do Auto de Infração, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 a 36, argumentando, em síntese, que: 3.1. o auditor entendeu que houve omissão de rendimentos recebidos do TRT-21ª Região/Proc. n. 02-2148/93, no valor R$ 24.959,05, em 19/09/2000; 3.2. o impugnante é parte ilegítima do polo passivo da exação tributária, porque esta fere a ordem jurídica vigente, pois o valor foi declarado no exercício de 2002, ano- calendário 2001, com o valor do imposto de renda retido pela Justiça do Trabalho e recolhidos R$ 5.901,00, em 14/02/2001 - DARF, cód. 2045; 3.3. suscita como preliminar sua ilegitimidade no polo passivo, pois existe lei determinando a retenção do imposto de renda na fonte sobre os valores de indenizações decorrentes das perdas trabalhistas recebidas nos autos da reclamação trabalhista n° 2148/93 – 2ª Vara do Trabalho de Natal - RN; 3.4 de acordo com o art. 46 da Lei n° 8.541/ 1992, o Banco de Crédito Nacional S.A. ou, em ordem sucessiva, a Justiça do Trabalho, tinha obrigação de reter o imposto de renda na fonte sobre os valores de indenizações pagas relativas a indenizações trabalhistas recebidas nos autos da reclamação trabalhista n° 2148/93 – 2ª Vara do Trabalho de Natal-RN, em 19/09/2000, tratando-se da figura jurídica de substituição tributária, em que o único devedor passa a ser o substituto, com exclusão absoluta e integral da responsabilidade da pessoa substituída, que é o contribuinte, inexistindo solidariedade na substituição; 3.4. se a fonte pagadora reteve ou não o tributo, cabe somente a ela responder perante o Fisco pela obrigação tributária. Discorre sobre entendimentos doutrinários e transcreve excertos de ementas de decisões administrativas e judiciais sobre a matéria da substituição tributária e da responsabilidade tributária da fonte pagadora, inclusive no caso de rendimentos recebidos em função de decisão judicial. Cita ainda o Parecer Normativo n° 324/71, com a informação de que “A responsabilidade pela não retenção e recolhimento do imposto não se comunica com o beneficiário do rendimento”; 3.5, há decadência, pois o auto de infração somente foi recebido em 12 do mês em curso (agosto/2005), tendo sido extinto o direito da Fazenda Pública de constituir o suposto crédito em 1°/05/2005, por força do art. 173, I, do CTN; 3.6. os valores das indenizações decorrentes de perdas trabalhistas recebidas nos autos da reclamação trabalhista n° 2148/93 – 2ª Vara do Trabalho de Natal-RN estão fora do Fl. 85DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.381 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16707.002533/2005-21 campo de incidência do imposto sobre a renda, porque os valores recebidos representam compensação pela perda de capacidade de aquisição da disponibilidade futura, destinando-se a ressarcir o prejuízo do dano causado ao direito do impugnante, tendo a natureza de indenização civil do prejuízo que lhe foi causado. Transcreve excerto de parecer doutrinário sobre a matéria. Transcreve ainda trecho de decisão do TST acerca da retenção em bloco do imposto, superior à. retenção que seria devida, em decorrência de retardamento do pagamento de verbas, com o pagamento destas ocorrendo também em bloco; 3.7. sequer incide imposto de renda nos autos da reclamação trabalhista 2148/93, vez que os valores recebidos não estão na competência impositiva da União; 3.8. ainda que esse ente fazendário entenda o contrário, o que se admite por medida de cautela processual, possuem caráter indenizatório as verbas de 1/3 de férias e os juros de mora, que correspondem a mais 65% do valor do total recebido pelo impugnante. A Lei n° 8.541/92, em seu art. 46, § 1°, exclui os juros de mora da base de cálculo do imposto de renda, porque aqueles têm natureza indenizatória, não sendo diferente o entendimento do TST. Transcreve ementa de decisão do TST sobre juros demora como tendo natureza indenizatória para exclusão da base de calculo do imposto; 3.9. ainda contesta o imposto e a multa porque o imposto foi retido pela Justiça do Trabalho e efetuado o recolhimento em 14/02/2001, DARF cód. 2045, e também porque não houve omissão pois declarou no exercício 2002, ano-calendário 2001, o valor de R$ 29.913,29, recebido como indenização nos autos da reclamação trabalhista n° 2148/93 – 2ª Vara do Trabalho de Natal-RN, e mais, caso exista alguma responsabilidade esta é do substituto tributário; 3.10. o percentual da multa é confiscatório e ilegal, além do que não incide multa, porque o valor recebido não está na competência impositiva da União em relação ao imposto sobre a renda. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo-se incólume o crédito tributário lançado. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 20/01/2009 (fls. 78), o contribuinte, em 17/02/2009, interpôs recurso voluntário (fls. 79/80), repisando as alegações da peça impugnatória e trazendo novos argumentos, a seguir brevemente sintetizados: RESUMO DO AUTO Entendeu, em suma, o Sr. Auditor Fiscal após revisão de sua DAA/2001 que houve omissão de rendimentos tributáveis recebidos pelo TRT 21ª Região – Proc. nº 02- 2148/93, no valor de R$ 24.959,05, em 19.09.2000. 2. Não prospera, porque é parte ilegítima do polo passivo da exação tributária, seja porque fere a ordem jurídica vigente, pois o aludido valor foi declarado no exercício de 2002, ano-calendário 2001, e recolhido no valor de R$ 5.901,00, em 14.02.2001 - DARF, Cod. 2045. 3. Suscita a incidência da decadência, vez que o auto de infração só foi recebido em 12.08.2005, enquanto extingui-se o direito da Fazenda Pública de constituir o suposto crédito em 01.05.2005, por força do art. 173, I, do CTN. 4. A medida provisória 449 de dezembro de 2007, do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anula todos os débitos com a fazenda pública em até R$ 10.000,00 (dez mil reais), onde o impugnante estaria contemplado. Fl. 86DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.381 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16707.002533/2005-21 5. De acordo com a própria Receita Federal, que admite o pagamento do imposto de renda, relativo à ação trabalhista 02-2148/93, que foi de RS 5.901,00, informa que, naquele ano, o imposto total pago foi de R$ 8.015,62, conforme extrato emitido pelo fisco federal. DO PEDIDO Isto posta requer: . o acolhimento da preliminar de ilegitimidade de figurar no polo passivo da exação tributária, bem como incidência da decadência do lançamento do crédito tributário, assim como atribua a responsabilidade da fonte pagadora, de forma única e exclusiva como substituto tributário, pelo pagamento e recolhimento do imposto de renda devido na fonte, com os consectários legais, inclusive a multa apontada no auto ora impugnada. . a não incidência do imposto de renda dos valores recebidos nos auto da reclamação trabalhista nº 02-2148/93 - 2 VT de Natal-RN, vez que os valores recebidos não estão na competência impositiva da união em relação ao imposto sobra a renda. Requer, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Instrui a peça recursal com as guias de depósito/levantamento da Justiça do Trabalho, no valor de 16.562,01, em 14/02/2001 e DARF recolhido na mesma data, no valor de R$ 5.910,52 (fls. 81). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares O Recorrente, em sede de preliminar alega sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da exação, a decadência do direito de lançar, bem como que se deva atribuir à fonte pagadora (Banco de Crédito Nacional) a responsabilidade exclusiva pelo recolhimento tributário, devendo o lançamento ser revisto em relação aos referidos pontos. Contudo razão não lhe socorre. Denota-se que as alegações novamente repisadas nessa seara já foram detidamente apreciadas pela DRJ/REC, estando a decisão recorrida assim fundamentada em relação aos aludidos pontos (fls. 68/69): 5. Com relação à alegação de que teria havido decadência, esclareça-se que o fato gerador do imposto de renda da pessoa física é complexivo, no sentido que somente se aperfeiçoa no último dia do ano-calendário objeto da apuração, que no caso foi 31/12/2000, de modo que, aplicando-se a regra do art. 150, §4°, do CTN - tendo em vista ter havido antecipação do pagamento de imposto através de imposto retido na fonte -, que estabelece que o prazo para homologação é de 5 (cinco) anos do fato gerador, o prazo para efetuar o lançamento de ofício somente se expiraria em 31/ Fl. 87DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.381 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16707.002533/2005-21 12/2005. Tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 12/08/2005, conforme fls. 54 e 56, não se encontrava decadente, portanto, o lançamento. 6. No que se refere à responsabilidade de retenção e pagamento do imposto de renda, o Parecer Normativo n° 1, de 24 de setembro de 2002, que expressa o entendimento atual da Receita Federal do Brasil sobre a matéria, assim dispõe:(...) 7. Este Parecer, portanto, esclarece que a responsabilidade, de fato, seria da empresa pagadora até o momento de vencimento do prazo para apresentação da Declaração de Ajuste Anual referente àquele imposto, no caso de pessoa física, ou até a data prevista para o encerramento do período de apuração, no caso de pessoa jurídica, passando a ser de responsabilidade do contribuinte beneficiário dos rendimentos a partir destes momentos. 8. No caso em pauta, a autuação ocorreu em 10/05/2005, com ciência e 12/08/2005, conforme doc. de fl. 54, portanto, posteriormente ao prazo para apresentação da Declaração de Ajuste Anual, que foi no último dia do mês de abril/2000, até o qual a responsabilidade era exclusiva da fonte, estando o imposto, por conseguinte, sob a responsabilidade do contribuinte autuado a partir de 1°/05/2000. 9. Portanto, uma vez que a autuação ocorreu posteriormente ao prazo para o qual a responsabilidade era exclusiva da empresa, não pode o contribuinte eximir-se desta responsabilidade. Por tais razões, rejeito as preliminares suscitadas. Mérito Da omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica decorrentes de trabalho com vínculo empregatício: Insurge-se, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/REC, que manteve a autuação em face da omissão de rendimentos apurada em decorrência do processamento da DAA/2001, onde foram alterados os valores declarados de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica de R$ 16.948,00 para R$ 41.907,05, importando na apuração do imposto suplementar de R$ 5.447,76, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise acerca do todo processado. Pois bem. Em que pese as alegações trazidas, do cotejo dos documentos carreados aos autos, aliado aos fundamentos contidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 64/73) e atendo-se às informações contidas na autuação (fls. 42/49), não há como prosperar a pretensão recursal. Assim, considerando que o Recorrente não trouxe novas razões hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso, me convenço do acerto da decisão de piso, pelo que adoto como razão de decidir os fundamentos norteadores do voto condutor na decisão recorrida (fls. 70/71), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF: 16. A partir dos documentos que compõem os autos, percebe-se, inicialmente, uma certa divergência entre as certidões da Justiça do Trabalho, de fl. 37 com data de 22/08/2005, e de fl. 53 com data de 27/08/2004, pois aquela, mais recente, informa que não teria havido retenção, e a segunda, de fl. 53, informa que o valor bruto era de R$ 41.428,98, a retenção do IR no valor de R$ 5.910,52, honorários advocatícios de R$ 5.039,71, retenção de R$ 657,54 para o executado, restando liquido para o executante os R$ 24.959,05, recebidos em 19/09/2000, e R$ 4.954,24 recebidos em 14/02/2001, sendo certificado ainda pela Certidão de fl. 53 que o IRRF foi depositado em guia de DARF, com código 8045, em 14/02/2001. Fl. 88DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.381 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16707.002533/2005-21 17. Pelo que se pôde perceber, houve uma certa confusão na identificação entre a retenção e recolhimento do imposto em uma das certidões, o que leva à aparente divergência entre as mesmas quanto à existência de retenção e/ou recolhimento em 2000 ou em 2001. De todo modo, através de consulta às declarações do contribuinte relativamente aos exercícios 2002 e 2001, anos-calendário de 2001 e 2000, foi possível verificar que o mesmo fez uso do IRRF de R$ 5.910,52, referido na certidão de fl. 53, na declaração de ajuste retificadora do ano-calendário de 2001. 18. Observa-se também que no ano-calendário de 2000, objeto do presente do processo, o contribuinte não declarou os R$ 24.958,05 líquidos recebidos como fruto da reclamação trabalhista, sendo apenas este valor liquido que foi acrescentado pela fiscalização aos rendimentos tributáveis declarados. 19. Vê-se que não houve prejuízo para o contribuinte, já que nem a fiscalização nem o contribuinte consideraram o IRRF de R$ 5.910,52 em 2000, mas este foi declarado para o ano-calendário de 2001 pelo contribuinte, através de DIRPF retificadora espontânea, sendo tal IRRF de R$ 5.910,52 acatado pela fiscalização naquele ano- calendário de 2001 e somado aos demais rendimentos, inclusive àqueles de R$ 4.954,24 restantes da reclamação trabalhista, conforme certidão de fl. 53, tendo, ao final, a fiscalização encontrado, para aquele ano de 2001, rendimentos tributáveis até menores do que os declarados pelo contribuinte (alterando os rendimentos de R$ 43.894,11 para R$ 38.288,94), sem impor redução do IRRF do mesmo ano, que já incluía os R$ 5.959,52 de [RRF da reclamação trabalhista informados na certidão e 53, como já mencionado. 20. O contribuinte alegou que declarou o imposto no exercício 2002, ano- calendário 2001, o que é verdade, mas não declarou os R$ 24.952,52 nem em 2000 nem em 2001, razão pela qual restou correto o lançamento da omissão dos rendimentos pelo valor liquido dos R$ 24.958,52. Logo, indene de dúvida acerca da ocorrência de omissão de rendimentos em decorrência da ausência de declaração no ano-calendário de 2000 dos valores efetivamente recebidos pelo Recorrente, na demanda judicial, processo nº 2148/93, que tramitou perante a 2ª Vara do Trabalho de Natal-RN, e que é objeto exclusivo do auto de infração, razão pela deverá ser mantida a autuação corretamente lavrada. Por fim, em relação ao pedido de remissão do débito fiscal, formulado com base no art. 14 da MP nº 449/2008, vale salientar que o presente processo – cuja origem foi a exigência de IRPF constituída somente em 10/05/2005, ante a omissão de rendimentos apurada – não é via própria para discutir eventual direito à remissão pretendida. Ademais a competência deste CARF restringe-se em promover o julgamento de recursos contra decisões proferidas pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento/DRJ (sob pena, dentre outros, de supressão de instância), sendo competente para tal desiderato a unidade de origem da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso, para rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para manter o imposto suplementar, no valor de R$ 5.447,76, apurado no ano-calendário 2000, exercício 2001. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002444/2003-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 1999
PERC. REGULARIDADE FISCAL. NECESSIDADE.
Para a fruição do benefício fiscal, deve o sujeito passivo demonstrar a sua regularidade fiscal.
Numero da decisão: 1401-004.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1999 PERC. REGULARIDADE FISCAL. NECESSIDADE. Para a fruição do benefício fiscal, deve o sujeito passivo demonstrar a sua regularidade fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11610.002444/2003-79
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6103358
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-004.008
nome_arquivo_s : Decisao_11610002444200379.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11610002444200379_6103358.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
id : 8008444
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649158344704
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-22T13:41:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-22T13:41:17Z; Last-Modified: 2019-11-22T13:41:17Z; dcterms:modified: 2019-11-22T13:41:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-22T13:41:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-22T13:41:17Z; meta:save-date: 2019-11-22T13:41:17Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-22T13:41:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-22T13:41:17Z; created: 2019-11-22T13:41:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-11-22T13:41:17Z; pdf:charsPerPage: 1237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-22T13:41:17Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11610.002444/2003-79 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-004.008 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de novembro de 2019 Recorrente CORUMBAL CORRETORA DE SEGUROS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1999 PERC. REGULARIDADE FISCAL. NECESSIDADE. Para a fruição do benefício fiscal, deve o sujeito passivo demonstrar a sua regularidade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 24 44 /2 00 3- 79 Fl. 299DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-004.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002444/2003-79 Relatório Inicialmente, adoto o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeira instância no acórdão nº 16-21.727 exarado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I: Relatório A contribuinte acima identificada ingressou com o PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fl. 01, tendo em vista que não houve ordem de emissão para o incentivo (fls. 202/204), relativamente à sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao ano-calendário 1999, exercício 2000, no FINAM. 1.1. O "EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS" (cópia à fl. 05), que acompanha o pedido, nos informa que não houve ordem de emissão para o FINOR pelas seguintes ocorrências: 08-CONTRIBUINTE COM DIVERGÊNCIA ENTRE OPÇÃO DE FUNDO DARF ESPECÍFICO E FUNDO SOLICITADO NA DIPJ-2000 e 16- CONTRIBUINTE COM PENDÊNCIAS JUNTO AO FGTS. 2. Por meio do Despacho Decisório de fls. 146, proferido em agosto de 2008, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, com base no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, tendo em vista o resultado de consultas sobre a Regularidade Fiscal da Pessoa Jurídica, sintetizada à fl. 145. 2.1. O auditor fiscal designado para apreciar o pedido informou que: Após análise do processo de acordo com a NE/SRF/COSAR/COSIT N°03 de 13 de setembro de 2002, foi constatado que o contribuinte possuía pendências impeditivos a liberação do incentivo. Foi, então, o contribuinte intimado em 16/06/08 a regularizar as pendências, conforme fl. 123. Feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivos a liberação do Incentivo, conforme consta do relatório à página 145. Tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativo a tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art. 60), proponho que o processo de PERC - Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 2000, seja indeferido. 3. Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada em 17/11/2008 (fls. 147-verso), a interessada apresentou, em 17/12/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 148 a 153, acompanhada dos documentos de fls. 154 a 198. 3.1. A contribuinte não concorda com o fundamento principal da decisão foi de que, para fins de aplicação do artigo 60 da Lei n° 9.069/95, a autoridade administrativa deve verificar a regularidade fiscal do contribuinte na data em que analisa o PERC, desconsiderando-se a regularidade da pessoa jurídica quando da apresentação da DIPJ, momento no qual se dá a opção pelo incentivo. 3.1.1. Nesse sentido defende que: Fl. 300DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-004.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002444/2003-79 - deve haver relação entre o pedido formulado pelo contribuinte e o beneficio que obterá, beneficio esse relativo exclusivamente aos tributos devidos com base na apuração realizada no exercício da apresentação da declaração de rendimentos, ou seja, exigir regularidade em relação a exercício em face do qual não haverá usufruto de beneficio é impor ao contribuinte uma obrigação desvinculado ao beneficio fiscal que pode vir a ser concedido; - Exigir a regularidade pra o futuro, por prazo indeterminado — já que não se pode precisar o momento no qual se dará o processamento da declaração de rendimentos — fere a segurança jurídica e a previsibilidade que deve nortear as atividades da administração fiscal e do contribuinte frente à lei; - o momento eleito pelo agente fiscal para análise do PERC submete o contribuinte à inquestionável insegurança jurídica, na medida em que poderá ser escolhida justamente uma data em que a empresa não esteja regular com o fisco, mas eventualmente regularizando os supostos débitos (Redarf DCTF retificadora, oferecimento de bens a penhora em execução fiscal, etc.); - os percentuais de destinação dos Incentivos fiscais foram aplicados sobre os valores de imposto de renda efetivamente recolhidos pela Recorrente, desconsiderando-se eventuais tributos cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por medida judicial. 3.2. Sobre as pendências fiscais, especificamente quanto às inscrições em Dívida Ativa da União, a interessada expõe: - Inscrição 80.2.04.012273-22 foi objeto de Pedido de Revisão protocolado em 09/06/2004 (doc — 03 — fls. 166/171), pendente de análise até o momento (doc. 04— fl. 172). Trata-se de valor de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica devida no mês de fevereiro/1999 no valor de R$ 4.558,58, que está sendo discutido no Mandado de Segurança n° 98.0005827-3, que visa a dedução da Contribuição Social da base de cálculo do Imposto de Renda. Como a ação foi julgada improcedente, o Recorrente propôs Medida cautelar a fim de que não fosse compelida ao pagamento do mencionado valor de IRPJ, todavia não foi concedida a tal medida liminar, razão pela qual foi efetuado em 30/04/2002, depósito judicial do valor devido a título de Imposto de renda da Pessoa Jurídica; - Inscrição 80.2.04.073208-08 foi objeto de Pedido de Revisão protocolado em 11/12/2006 (doc. 05 — fls. 173/176), pendente de análise até o momento (doc. 06 — fl. 177). Trata-se de valores de Imposto de Renda Retido na Fonte relativo a diversos meses que foram compensados em DCTF com créditos pertencentes à Recorrente; - Inscrição 80.6.04.012798-28 foi objeto de Pedido de Revisão protocolado em 09/06/2004 (doc. 07— fls. 178/184)„ pendente de análise até o momento (doc. 08— fl. 185). Trata-se de valor de CSLL devido no mês de fevereiro/1999 no valor de RS 45.034,90, que estava sendo discutido no Mandado de Segurança n° 98.0005827-3, que visava a dedução da Contribuição Social da base de cálculo do Imposto de Renda e da sua própria base de cálculo. Como a ação foi julgada improcedente, o Recorrente propôs Medida Cautelar afim de que não fosse compelida ao pagamento, do mencionado valor de CSLL, todavia não foi concedida a medida liminar, razão pela qual foi efetuado em 30/04/2002, depósito judicial dos valores devido de Contribuição Social sobre o Lucro; - Em 31/07/2002 com base na previsão contida no artigo 11 da MP n° 38 de 15/05/2002,- a Recorrente requereu a desistência parcial da aludida medida cautelar, no que tange à pretensão de deduzir a despesa relativa ao pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro da sua própria base de cálculo, tendo sido devidamente homologada, solicitou ainda a conversão em renda da União dos valores depositados judicialmente. Em 30/08/2002, nos termos da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 900/02, protocolou na Receita Federal requerimento de desistência de ações judiciais (doc. 09 Fl. 301DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-004.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002444/2003-79 — fls. 186/189) e 08/04/2003 protocolou na Receita Federal cópia da decisão homologatória proferida nos autos da Apelação em Mandado de Segurança n° 2001.03.99.005241-4 de desistência e renúncia parcial da ação judicial (doc. 10— fls. 190/192). Portanto a inscrição é indevida, pois o valor foi integralmente pago nos termos da MP. N° 38/2002; - Inscrição n° 80.6.04.061950-88 foi objeto de Pedido de Revisão protocolado em 25/10/2004 (doc. 11— fls. 193/197) pendente de análise até o presente momento (doc. 12— fl. 198). Trata-se valor de CSLL devido no ano de 1998 no valor de R$ 1.085.327,67. Ocorre que mencionado débito foi declarado em DRF, como suspenso, sendo que R$ 60.717,63 por força de medida liminar descrita no item 10.3 e, R$ 1.024.610,04 por força de medida liminar em Mandado de Segurança n° 97.0006622-2 que em 06/04/2001 foi efetuado o depósito judicial em seu montante integral; - observados os incisos II e IV do art. 151 do Código Tributário Nacional, há que se concluir que nas datas de inscrição em dívida ativa, os valores de Contribuição Social e IRPJ já estavam com sua exigibilidade suspensa em decorrência de depósitos judiciais. Desse modo, não poderia servir de base para o indeferimento do Incentivo Fiscal; - é certo que os mencionados débitos inscritos em divida ativa, não podem constituir motivo de indeferimento do PERC, pois conforme comprovado através do exposto acima, a Recorrente está em situação fiscal regular, e só não apresentou a Certidão Negativa em virtude de erro da própria Receita Federal, que inscreveu indevidamente em dívida ativa débitos com exigibilidade suspensa e até o momento não analisou os pedidos de revisão dos débitos indevidamente inscritos. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. A ementa do acórdão da DRJ restou consignada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA • JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999 PERC - QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS - PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. Solicitação Indeferida Irresignada com a decisão de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário. Neste, quanto às questões de direito, reeditou as alegações lançadas na manifestação de inconformidade, especialmente no que tange à verificação da regularidade fiscal no momento da opção pelo incentivo regional, ou seja, no momento da entrega da declaração. Em relação à regularização das pendências apontadas pela fiscalização, apresentou novos elementos de prova, que serão analisados em detalhe no voto a seguir. Em essência, era o que havia a relatar. Fl. 302DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-004.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002444/2003-79 Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. A questão levantada pela recorrente acerca do momento em que se deve verificar as pendências tributárias para fins de deferimento do PERC já foi pacificada pela jurisprudência do CARF e consolidada na Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater aos débitos existentes até a data de entrega da declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da regularidade em qualquer momento do processo administrativo, independentemente da época em que tenha ocorrido a regularização, e inclusive mediante apresentação de certidão de regularidade posterior à data da opção.(Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Dois aspectos tratados na Súmula devem ser destacados para o deslinde do presente feito: (i) os débitos que importam para a verificação da regularidade fiscal são aqueles em aberto no momento da opção pelo incentivo; e (ii) a prova da regularidade pode ser dar a posteriori, durante o processo administrativo. Neste sentido, portanto, é de se acolher a argumentação da recorrente de que somente as pendências em aberto no momento da opção pelo incentivo devem ser consideradas na verificação da regularidade fiscal. Por outro lado, tanto a fiscalização quanto a DRJ apontaram diversas pendências que não haviam sido satisfeitas pela recorrente no momento do despacho decisório e na decisão de primeira instância. Destaco o trecho da decisão de piso que trata do assunto: 6.4. No caso de . que trata o presente processo administrativo, foi constatada a existência de débitos de tributos e contribuições federais junto à RFB (PROFISC e SIEF) e à PGFN, conforme informado no despacho decisório (fls. 145/146) e relatório às fls. 131, 133, 135, 137 e 138. 6.5. Quanto aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União sob os números 80.2.04.012273-22, 80.2.04.073208-08, 80.6.04.012798-28 e 80.6.04.061950-88, a interessada apresenta as justificativas acima relatadas, sendo oportuno observar que os Pedidos de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União, por si só, nada provam. Frise-se, não consta dos autos a manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional a respeito desses pedidos formulados. 6.6. A interessada não se manifesta em relação aos débitos inscritos sob os n's 8020404347507, 8020800539956, 8070800379661, 8060404784590, 80204003887834 e 8020800177868. Fl. 303DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-004.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002444/2003-79 6.7. Assim, enquanto a contribuinte não instruir sua manifestação de inconformidade com documentação hábil e idônea a comprovar que a Procuradoria da Fazenda Nacional reconheceu que na data em que foi proferido o despacho decisório os débitos estavam com sua exigibilidade suspensa ou seriam inexistentes, não há como expedir a ordem de emissão adicional de incentivos fiscais, sob pena de ofensa ao art. 60 da Lei n° 9.069/1995. 6.8. Também, quanto aos débitos (PROFISC e SIEF) apontados às fls. 131, 133 e 137, não consta qualquer manifestação da interessada com vistas a afastá-los. Na peça recursal, a recorrente apresentou o seguinte resumo sobre as comprovações acerca da regularidade fiscal: Fl. 304DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-004.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002444/2003-79 Inicio pelo débito apontado na fl. 131 (processo em papel): Vê-se que o débito é anterior à apresentação da declaração com a opção pelo incentivo do FINAM e estava em cobrança na RFB. Na sua defesa, a recorrente afirma que a cobrança havia sido suspensa por medida judicial. Entretanto, tal comprovação não foi apresentada à fiscalização ou juntada aos autos na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário. Aliás, no próprio sistema da RFB consta a observação “medida judicial pendente de comprovação”. Quanto aos débitos em cobrança relacionados na fl. 133, verifico que todos tratam de fatos geradores posteriores a 2000 e, conforme a inteligência da Súmula CARF nº 37 acima citada, não devem ser considerados para o exame de regularidade fiscal para fins de incentivo regional do FINAM. Quanto aos débitos relacionados como pendências na PGFN (fl. 135), devem ser separadas algumas situações distintas: - Processos de execução suspensos por decisão judicial, conforme extratos apresentados pela recorrente: (i) processo nº 2004.61.82.044910-1, que abarca as inscrições em DAU nº 80.2.04.012273-22 e 80.6.04.012798-28; e (ii) processo nº 2004.61.82.054093-1, que abarca a inscrição em DAU nº 80.6.04.061950-88. Nestes casos, a recorrente trouxe elementos mínimos para demonstrar a suspensão do processo, embora a prova não tenha sido feita por meio da competente certidão do Poder Judiciário. - Processo que a recorrente alega que houve pedido de revisão administrativa e que o processo judicial de execução depende de decisão: processo nº 2007.61.82.029019-8, que abarca a inscrição em DAU nº 80.2.04.073208-8. Neste caso, não há nenhum elemento que indique a suspensão do processo, e muito menos da exigibilidade do crédito tributário. De fato, a própria recorrente juntou documento da RFB apontando que este débito estava ativo e ajuizado: Fl. 305DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-004.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002444/2003-79 - Inscrição em DAU para as quais a recorrente alega ter havido a extinção: 8020404347507, 8020800539956 e 8070803379661. Nestes casos, a recorrente não juntou nenhum elemento de prova que dê suporte à sua alegação. - Processos de execução para os quais a recorrente alega haver suspensão em função de exceção de pré-executividade: inscrições em DAU nº 8060404784590 e 80204003887834. Nesses casos, é preciso destacar que a exceção de pré-executividade, no CPC vigente à época, era apenas uma petição atravessada na própria ação de execução, que sequer suspendia a fluência do prazo de embargos. A exceção de pré-executividade não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. O que se pode concluir da análise acima é que a recorrente deixou de comprovar a regularidade de diversos débitos apontados pela fiscalização e considerados pela instância de piso. Todavia, na maioria dos caos, não se consegue saber se os débitos estariam pendentes no momento da entrega da declaração com a opção pelo incentivo regional do FINAM. Esta é a exigência da Súmula CARF nº 37. Se fosse o caso, seria necessário baixar o presente processo em diligência para que a autoridade administrativa pudesse verificar quais dos débitos estavam em aberto no momento da opção e, também, se eventualmente, tais débitos teriam sido, a posteriori, regularizados. Mas, tenho que está demonstrado à saciedade que encontrava-se em aberto, no momento da opção, pelo menos, o débito de FINSOCIAL controlado no processo nº 13805.006832/95-32: Desta forma, vejo que a recorrente não se encontrava regular para fazer a opção pelo incentivo do FINAM de que trata o PERC de fls. 01. Conclusão. Fl. 306DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-004.008 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.002444/2003-79 Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Fl. 307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000365/2005-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INEXISTÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DE LITÍGIO. RECONHECIMENTO DE DECADÊNCIA PELA TURMA ORDINÁRIA. INVIABILIDADE. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
A impugnação apresentada após o prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento, de tal forma que é inviável cogitar-se de reconhecimento, de ofício, da decadência, pela Turma Ordinária.
Numero da decisão: 9202-008.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201911
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INEXISTÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DE LITÍGIO. RECONHECIMENTO DE DECADÊNCIA PELA TURMA ORDINÁRIA. INVIABILIDADE. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. A impugnação apresentada após o prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento, de tal forma que é inviável cogitar-se de reconhecimento, de ofício, da decadência, pela Turma Ordinária.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19515.000365/2005-85
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6104597
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-008.395
nome_arquivo_s : Decisao_19515000365200585.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 19515000365200585_6104597.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
id : 8012379
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649162539008
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-04T10:21:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-12-04T10:21:38Z; Last-Modified: 2019-12-04T10:21:38Z; dcterms:modified: 2019-12-04T10:21:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-04T10:21:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-04T10:21:38Z; meta:save-date: 2019-12-04T10:21:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-04T10:21:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-12-04T10:21:38Z; created: 2019-12-04T10:21:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-12-04T10:21:38Z; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-04T10:21:38Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.896 1 1.895 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.000365/200585 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202008.395 – 2ª Turma Sessão de 21 de novembro de 2019 Matéria RECONHECIMENTO DE DECADÊNCIA EM IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA Recorrente LÚCIO BOLONHA FUNARO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INEXISTÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DE LITÍGIO. RECONHECIMENTO DE DECADÊNCIA PELA TURMA ORDINÁRIA. INVIABILIDADE. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. A impugnação apresentada após o prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento, de tal forma que é inviável cogitarse de reconhecimento, de ofício, da decadência, pela Turma Ordinária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 65 /2 00 5- 85 Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 19515.000365/200585 Acórdão n.º 9202008.395 CSRFT2 Fl. 1.897 2 Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo sujeito passivo, em face do acórdão 2401005.152, e que foi admitido pela Presidência da 4ª Câmara da 2ª Seção, para que seja rediscutida a seguinte matéria: decadência e seu conhecimento de ofício, mesmo em casos de intempestividade. Segue a ementa da decisão, nos pontos que interessam: INTEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Preliminar de tempestividade rejeitada. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. Neste tocante, em seu recurso especial, o sujeito passivo basicamente alega que, em que pese a intempestividade da impugnação, o Colegiado deveria ter se pronunciado, de ofício, sobre a decadência, que é matéria de ordem pública, conforme precedentes consubstanciados nos acórdãos 2402003.845 e 1402002.083. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, nas quais alegou, em síntese, que: o recurso voluntário era intempestivo; o recurso especial é igualmente intempestivo; não há que se cogitar de decadência, a qual é contada na forma do art. 173, inc. I, do CTN. Às fls. 1877 e seguintes do eprocesso, o sujeito passivo pediu o sobrestamento do processo, até decisão definitiva no mandado de segurança 2005.61.00.0093232, no qual teria sido reconhecida, em sentença, a nulidade da Requisição de Movimentação Financeira 08.1.90.002004004298, destinada ao ABN AMRO REAL S/A. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 19515.000365/200585 Acórdão n.º 9202008.395 CSRFT2 Fl. 1.898 3 1. Conhecimento O recurso especial é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de quinze dias (art. 68, caput, do Regimento Interno do CARF), e foi demonstrada a existência de legislação tributária interpretada de forma divergente (art. 67, § 1º, do Regimento), de forma que não deve ser conhecido. Sobre a intempestividade do recurso especial, suscitada em sede de contrarrazões, verificase que o sujeito passivo teve ciência do despacho que rejeitou os embargos de declaração em 20/07/2018, conforme Aviso de Recebimento AR juntado à folha 1851 do eprocesso. Em 30/07/2018, de acordo com o Termo de Solicitação de Juntada de folha 1832 do eprocesso, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial (fls. 1834/1846), dentro, portanto, do prazo de quinze dias previsto no art. 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 9 de junho de 2015, sendo, pois, tempestivo Em sendo assim, voto por conhecer do recurso especial do contribuinte. 2. Reconhecimento da decadência em impugnação intempestiva O recurso especial deve ser desprovido. A impugnação apresentada após o prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento, conforme determina o art. 14 do Decreto 70235/72, de tal forma que é inviável cogitarse de reconhecimento, de ofício, da decadência. Expressandose de outra forma, a questão relativa à tempestividade da impugnação e à instauração do litígio é antecedente à possibilidade de concessão de atos decisórios, inclusive de atos que poderiam ser proferidos independentemente de provocação das partes. Resta prejudicado, igualmente, o pedido de sobrestamento, diante da inexistência de instauração de litígio. Sobre a alegada intempestividade do recurso voluntário, suscitada em sede de contrarrazões da Fazenda Nacional, entendo que se trata de questão resolvida de forma definitiva pela Turma Ordinária, uma vez que não houve a interposição de qualquer tipo de recurso em face da decisão do Colegiado, neste ponto. 3. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1898DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.000958/2002-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
COBRANÇA DE VALORES EM DCTF. AÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. OPÇÃO AO PARCELAMENTO ESPECIAL (PAES). NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Diante da informação trazida pela recorrente de que desistiu da ação judicial para optar pelo parcelamento especial, cabe á unidade de origem verificar a pertinência das informações trazidas e ajustar as informações nos sistemas de registro disponíveis para a Secretaria da Receita Federal
Numero da decisão: 3301-007.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (TRelator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201910
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 COBRANÇA DE VALORES EM DCTF. AÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. OPÇÃO AO PARCELAMENTO ESPECIAL (PAES). NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Diante da informação trazida pela recorrente de que desistiu da ação judicial para optar pelo parcelamento especial, cabe á unidade de origem verificar a pertinência das informações trazidas e ajustar as informações nos sistemas de registro disponíveis para a Secretaria da Receita Federal
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10768.000958/2002-52
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6103135
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-007.027
nome_arquivo_s : Decisao_10768000958200252.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ARI VENDRAMINI
nome_arquivo_pdf_s : 10768000958200252_6103135.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (TRelator)
dt_sessao_tdt : Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
id : 8008221
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:56:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649169879040
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-26T16:46:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-11-26T16:46:32Z; Last-Modified: 2019-11-26T16:46:32Z; dcterms:modified: 2019-11-26T16:46:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:1e35d812-50da-4758-bf60-22b1629fbfac; Last-Save-Date: 2019-11-26T16:46:32Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-26T16:46:32Z; meta:save-date: 2019-11-26T16:46:32Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-26T16:46:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-11-26T16:46:32Z; created: 2019-11-26T16:46:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-11-26T16:46:32Z; pdf:charsPerPage: 1557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-26T16:46:32Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 171 1 170 S3C3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.000958/200252 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301007.027 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2019 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente ENERGISA NOVA FRIBURGO DISTRIBUIDORA DE ENERGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 COBRANÇA DE VALORES EM DCTF. AÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. OPÇÃO AO PARCELAMENTO ESPECIAL (PAES). NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Diante da informação trazida pela recorrente de que desistiu da ação judicial para optar pelo parcelamento especial, cabe á unidade de origem verificar a pertinência das informações trazidas e ajustar as informações nos sistemas de registro disponíveis para a Secretaria da Receita Federal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (TRelator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 09 58 /2 00 2- 52 Fl. 171DF CARF MF 2 Relatório 1. Adoto o relatório que compõe o Acórdão DRJ/RIO DE JANEIRO I de nº 12 47.370 – 16ª Turma, aqui combatido, por economia processual e pela precisão na descrição dos fatos : Em decorrência de irregularidades nos créditos vinculados informados na DCTF do primeiro trimestre de 1997, foi lavrado, em 02/01/2001, o Auto de Infração nº 0001418 de fls. 48/55, no valor total de R$ 371.712,59, sendo o principal R$ 137.019,51, multa de ofício R$ 102.764,63 e juros de mora R$ 131.928,45. A fundamentação legal encontrase à fl. 50. O lançamento originouse da realização de auditoria interna na DCTF apresentada pela interessada no referido trimestre, tendo como ocorrência a descrição “Proc. Jud não comprovado”. Inconformado com a autuação, o interessado apresentou a impugnação de fls. 1/4 alegando em síntese que: a DCTF do 1º Trimestre de 1997, consignou que o crédito tributário encontravase suspenso por força de medida liminar, concedida em mandado de segurança impetrado contra o Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, perante a 24ª Vara Federal Seção Judiciária do Rio de Janeiro, Proc. n.° 96.00002002. A liminar foi confirmada por sentença em 14 de abril de 1997, afastando a incidência da COFINS, sobre a atividade exercida pela Impugnante. Hoje esse processo judicial encontrase em grau de recurso perante a 6ª Turma do TRF da 2ª Região, em razão de apelação interposta pela União Federal, representada nos autos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, tendo sido autuada sob o n.° 97.02.348137 em 2 de outubro de 1997. O processo encontrase concluso ao Desembargador Federal André Kozlowski desde 20 de abril de 2001, não tendo sido ainda julgada a apelação. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário declarado na DCTF decorre do inciso IV do art. 151 do Código Tributário Nacional. Na DCTF em questão, o número do processo judicial informado foi o correspondente ao do processo administrativo (Proc. n.° 10768.028784/9692), instaurado em face da impugnação ao Auto de Infração, lavrado em 14/11/1996, que àquela época já Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10768.000958/200252 Acórdão n.º 3301007.027 S3C3T1 Fl. 172 3 pretendia cobrar a Contribuição em questão, referente a período anterior ao do Auto de Infração do qual ora se defende e que já se encontrava suspenso por força da liminar judicial. Apesar de informar que o crédito em questão estava com sua exigibilidade suspensa em virtude de decisão judicial, informação válida e regular, a DCTF acabou por consignar o número do processo administrativo em vez do judicial. Houve mera irregularidade material no preenchimento da declaração, já que a informação da suspensão da exigibilidade do crédito fiscal é válida e regular. Não houve máfé no preenchimento da DCTF, tampouco prejuízo para o Erário em conseqüência do erro na informação do número do processo, já que a suspensão da exigibilidade do crédito fiscal decorre de fato consumado (decisão judicial), informação devidamente prestada na DCTF, e não do número do processo. Com relação às penalidades, devese consignar que não podem ser aplicadas em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito fiscal, não se configurando, assim, qualquer irregularidade a falta de recolhimento da Contribuição exigida. Por fim, requer a Impugnante que o Auto de Infração seja cancelado. Às fls. 26/30 consta cópia da decisão judicial proferida no mandado de segurança nº 96.00002002, em 15/01/1996, cujo dispositivo se transcreve: “... Assim, presentes os requisitos da Lei, defiro o pedido liminar para, a partir do mês de janeiro do corrente ano, dispensar a impetrante da exigência da questionada contribuição (COFINS)...” Às fls. 32/36 consta cópia da sentença proferida no mandado de segurança nº 96.00002002, em 14/04/1997, cujo dispositivo se transcreve: “... CONCEDO A SEGURANÇA, DANDO DEFINITIVIDADE A MEDIDA LIMINAR, NOS TERMOS DO PEDIDO. CUSTAS "EX LEGE". SEM HONORÁRIOS. SENTENÇA SUJEITA A REEXAME NECESSÁRIO DO EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO...” Às fls. 109/110 juntei cópia do andamento do mandado de segurança nº 96.00002002 (TRF2 97.02.348137) e do despacho nele proferido, em 14/04/2005, cujo teor se transcreve: “... Homologo a desistência da ação como requerido a fls. 126, com anuência da Fl. 173DF CARF MF 4 União Federal a fls. 131, para que produza seus efeitos legais. Não há condenação em honorários advocatícios por se tratar de mandado de segurança. Decorrido o prazo legal, baixem os autos à Vara de origem, com as cautelas de praxe...” É o relatório. 2. Em resposta, a DRJ/RIO DE JANEIRO I assim ementou o Acórdão : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 LANÇAMENTO. TRIBUTOS. VALORES DECLARADOS EM DCTF. A entrada em vigor da Lei nº 10.833, de 2003, não comprometeu a validade dos lançamentos dos tributos, efetuados na vigência do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, na medida em que a cobrança poderá ser efetivada via DCTF ou via lançamento, desde que evitada a duplicidade de cobranças. LANÇAMENTO. MULTAS. VALORES DECLARADOS EM DCTF. PRINCIPÍO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo em conta a nova redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, cancelase a multa de ofício aplicada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 3. Ainda inconformada, a impugnante apresentou recurso voluntário, com as seguintes razões de defesa : I DA TEMPESTIVIDADE defende a tempestividade da apresentação do recurso voluntário II – DOS FATOS Em procedimento fiscal ordinário da Receita Federal do Brasil ("RFB"), a ora Recorrente teve a impugnação julgada parcialmente procedente, determinando a exclusão da parcela do crédito tributário relativo à multa de ofício, mantendo o restante da cobrança. Por ocasião da apresentação da Impugnação, a ora Recorrente pôde comprovar que ocorreu um mero equívoco na vinculação dos débitos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (Código 2172), declarados na Declaração de Débitos e Créditos tributários Federais DCTF do 1° Trimestre de 1997, já que informou o número do Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10768.000958/200252 Acórdão n.º 3301007.027 S3C3T1 Fl. 173 5 processo administrativo (Proc. n° 10768.028784/9692), para fins de suspensão da exigibilidade do débito, quando o correto seria evidenciar o processo decorrente da Liminar em Mandado de Segurança (Processo n° 96.00002002). lnobstante toda a fundamentação utilizada pela Recorrente, bem como os documentos juntados aos autos, o Auto de Infração foi mantido parcialmente pela Autoridade Julgadora da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRF/RJI). Isto porque a r. Autoridade Julgadora entendeu, equivocadamente, que os valores garantidos em processo judicial não poderiam liquidar o débito declarado em DCTF do 1° Trimestre de 1997. Deste modo, baseandose nas informações e provas transmitidas pela Recorrente, a 16' Turma da DRJ/RJ I, que julgou a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, emitiu o Acórdão n° 12.47.370, julgando parcialmente procedente a Impugnação determinando a exclusão da parcela do crédito tributário relativo à multa de ofício. É inequívoco concluir que a cobrança dos débitos da Recorrente é equivocada,sendo imperioso o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do débito, nos termos do artigo 151, inciso VI, do Código Tributário Nacional ("CTN"),tendo em vista os fatos e fundamentos a seguir expendidos IIIDO DIREITO III.A0 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO FISCAL OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO O ponto de partida para a presente sustentação não pode ser outro senão a análise e a verificação da suspensão da exigibilidade do débito, o que permitirá a esta I. Autoridade Julgadora avaliar a consistência dos argumentos levados a efeito e, assim, assegurar o direito legítimo da Recorrente. No caso em tela, a DCTF do 1° Trimestre de 1997, consignou que o crédito tributário encontravase suspenso por força de medida liminar, concedida em mandado de segurança impetrado contra o Ilmo. Sr. Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, perante a MM. 24 Vara Federal Seção Judiciária do Rio de Janeiro, Proc. n.° 96.00002002. A liminar foi confirmada por sentença em 14.04.1997, afastando dessa forma, a incidência da COFINS consoante disposto no artigo 151, inciso IV, do CTN, sobre a atividade exercida pela Recorrente, qual seja, exploração industrial da energia elétrica em suas diversas fases de produção, transmissão, transformação e distribuição e sua exploração comercial em serviços públicos federais, estaduais e municipais e em serviço de utilidade pública no Município de Nova Friburgo, Estado do Rio de Janeiro, e outros serviços correlatos. Desta decisão a União Federal interpôs recurso, sob o n.° 97.02.348137, perante a Sexta Turma do Eg. Tribunal Regional Federal da 2 Região. Fl. 175DF CARF MF 6 Nesse diapasão, a Autoridade Julgadora, em 13.06.2012, ao verificar o andamento do referido processo, que anteriormente se encontrava em fase recursal, observou a existência de despacho homologando a desistência da ação. Partindo desta premissa, juntou aos autos deste processo, o referido despacho proferido, pois veja: Às fls. 109/110 juntei cópia do andamento do mandado de segurança n° 96.00002002 (TRF2 97.02.348137) e do despacho nele proferido, em 14/04/2005, cujo teor se transcreve: "... Homologo a desistência da ação como requerido a fls. 126, com anuência da União Federal a fls. 131, para que produza seus efeitos legais. Não há condenação em honorários advocatícios por se tratar de mandado de segurança. Decorrido o prazo legal, baixem os autos à Vara de origem, com as cautelas de praxe" Ocorre que a desistência realizada pela Recorrente, com a anuência da própria União Federal, não foi infundada ou baseada em elementos incertos ou inverídicos, PELO CONTRÁRIO, a desistência ocorreu devido ao parcelamento realizado nos moldes da Lei n° 10.684, de 30.05.2003 (PAES), que dispunha sobre parcelamento de débitos ¡unto à Secretaria da Receita Federal, à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e ao Instituto Nacional do Seguro Social. Notório observar que a Autoridade Julgadora, não reconheceu a integralidade da Impugnação, pois desconhecia o parcelamento realizado pela Recorrente, isto é, o seu juízo de mérito foi baseado em informações incompletas, por conseguinte, deverá ser reformado. Fato é que a desistência suscitada pelo relator, no acórdão ora combatido, ocorreu com um único objetivo, qual sela: incluir o débito ora discutido no parcelamento no PAES (REFIS II), conforme acima exposto. Com efeito, é de se inferir, que o I. Fiscal, ao julgar a impugnação, desconhecia o fato de que os débitos em discussão — COFINS — Janeiro a Março de 1997 foram objeto de Parcelamento no PAES (REFIS II). Notese que, ao suspender a exigibilidade do valor questionado, a Recorrente não se encontra em mora com os valores supostamente devidos ao Fisco, uma vez que, tais valores foram regularmente inseridos no PAES. Em suma, se considerados todos os aspectos legais, e, principalmente, as informações trazidas à baila — baseadas na presente documentação apresentada — resta inequivocamente comprovada suspensão da exigibilidade do débito, descabendo qualquer glosa de valores, conforme cabalmente provado e comprovado pela Recorrente. Diante de todo o exposto, é forçoso concluir que a presente cobrança é totalmente infundada e insubsistente, já que o suposto débito tributário está com sua exigibilidade suspensa devido ao Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10768.000958/200252 Acórdão n.º 3301007.027 S3C3T1 Fl. 174 7 parcelamento realizado pela Recorrente. VDO PEDIDO Por todo o exposto, vem a ora Recorrente requerer o que segue: (a) seja admitido, processado e julgada o presente Recurso Voluntário, produzindo os efeitos que lhe são próprios, em estrita obediência a norma legal; (b) sejam acolhidas as razões ora aduzidas, a fim de cancelar os valores apontados como devidos no presente processo ) administrativo, tendo em vista que tais débitos encontramse parcelados junto ao PAES (REFIS II). (c) pugna, por fim, pelo arquivamento do feito, impondo o retorno do mesmo à origem. Por fim, protesta a Recorrente, em homenagem ao Princípio da Verdade Material, pela posterior produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, especialmente a prova documental suplementar, que ratificará a total improcedência do Acórdão ora guerreado, bem como a eventual realização de diligência fiscal, caso V.Sas. reputem necessário para formar seu convencimento sobre a matéria versada nestes autos. 4. Os autos foram então a mim distribuídos. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 5. Alega a recorrente, em suas razões de recurso, que desistiu da ação judicial que movia contra a União, pois optou pelo Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.864/2003 (PAES ou REFIS II), portanto seus débitos estariam com sua exigibilidade suspensa por força do disposto no artigo 151, VI do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172/1966, com a redação dada pela Lei Complementar nº 104/2001. 6. Apresenta, anexo ao seu recurso, demonstrativos de que os débitos objeto do auto de infração constante destes autos estariam consolidados no citado parcelamento. 7. Desta forma, não há litígio a ser dirimido por este colegiado, e sim cabe á unidade de origem verificar se são pertinentes as informações trazidas pela recorrente e ajustar as informações nos sistemas de registro disponíveis para a Secretaria da Receita Federal. Conclusão 8. Diante do exposto, NÃO TOMO CONHECIMENTO do recurso voluntário apresentado, cabendo á unidade de origem verificar a pertinência das informações trazidas pelo Fl. 177DF CARF MF 8 recorrente e ajustar as informações nos sistemas de registro disponíveis para a Secretaria da Receita Federal. É como voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.010243/2010-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE.
Numero da decisão: 2202-005.849
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, face à concomitância, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mário Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201912
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15504.010243/2010-32
anomes_publicacao_s : 201912
conteudo_id_s : 6110002
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-005.849
nome_arquivo_s : Decisao_15504010243201032.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 15504010243201032_6110002.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, face à concomitância, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mário Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
id : 8023521
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:57:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052649173024768
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-10T19:24:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-10T19:24:18Z; Last-Modified: 2019-12-10T19:24:18Z; dcterms:modified: 2019-12-10T19:24:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-10T19:24:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-10T19:24:18Z; meta:save-date: 2019-12-10T19:24:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-10T19:24:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-10T19:24:18Z; created: 2019-12-10T19:24:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-12-10T19:24:18Z; pdf:charsPerPage: 1881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-10T19:24:18Z | Conteúdo => S2-C 2T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15504.010243/2010-32 Recurso Voluntário Acórdão nº 2202-005.849 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de dezembro de 2019 Recorrente VERA DE OLIVEIRA NUNES FIGUEIREDO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Os rendimentos do trabalho devem ser submetidos ao ajuste anual por meio de informação na DIRPF, ainda que tenha ocorrido retenção por parte da fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, face à concomitância, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Mário Hermes Soares Campos, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) - DRJ/BHE, que julgou procedente lançamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 02 43 /2 01 0- 32 Fl. 94DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.849 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.010243/2010-32 de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício 2009 (fls. 41 e ss), face à apuração das seguintes infrações, conforme circunstanciado pela decisão contestada à fl. 70: -Omissão de Rendimentos de Fontes no Exterior: omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismos Internacionais (UNESCO - PNUD/ONU), no valor de R$ 55.000,00. Enquadramento legal: arts. 1º a 3º e 8º da Lei nº 7.713, de 1988; arts. 1º a 4º da Lei nº 8.134, de 1990; art. 6º da Lei nº 9.250, de 1995; art. 1º e 15 da Lei nº 10.541, de 2002; arts.49 a 53, 55, inciso VII e 995 do RIR/1999. A autoridade lançadora complementa a descrição dos fatos informando que conforme Decreto 3.000/99, os rendimentos do funcionário do PNUD/ONU somente são isentos nos casos em que seus nomes sejam relacionados e informados à RFB por tais organismos como integrantes das categorias por ela especificadas. Quaisquer outros rendimentos percebidos quer sejam pagos ou creditados por fontes nacionais ou estrangeiras, no Brasil ou no exterior, sujeitam-se à tributação. - Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício no valor de R$2.220,00, recebidos da fonte pagadora Belo Horizonte Prefeitura. Na apuração do imposto devido foi compensado o imposto retido na fonte no valor de R$90,45. Não obstante impugnada (fls. 01/13), a exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 69/75), em acórdão cuja ementa teve a seguinte redação: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS (UNESCO). CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL A propositura pelo contribuinte de ação judicial antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tornando definitivo o lançamento, razão pela qual não se aprecia o seu mérito, não conhecendo da impugnação apresentada. (ADN nº 3/96). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Verificada omissão de rendimentos, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, de ofício, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da renda omitida. A contribuinte interpôs recurso voluntário em 05/12/2012 (fls. 82/91), repisando, em linhas gerais, os termos da impugnação e se irresignando contra o entendimento da vergastada, alegando em síntese, que: - os valores recebidos da UNESCO são isentos do imposto de renda, conforme atos normativos e jurisprudência que refere; - o crédito tributário referente a esses valores está suspenso, pois impetrou MS º 2005.38.00.027141-9 junto à 5ª Vara Federal de Belo Horizonte, no qual postula o reconhecimento da ilegalidade da tributação pelo IRPF dos rendimentos recebidos de agências especializadas da ONU; - havendo efetuado depósito integral do crédito tributário, não são devidas as cobranças de juros e multa sobre esses montantes; - esqueceu de informar na declaração de ajuste os valores percebidos da Prefeitura de Belo Horizonte, e tentou retificar mas os sistemas da RFB não o permitiram, aduzindo, ainda, que já houve a retenção na fonte sobre tais rendimentos. Postula ao final, seja declarada a insubsistência do lançamento. Fl. 95DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.849 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.010243/2010-32 É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, porém deve ser apenas em parte conhecido. Consoante já relatado, a contribuinte tem mandado de segurança nº 2005.38.00.027171-9 impetrado junto à Justiça Federal de Belo Horizonte onde solicita “que seja assegurado o direito líquido e certo de não se sujeitar à incidência do imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos de agências especializadas ligadas à ONU, tendo em vista o disposto na Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Nações Unidas e no Acordo Básico de Assistência Técnica”. Necessário destacar que a existência de ação judicial versando sobre o mesmo objeto do processo administrativo atrai a incidência da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ora, existindo controvérsia já estabelecida no Judiciário que abrange matéria que se apresenta litigiosa neste julgamento, qualquer decisão de fundo a ser emanada por este Colegiado restaria ineficaz frente ao entendimento daquele Poder, prevalecente nos termos do inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal. De fato, a concomitância traduz-se em fator externo à relação processual administrativa que impede a eficácia de eventual decisão emanada nesse âmbito, a qual se configura desnecessária e inútil no que contrariar a decisão de mérito do Poder Judiciário. Em voto-vista exarado no RE nº 233.582/RJ (DJe de 16/05/2008), o qual discutiu a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.380/80, o Ministro Gilmar Mendes teceu considerações que também se revelam aplicáveis no particular: Destarte, a renúncia a essa faculdade de recorrer no âmbito administrativo e a automática desistência de eventual recurso interposto é decorrência lógica da própria opção do contribuinte de exercitar a sua defesa em conformidade com os meios que se afigurem mais favoráveis aos seus interesses. Tem-se aqui fórmula legislativa que busca afastar a redundância da proteção, uma vez que, escolhida a ação judicial, a Administração estará integralmente submetida ao resultado da prestação jurisdicional que lhe for determinada para a composição da lide. (...) Não vislumbro, por isso, qualquer desproporcionalidade na cláusula que declara a prejudicialidade da tutela administrativa se o contribuinte optar por obter, desde logo, a proteção judicial devida. Destarte, muito embora as razões recursais trazidas, o fato é que as decisões judiciais prolatadas no âmbito do mandado de segurança nº 2005.38.00.027171-9 deverão ser simplesmente cumpridas pela administração tributária federal, sendo despicienda eventual manifestação deste Colegiado sobre o tema, bem como o prosseguimento do exame do mérito do presente litígio, nesse aspecto. Fl. 96DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.849 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.010243/2010-32 Tem-se por afastada, assim, a apreciação pelo Colegiado da incidência do imposto de renda sobre as verbas percebidas pela recorrente, cerne deste contencioso administrativo. Por outro lado, a interessada contesta a cobrança de juros e multa de ofício sobre os valores lançados pela fiscalização quanto à matéria supra referida, tendo em vista haver, alegadamente, realizado o depósito integral dos montantes envolvidos. Ora, cabe reconhecer a existência do enunciado sumular citado pela interessada, o qual assim dispõe: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Tal Súmula é vinculante para toda a administração tributária federal, por força da Portaria MF nº 277/18, não havendo controvérsia acerca do tema que exija deliberação desta Turma, pois na cobrança de juros sobre o crédito tributário em relevo, caso comprovado nos autos judiciais o depósito integral, deverá ser observado por aquela, necessariamente, a prescrição sumular. E, quanto à multa incidente sobre os valores questionados, havendo depósito judicial vinculado a feito ajuizado anteriormente à constituição do crédito tributário, inexiste ilícito a dar ensejo à sua cobrança, sendo desnecessário, mais uma vez, pronunciamento nesta instância administrativa acerca da questão, tendo em vista o disposto no art. 151 do CTN. Quanto aos rendimentos recebidos da Prefeitura de Belo Horizonte, confessadamente recebidos e não declarados pela recorrente, não há reparos a fazer na vergastada. Consoante explicado naquela decisão, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, e dos arts. 832 e 833 do Decreto nº 3.000/99, então vigente, era necessário que houvesse sido comprovado erro – e não mero ‘esquecimento’, como alude a interessada – na elaboração da declaração, e que houvesse pedido de retificação anterior à autuação. Não se verificando tal situação na espécie, e devendo ser os rendimentos em comento, ainda que tenham sofrido retenção antecipada pela fonte pagadora, submetidos à tributação no ajuste anual, de acordo com os arts. 7º e 8º Lei nº 9.250/95, c/c os termos da Lei nº 7.713/88, cumpre ser mantido o lançamento no tocante a esse ponto. Ante o exposto, voto por conhecer em parte do recurso, face à concomitância, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
