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Numero do processo: 10680.009279/2004-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF). No caso concreto, devem ser admitidos para se explicitar, no dispositivo do acórdão, o resultado quanto à apreciação do recurso de ofício.
Numero da decisão: 1103-001.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, admitir os embargos de declaração e dar-lhes provimento para alterar a redação do dispositivo do Acórdão nº 107-09.446, de 13/8/2008, para: "Acordam os membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (i) negar provimento ao recurso de ofício em razão do acolhimento da preliminar de decadência de CSLL para fatos geradores até 31/12/1998, por maioria, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Jayme Juarez Grotto e Marcos Vinicius Neder de Lima e (ii) dar provimento ao recurso voluntário para excluir da exigência a parcela de reversão de contingência, por unanimidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.".
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma (art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF). No caso concreto, devem ser admitidos para se explicitar, no dispositivo do acórdão, o resultado quanto à apreciação do recurso de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, admitir os embargos de declaração e darlhes provimento para alterar a redação do dispositivo do Acórdão nº 107 09.446, de 13/8/2008, para: "Acordam os membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (i) negar provimento ao recurso de ofício em razão do acolhimento da preliminar de decadência de CSLL para fatos geradores até 31/12/1998, por maioria, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Jayme Juarez Grotto e Marcos Vinicius Neder de Lima e (ii) dar provimento ao recurso voluntário para excluir da exigência a parcela de reversão de contingência, por unanimidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.". (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 92 79 /2 00 4- 71 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.009279/200471 Acórdão n.º 1103001.086 S1C1T3 Fl. 508 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls.489/490) interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em face do acórdão nº 10709.446, de 13/8/08, que recebeu a seguinte ementa (fls.475/484): CSLL. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4°., DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. LANÇAMENTO FORMALIZADO APÓS A FLUÊNCIA DO LUSTRO DECADENCIAL. Formalizado o lançamento de oficio em 29/07/2004, não poderia a Receita Federal, validamente, constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em 30/06/1997 e 31/12/1998. O fato de ter a Recorrente apresentado declaração retificadora não interfere na contagem do prazo de decadência, prazo este que, diante de regra expressa (insculpida no art. 150, §4°, do CTN), iniciase quando se reputa ocorrido o fato imponível. Os prazos de decadência não estão sujeitos a interrupção ou suspensão. EXCLUSÃO INDEVIDA DE 'RECEITA DE REVERSÃO DE CONTINGÊNCIA PASSIVA'. TRIBUTAÇÃO ANTERIOR. ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. Não é admissível que um crédito de natureza estritamente contábil seja tributado na sua constituição e novamente tributado no momento de sua reversão. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO. Ê firme o entendimento desta Corte no sentido de que a existência de ação judicial pela qual discute o contribuinte o 'mérito’ do lançamento importa em renúncia à instância administrativa, posto que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, o que torna inócua a discussão administrativa. RECURSO DE OFICIO. EXCLUSÃO INDEVIDA DE SALDO DEVEDOR DA DIFERENÇA IPUBTNF 1990. É de se afastar imposição de dedução integral dos valores de correção monetária IPC/BTNF no anocalendário de 1994, sendo obrigatória a observância do escalonamento previsto na Lei n°. 8.200/1991, que discriminou, em cada anocalendário, as deduções possíveis.” A Embargante sustenta que houve omissão do julgado quanto ao resultado da votação relacionada à matéria objeto do recurso de ofício (exclusão indevida de saldo devedor da diferença de IPC/BTNF). Fl. 512DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.009279/200471 Acórdão n.º 1103001.086 S1C1T3 Fl. 509 3 Em razão do Relator do acórdão embargado, Cons. Hugo Correia Sotero, não mais ser membro do CARF, os embargos de declaração foram distribuídos com base no art.49, §7º, e art. 65, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Do juízo de admissibilidade Os embargos de declaração são tempestivos. Nos termos do Regimento Interno do CARF (Anexo II), são cabíveis para sanar obscuridade, omissão ou contradição existentes na decisão: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Como relatado, a PGFN sustenta ter o acórdão guerreado sido “...omisso quanto ao resultado obtido na votação levada a efeito pelos ilustres Conselheiros, quando da análise da matéria objeto do Recurso de Ofício”, que trata da exclusão, do lucro líquido, do saldo devedor da diferença de correção monetária IPC/BTNF 1990. Da leitura de excerto do respectivo voto condutor, abaixo reproduzido, vêse que tal matéria foi enfrentada pelo I. Relator: “[...] Passo a analisar o recurso de oficio. Assim decidiu a autoridade julgadora: ‘Como se vê, considerando que a diferença IPC BTNF 1990 poderia ser excluída do lucro liquido, na determinação do lucro real, em seis anoscalendário, a partir de 1993, a razão de vinte e cinco por cento em 1993 e de quinze por cento, ao ano, de 1994 a 31 de dezembro de 1998, é incontestável pelos dados acima que até 31/12/1995, as exclusões procedidas se amoldavam aos preceitos da Lei n°. 8.200, de 1991, tendo sido excluída do lucro liquido, na determinação do lucro real, 23% (vinte e três por cento) no anocalendário de 1993, assim como os 30% (trinta por cento), excluídos no ano calendário de 1995, corresponderiam a 15% (quinze por cento) passíveis de exclusão em 1994, mais 15% (quinze por cento) passíveis de exclusão em 1995. Apesar da ecoada obviedade, cumpre destacar que, de fato, tal como foi efetuado, sob a premissa de que 'a sentença monocrática teria permitido, única e exclusivamente, que o saldo da diferença IPC/BTNF 1990 fosse deduzido integralmente e em parcela única na Fl. 513DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.009279/200471 Acórdão n.º 1103001.086 S1C1T3 Fl. 510 4 apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no exercício de 1995, ano base de 1994, conforme requerido pelo contribuinte na inicial', o feito fiscal, além de incorrer numa evidente impropriedade e em engano manifesto, incide também no equivoco de vedar de forma peremptória ao contribuinte, admitindoa somente de forma integral no anocalendário de 1994, exercício 1995, a dedução de 47% (quarenta e sete por cento) do saldo da diferença IPC/BTNF 90, mesmo que diferido a razão de 15% (quinze por cento) ao ano, nos moldes da Lei n°. 8.200, de 1991 e alterações posteriores, direito esse que a sentença, por óbvio, repisese, não decotou. De tal modo, apreciados estes últimos aspectos subjacentes necessários, e rememorando que o lançamento de oficio efetuou a glosa da dedução do 'Saldo devedor da diferença de correção monetária IPC/BTNF de 1990' no valor de R$ 24.215.537,00 em relação ao fato gerador de 30/06/1997; no valor de R$ 1.126.711,00, em relação ao fato gerador de 31/12/1998 e, no valor de R$ 5.239.496,00, em relação ao fato gerador de 31/12/1999, há que reputarse, pois, procedente em parte a exigência, haja vista que, de acordo com o quadro supra, a exclusão procedida no ano calendário de 1997 extrapola o limite legal computável em R$ 14.358.342,64 e, por outro lado, a exclusão procedida no anocalendário de 1999, no valor de R$ 5.239.496,00, carece de amparo legal para ser computada naquele período." Em síntese, procedeu a autoridade julgadora à retificação do lançamento no que concerne à dedução dos valores de correção monetária IPC/BTNF, considerando ilegítima a glosa integral efetuada pela autoridade lançadora e, como corolário, refez a apuração do resultado dos anoscalendário de 1995 a 1999 considerando as deduções autorizadas pela Lei Federal n°. 8.200/1991. Nessa linha, afastou a autoridade julgadora a restrição constante do lançamento de oficio tocante à obrigatoriedade de dedução integral dos valores de correção monetária IPC/BTNF no anocalendário de 1994 e, respeitando o escalonamento previsto na Lei n° 8.200/1991, discriminou em cada ano calendário, as deduções possíveis, apurando o valor do IRPJ devido em cada exercício pela Recorrente. Sobre o terna, confirase a manifestação deste Colendo Conselho de Contribuintes: ‘IRPJ — DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS — CORREÇÃO MONETÁRIA — LEI 8.200/91 (ART. 3°, I, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 8.682/93). CONSTITUCIONALIDADE. A Lei 8.200/91, (I) ern nenhum momento, modificou a disciplina da base de cálculo do imposto de renda referente ao balanço de 1990; (2) nem determinou a aplicação, ao períodobase de 1990, da variação do IPC; (3) tão somente reconheceu Fl. 514DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.009279/200471 Acórdão n.º 1103001.086 S1C1T3 Fl. 511 5 os efeitos econômicos decorrentes da metodologia de cálculo da correção monetária. O art. 3°, I (Lei 8.200/91), prevendo hipótese nova de dedução na determinação do lucro real, constituiuse como favor fiscal ditado por opção política legislativa. Inocorrência, no caso, de empréstimo compulsório. (STF — Recurso Extraordinário n°201.4655 Minas Gerais).’ (Acórdão n°. 10195592, .1ª Câmara, rel. Conselheiro Paulo Roberto Cortez) ‘IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA — IPC/BTNF FORMA DE APROPRIAÇÃO —MATÉRIA NÃO IMPUGNADA —ADICIONAL — É defeso ao sujeito passivo aproveitarse do resultado da correção monetária do IPC/BTNF de forma diversa daquela preconizada na Lei 8200/ 91, com redação do artigo 11 da Lei 8682/1993.’ (Acórdão n°. 10194731, 1ª Câmara, rel. Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno) ..... Conheço o recurso de oficio para negarlhe provimento.” À vista da manifestação da PGFN, resta saber se houve a análise pelos demais membros do colegiado, tendo em conta que, ao menos expressamente, não se fez menção ao recurso de ofício quando da formalização do acórdão. Vejamos: “ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência de CSLL para fatos geradores até 31/12/1998, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Jayme Juarez Grotto e Marcos Vinicius Neder de Lima e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para excluir da exigência a parcela de reversão de contingência.” Em consulta ao sítio do CARF na internet, notase que as informações ali disponíveis não auxiliam no desate da questão, pois nada informam sobre o resultado do julgamento relacionado ao recurso de ofício, ao menos, repitase, expressamente: 13/08/2008 DECISÃO PUBLICADA Decisão: Acórdão Número Decisão: 10709446 Texto da Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência de CSLL para fatos geradores até 31/12/1998, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Jayme Juarez Grotto e Marcos Vinicius Neder de Lima e, no mérito , por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para excluir da exigência parcela de reversão de contingência. Resultado: Dar Provimento Por Unanimidade Resultado: Dar Provimento Por Unanimidade 13/08/2008 RESULTADO OBRIGATÓRIO Unidade: 7ª CÂMARA/1º CONSELHO Relator: Hugo Correia Sotero Data da Sessão: 13/08/2008 Hora da Sessão: 08:30 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.009279/200471 Acórdão n.º 1103001.086 S1C1T3 Fl. 512 6 Tipo da Pauta: Ordinária Tipo Sessão: Suplementar Decisão: Acórdão Número Decisão: 10709446 Resultado: Dar Provimento Por Unanimidade Resultado: Dar Provimento Por Unanimidade Igual resultado consta da folha 6 da ata da sessão de julgamento (fls.493/506): Relator(a): HUGO CORREIA SOTERO Recurso: 147636 Processo: 10680.009279/200471 Recorrentes: 3ª TURMA/DRJ BELO HORIZONTE/MG e BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S/A BDMG Matéria: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Ex(s): 1998 a 2000 Decisão: Por maioria de votos, ACOLHERAM a preliminar de decadência de CSLL para fatos geradores até 31/12/1998, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Jayme Juarez Grotto e Marcos Vinicius Neder de Lima e, no mérito, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso para excluir da exigência a parcela de reversão de contingência Fez sustentação oral o Dr° Frederico de Almeida Fonseca OAB/MG n° 94400 Acórdão n° 10709446. À vista de tais elementos (acórdão, sítio do CARF e ata de julgamento), é possível atestar a omissão suscitada, razão pela qual os embargos de declaração devem ser admitidos. Do mérito Inicialmente, cabe apontar indícios de que o colegiado negou provimento ao recurso de ofício. Primeiro, porque o acórdão, assinado também pelo Presidente da Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, contemplou ementa específica sobre a matéria, que retratou os fundamentos do respectivo voto condutor: RECURSO DE OFICIO. EXCLUSÃO INDEVIDA DE SALDO DEVEDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF 1990. É de se afastar imposição de dedução integral dos valores de correção monetária IPC/BTNF no anocalendário de 1994, sendo obrigatória a observância do escalonamento previsto na Lei n°. 8.200/1991, que discriminou, em cada anocalendário, as deduções possíveis. Segundo, que não consta voto vencedor, a expor os fundamentos contrários ao postos pelo Relator, referente à matéria objeto do recurso de ofício, o que, em tal hipótese, seria obrigatório. Considerando as fontes já mencionadas e dada a inexistência de notas taquigráficas e de gravações do julgamento, poderseia, em um análise primeira, concluir, não obstante os indícios acima, pela impossibilidade de definição, nesta fase processual, quanto ao entendimento de todos os membros da Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Fl. 516DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.009279/200471 Acórdão n.º 1103001.086 S1C1T3 Fl. 513 7 Contribuintes sobre a matéria objeto do recurso de ofício. Certeza, apenas, quanto ao entendimento do I. Relator à época, Cons. Hugo Correia Sotero. Contudo, as particularidades do caso concreto confirmam que a decisão da Terceira Turma da DRJ – Belo Horizonte (MG), submetida ao CARF por força da remessa necessária, foi mantida pela Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, ainda que sob outro fundamento. A respeito da Infração 2 (“Exclusão Indevida de Saldo Devedor da Diferença IPC/BTNF 1990”), a fiscalização procedeu a autuações relativas aos fatos geradores 30/6/97 e 31/12/98 (fls.8/9), sendo que o lançamento quanto ao fato gerador 31/12/99 relacionouse unicamente com a “Exclusão Indevida de Receita de Reversão de Contingência Passiva” (Infração 1), não tendo tratado de outras infrações. Fazse necessário lembrar que a matéria objeto do recurso de ofício limitou se à Infração 2, com a redução, em primeira instância, dos créditos tributários de CSLL para R$5.796.084,69 (fls.332/380). Ao apreciar o recurso voluntário, a Sétima Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes acompanhou o voto condutor quanto ao reconhecimento da “... decadência do direito de a Receita Federal constituir crédito tributário em desfavor da Recorrente nos exercícios de 1997 e 1998 (art.150, §4º, do CTN)”, nos termos do resultado que novamente se transcreve: “ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência de CSLL para fatos geradores até 31/12/1998, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Jayme Juarez Grotto e Marcos Vinicius Neder de Lima e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para excluir da exigência a parcela de reversão de contingência.” (destaquei) Logo, apesar de no resultado do acórdão não se ter mencionado expressamente o julgamento do recurso de ofício, constatase que o resultado final foi no sentido de, por maioria, negarlhe provimento, ainda que em reflexo do reconhecimento da decadência, que também englobou os créditos tributários constituídos com base na “exclusão indevida de saldo devedor da diferença IPC/BTNF 1990”, que haviam sido parcialmente exonerados em primeira instância. Talvez em razão do prejuízo processual que a decadência encerrou quanto à matéria objeto do recurso de ofício, a tornar desnecessário o avanço sobre o seu mérito, não se tenha expressamente mencionado o seu resultado quando da formalização do acórdão. Na hipótese de a Câmara Superior de Recursos Fiscais reverter tal decisão relativa à decadência, registro o particular entendimento de que, caso tal colegiado não aplique a teoria da causa madura, farseá necessária a apreciação do mérito do recurso de ofício por algum dos colegiados que compõem a Primeira Seção de Julgamento do CARF, pois, aprofundandose na matéria, consta apenas registro do voto do I. Relator do acórdão embargado. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10680.009279/200471 Acórdão n.º 1103001.086 S1C1T3 Fl. 514 8 Acrescentese que o acolhimento dos presentes embargos não implica efeitos infringentes. Pelo exposto, voto no sentido de ADMITIR os embargos de declaração e DARLHES PROVIMENTO para alterar a redação do dispositivo do Acórdão nº 10709.446, de 13/8/2008, para: "Acordam os membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (i) negar provimento ao recurso de ofício em razão do acolhimento da preliminar de decadência de CSLL para fatos geradores até 31/12/1998, por maioria, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Jayme Juarez Grotto e Marcos Vinicius Neder de Lima e (ii) dar provimento ao recurso voluntário para excluir da exigência a parcela de reversão de contingência, por unanimidade, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 518DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10921.000126/2010-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no pólo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto-Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da Turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator), Ivan Allegretti, Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no pólo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 01 26 /2 01 0- 26 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da Turma), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista (relator), Ivan Allegretti, Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento da obrigação acessória de prestar as informações dos dados de embarque de mercadorias para exportação, no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04/07), a apuração da infração dáse a cada viagem do veiculo transportador em que tenha havido o registro de dados de embarque fora do prazo estipulado pela RFB, cujas cargas estão amparadas nas Declarações de Despacho de Exportação — DDEs constantes da relação de fl. 12, na qual também consta os nomes dos navios, as datas dos embarques, as datas dos fatos geradores e as datas dos registros dos respectivos dados, extraídos das consultas ao sistema Siscomex. A Fiscalização ressalta que não é determinante para o cálculo do valor da multa a quantidade de despachos de exportação cujos dados de embarques não foram informados tempestivamente. Informa que as informações foram registradas pelo autuado após o prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005. De acordo com o DecretoLei 37/1966, art. 107, IV, e); deixar de prestar informação sobre veiculo transportador ou carga nele transportada ou suas operações nos prazos estabelecidos pela RFB enseja multa de R$ 5.000,00. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10921.000126/201026 Acórdão n.º 3403003.252 S3C4T3 Fl. 8 3 "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: • (DecretoLei 37/1996 com redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Decretolei 37/1996 com redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12:2003) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada & empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Devidamente cientificada a Recorrente apresentou Impugnação, em que defende que não houve qualquer prejuízo arrecadatório, conforme exige o § 2° do art. 113 do Código Tributário Nacional (CTN), o qual prevê que a obrigação acessória é instituída no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. Alega que a multa não lhe alcança nos casos em que atuou como agente/mandatária da empresa transportadora. Afirma que a sua conduta encontrase amparada pelo beneficio da denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN, já que as informações foram prestadas pela própria impugnante antes de qualquer procedimento administrativo ou medida fiscalizatória neste sentido. Alega que a intenção do legislador foi punir aquelas situações em que a falta de informações do transportador efetivamente causa algum embaraço à fiscalização, legitimando a sua cobrança, o que não ocorreu no caso em tela, pois somente houve o atraso na prestação das informações e que posteriormente foram prestadas espontaneamente. A DRJ decidiu que a Recorrente, mesmo na condição de agente marítimo representa o transportador estrangeiro, inclusive emitindo conhecimentos de embarque e fazendolhe as vezes, informando no Siscomex os dados relativos à mercadoria exportada. Aliás, descreve a DRJ que a Recorrente atuou também como empresa de navegação, em alguns dos transportes relacionados, além de, em todos, ter atuado como agência de navegação. Ora, o representante, no Pais, do transportador estrangeiro, segundo a DRJ, como é o caso da Recorrente, é expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação nos casos em que se opera a transferência de responsabilidade pelo pagamento desse imposto, nos termos do inciso II do parágrafo único do art. 32 do DecretoLei n° 37, de 1966, com redação dada pelo DecretoLei n' 2.472, de 1988. Da mesma forma, a responsabilidade de quem representa o transportador é expressa nos termos do inciso I do art. 95 do mesmo diploma legal, já que respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática, ou dela se beneficie. Ainda, a Instrução Normativa RFB n° 800, de 27 de dezembro de 2007, ao tratar desta questão em seus artigos 4° e 5°, veio a corroborar expressamente que a empresa de navegação é representada no Pais por agência de navegação, também denominada agência marítima e que as referências normativas ali postas ao transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 A DRJ decidiu que a multa encontrase prevista legalmente, mais especificamente, no artigo 107, inciso IV, alínea 'e', do Decretolei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003. E que o artigo 37 da IN RFB n 28/1994, assim dispõe: A DRJ ainda decidiu que a penalidade encontrase prevista em Lei, sendo que o simples descumprimento da obrigação acessória constitui hipótese de sua aplicação, ressaltando inclusive que a responsabilidade tributário é objetiva. E quanto ao artigo 138, alegado pela Recorrente, a DRJ decidiu que a denúncia espontânea não alcança as penalidades aplicadas em razão do cumprimento intempestivo de obrigações acessórias autônomas. Pois a obrigação consiste em registrar no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos, de modo que o registro feito posteriormente não caracteriza a denúncia espontânia, mas sim a conduta infracional. O raciocínio da Recorrente retiraria qualquer eficácia da norma, visto que objetiva o registro na forma e no prazo assinados pela legislação. Dessa forma, a DRJ julgou improcedente a Impugnação, motivo pelo qual a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em que repisa os seus argumentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista Sobre a preliminar arguida pela Recorrente, além dela figurar como transportadora em determinados casos, conforme relação constante no processo administrativo, o simples fato dela atuar como agente marítimo, representante da transportadora internacional, não faz com que ela não possa figurar no pólo passivo do auto de infração. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10921.000126/201026 Acórdão n.º 3403003.252 S3C4T3 Fl. 9 5 Pelo contrário! A responsabilidade do representante do transportador encontrase prevista no inciso I, do artigo 95 do DecretoLei n 37/1966, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que concorra para a sua prática: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. Dessa forma, a Recorrente é sim parte legítima a figurar no pólo passivo do auto de infração e no processo administrativo fiscal, tendo sido ela quem concorreu para a prática da infração. Com efeito, a multa aplicada sobre a Recorrente encontrase devidamente prevista na legislação, que, a seu turno, expressamente dispõe que a Secretaria da Receita Federal fixará a forma e o prazo estabelecidos para a prestação de informações, in verbis: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: • (DecretoLei 37/1996 com redação dada pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Decretolei 37/1996 com redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12:2003) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada & empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; O prazo para a prestação de informações encontrase previsto no artigo 37 da IN SRF n 28/1994, que dispõe o seguinte: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 Observese que o dispositivo legal em comento não prevê hipótese de relevação da multa por eventual não prejuízo ao Erário, não sendo esta uma condição para que a multa venha ou não a persistir no presente caso. Relativamente ao instituto da denúncia espontânea, entendo que o artigo 138 do Código Tributário Nacional poderia permitir, em determinados casos, a exclusão da responsabilidade mesmo nos casos de obrigação acessória, posto que o dispositivo estabelece que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea.: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Contudo, não me parece a hipótese do presente caso, em que houve a prestação de informações fora do prazo legal, sendo este prazo justamente o fim almejado pelo dispositivo legal, de modo que a Aduana possa ter no Siscomex as informações atualizadas, de acordo com os parâmetros fixados. A denúncia espontânea, nessa hipótese, retiraria a eficácia da norma, obrigando a criação de um sistema de emissão de penalidades assim que o prazo fosse ultrapassado, caso contrário seriam poucos os contribuintes que observariam o prazo fixado pela legislação. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10921.000126/201026 Acórdão n.º 3403003.252 S3C4T3 Fl. 10 7 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10680.723149/2010-92
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo assim ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Tratando-se de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, onde não há pagamentos a homologar, aplica-se o disposto no artigo 173, I do referido código para apuração do período decadencial.
Com a ciência da autuação em 14.09.2010, não há que se falar em decadência a ser reconhecida.
DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS DEMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS A SEU SERVIÇO.
A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, conforme previsto na lei nº 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a" e Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4º, caput.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.794
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo assim ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Tratandose de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, onde não há pagamentos a homologar, aplicase o disposto no artigo 173, I do referido código para apuração do período decadencial. Com a ciência da autuação em 14.09.2010, não há que se falar em decadência a ser reconhecida. DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS DEMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS A SEU SERVIÇO. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, conforme previsto na lei nº 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a" e Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4º, caput. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 31 49 /2 01 0- 92 Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723149/201092 Acórdão n.º 2803003.794 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723149/201092 Acórdão n.º 2803003.794 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, por ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados em razão de pagamentos de mensalidades de curso de Graduação e Pós Graduação e diárias de viagem que excederam 50% da remuneração dos empregados, considerados como salário de contribuição. O r. acórdão – fls 1005 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Decadência parcial · Os valores pagos a título de bolsas de estudo de curso superior não constituem em fato gerador de contribuição previdenciária. · A profissão dos empregados da Recorrente é regulamentada pelo Decreto n° 1.232/1962 que, no que concerne ao pagamento de diárias, disciplina que essas, por força de lei, não integram o salário qualquer que seja o percentual aferido segundo a exegese dos parágrafos 1o e 2o de seu artigo 175. Ainda com relação a esse tópico, a Recorrente demonstrou, em sede de impugnação, que alguns dos empregados relacionados pela Auditora Fiscal como beneficiários dos pagamentos de diárias que excederam 50% (cinquenta por cento) da remuneração receberam tal pagamento em caráter eventualíssimo, o què afasta a incidência da contribuição previdenciária por força do disposto no artigo 28, § 9o, alínea "e", item 7 da Lei n° 8.212/1991. · Requer o provimento do recurso, com o cancelamento da autuação e, caso assim não entenda, pelo reconhecimento da decadência dos períodos anteriores à 14.09.2005. É o relatório. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723149/201092 Acórdão n.º 2803003.794 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA O auto de infração foi entregue ao contribuinte em 14/09/2010 em razão da ausência de arrecadação, mediante desconto das remunerações, das contribuições dos segurados empregados, período 01/01/2005 a 31/12/2005. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723149/201092 Acórdão n.º 2803003.794 S2TE03 Fl. 6 5 _________________ Também os EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Consoante as regras retrocitadas, não há que se falar em decadência a ser considerada. DAS DIÁRIAS PAGAS. FATO GERADOR CONSIDERADO A lei 8212/91 disciplina a matéria. Art. 28 (...) § 8º Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723149/201092 Acórdão n.º 2803003.794 S2TE03 Fl. 7 6 O relatório fiscal acostado aos autos do processo 10680723143201015, DEBCAD: 37.232.0155, detalha as parcelas lançadas como diárias e consideradas como salário de contribuição. 6. A empresa apresentou A fiscalização os relatórios de despesas de viagem, nos quais consta, de forma discriminada, os valores pagos referentes a TRANSPORTE, ALIMENTAÇÃO, DIÁRIAS E OUTROS. Os valores pagos a titulo de DIÁRIAS eram fixos sem haver exigência de comprovação das despesas efetuadas pelos empregados. Ou seja, a empresa não cobrava a prestação de contas dos valores adiantados como DIÁRIAS, por conta das despesas a serem feitas e não havia restituição dos valores que não foram comprovadamente gastos, revelando que a parcela paga não tinha natureza ressarcitória, caracterizandose mesmo como DIÁRIA e não como despesa de viagem. 7. Para que os valores pagos aos empregados a titulo de diárias se excluam do campo de incidência da contribuição previdenciária, fazse necessário que sejam correspondentes a até 50% da remuneração do empregado. No caso de ultrapassarem esse limite, as diárias integrarão o saláriode contribuição pela sua totalidade, conforme estabelecido pela Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 28 I, §§ 8° e 9 0 , letra "h". 8. Para a apuração da basedecálculo mensal da contribuição previdenciária incidente sobre as parcelas pagas aos empregados referentes As diárias, foram considerados os pagamentos contabilizados na conta 41110001 — DIÁRIAS, extraídos do arquivo digital, autenticado sob o no a7dedb90 b1bbf33f42e8c5504c102aed no Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos DigitaisSVA, deduzindose os valores estornados pela empresa conforme detalhado no ANEXO IV. 9. Atendendo A solicitação fiscal, a empresa elaborou planilha detalhando por competência e por filial, os valores relativos As diárias pagas a cada empregado. 10. Os valores relativos ao presente levantamento não foram incluídos pela empresa na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação Previdência Social GFIP. A recorrente alega que o §1º do art.17 do Decreto nº 1.232/1962, referente aos aeroviários, afasta a aplicação da lei 8212/91. Transcrevo decreto. Art 17. O salário é contraprestação do serviço. § 1º Integram o salário a importância fixa estipulada, com as percentagens, gratificações ajustadas, abonos, excluídas ajuda de custo e diárias, quando em viagem ou em serviço fora da base. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723149/201092 Acórdão n.º 2803003.794 S2TE03 Fl. 8 7 Sem razão a mesma. Não há que se confundir os conceitos envolvidos. O decreto 1232/62 se refere às parcelas que integram a contrapestação do serviço em relação ao empregador e empregado, com os devidos reflexos da relação laboral, como 13o. salário, férias, etc.. A lei 8212/91, específica das contribuições à seguridade social, é clara ao determinar que as diárias excedentes a cinqüenta por cento da remuneração mensal é base de cálculo do tributo lançado, não havendo em se falar em choque normativo. Cada diploma legal tem o seu campo de atuação com os respectivos reflexos trabalhistas e tributários. Do que posto, correto o posicionamento da fiscalização enquadrando os valores pagos superiores a cinqüenta por cento da remuneração na competência, como salário de contribuição. Demonstrado o caráter remuneratório das verbas, a falta de arrecadação das contribuições dos segurados, mediante desconto nas remunerações, constitui infração à legislação previdenciária Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a", e alterações posteriores, Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a". A multa aplicada é a determinada pela legislação em vigor, em especial na lei nº. 8.212, de 24.07.91, art. 92 e art. 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, inciso I, alínea "g" e art. 373, de valor fixo, não variando em razão do número de descontos não efetuados. Apenas um desconto não efetuado é suficiente a justificar o auto lavrado. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação. A penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais retrocitados e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723149/201092 Acórdão n.º 2803003.794 S2TE03 Fl. 9 8 Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979186/2009-63
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/03/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 86 /2 00 9- 63 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979186/200963 Acórdão n.º 3801004.558 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 14,09, ocorrido em 14/03/2003, com débito próprio de PIS cód. 8109. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 16/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 428685125 7.141 I 05.1.2. 048768,, relativo ao período de apuração fev/2003. Nesse período, Fl. 32DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979186/200963 Acórdão n.º 3801004.558 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 2.167,65, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/03/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979186/200963 Acórdão n.º 3801004.558 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 34DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979186/200963 Acórdão n.º 3801004.558 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 35DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.729396/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
INTIMAÇÃO. RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
Não cabe a intimação do contribuinte de diligência que teve como único objetivo a substituição de folhas ilegíveis, as quais já constavam do processo original, e foram produzidas pelo contribuinte.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem ao contribuinte as informações relevantes para sua defesa. Resta confirmado que não ocorreu cerceamento de defesa quando o contribuinte apresenta peça de defesa, na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados.
IRPF. BENEFÍCIO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO.
Quando restar caracterizado que o contribuinte auferiu benefício econômico, que não se enquadra em renda isenta ou não-tributável, em razão de operações entre empresas do grupo, do qual é sócio, cabe tributação pelo imposto sobre a renda da pessoa física.
Numero da decisão: 2201-002.551
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade por ausência de intimação do resultado da diligência e por cerceamento de direito de defesa. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008 INTIMAÇÃO. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. Não cabe a intimação do contribuinte de diligência que teve como único objetivo a substituição de folhas ilegíveis, as quais já constavam do processo original, e foram produzidas pelo contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem ao contribuinte as informações relevantes para sua defesa. Resta confirmado que não ocorreu cerceamento de defesa quando o contribuinte apresenta peça de defesa, na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. IRPF. BENEFÍCIO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Quando restar caracterizado que o contribuinte auferiu benefício econômico, que não se enquadra em renda isenta ou não-tributável, em razão de operações entre empresas do grupo, do qual é sócio, cabe tributação pelo imposto sobre a renda da pessoa física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade por ausência de intimação do resultado da diligência e por cerceamento de direito de defesa. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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RESULTADO DE DILIGÊNCIA. Não cabe a intimação do contribuinte de diligência que teve como único objetivo a substituição de folhas ilegíveis, as quais já constavam do processo original, e foram produzidas pelo contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem ao contribuinte as informações relevantes para sua defesa. Resta confirmado que não ocorreu cerceamento de defesa quando o contribuinte apresenta peça de defesa, na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. IRPF. BENEFÍCIO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Quando restar caracterizado que o contribuinte auferiu benefício econômico, que não se enquadra em renda isenta ou nãotributável, em razão de operações entre empresas do grupo, do qual é sócio, cabe tributação pelo imposto sobre a renda da pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade por ausência de intimação do resultado da diligência e por cerceamento de direito de defesa. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 93 96 /2 01 2- 80 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio Auto de Infração de fls. 390 a 404, lavrado em 12/12/2012, exigese do Contribuinte ORIOVISTO GUIMARÃES, o montante de R$ 5.383.473,25 a título de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), R$ 1.981.388,58 de juros de mora e R$ 4.037.604,94 de multa de ofício, totalizando R$ 11.402.466,77 (atualizados até a data da autuação) referente aos anos calendário de 2007 e 2008. O lançamento decorreu em razão de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (rendimentos do trabalho com vínculo empregatício). De acordo com a fiscalização, o Contribuinte é sócio, conjuntamente com outras pessoas físicas, do Centro Superior de Estudos Positivo CESPO, sociedade integrante de um grupo de empresas (SOCIEDADE EDUCACIONAL POSITIVO LTDA, EDITORA POSITIVO LTDA e GRÁFICA E EDITORA POSIGRAF S.A,), onde é adotado um sistema de administração centralizada de caixa que consiste nos recebimentos e repasses de valores entre as empresas do grupo, reportados na contabilidade. Ao final de cada mês, se o saldo contábil fosse credor para a empresa, era firmado um “instrumento de assunção de dívida”, pelo qual o sócio (Contribuinte) assumia a dívida que essa empresa (no caso, a CESPO) detinha em face de outra empresa do grupo. Daí, o sócio (Contribuinte) passava a ser credor da CESPO e devedor da outra empresa que apresentava o crédito. Quando havia quitação do valor (com recibos assinados), o saldo contábil credor que a CESPO mantinha junto ao Contribuinte era reduzido. Desta feita, por entender a fiscalização que os valores assumidos a título de dívida pelo Contribuinte (sócio) representavam benefício ao Contribuinte, enquadrou os mesmos como rendimentos recebidos por pessoa jurídica e lançou o imposto com base na tabela progressiva. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 19/12/2012 (fls. 405) e apresentou Impugnação (fls. 408 a 433) tempestiva em 18/01/2013, sustentando: · o sobrestamento do presente processo até a conclusão do Processo Administrativo nº 10980.724013/201104, arguindo que, conforme descreve a fiscalização, o presente auto de infração decorre da ação fiscal efetuada na empresa CENTRO DE ESTUDOS Fl. 544DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.729396/201280 Acórdão n.º 2201002.551 S2C2T1 Fl. 3 3 SUPERIORES POSITIVO – CESPO, que resultou em exigência de contribuição previdenciária patronal, sob o fundamento de que teria efetuado o pagamento de remunerações aos sócios ORIOVISTO GUIMARÃES, CIXARES LIBERTO VARGAS, RENATO RIBAS VAZ, SAMUEL RAMOS LAGO e RUBEN T. FORMIGUIERI. Aduz que, naquele processo administrativo, foi explicado que os valores recebidos pelos sócios são oriundos da quitação de contratos de assunção de dívida da CESPO, concluindo que, se houver decisão favorável à empresa naquele processo, a presente autuação perderá o seu objeto. Ressalta a importância do resultado daquele litígio, para que não haja decisões conflitantes. · que a fiscalização não aponta com precisão qual o enquadramento correto que se deve dar aos valores recebidos pelos sócios da empresa CESPO, generalizando e indicando inúmeras possibilidades que sustentariam a exigência do imposto · que os valores constituiriam remuneração a qualquer título, seja pro labore ou qualquer outra classificação que conduza à sujeição ao imposto de renda, salientando que não há que se falar em vínculo empregatício em relação ao sócio, o que pressuporia subordinação, aduzindo que a fiscalização confunde pagamento de dívidas com pro labore, que diz ser a “pior hipótese possível em termos de remuneração”. · que a empresa CESPO tinha dívidas com as empresas SOCIEDADE EDUCACIONAL POSITIVO LTDA, EDITORA POSITIVO LTDA e GRÁFICA E EDITORA POSIGRAF S.A, dívidas essas que foram assumidas pelos sócios, dentre os quais o Contribuinte, conforme contratos apresentados à fiscalização e que já constam dos autos. Esclarece que, em contrapartida à assunção da dívida, houve o lançamento de crédito em conta corrente em nome dos sócios, perante a empresa CESPO, tendo as operações sido devidamente contabilizadas. · que no caso concreto, foram cumpridos todos os pressupostos, consistentes na existência e validade da obrigação transferida (instrumentos particulares válidos), substituição do devedor com permanência na substância do vínculo obrigacional e a concordância do credor. Destaca, por outro lado, que não há na legislação dispositivo que desobrigue o devedor originário em relação aos “assuntores da dívida”. · que a CESPO não tinha condições de honrar a dívida com as empresas, tendo acordado com seus sócios o cumprimento do encargo, subrogandose a todos os direitos e obrigações concernentes à operação; que posteriormente, houve a quitação da dívida, por meio de pagamentos aos sócios, considerando restar demonstrada a inexistência de irregularidade nas operações realizadas, não tendo os valores a natureza de pro labore, que conceitua como sendo os valores pagos ou creditados aos sócios, diretores ou administradores das empresas, a título de remuneração, tendo como principal característica o fato de ser uma retirada fixa mensal, acrescentando que não pode a fiscalização alterar a norma de direito privado, porquanto vedado pelo art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN). · que os documentos contábeis da empresa gozam de presunção de veracidade e legitimidade e que, no caso, não há prova hábil apresentada pela fiscalização capaz de anular a operação ou descaracterizar sua natureza. Considera que não ocorreu o fato gerador do imposto e que a exigência encontrase embasada em mera presunção, que está elidida pelos documentos juntados aos autos, ilustrando a hipótese com jurisprudência administrativa. · que os valores movimentados nos anos de 2007 e 2008 em face das operações alegadas, cotejandoos com os valores apontados pelo fisco, demonstram que o auto de infração originouse das quitações das dívida assumidas, que não ensejam o pagamento de imposto de renda. · que a multa de ofício de 75% é confiscatória. · que a exigência de juros sobre a multa de ofício é descabida. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 A 4ª Turma da DRJ/CTA, em 23/03/2013, em decisão de fls. 461 a 474, julgou a Impugnação procedente em parte para cancelar a exigência de R$ 3.939.082,80 de imposto, além da multa de ofício e dos acréscimos correspondentes, por entender que não restou comprovado que o Contribuinte se beneficiou em face das dívidas assumidas junto a CESPO. A decisão resta resumida abaixo em sua ementa: PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. RAZÕES APONTADAS NÃO COMPROVADAS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As razões suscitadas na impugnação devem ser comprovadas e, mesmo em tese, no que se refere a pedido de sobrestamento, não há previsão legal que vincule o curso de um processo administrativo a outro relativo a uma imposição de natureza diversa e a sujeito passivo distinto, ainda que tratem de matérias que apresentem alguma espécie de conexão. CONTRATOS DE ASSUNÇÃO DE DÍVIDA. BENEFÍCIO AUFERIDO PELA PESSOA FÍSICA. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO. À míngua da caracterização de benefício auferido pela pessoa física, descabe considerar como tributáveis para fins de apuração de imposto de renda os valores das dívidas assumidas de pessoas jurídicas. VALORES RECEBIDOS. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE DÍVIDAS ASSUMIDAS. PROVA DE QUITAÇÃO ANTERIOR. Para que os valores efetivamente recebidos sejam reconhecidos como sendo decorrentes de devolução de dívidas assumidas perante terceiros, há que se comprovar a prévia entrega de recursos equivalentes. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. PREVISÃO LEGAL. A multa aplicada no lançamento de ofício é decorrente de previsão legal expressa, não lhe sendo oponíveis, em sede administrativa, arguições de ofensa a princípios constitucionais. O Contribuinte foi notificado da decisão em 07/05/2013 (fls. 478), tendo apresentado Recurso Voluntário tempestivo em 31/05/2013 (fls. 483 a 499) alegando, em síntese que: · a liquidação da dívida junto as demais empresas do grupo foi devidamente comprovada com base nos registros contábeis apresentados nos documentos 06 e 07 do Auto de Infração. Afirma que os registros contábeis são prova idônea e cabal, não tendo sido os mesmos desconstituídos pela fiscalização. · a dívida junto as empresa credoras do grupo foi quitada com o rendimento recebidos a título de dividendos de períodos passados das referidas empresas e o crédito que mantinha junto a CESPO, em face da assunção de dívida, foi quitado com aporte de capital na CESPO. · a fiscalização não conseguiu enquadrar a suposta infração em um determinado dispositivo legal, lançando mão de diversas argumentações distintas para justificar a tributação do referido valor. Defende que não há que se perquirir a tributação dos valores em questão, pois os mesmos não são rendimentos. Continua no sentido que a fiscalização confunde a enquadrar liquidação de dívida com pagamento de rendimentos. Em razão da parcela de crédito tributário exonerada, há encaminhamento de recurso necessário. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.729396/201280 Acórdão n.º 2201002.551 S2C2T1 Fl. 4 5 A 1ª Turma Ordinária/2ª Câmara da Segunda Seção do CARF, em sessão de 18/03/2014, pela Resolução nº 2201000.179 (fls. 529 a 533), converteu o processo em diligência para que o órgão preparador tome as providências necessárias para juntar aos autos cópia legível das folhas 228, 229, 292 e 355 do PDF do presente processo. Em 10/06/2014, pelo Despacho de fl. 541 foi juntada a documentação que se encontrava ilegível no processo (fls. 537 a 540) e houve encaminhamento ao CARF para julgamento. O Contribuinte apresentou requerimento solicitando o adiamento do julgamento, em 03/10/2014, sob a alegação de não ter sido intimado do resultado da diligência. O requerimento de adiamento de julgamento foi indeferido pela Presidente da 1ª Turma Ordinária/2ª Câmara da Segunda Seção do CARF e recebido a título como Memoriais. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 1. RECURSO VOLUNTÁRIO 1.1. DAS PRELIMINARES 1.1.1 Da ausência de intimação da diligência Antes de adentrarmos no mérito, cabe uma análise quanto ao pleito do Contribuinte recebido em 03/10/2014, com efeito de Memoriais, acerca da necessidade de intimação do resultado da diligência para fins de manifestação. Em que pese o pedido do Contribuinte, entendo que o mesmo não deve prevalecer. Isso porque a diligência foi solicitada com vistas a efetuar a digitalização legível de documentos já existentes nos autos, não havendo produção de qualquer documentação que não fosse de conhecimento das partes (Fazenda Nacional e Contribuinte). Confirase trecho da conclusão da Resolução (fls. 537 a 540): Assim, diante do exposto, converto o presente processo em diligência para que o órgão preparador tome as providências necessárias para juntar aos autos cópia legível das folhas 228, 229, 292 e 355 do PDF do presente processo. Ademais, a referida prova foi inclusive próprio Contribuinte, não sendo prova nova ou juntada pela outra parte. Ou melhor, não houve a juntada de novos elementos aos autos. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Desta feita, entendo que não cabe amparo ao pleito do Contribuinte acerca da necessidade de intimação da diligência requerida. 1.1.2. Cerceamento de Defesa O Contribuinte alega que a fiscalização não conseguiu enquadrar a suposta infração em um determinado dispositivo legal, lançando mão de diversas argumentações distintas para justificar a tributação do referido valor. Defende que não há que se perquirir a tributação dos valores em questão, pois os mesmos não são rendimentos. Continua no sentido que a fiscalização confunde a enquadrar liquidação de dívida com pagamento de rendimentos. Por fim, requer a nulidade do Auto de Infração. Compulsando os autos, verificase que a intimação do Auto de Infração foi acompanhada das informações necessárias e razoáveis, à promoção da defesa perante a esfera administrativa tributária. A documentação dá conhecimento ao Contribuinte da exigência tributária e da descrição dos fatos que delimitam a autuação. Tanto é assim, que o Contribuinte conseguiu se defender das acusações que lhe estão sendo imputadas. Assim, pelos elementos constantes dos autos, entendo que fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o Contribuinte, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, teve oportunidade de carrear aos autos documentos, informações, esclarecimentos, no sentido de elidir a tributação contestada. Ademais, sobre a alegação do Contribuinte de que o enquadramento legal não corresponde à infração cometida, entendo que o relatório produzido pela fiscalização foi completo o bastante para o Contribuinte entender a autuação, bem como sua motivação com vistas a produzir a defesa adequada. Desta feita, entendo que o pleito do Contribuinte não deve prevalecer. Preliminar rejeitada. 1.2. DO MÉRITO O Contribuinte objetivando combater a parcela do crédito fiscal mantida pelo Acórdão da DRJ, alega que quitou a dívida mantida junto as demais empresas do grupo com lucros de períodos passados. Sendo assim, não houve benefício ou acréscimo patrimonial, pois apesar de ter recebido em espécie valores da CESPO pelo pagamento da dívida, quitou por outro lado a dívida que ele, Contribuinte, mantinha junto as demais empresas. Para tanto, anexou razão da conta “Lucros Acumulados” (período 2003 a 2006) demonstrando a distribuição de lucros aos sócios (Contribuinte). Pois bem. A fiscalização considerou na autuação todos os valores que foram debitados à conta de passivo da CESPO, cujos registros era o “contas a pagar ao Sr. Oriovisto Guimarães (Contribuinte)”, pois não considerou a assunção de dívida como válida e, portanto, a liquidação da dívida pela CESPO junto ao Contribuinte foi entendida como acréscimo patrimonial e, por isso, tributável. Não obstante o entendimento da fiscalização, o Acórdão da DRJ exonerou do crédito tributário a parcela dos débitos à conta de passivo da CESPO, cujos registros era o Fl. 548DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.729396/201280 Acórdão n.º 2201002.551 S2C2T1 Fl. 5 7 “contas a pagar ao Sr. Oriovisto Guimarães (Contribuinte)” que representavam uma liquidação de dívida do Contribuinte junto a CESPO. Essa segunda dívida existe, tendo em vista a gestão de caixa centralizada do grupo econômico, pelo qual todas as empresas, por fim, acabam sendo devedoras e credoras reciprocamente e, tais transações são assumidas nas pessoas dos sócios (Contribuinte). Por outro lado, a decisão da DRJ manteve a parcela dos débitos à conta de passivo da CESPO, cujos registros era o “contas a pagar ao Sr. Oriovisto Guimarães (Contribuinte)” que foram quitados em espécie. Isso porque restou comprovado o recebimento da dívida pelo Contribuinte, porém não houve comprovação de que o Contribuinte quitou a dívida que detinha com as demais empresas do grupo econômico. Desta feita, entendeu a DRJ que houve acréscimo patrimonial do Contribuinte, pois há benefício econômico, tendo em vista que recebeu o valor da dívida do qual era credor (CESPO), porém não comprovou que quitou a dívida que mantinha perante as demais empresas. Desta feita, não houve correspondência que justificasse o sistema de caixa centralizado. Com vistas a reverter esse posicionamento, o Contribuinte alegou que quitou as dívidas perante as demais empresas com o dividendos distribuídos em períodos anteriores. Contudo, em que pese a argumentação e os documentos carreados aos autos pelo Contribuinte, entendo que não restou comprovada a quitação da dívida que o Contribuinte mantinha junto as demais empresas do grupo. Logo, o sistema de gestão de caixa centralizado utilizado pelo grupo acaba por falhar, não mais sendo um sistema fechado, sem ganhos ou perdas, pois não há a correspondência do recebimento de um crédito à quitação da dívida. Houve o recebimento do crédito sem a contrapartida da quitação da dívida, fato que acaba por caracterizar um benefício ao Contribuinte, passível de tributação. O Contribuinte trouxe aos autos razão que demonstra as contas de Passivo das empresas demonstrando a assunção de dívida pelo Contribuinte, bem como junto razão da conta Lucros Acumulados, do período de 2003 a 2006, no qual se verifica que houve distribuição de lucros aos sócios. Porém, não houve comprovação da quitação da dívida que o Contribuinte mantinha com as demais empresas do grupo. Ou melhor, o Contribuinte não vinculou o recebimento dos lucros com a quitação da dívida. Também não apresentou transferência bancária que também pudesse comprovar essa quitação. E, também não apresentou a razão da conta do Ativo das empresas credoras dos sócios. Ou seja, não houve comprovação que a dívida perante as demais empresas foram quitadas. Desta feita, entendo, que em face da ausência de comprovação da correlação entre o crédito recebido pelo Contribuinte e a quitação da dívida que o mesmo mantinha junto as demais empresas do grupo econômico, restou caracterizado benefício do Contribuinte em face da utilização de caixa centralizado, passível de tributação. 2. RECURSO DE OFÍCIO O Recurso de Ofício ataca a parcela do crédito tributário desonerado pela DRJ em sua decisão referente aos valores sobre os quais careceu comprovação de que houve benefício do Contribuinte em face das dívidas assumidas de pessoas jurídicas. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 A DRJ decidiu que a ausência de provas de que as dívidas não tenham sido quitadas esvazia o entendimento de que houve benefício ao Contribuinte que justifique tributação. Ou melhor, tendo em vista que o Contribuinte configurava “intermediário” no sistema de administração de caixa centralizado, sua participação visava equacionar a posição de contacorrente entre as empresas do grupo. Tal fato por si só não tem o condão de caracterizar benefício (rendimento) passível de tributação, pois ao passo que há a assunção de dívida por um lado (demais empresas do grupo), por outro lado há a manutenção de um crédito (junto a CESPO). Não há benefício ou perda para o Contribuinte nesse cenário. Confirase trecho da decisão da DRJ: “Concluise, nesse sentido, que as “assunções de dívida” não corresponderam a recursos transferidos pelas empresas às pessoas físicas, nem dessas àquelas, mas à interposição dos “sócios” nos ajustes dos saldos de movimentação de recursos, ao final de cada mês, entre as pessoas jurídicas.” Logo, como a fiscalização não logrou êxito em comprovar o benefício do Contribuinte, a DRJ decidiu por desonerar o crédito tributário referente aos valores que foram liquidados da dívida que a CESPO mantinha perante o Contribuinte em face de crédito que a CESPO detinha perante a CESPO em face de assunção de dívidas das outras empresas do grupo. Ao meu sentir, a decisão da DRJ restou acertada. Isso porque o fato de uma pessoa física, ainda que sócia de grupo de empresas, assumir dívidas e créditos perante as empresas não configura fato gerador do imposto de renda. Ou seja, não resta caracterizado um acréscimo patrimonial que justifique a tributação. A pessoa física não auferiu ganho nessa operação, pois ao passo que a sua dívida perante a CESPO era liquidada, o crédito que a CESPO detinha perante essa mesma pessoa física também era liquidado, há uma correspondência de valores. Logo, temse um sistema fechado, onde não há como ser apurado ganho/perda por qualquer das partes envolvidas. O fato de o Contribuinte assumir uma dívida em benefício de uma empresa do qual o mesmo é sócio e manter essa dívida não representa acréscimo ao patrimônio passível de tributação, pois ao passo que o Contribuinte registra uma dívida (junto às demais empresas), acaba por registrar um crédito junto a CESPO, equacionando sua posição patrimonial, sem ganhos ou perdas. Quando a posição credora do Contribuinte perante a CESPO (Contribuinte detém crédito perante a CESPO) é liquidada em face de uma posição devedora que o Contribuinte detém perante a CESPO (Contribuinte apresenta uma dívida perante a CESPO) não há benefício ao Contribuinte, mas apenas liquidação de posições. Neste sentido, oriento meu voto em negar provimento ao Recurso de Ofício. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso de Ofício e negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Fl. 550DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.729396/201280 Acórdão n.º 2201002.551 S2C2T1 Fl. 6 9 Nathália Mesquita Ceia Fl. 551DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11050.000653/2002-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999
Ementa:
Súmula CARF nº 20
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Numero da decisão: 3402-002.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator/Presidente em exercício.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator/Presidente em exercício. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 06 53 /2 00 2- 90 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11050.000653/200290 Acórdão n.º 3402002.476 S3C4T2 Fl. 296 2 Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ: A interessada manifesta sua inconformidade com o Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal em Rio Grande, RS, de fls. 72, que deferiu apenas parcialmente o seu pedido de ressarcimento do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados relativo ao 3° trimestre de 1999, no valor de R$431.855,91, autorizado pelo art. 11 da Lei n° 9.779/99 e pela IN SRF n° 33/99, conforme fl. 01, e homologou as compensações por ela pretendidas somente até o limite do crédito reconhecido. O despacho decisório fundamentouse no Parecer DRF/RGE/Saort no 97, de fls. 67/71, que por sua vez, invocou o Relatório de Verificação Fiscal, de fls. 39/40, onde, após o exame das notas fiscais que deram suporte aos créditos escriturados pela interessada em sua escrita fiscal, conforme demonstrativos de fls. 29/38, a fiscalização entendeu ser legitimo o ressarcimento no valor de apenas R$319.484,84, decorrente de operações registradas pela requerente nos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) indicativos de compras para industrialização (1.11, 2.11 e 3.11), desconsiderando os valores de créditos registrados nos demais códigos, por não representarem aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme determina a lei. Cientificada da decisão, a requerente, no devido prazo, apresentou as razões de sua inconformidade, pelo arrazoado de fls. 90/100, firmado por seus procuradores devidamente instrumentados, alegando em síntese o que segue. Após descrever os fatos, diz que o critério utilizado pela fiscalização para glosar parte do valor creditado foi o CFOP utilizado pela requerente para registrar as operações de aquisição que deram origem aos créditos. No entanto, afirma que, mesmo as operações com crédito do imposto registradas nos demais CFOP, que não os considerados pela fiscalização, tratamse de aquisições de produtos por ela efetivamente empregados como insumos em seu processo produtivo, razão pela qual faz jus aos referidos créditos. Para comprovar as suas alegações, relacionou as notas fiscais que foram desconsiderados pela fiscalização, cujas cópias anexou aos autos (fls. 129/184), e elaborou demonstrativo do seu processo de produção (fls.186/191), concluindo que a partir do exame desses elementos é possível verificar a pertinência de suas afirmações e a conformidade dos insumos adquiridos com o estatuído no Parecer Normativo n° 65/79. Por fim, pede o acolhimento da sua manifestação de inconformidade, em todos os seus efeitos, para reformar o despacho decisório e homologar integralmente a compensação formalizada neste processo, ou, se julgadas insuficientes as comprovações trazidas, seja determinada diligencia fiscal para este fim. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11050.000653/200290 Acórdão n.º 3402002.476 S3C4T2 Fl. 297 3 A 3ª Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre (RS) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 1011508, de 29 de março de 2007, cuja ementa abaixo reproduzo: Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999 INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS IMUNES E NÃO TRIBUTADOS (NT). CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento do saldo credor do IPI, apurado em cada trimestrecalendário, como ressarcimento e/ou compensação, somente alcança os créditos decorrentes da aquisição de insumos empregados em produtos tributados, ainda que imunes pela destinação ao exterior, isentos ou tributados à alíquota zero, não contemplando os demais produtos imunes e não tributados (NT). Solicitação Indeferida Inconformado com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, alegando, em síntese, que: a) O artigo 11 da Lei n° 9.779/99 não mencionou expressamente a palavra imune, mas citou “inclusive isentos ou tributados à alíquota zero”. Assim sendo, ficou claro à época, tanto para o Fisco quanto para os contribuintes, a finalidade do dispositivo e que o mesmo abarcava os insumos relativos à industrialização de produtos beneficiados também pela imunidade. Até porque, entender contrariamente a isso seria sustentar que a isenção concedida por lei poderia ser mais benéfica do que a imunidade, que foi eleita pelo legislador constitucional por sua relevância sócio econômica de caráter nacional. Não há razão lógica para se sustentar tal entendimento, muito pelo contrário, há até mais motivos para se assegurar o creditamento relativo aos produtos imunes do que aos isentos, na verdade, os mesmos motivos que fizeram que o legislador constitucional alçasse esses produtos à imunidade constitucional; b) (...) Desta forma, e considerando também que os produtos industrializados pela Recorrente, em relação aos quais apurouse créditos de IPI compensáveis, são Óleos lubrificantes derivados de petróleo, imunes ao IPI de acordo com o artigo 155, § 3°, da Constituição Federal/88 e com artigo 18, inciso IV, §3°, do Decreto nº 4.544/2002 (Regulamento de IPI), a Declaração de Compensação desses créditos deveria, necessariamente, ter sido homologada, como o foi, ainda que parcialmente, pela DRF de Rio Grande; Fl. 562DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11050.000653/200290 Acórdão n.º 3402002.476 S3C4T2 Fl. 298 4 c) (...) Por todo o exposto até aqui, resta claro que a modificaçãointroduzida pela Lei n° 9.779/99, e regulamentada pela IN SRF n° 33/99 e, posteriormente, pelo Decreto n° 4.544/02, visou permitir o aproveitamento dos créditos oriundos da aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos imunes, razão pela qual o cerne da fundamentação contida na decisão recorrida não pode prosperar; d) (...) a Recorrente formalizou em relação à matéria abordada nos autos, o processo de consulta n° 11080.0l0165/0082 à Delegacia da Receita Federal da 10ª Região Fiscal, questionando acerca da possibilidade de apropriação dos créditos de IPI decorrentes dos insumos adquiridos para fabricação de produtos imunes. A referida Consulta originou a “Decisão SRRF/10ª RF/DISIT n° 180/01, de 11.10.2001, favorável à então Consulente, ora Recorrente. Acontece que a tanto a DRF como a DRJ desconsideraram a decisão de consulta, negligenciando todos os dispositivos legais que regulam o processo de consulta. Termina sua petição recursal pleiteando a reforma do acórdão vergastado, e, alternativamente, a realização de diligência para o fim de que seja apurado os créditos de IPI declarados através do Pedido de Ressarcimento objeto deste processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Diligência No que tange ao pedido de diligência não vejo necessidade de baixa dos autos à Unidade de Origem em virtude de que o processo foi instruído com documentos suficientes para subsidiar a decisão do Colegiado. Além do que a matéria a ser decidida é de cunho material e não fática. Fato que afasta a necessidade de complementação da instrução processual. Forte nestes breves argumentos, nego o pedido de diligência. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11050.000653/200290 Acórdão n.º 3402002.476 S3C4T2 Fl. 299 5 Mérito O ponto fulcral da lide reside em determinar a possibilidade de aproveitamento de créditos básicos de IPI referentes a insumos utilizados na fabricação de produtos que constam na TIPI com a notação “NT”. O Contribuinte entende que tem assegurado o direito constitucional de manter e aproveitar o crédito de IPI relativo a operações anteriores, ainda que as saídas posteriores não tributadas. Esse tema já foi pacificado no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 20, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Por fim, não se pode olvidar que as súmulas do CARF são de observância obrigatória, sob pena de perda de mandato. Quanto à solução de consulta SRRF/10º RF/DISIT nº 180/01, seu teor não destoa da Súmula CARF acima mencionada, conforme se pode constatar pela simples leitura da parte dispositiva, que abaixo reproduzo: “... Ante o exposto concluise que o saldo credor do IPI existente ao término de cada trimestrecalendário, formado pelos créditos do imposto incidente sobre as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem entrados em estabelecimento industrial ou equiparado, a partir de 1° de janeiro de 1999, e empregados na industrialização de produtos em geral incluídos os imunes, os isentos e os tributados à alíquota zero, ressalvados unicamente os não I tributados (NT) remanescentes após a devolução do imposto devido pela saída dos produtos tributados com alíquota não nula, pode ser utilizado para ressarcimento ou compensação, como previsto nos artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, na forma da IN SRF n° 33, de 1999 e da IN SRF n° 21, de 1997, com redação dada pela IN SRF n° 73, de setembro de 1997...”. Assim sendo, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, 16/09/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 564DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11050.000653/200290 Acórdão n.º 3402002.476 S3C4T2 Fl. 300 6 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 11050.001088/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 21/07/2008, 06/10/2008, 14/10/2008
INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA OPERAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. OBRIGATORIEDADE.
Na vigência do art. 50 da Instrução Normativa nº 800, de 27 de dezembro de 2007, registro no Siscomex Carga dos dados da operação de desconsolidação de carga após a atracação do navio implica concretização da infração descrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, tornando devida a aplicação da multa estabelecida no referido preceito legal.
INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA OPERAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador (artigo 683, §3º do Decreto nº 6.759/2009).
Numero da decisão: 3201-001.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 21/07/2008, 06/10/2008, 14/10/2008 INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA OPERAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. OBRIGATORIEDADE. Na vigência do art. 50 da Instrução Normativa nº 800, de 27 de dezembro de 2007, registro no Siscomex Carga dos dados da operação de desconsolidação de carga após a atracação do navio implica concretização da infração descrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, tornando devida a aplicação da multa estabelecida no referido preceito legal. INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA OPERAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador (artigo 683, §3º do Decreto nº 6.759/2009).
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REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA OPERAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. IMPOSIÇÃO DE MULTA. OBRIGATORIEDADE. Na vigência do art. 50 da Instrução Normativa nº 800, de 27 de dezembro de 2007, registro no Siscomex Carga dos dados da operação de desconsolidação de carga após a atracação do navio implica concretização da infração descrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, tornando devida a aplicação da multa estabelecida no referido preceito legal. INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA OPERAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador (artigo 683, §3º do Decreto nº 6.759/2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudino, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 10 88 /2 00 9- 54 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001088/200954 Acórdão n.º 3201001.738 S3C2T1 Fl. 144 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. O presente Auto de Infração referese à multa capitulada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n.° 37/66, com a redação dada pela Lei n.° 10.833/2003, no valor de R$25.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF n.° 800/2007, com a alteração da IN SRF n.° 899/2008. Segundo relato da fiscalização, a autuada prestou informações acerca da desconsolidação da carga em data/hora posterior à data/hora da efetiva atracação das embarcações no porto que se deram em 21/07/2008 (às 08:38 h), 28/09/2008 e 12/10/2008. Segundo o que consta nos documentos juntados aos autos, estas informações foram prestadas em, respectivamente, 21/07/2008 (às 10:38 h), 06/10/2008 e 14/10/2008. Nos termos, então, da IN SRF n.° 800/2007, com a alteração da IN SRF n.° 899/2008, arts. 22 e 50, respeitadas as vigências das referidas normas, o prazo limite para prestação de informações relativas à conclusão da desconsolidação é a data da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Por não ter sido cumprido referido prazo pela autuada, foi lançada a multa por prestação de informação a destempo estatuída no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n.° 37/66, com a redação dada pela Lei n.° 10.833/2003. Intimada da autuação, a interessada apresentou impugnação de fls. 52/59, alegando o que segue: 1 Preliminarmente protesta pela nulidade do lançamento por ausência das formalidades legais previstas no Decreto n.° 70.235/1972, deixando de indicar os dispositivos legais infringidos, não se podendo extrair qual hipótese do art. 22 da IN 800/07 se embasa a autuação. 2 Alega que a IN SRF n.° 800/2007, com vigência a partir de 31/03/2008 (art. 52), na redação original do art. 50, os prazos de antecedência do art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009, sem qualquer exceção. Somente a partir da publicação da IN SRF n.° 899/2008, 31/12/2008, que alterou o art. 50, passou a ser prevista a exceção do parágrafo único, até então inexistente. Desta forma, na ocorrência dos fatos geradores em questão não havia a previsão do prazo para informações do art. 22 e nem do § único do art. 50. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001088/200954 Acórdão n.º 3201001.738 S3C2T1 Fl. 145 3 3 Por estas razões requer a nulidade do lançamento pela preliminar de nulidade arguida e/ou cancelamento do mesmo pela falta de dispositivo legal vigente. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. O valor da autuação foi retificado, pois a autoridade julgadora entendeu devida a penalidade na desconsolidação de carga transportada ou manifestada, todavia a mesma deveria ser aplicada em função do número de cargas (conhecimentos genéricos ou master) a serem desconsolidadas, e não em função de conhecimentos resultantes da desconsolidação (conhecimentos agregados ou house). O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. No tocante à arguição de nulidade do procedimento fiscal, conforme bem observado pela decisão recorrida, o Auto de Infração em tela mostrase devidamente fundamentado, citando as informações que devem ser prestadas pelo transportador com as correspondentes indicações na norma. Também cita de forma clara a infração praticada (art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003) e o dispositivo legal infringido (IN SRF n° 800/2007, alterada pela IN SRF n° 899/2008). Desta forma, não merece guarida o pleito da recorrente. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração, na condição de agente de carga, a recorrente informou as operações de desconsolidação das cargas, relacionadas nos Conhecimentos de Embarque (CE) Master nºs 210805137953787 (21/7/2008), 210805182837235 (28/09/2008) e 210805192733653 (12/10/2008), depois da atracação dos navios que as transportavam, descumprindo o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do artigo 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, com a redação vigente na época dos fatos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001088/200954 Acórdão n.º 3201001.738 S3C2T1 Fl. 146 4 Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifo nosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008 (art. 52), as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelo transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Observo, inicialmente, que a recorrente, enquanto agente de carga, enquadra se como transportador e, desta forma, sujeitase a obrigação de prestar as informações sobre a carga transportada. Tal previsão encontrase estabelecida no artigo 2º, §1º, inciso IV desta IN RFB nº 800/2007: Art. 2º [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV – o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela desconsolidação da carga no destino; e e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; (grifo nosso) As informações a serem prestadas sobre a carga transportada, por sua vez, encontramse previstas no artigo 10 desta mesma IN, nestes termos: Seção II Da Informação sobre a Carga Fl. 146DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001088/200954 Acórdão n.º 3201001.738 S3C2T1 Fl. 147 5 Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: I a informação do manifesto eletrônico; II a vinculação do manifesto eletrônico a escala; III a informação dos conhecimentos eletrônicos; IV a informação da desconsolidação; e V a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação da carga. [...] § 4º A mercadoria somente será considerada manifestada, para efeitos legais, quando a carga tiver sido informada nos termos do caput e demais disposições desta Instrução Normativa, observados, ainda, outras normas estabelecidas na legislação específica. (grifo nosso) (redação vigente à época da infração) Do exposto, resta claro que a recorrente, na condição de transportadora, tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Constatase ainda que, entre as informações a serem prestadas sobre as cargas transportadas, incluemse aquelas referentes às operações de desconsolidação das cargas. A recorrente, contudo, apresentou as informações sobre as operações de desconsolidação das cargas, relacionadas nos Conhecimentos de Embarque (CE) Master nºs 210805137953787, 210805182837235 e 210805192733653, depois da atracação dos navios que as transportavam, não respeitando o prazo previsto no inciso II do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB nº 800/2007. Em decorrência do descumprimento do referido prazo, restou configurada a infração e devidamente aplicada a multa prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, a seguir reproduzido: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga;(grifo nosso) Desta forma, caracterizada a conduta prevista para a imposição da penalidade, mostrase correta a imputação da multa à recorrente. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001088/200954 Acórdão n.º 3201001.738 S3C2T1 Fl. 148 6 Resta verificar, de ofício, a possibilidade de aplicação do benefício da denúncia espontânea à recorrente, haja vista a publicação da Lei nº 12.350/2010, que alterou o parágrafo 2º do artigo 102 do DL 37/66: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. ( Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 )(grifo nosso) Observo que o instituto da denúncia espontânea, no tocante a penalidades relacionadas a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior, encontrase regulamentado no artigo 683 do Decreto nº 6.759/2009, nestes termos: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de multas de natureza tributária ou administrativa, com exceção das aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 11050.001088/200954 Acórdão n.º 3201001.738 S3C2T1 Fl. 149 7 § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifo nosso) Em sendo estas as disposições normativas sobre a matéria, resta claro que, em que pese as multas de natureza administrativa encontraremse abarcadas pelo instituto da denúncia espontânea, o instituto não é aplicável ao presente processo, posto tratarse de infração imputável ao transportador, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 149DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 11060.721597/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
Ementa:
MATÉRIA TRIBUTÁVEL. REDUÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Se, em procedimento de revisão (diligência), a própria unidade administrativa responsável pelos lançamentos tributários conclui, por meio de relatório fundamentado, que a matéria tributável apurada continha valores indevidos, há de se reduzir o montante correspondente.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS.
Ausentes elementos de convicção capazes de demonstrar que as divergências apuradas pela Fiscalização entre os valores declarados e os que foram escriturados pelo contribuinte decorreram de conduta dolosa, a multa qualificada de 150% não pode subsistir.
Numero da decisão: 1301-001.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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REDUÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se, em procedimento de revisão (diligência), a própria unidade administrativa responsável pelos lançamentos tributários conclui, por meio de relatório fundamentado, que a matéria tributável apurada continha valores indevidos, há de se reduzir o montante correspondente. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS. Ausentes elementos de convicção capazes de demonstrar que as divergências apuradas pela Fiscalização entre os valores declarados e os que foram escriturados pelo contribuinte decorreram de conduta dolosa, a multa qualificada de 150% não pode subsistir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 15 97 /2 01 1- 01 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11060.721597/201101 Acórdão n.º 1301001.557 S1C3T1 Fl. 1.010 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11060.721597/201101 Acórdão n.º 1301001.557 S1C3T1 Fl. 1.011 3 Relatório A 1ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, tendo exonerado parcela do crédito tributário constituído em desfavor de OFTALMOCLÍNICA SANTA MARIA LTDA, recorre de ofício a este Colegiado administrativo, amparada nas disposições da Portaria MF nº. 3, de 2008. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido –CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS), relativas aos anoscalendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, apurada com base nos registros feitos no Livro Caixa e em documentos relativos a pagamentos e recebimentos da fiscalizada. Em sede de impugnação, a contribuinte argumentou que a Fiscalização considerou como valores de receitas a totalização de ingressos registrada no Livro Caixa, levando em conta meras transferências, razão pela qual requeria perícia a respeito dessa questão. Relativamente à qualificação da multa, afirmou que teria ocorrido, no máximo, escrituração financeira inadequada, inexistindo intenção de sonegar receita à tributação. Diante da plausibilidade da alegação trazida pela autuada, foi determinada a realização de diligência com o intuito de verificar os registros efetuados no Livro Caixa que efetivamente correspondiam a receitas. Em atendimento, foi trazido ao processo levantamento acerca das receitas efetivas, acompanhado de planilha demonstrativa. Intimada a manifestarse a respeito do resultado da diligência, a contribuinte concordou com a nova apuração de receitas e renovou o pedido para que fosse afastada a multa qualificada, visto que, no caso, teria havido mero preenchimento inadequado de declarações. A já citada 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, apreciando os argumentos expendidos pela fiscalizada, julgou, por meio do acórdão nº. 1044.243, de 29 de maio de 2013, procedentes em parte os lançamentos tributários efetuados. A referida decisão foi assim ementada: RECEITA BRUTA. APURAÇÃO DE VALORES. LIVRO CAIXA. TRANSFERÊNCIAS ENTRE BANCOS E CAIXAS. Para fins de determinação dos valores da receita bruta devem ser considerados tãosomente os ingressos registrados do livrocaixa referentes a receitas, não devendo ser computados os ingressos em caixa decorrentes de meras transferências de bancos para caixa. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DE INTENÇÃO DOLOSA. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11060.721597/201101 Acórdão n.º 1301001.557 S1C3T1 Fl. 1.012 4 O percentual de multa aplicável é de 75%, uma vez que não ficou caracterizado o evidente intuito de fraude, pois a omissão de receita não ocorreu em todos os meses do período auditado e que em muitos meses a diferença corresponde apenas ao valor do IRRF de 1,5%. É o Relatório. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11060.721597/201101 Acórdão n.º 1301001.557 S1C3T1 Fl. 1.013 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com o RELATÓRIO anexo ao auto de infração de fls. 192/219, restou constatado que os valores declarados pela contribuinte fiscalizada à Receita Federal divergiam dos apurados por meio dos Livros Caixa analisados no curso da ação fiscal. Verificouse, também, ter havido utilização de percentual de presunção incorreto na determinação da base de cálculo da CSLL e ausência de apresentação de DACON e de DCTF para determinados períodos. Para a autoridade fiscal, o fato de a contribuinte ter apresentado declarações com valores divergentes dos apurados por meio da escrituração (Livro Caixa) revelou conduta dolosa, dando causa, assim, a aplicação de multa qualificada. Em sede de impugnação, a autuada, entre outras alegações, sustentou que a autoridade fiscal desconsiderou a natureza das entradas escrituradas no Livro Caixa, visto que computou valores que não representavam receitas, mas, sim, meras transições de valores da conta bancária para o Caixa. Argumentou que “as receitas provenientes da prestação de serviços médicos foram recebidas em contas bancárias, sendo registrado no livro caixa, e os valores que eram retirados dessas contas eram considerados também como entradas no livro caixa (...os valores que transitaram na conta bancária da sociedade e eram retirados eram contabilizados duplamente como entrada)”. Adiante, sustentou que, caso os lançamentos fossem mantidos, a multa qualificada deveria ser afastada, vez que não existiria fundamento para a sua aplicação. Disse que, no presente caso, não se verificava intenção em sonegar ou esconder a ocorrência de fato gerador de tributo, mas, no máximo, escrituração contábil inadequada. Por meio de despacho (fls. 885), o relator designado em primeira instância para apreciar o litígio, a partir da constatação de que a alegação trazida pela fiscalizada tinha certa procedência, apresentou proposta de diligência para que fosse analisada a documentação que havia servido de suporte para os registros feitos no Livro Caixa. Acolhida a proposta acima referenciada, foi produzido o despacho de fls. 927, no qual a Delegacia da Receita Federal em Santa Maria, a partir do exame solicitado, informa que elaborou QUADRO indicando a efetiva receita omitida por parte da contribuinte. Adita que o referido QUADRO é acompanhado de anexo, em que é apresentada uma análise detalhada dos meses em que foi verificada omissão. Acolhendo por inteiro a conclusão trazida pela diligência, a Turma Julgadora de primeira instância decidiu reduzir a matéria tributável e desqualificar a multa aplicada, reduzindoa para 75%. Penso que não seja merecedor de reparo o decidido em primeira instância. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11060.721597/201101 Acórdão n.º 1301001.557 S1C3T1 Fl. 1.014 6 No que tange à redução da matéria tributável apontada nos autos de infração lavrados, a providência decorre de pronunciamento da própria unidade responsável pelo lançamento tributário, pronunciamento este que se encontra amparado em Relatório fundamentado (fls. 888/897). Relativamente à desqualificação da multa, na linha do sustentado pelo ato decisório de primeiro grau, o fato de a divergência entre o declarado e o escriturado não ter ocorrido em todos os meses do período submetido ao procedimento de auditoria, a inexpressividade comparativa das diferenças apuradas e o fato de em muitos meses referida diferença estar representada pelo valor do imposto de renda retido na fonte, indicam que estamos diante de declaração inexata, e não de efetiva intenção de subtrair receitas à tributação. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 7/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908004/2011-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/06/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/06/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 80 04 /2 01 1- 74 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908004/201174 Acórdão n.º 3801003.730 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908004/201174 Acórdão n.º 3801003.730 S3TE01 Fl. 4 3 crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908004/201174 Acórdão n.º 3801003.730 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908004/201174 Acórdão n.º 3801003.730 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908004/201174 Acórdão n.º 3801003.730 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908004/201174 Acórdão n.º 3801003.730 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720445/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010, 2011
INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
No tocante à CSLL, anoto que repousando o lançamento nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma.
Numero da decisão: 1301-001.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010, 2011 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. No tocante à CSLL, anoto que repousando o lançamento nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.720445/201276 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.516 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2014 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente CPQ BRASIL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. Analisando todas as etapas do negócio jurídico levado a efeito, até os resultados concretos que redundaram no aproveitamento do ágio não há como enquadrar esta operação como sendo um planejamento tributário abusivo, conforme entendeu a r. decisão recorrida, mesmo porque, para restar compreendida como abusiva, uma conduta deve refletir um conflito entre forma e substância, e a prova de tal conflito deve ser feita com base em elementos objetivos, sem uma justificativa razoável para tal operação, a qual não seja mera vantagem fiscal, o que, digase de passagem, em nenhum momento ficou comprovado nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. No tocante à CSLL, anoto que repousando o lançamento nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 45 /2 01 2- 76 Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em CampinasSP. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração, relativos ao IRPJ e à CSLL, acrescidos de juros de mora, multa de ofício de 150%, bem como de multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo estimadas, em razão de irregularidades constatadas nos anos calendário 2010 e 2011. As circunstâncias que ensejaram a autuação foram contextualizadas no Relatório de Ação Fiscal, constante das folhas 1.251 a 1.267, no qual se reportou ao MPF que deu margem à fiscalização e identificouse o objeto social da empresa autuada, como sendo, entre outros, a indústria e o comércio de pães e outros produtos alimentícios, expondo ser nacionalmente conhecida pela fabricação e comercialização de pães de queijo em vários estabelecimentos com a marca “Casa do Pão de Queijo”, esclarecendo a Fiscalização que nos dois anoscalendário sob ação fiscal, a CPQ não declarou em DCTF e nem teve recolhimento de qualquer importância a título de IRPJ e CSLL, sendo que em ambos os anoscalendário, optou pelo Regime Tributário de Transição (RTT), instituído pela Lei nº. 11.941, de 2009, o que acarreta, para fins tributários, a utilização dos métodos e critérios vigentes em 31/12/2007. Relata a Fiscalização que por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal foram solicitados documentos comprobatórios de operações de incorporação realizadas no ano de 2009, esclarecimentos a respeito da apuração de Cofins, e de operação em 2010 de emissão de debêntures, anotandose que a Escrituração Contábil Digital (ECD – Sped Contábil) relativa aos anoscalendário de 2010 e 2011 foi importada no curso desta fiscalização diretamente da base nacional Sped (Sistema Público de Escrituração Digital). Passa, então, a Fiscalização a analisar as Operações de Incorporação em 2009, registrandose que em dezembro de 2009, a CPQ incorporou duas sociedades na mesma data. Em decorrência das incorporações, o ágio de R$ 52.989.186,29 foi transferido para o ativo da CPQ, e a sua amortização passou a ser deduzida do lucro tributável pelo IRPJ e CSLL, Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 3 3 sendo que a partir do ano de 2010 a CPQ vem excluindo da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mensalmente, em 60 parcelas, o valor de R$ 883.153,10 (R$ 10.597.837,20 anuais) a título de amortização de ágio. Estas exclusões encontramse escrituradas em seus livros fiscais digitais no ambiente Sped (Sistema Público de Escrituração Digital), sob a rubrica 330401002 Amortização Ágio/Deságio, conforme Demonstração de Apuração – SPED – FCONT. Apontou a Fiscalização que as operações de incorporação das duas companhias seguiram todo um roteiro de procedimentos orquestrados “com o fim de se criar um ágio artificial a ser aproveitado pela CPQ” e que as sociedades envolvidas no processo de reorganização societária foram a CPQ, a GUARUDA S/A (CNPJ 02.134.838/000101), sociedade de ações de capital aberto, e a ARTHEMIA PARTICIPAÇÕES S/A (CNPJ 11.178.056/000157), sociedade de ações de capital fechado. Mencionou a Fiscalização que no momento imediatamente anterior ao início da reorganização societária, o capital da CPQ, no valor de R$ 17.095.065,32, encontravase nas mãos de GUARUDA S/A (70% das ações), e da MCN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A (CNPJ 04.795.012/000100, 30% das ações) e que a totalidade do capital da GARUDA, no valor de R$ 16.992.844,00, era de titularidade da ARTHEMIA, sendo que a GARUDA detinha a maioria do capital da CPQ (70%), sendo então considerada controladora da CPQ e quanto à ARTHEMIA, a totalidade de seu capital de R$ 6.707.886,00 pertencia a MCN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A. De acordo com a Fiscalização, do protocolo e Justificação de Incorporação da GARUDA S/A e da ARTHEMIA PARTICIPAÇÕES S/A pela CPQ BRASIL S/A, datado de 31/12/2009, em seu item 4, extraise que “a incorporação da GARUDA pela CPQ, como proposta neste instrumento, é da maior conveniência para os interesses sociais da GARUDA, da ARTHEMIA e da CPQ, uma vez que a unificação das atividades de administração destas três sociedades irá simplificar a estrutura organizacional do grupo e reduzir custos administrativos, comerciais e financeiros, bem como colaborar para a racionalização e otimização dos trabalhos, operações e das estruturas das sociedades, frisandose que neste instrumento, constou que a ARTHEMIA foi constituída com o propósito de permitir que o Banco Standard de Investimentos S/A e a MCN Participações e Empreendimentos S/A unissem esforços para adquirir a totalidade das ações da GARUDA em leilão aberto realizado no mercado de balcão organizado da BMF & Bovespa S/A – Bolsa de Mercadorias e Futuros. Apontou a Fiscalização, que em 2 de dezembro de 2009, a ARTHEMIA arrematou a totalidade das ações representativas do capital social da GARUDA no leilão mencionado acima. Parte dos recursos utilizados na aquisição das ações da GARUDA foram obtidos por meio de financiamento, sendo que uma das condições feitas pela instituição financeira para liberação do financiamento era a incorporação da GARUDA e da ARTHEMIA pela CPQ em curto prazo. Para as operações de incorporação, foram elaborados dois Laudos de Avaliação pela APSIS Consultoria Empresarial Ltda., em 14/12/2009, para avaliação do patrimônio líquido da GARUDA e da ARTHEMIA e de acordo com o que consignou a Fiscalização, no Laudo de Avaliação da ARTHEMIA, está consignado o ágio no valor de R$ 52.989.186,29 referente a investimentos em GARUDA, fundamentado por laudo elaborado pela empresa TERCO GRANT THRONTON. Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Apontouse que intimada a esclarecer o tratamento que foi dado a este ágio, a contribuinte aduziu que “... o ágio em questão foi originalmente registrado pela Arthemia Participações S/A quando da aquisição por esta da empresa GARUDA S/A em leilão aberto realizado no mercado de balcão organizado da BMF&Bovespa. Esse ágio foi justificado na expectativa de rentabilidade futura da GARUDA nos termos do artigo 385, parágrafo 2., inciso II, do regulamento de Imposto de Renda RIR/99, tal como atesta o anexo laudo de avaliação elaborado pela empresa Terco Grant Thronton. Em 31 de dezembro de 2009, primeiramente a GARUDA, e ato contínuo, a ARTHEMIA, foram incorporadas pela CPQ Brasil S/A, conforme se verifica da Ata de Assembleia Geral Extraordinária da CPQ registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo em 15 de janeiro de 2010 sob o nr. 0.017.993/106, acompanhada do Protocolo e Justificação da Incorporação e Laudos de Avaliação das empresas incorporadas, GARUDA E CPQ. Desde janeiro de 2010, o ágio em questão vem sendo amortizado para fins tributários a uma taxa linear de 1/60 por mês, conforme autoriza o inciso II do artigo 386 do RIR”. Seguiu a Fiscalização pontuando que consideradas as incorporações, a CPQ passou a amortizar o ágio que estava registrado na ARTHEMIA, relativo ao investimento que esta detinha indiretamente na própria CPQ, por meio do investimento da GARUDA na CPQ. Sintetizando, a controladora que detinha indiretamente investimento com ágio na controlada é incorporada pela própria controlada, e o ágio absorvido passa a influenciar a apuração do IRPJ e da CSLL, da maneira a reduzir os montantes devidos destes tributos. Discorreuse acerca do fato de que a ARTHEMIA foi constituída sob a forma de sociedade anônima de capital fechado em 03/09/2009 com o nome de S.R.X.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, com capital de R$ 500,00, estando as ações em nome de SUELI DE FÁTIMA FERRERI (analista) e CLEBER FARIA FERNANDES (técnico em contabilidade), ambos com endereço na Rua Pamplona, 818, 9 andar, cj 92, sendo que em 12/11/2009, as 500 ações de SUELI DE FÁTIMA FERRERI e CLEBER FARIA FERNANDES são transferidas para a MCN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A, pelo que se concluiu que a sociedade foi constituída anteriormente como uma empresa de prateleira, com capital irrisório, nome simbólico, e sem qualquer fato contábil condizente com seu objeto social. Dois meses depois, passa para as mãos dos reais interessados, a fim de se tornar “empresa veículo” no processo de reorganização societária. Empresa veículo é aquela cuja característica é sua breve existência, e constituída com o intuito único de transportar o ágio para tornalo dedutível para fins fiscais. Mencionouse ainda, que em 13/11/2009, conforme Ata de Assembleia Geral Extraordinária, é alterada sua denominação para ARTHEMIA PARTICIPAÇÕES S/A, sendo aceita a renúncia dos administradores, e eleitos ALBERTO CARNEIRO NETO como Diretor Presidente, e FERNANDO BORELLI EDITORE como Diretor sem designação específica. Nesta data é aprovado o aumento do capital social para R$ 6.707.886,00, com subscrição das ações por MCN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A. Todas as ações são ordinárias, nominativas, e sem valor nominal. Foram integralizadas com 1.727.402 ações ordinárias de emissão da CPQ BRASIL S/A e em 02/12/2009, MCN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A transfere 2 ações para MARCELO DI LORENZO, 1 ação para EDWARD HANMER, 1 ação para ALBERTO CARNEIRO NETO e 1 ação para GIOVANA ADRIANO DE BRITO CARNEIRO, sendo que a MCN PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A é representada por ALBERTO CARNEIRO NETO. Em continuidade, noticiou a Fiscalização que em 02/12/2009 foi criado Conselho de administração, com os membros MARCELO DI LORENZO, EDWARD HANMER, ALBERTO CARNEIRO NETO e GIOVANA ADRIANO DE BRITO CARNEIRO e que em 02/12/2009 foi feito adiantamento para futuro aumento de capital por Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 4 5 STANDAD BANK no valor de R$ 30.000.000,00 e em 03/12/2009, ARTHEMIA obtém empréstimo de R$ 40.000.000,00 junto a CETIP S/A, ou seja, em dois dias levantou setenta milhões de reais para aquisição das ações da GARUDA, sendo que em 07/12/2009, adquire ações da GARUDA S/A, em leilão da Bolsa de Valores pelo valor de R$ 69.017.032,08. De acordo com a Fiscalização, as receitas da ARTHEMIA eram exclusivamente do resultado de Equivalência Patrimonial sobre investimentos em CPQ e GARUDA, no valor de R$ 1.470.324,34 e em 31/12/2009, foi aprovada a sua incorporação pela CPQ, sendo a partir de então extinta, pontuandose, nessa toada, que com exceção dos lançamentos relativos à incorporação e às receitas da equivalência patrimonial, sua contabilidade não revela nenhum outro fato contábil, registrando que os recursos que ampararam toda a reorganização societária jamais implicaram em desembolso ou investimento por parte da empresa, limitandose a uma reavaliação de seu patrimônio, calcada em laudos baseados numa expectativa de resultados futuros, com o fim de se criarem despesas com a amortização do ágio artificial. Passou a Fiscalização, então, a discorrer acerca do denominado ágio interno e o papel das ditas “empresas veículo” e citando, no tocante ao reconhecimento do ágio artificial em operações de reorganização societária, o Ofício Circular CVM/SNC/SEP n. 01/2007, que imporia sua inadmissibilidade. Na sequência, em função da glosa da Amortização do ágio da Arthemia, a Fiscalização reapurou as estimativas mensais de IRPJ e CSLL, constatando que houve recolhimento a menor destes tributos na maioria dos meses de 2010 e 2011, o que enseja a cobrança da multa exigida isoladamente, nos termos do art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº. 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº. 11.488, de 2007, e apresenta os demonstrativos de apuração das estimativas mensais e do cálculo da multa isolada. Justificou a Fiscalização o agravamento da multa diante da conduta dos administradores, ao engendrar planejamento tributário com a reorganização societária calcada em uma empresa veículo, conforme demonstrado no presente termo, com o propósito de aferir vantagem sob o aspecto fiscal, o que em tese, caracteriza o intuito de sonegação, definida no art. 71 da lei n. 5.502, de 1964, e de simulação, nos termos do art. 167 do Código Civil (Lei nr. 10.406, de 2002), ensejando a aplicação da multa de 150%, prevista no art. 44, § 1, da lei nr. 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nr. 11.488 de 2007. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1272/1364), acompanhada dos documentos de folhas 1365 a 1687, alegando em preliminar a nulidade dos Autos de Infração por erro no enquadramento legal (itens 3 a 11), porquanto foram citados diversos artigos que estabelecem regras gerais do IRPJ e CSLL, sem que fossem mencionados os arts. 385 ou 386 do RIR/99 e arts. 7º e 8º da Lei 9.532, de 1997. Defendeu que a incorreta capitulação legal da autuação leva ao necessário cancelamento do lançamento, posto que afronta os artigos 10 do Decreto 70.235/72 e 50,§ 1 da Lei 9.784/99 e também como motivo de nulidade arguiu a ocorrência de erro na descrição dos fatos (itens 12 a 21), alegando equívoco da Fiscalização que teria descrito os fatos de maneira errônea e confusa (itens 22 a 31). Ao abordar os fatos, teceu histórico da empresa autuada (itens 32 a 45), expondo que a empresa tem origem familiar, idealizada pelo Sr. Mario Carneiro em função da receita de pão de queijo de sua mãe, D. Arthemia, sendo que o sucesso do empreendimento Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 levou a transformação de sua principal atividade para o licenciamento de franquia com a marca “Casa do Pão de Queijo” e a comercialização de alimentos aos seus franqueados, aduzindo que houve interesse de terceiros investidores, de modo que, em 1999, a gestora de Fundos de Private Equity denominada Pátria Investimentos S A adquiriu o controle societário da Requerente, passando o núcleo familiar a deter a minoria do capital da requerente e que até novembro de 2009, o capital social da requerente era detido por duas pessoas jurídicas distintas, pertencentes a dois grupos completamente distintos, já que 70% das suas ações eram detidas pela Garuda e 30% eram detidos pela MCN. Aduziu que a Garuda, até então controladora da recorrente, foi constituída em 15/09/1997 (doc nº 4) e sempre foi utilizada como sociedade holding centralizadora de investimento de diversos investidores, inclusive estrangeiros, e que a MCN era sociedade holding detida diretamente por dois acionistas pessoas físicas, o Sr. Alberto Carneiro Neto (Sr. Alberto) e o Sr. Marco Aurélio Aliberti Mammana (Sr. Marco) (doc nº 5). Seguiu arrazoando que os acionistas da Garuda não possuíam qualquer relação com o Sr. Alberto e o Sr. Marco, de modo que seria impossível considerar a MCN e a Garuda como partes relacionadas, integrantes de um mesmo grupo econômico e que a Garuda representava o núcleo dos Fundos de Private Equity que investiram nela recorrente após a consolidação da marca “Casa do Pão de Queijo”, enquanto que a MCN representava o núcleo familiar relacionado ao Sr. Mario Carneiro. Também ao descrever os fatos reportase à parceria entre o acionista e o Banco Standard (itens 46 a 68), argumentando que em novembro de 2009 conciliaramse interesses de (i) terceiro investidor (Banco Standard) em adquirir investimento relevante na Requerente, (ii) investidores controladores em liquidar o investimento e (iii) acionista minoritário (MCN, representante do núcleo familiar) em voltar a deter o controle acionário da Requerente, ensejando parceria do Banco Standard com a MCN, de modo que, ao final, cada parte passasse a deter metade do capital da Requerente e no âmbito da parceria, o acionista minoritário entraria com os 30% que detinha no capital da Requerente, enquanto que o Banco Standad desembolsaria parte dos recursos financeiros necessários à aquisição das ações da Garuda. Outra parte do investimento, e seria feito com base em empréstimo tomado pela parceria, sendo neste contexto, que surgiu a Arthemia, constituída em 03/9/2009, com a denominação de S.R.X.S.P.E...., tendo como sócios a Sra. Sueli de Fátima Ferreti e o Sr. Cleber Faria Fernandes, e como objeto social a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista, no País ou no exterior (doc 6). Mencionou a recorrente que em 13/09/2009 ocorrem: (i) transferência das ações da S.R.X.S.P.E para a MCN, (ii) mudança da denominação social da S.R.X.S.P.E para Arthemia, e (iii) aumento de capital da Arthemia pela MCN com a totalidade de sua participação societária detida na Requerente (CPQ), que consistia em 1.727.402 ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal, representativas de 30% do capital social total e votante da Requerente (doc nº 7). Seguiu aduzindo que conforme “Contrato de Investimento” (doc nº 8), pelo qual o Banco Standard se comprometeu a efetuar investimento na Arthemia (sociedade holding utilizada para a parceria entre as partes), investimento este feito por Contrato de Adiantamento para Futuro Aumento de Capital (“Contrato de AFAC”), também celebrado em 25/11/2009 e pelo qual o Banco Standard se comprometeu, de forma irrevogável e irretratável, a converter o investimento na Arthemia (via o Contrato de AFAC) em capital da própria Arthemia, no prazo de: (i) até 6 (seis) meses contados da data em que o Banco Standard obtivesse aprovação do Banco Central da África do Sul ou (ii) até 4 (quatro) anos contados da data de fechamento do Contrato de Investimento, o que ocorresse primeiro e no momento em que a conversão do Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 5 7 investimento em capital ocorresse, a cláusula 3.2 estabelecia que a Arthemia deveria emitir, em favor do Banco Standard, ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal, em montante que, somadas às 2 (duas) ações que passariam a ser detidas pelo Sr. Marcelo Di Lorenzo (“Sr. Lorenzo”) representassem 50% do seu capital social, sendo que o Contrato de Investimento deixa claro que o investimento efetuado na Arthemia, sempre teve como propósito claro e declarado a futura aquisição, pela Arthemia, das ações da Garuda e que parte dos recursos necessários à aquisição das ações da Garuda dependiam de um empréstimo financeiro que seria tomado pela Arthemia, frisando que em 25/11/2009 foi celebrado Contrato de AFAC (doc 09) entre o Banco Standard e a Arthemia, pelo qual o investimento do Banco Standard na sociedade de parceria com a MCN (a Arthemia) atingiu o valor de R$ 30.000.000,00 e, também em 25/1/2009, foi firmado o “Acordo de Acionistas da Arthemia Participações S A” (“Acordo de Acionistas”) (doc. nº10), cuja eficácia estava sujeita à vigência e eficácia do Contrato de Investimento, mediante o fechamento da operação, desde que a oferta da Arthemia no Leilão de venda das ações da Garuda fosse declarada a oferta vencedora, quando em 31/12/2009, com o objetivo de adquirir as ações da Garuda, a Arthemia tomou empréstimo no valor de R$ 40.000.000,00, dívida tomada a partir da emissão, pela Arthemia, de Nota Promissória Comercial (doc nº 11), a qual foi objeto de distribuição pública, com esforços restritos de colocação, nos termos da Instrução da CVM nº 476, de 2009, dispensada de registro na CVM, ficou depositada no Banco Itaú com destinação exclusiva para o financiamento da aquisição da totalidade das ações da Garuda pela Arthemia, e teve como garantia a alienação fiduciária de 100% das ações representativas do capital da própria Arthemia, ações essas detidas, à época, exclusivamente pela MCN, sendo que ao final do investimento feito pelo Banco Standard e da dívida tomada, a Arthemia levantou o montante de R$ 70.000.000,00 para efetuar a aquisição das ações da Garuda em leilão e, dessa forma, a Arthemia foi extremamente importante no contexto da aquisição das ações da Garuda, não só pelo fato de que foi a sociedade necessária para estabelecer a parceria entre a MCN e o Banco Standard, mas também porque foi a sociedade que tomou a dívida (no valor de R$ 40.000.000,00) necessária para a propria aquisição das ações da Garuda no Leilão. Assinalou a recorrente que os valores do empréstimo de R$ 40.000.000,00 só foram tomados porque a Arthemia possuía um ativo relevante (i. e. 30% da Casa do Pão de Queijo) que garantia o empréstimo tomado. Havia ainda a obrigação de a sociedade tomadora da dívida ser incorporada pela Requerente, com o objetivo de concentrar a dívida e a receita operacional (fluxo de caixa) em uma única sociedade, de modo a reduzir o risco financeiro da instituição financeira que era a titular das notas promissórias, abordando (itens 69 a 82) a aquisição das ações da Garuda pela Arthemia decorrente da parceria estabelecida entre a MCN e o Standard Bank, buscando comprovar a ocorrência de efetivo desembolso fazendo menção a edital de leilão de venda das ações da Garuda (doc 12); valor da aquisição mediante pagamento à vista de R$ 68.931.554,44, sendo R$ 2,38 por cada ação ordinária e preferencial da Garuda – sociedade que passou a ser detida integralmente pela Arthemia, ocorrendo a retirada dos acionistas patrimônio FIA, PP Participações, BFF LLP, OPCO Brazil e JP Morgan, conforme relatório da instituição financeira que era depositária das ações da Garuda (doc. nº 13); Extrato de Conta Corrente e Investimento da Arthemia, objetivando comprovar o efetivo desembolso incorrido por essa sociedade para adquirir as ações da Garuda no referido Leilão em 7.12.2009 (doc nº 14) no valor de R$ 69.017.032,08 , valor que representou o efetivo custo de aquisição e o efetivo desembolso da Arthemia para adquirir participação societária que, até aquele momento, era detida por terceiros não relacionados a ela ou seus acionistas publicações divulgando a alienação ocorrida (doc 15 e 16); cessão, em 2/12/2009, pela MCN ao Sr. Lourenzo de duas ações ordinárias representantes do capital da Arthemia (doc. nº 17). Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Frisouse ainda, a obrigatoriedade legal da Arthemia de, em função da aquisição das ações da Garuda e nos termos do art. 385 do RIR/99, avaliar seu investimento da Garuda segundo o método da equivalência patrimonial, isto é desdobrando seu valor total em (i) valor do patrimônio líquido da Requerente; e (ii) ágio ou deságio, seguindo a legislação fiscal e societária em vigor, a Arthemia apurou ágio de R$ 52.989.186,29, resultante de operação de compra e venda entre empresas Brasileiras (Arthemia como adquirente e Garuda como adquirida), praticada entre partes independentes, e apurado em razão de o valor de mercado estimado para a Garuda, com base em suas projeções de fluxo de caixa descontado, resultarem em valores significativamente superiores ao seu patrimônio líquido à época, nada havendo de artificial ou simulado. Aludiuse que Laudo de Avaliação apresentado como doc 18 confirma expressamente o fundamento econômico do ágio pago pela Arthemia em relação a Garuda, com base em estimativas de rentabilidade futura segundo o método do fluxo de caixa descontado aspectos não questionados pela Fiscalização, abordando (itens 83 a 115) que a efetivação da parceria com a transferência da dívida assumida pelos investidores por meio da incorporação da Garuda e da Arthemia na Requerente (docs. 19 e 20), reportandose ao Protocolo de Justificação de Incorporação da Garuda e da Arthemia pela CPQ, o qual alega deixar claro os propósitos da referida reorganização societária e a importância da Arthema na operação. Menciona, também, como consequência da incorporação a transferência do ágio de R$ 52.989.186,29 e da dívida tomada pela Arthemia para aquisição de ações da Garuda, de R$ 40.000.000,00 a extinção das ações representativas do capital da Garuda e da Arthemia e sua substituição por ações da Requerente (CPQ), das quais 5.758.004 foram recebidas pela MCN e 2 ações foram recebidas pelo Sr. Lorenzo, apontando graficamente a nova estrutura, ressaltando que a existência da Arthemia, além de possibilitar a parceria entre os investidores, permitiu que a parceria de endividamento tomado pela nova parceria pudesse ser transferida para a Requerente, sociedade operacional, bem como viabilizou a melhor prática contábil e financeira. Concluiu assim, que no momento da incorporação das sociedades ao patrimônio da Requerente, para fins fiscais, o ágio registrado pela Arthemia foi convertido em ativo diferido na requerente, amortizável para fins fiscais nos exatos termos do art. 386, inciso III, do RIR/99, tendo em vista que esse ágio tinha como justificativa econômica a expectativa de rentabilidade futura da sociedade adquirida e que em 15/1/2010, os acionistas da Requerente aprovaram a emissão de 40 debêntures simples (doc. 21 e 22), no valor total de R$ 40.000.000,00, objetivando captação de recursos para pagamento da Nota Promissória Comercial emitida pela Arthemia para aquisição da Garuda, conforme recibo de subscrição (doc. 23) e movimentação de conta corrente (doc. 24), sendo atingida uma das razões da existência da Arthemia: amortização da dívida pelas atividades operacionais da Requerente e, como último passo da parceria entre a MCN e o Banco Standard, o AFAC efetuado por este último foi capitalizado na Requerente, de forma que o investidor passou a ter 50% do capital da Requerente (doc.25). No mais, teceu outras tantas considerações e concluiu não ter havido qualquer ato doloso, fraudulento ou simulado, estando cada etapa da operação fartamente suportada em documentação hábil e idônea, devidamente registrada nos órgãos oficiais conforme a regulamentação em vigor, e incorrendo a Fiscalização em excesso na autuação. Na sequência passou a discorrer acerca dos seus fundamentos jurídicos (itens 116 a 228) relacionando três premissas da autuação que entende equivocadas: (i) de que a Arthemia foi criada apenas para criar despesas de amortização de ágio; (ii) de que o ágio teria Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 6 9 resultado de reorganização societária dentro do mesmo grupo e (iii) para adquirir o investimento na Garuda a Arthemia não teria desembolsado qualquer valor. Reportouse ao tratamento fiscal dos valores apurados a título de ágio (itens 124 a 134), em que menciona os arts. 248 da Lei 6.404/1976; 385 do RIR/99 e 386 , III, também do RIR/99, que aponta como fundamento que para que, com a incorporação da Garuda na Requerente, e com a incorporação da Arthemia na Requerente, o ágio antes registrado pela Arthemia foi convertido para fins fiscais em ativo diferido na Requerente, de forma que esses valores se tornaram amortizáveis à razão máxima de 1/60 avos por mês. Sob o título o racional legislativo da amortização fiscal de ágio reconhecido entre partes privadas (itens 135 a 144) tece considerações sobre os motivos da edição dos artigos 7 e 8 da Lei 9.532/97, base legal dos artigos 385 e 386 do RIR/99, que identifica como incentivo a operações de fusões e aquisições de empresa, também entre partes privadas, na busca pelo fortalecimento da economia nacional por meio de investimentos em outras empresas e reorganizações societárias, e reportase a votos proferidos no julgamento pelo CARF dos casos Telemar (Acórdão 1301000.711) e Santander (Acórdão 140200802), para concluir que a aquisição da Garuda pela Arthemia atende à finalidade prevista na Lei 9.532, de 1997, para fins de amortização fiscal do ágio. Sustentou ainda, o Propósito Negocial da utilização da Arthemia (itens 145 a 166), discorrendo acerca das razões empresarias de sua criação, identificadas como sendo, além da economia tributária da amortização fiscal do ágio, ter sido a Arthemia (i) a sociedade que convergiu os esforços do Banco Standard e da MCN e (ii) a sociedade que tornou possível o pagamento do preço pelas ações da Garuda, já que tornou possível a obtenção da dívida necessária para a aquisição e a amortização da dívida através dos negócios da Requerente. Salienta também neste tópico, que: a economia tributária foi mera consequência da transação e não decorre da utilização da Arthemia, mas sim da própria legislação fiscal em vigor; a Fiscalização não poderia desconstituir uma operação realizada em conformidade com a legislação em vigor, unicamente por conta das suas motivações econômicas. Invoca o § único do art. 116 do CTN incluído pela LC 104, de 2001, para alegar que a possibilidade de as autoridades fiscais desconsiderarem determinadas condutas dos contribuintes dentro de determinadas circunstâncias, depende de regulamentação por lei ordinária, inexistente até o momento. Passa, então, a defender ser Infundada a alegação de “empresa veículo” (itens 167 a 204), expondo que mesmo que não houvesse qualquer razão empresarial para a utilização da Arthemia, a amortização do ágio seria legítima, porque uma sociedade holding não é constituída para ter empregados ou qualquer outros ativos além de unicamente participações societárias. Cita entendimento doutrinário e reportase ao art. 2º § 3º da Lei das S/A, ao art. 31 da Lei 11.7272, de 2008, e ao art. 981, § único, do Código Civil, para justificar as funções e prazo da sociedade holding. Defendeu ainda, a legitimidade da amortização fiscal do ágio reconhecido pela Arthemia pelo simples fato de a operação de aquisição das ações da Garuda: (i) representou operação de compra e venda de ações que teve como adquirente e vendedor empresas Brasileiras, independentes e não relacionadas entre si; (ii) foi feita a valores justos de mercado, com o efetivo desembolso do preço pela adquirente (a Arthemia); (iii)envolveu o pagamento de um ágio no valor de R$ 52.989.186,29 (...), que teve como justificativa a expectativa de rentabilidade futura da Garuda, justificativa essa baseada em Laudo de Avaliação que nem sequer foi questionado pela D. Fiscalização, e (iv) teve como passo final a incorporação da Garuda e da Arthemia na Requerente, preenchendo os requisitos estabelecidos Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 pelos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97 (ou artigos 385 e 386 do RIR/99) para possibilitar a amortização fiscal do ágio. Discorreu acerca do entendimento administrativo relativamente à de “empresa veículo” expondo ter o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao julgar casos com fatos e circunstâncias em que havia empresa veículo e na sequência buscou demonstrar a inaplicabilidade ao caso concreto da doutrina e jurisprudência citada pela D. Fiscalização (itens 205 a 216), bem com a do Ofício Circular CVM/SNC/SEP nº 1/2007 (itens 217 a 223), considerando infundada a alegação de reavaliação patrimonial da Requerente, calcada em laudos baseados numa expectativa de resultados futuros, com o fim de se criarem despesas com a amortização do ágio artificial. Reprisa argumentos de que ocorreu a avaliação e efetivo pagamento do ágio e que não houve qualquer reavaliação espontânea de sociedade, a fim de gerar o ágio aqui questionado. O que houve foi uma efetiva aquisição direta das ações da Garuda, com o desembolso de recursos financeiros pela Arthemia, com base em valores justos de mercado. Discordou das multas aplicadas, considerando descabida a multa agravada, (itens 229 a 275) por não ter ocorrido nenhum tipo de simulação, abuso de direito ou fraude neste caso. Reportase à legislação e jurisprudência que entende aplicáveis à matéria, à teoria da imputação subjetiva e o artigo 112 do CTN”, à possibilidade de ocorrência de erro de proibição e de dúvida relevante , e ao princípio da proporcionalidade art. 142 do CTN. Sustentou ainda, ser inaplicável a multa isolada por suposta falta de antecipação das estimativas mensais (itens 276 a 298), por considerar abusiva a exigência de multa isolada e multa de ofício proporcional e impossível o lançamento da multa isolada por estimativa após o término do anocalendário e opôsse à incidência de juros Selic sobre a multa (itens 299 a 306), bem como à incidência de juros Selic sobre valores lançados de ofício (itens 307 e 308). Abordou a exigência de CSLL, alegando ser improcedente nos moldes já defendidos em relação ao IRPJ (item 309 a 311). Expõe que, diante da improcedência da autuação, há necessidade de recomposição do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL compensados na apuração dos valores lançados (item 312), finalizando (item 313 a 315) resumindo seus argumentos em 19 itens, requerendo o cancelamento integral do Auto de Infração e protestando pela juntada posterior de documentos que se fizerem necessários. A peça de impugnação é instruída com os seguintes documentos, além de documentos de representação processual e identificação de seus subscritores: Doc 4 Ata de Assembleia Geral de Constituição da Garuda S A de 15/09/1997 e Estatuto (fls. 1431/1454) Doc 5 Contrato Social da MCN Part e Empr. Ltda, Ata da Assembleia de 30/10/2009 (fls. 1455/1467) Doc 6 Ata da Assembleia de Constituição da SRXSPE e Estatuto (fls. 1468/1485) Doc 7 Ata da AGE da SRXSPE de 13/11/2009 (fls. 1486/1489) Doc 8 Contrato de Investimento e outras avenças de 25/11/2009 (fls. 1490/1528) Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 7 11 Doc 9 Contrato AFAC Banco Standard e Arthemia de 25/11/2009 (fls. 1529/1535) Doc 10 Acordo de acionistas da Arthemia de 25/11/2009 (fls. 1536/1567) Primeiro aditivo, datado de 17/02/2011, ao acordo de acionistas da CPQ Brasil (na condição de sucessora por incorporação da Arthemia) (fls. 1568/1573) Doc 11 Nota Promissória de R$ 40.000.000,00 emitida pela Arthemia em 03/12/2009 (fls. 1575/1576) Doc 12 Leilão de Venda de Ações Ord e Pref da Garuda de 02/12/2009 (fls. 1577) Doc 13 Relatório de Investidor (fls. 1578/ 1579) Doc 14 Extrato de conta corrente e investimento (fls. 1580) Doc 15 Publicação relativa a Garuda de fato relevante – alienação de controle (fls. 1581/1582) Doc 16 Fato relevante ocorrido na Arthemia (aquisição das ações da Garuda) fls. 1583/1584 Doc 17 Registro de Transferência de ações nominativas da Arthemia para a MCN (fls. 1585/1590) Doc 18 Relatório de avaliação econômicofinanceira de 30/12/2009 da Garuda (fls. 1591/1624) Doc 19 Ata da AGE da Garuda de 31/12/2009 (fls. 1625/1664) incorporação da Garuda pela CPQ Doc 20 Ata da AGE da Arthemia de 31/12/2009 incorporação da Arthemia pela CPQ (fls. 1665/1687 e1690/1765) Doc 21 Ata da AGE da CPQ de 15/01/2010 emissão de debêntures (fls. 1765/1769) Doc 22 Escritura particular de emissão pública de debêntures da CPQ e outro documentos relativos às debêntures (fls. 1770/1968) Doc 23 Recibo de subscrição de debêntures de 01/02/2010 (fls. 1698/ 1960) Doc 24 Extrato Itaú fls. 1969 Doc 25 Ata da AGE de 30/04/2010 da CPQ relativa ao aumento de capital mediante capitalização do AFAC do Banco Standard (fls. 1970/1972) Doc 26 Publicação em portal de notícias sobre a venda da Casa do Pão de Queijo por R$ 70 milhões (fls. 1973/1974) Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 Doc 27 DIPJ 2009 – anocalendário 2008 da Arthemia (fls. 1975/1999) Doc 28 Recibo emitido pelo do Banco Itaú em favor da Arthemia datado de 10/12/2009(fls. 2000). A 1ª Turma da DRJ em Campinas/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 2.027 em diante, julgou o lançamento procedente, reconhecendo, em resumo, que na espécie se cuidaria do denominado “ágio interno”, cuja dedutibilidade das despesas não seria autorizada. Com efeito, o acórdão recorrido ficou assim ementado: [...] ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 Nulidade. Inocorrência. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados, nos lançamentos formalizados, os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como o disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 IRPJ. Amortização de Ágio. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzila prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei 9.532/97 e art. 10 da Lei 9.718/98 não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada uma empresa veículo (incorporada em curto espaço de tempo), para, em nome dela, serem adquiridas ações com ágio, pago com recursos obtidos em função do patrimônio da própria incorporadora. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados, sob pena de se Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 8 13 interpretar extensivamente uma norma concessiva de um benefício, hipótese vedada pelo art. 111 do CTN. Multa Qualificada. Não há como afastar a imputação fiscal de sonegação e simulação e a consequente aplicação da multa qualificada se descritas pela Fiscalização circunstâncias que demonstram a ocorrência de reestruturação societária para criar, formalmente, por meio da constituição e posterior incorporação de “empresa veículo”, uma situação que se enquadrasse na exceção legal que possibilita deduzir despesas de amortização de ágio, advinda com a Lei 9.532/97, o que justifica, além da glosa das correspondentes deduções, a multa no percentual de 150%. Multa Isolada. Falta/Insuficiência do Recolhimento de Estimativas Mensais. Constatada a falta/insuficiência do recolhimento das estimativas devidas, fica a pessoa jurídica sujeita à multa de ofício isolada sobre os valores inadimplidos. Tributação Reflexa. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente. Juros de Mora Sobre Multa de Ofício. Sobre a multa de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Juros de Mora. Incidência. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Taxa SELIC. Nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Inconstitucionalidade. A apreciação de alegações relacionadas a inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 Crédito Tributário Mantido [...] Devidamente cientificada da decisão a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as preliminares de nulidade do auto de infração e reproduzindo seus argumentos de inconformismo. É o relatório. Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Assento de plano que deixo de apreciar as preliminares de nulidade do auto de infração na forma do § 3º, do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72, porquanto entendo que a questão, no mérito, se resolve favoravelmente ao contribuinte. Como bem descrito no relatório acima circunstanciado, cuidase de autos de infração versando glosa à dedutibilidade de despesas com amortização de ágio, resultante (ele ágio) de operações societárias pelas quais o dito ágio passou para o patrimônio da recorrente por ocasião da incorporação das empresas Garuda e a Arthemia. Em resumo, a Fiscalização sustenta que o denominado ágio fora transferido à recorrente por meio de “empresa veículo”, expediente que tornaria a despesa indedutível, já que a “Arthemia”, não teve outro propósito negocial senão a transferência. Seguramente o assunto tratado nestes autos é controvertido e pendente, em âmbito genérico, de uma pacificação dos precedentes administrativos. Eu mesmo tenho oscilado, em cada caso, minha posição no tocante ao aproveitamento de despesas com ágio transferido por meio de empresa veículo, ou gerado no mesmo grupo econômico, procurando observar cada operação e partir daí definir concretamente. Acompanhando os diversos julgamentos de casos semelhantes, bem como ponderando as questões puramente jurídicas que implicam nas conclusões de inadmissão das tais despesas, unicamente porque transferidas por empresa veículo ou geradas internamento, penso que a matéria precisa ser pacificada, em âmbito genérico – torno a dizer – favoravelmente à dedutibilidade das despesas com ágio. Como tenho assentado nos casos em que me manifestei favoravelmente à dedutibilidade, é fato que o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de determinado investimento e o seu valor patrimonial, de sorte que ele, falo do ágio, se apresenta sempre que uma das partes, munida de desígnios variados, a exemplo da expectativa de rentabilidade futura, propõese a pagar pelo investimento um valor maior do que aquele que corresponde ao seu patrimônio líquido. A fiscalização insurgese, no entanto, não contra a apuração material do ágio, verificado no Relatório de avaliação econômicofinanceira da “Garuda” (fls. 1591/1624), então controladora da recorrente, mas com o fato de ter sido “engendrado planejamento tributário com a reorganização societária calcada em uma empresa veículo”, a “Arthemia”, com o propósito de aferir vantagem fiscal, dedutibilidade do ágio. Ou seja, a hipótese de glosa foi gerada ante a constatação de planejamento tributário, que seria inoponível ao Fisco. Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 Considero necessário, para deslindar a questão, iniciarse pela reprodução do que dispõem os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 10 17 causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Ora, pela leitura dos dispositivos acima reproduzidos, resta verificado que de fato não há na legislação de regência os óbices apontados pela Fiscalização e pela decisão recorrida, a questão do planejamento tributário, que subsiste como fundamento da Fiscalização e da decisão recorrida, foi abordado em recente julgamento ocorrido no âmbito 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção de Julgamento, no qual o eminente Conselheiro Alberto Pinto de Souza Junior, trouxe ponderações acerca da matéria que me fizeram repensar o assunto e ao meu sentir encerram a celeuma, fixando balizas sólidas para o enfrentamento de autuações semelhantes, de sorte que considero oportuna a transcrição de trechos do voto proferido no Processo Administrativo nº 16682.720880/201111: [...] Os julgadores do CARF prestarão um grande serviço ao Estado e a sociedade brasileiras se imprimirem segurança jurídica e isonomia ao sistema, evitando que suas decisões fiquem ao sabor lotérico do entendimento de cada conselheiro sobre conceitos vagos não positivados como, por exemplo, “falta de propósito negocial”, que não passa de uma construção jurisprudencial alienígena sem respaldo no ordenamento jurídico pátrio. Da mesma forma, não me impressiona os efeitos tributários que se tenta dar a um mero pronunciamento técnico da CVM sobre ágio gerado em operações internas, senão vejamos o teor do item 20.1.7 do OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 01/2007, in verbis: [A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio. Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômico contábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade.] Notase, hoje, que alguns tentam elevar tal pronunciamento da CVM a um status de norma tributária proibitiva do reconhecimento do chamado ágio interno ao grupo econômico, o que, por si só, já seria absurdo. A análise feita pela CVM é de cunho estritamente econômico, pois sequer embasa seu entendimento em qualquer norma jurídica, muito pelo contrário, afirma que, ainda que respeitada a Lei, economicamente é inconcebível o reconhecimento do ágio interno. Como já dito anteriormente, “falta de substância econômica” assim como “falta de propósito negocial” não são institutos jurídicos nacionais, logo não maculam o ato jurídico seja lá qual for o conceito que os seus aplicadores lhes deem, logicamente, desde que não se configurem como um vício do negócio jurídico, segundo o nosso ordenamento legal. (...) Tratase aqui de aplicação direta do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 sem utilização de empresa veículo, pois a autoridade fiscal se insurge contra Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 11 19 o fato de o investidor no exterior ter preferido aportar capital em uma subsidiária, para que essa depois adquirisse as ações da recorrente com ágio. Por certo, entendeu a autoridade fiscal que estaria obrigado o investidor a optar por adquirir diretamente as ações da recorrente com ágio, pois aí não teria como se valer das referidas normas – caminho mais oneroso. No que tange ao enquadramento da conduta da recorrente como simulação, inicialmente, ressalto que a simulação em matéria fiscal foi bem enfrentada no Parecer CST 46/87, do qual retiro duas conclusões, quais sejam, que as operações simuladas são: a) ilícitas na medida em que pretendem encobrir ato de natureza jurídica com efeitos tributários mais onerosos para o contribuinte; b) devem prevalecer os efeitos do negócio dissimulado. O referido parecer analisou uma situação em que o contribuinte remetia dividendos travestidos de devoluções de capital, para escapar da tributação que havia à época sobre a remessa de dividendos. Notese, assim, que estávamos diante de um caso de simulação relativa, pois havia o ato simulado – devolução de capital – e o ato dissimulado –remessa de dividendos (simulação sobre a causa do negócio jurídico). Como bem sustenta Beleza dos Santos (A Simulação em Direito Civil, ed. Lejus, p. 211): “Para que exista a simulação relativa é portanto necessário que, em virtude de um conluio das partes, se simule um ato aparente para enganar terceiro e que sob essa aparência se dissimule outro correspondente à vontade real e séria das partes”. Qual o conluio demonstrado nos autos? Será que fazer jus aos benefícios dos arts. 7º e 8 º da Lei 9.532/97 podem ser tomados como enganar o Fisco? Qual o ato dissimulado? Todas as respostas são negativas, pois a contribuinte quis transferir o ágio para a operacional, o que encontrou amparo no art. 8º da Lei 9.532/97. Veja que, sob qualquer prisma, a existência do ágio era indiscutível, pois sequer se enquadrava na débil definição de ágio interno adotada por alguns. Ademais, não resta demonstrado no TVF qual o ato dissimulado nem a autoridade fiscal demonstra o pacto simulatório, o que, por si só, já seria suficiente para afastarmos a acusação de simulação. Notese que os efeitos buscados pela recorrente eram os efeitos próprios do atos praticados (...) O conceito de propósito negocial é vago e não se enquadra em qualquer dos incisos, nem mesmo no inciso II, pois ainda que os sócios não tivessem a intenção de perpetuar a empresa, isso não torna a sua cláusula de constituição menos verdadeira. O propósito negocial pode ser, exatamente, o de realizar uma reorganização societária para se valer das normas permissivas criadas pelo Estado. O entendimento de que o contribuinte pode se reorganizar desde que não seja exclusivamente para reduzir carga tributária (causa extra Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 tributária) é apenas uma teoria sem amparo no Direito posto. A finalidade da sociedade empresária é maximizar seus lucros, pelo aumento do faturamento e redução de custo, o que é legítimo desde que suas condutas sejam lícitas. (...) Teria então a recorrente fraudado o espírito da norma (art. 8º da Lei 9.532/97), ou seja, a conduta da recorrente se enquadra na fraude à lei? De plano afasto essa hipótese, pois, diante de dois caminhos legais, não estaria obrigado o investidor estrangeiro a optar pelo mais oneroso tributariamente, ou seja, aquele em que ele adquirisse diretamente as ações de MTE com ágio e depois não pudesse realizar o evento (incorporação, fusão ou cisão) que lhe permitisse recuperar o custo sem alienar o investimento. Ressalto que o art. 8º da Lei 9.532/97 teve como finalidade o processo de privatização, pois, por tal norma, permitiuse que a despesa com amortização do ágio continuasse a ser dedutível das bases tributáveis, mesmo que a empresa veículo (controladora da empresa operacional estatal privatizada) fosse incorporada por sua controlada. Isso era fundamental para preservação dos intangíveis da empresa adquirida com ágio. Em suma: o controle da empresa privatizada era adquirida com ágio; o controle e o ágio eram transferidos, em integralização de capital, para uma empresa veículo; por último, a empresa veículo (controladora) era incorporada por sua controlada (empresa privatizada), a qual passava a amortizar o ágio, por força dos arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97. Conforme retro tratado, no presente caso sequer estamos diante de empresa veículo, mas a recorrente se valeu do art. 8º para incorporar a sua coligadainvestidora e passar a amortizar o ágio. Notese então que não há falar que a conduta da recorrente tenha sido em fraude à lei, pois foi justamente para possibilitar tal operação que a norma foi editada. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para cancelar os autos de infração do IRPJ e da CSLL em tela. (...) (meus os grifos e as supressões) Como referi acima, me parece que o citado voto, o qual estampa o rigor científico típico do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, eliminam qualquer dúvida que o intérprete possa ter diante de semelhantes imputações, porquanto traça premissas singelas, mas inarredáveis: não há base para tergiversarse acerca de propósito negocial, ausente esta figura no regramento da espécie; não estão os contribuintes sujeitados a promoverem reorganizações societárias do ponto de vista mais oneroso; não há vedação na legislação de regência para o aproveitamento do ágio gerado internamente. Com tais premissas estabelecidas, também eu não vejo como subsistir a autuação relacionada ao aproveitamento do ágio unicamente porque transferido à recorrente por operação envolvendo empresa dita “veículo”. Nada foi feito em contrariedade à legislação de regência, tampouco simuladas ou dissimuladas as operações. Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 12 21 Imperioso citar que Celso Ribeiro Bastos, in Comentários ao Código Tributário Nacional, Ed. Saraiva, pág. 193, ao descortinar o parágrafo único, do artigo 116, do Código Tributário Nacional, assim arremata: “(...) o parágrafo único do dispositivo posto à análise ainda é, não obstante seu tempo de vigência no ordenamento, bastante debatido na doutrina. E isso porque instituiu no país o que muitos denominam equivocadamente norma geral antielisiva. Para explicar melhor, é importante mencionar que, antes do referido dispositivo, prevalecia a ideia de plena liberdade de planejamento tributário, sendo a [única barreira posta a este os casos de simulação. O contribuinte tinha plena liberdade de reestruturar seus negócios e de economizar o tributo] (...) A norma em tela, no entanto, não inibe o planejamento tributário, que é aquilo que não ofende as leis vigentes, o ordenamento. O planejamento, ou melhor, elisão tributária, continua válida no país. O que a nova norma dispõe é acerca das hipóteses de dissimulação, um ato que omite a ocorrência do fato gerador ou oculta a natureza de um negócio, de uma transação tributável. A norma, portanto, é antievasão. Apenas deixou mais claro aquilo que já constituía o ilícito tributário. (...)” Não parece legítimo, destarte, concluir que a simples intenção da Recorrente em proceder de forma a gerar economia de tributo possa desnaturar e invalidar os efeitos da transação, mesmo que tais efeitos tenham implicado na geração de um ágio interno, por absoluta falta de previsão legal para esta conclusão. Vêse assim, que a decisão recorrida estipula que as justificativas dadas pela Recorrente para o implemento da transação, não hospedariam a legitimidade para deduzirse a despesas, eis que a Arthemia teria sido mera “empresa veículo”, surgida com o intuito preponderante, senão único, de criarse o ágio. Mas, se como vimos acima, a lei tributária não traz vedação semelhante, de fato se precisa aferir se a Recorrente agiu com abuso de direito, de sorte que a questão, para além da formação ágio, cujo laudo – repito – não foi contestado, passa pelo enfrentamento da questão da elisão fiscal. Com tais premissas estabelecidas, convém registrar que minha análise dos autos afasto por completo qualquer abuso de direito praticado pela Recorrente, bem como, na legislação de regência, não encontro fundamento válido para imporse a glosa unicamente porque o contribuinte realizou estruturação societária de forma menos onerosa do ponto de vista tributário, contrário disso, observo legítimos os procedimentos regulares de elisão fiscal. Em hipótese alguma, a simples intenção de efetivarse um planejamento tributário (fundamento da decisão recorrida), pode indicar abuso de direito, necessitandose, para esta configuração, demonstrar que a Recorrente tenha agido de forma dissimulada, abstraindo se houve ou não o propósito negocial que autorize o ágio, situação que será enfrentada a seguir, cuidandose do abuso de direito, ressalvada as hipóteses de simulação, não verifico que a intenção de elisão fiscal possa acarretar os efeitos dados pela decisão recorrida. Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 22 Aliás, para que se configure a simulação, imprescindível seja demonstrado um descompasso entre a intentio facti e o intentio júris, sem os quais, não se pode falar em simulação, já que esta pressupõe operação que não existe, falseiase a realidade do que efetivamente ocorreu, ou seja, ocorre a desconformidade consciente e querida da declaração com a vontade, mas é preordenada com a parte à qual a declaração se dirige e acordado com ela, a fim de enganar terceiros. In casu, os fatos ocorridos não foram fingidos nem simulados e tampouco dissimularam outro fato. Todas as circunstâncias fáticas levantadas no auto de infração realmente aconteceram na realidade negocial e não tiveram o objetivo de encobrir outros fatos, não sendo legítimo deixar de reconhecer que é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização do ordenamento jurídico por meio de estratagemas, formadas como negócios simulados, com fraude à lei ou com dolo que causem prejuízo ao Erário. Bem assim, não pode se negar que os contribuintes utilizam formas simuladas para esconder dolosamente fatos geradores. Contudo, não se pode admitir que considerações ou interpretações subjetivas da autoridade fiscal, possam descaracterizar operações legítimas e revestidas de licitude praticadas pelos contribuintes com total amparo no ordenamento jurídico vigente e qualificá las como simuladas. Com efeito, acerca do tema esta Turma decidiu, por ocasião do julgamento do PA nº 18471.000999/200529, de relatoria do eminente Colega Valmir Sandri: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: SIMULAÇÃO Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. (...) ABUSO DE DIREITO A figura de “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deuse, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. (...) Ora, se a própria decisão recorrida assenta que a intenção da Recorrente sempre foi realizar a operação da forma menos onerosa, nada há de simulado ou abusivo nisso, de sorte que não vejo no caso em exame a dissimulação de qualquer aspecto da legislação de regência, já que inexistiu abuso do direito, da forma jurídica ou da interpretação da mens legis, eis que os negócios jurídicos praticados pela Recorrente tiveram evidente motivação no plano societário. Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 13 23 Aliás, verificando os eventos societários descritos pela contribuinte, ao contrário do que propagado pela decisão recorrida, apresentase conclusão de que a Arthemia serviu muito mais do que para transferir o ágio à recorrente, tendo papel preponderante na negociação. Como descreveu a contribuinte, houve interesse de terceiros investidores no seu negócio, e em 1999, a gestora de Fundos de Private Equity denominada Pátria Investimentos S A adquiriu o controle societário dela recorrente, passando o núcleo familiar a deter a minoria do capital, sendo que até novembro de 2009, o capital social da requerente era detido da seguinte forma: 70% das suas ações pela Garuda e 30% pela MCN. Segundo pontuou a recorrente, a Garuda, até então, sua controladora, fora criada em 1997 (fls. 1431/1454), sendo holding centralizadora de investimentos diversos sem correlação com os outros sócios da recorrente, enquanto que a MCN, era sociedade holding detida diretamente por dois acionistas pessoas físicas, Alberto Carneiro Neto e Marco Aurélio Aliberti Mammana (fls. 1455/1467), ou seja, neste cenário, a Garuda representava o núcleo dos Fundos de Private Equity que investiram nela recorrente, enquanto que a MCN representava o núcleo familiar relacionado ao Sr. Mario Carneiro. Não se pode desconhecer também, que ao narrar os fatos sucedidos, a contribuinte demonstrou que o real interesse por trás dos eventos societários que se seguiram, tiveram três fatores preponderantes: i) terceiro investidor (Banco Standard) em adquirir investimento, ii) investidores controladores em liquidar o investimento e iii) acionista minoritário (MCN) em voltar a deter o controle acionário da recorrente CPQ, iniciandose a parceria do Banco Standard com a MCN, de modo que, ao final, cada parte passasse a deter metade do capital da CPQ, de sorte que no âmbito da parceria, o acionista minoritário (MCN) entraria com os 30% que detinha no capital da CPQ, enquanto que o Banco Standard desembolsaria parte dos recursos financeiros necessários à aquisição das ações da Garuda, enquanto que a outra parte do investimento, seria feito com base em empréstimo tomado pela parceria. Neste cenário dos fatos, é que defende a contribuinte ter surgido a “Arthemia”, constituída em 2009, com a denominação de S.R.X.S.P.E (fls. 1468/1485), sendo que a Ata de AGE de folhas 1486/1489, indica que houve a transferência das ações da S.R.X.S.P.E para a MCN, bem como a mudança da denominação social da S.R.X.S.P.E para Arthemia, e o aumento de capital da Arthemia pela MCN com a totalidade de sua participação societária detida na CPQ, que consistia em 1.727.402 ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal, representativas de 30% do capital social total e votante da CPQ. O contexto que a contribuinte defende ter havido efetivo propósito negocial para a criação da Arthemia, dáse ao abordar que o Contrato de Investimento de folhas 1490/1528, pelo qual o Banco Standard se comprometeu a efetuar investimento na Arthemia, para futuro aumento de capital, também se comprometendo, o Banco Standard, a converter o investimento na Arthemia em capital da própria Arthemia, no prazo de até seis meses contados da data em que o Banco Standard obtivesse aprovação do Banco Central da África do Sul ou até quatro anos contados da data de fechamento do contrato de investimento, o que ocorresse primeiro e no momento em que a conversão do investimento em capital ocorresse, a cláusula 3.2 estabelecia que a Arthemia deveria emitir, em favor do Banco Standard, ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal, em montante que, somadas às duas ações que passariam a ser detidas por Marcelo Di Lorenzo representassem 50% do seu capital social, sendo que o Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 24 Contrato de Investimento deixa claro que o investimento efetuado na Arthemia, sempre teve como propósito claro e declarado a futura aquisição, pela Arthemia, as ações da Garuda e que parte dos recursos necessários à aquisição das ações da Garuda dependiam de um empréstimo financeiro que seria tomado pela Arthemia. Na sequência da narrativa dos fatos, temse que em 25/11/2009 foi celebrado Contrato de AFAC (fls. 1529/1535) entre o Banco Standard e a Arthemia, pelo qual o investimento do Banco Standard na sociedade de parceria com a MCN, justamente a Arthemia atingiu o valor de R$ 30.000.000,00 e, também em 25/1/2009, foi firmado o “Acordo de Acionistas da Arthemia Participações S A” (fls. 1536/1567), cuja eficácia estava sujeita à vigência e eficácia do Contrato de Investimento, mediante o fechamento da operação, desde que a oferta da Arthemia no Leilão de venda das ações da Garuda fosse declarada a oferta vencedora, quando em 31/12/2009, com o objetivo de adquirir as ações da Garuda, a Arthemia tomou empréstimo no valor de R$ 40.000.000,00, dívida tomada a partir da emissão, pela Arthemia, de Nota Promissória Comercial de folhas 1575/1576, a qual foi objeto de distribuição pública, com esforços restritos de colocação, nos termos da Instrução da CVM nº 476, de 2009, dispensada de registro na CVM, ficou depositada no Banco Itaú com destinação exclusiva para o financiamento da aquisição da totalidade das ações da Garuda pela Arthemia, e teve como garantia a alienação fiduciária de 100% das ações representativas do capital da própria Arthemia, ações essas detidas, à época, exclusivamente pela MCN, sendo que ao final do investimento feito pelo Banco Standard e da dívida tomada, a Arthemia levantou o montante de R$ 70.000.000,00 para efetuar a aquisição das ações da Garuda em leilão e, dessa forma, a Arthemia foi extremamente importante no contexto da aquisição das ações da Garuda, não só pelo fato de que foi a sociedade necessária para estabelecer a parceria entre a MCN e o Banco Standard, mas também porque foi a sociedade que tomou a dívida (no valor de R$ 40.000.000,00) necessária para a própria aquisição das ações da Garuda no Leilão. Tem demonstrado a contribuinte, ainda, que os valores do empréstimo de R$ 40.000.000,00 só foram tomados porque a Arthemia possuía um ativo relevante (30% da Casa do Pão de Queijo) que garantia o empréstimo tomado e havia ainda a obrigação de a sociedade tomadora da dívida ser incorporada pela CPQ e o plausível objetivo de concentrar a dívida e a receita operacional em uma única sociedade. No mais, ficou demonstrado que a aquisição das ações da Garuda pela Arthemia, decorrente da parceria estabelecida entre a MCN e o Standard Bank, se deu mediante leilão de venda das ações da Garuda (fl. 1577) mediante pagamento à vista de R$ 68.931.554,44, sendo R$ 2,38 por cada ação ordinária e preferencial da Garuda, a qual passou a ser detida integralmente pela Arthemia, ocorrendo a retirada dos acionistas patrimônio FIA, PP Participações, BFF LLP, OPCO Brazil e JP Morgan, conforme relatório da instituição financeira que era depositária das ações da Garuda (fls. 1578/1579). Tem razão a contribuinte, também por esse viés, ao frisar que a Arthemia, em função da aquisição das ações da Garuda e nos termos do art. 385 do RIR/99, tinha obrigação de avaliar seu investimento na Garuda segundo o método da equivalência patrimonial, isto é desdobrando seu valor total em (i) valor do patrimônio líquido da Requerente; e (ii) ágio ou deságio, seguindo a legislação fiscal e societária em vigor, de sorte que a Arthemia apurou ágio de R$ 52.989.186,29, resultante de operação de compra e venda entre empresas Brasileiras (Arthemia como adquirente e Garuda como adquirida), praticada entre partes independentes, e apurado em razão de o valor de mercado estimado para a Garuda, com base em suas projeções de fluxo de caixa descontado, resultarem em valores significativamente superiores ao seu patrimônio líquido à época, nada havendo de artificial ou simulado. Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19311.720445/201276 Acórdão n.º 1301001.516 S1C3T1 Fl. 14 25 Por outro turno, o Laudo de Avaliação apresentado às folhas 1591 a 1624, que não foi contestado pela Fiscalização, confirma expressamente o fundamento do ágio pago pela Arthemia em relação a Garuda, com base em estimativas de rentabilidade futura segundo o método do fluxo de caixa descontado. Sendo assim, devese verificar que mesmo que se apresentassem necessárias as justificativas de um propósito negocial na dita “empresaveículo”, a autuação não poderia prosperar, verificada a condição viabilizadora do negócio que assumiu a Arthemia. Vejamos o gráfico da mudança societária. Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 26 Portanto, analisando todas as etapas do negócio jurídico levado a efeito, até os resultados concretos que redundaram no aproveitamento do ágio não vejo como enquadrar esta operação como sendo um planejamento tributário abusivo, conforme entendeu a r. decisão recorrida, mesmo porque, para restar compreendida como abusiva, uma conduta deve refletir um conflito entre forma e substância, e a prova de tal conflito deve ser feita com base em elementos objetivos, sem uma justificativa razoável para tal operação, a qual não seja mera vantagem fiscal, o que, digase de passagem, em nenhum momento ficou comprovado nos autos. No tocante à CSLL, anoto que repousando o lançamento nos mesmos fatos e mesmo fundamento jurídico do lançamento do IRPJ, as decisões quanto a ambos devem ser a mesma. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 08 de abril de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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