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Numero do processo: 10120.002225/87-12
Data da sessão: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 1989
Ementa: IRF - DECORRÊNCIA. Correta a tributação do
imposto de renda na fonte, com base . no
artigo 89 do D. Lei 2065/83, por decorrer
de infração apurada no Processo-matriz e
confirmada em julgado da E. Câmara, bem co
mo pela inexistência de fato relevante restritivo "à aplicação do princípio de decorrância.
- Rejeitadas as preliminares.
- Negado provimento ao Recurso.
Numero da decisão: 103-09.674
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar as pre liminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em ne ar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Dícler de Assunção
Nome do relator: Braz Januário Pinto
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ementa_s : IRF - DECORRÊNCIA. Correta a tributação do imposto de renda na fonte, com base . no artigo 89 do D. Lei 2065/83, por decorrer de infração apurada no Processo-matriz e confirmada em julgado da E. Câmara, bem co mo pela inexistência de fato relevante restritivo "à aplicação do princípio de decorrância. - Rejeitadas as preliminares. - Negado provimento ao Recurso.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-23T13:49:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-23T13:49:10Z; Last-Modified: 2009-07-23T13:49:10Z; dcterms:modified: 2009-07-23T13:49:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-23T13:49:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-23T13:49:10Z; meta:save-date: 2009-07-23T13:49:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-23T13:49:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-23T13:49:10Z; created: 2009-07-23T13:49:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-07-23T13:49:10Z; pdf:charsPerPage: 1309; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-23T13:49:10Z | Conteúdo => _... Processo n9 10120/002.225/87-12 nffik - nr, MINISTÉRIO DA FAZENDA cvgc ... .... ..... Sessiode 13 de outuhro —do 19 89 Acuon192-21:624 Remmon2 55.506 - IRF ANO DE 1985 Recorrente ALVORADA ENGENHARIA E IMÓVEIS LTDA. Ree.orrid DRF em GOIÂNIA - GO IRF - DECORRÊNCIA. Correta a tributação do imposto de renda na fonte, com base . no artigo 89 do D. Lei 2065/83, por decorrer de infração apurada no Processo-matriz e confirmada em julgado da E. Câmara, bem co mo pela inexistência de fato relevante rei tritivo "à aplicação do princípio de decor= rância. - Rejeitadas as preliminares. - Negado provimento ao Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de • recurso interposto por ALVORADA ENGENHARIA E IMÓVEIS LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Con _ selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em rejeitar as pre liminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em ne ar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Dícler de Assunção. / Sal- das Sessões-D , - de outubro de 1989. ---"WA --- e AN i.l O DA SILVA PABRAL ""- DENTE PV .. IrK ff UARIlipTO RELATOR A..0..... p„," 11 VISTO EM ZA ITO HO - DA BRAGA PROCURADOR DA SESSÃO DE: 15FEV1990 FAZENDA NACIO_ NAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhe'- ros: AYRES DE OLIVEIRA, LoRGIO RIBEIRO, FRANCISCO XAVIER DA "ev.v. GUIMARÃES e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. Ausente por motivo justifica do o Conselheiro ANTONIO PASSOS COSTA DE OLIVEIRA. e, • • • . , SERVIÇOPUBLICOFEDERAL Processo n9 10120/002,225/87-12 Recurso n9 55.506 Acórdão n9 103-09.674 Recorrente: ALVORADA ENGENHARIA E IMÓVEIS LTDA RELATÓRIO O Contribuinte, Alvorada Engenharia eln6veis Ltda., com domicilio fiscal em Goiânia (GO), interpôs tempestivo Recur- so (fls.64) a este Conselho, em 31/7/89, contra a R.Decisão (fls. 60/61) do Sr. Delegado da Receita Federal naquela capital, que, em 9/6/89, julgara procedente o lançamento do imposto de renda na fonte, do ano de 1985, constituído conforme Auto de Infração (fls. 06), de 28/12/87, tempestivamente impugnado em 9/2/88, às fls. 12. A primeira Decisão recorrida foi declarada nula pelo Acórdão de n9 103-08.998 (fls. 48) desta E. Câmara, em 16/3/88, 2. Como consta do meu Relatório anterior, ás fls.49, o lançamento questionado se refere a imposto de renda na fonte, na quantia originária de Cz$ 15.750,00, à alíquota de 25% (art. 89, do D.L. 2065/83) sobre o lucro considerado automaticamente distribuído aos sócios na quantia de Cr$ 63.000.000,00,correspon dente à omissão de receita em montante igual, apurada e tributa- da no Processo-matriz, de n9 10120/002.288/87-19, do qual o pre- sente decorre e a cujo Recurso (n9 95.109) a E. Câmara negou pro vimento, pelo Acórdão, de n9 103-09.660, em 12/10/89, em anexo, lido a seguir juntamente comas respectivos Relatório e Voto. 3. No Recurso, tal como na impugnação, o Contribuin- te pede que a questão ora em exame, seja, pelo princípio da de- corrência, julgada de conformidade com o que se decidir no Pro- cesso principal. Por sua vez, a Autoridade julgadora de 19 grau, em segunda decisão, mantém o lançamento procedente, tal como de- cidira no Processo-matriz. É o relatório, )!-- ),i( MFCT. SERVIÇO MUCO FEDEM Processo n9 10120/002.225/87-12 2. t ' Acórdão n9 103-09,674 VOTO Conselheiro BRAZ JANUÁRIO PINTO, Relator. Tomo conhecimento do Recurso, pela sua tempestivi dade e interposição na forma da lei. 2. A tributação do lucro considerado automaticamente distribuído, de conformidade com o disposto no art. 89, do D.Lei 2065/83, deve ser mantida integralmente, pelo fato da infração basica, constituída pela omissão de receita na quantia de Cr$... 63.000.000,00, apurada e tributada no Processo-Matriz ter sido plenamente confirmada pela E. Cãmara, em Acórdão de n9 103-09.660, já referido no Relatório e anexado aos Autos. Adota-se, no caso, o princípio da decorrência sem restrições, uma vez que nenhum fato relevante aqui se verificou capaz de dar outra direção ao presente julgamento, inclusive no que concerne às preliminares ar guidas. Isto posto e Considerando tudo o mais que dos Autos consta, Voto pela rejeição das preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. Bras ia-DF., 42. de outubro de 1989 Attz# NUA7.I.0 RELATOR • MFCT. Page 1 _0078000.PDF Page 1 _0078100.PDF Page 1 _0078300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13881.000165/00-56
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
PEDIDO DE PERÍCIA. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o acórdão de primeira instância que indefere pedido de perícia considerar que a solução da controvérsia dependeria de prova apresentada pelo contribuinte autuado.
ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
CRÉDITO PRESUMIDO. MÉTODO DO CUSTO INTEGRADO. CONTROLE DE ESTOQUE. REQUISITO.
Se comprovado que os saldos mensais do sistema de custos integrado não foram afetados por erros na sua alimentação no curso do mês, serve referido sistema para apurar o crédito presumido.
CRÉDITO BÁSICO. DEVOLUÇÕES. CONTROLE DE ESTOQUE. CONDIÇÃO.
É permitida a escrituração de crédito por devolução se houver efetivo registro da produção em livro previsto no regulamento ou em controle equivalente.
CRÉDITO BÁSICO. AMOSTRAS PARA TESTES, PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS. APROVEITAMENTO NA PRODUÇÃO. PROVA. AUSÊNCIA.
O direito de crédito relativo a produtos adquiridos para outros fins, que não o uso na produção, depende de prova contábil e fiscal inequívoca que demonstre sua utilização como insumos no processo produtivo.
CRÉDITO BÁSICO. INSUMOS. CONCEITO.
Somente se caracterizam como insumos as matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem que seja incorporado ao produto fabricado ou consumido em contato direto na sua produção.
RESSARCIMENTO DE IPI. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE.
Descabe a incidência de juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos presumidos ou básicos de IPI.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3302-000.460
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Comes e Fabiola Cassiano Keramidas, que reconheciam o direito à correção pela taxa Selic e ao crédito básico de alguns insumos relacionados na declaração de voto apresentada pela Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP 138192.
Nome do relator: José Antonio Francisco
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA INOCORRÊNCIA. Não é nulo o acórdão de primeira instância que indefere pedido de perícia considerar que a solução da controvérsia dependeria de prova apresentada pelo contribuinte autuado. ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. MÉTODO DO CUSTO INTEGRADO. CONTROLE DE ESTOQUE. REQUISITO. Se comprovado que os saldos mensais do sistema de custos integrado não foram afetados por erros na sua alimentação no curso do mês, serve referido sistema para apurar o crédito presumido. CRÉDITO BÁSICO. DEVOLUÇÕES. CONTROLE DE ESTOQUE. CONDIÇÃO. É permitida a escrituração de crédito por devolução se houver efetivo registro da produção em livro previsto no regulamento ou em controle equivalente. CRÉDITO BÁSICO. AMOSTRAS PARA TESTES, PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS. APROVEITAMENTO NA PRODUÇÃO. PROVA. AUSÊNCIA. O direito de crédito relativo a produtos adquiridos para outros fins, que não o uso na produção, depende de prova contábil e fiscal inequívoca que demonstre sua utilização como insumos no processo produtivo. CRÉDITO BÁSICO. INSUMOS. CONCEITO. Somente se caracterizam como insumos as matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem que seja incorporado ao produto fabricado ou consumido em contato direto na sua produção. RESSARCIMENTO DE IPI. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Descabe a incidência de juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos presumidos ou básicos de IPI. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Comes e Fabiola Cassiano Keramidas, que reconheciam o direito à correção pela taxa Selic e ao crédito básico de alguns insumos relacionados na declaração de voto apresentada pela Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP 138192.
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ASSUN 10: PROC ESSO ADM1N1S I RA I IV() FISCAL Período de apuraç5o: 01/07/2000 a 31/07/2000 PEND() DE PERÍCIA, NULIDADE DO ACORDA0 DE PRIMEIRA INSTANCIA INOCORRENCIA Nat) nulo o acOrdao de primeira instancia que iridetere pedido de perícia por considerar que a soluyao da controvérsia dependeria de prova apresentada pelo contribuinte ttutuado, ASS UN 1 0: I MPOS 10 SOBRIC PRODU I OS IN DUST RIALIZADOS - I ri Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 R () PRESUMIDO. MÉTODO DO CUSTO INTEGRADO CON I ROIT DE ESTOQUE. REQUISITO Se comprovado que os saldos mensais do sistema de custos integrado iEio forarn afetados por erros na sua alimentaçao no curs() do nIC,.s, serve teferido sistema pat a apurar o crédito presumido CREDI I 0 BÁSICO DEVOLUÇÕES. CONTROLF DO ESTOQUE CONDIÇÃO permitida a escrituracao de créditos por devoluções se houver efetivo registro da produçao em livro previsto no regularneato ou em controle equivalente. CRÉDITO BASIC°, AMOSTRAS PARA TESTES, PARTES E PEÇAS DE MAQUINAS. APROVEITAMENTO NA PRODUÇÃO.. PROVA. AUSENCIA, 0 direito de crédito relativo a produtos adquiridos paw outtos 'lIns que Liao o MO na produ0o, depende de prova eoutabil e fiscal incquivoca clue demonstre sua utilizaçdo como insurnos no processo produtivo (RED]: I O BÁSICO TNSUMOS. CONCEITO Somente se caracterizam como insumos as matélias-primas, OS produtos intermediarios e o material de embalagem que seja incorpoi ado no produto tabi icado ou consumido em contato direto na sua produçao. RESSARCIMENTO DE IPI. JUROS SELIC INAPLICABILIDADE.. Descabc a incidência de juros compensatórios no easo de ressarcimento de créditos presumidos ou basicos de IPI. Recurso votuntatio provido em pate. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Comes e FabIola Cassiano Keramidas, que reconheciam o WI eito con eçdc.) pela taxa Selie e ao cr6dito .basico de alguns insumos relacionados na declaraçao de voto apresentada pela Conselheira Fabiola Cassia-no Keramidas. Fez sustentação oral o •Dr. R i car -do Ktakowiak, OA B/S P 1.38192. osé da Silva - residente z lose Anyrrito Erancio - Relator FDI FADO I NA: 03/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walbet lose da Silva (Presidente), José Antonio Francisco (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Luis Eduardo G. Knbieri e Alexandre Gomes A -user - lie o Conselheiro Gileno Guriao 13 ai Relatório [rata-se de retorno de diligência aprovada pela Resolução IV 201-00.749 (Hs. J493 a .1 511), dc 7 de maio de 2008, cujo rclatório teve o seguinte teor parcial: f .sc ;epto(hr<iio do I. elat(n io do resolu((io ontctior que 1(7)1'0d/171(r (.1 clatfiria da pl'inIc7 des(Tevcndo ini,ialmente or documentos eons - tonics dos autos I 4 i)roposta efi foi sef!„-uinte conclus'eto, consider() que a que aio telativa 110 coin' ole (le cqoque Mir) roi abordada de /01 111(1 COV1VerliCI'lle 710 resoluçao antc,Tiormente ovada e que ennda sy7io necessat ias esclarceimentos solve devoluo:ies e, vista do cvposfo, voto por cotwertet novamente O julgamento cm dtlincia, pow quo a. 1 7C10C:107.061C <110 fa,10$, ah2,52g(105 pet° recort elite, ainda que por amos.tra■-;em, chnivamente (is seguintes (Juestiies "I) Relativamente a chamada "estruttaa do produao", quais /»valo ar 011(.10(ÕeS efetuadav nos sir/coats do 1 CCOI (../1,101 Process° IC 1:31 00(110:-)700-56 S3-C312 AcÚrdii 3302-00..460 Ft 11 a conseqiienciers sua com:070? quill era a dimensõo do suposto erro? È possivel identificar os produtos e inslIMOS em t .C10((-i 0 aos quais haveria os etros? -2) Ademais, as alteraçõe.s na -estrutura do produto" tiverant ia/levo sobre os sahlos de estoque, anteriormente a data ern gm: a empresa alegou haver resolvido o problema? "3) Anula em ri/laçou a "estrutura do produto", e possível verilical am documentos' a exi.stancia dos afros que haver ia (inferior metric .sua eorraçõo e as alteraçócs que teriam de .ser ektuadas pant sua corre070? "4) NO tocante as damais alegações, possival varificai nas »elms de connolc se ha veria crros Has data.s dos lançamentos iletttados no sistema? C'onjit ma-se a alega0io do rei ori ante da qua U.S refat idas fichas terrain todas as ittforma07es Tic pet mini. lam as cot rerâcs dos erros de lanÇainelit0 "5) liii prova de qua o procedimento adotado /rel.° tecorrente nao implicou too-somente uma reot ganiz,a07o da dados? guonto ós "amostras paia demonstraçõo, testes e principalmente ern consignaeiio industrial", a escrituray7o demonstra qua tenham "sido integiados, consumidos, destruidos ou terani pardido suas quandaries or iginais process() de indusb ializaçao"? A contabilidade regisira a conversõ0 das cm,- atlas CM Wilda, (1'14bl MC (11ET01i a inter es soda? "ApOs a elaboraçõo de relatório, O recorrente devera ser itnimado a apt esentar resposta, no prazo (trinta) dias, telativamente 00 vie for (putrid° pela Fisealiza07o." Fisealizaçao nõo elatuou a (tinge/R:1a, redigindo o relatório de 1045 a .10..58, cm que recordou 0,5 fatos jà constantes dos autos Mencionou a decisao do acórdiio de primcit a instrincia, telativamente a preehisdo da apresentaçao de provas, e o auto da di:fitted() jó mencionado no relatório, do qual juntou eópias e inktmações qua „la constavam dos a -Was A Interessada aprc.sentou a resposta de fts. 1078 a .1M1, em (fife episou eis alirmeu,:ões do recurso, especialmente no que disse tesi.k.ito [t. earls(' dos saldos ite,L.).-a/ivos e criticou o fato de a li sca/izaçao neio haver respondido especificanianta os quesito formidados nu diligencia. Alegou a bite, cs.sada que a ónica solu07.0 que lhe regalia seria (..1 esentaciio de "Parecer Tr":cnico de Natureza Con/ri/if! (doe j), que trail" um a um, dos seis quesitos formulados )".. A niteressada, rekrindo-se A evensa documerd0070 juntada aos (11,1tON, 01111 11011011Slillr SliaS alegações em relaçao aos quasitos tom nudados. É o telatót to O teor do voto aprovado foi o seguinte: _No context() da (/iligáncia requerida, que se esclai.ccer seguink.. .1.)e a Fiscal.ha.040 °pion por demonshar a incficácia do conholc de estoque pot meio de constatações e declarações da Interessado ou de .seits empregadas. I eJo que relator!, j» esenciou o -desesivio" dos . fifileiontirlos da empresa em relacjo ao problema, clue se mo.shava gravissimo A constataçâo ein si iido miler ia ter ocorrido de inclhor fOrma, mas rid() se pode ofil mar o mesmo ern ÍCIO(Íj0 a comprovaçõe.s cspeeiheas, dos problemas que comprometeriam o conhole de Ostoque Do firte, a paifir de informações obridas da prjpria bite?. cssada, pôde concluir a riscalizaVio que vários latores, que no sou entender se mostiaram insupoliveis, delerminaram a apureNiio (10 saldos negativos IVinre as causas, estariam os erros Ha tallra dos pi °duos ?? os airasas Jul alinientaciio de dados, matárias confirmadas polo Intercssaela desile o inicio Adeinats, consta/mi o fiscalizaçao que Inteics„sada foe aproes con/abeis, allerando contas ele 001no forma de corte yo dos rep, is /vos A par dos (10(1.1illeiliOS" que Coilvtarain dos autos, enh'io conchiiu a l'iscalizaçao, Set! haver demonstrado a imp estabiliclade do controle do estoque nessa forma, as provers quo consta rain dos autos Ha° demonsh avant esi.?ecificamente . causas ibuidas ao (1/101 0/ estoque negative) 0 sua eltinensr'io NO recurs?), alc.T;-0 11 a Into? ossada, com base en? land° táenico, que as principals causas elos saldos negalivos seriam a efinni?a“-i.0 fipomadores de produçôo e alimentaçao incorreta de dada; De fato, das declarações da Interessada, pottoo mais conslava dos quanto 00 101701:0 dos 01/ (>5 esti win a dos produtos aptlf 1100 (10 CSIOqUe. nelri SW, (filllenlii0 relativa quoin() d formaçáio do.s saldos ne2.,ativos Alc;rn disso, iwo ficou dara a dimens(io dos ajustes cletuados por lançainemos con/abeis Nosso contevio, scria impossivel contradizei a itfirmaçdo da Intcressada a realiza(J.o de diligáncia, cujo objelivo set ia, em principio, verificoi a Ms'sibilidade dc tal contradis.:(io inlOrmaçõih's ha/re/auto, a PiscalizaKiio pi .,,j'? .?r coo/lar ao Y•1! poder de Nesse contei/ti, I (Tetiu inutilmente o que ja constava dos autos (...'onsidi...r out que o pagamento do auto de init. açdo serio tuna (11/7// 5 0(/ irreliatável do pi oblenia, o que á um equivoco, a visto de caber inteira razito à Inteiessado em relaçao ao fato do que Proc.c.so 13 1 1 00105/00-56 S3 -(13 12 Acórd5o 11 " 3.302-00.460 ii 12 poderia, poi inela conveniência, efiquar O pagamento Ademais, conforme o Parecer Normativo n" 67, de 1986, a In/ ossada poderia até pedir restituição do pa:gaine1I10 e, 00 eventual processo, apres-entar a prova Tie sot ia normalmente .feila 1 lttplfg114100 de lançamento 11/Cr/do parecer -3 0 CTN . consagra trê) insfituto) disfintos que as.segurant ao 'a/jeito p(15.5iVO 0 direil0 de irifluir na afiefação do et édito tributário, cada qual corn dis'ciplina prépria c intorkrindo em momentos diferentes do proce)so WhIll111511ativo. )' "3 2 Equirdo o ci édito tributário i ogiilen ¡ironic constituido, pelo lançamento notificado ao 1,f/Cii0 passivo, e,ste não mats poderá solieltar a retificação da declaração (le rendimentos. ((1TN, art 147, 1 °) was ser-lhe-á asse-gurado o do oil() dê imptignai exigência fiscal (C/N, art 145, inciso 1) OH, ainda, do pleitear a restimição do nibuto recolhido indevidamente 00 a major (pre o devido (C/N, art 165,1)." 0 fato 1 que parvas colhidas pela Fiscalização, embora variadas e incontestáveis, não demonstravam coin() as várias causas apontada) pda l'iscalização e.specificamentc' produziam os scrldos ncoaliws Na Imptigna.K.!ão, como seria esperado, a Interes)ada apresou/ou ainda intOrmayks quo já constavain dos autos. Deu exemplos docionernado..s do registros aparentomente cocientes' corn )uas alegaçãe) A Fiscalização, embora tenha apoiado novas e Orel') Mfinmaeãe), na minor palie de wit relatório contradi.s.se as inliranaçOres (me ja haviam .)ido apresentadas polo Into ossada, CO//i a repetição mais eniática do que .já havia &to ein .seri relatório micra! Alirmou, eirjalkamente, quo o corarole do estorpic apresentado 1105 41111:05 5C1 -141 170110 C produzido para provar sous alegaoics hanretanto, a justificativa para a conclusão não firi baseada em linos especificos, da forma mencionada 00 para i alo anterio/. mas naquilo que »i constava dos autos Caso houvesse 1105 4111105 a rckrida demonstração especifica, ainda que lossc por amosfiag.em, poder-se-ia confi wow - os- (lois supostos controles de es-toque, mas ai resido a principal (»testa() do pi .esente hfigio Na resposta ao relatório de dik.rência, no que dis se icspeito loriue'TtLia dos apontadores e, especialmente, dos colas rots CO voles dos produtos na 4112111."(4410 4105 .5411.4105 IlegjaiV05, 11111 1/05 objolivos chaos da diligência, não se obteve nadir de novo. CUM() rC5111i41410, 111,5 talou-se um verdadeiro -hate-boCa" /1(01 CS a Piscalização afirma ser o eqoque improstável, - a Interessada contradiz, a Piscalização reafirma, e assirn 7)01 diante e o que se queria 4proar 1141 diligência .simplesinente jica esquecido. 5 AleM disso, nada foi apurado ern relavio da amos I. as poi 0 lesles e cuff arias scruelhaines cm produtos fiihricados pela fineressada, um dos liens do ia Nesse conteva, 100 Ilá alternativa roo sei a I cal lar(do de nova elitigencia, dessa vez mais especi ica, poro quo se tenre, uma VOO poi todas, sohicionar as dUvidas que pail am soh e o preset-11e process() C01110 a Inter escada aprosentou uma ,frFaildC (.1/murk/at/O. de documentos, que ‘slipoqamente dernointrw- irm7 vá; ias de suas alo:.)a(rres, a .soluctio mais adequada payet a el 1)Cnc to á, em relacito aos quesitos fortmdados, "CqUerei da lnieressatla que aponte guars das document:as- apresentadas .soluci.ionariam coda quesito Pen a lanio, a P'iscalizaKiio eleveui adotat os procedimentos indicados abaiya 1) Ern relaçaet d estrutura dos produtos. (1) .bitill7CIT a Inter ossada a apresentar rekkao dos pi ()dittos cunt estrunua fora ineorreuunente. info) mada ao sigerna, Item assim a demonsiraçao (10 q tee foi alterado Troia-se relattirio em (100 (lever() 0P0)1017 - , em tabela, coda ptoduto 0/1>/ado, a (.0107)05 1(10 da es/Ft:aura ante.s e &pens da correceio i tabela devera Indic en Tuns dos documentos junto:dos 00 5 .ilf IOs re ferc m-sc a cada produto. h) ter essett -ht ainda (leveret. informar a querntideule de tais produt os a que se deu wrida no period° ele apuraçdo. Devera ainda (lc monstrar, a partir leas iiijorinev-ies, as fereilotç sobre o sold() de estoque instunoc 01000das paos 011 05 apontados 2) km IC (/Ç) aos a 0050, na alimenta(do do sistema cant, ole estoque (1) 11111 mat a Intel IS sada a e1/11 escutar as fichas rclativas 0 ludo memos trjs dias consecutivos do 7 -te, ioelo de alturacao, inelicando os dado, incoi elamente alimentaelos 12 apontando corm) ficat O resul lade) elepois da rec ompo.sictio 1) I 1/11010>5 soda ainda devera de:mot-mu eti poi dot:trim:mos. (ou ponlat guars documentos elo, autos fet.r,ent a comp), ovuoie) evenuois ('1 /Os (100110 as datas de alimenta(tio das infer' metaes (COUP)) MC (1.111 Mad() pelf( Interessada, ela to ot tais iniOrli7(1<.(3C0 3) Ent re/arao as entr atlas pain teste SCHICiha 111.C1 • (i ) .1: lintar a Interessada ti aprestmert a relekiio dos pi ()dittos eta//vos ao item rcspec five) da atilluk:(70 h) Interessada a i nda (lever (.2 demongrar (me mochttos foram os OAL11110,S emm egados e respectiva venda 4) Fru rclaciio aos lançamentos conteibeis etuados a vista das ineonsisuMeias aput atlas 4') O Procka II' 13331 000165/00-56 S3-C3 I 2 Aeoud3o ii ' 3302-00.460 ti 13 a) A Jritcressada devera .ser intimada a aptesentar a relaçao dos lançainentos cola/leis efetuados em lace ria apura çao de inconsisteneias no estoque quanto à sua Inclusão na base de ealculo do .1.8P.1 c da (.',.SILL b) Devera, ainda, esclarecer se as aproações felt idas no auto de infiaccio podem ser explicadas pot maio dos alegados rearranjos na apurociio do estoque. Por fim, a fiscalização &Terri comparecer ao estahelecimento Interessada, que (leveret demonstim todo O processo do suposto rearrarrio de estoque, especialmente a origem das informações - em tese, a mesma da ePoca do a(ao fiscal informações sobre a estrutur a dos produtos ante.s e depois das c.or I (vies., a fin ma como foram ete/vedas as col 1 eções e a comparaçao elate as irifOrmações anterior-es e as atuais 1 .wguit, a Fiscalização cia vera relator de forma oNctiva como !he foi am for necidas tais infbrmacões. Aveninais ineonsistencias (UM) delk ."61 SCI °Nett) de niformacJo no relato/lo lavrado ao final, do qual serq dado ci(7..nela a Interessada, paw inanikstoy,..iio no prazo de tr inta Jars ik vista da resoluc5o, a Interessada foi intimada pela Fiscalizaeao (Hs. 1515 e 1516) a apresentar a documentacâo solicitada, tendo apresentado seguidos pedidos de prorrogacao de prazo. Apresentou . Iinalmente, a resposta de Us. 1522 a 1526, em que explica conteúdos dos anexos de tls.. 1527 a 1659. A resposta da Interessada 6 a seguir resumida, Ian relacao aos produtos que teriam sido afetados pelos erros de estrutura informados e conigidos no sistema de controle Inicialmeme eumpr( informar, que a questao de erros na es!' Mina de custos dos produtos opontada no sistema da Maxion nasceu (lc um document() colhido nos diligencias fiscais originals (Its. 80 dus autos, 38 do auto de infraciro) consistente meta manilestaciro de 3 linhas, sem a jurnado de qualquer documento de prowl A analise teeniea do tema iralizcida foi apt «sentada na rc.sposta questao n 0• 3 dos esclarecimentos apresentados pela Maxim' em novembro (lc 2007 (fl.s. 1088/1094 cujo resultar/) apontou que o tratamento dado pelt .' Maxion .foi o me.smo dado ao aperfeiçoamento do sistema, coin inserções das modificações nas estruturas dos prodruos decorrentes de melhorias e mudanças nos produtos. Às siiii, eabe parci essa hipótese a mesma iegra da mudança das estruturas de custos pela evoluciro do process° produtivo, 01.1 seja, uma vez refit. icada a base do sistema, nao testom meios de Se COrlile.'(.Ci - a base anterior, como se /20dC C:011qatai . dC1.) or ienta(Oes confiders do Manual do usual i0 -Qi dons de pr ()(iu(cio - o .524/.541) t clef-id() manual se c.)etrai quo, al epic O esti Laura do produto sido modificada, est r raw a vigente I/O 1 -110I1/en to (la abertura ordem de produeão C (pre „get ava ci movimentacão dos. hens- de esloque, ou sent, olocam cadet cennpownte do pr °ditto., net (plant idades neee.s.Yir lets para a lab!' lea(ão do,s prod was- relativas a cada ordem, con forme composição da c.SlruIiIIdl naquele mention to Como a deli genci.e! or iginal não noirce 0. 5 elementos du e'Toca, neiet como, nest0 diligencia cilual, obte-los. „xi/. rider porque, ers.es lets se «instant para o Our°. .sern inter. jet . ir nas opereke5es pi eler itas Por tan to, nesta di ligeneit! 0 possivel, upends, indicar a listagem que a foi apresentada pcla lklaxion e que se encontra as Ils. I 102/1 107 dos aulo.s- F ill relaÇãO à quantidade de tais produtos que sairam do estabolecimento, disse que, "Diant.e da inexistência de dados da época, Era() se tern como defini quais as quantidades de produtos vendidos corn alteração do sistema, por redelinicao do custo ou pm . redefinição da estrutura de formaeão do custo." No tocante a demoustracilo das diferenças sobre o said°, atirnion que constaria da P. 1088 dos autos "ex.plicacão detalhada da inexistência de reflexos nos saldos dos estoques" e acrescentou que "nil) se constatam (li lei porque os ajustes produzem efieitos futuros" e o "reprocessamento dos controles de estoques se den, apenas, para adequa cronologi a de movimentacao, conto já mencionado no capitulo 3 do Parecer Técnico .juntado lis. 390 a 3(.)2". ()panto ñ apresentacáo de documentação telativamente ao sistema de controle de estoque, alegou que constaria dos anexos 1 a tendo sido organizada por produto A comprovaçao dos erros quanto us datas de alimentação do sistema de corn role de estoque poderia ser. constatada pela própria ficha de movimentacão. Relativamente as entradas para testes e semelhantes, afirmou que os produtos estai iain identilicados as fis 216 a 218 e os eselarecimentos prestados ás lis 959 e 960, além de no pareces técnico detl s I 097 a 1099 e 1486. A seguir, no que se re.feriu aos lancarnentos contábeis deem- Lentos de inconsistências do estoque, alegou: Os dfirs les (lc es toque feitas pela isca Loehr. Ci• L.01- 111.11VIMCIde (to tempo do fecha men to mensal etas operaçãe.:.'s, umfitt me amostru collrida na difigalcia fi scal or íg,in(ll (f/.s elos auto e 60 (h ) auto elo infra cão). .Ndo hi! lane:arm:was. ( .1e.'. j !isles decor; e.:!ntes dos rematOantentas ele est.-nor, a de (: lfS11) 00 sistema A88i111, (pram° di cw'vs nJo houve afetaeão eserliado c neat waste C(WC1.1.1(1 (10 IiirlYtf46 drrelaS. A Fiscalização lavrou o relatório de fls. 1660 a 1663, resumindo inicialmente as CX.plica0 es da Interessada. Alein disso, esclareceu o seguinte: ).` 1 I I 000165/00-56 S3-C3 1 2 Aeor<L'io 11 3302-00..460 01. 1.4 II - 1)ciyantos de apresentar relatório resumido do processo pois o Relatório e o Voto do Convelheiro relator, consiantes 1.493 i 1.511. deste processo, permitem a compleensdo- de twit' s . (15 circunstancias que anteeederam este pedido de dilip,C'neta. Pa (0/110.5. dil'elelMente Ii apresenta(ao das respostas do coii ti wts questionamentos constante,s da Rcsolu(do em (pig/ aft. / - No item 5 do voto (fls. 1 511), o Coaselheiro relatot diz que a liiscalizaçao devera comparecer ao estabelecimento da interessada, (pie deverá demonstrai-/he todo o processo do s-upasto rearranjo de esioque , especialmente a das informacões - em tese, inesma da época da acao fiscal -, as 1401 maçCros solve 0 estruurra dos produtos ante.s depois das corteçóes-, a forma como foram el étuadas as eorret,.;6es e a compataçao entre as infbrmaçóes anteriotes e atrial's. íi seguir, a frscalizaçào devera relalar de forma objetiva COMO 111C foi am passadas tais infOrm00e.s., e 0 que passamos a relruar km 28 de julho de 200.9, comparecemos ao c.stabelocimento ia I. Wei (-._scula, papa reuniiio coin os seus representanles„S'i Leortil Pele,.!?,1011 (se; 01í' da 0i ea contabil), Si Pet nando Caricate (,..ontabilisia 4110 050110 0 PareCel. nenico cio fls. 1084) e o Si (ar /os ,Srqueit a, este itiurio, ,fetente da atea fiscal e procuradoi da empre10 inicialtnente .foi lido por nos, o item 5 do voto clo Conselheiro relator e solicitado aos teirreseritantes tla empresa quo discoircysont solve 0 (mum°, coin o intrUto de Wender a solieda0o do C'onselheito O Si /ornando (.01 /0010 propôs corn um breve osurno dos fatos ocorridos, após O 400, estoria a disposiyTio /1(11 (1 quaisquei esclarecimentos 11110 se fizessem necessártos, 0 (pie fbi pot nós aeatado 1/11010/) explicando os procedimentos de registros e baixas estoques antes 0 (/eJ101s da fiscalizaciio em tela, ao fini do 4110, afit111011 (Me 11014(1 arc) na cstrututa do podia() ou descontrole nos regisnos 0 baixas de estoques, o quo alterou fin a fitrina do apresentaçaa isto cT,.. inicialmente os tegistros e baixas elan!. [oitos pOr ápOrikárleill0 C em de/et minado mometito, foi eliminado o apontamento e intOrmatizado o controle. Com a 41.101•Malla1(iio, começaram a ()cotter. tegistt 0.5 de sai/das antes dos / 05951; o.s de eu/iodos, o que getava, momeManeamente (poriodos do dias) registras' negativos nos saldos dos estoques, enttelanto, tars r ogistros nao pas.savain de tim pata Qua . o Otte s tionado, o Sr Fernando afir mo/i, co Iegorh alliente„ clue .N40 .1.10UVk 5,413)05 .NEGATIVOS /10 EINAL 1)k CALM Mk) frifirtmou ainda que as fichas foram refeitas 00111 a obsei-Taçdo da Cromdogia (I//s entradas 0 das saidas 0, em decor&ncia, houve o (lesa/2(11 ecimen to dos saldos negativos 9 Lice and° esta pat le da apresemacao, o Sr rernando afirmon que as itheracOes nas regi_M-os dos estoques poderiam set resumidas cm lit.'s sr tua(lies !alb(' hamana nos apcmtarnergas, eronolwja das registros a estrutura dos produtos Questionado .so br e a estrutura dos produtos, resumiu rapidamente o .sisterna utilizado (Rack-Flush), ou soja, a baiva autorrugiat dos itens de unta est., Mina quando a Ordem de Produe.,.âo era realiTada frifOrmou que O sistcma ¡tat) 1.)os- stria uma Itava out oma lica, quo verificasse "online" se a entt (Ida dos' ias amos gI havia sido registrada no ficha de commie de estoque,quando esses insumos eram tequisitados pela Ordem da Prodtp,470 Questionado rob' e o Auto Infracâo optic:ado e put-0 pela emprest.t uis. 60 e seguintes deste processo), os ti c/s r epr esen tan t es da empresa afirmaram quo aquele Auto de Infiaclio decorreu di fe renças lIe invenhirio e eyottacOes nâo realizadas Questionado se o Auto de ittfra(rio /trio decoi i era do atitste es/aquas levados a cleito pot- conta dos sahlos negativos, afirmaram, categoriewnente qtw as saldas neKativo.s 100 ultraftassaverm 0 mOs em curs() e, em ticeorrencia, nãe havia ajustes pata verem levarlor iTts contas de I esultado lndogarlo, repotiti nâo 10011/1 'evades ajustes pa; a as comas de 7 CS1111‘00 Isto O 0 que nos foi informado Sobre a forma como nos lararg passe/Was tais infin-mayies, yeniticrlmo5 Tie Ii apresenta(tio foi . /Oila de fitrinet o coei ente com os argumentos. ji't inlarmados Ciii todas as outras informaciies 7/prestadas pela empresa Rersaltamos quo as irgitrinaçOes ogler lot da emprosa ru o foram 1101 auditadas, 171(1-5 7-00 1111 eilifC 0 (Me . foi argumcnIado u t espo.v la a esta diligOneitt e o que fi -.)i a a prevcruado ta ou o I: 0 (jut! nos cube I. chum - k de so esehni -?eer que a consistO'ncia das informaçâes 01 a plestadas eon/ aquaas prestadas anteriormente, bent aksim, o alegado i eordenamento crollo co dov lançamentos levados a eteito nas j2chas lie controle de estoque, nada noj dtzam a respell() da ii:onfiabilidade daqueles eon/roles VO'-se que tal controle caricia de precisr.7lo pois a con/agem f ísica ikrot(tis de esioque que finam levadas corgabilidadc, eon:fin - me planitha apura(âo f7s. 1 7 2 desie proccNso 0 pujinio con/Tihilinie 1.11,fi)t (file eStOgtf cram. ajustados . ii..orgabilmente 00 tempo do kchamen to mensal d.ct operaKitcv (f/s. /526) 11 -n resposta ao relatório, a Interessada apresentou os esclarecimentos de Hs. 1664 a .1674, cm clue, inicialmenie, resumiu os resultados da diligência, latido acrescentado seguinte: De figo, Lugo o sistema de controle de estoques da Recorrenie con faval que permitiu (letec. tm 11 .falha ocottida, rastr eu Ia, entende-la e corrigi-la tipos a i.arre(.:(7 0, a -10 Procisso n" 1 3 S 1 000165/00-56 S11-(1131 2 Ac6Rho ri " 3302-00,460 E 15 infOri)im, - (;lo jxi ssou a se.T adequada sent qualquer interkrencnt 110 5 reSlahldOS empreso, corn() hem csplichado unit° nas tespostas da Recorrente quanto no laudo perk:la! coinqbil 000 5tado aos autos Pot .)ntro ludo, ao apontar no Relati-Vio Conelitsiv° a contagem /15! ou de estoque como ek7nento da itnprecisào do sistema, olvidou-se a liscaliza(Ao de que a inil'OCILIO0 da contagem fisica pet iódica, cm todo O qualquer sistema de controle de esloques, tot paia se eliminar a Ialha quo, porvernzu a, venha ii 00011 01 durante Li realizaciTio do processo do entrados e saidrn do maleria materials auxiliaries, produtos em processo JO oduio. acabado,s, isso 1100 leva conch's:do de que. o ,sistema nao scia colviíwei. Nesse sentido, afirmay-iti final da b'iscalizayrio, Imzendo, inclusive. a constalaelio da contagem lisio di (ils 1 72 deste processo) e a infOrmacao de que Os "CAOCIUCS Clan] ajustados contabilmente ao tempo do -fechamento mensal das operações ( -11s. 1526) ", conjimarn a preeis0o do Ctilit de con itole de 6.'stoque e nao 0 contrario. E confit main, nimbêm, 0 cumprimento legal da realizacao de invenUitio 0 eada fi!chamenio e self co//elo egistro contóbil 17010 imputar adequadametne Os cnstos produ(lio, requisno básico para que SO passa cscriltitar (01 letamenic o Livro de Registro de ltiventái Jo Rcalmente, o Iiindamental « que confOrme comprovado nos autos, in mio embota tenham n ocorrido alguns movimentos "negativos" relativamente a alguns prodWas no .slqema (10 baixa de inNtnno pcko 1a200 acitna expostos, cm moment() algunt houve ou sequer se cogitou de apropriação indevida de crédito de imposto, semlo cerio que todas as matérias-printas e conjuntos adquiridos e regularmente entrados no estabelecimento da Requerente possuem documentos fiscais relativos à operação, come tessallado pela análise pericial (doo 03 do recurso)C csclarecimentos pre.stados cm atendimento dlIran/1410o. Assiuté que, "data máxima demonstra-se arbitrária e sem qualquer sustentação a ,,losa dos valores pleiteados sob a justificativa que não restou 17M1Y1d0 o valor pretendido„ conto sustenta a d. autoridade fiscal, ate porque tal circunstancia por Si só não pode fulminar o próprio direito da Requerente. Realmente, ainda que não aceitos os controles de produção e estoque apresentados ã .fiscalização, o que se adinifc: apenas para arwynienlar, o direito 00 gozo do beneficio decorre da lei e portanto subsiste, sendo certo que por outras.fOrmas podent ser quantificados os valores totais this aquisições de in produtos intermediários, e material de embalagem utiliza dos no processo prydativo, sob pena de se fitIminar o próprio direito, mediante a análise de Notas Fiscais de Entrada "versus" produçao, considerando que toda e qualquer matéria- prima., produto in termediar io e material de embalagem adquirida e que deu entrada no estabelecimento da Requerente sempre esteve acobertada pelos documentos fiscais peilinentes, evigidos para as operações, fato em moment() abitun questiolleiclo pelafiseaktipio. seguir, citou ementas dos Conselhos de Contribuintes sobre a invossibilidade de timitação de benefícios, sv os denials equisitos provisios an lei fOrain pi-eon:hulas - O telatOrio Vo to Conselheiro José Antonio Francisco, Relator (r.) recurso é te.mpestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento., Iniciahnente, quanto ao pedido para que as intimações sejam encaminhadas ao escritério do advogado, (rat a-se de matéria de competência da autoridade local com jurisdição sobre o estabelecimento da Reeoirente. Ressalte-se, entretanto, que o COdig-o Tributario 'Nacional (Lei n. .5.172, de 1966) e o Decreto n" 70.235, de 1.972, estabelecem coma a autoridade liscal deve tratar a matéria, especificamente no que diz respei to ms intimaçoes, não havendo previsão para seu envio ao endereço do procurador. Quanto à perícia e à alegação de cerceamento do direito de defesa, trata-se de matér ia relativa à convicção da autoridade julgadi .ma que, para concluir pela iMproced6Hcia do pedido, entendeu não ser necessaria a pericia. (1 -.) entendimento de que a produção de provas deve ser efetuada no moment.° da apresentação da impugnação encontra respaldo no Decreto n" 70.235, de 1972, e. u'ao representa connachean "[ante assim clue, nas resoluções aprovadas pela Câmara, não se aventou de perícia, pelo fato de que a matéria. não ensejaria a opinião de urn especialista mas basicamente a dernonstração probatória, o que foi alcançado pelas diligências realizaifl.ts. A rnateria clue seria exame da perícia de engenhai ia também não requer eria pericia para set elueidada, pelo fato de apenas ser necessário saber como os chamados insurnos seriam aplicados no processo produtivo. Quanto ao crédito presumido de WI, a alegação da Interessada de que legislação exigiria, como únicos requisitos par a a fruição, clue a. empresa. fosse produtora e ex portadora de mereadorias nacionais é ingenua. elementar que a afirmação pressupõe a prova dos tatos e, ademais, possibilidade de apuração do direito de crédito. Sc a empresa produz e exporta. produtos nacionais mas não prova que o .faz ou não de.monstia o quanto exportou, o pagamento do beneficio não pode ser efetuado. Por isso mesmo é, que se discute nos autos se o controle do estoque sei ia fidedigno.. 12 occ2990 n" ! 355 000165/00-56 S3-C31 . 2 Acóioiaori 0 3302-00.460 Ademais, não se discute nos presentes autos se a Interessada poderia utilizar outro inetodo de apuração, urna vez que houve uma tentativa de alteração do método de apuração da qual 1 própria Interessada desistiu. 0 que se trata, portanto, é de um caso bastante especifico e não de direito generic° ao crédito presumido . Dessa forma, passa-se à análise das glosas A tabela abaixo demonstia as exchisôes efetuadas pela Fiscalização. rvriodo 1 ili-2 il 1 3/L 32/2 31 1 99/2 99/199 1,o lo de 1111r:10o Cr.rAlilo p -1 omnido 1 of al. TWA a ghNal a 00,,, 1 pil 00 . 1 ,L1c , ,..” dcdn,,,:ioll , modo 6000[,,o.'Hin 1, 09729 :35975 22936 i 041 47 1 17 022jul! 10 1_11 ,'::' 11151 1:: 4 !.:44 24 $14424 -/ 9 61 (13.3o/ 1 01.) 1 497_7 5.5945 2 441 12 0 9::,.9 59 'V 02.9 62 93 !13 42 : 101 44 9391 17919 15019'! 2 711K 7', 02 , .11:0100 12 9 13 02211 22191 '149 14 :::4 704 ■-,1 99 I, (13 101 ■ ,:(11) 1 049,07 97 1 I I 2 399 90 la 9979/ 20 ,...9::; ■: ■ 3 4,,d-00 662 31 1 1,001 1:0,69 21994 1 4'45 79 0 29,1 100 :■ : 699 MO I.Y2 2 U1 .-'!i. 1 472, .7;¡ 4 92:',. 1,0 0 .i.,:;c1,'00 2 600 66 901 95 160 01 (9'I'175 '11 12 1 1 2.6 100 F11 66 7.101:1,11 /6 Segundo Os documentos constantes dos autos, os produtos de CFOP 1 i1 e 2.1 1 seriam o seguinte: espiral de aço, bico de contato, porta trcsa, toda motora, quebra cavaco, rebite, pedra pra isqueiro, oleo de proteção, bico de coi te, oleo térmico, rodizio giratório, mola, guia, flange, grampo, manipulo, anel de pressão, bocal cônico, árvore, thinner, válvula, porta-bico para tocha, supoi te, embuchado magnético, caixas, pallet, 1penetrante (controle de qualidade), parafuso, cilindro pneumático, ponteira para cilindro, chave, estojo de pinças, porta chaveta, eixo, isolador, placa compensadora, prato posicionador, acendedor para IfIZN ■ 11 ico, adaptador, "outlet", braço de pressão, unidade de limpeza, conduite, inicies cônicos, chave "tc.ffk", alojador de guia, giaxa, Reza, piloto, macaco mecânico, pino, alavanca, poi ca, cápsula, guia espiral, rolete, pastilha, vcrificação (serviço), distancia (gabarito), inspeçao (gabarito), mandril (gabarito), posiçao (gabarito), profundidade (gabarito), tocha, componentc de lixação, flexível, esquadro, serviço de usinagem, massa de calafetar, rocol (manutençao), calibre de inspeção (gabarito). Destes produtos, foram glosados os créditos retail vos aos seguintes: oleo, desengraxante, chapa xadrez, tubo, barras cantoneiras, chapa SAL, chapas para braçadeiras, perfil, tubo de recalque, tubo de sucção, viga, oleo de proteção, válvula borboleta, "draw spring" (pela para robô de solda), braço dc pressão (solda), peças de máquinas, parafuso, removedor e revelador (controle de qualidade), corrente, calço. bico spray, cilindro, rolamento, motor Weg, penetrante, eletrodo, quebra cavaco, cabo do corrente, manguen a, inibidor dc conosão, I kfilicante, viga, capsula, osfera, trilhos, porca, engrenagern, tubo de aço, conexão rápida, sensor', bomba, tornadas, bobinas, fixação, silenciador, conexão, distribuidor, iedução, barta de montagom (solda), arruela, transportador, esteira, base, kit de reparo para cilindro A razão da glosa é sua não aplicação direta na produção e a 'Interessad a. apresentou laudo .justificando O uso dos produtos. .De acordo com o laudo apresentado, os produtos seriam especificamente os seguintes: 1) materiais consumidos no processo: correntes para motorizaçao, valvulas pneumaticas, graxa; 2) materiais usados e consumidos no processo: - parafuso e calço que fixam o angulo do inserto/pastilha; - arame, fluxo e gases de, solda, MEG (arame de solda e rases de pi otee5o), arco submer so (ammo de solda e fluxo), oleo de laminaçáo (laminaçáo, se evapora no conta to com a superficie), sabao de estampagem (estampagem, idem anterior), granal has de aço (decapagem), tintas e solventes (proteçao da superfieie dos componentes); - gases e flux° impeder)) o contato direto da solda corn o ar, evitando a ()xi &Orr; - acessorios para. o processo de solda: bico, bocal, spray protetivo e in angu cii a; - acessórios para corte a quente: isqueiro, bico, bocal, mangueira. Conforme esclarecido pelo acordao de primeira instancia, para se enquadrarem no conceito de mal éria prima ou produto intermediái io, os produtos (lever]) satisfazer as condiçOes previstas no Parecei Normativo (7.ST n. 65, de 1979, que sao "o conS111110, o desgaste ou a alteraçáo do instill)°, em funçáo de açáo direta exercida sobre o produto em labricacao", e o contato dircto coin o produto O regulamento, nessa matéria, refere-se a produto constunido no processo industrial. Cabe esclarecer que a referência ao termo alio consta expressamente do art. 25 da n.. 4.502, de 30 do novembro de 1964, corn as altcraç6es dos Deer elos-lei n i4.. de 1066, e 1.136, de 1970, quo estabeleceram eomo condiçáo para o creditamento a destinaciro do produto adquirido "a comercializaç-,ao, industrializaeao ou treondicionamento". O regulamento, por sua vez, impôs duas condie6es, ao estabelecer a possibilidade de crédito: tratar-se de produto consumido no processo produtivo e rido integr at o pi"od1ito o ativo permanente la a (..onstituiçao diz que a nao-cumulatividade se processa pela componsaçáo do im . posto cobrado na operaçáo anterior (art. 153, § 3", II). A (.'onstituiciro nao estabelece de maneira clara o que seria "opetaçao anterior" Dessa fi)rma, os limites sobre o que ger a au nao direito de crédito podern sor objeto de regulacáo legal, dentro de limites interpretativos que nib o impliquem a doscaraeterizaçao da nao-eumulltividade„ A lei, na realidade, estabelece uma condiçáo bastante restritiva, dizendo que os créditos relerem-se a "produtos entrados", de forma que a comercializacrio, industrializaçáo e o acondicionamento mencionados reforem-se destinaçáo do .próprio produto. 14 Procci-.) 11`' I iSS 1 000 I 65/00-56 53-C31 2 Ac6r4.170 ii " 334/2-00.460 51 17 Nesse contexto, o regulamento impôs Unifies menos restritivos as disposições legais, esclarecendo que os produtos consumidos no processo e que não se destinem ao ativo permanente também geram direito de crédito.. Ao assim proceder, o regulamento aparente.m.ente impôs limites que permitirlam a interpretação realizada pela recorrente, eatendeado que todo [Produto que fosse consurnido no processo industrial e não se destinasse ao ativo pennanente poderia gerar direito de credito Partindo dessas premissas, não se pode admitir que o regulamento possa estendei os limites legais, sob pena de ilegalidade. Então„ é preciso interpretaras disposições regulamentares de forma a compatibiliza-las coin as disposições Assim, a nterpretação dada polo Parecer Normativo CST n. 65, dc 1979, é a mais adequada, uma vez que identilica uma caracteristica das matérias-primas e dos produtos intennediai ios comum também a outios produtos utilizados no processo industrial, que justifica o reconhecimento do (lit eito de credito, que é o contato ['sic() corn o produto (item • 1 (1.1).. De acordo com o laudo apresentado, tais produtos seriam consumidos no processo au ill.COLporados ao produto lirial kutretanto, não se trata de produtos que se integram ao produto labricado e seu consumo nib o se da pelo contato direto corn ele, conform° exigido pelo Parecer Normativo UST n" 65, de 1979 :sclateça-se, ainda, em relaçao aos produtos que, em tese integrar-se-iam aos produtos fabricados, como as soldas, que não houve prova de sua efetiva e especilica utilização cm produtos inbricados, uma vez que poderiam Set utilizados ira manutenção de equipamentos e bens de produção. Quanto aos produtos de C.FOP 1.31. e 2..31, foram glosados por conta da falta de contro le de estoque, questão que Se4•Ó tratada juntamente coin a análise do Cl édito presumido. relayilo aos produtos de CEOP 199 e 2 99, seriam os seguintes, segundo os documentos constantes dos autos: suporte, porca, para fuso, wash, gardonclean, conexão rápida, chassis, dispositivo, empilbadeira, demst, EB, esmalte, suporte, cubo, cera, primer, lapis, broca, mandril, JG, nalco (AG), solução PH (AG), butilgrieol (AG), conjunto, suporte sensor, rebite, fita, filme, selo, caixa de metal, aro, disco, travessa, transportador, coraldur, roda, maquina, fundo selador, rolamento, concentrado, ferramentas, ui não reta, sabonete liquido, kit de vedação, transmissão motivo da glosa foi tratar-se de amostras par a demonstração, testes com ou sem retomo, parties e peças de maquinas, remessa de moldes de clientes, todos sem cornprovação de uso no processo produtivo (remessas para demonstração, consignação etc) . A interessada afirmou que os produtos estariam identificados as fls. 216 a 2 I 8 e os esclai ecimentos prestados as lis. %9 e 960, além de no parecem técnico de tis 1097 a 1099 e 1486 15 Fntretanto, somente a chamada perícia de engenharia não é, meio habil para esse tipo de prova, que é de natureza contábil e fiscal e teria que ser efetuada especificamente em relaçãO a cada produto, uma vez que a natureza da operação de entrada não era condizente com a alegada finalidade de emprego na .produção, () tato é que a Interessada não demonstrou sua utilização, embora tenha sido cientificada do teor da resolução que aprovou a diligência anterior e a questão tenha sido suscitada na última Quzinto aos ajustes do auto de infração constante do processo administrativo n, 10860.005574/7_00'2-78, tratou-se de ajustes de estoque (fl. 97), utilização indevida de imunidade e inobservância do valor tributável mínimo. A Interessada pagou o auto de inflação, eon -forme observado pela primeira instância., Ern relação ao "terramental", teria havido apuração a menor da base de cálculo, coin aplicação de multa pot não destaque do imposto, reduzindo o erédito. Em relação a revenda de mereadoria (apuração a menor da base de calculo), aplicou-se multa poi não destaque do imposto, ta.nlb, stri reduzindo o crédito. A Interessada pretende, no _presente processo, discutir a regularidade da situação, emhora não o tenha fei to no auto de in fração.. 1,111 retain°, a nap contestação cio auto de infração implica concordância tácita com os fatos apurados, de forma que não é possível admitir a rediscussão da matéria, a vista das disposições do ll .t. 1_45 do Codigo Tributario Nacional., Passa-se, a seguir, à análise do controle de estoque da Interessada As provas colhidas pela 'Fiscalização em relação à irnprestabilidade do controle de estoque da Interessada foram as seguintes: I) Auto de in fração sobre ajustes retificadores de saldos negativos do estoque, em face da falta de entissiio de documentos fiscais (11 61); 2) Razões dos saldos negativos (Os. 80 e 81): elimnaaçao dos "apontadores de produção", em .janeiro de 2000; mudança no sistema de baixa de insumos; erro na estrutura do produto, crua correção ja teria sido providenciada; atraso na alimentação; alimentação do sistema no dia útil seguinte; 3) Comunicação interna (fl. 82), relatando o problema causado pela demota na alimentação do sistema de baixa; 4) Comunicação interna (II 83), dando conta de que a causa principal dos saldos negativos seria a demora na alimentação do sistema de produção, que poderia alcançai quatro dias; 5) C'oniunicação interna (fl. 84), relatando a continuidade do problema; 6) Relatório de valores contabilizados na conta "ajuste dire; ença de inventário" (11 97), entre jztneiro de 2000 e dezembro de 2001 e entre julho de 2000 e dezembro de 2001 (11 172) P roct.....sA) C 0001 65/00-56 S3 -C3 T2 Au6ari0 n " 3302-00,460 H IS Na primeira diligencia efetuada (Es. 945 e 946), a Fiscalização adulou o procedimento de questionar a recorrente, quando deveria ela mesmo ter verificado os Fitos requeridos. Nesse contexto, as respostas da Interessada foram as seguintes: I) Quais aquisições no dariam &elk) a crédito? Somente as do laudo ou outras? Resposta (fl, 956): são somente as relacionadas no laudo. 2) As fichas de controle sad confiáveis e têm todas as informações para serem admitidas? Resposta da Interessada: sim. 3) Quanto ao processo 10860.005574/2002-78. Resposta: Os. 969 em diante. 4) Quail:to aos produtos de CFOP 1,99, 2,99 e 3.99, fbram posteriormente adquiridas pela recorrente? Resposta: sim. As respostas da fiscalização foram que a Interessada teria adotado um novo estoque, que seria "equivalente do equivalente retroativo".. Juntou copia do movimento do almoxaii fado emitido ern 15/05/2006, demonstrando o estoque negativo. Na segunda diligência, aprovada pela Resolução n. 201-00,689 (11s. 1030 a 1043), requereram-se informações sobre os erros na estrutura dos produtos, erros nos I a IlÇa ent08 nas fichas de control e, amostras e consignações (processo produtivo e conversdo das entradas em vendas). Não loi realizada dil iga eia e a fiscalização produziu o relatdrio de Es.. 1045 a 1058 e destacou que a Interessada pagou o auto de infiação sem contestá-lo; alegou que os erros na estrutura teriam sido o principal motivo dos saldos negativos e que o problema teria per dois anos; destacou as diferenças apuradas no estoque, em função de discrepancias no esu-.)que. I -Mipresa refutou, reportando-se aos laudo e parecer. Nova resolução foi aprovada, tendo sido a diligência, desta vez, realizada conforme requerido e rninudenternente exposto no relatório.. Para análise da questão, é importante resumir os critérios adotados para a requisição das diligências, que, de Elio, apontam as razões necessárias A formação de convicção Primeiramente, a apuração de saldos negativos, por si só, não implicam iin prestabiI dale do controle do estoque. A apuração de saldos negativos é consequência de filhas no controle de estoque, que podem ser sanáveis ou não. Nesse contexto, apuraram- se originalmente no presente caso duas causas: descompasso na alimenlação do sistema e erro na estrutura de produtos 0 descompasso na alimentação do sistema, por sua vez, pode ocorrer com maim OU menor gravidade, o que, de fato, não foi apurado pela Fiscalização, tendo lnteressada insistentemente a fi rmado não ter havido transferência de (nos de run rues para o seguinte. 4r) i7 .[{1 o erro na estrutura dos produtos é um problema sério, que compromete o controle do estoque, uma vez quo a baixa das matérias-primas seria efetuada de forma - completamente indevida. .Frn relação a. essa matéria, a interessada. afirmou que, na realidade, não teri a. ocorrido, sendo glue teria mencionado a questão uma única vez, não tendo a Fiscalização demonstrado o .fato e tendo os laudos apresentados demonstrado sua inexisténela Essa fbi a questão central de todas as diligências, urna vez que, de fito, a Fiscalização fiats) col hen prova material alguma (demonstração contábil da ilha) da ocorrência de tal faro Nas opiniões que forneceu as diligências, a Fiscalização insistiu nas respostas da. Interessada, no desespero dos funcionários, nas di ferenças apuradas, mas, ainda assim, não se pi eocupou em demonstrar diretamente a ocorrência da áriha Por outro lado, a interessada apresentou urn parecer, segundo o qual tal fato nunca teria ocorrido A análise dirota das fichas de controle, que permit:it am a reconstituição dos saldos na ordem correta das entradas e saídas de produtos, permitiria demonstrai suas ai eg,a cs-,6 es . O que se pretendeu na. última diligência Ibi exatamente apurar como tal apuração seria possível e a dimensão de tal problema (produtos afetados e valores incorretamente gerados).. Como resultado, constatou-se que as informações constantes do laudo e parecer scrim coerentes corn os documentos apresentados pela Interessada Vale dizer, os novos saldos forum apurados corn base nas fichas de connote de forma cociente . Fntretanto, a questão do erro na estrutura dos produtos não foi esclarecida a contento pela interessada, pelas razões a seguir expostas Ern relação ao auto de infração, que apurou diferenças de estoque , a lateressada negou haver decorrido dos saldos negativos 1 ,'.111-retanto, eon [brine ut esclarecido, os sal dos negativos são uma consequência de falhas no controle Se ha saldos negativos e apuração de diferenças de inventário, uma mesma causa pode explicar os dois fenômenos questão importante seria desvincular a causa do auto dc inflação do erro na estrutura dos produtos, questão que não restou esclarecida. Portanto, o fato de haver auto de infração decor rente de di ferenças de inventário é indicio relevante de que poderia haver erro na estrutura do produtos. ConfOrme esclarecido no relatOrio, em relação ii quantida(le de tars produtos que sabiam do estabelecimento, a Interessada disse que, —1)ionle da Inc\ dados Jo C'7)0(70, 110 e fern como Jc/uíii (»gais. quantidadc5 de in vendidos C.0111 (the/ ac(io Jo siqcma, poi. 1 cdc:'fini ç iio do otsto ou por' 1 edffiMoTio da estnym a de fin maK.iio Jo custo " Conho conseqüência das afirmações da interessada, não se ter ia como provar diretamente a existência ou não do problema, embora, no parecer :juntado aos autos, teria sido possível apurar que a causa dos saldos negativos seria apenas o descompasso na alimentação do sistema.. la L'i occsso 1 0 138 000165/00-56 Acónkio ii " .3302-00.460 S3-C.31 - 2 Fl 10 Decorreria tal possibilidade da recomposição da movimentação de estoque a. partir das fichas, o que também. resolveria a questão do descompasso, uma vez que, das fichas, constariam as datas de inoviinenta.ção. Entretanto, no Como aferir a confiabilidade sistema sem se poder analisar a dimensdo do problema causado pelo CM) na estrutura dos produtos, o que, segundo a própria. lnteressada, .nao poderia ser apurado, "diante da inexistênc dodos (la épocu7. Ademais, constou do relatório fiscal a seguinte informaçao, fornecida pela. própria Interessada e ja constante do relatório: Fncerrando esta parie da apre.senta(lio, o Sr .17'ernando afirmou rime as allerae5es- nos registras dos estoques poderiam ser ; esumiday ern tr-c?s •itua“3es. humana nos aponlamentos, ci-ronologia dos regisfi os e esirtitura dos produlos Otiestionado sobre a estrutura do.s- prodritos, restituiu rapidamente o sistema ufilizado (Back-Plus-O. ou YeLjo, a baixa autornálica dos -liens de unia es/tu/ura quando a 01-dem de Producao era realizada.brmou que o ,stslema nao passula Irma trava aulomáfica, que verificayye "online" se a entrada dos insunios havia sido registrada na ficha de controle de estoque.quando esses ¡in -HMOS Clain requisitados pet(' Ordem de Produeáo Tais questOes, em principio, colocariam um xeque a afirmação da própria Interessada de que seria possível apurar com fidedignidade as informações de movimentação de estoque, pois, na realidade, não se pode descartar a ocorrência de erro na estrutura dos produtos e, alua disso, lido se pode iv rliar a dimensão das conseqüencias de, tal falha. Entretanto, a Fiscalizaçao também .1.1ãO foi capaz de demonstrar a ex ist&ncia do erro na estrutura do produto. Conseqfientemente, o que se verifica 6 que a razão de a Fiscalização rid° haver respondido adequadamente as outras diligéneias era a própria impossibilidade de prova, clue, no caso, deveria ter sido efetuada a época própria . No tocante aos créditos de C.1.01) 1.31, 1.32 e 2..31, trata-se de retornos de produtos que salmi.n com debito, para o qual o Regulamento exige o registro dc controle de estoque ou equivalente, única razão pela quz-11 os créditos lOram glosados, 1 -105 termos do art. 169 do Ripi/2002: .411 16.9 0 direito ao credit° do impo.sto condicionado ao cumpi imento das seguintes exi,!!encius Lei n"4 502, dc 1964, art 27, 4") - pelo estabelecimento que eceber o podia° em ilcroluoio l esetin.na0o das notas recebidas, nos 1/vias Regrsiro de P.nnadas e Registro (le Controle da Ptochiçiio e. do Lsto(pw ou em sistema equivalente nos termos air $88; e prova, pelos reg/sit os lit (Imicibeis e demais elemertio. de s- tta e(:rila, do reçsor .cinuauo do valor dos produtos devolvido, mediante CI édito ort reOlukao do mestuo, Ott u(1)..s1itukito do prolmo, salvo se a opera(ao liver sido feita a I/ill/0 grantito Portanto, a razdo da glosa foi a inexistência de controle equivalente de estoque. Como o connote de estoque da Interessada foi considerado habit (efetivamente equivalente), a. glosa. não deve ser mantida... relação ir Selic, nib há previsão legal que permita a incidencia. dc . juros, no caso de. ressarcimento de IPI. Fsclareca-se que não se está falando de correção monetdria, mas de juros compensatór ios. .A previsao legal para a incidência de juros Selie, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 4 0), é claro que o dispositivo refore-se aos valores que poderiam ser restituídos, niio permitindo interpretação extensiva. 0 texto da Lei n. 9.250, de 1995, é clam, "Tao havendo COMO aplicar poi analogia aquele dispositivo ao caso do 1 .essareimento, A data previshi para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o (levido, data que sonnet -4e pode ser identificada se se natal de pedido de restituição A incidência dos . juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido d.e ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. Como a incidência de .juros depende de expressa previsão legal não cabe a sua incidência no presente caso. Considerando todo o exposto, há que se esclarecer o seguinte: 1) Em relação ao crédito presumido for reconhecido, apenas, a actividade do controle do estoque da Interessada, devendo os autos, no tempo adequado, retornarem à origem, para a realização de diligência paia apuração dos valores; 2) bin relação aos créditos dc produtos de Cl 0P I 31, I 32 c 2.31, foi reconhecido incondicionalmente o direito de crédito, cabendo eventual recurso da Ëazenda Nacional; .3) Fm relação aos demais créditos e a Sae, o direito não foi reconhecido, cabendo eventualmente direito a recurso pela Interessada. _Ainda CM relação ao item 1, seriam cabíveis eventualmente recursos da. Fazenda Nacional (contra o reconhecimento da efetividade do connote do estoque) e do contribuinte (contra a condição de que o crédito ainda depende de apuração da autoridade fiscal). 20 Procuso 11 0 138 000.165/00-56 S3-C3 - I 2 Acól dzio ' 3302-00.460 ri Lin relação a todas as ressalvas em tese a direito de recurso acima mencionadas, obviamente o etetivo direito a eventual recurso dependera da prova, pela parte interessada, da satistação dos requisitos de admissibilidade previstos no Ricanf Esgotados os prazos processuais e retornados os autos à origem para apuração do montante de crédito presumido, sera cabivel novo processo administrativo fiscal contra eventual reconhecimento parcial do direito dc crédito„ As compensaçOes apresentadas deverão set cfetivadas cm relação aos créditos reconhecidos e, em relação aos não reconhecidos, deverao permanecer suspensas até que haja contraditório a sea respeito em .julgamento, o que alcança o eventual contraditório mencionado no parziguat6 anterior. A vista do exposto, voto por dau provimento parcial ao recurso, para declarar que o crédito presumido pleiteado seja apurado utilizando-se o sistema de controle de estoques apresentado pela recorrente e .reconhecer o direito ao credito dos insumos de código G1 , 01's 131 , I .32 c2.31 ifitC").() i rianeisco
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000945/2010-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.568
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
sobrestar o julgamento em face do disposto no artigo 62-A
do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de
2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, nos termos do voto do relator. Essa deliberação foi precedida de outras duas: a primeira, no sentido de que as
ações da Bovespa Holding recebidas em face da desmutualização das Bolsas de Valores deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, o que se deu pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que defendiam o cancelamento de toda a exação. E a segunda, no sentido de que a ação judicial interposta pela Recorrente ainda em curso não caracterizaria a
concomitância de objeto, neste caso vencidos os conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Júlio César Alves Ramos, tendo sido designado para a elaboração do voto vencedor quanto a este
quesito o conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento em face do disposto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, nos termos do voto do relator. Essa deliberação foi precedida de outras duas: a primeira, no sentido de que as ações da Bovespa Holding recebidas em face da desmutualização das Bolsas de Valores deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, o que se deu pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que defendiam o cancelamento de toda a exação. E a segunda, no sentido de que a ação judicial interposta pela Recorrente ainda em curso não caracterizaria a concomitância de objeto, neste caso vencidos os conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Júlio César Alves Ramos, tendo sido designado para a elaboração do voto vencedor quanto a este quesito o conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 415 2 Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração cientificados ao sujeito passivo em 17/08/2010 para a exigência de débitos do PIS/Pasep e da Cofins do período de apuração de outubro de 2007, lavrados, segundo a fiscalização, em face da não inclusão na base de cálculo das duas contribuições do resultado obtido com a venda de ações, títulos esses que se caracterizariam como investimentos temporários, e, portanto, passíveis de classificação no ativo circulante e não no ativo permanente, conforme adotado pela autuada em sua contabilidade. A multa de oficio aplicada foi de 75%. No Termo de Verificação Fiscal, constatase, em apertada síntese, que a origem do lançamento está no fato de a fiscalização ter considerado como integrante do faturamento da autuada, um banco comercial, o resultado da venda de ações ordinárias nominativas da Bovespa Holding que recebera em troca dos títulos patrimoniais da Cia. Brasileira de Liquidação e Custódia – CBLC que detinha e que estavam registrados no seu ativo permanente, troca essa que se deu por conta do processo de desmutualização1 das Bolsas de Valores de São Paulo. Para o Fisco, essa troca ou essa conversão [títulos patrimoniais da CBLC x ações da Bovespa Holding] representou a aquisição de “ativo novo”, que deveria ser registrado conforme a opção da empresa quanto à sua utilização futura, isto é, “no Ativo Circulante [...] se a decisão for a de considerar essas ações como sendo títulos disponíveis para negociação ou venda”, ou, “[...] no Ativo Permanente [...] se a decisão for a de considerar essas ações como investimento.”, consoante, aliás, ressaltou, constara da orientação expedida pela Bovespa aos acionistas dessas empresas por meio do Ofício Circular nº 225/2007DG, bem como do inciso III, do art. 179 da Lei nº 6.404, de 1976. Argumentou a fiscalização que a classificação no ativo permanente dos títulos da CBLC antes do processo de desmutualização se justificava na medida em que o Banco, para ter acesso aos agentes de compensação de títulos, necessitava possuir ações daquela empresa, isto é, as ações serviam como uma “licença” para operar, daí se revestirem do caráter de “permanência”. A partir da desmutualização da Bovespa e da incorporação da CBLC, tal exigência deixou de existir e o acesso dos agentes de compensação passou a ser regido por um regulamento para instituições intermediárias de caráter essencialmente comercial. Os antigos acionistas da CBLC que tiveram suas ações incorporadas pela Bovespa Holding foram ressarcidos por meio do recebimento de ações da nova empresa incorporadora, de sorte que tais ações passaram a representar simplesmente valores mobiliários negociáveis. Assim, prossegue, não mais serviam tais títulos ou a sua posse como “licença” para operar no mercado de ações, sendo considerados, portanto, como títulos para negociação ou disponíveis para a venda. 1 Explica a autoridade fiscal que referido processo, havido em 28/08/2007, caracterizouse no fato de a Bovespa ter deixado de ser uma associação civil sem fins lucrativos e transformouse em uma sociedade por ações, a Bolsa de Valores de São Paulo S/A. Na ocasião foi criada a controladora Bovespa Holding S/A tendo a Bovespa e a CBLC como suas subsidiárias integrais, o que se deu através da incorporação de seus antigos títulos patrimoniais e ações. Assim, todos os detentores de títulos patrimoniais da Bovespa e de ações da CBLC transformaramse em acionistas da Bovespa Holding. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 416 3 Nessa linha, e, em face de que em pouco menos de dois meses da aquisição dessas novas ações, ou dessa troca de títulos [28/08/2007], a empresa delas se desfez mediante venda [20/10/2007], concluiu a autoridade fiscal que tratarseia de uma venda de item do ativo circulante e não do ativo permanente, a teor, inclusive, do disposto no artigo 179 da Lei nº 6.404, de 1976. Outro fator que pesou para a conclusão desse entendimento por parte do Fisco foi que o resultado de uma outra transação envolvendo a venda de ações da Bovespa Holding [20/10/2007], as quais haviam sido adquiridas pela autuada junto a outra empresa, a Societé Generale – Corretora de Câmbio Títulos e Valores Mobiliários, que, por sua vez, as recebera por conta do mencionado processo de desmutualização das bolsas de valores, não foi retirado da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Ou seja, nesse caso, a autuada registrara essas ações no ativo circulante e oferecera o ganho auferido na venda à incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Há também no referido Termo de Verificação Fiscal a notícia da existência de uma ação judicial2 ainda sem decisão definitiva, proposta pela ora autuada em 2006 na qual esta postula o afastamento, por inconstitucionalidade, do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, de modo que o PIS/Pasep e a Cofins incidam de acordo com as regras da Lei Complementar nº 7/70 e Lei Complementar nº 70/91, respectivamente. A Certidão expedida pela Primeira Subseção Judiciária – Capital – São Paulo, constante à fl. 80, dá conta de que o processo aguarda julgamento e que a tutela antecipada solicitada foi deferida parcialmente em favor da autora determinando o afastamento do referido dispositivo tido como inconstitucional, de sorte que as contribuições se façam incidir apenas sobre o faturamento. De qualquer modo, a autoridade fiscal entende que o resultado auferido pela autuada na venda de ações da Bovespa Holding integra o conceito de faturamento (receita bruta) de sua atividade operacional principal, estando fora, portanto, da proteção dada pela sentença judicial. O fiscal autuante assim consignou no auto de infração do Pis: Valor apurado conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal em anexo. Incabível a exclusão, da base de cálculo do PIS, do resultado total auferido na venda das ações da Bovespa Holding S/A, recebidas pelo sujeito passivo em troca por ações da CBLC, uma vez que aquelas se caracterizaram como investimento temporário e sua venda fez parte da receita bruta da atividade principal. O fundamento legal da infração adotado pela fiscalização foram os artigos 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único; 3º, 10, 26 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002. E no auto de infração da Cofins: Valor apurado conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal em anexo. Incabível a exclusão, da base de cálculo da Cofins, do resultado total auferido na venda das ações da Bovespa Holding S/A, recebidas pelo sujeito passivo em troca por ações da CBLC, uma vez que aquelas se caracterizaram como investimento temporário e sua venda fez parte da receita bruta da atividade principal. 2 Ação Ordinária, distribuida em 20/06/2006, tombada sob o nº 2006.61.00.0211117, ainda aguardando decisão no TRF da 3ª Região, conforme pesquisa feita em 14/07/2012. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 417 4 O fundamento legal da infração adotado pela fiscalização foram os artigos 2º, inciso II, e parágrafo único; 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002 e o art. 18 da Lei nº 10.684/2003. Para ambas as autuações, fez constar de seu termo de verificação fiscal, que: Portanto, fica caracterizado que o resultado auferido na venda das ações da Bovespa Holding S/A, recebidas pelo sujeito passivo em troca por ações da CBLC, integra o conceito de faturamento (receita bruta) da atividade operacional principal do sujeito passivo, estando fora da proteção da sentença judicial que afastou a aplicação do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 na apuração da base de cálculo de Pis e Cofins. Na Impugnação, também em apertada síntese, a autuada esclareceu que o processo de desmutualização da Bovespa consistiu na operação de abertura de capital das Bolsas de Valores e se deu mediante cisão da associação [Bovespa] e incorporação da parcela cindida por sociedade anônima [Bovespa Holding S/A], inexistindo qualquer dissolução ou liquidação, mas, mera transformação societária. Assim, argumentou que, para os exassociados da Bovespa, o efeito da cisão parcial e da posterior incorporação foi o de transmutação ou troca das posições societárias de sociedade antiga para a nova, ocorrendo mera sucessão patrimonial eis que mantido o investimento anterior [representado por títulos patrimoniais] na nova sociedade [agora sob a denominação de ações]. O mesmo teria se dado em relação ao processo de desmutualização da Cia. Brasileira de Liquidação e Custódia – CBLC, a qual já possuia a natureza jurídica de sociedade por ações, de sorte que as ações que estavam na posse de terceiros foram apenas substituídas por ações da Bovespa Holding. Para defender a classificação contábil que adotara para o registro das ações que recebera da Bovespa Holding, qual seja, no ativo permanente imobilizado, explicou a Impugnante que, antes do processo de desmutualização e por força de condição imposta pela Comissão de Valores Mobiliários para participar do mercado de ações, adquirira títulos patrimoniais da Bovespa (sic3) e ações da CBLC. Esses títulos e ações ou essas participações societárias eram contabilizadas no Ativo Permanente Investimentos por se tratarem de investimento de caráter permanente em outra sociedade e não tinham, portanto, a característica de uma aplicação de capital de caráter temporário ou especulativo. E, prossegue, assim permaneceram classificados após o processo de desmutualização, ocasião em que recebeu, em substituição aos títulos da Bovespa (sic) e às ações da CBLC, respectivamente, 3.882.732 ações e as 8.481.144 ações, por se tratarem exatamente do mesmo investimento. Não poderia se falar, entende, que teria permanecido com as referidas ações somente por um mês, e, em assim o sendo, há de se ter que a venda representou efetivamente a venda de itens de seu ativo permanente, operação essa que, por determinação expressa contida na lei, artigo 3º, parágrafo 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, não pode sofrer a incidência das contribuições do PIS/Pasep e da Cofins. Ad argumentandum, presumo, a Impugnante contestou também a forma com que foi apurada a base de cálculo que ensejou os dois lançamentos, ou seja, entende ela que não foi diminuído do valor da venda o valor da participação societária atualizado pelo método da equivalência patrimonial a que alude o art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e em consonância com as orientações contidas no Parecer Normativo CST nº 78, de 1978, e no Plano 3 Certamente a impugnante se equivocou, pois, conforme documento de sua lavra, à fl. 14, nao possuia ações da Bovespa antes do processo de desmutualização. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 418 5 Contábil das Instituições Financeiras – Cosif, aprovado pela Circular do Bacen nº 1.273, de 29/12/1987. Assim, diferentemente do que considerou a fiscalização, os títulos patrimoniais da antiga Bovespa e as ações da CBLC estavam sujeitos à avaliação pelo método de equivalência patrimonial, de sorte que, diz ela, verbis, “o valor da participação societária, atualizado pelo método da equivalência patrimonial, correspondente ao mês de outubro de 2007, deveria ter sido descontado da receita da alienação das ações para fins de incidência do PIS/Pasep e da Cofins.” Por fim, e reportandose aos efeitos da ação judicial ainda em curso, a Impugnante entende que em face da antecipação da tutela parcialmente concedida, a exigibilidade do presente lançamento encontrarseia suspensa, e, portanto, não teria cabimento a multa de oficio de 75%. Considera que a sentença provisória lhe garantiria o direito de ter submetida à incidência do PIS/Pasep e da Cofins apenas as suas receitas de prestação de serviços, de maneira que não tendo cometido ato infracional, não poderia ser punido com a referida multa de oficio, a teor do disposto no artigo 151 do Código Tributário Nacional. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, SP1 manteve integralmente o lançamento em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007 RECEITA DECORRENTE DE VENDA DE AÇÕES DA SOCIEDADE BOVESPA HOLDING S/A RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DA DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA ASSOCIAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES NO ATIVO CIRCULANTE. INCLUSÃO NO FATURAMENTO. O recebimento de ações da Bovespa Holding S/A, em decorrência da operação de desmutualização da Bovespa Associação, seja em decorrência da devolução de patrimônio representado pelos títulos patrimoniais da associação, seja em decorrência da incorporação de ações da CBLC, caracterizase como aquisição de ativo, e não como mera troca ou substituição. Demonstrada a intenção de venda no curto prazo, devem as ações ser classificadas no ativo circulante, e não no ativo permanente, não cabendo a sua exclusão da base de cálculo da COFINS. O faturamento deve ser entendido como as receitas decorrentes da atividade empresarial típica, o que, no caso dos bancos, inclui a compra e venda de ações de carteira própria. Não há erro na apuração do valor tributável por ter sido desconsiderado o valor das ações atualizado pelo método da equivalência patrimonial, pois elas devem ser classificadas no ativo circulante, não podendo ser consideradas como investimentos para fins de aplicação do artigo 248 da Lei nº 6.404/76. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007 RECEITA DECORRENTE DE VENDA DE AÇÕES DA SOCIEDADE BOVESPA HOLDING S/A RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DA DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA ASSOCIAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES NO ATIVO CIRCULANTE. INCLUSÃO NO FATURAMENTO O recebimento de ações da Bovespa Holding S/A, em decorrência da operação de desmutualização da Bovespa Associação, seja em decorrência da devolução de patrimônio representado pelos títulos patrimoniais da associação, seja em decorrência da incorporação de ações da CBLC, caracterizase como aquisição de ativo, e não como mera troca ou substituição. Demonstrada a intenção de venda no curto prazo, devem as Fl. 418DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 419 6 ações ser classificadas no ativo circulante, e não no ativo permanente, não cabendo a sua exclusão da base de cálculo do PIS. O faturamento deve ser entendido como as receitas decorrentes da atividade empresarial típica, o que, no caso dos bancos, inclui a compra e venda de ações de carteira própria. Não há erro na apuração do valor tributável por ter sido desconsiderado o valor das ações atualizado pelo método da equivalência patrimonial, pois elas devem ser classificadas no ativo circulante, não podendo ser consideradas como investimentos para fins de aplicação do artigo 248 da Lei nº 6.404/76. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Em relação à questão da inclusão do resultado da venda das ações no conceito de “faturamento”, a instância de piso apoiouse no entendimento do Ministro César Peluso, do STF, proferido no RE nº 400.479, leading case para a definição da exação do PIS/Pasep e da Cofins das seguradoras e das instituições financeiras, segundo o qual: [...] o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Assim, considerou que o fato de a “venda de ações de carteira própria” estar inserida no objetivo social da empresa, autorizaria a inclusão dessas receitas dentre aquelas resultantes de suas atividades empresariais, e, portanto, submetidas à incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Reportandose à existência do entendimento do STF quanto à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, proferido no RE 346.0846 e na linha de que o que integra o faturamento seria apenas o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços, entende a instância de piso que o mesmo não pode ser aplicado para as instituições financeiras. Quanto aos efeitos da ação judicial, a DRJ defende a ideia de que a antecipação de tutela então obtida em outubro de 2006 deixou de produzir seus efeitos a partir da sentença proferida em outubro de 2010, a teor da interpretação que fez do inciso VII, do art. 520 do CPC, porquanto não vê sentido em que uma decisão proferida mediante uma análise mais acurada do caso, seja desconsiderada em favor de outra, no caso a tutela antecipada, cuja análise do mérito se deu de forma superficial. Assim, considerou que a exigibilidade do presente débito não estava suspensa, devendo, portanto, ser mantida a multa de oficio de 75%. A DRJ também não acolheu a argumentação da Impugnante quanto ao alegado erro na tomada dos valores para a formação da base de cálculo da presente exação por entender que o método da equivalência patrimonial deve ser aplicado somente para os casos em que os investimentos estejam registrados no ativo permanente, o que, na situação presente, não ocorreu, haja vista que a premissa da qual partiu a fiscalização foi a de que os investimentos deveriam ter sido registrados no ativo circulante. No Recurso Voluntário a Recorrente voltou a discorrer sobre como se dera a desmutualização da Bovespa, enfatizando não ter havido aquisição, mas, sim, troca de ações, e, em relação ao processo de desmutualização da CBLC, passou a dar ênfase à figura da subsidiária integral, forma esta que teria sido dada à antiga CBLC em face da incorporação de Fl. 419DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 420 7 suas ações pela Bovespa Holding S/A, fato esse que inibiria a caracterização de uma alienação seguida de aquisição de ações. Recorreu aos ensinamentos de Alberto Xavier e de Sacha Calmon Navarro Coelho para concluir que, verbis, “houve apenas alteração do controle acionário da CBLC, que passou a ser uma subsidiária integral da Bovespa Holding S/A, o que ensejou a substituição no patrimônio da Recorrente das ações da controlada (CBLC) por ações da controladora (Bovespa Holding S/A), sem haver, contudo, alteração da natureza jurídica do tipo de papel representativo da participação da Recorrente e muito menos alienação de uma participação societária e aquisição de outra”. Citou ainda o Acórdão nº 10617.104, de 08/10/2008, do antigo Conselho de Contribuintes, que iria na linha de seu entendimento. Quanto à classificação contábil das ações recebidas, praticamente repetiu as argumentações da impugnação, dando ênfase ao fato de que, palavras minhas, se estavam registradas no ativo permanente e se se tratou apenas de mera substituição de títulos e não de aquisição, não haveria porque alterar a forma de seu registro no ativo da empresa. Para a questão envolvendo o conceito de faturamento, a Recorrente entende que não pode ser aplicado ao caso o entendimento manifestado pelo Ministro César Peluso no RE 400.479, porquanto ali a questão envolve receitas de uma seguradora e não de um banco comercial. Em seu lugar, sim, deveriam ser adotados os julgamentos proferidos pelo STF nos RE 346.084/PR, 357.950/RS e 390.840/MG, restringindo o termo “faturamento” apenas às receitas decorrentes das vendas de mercadorias e de serviços. Mencionou, ainda, a revogação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que se deu pela 11.941, de 27/05/2009. Quanto aos efeitos da ação judicial, a Recorrente contestou os argumentos da instância de piso, insistindo na tese de que a decisão que concedeu parcialmente a antecipação da tutela, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário que é objeto do presente auto de infração, produz efeitos até o trânsito em julgado da referida ação judicial, de sorte que deveria ser exonerada a multa de oficio. No essencial, é o Relatório. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 421 8 Voto Vencido Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Cientificada da decisão da DRJ em 14/07/2011, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 15/08/2011, uma segundafeira, portanto, de forma tempestiva. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. A meu ver, o primeiro item a ser enfrentado neste julgamento passa pela definição quanto à correta classificação contábil das ações recebidas da Bovespa Holding pela autuada, isto é, no Ativo Permanente, como defende a recorrente, ou no Ativo Circulante, como defende a fiscalização e a DRJ. Caso se entenda pela primeira das duas alternativas, o lançamento há ser cancelado em face da disposição expressa no sentido de que não há incidência do PIS/Pasep e da Cofins nas vendas de itens do ativo permanente imobilizado4. Por outro lado, caso se entenda pela segunda das duas alternativas, haveremos de enfrentar ainda outros dois temas, quais sejam: primeiro, o de se definir se esse tipo de operação – venda de ações do ativo circulante – deve ser considerado como integrante das demais receitas operacionais da empresa, e, desta forma, sujeito à incidência do PIS/Pasep e da Cofins, e, segundo, se, por conta disso, estaria tal matéria contemplada na ação judicial acima noticiada de forma a ser caracterizada como concomitante. Além disso, por fim, haveremos de deliberar sobre a procedência ou não da multa de oficio de 75%. Ações recebidas [troca ou ativo “novo” Circulante ou Permanente] Para melhor análise sobre a forma de contabilização das ações recebidas pela autuada da Bovespa Holding, é preciso considerar as informações de que ela dispunha, ou melhor, de que forma os fatos ocorreram e se lhes foram apresentados para que fizesse o registro em sua escrituração. Da Ata da Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 26 de agosto de 2007 [fls. 118/121], consta que a CBLC, da qual a autuada possuía ações em seu Ativo Permanente, teve a totalidade de suas ações de propriedade de terceiros incorporada pela Bovespa Holding S/A, tendo como consequência um aumento de capital na incorporadora da ordem de R$ 349 milhões e por esta a emissão de 169 milhões de ações ordinárias, todas nominativas, ao preço de emissão total igual ao valor do aumento de capital, as quais foram subscritas pela CBLC, por conta e ordem de seus acionistas. A eles, acionistas da CBLC, dentre os quais a autuada, foram atribuídas em substituição a cada lote de 25 ações ordinárias nominativas de sua propriedade, que foram transferidas à Bovespa Holding em razão da incorporação de ações, 46.223 ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal, de emissão da Bovespa Holding. Isso resultou em que a CBLC transformouse em uma subsidiária integral da Bovespa Holding. Do Ofício Circular nº 225/2007DG, de 18/09/2007, expedido pela Bovespa Holding aos seus acionistas, detentores das ações da CBLC, verificase a orientação para que os mesmos reconhecessem “os efeitos do processo de desmutualização, baixando o valor 4 Artigo 3º, parágrafo 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718, de 1998. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 422 9 convertido em ações de emissão da Bovespa Holding conforme sua opção” (grifei) [fls. 144/145]. E as opções eram: se a decisão fosse a de considerar as ações de emissão da Bovespa Holding recebidas em substituição, como sendo “títulos disponíveis para negociação ou venda”, que o registro se desse no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável; e se a decisão fosse a de considerar as ações como investimento, mantêlas no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e Cotas. Ao final do referido Ofício ainda constou, verbis: “Lembramos que os acionistas da Bovespa Holding S/A, a seu critério, considerando seus objetivos de investimento, poderão realizar uma alocação mista, entre Ativo Circulante e Ativo Permanente”. Neste ponto, é preciso relembrar que a autuada, consoante informações e documentos por ela própria fornecidos ao Fisco, possuía, no momento anterior ao processo de desmutualização da Bovespa, e aqui estou me referido à data de 30/06/2000, 2.100 ações da CBLC, que estavam contabilizadas no seu Ativo Permanente, na conta “Ações e Quotas”, pelo valor de R$ 2.312.019,82 [fl. 103]. Explicounos ela que a propriedade de ações da CBLC era condição imprescindível para que pudesse atuar no sistema de negociação dos mercados organizados antes do processo de reestruturação da Bolsa de Valores de São Paulo, e, portanto, possuía característica de aplicação de capital, não de forma temporária ou especulativa, daí a razão de sua classificação, até então, no Ativo Permanente. Seguese, então que, já adotando as orientações expedidas pela Bovespa no citado Ofício, a autuada procedeu ao ajuste em sua contabilidade, mantendo as novas ações recebidas da Bovespa Holding na conta Ações e Cotas, do Ativo Permanente. Passou, portanto, a ostentar em sua contabilidade, a partir de agosto de 2007 (ou de setembro, como se queira5), 3.882.732 ações da Bovespa Holding, ao custo dos mesmos R$ 2.312.019,82, aqui cabendo a explicação adicional que fora determinado na Assembléia que tratou da incorporação das ações, que, para cada lote de 25 ações da CBLC, seu proprietário receberia 46.223 ações da Bovespa Holding, daí se chegar, portanto, às 3.882.732 ações recebidas6 em substituição àquelas 2.100. E, em 20/10/2007, cerca de dois meses após têlas recebido, procedeu à venda dessas 3.882.732 ações da Bovespa Holding, sobre cujo resultado foi constituído o crédito tributário que ora discutimos. Antes de entrarmos no âmago da questão para a definição sobre em qual grupo de contas do ativo deveriam ser registradas essas 3.882.732 novas ações da Bovespa Holding, é preciso fazer nova digressão, desta feita, voltando nossos olhos para uma outra operação de 5 No documento de fl. 14, a autuada informa que foi a partir de 28/08/2007, e no seu razão contábil, de fl. 103, a data do registro é de 03/09/2007. 6 2.100 ações da CBLC : 25 = 84 lotes x 46.223 = 3.882.732 ações da Bovespa Holding. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 423 10 venda perpetrada pela autuada, no mesmo dia 20/10/2007, de outras tantas ações da Bovespa Holding que possuía. Sim, conforme a própria autuada nos informou no documento de fl. 15, comprara, em 10/09/2007, 8.481.144 ações da Bovespa Holding que eram de titularidade da Société Générale Corretora de Câmbio, ao custo unitário de R$ 2,06, e as registrara no Ativo Circulante, na conta Títulos e Valores Mobiliários, subconta Títulos de Renda Variável. Desse total, vendeu, no dia 20/10/2007, 2.299.206 ações ao preço de R$ 23,00 cada e sobre o lucro de R$ 48.145.313,64 afirmou ter recolhido o PIS/Pasep e a Cofins correspondente. Vêse, então, que a autuada valeuse de dois critérios para classificar as mesmas ações da Bovespa Holding, isto é, aquelas que substituíram suas ações da CBLC foram, ou continuaram, como se queira, registradas no Ativo Permanente, e aquelas que adquirira da “Societé Corretora”, a qual, por sua vez, as adquirira também em decorrência do processo de desmutualização das bolsas de valores, foram registradas no Ativo Circulante. O argumento utilizado pela Recorrente é o de que esse processo de desmutualização envolvendo a CBLC implicou apenas em alteração de seu controle acionário, sem que possa se falar numa devolução das ações representativas de seu patrimônio aos sócios, até porque, aduz, não houve pagamento a esse título. Assim, teria havido apenas uma substituição de títulos, o que não poderia resultar numa nova classificação contábil por parte de seus proprietários, no caso, a Recorrente. Dito de outra forma, defende a Recorrente que as 3.882.732 ações da Bovespa Holding recebidas em 28/08/2007 devem ser consideradas como se fossem aquelas 2.100 ações da CBLC que possuía desde junho de 2000 e que estavam registradas no seu Ativo Permanente. A DRJ, por sua vez, socorreuse de opinião de Modesto Carvalhosa, em seus Comentários à Lei das Sociedades Anônimas, para dizer que o negócio da incorporação de ações implica, na verdade, numa aquisição e não numa troca de ações. Com a devida vênia, porém, entendo que a solução do problema está na dependência de uma análise sob outro viés, qual seja, na real intenção da empresa quanto o que pretendia fazer com aquelas ações novas da Bovespa Holding recebidas. As expressões “troca” ou “aquisição” não são, a meu ver, os pontos a partir dos quais deve ser dirimida a questão, mas, sim, repito, o que se pretendia fazer com esses ativos, quer tenham sido eles recebidos/considerados como “troca/substituição”, ou como “compra”, o que nos faz relegar a segundo plano também os debates acerca da operação realizada: se uma cisão, seguida de incorporação, de uma simples incorporação etc., mas, sim, na opção sobre o que fazer com esse ativo que acabara de aportar no patrimônio da empresa. O que se pretendia fazer a autuada com as ações de emissão da Bovespa Holding recebidas em face do processo de desmutualização? Vendêlas dentro de determinado e breve espaço de tempo, ou mantêlos para fins de investimento duradouro? Fl. 423DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 424 11 A própria Bovespa se antecipara e, por meio do Ofício Circular nº 225/2007 DG, de 18/09/2007, tratara de orientar aos diretamente envolvidos no processo de desmutualização sobre como deveriam proceder para fins de registro das “novas” ações por esses recebidas, aventando inclusive a possibilidade de que um critério misto fosse adotado, o que reforça o argumento que lanço no parágrafo seguinte. Aliás, critério misto esse que acabou sendo reconhecido pelo fiscal autuante, uma vez que, para a apuração do valor tributável, levou em conta, reduzindo do valor da venda, o valor do custo correspondente ao registro no ativo permanente. Observem, entretanto, que, a rigor, isso não seria necessário, porquanto as regras de escrituração contábil estão sacramentadas de há muito, seja nos princípios de contabilidade geralmente aceitos, seja na legislação fiscal e comercial, isto é, via de regra, não estão as empresas em geral na dependência do recebimento de orientação de quem quer que seja sobre como proceder ao registros contábeis dos fatos ocorridos no seu diaadia. Ainda mais em se tratando, como se trata a autuada, de uma companhia aberta, a qual, deve, ou deveria, à época dos fatos, observar as regras contidas na Lei nº 6.604, de 1976, inicialmente as do seu artigo 177, que dispõe: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência (grifei) Depois, os seguintes: “Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; [...]”Dentre os “princípios contábeis geralmente aceitos” a que se refere o artigo da Lei nº 6.404, de 1976, acima reproduzido, há o “princípio da oportunidade”, contido na Resolução 774 do Conselho Federal de Contabilidade, de 16/12/1994, que reproduzo abaixo: “Art. 6° O Princípio da Oportunidade referese, simultaneamente, à tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta, independentemente das causas que as originaram. Parágrafo único – Como resultado da observância do Princípio da Oportunidade: Fl. 424DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 425 12 I – desde que tecnicamente estimável, o registro das variações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência; II – o registro compreende os elementos quantitativos e qualitativos, contemplando os aspectos físicos e monetários; III – o registro deve ensejar o reconhecimento universal das variações ocorridas no patrimônio da Entidade em um período de tempo determinado, base necessária para gerar informações úteis ao processo decisório de gestão.” Assim, se, por exemplo, se adquire uma quantidade de ações da Cia. Alfa e se essa operação é registrada no Ativo Permanente, conta Investimentos [aqui usando os grupos de contas estabelecidos pela Lei nº 6.604/76, antes de sua modificação], resta evidente que a intenção da compradora é de investir de forma duradoura e não a de especular com tais títulos. Por outro lado, se se registra essa mesma aquisição no Ativo Circulante, ou no Realizável a Longo Prazo, resta evidente que a intenção da compradora é a de especular e de realizar esse ativo a curto ou a longo prazo. Mas nada impede que um fato novo ou uma nova norma diretiva da entidade [por exemplo, certo investimento em papéis que era para ser duradouro, decidiuse, será realizado no mercado mediante sua venda, e viceversa] determine a alteração dessas duas intenções, ou seja, tanto o registro no ativo permanente pode ser modificado para o ativo circulante, como o no ativo circulante pode se transformar em ativo permanente. A qualquer momento as entidades podem proceder a mudanças nos seus registros contábeis. Basta que ocorra evento novo, relevante, que assim o determine. No presente caso, esse evento novo e relevante ocorreu e foi provocado pela desmutualização das Bolsas de Valores e da CBLC, cuja primeira consequência ou efeito que se pode deduzir, especialmente para o caso da autuada, é que deixou de existir a obrigatoriedade de possuir ações da CBLC para que pudesse operar no mercado de ações. E, em não sendo mais necessária ou obrigatória a manutenção desses papeis, ficou ao critério de cada empresa decidir qual destino a ser dado àquela enorme quantidade de ações recebidas a um valor de mercado apreciável. Então, o que dizer da situação da Recorrente, que, possuindo 2.100 ações da CBLC registradas ao custo de R$ 2 milhões, recebe a informação de que essas mesmas ações seriam transformadas, da noite para o dia, em 3.882.732 ações de uma poderosa Bovespa Holding, com um potencial elevadíssimo de realização imediata e em patamar que se acerca dos R$ 90 milhões? Vejase que surgiram num horizonte muito curto perspectivas de um lucro de mais de R$ 80 milhões. Neste caso específico, não pode ser desprezada a informação estampada no documento de fl. 85, de que a autuada, ao adquirir de sua empresa coligada, a Société Corretora, em 10/09/2007, cerca de 8,5 milhões de ações da Bovespa Holding, ao preço de R$ 2,06/ação, as registrou no seu Ativo Circulante. E por que assim o fez? Fl. 425DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 426 13 Porque, certamente já havia reservado o destino de tais papéis, qual seja, a sua realização no mercado de ações, o que se deu mediante a obtenção de um lucro de R$ 48,1 milhões [R$20,94 para cada uma das 2,3 milhões de ações vendidas em 20/10/2007], valor esse que, conforme já mencionado alhures, não foi retirado da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins ! Então, qual a diferença entre as 8,5 milhões de ações Bovespa Holding adquiridas em 11/09/2007 da Société Corretora e as 3,8 milhões de ações Bovespa Holding recebidas pela autuada em 28/08/2007 por força da conversão das ações da CBLC que detinha antes da desmutualização da própria CBLC? Ora, rigorosamente, nenhuma diferença! Sim, pois, a partir do momento em que passaram a ser de propriedade da ora autuada esses, digamos, dois tipos de ações, sua origem deixou de ser relevante para quaisquer fins. Neste ponto chamo a atenção de meus pares para a incoerência demonstrada pela autuada no registro contábil das operações envolvendo um mesmo tipo de papel. Observese a tabela abaixo, que levou em conta a ordem cronológica dos fatos e está baseada nas informações prestadas pela autuada no documento de fl. 85: Ações Bovespa Holding Recebidas em 28/08/2007 em substituição das 2.100 ações da CBLC no processo de desmutualização 3.882.732 Ativo Permanente Adquiridas da Société Corretora em 11/09/2007 8.481.144 Ativo Circulante Total da “cesta de ações” ao final de setembro de 2007 12.363.876 Vendidas em 20/10/2007 2.299.206 Pagou PIS/Pasep e Cofins Vendidas em 30/10/2007 3.882.732 Não pagou PIS/Pasep e Cofins Total das ações vendidas 6.181.938 Saldo após as vendas 6.181.938 Ativo Circulante Enquanto, de um lado, as ações Bovespa Holding adquiridas de sua coligada foram registradas no Ativo Circulante, lá tendo permanecido registradas as 6.181.938 ações não vendidas, de outro, as mesmas ações Bovespa Holding recebidas em face da desmutualização foram registradas no Ativo Permanente. Ora, se se desejava realmente manter uma parte das ações da Bovespa Holding como um investimento permanente, por que, então, não foram vendidas aquelas ações que estavam registradas no Ativo Circulante? Dito de outra forma: por que, entre as 12.363.876 ações da Bovespa Holding de que a autuada passou a dispor em sua “carteira de ações Bovespa Holding”, cujo tipo era o de “ordinárias nominativas” e o preço de venda unitário era R$ 23,00, preferiu desfazerse daquelas que estavam “registradas” no seu Ativo Permanente? Fl. 426DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 427 14 Ou, por que desfezse de um “investimento permanente”, quando, para tanto, dispunha de “investimentos especulativos” prontos a se transformar em “caixa”? A resposta para essas questões é uma só: fugir da incidência da tributação do PIS/Pasep e da Cofins. Para demonstrar que a autuada sabia o que faria com as 3.882.732 ações de emissão da Bovespa Holding antes mesmo de recebêlas em seu ativo, informo a meus pares da existência de um documento denominado “Prospecto Preliminar de Oferta Pública Inicial de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da Bovespa Holding”, de mais de seiscentas páginas, que pode ser encontrado no site da própria Bolsa de Valores, de onde se extrai informações importantes, tais como: à Na fl. 1, do prospecto, versão “pdf”: Os Acionistas Vendedores identificados nominalmente na seção “Definições” na página 3 deste Prospecto (“Acionistas Vendedores”) estão ofertando 250.492.283 ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A. (“Companhia”), todas nominativas, escriturais e sem valor nominal, de sua titularidade, que estarão livres e desembaraçadas de quaisquer ônus ou gravames [...]A quantidade de Ações ofertada por cada Acionista Vendedor está identificada na seção “Informações sobre a Oferta” deste Prospecto. [...]A quantidade total de Ações inicialmente ofertadas poderá ser acrescida de até 37.573.842 Ações ordinárias de emissão da Companhia, equivalentes a até 15% das Ações inicialmente ofertadas (“Ações Suplementares”), de titularidade dos Acionistas Vendedores, livres e desembaraçadas de quaisquer ônus ou gravames, conforme opção para aquisição de tais ações outorgada pelos Acionistas Vendedores ao Coordenador Líder, nos termos do artigo 24 da Instrução CVM 400, as quais serão destinadas exclusivamente a atender a eventual excesso de demanda que venha a ser constatado no decorrer da Oferta (“Opção de Lote Suplementar”). (grifei) [...]à Na folha 49, versão “pdf”: à Na folha 52, versão “pdf”. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 428 15 Aquela versão “Preliminar ...” se confirmou com a divulgação pela Bovespa, de sua versão definitiva, de 590 páginas, também disponível no próprio site da Bovespa, cujas quantidades acima especificadas foram confirmadas. Observese que aquela quantidade que a autuada se comprometera a ofertar, de 6.181.938, correspondente exatamente à quantidade de ações que efetivamente vendeu, por força do seu exercício integral da Opção de Lote suplementar. Resta evidente, portanto, que a autuada, ao receber aquelas 3.882.732 ações da Bovespa Holding, não poderia considerálas como item de seu Ativo Permanente, vez que já comprometerase a desfazerse delas a curtíssimo prazo. Concluindo este tópico, voto para que a receita com a venda das ações em questão em questão seja considerada como originada de item do Ativo Circulante e não do Ativo Permanente. Ação judicial em curso e análise quanto à concomitância de objeto Dois temas aqui haverão de ser superados: o primeiro, se a busca da autuada por uma tutela antecipada junto ao Poder Judiciário para que não fosse obrigada ao recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins com base nas disposições da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, o que se deu antes mesmo do início dos trabalhos da fiscalização, caracterizaria a concomitância de objeto e, segundo, se a tutela obtida teria o condão de impedir o lançamento da multa de oficio de 75% e dos juros de mora. Concomitância de objeto Eis, em resumo, os termos em que se dirigiu ao Poder Judiciário a ora Recorrente por meio da Ação Declaratória com Pedido de Antecipação de Tutela, interposta em setembro de 2006: [...]V – DO PEDIDO Em vista do exposto, sendo relevantes os fundamentos expendidos nas razões da presente demanda, requerse a Vossa Excelência que: Fl. 428DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 429 16 Diante da manifesta possibilidade de grave e irreparável prejuízo às autoras, seja concedida a antecipação dos efeitos da tutela para que seja determinada a suspensão da exigibilidade, nos termos da Lei nº 9.718/98, dos pagamentos integrais da COFINS, e dos pagamentos do PIS por qualquer outro modo que não aquele previsto na Lei Complementar nº 7/70, ou, alternativamente, ao menos dos pagamentos da COFINS e do PIS gerados pelas receitas financeiras, cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de janeiro de 2006, ou, alternativamente, das parcelas vincendas a partir da decisão que vier a ser proferida em sede de antecipação de tutela; [...]Ao final, seja JULGADA PROCEDENTE A AÇÃO, para que seja reconhecido o direito das Autoras de não se sujeitarem ao recolhimento do PIS e da COFINS com fundamento na Lei nº 9.718/98, devendo continuar sujeitas à Lei Complementar nº 7/70 para o PIS, tendo em vista o art. 139 da CF, e não sujeitas à COFINS, tendo em vista a ausência de instrumento legal hábil para alteração da Lei Complementar nº 70/91 que não poderia ter sido alterada por Lei Ordinária; bem como para reconhecer o direito das mesmas de efetuarem a compensação [....]; (grifei) Ou, alternativamente, seja JULGADA PROCEDENTE A AÇÃO para que seja reconhecido o direito das Autoras de não se sujeitarem ao recolhimento do PIS e da COFINS com fundamento no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim considerandose para efeitos de incidência tributária a receita sobre o faturamento, excluindose, por conseguinte, as receitas que sejam financeiras, bem como, para reconhecer o direito das mesmas de efetuarem a compensação [...] A Decisão do Poder Judiciário proferida em 26/10/2006, nos autos do processo nº 2006.61.00.0211117 [fl.113]: [...]...Ante o exposto, DEFIRO PARCIALMENTE a antecipação de tutela postulada pelas autoras, para determinar que a União Federal se abstenha de exigir a contribuição social destinada ao financiamento da seguridade social (COFINS) e a contribuição ao programa de integração social (PIS), de acordo com a base de cálculo determinada pelo artigo 3º, 1º, da Lei federal nº 9.718/1998, mantendose tãosomente as prescrições, respectivamente, da Lei complementar nº 70/1991 e da Lei complementar nº 07/1970 quanto tais bases de cálculo, até ulterior decisão a ser proferida neste processo. (sic) [...] A decisão de mérito, disponibilizada no D. Eletrônico de sentença em 23/07/20107, deuse nos seguintes termos, em resumo: [...]SENTENÇA Vistos, etc. I – Relatório Tratase de demanda de conhecimento, sob o rito ordinário, ajuizada por BANCO SOCIÉTÉ GÉNÉRALE BRASIL S/A e SOCIÉTÉ GÉNÉRALE S/A CORRETORA DE CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS em face da UNIÃO FEDERAL, objetivando a declaração de inexistência de relação jurídica que a obrigue ao recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) com fundamento na Lei federal nº 9.718/1998, sendo que, em relação à última contribuição deve continuar a ser recolhida nos moldes da Lei Complementar nº 70/1991. Alternativamente, requerem o afastamento do 1º do artigo 3º da Lei federal nº 9.718/1998. 7 http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/ Fl. 429DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 430 17 [...]O pedido de antecipação dos efeitos da tutela foi parcialmente deferido (fls. 959/961). [...] É o relatório. Passo a decidir. II Fundamentação [...]Cingese a controvérsia em torno da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). [...]Assim, a declaração de inconstitucionalidade do 1º do artigo 3º da Lei federal nº 9.718/1998 pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, em competência recursal , não se estendeu aos contribuintes descritos no 1º do artigo 22 da Lei federal nº 8.212/1991, especificamente no que tange à contribuição ao PIS. Colaciono, neste rumo, outro aresto do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: "PRESCRIÇÃO. LC Nº 118/2005. PIS. COFINS . ART. 3º, PAR. 1º, DA LEI 9.718/98. ENTIDADES FINANCEIRAS E BANCOS COMERCIAIS. INAPLICABILIDADE. O disposto no artigo 3º da LC nº 118/2005 se aplica tão somente às ações ajuizadas a partir de 09 de junho de 2005, já que não pode ser considerado interpretativo, mas, ao contrário, vai de encontro à construção jurisprudencial pacífica sobre o tema da prescrição havida até a publicação desse normativo. Tendo a ação sido ajuizada em 4 de setembro de 2006, posteriormente à entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005, restam prescritas as parcelas anteriores a 4 de setembro de 2001. As instituições financeiras não podem invocar o julgado do STF para se ver desobrigadas do recolhimento do PIS/COFINS nos moldes do 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Isto porque, se submetem a regramento próprio, diferente do dispositivo inquinado de inconstitucional. Elas recolhem as contribuições com base nos parágrafos 5º e 6º, do art. 3º, da Lei 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade, limitouse ao 1º. As receitas financeiras são faturamento para a autora mesmo sob o regime do conceito de faturamento reconhecido pelo STF. Considerando a natureza das atividades exercidas pelo banco, as receitas financeiras são produto da venda de seus serviços. O preço que a autora exige para praticar suas atividades típicas compõe seu faturamento". (grafei)(TRF da 4ª Região 1ª Turma AC nº 200671000327019 Relator Des. Federal Vilson Darós j. em 29/10/2008 in D.E. de 04/11/2008) Portanto, nenhuma inconstitucionalidade ou ilegalidade restou caracterizada em relação às normas que obrigaram a parte autoras ao recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS). Em decorrência, o pedido de compensação correlato não merece acolhimento. Já a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) teve como fundamento de validade o artigo 195, inciso I, alínea "b", da Constituição da República. Todavia, a Lei complementar nº 70/1991, que instituiu a COFINS, isentou expressamente as instituições financeiras e similares do seu recolhimento, consoante a norma do único do seu artigo 11: "Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no 1º do art. 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o 1º do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente Fl. 430DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 431 18 introduzidas.Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1º desta lei complementar." (grafei) E esta distinção restou justificada porque a norma determinou o aumento da alíquota da contribuição social sobre o lucro (CSL) das instituições referidas no artigo 22, 1º, da Lei de Custeio da Seguridade Social. Portanto, a COFINS somente passou a ser exigida das instituições financeiras e assemelhadas com o advento da Lei federal nº 9.718/1998, nos termos de seus artigos 2º e 3º, 1º: "Art. 2º. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei." (grifei)"Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas." (grafei) [...]O Colendo Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade, em sede de controle difuso, do alargamento do conceito de renda para a aferição da base de cálculo da COFINS, conforme indica a ementa do seguinte julgado:"CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente.TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de alterar conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada." (grifei)(STF Pleno RE nº 346.084/PR Relator para acórdão Min. Marco Aurélio j. em 09/11/2005 in DJ de 1º/09/2006, pág. 19 e Ement. nº 224506/1170) Destarte, verificase que o conceito de receita bruta, à luz da redação original do texto constitucional, equiparavase ao de faturamento, não sendo admissível a extensão do significado da expressão, de modo que passasse a incluir a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Fixada esta diferença, a lei não pode chamar de faturamento o que não é faturamento e de receita bruta o que não é receita bruta, à vista do disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional (CTN): "Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias." Fl. 431DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 432 19 Outrossim, friso que a Lei federal nº 9.718/1998 foi editada e entrou em vigor antes da publicação da Emenda Constitucional nº 20/1998. O artigo 17 da mencionada lei confirma a assertiva: "Art. 17. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação aos arts. 2º a 8º, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1.999; II em relação aos arts. 9º e 12 a 15, a partir de 1º de janeiro de 1999." Desta forma, ainda que os efeitos da lei viessem a ser produzidos posteriormente, a data do início de sua vigência foi a da sua publicação. E, por afrontar o previsto no artigo 195 da Constituição Federal (na redação original), na data do início de sua vigência, o 1º do artigo 3º da Lei federal nº 9.718/1998 restou eivado pela inconstitucionalidade. Não se pode considerar que a posterior edição da Emenda Constitucional nº 20/1998, ainda no curso do prazo nonagesimal, teria conferido constitucionalidade superveniente à indigitada espécie legislativa, posto que a compatibilidade da lei com a Constituição Federal deve ser verificada ao tempo do início de sua vigência e não ao tempo em que ela começa a surtir efeitos concretos. Assim sendo, ao tempo em que entrou em vigor a Lei federal nº 9.718/1998, não havia autorização constitucional para que se exigisse a COFINS sobre a receita bruta das instituições financeiras, assim concebida como o somatório das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Corroborando a tese, veio a lume julgado proferido pela 1ª Turma do Colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 448.927/SP, cuja ementa transcrevo: "COFINS E PIS: BASE DE CÁLCULO: L. 9.718/98, ART. 3º, 1º: INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgar os RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Inf./STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, 1º, da L. 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal.2. COFINS: aumento de alíquota por lei ordinária (L. 9.718/98, art. 8º): ausência de violação ao princípio da hierarquia das leis, cujo respeito exige seja observado o âmbito material reservado às espécies normativas previstas na Constituição Federal. Precedente: ADC 1, Moreira Alves, RTJ 156/721.3. COFINS: regime de compensação: as alterações introduzidas pelo art. 8º da L. 9.718/98 disciplinaram situações distintas, razão pela qual é legítima a diferenciação no regime de compensação. Precedente: RE 336.134, Ilmar, RTJ 185/352.4. RECURSO EXTRAORDINÁRIO: descabimento: falta de prequestionamento do tema do art. 246 da Constituição Federal, não examinado pelo acórdão recorrido, nem objeto de embargos de declaração: incidência das Súmulas 282 e 356." (grafei)(STF 1ª Turma RE nº 448.927/SP Relator Min. Sepúlveda Pertence j. em 09/05/2006 in DJ de 15/09/2006) Assim, a base de cálculo da COFINS não poderia ter sido instituída na forma do referido 1º do artigo 3º da Lei federal nº 9.718/1998. [...]Acompanho o precedente jurisprudencial supramencionado e acolho em parte a pretensão deduzida pelas autoras, para afastar somente a aplicação do 1º do artigo 3º da Lei federal nº 9.718/1998 na apuração da base de cálculo da COFINS, ou seja, limitandoa ao faturamento, advindo das atividades empresariais. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 433 20 [...]III Dispositivo Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos formulados na petição inicial, apenas para declarar a inexistência de relação jurídica que obrigue as autoras ao recolhimento da contribuição social destinada ao financiamento da seguridade social (COFINS), de acordo com a base de cálculo determinada no artigo 3º, 1º, da Lei federal nº 9.718/1998. [...] [...] (grifei) A caracterização da concomitância no presente caso demanda atenção redobrada do leitor acerca dos detalhes que envolvem a pretensão lançada pela ora autuada junto ao Poder Judiciário. Primeiro, de se levar em conta que a autora da ação nitidamente dividiu seu pleito em duas partes. Um, voltado para o PIS/Pasep, e, neste caso, clamando pela inconstitucionalidade da sua exigência por qualquer outro modo que não aquele previsto pela Lei Complementar nº 7/70, qual seja, com base no IRPJ, ou, alternativamente, que não fosse compelida ao seu recolhimento calculado sobre as “receitas financeiras”. E o outro, voltado para a Cofins, e, neste caso, subdividindoo em duas partes, a primeira, para que não fosse compelida sequer a recolher a Cofins com base na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, haja vista considerar inconstitucional a mudança havida em relação à Lei Complementar nº 70, de 1991, segundo a qual, pelo parágrafo único do art. 11, as instituições financeiras não eram obrigadas ao recolhimento dessa contribuição. E o segundo, na mesma linha daquele pedido relacionado ao PIS/Pasep, que a incidência não se desse sobre suas “receitas financeiras”; apenas sobre o “faturamento”. Para mim, resta evidente a caracterização da concomitância de objeto entre as matérias discutidas aqui e no judiciário, no que se refere à incidência do PIS/Pasep e da Cofins sobre o resultado da venda das ações. É que, enquanto na ação ordinária a autuada pede para que, alternativamente, somente o produto da venda dos serviços que presta aos seus clientes seja considerado como receita tributável pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que aqui se discute é se o produto da venda de ações [adquiridas em face do processo de desmutualização da CBLC] deve ser considerado como oriundo de seu faturamento, porquanto este tipo de alienação estaria contido dentre os seus objetivos sociais, e, portanto, sujeito à incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Dito de outra forma, o Banco Societé Generale Brasil S/A não se acha obrigado ao pagamento do PIS/Pasep e da Cofins na forma com que estão sendo exigidos neste processo, primeiro, porque haveria de ser aplicada, para o PIS/Pasep a regra da Lei Complementar nº 7/70, e, para a Cofins, a da Lei Complementar nº 70/91, e, segundo, e alternativamente, que, aplicandose para ambas as contribuições os dispositivos da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que a incidência se desse apenas sobre os valores originados de suas receitas de prestação de serviços, o que, por exclusão, afastaria da incidência, a seu ver, também o produto da venda das ações ora em discussão. Vale dizer: a relação entre os temas levados ao Poder Judiciário e o que aqui se discute é patente, o que caracteriza a concomitância, circunstância essa que nos obriga a aplicação da Súmula Carf nº 1, consolidada no Anexo III da Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009, segundo o qual "importa em renúncia às instâncias administrativas a Fl. 433DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 434 21 propositura, pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo". De não se conhecer, do recurso, pois, na parte em que discute a incidência do PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas da venda de ações, em face da concomitância. Venda de ações e a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins Para o caso de ter sido vencido quanto à caracterização da concomitância de objeto, tema lançado no tópico anterior, haveremos de deixar consignado o entendimento da Turma sobre a incidência das contribuições sobre a venda das ações. Tomada como certa a premissa de que a presente venda das ações não estaria acobertada pela isenção expressa no inciso IV do parágrafo 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, há de se verificar se a receita dela advinda deve ser incluída na base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins, que, como se sabe, para os bancos comerciais [condição da autuada], está definida pela Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, conforme dispositivos abaixo reproduzidos: [...]Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009) Fl. 434DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 435 22 § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considerase receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004). § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para fins da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5º, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluída pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluída pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) [...] (grifei) Levandose em conta que, dentre as exclusões legais permitidas transcritas acima, não há menção às receitas com a venda de ações, ao contrário, haja vista o disposto na letra “d” do § 6º do art. 3º, haveremos de verificar se essas receitas podem ser consideradas como aquele “faturamento” e/ou “receita bruta” a que aludem o artigo 2º e o caput do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, acima transcritos. Para o Fisco e para a DRJ, o fato de constar dentre os objetivos sociais da autuada a “prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (Comercial, de Investimento, e de Crédito, Financiamento e Investimento), inclusive Câmbio, de acordo com as disposições em vigor”, essas receitas com a venda de ações da Bovespa Holding fariam parte de suas atividades e, portanto, integrariam o seu “faturamento” e/ou a sua “receita bruta”. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 436 23 Nessa linha, defende a DRJ que, primeiro, não se aplicaria ao presente caso, que envolve uma instituição financeira, aquele entendimento exarado pelo STF no RE 346.0846, declarando a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, vez que ali tratouse em uma empresa comercial que vende mercadorias. Segundo, que o que deveria ser levado em conta, é o entendimento manifestado pelo Ministro Cezar Peluso no RE nº 400.479, em que se discute a questão envolvendo uma seguradora [instituição financeira], qual seja: Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. (grifei) A pergunta que aqui se faz é: poderiam as receitas com a venda de ações, mantidas, ou que deveriam estar mantidas no Ativo Circulante, ser consideradas como “oriundas do exercício das atividades empresariais” da ora autuada, um banco comercial e, como tal, submeteremse à incidência do PIS/Pasep e da Cofins? Neste ponto, abro parênteses para suscitar a hipótese de sobrestamento do julgamento deste processo, haja vista o disposto no artigo 62A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. A meu ver, essa discussão, se se sobresta ou não o presente processo, deve levar em conta a existência de julgados do STF, que, de uma forma direta ou indireta, resvalam no tema em comento. No primeiro deles, mais antigo, na linha de que o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, foi considerado inconstitucional, consoante julgado no RE 346.084/PR, de 09/11/2005, Relato Ministro Ilmar Galvão, o qual, inclusive, tornouse um dos precedentes para que tal tema [Tema 110 Ampliação da Base de Cálculo da Cofins] fosse considerado como de Repercussão Geral, o que se deu no RE 585235: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Fl. 436DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 437 24 Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Creio, contudo, que esse julgado não pode ser invocado para afastar a presente exação [receitas de vendas de ações do ativo circulante, envolvendo uma instituição financeira – banco comercial], e tampouco motivar o sobrestamento ora aventado, porquanto foi proferido sob o lume de uma situação envolvendo empresa comercial, que vende mercadorias e/ou presta serviços. Quisse dizer: a expressão “faturamento” não pode ser estendida ao conceito de “receita bruta” para abarcar a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Tomese, então, outro julgado, proferido no âmbito do RE 609.096, cujo tema foi reconhecido como de repercussão geral pelo STF, catalogado como “372 – a) Exigibilidade do PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas financeiras das instituições financeiras” ”, ainda sem decisão de mérito e que encontrase assim resumido: Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 97 e 195, I, da Constituição Federal e do art. 72, V, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a exigibilidade, ou não, da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras; e a necessidade de observância, ou não, da cláusula da reserva de plenário por decisão que afasta a incidência das disposições expressas no art. 3º, caput, e §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.718/1998, sem lhes declarar expressamente a inconstitucionalidade.(grifei) Diferentemente do primeiro julgado do STF acima reportado, entendo que este tema guarda relação com o que aqui estamos discutindo, uma vez que, ao menos assim entendo, o que a Suprema Corte acabará por deliberar é sobre quais rubricas estarão não podendo sequer ser invocada a hipótese de sobrestamento do presente julgadas instituições financeiras estarão submetidas à incidência do PIS/Pasep e da Cofins, o que nos remete para a observância da regra do artigo 62A do regimento interno do CARF. Somese ainda que a definição da base de cálculo das instituições financeiras também é objeto dos Embargos de Declaração no RE nº 400.479, com julgamento afetado ao Plenário do STF. Referindose a este Extraordinário (no qual não foi decidida repercussão geral), a Min. Carmen Lúcia prolatou a seguinte decisão, antes de decidida a repercussão geral no RE nº 609.096 (Agravo Regimental no RE 574902, decisão monocrática em 07/12/2010, consulta ao site do STF em 10/07/2012): DESPACHO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E À COFINS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. CONCEITO DE FATURAMENTO. ART. 195, INC. I, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (REDAÇÃO ORIGINÁRIA). PENDENTE DE JULGAMENTO O RECURSO EXTRAORDINÁRIO 400.479. IDENTIDADE DE MATÉRIA. RECURSO SOBRESTADO. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 438 25 1. Discutese no recurso extraordinário, entre outros temas, a sujeição da Instituição financeira Recorrente à incidência da contribuição ao PIS e à COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento definido na Lei Complementar 70/91. 2. A matéria em debate também é objeto do Recurso Extraordinário n. 400.479, Relator o Ministro Cezar Peluso, cujo julgamento está em curso no Plenário deste Supremo Tribunal. Nele será definido o conceito de faturamento previsto no art. 195, inc. I, da Constituição da República (redação originária). Ainda que o processo afetado ao Plenário tenha como parte uma seguradora, ficou claro no voto do Relator que a tese definida por este Supremo Tribunal repercutirá na forma de tributação das instituições financeiras. Nos termos do voto do Relator: “o que se estaria a esclarecer seria apenas a submissão de determinadas receitas, independentemente do setor de atuação empresarial, a um conceito bastante claro de faturamento, sem retroceder à inconstitucional ampliação da base de cálculo promovida pela Lei 9.718/98” (Informativo n. 556). 3. Pelo exposto, determino o sobrestamento deste feito até o julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n. 400.479.” Por fim, tomemos emprestado agora outro entendimento do STF, que vem sendo adotado por vários Ministros da Corte Suprema e se consolidando, o qual, também guarda estreita relação com a operação de venda de ações que ora discutimos. Transcrevo excertos da ementa do decidido no AI 721109/RJ, Relator Ministro Gilmar Mendes, Dje 175, publicado em 06/09/2012: Decisão: Tratase de agravo de instrumento interposto contra decisão de inadmissibilidade de recurso extraordinário que impugna acórdão assim ementado: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS INFRINGENTES EM AC.. IMÓVEIS PRÓPRIOS. LOCAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS. LC 70/91. O embargante pretende fazer prevalecer o entendimento do voto vencido, que acompanhou os fundamentos da sentença, por entender que a locação de imóveis próprios e o recebimento de juros de aplicações financeiras próprias não poderiam ser conceituadas como prestação de serviços pela autora a autorizar a incidência da COFINS. Os embargos não merecem prosperar. O art. 2º, da Lei Complementar 70/91, determinava a incidência da COFINS sobre o faturamento mensal, assim considerando a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A parte autora administra e aluga bens imóveis próprios ou de terceiros, de modo que faz parte de sua atividade empresarial e sobre tais receitas deve incidir COFINS. Assim, as receitas de locação de bens imóveis próprios e de operações ou aplicações financeiras, como resultado econômico da atividade empresarial exercida, sujeitamse à incidência da COFINS. A jurisprudência do STJ é pacífica o sentido de que a COFINS, instituída pela LC 70/91, incide sobre a comercialização e locação de imóveis. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 439 26 As sociedades ou empresas imobiliárias, incluindo as de incorporação, corretagem e vendas, empreitada, administração, construção e locação de imóveis, estão obrigadas ao pagamento da COFINS. Negado provimento aos embargos infringentes”. (fl. 219) A recorrente afirma que o Tribunal a quo teria contrariado os artigos 5º, inciso II; 37, caput; e 150, inciso I, do texto constitucional. Argumenta, em síntese, o seguinte: “(...) Não deve haver a incidência da COFINS, sobre outras receitas que não aquelas expressamente contempladas pelo artigo 2º da LC nº 70/91, inclusive sobre alugueres de bens imóveis próprios e juros sobre aplicações financeiras próprias, uma vez que comprovadamente não constituem venda de mercadorias, nem tampouco prestação de serviços”. (fl. 244) Não obstante, o Tribunal de origem considerou que a locação de bens imóveis inserese no conceito de faturamento da empresa e, portanto, vislumbrou a sujeição à incidência das contribuições sociais. Decido. A pretensão recursal não merece acolhida. O acórdão recorrido está em consonância com o entendimento desta Corte no sentido de que, para a definição da base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS, “receita bruta” e “faturamento” são termos sinônimos e consistem na totalidade das receitas auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Nesse sentido, destaco o julgamento do REAgR 608.830, Primeira Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe 7.4.2011; e do REAgR 371.258, Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluso, DJe 27.10.2006, cujas ementas, respectivamente, transcrevo a seguir: “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS E PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – PIS. BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. RECEITA BRUTA E FATURAMENTO: SINONÍMIA DE TERMOS, SIGNIFICANDO AMBOS O TOTAL DOS VALORES AUFERIDOS COM A VENDA DE MERCADORIAS, DE SERVIÇOS OU DE MERCADORIAS E SERVIÇOS. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO” “RECURSO. Extraordinário. COFINS. Locação de bens imóveis. Incidência. Agravo regimental improvido. O conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. No mesmo sentido, menciono as seguintes decisões, entre outras: ARE 643.823 e AI 776.446, Rel. Min. Dias Toffoli; RE 656.284, Rel. Min. Ayres Britto; ARE 645.618, RE 630.728 e 621.675, Rel. Min. Cármen Lúcia. Assim, os valores dos aluguéis de imóveis, assim como o resultado das aplicações financeiras integram a base de cálculo do PIS e da COFINS devidos pela recorrente, uma vez que os referidos montantes estão compreendidos no conceito de faturamento. Ante o exposto, nego seguimento ao recurso (arts. 21, §1º, do RISTF e 557 do CPC). Fl. 439DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 440 27 Publiquese. Brasília, 31 de agosto de 2012. Ministro Gilmar Mendes Relator Embora referido julgado e os outros nele citados se refiram, na maioria dos casos, às “receitas de locação de imóveis” e às “receitas financeiras” de prestadores de serviços, parece ter ficado claro o posicionamento do STF que o conceito de receita bruta, para fins de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, não seria somente aquele o decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Mutatis mutandis, existe a possibilidade de se estender tal entendimento também para as receitas decorrentes da venda de ações, as quais, por constarem do objetivo social da ora autuada, ainda que uma instituição financeira, deveriam ser consideradas como receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Feitas essas considerações encaminho meu voto para que, na forma do disposto no artigo 62A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, o presente julgamento seja sobrestado até que o STF profira decisão sobre quais rubricas as instituições financeiras devem apurar e recolher as contribuições devidas a título de Cofins e de PIS/Pasep. Fica ressalvado o entendimento deste Colegiado no sentido de que, não obstante as deliberações tomadas acima (classificação contábil das ações e o afastamento da concomitância de objeto), toda a matéria encontrase sub judice e voltará a ser apreciada quando do retorno deste processo a julgamento, inclusive quanto ao cabimento da multa de oficio de 75%. Odassi Guerzoni Filho – Relator Fl. 440DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 441 28 Voto Vencedor Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, designado para elaborar o voto vencedor em relação ao afastamento da concomitância com a via judicial. Divirjo do ilustre relator tãosomente em relação à identidade deste litígio administrativo com o da Ação Ordinária nº 2006.61.00.0211117, que considero inexistir porque no Judiciário a discussão versa sobre o alargamento da base de cálculo do PIS Faturamento e Cofins promovido pelo § 1º ao art. 3º da Lei nº 9.718/98, enquanto aqui o cerne do debate é a definição de faturamento (receita sem o alargamento) das instituições financeiras para fins das duas Contribuições. Por um lado não vejo identidade com a via judicial, mas por outro considero necessário o sobrestamento deste julgamento – neste ponto, concordando com o ilustre relator –, em face do Recurso Extaordinário nº 609.096, com repercussão geral decretada pelo STF. Como já informado no relatório, segundo o Termo de Verificação Fiscal a origem dos dois lançamentos está no fato de a fiscalização ter considerado como integrante do faturamento da autuada, um banco comercial, o resultado da venda de ações ordinárias nominativas da Bovespa Holding que recebera em troca dos títulos patrimoniais da Cia. Brasileira de Liquidação e Custódia – CBLC que detinha e que estavam registrados no seu ativo permanente, troca essa que se deu por conta do processo de desmutualização das Bolsas de Valores de São Paulo. Nos dois Autos de Infração a fiscalização já considerou o afastamento do § 1º ao art. 3º da Lei nº 9.718/98, determinado na Ação Ordinária nº 2006.61.00.0211117, e apurou a base de cálculo das Contribuições com base no faturamento (ou receita não alargada), tal como definido pelas legislação anterior à referida Lei. Afirmou o seguinte o AuditorFiscal, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 228/229, com negrito acrescentado): 2.4.3. Ação Judicial: Receita Bruta da Atividade Principal Conforme resposta de fls. 14/15, o contribuinte apresentou informações e peças do processo judicial nº 2006.61.00.0211117, o qual foi proposto visando ao afastamento, por inconstitucionalidade, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 – que instituiu o alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS, fazendo que estas contribuições passassem a incidir sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. A certidão de objeto e pé expedida em 12/03/2010 (fl. 80) indica que foi concedida a antecipação de tutela em outubro/2006, e o contribuinte passou a declarar em DCTF parte dos débitos de PIS e COFINS como tendo exigibilidade suspensa (...) Pela análise de seu pedido inicial (fls. 47/78) e dis demonstrativos já citados, concluise que o sujeito passivo passou a recolher valores de PIS e COFINS sobre o que entendia ser faturamento (receita bruta), gtendo excluído as outras receitas da base de incidência das contribuições. Entretanto, há que se analisar com maior cuidado o real conceito de faturamento (receita bruta) da prestação de serviçoa das instituições financeiras. (...) Fl. 441DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.000945/201069 Resolução nº 3401000.568 S3C4T1 Fl. 442 29 Portanto, fica caracterizado que o resultado auferido na venda das ações da BOVESPA Holding S.A, recebidas pelo sujeito passivo em troca por ações da CBLC, integra o conceito de faturamento (receita bruta) da atividade operacional principal do sujeito passivo, estando fora da proteção da sentença judicial que afastou a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 na apauração da base de cálculo de PIS e COFINS. Assim, fica claro que a exclusão deste lucro da base de cálculo de PIS e COFINS consistiu em infração à legislação tributária. No seu voto, o relator Odassi Guerzoni Filho considera o seguinte (negrito acrescentado): É que, enquanto na ação ordinária a autuada pede para que, alternativamente, somente o produto da venda dos serviços que presta aos seus clientes seja considerado como receita tributável pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que aqui se discute é se o produto da venda de ações [adquiridas em face do processo de desmutualização da CBLC] deve ser considerado como oriundo de seu faturamento, porquanto este tipo de alienação estaria contido dentre os seus objetivos sociais, e, portanto, sujeito à incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Como evidencia a parte negritada acima, neste processo administrativo se discute se o produto da venda das ações é faturamento das instituições financeiras (ou não), o que deve ser decidido à luz da legislação anterior ao alargamento introduzido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Na ação judicial, diferentemente, o debate é sobre parcelas que ultrapassam a definição de faturamento (à luz da legislação anterior à Lei nº 9.718/98), em face do mencionado § 1º. Cabe definir, nesta lide administrativa, o faturamento das instituições financeiras para fins de bases de caçulo do PIS e da Cofins, desprezandose o alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Tal definição não está sendo debatida na Ação Ordinária impetrada pela Recorrente que visa à inconstitucionalidade do referido § 1º , mas em outros processos adentrados no Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral já decidida. Daí a diferenciação entre esta ação administrativa e a judicial. O faturamento (ou receita não alargada) em questão está sob análise do Colendo Tribunal no Recurso Extraordinário nº 609.096, já citado no voto parcialmente vencido. Daí imporse o sobrestamento, em obdediência ao § 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, modificado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Pelo exposto, considero não haver identidade com a via judicial, mas, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a definição da base de cálculo das instituições financeiras, quando excluído o alargamento estabelecido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 442DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 19/11/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10909.900208/2008-16
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. REQUISITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
A homologação da compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos afirmados contra a Fazenda Nacional, refletidas na linguagem dos dados constantes do sistema do órgão fazendário.
Numero da decisão: 3803-000.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato.
Nome do relator: Relator Belchior Melo de Sousa
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. REQUISITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A homologação da compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos afirmados contra a Fazenda Nacional, refletidas na linguagem dos dados constantes do sistema do órgão fazendário.
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HOMOLOGAÇÃO. REQUISITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A homologação da compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos afirmados contra a Fazenda Nacional, refletidas na linguagem dos dados constantes do sistema do órgão fazendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0716.284, de 29 de maio de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 51/52, que indeferiu a solicitação de reforma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 02 08 /2 00 8- 16 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 do despacho decisório que não homologou as compensações declaradas por inexistência de crédito. Despacho decisório da Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC identificara que o DARF indicado na DComp estava integralmente utilizado em débito anteriormente confessado em DCTF. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Interessada alegou que : a) posteriormente à entrega da DComp verificou que havia apurado incorretamente a contribuição devida em relação ao período de apuração em questão e que, efetuada nova apuração, constatou não haver contribuição devida no período, o que tornaria integralmente indevido o pagamento já efetuado, e se tornaria, assim, passível de repetição; b) após a nova apuração retificou a DACON e a DCTF anteriormente apresentadas, formalizando as alterações. Pleiteou a aplicação do princípio da verdade material e a homologação da compensação. Em julgamento da lide a DRJ/Florianópolis considerou improcedente a manifestação de inconformidade em decisão que foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 22 de junho de 2009, irresignada, apresentou recurso voluntário em 22 de julho de 2009, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Nos termos como passou a ser regulada. por meio do art. 74 da Lei nº 9.430/96, a compensação é direito potestativo inerente ao qual o ato de declarar a compensação torna o débito extinto, nada obstante sob condição resolutória de ulterior manifestação da Fazenda. Esta circunstância é que torna legalmente exigível a liquidez e certeza do crédito no momento da extinção do débito pela compensação, segundo o ditame do art. 170 do CTN. Tal comprovação é reflexo da linguagem dos dados constantes do sistema do órgão fazendário Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900208/200816 Acórdão n.º 3803000.658 S3TE03 Fl. 90 3 no momento da compensação. Esta dinâmica, não implica, por evidente, que o crédito porventura apurado e regularmente constituído, não possa ser utilizado noutra compensação, observado o prazo decadencial. Assim, corretamente decidiu o Colegiado de primeira instância. Ademais, sem prejuízo do acima exposto, a Defendente não argumenta acerca da origem do seu crédito, que bases deixou de tributar quando da nova apuração e não se ocupou, nas duas instâncias, em demonstrar essa origem colacionando os elementos da sua apuração e comproválo com anexação da escrita contábilfiscal pertinente. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Sala das sessões, 24 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000582/2002-51
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1989 a 30/11/1991
Embargos de Declaração. Obscuridade
Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado.
Demonstrado que a redação do acórdão embargado gerou dúvida acerca dos fundamentos que orientaram o voto condutor, cumpre acolhê-los e aclarar o conteúdo do desisum.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3201-000.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e rerratificar o Acórdão 303-35227, de 23/04/2008. Fez sustentação oral o Advogado Paulo Amâncio Ferreira dos Santos, OAB/DF nº 6.372-E.
(assinado digitalmente)
LUÍS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Irene Souza da Trindade Torres, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1989 a 30/11/1991 Embargos de Declaração. Obscuridade Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado. Demonstrado que a redação do acórdão embargado gerou dúvida acerca dos fundamentos que orientaram o voto condutor, cumpre acolhê-los e aclarar o conteúdo do desisum. Embargos Acolhidos
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Obscuridade Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado. Demonstrado que a redação do acórdão embargado gerou dúvida acerca dos fundamentos que orientaram o voto condutor, cumpre acolhêlos e aclarar o conteúdo do desisum. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos e rerratificar o Acórdão 30335227, de 23/04/2008. Fez sustentação oral o Advogado Paulo Amâncio Ferreira dos Santos, OAB/DF nº 6.372E. (assinado digitalmente) LUÍS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Irene Souza da Trindade Torres, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Luis Marcelo Guerra de Castro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 82 /2 00 2- 51 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos contra o Acórdão 30335.227, de 23/04/2008, que assim restou ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/10/1989 a 30/11/1991 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. É entendimento deste Colegiado que o prazo para pleitear a restituição dos valores pagos a título de Contribuição para o Finsocial com alíquotas superiores a 0,5% é de cinco anos contados da data da edição da MP n° 1.110, em 31/08/95. Ressalvada a posição desta Relatora, ao entender que somente os pleitos protocolados até a edição do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/99, que alterou o entendimento contido no Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, devem ser considerados tempestivos. Recurso voluntário negado Tendo tomado ciência da decisão em 24/06/20081 (terçafeira), opôs embargos em 30/06/20082, segundafeira, pleiteando o saneamento de omissão e contradição materializada no suposto equívoco quando da análise dos fundamentos do recurso. A omissão decorreria do fato de que, segundo alega a embargante, equivocarase o acórdão embargado ao considerar que seu pleito teria sido fundamentado nos efeitos da edição da edição da MP 1.110, 30/08/1995 ou suas reedições, por meio da MP 1.621, de 1998, atos dos quais nunca se valera em seu pleito. Reafirma, portanto, que teria sido enfática ao alegar que o termo inicial da contagem do prazo decadencial para pleitear restituição do Finsocial em alíquotas superiores a 0,5% seria a publicação da Instrução Normativa SRF nº 31/97, que dispensara a constituição de créditos relativos a esse gravame. Questiona ainda suposta contradição quando admitira a possibilidade de contagem do prazo a partir da edição da MP 1.62136, de 10/06/1998, mas considerara como termo inicial a data dos pagamentos efetuados. Por força de designação expressa (fl. 214), coube a este conselheiro a análise dos embargos. É o relatório. 1 AR de fl. 183 2 Protocolo de fl. 184 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.000582/200251 Acórdão n.º 3201000.212 S3C2T1 Fl. 217 3 Voto Conselheiro LUÍS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator Conheço dos embargos, por tempestivos. A meu ver, dúvida não há que o acórdão hostilizado não encontrase maculado de omissão ou contradição. Exclusivamente no intuito de resguardar o direito constitucional de petição, baseado no princípio da fungibilidade dos recursos, receboo no intuito de sanear obscuridade. Não há que se falar que a i. relatora ignorou o pedido de aplicação da Instrução Normativa nº 31, de 1997, nem muito menos que admitira como termo inicial a publicação da MP 1.62136, de 10/06/1998. Para demonstrar, transcrevo trecho no voto condutor que sintetiza as conclusões: Os contribuintes pleiteiam a restituição argumentando que o prazo tem início seja na data publicação da MP nº 1.110, em 30/08/1995, seja na data uma de suas reedições efetuada por meio da MP nº 1.621, em 10/06/1998, que incluiu a determinação de que o disposto no artigo não implicaria restituição ex officio das quantias pagas. Socorremse ainda de outros atos normativos que trouxeram instruções ou interpretações sobre a matéria. (destaquei) Nenhuma dessas teses me comove. (...) Poderia ser ainda argumentado que se a Medida Provisória no 1.62136, de 10/06/1998, apontou com o direito à restituição do tributo, haveria entendimento diverso do acima defendido, de que a prescrição teria como termo inicial a extinção do crédito. Isto porque a norma seria inócua, pois já teriam transcorrido mais de cinco anos dos pagamentos efetuados. Porém, tal argumento não se sustenta quando considerado, como no Parecer COSIT n° 58/98, que delegados/inspetores da Receita Federal já estavam autorizados a proceder à restituição/compensação nos casos expressamente previstos na MP no 1.699/1998. art. 18, antes mesmo que fosse incluída a expressão "ex officio" ao § 2º. Com efeito, à época da edição da MP n° 1.110/95 vários pagamentos efetuados ainda eram passíveis de restituição, segundo o disposto no CTN, art. 168, inciso I. Ora, o voto condutor analisou os fundamentos normalmente trazidos a este Colegiado para deslocar a contagem do prazo decadencial, arrolando entre eles, os atos administrativos da atual Secretaria da Receita Federal do Brasil. Dentre esses atos, obviamente, situase a préfalada IN SRF 31/97. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Nesse sentido, caberia, no máximo, acrescentar ao acórdão embargado menção expressa à inclusão, dentre os atos administrativos citados, a IN SRF 31. Finalmente, não há que se falar em contradição com relação à contagem de prazo a partir da MP 1.628. O voto limitase a apresentar, apenas como argumento para suas conclusões, teses jurídicas que orbitam em torno desse fato, deixando claro os motivos que conduziram a i. Relatora a discordar dessa tese. Com essas considerações, acolho os embargos exclusivamente para esclarecer que a Instrução Normativa invocada pela recorrente foi efetivamente considerada. LUÍS MARCELO GUERRA DE CASTRO Fl. 219DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009082/2005-38
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2002
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.136
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Lkf x.,ONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO "`"MI~(411n., Processo n° 10980.009082/2005-38 Recurso n° 142.772 Voluntário Acórdão n° 3102-00.136 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2009 Matéria DCTF Recorrente INFANTE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE IMPRESSOS GRÁFICOS LTDA. Recorrida DRJ - DURITIBA/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. „ ' R IA HELENA 17 JANO DAMORIM - Presidente LUCIANO LOPES II EIDA MORAES — Relator EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damoiim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator), Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Versa o presente processo sobre auto de infração, mediante o qual é exigido da contribuinte em epígrafe o crédito tributário total de R$ 2.162,96, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa aos quatro trimestres de 2002. O enquadramento legal do lançamento encontra-se discriminado no campo 05 (Descrição dos Fatos/Fundamentação) do auto de infração. O contribuinte apresentou a impugnação tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: A empresa não concorda em recolher a multa por atraso na entrega da DCTF por ter junto a Receita federal processos administrativos e judiciais referente ao reconhecimento de crédito tributário e sua compensação. A impugnante sustenta que, caso entregasse as DCTFs, estaria reconhecendo valores que não reputa devidos. Afirma ainda que emitiu correspondência para a PGFN para compensação de valores com o crédito reconhecido pela Receita Federal e informa que está em processo de acerto de contas. Por fim, requer o acolhimento da impugnação e solicita o acompanhamento de todo o processo. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CTA n° 17.438, de 27/03/2008, fls. 12/14: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DCTF. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. O simples descumprimento da obrigação acessória autônoma acarreta a respectiva sanção prevista em lei e torna devido o crédito resultante da autuação. Lançamento Procedente. Às fls. 17 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 18/28, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o Relatório. 2 Processo n° 10980.009082/2005-38 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.136 Fl. 33 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração à legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa à entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em denúncia espontânea. De acordo com os termos do § 40, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é princípio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". Ressalte-se que em nenhum momento a recorrente se insurge quanto ao atraso, pelo contrário, o confirma. Sobre o pedido de afastamento dos juros, este não pode ser analisado, já que não são cobrados juros no presente lançamento. São pelas razões supra e demais argumentações contidas na decisão a quo, que encampo neste voto, como se aq't * estivessem transcritas, que nego seguimento ao recurso interposto, prejudicados os demais ar . ii mentos. , LUCIANO LOP 1: li ALMEIDA MORAES 3,
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Numero do processo: 10070.001737/2005-92
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 30/11/2000, 01/02/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 3301-002.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
MÔNICA ELISA DE LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Maria Teresa Martínez López (vice-presidente), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: MONICA ELISA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 30/11/2000, 01/02/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
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TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Maria Teresa Martínez López (vicepresidente), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 17 37 /2 00 5- 92 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em que a Contribuinte insurgese contra o Acórdão 1323.679 proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 2, que declarou a improcedência de Manifestação de Inconformidade, por meio da qual se pretendia o reconhecimento do direito creditório da Cofins, relativa aos períodos de apuração de janeiro de 1999 a dezembro de 2004. A Contribuinte foi cientificada do Acórdão em 24.07.2009 e apresentou sua peça recursal em 13.08.2009 (fls.118 e 119). Por bem descrever os fatos, colhese o Relatório elaborado pela DRJ/RJ2: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade relativamente à Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório invocado pela interessada, bem como não homologou a compensação declarada pela mesma por meio do Per/DCOMP de fls. 27 a 30. A referida Declaração de Compensação foi transmitida em 15/12/2005. Nesta o contribuinte declara compensado débito de COFINS e de PIS correspondente ao período de apuração de novembro/2005, no valor total de R$ 300.000,00, com a utilização de crédito proveniente de suposto pagamento indevido ou a maior de COFINS e PIS, ocorridos no período de janeiro/1999 a dezembro/1999, janeiro/2000 a novembro/2000, fevereiro/2003 a dezembro/2003 e janeiro/2004, no valor total de R$ 300.787,83, conforme discriminado na planilha de fls. 05. A Delegacia da Receita Federal afirma no Parecer Conclusivo e Despacho Decisório de fls. 35 a 38, que: O direito creditório reclamado teria origem no acórdão proferido pelo STF nos autos do Recurso Extraordinário n° 357.950 no qual foi declarada a inconstitucionalidade do §1° do art. 3' da Lei n°9.718/98. A interessada não figura no polo ativo da referida ação judicial e que o acórdão proferido não tem o condão de afetar a relação jurídico tributária com o Fisco. A declaração de inconstitucionalidade foi exarada no âmbito do controle indireto de inconstitucionalidade, não produzindo efeito "erga omnes" até a publicação de Resolução do Senado suspendendo a execução do dispositivo legal declarado inconstitucional, o que no presente caso não ocorreu. Considerando que as exações, segundo a interessada, foram apuradas e recolhidas de acordo com o que prescreve o §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, cuja aplicação é válida e obrigatória, inexiste crédito em favor da mesma, passível de restituição/compensação, desatendendo o seu pleito às exigências contidas no art. 170 do CTN e no art. 74 da Lei n°9.430/96. Cient i f icada da decisão, a contr ibuinte apresentou Mani festação de Inconformidade (fls. 56 a 59) alegando, em síntese, que: a) A decisão que indeferiu o seu pleito está equivocada, pois é uma questão de tempo o pronunciamento do Senado, através de Resolução, visto o Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10070.001737/200592 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 161 3 julgamento que definiu a inconstitucional idade do ato viciado, e que em breve o STF editará a súmula vinculante, com efeito "erga omnes ". b) O seu direito é positivo, não sendo função do Fisco contestar decisões de Cortes Superiores. c) O Parecer nº 58, de 27.10.1998, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da SRF, autoriza que tal restituição e compensação sejam deferidas pelo Delegado da SRF. d) De acordo com o citado Parecer é necessário que o pedido de restituição ou compensação seja formulado no prazo de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão a ser proferida nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade. e) Como na decisão proferida não foi analisado o mérito do pleito ou o cálculo de aplicação dos juros e sua atualização, considera que estes itens foram homologados na Integra, ficando a presente manifestação de inconformidade destinada a discutir o motivo do indeferimento. f) Pelo exposto, concluise que os valores indevidamente recolhidos a título de Cofins e PIS poderão ser restituídos, dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da data do trânsito em julgado da decisão a ser proferida nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade, a qual encontrase aguardando apreciação do mérito pelo E. Supremo Tribunal Federal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ2, proferiu, em Sessão de 27 de fevereiro de 2009, por meio de sua 4ª Turma, o acórdão nº 1323.679, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade, materializado, em resumo, nos seguintes termos (fls.107 a 111): EMENTA DRJ: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de— apuração: 01/01/1999 a 31 /12/1999, 01/01/2000 a 30/11/2000, 01/02/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004. DIREITO CREDITÓRIO. Não há como se reconhecer direito creditório em função de declaração de inconstitucionalidade de dispositivo legal, no controle incidental, quando a interessada não for litigante na referida ação, e enquanto não for proferida Resolução do Senado Federal conferindo a tal declaração efeito "erga omnes". Solicitação Indeferida VOTO DRJ Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA 4 A interessada pleiteou crédito de PIS e de COFINS em decorrência do decidido nos autos do Recurso Extraordinário 357.950. Nestes, o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Decidiu a autoridade administrativa por não reconhecer o crédito, pelo fato de que a declaração de inconstitucionalidade foi exarada no âmbito do controle indireto de inconstitucionalidade, produzindo efeitos apenas entre as partes litigantes e que a interessada não figura no polo ativo da ação judicial na qual foi proferido o citado Acórdão. E, ainda, pelo fato de que, ate o momento, a execução do referido dispositivo legal não foi suspensa pelo Senado Federal. O Secretário da Receita Federal expediu o Ato Declaratório n°096, de 26/11/1999, nos seguintes termos: 1 o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito Tributário arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional)." Resta claro que como no presente caso o dispositivo legal inquinado de inconstitucional, continua válido, visto que até a presente data inexiste pronunciamento do Senado Federal, suspendendo a sua execução, impossível interpretar que o decido pela Corte Suprema tenha efeito erga omnes, a fim de validar reconhecimento de direito creditório à interessada. Portanto, é de se concluir estar correto o decidido pela autoridade administrativa da Receita Federal do Brasil. Quanto à alegação final da interessada de que não foram analisados mérito do pleito, bem como os cálculos dos juros e que, por tal motivo, considerouos homologados, é de se registrar incorreto o seu entendimento. Ao considerar inexistente o seu direito creditório, consequentemente a Delegacia negou o pleiteado, ou seja, o pedido de restituição e o de compensação. Os recolhimentos efetuados pela interessada, segundo ela própria, foram recolhidos de acordo com o determinado no § 1º do art.3º da Lei n° 9.718/98. Tal dispositivo, repitase, continua válido e de execução obrigatória. Não havia motivos para que fossem verificados os cálculos de atualização monetária de um suposto crédito, quando preliminarmente tal crédito sequer foi reconhecido. Assim totalmente improcedente é a contestação formulada. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10070.001737/200592 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 162 5 Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho, mediante o qual, em síntese: · Alega a nulidade das decisões proferidas anteriormente, porque teriam incorrido em erro de direito; · Reitera a questão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei nº 9.718/98 agregando a seus argumentos a edição da Súmula nº 6 do Supremo Tribunal Federal, que conferiu efeitos erga omnes, relegando os recolhimentos efetuados até então efetuados com lei declarada parcialmente inconstitucional à condição de indevidos por vício formal. · Relembra que no lançamento por homologação temos, a partir do pagamento, chamado antecipado, 5 anos para que o Fisco o homologue ou não. Se o Fisco não realizar a homologação expressa, no prazo de 5 anos, darseá a homologação tácita. A partir desses 5 anos começa a correr a prescrição. Esses primeiros 5 anos (de decadência do direito de lançamento pelo Fisco) e mais 5 anos de prescrição valiam também para o contribuinte quando solicitava a restituição do tributo indevido, dandolhe a possibilidade de pleitear a repetição ou a compensação dos valores indevidamente recolhidos nos últimos 10 anos. · Concluise que os valores indevidamente recolhidos à título de COFINS e PIS poderão ser restituídos, nos termos do Parecer CST n° 58/98, dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da data do trânsito em julgado da decisão proferida nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade. · Por não haver nas decisões administrativas nenhuma consideração sobre o mérito do pleito, ou sobre o cálculo de aplicação de juros e atualização, considera estes itens homologados na íntegra pelo órgão, ficando o presente recurso, destinada a discutir o motivo do indeferimento, que é a alegação do fisco da inexistência do direito de repetição de indébito, por não ser parte direta do Recurso Especial mencionado. É o Relatório. Voto Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA 6 Conselheira Mônica Elisa de Lima O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade; portanto, dele conheço. Sinalizese, inicialmente, que Pedido de Restituição ora discutido foi protocolizado no dia 15.12.2005 (fls. 02 e 03). A preliminar aventada, isto é a nulidade das decisões até aqui proferidas por “erro de direito”, há de ser, prontamente, rejeitada, visto que se trata de decisões absolutamente motivadas, fundadas em argumentos de fato e de direito, proferidas no âmbito de competência das Autoridades Administrativas, sem qualquer preterição ao direito de defesa. A eventual discordância da Contribuinte há de ser manifestada, nos termos do Decreto 70.235/72, tal como tem sido feito no decorrer de todo este processo. Com base nestas mesmas regras do Processo Administrativo Fiscal, a Recorrente utiliza sua faculdade de Recurso a este CARF, que, também no âmbito de sua competência proferirá a regular decisão de segunda instância. Rejeitada a preliminar, passase às questões de fundo. O tema da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, já foi enfrentado, em decisão de mérito, pelo Pleno do STF, em 10/09/2008, em sede de repercussão geral no RE 585235, cuja decisão consigna: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Referida decisão, de efeito erga omnes, proferida, em conformidade com o rito previsto no art. 543B, gerou a Súmula Vinculante STF nº6, cujos termos são os seguintes: Súmula 6 TRIBUTO. COFINS. BASE DE CÁLCULO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. INCONSTITUCIONALIDADE DO PAR. 1° DA LEI 9.718/98. Enunciado: "É inconstitucional o parágrafo 1° do art. 30 da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, a qual deve ser entendida como a proveniente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais." Precedentes: RE n° 346.084 Rel. orig. Min. limar Galvão, DJ 01.09.2006; RE n° 357.950, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 15.08.2006; RE n° 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 15.08.2006; RE n° 390.840, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 15.08.2006. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10070.001737/200592 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 163 7 Portanto, vez que a decisão citada fora proferida em conformidade com o rito previsto no art. 543B, deverá ser seguida por este Colegiado, em consonância com a Portaria MF nº 256/09, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nos 446/09 e 586/10, que aprova o Regimento Interno do CARF, bem como por toda a Administração. Neste ponto, então, assiste razão à Recorrente. No tocante à questão do prazo para requerer a restituição ou a compensação do indébito, há de se ressaltar que a regra dos 5 + 5, pela qual são contados primeiro cinco anos para a homologação tácita e somente depois desses primeiros cinco anos é que se contam os cinco anos para a decadência do direito de repetição de indébito, persistiu somente até a vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005 (09/06/2005). No presente caso, o Sujeito Passivo está a pleitear restituições concernentes a aos seguintes períodos de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999, 01/01/2000 a 30/11/2000, 01/02/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004. O pedido se deu através de Pedido de Restituição protocolizado em 15.12.2005; portanto, pouco mais de seis meses depois do prazo da vacatio. Neste momento, não mais era aplicável a extensão do prazo decadencial, que, pelo contrário, se verificaria em cinco anos a partir da data do fato gerador. O Supremo Tribunal Federal, em relação ao tema, manifestouse nos autos do RE 566621/RS, dirimindo qualquer eventual dúvida acerca da aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, decidiu exatamente da forma acima enunciada, na forma do artigo 543A, do CPC. Destaquese: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a Fl. 166DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA 8 aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). Neste mesmo sentido, foi editada Súmula CARF, aprovada pelo Pleno, em Sessão de 09.12.2013, tendo por paradigmas os acórdãos números 9900000.728, de 29/08/2012; 9900000.459, de 29/08/2012; 9900000.767, de 29/08/2012; 1801000.970, de 11/04/2012; 930301.985, de 12/06/2012; 1801001.485, de 11/06/2013; 9101001.522, de 21/11/2012; 9101001.654, de 14/05/2013; 3102001.844, de 21/05/2013; 2401003.108, de 16/07/2013 e 1102000.915, de 07/08/2013: Pedido de restituição. Desta maneira, dos períodos de apuração requeridos pela Contribuinte, denegase, de pronto, aqueles relativos aos anos de 1999 e 2000. Restam, desta feita, a serem apurados os montantes recolhidos indevidamente entre 01.02.2003 a 31/12/2003 e 01/01/2004 a 31/01/2004, bem como a eventual existência de crédito remanescente a ser objeto de compensação. Consignese que a Contribuinte, juntou aos autos quadro descritivo, com valores de PIS e de Cofins, que constituiriam o saldo credor supostamente recolhido a maior e passível de compensação, não havendo sido trazido conteúdo que demonstre a natureza dos créditos pleiteados e o porquê de a redução da base de cálculo fundada na declaração de inconstitucionalidade corresponder a tais valores (fls. 03 a 05). Outrossim, não procede, em absoluto a intenção da Contribuinte de que os valores apontados no quadro feito por esta representariam um fato consumado. Pelo contrário, não houve qualquer homologação de crédito, encontrandose o mesmo com sua exigibilidade suspensa. Em vista do exposto, voto por: Negar provimento total em relação ao PIS e, em relação à Cofins, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar que a apuração da contribuição Cofins, no período de 01.02.2003 a 31/12/2003 e 01/01/2004 a 31/01/2004, seja feita apenas com base na receita bruta, assim entendida como a proveniente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA Processo nº 10070.001737/200592 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 164 9 Mônica Elisa de Lima Relatora Assinado digitalmente Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA
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Numero do processo: 11040.720783/2012-33
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. FATOS GERADORES POSTERIORES À EDIÇÃO DA MP 449/2008. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE.
As Contribuições Previdenciárias referentes a fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, exigidas de ofício, sujeitam-se à multa de 75%, sendo incabível a comparação com penalidade prevista em legislação já revogada.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 18/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. FATOS GERADORES POSTERIORES À EDIÇÃO DA MP 449/2008. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. As Contribuições Previdenciárias referentes a fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, exigidas de ofício, sujeitam-se à multa de 75%, sendo incabível a comparação com penalidade prevista em legislação já revogada. Recurso Especial do Procurador provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 18/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. FATOS GERADORES POSTERIORES À EDIÇÃO DA MP 449/2008. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. As Contribuições Previdenciárias referentes a fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, exigidas de ofício, sujeitamse à multa de 75%, sendo incabível a comparação com penalidade prevista em legislação já revogada. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 18/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 07 83 /2 01 2- 33 Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, nas competências 01/2009 a 12/2010. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 19 a 22, os fatos geradores das contribuições lançadas ocorreram em razão da remuneração de serviços prestados por transportadores rodoviários autônomos, de honorários, prolabore e outros valores pagos a segurados contribuintes individuais. Foi aplicada a multa de 75%, prevista no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Medida Provisória n.º 449, de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 2009, combinado com o artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996, na redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. Em sessão plenária de 18/09/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2301003.717 (fls. 961 a 967), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONDUTOR DE VEÍCULOS. AUTÔNOMOS. FRETES. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%. O saláriodecontribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário, conforme estabelecido § 4º do art. 201 do RPS, corresponde a 20% do valor bruto auferido pelo frete, carreto ou transporte. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720783/201233 Acórdão n.º 9202003.844 CSRFT2 Fl. 1.036 3 nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)." O processo foi encaminhado à PGFN em 19/02/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 968). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 05/04/2014, o que foi feito em 07/03/2014 (fls. 969 a 979), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 980. O Recurso Especial está fundamentado no artigo 67, do Anexo II, do RICARF, e visa rediscutir a forma de cálculo utilizada para a aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, se a da legislação anterior ou a da legislação atual. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 191/2014, de 10/03/2014 (fls. 982 a 985). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: antes das inovações da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada). com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91; o art. 32A, em sua redação dada pela MP nº 449/2008, dispõe que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento); Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; contudo, a MP nº 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. tal dispositivo remete a aplicação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, que dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas.; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91. essa foi a conclusão a que chegou a eminente relatora do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; nessa linha de raciocínio, a autoridade fiscal deve aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009; aliás, a respeito da forma correta para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, cumpre registrar que a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 1.027, de 22/04/2010, explicando qual é o procedimento adequado a ser utilizado. É o que se extrai do art. 4º do citado ato, que explicita a forma de cálculo da multa: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: “Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720783/201233 Acórdão n.º 9202003.844 CSRFT2 Fl. 1.037 5 I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.” ora, no presente feito as contribuições previdenciárias em cobrança dizem respeito a período anterior à data de 30 de novembro de 2008, estabelecida pela Instrução Normativa nº 1.207/2010 como marco divisor para análise da multa cabível; assim, deve ser aplicado o disposto no inciso I, do art. 4º da citada instrução normativa, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. nesse contexto e considerando que a autoridade fiscal efetuou o lançamento nos exatos termos determinados pela Instrução Normativa nº 1.027/2010, que goza de presunção de validade, deve ser mantida a multa na forma constante no auto de infração de obrigação principal. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido a fim de que prevaleça a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 1.027, de 2010. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 Cientificada em 20/08/2014 (AR Aviso de Recebimento de fls. 988), a Contribuinte, por meio de correspondência postada em 03/09/2014 (fls. 989 a 991) ofereceu as Contrarrazões de fls. 992 a 997 e interpôs o Recurso Especial de fls. 1.001 a 1.017. Ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte foi negado seguimento, conforme despacho de 05/06/2015 (fls. 1.024 a 1.026), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 1.027. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede a manutenção da decisão recorrida, aplicandose a multa prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, nos termos do art. 106, II, do CTN, que determina a retroatividade da lei mais benéfica. Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional. O Auto de Infração é referente às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, nas competências 01/2009 a 12/2010, portanto os fatos geradores já ocorreram na vigência da Medida Provisória n.º 449, de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 2009, razão pela qual foi aplicada a multa de 75%, prevista no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Não obstante, o acórdão recorrido, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, o respectivo despacho de admissibilidade e as Contrarrazões oferecidas tempestivamente pela Contribuinte trataram da situação como se os fatos geradores fossem anteriores a 30/11/2008, discutindo a questão da retroatividade benigna, em face das novas regras referentes às penalidades previdenciárias, trazidas pela legislação acima citada. Assim, a partir do acórdão recorrido, nenhuma das peças processuais levou em conta a situação efetivamente contida na autuação, que de forma alguma comportava discussão acerca do dispositivo legal a ser aplicado se da lei antiga ou da nova lei. Entretanto, do ponto de vista da admissibilidade do apelo, o Despacho nº 2300191/2014, de 10/03/2014 (fls. 982 a 985) é irretocável, já que nele, aplicandose os pressupostos regimentais, foram comparadas as situações retratadas no acórdão recorrido e nos paradigmas, concluindose pela caracterização da divergência suscitada, daí o correto seguimento recurso. Com estas considerações, assentado que os fatos geradores abrangem as competências 01/2009 a 12/2010, foram aplicadas as disposições da Medida Provisória n.º 449, de 2008, convertida na Lei n.º 11.941, de 2009, que alteraram a Lei nº 8.212, de 1991, deixando claras as penalidades pelo não recolhimento das Contribuições Previdenciárias: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11040.720783/201233 Acórdão n.º 9202003.844 CSRFT2 Fl. 1.038 7 nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Diante do exposto, tratandose de lançamento de ofício referente a fatos geradores ocorridos de janeiro de 2009 em diante, não há que se falar em retroatividade benigna, tampouco em comparação entre multas, muito menos em limitação da penalidade a 20%, razão pela qual dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para que a multa seja restabelecida nos exatos termos em que figurou na autuação. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 13161.001940/2007-08
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1930; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 15 1 14 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.001940/200708 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.627 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 18 de março de 2015 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente COOPERATIVA AGROPECUÁRIA E INDUSTRIAL COOAGRI "Em Liquidação" Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Olmiro Lock Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão de r. Acórdão proferido que manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS. Consta, também, que o presente feito é um dos 56 (cinqüenta e seis) processos vinculados ao MPF 0140200.2011.0005. A Fiscalizada, como medida de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização), deixou de anexar em cada processo os mesmos documentos, o que fez nos autos de nº n. 13161.001928/200795, que pretende evidenciar o seu direito, discorreu longamente em cada feito sobre os fundamentos que julga lhe assegurar o crédito complementar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 61 .0 01 94 0/ 20 07 -0 8 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13161.001940/200708 Resolução nº 3403000.627 S3C4T3 Fl. 16 2 Assim, a Fiscalizada efetuou a juntada dos documentos no processo supra mencionado, acreditando que todos seriam julgados de forma simultânea e pelo mesmo Conselheiro. Voto Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. É imprescindível para o exame da contenda neste processado à análise das provas carreadas ao processo administrativo de número 13161.001928/200795. Justificado pelo apelo do Contribuinte, que a todo o tempo manifestou nesse sentido. Compulsando os autos, conclui que se revela de extrema importância que as provas anexadas pela contribuinte ao processo 13161.001928/200795 sejam transladas e anexadas a esse feito, considerando que, o contribuinte só anexou provas naqueles autos por economia processual, por entender que todos os processos administrativos seriam distribuídos a um só relator, o que até o momento não aconteceu. Em sendo assim, impõe converter o julgamento em diligência para que seja translado os documentos juntados pela recorrente a título prova no processo administrativo de número 13161.001928/200795, a esse processado. É como voto. Domingos de Sá Filhio Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13891.000066/2004-96
Data da sessão: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1999
SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO. LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO.
A isenção da Cofins de que gozava as sociedades civis de prestação de serviços de profissão cessou em 31 de março de 1997. Tais sociedades passaram a serem tributadas com base no faturamento mensal a partir de 1º de abril de 1997, por força de dispositivo legal.
Numero da decisão: 2801-000.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato e Carlos Henrique Martins de Lima.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1999 SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO. LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO. A isenção da Cofins de que gozava as sociedades civis de prestação de serviços de profissão cessou em 31 de março de 1997. Tais sociedades passaram a serem tributadas com base no faturamento mensal a partir de 1º de abril de 1997, por força de dispositivo legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 12/05/1997 a 19/04/1999 INDÉBITO FISCAL. DECADÊNCIA. A decadência do direito de se pleitear restituição de indébito fiscal ocorre em cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 12/05/1997 a 19/04/1999 RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. A restituição de indébitos fiscais está condicionada à comprovação da certeza e liquidez dos respectivos indébitos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1999 SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO. LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO. A isenção da Cofins de que gozava as sociedades civis de prestação de serviços de profissão cessou em 31 de março de 1997. Tais sociedades passaram a serem tributadas com base no faturamento mensal a partir de 1º de abril de 1997, por força de dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 00 00 66 /2 00 4- 96 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Walber José da Silva Presidente Ad Hoc (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato e Carlos Henrique Martins de Lima. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1416.600, de 06 de agosto de 2007, da DRJ/Ribeirão Preto/SP, fls. 54 a 59, que, em face da manifestação de inconformidade apresentada, fls. 45 a 51. Esta pessoa jurídica ingressou com o pedido às fls. 01/06, requerendo a restituição do montante de R$ 4.980,51 (quatro mil novecentos e oitenta reais e cinqüenta e um centavos), em valor de abril de 2004, referente à Cofins, paga mensalmente a partir de 12 de maio de 1997 a 19 de abril de 1999, incidente sobre os fatos geradores dos meses de competência de abril de 1997 a março de 1999. O pedido foi analisado pela Delegacia da Receita Federal (DRF) em Limeira, SP, que o indeferiu, conforme Despacho Decisório, às fls. 39/42, datado de 24/01/2005, sob o fundamento de que: a) preliminarmente, na data de protocolo do presente pedido, o direito de a interessada repetir os valores reclamados encontravase decaído nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), arts. 165, I, e 168, II, c/c o Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999; e, b) no mérito: b.1) a isenção da Cofins, para as sociedades civis de profissão regulamentada, prevista na Lei Complementar (LC) nº 70, de 1991, art. 6º, II, estava condicionada à adoção pela respectiva sociedade do regime de tributação previsto no Decreto lei nº 2.397, de 1987, art. 1º; e, b.2) a isenção prevista nessa LC vigeu somente até 31/03/1997, quando então foi revogada por meio da Lei nº 9.430, de 1996, art. 56. Cientificada do despacho decisório, inconformada com o indeferimento do seu pedido interpôs a Manifestação de Inconformidade às fls. 45/51, requerendo o reconhecimento da isenção da Cofins prevista na LC nº 70, de 1991, art. 6º, II, afastando a alteração determinada por meio da Lei nº 9.430, de 1996, art. 56, e, conseqüentemente, defira seu pedido de restituição, alegando, em síntese: a) quanto à decadência, que o prazo qüinqüenal, para se repetir indébitos referentes a tributos sujeitos a lançamento por homologação, como a Cofins, deve ser contado a partir da data da homologação expressa e/ ou tácita do pagamento efetuado sob condição resolutória, quando então ocorre a extinção do crédito tributário. Não ocorrendo a homologação expressa, a tácita ocorre depois de 05 (cinco) anos, contados da data do respectivo fato gerador, conforme estabelece o CTN, art. 150, § 4º. No presente caso, como a homologação foi tácita, a extinção se deu depois de decorridos 05 (cinco) anos do respectivo fato gerador, quando então se iniciou a contagem do prazo decadencial, resultando prazo total Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13891.000066/200496 Acórdão n.º 2801000.094 S2TE01 Fl. 91 3 de 10 (dez) anos para se repetir os valores reclamados, ou seja, 05 (cincos) anos para a extinção tácita e mais 05 (cinco) para a decadência do seu direito; b) quanto ao mérito, em relação ao regime tributário, alegou que a opção por qualquer regime de tributação do IRPJ só vincula o próprio IRPJ e não tem o condão de mudar a natureza jurídica da sociedade civil. Também, a Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 6º, II, ao conceder isenção para as sociedades civis de profissão regulamentada não fez qualquer exigência quanto à forma de tributação. Já, em relação à revogação da isenção, a partir de 1º de abril de 1997, por meio da Lei nº 9.430, de 1996, alegou que esta por se tratar de lei ordinária não pode alterar lei complementar, revelandose ilegítima a revogação da isenção concedida por aquela LC. c) que o pedido está amparado pela Lei Complementar nº 70/91 e pela súmula 276 do Superior Tribunal de Justiça em vigor, o que justifica plenamente o seu deferimento, com efeitos estendidos pelo Decreto nº 2.346/97; Em julgamento da lide a DRJ/Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 12/05/1997 a 19/04/1999 INDÉBITO FISCAL. DECADÊNCIA. A decadência do direito de se pleitear restituição de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. RESTITUIÇÃO. A restituição de indébitos fiscais está condicionada A comprovação da certeza e liquidez dos respectivos indébitos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 31/03/1999 SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO. LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO. A isenção de que gozava as sociedades civis de prestação de serviços de profissão, legalmente regulamentada, em relação à Cofins, cessou em 31 de março de 1997. A partir de 10 de abril de 1997, por força de dispositivo legal, aquelas sociedades passaram a serem tributadas com base no faturamento mensal. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Cientificada da decisão em 03 de outubro de 2007, apresenta recurso voluntário, fls. 65 a 77, em 16 de outubro de 2007, por meio o qual nada acrescenta, em substância, aos argumentos da manifestação de inconformidade como segue. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Nada há a reparar na decisão recorrida, irretocável em todos os seus termos. Valhome deles como se de minha lavra fosse, para assentar os fundamentos deste voto, como segue: I – Preliminar Os valores reclamados pela interessada se referem a recolhimentos da Cofins, efetuados, mensalmente, a partir de 12 de maio de 1997 a 19 de abril de 1999. Assim, preliminarmente, cabe verificar se, na data de protocolo do seu pedido em 30/04/2004, o seu direito à repetição de tais valores estava decaído ou não. O direito e o prazo para se pleitear restituições estão regulados no Código Tributário Nacional (CTN) que assim dispõe: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (…). Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (grifos nãooriginais) (…).” Em se tratando de lançamento por homologação, como no caso da Cofins, a extinção do crédito tributário, por previsão expressa do CTN, ocorre quando do pagamento e não em outro momento: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13891.000066/200496 Acórdão n.º 2801000.094 S2TE01 Fl. 92 5 “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (…). Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (…). VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus parágrafos 1 e 4; (grifos nãooriginais) (…).” Também, mais recentemente, o legislador complementar, por meio da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, art. 3º, dissipou qualquer dúvida a respeito da data de extinção de crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, assim dispondo: “Art. 3º. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. Desse modo, como o presente pedido foi protocolado em 30 de abril de 2004 e o valor reclamado mais recente se refere ao recolhimento efetuado em 19 de abril de 1999, extinguindose o respectivo crédito tributário nesta data, nos termos dos dispositivos legais transcritos acima, não há que se falar em repetição de indébitos. Na realidade, o direito de a interessada pleitear a restituição do pretenso indébito fiscal referente ao recolhimento mais recente decaiu em 20 de abril de 2004. II – Mérito Em que pese a decadência do direito de a interessada repetir os valores reclamados, demonstraremos neste item que, ao contrário do seu entendimento, a contribuição paga por ela era devida e não constitui indébito passível de repetição. A LC nº 70, de 1991, que instituiu a Cofins, havia isentado as sociedades de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentadas dessa contribuição, assim, dispondo: “Art. 6°. São isentas da contribuição: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 (…); II as sociedades civis de que trata o art. 1° do Decretolei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987;” (grifo nãooriginal) No entanto, essa isenção vigeu somente até 31 de março de 1997, quando então foi revogada por meio da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, editada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República em 27 de dezembro de 1996, que assim dispõe quanto àquelas sociedades e a sujeição delas à Cofins: “Art. 55. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada de que trata o art. 1º do Decretolei n.º 2.397, de 21 de dezembro de 1987, passam, em relação aos resultados auferidos a partir de 1º de janeiro de 1997, a ser tributadas pelo imposto de renda de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. “Art. 56. As sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passam a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços, observadas as normas da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Parágrafo único. Para efeito da incidência da contribuição de que trata este artigo, serão consideradas as receitas auferidas a partir do mês de abril de 1997. Art. 88. Revogamse: (...); XIV – os arts. 1º e 2º do Decretolei n.º 2.397, de 21 de dezembro de 1987. (...).” Ora, segundo os dispositivos legais transcritos acima, a partir de 1º de abril de 1997, as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada estão sujeitas à Cofins, nos termos da legislação tributária referente a essa contribuição, independentemente do regime tributário adotado. Dessa forma, os valores apurados a título de Cofins e recolhidos mensalmente pela interessada, nos termos da legislação tributária então vigente, sobre os fatos geradores ocorridos nos meses de competência de abril de 1997 a março de 1999, não constituem indébitos tributários, conforme seu entendimento. Quanto à suscitada inconstitucionalidade da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sob a alegação de violação ao princípio constitucional de hierarquia das leis (CF/1988, art. 146, III, “b”), a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência e a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2º; e Emenda Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13891.000066/200496 Acórdão n.º 2801000.094 S2TE01 Fl. 93 7 Constitucional nº 3, de 18/03/1993; CPC, arts. 480 a 482; RISTJ, arts. 199 e 200). A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública passase na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de uma presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente ou por resolução do Senado Federal da República, publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Como, no caso concreto, essas hipóteses não ocorreram, a norma inquinada de inconstitucional pela impugnante continua válida, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprila e nem declarar sua inconstitucionalidade, sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. Em face do exposto e de tudo mais que dos autos consta, voto pela improcedência da presente manifestação de inconformidade. Desse modo, corroboro os argumentos ante o acerto do julgado, tanto no tocante à decadência do direito de repetir, com efeito, extinto; e, segundo, quanto à legalidade do cancelamento da isenção da Cofins das sociedade civis de prestação de serviços de profissões regulamentadas, pelo art. 56, da Lei nº 9.430/96. Nesta última parte, porque não cabe ao Conselho de Administração de Recursos FiscaisCARF afastar aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade. Acresçase ao arrazoado da DRJ, que o STF em decisão recente nos recursos extraordinários 377.457 e 381.964, firmou entendimento na matéria objeto desta lide, e “...por maioria, desproveu o recurso nos termos do voto do relator...”. No RE 377.457, excertos de votos assentam a posição daquela Corte sobre situações específicas de interesse do presente julgamento: “Lei Complementar nº 70/91 tem natureza de lei ordinária para os fins específicos da fixação da isenção e, portanto, poderia ter sido revogada, como o foi, pelo art. 56, da Lei nº 9.430/96.” (voto Min. Carmen Lúcia). “A rigor, como se sabe – e a doutrina tem assentado isso de forma majoritária , não há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, mas apenas âmbitos materiais de atuação distintos. Uma lei complementar invadiu, como é o caso sob exame, o âmbito de competência material da lei ordinária, não há que se falar em quebra de hierarquia das leis, como se sustenta no RE sob exame.” (voto do Min. Ricardo Lewandowski). Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 05 de maio de 2009 (assinado digitalmente) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Belchior Melo de Sousa Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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