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Numero do processo: 10980.911533/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.264
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência para que unidade local da RFB, superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, e a eficácia deste, no tempo, verifique se remanesce o direito de crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência para que unidade local da RFB, superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, e a eficácia deste, no tempo, verifique se remanesce o direito de crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.911533/201066 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.264 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de outubro de 2017 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA DCOMP PIS/PASEP COFINS CUMULATIVAS Recorrente PROVILLE CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, vencido o Conselheiro Tiago Guerra Machado, em converter o julgamento em diligência para que unidade local da RFB, superada a questão referente a ser apenas inter partes a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em análise, e a eficácia deste, no tempo, verifique se remanesce o direito de crédito, detalhandoo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação por meio da qual o contribuinte pretende compensar débitos com suposto direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido. Foi emitido despacho decisório de não homologação em razão de o DARF indicado como origem do direito creditório encontravase integralmente utilizado para a quitação de débitos, não restando saldo disponível. Ciente deste despacho a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alega que o crédito decorre da declaração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 11 53 3/ 20 10 -6 6 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.911533/201066 Resolução nº 3401001.264 S3C4T1 Fl. 3 2 inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF relativamente ao § 1º, art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998 (em sede de Recurso Especial). Relata que recolheu e declarou (na DCTF) PIS do período, mas que devido à citada inconstitucionalidade surgiu para a empresa um indébito tributário dessa contribuição relativamente às receitas financeiras. Diz que utilizou o citado crédito na presente Dcomp e que os sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB não o localizaram porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras. A interessada, ainda, demonstra numericamente o crédito que diz possuir e argumenta que está amparada no art. 170 do CTN e que procedeu o aproveitamento do crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, que entende pertinente ao caso, e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição/compensação. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, confirmando a nãohomologação da compensação declarada, quanto aos fatos, pelo simples fato de não existir a comprovação do direito creditório informado na Domp; e quanto ao direito, por entender aplicável a disposição do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, até a sua revogação pela Lei n° 11.941/09, vez que a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo declarada pelo STF teria efeito apenas inter partes. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual, essencialmente, reitera a argumentação expressa na impugnação, adicionando planilhas e cópias de razões analíticos. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.249, de 24 de outubro de 2017, proferida no julgamento do processo 10980.910917/201061, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.249: O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.911533/201066 Resolução nº 3401001.264 S3C4T1 Fl. 4 3 Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às Contribuições para o PIS e a COFINS cumulativas, de que trata a Lei nº 9.718/98. A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por haver considerado nas bases de cálculo das contribuições sociais cumulativas, parcelas indevidas, em razão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, quanto aos fatos, pelo simples fato de não existir a comprovação do direito creditório informado na Dcomp; e quanto ao direito, por entender aplicável a disposição do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, até a sua revogação pela Lei n° 11.941/09, vez que a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo declarada pelo STF teria efeito apenas inter partes. Pois bem, entendo verossimilhantes as alegações e plausível o direito vindicado, quanto à possíveis efeitos da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, tendo em vista o julgamento do RE 585.235/MG, submetido a repercussão geral, do art. 543B, do CPC/1973, determinandose que a base de cálculo das contribuições sociais cumulativas seja o faturamento da empresa, assim considerado como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/15). Já quanto aos fatos, insurgese a recorrente contra o fundamento da decisão recorrida de não existir a comprovação do direito creditório informado na Domp; apresentando inícios de provas materiais, por meio de planilhas e cópias de razões analíticos. No Processo Administrativo Fiscal PAF, regido pelo Decreto n° 70.235/1972, art. 16, §4º “A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: [...] c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF relativamente ao §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não provado e inexistente o direito à repetição de indébito. Diante destas razões, posteriormente trazidas aos autos, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Do exposto, entendo presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, não havendo de se falar em Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.911533/201066 Resolução nº 3401001.264 S3C4T1 Fl. 5 4 preclusão de apresentação de prova documental nesse momento processual de recurso voluntário. Por outro lado, ainda que inícios de provas materiais, as planilhas e as cópias de razões analíticos, por si sós, não são suficientes à quantificação e comprovação do direito creditório pleiteado. Ressaltese, deve o contribuinte conservar seus livros comerciais e fiscais obrigatórios e respectivos comprovantes dos lançamentos enquanto durar as controvérsias sobre questões por esses documentos comprováveis, tendo em vista a obrigação de guarda até que ocorra a prescrição dos créditos tributários, nos termos do artigo 195, do CTN. Com essas considerações, entendo deva ser convertido o julgamento em diligência, para que a unidade jurisdicionante da Receita Federal, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontado nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluído os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único, do art. 35, do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade jurisdicionante da Receita Federa, competente para decidir sobre o direito de créditos/compensação de débitos, promova a devida quantificação e reconhecimento do direito creditório, apontando nas planilhas e cópias de razões analíticos, manifestandose sobre a homologação da compensação declarada. Concluídos os trabalhos da diligência, deverá ser elaborado Relatório conclusivo, do qual o sujeito passivo deverá ser cientificado, sendo concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.911539/2017-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Data do fato gerador: 31/01/2009
DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO.
O instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, é matéria de ordem
pública, que transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício
pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando
presentes os seus requisitos.
Numero da decisão: 3302-007.432
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 31/01/2009 DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. O instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, é matéria de ordem pública, que transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando presentes os seus requisitos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. O instituto da decadência, no âmbito do direito tributário, é matéria de ordem pública, que transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo, em qualquer instância recursal, quando presentes os seus requisitos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 15 39 /2 01 7- 38 Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.432 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911539/2017-38 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) transmitido eletronciamente, referente a COFINS indevidamente recolhida. A Derat São Paulo indeferiu o pedido por meio do despacho decisório, com o seguinte fundamento: “o crédito associado ao DARF acima identificado foi objeto de análise em PER/DCOMP anteriores que referenciam o mesmo pagamento, cuja decisão concluiu pela inexistência de crédito remanescente para utilização em novas compensações ou atendimento de pedidos de restituição.” Cientificada dos lançamentos, a contribuinte, tempestivamente, apresentou sua defesa, para afirmar que após a transmissão do PER, teria transmitido a Declaração de Compensação identificada, com base no mesmo pagamento indevido. Alegou que teria retificado a DCTF posteriormente à transmissão do PER, evidenciando o pagamento a maior. Na conclusão, o contribuinte solicitou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido nos autos, a reforma o despacho decisório, de forma a afastar o indeferimento da restituição, e a juntada de novos documentos. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sustentando, preliminarmente, que não haveria que se falar em suspensão de exigibilidade de crédito, já que não há débitos passíveis de cobrança. Também afastou a possibilidade de juntada posterior de documentos. Na decisão, foi observado que o valor total requerido no PER ora analisado havia sido solicitado através de Declaração de Compensação, não restando saldo passível de restituição. Registrou ainda que não caberia rediscutir o mérito do direito creditório nesses autos, posto que tal análise teria ocorrido em outro processo administrativo, referente a Dcomp, devidamente identificados. Regularmente intimada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde alega que o Pedido de Compensação referido na decisão da DRJ, que teria utilizado o crédito pleiteado, perdeu seu objeto, uma vez que os débitos correspondentes foram incluídos no Refis. Sustenta que aquela Dcomp não foi efetivamente homologada. Assim sendo, o direito ao ressarcimento remanesceria. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.432 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911539/2017-38 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.425, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.911543/2017-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.425): O Recurso Voluntário foi juntado aos autos em 21/03/2018, depois da ciência ocorrida em 23/02/2018, portanto a petição é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. I – Mérito: Infere-se do presente processo que o contribuinte pode até ter razão quando expressa o seu inconformismo contra o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação dele objeto, por ter comprovado que o pedido de compensação no qual a Delegacia disse que estava incluído, entre outros valores, o indébito em questão, não produziu os efeitos a que se destinava, ou seja, a utilização do indébito. Todavia, como o motivo determinante da negativa do pedido de compensação invocado, se deu pela mesma razão, ou seja, porque os valores respectivos já haviam sido alvo de aproveitamento, através de um terceiro pedido de compensação, da mesma forma, improvado o direito à compensação. Não se trata de inversão do ônus da prova, mas do ônus original. Quem pleiteia a restituição de indébito tributário deve provar (a) que efetuou o pagamento: o contribuinte comprovou; (b) que o pagamento foi indevido, o contribuinte provou. Mas também está sujeito à comprovação de que não havia feito compensação anterior. Este último requisito não ficou comprovado nos autos. O contribuinte até conseguiu comprovar que o aproveitamento através do PER/DECON 32882.55549.251109.1.3.04-0809 foi anulado com a sua não homologação e com o subsequente pedido de parcelamento. Só que a não homologação do citado evento se deu praticamente pelo mesmo motivo: ou seja, os valores pretendidos já haviam sido compensados. Restou, pois, comprovar que, no primeiro Pedido de Compensação, não estava incluído valor de R$ 241.893,33. Destarte, apesar de tudo, mesmo que não seja porque o valor cuja compensação pretendida no presente processo tenha como base um pagamento indevido (disto parece não pairar dúvida), a verdade é que o desenlace envolve o exame, a um só tempo, de três pedidos de compensação, todos envolvendo pagamentos indevidos, parte dos quais é o indébito de que cuidam os presentes os autos. O contribuinte conseguiu se desincumbir de provar que o II Pedido de Compensação foi anulado, mas não produziu prova de que, no I, não estivesse, igualmente, inserido o valor a repetir. II - Da matéria de ordem pública: Embora o contribuinte não tenha contestado em seu recurso voluntário os fundamentos da decisão recorrida no que concerne ao instituto da decadência, por conta da ocorrência da homologação tácita do crédito tributário constituído pela apresentação de DCTF, por tratar-se de matéria de ordem pública, portanto, cognoscível de ofício, conforme Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.432 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911539/2017-38 consagrado por sedimentada jurisprudência judicial e deste Conselho, na medida em que tem competência para reapreciar a matéria nesta oportunidade. Consta que a declaração de compensação foi entregue no dia 16.10.2009. A decisão que declarou não compensável o referido indébito fiscal foi proferida em 05/04/2017 e a ciência se deu em 13/04/2017. Em consequência tornou-se definitiva, por homologação tácita, a compensação levada a cabo pela empresa contribuinte. Assim sendo, embora o argumento não tenha sido deduzido pela contribuinte, na duas fazes em que interveio nos autos (manifestação de inconformidade e recurso voluntário), em obediência ao disposto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 entendo homologada tacitamente a referida compensação, e, em razão disto, tornou-se definitiva. Os acórdãos: 3003-000.068 e 3003-000.196 revelam a existência de precedentes, no sentido de que a decadência e a prescrição, por serem matérias de ordem pública, podem ser reconhecidas de ofício, a qualquer tempo, pelas autoridades julgadoras. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. Por setratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05.APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL-COFINS Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. (Acórdão nº 3003-000.068). (grifou-se) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997 PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/consultarJurisprudenciaCarf.jsf https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/consultarJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.432 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911539/2017-38 Por se tratar de matéria de ordem pública, a prescrição pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº. 11. APLICAÇÃO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA.DE PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em prescrição quando o processo administrativo fiscal está em curso, pendente de apreciação de recurso, uma vez que, nesse caso, a exigibilidade do crédito está suspensa ex vi do art. 151, III, do CTN. CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. AUTO COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA MESMA ESPÉCIE. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS NORMATIVOS. 1. Na vigência dos arts. 12, § 7º, 14, § 6º, e 17 da Instrução Normativa SRF 21/1997, a compensação de crédito, reconhecido por decisão judicial, exigia a apresentação de pedido instruído com (i) uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referia o crédito e da respectiva decisão judicial e, no caso de título judicial em fase de execução, (ii) do documento comprobatório da desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e do compromisso de assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. 2. O não cumprimento desses requisitos implica não homologação da autocompensação realizada na escrita contábil-fiscal, com a consequente cobrança dos débitos indevidamente compensados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1997 PIS/PASEP. AUDITORIA EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. PROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. O auto de infração concernente à falta de recolhimento de tributo declarado em DCTF deve ser mantido quando não há comprovação de sua compensação. Recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório, assim como a realização do encontro de contas consistente da compensação. Não há como ser afastada a autuação quando não restou comprovada, por meio da escrita fiscal, a compensação alegada. (Acórdão nº e 3003-000.196). (grifou-se) A hipótese é de decadência, uma vez que versa sobre homologação de compensação efetuada pela contribuinte, que a autoridade fiscal podia revisar no prazo de 5 (anos), findo o qual torna-se definitiva a extinção ocorrida sob condição resolutória. O dispositivo em comento tem o seguinte teor: “5 o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Pelos motivos acima, meu voto é pelo conhecimento e provimento do Recurso. É como voto. Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art17 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.833.htm#art17 Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.432 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.911539/2017-38 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11080.724745/2017-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2013
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA DA CONDUTA DOLOSA.
Identificada a situação descrita no inciso V do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006 e constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo, consoante previsão do artigo 29, §9º, II, da Lei Complementar nº 123/2006, é correta a exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional.
Numero da decisão: 1301-005.635
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Bianca Felicia Rothschild, que davam provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo Jose Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO
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PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO DA PRÁTICA DA CONDUTA DOLOSA. Identificada a situação descrita no inciso V do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006 e constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo, consoante previsão do artigo 29, §9º, II, da Lei Complementar nº 123/2006, é correta a exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Bianca Felicia Rothschild, que davam provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Esteves Borges, Rafael Taranto Malheiros, Bianca Felicia Rothschild, Marcelo Jose Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 47 45 /2 01 7- 98 Fl. 344DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-005.635 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724745/2017-98 Relatório Discute-se nos autos o Ato Declaratório Executivo (“ADE”) nº 02/2017 (fls. 260 do e-processo) lavrado para excluir o contribuinte do Simples Federal a partir de 2013, com sanção pelos próximos dez anos, conforme disposto no artigo 29, §§ 1º e 2º da Lei Complementar nº 123/2006, em razão da suposta prática reiterada de infração à legislação tributária, cuja previsão se encontra no artigo 29, V, da Lei Complementar nº 123/2006, constatada em representação fiscal constante das fls. 02/07 do e-processo. Segundo consta da referida representação fiscal: A presente fiscalização tem origem em procedimentos internos de análise, onde foi apurada à prática de omissão de receita, tida pelo comparativo dos valores das operações de venda contidas nas notas fiscais eletrônicas, em relação à receita bruta informada nos respectivos PGDAS mensais do SIMPLES NACIONAL, do ano de 2013. Tendo sido apurada omissão de receita no ano de 2013, foi encaminhada “Carta Alerta", a contribuinte demonstrando os valores da receita bruta mensal obtidas das notas fiscais eletrônicas de venda e os valores mensais declarados nos respectivos PGDAS, cujo objetivo do procedimento era a contribuinte apresentar justificativa para as diferenças apresentadas ou em sendo pertinentes tais diferenças, receita providenciar a sua auto regularização, em relação ao que a contribuinte simplesmente desconsiderou a comunicação da Receita Federal do Brasil contida na carta alerta. [...] Tendo em vista que o ponto central de análise da fiscalização diz respeito a apuração da efetiva receita bruta de venda, do ano de 2013, não houve maiores óbices para obter tais dados, pois foram baixadas as notas fiscais eletrônicas, nas quais apuramos o valor da receita bruta desse ano. Para demonstrar a omissão de receita de venda comparamos os valores obtidos das notas fiscais eletrônicas de venda em relação aos valores declarados mensalmente nos PGDAS, sendo verificado que a contribuinte omitiu receita em todos os meses do ano de 2013. [...] Prosseguindo ainda na análise da resposta, cumpre destacar que não houve nenhuma manifestação quanto ao solicitado no item 5 do Termo de Início do Procedimento Fiscal, no qual apresentamos as diferenças de receita bruta tida em relação aos valores constantes das notas fiscais eletrônicas e os valores mensais informados nos PGDAS mensais, do ano de 2013, o que para a fiscalização é sinal de consentimento no tocante a omissão de receita levantada pela fiscalização, a qual demonstramos na planilha intitulada de "DIFERENÇA APURADA PELO COMPARATIVO DAS NFe DE VENDA X PGDAS -RECEITA BRUTA", cujos valores transcrevemos abaixo: Fl. 345DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-005.635 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724745/2017-98 Com base no demonstrativo acima, fica evidente a prática reiterada de infração a legislação do Simples Nacional, relativa a omissão ocorrida em todos os meses do ano de 2013. Ainda com relação ao demonstrativo da omissão de receita, resta explicito que da receita bruta auferida no ano de 2013, a contribuinte declarou, nos PGDAS do 2013, apenas uma parte do seu valor, correspondente a 33,67% (R$ 712.230,97 / R$ 2.115.352,42 = 33,67%). Por outro lado, fica também demonstrado que o montante da omissão de receita anual foi da ordem de 66,33% (R$ 1.403.121,45 / R$ 2.115.352,42 = 66,33%). Em outras palavras, podemos afirmar que a contribuinte declarou, nos PGDAS, apenas 1/3 da receita bruta auferida, tendo omitido 2/3. [...] No tocante ao dispositivo legal que trata da prática reiterada de infração as normas do Simples Nacional, a doutrina interpretou que a reiteração de tal infração ocorre apenas no segundo mês da prática de omissão de receita, sendo esta uma interpretação bastante lógica, pois no primeiro mês ocorreu a infração de omissão de receita, efrúrelação a qual não podemos afirmar que a mesma traz em seu bojo a prátic^Kreiterada de^j infração a legislação do Simples Nacional, sendo consumada a reiteração apenà$ no/secundo/mês da ocorrência da mesma infração, que no caso foi a prática de omissão de receita. Para comprovar que no mês de janeiro de 2013 a contribuinte incorreu na prática reiterada de infração a legislação do Simples Nacional, relativa a omissão de receita, juntamos o PGDAS do mês de dezembro/2012, no qual a contribuinte declarou receita bruta de R$ 80.999,38 (oitenta mil, novecentos e noventa e nove reais e trinta e oito centavos) e planilha das notas fiscais eletrônicas de venda emitidas também no mês de dezembro/2012, onde está demonstrado que a receita bruta de venda desse mês foi de R$ 198.860,63 (cento e noventa e oito mil, oitocentos e sessenta reais e sessenta e três centavos), o que evidencia omissão de receita no mês de R$ 117.861,25 (cento dezessete mil, oitocentos e sessenta e um reais, vinte e cinco centavos), a qual representa em torno de 60% (sessenta por cento) da receita bruta tida nas notas fiscais de venda emitidas no mês, tendo em vista à apuração ter sido realizada pelo regime de competência. Para a fiscalização não resta dúvida de que já no mês de janeiro/2013, a contribuinte incorreu em prática reiterada de infração a legislação do Simples Nacional, contida na Lei Complementar n° 123, o que é fato determinante para se processar a exclusão da contribuinte desta sistemática de tributação simplificada, mediante expedição de Ato Fl. 346DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-005.635 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724745/2017-98 Declaratório Executivo, com efeitos a partir do mês da ocorrência da prática reiterada de infração a legislação em tela, ou seja janeiro/2013, haja vista que a legislação do Simples Nacional definir condutas que ensejam a exclusão desta sistemática de tributação. Devidamente cientificado da exclusão, o contribuinte alegou em síntese: a) Em relação ao Livro de Saída exigido pela fiscalização, conforme a Resolução CGSN n° 94/2011, não mais é válida essa exigência, somente a que diz respeito ao Livro de Entradas, razão pela qual deixou de apresentá-lo. Quanto aos extratos, não há lei que obrigue o contribuinte a conservá-los, bem como as pessoas jurídicas não fazem contabilidade com base em extratos, razão pela qual também deixou de apresentá-los; b) A exclusão do Simples Nacional é nula, pois não foi julgado o mérito do contencioso que ensejou a alegada prática de infração à legislação tributária, nem mesmo aberto prazo para a defesa da contribuinte. Enquanto não encerrado o procedimento fiscal, não há fundamentos para a exclusão do Simples Nacional, e entendimento contrário a este viola princípios constitucionais como o do contraditório e da ampla defesa; c) O procedimento fiscal somente pode ser instaurado e executado após a emissão do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal, que no caso não ocorreu no que se refere ao período de 2012. Portanto, não há como ser considerado o mês de dezembro de 2012, pois a exclusão, se mantida, só poderá produzir efeitos a partir do mês em que incorrida a falha, conforme dispõe o art. 29, § 1º da LC n 123/2006, limitando-se ao exercício de 2013. A aplicação retroativa gera evidente prejuízo ao contribuinte e infringe garantia assegurada constitucionalmente. d) A sanção tem caráter de confisco, é desproporcional e ofende o princípio da capacidade contributiva. Além disso, fere o direito de propriedade do contribuinte, assim como sua subsistência na justa medida, conferida pela máxima da dignidade da pessoa humana. e) A exclusão da contribuinte pelo prazo de dez anos fere o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade que devem permear a Administração Pública. Além do mais, não se pode comprovar que a empresa agiu de má-fé e em Fl. 347DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-005.635 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724745/2017-98 meios fraudulentos para com a Fiscalização, bem como não restou comprovada a intenção no cometimento do ilícito. f) Ademais, ocorreu tripla sanção: a) exclusão do Simples Nacional. b) exclusão pelo período de 10 anos; e c) incidência da multa em decorrência do procedimento fiscal. Em sessão de 27/09/2018, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (“DRJ/CGE”) julgou improcedente a defesa do contribuinte. Nos fundamentos do voto do relator (fls. 305/311 do e-processo): Nulidade da Exclusão. Julgamento Primeiro dos Lançamentos. A contribuinte argumentou que este processo sequer foi finalizado, pois não foi realizado qualquer lançamento, nem abriu-se prazo de defesa, e tendo em vista que o motivo da exclusão é a omissão de receita, deve ser julgado em primeiro lugar o mérito do contencioso que ensejou a alegada prática reiterada de infração à legislação tributária. Todavia, não procede sua asserção. Com efeito, ambos os processos podem processar-se independentemente, por falta de disposição legal específica. Nesse sentido, aliás, é o argumento decorrente da própria Súmula CARF nº 77, que diz: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Outrossim, ao contrário do que alegado, os lançamentos constam do processo nº 11070.721022/2017-56 no qual a contribuinte, notificada, não o impugnou. Mas mesmo que assim não fosse, caberia à contribuinte trazer à colação elementos que demonstrassem que a receita omitida apurada (v. Representação - fls. 04-05) não era aquela. Ora, a esse respeito a manifestante nada disse ou comprovou. A interessada invocou, ainda, violação de inúmeros princípios da Constituição Federal e da Lei nº 9.784/1999, tais como o da legalidade, motivação, moralidade, ampla defesa, razoabilidade etc. Ora, não cabe discussão da constitucionalidade de lei em sede administrativa consoante estabelece o caput do art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972 na redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 [...] Efeito Retroativo da Exclusão para janeiro de 2013. A impugnante questionou o fato de a fiscalização anotar que já em Dezembro de 2012 ocorrera omissão de receita de molde a ensejar ¾ já a partir de janeiro de 2013, em face de idêntica ocorrência ¾, a reiteração da infração. Fl. 348DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-005.635 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724745/2017-98 De fato, o § 1º do art. 29 da LC nº 123/2006 é claro ao estabelecer que a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a hipótese prevista no inciso V, ou seja, a partir de janeiro de 2013. De outra parte, a contribuinte não trouxe aos autos nenhum elemento que demonstrasse a inocorrência da omissão de receita em 12/2012 e, caso o fizesse, apenas o mês de janeiro/2013 não poderia ser tributado e computado para efeito de exclusão. Mas mesmo que não ocorresse omissão em dezembro de 2012, a nosso ver o que a norma prevista no inciso V do art. 29 se refere - prática reiterada de infração – diz respeito ao período fiscalizado, no caso o ano-calendário de 2013. Retroatividade dos efeitos da exclusão A legislação vigente, Lei Complementar nº 123/2006, é cristalina ao fazer incidir a exclusão a partir dos fatos que a ensejaram. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar se á quando: I - verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, dar-se-á: I - por opção; II - obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou III - obrigatoriamente, quando ultrapassado, no ano-calendário de início de atividade, o limite proporcional de receita bruta de que trata o § 2o do art. 3o; IV - obrigatoriamente, quando ultrapassado, no ano-calendário, o limite de receita bruta previsto no inciso II do caput do art. 3o, quando não estiver no ano calendário de início de atividade. Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) V - na hipótese do inciso IV do caput do art. 30: a) a partir do mês subsequente à ultrapassagem em mais de 20% (vinte por cento) do limite de receita bruta previsto no inciso II do art. 3º; b) a partir de 1o de janeiro do ano-calendário subsequente, na hipótese de não ter ultrapassado em mais de 20% (vinte por cento) o limite de receita bruta previsto no inciso II do art. 3º. Desta forma, existindo norma expressa dispondo sobre a retroação da norma que exclui a empresa do Simples Nacional, tendo em vista o motivo da exclusão, não há como acolher o pleito da contribuinte, sendo de rejeitar-se a preliminar de nulidade arguida. Sansão desproporcional. Ofensas aos princípios da capacidade contributiva e não- confisco Fl. 349DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-005.635 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724745/2017-98 A contribuinte aduziu que com a retroação houve violação dos princípios da capacidade contributiva e do não-confisco. Ora, como visto acima, descabe questionar a constitucionalidade das leis em vigor. Prazo de 10 (dez) anos de Exclusão A defendente arguiu que foi aplicado o disposto no § 2º do art. 29 da LC n 123/2006, que estabelece prazo de dez anos para exclusão do Simples Nacional, entendendo que as hipóteses ali elencadas não ocorreram [...] [...] a contribuinte desde dezembro de 2012, pelo menos, até dezembro de 2013, declarou receitas em valores muito inferiores aos faturados conforme suas notas fiscais, declarando cerca de 1/3 dos valores efetivamente praticados [...] [...] Vê-se pelo demonstrativo de fls. 05, que de um faturamento total no ano calendário de 2013 de R$ 2.115.352,42, foram declarados somente R$ 712.230,97, tendo a contribuinte omitido receitas no montante de R$ 1.403.121,45, com diferenças em todos os meses de forma reiterada! Dessa forma, ficou bem demonstrada "a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurável segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar" de que fala a lei acima transcrita. Logo, a exclusão por dez anos é de incidência obrigatória em face da tipificação da conduta observada pela impugnante. Tripla condenação (ofensa à proporcionalidade). A contribuinte sustentou que houve tripla condenação: a) exclusão retroativa a janeiro de 2013; b) exclusão com sansão por dez anos; e c) incidência de multas em decorrência de procedimento fiscal. Porém, não procede sua argumentação. A exclusão retroativa ocorreu a partir da data do fato ilícito e a exclusão por dez anos, sim, constituiu também sansão, sendo que o lançamento das diferenças apuradas, com os encargos legais, decorre do descumprimento das normas legais a que deu causa. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reitera todos os seus argumentos de defesa anteriormente apresentados. Questiona como seria possível a exclusão do Simples Nacional por meio de processo administrativo – no caso o presente – o qual sequer finalizou, não tendo sido nem mesmo realizado qualquer lançamento. Quantos aos argumentos fundados em princípios constitucionais, o contribuinte afirma que não teria sustentado a inconstitucionalidade de lei, mas sim violação a dispositivos Fl. 350DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-005.635 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724745/2017-98 constitucionais. Afirma que tão somente requer que sejam respeitadas a Constituição Federal e a Lei nº 9.784/1999. Afirma ainda que em nenhuma hipótese poderia lhe ser imputada uma pena antes mesmo da constatação do fato. Afirma que para ser excluído do regime é imperioso que primeiro deve ser analisado e julgado o mérito do contencioso que ensejou a alegada prática reiterada de infração. Seria nulo o ADE lavrado antes de encerrado procedimento de fiscalização. Também defende que não poderia ser considerado o prazo de dez anos sem a possibilidade de opção pelo regime, diante da ausência de comprovação da utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, Relator. Tempestividade Como se denota dos autos, o contribuinte tomou ciência acórdão recorrido em 26/10/2018 (fls. 315 do e-processo), apresentando o recurso voluntário, ora analisado, no dia 14/11/2018 (fls. 318 do e-processo), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. Portanto, é tempestiva a defesa apresentada e, por isso, deve ser analisada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Mérito Tendo em vista que o contribuinte não trouxe novos elementos de prova, nem tampouco novos fundamentos jurídicos hábeis e suficientes para refutar aquilo que já fora Fl. 351DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-005.635 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724745/2017-98 decidido pela instância a quo, peço as devidas vênias para reproduzir os argumentos constantes do acórdão recorrido, os quais merecem ser mantidos integralmente (fls. 305/311 do e-processo): Nulidade da Exclusão. Julgamento Primeiro dos Lançamentos. A contribuinte argumentou que este processo sequer foi finalizado, pois não foi realizado qualquer lançamento, nem abriu-se prazo de defesa, e tendo em vista que o motivo da exclusão é a omissão de receita, deve ser julgado em primeiro lugar o mérito do contencioso que ensejou a alegada prática reiterada de infração à legislação tributária. Todavia, não procede sua asserção. Com efeito, ambos os processos podem processar-se independentemente, por falta de disposição legal específica. Nesse sentido, aliás, é o argumento decorrente da própria Súmula CARF nº 77, que diz: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Outrossim, ao contrário do que alegado, os lançamentos constam do processo nº 11070.721022/2017-56 no qual a contribuinte, notificada, não o impugnou. Mas mesmo que assim não fosse, caberia à contribuinte trazer à colação elementos que demonstrassem que a receita omitida apurada (v. Representação - fls. 04-05) não era aquela. Ora, a esse respeito a manifestante nada disse ou comprovou. A interessada invocou, ainda, violação de inúmeros princípios da Constituição Federal e da Lei nº 9.784/1999, tais como o da legalidade, motivação, moralidade, ampla defesa, razoabilidade etc. Ora, não cabe discussão da constitucionalidade de lei em sede administrativa consoante estabelece o caput do art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972 na redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 [...] Efeito Retroativo da Exclusão para janeiro de 2013. A impugnante questionou o fato de a fiscalização anotar que já em Dezembro de 2012 ocorrera omissão de receita de molde a ensejar ¾ já a partir de janeiro de 2013, em face de idêntica ocorrência ¾, a reiteração da infração. De fato, o § 1º do art. 29 da LC nº 123/2006 é claro ao estabelecer que a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a hipótese prevista no inciso V, ou seja, a partir de janeiro de 2013. De outra parte, a contribuinte não trouxe aos autos nenhum elemento que demonstrasse a inocorrência da omissão de receita em 12/2012 e, caso o fizesse, apenas o mês de janeiro/2013 não poderia ser tributado e computado para efeito de exclusão. Mas mesmo que não ocorresse omissão em dezembro de 2012, a nosso ver o que a norma prevista no inciso V do art. 29 se refere - prática reiterada de infração – diz respeito ao período fiscalizado, no caso o ano-calendário de 2013. Retroatividade dos efeitos da exclusão Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-005.635 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724745/2017-98 A legislação vigente, Lei Complementar nº 123/2006, é cristalina ao fazer incidir a exclusão a partir dos fatos que a ensejaram. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar se á quando: I - verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, dar-se-á: I - por opção; II - obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou III - obrigatoriamente, quando ultrapassado, no ano-calendário de início de atividade, o limite proporcional de receita bruta de que trata o § 2o do art. 3o; IV - obrigatoriamente, quando ultrapassado, no ano-calendário, o limite de receita bruta previsto no inciso II do caput do art. 3o, quando não estiver no ano calendário de início de atividade. Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) V - na hipótese do inciso IV do caput do art. 30: a) a partir do mês subsequente à ultrapassagem em mais de 20% (vinte por cento) do limite de receita bruta previsto no inciso II do art. 3º; b) a partir de 1o de janeiro do ano-calendário subsequente, na hipótese de não ter ultrapassado em mais de 20% (vinte por cento) o limite de receita bruta previsto no inciso II do art. 3º. Desta forma, existindo norma expressa dispondo sobre a retroação da norma que exclui a empresa do Simples Nacional, tendo em vista o motivo da exclusão, não há como acolher o pleito da contribuinte, sendo de rejeitar-se a preliminar de nulidade arguida. Sansão desproporcional. Ofensas aos princípios da capacidade contributiva e não- confisco A contribuinte aduziu que com a retroação houve violação dos princípios da capacidade contributiva e do não-confisco. Ora, como visto acima, descabe questionar a constitucionalidade das leis em vigor. Prazo de 10 (dez) anos de Exclusão A defendente arguiu que foi aplicado o disposto no § 2º do art. 29 da LC n 123/2006, que estabelece prazo de dez anos para exclusão do Simples Nacional, entendendo que as hipóteses ali elencadas não ocorreram [...] Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-005.635 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724745/2017-98 [...] a contribuinte desde dezembro de 2012, pelo menos, até dezembro de 2013, declarou receitas em valores muito inferiores aos faturados conforme suas notas fiscais, declarando cerca de 1/3 dos valores efetivamente praticados [...] [...] Vê-se pelo demonstrativo de fls. 05, que de um faturamento total no ano calendário de 2013 de R$ 2.115.352,42, foram declarados somente R$ 712.230,97, tendo a contribuinte omitido receitas no montante de R$ 1.403.121,45, com diferenças em todos os meses de forma reiterada! Dessa forma, ficou bem demonstrada "a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurável segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar" de que fala a lei acima transcrita. Logo, a exclusão por dez anos é de incidência obrigatória em face da tipificação da conduta observada pela impugnante. Tripla condenação (ofensa à proporcionalidade). A contribuinte sustentou que houve tripla condenação: a) exclusão retroativa a janeiro de 2013; b) exclusão com sansão por dez anos; e c) incidência de multas em decorrência de procedimento fiscal. Porém, não procede sua argumentação. A exclusão retroativa ocorreu a partir da data do fato ilícito e a exclusão por dez anos, sim, constituiu também sansão, sendo que o lançamento das diferenças apuradas, com os encargos legais, decorre do descumprimento das normas legais a que deu causa. Ressalte-se que a nosso ver para que fique caracterizada a prática reiterada da infração, nos termos do artigo 29, V, combinado com o seu §9º, II, é indispensável a constatação da prática de conduta dolosa, ou seja, a utilização por parte do contribuinte de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. In casu, a nosso ver a comprovação da referida conduta fica bastante clara a partir do momento em que o contribuinte é intimado a apresentar documentos fiscais e o mesmo se nega sem base normativa que o autorize. Em sendo assim, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-005.635 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11080.724745/2017-98 Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11040.902814/2018-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-003.150
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade Preparadora proceda como solicitado: 1. Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entender necessários à análise do PER/DCOMP; 2. Proceda à análise do pedido, com base nos elementos apresentados pelo Contribuinte e outras informações disponíveis ou coletadas pela autoridade fiscal, e elabore parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; 3. Dê ciência ao contribuinte com a entrega de cópias do parecer/relatório e documentos colacionados aos autos para que exerça o contraditório, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.136, de 27 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11040.901723/2018-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entender necessários à análise do PER/DCOMP; 2. Proceda à análise do pedido, com base nos elementos apresentados pelo Contribuinte e outras informações disponíveis ou coletadas pela autoridade fiscal, e elabore parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; 3. Dê ciência ao contribuinte com a entrega de cópias do parecer/relatório e documentos colacionados aos autos para que exerça o contraditório, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.136, de 27 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11040.901723/2018-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 40 .9 02 81 4/ 20 18 -6 8 Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.150 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902814/2018-68 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento cumulado com Compensação, pelo qual a contribuinte pretende aproveitar crédito Contribuição Social não cumulativa (PIS/Pasep ou Cofins), o qual foi indeferido pela autoridade administrativa. Consta que a contribuinte foi intimada antes da prolação de decisão da autoridade da DRF para que providenciasse a retificação dos arquivos da EFD-Contribuições relativos aos meses em que se pleiteava os créditos ou apresentasse novo PER/DCOMP com a indicação correta dos valores apurados, em razão das inconsistências entre os valores informados nesses documentos. Conforme documentos dos autos, a contribuinte não atendeu à intimação, do que resultou na prolação do Despacho Decisório, emitido eletronicamente, que indeferiu o pleito e não homologou a compensação declarada sob o fundamento de não restar créditos após as deduções mensais permitidas. Após ciência, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou que os valores de créditos apurados estavam corretos e que se tratava apenas de divergência de informação, uma vez que constou corretamente na EFD o código 201 (crédito vinculado à receita não tributada no mercado interno) enquanto que na PER/DCOMP informou equivocadamente o código 101 (crédito vinculado à receita tributada no mercado interno). Afirmou ainda que efetuou “consulta” presencial na Unidade da RFB e aguarda notificação para apresentação de documentos comprobatórios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, estando dispensada de elaboração de ementa nos termos da Portaria RFB nº 2.724/2017. A decisão de Primeira Instância teve por fundamento para manter a não homologação da compensação pela autoridade fiscal: 1. As divergências entre EFD e PER/DCOMP foram detectadas na análise eletrônica do pedido, sendo objeto de Termo de Intimação o qual não foi atendido pela contribuinte; 2. A interessada não apresentou documentos que tenham subsidiado sua escrituração contábil e fiscal de forma a demonstrar o alegado equívoco; 3. Na qualidade de autora do pedido cabe à contribuinte demonstrar seu direito comprovando os fatos que alega conforme dispõe o art. 36 da Lei nº 9.784/1999 e art. 373, I do CPC, além da exigência de demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, nos termos do art. 170 do CTN; 4. A contribuinte apresentou apenas recibos de transmissão de declaração e escrituração, o que não supre o dever de comprovação do direito creditório; e 5. Aplica-se ao caso a preclusão prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, pois não configurada nenhuma das hipóteses para a dilação probatória previstas nas alíneas do § 4º. Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.150 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902814/2018-68 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual repisa em sua defesa os argumentos suscitados em manifestação de inconformidade acerca da divergência entre EFD e PER/DCOMP decorrente do equívoco na informação dos códigos em que se encontram consolidados os créditos na da não cumulatividade das Contribuições Sociais. Aduz que os produtos vendidos devem ser classificados no código 200 (relacionados à agroindústria: cereais), como efetuou corretamente na EFD, e não no código 101 que se relacionam a segmentos da indústria metalúrgica, têxtil e outras. Afirma que após receber Intimação da RFB buscou orientação em Unidade de sua jurisdição (RFB em Chuí/RS) e por não sanar sua dúvida, apresentou “impugnação à intimação”, sem que tenha obtido resposta; e mais, ao receber o despacho decisório, deparou-se com situação em que não lhe mais possível retificar o Pedido para sua correção. Contradiz o voto da DRJ na parte em que assevera o contribuinte manter-se inerte ao receber a intimação. Alega que, embora não tenha “apresentado a solução correta, foi atendida e respondida a intimação ... dentro do prazo oferecido”. Por fim, sustenta que não juntou as notas fiscais em razão de seu grande volume, porém, nos arquivos TXT enviados mensalmente é possível verificar a veracidade dos fatos. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Infere-se do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito no momento do encontro de contas. Constam dos autos que a decisão foi proferida após decorrido o prazo para a contribuinte atender intimação e providências de retificação da EFD-Contribuição ou do PER/DCOMP, sem sua manifestação. O sujeito passivo explicou na manifestação de inconformidade que incorreu em equívoco na prestação de informações atinentes ao código dos créditos a que tem direito, corretamente apontado como 200 na EFD, pois vinculado à receita não tributada no mercado interno, enquanto que na PER/DCOMP informou equivocadamente o código 101 (crédito vinculado à receita tributada no mercado interno). Aduz ainda que sua atividade produtiva relaciona-se ao cultivo de arroz, produto este com alíquota zero de PIS e Cofins (ou mesmo com saída Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.150 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902814/2018-68 suspensa) e conforme o Manual EFD os insumos com direito ao crédito devem ser alocados no Grupo 200, código CST 51 (Operação com direito a Crédito – Vinculada Exclusivamente a Receita Não Tributada no Mercado Interno). Dessa forma, a informação dos créditos permitidos no Grupo 100, que trata de produtos tributados e comuns a outros segmentos (metalurgia, têxtil, etc), evidenciou o equívoco. Em relação ao não atendimento ao Termo de Intimação, anterior ao despacho decisório, a contribuinte contesta com veemência a acusação da decisão recorrida, porquanto compareceu ao plantão fiscal e formulou, como resposta, pedido de orientação e anexação de documentos comprobatórios. Nos autos não se encontra anexados o pedido a que se refere a contribuinte e sequer os documentos anexados. Nada obstante, juntamente com o Recurso Voluntário constata-se cópias de notas fiscais que possivelmente corroboram as alegações da contribuinte, além do “Despacho de Encaminhamento” acostados aos autos cujo teor é “Encaminhado para análise conforme orientação que o contribuinte recebeu em consulta realizada ao Plantão Fiscal desta unidade”, bem como a resposta ao Termo de Intimação com os seguintes dizeres: TERMO DE INTIMAÇÃO: 128024265 Vimos através desta, apresentar impugnação com relação ao Termo de Intimação acima referido, pois conforme contato já mantido pessoalmente com esse órgão foi verificada a inconsitência do mesmo, já que não demonstra a realidade dos números apresentados na EFD enviada mensalmente. Anexamos documentação comprobatória e solicitamos deferimento. Santa Viória do Palmar, 21 de dezembro de 2017. A apresentação de tais documentos é confirmada com carimbo aposto pela IRF/Chuí/RS, na data de 22 de dezembro de 2017. Do que se constatou acima, é de se dar razão à contribuinte no sentido de que houve sim sua manifestação ao indigitado Termo de Intimação com a apresentação de documentos e esclarecimentos acerca das inconsistências preliminarmente constatadas na análise e confronto entre EFD e PERD/COMP. Desta forma, não pode prevalecer a decisão recorrida no tocante à negativa do direito com fundamento na inércia da contribuinte, pois que esta, a toda evidência, não ocorreu. De ressaltar que não se corrobora as afirmações e explicações apresentadas, tampouco se dá validade aos créditos pretendidos com os exemplares de cópias de notas fiscais apresentadas. Contudo, o fato de haver o provável equívoco que implicou o indeferimento do pedido Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3201-003.150 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902814/2018-68 creditório e indícios de confirmação das alegação de defesa é, no mínimo, situação que requer a reanálise do pedido. O ponto que importa à solução da lide, com arrimo no princípio da verdade material, é se os valores consignados nos documentos apresentados correspondem com a apuração da Contribuição Social, com respaldo em documentos fiscais e na contabilidade do contribuinte. Dessa forma, entendo que a solução da lide requer o retorno à Unidade Preparadora para que a autoridade fiscal proceda à reanálise do pedido creditório, com base nos documentos que constam dos autos e demais que entender necessários, solicitando-os do contribuinte, mediante intimação regular, e, ao final, elabore parecer conclusivo acerca do PER/DCOMP. Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora proceda como solicitado: 1. Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entender necessários à análise do PER/DCOMP; 2. Proceda à análise do pedido, com base nos elementos apresentados pelo Contribuinte e outras informações disponíveis ou coletadas pela autoridade fiscal, e elabore parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; 3. Dê ciência ao contribuinte com a entrega de cópias do parecer/relatório e documentos colacionados aos autos para que exerça o contraditório, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade Preparadora proceda como solicitado: 1. Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entender necessários à análise do PER/DCOMP; 2. Proceda à análise do pedido, com base nos elementos apresentados pelo Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3201-003.150 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902814/2018-68 Contribuinte e outras informações disponíveis ou coletadas pela autoridade fiscal, e elabore parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; 3. Dê ciência ao contribuinte com a entrega de cópias do parecer/relatório e documentos colacionados aos autos para que exerça o contraditório, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10280.900569/2006-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Eduardo Andrade e Ana de Barros Fernandes Wipprich. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 00 56 9/ 20 06 -2 5 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO CASTANHEIRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensações com o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2002. Em 25/07/2003 a contribuinte apresentou duas Declarações de Compensação – DCOMP para utilização do que seria saldo negativo de CSLL do exercício 2003. Na primeira delas (DCOMP nº 28575.42854.250703.1.3.030017) informou que o saldo negativo seria de R$ 4.723,16, formado por estimativa devida em dezembro/2002, para liquidação de débito no valor de R$ 4.723,16; e na segunda (31948.71645.250703.1.3.037401) que o saldo negativo seria de R$ 5.147,53, formado em razão de estimativa devida em dezembro/2002 para liquidação de débito de estimativa apurado em janeiro/2003. A primeira DCOMP foi retificada uma vez, em 16/04/2007 (DCOMP nº 28503.66793.190407.1.7.030083), para informar como direito creditório o saldo negativo de CSLL no anocalendário 2002 no valor original de R$ 11.221,83, detalhando sua composição com a indicação das estimativas apuradas ao longo do anocalendário 2002, e mantendo o mesmo débito compensado de R$ 4.723,16. A segunda DCOMP foi retificada uma vez, em 19/04/2007 (DCOMP nº 27976.01379.190407.1.7.033550), informando o saldo negativo de CSLL demonstrado na DCOMP nº 28575.42854.250703.1.3.030017, e compensando débito de R$ 5.147,53. A autoridade administrativa admitiu as duas retificações visto que pretenderam promover correção de erro material incorrido pelo contribuinte. Frente a tais condições, o despacho decisório expressamente aborda as compensações veiculadas nas DCOMP nº 28503.66793.190407.1.7.030083 e 27976.01379.190407.1.7.03355. Analisando o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2002, no valor de R$ 11.221,83, a autoridade administrativa validou os pagamentos promovidos no período, mas negou validade às antecipações compensadas com saldo negativo do anocalendário 2001, visto que naquele período a contribuinte não indicara o crédito em DIPJ, e não foi possível apurar qualquer crédito mesmo estendendo as análises à DCTF e à DIPJ do anocalendário 2000. Como os pagamentos eram inferiores à CSLL devida no anocalendário 2002, nenhum crédito foi reconhecido à contribuinte, restando nãohomologadas as duas DCOMP em análise. Cientificada do despacho decisório em 16/04/2012 (fl. 96), a contribuinte manifestou sua inconformidade afirmando a regularidade das compensações promovidas para liquidação das estimativas do anocalendário 2002 e arguindo a homologação tácita da CSLL apurada no exercício 2003 em virtude do decurso do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, assim como a prescrição dos débitos compensados. Juntou à sua defesa demonstrativo de recolhimentos de CSLL utilizados para compensação de estimativas de CSLL devidas no ano Fl. 493DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 4 3 calendário 2002, além de outros elementos referentes à apurações passadas de CSLL (fl. 117/151) A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos porque não foi juntada à defesa a escrituração da contribuinte, e afastou as alegações de homologação tácita e de prescriçãoem acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO CSLL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. Tendo sido consideradas não homologadas as compensações de estimativa CSLL e não logrado êxito o contribuinte em comprovar a existência do crédito pleiteado, este revelase inexistente. DÉBITOS COMPENSADOS. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A prescrição caracterizase pela inércia do credor em relação à cobrança dos débitos, situação não ocorrida no presente caso eis que a compensação interrompe a prescrição e a discussão administrativa impede a cobrança dos mesmos Cientificada da decisão de primeira instância em 24/01/2013 (fl. 166), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 20/02/2013 (fls. 167/181). Assevera que a decisão recorrida não considerou adequadamente a composição do saldo original do saldo negativo, bem como a correção do saldo negativo pela Selic, conforme determina a legislação, diz que as estimativas foram compensados com valores recolhidos a maior, e aduz que tais pagamentos podem ser comprovados no sistema SINAL. Observa que os prazos para o Fisco promover a homologação dos créditos tributários estão previstos nos arts. 150 e 173 do CTN, afirma a regularidade da extinção dos débitos por compensação, e acrescenta que a cobrança de débitos do anocalendário 2003 apenas em janeiro/2012 ofende os arts. 173 e 174 do CTN. Apreciando o recurso voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento assim decidiu na sessão de julgamento de 07 de novembro de 2013: Acordam os membros do colegiado: 1) por voto de qualidade, em REJEITAR a preliminar de decadência do direito de o Fisco revisar o direito creditório compensado, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e José Ricardo da Silva; e 2) por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do votos que integram a a resolução. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. No voto condutor da Resolução nº 1101000.112 esta Conselheira: 1) expressou seus fundamentos para rejeitar a preliminar de decadência do direito de o Fisco revisar o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2002; 2) acompanhou o Relator em seu entendimento contrário à homologação tácita das DCOMP nº 28503.66793.190407.1.7.03 0083 e 27976.01379.190407.1.7.03355, em virtude das retificações promovidas pela contribuinte; e 3) concluiu pela necessidade de diligência nos seguintes termos: Fl. 494DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 5 4 Quanto à existência do direito creditório alegado, a autoridade administrativa não confirmou as estimativas de CSLL do anocalendário 2002 que teriam sido liquidadas por meio de compensação com saldos negativos de período anterior. Isto porque, na DIPJ do anocalendário 2001 não houve a informação de saldo negativo, e não foi possível aferir qualquer outro crédito a partir das DCTF e da DIPJ do anocalendário 2000.. Em sua manifestação de inconformidade, a interessada apresenta demonstrativo acerca das antecipações de CSLL no anocalendário 2001, as quais teriam sido pagas ou parcialmente compensadas. Por sua vez, até a edição da Medida Provisória nº 66/2002, o art. 66 da Lei nº 8.383/91 permitia que as compensações entre tributos de mesma espécie fossem realizadas sem pedido, e a sua declaração em DCTF não era requisito para validade da compensação. Deste modo, para negar validade às estimativas de CSLL do anocalendário 2002 liquidadas mediante compensação com saldos negativos de CSLL de períodos anteriores até a edição da Medida Provisória nº 66/2002, a autoridade administrativa deve demonstrar que a contribuinte não dispunha de crédito escriturado em sua contabilidade, ou demonstrado em seus controles. Assim, no mérito, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que, a partir dos elementos trazidos em manifestação de inconformidade, a autoridade administrativa verifique junto à escrituração do sujeito passivo se estimativas de CSLL devidas no anocalendário 2002 foram liquidadas mediante compensação com créditos de mesma espécie, oriundos de saldos negativos anteriores, até a vigência da Medida Provisória nº 66/2002. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado, a ser cientificado ao sujeito passivo com a concessão de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. A autoridade fiscal intimou a contribuinte e obteve em resposta os esclarecimentos de fls. 203/471. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 472/476, a autoridade fiscal indica ter confirmado nos sistemas informatizados da Receita Federal parte dos pagamentos de estimativas promovidos em 2002 (R$ 37.705,68, com exceção do pagamento alegado para outubro/2002, no valor de R$ 4.421,83). Com referência às compensações, diz que elas foram indicadas com pagamentos de CSLL devida de outubro/2001 a dezembro/2001 e registra que os correspondentes DARF foram alocados àqueles débitos, inexistindo pagamento a maior. Identificou, ainda, retenções de CSLL na fonte no anocalendário 2002 no valor de R$ 51,36 e concluiu que as antecipações do anocalendário 2002 são inferiores à CSLL devida no período, inexistindo saldo negativo no período. Cientificada do resultado da diligência em 06/03/2015 e da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, em 08/04/2015 a contribuinte requereu e lhe foi concedido prazo suplementar de 20 (vinte) dias. Em 27/04/2015 foi apresentada a petição de fls. 483/487, na qual a contribuinte diz que a CSLL devida em outubro/2002 foi paga em 14/02/2003 com os devidos acréscimos legais, aponta erro na descrição das estimativas confirmadas para o anocalendário 2002, argumenta que os recolhimentos de CSLL em 2001 superaram o valor devido naquele período e conclui que está equivocada a apuração fiscal. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Na análise inicial do recurso voluntário interposto nestes autos, o antigo Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior assim se manifestou preliminarmente: Aduz a Recorrente que as compensações em análise foram homologadas tacitamente, em virtude do transcurso do prazo de cinco anos conferido pela legislação para que as compensações sejam homologadas. Analisando os autos observo que foram apresentadas duas Declarações de Compensação, a primeira de n° 28575.42854.250703.1.3.030017 (fls. 03/07) foi apresentada em 25/07/2003; posteriormente, foi apresentada DCOMP Retificadora de n° 28503.66793.190407.1.7.030083, em 18/04/2007 (fls. 08/15). Em caso de apresentação de retificação de DCOMP, a contagem do prazo é reiniciada, e o termo se inicia no momento em que a DCOMP retificadora foi apresentada. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre o tema, nos seguintes termos: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O prazo de cinco anos para o Fisco verificar a legitimidade de crédito objeto de pedido de restituição e compensação iniciase na data da formulação do pedido e não na época do fato gerador do crédito pleiteado. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DO PEDIDO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Admitida a retificação da declaração de compensação, o termo inicial da contagem do prazo para homologação tácita será a data de apresentação da declaração de compensação retificadora. (...)” (Acórdão nº 1401000.342, 1ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, julgado em 10/11/2010.)” Dessa forma, considerando que a DCOMP retificadora foi apresentada em 19/04/2007 e que a contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 16/04/2012, ou seja, dentro do prazo de cinco anos, entendo que o Fisco pronunciouse tempestivamente sobre a não homologação da DCOMP discutida nestes autos. Afasto, portanto, a pretensão o sujeito passivo de ver decaído o direito do Fisco de pronunciarse sobre a compensação. Esta Conselheira acompanhou o Relator no sentido de negar homologação tácita à DCOMP cuja retificação foi admitida pela autoridade fiscal, consignando que: [...] Frente a tais condições, o despacho decisório expressamente aborda as compensações veiculadas nas DCOMP nº 28503.66793.190407.1.7.030083. Analisando o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2002, no valor de R$ 11.221,83, a autoridade administrativa validou os pagamentos promovidos no período, mas negou validade às antecipações compensadas com saldo negativo do ano calendário 2001, visto que naquele período a contribuinte não indicara o crédito em DIPJ, e não foi possível apurar qualquer crédito mesmo estendendo as análises à DCTF e à DIPJ do anocalendário 2000. Como os pagamentos eram inferiores à CSLL devida no anocalendário 2002, nenhum crédito foi reconhecido à contribuinte, restando nãohomologadas as duas DCOMP em análise. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 7 6 Na medida em que somente por meio da retificação promovida em 16/04/2007 a interessada efetivamente demonstrou o crédito utilizado em compensação, acompanho o I. Relator em seu entendimento de que a homologação tácita desta compensação somente se verificaria depois de transcorridos 5 (cinco) anos da retificação da DCOMP original. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR a preliminar de homologação tácita da DCOMP retificada em 19/04/2007, cuja não homologação foi cientificada ao sujeito passivo em 16/04/2012. Com referência à arguição de decadência do direito de o Fisco questionar, por meio de ato cientificado à contribuinte em 16/04/2012, a apuração da CSLL devida no ano calendário 2002, cumpre reiterar os argumentos expostos no voto condutor da Resolução nº 1101000.112: Todavia, discordo da conclusão de que, no momento em que editado o despacho decisório não seria mais possível questionar o saldo negativo utilizado pela recorrente porque o prazo fixado na legislação para aferição da liquidez e certeza do crédito alegado, indispensável à homologação das compensações, somente expira cinco anos depois da sua formalização pela contribuinte. É o que consta na Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] O caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, nesta nova redação, exige que o crédito indicado em DCOMP seja passível de restituição ou ressarcimento, significando que ele não pode estar prescrito. Contudo, uma vez deduzida tempestivamente a pretensão de ver extintos débitos com aquele crédito, admitir que o prazo para confirmação deste já estaria fluindo desde o encerramento do período de apuração correspondente, limitaria significativamente a eficácia do §5o do referido art. 74, pois antes de cinco anos da apresentação da DCOMP a certeza e liquidez do crédito restaria afirmada pelo decurso do prazo decadencial no qual, no entender da recorrente, o Fisco poderia questionar sua apuração. Não há qualquer ressalva na disposição legal que autorize esta interpretação. Os prazos decadenciais estão previstos para fins de lançamento de crédito tributário, ou seja, para que a autoridade fiscal: 1) discorde do tributo pago com base em apuração do sujeito passivo; 2) supra a omissão do sujeito passivo na apuração daquele pagamento; ou 3) pratique o lançamento dos tributos ou penalidades cuja constituição Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 8 7 a Lei reserva ao agente fiscal. Esta é a dicção do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar o prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (negrejouse) A decadência, nestes termos, encerra o poderdever do Fisco de formalizar o crédito tributário por intermédio do lançamento, pondo fim à relação jurídica material surgida entre o contribuinte e o Estado com a ocorrência do fato gerador. Recordese que a atividade de lançamento é definida pelo art. 142 do Código Tributário Nacional como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nestes termos, se a autoridade fiscal constatar divergências na apuração que resultou em saldo negativo de CSLL, não poderá lançar a diferença apurada se o fato gerador lucro pertencer a período já atingido pela decadência. Mas pode e deve o Fisco indeferir pedido de restituição ou não homologar compensações que tenham se valido de indébito tributário inexistente conforme o ajuste realizado de ofício. É certo que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há uma grande discussão doutrinária e jurisprudencial acerca de qual seria o objeto da homologação: a atividade de apuração ou o pagamento do tributo devido. Todavia, há relativo consenso no sentido de que o transcurso do prazo contido no §4º do art. 150 do CTN atinge o direito de o Fisco constituir o crédito tributário, mediante o lançamento substitutivo da apuração efetuada pelo sujeito passivo, veiculada pelos instrumentos definidos na legislação fiscal. Ainda, aqueles que defendem a homologação tácita da apuração efetuada pelo sujeito passivo, consideram que o prazo decadencial tem o efeito específico de atingir o dever/poder de o Fisco efetuar o lançamento de ofício, e não o de fazer prova absoluta de indébitos tributários, não constituídos na forma da legislação. Admitir que os saldos negativos informados na DIPJ estariam homologados tacitamente depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador correspondente, exigiria que se emprestasse à DIPJ o poder de constituir aquele direito creditório, o Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 9 8 que vai contra o caráter meramente informativo daquele documento, inservível como instrumento para cobrança dos saldos devedores nele indicados. Somente se concebe como instrumentos de constituição formal de direitos e obrigações aqueles assim expressamente previstos na legislação, como é o caso, por exemplo, da Declaração de Débitos e Créditos Federais – DCTF, relativamente aos tributos devidos pelos contribuintes. Já relativamente aos direitos creditórios detidos pelos sujeitos passivos, a legislação apenas prevê, atualmente e na época em que a contribuinte argüiu seu direito, a DCOMP e o Pedido de Restituição como instrumentos para sua formalização perante a Receita Federal. É certo que o recolhimento indevido já existe, como evento, desde sua ocorrência no mundo fenomênico. Procedidas as antecipações exigidas por lei, encerrado o período de apuração e efetivados os recolhimentos que se entendeu devidos, temse do confronto destes, eventualmente, um desembolso maior que o devido. Todavia, este evento somente passa a se constituir em um fato jurídico apto a produzir as conseqüências previstas em lei quando formalizado pelo interessado em face do devedor, no caso, o Fisco. Daí porque, a partir do recolhimento indevido, deflagrase o prazo prescricional para que o sujeito passivo manifeste seu direito perante o Fisco, e a partir desta manifestação o prazo para o Fisco, em caso de compensação, reconhecer ou não aquele crédito. Aliás, vejase que, à época em que este direito era deduzido apenas mediante a apresentação de Pedido de Restituição, sequer havia prazo fixado em lei para manifestação do Fisco acerca do que ali veiculado. Cabia ao interessado manter a guarda dos comprovantes necessários para prestar eventuais esclarecimentos acerca de seu direito, enquanto o crédito não lhe fosse reconhecido. Apenas com a criação da DCOMP passou a existir um prazo para que o Fisco pudesse questionar o direito manifestado pelo interessado, até porque, vinculado o crédito a débitos que se pretendia ver extintos, somente haveria alguma utilidade no questionamento daquele crédito enquanto possível a cobrança dos débitos compensados, direito este que pereceria ante a inércia do Fisco por mais de 5 (cinco) anos. Impróprio, assim, tentar opor, ao Fisco, uma limitação temporal à confirmação do direito creditório deduzido pelo sujeito passivo, que em momento algum esteve prevista no Código Tributário Nacional ou em lei ordinária, senão na sistemática instituída a partir da criação da DCOMP, e evidentemente em função da vinculação daquele crédito a débitos compensados. Interessante notar, ainda, que a formalização do direito creditório em outras declarações não é requisito para sua veiculação em DCOMP. Do caput do art. 74 da Lei no 9.430/96, desde a redação que lhe foi dada pela Lei no 10.637/2002, não se extrai qualquer exigência de que o direito creditório deva estar previamente evidenciado em declarações prestadas pelos sujeitos passivos, à exceção da própria DCOMP, prevista no seu § 1o. É certo que a evidenciação do crédito em DIPJ ou DCTF é um elemento de prova em favor do sujeito passivo que afirma ter efetuado recolhimento a maior. Mas somente quando provocado pelo sujeito passivo acerca do seu interesse de se valer daquele crédito, mediante restituição ou compensação, o Fisco passa a ter o dever de avaliar a certeza e a liquidez daquele valor para admitir, ou não, a destinação pretendida pelo interessado. Firmadas estas premissas, recordese que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). Assim, no presente caso, a prova do Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 10 9 indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre, daí, que a compensação deveria estar suportada por provas do indébito tributário no qual se fundamenta. Contudo, devese recordar que o procedimento em debate já se iniciou mediante a apresentação de DCOMP, desacompanhada, por autorização normativa, de qualquer prova do indébito ali indicado, posto que o Fisco teria ainda cinco anos para confirmálo. Em verdade, a interpretação veiculada pela recorrente confere ao sujeito passivo a faculdade de definir o prazo do qual o Fisco dispõe para homologar, ou não, a compensação declarada. Optando o sujeito passivo por utilizar seu crédito depois de transcorridos quatro anos e 11 meses do fato gerador, o Fisco teria apenas um mês para avaliar a liquidez e certeza do crédito. Se utilizasse mais rapidamente seu crédito, maior prazo teria o Fisco para esta confirmação. Certamente outro foi o objetivo da criação da DCOMP. Tal instrumento conferiu tratamento diferenciado aos contribuintes que, deduzindo créditos na forma da nova redação do caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, já poderiam, sem prévio exame do seu real conteúdo, angariar a extinção imediata dos débitos compensados, bem como a suspensão de sua exigibilidade até a decisão administrativa final acerca da regularidade de seu procedimento. Admitir que o prazo para questionamento desta regularidade seria definido pelo sujeito passivo está em evidente descompasso com a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002: 35. O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensação, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais . (negrejouse) Se, de fato, depois de transcorridos 5 (cinco) anos da informação do crédito em DIPJ, sua apuração, tornase imutável, é de se questionar que interesse fiscal existiria na revisão de uma DIPJ que apontasse saldo negativo de IRPJ? Caberia ao Fisco anteciparse à pretensão da contribuinte de utilizar este valor, com vistas a convalidá lo ou retificálo? Nestas condições, somente se pode concluir que o interesse do Fisco sobre a apuração que resultou em saldo negativo surge, apenas, quando a contribuinte o utiliza em compensação, deflagrandose a partir daí o prazo para sua conferência. E, ainda que se insista na fluência do prazo para revisão do crédito, pelo Fisco, a partir do período de apuração correspondente, do recolhimento que se mostrou indevido, ou mesmo da declaração que inicialmente informou o indébito, é lícito concluir que, ao manifestar seu interesse em utilizar tal crédito mediante DCOMP, o sujeito passivo renuncia ao prazo em curso, e submetese ao prazo fixado na sistemática prevista para aquele instrumento de utilização de créditos, sob pena de retirar a eficácia do §5o do referido art. 74 da Lei no 9.430/96. Quanto às referências a julgados do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, contrários ao entendimento aqui expresso, cumpre citar que há, também, julgados na mesma linha aqui adotada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRECLUSÃO – Matéria não questionada em primeira instância, quando se inaugura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e somente suscitada nas razões do recurso constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Não devem os órgãos julgadores tomar conhecimento de matéria atinente à suspensão da exigibilidade de débitos por ser matéria de execução, portanto, estranha à lide. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 11 10 VERIFICAÇÃO BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. PEDIDO DE RESITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique em verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. (Acórdão nº 10323571, Sessão de 18/09/2008) DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos termos da legislação, o fisco dispõe do prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo. [...] IRPJ. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, a apresentação do comprovante de retenção do IRRF emitido pela fonte pagadora, a comprovação da oferta à tributação da receita que ensejou a retenção e, ainda, a apresentação dos elementos indicadores dos resultados contábil e fiscal (balanço patrimonial, demonstrativo de resultado do exercício DRE e o Livro de Apuração do Lucro Real Lalur), de sorte a aferir a plena identidade entre estes e o teor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ). [...] (Acórdão nº 110200.614, sessão de 24/11/2011) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. Os saldos negativos apurados nas declarações de IRPJ/CSLL não se submetem à homologação tácita, devendo ser regularmente comprovados quando integrarem pedidos de restituição/compensação. (Acórdão nº 110300.434, sessão de 30/03/2011) SALDO NEGATIVO DO IRPJ. EXAME. DECADÊNCIA. Inaplicável o conceito de decadência para o exame dos documentos que compõem a base de cálculo negativa do IRPJ objeto do pedido de restituição. (Acórdão nº 120200.519, sessão de 24/05/2011) RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO ÔNUS DE PROVAR A EXISTÊNCIA DO INDÉBITO NÃO CONVALIDAÇÃO POR DECURSO DE PRAZO Não estando em pauta procedimento que visa promover alteração na base de cálculo do tributo, para exigir débitos ou reverter/reduzir “prejuízo fiscal”, mas apenas verificar a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, cabe perfeitamente averiguar a efetiva ocorrência dos requisitos para a sua formação. (Acórdão nº 1802 00.917, sessão de 29/06/2011) SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O saldo negativo de IRPJ não é passível de homologação tácita mas sim a base de cálculo apresentada na DIPJ, ficando assegurada a análise da liquidez e certeza do direito creditório apresentado inclusive envolvendo períodos anteriores. (Acórdão nº 180300.889, sessão de 26/05/2011). De toda sorte, importa frisar que a homologação parcial das compensações aqui tratadas não teve como causa alterações procedidas, pela autoridade fiscal, na base de cálculo do CSLL. O reconhecimento parcial do direito creditório, como já evidenciado neste voto, decorreu da glosa de antecipações cuja liquidação não foi confirmada. Estas as razões, portanto, para REJEITAR a arguição de decadência do direito de o Fisco revisar o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2002. No mérito, o litígio se circunscreve à confirmação do saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2002. Na primeira DCOMP apresentada (nº 28575.42854.250703.1.3.030017) a contribuinte informou que o saldo negativo seria de R$ Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 12 11 4.723,16, formado por estimativa devida em dezembro/2002, para liquidação de débito no valor de R$ 4.723,16. Na retificação promovida em 13/04/2007 (DCOMP nº 28503.66793.190407.1.7.030083) a contribuinte informou como direito creditório o saldo negativo de CSLL no anocalendário 2002 no valor original de R$ 11.221,83, detalhando sua composição com a indicação das estimativas apuradas ao longo do anocalendário 2002. Além do pagamento das estimativas de janeiro a abril/2002 e de junho, outubro, novembro e dezembro/2002, a contribuinte informou que as demais estimativas (maio, julho, agosto, setembro e parte de outubro/2002) teriam sido compensadas com saldo negativo apurado no exercício/trimestre/mês/período de 2002. Em DIPJ, a contribuinte deduziu na apuração da CSLL devida no ajuste anual estimativas de R$ 61.356,59, apurando saldo negativo idêntico ao informado em DCOMP (R$ 11.221,83), embora no detalhamento mensal tenha informado estimativas em valores que totalizavam R$ 61.459,45 (fls. 29/36). Em DCTF a contribuinte informou os débitos mensais de estimativa idênticos aos indicados na DIPJ e os vinculou aos seguintes créditos: 1) a estimativa de junho/2002 e parte da de outubro/2002 a pagamento; 2) as estimativas de maio, julho, agosto e setembro/2002 a compensação com saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2001; 3) parte da estimativa de outubro/2002 a compensação com saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2001, mas informada em DCOMP nº 035224927325070313037591. Não consta dos autos informação sobre a declaração de estimativas de janeiro a abril, novembro e dezembro/2002 (fls. 46/48) e às fls. 50/52 foi juntado despacho decisório de não homologação da compensação da parcela de R$ 377,88 do débito de outubro/2002, cientificado à contribuinte em 09/10/2006. Comparando estas informações com as constatações fiscais consignadas no despacho decisório e no relatório da diligência fiscal temse: DCOMP DIPJ DCTF D.Decisório Diligência CSLL devida 50.134,76 50.134,76 50.134,76 Antecipações 61.356,59 42.523,39 37.757,04 Saldo Negativo 11.221,83 11.221,83 7.611,37 12.377,72 01/2002 4.945,01 4.945,01 4.945,01 4.945,01 02/2002 4.638,36 4.638,36 4.638,36 4.638,36 03/2002 4.583,99 4.691,99 4.583,99 4.583,99 04/2002 4.252,56 4.252,56 4.252,56 4.252,56 06/2002 4.968,54 4.968,54 4.968,54 4.986,54 4.986,54 10/2002 4.421,83 4.794,58 4.421,83 4.421,83 11/2002 5.142,20 5.142,20 5.142,20 5.142,20 Pagas 12/2002 9.175,02 9.175,02 9.175,02 9.175,02 05/2002 4.878,46 4.878,46 4.878,46 07/2002 4.805,24 4.805,24 4.805,24 08/2002 4.643,59 4.643,59 4.643,59 09/2002 4.523,90 4.523,90 4.523,90 Compensadas 10/2002 377,88 377,88 377,88 Estimativas Informadas Total 61.356,58 61.459,45 42.523,39 37.705,68 Retenções 51,36 Sob a premissa de que, como informado em DCOMP nº 28575.42854.250703.1.3.030017 e em DCTF, todas as estimativas compensadas sem DCOMP estavam vinculadas a saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2001, a autoridade Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 13 12 fiscal as glosou por infirmar o saldo negativo de CSLL informado na DIPJ, ao considerar como antecipações apenas as estimativas pagas naquele anocalendário, vez que na DIPJ do ano calendário 2000 não foi informado saldo negativo que pudesse sustentar as estimativas compensadas ao longo do anocalendário 2001, mas sim CSLL a pagar (fl. 63). Em sua manifestação de inconformidade, a interessada apresentou os demonstrativos de fls. 112/150 acerca das antecipações de CSLL no anocalendário 2001, as quais teriam sido pagas ou parcialmente compensadas. Por sua vez, até a edição da Medida Provisória nº 66/2002, o art. 66 da Lei nº 8.383/91 permitia que as compensações entre tributos de mesma espécie fossem realizadas sem pedido, e a sua declaração em DCTF não era requisito para validade da compensação. Deste modo, para negar validade às estimativas de CSLL do anocalendário 2002 liquidadas mediante compensação com saldos negativos de CSLL de períodos anteriores, seria necessário demonstrar que a contribuinte não dispunha de crédito escriturado em sua contabilidade, ou demonstrado em seus controles, para as referidas compensações. Por tal razão, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência para verificação da existência de créditos de CSLL oriundos de saldo negativos anteriores. Nos documentos apresentados à autoridade fiscal encarregada da diligência observase que, à semelhança do que constatado acerca da apuração do IRPJ tratada no processo administrativo nº 10280.720288/200852, a contribuinte manteve no LALUR o controle de créditos decorrentes de estimativas pagas em períodos anteriores, dele deduzindo as parcelas destinadas a compensações de estimativas de mesma espécie e nele também acumulando as estimativas posteriormente pagas, assim como restituindo ao saldo, ou dele descontando, o efeito da apuração da CSLL ao final do anocalendário (fls. 216/220, 336/337, 356/357, 368/369). Contudo, diversamente do que verificado no processo administrativo nº 10280.720288/200852, nestes autos a escrituração contábil somente foi apresentada para demonstração das estimativas pagas, sem qualquer evidência acerca do registro contábil das estimativas compensadas. Desta forma, somente é possível dizer que, à semelhança do que observado em relação ao IRPJ, as estimativas de CSLL pagas também eram acumuladas em conta do grupo 1.1.25.05 Impostos a Recuperar. De toda sorte, tendo em conta a adoção do mesmo procedimento para controle fiscal das estimativas de IRPJ e CSLL (excluída a realização do lucro inflacionário que somente se submete à incidência do IRPJ), é possível que a contribuinte também tenha registrado contabilmente os créditos decorrentes de saldos negativos passados de CSLL como exposto por esta Conselheira no voto condutor da Resolução nº 1302XXXX, : Nas planilhas preenchidas pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal encarregada da diligência observase que a quitação das estimativas de janeiro a abril/2001 e de julho a dezembro/2001 foi contabilizadas a débito da conta 2.1.1.03.02 (IRPJ a recolher) e a crédito das contas 1.1.2.05.20 (IRPJ Estimativa 2000) e 1.1.2.05.21 (IRPJ (L.Inflac.)Estimativa 2000), conforme fls. 303 e 275/280. Os valores contabilizados a crédito da conta 1.1.2.05.20 coincidem com as estimativas informadas em DCOMP, e as parcelas mensais somadas aos valores contabilizados a crédito da conta 1.1.2.05.21 representam as estimativas informadas em DIPJ e DCTF. Por sua vez, o registro contábil da liquidação de uma obrigação mediante débito da conta passiva e crédito de uma conta ativo representativa de imposto a recuperar nada mais é do que a compensação na forma prevista no art. 66 da Lei nº 8.383/91. Diante deste contexto, cumpriria investigar a origem do saldo de créditos da conta 1.1.2.05.20 (IRPJ Estimativa 2000) e se ele, ao contrário do que consignado na DIPJ do anocalendário 2000, revelaria saldo negativo que suportasse as estimativas do anocalendário 2001 aqui em debate. De outro lado, as mencionadas compensações Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 14 13 com parcelas correspondentes a IRPJ (L.Inflac.) Estimativa 2000 não teriam qualquer relevância no presente litígio, vez que não foram computadas na determinação do saldo negativo do anocalendário 2001 utilizado nas compensações aqui sob análise. Esclareçase, porém, que nos registros da parte B do LALUR apresentados à autoridade fiscal encarregada da diligência (fls. 237/247 e 429/456) observase que a contribuinte mantinha naquele livro fiscal, assim como na contabilidade, fichas separadas para controle do que considerava créditos por recolhimento a maior: uma referente a estimativas normais de IRPJ e outra decorrente de pagamentos de IRPJ possivelmente devido em virtude de lucro inflacionário realizado. Em cada grupo de fichas a contribuinte acumulava separadamente o valor das estimativas pagas (as normais sempre superiores às vinculadas a lucro inflacionário), atualizandoas monetariamente, e deduzindo deste saldo as estimativas compensadas, sendo que ao final do anocalendário restituía ao saldo de créditos as estimativas que se mostravam indevidas em razão da apuração final (apuração de prejuízo ou de imposto menor que o pago durante o anocalendário), bem como agregava ao saldo de estimativas normais as retenções na fonte aproveitadas no ajuste anual. As duas fichas de controle somente se comunicaram em razão da transferência, em 31/07/99, da parcela de R$ 100.000,00 dos créditos vinculados a lucro inflacionário para o saldo de créditos decorrentes de estimativas normais. Apesar disso, tendo em conta a reversão de créditos ao final do anocalendário 1999 por apuração de IRPJ anual inferior às estimativas, o saldo de créditos daquela ficha totalizou R$ 312.547,42, e assim suportou, naqueles registros, a compensação das estimativas que, juntamente com outros pagamentos ao longo do anocalendário 2000, formou o saldo negativo utilizado na compensação das estimativas aqui questionadas. Registrese, ainda, que há várias irregularidades no controle fiscal assim procedido pela contribuinte. Primeiro porque a parte B do LALUR se destina ao registro dos valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos de apuração futuros e não constem da escrituração comercial, assim como dos valores excedentes a serem utilizados no cálculo das deduções nos períodos de apuração subsequentes, dos dispêndios com programa de alimentação ao trabalhador, valetransporte e outros previstos no RIR/99, conforme seu art. 262, inciso III e IV. Os recolhimentos de IRPJ superiores ao devido no ajuste anual não se enquadram nestas categorias, e representam mero direito de crédito que pode e deve ser controlado contabilmente, o que pode também ter sido feito pela contribuinte, mediante lançamentos a débito nas contas 1.1.2.05.20 (IRPJ Estimativa 2000) e 1.1.2.05.21 (IRPJ (L.Inflac.)Estimativa 2000). Além disso, a contribuinte agregou as atualizações monetárias a partir do recolhimento das estimativas, o que foi apenas parcialmente admitido até 31/12/96 na forma do art. 37, §4º da Lei nº 8.981/95. Já, com referência à atualização dos créditos pela variação da taxa SELIC a partir de 01/01/96 (art. 39, §4º da Lei nº 9.250/95), seu acréscimo era possível na forma de juros simples, e não compostos, como calculado pela contribuinte. [...] Retomando a verificação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 na escrituração da contribuinte, notase às fls. 397/414 que, ao contrário do que consignado na parte B do LALUR, quando registrou estimativas compensadas com o saldo de créditos transferido de 1999 em quase todos os meses do anocalendário 2000 (com exceção de abril, maio e junho, quando foram promovidos pagamentos), na contabilidade a contribuinte registrou IRPJ a recolher apenas nos meses de abril, maio e junho/2000, liquidando tais obrigações com lançamentos em contrapartida a sua conta bancária. Ao final do anocalendário, porém, é registrada a obrigação de R$ 144.444,47, liquidada mediante compensação. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 15 14 Significa dizer que, além das estimativas recolhidas em abril, maio e junho/2000, nos valores de R$ 16.951,27, R$ 26.001,67 e R$ 29.706,54 como indicado à fl. 397, a contribuinte também registrou IRPJ quitado mediante compensação em 31/12/2000 no valor de R$ 144.444,47. Considerando, como exposto na DIPJ, a apuração de débito no valor de R$ 144.444,47, há evidências, nestes registros contábeis, de saldo negativo de IRPJ, no anocalendário 2000, ao menos de R$ 72.659,48, diversamente do que indicado na DIPJ e tomado como referência pela autoridade fiscal em sua análise inicial do crédito. Apenas que os registros do Livro Razão referentes à conta 1.1.2.05.20 (IRPJ Estimativa 2000) no anocalendário 2000 não foram juntados aos autos, e não foi possível confirmar se o IRPJ a recolher de R$ 144.444,47 foi mesmo liquidado em contrapartida a lançamento nessa conta. Por esta razão, aliás, os registros contábeis juntados aos autos não permitem aferir a composição do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2000, como originalmente requerido na Resolução nº 1101000.113. Acrescentese, ainda, que os demais elementos apresentados à autoridade fiscal encarregada da diligência indicam que nos períodos anteriores, de 1995 a 1999, a contribuinte teria acumulado outros créditos a recuperar a título de IRPJ, os quais seriam passíveis de compensação se evidenciado que as antecipações foram superiores ao IRPJ devido a cada anocalendário, ou seja, na condição de saldo negativo, e não de antecipações indevidas ou recolhidas a maior, como interpretou a autoridade fiscal encarregada da diligência a partir dos demonstrativos de fl. 162 e 236. Isto porque, embora em tais demonstrativos a contribuinte vincule individualmente os pagamentos de 1996 a 2000 para liquidação das estimativas de IRPJ devidas no anocalendário 2001, seus registros no LALUR, que podem ter acompanhado os registros contábeis nas contas 1.1.2.05.20 (IRPJ Estimativa 2000) e 1.1.2.05.21 (IRPJ (L.Inflac.)Estimativa 2000) e nas semelhantes que lhes antecederam para registro contábil de créditos a recuperar de 1995 a 1999 (como indicado no plano de contas à fl. 275), permitem cogitar que as estimativas foram, a cada ano, confrontadas com o IRPJ devido ao final do período, e o excedente acumulado como crédito a recuperar, como esperado na sistemática do lucro real anual, apesar de o controle contábil não distinguir o saldo negativo apurado em cada anocalendário, mas sim acumulálos, ao final, nas duas contas contábeis referidas. Por tais razões, cogitando que também no âmbito da CSLL a contribuinte, desde o anocalendário 1995, acumula nas contas do grupo nº 1.1.2.05 recolhimentos de estimativas em valor superior à CSLL apurada ao final do anocalendário, e tendo em conta que o eventual saldo remanescente em 31/12/2001 poderia ter suportado a compensação das estimativas de CSLL de junho a outubro/2002 nos valores informados na DCOMP nº 28575.42854.250703.1.3.030017, o presente voto é no sentido de novamente CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal se manifeste sobre a existênciae regularidade da formação de saldos de crédito a título de CSLL em contas do grupo nº 1.1.2.05, para tanto avaliando: · As estimativas apuradas a partir do anocalendário 1995, os pagamentos promovidos e as liquidações por meio de compensação escrituradas na forma do art. 66 da Lei nº 8.383/91, assim como as informações nas DIPJ e DCTF apresentadas; · A CSLL devida ao final de cada anocalendário; e · Os critérios de atualização aplicados aos créditos que, acumulados, resultariam no saldo final de 31/12/2001. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.900569/200625 Resolução nº 1302000.397 S1C3T2 Fl. 16 15 Confirmando a disponibilidade de créditos de CSLL em 31/12/2001, passíveis de compensação com as estimativas de CSLL de junho a outubro/2002, indicadas na DCOMP nº 28575.42854.250703.1.3.030017 como liquidadas por compensação, a autoridade fiscal deverá imputar o crédito aos débitos, informando quais estimativas teriam a compensação legitimada, e qual sua repercussão na determinação do saldo negativo de CSLL do ano calendário 2002. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado, a ser cientificado ao sujeito passivo com a concessão de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 506DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10530.900960/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 31/12/2009
Ementa:
PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas.
A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal.
Numero da decisão: 3302-011.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/12/2009 Ementa: PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/12/2009 Ementa: PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 09 60 /2 01 4- 41 Fl. 739DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.619 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900960/2014-41 Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP nº 18434.07070.030414.1.7.04-0476. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/01/2010, no valor de R$2.457.354,37. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado do Despacho Decisório em 26/06/2014, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 28/07/2014, tratando, inicialmente, sobre a tempestividade e a suspensão da exigibilidade. Afirma que, na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do período especificado apurou um débito de COFINS no montante de R$ 2.457.357,37, tendo efetuado pagamento em Darf. Tendo percebido que os valores declarados como devidos não correspondiam à realidade, apresentou a retificação do Dacon, apurando um débito de COFINS de R$ 2.134.971,60. Com isso, identificou a existência de indébito tributário, que deveria ser objeto de pedido de restituição/compensação. Ato contínuo, apresentou o PER/DCOMP nº 18434.07070.030414.1.7.04-0476, objetivando utilizar o crédito apurado para quitação de débitos. Na parte que trata da comprovação das parcelas não homologadas, o manifestante alega que incorreu em erro formal ao manter a identificação na sua DCTF do valor originalmente devido, realizando as compensações por meio de PER/DCOMP com base no Dacon retificador, bem como nos pagamentos efetivamente realizados por meio de Darf. Assevera que os Darf que constituem o direito ao crédito do requerente foram efetivamente pagos e já se encontravam registrados nos sistemas da própria Receita Federal, sendo, portanto, plenamente possível a correção da omissão apresentada. Ao que parece, apegou-se a fiscalização ao erro formal do requerente, que não retificou a DCTF. Contudo, a falta de retificação da DCTF não é motivo hábil a justificar a não homologação da compensação, posto que o Dacon retificador e também os Darf pagos confirmam a existência do crédito. Acrescenta que, antes de decidir acerca da inexistência do crédito, o julgador poderia ter decidido pela conversão do julgamento em diligência. O manifestante faz ainda referência à legislação pertinente e jurisprudência a respeito do assunto em pauta, para destacar que, havendo a comprovada apuração do crédito (diferença entre o valor apurado no Dacon original e no retificador) decorrente de pagamento a maior que o devido (Darf), não há que se falar em negativa na compensação por erro formal, facilmente identificado documentalmente. Fl. 740DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.619 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900960/2014-41 Ademais, há previsão legal específica que garante o direito à utilização de créditos de PIS/Cofins, motivo pelo qual não podem ser criadas barreiras formais por instrumentos infra-legais, o que só afirma a prevalência da verdade material sobre a forma. É por isso que não se pode exigir a retificação das declarações fiscais do contribuinte para que se possa fazer jus ao seu direito creditório. Ressalta que, no caso em análise, houve inclusive a retificação do Dacon do período, não havendo, todavia, por erro formal, a retificação da correlata DCTF. Observa ainda que as atuais instruções normativas da Receita Federal, quanto ao recolhimento de PIS e Cofins na EFD-Contribuições (que substituiu o Dacon), deixam assente que apenas "preferencialmente" os créditos precisam ser reconhecidos na escrituração fiscal do contribuinte. Faz também referência à jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Ao final, requer o manifestante a suspensão da exigibilidade do crédito cuja compensação não foi homologada até o julgamento definitivo do processo em tela, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, requer seja determinada a homologação da compensação pretendida, tendo em vista a comprovação do crédito tributário utilizado, ensejando a extinção do suposto débito, em atenção ao disposto no art. 156, II, do CTN. Protesta ainda pela realização de perícia ou diligência fiscal, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, caso entendido como necessária à apuração do quanto alegado e confirmação do crédito tributário utilizado pelo requerente devidamente declarado em sua DIPJ. A 2ª Turma da DRJ em Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 02-66.449, de 18 de agosto de 2015, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/09/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual repisa boa parte da manifestação de inconformidade, inovando apenas nos seguintes pontos: a) Que o Despacho Decisório pautou-se na suposta utilização dos créditos indicados pela ora Recorrente na PER/DCOMP para quitação de outros débitos ("motivo"). Restando demonstrado que há créditos em valores superiores aos débitos, não há motivos para manutenção do Despacho Decisório, devendo este ser reformado, por perda da sua validade. Sendo inviável a modificação do "motivo" para sua manutenção. Entretanto, conforme se observa do Acórdão guerreado, decidiu-se por manter a não homologação da compensação pretendida sob o fundamento de que o indébito alegado pela ora Recorrente apenas poderia ser comprovado mediante análise dos documentos pertinentes ao erro ocorrido no levantamento do tributo apurado originalmente e que deu origem à retificação da DACON. Em outras Fl. 741DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.619 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900960/2014-41 palavras, a DRJ/BHE inovou nos presentes autos, sustentando, quando do julgamento da Manifestação de Inconformidade, que seria imprescindível à homologação da compensação que a Recorrente apresentasse provas dos créditos posteriormente considerados que deram ensejo à retificação da DACON; b) Possibilidade de utilização de créditos de PIS/Cofins, com base nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Que os créditos tomados pela Recorrente decorrem, em sua grande maioria, de serviços essenciais à manutenção de sua produção, tais como Serviços de transporte de ácido sulfúrico e demais componentes químicos, britagem, calderaria e solda, bem como de produtos como tirante, resina, rolamento, dentre outros. Termina petição requerendo o acolhimento do recurso para fins de reconhecer a existência de créditos em favor da recorrente e a consequente homologação da declarações apresentadas. Alternativamente, requer a realização de perícia para a confirmação do direito alegado. É o breve relatório. Voto O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Diligência O pedido de diligência deve ser indeferido, pois como já se pronunciou a decisão de piso, o ônus da prova, nas situações em que temos o requerimento de restituição e compensação de créditos supostamente indevidos, recai sobre o sujeito passivo, sendo certo que, não há que se falar em obrigatoriedade de diligência por parte da autoridade fiscal, uma vez que toadas as provas documentais deveriam ter sido apresentadas junto com a manifestação de inconformidade da recorrente. Devemos ter em mente que não é cabível a realização de diligência para suprir prova que deveria ter sido apresentada em manifestação de inconformidade, vale dizer, o procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir a injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus do prova. Certo é que não podemos deixar de observar que existem regras processuais claras, que regem o contencioso administrativo, regulando a instrução probatória, não cabendo ao julgador afastar tais regras em face de aplicação indevida de eventuais princípios. Assim, a aplicação de princípios como aquele do formalismo moderado ou da verdade material não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem para a concretização de outros princípios jurídicos, sobretudo, os processuais. Pelo exposto nego a diligência pleiteada. Mérito A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Fl. 742DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.619 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900960/2014-41 No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. A retificação de Dacon, sem que se aponte objetivamente o erro ocorrido no levantamento do tributo apurado originalmente, fazendo-se acompanhar dos documentos comprobatórios pertinentes, não é capaz de evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado. Também o Darf, por si só, não constitui prova de pagamento indevido ou a maior; antes atesta tão somente o pagamento de débito originalmente declarado. Ainda que tivesse sido transmitida a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. É bom lembrar que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010). A retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado. Registre-se ainda que a legislação citada pelo manifestante no tocante ao PIS e à Cofins está inserida no contexto da regulação de aproveitamento de créditos para fins de observância das regras do regime de não-cumulatividade, não operando qualquer efeito no tratamento de indébito tributário, sem que seja demonstrado inequivocamente erro na apuração original do tributo. Convém mencionar que a recorrente em sua manifestação de inconformidade não identificou o motivo do erro no preenchimento do DACON, e acostou apenas cópias do DARF, do DACON retificador e da Per/Dcomp. Em sede de recurso voluntário, a recorrente alegou que o erro no valor a recolher da contribuição se deu pela desconsideração dos créditos referentes a não-cumulatividade das contribuições. Buscou demonstrar os créditos que teria direito por intermédio de planilhas e cópias de notas fiscais. Contudo, não há um demonstrativo da apuração da base de cálculo da contribuição e dos créditos a serem descontados, somente planilhas que consolidam as notas fiscais e os possíveis créditos. Pela luz da legislação processual brasileira, quer judicial ou administrativa, é defeso às partes apresentar prova documental em momento diverso do estabelecido na norma processual - no do Processo Administrativo Fiscal na data da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade – a menos que (§ 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972): a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Analisando os autos, verifica-se que a situação fática não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas acima. De outro lado, não se pode olvidar que a produção de provas é facultada às partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu Fl. 743DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.619 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900960/2014-41 favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Daí, não tendo sido produzida a tempo, em primeira instância, não se admite que se faça em fases posteriores, sem que haja justificativa plausível para o retardo. Noutro giro, que o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não pode nem deve servir de salvo conduto para que se desvirtue o caminhar para frente, o ordenamento e a concatenação dos procedimentos processuais - essência de qualquer processo administrativo ou judicial. Na realidade, a verdade material contrapõe-se ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Diante do exposto, e como não foram acostados, no momento processual previsto na legislação, elementos probatórios que identificassem e provassem o recolhimento indevido, nego provimento ao recurso. Conclusão Ex positis, afasto o pedido de diligência e nego provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 744DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10850.720358/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/04/2010
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 2202-008.505
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2202-008.501, de 11 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10850.720349/2010-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Sonia de Queiroz Accioly e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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NÃO CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2202-008.501, de 11 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10850.720349/2010-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Sonia de Queiroz Accioly e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto em face da R. Acórdão proferido pela Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra R. Decisão de não reconhecimento de direito creditório relativo a valores que teriam sido recolhidos indevidamente ou a maior a título AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 03 58 /2 01 0- 85 Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.505 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.720358/2010-85 de contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização dos produtos rurais de sua propriedade. Através dos PER/Dcomp, o contribuinte pleiteou a restituição das contribuições previdenciárias, recolhidas indevidamente, relativas ao período de apuração Trata-se de contribuinte com atividade rural. Assim, as contribuições previdenciárias em questão, sob sua responsabilidade, incidem sobre a folha de pagamento dos empregados e contribuintes individuais (quanto aos empregados, a parte por estes devida) e sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua própria produção rural e da adquirida de terceiros (produtores pessoa física). De acordo com a análise feita pelo órgão de origem, através do Despacho Decisório, os pedidos de restituição do contribuinte não encontram amparo legal, pois a contribuição alegadamente recolhida indevidamente está em conformidade com o inciso V do art. 30 da Lei nº 8.212/91. A interessada foi comunicada da decisão, conforme comprovante juntado aos autos, e apresentou manifestação de inconformidade alegando, em apertada síntese, que a exigência de contribuição incidente sobre a receita da comercialização de produção do empregador rural, pessoa física, afronta dispositivos constitucionais: i) por ter sido instituída fora das hipóteses previstas no inciso I do art. 195 da Constituição Federal de 1988; ii) por caracterizar bitributação; e iii) por ofender o princípio da isonomia tributária. Afirmou a possibilidade do controle de constitucionalidade no processo administrativo. Citou jurisprudência e doutrina a seu favor. Cientificado da decisão de 1ª Instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, o contribuinte apresentou o presente recurso voluntário, insurgindo-se contra a decisão de 1ª Instância, ao argumento de que o Colegiado de piso deveria ter analisado as afirmações de inconstitucionalidade da exigência de contribuição incidente sobre a receita de comercialização de produção do empregador rural. Reafirma seu entendimento no sentido da inconstitucionalidade da incidência de contribuições previdenciárias sobre a receita de comercialização de produção do empregador rural. Com essas alegações requer a reforma do Acórdão, a fim de que sejam homologados os pedidos de restituição formulados. Esse, em síntese, o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Cumpre consignar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, sendo vedado ao órgão julgador administrativo Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.505 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10850.720358/2010-85 negar a vigência a normas jurídicas por motivo de alegada ilegalidade de lei, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF ,consoante Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, compete ao Julgador Administrativo apenas verificar se o ato administrativo de lançamento atendeu aos requisitos de validade e observou corretamente os elementos da competência, finalidade, forma e fundamentos de fato e de direito que lhe dão suporte, não havendo permissão para declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis. Assim, alegação no sentido da inconstitucionalidade da incidência de contribuições previdenciárias sobre a receita de comercialização de produção do empregador rural, bem como o pedido de reforma do R. Acórdão sob esse fundamento, não podem ser conhecidos. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente Redator Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19985.724275/2018-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1001-002.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Trata-se Recurso Voluntário contra o acórdão, número 15-50.430 da 4ª Turma da DRJ/RDR, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório SIMPLES/BENFIS/SRRF - 9ªRF nº 1222/2019, de 06 de novembro de 2019, que indeferiu o pedido de exclusão da empresa do regime tributário do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2018, mantendo-a como optante durante o período compreendido entre 01/01/2016 a 31/12/2018, por falta de previsão legal. Consoante o relatório, a autoridade fiscal assevera que a opção pelo Simples Nacional deve ser realizada durante o mês de janeiro e será irretratável para todo o ano- calendário, ressalvado se a empresa solicitar o cancelamento da solicitação de opção até o último AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 42 75 /2 01 8- 61 Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.504 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.724275/2018-61 dia útil do mês de janeiro e é válida para todo o ano-calendário, irretratável, salvo se a empresa incorrer em alguma das hipóteses de exclusão obrigatória. Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora recorrente alega que: a. Assim, no ano de 2018, apesar de já ter recolhido dois meses pelo SIMPLES NACIONAL, a empresa optou pelo REGIME DO LUCRO REAL TRIMESTRAL, sendo que esta opção foi feita em 29/04/2018, pela declaração da DCTF e também pelo recolhimento de DARF no dia 30/04/2018, caracterizando assim sua vontade em atuar neste regime de tributação. b. Apresentado para isto, todos os meses as DCTF obrigatórias, os SPED CONTRIBUIÇÕES mensais, mas não conseguindo entregar os SPED FISCAIS dos meses, pois o ente Estadual não permite a entrega do mesmo, por entender que a empresa ainda esta no REGIME DO SIMPLES NACIONAL, o que não procede, pois fez a opção pelo REGIME DO LUCRO REAL TRIMESTRAL. c. As empresas, em regra, têm até janeiro para decidir o regime tributário a ser adotado para o ano fiscal, no caso de 2018 a data limite foi 30/04/2018 para promover tal alteração. Com efeito, a opção pelo lucro real anual, lucro real trimestral ou lucro presumido será manifestada pelo pagamento da primeira quota de qualquer um dos regimes, mediante DARF, sendo que a legislação não permite mudar a forma de tributação durante o ano-calendário (art.13, Lei 9.718/98). d. Assim, uma empresa enquadrada na modalidade geral perante a Receita Federal, que em 30/04/2018, fechamento do primeiro trimestre, efetuar o pagamento IRPJ/CSLL na qualidade de optante do Lucro Presumido ou Lucro Real (através do código DARF), estará exercendo sua opção para aquele ano fiscal e, em princípio, sem opção de troca durante o ano. e. Inconteste que é de livre iniciativa do contribuinte a opção pelo regime tributário que lhe será mais favorável, assumindo, em contraposição, os riscos inerentes a tal regime. Com o advento da Lei n. 9.430⁄96, ao tratar da opção por tal regime, o art. 26 possibilitou a mudança do regime do lucro presumido para o lucro real desde que preenchidos os requisitos legais. f. Segundo interpretação e orientação externada pela Receita Federal em sua webpage, especificamente no “Perguntas e Respostas”, a opção pelo lucro presumido se dá mediante o pagamento da DARF, código lucro presumido, sendo que durante o ano-calendário não pode alterar a opção para o lucro real (art.13, Lei 9.718/98). Assim, mesmo que a empresa tenha prejuízo na sua atividade, deve pagar o IRPJ e a CSSL nos quatro trimestres do ano em que optou pelo lucro presumido. Pela analogia, os optantes pelo SIMPLES NACIONAL também podem optar por este regime. g. Portanto, a opção pela tributação é validamente manifestada com o pagamento da quota correspondente ao primeiro período de apuração do ano- calendário, conforme § 1' do art. 26 da Lei 9.430/96 c/c §1' do art. 13 da Lei 9.718/98, não havendo autorização legal para a troca de regime tributário neste estágio do ano- calendário, salvo em caso de sobrevir alteração legislativa prevendo uma exceção à regra, como nos casos dos anos de 2003 e 2004. h. Cumpre consignar que quanto à liberdade do contribuinte optar pelo regime tributário que lhe é mais favorável, entendemos não haver vícios de legalidade ou constitucionalidade, uma vez que as regras previstas garantem o exercício de escolha de forma harmônica com os interesses fazendários. Inclusive, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já consolidou entendimento. Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.504 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.724275/2018-61 i. Por analogia este entendimento também é levado a cabo pelos optantes pelo SIMPLES NACIONAL, sendo que a opção deste regime pode demonstrar-se penosa para o empresário, principalmente pelas mudanças impostas no exercício de 2018. 5. Ao final, requer a confirmação da opção da empresa pelo regime de lucro real trimestral, realizado em 29/04/2018 e a validação da solicitação do desenquadramento do Simples Nacional, para o exercício de 2018, pois o regime do lucro real trimestral é mais vantajoso para a empresa. DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, posto que o não se pode aplicar, por analogia as regras de opção pelo lucro presumido e cita as regras Presentes no portal do Simples Nacional que derivam das regras estabelecidas na Resolução CGSN 94/2011, em vigor à época. Como consequência, consoante o que decidido pela Unidade de Origem, a opção deve ser efetuada, durante o mês de janeiro e será irretratável para todo o ano-calendário e assim permanece até que o contribuinte opte pela sua exclusão que, se não for realizada no mês de janeiro, será válida a partir de 1º de janeiro do ano-calendário subsequente. Exceção ocorre se a empresa incorrer em alguma das hipóteses de exclusão obrigatória, caso em que deve comunicar a sua ocorrência através do Portal do Simples e os efeitos dar-se-ão segundo a legislação (consoante a hipótese de ocorrência). Cientificada em 14/07/2020 (fl.80), a recorrente apresentou o Recurso Voluntário (RV) em 23/08/2929 (fl. 82). Em seu RV, a recorrente repete os argumentos trazidos em sede de MI, ou seja, que, no ano de 2018, apesar de já ter recolhido dois meses pelo regime do Simples, a empresa decidiu optar pelo Lucro Real Trimestral, opção feita em 29/04/2018, pela DCTF e pelo recolhimento do DARF no dia 30/04/2018, caracterizando assim sua vontade em permanecer neste regime de tributação. Discorre sobre as regras para a referida opção e, especificamente, nada acrescenta ao que trazido em sede de MI, concluindo: a) Suspensão imediata da cobrança dos valores do SIMPLES NACIONAL, com a confirmação da opção da empresa pelo REGIME DE LUCRO REAL TRIMESTRAL, realizado em 29/04/2018, com a entrega das obrigações acessórias e também pelo recolhimento dos DARF´s referente ao IRPJ E CSLL. b) Validar a solicitação do desenquadramento do SIMPLES NACIONAL, para o exercício de 2018 e assim retirar a cobrança do simples nacional, c) Informar ao Ente federado Estadual que a empresa é optante pelo LUCRO REAL ANUAL e que, portanto tem a obrigação de entregar o SPED FISCAL, permitindo a mesma a realizar as entregas retroativas, sem as devidas autuações, pois não tinha como proceder ao atendimento do processo de entrega. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, por força da Portaria 543/2020, em vigor na ocasião, que suspendeu os prazos, para a prática de atos processuais, inicialmente, até 29 de maio Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.504 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 19985.724275/2018-61 de 2020, prorrogado, sucessivamente, para 31/08/2020, e como atende aos demais requisitos, determinados pelo Decreto 70.235/72, dele eu conheço. Verifica-se que a recorrente nada acrescentou aos seus argumentos trazidos em sede de MI, assim, por concordar com as razões de decidir da DRJ, adoto-as como fundamento deste voto, com embasamento legal no Art. 57, §3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, estando a conclusão alcançada pelo órgão julgador de 1ª instância em consonância com o entendimento deste Relator. Peço a devida vênia para aqui reproduzi-la parcialmente: No presente caso, a contribuinte registrou, através do Portal do Simples Nacional, sua exclusão por opção em 29/04/2018, o que gerou sua exclusão com efeitos a partir de 01/01/2019, ou seja, a partir do ano calendário subsequente. Em que pese ter efetuado o pagamento na forma do lucro real trimestral, o fato é que, sob os auspícios do art. 73, da Resolução do CGSN nº 94, de 2011, a contribuinte buscou alterar seu regime de tributação sem antes, contudo, proceder à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional na forma preconizada. Assim, estando submetida obrigatoriamente ao regime do Simples Nacional durante todo o calendário de 2018, não era permitido à contribuinte mudar sua forma de tributação para o lucro real trimestral. Desse modo, as obrigações tributárias cumpridas nesse período obedecendo ao regime do lucro real como pagamentos, DCTF, SPED foram indevidamente efetuadas e deverá a manifestante providenciar a adequação da sua situação fiscal ao regime do Simples Nacional, pelo qual validamente optou no referido período, mediante o cumprimento das obrigações que lhe são próprias. Quanto ao pedido de suspensão de cobrança dos valores do Simples, ressalto que está prevista expressamente no inciso II, ao art. 151, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 18186.727930/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3301-001.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para determinar a distribuição dos processos 10880.941558/2012-84; 10880.941562/2012-42, 10880.941563/2012-97 e 10880.941564/2012-31 para o Relator, em razão da conexão processual. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira que votaram pelo prosseguimento do julgamento
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira Presidente
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-29T18:01:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-08-29T18:01:55Z; Last-Modified: 2019-08-29T18:01:55Z; dcterms:modified: 2019-08-29T18:01:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:532add5a-f1ce-41db-8634-be4c60bbb076; Last-Save-Date: 2019-08-29T18:01:55Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-29T18:01:55Z; meta:save-date: 2019-08-29T18:01:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-29T18:01:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-08-29T18:01:55Z; created: 2019-08-29T18:01:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2019-08-29T18:01:55Z; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-29T18:01:55Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 347 1 346 S3C3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18186.727930/201118 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301001.227 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de julho de 2019 Assunto Créditos de PIS/PASEP Não Cumulatividade Recorrente MFB MARFRIG FRIGORÍFICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para determinar a distribuição dos processos 10880.941558/2012 84; 10880.941562/201242, 10880.941563/201297 e 10880.941564/201231 para o Relator, em razão da conexão processual. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira que votaram pelo prosseguimento do julgamento assinado digitalmente Winderley Morais Pereira – Presidente assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratam estes autos de Pedido de Ressarcimento de créditos presumidos de PIS/PASEP EXPORTAÇÃO, referentes ao 1º trimestre de 2011, no valor de R$ 252.811,11, formulado em papel, conforme fls. 02/05 destes autos digitais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 81 86 .7 27 93 0/ 20 11 -1 8 Fl. 347DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 348 2 2. O pedido foi fundamentado no disposto no artigo 33, § 6º, inciso II da Lei nº 12.058/2009 e na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 977/2009. 3. Alega a requerente que, em função de o Programa PER/DCOMP, versão 4.6, não prever tal tipo de ressarcimento, lhe foi impossível transmitir o pedido, o que a forçou a pedir por escrito, sem utilizar o Programa PER/DCOMP. 4. O pedido foi considerado não formulado, por não utilizar o citado Programa PER/DCOMP, pelo Despacho Decisório da DERAT/SP/DIORT de fls. 73/75. 5. Contra tal decisão, a requerente apresentou Recurso Hierárquico, com fulcro nos artigos 56 e seguintes da Lei nº 9.784/1999, ás fls. 80/85. 6. Foi juntada aos autos a Informação Fiscal de fls. 1993 / 2030, que traz as seguintes informações : INFORMAÇÃO FISCAL 1. A presente informação fiscal tem por objeto a análise dos pedidos eletrônicos de ressarcimento (PER) de PIS e de Cofins não cumulativos mercado interno e exportação do período compreendido entre o 1º trimestre de 2010 e o 2º trimestre de 2011. Os PER analisados estão discriminados na tabela abaixo: Nº EPROCESSO TIPO DE CRÉDITO PERÍODO PER Nº 10880.941550/201218 COFINS MI 1ºT 2010 00130.29842.311011.1.1.110241 10880.941552/201215 COFINS MI 2ºT 2010 28790.73274.311011.1.1.113544 10880.941554/201204 COFINS MI 3ºT 2010 25898.10520.311011.1.1.110381 10880.941556/201295 COFINS MI 4ºT 2010 29163.66435.311011.1.1.111786 10880.941549/201293 PIS MI 1ºT 2010 36100.82773.311011.1.1.106031 10880.941551/201262 PIS MI 2ºT 2010 11902.22739.311011.1.1.105089 10880.941553/201251 PIS MI 3ºT 2010 34128.62094.311011.1.1.104186 10880.941555/201241 PIS MI 4ºT 2010 21685.26599.311011.1.1.102508 10880.941542/201271 COFINS ME 1ºT 2010 32963.00412.311011.1.5.096613 10880.941544/201261 COFINS ME 2ºT 2010 25413.85546.311011.1.5.096613 10880.941546/201250 COFINS ME 3ºT 2010 05930.22819.311011.1.5.093915 10880.941548/201249 COFINS ME 4ºT 2010 01385.63014.311011.1.5.093216 10880.941541/201227 PIS ME 1ºT 2010 09299.81907.311011.1.5.087010 10880.941543/201216 PIS ME 2ºT 2010 00619.74575.311011.1.5.080469 10880.941545/201213 PIS ME 3ºT 2010 08987.93514.311011.1.5.084469 10880.941547/201202 PIS ME 4ºT 2010 38654.24821.311011.1.5.087011 10880.941559/201229 COFINS MI 1ºT 2011 42538.31710.311011.1.1.119917 10880.941561/201206 COFINS MI 2ºT 2011 38591.60797.311011.1.1.115383 10880.941557/201230 PIS MI 1ºT 2011 30710.59922.311011.1.1.103558 10880.941562/201242 PIS MI 2ºT 2011 20262.36163.311011.1.1.109098 10880.941560/201253 COFINS ME 1ºT 2011 05958.87659.311011.1.1.099289 Fl. 348DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 349 3 10880.941563/201297 COFINS ME 2ºT 2011 25074.45813.311011.1.1.093316 10880.941558/201284 PIS ME 1ºT 2011 26077.36199.311011.1.1.086004 10880.941564/201231 PIS ME 2ºT 2011 19798.67067.311011.1.11.080758 2. Em 02/05/2012 demos início á diligência fiscal determinada pelo Mandado de procedimento Fiscal de Diligência (MPFD) nº 08.1.80.00.2012000488 e intimamos o contribuinte a apresentar os seguintes documentos (fls. 472 a 476). (…) 7. Quanto ao crédito presumido, a informação Fiscal assim relata : CRÉDITO PRESUMIDO DAS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS 53. Por meio do memorial de cálculo das entradas apresentado, em que localizamos as aquisições de bens utilizados como insumos e de bens para revenda, constatamos que o contribuinte havia incluído na base de cálculo desses créditos compras de bois (NCM 01.02) e ovinos para abate (NCM 01.04), bem como compras de mercadorias classificadas nos seguintes NCM: 02.01, 02.02, 0204.22, 0204.23 02.04.42, 0204.43, 0206.10.00, 0206.21, 0206.29, 0506.90 e 1502.00.1 adquiridas de pessoa física, pessoa jurídica e cooperativas com suspensão do pagamento da contribuição para o PIS e da Cofins, como determinado pelas Leis nº 10.925/2004 e nº 12.058/2009. 54. Confrontando o memorial de cálculo de entradas com o memorial de cálculo de operações que gerariam direito à crédito presumido que foi apresentado posteriormente, constatamos que as mesmas compras de bovinos (NCM 01.02) e ovinos (NCM 01.04) apareciam nas duas listas, ou seja, o contribuinte utilizou a mesma base de cálculo para apurar créditos de bens utilizados como insumos e de crédito presumido. 55. Dessa forma, excluímos todas as aquisições de bovinos e ovinos da listagem de entradas. Esses valores serão analisados por meio do memorial de cálculo de crédito presumido. 56. Além disso, realocamos as compras das mercadorias classificadas nas NCM 0204.22, 0204.23 02.04.42, 0204.43, adquiridas com suspensão como previsto no art. 9º, III da Lei nº 10.925/2004, que constavam do memorial de calculo das entradas, para considerálas como crédito presumido: (…) LEI 10.925/2004 61. Até o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, o crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial estava previsto no § 10 do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002 para o PIS, e no § 5º, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003 para a Cofins, como segue: Lei 10.637/2002 “art. 3º (...) Fl. 349DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 350 4 § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 12. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento). (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004)” Lei 10.833/2003 “art. 3º (...) § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre Fl. 350DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 351 5 o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 6º Relativamente ao crédito presumido referido no § 5º: (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do art. 2º; (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do caput do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda 62. Por ser um crédito previsto no art. 3º das leis mencionadas, e por força dos parágrafos 1º e 2º do art. 5º da Lei 10.637/2002 e parágrafos 1º e 2º do art 6º da Lei nº 10.833/2003, nos casos em que a receita gerada com a aquisição desses insumos fosse vinculada à exportação dos produtos, tal crédito poderia ser utilizado para descontar da contribuição devida, e, caso houvesse saldo, poderia ser utilizado para compensação com outros tributos ou ressarcimento. 63. Posteriormente, esse crédito foi excluído do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e passou a ser regido pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004, que determina: “Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 351DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 352 6 § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.” (destacouse) 64. Assim, como se depreende da leitura do art. 8º supracitado, as pessoas jurídicas, tributadas pelo Lucro Real, que industrializam as mercadorias relacionadas no caput do art. 8º acima, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão apurar créditos presumidos, apenas para fins de dedução do valor devido em cada período de apuração a título dessas contribuições, na sistemática nãocumulativa, de acordo com a aplicação das alíquotas prescritas. 65. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004, foi regulamentado pela Instrução Normativa nº 660/2006, que determinou em seu art. 8º: “Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 353 7 § 1º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: I 0,99% (noventa e nove centésimos por cento) e 4,56% (quatro inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso: a) dos insumos de origem animal classificados no capítulo 2, exceto os códigos 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29 da NCM; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) b) das misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 da NCM; e c) dos insumos de origem animal classificados nos capítulos 3, 4 e 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da NCM, exceto o código 1502.00.1; (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) II 0,5775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso dos demais insumos.” (…) LEI 12.058/2009 73. Com o advento da Lei nº 12.058/2009, o calculo do crédito presumido decorrente da compra de bois para abate (NCM 01.02) deixou de ser regido pela Lei nº 10.925/2004 e passou a ter uma nova forma de apuração. 74. O art. 33 da Lei nº 12.058/2009 determinou que as empresas que produzam mercadorias classificadas nos códigos NCM 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM, destinadas a exportação, poderão apurar crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados na posição 01.02 da NCM, adquiridos de pessoa física, recebidos de cooperado pessoa física, pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária, como segue: “Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados na posição 01.02 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 354 8 § 1o O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições de pessoa jurídica que exercer atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária.” (destacouse) 75. Posteriormente, em 21/12/2010, a Lei nº 12.350 incluiu as mercadorias classificadas na NCM 0210.20.00, e excluiu as mercadorias constantes das NCM 4101.20.10, 4104.11.24 e 4104.41.30 do rol dos produtos que se produzidos, permitiriam a apuração de crédito presumido calculado sobre a compra de bens classificados na posição 01.02 da NCM, como segue: Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados na posição 01.02 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) 76. Conforme o § 3º desse mesmo artigo, esse crédito deverá ser calculado mediante a aplicação do percentual correspondente a 50% (cinqüenta por cento) das alíquotas de PIS e de Cofins previstas nas leis 10.637/2002 e 10.833/2003. “§Art. 33.(...) 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” 77. Assim sobre o valor de aquisição das mercadorias classificadas na NCM 01.02 deverá ser aplicado o percentual de 0,825% para o PIS e de 3,8% para a Cofins (art. 9º da IN RFB 977/2009). (…) 3. DA APURAÇÃO DO CRÉDITO 129. O saldo inicial de crédito de períodos anteriores considerado para o cálculo no mês de Janeiro de 2010 é de R$ 850.615,42 (oitocentos e cinqüenta mil, seiscentos e quinze reais e quarenta e dois centavos) para o PIS e de R$ 3.917.922,12 (três milhões, novecentos e dezessete mil, novecentos e vinte e dois reais e doze centavos) para a Cofins, como informado no DACON pelo contribuinte. Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 355 9 130. Com base nos ajustes acima relatados, refizemos o cálculo do crédito da contribuição para o Pis e a Cofins no regime não cumulativo (fls. 1887 a 1992), do período em tela, e constatamos que o interessado tem os seguintes saldos de crédito a serem ressarcidos: crédito de PIS vinculado ás receitas auferidas no mercado interno crédito de PIS vinculado ás receitas de exportação crédito de COFINS vinculado ás receitas auferidas no mercado interno crédito de COFINS vinculado ás receitas de exportação 131. Os pedidos listados acima não incluem os eventuais saldos de crédito presumido decorrente da compra de bois (NCM 01.02) vinculadas as receitas de exportação. Esses créditos foram pleiteados por meio dos processos administrativos listados abaixo, tendo em vista que a forma de se fazer o pedido de ressarcimento nesse caso não estava prevista no programa PER/DCOMP, e, portanto, o pedido deveria ser feito por meio da protocolização da petição prevista no art. 98 da IN 900/2009. Apenas no 1º, 2º e 3º trimestres de 2010 houve saldo de crédito presumido a ser ressarcido. Nos demais meses o crédito presumido foi utilizado para desconto da contribuição devida no mês: CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS VINCULADO ÁS AQUISIÇÕES DE BOIS A SER RESSARCIDO Nº PROCESSO PERÍODO VALOR RECONHECIDO 18186.727926/201141 1ºT 2010 111.334,07 18186.727927/201196 2ºT 2010 192.242,07 18186.727928/201131 3ºT 2010 160.335,79 18186.727929/201185 4ºT 2010 18186.727930/201118 1ºT 2011 18186.727931/201154 2ºT 2011 CRÉDITO PRESUMIDO DE COFINS VINCULADO ÁS AQUISIÇÕES DE BOIS A SER RESSARCIDO Nº PROCESSO PERÍODO VALOR RECONHECIDO 18186.727933/201143 1ºT 2010 512.811,47 18186.727934/201198 2ºT 2010 885.478,62 18186.727935/201132 3ºT 2010 739.807,11 18186.727936/201187 4ºT 2010 18186.727937/201121 1ºT 2011 18186.727938/201176 2ºT 2011 132. Por fim, há que se ressaltar que nos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio e junho de 2011 o crédito apurado no mês não foi suficiente para se fazer o desconto do valor do débito Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 356 10 apurado, sendo assim, nesses meses procederemos ao lançamento do valor remanescente dos débitos como segue: PERÍODO APURAÇÃO DÉBITO COFINS DÉBITO PIS JANEIRO/2011 (78.190,12) (16.975,48) FEVEREIRO/2011 ( 131.646,08) (28.581,05) ABRIL/2011 (44.144,33) (9.583,96) MAIO/2011 (182.580,69) (39.639,24) JUNHO/2011 (198.846,87) (43.170,70) 8. Com base nestas informações, o despacho decisório foi revisto pelo Despacho Decisório de fls. 137/140, com a seguinte ementa : Revisão de ofício de despacho decisório PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados na posição 01.02 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Pedido de Ressarcimento indeferido. 9. Relevante destacar os fundamentos desta decisão. 5. Tendo em vista que o programa PER/DCOMP realmente não permitia o envio de pedido de ressarcimento de créditos apurados na forma da Lei nº 12.058/2009, constatamos que houve erro na decisão exarada no despacho administrativo anterior (fls. 73 a 75), pois o pedido não poderia ter sido considerado não formulado. Em decorrência desse fato, procederemos aqui à revisão desse despacho decisório. 6. O crédito presumido decorrente das aquisições de bois (NCM 01.02), vinculadas às receitas de exportação, como previsto no art. 33 da Lei nº 12.058/2009 do período compreendido entre o 1º trimestre de 2010 ao 2º trimestre de 2011 foi analisado conjuntamente com os demais créditos de PIS/Cofins não cumulativos nos processos administrativos listados abaixo, dos quais juntamos cópia da informação fiscal ao presente (fls. 99 a 133). Todos os documentos comprobatórios do crédito se encontram acostados nesses processos 7. Nessa análise apuramos que no 1º trimestre de 2011 não há saldo de crédito presumido de PIS a ser ressarcido. 10. A requerente, não se conformando com o resultado, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 144/156 dos autos digitais). Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 357 11 11. Por bem descrever os fatos até este momento processual, adoto o relatório constante do Acórdão DRJ/Porto Alegre nº 1060.590, combatido pela ora recorrente : O contribuinte encaminhou pedido de ressarcimento em 04/11/2011 referente a crédito presumido de PIS relativo ao 1º trimestre de 2011, onde alegava um direito creditório no montante de R$ 252.811,11 (fls. 2 a 5 1). O pedido foi formulado em papel e não através do Programa PER/DCOMP. Foi juntado o DACON às fls. 19 a 66 e a DCTF às fls. 67 a 72. De acordo com o Despacho Decisório da DERAT/SP o pedido de ressarcimento formalizado por meio de papel somente poderia ser admitido nos casos em que não fosse possível ser encaminhado o pedido via Programa PER/DCOMP. E no caso em questão o contribuinte não tinha nenhum impedimento para encaminhar da forma determinada pela legislação, tendo sido citado na decisão administrativa o § 3º, do art. 98, e § 1º, do art. 39, da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 (fls. 73 a 75). Dessa forma, o pedido de ressarcimento foi considerado não formulado. Consta ainda no referido Despacho Decisório que deveria ser dada ciência do mesmo ao contribuinte, alertando que não caberia a apresentação de manifestação de inconformidade nos termos do § 8º, do art. 66, da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. O contribuinte tomou conhecimento do Despacho Decisório em 10/07/2012, conforme fl. 77 dos autos. Após isso, a DERAT/SP emitiu um Termo de Ciência por decurso de prazo com data de 18/07/2012, de acordo com a fl. 78. Somente em 11/10/2012 veio a constar um Termo de Solicitação de Juntada por parte do contribuinte, onde consta como documento um “recurso hierárquico” (fl. 79). No entanto, em tal documento consta um carimbo datado de 12/07/2012 no CAC/Paulista (ver fl. 80). Em tal juntada de documentos realmente é apresentada uma contestação contra o proferido Despacho Decisório. Em tal peça a empresa alega acumular créditos presumidos relativos ao PIS e à Cofins gerados pelas aquisições de insumos de origem animal nos termos do art. 33, da Lei nº 12.058/2009. Diz ter encaminhado o pedido em formulário papel por não haver no programa PER/DCOMP a opção de ressarcimento dos créditos presumidos de PIS e Cofins nos termos do citado art. 33. Diante disso, não teria restado outra alternativa senão formular o pedido via papel. Aponta que no programa PER/DCOMP, versão 5.1, não existia a opção no campo “tipo de crédito” para ressarcimento de crédito presumido. Argumenta que embora o Agente Fiscal afirme que era possível apurar crédito presumido para compensar com outros tributos ou ressarcir, isso somente entrou em vigor em 01/11/2009, e até a data de sua contestação não foi disponibilizado meios para que o referido pedido fosse feito pelo sistema PER/DCOMP. A empresa teria se utilizado do único procedimento disponível para a realização do seu pedido de ressarcimento (fls. 80 a 85). POR FIM, requer que seja recebido e apreciado o seu recurso, a fim de reformar a decisão que considerou o pedido realizado pela empresa como não formulado,reconhecendo o seu direito ao ressarcimento dos créditos presumidos de PIS e de Cofins nos termos do art. 33, da Lei nº 12.058/09, Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 358 12 dada a liquidez desse crédito, bem como pelo fato de o recorrente ter utilizado o único procedimento disponível para a realização do pedido de ressarcimento. Na sequência dos autos aparece uma Informação Fiscal da DERAT/SP, onde consta como analisado o crédito da PIS e Cofins mercado interno e exportação do período compreendido entre o 1º trimestre de 2010 e o 2º trimestre de 2011 (mesmo tributo e período tratados nesse processo), o qual teria sido objeto de verificação no processo nº 10880.941557/2012 30, mercado interno e 10880.941558/201284, exportação), sendo que o contribuinte teria requerido esse crédito através dos programas eletrônicos pelo PER/DCOMP nº 30710.59922.311011.1.1.103558 e 26077.36199.311011.1.1.086004, respectivamente. É narrado nessa Informação Fiscal que foi aberto Mandado de Procedimento Fiscal e intimada a MFB a apresentar diversos documentos e explicações a respeito dos pedidos de ressarcimento formulados. Após é feita uma análise do direito creditório levando em conta os insumos, crédito presumido e demais itens pertinentes. Temse então a seguir uma revisão de ofício do já mencionado Despacho Decisório, sendo emitido um novo às fls. 137 a 140. Foi, portanto, vencida a questão relativa à consideração de não formulado o pedido de ressarcimento, para dessa feita considerar o mesmo indeferido pelas razões que fundamenta tal decisão administrativa. Da análise do pedido e do direito creditório para o período de apuração aqui tratado se constatou que não haveria saldo de crédito presumido de Cofins a ser ressarcido. A ciência por decurso de prazo foi dada ao contribuinte em 11/05/2013 (fl. 143), tendo o contribuinte apresentado manifestação de inconformidade em 07/06/2013 às fls. 144 a 155. O contribuinte em síntese faz as seguintes alegações: QUE o crédito presumido pleiteado decorre da aquisição de bois (NCM 01.02) vinculada às receitas de exportação, como previsto no art. 33, da Lei nº 12.058/2009. QUE com base nos diversos demonstrativos feitos pela fiscalização, os quais reproduz, pode se verificar que o manifestante teria reconhecido um crédito presumido de PIS nãocumulativo exportação para o 4º trimestre de 2010 no valor total de R$ 272.440,41. QUE tendo sido reconhecido esse direito ao crédito presumido em outro processo administrativo, destacaria o presente Despacho Decisório que não haveria saldo desse crédito a ser ressarcido, entendendo pelo indeferimento do pedido de ressarcimento apresentado nesses autos. Isso porque o Agente Fiscal afirma que para tal crédito foi utilizado para desconto da contribuição devido nos respectivos meses. QUE, no entanto, discorda dos DACONs refeitos pela fiscalização, relativamente a parte dos créditos que foram glosados das seguinte rubricas: compra de bens para revenda; compra de bens utilizados como insumos; serviços utilizados como insumos; despesas de energia elétrica; despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos; despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda; despesas de contraprestações de arrendamento mercantil; crédito sobre bens do ativo imobilizado com base nos encargos de depreciação; devoluções de vendas sujeitas às contribuições; e crédito presumido calculado sobre os insumos de origem animal. Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 359 13 QUE, como já mencionado, com as glosas realizadas pela autoridade administrativa os créditos presumidos foram utilizados para as deduções das contribuições devidas nos meses, não restando saldo passível de ressarcimento. Além disso, em decorrências dessas glosas ocorreu a insuficiência de créditos em determinados períodos o que motivaria a constituição dos valores devidos por meio de lançamento de ofício, com a lavratura de Auto de Infração, o que foi feito no processo nº 19515.720692.201367. QUE, diante de tudo isso, no caso do 1º trimestre de 2011, o contribuinte está discutindo o seu direito creditório em outros processos. E dessa forma não haveria como se falar na inexistência de saldo de crédito presumido a ser ressarcido, enquanto os créditos pleiteados ainda estão lá sendo discutidos. QUE o suposto crédito tributário se encontraria com a exigibilidade suspensa nos termos do inciso III, do art. 151, do Código Tributário Nacional. QUE não deve prevalecer o entendimento da autoridade administrativa que reconheceu que não há crédito presumido a ser ressarcido, pois existem outros processos pendentes de julgamento pela Receita Federal do Brasil. E uma vez reconhecido o direito creditório em sua integralidade, restará confirmado que os valores dos créditos ordinários são suficientes para realizar as deduções mensais, e consequentemente será garantido o direito ao crédito presumido existente em nome da manifestante. POR FIM, requer que seja recebida e processada sua manifestação de inconformidade, com efeitos suspensivo do inciso III, do art. 151, do CTN, acatando seus argumentos para que seja dado provimento a fim de: I) determinada a suspensão do presente processo administrativo até que sobrevenha o julgamento definitivo dos processos administrativos referentes à análise dos pedidos eletrônicos de ressarcimento de PIS e de Cofins no período compreendido entre o 1º trimestre de 2010 e o 2º trimestre de 2011; II) caso assim não se entenda, que esses processos dos pedidos eletrônicos de ressarcimento sejam julgados conjuntamente, evitando decisões divergentes quanto aos mesmos fatos; c) uma vez acatados os pedidos I e II, que seja reformado o Despacho Decisório reconhecendo integralmente o direito creditório postulado, a fim de ressarcir o crédito já reconhecido pela SRFB. É o relatório. 12. Analisando tais argumentos, a DRJ/PORTO ALEGRE assim ementou o Acórdão combatido nestes autos : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 DIREITO CREDITÓRIO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Tendo o contribuinte encaminhado pedido de ressarcimento na forma papel e eletrônica, e nesse último caso tendo sido aproveitado os créditos presumidos que são aqui alegados na quitação das contribuições devidas dos respectivos meses, entendese inexistir saldo creditório a ser ressarcido. REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO. INEXISTÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE NORMA OBRIGANDO TAL PROCEDIMENTO. Inexiste no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal norma que torne obrigatório a Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 360 14 suspensão ou o julgamento conjunto de processos relativos ao mesmo contribuinte, ainda que guardem relação de conexão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 13. Irresignado, a então impugnante, apresentou recurso voluntário, onde, repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, em síntese, alega: I – DOS FATOS relata os fatos referentes aos presentes autos II – DO DIREITO DO CRÉDITO PRESUMIDO DECORRENTE DA COMPRA DE BOIS PARA ABATE (NCM 01.02) A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, negoulhe provimento sob o fundamento de que “o contribuinte está pleiteando o ressarcimento em duas oportunidades, ou seja, na forma eletrônica e de papel, pois tais créditos presumidos foram todos utilizados quando do pedido de ressarcimento feito via programa PER/DCOMP, como devidamente demonstrado na Informação Fiscal”. Ou seja, em que pese a única forma de se fazer o pedido de ressarcimento dos créditos apurados na forma da Lei nº 12.058/2009 era por meio de protocolização de petição em papel – que originou o presente processo administrativo, a análise do direito creditório do crédito presumido foi realizado conjuntamente com o processo que analisa os créditos de PIS Exportação do 1º Trimestre de 2011. Notase, portanto, que não há que se falar que o “contribuinte está pleiteando o ressarcimento em duas oportunidades”, isto porque, como pode verificar ao longo de todo o processo administrativo, a Recorrente realizou o pedido do valor referente aos créditos presumidos via papel (haja vista que esse era o único procedimento previsto na época), o que ensejou o presente processo administrativo. O que acontece é que apenas a ANÁLISE do direito creditório foi realizada no processo oriundo da apresentação de PER/DCOMP (10880.941558/201284), conforme amplamente explicado na Manifestação de Inconformidade e será novamente repisado nessa oportunidade. Em outras palavras: a análise foi realizada no processo administrativo nº 10880.941558/201284 e o direito ao ressarcimento foi indeferido no presente processo administrativo. III – DO PEDIDO Face ao exposto, requer seja recebido e processado o presente recurso, acatando os argumentos consignados para que seja DADO PROVIMENTO, a fim de: (i)suspender a exigibilidade do crédito tributário, consoante disposição do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; (ii) seja determinada a suspensão do presente processo administrativo, até que sobrevenha o julgamento definitivo dos processos administrativos referente à análise dos pedidos eletrônicos de ressarcimento (PER) de Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 361 15 PIS e Cofins nãocumulativos mercado interno e exportação do período compreendido entre o 1º trimestre de 2010 e o 2º trimestre de 2011 – conforme relação constante no quadro 6; (iii) caso assim não entendam Vossas Senhorias, sejam os processos administrativos referente à análise dos pedidos eletrônicos de ressarcimento (PER) de PIS E Cofins nãocumulativos mercado interno e exportação – conforme relação constante no quadro 6 e o presente processo administrativo, reunidos e julgados conjuntamente, evitando sejam proferidas decisões divergentes quanto aos mesmos fatos, bem como os prejuízos que poderão advir de tais decisões (iv) uma vez acatados os pedidos dos itens i e ii, seja reformado o v. acórdão,reconhecendo integralmente o direito creditório postulado, a fim de ressarcir o crédito já reconhecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 14. Os autos foram então a mim distribuídos. É o relatório. Voto 15. O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, sendo tempestivo dele, portanto, tomo conhecimento. 16. Na origem, a controvérsia originouse da análise dos créditos presumidos de PIS/PASEP nãocumulativo, vinculados à receita de exportação, pleiteados em duplicidade. 17. De acordo com a Informação Fiscal acostada aos presentes autos, o teor do Despacho Decisório DERAT/SP que procedeu á revisão de ofício e o teor do Acórdão DRJ/PORTO ALEGRE, além das razões recursais apresentadas pela recorrente, verificase que, realmente, houve duplicidade no pedido de ressarcimento, um pedido em papel, efetivado nestes autos, e outro, via eletrônica, pelo Programa PER/DCOMP, analisado nos autos do processo administrativo nº 10880.941558/201284. 18. Verificamos que o processo administrativo nº 10880.941558/201284, encontra se em fase de apreciação do recurso voluntário apresentado, e está para ser distribuído para julgamento nesta 3ª Seção. 19. O Regimento Interno do CARF RICARF, assim determina no seu ANEXO II (Da Competência, Estrutura e Funcionamento dos Colegiados do CARF), TÍTULO I (dos Órgãos Julgadores), CAPÍTULO I (da Competência para Julgamento dos Recursos), SEÇÃO I (das Seções de Julgamento) : Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato Fl. 361DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 18186.727930/201118 Resolução nº 3301001.227 S3C3T1 Fl. 362 16 idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. 20. Assim, diante da clara conexão entre os presentes autos e o de nº 10880.941558/201284, deve este último ser distribuído para este relator, para julgamento em conjunto com os presentes autos. 21. Devem, portanto, os presentes autos serem sobrestados até que o de nº 10880.941558/201284 seja distribuído a este relator. É como voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 362DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13639.720105/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 39 .7 20 10 5/ 20 11 -9 5 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13639.720105/201195 Resolução nº 1402000.512 S1C4T2 Fl. 80 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 15ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ) assim ementado: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2007 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DCOMP. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. É correta a homologação parcial da DCOMP quando o crédito informado é insuficiente para a compensação dos débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis: "Versa o presente processo sobre a Declaração de Compensação apresentada por meio do PER/DCOMP, através do qual a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de pagamento indevido ou a maior com débito nele declarado. Consta no Despacho Decisório: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. (...) Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada." Cientificada do referido Despacho, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o débito compensado possui data de vencimento anterior a do pagamento fonte do suposto crédito. É o relato do necessário." A Recorrente inconformada com a decisão de 1ª Instância, apresentou recurso voluntário nos seguintes termos: "Pois bem, de início, devese frisar que houve um erro por parte da Recorrente ao realizar o PERD/COMP, sem contudo lesar o Fisco Federal, não sendo a Recorrente devedora da União. Assim, vejamos: Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13639.720105/201195 Resolução nº 1402000.512 S1C4T2 Fl. 81 3 Em 31/05/2006 a Recorrente efetuou o pagamento da segunda parcela do IRPJ do 1º trimestre do ano de 2006 no valor de R$ 19.323,54 vide DARF anexo. A mesma constatou, conforme aceito pela RFB, que houve pagamento a maior já que o valor correto da parcela seria R$ 12.326,86. Logo, inequívoco o crédito de R$ 6.720,18 da Recorrente. Esta última, porém, por erro, efetuou a compensação do crédito acima na terceira parcela do IRPJ do l9 trimestre do ano de 2006 cujo vencimento se deu em 30/06/2006 de acordo com seu PERD/COMP. Ocorre que a parcela vencida em tal data (30/06/2006) já havia sido devidamente paga (e novamente a maior) no importe de R$ 19.568,43 conforme se prova pela DARF de 30/06/2006 em anexo. Ou seja, a partir de seu crédito, a Recorrente erroneamente buscou compensar tal valor com débitos JÁ PAGOS DE FORMA INTEGRAL, ou seja, com um débito inexistente. No momento que, de forma eletrônica, a Recorrente efetuou os procedimentos (erroneamente) para a compensação de um crédito, o sistema da Receita Federal entendeu que aquela teria então um debito de valor igual ou maior que o crédito que se desejaria compensar, apesar de tal débito não existir conforme exposto acima. E, como o procedimento de compensação, no caso in tela, se deu posteriormente ao vencimento do tributo (já devidamente pago, deixase bem claro novamente), a Recorrida entendeu que o débito não havia sido pago na data de seu vencimento e determinou automaticamente a cobrança de multa e juros de mora. E por ter efetuado pontualmente o pagamento integral dos, é forçoso concluir que o crédito tributário foi extinto não pela compensação, mas pelo pagamento. Muito embora a Recorrente não possa mais realizar a compensação com o crédito dos pagamentos realizados a maior, não há débito algum para ser compensado, já que devidamente pagos na data de vencimento. Percebam então os ínclitos Conselheiros que apesar de haver o crédito (efetivamente reconhecido pela RFB) não há que se falar em débito, já que todos os tributos envolvidos neste PERD/COMP foram efetivamente pagos (e a maior). O erro cometido pela Recorrente ao proceder a compensação em nada lesou a Fazenda Pública Federal já que os tributos não deixaram de ser pagos. Assim, o que não se pode aceitar, por medida de justiça, é que a Recorrente passe de credora para devedora sendo certo e provado que realizou o pagamento a maior dos tributos. Certamente, por ser situação nada corriqueira e pelo fato da Recorrente não ter apresentado uma explicação satisfatória, o erro material cometido pela mesma vem sendo interpretado até o momento como de fato ela fosse devedora, o que não é. E por ter efetuado pontualmente o pagamento integral dos tributos referentes ao IRPJ do primeiro trimestre do ano de 2006, é forçoso concluir que o crédito tributário foi extinto não pela compensação, mas pelo pagamento. Muito Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13639.720105/201195 Resolução nº 1402000.512 S1C4T2 Fl. 82 4 embora a Recorrente não possa mais realizar a compensação com o crédito dos pagamentos realizados a maior, não há débito algum para ser compensado, já que devidamente pagos na data de vencimento. [...] Mediante o exposto, demonstrada a integralidade do pagamento do débito do qual erroneamente se pediu a compensação, a Recorrente requer que seja conhecido e provido o presente recurso, para que seja julgado improcedente o despacho decisório, anulandose os débitos cobrados neste processo." É o relatório Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13639.720105/201195 Resolução nº 1402000.512 S1C4T2 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. Em síntese, o Recorrente declara que, erroneamente, apresentou PERD/COMP para compensar débito integralmente pago. Anexou ao seu recurso cópia de DARF autenticado pela instituição bancária e comprovante de arrecadação emitido através do sítio da Receita Federal. Diante das alegações do Recorrente e dos documentos apresentados, apresenta se a necessidade de diligência para confirmar o referido pagamento e verificar a (in)subsistência das compensações. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderá ser definitivamente formada a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para que: 1. Pronunciarse sobre a procedência das alegações/documentos apresentados pela recorrente, confirmação do crédito alegado e a (in)subsistências das compensações. 2. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. 3. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 83DF CARF MF
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