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5825360 #
Numero do processo: 10805.001787/2003-76
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 06/05/1994 a 11/08/1998 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO. CINCO ANOS CONTADOS DA DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO FORMULADO EM 12/08/2003. Na forma do § 1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento do crédito, sob condição resolutória de ulterior homologação, o que implica em que o direito de restituição de indébito, previsto no inciso I do artigo 165, deve observar ao prazo de cinco anos a que se refere o inciso I do artigo 168, qual seja, de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Atingidos pela decadência os pagamentos efetuados em data anterior a 12/08/1998. Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 12/08/1998 a 08/01/1999 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. De acordo com o enunciado da Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 12/08/1998 a 08/01/1999 COFINS. ISENÇÃO. PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. SOCIEDADES CIVIS. REVOGAÇÃO EXPRESSA. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada deixaram de ser isentas da Contribuição para a Seguridade Social - Cofins a partir de abril de 1997, conforme disposto no art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-000.658
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à análise de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
Matéria: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico ( Não tributário )
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO

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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 06/05/1994 a 11/08/1998 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO. CINCO ANOS CONTADOS DA DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO FORMULADO EM 12/08/2003. Na forma do § 1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento do crédito, sob condição resolutória de ulterior homologação, o que implica em que o direito de restituição de indébito, previsto no inciso I do artigo 165, deve observar ao prazo de cinco anos a que se refere o inciso I do artigo 168, qual seja, de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Atingidos pela decadência os pagamentos efetuados em data anterior a 12/08/1998. Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 12/08/1998 a 08/01/1999 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. De acordo com o enunciado da Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 12/08/1998 a 08/01/1999 COFINS. ISENÇÃO. PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. SOCIEDADES CIVIS. REVOGAÇÃO EXPRESSA. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada deixaram de ser isentas da Contribuição para a Seguridade Social - Cofins a partir de abril de 1997, conforme disposto no art. 56 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado

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Numero do processo: 10730.723794/2011-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 NULIDADE - INOCORRÊNCIA. Tendo a autuação demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO - COMPROVAÇÃO Uma vez comprovada que as deduções efetuadas à título de despesas com instrução do próprio contribuinte e se referem a curso de graduação, deve ser excluída a glosa efetuada.
Numero da decisão: 2002-008.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sateles - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gleison Pimenta Sousa, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 NULIDADE - INOCORRÊNCIA. Tendo a autuação demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO - COMPROVAÇÃO Uma vez comprovada que as deduções efetuadas à título de despesas com instrução do próprio contribuinte e se referem a curso de graduação, deve ser excluída a glosa efetuada.

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Tendo a autuação demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO - COMPROVAÇÃO Uma vez comprovada que as deduções efetuadas à título de despesas com instrução do próprio contribuinte e se referem a curso de graduação, deve ser excluída a glosa efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento ao recurso. 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Conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal, a Fiscalização apurou Dedução Indevida de Despesas com Instrução. Glosa do valor de R$ 2.592,29, não comprovado. Cientificado em 17/08/2011 (fl. 13), o Contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 02/03 na qual alegou, em síntese que o motivo da não apresentação tempestiva da prova foi alheio à sua vontade e decorreu da incapacidade da instituição de ensino em cumprir, no período de férias escolares, a apresentação do documento no prazo. Tendo em vista a apresentação da comprovação da despesa, requer que o lançamento seja revisto. Cientificado da decisão de primeira instância em 22/10/2013, o sujeito passivo interpôs, em 21/11/2013, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) as despesas com instrução estão comprovadas nos autos b) tempestividade do recurso voluntário c) nulidade do lançamento por cerceamento de defesa É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas De Souza Costa - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. DA PRELIMINAR DE NULIDADE Ao meu ver não há, do ponto de vista preliminar, que se falar em prejuízo ao direito de defesa, que não restou materialmente prejudicado, como demonstra o teor da impugnação apresentada, devendo-se, ademais, ressaltar que eventuais incorreções ou inexatidões materiais não implicam nulidade, podendo ser sanadas, caso o sujeito passivo restar prejudicado, como determinam os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 59. São nulos: I - Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Note-se que, no caso que, a presente autuação se enquadrada na espécie “atos e termos”, só há nulidade se essa for emitida por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas “despachos e decisões” a ensejariam. Fl. 46DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-008.121 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.723794/2011-53 Assim, rejeito a preliminar suscitada. No mérito o litígio recai sobre a dedução tributária dos gastos incorridos com despesas com instrução. A decisão de 1ª instância assim decidiu: A impugnação é tempestiva e foi apresentada por parte legítima, devendo, pois, ser conhecida. O tema da dedução tributária dos gastos incorridos com despesas com instrução está normatizado pelo art. 81 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). (...) A Instrução Normativa SRF nº 15/2001 estabelece em seu art. 41 os conceitos de instituição de ensino e modalidades de cursos que atendem os requisitos para que os pagamentos a estas entidades se enquadrem como despesas com instrução para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda: Art. 41. Considera-se instituição de ensino aquela regularmente autorizada, pelo Poder Público, a ministrar educação básica – educação infantil, ensino fundamental e ensino médio – e educação superior, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. § 1º Educação infantil, primeira etapa da educação básica, é aquela que precede o ensino fundamental obrigatório, oferecida em creches ou entidades equivalentes e pré- escolas, compreendendo a educação de menores na faixa etária de zero a seis anos de idade. § 2º Ensino fundamental é aquele, obrigatório, que precede o ensino médio e tem duração mínima de oito anos. § 3º Ensino médio é a etapa final da educação básica e tem duração mínima de três anos. § 4º A educação superior abrange os seguintes cursos e programas: I - de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo; II - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, bem assim cursos de especialização abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. § 5º A educação profissional compreende os seguintes níveis: I - técnico, destinado a proporcionar habilitação profissional a alunos matriculados ou egressos de ensino médio, e cuja titulação pressupõe a conclusão da educação básica de 11 anos; II - tecnológico, corresponde a cursos de nível superior na área tecnológica, destinados a egressos do ensino médio e técnico. O contribuinte apresentou o documento de fl. 09 para provar que faz jus à dedução. Não obstante, considero que tal documento não é hábil para comprovar que o contribuinte estava matriculado em um curso de graduação ou pós-graduação naquela instituição de ensino, que como se depreende da legislação acima transcrita são as modalidades de curso de educação superior passíveis de dedução. Fl. 47DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-008.121 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.723794/2011-53 Há que se ressaltar que a Universidade Candido Mendes, embora seja reconhecida como entidade de ensino de nível superior, oferece, além de cursos de graduação e pós- graduação, diversos cursos de extensão os quais não se enquadram como despesas dedutíveis na declaração de rendimentos, e por isso, a necessidade de uma informação precisa acerca da modalidade do curso freqüentado pelo contribuinte. Pelo exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo a exigência do crédito tributário apurado. Ana Lúcia Menezes Araújo – Relatora Verifica-se na decisão guerreada que o motivo da manutenção do crédito tributário ocorreu pelo fato de que, segundo o julgador a quo, o contribuinte não teria logrado comprovar que estava matriculado em um curso de graduação ou pós-graduação no ano calendário em questão. Contudo, em seu recurso, o recorrente anexou diversos documentos que comprovam que no período em questão, cursava graduação em Direito na Universidade Cândido Mendes. Logo, além da declaração da instituição acima mencionada, já anexada junto à impugnação, traz agora o contribuinte, provas robustas de que as deduções efetuadas se referem a despesas com instrução em curso de graduação conforme previsto na legislação de regência. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, Rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, Dar-lhe Provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas De Souza Costa Fl. 48DF CARF MF Original

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Numero do processo: 11080.009161/2003-93
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 204-00.225
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Renato Renk.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO

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Processo no : 11080.009161/2003-93 Recurso n° : 127.828 Recorrente : GKN DO BRASIL LTDA. Recorrida : DRJ em Porto Alegre - RS ,......=T ._ 1 .....ivilfv..pii.27 /V.:::!"..•. !V. ,,....,- .. 2:' CC ,,, CO!'..T.I.-R.': :".- • i ...i 64.f,Sli...1,4 V; 31- C-, Vistos, relatados e dikutidos os presentes autos de recurso interposto por GKN DO BRASIL LTDA. RESOLVEM os Membros da Quarta Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Renato Renk. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2006. 41.146 Pinheiro Torres Presidente RA.4 odrigo Be Relator ardes de Ca Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Mho César Alves Ramos, Leonardo Siade Manzan e Adriene Maria de Miranda. 1 RESOLUÇÃO Ng 204-00.225 CONFER:-: , ..J r.;eL .... , VISTO Processo n° Recurso n° Recorrente Ministerio da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes : 11080.009161/2003-93 : 127.828 : GKN DO BRASIL LTDA. RELATÓRIO MN OA FAZENDA - 2' CC I CC-NIF Fl. A contribuinte supracitada foi lançada de oficio devido à constatação de falta/insuficiência de recolhimento de PIS no período de setembro a dezembro de 2002. Resultou em lançamento de R$ 613.620,57, já incluídos os valores relativos a juros de mora e multa de oficio, prevista no artigo 90 da Medida Provisória n°2.158-35/2001. A interessada apresentou DCTFs em que constavam como compensados os períodos de janeiro de 2001 a dezembro de 2002 por força de autorização judicial. Esta ação judicial (Ação Ordinária de Repetição de Indébito) foi proposta pela ATH Albarus Transmissões Homocinéticas Ltda., já incorporada pela ora recorrente. Naquele pleito se alcançou o direito ã repetição do indébito, a compensação do PIS recolhido indevidamente de acordo com os Decretos-Leis es 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e o direito de continuar recolhendo o PIS no moldes da Lei Complementar n° 7/1970. Ao serem refeitos os cálculos pela fiscalização, agora de acordo com a Lei Complementar n° 7/70, verificou-se estarem extintos os débitos de PIS dos períodos de janeiro de 2001 a agosto de 2002. Todavia, restaram a descoberto os períodos de setembro a dezembro de 2002, cujos débitos são objeto do presente lançamento de oficio. Esta diferença se deve ao fato de a contribuinte ter adotado na base de cálculo da Contribuição para o PIS a semestralidade. Todavia, no entendimento do Fisco, tal direito não lhe teria sido concedido pela sentença. Em impugnação, a contribuinte requereu a anulação do lançamento por ausência de fundamentação legal para corroborar os cálculos efetivados, e no mérito, pleiteia o seu cancelamento pela total desconsideração da sentença transitada em julgado. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre - RS que julgou procedente em parte o lançamento, fê-lo por meio do Acórdão DRJ/POA n° 3.747 de 13 de maio de 2004: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2002 Ementa: NULIDADE — Inexistência de qualquer da hipóteses que a legislação elenco como ensejadoras de nulidade do lançamento. PIS — FALTA DE RECOLHIMENTO — EXIGENCIA — Comprovada a falta de recolhimento de PIS e a impossibilidade de extinção por compensação, deve ser seu valor exigido de acordo com a legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO — RETROACAO BENIGNA — MULTA DE MORA — Reduz-se a multa de oficio para multa de mora pelo advento de norma tributária com aplicação retroativa, nos termos do art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN. Lançamento Procedente em Parte. /711/ 2 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 11080.009161/2003-93 Recurso n" : 127.828 n»N. u/b T CC-MF Fl. Notificado da decisão retro em 11 de junho de 2004 a contribuinte lançou mão do presente recurso voluntário em 12 julho de 2004, oportunidade em que reiterou os argumentos expendidos por ocasião de sua impugnação. o relatório. Recurso re : 127.828 F.(12:EN0,3., _ 2' Cc Ministério da Fazenda CONF';:*.F::.7. Segundo Conselho de Contribuintes i of o 1 Processo n° : 11080.009161/2003-93 V!STC, CC-IVIF Fl. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO 0 recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. 0 processo versa sobre a exigência do PIS. Entretanto, em seu recurso, a contribuinte alega que efetuou compensação, autorizada por ação judicial, dos valores lançados com os valores recolhidos a maior a titulo do próprio PIS, com base nos Decretos-Leis ifs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais, considerado no cálculo dos valores devidos a semestralidade do PIS e as atualizações monetárias autorizadas pelo Judiciário. O lançamento em verdade deu-se em virtude de a fiscalização considerar que a contribuinte utilizou-se, indevidamente, no cálculo do crédito apurado, da base de cálculo do PIS como sendo o faturamento do sexto mês anterior. Correta a decisão recorrida ao afirmar que em "Ern nenhum momento, no entanto, ficou estabelecido naquela determinação judicial que a interpretação do parágrafo único do artigo 6 daquela Lei Complementar seria que a base de cálculo a ser utilizada obedeceria a tese da semestralidade (sexto mês anterior ao mês de competência)." (fls. 410). Portanto, remanesce integra esta discussão pelo que deve ser examinado por esta instância administrativa. E, neste ponto, ainda prevalece o entendimento neste Conselho de Contribuintes que, até a entrada em vigor das alterações na legislação de regência do PIS, introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212/1995, a base de cálculo dessa contribuição deve ser calculada com base no faturamento do sexto Ines anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Aliás, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, tal entendimento está pacificado na primeira seção, conforme excerto do seguinte julgado, verbis: RESP 374707 Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS DJ 07.03.2005 p. 187 Consoante iterativa jurisprudência de ambas as Turmas integrantes da eg. Seção, base de cálculo do PIS, sob o regime da LC 07/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Portanto, assiste razão â recorrente quando requer a aplicação da Lei Complementar n° 7/70 para que os cálculos sej am feitos considerando como base de cálculo o faturarnento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador ate a entrada em vigor da Medida Provisória 1.212/1995, observando-se os prazos de recolhimento estabelecidos pela legislação do momento da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária da base de cálculo. Assim sendo, diante dos fatos, e com esteio no artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, somos pela transformação do presente voto em diligência, para que sejam tornadas as seguintes providencias: 1. verificar se houve pedido de desistência do processo de execução; 4 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 11080.009161/2003-93 Recurso n° : 127.828 CC-MF Fl. 2. verificar se o contribuinte fez pedido de restituição/compensação nos termos do artigo 17 da IN 21/97, com a redação dada pela IN 73/97; e 3. verificar se as compensações efetuadas, autorizadas pelo Judiciário foram suficientes para cobrir o valor lançado no presente Auto de Infração, considerando a base de cálculo como sendo o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária, e atualizando-se os créditos porventura existentes de acordo com a determinação da Sentença que autorizou a compensação, elaborando demonstrativo dos cálculos. Dos resultados das averiguações, seja dado conhecimento ao sujeito passivo, para que, em querendo, manifeste-se sobre o mesmo no prazo de 30 (trinta) dias. Após conclusão da diligência, retomem os autos a esta Câmara, para julgamento. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2006. RODRIGO BERNARDE E CARVALHO 5

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10304880 #
Numero do processo: 10880.943912/2019-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2015 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DESPACHO DECISÓRIO DEFINITIVO. O Despacho Decisório é definitivo quando não instaurada a fase litigiosa no procedimento. Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
Numero da decisão: 1003-004.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida rejeitar as preliminares de nulidade e de prescrição suscitadas. Vencido o Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria que não conhece do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2015 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DESPACHO DECISÓRIO DEFINITIVO. O Despacho Decisório é definitivo quando não instaurada a fase litigiosa no procedimento. Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 39 12 /2 01 9- 81 Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-004.246 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.943912/2019-81 Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 32175.83563.201016.1.3.03-3011, em 20.10.2016, e-fls. 17- 23, utilizando-se do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$140.427,82 do ano-calendário de 2015, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório, e-fls. 27-31: Valor original saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 140.427,82 Valor ECF: R$ 140.427,82 Somatório das parcelas de composição do crédito na ECF: R$ 579.154,99 CSLL devida: R$ 438.727,17 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na ECF) (CSLL devida) limitado ao valor entre o saldo negativo ECF e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Concluída a análise do direito creditório, chegou-se à seguinte decisão: Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 32175.83563.201016.1.3.3011 25845.45304.181116.1.3.0609 [...] Base legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Arts. 1º a 3º; art. 6º , § 1º e arts. 28 e 30 da Lei 9.430, de 1996. Art. 14 da IN RFB nº 1.717, de 2017. Art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado no Acórdão da 4ª Turma/DRJ/04 nº 104-014.216, de 07.07.2023, e-fls. 52-59: Acordam os membros da 4ª TURMA/DRJ04 de Julgamento, por unanimidade de votos, EM NÃO CONHECER DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, POR INTEMPESTIVIDADE. Recurso Voluntário Notificada em 23.10.2023, e-fl. 69, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.11.2023, e-fls. 72-89, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: III - NO MÉRITO III.I – TEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A Recorrente, diferentemente do discorrido no acórdão, só teve conhecimento da lavratura e existência do referido Despacho Decisório por intermédio do acesso a sua Caixa Postal – Domicílio Fiscal Tributário Eletrônico –DTE, perante a RFB, na data de 17/07/2020. Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-004.246 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.943912/2019-81 Somente na data de 17/07/2020, é que foi efetivamente disponibilizado, via e- processo do e-Cac da Recorrente, via certificado digital, o acesso junto ao respectivo e mencionado PA, momento que ficou estabelecido o contraditório para exercício da ampla defesa no seu prazo legal. Dito isso, e considerando que a ciência e o amplo conhecimento dos termos do mencionado Despacho Decisório ocorreu somente nesta data de 17/07/2020, com início da contagem de prazo para interposição da referida manifestação de inconformidade no dia 20/07/2020, findando-se o prazo legal no 18 de agosto de 2020. Posto isso, deve ser acolhido o presente Recurso Voluntário, para que seja conhecido e julgado o mérito lançado na manifestação de inconformidade, devendo o presente processo retornar para DRJ. III.II – AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO VÁLIDO Esclarecemos ainda que a compensação é um instituto originário do direito privado, mas que vem sendo bastante utilizado no direito público por facilitar o aproveitamento de créditos tributários, possibilitando ao contribuinte, o direito de utilizar de imediato o seu crédito mediante encontro de contas, ao contrário do que ocorre na ação de repetição do indébito tributário, que, em razão dos precatórios, consome um grande lapso temporal para a efetiva restituição dos valores recolhidos indevidamente. Atendendo ao preceito normativo contido no bojo do art. 170, o legislador achou por bem regulamentar a compensação mediante lei ordinária e assim o fez com a instituição da Lei 8383/1991, que no caput do art. 66 [...]. Conforme vimos, o art. 66 da Lei 8.383/91 autoriza a compensação independentemente do crédito ser líquido e certo, haja vista que na modalidade de lançamento por homologação, o contribuinte (Sujeito Passivo) apura o valor a ser recolhido à RFB, bem como verificar qual é o montante a ser restituído mediante abatimento entre crédito e débito, cabendo à administração analisar se o procedimento compensatório fora efetuado corretamente, ou não, respeitando o prazo fixado para tanto. A compensação é uma modalidade de extinção de obrigações, prevista inicialmente no art. 1009 do Código Civil de 1916 (corresponde ao art. 368 do CC/2002), que definiu a referida sistemática [...]. Como se vê, nada melhor do que a própria letra da lei civil, constante do art. 368, acima transcrito, para definir o que é o mecanismo da compensação. Dito isso, a compensação é a extinção recíproca de obrigações até a concorrência de seus respectivos valores, entre pessoas que são devedoras uma da outra". Assim, resta evidente o caráter extintivo de obrigações do fenômeno da compensação. Assim sendo, o legislador achou por bem reconhecer a compensação como modalidade de extinção de obrigação tributária, fazendo constar na redação do art. 156, II, do CTN, tal causa extintiva. Consoante já delineado anteriormente, cumpre frisar que a compensação tem como principal característica estar incluída entre uma das causas de extinção do crédito tributário, de sorte que na hipótese de lançamento tributário por homologação, a referida extinção não ocorre de imediato, fica condicionada a um posterior encontro de contas pelo fisco. Ainda do CTN a compensação é forma de extinção do crédito, estando expressamente prevista no art. 170, sendo que a compensação de tributos Fl. 94DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-004.246 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.943912/2019-81 administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil é disciplinada pela Lei nº. 9.430/1996, que, em seu art. 76 [...]. A Receita Federal fazendo uso das atribuições a ela concernente editou diversas IN, no intuito de regulamentar o procedimento compensatório. Contudo, na mesma forma que foi estabelecido o procedimento para efetuar a compensação [...]. Assim, à partir da entrega do pedido de ressarcimento, iniciou-se o prazo para que o Fisco efetuasse a sua análise e deferimento, para homologar as compensações havidas, tudo em procedimento administrativo a ser instaurado para verificação do crédito à ressarcir, respeitando o direito da Manifestante ao devido processo legal, ampla defesa e contraditório. Dito isso, o Fisco, sem ouvir/intimar a Recorrente, e sem qualquer fundamento legal, indeferiu, sem analise, seu pedido de ressarcimento e não homologou as compensações havidas, simplesmente porque teria constatado que "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatou-se que não há direito ao crédito pleiteado" O que facilmente demonstra-se não ser verdade. Ocorre que, não houve a instauração de qualquer procedimento administrativo hábil e competente para analisar a documentação base do PER/DCOMP em discussão, e apurar a legitimidade/legalidade do crédito, aferindo corretamente as informações que foram produzidas unilateralmente no despacho decisório, o que acabou por cercear o direito de defesa e contraditório da Recorrente, concluindo-se tratar de ato ilegal e arbitrário por parte do fisco. [...] Como vimos acima, não há dúvida, portanto, quanto à obrigatoriedade do procedimento administrativo, onde deve ser respeitado o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório (art. 5, LIV e LV, da Constituição Federal), ainda que ao final prevaleça as razões do Fisco. Nesse passo, não poderia o Fisco, sem análise, indeferir o pedido de ressarcimento e não homologar as compensações, sem que se oportunizar ao Recorrente o direito de trazer as informações e documentos que consubstanciam o seu direito ao crédito, inclusive facilmente iriam contrapor as razões lançada no despacho decisório, tudo demonstrado em procedimento administrativo, que não ocorreu. Trata-se de respeitar o império da Lei, conforme estabelece o art. 142 do CTN, além de outros dispositivos pertinentes à matéria em debate, sob pena de ser declarado nulo o despacho decisório que não analisou o pedido de ressarcimento. Referidos créditos, já existiam na contabilidade da Recorrente, bem como nos demais controles fiscais principal e acessório anteriormente a apresentação dos pedidos de ressarcimento e compensação, o que poderia ser aferido pelo fisco, mas também não ocorreu. O Fisco preferiu trilhar o caminho mais fácil, simplesmente, por meio de entendimento unilateral, precedido por uma verificação equivocada, sem o devido processo legal e sem análise, indeferiu o pedido de ressarcimento realizado pela Recorrente, conseqüentemente não homologou as compensações havidas, o que é impossível, sem a devida instauração de procedimento administrativo/fiscalização, restando nulo e sem efeito despacho decisório e o consequente acórdão, o que desde requer seja reconhecido por esta Turma Julgadora. IV - NECESSIDADE DE PERÍCIA TÉCNICA E DILIGÊNCIAS ART. 29 LEI 9.784/1999: [...] Fl. 95DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-004.246 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.943912/2019-81 Nesse passo a Recorrente, vale-se do que preconiza os artigos 16, inciso IV e parágrafos 1º e 18, caput do Decreto n' 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei n' 8.748, de 09/12/1993 [...]. Nesse passo, a Recorrente, automaticamente, apesar de já inteiramente maculada o presente despacho decisório, por vicio insanável, tem o direito incondicional de produzir e requerer as diligências e pericias necessária para contrapor os elementos elencados pela Fiscalização e agora no acórdão recorrido, inclusive a apresentação de provas que estão na posse do ente administrativo. Portanto, a Recorrente, caso essa autuação e respectivo acórdão, não sejam anulados sumariamente, requer seja realizado pelo Fisco diligência fiscal nas informações e documentos constantes de seu banco de dados correspondentes aos períodos ao período em análise, no que tange aos créditos informados, tudo sob pena de cerceamento de defesa. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: V - DOS PEDIDOS: Diante do exposto, é a presente para Requerer, inicialmente, o conhecimento e acatamento das Preliminares apresentadas, sendo: I.I. Recebimento e Conhecimento do presente Recurso Voluntário, apresentado Tempestivamente, com a imediata suspensão da exigibilidade do crédito tributário e de todos os processos vinculados, até final decisão a ser proferida exclusivamente pelo CARF; I.II. Reconhecimento da Prescrição Intercorrente, nos termos da preliminar; E no mérito prover a presente Recurso Voluntário, para anular o acórdão recorrido e o próprio despacho decisório, com base na razões acima, ou caso V. Senhoria, entendam de forma diversa, reconhecendo a tempestividade da Manifestação de Inconformidade, determine o regresso do processo à DRJ, para apreciação do seu mérito. Ainda, independentemente de ser decretada a nulidade do procedimento em comento, requer como mecanismo natural e fatalmente ocorrido, conforme acima, seja reconhecida a decadência do direito do Fisco, em proceder na apuração, levantamento, verificação e lançamento dos créditos tributários em análise. Por fim, requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, requerendo desde já a realização das diligências necessárias, conforme autoriza a legislação vigente, sob pena de cerceamento de defesa. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-004.246 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.943912/2019-81 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Nulidade do Despacho Decisório e da Decisão de Primeira Instância A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos arguindo que foram violados princípios constitucionais. Compete analisar a objeção de nulidade por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. O Despacho Decisório foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. Cabe a aplicação do enunciado estabelecido nos termos do art. 123 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula nº 162 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). As autoridade fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal). Ainda sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791292/PE com trânsito em julgado em 28.02.2010, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de acordo com o art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-004.246 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.943912/2019-81 pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Neste sentido, devem ser enfrentados “todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489 do Código de Processo Civil). Por conseguinte, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Assim, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Ademais, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”, conforme preceitua o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. A proposição afirmada pela Recorrente, desse modo, não pode ser ratificada. Prescrição Intercorrente O Recorrente diz que ocorreu a prescrição intercorrente. A prescrição que é a perda do direito de ação em que o direito material torna-se inexigível. Em matéria tributária, é o prazo em que a Fazenda Pública tem para impulsionar a cobrança dos débitos tributários contra o sujeito passivo. Somente a partir da data em que o Recorrente é notificada do resultado da decisão definitiva em relação à matéria objeto da fase litigiosa regularmente instaurada no procedimento tem início a contagem do prazo prescricional (art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 174 do Código Tributário Nacional e Recurso Especial do STJ nº 1113959/RJ). O Código Tributário Nacional prevê: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Cabe a aplicação do enunciado estabelecido nos termos do art. 123 do Anexo do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, no Capítulo II estabelece as atribuições da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional da seguinte forma: Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-004.246 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.943912/2019-81 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. O princípio da especialidade revela que a norma especial afasta a incidência da norma geral (§ 2º do art. 2º do Decreto-Lei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 – Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro). O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1973, regula especificamente o processo administrativo fiscal e foi recepcionado como lei ordinária pelo inciso I do art. 22 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Esta é a legislação processual a ser aplicada no presente caso. Assim, ficam afastadas as alegações de prescrição intercorrente e as determinações constantes no art. 24 da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Instauração da Fase Litigiosa no Procedimento A Recorrente afirma que tem cabimento o exame da instauração da fase litigiosa no procedimento. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, determina: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. [...] Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...] Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. [...] Art. 23. Far-se-á a intimação: [...] II - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; [...] § 2° Considera-se feita a intimação: [... II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, prevê: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento ( Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15 ). [...] § 2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (g. n.) A Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 30 de julho de 2014, orienta: Conclusão Fl. 99DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-004.246 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.943912/2019-81 17. Com base no exposto, conclui-se que: (1) a impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento; (2) eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar; e (3) ao alegar a preliminar de tempestividade, o interessado deve expor os motivos de fato ou de direito que a fundamentam e, se for o caso, juntar a respectiva documentação comprobatória, sob pena de não instauração do litígio administrativo. Consta na Intimação de e-fl. 31: Assunto: PER/DCOMP 32175.83563.201016.1.3.03-3011 - Despacho Decisório com análise de mérito Enviada em: 06/09/2019 00:16:40 Primeira leitura: 06/09/2019 11:23:52 Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO do despacho decisório referente ao PER/DCOMP indicado acima e demais PER/DCOMP vinculados ao processo 10880.943911/2019-37. A íntegra do despacho decisório deve ser consultada no e-CAC, assunto "Restituição e Compensação", item "Consulta Despacho Decisório PER/DCOMP". Na hipótese de discordância da decisão, é facultado ao sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no prazo de 30 dias, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972, e dos §§ 7º, 9º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Infere-se que a Recorrente foi intimada do Despacho Decisório em seu domicílio tributário eletrônico em 06.09.2019, e-fl. 31. Está registrado na COMUNICAÇÃO 5693/2020 - MINCO/EDIC/DERAT/SPO/SP, e-fls. 32-33: Registramos a solicitação de juntada de documentos referentes ao processo de crédito supra. Entretanto verificamos que a Manifestação de Inconformidade não foi apresentada de acordo com os requisitos de admissibilidade previstos no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, não tendo sido demonstrados os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a contestação, os pontos de discordância da decisão contida no Despacho Decisório, nem tampouco apresentado documentos ou outras provas que possam demonstrar o direito ao crédito pleiteado. Em consequência, não foi instaurado o contencioso administrativo, tendo em vista o Art. 17 do Decreto 70.235/72 que dispõe: “Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Também verificamos que trata-se de Manifestação de Inconformidade intempestiva pela não observância do prazo máximo de 30 (trinta) dias, contados a partir da data da ciência do Despacho Decisório, conforme previsto no artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, artigo 56 §2 Decreto nº 7.574, de 20 de setembro de 2011, artigo 63 I lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e artigo 135 da IN/RFB 1.717 de 17 de julho de 2017. Fl. 100DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-004.246 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.943912/2019-81 Dessa forma, não foi instaurado o contencioso administrativo. o(s) débito(s) não homologados permanece(m) exigível(is), incidindo sobre o(s) mesmo(s) as atualizações monetárias legais, podendo ser encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União, nos termos do artigo 73, caput e § 1º da IN/RFB 1.717/2017. Sobre a data intimação por via postal, com prova de recebimento do recebedor no domicílio tributário eleito pela Recorrente, consta no comprovante da intimação por via postal de 06.09.2019. A Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 20.07.2020, e-fls. 02-03. Verifica-se que no presente caso que a Recorrente foi intimada do Despacho Decisório em 06.09.2019, e-fl. 31, e poderia ter apresentado o recurso voluntário até dia 08.10.2019. Porém, a peça foi efetivamente apresentada em 20.07.2020, e-fls. 02-03. Assim, a manifestação de inconformidade foi apresentada após findo o prazo legal, cujo efeito normativo é a não instauração da fase litigiosa do procedimento. Por conseguinte, ainda que o recurso voluntário tenha sido apresentado pela Recorrente no prazo legal, o Despacho Decisório é definitivo, pois não foi instaurada a fase litigiosa no procedimento. Revisão de Ofício A Recorrente apresenta argumentos pertinentes sobre a revisão de ofício do procedimento de Per/DComp. O Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria ME nº 284, de 27 de julho de 2020, prevê: Art. 1º A Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (RFB), órgão específico singular, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da Economia, tem por finalidade:[...] VIII - planejar, dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar os serviços de fiscalização, lançamento, cobrança, arrecadação e controle dos tributos e das demais receitas da União sob sua administração; [...] Art. 290. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF) compete gerir e executar, no âmbito da respectiva região fiscal e de acordo com a distribuição dos processos de trabalho pela SRRF, as atividades de cadastros, de arrecadação, de controle, de cobrança, de recuperação e garantia do crédito tributário, de direitos creditórios, de benefícios fiscais, de fiscalização, de revisão de ofício, de atendimento e orientação ao cidadão, de controle aduaneiro e de vigilância e repressão. (g. n.) Sobre a avaliação de possíveis incongruências atinentes ao procedimento de Per/DComp, o art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, o Parecer Cosit/RFB nº 38, de 12 de setembro de 2003 e o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 08, de 03 de setembro de 2014, trazem esclarecimentos sobre os procedimentos de revisão, retificação e cancelamento de ofício de débitos confessados, cuja competência é da autoridade administrativa preparadora. Nesse sentido, a autoridade administrativa pode rever e retificar de ofício o autolançamento mediante declaração de confissão de dívidas do sujeito passivo a fim de eximi-lo total ou parcialmente de crédito tributário não extinto. A contestação aduzida na peça recursal, por isso, não pode ser sancionada, já que cabe à Unidade de Origem a revisão de ofício e a cobrança dos débitos tributários confessados em Per/DComp. Declaração de Concordância Fl. 101DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-004.246 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.943912/2019-81 Consta no Acórdão da 4ª Turma/DRJ/04 nº 104-014.216, de 07.07.2023, e-fls. 52- 59, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 12º do art. 114 do Anexo do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023): 12. Nos autos está comprovado que o contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 06/09/2019 (fls. 31) [...] 13. O próprio manifestante reconheceu que teve acesso ao Despacho Decisório por intermédio da sua caixa postal no Domicílio Fiscal Tributário Eletrônico - DTE, porém que somente teria tido acesso ao interior teor do processo nº 10880.943912/2019-81 em 17/07/2020 (fls. 5 e 6) [...] 15. Ora, as considerações acima deixam claro que o contribuinte foi cientificado do interior teor do Despacho Decisório (Decisão, Detalhamento da Compensação e Análise do Crédito), juntado nestes autos nas fls. 25 a 27, quando acessou sua caixa postal no seu Domicílio Tributário Eletrônico, o que ele mesmo reconheceu no excerto acima colacionado, no caso, em 06/09/2019 (fls. 31), havendo inclusive no corpo da mensagem de ciência a fórmula de abertura do prazo recursal: Na hipótese de discordância da decisão, é facultado ao sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no prazo de 30 dias, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972, e dos §§ 7º, 9º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. 16. A argumentação de que o processo nº 10880.943912/2019-81 somente tinha a ficha de identificação (única folha) nada tem de estranho, porque o processo somente é instrumentalizado com documentos a partir da apresentação da manifestação de inconformidade, como ocorreu nestes autos. A partir do momento em que o contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade pelo portal e-CAC, aqui em 20/07/2020, o servidor da unidade preparadora autoriza a juntada de tal manifestação ao processo, que nestes autos ocorreu em 23/07/2020, para daí juntar os demais documentos (o próprio inteiro teor do PER/DCOMP, Cópia do despacho Decisório, este que o contribuinte teve acesso em seu Domicílio Tributário Eletrônico-DTE, etc.) e atestar a tempestividade, ou não, da manifestação, com envio para a Delegacia de Julgamento. 17. Insiste-se que a ciência do Despacho Decisório ocorre quando o contribuinte teve acesso a ele em seu Domicílio Tributário Eletrônico-DTE, tendo no Despacho todos os elementos de fato e de direito para que o contribuinte apresente sua eventual manifestação de inconformidade. 18. No caso destes autos, o Despacho Decisório N° da Comunicação: 2703453, emitido em 05/09/2019, simplesmente indeferiu a pretensão creditória do fiscalizado (saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2015), porque, apesar de ter sido validado todo o importe de CSLL retida na fonte (antecipação de CSLL dentro do ano- calendário) que constou no PER/DCOMP, tal importe restou insuficiente para sobejar a CSLL devida, ou seja, não havia qualquer saldo negativo a reconhecer (necessariamente as antecipações pagas de CSLL – CSLL retida, estimativas de CSLL pagas ou compensadas etc. – teriam que ser maiores que a CSLL devida, para daí surgir o saldo negativo perseguido). 19. Caberia ao manifestante simplesmente indicar que havia outras antecipações de CSLL (estimativas pagas/parceladas/compensadas ou IR no exterior) além daquelas que constaram no PER/DOCMP, o que sequer se viu nestes autos, quando o manifestante se fiou apenas em questões de direito. Fl. 102DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-004.246 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.943912/2019-81 20. Atente-se ainda que as conclusões acima se extraem sem maiores esforços intelectivos da cópia do Despacho Decisório de fls. 27 a 30, este que o contribuinte teve ciência via Domicílio Tributário Eletrônico-DTE em 06/09/2019 (fls. 31), quando deveria, dentro do prazo legal (30 dias corridos, como se vê no art. 15 do Decreto nº 70.235/1972) , ter apresentado sua manifestação de inconformidade. 21. Ora, como o contribuinte somente protocolizou sua manifestação de inconformidade em 20/07/2020, há muito já havia transcorrido o prazo legal, sendo de rigor declarar a intempestividade do recurso ora em apreciação. 22. Antes o exposto, voto no sentido de julgar intempestiva a manifestação de inconformidade, não a conhecendo, mantendo assim o indeferimento da pretensão creditória, com não homologação das compensações. O Acórdão da 4ª Turma/DRJ/04 nº 104-014.216, de 07.07.2023, e-fls. 52-59, está perfeitamente fundamentado de forma explícita, clara e congruente e em harmonia com a legislação tributária. Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício. Trata-se de poder-dever funcional irrenunciável vinculado à norma jurídica, cuja atuação está direcionada ao cumprimentos das determinações constantes no ordenamento jurídico. Como corolário encontra-se o princípio da indisponibilidade que decorre da supremacia do interesse público no que tange aos direitos fundamentais (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida rejeitar as preliminares de nulidade e de prescrição suscitadas. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 103DF CARF MF Original

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Numero do processo: 13986.000083/2001-21
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 204-00.226
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FLAVIO DE SÁ MUNHOZ

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Processo Recurso n9 Recorrente Recorrida : 13986.000083/2001-21 : 132.434 : PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A : DR.! em Santa Maria - RS oreitre...-■•••••■■ mIN Oa FA.7.F;),4, - :r CC j MISMOMI•1.901•00/1 ■1.140.41”,,,,,MS 3• ■•,..V.nr ....1firSalrtn.117* CONFERE COM 0 OR1G;NAL BRASiLIA O í i 06 ./.0,6 RESOLUÇÃO N° 204-00.226 VISTO its, relatados e discutidos os presentes autos de recurso PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A. RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2006. fenrique Pinheiro Tones Presidente F1111-3—t—Advio d Sd Munho7V Relator interposto por Conselho de em diligência, Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Leonardo Siade Manzan e Adriene Maria de Miranda. 1 I'M. - BRAsiLIA 0. 3 co NFERE 0 C, :i; C;NAL ) • CC-MF Fl. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo ng Recurso IV : 13986.000083/2001-21 : 132.434 VIST Recorrente : PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A RELATÓRIO Trata-sé de pedido de ressarcimento de IPI referente ao saldo credor apurado no 1° Trimestre de 2001, com fundamento no art. 11 da Lei n° 9.779/99, cumulado com pedido de compensação. 0 pedido foi apreciado pela DRF jurisdicionante, que reconheceu parcialmente o direito de crédito, deferindo o ressarcimento/compensação até o valor de R$ 121.741,24, glosando o valor de R$ 3.733,28 do total do pedido, referente a aquisição de produtos que, conforme entendimento da fiscalização, não dão direito a crédito. A fiscalização listou as notas fiscais cujo crédito foi glosado (fl. 425). Com base nesta fiscalização, foi proferido o Despacho Decisório n° 1.064/2002. Contra o Despacho Decisório acima indicado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou que os valores glosados são , relativos a aquisições de produtos intermediários, pelo que requereu a reforma da decisão e o reconhecimento do direito ao ressarcimento do valor integral pleiteado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria - RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, confirmando a decisão da DRF em Joaçaba. Contra a referida decisão, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, que, por se tratar de pedido de ressarcimento, está dispensado do arrolamento de bens instituído pela Instrução Normativa SRF 264/2002. É o relatório. 2 FAZENDA - 2'! O 7' IA 0 0":GINAI. ( Ci V) TL I NAM./ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n9 : 13986.000083/2001-21 Recurso : 132.434 CC-MF FL VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FLAVIO DE SA MUNHOZ Trata-se de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI. Após a apreciação pela autoridade administrativa, que reconheceu parcialmente o direito ao ressarcimento, resta controverso exclusivamente o direito ao crédito sobre a aquisição de: (i) placa separadora inox; (ii) vedação; (iii) anel; (iv) bloco; (v) rolamento; (vi) mola; (vi) gaxeta; (vii) cilindro; (viii) mancal; (ix) solução diluente para tinta de marcar a validade nos produtos; e (x) solução de limpeza utilizadas nas máquinas datadoras da indústria e outras partes e peças das máquinas. Na Informação Fiscal consta a rein -do das notas fiscais relativas aos produtos acima indicados, cujo crédito foi glosado, mas não há qualquer explicação a respeito da utilização dos referidos produtos no processo produtivo da Recorrente, apenas a afirmação de que tais produtos não são aplicados na industrialização. Em seu recurso, a contribuinte sustenta que os produtos concorrem direta e necessariamente para fabricação do produto final. Sustenta, ainda, que a "solução diluente MC" é adicionada à tinta utilizada para marcar a data de validade na embalagem dos produtos, pelo que integra o produto. Acrescenta que os materiais utilizados na limpeza das máquinas datadoras integram o processo produtivo, pois impedem a contaminação dos produtos. Cumpre observar que nem na Informação Fiscal nem na decisão da DRJ há descrição da participação dos referidos produtos no processo produtivo da Requerente que permita a compreensão a respeito da legalidade do creditamento pleiteado. Com estas considerações, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligencia a fim de que a DRF informe em detalhe como se dá a participação dos produtos "solução diluente MC" e "solução de limpeza das máquinas datadoras" no processo produtivo da Recorrente, e para verificar: (i) se a "solução diluente MC" para tinta de marcar validade é diluída na tinta, passando a integrar a embalagem do produto; e (ii) de que forma a solução de limpeza das máquinas datadoras impede a contaminação dos produtos alimentícios, especialmente se a máquina datadora tem contato direto com o produto fabricado e de que forma. Finda a diligencia, seja oferecida oportunidade ao sujeito passivo de manifestar- se, caso queira, sobre o resultado desta antes do retorno dos autos a este Colegiado. como voto. Sala das Sessões, em 26 de abril de 2006. H FLAVIO DE SA MUNHOZ /7 3

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Numero do processo: 10950.003244/2002-39
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.107
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência do julgamento do recurso voluntário ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, em razão da matéria, na forma do relatório e voto que passam a integrar ó presente julgado.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI

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'1"'"...... - 10950.003244/2002-39 133224 22 defevereiro de 2006 SPAIPA SIA INDÚSTRIA 'BRASILEIRA DE BEBiDAS DRJ - CURITIBA! PR ~H'TON L Z BA;T:'5r.;';lor Y Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLUÇÃO N° 303-01.107 . MINisTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO C9N~ELHO DE CONtRIBUINTES TERCEIRA CAMARA - ( -Formalizado em: ACORDAM os Membros 'da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de .votos, declinar competência do julgamento do r~curso' voluntãrio ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, em razão da matéria, na forma do relatório e voto que passam a integrar ó presente julgado. Processo n° Recurso n° Sessão de- Recorrente Recorrida -a' - ~-' Irresignado, o contribuinte apresenta a Impugnação de fls. 01/02, na qual alega, em suma, que: Trata-se de Auto de Infração (fls. 05/06), que ongmou-se da I . realização de auditoria interna em DCTF de 1998, decorrente de "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata", referente a Cofins/I998, conforme demonstrativos de fls. 07/08. (i) equivocadamente, entendeu a fiscalização ter havido' "falta ou . insuficiência de acréscimos legais" ou "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata", relativa ao Cofins, receita 2172, no' periodo de 01/01/98 a 31/01/99, porém, não houve falta de recolhimento do tributo; , I i -I i , I \ I RELATÓRIO 10950.003244/2002-39 303-01.107 Fundamenta-se a exigência nos arts. I a 40 da LC 70/91; art. 10 da Lei 9249/95; art. 57 da Lei 9069/95; arts. 56 e S único, 60 e 66 da Lei 9.430/96 e arts. 53 e 69 da Lei '9532/97. No queconcerne à multa vinculada, fundamenta-se no art. 160 da Lei 5.172/66; art. 10 da Lei 9249/95; art. 44'e inciso I e Slo da Lei 9.430/96,ja os juros de mora, no art. 161, Si o da Lei 5.172/66; art. 43, S único e art. 61, S3° da Lei 9.430/96. (iii) assim, a autuada não se encontra em débito, pois o tributo - mencionado no Auto de Infração em questão foi objeto de compensação decorrente do processo judicial mencionado, sendo indevida a cobrança do principal e' dos consectários discriminados no referido Auto de Infração, vez que não ocorreu mora, . ou ausência de paga~ento que pudessem ensejar correção monetária, multa e juros moratórios, (ii) houve o enquadramento errôneo do campo "compensação ser darf'/"origem do crédito" da DCTF em questão, relativo ao valor de R$6.676,34, onde deveria constar "cOl;npensação referente a' processo judicial nO 91.2011533\1-8, da I a Vata Federal de Circunscrição Judiciária de Londrina - PR, constou "compensação de retenção de órgão público" e cujo processo segu~ em anexo para ,comprovação; Processo nO Resolução nO Requer o acolhimento desua Impugnação, para que seja julga insubsistente o Auto de Infração em questão, com o seu conseqüente cancelamento. 2 Processo nO Resolução nO 10950.003244/2002-39 303-01.107 Anexa os documentos' de fls. 05/34. I I, .~ f( Intimado (fls;' 35) a apresentar cópia do inteiro teor do processo .judicial em que é deferido o direito à compensação e demonstrativo dos cálculos da compensação efetuada, o contribuinte manifesta-se às fls. 37, juntando os documentos solicitados às fls.38/52, bem como outros documentos (fls. 53/56). Na informação de fls. 58/59, a Seção de Controle e ~companhamento Tributário - SACAT, analisando as cópias da sentença, autos 91.2011531-8 e do acórdão, anexados ao processo, constatou que se tratava de uma Ação de Repetição de Indébito contra a União Federal e, no tr~riscurso pediram a compensação do Finsocial com a Cofins, face a fatos supervenientes e, em 10/08/95 o Juiz Federal em Londrina/PR julgou parcialmente procedente, determinando a restituição dos valores recolhidos ao erário, correspondentes às majorações de aliquotas, julgando prejudicado o pedido de compensação do tributo (fls. 32/33). Além disso, tal sentença foi mantida pela l' Turma do TRF 4' Região ao negar provimento às apelações e à remessa "ex officio", em 17/09/96 (fls. 4l,!43). Tendo' o acórdão transitado em julgado em 25/1 0/96, a Seção de . Controle e Acompanhamento Tributário - SACA T, concluiu que a compensação foi efetuada em desacordo com o julgado, propondo, portanto, que os crédito tributários sejam suspensos do Sief Fiscalização eletrônica, cadastrado .no Sistema de Controle de Processos Fiscais e remetido para a DRJ/Curitiba para julgamento. Remetidos . os autos a DRJ/CURITIBA-PR, a autoridade monocrática, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário referente a Cofins, uma vez que não tendo sido apresentada a comprovação da desistência da execução da sentença condenatória perante o Judiciário, os respectivos créditos não poderão ser objetos da pretendida compensação. Inconformado com a decisão singular, o contribuinte interpôs tempestivo Recurso Voluntário (fls. 78/1 00), onde reitera todos os argumentos, fundamentos e pedidos de sua Peça Impugnatória e, acrescenta, em suma, que: (i) da análise do referido auto de infração não foi possível extrair a ~erificáção por autoridade administrativa do fato jurídico tributário; da. sua obrigação correspondente; da matéria tributável; e, do cálculo do tributo supostamente devido (ex vi do art. 42 do CTN), pois, .caso verificação houvesse, poder-se-ia constatar que ocorrerá a extinção do aludido crédito tributário em razão de pagamento integral da exação (incisos I e li do art. 156 do CTN), existindo somente erro de fato n preenchimento das DCTFs e guia de recolhimento, o que se traduz em nulidade da 3 autuação, conforme decisão do' Conselho de Contribuintes (Rec. 013548; 43 Câmara, Proc. N" 102'80.002675/96-54, Acórdão 104-15928); (ii) não há qualquer falta ou insuficiência de recolhimento que justifique a autuação ou a cominação de multa; Processo nO Resolução nO 10950.003244/2002-39 303-01.107 ( ( (iii) ocorrera sim, equivoco no preenchimento dos documentos de declaração, que não se traduziu em qualquer pagamento menor que o devido de tributo, erro de fato que roga pela revisão e cancelamento do Auto de Infração, ex vi, dos, SIo e 2°, do artigo 147, do Código Tributário Nacional, conforme julgado do Conselho de Contribuintes (Rec. 120596, 43 Câmara, Proc. N° 13802.000708/97-28, Acórdão 104-17494); (iv) não deu inicio a qualquer ato executivo da sentença, basta averiguar extrato de consulta processual encartado com o presente recurso; (v) por não ter iniciado qualquer execução com base nos arts. 730 e. ' 731 do CPC, em face da Fazenda Nacional, fato inconteste e reconhecido nos autos, o . . . I' crédito foi extinto pela compensação, sendo improcedente a autuação; , (vi) além do Acórdão recorrido não considerar que a Recorrente está 'desobrigada de desistir de qualqueração, uma vez que não deu início a qualquer ato executivo da sentença, também contrariou norma prescrita na Instrução Normativa nO 210, de 30109/2002, publicada no DOU, de 01/02/2002, que somente exige a desistência quando o titulo judicial estiver em fase de execução (art. 37 da IN SRF nO 210/2002); , (vii) a afirmação de que "embora a Instrução Normativa SRF nO 210/2002 apenas exige a .desistência quando o titulo judicial estiver em fase de execução, é importante que esta desistência seja solicitada inclusive naqueles casos' em que não se iniciou ó processo de execução", é totalmente desarrazoada e contrária ao princípio da legalidade (art. 2° da Lei nO 9.784, de 29/01199 e artigo 37 da Constituição Federal), uma vez que impõe obrigação não prescrita na legislação tributária (artigo 97 do Código Tributário Nacional) e faz exigência que a própria administração tributária entende indevida (art. 100 do CTN); (viii) esse . Colendo Conselho de Contribuintes assentou entendimento que a desistência somente será necessária se iniciada a fase executiva da sentença de execução, a qual tem inicio com a citação da Fazenda Nacional, para opor embargos, nos termos dos artigos 730 e 731 do Código de Processo Civil; . . (ix) para que não se alterem os critérios juridicos fixados na peça básica, que a Administração tributária não poderia criar óbices ao instituto da compensação tributária, não previsto na lei 8.383/91; . . j (x) os autos do processo nO91.2011531-8 encontra-se arquivados e na sua movimentação processual não há qualquer registro de' execução de sentença, conforme se averigua da consulta processual anexa;' , 4 Processo n° Resolução nO 10950.003244/2002-39 303-01.107 ( ( (xi) a única explicação 'para a conclusão constante no auto de infração, somente explica-se por inexatidão material no preenchimento das DCTFs, conforme devidamente explicitado na peça impugnatória; (xii) considerando que o lançamento da exigência em análise é por homologação, não há que se falar em lançamento' de oficio, uma vez que houve a antecipação do pagamento e a declaração atr-avés de DCTF, não sendo o caso de lançamento de oficio; , (xiii) se Ja não fosse nulo o lançamento de oficio, realiiado por sistema informatizado \ a incidência da multa decorre de mero equíyoco na interpretação dos dispositivos da Lei nO9.430/96, ferindo os artigos 112, 113, !jlo e 138, do cm; (xix) a indignação decorre do absurdo de se pretender, contra o patrimônio particular, uma confiscatória multa, em razão de insignificante erro de fato ,no preenchimento do documento de arrecadação, comprovadamente pago e reconhecido pela 'própria peça básica, assim, não há qualquer proporcionalidade'entre a suposta infração e a multa de ofício aplicada; (xx) efetuado o pagamento espontânéo de multa e juros moratórios .antes de qualquer ato da fiscalização, impossível é a incidência da multa cO!1stante deste auto de infração, por força do artigo 138 do CTN; , ' . (xxi) o' que ocorre foi o mero equívoco no preenchimento dos quadros e linhas da DCTF, l1).as nunca ausência de pagameJ;lto de tributo ou pàgamento a menor; (xxii) comina-se multa confiscatória, vedada' pelo ordenamento jurídico, assim deve ser cancelada qualquer pretensão de àplicação de multa de oficio, por ser excessiva, confiscatória e injustificável ao caso em análise, Para corroborar seus argumentos, ao longo de seu recurso, menciona doutrina e decisões do Conselho de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça. Requer seja conhecido e julgado procedente o recurso, a fim de ser reformada a decisão à quo, de forma a ser decretada a nulidade e a improcedência do , lançamento, Anexa os documentos de fls. 101/112, entre os quais a Rehição de Bens e Direitos, para Arrolamento (fls. '106), para fins de seguimento do Recurso Voluntário. Tendo em vista o disposto na Portaria MF n0314, de 25/08/99, deixam os autos de serem encaminhados para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. 5 " I. ;\ ' \ , 10950,00;3244/2002-39 303-01.107 " . \ '.' '( 6 '/ '. I "'.' É o relatório. ,Os autos 'foram distribuídos a este' Cónselheiro,' constanqo numeração até às £1s.'116, última.', ' , / . \ Processó nO, Resolução I)~ , ' . " c. Processo nO Resolução n"' 10950.003244/2002-39 303-01.1 07 VOTO' \ Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Relator Por conter matéria"deste. E. Conselho, conheço' do Recurso Voluntário, tempestiv(U11ente interposto pelo contribuinte. Da an~lise dos autos, constata-se que a matéria à que versa o pres~nte processo é, na realidade, atinente ao COFINS. ' É de se ressaltar que a matéria atinente _a COFINS' é de competência do Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do artigo 8°, 1I1 do Regimento Interno dos. Conselhos de Contribuintes, senão, vejamos: _ "Art. 8° Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar. os recursos de oficio e voluntários de decisões de primeira instância sobre a aplicaç~o da legislação referente a: (...) III - Contribuições para o Programa de Integração Social e de Formação do Serviço Público (PIS/P ASEP) e 'para o Financiamento da -Seguridade Social (Cofins), quando suas exigências não éstejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração a dispositivos legais do Imposto de Renda; (Redação dada pelo art. 2° da Portaria MF nO1.132, de 30/0912002)." . , .Nestes termos, a matéria elp questão, COFINS, é de competênciá dõ Segundo Co~s.elho de Contribuintes, como dispõe o artigo 8°, inciso m, também do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Desta -feita, cabe ao Segundo Conselho de Contribuintes apreciar o Recurso Voluntário em questão, pelo que, voto Pl?rdeclinar da competência para apreciar a matéria pertinente aos autos em apreço. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 2006 .B~~ - Relator 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007

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Numero do processo: 10980.905540/2018-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO/DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. São validos o despacho decisório e a decisão de primeira instância, proferidas pela Autoridade Administrativa e pela Autoridade Julgadora de Primeira, respectivamente, cujos fundamentos e motivação permitiram ao contribuinte exercer o seu direito de defesa. VINCULAÇÃO DE PROCESSOS. JULGAMENTO EM CONJUNTO. POSSIBILIDADE. Os processos administrativos que tratam de matérias comuns podem ser relatados e julgados numa mesma sessão. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos, em diligência, à unidade de origem, rejeita-se o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP null IPI DESTACADO NA NOTA FISCAL. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda não dá direito ao desconto de créditos das contribuições, independentemente de ser ou não recuperável. INSUMOS. CONCEITO. ÁLCOOL. SOFTWARE/ROYALTIES. CUSTOS/ DESPESAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas utilizados com álcool no processo de produção dos bens destinados e com software/royalties para licença de uso de programas de computador, destinados ao embarque nos equipamentos produzidos e destinados à venda, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. CONCEITO. PALLETS. ESTRUTURAS METÁLICAS. MATERIAL DE CONSUMO. FERRAMENTAS. INSTRUMENTOS E APARELHOS. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. Os custos incorridos com pallets para transporte de insumos, com estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica, bem como com ferramentas, instrumentos e aparelhos para medidas e controle de grandeza não dão direito a desconto de créditos sobre o valor total de suas aquisições; a legislação tributária prevê o desconto sobre os encargos de suas depreciações. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. É vedado expressamente na legislação tributária o desconto de créditos das contribuições sobre o custo de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive, com alíquota zero. INSUMOS DESONERADOS. AQUISIÇÃO. FRETES. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) para revenda e utilizados como insumos, não sujeitos ao pagamento dessas contribuições (tributados à alíquota zero, isentos ou com suspensão), dão direito ao desconto de créditos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. EFD-CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIFICADA. APROVEITAMENTO. REQUISITOS. POSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos não está condicionado à retificação da escrituração digital das contribuições - EFD-Contribuições - e, da retificação da DCTF, desde que tais créditos preencham requisitos como a comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Comprovação esta a ser feita forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. DEVOLUÇÃO. RETORNO DE SUBSTITUIÇÃO EM GARANTIA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA (INTERCOMPANY). BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. As despesas com serviços de fretes vinculados à devolução de mercadorias, a retorno de substituição em garantia, às transferências (intercompany) de mercadorias, inclusive produtos acabados, e de ativo imobilizado e à remessa de bonificação não constituem despesas na operação de venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. CONSERTOS. REMESSA/RETORNOS. TRANSFERÊNCIAS (INTERCOMPANY) DE INSUMOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com serviços de fretes vinculados a transferência de insumos e à remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizados pela recorrente, ainda que os insumos e bens consertados não estivessem sujeitos ao pagamento das contribuições, dão direito do desconto de créditos. SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS DIVERSAS. NÃO COMPROVAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação de que as despesas com alimentação/refeição, deslocamento/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama, de fato, são despesas com assistência técnica e que foram discriminadas indevidamente nas notas fiscais de prestação, implica na glosa dos créditos descontados sobre tais rubricas. SERVIÇOS. DESPESAS. UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com: agenciamento de publicidade, propaganda, honorários agência, serviços de campanha e incentivos e de pesquisas MKT, serviços de suporte, comissões sobre vendas, intermediação de negócios, fretes no transporte de ferramenta/fita demarcação, loop back áudio-Anatel-paralelo/ duplo/frontal/triplo/único/serial, creme luvex, fita isolante/fita verde rosa, gás R22 ar condicionado, serviços de coleta, serviços de descarga, serviços de devolução, serviços de venda, serviços de reentrega, serviços de transferência, serviços de envio, serviços de remessa e retorno, retrabalho/gabinete/LCD, móveis, telemarketing, desenvolvimento de sistemas e de conteúdo, e taxa Infraero não se enquadram como insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.70/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos. PEDÁGIO. SEGURO. ESCOLTA. DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O desconto de crédito sobre despesas com pedágio é vedado expressamente em lei e as despesas com seguro e escolta não se enquadram no inciso II art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. EMPILHADEIRAS. MANUTENÇÃO. CUSTOS/DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesa com manutenção de empilhadeiras utilizadas na transferência/movimentação de insumos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de crédito. MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com mão-de-obra temporária contratados com pessoa jurídica, utilizada na produção de bens destinados à venda, ou seja, na atividade fim da empresa, escriturados sob as rubricas MOD PROD - FÁB - PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, dão direito ao desconto de créditos. SUPOSTA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. SERVIÇOS. FRETES. IDENTIFICAÇÃO/NATUREZA. CRÉDITO. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa de créditos sobre serviços de fretes intramunicipais cuja natureza não foi possível identificar nos documentos fiscais apresentados pela recorrente. FRETES INTERNACIONAIS. DESPESAS PORTUÁRIAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes internacionais não dão direito ao desconto de créditos por expressa disposição legal e as despesas portuárias (alfandegárias e aduaneiras) não constituem insumos da produção dos bens destinados à venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim não dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados como produtos intermediários na produção dos bens destinados à venda, contratados com terceiros, pessoas jurídicas sujeitas à tributação das contribuições, dão direito ao desconto de crédito.
Numero da decisão: 3301-013.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento para reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Vencidos o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso neste tema. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam essas glosas. Por maioria de votos, negar provimento para manter as glosas sobre pedágio e seguro. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as glosas de pedágio. Vencido o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia a glosa de seguro. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas de crédito sobre a despesa com paletes. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as referidas glosas. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas sobre as despesas de “Serviços de Venda”, “de Reentrega”, “Transferência”, “Envio e Remessa” e “Retorno”. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Juciléia de Souza Lima, que revertiam as glosas sobre essas despesas. Por voto de qualidade, negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento neste item. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, para manter as glosas sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento ao recurso para reversão dessas glosas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.499, de 24 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.905534/2018-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais (Relator), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE

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O valor do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda não dá direito ao desconto de créditos das contribuições, independentemente de ser ou não recuperável. INSUMOS. CONCEITO. ÁLCOOL. SOFTWARE/ROYALTIES. CUSTOS/ DESPESAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas utilizados com álcool no processo de produção dos bens destinados e com software/royalties para licença de uso de programas de computador, destinados ao embarque nos equipamentos produzidos e destinados à venda, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. CONCEITO. PALLETS. ESTRUTURAS METÁLICAS. MATERIAL DE CONSUMO. FERRAMENTAS. INSTRUMENTOS E APARELHOS. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. Os custos incorridos com pallets para transporte de insumos, com estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica, bem como com ferramentas, instrumentos e aparelhos para medidas e controle de grandeza não dão direito a desconto de créditos sobre o valor total de suas aquisições; a legislação tributária prevê o desconto sobre os encargos de suas depreciações. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. É vedado expressamente na legislação tributária o desconto de créditos das contribuições sobre o custo de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive, com alíquota zero. INSUMOS DESONERADOS. AQUISIÇÃO. FRETES. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) para revenda e utilizados como insumos, não sujeitos ao pagamento dessas contribuições (tributados à alíquota zero, isentos ou com suspensão), dão direito ao desconto de créditos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. EFD-CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIFICADA. APROVEITAMENTO. REQUISITOS. POSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos não está condicionado à retificação da escrituração digital das contribuições - EFD-Contribuições - e, da retificação da DCTF, desde que tais créditos preencham requisitos como a comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Comprovação esta a ser feita forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. DEVOLUÇÃO. RETORNO DE SUBSTITUIÇÃO EM GARANTIA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA (INTERCOMPANY). BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. As despesas com serviços de fretes vinculados à devolução de mercadorias, a retorno de substituição em garantia, às transferências (intercompany) de mercadorias, inclusive produtos acabados, e de ativo imobilizado e à remessa de bonificação não constituem despesas na operação de venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. CONSERTOS. REMESSA/RETORNOS. TRANSFERÊNCIAS (INTERCOMPANY) DE INSUMOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com serviços de fretes vinculados a transferência de insumos e à remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizados pela recorrente, ainda que os insumos e bens consertados não estivessem sujeitos ao pagamento das contribuições, dão direito do desconto de créditos. SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS DIVERSAS. NÃO COMPROVAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação de que as despesas com alimentação/refeição, deslocamento/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama, de fato, são despesas com assistência técnica e que foram discriminadas indevidamente nas notas fiscais de prestação, implica na glosa dos créditos descontados sobre tais rubricas. SERVIÇOS. DESPESAS. UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com: agenciamento de publicidade, propaganda, honorários agência, serviços de campanha e incentivos e de pesquisas MKT, serviços de suporte, comissões sobre vendas, intermediação de negócios, fretes no transporte de ferramenta/fita demarcação, loop back áudio-Anatel-paralelo/ duplo/frontal/triplo/único/serial, creme luvex, fita isolante/fita verde rosa, gás R22 ar condicionado, serviços de coleta, serviços de descarga, serviços de devolução, serviços de venda, serviços de reentrega, serviços de transferência, serviços de envio, serviços de remessa e retorno, retrabalho/gabinete/LCD, móveis, telemarketing, desenvolvimento de sistemas e de conteúdo, e taxa Infraero não se enquadram como insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.70/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos. PEDÁGIO. SEGURO. ESCOLTA. DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O desconto de crédito sobre despesas com pedágio é vedado expressamente em lei e as despesas com seguro e escolta não se enquadram no inciso II art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. EMPILHADEIRAS. MANUTENÇÃO. CUSTOS/DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesa com manutenção de empilhadeiras utilizadas na transferência/movimentação de insumos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de crédito. MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com mão-de-obra temporária contratados com pessoa jurídica, utilizada na produção de bens destinados à venda, ou seja, na atividade fim da empresa, escriturados sob as rubricas MOD PROD - FÁB - PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, dão direito ao desconto de créditos. SUPOSTA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. SERVIÇOS. FRETES. IDENTIFICAÇÃO/NATUREZA. CRÉDITO. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa de créditos sobre serviços de fretes intramunicipais cuja natureza não foi possível identificar nos documentos fiscais apresentados pela recorrente. FRETES INTERNACIONAIS. DESPESAS PORTUÁRIAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes internacionais não dão direito ao desconto de créditos por expressa disposição legal e as despesas portuárias (alfandegárias e aduaneiras) não constituem insumos da produção dos bens destinados à venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim não dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados como produtos intermediários na produção dos bens destinados à venda, contratados com terceiros, pessoas jurídicas sujeitas à tributação das contribuições, dão direito ao desconto de crédito.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-02-26T01:42:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-02-26T01:42:26Z; Last-Modified: 2024-02-26T01:42:26Z; dcterms:modified: 2024-02-26T01:42:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-02-26T01:42:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-02-26T01:42:26Z; meta:save-date: 2024-02-26T01:42:26Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-02-26T01:42:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-02-26T01:42:26Z; created: 2024-02-26T01:42:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2024-02-26T01:42:26Z; pdf:charsPerPage: 2265; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-02-26T01:42:26Z | Conteúdo => SS33--CC 33TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10980.905540/2018-86 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3301-013.503 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 24 de outubro de 2023 RReeccoorrrreennttee POSITIVO TECNOLOGIA S.A. IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2015 a 30/09/2015 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO/DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. São validos o despacho decisório e a decisão de primeira instância, proferidas pela Autoridade Administrativa e pela Autoridade Julgadora de Primeira, respectivamente, cujos fundamentos e motivação permitiram ao contribuinte exercer o seu direito de defesa. VINCULAÇÃO DE PROCESSOS. JULGAMENTO EM CONJUNTO. POSSIBILIDADE. Os processos administrativos que tratam de matérias comuns podem ser relatados e julgados numa mesma sessão. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos, em diligência, à unidade de origem, rejeita-se o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IPI DESTACADO NA NOTA FISCAL. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do IPI destacado na nota fiscal de aquisição de bens utilizados como insumos ou para revenda não dá direito ao desconto de créditos das contribuições, independentemente de ser ou não recuperável. INSUMOS. CONCEITO. ÁLCOOL. SOFTWARE/ROYALTIES. CUSTOS/ DESPESAS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas utilizados com álcool no processo de produção dos bens destinados e com software/royalties para licença de uso de programas de computador, destinados ao embarque nos equipamentos produzidos e destinados à venda, dão direito ao desconto de créditos. INSUMOS. CONCEITO. PALLETS. ESTRUTURAS METÁLICAS. MATERIAL DE CONSUMO. FERRAMENTAS. INSTRUMENTOS E APARELHOS. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. Os custos incorridos com pallets para transporte de insumos, com estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica, bem como com AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 55 40 /2 01 8- 86 Fl. 7097DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 ferramentas, instrumentos e aparelhos para medidas e controle de grandeza não dão direito a desconto de créditos sobre o valor total de suas aquisições; a legislação tributária prevê o desconto sobre os encargos de suas depreciações. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. É vedado expressamente na legislação tributária o desconto de créditos das contribuições sobre o custo de aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive, com alíquota zero. INSUMOS DESONERADOS. AQUISIÇÃO. FRETES. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes tributados pelo PIS e Cofins, vinculados à operação de compra de bens (insumos) para revenda e utilizados como insumos, não sujeitos ao pagamento dessas contribuições (tributados à alíquota zero, isentos ou com suspensão), dão direito ao desconto de créditos. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. EFD-CONTRIBUIÇÕES NÃO RETIFICADA. APROVEITAMENTO. REQUISITOS. POSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos não está condicionado à retificação da escrituração digital das contribuições - EFD-Contribuições - e, da retificação da DCTF, desde que tais créditos preencham requisitos como a comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Comprovação esta a ser feita forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. DEVOLUÇÃO. RETORNO DE SUBSTITUIÇÃO EM GARANTIA. TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIA (INTERCOMPANY). BONIFICAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO IMPOSSIBILIDADE. As despesas com serviços de fretes vinculados à devolução de mercadorias, a retorno de substituição em garantia, às transferências (intercompany) de mercadorias, inclusive produtos acabados, e de ativo imobilizado e à remessa de bonificação não constituem despesas na operação de venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos das contribuições. CRÉDITOS. FRETES. SERVIÇOS. CONSERTOS. REMESSA/RETORNOS. TRANSFERÊNCIAS (INTERCOMPANY) DE INSUMOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com serviços de fretes vinculados a transferência de insumos e à remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizados pela recorrente, ainda que os insumos e bens consertados não estivessem sujeitos ao pagamento das contribuições, dão direito do desconto de créditos. Fl. 7098DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 SERVIÇOS. ASSISTÊNCIA TÉCNICA. DESPESAS DIVERSAS. NÃO COMPROVAÇÃO. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação de que as despesas com alimentação/refeição, deslocamento/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama, de fato, são despesas com assistência técnica e que foram discriminadas indevidamente nas notas fiscais de prestação, implica na glosa dos créditos descontados sobre tais rubricas. SERVIÇOS. DESPESAS. UTILIZADOS COMO INSUMOS. CONCEITO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. As despesas incorridas com: agenciamento de publicidade, propaganda, honorários agência, serviços de campanha e incentivos e de pesquisas MKT, serviços de suporte, comissões sobre vendas, intermediação de negócios, fretes no transporte de ferramenta/fita demarcação, loop back áudio-Anatel-paralelo/ duplo/frontal/triplo/único/serial, creme luvex, fita isolante/fita verde rosa, gás R22 ar condicionado, serviços de coleta, serviços de descarga, serviços de devolução, serviços de venda, serviços de reentrega, serviços de transferência, serviços de envio, serviços de remessa e retorno, retrabalho/gabinete/LCD, móveis, telemarketing, desenvolvimento de sistemas e de conteúdo, e taxa Infraero não se enquadram como insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.70/PR; assim, não dão direito ao desconto de créditos. PEDÁGIO. SEGURO. ESCOLTA. DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. O desconto de crédito sobre despesas com pedágio é vedado expressamente em lei e as despesas com seguro e escolta não se enquadram no inciso II art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. EMPILHADEIRAS. MANUTENÇÃO. CUSTOS/DESPESAS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesa com manutenção de empilhadeiras utilizadas na transferência/movimentação de insumos utilizados no processo de produção dos bens destinados à venda enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e, portanto, dão direito ao desconto de crédito. MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. CUSTOS. CRÉDITO. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com mão-de-obra temporária contratados com pessoa jurídica, utilizada na produção de bens destinados à venda, ou seja, na atividade fim da empresa, escriturados sob as rubricas MOD PROD - FÁB - PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, dão direito ao desconto de créditos. SUPOSTA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES. SERVIÇOS. FRETES. IDENTIFICAÇÃO/NATUREZA. CRÉDITO. GLOSA. REVERSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 7099DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 Mantém-se a glosa de créditos sobre serviços de fretes intramunicipais cuja natureza não foi possível identificar nos documentos fiscais apresentados pela recorrente. FRETES INTERNACIONAIS. DESPESAS PORTUÁRIAS. CRÉDITO. DESCONTO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes internacionais não dão direito ao desconto de créditos por expressa disposição legal e as despesas portuárias (alfandegárias e aduaneiras) não constituem insumos da produção dos bens destinados à venda nem se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR; assim não dão direito ao desconto de créditos. SERVIÇOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos com industrialização por encomenda de componentes elétrico- eletrônicos utilizados como produtos intermediários na produção dos bens destinados à venda, contratados com terceiros, pessoas jurídicas sujeitas à tributação das contribuições, dão direito ao desconto de crédito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento para reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Vencidos o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, que negavam provimento ao recurso neste tema. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam essas glosas. Por maioria de votos, negar provimento para manter as glosas sobre pedágio e seguro. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as glosas de pedágio. Vencido o Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, que revertia a glosa de seguro. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter as glosas de crédito sobre a despesa com paletes. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior, Juciléia de Souza Lima e Sabrina Coutinho Barbosa, que revertiam as referidas glosas. Por voto de qualidade, negar provimento ao Fl. 7100DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 recurso voluntário, para manter as glosas sobre as despesas de “Serviços de Venda”, “de Reentrega”, “Transferência”, “Envio e Remessa” e “Retorno”. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Juciléia de Souza Lima, que revertiam as glosas sobre essas despesas. Por voto de qualidade, negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laercio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento neste item. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, para manter as glosas sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Vencidos os Conselheiros Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior e Sabrina Coutinho Barbosa, que davam provimento ao recurso para reversão dessas glosas. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-013.499, de 24 de outubro de 2023, prolatado no julgamento do processo 10980.905534/2018-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Laércio Cruz Uliana Junior, José Adão Vitorino de Morais (Relator), Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ, que julgou procedente em parte/improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não reconheceu o direito da recorrente ao crédito financeiro pleiteado no Pedido de Ressarcimento (PER) e não homologou as Declarações de Compensação (Dcomp), objeto deste processo administrativo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, com base na Informação Fiscal e Planilhas de Cálculo anexas, partes integrantes do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório do contribuinte e, consequentemente, indeferiu o PER e não homologou as Dcomp. Intimada do despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, requerendo: I) em preliminar: I.1) o reconhecimento da vinculação do presente processo aos 13 (treze) nela discriminados, bem como o julgamento conjunto de todos eles, ou, subsidiariamente, o sobrestamento do presente até o julgamento do de nº 10980.726089/2018-32, evitando-se a prolação de decisões conflitantes; e, I.2) a nulidade do lançamento tributário em razão da ausência de fundamentação, mais especificadamente, falta da adoção de critérios Fl. 7101DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 próprios para a glosa dos créditos descontados sobre bens e serviços; e, II) no mérito, discorreu sobre o conceito de insumos, concluindo que tem direito aos créditos glosados pela Fiscalização, descontados sobre os custos/despesas incorridos com: II.1) bens para revenda; II.2) bens utilizados como insumos; II.3) serviços utilizados como insumos; e, II.4) serviços utilizados como insumos decorrentes de importação; defendeu ainda a aplicação do princípio da verdade material e alegou excesso de glosa de créditos. Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ rejeitou a suscitada nulidade do lançamento, de fato, do despacho decisório; e, no mérito, julgou-a procedente/improcedente em parte, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS-PASEP/COFINS Período de apuração: [...] CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1221170/PR. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1221170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório demandado. LIQUIDEZ E CERTEZA. A mera alegação da existência de crédito, desacompanhada de elementos de prova - certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão da glosa de créditos. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, suscitando/ requerendo: I) em preliminar: I.1) a necessidade de vinculação dos treze processos administrativos elencados no tópico II.1, do recurso voluntário, ao presente processo, para que sejam julgados concomitantemente; I.2) a nulidade do acórdão recorrido por vícios e omissões; e, I.3) a realização de diligência, caso se entenda que os documentos e esclarecimentos apresentados não sejam suficientes para a reversão das glosas dos créditos mantidas pela DRJ; e, II) no mérito, defendeu a reversão das glosas dos créditos efetuadas pela Fiscalização e mantidas pela DRJ sobre os custos/despesas incorridos com bens/serviços utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda e com aquisições de bens para revenda. Em síntese, é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 7102DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 Quanto Ao mérito, exceto quanto aos créditos extemporâneos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O recurso voluntário interposto pela recorrente atende aos requisitos do artigo 67 do Anexo II do RICARF; assim dele conheço. I) Preliminares I.1) Nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida. De acordo com Decreto nº 70.235/72, somente são nulos os atos administrativos proferidos por autoridade incompetente e/ ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo: Art. 59. São nulos: (...) II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...). No presente caso, o despacho decisório foi proferido pela DRF em Curitiba/PR, autoridade competente para se manifestar sobre o PER/Dcomp apresentado pela recorrente, conforme previsto no art. 280, inciso VI, da Portaria MF nº 125/2009. Já a decisão recorrida foi proferida pela DRJ em Porto Alegre/RS, autoridade competente para julgar a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as Dcomp transmitidas. No despacho decisório, consta o valor correto do pedido de ressarcimento/ compensação transmitido pela recorrente; já os fundamentos e a motivação das glosas dos créditos e, consequentemente, do indeferimento e da não homologação das Dcomp, constam da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório. Também, a decisão recorrida contém a motivação e a fundamentação da glosa dos créditos efetuada pela Fiscalização e mantida pela DRJ, conforme consta do seu voto condutor. Em resumo, a motivação e a fundamentação da DRJ para a manutenção da glosa dos créditos foram as mesmas da Fiscalização, ou seja, os bens e serviços cujos créditos foram glosados não se enquadram no conceito de insumos, nos termos no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, conforme consta do voto do Relator. Essa motivEação e fundamentação permitiram à recorrente exercer seu direito de defesa, tanto é que o fez expressamente no recurso voluntário em análise. Assim, não há que se falar em nulidade do despacho decisório nem da decisão recorrida. I.2) Diligência A realização de diligência está prevista no Decreto nº 70.235/72, literalmente: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 7103DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. No presente caso, a recorrente solicitou a baixa do processo à Unidade de Origem para a realização de diligência, visando à análise, pela Fiscalização, das Notas Fiscais de compras, disponibilizadas em seu domínio eletrônico, que compuseram a base de cálculo das contribuições cujos custos/despesas tiveram os créditos glosados. Ao contrário do seu entendimento, a Fiscalização examinou as Notas Fiscais de compras de bens e de serviços para efetuar a glosa dos créditos que, no seu entendimento, não se enquadram no conceito de insumos, nos termos no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, conforme consta do Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório. Assim, rejeito o pedido de diligência. I.3) Necessidade de vinculação por conexão com outros processos administrativos No presente caso, o processo em julgamento é paradigma para 8 (oito) dos 13 (treze) processos cujos julgamentos a recorrente solicitou vinculação por conexão. O lote deste paradigma é composto pelos seguintes processos: 1) 10980.905534/2018-29; 2) 10980.905545/2018-17; 3) 10980.905541/2018-21; 4) 10980.905540/2018-86; 5) 10980.905539/2018-51; 6) 10980.905536/2018-18; 7) 10980.905535/2018-73; 8) 10980.905543/2018-10. Assim, a decisão neste processo será aplicada àqueles oito. Quanto aos outros (cinco), solicitamos a distribuição dos processos 10980.726089/2018-32 (autos de infração do PIS/Cofins) e 10980.905537/2018-62 (PER/Dcomp) para este Relator e serão relatados e julgados nesta mesma sessão; o processo 10980.905544/2018-64, encontra-se ainda na DRJ em Ribeirão Preto/SP, na equipe “CEGEP- COCAJ-RPO-SP-GESTOR02-PRR/DCOMP”, na atividade “Tratar CONTENCIOSO – Distribuição”; o processo 10980.726092/2018-56, da multa isolada, foi juntado por apensação ao de nº 10980.905538/2018-15 que trata da Dcomp que originou esta penalidade. Contudo, embora ambos estejam no CARF. na equipe “DISOR-CEGAP-CARF-CA03”, na atividade “Tratar CONTENCIOSO – Distribuição”, de seus exames, verificamos que a impugnação oposta contra a exigência da multa isolada não foi julgada pela DRJ; assim, os dois deverão ser devolvidos à DRJ de origem para o julgamento da impugnação. Dessa forma, a solicitação da recorrente para o julgamento concomitante dos processos que estão no CARF e que foram objeto de recurso voluntário está sendo atendida. II) Mérito As questões de mérito abrangem a glosa de créditos descontados pela recorrente sobre os custos/despesas de aquisições de insumos e serviços do seu processo produtivo e de bens para revenda. Fl. 7104DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 A legislação tributária que trata do PIS e da Cofins sob o regime não cumulativo, vigentes à época dos fatos geradores do PER/Dcomp em discussão, assim dispunham, quanto ao desconto de créditos dessas contribuições e seus aproveitamentos: -Lei nº 10.637/2002: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (...) § 1 o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) § 3 o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) Fl. 7105DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 -Lei nº 10.833/2003: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3 o do art. 1 o desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X - vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (...) § 1 o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2 o desta Lei sobre o valor: I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3 o O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I - nos incisos I e II do § 3 o do art. 1 o desta Lei; II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1 o e 10 a 20 do art. 3 o desta Lei; (...) Fl. 7106DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10637.htm Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 -Lei nº 10.865/2004: Art. 2º As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: (...) X - o custo do transporte internacional e de outros serviços, que tiverem sido computados no valor aduaneiro que serviu de base de cálculo da contribuição. (...) Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I - bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) V - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 1º-A. O valor da Cofins-Importação pago em decorrência do adicional de alíquota de que trata o § 21 do art. 8º não gera direito ao desconto do crédito de que trata o caput. (...) § 3º O crédito de que trata o caput será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no art. 8º sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. § 4º Na hipótese do inciso V do caput deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas referidas no § 3º deste artigo sobre o valor da depreciação ou amortização contabilizada a cada mês. § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam-se, no que couber, as disposições dos §§ 7º e 9º do art. 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) Os dispositivos legais citados e transcritos elencam os custos/despesas que dão direito a descontar créditos das contribuições, estabelecem o sistema de cálculo, sua utilização e o aproveitamento do saldo credor trimestral. No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em 22 de fevereiro de 2018, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito de recurso repetitivo, quais os custos/despesas que devem ser considerados como insumos dos bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inc. II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citado e transcrito anteriormente. Consoante à decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a impossibilidade ou a Fl. 7107DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A77 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art3%C2%A79 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.833.htm Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". No presente caso, a recorrente é uma empresa que tem como atividade econômica, dentre outras: i) a industrialização, comercialização, distribuição, locação e assistência técnica de bens e equipamentos de qualquer natureza na área de informática e eletroeletrônica; ii) a industrialização, comercialização e desenvolvimento de projetos tecnológicos na área de informática e eletroeletrônica; iii) a representação, comercialização, planejamento, implantação, treinamento, suporte técnico, suporte pedagógico e assistência técnica de equipamentos, laboratórios e mobiliário de informática, franquias, sistemas de aplicação pedagógica, sistemas de administração escolar e sistema didáticos de ensino; e, iv) a prestação de serviços na área de informática. Assim, com fundamento nos dispositivos legais citados e transcritos, no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR e nas atividades econômicas desenvolvidas pela recorrente, passemos à análise das matérias impugnadas nesta fase recursal. II.1) Bens para Revenda II.1.1) Equivocada Alegação Fiscal de Apropriação de Créditos Recuperáveis de IPI – Inexistência de Apropriação dos Referidos Créditos A recorrente defende a reversão da glosa de créditos descontados sobre o valor do IPI não recuperável pago sobre a aquisição de bens para revenda sob o argumento de que esse valor integra o custo da mercadoria vendida. Segundo o inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, a aquisição de bens para revenda dá direito ao desconto de créditos; já o inciso II do § 2º, desse mesmo artigo, prevê que a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dará direito ao desconto de créditos. No presente caso, as contribuições não incidiram sobre o valor total das Notas Fiscais de aquisições dos bens destinados à revenda, mas tão somente sobre o valor do bem, conforme provam as cópias das notas carreadas aos autos pela própria recorrente. O IPI destacado na nota fiscal, independentemente de ser ou não recuperável não integra a base de cálculo das contribuições. Assim, a glosa efetuada pela Fiscalização deve ser mantida; II.2) Bens utilizados como insumos II.2.1) IPI Recuperável – Inexistência de Créditos de PIS e Cofins – Glosa Indevida A recorrente alegou que, ao contrário do entendimento da Fiscalização, não descontou créditos sobre o valor do IPI destacado nas notas fiscais de aquisição de insumos pelo fato de tratar de imposto recuperável. Se não houve desconto de créditos por parte da recorrente, não houve glosa por parte da Fiscalização. Dessa forma, não há mérito a ser analisado e julgado neste item. II.2.2) Insumos Creditados pela Recorrente Fl. 7108DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 Neste item, defendeu o direito de descontar créditos sobre os seguintes bens/serviços: a) Álcool e licença para uso de Software Os custos/despesas com álcool e com licença para uso de Software, segundo depreendemos da documentação carreada aos autos, são utilizados no seu processo produtivo. O álcool é utilizado na montagem dos computadores para limpeza e higienização de placas-mães de circuitos impressos dos equipamentos eletrônicos produzidos; já a despesa com software refere- se a contrato de cessão de direito para uso de programas na produção dos equipamentos eletrônicos fabricados e vendidos pela recorrente. Dessa forma, ambos os custos/despesas enquadram-se no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. Portanto, a glosa dos créditos sobre tais custos/despesas deve ser revertida. b) Pallets As despesas incorridas com pallets não constituem insumos do processo de produção dos bens destinados à venda. A própria recorrente informou no recurso voluntário que se trata de produtos intermediários utilizados no transporte de insumos. Assim, como não se enquadra no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR, a glosa dos créditos sobre tais despesas deve ser mantida. c) Estruturas metálicas de armários e material de consumo de rede elétrica Também, neste caso, trata-se de despesas que não se enquadram no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 nem no conceito de insumos dado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR. Assim, a glosa dos créditos sobre tais despesas deve ser mantida. d) Ferramentas, instrumentos e aparelho para medidas e controle de grandezas: A própria recorrente informou e demonstrou no seu recurso voluntário que tais custos foram incorridos com ferramentas que dão direito ao desconto de créditos sobre os encargos de suas depreciações. Segundo o inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 os custos com aquisição de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, dão direito ao desconto de créditos. Por sua vez, o inciso III do § 1º, desse mesmo artigo, determina que o crédito sobre tais custos seja calculado sobre os encargos de depreciação dos respectivos bens. Opcionalmente, segundo o § 14 daquele mesmo artigo, o crédito pode ser calculado no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º das referidas leis sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição. No presente caso, a recorrente não utilizou nenhum das duas opções previstas em lei, calculando e descontando o crédito sobre o valor total da aquisição, contrariando aqueles dispositivos legais. Fl. 7109DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 Dessa forma, a glosa dos créditos deve ser mantida. II.2.3) Notas Fiscais com Alíquota Zero O desconto de créditos do PIS e da Cofins sobre a aquisição de bens utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda está previsto no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente. Consta expressamente do § 2º, inciso II, do art. 3º das referidas leis, que a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições não dá direito ao desconto de créditos. Assim, a glosa dos créditos sobre a aquisição de bens representados por notas fiscais com alíquota zero deve ser mantida. II.2.4) Indevida Exclusão dos Conhecimentos de Transporte – Suposta Alegação de Ausência de Tributação da Mercadoria Transportada Os custos com fretes incorridos na operação de compra de insumos, suportados pela recorrente, integram o custo da matéria-prima adquirida. O desconto de créditos das contribuições sobre os custos de insumos utilizados na produção dos bens destinados à venda está previsto no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. No presente caso, os fretes utilizados no transporte de insumos adquiridos foram contratados com pessoas jurídicas e tributados pelas contribuições para o PIS e Cofins. Dessa forma, a glosa dos créditos sobre os custos/despesas dos fretes onerados pelas contribuições, incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições, deve ser revertida. II.2.6) Serviços de Transporte (Conserto, Devolução, Retorno Substituição Em Garantia, dentre outros) – “GLOSA FRETE” Neste item, a recorrente defende o direito de descontar créditos sobre as despesas com fretes incorridas com: a) devolução de mercadorias, b) intercompany (transferências) de ativo imobilizado; c) intercompany (transferências) de insumos e mercadorias; d) remessa em bonificação; e, e) remessa/retorno para conserto. O direito de descontar créditos sobre despesas incorridas com fretes está previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 que, inclusive aplica-se ao PIS. Segundo aquele inciso, o desconto de créditos sobre despesas incorridas com fretes aplica-se somente aos fretes na operação de venda. No presente caso, nenhuma das referidas despesas foram incorridas na operação de venda dos bens produzidos e/ ou na revenda de bens adquiridos. No entanto, as despesas incorridas com fretes no transporte/movimentação de insumos, denominadas “intercompany” com remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizadas pela recorrente integram, respectivamente, o custo matéria-prima dos bens produzidos e dos serviços prestados e, portanto, se enquadram no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Já as demais despesas não se enquadram naquele dispositivo legal nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Fl. 7110DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 O conceito de insumos dado pelo STJ aplica-se apenas e tão somente aos custos/despesas imprescindíveis à produção dos bens destinados à venda e à prestação de serviços (assistência técnica/prestação de serviços). No presente caso, tais despesas não são imprescindíveis à produção dos bens destinados a venda, aliás, trata-se de despesas incorridas depois de suas produções. Por isso, entendo que as referidas despesas, com exceção dos fretes incorridos na transferência/movimentação de insumos entre os estabelecimentos e na remessa/retorno de bens cuja assistência técnica e prestação de serviços foram realizadas pela recorrente, não dão direito ao desconto de créditos, por não se enquadrarem no inciso II do artigo 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e também por não se subsumirem ao conceito de insumo dado pelo STJ no julgamento do referido REsp nem no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10;833/2003. Dessa forma, somente a glosa de créditos descontados sobre os custos/despesas com (i) fretes na transferência/movimentação de insumos (intercompany) e (ii) com fretes na remessa/retorno de bens consertados (assistência técnica/prestação de serviços) deve ser revertida. II.2.7) Suposta Ausência de Informações para Fins de Creditamento – Supostos Dados Faltantes A recorrente alegou que a Fiscalização glosou créditos sobre serviços de fretes sob o fundamento de que “não foi possível identificar o tipo de serviço já que a empresa não informou dados essenciais para a identificação do direito a crédito, nos campos EFD Contribuições ‘descrição da mercadoria/serviço’, ‘código NCM’ e ‘Código CFOP’”; alegou ainda que informou na manifestação de inconformidade que tais serviços referiam-se a gastos com fretes intramunicipais os quais não dispõem das informações (CFOP e NCM); o certo é que tais despesas compõem o custo incorrido pela recorrente em decorrência de sua atividade econômica. Ao contrário do seu entendimento, consta expressamente da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório, que a Fiscalização efetuou a glosa desse item pelo fato de não ter sido possível identificar a natureza do serviço prestado, tendo em vista que nas informações prestadas não foram apresentados dados essenciais para a comprovação do direito creditório. Nesta fase recursal, conforme demonstrado, a recorrente limitou-se a informar que se trata de gastos com fretes municipais que não dispõem das informações CFOP e NCM e que o certo é que tais despesas compõem o custo de produção dos bens produzidos por ela. Inicialmente, caberia a ela ter apresentado, desde a manifestação de inconformidade, documentação fiscal e contábil demonstrando a natureza dos fretes e em quais operações foram incorridos. Conforme demonstrado anteriormente, no item II.2.6 deste voto, o desconto de créditos sobre gastos com frete somente é permitido sobre despesa na operação de venda, conforme inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, quando suportado pelo vendedor, e sobre frete na aquisição de bens utilizados como insumos na produção dos bens destinados à venda e/ ou para revenda, nos termos do inciso II do mesmo artigo. No presente caso, a recorrente em momento algum demonstrou a natureza dos fretes e em quais setores da empresa foram incorridos, limitando-se a alegar que se trata de fretes intramunicipais que não possuem códigos CFOP e NCM. Fl. 7111DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 Dessa forma, a glosa dos créditos sobre tais fretes deve ser mantida. III) Serviços Utilizados Como Insumos III.1) Da prestação de serviços de Assistência Técnica – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “(Alimentação/Refeição”, “Deslocamentos/Diária/Hospedagem”, “Despesas Não Planejadas”, “Reembolso de Icms” e “Telegrama” A recorrente alegou que tais despesas são incorridas com a prestação de serviços de assistência técnica dada a seus clientes por meio de terceiros, ou seja, empresas contratadas por ela para esse fim. Alegou ainda que Fiscalização ao invés de considerar o total da nota fiscal emitida pelo prestador do serviço, excluiu o valor correspondente àqueles itens, ou seja, alimentação/refeição, deslocamentos/diária/hospedagem, despesas não planejadas, reembolso de ICMS e telegrama. Para comprovar essa alegação, não apresentou cópia de nenhuma nota fiscal, mas apenas reproduziu no recurso voluntário o que seriam as Notas Fiscais nº 1414, emitida pela Terabytte Service Comercial Ltda. – ME e nº 2142, emitida pela RM Brasília Informática Ltda. Contudo, de seus exames não encontramos na discriminação dos serviços prestados, ou seja, no seu corpo, nenhuma das referidas rubricas. Nos pedidos de ressarcimento/compensação de créditos financeiros, o ônus de provar a certeza e liquidez do valor pleiteado/compensado é do contribuinte, conforme previsto no inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e no inciso I do art. 373 da Lei nº 13.105/2015 (Novo Código de Processo Civil). Também, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regulamenta o processo administrativo, determina: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Assim, a glosa de créditos sobre tais despesas deve ser mantida. III.2) Da prestação de serviços de Publicidade e Propaganda – Itens glosados referenciados pela Agente Fiscal como “Agenciamento de publicidade e propaganda/honorários agência”, “Serviços de campanhas e incentivos e de pesquisas MKT”, “Serviços suporte a gestão”, “Serviços de elaboração de revista/inspeção visual/de produção de eventos/de produção de fotos”, “Acordo mensal MKT”, “Administração de contratos” e “Produção filmes/textos/artigos e vídeos” Inexiste amparo legal para o desconto de créditos sobre essas despesas. O direito ao desconto de créditos das contribuições sobre custos/despesas incorridos pela pessoa jurídica no desenvolvimento de suas atividades econômicas está previsto no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, todos citados e transcritos anteriormente neste voto. Nenhum das referidas despesas estão contempladas naqueles dispositivos legais. Já a alegação de que se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR não prospera. O STJ analisou e julgou custos/despesas vinculados ao processo de produção/industrialização de bens destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e não a despesas vinculadas à administração da empresa e à comercialização dos produtos. Fl. 7112DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 As despesas impugnadas neste item não têm vinculação direta com o processo de produção dos bens fabricados e vendidos pela recorrente. As únicas despesas incorridas pela pessoa jurídica no desenvolvimento de suas atividades, que dão direito ao desconto de créditos, são aquelas elencadas expressamente nos incisos do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. As despesas discriminadas neste item não estão elencadas dentre aquelas que dão direito ao crédito. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre as despesas deste item deve ser mantida. III.3) Da prestação de serviços de Representação Comercial – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Comissões Sobre Vendas” e “Intermediação de Negócios” Assim como no item imediatamente anterior (III.2), trata-se de despesas vinculadas à comercialização dos bens produzidos e vendidos cujo direito ao desconto de créditos não está previsto na legislação do PIS e da Cofins. Também, tais despesas não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, tendo em vista não estão vinculadas à produção e sim à comercialização. A única despesa vinculada à comercialização dos bens produzidos e vendidos, que dá direito ao desconto de créditos, é despesa com frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme previsto no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que também se aplica ao PIS. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre tais despesas deve ser mantida. III.4) Da prestação de serviços de Frete - Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “EPI”, “Ferramentas/fita demarcação”, “Loop back áudio - Anatel - paralelo/duplo/frontal/triplo/único/serial”, “Creme protetor luvex”, “Fita isolante/Fita verde rosca” e “Gás R22 ar condicionado” Neste item, a recorrente reclama fretes sobre o transporte/movimentação dos bens referenciados. Segundo, seu entendimento são despesas que se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do Respe nº 1.221.170/PR. Para comprova a realização das despesas e suas naturezas apresentou como prova o Doc. 13 (Doc_13.xlsx, arquivo não paginável ZIP) carreado aos autos juntamente com a manifestação de inconformidade. No entanto, do exame daquele documento, verificamos que nele constam apenas e tão somente três máquinas que, segundo suas descrições, são utilizadas na produção dos bens destinados à venda. Os demais bens, com exceção das três máquinas, não foram identificados, aliás sequer constam daquele documento. Quanto aos fretes incorridos com a aquisição de EPI, levando-se em conta que seus custos integram o custo total desses equipamentos e que estes dão direito ao desconto de créditos, segundo o conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Portanto, os fretes incorridos nas aquisições dos EPI, devidamente comprovados mediante documentos fiscais (Notas Fiscais de Serviços e/ ou Documento Auxiliar do Conhecimento de Transporte Eletrônico -DACTE), dão direito ao desconto de créditos. Quanto aos demais bens, apenas os fretes incorridos na aquisição das três máquinas, por integrarem seus custos, dão direito ao desconto de créditos. Contudo, o crédito é Fl. 7113DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 determinado sobre os encargos de depreciação das máquinas e não sobre os seus custos de aquisição, conforme previsto no inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, citados e transcritos anteriormente. Dessa forma, apenas a glosa dos créditos descontados sobre os fretes incorridos na aquisição de EPI, deve ser revertida. III.5) Da prestação de serviços de Frete – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Serviços de Coleta”, “Serviços de Descarga”, “Serviços de Devolução”, “Serviços de Venda”, “Serviços de Reentrega”, “Serviços de Transferência”, “Serviços de Envio”, “Serviços De Remessa e “Retorno” O desconto de créditos sobre despesas incorridas com os referidos serviços não tem amparo na legislação do PIS e Cofins, nos termos das Leis nºs 10.627/2002 e 10.833/2003. Embora tais serviços estejam vinculados a operações comerciais, apenas as despesas com fretes na operação de venda dão direito ao desconto de créditos das contribuições, conforme consta do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que também se aplica ao PIS. Além da hipótese prevista no inciso IX do referido artigo, os custos incorridos com fretes nas aquisições de bens para revenda e de bens utilizados como insumos na produção destinados à venda também dão direito ao desconto de créditos, por integrarem o custo dos bens adquiridos, nos termos do inciso II do art. 3º das referida leis. Contudo, não se trata de insumos nem de bens para revenda. No presente caso, os referidos serviços não se enquadram em nenhum daqueles incisos (II e IX) nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, tendo em vista que se trata de despesas desvinculadas do processo de produção dos bens destinados à venda. Ressaltamos ainda que a Fiscalização não glosou créditos descontados sobre fretes na operação de venda, conforme verificamos da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre os serviços impugnados neste item deve ser mantida. III.6) Da prestação de serviços de Frete – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Pedágio”, “Seguro”, “Escolta” O desconto de créditos sobre essas despesas não tem amparo legal. Primeiro, pelo fato de não estarem elencadas no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/200,3 dentre aquelas que dão direito ao desconto de créditos; e, segundo não estão vinculadas ao processo de produção dos bens destinados á venda, não sendo possível enquadrá-las no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR Especificamente, em relação às despesas com pedágio, a Lei nº 10.209/2001 que criou o vale pedágio, assim dispõe: Art. 2º O valor do Vale-Pedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. (...) Fl. 7114DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 Assim, levando-se em consideração que as despesas com pedágio não foram tributadas pelas contribuições para o PIS e Cofins, não dão direito ao desconto de créditos, nos termos do inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Quanto às despesas com seguro e escolta, como não estão vinculadas à produção dos bens destinados à venda, não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Esse julgamento tratou de custos e despesas vinculados à produção e que devem ser consideradas como insumos nos termos do inciso II do art. 3º das referida leis. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre essas despesas deve ser mantida. III.7) Da prestação de serviços de Manutenção Preventiva de Empilhadeiras – Item Glosado Referenciado pela Agente Fiscal como “Serviços de Manutenção Preventiva de Empilhadeiras” As empilhadeiras são bens do ativo imobilizado, essenciais à produção dos bens destinados à venda. São utilizadas na movimentação de insumos e de produtos em elaboração no interior da fábrica. Assim, as despesas incorridas com a suas manutenções enquadram-se como insumos dos produtos fabricados e vendidos e dão direito ao desconto de créditos. Portanto, a glosa dos créditos descontados sobre tais despesas deve ser revertida. III.8) Da prestação de serviços de Mão De Obra Temporária – Item Glosado Referenciado pela Agente Fiscal como “Agenciamento de Bens Imóveis e Mão De Obra Temporária/Encargos e Salários” A recorrente defende o direito de descontar créditos sobre as despesas com mão- de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda. Destacou que, conforme se depreende da planilha de glosa de “Resultado Serviços Insumos” elaborada pela Fiscalização, apesar da nomenclatura adotada, “agenciamento de imóveis”, de fato, os serviços, primordialmente, referem-se à contratação por meio de pessoa jurídica com atuação no mercado de agenciamento de mão-de-obra temporária de indivíduos para utilização na produção dos bens destinados à venda. Para comprovar essa alegação, acostou à manifestação de inconformidade, ainda que por amostragem, a documentação que comprova que a despesa “agenciamento de imóveis” corresponde, de fato, à mão-de-obra temporária e que esta foi utilizada na produção dos bens fabricados e vendidos por ela. O desconto de contribuições sobre custo com mão-de-obra temporária utilizada na atividade fim da pessoa jurídica está amparado no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. No presente caso, a recorrente indicou o arquivo não paginável-ZIP Doc_40- 1.xlsx, visando comprovar que toda a mão-de-obra glosada foi utilizada na produção e para comprovar que a rubrica (nomenclatura) “agenciamento de imóveis” integra o custo total da mão- de-obra, apresentou a cópia da Nota Fiscal 14570, (Doc. 40.1), emitida pela empresa Nossa Serviço Temporário de Gestão de Pessoas Ltda. Ao contrário do seu entendimento, a referida documentação não comprova suas alegações. Do exame do “Arquivo não paginável-ZIP, Doc_40_1.xlsb”, verificamos que nele Fl. 7115DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 constam mão-de-obra passível de utilização nas áreas de: 1) logística; 2) produção; e, 3) qualidade, para os cargos de: 1) auxiliar de logística; 2) auxiliara de processo; e, 3) operador de qualidade. Do exame da Nota Fiscal nº 14570, verificamos que nela constam as seguintes rubricas (nomenclaturas): locação de: 1) salários; 2) encargos/provisão; 3) taxa de serviços; e, 4) benefícios. Ressaltamos ainda que, em nenhuma das notas fiscais de prestação de serviços, constantes do Doc. 41, consta a rubrica (nomenclatura) “agenciamento de imóveis”. Levando-se em conta as informações desses dois documentos, examinamos a documentação carreada aos autos relativa à mão-de-obra temporária, cujas glosas foram efetuadas pela Fiscalização. No “Arquivo Não-Paginável – ZIP”, Doc_37_1.xlsb” constam gastos com: 1) expedição; 2) promotores Trade MKT; 3) facilities; 4) MOD PROD – FÁB - PLACAS; no “Arquivo Não-Paginável – ZIP”, Doc_37_2.xlsb, constam gastos com: 1) MOD PROD; e, 2) expedição; e, no “Arquivo Não-Paginável – ZIP”, Doc_40_2.xlsb constam gastos com: 1) expedição; 2) MOD PROD JB; 3) promotores Trade MKT Reg 3; 4) facilities; e, 5) MOD PROD – FÁB PLACAS. O custo como mão-de-obra temporária utilizada na atividade fim da pessoa jurídica está amparado no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.83/2003. Assim, com fundamento no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.83/2003, a glosa dos créditos descontados sobre o custo com a mão-de-obra utilizada na atividade fim da recorrente, ou seja, utilizada na produção dos bens destinados à venda, correspondentes às rubricas (nomenclaturas): 1) MOD PROD – FÁB – PLACAS; 2) MOD PROD; e, 3) MOD PROD JB, discriminados naqueles documentos, deve ser revertida, mantendo-se a glosa sobre as demais rubricas (nomenclatura), por não se enquadrarem no inciso II do art. 3º das referidas leis nem no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. III.9) Da prestação de serviços de Frete – Itens Glosados Referenciados pela Agente Fiscal como “Retrabalho/gabinete/LCD”, “Royalty”, “Móveis”, “Serviços de telemarketing”, “Desenvolvimento de sistemas”, “Desenvolvimento de conteúdo”, “Taxa Infraero” A recorrente alega que tais despesas estão atreladas a etapas operacionais do seu ciclo produtivo e assistência a seus clientes adquirentes dos bens que fabrica e vende; assim, se enquadram como insumos, segundo o conceito do STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Ao contrário do seu entendimento, com exceção das despesas incorridas com Royalties, as demais não são essenciais e/ ou relevantes ao seu processo produtivo e, portanto, não se enquadram no conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento daquele REsp nem estão elencadas no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/200 e 10.833/2003, que dão direito ao desconto de créditos. As despesas com Retrabalho/gabinete/LCD não foram identificadas pela recorrente, ou seja, não informou suas naturezas nem onde foram incorridas. A simples alegação de que estão atreladas a etapas operacionais do seu ciclo produtivo não é suficiente para enquadrá-las como insumos; as despesas com Móveis, segundo consta da Informação Fiscal, referem-se a armários, a um conjunto de três bancos, a um tampo central e a um ventilador de coluna; estas despesas não têm vinculação com o processo de produção; a Taxa Infraero, também não foi identificada nem informada sua vinculação com o setor fabril; Serviços de Telemarketing também não têm vinculação com a produção; os Serviços de Desenvolvimento de Sistema, segundo consta do recurso, referem-se a despesas incorridas com serviços de medição de Fl. 7116DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 veiculação em mídia para audiência em sites na web; já os Serviços Desenvolvimento de conteúdo, também conforme consta do recurso voluntário, referem-se a despesas com o Sistema de Controle de Pagamento. Dessa forma, a glosa dos créditos descontados sobre tais serviços (rubricas) deve ser mantida. Já os gastos com Royalties correspondem aos custos/despesas incorridos com licença para uso de programa de computador destinado ao embarque nos equipamentos produzidos pela recorrente e integram seu custo final. Trata-se de custos/despesas imprescindíveis à produção dos equipamentos eletrônicos fabricados e vendidos pela recorrente. Assim, a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas com Royalties deve ser revertida. Nesse mesmo item, ao seu final, a recorrente impugnou glosa de créditos sobre “Serviços por Industrialização”. Embora, do exame da Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório, não tenhamos encontrado quaisquer referências sobre aqueles serviços e, ainda, que a DRJ não tenha decidido sobre tal glosa, levando-se em conta que o julgamento deste processo é paradigma para outros processos desse mesmo contribuinte, passemos a análise e julgamento desta matéria. Os custos/despesas incorridos com “serviços por industrialização” referem-se à produção de bens (componentes elétricos/eletrônicos), encomenda a terceiros, utilizados como produtos intermediários nos bens produzidos pela recorrente, conforme se depreende do exame por amostragem das notas fiscais carreadas aos autos, dentre elas as emitidas pela Soc Educ Santa Catarina, CNPJ 84.684.182/0001-57. Assim, tais custos enquadram-se no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/200 e 10.833/2003, dando direito ao desconto de créditos. Portanto, a glosa dos créditos descontados sobre os referidos serviços (custos) deve ser revertida. III.10) Serviços Utilizados como Insumos – Serviços Decorrentes de Importação – despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais As despesas alfandegárias e aduaneiras e os fretes internacionais, segundo a legislação do PIS e da Cofins, não dão direito ao desconto de créditos. A Lei nº 10.865/2004 que instituiu o PIS-Pasep Importação e a Cofins Importação assim dispôs: Art. 1º Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços - PIS/PASEP-Importação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior - COFINS-Importação, com base nos arts. 149, § 2º , inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º . (...) Art. 2º As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: (...) Fl. 7117DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art149%C2%A72ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art195iv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm#art195%C2%A76 Fl. 22 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 X - o custo do transporte internacional e de outros serviços, que tiverem sido computados no valor aduaneiro que serviu de base de cálculo da contribuição. (...) Por sua vez, o inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003 veda expressamente o desconto de créditos sobre custos/despesas não sujeitos ao pagamento das contribuições, sendo que o § 3º, inciso I, deste mesmo artigo, dispõe que o direito ao crédito aplica-se exclusivamente aos custos/despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Segundo o inciso X do art. 2º da Lei nº 10.865/2004, citado e transcrito, não incidem contribuições, a título de PIS-Importação e Cofins-Importação sobre os custos/despesas com transporte internacional de cargas (fretes) e com outros serviços que tiverem sido computados no valor aduaneiro. Assim, independentemente da falta de informações do contribuinte sobre as importações realizadas, notas fiscais e números das DIs, a glosa dos créditos descontados sobre os serviços alfandegários e aduaneiros e sobre os fretes internacionais deve ser mantida. IV) Da aplicação do princípio da verdade material Conforme demonstrado na Informação Fiscal, parte integrante do despacho decisório, a apuração da certeza e liquidez do ressarcimento pleiteado/compensado teve como fundamento a escrituração contábil das contribuições (EFD-Contribuições) e a documentação fiscal e contábil apresentadas pela recorrente. Dessa forma, não há que se falar em inobservância desse princípio. Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indefiro o pedido de diligência e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intecompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) fretes na aquisição de EPI no respetivo trimestre; 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico- eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas.” Quanto aos créditos extemporâneos, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com o devido respeito ao didaticamente elaborado voto condutor, de lavra do Ilustre Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, fui designado para redigir o voto vencedor, no que tange á apuração/apropriação e utilização/desconto de créditos extemporâneos, matéria com a qual a maioria da turma julgadora discordou do voto condutor. Em sintéticas palavras, já é pacífico neste CARF o entendimento de que créditos extemporâneos de Contribuição ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativos, apurados Fl. 7118DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 extemporaneamente, podem ser utilizados/descontados, sem a necessidade de retificação de DCTF ou EFD-Contribuições, desde que preencham certos requisitos, quais sejam: - comprovação, pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Se a recorrente lograr comprovar de forma idônea e inconteste tais requisitos, com documentos hábeis e apresentando a sua escrita contábil e fiscal, onde tais créditos estejam registrados e apropriados aos seus respectivos fatos geradores, sem que tenham sido objeto de aproveitamento de nenhuma espécie, então tais créditos podem ser aproveitados. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos descontados sobre os custos/despesas incorridos com: 1) álcool e licença para uso de Software; 2) fretes incorridos com a aquisição de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições; 3) fretes na transferência (intercompany) de insumos e fretes para a remessa/retorno de bens cuja assistência e/ ou prestação de serviços contratados pela recorrente; 4) reverter as glosas das despesas com fretes na aquisição de EPI no respectivo trimestre, 5) serviços de manutenção preventiva de empilhadeiras; 6) mão-de-obra temporária utilizada na produção dos bens destinados à venda, representadas pela rubricas (nomenclaturas): a) MOD PROD – FÁB – PLACAS; b) MOD PROD; e, c) MOD PROD JB, discriminadas no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_37_1.xlsb) e no “Arquivo Não-Paginável – ZIP” (Doc_40_2.xlsb), anexados aos autos; 7) Royalties incorridos com licença para uso de programa de computador; e, 8) serviços de industrialização por encomenda de componentes elétrico-eletrônicos utilizados nos bens produzidos, contratados com terceiros, pessoas jurídicas. Reverter as glosas de créditos apropriados em período extemporâneo, sem necessidade de retificação da EFD-Contribuições e da DCTF, desde que comprovado pela recorrente, após devidamente intimada pela unidade de origem, que os créditos sejam líquidos e certos e não foram aproveitados em outros períodos. Negar provimento ao recurso voluntário para manter as glosas das despesas sobre fretes de creme protetor luvex; sobre pedágio e seguro; sobre a despesa com paletes; sobre as despesas de “Serviços de Venda”, “de Reentrega”, “Transferência”, “Envio e Remessa” e “Retorno”; e sobre serviços decorrentes de importação (despesas alfandegárias, serviços aduaneiros e fretes internacionais). Negar provimento à reversão das glosas de créditos sobre as despesas com escolta. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Marcos Antonio Borges não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro José Adão Vitorino de Morais na reunião de 28 de março de 2023. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 7119DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3301-013.503 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.905540/2018-86 Declaração de Voto Deixa-se de transcrever a declaração de voto apresentada, que pode ser consultada no acórdão paradigma desta decisão. Fl. 7120DF CARF MF Original

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10310946 #
Numero do processo: 11128.000289/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/10/2008 EX TARIFÁRIO DO IPI. HOME THEATER. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE ACORDO COM A FUNÇÃO PRINCIPAL QUE CARACTERIZE O CONJUNTO. O sistema de Home Theater Philips HTS3 011/55, que possui sistema de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico, apesar de ser constituído por um conjunto de equipamentos interligados com funções adicionais, tem como função principal a reprodução de imagem e som com base em mídia óptica, enquadrando-se, assim, no Ex 02 do código NCM 8521.90.90 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI.
Numero da decisão: 3301-013.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior (Relator) e Juciléia de Souza Lima, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Relator e Vice-presidente (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Jucileia de Souza Lima, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-02-16T14:55:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-02-16T14:55:41Z; Last-Modified: 2024-02-16T14:55:41Z; dcterms:modified: 2024-02-16T14:55:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-02-16T14:55:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-02-16T14:55:41Z; meta:save-date: 2024-02-16T14:55:41Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-02-16T14:55:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-02-16T14:55:41Z; created: 2024-02-16T14:55:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2024-02-16T14:55:41Z; pdf:charsPerPage: 1837; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-02-16T14:55:41Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11128.000289/2009-93 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-013.755 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2024 Recorrente PHILIPS DA AMAZONIA INDÚSTRIA ELETRÔNICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/10/2008 EX TARIFÁRIO DO IPI. HOME THEATER. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE ACORDO COM A FUNÇÃO PRINCIPAL QUE CARACTERIZE O CONJUNTO. O sistema de Home Theater Philips HTS3 011/55, que possui sistema de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico, apesar de ser constituído por um conjunto de equipamentos interligados com funções adicionais, tem como função principal a reprodução de imagem e som com base em mídia óptica, enquadrando-se, assim, no Ex 02 do código NCM 8521.90.90 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Laércio Cruz Uliana Junior (Relator) e Juciléia de Souza Lima, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Relator e Vice-presidente (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Jucileia de Souza Lima, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 02 89 /2 00 9- 93 Fl. 289DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório DRJ: Trata o presente de auto de infração que constitui e exige IPI vinculado e PIS e COFINS reflexos, e acréscimos legais, incidentes sobre o produto importado, a seguir discriminado, cujo despacho de importação se deu através da Declaração de Importação DI n. 08/1708449-0, registrada em 28/10/2008. (base legal citada no AI: artigo 8º, inciso II, da Portaria ALF/STS n° 116/07, alterada pela Portaria ALF/STS 205/08, e artigo 5º, inciso II, da Portaria ALF/STS n° 206/08, e à determinação contida no artigo 142 e Parágrafo Único, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, com a dispensa de emissão de MPF-FM, de acordo com os artigos 15 e 16, parágrafo único, da Portaria COANA n° 2, de 24/03/2005. Arts. 2º, 15, 16, 17, 21, inciso I, 24, inciso I, 30, 34, inciso I, 122, 123, inciso I, alinea "a", inciso II, alinea "a", 124, parágrafo único, inciso II, 125, inciso III, 127, 130, 131, inciso I, alinea "a", 200, inciso I, 202, inciso I, 465, 466, do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/2002). A autoridade de lançamento, em procedimento de canal vermelho e após a obtenção de laudo técnico, constatou que a mercadoria teria sido descrita insuficientemente e que adotou a alíquota incorreta para esse tributo, pois ela teria que ser enquadrada no EX DESTAQUE n.º 02 da TIPI para a classificação NCM 8521.90.90. A alíquota de IPI deveria ter sido 25%, ao invés de 15% adotada na DI pelo contribuinte. (Decreto n. 6.225, de 04/10/2007) Na declaração de importação constava, como descrição da mercadoria: HTS3 011/55 - SISTEMA HOME THEATER COM DVD, REPRODUZ FOTOS E MÚSICAS, PLACAR DO KARAOKÊ, POTÊNCIA DE SAÍDA 200W RMS, MARCA PHILIPS, DIM: 56*39*30 CM 12NC: 867000036275; NCM:8521.90.90; Qtde:. 960 PEÇAS. O Laudo técnico que subsidiou a autoridade de lançamento informara: Conclui o Laudo Técnico afirmando que a mercadoria despachada: "TRATA-SE DE APARELHOS DE REPRODUÇÃO DE IMAGEM E SOM EM DISCO POR MEIO ÓPTICO (GENERICAMENTE), MAIS ESPECIFICAMENTE POR LASER, MAS TEM TAMBÉM OUTROS MEIOS DE REPRODUÇÃO DO SOM". A autoridade fiscal concluiu que a mercadoria deveria ter sido descrita como: "SISTEMA HOME THEATER COM DVD, QUE REPRODUZ IMAGEM E SOM EM DISCO POR MEIO ÓPTICO", ou seja, trata-se de mercadoria abrangida pelo "Ex" 02 do código NCM 8521.90.90 – "Aparelhos de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico". (grifos acrescidos) A contribuinte, tempestivamente, impugna a exigência e apresenta laudo de perito e as seguintes razões para a desconstituição da autuação: • O lançamento se equivoca por ter desconsiderado a legislação que trata da EX na TIPI; pois, em seu entendimento: • “ .... apenas são comparáveis os "Ex" de um mesmo código e as Notas Complementares (NC) da TIPI que definem critérios específicos de incidência das alíquotas do IPI criados para especificar determinados produtos com alíquotas diferentes Fl. 290DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 daquela definida para o correspondente código TPI e que diz respeito exclusivamente aos produtos com idênticas características ali transcritas, não podendo existir, sob hipótese nenhuma, uma interpretação extensiva, diante do caráter de excepcionalidade pertinente a este tipo de caracterização criada no Sistema criada no Sistema Harmonizado institucionalizado no Brasil. • Sendo este basicamente o grande equívoco ocorrido ao analisar o produto e tentar classificá-lo em outra classificação que não a utilizada por esta Impugnante, pois apegou-se aos detalhes, sem observar as características intrínsecas e explícitas destes, ficando sem qualquer fundamento técnico e jurídico as razões pelas quais se justificam o presente Auto de Infração. (p.72) • O equipamento importado não tem por função exclusivamente a reprodução de imagem e som em disco por meio óptico (genericamente), mais especificamente por laser, mas também outros meios de reprodução do som. O HOME THEATER possui características e funções que abrangem e ultrapassam o aparelho de DVD. • O citado EX se aplica a aparelhos que têm por função exclusivamente a reprodução de imagem e som em disco por meio óptico (genericamente), mais especificamente por laser, o que não é o caso do Home Theater. • A Receita Federal respondeu a consulta através das quais fixou a mesma classificação fiscal adotada pela contribuinte. (cita as Soluções de Consulta) Seguindo a marcha processual normal, foi proferido o julgamento da DRJ assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 28/10/2008 EX DESTAQUE DA TIPI. CLASSIFICAÇÃO PELA FUNÇÃO PRINCIPAL. O sistema de Home Theater Philips HTS3 011/55, que possui sistema de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico, apesar de ser constituído por um conjunto de equipamentos interligados com funções adicionais, tem como função principal a reprodução de imagem e som com base em mídia óptica, enquadrando-se, assim, no EX TIPI destaque 02 da NCM 8521.90.90. PIS e COFINS IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/2004. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. O Supremo Tribunal Federal (RE nº 559.937) declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP Importação e da CofinsImportação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, a partir da data da ciência da Nota Explicativa PGFN/CASTF nº 1.254, de 17/10/2014, a que se refere o art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 2014. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: Fl. 291DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 a) que deve ser adotado o voto vencido do relator da DRJ; b) que o correto é a NCM 8521.90.90, sem o EX-02; c) menciona as regras de classificação fiscal; d) da ausência de função principal do HTS; e) menciona sobre o laudo técnico ; f) que por se tratar de exceção tarifaria deve ser interpretado de maneira restritiva, assim não sendo possível a classificação na NCM 8521.90.90, o EX-02; É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, Relator. Trata-se de recurso de voluntário interposto e merece ser conhecido. Como se verifica no relatório, a lide é travada sobre a classificação fiscal, que teve a seguinte descrição pela contribuinte: HTS3 011/55 - SISTEMA HOME THEATER COM DVD, REPRODUZ FOTOS E MÚSICAS, PLACAR DO KARAOKÊ, POTÊNCIA DE SAÍDA 200W RMS, MARCA PHILIPS, DIM: 56*39*30 CM 12NC: 867000036275; NCM:8521.90.90; Qtde:. 960 PEÇAS. Ressalta-se que o laudo técnico que subsidiou a fiscalização: "TRATA-SE DE APARELHOS DE REPRODUÇÃO DE IMAGEM E SOM EM DISCO POR MEIO ÓPTICO (GENERICAMENTE), MAIS ESPECIFICAMENTE POR LASER, MAS TEM TAMBÉM OUTROS MEIOS DE REPRODUÇÃO DO SOM". A autoridade fiscal concluiu que a mercadoria deveria ter sido descrita como: "SISTEMA HOME THEATER COM DVD, QUE REPRODUZ IMAGEM E SOM EM DISCO POR MEIO ÓPTICO", ou seja, trata-se de mercadoria abrangida pelo "Ex" 02 do código NCM 8521.90.90 – Pois bem! O produto objeto da lide é conforme consta abaixo: Fl. 292DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 Ainda, constou no laudo solicitado pela RFB: Fl. 293DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 A divergência sobre a classificação é que a contribuinte classifica como 8521.90.90, com alíquota de 15% e a fiscalização entende que é a 8521.90.90, Ex 02, com alíquota de 25%. Vejamos: Fl. 294DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 Não obstante, argumenta que esta não era a única função dos equipamentos, tampouco sua função principal. E é neste contexto que surge a questão da aplicação restritiva da classificação fiscal para os casos de exceção à regra (“Ex”), como pleiteado pela recorrente, que se socorre de jurisprudência deste CARF. Com efeito, o entendimento defendido pela recorrente encontra eco na jurisprudência desta instância recursal, especialmente quando se trata de pleito pela redução da alíquota aplicável ao caso. À guisa de ilustração, transcrevo recente ementa da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), do Acórdão nº 9303-008.924: "EX TARIFÁRIO". ENQUADRAMENTO. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. IDENTIDADE. CONDIÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Somente pode ser enquadrada em "EX Tarifário" especificado em determinado código da Nomenclatura as mercadorias que tenham perfeita identidade com o texto do "EX" correspondente. Por tratar-se de uma exceção à regra geral, a matéria deve receber interpretação literal. Recurso Especial do Contribuinte Negado Por pertinente, transcrevo excerto do voto, acolhido pela maioria dos conselheiros da turma: (...) O "ex" tarifário, como é de amplo conhecimento, trata-se de uma exceção à tributação que é exigida em relação às mercadorias classificadas em determinado código tarifário. Para tanto, o texto do "ex" detalha as características de uma determinada mercadoria para a qual se pretende especificar, em regra geral, uma exação menor do que a que é exigida em relação a todas as demais mercadorias enquadradas naquele código tarifário. Dadas essas circunstâncias, não é difícil concluir que a mercadoria que se pretende enquadrar na exceção à tributação geral de determinado código tarifário deve, necessariamente, corresponder exatamente àquela descrita no texto que excepciona a regra geral. Fl. 295DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 Ainda nessa esteira, o voto do relator que foi vencido, assim constou: Os laudos, a descrição técnica e demais dados que constam das fontes comerciais e identificadoras (Ex.: no site da fabricante) do Home Theater em questão informam que ele contém: fotos; om; -falantes integrados; e subwoofer externo; -falantes externos (por exemplo: de subwoofer, tweeters e doublebass e outros recursos de sonorização) e funções de antenas (AM FM). Funções para lidar com formatos de resolução compatíveis, tais como: entrada/saída USB, TV (ex.: HDMI), cartões de memória, PC, MP3. (...) Por essa razão, entendo que não se pode estender ao sistema Home Theater a recente Decisão de Classificação da CECLAM da Secretaria Receita Federal ou a Solução de Consulta COANA 154/2015, que enquadraram no destaque ex 02 dessa NCM um aparelho DVD que traz embutido Karaokê. Estamos a falar de objetos diferentes, que partem de condições materiais diferentes. Isso não impede que ao DVD não possam ser acoplados amplificador e caixas acústicas, mas ele será sempre um DVD que passou a ter amplificador e caixas acústicas, mas dificilmente ele se tornará um sistema integrado Home Theater, que teria outras funções que não dependessem ou privilegiassem a fonte de leitura em disco ótico. A descrição que identifique uma classificação como aparelho de reprodução de imagem e som por disco ótico não contempla a amplitude do sistema de Home Theater, como expus acima. A função de reprodução a partir de disco ótico pode ser parte dele, mas não se pode afirmar que essa função contenha as outras funcionalidades, nem que essa função seja a principal. Ao contrário, no evolver da tecnologia, ela é secundária, adjetiva. Não há, entre o contribuinte e a autoridade fiscal, discordância quanto às funções do equipamento Home Theater. Apenas um entende que a descrição deveria conter a função de reprodutor de imagem e de som em disco ótico ou optmagnético, enquanto o outro entende que essa função está implícita na identificação geral do produto. Para o primeiro, a identificação dessa função remete obrigatoriamente a classificação e enquadramento do produto para o EX n. 02 da TIPI na NCM indicada, e para o outro não. Para concluir, parece-me que a razão se inclina em favor do contribuinte e procurarei esclarecer por que nas próximas linhas. Fl. 296DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 O EX DESTAQUE DA TIPI foi a solução encontrada quando da reunião da tabela do IPI (TIPI) com a Tabela de NCM Comércio Exterior (Decreto n. 2.092, de 10/12/1996), necessária para conciliar as diferenças entre os números ou códigos d classificação de uma e de outra. De forma que esse tipo de EX, diferentemente do Ex Tarifário, constitui uma descrição de classificação equivalente à de uma de 8 dígitos – de subitem. (...) Ora, os dois ex destaque (01 e 02) acima indicados são específicos para os tipos que descrevem. Logicamente, para a posição OUTROS do subitem 8521.90.90 abrangem todos os outros tipos de equipamentos que não se restringem às descrições desses dois destaques EX. Um equipamento cuja existência é prévia e materialmente determinada por outras funcionalidades que não somente a de reprodução de imagem e som por mídia óptica ou optomagnética mandatóriamente não poderá ser classificado no EX 02. Assim, compreendo que a “ex 02”, caso não siga sua literalidade, ele acaba se tornando genérico sendo aplicado para qualquer produto. Agrega-se a tal constatação que, sempre que se tratar de hipótese de agravamento, como ocorre no caso em apreço, somente pode ser enquadrada com destaque tarifário a mercadoria que corresponder exatamente à descrita no "ex" respectivo. Assim, diante do não enquadramento dos aparelhos "HTS" que fundam a acusação fiscal exatamente a "aparelhos de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico ou optomagnético", ou seja, ao texto expresso do destaque tarifário gravoso, uma vez que apresentam funções diversas daquelas nela descritas, não deve ser aplicado o destaque ao caso presente, o que igualmente redunda na procedência da recalcitrância da contribuinte que, de uma ou de outra perspectiva, deve ser integralmente provida. Ainda em caso análogo, envolvendo a mesma contribuinte, para que fosse aplicado o Ex 02, ele tem de ser específico e sua aplicação é restritiva conforme a jurisprudência abaixo, no mesmo sentido: Numero do processo: 13839.721225/2014-04 Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/02/2010 a 15/04/2013 EX TARIFÁRIO. DESTAQUE TIPI. LITERALIDADE. HOME THEATER SYSTEM (HTS). Tratando-se hipótese de agravamento, somente pode ser enquadrada com destaque tarifário a mercadoria que corresponder exatamente à descrita no "ex" respectivo. Numero da decisão: 3401-004.397 Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Ávila e Rosaldo Trevisan acompanharam pelas conclusões, por entenderem que deve haver estrito enquadramento do produto no "Ex Tarifário", o que não se verifica nos autos, devendo o relator agregar tal conclusão em seu voto e na ementa do julgado, conforme previsão regimental. Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Ainda, envolvendo o mesmo produto e contribuinte: Fl. 297DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 Numero do processo: 11128.008965/2008-96 Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. EX 02 DA POSIÇÃO 8521. Para fins de classificação fiscal de mercadorias em Ex que resulte em hipótese de agravamento, somente pode ser enquadrada com o destaque tarifário a mercadoria que contenha a idêntica descrição do Ex. Havendo diferenças entre os produtos, deve-se manter a posição 8521 sem o destaque. Numero da decisão: 3003-002.232 Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA Desse modo, dou provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto em conhecer do recurso voluntário e no mérito, DAR PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Voto Vencedor Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, Redator Designado Divirjo, com a devida vênia, do eminente relator, pois entendo que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) apreciou a matéria de forma correta e bem fundamentada. Com efeito, correto o entendimento constante do voto vencedor do acórdão recorrido, às fls. 152-158, no sentido de que o sistema de Home Theater Philips HTS3 011/55, não obstante possuir funções adicionais, tem a função primordial de reprodução de imagem e som com base em mídia óptica, enquadrando-se, assim, no Ex 02 do código NCM 8521.90.90. O aludido Ex 02 foi criado na TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados), aprovada pelo Decreto 6.006, de 28 de dezembro de 2006, por meio do Decreto 6.225, de 4 de outubro de 2007. Segue a fundamentação apresentada pela douta julgadora de piso: (...) Ressalte-se que tanto o importador como a autoridade autuante concordam com a classificação do referido produto no código da NCM 8521.90.90. Fl. 298DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 Inicialmente, é importante destacar que, tendo por base as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, a classificação é determinada “pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo” e que “a classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário.”: (...) No que tange à classificação TIPI, a REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGI/TIPI), dispõe, em sua RGC/TIPI-1, que: “As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendo-se que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código.” Por sua vez, as Notas 3 e 5 da Seção XVI do Sistema Harmonizado, na qual está inserido o Capítulo 85 e, consequentemente, o produto objeto do litígio (8521.90.90), especificam que máquina é qualquer aparelho, sendo que os aparelhos destinados a funcionar em conjunto e os concebidos para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, devem ser classificados de acordo com a função principal que caracterize o conjunto: “SEÇÃO XVI Notas 1. [...] 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificam se de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 4. [...] 5. Para a aplicação destas Notas, a denominação máquinas compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85.” (Grifos acrescidos) Adicionalmente, o item VI das respectivas Considerações Gerais ressalva que máquinas concebidas para executar diversas funções devem ser classificadas segundo a sua função principal: “Considerações Gerais I. – [...] VI. - MÁQUINAS COM FUNÇÕES MÚLTIPLAS; COMBINAÇÕES DE MÁQUINAS (Nota 3 da Seção) Geralmente uma máquina concebida para executar várias funções diferentes classifica-se segundo a principal função que a caracteriza.” Tanto o impugnante como a autoridade fiscal concordam que o produto é um Home Theater que contém DVD, o qual reproduz imagem e som em disco por meio óptico. Na Tabela TIPI, a posição 8521 reporta-se a “Aparelhos videofônicos de gravação ou de reprodução, mesmo incorporando um receptor de sinais videofônicos” e é desdobrada em aparelhos “De fita magnética” (8521.10) e “Outros” (8221.90). Portanto, qualquer aparelho videofônico de gravação ou reprodução que não tenha fita magnética é classificado na subposição 8521.90. Fl. 299DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 Já a subposição 8521.90 está dividida entre aparelhos “Gravadorreprodutor e editor de imagem e som, em discos, por meio magnético, óptico ou optomagnético” (8521.90.10) e “Outros” (8521.90.90). Assim, se o aparelho videofônico não for de gravação/reprodução e edição em discos, por meio magnético, óptico ou optomagnético é classificado no código 8521.90.90, onde se encontra os EX TIPI 01 e 02. A descrição do destaque EX 01 se reporta a “Aparelho de gravação ou reprodução, e edição, de imagem e som de televisão em disco rígido, por meio magnético, óptico ou optomagnético” e a do EX 02 a “Aparelhos de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico ou optomagnético”: Como o produto em análise não faz edição de imagem, não pode ser enquadrado no EX 01. Portanto, o cerne da questão é definir se o Home Theater, em decorrência de possuir outras funções, deve ser classificado no EX TIPI 02 “Aparelhos de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico ou optomagnético” ou como “Outros” na NCM 8521.90.90. Inicialmente, é importante observar que o referido destaque (EX TIPI 02) foi criado pelo Decreto nº 6.225, de 04 de outubro de 2007. Por outro lado, é inquestionável que o progresso científico e tecnológico possibilitou que aparelhos eletrônicos incorporassem outras funções e acessórios, tais como as portas USB e cabos/conectores HDMI ou mesmo a tecnologia Wirelles, de modo a permitir a conexão com a internet e com outros aparelhos. Não há dúvida de que um Home Theater realiza outras funções, combinando um reprodutor DVD por meio de mídia óptica, um amplificador de audiofrequência e um receptor de radiodifusão, além de caixas de som e acessórios, mas é inquestionável que o principal objetivo desse produto é o entretenimento audiovisual do consumidor, materializado pela utilização das funções de reprodução de áudio e vídeo, quando conectado a um receptor de televisão ou monitor de vídeo. Adicionalmente, não é possível se esperar que a descrição do Ex TIPI contenha todos os avanços tecnológicos, quando o aparelho, em sua essência, é perfeitamente identificável pelo seu texto, não se descaracterizando só porque possui funções adicionais decorrente do já citado progresso científico e tecnológico. Fl. 300DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 A classificação fiscal, ou mesmo o detalhamento desta classificação, somente será modificada quando a descrição contida no seu texto for alterada ou quando forem criadas outras posições/subposições que se mostrem mais adequadas a estas novas tecnologias. Foi o que aconteceu com diversos itens de informática, tais como computadores pessoais, impressoras de jato de tinta e a laser e seus acessórios, os quais, aos poucos, foram sendo incorporados nos textos da atual NCM. Enquanto isto não acontecer, será a classificação efetuada no código ou detalhamento atualmente previsto para a função a que serve o aparelho em análise. Dessa forma, as funções adicionais do Home Theater não o fazem perder a sua identificação essencial e apta à correta classificação fiscal, visto que a NCM não é alterada a cada nova tecnologia, havendo que se levar em conta as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, seus textos e suas Notas, como bem fez a autoridade autuante. Assim, ainda que o impugnante considere que seu equipamento não possa ser incluído no EX TIPI, por possuir mais tecnologias e funções incorporadas, essas funções adicionais não alteraram suas características essenciais necessárias para a identificação das respectivas incidências tarifárias. Importante destacar que as consultas mencionadas na impugnação são de 26/08/2003, antes sequer da criação do EX TIPI 02 no código NCM 8521.90.90 pelo Decreto nº 6.225 de 04/10/2007, e de 17/10/2007, imediatamente posterior à criação do referido EX TIPI e provavelmente suscitada antes dela, que não faz qualquer menção a ele, indicando que tal questão sequer foi apreciada. Portanto, nenhuma delas é paradigma para o caso em questão. Por tudo que foi exposto, o produto em questão deve ser classificado no EX TIPI 02 do código NCM: 8521.90.90, uma vez que se trata de um sistema integrado, cuja principal função é o entretenimento audiovisual do consumidor, materializada pela utilização das funções de reprodução de som e vídeo em disco por meio óptico. É nesta linha de entendimento, a Solução de Consulta Coana nº 154, de 27/04/2015, que classificou, no EX TIPI 02, um aparelho de DVD, apesar dele ter, além da função principal de reprodução de imagem e som, as funções adicionais de reprodução de dispositivos para armazenamento USB, Karaokê e “Ripping” (extração de música de um CD de áudio para outro local de armazenamento): “Assunto: Classificação de Mercadorias Código NCM: 8521.90.90 Ex 02 da Tipi Mercadoria: Aparelho de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico, com função de reprodução de dispositivos para armazenagem USB, função Karaokê e função que permite extrair músicas de um CD de áudio para um outro local de armazenamento (ripping). Dispositivos Legais: RGI/SH 1 (Nota 3 da Seção XVI e texto da posição 85.21), RGI/SH 6 (texto da subposição 8521.90), RGC-NCM 1 (texto do item 8521.90.90) e RGC/Tipi-1 (texto do Ex 02 do código 8521.90.90), da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex n.º 94, de 2011, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n.º 7.660, de 2011. [...] 10. Desta forma, aplicando-se a RGC/Tipi-1 e tendo em vista que a função principal que caracteriza o aparelho em questão é a de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico, então o produto se enquadra perfeitamente no Ex Fl. 301DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 02 do código NCM 8521.90.90, cujo texto é: Aparelhos de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico ou optomagnético. Conclusão 11. Com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH 1 (Nota 3 da Seção XVI e texto da posição 85.21), RGI/SH 6 (texto da subposição 8521.90), RGC-NCM 1 (texto do item 8521.90.90) e RGC/Tipi-1 (texto do Ex 02 do código 8521.90.90), da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex n.º 94, de 2011, e da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n.º 7.660, de 2011, a mercadoria classifica-se no código NCM 8521.90.90 Ex 02 da Tipi.” Portanto, correto o enquadramento efetuado pelo lançamento no EX TIPI 02 do código 8521.90.90 da NCM/TEC, sendo cabível a cobrança da diferença de IPI em questão. (...) Não merece reparo a decisão recorrida, uma vez que a função principal que caracteriza o aparelho em apreço é a de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico, de sorte que, sendo assim, o aludido produto se enquadra exatamente no Ex 02 do código NCM 8521.90.90, cujo texto é: Aparelhos de reprodução de imagem e som em disco por meio óptico ou optomagnético. No mesmo sentido, há a supracitada Solução de Consulta Coana nº 154, de 27 de abril 2015. No que diz respeito à alegação recursal no sentido de que se deve aplicar uma interpretação restritiva no caso de exceção tarifária, cumpre assinalar que a interpretação dada para a classificação fiscal no mencionado Ex 02 é restritiva, pois se considerou a função principal que caracteriza o aparelho em questão, conforme determina expressamente a nota 3, combinada com a nota 5, todas da Seção XVI da TIPI, na qual está inserido o capítulo 85 e, por conseguinte, o produto sob análise (8521.90.90): 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificam-se de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. (...) 5. Para a aplicação destas Notas, a denominação máquinas compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85. Dessa forma, aplica-se ao aparelho em tela, Home Theater, a classificação fiscal correspondente à sua característica principal, qual seja, reprodução de imagem e som em disco por meio óptico. Alinho-me, portanto, aos fundamentos da decisão recorrida e nego provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira Fl. 302DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-013.755 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000289/2009-93 Fl. 303DF CARF MF Original

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Numero do processo: 13007.000313/2002-10
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 21/10/2002 a 31/10/2002 NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula nº 1, do 2º CC). DCONIP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de crédito de IN com débito de IRRF com base em decisão judicial que, além de não ter reconhecido este direito, embora requerido (compensação entre tributos de espécies diferentes), nem teve seu trânsito em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI Nº 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada após 31/10/2003, data da publicação da MP nº 135/2003, que incluiu o § 6º no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e antes de 20/11/2004, data da vigência da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que considerou como não declaradas as compensação lastreadas em crédito objeto de discussão judicial sem o trânsito em julgado, constitui confissão de dívida. Os débitos informados em DCTF e cuja compen4jição não tenha sido homologada podem ser exigidos após a decisão nesse sentido na esfera administrativa. O lançamento de ofício dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em divida ativa e cobrança judiciaL Precedentes do STJ. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003 Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Estando vedada a compensação por expressa disposição legal (crédito objeto de discussão judicial sem o trânsito em julgado), correta a aplicação da multa isolada, no percentual de 75% (inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, c/c os arts. 18 da Lei nº 10.833/2003 e 170-A do CTN). CONSECTÁRIOS LEGAIS MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei nº 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de liquidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula nº3, do 2º CC). Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-000.443
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado: I) por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso para manter a decisão que não homologou as compensações; II) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso para cancelar as cartas de cobrança em face da obrigatoriedade, à época, de lançamento de oficio para a constituição de crédito tributário decorrente de débitos cuja compensação não tenha sido homologada, na linha do disposto no artigo 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24/08/2001. Vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho (Relator). Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, para redigir o voto vencedor.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO

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DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA 1 À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula n2 1, do 22 CC). 1, DCONIP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de crédito de IN com débito de IRRF com base em decisão judicial que, além de não ter reconhecido este direito, embora requerido (compensação entre tributos de espécies diferentes), nem teve seu trânsito em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada após 31/10/2003, data da publicação da MP n2 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/96, e antes de 20/11/2004, data da vigência da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, ...,que considerou como não declaradas as compensação 1 tremias em crédito objeto de discussão judicial sem o trânsito em julgado, c stitui confissão de dívida. Os débitos informados em DCTF e cuja compen4jição não tenha sido homologada podem ser exigidos após a decisão nes sentido na esfera administrativa. O lançamento de oficio dos dé s indevidamente " il i(irji e - compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da M' n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial . deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10 833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MI' n2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em divida ativa e cobrança judiciaL Precedentes do STJ. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da NIP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003 Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Estando vedada a compensação por expressa disposição legal (crédito objeto de discussão judicial sem o trânsito em julgado), correta a aplicação da multa isolada, no percentual de 75% (inciso I do art. 44 da Lei n 2 9.430/96, c/c os arts. 18 da Lei n2 10.833/2003 e 170-A do CTN). CONSECTÁRIOS LEGAIS MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita FederaL do Brasil-com base na taxa referencial do Sistema Especial i de liquidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n2 3, do 22 CC). Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado: I) por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso para manter a decisão que não homologou as compensações; II) por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso para cancelar as cartas de cobrança em face da obrigatoriedade, à época, de lançamento de oficio para a constituição de crédito tributário decorrente de débitos cuja compensação não tenha sido homologada, na linha do disposto no artigo 90 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24/08/2001. Vencido o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho (Relator). Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, para redigir o voto vencedor. Gilson Macedo Rosenb . g Filho — Presidente , i e è_ .) e . de 1o 1 uerzo e ir rr(latorfil ,,ly, VILA Emanuel CarlIkil '.• .{: - Redator Designado gni /. 2 Processo n° 13007.000313/200240 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.443 Fl. 2 EDITADO EM 05/12/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. Relatório Trata este processo de Declaração de Compensação apresentada pela OPP QUÍMICA S/A em 08/11/2002, para quitação de débito de IFI, relativo ao período de apuração de 21/10/2002 a 31/10/2002, com créditos de TI calculados sobre insumos desonerados do imposto, adquiridos no período de 21/10/2002 a 31/10/2002, cujo direito estaria amparado em decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n 2 2000.71.00.018617-3/RS. O MS foi impetrado em 06/07/2000 pelas empresas OPP PETROQUÍMICA S/A e OPP POLIETILENOS S/A e o direito declarado pelo TRF da O Região alcançou os créditos decorrentes dos insumos utilizados na produção nos últimos dez anos, ou seja, no período de 06/07/1990 a 06/07/2000. A Delegacia da Receita Federal não homologou a compensação efetuada pela contribuinte, com fundamento no art. 170-A da Lei n2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN), porque a decisão judicial que daria amparo à utilização dos referidos créditos ainda não havia transitado em julgado. Consta do despacho decisório que a decisão judicial autoriza apenas o creditamento do IPI na escrita fiscal da empresa, para compensação com débitos do próprio IPI, e ainda assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo autorizado a compensação dos créditos passados com outros tributos administrados pela RFB antes do trânsito em julgado da respectiva sentença e nem a utilização de créditos posteriores à data de impetração do mandado de segurança. firesignada, a BRASKEM S/A, que incorporou a OPP QUÍMICA S/A, a qual, por sua vez, sucedera as impetrantes do mandado de segurança, apresentou manifestação de inconformidade, na qual, após requerer a suspensão da exigibilidade do débito compensado, apresenta as suas razões de defesa, que podem ser assim sintetizadas: - a Receita Federal, ao interpretar a sentença como tendo garantido o direito de aproveitamento, apenas, dos créditos anteriores à impetração do mandado de segurança, incorreu em erro tanto fálico quanto jurídico. Erro fático, por inexistir nos autos qualquer negativa do direito em questão, quer na sentença, quer no acórdão do TRF da d‘la Região; e erro jurídico, por tal interpretação contrariar a própria natureza do mandado de segurança, que tem por escopo a urgente proteção de direito legítimo do administrado, afastando do mundo jurídico o ato que lhe impede de exercê-lo momentaneamente e no futuro; z;- a existência de decisão transitada em julgado materi ente a seu favor impossibilita a cobrança do crédito tributário, porque a Fazenda Nacio 1 interpôs agravo regimental, recorrendo apenas parcialmente da decisão monocratica do STF que não conheceu de seu recurso extraordinário, não atacando - o mérito integral das de -es favoráveis à P3 empresa, limitando-se a rediscutir o direito ao crédito na aquisição de Sumos não-tributados (NT), a incidência de correção monetária e a definição da aliquota aplicável na apuração dos créditos objeto da lide; - o art. 170-A do CTN, acrescido pela Lei Complementar ns 104/2001, aplica-se exclusivamente às a93es judiciais impetradas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, não atingindo o mandado de segurança por ela impetrado, que é anterior; - obsta, igualmente, a incidência do art. 170-A do CTN sobre o caso em foco, o fato de este dispositivo ter surgido quando já existia decisão judicial, cujo teor não pode ser modificado por norma superveniente; - a execução provisória da sentença que conceder o mandado não comporta recurso com efeito suspensivo e a pretensão da Fazenda Nacional, de suspender a compensação imediata dos créditos, foi duplamente denegada nos recursos por ela interpostos; - os pareceres lavrados, a seu pedido, pelos professores Arruda Alvim, Eduardo Arruda Alvim, Ovídio Baptista e Roque Antônio Carrazza ratificam seu entendimento sobre a matéria em discussão, reconhecendo a autorização para imediata compensação dos créditos, a não aplicação do art. 170-A do CTN ao caso e a ocorrência do trânsito em julgado material; - o direito de aproveitamento dos créditos sobre os insumos desonerados decorre do principio constitucional da não-cumulatividade, que emerge do § 3° do art. 153 da CF/88. A não permissão do direito ao crédito decorrente da aquisição de Sumos isentos, não- tributados ou tributados à aliquota zero desnaturaria a exoneração tributária intentada, pois na saída do produto tributado ao qual se incorporam, a exação incidiria sobre o valor dos ditos insumos, anulando-a. Pugna, ainda, pelo expurgo da multa de mora e dos juros de mora, reafirmando que todas as decisões proferidas no processo judicial, garantindo o seu direito ao aproveitamento dos créditos pleiteados, não foram objeto de reforma, encontrando-se em pleno vigor ate a presente data. Assim, por estar amparada em provimento judicial, aduz que não poderia ser considerada em mora. Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade, a reforma do despacho decisório e o cancelamento das cartas de cobrança. A DRJ em Porto Alegre — RS manteve a não-homologação da compensação e a cobrança dos débitos indevidamente compensados, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 21/10/2002 a 31/10/2002 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DENEGAÇÃO. Denegada a segurança quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de matérias-primas isentas, não-tributadas ou sujeitas à alíquota zero, posteriormente ao ajuizamento da ação, não há provimento judicial para sua utilização. „. e 4 Processo n° 13007.000313/200240 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00443 Fl. 3 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. TRÂNSITO EM JULGADO A compensação como forma de extinção do crédito tributário exige que os créditos apurados pelo sujeito passivo gozem de certeza e liquidez. Em se tratando de créditos decorrentes de ação judicial, há necessidade do trânsito em julgado e da liquidação da decisão que os reconheceu. ACRÉSCIMOS MORA TÓRIOS. A exigência da multa de mora e dos juros morató rios decorre de expressa disposição legal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica a renúncia da discussão na esfera administrativa, tornando-se nela definitiva. Solicitação Indeferida No recurso voluntário, a empresa repisa as mesmas razões de defesa, acrescentando que houve equivoco do órgão julgador de primeiro grau, porque, mesmo estando vinculado ao Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional que reconhecera o direito às compensações, ignorou-o por completo. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido, para o fim de homologar as compensações, cancelando-se, por conseguinte, as cartas de cobrança dos débitos compensados. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. A ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante, a OPP PETROQUIMICA S/A. Além da alegação de que o parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional lhe teria sido favorável, as demais alegações da recorrente podem ser resumidas seguintes tópicos: (1) existência de decisão transitada em julgado materialmente, favorável à recorrente; (2) erro da Receita Federal ao afirmar que o pedido teria sido negado para o futuro; (3) inaplicabilidade do art. 170-A do CiN ao presente caso; e (4) o mérito do direito ao crédito de IPI é decorrência lógica do principio da não-cumulatividade, conforme já decidiu o STF. li,A tais matérias, incluo, de oficio a que trata preliminar e nulidade das cartas de cobrança porque os débitos não poderia ser exigidos sem um lançam o de oficio. 90 5 Esclareço aos meus pares que o faço em homenagem ao principio da lealdade processual haja vista que, durante as discussões que travamos agora ha pouco nos recursos voluntários desta mesma Recorrente, mais especificamente, os de números 253.471, 253.472, 253.474, 253.478, 253.481, 253.482, 253.483, 254.068, 254.070, 254.084, 254.091 e 256.095, respectivamente, os itens, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61, 63, 64, 65, 66 e 67 da pauta de julgamento de hoje, em que a contribuinte, mesmo tendo feito petição especifica nesse sentido por meio de documento próprio e entregue após o prazo de apresentação do Recurso Voluntário, entendemos por bem conhecê-lo por se tratar de matéria de ordem pública. Assim, também no caso do presente processo, que encerra discussão idêntica à dos referidos acima, tal matéria deverá ser analisada de oficio e isto sem que o contribuinte tenha apresentado aquele documento específico a que me referi no parágrafo anterior. 1 - Da preliminar de nulidade das cartas de cobrança porque os débitos não poderiam ser cobrados sem lançamento de oficio Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a Dcomp tratada neste processo não constitui confissão de dívida, porque apresentada antes da vigência da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, depois convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Acrescenta que a confissão de divida também não se operou nas DCTF, pois nelas não foi declarado qualquer valor a título de saldo a pagar. Se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevidamente compensado, só poderá ser cobrado por meio de auto de infração, restando indevidas as cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade corno no recurso voluntário. a)Dcomp como confissão de dívida De fato, somente após a edição da Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, é que as declarações de compensação — Dcornp — passaram a se constituir em confusão de divida, aptas a permitir a cobrança dos débitos indevidamente compensados, senão vejamos o teor dos §§ 6 2 a 82 do art. 74 da Lei ti2 9.430/96, verbis: § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. ,§ 70 Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 90. Assim, esse gravame de "confissão de divida" imputado por lei nova "às Dcomp, não pode ser estendido para trás, alcançando aos fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. P.e Processo n°13007.000313/200240 S3-C4T1 Acórdão n.* 3401-00.443 Fl. 4 Desta forma, o crédito tributário em discussão - IPI dos períodos de apuração do 3° decêndio de outubro de 2002, não pode mesmo ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 08/11/2002, antes do surgimento do § 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. Porém, esse entendimento não impede que se prossiga na sua cobrança com outros fundamentos, conforme se explicará no tópico seguinte. b)DCTF como confissão de dívida — total do débito declarado ou saldo a pagar No que se refere às DCTF, não ha dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, e nem é motivo de discussão, o fato de que estas declarações — DCTF - constituem confissão de dívida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valoras pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, o contribuinte é obrigado a informar, para o débito apurado em cada período, como efetuou ou está efetuando a sua respectiva quitação, ou seja, para cada débito deve vincular um "crédito", seja ele decorrente de: pagamento por meio de Darf; compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período anterior; outras compensações, autorizadas judicialmente ou não; pedido de parcelamento; suspensão da exigibilidade; ou, ainda, de outros motivos. Só depois de deduzidos do valor do débito a somatória de todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que, na maioria das vezes, é sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolhê-los na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o porquê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. Neste caso, entende a recorrente que a confissão de dívida realizada em DCIT alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, e que, como referido valor estava zerado, não havia confissão alguma a ser agora objeto de cobrança pela Administração. Aqui é preciso nos debruçarmos um pouco mais sobre a evolução legislativa da matéria, começando com o ato legal que autorizou o Ministro da Fazenda a instituir obrigações acessórias de sorte a propiciar à autoridade fazendária o conhecimento dos recolhimentos efetuados antecipadamente pelo sujeito passivo, qual seja, o art. 5 2 e §§ 1 2 e 22 do Decreto-Lei n2 2.124, de 13/06/1984, verbis: Art. 5 0 O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1° O documento que formalizar o cumprimento de obrigaç" acessória, comunicando a existência de crédito tributá constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suflci Mfjji para a exigência do referido crédito. IV 7 § 2° Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2° do artigo 7° do Decreto-lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983. 3°(.) Vê-se, portanto, que o objetivo do legislador foi, primeiro o de permitir à administração tributária a exigência imediata (cobrança) do crédito tributário que houvesse sido informado (confessado) pelo próprio sujeito passivo, e, segundo que, o referido crédito, caso não pago no prazo legal estabelecido, poderia ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, devidamente acrescido de atualização monetária, de multa de 20% e de juros de mora. Observa-se também que ainda não havia qualquer menção it figura dos saldos a pagar, e que, com outras palavras, o objetivo do legislador foi o de também evitar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado (confessado) pelo contribuinte. A sigla DCTF, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, já foi usada anteriormente para a Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela IN SRF n° 129, de 19/11/1986, com periodicidade mensal, e foi utilizada para a prestação de informações dos débitos, relativos aos períodos de apuração até 12/1996, apurados pelas Pessoas Jurídicas obrigadas à sua apresentação. A partir de janeiro de 1997 e até dezembro de 1998, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais passou a ter periodicidade trimestral, com os trimestres encerrando-se em 31/03, 30/06, 30/09, e 31/12 do ano calendário correspondente e foi utilizada para a prestação de informações-dos débitos relativos aos tributos e contribuições apurados pelas Pessoas Jurídicas no respectivo trimestre, bem como os créditos a eles relacionados. Passaram a constar também da declaração as informações sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos e compensações. A Declaração de Contribuições e Tributos Federais foi extinta pela IN SRF n° 127, de 30/10/1998, a partir de janeiro de 1999, sendo substituída pela atual DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), instituída pela IN SRF n° 126, de 30/10/1998. Esta nova DCTF, com alguns conceitos e definições alterados pela IN SRF n° 255, de 11/12/2002, que revogou a IN SRF n° 126/1998, também tinha periodicidade trimestral, e foi utilizada para a prestação das informações relativas aos tributos e contribuições apurados pelas Pessoas Jurídicas no trimestre correspondente. Também continha informações relativas aos pagamentos efetuados, relativos aos débitos nela declarados, bem como informações sobre suspensão da exigibilidade do crédito tributário, parcelamentos e compensações. A referida IN SRF n° 126, de 1998, que criou a nova DCTF, estabelecia originalmente em seu artigo 7° que: Art. 7° Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § I° Os saldos a rapar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Divida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. e e Processo n° 13007.000313/2002-10 S3-C4T/ Acórdão n.° 3401-00.443 Fl. 5 § 2° Os saldos a parar relativos ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro liquido das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurado anualmente, serão, também, objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração Integrada de Informações da Pessoa Jurídica - DIPJ, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 3° Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna serão exigidos de oficio, com o acréscimo de multa, moratória ou de oficio, conforme o caso, efetuado com observância do disposto nas Instruções Normativas SRF n° 094, de 24 de dezembro de 1997, e n°077, de 24 de julho de 1998. (grifei) Porém, com a entrada em vigor da IN SRF n° 16, de 14/02/2000, o referido artigo 7° ficou assim redigido: Art. 7° Todos os valores informados na DCTF serao objeto de procedimento de auditoria interna. § P' Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Divida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. § 2° Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF n's 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentej da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional vara fins de inscricão como Divida Ativa da União trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. tgrije0 § 3° Os saldos a pagar relativos ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro liquido das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurado anualmente, serão, também, objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração Integrada de Informações da Pessoa Jurídica - DIPJ, antes do envio para inscrição em Divida Ativa da União. § 4° Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna serão exigidos de oficio, com o acréscimo de juros moratórias e de multa, moratória ou de oficio, conforme o caso, efetuado com observância do disposto nas Instruções Normativa; SRF n° 094, de 24 de dezembro de 1997, e n°077, de 24 de julho de 1998." Relevante notar que na versão original da referida IN n° 126/98, isto é, sem as alterações introduzidas pela IN SRF n° 16, de 14/02/2000, havia menção apenas aos saldos a pagar para fins de envica. PFN caso não pagos nos prazos legais estabelecidos; agora, com a nova redação, também os débitos decorrentes de compensação indevida pocb , 'am ser encaminhados para a cobrança executiva, porém, com a ressalva ou condição de (lu , houvesse uma decisão definitiva na esfera administrativa mantendo o indeferimento do cf que deu causa à referida compensação considerada indevida. 4 104,' Seguiu-se a edição da IN SRF n° 255, de 11/12/2002, que, revogando a IN SRF n° 126, de 1998, dispunha no seu artigo 8° que: An. 8° Todos os valores informados na DCIF serao objeto de procedimento de auditoria interna. § 12 Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União após o término dos prazos fixados para a entrega da DM. § 22 Os saldos a pagar relativos ao IRPJ e à CSLL das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurados anualmente, serão objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (D1PJ), antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 32 Os débitos apurados em procedimentos de auditoria interna, inclusive aqueles relativos às diferenças apuradas decorrentes de informações prestadas na DCTF sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade indevidas ou não comprovadas serão enviadas para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos.( § 43 Serão objeto de lançamento de oficio, com multa agravada, as diferenças apuradas na DCTF, conforme disposto no § 32, quando decorrerem de: ( * ) 1- na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito: a) de natureza não tributária; b) não passível de compensação por expressa disposição normativa; c) inexistente de fato; d)fundados em documentação falsa; II - demais hipóteses, além das referidas no inciso L em que também fique caracterizado o evidente intuito da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n 2 4.502, de 30 de novembro de 1964. Os asteriscos inseridos logo após os parágrafos 30 e 4° servem para ressalvar que, por conta destes terem sido instituídos com base na Medida Provisória n° 75, de 24 de outubro de 2002, os mesmos restaram prejudicados haja vista que referida medida provisória acabou sendo rejeitada pela Câmara dos Deputados em 18/12/2002. Assim, voltou a prevalecer aquele regramento estabelecido pela IN SRF n° 126, de 2000, em seu artigo 7°, com as alterações da IN SRF n° 16, de 14/02/2000, acima reproduzido, até que o advento da IN SRF n° 482, de 21/12/2004, que revogando a IN SRF n° 255, de 2002, fixou, em seu artigo 9°: Art. 90 Todos os valores informados na DCTF serão objeto de oprocedimento de auditoria interna. aio Processo n° 13007.000313/2002-10 53-C4T1 Acórdão a° 3401-00.443 Fl. 6 11° Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Divida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. § 2° Os saldos a pagar relativos ao IRPJ e à CSLL das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurados anualmente, serão objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), antes do envio para inscrição em Divida Ativa da União. Observe-se, portanto, que referido ato infralegal passou a considerar como confissão de divida não somente os saldos a pagar, mas também "os valores das diferenças apuradas em procedimentos de autoria interna, relativos a informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade", ou seja, o valor total do débito informado. É, portanto, com base nesse arcabouço de normas que o presente caso deve ser analisado, ou seja, se aqueles débitos exsurgidos a partir da não homologação da compensação podem ou não ser exigidos do contribuinte sem a necessidade de lançamento de oficio, isto é, mediante cartas de cobrança. Assim, tome-se as disposições da IN SRF n° 126, de 1998, com a redação da IN SRF n° 16, de 2000, ou as disposições da IN SRF n° 482, de 2004, o fato é que a exigência dos referidos débitos prescinde do lançamento de oficio, haja vista, de um lado, a expressa disposição inserida pela IN SRF n° 14, de 2000, na IN SRF n° 126, de 1998, no sentido de que os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento (parte final do § 20 do artigo 7°), e, de outro, o contido na parte final do § 1° do artigo 90 da referida IN SRF n° 482, de 2004, no sentido de os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento parcelamento compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Divida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. ale de 21/05/2008. Ementa: TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. 1. E pacífico na jurisprudência desta Cone que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição fonnal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, também é pacifico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em divida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscal. 3. Inexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4.Recurso especial não provido. 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA ELIANA CALMON DIe 07/10/2008. Ementa: TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - - CONCESSÃO - - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO_ 1. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitos tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: a) declarada, via documento especifico (DCTF, GIA, (3FIP e congêneres), a divida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela; 10 declarada a compensação por intermédio de instrumento especifico, até que lhe seja negada a homologação, inexiste débito (condição resolutória), sendo devida a certidão negativa; c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em divida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em divida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito C 12 Processo n° 13007.000313/2002-10 S3-C4T1 Acórdão n.°3401-00.443 Fl. 7 tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN. 3. Recurso especial não provido. Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamara, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 44' Região, ofenderam ao art. 50, § 1°, do Decreto-Lei n2 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tomando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da dívida tributária. Eis como o TRF-4 resumiu a sua decisão relativa ao segundo caso acima referido: CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. 1. A compensação tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. II, do Código Tributário Nacional e 74, § 2°, da Lei 9.430/96. 2. Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos notícia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3.Apelação e remessa oficial improvidas. O TRF-4 decidira e o STJ esclareceu que, no caso de glosa de compensação declarada na DCTF, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não tenha sido admitida não estará definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa e a prevalecer a tese do fisco, o débito em questão estará definitivamente constituído e a Administração estará apta a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e as contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. l3 Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MI' n 2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n2 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: Art.I8. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n°2158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por apressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4502, de 30 de novembro de 1964. § 12 Nas hipóteses de que trata o capar, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 62 a II do art 74 da Lei no 9.430, de 1996 § 22 A multa isolada a que se refere o capta é a prevista nos incisos I e II ou no § 2° do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme o caso. 1-1 O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve-se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve efiácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30110/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do citado art. 18, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a li no art. 74 da Lei n2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: § 912 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 72, apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluido pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) eu , Processo n° 13007.000313/2002-10 S3-C4T1 Acórdão rif 3401-00.443 Fl. 8 § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n° 70235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que no caso de glosa de compensação, como vem decidindo o STJ e já estabelecera a Receita Federal por meio da IN SRF n° 16, de 2000, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 9° a 11 do Decreto n° 70.235/72; que é -uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Certamente, o art. 18 da Lei n°10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas 1 neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. 1 Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vício de nulidade nas cartas de cobrança expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a exigência dos débitos cuja compensação não foi homologada. No entanto, como dito acima, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação tomar-se definitiva, ou seja, quando se concretizar uma das condições estipuladas pelo art. 42 do Decreto n° 70.235/72. 2 — Da alegação de que teria havido trânsito em julgado material da sentença iii / As empresas sucedidas pela recorrente requereram ao j iciário, em 06/07/2000, o direito de aproveitamento do IPI apurado com base nas alíq tas de saída, relativamente_ às entradas dos últimos dez anos e posteriores ao ajuizament a ação, para compensação com débitos de II'! e outros tributos administrados pela SRF. • am também P, 15 que a SRF fosse obstada de autuá-las pelo aproveitamento dos referidos créditos e de negar- lhes CND, bem como que os créditos fossem atualizados monetariamente, com a inclusão dos expurgos inflacionários. A liminar foi indeferida e o direito reconhecido por sentença, proferida em 23/10/2000 e juntada aos autos, foi o de aproveitamento dos créditos dos últimos cinco anos, para abatimento do IPI devido pelas saldas de seus produtos tributados, atualizados monetariamente pela Ufir até 31/12/1995 e pela taxa Selic a partir de janeiro de 1996. As impetrantes apelaram do prazo decadencial, do indeferimento do direito de compensação com outros tributos e da não obstrução dos atos fiscalizaários da SRF. A Fazenda Nacional apelou requerendo o recebimento do recurso com efeito suspensivo e a cassação da segurança concedida por afronta à Constituição, como já defendera na contestação. O Tribunal Regional Federal da 42 Região, em decisão prolatada em 21/03/2002 e juntada aos autos, deu provimento parcial às apelações, declarando o direito ao creditamento do IPI relativo aos insumos utilizados na produção nos dez anos anteriores ao ajuizamento, com correção monetária integral, conforme precedentes do tribunal, aplicando-se, a partir de 1 2/01/96, unicamente a taxa Selic. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso extraordinário, o qual, inicialmente, teve o seu seguimento negado por decisão monocrática, depois tomada insubsistente pela Primeira Turma do STF, conforme demonstra a decisão publicada no DJE em 07/02/2008, verbis: Decisão: Por maioria de votos, a Turma deu provimento ao agravo regimental no recurso extraordinário para que o extraordinário tenha regular seqüência, declarando insubsistente o ato atacado mediante o agravo; vencidos os Ministros Sydney Sanches, que o desprovia e o Ministro Carlos Britto, que lhe dava parcial provimento em sentido diverso. Não participou, justificadamente, deste julgamento a Ministra Cármen Lúcia. P. Turma, 11.12.2007. No recurso extraordinário (RE n2 363.777), a União requer seja declarado inviável o creditamento de 1PI sobre os insumos de aliquota zero e os não-tributados, bem como seja vetada a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. O referido recurso ainda não foi apreciado pelo STF, porém o Egrégio Tribunal deve decidi-lo na mesma linha de suas últimas decisões, sintetizada na ementa do RE n2 370.682, julgado em 25/06/2007, assim redigida: Recurso extraordinário. Tributário. 2. 'PI Crédito Presumido. Insumos sujeitos à aliquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não-cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à aliquota zero. (destaquei) A Procuradoria da Fazenda Nacional, ao analisar a alegação de que teria ocorrido o trânsito em julgado material, concluiu que teria ocorrido o fenômeno em favor do Fisco e não da empresa, com relação aos insumos adquiridos depois da impetração do mandado de segurança e quanto ao pedido de compensação com tributos de outra natureza. e16 Processo n° 13007.000313/2002-10 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.443 Fl. 9 Portanto, resta incontroverso que a sentença proferida em primeira instância, que foi parcialmente reformulada pelo TRF da 4 2 Região, ao contrário do que defende a recorrente, encontra-se ainda sem trânsito em julgado, quer formal, quer material, no que pertine aos créditos decorrentes de insumos de alíquota zero e não-tributados. 3 — Da alegação de que houve erro de interpretação na decisão recorrida Na primeira parte dispositiva da sentença, o juiz disse, taxativamente: concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matérias primas isentas, não-tributadas, ou tributadas com aliquota zero de IPI como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo. e, na segunda parte, declarou: O aproveitamento mencionado fica limitado às operações de aquisição de insumos efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, e sobre eles será computada correção monetária segundo a variação da UFIR, até 31/12/1995, e dai até o efetivo aproveitamento segundo o § 4°, do art. 39, da L 9.250/1995. Não há outro aproveitamento mencionado, senão aquele constante da primeira parte do dispositivo, não havendo como "interpreta?' a sentença de outra forma. Se houve inconformismo, se a sentença foi parcial, deveria a interessada apelar do resultado que lhe foi desfavorável. Desta forma, não houve interpretação errônea da decisão judicial por parte da autoridade fiscal, e nem do órgâ'o julgador de primeira instância, quanto ao fato de o direito reconhecido por sentença, após a decisão do TRF, estar limitado ao creditamento no livro Registro de Apuração do TI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, decorrentes de saídas tributadús. 4 — Da compensação de créditos de IPI posteriores à data de impetração do mandado de segurança. Direito não reconhecido pela decisão judicial. Inaplicahilidade do art. 170-A, do CTN. Os créditos utilizados na compensação que ora se discute decorrem de Sumos adquiridos em período posterior à impetração do mandado de segurança. A sentença judicial autorizou o aproveitamento dos créditos fictos dos últimos cinco anos e o TRF da O Região, como já foi visto, ampliou este período para alcançar os insumos utilizados na produção nos dez anos anteriores ao ajuizamento da ação Em nenhuma das instâncias a empresa obteve o direito de beneficiar-se dos insumos adquiridos após a data de impetração do mandado de segurança. / Se é assim, não tem qualquer implicação no caso tratado nos esentes autos a limitação à compensação de créditos judiciais imposta pelo art. 170-A do C 1 e .17 Conseqüentemente, não merece qualquer reparo a decisão recorrida, quando decidiu pela não-homologação das compensações objeto do presente processo. 5 — Do direito ao crédito como decorrência lógica do princípio constitucional da não-cumulatividade - Da renúncia à discussão da matéria na via administrativa Não se tem dúvida de que a discussão sobre o direito ao crédito está sendo travada no âmbito do Mandado de Segurança n° 2000.72.00.018617-3/RS. Tendo deslocado a lide para o Poder Judiciário, a contribuinte, ora recorrente, produziu, como efeito processual obrigatório, a renúncia à esfera administrativa ou desistência do recurso eventualmente interposto, conforme Súmula n2 I, do Segundo Conselho de Contribuintes, redigida nos seguintes termos: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo De nada adianta, pois, a alegação de que o mérito do direito ao crédito de IPI é decorrência lógica do princípio da não-cumulatividade, posto que esta matéria não será objeto de apreciação por parte deste Colegiado. 6- Das demais alegações do recurso voluntário Pugna a recorrente pelo acolhimento dos pareceres emitidos por professores e doutrinadores de escol, como suporte à sua defesa. No entanto, nada do que neles se contém é capaz de ilidir as conclusõ es a que se chegou no presente voto. Também não assiste razão à recorrente quando aduz que a Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional teria reconhecido o seu direito de realizar as compensações, até porque, após a vigência da Lei Complementar n 2 104/2001, que introduziu o art. 170-A no CTN, o art. 12 da Lei n2 1.533/51, que rege o mandado de segurança, não mais prevalece em matéria tributária. É importante ressaltar, ainda, que o débito indevidamente compensado nestes autos não foi confessado em DCTF, tendo havido representação para que fosse efetuado o competente lançamento de oficio, conforme dão conta os documentos acostados às fls. 430/433 dos autos. Assim, não há que se falar, no presente caso, em cancelamento das cartas de cobrança, pois o débito em questão não será cobrado com fundamento na declaração de compensação de fl. 01. Conseqüentemente, resta prejudicada a queixa da recorrente contra a cobrança de multa de mora e de juros Selic. Conclusão Ante todo o exposto, n o provimento ao recurso. Ces9),9 ODASSI GUERZONI FI O 18 Processo n5 13007.000313/2002-10 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.443 Fl. 10 Voto Vencedor Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Redator Designado Admitindo a controvérsia que o tema encerra e a força da argumentação expendida no voto vencido, peço vênia ao ilustre relator para dele discordar por interpretar que no período até 30/10/2003 - antes de publicada a Medida Provisória n° 135, de 30/10/2003, publicada em 31/10/2003 e convertida na Lei n° 10.833/2003 -, os valores compensados indevidamente não podiam ser exigidos com base na DCTF, tão-somente. Daí a divergência em relação ao subtópico, 1-b, tão-somente. Entendo que antes da MP n° 135/2003 apenas os saldos a pagar constantes das DCTF é que restavam confessados. Assim, para se exigir os valores compensados indevidamente havia necessidade de lançamento de oficio, a ser efetuado nos termos do art. 90 da MP n° 2.158-35, de 24/08/2001, com a seguinte redação: An. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. À vista do art. 5° do Decreto-Lei n° 2.124/84 e da legislação infralegal da época (até 30/10/2003), somente os saldos a pagar informados em DCTF constituíam-se em confissão de dívida, sendo passíveis de cobrança administrativa ou de inscrição na Dívida Ativa da União, esta seguida da execução fiscal, se o débito não for pago em tempo hábil. Os demais valores consignados em DCTF, como os de compensação não homologada ou indevida, não se constituíam em confissão de divida. Observemie a redação do art. 5' do Decreto-Lei n° 2.124/84: Art 50 O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir 1 obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2° Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2° do artigo 7° do Decreto-lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983. (negrito ausente do original). _ Pelo citado artigo não se conclui que qualquer comunicação acerca da istência de crédito tributário permite a cobrança direta do valor informado, sem o"TI 1 amento. _ -2 .11N -111 14# e. 19 Há de se analisar cada obrigação acessória, nos termos em que instituída e em cada período de apuração, para se saber se os valores do crédito tributário nela declarados estão sendo confessados ou não. Se confessados, é permitida a cobrança sem o lançamento; do contrário, carece do ato privativo da autoridade administrativa, nos termos do art. 142 do CTN. Neste sentido é que Leandro Paulsen informa o seguinte: Confissão de divida. DCTF. GFIP. Efeito de Lançamento. Em sendo confessada a divida pelo próprio contribuinte, seja mediante o cumprimento da obrigação tributária acessória de apresentação da declaração de débitos e créditos tributários federais, da guia de informações à Previdência 0,Lostrqdetoons te a con s ão toma-se desnessá ria a atividade do fisco de verificar a ocorrência do fato gerador, apontar a matéria tributável, calcular o tributo e indicar o sujeito passivo, notificando- o de sua obrigação, pois tal já foi feito por ele próprio que, portanto, tem conhecimento inequívoco do que lhe cabia recolher. (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário — Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre. Livraria do Advogado, 2001, p. 705/706, sublinhado ausente no original). A dispensa do lançamento tributário, na esteira da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, encontra amparo no instituto da confissão, tratada nos 348, 353, 354 e 585, II, do Código de Processo Civil. Segundo esses dispositivos há confissão quando uma parte (sujeito passivo da obrigação tributária principal) admite a verdade de um fato (ser devedora do tributo confessado), contrário ao seu interesse e favorável à outra parte (Fisco), o que pode ser feito de forma judicial ou extrajudicial. A confissão extrajudicial feita por escrito à parte contrária, como se dá mediante a DCTF, ou se deu por meio da DIPJ até o ano-calendário 1998, tem o mesmo efeito da judicial. Assim, em sede tributaria o valor confessado pode ser exigido, desde que não pairem dúvidas sobre a confissão e inexistam provas em contrário, especialmente a de não ocorrência do fato gerador ou a de extinção do crédito tributário confessado. Na situação dos autos, cujo período é anterior à MI' n° 135, tenho para mim que a IN SRF n° 16/2000 não permite considerar confessados os débitos compensados indevidamente. Referida IN, ao alterar a redação do art. 7° da IN SRF n° 126/98, estabeleceu o seguinte (negritos acrescentados): Art. 7° Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1° Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Divida Ativa da Unido, imediatamente após a entrega da DCTE § 2° Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF es 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitivo na esfera administrativa que manteve o indeferimento. (gnfei) A nova redação, acima, não introduziu modificação substancial na norma relativa à confissão de dívida, posto que apenas os saldos a pagar podiam ser inscritos na Dívida Ativa da União sem necessidade de qualquer procedimento administrativo prévio (ou "imediatamente", na dicção do § 1° do art. 7° da IN SRF n° 126/98, dada pela IN SRF n° 16/2000). Os débitos indevidamente compensados, diferentemente, continuavam a ser 2(e_ Processo n0 13007.090313/2002-10 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.443 Fl. 11 discutidos em processo administrativo específico, e somente após a decisão definitiva podiam ser inscritos na Divida Ativa. A diferença é crucial, pois se os valores compensados indevidamente restassem confessados — tal como os saldos a pagar -, também poderiam ser inscritos "imediatamente". O novo regime estatuído pela MP n° 135/2003 foi regulamentado pela Secretaria da Receita Federal por meio da IN SRF n° 482, de 21/12/2004 — muito depois da IN SRF n° 16/2000, como se vê. Não IN SRF n°482/2004 (editada após a conversão da Ml n° 135/2003 na Lei n° 10.833/2003) é que surgiu, em ato infralegal, disposição que considera confissão de dívida não somente os saldos a pagar, mas também "os valores das diferenças apuradas em procedimentos de autoria interna, relativos a informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade" (art. 9°, § I°, da referida IN), ou seja, o valor total do débito informado. Antes, as IN SRF n° 14, de 14/02/2000, e 16, de 14/02/2000, apenas dispunham que os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento, vale dizer, após o término do processo administrativo que discute a compensação não homologada (em vez de imediatamente, como já acontecia em relação aos saldos a pagar constantes). Quanto ao § 3° do art. 8° da Instrução Normativa n°255, de 11/12/2002 no dizer do qual "Os débitos apurados em procedimentos de auditoria interna, inclusive aqueles relativos às diferenças apuradas decorrentes de informações prestadas na DCTF sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade indevidas ou não comprovadas serão enviadas para inscrição em Divida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos", deixou de ter eficácia porque ancorado na MP n° 75, de 24/10/2002, rejeitada pela Câmara dos Deputados em 18/12/2002. Por fim, observo que à confissão de divida em questão não se aplica o § 1° do art. 144 do CTN, segundo o qual retroage a legislação que "tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." As regras atinentes à confissão de dívida mediante entregue da DCTF, por envolver uma obrigação assumida pelo contribuinte, há de respeitar a irretroatividade. Do contrário o sujeito passivo poderia ser surpreendido, posteriormente, com uma "confissão" que ele nunca pretendeu fazer, ferindo de morte a segurança jurídica. Pelo exposto, dou provimento ao recurso para cancelar as cartas de cobrança, em face da inexistência de confissão de dívida em relação aos valores do crédito tributário cuja compensação não foi homologada, no período até /10/2003 (antes da Medida Provisória ri° 135, de 30/10/2003 mas publicada 0/2003). Em• itri 03 :P.a int ; Assis 21

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Numero do processo: 13601.000310/2003-58
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2007
Ementa: NULIDADE. CONEXÃO SUSCITADA E NÂO OBJETO DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA PELA DECISÃO RECORRIDA. A falta de manifestação expressa pela decisão recorrida acerca da conexão entre processos suscitada pela contribuinte não causa nulidade do ato praticado pela autoridade julgadora, quando a referida conexão foi reconhecida por ocasião da transformação do julgamento em diligência. Preliminar rejeitada. IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Constatada a inexistência de crédito no montante em que foi solicitado no processo de ressarcimento do IPI em favor da empresa a compensação só será homologada nos limites do direito creditório reconhecido no processo próprio. Recurso negado.
Numero da decisão: 204-02.480
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade e; II) no mérito, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho, Leonardo Siade Manzan, Airton Adelar Hack e Flávio de Sá Munhoz votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela Recorrente, a Drª. Anete M. M. de Pontes Vieira.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA

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Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG NULIDADE. CONEXÃO SUSCITADA E NÃO OBJETO DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA PELA DECISÃO RECORRIDA. A falta de manifestação expressa pela decisão MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES recorrida acerca da conexão entre processos suscitada pela CONFERE COM O ORIGINAL contribuinte não causa nulidade do ato praticado pela autoridade erasika. f O -4-- I O )- julgadora, quando a referida conexão foi reconhecida por ocasião da transformação do julgamento em diligência. Maria Luzam] Novais Preliminar rejeitada. S inpe 91641 IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Constatada a inexistência de crédito no montante em que foi solicitado no processo de ressarcimento do IPI em favor da empresa a compensação só será homologada nos limites do direito creditório reconhecido no processo próprio. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TEKSID DO BRASIL LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade e; II) no mérito, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Rodrigo Bemardes de Carvalho, Leonardo Siade Manzan, Airton Adelar Hack e Flávio de Sá Munhoz votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral pela Recorrente, a Dr'. Mete M. M. de Pontes Vieira. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2007. Perei".1.41. enrique Pinheiro torres • -7 Presidente ayIWasto Manatta Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire e Júlio César Alves Ramos. _ . . ., .. . . ., . .;.'t? bg -a„ Ministério da Fazenda to SEGUNDO CANS 22 CC-MF.:. • TO DE CONTRIBUiN TES Fl. '91.V n;,'W Segundo Conselho de Contribuintes CONFEK,2 COM O OR;GINAL Brasília, 11 1 03– lal____ -Processo 1:12 13601.000310/2003-58 Recurso n2 : 132.303 . Maria Lutin 9is Acórdão n° : 204-02.480 N141. Siar,. 91641 - Recorrente : TEKSID DO BRASIL LTDA. • . " — RELATÓRIO Trata-se de DCOMP na qual a contribuinte solicita a compensação de débitos listados às fls. 01 (1RPJ e CSLL) com créditos advindos de ressarcimento do IPI formalizado por meio do processo n° 13603.00858/2003-88. - A DRF em Contagem deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento formulado no processo n° 13603.0085812003-88 e homologou as compensações efetuadas até o limite creditório reconhecido no mencionado processo de ressarcimento, ou seja, até o valor de R$ 989.622,28. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando em sua defesa razões acerca do seu direito creditório. A DRJ em Juiz de Fora - MG deferiu em parte a manifestação de inconformidade apresentada para homologar as compensações até o limite do direito creditório por ela • reconhecido no processo n° 13603.00858/2003-88, ou seja, até R$ 1.685.289,55. Ressalta que para o pedido de ressarcimento formulado no processo de ressarcimento n° 13603.00858/2003-88, foram formulados pedidos de compensação nos proCessos n° 13601.000322/2003-82, 13601.000310/2003-58, 13603.000862/2003-46, 13603.000892/2003-52 e 13603.000883/2003-61 e que o direito creditório. reconhecido no processo de ressarcimento deve ser observado nas compensações acima mencionadas, em bloco, observando-se o disposto no art. 70 do Decreto-Lei n° 2287/86 e Medida Provisória n° 252/2005. Cientificada em 01/12/2005, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/12/2005 alegando em sua defesa as mesmas razões apresentadas na inicial acerca do seu direito creditório objeto do processo n° 13603.00858/2003-88, acrescendo ainda: 1. conexão evidente entre este processo e os de n° 13603.00858/2003-88, 13601.000322/2003-82, 13603.000862/2003-46, 13603.000892/2003-52 e 13603.000883/2003-61; 2. nulidade da decisão recorrida por não ter sido tratada a conexão suscitada pela empresa do presente processo com o de n° 13603.000858/2003-88, que se refere ao pedido de ressarcimento de IN, no qual está a se discutir o direito creditório que se utilizou para efetuar as compensações objeto do presente processo; 3. " a DRJ não se manifestou sobre a conexão suscitada, o que constitui cerceamento de direito de defesa e supressão de instância. Em sessão realizada em março de 2006 a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes houve por bem transformar o julgamento do recurso em diligência para que: a contribuinte anexasse aos autos cópia dos conhecimentos de transportes relativo ao serviço de ett,a1transporte contratado para aquisição de insumos, para que se verificasse se valor integrou o 9., • - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2gt CC-MF Ministério da Fazenda CONFERE CCM' O ORIGINAL4kr : Fl. Ra" Segundo Conselho de Contribuintes Brasile, i 1.--at..uzur. Processo n' : 13601.000310/2003-58 -•- - - • - - Recurso e : 132.303 Maria Nov Is 91.64 1 Acórdão n° : 204-02.480 • preço de aquisição das MP. PI e ME; quais os valores relativos ao transporte incluídos no cálculo do crédito presumido pela empresa integraram o custo dos insumos; declaração da recorrente de que o preço dos transportes integrou o preço dos insumos adquiridos. Segundo o Relatório de diligência: 1. .a empresa apresentou declaração de que o custo do valor de transporte de Sumos integrou o preço dos Sumos adquiridos no período; 2. a empresa admitiu a utilização indevida de valores relativos a serviços de • transporte no cálculo do crédito presumido do IPI, que foram excluídos conforme alínea B do demonstrativo de fls. 293; • 3. as notas fiscais de serviços emitidas pelas empresas Saritur — Santa Rita Transportes Urbanos e Rodoviários Ltda. e Viação Santa Edwiges Ltda., demonstram que os conhecimentos de transportes informados não tem • • vinculação com nota fiscal de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tendo sido verificado pela fiscalização que tais empresas são registradas no CNAE como empresas de transporte rodoviário de passageiros, regular, municipal não urbano (fls. 1604 e 1605 do processo n° 13601.000318/2001-52) e não de transporte de cargas. Os valores relativos a tais serviços de transportes foram excluídos do calculo do crédito presumido do IPI, alíneas C e D do demonstrativo de fls. 293; 4. os conhecimentos de transportes vinculados aos CFOP 5.11 — venda de produção do estabelecimento, 6.11 — venda de produção do estabelecimento, 7.11 —venda de produção do estabelecimento, 5.93 — remessa para industrialização por encomenda, 6.93 — remessa para industrialização por encomenda não dizem respeito à aquisição de PI, MP e ME, mas à saída de produtos já industrializados ou remessas para industrialização fora do estabelecimento da empresa, sendo que para os últimos os valores foram incluídos no cálculo do credito presumido do IPI quando entraram no estabelecimento. Tais valores foram excluídos do calculo do credito presumido do IPI conforme alíneas E, F, G, H e I do demonstrativo de fls. 293; 5. o total dos valores a serem excluídos do calculo do credito presumido do IPI estão na alínea J do demonstrativo de fls. 293. Às fls. 227 a 1399 do processo n° 13601.000318/2001-52 foram anexadas todas as planilhas extraídas dos demonstrativos apresentados em meio magnético pela empresa, relativas às exclusões dos valores de serviços de transportes utilizados indevidamente na apiração do beneficio ; 6. nas novas planilhas de fls. 294 a 296 foram anexadas novas planilhas elaboradas pela fiscalização com os valores relativos aos serviços de transportes que poderiam estar incluídos na base de cálculo do crédito presumido do IPI; • 7. foi efetuado lançamento das referidas glosas de credito presumido do IPI a titulo de débito na reconstituição da escrita fiscal do IPI. fls. 1613 a 1620 3 , t4F - SEGUNDO CONSELHO CE CONTRIBUINTES CC-MF Ministério da Fazenda CONFERE COM O CRIGINAL ri."5,ra Segundo Conselho de Contribuintes 1 h4„. ia.-Lffrs L Processo e : 13601.000310/2003-58 1.4 ni Maria 17111 N7't ais Recurso & : 132303 %lat. SiJpi. 911+4 I Acórdão n° : 204-02.480 do processo n° 13601.000318/2001-52, tendo obtido novos saldos para cada período de apuração, alguns credores outros devedores, conforme tabela de fls. 302 e 303; 8. pra o período em questão, a fiscalização conclui que o valor a ser deferido neste pedido de ressarcimento é de R$ 1.685.289,55 (exatamente o valor deferido pela autoridade a quo).• A contribuinte, cientificada do teor da diligência efetuada, não se manifestou. É o relatório. Va6r1 • 4 . • • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CC-MF Ministério da Faeenda CONFERE COMO ORIGINAL Fl. ‘- Segundo Conselho de Contribuintes una , I t__OJLJ- O i itutrr..ritk.N647 a is Processo n2 : 13601.000310/2003-58 Maria fi2VG.L4' -- Recurso n't : 132303 Acórdão n° : 204-02.480 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR NAYRA BASTOS MANKITA O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Em relação à nulidade suscitada pela recorrente é de se observar que, embora na decisão recorrida a autoridade a quo não tenha se manifestado expressamente sobre a conexão suscitada pela recorrente do presente processo com o que n° 13603.00858/2003-88, tal conexão foi acatada deste a fase do processo em que a autoridade julgadora de primeira instância determinou a realinção de diligência para que fosse verificada a situação do referido processo, tendo, inclusive, acatado as conclusões da diligência efetuada naquele processo como razões de decidir do presente litígio. Assim sendo, descabe a argüição de nulidade suscitada pela recorrente. É de se observar que neste processo não se está a discutir o direito creditório em si pois que é objeto do processo administrativo n° 13603.00858/2003-88, mas apenas a horitologação das compensações efetuadas com base no direito creditório objeto daqueloutro. Fie ar• • a Ga • . • • 0/2002 é facultado ao sujeito passivo a interposição de recurso voluntário contra decisão que julgar sua manifestação de inconformidade interposta contra decisão que não homologou a compensação de débitos confessados, em relação ao não-reconhecimento do seu direito creditório. Art 35. _É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do ato que não homologou a compensação de débito lançado de oficio ou confessado, apresentar manifestação de inconformidade contra o não-reconhecimento •de seu direito crediário. sç .12 Da decisão que julgar a manifestação de inconformidade do sujeito passivo caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de trinta dias, contado da data de sua ciência. Ocorre que neste caso, o direito creditório está a ser discutido em processo administrativo outro (n°13603.00858/2003-88) diverso do presente, assim para este processo não há efetivamente um litígio, pois, como já se explicitou o litígio estabelecido é contra o não reconhecimento de direito creditório, que está sendo tratado em processo diverso deste. Todavia direito creditório objeto do processo n° 13603.00858/2003-88 foi objeto de manifestação desta Câmara na presente sessão, e ao recurso interposto pela recorrente naquele foi negado provimento nos termos abaixo transcritos: NULIDADE. CONEXÃO SUSCITADA E NÃO OBJETO DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA PELA DECISÃO RECORRIDA. A falta de manifestação expressa pela decisão recorrida acerca da conexão entre processos suscitada pela contribuinte não causa nulidade do ato praticado pela autoridade julgadora, quando a referida conexão foi reconhecida por ocasião da transformação do julgamento em diligencia. \42-11 "71 • • • 22,CC-MF Ministério da Fazenda tr CO F - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. IC;(3 Segundo Conselho de Contribuinte: hi Eirasná._ / NF / ERE COM O ORIGINAL Processo 119- 13601.000310/2003-58 Marta faltt71:1 iir Noivais Recurso ng : 132303 Acórdão n" : 204-02.480 NIal Ship 911141 Preliminar rejeitada. IPI - CRÉDITO PRESUMIDO. DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELETRICA, SERVIÇOS DE TELECOMUNICA0ES E SERVIÇOS DE TRANSPORTES ESTADUAIS E INTERESTADUAIS. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica, os serviços de telecomunicações e os serviços de transportes estaduais e interestaduais não caracterizam matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. Em relação ao frete, não restando comprovado que tais valores sejam relativos às aquisições de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, nem estando os conhecimentos de transportes vinculados às notas fiscais de aquisição de insumos, nem que as empresas transportadoras são coligadas, controladas ou controladoras ou interligadas das empresas vendedoras dos insumos, ou que tenha sido cobrado ou debitado do comprador, deve ser excluído da base de calculo do credito presumido. CRÉDITOS-B-ÁSICOESS2rECIMENTO. O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI, bem como do saldo credor decorrentes da entrada de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos tributados está condicionado ao destaque do IPI nas notas fiscais relativas as operações de aquisição desses insumos. • Recurso Negado. Desta forma, é de se negar provimento também ao presente recurso interposto face à inexistência de créditos em favor da recorrente que possa fazer frente a todos os debitos declarados como compensados neste processo, bem como nos de n° 13601.000322/2003-82, 13603.00086212003-46, 13603.000892/2003-52 e 13603.000883/2003-61, limitando-se o valor creditOrio a ser utilizado na compensação àquele reconhecido no processo de ressarcimento, ou • seja, ao montante de R$ R$ 1.685.289,55, o qual já foi reconhecido pela decisão recorrida, pelo que se conclui que esta deve ser mantida. Ressalto aqui a necessidade de conexão entre este e todos os outros processos já mencionados de compensação ao de n° 13603.000858/2003-88, que trata do pedido de ressarcimento de IPI, origem dos créditos usados nas compensações em questão. Diante 'do exposto, rejeito a preliminar de nulidade e nego provimento ao recurso interposto, nos termos do voto. Sala das' Sessões, em 24 de maio de 2007. I/ • yc_net NA BA TOS MANATTA Page 1 _0040200.PDF Page 1 _0040300.PDF Page 1 _0040400.PDF Page 1 _0040500.PDF Page 1 _0040600.PDF Page 1

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