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Numero do processo: 11041.000683/2009-81
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.124
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal lançadora (Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Bagé/RS) se pronuncie sobre as razões e documentos apresentados no recurso
voluntário do recorrente, informando se houve ou não alteração dos valores constantes do lançamento fiscal, seus motivos e fundamento legal. Após cientificar o contribuinte para apresentar contrarrazões, oferecendo contestação se desejar. Ao final, encaminhar os autos para julgamento.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 290 1 289 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11041.000683/200981 Recurso nº Resolução nº 2803000.124 – 3ª Turma Especial Data 16 de agosto de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SANTA CASA DE CARIDADE DE DOM PEDRITO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal lançadora (Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Bagé/RS) se pronuncie sobre as razões e documentos apresentados no recurso voluntário do recorrente, informando se houve ou não alteração dos valores constantes do lançamento fiscal, seus motivos e fundamento legal. Após cientificar o contribuinte para apresentar contrarrazões, oferecendo contestação se desejar. Ao final, encaminhar os autos para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato, Andre Luis Marsico Lombardi e Paulo Roberto Lara dos Santos. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/ 08/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11041.000683/200981 Resolução n.º 2803000.124 S2TE03 Fl. 291 2 Relatório DO LANÇAMENTO A Santa Casa de Caridade de Dom Pedrito teve contra si lançado o Auto de Infração relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, não recolhidas em época própria à Seguridade Social e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, no período de 09/2004 a 12/2006, incluídas as Gratificações Natalinas (13° Salário), dos anos de 2005 e 2006, de acordo com o Relatório Fiscal RF, fls. 107 a 118. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 30/09/2009, apresentando impugnação. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal foi pela procedência parcial, excluindo os valores referentes às competências 03/2005 a 08/2005, do Levantamento SM Serviços Médicos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão em 21/09/2011, inconformado interpôs recurso voluntário, em 21/10/2011, argumentando em síntese: Preliminarmente: a suspensão da exigibilidade dos valores lançados até o julgamento definitivo do recurso voluntário; a nulidade da decisão recorrida pela falta de perícia contábil dos valores constantes do lançamento fiscal. Todas as parcelas dos dissídios foram repassadas para os trabalhadores, bem como, os valores pagos aos médicos ultrapassaram o teto máximo das contribuições, estando dispensados da retenção das contribuições previdenciárias. Provou, também, que todas as contribuições dos processos trabalhistas foram quitadas. Assim, a não realização de perícia viola a ampla defesa e contraditório; No Mérito: a fiscalização cometeu vários equívocos. Dois médicos constantes do lançamento fizeram parcelamento dos seus débitos junto ao INSS do período levantado pela fiscalização: Sr. João de Deus Teixeira Gonçalves, CEI 70.002.46796/08; conforme DEBCAD 37.266.7740; e Sr. Hector Arosemana Herrera, CEI 70.002.476650/01, DEBCAD 37.266.8470. Relaciona outros médicos, constantes do recurso voluntário. Requer a analise dos parcelamentos dos Médicos e contribuições retidas pelo máximo dos profissionais da área da saúde; afirma que repassou os dissídios para seus colaboradores. Para demonstrar que não existe tal verba devida, junta o Acordo Coletivo de Trabalho do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Santana de Livramento (Dom Fl. 291DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/ 08/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11041.000683/200981 Resolução n.º 2803000.124 S2TE03 Fl. 292 3 Pedrito e Regulada Pelo Sindicato de Livramento), com data base de 01 de maio de 2003 a 30 de abril de 2005, e 2005 a 2006 a 2008; afirma que os segurados foram informados na GFIP. Todas as verbas foram plenamente repassadas para os colaboradores. Requer realização de perícia técnica, nas guias GFIP, contas dos profissionais de saúde no INSS, e demais provas pertinentes que se fizer necessários; a multa e os juros aplicados são confiscatórios e ferem o princípio da capacidade contributiva. Devese aplicar o princípio da menor onerosidade e menor gravosidade; Por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/ 08/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11041.000683/200981 Resolução n.º 2803000.124 S2TE03 Fl. 293 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. O recorrente apresenta diversos documentos requerendo análise dos mesmos, alegando que não foram examinados/considerados pela fiscalização, tampouco, deduzidos do lançamento fiscal, inclusive contribuições sociais já recolhidas sobre o teto máximo, constantes do recurso voluntário apresentado. Não consta dos autos contrarrazões apresentadas pela autoridade fiscal. É dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos e de respeitar o princípio da verdade material e o princípio do contraditório e ampla defesa de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal do Brasil, bem como, determinar a produção de provas indispensáveis à comprovação do fato (artigos 9º e 18, 29, todos do Decreto nº 70.235/72). CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal lançadora (Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Bagé/RS) se pronuncie sobre as razões e documentos apresentados no recurso voluntário do recorrente, informando se houve ou não alteração dos valores constantes do lançamento fiscal, seus motivos e fundamento legal. Após cientificar o contribuinte para apresentar contrarrazões, oferecendo contestação se desejar. Ao final, encaminhar os autos para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 293DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/ 08/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.011538/2006-76
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Constitui-se rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Não sendo comprovada a suficiência de recursos há de se manter o lançamento tributário.
MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊ LEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada do carnê leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício sobre o imposto lançado no ajuste anual, esse em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-leão. Vencidos os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi (relatora) e Núbia Matos Moura que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira. Fez sustentação oral o Dr. Edgard do Amaral Souza, OAB-RJ nº 100.369.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente
Acácia Sayuri Wakasugi - Relatora
Assinado digitalmente
Francisco Marconi de Oliveira Redator do Voto Vencedor
EDITADO EM: 14/03/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira e Acácia Sayuri Wakasugi.
Nome do relator: ACACIA SAYURI WAKASUGI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constitui-se rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Não sendo comprovada a suficiência de recursos há de se manter o lançamento tributário. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊ LEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada do carnê leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício sobre o imposto lançado no ajuste anual, esse em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Não sendo comprovada a suficiência de recursos há de se manter o lançamento tributário. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊ LEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada do carnê leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício sobre o imposto lançado no ajuste anual, esse em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada do carnêleão. Vencidos os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi (relatora) e Núbia Matos Moura que negavam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 15 38 /2 00 6- 76 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/03/20 13 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASU GI, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 2 Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira. Fez sustentação oral o Dr. Edgard do Amaral Souza, OABRJ nº 100.369. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente Acácia Sayuri Wakasugi Relatora Assinado digitalmente Francisco Marconi de Oliveira – Redator do Voto Vencedor EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 05 a 09, no qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativamente ao anocalendário de 2001. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto R$ 453.345,93; Juros de Mora (cálculo até 30/11/2006) R$ 358.279,28 Multa Proporcional (passível de redução) R$ 340.009,44 Multa Exigida Isoladamente R$ 94.282,50 Total do Crédito Tributário R$ 1.245.917,15 O Termo de Inicio de Fiscalização foi lavrado as fls. 25 e 26, pelo qual foi solicitado ao contribuinte que apresentasse, em relação ao anocalendário de 2001, documentação relativa à aquisição de imóveis e de participações societárias, à comprovação dos rendimentos tributáveis e isentos, auferidos no período, aos contratos de mútuo firmados, bem como aos valores lançados a título de dividas e ônus reais, além dos extratos bancários de contas mantidas em instituições financeiras. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/03/20 13 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASU GI, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 19647.011538/200676 Acórdão n.º 2102001.714 S2C1T2 Fl. 749 3 Em atendimento, o contribuinte apresentou, por meio das cartasresposta de fls. 33 e 140, a documentação de fls. 34/139 e 141/342. O contribuinte foi intimado (fls. 347 e 352), a fornecer documentação complementar, referente à aquisição de imóveis, aos extratos de aplicações financeiras e de investimentos em letras hipotecárias, a pagamentos e transferências de recursos efetuados, além da certidão de casamento e dos Livros Diário e Razão da MCI Marketing. Estratégia e Comunicação Institucional e da Mídia Estratégia S/C Ltda, relativos ao anocalendário de 2001. Através da carta resposta de fls. 354, o autuado apresentou os documentos e esclarecimentos de fls. 355/488. Por meio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 489, foi reiterada a solicitação para apresentação de comprovantes de rendimentos isentos e de extratos bancários, já parcialmente fornecidos, bem como requereu a comprovação das despesas médicas pleiteadas e dos rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte. Foram entregues, pelo contribuinte, os documentos mencionados nas cartas resposta de fls. 492 e 531, anexados às fls. 493/530 e 532/551. Com base na documentação coletada, a autoridade fiscal elaborou o demonstrativo de variação patrimonial de fls.552/554, e as planilhas de fls. 555/586. A fiscalização, então, lavrou o Auto de Infração (fls. 5/9), em virtude de terem sido constatadas as seguintes infrações à legislação tributária, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fls. 08/09 e Relatório Fiscal de fls. 587/595. 1 Omissão de rendimentos do trabalho, sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas físicas (omissão no valor de R$ 702.480,42, fato gerador em 31/12/2001); 2 Omissão de rendimentos, decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto (omissão no valor de R$ 954.158,97, fato gerador em 31/12/2001); 3 Multa isolada por falta de recolhimento de imposto a título de carnêleão (multas aplicadas conforme fls. 11 a 12). O contribuinte tomou ciência do lançamento em 22/12/2006, conforme aviso de recebimento de fls. 596. Não concordando com a exigência, apresentou, em 22/01/2007, a impugnação ao auto de lançamento (fls. 604/634), alegando, em síntese: 1 Preliminarmente, que o auto de infração é nulo, face à ilegitimidade passiva; 2 Que os rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte não se sujeitam ao ajuste anual, tornando a exigência descabida, por ilegitimidade passiva. Isto porque a responsabilidade pela retenção, nesses casos, não pode ser transferida ao beneficiário dos rendimentos, no caso, o impugnante transcreve jurisprudência administrativa no sentido da responsabilidade da Fl. 779DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/03/20 13 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASU GI, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 4 fonte pagadora, pelo imposto que deveria ter sido retido exclusivamente na fonte; 3 No mérito, que houve a retenção e o recolhimento, pelas fontes pagadoras, do imposto. 4 Que a fiscalização apurou acréscimo patrimonial a descoberto, nos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio e junho de 2001, caracterizado pelas seguintes inconsistências: a Não foram considerados os recursos existentes no exercício anterior, apenas o saldo bancário; b Que, mediante confronto da declaração de bens do exercício anterior, com a declaração de bens do exercício 2001, verificase que há saldo suficiente para cobrir toda a evolução do patrimônio, uma vez que compreende todos os ativos e passivos da pessoa física. 5 Houve, no caso, violação ao art. 42 da Lei n° 9.430/1996, uma vez que, apesar do fornecimento, pelo contribuinte, dos documentos solicitados, a autoridade fiscal não requereu do autuado a comprovação a origem dos recursos utilizados nas operações. Que a intimação, neste sentido é necessária ao lançamento do tributo, com base em acréscimo patrimonial, conforme jurisprudência administrativa transcrita. Compulsando os autos, verificase que a última intimação não solicitou esclarecimentos quanto aos valores utilizados para lançar tributo com base em acréscimo patrimonial, o que exige o imediato cancelamento da exigência, por afronta ao art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 6 A autoridade administrativa impôs tributo com base em presunções, corno, sem conceder ao contribuinte oportunidade para justificar a origem, e mesmo tendo apresentado movimentações compatíveis com as operações por ele realizadas. Transcreve jurisprudência administrativa que entende não ser autorizado o uso de presunção, para incidência de ICMS, no caso de saída de mercadorias sem emissão de notas fiscais; 7 Alegou o recorrente que exerce múltiplas atividades, compõe quadro societário de mais de uma empresa, o que, por vezes, permite que transitem, ainda que rapidamente, numerários referentes a pessoas jurídicas, que não podem ser tributados na pessoa física. Desta forma, não poderia, a autoridade fiscal, considerar todos os depósitos bancários como rendimento do impugnante, sem perquirir se estaria relacionado a alguma operação, submetida à tributação, exclusiva ou não. Desta forma, deve ser cancelada a exigência. Requereu a declaração de nulidade do auto de infração e, alternativamente, pede seja considerado totalmente improcedente o lançamento, protestando, também, pela produção posterior de provas. A 1ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1122.593 (fls. 666/683), que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 780DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/03/20 13 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASU GI, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 19647.011538/200676 Acórdão n.º 2102001.714 S2C1T2 Fl. 750 5 Anocalendário: 2001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos/não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. JUROS DECORRENTES DE CONTRATO DE MÚTUO, RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Fica sujeita ao pagamento do imposto de renda, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO DECADENCIAL. Os documentos relativos às informações fiscais, bem como aqueles que comprovem os registros neles efetuados, serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador na apreciação das provas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. É cabível, por disposição literal de lei, a aplicação de penalidades pecuniárias, em razão do descumprimento de obrigações tributárias. LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, quer deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. DECISÕES ADMINISTRATIVAS EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela Fl. 781DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/03/20 13 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASU GI, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 6 qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Lançamento Procedente” O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 18/07/2008 (fls. 686), cujo qual interpôs recurso voluntário em 18/08/2008 (fls. 689/717), repisando os termos da impugnação, a aduzindo ainda sobre a impossibilidade de concomitância de multas de ofício e isolada. Juntou mais documentos (fls. 718/747). É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em PRELIMINAR, argui o contribuinte Nulidade do Procedimento Fiscal, Decadência e Erro na Indicação do Sujeito Passivo, não merecendo prosperar quais quer das alegações a saber: i. Nulidade do Procedimento: diversamente do aduzido pelo Recorrente, todas as intimações e prorrogações dos mandados de procedimento fiscal foram efetuadas com a ciência do Recorrente. Tanto é assim que o contribuinte, apresentou diversos documentos, sendo os últimos entregues em 29 de agosto de 2006 (fl. 531) e, contradizendo pois ao asseverar que fora surpreendido com a lavratura do auto de infração. Razão pois não assiste ao recorrente no que tange a esta preliminar, não havendo pois qualquer nulidade junto ao presente processo administrativo fiscal. ii. Da decadência: O contribuinte alega em seu recurso que na data da ciência do Auto de Infração já estaria alcançado pela decadência os créditos tributários relativos aos fatos geradores compreendidos entre janeiro e junho de 1991. De fato, é pacífico, com o advento das Leis nºs 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que o Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação, art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), pois atribui ao contribuinte o dever de antecipar o Fl. 782DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/03/20 13 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASU GI, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 19647.011538/200676 Acórdão n.º 2102001.714 S2C1T2 Fl. 751 7 pagamento. Assim, considerase homologado, o lançamento, após cinco anos, contados do fato gerador do tributo, e definitivamente extinto o crédito lançado, conforme parágrafos 1º e 4º do art. 150 do CTN. Contudo, tendo ocorrido a omissão de rendimento, presumida legalmente pela variação patrimonial a descoberto, caracterizando inexatidão na Declaração de Ajuste Anual, o lançamento subsumese ao inciso V do artigo 149 do CTN, que determina o lançamento de ofício, ou mesmo a revisão de ofício de qualquer modalidade de lançamento. A renda tributada pelo Fisco no presente lançamento, em princípio, fora omitida e, obviamente, com relação à mesma, não se verifica qualquer antecipação de pagamento de imposto por parte do contribuinte. Este fato permite concluir que não há qualquer procedimento, ou atividade mencionada no art. 150 do CTN pelo obrigado, nem o respectivo pagamento do tributo sobre a identificada renda omitida, que deva ser homologado. Portanto, não há como se falar em lançamento por homologação para renda omitida. Ou melhor, quando em auditoria de tributo, cuja modalidade de lançamento seja por homologação, for verificado que houve omissão ou inexatidão por parte do contribuinte no exercício dessa atividade, o CTN em seu art. 149, inciso V, determina que esse lançamento seja revisto de ofício, obviamente, consubstanciado por meio de Auto de Infração. O parágrafo único do art. 149 do CTN delimita que a revisão de ofício só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Já o direito da Fazenda Pública, para constituir o crédito tributário, extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inciso I do art. 173 do CTN. Art. 173 – O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II – da data em que se torne definitiva a decisão que houver anulado, por vício, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único – O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A norma do art. 173, inciso I, manda contar o prazo decadencial do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O exercício em que o lançamento pode ser efetuado é o ano em que se instaura a possibilidade de o Fisco lançar. Ou seja, para proceder ao lançamento referente à omissão de rendimentos ocorrida no anocalendário de 2001, o lançamento só poderia ter sido a partir do termo inicial do prazo decadencial 01/01/2002. E tendo como o termo final a data de 31/12/2006 o termo final. Como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 22/12/2006, não há que se falar, no presente caso, em decadência do direito de lançar crédito tributário relativos aos fatos geradores ocorridos durante o anocalendário de 2001, deste modo, afastada a decadência. iii. Erro na Indicação do Sujeito Passivo: não há como acolher tal alegação, pelo simples fato que ainda que os juros atinente aos contrato de mútuo tem sido adimplidos Fl. 783DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/03/20 13 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASU GI, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 8 pelas pessoas jurídicas Metalúrgica Bitury Participações S.A. e Nordeste Segurança de Valores Ltda, o que torna ditos rendimentos como tributados exclusivamente na fonte, aplicase ao presente caso a Súmula CARF nº 12: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Quanto ao MÉRITO, temse que o acréscimo patrimonial a descoberto, quando verificado, demonstra a ocorrência da omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa (“juris tantum”), já que, uma vez comprovada, pelo contribuinte, a efetiva origem dos rendimentos, resta afastada a presunção e, conseqüentemente, o lançamento de ofício dos valores para os quais a fiscalização, até então, não havia identificado lastro. Nesse sentido, destacase o disposto no artigo. 1º, § 2º, do RIR/94 (art. 2º do RIR/99): Art. 1º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão. Parágrafo 2º O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 93. E, ainda, o que dispõe o art. 3º, da Lei nº. 7.713/88: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, cabe ao contribuinte justificar o acréscimo patrimonial apontado no resultado do trabalho da fiscalização, seja indicando rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis ou, ainda, tributáveis exclusivamente na fonte. Tal sistemática está em consonância com o princípio de que o ônus da prova cabe a quem a alega. Nesse sentido, o artigo 333 do Código de Processo Civil prevê que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/03/20 13 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASU GI, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 19647.011538/200676 Acórdão n.º 2102001.714 S2C1T2 Fl. 752 9 Importa destacar também que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. Logo, cabe apenas ao sujeito passivo, e não ao fisco, obter provas da inexistência do acréscimo patrimonial. Observese que o artigo 332 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, estabelece que “todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou defesa”. Desse modo, não havendo hierarquia do valor probante dos meios de prova, excetuado o uso de provas ilícitas (art. 5º, inciso LVI da Constituição Federal de 1988), podese provar qualquer situação de fato por qualquer via. A jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF corrobora o quanto exposto até o momento, conforme segue: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.” (Primeiro Conselho de Contribuintes – Segunda Câmara – Recurso nº. 152.329 – Sessão de 14/06/2007). TRIBUTAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Invocando presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Constitui rendimento bruto sujeito ao imposto de renda, o valor do acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. A tributação de acréscimo patrimonial a descoberto só pode ser elidida mediante prova em contrário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso negado.” (Primeiro Conselho de Contribuintes – Sexta Câmara – Recurso nº. 151.678 – Sessão de 19/10/2006). RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Reflete omissão de rendimentos tributáveis quando o contribuinte deixe de comprovar, de forma cabal, a origem dos rendimentos utilizados no incremento do seu patrimônio. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. A prova da origem do acréscimo patrimonial deve ser adequada ou hábil para o fim a que se destina, isto é, sujeitarse à forma prevista em lei para a sua produção. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Sexta Câmara – Recurso nº. 140.541 – Sessão de 10/11/2005). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REGRA DE APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO. A omissão de rendimentos decorrente da variação patrimonial a descoberto, apurada mensalmente, na forma prevista na legislação de regência, deve ser tributada no ajuste anual, tomandose por base o fato gerador do tributo ocorrido em cada mês do anocalendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Segunda Câmara – Recurso nº. 150.175 – Sessão de 05/03/2008). Fl. 785DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/03/20 13 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASU GI, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 10 É importante frisar que o Regulamento do Imposto sobre a Renda prevê expressamente a possibilidade de o fisco exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem e destino de recursos. Neste sentido são as normas insculpidas nos artigos 855 do RIR/94 e 806 do RIR/99. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio. Sobre tal, o contribuinte não logrou em comprovar cabalmente, apesar de ter sido intimado e reintimado a prestar esclarecimentos (fls. 347 e 352), no que tange à aquisição de imóveis e aos extratos de aplicações financeiras e de investimentos em letras hipotecárias, bem como no que concerne a pagamentos e transferências de recursos efetuados, tudo já devidamente analisado e julgado em sede de DRJ. Conforme informado pelo próprio contribuinte, este contribuinte, de fato, foi beneficiado pelos pagamento de juros, pagos pelos Srs. Hilson de Brito Macedo e Zélia Freire Macedo, no anocalendário de 2001, tratandose pois de recebimento de juros, pagos por pessoas físicas, de tal sorte que estes devem estar sujeitos à tributação, nos termos do art. 8° da Lei if 7.713/1988. Outrossim, vale destacar, ainda, que nos termos da legislação aplicável ao tema, já colacionada neste voto, a verificação do acréscimo patrimonial deve ser realizada mensalmente, e não anualmente. Assim, ainda que os rendimentos globais do contribuinte, em determinado anocalendário sejam suficientes para fazer frente a todas as despesas incorridas naquele mesmo período, eventuais descompassos entre receitas e despesas, verificados mês a mês, configuram acréscimo patrimonial a descoberto. Neste sentido também é uníssono o entendimento deste CARF: IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Constitui omissão de receitas o descompasso observado no estado patrimonial do contribuinte, cuja origem não restar comprovada por rendimentos tributados, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte e/ou objeto de tributação definitiva. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL Os acréscimos patrimoniais a descoberto devem ser apurados mensalmente em obediência a comando expresso da Lei nº. 7.713/88, observada a disponibilidade de um mês como recurso para o mês subseqüente, dentro do mesmo anobase, e cujo montante será levado à tributação na declaração de ajuste anual. Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Quarta Câmara – Recurso nº. 136.560 – Sessão de 20/10/2004). Provada pelo fisco a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados, isto é, a prova “ex ante”, de iniciativa do fisco, redundará no ônus da contraprova pelo contribuinte. Trata, a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, de uma de fluxo de caixa, onde os gastos e receitas mensais, são comparados, objetivando a verificação de dispêndios não cobertos por rendimentos isentos, tributáveis – e já submetidos à tributação – ou tributáveis exclusivamente na fonte ou sob forma definitiva. No caso, o lançamento foi efetuado com o objetivo de apurar variação patrimonial a descoberto, pelo confronto, mês a mês, das origens e das aplicações de recursos do recorrente. Em resumo, a tentativa do fisco de associar a análise das declarações de bens e direitos, de dívidas e ônus reais, à apuração da variação patrimonial a descoberto, resta Fl. 786DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/03/20 13 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASU GI, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Processo nº 19647.011538/200676 Acórdão n.º 2102001.714 S2C1T2 Fl. 753 11 prejudicada, uma vez que ausente nexo de causalidade entre tais elementos: patrimônio existente versus fluxo de caixa. Assim sendo, resta documentalmente comprovadas as aplicações e dispêndios efetuados pelo contribuinte, no ano calendário de 2001, e que, não foram apontadas quaisquer outras origens de recursos, nem a existência de erros no demonstrativo elaborado pela fiscalização, e tratandose de matéria cujo ônus da prova foi transferido para o contribuinte, por presunção legal, deve ser mantida a autuação. Assim, entendo que as alegações trazidas pelo recorrente não são suficientes no sentido de cancelar o lançamento tributário efetuado dentro dos ditames legais que cercam a matéria, de modo que o acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela autoridade fiscal não foi justificado pelo contribuinte, motivo pelo qual o lançamento, bem como a r. decisão recorrida não merecem reparos. E finalmente quanto a omissão de rendimentos do trabalho, sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas físicas (omissão no valor de R$ 702.480,42, fato gerador em 31/12/2001), melhor sorte não possui o recorrente na medida que não trouxe ao autos prova cabal da omissão. Mantenho assim a Multa isolada por falta de recolhimento de imposto a título de carnêleão (multas aplicadas conforme fls. 11 a 12). Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso do contribuinte. (ASSINADO DIGITALMENTE) Acácia Sayuri Wakasugi Voto Vencedor Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira. Divirjo da ilustre relatora quanto ao seu entendimento da aplicação de multa isolada do carnêleão não recolhido, cobrada concomitantemente com a multa de ofício sobre o imposto lançado, quando os rendimentos sujeitos ao carnêleão são computados, pela fiscalização, no ajuste anual. A jurisprudência deste Colegiado tem se assentado pela não imputação de dupla penalidade pecuniária ao autuado em decorrência da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física – a multa de ofício vinculada ao imposto devido no ajuste anual, no percentual de 75% do imposto, e a multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão –, quando as multas têm a mesma base de cálculo. No auto em análise, os rendimentos recebidos de pessoas físicas, cujo imposto deveria ter sido antecipado dentro do anocalendário, estão inclusos na base de cálculo para a apuração do imposto anual, com a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% incidente sobre o imposto apurado. Em suma, a cobrança da multa de ofício isolada sobre a Fl. 787DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/03/20 13 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASU GI, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA 12 omissão de rendimentos percebidos de pessoa física, levaria a uma dupla penalidade, o que não seria admitido em nosso ordenamento jurídico. Transcrevo ementas de julgados nesse sentido: Acórdão n° CSRF/0104.987, sessão de 15 de junho de 2004. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Acórdão n° 10422.058, sessão de 06 de dezembro de 2006. [...] MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1°, itens II e III, da Lei n°. 9.430, de 1996). Acórdão n° 10616.124, sessão de 28 de fevereiro de 2007. [...] LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE. É de ser afastada a aplicação de multa isolada concomitantemente com multa de ofício tendo ambas a mesma base de cálculo. Pelo exposto, voto pelo afastamento da multa isolada que incidiu sobre o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) não pago. Em relação às demais questões suscitadas pelo recorrente, acompanho a i. Conselheira relatora. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Fl. 788DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASUGI, Assinado digitalmente em 17/03/20 13 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ACACIA SAYURI WAKASU GI, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001905/2009-68
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/01/2007
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES REFERENTES A FATOS GERADORES. CÁLCULO DA MULTA.
A obrigação acessória de prestar informações ao Fisco Federal mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovando-se a cada mês-competência. Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sendo que cada uma das infrações será punida com o valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/01/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES REFERENTES A FATOS GERADORES. CÁLCULO DA MULTA. A obrigação acessória de prestar informações ao Fisco Federal mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovando-se a cada mês-competência. Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sendo que cada uma das infrações será punida com o valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais). Recurso Voluntário Negado
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Fatos Geradores Recorrente MUNICÍPIO DE MARINGÁ PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/01/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES REFERENTES A FATOS GERADORES. CÁLCULO DA MULTA. A obrigação acessória de prestar informações ao Fisco Federal mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovandose a cada mêscompetência. Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sendo que cada uma das infrações será punida com o valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 19 05 /2 00 9- 68 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10950.001905/200968 Acórdão n.º 2302002.191 S2C3T2 Fl. 275 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 23/04/2009, em desfavor do sujeito passivo acima identificado, com ciência em 29/04/2009, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32 A, caput, inciso I, §§2º e 3º, da Lei n.º 8.212/91, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s, os contribuintes individuais que prestaram serviço ao Município no período de 03//2004 a 01/2007, conforme planilhas de fls. 15/187. Após impugnação, Acórdão de fls. 247/252, julgou a autuação procedente em parte para retificar o valor da multa, por ter sido aplicada de forma errônea. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que a imunidade é atributo constitucional decorrente da personalidade de certos entes; b) que os gestores de saúde como órgãos integrantes da administração pública, são imunes ao tributo; c) que os serviços foram custeados pelo SUS – Sistema Único de Saúde envolvendo recursos oriundos das Fazendas Públicas das três esferas de poder e as contribuições exigidas devem ser por elas custeadas; d) que os demais entes públicos, estadual e federal, devem integrar o procedimento fiscal; e) que não havendo tributação pretendida, não há conduta a ser penalizada na esfera criminal. Requer a insubsistência da exigência ou que os demais órgãos gestores do SUS integrem o feito. Que o Auto de Infração seja declarado improcedente e cancelado, assim como as Representações Fiscais para Fins Penais, com os respectivos arquivamentos. É o relatório. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. A recorrente se insurge contra a autuação alegando imunidade constitucional frente às contribuições exigidas e requer o chamamento dos demais entes federativos como co responsáveis. As alegações são totalmente improcedentes, pois não há qualquer situação legal que implique em solidariedade, tampouco em imunidade relativa à contribuição social. Sobre o assunto, é de se ver que o artigo 15, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, é taxativo ao afirmar que os órgãos da administração pública são equiparados à empresa, não havendo qualquer restrição quanto a aplicação do texto legal: Art.15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional( grifei); Assim, não há que se falar em imunidade do município em relação às contribuições previdenciárias. Ademais, o processo em questão trata de descumprimento de obrigação acessória por falta de informação em GFIP de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Portanto, mostrouse correta a autuação pela omissão nas informações prestadas em GFIP relativas às remunerações dos segurados contribuintes individuais, o que infringiu ao disposto no art. 32, IV da Lei 8.212/91 na redação dada pela Medida Provisória n.° 449, convertida na Lei 11.941/2009, de 27/05/2009: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) Fl. 554DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10950.001905/200968 Acórdão n.º 2302002.191 S2C3T2 Fl. 276 5 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) A multa aplicada está fundamentada no artigo 32A, caput, I e §§2º e 3º da Lei n.º 8.212/91, respeitado o disposto no artigo 106, inciso II, letra “c” do Código Tributário Nacional: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Por todo o exposto, Fl. 555DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 556DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 14479.000430/2007-02
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1998 a 30/11/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regas do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.107
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, pois declarou-se a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 30/11/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regas do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA '1. r-A.., .t»,,,,• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 14479.000430/2007-02 Recurso n° 153.059 Voluntário Acórdão no 2402-00.107 — 4a Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Recorrente FBS CONSTRUÇÃO CIVIL E PAVIMENTAÇÃO LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 30/11/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regas do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidad- :. , . e s, em dar provimento ao recurso, pois declarou- se a decadência das contribuiçõe- - pur. das.iol , V / "CE O OLIVEIRA Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros (Suplente), Edgar Silva Vidal (Suplente) e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. I Processo n° 14479.000430/2007-02 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.107 Fl. 184 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo — Norte / SP, fls. 0102 a 0109, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 022 a 024, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos em notas fiscais de prestação de serviços, devido à recorrente não ter se elidido da responsabilidade solidária, conforme determina a legislação. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 27/12/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 029 a 055, acompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0112 a 0141, acompanhado de anexos. Posteriormente, a DRP enviou o processo ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. 2 , Processo n° 14479.000430/2007-02 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.107 Fl. 185 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN. A decadência decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no 150, § 4°, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). 3 Processo n° 14479.000430/2007-02 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.107 Fl. 186 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 40, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1 0 - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2' - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 30.. Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco 11 anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. 4 . - Processo n° 14479.000430/2007-02 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.107 Fl. 187 Ocorre que, no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 12/2005, data da ciência, e os fatos geradores ocorreram entre as competências 05/1998 a 11/1998, portanto irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das regras existentes. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicação da d- . adência qüinqüenal. Sala das 'e , -m 8 de agosto de 2009 , ,1 AR O OLIVEIRA — Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 35000.000701/2005-46
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/04/2005
TÍTULOS PÚBLICOS DO SÉCULO PASSADO DO ESTADO DA BAHIA. UTILIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Os títulos da dívida pública emitidos no início do século passado, ÉTAT DE BAHIA - ÉTATS UNIS DU BRÉSIL, que não possuam cotação em bolsa e sejam de dificil liquidação não são aptos a garantir a extinção de crédito tributário por meio de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-000.559
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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Recorrida DRP/BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 30/04/2005 TÍTULOS PÚBLICOS DO SÉCULO PASSADO DO ESTADO DA BAHIA. UTILIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Os títulos da dívida pública emitidos no início do século passado, ÉTAT DE BAHIA - ÉTATS UNIS DU BRÉSIL, que não possuam cotação em bolsa e sejam de dificil liquidação não são aptos a garantir a extinção de crédito tributário por meio de compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Processo n° 35000.000701/2005-46 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.559 Fl. 153 ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. \ JULIO ti S _TE MES Presiden 111 Wsn-4--Y DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator • Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n°35000.000701/2005-46 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.559 Fl. 154 Relatório 1. Trata-se de recurso voluntário interposto pela SITCOM - SISTEMAS INTEGRADOS DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA. contra decisão de primeira instância que indeferiu requerimento de compensação de débitos da entidade junto a Previdência Social com créditos baseados em título da Dívida Pública Externa — "State cn f" 13ahia" adquiridos por cessão de crédito, através de escritura pública. 2. Em suas razões recursais, a empresa reitera as alegações firmadas até então, sendo assim, peço vênia para transcrever trecho das contra-razões do fisco, que bem resumiu o caso ora em questão: - pelo instituto da conzpensczçíii3 tributária, tem-se a possibilidade do sujeito passivo da obr-ig-aça o tributaria compensar valores devidos à União 'Federal e suas Autarquias referentes aos tributos de sua cotrzpetéricia, exti nguindo-se, assim, a exigência do crédito tributário nos te-rnos do art. 156 do CTN; - a requerente possui, de um lado, os débitos de tributos e contribuições administrados peba Secr-etaria da Receita Previdenciária declinados no pedido em anexo, e de outro, direitos creditórios adquiridos por cessã o de cr-éclito, através de escritura pública, sobre o título abaixo; - Titulo da Divida pública Externa — obrigações- ao Portador sob n° 11.436, emitidas pelo "État de Bahia — Etats-Urzis Du Brésil, autorizada pela Lei n°894, de 19/jun/ 1 912, do Estado da Bahia; - pelo instituto de cessão de crédito, realizado mecliarzte escritura pública Declaratória, o direito cedido tom a-se cr-édito próprio do adquirente, atendendo assim os requisitos do art. 74 da Lei 9.430/96." 3. As contra-razões do fisco são rio sentido da manutenção da decisão de primeira instância, haja vista que: • a) não há previsão legal que pertrzitcz ci irriplementação do instituto da compensação com créditos orig-irzá,--ios de cessão de crédito; b) o parecer da Procuradoria Fede-a1 Especializczda, consolidou o entendimento no sentido da impossibilidade de se compensar matéria tributária não autorizada por- lei, confor-rrze art. 170 do Código Tributário nacional - É o relatório. 3 , • Processo n° 35000.000701/2005-46 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.559 Fl. 155 Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator DA ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso, uma vez que é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade. DA COMPENSAÇÃO 2. A recorrente, SITCOM - SISTEMAS INTEGRADOS DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA, pretende a compensação de débitos da entidade junto a Previdência Social com créditos baseados em título da Dívida Pública Externa — "State of Bahia" adquiridos por cessão de crédito, através de escritura pública. 3. Ocorre que o direito pleiteado pelo recorrente não encontra guarida na legislação tributária federal, restando certa a impossibilidade de aproveitamento dos títulos do início do século, ora trazidos aos autos. 4. Ressalte-se, porque importante, que o disposto no art. 66 da Lei 8.383, de 30.12.91, que instituiu o direito à compensação de tributos e contribuições federais, assevera claramente que somente será admitida a compensação quando o crédito do contribuinte perante a Fazenda resultar de recolhimento indevido de tributo. 5. Apenas para melhor firmar meu entendimento, peço licença para transcrever o citado dispositivo: "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2 0 É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3 0 A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. hup://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9069.htm - art66 10-- § 4"As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." 4 _ Processo n°35000.000701/2005-46 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.559 Fl. 156 6. E a Lei n.° 9.711, de 20.11.98, estabeleceu taxativamente as hipóteses em que a administração pública poderia receber títulos públicos em pagamento. De maneira que a administração, na ausência de norma especifica autorizativa, não pode concluir o procedimento de compensação com base nos títulos públicos ora trazidos pela empresa. 7. No mais, cabe enfatizar que, no tocante a questão jurídica posta, a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça — STJ firmou entendimento pacifico no sentido de que "os títulos da dívida pública emitidos no inicio do século passado que não possuam cotação em bolsa e sejam de dificil liquidação não são aptos a garantir divida fiscal, tampouco a extinguir crédito tributário por meio de compensação". (AgRg no AgRg no Ag 1018450 / SC; DJe 01/10/2008) 8. Por fim, este Conselho inclusive já se pronunciou a respeito da matéria quando julgou o recurso n° 142.815 da recorrente Sociedade Lageana de Educação, na sessão de julho de 2009, o qual restou assim ementado: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2004. EMENTA: COMPENSAÇÃO. TÍTULOS PÚBLICOS DO SÉCULO PASSADO DO ESTADO DA BAHIA. UTILIZAÇÃO PARA EXTINÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁ RIO. IMPOSSIBILIDADE. Os títulos da dívida pública emitidos no início do século passado, ÉTAT DE BAHIA — ÉTATS UNIS DU BRÉSIL, que não possuam cotação em bolsa e sejam de dificil liquidação não são aptos a garantir a extinção de crédito tributário por meio de compensação. Recurso Voluntário Negado." 9. Feitas estas considerações, meu voto é no sentido de rechaçar a pretensão recursal. CONCLUSÃO 10. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 20 de a . e te - 2009 et") DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720136/2007-45
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA. As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de urna APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições imposta pelo órgão ambiental, Assim, para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como áreas de utilização limitada/área de interesse ecológico aquelas assim declaradas, em caráter específico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de
1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental
(ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação
permanente da base de cálculo do ITR.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO
DA BASE DE CÁLCULO.
A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se
faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo
IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a
protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato
Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua
averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto.
ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA.
Pode ser considerada área de exploração extrativa, para efeito do cálculo do Grau de Utilização, a porção do imóvel rural explorada, objeto de Plano de Manejo Sustentado aprovado pelo IBAMA ate o dia 31 de dezembro do exercício anterior ao da ocorrência do fato gerador do ITR e cujo cronograma
esteja sendo cumprido pelo sujeito passivo. Havendo a efetiva comprovação do cumprimento do cronograma pela Recorrente, devese
estabelecer o montante efetivo.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-001.640
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para que seja consignado como sendo área de exploração extrativa o equivalente a 36.539,55 ha. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. Fez sustentação oral, seu representante legal, Douglas Antonio Granenann de Souza – RG 767376-0 (Diretor).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA. As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de urna APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições imposta pelo órgão ambiental, Assim, para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como áreas de utilização limitada/área de interesse ecológico aquelas assim declaradas, em caráter específico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Pode ser considerada área de exploração extrativa, para efeito do cálculo do Grau de Utilização, a porção do imóvel rural explorada, objeto de Plano de Manejo Sustentado aprovado pelo IBAMA ate o dia 31 de dezembro do exercício anterior ao da ocorrência do fato gerador do ITR e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo sujeito passivo. Havendo a efetiva comprovação do cumprimento do cronograma pela Recorrente, devese estabelecer o montante efetivo. Recurso provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA. As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de urna APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições imposta pelo órgão ambiental, Assim, para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como áreas de utilização limitada/área de interesse ecológico aquelas assim declaradas, em caráter específico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Pode ser considerada área de exploração extrativa, para efeito do cálculo do Grau de Utilização, a porção do imóvel rural explorada, objeto de Plano de Manejo Sustentado aprovado pelo IBAMA ate o dia 31 de dezembro do exercício anterior ao da ocorrência do fato gerador do ITR e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo sujeito passivo. Havendo a efetiva comprovação do cumprimento do cronograma pela Recorrente, devese estabelecer o montante efetivo. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para que seja consignado como sendo área de exploração extrativa o equivalente a 36.539,55 ha. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. Fez sustentação oral, seu representante legal, Douglas Antonio Granenann de Souza – RG 7673760 (Diretor). (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.720136/200745 Acórdão n.º 220201.640 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, TRIÂNGULO PISOS E PAINÉIS LTDA.foi emitida em 03/09/2007, a Notificação de Lançamento n° 02501/00001/2007, de fl. 87/90, consubstanciando o lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2004, tendo como objeto o imóvel denominado "Fazenda Mama", cadastrado na RFB sob o n° 0.971.5509, com 73.079,1 ha, localizado no Município de Cujubim — RO. O crédito tributário apurado pela fiscalização compõese de diferença no valor do ITR de R$ 2.493.378,14 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 31/08/2007 (R$ 1.084.120,81) e da multa proporcional (R$ 1.870.033,60), perfaz o montante de R$.5.447.532,55. Do procedimento fiscal relativo a DITR/2004, a autoridade fiscal decidiu acatar uma área de preservação permanente (não declarada) de 10.000,0 ha, glosar parcialmente a área de reserva legal declarada, reduzindoa de 58.463,3 há para 21.515,5 ha, e integralmente a area declarada como de interesse ecológico/servidão florestal, de 14.445,8 ha. Conseqüentemente, o grau de utilização do imóvel foi alterado de 100,0% para 0,0% (zero por cento), aplicandose a alíquota de cálculo maxima, de 20%, sobre a nova base de cálculo (VTN tributável), disto resultando o imposto suplementar de R$ 2.493.378,14, conforme demonstrado as fls. 89. Cientificada do lançamento, em 12/09/2007 (AR de fls. 92), a interessada, através de advogado e procurador legalmente constituído (as fls. 144), protocolou sua impugnação, em 11/10/2007, anexada as fls. 93/143. Em síntese, alega e requer o seguinte: • o imóvel objeto do lançamento está inserido em área de interesse ecológico, sendo, portanto, nos termos da Lei 9.393/96, isento deste tributo, não podendo, em hipótese nenhuma ser tributado, principalmente na forma pretendida pela autoridade fiscal; • conforme documentos de prova acostados aos autos, o imóvel, devidamente caracterizado, encontrase a uma distância de 1.381,78 metros da Estação Ecológica de Samuel; • resta claro que, por imposição legal, da Lei Complementar Estadual n° 052, de 20/12/1991, que dispõe sobre o Zoneamento SócioEconômicoEcológico de Rondônia, o referido imóvel é de interesse ecológico para proteção de ecossistemas; • o documento que comprova que o imóvel está isento do ITR é aquele fornecido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental — SEDAM, órgão ambiental oficial do Estado de Rondônia; transcrevendo o disposto no art. 10, § 1°, alínea "b", da Lei n° 9.393/96; • estando a integralidade do imóvel inserido na area de proteção ecológica, conforme faz prova o documento fornecido pela Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Secretaria do Meio Ambiente do Estado de Rondônia, é evidente que o ITR não incide sobre nenhuma porção do mesmo; • da mesma forma, o art. 15, inciso I, do Decreto n° 4.382/2002, estabelece a isenção da área declarada de interesse ecológico para proteção de ecossistemas; • a Lei Complementar Estadual n° 052 de 1991, ampliou as restrições de uso para além das áreas já restritas pela Lei Federal, estabelecendo zonas com maior ou menor restrições. O imóvel da impugnante tanto na chamada "primeira aproximação" quanto na chamada "segunda aproximação" teve ampliado as restrições de uso, conforme transcrito • os textos supracitados e transcritos são auto explicativos e não comportam interpretações, pois, são claras as restrições impostas à livre exploração do imóvel, restringida a exploração ao extrativismo; • várias decisões administrativas e judiciais dão conta de que o ADA é irrelevante para a tributação ou não do imóvel, ou seja, a não entrega tempestiva, ou o preenchimento equivocado desse documento, por si só, não gera o tributo, jurisprudência do Conselho de Contribuintes: (Processo n° 10240.000703/2001 10, Acórdão n° 30333.616, Sessão de 18/10/2006; Processo n° 10240.001222/200241, Acórdão n° 30133.673, Sessão de 28/02/2007) e do STJ (RecEsp n° 668.001 — RN (2004/0099865 0, Relator: Min. Luiz Fux); • como se vê, dúvidas não restam sobre o fato de que, não só o ADA é documento hábil para comprovar a declaração do ITR, valendo qualquer outro meio licito de comprovação; • a exigência de que a declaração do ITR esteja em absoluto acordo com o ADA é, na verdade, um excesso de exação, se por outros meios lícitos, a declaração do ITR pode ser confirmada, como é o presente caso; • foi apresentado A. fiscalização o documento fornecido pelo Órgão Ambiental Estadual, que comprova que o imóvel está inserido em Area com restrição ambiental, certidão do RI, com averbações das áreas de proteção ambiental, reserva legal, planos de manejo, laudo de avaliação enfim, todos os documentos que comprovaram a exatidão da declaração do ITR12004 do imóvel; • ressaltese que o ADA, embora entregue com atraso, está em perfeita consonância com a declaração do ITR/2004 do imóvel, não havendo divergência; • sendo a área do imóvel totalmente isenta do ITR não há que se falar em nenhuma espécie de tributação ou de obrigação tributária acessória; • embora isento de ITR, a impugnante recolhe a chamada "taxa de vistoria" cobrada periodicamente pelo IBAMA, na forma da Lei 10.165/2000, como o fez no ano de 2005 (doc. anexo); Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.720136/200745 Acórdão n.º 220201.640 S2C2T2 Fl. 3 5 • informa que existe no imóvel um Plano de Manejo Florestal, cujos direitos de exploração foram cedidos para a empresa Indústrias de Madeiras Manoa Ltda, descrevendo o ramo de atuação dessa empresa e a forma de exploração do referido PMFS, concluindo que: "A referida empresa preza e zela pela harmonia e bem estar da natureza e das gerações vindouras, de tal forma que preconiza por uma exploração equilibrada com o ecossistema, procurando garantir a sustentabilidade dos recursos florestais"; • a implementação do Plano de Manejo em regime Sustentável objetiva garantir a disponibilidade de matériaprima, explorando as florestas de forma racional, minimizando os impactos causados ao meio ambiente e à sociedade; • a área total do imóvel está assim distribuída: 45.360,0 ha de manejo florestal, 11.019,0 destinada A. reserva de produção, 10.000,0 ha de preservação permanente, 5.024,0 ha destinada 6. uma Unidade de Conservação e 1.676,0 ha de infraestrutura (estradas, benfeitorias e pista de pouso). A área de preservação permanente calculada pode sofrer alterações com a realização do censo florestal nos talhões, onde poderão ser localizados nascentes e novos cursos d'água; • descreve as características intrínsecas do lançamento feito de o ficio pela autoridade fiscal, inclusive a integralidade do contido na descrição dos fatos; • a descaracterização das áreas ambientais carece de legalidade, eis que realizada por agente absolutamente incompetente, em detrimento da legislação Federal vigente; • discorre sobre o principio da Legalidade, citando palavras de Jose Afonso da Silva, extraídas da obra "Curso de Direito Constitucional Positivo, 9' Edição, Malheiros, pág. 368"; • não há qualquer previsão legal acerca da competência do Fiscal para efetuar a descaracterização de Áreas de Reserva Legal — decorrentes da Lei, ressaltese — por não ser autoridade competente para matéria puramente ambiental; • nos termos do transcrito art. 15, da Lei 9.393/96, a competência da Receita Federal referese a "administração do ITR, incluídas as atividades de arrecadação, tributação e fiscalização", ou seja, atividade exclusivamente fiscal; • cabe observar que o Regimento Interno do IBAMA (Portaria n° 0230 de 14/05/2002) prescreve claramente, de forma a corroborar o entendimento adotado, que compete ao IBAMA — órgão competente em matéria ambiental — as atividades relacionadas as areas de reserva legal, conforme transcrito; • logo, evidente que compete ao IBAMA, única e exclusivamente, a matéria ambiental em sede de Áreas de Reserva Legal, restando devidamente comprovado que a descaracterização realizada fere de forma flagrante o principio da legalidade; Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 • também existe a possibilidade de ser atribuído ao lançamento efetuado o vicio decorrentes do Excesso de Poder, citando, a favor dessa tese, palavras de Maria Sylvia ZaneIla Di Pietro (Direito Administrativo, 20a edição. Atlas: 2007, págs. 221/222); • existindo dúvidas sobre a efetiva existência da área de reserva legal declarada, deveria o Fisco, nos termos da legislação vigente (art. 16 da Lei 9.393/96), solicitar ao IBAMA para que este órgão, então no exercício de suas atribuições, realizasse a fiscalização necessária; • observandose o disposto no transcrito art. 14 da Lei 9.393/96, verifica se que em se tratando de matéria exclusivamente ambiental, não ha qualquer competência atribuída a Receita Federal, a qual é dotada, apenas, de competência para administração do ITR. Ainda, em casos de suspeita de informações inexatas ou incorretas, há a necessidade de realização de procedimento de fiscalização, de modo a permitir a real aferição dos valores questionados; • assim, ante a ilegalidade da descaracterização realizada e ante a falta de procedimento previsto em Lei, o Lançamento de oficio realizado não deve prosperar, eis que eivado de nulidade; • um dos princípios norteadores da atividade da administração é, notoriamente, o principio da motivação, que permite o controle da legalidade dos atos praticados, e possibilita melhor exercício da atividade de defesa por parte dos administrados; citando Lúcia Valle Figueiredo e ensinamento de Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 20 Edição. Atlas: 2007. Pág. 73); • nesse mesmo sentido, transcreve dispositivos da Lei 9.784/99, que regula o Processo Administrativo Federal, reportandose, especi ficamente, os transcritos artigos 2° e 50; além de citar trecho da obra de Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 25' edição, Malheiros Editores, Sao Paulo, 2000, págs. 143, 91/92); • após transcrever, na integra, o disposto no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72 e seus incisos, destacando o disposto no item III; que trata da necessidade de a Notificação de Lançamento conter a disposição legal infringida, se for o caso; diz que não há qualquer menção a dispositivo legal que estabeleça referido prazo de seis meses para apresentação do Protocolo ADA ou da averbação da reserva legal; • também não há qualquer motivação que importe em uma real justificação de motivos, importando em grave prejuízo ao Contribuinte, que se vé privado de exercer o Constitucionalmente em sede de Principio do Contraditório; • ante a ausência de motivação, a Notificação de Lançamento é eivada de nulidade, gerando nulidade, em conseqüência, a todos os atos posteriores praticados; • analisando o transcrito art. 10, § 7°, da Lei 9.393/96, percebe se claramente que o Contribuinte é diretamente responsável Fl. 333DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.720136/200745 Acórdão n.º 220201.640 S2C2T2 Fl. 4 7 pelas informações contidas em sua declaração, estando sujeito, entretanto, à possível lançamento de oficio, apenas e tão somente nos casos em que essa declaração não é verdadeira; • no caso em exame, não há qualquer declaração inveridica, visto que áreas declaradas efetivamente existem e cumprem sua função sócioambiental; • em momento algum houve qualquer dúvida sobre a real existência daquelas áreas ambientais declaradas, ocorrendo o lançamento, apenas, pelo descumprimento de uma formalidade, que, ao passo, pode vir a ser afastada; • não foi comprovado que a declaração prestada pelo Contribuinte não é verdadeira. A apuração da veracidade da declaração deve ser precedida de Processo Administrativo próprio, com atuação dos órgãos ambientais competentes para emitir juizos de valor em matéria ambiental; • no lançamento por homologação, a exigência do ADA, ou de qualquer outro documento, não encontra respaldo na Lei, e a autoridade fiscal não pode buscar suporte legal em legislação estranha à de sua competência para embasar a glosa efetuada, principalmente quando da análise dos fundamentos alegados; • a exigência do ADA para comprovação da área de reserva legal se aplica apenas para efeitos ambientais, não se exigindo que o Contribuinte comprove a existência daquela área para efeitos fiscais; citando, para corroborar sua tese, jurispruir cia do Conselho de Contribuintes (Processo n° 10120.007784/2003 45, Acórdão 30333265). • insiste que em matéria ambiental, cabe ao IBAMA apurar eventual irregularidade, mediante vistoria no imóvel; • também não há elemento vontade, que condicione a existência da Reserva Legal a qualquer manifestação por parte do Contribuinte e da administração, sendo decorrentes da letra da lei; citando, para corroborar sua tese, jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Processo n° 10620.000992/200382, Acórdão 30237265) e ensinamentos extraídos da obra de Paulo Affonso Leme Machado (Direito Ambiental Brasileiro, págs. 757 e 760); • volta a discorrer sobre o principio da legalidade, citando Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, pág. 67/68; • discorre sobre a não incidência de tributação sobre as Áreas de preservação permanente e de utilização limitada, conforme abordado por Pedro Einstein dos Santos Anceles, ao tratar da área aproveitável do imóvel, na sua obra titulada Manual de Tributos da Atividade Rural, Sao Paulo. Atlas, la Edição, 2001; • as áreas de reserva legal podem vir a ser exploradas apenas mediante realização de Plano de Manejo, sendo protegidas por Fl. 334DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Lei Federal, inviabilizando qualquer ação que não sua preservação, através do desenvolvimento sustentável, e por isso, logicamente, não são tributadas; • discorre sobre a função extrafiscal do ITR, que cabe ser visto como uma eficaz ferramenta de preservação do meio ambiente; • ainda, o valor correspondente ao novo crédito do imposto, acrescido de juros e multa, fere, de forma flagrante, o Principio do Não Confisco e o da Capacidade Contributiva, previstos na Constituição Federal (respectivamente, art. 150, IV e art. 145, § 1°). O valor do imposto apurado e recolhido, de R$ 226,91, foi majorado para absurdos R$ 2.493.605,05, que acrescido de multa e juros de mora, totaliza R$ 5.447.532,55; citando, a favor da nãoconfiscatoriedade, pensamento de Roque Antonio Carraza extraído da sua obra:Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo. Malheiros. 17a edição, pág. 86, e lição de Hugo de Brito Machado, na obra citada na impugnação; • acrescenta que o principio do nãoconfisco deve ser analisado á. luz dos demais princípios constitucionais, merecendo destaque o principio da função social da propriedade, que informa a atividade tributária da propriedade rural; • o formalismo radical que exige inúmeros documentos para a concessão da isenção prevista em Lei fere de forma flagrante os princípios Constitucionais, ao afastar o real significado de Função Social da Propriedade. Isto porque o que garante a Constituição e demais Leis infraconstitucionais é que proprietários cumpridores da função social da propriedade terão benesses fiscais, e esta condição não é comprovada por meros documentos; • concluindo, não pode prosperar o lançamento de oficio realizado, que fere de forma fragrante o Principio da Legalidade, bem como o Principio da Função Social da propriedade e o Principio do Nãoconfisco. • transcreve, novamente, o disposto no art. 10, § 7° da Lei 9.393/96, insistindo que as áreas de reserva legal são excluídas da área tributável, e que o lançamento de oficio somente teria lugar, em casos de declaração falsa, o que evidentemente não é o caso; • insiste nas mesmas alegações, tratadas anteriormente, principalmente no que diz respeito à necessidade de observância do principio constitucional da legalidade, em razão de não existir, para fins de ITR, a necessidade de juntada de qualquer documento; citando, agora, Celso Antônio Bandeira de Mello (Curso de Direito Administrativo, 16' edição, pág. 92); • da mesma forma, insiste que a caracterização de determinada área como de reserva legal é decorrente de disposição legislativa, independentemente do elemento vontade, tanto dos administradores quanto da própria administração; e, essa área limita o direito de propriedade com o fim precípuo de resguardar o meio ambiente, estabelecendo condições, apenas, ao uso sustentável, conforme ensina Paulo Affonso Leme, em sua obra: Direito Ambiental Brasileiro, pág. 755; Fl. 335DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.720136/200745 Acórdão n.º 220201.640 S2C2T2 Fl. 5 9 • as áreas de reserva legal não decorrem da vontade do contribuinte, mas de disposição legal expressa. É a inteligência dos transcritos artigos 1° e 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal); • pelo exposto, a falta ou intempestividade de documentos jamais poderia acarretar em expressa contrariedade à lei. E, frisese, a preservação destas áreas protegidas não é imposta apenas aos proprietários, mas a toda a coletividade, incluída a administração, que há de primar pelo fiel cumprimento do Constitucionalmente disposto; • a exigência de protocolização do ADA mostrase ainda mais irrelevante para a comprovação da existência das áreas de reserva legal, visto que se trata de mero documento declaratório. Não é através do protocolo que surge a reserva legal. Esta, como visto, recebe esta atribuição em decorrência da Lei; • após destacar a importância de se preservar as áreas de reserva legal, diz que a mera formalidade (protocolização do ADA) não pode confrontar a legislação em vigor e o Constitucionalmente garantido, sob pena de ir por terra a função primordial do direito ambiental; citando, nesse sentido, jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Processo n° 10855.004671/200301, Acórdão 30332758); • transcreve o disposto no art. 16, § 5° do Código Florestal, com a redação dada pela MP n° 2.16667, de 2001, para argumentar que não há qualquer possibilidade de supressão das áreas de reserva legal, seja por vontade do contribuinte, seja por qualquer ato administrativo; • em obediência a esta disposição legal, afastase a possibilidade de a Receita Federal, por ato unilateral, descaracterizar aquelas áreas, se estas efetivamente existem e cumprem sua função sócioambiental. Enfim, não há previsão legal que autorize a administração a, por ato unilateral e sem embasamento legal, descaracterizar aquelas áreas criadas por lei; • a descaracterização da área acertadamente declarada como de reserva legal acarretaria, ainda, em notório descumprimento da Lei, autorizando o contribuinte a utilizar aquelas áreas protegidas por Lei Federal, pois estas áreas passariam a ser consideradas aproveitáveis, e passíveis de exploração; • pelo exposto, há absoluto excesso de poder por parte do Fisco, que, além de agir em desconformidade ao disposto em Lei — tanto a Lei 9.393/96 quanto o Código Florestal — permitiria a exploração livre daquelas áreas protegidas; • após discorrer sobre aspectos do direito ambiental, do direito tributário, da função socioambiental da propriedade e da função extrafiscal do ITR, embasado na doutrina citada (Aliomar Baleeiro, Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar, T Edição, Forense, pág. 547 e Luis Carlos Silva de Moraes, Código Florestal Comentado, 3a Edição págs. 99, 100 e 30), Fl. 336DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 conclui que inexiste embasamento legal para a exigência do protocolo do ADA e da averbação, atendendo à função extrafiscal do tributo, por afastar a real intenção do Legislador de resguardar o meio ambiente, atribuindo benesses aos proprietários que cumprem a função socioambiental da propriedade; • no tocante ao prazo de seis meses estabelecido, por Instrução Normativa, remetese, novamente, ao já analisado principio da legalidade, visto que não pode a administração, por meio de ato administrativo, estabelecer novas condições, prejudiciais ao contribuinte, acrescentando, nesse mesmo sentido, ensinamentos de Maria Sylvia Zanella (Direito Administrativo, Atlas, 20' edição, pág. 59) e de Alexandre de Moraes (Direito Constitucional, Atlas, 19' Edição, pág. 37); • a favor da dispensabilidade do protocolo do ADA, cita parte do voto proferido no processo n° 10820.002080/200216, tendo como relator o conselheiro Zenaldo Loiban; • esse voto também explicita a inexistência do elemento vontade quando da caracterização de determinada área como de reserva legal; ressaltando, em seguida, que a função extrafiscal do ITR deve se sobrepor ao formalismo extremo, ou seja, se as areas existem efetivamente, a intempestividade de qualquer documento não lhes privará esta existência; • a desnecessidade de cumprir as exigências de averbação da RL e de protocolização do ADA tornase evidente, visto que, além de decorrer da vontade da Lei, a localização da reserva deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente, ou seja, se a área foi aprovada pelo órgão ambiental competente, ela efetivamente existe; • a necessidade de averbação e do protocolo do ADA, apesar de necessárias A. regularização do imóvel frente ao direito ambiental, por disposição expressa da Lei 9.393/96 — frisese — em nada influem quando do cálculo da área tributável; • insiste que a legislação vigente que disciplina o ITR é expressa ao determinar a desnecessidade de qualquer documento, seja o protocolo do ADA, seja a averbação; citando, nesse sentido, decisão recente do STJ (REsp n° 665.123PR. 2004/00818971, Rel. Ministra Eliana Calmon); • não obstante a desnecessidade de comprovação dessas áreas, existe a averbação tempestiva da área de RL à margem da matricula do imóvel, além de existir, apesar de intempestivo, o protocolo do ADA. • insiste que a propriedade cumpre sua função socioambiental, comprovadamente, inclusive através dos documentos exigidos, não podendo a intempestividade do ADA afastar o efeito buscado, qual seja comprovar a real existência daquelas áreas; • a jurisprudência corrobora o entendimento, ao passo que a intempestividade é ferramenta ineficiente para a descaracterização daquelas áreas protegidas (Acórdão 303 33180, processo n° 10620.001322/200201; Acórdão 30133402, Fl. 337DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.720136/200745 Acórdão n.º 220201.640 S2C2T2 Fl. 6 11 processo n° 13971.001592/200483 e Acórdão 303340022, processo n° 13609.000934/200486); • conclui, com base nessa jurisprudência, que não sendo necessária a averbação e o protocolo do ADA de forma tempestiva, logicamente não há motivos que levem descaracterização daquelas áreas declaradas, por acarretar estrita ilegalidade, com o advento da MP 2.16667/2001, que alterou o art. 10 da Lei 9.393/96; • em decorrência de erro no preenchimento da declaração do ITR, foi informada a área de 14.455,8 ha a titulo de área de interesse ecológico. No caso, a área de preservação permanente, quando do exercício fiscal de 2004, compreendia 10.000,0 ha, e ainda a área de 5.024,0 ha destinada à Unidade de Conservação, que acabaram sendo declarada erroneamente, como se de interesse ecológico fossem; • o erro foi motivado pela leitura do Parecer n° 284/2004, que identifica parcela da área da propriedade como sendo "Areas de Usos Especiais", levando a crer tratarem as áreas de interesse ecológico; • a área identificação das áreas, assim como sua efetiva existência, podem ser comprovadas, inclusive, quando da leitura do Plano de Manejo, devidamente aprovado pelas autoridades competentes; • transcreve parte do noticiário em que é destacado o fato de a interessada ter recebido o selo do CERFLOR — Programa Brasileiro de Certificação Florestal, concedido pelo Inmetro; • a existência das areas declaradas — apesar de erroneamente — é real e comprovada, seja pela leitura do Plano de Manejo, seja pela consideração do anteriormente constante do ADA (do ano de 2000); • os Planos de Manejo, além de exigidos por lei, visão primordialmente a manutenção do meio ambiente, exercendo enorme valia quando da análise da função social da propriedade; transcrevendo, em seguida, a legislação de regência (art. 15 do Código Florestal e no Decreto 2.788/98), • evidentemente, se necessária a aprovação do Plano de Manejo pelo IBAMA, inegável o valor probante daquele documento, que vincula o proprietário do imóvel; • o tratamento legal dispensado às áreas de interesse ecológico, preservação permanente e destinadas à unidade de conservação é o mesmo, qual seja a isenção do imposto ora discutido, conforme o exposto no art. 10, § 1 0, II, da Lei 9.393/93, que transcreve • o erro involuntário, em nada afeta o cálculo do imposto devido, acertadamente declarado e recolhido, levando, apenas, a uma ratificação da DITR/2004; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 • a desconsideração por parte da Receita Federal das áreas declaradas como de reserva legal e interesse ecológico não merecem prosperar em virtude do erro cometido pelo contribuinte na sua declaração do ITR, não encontrando respaldo fático e legal; • a favor da sua tese, cita jurisprudência do então Conselho de Contribuintes (Acórdão 20301999, processo n° 13941.000106/9207, Relator: Osvaldo José de Souza); • os documentos carreados aos autos — Plano de Manejo aprovado pelo IBAMA, Certificações recebidas pela empresa e, ainda, pelo próprio ADA referente ao ano de 2000 , corroboram a existência da área de preservação permanente — ressaltese que as áreas de reserva legal sofreram acréscimo, implicando na diferença constatada entre os protocolos ADA juntados; • para considerar qualquer meio de prova apto a corroborar a real extensão da área, cita jurisprudência do então Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 30235679, processo n° 10680.010805/200101, Relator: Paulo Roberto Cuco Antunes, e Acórdão n° 303 33343, processo n° 13855.001850/200296, Relator: Nilton Luiz Bártoli); • pugnase pela revisão do lançamento realizado, permitindo a adequação da DITR à efetiva dimensão e "tipificação" das áreas declaradas, compreendendo as áreas de interesse ecológico, na verdade, em 10.000,0 ha de preservação permanente e 5.024,0 de unidade de conservação; • inexistindo razões para a majoração do imposto, cabe excluir a multa aplicada, de caráter punitivo, e os juros de mora, que seriam cabíveis apenas se o valor impugnado já fosse exigível, o que não ocorre, seja por não existir decisão final, seja pelo fato da indevida majoração do tributo; • enfim, os juros de mora seriam aplicáveis apenas após o novo lançamento, de oficio, se comprovada a falsidade na declaração do ITR da requerente, o que comprovadamente não ocorreu. Ainda, o crédito só seria exigível após a realização deste novo lançamento, retificando o anterior, o que só poderia vir a ocorrer após final decisão da notificação de lançamento impugnada; citando, nesse sentido, jurisprudência do então Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 30235813, processo n° 13161.000293/9992), havendo, ainda, de levar em consideração o efeito suspensivo, ocorrendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (Acórdão 20169297, processo 10283.005687/9160); • as áreas de reserva legal declaradas efetivamente o são — inclusive em dimensões maiores , inexistindo razão para a manutenção dos juros e multa cobrados; • pelo exposto, incabível a aplicação de juros e multa, e • por fim, requer seja a impugnação conhecida e provida, para: •• declarar a nulidade do lançamento ante a isenção do ITR em relação ao imóvel objeto da autuação, da ausência de Fl. 339DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.720136/200745 Acórdão n.º 220201.640 S2C2T2 Fl. 7 13 motivação, ante a incompetência da autoridade fiscal para emitir juízos de valor em matéria fiscal e, em fase da não observância do procedimento devido para apurar eventuais inexatidões constantes da DITR; •• reconhecer a improcedência do lançamento ante a desnecessidade de apresentação do protocolo ADA e da averbação para reconhecimento das áreas de reserva legal; •• ser o lançamento considerado improcedente, eis que sem embasamento legal e por apresentar estrita ilegalidade; ••, revisar o lançamento, dirimindo os erros ocorridos, importando em retificação nas dimensões apontadas como de interesse ecológico, na seguinte monta: 10.000,0 ha relativos a áreas de preservação permanente e 5.024,0 ha relativos à unidade de conservação, conforme plano de manejo; •• aceitar o plano de manejo, aprovado pelo IBAMA, como meio de prova, apto a comprovar a existência das áreas de preservação permanente e destinadas A. unidade de conservação; •• a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até final do julgamento, e •• o afastamento dos juros e multa calculados, ante a improcedência da majoração realizada e, por fim, o afastamento daqueles por importar a retificação em novo lançamento. A DRJ Brasilia julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DO PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE 0 procedimento fiscal foi instaurado de acordo com a legislação vigente, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, não havendo que se falar em qualquer irregularidade capaz de macular o lançamento. Apesar de a apuração da veracidade dos dados informados pelo proprietário do imóvel no ADA ser de competência do IBAMA, pode ser exigida a comprovação da sua protocolização, em tempo hábil, nesse órgão, constituindo medida eminentemente documental,devidamente prevista na legislação fiscal. DAS AREAS DE RESERVA LEGAL E DE INTERESSE ECOLÓGICO. As novas Areas ambientais do imóvel (reserva legal e interesse ecológico),pleiteadas pela contribuinte na sua DITR/2004 e Fl. 340DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 aventadas na sua impugnação, somente caberiam ser consideradas, para fins de exclusão de tributação, se comprovada a protocolização, em tempo hábil, de novo ADA (com natureza de retificador) no IBAMA, além da existência de Ato do órgão ambiental competente federal ou estadual reconhecendo a área especifica do imóvel como sendo de interesse ecológico, para proteção do respectivo ecossistema. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, a contribuinte apresenta o recurso voluntário em 10/02/2010, onde reitera os argumentos da impugnação. Da preliminar de isenção de ITR do imóvel; Do questionamento do lançamento, que estaria baseado em premissas equivocadas e injustas. Em 14/04/2011, nova exposição de motivo e requisições são realizadas às fls. 275 a 283. Entre os argumento adicionais trazidos destaquese: Relativamente ao ITR do exercício de 2004, o ADA deveria ser apresentado até 31/03/2005, nos termos do artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 435, de 27 de julho de 2004. A recorrente protocolou tal documento junto ao IBAMA em 10/06/2005, portanto, em momento anterior ao inicio da ação fiscal. Este pequeno atraso no cumprimento da formalidade de apresentação do ADA não pode justificar as glosas promovidas pela fiscalização. Isso porque, além do ADA, existem outras formas de comprovação de áreas de interesse ambiental, conforme orienta o próprio IBAMA em sua página na internet (www.ibama.qov.br), no ícone "Respostas as Perguntas mais Freqüentes sobre o ADA" No caso, a area de reserva legal de 58.463,3 hectares (informada na DITR/2004 e no ADA apresentado em 2005) encontrase devidamente averbada à margem da matricula do imóvel desde 11/06/2003. O formalismo do ADA não pode se sobrepor à averbação, à efetiva comprovação da Area de reserva legal de 58.463,3 hectares. Necessário informar que na matricula anterior deste imóvel já havia averbação, feita em 19/01/1995, de Areas de preservação ambiental de 53.433,00 ha e de 12.946,00 hectares, conforme cópia do respectivo registro, que segue anexo, a qual teve origem em Termo de Responsabilidade de Manutenção da Floresta Manejada firmado entre a empresa e o IBAMA em 09/11/1994. do ADA protocolado em 10/04/2000 restaram desprezadas a Area de Reserva Particular do Patrimônio Natural de 5.024,00 hectares e a Area com Plano de Manejo Florestal de 56.379,00 hectares. É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.720136/200745 Acórdão n.º 220201.640 S2C2T2 Fl. 8 15 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL A recorrente alega em preliminar a nulidade do procedimento fiscal. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Não havendo que se falar em nulidade no presente caso, rejeito a preliminar argüida pelo contribuinte. Suscitou ainda o autuado, o cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que a autoridade fiscal não lhe propiciou a oportunidade para uma defesa plena Acrescentese, por pertinente, que a alegação do recorrente não procede. Não ficou caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Muito pelo contrário. A defesa foi exercida de forma absolutamente ampla! A maior prova disso é que o contribuinte contestou todos os pontos da autuação, demonstrando, dessa forma, o conhecimento pleno da infração que lhe foi imputada. Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Posto isso, rejeito tal preliminar de nulidade. DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA. – DA ISENÇÃO As áreas de propriedades privadas inseridas dentro dos limites de urna APA podem ser exploradas economicamente, desde que observadas as normas e restrições imposta pelo órgão ambiental, Assim, para efeito de exclusão do ITR, somente serão aceitas como áreas Fl. 342DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 de utilização limitada/área de interesse ecológico aquelas assim declaradas, em caráter específico, mediante ato específico da autoridade competente, estadual ou federal, conforme o caso. Urge registrar que para a comprovação da área de relevante interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, fazse necessário que ela seja declarada em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular, não podendo ser aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas em caráter geral, conforme art. 10, § 6º, da Instrução Normativa SRF nº 43/1997, com a redação dada pelo art. 1º, II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997: “Art. 10. (...) § 6º Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas,em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular.” Em realidade, a Instrução Normativa esclarece o óbvio, eis que a própria Lei nº 9.393/1996, em seu art. 10, § 1º, II, estabelece que todas as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conforme definidas em lei, são áreas nãotributáveis, mas, com relação às áreas de interesse ecológico, estabelece que, entre elas, apenas aquelas “declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual” serão áreas nãotributáveis. Fica entendido que as áreas contidas dentro dos limites da citada APA, não podem ser, de maneira geral e automaticamente consideradas de interesse ecológico, para efeito de exclusão do ITR, carece, para tal fim, do cumprimento das exigências legais previstas para cada tipo de área ambiental. DO ADA Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10240.720136/200745 Acórdão n.º 220201.640 S2C2T2 Fl. 9 17 Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2002, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização tempestiva do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a solicitação tempestiva do ADA constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 DA ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA Compulsandose, na esteira de tudo que foi exposto, os documentos acostados pela Recorrente, verifica se, de maneira cabal, o reconhecimento do próprio Ministério do Meio Ambiente, por meio da Superintendência Estadual em Rondônia (fls. 294 e 295), do cumprimento ininterrupto do Plano de Manejo Florestal n.° 02024.001286/9433, submetido pela Recorrente, desde o ano de 1994, documento este que, dotado de fé pública, entendo suficiente para acolher o quanto sustentado pela contribuinte. Registrese, que pelo princípio da verdade material, pode ser considerada área de exploração extrativa, para efeito do cálculo do Grau de Utilização, a porção do imóvel rural explorada, objeto de Plano de Manejo Sustentado aprovado pelo IBAMA ate o dia 31 de dezembro do exercício anterior ao da ocorrência do fato gerador do ITR e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo sujeito passivo. Havendo a efetiva comprovação do cumprimento do cronograma pela Recorrente, devese estabelecer o montante efetivo. No caso concreto tendo em vista que originalmente o recorrente dispões de ADA de fls, 296, onde está consignado o valor de 36.539.55 ha. como área florestal, entendo justo que esse valor seja considerado de exploração extrativa. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para que seja consignado como sendo área de exploração extrativa o equivalente a 36.539,55 ha. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 345DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10675.000817/2001-98
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso.
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1994 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso. i Processo n° 10675.000817/2001-98 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.032 Fl. 2 / I , 1 1F CARLO". A :Ár O FREIT S BARRETO — Presidente1 r- n 45 \bi, 1,!;1111Yit JULIO S • -' IEIRA OMES — Relator EDITADO EM: 18 S I T 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de correspondente à reserva legal, ainda que à época dos fato gerador não houvesse sua averbação do registro de imóveis e que não incide ITR sobre a área do imóvel destinada à preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informada intempestivamente. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que o acórdão diverge da tese prevalente em outra turma deste Conselho que reconheceu a contrariedade à legislação tributária. Ao prover o recurso voluntário, o acórdão recorrido acabou por malferir o art. 10, § 4°, inciso I, da IN/SRF N° 43/1997, que disciplinou a Lei 9.393/96, com a redação dada pela IN/SRF N° 67/97 e ofender o artigo 111 e 114, ambos do CTN. E continua: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação 1 dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançada; c) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. 1 É o relatório. , 2 Processo n° 10675.000817/2001-98 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.032 Fl. 3 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Uma vez atendidos os pressupostos para admissibilidade conheço do recurso e passo ao seu exame. Devolve-se a esta Câmara Stiperior de- Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (-) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. § § 2°. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro 3 Processo n° 10675.000817/2001-98 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.032 Fl. 4 no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas. 2003. 15 a ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. (destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal) (.) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser 4 Processo n° 10675.000817/2001-98 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.032 Fl. 5 responsabilizado pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declarató rio do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n° 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da área eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de 1i! Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (.) IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as 5 Processo n° 10675.000817/2001-98 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.032 Fl. 6 nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: A "reserva legal", prevista no art. 16, ,§ 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf L. 8.629/93, art. 10, ITO,sem que esteja identificada na sua averbação (v.g MS 22.688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré- 6 Processo n° 10675.000817/2001-98 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.032 Fl. 7 definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. A outra divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, caput, da Lei n°9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) 111NI;; Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; 7 Processo n° 10675.000817/2001-98 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.032 Fl. 8 Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. ,f 1° A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIA T, e a distribuição das áreas, à situação existente em 1 0 de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (.) ,¢ 3° São áreas de utilização limitada: sf 40 As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da A entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (.) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, I, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao lbama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR11998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; 8 Processo n° 10675.000817/2001-98 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.032 Fl. 9 Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (..) § 6. 0 Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.°, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: IV- afixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; 9 Processo n° 10675.000817/2001-98 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.032 Fl. 10 Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela especifica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impedido para o gozo da isenção; caso distinto da exigência de averbação, que é requisito para constituição da área de reserva legal. Em razão do exposto, entendo que deve ser incluído na base de cálculo do ITR o valor correspondente à reserva legal não averbada à época do fato gerador e excluído o valor correspondente à área - p ervação permanente, mesmo que ausente o ADA. \n Atgt, Julio Ces Vi ira ornes - Relator ; ' 10
score : 1.0
Numero do processo: 13653.000161/2003-11
Data da sessão: Thu May 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998
ONUS PROBATÓRIO DAS ALEGAÇÕES.
Não tendo a empresa, durante todo o processo, produzido qualquer prova de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária, há que ser mantido o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1803-000.079
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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Recorrida 2° TURMA/DRJ-JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 ONUS PROBATÓRIO DAS ALEGAÇÕES. Não tendo a empresa, durante todo o processo, produzido qualquer prova de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária, há que ser mantido o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. LUCIANO INOCE CIO IbOS SANTOS - Rela or DLIADO EM: Participaram, ainda, do presente júlgamento, os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Benedicto Celso Benicio Júnior e José Clóvis Alves (Presidente da Camara na data do julgamento). 1 Processo n° 13653.000161/2003-11 SI-TEUS Acórdão n.° 1803-00.079 Fl. 49 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra a decisão da DRJ, a qual manteve parcialmente o lançamento do auto de infração, emitido por via eletrônica (fls. 12/16), exigindo crédito tributário de R$ 2.443,22 referente a IRPJ, acrescido de multa de oficio e juros, relativo ao ano-calendário de 1998. 0 lançamento decorreu de auditoria interna da DCTF original referente ao 30 trimestre de 1998, onde foi constatada falta de pagamento do principal-declaração inexata, em razão da não localização do pagamento (Anexo Ib) que teria lastreado a vinculação do crédito por compensação com o valor principal do débito declarado (Anexo I). Notificado da infração em 02/07/2003 (fl. 22), a recorrente apresentou, em 0110812003, impugnação (fls. 01/02), na qual, com base no DARF de cópia à fl. 20, é alegado o seguinte, resumidamente: O IRPJ devido em 09/1998, no valor de R$ 927,57 (.) foi compensado com o recolhido em 30.04.1998, no valor de R$ 1.055,87 (.), código da receita 5993. Quando da elaboração da DCTF do 3° trimestre de 1998, o contribuinte utilizou o valor recolhido a maior em 30.04.1998, de IRE], para compensar com o devido no mês 09/1998, (.). Ao se manifestar sobre o pleito da recorrente a DRJ, através do acórdão (fls. 28/30) fundamentou sua decisão discorrendo, como se segue. Asseverando que, em que pesem os argumentos passivos, o contribuinte não logrou comprovar que a compensação do valor principal do débito declarado estivesse inquestionavelmente respaldada no pagamento de R$ 1.055,87, de que trata o DARF de cópia fl. 20. Prossegue discorrendo que, consoante o despacho de fl. 25, referido pagamento encontra-se correta e integralmente alocado para outro débito do mesmo tributo, em observância ao preenchimento dos campos daquele DARF, tal como consta no extrato de fl. 24. Aduz ainda como fundamento, que constituindo a DCTF instrumento de confissão de divida hábil e suficiente à exigência do crédito tributário, nos termos do artigo 50 do Decreto 2.124/84. Conclui seus fundamentos, suportados na Solução de Consulta Interna n° 3, de 08/01/2004, a qual estabelece em seu item 22 que, no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n9- 2.158-35, "em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n' 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de oficio sempre que não tenha sido verificada nenhuma das hipóteses previstas no art. 18 da Lei if 10.833, de 2003, ou seja, que as diferenças apuradas tenham decorrido de compensação indevida em virtude de o crédito ou o débito não ser passível de 2 4 Processo n° 13653.000161/2003-11 S 1-TE05 Acórdão n.° 1803-00.079 Fl. 50 compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que tenha ficado caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio". Determina, por fim, a exoneração da multa de oficio e exigindo o débito do IRPJ no valor de R$ 927,57, além dos devidos acréscimos de juros de mora e multa de mora. Ciente da decisão proferida pela DRJ em 18/09/2007, a contribuinte apresentou em 17/10/2007 Recurso Voluntário (fl. 34) reprisando a alegação de sua peça impugnatória, juntando cópia da DCTF, DARF. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Inocêncio dos Santos, Relator 0 presente recurso é tempestivo e contém os requisitos essenciais à sua admissibilidade, motivo pelo qual, dele tomo conhecimento. Verifica-se que o deslinde da questão, está sob o arnês probatório da existência ou não do crédito compensado pela recorrente, glosado no lançamento, sob a alegação deste já ter sido vinculado a outro debito (fls. 24/25). Tendo a administração tributária justificado a razão da glosa da compensação e não logrando a recorrente se contrapor A. essas justificativas, mormente sem produzir quaisquer provas capazes de obstar a alegação fazenddria, há que se manter a exigência. Compre destacar, que não pode a Recorrente atribuir ao Fisco o dever de produzir a prova que lhe competia, pois no sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal (PAF), o ônus de provar a veracidade do que se afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36, que assim dispõe (in verbis): "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei." (Grifamos) Corrobora também essa assertiva, o disposto no art. 330, II da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), o qual assevera que (in verbis): "Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — (..) Omissis II — ao réu, quanto ii existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." (Grifamos) 3 OS SANTOS - Re Processo n° 13653.000161/2003-11 81-TE05 Acórdão n.° 1803-00.079 Fl. 51 Ora, as alegações de recurso devem ser acompanhadas das provas que as corroboram, sob a pena processual de aplicação da máxima do "Allegatio et non pro batio, quasi non allegatio", qual seja, quem alega e não prova, é tido como não tendo alegado. Diante do exposto, mantenho a exigência, negando provimento ao recurso voluntário. como voto. 4
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000686/2007-10
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 2802-001.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do voto do (a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
EDITADO EM: 26/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ewan Teles Aguiar, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso não conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do voto do (a) Relator(a). (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ewan Teles Aguiar, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros.
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do voto do (a) Relator(a). (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator EDITADO EM: 26/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Ewan Teles Aguiar, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 06 86 /2 00 7- 10 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Por bem sintetizar a matéria tratada nos presentes autos, abaixo se reproduz a descrição constante do relatório do Acórdão nº 1732.314 – 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SPO II), fls. 20 a 23: “Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/11, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2001, por meio da qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 27.267,78 (vinte e sete mil, duzentos e sessenta e sete reais e setenta e oito centavos), sendo R$ 10.411,53 referentes ao imposto, R$ 7.808,64, à multa proporcional, e R$ 9.047,61, aos juros de mora (calculados até 31/07/2007). 1.1. Conforme o Demonstrativo das Infrações (fls. 08/08v0), a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: 1.1.1. Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (Ajuste Anual) — Dedução Indevida a Titulo de Contribuição à Previdência Oficial Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/12/2001 6.689,20 75 Enquadramento legal: art. 8°, inciso II, alínea "d", da Lei n° 9.250/95. 1.1.2. Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (Ajuste Anual) — Dedução Indevida de Dependente. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/12/2001 1.080,00 75 Enquadramento legal: art. 8°,inciso II, alínea "c", §§ 2° e 3° da Lei n° 9.250/95; arts. 73 e 83 do RIR/99. 1.1.3. Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (Ajuste Anual) — Dedução Indevida de Despesa com Instrução. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/12/2001 1.700,00 75 Enquadramento legal: art. 11, § 3° do Decretoui n° 5.844/43; art. 8°, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.250/95 c/c art. 2° da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002. 1.1.4. Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (AjusteAnual) — Dedução Indevida de Despesas Médicas Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/12/2001 6.200,00 75 Enquadramento legal: art. 8°, inciso II, alínea "a", e §§ 2° e 3° da Lei n° 9.250/95; arts. 73, 80 e 83 do RIR/99. 1.1.5. Dedução de Imposto Indevida (Ajuste Anual) — Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte — Titular. EXERCÍCIO VALOR 2002 14.602,00 Enquadramento legal: art. 12, inciso V, da Lei n° 9.250/95; art. 841, inciso II, do RIR/99. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13820.000686/200710 Acórdão n.º 2802001.925 S2TE02 Fl. 66 3 1.2. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04/05v), temse que o lançamento de oficio originouse de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual, tendo sido constado pela fiscalização as irregularidades apontadas, em decorrência do não atendimento pelo contribuinte, devidamente intimado, ao pedido de esclarecimento. 2. Cientificado da notificação em 21/08/2007 (Consulta Postagem de fls. 15), o contribuinte protocolizou, em 18/09/2007, a impugnação de fls. 01, juntando o documento de fls. 02, alegando apenas que o valor correto de seus rendimentos tributáveis, recebidos da sua única fonte pagadora, Weg Indústrias S/A, CNPJ n° 79.670.501/000135, é R$ 27.458,34 e não R$ 67.727,34 como constou na sua declaração, pedindo que novos cálculos sejam feitos.” Examinando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPOII julgou o lançamento procedente, fls. 20 a 23, cujas razões de decidir constam assim resumidas na ementa de seu Acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FíSICA IRPF Exercício: 2002 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL.DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTES. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse não impugnadas as matérias não contestadas pelo interessado, consolidandose administrativamente o crédito tributário a elas correspondentes, consoante o disposto no artigo 17 do Decreto n.° 70.235/1972, com as modificações introduzidas pela Lei n.° 9.532/1997. Cientificado em 10/07/2009, sextafeira, fls. 27, verso, o contribuinte interpôs recurso voluntário postado em 12/08/2009, fls. 28 a 30, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação acrescentando, por sua vez, contestações quanto às glosas das deduções da base de cálculo do imposto apurado em sua Declaração de Ajuste Anual. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior De acordo com o art. 5º c/c o art. 15 do Decreto n° 70.325, de 1972, que regula o processo administrativo no âmbito federal, o prazo de 30 (trinta) dias para a interposição de Recurso Voluntário é contínuo, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o do vencimento. Os prazos se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Nos termos do Ato Declaratório Normativo nº 19, de 26/05/2007, no caso de remessa pelos Correios, “para efeitos de tempestividade, considerase como data da entrega a da postagem da petição, devidamente comprovada”. No caso concreto, o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 10/07/2009, sextafeira, fls. 27, verso. De acordo com a norma supracitada, o inicio da contagem do prazo ocorreu dia 13/07/2009, segundafeira, esgotandose, por conseguinte, em 11/08/2009, terçafeira, o prazo de 30 (trinta) dias previsto para ingresso do Recurso Voluntário, na forma do art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972. Ocorre que, consoante carimbo de protocolo aposto no folha de rosto do Recurso Voluntário, sua apresentação se deu somente em 12/08/2009, após expirado o prazo para tanto. Intempestivo, pois, o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Seguindo o procedimento do Decreto n° 70.325/72, bem como a jurisprudência deste Conselho, o recurso intempestivo não deverá ser objeto de conhecimento. Isto posto, VOTO por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19740.000400/2004-11
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO — Não há de se falar em nulidade da
decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, pelo simples fato de a contribuinte não ter sido intimada para estar presente no momento do julgamento e dele poder participar, eis que ausentes no PAF essa hipótese.
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS - É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributos e
contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com créditos de natureza não tributária adquiridos de terceiros (art. 74 da Lei no 9.430/96 e IN SRF no 41/2000).
CRÉDITO DE NATUREZA NÃO-TRIBUTÁRIA E DE TERCEIROS. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Será considerada não declarada a compensação na hipótese em que o crédito seja de terceiros (§ 12, inciso II, alínea "a" do art.
74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei n. 11.051/2004).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.257
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO — Não há de se falar em nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, pelo simples fato de a contribuinte não ter sido intimada para estar presente no momento do julgamento e dele poder participar, eis que ausentes no PAF essa hipótese. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS - É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com créditos de natureza não tributária adquiridos de terceiros (art. 74 da Lei no 9.430/96 e IN SRF no 41/2000). CRÉDITO DE NATUREZA NÃO-TRIBUTÁRIA E DE TERCEIROS. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Será considerada não declarada a compensação na hipótese em que o crédito seja de terceiros (§ 12, inciso II, alínea "a" do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei n. 11.051/2004). Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida 8' TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO I - RJ Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO — Não há de se falar em nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, pelo simples fato de a contribuinte não ter sido intimada para estar presente no momento do julgamento e dele poder participar, eis que ausentes no PAF essa hipótese. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS - É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com créditos de natureza não tributária adquiridos de terceiros (art. 74 da Lei no 9.430/96 e IN SRF no 41/2000). CRÉDITO DE NATUREZA NÃO-TRIBUTÁRIA E DE TERCEIROS. NÃO-HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Será considerada não declarada a compensação na hipótese em que o crédito seja de terceiros (§ 12, inciso II, alínea "a" do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei n. 11.051/2004). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ALA). LU LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente 1 — • - NDRI – Relator EDITADO EM: 26 ABR 2Ur.: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José de Oliveira Ferraz Correa, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. 2 Processo n° 19740.000400/2004-11 S/-C31"1 Acórdão n.° 1301-00.257 Fl. 2 Relatório BANCO CLÁSSICO S/A, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 8' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro - RJ, que por unanimidade de votos, considerou não declarada a compensação efetuada pela contribuinte de créditos obtidos mediante decisão judicial com débitos de IRPJ e CSLL Trata-se o presente processo de Pedido de Compensação (fls. 01), apresentado em 29.10.2004, referente ao IRPJ do 3° trimestre de 2004 no valor de R$ 833.549,55 e a CSLL no valor de R$ 292.868,75, mediante utilização de precatório judicial da empresa AGRO1MOBILIÁRIA AVANHANDAVA S/A em face do INCRA e cedidos à contribuinte, através de instrumento particular (fls. 04/05) realizado em 27.10.2004. Em despacho decisório às fls. 18/23, a DeinURJO não homologou a compensação pleiteada, apresentando os seguintes argumentos: - a Recorrente não procedeu à necessária formalidade de realizar seu pleito mediante "declaração de compensação"; - é vedada por lei a compensação de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal mediante créditos cedidos por terceiros. Cientificada do despacho decisório em 07.03.2006, a Recorrente apresentou em 24.03.2006 impugnação (fls. 28/38), alegando preliminarmente a nulidade do despacho decisório da Deinf/RJO-I, pois emitido por autoridade incompetente e que, nos termos do art. 13 da LC 73/93, caberia à Procuradoria da Fazenda Nacional opinar sobre matérias jurídicas. Sustenta ainda que os créditos utilizados na referida compensação não são de terceiros por duas razões: a primeira é que o cedente e o cessionário do crédito são sociedades que possuem o mesmo acionista controlador e a segunda é a de que o instrumento de cessão de créditos é reconhecido pelos arts. 286 a 298 do Código Civil, sendo vedado à legislação tributária, conforme art. 110 do CTN, alterar definição, alcance ou conteúdo dos institutos e conceitos de direito privado. Ademais, explicita que os débitos que pretendeu compensar foram informados em DCTF, constituindo, portanto, confissão de divida. Alega que a Constituição Federal autoriza a cessão de créditos oriundos de precatório e o § 2° do art. 78 do ADCT outorga ao precatório poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por sua vez, entendeu, com base na Portaria SRF 30/2005, ser incompetente para pronunciar-se no caso (fls. 51) e remeteu os autos a Deinf que enviou os débitos para inscrição em Divida Ativa que foi efetivada em 31.07.2006 (fls. 71/76) e posteriormente executada (fls. 105). 3 A Recorrente então, impetrou mandado de segurança com o fito de ter as impugnações apresentadas no presente processo bem como nos processos administrativos n's 19740.000272/2004-14, 19740.000347/2004-78, 19740.000051/2004-38 e 19740.000560/2004-80 devidamente apreciadas pela DRJ/RJ. Por força da liminar concedida nos autos do mandado de segurança supramencionado e dos despachos exarados pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 115), a inscrição em dívida ativa foi suspensa e os autos remetidos para a DRJ/I§J para julgamento da manifestações de inconformidade. A 8' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento manteve o despacho decisório e considerou não declarada a compensação (fls. 120/128). Quanto à preliminar de nulidade argüida pela Recorrente, entende a Turma que cabe às Delegacias da Receita Federal e não a Procuradoria da Fazenda Nacional decidir sobre pedidos de restituição e compensação e em grau de recurso, as manifestações de inconformidade são julgadas pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, invocando o regimento interno da Receita Federal do Brasil. No mérito, argumenta a 8° Turma que, com base no novo regime previsto pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96 é vedado às compensações que utilizem créditos de terceiros, relativos a tributos e contribuições federais não administrados pela Secretaria da Receita Federal e cujos respectivos pedidos não tenham sido formulados mediante entrega de "declaração de compensação". Quanto à utilização de créditos de terceiros, a Turma se manifestou no sentido de que adotar entendimento de que referidos créditos não são de terceiros, seria admitir que, na hipótese de cessão de créditos, jamais existiria terceiro na relação, pois uma vez cedido, o crédito sempre se torna próprio do cessionário, levando a conclusão de que a vedação legal quanto à compensação de débitos próprios com créditos de terceiros é inócua não podendo ser levada em conta tal tese. Alega ainda que por força do principio da entidade, as pessoas jurídicas têm existência distinta da de seus sócios, sendo irrelevante que na cessão de créditos a cedente e a cessionária sejam empresas do mesmo grupo econômico, submetidas ao mesmo controle acionário, caracterizando-se a cessão. Quanto à utilização de créditos relativos à tributos e contribuições não administrados pela Secretaria da Receita Federal, saliente a Turma que pelo fato de a compensação em questão referir-se a créditos de origem diversa daquela que é autorizada pela legislação tributária federal é impossível realizar-se. Por fim, alega a DRJ que o fato de o requerimento de compensação ter sido protocolado em 30.012004, sem a utilização do Per/Dcomp ou os formulários alternativos e em desconformidade ao § r do art. 74 da Lei n° 9.430/96, impossível a compensação, nos termos do art. 4° da Instrução Normativa n°360/2003. Intimada da decisão da DRJ, a Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 132/146), alegando preliminarmente o cerceamento de defesa pela falta de intimação da realização do julgamento da manifestação de inconformidade pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como porque foi proferida decisão tendente a dificultar o entendimento do que foi efetivamente julgado, obstruindo a defesa. 4 Processo n°19740.000400/2004-11 51-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.257 Fl. 3 Alega no mérito, em síntese: (O não tratar-se de crédito de terceiro uma vez que se tratam de empresas do mesmo grupo econômico, no qual o acionista controlador é o mesmo, não podendo as sociedades que possuem o mesmo acionista controlador serem consideradas como terceiro entre si; (ii) além disso, a teor da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005, empresas do mesmo grupo econômico são solidariamente responsáveis pelos débitos previdenciários de qualquer uma delas o que impossibilita serem caracterizadas como terceiro; (iii) se a cessão de crédito, reconhecida pelos arts. 286 a 298 do Código Civil, produz o efeito de transferir o crédito do cedente ao cessionário, não se pode dizer que o crédito oferecido pela Recorrente à compensação é de terceiro, porque, com a formalização do instrumento de cessão, a Recorrente se tornou titular do crédito; (iv) que se trata de crédito líquido e certo oriundo de precatório emitido contra o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e que não admitir tal crédito como meio legítimo, à semelhança da moeda é praticar o calote; (v) não praticou fraude, ou quaisquer das práticas definidas pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, pois não impediu ou retardou o conhecimento por parte da autoridade administrativa do fato gerador da obrigação tributária mediante declaração dos créditos tributários em DCTF; (vi) não há óbice à compensação de tributos com precatório cedido; (vii) que com a alteração do art. 90 da MI' 2.158-35/2001 há apenas a previsão de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que ficasse caracterizada a pratica das infrações previstas nos arts. 71,72 e 73 da Lei n°4.502/64; (viii) que a Fiscalização e o acórdão pretendem negar vigência as normas constitucionais aplicáveis ao precatório (art. 78, ADCT), que obriga ao reconhecimento do poder liberatório dos precatórios bem como o art. 19 da Lei n° 11.033/2005 que prevê a efetivação da compensação; (ix) que o lançamento de oficio de débitos confessados, espontaneamente, em DCTF e a negativa de homologação da compensação configuram atos que atentam contra os Princípios da Moralidade e da Eficiência da administração previstos no art. 37 da Constituição Federal; (x) que o § 2° do art. 78 outorga ao precatório poder liberatório do pagamento de tributos da entidade devedora; (xi) que o art. 170 do CTN não faz distinção quanto aos créditos, exigindo que sejam também de natureza tributária, bastando apenas, tratar-se de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública; (xii) a compensação é forma de extinção da obrigação tributária entre credores e devedores recíprocos, nos termos do art. 170, caput, do CTN e Lei n°9.430/96. 5 Ao final requer o conhecimento e provimento de seu recurso voluntário para preliminarmente, obter a declaração de nulidade do acórdão recorrido, eis que contraria o princípio da ampla defesa e do contraditório, bem como no mérito, a improcedência do acórdão posto que a Recorrente promoveu a extinção da obrigação tributária via compensação, direito este lhe assegurado pelo art. 78, § 2° da ADCT. É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a contribuinte insurge-se face a decisão de primeira instância que não homologou seu pedido de Compensação de IRP.T e CSLL, sob o argumento de ser incabível a compensação com créditos de terceiros e não oriundos de tributos e contribuiçàes administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, considerar a compensação não declarada. O presente processo diz respeito a Pedido de Compensação (fls. 01), apresentado em 29.10.2004, referente ao IRPJ do 3° trimestre de 2004 no valor de R$ 833.549,55 e a CSLL no valor de R$ 292.868,75, mediante utilização de precatório judicial da empresa AGROIMOBILIÁRIA AVANHANDAVA S/A., em face do INCRA e cedidos à contribuinte, através de instrumento particular (fls. 04/05) realizado em 27.10.2004. Por seu turno, para justificar a compensação efetuada a contribuinte traz em seu socorro os seguintes argumentos: (i) trata-se de compensação com débitos que não são de terceiros pelo fato de a cedente e cessionária pertencerem a um mesmo grupo econômico; (ii) a possibilidade de compensação com precatório, tendo em vista o disposto no art. 78 do ADCT (iii) não ocorreu qualquer das hipóteses do art. 18 da Lei n°10.833/2003; (iv) a compensação é forma de extinção da obrigação tributária entre credores e devedores recíprocos, nos temos do art. 170, caput, do CIN e Lei n° 9.430/96 e, (v) nulidade do acórdão da DRJ por cerceamento do direito de defesa. Quanto a preliminar de nulidade de cerceamento do direito de defesa e do devido processo legal do acórdão recorrido, pelo fato de ter sido criada as Turmas de Julgamento por Portaria em detrimento do Decreto n. 70.235/72, bem como por não ter a recorrente sido intimada e não poder participar da realização do julgamento de primeira instância, entendo que a mesma não tem como prosperar, senão vejamos: Com relação ao argumento de que as Turmas de Julgamento foram criadas de forma arbitrária, é de se observar que a Lei n. 8.748/93 que criou as Delegacias de Julgamento, deu competência ao Ministro da Fazenda para fixar a forma de seu funcionamento, podendo para tal mister, baixar Portaria e outros atos como o fez através da Portaria ME 258/2001, com o fito de constituir as Turmas das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sem que isso ferisse o devido processo legal, conforme equivocadamente entende a recorrente. 6 Processo n° 19740.000400/2004-11 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.257 Fl. 4 Quanto ao fato de a contribuinte não ter sido intimada do julgamento, bem como de poder participar do julgamento em primeira instância, de se notar que o Decreto n. 70.235/72, não prevê a hipótese de a contribuinte ser intimada do julgamento e dela participar, mesmo porque, a primeira instância se configura como uma simples autoridade recorrida, eis que, embora tenha status de Turmas de Julgamento, ainda se encontra inserida dentro do órgão lançador com competência para a apreciação de recursos hierárquicos impróprios. Dessa forma, afasto de plano a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, inicialmente cumpre afastar o primeiro argumento despendido pela Recorrente no sentido de que os valores utilizados para a compensação não se tratam de créditos de terceiros pelo fato de cedente e cessionária pertencerem a um mesmo grupo econômico e possuírem o mesmo acionista controlador. Isto porque, o fato de fazerem parte do mesmo grupo econômico e possuírem o mesmo acionista controlador, não confere a pessoas jurídicas diferentes, com CNPJs distintos, o título de mesma pessoa para fins de compensação de créditos adquiridos por uma delas, tendo em vista que seus atos e decisões por elas praticados são autônomos. Interpretar de forma contrária, ou seja, dar tratamento a cedente e a cessionária como se fosse uma única sociedade pelo simples fato de pertenceres a um mesmo grupo econômico ou por ter o mesmo acionista controlador e/ou administrador, seria uma afronta às regras de Direito Civil e Comercial que outorga autonomia distinta para cada uma delas, razão porque não há como prosperar os argumentos despendidos pela contribuinte nesse sentido. No que concerne à possibilidade de se efetuar compensações, que visam à extinção do crédito tributário mediante o encontro de débitos e créditos, entre o contribuinte e a Fazenda Pública, o art. 170, capta, da Lei n. 5.172/66 — CTN —, preconizou sua autorização por lei específica que deve estipular as condições e as garantias, bem como conceder à autoridade administrativa competência para efetivá-la. Nessa perspectiva, a União, disciplinando a utilização do instituto da compensação no 'âmbito tributário, por intermédio do art. 74 da Lei n. 9.430/96, posteriormente alterado pelas Leis ns. 10.637/2002, 10.833/2003 e 11.051/2004, considerou não declarada a compensação na hipótese em que o crédito seja de terceiros, vejamos: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: II— em que o crédito a) seja de terceiros". 7 Impende observar que o caput do artigo supracitado autoriza exclusivamente a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRFB com crédito decorrente de apuração do próprio sujeito passivo, inclusive os judiciais com trânsito em julgado. Da leitura dispositivo acima, vê seque não há previsão de compensação com a utilização de créditos de terceiros, sendo esta, portanto, expressamente vedada, ainda mais quando se trata de créditos de natureza não tributária conforme o presente caso. Cumpre assinalar que o §12, incluído ao art. 74 da Lei n. 9.430/96, pela Lei n. 11.051/2004, não trouxe qualquer inovação ao caput do referido artigo, tendo em vista que a compensação de tributos e contribuições sociais com a utilização de créditos de terceiros não era permitida anteriormente ao seu implemento, revestindo-se, tão somente, de uma norma interpretativa dirigida à SRFB para operacionalização quando da ocorrência desses casos no rito processual. Isto porque, a MP n. 66/2002, que posteriormente foi convertida na Lei n. 10.637/2002, instituiu nova sistemática em relação às compensações que passaram a ser declaradas. Com a edição da IN/SRF n. 210/2002, que disciplinou a nova sistemática das compensações no âmbito da SRFB, a vedação de compensação de débitos próprios com créditos de terceiros foi reafirmada, sendo repetida pela 1N/SRF n. 460/2004. Logo, por se tratarem de empresas distintas quanto aos seus atos e decisões, não resta dúvida que o crédito utilizado pela contribuinte na compensação pleiteada é crédito de terceiros, o que por si só já é suficiente para afastar a sua pretensão, e mesmo que assim não fosse, como visto acima, trata-se de crédito não tributário, impossibilitando dessa forma sua compensação por absoluto amparo legal. De se notar que, ainda que a contribuinte provasse ser credora da União, o que, repita-se, não ficou comprovado no presente autos, os artigos do Código Civil citados pela contribuinte não se aplicam no âmbito tributário, pois o crédito tributário, como matéria de interesse público, não pode ser tratado sob a exclusiva ótica do Código Civil, e sendo assim, a compensação, no 'âmbito tributário, deve respeitar as regras estabelecidas por lei própria. Quando ao procedimento adotado pela contribuinte por ocasião da compensação, é de se verificar que a mesma não cumpriu os requisitos legais para a sua efetivação, eis que aqui se tem, na verdade, compensações não declaradas, porquanto em desacordo com o art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei 11. 11.051/2004. Sobre a alegação de que descabe a aplicação de multa isolada pela inexistência das infrações contidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, dispõe o art. 18 da Lei n° 10.833/2003: "Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória e 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redacão dada pela Medida Provisória n"472 de 2009) Processo n°19740.000400/2004-11 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.257 Fl. 5 § P Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6' a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § P A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada sobre o total do débito indevidamente compensado, no percentual: (Redação dacla_pela Medida Provisória n°472, de 2009) I - previsto no inciso Ido caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese em que não for confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado- ou (Incluído pela Medida Provisória n°472, de 2009) - previsto no inciso Ido caput do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1 quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Medida Provisória n°472, de 2009) § P Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4 Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei rta 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § quando for o caso. (Redacão dada pela Lei n°11.488, de 2007) § 5' Aplica-se o disposto no § 2° do art. 44 da Lei n' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2' e 4' deste artigo. (Redação dada pela Lei n' 11.488, de 2007)" Dessa forma, por expressa determinação legal, incide a multa isolada no presente caso. Ademais, sendo a atividade administrativa vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, não podia a fiscalização agir de outra forma se não aplicar a referida penalidade, razão porque, entendo que não merece qualquer reforma a r. decisão recorrida. Portanto, não há qualquer ofensa a direitos e garantias constitucionais, gravados com a condição de cláusula pétrea, conforme equivocadamente entende a recorrente, mas sim a inobservância, por parte da interessada, dos requisitos legitimamente fixados em lei editada com fundamento no Código Tributário Nacional, recepcionado como lei complementar na Constituição Federal de 1988, e assim hábil a fixar normas gerais de direito tributário, em especial no que tange à obrigação e ao crédito tributário (art. 146, III, "b" da Constituição Federal), onde está inserida a sua forma de extinção. Pelas razões expostas, entendo que não merece qualquer reforma a r. decisão recorrida que não homologou a compensação pleiteada. r 9 A vista do exposto, voto no sentido de AFASTAR a preliminar suscitada, para no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. t ln DRI - Relator • o
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