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Numero do processo: 10860.904339/2011-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. EQUÍVOCO DE PREMISSA FÁTICA NA ADMISSIBILIDADE, REPRODUZIDO PELO VOTO CONDUTOR. ACOLHIMENTO. SANEAMENTO.
Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os Embargos de declaração para sanar o erro material apontado, decorrente de lapso manifesto em premissa fática (a ciência do Contribuinte ao despacho decisório posteriormente reformado).
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. REQUISITOS REGIMENTAIS. ACÓRDÃO PARADIGMA NÃO DIVERGENTE. DIFERENÇA DE CENÁRIOS FÁTICOS.
Não servirá como paradigma o acórdão que adote as mesmas razões jurídicas do acórdão recorrido (no caso, de que só seria possível a reforma de despacho decisório em caso de o despacho anterior ser ilegal), divergindo na qualificação do cenário fático e do acervo probatório de cada processo (no caso, a eventual identificação do que um acórdão considera mera mudança de entendimento, e do que o outro considera erro de fato demandaria maior similitude entre os casos efetivamente analisados, para que se pudesse partir para um debate de teses diferentes, e não de realidades distintas).
Numero da decisão: 9303-014.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, mantendo o não conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte em relação ao tema intitulado impossibilidade de retificação ex officio da homologação expressa em Despacho Decisório anterior.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada), Denise Madalena Green (suplente convocada), Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. EQUÍVOCO DE PREMISSA FÁTICA NA ADMISSIBILIDADE, REPRODUZIDO PELO VOTO CONDUTOR. ACOLHIMENTO. SANEAMENTO. Presentes os pressupostos regimentais, devem ser acolhidos os Embargos de declaração para sanar o erro material apontado, decorrente de lapso manifesto em premissa fática (a ciência do Contribuinte ao despacho decisório posteriormente reformado). RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. REQUISITOS REGIMENTAIS. ACÓRDÃO PARADIGMA NÃO DIVERGENTE. DIFERENÇA DE CENÁRIOS FÁTICOS. Não servirá como paradigma o acórdão que adote as mesmas razões jurídicas do acórdão recorrido (no caso, de que só seria possível a reforma de despacho decisório em caso de o despacho anterior ser ilegal), divergindo na qualificação do cenário fático e do acervo probatório de cada processo (no caso, a eventual identificação do que um acórdão considera “mera mudança de entendimento”, e do que o outro considera “erro de fato” demandaria maior similitude entre os casos efetivamente analisados, para que se pudesse partir para um debate de teses diferentes, e não de realidades distintas). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, mantendo o não conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte em relação ao tema intitulado “impossibilidade de retificação ex officio da homologação expressa em Despacho Decisório anterior”. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 43 39 /2 01 1- 71 Fl. 2286DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.245 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10860.904339/2011-71 (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada), Denise Madalena Green (suplente convocada), Semiramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Trata-se de Embargos de declaração opostos pelo Sujeito Passivo em 23/08/2022, nos termos do art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e posteriores alterações, em face do Acórdão nº 9303-012.880, julgado em 16/02/2022, proferido por esta CSRF / 3ª Turma (fls. 2.252 a 2.258). A decisão embargada recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. INSUMOS ADQUIRIDOS DA ZFM. DIREITO À ISENÇÃO - CREDITAMENTO O decidido pelo RE nº 592.891/SP reconhece a isenção dos produtos adquiridos da ZFM. Contudo, extrai-se do seu teor, só há falar-se em creditamento na conta gráfica do IPI quando a alíquota do produto adquirido sob o regime isentivo for positiva. A esse respeito Nota SEI PGFN nº 18/2020. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, tão somente quanto ao creditamento da Zona Franca de Manaus, vencida a conselheira Érika Costa Camargos Autran, que conheceu integralmente do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da Zona Franca de Manaus.” O embargante aponta obscuridade/omissão no quanto ao conhecimento da matéria intitulada “Da impossibilidade de retificação ex officio da homologação expressa contida no Despacho Decisório Eletrônico”, levado ao colegiado da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) por força de despacho em agravo. A obscuridade/omissão alegada pelo Contribuinte foi assim explanada no recurso ora examinado (fls. 2.272/2.273): Fl. 2287DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.245 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10860.904339/2011-71 “(...) 11. Com todo respeito e acatamento, a Embargante entende que há vícios de obscuridade e omissão em relação da matéria trazida no voto vencedor de fls. 2.254/2.255, relativo ao não conhecimento da matéria (i), qual seja, a impossibilidade de retificação ex officio da homologação expressa contida no Despacho Decisório Eletrônico. (...) 13. Mais especificamente, entende que existe uma diferença essencial entre os dois casos, qual seja: que no caso do acórdão recorrido a Embargante não teria sido cientificada do Despacho Decisório Eletrônico, de modo que o ato administrativo não teria ingressado no ordenamento jurídico, enquanto que no acórdão paradigma, o Despacho Decisório teria sido publicado, emanando seus efeitos. Sendo os cenários distintos, não seria possível o cotejo para fins de comprovação de divergência. 14. Todavia, tal entendimento contém vício de omissão (ou mesmo seria possível considerar um erro material) que merece ser sanado por estes Embargos. Isso porque, ao contrário do que entende o v. acórdão ora embargado, a situação do acórdão paradigma e do Recurso Voluntário da Embargante é idêntica, sendo que nos dois casos houve a ciência do Despacho Decisório. 15. Nesse sentido, quer parecer à Embargante que o v. acórdão se omitiu na análise das fls. 1.123 e 1.143 dos autos e das fls. 1.132/1.140, onde estão as evidências que, também no caso concreto, o contribuinte foi cientificado, tendo inclusive apresentado Manifestação de Inconformidade.” (grifo nosso) O Acórdão de Recurso Especial embargado, por seu turno, assim se pronunciou sobre o conhecimento da controvérsia aqui discutida (fl. 2.255): “Cotejando os arestos confrontados, identifico que não há entre eles a similitude fática para que se possa estabelecer uma base de comparação para fins de dedução da divergência arguida. Enquanto a decisão recorrida deu especial relevo ao fato de que, na hipótese dos autos, não havia notícia de publicação do despacho decisório e/ou de sua ciência ao contribuinte, de modo que o ato administrativo não chegou a ingressar no ordenamento jurídico e estabelecer uma relação jurídica entre as partes, a decisão indicada como paradigma, ao contrário, defrontou-se com situação em que o Despacho Decisório já havia sido publicado. E em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reporto-me ao Acórdão nº CSRF/01-0.956, de 27/11/89: (...) Portanto, em relação a esta matéria não conheço do recurso por ausência de similitude fática.” (grifo nosso) Como pode ser observado, em que pese a Embargante haver catalogado o vício como obscuridade ou omissão, a situação descrita melhor se amoldaria à figura do erro material, caso reflita lapso manifesto, por se tratar de aparente equívoco na tomada em conta de premissa fática, aparentemente considerada como relevante pelo exame de admissibilidade inaugural, e pelo voto condutor que o replica e endossa. A jurisprudência a respeito dos defeitos que prejudicam a compreensão de uma decisão e justificam o cabimento dos embargos de declaração objetiva aperfeiçoar as decisões, propiciando uma tutela clara e completa, não tendo por finalidade revisar ou anular decisões validamente prolatadas. A obscuridade de uma decisão advém de sua falta de clareza e diz respeito à redação, que, na forma em que apresentada, comprometeria a adequada compreensão da ideia Fl. 2288DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.245 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10860.904339/2011-71 exposta. A contradição é verificável quando a decisão encerra duas ou mais proposições ou enunciados inconciliáveis entre si, caracterizando-se um vício interno do ato decisório, de modo que não há que se falar em contradição entre as razões de decidir e as alegações das partes. A omissão, por sua vez, concerne à falta de apreciação ou manifestação expressa acerca de ponto sobre o qual deveria se pronunciar o julgador. Essas são exatamente as circunstâncias que possibilitam a interposição de embargos de declaração no processo administrativo fiscal (conforme art. 65 do RICARF). Em adição, a via dos embargos pode ainda ser manejada para correção de inexatidões materiais, devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculo, o que encontra amparo no art. 66 do RICARF. No caso em análise, o exame monocrático inaugural de admissibilidade do recurso especial consignou (fl. 2.075): “(...) Cotejando os arestos confrontados, parece-me que não há, entre eles, a similitude fática mínima para que se possa estabelecer uma base de comparação para fins de dedução da divergência arguida. Enquanto a decisão recorrida deu especial relevo ao fato de que, na hipótese dos autos, não havia notícia de publicação do despacho decisório e/ou de sua ciência ao contribuinte, de modo que o ato administrativo não chegou a ingressar no ordenamento jurídico e estabelecer uma relação jurídica entre as partes, a decisão indicada como paradigma, ao contrário, defrontou-se com situação em que o Despacho Decisório já havia sido publicado. E em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. (...)” (grifo nosso) Contra essa conclusão, em recurso de Agravo (fls. 2.087 a 2.112), o Contribuinte sustentou que o despacho inaugural não teria examinado o Acórdão de Recurso Voluntário exarado neste processo, mas sim, considerado os Acórdãos nº 3401-003.874 e 3401-003.875, também de sua titularidade e julgados na mesma sessão, mas que possuiriam suportes fáticos distintos e que não permitiriam o emprego das mesmas inferências (fl. 2.103): “(...) 64. Naqueles processos, o relator Conselheiro Augusto Fiel se posicionou de forma diversa da posição adotada nesses autos, em razão de não ter havido ciência da Agravante dos primeiros despachos e, portanto, negou provimento aos recursos nesse tema. O Colegiado acompanhou o relator Conselheiro Augusto Fiel pelas conclusões”. Esse fato peculiar foi endossado pelo Despacho em Agravo de 22/01/2019 (fls. 2.165 a 2.174), o que, inclusive, contribuiu para a admissão do Recurso Especial nessa matéria (fls. 2.172/2.173): “Por isso mesmo, importa assentar que no paradigma colacionado a situação fática é rigorosamente a mesma, salvo pelo fato de lá se tratar de imposto de renda. Lá, como aqui, havia informações prestadas pelo sujeito passivo em suas declarações que levaram à prolação do primeiro despacho e tais informações foram apuradas, posteriormente, como incorretas ou em desconformidade com a legislação (ao menos no entender do sujeito ativo), o que causou a reforma da decisão inicial já publicada”. Para esses fatos, o acórdão recorrido - voto vencedor - entendeu ter-se consumado um mero erro de fato, passível de retificação, ao passo que os paradigmas, não.” (grifo nosso) Fl. 2289DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.245 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10860.904339/2011-71 O acórdão recorrido entendeu que assistia razão ao despacho de admissibilidade original, expressamente consignando que o adotava, em grande medida, como razão de decidir (fl. 2254). O despacho monocrático de admissibilidade dos embargos, lavrado e assinado pelo então Presidente do CARF, segue caminho oposto, entendendo que assiste razão ao agravo (fl. 2283): “Ao compulsar os autos, confirma-se assistir razão ao despacho de agravo e, por conseguinte, ao embargante, quando assevera este último que nestes cadernos processuais houve ciência do despacho decisório original, segundo documentos de efls. 1.122 e 1.123”. E, nesse sentido, assumindo-se que houve equívoco no despacho original de admissibilidade, replicado no voto condutor, foi dado seguimento aos Embargos, trazendo o tema à Câmara uniformizadora de jurisprudência desta Seção. Em 09/02/2023, o processo foi distribuído a este Conselheiro, mediante sorteio, para relatoria e submissão ao Colegiado da análise dos Embargos. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. Da Admissibilidade dos Embargos Os embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo atendem, preliminarmente, aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo levados ao colegiado, para verificação efetiva de eventual erro material (equivoco de premissa fática) apontado no exame monocrático. Cabe, no entanto, destacar que não se visualiza, no caso, vestígio de omissão, obscuridade ou contradição interna no acórdão embargado. E não parece que o despacho de admissibilidade os tenha identificado, conforme se percebe à fl. 2281: “Pois bem, em que pese o recorrente haver catalogado o vício como obscuridade ou omissão, a situação descrita, s.m.j., melhor se adequa à figura do erro material, por se tratar de aparente equívoco de premissa fática, o que de modo algum prejudica a reclamação, impondo a necessária averiguação do lapso apontado.” (grifo nosso) Portanto, o despacho monocrático entendeu que, de fato, ocorreu no presente processo um erro material (“equívoco de premissa fática”), o que direcionaria o caso ao art. 66 do RICARF: “Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.” (grifo nosso) Fl. 2290DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.245 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10860.904339/2011-71 Não se vê e nem se imputa, também, erro de escrita ou de cálculo na decisão, pelo que cabe investigar a ocorrência de inexatidão material devida a lapso manifesto, que parece ter sido o caminho adotado no despacho monocrático de admissibilidade de embargos, que identifica equívoco em premissa fática (ausência de ciência de despacho decisório) adotada para o não conhecimento da matéria “impossibilidade de retificação ex officio da homologação expressa em Despacho Decisório anterior” no acórdão embargado. Compulsando os autos, percebe-se, de fato, que o Acórdão 3401-003.879, de 25/07/2017, no bojo do presente processo, trata de situação em que o relator foi vencido, enquanto que em outros processos referentes ao mesmo sujeito passivo, julgados na mesma data, houve posição diferente por parte de tal relator, a exemplo do Acórdão 3401-003.874. A fim de facilitar a visualização das diferenças entre esses acórdãos, colaciono a seguir o resultado e excertos dos respectivos processos, em relação ao único tema trazido a este colegiado em sede de embargos: “impossibilidade de retificação ex officio da homologação expressa em Despacho Decisório anterior”: Acórdão 3401-003.879 Acórdão 3401-003.874 Resultado: “Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por voto de qualidade, para reconhecer não ter havido homologação expressa, no caso, vencidos o relator (Cons. Augusto Fiel Jorge D’Oliveira) e os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. (...)” Voto vencido: “(...) Ante o exposto, considerando que a Recorrente foi devidamente cientificada, inclusive, apresentando Manifestação de Inconformidade, o despacho decisório ingressou no ordenamento jurídico e estabeleceu uma relação jurídica entre as partes, pela extinção do crédito tributário, entendo que o segundo despacho decisório que anulou o primeiro deve ser considerado nulo, motivo pelo qual acolho a preliminar suscitada pela Recorrente.(...)” Voto vencedor: “(...) O vício de legalidade está no elemento “motivo”, em virtude de uma razão equivocada para sua prolação, consubstanciada na homologação de uma Resultado: “Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer não ter havido homologação tácita, no caso, tendo os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, e Rosaldo Trevisan votado pelas conclusões, por entender possível a revisão, dentro do prazo normativamente estabelecido, do despacho decisório eletrônico, devendo o relator agregar a seu voto e à ementa do acórdão as conclusões do colegiado, na forma do artigo 63 do RICARF. (...)” Voto do relator (que, conforme resultado, deve ser tomado em conta apenas na conclusão): “(...) Na hipótese que trata esse processo, contudo, não há notícia de publicação do despacho decisório e/ou de sua ciência ao contribuinte, de modo que o ato administrativo não chegou a ingressar no ordenamento jurídico e estabelecer uma relação jurídica entre as partes, motivo pelo qual rejeito a preliminar suscitada. (...) Por força do artigo 63, parágrafo 8º, do Regimento Interno do CARF, cabe externar e reproduzir neste Voto os fundamentos pelos Fl. 2291DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.245 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10860.904339/2011-71 compensação cujo direito creditório, em procedimento fiscal, mostrou-se indevido. Ou seja, qualifica-se como um erro de fato e que, nessa condição, sem maiores debates, admite sua revisão, como demonstrado no precedente judicial citado pelo próprio voto vencido. (...) O ato administrativo ilegal, ainda que formalmente acabado, dentro do prazo revisional, deve ser anulado, não gerando qualquer efeito jurídico, como assentado na predita Súmula STF nº 473: (...).Por essa razão, o fato da homologação da compensação extinguir o crédito tributário não é circunstância especialíssima que impeça a revisão do despacho decisório inválido, isso porque dos atos administrativos nulos não se originam quaisquer direitos em favor do administrado.” quais o Colegiado, por voto de qualidade, acolheu apenas as conclusões expostas pela Relatoria. É que, segundo os que acompanharam o Relator apenas as conclusões, “o despacho decisório eletrônico, como espécie de ato administrativo vinculado, deve ser revisado e anulado quando constatados vícios de legalidade que o invalidem, mormente aqueles decorrentes de prestação de informações inverídicas ou equivocadas em declarações obrigatórias - base dos procedimentos automáticos - desde que observado o prazo de 05 (cinco) anos previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, não representando qualquer vilipêndio a direito adquirido do sujeito passivo, porque dos atos nulos não irradiam quaisquer efeitos, como sedimentado na Súmula STF nº 473”. Pelo que se percebe, em ambos os precedentes, para a conclusão do colegiado foi absolutamente irrelevante ter havido ou não ciência do despacho decisório. Para os casos em que não houve informação sobre a ciência nos autos, o relator entendeu pela possibilidade de revisão, e, por isso, não foi vencido. No entanto, não foi o argumento do relator sobre a ciência que prevaleceu, mas a conclusão do colegiado, de que havendo erro de fato no despacho decisório, ele pode ser revisto dentro do período previsto no art. 74 da Lei 9.430/1996, porque o ato administrativo ilegal, ainda que formalmente acabado, dentro do prazo revisional, deve ser anulado. Essa observação atenta do que foi julgado nos distintos processos do sujeito passivo é relevante para que possamos identificar se houve ou não lapso manifesto na admissibilidade efetuada em relação ao tema “impossibilidade de retificação ex officio da homologação expressa em Despacho Decisório anterior”. O despacho de admissibilidade original deveria ter cotejado o Acórdão 3401- 003.879 com o paradigma colacionado (Acórdão 1401-001.487), no qual se sustenta que: “IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. REVISÃO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PUBLICADA. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. NULIDADE DO SEGUNDO DESPACHO. Uma vez publicado um Despacho Decisório que homologa totalmente a compensação, extinguindo, portanto, o crédito tributário por inteiro, não é possível voltar atrás para publicar um novo Despacho Decisório que homologa apenas parte da compensação e extingue, então, apenas parcialmente o crédito tributário. Havendo publicação de homologação de compensação, extinto está o crédito e preclusa qualquer nova tentativa de examiná-lo, salvo no caso de nulidade do primeiro Despacho Decisório. É, portanto, nulo o segundo Despacho Decisório.” (grifo nosso) Lendo o primeiro parágrafo de tal despacho de admissibilidade (fl. 2.070), percebe-se um primeiro equívoco: a menção ao Acórdão recorrido como n. 3401-003.880 (que se Fl. 2292DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-014.245 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10860.904339/2011-71 refere ao processo 16045.720010/2015-73, que não trata do tema aqui em análise). No entanto, a transcrição da ementa se refere ao acórdão recorrido correto (3401-003.879). E o despacho de admissibilidade encampa, de fato, um segundo equívoco, ao entender (fl. 2.075) que “...a decisão recorrida deu especial relevo ao fato de que, na hipótese dos autos, não havia notícia de publicação do despacho decisório e/ou de sua ciência ao contribuinte, de modo que o ato administrativo não chegou a ingressar no ordenamento jurídico e estabelecer uma relação jurídica entre as partes”. Quem deu especial relevo a essa questão foi o relator, como se viu na tabela acima, não sendo esse argumento relevante para o resultado do julgamento, como o próprio relator destacou em outros processos, acolhendo as razões de decidir do colegiado, v.g., o aqui citado Acórdão 3401-003.874. Apanágio dos tempos modernos, em que se copia e cola texto de distintos processos, nem sempre checando as diferenças existentes entre os casos, provavelmente deve o despacho de admissibilidade originário ter sido efetuado em conjunto com alguns dos vários processos do mesmo sujeito passivo, julgados na mesma data (Acórdãos 3401-003.871 a 3401- 003.880, em 25/07/2017), sem a individualização necessária. No primeiro despacho em agravo, assim como no segundo despacho de admissibilidade, mantém-se o erro na remissão ao acórdão recorrido (que deveria ser 3401- 003.879, e não 3401-003.880). No segundo despacho em agravo, entendeu-se que a inserção de dados inconsistentes (sobre ter havido ou não ciência do despacho decisório) levou a uma análise incorreta do cotejo com o paradigma colacionado (fls. 2.172/2.173): “Deve-se esclarecer aqui que embora no voto vencedor se tenha entendido tratar-se de uma situação admitida como justificadora da retificação até mesmo pelo relator - "erro de fato" - essa não é a posição deste último, para o qual a retificação decorre de mera mudança de entendimento por parte da Administração. Por isso mesmo, importa assentar que no paradigma colacionado a situação fática é rigorosamente a mesma, salvo pelo fato de lá se tratar de imposto de renda. Lá, como aqui, havia informações prestadas pelo sujeito passivo em suas declarações que levaram à prolação do primeiro despacho e tais informações foram apuradas, posteriormente, como incorretas ou em desconformidade com a legislação (ao menos no entender do sujeito ativo), o que causou a reforma da decisão inicial já publicada. Para esses fatos, o acórdão recorrido - voto vencedor - entendeu ter-se consumado um mero erro de fato, passível de retificação, ao passo que os paradigmas, não.” Entendeu, assim, o segundo despacho de admissibilidade, que seria apto o paradigma indicado para comprovar a divergência. O Acórdão recorrido encampa a informação incorreta do exame inaugural de admissibilidade, que já havia sido tratada no agravo, simplesmente reproduzindo o argumento de que “...a decisão recorrida deu especial relevo ao fato de que, na hipótese dos autos, não havia notícia de publicação do despacho decisório e/ou de sua ciência ao contribuinte, de modo que o ato administrativo não chegou a ingressar no ordenamento jurídico e estabelecer uma relação jurídica entre as partes”. Fl. 2293DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-014.245 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10860.904339/2011-71 Entende-se, de fato, que essa premissa é desconectada dos fatos narrados no processo: a uma, porque no caso aqui em análise, houve notícia de ciência ao primeiro despacho decisório, e, derradeiramente, porque existir ou não ciência no despacho decisório oi absolutamente irrelevante para o resultado do julgamento do acórdão recorrido, que centrou seus argumentos na possibilidade de revisão de um despacho decisório, ainda que perfeito e acabado, diante de erro de fato, porque o “...ato administrativo ilegal, ainda que formalmente acabado, dentro do prazo revisional, deve ser anulado, não gerando qualquer efeito jurídico, como assentado na predita Súmula STF nº 473”. Assim, entendo ter havido inexatidão material devida a lapso manifesto no Acórdão embargado, ao reproduzir informação equivocada, derivada do despacho inaugural de admissibilidade. Pelo exposto, entendo que merecem análise os embargos. Resta, no entanto, avaliar se há, no caso, efeitos infringentes. Para tanto, volvemos à análise de conhecimento do recurso especial, em relação à “impossibilidade de retificação ex officio da homologação expressa em Despacho Decisório anterior”, único tema em debate nesta etapa processual. Do Conhecimento do Recurso Especial Verificando o acórdão recorrido (3401-003.879), percebe-se que o despacho decisório inicialmente proferido foi retificado de ofício. Compulsando esse documento retificador (fl. 1.406), aclara-se que se trata de retificação de ofício de procedimento automático do Sief-SCC, “tendo em vista que tal resultado não reflete a real situação contábil/fiscal da interessada, em consonância com o artigo 56 da Lei nº 9.784/99 e artigo 76 da IN RFB nº 1.300/2012” (grifo nosso). Como já esclarecemos no tópico anterior, o Acórdão 3401-003.879 não considerou relevante ter havido ou não ciência do primeiro despacho decisório, apesar de o relator, vencido, considerar relevante tal circunstância. Mas o Acórdão 3401-003.879 também não fixou tese de que todo e qualquer despacho decisório pode ser meramente revisto discricionariamente, por revisão de entendimento da Administração. Pelo contrário, o acórdão recorrido expressamente limita a possibilidade de retificação de ofício a erro de fato, em situações em que o despacho decisório anterior, se ilegal, ainda que formalmente acabado, “...dentro do prazo revisional, deve ser anulado, não gerando qualquer efeito jurídico, como assentado na predita Súmula STF nº 473”. Contrapondo essa tese com a do paradigma colacionado para comprovar a dissidência jurisprudencial (Acórdão 1401-001.487), não se vê antagonismo. Ainda que se relevem as diferenças de cenário entre os processos (que dificultam identificar, em um caso e em outro, se houve erro de fato aqui ou revisão de critério jurídico acolá), ambos os acórdãos são uníssonos em afirmar que havendo caso de nulidade do primeiro despacho decisório, seria possível a revisão: Fl. 2294DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-014.245 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10860.904339/2011-71 Acórdão 3401-003.879 (recorrido) Acórdão 1401-001.487 (paradigma) “(...) qualifica-se como um erro de fato e que, nessa condição, sem maiores debates, admite sua revisão, como demonstrado no precedente judicial citado pelo próprio voto vencido. (...) O ato administrativo ilegal, ainda que formalmente acabado, dentro do prazo revisional, deve ser anulado, não gerando qualquer efeito jurídico, como assentado na predita Súmula STF nº 473: (...).Por essa razão, o fato da homologação da compensação extinguir o crédito tributário não é circunstância especialíssima que impeça a revisão do despacho decisório inválido, isso porque dos atos administrativos nulos não se originam quaisquer direitos em favor do administrado.” “Havendo publicação de homologação de compensação, extinto está o crédito e preclusa qualquer nova tentativa de examiná-lo, salvo no caso de nulidade do primeiro Despacho Decisório. É, portanto, nulo o segundo Despacho Decisório”. “É preceito basilar do direito administrativo que a administração pode (na verdade, deve) rever seus próprios atos no caso de ilegalidade. Para tais situações, diferentemente do que governa o processo judicial, não há preclusões lógicas, nem consumativas. Só se aplicam as preclusões temporais, que não se caracterizaram no presente feito. Não há qualquer previsão específica da seara tributária que mitigue essa máxima” “No presente caso, houve mera mudança de entendimento da Receita Federal, que publicou um ato administrativo perfeito, fundamentado, e depois decidiu voltar atrás na sua conclusão a respeito da compensação”. Veja-se que ambos os acórdãos (paradigma e recorrido) revelam entendimento no sentido de que em caso de ilegalidade é possível revisão do despacho decisório. Assim, eventual diferença entre as conclusões de tais precedentes se deve ao fato de que no acórdão recorrido trata-se de despacho decisório eletrônico, sobre créditos de IPI, no qual se verificou posteriormente que o resultado não refletia a real situação contábil/fiscal da interessada, o que foi interpretado como “erro de fato”, apto a anular a decisão anterior, ilegal, enquanto que o paradigma trata de situação atinente a saldo negativo de IRPJ, envolvendo aproveitamento de imposto pago no exterior, que foi considerado pelo colegiado, majoritariamente, como “mera mudança de entendimento” do segundo despacho decisório em relação ao primeiro. Esse aspecto valorativo, e até probatório, de classificar determinada retificação de despacho decisório como “erro de fato” ou “mera alteração de entendimento” não representa divergência jurídica entre esses distintos colegiados. Em outras palavras, não é possível afirmar com convicção que o colegiado que proferiu o acórdão recorrido adotaria a mesma postura diante da situação narrada no paradigma, e vice-versa. Ausente, a nosso ver, um confronto efetivo de teses jurídicas, porque nenhum dos acórdãos (recorrido ou paradigma) admite indiscriminadamente as retificações de despacho Fl. 2295DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-014.245 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10860.904339/2011-71 decisório, e nenhum deles também as cerceia totalmente. E as condições presentes em ambos são harmônicas: existência de ilegalidade, e não mera mudança de entendimento. A eventual identificação do que um acórdão considera “mera mudança de entendimento”, e do que o outro considera “erro de fato” demandaria maior similitude entre os casos efetivamente analisados, para que se pudesse partir para um debate de teses diferentes, e não de realidades distintas. O próprio título adotado para a divergência é inapropriado: “impossibilidade de retificação ex officio da homologação expressa em Despacho Decisório anterior”. Nenhum dos acórdãos (paradigma ou recorrido) afirma que seja impossível a retificação de ofício de despacho decisório. Ambos remetem às circunstâncias do caso concreto que analisam, classificando-a como “mera mudança de entendimento” ou “erro de fato”. Assim, entendo que cabe o não conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte na matéria aqui sob análise, o que implica ausência de efeitos infringentes para os embargos interpostos. Da conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos, sem efeitos infringentes, mantendo o não conhecimento do recurso especial interposto pelo contribuinte em relação ao tema intitulado “impossibilidade de retificação ex officio da homologação expressa em Despacho Decisório anterior”. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 2296DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11618.002457/2002-97
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE
PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de insumos de pessoas físicas, não
contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI, por falta de previsão legal.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC.
INAPLICABILIDADE. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência da taxa Selic sobre crédito presumido de IPI, uma vez que o ressarcimento não se confunde com o pagamento indevido de tributo, ou seu recolhimento em valor maior que o devido.
Numero da decisão: 3801-000.589
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em
negar provimento ao recurso voluntário.]
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI, por falta de previsão legal. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência da taxa Selic sobre crédito presumido de IPI, uma vez que o ressarcimento não se confunde com o pagamento indevido de tributo, ou seu recolhimento em valor maior que o devido.
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CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de insumos de pessoas físicas, não contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI, por falta de previsão legal. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência da taxa Selic sobre crédito presumido de IPI, uma vez que o ressarcimento não se confunde com o pagamento indevido de tributo, ou seu recolhimento em valor maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.] Magda Cotta Cardozo Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Arno Jerke Junior, Flávio de Castro Pontes e José Luiz Bordignon. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andreia Dantas Lacerda Moneta.. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11618.002457/2002-97 Acórdão n.º 3801-00.589 S3-TE01 Fl. 119 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ-Recife/PE, abaixo transcrito: “A interessada acima qualificada requereu ressarcimento do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (fl. 01), de que trata a Portaria MF nº 38/97, referente ao 3º trimestre de 2001, no valor de R$ 47.058,03. Com base na informação fiscal de fls. 71/75, onde se encontra indicada a existência de aquisições de insumos de pessoas físicas, assim como a glosa dos respectivos valores, a autoridade competente, por meio do despacho decisório de fls. 76, reconheceu apenas em parte o direito creditório pleiteado, o que acarretou o deferimento do valor de R$ 13.169,04. Inconformada com a decisão administrativa, de cujo teor foi cientificada em 16/02/2007 (AR às fls. 78), a requerente apresentou, tempestivamente, em 14/03/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 79/87, onde repisa os fundamentos que nortearam a decisão denegatória, menciona equívoco que teria sido cometido no despacho decisório em relação à importação de matéria-prima que na realidade teria ocorrido em trimestre- calendário distinto do que se encontra sob análise e transcreve ementas de julgados do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça (fls. 82/86), no sentido de defender o direito ao ressarcimento de valores, a serem corrigidos pela taxa Selic, relativos ao crédito presumido do IPI quando da aquisição, a fornecedores pessoas físicas (agricultores) ou pessoas jurídicas não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, de matéria- prima a ser empregada no processo produtivo. Ao final, requer seja revogada a decisão combatida, para que lhe seja reconhecida a totalidade dos créditos pleiteados corrigidos monetariamente pela incidência da taxa Selic.” Analisando o litígio, a DRJ-Recife/PE indeferiu a solicitação do contribuinte (fls. 97 a 102), conforme ementas abaixo transcritas: CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Para fins de cálculo do crédito presumido devem ser glosados os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas não-contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11618.002457/2002-97 Acórdão n.º 3801-00.589 S3-TE01 Fl. 120 3 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste amparo legal para a incidência de atualização monetária calculada pela variação da taxa Selic sobre ressarcimento de créditos de IPI, sendo esta hipótese distinta de restituição de imposto pago indevidamente ou a maior. Às fls. 105 a 116 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: • Tanto a CSRF, como o STJ vêm decidindo no sentido de que existe o direito ao crédito solicitado, mesmo quando as matérias- primas são adquiridas de pessoas físicas, conforme jurisprudência transcrita; • O autor faz jus a ter seus créditos com a incidência da Selic, desde a data em que poderiam ter sido utilizados, a fim de protegê-lo dos efeitos da inflação; • A CSRF vem decidindo no mesmo sentido, por se tratar de mera atualização de valor. É o relatório. Voto Conselheiro Magda Cotta Cardozo, Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Quanto à matéria em discussão, trata-se do beneficio fiscal instituído pela Medida Provisória nº 948/95, convertida na Lei nº 9.363/96, que fixou as bases do crédito presumido de IPI, concedido a estabelecimento produtor exportador como ressarcimento da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre a aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. A despeito da jurisprudência trazida pela recorrente, a ela favorável, tem-se entendimento diverso em relação, tanto à aplicação da taxa Selic, quanto às aquisições em questão, considerando os argumentos que se seguem. A norma instituidora do beneficio tem a natureza incentivadora que a ordem jurídica considera conveniente estimular. O incentivo em questão consiste em um crédito fiscal concedido pela Fazenda Nacional em função do valor das aquisições de insumos aplicados em produtos exportados e tem por finalidade permitir maior competitividade desses produtos no mercado externo. A fruição deste incentivo fiscal deve, portanto, ser analisada nos estritos termos do artigo 12 da Medida Provisória nº 948/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.363/96. Para melhor análise, transcreve-se o referido artigo: Fl. 120DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11618.002457/2002-97 Acórdão n.º 3801-00.589 S3-TE01 Fl. 121 4 Art. 1°. O produtor exportador de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares números 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo. O legislador estabeleceu que o incentivo fiscal deve ser concedido como ressarcimento da contribuição ao PIS e da Cofins. A empresa produtora exportadora paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a restituição da quantia desembolsada, mediante compensação do crédito presumido. Portanto, o crédito presumido é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior, tanto que a própria lei o tratou como ressarcimento de contribuições. Nesse sentido, verifica-se que o artigo 12 transcrito restringe o beneficio ao "ressarcimento das contribuições (...) incidentes sobre as respectivas aquisições". O ressarcimento de créditos por valores estimados, tratamento empregado pelo legislador na concessão de incentivos, visa facilitar os mecanismos de execução e controle. No presente caso, os insumos adquiridos pela recorrente de pessoas físicas não sofreram a incidência de contribuição e, portanto, não há como haver o ressarcimento previsto na norma. Se em alguma etapa anterior houve o pagamento de contribuição ao PIS e de Cofins, o ressarcimento, tal como foi concebido, não alcança esse pagamento específico. Estar-se-ia concedendo o ressarcimento de contribuições "incidentes" sobre aquisições de terceiros que compõem a cadeia comercial do produto e não das respectivas aquisições do produtor e exportador, previstas no artigo 12. O estímulo concedido foi materializado como crédito presumido, calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de insumos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais. Instituir uma sistemática que permitisse o crédito de todo o valor dos tributos/contribuições que, direta ou indiretamente, houvesse onerado o produto exportado é tarefa complexa e de controle difícil, pela qual não optou o legislador. Esse entendimento é reforçado pelo que dispõe o art. 52 da Lei nº 9.363/96, abaixo transcrito, o qual prevê o imediato estorno a ser promovido pelo produtor exportador, quando o seu fornecedor se beneficiar, por meio de restituição ou compensação, da contribuição que havia sido paga: Art. 52 A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 12, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente. Assim, interpretando de modo sistêmico a Lei nº 9.363/96, conclui-se que não há previsão para tal beneficio. O entendimento contrário equivale a criar regra jurídica nova, não prevista na referida Lei. Além disso, a lei que institui isenção, ou a equivalente recuperação do tributo pago, como é o caso, deve ser interpretada de forma literal, conforme dispõe o artigo 111 do Código Tributário Nacional, não se podendo ir além do texto normativo, Fl. 121DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11618.002457/2002-97 Acórdão n.º 3801-00.589 S3-TE01 Fl. 122 5 o qual, como já dito, não autoriza o ressarcimento quando não há a incidência das contribuições, a teor dos dispositivos transcritos. Como visto, a limitação da utilização dos créditos decorre da própria Lei nº 9.363/96, instituidora do beneficio, e não de qualquer ato normativo posterior à sua edição. Desse modo, quanto aos insumos adquiridos de pessoas físicas, não há o que ressarcir, dado que os fornecedores não são contribuintes das referidas contribuições. Quanto à aplicação da taxa Selic sobre os créditos incentivados do IPI em pedidos de ressarcimento, por aplicação analógica do artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, que trata de restituição, não há como concordar, dada a natureza distinta dos institutos, conforme se demonstrará. No contexto de uma economia estabilizada e desindexada, inaugurada pós Plano Real, não há como invocar a analogia para aplicar a taxa Selic ao ressarcimento de créditos incentivados de IPI. A incidência da referida taxa sobre os indébitos tributários, a partir do pagamento indevido, prevista no artigo citado, decorre do tratamento isonômico para com os créditos da Fazenda Pública e os dos contribuintes, sendo estes decorrentes de pagamento indevido de tributo, ou de pagamento em valor maior que o devido. Não há como equiparar a situação originária de um indébito com valores a serem ressarcidos oriundos de créditos incentivados ou básicos. Estes decorrem do confronto entre créditos e débitos em conta gráfica de IPI, de modo a abater o imposto correta e devidamente pago em operações anteriores, do imposto devido nas operações subseqüentes, com base no princípio da não-cumulatividade. Portanto, não há imposto indevidamente pago. Assim, na situação de créditos incentivados de IPI não houve ingresso indevido de valores nos cofres públicos, mas sim renúncia fiscal com o propósito de estimular setores da economia, cuja concessão deve se subsumir estritamente aos termos e condições estipuladas pelo poder concedente, responsável pela outorga de recursos públicos a particulares. Portanto, por se tratar de situação excepcional de concessão de beneficio, não cabe ao intérprete ir além do que nela foi estipulado. Outro argumento para desqualificar o uso da taxa Selic como fator de correção decorre de sua finalidade precípua de instrumento de política monetária. Neste sentido, visando defender a economia nacional de choques e contingências internas e externas, além de ser importante instrumento de combate à inflação, teve, portanto, evolução muito superior a qualquer índice inflacionário. Desse modo, mesmo que se desconsiderasse a prevalência da desindexação da economia e se corrigisse esse crédito decorrente de incentivo, o seu ganho seria substancialmente mais elevado do que sua correção por um índice inflacionário, gerando a concessão de um duplo beneficio, repise-se, não autorizado pelo legislador. Sobre tal questão expressamente já se manifestou a RFB, por meio da IN/SRF nº 900/2008, que assim dispõe: Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: Fl. 122DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11618.002457/2002-97 Acórdão n.º 3801-00.589 S3-TE01 Fl. 123 6 (...) § 5º Não incidirão juros compensatórios de que trata o caput: I - no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos; e (...) No mesmo sentido dispunham as normas anteriormente aplicáveis (IN/SRF nº 210/2002, IN/SRF nº 460/2004 e IN/SRF nº 600/2005). Por todo o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Magda Cotta Cardozo Fl. 123DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 04/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10980.900816/2019-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 22/02/2013
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGO 373, INCISO I DO CPC.
Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar de maneira inequívoca a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3402-010.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Luis Cabral, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos, Alexandre Freitas Costa e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausentes a conselheira Renata da Silveira Bilhim e o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGO 373, INCISO I DO CPC. Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar de maneira inequívoca a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente (documento assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Luis Cabral, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos, Alexandre Freitas Costa e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausentes a conselheira Renata da Silveira Bilhim e o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 08 16 /2 01 9- 11 Fl. 1486DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.545 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900816/2019-11 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 109-010.981, proferido pela 5ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 09 que por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório. A decisão recorrida foi proferida com a seguinte Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 22/02/2013 LICENCIAMENTO DE SOFTWARES. COFINS-IMPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide a Cofins-Importação sobre qualquer pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior a título de royalties como contrapartida pelo licenciamento de softwares. Porém, se no contrato de licenciamento houver a previsão de prestação de serviços de manutenção e suporte técnico, além do simples licenciamento do software, sobre os pagamentos referentes a esses serviços incidirá a contribuição. Nos casos em que o contrato não for apresentado ou não for suficientemente claro para individualizar esses componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e, com isso, sofrer a incidência da contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem reproduzir os fatos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância: Trata-se de Pedido de Restituição/Ressarcimento - PER/Dcomp nº 33838.81089.290915.1.2.04-2034, utilizando-se de suposto crédito de COFINS no valor de R$ 772.638,50, com origem no Darf recolhido em 22/02/2013, código 5442 (COFINS - IMPORTAÇÃO DE SERVIÇOS), referente ao período de apuração 22/02/2013, na importância de R$ 796.396,32. Nesse contexto, o DD (fls. 1.439-1.441) contém os seguintes argumentos: Fl. 1487DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.545 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900816/2019-11 O despacho decisório foi fundamentado na Informação Fiscal de fls. 1.442, a seguir reproduzido: Cientificado do Despacho Decisório em 12/03/2019, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 1.426 a 1.433 em 10/04/2019, onde alega, em síntese, o disposto a seguir. Inicialmente a impugnante alega a tempestividade da manifestação de inconformidade e na sequência faz uma apresentação dos fatos, concluindo que faz jus à recuperação desses créditos, eis que houve recolhimento indevido de PIS/COFINS- Importação na remessa de valores à Unify/Alemanha decorrente de licença de uso de software. Sustenta que importa licenciamento de uso de software da Unify Alemanha, com posterior sublicenciamento a clientes locais. Ademais, destaca que não faz nenhum tipo de customização ou mesmo tem acesso ao código fonte das licenças importadas. Que apesar de não incidir as contribuições ao PIS e COFINS, na modalidade importação, em tais operações, a Impugnante procedeu ao seu recolhimento integral. Após a constatação de que o entendimento da RFB era diverso, de que não incide COFINS-importação sobre o pagamento de valores a pessoa jurídica do exterior pelo licenciamento de uso de software, a Impugnante procedeu ao levantamento do montante a ser recuperado de seu crédito extemporâneo. Para a comprovação dos seus créditos, a Impugnante apresenta os seguintes documentos: (1) Faturas (lnvoices): No mês de fevereiro de 2013, das 1027 faturas de importação identificou 791 (setecentos e noventa e uma), em que houve o pagamento indevido da COFINS-importação, as quais estão consignadas em planilha (Doc. 3); Fl. 1488DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.545 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900816/2019-11 (2) Planilha excel: Informações sobre as faturas (lnvoices) (Doc. 4); (3) DCTFs — página 2 (Doc. 5); (4) Comprovante de pagamento de Cofins-Importação, código 5442 (Doc. 6); (5) PER/DCOMPs (Doc. 7); (6) Comprovante de pagamento da importação (Doc. 8). E que considerando o princípio da verdade material, é imperativo que sejam reconhecidos os créditos decorrentes do pedido de restituição, devidamente comprovados. Nesse sentido, cita Marcos Vinicius Neder e Celso Antonio Bandeira de Mello. Alega que a glosa dos créditos apurados decorreu unicamente da não apresentação de dos documentos aptos à sua comprovação. Sustenta novamente que a própria RFB entende que na remessa de valores a domiciliados no exterior a título de royalties (no que se enquadra a licença de uso de software), não haveria incidência de PIS/COFINS-Importação. Cita a Solução de Consulta Cosit n° 316/2017. Requer que seja reconhecida a integralidade do crédito fiscal e disponibilizado o seu efetivo ressarcimento em pecúnia. Por fim, destaque-se que em 17/12/2021 a Receita Federal recebeu Notificação da Justiça Federal, Seção Judiciária do Paraná, informando da concessão de Liminar em Mandado de Segurança impetrado por UNIFY - SOLUCOES EM TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA, para imediato cumprimento, fixando o prazo de 20 (vinte) dias para julgamento do litígio no âmbito administrativo (fls. 1.447-1.454). A Recorrente foi intimada pela via eletrônica em data de 13/01/2022 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de e-fls. 1469), apresentando Recurso Voluntário em 14/02/2022, o que fez argumentando que não restam dúvidas quanto à demonstração do direito em relação à não incidência das Contribuições PIS e COFINS sobre importações de licenças de softwares, e comprovado que as operações realizadas se referiam à importações de licenciamento de softwares, nesse caso a prova se deu por meio das invoices. Com isso, pediu pela realização de diligência para que a fiscalização da Receita Federal realize procedimento de fiscalização analisando todas as invoices acostadas às fls. 392/1.415. Através do r. Despacho de e-fls. 1485 o processo foi encaminhado para sorteio É o relatório. Fl. 1489DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.545 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900816/2019-11 Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. 1. Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. 2. Mérito Conforme relatório, versa o presente litígio sobre Pedido de Restituição/Ressarcimento de crédito de COFINS, referente ao período de apuração 22/02/2013, o qual foi negado pela DRF de origem em razão do não atendimento à intimação inicial, na forma certificada em Informação Fiscal de e-fls. 1442. Não obstante a Contribuinte não ter apresentado a documentação inicialmente, com a Manifestação de Inconformidade foram anexados os seguintes documentos: (1) Faturas (lnvoices): No mês de fevereiro de 2013, das 1027 faturas de importação identificou 791 (setecentos e noventa e uma), em que houve o pagamento indevido da COFINS-importação, as quais estão consignadas em planilha; (2) Planilha excel: Informações sobre as faturas (lnvoices); (3) DCTFs — página; (4) Comprovante de pagamento de Cofins-Importação, código 5442; (5) PER/DCOMPs; e (6) Comprovante de pagamento da importação. Observou o ilustre Julgador de primeira instância que: De acordo com a Solução de Consulta Cosit nº 374, de 2017, o contrato que dá origem ao pagamento pelos royalties pode remunerar prestação de serviços, devendo ser separada a parcela do pagamento relativa aos royalties da relativa à prestação de serviços, de modo que a Contribuição para o PIS/Pasep- Importação e a Cofins-Importação incidam somente sobre esta última. Caso o contrato não seja suficientemente claro para individualizar os valores, a incidência das contribuições na importação deverá ser sobre o valor total; Com isso, para saber se há ou não incidência das contribuições para o PIS/Pasep-Importação e a Cofins-Importação, deve-se levar em consideração o contido no contrato de licenciamento de software. Fl. 1490DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.545 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900816/2019-11 Por sua vez, igualmente observou o ilustre Julgador de primeira instância que a contribuinte, além de não apresentar à fiscalização este contrato, nenhum outro documento ou explicação foi apresentado com sua impugnação. Com isso, conclui a DRJ que os documentos apresentados nos autos até aquele momento não seriam suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, motivo pelo qual a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente. De fato, é possível constatar nos autos, especificamente às fls. 392 a 1415, que a contribuinte apresentou as invoices mencionadas pela defesa. Todavia, o ilustre julgador de primeira instância constatou que não é possível confirmar somente com base em tais documentos, se a concessão de licença sobre determinados softwares, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no exterior, corresponde à importação de serviços provenientes do exterior, considerando que neste caso acarretaria a incidência das contribuições em questão sobre o pagamento o crédito ou a remessa de valores efetuados como contraprestação pelo serviço prestado. Com isso, foi consignado na decisão recorrida sobre a necessidade de se trazer aos autos os contratos de licença, regulados e protegidos pela legislação sobre direitos autorais, em que o titular dos direitos do software efetua a cessão desses direitos autorais a terceiros mediante contraprestação. Na forma permitida pelo artigo 50, § 1º da Lei nº 9.784/1999, passo à transcrição dos fundamentos que motivaram o v. Acórdão da DRJ de origem, sobre os quais concordo na íntegra e peço vênia para adotar: Registre-se que a matéria relativa à licença de uso de software já foi pormenorizadamente examinada pela Coordenação-Geral de Tributação (Cosit) na Solução de Consulta Cosit nº 374, de 17 de agosto de 2017. Transcrevem-se os fundamentos da Solução de Consulta Cosit nº 374, de 2017, que concluem pela natureza jurídica de royalties dos pagamentos decorrentes de licença de uso de software: 12. Por sua vez, o conceito de royalties na área tributária foi introduzido pela Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, que, em seu art. 22, assim dispôs: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos "royalties" acompanharão a classificação dêstes. (Destaquei) 11. Vê-se, pois, que os rendimentos decorrentes da exploração de direitos autorais, como é o caso da licença de uso de software, quando não feita pelo próprio autor, são classificados como royalties Fl. 1491DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.545 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900816/2019-11 Conclui ainda a Solução de Consulta Cosit nº 374, de 2017, que os royalties, em todas as suas formas, por constituírem-se obrigação de dar, não são serviços, de modo que não há a ocorrência do fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação quando do pagamento ou remessa a título de royalties. Transcreva-se mais um excerto da mencionada Solução de Consulta: 14. Em apertada síntese, é possível dizer que a retrotranscrita Solução de Consulta conclui que, como os royalties, em todas as suas formas descritas no art. 22 da Lei nº 4.506, de 1964, constituem obrigação de dar, não estão abrangidos pelo conceito de serviços, que pressupõem uma obrigação de fazer. 15. Assim, como o fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação, descrito no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.865, de 2004, requer um pagamento pela prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, não ocorre o fato gerador das contribuições no pagamento relativo a royalties. 16. Há que se observar ainda que, nos termos da Solução de Consulta nº 71, de 2015, quando da concomitância, no mesmo contrato, de royalties e de fornecimento de serviços, a Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e a Cofins-Importação não incidirão apenas sobre o valor pago a título de royalties. Ainda, caso o contrato não seja suficientemente claro para individualizar os valores, o valor total deverá sofrer a incidência das contribuições. (Grifo do original) Adverte, no entanto, a Solução de Consulta Cosit nº 374, de 2017, que o contrato que dá origem ao pagamento pelos royalties pode também remunerar prestação de serviços. Nesse caso, deve-se separar a parcela do pagamento relativa aos royalties da relativa à prestação de serviços, de modo que a Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e a Cofins-Importação incidam somente sobre esta última. Caso o contrato não seja suficientemente claro para individualizar os valores, a incidência das contribuições na importação deverá ser sobre o valor total. Transcreve-se a ementa da Solução de Consulta Cosit nº 374, de 2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Não incide a Contribuição para o PIS/PASEP-Importação sobre qualquer pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior a título de royalties, sem que haja prestação de serviços vinculada a essa cessão de direitos. Entretanto, se o documento que embasa a operação não for suficientemente claro para individualizar os royalties e os serviços conexos, o valor total da operação será considerado como correspondente à prestação de serviços e, como tal, sofrerá a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 71, de 10 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 04 de maio de 2015. Dispositivos Legais: Lei nº 4.506, de 1964, arts. 21, 22 e 23; Lei nº 10.865, de 2004, arts. 1º, 3º e 7º, II; e IN RFB nº 1.455, de 2014, art. 17. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Não incide a Cofins-Importação sobre qualquer pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior a título de royalties, sem que haja prestação de serviços vinculada a essa cessão de direitos. Entretanto, se o documento que embasa a operação não for suficientemente claro para individualizar os royalties e os serviços conexos, o valor total da operação será considerado como Fl. 1492DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-010.545 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900816/2019-11 correspondente à prestação de serviços e, como tal, sofrerá a incidência da Cofins- Importação. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 71, de 10 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 04 de maio de 2015. Dispositivos Legais: Lei nº 4.506, de 1964, arts. 21, 22 e 23; Lei nº 10.865, de 2004, arts. 1º, 3º e 7º, II; e IN RFB nº 1.455, de 2014, art. 17. Cabe ainda informar que este já era o entendimento da Cosit, conforme Solução de Consulta Cosit nº 316, de 20 de junho de 2017, citada pela impugnante, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: PIS/PASEP- IMPORTAÇÃO. LICENÇA DE USO DE SOFTWARE. NÃO INCIDÊNCIA. A Contribuição para o PIS/Pasep-Importação não incide sobre o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior a título exclusivo de Royalties. Classificam-se como Royalties, dentre outros, os rendimentos decorrentes de licença de uso de software. Caso haja prestação de serviços técnicos e assistência técnica vinculados a essa cessão, e os valores devidos a tal título vierem destacados no contrato que fundamentar a operação, haverá a incidência do PIS/Pasep-Importação apenas sobre tais rubricas. Entretanto, se o documento que lastreia a operação não for suficientemente claro para individualizar o que é devido por serviço e o que são royalties, o valor total das remessas deverá ser considerado referente a serviços, e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.865, de 2004, art. 1º, caput e § 1º, e art. 3º, inciso II; Lei nº 4.506, de 1964, arts. 22 e 23; Lei nº 9.609, de 1998, art. 2º; Lei nº 9.610, de 1998, art. 7º; IN SRF nº 252, de 2002, art. 17; IN SRF nº 404, de 2002, art. 8º, e IN RFB nº 1.455, de 2014, art. 17. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: COFINS-IMPORTAÇÃO. LICENÇA DE USO DE SOFTWARE. NÃO INCIDÊNCIA. A Cofins-Importação não incide sobre o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior a título exclusivo de Royalties. Classificam-se como Royalties, dentre outros, os rendimentos decorrentes de licença de uso de software. Caso haja prestação de serviços técnicos e assistência técnica vinculados a essa cessão e os valores devidos a tal título vierem destacados no contrato que fundamentar a operação, haverá a incidência da Cofins-Importação apenas sobre tais rubricas. Entretanto, se o documento que lastreia a operação não for suficientemente claro para individualizar o que é devido por serviço e o que são royalties, o valor total das remessas deverá ser considerado referente a serviços, e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.865, de 2004, art. 1º, caput e § 1º, e art. 3°, inciso II; Lei nº 4.506, de 1964, arts. 22 e 23; Lei nº 9.609, de 1998, art. 2º; Lei nº 9.610, de 1998, art. 7º; IN SRF nº 252, de 2002, art. 17; IN SRF nº 404, de 2002, art. 8º, e IN RFB nº 1.455, de 2014, art. 17. Fl. 1493DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-010.545 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900816/2019-11 Diante do exposto, conclui-se que não incidem a Contribuição para o PIS/Pasep- Importação e a Cofins-Importação sobre qualquer pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior a título de royalties como contrapartida pelo licenciamento de softwares. Porém, se no contrato de licenciamento houver a previsão de prestação de serviços de manutenção e suporte técnico, além do simples licenciamento do software, sobre os pagamentos referentes a esses serviços incidirão as contribuições. Nos casos em que o contrato não for suficientemente claro para individualizar esses componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e, com isso, sofrer a incidência das contribuições. No caso concreto, para saber se há ou não incidência das contribuições para o PIS/Pasep-Importação e a Cofins-Importação, deve-se levar em consideração o contido no contrato de licenciamento de software. E compulsando os autos do processo, verificamos que o contribuinte além de não apresentar à fiscalização este contrato e nenhum outro documento ou explicação, também deixou de apresentá-lo em sua impugnação. De acordo com o que estabelece o Decreto nº 70.235/1972, a impugnação formalizada deve ser instruída com os documentos em que fundamente suas alegações, conforme disposto em seus art. 15 e 16: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) (Grifei) Cumpre destacar que nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito (art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil). Cabe ainda lembrar, que o contribuinte recolheu débitos da COFINS- Importação (Código de Receita 5442) em 22/02/2013 e promoveu a sua escrituração na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Fl. 1494DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-010.545 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900816/2019-11 Posteriormente, apurou que tal recolhimento seria indevido, razão pela qual retificou a DCTF e transmitiu o PER com o objetivo de ressarcimento. Porém, a retificadora da DCTF apresentada, na qual não consta o débito da COFINS-Importação ora questionado, não é suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil e idônea que dê suporte à declaração. Ocorre que somente pelos documentos acostados aos autos, não é possível concluir se a remessa se deu realmente em contrapartida pelo licenciamento de softwares, ou se para pagamento por prestação de serviços. E os documentos apresentados pelo contribuinte não são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Considerando as mesmas razões expostas na decisão acima reproduzida, nem mesmo com a peça recursal a Contribuinte trouxe aos autos os contratos em referência ou qualquer outra comprovação suscitada para motivar a improcedência da Manifestação de Inconformidade, faltando com o seu ônus probatório delimitado pelo artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para comprovação do direito pleiteado. Todavia, ainda que aplicada a verdade material para exaurir toda e qualquer dúvida sobre a realidade fática, não há como socorrer a parte que permaneceu inerte quanto ao seu ônus da prova. Neste sentido, colaciono as decisões abaixo ementadas: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. (Acórdão nº 9303-007.218 – PAF nº 10840.909854/2011-86 – 3ª Turma da CSRF - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Fl. 1495DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-010.545 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900816/2019-11 (Acórdão nº 9303-002.562 – PAF nº 10120.904658/2009-26 – 3ª Turma da CSRF - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) Destaco a fundamentação que embasou o voto condutor do v. Acórdão nº 9303- 002.562, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, abaixo reproduzida: Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se“convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. É interesse de ambas as parte em fazê-lo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as consequências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desincumbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito, não tendo que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e suficientes para embasar a operação, tem-se relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 1496DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-010.545 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.900816/2019-11 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observe-se que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. (sem destaques no texto original) Portanto, deve ser mantida a decisão de primeira instância. 3. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 1497DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10746.902853/2011-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 20 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA E LEGISLAÇÃO NÃO ABORDADAS, NEM MESMO NA DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de divergência que veicula tese não amparada pelo Acórdão paradigma indicado.
A Turma a quo reconheceu o direito ao aproveitamento do crédito integral básico da Contribuição para o PIS/Pasep, à alíquota de 1,65%, no período de produção de efeitos da Lei nº 10.925/2004 e a publicação da Instrução Normativa SRF nº 636/2006.
O Recurso Especial versa sobre a impossibilidade de as cooperativas tomarem créditos das contribuições sociais não cumulativas no período em que elas não incidiam sobre o resultado dos atos praticados com seus cooperados, com base no art. 15 da MP nº 2.158-35/2001, no art. 79 da Lei nº 5.764/71 e no art. 23 da IN/SRF nº 635/2006, argumento não abordado e legislação sequer citada, tanto no Acórdão recorrido como no paradigma.
Numero da decisão: 9303-014.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Midori Migiyama, Vinicius Guimaraes, Semiramis de Oliveira Duro, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Erika Costa Camargos Autran, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA E LEGISLAÇÃO NÃO ABORDADAS, NEM MESMO NA DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de divergência que veicula tese não amparada pelo Acórdão paradigma indicado. A Turma a quo reconheceu o direito ao aproveitamento do crédito integral básico da Contribuição para o PIS/Pasep, à alíquota de 1,65%, no período de produção de efeitos da Lei nº 10.925/2004 e a publicação da Instrução Normativa SRF nº 636/2006. O Recurso Especial versa sobre a impossibilidade de as cooperativas tomarem créditos das contribuições sociais não cumulativas no período em que elas não incidiam sobre o resultado dos atos praticados com seus cooperados, com base no art. 15 da MP nº 2.158-35/2001, no art. 79 da Lei nº 5.764/71 e no art. 23 da IN/SRF nº 635/2006, argumento não abordado e legislação sequer citada, tanto no Acórdão recorrido como no paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Midori Migiyama, Vinicius Guimaraes, Semiramis de Oliveira Duro, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Erika Costa Camargos Autran, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
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MATÉRIA E LEGISLAÇÃO NÃO ABORDADAS, NEM MESMO NA DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de divergência que veicula tese não amparada pelo Acórdão paradigma indicado. A Turma a quo reconheceu o direito ao aproveitamento do crédito integral básico da Contribuição para o PIS/Pasep, à alíquota de 1,65%, no período de produção de efeitos da Lei nº 10.925/2004 e a publicação da Instrução Normativa SRF nº 636/2006. O Recurso Especial versa sobre a impossibilidade de as cooperativas tomarem créditos das contribuições sociais não cumulativas no período em que elas não incidiam sobre o resultado dos atos praticados com seus cooperados, com base no art. 15 da MP nº 2.158-35/2001, no art. 79 da Lei nº 5.764/71 e no art. 23 da IN/SRF nº 635/2006, argumento não abordado e legislação sequer citada, tanto no Acórdão recorrido como no paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Midori Migiyama, Vinicius Guimaraes, Semiramis de Oliveira Duro, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Erika Costa Camargos Autran, Liziane Angelotti Meira (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 28 53 /2 01 1- 89 Fl. 273DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.219 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10746.902853/2011-89 Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 187 a 196) contra o Acórdão nº 3301-009.160, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 171 a 185), sob a seguinte ementa (no que interessa à discussão): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2005 (Neste Processo, o Pedido de Ressarcimento é relativo ao 1º trimestre) CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. LEI 10.925/04. ART. 8º. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PERCENTUAL. LEI 12.865/13. CARÁTER INTERPRETATIVO. APLICAÇÃO A FATOS PRETÉRITOS. O percentual definido no inciso I do § 3º do artigo 8º Lei 10.925/04 aplicado sobre alíquota básica das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins para o cálculo do Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial, tal como definido em caráter interpretativo na Lei 12.865/13, é de 60 % na aquisição de quaisquer insumos aplicados na fabricação de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Súmula CARF nº 157. LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA DO PIS/COFINS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS. EFICÁCIA. A suspensão da incidência do PIS/Cofins e o crédito presumido a que faziam direito os adquirentes de produtos a ela sujeitos, foram instituídos com a edição da Lei nº 10.925/2004, sem interrupção, sendo que a partir de então deveriam ser calculados os créditos presumidos nos percentuais definidos no § 3º do art. 8º do mesmo diploma legal, apenas dependendo de disciplinamento quanto a formalização do aproveitamento dos créditos e suas obrigações acessórias, a ser feito por ato normativo, ato este materializado na IN SRF nº 636, de 2006, depois revogada pela IN SRF nº 660, de 2006. No período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais básicos relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis n os 10.637/2002 e 10.833/2003. (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para aplicar o percentual de 60% (sessenta por cento) aos insumos (bovino vivo) utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, bem como reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito integral básico da Contribuição para o PIS à alíquota de 1,65% no período de produção de efeitos da Lei nº 10.925, de 2004 (1º/08/2004), e a publicação da Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006 (04/04/2006), devendo ser descontado o crédito presumido apurado no percentual de 35% apurado pela Fiscalização, a fim de evitar-se duplicidade de aproveitamento de créditos (básico e presumido). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-009.156, de 17 de novembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10746.902845/2011-32, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (grifou-se) Ao Recurso Especial, inicialmente, foi negado seguimento (fls. 211 a 217), sendo que, em razão de Agravo (fls. 219 a 225), foi admitida (fls. 228 a 234) a discussão relativa Fl. 274DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.219 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10746.902853/2011-89 à “possibilidade de as cooperativas tomarem créditos das contribuições sociais não cumulativas no período em que elas não incidiam sobre o resultado dos atos praticados com seus cooperados”. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 239 a 256), contestando, em caráter preliminar, o conhecimento do Recurso, alegando que: 1) A decisão adotou o entendimento da Súmula CARF nº 157: Súmula CARF nº 157: O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. 2) Se dado provimento ao Recurso, haveria reformatio in pejus do Recurso Voluntário, pois a própria Fiscalização já havia reconhecido o direito ao crédito, no percentual de 35 %; 3) O Acórdão indicado como paradigma foi prolatado pelo mesmo Colegiado do recorrido; 4) O paradigma aborda a existência ou não de direito a créditos sobre insumos adquiridos para comercialização no mercado interno, ao passo que, no caso analisado pela decisão recorrida, decorrem de operações com o mercado externo; 5) O paradigma não trata de crédito presumido da agroindústria; 6) No paradigma não existe qualquer justificativa ou questionamento que sustente a tese da recorrente quanto à admissibilidade do crédito para sociedades cooperativas; 7) O paradigma não qualquer alusão à Medida Provisória nº 2.158-35/2001, restringindo sua análise à legislação básica de PIS e Cofins, e quanto aos créditos presumidos relativos ao leite, foi superado em face da retroação benigna da regra do art. 9-A da Lei nº 10.925/2004, incluída pela Lei nº 13.137/2015. É o Relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira, Relatora. Este Processo faz parte de um Lote de outros dezoito, tendo o julgamento no CARF seguido a sistemática dos recursos repetitivos, sendo aplicado aos demais o decidido no Acórdão nº 3301-009.156, de 17/11/2020, prolatado no julgamento do Processo nº 10746.902845/2011-32, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Acórdão paradigma (do Lote) também foi objeto de Recurso Especial da Fazenda Nacional, que não foi conhecido por esta Turma, por unanimidade, no recente Acórdão nº 9303-013.860, de 16/03/2023, de relatoria da Conselheira Vanessa Marini Cecconello (nesta Sessão eu estava ausente, substituída pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Fl. 275DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.219 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10746.902853/2011-89 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não deve ser conhecido o recurso especial de divergência quando ausente a comprovação do dissenso interpretativo, pois os acórdãos recorrido e paradigma não tratam do mesmo dispositivo legal. Do teor do acórdão indicado como paradigma, verifica-se que embora o afastamento do crédito seja fundamentado no art. 9º, incisos II e III da Lei nº 10.925/2004, incluídos pela Lei nº 11.051/2004, não houve discussão com relação ao período compreendido entre a publicação da Lei 10.925/2004 e a IN SRF nº 636/2006, não se podendo afirmar que houve a discussão com relação a esse interregno de tempo específico. Quanto ao conhecimento, analisemos primeiro as alegações do contribuinte em suas Contrarrazões: 1) A Súmula CARF nº 157 trata do percentual da alíquota do crédito presumido da agroindústria a ser aplicado (no caso, 60 %, e não 35 %, como fez a Fiscalização), mas a divergência suscitada versa sobre o direito ao crédito integral, reconhecido pela Turma a quo, no período entre a produção de efeitos da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004), e a publicação da IN/SRF nº 636/2006 (04/04/2006), quando, segundo defende a PGFN, não haveria o direito ao crédito (nem mesmo o presumido), em razão da não incidência da contribuição nas aquisições em questão, não havendo, portanto, ofensa ao art. 62, § 3º do RICARF. 2) Quanto ao reformatio in pejus, assiste razão ao contribuinte, mas isto levaria ao conhecimento parcial, limitada a divergência à diferença entre o crédito integral e o presumido, à alíquota de 35 %. 3) Embora também oriundo da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF, o Acórdão paradigma (nº 3301-002.299) foi proferido em 23/04/2014, antes do novo Regimento Interno do CARF, aprovado em 09/06/2015, enquanto o Acórdão recorrido foi prolatado posteriormente, em 17/11/2020, sendo, assim, para fins de admissibilidade do Recurso Especial, de Turma distinta, conforme § 2° do art. 67 do RICARF. 4) É irrelevante, para a análise do direito ao crédito, se o Pedido de Ressarcimento foi relativo às vendas para o mercado interno ou para exportação. Em relação às demais alegações do contribuinte em suas Contrarrazões, façamos, primeiramente, o confronto entre o Acórdão recorrido e o paradigma: No Acórdão recorrido foram analisados períodos de 2005, e nele se apreciava Recurso Voluntário no qual o contribuinte requeria "o restabelecimento do direito de se creditar de 100% da alíquota aplicável às aquisições de bovinos efetuados de pessoa jurídica, quer como presumido, quer como ordinário, decorrentes de insumos adquiridos para a industrialização". A Turma a quo deu provimento ao Recurso, entendendo que a suspensão da contribuição, em função da qual é apurado o crédito presumido, somente veio a ser instituída com a Lei nº 11.051, de 29/12/2004 (publicada em 30/12/2004, produzindo efeitos a partir de 01/04/2005), e disciplinada com a publicação, em 04/04/2006, da Instrução Normativa SRF nº 636, de 24/03/2006, pelo que, no período entre o início da produção de efeitos da Lei nº 10.925/2004 e a publicação da IN SRF nº 636/2006, haveria que se reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito integral básico da Contribuição para o PIS/Pasep à alíquota de 1,65%, relativos aos insumos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária, devendo ser descontado o crédito presumido, no percentual de 35%, apurado pela Fiscalização, a fim de se evitar duplicidade de aproveitamento de créditos (básico e presumido). Fl. 276DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.219 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10746.902853/2011-89 No Acórdão paradigma, também de uma Cooperativa (COOPERATIVA AGROPECUÁRIA DE ARAXÁ), são apreciados períodos do 1º trimestre de 2006, e nele, o que estava em discussão, também eram glosas de créditos integrais (no caso, da Cofins, à alíquota de 7,6 %), sendo que, nos termos do Voto Condutor, “Nem o autuante nem a recorrente referiram- se ao crédito presumido da agroindústria”. Após a transcrição dos dispositivos de interesse da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.925/2004 (com as alterações da Lei nº 11.051/2004), o Relator do paradigma utiliza-se como fundamento, em caráter geral, o inciso II do § 2º do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que veda o direito ao crédito nas aquisições de insumos desonerados da contribuição, mas, na análise de cada item objeto das glosas levadas a efeito pela Fiscalização, faz referência à suspensão da Lei nº 10.925/2004: Assim, passemos a análise de cada uma das rubricas cujos valores foram glosados: (...) 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão e milho); de acordo com art. 9º, II e III, da Lei nº 10.925, de 2004, além de grande parte ter sido adquirida/recebida de pessoas físicas, trata-se de produtos comercializados com suspensão da contribuição, assim não dão direito a crédito, inclusive, os adquiridos/recebidos de pessoas jurídicas. Neste confronto, verifica-se o seguinte: - No Acórdão recorrido, entendeu-se que a suspensão instituída pela Lei nº 10.925/2004 (com as alterações da Lei nº 11.051/2004) só é aplicável a partir da publicação da IN/SRF nº 636/2006, que se deu em 04/04/2006; - No Acórdão paradigma, analisando períodos do 1º trimestre de 2006 (ainda anteriores à publicação da Instrução Normativa), decidiu-se que não haveria direito ao crédito, pois os insumos foram adquiridos com suspensão. No paradigma efetivamente não houve discussão especificamente com relação à aplicação da IN/SRF nº 636/2006, mas, com a devida vênia ao que foi decidido no Acórdão nº 9303-013.806, já aqui citado (entendimento com a qual aquiesci, em julgamentos do mesmo Lote, na Sessão de novembro/2022), isto não levaria ao não conhecimento do Recurso, pois há que, se inferir que a Turma do CARF que proferiu o paradigma decidiria da mesma forma, pelo não reconhecimento do direito ao crédito, se os períodos fossem de 2005. Assim, fosse a divergência sob análise a eficácia da suspensão instituída pela Lei nº 10.925/2004 (com as alterações da Lei nº 11.051/2004), ela estaria demonstrada. Não é o caso. Considerando que a CSRF não constitui uma 3ª instância, mas está limitada a divergências, há que se ater ao que precisamente nos foi trazido à apreciação, que, nos termos do Despacho em Agravo, foi a “possibilidade de as cooperativas tomarem créditos das contribuições sociais não cumulativas no período em que elas não incidiam sobre o resultado dos atos praticados com seus cooperados”. Nos termos do Recurso Especial: 3.1 DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF reconheceu o direito ao crédito integral básico da Contribuição para o PIS à alíquota de 1,65% no Fl. 277DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.219 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10746.902853/2011-89 período entre a produção de efeitos da Lei nº 10.925, de 2004 (1º/08/2004) e a publicação da Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006 (04/04/2006). A e. Turma sustentou que antes dessa IN, não estava em vigor a suspensão dos PIS/Cofins, motivo pelo qual era legítima a apuração do crédito integral dessas contribuições. (...) Por outro lado, o acórdão paradigma, analisando fatos ocorridos antes da edição da IN 636/2006, afirmou que não incidia PIS/Cofins sobre os atos praticados entre Cooperativa e associados, razão pela qual não havia motivo para a concessão de crédito sobre essas contribuições nesse período. (grifou-se) A tese fundamental advogada pela Fazenda é a de que, em se tratando o sujeito passivo de cooperativa central, as operações com os seus associados constituem-se em ato cooperativo stricto sensu, não implicando operação de mercado, nem contrato de mercancia. Assim sendo, não haveria que se falar em créditos de qualquer espécie, tudo com base no art. 15 da MP nº 2.158-35/2001, no art. 79 da Lei nº 5.764/71 e no art. 23 da IN/SRF nº 635/2006. O Acórdão recorrido, abordando a insurgência recursal contra a redução para 35% do percentual de presunção de 60% da alíquota da contribuição, adotada pelo contribuinte na apuração do crédito presumido na aquisição de gado vivo empregado na fabricação de produtos destinados à alimentação, aplicou a Súmula CARF nº 157, restabelecendo o percentual para 60%. O voto não faz qualquer referência aos fornecedores do gado vivo, se cooperados ou se pessoas físicas ou jurídicas não associadas. Acolheu ainda o pleito recursal de restabelecimento do direito da cooperativa de se creditar de 100% da alíquota aplicável às aquisições de bovinos a pessoas jurídicas, porquanto esses fornecedores eram tributados e recolheram os tributos, em razão de que a suspensão da contribuição, em função da qual é apurado o crédito presumido, somente veio a ser instituída com a Lei n° 11.051/2004, disciplinada com a publicação, em 04/04/2006, da Instrução Normativa SRF n° 636/2006, concluindo que o contribuinte teria direito ao aproveitamento de crédito básico. Essa síntese deixa evidente que a decisão recorrida jamais se pronunciou expressamente sobre a matéria da divergência que aportou nesta instância especial. Não há como certificar a ocorrência do dissídio interpretativo de matéria sobre a qual a decisão recorrida não se manifestou. Em momento algum do seu voto, a decisão recorrida reporta-se expressamente a operações da cooperativa com seus cooperados. Isto foi o que levou a que fosse negado seguimento ao Recurso no Exame de Admissibilidade: Cotejando os arestos confrontados, parece-me que não há como extrair o dissídio, nos termos em que foi suscitado pelo recorrente: possibilidade de as cooperativas tomarem de créditos das contribuições sociais não cumulativas no período em que elas não incidiam sobre o resultado dos atos praticados com seus cooperados. Nenhum dos arestos abordou a possibilidade de creditamento sob esse prisma.(grifou-se) Por fim, toda a fundamentação da PGFN se dá com base no art. 15 da MP nº 2.158-35/2001, no art. 79 da Lei nº 5.764/71 e no art. 23 da IN/SRF nº 635/2006, normas que nem sequer são citadas, tanto no Acórdão recorrido, como no paradigma, não havendo que se falar em interpretação divergente da legislação tributária. Fl. 278DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.219 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10746.902853/2011-89 À vista do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 279DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10715.730318/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2012
MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA PROVENIENTE DO EXTERIOR. RESPONSABILIDADE POR INSERÇÃO DE INFORMAÇÃO NO SISCOMEX MANTRA.
Nos termos do disposto no parágrafo 2º do artigo 8º da IN SRF 102/1994, incluído pela IN RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014, a responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga proveniente do exterior, por via aérea, no Siscomex Mantra é do transportador, enquanto não for implementada função específica que possibilite ao desconsolidador inserir as informações no sistema.
Numero da decisão: 3302-013.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Flávio José Passos Coelho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado), Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Walker Araujo, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO JOSE PASSOS COELHO
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DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA PROVENIENTE DO EXTERIOR. RESPONSABILIDADE POR INSERÇÃO DE INFORMAÇÃO NO SISCOMEX MANTRA. Nos termos do disposto no parágrafo 2º do artigo 8º da IN SRF 102/1994, incluído pela IN RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014, a responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga proveniente do exterior, por via aérea, no Siscomex Mantra é do transportador, enquanto não for implementada função específica que possibilite ao desconsolidador inserir as informações no sistema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira (suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado), Denise Madalena Green, Mariel Orsi Gameiro, Walker Araujo, Flavio Jose Passos Coelho (Presidente). Relatório A recorrente, que opera como agente de cargas e empresa de logística porta a porta, foi autuada pela ALF Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/RJ por haver deixado de prestar informações sobre operação que executou, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, conforme resumo inserido na tabela a seguir, elaborada a partir de informações extraídas do auto de infração (fls. 2 a 23): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 73 03 18 /2 01 2- 68 Fl. 75DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-013.481 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10715.730318/2012-68 CHEGADA MAWB HAWB OCORRÊNCIA Data Hora Tipo Data Hora 21/01/2008 22h40 045 6867 4620 229003481 CARGA INCLUÍDA APÓS CHEGADA DO VEÍCULO 22/01/2008 03h56 02/02/2008 08h00 057 8148 6731 1500329800 CARGA INCLUÍDA APÓS CHEGADA DO VEÍCULO 02/02/2008 14h50 02/02/2008 08h00 057 8148 6731 1500327800 CARGA INCLUÍDA APÓS CHEGADA DO VEÍCULO 02/02/2008 14h51 11/02/2008 10h05 016 5436 324D LAX7115566 CARGA INCLUÍDA APÓS CHEGADA DO VEÍCULO 14/02/2008 17h02 Em síntese, as cargas vinculadas aos conhecimentos de transporte foram informadas após o transcurso de duas horas contadas a partir dos registros das chegadas dos veículos transportadores ao recinto alfandegado, em desacordo com a determinação contida no art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 102/1994. Como fundamentos para a autuação, foram apontados os arts. 15, 17, 24, 27, 30, 31, 32, 36 a 43, 52, 53, 54, 55, 59, 60 do Decreto 4.543/02; art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei nº 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. Cientificada do auto de infração, a empresa impugnou a autuação com as alegações a seguir indicadas: O dispositivo normativo regulador do regime de trânsito aduaneiro (art. 8º, I, "d", da IN SRF nº 248/2002) estabelece o beneficiário do regime é o transportador nacional habilitado no Siscomex pelo importador e pelo consignatário, e não o importador ou o consignatário indicado no conhecimento de carga. As informações alusivas à carga são atributo do transportador ou do desconsolidador de carga, e não do desconsolidador exclusivamente. Mesmo se a prestação de informações no sistema fosse uma exclusividade do desconsolidador, essa situação restaria prejudicada, uma vez que o desconsolidador foi o próprio transportador. A literalidade do texto da Ordem de Serviço Alfândega/RJ nº 02/2007, que tipifica a falta, conduz ao entendimento de que a infração não caberia ao impugnante, pois é a empresa de transporte internacional a responsável por todo o processo iniciado no aeroporto de origem até o destino das mercadorias, como apontado no MAWB. Até a conclusão do trânsito aduaneiro, mesmo que quisesse, seria impossível para o consignatário desconsolidar as suas cargas, eis que o Siscomex-Mantra condiciona a desconsolidação à conclusão do trânsito aduaneiro. Fl. 76DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-013.481 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10715.730318/2012-68 No presente caso, não restam dúvidas de que a conclusão do trânsito aduaneiro foi a causadora do descumprimento do prazo de duas horas contados do registro de chegada do veículo ao seu destino. Em seu acórdão, a DRJ/RJO julgou a impugnação improcedente nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros da 14a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - Rio de Janeiro, em julgar improcedente a impugnação e MANTER O CRÉDITO FISCAL no valor de R$ 20.000,00, e respectivos acréscimos legais, a serem calculados de acordo com a legislação vigente. A interessada interpôs, então, recurso voluntário no qual resgata as alegações apresentadas na impugnação e acrescenta o seguinte: O Colegiado da DRJ/RJO não incluiu em sua análise a nova redação da IN-SRF 102/94, face à sua relevância para o deslinde da controvérsia. Inexiste razão lógica para atribuir ao agente de carga a responsabilidade exclusiva por inserir informações no sistema, quando a própria norma atualizada em 2014 assentou a alternativa de ser o transportador o responsável. A própria Receita Federal do Brasil não desconhecia a impossibilidade de acesso do agente de carga ao Siscomex Mantra, o que pode ser verificado no contexto da Notícia Siscomex nº 47, de 28/11/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio José Passos Coelho, Relator. Ausência de responsabilidade do agente de carga, na condição de desconsolidador. Sem embargo dos argumentos acessórios trazidos ao recurso e já examinados de forma competente pela DRJ/RJO, nota-se claramente que o cerne do debate reside na atribuição de legitimidade ao agente desconsolidador das cargas para figurar como sujeito passivo na autuação combatida. Fl. 77DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-013.481 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10715.730318/2012-68 No entendimento do Ilustre Julgador a quo, a leitura das disposições normativas não permitiu suscitar qualquer dúvida acerca da responsabilidade da autuada pela prestação das informações referentes à carga consolidada. Já no recurso voluntário, a reclamante questiona o silêncio da decisão de primeira instância sobre a alteração introduzida no art. 8º da IN SRF n° 102/1994, com a edição da IN RFB nº 1.479/2014, que é um ponto relevante para examinar o caso concreto. De fato, essa questão específica leva-me a divergir do entendimento da DRJ/RJO. Veja-se primeiramente que a Instrução Normativa SRF nº 102/1994 define usuários e estabelece obrigações para o transportador ou o desconsolidador, nos seguintes termos: Art. 2º São usuários do MANTRA: I - a SRF, através dos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional - AFTN, Técnicos do Tesouro Nacional -TTN, Supervisores e Chefes; I - a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014) II - transportadores, desconsolidadores de carga, depositários, administradores de aeroportos e empresas operadoras de remessas expressas, através de seus representantes legais credenciados pela Secretaria da Receita Federal - SRF; e III - outros, no interesse da SRF, a serem por ela definidos. [...] Art. 4º A carga procedente do exterior será informada, no MANTRA, pelo transportador ou desconsolidador de carga, previamente à chegada do veículo transportador, mediante registro: I - da identificação de cada carga e do veículo; II - do tratamento imediato a ser dado à carga no aeroporto de chegada; III - da localização da carga, quando for o caso, no aeroporto de chegada; IV - do recinto alfandegado, no caso de armazenamento de carga; e V - da indicação, quando for o caso, de que se trata de embarque total, parcial ou final. [...] § 3º As informações sobre carga poderão ser complementadas através de terminal de computador ligado ao Sistema: (Redação do caput vigente até 07/07/2014) I - até o registro de chegada do veículo transportador, nos casos em que tenham sido prestadas mediante transferência direta de arquivos de dados; e II - até duas horas após o registro de chegada do veículo, nos casos em que tenham sido prestadas através de terminal de computador. (grifos acrescentados às transcrições) Todavia, após as alterações introduzidas pela IN RFB nº 1.479/2014, o art.8º da própria IN SRF n° 102/1994 passou a dispor o seguinte: Fl. 78DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-013.481 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10715.730318/2012-68 Art. 8° As informações sobre desconsolidação de carga procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até três horas após o registro de chegada do veículo transportador. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014) [...] § 2° Enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador, a responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga no Mantra é do transportador. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014) (grifos acrescentados à transcrição) Observe-se que o § 2º do art. 8º acima transcrito reproduz o teor de uma orientação já emitida anteriormente por meio da Notícia Siscomex nº 047/2008. Eis o teor: Notícia Siscomex Importação nº 047/2008 Siscomex Mantra - Desconsolidação de Carga Aérea Publicado: 28/11/2008 00:00 Última modificação: 28/11/2008 00:00 A partir de 01/12/2008, com base nos arts. 4° e 8° da IN SRF N° 102/94 e com referência as noticias Siscomex importação N° 36/2003, 05/2006, 44/2007 e 18/2008, o prazo a ser aplicado para que o responsável pela informação do HAWB complemente os dados no siscomex mantra poderá ser estendido em até 03 horas apos a chegada do veículo. As regras desta notícia poderão ser aplicadas por prazo indeterminado até que seja viabilizada funcionalidade no siscomex mantra que possibilite a informação dos HAWB exclusivamente pelos agentes desconsolidadores de carga. COORDENAÇÃO ESPECIAL DE VIGILÂNCIA E REPRESSÃO Ou seja, em que pese a definição dos usuários contida na redação original do art. 2º da IN SRF nº 102/1994, a nova redação dada em 2014 ao art. 8° daquela norma determinou que a responsabilidade pela desconsolidação de carga no Mantra é do transportador ,enquanto não houver função específica para o desconsolidador. Além disso, ainda que a redação do art. 8º da IN SRF nº 102/1994, tenha sido alterada após a lavratura do auto de infração, deve ser aplicada de forma retroativa por se tratar de norma interpretativa, nos termos do Art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional. Desse modo, entendo que não há como exigir do desconsolidador a inserção de informações em sistema para o qual não havia previsão de seu acesso por meio de função específica. Precedentes mais atuais no CARF, dentre os quais cito os acórdãos a seguir, já adotam essa mesma convicção: Acórdão nº 3003-002.298 (29/03/2023) Acórdão nº 3402-010.088 (10/03/2023) Acórdão nº 3301-012.264 (20/12/2022) Fl. 79DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-013.481 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10715.730318/2012-68 Acórdão nº 3001-001.945 (21/07/2021) Acórdão nº 3402-008.230 (26/04/2021) Diante das razões aqui comentadas, voto pelo provimento do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Flávio José Passos Coelho Fl. 80DF CARF MF Original
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Numero do processo: 19515.720745/2013-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. MULTA QUALIFICADA. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece de recurso especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência evidencia decisão em contexto fático distinto, concernente a exigência decorrente de presunção relativa que não se sujeitou ao qualificação da penalidade, convergindo com o recorrido no qual o gravame foi afastado em relação a infração também provada por presunção.
Numero da decisão: 9101-006.691
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto (relator) que conhecia parcialmente, apenas da matéria Qualificação de multa de ofício Falta de emissão de notas-fiscais. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que manifestou ainda intenção de apresentar declaração de voto.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente em exercício.
(documento assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Luciano Bernart (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Ausente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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CONHECIMENTO. MULTA QUALIFICADA. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência evidencia decisão em contexto fático distinto, concernente a exigência decorrente de presunção relativa que não se sujeitou ao qualificação da penalidade, convergindo com o recorrido no qual o gravame foi afastado em relação a infração também provada por presunção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto (relator) que conhecia parcialmente, apenas da matéria Qualificação de multa de ofício – Falta de emissão de notas- fiscais. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que manifestou ainda intenção de apresentar declaração de voto. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em exercício. (documento assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator. (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Luciano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 45 /2 01 3- 40 Fl. 2206DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 Bernart (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Ausente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência (fls. 2070 a 2089) interposto pela Fazenda Nacional, com amparo no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, contra o acórdão nº 1301-004.781, de 17/09/2020 (fls. 2002 a 2050). O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2008 MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo. Inteligência do art. 2º do Decreto nº 8.303/2014. Ainda que ocorram problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, que não é o caso dos autos, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 2207DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE. Súmula CARF nº 108. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE JURÍDICO COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPOSSIBILIDADE. Ausente comprovação de que os coobrigados possuíam interesse jurídico, e não meramente econômico, na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, impõe-se retirá-los do polo passivo da exigência. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE ADMINISTRADORES DO CONTRIBUINTE. Somente se mantém a responsabilidade atribuída com base no art. 135, III, do CTN àqueles que, comprovadamente, exerciam a administração da pessoa jurídica à época dos fatos gerados da obrigação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Ano-calendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVAS. Somente se mantêm as exigências baseadas em omissão de receitas nos casos em que a autoridade fiscal consegue comprovar, ainda que por indícios convergentes, a materialidade da infração. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à consequente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utiliza-se a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. Fl. 2208DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação às matérias objeto do pedido de desistência parcial (períodos de apuração de agosto a dezembro de 2008), e, na parte conhecida em dar provimento parcial aos recursos para manter a exigência somente em relação à parcela da infração relativa à omissão de receita com base em cancelamento fictício de notas fiscais relativa aos clientes objeto de circularização (Cervejaria Kaiser do Brasil Ltda. e a três filiais da Perdigão Agroindustrial S/A), nos seguintes termos: (i) acolher parcialmente a arguição de decadência em relação ao crédito tributário dos períodos de apuração de janeiro a julho de 2008 e cancelar a parcela do crédito tributário correspondente, mantendo a exigência apenas em relação à parcela da infração relativa à omissão de receita com base em cancelamento fictício de notas fiscais relativa aos clientes objeto de circularização (Cervejaria Kaiser do Brasil Ltda. e a três filiais da Perdigão Agroindustrial S/A); (ii) no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (a) em relação à omissão de receita com base em cancelamento fictício de notas fiscais, excluir da base de cálculo do lançamento todas as notas fiscais que não foram objeto de circularização junto aos clientes, mantendo a multa qualificada de 150% em relação à parcela da exigência remanescente (relativa aos clientes Cervejaria Kaiser do Brasil Ltda. e a três filiais da Perdigão Agroindustrial S/A); (b) cancelar integralmente a infração de omissão de receitas decorrente de pagamentos a fornecedores por meio de recursos mantidos à margem da escrituração; (c) manter a exigência baseada em omissão de receitas decorrente de registros contábeis efetuados na conta contábil Clientes, sem trânsito em conta de resultado, mas reduzir a penalidade aplicada para 75%, entendimento acompanhado pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior com base nas conclusões do voto condutor; e (d) dar provimento parcial ao recurso de Peter Reiter para manter a responsabilidade que lhe foi atribuída - com base no art. 135, III, do CTN - somente em relação à parcela da infração mantida de omissão de receita com base em cancelamento fictício de notas fiscais de venda. A Recorrente pretende por esta via recursal ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial entre Colegiados deste CARF no que respeita às seguintes matérias: (i) IPI - Termo inicial da contagem do prazo decadencial - Falta de pagamento antecipado do tributo; (ii) IPI - Qualificação da multa de ofício - Falta de emissão de notas-fiscais; (iii) IPI - Responsabilidade tributária - Interesse comum - Art. 124 do CTN. O r. despacho de admissibilidade de fls. 2093 e seguintes admitiu parcialmente o Recurso Especial, nos seguintes termos: Em breve síntese, alega a recorrente a existência de divergência interpretativa entre o acórdão recorrido e os acórdãos indicados como paradigmas, nos 1402-005.247 e 1302-004.765, no que Fl. 2209DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 concerne à qualificação da multa de ofício em caso de falta de emissão de notas fiscais. Pois bem, pelo exame dos autos é possível verificar que a recorrente logrou êxito em demonstrar a divergência interpretativa por ela suscitada, mas apenas em relação ao segundo acórdão indicado como paradigma, nº 1302-004.765. Esclareça-se incialmente que o critério adotado pela Turma recorrida para manutenção, ou não, da qualificação da multa de ofício foi o da existência, ou não, de prova direta da omissão de receitas. Nesse sentido, a Turma (i) manteve a qualificadora para a omissão de receitas oriunda do "cancelamento fictício de notas fiscais", sob o entendimento de que em relação a essa infração o autor da ação fiscal juntou aos autos prova direta da infração, quais sejam, as declarações dos clientes informando que as vendas foram efetivamente realizadas, mas (ii) afastou a qualificadora para a omissão de receitas oriunda das "provisões de clientes sem trânsito em contas de receitas", sob o entendimento de que o autor da ação fiscal não juntou aos autos prova direta da infração, mas apenas "indícios convergentes". Vejamos o que consta no despacho decisório sobre esse assunto: No mesmo sentido, os excertos acima transcritos demonstram que a qualificação da multa só foi mantida em relação à infração de omissão de receita com base no cancelamento fictício de notas fiscais de venda, mas não em relação à infração apontada pela Embargante, que diz respeito às “provisões de clientes sem trânsito em contas de receitas”. E o voto condutor apresentou os fundamentos para manutenção dessa autuação (com multa de 75%), pois não considerou que houve dolo na hipótese nem correlação com a infração de cancelamento fictício de notas, como se pode depreender das seguintes passagens: Pois bem, conforme bem demonstrado pela autoridade fiscal, o padrão utilizado pelo contribuinte, quando efetuava registros a débito na Conta Clientes, era contabilizar a contrapartida com um lançamento a crédito em conta de resultados. Contudo, a Fiscalização identificou que havia inúmeros lançamentos contábeis na Conta Clientes, também realizados a débito, mas cujas contrapartidas não seriam contas de resultado. (g.n.) (...) Desse modo, a presente infração decorrente de omissão de receitas deve ser mantida, uma vez que a autoridade fiscal conseguiu comprovar, ainda que por indícios convergentes, a materialidade da infração, sem que os Recorrentes trouxessem Fl. 2210DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 argumentos e provas suficientes para infirmar a conclusão da Fiscalização. (g.n.) A simples leitura dos excertos transcritos evidencia que, para o voto condutor, a infração deve ser mantida, mas sem a qualificação, por ausência de dolo, firme nas premissas de que (i) o contribuinte não conseguiu comprovar o alegado em sua defesa e (ii) a comprovação pela fiscalização se deu por “indícios convergentes”. De se notar que, em nenhum momento, há menção a dolo, fraude ou qualquer outro elemento capaz de manter a qualificação da multa em relação a essa infração. E, para que não restem dúvidas, o voto também consignou, expressamente, a única hipótese em que deve remanescer a qualificação da multa (o que, por óbvio, não se aplica às demais infrações): Vê-se que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. A meu ver, somente a infração relativa à omissão de receitas relativa a cancelamento fictício de notas preenche os requisitos para manutenção da multa qualificada. (g.n.) Isso porque somente em relação àquelas notas fiscais canceladas pelo contribuinte e não oferecidas à tributação em que o Fisco circularizou junto aos clientes e comprovou que as operações efetivamente ocorreram é que houve a prova do dolo parte do contribuinte. (g.n.) Não é crível que tal conduta possa ser caracterizada como mero erro, pois necessitou de registros posteriores à sua emissão para o cancelamento individual e indevido, no Livro Registro de Saídas, de cada uma das notas fiscais em questão. Não há como se admitir que tal conduta possa ser considerada equívoco por parte do contribuinte. Pelo contrário: seus atos foram deliberados ao cancelar notas fiscais de venda que, sabidamente, deram origem à operações efetivamente realizadas, e, em paralelo, deixar de registrar em seus livros contábeis somente aquelas notas objeto de fictício cancelamento, deixado de declarar ao Fisco essa parcela de receita auferida e, consequentemente, dos tributos daí decorrentes. A intenção de sonegar, ocultando o fato gerador, é conclusão imediata e inequívoca. Portanto, em relação a tais infrações, correta a posição do Fisco em exasperar a penalidade. Portanto, resta evidente que inexiste qualquer omissão ou contradição no acórdão questionado, visto que as matérias questionadas Fl. 2211DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 foram devidamente enfrentadas pela decisão e que o resultado do acórdão é consistente com os fundamentos adotados, razão pela qual não há como acolher a pretensão da Embargante. (...) Isso posto, em relação ao primeiro acórdão indicado como paradigma, nº 1402-005.247, a divergência interpretativa suscitada não restou demonstrada, por ausência de similitude fática, uma vez que (i) no caso do paradigma a multa qualificada foi mantida com base em prova direta (circularização junto a clientes, onde foi constatada a prática de notas fiscais "calçadas"), enquanto que (ii) no caso do recorrido a multa qualificada foi afastada para a omissão de receitas decorrente de "provisões de clientes sem trânsito em contas de receitas", justamente em razão da ausência de prova direta. Já em relação ao primeiro paradigma, nº 1302-004.765, a recorrente logrou êxito em demonstrar a divergência interpretativa suscitada, pois ali foi mantida a multa qualificada por meio de prova indireta da omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovados1. (...) Em breve síntese, alega a recorrente a existência de divergência interpretativa entre o acórdão recorrido e os acórdãos indicados como paradigmas, nos 1402-001.729 e 1301-001.6442, no que concerne à responsabilidade tributária atribuída com base no art. 124, I, do CTN. Pois bem, pelo exame do acórdão recorrido é possível verificar que a recorrente logrou êxito em demonstrar a divergência interpretativa por ela suscitada. Embora nos casos tratados nos dois acórdãos indicados como paradigmas tenha havido interposição de pessoas (o que não se passou no caso do recorrido), tal fato não foi considerado importante pelos Colegiados para fins da responsabilização com base no art. 124, I, do CTN (embora o tenha sido para a responsabilização com base no art. 135, III, do CTN). O fato relevante para o julgamento tanto no recorrido quanto em ambos os paradigmas, para fins de atribuição de responsabilidade tributária dos sócios com base no art. 124, I, do CTN, residiu no proveito econômico que estes sócios obtiveram com os ilícitos tributários cometidos pela pessoa jurídica. Nesse sentido, (i) enquanto a Turma recorrida entendeu que o proveito econômico obtido pelo sócio com os ilícitos tributários cometidos pela pessoa jurídica não importa em sua responsabilização com base no art. 124, I, do CTN, (ii) os Colegiados que julgaram os paradigmas entenderam de forma contrária, admitindo a atribuição da responsabilidade tributária nessa hipótese. Fl. 2212DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 No mérito, na parte conhecida, sustenta que o Recorrido teria inflado a conta contábil clientes de forma a acobertar o recebimento dos valores entregues por seus clientes e baixados contra a conta bancos, sem a devida emissão de notas fiscais de vendas, deixando de passar tais valores por conta representativa de receitas - procedimento esse adotado em todos os casos de vendas com emissão de notas fiscais. De fato, o contribuinte praticou omissão dolosa tendente a impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores, revelando, assim, sua intenção deliberada de se eximir do pagamento dos tributos. Não há como se acatar a tese de mero erro. Trata-se, sim, de ato consciente direcionado a retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, o que caracteriza evidente intuito de fraude. Trata-se o caso em questão, realmente, de um comportamento planejado com o propósito de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do tributo pela autoridade fiscal. A co-responsabilização dos sujeitos passivos, fundada no interesse comum na situação jurídica que constitua o fato gerador tributário, nos termos do art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional, resta demonstrada nos autos. Isso em razão da constatação de que tanto a empresa Europack quanto Peter Reiter foram beneficiados com os repasses oriundos de atividades ilícitas realizadas no âmbito da empresa autuada. Registre-se, por oportuno, que tanto a empresa Europack quanto Peter Reiter tinham plena consciência das atividades ilícitas perpetradas. Com efeito, conforme restou explicitado pelo fiscal autuante, o Sr. Peter Reiter constava como sócio administrador da empresa Europack. Assim sendo, sabia perfeitamente das ações atípicas praticadas na empresa. Nesse contexto, tendo-se beneficiado economicamente da fraude perpetrada na Europack, da qual tinham pleno conhecimento, cabível sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, I do CTN, por estar presente o “interesse comum”. Intimada a contribuinte apresenta contrarrazões em que sustenta que a imposição de multa qualificada de ofício em condições como a que se está diante demanda seja comprovado o dolo específico mediante a demonstração comprovada da conduta, com evidente intuito de fraude, o que não é o caso destes Autos. Aliás, restou muito bem fundamentado o acórdão recorrido que, tendo analisado o processo com a devida acuidade, concluiu que, no que atine à penalidade das demais infrações (objeto deste recurso), entendo que o dolo não foi comprovado pelo Fisco, tratando-se de exigências baseadas em encadeamento lógico de fatos e suas conclusões decorrentes, mas sem, contudo, chegar a evidenciar a conduta dolosa por parte do contribuinte com objetivo de suprimir a exigência de tributos. Quanto à responsabilidade sustenta que o termo interesse comum não pode, em hipótese alguma, ser mitigado, sob pena de se conferir, através da interpretação da legislação tributária, imposição demasiada ao contribuinte, sob pena de se transgredir aos princípios da estrita legalidade e do in dubio pro contribuinte, basilares em nosso sistema jurídico tributário. Acresce que para atribuir responsabilidade tributária nos moldes do artigo 124, I do CTN, é indispensável a demonstração do interesse comum na partilha do fato gerador, não bastando o interesse meramente econômico, sendo indispensável o viés jurídico nas condutas perpetradas pelo sujeito a quem se atribui a responsabilidade pelo crédito tributário. É em síntese o relatório. Fl. 2213DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE EVARISTO PINTO, Relator. Recurso Especial da Fazenda Nacional - Admissibilidade Tempestivo o Recurso Especial. Assim dispõe o RICARF no art. 67 de seu Anexo II acerca do Recurso Especial de divergência: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º Para efeito da aplicação do caput, entende-se que todas as Turmas e Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF são distintas das Turmas e Câmaras instituídas a partir do presente Regimento Interno. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartando-se os demais. Fl. 2214DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas, na sua integralidade, no corpo do recurso, admitindo-se ainda a reprodução parcial da ementa desde que o trecho omitido não altere a interpretação ou o alcance do trecho reproduzido. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23-A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I - Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; II - decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543- C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil; e (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) III - Súmula ou Resolução do Pleno do CARF, e IV - decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal que declare inconstitucional tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 13. As alegações e documentos apresentados depois do prazo fixado no caput do art. 68 com vistas a complementar o recurso especial de divergência não serão considerados para fins de verificação de sua admissibilidade. § 14. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (Incluído pela Portaria MF nº 39, de 2016) [...] Fl. 2215DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 Como já restou assentado pelo Pleno da CSRF 1 , “a divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identifiquem ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles”. E de acordo com as palavras do Ministro Dias Toffolli 2 , “a similitude fática entre os acórdãos paradigma e paragonado é essencial, posto que, inocorrente, estar-se-ia a pretender a uniformização de situações fático-jurídicas distintas, finalidade à qual, obviamente, não se presta esta modalidade recursal”. Trazendo essas considerações para a prática, forçoso concluir que a divergência jurisprudencial não se estabelece em matéria de prova, e sim em face da aplicação do Direito, mais precisamente quando os Julgadores possam, a partir do cotejo das decisões (recorrido x paradigma(s)), criar a convicção de que a interpretação dada pelo Colegiado que julgou o paradigma de fato reformaria o acórdão recorrido. Cotejados o acórdão recorrido e o paradigma aceito em relação à primeira matéria (n. º 1302-004.765), ter sido demonstrada a divergência suscitada, conforme bem indica o despacho de admissibilidade: Já em relação ao primeiro paradigma, nº 1302-004.765, a recorrente logrou êxito em demonstrar a divergência interpretativa suscitada, pois ali foi mantida a multa qualificada por meio de prova indireta da omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovados Contudo, mesma conclusão não pode ser alcançada em relação à segunda matéria aceita pelo despacho de admissibilidade, com base no descrito pelo mesmo: Embora nos casos tratados nos dois acórdãos indicados como paradigmas tenha havido interposição de pessoas (o que não se passou no caso do recorrido), tal fato não foi considerado importante pelos Colegiados para fins da responsabilização com base no art. 124, I, do CTN (embora o tenha sido para a responsabilização com base no art. 135, III, do CTN). Em relação ao paradigma n. 1301-001.644, válida transcrição do voto da Ex- Conselheira Lívia Germano no acórdão n. 9101-006.619: Quanto à responsabilidade, o paradigma 1301-001.644 tratou de lançamento por presunção de omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, e responsabilizou a pessoa física que era sócia da contribuinte à época dos fatos autuados, a qual havia se retirado da sociedade registrando-a em nome de pessoas sem capacidade financeira. Diante desse contexto, o voto observa que “No caso especifico, o que sobressai do exame dos autos é que os sócios que constavam do contrato social, são realmente pessoas interpostas por terceiros (“laranjas”).” A responsabilidade é mantida por se entender que, diante desse contexto, o antigo sócio se beneficiou dos valores omitidos: 1 CSRF. Pleno. Acórdão n. 9900-00.149. Sessão de 08/12/2009. 2 EMB. DIV. NOS BEM. DECL. NO AG. REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 915.341/DF. Sessão de 04/05/2018. Fl. 2216DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 Os fatos relatados deixam claro que o ora recorrente tinha interesse comum nos negócios da empresa fiscalizada, uma vez que, conforme demonstrado, ele de fato é que se beneficiou do ardiloso esquema de sonegação. Parece-me claro, então, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN), que, no final das contas, são as receitas e os lucros, dolosamente omitidos, obtidos por meio das operações mercantis da sociedade e que foram repassados ao recorrente. Ali, a responsabilidade tributária é atribuída diante de contexto de interposição de pessoas no quadro societário, o que não encontra paralelo nos presentes autos. Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, compreendo que a Recorrente também não logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial quanto à matéria da responsabilidade tributária. Insta notar, que no acórdão acima referido, o paradigma n. 1402-001.729 já havia sido rejeitado em sede de despacho de admissibilidade, pois: Identificamos os elementos essenciais do acórdão recorrido, no que tange à responsabilidade atribuída a pessoas físicas: a) situação julgada – lançamento de omissão de receitas por presunção legal (art. 42 da Lei 9.430/1996), com base em depósitos bancários de origem não comprovada, abrangendo 03 (três anos-calendário); atribuição de responsabilidade tributária a pessoas físicas com base em fatos apurados na Operação Ararath – a Gercio Marcelino Mendonça Júnior pela condição de principal operador financeiro e beneficiário dos recursos, e a seu pai Gercio Marcelino Mendonça pela condição de sócio administrador da autuada; b) fundamentos da decisão – b.1. quanto a Gercio Marcelino Mendonça Júnior – pessoa física identificada como “principal operador financeiro dos inquéritos da Operação Ararath”, mas a infração foi apurada por presunção legal (art. 42 da Lei 9.430/1996) e com base em extratos bancários, não com base nas provas produzidas no âmbito da Operação Ararath; as conclusões do inquérito seriam de que os recursos correspondiam a empréstimos, e se é possível identificar a origem dos recursos não se aplica o art. 42 da lei 9.430/1996. b.2. quanto a Gercio Marcelino Mendonça – o fato de ser administrador não acarreta responsabilidade por débitos da empresa; a prática reiterada só poderia ser demonstrada por prova direta, não por presunção com base em depósitos bancários; e a não escrituração de movimentação bancária não acarreta a responsabilidade pessoal do administrador. Sendo este o entendimento da decisão recorrida, passamos ao exame dos paradigmas. Fl. 2217DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 Após a leitura integral do primeiro paradigma, acórdão no 1402-001.729, parece-nos, com a devida vênia, que os trechos transcritos pela Recorrente não permitem o perfeito entendimento daquela decisão, no que tange à matéria de responsabilidade solidária. (...) (...). Por este motivo, o paradigma no 1402-001.729 não serve à demonstração da divergência alegada. Mesmo que se extrapole o que ali dito e se verifique a situação das pessoas jurídicas, verifica-se do acórdão paradigma que a manutenção da responsabilidade se deu pela situação específica do caso concreto, mormente a interposição de pessoa: 217. Em razão de todo o exposto ficou comprovada, por meio de inúmeras provas documentais e testemunhais, a utilização da Cordeiro Lopes como interposta pessoa do Sr. Humberto Verre e de suas empresas, que eram os efetivos gestores e beneficiários dos negócios por ela realizados no decorrer do ano de 2008. Durante este período o Sr. Humberto Verre foi o principal interessado e beneficiário nas vendas de mercadorias e serviços da Cordeiro Lopes ao Detran/SP, fatos geradores da obrigação principal, cujo ocultação fez surgir o crédito tributário decorrente desta ação fiscal. Além disso, ficou demonstrado que o Sr. Humberto Verre teve participação ativa na administração do sujeito passivo no período fiscalizado, cuja prova mais contundente seria o documento "Termo e Instrumento de Declarações e Compromisso", verdadeira confissão, assinada pelo próprio Sr. Humberto Verre, sobre o seu papel central na idealização, implementação e gerenciamento deste esquema de utilização da empresa Cordeiro Lopes como interposta pessoa. A meu ver, portanto, os paradigmas suscitados não são aptos a comprovar esta divergência, por ausência de similitude fática, razão pela qual não conheço do recurso em relação a esta matéria. Por tais motivos, entendo restar demonstrada a divergência jurisprudencial apta à ensejar o Recurso Especial tão somente à matéria: Qualificação da multa de ofício - Falta de emissão de notas-fiscais. Ante todo o exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso especial da Fazenda Nacional no que tange à questão da qualificação da multa de ofício. É como voto. (documento assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA, Redatora designada. Fl. 2218DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 O I. Relator restou vencido em seu entendimento favorável ao conhecimento do recurso especial da PGFN quanto à qualificação da penalidade. A maioria do Colegiado compreendeu que o dissídio jurisprudencial não restou demonstrado neste ponto. Nestes autos, somente a PGFN interpôs recurso especial, parcialmente admitido, contra o Acórdão nº 1301-004.781, no qual assim se decidiu: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação às matérias objeto do pedido de desistência parcial (períodos de apuração de agosto a dezembro de 2008), e, na parte conhecida em dar provimento parcial aos recursos para manter a exigência somente em relação à parcela da infração relativa à omissão de receita com base em cancelamento fictício de notas fiscais relativa aos clientes objeto de circularização (Cervejaria Kaiser do Brasil Ltda. e a três filiais da Perdigão Agroindustrial S/A), nos seguintes termos: (i) acolher parcialmente a arguição de decadência em relação ao crédito tributário dos períodos de apuração de janeiro a julho de 2008 e cancelar a parcela do crédito tributário correspondente, mantendo a exigência apenas em relação à parcela da infração relativa à omissão de receita com base em cancelamento fictício de notas fiscais relativa aos clientes objeto de circularização (Cervejaria Kaiser do Brasil Ltda. e a três filiais da Perdigão Agroindustrial S/A); (ii) no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: (a) em relação à omissão de receita com base em cancelamento fictício de notas fiscais, excluir da base de cálculo do lançamento todas as notas fiscais que não foram objeto de circularização junto aos clientes, mantendo a multa qualificada de 150% em relação à parcela da exigência remanescente (relativa aos clientes Cervejaria Kaiser do Brasil Ltda. e a três filiais da Perdigão Agroindustrial S/A); (b) cancelar integralmente a infração de omissão de receitas decorrente de pagamentos a fornecedores por meio de recursos mantidos à margem da escrituração; (c) manter a exigência baseada em omissão de receitas decorrente de registros contábeis efetuados na conta contábil Clientes, sem trânsito em conta de resultado, mas reduzir a penalidade aplicada para 75%, entendimento acompanhado pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior com base nas conclusões do voto condutor; e (d) dar provimento parcial ao recurso de Peter Reiter para manter a responsabilidade que lhe foi atribuída - com base no art. 135, III, do CTN - somente em relação à parcela da infração mantida de omissão de receita com base em cancelamento fictício de notas fiscais de venda. No Acórdão nº 1301-005.952 foram acolhidos, com efeitos infringentes, embargos de declaração opostos pela autoridade encarregada da execução do acórdão embargado, conforme assim expresso ao final de seu voto condutor: Assim, voto para conhecer dos embargos inominados propostos pela Chefe do SECAT em Campinas/SP e Supervisora da Equipe Regional do Contencioso Administrativo – DEVAT08/S, com efeitos infringentes, para que as inexatidões materiais mencionadas sejam esclarecidas da seguinte maneira: (A) Primeiro que para a infração de omissão de receitas com base no “cancelamento fictício de notas fiscais de saídas”, realmente, não é possível que os valores referentes às notas fiscais emitidas para as filias da Perdigão Agroindustrial sejam mantidos pelo acórdão embargado, uma vez que tais valores sequer integraram o auto de infração em questão. (B) Segundo que com relação ao tema da multa qualificada, a discussão remanesceu para todo o período autuado, quer dizer, de janeiro a dezembro de 2012, mesmo com o pedido de desistência do contribuinte, já que este ultimo somente abrangeu a multa de ofício de 75%. Nada obstante, destaque-se que os fundamentos utilizados para manutenção da multa de ofício não levam em consideração o período autuado, mas sim a infração, de modo que somente foi mantida a multa de 150% para a infração de omissão de receitas com base no “cancelamento fictício de notas fiscais de saídas”, independente do período em que tenha se verificado. Fl. 2219DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 Por tal razão, dado os efeitos infringentes dos presentes embargos, o acórdão embargado deve ser alterado quanto ao conhecimento do recurso voluntário do contribuinte para que ele seja conhecido integralmente para o período de janeiro a julho de 2008; e parcialmente para o período de agosto a dezembro de 2008, já que com a petição de desistência o contribuinte somente continuou com a discussão da qualificação da multa de ofício. Já no que diz respeito ao mérito, o acórdão embargado deve ser corrigido para que sejam desconsideradas todas as notas fiscais emitidas pra as filiais da Perdigão Agroindustrial, as quais sequer foram objeto da presente autuação, tal como explicitado nos fundamentos do presente acórdão de julgamento. O recurso fazendário teve seguimento nas matérias: “IPI - Qualificação da multa de ofício - Falta de emissão de notas-fiscais” (paradigma nº 1302-004.765) e “IPI - Responsabilidade tributária - Interesse comum - Art. 124 do CTN” (paradigmas nº 1402-001.729 e 1301-001.644). A Contribuinte contesta apenas o mérito das divergências jurisprudenciais. O Colegiado a quo manteve a qualificação da penalidade somente em relação à infração de omissão de receitas com base em “cancelamento fictício de notas fiscais de saídas” (item 1 do Termo de Constatação de Infração Fiscal (fl. 872), pontuando o relator, Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, em relação às demais infrações, que: RELATÓRIO [...] De acordo com o termo de constatação de infração fiscal de fls. 690 a 711, os lançamentos decorrem de apuração de omissão de receitas decorrente de cancelamento fictício de notas fiscais de vendas, de pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade com baixa da conta contábil “FORNECEDOR” e de lançamentos mensais atípicos efetuados como provisões na conta contábil “CLIENTES - MERCADO INTERNO” sem o trânsito em contas de resultado. Com fundamento nos arts. 71, inciso I, e 80, caput e § 6º, todos da Lei nº 4.502/64, foi aplicada a multa qualificada, no percentual de 150%, pela constatação de sonegação, decorrente da omissão intencional da escrituração das notas fiscais de saídas de vendas efetivas escrituradas como canceladas, do provisionamento da conta clientes, deixando de oferecer como contrapartida conta representativa de receita, e de pagamento de fornecedores com recursos estranhos a contabilidade, resultante de omissão de receita. Além disso, foi feita representação fiscal para fins penais, uma vez que a conduta apurada caracterizaria crime contra ordem tributária, tipificado nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. [...] VOTO [...] A meu ver, somente a infração relativa à omissão de receitas relativa a cancelamento fictício de notas preenche os requisitos para manutenção da multa qualificada. Isso porque somente em relação àquelas notas fiscais canceladas pelo contribuinte e não oferecidas à tributação em que o Fisco circularizou junto aos clientes e comprovou que as operações efetivamente ocorreram é que houve a prova do dolo parte do contribuinte. Não é crível que tal conduta possa ser caracterizada como mero erro, pois necessitou de registros posteriores à sua emissão para o cancelamento individual e indevido, no Livro Registro de Saídas, de cada uma das notas fiscais em questão. Não há como se admitir que tal conduta possa ser considerada equívoco por parte do contribuinte. Pelo contrário: seus atos foram deliberados ao cancelar notas fiscais de venda que, sabidamente, deram origem à operações efetivamente realizadas, e, em paralelo, deixar Fl. 2220DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 de registrar em seus livros contábeis somente aquelas notas objeto de fictício cancelamento, deixado de declarar ao Fisco essa parcela de receita auferida e, consequentemente, dos tributos daí decorrentes. A intenção de sonegar, ocultando o fato gerador, é conclusão imediata e inequívoca. Portanto, em relação a tais infrações, correta a posição do Fisco em exasperar a penalidade. [...] No que atine à penalidade das demais infrações, entendo que o dolo não foi comprovado pelo Fisco, tratando-se de exigências baseadas em encadeamento lógico de fatos e suas conclusões decorrentes, mas sem, contudo, chegar a evidenciar a conduta dolosa por parte do contribuinte com objetivo de suprimir a exigência de tributos. A PGFN contesta a exclusão da qualificação da penalidade em infração na qual teria sido reconhecido que a contribuinte não fazia a emissão devida de notas fiscais. Neste sentido, refere excerto da terceira infração analisada no acórdão recorrido, fixando-se na seguinte expressão em destaque: 3.1.3 PROVISÕES DE CLIENTES SEM TRÂNSITO EM CONTAS DE RECEITAS Segundo a autoridade fiscal autuante, o contribuinte teria efetuado diversos lançamentos mensais, atípicos, a débito da conta “1120200002 – Clientes – Mercado Interno – 2008” registrados como provisões ao longo do ano-calendário, sem que as contrapartidas desses lançamentos, portanto, fossem creditadas em contas de resultado, redundando em omissão de receitas à tributação. Com esse procedimento, prossegue a autoridade administrativa, o contribuinte teria inflado a conta contábil clientes de forma a acobertar o recebimento dos valores entregues por seus clientes e baixados contra a conta bancos, sem a devida emissão de notas fiscais de vendas, deixando de passar tais valores por conta representativa de receitas - procedimento esse adotado em todos os casos de vendas com emissão de notas fiscais. Desse modo, concluiu a Fiscalização tratar-se de receitas não oferecidas à tributação. O contribuinte, tanto em sede de impugnação como no recurso voluntário apresentado, aduz que para todos os lançamentos efetuados a débito na conta contábil 1120200002 – Clientes – Mercado Interno – 2008 existiria o respectivo lançamento a crédito na conta contábil 4120300001 – Custo de Produtos Vendidos, que teriam sido devidamente escriturados, e que os mesmos se prestavam a regularizar o saldo credor de clientes em razão do recebimento de notas fiscais canceladas, ou seja, tais valores já teriam sido submetidos à tributação. Aduzem ainda os Recorrentes que a autoridade fiscal teria presumido a omissão de receita, sem verificar sua efetiva ocorrência, concluindo haver dupla tributação do IRPJ sobre uma mesma receita, uma vez que decorrente do suposto cancelamento fictício de notas fiscais de saída, e que sua escrituração contábil e DIPJ confirmariam suas alegações. Pois bem, conforme bem demonstrado pela autoridade fiscal, o padrão utilizado pelo contribuinte, quando efetuava registros a débito na Conta Clientes, era contabilizar a contrapartida com um lançamento a crédito em conta de resultados. Contudo, a Fiscalização identificou que havia inúmeros lançamentos contábeis na Conta Clientes, também realizados a débito, mas cujas contrapartidas não seriam contas de resultado. Os Recorrentes, por sua vez, informaram que tais lançamentos se prestariam a regularizar o saldo credor de clientes em razão do recebimento de notas fiscais canceladas! Veja-se que há nítida contradição nos argumentos da Recorrente: quando de sua defesa relativa à infração que se refere a notas fiscais ficticiamente canceladas, afirma não haver omissão de receitas, mas em relação à infração relativa aos registros a débito da Fl. 2221DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 Conta Clientes, mas sem contrapartida em conta de resultado, afirma categoricamente que a explicação estaria no recebimento de notas fiscais canceladas, arguindo inclusive tese de dupla tributação em razão dessas duas infrações. Conforme já explanado em meu voto, entendi que somente uma parcela da infração referente às notas fiscais ficticiamente canceladas deveria ser mantida. Ao contrário do alegado pelos Recorrentes, não consegui vislumbrar correlação entre as duas infrações, afastando, portanto, a tese de dupla tributação dos mesmos valores. E, de todo modo, o contribuinte limitou-se a alegar a existência de dupla tributação e também que seus registros contábeis demonstrariam que as contrapartidas desses lançamentos na Conta Clientes teriam sido realizados a crédito de conta resultado, remetendo à análise de sua escrituração contábil e DIPJ. Em ambas as alegações, o contribuinte não foi capaz de apontar um único lançamento ou elementos de prova que corroborassem suas alegações. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: [...] Desse modo, a presente infração decorrente de omissão de receitas deve ser mantida, uma vez que a autoridade fiscal conseguiu comprovar, ainda que por indícios convergentes, a materialidade da infração, sem que os Recorrentes trouxessem argumentos e provas suficientes para infirmar a conclusão da Fiscalização. Como se vê, a premissa do Colegiado a quo foi de que se tratava de omissão de receitas provada por indícios convergentes, acerca dos quais os recorrentes não lograram produzir prova em contrário. Ou seja, foi validada a presunção relativa de omissão de receitas constituída pela autoridade lançadora. Em consequência, a qualificação da penalidade é afastada porque o dolo não foi comprovado pelo Fisco, tratando-se de exigências baseadas em encadeamento lógico de fatos e suas conclusões decorrentes, mas sem, contudo, chegar a evidenciar a conduta dolosa por parte do contribuinte com objetivo de suprimir a exigência de tributos. Do paradigma nº 1302-004.765 a PGFN destaca o seguintes trecho de sua ementa: MULTA DE OFÍCIO E MULTA QUALIFICADA DE 150% Aplica-se a multa qualificada de 75% sobre o montante de crédito tributário apurado em decorrência de receitas omitidas, na forma do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e RIR/1999. Constitui hipótese de qualificação da multa de ofício para 150% sobre os montantes devidos, a conduta ilícita do contribuinte de não emitir, ou emitir com subfaturamento, notas fiscais (notas fiscais calçadas). O exame de admissibilidade partiu da premissa de que no paradigma também foi mantida a multa qualificada por meio de prova indireta da omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovados. Contudo, não é o que se deduz do seu voto condutor, nos seguintes termos: Em sua impugnação e recurso voluntário, a empresa não apresenta nenhum documento comprobatório dos depósitos realizados em suas contas correntes a não ser a lista de fls. 180/187 que não traz nenhum documento a embasar as transações informadas. Para rebater esse ponto da autuação, a recorrente invoca a Súmula CARF nº 25, com o seguinte verbete: Súmula CARF nº 25 Fl. 2222DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Deve-se ressaltar que a matéria deste ponto da autuação não diz respeito à multa qualificada de 150%, mas sobre receita não submetida à tributação (omissão de receita) decorrente de créditos encontrados nos extratos bancários da contribuinte. Não há, portanto, pertinência com o debate a súmula transcrita. No entanto, tem cabimento no caso em questão a inteligência da súmula CARF nº 26, pois reforça os efeitos tributários da omissão de receita, especialmente no ponto em que se presume a disponibilidade da renda auferida pelo contribuinte a partir dos próprios montantes omitidos. Veja-se: [...] (negrejou-se) Infere-se que a afirmação “a matéria deste ponto da autuação não diz respeito à multa qualificada de 150%” significa que multa aplicada sobre o crédito tributário decorrente desta infração não foi qualificada, demandando-se do sujeito passivo a defesa contra a afirmação fiscal de que receitas não foram submetidas à tributação. É certo que o relatório do paradigma não especifica quais infrações foram acrescidas de multa qualificada: O caso trata de auto de infração lavrado contra a empresa em 24/10/2011, no qual foram identificadas as seguintes infrações referente ao ano-calendário de 2007, exercício de 2008: i) Omissão de Receitas – Saldo credor da conta Caixa; ii) Omissão de receitas – Depósitos bancários de origem não comprovada; iii) Falta de emissão de notas fiscais; iv) Subfaturamento de vendas. Sobre tais infrações foram aplicadas multas de 75% e 150%, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Mas a qualificação da penalidade somente é examinada em seu mérito no que se refere à falta de emissão de notas fiscais, nos seguintes termos: 3.4 Das irregularidades na emissão de notas fiscais Conforme narrado, a empresa foi também autuada por não ter emitido notas fiscais para determinadas operações ou emitiu notas com valores que não correspondem à realidade (notas calçadas). Essa constatação foi possível com base na análise dos extratos bancários da recorrente, em que se verificou créditos realizados por quatro empresas. Intimada para justificar os motivos dos depósitos, uma das empresas, Porto Madrid Comércio Importação e Exportação Ltda, informou que pagou à fiscalizada tais valores a título de comissão, mas a autuada não emitiu as respectivas notas fiscais. Em razão dessa informação a recorrente foi notificada para esclarecer e respondeu à intimação alegando que os esclarecimentos necessários constavam da planilha de fls. 180/187, que já era de conhecimento da Fazenda. A fiscalização explica no TVF que na planilha, os valores pagos pela empresa Porto Madrid se referem a comissões e que não foram declarados pela contribuinte. Essa conduta omissa ensejou a aplicação de multa de ofício qualificada para 150% por falta de emissão de documento fiscal obrigatório. A falta de emissão de notas fiscais, especialmente quando essa omissão somente se verifica por procedimento fiscalizatório de iniciativa do Fisco, caracteriza a hipótese do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 e do art. 957, II do RIR, de 1999. [...] A conduta de não emitir notas fiscais, no caso dos autos, tipifica a hipótese do art. 71, I, pois fica caracterizada a sonegação fiscal. Note-se que o contribuinte, ao não emitir as notas fiscais – o que o obrigaria a lançar a receita respectiva em sua contabilidade – retardou o conhecimento da ocorrência do fato gerador do IRPJ. Isso porque, coube à Fl. 2223DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 Fazenda intimar terceiro que aparecia na movimentação bancária da contribuinte para poder desvendar a origem da operação que deu ensejo à receita auferida e omitida. Além de materializar a omissão de receita, a não emissão da nota fiscal, neste caso, não decorreu de mera falha ou descuido, mas da intenção deliberada de omitir receita, tipificando a hipótese do artigo transcrito. Igualmente é o caso da emissão de notas fiscais denotando subfaturamento de vendas (notas fiscais calçadas), condutada também comprovada pela fiscalização. Essa constatação somente foi possível com base nas circularizações realizadas em quatro empresas. Três delas (Pirahy Alimentos Ltda., Cascaju Agraindustrial S/A e Viti Vinícola Cereser ltda.), uma vez intimadas para justificar os depósitos, apresentaram notas fiscais em que foi possível identificar a prática de notas fiscais calçadas, isto é, os valores das notas fiscais entregues pelas empresas não correspondiam aos valores anotados pela fiscalizada. Intimada a esclarecer o ocorrido, a contribuinte admitiu o “erro” e esclareceu que realmente algumas notas foram emitidas em valores inferiores aos que constavam das notas entregues pelas empresas circularizadas. Na mencionada resposta informou também que não havia percebido que alguns talonários de notas foram emitidos em duplicidade. Assim, admitindo a existência de “erro formal” nos valores constantes da notas estaria caracterizada “denúncia espontânea”, levando à exclusão de aplicação da multa. [...] No caso dos autos, a recorrente somente justificou o suposto “erro formal” no curso do procedimento fiscalizatório, ou seja, depois de intimada para esclarecer o cruzamento entre os valores constantes das notas fiscais. A emissão de nota fiscal com subfaturamento (nota fiscal calçada) leva também à aplicação da multa qualificada de 150%, conforme a legislação transcrita anteriormente. [...] Assim, deve ser mantida a autuação e decisão da DRJ no tocante à multa qualificada de 150%, prevista na legislação de regência. Os elementos assim extraídos do relatório e do voto condutor do paradigma confirmam o que expresso em sua ementa: constitui hipótese de qualificação da multa de ofício para 150% sobre os montantes devidos, a conduta ilícita do contribuinte de não emitir, ou emitir com subfaturamento, notas fiscais (notas fiscais calçadas). Se o paradigma contemplasse a qualificação da penalidade também sobre os créditos tributários decorrentes de omissão de receitas presumidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, o outro Colegiado do CARF deveria ter respondido à invocação, pelo sujeito passivo, da Súmula CARF nº 25. Assim, enquanto o outro Colegiado do CARF manteve a qualificação da penalidade em face da demonstração de que o sujeito passivo deixou de emitir notas fiscais sob acusação de subfaturamento (nota fiscal calçada), o Colegiado a quo afastou a qualificação porque evidenciados, apenas, indícios em encadeamento lógico de fatos suficiente para a presunção de omissão de receitas, mas sem, contudo, chegar a evidenciar a conduta dolosa por parte do contribuinte com objetivo de suprimir a exigência de tributos. Em circunstâncias fáticas tão dessemelhantes, o dissídio jurisprudencial não se estabelece. Fl. 2224DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 De fato, nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o recurso especial somente tem cabimento se a decisão der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro Colegiado deste Conselho. Por sua vez, para comparação de interpretações e constatação de divergência é indispensável que situações fáticas semelhantes tenham sido decididas nos acórdãos confrontados. Se inexiste tal semelhança, a pretendida decisão se prestaria, apenas, a definir, no caso concreto, o alcance das normas tributárias, extrapolando a competência da CSRF, que não representa terceira instância administrativa, mas apenas órgão destinado a solucionar divergências jurisprudenciais. Neste sentido, aliás, é o entendimento firmado por todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como são exemplos os recentes Acórdãos nº 9101-002.239, 9202-003.903 e 9303-004.148, reproduzindo entendimento há muito consolidado administrativamente, consoante Acórdão CSRF nº 01- 0.956, de 27/11/1989: Caracteriza-se a divergência de julgados, e justifica-se o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterá-lo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1º vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado. Assim, deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso especial da PGFN no que tange à qualificação da penalidade. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA. Com respeito à responsabilidade tributária de Peter Reiter, a imputação com base no art. 135, III do CTN foi mantida em relação à parcela cuja qualificação da penalidade também foi validada. Já a imputação com base no art. 124, I do CTN foi afastada porque: Em relação à responsabilidade tributária atribuída ao sócio com base no art. 124, I, do CTN, há de ressaltar que o interesse comum na ocorrência do fato gerador a que alude esse dispositivo legal diz respeito ao interesse jurídico, e não meramente econômico, havendo necessidade de comprovação de uma espécie de atividade negocial conjunta entre o contribuinte e o responsável, de modo que reste configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Ocorre que, no caso concreto, a autoridade fiscal não comprovou qualquer espécie de atividade negocial conjunta entre o contribuinte autuado e o sócio Peter Reiter, de modo a poder imputá-lo interesse comum jurídico (e não econômico), na situação que constitua o fato gerador que deu ensejo ao lançamento em debate nestes autos. Fl. 2225DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 Desse modo, com base no art. 124, I, não prospera a responsabilidade tributária atribuída a Peter Reiter. Confrontando a afirmação acima em destaque, a PGFN entendeu pela existência de divergência jurisprudencial em face do paradigma nº 1402-001.729, do qual extraiu o entendimento de que o benefício econômico proveniente de repasses indevidos oriundos da empresa autuada caracteriza o “interesse comum” de que trata o art. 124, I, do CTN, destacando de sua ementa o seguinte excerto: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. EMPRESAS BENEFICIÁRIAS. São solidariamente obrigadas à satisfação do crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, dentre elas as empresas reais beneficiárias das receitas omitidas. Do voto condutor do paradigma, a PGFN destaca várias referências anteriores que conduzem à seguinte conclusão: 146. Em de todo o exposto ficou comprovada, por meio de inúmeras provas documentais e testemunhais, a utilização da Cordeiro Lopes como interposta pessoa do Sr. Humberto Verre e de suas empresas Casa Verre e Santa Izabel, que eram os efetivos gestores e beneficiários dos negócios por ela realizados no decorrer do ano de 2008. Durante este período o Sr. Humberto Verre e suas empresas foram os principais interessados e beneficiários nas vendas de mercadorias e serviços da Cordeiro Lopes ao Detran/SP, fatos geradores da obrigação principal, cujo ocultação fez surgir o crédito tributário decorrente desta ação fiscal. 147. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária das empresas Casa Verre e Santa Izabel pelos créditos constituídos no presente processo administrativo fiscal (nº 19515.722729/2012-19), nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: [...] No exame de admissibilidade, observou-se que a constatação de interposição de pessoas no paradigma não teria afetado a conclusão favorável à responsabilização com fundamento no art. 124, I do CTN. Contudo, não é o que se vê da conclusão acima reproduzida, que expressamente valida a solidariedade atribuída às empresas Casa Verre e Santa Izabel, como efetivas beneficiárias dos negócios realizados pela pessoa jurídica interposta, Cordeiro Lopes. É justamente a ausência deste vínculo, do responsabilizado com o benefício dos “negócios” aqui examinados, que ensejou a conclusão, expressa no voto condutor do acórdão recorrido, de que a autoridade fiscal não comprovou qualquer espécie de atividade negocial conjunta entre o contribuinte autuado e o sócio Peter Reiter. Assim, é inútil confrontar a afirmação, do recorrido, de que o interesse comum na ocorrência do fato gerador a que alude esse dispositivo legal diz respeito ao interesse jurídico, e não meramente econômico. O inteiro teor da decisão evidencia que este interesse jurídico assim demandado nada mais é que o interesse e o benefício econômico provados no paradigma. Ou seja, os acórdãos são convergentes. A mesma dessemelhança se verifica no paradigma nº 1301-001.644, do qual a PGFN destaca: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTAS PESSOAS. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e/ou jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre essas pessoas que se beneficiaram do ilícito. Fl. 2226DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 [...] Os fatos narrados no Relatório de Auditoria Fiscal (TVF), devidamente documentados nos autos, demonstram a saciedade essa conclusão. Apenas a título de exemplo, ressalto que a situação financeira e a atividade econômica dos sócios formais são totalmente incompatíveis com a posição de sócio e administrador da autuada, em suma, não foi encontrada qualquer correlação entre as atividades da empresa e seus sócios formais. Os fatos relatados deixam claro que o ora recorrente tinha interesse comum nos negócios da empresa fiscalizada, uma vez que, conforme demonstrado, ele de fato é que se beneficiou do ardiloso esquema de sonegação. Parece-me claro, então, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN), que, no final das contas, são as receitas e os lucros, dolosamente omitidos, obtidos por meio das operações mercantis da sociedade e que foram repassados ao recorrente. Ao ensejo, exemplifico: [...] A PGFN inclusive reproduz, embora sem destacar, as ponderações subsequentes, nos seguintes termos: A constituição e uso da empresa Duperial para ocultar vultosos valores tributáveis com a utilização de pessoas interpostas, denota que o não recolhimento de tributos resultou de ação dolosa constatada pela omissão de receitas da ordem superior a 12 milhões de reais, no período de um ano, embora nenhum valor tenha sido declarado ou pago ao Fisco Federal. Já a interposição de pessoas tem por fim eximir da cobrança dos tributos não recolhidos dolosamente pela pessoa jurídica e o verdadeiro sócio se beneficiar de seu lucro. Ademais, a necessidade de dissolução regular visa à normal estruturação da sociedade, tanto em termos de gestão quanto de responsabilidade patrimonial. A introdução de sócio "laranja" na pessoa jurídica ofende essa normalidade, configurando uma dissolução irregular em seu sentido latu sensu. Diante das provas e fundamentos da autuação fiscal, discorridas no Relatório de Auditoria (TVF), está cabalmente comprovado nos autos que a empresa “Duperial” realizou operações comerciais durante o ano de 2008 que implicaram em receitas brutas no montante de R$ 12.362.623,97, quantificada pelos créditos bancários de origem não justificada, seja durante a fiscalização, seja nas peças de defesa. (destacou-se) Como se vê, também aqui a constatação de interposição de pessoas afetou a conclusão favorável à responsabilização com fundamento no art. 124, I do CTN, pois o interesse econômico foi evidenciado em face do sócio de fato, em relação ao lucro da pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas. Nota-se na argumentação de mérito da PGFN que, em seu entendimento, a figuração do imputado como sócio administrador da pessoa jurídica seria suficiente para evidenciar o benefício econômico que justificaria a responsabilização com fundamento no art. 124, I do CTN. A recorrente assim conclui sua abordagem desta matéria: Registre-se, por oportuno, que tanto a empresa Europack quanto Peter Reiter tinham plena consciência das atividades ilícitas perpetradas. Com efeito, conforme restou explicitado pelo fiscal autuante, o Sr. Peter Reiter constava como sócio administrador da empresa Europack. Assim sendo, sabia perfeitamente das ações atípicas praticadas na empresa. Nesse contexto, tendo-se beneficiado economicamente da fraude perpetrada na Europack, da qual tinham pleno conhecimento, cabível sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, I do CTN, por estar presente o “interesse comum”. (destacou-se) Contudo, nenhum dos paradigmas indicados endossam esta interpretação. Ambos julgados afirmam o benefício econômico em face de sujeitos passivos que se ocultavam por trás Fl. 2227DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 9101-006.691 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720745/2013-40 de interpostas pessoas, e não em razão da administração exercida e conhecimento das ações fraudulentas praticadas. Por tais razões, também neste segundo ponto deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 2228DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901037/2008-47
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PER/DCOMP. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO
OCORRÊNCIA. Não se caracteriza a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando este deixa de juntar à manifestação de inconformidade documentação contábil e fiscal comprobatória do direito alegado, não sendo suficiente a mera apresentação de DCTF retificadora.
PER/DCOMP. PIS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO.
COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite daquele.
Numero da decisão: 3801-000.708
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 3.747,68, na data de 15/01/2003, homologando a compensação até o valor original de R$ 3.397,36, conforme pretendido pelo contribuinte (fl. 05), observando que o mesmo pagamento é objeto também do processo administrativo nº 10283.900943/200824.]
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não se caracteriza a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando este deixa de juntar à manifestação de inconformidade documentação contábil e fiscal comprobatória do direito alegado, não sendo suficiente a mera apresentação de DCTF retificadora. PER/DCOMP. PIS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite daquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 3.747,68, na data de 15/01/2003, homologando a compensação até o valor original de R$ 3.397,36, conforme pretendido pelo contribuinte (fl. 05), observando que o mesmo pagamento é objeto também do processo administrativo nº 10283.900943/200824.] Magda Cotta Cardozo (assinado digitalmente) Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Leonardo Mussi da Silva (suplente) e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo (suplente). Fl. 85DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.901037/200847 Acórdão n.º 380100.708 S3TE01 Fl. 83 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJBelém/PA, abaixo transcrito: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação transmitida em 15.03.2004, em que foi efetivada a compensação de débitos do PIS/Pasep com crédito da mesma contribuição, referente a dezembro de 2002, no valor total de R$ 3.397,36, que teria sido recolhido a maior através de DARF, em 15.01.2003. 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl.06), considerou “não homologada” a referida compensação por não haver localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil saldo no DARF através do qual teria havido o pagamento a maior. 3. Cientificada em 24.05.2008 (fl. 09) a interessada apresentou, tempestivamente, em 23.06.2008, manifestação de inconformidade (fls. 10/11) na qual, em síntese, informa haver retificado sua DCTF referente ao período, informando o valor correto devido pela empresa, sendo que o recolhimento a maior deuse por erro na aplicação da alíquota.” Analisando o litígio, a DRJBelém/PA considerou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 40/41), conforme ementa abaixo transcrita: DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Às fls. 44 a 50 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: • Se a decisão atacada reconhece a necessidade de “livros fiscais e demais documentos de suporte capazes de indicar o quantum do tributo efetivamente devido” para acolher a pretensão, deveria ter lançado mão de seu poder para requerer diligências e informações à parte para elucidação de tais questões; • Negligenciando o impulso oficial, desrespeitou os princípios da oficialidade e do formalismo moderado; Fl. 86DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.901037/200847 Acórdão n.º 380100.708 S3TE01 Fl. 84 3 • A autoridade administrativa deve observância aos princípios do processo administrativo, buscando garantir o contraditório e a ampla defesa, garantia constitucional; • No presente caso, o julgador não só se afastou da busca da verdade material, como também preteriu o direito de defesa, cabendo a aplicação da segunda parte do inciso II do artigo 59 do PAF; • Assim, requer a recorrente a anulação da decisão atacada; • A recorrente entende suficientes os documentos apresentados, visto que a DCOMP se apresenta por meio eletrônico, sendo que o cotejo dos valores informados na DCTF retificada com aqueles constantes dos DARF revelamse suficientes à análise do pleito; • Os valores constantes da DCTF retificada, tal qual na original, são confissão de dívida; • Assim, entendendo pela necessidade de provas documentais, o julgador cria situação que não existe, com dois pesos e duas medidas, pois para a DCTF original a exigência é nenhuma, e para a retificadora devese provar o informado; • A decisão recorrida se refere a créditos constituídos antes da retificação da DCTF, criando nova situação fáticojurídica não prevista pelo contribuinte, carecendo da necessária contra prova, sob pena de incorrer em preterição do direito de defesa, mais uma vez; • Assim, com base no § 4º do artigo 16 do PAF, fazse pertinente a juntada de documentos adicionais, requerendose sua juntada, que segue acostada; • A DCTF retificadora informa o correto valor devido de PIS (R$ 2.826,81), enquanto que o recolhido em DARF foi R$ 6.574,49; • A DIPJ/2004 indica o faturamento da recorrente, base de cálculo do PIS na alíquota de 0,65%, bem como cópias dos Livros de Registro de Apuração de ICMS da matriz e filiais; • Assim, induvidosa a existência de pagamento além do devido e procedente a compensação realizada nos seus limites. É o relatório. Voto Fl. 87DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.901037/200847 Acórdão n.º 380100.708 S3TE01 Fl. 85 4 Conselheiro Magda Cotta Cardozo, Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Trata o presente caso de DCOMP apresentada em 15/03/2004 (fls. 01 a 05), na qual é informado como origem do crédito pagamento de PIS, relativo ao PA 12/2002, no valor de R$ 6.574,49, compensado com débito de PIS. Tal pretensão foi indeferida pela DRF/Manaus – AM em 05/2008, em razão de estar todo o valor pago vinculado ao crédito tributário declarado na DCTF respectiva. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte afirma ter incorrido em erro na apuração do PIS no período em questão, calculando a contribuição na alíquota de 1,65%, e não 0,65%, como seria correto, em razão de sua opção pelo Lucro Presumido, sem, no entanto, juntar qualquer documentação aos autos. Informa, ainda, ter apresentado DCTF retificadora. A DRJ/Belém – PA manteve a nãohomologação, entendendo ser ônus do contribuinte a apresentação de prova documental comprobatória do direito alegado, o que não foi feito nos presentes autos. Em seu recurso voluntário, o contribuinte alega, preliminarmente, o cerceamento ao seu direito de defesa pela decisão de 1ª instância, uma vez que o órgão julgador deveria ter intimado a empresa a apresentar os documentos que entendesse necessários, devendo buscar a verdade material dos fatos. Entende também ser suficiente a apresentação de DCTF retificadora. Conforme se verifica nos autos, apesar de a DCOMP ter sido apresentada pelo contribuinte em 15/03/2004, a informação contida na DCTF original, relativa ao valor devido a título de PIS no PA 12/2002, origem do alegado direito creditório, somente foi alterada pela empresa em 30/05/2008 (fl. 14), por meio da declaração retificadora. A retificação dos valores informados na DCTF, por si só, não é suficiente para atestar a correção de tal alteração, cabendo sua comprovação por meio dos documentos contábeis e fiscais respectivos, presumindose correta a informação inicial, uma vez que supostamente baseada nos registro contábeis e fiscais da empresa. Alterandose a situação originalmente informada, deve ser tal alteração comprovada por meio documental, especialmente quando dela decorre direito creditório. Assim, o pagamento efetuado já se encontrava, desde 2003, vinculado integralmente ao respectivo crédito tributário, decorrente da DCTF original, não podendo ser tal situação alterada pela mera apresentação de DCTF retificadora, razão pela qual foi proferida a decisão original da DRF/Manaus AM. Vêse que a empresa, em sua manifestação de inconformidade, não juntou aos autos qualquer documentação comprobatória de sua alegação, restringindose a mencionar a existência da DCTF retificadora, e o erro na apuração da contribuição. Desta forma, não se verifica a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa da empresa em nenhum momento processual, visto que a ela caberia comprovar documentalmente a correção da retificação procedida na DCTF original e, conseqüentemente, Fl. 88DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.901037/200847 Acórdão n.º 380100.708 S3TE01 Fl. 86 5 do direito creditório pretendido, uma vez que dela partiu o ato original que deu origem à compensação, por meio da apresentação da DCOMP. No mérito, afirma ter havido erro na apuração do PIS pago, utilizandose a alíquota aplicável ao Lucro Real (1,65%), e não ao Presumido (0,65%), como seria correto, juntando aos autos cópias da DIPJ/2003 (fls. 59/60) e do Livro de Apuração de ICMS da matriz e filiais (fls. 61 a 80). Sobre a questão, dispõe o artigo 8º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (...) Conforme se vê pelas informações contidas na DIPJ/2003, a empresa optou, no anocalendário de 2002, pela apuração do lucro com base no Lucro Presumido, permanecendo, portanto, sujeita à apuração do PIS com base na sistemática cumulativa, à alíquota de 0,65%, como determina a norma acima transcrita. Em conseqüência, chegase ao valor de R$ 2.826,81 como devido a título daquela contribuição no mês de dezembro, correspondendo a um faturamento de R$ 434.894,19, apesar de constar na DIPJ o valor a pagar de R$ 6.574,48. Nos Livros de Apuração de ICMS do mês de dezembro de 2002, vêse o registro dos seguintes valores, a título de vendas de mercadorias adquiridas/recebidas de terceiros: R$ 91.326,57 (matriz), R$ 126.652,62 (filial 0002), R$ 60.757,02 (filial 0004), R$ 73.327,70 (filial 0005) e R$ 82.830,28 (filial 0007), totalizando exatamente R$ 434.894,19, valor idêntico àquele informado na DIPJ/2003. Desta forma, entendo que, apesar do erro verificado na DIPJ/2003, efetivamente restou comprovada nos autos a ocorrência de pagamento de PIS em valor superior ao devido, relativamente ao PA 12/2002, sendo devido o valor de R$ 2.826,81, e recolhido o valor de R$ 6.574,49 (fl. 58), caracterizandose como indevido o valor original de R$ 3.747,68. Em conseqüência, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 3.747,68, na data de 15/01/2003, homologando a compensação até o valor original de R$ 3.397,36, conforme pretendido pelo contribuinte (fl. 05), observando que o mesmo pagamento é objeto também do processo administrativo nº 10283.900943/200824. Magda Cotta Cardozo (assinado digitalmente) Fl. 89DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.901037/200847 Acórdão n.º 380100.708 S3TE01 Fl. 87 6 Fl. 90DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13706.002641/2008-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos contados da data de sua constituição definitiva, sendo inaplicável a prescrição intercorrente nos processos administrativos fiscais (Sumula CARF nº 11).
IMPOSTO RETIDO NA FONTE DEPOSITADOS JUDICIALMENTE. COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE.
O valores depositados judicialmente a título de IRRF, cuja exigibilidade esteja suspensa não podem ser compensados na Declaração de Ajuste Anual (DAA), porém os rendimentos originados destes depósitos também devem ser dela excluídos.
Numero da decisão: 2001-006.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para recalcular a base de cálculo do lançamento excluindo dela os rendimentos com exigibilidade suspensa, no valor total de R$ 55.363,94.
(documento assinado digitalmente)
Honorio Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Rocha Paura - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: MARCELO ROCHA PAURA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos contados da data de sua constituição definitiva, sendo inaplicável a prescrição intercorrente nos processos administrativos fiscais (Sumula CARF nº 11). IMPOSTO RETIDO NA FONTE DEPOSITADOS JUDICIALMENTE. COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. O valores depositados judicialmente a título de IRRF, cuja exigibilidade esteja suspensa não podem ser compensados na Declaração de Ajuste Anual (DAA), porém os rendimentos originados destes depósitos também devem ser dela excluídos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para recalcular a base de cálculo do lançamento excluindo dela os rendimentos com exigibilidade suspensa, no valor total de R$ 55.363,94. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos contados da data de sua constituição definitiva, sendo inaplicável a prescrição intercorrente nos processos administrativos fiscais (Sumula CARF nº 11). IMPOSTO RETIDO NA FONTE DEPOSITADOS JUDICIALMENTE. COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. O valores depositados judicialmente a título de IRRF, cuja exigibilidade esteja suspensa não podem ser compensados na Declaração de Ajuste Anual (DAA), porém os rendimentos originados destes depósitos também devem ser dela excluídos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para recalcular a base de cálculo do lançamento excluindo dela os rendimentos com exigibilidade suspensa, no valor total de R$ 55.363,94. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 26 41 /2 00 8- 69 Fl. 66DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.529 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.002641/2008-69 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: A Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física nº 2006/607435074442018 apurou crédito tributário no valor de R$ 12.779,81 (fls. 06 a 08). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 08), a autoridade fiscal informa compensação indevida de imposto de renda retido na fonte relativo à fonte pagadora Fundação Petrobrás de Seguridade Social – PETROS, CNPJ 34.053.942/0001-50, no valor de R$ 8.935,06. Cientificado do lançamento em 04/04/2008 (fl. 16), ingressa o interessado, em 30/04/2008, com a impugnação (fl. 02) e respectiva documentação. Em síntese, o contribuinte esclarece que não concorda com o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, uma vez que o imposto de R$ 8.935,06 foi retido na fonte. Cita o processo 2001.51.01.011377-2 (8ª Vara Federal do Rio de Janeiro), referente ao depósito judicial do IRRF. Anexou aos autos o DARF no valor de R$ 935,17 (fl. 04), o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte - Ano-calendário 2005 (fl. 05) e o RG (fl. 09). A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEPÓSITO JUDICIAL. Não tendo ocorrido a conversão em renda do IRRF depositado judicialmente, não pode o valor correspondente ser considerado na apuração da DAA. LANÇAMENTO. OBJETO. AÇÃO JUDICIAL. Tendo o lançamento o mesmo objeto submetido à apreciação do Poder Judiciário, deve ser aplicada à exigência a decisão final proferida nos autos judiciais. Cientificado da decisão de primeira instância em 22/05/2014, o sujeito passivo interpôs, em 10/06/2014, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) a omissão de rendimentos referentes a resgate de previdência privada é improcedente b) inexistência de omissão em razão dos rendimentos, objeto do lançamento, serem isentos ou não tributáveis c) ocorrência de prescrição intercorrente É o relatório. Voto Conselheiro(a) Marcelo Rocha Paura - Relator(a) Fl. 67DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.529 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.002641/2008-69 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Da Matéria em Julgamento A matéria constante na presente autuação devolvida a este Conselho para reanálise por meio de Recurso Voluntário é a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte por Fundação Petrobrás de Seguridade Social, CNPJ nº 34.053.942/0001-50, no valor de R$ 8.935,06. Da Preliminar Da Prescrição Intercorrente O interessado alega a ocorrência de prescrição intercorrente do crédito tributário, conforme a legislação em vigor. Esclarecemos que, segundo o artigo 174 do CTN, a ação de cobrança do crédito tributário somente prescreve após transcorridos cinco anos, a contar da data de sua constituição definitiva, in verbis: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Contudo, quando o contribuinte optou por discutir, em sede administrativa, este lançamento ela deu início a fase litigiosa do procedimento fiscal, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, tudo de acordo com o artigo 14 do Decreto nº 70.235/72 e com o artigo 151 do CTN, Decreto nº 70.235/72 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Lei nº 5.172/76 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ... III – as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Este fato suspendeu a ação de cobrança por parte da Administração Pública. Em outras palavras, o prazo prescricional desta lide somente fluirá após a prolação de decisão administrativa definitiva para a qual não caiba recurso ou o mesmo não seja interposto. Além disso, é pacífico no CARF que no processo administrativo fiscal não se aplica a prescrição intercorrente, conforme dispõe o enunciado de sua Súmula nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Sem razão o sujeito passivo, neste ponto. Do Mérito Da Compensação Indevida de IRRF Bem, a lide restringe-se à possibilidade de compensação na Declaração de Ajuste Anual (DAA) de valores retidos na fonte depositados em juízo. Fl. 68DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.529 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.002641/2008-69 O Julgamento de piso fundamentou a manutenção glosa, da seguinte forma (e-fls. 33): Rendimentos tributáveis com processo judicial: R$ 55.363,94; IR depositado judicialmente: R$ 8.935,06; e o Número do processo: 2001.51.01.011377-2, 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro, RJ. ... Da análise da Declaração de Ajuste Anual – 2006 (fls. 28/29), verifica-se que o impugnante declarou como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica pelo titular e como imposto retido na fonte os valores de R$ 66.537,94 e R$ 8.935,06. A pesquisa à Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf (Resumo do Beneficiário - Detalhamento Mensal) relativa ao CPF 033.489.207-44 do impugnante, Haroldo Contreiras Rangel, mostra no campo Exigibilidade Suspensa rendimento tributável de R$ 55.363,94 e depósito judicial de R$ 8.935,06 (fl. 30). Tendo em vista o acima exposto, conclui-se que os rendimentos incluídos na ação judicial somente serão, ou não, considerados tributáveis após o trânsito em julgado, cabendo a aplicação da decisão judicial final ao presente lançamento. Da mesma forma, o destino do IRRF, depositado judicialmente, somente será decidido após o referido trânsito, só podendo ser considerado para fins de apuração na DAA após a conversão em renda da União. No presente caso, vemos que o recorrente informou em sua DIRPF (e-fls. 11/13), exercício 2006, rendimentos tributáveis recebidos de Fundação Petrobrás de Seguridade Social, no valor de R$ 55.363,94 e imposto retido na fonte de R$ 8.935,06. Da observação do respectivo comprovante de rendimentos (e-fls. 5), verifica-se que contém, praticamente, os mesmos montantes de rendimentos recebidos e valores retidos na fonte declarados na DIRPF do interessado. Contudo, deve-se ressaltar o contido nas informações complementares daquele comprovante que indica a existência de rendimentos com exigibilidade suspensa, no valor de R$ 55.363,94 e depósito judicial de IRRF, no valor de R$ 8.935,06. Consultando a Notificação de lançamento, emitida pela autoridade lançadora, especialmente o demonstrativo de apuração do imposto devido (e-fls. 20), nota-se que foram considerados como rendimentos tributáveis os rendimentos auferidos da Petros e foram glosados R$ 8.935,06 de imposto pago. Desta forma, assiste razão ao recorrente no sentido de que o lançamento tributário, em sua apuração, somente considerou o IRRF suspensos, não afastando também os respectivos rendimentos. É escorreito que o contribuinte não poderia ter-se compensado dos valores depositados judicialmente a título de IRRF, mas também não poderiam ter sido tributados os respectivos rendimentos com exigibilidade suspensa depositados em juízo pela fonte pagadora. E, como visto, isto não foi observado no lançamento tributário. Com efeito, os rendimentos e seu respectivo IRRF, depositado em juízo, devem ser excluídos da DAA do declarante, nos casos em que haja discussão judicial sobre a incidência de IRPF sobre aqueles valores. Fl. 69DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-006.529 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13706.002641/2008-69 Este também é o entendimento albergado pela Solução de Consulta Interna nº 9 – Cosit, de 18/03/2013, com a qual este julgador concorda plenamente, ementa in verbis: RENDIMENTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAR O IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL (DAA). Os rendimentos com a exigibilidade suspensa em função de ter havido o depósito do montante integral do respectivo imposto sobre a renda, devem ser excluídos do total de rendimentos tributáveis informados na DAA. Não pode ser compensado na DAA o valor depositado judicialmente a título de IRRF cuja exigibilidade esteja suspensa. Deve ser conhecida a impugnação do sujeito passivo, tendo em vista não se verificar concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), art. 151. Assim, voto pelo recálculo da base de cálculo desta notificação de lançamento para que sejam excluídos os rendimentos com exigibilidade suspensa, no valor de R$ 55.363,94. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, rejeito a preliminar arguida, e no mérito DOU-LHE PROVIMENTO PARCIAL para recalcular a base de cálculo do lançamento excluindo dela os rendimentos com exigibilidade suspensa, no valor total de R$ 55.363,94. (documento assinado digitalmente) Marcelo Rocha Paura Fl. 70DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10410.000591/2004-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA.
RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo
administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa.
PER/DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL.
TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos decorrentes de ação judicial somente é viável após o trânsito em julgado da decisão judicial que a autorizou.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O prazo de 5 (cinco) anos para homologação da compensação é contado a partir da apresentação da declaração retificadora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-000.661
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa. PER/DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos decorrentes de ação judicial somente é viável após o trânsito em julgado da decisão judicial que a autorizou. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo de 5 (cinco) anos para homologação da compensação é contado a partir da apresentação da declaração retificadora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.000591/200489 Acórdão n.º 3801000.661 S3TE01 Fl. 123 2 EDITADO EM: 04/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Arno Jerke Junior, Andréa Medrado Darzé e José Luiz Bordignon. Ausente a Conselheira Andreia Dantas Lacerda Moneta. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.000591/200489 Acórdão n.º 3801000.661 S3TE01 Fl. 124 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de pleito compensatório relativo a débitos diversos formulado, em 17/02/2004, por meio das Declarações de Compensação – DCOMP de fls. 01/10, no qual a interessada informa ser o crédito a considerar originário de ressarcimento de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI relativo ao processo nº 10410.001102/00 57. Às fls. 19, 30 e 34, constam requerimentos da interessada, recepcionados, respectivamente, nos dias 05/10/2005, 29/03/2007 e 13/06/2007, que objetivaram substituir, pelas DCOMP a eles anexadas, as declarações originalmente apresentadas. Posteriormente, em face do Parecer de fls. 41/42, ratificado pelo Despacho Decisório de fl. 43, a DRF em Maceió/AL indeferiu o pleito apresentado, justificando que a interessada possuía ação judicial impetrada com o mesmo objeto requerido no processo nº 10410.001102/0057, relativo ao ressarcimento dos créditos a serem considerados na compensação pretendida. Tendo sido cientificada em 14/07/2008 (ciência pessoal às fls. 41), a interessada apresentou tempestivamente, em 13/08/2008, manifestação de inconformidade (fls. 57/64) aduzindo em sua defesa, em síntese, as seguintes razões: Argúi que o fato de haver, em relação ao processo referente ao crédito pleiteado (nº 10410.001102/0057), decisão administrativa pendente implica na adoção de efeito suspensivo quanto a não homologação das compensações requeridas, até que haja pronunciamento definitivo da administração. Alega que em vista da demora na apreciação do seu pleito administrativo ingressou com ação ordinária (nº 2000.80.00.0076897), com pedido de antecipação de tutela, a fim de assegurar o seu direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos, com base no que dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779/99. A propósito, assevera que perícia judicial contábil teria confirmado a existência dos créditos pleiteados. Passa a defender a possibilidade de concomitância entre o pleito relativo à ação judicial e o requerimento administrativo formulado. Para tanto, além de alegar que o pedido administrativo é anterior à ação ajuizada, assevera que não existiria vedação legal à mencionada concomitância dos aludidos pleitos. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.000591/200489 Acórdão n.º 3801000.661 S3TE01 Fl. 125 4 Afirma que inexiste dispositivo no Decreto nº 70.235/72 que proíba a coexistência dos processos administrativo e judicial e que a sua pretensão seria pautada no art. 62 do referido Decreto, o qual dispõe sobre a não suspensão do processo fiscal mesmo quando da existência de medida judicial suspendendo a cobrança de tributo. Quanto ao tema, alega ainda que, no sentido de atribuir à propositura de ação judicial o caráter de renúncia às instâncias administrativas, houve tentativa do Poder Executivo de revogar o citado dispositivo (art. 62 do Decreto 70.235), a qual fracassou com a rejeição pelo Congresso Nacional da MP nº 75/2002. Por fim, requer a reforma da decisão hostilizada no sentido de homologar a Declaração de Compensação apresentada, assim como, a suspensão da exigência dos créditos tributários objeto da referida declaração. A DRJ em Recife (PE) indeferiu a solicitação, fls. 92 a 96, nos termos da ementa abaixo transcrita: OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do pedido administrativo implica renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA CRÉDITOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. Somente poderão ser objeto de compensação os créditos do contribuinte reconhecidos por decisão judicial com trânsito em julgado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 98 a 107, instruído com os documentos de fls. 108 a 120. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o ato declaratório COSIT n.° 03/96 não exerce qualquer vinculação para os contribuintes em geral. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.000591/200489 Acórdão n.º 3801000.661 S3TE01 Fl. 126 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio tem como principal controvérsia o fato do sujeito passivo poder litigar sobre a mesma matéria nas esferas administrativa e judicial concomitantemente. A requerente sustenta que não há vedação legal à concomitância do pleito referente ao pedido de ressarcimento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) nos âmbitos administrativo e judicial. Não assiste razão à interessada. É incontroverso que a recorrente ajuizou uma ação ordinária, autos nº 2000.80.00.0076897, junto à 1ª Vara Cível Federal de Alagoas objetivando o direito de se creditar do IPI relativo à aquisição de insumos de acordo com a Lei 9.779/99. Assim sendo, é indubitável que o direito creditório objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo, ressarcimento e posterior compensação dos valores relativos aos créditos de IPI oriundos das operações de aquisição de insumos. Destarte, ao contrário do alegado de falta de previsão legal, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a Fl. 126DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.000591/200489 Acórdão n.º 3801000.661 S3TE01 Fl. 127 6 propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de Fl. 127DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.000591/200489 Acórdão n.º 3801000.661 S3TE01 Fl. 128 7 recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Além do mais, quando as compensações foram declaradas, a ação judicial não havia transitado em julgado. Como relatado, a recorrente, por meio da apresentação de Declarações de Compensação, pleiteou a compensação de suposto crédito do IPI com débitos de diversos tributos com base no processo judicial nº 2000.80.00.0076897. Em consulta ao site do Tribunal Regional Federal da 5ª região constatase que essa ação judicial encontrase com o recurso de apelação da Fazenda Nacional pendente de apreciação. De tal sorte que é incontestável que no momento da apresentação das declarações de compensação, a ação judicial não havia transitado em julgado. Deste modo, aplicase a Lei Complementar nº 104, de 1012001, publicada no Diário Oficial da União de 11/01/2001, que acrescentou o art. 170A ao Código Tributário Nacional, que passou a vedar a compensação realizada antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial: Fl. 128DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.000591/200489 Acórdão n.º 3801000.661 S3TE01 Fl. 129 8 “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.”(grifouse) O dispositivo legal acima, por se tratar de autêntico comando processual, é dotado de aplicabilidade imediata a partir de sua publicação. Destarte, as compensações somente seriam possíveis após o trânsito em julgado da decisão judicial que a autorizou, conforme bem assentou a decisão recorrida. Não se pode perder de vista que a compensação é uma das modalidades de extinção do Crédito Tributário, cujo procedimento se dá entre créditos líquidos e certos com débitos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo, segundo o art. 170 do CTN, que por sua vez remete à lei ordinária a disciplina da matéria: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” (grifouse). Desta forma, a Lei nº 9.430/96 estipulou as condições da compensação tributária, tendo estabelecido, em consonância com o art. 170A do CTN, como requisito para a compensação de crédito oriundo de ação judicial o trânsito em julgado, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão”. (Redação dada pela Lei nº 10.637/2002) (grifouse) Ademais, em que pese a sentença favorável à interessada, as compensações não poderiam ter sido efetivadas antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial nos termos do art. 170A do CTN e do art. 74 Lei nº 9.430/96. Registrese, ainda, que o fato da Administração não se ter pronunciado de forma definitiva em relação ao pedido de ressarcimento nº 10410.001102/0057 não influi no indeferimento das compensações nos termos das razões deste voto. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria objeto desse processo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 129DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10410.000591/200489 Acórdão n.º 3801000.661 S3TE01 Fl. 130 9 Fl. 130DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 04/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 04/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000928/2005-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98.
INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL.
Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deixa-se de aplicar o referido
dispositivo, conforme determinado pelo art. 62-A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (Regimento Interno do CARF).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
Numero da decisão: 3801-000.648
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, excluindo-se da base de cálculo os valores referentes as receitas financeiras, conforme quadro “DEMONSTRATIVO DAS RECEITAS FINANCEIRAS ANO CALENDÁRIO 2001”, fls. 132.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL. Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme determinado pelo art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (Regimento Interno do CARF). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, excluindose da base de cálculo os valores referentes as receitas financeiras, conforme quadro “DEMONSTRATIVO DAS RECEITAS FINANCEIRAS ANO CALENDÁRIO 2001”, fls. 132. Fl. 330DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 08/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 2 (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Arno Jerke Júnior, Andréa Medrado Darzé (suplente) e José Luiz Bordignon. Ausente a Conselheira Andréia Dantas Lacerda Moneta. Fl. 331DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 08/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.000928/200589 Acórdão n.º 380100.648 S3TE01 Fl. 321 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo do auto de infração de fls. 133/143, em que são exigidos R$ 73.364,88 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e R$ 55.023,60 a título de multa de ofício de 75%, além dos encargos legais, referente aos períodos de apuração janeiro a dezembro do ano calendário 2001, e cuja motivação foi a falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição, conforme consta da descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 134/135, demonstrativo de apuração de fls. 136/137, demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 138/139 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 140/142; a fundamentação legal da presente autuação encontra se às fls. 134 (principal) e 139 (multa de ofício e juros de mora). Cientificada da autuação em 25/04/2005 (fl. 133), a interessada, por meio de procurador (mandato à fl. 196), apresentou, em 20/05/2005, a impugnação de fls. 145/194, instruída com os documentos de fls. 195/265, a seguir resumida. Após falar de forma sintética sobre os fatos que levaram à autuação, alega, como preliminar, nos itens "II.1 — O débito objeto do auto de infração encontrase sub judice", "11.2 — Da relação de prejudicialidade entre as demandas judiciais e a conseqüente vedação a instauração de procedimentos criminais contra os representantes legais da empresa impugnante”, "11.3 — Da prejudicialidade criminal — dependência de decisão final na esfera administrativa para fins penais”: (a) que os valores dos débitos do auto de infração seriam objeto de discussão na Ação Ordinária n.° 2002.34.00.0375426 (Vara Federal de Brasília/DF), o que também se traduziria em denúncia espontânea, entendendo que seria "medida justa e coerente” a imediata suspensão do procedimento fiscal; (b) que em razão dessa discussão judicial fica o fisco impedido de proceder a qualquer ato que culmine no ajuizamento de ação penal contra os representantes da impugnante, com relação aos tipos penais previstos no art. 2° da Lei n.° 8.137/1990, art. 11 da Lei n.° 4.357/1964 e art. 168A do Código Penal, enquanto a contribuinte não decair de seus direitos, sob pena de responsabilização civil e criminal da União Federal e do MPF, acrescentando, ainda, que "não há como aceitar que o Ministério Público possa interpor Ação Penal contra o contribuinte quando sequer ocorreu decisão final na esfera administrativa.” (fl. 158). Por seu turno, nos itens "11.5 — A função do Conselho de Contribuintes” e "11.5.1 — A possibilidade de não aplicação da lei em face da argüição de inconstitucionalidade”, advoga que o Fl. 332DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 08/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 4 Conselho de Contribuintes, que seria o órgão administrativo responsável pela face contenciosa dos processos administrativos, poderia deixar de aplicar lei que lhe pareça inconstitucional. Já, sob os títulos "IV.1 — Da ilegalidade da multa confiscatória”, argumenta que a cobrança da multa de ofício no percentual de 75%, possuiria um caráter confiscatório, o que seria vedado pelo art. 150, IV da CF/1988, além de ferir os princípios da anterioridade, da legalidade, da capacidade contributiva e da capacidade econômica; sobre o tema, menciona ainda julgado do STF em ação direta de inconstitucionalidade (ADIN n.° 551/91) promovida contra o art. 57, §§ 2° e 3° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. Sob o Titulo "IV.2 — Da ilegalidade de aplicação da taxa Selic”, depois de fazer extensos comentários sobre o surgimento e a forma de fixação da taxa Selic, sustenta a ilegalidade/inconstitucionalidade da utilização dessa taxa para compor a cobrança de débito tributário. No tópico "IV.3 — Multa moratória e juro moratório — ilegalidade do 'bis in idem' “, alega que no lançamento em debate haveria a incidência de multas moratórias juntamente com juros moratórios, pelo que ocorreria a figura do bis in idem, uma vez que haveria 'dupla penalização' sobre um mesmo fato gerador, que seria a mora; em razão disso, pede pela nulidade da 'notificação fiscal'. Por fim, formula os seguintes pedidos: (a) como preliminar: (1) o reconhecimento da relação de prejudicialidade noticiada, tendo em vista o ajuizamento de demanda na qual o débito objeto do auto de infração teria sua validade discutida, a fim de que nenhum procedimento de investigação criminal seja instaurado contra os representantes legais da impugnante; (2) alternativamente, que seja reconhecida a impossibilidade de ajuizamento de demanda criminal decorrente dos débitos objeto do auto de infração enquanto estiver pendente o processo administrativo que discute a legalidade e validade do lançamento; (b) como matéria de mérito: (1) pede pela redução da multa incidente, pois teria sido aplicada em percentual confiscatório; (2) que seja afastada a aplicação da taxa Selic, uma vez que sua cobrança teria sido considerada ilegal pelos tribunais, já que representaria a aplicação de juros em patamares superiores ao admitidos em lei; (3) que seja afastada a aplicação dos juros moratórios sobre a multa moratória, eis que a dupla incidência acarretaria a figura do 'bis in idem'. Conforme despacho de fl. 267, o processo foi, em 07/06/2005, encaminhado à DRJ/Florianópolis; nessa mesma folha consta a aposição de carimbo, sem data e sem assinatura, com o seguinte texto: "Encaminhese à DRJ/Curitiba/PR, tendo e vista alteração de competência, conforme Anexo V, da Port. SRF n.° 179, de 13/02/2007”. A Delegacia de Julgamento em Curitiba proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 333DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 08/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.000928/200589 Acórdão n.º 380100.648 S3TE01 Fl. 322 5 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Corretas as exigências de multa de oficio de 75% e de juros de mora, e, estes em percentuais equivalentes à taxa Selic, posto que feitas com amparo em expressa previsão legal. Lançamento Procedente”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls. 277 a 316, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. REQUER: Preliminarmente: Seja acolhida a preliminar determinandose a suspensão da inexigibilidade dos valores discutidos e determinando o seguimento do presente recurso sem o arrolamento de bens, nos termos do art. 1° do Ato Interpretativo n° 9 da Receita Federal do Brasil; Caso assim não entenda, requer como medida justa e coerente seja determinada a imediata .suspensão do procedimento, ora recorrido, tendo em vista a existência de discussão judicial acerca dos débitos que, inclusive, já haviam sido denunciados espontaneamente por meio da demanda judicial. No Mérito: O reconhecimento de Oficio da inconstitucionalidade das Leis 10833/03 e 10637/02 que revogaram o artigo 3° da lei nº 9718/98, tendo em vista a flagrante inconstitucionalidade e ilegalidade da alteração do conceito de faturamento. A reforma da decisão administrativa de primeira instância, declarandose a nulidade do presente Auto de Infração em razão da ilegalidade dos encargos cobrados. No caso de V. Sas. não entenderem que o auto é nulo, seja deferido o pedido de redução da multa aplicada, eis que aplicada em patamares totalmente confiscatórios, Fl. 334DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 08/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 6 e em afronta ao art. 61, da Lei n° 9.430/1996, bem como seja afastada a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos da empresa, eis que esta tem sido considerada ilegal pelos tribunais brasileiros, pois que representam aplicação de juros em patamares superiores aos legalmente admitidos. Por derradeiro, requer, ainda, a reforma da decisão recorrida para que seja afastada a aplicação dos juros moratórios sobre a multa moratória, eis que a dupla incidência acarreta a figura do "bis in idem", tão repelida pelo Direito Tributário Brasileiro, tudo como forma de garantirse a mais altaneira JUSTIÇA! É o relatório. Fl. 335DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 08/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.000928/200589 Acórdão n.º 380100.648 S3TE01 Fl. 323 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Como visto anteriormente, tratase da exigência da Cofins, referente aos períodos de apuração janeiro a dezembro de 2001, cuja motivação foi a falta de recolhimento da referida contribuição. Em seu recurso, fls. 277/316, a interessada sustenta sua defesa nos seguintes pontos: 1. O débito objeto do auto de infração encontrase sub judice; 2. Inconstitucionalidade das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 que revogaram o artigo 3º da Lei nº 9.718/98; 3. Efeito confiscatório da multa de ofício; 4. Ilegalidade dos juros aplicados com base na taxa Selic; 5. Ilegalidade do “BIS IN IDEM” – Aplicação simultânea da multa de mora e dos juros de mora. Passemos à análise individual dos temas abordados pela recorrente. I – Ação Ordinária nº 2002.34.00.0375426: No que se refere a “AÇÃO ORDINÁRIA DECLARATÓRIA cumulada com ANULATÓRIA DE DÉBITOS FISCAIS”, nº 2002.34.00.0375426, proposta em 12/11/2002, constatase que a mesma não guarda relação alguma com a exigência constante no presente processo. Registrase, à folha 141, a seguinte manifestação do autuante: “...consta no resumo de cálculo da petição inicial que os débitos discutidos se referem a parcelamentos via processos administrativos n° 10920.21970/9615 e 10920.2490900/9865, portanto, não são os débitos relativos ao anocalendário de 2001, objeto da fiscalização”. É de se lembrar, também, que a suspensão da exigibilidade de um crédito tributário só ocorre nas hipóteses previstas nos incisos II , IV e V, do art. 151, do Código Tributário Nacional. Fl. 336DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 08/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 8 Não há, portanto, nenhum reparo a ser feito na decisão recorrida. II Inconstitucionalidade das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 que revogaram o artigo 3º da Lei nº 9.718/98: Fazse necessário aclarar, de pronto, que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 tratam da exigência do Pis e da Cofins, respectivamente, na sistemática da “não cumulatividade”, matéria esta estranha a presente lide. Também, que o lançamento foi motivado pela falta de recolhimento da Cofins, apurado com base nas receitas escrituradas no Livro Razão (Demonstrativos de fls. 131/132) e com fundamento no art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. No que se refere a natureza das receitas tributadas no presente lançamento, conforme documento de fls. 131/132, é de se destacar que as mesmas são compostas das seguintes rubricas: • Receitas da Venda de Produtos de Fabricação Própria Mercado Interno. • Receitas Financeiras. Quanto a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, alegada pela recorrente, devese fazer uma correção em tal afirmativa. De fato, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos RE nºs 390.840, 346.084, 358.273 e 357.950, considerou inconstitucional a alteração trazida pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, relativamente à definição da base de cálculo das contribuições. Ou seja, tratase de uma decisão parcial de inconstitucionalidade do referido artigo, mantendose, portanto, para este fim, o texto das normas anteriormente aplicáveis. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Fl. 337DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 08/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.000928/200589 Acórdão n.º 380100.648 S3TE01 Fl. 324 9 Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (1Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação da Cofins sobre as refeitas financeiras, nos valores constantes do demonstrativo de fls. 132. III Efeito confiscatório da multa de ofício: No que diz respeito ao percentual aplicado, a título de multa de ofício, sobre os débitos apurados no presente auto de infração, alega a recorrente que é confiscatório e ilegal, conforme vem sendo reconhecido pelos Tribunais Pátrios, circunstância esta que determina a total improbidade do presente auto de infração. Com relação aos argumentos trazidos aos autos pela recorrente acerca do caráter confiscatório da multa aplicada, de se dizer apenas que reclamações desta natureza não cabem sua apreciação nas instâncias administrativas. Sem qualquer discussão acerca da constitucionalidade/legalidade da legislação citada na impugnação, algumas considerações são oportunas. Quanto à argüição de confisco, a Constituição Federal, em seu art. 150, IV, veda a utilização de tributo com o efeito de confisco. Tratase de limitação ao poder de tributar que visa evitar o excesso de carga tributária, que implique agravamento exagerado na situação do contribuinte. Porém, não existe um patamar prédefinido que permita dizer que um tributo tem ou não efeito confiscatório, cabendo essa valoração ao legislador ou, mediante provocação, ao órgão judicial competente. Assim, em primeiro plano, podese dizer que o princípio do não confisco é uma limitação imposta pelo legislador constituinte ao legislador infraconstitucional, não podendo este último instituir tributo que tenha efeito confiscatório, onerando excessivamente o contribuinte. Em segundo plano, o princípio dirigese, eventualmente, ao poder judiciário, que deve aplicálo no controle difuso ou concentrado da constitucionalidade das leis. Portanto, não se pode dizer que esse princípio esteja direcionado à administração tributária. Esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se esquivar à aplicação de lei editada conforme o processo legislativo constitucional. Não cabe à administração tributária criar a lei, muito menos se furtar a aplicála ou negar sua vigência. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 338DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 08/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 10 A autoridade lançadora não deve nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é “atividade administrativa plenamente vinculada”. O que é determinante para a efetivação do lançamento é a ocorrência do fato gerador, e não a repercussão da exigência no patrimônio do contribuinte. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, não tendo repercussão a atual situação econômico financeira do sujeito passivo. Assim, não compete à instância administrativa a análise sobre a matéria, pois a vedação constitucional quanto à utilização de tributo com efeito confiscatório dirigese ao legislador, e não ao aplicador da lei. Descabidas, portanto, nessa esfera administrativa, as alegações da interessada. IV Ilegalidade dos juros aplicados com base na taxa Selic: Alega a recorrente que é equivocada a utilização da taxa Selic para esse fim, pois referida taxa é resultado das negociações dos títulos públicos e da variação dos seus valores de mercado, portanto possuem natureza remuneratória. Por outro lado, os juros servem para indenizar o Estado pela mora. Com relação ao tema, cumpre examinar o disposto no artigo 161 do Código Tributário Nacional e os artigos 61 e 63 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcritos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se verifica da leitura do texto acima, os juros de mora não traduzem qualquer efeito punitivo, sendo que o dispositivo acima determina a sua incidência “seja qual Fl. 339DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 08/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10920.000928/200589 Acórdão n.º 380100.648 S3TE01 Fl. 325 11 for o motivo determinante da falta”. Assim, vencida e não paga a obrigação tributária principal, pouco importa a razão que tenha determinado a mora, concretizase a incidência dos juros. No que se refere à taxa Selic, é descabida a alegação da Impugnante quando diz que esta não se coaduna com o que dispõe o artigo 161 do CTN. Como se verifica da leitura do referido artigo, permitiuse ao legislador ordinário a possibilidade de fixar taxa de juros moratórios diferente daquela prevista em seu texto, atribuindolhe poderes para disciplinar o assunto, podendo fixar a referida taxa em nível superior ou inferior ao constante da Lei Complementar, desde que, naturalmente, fosse fixada em lei, no caso, Lei ordinária. A Taxa Selic foi criada pela Lei nº 9.065, de 1995, art.13, o qual dispôs que os juros de mora “serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente”, portanto, dotado de amplo amparo legal. Ademais, para o caso em análise, a natureza da taxa Selic, trazida a debate pela autuada, em si não é relevante. O que importa é que, conforme determinação legal, adota se seu percentual como juros de mora e, uma vez sendo a atividade de fiscalização plenamente vinculada, não há outra medida que não seja a estrita obediência ao que dispõe a lei, nos termos do art. 142 do CTN. Como já visto, o § 1º do art. 161 do CTN estatui que a Lei, no caso ordinária, pode dispor de modo diverso, adotando outro percentual a título de juros de mora, sendo de se aplicar na falta dessa, o percentual de 1% ao mês. Verificase, desse modo, que a cobrança de juros de mora por percentual equivalente à taxa Selic se pauta pelo estrito cumprimento do princípio da legalidade, característico da atividade fiscal. Por conseqüência, a análise de valor que a impugnante faz a respeito da taxa Selic – questionando sua composição e sua natureza –, assim como as argüições de que a aplicação da taxa Selic incorreria em inconstitucionalidade, não comportam reconhecimento pela via administrativa, prevalecendo o caráter legal que vincula a atividade administrativo fiscal de lançamento, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. Ademais, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula CARF nº 4: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. V Ilegalidade do “BIS IN IDEM” – Aplicação simultânea da multa de mora e dos juros de mora: Assim a recorrente se manifestou com relação a pretensa existência de “BIS IN IDEM” no presente processo: Fl. 340DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 08/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 12 “Conforme facilmente se pode verificar dos documentos relativos aos débitos, o Credor Fiscal, após aplicar as multas moratórias sobre o débito, acrescentou os juros moratórios. Ocorre que da forma como foram cobrados os juros, está havendo enriquecimento sem causa por parte da Administração Federal, diante da ocorrência da figura do "bis in idem", inadmissível no Direito Tributário”. Verificase que carece de fundamento a alegação de 'bis in idem', levantada pela contribuinte, uma vez que inexiste cobrança de multa de mora cumulada com juros de mora. Assim, diante de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindose da base de cálculo os valores referentes as receitas financeiras, conforme quadro “DEMONSTRATIVO DAS RECEITAS FINANCEIRAS ANO CALENDÁRIO 2001”, fls. 132 É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 341DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 07/04/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 08/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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