Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10920.723606/2015-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.983
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10920.723601/2015-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201904
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10920.723606/2015-83
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6026128
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.983
nome_arquivo_s : Decisao_10920723606201583.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10920723606201583_6026128.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10920.723601/2015-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7808497
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120134975488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.723606/201583 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.983 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de abril de 2019 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente URBANO AGROINDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10920.723601/201551, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente reconhecido. A análise do crédito se deu a partir da análise da documentação e das informações apresentadas pelo Contribuinte para comprovação do direito aos créditos pleiteados em confronto com os dados nas bases da RFB, SPED Fiscal e SPED Contribuições. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 23 60 6/ 20 15 -8 3 Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10920.723606/201583 Resolução nº 3201001.983 S3C2T1 Fl. 3 2 A fiscalização realizou diversas glosas, por entender que derivavam de valores que não se geravam direito ao crédito pleiteado, consoante despacho decisório acostado aos autos. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade que restou julgada improcedente pelo colegiado a quo. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: II – Dos Fatos A Recorrente informa que a fiscalização glosou os créditos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) energia elétrica/Térmica; (iv) despesas com alugueis, máquinas e equipamentos; (v) armazenagem e frete na operação de venda; (vi) importação – serviços utilizados como insumos e (vii) crédito presumido da agroindústria, todos oriundos do seu Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação. III – Preliminar a) Da indispensável conversão do julgamento em diligência A Recorrente alega ausência de motivação do ato fiscal para as glosas dos créditos cujo ressarcimento foi requerido por meio de PER/DCOMP. Sustenta que os itens de créditos glosados são considerados insumos, e assim são classificados em vista do entendimento adotado ao termo e já pacificado no âmbito desse Tribunal Administrativo. Ademais alega que a glosa foi realizada sem a devida motivação. Como reforço ao argumento, cita doutrina, jurisprudência e faz menção ao princípio da verdade material. Ao final desse ponto, a Recorrente conclui quanto a necessidade de conversão do julgamento em diligência, a fim de confirmar a relação dos itens glosados com o processo produtivo da Recorrente. IV – Do Direito a) Do crédito de PIS/COFINS – Princípio da nãocumulatividade – Conceito de Insumos A Recorrente afirma que o conceito de insumos utilizado pela fiscalização está superado. Assim, o entendimento das Instruções Normativas nº 247/2002 (PIS) e nº 404/2004 (COFINS) não mais subsiste. Nessa linha, afirma que as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 admitem a não cumulatividade das parcelas de PIS/COFINS, como forma primordial de promover a redução da carga tributária buscando a desoneração pelo pagamento destas contribuições. Reforça o argumento com jurisprudência da CSRF deste CARF. Sustenta que na lógica atual devese analisar o conceito de insumo sob a ótica da essencialidade/necessidade. Cita trecho do REsp nº 1.221.170, proferido em 23/09/2015. Colaciona doutrina. b) Das glosas efetuadas pela fiscalização Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10920.723606/201583 Resolução nº 3201001.983 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente relaciona as glosas efetuadas pela fiscalização, a saber: (i) Bens utilizados como insumos: entradas de bens não enquadrados como insumos, dentre eles: aquisição de pneus; produtos para tratamento de efluentes; materiais de embalagem; despesas com serviços de frete entre filiais, despesas com serviços tomados de pessoa física, aquisições de combustíveis; (ii) Serviços utilizados como insumos – entradas se serviços não enquadrados como insumos; (iii) Crédito extemporâneo; (iv) Crédito Presumido Agroindústria. Em seguida aborda cada uma das glosas. b.1) Dos bens utilizados como insumos A Recorrente elenca bens que teriam sido glosados, dentre os quais: b.1.1) pneus; b.1.2) produtos para tratamento de efluentes; b.1.3) lonas, pallets; b.1.4) frete entre filiais; b.1.5) fretes na aquisição de produtos de pessoa física; e b.1.6) óleo diesel (combustível). Em sua defesa, para reverter as glosas cita extensa jurisprudência do CARF. c) Do Crédito Extemporâneo A Recorrente contesta a glosa dos créditos extemporâneos. Nesse ponto alega que a apuração dos créditos da contribuição em voga toma por base as despesas ocorridas no mês de apuração, conforme indicam os incisos I a IV do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Faz referência a orientação prevista no § 4º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Cita o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010. Alega que fez a utilização dos créditos tidos por extemporâneos dentro do prazo estabelecido no art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Faz referência ao Acórdão nº 3403002.420. Defende que não haveria necessidade de prévia retificação do DACON por parte do contribuinte. d) Serviços Utilizados como Insumos A Recorrente deseja afastar a alegação fazendária quanto a preclusão atinente a supostas glosas não contestadas. Discorre sobre os créditos relativos a: d.1) manutenção predial/veicular Quanto ao item manutenção, temse que correspondem a reparos necessários em veículos utilizados nos transportes de produção e transportes comerciais, conforme já devidamente esclarecido e descrito no item “pneus” anteriormente exposto. No mesmo sentido, a Manifestante também se utiliza de manutenções preventivas na estrutura da empresa, para conservação desta estrutura predial específica da produção. Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10920.723606/201583 Resolução nº 3201001.983 S3C2T1 Fl. 5 4 d.2) Cursos Mesmo entendimento se aplicam aos cursos, posto que relacionado a qualificação dos funcionários do setor da produção, que aplicam o conhecimento adquirido na execução dos trabalhos produtivos, tal como: habilitação para exercer a atividade de Operador de Empilhadeira, Operador de Caldeira, etc d.3) Despesas de importação frete/despachante Dito isso, cabe ainda à Recorrente demonstrar seu inconformismo quanto às glosas efetuadas pela Autoridade Pública no que tange às despesas oriundas de fretes de importação de matériaprima, bem como de despesas com desembaraço aduaneiro destas mercadorias do Porto até o efetivo internamento no estabelecimento da empresa. d.4) Energia elétrica e térmica Relata o Termo de Informação Fiscal a glosa parcial de créditos apurados pela Recorrente sobre despesas relacionadas à aquisição de energia elétrica, na medida em que tais valores não refletiriam a energia elétrica efetivamente consumida, mas sim valores relativos à Cosit, juros e multas. Tal entendimento não merece prosperar, na medida em que tais valores integram, de maneira indissociável, o custo de aquisição da energia elétrica, não sendo possível se cogitar da impossibilidade de apuração do crédito correspondente sobre a totalidade do valor pago na operação. A cobrança da taxa de iluminação pública, assim como a aquisição de energia elétrica por meio de demanda contratada em tensão previamente estabelecida, serve de valioso exemplo para a análise da medida em questão, uma vez que tais despesas não podem ser dissociadas da fatura corresponde à remuneração paga pela energia elétrica efetivamente consumida. d.5) demais glosas No mesmo item referente aos “Serviços utilizados como insumos”, a Autoridade Pública informa outras glosas, quais sejam, de comissões de compras/vendas, mãodeobra temporária, dentre outros. Por consequência, a sua manutenção no acórdão recorrido também se operou devido ao conceito aplicado a termo insumo. e) Crédito Presumido Agroindústria A Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. V – Da Ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal | Princípio da Verdade Material Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 10920.723606/201583 Resolução nº 3201001.983 S3C2T1 Fl. 6 5 A Recorrente argumenta quanto a ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal e sobre o princípio da verdade material. VI – Da Atualização Monetária/Incidência da SELIC A Recorrente alega que quando do ressarcimento dos créditos faz jus aos acréscimos de correção monetária e juros correspondentes, sob pena de constituir evidente enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo ao contribuinte. É o relatório. Voto Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.981, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10920.723601/201551, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.981): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em apertada síntese, a Recorrente sustenta que a fiscalização: a) glosou os créditos de PIS/COFINS sem analisar efetivamente o processo produtivo da empresa; b) aplicou o conceito restritivo de insumo para glosar créditos; c) negou a utilização de créditos extemporâneos; d) glosou indevidamente serviços utilizados como insumos; e) negou equivocadamente crédito presumido da agroindústria. De forma geral, no tocante a reversão das glosas, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10920.723606/201583 Resolução nº 3201001.983 S3C2T1 Fl. 7 6 Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, a discussão seria centrada na análise dos para verificar se atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Entretanto, quando do início do julgamento do processo na sessão de abril de 2019, foi suscitada dúvida na parte relativa a linha 26 crédito presumido agroindústria. Nesse ponto a Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. Seriam as notas fiscais com emissão de 2007 a 2009. De um lado, a decisão de primeira instância leva a crer que o problema estaria na retificação do demonstrativo da Dacon para ter direito ao crédito. Notese que a menção de que “os créditos presumidos de agroindústria, calculados à época, foram utilizados para desconto das próprias contribuições em seus respectivos períodos” importa na medida em que demonstra que houve a apuração e o desconto deste tipo de crédito no Dacon referente à época da emissão das notas ora glosadas. Assim, se àquela época, a interessada, como alega, não as incluiu na base de cálculo do crédito presumido demonstrado no Dacon daquele período, cabia então retificar tal demonstrativo e somente então trazer o eventual crédito remanescente para desconto no Dacon ora em análise. (efl. 3379) (...) E o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon é o instrumento que a legislação estabelece como meio através do qual o contribuinte deve informar ao Fisco, entre outros dados, os montantes das receitas auferidas (tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação) e demonstrar a apuração do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas e dos créditos que entende possuir. No que se refere à base de cálculo dos créditos, o referido demonstrativo possui fichas e linhas específicas para cada hipótese legalmente prevista de geração de crédito, que devem necessariamente refletir a real composição da base de cálculo do crédito apurado, identificando corretamente os custos e despesas que a compõem, ocorridos ao longo do respectivo período de apuração; ou seja, os custos que compõem a base de cálculo de cada tipo de crédito apurado no Dacon devem estar corretamente neste informados, conforme a sua natureza, a fim de que reste perfeitamente demonstrada a origem do crédito a que o contribuinte declara ter direito, para fins de viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência deste pela autoridade administrativa fazendária competente para deferir ou não o pleito do contribuinte, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10920.723606/201583 Resolução nº 3201001.983 S3C2T1 Fl. 8 7 – DRF com jurisdição no domicílio fiscal do contribuinte/pleiteante. Assim é que não se pode prescindir das informações que estão declaradas no Dacon e das formalidades de que se reveste este demonstrativo/declaração. A declaração válida à época do pedido tem que ser considerada para todos os efeitos legais, visto que os fatos ali descritos devem representar de forma inequívoca o direito da contribuinte e a sua natureza, a fim possibilitar a confirmação, pela DRF, de seu valor e forma de apuração, bem como o meio possível de utilização pelo contribuinte. Em situações como esta, em que os dados utilizados pela Receita Federal para analisar a procedência do crédito e sua utilização são extraídos de registros informatizados baseados em valores declarados pelo sujeito passivo, cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de retificar as declarações incorretas anteriormente encaminhadas. Portanto, como o crédito e a apuração deste deve estar perfeitamente demonstrada no Dacon, havendo qualquer eventual erro de declaração é ônus do contribuinte corrigilo em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir. Por conta disso, não resta dúvidas que a análise do pedido formulado (PER/DCOMP) limitase ao escopo do que consta no Dacon. E esta é a razão pela qual, ao contrário do que entende a Recorrente, a Autoridade Administrativa pode perfeitamente negar o direito ao crédito incluído no pedido, mas informado de forma diversa ou não constante deste demonstrativo, em respeito à sua função precípua, visto que se assim não fosse, ao Fisco restaria inviabilizada a correta aferição da certeza e liquidez do crédito e o controle do real aproveitamento deste pelo contribuinte. Portanto, ao não informar nos Dacon anteriores créditos remanescentes passíveis de desconto no Dacon ora em análise, a contribuinte retirou a possibilidade de análise e reconhecimento pela DRF da procedência e legitimidade de eventual crédito existente à época. (efl. 3380) Diante disso, é que não cabe à Autoridade Administrativa julgadora assentir com o desconto de créditos de períodos anteriores, não informados no respectivo Dacon, em detrimento da natureza deste demonstrativo e, sobretudo, da competência originária da DRF para analisar e decidir sobre a existência e procedência do crédito declarado pelo contribuinte ao Fisco. Salientese que não se está aqui a negar eventual direito de crédito a que a contribuinte tenha direito em relação as notas fiscais em tela, mas apenas negando que seus valores possam integrar a base de cálculo do crédito do período ora em análise. Diante disso, não há como restabelecer a presente glosa. (efl. 3381) Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10920.723606/201583 Resolução nº 3201001.983 S3C2T1 Fl. 9 8 De outro lado, a Recorrente alega a possibilidade de comprovação da existência dos créditos presumidos. Ou seja, comprovandose a existência dos créditos presumidos suficientes, além daqueles já utilizados inicialmente, comprovase o correto procedimento de ressarcimento efetuado pela Recorrente, devendo os mesmos serem reconhecidos e deferidos em sua integralidade. (efl. 3462) É que não se fale em retificação da DACON, pois, quando do aproveitamento destes créditos presumidos, os mesmos são tratados como extemporâneos pela Recorrente e são devidamente lançados em DACON’s dos períodos ora analisados. Ou seja, utilizou a Recorrente os créditos presumidos de 2007 a 2009 para desconto das contribuições dos períodos de 2010 a 2013, além daqueles já anteriormente utilizados como afirmado pelo fiscal, mas, não sendo os mesmos já utilizados anteriormente. (efl. 3464) Portanto, estamos falando de créditos distintos, conforme relação de notas fiscais apresentadas na manifestação anterior. Por consequência, e a fim de justificar o equívoco fiscal, apresentou a Recorrente planilha demonstrando os saldos de cada período, inclusive com as notas fiscais que originaram o crédito de 2007 a 2009 utilizados naquele período, bem como a relação das notas fiscais de aquisição de 2007 a 2009 utilizadas nos períodos de 2010 a 2013 ora questionados. Tratase de prova produzida em sede de Manifestação de Inconformidade, mas não apreciada no acórdão recorrido. (efl. 3465) Diante das colocações de ambos os lados, a turma julgadora considerou por bem converter o julgamento em diligência para verificar se realmente sobrou crédito para ser utilizado. A conversão em diligência é para apurar nas NFs e livros de entrada o valor do crédito presumido e confrontar tais valores com os créditos utilizados no próprio período e nos períodos subsequentes. A Recorrente informa que fez o controle dos créditos presumidos no livro de entrada e que produziu prova em sede de manifestação de inconformidade que não fora apreciada. O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível a conversão do feito em diligência, com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, com a produção de relatório conclusivo sobre o assunto. Assim, entendo que no presente processo há dúvida razoável acerca de tais créditos, justificando a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que a questão levantada seja dirimida. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10920.723606/201583 Resolução nº 3201001.983 S3C2T1 Fl. 10 9 comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira. . Fl. 1896DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.900285/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN.
Recurso Voluntário Não conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: Wesley Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário Não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 19740.900285/2009-91
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6036564
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.392
nome_arquivo_s : Decisao_19740900285200991.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Wesley Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 19740900285200991_6036564.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7829268
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120158044160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.900285/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.392 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de julho de 2018 Matéria Compensação Recorrente CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário Não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 90 02 85 /2 00 9- 91 Fl. 168DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, do qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nesse ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) um de seus milhares de participantes faleceu; c) um de seus milhares de participantes foi acometido por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; d) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses erros ocorreram também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo; ou, e) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior, sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 19740.900285/200991 Acórdão n.º 2301005.392 S2C3T1 Fl. 3 3 v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros, informa que retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento; vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e na busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo. Assim, passo a analisar o mérito. Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve pedido via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de Fl. 170DF CARF MF 4 agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte:: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos Autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações — Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma das situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seriam mais possíveis fazer por meio de retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impediria a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a Fl. 171DF CARF MF Processo nº 19740.900285/200991 Acórdão n.º 2301005.392 S2C3T1 Fl. 4 5 estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outro período por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Como já dito, a recorrente, em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios suficientemente fortes do possível crédito gerado, mas que ainda carece de integral convicção. Porém, apesar de todas as alegações da recorrente, verificase que o CARF não é competente para analisar a matéria trazida a esse Tribunal Administrativo. Isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF. Nesse sentido, se os alegados créditos constantes da DCOMP tiveram como origem a retificação das DCTF para reduzir o valor declarado, devese aplicar o que consta no art. 147, do CTN. Assim, os documentos apresentados que, em tese, comprovam a ocorrência de erro de fato na informação, e tendo em conta que não se trata de lançamento, devem ser analisados pela autoridade revisora, nos termos do § 2º, do artigo citado, in verbis: "Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela". Assim, a análise do referido direito creditório contido na declaração deve ser feita de ofício pela autoridade administrativa a que competir a sua revisão. Portanto, carece competência ao CARF para apreciar os créditos contidos na DCOMP, se estes tiveram origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão, que, aliás, pode se dar a qualquer tempo. CONCLUSÃO Ante à incompetência do colegiado, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 172DF CARF MF 6 Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901328/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN.
Recurso Voluntário Não conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: Wesley Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário Não conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16682.901328/2010-33
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023870
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.406
nome_arquivo_s : Decisao_16682901328201033.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Wesley Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 16682901328201033_6023870.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7798442
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120173772800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.901328/201033 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.406 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de julho de 2018 Matéria Compensação Recorrente CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário Não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 13 28 /2 01 0- 33 Fl. 600DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, do qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nesse ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) um de seus milhares de participantes faleceu; c) um de seus milhares de participantes foi acometido por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; d) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses erros ocorreram também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo; ou, e) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior, sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 16682.901328/201033 Acórdão n.º 2301005.406 S2C3T1 Fl. 3 3 v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros, informa que retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento; vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e na busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo. Assim, passo a analisar o mérito. Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve pedido via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de Fl. 602DF CARF MF 4 agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte:: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos Autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações — Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma das situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seriam mais possíveis fazer por meio de retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impediria a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a Fl. 603DF CARF MF Processo nº 16682.901328/201033 Acórdão n.º 2301005.406 S2C3T1 Fl. 4 5 estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outro período por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Como já dito, a recorrente, em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios suficientemente fortes do possível crédito gerado, mas que ainda carece de integral convicção. Porém, apesar de todas as alegações da recorrente, verificase que o CARF não é competente para analisar a matéria trazida a esse Tribunal Administrativo. Isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF. Nesse sentido, se os alegados créditos constantes da DCOMP tiveram como origem a retificação das DCTF para reduzir o valor declarado, devese aplicar o que consta no art. 147, do CTN. Assim, os documentos apresentados que, em tese, comprovam a ocorrência de erro de fato na informação, e tendo em conta que não se trata de lançamento, devem ser analisados pela autoridade revisora, nos termos do § 2º, do artigo citado, in verbis: "Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela". Assim, a análise do referido direito creditório contido na declaração deve ser feita de ofício pela autoridade administrativa a que competir a sua revisão. Portanto, carece competência ao CARF para apreciar os créditos contidos na DCOMP, se estes tiveram origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão, que, aliás, pode se dar a qualquer tempo. CONCLUSÃO Ante à incompetência do colegiado, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 604DF CARF MF 6 Fl. 605DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13501.000165/2004-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS
FÍSICAS.
Referindo-se a lei a contribuições "incidentes" sobre as "respectivas" aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.191
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido(a)s
o(a)s Conselheiro(a)s Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça„ Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200906
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Referindo-se a lei a contribuições "incidentes" sobre as "respectivas" aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13501.000165/2004-14
conteudo_id_s : 6030356
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-000.191
nome_arquivo_s : Decisao_13501000165200414.pdf
nome_relator_s : WALBER JOSÉ DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13501000165200414_6030356.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça„ Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
id : 7816046
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120175869952
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-15T17:54:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-15T17:54:05Z; Last-Modified: 2009-10-15T17:54:05Z; dcterms:modified: 2009-10-15T17:54:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-15T17:54:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-15T17:54:05Z; meta:save-date: 2009-10-15T17:54:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-15T17:54:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-15T17:54:05Z; created: 2009-10-15T17:54:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-10-15T17:54:05Z; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-15T17:54:05Z | Conteúdo => M7- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRiBuw. , .. - CONFERE COM O ORIGINAL 2-c1T2 Brasília, 0. / C(3 09 n. 327 ------ .;----11-- MINISTÉRIO DA FAZENDA 7 -"ef r i'. . 17irn- çf CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RE URSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO -.-..--;--.t- - Processo n° 13501.000165/2004-14 - Recurso n° 159.182 Voluntário Acórdão e 2102-00.191 — 1* Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2009 Matéria Ressarcimento Crédito Presumido do IPI Recorrente BRESPEL COMPANHIA INDUSTRIAL BRASIL ESPANHA Recorrida DRJ em Salvador - BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Referindo-se a lei a contribuições "incidentes" sobre as "respectivas" aquisições, somente se admite, para efeito de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições sobre as quais efetivamente incidiu o PIS/Pasep e a Cofins e que foram suportadas pelo produtor/exportador que pretende se beneficiar do crédito. Recurso Voluntário Negado. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça„ Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. , t is. O VQ,WILCU 2 , II SE A MARIA COELHO MARQUE , Presidente 7) , ... i WALBER io É DA S VA Relator (1 ! Participarán, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maurício Taveira e Silva e José Antonio Francisco. 1 Processo n° 13501.000165/2004-14 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.191 Fl. 328 MF SEGUNDO ~AIO DE CONTRlBU CONFERE COM O CR1GINAL 1 Dratliá, (213 Relatório No dia 26/02/2003 a empresa BRESPEL COMPANHIA INDUSTRIAL BRASIL ESPANHA, já qualificada nos autos, ingressou com o pedido de ressarcimento de crédito presumido de TI (Portaria MF n2 38/97), relativo ao ano de 1998. Após a realização das verificações fiscais no estabelecimento da recorrente, a DRF em Camaçari - BA reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, nos termos do Despacho Decisório DRF/CCI n° 0028/2008 (fls. 244/245). A autoridade competente glosou, no cálculo do beneficio, os insumos adquiridos de pessoas fisicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins; Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade pleiteando os créditos relativos às aquisições de pessoas fisicas e cooperativas, cujas alegações estão resumidas no relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Salvador - BA indeferiu a solicitação da recorrente e não homologou as compensações, nos termos do Acórdão ri' 15-16.081, de 18/06/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por falta de autorização legal, as aquisições de insumos diretamente de pessoas fisicas e de cooperativas, não tributadas pelo PIS e pela COFINS, estão excluídas do cálculo do incentivo fiscal. ALEGAÇÕES DE 1NCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 21/07/2008, conforme AR de fl. 301, e, no dia 12/08/2008, ingressou com o recurso voluntário de fls. 302/313, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade sobre o direito ao crédito nas aquisições de insumos de pessoas fisicas e sobre a ilegalidade das Instruções Normativas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Cita jurisprudência administrativa e judicial. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 02/12/2008, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 326. çrl 2 Processo n° 13501.000165/2004-14 S2-C 1 T2 Acórdão n.° 2102-00.191 Fl. 329 14É- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINT-. É o relatório do essencial. CONFERE COM O ORIGVAL Brasza, Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. A empresa está pleiteando o reconhecimento do direito ao crédito presumido do IPI nas aquisições de insumos efetuadas de pessoas fisicas e cooperativas. Sem razão a recorrente, pelas razões que passo a seguir a expor. A Lei n2 9.363/96, em seu art. 1 2, é muito clara ao dispor que a empresa produtora exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n os 7/70; 8/70; e 70/91, "incidentes sobre as respectivas aquisições", no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Ora, está claríssimo que se não houve incidência das contribuições nas aquisições, não há que se falar em ressarcimento. E neste sentido deve-se observar que a lei fala em "incidentes sobre as respectivas aquisições", de forma que pouco importa se incidiu em etapas anteriores às aquisições. O que importa é que nas aquisições efetuadas pela empresa produtora e exportadora deve incidir as contribuições para ter direito ao ressarcimento. A respeito deste assunto, destaco o Parecer PGFN n2 3.092, de 27 de dezembro de 2002, aprovado pelo Ministro da Fazenda: "21. Quando o PIS/PASEP e a COFINS oneram de forma indireta o produto final, isto significa que os tributos não 'incidiram' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (o fornecedor não é contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS), mas nos produtos anteriores, que compõem este insumo. Ocorre que o legislador prevê, textualmente, que serão ressarcidas as contribuições 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo produtor/exportador, e não sobre as aquisições de terceiros, que ocorreram em fases anteriores da cadeia produtiva. 22. Ao contrário, para admitir que o legislador teria previsto o crédito presumido como um ressarcimento dos tributos que oneraram toda a cadeia produtiva, seria necessária uma interpretação extensiva da norma legal, inadmitida, nessa especifica hipótese, pela Constituição Federal de 1988 e pelo Código Tributário Nacional". Q/A.ft 3 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRi.... CONFERE CWO CRIGNAL Processo n° 13501.000165/2004-14 Brasília. , 629 0-9 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.191 Fl. 330 4 E não é só a partir do art. 1 2 da Lei n2 9.363/9 que se pode vislumbrar este entendimento, porque nos demais artigos da lei também se verifica tal posicionamento, como muito bem elucida o mencionado parecer, que transcrevo: "24. Prova inequívoca de que o legislador condicionou a fruição do crédito presumido ao pagamento do PIS/PASEP e da COFINS pelo fornecedor do insumo é depreendida da leitura do artigo 5° da Lei n°9.363, de 1996, in verbis: 'Art. 5° A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente'. 25. Ou seja, o tributo pago pelo fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido, que for restituído ou compensado mediante crédito, será abatido do crédito presumido respectivo. 26. Como o crédito presumido é um ressarcimento do PIS/PASEP e da COF1NS, pagos pelo fornecedor do insumo, o legislador determina, ao produtor/exportador, que estorne, do crédito presumido, o valor já restituído. 27. O art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996, determina que apenas os tributos 'incidentes' sobre o insumo adquirido pelo beneficiário do crédito presumido (e não pelo seu fornecedor) podem ser ressarcidos. Conforme o art. 5°, caso estes tributos já tenham sido restituídos ao fornecedor dos insumos (o que significa, na prática, que ele não os pagou), tais valores serão abatidos do crédito presumido. 28. Esta interpretação lógica é confirmada por todos os demais dispositivos da Lei n° 9.363, de 1996. De fato, em outras passagens da Lei, percebe-se que o legislador previu formas de controle administrativo do crédito presumido, estipulando ao seu beneficiário uma série de obrigações acessórias, que ele não conseguiria cumprir caso o fornecedor do insumo não fosse pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFWS. Como exemplo, reproduz-se o art. 3° da multicitada Lei n° 9.363, de 1996: 'Art. 3° Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1°, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador' (Grifos não constantes do original). 29. Ora, como dar efetividade ao disposto acima, quando o produtor/exportador adquir insumo de pessoa fisica, que não é obrigada a emitir nota fiscal e nem paga o PIS/PASEP e a COFINS? Por outro lado, como aferir o valor dos insumos ety 4 a MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTR., CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 13501.000165/2004-14 Brasília, / _______ Acórdão n.° 2102-00.191 Fl. 331 adquiridos de pessoas fisicas, que não estão obrigados a manter escrituração contábil? 30. Toda a Lei n° 9.363, de 1996, está direcionada, única e exclusivamente, à hipótese de concessão do crédito presumido quando o fornecedor do insumo é pessoa jurídica contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS. A lógica das suas prescrições milita sempre nesse sentido. Não há qualquer disposição que regule ou preveja, sequer tacitamente, o ressarcimento nas hipóteses em que o fornecedor do insumo não pagou o PIS/PASEP ou a COFINS. 31. Em suma, a Lei n° 9.363, de 1996, criou um sistema de concessão e controle do crédito presumido de IPI, cuja premissa é que o fornecedor do insumo adquirido pelo beneficiário do incentivo seja contribuinte do PIS/PASEP e da COFINS." Logo, ao contrário do que aduz a recorrente, as autoridades julgadoras, ao aplicarem a lN SRF n2 23/97, não negaram vigência à Lei n2 9.363/96, nem feriram nenhum preceito constitucional ou legal. Também não lhe socorre a jurisprudência colacionada aos autos, porque não possuem qualquer força vinculante sobre o que ora se decide, aliás, já existe jurisprudência administrativa e judicial a respeito do assunto, manifestando-se frontalmente contrária ao defendido pela recorrente, conforme se pode verificar das ementas a seguir transcritas: "IPI — CRÉDITO PRESUMIDO —1) INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS — Ao determinar a forma de apuração do incentivo, a lei excluiu da base de cálculo aquelas aquisições que não sofreram incidência das Contribuições ao PIS e à COFINS, no fornecimento de insumos ao produtor exportador." (Acórdão n2 202-12.303) "TRIBUTÁRIO. LEI 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI A TÍTULO DE RESSARCIMENTO DO PIS/PASEP/PASEP E DA COFINS EM PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU RURAIS QUE NÃO SUPORTARAM O PAGAMENTO DAQUELAS CONTRIBUIÇÕES. AUSÊNCIA DE FUMUS BONI IURES AO CREDITAMENTO. I. Tratando-se de ressarcimento de exações suportadas por empresa exportadora, tal como se dá com o beneficio instituído pelo art. 1 0 da Lei 9.363/96, somente poderá haver o crédito respectivo se o encargo houver sido efetivamente suportado pelo contribuinte. 2. Sendo as exações PIS/PASEP/PASEP e COFINS incidentes apenas sobre as operações com pessoas jurídicas, a aquisição de produtos primários de pessoas fisicas não resulta onerada pela sua cobrança, daí porque impraticável o crédito dos seus valores, sob a forma de ressarcimento, por não ter havido a prévia incidência. 3. Tutela liminar deferida." (TRF/52 Região, AI n2 32.877, DJ de 2/2/2001, p. 337) 'MF - SEGUNDO CONSELHO DE C.OfiT.. CONFERE COM O OR:G n N.AL Processo n° 13501.000165/2004-14 Srasi;ia, ; S2-C1 T2 Acórdão n.° 2102-00.191 Fl. 332 Assim, é verdade que o objetivo da lei, como um todo, foi o de estimular a exportação, contudo, sem dúvidas, há limitações para o gozo deste beneficio, sendo descabido falar na inclusão, para efeito de custo acumulado dos insumos, no cômputo do crédito presumido, dos valores relativos às aquisições de matérias-primas, quer adquiridas de pessoas fisicas, quer adquiridas de sociedades cooperativas ou de qualquer outra pessoa jurídica que não seja contribuinte do PIS e da Cofins. No mais, com fulcro no art. 50, § 1, da Lei n2 9.784/1999 1 , adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 03 se junho de 2009 LLÓ))4 WALBER JOSE DA 4) VA ;15 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (• • .) § l p A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 6
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007167/2004-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à variação patrimonial a descoberto ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida.
A alegação da existência de empréstimos tomados de terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário emprestado, não bastando a simples informação nas declarações do mutuário e mutuante e/ou notas promissórias emitidas pelo próprio contribuinte.
RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.
Os rendimentos oriundos de subarrendamento de terras, informados como proveniente da atividade rural, devem ter sua origem devidamente comprovada, sob pena de não poder o contribuinte beneficiar-se da tributação privilegiada destinada pela legislação vigente à atividade rural.
MULTA AGRAVADA.
A falta de atendimento à intimação formulada pelo Fisco, para apresentar esclarecimentos e documentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC, sendo cabível sua utilização, por expressa disposição legal. Súmula CARF nº4.
Numero da decisão: 2402-007.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à variação patrimonial a descoberto ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. A alegação da existência de empréstimos tomados de terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário emprestado, não bastando a simples informação nas declarações do mutuário e mutuante e/ou notas promissórias emitidas pelo próprio contribuinte. RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Os rendimentos oriundos de subarrendamento de terras, informados como proveniente da atividade rural, devem ter sua origem devidamente comprovada, sob pena de não poder o contribuinte beneficiar-se da tributação privilegiada destinada pela legislação vigente à atividade rural. MULTA AGRAVADA. A falta de atendimento à intimação formulada pelo Fisco, para apresentar esclarecimentos e documentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia -SELIC, sendo cabível sua utilização, por expressa disposição legal. Súmula CARF nº4.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.007167/2004-14
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023262
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.359
nome_arquivo_s : Decisao_10830007167200414.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : GREGORIO RECHMANN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10830007167200414_6023262.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
id : 7794835
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120241930240
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-24T20:31:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-24T20:31:13Z; Last-Modified: 2019-06-24T20:31:13Z; dcterms:modified: 2019-06-24T20:31:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-24T20:31:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-24T20:31:13Z; meta:save-date: 2019-06-24T20:31:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-24T20:31:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-24T20:31:13Z; created: 2019-06-24T20:31:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-06-24T20:31:13Z; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-24T20:31:13Z | Conteúdo => S2-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10830.007167/2004-14 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-007.359 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2019 Recorrente EDI MOREIRA DA SILVA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à variação patrimonial a descoberto ocorre no dia 31 de dezembro do ano- calendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. A alegação da existência de empréstimos tomados de terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário emprestado, não bastando a simples informação nas declarações do mutuário e mutuante e/ou notas promissórias emitidas pelo próprio contribuinte. RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Os rendimentos oriundos de subarrendamento de terras, informados como proveniente da atividade rural, devem ter sua origem devidamente comprovada, sob pena de não poder o contribuinte beneficiar-se da tributação privilegiada destinada pela legislação vigente à atividade rural. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 71 67 /2 00 4- 14 Fl. 394DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.359 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.007167/2004-14 MULTA AGRAVADA. A falta de atendimento à intimação formulada pelo Fisco, para apresentar esclarecimentos e documentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sendo cabível sua utilização, por expressa disposição legal. Súmula CARF nº4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Trata-se de recurso voluntário em face da decisão da 4ª Tuma da DRJ/SPOII, consubstanciada no Acórdão nº 17-29.387 (fl. 371) que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório do referido Acórdão, tem-se que: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls. 05/08, acompanhado dos demonstrativos de fls. 09/12 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 16/20 (planilhas de fls. 21/31), relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas anos-calendário de 1999 a 2001, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 980.243,84, dos quais, R$ 362.360 34 são referentes a imposto, R$ 407.655,37 são cobrados a título de multa proporcional, e R$ 210.228,13 correspondem a juros de mora calculados até 30/11/2004. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 06/08, a exigência decorreu das seguintes infrações à legislação tributária: 1. omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. Os valores tributáveis, as datas dos fatos geradores e o enquadramento legal estão relacionados à fl. 06; 2. classificação indevida da declaração de ajuste anual como isentos, os rendimentos declarados como receita da atividade rural, e intimado regularmente, não apresentou Fl. 395DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.359 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.007167/2004-14 nenhum documento para comprovar a origem do rendimento, tudo conforme demonstrado nas planilhas e no Termo de Verificação Fiscal em anexo. Os valores tributáveis, data dos fatos geradores e enquadramento legal encontram-se descritos às fls. 07/08. A multa de oficio foi aplicada no percentual de 112,50%, com base no artigo 44, inciso I, §2°, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n°11.488/07 (fl. 12). Cientificado do lançamento em 13/12/2004 (AR de fl. 309), o contribuinte apresentou, em 11/01/2005, a impugnação de fls. 317 a 319, na qual alega, em síntese, que: PRELIMINARMENTE 1. os valores cujos fatos geradores ocorreram nos meses de junho e agosto de 1999 já foram alcançados pela decadência, posto que o lançamento se deu apenas em 17 de dezembro de 2004 (sic), nos termos do artigo 150 do CTN, devendo ser excluídos do lançamento; MERITORIAMENTE 2. FATO GERADOR OCORRIDO EM 31/12/99 (R$ 39.100,00) — denominado capital da Unipetro Distribuidora de Petróleo Ltda, o recorrente não faz parte de seu quadro social, conforme faz prova o documento em anexo; 3. FATOS GERADORES OCORRIDOS EM 29/02/2000 (R$ 56.286,66) e 30/06/2000 (R$ 284.616,66) — os documentos aqui acostados provam que tais valores são provenientes de empréstimos de terceiros; 4. FATO GERADOR OCORRIDO EM 31/05/2000 (R$ 576 000,00) – o documento em anexo atesta que o contribuinte adquiriu as quotas de capital social de seu ex-sócio e ainda não foi liquidado; 5. RENDIMENTOS DE AREAS RURAIS — os contratos de transferência de arrendamentos em anexo provam a origem dos rendimentos da atividade rural declarados; IMPROCEDÊNCIA DA MULTA AGRAVADA 6. a autoridade autuante exagerou na imposição da multa agravada, vez que não restou comprovada a prática de qualquer fraude e, estando baseada a autuação em presunção de omissão de rendimentos, o tributo assim exigido não é compatível com a imposição da multa agravada, posto que fraude não se presume, precisa estar exaustivamente comprovada e demonstrada, consoante reiterada jurisprudência administrativa, não podendo, sequer, se dizer que houve embaraço à fiscalização ILEGALIDADE DA SELIC 7 a cobrança de encargos pela variação da taxa SELIC é ilegal tendo em vista que esse acréscimo não foi criado pelo instrumento adequado (LEI), conforme já se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça; DO PEDIDO 8 requer a improcedência do lançamento e a posterior juntada de documentos devido a impossibilidade de juntá-los concomitantemente com a defesa. Posteriormente, em 11/05/2 05, juntou aos autos a petição de fls. 323/324 e os documentos de fls. 325/337 sendo: - fls. 325/327 — cópia da alteração do contrato social da sociedade Unipetro Distribuidora de Petróleo Ltda, CNPJ 02.031.898/0001-90, que comprova que o peticionário não é cotista na sociedade; - fls. 328/330 — cópia de seis notas promissórias relativas a empréstimos contraídos pelo peticionário junto a terceiros que totalizam a quantia de R$ 350.000,00; Fl. 396DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.359 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.007167/2004-14 - fl. 331 — cópia de nota promissória relativa à aquisição de cotas da empresa Petro- Garças Distribuidora de Petróleo, CNPJ 01.038.217/0001-53, no valor total de R$ 576.000,00; - fls. 332 e 335, cópias das Certidões emitidas pelo 1º Serviço Notorial e Registral da Comarca de Barra do Garças — MT, atestando o registro dos contratos de subarrendamento de imóvel rural para exploração agrícola, celebrados com o Sr. José Roberto da Silva (contrato de fls. 333/334) e com o Sr. Marcos Cardoso de Brito (contrato fls. 336/337). A DRJ julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo, nos termos da ementa abaixo reproduzida: DECADÊNCIA. Tratando-se de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando-se o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. A alegação da existência de empréstimos tomados de terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário emprestado, não bastando a simples informação nas declarações do mutuário e mutuante e/ou notas promissórias emitidas pelo próprio contribuinte. Retifica-se a planilha de evolução patrimonial excluindo das aplicações de recursos o valo da aquisição de quotas de sociedade cuja operação não restou comprovada nos autos. RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Os rendimentos oriundos de subarrendamento de terras, informados como proveniente da atividade rural, devem ter sua origem devidamente comprovada, sob pena de não poder o contribuinte beneficiar-se da tributação privilegiada destinada pela legislação vigente à atividade rural. MULTA AGRAVADA. A falta de atendimento à intimação formulada pelo Fisco, para apresentar esclarecimentos e documentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC como juros moratórios assim como a aplicação da muita de oficio decorrem de expressas disposições legais. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. Lançamento procedente em parte. Cientificado dessa decisão, o Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 386 a 391, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Fl. 397DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.359 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.007167/2004-14 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme se infere do relatório supra, trata-se, o presente caso, de lançamento fiscal em decorrência da apuração, pela fiscalização, das seguintes infrações: 1. omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, e 2. classificação indevida da declaração de ajuste anual como isentos, os rendimentos declarados como receita da atividade rural, e intimado regularmente, não apresentou nenhum documento para comprovar a origem do rendimento. O Recorrente, reiterando os termos da impugnação apresentada, sustenta, em síntese: * a perda do direito de o Fisco constituir o crédito tributário referente aos meses de junho e agosto de 1999, em face da consumação do lustro decadencial, à luz do art. 150, § 4º, do CTN; * no mérito e em três parágrafos, a improcedência do lançamento; * improcedência da multa agravada; e * ilegalidade da TAXA SELIC. Passemos, então, à análise de cada um dos pontos defensivos sustentados pelo Recorrente. Da Decadência O fato gerador do IRPF, como se sabe, é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada ano- calendário. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoando-se no dia 31/12 de cada ano-calendário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Ano-calendário: 2005, 2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoando-se no dia 31/12 de cada ano- calendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, deve-se afastar a alegação de decadência do crédito tributário. (...) (acórdão n°2402-005.594; 19/01/2017) Fl. 398DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.359 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.007167/2004-14 xxx Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 (...) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGA ÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Existindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial da contagem do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I). Súmula CARF n° 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173,1, do CTN. Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendo-se que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. (processo n° 10980.725701/2011-83,1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, julgado em 18/02/2014) Neste sentido, inclusive, é o enunciado da Súmula CARF nº 38, in verbis: Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Como regra geral, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é aquele definido no inciso I, do art. 173 do CTN, nos seguintes termos: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entretanto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do Imposto de Renda, havendo pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial conta-se nos termos do §4º do art. 150 do CTN, que assim dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ocorre que, no caso em análise, seja pela contagem do prazo previsto no art. 150, § 4º, seja pela regra prevista no art. 173, ambos do CTN, não há que se falar em perda do direito de o Fisco constituir o crédito tributário no caso concreto. Fl. 399DF CARF MF https://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portaria-383.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.359 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.007167/2004-14 De fato, o lançamento tributário só se considera definitivamente constituído após a ciência (notificação) do sujeito passivo da obrigação tributária (art. 145 do CTN), que no presente caso ocorreu em 13/12/2004, conforme AR de fl. 339, sendo certo que, no caso em análise, o fato gerador mais antigo é 31/12/1999, pelo que o Fisco teria até 31/12/2004 para efetuar o lançamento, pela regra do art. 150, § 4º, do CTN. Resta, portanto, não configurada a perda do direito de o Fisco constituir o crédito tributário em análise. Da Improcedência do Lançamento - Razões de Mérito No que tange ao mérito da acusação fiscal, o Contribuinte, em sua peça recursal, limitou-se a reiterar, em 03 parágrafos, o quanto aduzido na impugnação apresentada. Neste contexto, considerando que não foram apresentadas novas razões de defesa perante esta segunda instância administrativa e que as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de primeira instância está em consonância com entendimento deste relator, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor, in verbis: DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está prevista no parágrafo 1º do art. 3° da Lei 7.713/1988, abaixo transcrito: Art. 3° (..) § 1º - Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Depreende-se, pois, do texto legal transcrito, que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, o que ocorreu no caso em tela, presume-se a aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda – fato gerador do imposto sobre a renda. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar, no concreto, a omissão de rendimentos, admitindo-se prova em contrário, cuja produção cabe sempre ao contribuinte. Na lição de José Luiz Bulhões Pedreira "o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." (Imposto sobre a Renda-Pessoas Juridicas-JUSTEC-RJ-1979-pag.806) Cabe ao contribuinte, se pretende refutar a presença da omissão de rendimentos estabelecida contra ele, provar por meio de documentação hábil e idônea que tais valores tiveram origem em rendimentos tributáveis, não tributáveis, sujeitos à tributação de definitiva e/ou já tributados exclusivamente na fonte. Cabe a ele, portanto, provar a existência dos recursos ao passo que ao Fisco compete provar a aplicação destes. Assim, provar a efetividade dos empréstimos é ônus do contribuinte, enquanto provar a aquisição de cotas de sociedade é dever do Fisco. (...) Situação diversa é a da aquisição das quotas da empresa PETRO GARÇAS Distribuidora de Petróleo Ltda., CNPJ 01.038.217/0001-53, ocorrida em maio de 2001. O recorrente alega em sua impugnação que a aquisição ocorrida em maio de 2001 não Fl. 400DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.359 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.007167/2004-14 foi liquidada ainda. Apresenta nota promissória de fl. 331, emitida por ele, tendo como beneficiário o Sr. Cícero Evaristo Medanha Júnior, seu ex-sócio, com vencimento para 20/05/2005. A autoridade autuante atribuiu o pagamento de R$ 576.000,00 ocorrido em maio de 2001, baseando-se na informação prestada pelo contribuinte na DIRPF/2002 (fl 294/296), apresentada em 07/06/2002, e na Alteração Contratual da PETRO GARÇAS Distribuidora de Petróleo LTDA, CNPJ 01.038.217/0001-53, de fls. 189/190, data6 de 24/05/2001, que estabelece que "o sócio CICERO EVARISTO MENDANHA JUNIOR, acima qualificado, detentor de 600.000 (seiscentas mil) quotas, no valor unitário de RS 1,00 (um real), cede e transfere 576.000 (quinhentas e setenta e seis mil) quotas para o sócio EDI MOREIRA DA SILVA, acima qualificado, dando plena e rasa quitação." Assim, há provas nos autos da aplicação de recursos no valor de R$ 576.000,00 em maio de 2001. A nota promissória de fl. 331, foi emitida pelo próprio contribuinte. Para fazer prova perante o Fisco de que o pagamento das quotas se deu mediante esta nota promissória, deveria ter sido apresentada a transferência do numerário que quitou o referido título de crédito identificando a pretensa data na qual se deu o desembolso dos recursos, o que não foi feito. Ademais não foi informada a DIRPF/2002 nenhuma dívida assumida com o Sr. Cícero Evaristo Mendanha Júnior. É de se prevalecer, portanto, a data de maio de 2001, como desembolso do valor de R$ 576.000,00, Conforme fazem prova a DIRPF/2002 e a Alteração Contatual. Quanto aos recursos provenientes de empréstimos contraídos junto a terceiros, o ônus de provar sua efetividade, como já afirmado, é do contribuinte. As notas promissórias apresentadas (fls. 328/330) por si só, não fazem prova perante o Fisco, já que são de emissão do próprio contribuinte. O título de crédito, bem como o fato de o empréstimo estar consignado na declaração do mutuário e do mutuante não podem ser considerados como meio suficiente de prova, pois não basta a alegação de que o empréstimo existiu, mas, exige-se a comprovação do empréstimo baseada em outros meios, como a transferência de numerário, coincidente em datas e valores (por exemplo cheque nominativo ou DOC entre contas), e, se possível, a prova da devolução dos valores tomados em empréstimo, ou seja, prova do pagamento da nota promissória. Contudo, nenhuma comprovação consta do processo, nem da entrada desses valores, tampouco da devolução dos mesmos, pelo que tais valores não podem ser aceitos como recurso na planilha de evolução patrimonial. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECLARADOS INDEVIDAMENTE COMO DA "ATIVIDADE RURAL” Conforme Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte, apesar de intimado não apresentou qualquer documento comprobatório de que os rendimentos informados nos Anexos de Atividade Rural dos anos-calendário de 2000 e 2001, se referiam efetivamente a rendimentos da atividade rural motivo pelo qual, já que o contribuinte optou por tributar 20% da receita bruta, a parcela isenta dos rendimentos provenientes da atividade rural foram reclassificados de rendimentos isentos para rendimentos tributáveis. Na impugnação apresentada o recorrente alega que os contratos de transferência de arrendamentos de fls. 332 a 337, provam a origem dos rendimentos declarados. Contudo, não é o que se verifica nos autos. Os contratos de subarrendamento de fls. 333/334 e 336/337, apesar de devidamente registrados no 1° Serviço Notorial e Registral da Comarca de Barra do Graças — MT (Certidões de fls. 332 e 335), comprovam apenas a existência do negócio entre as partes, não comprovando, porém, a origem dos rendimentos informados nos Anexos de Atividade Rural. Não foram apresentadas as Notas Fiscais nem da venda de bezerros nem da venda de madeira, objetos dos contratos, nem, tampouco, repasse financeiro dos arrendatários. Assim, é de se manter a autuação como efetuada. Fl. 401DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-007.359 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.007167/2004-14 DA MULTA AGRAVADA. Com respeito à multa agravada, a sua aplicação está amparada no art. 44, I, § 2º da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351 de 22/01/2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007, que prevê o agravamento em 50% da multa de ofício de 75%, por falta de atendimento, no prazo estipulado, à intimação. (...) No caso vertente, o contribuinte foi intimado em 05/07/2004 (AR de fl. 34) a apresentar documentação no prazo de 15 dias. Protocolizou petição apenas em 27/07/2004 (fl. 35), solicitando prorrogação de prazo concedida até 10/08/2004, contudo nada apresentou. Novamente intimado em 28/10/2004 (AR de fl. 308), não respondeu à intimação. Assim, não paira nenhuma dúvida quanto à capitulação legal do fato, ou à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, pelo que não cabe fazer outra interpretação senão aquela aplicada pela fiscalização. Quanto às alegações de que não se comprovou a prática de qualquer fraude, é de se esclarecer que a multa de oficio aplicada quando comprovado o dolo do contribuinte é a de 150%, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, que não foi aplicada no lançamento em tela. Da Taxa SELIC Neste ponto, aduz o Recorrente que a cobrança de encargos pela variação da taxa SELIC é ilegal tendo em vista que esse acréscimo não foi criado pelo instrumento adequado (LEI), conforme já se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça. Sobre o tema, cumpre transcrever as Súmulas CARF nºs 2 e 4, de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Neste contexto, voto por negar provimento ao recurso voluntário neste particular. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 402DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000849/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2006
SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO. IMPEDIMENTO. SÓCIO DETENTOR DE 10% OU MAIS DE QUOTAS SOCIAIS COM PARTICIPAÇÃO EM OUTRAS EMPRESAS, EXTRAPOLANDO O LIMITE DE RECEITAS. FALECIMENTO DO SÓCIO. TRANSMISSÃO DAS QUOTAS SOCIAIS AOS SUCESSORES. FORMALIZAÇÃO. CESSAÇÃO DO IMPEDIMENTO. PREVALÊNCIA DA ESSÊNCIA SOBRE A FORMA.
Com a transmissão efetiva da propriedade das quotas pertencentes ao espólio, de forma individualizada, à pessoas distintas, por força da partilha homologada judicialmente, deixa de existir a situação de coincidência entre os quadros sociais da empresa recorrente e das demais empresas, das quais o de cujus era sócio em comum e não mais subsiste a situação impeditiva para a adesão ao Simples por parte da recorrente, a despeito de ainda não haver sido formalizada a alteração de seu contrato social.
A situação impeditiva, prevista no art. 9º, inc. IX da Lei nº 9.317/1996, tem o intuito de impedir a formação de grupos de empresas sob controle comum que, em conjunto, busquem se aproveitar dos benefícios fiscais do Sistema Simples, mediante o artifício de pulverização da participação dos sócios em cada empresa, de forma a burlar os limites para adesão ao sistema simplificado.
A toda evidência não é o que se vislumbra a partir do desfazimento da participação societária detida em comum pelo mesmo sócio, proporcionado pela partilha dos bens do de cujus, ex-sócio da recorrente.
Seria de extremo rigor formal impedir a adesão da recorrente ao Simples, tão só pelo fato de não haver promovido, em tempo hábil, a alteração do contrato social antes do início do exercício social no qual pleiteia o ingresso no Simples. A situação fática, claramente demonstrada, deve prevalecer sobre a forma.
Numero da decisão: 1302-003.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2006 SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO. IMPEDIMENTO. SÓCIO DETENTOR DE 10% OU MAIS DE QUOTAS SOCIAIS COM PARTICIPAÇÃO EM OUTRAS EMPRESAS, EXTRAPOLANDO O LIMITE DE RECEITAS. FALECIMENTO DO SÓCIO. TRANSMISSÃO DAS QUOTAS SOCIAIS AOS SUCESSORES. FORMALIZAÇÃO. CESSAÇÃO DO IMPEDIMENTO. PREVALÊNCIA DA ESSÊNCIA SOBRE A FORMA. Com a transmissão efetiva da propriedade das quotas pertencentes ao espólio, de forma individualizada, à pessoas distintas, por força da partilha homologada judicialmente, deixa de existir a situação de coincidência entre os quadros sociais da empresa recorrente e das demais empresas, das quais o de cujus era sócio em comum e não mais subsiste a situação impeditiva para a adesão ao Simples por parte da recorrente, a despeito de ainda não haver sido formalizada a alteração de seu contrato social. A situação impeditiva, prevista no art. 9º, inc. IX da Lei nº 9.317/1996, tem o intuito de impedir a formação de grupos de empresas sob controle comum que, em conjunto, busquem se aproveitar dos benefícios fiscais do Sistema Simples, mediante o artifício de pulverização da participação dos sócios em cada empresa, de forma a burlar os limites para adesão ao sistema simplificado. A toda evidência não é o que se vislumbra a partir do desfazimento da participação societária detida em comum pelo mesmo sócio, proporcionado pela partilha dos bens do de cujus, ex-sócio da recorrente. Seria de extremo rigor formal impedir a adesão da recorrente ao Simples, tão só pelo fato de não haver promovido, em tempo hábil, a alteração do contrato social antes do início do exercício social no qual pleiteia o ingresso no Simples. A situação fática, claramente demonstrada, deve prevalecer sobre a forma.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.000849/2006-51
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6025005
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.646
nome_arquivo_s : Decisao_11080000849200651.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 11080000849200651_6025005.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7804446
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120246124544
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-28T17:38:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-28T17:38:22Z; Last-Modified: 2019-06-28T17:38:22Z; dcterms:modified: 2019-06-28T17:38:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-28T17:38:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-28T17:38:22Z; meta:save-date: 2019-06-28T17:38:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-28T17:38:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-28T17:38:22Z; created: 2019-06-28T17:38:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-06-28T17:38:22Z; pdf:charsPerPage: 2311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-28T17:38:22Z | Conteúdo => S1-C 3T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11080.000849/2006-51 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-003.646 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2019 Recorrente MARTINS INCORPORADORA E EXP DE FRUTAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2006 SIMPLES. PEDIDO DE INCLUSÃO. IMPEDIMENTO. SÓCIO DETENTOR DE 10% OU MAIS DE QUOTAS SOCIAIS COM PARTICIPAÇÃO EM OUTRAS EMPRESAS, EXTRAPOLANDO O LIMITE DE RECEITAS. FALECIMENTO DO SÓCIO. TRANSMISSÃO DAS QUOTAS SOCIAIS AOS SUCESSORES. FORMALIZAÇÃO. CESSAÇÃO DO IMPEDIMENTO. PREVALÊNCIA DA ESSÊNCIA SOBRE A FORMA. Com a transmissão efetiva da propriedade das quotas pertencentes ao espólio, de forma individualizada, à pessoas distintas, por força da partilha homologada judicialmente, deixa de existir a situação de coincidência entre os quadros sociais da empresa recorrente e das demais empresas, das quais o de cujus era sócio em comum e não mais subsiste a situação impeditiva para a adesão ao Simples por parte da recorrente, a despeito de ainda não haver sido formalizada a alteração de seu contrato social. A situação impeditiva, prevista no art. 9º, inc. IX da Lei nº 9.317/1996, tem o intuito de impedir a formação de grupos de empresas sob controle comum que, em conjunto, busquem se aproveitar dos benefícios fiscais do Sistema Simples, mediante o artifício de pulverização da participação dos sócios em cada empresa, de forma a burlar os limites para adesão ao sistema simplificado. A toda evidência não é o que se vislumbra a partir do desfazimento da participação societária detida em comum pelo mesmo sócio, proporcionado pela partilha dos bens do de cujus, ex-sócio da recorrente. Seria de extremo rigor formal impedir a adesão da recorrente ao Simples, tão só pelo fato de não haver promovido, em tempo hábil, a alteração do contrato social antes do início do exercício social no qual pleiteia o ingresso no Simples. A situação fática, claramente demonstrada, deve prevalecer sobre a forma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 08 49 /2 00 6- 51 Fl. 204DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.646 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.000849/2006-51 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Fl. 205DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.646 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.000849/2006-51 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 10-19.798 - 6ª Turma da DRJ/Porto Alegre/RS, proferido em 05/06/2009, que indeferiu a solicitação de reinclusão do contribuinte no Sistema Simples a partir de 01/01/2006, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES - SÓCIO OU TITULAR PARTICIPA DE OUTRA EMPRESA COM MAIS DE 10% DO CAPITAL SOCIAL E A RECEITA BRUTA GLOBAL ULTRAPASSA O LIMITE LEGAL. EFEITOS. Constatada a participação de sócio ou titular com mais de 10% no capital social de outra empresa e a receita bruta global ultrapassar o limite legal, é devida a exclusão, com base no art. 9°, inciso IX, da Lei do Simples. Cientificada em 16/09/2009 (fls. 184), a recorrente apresentou recurso voluntário em 15/10/2009 (fls. 194 e segs), no qual alega, em síntese: a) que a empresa foi excluída do Simples, com base no art. 9º inc. IX da Lei nº 9.317/1996, tendo em vista que o sócio Fernando Ravazolo Martins, que tinha participação superior a 10% do capital social, também integrava outra sociedade e, em razão da soma das receitas das empresas teria sido ultrapassado o limite legal para a opção ao Simples. b) que, contudo, o sócio Fernando Ravazzolo Martins faleceu em 15/12/1998 e portanto não subsistiria mais o motivo da exclusão; c) que os julgadores de primeira instância louvaram-se nos termos do art. 26 do Decreto n°. 70.235/1972 para proclamar que não poderiam deixar de cumprir os termos da legislação (do SIMPLES) para atender ao pedido da empresa recorrente, não atentando para o fato de que os dispositivos invocados são dispositivos de lei federal, mais precisamente do Código Tributário Nacional (art. 110) e do Código Civil (art. 1784), os quais foram violados pela decisão recorrida, pois se há dispositivos de lei que devem ser aplicados no presente, caso, tais normas são as acima citadas. d) que tendo o sócio falecido em 15 de dezembro de 1998, a partir de tal data, ele deixou de ser o titular das quotas das quais era proprietário; e) que o Código Civil Brasileiro, art. 1.784, prescreve que a morte é momento a partir do qual se dá por aberta a sucessão e, em razão disso, ocorre a transmissão da herança aos herdeiros legítimos e testamentários. Ou seja, a morte do sócio faz com que este (de cujus) deixe de ser o proprietário dos bens transmitidos a título de herança; Fl. 206DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.646 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.000849/2006-51 f) que a partir do falecimento do Sr. Fernando Ravazolo Martins, as quotas que até então lhe pertenciam foram transmitidas aos seus herdeiros, de modo que ele deixou de ser o seu titular e, por isso, no ano de 2002, data em que foi constatada a superação do limite legal da receita bruta, não era mais o sócio da empresa impugnante, pois já havia falecido; g) que o fato de a partilha dos bens do Sr. Fernando Ravazolo Martins ter sido implementada somente em 2006 e, com ela, ter ocorrido a alteração do contrato social perante a Junta Comercial do Rio Grande do Sul, não altera a situação, pois para todos os efeitos, inclusive tributários, a partir de 1999, o Sr. Fernando Ravazolo Martins não era mais o sócio da empresa. Portanto, seja para a finalidade prevista no art. 9° da Lei n°. 9.317/96, seja para o efeito de apuração do imposto de renda da pessoa física, o Sr. Fernando Ravazolo Martins não mais possuía personalidade jurídica e, conseqüentemente, não integrava mais a sociedade limitada; h) que o CTN é expresso ao afirmar que "os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo, e do alcance de seus institutos, conceitos e formas (...)" (art. 109), sendo vedado ao administrador público, no âmbito das relações tributárias, ignorar o conteúdo das definições dos institutos de direito privado prescrito pelas leis de tal ramo do direito positivo; i) que o art. 110 do CTN, estabelece que a definição do espectro material de competência tributária não pode ignorar as definições trazidas no bojo das normas dos demais ramos do direito positivo j) que a alteração do contrato social da recorrente perante a Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul só não foi implementada antes de 2006 porque havia uma decisão exarada pelo Juiz em que tramitou o inventário impedindo qualquer transferência de quotas até ordem em contrário. Ao final requer, verbis: ANTE O EXPOSTO, REQUER o provimento ao presente recurso para o fim de desconstituir o ato de exclusão do SIMPLES mediante a reinclusão retroativa da empresa no sistema desde a data em que houve o seu afastamento, com a conseqüente baixa de todas e quaisquer restrições que tenham resultado do ato de exclusão. Requer, também, seja exarada autorização à empresa para que possa aderir ao SIMPLES NACIONAL para o exercício de 2008 (sic). É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.646 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.000849/2006-51 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende as pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. Preliminarmente à análise do recurso, é importante delimitar a lide. No requerimento apresentado (fls. 2/4) a contribuinte pede a inclusão no Simples a partir de 01/01/2006, uma vez que teria regularizado os débitos existentes anteriormente dentro do prazo legal. A decisão da autoridade competente (fls. 155) também limita a análise do pedido à sua inclusão no sistema a partir de 01/01/2006, nos termos do que foi solicitado, indeferindo o pedido sob o fundamento de que permanecia vigente a situação que havia causado a exclusão da empresa do Simples em 2002, verbis: O presente processo foi aberto, por solicitação do interessado, para que a PJ fosse incluída no SIMPLES a partir de 01-01-2006, tendo em vista que os débitos, razão pelo qual houve a exclusão, foram quitados integralmente em 30-01- 2006. Ocorre que o contribuinte foi excluído do sistema simplificado, em 01- 01- 2002, por possuir sócio (FERNANDO RAVAZOLO MARTINS, CPF 070.665.460- 91) com mais de 10% do Capital Social e a receita global ultrapassou o limite legal. Examinando os extratos fornecidos por esta RFB (fl. 40), vê-se que o referido sócio, citado acima, foi excluído da sociedade em 28-04-2006, não sendo, desta forma, solucionado o motivo pelo qual o interessado foi excluído do SIMPLES a partir de 01- 01-2002, até 31-01-2006, data limite para a opção pelo SIMPLES com data de efeito a partir de 01-01- 2006. Informamos também que as declarações entregues na forma simplificada, referentes aos exercícios em questão, serão canceladas, devendo o contribuinte apresentar as declarações sob outra forma de tributação. Desta forma, propomos a ciência da PJ, com posterior envio ao arquivo- GRA por um período de 05 anos. O acórdão recorrido, por sua vez, com bastante propriedade adverte que não compete à autoridade julgadora apreciar o pedido de adesão no Simples Nacional a partir de 2008, verbis: Quanto à solicitação de que seja autorizada a empresa para que possa aderir ao SIMPLES NACIONAL para o exercício de 2008 (fls. 165), abstenho-me de manifestar-me a respeito, haja vista que a adesão a este sistema simplificado de recolhimento de tributos é de iniciativa da requerente , o que deverá ser efetivado atendendo aos requisitos legais estipulados na legislação aplicável. Fl. 208DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.646 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.000849/2006-51 Isto posto, não ofereço qualquer reparo à manifestação de SECAT da DRF/POA de fls. 155 eis que prolatado com fulcro na legislação que rege a matéria. Aprecio, pois, em meu voto, somente o pedido da impugnante trazido em sua Manifestação de Inconformidade de fls. 157 a 165, sem perquirir, no mérito, qualquer outra matéria, eis que não colacionada aos autos. Assim, a análise da matéria recursal se circunscreverá ao pedido de inclusão no Simples Federal a partir de janeiro de 2006. Passo ao exame das alegações da recorrente. A recorrente alega que, por força do art. 1784 do Código Civil, o sócio Fernando Ravazolo Martins, que falecera em 15/12/1998, não era mais o proprietário das cotas detidas empresa recorrente, mas sim os seus herdeiros. Com efeito, assim dispõe o art. 1784 do CC, verbis: Art. 1.784. Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários. Ocorre que, embora haja a transmissão aos herdeiros, enquanto não realizada a partilha, a herança é um todo unitário, pertencente ao conjunto de sucessores, em condomínio, nos termos do art. 1791 do mesmo código, verbis: Art. 1.791. A herança defere-se como um todo unitário, ainda que vários sejam os herdeiros. Parágrafo único. Até a partilha, o direito dos co-herdeiros, quanto à propriedade e posse da herança, será indivisível, e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio. Ora, diante de tal regra, a outra sócia da empresa, Sra. Maria Madalena Melo Martins, que era casada em regime de comunhão universal de bens com o sr. Fernando Ravazolo, teria direito à meação dos bens possuídos pelo casal e enquanto não feita a partilha, com a individualização dos quinhões pertencentes a cada herdeiro, passou a deter a titularidade, em condomínio com os demais sucessores legais e testamentários, das quotas que outrora eram da titularidade do de cujus, seja na empresa recorrente, seja nas demais empresas em que o mesmo detinha cotas, de sorte que, até a conclusão da partilha, não haveria alteração do quadro fático que levou a empresa a ser excluída do Simples, posto que a Sra. Maria Madalena passaria a ser co-titular das quotas em ambas a empresa, mantendo-se a situação impeditiva. Não obstante, entendo que, uma vez homologada a partilha e individualizado o quinhão pertencente a cada um dos sucessores, a situação deve ser reexaminada, independente da formalização da transmissão das cotas sociais nos atos constitutivos perante a Junta Comercial. Examinando os autos, verifica-se, às fls. 130/143, que as cotas da empresa recorrente foram pagas (adjudicadas) à Sra. Maria Madalena Melo Martins, por conta da meação a que fazia jus, em 13/10/2005, nos termos da decisão homologatória do Juizado do Sétimo Cartório de Família e Sucessões (fls. 127/129), proferida naquela mesma data. Fl. 209DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.646 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11080.000849/2006-51 De outra parte, consta também dos autos, o pagamento (adjudicação) feito em favor do Espólio de Antonio Ravazolo Martins (fls. 149/150), das quotas detidas pelo Sr. Fernando Ravazolo, nas empresas: Promotora de Garagens Ltda (17%); Parking Ltda Estacionamento de Automóveis (4 quotas); e Sociedade de Garagens Ltda (7 quotas sociais). Com a transmissão efetiva da propriedade das quotas pertencentes ao espólio de Fernando Ravazolo Martins, de forma individualizada, à distintas pessoas, por força da partilha homologada judicialmente, deixou de existir a situação de coincidência entre os quadros sociais da empresa recorrente e das demais empresas, das quais o Sr. Fernando Ravazolo era sócio em comum. Desta feita, entendo que em 1º de janeiro de 2006, não mais subsistia a situação impeditiva para a adesão ao Simples por parte da recorrente, a despeito de ainda não haver sido formalizada a alteração de seu contrato social. Entendo que a situação impeditiva, prevista no art. 9º, inc. IX da Lei nº 9.317/1996, tem o intuito de impedir a formação de grupos de empresa sob controle comum que, em conjunto, busquem se aproveitar dos benefícios fiscais do Sistema Simples, mediante o artifício de pulverização da participação dos sócios em cada empresa, de forma a burlar os limites para adesão ao sistema simplificado. A toda evidência não é o que se vislumbra a partir do desfazimento da participação societária detida em comum pelo mesmo sócio, proporcionado pela partilha dos bens do de cujus, ex-sócio da recorrente. Seria de extremo rigor formal impedir a adesão da recorrente ao Simples, a partir do ano-calendário 2006, tão só pelo fato de não ter promovido, em tempo hábil, a alteração do contrato social antes do início daquele exercício social. Entendo que a situação fática, claramente demonstrada, deve prevalecer sobre a forma. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, de forma a reconhecer o direito da recorrente a aderir ao sistema Simples a partir de 01/01/2006. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900674/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.900674/2014-13
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020829
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.382
nome_arquivo_s : Decisao_10880900674201413.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 10880900674201413_6020829.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7785118
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120251367424
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-13T12:45:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-13T12:45:49Z; Last-Modified: 2019-06-13T12:45:49Z; dcterms:modified: 2019-06-13T12:45:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-13T12:45:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-13T12:45:49Z; meta:save-date: 2019-06-13T12:45:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-13T12:45:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-13T12:45:49Z; created: 2019-06-13T12:45:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-06-13T12:45:49Z; pdf:charsPerPage: 2224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-13T12:45:49Z | Conteúdo => S2-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10880.900674/2014-13 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-006.382 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2019 Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 06 74 /2 01 4- 13 Fl. 57DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.382 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900674/2014-13 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 58DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.382 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900674/2014-13 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 59DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.382 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900674/2014-13 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 60DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.382 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900674/2014-13 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 61DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.382 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900674/2014-13 Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.906528/2012-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.065
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13819.906528/2012-63
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020306
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-002.065
nome_arquivo_s : Decisao_13819906528201263.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 13819906528201263_6020306.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
dt_sessao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7780881
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120256610304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.906528/201263 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402002.065 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de maio de 2019 Assunto PIS/COFINS Recorrente SADA TRANSPORTES E ARMAZENAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 06 52 8/ 20 12 -6 3 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13819.906528/201263 Resolução nº 3402002.065 S3C4T2 Fl. 3 2 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). (...) Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário afirmando que a razão pela qual procedeu com a redução do valor da COFINS a pagar no período decorre: (i) da isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte internacional de cargas; (ii) do direito de aproveitar 100% (cem por cento) dos créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e, por fim: (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas. Afirma que traz a documentação fiscal e contábil suporte do crédito pleiteado. Caso não entenda pela suficiência da documentação, requer a conversão do processo em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.050, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906514/201240. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.050): "Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e da DCTF antes da transmissão do PER para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes destes documentos fiscais, em conformidade com o art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional CTN. Buscando respaldar o seu crédito, o contribuinte anexou aos autos balancete analítico, razão analítico de algumas contas contábeis e planilhas elaboradas pelo sujeito passivo que demonstrariam o crédito. Contudo, observese primeiramente que as planilhas elaboradas pelo sujeito passivo não fazem uma clara diferenciação entre as informações que foram declaradas originariamente na DCTF e no DACON, comparativamente com as informações que foram retificadas. O contribuinte apenas apresentou quais informações estariam respaldando sua declaração retificadora, sem deixar claro o que foi modificado. No Recurso Voluntário, a empresa afirma que a modificação se refere (i) a isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13819.906528/201263 Resolução nº 3402002.065 S3C4T2 Fl. 4 3 internacional de cargas; (ii) créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas seca e automóveis. Contudo, o balancete analítico e o razão não detalham estas operações que foram postas em discussão no Recurso Voluntário. Com efeito, a única conta contábil relevante para a presente discussão que foi discriminada no razão contábil é a conta 3121009 (seguros transp. carga seca efl. 204), inexistindo detalhamento semelhante para a conta de seguros de transporte de automóveis. Quanto às receitas de prestação de serviço de transporte internacional, observase que o balancete analítico não segrega o valor correspondente à receita de prestação de serviço de transporte internacional. Os valores de receita de prestação de serviços estão todos agrupados em uma única conta contábil (4111002 efl. 127): Para demonstrar que a empresa auferiu receitas desta natureza, essencial que sejam apresentados documentos que confirmem a prestação de serviço internacional, dentre os quais o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário (CRT), o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro (MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio. Quanto ao crédito de empresas do SIMPLES Nacional, os valores dos fretes estão todos englobados em contas de "Fretes e Carretos Pessoa Física" e "Fretes e Carretos Pessoas Jurídicas", sem uma segregação específica das empresas que seriam optantes pelo SIMPLES. O razão analítico igualmente não faz qualquer distinção específica (efls. 192): Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13819.906528/201263 Resolução nº 3402002.065 S3C4T2 Fl. 5 4 Para ao menos respaldar as suas alegações, importante que o contribuinte comprove que as operações de frete se relacionam ao SIMPLES Nacional, evidenciando que efetivamente foram concretizadas operações com estas empresas no mês em questão. Seria relevante que o contribuinte apresentasse um levantamento exemplificativo de prestadores, evidenciando que seriam optantes pelo SIMPLES Nacional previsto na Lei Complementar n.º 126/2006. Assim, uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON e DCTF retificadores), acompanhado de documentos contábeis que confirmariam ao menos em parte suas alegações (em especial quanto às despesas de seguro de carga seca), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que possam confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13819.906528/201263 Resolução nº 3402002.065 S3C4T2 Fl. 6 5 (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.009593/2002-19
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 1997
NOVOS ARGUMENTOS APRESENTADOS NA FASE RECURSAL. PRECLUSÃO.
No processo administrativo tributário, o contribuinte deve impugnar lançamento contra ele realizado no prazo de 30 dias, oportunidade que deverá apresentar todos os argumentos e provas para demonstrar seu direito e ajudar na convicção do julgador, não o fazendo, preclui o direito de fazê-lo em momento posterior.
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A alegação de erro no preenchimento da DCTF deve ser acompanhado de documentação contábil-fiscal que comprove a existência do erro apontado, em obediência ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 1003-000.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 1997 NOVOS ARGUMENTOS APRESENTADOS NA FASE RECURSAL. PRECLUSÃO. No processo administrativo tributário, o contribuinte deve impugnar lançamento contra ele realizado no prazo de 30 dias, oportunidade que deverá apresentar todos os argumentos e provas para demonstrar seu direito e ajudar na convicção do julgador, não o fazendo, preclui o direito de fazê-lo em momento posterior. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A alegação de erro no preenchimento da DCTF deve ser acompanhado de documentação contábil-fiscal que comprove a existência do erro apontado, em obediência ao princípio da verdade material.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.009593/2002-19
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6024587
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1003-000.720
nome_arquivo_s : Decisao_10166009593200219.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 10166009593200219_6024587.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
id : 7803210
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120292261888
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-26T23:18:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-26T23:18:13Z; Last-Modified: 2019-06-26T23:18:13Z; dcterms:modified: 2019-06-26T23:18:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-26T23:18:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-26T23:18:13Z; meta:save-date: 2019-06-26T23:18:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-26T23:18:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-26T23:18:13Z; created: 2019-06-26T23:18:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-06-26T23:18:13Z; pdf:charsPerPage: 1552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-26T23:18:13Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10166.009593/2002-19 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-000.720 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 04 de junho de 2019 Recorrente HOSPITAL SANTA LUZIA S A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 1997 NOVOS ARGUMENTOS APRESENTADOS NA FASE RECURSAL. PRECLUSÃO. No processo administrativo tributário, o contribuinte deve impugnar lançamento contra ele realizado no prazo de 30 dias, oportunidade que deverá apresentar todos os argumentos e provas para demonstrar seu direito e ajudar na convicção do julgador, não o fazendo, preclui o direito de fazê-lo em momento posterior. ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A alegação de erro no preenchimento da DCTF deve ser acompanhado de documentação contábil-fiscal que comprove a existência do erro apontado, em obediência ao princípio da verdade material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 95 93 /2 00 2- 19 Fl. 176DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.720 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.009593/2002-19 Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 03-32.390, de 30 de julho de 2009, da 4ª Turma da DRJ/BSA, que julgou o lançamento procedente em parte. Foi lavrado auto de infração de nº 0003208, em razão de auditoria interna nas DCTF apresentadas pela Recorrente do 3º e 4º trimestres de 1997 e foi identificado a falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, gerando um lançamento no importe de R$ 189.866,14 (fls. 71 a 74 do volume I). A Recorrente impugnou o auto de infração e apresentou documentação demonstrando os pagamentos não localizados pela fiscalização (fls. 01 a 70 do volume I). Em atenção à impugnação apresentada, a autoridade fiscal efetuou a revisão de ofício do lançamento e proferiu Despacho Decisório (fls. 96 a 98 do volume I), decidindo que os créditos tributários lançados por meio do auto de infração são parcialmente improcedentes, visto ter a Recorrente demonstrado os recolhimentos, em data anterior ao lançamento, para todos os débitos dos períodos de apuração da 1ª semana de julho de 1997 à 4ª semana de setembro de 1997, para o débito da 5ª semana de setembro de 1997 do IRRF (código de receita 1708), no valor de principal de R$ 285,10, e para todos os débitos dos períodos de apuração da 1ª semana de outubro de 1997 à 5ª semana de dezembro de 1997. Não houve recolhimento para o débito de IRRF, código de receita 0561, declarado para o período de apuração da 5ª semana de setembro de 1997, vencimento em 08/10/1997, no valor de R$ 9.166,06. A DRJ/BSA julgou procedente em parte o lançamento, para manter o crédito tributário constituído no valor de R$ 9.166,06, vide ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1997 Ementa: PROVAS Se na fase impugnatória a contribuinte comprova a improcedência do lançamento referente a tributos informados em DCTF: seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão qualquer, há que se cancelar a imponência da exigência fiscal correspondente. Por outro lado será mantido o valor do crédito tributário cujo recolhimento não for comprovado. Lançamento Precedente em Parte A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ no dia 28/09/2009 e, inconformada, apresentou recurso voluntário aos 28/10/2009, em razão dos fundamentos abaixo sintetizados: (i) Aduz que a manutenção do lançamento não deve prosperar, visto que afirma ter ocorrido erro no preenchimento da DCTF em relação ao período. Destaca que não fora notificada do citado erro pela Receita Federal. Declara que havia crédito oriundo de pagamento a maior anteriormente realizado e não utilizado, que os DARF apresentados na impugnação indicam pagamentos efetuados em outubro de 2007. Afirma que todos os períodos de apuração listados na impugnação estavam na mesma situação e, por isso, declara não ser possível concordar com a separação, em todo o período, apenas da 5ª semana de setembro como se os recursos a ela destinados houvessem sido alocados; Fl. 177DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.720 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.009593/2002-19 (ii) Eventual erro material no preenchimento da DCTF não tem o condão de gerar desconsideração das declarações e exigência de tributos. O que se poderia atribuir em relação à contribuinte seria descumprimento de obrigação acessória. Desconsiderar a declaração em razão de equívocos sanáveis afronta o princípio da legalidade e o direito constitucional de petição; (iii) Apresenta jurisprudência do CARF e do judiciário demonstrando que erros no preenchimento de DCTF não devem gerar exigências tributárias. (iv) Defende a Recorrente que a Receita Federal não teria justificado porque a 5ª semana de setembro de 1997 foi destacada das demais, ofendendo o princípio da ampla defesa e do contraditório; (v) Por fim, requereu a reforma do r. acórdão, para afastar o débito cobrado nos autos. A Recorrente não junta nenhum novo documento ao Recurso Voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. De inicio, observo que a competência para julgamento deste processo foi conferida pela Portaria CARF nº 146, de 12/12/2018. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. O auto de infração nº 0003208, lavrado pela Delegacia da Receita Federal em Brasília, contra o Hospital Santa Luzia, ora Recorrente, foi consequência de auditoria interna nas DCTFs originais apresentadas nos 3º e 4º trimestres de 1997. Segundo o relatório do Auto de Infração, não foram localizados os pagamentos ou recolhimentos de diversos débitos declarados. A Recorrente, intimada da lavratura do auto de infração, apresentou impugnação carreando aos autos documentos suficientes para comprovar ter havido equívoco no lançamento. A DRF de origem, antes de enviar o processo para análise da DRJ competente, de ofício, revisou os lançamentos do auto de infração e cancelou parte deles, mantendo apenas o seguinte: Código Receita PA Vencimento Valor principal 0561 5ª sem.SET/97 08.10.1997 9.166,06 Em relação ao lançamento acima destacado, a DRF não aceitou a as provas apresentadas com o seguinte fundamento: Fl. 178DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.720 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.009593/2002-19 (...) Na impugnação (fls.01), a interessada indica a existência de pagamentos para esse débito. Como comprovação, juntou cópia de DARF às fls.12, nos valores de R$ 2.652,79 e R$ 6.513,27, nos quais estão preenchidos período de apuração de 06/10/1997 (2ª semana de outubro de 1997) e vencimento em 15/10/1997. Esses DARF, por corresponderem ao débito de IRRF, código de receita 0561, da 2ª semana de outubro de 1997, também lançado no auto de infração (débito n° 2690523 - página 06 do auto de infração cópia de fls.07), a ele foram vinculados (fls.87). Em outras palavras, os pagamentos indicados pela Recorrente como sendo aqueles realizados para o débito em análise (5ª semana de setembro de 1997) foram, em verdade, alocados ao período próprio de apuração, qual seja, a 2ª semana de outubro de 1997, o qual também estava incluído na planilha apresentada no auto de infração. Logo, verifica-se, desde já, que o argumento apresentado no Recurso Voluntário de cerceamento de defesa não procede, visto que tanto no Despacho Decisório como no acórdão recorrido está bastante claro o motivo que levou a autoridade administrativa a destacar das demais a 5ª semana de setembro de 1997. O recolhimento não foi comprovado em relação ao período de apuração mantido como procedente. Pois bem, remanesce para análise em segunda instância administrativa apenas o lançamento no valor de R$ 9.166,06, referente ao código 0561, vencimento em 08/10/1997. Em razão da r. decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário e destacou ter havido erro de fato no preenchimento da DCTF, porque informou o período de forma equivocada. Declarando existir crédito oriundo de pagamento a maior anteriormente realizado e não utilizado, e que os DARF apresentados na impugnação indicam pagamentos efetuados em outubro de 2007. Embora tenha a recorrente informado 2007 na sua peça de defesa, o correto é outubro de 1997. De fato, os DARF constantes às fls. 12 foram pagos em outubro de 1997, contudo o período de apuração é 06/10/1997 e o recolhimento não identificado se refere ao período de apuração da 5ª semana de setembro de 1997. Compulsando os documentos constantes no processo não foi apresentado DARF referente ao período de apuração em discussão. Outrossim, foi apenas no Recurso Voluntário que a Recorrente informa ter havido erro no preenchimento da DCTF. A mesma não declarou tal equívoco nas instâncias anteriores, embora tenha sido notificada e cientificada de todas as decisões proferidas no presente processo. No processo administrativo tributário, o contribuinte deve impugnar lançamento contra ele realizado no prazo de 30 dias, oportunidade que deverá apresentar todos os argumentos e provas para demonstrar seu direito e ajudar na convicção do julgador. Contudo, apenas em 2ª instância administrativa a Recorrente apresenta o fato de ter havido erro no preenchimento da DCTF, tal manifestação não foi analisada nem pela DRF nem pela DRJ. Não há no acórdão recorrido qualquer fundamentação em relação a tal questão, logo o fato novo apresentado está precluso. Visto que, em nenhum momento anterior do processo, eles foram ventilados, não tendo as instâncias anteriores se debruçado sobre tal análise. Não obstante a preclusão em relação à alegação de erro de fato no preenchimento da DCTF, é digno registrar que se houvesse prova nos autos para demonstrar tal equívoco, o processo poderia ser baixado em diligência para que as instâncias iniciais Fl. 179DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.720 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.009593/2002-19 analisassem a matéria, porém a Recorrente não colacionou aos autos nenhuma prova da existência do suposto erro. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito. Em razão disso, a DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF exige comprovação material, com fulcro no inciso III, §2º do art. 11 da Instrução Normativa RFB 786/2007: Estando o crédito tributário formalmente constituído pela DCTF original, e o Fisco agindo em consonância com o que foi formalmente constituído, para que se pudesse retificá-lo após o procedimento de ofício, seria necessária prova de sua inexatidão. Obrigatoriamente é preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova, e respectivos lastros documentais. A retificação da DCTF é possível mesmo após iniciado o procedimento fiscal, desde que o contribuinte apresente provas contábil-fiscais para demonstrar o erro de fato no preenchimento da DCTF. A determinação de apresentar os documentos comprobatórios da identificação de crédito anteriormente não declarado, longe de ser mero formalismo, é uma determinação legal, conforme determina o art. 147 da Lei nº 5.172/1966. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Em outras palavras, se o contribuinte equivocou-se no preenchimento da DCTF e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar o erro e qual o montante efetivamente devido e o período correto da apuração. De acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na impugnação "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Nos autos do processo, a Recorrente colacionou os DARF's objetos da controvérsia, contudo não foi demonstrado, através de documentos contábil-fiscais o erro no preenchimento da DCTF apontado no recurso voluntário e nas demais peças de defesa constante no processo. Outrossim, todos os documentos dos autos foram analisados e não foi possível concluir a existência do erro de fato apontado. Outrossim, é importante destacar que tais exigências são realizadas exatamente para que o princípio da verdade material seja observado. A Recorrente deveria ter colacionado aos autos os documentos contábil-fiscais da empresa, pois a autoridade fiscal poderia ter cancelado o lançamento de ofício, uma vez identificada a correição das retificações realizadas. O Fl. 180DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.720 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.009593/2002-19 contrário - aceitar a alegação de erro no preenchimento da DCTF sem os documentos contábeis indispensáveis, considerando apenas as declarações no recurso voluntário e cópias dos DARF - não é observar ao princípio da verdade material, mas agir de forma impudente, pois com base nas declarações e documentos constantes no processo não há como comprovar o equívoco no preenchimento da DCTF. Isto posto, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000075/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO DIREITO DE REDISCUTIR A MATÉRIA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura renúncia à discussão acerca do lançamento em sede de procedimento administrativo fiscal, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
Numero da decisão: 2301-006.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso.
João Maurício Vital Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO DIREITO DE REDISCUTIR A MATÉRIA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura renúncia à discussão acerca do lançamento em sede de procedimento administrativo fiscal, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16832.000075/2010-18
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6021293
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-006.036
nome_arquivo_s : Decisao_16832000075201018.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOAO MAURICIO VITAL
nome_arquivo_pdf_s : 16832000075201018_6021293.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso. João Maurício Vital Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
id : 7788724
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052120297504768
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-11T19:40:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-11T19:40:49Z; Last-Modified: 2019-06-11T19:40:49Z; dcterms:modified: 2019-06-11T19:40:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-11T19:40:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-11T19:40:49Z; meta:save-date: 2019-06-11T19:40:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-11T19:40:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-11T19:40:49Z; created: 2019-06-11T19:40:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-06-11T19:40:49Z; pdf:charsPerPage: 2102; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-11T19:40:49Z | Conteúdo => S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16832.000075/2010-18 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301-006.036 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de maio de 2019 Recorrente META - NÚCLEO DE PROJETOS E SERVIÇOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO DIREITO DE REDISCUTIR A MATÉRIA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura renúncia à discussão acerca do lançamento em sede de procedimento administrativo fiscal, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso. João Maurício Vital – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. Relatório Trata-se de lançamento de contribuição previdenciária, parte patronal e parte destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Giilrat) incidente sobre pagamentos efetuados a empregados e a contribuintes individuais, no período de 01 a 12 de 2005, consubstanciado no Debcad nº 37.263.183-5. Impugnado o lançamento, a impugnação foi considerada improcedente. Foi apresentado recurso voluntário (e-fls. 97 A 104) em que a recorrente alegou cerceamento do direito de defesa, pugnou por abater do lançamento os valores de contribuições AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 00 75 /2 01 0- 18 Fl. 455DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.036 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000075/2010-18 previdenciárias retidas quando da quitação das notas fiscais, contestou a incidência de contribuição sobre auxílio-alimentação pago in natura e alegou ser inadequada a aplicação da alíquota SAT indistintamente a todos os empregados. Em 08/08/2011, a recorrente aduziu, ao recurso voluntário, razões complementares em que, essencialmente, reforça o apelo para se aproveitar os valores retidos, que demonstra. A recorrente obteve decisão liminar (e-fl. 327 do Processo nº 16832.000073/2010- 29), nos termos abaixo, para que prosseguir na litigância administrativa, a despeito de solicitar o parcelamento do débito: DEFIRO A MEDIDA LIMINAR para autorizar que a Impetrante indique para parcelamento os débitos objetos dos recursos em trâmite perante o CARF sob o n° 16832.000075/2010-18, DEBCAD 37.263.183-5 e rt° 16832.00073/2010-29, DEBCAD 37.263.181-9, sem que tal conduta implique na desistência dos referidos recursos, possibilitando, ainda, posterior recálculo do valor consolidado no caso de procedência do pedido formulado pelo contribuinte perante a Administração, sendo que a manutenção dos recursos administrativos não seja óbice à consolidação do parcelamento previsto na Lei n 11.941/2009. A Autoridade Preparadora informou (e-fls. 339 a 342 do Processo nº 16832.000073/2010-29), ao juízo, que os débitos referentes aos Debcad nºs 37.263.181-9 e 37.263.183-5 foram parcelados. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo. Embora o contribuinte tenha parcelado o crédito tributário a que alude este processo, o que implica a desistência do litígio administrativo, ele obteve liminar para que fosse julgado o seu recurso. Entretanto, consultando a atual situação do mandado de segurança, Processo nº 0010154-25.2011.4.02.5101, verifica-se que a liminar foi revogada. Assim, o contribuinte, ao aderir a programa de parcelamento especial de débitos, renunciou à discussão acerca do lançamento em sede de procedimento administrativo fiscal, tornando definitivo o crédito tributário. Conclusão Voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 456DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.036 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.000075/2010-18 João Maurício Vital - Relator Fl. 457DF CARF MF
score : 1.0
