Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 16095.000723/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTÂNCIA DOS ATOS.
O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizá-la.
Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto.
Numero da decisão: 1302-001.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos para sanar a omissão alegada, sem efeitos infringentes, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 30/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTÂNCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizá-la. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16095.000723/2010-17
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5472977
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-001.713
nome_arquivo_s : Decisao_16095000723201017.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 16095000723201017_5472977.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos para sanar a omissão alegada, sem efeitos infringentes, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 30/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5959011
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889261887488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 6.239 1 6.238 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000723/201017 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302001.713 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2015 Matéria IRPJ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PANDURATA ALIMENTOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTÂNCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizála. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos para sanar a omissão alegada, sem efeitos infringentes, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 07 23 /2 01 0- 17 Fl. 6239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 2 Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 30/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 6240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 16095.000723/201017 Acórdão n.º 1302001.713 S1C3T2 Fl. 6.240 3 Relatório Tratase de apreciar embargos de declaração opostos pela UNIÃO FAZENDA NACIONAL, em face do acórdão nº 1302001.325, proferido por esta turma na sessão de 11/03/2014, por meio do qual este colegiado decidiu: a) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Waldir Rocha; b) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Redator Designado Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, vencidos os Conselheiros Waldir Rocha, Guilherme Pollastri e Eduardo de Andrade. O Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo apresentou declaração de voto. De acordo com o art. 7º, § 5º, da Portaria MF nº 527/2010, tratandose de processo eletrônico, o prazo para a interposição do recurso pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista no § 3°. Na hipótese, o despacho de encaminhamento dos autos do processo digital à PGFN data de 29/10/2014. Assim, temse a intimação presumida da PGFN em 27/11/2012. Já o prazo de 05 (quinze) para interposição de Embargos de Declaração teve como termo final o dia 02/12/2014, tendo sido protocolizado a petição contendo estes embargos em 01/12/2014, sendo, pois, tempestivos. Alega a embargante a existência de omissão na decisão deste Colegiado, omissão esta que se configurou pela ausência de motivação. Segundo alega a embargante: a) a motivação das decisões deve conter a exposição dos fundamentos de fato e de direito, com o fito de legitimamente afastar as provas da simulação apontadas pela Fiscalização. Com efeito, alegou a e. Turma, conforme voto vencedor, razões genéricas para entender não configurada a simulação, posto que não analisou as provas (fundamentos de fato) elencadas no Termo de Verificação Fiscal; b) a e. Turma não a analisou as provas apontadas pelo auditor fiscal. Com efeito, como a acusação foi de glosa de despesas por ausência de prestação de serviço, tendo trazido a Fiscalização inúmeras provas neste sentido que demonstraram a simulação, não poderia a e. Turma ter negado de forma geral os fatos imputados pelo Fisco, tendo que analisar as provas do processo; c) que no curso da fiscalização foram colhidas inúmeras provas, todas constantes na acusação fiscal, comprovadoras de simulação, ou seja, do descompasso entre a operação manifestada e o objetivo efetivamente almejado pelas partes; que não foram levadas em consideração no acórdão embargado. Faltou, assim, congruência entre o decidido pela e. Turma julgadora, nos termos do voto vencedor, e as provas de simulação trazidas na acusação fiscal, Fl. 6241DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 4 d) a acusação foi de simulação e a glosa da despesa por não ter havido prestação de serviço, tendo o Fiscal trazido provas efetivas para a autuação, então, no julgamento do processo, há que se analisar as provas da simulação acima descritas pelo Fisco, não podendo ser analisado em tese o planejamento tributário. Pede, ao final, acolhimento dos embargos para o fim de ver suprida a omissão na fundamentação do acórdão recorrido e o prequestionamento no caso de planejamento tributário abusivo com prova contundente de simulação, pois o julgamento deve se pautar na apreciação das provas produzidas pela acusação fiscal, e não em tese; por negativa geral. É o relatório. Fl. 6242DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 16095.000723/201017 Acórdão n.º 1302001.713 S1C3T2 Fl. 6.241 5 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator. Os embargos são tempestivos, e em face da alegação de omissão por falta de adequada motivação, deles conheço. Omissão apta a ensejar embargos é aquela onde há, no decisum, ausência de premissa que obrigatoriamente deveria estar presente para validar o raciocínio que leva à conclusão. A embargante aponta que o acórdão embargado foi omisso quanto à exposição dos fundamentos de fato e de direito que refutaram as provas de simulação apontadas pela Fiscalização. Alega ainda que o voto vencedor se vale de razões genéricas para entender não configurada a simulação. GLOSA DE DESPESAS Aduz ainda a que esta e. Turma não analisou as provas apontadas pelo auditor fiscal que suportaram a acusação de glosa de despesas, por ausência de efetiva prestação de serviço a justificar as despesas com tais prestações aproveitadas pela fiscalizada. Aqui já cabe um esclarecimento a fim de afastar qualquer dúvida ou contradição: esta e. Turma entendeu que o fundamento do Termo de Verificação Fiscal ("TVF") ficou adstrito à eventual alegação de simulação na constituição de empresa prestadora de serviços por parte do Grupo Pandurata. Portanto, o argumento de glosa das despesas com a prestação de serviços não fora mantido por ter entendido esta e. Turma que o lançamento de ofício não foi baseado neste fundamento, ainda que no TVF haja um pequeno parágrafo neste sentido. Atentese para o fato de que tanto assim o foi que a fiscalização inclusive creditou ao interessado os valores de IRPJ e CSLL recolhidos pela empresa desconsiderada (Pandurata Assessoria), conduta esta que seria desnecessária caso a fundamentação tivesse sido de glosa de despesas não comprovadas. Assim, tevese no julgamento, que resultou no acordão ora embargado, que o fundamento do auto de infração fora tão somente de simulação, ou seja, que o interessado havia simulado a criação da empresa Pandurata Assessoria a fim de se beneficiar da apuração do IRPJ e da CSLL sobre o regime do lucro presumido. Tanto assim o foi que a fiscalização procedeu com a desconsideração da personalidade jurídica daquela, e tão somente em razão de tal desconsideração se deu a glosa, pois uma empresa não pode prestar serviços a si mesma. Assim, não poderia esta e. Turma alterar o fundamento do lançamento de ofício efetuado (simulação), no sentido de melhorálo ou reformulálo. Nesse sentido, determina o art. 10 do Decreto 70.235/1972. Diz tal artigo que o auto de infração “conterá obrigatoriamente”, dentre outros, “a disposição legal infringida e a Fl. 6243DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 6 penalidade aplicável”. Ademais, exige a Lei 9.784/1999 que devam ser observadas nos processos administrativos também “as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados” (art. 2.º, VIII) e que os atos administrativos “deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos” quando “neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses”, “imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções” ou “decidam recursos administrativos” (art. 50, caput, I, II e V), sendo que a motivação “deve ser explícita, clara e congruente” (art. 50, § 1.º). Somente com a plena motivação da autuação fiscal poderá o contribuinte exercer o contraditório e a ampla defesa, conhecendo, afinal, os exatos motivos que levaram a Administração a entender devido o tributo exigido e, assim, podendo impugnálos adequadamente. Uma vez realizado o lançamento, o contribuinte, por óbvio, defendese das acusações que lhe foram imputadas. A partir do momento em que a decisão de primeiro ou segundo grau modifique as razões do ato de imposição, o direito à defesa e ao contraditório resta atingido, já que não poderia o contribuinte presumir qual seria a fundamentação do órgão ou autoridade julgadora para manter o ato de imposição. Disto resulta que a autoridade julgadora não poderá ajustar o lançamento de forma a agravar a situação do contribuinte ou a mantêlo sob motivação ou capitulação legal distintas daquelas adotadas pela autoridade fiscal autuante. Realmente, se o conhecimento dos fatos e da fundamentação efetiva da ação fiscal só forem possíveis com o recebimento da decisão prolatada pelo julgador, apresentando novos motivos pelos quais o tributo exigido seria supostamente devido, tal não terá o efeito de legitimar o ato de lançamento, já que o vício decorrente de motivação inadequada enseja nulidade e não anulabilidade, inviabilizando seu aproveitamento. Daí porque não poderá o julgador valerse de motivação ou capitulação legal distintas daquelas constantes do lançamento, para mantêlo. Nesse sentido, aponta Celso Antônio Bandeira de Mello que “o motivo do ato é a própria situação material, empírica, que efetivamente serviu de suporte real e objetivo para a prática do ato. É evidente que o ato será viciado toda vez que o motivo de fato for descoincidente com o motivo legal.”. Portanto, se o auto de infração preencheu os requisitos legais de validade (dentre os quais a devida motivação e a correta capitulação legal), a sua alteração por autoridade superior (quer em razão de impugnação/reclamação interposta pelo autuado, quer em procedimento de revisão de ofício) implica o reconhecimento dos vícios de que padecia a autuação (na hipótese em exame, por motivação e/ou capitulação legal inadequadas ou deficientes), resultando no reconhecimento de sua nulidade. Em matéria tributária, a obediência rigorosa ao quadro normativo deriva da natureza ex lege que permeia as obrigações fiscais. Nesse ponto, o direito tributário assemelha se ao penal, não se admitindo que as falhas que causem prejuízo ao acusado sejam sanadas em fases posteriores. Assim como o juiz não pode condenar o réu por fato criminoso diverso daquele constante da denúncia, os órgãos julgadores do contencioso fiscal não podem exigir tributo por motivo distinto daquele contido no auto de infração. Admitir o contrário significaria possibilitar à DRJ, por exemplo, reconhecer a improcedência dos motivos e/ou a inadequação da capitulação legal constantes da autuação, acolhendo as razões da impugnação apresentada pelo contribuinte, mas, mantendo a autuação Fl. 6244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 16095.000723/201017 Acórdão n.º 1302001.713 S1C3T2 Fl. 6.242 7 fiscal por motivo e/ou capitulação legal distintos. Da mesma forma, estaria o julgador integrante do CARF autorizado a acolher as razões do recurso voluntário interposto e, ainda assim, manter a ação fiscal por um terceiro e novo motivo (e/ou capitulação legal). Permitirse ia, ainda, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF pudesse acolher eventual Recurso Especial, mas, mesmo assim, manter o auto de infração por uma quarta e inédita justificativa, levando o contribuinte a responder indefinidamente às novas acusações que lhe fossem sendo impostas. Destaquese, outrossim, que o art. 145 do CTN, que regula a hipótese de revisão do lançamento, admitea apenas quando houver impugnação do sujeito passivo, revisão de ofício ou por iniciativa da autoridade, esta nos casos previstos no art. 149 do mesmo Código, enquanto não extinto o direito da Fazenda Nacional. Admite o § 3.º do art. 18 do Dec. 70.235/1972 quando, “em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência”, seja “lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada”. Tais modalidades de revisão, por óbvio, não poderão ser realizadas pela autoridade julgadora, que não possui competência ou função de revisão, mas apenas decisória. Ademais, mesmo estes procedimentos deverão observar o determinado no art. 146 do CTN, segundo o qual a modificação nos critérios jurídicos do lançamento somente poderá ser efetivada para atos futuros. Essa regra deriva dos princípios maiores da irretroatividade da lei e da segurança jurídica, impedindo que o contribuinte seja surpreendido com alterações de entendimento por parte da Administração, em relação a atos passados. Ao comentar o tema, ensina Alberto Xavier que “o art. 146 nada mais é, pois, que simples corolário do princípio da não retroatividade extensível às normas complementares, limitandose a esclarecer que os lançamentos já praticados à sombra de ‘velha interpretação’ não podem ser revistos com fundamento em ‘nova interpretação’”. Por essas razões, há diversos julgados anulando decisões que haviam alterado os fundamentos do lançamento, como se observa, dentre outros, dos seguintes acórdãos: “O dever poder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não cabendolhe aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal” (Ac 10320.754, j. 17.01.2001). “Retificação de lançamento pela DRJ. Consoante art. 149 do CTN, é competente para revisão de ofício do lançamento anteriormente efetuado, a autoridade incumbida do lançamento (item XIII do art. 1.º da Portaria SRF 4.980/1994). A Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento não é autoridade lançadora, e como tal não tem competência para promover revisão, alteração, retificação ou aperfeiçoamento do lançamento” (Ac 10809.139, j. 06.12.2006). “Lançamento tributário. Inovação. Impossibilidade. É insubsistente a parcela de crédito tributário, tida como ‘mantida’ pela autoridade administrativa julgadora, quando se Fl. 6245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 8 constata que ela está fundada em elementos não considerados no lançamento original” (Ac 10516.834, j. 22.01.2008). “Processo administrativo fiscal. Inovação. Impossibilidade. O deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe sendo permitido aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal” (Ac 10322.569, j. 27.07.2006). “Processo administrativo fiscal. Recurso especial de divergência. Na apreciação de recurso especial de divergência a Câmara deve cingirse à matéria de direito em litígio e de eventuais preliminares. Inadmissível o aperfeiçoamento ou inovação do lançamento, ainda que estes não importem em agravamento da exigência, mas caracterizam mudança de critérios jurídicos do lançamento” (Ac CSRF/0104.535, j. 09.06.2003). “Erro na motivação do lançamento. Impossibilidade de ajuste pela autoridade julgadora. À autoridade julgadora (DRJ ou Conselho de Contribuintes) não é permitido ajustar o lançamento, ainda que na motivação constante da descrição dos fatos, por faltarlhe competência para tanto e também por implicar cerceamento do direito de defesa” (Ac 10809.256, j. 28.03.2007). Da mesma forma, há reiteradas decisões cancelando exações fundadas em capitulação legal não aplicável aos atos praticados pelo contribuinte, ainda que as autoridades julgadoras tenham considerado que tais operações pudessem ser enquadradas em outras disposições normativas: “Provocaria cerceamento do direito de defesa, com a consequente nulidade do acórdão, a manutenção de qualquer parte da exigência com fulcro em fundamentos distintos daqueles expendidos na decisão monocrática e do específico enquadramento legal constante do auto de infração”(Ac 108 06.011, j. 23.02.2000). “Imposto de renda pessoa jurídica. IRPJ. Glosa de exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real. Falta de motivação, de descrição e de enquadramento legal. A falta da descrição dos fatos, seu enquadramento legal e a motivação da realização de glosa, qualquer que seja ela, macula de nulidade o lançamento fiscal, eis que os requisitos omitidos pela fiscalização são essenciais à validade do lançamento fiscal” (Ac 10320.854, j. 19.03.2002). “Imposto sobre a propriedade territorial rural. ITR. Exercício de 1997. Nulidade. É nulo o auto de infração que não descreve os fatos, não fornece completa capitulação legal, tampouco menciona os demonstrativos e termos que o integram (IN SRF 94/97, arts. 1.º e 4.º a 6.º)” (Ac 30235.815, j. 17.10.2003). “IRF. Nulidade do auto de infração. O erro na tipificação e no enquadramento legal da infração cometida pelo contribuinte acarreta a nulidade do auto de infração por preterição do direito Fl. 6246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 16095.000723/201017 Acórdão n.º 1302001.713 S1C3T2 Fl. 6.243 9 de defesa do contribuinte. Recurso provido” (Ac 10244.466, j. 17.10.2000). A autoridade julgadora poderá ajustar o lançamento tão somente de forma benéfica ao contribuinte. Poderá a autoridade fiscal – não a autoridade julgadora – ajustar o lançamento de forma prejudicial ao contribuinte, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública e desde que observado o disposto no art. 146 do CTN, nas hipóteses do art. 149 do CTN ou quando verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência, inovação ou alteração da fundamentação legal. Nestas situações, deverá ser lavrado novo auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose ao contribuinte o prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Não poderá a autoridade julgadora manter a exigência sob motivação diversa da constante no termo de verificação fiscal e o erro na capitulação legal ensejará, sempre, a nulidade do respectivo lançamento. Portanto, a manutenção do lançamento com base em eventual glosa de despesas, com fulcro no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda ("RIR/99"), por não constar do TVF, não poderia subsistir. DA SIMULAÇÃO Cabe, ainda, analisar a simulação ocorrida, conforme constatada pelo auditor fiscal em seu termo de verificação. Em trecho retirado do termo de constatação de irregularidades fiscais, pode se dizer que a motivação do lançamento se baseia no fato de ter sido a Pandurata Assessoria Comercial criada ‘apenas no papel’, a fim de que a Pandurata Alimentos tivesse seu lucro real diminuído. Por outro lado, a prestadora de tais serviços tributaria seus lucros de forma presumida. Tal fato, caracterizado como simulação, segundo entendimento e fundamento apresentado pelo fiscal, veio assim fundamentada: inexistência de sede da empresa supostamente criada (Pandurata Assessoria Comercial), a transferência de empregados sem a rescisão contratual, a prestação de serviços somente para a empresa recorrente (Pandurata Alimentos), composição societária entre outros. Concluiuse, desta forma, que o negócio simulado foi a criação de uma empresa de assessoria comercial, transferindo para essa, parte do lucro da recorrente, de forma que aquela pudesse tributálo na forma presumida, ou seja, a Pandurata Assessoria Comercial não existia de fato, o que havia era apenas uma simulação visando ocultar outra situação de fato. Na simulação há manifestação enganosa de vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Na visão da fiscalização, o ato dissimulado, ou seja, aquele que realmente aconteceu por trás de toda a operação, foi que existia apenas uma empresa, que se valeu de subterfúgios para que pudesse diminuir seu lucro e com isso a base de cálculo do Imposto de Renda e reflexos lançados. Contudo entendeu esta e. Turma que a simulação não restou devidamente configurada, pelos fatos e fundamentos que ora discorro. Fl. 6247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 10 O imposto de renda da pessoa jurídica tem três sistemáticas de apuração, o lucro real, presumido e arbitrado. Não obstante isso, alguns contribuintes estão obrigados a adotar o lucro real enquanto outros podem optar por este último ou pela sistemática do presumido. Esta sistemática levou muitas empresas a segregarem parte de suas atividades em diferentes ramos de atividade, sendo que muitos destes ramos estariam em pessoas jurídicas criadas especificamente para tal fim. Assim, industrias sujeitas ao lucro real constituíram empresa de prestação de serviços para suas atividademeio. Em vista disso, estas empresas prestadoras de serviços, geralmente com receita bruta operacional inferior ao limite máximo para opção pela sistemática do lucro presumido passaram a optar por referida sistemática presumida, enquanto as tomadoras geravam despesas dedutíveis na sistemática do lucro real. Esta estrutura possibilita a tributação de receitas no lucro presumido enquanto gerava despesas no lucro real, o que gera uma economia tributável para o respectivo grupo econômico. Entendo que este planejamento fiscal é lícito, uma vez que não existe qualquer vedação no ordenamento jurídico que proíba a constituição de empresa apta a realizar prestação de serviços de assessoria comercial a terceiros, nem tampouco há vedação à realização do negócio jurídico consubstanciado na celebração de contrato de assessoria comercial entre duas pessoas jurídicas, ainda que pertencentes a um mesmo grupo econômico. Ou seja, os atos e procedimentos adotados pela Recorrente, ou ainda, pelo Grupo Pandurata, não afrontaram qualquer norma vigente no ordenamento jurídico brasileiro, além de representar em operações devidamente fundadas em interesse de cunho comercial e operacional das partes envolvidas. De fato, ao contrário das alegações expostas pela fiscalização, restou demonstrado que: (i) a constituição da empresa Pandurata Assessoria e a prestação de serviços à Recorrente são atos lícitos e legais, para os quais foi conferida a devida publicidade, tendo todos os registros nos órgãos competentes sido correta e devidamente realizados; (ii) a opção legal levada a efeito pela Pandurata Assessoria (lucro presumido) jamais poderia ter sido questionada pela autoridade fiscal, eis que a atividade desenvolvida por essa empresa nada se confunde ou assemelha com a atividade desenvolvida pela Recorrente, sendo assim, impossível a pretensão do fisco de retratálas como "uma única empresa" e desconstituir os atos e negócios jurídicos celebrados; (iii) a celebração dos negócios jurídicos consubstanciados no contrato de assessoria comercial, no contrato de mútuo e na cessão de créditos estão em pleno acordo com a legislação em vigor, não havendo razões legais para desconsiderálos ou desqualificálos; (iv) a recorrente agiu em conformidade com todos os dispositivos legais, relativamente às despesas incorridas com o pagamento de serviços de assessoria comercial prestados pela Pandurata Assessoria; (v) as informações referentes às despesas incorridas pela Recorrente com a contraprestação pelos serviços de assessoria comercial prestados pela Pandurata Assessoria foram devidamente registrados nos livros contábeis e fiscais, havendo transparência absoluta de tais atos e procedimentos, seja em relação ao Fisco ou quaisquer terceiros; Fl. 6248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 16095.000723/201017 Acórdão n.º 1302001.713 S1C3T2 Fl. 6.244 11 (vi) a Pandurata Assessoria contratou funcionário em número suficiente para exercer a sua atividadefim; (vii) os tributos devidos pela Pandurata Assessoria no regime do lucro presumido foram apurados e recolhidos; (viii) o direito brasileiro protege o direito individual de autoorganização, não podendo o fisco, desconsiderar atos válidos que visem tal autoorganização, ainda que desta seja obtido redução ou economia de impostos; e (ix) do contribuinte não deve ser exigida prova da boafé, se o negócio jurídico foi realizado conforme o direito. Compete ao fisco trazer elementos que indiquem o ilícito. Ante todo o exposto, em respeito ao Princípio da Legalidade reconheço a regularidade dos atos e negócios jurídicos praticados pela Recorrente, notadamente a regularidade da dedução das despesas incorridas com a assessoria comercial na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, mantendo o acórdão embargado em seu inteiro teor. Assim, voto para conhecer dos embargos, e acolhelos a fim de sanar a omissão alegado, sem, contudo, darlhes efeitos infringentes. Sala de sessões, 25 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 6249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 8/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 18050.001952/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1994 a 30/04/1997
NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO SUPERVENIENTE AUTÔNOMO. INAPLICABILIDADE DO ART. 173, II, DO CTN. DECADÊNCIA.
Constatado que o novo lançamento não buscou convalidar o lançamento anulado, dissociando-se materialmente da autuação primitiva, é inaplicável a regra do art. 173, II do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.606
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela aplicação do artigo 173, II do CTN. A Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis votou pelas conclusões.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões e Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1994 a 30/04/1997 NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO SUPERVENIENTE AUTÔNOMO. INAPLICABILIDADE DO ART. 173, II, DO CTN. DECADÊNCIA. Constatado que o novo lançamento não buscou convalidar o lançamento anulado, dissociando-se materialmente da autuação primitiva, é inaplicável a regra do art. 173, II do CTN. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 18050.001952/2008-86
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473071
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.606
nome_arquivo_s : Decisao_18050001952200886.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
nome_arquivo_pdf_s : 18050001952200886_5473071.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela aplicação do artigo 173, II do CTN. A Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis votou pelas conclusões. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões e Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5959105
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889268178944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1260; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.001952/200886 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.606 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente CARAIBA METAIS S.A. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1994 a 30/04/1997 NORMAS PROCESSUAIS. LANÇAMENTO SUPERVENIENTE AUTÔNOMO. INAPLICABILIDADE DO ART. 173, II, DO CTN. DECADÊNCIA. Constatado que o novo lançamento não buscou convalidar o lançamento anulado, dissociandose materialmente da autuação primitiva, é inaplicável a regra do art. 173, II do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 19 52 /2 00 8- 86 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela aplicação do artigo 173, II do CTN. A Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis votou pelas conclusões. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões e Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001952/200886 Acórdão n.º 2402004.606 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de NFLD constituída em 30/01/2007 (fl. 02) para exigir contribuições previdenciárias no período de 05/1994 a 04/1997. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 78/98), a atuação foi lavrada em substituição à NFLD nº 32.615.9797, de 18/12/1998, anulada por decisão do CRPS, conforme acórdão nº 02/02290/2003, de 22/09/2003. O crédito tributário foi constituído em face da tomadora dos serviços Caraíba Metais S.A. e em face da contratada e prestadora dos serviços Giacomin Engenharia Manutenção e Montagem Industrial Ltda., ambas na qualidade de responsáveis solidárias pelo crédito, em virtude da não comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída nas Notas Fiscais correspondentes aos serviços prestados pela Giacomin à Recorrente. A Recorrente tomou ciência da notificação por meio pessoal em 30/01/2007 (fls. 02 e 233), enquanto a Giacomin foi cientificada via Edital em 29/04/2008 (fls. 201/204 e 233). A Recorrente interpôs Impugnação (fls. 208/222), requerendo a extinção do débito pelo decurso do prazo decadencial ou, quando menos, pela não configuração da cessão de mão de obra como pressuposto das contribuições exigidas. A Giacomin não se manifestou. Os autos foram convertidos em diligência pela DRJ/SDR (fls. 235), para que fosse informada a data da ciência do lançamento substituído, DEBCAD 32.615.9797, pela empresa contratada. Em resposta a Seção de Arrecadação e Cobrança (SARAC) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Camaçari — BA encaminhou o processo referente a NFLD substituída, a fim de que a própria DRJ/SDR pudesse identificar a data da cientificação (fls. 237). A DRJ/SDR, ao analisar o presente caso (fls. 238/246), julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário, entendendo, em suma, que: (i) o crédito sob julgamento não se encontra alcançado pela decadência, tendo em vista que foi lavrado em substituição à NFLD DEBCAD n° 32.615.9797, lançada no dia 21/01/1999, anulada em razão da ausência de caracterização da cessão de mão de obra, conforme Acórdão n° 02/02290/2003, de 22/09/2003; (ii) não procede o argumento da Recorrente de que o crédito tributário já teria sido alcançado pela decadência antes mesmo da decisão que anulou o lançamento anterior, pois considerando que a presente autuação contempla débitos relativos às competências 05/1994 a 04/1997, o prazo decadencial do primeiro período teve inicio em 01/01/1995 e se encerrou no dia 01/01/2000, sendo que o primeiro lançamento foi realizado em 21/01/1999, conforme NFLD DEBCAD n° 32.615.9797, respeitandose assim o prazo previsto no art. 173, I, do CTN; (iii) o crédito não subsiste quanto à prestadora de serviços Giacomin Engenharia Fl. 549DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Manutenção e Montagem Industrial Ltda., pois não há prova de que esta empresa tenha sido cientificada da NFLD (DEBCAD n° 32.615.9797) anulada pelo CRPS, e considerando que a Giacomin somente teve ciência do crédito tributário ora exigido em 29/04/2008, por meio de Edital no presente processo, operouse em relação a ela a decadência prevista no art. 173, I, do CTN; (iv) está correto o enquadramento no conceito de cessão de mão de obra para fins da solidariedade na cobrança das contribuições previdenciárias lançadas; (v) quanto a multa, deve ser reconhecida a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN, decorrente das alterações promovidas pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, no caso das novas penalidades serem mais benéficas à Recorrente, quando do seu pagamento. Intimada da referida decisão em 11/05/2010 (fls. 250), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 07/06/2010 (fls. 252/275), no qual sustenta, em síntese, que: (i) a primeira autuação lavrada na NFLD n° 32.615.9797 foi anulada por vício de natureza material e não formal, por isso não se aplica ao caso o art. 173, II, do CTN, razão pela qual os créditos ora exigidos já se encontram decaídos tanto pelo art. 150 § 4º quanto pelo art. 173, I, do CTN; (ii) em outros processos da Recorrente de mesma natureza os lançamentos foram anulados pela própria DRJ/SDR bem como pelo CARF por se entender tratar de vício material bem como em decorrência da Súmula nº 8 do STF; e (iii) não se configurou o instituto da cessão de mão de obra, fato gerador apontado na autuação, tendo havido típica prestação de serviço pura e simples. A empresa Giacomin Engenharia Manutenção e Montagem Industrial Ltda. não foi intimada da decisão da DRJ/SDR, vez que a correspondência que lhe foi enviada com Aviso de Recebimento – AR retornou sem a assinatura do recebedor (fls. 251) e não há nos autos demonstração da intimação por Edital ou outras vias. Este Conselho solicitou uma diligência para que fosse juntada ao presente processo cópia da NFLD nº 32.615.9797 (fls. 456/460), de forma a permitir a devida análise da natureza do vício que resultou na anulação de tal autuação, para fins de se verificar a aplicabilidade do art. 173, inc. II do CTN. A fiscalização juntou aos autos cópia integral da NFLD nº 32.615.9797. Após ciência, a Recorrente apresentou manifestação (fls. 470/496), alegando em suma que a NFLD nº 32.615.9797 foi anulada por vício material, razão pela qual não deve ser aplicado ao presente caso o art. 173, inc. II do CTN. A empresa Giacomin Engenharia Manutenção e Montagem Industrial Ltda. foi intimada da diligência por meio de edital, porém não se manifestou. É o relatório. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001952/200886 Acórdão n.º 2402004.606 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Sustenta a Recorrente que a NFLD nº 32.615.9797 foi anulada por vício material, razão pela qual não deve ser aplicado ao presente caso o art. 173, inc. II do CTN. Analisando os autos, verificase que a presente NFLD foi constituída em 30/01/2007 (fl. 02) para exigir créditos tributários relativos às competências de 05/1994 a 04/1997. Conforme informação contida nos autos, esta NFLD foi lavrada em decorrência da NFLD nº 32.615.9797, que tinha sido constituída em 21/01/1999 (fl. 02 da NFLD em apenso), mas acabou sendo anulada em 22/09/2003. De acordo com a decisão proferida na NFLD nº 32.615.9797 (fls. 984 do processo apenso) pela 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), o processo originário decorreu da solidariedade na contratação de serviços com cessão de mão de obra. Segundo o Relator do processo naquela oportunidade, a Recorrente recebeu mais de duas centenas de NFLD’s em virtude de solidariedade na contratação de serviços com cessão de mão de obra. No entanto, verificouse que a fiscalização deixou de fazer a correlação entre a documentação juntada e a caracterização da cessão de mão de obra, deixando, assim, de apurar devidamente a matéria tributável. Mencionou o Relator que, em outros casos da Recorrente, ele buscou analisar os documentos apresentados visando a caracterização da cessão de mão de obra, porém concluiu futuramente que ele estava, na verdade, realizando o trabalho da fiscalização. Veja trecho do acórdão nº 02/02290/2003 (fl. 986): “Voltamos aos procedimentos adotados por esta CaJ, quando do julgamento de outras NFLD's: ocasião em que este Relator passou a analisar os documentos apresentados pelo INSS, buscando, caracterizar através da referida documentação a cessão de mãodeobra. Hoje, quando do julgamento de novos processos conexos, instruídos de forma semelhante, e após diversas discussões com meus pares, entendo que tal procedimento foi equivocado, posto que substituí, ainda que com deficiências, atribuição do INSS. Caberia sim ao INSS configurar a existência da cessão de mão deobra com relação a cada um dos contratos e serviços relacionados com a NFLD em pauta, possibilitando que a Recorrente concordasse ou pudesse contestar satisfatoriamente o que deveria ter sido apresentado.” – destacouse Fl. 551DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Assim, concluiuse que a fiscalização autuou de forma genérica, utilizando um único modelo de Relatório Fiscal, sem analisar as peculiaridades de cada um dos contratos e serviços. Nesse sentido, pontua o Relator quando do julgamento da NFLD nº 32.615.9797: “O INSS procedeu de forma generalizada apresentando um único modelo de Relatório Fiscal, Pronunciamento Fiscal e DN, sem adentrar nas peculiaridades de cada um dos contratos e/ou serviços. Só quando está CaJ reclamou a necessidade de uma melhor caracterização da cessão de mãodeobra foram apresentados os contratos e outros, ainda assim nenhum esclarecimento foi apresentado, além de teorias. O INSS não conseguiu sair do campo da suposição tese da terceirização, e dos dispositivos legais para a realidade fática dos contratos ou das prestações de serviços.” – destacouse “Ainda lembro, quando analisei diversos contratos e serviços, ter apontado o que, sob minha ótica, caracterizava ou evidenciava a existência de cessão de mãodeobra. Reputo, hoje, tal procedimento como intolerável, posto que comporta total cerceamento de defesa. Não cabe a este ou a qualquer outro Conselheiro garimpar nos autos evidências do que foi afirmado pelo INSS de forma genérica. Devemos sim cotejar as afirmativas do INSS, devidamente delimitadas e comprovadas, com as alegações do contribuinte inconformado. Cabe sim, ao INSS, motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no Inciso LV, do Art. 5º, da CF/88.” Naquela oportunidade, a fiscalização não comprovou ter havido cessão de mão de obra, para após exigir as retenções devidas. Pelo contrário, presumiuse a existência de cessão de mão de obra, o que resultou na exigência das contribuições anuladas. Pelo exposto até o momento, resta evidente que a NFLD anulada incorreu em patente vício material, haja vista que simplesmente não apurou a matéria tributável, exigindo do contribuinte tributos com base em suposições. Embora a decisão que anulou a NFLD nº 32.615.9797 não tenha tecido considerações sobre a natureza do vício encontrado, foi dada a oportunidade de a fiscalização lançar novamente as contribuições dentro do prazo previsto no art. 173, inc. II do CTN. Veja se: “Portanto, entendo que o melhor desfecho para a NFLD em pauta, é apontar sua nulidade por cerceamento defesa, possibilitando que o INSS, a seu critério refaça o lançamento, sanando a nulidade apresentada. Registro ainda que em alguns contratos e serviços, vislumbrei a existência de cessão de mão deobra, entretanto volto a reafirmar que cabe à autoridade lançadora motivar seus atos. Tal decisão resguarda os direitos da autarquia no que se refere a prazo decadencial Inciso II, do Art. 173, do CTN.” Fl. 552DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001952/200886 Acórdão n.º 2402004.606 S2C4T2 Fl. 5 7 Tendo sido oportunizada a constituição de novo lançamento com base no art. 173, inc. II do CTN, entendo que este deveria ter como pressuposto de validade o lançamento anterior. Vale dizer, assim, que o lançamento superveniente deveria levar em conta os mesmos elementos intrínsecos do lançamento anterior, sendo constituído novamente apenas para sanar os vícios encontrados. O trabalho da fiscalização seria o de fundamentar todos os fatos geradores autuados anteriormente, o que no presente caso significa configurar a cessão de mão de obra para todos eles. Assim, teria a fiscalização a tarefa de convalidar o lançamento realizado anteriormente com base em suposições, fundamentando todas as cessões de mão de obra. Entretanto, analisando o presente Relatório Fiscal (fls. 78/98), verificase que a fiscalização lavrou uma notificação diferente da anterior. Isto porque, constatase que os contratos ora autuados (fl. 86) correspondem apenas a uma fração daqueles que faziam parte do lançamento anterior (fls. 28/36 da NFLD anulada), notadamente pelo fato de que, posteriormente, verificouse que grande parte dos contratos que subsidiaram a autuação anterior não correspondiam a serviços contratados mediante cessão de mão de obra (fls. 996 e seguintes). Efetuando uma comparação entre os períodos autuados nos lançamentos, apenas os que estão marcados abaixo foram objeto da nova autuação: 10/1993 11/1993 12/1993 01/1994 05/1994 06/1994 07/1994 08/1994 09/1994 10/1994 11/1994 12/1994 01/1995 02/1995 03/1995 04/1995 05/1995 06/1995 07/1995 08/1995 09/1995 10/1995 01/1996 02/1996 03/1996 04/1996 05/1996 06/1996 07/1996 08/1996 09/1996 10/1996 11/1996 12/1996 01/1997 01/1997 02/1997 03/1997 04/1997 06/1997 Os valores ora autuados também representam apenas 16% dos valores anteriormente exigidos. Assim, entendo que a fiscalização está, na verdade, revisando o seu lançamento com base no art. 149, inc. IX, do CTN. Caso se aceite a utilização do prazo previsto no art. 173, inc. II do CTN no presente caso, estarseá incorrendo em patente ofensa ao art. 149, parágrafo único do CTN, in verbis: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido Fl. 553DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Este Conselho já teve a oportunidade de se manifestar sobre a mesma matéria em outros processos instaurados em face da Recorrente (PAF nº 13502.001134/200713), ocasião em que foi reconhecida a decadência dos créditos, senão vejamos: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. DECADÊNCIA. VÍCIO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE. A falta de caracterização dos fatos geradores constitui vício material, do que resulta, em caso de prejuízo à defesa, nulidade do lançamento; portanto, inaplicável a regra do artigo 173, II do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.(...) Por todo o exposto, não vejo com estender para o vicio do lançamento decorrente da falta de descrição clara e precisa do fato gerador a regra especial no artigo 173, II, mas tão somente as regras gerais nos artigos 150, §4° e 173, I do Código Tributário Nacional. ” (CARF, 3ª Câmara, 1ª Turma, PAF nº 13502.001134/200713, Acórdão nº 230100.502, Cons. Rel. Julio Cesar Vieira Gomes, Sessão de 07/07/2009) – destacouse Cumpre destacar que no referido caso, o julgamento que anulou o lançamento anterior também permitiu a utilização do art. 173, inc. II do CTN (pág. 09 do acórdão paradigma), tendo este Conselho, quando da análise do processo superveniente, entendido que a utilização do art. 173, inc. II do CTN foi indevida, tal como neste processo. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18050.001952/200886 Acórdão n.º 2402004.606 S2C4T2 Fl. 6 9 Ademais, no julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional no processo 13502.001134/200713, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por decisão unânime, reconheceu a impossibilidade de se realizar, com base no art. 173, inc. II do CTN, lançamento materialmente diferente do lançamento anulado. Vejase trecho da ementa: “DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformarse materialmente com o lançamento anulado. Fazendose necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. O que não ocorreu no presente caso, posto que o novo lançamento introduziu inovação material no que diz respeito à caracterização da cessão de mão de obra. Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que, em tese, teria o condão de substituílo. Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Recurso especial negado.” (CARF, CSRF, PAF nº 13502.001134/2007, Acórdão 9202 002.730, Cons. Rel. Elias Sampaio Freire, Sessão de 11/06/2013) Fl. 555DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 10 Desta forma, levando em conta a forma como foi realizada a presente autuação, entendo ser equivocada a aplicação do art. 173, inc. II do CTN. Assim, considerando que o presente lançamento foi constituído em 30/01/2007 (fl. 02) para exigir créditos tributários relativos às competências de 05/1994 a 04/1997, há que se reconhecer a total decadência dos valores autuados, seja com base no art. 173, inc. I ou art 150, § 4º do CTN. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO E DARLHE TOTAL PROVIMENTO para RECONHECER A DECADÊNCIA DA TOTALIDADE DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.002298/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL ANTERIORES, ENTREGUES TEMPESTIVAMENTE.
Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente pelo contribuinte, salvo prova inconteste em contrário - produzida pela autoridade lançadora, no sentido da inexistência dos valores assim declarados.
Numero da decisão: 2102-003.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Bernardo Schmidt e Núbia Matos Moura, que negavam provimento.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 13/02/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 Ementa: IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL ANTERIORES, ENTREGUES TEMPESTIVAMENTE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente pelo contribuinte, salvo prova inconteste em contrário - produzida pela autoridade lançadora, no sentido da inexistência dos valores assim declarados.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10980.002298/2008-15
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5474445
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2102-003.249
nome_arquivo_s : Decisao_10980002298200815.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
nome_arquivo_pdf_s : 10980002298200815_5474445.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Bernardo Schmidt e Núbia Matos Moura, que negavam provimento. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
id : 5960479
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889287053312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 2.700 1 2.699 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.002298/200815 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.249 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2015 Matéria APD, Ganho de Capital Recorrente NABI KEMMEL MELLEM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 Ementa: IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL ANTERIORES, ENTREGUES TEMPESTIVAMENTE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente pelo contribuinte, salvo prova inconteste em contrário produzida pela autoridade lançadora, no sentido da inexistência dos valores assim declarados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Bernardo Schmidt e Núbia Matos Moura, que negavam provimento. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 22 98 /2 00 8- 15 Fl. 2700DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 2 AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do Contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração com responsabilização solidária e pessoal de sua esposa, Eliana Fátima Formiguieri Mellem, tendo sido apurado o crédito tributário no valor total de R$57.822,49 (cinquenta e sete mil, oitocentos e vinte e dois reais e quarenta e nove centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003 e 2005, em face da apuração de variação patrimonial a descoberto por bens comuns ao casal, assim como a falta de recolhimento de imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação de bens comuns ao casal. A ação fiscal encontrase minudenciada no mencionado Termo de Verificação Fiscal, do qual é extraído o seguinte trecho da conclusão da Fiscalização, conforme in verbis: 1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS: Este processo originouse do cruzamento de informações entre os sistemas informatizados da SRF, em que foi verificado que nos anoscalendário 2002 a 2004 o contribuinte supracitado e sua esposa Eliana Fátima Formiguieri Mellem, CPF n° 566.973.84972, apresentaram indícios de variação patrimonial a descoberto. Tendo em vista que a variação patrimonial a descoberto por bens comuns ao casal, assim como a falta de recolhimento de imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação de bens comuns ao casal, implicam a sujeição passiva solidária entre os cônjuges, o crédito tributário resultante deste Auto de Infração é de responsabilidade solidária do contribuinte e sua esposa Eliana Fátima Formighieri Mellem. (...) 5 APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Diante disso, efetuouse o lançamento de ofício do imposto de renda pessoa física sobre a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial injustificado dos contribuintes, apurado no mês de janeiro de 2003, conforme consta no Demonstrativo da Evolução Patrimonial — Fluxo Financeiro Mensal, planilha n° 001, em anexo, com base nos arts. 55, inciso XIII, c/c arts. 806 e 807, todos do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99. No mesmo Auto de Infração, efetuouse o lançamento de ofício do imposto de renda pessoa física sobre o ganho de capital resultante da venda do veículo MercedezBenz 2002/2003, Renavam 786419970, no valor de R$25.000,00 (R$240.000,00 — R$215.000,00), que não foi recolhido pelos contribuintes na data prevista na legislação (até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que os rendimentos ou ganhos forem percebidos), com base no art. 852 do mesmo Regulamento. Fl. 2701DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10980.002298/200815 Acórdão n.º 2102003.249 S2C1T2 Fl. 2.701 3 Cientificados do lançamento fiscal e inconformados, o Contribuinte e sua esposa apresentaram Impugnação constante às fls. 905/912, por meio do qual, resumidamente, foi exposto: que recolheram o imposto de renda devido sobre lucro na venda de um automóvel, assim com em relação a omissão de rendimento tributável da contribuinte Eliana (rendimentos de aluguel recebidos da sociedade FASAMED COMÉRCIO FARMACEUTICO S.A.); protestam quanto à autuação em virtude de variação patrimonial a descoberto, alegando, em síntese, terem declarado que em 31/12/2002 tinham a importância de R$80.000,00 em espécie; aduzem que em nenhum momento esta declaração foi posta em dúvida e que a fiscalização teria ignorado essa informação, concluindo que, em janeiro de 2003, os contribuintes apresentaram acréscimo patrimonial a descoberto no valor de R$78.516,15, o qual é inferior aos R$80.000,00 que foi declarado em dinheiro; sustentam ainda que não haveria razão para ser desconsiderado a existência do dinheiro em espécie, devidamente declarado pelos Contribuintes, e que tratavase de importância mais do que suficiente para justificar os dispêndios realizados em janeiro de 2003, concluindose assim não haver variação patrimonial a descoberto naquele mês; colacionam jurisprudências do Conselho de Contribuintes para defender que "as sobras de caixa, devidamente declaradas pelo contribuinte e provadas durante a fiscalização (que somam os mencionados R$80.000,00) deveriam ser transportadas para janeiro de exercício seguinte para averiguação da regularidade do acréscimo patrimonial"; concluem pela inexistência de variação patrimonial a descoberto uma vez que consideram que "comprovaram, por meio de suas declarações de rendimentos e informações prestadas durante a fiscalização, a origem de seus recursos, suficiente para fazer frente a seus dispêndios"; apontam ter ocorrido equívoco da autoridade fiscal no que se refere ao cômputo de descontos simplificados como dispêndios, tendo em vista o princípio da irretroatividade das leis, uma vez que a “autoridade não poderia invocar a legislação editada em 2006 para justificar o cômputo, como dispêndio, do desconto simplificado das DIRPF’s apresentadas antes desse exercício financeiro”; ponderam ainda que a autoridade fiscal deveria computar as receitas financeiras uma vez que se trata de uma renda que é "tributada mesmo antes de haver resgate/saque"; questionam a desconsideração da doação do valor de R$12.300,00 recebida pela Contribuinte Eliana, aduzindo que a mesma foi feita em dinheiro e que era praxe que sua mãe lhe doasse R$10.000,00 mensais; por fim, postulam os Contribuintes pelo acolhimento da Impugnação com a conseqüente anulação do Auto de Infração. Fl. 2702DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 4 Na análise das alegações apresentadas na Impugnação, os integrantes da 4ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, consideraram: incontroverso o valor do imposto sobre ganho de capital de R$3.750,00, mais multa e juros legais, do anocalendário de 2004 e, procedente o lançamento efetuado, mantendose o imposto suplementar no valor de R$21.591,94, mais multa de ofício de 75% no valor de R$16.193,95 e juros legais; relativo à matéria impugnada. Vale destacar trecho do voto do il. Relator, no qual diz: (...) Em outras palavras, não obstante seja possível, a declaração de disponibilidade de numerário ao final de cada ano pelo próprio interessado não é hábil à comprovação efetiva de disponibilidade financeira em espécie capaz de justificar futuras variações patrimoniais a descoberto. Somente poderiam ser considerados tais valores declarados caso estivessem amparados em elementos outros que lhes confirmassem a existência e lhes desse embasamento fático, o que não se evidencia no caso dos autos. (...) Prosseguindo, no que se refere especificamente à ponderação do litigante no sentido que a autoridade fiscal deveria computar as receitas financeiras, importa esclarecer que a simples percepção desses rendimentos financeiros, sujeitos à tributação exclusiva fonte, não é suficiente para acobertar acréscimos patrimoniais apurados, uma vez que tais rendimentos apenas representam recursos latentes passíveis de utilização, posto que não são creditados em sua conta corrente e sim incorporados ao capital aplicado. Nesse sentido, conforme bem salientou a fiscalização no TVF de fls. 880/890, tais recursos só podem servir para respaldar novos dispêndios no momento em que sejam sacados ou resgatados. Dessa forma, não devem ser computados essas receitas financeiras da forma como requer o impugnante. Por fim, igualmente não tem razão o questionamento quanto à desconsideração da doação do valor de R$12.300,00, supostamente recebida em 2002 pela contribuinte Eliana, uma vez que não restou comprovado à fiscalização o efetivo recebimento deste numerário. Ademais, salientase que, conforme consta do TVF, é irrelevante esta desconsideração, uma vez que não foi apurada variação patrimonial a descoberto para o anocalendário de 2002. O Contribuinte e sua esposa tiveram ciência de tal decisão e contra ela interpuseram conjuntamente o Recurso Voluntário de fls. 1.079/1.085, pelo qual reiteraram integralmente as alegações contidas na Impugnação apresentada, ressaltando – resumidamente, o que se segue: que os rendimentos auferidos no anocalendário de 2002 foram objeto de fiscalização e que não foi detectado nenhum equívoco ou afirmação falsa, portanto, tendo sido Fl. 2703DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10980.002298/200815 Acórdão n.º 2102003.249 S2C1T2 Fl. 2.702 5 admitido pela fiscalização que as informações ali constantes eram verídicas, inclusive com relação a posse e a propriedade de R$80.000,00 em espécie no final daquele exercício; que a autoridade fiscal teria desconsiderado a existência desse ativo para afirmar que, em 2003, teria havido acréscimo patrimonial sem a comprovação de ativos suficientes para fazer frente às despesas incorridas; que não existia qualquer indício de prova que justifique a presunção construída pela fiscalização no sentido de ter havido omissão de receita, sendo somente aceito se cogitar a presunção de omissão de receita, caso a fiscalização tivesse apontado elementos que induzissem à essa conclusão; que a presunção de inocência do contribuinte induz que as afirmações por ele prestadas ao fisco são verdadeiras, e que somente com base em provas em contrário, produzidas pelo Fisco, é que se poderia afirmar serem falsas as declarações prestadas pelo contribuinte; Alegam ainda que: Não há razão jurídica para desconsiderarse a existência daquele dinheiro em espécie, devidamente declarado pelos contribuintes. Tratase de importância mais do que suficiente para justificar os dispêndios realizados pelos contribuintes em janeiro de 2003. A soma dos valores dos recursos auferidos pelos contribuintes em janeiro de 2003 apontado pela fiscalização (R$37.669,69) com o dinheiro que os contribuintes tinham em espécie (R$80.000,00) importa em R$117.669,69. E isso é suficiente para cobrir os dispêndios realizados em janeiro de 2003 (apontados pela fiscalização como sendo no valor de R$116.185,84). Logo, não houve variação patrimonial a descoberto naquele mês, razão pela qual o auto de infração deve ser declarado insubsistente. (...) Concluise, pois, pela inexistência de variação patrimonial a descoberto, tendo em vista que os contribuintes comprovaram, por meio de suas declarações de rendimentos e informações prestadas durante a fiscalização, a origem de seus recursos, suficiente para fazer frente a seus dispêndios. Não obstante, a fiscalização considerou exclusivamente o mês de janeiro de 2003, sem levar em consideração a existência de disponibilidade em caixa em 31 de dezembro de 2002 tampouco os demais rendimentos auferidos (e declarados e comprovados) pelos contribuintes durante o exercício de 2003. Por fim, pleitearam o provimento do Recurso Voluntário, reformandose o acórdão recorrido, para ser declarado insubsistente o Auto de Infração, diante da inocorrência de fato gerador do imposto de renda exigido. Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI 6 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 23.11.2010, como atesta o AR de fls. 1077. O Recurso Voluntário foi interposto em 08.12.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que manteve lançamento fundado na apuração de variação patrimonial (considerando que a parcela relativa ao ganho de capital na alienação de bens não foi objeto de Impugnação). A defesa principal dos Recorrentes (contribuinte principal e sujeito passivo solidário – sua esposa) é a de que teriam o montante de R$ 80.000,00 em espécie, valor este que seria suficiente a justificar o acréscimo apontado no lançamento. A existência deste montante, porém, não foi reconhecida, quer pela autoridade fiscal quer pela decisão recorrida, pela falta de prova de sua existência. Entendeu a decisão recorrida que o simples fato de tal montante estar declarado pelo Recorrente não seria suficiente para comprovar sua existência de fato. O cerne da discussão travada nos autos, então, é exclusivamente a prova da existência do mencionado valor (R$ 80.000,00), conforme constava da DIRPF do Recorrente. Caso comprovada a sua existência no momento da ocorrência dos fatos que ensejaram o lançamento (dispêndios de janeiro de 2003), os dispêndios efetuados estariam acobertados e o lançamento não subsistiria. Com efeito, a única prova da existência do montante alegado é a DIRPF apresentada tempestivamente pelo Recorrente (fls. 07/16). Dela é possível depreender que o mesmo detinha R$ 110.000,00 ao término de 2001 e R$ 80.000,00 ao término de 2002. Por certo que não há como comprovar a existência deste montante – pela sua própria natureza (moeda em espécie), mas a jurisprudência deste Conselho vem entendendo que desde que declarada a disponibilidade de moeda em espécie, e não sendo a sua existência questionada pela autoridade fiscal, deve este valor ser considerado como origem para fins de apuração da variação patrimonial a descoberto . É o que demonstram os seguintes julgados: IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DINHEIRO EM ESPÉCIE DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL ENTREGUES TEMPESTIVAMENTE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie moeda estrangeira ou outras rubricas semelhantes, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora, no sentido da inexistência dos numerários quando do Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10980.002298/200815 Acórdão n.º 2102003.249 S2C1T2 Fl. 2.703 7 término dos anoscalendário em que foram declarados. Recurso provido. (Acórdão nº 10614453, julgado em 24.02.2005) IRPF DINHEIRO EM ESPÉCIE Os recursos em dinheiro inseridos na declaração de bens, pelo contribuinte, devem ser aceitos para acobertar acréscimo patrimonial a descoberto, salvo prova em contrário, produzida pela autoridade lançadora de sua inexistência no término do anobase em que foi declarado, ou ainda, que sua Declaração de Rendimentos tenha sido apresentada intempestivamente. DOAÇÃO Deve ser aceito, para justificar acréscimo patrimonial a descoberto, doação efetuada entre parentes, quando cumprido os requisitos da Lei. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Cancelase a penalidade aplicada sobre o total do imposto devido, quando há previsão de incidência de penalidade específica. Recurso parcialmente provido. (Acórdão nº 10244464, julgado em 17.02.2000) Entendimento diverso implicaria em retirar a validade do campo da declaração de ajuste anual próprio para a declaração de moeda mantida em espécie, pois esta jamais poderia ser aceita/comprovada. Voltando ao caso concreto, tendo em vista que o acréscimo patrimonial apontado pela fiscalização no mês de janeiro de 2003 foi de R$ 78.516,15 – valor inferior aos R$ 80.000,00 aqui reputados como comprovados para origem de seus dispêndios, é de se concluir que não houve acréscimo patrimonial a descoberto naquele ano de 2003. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 03/06/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE A ZEREDO FERREIRA PAGETTI
score : 1.0
Numero do processo: 10073.002505/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 27/02/2004
MULTA DIÁRIA. NATUREZA.
A multa diária prevista pelas letras "d" a "g" do inciso VII do artigo 107 do Decreto-lei n. 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n.º 10.833/2003, não tem caráter ressarcitório ou punitivo, mas, sim, cominatória ou inibitória, e sua aplicação deve ser precedida de ato da autoridade competente para começar a contar sua incidência e apuração. Ela deve se referir a obrigação e a inadimplência passíveis de cumprimento por parte do autuado de modo a evitar a incidência da multa diária.
Numero da decisão: 3401-002.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Ângela, que dava provimento integral. O Conselheiro Eloy votou pelas conclusões quanto ao descabimento da multa e apresentará declaração de voto conjunta com a Conselheira Ângela. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Amador Outerelo.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA - Relator.
EDITADO EM: 05/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos; Robson José Bayerl; Eloy Eros da Silva Nogueira; Ângela Sartori; Jean Cleuter Simões Mendonça; Bernardo Leite de Queiroz Lima
Nome do relator: BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 27/02/2004 MULTA DIÁRIA. NATUREZA. A multa diária prevista pelas letras "d" a "g" do inciso VII do artigo 107 do Decreto-lei n. 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n.º 10.833/2003, não tem caráter ressarcitório ou punitivo, mas, sim, cominatória ou inibitória, e sua aplicação deve ser precedida de ato da autoridade competente para começar a contar sua incidência e apuração. Ela deve se referir a obrigação e a inadimplência passíveis de cumprimento por parte do autuado de modo a evitar a incidência da multa diária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10073.002505/2008-74
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5482991
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3401-002.932
nome_arquivo_s : Decisao_10073002505200874.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10073002505200874_5482991.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Ângela, que dava provimento integral. O Conselheiro Eloy votou pelas conclusões quanto ao descabimento da multa e apresentará declaração de voto conjunta com a Conselheira Ângela. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Amador Outerelo. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA - Relator. EDITADO EM: 05/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos; Robson José Bayerl; Eloy Eros da Silva Nogueira; Ângela Sartori; Jean Cleuter Simões Mendonça; Bernardo Leite de Queiroz Lima
dt_sessao_tdt : Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
id : 6024389
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889294393344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2015; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 4.546 1 4.545 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.002505/200874 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.932 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2015 Matéria Imposto de Importação / Multa Isolada Recorrente CLARIANT S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 27/02/2004 MULTA DIÁRIA. NATUREZA. A multa diária prevista pelas letras "d" a "g" do inciso VII do artigo 107 do Decretolei n. 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n.º 10.833/2003, não tem caráter ressarcitório ou punitivo, mas, sim, cominatória ou inibitória, e sua aplicação deve ser precedida de ato da autoridade competente para começar a contar sua incidência e apuração. Ela deve se referir a obrigação e a inadimplência passíveis de cumprimento por parte do autuado de modo a evitar a incidência da multa diária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Ângela, que dava provimento integral. O Conselheiro Eloy votou pelas conclusões quanto ao descabimento da multa e apresentará declaração de voto conjunta com a Conselheira Ângela. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Amador Outerelo. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA Relator. EDITADO EM: 05/07/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 25 05 /2 00 8- 74 Fl. 4553DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos; Robson José Bayerl; Eloy Eros da Silva Nogueira; Ângela Sartori; Jean Cleuter Simões Mendonça; Bernardo Leite de Queiroz Lima Relatório Trata o presente de Auto de Infração lavrado contra a ora Recorrente, na data de 03/10/2008, para exigência de Imposto de Importação, acrescido de juros de mora e multa proporcional, além de multa isolada no valor de R$ 9.567.016,85. As declarações de importação (DI) de n°04/02350523, 04/02352089 e 04/02769869, foram submetidas ao regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão por meio do Ato Concessário (AC) 20030033551, com prazo de vencimento em 22/08/2007, assim como, as DI n° 04/03080945 e 04/01813147, sob o AC 20030119324, com vencimento em 28/07/2004. Neste regime, o imposto de importação recebe o beneficio da isenção sob condição resolutiva. Isto implica que o importador beneficiário deverá utilizar os insumos trazidos do exterior no processo produtivo e, ao término do prazo concedido, proceder à exportação dos bens produzidos. Ocorre que, em face das datas de registro das DI, constatase que os insumos por elas acobertados não poderiam ter sido utilizados no processo produtivo dos bens exportados em cumprimento ao termo de compromisso de seus respectivos Atos Concessórios, uma vez que, ora são posteriores a última data de embarque referente ao AC (04/0181314/7), ora são posteriores à última data de consumo (04/02350523, 04/02352089, 04/02769869 e 04/03080945). Outrossim, o beneficiário não tomou nenhuma das providências elencadas no art. 342 do Decreto n° 4.543/2002 Regulamento Aduaneiro. Sendo assim, foi lavrado o auto de infração em tela, exigindose os tributos devidos, bem como os acréscimos legais. O Recorrente apresentou Impugnação em face do auto de infração, a qual foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), cujo acórdão a ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 27/02/2004 Importações submetidas ao regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão. Cabe o ônus da prova ao beneficiário do regime em relação à comprovação que os produtos foram fabricados com os insumos importados sob o regime de drawback suspensão. A fiscalização constatou que as declarações de importação em análise descumprem o termo de compromisso firmado em relação aos seus respectivos Atos Concessórios, uma vez que os insumos importados por meio dessas DI não poderiam ter sido contabilizados na produção dos bens exportados em cumprimento aos respectivos Atos Concessórios por uma questão cronológica. Impugnação demonstrou em um caso que não ocorreu a duplicação de uma Declaração de Importação no adimplemento de Ato Concessório. Fl. 4554DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10073.002505/200874 Acórdão n.º 3401002.932 S3C4T1 Fl. 4.547 3 Irresignada, a Recorrente interpôs o competente Recurso Voluntário, alegando em síntese: · verificase do Auto de Infração, seus Demonstrativos e Tabelas, notadamente o consignado na peça básica, subitem "1.2.1 Da sistemática adotada" e Tabelas 4 e 5, que, partindo de cada insumo importado para o calculo da Produção Esperada (kg) e comparando esse resultado com a Produção Exportada (também em kg), quando a Produção Exportada foi menor que a Produção Esperada, seja por erro de cálculo do Coeficiente Técnico aplicado, seja por que nem todo o insumo importado foi aplicado na Produção Exportada, surgindo o que a Fiscalização intitulou de "peso a nacionalizar", a ora Recorrente recolheu espontaneamente os tributos devidos incidentes sobre essa diferença de matéria prima, com os acréscimos legais, como o próprio o Fisco comprovou com a apresentação das Tabelas 4 e 5. Portanto, o tributo, multa proporcional e juros de mora exigidos nos DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO do Imposto de Importação, Multa e Juros de Mora (fls. 11/15) decorrem exclusivamente do que a Fiscalização anotou tratarse de importações efetuadas após o "Último consumo do AC (ano/data)”, indicado na Tabela 2, e "Dt última embq do AC", mencionado na Tabela 3, como verifica da leitura das respectivas tabelas. Esse é o único suporte do tributo exigido nestes autos, como se comprova do indicado no item 001 da folha de continuação do AUTO DE INFRAÇÃO (fls. 03), traduzido na Tabela 2, onde foram arrolados os registros das (DI) de nº 04/02350523, 04/02352089 e 04/02769869, em 03/2004,em data posterior ao consumo indicado no AC 20030033551 (2003), com prazo de vencimento em 22/08/2004, e DI nº 04/03080945, registrada em 27/02/2004, também posterior ao consumo indicado no AC 20030119324 (16/01/2004), com data de vencimento 28/07/2004; e também na Tabela 3, onde foi indicado o registro da DI 04/01813147, em 27/02/2004, em data posterior ao que seria a data do último embarque do AC 20030119324 (27/01/2004), com vencimento em 28/07/2004. A imputação à fiscalizada da prática dessas apontadas infrações, ou seja, as supostas importações, cujo registro se indica como posteriores à suposta data do registro do consumo ou da data da última exportação, é insubsistente; · "as infrações somente foram apontadas porque: (i) a Fiscalização deixou de aprofundar o exame de escrita da autuada, deixando de examinar aescrita fiscal (Livro Registro de Controle da Produção e de Estoque RCPE, modelo P3, Notas Fiscais de Venda e demais documentário fiscal) relacionado com a importação e exportação drawback da fiscalizada; (ii) efetivo descumprimento ou falha no cumprimento de obrigações acessórias inerentes ao controle das importações sob o regime de drawback suspensão, por parte do empregado encarregado de providenciar essas vinculações. Indiretamente, isto é, indiciariamente se comprova, pois o contribuinte que exporta em quantidades muito superiores ao apurado pelo Fisco mediante a aplicação de Coeficientes Técnicos sobre insumos importados, como se observa da Tabela 5 e, nos casos em que ocorre o contrário, recolhe espontaneamente os tributos com os acréscimos legais (Tabela 4) está a demonstrar, além de se tratar de contribuinte correto, que o levantamento foi impreciso"; · "também o fato de o peso dos Produtos Exportados ser muito superior ao Peso Esperado mediante a aplicação do Coeficiente Técnico, nos casos em que os insumos foram importados, conforme DIs arroladas nas Tabelas 2 e 3, exatamente aquelas elaboradas pela Fiscalização como suporte para exigência de diferença de tributos e multas e ainda a falta de cotejo desses elementos com a escrita fiscal (Livro Registro de Controle da Produção e de Estoque e documentos que o lastreiam) revelam a inconsistência da acusação de importação para consumo interno, sem o pagamento dos tributos"; Fl. 4555DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 · a falta de um minucioso exame da escrita fiscal e sua documentação; e, por outro, as falhas materializadas na falta de vinculação de algumas exportações ao respectivo Ato Concessório foram a causa da infundada acusação de deixar de aplicar os insumos importados com suspensão de tributos nos produtos exportados. Os jogos de documentos colacionados aos autos junto com a Impugnação julgada pela DRJ (CONJUNTOS: I, referente ao Ato Concessório 2003003551, e; II pertinente ao Ato Concessório 20030119324) comprovam as exportações vinculadas aos Atos Concessórios arrolados na Tabela 2 e 3, posteriores aos Registros das DIs declaradas nessas Tabelas como sendo posteriores ao último consumo (Tabela 2) e último embarque (TABELA 3); · a autuada incorreu em infrações formais que não prejudicaram o Erário, ao deixar de anotar o número do Ato Concessório ou indicar na DI o número errado do Ato Concessório e que salvo expressa disposição legal em contrário, é juridicamente incorreto admitirse que o equívoco ou descumprimento de uma obrigação acessória (mero aspecto formal), possa anular o direito a um benefício fiscal, devendo pravelcer a essência e não a forma; · no que concerne a infração descrita na Tabela 1, "Utilização de DI em dois Atos Concessórios simultaneamente, defende que, embora algumas anotações tenham origem em meros erros formais, tanto que a Fiscalização em nenhum momento alegou que a autuada tivesse importado mais insumos do que os autorizados ou exportado menos produtos dos que deveriam ter sido elaborados com os insumos importados com suspensão de tributos, ainda é de observar inexistir qualquer óbice legal a que uma importação seja vinculada a mais de um Ato Concessório; · no que se refere à DI 04/06827359, não ocorreu qualquer irregularidade da indicação no fato de haver sido acobertada pelos Atos Concessórios 20030194857 e 20040013200, eis que, como se verifica do CONJUNTO IV, neste caso a indicação do Ato Concessório 20030194857, tem sua origem na Adição: 04/06827359/008 ((fls. 9 do CONJUNTO), e; a indicação do Ato Concessório 20040013200, tem suporte na Adição: 04/06827359/010 (fls. 11 do CONJUNTO). Quanto à Dl nº 05/06142935, indicada como tendo amparo nos Atos Concessórios nºs 2003019857 e 20040087964, como se verifica do CONJUNTO V, ela na verdade se reporta exclusivamente ao Ato Concessório 20040087964, como se comprova com a Adição: 04/06827359/002 (fls. 5 do CONJUNTO), tendo sido arrolada por equívoco no Relatório Unificado de Drawback nº 20030194857(fls.7). Provase o alegado mediante simples verificação da soma do que consta do referido Relatório Unificado de Drawback 20030194857, somandose a quantidade de 14.583,37 kg mais 1.670,63 kg, referente às ao Ato Concessório 20030194857 (fls. 9/11); · incabíveis as multas exigidas, por ter sido adotada interpretação equivocada do disposto no art. 107, inciso VII, alínea "e", do Decretolei nº 37/66, após a redação que lhe deu o art. 77, da Lei nº 10.833/2003, eis que o drawback não estaria incluído nas hipóteses de aplicação desta norma; · desproporção entre a multa cominada e a razão de ser de sua aplicação ou fundamento mesmo nos casos em que é prevista em lei, devendo ser afastada por ser confiscatória; e, · no caso das multas, que considera serem astreintes, incorporadas ao Decretolei nº 37, de 1966, art. 107, VII, "e", há necessidade de advertência prévia para começar a contagem da multa diária, nos termos do art. 735 do Decreto nº 6.759/09. É o Relatório. Fl. 4556DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10073.002505/200874 Acórdão n.º 3401002.932 S3C4T1 Fl. 4.548 5 Voto Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. 1 Do descumprimento dos requisitos do regime de Drawback O lançamento ora debatido decorreu de a autoridade fiscal ter verificado os seguintes descumprimentos aos termos de compromisso dos seguintes Atos Concessórios do regime de drawback: a) as DIs nºs 05/06142935 e 04/06827359 foram vinculadas a dois Atos Concessórios. A DI nº 05/06142935 foi utilizada nos ACs 20030194857 e 20040087964, ao passo que a DI nº 04/06827359 foi utilizada nos ACs nºs 20030194857 e 20040013200; b) em relação às Declarações de Importação nºs 04/02350523, 04/0235208 9, 04/02769869, os insumos foram utilizados após a última data de consumo prevista no Ato Concessório nº 20030033551 e na DI nº 04/03080945, o consumo ocorreu após a data prevista no AC nº 20030119324; e c) na DI nº 04/01813147, a utilização do consumo se deu após a última data de embarque prevista no AC nº 20030119324. Antes de proceder à análise pormenorizada dos DIs, é importante tecer uma breve consideração no que tange ao princípio da vinculação física, utilizado como fundamento para a manutenção do auto de infração pela DRJ. Segundo afirmado no acórdão objeto do presente recurso, o princípio da vinculação física estava implícito no art. 78, inciso II, do DecretoLei nº 37/66: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; Outrossim, o art. 341 do Decreto nº 4.543/02, Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, dispunha sobre a necessidade de utilização dos bens importados no processo produtivo ou embalagem dos produtos a serem exportados: Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Fl. 4557DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos impostos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. A vinculação física, conquanto seja uma dos elementos necessários à utilização do regime de drawback, permite certa flexibilidade em sua exigência, principalmente nos casos em que as mercadorias importados possuem similares no mercado interno. Nestes casos, reconhecese a fungibilidade das mercadorias importadas com seus similares nacionais. Assim, a utilização de insumos nacionais no lugar dos importados é permitida, mantendose o benefício do regime de drawback suspensão, desde que, ao fazêlo, o contribuinte de fato proceda à exportação dos produtos, como se tivesse utilizado aqueles que foram importados sob o regime aduaneiro especial. Esta fungibilidade é permitida desde que não acarrete em dano ao erário, não seja realizada em uma operação fraudulenta e que não crie uma situação de concorrência desleal, prejudicando a economia interna e as demais empresas que atuam no mesmo ramo do contribuinte. Caso contrário, estariase desvirtuando o propósito do regime especial do drawback, que tem como intuito incentivar a atividade econômica l, gerando competitividade das empresas nacionais frente ao concorrido mercado externo, gerando divisas importante para o país por meio de exportações. Trazendo esta questão ao presente caso, tanto o auto de infração quanto o acórdão da DRJ pautaramse na ausência de comprovação da vinculação física para realizar o lançamento do imposto e impor as penalidades à ora Recorrente. Esta, por sua vez, não questionou a aplicabilidade do princípio da vinculação física ou suscitou a fungibilidade dos insumos importados por nacionais, seja em sede de impugnação ou de recurso voluntário. Mesmo tendo o acórdão recorrido adotado como premissa a infungibilidade no regime do drawback, não há em suas razões recursais questionamento em relação a isto. Destarte, a Recorrente não buscou demonstrar que, apesar da ausência de vinculação física apontada, teria se valido da fungibilidade no regime de drawback. Portanto, o arcabouço para o julgamento do recurso voluntário pautase nas alegações já mencionadas, sendo cabível a análise das Declarações de Importação e Atos Concessórios que deram ensejo `autuação. 1.1 DAS DIS COM VINCULAÇÃO EM DUPLICIDADE Em relação às DIs nºs 05/06142935 e 04/06827359, a autoridade fiscal apontou que cada uma delas foi vinculada a dois Atos Concessórios. No caso da DI nº 05/06142935, a vinculação foi feita aos ACs 20030194857 e 20040087964, ao passo que na DI nº 04/06827359, a vinculação foi aos ACs nºs 20030194857 e 20040013200. A Recorrente afirma que no caso "da DI nº 04/06827359, não ocorreu qualquer irregularidade da indicação no fato de haver sido acobertada pelos Atos Concessórios 20030194857 e 20040013200, eis que, como se verifica do CONJUNTO IV, neste caso a indicação do Ato Concessório 20030194857, tem sua origem na Adição: 04/06827359/008 ((fls. 9 do CONJUNTO), e; a indicação do Ato Concessório 20040013200, tem suporte na Adição: 04/06827359/010 (fls. 11 do CONJUNTO)". Fl. 4558DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10073.002505/200874 Acórdão n.º 3401002.932 S3C4T1 Fl. 4.549 7 Já no que tange à Dl nº 05/06142935, vinculada aos AC nºs 2003019857 e 20040087964, de acordo com o Conjunto V, ela na verdade se reportaria exclusivamente ao Ato Concessório 20040087964, como se comprova com a Adição: 04/06827359/002, tendo sido arrolada por equívoco no Relatório Unificado de Drawback nº 20030194857. /segundo afirma, provase o alegado mediante simples verificação da soma do que consta do referido Relatório Unificado de Drawback 20030194857, somandose a quantidade de 14.583,37 kg mais 1.670,63 kg, referente às ao Ato Concessório 20030194857. Os argumentos da Recorrente neste ponto não merecem prosperar. 1.2 DAS DIS NºS 04/02350523, 04/02352089, 04/02769869 E 04/03080945 As DIs nºs s 04/02350523, 04/02352089 e 04/02769869 estão vinculadas ao AC nº 20030033551, ao passo que a DI nº 04/03080945 está vinculada ao AC nº 20030119324 e, conforme descrito no auto de infração, são posteriores à última data de consumo prevista nestes ACs. Analisando os documentos juntados aos autos pela Recorrente quando da apresentação da impugnação (Conjuntos I e II), verificase que as DIs nºs 04/02350523 e 04/02352089 foram registradas em 12/03/2004, ambas com chegada em 07/03/2004; a DI nº 04/02769869 foi registrada em 24/03/2004, com chegada em 17/03/2004; e a DI nº 04/03080945 foi registrada em 01/03/2004, com chegada em 28/03/2004. O AC nº 20030033551 (fls. 911 e seguintes do processo físico), por sua vez, tinha como última data de consumo o anocalendário de 2003, enquanto que no AC nº 20030119324 a última data de consumo era 16/01/2004 (fls. 221), ou seja, anterior à data de registro e chegada das referidas DIs. Vale frisar que, em relação ao AC nº 20030033551, as DIs nºs 04/02350523 e 04/02352089 têm como data de chegada a mesma data do último embarque para exportação (07/03/2004). Em sua peça recursal, a Recorrente apenas menciona que ocorreu um mero descumprimento de obrigação acessória, sem, contudo, refutar os fatos apontados pela autoridade fiscal no auto de infração e no acórdão da DRJ. Seu argumento é no sentido de que o mero descumprimento de obrigação acessória não pode ensejar a perda do benefício concedido. Contudo, o que se verifica nos documentos presentes no processo é que as DIs em questão são posteriores à data de consumo do AC, não havendo mero erro no preenchimento de formulários. Estes argumentos não subsistem, eis que a importação fora do prazo consiste em descumprimento de requisito para utilização do benefício do drawback suspensão, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 107, inciso VII, alínea 'e' do DecretoLei nº 37/66. 1.3 DA DI Nº 04/01813147 Esta DI está vinculada ao AC nº 20030119324, tendo sido apontada no auto de infração como posterior à última data de embarque prevista neste AC. Fl. 4559DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Verificase na DI que seu registro ocorreu em 27/02/2004 e a data de chegada se deu em 19/02/2004. No Relatório de REs e DIs vinculados ao AC consta que a última data de embarque foi em 27/01/2004. Assim, resta claro que a importação objeto da DI nº 04/01813147 ocorreu em data posterior à última data de embarque, não cumprindo um dos requisitos para utilização do regime de drawback. 2 Da desproporcionalidade da multa aplicada Insurgese a Recorrente contra a multa isolada aplicada, alegando que tal valor seria desproporcional em relação ao imposto exigido. A referida multa está prevista no art. 107, inciso VII, alínea 'e' do DecretoLei nº 37/66, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.833/03: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (...) e) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados; O argumento suscitado pela Recorrente, ao contrário do que afirmado em sede de razões recursais, somente prospera se a referida multa for considerada inconstitucional por violar o princípio do nãoconfisco, insculpido no art. 150, IV da Constituição Federal. Tal análise pela autoridade administrativa acerca da inconstitucionalidade é vedada, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, a multa não pode ser afastada pelo argumento de que seria desproporcional, eis que tal análise demandaria o pronunciamento sobre a inconstitucionalidade do art. 107, inciso VII, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, o que é vedado na esfera administrativa. 3 Da inaplicabilidade da multa prevista no do art. 107, inciso VII, alínea 'e' do Decreto Lei nº 37/66 Segundo defende em seu recurso, a multa do art. 107, inciso VII, alínea 'e' do DecretoLei nº 37/66 não poderia ser aplicada porque o regime de drawback suspensão não se enquadraria no conceito de "regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais". Não merece prosperar este argumento porque o drawback modalidade suspensão se enquadra na definição trazida pelo próprio DecretoLei nº 37/66 de regimes aduaneiros especiais, eis que há a suspensão do imposto incidente na importação de mercadoria: Fl. 4560DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10073.002505/200874 Acórdão n.º 3401002.932 S3C4T1 Fl. 4.550 9 TÍTULO III Regimes Aduaneiros Especiais CAPÍTULO I Disposições Gerais Art.71 Poderá ser concedida suspensão do imposto incidente na importação de mercadoria despachada sob regime aduaneiro especial, na forma e nas condições previstas em regulamento, por prazo não superior a 1 (um) ano, ressalvado o disposto no § 3º, deste artigo. Assim, não é possível afastar a aplicação da referida penalidade sob o argumento de que o descumprimento de requisito do regime de drawback não se enquadraria um uma das hipóteses do art. 107, inciso VII, alínea 'e' do DecretoLei nº 37/66, haja vista que se trata de regime aduaneiro especial. 4 Da necessidade de advertência previamente à imposição da multa Afirma a Recorrente que a multa do art. 107, inciso VII, alínea 'e' do Decreto Lei nº 37/66 foi aplicada em descumprimento do procedimento previsto na legislação, haja vista que o art. 76, inciso I, alínea 'i' da Lei nº 10.833/03 prevê a aplicação de advertência no caso de descumprimento de requisito para fruição de regime especial aduaneiro: Art. 76. Os intervenientes nas operações de comércio exterior ficam sujeitos às seguintes sanções: I advertência, na hipótese de: (...) i) descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados; ou (...) § 2o Para os efeitos do disposto neste artigo, consideramse intervenientes o importador, o exportador, o beneficiário de regime aduaneiro ou de procedimento simplificado, o despachante aduaneiro e seus ajudantes, o transportador, o agente de carga, o operador de transporte multimodal, o operador portuário, o depositário, o administrador de recinto alfandegado, o perito ou qualquer outra pessoa que tenha relação, direta ou indireta, com a operação de comércio exterior. Prosseguindo em sua argumentação, a Recorrente menciona que o atual Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759 de 05 de fevereiro de 2009) em seu art. 728, § 4º, determina que a aplicação da multa diária de R$ 1.000,00. prevista no do art. 107, inciso VII, alínea 'e' do DecretoLei nº 37/66, somente será aplicada após a penalidade de advertência e findo o processo administrativo decorrente da impugnação esta sanção administrativa. Transcrevese o referido § 4º do art. 728 do RA, em sua redação original: § 4º Nas hipóteses em que conduta tipificada neste artigo ensejar também a imposição de sanção administrativa referida no art. 735, a lavratura do auto de infração para exigência da multa Fl. 4561DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 será efetuada após a conclusão do processo relativo à aplicação da sanção administrativa, salvo para prevenir a decadência. O atual Regulamento Aduaneiro só entrou em vigor em 06 de fevereiro de 2009, ou seja, posteriormente à lavratura do auto de infração que deu ensejo ao presente processo administrativo em 03 de outubro de 2008, com a notificação da Recorrente em 10 de outubro de 2008. O Regulamento Aduaneiro vigente à época era o Decreto nº 4.543 de 26 de dezembro de 2002, o qual não trazia em sua redação dispositivo semelhante ao § 4º acima transcrito. Apesar de não haver esta previsão no antigo RA, já estava vigente a sanção administrativa do art. 76, inciso I, alínea 'i' da Lei nº 10.833/03, a qual, vale frisar, também não se encontrava prevista no antigo RA. O fato de a sanção administrativa de advertência estar vigente à época da lavratura do auto de infração é de suma importância para o deslinde da legalidade da multa imputada. Isto porque, inobstante não haver no antigo RA a previsão expressa da impossibilidade de aplicação da multa antes da advertência (exceto para prevenir decadência), já havia duas penalidade distintas a serem aplicadas em relação à mesma infração. Existe, portanto, uma dúvida quanto à penalidade aplicável e sua capitulação legal. Nestas hipóteses, o art. 112 do CTN determina que a norma deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato;(...) Ora, na dúvida quanto à infração cabível, deveria a autoridade fiscal ter aplicado a sanção prevista no art. 76, inciso I, alínea 'i' da Lei nº 10.833/03, e não diretamente a multa do art. 107, inciso VII, alínea 'e' do DecretoLei nº 37/66. Vale ressaltar que o art. 76, §§ 9º a 14 da Lei nº 10.833/03 § 9o As sanções previstas neste artigo serão aplicadas mediante processo administrativo próprio, instaurado com a lavratura de auto de infração, acompanhado de termo de constatação de hipótese referida nos incisos I a III do caput. § 10. Feita a intimação, pessoal ou por edital, a não apresentação de impugnação pelo autuado no prazo de 20 (vinte) dias implica revelia, cabendo a imediata aplicação da sanção pela autoridade competente a que se refere o § 8o. § 11. Apresentada a impugnação, a autoridade preparadora terá prazo de 15 (quinze) dias para remessa do processo a julgamento. § 12. O prazo a que se refere o § 11 poderá ser prorrogado quando for necessária a realização de diligências ou perícias. § 13. Da decisão que aplicar a sanção cabe recurso, a ser apresentado em 30 (trinta) dias, à autoridade imediatamente superior, que o julgará em instância final administrativa. § 14. O rito processual a que se referem os §§ 9o a 13 aplicase também aos processos ainda não conclusos para julgamento em 1ª (primeira) instância julgados na esfera administrativa, Fl. 4562DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10073.002505/200874 Acórdão n.º 3401002.932 S3C4T1 Fl. 4.551 11 relativos a sanções administrativas de advertência, suspensão, cassação ou cancelamento. § 15. As sanções previstas neste artigo não prejudicam a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. Destaquese que o § 15 acima define que as sanções previstas no art. 76 da Lei nº 10.833/02 não prejudicam a aplicação de demais penalidades cabíveis. Há previsão semelhante no § 2º do art. 107 do DecretoLei nº 37/66. Ressaltese que o atual RA determina que a multa só pode ser aplicada após a sanção administrativa de advertência, mesmo diante das previsões na Lei nº 10.833/03 e DecretoLei nº 37/66 no sentido de que a aplicação de uma penalidade não prejudica a outra. O RA veio apenas a consolidar que o correto procedimento é aplicar a sanção de advertência e, somente após esta, proceder à imposição de multa. Não há que se falar que a previsão do § 15 permite a aplicação da multa e que a exigência prévia da advertência no atual RA contraria esta norma, pois não se afastou a aplicabilidade da multa. O RA nada mais fez do que determinar a aplicação de certa penalidade em detrimento de outra. O atual RA, portanto, dispôs de forma mais benéfica ao contribuinte, afastando a aplicação imediata da multa e exigindo que a advertência seja previamente aplicada. Por trazer a previsão de penalidade mais branda, mesmo que posteriormente seja possível impor a multa, a determinação contida no § 4º do art. 728 do RA deve ser aplicada retroativamente, nos termos do art. 106, inciso II, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Destarte, a multa deve ser afastada, pois aplicável a sanção administrativa de advertência e, somente após findo o procedimento em face desta penalidade, é que poderia ser imputada a multa do art. 107, inciso VII, alínea 'e' do DecretoLei nº 37/66. Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima Relator Fl. 4563DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Declaração de Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Com relação à multa diária, acompanhamos pelas conclusões o alentado voto do Ilustre Relator, Conselheiro Bernardo Leite de Queiroz Lima, e pedimos a este Colegiado a oportunidade para explicitarmos as nossas razões. A esse respeito, concluímos que não se pode considerar procedente a aplicação da multa diária no caso aqui em discussão. Além disso, afirmamos que, definitivamente, a multa diária não foi criada para os tipos de inadimplência do regime drawback objeto do auto de infração deste processo administrativo. Assim demonstraremos a seguir, apesar de breve e objetivamente. O artigo 61 da Medida Provisória n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertido no artigo 77 da Lei n. 10.833, de 29/12/2003 alterou o artigo 107 do Decretolei n. 37, de 1966, e criou novos tipos de multa na legislação aduaneira: as multas de incidência por dia. Mais especificamente, a que nos interessa para esta lide é a multa diária prevista nas hipóteses das letras 'd' a 'g' do inciso VII do artigo 107 desse Decretolei, in verbis: Decretolei n. 37, de 1966 (com redação dada pelo art. 77 da Lei n. 10.833/2003): Art. 107 Aplicamse ainda as seguintes multas: ....... VII de R$ 1.000,00 (mil reais): ............. d) por dia, pelo descumprimento de condição estabelecida pela administração aduaneira para a prestação de serviços relacionados com o despacho aduaneiro; e) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados; f) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; e g) por dia, pelo descumprimento de condição estabelecida para utilização de procedimento aduaneiro simplificado; (grifo nosso) Fl. 4564DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10073.002505/200874 Acórdão n.º 3401002.932 S3C4T1 Fl. 4.552 13 Na verdade, a base legal para o lançamento da multa diária neste contencioso é precisamente a letra 'e' do inciso VII acima transcrito, mas as outras hipóteses a meu ver pertencem ao mesmo tipo. Para avançarmos em nossa análise do recurso voluntário, julgamos ser necessário identificarmos a natureza desse tipo de multa e seu propósito, isso antes de apreciarmos os fatos e a sus subsunção à norma legal. A denominada "multa diária" é instituto já incorporado em outros Códigos Legais, com destaque para o que prevê o § 4º do art. 461 do CPC. Portanto, a sua criação para a legislação aduaneira não é uma novidade radical, pois ela tem como fonte de inspiração e referência a multa diária em uso em outras leis. Com licença para a imagem, podemos reconhecer que a legislação aduaneira "não está inventando a roda". Encontramos outro exemplo de sua aplicação, mais recente, na esfera do direito administrativo nos artigos 39 e 40 da Lei n.º 12.529, de 30/11/2011, que a prevê para o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência e para prevenir as infrações contra a ordem econômica. Esse tipo de multa tem finalidade e natureza distintas de outros tipos de multa. O objetivo principal da multa diária é forçar o cumprimento de determinada obrigação por exemplo: fazer algo, ou deixar de fazer algo. Ela é coercitiva e dirigida a alguém para que, por ato próprio, satisfaça obrigação e cumpra prestação que ele é devedor. Seu mecanismo de eficácia está em sensibilizar o devedor de que quanto mais demora para cumprir a obrigação original, maior será o valor total da multa diária. Teoricamente falando, o valor diário da multa pode ser fixo, ou pode ser variável; a depender de previsão legal e da urgência e importância de se obter a satisfação da obrigação por parte do seu devedor. Sublinho esse seu caráter cominatório ou inibitório. Ela não tem caráter ressarcitório ou punitivo, como os de outros tipos de multa. Alguns estudiosos argumentam que, apesar dela ser intitulada de "multa", ela, de fato, "não é uma penalidade, mas uma medida capaz de estimular o devedor ao cumprimento da obrigação. Nesse caso, a multa atua como meio de coerção sobre a vontade do devedor (Prof. Darlan Barroso, in: Manual do Direito Processual Civil, vol. 2, Editora Manole, 2007, p.166) Evidentemente que a lógica da sua aplicação é que o autuado possa deixar de ser devedor da obrigação de fazer (ou deixar de fazer) algo; ou seja, o autuado tem a possibilidade de alterar a situação que justifica estar ele obrigado a algo, e assim ser capaz de solucionar a razão da multa diária. Não faz sentido aplicar a multa diária para exigir do autuado o que ele não tem a possibilidade, por vontade própria, de alterar. Por exemplo, essa multa pode ser aplicada para exigir que o beneficiário do regime RECOF instale Sistema Informatizado de Controle dos bens importados. Essa exigência corresponde a requisito para o usufruto do regime RECOF e está ao alcance da contribuinte a possibilidade de seu atendimento. Mas o mesmo não ocorre se a multa diária tem como razão a constatação de que a contribuinte não alcançou o limite mínimo anual de 80% de aplicação dos bens importados pelo regime RECOF em sua produção industrial; nessa hipótese, não está ao alcance da contribuinte reverter a obrigação de que ele é Fl. 4565DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 devedor, pois sendo o descumprimento do critério de 80% de uso dos bens importados um fato passado, ele é irreversível. Ainda derivada dessa sua natureza ou característica cominatória ou inibitória, a aplicação da multa diária carece que haja um prévio ato da autoridade competente constatando a situação que justifica que o autuado esteja devedor da obrigação de fazer (ou deixar de fazer) algo. E, a partir daí, essa autoridade determina a partir de quando passa o autuado a estar passível de sofrer a aplicação das multa diária. Não é coerente com a natureza desse tipo de multa, como já explicado anteriormente, exigila tendo como data de início de sua contagem momento pretérito, pois não teria o autuado como voltar ao passado e, desde lá, conseguir afastar a razão da multa diária. Na verdade, as letras "d" a "g" do inciso VII do artigo 107 do Decretolei n. 37, de 1966, devem se reportar ao artigo 77 da Lei n. 10.833, de 2003, e eles devem ser lidos conjugadamente com o que dispõe o artigo 76, que lhe é anterior e espanca qualquer dúvida sobre o âmbito e sentido de sua existência e aplicação: Lei no 10.833, de 2003, art. 76 Os intervenientes nas operações de comércio exterior ficam sujeitos às seguintes sanções: 1 advertência, na hipótese de: a) descumprimento de norma de segurança fiscal em local alfandegado; b) falta de registro ou registro de forma irregular dos documentos relativos a entrada ou saída de veículo ou mercadoria em recinto alfandegado; c) atraso, de forma contumaz, na chegada ao destino de veículo conduzindo mercadoria submetida ao regime de trânsito aduaneiro; d) emissão de documento de identificação ou quantificação de mercadoria em desacordo com sua efetiva qualidade ou quantidade; e) prática de ato que prejudique o procedimento de identificação ou quantificação de mercadoria sob controle aduaneiro; f) atraso na tradução de manifesto de carga, ou erro na tradução que altere o tratamento tributário ou aduaneiro da mercadoria; g) consolidação ou desconsolidação de carga efetuada com incorreção que altere o tratamento tributário ou aduaneiro da mercadoria; h) atraso, por mais de três vezes, em um mesmo mês, na prestação de informações sobre carga e descarga de veículos, ou movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro; i) descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para habilitarse ou utilizar regime aduaneiro Fl. 4566DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10073.002505/200874 Acórdão n.º 3401002.932 S3C4T1 Fl. 4.553 15 especial ou aplicado em áreas especiais, ou para habilitarse ou manter recintos nos quais tais regimes sejam aplicados; (Redação dada pelo Decreto n° 7.213, de 15 de junho de 2010) j) deixar de comunicar à Secretaria da Receita Federal do Brasil qualquer alteração das informações prestadas para inscrição no registro de despachante aduaneiro ou de ajudante; ou (Redação dada pelo Decreto n° 7.213, de 15 de junho de 2010) k) descumprimento de outras normas, obrigações ou ordem legal não previstas nas alíneas "a" a "j"; (Incluído pelo Decreto n° 7.213, de 15 de junho de 2010) II suspensão, pelo prazo de até doze meses, do registro, licença, autorização, credenciamento ou habilitação para utilização de regime aduaneiro ou de procedimento simplificado, exercício de atividades relacionadas com o despacho aduaneiro, ou com a movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos, na hipótese de: a) reincidência em conduta já sancionada com advertência; (...) §1° As sanções previstas neste artigo serão anotadas no registro do infrator pela administração aduaneira, devendo a anotação ser cancelada após o decurso de cinco anos da aplicação definitiva da sanção (Lei no 10.833, de 2003, art. 76, §1°). §2° Para os efeitos do disposto neste artigo, considerase interveniente o importador, o exportador, o beneficiário de regime aduaneiro ou de procedimento simplificado, o despachante aduaneiro e seus ajudantes, o transportador, o agente de carga, o operador de transporte multimodal, o operador portuário, o depositário, o administrador de recinto alfandegado, o perito, o assistente técnico, ou qualquer outra pessoa que tenha relação, direta ou indireta, com a operação de comércio exterior (Lei no 10.833, de 2003, art. 76, §2o). (...) §8°Nas hipóteses em que conduta tipificada nas alíneas "d", "e" ou "f do inciso VII do art. 728 ensejar também a imposição de sanção referida no caput, após a aplicação definitiva da sanção administrativa: I de advertência, se ainda não houver sido sanada a irregularidade, mesmo que recolhida a multa referida no art. 728: a) será lavrado novo auto de infração para aplicação da sanção administrativa de suspensão (Lei no 10.833, de 2003, art. 76, inciso II, "a"); e b)serão aplicadas restrições à operação no recinto, regime ou procedimento simplificado, de acordo com a gravidade da infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 107, §1o, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003, art. 77); Fl. 4567DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 II de suspensão, se ainda não houver sido sanada a irregularidade, após o cumprimento da penalidade de suspensão, mesmo que recolhida a multa referida no art. 728: será lavrado novo auto de infração para aplicação da sanção administrativa correspondente (Lei no 10.833, de 2003, art. 76, inciso II, "a", e inciso III, "a"); e serão aplicadas, na hipótese de nova suspensão, restrições à operação no recinto, regime ou procedimento simplificado, de acordo com a gravidade da infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 107, §1o, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003, art. 77); ou III de cancelamento ou cassação, o sancionado terá trinta dias para tomar as providências necessárias ao encerramento da operação do recinto, regime ou procedimento simplificado. §9° Considerase definitivamente aplicada a sanção administrativa após a notificação ao sancionado da decisão administrativa da qual não caiba recurso. (Redação dada pelo Decreto n° 7.213, de 15 de junho de 2010) §10. A notificação a que se refere o § 9° será efetuada mediante: (Redação dada pelo Decreto n° 7.213, de 15 de junho de 2010) ciência do sancionado, nas hipóteses de que trata o inciso I do caput; ou (Incluído pelo Decreto n° 7.213, de 15 de junho de 2010) publicação de ato específico no Diário Oficial da União, nas hipóteses de que tratam os incisos II e III do caput. (Incluído pelo Decreto n° 7.213, de 15 de junho de 2010) §11. As sanções previstas neste artigo não prejudicam a exigência dos tributos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso (Lei n° 10.833, de 2003, art. 76, § 15). (Incluído pelo Decreto n° 7.213, de 15 de junho de 2010) Como se pode ver, o artigo 76 localiza a multa em discussão (letras "d" a g" do inciso VII do artigo 77) dentro de um conjunto de medidas de controle e de sanções administrativas. Não pode a autoridade lançadora transplantála livremente para qualquer outro campo diferente do definido pelo artigo 76. Além disso, a leitura desse artigo 76 esclarece que há um procedimento e uma ordem a ser seguida, em que a advertência deve anteceder a decisão de aplicar a multa diária. Confirmase, assim, o que argumentamos acima, a respeito da natureza cominatória ou inibitória da multa diária, e dos requisitos para sua aplicação. Retornando ao caso em discussão nestes autos, foram as seguintes as razões do lançamento da multa diária pela autoridade da jurisdição e para a sua manutenção pelos julgadores a quo: Auto de Infração: "multa de ofício em razão de descumprimento de condições para utilizar regime aduaneiro especial. As condições descumpridas referemse à utilização de declarações de importação em mais de um ato concessório, destinação de insumo importado para consumo com o pagamento dos tributos em data posterior ao estabelecido na legislação, utilização de Fl. 4568DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10073.002505/200874 Acórdão n.º 3401002.932 S3C4T1 Fl. 4.554 17 insumo não correspondente ao insumo importado sob os auspícios do regime aduaneiro especial de drawback." Acórdão da impugnação: " Não restou comprovado quaisquer dos procedimentos relacionados no artigo 342 do Decreto n° 4.543/2002 Regulamento Aduaneiro Logo, configuram, pois, a infração disposta nos exatos termos da alínea "e", inciso VII, do Art. 107, do DL 37/1966, alterado pela Lei 10.833/2003.." A leitura atenta dessas motivações desvela que nenhuma delas se refere a obrigação que a contribuinte possa atender para interromper o fluir da multa diária. São inadimplências que escapam ao escopo desse tipo de multa; são elas fatos que justificam a exigência de tributos, acréscimos legais e a aplicação de penalidades punitivas, mas não medidas cominatórias. Em nossa visão, os fatos apontados para justificar a multa diária fogem à sua tipicidade. Além disso, apenas para argumentar, caso se considere que a multa diária poderia ser motivada por esses tipos de inadimplência no regime drawback, ainda assim ela não poderia prosperar por que: 1º) faltalhe ato prévio por parte da autoridade fiscal para constituir advertência para a iniciarse a exigibilidade de multa diária; 2º) a multa foi aplicada para o período pretérito com termo inicial na data em que se considerou ocorrida a infração e termo final no dia da autuação à de seu lançamento, o que contraria sua finalidade como medida coercitiva, afinal a contribuinte não pode alterar as inadimplências já ocorridas. A autoridade lançadora e os julgadores a quo atribuem natureza punitiva a essa multa o que de forma nenhuma corresponde à que fundamenta a sua existência na legislação aduaneira. A sua aplicação com propósito punitivo ou ressarcitório constituem desvio de finalidade e deve ser motivo para a insubsistência do respectivo lançamento. A nosso ver, a multa diária prevista no artigo 107 do Decretolei n.º 37, de 1966, tem como escopo munir a administração aduaneira de recurso coercitivo para sensibilizar os operadores do comércio exterior a cumprirem suas obrigações para que o Controle Aduaneiro seja efetivo e contribua para a eficiência das operações de comércio exterior. A Administração Aduaneira tem mais de uma frente de atuação; ela cumpre a missão que lhe define a Constituição Federal cuidando tanto das questões de arrecadação, quanto das questões de combate à fraude, à prática desleal, ao ilícito, e, ainda, nas questões dedicadas ao aperfeiçoamento da gestão aduaneira para que ela, sendo firme, precisa e ágil, contribua para reduzir os custos do controle sobre as importações e as exportações. Concluindo, propomos a este Colegiado que a multa diária não pode ser mantida pelas razões aqui expostas, e deve se dar provimento ao recurso voluntário neste aspecto. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 4569DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 Fl. 4570DF CARF MF Impresso em 09/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 05/07/2015 por BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001860/2005-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2005
EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA.
Está impedida de optar pelo Simples a pessoa jurídica que explora atividades de manutenção e reparos navais, por caracterizar prestação de serviço profissional de engenharia, assemelhados e de outras profissões que dependemdehabilitaçãoprofissionallegalmenteexigida.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1803-002.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. Está impedida de optar pelo Simples a pessoa jurídica que explora atividades de manutenção e reparos navais, por caracterizar prestação de serviço profissional de engenharia, assemelhados e de outras profissões que dependemdehabilitaçãoprofissionallegalmenteexigida. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10909.001860/2005-11
anomes_publicacao_s : 201507
conteudo_id_s : 5479193
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1803-002.602
nome_arquivo_s : Decisao_10909001860200511.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MEIGAN SACK RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10909001860200511_5479193.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
id : 6005376
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889301733376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 87 1 86 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.001860/200511 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.602 – 3ª Turma Especial Sessão de 24 de março de 2015 Matéria SIMPLES Recorrente CUNHA MANUTENÇÃO DE REPAROS NAVAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. Está impedida de optar pelo Simples a pessoa jurídica que explora atividades de manutenção e reparos navais, por caracterizar prestação de serviço profissional de engenharia, assemelhados e de outras profissões que dependemdehabilitaçãoprofissionallegalmenteexigida. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 18 60 /2 00 5- 11 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.001860/200511 Acórdão n.º 1803002.602 S1TE03 Fl. 88 2 Relatório Tratase, o presente feito, de manifestação de inconformidade contra exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, por motivo de exercício de atividade vedada (CNAE 35114/02 construção de embarcações para uso comercial e para usos especiais, exceto de grande porte), conforme Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ n° 553.890, de 02 de agosto de 2004, com efeito a partir de 01.01.2002, embasado nos arts. 9°, inciso XIII, 12, 14, inciso I, 15, inciso II, da Lei n° da Lei n° 9.316, de 5 de dezembro de 1996; art. 73 da Medida Provisória n° 2.15834, de 27 de 07 de 2001, e arts. 20, inciso XII, 21, 23, inciso I, 24, inciso II c/c parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 355, de 8 de agosto de 2003. (fls. 14). Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta suas razões de forma tempestiva, apresentando, preliminarmente, uma solicitação de revisão da Exclusão do Simples, na qual aduz que a atividade da empresa não é construção e sim reparos em embarcações, tendo corrigido o código CNAE para 35114/03. Ainda, refere que presta serviços de reparos em embarcações de madeira e de ferro, bem como a empresa não possui e nem necessita de pessoas com habilitação profissional legalmente exigida. Contudo, não houve o acolhimento do pedido, ao argumento de vedação à empresa que se dedique à atividade de construção ou reparação de embarcações, permanecendo os motivos da exclusão. Inconformada, a recorrente se manifestou discordando do entendimento que levou à exclusão. Aduz que a prestação de serviços não exige hebilitação profissional de engenheiro sujeita à inscrição no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA), não havendo necessidade de têlos em seus quadros funcinais. Em ato contínuo, junta notas fiscais para dizer que os serviços que presta não indicam atividade de estaleiro (construção de embarcações). Arrola doutrina e decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, bem como cita o Ato Declaratório Executivo SRF n° 08/2005, que afastou a vedação às atividades de manutenção, com fundamento nas leis n° 10.964/04 e 11.051/04. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a exclusão. Entende que mesmo a empresa tendo informado que não constrói embarcações, a atividade de reparação também encontra óbice à opção do sistema Simples, por também exigir profissional legalmente habilitado, consoante será demonstrado. Cita o art. 9º, da Lei 9.317/96 e a Lei 5.194/96 e legislação pertinente. Afirma, o julgador a quo, que da leitura da legislação transcrita é possível observar que as atividades de reparos são típicas de engenheiro e de técnicos. Concluindo, portanto, que a pessoa jurídica que explora atividades de manutenção e reparos navais, nestes incluídos as embarcações, está impedida de optar pelo Simples, tendo em vista serem atividades atinentes aos profissionais engenheiros e técnicos. Rebate o argumento de que não há necessidade de ter em seus quadros fuincionais engenheiros ou técnicos, não pode ser acolhida porque o que objetiva a lei é a atividade típica de profissão regulamentada ou assemelhada, ou seja, não importa quem de fato está prestando os serviços, mas se estes são atinentes àquelas profissões, temse que se está diante da vedação legal de ingresso. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.001860/200511 Acórdão n.º 1803002.602 S1TE03 Fl. 89 3 Observa que do cotejo dos serviços tratados no inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317/96, e aqueles serviços elencados no objeto social da empresa, corroborado com as notas fiscais apresentadas, fica evidente que a exclusão do recorrente se deve ao exercício de atividade que exige profissional habilitado; no caso específico, prestação de serviços de manutenção e reparação navais. Já, no que tange à citação do Ato Declaratório Executivo SRF n° 08/2005, que afastou a vedação de empresas de serviços de manutenção ao sistema Simples, com base nas leis 10.964/04 e 11.051/2004, de fato tais normas afastaram o óbice, todavia, não aplicável ao caso do recorrente, uma vez a lei citada arrolou de modo específico tais atividades. E, salienta que sendo o sistema Simples um regime tributário que concede benefícios fiscais, o comando do art. 111 do Código Tributário Nacional determina que se deva interpretar literalmente a lei; assim, não estando as atividades da empresa em comento arroladas nos dispositivos da Lei n° 11.051/04, não se acolhe tal pretensão. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância em 19.05.2009, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário em 17.06.2009, de forma tempestiva. Aduz, em síntese, o já disposto na impugnação. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que a relatora original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 217 publicada no DOU de 28.04.2015 e do art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, 22 de junho de 2009. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos vinte e quatro dias do mês de março do ano de dois mil e quinze, às nove horas, Pauta de julgamento dos recursos das sessões ordinárias a serem realizadas nas datas a seguir mencionadas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 3º Andar, Sala 306, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, MEIGAN SACK RODRIGUES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA, RICARDO DIEFENTHAELER, FERNANDO FERREIRA CASTELLANI e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): MEIGAN SACK RODRIGUES Processo: 10909.001860/200511 Recorrente: CUNHA MANUTENÇÃO DE REPAROS NAVAIS LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803002.602 Decisão: Por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso voluntário. Votação: Por Unanimidade Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.001860/200511 Acórdão n.º 1803002.602 S1TE03 Fl. 90 4 Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Negado Sem Crédito em Litígio É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Tratase, o presente feito, de exclusão do Simples, em decorrência de exercício de atividade vedada (CNAE 35114/02 construção de embarcações para uso comercial e para usos especiais, exceto de grande porte), conforme Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ n° 553.890, de 02 de agosto de 2004, embasado nos arts. 9°, inciso XIII, 12, 14, inciso I, 15, inciso II, da Lei n° da Lei n° 9.316, de 5 de dezembro de 1996; art. 73 da Medida Provisória n° 2.15834, de 27 de 07 de 2001, e arts. 20, inciso XII, 21, 23, inciso I, 24, inciso II c/c parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 355, de 8 de agosto de 2003. (fls. 14). A empresa recorrente defendese arguindo que a atividade prestada pela mesma não se trata de atividade vedada, pelas normas do Simples, posto que não depende de profissional habilitado para tanto, não dispondo, inclusive de engenheiros nos seus quadros funcionais. Alega que os reparos em embarcações de mandeira ou de ferro não estão incluídas nas atribuições específicas dos engenheiros, não estando sequer sob a égide do CREA. Alega os princípios constitucionais em sua defesa. Argumenta, de igual modo, a incompatibilidade da decisão a quo com os princípios constitucionais. Ocorre que essa esfera administrativa não é a esfera competente para discutir e decidir sobre a constitucionalidade de lei, sobre o desrespeito aos princípios constitucionais, posto serem matérias reservadas exclusivamente ao Poder Judiciário. Nesse sentido, citase Súmula Carf n. 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Nesse compasso e quanto ao mérito da demanda, não posso concordar com as argumentações da recorrente. Isso porque o fato de não dispor, em seus quadros funcionais de engenheiros ou profissionais habilitados para o exercício de atividade obrigatória, não inibe o fato de que não poderia optar pelo Sistema Simples. A lei nesse sentido é expressa ao afirmar que a pessoa jurídica que explora atividade de manutenção e reparos navais, por caracterizar prestação de serviço profissional de engenharia, assemelhados e de outras profissões que Fl. 90DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.001860/200511 Acórdão n.º 1803002.602 S1TE03 Fl. 91 5 dependem de habilitação profissional legalmente exigida, encontrase vedada a optar pelo Simples. A alteração da lei, no tocante às atividades de manutenção, não inclui as que dependam de habilitação profissional. Ademais, é crível conceber que os reparos navais dependam de conhecimento, habilitação profissional e supervisão por deterem especificações da atividade de engenheiro. Irrelevante, de igual modo, o fato de ter ocorrido alteração do CNAE.Isso não influi na decisão, quando a própria empresa, em razões de manifestação, determina e conceitua sua atividade: "A atividade constante no CNPJ está errada, pois conforme contrato social a atividade da empresa não é a construção e sim somente reparos de embarcações, o que ocorreu é que quando houve a sua constituição a atividade de reparos constante no contrato social não existia na tabela do CNAE então foi colocada uma atividade que se aproximava da realidade da empresa, e este erro não foi corrigido com a implementação da tabela do CNAE. Isto só foi corrigido na data de 09/09/04, onde o CNAE foi alterado para 35114/03. O contribuinte opera com a condição de empresa optante pelo simples nesta atividade desde sua abertura, sendo que os serviços prestados são os seguintes: Reparos em embarcações de madeiras (casco e casaria) Reparos em embarcações de ferro (casco e casaria) , Estes reparos efetuados nada mais são do que a substituição de chapas de ferro ou aço corroídas ou danificadas por chapas novas, seja no casco ou em qualquer parte da embarcação, e o mesmo é feito nas embarcações de madeira, substituindose as partes de madeira danificadas. A empresa não possui e nem necessita de pessoas com habilitação profissional legalmente exigida para fazer estes tipos de reparos, portanto não está correto a exclusão desta empresa do regime Simples, baseado no art. 9°, XIII." Da explicação dada pela empresa e verificação das notas fiscais acostadas, depreendese que a execução do trabalho não restringese apenas a reparos superficiais, antes há notas que expecificam a elaboração, ou melhor, confecção de tubo e luva para o sonar (fls.18). Assim, entendo que a empresa presta serviço que requer habilitação profissional. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.001860/200511 Acórdão n.º 1803002.602 S1TE03 Fl. 92 6 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10715.007666/2009-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Por força da redação dada pela Lei nº 12.350/2010 ao art. 102, §2º do Decreto-Lei nº 37,66, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Cássio Schappo. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Por força da redação dada pela Lei nº 12.350/2010 ao art. 102, §2º do Decreto-Lei nº 37,66, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10715.007666/2009-32
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5474309
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-005.330
nome_arquivo_s : Decisao_10715007666200932.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10715007666200932_5474309.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Cássio Schappo. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
id : 5960343
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889304879104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1946; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.007666/200932 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801005.330 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2015 Matéria AUTO DE INFRACAO ADUANEIROADUANA Recorrente TAM LINHAS AEREAS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Por força da redação dada pela Lei nº 12.350/2010 ao art. 102, §2º do DecretoLei nº 37,66, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Cássio Schappo. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 76 66 /2 00 9- 32 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 3801005.330 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Cássio Schappo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 3801005.330 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: 0 presente processo trata da exigência do valor de R$ 75.000,00 consubstanciada no auto de infração juntado As fls. 01 a 10, referente A multa regulamentar prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo regulamentar os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em julho de 2005 iniciados nas dependências do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes as cargas amparadas nas declarações de exportação DDE listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRACÃO no 0717700/00411/09", descumprindo, por conseguinte, com a obrigação acessória estatuída no artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias.. Não se conformando com a exigência, na qual foi regularmente intimada (fls. 13/14), a autuada apresenta, as fls. 20 a 28, impugnação para aduzir que na autuação em tela "não houve subsunção do evento ocorrido (registro "intempestivo" dos dados de embarque) com a hipótese normativa prevista no art. 107, IV da Lei 10.833/03 (deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada). (.), como demanda o principio da tipicidade cerrada, que deve nortear todas e qualquer imposição tributária", não obstante confirmar que "registrou de forma tardia os dados de embarque das mercadorias relacionadas no bojo desde auto de infração, o que, obviamente, não se confunde com a falta de prestação de informações", não podendo, nesse sentido, subsistir a presente ação fiscal. Noutra vertente, sustenta "que a própria instrução normativa n° 28/94 estabelece a aplicação de penalidade distinta daquela fixada pelo agente fazendário, nos casos de descumprimento do disposto no citado artigo 37", conforme se observa do teor do artigo 44 da referenciada norma regulamentar; portanto, é inaplicável ao caso sob apreço a multa prevista no art. 107, IV, alínea "e", da Lei 10.833/03. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 3801005.330 S3TE01 Fl. 5 4 Prosseguindo em suas argumentações, aduz ainda "ausência de simetria entre a infração cometida e a penalidade imposta", em contraposição aos "princípios constitucionais que orientam o ordenamento jurídico como um todo, além daqueles destinados ao âmbito do direito tributário", dentre eles, o da proporcionalidade e/ou razoabilidade, "o qual preceitua que o instrumento deve ser adequado ao fim pretendido, deve guardar referibilidade com falta cometida"; logo, a "exigência feita pelas autoridades aduaneiras para que os dados de embarque sejam registrados no exato momento da saída da aeronave para o exterior mostrase exacerbada, pois, em razão do exercício da atividade própria desenvolvida pela empresa autuada, é humanamente impossível realizar de imediato a inserção de todos os dados de embarque relacionados a cada um dos vôos internacionais operados pela Impugnante", o que, por si só, revela o "excesso de punição, inconstitucionalmente vedado, por não ser razoável à infração cometida", ainda mais "que (...), não causou qualquer prejuízo ao Fisco". Por conseguinte, "a penalidade pecuniária prevista na Lei 10.833/03 deveria ser relevada de plano, nos termos do citado artigo 736, §10 do atual Regulamento Aduaneiro, ou, excepcionalmente, ser aplicada uma única vez e não sobre cada um dos vôos em que foi constatado o registro tardio de informações relacionadas a mercadorias destinadas ao exterior". Pelo exposto, requer a insubsistência do auto de infração, a fim de que seja declarada integralmente cancelada a penalidade imposta, ou, subsidiariamente, determinese a retificação do lançamento para que referida multa seja aplicada somente sobre um único evento infracional. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação, com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA.. A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 3801005.330 S3TE01 Fl. 6 5 Não compete As autoridades administrativas proceder A análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA EXAME. A relevação de penalidade somente poderá ser exercida dentro dos limites e condições estabelecidos em lei e pela autoridade competente para tal mister. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas A exportação é aplicada por viagem do veiculo transportador. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, alegando ainda que a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, possibilitaria a aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 3801005.330 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 3801005.330 S3TE01 Fl. 8 7 possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, conforme reconhecido pela decisão recorrida. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 3801005.330 S3TE01 Fl. 9 8 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 3801005.330 S3TE01 Fl. 10 9 cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 3801005.330 S3TE01 Fl. 11 10 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da proporcionalidade e/ou razoabilidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 3801005.330 S3TE01 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Cássio Schappo, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar, quanto a aplicação do instituto da denúncia espontânea. O fato sob análise diz respeito a exigência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/1966, com nova redação dada pela Lei nº 10.833/2003, aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória contida no art. 37 da IN SRF nº 28/1994, posteriormente alterado, primeiro pela IN SRF nº 510/2005 e depois pela IN SRF nº 1.096/2010. Todos esses dispositivos legais já foram abordados e transcritos no voto do Conselheiro Relator, dispensandose nova reprodução. A obrigação acessória cumprida fora do prazo conforme estabelecido nas Instruções Normativas mencionadas, porém, antes de qualquer iniciativa do fisco, tiveram seus prazos alterados, contados da data da realização do embarque da mercadoria para o exterior do país. Revendo o texto dos dispositivos legais mencionados, a redação do art. 37 da IN SRF 28/1994 dizia que o transportador deveria cumprir com suas obrigações acessórias “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”; com o advento da IN SRF nº 510/2005, passou de imediatamente após para “no prazo de dois dias”; e através da IN SRF nº 1.096/2010 passou para “no prazo de 7 (sete) dias”. Portanto, para todos os casos em que o registro no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria se deu no prazo de 7 (sete) dias contados da data de realização do embarque, por unanimidade dos Conselheiros foi aceita a retroatividade benigna com base no art. 106, inciso II, “b”, do CTN, cancelando a penalidade imposta. Por outro lado restaram os casos em que as informações sobre o embarque da mercadoria, ultrapassaram o prazo de 7 (sete) dias, porém, antes de qualquer iniciativa do fisco para a lavratura do auto de infração. Neste caso, aplicase o instituto da denúncia espontânea, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 3801005.330 S3TE01 Fl. 13 12 No presente caso se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.007666/200932 Acórdão n.º 3801005.330 S3TE01 Fl. 14 13 A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo que deva ser cancelada toda a parte remanescente do ato fiscal, correspondente aos casos em que foi ultrapassado o prazo de 7 (sete) dias, porém, antes da lavratura do presente auto de infração. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10814.727492/2012-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/04/2007
MULTA. PERDIMENTO. DECADÊNCIA.
No caso de penalidade prevista no Regulamento Aduaneiro, o prazo decadencial é o disposto pelo art. 753, constatado que o novo auto de infração foi lavrado depois de decorrido o lapso de cinco anos contados da data do fato gerador, impõe em reconhecer a perda de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário.
Recurso de Ofício Conhecido e Negado.
Numero da decisão: 3403-003.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Rosaldo Trevisan, votou pelas conclusões por entender que não restou configurada nenhuma das situações previstas em lei que possibilitam a substituição da pena de perdimento por multa. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Antonio Carlos Atulim, negaram provimento ao recurso de ofício acompanhando o voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Mauro Berenholc, OAB/SP nº 104.529.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 04/04/2007 MULTA. PERDIMENTO. DECADÊNCIA. No caso de penalidade prevista no Regulamento Aduaneiro, o prazo decadencial é o disposto pelo art. 753, constatado que o novo auto de infração foi lavrado depois de decorrido o lapso de cinco anos contados da data do fato gerador, impõe em reconhecer a perda de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Recurso de Ofício Conhecido e Negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10814.727492/2012-13
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5472974
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3403-003.563
nome_arquivo_s : Decisao_10814727492201213.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : DOMINGOS DE SA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10814727492201213_5472974.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Rosaldo Trevisan, votou pelas conclusões por entender que não restou configurada nenhuma das situações previstas em lei que possibilitam a substituição da pena de perdimento por multa. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Antonio Carlos Atulim, negaram provimento ao recurso de ofício acompanhando o voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Mauro Berenholc, OAB/SP nº 104.529. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 5959008
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889322704896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1923; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 5 1 4 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10814.727492/201213 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.563 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria MULTA DE PERDIMENTO Recorrente RONALD LEROY GERIB Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/04/2007 MULTA. PERDIMENTO. DECADÊNCIA. No caso de penalidade prevista no Regulamento Aduaneiro, o prazo decadencial é o disposto pelo art. 753, constatado que o novo auto de infração foi lavrado depois de decorrido o lapso de cinco anos contados da data do fato gerador, impõe em reconhecer a perda de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Recurso de Ofício Conhecido e Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Rosaldo Trevisan, votou pelas conclusões por entender que não restou configurada nenhuma das situações previstas em lei que possibilitam a substituição da pena de perdimento por multa. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Antonio Carlos Atulim, negaram provimento ao recurso de ofício acompanhando o voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan. Sustentou pela recorrente o Dr. Mauro Berenholc, OAB/SP nº 104.529. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 72 74 92 /2 01 2- 13 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Recurso de Ofício decorrente da decisão que acolheu a impugnação e exonerou o crédito tributário relativo aplicação da penalidade de perdimento de uma aeronave, fato gerador ocorrido em 04 de abril de 2004. Consta do Termo de Verificação Fiscal que atuação ocorreu com arrimo no artigo 617, inciso I, do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, pela prática da infração definida como dano ao erário, sujeito à pena de perdimento da aeronave. Narra que a fiscalização recebeu informação da existência de aeronave estrangeira estacionada no Pátio nº 6 do aeroporto em situação ilegal, que fere a norma contida no art. 8º, caput e parágrafo primeiro, item b do Decreto 97.464, de 20 de janeiro de 1989. Atuação e apreensão da aeronave decorrem da não apresentação à autoridade aduaneira local o “Termo de Admissão Temporária”, confirmado em comunicação interna pelas repartições aduaneiras de Manaus e Guarulhos. Insurgese contra o auto de infração e o “Termo de Apreensão e Guarda Fiscal o Sr. RONAL L. GERIG, comandante de Aeronave (Airline Transport Pilot Certificate), veículo pertencente à empresa Whirpool Corporation, o faz em razão de ter sido indicado como responsável legal. Alega que a falha ocorreu no procedimento de inspeção realizado no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. No entanto, estava certo que tal falha não autoriza a aplicação de pena de perdimento da aeronave, sustentando que o Impugnante nem a proprietária da aeronave teriam contribuído para prática do ato punível com drástica penalidade. Afirma que todo o procedimento para a inspeção e a liberação da aeronave perante as autoridades competentes foram conduzidos exclusivamente pelo despachante junto às autoridades aduaneira e Bagagem da Alfândega do Aeroporto Internacional /Eduardo Gomes. O mesmo despachante cuidou da aterrissagem, obtenção da liberação de sobrevôo perante a Agência Nacional de Aviação Civil, e, pela apresentação perante a EQVAB da documentação necessária à elaboração do “Termo de Admissão Temporária”. Transcreve trecho do relatório operacional, consta da apresentação da documentação necessária, mas em decorrência da grande movimentação de vôos (90% no canal vermelho) e ao fato do SISCOMEX se encontrar inoperante, foi comunicado que aguardasse, pois a aeronave seria vistoriada após o término dos vôos, no entanto, o sobrevôo estava liberando até o aeroporto de Gongonhas. Em 20 de abril de 2007 os Interessados ingressaram com mandado de segurança cujo objeto era de tãosó liberar a aeronave até o julgamento do processo administrativo de nº 10814.008171/200785, obteve liminar determinando a imediata devolução da aeronave ao impetrante, no caso, a empresa norte americana. Whirpool Fl. 461DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10814.727492/201213 Acórdão n.º 3403003.563 S3C4T3 Fl. 6 3 Corporation, verdadeira proprietária do veículo, é o que se vê das peças processuais referente aos autos de nº 2007.61.19.0024089, que tramitou perante a 6ª Vara Federal de Guarulhos. Esse assunto inicialmente foi tratado nos autos do processo administrativo de número 10814.008171/200785, extinto, em razão do entendimento autoridades administrativa de que houve perda do objeto em decorrência da liberação da aeronave por força de decisão judicial, mesmo tratandose de decisão em sede de liminar, assim sendo, estaria prejudicado o Auto de Infração, determinou que fosse lavrado novo auto de infração, cujo parecer do GTRIB encontra assim redigido: “Com a perda do objeto deste auto de infração, de acordo com o art. 73 da Lei nº 10.833/2003, devese extinguir o mesmo e instaurar um novo processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002”. Em razão dessa decisão, foi lavrado novo auto de infração, com exigibilidade suspensa, com fundamento no art. 73 e §§ da Lei 10.833/03, em 09 de novembro de 2012. . Ciente do lançamento sobreveio à impugnação em 07.12.2012. O auto lavrado em 31 de outubro de 2012, cuja ciência ocorreu em 09 de novembro de 2012 que é objeto de exame da decisão recorrida de ofício. Sustentou a perda do direito da Fazenda de constituir o crédito após ter decorrido mais de cinco anos. Argüiu também a ilegitimidade passiva do Sr. RONALD LEROU GERIG. Falta de tipicidade da multa imputada no auto de infração, qual teria sido lavrada com fundamento no artigo 618, § 1º, tratase de mercadoria e não de veículo, por isso não é possível a conversão de pena de perdimento de veículo em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, mas sim apenas de pena de perdimento de mercadoria de modo que o presente Auto de Infração deve ser cancelado por ausência de tipicidade legal/ carência de fundamentação legal. “Acrescentou que aeronave não é mercadoria, e tampouco pode ser vista como “nãolocalizada”, consumida” ou “revendida”. Examinado e julgado pela DRJ entenderam não assistir razão a Fazenda Nacional ao argumento de que: “Ao extinguir o Processo Administrativo nº 10814.008172/200795, à autoridade competente não lhe proporcionou uma decisão de mérito, nos termos da postulação da exordial da Segurança nº 2007.61.19.0024089, conforme o teor da LIMINAR exarada pela 6ª Vara Federal em Guarulhos, o interessado deve ter respeitado o seu direito subjetivo a uma decisão definitiva do Processo Administrativo nº 10814.008172/200795, decorrente do auto de infração nº 001/2007, pela autoridade competente, assinalando que a por se tratar de uma IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE, que, portanto a interrupção e a suspensão”. Diz ainda o julgador de piso: “Logo a interpretação equivocada do caput do Art. 73 da Lei nº 10833/03, ao considerar um bem liberado por decisão LIMINAR como mercadoria sujeita a pena de perdimento nãolocalizada ou consumida, bem como a extinção precipitada do Processo Administrativo nº 10814.008172/200795 em desatendimento da própria decisão judicial inibiram a apreciação do direito de Fl. 462DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 defesa do interessado em ver liberada a aeronave Gulftream Aerospace prefixo N1900w”. Extraise, também, do entendimento exposto na decisão de que se trata de “PRESCRIÇÃO”, segundo o Julgador, por se tratar de pena de perdimento essa decorre de um ilícito tipificado em Lei, assim sendo, a pena de perdimento é uma pretensão que nasce para o Estado em função da prática de um delito por parte do importador da mercadoria, ou condutor do veículo no caso tratado neste caderno, o instituto a ser considerado é o de prescrição. Registrou, ainda, o julgado que o Sr. Ronald Leroy Gerib por força de decisão liminar teria sido excluído da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de Recurso de Ofício, e, atende os pressupostos necessários ao seu conhecimento, motivo pelo qual conheço. Extraíse da leitura da decisão que o afastamento da penalidade não teria sido tão só pela perda do prazo da Fazenda constituir o crédito, mas também em razão da extinção do processo administrativo de nº 10814.008172/20079 sem o julgamento de mérito fundado no entendimento de que se tratava de mercadoria não localizada ou consumida. A conclusão do julgado deu contorno acertado ao caso, a meu sentir, não pelo instituto da prescrição como dito pelo i. relator, mas sim pela decadência. No dizer do saudoso professor Agostinho Neves de Arruda Alvim, os institutos da decadência, bem como de prescrição existem para que as coisas não se arrastem indefinidamente, contribuindo para a “paz social”. Como é de correntia sabença, o prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, sequer por ordem judicial. (Resp. 119.986SP, 15.2.01, DJU, de 9.4.01, p.337, Rel. Min. Eliana Calmon). Independemente dos motivos ensejadores do parecer que norteou a extinção do processo administrativo nº 10814.008172/20079, que tratava do Auto de Infração de nº 001, o novo auto de infração tem como base o mesmo fato gerador ocorrido em 04 de abril de 2007, cujo lançamento deuse em 31 de outubro de 2012, dando ciência aos Interessados em 09 de novembro de 2012. Como se vê, se o assunto tratasse de tributo seria o caso típico da aplicação a regra geral, art. 173 do CTN, cujo prazo contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Sendo a mesma redação do art. 752 do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009. / O caso submetido em exame em sede recursal de ofício tratase de penalidade. Referese à penalidade tratada pelo art. 675 do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, oriundo do Decretolei nº 37, de 1996, art. 139. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10814.727492/201213 Acórdão n.º 3403003.563 S3C4T3 Fl. 7 5 Em sendo assim, não há de se falar em aplicação da regra geral contida no art. 173 do CTN A matéria relacionada com a perda do direito de constituir o crédito tributário decorrente de ilícito sujeito à pena encontra encartada na disposição do art. 753 do Decreto 6.759/2009. O mesmo assunto encontra disciplinado pela Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999, recentemente alterada pela lei nº 11.941, de 22/06/2009, que estabelece prazo decadencial para o exercício de ação punitiva pela Administração Fiscal. Dispõe o art. 753: “Art. 753 – O direito de impor penalidade extingue em cinco anos, contados da data da infração”. Assim, para mim, quando da decisão de extinguir o processo administrativo e lavrar outro auto de infração para aplicação da pena, já teria decaído o direito da Fazenda constituir o crédito. Decorrido mais de cinco anos, qualquer que seja o tipo de lançamento, a decadência veda a feitura do lançamento tributário, consequentemente, impede a constituição do direito subjetivo da Fazenda Pública, e, não existe dúvida de que a exoneração do crédito tributário é medida que se impõe. O dissenso nessa parte é só quanto aplicação do instituto da decadência e não da prescrição. Tenho que a prescrição se aplica ao crédito constituído. Com essas considerações, conheço do Recurso de Ofício e nego provimento, mantendo a decisão de piso intacta. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 464DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721067/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE
SUSPENSA - Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
Numero da decisão: 1301-001.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA - Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16682.721067/2013-12
anomes_publicacao_s : 201505
conteudo_id_s : 5473486
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.760
nome_arquivo_s : Decisao_16682721067201312.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16682721067201312_5473486.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5959520
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889348919296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721067/201312 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.760 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de fevereiro de 2015 Matéria CSLL. Recorrente VALEPAR S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 67 /2 01 3- 12 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR. Trata o presente processo de verificação da falta de adição na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de valores deduzidos na apuração do lucro contábil da empresa a título de tributos ou contribuições com exigibilidade suspensa, relativamente ao anocalendário 2009. Segundo detalhou a Fiscalização, em seu Termo de Verificação Fiscal, a recorrente seria pessoa jurídica de direito privado, organizada sob a forma de sociedade por ações de capital fechado, que tem por objeto, exclusivamente, participar como acionista do capital social da Companhia Vale do Rio Doce. No Termo de Início da ação Fiscal a recorrente foi intimada a apresentar o detalhamento do valor de R$ 135.983.021,05, lançado na Ficha 05 A, linha 25 da DIPJ do ano calendário de 2009, especificando sua origem e natureza jurídica, e apresentado memória de cálculo, bem como especificar a conta contábil na qual o valor foi registrado, registrandose que no LALUR o valor de R$ 135.983.021,05 foi classificado como “Contingências Tributárias exigibilidade suspensa e foi informado na Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real da DIPJ 2009 na linha 05 das Adições – Despesas Operacionais – Soma das parcelas Não Dedutíveis e na Ficha 05A“ Despesas Operacionais”, linha 25 Demais Provisões. Relativamente ao questionamento acerca da origem do valor, a contribuinte informou que: “o valor em referência originouse do reconhecimento da atualização monetária e ajustes necessários para fazer refletir em suas demonstrações financeiras os valores que se encontravam em litígio entre ela, VALEPAR e a Receita Federal”. Como comprovação, juntou um Quadro Demonstrativo de Contingências Tributárias, relativas a PIS e COFINS e o valor das respectivas variações monetárias no período. Relativamente ao registro dos valores na contabilidade informou que: "o valor de R$ 135.983.021,05 foi registrado por meio de lançamentos contábeis a crédito nas contas contábeis passivas de n° 223.130.006 (ContingênciasCofins) e 223.130.007 (ContingênciasPIS), nos valores de R$ 132.705.947,59 e R$ 3.277.073,46, respectivamente, em contrapartida a lançamento a débito na conta de resultado 361.511.001 (Variação Cambial Passiva). Ainda segundo a Fiscalização, embora a contribuinte tenha adicionado o valor em discussão na apuração do Lucro Real, conforme Ficha 09A, e LALUR, deixou de Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16682.721067/201312 Acórdão n.º 1301001.760 S1C3T1 Fl. 3 3 adicionálo à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e ao entendimento de que os lançamentos contábeis relativos a essas Contingências Tributárias, incluindo suas variações monetárias, caracterizamse como provisões, por não refletirem obrigações fiscais efetivamente constituídas, sujeitas a exigência certa futura, mas, sim, um provisionamento contra eventuais riscos de as ações impetradas terem resultados desfavoráveis, precavendose dos consequentes impactos negativos que tal resultado traria a seu patrimônio, a autoridade fiscal promoveu a adição dos respectivos montantes na determinação da base de cálculo da CSLL. Feitos os ajustes a autoridade fiscal intimou o contribuinte a retificar os registros da base negativa de CSLL, ajustando o saldo a compensar, em conformidade com o demonstrativo de apuração gerado pelo auto de infração. Desta forma, ao adicionar o valor de R$ 135.983.021,05 na planilha de compensação de base negativa da CSLL, o valor foi integralmente consumido pela base negativa existente a qual foi reduzida de R$ 137.479.930,62, para – R$ 1.496.909,57 (fl.71). A contribuinte foi cientificada (fls. 166 – 169), apresentando Impugnação na qual alegou que as contingências mencionadas nos autos consistem na COFINS e no PIS incidentes sobre valores recebidos pela recorrente a título de Juros Sobre o Capital Próprio JCP, objeto de depósito judicial e devidamente constituídas pela RFB, sendo reconhecidas contabilmente, de forma certa e específica. Aduziu que a origem dos lançamentos que ensejaram o valor de R$ 135.983.021,05, pode ser espelhada pelo demonstrativo abaixo reproduzido: i) R$ 79.046.452,45 corresponde ao valor principal de COFINS e PIS apurado e depositado judicialmente, pertinente ao ano base de 2009; ii) R$ 27.824.351,12, decorre da atualização monetária do item anterior e; iii) R$ 29.112.317,85 corresponde à atualização da COFINS e do PIS lançados e depositados em anos anteriores. Segundo defendeu a contribuinte, embora o trabalho fiscal tenha resultado na redução da base de cálculo negativa da CSLL, sem cobrança de tributo, o lançamento não deve subsistir, porquanto ela recorrente, teria cumprido regularmente com todas as obrigações contábeis e fiscais, alegando que a glosa por parte do fisco, da base negativa da CSLL equivalente ao saldo contábil dos tributos depositados judicialmente, por entender que se trata de despesa com natureza de provisão, não encontra respaldo na legislação e normas aplicáveis à espécie. Afirmou, destarte, que na legislação aplicável à CSLL inexiste obrigação legal quanto a adição de tributos com exigibilidade suspensa ou tampouco vedação explícita em relação à possibilidade de sua dedução. Defende que desde a sua criação, a CSLL recebeu base imponível específica e distinta do IRPJ, embora os dois tributos tenham idêntica referência. Menciona o artigo 2º da Lei 7.689/88, com a redação dada pela Lei nº 8.034/90 para sustentar que inexiste referência à hipótese de tributos com exigibilidade suspensa e que os ajustes mencionados na norma são taxativos, não comportando extensões. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Salienta que a Lei nº 8.981, ao prever regra específica para o IRPJ e CSLL, no que se refere ao aproveitamento de prejuízos fiscais, o fez expressamente e, assim resta claro que a obrigatoriedade de adição de tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa se refere exclusivamente à apuração do Lucro Real, base de cálculo do IRPJ, e não da CSLL. Insurgiuse contra a tentativa de aplicar ao caso em análise o disposto no artigo 57 da Lei 8.981/95, ao argumento de que tal dispositivo preservou, quanto à contribuição, “a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação de regência”, o que significaria dizer que ambos os tributos parte de um mesmo parâmetro (a apuração está vinculada ao lucro contábil), mas cada um possui adições e exclusões específicas. Defendeu ser ilícito impingirlhe a obrigatoriedade de incluir, na base imponível da CSLL, o valor de tributos com exigibilidade suspensa (ou tampouco a atualização monetária respectiva), por falta de amparo legal, com consequente negativa de vigência não só aos artigos 9º, I, e 97, IV, do Código Tributário Nacional, que tratam do princípio da estrita legalidade tributária ou tipicidade no âmbito legal, mas, também, ao artigo 108, § 1º, do mesmo Código, que veda utilizar o recurso da analogia para fazer valer obrigações fiscais, circunstância esta equivalente à tentativa de aplicar, à CSLL, normas pertinentes ao IRPJ. Transcreveu julgado administrativo e alegou que não é possível aplicar o artigo 13 da Lei nº 9.249 porque, malgrado a regra seja aplicável tanto ao IRPJ quanto a CSLL, ela não se presta para impor a obrigação de adição de tributos com exigibilidade suspensa na base imponível da contribuição, pelo fato de que estas despesas não têm natureza real de provisão, do ponto de vista contábil. Afirmou ser incorreto qualificar tais despesas como provisão, visto que, sob a ótica contábil provisão consiste em lançamento destinado a refletir despesas com obrigações futuras, ainda não incorridas no sentido do surgimento do respectivo dever jurídico e, por conseguinte, sem valor determinado. Sustenta que a obrigação tributária atinente à COFINS e ao PIS incidentes sobre JCP tem origem na própria contabilidade da empresa e foi lançada a partir dos diversos lançamentos a título de tais contribuições, efetuados pela RFB, em contrapartida aos depósitos judiciais que foram realizados ao longo do tempo. Assim, isto tornaria a obrigação plenamente constituída, do ponto de vista obrigacional, com termo de vencimento certo (embora os efeitos da mora estejam suspensos), e determinada em seu valor. Defendeu que o fato de estar discutindo tais exigências judicialmente, não é suficiente para retirar das despesas em apreço as características que as afastam do conceito de provisão. Acrescenta ser assente no Superior Tribunal de Justiça que com a efetivação do depósito judicial integral da exigência temse verdadeiro lançamento por homologação, isto é, está plenamente constituída a obrigação, inclusive do ponto de vista formal. Portanto, a suspensão da exigibilidade não modifica a essência da despesa, mera forma de proteção temporária do sujeito passivo contra atos de cobrança da autoridade administrativa. Fez menção ao teor da Deliberação nº 489/2005 da CVM, que aprovou o pronunciamento do IBRACON NPC nº 22 sobre provisões, passivos, contingências passivas e ativas, tornandoo obrigatório para as companhias abertas, o qual expressamente exclui as despesas com obrigações tributárias em discussão judicial do conceito de provisão, enquadrandoas como contas a pagar. Transcreve extrato da deliberação e alerta para o fato de que o tributo é despesa desde que é devido e, mesmo que esteja com a exigibilidade suspensa, a ocorrência do fato gerador gera a contabilização a débito da correspondente conta de despesa e a crédito da correspondente conta de obrigações a pagar, de forma que inexiste hipótese de se deixar de levar em consideração o seu valor para apuração do resultado. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16682.721067/201312 Acórdão n.º 1301001.760 S1C3T1 Fl. 4 5 Por fim, reputou que sua atitude mostrase em consonância com os preceitos da legislação comercial e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, conforme prescrito no artigo 177, da Lei nº 6.404, de 1976. Transcreve excerto do voto vencedor junto ao Acórdão 140100.058 do CARF que fala sobre a impossibilidade de tratar como provisão uma obrigação certa e líquida, mesmo que se encontre com a exigibilidade suspensa e afirmou que pela falta de previsão legal quanto à obrigatoriedade da adição de despesas com tributos cuja exigibilidade esteja suspensa, na forma do CTN, na base de cálculo da CSLL e por extensão, da respectiva atualização monetária, sobretudo por não se adequar ao conceito de provisão, para os fins do artigo 13, I, da Lei n° 9.249, deve ser julgada improcedente a retificação da base negativa de contribuição social em tela, ensejando a improcedência do lançamento. A 2ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, nos termos do acórdão e voto de folhas 232 a 246, julgou o lançamento procedente, ficando assim ementada a decisão> [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2009 LUCRO REAL ANUAL. TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUÇÃO INDEVIDA COMO DESPESA. PROVISÃO NÃO DEDUTÍVEL. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. Devem ser adicionadas ao resultado do períodobase, para determinação da base de cálculo da CSLL, as importâncias antes deduzidas como despesas, segundo o regime de competência, relativas a tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do inciso II do art. 151 do CTN. Os lançamentos contábeis efetuados com tal finalidade constituem provisões e não despesas incorridas, em face de sua dependência ao trânsito em julgado de sentença judicial, estando vedada sua dedução de acordo com o disposto no art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/1995. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio [...] Segundo entendimento da decisão recorrida, em apertado resumo, a recorrente obteve decisão judicial favorável, pela qual foi determinada a suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS nos moldes da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações promovidas pelo art. 18 da Lei nº 10.684, de 2003, de sorte que a concessão da liminar ao processo original, por configurar uma situação de solução indefinida, dependendo de eventos futuros que poderão ou não ocorrer, o valor dos tributos questionados judicialmente se traduziria em nítido caráter de provisão, em função de que a pessoa jurídica não o reconhece como despesa efetiva e realizada, eis que o discute em juízo. Desta forma o tributo que se encontra em discussão fiscal representaria obrigação fiscal que não tem prazo definitivo para pagamento e configura determinada Fl. 343DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 incerteza em relação à sua efetiva ocorrência, visto que depende de decisão judicial final, de sorte que, para a decisão recorrida, a dedutibilidade do tributo com exigibilidade suspensa, nos moldes prescritos no art. 151, incisos II a IV do CTN, só passa a ser possível uma vez cessada a suspensão da exigibilidade, isto é, quando implementados os pressupostos materiais que tenham tornado incondicional a exigência do tributo questionado. E que enquanto tal não ocorrer, esses valores, quando deduzidos na apuração do lucro contábil, de acordo com o regime de competência, devem ser adicionados ao lucro líquido da pessoa jurídica, na determinação do lucro real e na base de cálculo da CSLL. Sendo assim, julgouse improcedente a impugnação apresentada, para manter a determinação de o contribuinte retificar os registros da base negativa de CSLL, ajustando o saldo a compensar, em conformidade com o demonstrativo de apuração gerado pelo auto de infração. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 255 em diante), reiterando seus argumentos e pugnando pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 16682.721067/201312 Acórdão n.º 1301001.760 S1C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Conforme descrito no relatório acima circunstanciado a Fiscalização apurou a falta de adição, na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, de valores deduzidos na apuração do lucro contábil da empresa a título de tributos ou contribuições com exigibilidade suspensa, relativamente ao anocalendário 2009. Segundo depreendese, a recorrente foi intimada a apresentar o detalhamento do valor de R$ 135.983.021,05, lançado na Ficha 05 A, linha 25 da DIPJ do anocalendário de 2009, especificando sua origem e natureza jurídica, e apresentado memória de cálculo, bem como especificar a conta contábil na qual o valor foi registrado, registrandose que no LALUR o valor de R$ 135.983.021,05 foi classificado como “Contingências Tributárias exigibilidade suspensa e foi informado na Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real da DIPJ 2009 na linha 05 das Adições – Despesas Operacionais – Soma das parcelas Não Dedutíveis e na Ficha 05A“ Despesas Operacionais”, linha 25 Demais Provisões. A seu turno, a contribuinte informou que o valor originouse do reconhecimento da atualização monetária e ajustes necessários para fazer refletir em suas demonstrações financeiras os valores que se encontravam em litígio entre ela, VALEPAR e a Receita Federal, juntando Quadro Demonstrativo de Contingências Tributárias, relativas a PIS e COFINS e o valor das respectivas variações monetárias no período, assinalando quanto ao ao registro dos valores na contabilidade os R$ 135.983.021,05 foram registrado por meio de lançamentos contábeis a crédito nas contas contábeis passivas de n° 223.130.006 (ContingênciasCofins) e 223.130.007 (ContingênciasPIS), nos valores de R$ 132.705.947,59 e R$ 3.277.073,46, respectivamente, em contrapartida a lançamento a débito na conta de resultado 361.511.001 (Variação Cambial Passiva). Entendeu a Fiscalização, com a chancela da decisão recorrida, que muito embora a contribuinte tenha adicionado o valor em discussão na apuração do Lucro Real, conforme Ficha 09A, e LALUR, deixou de fazêlo em relação à base de cálculo da CSLL, no entanto, os lançamentos contábeis relativos a essas Contingências Tributárias, incluindo suas variações monetárias, se caracterizariam como provisões, por não refletirem obrigações fiscais efetivamente constituídas, mas um provisionamento contra eventuais riscos de as ações impetradas terem resultados desfavoráveis, de sorte promoveuse a adição dos respectivos montantes na determinação da base de cálculo da CSLL, ajustando a base negativa de CSLL, e o saldo a compensar, em conformidade com o demonstrativo de apuração gerado pelo auto de infração. A contribuinte tem defendido, a seu turno que, que os valores em questão não seriam provisões, e que ainda que o fossem, as regras invocadas pela Fiscalização não se aplicariam à CSLL, já que a vedação seria apenas quanto a dedução na apuração do Lucro Real, base distinta daquela utilizada na CSLL. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Esta é, portanto, a controvérsia que se instaura nos autos, saber se a contribuinte poderia ter deduzido, na apuração da base de cálculo da CSLL, os valores objetos de depósitos judiciais realizados com tributos com a exigibilidade suspensa. Cuidando de deslindar a questão, como bem anotou a decisão recorrida, tem se que a recorrente obteve decisão judicial pela qual foi determinada a suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS nos moldes da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações promovidas pelo art. 18 da Lei nº 10.684, de 2003, ou seja, necessário averiguar se a concessão da liminar ao processo original, por configurar uma situação de solução indefinida, dependendo de eventos futuros que poderão ou não ocorrer, o valor dos tributos questionados judicialmente têm natureza de provisão. Tenho para mim que a decisão recorrida conferiu correta e irrepreensível solução ao coso concreto. Isso porque, como já me manifestei em casos semelhantes e como bem reconheceu a decisão recorrida, os tributos com exigibilidade suspensa não possuem caráter de certeza, necessário à sua configuração como obrigações, a revelar que os valores a eles correspondentes, depositados ou não, constituem mera provisão, em clara disposição de medida preventiva e acautelatória, ou seja, tais valores, quando deduzidos na apuração do lucro contábil da pessoa jurídica, de acordo com o regime de competência, devem ser adicionados para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. O argumento da contribuinte, com o devido respeito, não guarda coerência com o sistema jurídico vigente. Ora, se o contribuinte reputa ilegal ou inconstitucional determinado tributo, ao ponto de judicializar a questão, não pode, a um só tempo, reputar que a despesa com aquele tributo fora incorrida e, não se tratando de despesa incorrida, a reserva desses valores, ou mesmo o depósito judicial, não é senão mera provisão. Proclamase assim, em conclusão, o imposto ou contribuição com exigibilidade suspensa por impugnação ou recurso administrativo, ou medida judicial, não constitui despesa incorrida, sendo, portanto, mera provisão. Registrese ainda, a COSIT, em recente Solução de Divergência nº, de 19/07/2013, assentou coincidente entendimento. Diante do exposto, encaminho me voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em de janeiro de 2015. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 27/02/2015 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2015 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720066/2006-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
Incabível a lavratura de Auto de Infração em nome do de cujus, tendo o óbito ocorrido muito antes do fato gerador e constatando-se que a comunicação acerca da figura do Inventariante foi levada a cabo ainda no curso da ação fiscal, quando do primeiro atendimento a intimação.
Recurso especial conhecido em parte e negado.
Numero da decisão: 9202-003.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial da Fazenda e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que davam provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Gustavo Lian Haddad. Designado o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka para redação do voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora-Designada AD HOC para formalização do voto vencedor.
EDITADO EM: 17/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 Incabível a lavratura de Auto de Infração em nome do de cujus, tendo o óbito ocorrido muito antes do fato gerador e constatando-se que a comunicação acerca da figura do Inventariante foi levada a cabo ainda no curso da ação fiscal, quando do primeiro atendimento a intimação. Recurso especial conhecido em parte e negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10140.720066/2006-72
anomes_publicacao_s : 201508
conteudo_id_s : 5495223
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9202-003.595
nome_arquivo_s : Decisao_10140720066200672.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10140720066200672_5495223.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial da Fazenda e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que davam provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Gustavo Lian Haddad. Designado o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka para redação do voto vencedor. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora-Designada AD HOC para formalização do voto vencedor. EDITADO EM: 17/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
id : 6073947
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889389813760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 131 1 130 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10140.720066/200672 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.595 – 2ª Turma Sessão de 03 de março de 2015 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSÉ CÂNDIDO DE PAULA ESPÓLIO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Incabível a lavratura de Auto de Infração em nome do de cujus, tendo o óbito ocorrido muito antes do fato gerador e constatandose que a comunicação acerca da figura do Inventariante foi levada a cabo ainda no curso da ação fiscal, quando do primeiro atendimento a intimação. Recurso especial conhecido em parte e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial da Fazenda e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Freitas Barreto, que davam provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Gustavo Lian Haddad. Designado o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka para redação do voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 00 66 /2 00 6- 72 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720066/200672 Acórdão n.º 9202003.595 CSRFT2 Fl. 132 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – RedatoraDesignada AD HOC para formalização do voto vencedor. EDITADO EM: 17/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), abrangendo alteração do valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte em sua DITR/2005. Realizouse a alteração através de arbitramento, utilizandose o VTN/ha. obtido a partir do sistema SIPT, uma vez que restou não comprovado pelo contribuinte o respectivo VTN/ha constante de sua declaração (vide efl.4). Insurgindose contra o lançamento, protocolizou o contribuinte impugnação de efls. 09 a 18, com o Acórdão de 1a. instância de lavra da DRJ/CGE (efls. 55 a 66) tendo afastado todas as preliminares levantadas pelo contribuinte para, no mérito, julgar totalmente procedente o lançamento. Protocolizou o contribuinte, então, Recurso Voluntário insurgindose contra a decisão de 1a. instância (efls. 72 a 83). Analisando o mencionado Recurso Voluntário, a 2ª Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) exarou o Acórdão nº 280201.159 (efls. 87 a 92), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR EXERCÍCIO: 2005 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720066/200672 Acórdão n.º 9202003.595 CSRFT2 Fl. 133 3 Considerando que o fato gerador do ITR lançado ocorreu após a morte do autuado, o lançamento deveria ser efetuado em nome do espólio, verdadeiro contribuinte do tributo. Recurso Voluntário Provido Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência (efls. 94 a 101), onde defendeu a existência de divergência jurisprudencial em relação à decisão emanada em 26 de julho de 2006 pela 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes (Acórdão 10615.703), assim ementada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. Para a sua validade, é primordial que o ato de intimação seja capaz de dar total conhecimento ao sujeito passivo do resultado do procedimento fiscal, sendo eficaz no seu objetivo da mais larga defesa do sujeito passivo. A identificação concreta do prejuízo causado à defesa do sujeito passivo seria, por si só, suficiente para a invalidação da intimação, o que não ocorre na espécie, vez que exsurgem dos autos evidências que demarcam não ter ocorrido qualquer dano ao recorrente. NOTIFICAÇÃO EM NOME DO "DE CUJUS" SEM A IDENTIFICAÇÃO DE ESPÓLIO. Os atos processuais têm caráter instrumental, e, se a finalidade da lei for alcançada, embora mediante forma imperfeita, há de se ter a forma ou o ato como válidos. Se a notificação for feita em nome do "de cujus", sem o acréscimo da palavra "espólio" após o nome próprio do falecido, mas o representante legal impugnar o lançamento em nome do espólio e todos os demais atos forem praticados em nome ou contra o espólio, a finalidade da lei foi alcançada, mesmo que a forma adotada no lançamento não tenha sido perfeita (Precedente da CSRF). IRPF. ESPÓLIO. MULTA DE OFÍCIO Não responde o sucessor pela multa de natureza fiscal que deva ser aplicada em razão de infração cometida pelo "de cujus". Inteligência do artigo 133 do CTN. (Precedentes da CSRF). Recurso parcialmente provido. Aduz a Fazenda Nacional (FN) em seu pleito recursal que, quanto a esta seara, o AcórdãoParadigma considerou válida a notificação feita em nome de pessoa falecida, eis que, após tal fato, o espólio, na pessoa de seu inventariante impugnou o lançamento, tendo, portanto, sido alcançada a finalidade da lei. Observa a FN que o mesmo ocorre no presente processo, eis que a notificação foi feita em nome da pessoa falecida, mas o inventariante impugnou o auto de infração e, como dito pelo próprio Relator do processo, respondeu a todas as intimações feitas pela Fiscalização. Entende que não obstante o erro quanto ao sujeito passivo, não há que se cancelar o auto de infração, por não haver prejuízo, até porque houve a oportunidade de impugnação. Colaciona doutrina sustentando tal posicionamento. Subsidiariamente, segue a FN, é de se alegar, caso o entendimento da Turma seja de persistência de vício no auto de infração, que seja analisada a divergência entre o Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720066/200672 Acórdão n.º 9202003.595 CSRFT2 Fl. 134 4 recorrido e os AcórdãosParadigmas oriundos das 1ª Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuinte (Acórdão nº 30133.686) e pela 3ª Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 30330.909) que entenderam que o erro de identificação do sujeito passivo não é causa de cancelamento do auto de infração (posicionamento adotado pelo recorrido), mas sim motivo para anulálo por vício formal, na forma das seguintes ementas: Acórdão nº 30133.686 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 NULIDADE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. É nulo, por vício formal, de lançamento constituído mediante auto de infração lavrado em face de sujeito passivo diverso daquele elencado pela norma tributária. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO Acórdão nº 30330.909 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. VÍCIO FORMAL ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. Constatado vício formal, por erro na identificação do sujeito passivo, deve ser declarada, de ofício, a nulidade do auto de infração, por não observância do disposto no art. 142 do CTN. RECURSO DE OFÍCIO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Quanto a esta outra matéria, traz à colação o art. 10 do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, defendendo que as matérias ali elencadas, dentre elas a qualificação do autuado, possuem natureza formal, determinando como o ato administrativo, o lançamento, deve exteriorizarse, tendo por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório. Entende que não há de se admitir tal vício de erro de identificação do sujeito passivo como de natureza material, pois, se assim fosse, estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu, o que, contudo, não é a situação retratada nos autos, pois a infração tributária resta devidamente evidenciada no Relatório Fiscal do Auto de Infração, que também se fez acompanhar dos devidos documentos comprobatórios dos fatos ali noticiados, o que não foi negado pelo autoridade julgadora. Novamente colaciona doutrina e, agora, jurisprudência oriunda deste Conselho suportando sua argumentação. O recurso foi regularmente admitido quanto a ambas as matérias, na forma de efls. 111 a 113. Regularmente intimado, o contribuinte oferece contrarrazões de efls. 120 a 127, onde defende que a identificação do autuado é requisito essencial para a validade do auto e condição para a formação e desenvolvimento da relação processual, sendo que a ciência do auto de infração e de qualquer nova ação dos autuantes é obrigatória, sob pena de se ver caracterizado cerceamento de direito de defesa. Destaca a necessária obediência aos princípios da legalidade, ampla defesa, verdade real e informalismo. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720066/200672 Acórdão n.º 9202003.595 CSRFT2 Fl. 135 5 Quanto à natureza de vício formal relacionada ao erro de identificação do sujeito passivo, propugna que agiu corretamente o Acórdão recorrido, dado que uma vez declarada a nulidade do auto de infração é de se cancelálo. Defende que seja negado provimento ao recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, porém há uma questão referente a sua admissibilidade que necessita de análise. No acórdão recorrido, se enfrenta situação em que o fato gerador ocorreu em 2005, após a morte do de cujus, ocorrida em 1996, conforme se depreende do excerto do voto da Conselheira Relatora, a seguir reproduzido: Consta dos autos às fls. 22, a Certidão de Óbito em que consta o registro do falecimento de “José Cândido de Paula” ocorrida em 21 de fevereiro de 1.996, aos setenta e um anos de idade. Somente em 15 de janeiro de 2002, o Exmo. Juiz de Direito da Comarca de Campo Grande deferiu ao Sr. José Henrique Coelho de Paula, o compromisso de atuar como inventariante. Já, no acórdão paradigma, o fato gerador ocorreu antes da morte do de cujus, conforme se depreende da leitura do voto do Conselheiro Relator, nos termos a seguir reproduzidos: Conforme atestado de óbito de fls. 02, o Sr. Walter Orlando D'Oliveira Porto faleceu em 27/03/2000, após a ocorrência do fato gerador do IRPF do exercício 1998, anocalendário 1997. Ora, não havendo semelhança fática entre as situações tratadas nos acórdãos recorrido e paradigma, fica prejudicada a verificação de divergência quanto ao critério jurídico a elas aplicável. Portanto, não conheço do recurso quanto a este ponto. Já quanto ao pedido de consideração do vício como formal, os acórdãos apontados como paradigma tratam genericamente quaisquer vícios na identificação do sujeito passivo com formal. Portanto, aqui fica verificada a divergência e, assim, conheço do recurso nesta parte. A discussão trata do posicionamento a ser adotado na hipótese em que, ocorrido o falecimento de determinado contribuinte previamente à ocorrência do fato gerador (no caso, o óbito do Sr. José Cândido de Paula ocorreu em 1996, conforme Certidão de efl. 23), a autoridade tributária constitui o crédito não em nome do espólio, mas sim em nome do de cujus (conforme Notificação de efls. 02 a 05). Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720066/200672 Acórdão n.º 9202003.595 CSRFT2 Fl. 136 6 Da análise dos elementos carreados aos autos verifico que, desde o início da ação fiscal, esteve sempre clara a condição de falecimento do intimado, tendo sido a referida condição sempre informada em sede de resposta à intimação (vide efls. 09 a 69 do Processo 10140.720065/200628). Entendo assistir razão à recorrente no que diz respeito a se tratar, na hipótese, de ocorrência de vício formal e não de cancelamento do auto, consoante decidiu o vergastado, cabível assim, em meu entendimento, o refazimento do mesmo, no prazo determinado pelo art. 173, inciso II da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966. Alinhome aqui aos que entendem só se estar diante de vício material no caso de eventual desalinho do fato jurídicotributário ao critério pessoal estabelecido pela regra matriz de incidência, o que não vislumbro ter ocorrido na situação sob análise, tratandose, na hipótese, de erro de fato no lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso especial da Fazenda Nacional para, na parte conhecida, darlhe provimento, reformandose o Acórdão recorrido, de forma a que se declare a nulidade do lançamento por vício formal, permitido seu refazimento no prazo decadencial estabelecido pelo art. 173, II do CTN. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720066/200672 Acórdão n.º 9202003.595 CSRFT2 Fl. 137 7 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, RedatoraDesignada Ad Hoc Primeiramente, esclareçase que esta Conselheira foi designada para redigir o voto vencedor, tendo em vista que o RedatorDesignado, Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, deixou o Colegiado sem que fosse formalizado o respectivo acórdão. Assim, registrese de plano que esta Conselheira não compartilha com a tese que orientou o voto vencedor, no sentido de que, de forma genérica, uma vez que o sujeito passivo seria o espólio, seria nulo por vício material o Auto de Infração lavrado em nome do de cujus. Cabe aqui ressalvar o posicionamento desta Conselheira, acompanhado pelo Conselheiro Gustavo Lian Haddad, no sentido de que, neste caso específico, em que o fato gerador ocorreu após o falecimento do de cujus, e tal situação foi claramente exposta ainda por ocasião da ação fiscal, quando do primeiro atendimento a intimação pelo Inventariante (fls. 08 a 15), constatase efetivamente a existência de vício material. Com efeito, a autuação deveria ter sido efetuada em nome do espólio, que é inclusive o sujeito passivo direto da obrigação tributária, e não apenas o responsável por eventual falta cometida pelo de cujus. A situação foi assim resumida, no acórdão recorrido: “Consta dos autos às fls. 22, a Certidão de Óbito em que consta o registro do falecimento de “José Cândido de Paula” ocorrida em 21 de fevereiro de 1.996, aos setenta e um anos de idade. Somente em 15 de janeiro de 2002, o Exmo. Juiz de Direito da Comarca de Campo Grande deferiu ao Sr. José Henrique Coelho de Paula, o compromisso de atuar como inventariante. A resposta ao Termo de Intimação foi realizada em nome do Espólio do de cujus por seu inventariante, em 28/04/2006, conforme documentação de fls. 08/13, nos autos do processo de n 10140.720065/200628, do mesmo interessado, em que se cuidou do exercício de 2003. Ora, desse simples resumo, verificase Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720066/200672 Acórdão n.º 9202003.595 CSRFT2 Fl. 138 8 que a infração lançada, não pode ser atribuída ao de cujus, uma vez que falecido, em 1.996, antes da ocorrência do fato gerador, não era mais o proprietário do imóvel; tampouco o espólio deve ser apenas o responsável pelo crédito tributário, conforme artigo 5° da Lei n° 9393/96, mas sim, o próprio sujeito passivo da relação jurídica tributária, como dispõe o artigo 4° dessa mesma lei (...)” Destarte, no caso dos autos, inexistiu qualquer óbice ou justificativa para que o lançamento, derivado de ação fiscal levada a cabo em 2006, não fosse formalizado em face do legítimo sujeito passivo, que era o espólio, tendo o fato gerador ocorrido em 2003 e o falecimento do de cujus em 1996. Entretanto, a tese majoritário, no presente julgamento, foi no sentido de que, genericamente, é nulo por vício material o lançamento formalizado em face do de cujus, quando deveria ser em nome do espólio. Diante do exposto, compartilho com o posicionamento do Ilustre Relator no que tange ao conhecimento em parte do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo RedatoraDesignada Ad Hoc Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10140.720066/200672 Acórdão n.º 9202003.595 CSRFT2 Fl. 139 9 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10530.000223/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 03/11/2004
NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. SÚMULA N 1 DO CARF.
De acordo com o disposto no art. 126, § 3º da Lei 8.213/1991, bem como no art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/1980, a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.
Conforme disposto no verbete de Súmula no 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por concomitância com ação judicial.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 03/11/2004 NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. SÚMULA N 1 DO CARF. De acordo com o disposto no art. 126, § 3º da Lei 8.213/1991, bem como no art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/1980, a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Conforme disposto no verbete de Súmula no 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10530.000223/2009-89
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5473012
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.632
nome_arquivo_s : Decisao_10530000223200989.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 10530000223200989_5473012.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por concomitância com ação judicial. Julio César Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5959046
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047889417076736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.000223/200989 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.632 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente PIRELLI PNEUS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 03/11/2004 NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. SÚMULA N 1 DO CARF. De acordo com o disposto no art. 126, § 3º da Lei 8.213/1991, bem como no art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/1980, a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Conforme disposto no verbete de Súmula no 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 02 23 /2 00 9- 89 Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por concomitância com ação judicial. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10530.000223/200989 Acórdão n.º 2402004.632 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária, para as competências 01/2004 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 29/34), a empresa deixou de incluir em folhas de pagamento as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 30/01/2009 (fls.01 e 60), por meio de correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 67/102), alegando, em síntese, que: 1. cerceamento do direito de defesa, o contribuinte afirma que a fiscalização efetuou a lavratura do AI baseandose, exclusivamente, nas informações fornecidas pela Receita Federal do Brasil, em que pese a Impugnante ter entregue todos os documentos necessários para a conclusão contrária. Afirma que os valores lançados no Auto de Infração sob julgamento são completamente distintos dos valores informados em sua contabilidade e demais documentos como Folhas de Pagamento e GFIP do período. Asseverar que, diante da enorme quantidade de lançamentos contábeis, informações em folha e GFIP, sem uma explicação detalhada e embasada da fiscalização, se mostra totalmente impossível concluir de onde foram baseados todos os lançamentos efetuados pela fiscalização e que, sem informações completas e embasadas, não há meios para que se impugne propriamente as ocorrências apontadas; 2. a fiscalização não atentou para o fato de que, na maioria dos casos, os pagamentos efetuados (entendidos pela fiscalização como base de cálculo) não seriam sujeitos ao recolhimento de contribuições previdenciárias, seja pela não incidência, seja por isenção de contribuição previdenciária (serviços prestados por pessoas jurídicas ou valores pagos a título de indenização); 3. alega incompetência do Auditor Fiscal de Feira de Santana/BA para proceder ao lançamento sob julgamento (onde cita legislação); 4. quanto ao levantamento CIN Contribuintes Individuais não Declarados, o contribuinte afirma que a fiscalização incorreu em Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 equívocos, visto que, com relação aos pagamentos efetuados aos honorários de Conselho de Administração e Diretoria, tais pagamentos foram realizados a um diretor expatriado. Não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre tais pagamentos, uma vez que o Ministério da Previdência Social concedeu isenção de contribuições a tal contribuinte individual; 5. impugnando o levantamento TRN Transportador não Declarado, afirma o contribuinte que mais uma vez a auditoria fiscal incorreu em equívoco, visto que o artigo 195 da Constituição Federal é claro ao determinar que as contribuições previdenciárias incidirão sobre os valores pagos, apenas e tãosomente, às pessoas físicas, razão pela qual não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre serviços prestados por pessoas jurídicas; 6. solicita diligencia para que reste definitivamente comprovadas suas alegações. Após a realização da diligencia fiscal, seja concedido prazo para a Impugnante apresentar Manifestação (Defesa Complementar), no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de intimação do Relatório Fiscal da referida diligência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão 1528.862 da 5a Turma da DRJ/SDR (fls. 1733/1741) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A DRF em Santo André/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10530.000223/200989 Acórdão n.º 2402004.632 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o interesse e a legitimidade para tanto. DO CONHECIMENTO DO RECURSO: O Recorrente alega que não pode concordar com as exigências fiscais que lhe estão sendo apresentadas, quer seja porque o lançamento fiscal em questão está eivado de nulidades, não sendo apto a constituir qualquer débito, quer seja porque todas as contribuições previdenciárias devidas (a título de retenção) foram efetivamente retidas e recolhidas, quer seja, ainda, porque não há que se falar em incidência de contribuições sobre os pagamentos apontados pelo Fisco. Ocorre, contudo, que tais alegações não poderão ser conhecidas por esta Corte Administrativa (CARF), uma vez que a Recorrente abdicou, tacitamente, de debatêla na esfera administrativa ao ingressar com ação judicial perante à Subseção Judiciária de Santo André/SP, no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, processo nº 000137748.2014.403.6126, sendo que ainda não houve o trânsito em julgado. Observase que a citada ação judicial versa sobre a mesma matéria tratada nos ora debatido Auto de Infração de Obrigação Acessória, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo o atributo da coisa julgada formal e material. E, como a coisa julgada material opera efeitos dentro e fora do processo em que é produzida, isso tornará o conteúdo da decisão judicial imutável, estendendo os seus efeitos para este processo administrativo. Logo, entendese que tais questões não devem ser analisadas no presente processo, eis que a Recorrente abdicouse da instância administrativa. Esse entendimento está em consonância com o art. 126, § 3o, da Lei 8.213/1991, abaixo transcrito: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 1997) (...) § 3° A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei n° 9.711, de 20.11.98) (g.n.) Nesse mesmo sentido, esta Corte Administrativa (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) pronunciouse por meio do Enunciado no 1 de Súmula Vinculante (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial, processo nº 0001377 48.2014.403.6126, sobre as mesmas questões postuladas na peça recursal administrativa, torna se inviável o seu conhecimento por esta Corte, por falta de interesse de agir. Com isso, não conheço do recurso voluntário interposto, a teor da regra estampada no art. 126, §3º, da Lei 8.213/1991, do art. 38, parágrafo único da Lei 6.830/1980 e do enunciado da sumula no 1 do CARF, bem como atendimento aos princípios da eficiência e da economia processual. CONCLUSÃO: Com isso, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
