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Numero do processo: 10920.721483/2017-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
PRODUTO ADQUIRIDO COM SUSPENSÃO DO IPI. DESTINAÇÃO INDEVIDA. RESPONSABILIDADE PELO IMPOSTO SUSPENSO.
Demonstrado nos autos que houve destinação indevida de produtos adquiridos com suspensão do IPI pela destinatária, responde esta pelo montante suspenso do imposto em suas compras, conforme art. 42 , §1 e §2º, I da Lei nº 9.430/1996.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Não compete ao julgador administrativo afastar normas vigentes em face de alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade.
Numero da decisão: 3302-007.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PRODUTO ADQUIRIDO COM SUSPENSÃO DO IPI. DESTINAÇÃO INDEVIDA. RESPONSABILIDADE PELO IMPOSTO SUSPENSO. Demonstrado nos autos que houve destinação indevida de produtos adquiridos com suspensão do IPI pela destinatária, responde esta pelo montante suspenso do imposto em suas compras, conforme art. 42 , §1 e §2º, I da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Não compete ao julgador administrativo afastar normas vigentes em face de alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade.
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DESTINAÇÃO INDEVIDA. RESPONSABILIDADE PELO IMPOSTO SUSPENSO. Demonstrado nos autos que houve destinação indevida de produtos adquiridos com suspensão do IPI pela destinatária, responde esta pelo montante suspenso do imposto em suas compras, conforme art. 42 , §1 e §2º, I da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Não compete ao julgador administrativo afastar normas vigentes em face de alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 14 83 /2 01 7- 16 Fl. 2008DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721483/2017-16 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de piso: Trata-se de impugnação em relação a Auto de Infração relativo a valores de IPI apurados pela fiscalização contra a interessada para o período de janeiro a dezembro de 2013. A motivação para o lançamento de ofício foi o descumprimento pela interessada da destinação legal dos produtos por ela adquiridos com suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com fundamento no art. 42 do Decreto nº 7.212/2010 e no art. 121, II, do CTN. Em decorrência, foram constituídos os valores do IPI suspensos no presente processo. Cientificada em 27/07/2017 (fls. 1882), a interessada apresentou em 17/08/2017 (fls. 1883) a impugnação de fls. 1885 a 1903, em que apresenta os seguintes argumentos de defesa, em síntese: - Teria ocorrido nulidade na autuação por erro no enquadramento legal do fato descrito, posto que os dispositivos legais invocados não seriam compatíveis com os fatos apontados. Ainda, a indicação dos fatos teria sido dúbia e imprecisa, sem observar a legislação vigente. Como decorrência haveria erro formal, com tipificação incorreta, obscura e imprecisa e erro na apuração do valor tributável, o que violaria a legalidade e a impediria o contraditório e a ampla defesa. - Também quanto à multa de ofício falta de caracterização a infração cometida, levando a cerceamento de defesa, pela falta de indicação do dispositivo infringido. - A nulidade supra acarretaria violação ao princípio da legalidade tributária. - Alega que não teria se caracterizado simulação, pois não ocorrida a declaração enganosa de vontade. - Haveria contradição pois a autoridade tributária teriam reconhecido a existência das operações, a efetiva produção de mercadorias, os pagamentos corretos e a realização das exportações. - Não seria possível estabelecer vedações ao aproveitamento do crédito de IPI e demais tributos federais, configurando-se ilegalidade e abuso da autoridade notificante. - O descumprimento das regras do ordenamento jurídico-administrativo por parte da autoridade tributária violaria os princípios da segurança jurídica e da certeza do direito, bem como violação ao princípio da legalidade estrita. - Alega que as operações existiram, que "representam operações de compra e venda, com lucro não tributável obtido nos termos da legislação privada e tributária vigente", que as transações de compra e venda foram perfectibilizadas com a tradição das mercadorias para a comercial exportadora, pois os produtos devem ser remetidos diretamente do estabelecimento industrial para o embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa exportadora. - Aduz ser empresa comercial exportadora, cuja atividade "não se confunde com a de produção para exportação ou de representação comercial internacional, caracteriza-se especialmente, pela aquisição de mercadorias no mercado interno para posterior exportação". Fl. 2009DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721483/2017-16 - Suscita que, nos termos do art. 167 do Código Civil, aplicável face às disposições dos arts. 109 e 110 da CTN, não caberia considerar por mera preferência pessoal e sem qualquer prova, simulada a operação que para todos os efeitos continua sendo legal, competindo a prova do dolo a quem alega. - Indica que durante a fiscalização apresentou a documentação que comprova a efetiva exportação, incluindo extratos do SISCOMEX, e que eventuais discrepâncias entre os produtos adquiridos e os totais exportados se devem a quebras e perdas do processo produtivo. - A armazenagem das mercadorias adquiridas com suspensão se dava no galpão de propriedade da empresa Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda, sem contrato de locação por ser de propriedade empresa com sócio em comum com a interessada, a fim de evitar burocracias de criação de filiais, pedidos de alvarás e outras exigências de órgãos públicos. - Aduz que o princípio da verdade material, bem como as regras de distribuição do ônus da prova, ensejariam que a autoridade tributária provasse inequivocamente a prática de infrações pela interessada, não podendo se valer de supostas evidências, presunções e suposições irreais, conforme art. 333, I, do CPC/73 e art. 112 do CTN. -Em razão do exposto no item anterior, entende que houve ilegalidade e abusividade a ensejar o cancelamento da autuação. -Entende que não deu causa a nenhum fato gerador, pois todas as exportações ocorreram de fato, afastando a alegação utilizada pela fiscalização para aplicar o art. 121, II, do CTN. -Afirma que o IPI não incide sobre exportações, suscitando as regras do art. 43, V, "a" , "b" e "c" e §1º do RIPI/2010, bem como que as notas fiscais de venda com fim específico de exportação possuem como destinatário a empresa exportadora mas no campo de informações complementares constará como local de efetiva entrega o local do embarque de exportação ou o recinto alfandegado. Assim, teria assegurado o direito à manutenção e aproveitamento do montante do imposto, assegurado pela COnstituição Federal. -Alega que a multa no caso concreto teria caráter confiscatório, violando o art. 150, IV, da CF, desrespeitando a capacidade contributiva, e somente podendo ser aplicada ito da União. Requer prova pericial para análise detida da documentação e cálculo das receitas financeiras obtidas, nos termos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, indicando perito. A DRJ julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento fiscal nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 PRODUTO ADQUIRIDO COM SUSPENSÃO DO IPI. DESTINAÇÃO INDEVIDA. RESPONSABILIDADE PELO IMPOSTO SUSPENSO. Demonstrado nos autos que houve destinação indevida de produtos adquiridos com suspensão do IPI pela destinatária, responde esta pelo montante suspenso do imposto em suas compras, conforme art. 42 , §1 e §2º, I da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 2010DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721483/2017-16 Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Não compete ao julgador administrativo afastar normas vigentes em face de alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Cientificada de decisão de piso em 07.05.2018 (fls.1.942), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 06.06.2018 (fls. 1.944-1.966), reproduzindo, em síntese apertada, os argumentos explicitados em sede impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a motivação para o lançamento de ofício foi o descumprimento pela interessada da destinação legal dos produtos por ela adquiridos com suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002, com fundamento no art. 42 do Decreto nº 7.212/2010 e no art.121, II, do CTN. Em decorrência, foram constituídos os valores do IPI suspensos no presente processo, bem como instaurados o seguintes processos para cobrança dos tributos que se relacionaram com a operação sob análise: PROCESSO TRIBUTOS/OBJETO 10920.721481/2017-19 IRPJ e reflexos (CSLL, PIS, Cofins) 10920.721484/2017-52 IOF 10920.721482/2017-63 PIS e Cofins 10920.721485/2017-05 Multa Nos autos do PA 10920.721482/2017-63, essa Turma de Julgamento analisou a operação que envolveu as mesmas DI´s e, decidiu por manter o lançamento fiscal, confirmando, assim, a decisão de piso proferida naquele processo, a saber: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 AQUISIÇÃO DE MP, PI E ME COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA. DESTINAÇÃO DIVERSA. EXTINÇÃO DO REGIME. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PELO FORNECEDOR. É do adquirente a responsabilidade do recolhimento dos tributos que deixaram de ser pagos pelo fornecedor, diante da suspensão concedida na venda de matéria prima para industrialização de produtos a serem exportados, quando constatada destinação diversa. Fl. 2011DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721483/2017-16 A falta ou insuficiência de declaração e recolhimento apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. PROVAS. De acordo com a legislação, a impugnação mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito alegado ao sujeito passivo. TAXA SELIC. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste cenário, como a natureza da operação que gerou o presente lançamento fiscal é idêntica ao do processo 10920.721482/2017-63, outro destino não merece o presente caso, senão a manutenção do lançamento fiscal com base no fundamento utilizado pela DRJ, o que o faço nos termos do §1º, do artigo 50, da Lei nº 9.784/1999: DAS PRELIMINARES Suscita a interessada a nulidade do lançamento em razão de falha na tipificação e descrição das infrações, bem como de erro da apuração do valor tributável, de modo a acarretar cerceamento de defesa e violação à legalidade tributária. A fim de verificar se as alegações da interessada procedem, necessário verificar como se deu a descrição dos fatos e dos dispositivos legais violados na autuação. Como exposto no relatório, a autuação se deu pelo descumprimento da destinação legalmente estabelecida aos produtos adquiridos com a suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002. Neste sentido, constou do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1855): 2.5 Síntese Como explicitado nos itens 2.2 a 2.4 acima, as alegações apresentadas pelo contribuinte quanto ao destino dado aos bens adquiridos com suspensão dos tributos não encontram suporte em sua contabilidade, em seu ativo imobilizado, em seus registros de empregados, nos documentos apresentados, nas exportações efetuadas, nas notas fiscais próprias e de terceiros. Alegar não é provar. Oportunizada uma segunda vez a que comprovasse e esclarecesse o ocorrido, o contribuinte não trouxe nada de novo. Ficou claro que Evolution não tinha condições de armazenar ou industrializar os painéis de MDF, nem lhes deu regular saída em exportação ou no mercado interno. Tampouco o serviço de transporte contratado permitiu identificar seu real destino. Desta feita, refutadas todas as possibilidades, têm-se como patente o destino incerto dos painéis de MDF adquiridos por Evolution ao longo de 2013. Veja-se que ficou claro na autuação a infração à legislação encontrada, qual seja, a destinação indevida de bens adquiridos com suspensão e, nos itens 2.2 a 2.4 do TVF, os fatos que conduziram a tal conclusão, sendo a análise sobre a correção ou não de tal conclusões matéria a ser apreciada no mérito da impugnação. Fl. 2012DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721483/2017-16 Por sua vez, a tipificação legal da autuação se deu da seguinte forma: Concluindo-se que os painéis de MDF adquiridos pela fiscalizada com suspensão de tributos não tiveram a destinação prevista para resolver a condição suspensiva, qual seja, o emprego como matéria-prima em industrialização de produtos destinados à exportação, o Regulamento do IPI, Decreto n.º 7.212/2010, dispõe: Art. 42. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornar-se-á imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 9º, § 1º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 37, inciso II). § 1º Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse. § 2º Cumprirá a exigência: I - o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; Outrossim, cabível o lançamento de ofício dos tributos suspensos contra quem deu causa ao fato, a fiscalizada Evolution Comercial Exportadora Ltda., na condição de responsável (art. 121, II, CTN). Segundo a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI vigente à época (Decreto n.º 7.660/2011), os diferentes tipos de painéis de fibras de madeira classificados sob a posição NCM 4411 estavam submetidos à alíquota de 5%. A base de cálculo é o valor mensal das saídas dos fornecedores listadas na planilha Produtos adquiridos com suspensão de IPI/PIS/Cofins (fls. 1828/1848). Os montantes para lançamento de ofício estão detalhados abaixo: Fl. 2013DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721483/2017-16 Em lançamento de ofício, cabível a imposição de penalidade de multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, conforme o art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996. Nota-se que a autoridade tributária apontou os fatos e os dispositivos legais que ensejaram a autuação, bem como deixou consignada a forma de cálculo do imposto cobrado nestes autos, de modo a atender aos requisitos legais para o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, especificamente os do art. 142 do CTN. Ainda, no Auto de Infração foram indicados os dispositivos legais e regulamentares que embasaram o lançamento, conforme abaixo: Fl. 2014DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721483/2017-16 Portanto, tanto os fundamentos fáticos quanto jurídicos da autuação foram expostos de maneira clara e precisa pela fiscalização, não se configurando a nulidade por cerceamento de defesa alegada. Consta ainda pedido de reconhecimento de decadência, sem no entanto nenhuma fundamentação correspondente no corpo da impugnação. No entanto, considerando que os fatos geradores se referem ao período de 01/01/2013 a 12/12/2013, e que a ciência da autuação se deu em 27/07/2017, não houve decurso do prazo de 5 (cinco) anos entre os fatos geradores mais antigos e a data de ciência da autuação. Assim, não se verifica a decadência suscitada. DO MÉRITO A interessada traz diversas considerações a respeito do instituto da simulação, defendendo a sua não ocorrência no caso concreto. Ocorre que em nenhum momento houve fundamentação da autuação neste sentido. Como visto, a fundamentação para o lançamento foi a constatação que a interessada deu aos produtos adquiridos com suspensão destino diverso da utilização como insumos na industrialização ou a exportação. Portanto, tal matéria é alheia ao objeto da lide, não fazendo parte do contencioso administrativo. O mesmo se dá em relação às alegações relativas a vedações ao aproveitamento do crédito de IPI, dado que não se tratou de glosas de créditos na autuação, mas de cobrança de IPI indevidamente suspenso em saídas. Quanto ao cerne da autuação, qual seja, se efetivamente houve destinação não autorizada na legislação dos produtos adquiridos pela interessada para fins de industrialização, os fatos constantes dos autos são os seguintes (fls. 1852 a 1855): 2.1 Fretes Em todas as notas fiscais emitidas por Sudati e Berneck consta que o transportador foi ERR Transportes Ltda. ME e que o frete é por conta do destinatário, ou seja, cabia à fiscalizada providenciar o transporte até o destino e às suas custas. Segundo o contrato de transporte de cargas apresentado, ERR Transportes Ltda. ME prestaria serviço genérico de transporte, sem especificação de preço, locais de carga e descarga, prazos ou qualquer outro item normalmente encontrado em instrumentos deste tipo, a fim de individualizar cada prestação, condição de validade do negócio jurídico segundo o art. 104, II, do CC (objeto determinado ou Fl. 2015DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721483/2017-16 determinável). Não há sequer a identificação de quem o assinou em nome de ERR Transportes. O contrato apresentado não permite a vinculação àqueles transportes entre Lages-SC, localidade das fornecedoras, e o local indicado pela fiscalizada em que teriam sido descarregados os painéis, na cidade de São Bento do Sul-SC, distante 300km. Na contabilidade de Evolution não há registro de qualquer operação ou pagamento a ERR Transportes Ltda. ME pelos supostos serviços de transporte prestados. 2.2 Industrialização Afirmou o contribuinte que com os painéis de MDF comprados produziu móveis em galpão de outra empresa, Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda., CNPJ 07.327.085/0001-66. A fiscalizada Evolution Comercial Exportadora Ltda. funciona num edifício de escritórios no centro da cidade de São Bento do Sul-SC e tem uma filial em avenida de grande circulação em Curitiba-PR, ambos locais sem condições de armazenagem ou de executar operações industriais. Seu quadro societário é composto pelo sócio administrador Afonso Henrique Maia Bastos com 99% do capital e sua mãe Regina Célia Maia com 1% restante (fls. 224/225). Segundo dados das GFIPs, ao longo do ano 2013 a Evolution empregou apenas uma funcionária, a atendente Silvana Tamanine Richter, com salário mensal equivalente a 2 salários mínimos. Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda. funciona no mesmo endereço da fiscalizada, um edifício de escritórios no centro de São Bento do Sul-SC, tem por objeto contratual “serviços de recepção, planejamento financeiro, contabilidade, preparação de material para envio de correspondência”, não tem filiais nem qualquer atividade no citado galpão. Seu quadro societário é composto pelo mesmo sócio administrador Afonso Henrique Maia Bastos com 96% do capital e seu filho menor de idade Alexandre Henrique Maia Bastos com 4% restante (fls. 146, 147, 1593, 1594). No ano de 2013, segundo suas Declarações de Informações Socioeconômicas e Fiscais DEFIS ao Simples Nacional faturou em torno de R$ 20 mil por mês (fls. 148/154), não emitiu notas fiscais eletrônicas (fl. 159) e segundo as GFIPs empregou três funcionárias administrativas Roseli de Fátima da Silva, Cristina Mallon e Elaine Cristina Mengarda Oszika com remuneração de 1 a 2 salários mínimos e a advogada Sibeli Schlickman, OAB 19671/SC (fls. 144, 145 e 162)2.Na contabilidade de Evolution não há registro de aluguéis, prestação de serviço, ou qualquer tipo de transação com a empresa Maia Bastos, tampouco pagamentos a outras empresas por industrialização, armazenamento ou despesas de energia elétrica. No Ativo Imobilizado não existem máquinas de corte, lixamento, torno ou pintura, equipamentos de exaustão ou de proteção (fls. 1793/1974). Não é crível que o quadro de funcionários das empresas, as quatro auxiliares administrativas e a advogada, tenha sido incumbido de manufaturar 15 mil toneladas de MDF para produção de móveis. Assim, sem local propício, empregados, maquinário ou dispêndios de energia elétrica compatíveis com atividade fabril, a menos que os móveis tenham sido produzidos por fantasmas em máquinas imaginárias movidas a vento, Evolution não destinou os painéis de MDF adquiridos com suspensão de tributos como matérias- primas à industrialização de produtos. 2.3 Exportação de móveis Os fatos relatados acima – em relação ao transporte e à industrialização – já demonstram que a destinação dos produtos não obedeceu a condição imposta por lei Fl. 2016DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-007.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721483/2017-16 para fruição da suspensão dos tributos: utilização como matérias-primas em industrialização de bens para exportação. Entretanto, sendo uma empresa comercial exportadora, poderia a fiscalizada ter comprado os painéis com fim específico de exportação e exportado diretamente sem processá-los, caso em que a sua compra estaria sob não incidência das contribuições (Lei nº 10.637/2002, art. 5º, III, e Lei nº 10.833/2003, art. 6º, III), e teria havido simples erro de fundamentação legal, mas com o mesmo efeito prático. Por esta razão o contribuinte foi intimado para que informasse o destino dado aos produtos adquiridos, respondendo que parte das mercadorias foram diretamente exportadas em seu estado original e parte foi utilizada em processo de industrialização, como componente de móveis acabados, indicando que ambos os regimes, suspensão e não incidência, teriam sido utilizados. Para confirmar o alegado, efetuou-se então consulta ao SISCOMEX buscando os produtos exportados por Evolution em 2013, 2014 e 2015. Foram encontradas apenas 6 exportações de painéis de madeira de eucalipto e pinus classificados nas NCMs 4409.10.003 e 4418.90.004 (Registros de Exportação n.º 130298335001, 130510384001, 130847668001, 131055929001, 131285595001, e 131689075001). Nenhum registro com painéis de MDF da posição NCM 4411 foi encontrada, afastando assim qualquer alegação de que os bens comprados com suspensão foram diretamente exportados. Houve ainda exportações de móveis de madeira que, a princípio, sustentaria o argumento de que os painéis teriam sido empregados em sua fabricação, mas como já visto nos itens 2.1 e 2.2 retros nenhuma industrialização foi executada pela fiscalizada ou pela outra empresa pertencente ao mesmo proprietário. Buscou-se então a origem dos bens efetivamente exportados pela fiscalizada em sua escrituração fiscal e contábil, quando encontradas nos registros de entradas centenas de notas fiscais de compra de móveis prontos com fim específico de exportação junto a outros fornecedores: Buddemeyer S/A 86.047.198/0001-84, Dioxyl Revestimentos Químicos Ltda. 95.756.110/0001-94, Construtora Implantec Ltda. 80.709.876/0007-36, Gromoveis Indústria e Comércio Ltda. 04.647.957/0001-85, Sincol SA Indústria e Comércio 83.053.660/0001-68, Móveis Katzer Ltda. 78.854.072/0001-93, Evandro Felini & Cia. 06.108.123/0001-27 e Meg Móveis Ltda. ME 82.864.695/0001-14. Para confirmar o escriturado, no repositório nacional da Nota Fiscal Eletrônica NF-e do SPED obtiveram-se as notas fiscais emitidas por aquelas empresas e as notas fiscais de exportação emitidas pela fiscalizada e, com seus dados, efetuou-se cruzamento entre os produtos faturados por aqueles fornecedores contra Evolution e os produtos faturados por Evolution ao mercado externo, demonstrado na planilha Cruzamento Notas Fiscais Evolution x Fornecedores (fls. 1820/1827). O resultado da verificação foi a confirmação de que todos os móveis exportados pela fiscalizada foram adquiridos daqueles fornecedores. Ora, se os painéis de MDF adquiridos com suspensão de tributos não foram diretamente exportados nem empregados em industrialização de produtos, pois o que exportado foi comprado pronto e acabado, fica patente a inconsistência da argumentação e justificação apresentada pela fiscalizada. 2.4 Estoques Conquanto não possua local apto a armazenagem de 22.000m3 de painéis de MDF – a menos que o tal galpão de 650m2 de Maia Bastos tenha 34m de altura livre – poderiam os painéis terem permanecido em estoque, como dá a entender o Estoque Final na Demonstração do Resultado em 31/12/2013 de R$ 22.147.853,62 Fl. 2017DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-007.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721483/2017-16 (fl. 813) e a movimentação da conta 131-Mercadorias para revenda cujos saldos inicial e final de 2013 foram de R$ 0,00 e R$ 22.147.853,62 (fls. 896 e 1265). Repisa-se que a justificativa trazida pela fiscalizada foi outra, mas, ad argumentandum tantum, analisemos esta suposição. Esta mesma conta 131-Mercadorias para revenda registra como saldo inicial de 2015 o valor de R$ 2.526.154,03 (fls. 181), portanto a diferença de R$ 19.621.699,59 em painéis de MDF teria deixado o estoque ao longo de 2014. No repositório nacional da Nota Fiscal Eletrônica NF-e do SPED obtiveram-se as notas fiscais emitidas por Evolution, donde consolidou-se a lista de bens a que deu saída ao longo do ano 2014 (fl. 183), que demonstra haver dado saída a apenas R$ 8.240,75 em itens classificados sob a posição NCM 4411 de painéis de MDF. Veja-se que a interessada e a empresa Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda não possuíam estrutura e pessoal mínimos para a industrialização dos painéis de MDF adquiridos, no volume de 15 mil toneladas; ainda, foram conferidos pela fiscalização todos os registros de exportação da interessada, tendo-se constatado a ausência de registros de exportação de painéis de MDF da posição NCM 4411, afastando assim qualquer alegação de que os bens comprados com suspensão foram diretamente exportados, bem como foi constatado que todos os móveis exportados pela interessada foram comprados prontos e acabados, o que também afasta as alegações de que eventuais divergências quantitativas se dariam em função de perdas e quebras; por fim, também se constatou que a interessada não dispõe de local com espaço suficiente para armazenar tais painéis em estoque. Ou seja, de tais fatos constatados pela fiscalização, e não contestados de maneira específica em nenhum momento na impugnação, fica evidente que a interessada deu destinação aos painéis de MDF adquiridos diversa da industrialização ou exportação, desrespeitando, portanto, as normas pertinentes à suspensão de IPI do art. 29, §1º, II, da Lei nº 10.637/2002, dado que, evidentemente, somente se fala em saída de matéria-prima caso se destine à industrialização, pois caso contrário se trataria de mercadoria para simples revenda. Em nenhum momento a autoridade tributária confirma, como aduz a interessada, a correção das operações por ela efetuadas no que tange à destinação dos produtos adquiridos com suspensão. Neste sentido, as alegações genéricas da interessada de que operou dentro dos ditames legais não são suficientes para afastar as constatações fáticas trazidas pela fiscalização, as quais, ao contrário do que indica a interessada, atendem ao crivo da verdade material, mesmo porque não se desincumbiu a interessada de produzir qualquer prova material em sentido contrário. Ora, se a interessada e a empresa para cujo galpão a interessada indica ter levado as mercadorias adquiridas com suspensão não possuem pessoal e maquinário para tal empreitada, e se a fiscalização constatou que a interessada não exportou tais mercadorias, as quais não se encontram também em seu estoque, obviamente que restou comprovada a destinação diversa da prevista nas normas de suspensão, que seria ou a industrialização ou a exportação. Não se trata de presunção ou suposição da fiscalização, mas sim de prova material contundente a respeito do não cumprimento da destinação condicionante da suspensão face aos fatos constatados pela fiscalização. Por sua vez, descumprida a destinação legalmente prevista dos produtos suspensos, as disposições expressas dos artigos 42, §1º e §2º, I, do RIPI/2010 e do art. Fl. 2018DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-007.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721483/2017-16 121, II do CTN determinam que o recebedor do produto que deu destinação diversa aos produtos da que condicionou a suspensão responde pela exigência. A base de cálculo do tributo suspensa foram as próprias aquisições com suspensão, sobre a qual foi aplicada a alíquota de 5% prevista da TIPI para a posição NCM 4411, também não trazendo a interessada qualquer documentação que indicasse a incorreção dos cálculos constantes da tabela acima transcrita. Por sua vez, tendo se constatado a falta de destaque e pagamento do imposto suspenso cujas condições legalmente estabelecidas não foram atendidas, o art. 80 da Lei nº 4.502/1964 é claro pela incidência da multa de ofício de 75%, conforme citado pela fiscalização. Como já repisado, o imposto cobrado nos autos é aquele que deixou de ser destacado nas notas fiscais dos produtos adquiridos pela interessada com suspensão do IPI, tratando-se portanto de vendas no mercado interno, não se adequando ao caso concreto as alegações da interessada de não incidência de IPI nas exportações ou as considerações sobre a operacionalização de exportações. Quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício e sua configuração como enriquecimento ilícito, necessário relembrar os limites do julgamento no contencioso administrativo. Não é possível, na esfera administrativa, o afastamento de determinações expressas da legislação vinculante sob a justificativa de incompatibilidade com princípios ou normas constitucionais ou legais que o contribuinte interpreta de maneira diversa. Isto porque não compete à autoridade julgadora afastar o direito positivado sob pretexto de alegados vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade. Veja-se a respeito as disposições do art. 7º, incisos IV e V da Portaria MF nº 341/2011: Art. 7º São deveres do julgador: (...) IV - cumprir e fazer cumprir as disposições legais a que está submetido; e V - observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Já o art. 116 da Lei n° 8.112/90, em seu inciso III, determina: Art.116. São deveres do servidor: (...) III - observar as normas legais e regulamentares; No mesmo sentido, a Súmula nº 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, estando a multa de ofício prevista no percentual de 75% no citado art. 80 da Lei nº 4.502/1964 para a situação fática encontrada nos autos, de rigor sua aplicação conforme legalmente previsto. Finalmente, em relação à perícia solicitada, para análise detida da documentação e cálculo das receitas financeiras obtidas, entendo não atendidos os requisitos do art. 16, IV, dado que não expostos os motivos que a justifiquem e os quesitos desejados, bem como entendo dispensável tal diligência vez que toda a Fl. 2019DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-007.507 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10920.721483/2017-16 documentação relativa às exportações e contabilidade da interessada foi minuciosamente examinada pela autoridade tributária, conforme constatações expostas no corpo deste voto. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto Relator. É como voto. (documento assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2020DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720417/2008-58
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PAF. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A perícia não se presta para substituir provas que deveriam ter sido apresentadas pelo sujeito passivo por ocasião da impugnação, pois sua realização pressupõe a necessidade do julgador conhecer fato que demande conhecimento especializado. Portanto, indefere-se, por prescindível, a pretensão da recorrente, já que presentes nos autos elementos de convicção suficientes à satisfatória solução da controvérsia.
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. ADA. ATO DE ÓRGÃO FEDERAL OU ESTADUAL. DECLARAÇÃO DE INTERESSE ECOLÓGICO. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA OBRIGATORIEDADE.
O benefício de exclusão da área de interesse ecológico da base de cálculo do ITR está condicionado à apresentação tempestiva do correspondente ADA e do Ato específico de órgão federal ou estadual declarando-a como de interesse ambiental.
PAF. ART. 111 DO CTN. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. OBRIGATORIEDADE.
Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias.
PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF).
Numero da decisão: 2003-000.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 PAF. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta para substituir provas que deveriam ter sido apresentadas pelo sujeito passivo por ocasião da impugnação, pois sua realização pressupõe a necessidade do julgador conhecer fato que demande conhecimento especializado. Portanto, indefere-se, por prescindível, a pretensão da recorrente, já que presentes nos autos elementos de convicção suficientes à satisfatória solução da controvérsia. ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. ADA. ATO DE ÓRGÃO FEDERAL OU ESTADUAL. DECLARAÇÃO DE INTERESSE ECOLÓGICO. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA OBRIGATORIEDADE. O benefício de exclusão da área de interesse ecológico da base de cálculo do ITR está condicionado à apresentação tempestiva do correspondente ADA e do Ato específico de órgão federal ou estadual declarando-a como de interesse ambiental. PAF. ART. 111 DO CTN. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. OBRIGATORIEDADE. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF).
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PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia não se presta para substituir provas que deveriam ter sido apresentadas pelo sujeito passivo por ocasião da impugnação, pois sua realização pressupõe a necessidade do julgador conhecer fato que demande conhecimento especializado. Portanto, indeferese, por prescindível, a pretensão da recorrente, já que presentes nos autos elementos de convicção suficientes à satisfatória solução da controvérsia. ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. ADA. ATO DE ÓRGÃO FEDERAL OU ESTADUAL. DECLARAÇÃO DE INTERESSE ECOLÓGICO. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA OBRIGATORIEDADE. O benefício de exclusão da área de interesse ecológico da base de cálculo do ITR está condicionado à apresentação tempestiva do correspondente ADA e do Ato específico de órgão federal ou estadual declarandoa como de interesse ambiental. PAF. ART. 111 DO CTN. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO LITERAL. OBRIGATORIEDADE. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa de cumprimento das obrigações tributárias acessórias. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. As decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 17 /2 00 8- 58 Fl. 124DF CARF MF 2 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho (Portaria MF nº343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Francisco Ibiapino Luz Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 29.848,45, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2004, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente da falta de comprovação da área de interesse ecológico (fls. 02/05): Impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando, em síntese, que (fls: 35/43): 1. discorda da autuação pela falta de ADA da área de interesse ecológico declarada; 2. embora não tenha requerido o ADA, tratase de área de Mata Atlântica, comprovada em laudos, contígua ao Parque Nacional de Itatiaia, com parecer favorável à isenção do ITR de seu analista ambiental; 3. discorre jurisprudência do TRF/1ª Região perfilhada aos seu argumentos. Julgamento de Primeira Instância A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, por unanimidade, julgou improcedente a contestação da impugnante, mantendo a área declarada como de interesse ecológico na base de cálculo do ITR, por falta de cumprimento dos requisitos legais exigidos para a pretendida exclusão, quais sejam: (i) a protocolização, em tempo hábil, do requerimento para o IBAMA expedir o respectivo ADA reconhecendo o interesse ambiental; (b) a declaração de interesse ecológico da referida área mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (fls. 91/96). Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 125 3 Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso voluntário, argumentando o que segue sintetizado (fls: 105/117): 1. a improcedência da impugnação tem como único fundamento a falta de protocolização, em tempo hábil, do ADA no IBAMA; 2. o ADA é dispensável quando há outros meios de prova demonstrando a situação fática da área envolvida, segundo a Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 7º; 3. o Laudo Técnico contratado e a Informação Técnica do Analista Ambiental do Parque Nacional de Itatiaia não foram contestados, e o IBAMA tem competência para verificar a configuração das áreas de preservação permanente e de reserva legal, podendo emitir a mencionada declaração em substituição ao ADA; 4. embora o IBAMA não tenha expedido ato específico declarando áreas de interesse ecológico, a Informação Técnica do Analista Ambiental do Parque Nacional citado considera 153,0 ha de interesse ambiental, como tal devendo ser aceita pela RFB; 5. o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural não pode ser ignorado, porque apresentado em atendimento à intimação da fiscalização, no qual consta que 176,4 ha (69% da área total do imóvel) é ocupado por florestas ombrófilas em área de interesse ecológico, por estar na zona de proteção ou no interior do limite do citado Parque; 6. independentemente da inexistência de ADA, o quadro de distribuição da área do reportado imóvel deverá considerar as medidas constantes no Laudo de APP e de Perímetro da Fazenda; 7. caso os argumentos acima não sejam aceitos pela RFB, requer que mencionado imóvel seja periciado pelo IBAMA, para fins de elaboração de Laudo Técnico, indicando o seu perito com a respectiva qualificação profissional e endereço; 8. transcreve jurisprudência judicial perfilhada com os sues argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 27/12/2012 (fls. 104), e a Peça recursal foi recebida em 24/01/2013 (fls. 105), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, dele tomo conhecimento. Fl. 126DF CARF MF 4 Preliminares Pedido de perícia Em seu pedido, a recorrente pleiteia a realização de perícia, com vista à elaboração de laudo técnico por parte do IBAMA, caso os argumentos apresentados anteriormente não sejam suficientes para convencer este julgador. Disto, inferese que referido sujeito passivo preferiu requerer mencionado procedimento a provar sua pretensão mediante a apresentação de documentação idônea. A propósito, é pertinente registrar que as perícias têm por desígnio o esclarecimento de fatos que suscitem dúvidas para o julgamento da contenda, não se prestando para substituir provas que deveriam ter sido apresentadas por ocasião da impugnação. É o que se abstrai da leitura dos arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c com os incisos I e II do § 1º do art. 464, da Lei nº 13.105, de 2015 (CPC), de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal. Confirmase: Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Lei nº 13.105, de 2015: Art. 434. Incumbe à parte instruir a petição inicial ou a contestação com os documentos destinados a provar suas alegações. [...] Art. 464. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. § 1º O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; [..] Nessa perspectiva, denotase que a prova pericial tem caráter específico, cuja produção independe de vontade das partes, mas sim de contingências que a justifiquem. Mais precisamente, sua realização pressupõe a necessidade do julgador conhecer fato que demande Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 126 5 conhecimento técnico de especialista na matéria objeto da discussão sob análise, com o intuito de esclarecer aspectos supostamente controvertidos ou complexos. Assim sendo, entendo ser prescindível a realização da perícia pleiteada pela recorrente, pois a glosa referente à área de interesse ecológico da base de cálculo do ITR se deu por falta da apresentação tempestiva do correspondente ADA e do Ato específico de órgão federal ou estadual declarandoa como de interesse ambiental. Logo, não se está questionando a suposta veracidade dos documentos apresentados, mas tão somente se a requerente cumpriu as condições impostas pela legislação para o gozo do reportado benefício fiscal. Do exposto, os documentos acostados aos autos são suficientes para a formação da convicção deste julgador, uma vez inexiste matéria controversa ou de complexidade que justificasse um parecer técnico de especialista. Por isso, indefiro citada pretensão, porque inexistente razões que a justificassem, já que mencionado procedimento técnico não se presta para substituir provas que deveriam ter sido apresentadas pelo sujeito passivo por ocasião da impugnação. Mérito Delimitação da lide Previamente à apreciação de mencionada contenda, trago a contextualização da autuação, caracterizada pela discriminação das divergências verificadas entre as informações declaradas na DITR e aquelas registradas no "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" (efl. 04), nestes termos: Linha Descrição Declarado (DITR) Apurado (NL/AI) 05 Área de Interesse Ecológico (ha) 162,0 00,0 Consoante visto no Relatório, a controvérsia estabelecida se refere à exclusão de área classificada como "de interesse ecológico" da incidência do ITR, por falta de apresentação tempestiva do ADA e de Ato específico federal ou estadual, declarandoa como de interesse ambiental. Assim entendido, o escopo do presente estudo está a compreender aquilo que efetivamente diz a norma tributária, como se passa o que alí está dito e de que modo a situação fática a ela se subsume. Posta assim a questão, passo à análise da contenda suscitada. Área de interesse ecológico Conforme se verá na sequência, citada isenção tributária está condicionada à apresentação tempestiva de Ato específico federal ou estadual, declarando reportada área como de interesse ambiental e do correspondente Ato Declaratório Ambiental (ADA). Assim sendo, vaise discorrer inicialmente acerca do Ato específico e, em seguida, do ADA. Nessa configuração, vale trazer os ditames vistos na Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alíneas "b" e "c", os quais condicionam o gozo do citado benefício fiscal à comprovação do interesse ecológico da respectiva área, mediante o Ato específico retrocitado. Confirmase: Fl. 128DF CARF MF 6 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: [...] b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (grifo nosso) c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual;(grifo nosso) O enfrentamento da querela atinente ao prazo para apresentação do ADA requisito indispensável para o gozo do benefício fiscal objeto deste julgamento fica facilitado quando explorado o aspecto da extrafiscalidade do ITR, o que se buscou privilegiar no presente estudo. Superada essa questão, passaremos à análise propriamente do mencionado Imposto por meio da subsunção dos fatos apresentados nos autos aos preceitos estabelecidos pela legislação que trata do assunto. Nessa perspectiva, a problemática tida pela apresentação tempestiva do ADA será debatida na seguinte ordem cronológica: Contextualização do imóvel rural no ordenamento constitucional brasileiro, ITR Aspectos constitucionais, ITR Aspectos legais, Hipóteses de incidência, base de cálculo e contribuinte, Norma legal vigente, Base de cálculo VTN tributável, Isenções exclusões da base de cálculo, A dispensa da prévia comprovação de área isenta, Caracterização do ADA, A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA, A natureza acessória da obrigação, A legalidade do estabelecimento de prazo para a apresentação do ADA, Cronologia referente ao prazo de apresentação do ADA, Princípio da estrita legalidade tributária, Interpretação literal da legislação que concede isenção, Progressividade de alíquota, Grau de utilização do imóvel rural GU, Área aproveitável do imóvel rural, Área efetivamente utilizada na atividade rural e A apresentação tempestiva do ADA. Contextualização do imóvel rural no ordenamento constitucional brasileiro A Constituição Federal, de 1988, buscou assegurar o necessário equilíbrio entre a garantia individual da propriedade privada e sua função social como princípio da ordem econômica. Assim entendido, a primeira se apresenta atrelada à segunda tanto no capítulo dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos art. 5º, XXII e XXIII como naquele dos Princípios Gerais da Atividade Econômica art. 170, II e III nestes termos: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, [...], à propriedade, nos termos seguintes: [...] Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 127 7 XXII é garantido o direito de propriedade; XXIII a propriedade atenderá a sua função social; Art. 170. A ordem econômica, [...], conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: [...] II propriedade privada; III função social da propriedade. Refinando o raciocínio, vêse que a Carta Magna, pontual e especificamente, traz estímulos especificamente voltados ao cumprimento da função social do imóvel rural, seja estabelecendo os critérios de seu respectivo atingimento art. 186, I e II seja restringindo em si o próprio direito fundamental de propriedade arts. 184, caput, e 185, II e § único in verbis: Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social [...]; Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária: [...] II a propriedade produtiva. Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social; Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I aproveitamento racional e adequado; II utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; Nessa perspectiva, sopesando os comandos constitucionais vistos nos arts. 186 e 184 acima, inferese que, numa suposta relação hipotética, o primeiro pode se apresentar como antecedente e o segundo como consequente, ou seja, em situação extremada, o descaso com a função social do imóvel rural poderá implicar sua desapropriação por interesse social. Assim entendido, é imprescindível a conciliação entre os interesses individuais decorrentes do direito de propriedade e os coletivos advindos com a justa solidariedade social, razão por que, quanto a isso, o comando constitucional sinaliza as potenciais hipóteses: 1. os legisladores deverão estimular referido equilíbrio, mediante normas incentivadoras de condutas salutares tanto do ponto de vista individual quanto coletivo; 2. os governos deverão promover políticas públicas direcionadas a tais finalidades; Fl. 130DF CARF MF 8 3. os operadores do direito deverão orientar suas decisões com vistas ao atendimento dos preceitos ora discorridos; 4. à sociedade organizada, sem desrespeitar a propriedade privada, deverá exigir o cumprimento da função social da terra; 5. o proprietário individual do imóvel rural deverá conduzir seus propósitos pessoais com apreço aos interesses da coletividade. Descendo a pirâmide, passaremos a analisar o delineamento do aludido tributo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). ITR Aspectos constitucionais Tratase de imposto de competência da União CF, de 1988, art. 153, VI de função eminentemente extrafiscal, cujos contornos são desenhados para estimular o cumprimento da função social do imóvel rural considerado, possibilitando benefícios à sociedade, sem prejuízo do exercício do direito de propriedade pelo seu titular. Confirmase: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] VI propriedade territorial rural; [...] § 4º O imposto previsto no inciso VI do caput: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) I será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas; II não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel; A citada progressividade fiscal se traduz em instrumento de intervenção na propriedade privada com vistas a inibir a manutenção de imóvel rural improdutivo, em atendimento à função social que a Constituição determinou fosse observada, conforme já se transcreveu no tópico anterior (arts. 5º, XXIII, e 170, II). Ainda no mesmo sentido, na forma também já vista precedentemente, o mandamento Constitucional, por um lado, declarou a propriedade produtiva insuscetível de desapropriação para reforma agrária (art. 185, II); por outro, delineou a função social que o imóvel há de cumprir, estabelecendo os critérios do aproveitamento racional da terra, como também a utilização adequada dos recursos disponíveis e a preservação do meio ambiente (art. 186, I e II). Na mesma esteira do cumprimento da função social do imóvel rural, diretamente, a Matriz Constitucional traz a imunidade do ITR atinente à pequena gleba rural quando atendidas as circunstâncias ali delineadas (art. 153, § 4º, II). Não de modo diferente, embora indiretamente, podese compreender que o cumprimento da função social do imóvel rural também foi privilegiado, na medida em que a Carta sinaliza imunidade dos imóveis pertencentes à União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas, instituições de educação e assistência social nos termos por ela estabelecidos (art. 150, VI, alíneas "a" e "c", §§ 2º a 4º). Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 128 9 Por fim, a Carta Constitucional define que as normas gerais em matéria tributária serão estabelecidas por meio de lei complementar, nos seguintes termos: Art. 146. Cabe à lei complementar: [...] III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; (grifo nosso) ITR Aspectos legais Hipóteses de incidência, base de cálculo e contribuinte No atendimento do comando constitucional acima transcrito (art. 146, III, alínea "a"), dispondo sobre o aspecto material da incidência de referido Tributo, o Código Tributário Nacional (CTN) recepcionado com força de lei complementar pela CF, de 1988 em seus arts. 29 a 31, definiu que o ITR tem por fato gerador a propriedade, o domínio útil, ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município; por base de cálculo o seu valor fundiário e como contribuinte o proprietário, titular do domínio útil ou possuidor a qualquer título, nestes termos: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário; Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Norma legal vigente Nessa esteira, em consonância com as disposições contidas nas normas gerais transcritas acima, a Lei Federal nº 9.393, de 1996, delimita os contornos do fato gerador (art. 1º); do contribuinte (art. 4º) e da base de cálculo (arts. 8º) do reportado Imposto, nestes termos: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. [...] Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR Fl. 132DF CARF MF 10 DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Base de cálculo VTN tributável Até então, relativamente à presente abordagem, adequado consignar que referida Lei referenciou a base de cálculo do ITR a partir do preço de mercado da terra nua tributável na data de ocorrência do respectivo fato gerador (VTNt), o que se dará em 1º de janeiro de cada ano. Nessa perspectiva, orientando o estudo ao propósito que se pretende atingir, que é o enfrentamento da lide em debate, é apropriado se discorrer acerca da apuração da dita base tributável, conforme dispõe reportado mandamento legal, com a redação vigente à época do fato gerador, nestes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente (APP) e de reserva legal (ARL)...[...] b) de interesse ecológico (AIE) para. [...] c) comprovadamente imprestáveis (ACI) para [...] d) sob regime de servidão florestal (ARSF); e) cobertas por florestas nativas (ACFN), primárias [...] f) alagadas (AA) para fins de constituição de reservatório [...] (grifo nosso) Importante salientar que a legislação tributária acompanha o entendimento dado à terra nua pelo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002, art. 79), definindoa como sendo o imóvel rural por natureza ou acessão natural, compreendendo o solo com a sua superfície e respectiva mata nativa, floresta nativa ou pastagem natural. Isto está posto na IN RFB nº 256, de 2002, art. 32, caput. Confirase: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 129 11 Art. 32. Valor da Terra Nua (VTN) é o valor de mercado do solo com sua superfície, bem assim das florestas naturais, das matas nativas e das pastagens naturais que integram o imóvel rural. Nesse cenário, o já transcrito § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, por meio do seu inciso III, assevera que o valor da terra nua tributável (VTNt) efetiva base de cálculo do tributo em destaque equivale ao valor da terra nua (VTN) correspondente à área tributável. Portanto, representado pelo produto da multiplicação do VTN pelo quociente da divisão entre a área tributável e a extensão total do respectivo imóvel rural. Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; (grifo nosso) Isenções exclusões da base de cálculo A propósito, por ser proveitoso para a construção dos fundamentos a se hipotecar nesta análise, conveniente registrar que, como visto, exceto quanto às imunidades voltadas ao cumprimento da função social referenciada anteriormente (CF, de 1988, arts. 153, § 4º, II, e 150, VI, alíneas "a" e "c", §§ 2º a 4º), o ITR incide sobre a totalidade remanescente dos imóveis rurais, nos termos apontados pelo CTN. Logo, as exclusões redução da base de cálculo estabelecidas na legislação supratranscrita (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, incisos I e II) traduzem notórias isenções tributárias, como tais, carregadas de especificidades próprias, conforme se verá adiante. No contexto, releva retomar que tais isenções retratam a dimensão extrafiscal do mencionado Imposto, pois pretendem estimular o cumprimento da função social do imóvel rural por meio da utilização adequada dos recursos disponíveis e da preservação do meio ambiente. Assim entendido, quando da apuração da reportada base de cálculo, a Lei exclui, por um lado, os custos diretos a que se referem as aplicações dispostas nas alíneas "a" a "d" do seu art. 10, § 1º, inciso I (valor das benfeitorias, culturas, pastagens e reflorestamento); por outro, no cálculo da área tributável, elide a tributação atinente às áreas utilizadas na forma vista nas alíneas "a" a "f" constantes no inciso II do mesmo parágrafo e artigo (APP, ARL, AIE, ACI, ARSF, ACFN e AA). Nesse pressuposto, anunciada isenção tributária está condicionada ao cumprimento de requisito obrigatório, previsto na Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, que lhe alterou o mandamento do § 1º do art. 17O, qual seja: a existência de ADA ou do protocolo de seu requerimento perante o IBAMA ou órgão ambiental com ele conveniado. Enfim, tratase de exigência genérica indispensável para a supressão de qualquer área da incidência do referido tributo. Confirase: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 134DF CARF MF 12 [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) A dispensa da prévia comprovação de área isenta Oportuno registrar que o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, vigente entre 25/08/2001 e 25/05/2012, não trouxe inovação no ordenamento jurídico tributário, pois apenas reforçou que o lançamento do citado Imposto se dará por homologação, conforme dispositivo constante no caput, c/c o art. 150 da Lei nº 5.172, de 1966. Logo, tratase da dispensa prévia de apresentação de documentos no momento da entrega da DITR, o que é próprio da referida modalidade de lançamento, o que é respeitado pela Receita Federal do Brasil. Confirase: Art. 10.[...] § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Revogada pela Lei nº 12.651, de 2012) Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] Assim sendo, quando questionado pelo Fisco, o contribuinte mantém a obrigação de comprovar o cumprimento tempestivo das condições impostas pela legislação para o gozo da isenção pretendida, mesmo se tratando de APP e ARL (alínea "a") ou de . área sob regime de servidão florestal (línea "d"). Ademais, tampouco há de se cogitar no afastamento da atribuição dada à fiscalização para verificar se os dados declarados correspondem à situação existente no correspondente imóvel na data do fato gerador do ITR, procedendo ao lançamento de ofício quando o sujeito passivo não lograr comprovar a regularidade dos dados informados na respectiva declaração. Caracterização do ADA O ADA é o instrumento que possibilita a alimentação do cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA, destacando aquelas frações de interesse ambiental, as quais, se atendidos os preceitos legais, são excluídas da base de cálculo do ITR. Tratase, portanto, de obrigação imposta ao detentor do reportado benefício fiscal, cuja pretensão é estimular o já discutido cumprimento da função social do imóvel rural, na medida em que incentiva a preservação do meio ambiente, contribuindo para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. Mais objetivamente, atendida a condição imposta, o proprietário rural vê seu Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 130 13 tributo reduzido quando protege suas florestas ou vegetações naturais, assim como em virtude do incremento na produtividade da respectiva terra. A imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA Nos termos vistos no § 4º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, o ADA é um documento por meio do qual o contribuinte declara ao IBAMA as áreas excluídas da base de cálculo do ITR nos termos previstos na legislação. Assim entendido, por meio dele o Órgão fiscalizador ambiental recebe informações relativas à preservação e conservação ambientais de propriedades rurais, realiza auditoria com vistas a averiguar a veracidade das informações ali constantes e, quando for o caso, lavrará, de ofício, novo ADA, corrigindo as supostas distorções verificadas, o qual será encaminhado à RFB, a quem compete efetivar a autuação correspondente. Confirmase: Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 10. [...]. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 Como visto precedentemente, há de se entender que a isenção pretendida pelo sujeito passivo traz duas vertentes distintas, mas complementares, quais sejam: por um lado, o aspecto formal da existência ou não do ADA, que é fiscalizado pela RFB; por outro, o aspecto material, caracterizado pelo levantamento técnico da conformidade entre o registro documental e a existência real das áreas tidas por preservadas. Mais precisamente, tratase de dever legal visando a uma razoável praticabilidade da norma isencional tributária, na medida em que a exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR permite uma efetiva fiscalização da preservação da área de interesse ambiental por parte do IBAMA. Nesse sentido, conforme visto, vale dizer que o atendimento de mencionada obrigação potencializa o cumprimento da função social do imóvel rural pretendido pela Constituição Federal. A natureza acessória da obrigação Nessa perspectiva, conforme a Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), art. 113, §§ 1º, 2º e 3º, somente há duas espécies de obrigações tributárias impostas ao contribuinte, a principal e a acessória. A primeira, trata do pagamento de tributo ou penalidade; a segunda, diz respeito a todas as imposições feitas ao sujeito passivo no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Ademais, esta última se transforma em principal no tocante ao pagamento de penalidade pecuniária, quando e somente se, legalmente prevista. Confirase: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 136DF CARF MF 14 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A propósito, não se imagina razoável descaracterizar a natureza de uma obrigação acessória supostamente porque inexistente a penalidade pecuniária pelo seu descumprimento, pois a legislação tributária prevê inúmeras situações onde não há reportada sanção. Quanto a isso, especialmente nos casos de benefícios fiscais, a lei optou por vincular referido gozo ao cumprimento das prestações positivas ou negativas nela impostas. A exemplo, transcrevemos excerto do Decreto nº 3.000, de 1999, arts. 516, 518, 527, inciso I, parágrafo único, e 530, inciso III, e 532 (vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018): Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). [...] Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). [...] Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; [...] Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). [...]. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 131 15 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (grifo nosso) [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifo nosso) [...} Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). No caso, a forma de apuração do Imposto por meio de regime privilegiado (lucro presumido), caracterizado pela redução da base de cálculo do montante apurado e, especialmente, pela dispensa de escrituração contábil nos termos exigidos pela legislação comercial, fica afastada quando o beneficiário descumprir a obrigação acessória de apresentação do livro caixa escriturado (art. 530, III). Assim entendido, tal como a apresentação do ADA, inferese que a ausência de penalidade pecuniária pelo descumprimento da respectiva obrigação acessória não a descaracteriza, já que isso supostamente refletirá na perda do benefício pretendido (aumento da base de cálculo correspondente ao acréscimo de 20% do coeficiente de cálculo art. 532). Dá forma já posta, em síntese, o dever instrumental da apresentação do ADA consiste na prestação positiva no interesse da arrecadação e fiscalização do ITR, uma vez se traduzir em expediente que possibilita o acompanhamento do cumprimento da obrigação principal de pagar mencionado tributo, a partir das informações ali declaradas. Portanto, entendo que citada imposição se apresenta carregada de todos os requisitos próprios das obrigações acessórias tributárias, como o são os deveres de escriturar livros, expedir notas fiscais, manter cadastros perante o fisco, etc. Afinal, dito Instrumento; por um lado, está legalmente vinculado à apuração do ITR (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º); por outro, compreenderá o suporte fático da autuação decorrente das divergências levantadas pelo IBAMA e enviadas à Repartição Fiscal competente (Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 4º). Olhando em dita perspectiva, já que caracterizada a natureza acessória do dispositivo, vale delimitar o seu fato gerador, segundo o art. 115 do CTN: "Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal." (grifo nosso) Do até então exposto, temse que as obrigações acessórias podem decorrer da legislação tributária, por força dos arts. 113, § 2º, e 115 do CTN já transcritos, esta última compreendendo as normas complementares, dentre as quais os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, como se vê nos arts. 96 e 100, I, do CTN. Confirase: Fl. 138DF CARF MF 16 Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. [...] Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; [...] A legalidade do estabelecimento de prazo para a apresentação do ADA Avançando no raciocínio, é relevante se identificar o momento de ocorrência das circunstâncias materiais caracterizadoras do descumprimento do citado dever instrumental, cujos efeitos implicam a glosa do benefício fiscal que o recorrente almejou usufruir. Por conseguinte, estabelecendo as condições necessárias ao fiel cumprimento da Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, sob o manto Regulamentar e legal, a RFB e o IBAMA expedem atos administrativos complementando o detalhando do mandamento que a norma legal exigiu fosse cumprido. Nesse manto, conforme o já referenciado art. 96 do CTN, o decreto é ato normativo proveniente do Chefe do Poder Executivo, que integra a legislação tributária, e tem por incumbência essencial a regulamentação do conteúdo das leis, conforme art. 84, inciso IV, da CF, de 1988. Confirase: CF, de 1988: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: [...] IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; CTN, de 1966: . Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende [...]. A tal respeito, dentro do liame permitido no escopo Constitucional, o Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 3º, inciso I, remete a definição do prazo de apresentação do ADA para ato normativo infralegal. Confirase: Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 10. [...]. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 132 17 normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Não bastasse referida previsão infralegal da definição dos prazos e condições para a apresentação do ADA mediante atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, a Lei nº 9.779, de 1999, art. 16, traz comando funcional específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o cumprimento. Confirase: Lei nº 9.779, de 1999: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável (grifo nosso). Cronologia referente ao prazo de apresentação do ADA Estritamente dentro dos limites legais supracitados, a RFB e o IBAMA estabeleceram a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA, em períodos distintos, relativamente às declarações referentes aos exercícios anteriores a 2007 e dali em diante, conforme discriminação sequenciada: Estritamente dentro dos limites legais supracitados, a RFB e o IBAMA estabeleceram a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA, em até seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR e entre de 1° de janeiro a 30 de setembro, conforme se trate de declaração referente a exercício anterior ao de 2007 e dali em diante respectivamente. Estritamente dentro dos limites legais supracitados, a RFB e o IBAMA estabeleceram a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA em dois períodos distintos, que têm por marco o exercício de 2007. Nesse pressuposto, citado protocolo deveria se dar em até seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR e de 1° de janeiro a 30 de setembro do correspondente exercício, conforme se trate de declaração referente a exercício anterior ao limítrofe e dali em diante respectivamente. Confirase: 1. para os exercícios anteriores a 2007, reportado protocolo deveria ocorrer em até seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR, nos termos da IN SRF nº 43, de 1997, art. 10, § 4º, inciso II, com a redação dada pela IN SRF nº 67, de 1997, art. 1º. Confirase: IN SRF nº 43, de 1997: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) [...] Fl. 140DF CARF MF 18 § 4o As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 67, de 01 de setembro de 1997) (grifo nosso) Oportuno registrar que, no lapso temporal retrocitado, os atos normativos que trataram do assunto em debate, embora passando por uma sequência de revogações, mantiveram inalterado o interregno de seis meses contados da data final para a apresentação da respectiva Declaração. Nessa perspectiva, a IN SRF nº 43, de 1997 foi revogada pela IN SRF nº 73, de 2000, a qual também foi objeto de revogação pela IN SRF nº 60, de 2001, também fulminada pela IN SRF nº 256 de 2002. Confirase: IN SRF nº 73, de 2000 (revoga a IN SRF nº 43, de 1997): Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA, ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; e (grifo nosso) IN SRF nº 60, de 2001 (revoga a IN SRF nº 73, de 2000) Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do Ibama ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: [...] II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama; (grifo nosso) IN SRF nº 256, de 2002 (revoga a IN SRF nº 60, de 2001): Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: [...] § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 133 19 Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR 2. a partir do exercício de 2007, a RFB estabeleceu a obrigatoriedade da protocolização no IBAMA de requerimento do ADA, não mais em seis meses, contados da data final para a entrega da DITR do correspondente exercício, e sim no prazo estipulado na legislação ambiental, conforme a IN SRF nº 256, de 2002, art. 9º, § 3º, inciso I, com a alteração implementada pela IN RFB nº 861, de 2008, c/c a IN RFB nº 746, de 2007, art. 10. Confirase: IN SRF nº 256, de 2002 (alterada pela IN RFB nº 861, de 2008): Art. 9º [...] § 3º [...[ I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) (grifo nosso) IN RFB nº 746, de 2007: Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. (grifo nosso) Nessa nova configuração, o IBAMA determinou que o ADA deve ser declarado anualmente de 1° de janeiro a 30 de setembro, conforme IN IBAMA nº 76, de 2005, art. 9º; IN IBAMA nº 96, de 2006, art. 9º, e arts. 6º, § 3º, e 7º da IN IBAMA n° 5, de 2009. Confirase: IN IBAMA nº 76, de 2005: Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. (grifo nosso) Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. (grifo nosso) IN IBAMA nº 96 de 2006: Art 9º As pessoas físicas e jurídicas que desenvolvem atividades classificadas como agrícolas ou pecuárias, incluídas na Categoria de Uso de Recursos Naturais constantes no Anexo II, deverão apresentar anualmente o Ato Declaratório Ambiental. Fl. 142DF CARF MF 20 IN IBAMA nº 05, de 2009: Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). [...] § 3º O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado.(grifo nosso) Art. 7º. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. A propósito, em se tratando de tema complexo, entendo pertinente refinar a análise considerando dois pressupostos que refletem os comandos normativos da matéria em debate, quais sejam: (i) o da reserva legal visto no art. 97 do CTN e (ii) o da interpretação literal presente no art. 111 do mesmo Código. O primeiro, referindose à estrita legalidade própria dos elementos basilares da relação jurídico tributária (fato gerador da obrigação principal, base de cálculo, alíquota, etc.); o segundo, impondo limites atinentes à interpretação a ser dada aos dispositivos tributários que tratem da concessão de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória. Princípio da estrita legalidade tributária A reserva legal tributária prevista no art. 150, inciso I, da CF, de 1988, impõe que a própria lei desenhe a regramatriz de incidência tributária a ser adotada pelos sujeitos da relação jurídicotributária. Nesse bojo, o art. 97 do CTN é preciso ao esclarecer e delimitar tais preceitos, mediante o estabelecimento de normas gerais tributárias. Confirmase: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 134 21 § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. De pronto, examinando mais detalhadamente os arts. 96, 97 e 98 do CTN este último tratando dos tratados e convenções internacionais e os dois primeiros da legislação tributária e da reserva legal respectivamente notase que não há matéria relativa a prazos sujeita à reserva legal (arts. 97 e 98). Consequentemente, inferese que o ali não contido, referese a obrigações acessórias, como tais, podendo ser disciplinadas por meio da legislação tributária compreendida nos termos do art. 96 do citado Código. Interpretação literal da legislação que concede isenção Considerando que a tributação é a regra no exercício da competência tributária, as hipóteses de outorga de isenção e de dispensa do cumprimento de obrigação acessória devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico. Nessa ótica, conforme o art. 111 do CTN, o entendimento acerca da imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA para o gozo da isenção pretendida pelo contribuinte deve ser restritivo, ficando afastada qualquer hipótese de dispensa ou substituição por outros documentos. Confirase: Lei nº 5.172, de 1966: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Por oportuno, o art. 175, parágrafo único, do CTN ratifica mencionada perspectiva restritiva, pois mantém a exigência de referida interpretação literal para a dispensa do cumprimento de obrigação acessória, ainda que haja outorga de isenção do suposto crédito tributário a ela vinculada. Confirase: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; [...] Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Progressividade de alíquota Além das isenções apontadas, como se há verificar, especificado mandamento legal privilegia a progressividade fiscal de citado tributo, na medida em que se propõe inibir a manutenção de imóvel rural improdutivo, estabelecendo critérios de Fl. 144DF CARF MF 22 aproveitamento racional da terra, a partir da determinação de alíquotas em percentuais inversamente proporcionais ao grau de utilização do correspondente imóvel rural. Nessa perspectiva, conforme art. 11 da Lei nº 9.393, de 1996, dentro das respectivas faixas de tributação existentes, que são estabelecidas em razão da área total do imóvel rural, a alíquota aplicável será tanto menor quanto maior for o grau de utilização da propriedade. Confirase: Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. Mais especificamente, o Anexo a que se refere a transcrição posta traz a seguinte tabela de alíquotas aplicáveis na apuração do ITR devido. Confirase: Grau de utilização GU (%) Área total do imóvel (extensão ha) Maior que 80 Maior que 65 até 80 Maior que 50 até 65 Maior que 30 até 50 Até 30 Até 50 0,03 0,20 0,40 0,70 1,00 Maior que 50 até 200 0,07 0,40 0,80 1,40 2,00 Maior que 200 até 500 0,10 0,60 1,30 2,30 3,30 Maior que 500 até 1.000 0,15 0,85 1,90 3,30 4,70 Maior que 1.000 até 5.000 0,30 1,60 3,40 6,00 8,60 Acima de 5.000 0,45 3,00 6,40 12,00 20,00 Considerando que as isenções apontadas refletem não somente na base de cálculo do ITR matéria vista precedentemente mas também na alíquota aplicável em sua apuração, na sequência, é plausível se contextualizar o grau de utilização do imóvel rural, como também suas áreas aproveitável e de efetiva utilização na mencionada atividade, que lastreiam a extrafiscalidade do citado tributo, determinada pela progressividade de suas alíquotas. Grau de utilização do imóvel rural GU É a relação percentual estabelecida entre a área efetivamente utilizada pela atividade rural e a totalidade aproveitável do respectivo imóvel, o qual, conforme visto no tópico precedente, juntamente com a extensão do imóvel, traduzse em critério determinante para a progressividade das alíquotas aplicáveis na apuração do ITR devido (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, VI; Decreto nº 4.382, de 2002, art. 31, e IN SRF nº 256, de 2002, art. 31). Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 135 23 Assim entendido, convém ressaltar que, conforme se discorrerá na sequência, as áreas aproveitável e efetivamente utilizada na atividade rural base para o cálculo do reportado grau de utilização (GU) consideram as isenções retrocitadas (Lei nº 9.393, de 2002, art. 10, § 1º, incisos I e II). Ademais, levam em consideração os fatos ocorridos entre 01 de janeiro e 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador. Área aproveitável do imóvel rural Tratase de área retratada no Quadro 10 do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT "Distribuição da Área do Imóvel Rural”, a qual está apontada no Campo 10 e se caracteriza pela diferença entre a área total do imóvel (campo 01) e as isenções previstas no art. 10, § 1º, incisos I, alínea "a", e II, alíneas "a" a "f" da Lei retrocitada (campos 02 a 09). Confirase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) Área efetivamente utilizada na atividade rural Visto o comando legal abaixo transcrito (Lei nº 9.393, de 2002), cumpre destacar que, no Campo 18 do Quadro 11 do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT "Distribuição da Área Utilizada na Atividade Rural” consta a área efetivamente utilizada na atividade rural. Esta, por sua vez, referese à porção da área aproveitável que, no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador, tenha sido empregada para produtos vegetais, pastagens, exploração extrativa, criações diversas, projetos técnicos e pesquisa, como também quando situada em área de calamidade pública. Confirmase: Art. 10. [...] § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; Fl. 146DF CARF MF 24 e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993; [...] § 6º Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: I comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens; II oficialmente destinados à execução de atividades de pesquisa e experimentação que objetivem o avanço tecnológico da agricultura. Sumarizando o raciocínio teorizado nos últimos quatro tópicos (progressividade de alíquota, grau de utilização, área aproveitável e área efetivamente utilizada), depreendese que os benefícios fiscais patrocinados pela supracitada Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, º 1º, incisos I e II, refletem redução do imposto devido, em face dos encolhimentos tanto da base de cálculo como da alíquota aplicável, decorrentes da isenção e da progressividade resultantes respectivamente. A apresentação tempestiva do ADA Neste cenário, tendo em vista o que está posto no art. 175, inciso I, e parágrafo único do CTN, inferese que o incisos II do art. 111 de igual Código trata de matéria redundante, porquanto já inserida no inciso I de tal artigo. Afinal, a outorga de isenção se traduz modalidade de exclusão do crédito tributário. Logo, admitir a manutenção do benefício fiscal em controvérsia quando o ADA ou o seu requerimento não for protocolizado tempestivamente no IBAMA ou órgão conveniado, implicará ofensa a todos aqueles incisos dispostos no art. 111 do CTN, já abordados precedentemente. Mais precisamente, restariam concedidas outorga de isenção e, de igual modo, dispensa do cumprimento de obrigação tributária acessória mediante forma de interpretação da legislação tributária divergente da literal, o que, como se conheceu, é vedado expressamente pelos arts. 111, incisos I, II e III, e 175 do CTN. Ademais, o art. 141 do mesmo Código é muito preciso ao ratificar citada proibição. Nestes termos: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Por todo o exposto, nos termo já vastamente debatidos, podese sintetizar o que segue: 1. o gozo do referido benefício fiscal está legalmente condicionado à protocolização do ADA no IBAMA ou órgão conveniado (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º); 2. citada imposição se apresenta carregada de todos os requisitos próprios das obrigações acessórias tributárias, pois realizada no interesse da arrecadação ou da fiscalização do tributo, como o são os deveres de escriturar livros, expedir notas fiscais, manter cadastros perante o fisco, etc. (CTN, art. 113, § 2º); Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 136 25 3. não há matéria relativa a prazos sujeita à reserva legal, razão por que o período e condições para apresentação do ADA podem ser disciplinados por meio da legislação tributária (CTN, arts. 96, 97 e 98); 4. há comando legal específico para a RFB estabelecer obrigações acessórias relativas aos tributos por ela administrados, aí se incluindo os prazos e condições para o respectivo cumprimento (Lei nº 9.779, de 1999, art. 16); 5. dentro do liame permitido no escopo Constitucional, o RITR remete a definição do prazo de apresentação do ADA para ato normativo infralegal (Decreto nº 4.382, de 2002, art. 10, § 3º, inciso I); 6. sob o manto legal (item 4) e Regulamentar (item 5), a RFB e o IBAMA expedem atos administrativos estabelecendo condições e prazos de apresentação do ADA; 7. por fim, as hipóteses de outorga de isenção e de dispensa do cumprimento de obrigação acessória objetos do presente julgamento devem ser interpretadas literalmente, por traduzirem exceções no ordenamento jurídico vigente (CTN, arts. 75 e 111). Isto posto, com todas as vênias que me possam conceder os nobres julgadores que vêem de forma diferente, entendo haver, sim, mandamento legal autorizando o estabelecimento do prazo e das condições para a apresentação do ADA por meio de ato administrativo de autoridade competente. Ademais, ainda que isso inexistente fosse, interpreto que os dirigentes da RFB e do IBAMA detêm mencionado poder em suas atribuições regimentais, nos termos do art. 100, inciso I, do CTN. Afinal, tratase do regramento de obrigação acessória, matéria não vinculada à reserva legal tributária. Superada a patenteada acepção conceitual retrocitada, passaremos ao enfrentamento da controvérsia propriamente. Exercício de 2004 prazo de apresentação do ADA Consoante se discorreu precedentemente, tratandose de declaração referente a exercício anterior ao de 2007, o termo final para a protocolização no IBAMA de requerimento do ADA correspondente ao citado exercício se deu em até 31 de março de 2005, seis meses contados do termo final para a entrega da respectiva DITR/2004, que sobreveio em 30 de setembro de 2004. É o que se abstrai da IN SRF nº 435, de 2004, arts. 3º e 10, incisos I e II. Confirmase: Art. 3º A DITR deverá ser apresentada no período de 9 de agosto a 30 de setembro de 2004: [...] Art. 10. O contribuinte deverá protocolizar o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de seis meses, contado do término do prazo fixado para a entrega da DITR, estabelecido no art. 3º, se o imóvel rural: Fl. 148DF CARF MF 26 I estiver sendo declarado pela primeira vez com a informação de áreas nãotributáveis; ou II teve alteradas as áreas nãotributáveis em relação ao ADA anteriormente protocolizado, inclusive no caso de alienação de área parcial. Isto posto, considerando que não consta nos autos nem o Ato específico federal ou estadual declarando o interesse ecológico da citada área e nem, ao menos, o protocolo de requerimento do ADA no IBAMA, os argumentos apresentados pelo sujeito passivo não merecem prosperar. Jurisprudência administrativa e judicial Como se há verificar, a análise da jurisprudência que o recorrente trouxe no Recurso deve ser contida pelo disposto nos arts. 506 da Lei nº 13.105, de 2015, e 472 do Código de Processo Civil, os quais estabelecem que a sentença não reflete em terceiro estranho ao respectivo processo. Logo, por não ser parte no litígio ali estabelecido, o recorrente dela não pode se aproveitar. Confirmase: Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil: Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Lei nº 13.105, de 2015 novo Código de Processo Civil: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Mais precisamente, as decisões judiciais e administrativas, regra geral, são desprovidas da natureza de normas complementares, tais quais aquelas previstas no art. 100 do CTN, razão por que não vinculam futuras decisões deste Conselho, conforme Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Confirmase: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10073.720417/200858 Acórdão n.º 2003000.143 S2C0T3 Fl. 137 27 dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 152, de 03 de maio de 2016) Do que se expôs, não procede a argumentação da recorrente tutelando que a existência do laudo técnico contratado e da Informação Técnica do Analista Ambiental do Parque Nacional de Itatiaia, por si sós, são suficientes para comprovar a existência e o interesse ecológico da mencionada área. Afinal, a redução do valor do ITR devido, decorrente da isenção pretendida, está condicionada à protocolização tempestiva do correspondente ADA junto ao órgão competente, como também do respectivo interesse ecológico declarado em Ato específico federal ou estadual. Enfim, para o gozo de mencionado benefício fiscal, não basta somente o aspecto material da preservação em si. Nestes termos, não restando comprovado o cumprimento dos requisitos legais ora discutidos, devese manter a glosa da área de interesse ecológico nos exatos termos decididos na origem. Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso interposto. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.901988/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2401-006.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora do processo paradigma), Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10380.901989/2010-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA. Pagamento e compensação são modalidades de extinção do crédito tributário distintas, não apenas pela doutrina, mas pelo próprio texto legal. A denúncia espontânea, para que se configure, requer o pagamento do tributo. Assim, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito pela via da compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada, e a multa moratória é devida, nos termos da lei, estando o débito em atraso na data da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora do processo paradigma), Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10380.901989/2010-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 19 88 /2 01 0- 32 Fl. 86DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.488 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.901988/2010-32 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.487, de 8 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10380.901989/2010-87, paradigma deste julgamento, na forma a seguir apresentada. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza - CE (DRJ/FOR) que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa do Acórdão nº 08-21.220 (fls. 51/57 do processo paradigma): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 MULTA DE MORA. CABIMENTO. A denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, exclui a responsabilidade da interessada pela infração, o que impede a aplicação da multa de ofício pelo fisco, mas não extingue a obrigação do pagamento da multa de mora, a qual nasce no dia seguinte à data do vencimento do pagamento da obrigação tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ALCANCE A função das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, não lhes sendo facultado pronunciar-se a respeito da conformidade ou não da lei, validamente editada, com os demais preceitos emanados pela Constituição Federal. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em outros julgados administrativos ou judiciais ou em manifestações da doutrina especializada não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do pedido de compensação (PER/DCOMP) apresentado pelo Contribuinte no qual pretende se utilizar de crédito relativo à pagamento indevido ou maior que o devido do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, para amortizar débitos em seu nome. Fl. 87DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.488 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.901988/2010-32 A DRF/FOR emitiu Despacho Decisório não reconhecendo integralmente o direito creditório pleiteado e, consequentemente, não homologando a compensação, com base no argumento de que o crédito reconhecido revelou-se insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. A DRF/FOR homologou parcialmente a compensação declarada, permanecendo o valor devido consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados acrescido de multa e juros. O Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e, inconformado com a decisão proferida, tempestivamente, apresentou sua Manifestação de Inconformidade. O Processo foi encaminhado para 3ª Turma da DRJ/FOR que decidiu por unanimidade considerar IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ/FOR, via Correios, e, tempestivamente, interpôs seu Recurso Voluntário. Em seu Recurso Voluntário o Contribuinte argui a ilegalidade da cobrança de Multa de Mora alegando que, no presente caso, antes de qualquer procedimento fiscal, houve denúncia espontânea, o que impõe a exclusão da Multa por imposição legal. Afirma que realizou o pagamento do tributo devidamente atualizado com a multa e, ao tomar ciência do equívoco, se creditou do valor pago via PER/DCOMP, realizando, em seguida, novo pagamento, via compensação, do valor principal acrescido de juros de mora, mas sem multa, em razão da indubitável configuração da denúncia espontânea. Finaliza o Recurso pedindo o reconhecimento do direito de não pagar Multa de Mora, em razão de ter realizado pagamento do tributo devido por meio de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.488 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.901988/2010-32 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.487, de 8 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10380.901989/2010-87, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.487, de 8 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: “Em que pese as corriqueiras lógica e clareza com que o I. Relatora apresenta suas razões, pretendo demonstrar as razões da minha discordância quanto ao julgamento de mérito da matéria ora submetida. DO MÉRITO A lide diz respeito à possibilidade de a compensação de débitos declarados em PER/DCOMP, após os respectivos prazos de vencimento, atrair o benefício da denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN - e, consequentemente, afastar a incidência da multa de mora sobre esses débitos. Sobre a matéria, alega a Recorrente, em suas razões recursais, às fls. 63, o seguinte: (...) No presente caso, a recorrente, antes de qualquer procedimento do Fisco, realizou o pagamento do tributo devidamente atualizado, tendo, contudo, creditado-se, posteriormente, no mesmo período, desse valor, via PER/DCOMP’s, realizando, em seguida, novo pagamento (compensação tributária), o que implicou a constituição do correlato crédito tributário nesse momento, mediante pagamento do valor do principal acrescido de juros de mora, mas sem multa, em razão da indubitável configuração da denúncia espontânea. (...) Ou seja, entende o contribuinte que o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN compreende não somente o pagamento, mas igualmente a compensação, posto ser esta também modalidade de extinção do crédito tributário prevista no art. 156 do citado diploma legal. Vejamos a dicção do art. 138 do CTN: Fl. 89DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.488 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.901988/2010-32 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (*) destaques acrescidos É de se destacar que resta consolidado o entendimento que configura denúncia espontânea a hipótese na qual o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito (sujeito a lançamento por homologação), retifica-a antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, noticiando a existência de diferença a maior, com o concomitante pagamento. Entretanto, a questão controvertida objeto dos autos impõe perquirir a extensão semântica do vocábulo "pagamento" utilizado pelo retromencionado art. 138 do CTN. Em outras palavras: a saber se a expressão "pagamento" compreende também a compensação por serem ambos modalidade de extinção de crédito tributário. Entendo que não. É certo que a compensação e o pagamento são formas de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, incisos I e II do CTN. Contudo, com a redação dada pela Lei 10.637 de 2002 ao art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996, a compensação mediante apresentação da Declaração de Compensação DCOMP foi expressamente reconhecida como extintiva do crédito tributário, mas sob condição resolutória de sua ulterior homologação, in verbis: Art. 74 (...) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da sua ulterior homologação. (...) * destaques acrescidos Desta forma, quando, em vez de realizar o pagamento o contribuinte apresenta pedido de compensação, a extinção do crédito tributário está sujeita à manifestação posterior da autoridade fazendária no sentido de homologar ou não o pedido de compensação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, tem-se por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência dos encargos moratórios. Consequentemente, dependente a compensação da homologação por parte da autoridade fazendária, não se pode concluir que o sujeito passivo tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento do tributo e realizado o seu pagamentos integral nos termos do art. 138 do CTN, deixando assim de ser albergado pelo instituto da denúncia espontânea. Esse é o entendimento esposado pela 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça ao apreciar o Agravo Interno no REsp 1.585.052/RS, expresso no voto condutor do julgado proferido pelo Ministro Humberto Martins, a saber: Fl. 90DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.488 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.901988/2010-32 (...) "Conforme consignado na análise monocrática, a denúncia espontânea é uma benesse legal que exige para sua implementação o pagamento do tributo devido, acrescido dos juros de mora correspondentes. Logo, a hipótese do art. 138 do CTN exige o pagamento do tributo que não se confunde com o pedido de compensação. Quando, em vez de realizar o pagamento, o contribuinte apresenta pedido de compensação, a extinção do crédito tributário está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, tem-se por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência dos encargos moratórios. Desse modo, sendo a compensação dependente de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art.138 do CTN." (...) Vários Colegiados deste Conselho também manifestaram-se contrariamente à denúncia espontânea mediante compensação, consoante expresso nas seguintes ementas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 [...] COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA. Pagamento e compensação são modalidades de extinção do crédito tributário distintas, não apenas pela doutrina mas pelo próprio texto legal. A denúncia espontânea, para que se configure, requer o pagamento do tributo. Assim, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito pela via da compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada, e a multa moratória é devida, nos termos da lei, estando o débito em atraso na data da compensação. (Acórdão n° 1301-001.991, Relator Conselheiro Waldir Veiga Rocha, sessão de 03 de maio de 2016) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1993 a 31/07/1994 [...] DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. Para caracterizar a denúncia espontânea, o art. 138 do CTN exige-se a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Recurso Fl. 91DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.488 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.901988/2010-32 Voluntário Negado (Acórdão n° 3802-004.034, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, sessão de 27 de janeiro de 2015,) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003 [...] Oportuna a transcrição dos argumentos expostos pelo Conselheiro Roberto Massao Chinen no voto condutor do Acórdão n° 1801-001.835: (...) De acordo com o legislador, o pagamento, ao lado da compensação, são espécies do gênero "modalidades de extinção". O que vale para o gênero vale para a espécie, mas a recíproca não é verdadeira, lógica esta que se extrai do silogismo aristotélico. Se a compensação também excluísse a responsabilidade pela denúncia espontânea, porque não o fariam as demais formas de extinção do crédito tributário? A dação em pagamento em bens imóveis (inciso XI) configura denúncia espontânea? É mais razoável e prudente concluir que, se o legislador pretendesse contemplar a compensação, ou outras formas de extinção do crédito, não teria escrito somente "pagamento" no caput do art. 138 do CTN. Se assim o fez, é porque quis dizer que pagamento é pagamento, e não se confunde com compensação. E de fato, trata-se de duas espécies distintas, com efeitos diferenciados. O pagamento extingue o débito, instantaneamente, dispensando qualquer outra providência posterior. O mesmo não ocorre com a compensação, porque ela se sujeita a uma condição (resolutória) de decisão de não- homologação, que resolve (reverte) os efeitos, fazendo com que o débito retorne à condição de não-extinto. Teleologicamente falando, a denúncia espontânea guarda similaridade com o instituto do arrependimento, do direito penal, que o CP garante sob duas formas, o arrependimento eficaz (art.15) e o posterior (art. 16). Em ambas, o benefício (responder somente pelos atos já praticados e redução da pena, respectivamente) somente é concedido quando houver prova do arrependimento (impedimento do resultado no art. 15 e reparação do dano e restituição da coisa no art. 16). Nos dois institutos, o penal e o tributário, a função é a mesma: a prevalência da premiação sobre o castigo. Se no direito penal exige-se certeza de que o acusado está arrependido, o mesmo vale para a denúncia espontânea. E tal certeza somente é obtida pelo pagamento. (...)" De fato, admitindo-se uma interpretação extensiva do disposto no art. 138 do CTN, pretendendo estender seus efeitos para a compensação por entender-se que a expressão "pagamento" abarca outras modalidades de extinção do crédito tributário, nos induz a pensar se as demais formas de extinção também não estariam compreendidas pelo benefício da denúncia espontânea. Entendo que não. A meu ver, não cabe aqui a interpretação extensiva do vocábulo "pagamento" empregado no art. 138 do CTN, visando estender os efeitos da denúncia espontânea a outras formas de extinção do crédito tributário. Fl. 92DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.488 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.901988/2010-32 A interpretação é o processo lógico para estabelecer o sentido e a vontade da lei, sendo a interpretação extensiva a ampliação do seu conteúdo, efetivado pelo aplicador da norma do direito, quando a norma disse menos do que deveria. E obviamente, não foi o caso. De fato, perquirindo o debate legislativo à época da discussão do projeto de lei em que se converteu o CTN , tem-se claro que, para o legislador originário, o efeito extintivo da compensação não é o mesmo do pagamento, considerado causa extintiva por excelência (grifos nossos), razão pela qual foi destacado na Exposição de Motivos (fls. 214) que a mesma não poderia ser imposta pelo contribuinte à Fazenda Pública, em razão do princípio da universalidade do orçamento. Para concluir, não bastassem os elementos históricos a oferecer clareza ao conteúdo semântico da expressão "pagamento" contida no art. 138 do CTN, a interpretação sistemática, decorrente da estrutura principiológica do próprio sistema jurídico, mormente do Sistema Tributário Nacional, através do qual confronta-se a prescrição normativa com outra de que proveio ou dimana, verificando-se o nexo entre a regra e a exceção, entre o geral e o particular, nos leva ao mesmo entendimento. Assim, uma norma não pode ser vista de forma isolada pois o direito existe como sistema de forma ordenada e com certa sincronia, razão pela qual não é possível a compreensão da compensação como cláusula extintiva do crédito tributário a oferecer os mesmos efeitos do pagamento, à luz do que dispõe art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996, acima transcrito. Diante do exposto, agiu acertadamente a autoridade administrativa, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao recurso.” Diante do exposto, agiu acertadamente a autoridade administrativa, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.001416/2005-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004
IRPF. MULTA POR ATRASO DIPF.
É inescusável o atraso na entrega da DIPF, quando a culpa foi exclusiva do contribuinte, inclusive a falha dos meios tecnológicos de que dispõe para a transmissão através da rede mundial de computadores.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2102-000.741
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Carlos André Rodrigues Pereira Lima
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MULTA POR ATRASO DIPF. É inescusável o atraso na entrega da DIPF, quando a culpa foi exclusiva do contribuinte, inclusive a falha dos meios tecnológicos de que dispõe para a transmissão através da rede mundial de computadores. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. / á )1Acordam mAcordamos ei wros do C egiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos term.: do voto f o elator. / Giovaiu • Christian Nís 1. • è Presidente / f g=j10,,,, l. , frl.','.' . . 411W , 44( '; . André Rod 'Lles Pereir. ama—Relator e. EDITADO EM: ti 3 EjE7 ano Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. André Rod Presidente Processo 60 10940.001416/2005-00 Acórdão e.° 2102-00.741 S2-C1T2 Fl. 28 Relatório Cuida-se de recurso voluntário de fl. 23, interposto contra decisão da DRJ em Curitiba/PR, de fls. 17 e 18 dos autos, que julgou procedente o lançamento relativo à aplicação de multa em face do atraso na entrega de Declaração de Rendimentos do ano-calendário 2004, realizado através da notificação de lançamento emitida em 10/06/2005 (fl. 07 dos autos), da qual o contribuinte tomou ciência em 22/06/2005, conforme consulta de postagem à fl. 09. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no montante de R$ 165,74, correspondente à multa por atraso na entrega da declaração. Quando do processamento de dados, a Receita Federal verificou que a declaração sob análise foi entregue em 02/05/2005. Assim, com fundamento nos arts. 790 e 964 do Decreto-Lei n° 3.000/1999 (RIR/99), aplicou-se multa mínima pelo atraso na entrega da declaração de ajuste, tendo em vista que a declaração do RECORRENTE não resultou em imposto devido. Em 11/07/2005, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, impugnação, de fls. 01 e 02, defendendo a improcedência do lançamento, uma vez que tentou por diversas vezes, desde o dia 29/04/2005 (sexta-feira), transmitir via intemet a sua declaração de ajuste anual, porém não conseguiu conectar-se ao sitio da Receita Federal no prazo estipulado, apenas conseguindo transmitir a sua declaração em 02/05/2005. Afirmou que encontra-se desempregado e que não possui recursos para arcar com um provedor de acesso à intemet através de banda-larga, tendo que recorrer a recursos gratuitos para o acesso remoto. A DRJ, às fls. 17 e 18 dos autos, julgou procedente o lançamento da multa, através de acórdão com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF Sujeita-se à multa por atraso na entrega da Declaração de Ajusto Anual a pessoa física obrigada a sua apresentação, em face dos rendimentos tributáveis auferidos, que fizer a entrega fora do prazo fixado. Lançamento Procedente" R$ 165,74. Desta forma, julgou procedente o lançamento tributário, mantendo a multa de O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 24/09/2007 (fl. 22 dos autos), apresentou recurso voluntário, de fl. 23, em 15/10/2007, requerendo o arquivamento definitivo do presente processo, tendo em vista que permanece desempregado e por considerar injusta a penalidade da multa lavrada. Na impossibilidade de arquivamento do processo, requereu o abatimento de laproximadamente R$ 104,00 do valor da multa apli a, em razão do imposto retido na fonte no ano-calendário 2004, e que lhe deve ser restituidt \d I 2 Processo n° 10940.001416/2005-00 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.741 FL 29 Este recurso voluntário compôs o 8° lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. A controvérsia reside apenas quanto ao fato de o RECORRENTE entender injusta a aplicação da penalidade de multa pelo atraso da entrega da DIPF do ano calendário 2004 até 29/04/2005. O RECORRENTE alega que permanece desempregado e que não poderia comprometer a sua renda com o pagamento da multa objeto do presente processo. De acordo com o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 507/2005, estava obrigado a apresentar DIPF, do ano-calendário 2004, a pessoa física que recebeu rendimentos tributáveis, cuja soma foi superior a R$ 12.696,00 (doze mil, seiscentos e noventa e seis reais), verbis: "Art. 1' Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao exercício de 2005 a pessoa física residente no Brasil, que no ano-calendário de 2004: - recebeu rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$ 12.696,00 (doze mil, seiscentos e noventa e seis reais); II - recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 40.000,00 (quarenta mil reais); III - participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa; IV - obteve, em qualquer mês do ano-calendário, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas; V - relativamente à atividade rural: a) obteve receita bruta em valor superior a R$ 63.480,00 (sessenta e três mil, quatrocentos e oitenta reais); b) deseje compensar, no ano-calendário de 2004 ou posteriores, prejuízos de anos-cal qdário anteriores ou do próprio ano- calendário de 2004 . • j 1 3 Processo n° 10940.001416/2005-00 Acórdão n.° 2102-00.741 S2-C1T2 Fl. 30 VI- teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro do ano- calendário, de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 80.000,00 (oitenta mil reais); VII - passou à condição de residente no Brasil." O art. 12 da mesma Instrução Normativa SRF 507/2005, prevê que a entrega da Declaração de Ajuste Anual após 29/04/2005 sujeitaria o contribuinte à multa de um por cento ao mês-calendário ou fração de atraso, calculada sobre o total do imposto devido nela apurado, ainda que integralmente pago, e teria como valor mínimo: R$ 165,74 (cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos) aplicado, inclusive, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. Compulsando os autos, vê-se que o RECORRENTE apresentou sua declaração referente ao ano-calendário 2004 em 02/05/2005, portanto, com atraso. Observa-se também que a mencionada declaração não resultou imposto devido (fls. 06 e 12 a 14 dos autos), fato que se enquadra na multa mínima prevista pelo art. 12 da Instrução Normativa SRF 507/2005 e pelo art. 964, inciso II, alínea "a", do RIR/1999 (Decreto n° 3.000/99). Na sua DIPF, o RECORRENTE apurou saldo de imposto a restituir no valor Em resumo, o RECORRENTE requer a improcedência da multa lavrada pelo atraso na entrega, por imputar a culpa do atraso a seu provedor de internet e por sua atual condição de desempregado. Caso julgado procedente o lançamento da multa, o RECORRENTE pede que este seja compensado com o saldo do imposto a restituir a que teria direito. A multa lavrada pela autoridade fiscal é decorrente de expressa determinação legal, como antes exposto. Assim, como a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, a autoridade fiscal cumpriu o seu dever legal e lavrou a multa pelo atraso na entrega da declaração do RECORRENTE, por enquadrar-se na hipótese prevista em lei. Nesse sentido, válido transcrever o teor do art. 142 do CTN, verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fido gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Portanto, a autoridade fiscal somente poderia conceder o perdão da multa se houvesse lei dispondo sobre remissão que se enquadrasse ao fato apresentado pelo RECORRENTE. hECorno não há previsão legal para a remissão pretendida pelo CORRENTE, o lançamento da multa pelo atraso na entrega da declaração deve ser mantido. 'H de R$ 91,14. 4 Processo n° 10940.001416/2005-00 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.741 Fl, 31 Quanto ao pedido de compensação do débito com o saldo de imposto de renda retido na fonte apurado em DIPF do ano-calendário 2004, deixo de apreciá-lo por tratar- se de pedido estranho à competência deste CARF. Contudo, a análise inicial do pedido de compensação de débito trata-se de matéria reservada às DRF's, não cabendo manifestação deste Conselho sobre a matéria. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o lançamento da multa em sua integralidade. 5
score : 1.0
Numero do processo: 10980.941383/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. AUSÊNCIA.
O Parecer Normativo Cosit nº 1//2002 atribui à fonte pagadora a responsabilidade pelo imposto retido. Contudo, aquele mesmo ato normativo parte da premissa de que houve, de fato, a retenção para que se responsabilize a fonte pagadora. No caso presente, a recorrente viu-se diante de elementos que atestavam que não houve a efetiva retenção no montante anteriormente informado e nada trouxe para desconstituir essa prova. Há que se concordar, portanto, com a glosa do correspondente valor na apuração do saldo negativo pleiteado.
Numero da decisão: 1302-003.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. AUSÊNCIA. O Parecer Normativo Cosit nº 1//2002 atribui à fonte pagadora a responsabilidade pelo imposto retido. Contudo, aquele mesmo ato normativo parte da premissa de que houve, de fato, a retenção para que se responsabilize a fonte pagadora. No caso presente, a recorrente viu-se diante de elementos que atestavam que não houve a efetiva retenção no montante anteriormente informado e nada trouxe para desconstituir essa prova. Há que se concordar, portanto, com a glosa do correspondente valor na apuração do saldo negativo pleiteado.
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RETENÇÃO NA FONTE. AUSÊNCIA. O Parecer Normativo Cosit nº 1//2002 atribui à fonte pagadora a responsabilidade pelo imposto retido. Contudo, aquele mesmo ato normativo parte da premissa de que houve, de fato, a retenção para que se responsabilize a fonte pagadora. No caso presente, a recorrente viu-se diante de elementos que atestavam que não houve a efetiva retenção no montante anteriormente informado e nada trouxe para desconstituir essa prova. Há que se concordar, portanto, com a glosa do correspondente valor na apuração do saldo negativo pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 94 13 83 /2 00 9- 81 Fl. 131DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.894 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941383/2009-81 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por AKER SOLUTIONS DO BRASIL LTDA contra acórdão que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada diante da homologação apenas parcial, pela DRF/Curitiba, da compensação de crédito de saldo negativo da CSLL do ano-calendário de 2004 com débitos do próprio contribuinte. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório com número de rastreamento 854494093, às fls. 25, que homologou parcialmente procedente o PER/DCOMP nº 35907.99830.201005.1.3.037143, com o qual a contribuinte pretendia compensar crédito de saldo negativo de CSLL do exercício de 2005 (ano-calendário 2004) no montante de R$ 68.613,82, remanescentes do PER/DCOMP nº 42549.75293.280905.1.3.030068, às fls. 5865. Nesta declaração de compensação anterior, a contribuinte entendia dispor originalmente de R$ 326.773,88, porém a DRF/Curitiba reconheceu apenas R$ 258.682,18 daquele montante. A diferença existente – R$ 68.091,70 – refletiu-se na compensação pretendida contra a qual a contribuinte agora se insurge. O relatório prossegue, depois, narrando os fatos ocorridos após a apresentação da manifestação de inconformidade: 2. (...). Verificou-se, na ocasião, que a controvérsia, conforme será demonstrado no voto, dizia respeito a R$ 13.270,72 decorrentes de uma retenção na fonte efetuada pela Petrobrás, sob o código 6147. De acordo com a contribuinte, o valor efetivamente descontado pela empresa estatal teria sido de R$ 206.277,87, entretanto, somente R$ 193.007,15, foram confirmados pela DRF/Curitiba, cf. despacho decisório à fl. 45, in fine. 3. Procedeu-se, então, ao cotejamento entre os comprovantes trazidos ao feito pela contribuinte, às fls. 67-68, e os valores constantes na DIRF da fonte pagadora, às fls. 70-73. Em face da divergência apurada, decidiu-se encaminhar os autos à DRF/Curitiba para intimar a Petrobrás a declinar os valores, de fato, retidos. 4. Regularmente intimada, em duas ocasiões, cf. documentos às fls. 77-85 e 88-91, a fonte pagadora prestou as informações requeridas às fls. 86-87 e 93-100, em seguida os autos retornaram a esta turma para julgamento. É no início do seu voto que o relator daquela decisão esclarece os fatos controversos. Veja-se: Fl. 132DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.894 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941383/2009-81 8. A controvérsia foi instaurada em torno da diferença entre as parcelas de crédito pleiteadas (R$ 425.642,81) e o valor efetivamente reconhecido (R$ 412.372,09), alcançando R$ 13.270,72. As demais diferenças não são objeto de discussão. 9. Os R$ 13.270,72, não reconhecidos, que ensejaram a manifestação de inconformidade da contribuinte, foram apurados no quadro “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas” discriminado à fl. 40 do despacho decisório. Esse valor se refere a uma retenção efetuada pela fonte pagadora Petrobrás, CNPJ nº 33.000.167/000101, que foi declarada no PER/DCOMP como sendo de R$ 206.277,87, mas que apenas restou confirmada a importância de R$ 193.007,15. 10. A tabela abaixo contém os dados informados pela contribuinte sobre as retenções na fonte a que supostamente teria direito e se baseia em tabela e comprovantes juntados às fl. 14, 67 e 68 dos autos. As colunas Tributos Retidos (na matriz e na filial) compreendem o IR (1,2%), a CSLL (1%), a COFINS (3%) e o PIS (0,65%). Na última coluna estão discriminados os valores especificamente relacionados à CSLL. A célula com o total anual destacado corresponde ao valor objeto do litígio. 11. Tabela análoga foi construída a partir dos dados informados pela fonte pagadora referente ao mesmo código para a mesma beneficiária e sua filial. Diante da diferença constatada, aquele voto conduziu a decisão recorrida nos seguintes termos: Fl. 133DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.894 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941383/2009-81 12. A fonte pagadora informa agora um valor diferente daquele reconhecido no Despacho Decisório, R$ 193.007,15. Trata-se igualmente de um valor diferente do pleiteado pela contribuinte R$ 206.277,87. Dado, porém, que as tabelas da Petrobrás discriminam as faturas relacionadas a cada retenção, entendo que se trata da informação mais confiável, que deve prevalecer sobre as demais. Conclusão 13. De todo exposto, voto por reconhecer parcialmente o direito creditório da contribuinte no montante correspondente à diferença entre o valor já confirmado pela Administração Tributária (R$ 193.007,15) e o novo montante informado pela fonte pagadora (R$ 202.727,48), alcançando, assim, R$ 9.720,33. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário onde, essencialmente, alega que: (i) não faz sentido utilizar-se de simples tabelas feitas pela fonte pagadora, ignorando a existência dos comprovantes de retenção emitidos pela própria PETROBRÁS; (ii) como recebe apenas esses comprovantes, é com base nos valores ali expressos que calcula o valor dos tributos a ser compensado; e (iii) eventuais problemas com o efetivo recolhimento das retenções efetuadas devem ser cobrados da PETROBRÁS (este é o entendimento do Parecer Normativo Cosit nº 1/2002). É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Pelo que se depreende do que foi relatado, a controvérsia ainda pendente resume- se ao montante de R$ 3.550,39 correspondentes à diferença do valor da CSLL retida totalizada nos informes de rendimentos originalmente enviados ao contribuinte (R$ 206.277,87) e a totalizada nos informes de rendimentos posteriormente apresentados em resposta às intimações lavradas na diligência (R$ 202.727,48). Fl. 134DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.894 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941383/2009-81 A DRJ deu provimento parcial ao pleito porque entendeu que estas últimas estavam respaldadas por tabelas que discriminam as faturas relacionadas a cada retenção e, por isso, se tratavam de “informação mais confiável”. É verdade que, nos informes de rendimentos apresentados pela PETROBRÁS em sede de diligência, as datas de emissão (07/02/2013) são bastante próximas à data do documento (25/02/2013) que amparou sua resposta para a fiscalização. Isso indica que são informes retificadores e que foram confeccionados bem depois da apuração do saldo negativo indicado (2004) e da transmissão do consequente pedido de compensação (2005). Nada obstante, os dados contidos nesses novos informes foram respaldados por relatório emitido pela PETROBRÁS (fls. 99-100) onde constam detalhados o mês, código, rendimento bruto e soma do imposto retido para cada fatura. A empresa, ao tomar conhecimento de que a instância a quo fundamentou sua decisão nessa circunstância, nenhuma contraprova apresentou para contestar esses dados. Fixou- se, apenas, no fato de que a Receita Federal emitiu um parecer que determina a cobrança dos valores retidos no âmbito das fontes pagadoras. Com efeito, o Parecer Normativo Cosit nº 1//2002 atribui à fonte pagadora a responsabilidade pelo imposto retido. Contudo, aquele mesmo ato normativo parte da premissa de que houve, de fato, a retenção para que se responsabilize a fonte pagadora. No caso presente, como já mencionado, a recorrente viu-se diante de elementos que atestavam que não houve a efetiva retenção no montante anteriormente informado e nada trouxe para desconstituir essa prova. Na verdade, em situações como essa, quando não é constatada a retenção do imposto, o referido parecer determina que a cobrança seja direcionada para o contribuinte. Confira-se: IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindo-se do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. (grifei) Fl. 135DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.894 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941383/2009-81 Portanto, diante das evidências de que a parcela de CSLL ainda em discussão não foi efetivamente retida pela fonte pagadora e do fato de que a recorrente não trouxe elementos para desconstituí-las, há que se concordar com a glosa do correspondente valor na apuração do saldo negativo pleiteado. Não importa que o contribuinte tenha originalmente recebido os informes de rendimentos com dados incorretos. A verdade material aponta para o fato de que não houve a efetiva retenção. O correspondente tributo deve, então, ser suportado pela empresa contribuinte. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Marozzi Gregorio Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003812/2006-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
Numero da decisão: 2201-005.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 38 12 /2 00 6- 08 Fl. 238DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.374 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.003812/2006-08 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra acórdão da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) em São Paulo, que julgou o lançamento procedente em parte. O lançamento ocorreu em face de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e omissão de rendimentos de pessoa jurídica, no ano-calendário 2001. Impugnação às fls.109/113. A DRJ exclui da base de cálculo a omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, uma vez que todos os depósitos eram inferiores a R$ 12.000,00 e não ultrapassaram R$ 80.000, 00 no respectivo ano-calendário. O sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fl. 233) em 22/04/2008, em face do Acórdão de fls.219/225, do qual foi cientificado em 05/01/2009 (fl.229), alegando, em síntese, que: - A decisão sustentou a omissão de receita baseada na inconsistência entre os valores das notas fiscais e os depósitos datados de 05/01/2001, 06/02/2001, 12/04/2001, 07/06/2001, 06/08/2001, 06/09/2001, 05/10/2001, 07/11/2001 e 06/12/2001. - A legislação da época determinava a retenção de 1,5%, relativa ao Imposto de Renda na Fonte. - Ao deduzir-se o percentual relativo ao IRRF, do valor das notas fiscais apresentadas, poderemos verificar a consistência com os" valores dos depósitos nas datas acima mencionadas, provando assim a veracidade do fato. _ É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da omissão de rendimentos De início, faz-se necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles Fl. 239DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.374 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.003812/2006-08 representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tão somente a inquestionável observância do diploma legal. Para esse fim, irrelevante a apresentação, ou não, de sinais exteriores de riqueza. Em que pese o esforço argumentativo do recorrente para afastar a presunção de omissão de rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, a alegação tem que ser comprovada de maneira individualizada, o que não ocorreu no presente caso. O recorrente alega que os depósitos verificados em sua conta bancária referem-se a recebimentos de notas fiscais emitidos pela pessoa jurídica e reembolso de diversas despesas efetuadas. A decisão de piso registrou que não há coincidência de datas e valores entre o lançado e o que fora apresentado, sendo que a justificativa recursal é de que cada nota fiscal tem IRRF de 1,5%. Entretanto, deve ser esclarecido que são justamente esses recebimentos que caracterizaram a omissão de rendimentos de pessoa jurídica, sendo certo que a origem dos depósitos restou comprovada. Assim, o ingresso de recursos da pessoa jurídica na conta bancária da pessoa física foi tratado como recebimento de pró-labore, tendo a autoridade fiscal lançado somente a diferença entre o total movimentado na conta bancária (R$ 105.300,44) com o pró- labore já recebido, adicionando os lucros e dividendos declarados, que resultou na omissão de rendimentos de pessoa jurídica de R$ 31.227,44. Assim sendo, as notas fiscais apresentadas se prestam apenas para justificar a origem dos rendimentos, o que já foi feito pela autoridade fiscal. Diferente, no entanto, é a alegação de que muitos dos depósitos foram para ressarcir o contribuinte de despesas por ele efetuadas, consoante discriminado em planilha. Todavia, o contribuinte não comprova a realização das referidas despesas, limitando-se a relacioná-las sem nenhuma prova documental. Os valores tributados são os que carecem de comprovação e que, nos termos do artigo 42, da Lei 9.430/96, presumem-se como omissão de rendimentos: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 240DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.374 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.003812/2006-08 § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II- no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como já mencionado, de acordo com disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos ou não tributáveis. Cabe ao recorrente comprovar a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo suficiente alegações e indícios de prova sem correspondência com os valores lançados. Destarte, a tese do recorrente não merece prosperar. A presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 só poderá ser afastada através de documentos hábeis e idôneos, não bastando a mera alegação ou apresentação de documentos, que não se prestam para comprovar a origem dos valores depositados na conta corrente do sujeito passivo. Assim, em razão da ausência de comprovação das origens dos valores que transitaram na conta do sujeito passivo, a decisão recorrida merece reforma tão somente para considerar os valores já oferecidos à tributação, consoante fundamentação supra. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905097/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º da Lei 10.637/2002, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º da referida lei. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Numero da decisão: 3402-006.769
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º da Lei 10.637/2002, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º da referida lei. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ, que não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo o indeferimento do ressarcimento e a não homologação da compensação declarada. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, na qual, alega a existência de créditos pelas aquisições de produtos (combustíveis) para revenda, sujeitos à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 50 97 /2 01 2- 45 Fl. 71DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.769 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.905097/2012-45 alíquota zero, dentro do regime da incidência monofásica, com fundamento no art. 16 da MP nº 206/2004, convalidado no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Alega que a vedação ao aproveitamento de créditos foi tacitamente revogada com a superveniência da referida Lei nº 11.033, e que está submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, mesmo com a tributação monofásica dos produtos adquiridos, sendo permitido o aproveitamento dos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº. 3402-006.756, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10280.903665/2012-73. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.756): “A questão trazida a julgamento centra-se na possibilidade do ressarcimento e/ou da utilização por compensação de créditos oriundos da aquisição de combustíveis derivados de petróleo para revenda, submetidos à incidência monofásica do PIS e da COFINS. A Recorrente alega que qualquer vedação à manutenção de créditos das contribuições estaria revogada em razão da superveniência do artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garantiria o direito ao creditamento sempre que as saídas estiverem submetidas à alíquota zero, sem exceções; e que o artigo 3º, I, “b”, da Lei 10.833/2003, não se aplicava às saídas efetuadas por distribuidores e varejistas, mas tão somente às saídas promovidas por importadores e industriais, não se aplicando ao seu caso. Incialmente, passo a transcrição do dispositivo legal da Lei nº10.833/2003 que trata da possibilidade de creditamento em relação às aquisições de bens para revenda: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) [...] § 2º. Não dará direito a crédito o valor: Fl. 72DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.769 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.905097/2012-45 [...] II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. O art. 3º, I, da Lei 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar do valor apurado na forma do art. 2º créditos calculados em relação a bens adquiridos para revenda, com as seguintes exceções: (a) em relação às mercadorias e produtos referidos no inciso III do § 3º do art. 1º, ou seja, mercadorias sujeitas à substituição tributária; e (b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º, ou seja, na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica. O texto legal é expresso na impossibilidade de crédito na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica, inclusive combustíveis adquiridos pela recorrente. A recorrente alega que o artigo 17 da Lei 11.033/2004, regulou a situação, permitindo a manutenção dos créditos vinculados às saídas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Transcrevo o referido dispositivo legal: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo que tal dispositivo legal não trouxe nenhuma nova regra à apuração das contribuições, mas apenas esclareceu situações porventura controversas, conforme expressamente dispõe a exposição de motivos da MP 206/2004, que originou tal norma. Trata-se apenas da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados às operações com saídas não sujeitas ao pagamento da contribuição. Não se trata de permissão para creditamento de aquisições de produtos que não se sujeitaram ao pagamento das contribuições, ou em outras situações excepcionadas (como a monofasia e a substituição tributária), mas permitir a manutenção do crédito das contribuições que efetivamente foram pagas nas aquisições daqueles produtos que se sujeitarão a saídas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Ou seja, os créditos vinculados às vendas são mantidos, não criados. Trata-se daqueles créditos já previstos pela norma, com as exclusões impostas, não novas possibilidades de créditos. Não se trata de restringir o direito ao crédito das contribuições na não- cumulatividade, mas permiti-la apenas naquelas situações determinadas pelo legislador, sem qualquer ofensa ao princípio da não-cumulatividade. Destaca-se que o legislador, ao criar tal sistemática de apuração, já considerou as etapas da cadeia produtiva, as margens estimadas, e a vedação para o crédito nas aquisições. Permitir o creditamento nas situações sujeitas à sistemática monofásica é desvirtuar todo o sistema de Fl. 73DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.769 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.905097/2012-45 apuração das contribuições, permitindo um ganho indevido por parte do sujeito passivo, afrontando a concorrência e outros setores econômicos que não teriam tal possibilidade. A melhor doutrina não diverge de tal entendimento. Assim leciona o professor André Mendes Moreira, com a clareza que lhe é peculiar: "Quando a não-cumulatividade do PIS/COFINS entrou a viger, os contribuintes sujeitos à monofasia (produtores e importadores) foram mantidos na sistemática cumulativa. Dessa forma, essa categoria e empresas não adquiriu o direito - concedido a todos os que foram sujeitos à não-cumulatividade - de descontar créditos sobre suas aquisições. Entretanto, quando o PIS e a COFINS incidentes na importação foram criados pela Lei nº 10.865/04, a carga tributária sobre todos os contribuintes sujeitos ao regime cumulativo foi majorada. Isso porque as contribuições devidas na importação só geram créditos se a pessoa jurídica estiver sujeita à apuração não-cumulativa do PIS/COFINS. Assim, para que o PIS/COFINS-importação fosse melhor absorvido pelos contribuintes monofásicos (sujeitos até então à cumulatividade), a Lei nº 10.865/04 revogou o dispositivo que excepcionava a monofasia do regime não- cumulativo. Essa medida resultou na subsunção dos contribuintes monofásicos às regras da não-cumulatividade, desde que apurassem o seu IRPJ pelo lucro real e não se enquadrassem em nenhuma das demais exceções ao novel regime previstas na legislação. Com essa modificação, as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento monofásico do PIS/COFINS foram autorizadas a descontar não somente os créditos previstos no art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, mas também os relativos às contribuições pagas na importação. Por outro lado, os distribuidores, atacadistas e varejistas que adquirirem bens tributados no sistema monofásico - e que têm, portanto, as vendas desses produtos gravadas à alíquota zero do PIS/COFINS - foram proibidos de se creditar do PIS/COFINS monofásico recolhido na etapa anterior. Obviamente, se esses distribuidores, atacadistas ou varejistas auferirem receitas com a venda de produtos sujeitos à apuração regular (não- monofásica) do PIS/COFINS, poderão se creditar normalmente, bastando proporcionalizar suas despesas, consoante reconhece a própria RFB" (A Não- Cumulatividade dos Tributos, 2ª edição revista e ampliada, Editora Noeses, 2012, p. 453/455). Por fim, importa-nos destacar a exceção expressa à regra imposta pelo inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, estabelecida pelo art. 24 da Lei nº 11.727/2008: Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. Fl. 74DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.769 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.905097/2012-45 § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.”(grifou-se) Portanto, conclui-se que o inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 permite creditamento em relação a bens adquiridos para revenda e veda creditamento em relação a: 1) mercadorias em relação às quais as contribuições tenham sido exigidas anteriormente em razão de substituição tributária (inciso III do §3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003); 2) produtos sujeitos anteriormente à cobrança concentrada ou monofásica das contribuições (§ 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante de tais produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos (§ 2º do art. 24 da Lei nº 11.727, de 2008). Destaca-se que a recorrente é revendedora dos produtos sujeitos à sistemática monofásica, e não produtora ou fabricante de tais produtos, não sendo possível o creditamento em relação a tais aquisições. Esse entendimento já foi firmado por este colegiado em diversos julgados recentes: Acórdão nº 3402-006.469, de 24 de abril de 2019 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda Acórdão nº 3402-006.573, de 25 de abril de 2019 PIS/COFINS. GÁS NATURAL. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diversamente do que ocorre na sistemática da substituição tributária pra frente, no tributação monofásica não há previsão de restituição da quantia paga de tributo em etapa anterior da cadeia de circulação ou produção do produto. Fl. 75DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.769 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10280.905097/2012-45 Na tributação monofásica, as contribuições são devidas sobre as receitas referentes à etapa em que houve a incidência com alíquota diferente de zero, independentemente de quaisquer outras etapas da mesma cadeia. Acórdão nº 3402-006.670, de 23 de maio de 2019 NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. CRÉDITOS. GLOSA. Por expressa determinação legal, é proibida apuração de créditos relativos à aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica destinados à revenda com alíquota zero. É permitida somente a manutenção dos créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas com alíquota zero, quando devidamente comprovados. Acórdão 3402-005.600, de 26 de setembro de 2018 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Apesar do voto se referir apenas a COFINS, há perfeita correlação legal estabelecida pela Lei 10.637/2002, que permite aplicar o mesmo entendimento. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006496/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR.
Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano-calendário para o subsequente os valores consignados em declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. VALORES DECLARADOS A TÍTULO DE RECEBIMENTO DE LUCRO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DO EFETIVO RECEBIMENTO.
Na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, somente podem ser considerados como origem de recursos os valores de lucros recebidos de pessoa jurídica quando comprovada sua efetiva existência no patrimônio da pessoa jurídica acompanhada da efetiva transferência.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento.
Numero da decisão: 2201-005.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Douglas Kakazu Kushiyama (relator) e Daniel Melo Mendes Bezerra, que deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Débora Fófano dos Santos.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
(documento assinado digitalmente)
Débora Fófano dos Santos - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano-calendário para o subsequente os valores consignados em declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. VALORES DECLARADOS A TÍTULO DE RECEBIMENTO DE LUCRO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DO EFETIVO RECEBIMENTO. Na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, somente podem ser considerados como origem de recursos os valores de lucros recebidos de pessoa jurídica quando comprovada sua efetiva existência no patrimônio da pessoa jurídica acompanhada da efetiva transferência. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Douglas Kakazu Kushiyama (relator) e Daniel Melo Mendes Bezerra, que deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Débora Fófano dos Santos. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 64 96 /2 00 6- 18 Fl. 528DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 Douglas Kakazu Kushiyama - Relator (documento assinado digitalmente) Débora Fófano dos Santos - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário de fl. 397/421, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), de fls. 377/390, a qual julgou procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF, ano- calendário de 2001. Peço vênia para transcrever o relatório produzido na decisão recorrida: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls. 20/21, acompanhado dos demonstrativos de fls. 22/23 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 04 a 15 (planilha de fls. 16/19), relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas ano- calendário de 2001, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 157.733,36, dos quais, R$ 62.092,42 são referentes a imposto, R$ 46.569,31 são cobrados a título de multa proporcional e R$ 49.071,63 correspondem a juros de mora calculados até 30/11/2006. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 21, a exigência decorreu da omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificou-se excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante deste auto de infração. O enquadramento legal, bem como as datas dos fatos geradores e os valores tributáveis estão relacionados à fl. 21. A multa de oficio foi aplicada no percentual de 75% com base no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 (fl. 23). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 04/15), parte integrante do auto de infração, o autuante relata a ação fiscal e fornece explicações sobre a apuração das infrações, demonstrando a evolução patrimonial do contribuinte por meio de planilhas anexas ao Termo. Da Impugnação O contribuinte foi cientificado pessoalmente do lançamento em 11/12/2006 (fl. 20), apresentou em 09/01/2007, a impugnação de fls. 293 a 313, acompanhada dos documentos de fls. 312/360, na qual, após breve relato dos fatos, alega, em síntese que: A QUESTÃO DA DISPONIBILIDADE DE RECURSOS COM O DECLARANTE NO CONTEXTO DA VARIAÇÃO PATRIMONIAL - o Fisco não considerou a disponibilidade de recursos financeiros, no valor de R$ 113.000,00, em poder do declarante no início do período-base, regularmente incluída na declaração de bens do ano-calendário anterior, sob a justificativa de que o fiscalizado não apresentou comprovação hábil e idônea desse valor; - contudo, a própria declaração de rendimentos representa um elemento formador de prova pré-constituída em favor do impugnante, ademais porque o próprio autuante reconhece que a variação patrimonial foi apurada a partir dos elementos constantes da Fl. 529DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 DIRPF do ano de 2001, que tem como valores iniciais os elementos transferidos da declaração de rendimentos do ano-calendário anterior (2000); - não podem ser extraídos e validados, das declarações de rendimentos apresentadas, apenas os fatos que interessam à Fazenda Pública e recusados os fatos favoráveis ao contribuinte, principalmente quando se refere a fato constante de declaração de rendimentos de período homologado tacitamente, ao qual se agrega a certeza e liquidez resultantes dessa homologação; - deve ser considerado o recurso de R$ 113.000,00, que consta da DIRPF relativa ao ano-calendário de 2000, que não pode ser contestada em virtude da homologação tácita, disponibilidade que compõe o patrimônio do fiscalizado, não havendo regra que impeça as pessoas de realizarem operações em dinheiro e que está devidamente suportada pelos rendimentos declarados no ano-calendário de 2000; - por fim, o item 24 do Termo de Verificação Fiscal esclarece que “Os valores apostos pelo fiscalizado no DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO PATRIMONIAL, FLUXO DE CAIXA MENSAL - ANO-CALENDARIO 2001, com exceção dos Lucros Distribuídos, estão de acordo com a sua DIRPF deste ano (dados idênticos à declaração original), sendo, portanto, aceitos integralmente por esta fiscalização”, e, sendo assim, a disponibilidade de recurso em exame deveria ter sido considerada na apuração da variação patrimonial pois está regularmente lançada na coluna do ano anterior da declaração de bens da DIRPF original de 2001; DA DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS: VINCULAÇÃO COM O AUTOARBITRAMENTO DO LUCRO DA PESSOA JURIDICA - os lucros distribuídos têm origem definida e efetividade comprovada por “documentação hábil e idônea”: são originários da distribuição vinculada ao auto- arbitramento do lucro da pessoa jurídica EDIMOM LTDA nos anos-calendário de 2001 a 2005, sendo que em relação ao ano-calendário de 2001 o auto-arbitramento foi admitido já que o crivo fiscal ficou restrito ao auto de infração lavrado para exigir IOF; - a pessoa jurídica EDIMOM LTDA, exercia e ainda exerce a atividade de FACTORING, devendo ser, obrigatoriamente, tributada pelo lucro real, sendo que em obediência ao artigo 530, inciso IV, do RIR/99, que exige a substituição da tributação do lucro presumido pela tributação pelo lucro arbitrado, quando a opção pelo primeiro for vedada, foi contratada uma empresa de auditoria que se encarregou dos levantamentos para o auto-arbitramento e da retificação das DIPJS do período, retificações estas espontâneas e antes do início da ação fiscal na pessoa jurídica; DOS REFLEXOS DO AUTO-ARBITRAMENTO DO LUCRO DA PESSOA JURÍDICA NA PESSOA FÍSICA DO SÓCIO - a declaração retificadora da pessoa física não interferiu na apuração da variação patrimonial do período, uma vez que a declaração original estava equilibrada com os rendimentos já declarados, tornou-se necessária tal retificação apenas para formalizar a inclusão entre os rendimentos não-tributáveis dos lucros originários do auto- arbitramento ultimado pela pessoa jurídica, vale dizer, a declaração retificadora da pessoa física tem origem nas providências adotadas para a regularização da situação fiscal da pessoa jurídica; - em relação à distribuição dos lucros o artigo 10 da Lei n° 9.249/95, determinou que os lucros distribuídos, independentemente da forma de tributação adotada pela pessoa jurídica não são tributados na pessoa física, contudo a tentativa oficial do Fisco é sempre no sentido de, indiretamente, tributar os lucros distribuídos, mediante a não- admissão desses valores como fonte de recursos na apuração do acréscimo patrimonial alegando que só é possível admitir a distribuição dos lucros regularmente apurados e contabilizados - o que restringe a neutralidade da tributação dos lucros distribuídos apenas para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, ou adotando um rigor extremo para a comprovação dessa distribuição; - não se pode estabelecer controle sobre a distribuição de lucros com base em elementos aplicáveis unicamente à forma de tributação pelo lucro real, que pressupõe a existência Fl. 530DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 de regular contabilidade, sendo que relativamente à tributação pelo lucro arbitrado a distribuição de lucros líquidos aos sócios sempre foi e continua sendo automaticamente presumida pela legislação (artigo 549, do RIR/1994); - neste particular, não houve mudança, pois continua vigente a presunção da distribuição automática dos lucros arbitrados, só que agora, como acontece com todo tipo de lucro, sem a tributação na pessoa física beneficiária, e isso, basicamente, se deve à impossibilidade do controle dos valores a esse título efetivamente distribuídos aos sócios, em face da ausência de escrituração regular, que é um dos pressupostos do lucro arbitrado; - admitida a tributação da pessoa jurídica pelo lucro arbitrado, como ocorreu no caso presente em relação ao ano-calendário de 2001, a consideração desses lucros na apuração da variação patrimonial do sócio deve ser automática, sem se exigir comprovação com o rigor próprio da tributação pelo lucro real, já que essa distribuição é urna mera decorrência do autoarbitramento do lucro da pessoa jurídica; DA COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DA DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS - revela-se ilegal a exclusão desses lucros na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto que é uma efetiva presunção legal, sob o pretexto de falta de comprovação da efetividade da distribuição desses lucros assumindo o Fisco dois pesos e duas medidas, pois trabalha com uma presunção e não aceita a distribuição automática de lucros decorrente da sistemática de tributação do lucro arbitrado, que não deixa de ser, também, uma presunção legal; - seja como for há provas documentais da distribuição dos lucros e tais provas foram apresentadas ao Fisco, a valorização dessas provas é que ultrapassou os limites legais pois o autuante entendeu que o Livro Razão é um elemento subsidiário para a correta verificação dos lucros distribuídos, mas a veracidade das informações deve estar lastreada por documentação hábil e idônea, contudo não disse no que consiste a denominada “documentação hábil e idônea”; - a escrituração lançada no Livro Razão, que simplesmente acumula os lançamentos constantes do Livro Diário, contrariamente ao entendimento do ilustre autuante, faz prova em favor do contribuinte, principalmente quando há prova material da existência dos fatos contabilizados - a distribuição dos referidos lucros, que é decorrente do auto- arbitramento do lucro da pessoa jurídica; - além do Livro Razão, do Livro Diário, estão em poder do Fisco as declarações retificadoras, espontaneamente apresentadas pela pessoa jurídica, que formalizaram a tributação das operações realizadas pela sistemática do lucro arbitrado; - todavia a título ilustrativo e não exautisvo, o impugnante apresenta cópia de 21 cheques, no valor total de R$ 385.342,60, emitidos pela EDIMOM LTDA para pagamento, por sua conta e ordem, das operações regularmente lançadas em sua declaração de bens, basicamente centradas nas aquisições de imóveis; - a ordem dada à pessoa jurídica para ultimar tais pagamentos tomou-se imperativa para evitar a duplicidade de incidência de CPMF e foram realizados porque havia lucros por distribuir e destarte esses pagamentos materializam a prova cabal da distribuição de lucros pela EDIMOM LTDA em favor do ora impugnante na forma exigida pelo Fisco; - além das cópias dos cheques, a DIPJ da empresa Interprise, do ano-calendário de 2001, registra a distribuição regular de lucros em favor do impugnante no valor de R$ 133.781,53, que devem ser considerados como recurso na evolução patrimonial; DA INDEVIDA EXCLUSÃO DO GANHO DE CAPITAL - o Fisco alega que o ganho de capital não pode ser considerado como origem de recurso porque ele já estaria embutido no valor da alienação do bem, o que, em princípio, aparenta ser uma objeção correta, todavia, para manter a pretendida neutralidade o ilustre Agente Fiscal deveria, também, ter excluído do rol das aplicações de recursos o imposto de renda incidente sobre esse ganho de capital destacado no item 5 da planilha; Fl. 531DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 - além disso, neste item, nos meses de janeiro, fevereiro e março o imposto sobre ganho de capital foi computado em duplicidade no tópico dos “dispêndios e aplicações”, a primeira vez no item 2 e a segunda no item 5; SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO - a incidência da taxa SELIC sobre a multa de oficio não tem base legal; DO PEDIDO - requer a desqualificação do acréscimo patrimoniala descoberto com a inclusão da disponibilidade do ano anterior e dos lucros distribuídos originários do auto- arbitramento determinado pela pessoa Jurídica na qual o Impugnante e sócio majoritário. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria (RS) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente em parte a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 377/376): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA-IRPF Ano-calendário: 2001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. Valores declarados como dinheiro em espécie não podem ser aceitos como origem nas planilhas de evolução patrimonial quando não apresentada prova inconteste de sua existência no término do ano-calendário em que tal disponibilidade foi declarada. Para que sejam utilizados como recursos no fluxo financeiro mensal, os valores correspondentes à retirada de lucros em empresas das quais o contribuinte é sócio deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência do numerário. Entretanto, face aos documentos juntados aos autos, é de se retificar o lançamento concedendo-se como recursos na Análise de Evolução Patrimonial o valor dos lucros distribuídos cuja efetividade da transferência da pessoa jurídica para o contribuinte restou comprovada e excluindo-se os valores de aplicações considerados em duplicidade. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFICIO. Desde 1° de janeiro de 1997, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC). A parte que foi parcialmente provida, exonerando parcialmente o crédito tributário, conforme planilha abaixo: Fl. 532DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, apresentou o recurso voluntário de fls. 397/421, em que praticamente repete os argumentos apresentados em sede de impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e portanto, dele conheço. Decadência Conforme constou no relatório fiscal, está-se discutindo valores decorrentes de acréscimo patrimonial a descoberto referente ao ano-calendário 2001, que deveria ter sido declarado até abril de 2002. No caso em questão, o lançamento ocorreu em 11.12.2006 (fl. 20) e visa a cobrança de IRPF do ano de 2001. De acordo com o recorrente, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, o lançamento se encontraria decaído após 05 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Inicialmente, para verificar a aplicabilidade do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo Fl. 533DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Por ter sido sob a sistemática do art. 543-C do antigo CPC, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em questão, não há pagamento antecipado, aplicando-se o disposto no art. 173, I, CTN. Para fins de interpretação do presente caso, adotarei o enunciado da Súmula CARF nº 101: Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 534DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 Sendo assim, o dia seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, é 1º de Janeiro de 2003 e o lançamento ocorreu no dia 11 de dezembro de 2006, portanto, dentro do lustro legal de 5 (cinco) anos, de modo que não deve ser reconhecida a decadência do ano- calendário de 2001, quanto ao lançamento do IRPF. Mérito Saldo de dezembro de 2000 Apesar de o ora recorrente afirmar que haveria saldo de disponibilidade de dezembro de 2000, no montante de R$ 113.000,00 (fl. 455), a ser considerado origem de recursos no fluxo financeiro, em janeiro de 2001. Na realidade, da documentação juntada aos autos, verificamos que o valor apurado no ano-calendário 2000 é o de R$ 113.000,00 (fl. 455) e que constou na declaração como recurso em espécie. A meu ver, a declaração do ano 2000, já havia sido homologada, de modo que considero tal valor como efetivamente comprovado. Por esta razão, o valor de R$ 113.000,00 constante em 31/12/2000 deve ser considerado, tendo em vista que a declaração de imposto de renda do mencionado valor, já estava homologado, de modo que deve ser considerado. Neste sentido é a jurisprudência deste Egrégio CARF: Numero do processo: 10980.004378/2004-81 Turma: Quarta Câmara Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 BRT 2007 Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 BRT 2007 Ementa: VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR - Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano-calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens e/ou comprovados pelo contribuinte. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - DISPÊNDIOS - AQUISIÇÃO A PRAZO - Estando a apuração de variação patrimonial a descoberto, no âmbito do IRPF, sujeita ao regime de caixa, não podem ser considerados como dispêndio as parcelas previstas para pagamento a prazo em contrato de compra e venda se não houver demonstração ou declaração do contribuinte quanto ao efetivo desembolso. Recurso parcialmente provido. Numero da decisão: 104-22.262 Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência o acréscimo patrimonial a descoberto do mês de agosto de 2000, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza Nome do relator: Gustavo Lian Haddad ____________ Numero do processo: 18471.001697/2002-25 Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 BRST 2011 Fl. 535DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 BRST 2011 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 APROVEITAMENTO DE SOBRAS DE RECURSOS. As sobras de recursos apuradas em um determinado mês devem ser transferidas para o seguinte. Eventual sobra constatada, ao final de dezembro do ano-calendário, pode ser considerada no cálculo de janeiro do ano seguinte, desde que devidamente comprovada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA. No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. Recurso provido. Numero da decisão: 2801-001.367 Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Declarouse impedido o Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado. Realizou sustentação oral o Dr. EDGARD DO AMARAL SOUZA, OAB 100.369/RJ. Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN ____________ Numero do processo: 10768.007519/2004-32 Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara: 2ª SEÇÃO Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 BRT 2012 Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 IRPF - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano- calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Recurso especial provido. Numero da decisão: 9202-002.066 Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage Tendo em vista que há a comprovação (fl. 410) de que havia saldo de recursos do exercício de 2001, tais valores devem se considerados no exercício seguinte. Portanto, o recurso merece ser provido quanto a este ponto. Da Distribuição dos Lucros: Vinculação com o Auto-arbitramento do Lucro da Pessoa Jurídica Conforme alega o recorrente, ao alterar, de forma correta, a tributação do lucro presumido para o lucro arbitrado, houve o reconhecimento de lucro, passível de distribuição ou reinvestimento. Fl. 536DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 De fato, houve o reconhecimento do lucro, inclusive pela decisão recorrida. Entretanto, a decisão recorrida deixou de reconhecer, sob a alegação de que não houve as devidas comprovações. Neste sentido, extraímos o seguinte trecho: “Em relação à distribuição de lucros das pessoas jurídicas das quais o contribuinte é sócio, tais recursos foram desconsiderados pela fiscalização não pela inexistência do lucro das pessoas jurídicas mas pela falta de comprovação da efetiva transferência de numerários das pessoas jurídicas para o sócio, razão pela qual o auto-arbitramento efetuado pela pessoa jurídica não tem relação com a não consideração dos lucros distribuídos na planilha de evolução patrimonial..." Por outro lado, o recorrente fez a comprovação documental da distribuição dos lucros, conforme mencionado em seu recurso: Valor de R$ 105.000,00: SETEMBRO/2001: DOC. 5 - Cópia de cheque, no valor de R$ 105.000,00, correspondente a aquisição de 50% da área de terras e suas benfeitorias da gleba São José; DOC. 5.1 (complemento) - Cópia de cheque, no valor de R$ 20.000,00, correspondente a aquisição de 50% da área de terras e suas benfeitorias da gleba São José; Motivo da recusa pela DRJ: “c) fls. 3 19/320 - cheque no valor de R$ 105.000,00, datado de 04/09/2001, de emissão da pessoa jurídica EDIMOM Ltda, nominal a Higa Produtos Alimentícios Ltda e cheque no valor de R$ 20.000,00, datado de 05/09/2001, de emissão da mesma pessoa juridica e nominal a Luiz Gonzaga de Moraes Junior- observa-se que a Escritura de Venda e Compra de fls. 60/62 tem por objeto aquisição pelo contribuinte de 50% de imóvel, no valor de R$ 125.000,00, cujos alienantes são Tokurio Higa, Yaeko Kishimoto Higa, Tokuji Higa, Kikuko Higa, Hiroshi Higa, Hareco Uehara Higa, Norimiti Higa e Helena Yabiku Higa, ocorrida em 04/09/2001. Consta da referida Escritura que o valor de RS 250.000,00 foi pago da seguinte forma: RS 105.000,00 pelo cheque administrativo n° 009310-6, série H-001 contra o Banco Bradesco, R$ 100.000,00 pelo cheque administrativo n° 938851-6, agência 0303 contra o Banco Banespa, R$ 45.000,00 em moeda corrente, O cheque no valor de R$ 105.000,00 de fl. 319 não é um cheque administrativo e está nominal a pessoa jurídica e o cheque de R$ 20.000,00 esta nominal a Luiz Gonzaga de Moraes Junior que é terceiro estranho à operação de compra e venda. Assim, tais cheques não comprovam a transferência de lucros para o contribuinte e tais valores não podem ser aceitos, como origem, na planilha de evolução patrimonial;” Observação: Aqui será examinada operação comprovada com os DOC. 5 e 5.1, juntados na impugnação e repetido nesse Recurso. Sendo assim, deve ser reconhecido o valor de R$ 105.000,00 como distribuição de lucros, tendo em vista que os valores serviram como parte do pagamento feito, é verdade, pela empresa Edimom Ltda. à Higa Produtos Alimentícios Ltda., mas que o registro do imóvel foi feito pelo Recorrente, conforme consta da Escritura de Venda e Compra constante no e-fls. 61/63. Por outro lado, o cheque de R$ 20.000,00, não merece ser reconhecido, pois está em nome de terceiro estranho à compra e venda realizada. Valor de R$ 4.833,60: DOC. 6.2 (complemento) - Cópia de cheque, no valor de RS 4.833,60, correspondente a aquisição dos lotes de terreno n° O3 A-2, 01 H-2, 05 H-2, O6 H-2, 09 H-2, 01 K-2, 02 K-2, 04 K-2, O5 K-2, 13 K-2, 14 K-2, 01 A-2, 02 A-2 e 03 K-2; Motivo da recusa pela DRJ: “O valor de R$ 4.833,60, cópia de cheque de fl. 325, não pode ser concedido como recurso proveniente de lucro distribuído, na planilha de Fl. 537DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 evolução patrimonial, por estar nominal a Prefeitura Municipal de Paulínia não restando demonstrada sua relação com a operação de compra e venda referente à Escritura de fls. 40/44;” Observação: Aqui será examinada a operação comprovada com o DOC. 6.2, juntado na impugnação e repetido nesse Recurso. Apesar das alegações da recorrente, não há nos autos, nenhuma outra relação que justifique a emissão do cheque no valor de R$ 4.833,60, de modo que este pagamento não pode ser considerado como distribuição de lucros. FEVEREIRO/MARÇO/2001: Motivo da recusa pela DRJ: “t) fls. 332, 333, 334, 335, 336, 337, 338 – cópia de DOC, no valor de R$ 10.000,00, sem data de autenticação, remetido por EDIMOM Ltda em favor de Fábia Serrano Cerqueira, cópia de cheque no valor de R$ 60.000,00, datado de 07/03/2001, nominal a Dolores Gonsales Miranda, cópia de cheque no valor de RS 10.000,00, datado de 07/03/2001, nominal a Roberto Chiminazzo Advogados Associados, cópia de DOC, no valor de R$ 20.000,00, sem data de autenticação, remetido por EDIMOM Ltda em favor de Imobiliária Cidade de Hortolândia, cópia de cheque no valor de R$ 5.000,00, datado de 15/02/2001, nominal a Antonio Carlos Ferreira, cópia de DOC, no valor de R$ 10.000,00, sem data de autenticação, remetido por EDIMOM Ltda em favor de Roberto Chiminazzo Advogados Associados, cópia de DOC, no valor de R$ 10.000,00, sem data de autenticação, remetido por EDIMOM Ltda em favor de Roberto Chiminazzo Advogados Associados - o recorrente alega que tais pagamentos foram feitos por sua ordem para pagamento da dívida, informada em sua DIRPF/2002 e contraída por compra de lote da pessoa juridica F.B. Construções e Com Ltda, contudo os pagamentos foram feitos pela pessoa juridica EDIMOM Ltda tendo como beneficiárias pessoas, fisicas e/ou jurídicas, cuja relação com a empresa vendedora não foi demonstrada nos autos. Assim, não se aceita estes documentos para comprovar a transferência de lucros entre a pessoa jurídica e o recorrente.” Observação: Aqui serão examinadas as operações comprovadas com os DOC. 9, 9.1, 9.2. 9.3, 9.4, juntados na impugnação e repetidos nesse Recurso. Réplica do Recorrente (em negrito e itálico): DOC. 9 - Cópia de cheque, no valor de R$ 10.000,00, correspondente ao pagamento de dívida relativa à compra de 50% do lote 03, Chácara Guararapes. O cheque em questão foi emitido em favor da Sra. Fábia Serrano Cerqueira, que é esposa do sócio da pessoa jurídica alienante, o Sr. Antonio Carlos Ferreira como se pode ver no documento acostado (DOC. A) DOC. 9.1 (complemento) - Cópia de cheque, no valor de R$ 60.000,00, correspondente ao pagamento de dívida relativa à compra de 50% do lote 03, Chácara Guararapes. Por conta e g ordem da pessoa jurídica alienante, foi efetuado o pagamento a Sra. Dolores Gonsales Miranda, que tinha ação judicial contra a pessoa jurídica alienante do imóvel e seus sócios (DOC. A). DOC. 9.2 (complemento) - Cópia de cheque, no valor de R$ 10.000,00, correspondente ao pagamento de dívida relativa à compra de 50% do lote 03, Chácara Guararapes. Esse valor diz respeito aos honorários advocatícios relativos à ação judicial mencionada no item anterior. DOC. 9.3 (complemento) - Cópia de cheque, no valor de R$ 20.000,00, correspondente ao pagamento de dívida relativa à compra de 50% do lote 03, Chácara Guararapes. Esse cheque está nominal à Imobiliária Cidade de Hortolândia, que é pessoa jurídica controlada pelo sócio da empresa alienante, o Sr. Antonio Carlos Ferreira, e representa pagamento efetuado por conta e ordem dessa pessoa. DOC. 9.4 (complemento) - Cópia de cheque, no valor de R$ 5.000,00, correspondente ao pagamento de dívida relativa à compra de 50% do lote 03, Chácara Guararapes. Esse Fl. 538DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 valor foi pago por conta ordem da pessoa jurídica alienante, sendo beneficiário o Sr. Antonio Carlos Ferreira, que é sócio da empresa vendedora do imóvel. DOC. 9.5 (Complemento) – Cópia de cheque, no valor de R$ 10.000,00 correspondente ao pagamento de dívida relativa à compra de 50% do lote 03, Chácara Guararapes. Esse valor diz respeito aos honorários advocatícios relativos à ação judicial mencionada no item relacionado ao DOC. 9.1 DOC. 9.6 (Complemento) – Cópia de cheque, no valor de R$ 10.000,00 correspondente ao pagamento de dívida relativa à compra de 50% do lote 03, Chácara Guararapes. Esse valor diz respeito aos honorários advocatícios relativos à ação judicial mencionada no item relacionado ao DOC. 9.1 Apesar das explicações e documentos juntados quanto os valores/cheques relacionados no item 9, não há provas documentais suficientes a dar suporte às operações, de modo que não é possível considerar mencionados pagamentos com operações efetivamente realizadas. Selic sobre a multa de ofício Sustenta a Recorrente que não deveria haver a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito tributário junto com o tributo. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2° O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito'não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário e de acordo com o CTN esse decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. O § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, por sua vez, preconiza: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto n° 7.212, de 2010) §1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 539DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei n° 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetiva-se descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. Entretanto, esta questão já se encontra pacificada neste Egrégio Tribunal, consoante o disposto na Súmula nº 108: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Sendo assim, nada a prover quanto a este tópico, devendo ser mantida a decisão recorrida. Conclusão Em razão do exposto, conheço do recurso, rejeito a preliminar de decadência e voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, a fim de reconhecer o valor de R$ 113.000,00 constante em 31/12/2000 e reconhecer o cheque de R$ 105.000,00 como parte do lucro distribuído pela EDIMOM Ltda. ao recorrente. (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Voto Vencedor Conselheira Débora Fófano do Santos – Redatora Designada Em que pesem os fundamentos apresentados pelo Sr. Conselheiro Relator, peço vênia para discordar de suas conclusões apenas quanto ao aproveitamento da disponibilidade em caixa no valor de R$ 113.000,00 informada na declaração de bens e direitos da declaração de ajuste anual do ano-calendário de 2000 e ao reconhecimento do valor de R$ 105.000,00 a título de lucros recebidos para fins de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto (APD). No tocante ao acréscimo patrimonial o recorrente sustenta que o acórdão deve ser reformado na medida em que não foram aceitos como origem os valores informados em sua declaração de ajuste anual como “disponibilidades de recursos financeiros em poder do declarante” no início do período-base no montante de R$ 113.000,00, que foram regularmente incluídas na declaração de bens do ano-calendário anterior (ano de 2000). Quanto aos valores de distribuição de lucros afirma que, segundo a autoridade lançadora, a negativa do acolhimento repousa no fato da empresa Edimom Ltda ter retificado, no início do ano-calendário 2006, as DIPJ dos últimos 5 (cinco) exercícios, aumentando consideravelmente os valores de distribuição de lucros em favor do fiscalizado. Fl. 540DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 Em sede de fiscalização, entendeu-se que esses valores não poderiam ser aceitos como origens na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto (APD). Tal entendimento foi corroborado pela decisão de primeira instância, conforme excerto extraído do acórdão (fl. 383/385): (...) Primeiramente, quanto ao numerário no valor de R$ 113.000,00, declarado como dinheiro em espécie - moeda nacional - na data de 31/12/2000, não pode ser aceito como recurso na planilha de evolução patrimonial. A declaração de ajuste anual, mesmo que homologada, não constitui prova da posse do dinheiro declarado para o exercício objeto de autuação, a medida que tal declaração entregue pelo contribuinte fornece apenas a informação nela consignada, porém não comprova por si só o fato declarado. Pretendendo o recorrente aproveitar dinheiro em espécie declarado no exercício anterior para justificar variação patrimonial no exercício fiscalizado, cabe a ele a prova inconteste de sua existência no final do ano-calendário em que foi declarado, o que não foi feito nos autos. A alegação de que não pode o Fisco extrair e validar das declarações de rendimentos apenas os fatos que lhe interessam e recusar os favoráveis ao contribuinte não se sustenta, pois os dados retirados da declaração como aplicações de recursos ou foram ratificados pelo contribuinte durante a ação fiscal ou se encontram comprovados nos sistemas informatizados da RFB (tributos pagos) ou nos documentos juntados aos autos (escrituras de compra e venda de imóveis), restando devidamente comprovados. Como já frisado, o ônus de provar a origem dos recursos é do contribuinte, cabendo a ele a prova da posse efetiva do numerário que poderia ser feita com saques bancários que totalizassem o valor declarado, saques de cheque em conta corrente sua ou da empresa, venda de moeda estrangeira, entre outras, o que não foi feito impossibilitando a consideração da referida disponibilidade financeira na planilha de evolução patrimonial. Em relação à distribuição de lucros das pessoas jurídicas das quais o contribuinte é sócio, tais recursos foram desconsiderados pela fiscalização não pela inexistência do lucro das pessoas jurídicas mas por falta de comprovação da efetiva transferência de numerários das pessoas jurídicas para o sócio. (...) Por seu lado o art. 9°, § 1°, do Decreto-lei n° 1.598, de 23 de dezembro de 1977, base legal do art. 923 do RIR/1999, determina que os lançamentos contábeis devem estar sempre amparados por elementos que não deixem margem a duvida quanto a consistência da operação e somente faz prova a favor da empresa a escrituração mantida com observância as disposições legais dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O Livro Razão e as DIPJs das pessoas jurídicas são insuficientes para comprovar a efetiva transferência dos lucros distribuídos para a pessoa física do sócio. Deveria ter sido apresentada à fiscalização a documentação que comprova os fatos registrados no Livro Razão, como depósitos, transferências bancárias, cópias de cheques, comprovando a transferência dos lucros da pessoa jurídica para a pessoa física, prova que cabe ao contribuinte no caso da presunção legalmente estabelecida, o que não foi feito durante a ação fiscal. (...) fls. 319/320 - cheque no valor de R$ 105.000,00, datado de 04/09/2001, de emissão da pessoa jurídica EDIMOM Ltda, nominal a Higa Produtos Alimentícios Ltda e cheque no valor de R$ 20.000,00, datado de 05/09/2001, de emissão da mesma pessoa jurídica e nominal a Luiz Gonzaga de Moraes Junior - observa-se que a Escritura de Venda e Compra de fls 60/62 tem por objeto aquisição pelo contribuinte de 50% de imóvel, no valor de R$125.000,00, cujos alienantes são Tokurio Higa, Yaeko Kishimoto Higa, Tokujin Higa, Kikuko Higa, Hiroshi Higa, Hareco Uehara Higa, Norimiti Higa e Helena Yabiku Higa, ocorrida em 04/09/2001. Consta da referida Escritura que o valor de R$ 250.000,00 foi pago da seguinte forma: R$ 105.000,00 pelo cheque administrativo n° Fl. 541DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 009310-6, série H-001 contra o Banco Bradesco, R$ 100.000,00 pelo cheque administrativo n° 938851-6, agência 0303 contra o Banco Banespa, R$ 45.000,00 em moeda corrente. O cheque no valor de R$ 105.000,00 de fl. 319 não é um cheque administrativo e está nominal a pessoa jurídica e o cheque de R$ 20.000,00 está nominal a Luiz Gonzaga de Moraes Junior que é terceiro estranho à operação de compra e venda. Assim, tais cheques não comprovam a transferência de lucros para o contribuinte e tais valores não podem ser aceitos, como origem, na planilha de evolução patrimonial; (...) Para que os recursos disponíveis em moeda ao final do ano-calendário constituam-se lastro para eventuais acréscimos patrimoniais no ano imediatamente seguinte devem constar de maneira precisa na Declaração de Bens e Direitos da declaração de ajuste anual (DAA) do ano-calendário e, cumulativamente, como todos os dados ali declarados, ter a sua origem devidamente comprovada mediante documentos hábeis e idôneos. No caso concreto o recorrente somente alega a existência de saldo no ano anterior sem a comprovação da sua origem, não se desincumbindo do ônus probatório, razão pela qual não merece reparo o acórdão recorrido neste ponto. Pelo que se extrai do relatório fiscal, o contribuinte foi regularmente intimado a comprovar a efetividade da distribuição de lucros mediante a apresentação de cópias de cheques, saques, transferências eletrônicas, dentre outros, limitando-se a apresentar apenas cópias reprográficas do Livro Razão da empresa Edimom Ltda do ano-calendário de 2001. A autoridade lançadora ressalta que foram retificadas as declarações de ajuste anual e DIPJs da referida empresa dos anos-calendário de 2001 a 2005, com aumentos substanciais nos lucros distribuídos em favor do fiscalizado (fls. 11/12). Com a impugnação foram apresentadas várias cópias de cheques emitidos pela empresa Edimon Ltda e cópia da DIPJ da empresa Interprise do ano-calendário de 2001, com registro de distribuição de lucros ao recorrente. Deve-se registrar que os documentos trazidos pelo recorrente na impugnação (fls. 219/235 e 321) em verdade não justificam a alegada distribuição de lucros, posto que não há qualquer vinculação entre o cheque no valor de R$ 105.000,00, emitido em 4/9/2001 por Edimon Ltda, tendo por beneficiário Higa Produtos Alimentícios Ltda e a distribuição de lucros por parte da empresa Edimon Ltda ao recorrente (fl. 321). No caso, o cheque é nominal a terceiro e a escrituração apresentada no livro Razão também não faz prova a favor do contribuinte, uma vez que foi apresentada somente cópia do Razão da conta 2.1.1.08.0001 – 0000002863 – Ernesto Donizete Moda, com o histórico do lançamento de “retirada p/cta de distr lucros” (fls. 229). Portanto, também não merece reforma o acórdão recorrido neste ponto. Conclusão Do exposto, não tendo o contribuinte se desincumbido satisfatoriamente do ônus probatório, é acertada a decisão de primeira instância, razão pela qual nega-se provimento ao recurso voluntário no que se refere ao aproveitamento da disponibilidade em caixa no valor de R$ 113.000,00 e também quanto ao reconhecimento do valor de R$ 105.000,00 a título de distribuição de lucros, mantendo-se as demais conclusões expressas no voto do Ilustre Relator. (documento assinado digitalmente) Débora Fófano dos Santos Fl. 542DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-005.229 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.006496/2006-18 Fl. 543DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.729215/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS.
O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previsto.
CRÉDITO PRESUMIDO. BIODIESEL.
A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos.
ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA
É vedado o aproveitamento de créditos em relação à receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)
Numero da decisão: 3401-006.078
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, por unanimidade de votos, para admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência, e negar provimento em relação aos demais itens recursais.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (presidente).
Nome do relator: Tiago Guerra Machado
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previsto. CRÉDITO PRESUMIDO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47-B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação à receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previsto. CRÉDITO PRESUMIDO. BIODIESEL. A possibilidade de apuração de crédito presumido a partir da aquisição de "sebo" utilizado na produção de biodiesel, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546/2011, de 14 de dezembro de 2011, não produziu efeitos retroativos. ESTORNO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VENDA COM SUSPENSÃO. FARELO DE SOJA É vedado o aproveitamento de créditos em relação à receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas sujeitas ao crédito presumido de farelo de soja (NCM 23.04) e de farelo de girassol (NCM 23.06) anteriormente à publicação da Lei nº 12.431/2011 (Publicada em 27.06.2011) Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, por unanimidade de votos, para admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência, e negar provimento em relação aos demais itens recursais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 92 15 /2 01 2- 45 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10120.729215/201245 Acórdão n.º 3401006.078 S3C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/RPO, que manteve o despacho decisório que não homologou créditos relativos ao PIS/COFINS, na modalidade não cumulativa. Diante da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a esse Tribunal administrativo, reprisando as seguintes teses da impugnação: (a) Das despesas com fretes entre estabelecimentos Informa que as transferências entre estabelecimentos da pessoa jurídica tiveram por escopo o armazenamento das mercadorias com destino certo à exportação e já negociada; que o frete contratado confere à empresa o direito ao aproveitamento do crédito, porque é decorrente de operação de venda para o exterior, onde o transporte é realizado em duas etapas, sendo a primeira até o porto — que corre às expensas do vendedor —; e a outra do porto de origem até o destino final — que é de responsabilidade do comprador. Ressalta que "se é certo que se deve considerar a remessa para exportação "frete na operação de venda", a remessa anterior para a formação de lote deve ser incluída no mesmo conceito, pois este frete nada mais é do que uma primeira etapa do transporte definitivo da mercadoria para o seu destino final". Informa que o seu estabelecimento industrial está situado no centrooeste, distante do embarque dos produtos para o exterior, realizados em Santos/SP e que, antes de chegar no Porto de Santos, os produtos são transportados por via rodoviária ou aquaviária, desde as fábricas localizadas no Estado de Goiás, até as filiais localizadas em Pederneiras/SP ou Anhembi/SP. A partir das filiais, as mercadorias são transportadas até o porto de Santos pela via ferroviária; c. o frete entre estabelecimentos tem por finalidade precípua colocar os produtos vendidos em condições de serem embarcados/vendidos para o exterior. E conclui: (...) Ainda que se entendesse que os fretes contratados pela Impugnante não se encartassem no conceito de "fretes sobre venda", tais gastos encontram amparo no inciso I do art. 3o, das L eis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, por serem gastos necessários à colocação do bem em condições de venda (tem natureza de custo), tal como definido na legislação do Imposto de Renda (art. 289 do RIR/1999); Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10120.729215/201245 Acórdão n.º 3401006.078 S3C4T1 Fl. 4 3 Por fim, reforçar que direito ao crédito é garantido pela leitura do artigo 3º, das Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003, seja como despesa com venda, seja como custo a ser incorporado ao bem em estoque (neste caso se não houvesse contratado previamente a venda); (b) Despesas de armazenagens e fretes extemporâneos A contribuinte diz que o art. 3o, § 4o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, prescreve, sem fazer qualquer ressalva quanto ao prazo e formalidades para o creditamento e de forma clara e taxativa, que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. No que tange ao crédito presumido extemporâneo, assevera que o § 2º, do art. 8o, da Lei n° 10.925/2004 manda aplicar o § 4o, do art. 3o, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não havendo disposição expressa em sentido contrário. Vejamos: "(...) tendo em conta que inexiste no ordenamento jurídico qualquer previsão legal que vede, de forma expressa, o aproveitamento extemporâneo, é de se concluir, reprisese, que autorizado está o contribuinte à recuperação de créditos que não foram aproveitados no passado". Prossegue afirmando que o § 8o, do art. 3o, das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, não fixaram regime de competência para apropriação de créditos do PIS/PASEP e da COFINS, mas tão somente definiram critério de cálculo desses mesmos créditos, sendo que o momento da apropriação continua a ser disciplinado pelo § 1° do aludido art. 3o, de sorte que, em não havendo o aproveitamento em tal ocasião, o contribuinte pode fazêlo em período posterior, por força do permissivo contido no § 4o também daquele comando legal. Após citar um trecho do Manual de Preenchimento do DACON que estabelece: "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, sem atualização monetária ou incidência de juros" e dizer que este manual se enquadra na definição de "norma complementar" estabelecida no art. 96 do Código Tributário Nacional CTN, diz que a glosa de créditos extemporâneos se afigura um ato abusivo e ilegal, motivo que desautoriza o lançamento. (c) Das despesas de armazenagem prescritas Quanto à prescrição de parte do crédito relativo às despesas de armazenagens, a recorrente alega que os créditos do PIS e da COFINS não sofre qualquer hipótese de prescrição, mesmo porque as Leis federais 10.637/2002 e 10.833/2003 não preveem qualquer prazo para a fruição dos créditos (d) Aquisição de Bens usados como insumos Sobre as glosas realizadas, o contribuinte juntou documentação suporte para comprovar tais dispêndios, que não teriam sido apresentadas durante o procedimento fiscal. (e) Aquisição de Bens que seriam ativo imobilizado Reproduziu a Resolução CFC nº 1.177/2009 e citar o art. 301 do RIR, que possibilita reconhecer como despesa bem cujo valor unitário se mostre elevado, desde que o prazo de vida útil seja inferior a um ano, e a Solução de Consulta DISIT/SRRF06, de 13 de Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10120.729215/201245 Acórdão n.º 3401006.078 S3C4T1 Fl. 5 4 maio de 2015, diz que a obrigatoriedade de imobilização de gastos realizados em bens do imobilizado é bastante restrita, pois somente se aplica quando o bem beneficiário da reforma alcançar nova vida útil. No caso em tela é diferente, são peças que se desgastam ou deterioram rotineiramente, sem, contudo, elevar a vida útil da máquina ou equipamento, não se mostrando suficiente para concederlhes o tratamento de imobilizado. Arguiu que, caso se admita o enquadramento dos materiais adquiridos como bem do imobilizado, os bens conferem créditos sobre os encargos de depreciação, com observância da metodologia adotada pela Lei nº 11.774/2008. (f) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas aquisições de "sebo" para a produção de biodiesel Afirmou que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que "as aquisições realizadas pela Impugnante do insumo "sebo", destinadas a fabricação de biodiesel, ocorridas anteriormente a 15/12/2011, são abarcadas pelo direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e COFINS, por força do que prevê o art. 34 da Lei n° 12.058/2009(...)”. (g) Do direito ao crédito presumido de PIS/PASEP e Cofins nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol" Ressalva que a fiscalização teria erroneamente desconsiderou os créditos de contribuições relativos à venda no mercado interno de farelo de girassol, haja vista o contido nos arts. 54 e 55, § 5º, inciso II, da Lei nº 12.350/2010. Nesse contexto, assegura que o "farelo de soja" é obtido por meio da industrialização da "semente de girassol" e é vendido com o benefício da suspensão de PIS e Cofins a destinatários que irão utilizálos na alimentação animal; e que “a semente de girassol utilizada para produzir o "farelo de girassol", por ser adquirida das pessoas indicadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, garante à impugnante o direito de se apropriar dos créditos presumidos de PIS e Cofins”, e por fim, “o fato de o "farelo de girassol" ser comercializado com o benefício da suspensão de PIS e Cofins, não impõe à contribuinte a obrigação de promover o estorno dos créditos presumidos anteriormente apropriados, pois inexiste na lei nº 10.925/2004 tal previsão; (h) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja Quanto ao estorno de créditos presumidos decorrentes de venda de farelo de soja com suspensão de PIS e Cofins no mercado interno, a contribuinte diz que, nos termos da Lei Complementar nº 95/1998, a vigência da lei será sempre indicada de forma expressa e as disposições normativas serão regidas com clareza, precisão e ordem lógica; Conclui que tem direito ao crédito presumido, nos termos do art. 64 da Lei nº 12.350/2010 e art. 22 da Instrução Normativa nº 1.157/2011. (i) Da glosa parcial de crédito presumido da soja adquirida para produção de farelo Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10120.729215/201245 Acórdão n.º 3401006.078 S3C4T1 Fl. 6 5 A contribuinte rejeitou a glosa parcial dos créditos presumidos da soja adquirida, na medida em que afirma que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Buscou demonstrar documentalmente que toda a soja fora utilizada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, “sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito.“ Afirmou também que que não há previsão legal que ampare o rateio de crédito empregado pela fiscalização e que a analogia não pode criar restrições, nem resultar em cobrança de tributos não previsto em lei. Por fim, rejeitou a aplicação de juros sobre a multa de ofício durante o curso do processo para atualização do crédito ora constituído, por falta de embasamento legal para aplicação da Taxa SELIC sobre essa parcela. Ainda apresentou documentos adicionais para comprovar suas alegações, em especial sobre os créditos sobre frete entre estabelecimentos e sobre o crédito presumido decorrente de sua atividade agroindustrial, entre outros. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.073, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10120.729209/201298. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.073): "Do mérito O Recurso Voluntário se insurge contra o entendimento da decisão de primeiro grau que manteve as glosas de créditos delineadas no MPF nº 0120100201300983 a respeito das seguintes rubricas: (a) Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; (b) Do estorno do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de farelo de soja; (c) Crédito presumido nas vendas no mercado interno de "farelo de girassol"; Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10120.729215/201245 Acórdão n.º 3401006.078 S3C4T1 Fl. 7 6 (d) Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Passo a expor: Do crédito presumido na aquisição de sebo para produção de biodiesel; Com relação aos itens que tratam das hipóteses de apropriação de crédito presumido na atividade agroindustrial, é importante destacar que, nos termos do art. 47 e 47B da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e publicada no DOU de 15.12.2011, c/c o art. 8º da lei nº 10.925/2004, acompanhando integralmente a conclusão do acórdão da DRJ, que não há direito de crédito nas aquisições de sebo para produção de biodiesel. Tal como destacado pela fiscalização no seu Relatório Fiscal, “não obstante o crédito presumido do art 47 da Lei n° 12.546/2010 nunca ter tido eficácia, posto que foi revogado pela Lei n° 12.865/2013 antes que fosse regulamentado pela RFB, conforme determinava seu § 6o, a Lei n° 12.995/2014 introduziu naquela primeira lei o art. 47B, que convalidou os créditos do art. 47 realizados durante sua vigência (caput) e também convalidou os créditos do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 (§ 1o) em relação à aquisição de soja in natura por produtores de biodiesel, contudo o § 2o do citado art. 47B proibiu o crédito simultâneo do art. 47 da mesma lei e do art. 8o da Lei n° 10.925/2004 em relação à mesma operação”. Assim reproduzo, por entender irretocável, a decisão ora recorrida, vez que não foram trazidos novos elementos no Recurso que pudessem afastar aquela conclusão: Já em relação à alegação da contribuinte que o insumo "sebo" é utilizado unicamente para a produção de biodiesel e que teria direito ao crédito presumido do PIS e da Cofins nas aquisições deste, nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, e nas redação dada pelas Leis nºs 12.350/2010 e 12.839/2013, fazse necessário, antes de enfrentar o mérito, a reprodução dos arts. 32 e 34 da referida lei: (...) Da leitura dos artigos acima reproduzidos, verificase/concluise que: a) O direito ao crédito presumido somente se aplica à aquisição de sebo com suspensão das contribuições, no mesmo período de apuração, de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10120.729215/201245 Acórdão n.º 3401006.078 S3C4T1 Fl. 8 7 b) A suspensão aludida é obrigatória quando a venda for efetuada por pessoa jurídica que revenda o sebo bovino ou que industrialize os produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02, da NCM, para outra pessoa jurídica, desde que a venda não seja no varejo; c) Sendo o sebo bovino adquirido com a incidência de suspensão do pagamento da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, e utilizado como insumo na industrialização de biodiesel, cabe ao adquirente o direito de apuração dos créditos presumidos tratados no art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009. Como dito alhures, a contribuinte para usufruir do direito ao crédito presumido precisa, além ser pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real, demonstrar que a aquisição de sebo foi com suspensão das contribuições e de pessoa jurídica residente ou domiciliada no País. Contudo, na impugnação apresentada, a contribuinte não demonstrou que cumpriu todos os requisitos, principalmente se a aquisição de sebo foi de pessoa jurídica e com suspensão. Assim, cabendo o ônus da prova em contrário à empresa, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/197217; art. 36 da Lei nº 9.784/199918; e art. 373 da Lei nº 13.105/200519, e esta, em sua impugnação, não demonstrando o cumprimento dos demais requisitos para usufruir do direito ao crédito presumido estabelecido pela Lei nº 12.058/2009, não há motivos para rever o lançamento(glosa de crédito) da matéria tratada neste tópico. Assim, mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Do crédito presumido decorrente de venda com suspensão no mercado interno de “farelo de soja” e de "farelo de girassol" Tampouco merece reforma o entendimento trazido pelo acórdão recorrido concernente à possibilidade de crédito presumido com a venda do produto agroindustrial estava sujeito à suspensão das contribuições. A recorrente pleiteia que sejam considerados, nas apurações de janeiro a junho de 2011, a inclusão de crédito presumido concedido pela Lei Federal 12.431/2011, cuja vigência expressamente se iniciou em 27.06.2011, quando fora publicada no DOU. Ora, não há como conceber a possibilidade de vigência retroativa à lei, sem que essa estabeleça tal aplicação, de modo que deve ser mantida a decisão da DRJ que não considerou tais créditos até a entrada em vigor daquele ato normativo. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10120.729215/201245 Acórdão n.º 3401006.078 S3C4T1 Fl. 9 8 Crédito presumido sobre a soja adquirida para produção de farelo. Com relação a esse item, por entender ter a decisão a quo escrutinado a questão de maneira definitiva, creio que o acórdão de primeiro grau merece ser mantido na sua integralidade, de forma que acompanho tal entendimento, aproveitando os fundamentos do voto do relator que cito: A fiscalização glosou parcialmente créditos presumidos da soja adquirida, por entender que a parcela de soja utilizada na produção de biodiesel não proporciona o direito de a empresa se beneficiar dos créditos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O entendimento da fiscalização foi no sentido de que há direito ao crédito apenas quando aplicada à soja na produção de mercadoria de origem animal ou vegetal destinada à alimentação humana ou animal). Em sua impugnação, a fiscalizada contesta a glosa realizada, afirmando que toda soja, sem exceção foi empregada na produção de mercadoria destinada à alimentação humana ou animal, sendo que o óleo resultante do mesmo processo não interferiu na \produção do farelo de soja, produto este que faz jus ao crédito. Afirma que o aproveitamento parcial dos créditos somente seria aplicado se a empresa destinasse uma parte da soja para produção de farelo e a outra para produção de biodiesel e que, por se tratar de norma especial, a única exceção (vedação ao aproveitamento do crédito presumido) encontrase taxativamente prevista no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; e não há previsão legal que imponha o aproveitamento proporcional em razão da pluralidade de produtos resultantes do mesmo processo e matériaprima, é de se concluir que a Impugnante tem direito ao crédito presumido integral. Em outras palavras, o que a impugnante defende é que toda a aquisição de soja é para a produção de "farelo de soja", sendo o biodiesel o subproduto. De acordo com o "Memorial Descritivo do Processo de Produtivo Soja decepção / Preparação / Extração / Lecitina" apresentado pela contribuinte, diferentemente do alegado, fica evidente que a soja adquirida é para a produção de óleo/biodiesel/lecitina, sendo o subproduto da industrialização o "farelo de soja". Contudo, não é o fato de o "farelo de soja" ser, ou não, o subproduto do esmagamento da soja que determina a existência do direito ao crédito presumido, mas sim o fato de as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, produzirem (a partir da soja) mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal (art. 8º da Lei nº 10.925/2004). Desse modo, inexistindo o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei 10.925/2004 em relação a insumos Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10120.729215/201245 Acórdão n.º 3401006.078 S3C4T1 Fl. 10 9 aplicados na fabricação de biodiesel — produto este não destinado à alimentação humana e animal — há que se excluir/glosar os valores dos insumos a eles aplicados da base de cálculo do crédito presumido informado pela contribuinte em seu Dacon. Quanto ao rateio proporcional dos valores glosados conforme a proporção das receitas da empresa, esta é a forma correta de realizar as glosas, haja vista ter sido este o método adotado na apropriação dos créditos realizada pela interessada em Dacon. Portanto, com base nos dispositivos acima expostos a glosa do credito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 proporcional à produção de biodiesel, merece ser mantido. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e doulhe parcial provimento, para admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência, e negar provimento em relação aos demais itens recursais." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário e darlhe parcial provimento, para admitir o crédito presumido em relação a aquisição do sebo com a suspensão de PIS/COFINS, atestada em diligência, e negar provimento em relação aos demais itens recursais (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.003064/2009-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO.
Para fins de apuração de crédito de PIS/COFINS não-cumulativa, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade.
No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com as embalagens de conservação e os seus correspondentes fretes.
Numero da decisão: 9303-009.161
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito de PIS/COFINS não-cumulativa, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com as embalagens de conservação e os seus correspondentes fretes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento e declarações de compensação de créditos de contribuição não cumulativa, que não foi integralmente reconhecido pela DRF de origem. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 64 /2 00 9- 31 Fl. 276DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.161 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003064/2009-31 Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, onde argumenta, em suma: materiais de embalagem são indispensáveis ao acondicionamento do produto para manter suas características, papel de seda, fita cantoneira e outros são insumos na produção da maçã ; despesa com condomínio tem a mesma natureza da despesa com aluguel; não existe lei que determine a aplicação do conceito do IPI ao crédito de PIS/Cofins. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3301-004.523, que lhe deu provimento parcial, para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens. Recurso especial da Fazenda Cientificada do acórdão de recurso voluntário a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, que se estribou nos acórdãos paradigmas nº 3101-00.759 e nº 9303-005.531, os quais não admitem que embalagens de transporte seja tomadas por insumos, em oposição ao recorrido que assim o admite. Tal recurso especial foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em despacho de admissibilidade, no qual deu-lhe seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015. Contrarrazões da contribuinte Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial, a contribuinte apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-009.126, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.003010/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-009.126): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Em regra, não há que admitir a inclusão de embalagens de transporte dos produtos para a venda como insumo, por isso não dariam direito ao crédito. Porém, no caso, como o produto é alimentício, as referidas embalagens são necessárias para manter as Fl. 277DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.161 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003064/2009-31 características do produto. Isso bem compreendeu a i. Conselheira Maria Alencar Câmara Simões, relatora do acórdão recorrido, na matéria em que foi vencedora, e por isso adoto os argumentos expendidos em seu voto, cujos excertos peço vênia para reproduzir: 2.1. Das embalagens As embalagens aqui analisadas são as seguintes: bandejas (utilizadas nas caixas de papelão para separar e acondicionar as maçãs), cantoneiras (utilizadas nas caixas de papelão, para proteger o produto, durante o transporte até o cliente, evitando o amassamento da caixa e das maçãs), fitas adesivas (para lacrar o fundo das caixas), pallets e seus acessórios (tais como pregos e etiquetas, utilizados no armazenamento e transporte das caixas de maçãs), papel-seda (utilizado para embrulhar a maçã), plástico bolha (empregado para envolver a maçãs, evitando o atrito entre elas), caixa e fundos (usados no acondicionamento das frutas), tampas (utilizadas para proteger a fruta do contato com o ambiente externo), cola (utilizada para colar os rótulos nas caixas de madeira), filme PVC (usado para segurar as caixas nos pallets), termógrafo (usado para controlar a temperatura das caixas quando transportadas). Quanto às embalagens, entendo que a legislação admite o direito ao crédito no caso concreto ora analisado, ainda que as embalagens utilizadas. Isso porque, em razão da especificidade dos produtos produzidos pela Recorrente, é inconteste que as embalagens apresentando-se essenciais à conservação da integridade e qualidade do produto. Conforme fundamentos constantes do tópico anterior, entendo desnecessário que as embalagens sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização para que seja reconhecido o seu direito ao crédito. É imprescindível, na verdade, identificar se o insumo em questão é essencial à atividade produtiva desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente, tendo concluído no caso dos presentes autos que sim. Até porque, ainda que se entendesse que as embalagens em questão seriam destinadas apenas ao transporte, o que não é o caso, a legislação atinente à COFINS não acoberta a restrição realizada pela fiscalização para fins de tomada de crédito, a qual levou em consideração a legislação do IPI, cuja aplicável há de ser afastada. Estes custos com embalagens para acondicionamento e transporte, em razão da especificidade dos produtos que a Recorrente comercializa, são essenciais a que o produto produzido pela empresa seja colocado à venda, pelo que se insere no conceito de insumo que adoto, nos termos acima analisados. Entendo, ainda, que este item específico também se insere no inciso IX, que expressamente autoriza o creditamento relativo à armazenagem de mercadoria e frete na importação de vendas, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Isso porque, verifica-se que a adoção da embalagem em questão é necessária tanto para a armazenagem quanto para o transporte dos produtos que a recorrente industrializa e comercializa, em razão das suas especificidades. Há de se destacar, inclusive, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso análogo, já se manifestou pelo direito ao crédito em tal caso. É o que se infere da decisão a seguir transcrita: (...) Logo, entendo que a decisão recorrida também deverá ser reformada neste ponto, para fins de admitir o direito ao crédito também no que concerne aos tambores utilizados para acondicionamento e transporte. Sendo assim, entendo que deverá ser reconhecido o direito ao crédito no que concerne às embalagens. 2.2. Dos fretes das embalagens Fl. 278DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.161 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003064/2009-31 A segunda glosa objeto da presente demanda incidiu sobre o serviço de transporte de material não considerado insumo na produção da maçã, tais como papel-seda, fitas, filmes, cantoneira, cola, termógrafo etc. O contribuinte defende que, uma vez considerado insumo o material de embalagem utilizado, a despesa com frete na sua aquisição é capaz de gerar creditamento. No que tange aos fretes das embalagens, uma vez admitido o crédito no que concerne às embalagens, entendo que há de ser admitido o direito ao crédito também no que tange aos fretes das referidas embalagens. Até porque, penso que o gasto com frete pago ou creditado pelo comprador à pessoa jurídica domiciliada no País incorpora-se ao custo de aquisição do insumo, além de encontrar previsão de desconto de crédito no artigo 3º, inciso IV da Lei nº 10.833/2003, cumulado com o inciso II deste mesmo dispositivo legal. Dessarte, para o caso concreto, devem os gastos com embalagens serem utilizados na apuração dos créditos de Cofins, como insumos, e por isso os fretes dessa embalagens também fazem jus ao crédito. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por não dar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo na íntegra o acórdão recorrido.” (Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 279DF CARF MF
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