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Numero do processo: 13708.001209/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO DE TRIBUTOS. SÚMULA CARF.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção tampouco enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2201-005.808
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10730.005757/2008-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO DE TRIBUTOS. SÚMULA CARF. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção tampouco enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
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ISENÇÃO DE TRIBUTOS. SÚMULA CARF. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção tampouco enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10730.005757/2008-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2201-005.783, de 05 de dezembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de recurso voluntário em face do Acórdão exarado pela Delegacia da Receita Federal Brasil de Julgamento. O contencioso administrativo tem origem na Notificação de Lançamento que considerou omitida parte do rendimento tributável recebido no curso do ano-calendário em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 12 09 /2 00 8- 31 Fl. 43DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.808 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13708.001209/2008-31 discussão, tendo em vista a divergência entre os valores declarados e aqueles informados em DIRF pela respectiva fonte pagadora. Cientificado do lançamento, inconformado, o contribuinte autuado formalizou, tempestivamente sua impugnação, em que, basicamente, alega que sobre os valores considerados omitidos não incide tributação, já que excluídos da incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física pela Lei 8.852/94. Debruçada sobre os termos da impugnação, a autoridade recorrida considerou improcedente os argumentos da defesa, por entender que as exclusões do conceito de remuneração contidos na Lei 8.852/94 não correspondem a isenção de tributo. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário em que reitera o argumento de que os rendimentos em comento seriam isentos de tributação em virtude do preceito contido na citada Lei 8.852/94. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2201-005.783, de 05 de dezembro de 2019, paradigma desta decisão. Por ser tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Uma análise perfunctória dos termos da Lei 8.852/94 é suficiente para se constatar que tal diploma legal não trata de isenção tributária, mas apenas dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal. A inaplicabilidade da previsão legal suscitada pela defesa para fins de isenção poderia ter um maior detalhamento no presente voto, contudo, a questão é tema que não merece maiores considerações, pois sobre ele este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula Carf nº 68 A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, não prosperam os argumentos recursais. Fl. 44DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.808 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13708.001209/2008-31 Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de em negar provimento ao recurso voluntário.. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904684/2012-23
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3003-000.067
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem adote as providências delineadas nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente), Vinícius Guimarães, Márcio Robson da Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem adote as providências delineadas nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente), Vinícius Guimarães, Márcio Robson da Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 04 68 4/ 20 12 -2 3 Fl. 472DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3003-000.067 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.904684/2012-23 Relatório O presente voto tem por objeto declarações de compensação, transmitidas por meio de PER/DCOMP, nos quais o interessado indica crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS/PASEP, período de apuração 08/2008, para compensação de débitos próprios indicados nos processos nºs 10166.904685/2012-78, 10166.904686/2012-12, 10166.904867/2012-67 e 10166.904684/2012-23 – cópias de todos os processos foram trazidas ao presente processo. Observe-se que o colegiado a quo proferiu uma única decisão para os processos acima enunciados, uma vez que o direito creditório indicado para cada compensação é coincidente: pagamento indevido de PIS do período de agosto de 2008. Da mesma forma, este voto tratará de todos os processos acima enunciados, apreciando, de forma conjunta, suas declarações de compensação. Pois bem. Em análise dos referidos PER/DCOMP, foram emitidos despachos decisórios, os quais não homologaram as compensações declaradas, pois o crédito indicado havia sido utilizado integralmente para a extinção de débito constituído. Em manifestação de inconformidade, o sujeito passivo aduziu, em síntese, que as declarações de compensação, objetos dos processos acima enunciados, devem ser reconhecidas como nulas, uma vez que os débitos nelas indicados já teriam sido extintos pelo pagamento, na forma do art. 156, I, do CTN. A 2ª Turma da DRJ em Recife não conheceu da manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE CANCELAMENTO. INCOMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para analisar Pedidos de Cancelamento de Declaração de Compensação, ainda que apresentados sob outra denominação. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reafirma, em essência, a alegação apresentada na manifestação de inconformidade. Sustenta, em síntese, que as declarações de compensação discutidas nos processos acima referidos dizem respeito a débitos inexistentes, uma vez que já houvera sua extinção por meio de pagamentos. Assinala, ainda, em preliminar, que a decisão recorrida não poderia deixar de conhecer a impugnação apresentada, pois estavam presentes todos os requisitos de admissibilidade para a apreciação do recurso. Neste caso, a instância a quo deveria ter negado provimento, caso discordasse da manifestação de inconformidade. Apresenta jurisprudência das próprias delegacias de julgamento para reforçar seus argumentos. Junta, ainda, documentos para tentar demonstrar suas alegações. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento por esta Turma. Fl. 473DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3003-000.067 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.904684/2012-23 No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu os PER/DCOMP objetos dos processos descritos no relatório, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS, período de apuração de agosto de 2008. Em verificação fiscal dos PER/DCOMP, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o crédito indicado nos PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do sujeito passivo. Foram, então, exarados os Despachos Decisórios nos processos descritos no relatório, cujas decisões não homologaram as compensações declaradas. Como visto, o sujeito passivo contesta as decisões administrativas, apresentando o argumento de que as declarações de compensação são atinentes a débitos extintos por meio de pagamento. Nesse contexto, a recorrente junta aos processos cópias dos DARF´s e as respectivas DCTFs, transmitidas anteriormente aos despachos decisórios, a fim de demonstrar a extinção dos débitos informados nas diferentes declarações de compensação. Compulsando os autos, observa-se que o colegiado a quo decidiu por não conhecer da manifestação de inconformidade, pois entendeu que não teria competência para cancelar a declaração de compensação e anular a cobrança de débito nela confessado, cabendo à Unidade de Origem do sujeito passivo a competência regimental para apreciar eventual cobrança indevida. A recorrente contesta, em preliminar, tal decisão de não conhecimento por parte da Delegacia de Julgamento. Traz jurisprudências administrativas para reforçar seu argumento. Entendo que o litígio, atinente à questão de saber se as declarações de compensação devem ser afastadas em face de suposta inexistência de débitos nela declarados, está absolutamente circunscrito à competência de julgamento dos tribunais administrativos: o julgamento de despachos decisórios que têm como objeto compensações abrange, naturalmente, a análise do encontro de contas característico da compensação, representado por débitos e créditos, de maneira que passa pelo escrutínio do julgador não apenas a aferição do direito creditório, mas, também, da subsistência dos débitos. Nesse sentido, aliás, posicionou-se um dos julgadores do aresto recorrido – voto vencido – o qual entendeu pelo conhecimento da manifestação de inconformidade. Em essência, pode-se asseverar que a apreciação de um despacho que decide acerca da procedência ou não de uma compensação passa pela análise de créditos e débitos objetos da compensação: tal análise – que inclui a aferição de consistência dos débitos declarados - está certamente dentro do escopo das atribuições dos tribunais administrativos. Conheço, portanto, do recurso voluntário. Quanto ao mérito, tendo em vista que os processos versam sobre despachos eletrônicos, que não há controvérsia acerca dos valores constituídos em DCTF e que o litígio se resume precisamente à questão pontual de saber se houve, de fato, declaração de débito em duplicidade (em DCOMP e DCTF), em homenagem ao princípio da verdade material, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem analise os documentos apresentados pelo sujeito passivo – comprovantes de pagamentos, declarações de compensação, DCTFs (transmitidas, vale dizer, antes da emissão dos despachos decisórios) -, confrontando-os com as informações e valores constantes dos sistemas de cobrança e arrecadação da RFB, e, eventualmente, com outros documentos que julgar necessários, apurando se são subsistentes os débitos constantes das declarações de compensação discutidas nos processos 10166.904685/2012-78, 10166.904686/2012-12, 10166.904867/2012-67 e 10166.904684/2012-23. Fl. 474DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3003-000.067 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.904684/2012-23 Em síntese, a Unidade de Origem deverá tomar as seguintes providências: 1. Verificar a consistência dos pagamentos, débitos e documentos apresentados pela recorrente, adotando todos os procedimentos cabíveis e requerendo todos os documentos que julgar necessários para a confirmação da subsistência (ou não) dos débitos informados nas declarações de compensação discutidas nos processos 10166.904685/2012-78, 10166.904686/2012-12, 10166.904867/2012-67 e 10166.904684/2012-23. 2. Analisar a subsistência dos débitos referidos no item anterior, confrontando-os com as informações constantes dos sistemas de arrecadação e cobrança da RFB e com outras fontes que julgar necessárias, aferindo se há, de fato, indevida cobrança daqueles débitos. 3. Proceder à aferição e análise das compensações discutidas no presente processo, levando em consideração os documentos apresentados pela recorrente, assim como a análise de (in)consistência dos débitos referidos nos itens anteriores. Especial atenção deverá ser dada ao controle de eventual duplicidade de débitos e erros de fato nas declarações de compensação, declarações de débitos e documentos de arrecadação. 4. Apresentar relatório com parecer conclusivo, no qual sejam apresentados todos os fundamentos e documentos aptos para justificar as análises realizadas e conclusões alcançadas, trazendo, ao processo, todos os documentos essenciais para fundamentar seu parecer - como, por exemplo, cópias de DCTF´s originais e retificadoras, cópias de páginas de livros de registros contábeis, extratos de sistemas de controle de arrecadação, etc. 5. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindo-lhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Fl. 475DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13986.000092/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO.
DACON. OBRIGATORIEDADE.
É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON na forma em que foi consignada no lançamento de ofício.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo.
Numero da decisão: 3302-007.691
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13986.000086/2010-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro, conforme ata.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO. DACON. OBRIGATORIEDADE. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON na forma em que foi consignada no lançamento de ofício. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DACON. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa prevista legalmente no caso de transmissão intempestiva, não merecendo prosperar as alegações de motivos subjetivos que implicaram a transmissão dessa declaração fora do prazo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13986.000086/2010-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro, conforme ata. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 00 92 /2 01 0- 11 Fl. 35DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.691 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000092/2010-11 Relatório Cuida-se de julgamento submetido a sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17 de abril de 2018. Dessa forma, adoto excertos do relatório do Acórdão nº 3302-007.678, paradigma desta decisão. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo-se, assim, o lançamento fiscal que cobra unicamente a multa por atraso na entrega do DACON, nos termos da ementa abaixo: Ementa: DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso correspondente. Em sede recursal, a Recorrente alega erro no sistema de recepção eletrônica da administração tributária e que não há como fazer provas das tentativas de entrega da declaração porque o sistema não fornece mensagem de anormalidade, bem assim a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Fl. 36DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.691 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000092/2010-11 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, e, desta forma, reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3302-007.678, da lavra do Conselheiro Walker Araujo, paradigma desta decisão: A Recorrente, por sua vez, transmitiu seu Dacon fora do prazo previsto, fato este incontroverso, sem comprovar documentalmente a existência de falha no sistema da Receita Federal que a de protocolar/apresentar o referido demonstrativo. Fl. 37DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.691 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13986.000092/2010-11 outro lado, caso a Recorrente constatasse irregularidades no sistema, deveria ter procurado uma agência da Receita Federal e transmitir manualmente o Dacon e, em caso de negativo do exercício de seu direito, exigir documento do órgão sobre a recusa. Nada nesse sentido foi realizado. cenário, correto o lançamento fiscal. fim, não se aplica ao presente caso os ditames do artigo 138, do CTN, posto que sua incidência somente se aplica na hipótese de pagamento do tributo não recolhido, situação totalmente distinta deste processo, onde a exigência é oriunda de descumprimento de obrigação acessória e não existe na legislação norma que afasta a multa pelo referido instituto. , este Conselho já aprovou a Súmula 49 nos seguintes termos: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame as situações fáticas e jurídicas encontram correspondência com a verificadas na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator Fl. 38DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.722555/2018-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2015
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS. RESTITUIÇÃO.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e são considerados desde o mês de concessão da aposentadoria ou reforma. Súmula CARF nº 63.
Numero da decisão: 2002-001.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2015 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS. RESTITUIÇÃO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e são considerados desde o mês de concessão da aposentadoria ou reforma. Súmula CARF nº 63.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS. RESTITUIÇÃO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e são considerados desde o mês de concessão da aposentadoria ou reforma. Súmula CARF nº 63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 53/54 + e-fl. 70) contra decisão de primeira instância (e-fls. 34/41), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 25 55 /2 01 8- 52 Fl. 75DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.812 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.722555/2018-52 Em desfavor do contribuinte, acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento nº 2016/393303735952763 (fls. 07/13), relativamente ao ano-calendário de 2015, na qual foi apurado saldo de imposto de renda a restituir no valor de R$ 2.077,60. (...) IMPUGNAÇÃO Após a ciência da Notificação de Lançamento em 16/07/2018 (fl. 28), o contribuinte apresentou impugnação em 20/07/2018 (fls. 17/19), com as seguintes alegações: “(...) 1— OS FATOS: No mês de abril de 2015, por ocasião da conclusão dos meus 32 anos de bons serviços prestados a Marinha do Brasil, solicitei minha transferência para a reserva remunerada (haja vista que não existe no Estatuto dos Militares a palavra APOSENTADORIA/APOSENTADO para militares). Para esse requerimento é preciso fazer exames e passar por uma inspeção de saúde. Naquele momento, fora detectado um nível acima do número de plaquetas no meu sistema plaquetário, o médico me encaminhou com urgência ao Hospital Naval Marcílio Dias. Realizei uma série de procedimentos na clínica de Hematologia e foi diagnosticado NEOPLASIA MALIGNA (Certidão n° 1598/2017, do Centro de Perícias Médicas da Marinha, "a doença é preexistente a data de 28/10/2015". Documento datado de 20/12/2017, em anexo). Nesse ínterim, a minha Reserva foi publicada no DOU de 28/05/2015 — Página 9 - Seção 2. A PAPEM, setor de pagadoria da Marinha deixou de lançar no campo desconto do meu Bilhete de Pagamento o devido Imposto de Renda, a partir do mês de janeiro de 2018, inclusive. Levando alguns meses para "zerar" meu Comprovante de Rendimentos. No início do ano de 2018 procurei a Receita Federal no Município onde resido, para tomar conhecimento de como proceder para requerer a isenção do IR. Compareci várias vezes e fui recebido com extrema paciência e fidalguia pelo senhor José Paulo, que me explicou como realizar todos os procedimentos, e assim o fiz, posso ter cometido erros, precipuamente no tocante a retificação de minhas declarações. Caso seja detectado incorreções, prontamente reconhecerei, acatarei, assumirei e corrigirei. No dia 16/03/2018, dei entrada com todos os documentos exigidos para minha solicitação de Antecipação de Análise da DIRF, fui atendido pela senhora Vania Pereira dos Santos, funcionária altamente profissional e dedicada a sua função, pois analisou cada documento, logo depois enviou para DRF de Niterói. Na segunda quinzena de julho, recebi através dos Correios duas Notificações de Lançamentos, 2016/393303735952763 e 2017/393303766686879. INDEFERINDO meu requerimento. II— O DIREITO: Fl. 76DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.812 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.722555/2018-52 1 — De posse dos documentos acima citados, compareci no dia 20/07/2018 a DRF de Niterói, fui muito bem atendido pelo plantonista, senhor Antônio Lopes. Este ouviu minhas alegações e após conferir os documentos, efetuou uma ligação telefônica ao Rio pedindo informações, em seguida imprimiu um documento e me entregou. Determinou que eu impugnasse as notificações, anexando o tal documento. Neste mesmo dia com sua colaboração consegui ser atendido pela servidora Claudia Regina. Ao dar entrada na impugnação, perguntei a ela se era preciso escrever algo no formulário, ela respondeu que negativo, pois tinha todos os documentos exigidos. Retornei a DRF de Niterói no dia 21/08/2018 para acompanhar o andamento da impugnação, fui atendido pelo mesmo plantonista que me orientou no dia 20/07/2018. Ao visualizar o meu processo constatou-se que todos os documentos estavam ilegíveis, precipuamente o Ato Declaratório e que eu não havia escrito uma só palavra, pleiteando meu direito à impugnação. Prontamente ele me orientou a apresentar minhas alegações por escrito e comparecer a DRF de São Gonçalo, onde está todo o processo, e aditá-la. 2 — Por tudo já mencionado e documentos apresentados a Vossa Senhoria, que analisou e julgou improcedente a minha Antecipação de Análise e Intimação Fiscal, sob alegação da seguinte frase: "Contribuinte está na Reserva, não é Reformado". Simplesmente por desconhecer o seguinte documento interno: Perguntas e Respostas IRPF/2018. DOENÇA GRAVE — MILITAR INTEGRANTE DE RESERVA 223- Os proventos recebidos por militar integrante da reserva remunerada com doença grave são isentos? Tendo em vista o disposto no Ato Declaratório PGFN n° 1, de 12 de março de 2018, o benefício da isenção prevista no inciso XIV do Art. 6 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação promovida pela Lei n° 11.062, de dezembro de 2004, estende-se aos proventos recebidos por militares transferidos para a Reserva Remunerada (em anexo). Implica-se ressaltar que o referido Ato Declaratório é um documento interno e datado de 12 de março de 2018. Sabe-se que dei entrada com o pedido de isenção no dia 16 de março de 2018, e fora julgado em julho, quatro meses depois da entrada em vigor do tal Ato. Em observação a este fato em lide, indubitavelmente o meu direito seria reconhecido e o deferimento, certo. Sendo assim, evitaria o suposto imbróglio e eu não precisava ocupar o nosso tempo com essa impugnação. Isto posto, venho instar a Vossa Senhoria, caso haja urna "fila" de espera para tal procedimento, que não me submeta a "ela", pois eu já cumpri essa etapa do processo, quando do indeferimento. Aproveitando, ainda, esse ensejo, peço-lhes se possível é claro, e dentro da Lei, prioridade por ser portador de Moléstia Grave. Desde já agradeço vossa compreensão. III — CONCLUSÃO: Fl. 77DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.812 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.722555/2018-52 Antes de concluir, valendo-me desse espaço, comunico a Vossa Senhoria que a Declaração Ano-Calendário 2017, Exercício 2018, por não ter recebido meu Comprovante de Rendimentos "zerado" em tempo hábil, antes do final de abril, enviei com os meus rendimentos lançado no campo "Rendimentos Isentos e não Tributáveis", "caí na malha". Terei que passar por todo esse processo burocrático e demorado para provar que sou isento, e obter o ressarcimento do IR, mesmo a Receita tendo o conhecimento de todo o meu histórico? A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. (...)”. Em 14/11/2018, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando que sua doença é pré-existente desde Outubro de 2015, portanto o mês precisa ser contabilizado e ressarcido. Em 27/02/2019, protocolou um Aditamento ao recurso requerendo que o valor da restituição dado como procedente pela r. decisão, seja alterado e somado a ele o valor de R$ 1.071,38, incidente sobre o 13º Salário, o qual também é isento. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 07/11/2018 (e-fl. 46); Recurso Voluntário protocolado em 14/11/2018 (e-fl. 53), assinado pelo próprio contribuinte. A r. decisão revisanda, julgou procedente em parte a impugnação, assim se manifestando: (...) Em sendo assim, considerando que o contribuinte comprova sua condição de integrante da reserva remunerada; considerando que comprova sua condição de portador de moléstia grave; considerando que existe o Ato Declaratório PGFN Nº 1, de 12 de Março de 2018 permitindo a concessão da isenção; resta concluir que tem direito a isenção desde a data de 28/10/2015. Cabe acrescentar que o impugnante somente tem isenção dos rendimentos provenientes da reserva remunerada, no ano calendário de 2015, nos meses de novembro e dezembro, exatamente como demonstrado na Dirf abaixo, bem como o impugnante tem direito a restituição do IRPF pago na quantia de R$ 9.799,95: Fl. 78DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.812 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10730.722555/2018-52 Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio pedindo a isenção do imposto também para o mês de outubro de 2015. A questão posta em recurso é simples e merece provimento, pois a isenção da qual o contribuinte faz jus aplica-se desde o mês de competência da concessão de sua reforma, sendo que esta foi-lhe concedida e publicada no DOU em 28/05/2015, conforme documento de fl.05, de sorte que o rendimento recebido no mês de outubro de 2015 está albergado pela isenção do rendimento, assim como a parcela referente ao 13º salário. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito dá-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.725802/2015-09
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2012
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração lavrado por servidor competente, disponibilizado o direito de defesa e com a devida previsão legal para todos os valores lançados.
MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966, sendo cabível para a informação de desconsolidação de carga fora do prazo estabelecido nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB nº 800/07.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Numero da decisão: 3003-000.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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NULIDADE. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração lavrado por servidor competente, disponibilizado o direito de defesa e com a devida previsão legal para todos os valores lançados. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966, sendo cabível para a informação de desconsolidação de carga fora do prazo estabelecido nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB nº 800/07. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 58 02 /2 01 5- 09 Fl. 184DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.706 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.725802/2015-09 Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O presente processo trata de auto de infração por registro extemporâneo de conhecimento de carga. Argúi a fiscalização que a contribuinte autuada procedeu intempestivamente às informações da carga referente à atracação efetuada. Intimada, ingressou a contribuinte com a impugnação, alegando em síntese que: a) o auto de infração é nulo por infringir os artigos 9º e 10º do Decreto nº 70.235/1972, bem como o artigo 142 do CTN, cumulando-se fatos distintos no mesmo auto de infração; b) houve denúncia espontânea da infração; c) O registro foi realizado com a informação incorreta, gerando, posteriormente, a solicitação de retificação/alteração das informações no Siscomex Carga; d) Solicita que no âmbito do julgamento ela se manifeste sobre os documentos acostados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Deixa de se declarar a nulidade do auto de infração quando sua confecção encontra-se perfeita e dentro das exigências legais, mormente havendo na espécie obediência ao devido processo legal e inexistindo qualquer prejuízo ao sujeito passivo que tenha o condão de macular sua defesa. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É importante destacar que o registro dos dados de embarque após o prazo regularmente estabelecido não caracteriza a denúncia espontânea aludida pela defesa, mas sim, precisamente, uma das condutas infracionais cominadas pela multa regulamentar em relevo. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2013 AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. O agente de carga submete-se às regras da IN RFB nº 800/2007, pois é expressamente incluído entre as espécies de transportador ali definidas, devendo o significado do termo transportador ser compreendido levando em consideração o contexto em que ele foi empregado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega a nulidade do auto de infração, revogação do paragrafo único do artigo 50 da IN RFB nº 800/2007 pela IN RFB 899/2008, incidência de denúncia espontânea e exclusão de responsabilidade. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega nulidade do auto de infração e incidência de denúncia espontânea. É o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.706 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.725802/2015-09 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga. (Grifado) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 08/35), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 151205022051531, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico Master (MBL) CE 151205019102449, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: OCORRÊNCIA Nº 1. - DATA DE REFERÊNCIA 06/02/2012 O Agente de Carga EXPEDITORS INTERNATIONAL DO BRASIL LTDA, CNPJ Nº00711083000399, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151205019102449 a destempo em/a partir de 06/02/2012 11:35, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, com o registro extemporâneo do(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151205022051531. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) CMAU5498014, pelo Navio M/V XIN TIAN JIN, em sua viagem AA685W, com atracação registrada em 08/02/2012 00:55. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 12000028200, Manifesto Eletrônico 1512500230693, Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151205019102449 e Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151205022051531. Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Fl. 186DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.706 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.725802/2015-09 Destaque-se ainda que o Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151205019102449 foi incluído em 01/02/2012 10:47, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. RESPONSÁVEL PELA INFRAÇÃO NO CASO Examinada a documentação juntada aos autos, especialmente os extratos com o registro da conclusão da desconsolidação, verifica-se que figura como agente de carga transportador/representante do NVOCC embarcador, para o(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151205022051531, a empresa EXPEDITORS INTERNATIONAL DO BRASIL LTDA, CNPJ Nº 00711083000399. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: [...] III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como a prestação de informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu após o dia 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no art. 22, “d”, III, do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente no dia 06/02/2012, às 11:35h (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 151205022051531), portanto, após o prazo de quarenta e oito horas antes da atracação da embarcação no Porto de Santos/SP, ocorrida no dia 08/02/2012 às 00:55h. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsume-se perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passa-se a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Fl. 187DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.706 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.725802/2015-09 Conforme relatado, os pontos contestados no presente recurso cingem-se aos seguintes: nulidade do auto de infração e incidência de denúncia espontânea. Em relação à preliminar de nulidade vejamos o que prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72: Art. 59 São nulos: I- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II_- os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; O Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente, no caso o auditor fiscal do porto alfandegado de escala da embarcação que transportou a carga, sendo que a descrição dos fatos, a capitulação legal e as provas juntadas ao processo, conforme já abordado acima, permitem a correta compreensão da acusação que é imposta ao sujeito passivo, não se verificando qualquer preterição ao direito de defesa da recorrente. A atividade administrativa é vinculada e obrigatória nos termos do art. 142 do CTN e havia previsão legal para todos os valores lançados razão pela qual não vislumbro qualquer nulidade no auto de infração. Quanto às alegações sobre a incidência de denúncia espontânea, tal matéria se encontra pacificada no âmbito do CARF através da Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros em seus julgamentos, conforme art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013481/2006-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2002
Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a
apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
Recurso provido
Numero da decisão: 2201-000.968
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Francisco Assis de Oliveira Júnior que negavam provimento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Francisco Assis de Oliveira Júnior que negavam provimento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator EDITADO EM: 14/02/2011 Fl. 75DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório ARNOLDO KLAS NETO E OUTROS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 49) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 18/26, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR referente ao exercício de 2002, no valor de R$ 19.408,41, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 47.727,21. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2002 da qual foi glosado o valor declarado como área de utilização limitada (547,5ha). Os fundamentos da autuação estão assim descritos no auto de infração: O contribuinte perdeu a condição de isenção da área declarada na linha 03 – área de utilização limitada de 547,5 ha por não ter comprovado que requereu o beneficio de isenção do valor do imposto desta área, com base no ADA, dentro do prazo legal, conforme determina os incisos II e III do Artigo 17 da IN SRF n°60 de 41, 06/06/2001; Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do Ibama ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: [...] As demais informações declaradas foram mantidas tendo em vista a incidência em malha, o pedido da intimação, e a análise da documentação apresentada ter sido direcionada para a comprovação somente da área declarada na linha 02 área de preservação permanente e linha 03 área de utilização limitada. Diante do exposto foi procedida a revisão de oficio da declaração N°09.6445362, em 24/10/2006, onde foi efetuada a glosa total da área declarada de Utilização Limitada de 547,5 ha e apurados os novos valores para a área tributável/aproveitável, grau de,'utilização, VTN tributável, alíquota e imposto. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 29/34 na qual alegou, em síntese, que a isenção relativa às áreas de preservação permanente dáse pelo simples efeito da Lei (Código Florestal), não estando sujeita a nenhuma formalidade adicional e que a legislação que rege a matéria determina que estas áreas não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do contribuinte. Afirma que cumpriu todos os compromissos firmados com os órgãos ambientais e que consta averbação da área de reserva legal. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10980.013481/200684 Acórdão n.º 220100.968 S2C2T1 Fl. 2 3 A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que a apresentação tempestiva do Ato Declaratório ambiental é condição legal indispensável para o gozo do exercício do direito á isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 19/08/2008 (fls. 57) e, em 18/09/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 58/66, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações quanto à desnecessidade do ADA como condição para o exercício do direito á isenção do imposto sobre a área de reserva legal. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se vê, a matéria em discussão diz respeito apenas à necessidade do ADA como condição para a exclusão da área de reserva legal para fins de apuração do ITR. A autuação que deu origem ao presente processo decorreu da glosa do valor declarado como área de reserva legal e o único fundamento para a glosa foi a falta de apresentação do ADA. Pois bem, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas ambientais, como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat Fl. 77DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe ou não a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria, a ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância relativa ao fato expresso pelo verbo “beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) [...] E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe Fl. 78DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10980.013481/200684 Acórdão n.º 220100.968 S2C2T1 Fl. 3 5 ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR, define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por Fl. 79DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. E a resposta é negativa. Em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. No caso concreto, foi declarada uma área de reserva legal de 547,5ha, e consta às fls. 08v dos autos a averbação de uma “área de reserva florestal natural” de 547,5ha (Av. 4/47.389, protocolada sob o nº 125.950, de 10/03/98. Portanto, a área de reserva legal já Fl. 80DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10980.013481/200684 Acórdão n.º 220100.968 S2C2T1 Fl. 4 7 estava devidamente averbada quando da ocorrência do fato gerador do ITR e muito tempo antes da autuação. Quanto à preservação efetiva da área, a matéria não foi questionada na autuação e, portanto, não cabe discussão sobre esta questão. Nestas condições não vejo razão para se negar o direito à isenção relativamente á área de reserva legal. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 81DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 11610.005498/2006-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF)
Ano-calendário: 2004, 2005
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial.
Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o não reconhecimento da isenção no caso concreto.
Numero da decisão: 2402-007.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que deram provimento parcial ao recurso, reconhecendo a isenção a partir do mês de início da doença grave.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Paulo Sérgio da Silva, Ana Cláudia Borges de Oliveira, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) Ano-calendário: 2004, 2005 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o não reconhecimento da isenção no caso concreto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que deram provimento parcial ao recurso, reconhecendo a isenção a partir do mês de início da doença grave. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Paulo Sérgio da Silva, Ana Cláudia Borges de Oliveira, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-10T23:52:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-10T23:52:13Z; Last-Modified: 2019-12-10T23:52:13Z; dcterms:modified: 2019-12-10T23:52:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-10T23:52:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-10T23:52:13Z; meta:save-date: 2019-12-10T23:52:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-10T23:52:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-10T23:52:13Z; created: 2019-12-10T23:52:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-12-10T23:52:13Z; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-10T23:52:13Z | Conteúdo => S2-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11610.005498/2006-39 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-007.833 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de novembro de 2019 Recorrente MAURICE CARLOS DE OLIVEIRA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004, 2005 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe- se o não reconhecimento da isenção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que deram provimento parcial ao recurso, reconhecendo a isenção a partir do mês de início da doença grave. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Paulo Sérgio da Silva, Ana Cláudia Borges de Oliveira, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 17-49.769 da 7ª Turma da DRJ/SP2 (fl. 47) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da decisão recorrida, tem-se que: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 54 98 /2 00 6- 39 Fl. 72DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.833 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005498/2006-39 Fl. 73DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.833 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005498/2006-39 A DRJ, por meio do susodito Acórdão º 17-49.769 (fl. 47), julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, nos termos da ementa abaixo reproduzida: Cientificado, com vistas a afastar os fundamentos da decisão da DRJ, o Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 57, reiterando os argumentos e esclarecimentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, bem como juntando aos autos o laudo pericial de fl. 67. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, trata-se o presente caso de pedido de restituição de imposto de renda retido sobre o décimo terceiro salário dos anos-calendário de 2004 e 2005, em razão de o Contribuinte ser portador de moléstia grave. A DRJ, sobre a matéria, concluiu que: Fl. 74DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.833 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005498/2006-39 Pois bem!! Da Moléstia Grave Quanto à alegação de que o Interessado faria jus a isenção do imposto de renda em razão de ser portador de moléstia grave, faz-se mister salientar que a isenção por moléstia grave encontra-se regulamentada pela Lei nº 7.713, de 1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: Art.6 (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; A partir do ano-calendário de 1996, deve-se aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei nº 9.250, de 26/12/1995. Vejamos, in verbis, o teor do artigo 30 da referida lei: Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 75DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.833 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005498/2006-39 A Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII - proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia (...) 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir: I - do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II - do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III - da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. De acordo com o texto legal, depreende-se que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta-se à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. No caso em análise, a DRJ destacou que o interessado comprovou (...) que os rendimentos percebidos da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil nos anos-calendário de 2004 e 2005 têm a natureza de proventos de aposentadoria. Entretanto, não logrou comprovar a outra condição, qual seja a de que o interessado era portador de moléstia grave (cardiopatia grave) (...) nos anos-calendário de 2004 e 2005. Destacou ainda, o órgão julgador de primeira instância, que o relatório clínico datado de 26/04/2006, de emissão da Seção Médica de Pós Operatório-Coronária, do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, da Coordenadoria de Serviços de Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde, não denominou a doença segundo a terminologia utilizada pelo legislador (cardiopatia grave), nem informou a data de início / diagnóstico da doença considerada grave. O contribuinte, com vistas a afastar a fundamentação adotada pela fiscalização e corroborada pela DRJ, apresentou, em sede de recurso voluntário, Laudo Pericial (fl. 67) do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual da Secretaria de Estado da Saúde, emitido em 15/05/2005 (ou seja, mais de um ano antes do protocolo do pedido de restituição que deu origem ao presente PAF, o que ocorreu em 13/07/2006) e assinado por médico perito, atestando, dentre outras informações: Fl. 76DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.833 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005498/2006-39 * o Histórico da Doença: * a Data do Início da Doença: * Conclusão para fins administrativos junto a Secretaria da Receita Federal: Neste contexto, sendo o Recorrente portador de moléstia grave prevista na legislação de regência da matéria e sendo os rendimentos por si percebidos proventos de aposentadoria, impõe-se o reconhecimento do seu direito à isenção do IR no caso concreto. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, deferindo o pedido de restituição do imposto de renda retido sobre o décimo terceiro salário, referente aos anos-calendário de 2004 e 2005. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.723629/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2006
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação
das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional
qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT.
Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT.
ÁREA DE RESERVA LEGAL/SERVIDÃO FLORESTAL AVERBAÇÃO
NO REGISTRO DE IMÓVEIS A área de reserva legal e a área de servidão florestal somente serão consideradas como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
Preliminar rejeitada
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.492
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. ÁREA DE RESERVA LEGAL/SERVIDÃO FLORESTAL AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS A área de reserva legal e a área de servidão florestal somente serão consideradas como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. Preliminar rejeitada Recurso negado.
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VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. ÁREA DE RESERVA LEGAL/SERVIDÃO FLORESTAL AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS A área de reserva legal e a área de servidão florestal somente serão consideradas como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. Preliminar rejeitada Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10/02/2012 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório JOSÉ DIAS (espólio) interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ BRASÍLIA/DF (fls. 78) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da Notificação de Lançamento de fls. 01/05, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR referente ao exercício de 2006, no valor de R$ 26.570,76, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 58.054,45. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2006 da qual foi glosada a área de reserva legal declarada (135,0ha) e foi alterado o valor da terra nua, de R$ 180.000,00 para R$ 5.883.300,00. Reproduzo a seguir a descrição dos fatos da Notificação de Lançamento: Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. De acordo com o artigo 111 da Lei 5172/66(CTN) interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. [...] Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme Fl. 142DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10660.723629/201091 Acórdão n.º 220101.492 S2C2T1 Fl. 2 3 estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. [...] Complemento da Descrição dos Fatos: 0 contribuinte apresentou DITR para o imóvel NIRF 0.656.884 0, com área de 1.961,1 ha, localizado em PASSA QUATRO/MG, tendo declarado áreas de Preservação Permanente (1.405,1 ha) e Reserva Legal (135,0 ha). Também que o valor da terra nua era de R$180.000,00 (R$ 91,79/ha), em 01/01/2006. Foi intimado a comprovar as informações acima e o cumprimento das obrigações acessórias para a exclusão das mesmas da incidência do ITR, conforme Termo de Intimação Fiscal 06106/00002/2010. Para a comprovação da área de RESERVA LEGAL, foi solicitada a matricula atualizada do registro imobiliário, com a averbação dessa área até a data de ocorrência do fato gerador (01/01/06), requisito para fins de sua informação no ADA, conforme IN 256/02, art. 11, § 10 e art. 10 da Lei 9.363/96. Esse prazo consta no § 1°, do art. 12, do Dec. 4.382/02 (RITR). Foi solicitado ainda documento comprovando a localização dessa área, nos termos do § 4 0 , art. 16, do Código Florestal, introduzido pela MP 2.16667, de 24/08/01. Em relação ao VALOR DA TERRA NUA, foi intimado a demonstrar o valor atribuído na DITR, através de laudo de avaliação do imóvel (NBR 14.653 da ABNT), com grau de fundamentação e precisão II, com ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, planilhas de cálculo, e preferencialmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente, poderia se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram A convicção do valor atribuído ao VTN em 01/01/2006, a prego de mercado. Considerando que o sujeito passivo não apresentou documento comprovando a localização da área de Reserva Legal (§ 4°, art. 16, do Código Florestal), glosamos integralmente a área não comprovada. Também arbitramos o VTN com o prego SIPT pelo fato de o Laudo de avaliação apresentado não atender aos requisitos da ABNT NBR 146533, no que tange A pesquisa de valores, métodos e critérios utilizados, homogeneização dos elementos pesquisados, diagnóstico de mercado, escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação, tratamento dos Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 4 dados de mercado, anexos com plantas, documentação fotográfica e pesquisa de valores, não se comprovando, expressamente, os elementos e métodos que levaram A adoção dos valores nele informados e não atingindo o nível de precisão e fundamentação II, como exigido. A Lei 9.393/96, no art. 14, estabelece que no caso de subavaliação do valor do imóvel, a Receita Federal procederá A determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre pregos de terras, constantes do sistema SIPT (Port. 447/02), e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimento de oficio. Dentro dessa determinação legal, como o valor da terra nua da DITR (R$ 91,79/ha) está subavaliado, em vista do constante do SIPT (R$ 3.000,00/ha), considerouse esse último, referente ao município de PASSA QUATRO/MG, com base no menor valor da terra nua, por hectare, ou seja, o VTN/ha, com aptidão agrícola de menor valor comercial. Arbitrandose o valor o valor da terra nua VTN, exercício 2006, em R$ 3.000,00/ha, o valor do imóvel foi aumentado para o total de R$ 5.883.300,00, conforme demonstrado abaixo: Área Total do Imóvel: 1.961,1 ha VTN/ha = R$ 3.000,00 VTN do imóvel = VTN/ha x Àrea do Imóvel = R$ 3.000,00 x 1.961,1 ha = R$ 5.883.300,00 O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que apresentou ADA com a informação da área ambiental e que a mesma está registrada no cartório, correspondente a 20% da área do imóvel. O Contribuinte faz referência a mudanças que ocorreram na área do imóvel; cita o Decreto nº 7.029, de 10 de dezembro de 2009, que prorrogou para 11 de junho de 2011, o prazo para averbação da reserva legal. Observa que o dever de averbar a reserva legal, portanto, não foi criado pelo Decreto n° 6.514 /2008, o que violaria o principia da legalidade (reserva legal), mas pelo próprio Código Florestal Lei n° 4.771 /1965, pelo que, em principio, é juridicamente válido. Sua vigência, contudo, iniciase apenas cento e oitenta dias após a publicação do Decreto n° 6.514/2008, conforme o seu art. 152; e, portanto, não há que se falar em imposto, multa, tampouco em juros moratórios, pois o impugnante encontrase amplamente amparada pelos decretos e legislações acima descritos. Com relação ao Valor da Terra Nua VTN, o Impugnante diz apresentar laudo de avaliação do imóvel com os requisitos da NBR 14.635 da ABNT, acompanhada da ART registrada no CREA e contendo todos os elementos de pesquisa identificados; contesta a alegada subavaliação do imóvel e diz que especificou de maneira inequívoca o cálculo do VTN e classifica como exorbitante o valor de R$ 3.000,00 por hectare, para o exercício de 2006, apurado pela Fiscalização. Diz que o valor de R$ 1.937.927,18 é o valor venal que a Prefeitura oferece, o qual já foi apresentado anteriormente pelo impugnante, inclusive em uma declaração de uma Imobiliária. Argumenta que o imóvel tem difícil acesso, e uma grande área de preservação permanente, o que impede a sua exploração. A DRJBRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10660.723629/201091 Acórdão n.º 220101.492 S2C2T1 Fl. 3 5 Sobre a glosa da área de reserva legal, a DRJ ressaltou que o direito à isenção estava condicionado à averbação tempestiva da área e à apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA e que, no caso, não foram atendimentos esses requisitos. Sobre o VTN a DRJ corroborou o entendimento da autoridade lançadora quanto à validade do laudo apresentado pelo Contribuinte. Concluiu que o referido laudo não atende às normas da ABNT. Sobre este ponto reproduzo o seguinte trecho do voto condutor do acórdão: No que concerne aos requisitos da NBR 146533, o item 9.2.3.3 desta Norma estabelece que são obrigatórios, em qualquer grau, "explicitação do critério adotado e dos dados colhidos no mercado". 0 item 10.1.1 estabelece que "Na avaliado das terras nuas, deve ser empregado, preferivelmente, o método comparativo direto de dados de mercado", que não foi adotado pelo Laudo. Este método prevê o tratamento estatístico das amostras coletadas, previsto no item 8.1 da Norma, adotandose, dependendo do caso, a análise de regressão ou a homogeneização dos dados, normatizados nos anexos A e B da NBR 146533, respectivamente. Verificandose o Laudo, constatase que não há atendimento de nenhuma destas exigências apresentadas. Quanto ao nível de precisão, a sua avaliação é sucinta, podendo ser classificado como um "Parecer Técnico", quando o exigido foi que o mesmo atingisse fundamentação e Grau de precisão II. Notase que o mesmo não atende aos requisitos estabelecidos, no que tange A. pesquisa de valores, métodos e critérios utilizados, homogeneização dos elementos pesquisados, diagnóstico de mercado, escolha e justificativa dos métodos e critérios de avaliação, tratamento dos dados de mercado, anexos com plantas, documentação fotográfica e pesquisa de valores, não se comprovando, expressamente, os elementos e métodos que levaram à adoção dos valores nele informados. 0 autor do trabalho limitase, As fls. 26, a informar que procurou avaliar o imóvel levandose em conta o seu pequeno potencial econômico, sem demonstrar, com a clareza necessária, o procedimento adotado para a formação do preço obtido e muito menos a apresentação da listagem das amostras colhidas e do tratamento estatístico dos dados de mercado pesquisados. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 18/05/2011 (AR acostado aos autos) e, em 16/06/2011, interpôs recurso voluntário no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 6 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, são duas matérias em discussão: a necessidade da averbação da área de reserva legal como condição para o exercício do direito de excluir essa área para fins de apuração da área tributável do imóvel e a regularidade do arbitramento do VTN, por um lado, e a comprovação do VTN declarado mediante apresentação de laudo técnico, por outro lado. Pois bem, antes de adentrar nessas questões, convém afastar desde logo a alegada nulidade do lançamento. Insurgese o Recorrente neste ponto contra os procedimentos fiscal que diz não estarem de acordo com as orientações normativas. A alegação, contudo, não procede. A autoridade fiscal tem o poder/dever que revisar as declarações de ITR apresentadas pelos Contribuintes e de verificar a regularidade dos dados declarados, e, constatadas irregularidades, proceder ao lançamento de ofício, se for o caso. Sobre a efetividade ou não dos dados apurados pela Fiscalização, a matéria deve ser discutida na fase do contencioso administrativo, por provocação do Contribuinte, mediante apresentação de impugnação. E, neste caso, o Contribuinte impugnou o lançamento e o procedimento fiscal está sendo examinado. Se, eventualmente, se entender que houve erro nesse procedimento; que os valores apurados não estão corretos, ou qualquer outra questão que implique em revisão do lançamento, cabe aos órgãos julgadores proceder a estes ajuste. E é isto que está sendo feito neste momento. Portanto, não se verifica nenhuma irregularidade no procedimento fiscal e na autuação dele decorrente que possa ensejar sua nulidade, tendo sido garantido ao autuado amplo direito de defesa. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, relativamente à área de reserva legal, o próprio Impugnante reconhece que a área não está averbada. Sobre a necessidade da averbação, o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, assim dispõe, in verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 10660.723629/201091 Acórdão n.º 220101.492 S2C2T1 Fl. 4 7 Portanto, diferentemente do que prega a insurgente, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nessa esteira, apenas depois de cumprida a obrigação legal prévia, qual seja, a averbação da área no cartório de registro de imóveis é que o proprietário constitui, perante as autoridades ambientais competentes e, via de conseqüência, para o órgão tributário, a parte da área passível de preservação (parágrafo 8o, art. 16, da Lei 4.771/1965). Logo, a averbação é ato de constituição da área de reserva legal, obrigando o proprietário ou quem adquirir o imóvel o ônus de manter e preservar, tornandose, desta feita, responsável pela reposição ambiental, mesmo que não tenha contribuído para destruíla. E é interessante notar, ainda, que o próprio Laudo Técnico apresentado com a defesa não aponta a existência de uma área de reserva legal, sendo lícito concluir, portanto, que sequer existe no imóvel, efetivamente, uma área preservada para ser uma reserva legal. Correto, portanto, o lançamento quanto a este aspecto. Sobre o VTN, cumpre deixar salientado, desde logo, que é lícito ao Fisco, quando entender que houve subavaliação do imóvel, proceder ao arbitramento do VTN, valendose para tanto dos dados do SIPT, que é um índice técnico baseado nos valores médios das terras da região, classificadas segundo suas aptidões, garantindose sempre aos contribuintes o direito de impugnar o arbitramento apresentando, para tanto, laudo técnico que demonstre que o valor específico do imóvel discrepa dos da média da região, justificando tal discrepância. No presente caso, o Contribuinte apresentou o documento de fls. 25/26 intitulado Laudo de Avaliação de Imóvel Rural. Examinando este documento, contudo, facilmente se constatam que o mesmo não satisfaz requisitos mínimos de validade de um laudo que pretenda comprovar o valor de um imóvel, sendo meramente opinativo. Especificamente sobre o valor do imóvel, o avaliador se limita a dizer que após vistoria no imóvel concluiu pelo preço de R$ 1.937.927,18 sem demonstrar as bases para esta conclusão, sem apresentar pesquisa de mercado ou qualquer outro dado técnico que dê suporte a esta conclusão. Nessas condições, o referido documento é imprestável como meio de prova. Também quanto a este ponto, portanto, o lançamento não mercê reparos. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 147DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI 8 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720154/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2003
ITR. DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha
apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
Numero da decisão: 2201-001.447
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2003, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fl. 01), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário no valor total de R$ 7.016,46, calculado até 30/11/2007, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Frigoprata” com 3.954,7 ha, localizado no município de Riachão das Neves BA. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 45.000,00 (R$ 11,37/ha) para R$ 1.032.888,55 (R$ 261,18/ha), com base no SIPT Sistema de Preços de Terra (fl. 04). Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: de inicio, considera aceitável arbitrar o VTN da DITR/2003 com base no SIPT, cabendo provar o VTN declarado por meio de laudo técnico, mas discorda do procedimento fiscal, pois o imóvel foi adquirido somente em 21/12/2004 e não poderia o ITR/2003 estar em seu nome, tendo havido erro de fato também quanto ao uso do solo, VTN e cálculo do imposto; o imóvel se localiza em regido de baixos índices pluviométricos que o desvalorizam, com uma área de reserva legal em cerrado de 2.879,3 ha, assegurada pela MP 2.16667, apesar de não ter sido informada em ADA e estar sem averbação em cartório; transcreve acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, em apoio as suas teses; apresenta quadro demonstrativo (fls. 33), com as retificações pretendidas nos dados declarados e apurados para o ITR/2003, de acordo com parecer técnico. Ao final, o contribuinte requer, com o conseqüente ajuste do VTN, seja recalculado o ITR/2003 suplementar apurado, com a subtração do valor já pago. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. Para ser excluída do ITR, exigese que a pretendida área de utilização limitada esteja averbada tempestivamente à margem da matricula do imóvel, além de ter sido objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil no IBAMA. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Caracterizada a subavaliação do valor da terra nua informado na DITR/2003, deverá ser mantido o VTN arbitrado com base no SIPT pela autoridade fiscal, considerandose que o laudo de avaliação apresentado, além de não ter sido elaborado em consonância com as normas da ABNT (NBR 14.6533), apresenta um VTN maior do que o arbitrado. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.720154/200761 Acórdão n.º 220101.447 S2C2T1 Fl. 2 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 25/11/2009 (fl. 132), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 08/12/2009 (fls. 133/146), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal alterou o VTN declarado pela recorrente de R$ 45.000,00 (R$ 11,37/ha) para R$ 1.032.888,55 (R$ 261,18/ha), com base no SIPT Sistema de Preços de Terra do município de Riachão das Neves/BA, conforme demonstrativo de fl. 04. De acordo com a “Descrição dos Fatos”, fl. 02, “Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado (...) Na DITR do exercício fiscalizado, o contribuinte declarou que o valor da terra nua (VTN) do imóvel rural fiscalizado era de R$ 45.000,00 em 1 ° de janeiro de 2003 (...) Ressalto que nas DITRs dos exercícios 2005, 2006 e 2007 o valor da terra nua declarada deste imóvel foi R$ 3.674.700,00, o que corrobora o entendimento de subavaliação no exercício fiscalizado”. Por outro lado, em sua peça recursal alega a suplicante que o Parecer Técnico elaborado pelo engenheiro agrônomo identificou na propriedade 2.879,3 ha como sendo relativo à área de utilização limitada, além do montante de 25 ha, referente à área ocupada com benfeitoria. E, em relação ao Valor da Terra Nua, o Parecer Técnico concluiu que para o ano de 2003 o VTN corresponde a R$ 1.289.942,60 (R$ 326,18/ha). Pois bem, quanto ao montante de 2.879,3 ha identificado pelo Parecer Técnico como sendo relativo à área de utilização limitada/reserva legal, entendo, pois, que o parágrafo 8° do art. 16 da Lei n° 4.771/65 (com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001) determina expressamente a averbação da área no cartório de registro de imóvel. Portanto, ante a ausência da averbação não é possível exclusão da referida área. Da mesma forma, não é possível considerar o montante de 25 ha como sendo relativo à área ocupada com benfeitoria, tendo em vista a falta de discriminação das benfeitorias presente na propriedade. Em relação Valor da Terra Nua a autoridade fiscal alterou VTN informado na DITR/2003 de R$ 45.000,00 (R$ 11,38/ha), arbitrandoo em R$ 1.032.888,55 (R$ 261,18/ha). Todavia, como o valor 1.289.942,60 (R$ 326,18/ha), apurado no Parecer Técnico à fl. 66 é Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 superior o valor arbitrado pela fiscalização, mantémse, pois, o valor arbitrado pela autoridade lançadora, posto que é vedado à instância revisora agravar a situação da recorrente, sob pena de ofensa ao princípio da proibição da reformatio in pejus. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por MARILDE CURSINO DE OLIVEIRA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10825.904635/2011-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. MORA DA ADMINISTRAÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. SÚMULA CARF nº 154.
A teor do RESP 1.035.847 combinado com o enunciado da Súmula CARF nº 154, é legítima a incidência de correção pela taxa Selic a partir do 361º (trecentésimo sexagésimo primeiro) dia, contado da data do protocolo do pedido de ressarcimento em virtude de mora da Administração. Isto porque a melhor interpretação do referido julgado é de que a simples mora representa oposição ilegítima do Fisco ao pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3402-007.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à correção do ressarcimento de IPI pela taxa Selic a partir do 361º (trecentésimo sexagésimo primeiro) dia, contado da data de protocolo do pedido de ressarcimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Márcio Robson Costa (Suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente).
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à correção do ressarcimento de IPI pela taxa Selic a partir do 361º (trecentésimo sexagésimo primeiro) dia, contado da data de protocolo do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Márcio Robson Costa (Suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente).
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RESSARCIMENTO. MORA DA ADMINISTRAÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. SÚMULA CARF nº 154. A teor do RESP 1.035.847 combinado com o enunciado da Súmula CARF nº 154, é legítima a incidência de correção pela taxa Selic a partir do 361º (trecentésimo sexagésimo primeiro) dia, contado da data do protocolo do pedido de ressarcimento em virtude de mora da Administração. Isto porque a melhor interpretação do referido julgado é de que a simples mora representa oposição ilegítima do Fisco ao pedido de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à correção do ressarcimento de IPI pela taxa Selic a partir do 361º (trecentésimo sexagésimo primeiro) dia, contado da data de protocolo do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Márcio Robson Costa (Suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de saldo credor de escrita de IPI, relativo ao 1º Trimestre 2009, transmitido em 27/11/2009, cumulado com declaração de compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 46 35 /2 01 1- 07 Fl. 79DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-007.142 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.904635/2011-07 Conforme despacho decisório, o crédito foi reconhecido integralmente, mas o valor foi insuficiente para amortizar a compensação pretendida pelo contribuinte. O contribuinte foi notificado da homologação parcial das compensações em 14/09/2012 (fl. 57). Irresignado, o contribuinte apresentou em tempo hábil manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito à correção do ressarcimento pela taxa Selic por uma questão de isonomia e por aplicação do art. 39 da Lei nº 9.250/95. Por meio do Acórdão nº 42.373, de 29 de maio de 2013, a 2ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto julgou a manifestação de inconformidade improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI Regularmente notificado em 08/07/2013 (fl. 68), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 01/08/2013 (fl. 70), no qual reprisou as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A questão da incidência da taxa Selic sobre pedidos de ressarcimento de créditos de IPI está pacificada tanto na esfera administrativa quanto na judicial. Existem dois Acórdãos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferidos na sistemática dos recursos repetitivos sobre esse assunto: RESP 1.035.847 (2009) e REsp 993.164 (2010). No RESP 993.164 foi julgada a ilegalidade da IN SRF nº 23/97 na parte em que não permitia o crédito presumido sobre aquisições desoneradas das contribuições ao PIS e Cofins. Restou decidido que a Instrução Normativa era um ato estatal de oposição injustificada ao direito de crédito, e que por tal motivo o crédito de IPI perdia sua natureza de crédito escritural, passando a ser passível de correção. Já no RESP 1.035.847, o STJ tratou de um caso de simples mora da Administração na análise do pedido de ressarcimento. Neste último caso, o ressarcimento requerido administrativamente havia sido deferido, mas muitos anos depois de o pedido ter sido formulado, de modo que foi preciso que o contribuinte recorresse à via judicial para obter a correção monetária dos valores. A leitura do inteiro teor desse Acórdão proferido no REsp 1.035.847 afasta o equivocado entendimento no sentido de que a taxa Selic só seria aplicável no caso de oposição estatal à utilização do crédito. Isso porque é inequívoco que o RESP 1.035.847 decidiu sobre um caso de simples mora da Administração, muito embora cite em sua ementa e na sua fundamentação o ato estatal de oposição à utilização do crédito. O seguinte trecho do relatório do RESP 1.035.847 demonstra que aquele processo versou sobre um caso de simples mora da Administração Tributária, in verbis: Fl. 80DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-007.142 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10825.904635/2011-07 “Noticiam os autos que MINUANO PNEUS E ADUBOS LTDA., em 29.06.2005, ajuizou ação ordinária em face da FAZENDA NACIONAL, pleiteando a restituição dos valores correspondentes à correção monetária desde a data de apuração do saldo credor de IPI até a data da efetiva compensação. Informou que requerera a restituição dos créditos do IPI do período de agosto de 2000 e outubro de 2001, mas somente no ano 2005 foi comunicada do deferimento do pedido. Destacou que apesar de terem sido reconhecidos os créditos, a autoridade fiscal apurou débitos do PIS e COFINS e por esse motivo, iria proceder à compensação dos valores. Argumentou que os débitos das contribuições seriam atualizadas monetariamente, enquanto os créditos do IPI seriam utilizados no seu valor nominal, causando violação ao princípio da isonomia.” Desse modo, embora na ementa do julgado só tenha sido mencionada a circunstância de existência de oposição estatal injustificada, o entendimento do RESP nº 1.035.847, quanto à correção do ressarcimento de créditos de IPI pela taxa Selic, aplica-se aos casos em que ocorra a simples demora da Administração em deferir o pedido do contribuinte. Vale dizer, a melhor interpretação do RESP 1.035.847 é que a simples mora da administração equivale a oposição estatal (ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não-cumulatividade), segundo o entendimento do STJ. Assim, o presente caso concreto é semelhante ao sopesado no RESP 1.035.847 porque o ressarcimento foi solicitado em novembro de 2009 e o despacho decisório só foi proferido em setembro de 2012. Sob esse aspecto, esta relatora entende que aplica-se diretamente o teor da Súmula CARF nº 154 a este caso concreto, na parte em que fixou a contagem do prazo da mora da Administração a partir do 361º (trecentésimo sexagésimo primeiro dia), contado da apresentação do pedido de ressarcimento. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à correção do ressarcimento de IPI pela taxa Selic a partir do 361º (trecentésimo sexagésimo primeiro) dia, contado da data de protocolo do pedido de ressarcimento. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
