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11186012 #
Numero do processo: 13502.901494/2016-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 ICMS-ST. ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-ST não compõe a base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, não podendo integrar o valor de bens e serviços adquiridos para efeito de creditamento das referidas contribuições para o substituído, nos termos dos arts. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. CRÉDITOS DECORRENTES DO PROGRAMA REINTEGRA. CONCEITO DE RECEITA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. No regime de apuração não cumulativa, o valor dos créditos apurados no âmbito do programa REINTEGRA: (i) até 18/07/2013, integrou a base de cálculo da(o) COFINS, dada a inexistência de norma excludente de base de cálculo; (ii) a partir de 19/07/2013, não mais integra a base de cálculo da(o) COFINS, dada a exclusão de base de cálculo promovida pelo art. 13 da Lei nº 12.844, de 2013 (que incluiu o § 12 no art. 2º da Lei nº 12.546, de 2011). RETIFICAÇÃO DA EFD-CONTRIBUIÇÕES. Nos termos do art. 11, § 2º, inciso III, da IN RFB 1.252/2012, o arquivo retificador da EFD-Contribuições não produzirá efeitos quanto aos elementos da escrituração, quando tiver por objeto alterar créditos de contribuição objeto de exame em procedimento de fiscalização ou de reconhecimento de direito creditório de valores objeto de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. RECOMPOSIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. NÃO CUMULATIVIDADE. A compensação de ofício – procedimento que exige a prévia existência de indébito – distingue-se substancialmente da recomposição da escrita fiscal, necessária para refletir corretamente o valor do tributo a pagar em determinado mês, na sistemática da não cumulatividade. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. PERÍCIA CONTÁBIL. O contribuinte pode apurar créditos sobre encargos de depreciação, desde que demonstre, de forma inequívoca, o montante a que tem direito em cada período de apuração, segundo a documentação solicitada pela Fiscalização. Laudos de empresa de auditoria independente, contratados pelo recorrente para emitir relatórios sobre seus créditos, não podem se sobrepor às conclusões das autoridades tributárias, que gozam da presunção de legitimidade e veracidade dos atos administrativos. As perícias devem ser solicitadas nos termos do Decreto-lei nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-015.075
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por voto de qualidade, para rejeitar (i.1) a preliminar de diligência para verificação de creditamento extemporâneo, (i.2) o pedido de acolhimento da retificação das EFD-Contribuições e (i.3) o pedido de exclusão dos valores recebidos do REINTEGRA da base de cálculo das contribuições, vencidos os conselheiros José Renato Pereira de Deus, Marina Righi Rodrigues Lara e Francisca das Chagas Lemos; (ii) por unanimidade de votos, para reverter a glosa das despesas com tintas e solventes, com Amina Neutralizante; Antiespumante; Antipolimerizantes EC-3214A, EC-3001, EC-3002, EC-3003, EC-3004, EC-3005, EC-3006, EC-3007, EC-3008, EC3009, EC-3010, EC-3267A, EC-3376, EC-3377, EC-3378, EC-3379, EC-3380, EC-3381, EC-3382, EC-3383, EC-3384, EC-3385, EC-3335A; DA-2604 - Inibidor RED OIL; DORF – UNICOR J; DORF CI 2003; Inibidor Polimer Petroflo 20Y3103; Hidrazina; Polieletrólito, com projetos de parada para manutenção, com o Projeto 1521658 – Planta de Butadieno II e com os projetos 103281 (Unidade de MVC/PVC em Alagoas), PJ0622915, PJ060282 e PJ062825, bem como para reverter a glosa dos créditos apurados no sistema SAP LEGADO com as plantas de Eteno I e Isopreno; e, (iii) por maioria de votos, para dar provimento ao pedido de reversão da glosa sobre serviços prestados em terminais, vencido o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares; ao pedido de reversão da glosa de despesas de frete na devolução de vendas, vencido o conselheiro Mário Sérgio Martinez Piccini; e para negar provimento ao pedido de reversão da glosa sobre ativo imobilizado na aquisição da COPESUL, vencidas as conselheiras Marina Righi Rodrigues Lara e Francisca das Chagas Lemos. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-015.071, de 19 de agosto de 2025, prolatado no julgamento do processo 13502.901490/2016-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Marco Unaian Neves de Miranda (substituto integral), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

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ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS-ST não compõe a base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, não podendo integrar o valor de bens e serviços adquiridos para efeito de creditamento das referidas contribuições para o substituído, nos termos dos arts. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. CRÉDITOS DECORRENTES DO PROGRAMA REINTEGRA. CONCEITO DE RECEITA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. No regime de apuração não cumulativa, o valor dos créditos apurados no âmbito do programa REINTEGRA: (i) até 18/07/2013, integrou a base de cálculo da(o) COFINS, dada a inexistência de norma excludente de base de cálculo; (ii) a partir de 19/07/2013, não mais integra a base de cálculo da(o) COFINS, dada a exclusão de base de cálculo promovida pelo art. 13 da Lei nº 12.844, de 2013 (que incluiu o § 12 no art. 2º da Lei nº 12.546, de 2011). RETIFICAÇÃO DA EFD-CONTRIBUIÇÕES. Nos termos do art. 11, § 2º, inciso III, da IN RFB 1.252/2012, o arquivo retificador da EFD-Contribuições não produzirá efeitos quanto aos elementos da escrituração, quando tiver por objeto alterar créditos de contribuição objeto de exame em procedimento de fiscalização ou de reconhecimento de direito creditório de valores objeto de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. RECOMPOSIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. NÃO CUMULATIVIDADE. A compensação de ofício – procedimento que exige a prévia existência de indébito – distingue-se substancialmente da recomposição da escrita fiscal, Fl. 2891DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 2 necessária para refletir corretamente o valor do tributo a pagar em determinado mês, na sistemática da não cumulatividade. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. PERÍCIA CONTÁBIL. O contribuinte pode apurar créditos sobre encargos de depreciação, desde que demonstre, de forma inequívoca, o montante a que tem direito em cada período de apuração, segundo a documentação solicitada pela Fiscalização. Laudos de empresa de auditoria independente, contratados pelo recorrente para emitir relatórios sobre seus créditos, não podem se sobrepor às conclusões das autoridades tributárias, que gozam da presunção de legitimidade e veracidade dos atos administrativos. As perícias devem ser solicitadas nos termos do Decreto-lei nº 70.235/72. ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por voto de qualidade, para rejeitar (i.1) a preliminar de diligência para verificação de creditamento extemporâneo, (i.2) o pedido de acolhimento da retificação das EFD-Contribuições e (i.3) o pedido de exclusão dos valores recebidos do REINTEGRA da base de cálculo das contribuições, vencidos os conselheiros José Renato Pereira de Deus, Marina Righi Rodrigues Lara e Francisca das Chagas Lemos; (ii) por unanimidade de votos, para reverter a glosa das despesas com tintas e solventes, com Amina Neutralizante; Antiespumante; Antipolimerizantes EC-3214A, EC-3001, EC-3002, EC-3003, EC-3004, EC-3005, EC-3006, EC-3007, EC-3008, EC3009, EC-3010, EC-3267A, EC-3376, EC-3377, EC-3378, EC-3379, EC-3380, EC-3381, EC- 3382, EC-3383, EC-3384, EC-3385, EC-3335A; DA-2604 - Inibidor RED OIL; DORF – UNICOR J; DORF CI 2003; Inibidor Polimer Petroflo 20Y3103; Hidrazina; Polieletrólito, com projetos de parada para manutenção, com o Projeto 1521658 – Planta de Butadieno II e com os projetos 103281 (Unidade de MVC/PVC em Alagoas), PJ0622915, PJ060282 e PJ062825, bem como para reverter a glosa dos créditos apurados no sistema SAP LEGADO com as plantas de Eteno I e Isopreno; e, (iii) por maioria de votos, para dar provimento ao pedido de reversão da glosa sobre serviços prestados em terminais, vencido o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares; ao pedido de reversão da glosa de despesas de frete na devolução de vendas, vencido o conselheiro Mário Sérgio Martinez Piccini; e para negar provimento ao pedido de reversão da glosa sobre ativo imobilizado na aquisição da COPESUL, vencidas as conselheiras Marina Righi Rodrigues Lara e Francisca das Chagas Lemos. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-015.071, de 19 de agosto de 2025, prolatado no julgamento do processo 13502.901490/2016-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Fl. 2892DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 3 Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Marco Unaian Neves de Miranda (substituto integral), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 REAPURAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. A verificação de omissão de receitas, associada a glosa de créditos, pode resultar na apuração de tributos devidos, nesse caso, a fiscalização deve utilizar os créditos existentes para fins de dedução do tributo devido. INSUMO. CONCEITO. O insumo deve ser avaliado à vista dos critérios da essencialidade e da relevância. O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. O critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva ou por imposição legal. ICMS-SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. TRIBUTAÇÃO. Fl. 2893DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 4 O ICMS – substituição tributária destacado na Nota Fiscal de venda do contribuinte substituto constitui uma mera antecipação do devido pelo contribuinte substituído. CRÉDITO DECORRENTE DE GASTOS COM FRETES. Somente podem compor a base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS os gastos com frete na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor e o serviço seja prestado por pessoa jurídica domiciliada no país. O dispêndio com frete na aquisição de bens gera créditos de PIS/COFINS por integrar o custo da mercadoria revendida e do bem utilizado como insumo. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. Na eventualidade de não haverem sido apurados nas épocas próprias, os créditos da não-cumulatividade do PIS/Cofins poderão ser apurados extemporaneamente, desde que promovidas as devidas retificações de declarações e demonstrativos, como DCTF e Dacon, além da EFD-Contribuições. REINTEGRA. CRÉDITOS. TRIBUTAÇÃO. O valor dos créditos apurados nº âmbito do Reintegra constitui receita da pessoa jurídica e deve ser incluída na base de cálculo do PIS/COFINS. Somente a partir de 19 de julho de 2013, não mais integra a base de cálculo das contribuições, dada a exclusão de base de cálculo promovida pela Lei nº 12.844, de 2013 (que incluiu o § 12 no art. 2º da Lei nº 12.546, de 2011). VENDAS A BENEFICIÁRIOS DO REGIME ESPECIAL DE DRAWBACK. As notas fiscais de venda a beneficiários do Regime Especial de Drawback devem conter a informação acerca da venda com suspensão das contribuições e o número do Ato Concessório Drawback. Devidamente intimada da referida decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, requerendo a reforma da referida decisão, com base nos seguintes fundamentos:  Sustentou que produtos químicos utilizados no tratamento de água, bem como outros materiais aplicados na operação, são indispensáveis ao processo industrial, enquadrando-se no conceito de insumo pelos critérios de essencialidade e relevância firmados pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR;  Defendeu o direito ao crédito sobre serviços prestados em unidades não industriais (logística, apoio e armazenagem) por entender que tais atividades integram a cadeia produtiva e são necessárias para a comercialização. Argumentou que a lei não restringe a fruição de crédito apenas a serviços realizados dentro do parque fabril.  Alegou que a glosa de valores referentes ao ICMS-ST é indevida, sustentando que a legislação não determina a exclusão desses valores da base de cálculo do crédito. Fl. 2894DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 5  Defendeu que fretes para transferência de produtos entre unidades, remessas para depósitos, devoluções, envio de amostras, sobrestadia, descarga e pedágios são necessários à logística operacional, compondo o custo de produção e comercialização, e, portanto, geram direito a crédito.  Defendeu a possibilidade de utilização de créditos extemporâneos, sem a necessidade de retificação;  Alegou que os créditos de depreciação acelerada (12 meses) sobre bens incorporados ao ativo imobilizado, previstos na Lei nº 11.774/2008, devem abranger também despesas de manutenção e construção civil vinculadas ao processo produtivo, não apenas máquinas e equipamentos. Sustentou que o Fisco aplicou indevidamente o prazo de 10 anos para amortização.  Contestou a exclusão de créditos relativos a importações, afirmando que não há ausência de recolhimento de PIS/COFINS na importação, e que eventuais falhas cadastrais ou de registro não afastam o direito creditório.  Alegou que as receitas oriundas do programa Reintegra não devem compor a base de cálculo do PIS/COFINS, defendendo interpretação que exclui tais valores por se tratar de benefício fiscal específico.  Argumentou que a classificação adotada (CST 07 – isenção, CST 08 – sem incidência) estava amparada por legislação aplicável ou por regimes especiais como drawback, com documentação comprobatória. Sustentou que eventuais erros formais não implicam incidência tributária. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, ressalvando o meu entendimento pessoal expresso na decisão paradigma, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto ao mérito, exceto quanto à preliminar de diligência para verificação de creditamento extemporâneo, aos pedidos referentes à retificação das EFD-Contribuições, à reversão da glosa sobre ativo imobilizado na aquisição da COPESUL e à exclusão dos valores recebidos do REINTEGRA da base de cálculo das contribuições, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Fl. 2895DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 6 1. Do mérito Como relatado anteriormente, a questão de mérito discutida nos presentes autos diz respeito à apuração de créditos de Cofins não-cumulativa, permanecendo a controvérsia sobre os seguintes pontos: (i) da possibilidade de retificação das EFD-Contribuições; (ii) despesas com bens e serviços enquadrados no conceito de insumos; (iii) despesas de energia elétrica; (iv) despesas com armazenagem e frete de mercadoria; (v) despesas com descarga, sobrestadia de caminhões e emissão de vale- pedágio; (vi) frete para devolução de produtos por cliente; (vii) créditos extemporâneos; (viii) despesas com bens do ativo imobilizado (encargos de depreciação e amortização); (ix) inclusão dos valores provenientes do reintegra na base de cálculo das contribuições; (x) da reclassificação de receitas; (xi) do aproveitamento pelo fisco de créditos vinculados à receita de exportação para dedução da contribuição devida; Despesas com bens e serviços enquadrados no conceito de insumos Antes de se adentrar especificamente em cada um dos itens mencionados, revelam-se necessárias algumas considerações iniciais sobre o tema. Recentemente, em sede de repercussão geral, na ocasião do julgamento do RE nº 841.979/PE, o STF reconheceu a autonomia do legislador ordinário para disciplinar a não-cumulatividade das contribuições sociais estabelecido no art. 195, §12, da Constituição Federal (CF/88). Paralelamente, restou decidido que o conceito de insumo para fins da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS não deriva de maneira estanque do texto constitucional. Nesse sentido, o Ministro Relator Dias Toffoli reconheceu que o legislador ordinário teria competência tanto para negar créditos em determinadas hipóteses, quanto para concedê-los em outras, de forma genérica ou restritiva. Diante desse contexto, concluiu pela validade das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, à luz da não cumulatividade. Ou melhor, concluiu-se que as restrições positivamente expressas nas leis não seriam por si só inconstitucionais e deveriam ser analisadas em cada caso concreto. Especificamente sobre o conceito de insumo, previsto no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, destaca-se que o Ministro Relator não invalidou o Fl. 2896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 7 julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, sob o rito dos repetitivos, de relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Pelo contrário, entendeu que, por se tratar de matéria infraconstitucional, permaneceria o conceito de insumo, objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça. O acórdão proferido na ocasião daquele julgamento foi publicado no dia 24/04/2018, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp n. 1.221.170/PR, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/2/2018, DJe de 24/4/2018.) Em síntese, restou pacificado que o conceito de insumo deve ser analisado à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Como se sabe, o Relator do citado caso acompanhou as razões sustentadas pela Ministra Regina Helena Costa, para quem os referidos critérios devem ser entendidos nos seguintes termos: Fl. 2897DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 8 “Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” Fazendo referência aos entendimentos que vinham sendo adotados por este próprio Carf, sustentou a Ministra Regina Helena Costa, a necessidade de se analisar, casuisticamente, a essencialidade ou a relevância de determinado bem ou serviço para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. Nos termos do art. 62, §2º, da Portaria MF nº 343/15, Regimento Interno do Carf (Ricarf), o referido julgado é de observância obrigatória e deve ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste conselho. Sobre o referido julgamento, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF nº 63/2018, por meio da qual a Procuradoria Geral de Fazenda Nacional (PGFN) reconheceu o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado naquela sede. Entendo por oportuno destacar os seguintes trechos: 14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotaram a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Fl. 2898DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 9 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” (sem grifos no original) (...) 37. Há bens essenciais ou relevantes ao processo produtivo que nem sempre são nele diretamente empregados. O conceito de insumo não se atrela necessariamente ao produto, mas ao próprio processo produtivo. 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividade-fim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada refere-se apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividade-fim. (...) 41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes Fl. 2899DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 10 para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. 44. Decerto, sob a ótica do produtor, não haveria sentido em fazer despesa desnecessária (que não fosse relevante ou essencial do ponto de vista subjetivo, como se houvesse uma menor eficiência no seu processo produtivo), mas adotar o conceito de insumo sob tal prisma implicaria elastecer demasiadamente seu conceito, o que foi, evidentemente, rechaçado no julgado. Esse tipo de despesa – importante para o produtor – configura custo da empresa, mas não se qualifica como insumo dentro da sistemática de creditamento de PIS/COFINS. Ainda que se possa defender uma importância global desse tipo de custo para a empresa, não há importância dentro do processo produtivo da atividade-fim desempenhada pela empresa.” Ademais, com o intuito de expor as principais repercussões decorrentes da definição do conceito de insumos no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR no âmbito da Receita Federal do Brasil, foi emitido o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que consignou a seguinte ementa: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Assim, à luz de tais considerações, passa-se a analisar as glosas ainda objeto de discussão nos presentes autos. Das despesas com tintas e solventes Fl. 2900DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 11 Quanto a este ponto, entendeu a DRJ que, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o insumo deve necessariamente ser utilizado na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desta forma, em que pese os critérios da essencialidade e relevância, acima expostos, as tintas e solventes não integrariam o processo produtivo da pessoa jurídica. A Recorrente, por sua vez, alega que as tintas e solventes são utilizados na manutenção e conservação de pintura dos equipamentos estáticos, rotativos, tubulações e estruturas metálicas das plantas industriais, tendo total relação com as atividades produtivas. Vejamos: 4.2.4. Diversos equipamentos e tubulações existentes nas unidades da Recorrente são constituídos, em sua grande maioria, de material metálico, e são submetidos a condições ambientais, como sol intenso, chuvas, umidade relativa do ar, presença de produtos químicos na atmosfera, dentre outros que provocam desgaste, trincas e danos nas camadas de tinta. 4.2.5. Por conta disso, os equipamentos e tubulações requerem manutenção sistemática através de um Plano de Pintura elaborado pelo órgão de Inspeção de Equipamentos, o qual é executado por empresa terceirizada, com o objetivo de conservá-los, e eventualmente, repará-los. 4.2.6. A pintura é feita com tinta especial para proteção de processos corrosivos por agentes externos, e também tem a função de sinalizar e identificar o equipamento/tubulação, bem como o produto que o contém, indicando a toxicidade e a volatilidade de produtos por exemplo. 4.2.7. As diferentes cores de tintas que foram glosadas servem para sinalizar os locais em que utilizadas, a saber: • a tinta branca é usada para pinturas de vasos de pressão contendo ar e produtos não inflamáveis; • a tinta vermelha é usada em linhas e equipamentos de combate a incêndio; • a tinta amarela é empregada em linhas e equipamentos contendo nitrogênio, hidrocarbonetos e em escadas e guarda corpo; • a tinta azul é utilizada em linhas e equipamentos contendo ar comprimido. 4.2.8. Desse modo, é evidente a importância e a indispensabilidade desses itens para o regular e normal desenvolvimento das atividades fabris que desempenha, sendo certo que os produtos em voga afiguram-se em típicos insumos à luz dos critérios plasmados pelo STJ. Feitas tais considerações, verifica-se que no caso em análise, a ausência das tintas e solventes comprometeria diretamente a integridade dos equipamentos e a continuidade da produção, demonstra sua essencialidade. Da mesma forma, a função de sinalização e proteção operacional reforça sua relevância no processo produtivo. Pelo exposto, voto por reverter tais glosas. Fl. 2901DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 12 Despesas com outros produtos Quanto a este ponto a Recorrente entende que tais bens são utilizados diretamente em suas atividades produtivas, nos seguintes termos: Como se verifica das descrições supramencionadas, todos os bens listados participam intrinsecamente do processo produtivo da Recorrente, seja como agentes químicos indispensáveis à reação ou como insumos de proteção e manutenção sem os quais a produção seria inviável ou insegura. Assim, à luz do critério da essencialidade (indispensabilidade à atividade-fim) e da relevância (capacidade de influenciar a qualidade ou a viabilidade do produto final), impõe-se o reconhecimento de seu enquadramento como insumos, com o consequente direito ao crédito das contribuições ao PIS e à COFINS. Dessa forma, devem ser revertidas as glosas referente aos gastos com Amina Neutralizante; Antiespumante; Antipolimerizantes EC-3214A, EC-3001, EC-3002, EC-3003, EC-3004, EC-3005, EC-3006, EC-3007, EC-3008, EC3009, EC-3010, EC- 3267A, EC-3376, EC-3377, EC-3378, EC-3379, EC-3380, EC-3381, EC-3382, EC- 3383, EC-3384, EC-3385, EC-3335A; DA-2604 - Inibidor RED OIL; DORF – UNICOR J; DORF CI 2003; Inibidor Polimer Petroflo 20Y3103; Hidrazina; e Polieletrólito. Dos serviços prestados em terminais Quanto aos serviços prestados em terminais, a diligência realizada entendeu por manter a glosa, ao argumento de que não integram o processo produtivo, mesmo diante do parecer técnico apresentado pela defesa. A DRJ, por sua vez, entendeu que a existência de terminais não afeta a qualidade nem a constituição dos produtos. Afirma que eles apenas facilitam a logística e geram ganho financeiro, mas não participam do processo produtivo, de modo que os serviços neles prestados não se enquadram como insumos para fins de creditamento. Sobre o tema, a Recorrente assim discorre: Fl. 2902DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 13 4.3.7. Os estabelecimentos que atuam como terminais exercem papel indispensável ao funcionamento dos demais estabelecimentos produtores da Recorrente, afinal, são responsáveis pelo recebimento, acondicionamento, medição, estocagem e distribuição dos insumos indispensáveis à produção das plantas industriais da Recorrente. 4.3.8. Por meio destes terminais, a Recorrente recepciona, através dos mais diversos modais, tais como dutovias, caminhões e navios, entre outros, diversas cargas de insumos de produção, as quais, após adequado descarregamento, são devidamente acondicionadas, medidas e depositadas, para imediato ou posterior envio aos demais estabelecimentos industriais, nas quantidades e especificidades demandadas. 4.3.9. Assim, nestes estabelecimentos são executadas diversas operações inerentes à sua atividade, tais como: a) Atracação e desatracação de navios: (i) amarração e desamarração de cabos durante as manobras dos navios nos píeres do terminal, (ii) operação de guindaste na movimentação de mangotes em conexão e desconexão de navios e caminhões, (iii) acompanhamento da atracação dos navios, (iv) acompanhamento das operações de descarga de caminhões e fornecimento de óleo diesel, (v) operações para soltar cabos de amarração dos navios; b) Operação de carga e descarga de navios: conexão e desconexão dos mangotes; c) Operação de carga e descarga de caminhões: (i) recepção de caminhões e conferência das ordens de carga e descarga, (ii) pesagem dos caminhões, (iii) carga e descarga, (iv) colocação de lacres em válvulas, (v) emissão de nota fiscal se necessário; e d) Transferência de insumos dos tanques do terminal para as fábricas da Braskem: (i) preparação de equipamentos para transferência (alinhamento de tanque bomba e conexões das linhas de cais e a tubulação da fábrica); (ii) medição dos tanques, (iii) ajuste dos procedimentos de transferência, (iv) execução e acompanhamento da transferência, (v) medição final dos tanques e cálculo das quantidades transferidas e emissão de relatórios. 4.3.10. Como se vê, os terminais exercem função indispensável ao ciclo de produção da Recorrente, sendo parte integrante e essencial de toda a sinergia inerente ao seu complexo processo produtivo, conforme se infere do documento já juntado aos autos, que bem descreve as instalações e funcionalidades do Terminal de Gases Liquefeitos – TEGAL, localizado em Candeias/BA (vide doc. 11 da Manifestação à Diligência Fiscal’). 4.3.11. Tanto é que o próprio preposto fiscal diligente reconheceu expressamente que os terminais correspondem a uma extensão da indústria. E não poderia ser diferente! Afinal, são estes os estabelecimentos responsáveis pelo recebimento, armazenamento, controle (de qualidade e quantidade) e distribuição da matéria- prima utilizada pelas plantas industriais da Recorrente, de acordo com as necessidades específicas de cada uma. 4.3.12. Não é por outro motivo que tais estabelecimentos são equiparados a industriais, estando, inclusive, assim classificados pela própria Receita Federal do Brasil, conforme rápida consulta ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica do Ministério da Fazenda – CNPJ/MF: Fl. 2903DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 14 (...) 4.3.13. Destarte, verifica-se, das imagens acima, extraídas do sítio eletrônico da Receita Federal, que os aludidos estabelecimentos possuem as suas atividades classificadas sob CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE) 20.21-5-00, este relativo à fabricação de produtos petroquímicos básicos, cuja subclasse corresponde à fabricação de produtos da primeira geração petroquímica como: eteno, propeno, benzeno, tolueno, xilenos, butadieno, butenos, metanol e naftaleno. 4.3.14. E não poderia ser diferente, pois, conforme acima narrado, estes cumprem funções essenciais ao processo produtivo da ora Recorrente, quais sejam, recebimento, controle e distribuição de matéria-prima. 4.3.15. Por outro lado, para garantir a manutenção das especificações técnicas dos produtos fabricados e colocados à venda, a Recorrente deve zelar pelas condições em que estes são acondicionados em embalagens e armazenados, até chegarem a seus adquirentes. 4.3.16. Os produtos petroquímicos são altamente inflamáveis e não podem ser submetidos a altas temperaturas, tampouco a umidade excessiva, sujidades ou contaminantes, que eventualmente os tornem impuros e inábeis ao emprego na indústria plástica, que os emprega para fins de fabricação de toda gama de mercadorias, desde suprimentos médicos, próteses, embalagens plásticas, etc. 4.3.17. Deve a Recorrente, pois, prezar pela movimentação e boa guarda desses produtos, a fim de que estes não se deteriorem ou se contaminem, perdendo suas especificações, até seja efetivada sua venda. 4.3.18. Com efeito, em razão da grande quantidade de produtos industrializados diariamente, as plantas fabris da Recorrente não possuem capacidade suficiente de armazenamento, de modo que necessário o envio desses produtos para os terminais da ora Recorrente, a fim de que permaneçam neles adequadamente armazenados até o momento da venda, de acordo com a especificidade de cada um dos produtos. 4.3.19. E é com o escopo de manter em boas condições e conservar os terminais que integram as instalações da ora Recorrente, é que se faz necessária a contratação dos serviços de manutenção industrial, os quais foram equivocadamente glosados pela autoridade fiscal, sobre os quais passa a discorrer adiante. Adotando-se o entendimento empregado no já citado REsp nº 1.221.170/PR, entendo que o já mencionado art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, ao se referir a bens e serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, reporta-se à atividade econômica de produção ou fabricação por inteiro e não apenas a um de seus estágios específicos. É que, como mencionado no voto do Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, não há que se falar em interpretação literal do direito ao creditamento. O crédito de PIS e Cofins não consiste em benefício fiscal, tampouco é causa de suspensão ou exclusão do crédito tributário, e menos ainda representa dispensa do Fl. 2904DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 15 cumprimento de obrigações acessórias. Este decorre da própria dinâmica da não- cumulatividade de tais contribuições. Nesse sentido, a possibilidade de restrição do direito creditório por parte do legislador ordinário nada tem a ver com a interpretação restritiva, nos termos do art. 111 do CTN. Em outras palavras, pode-se dizer que o processo produtivo visto de forma ampla, não corresponde a atos de produção em sentido estrito, iniciando-se em momento anterior e se consumando na iminência da venda propriamente dita. Tal entendimento dialoga com o próprio fato gerador das contribuições para o PIS e a Cofins, que não incidem sobre a produção de bens ou prestação de serviços, mas sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica. A questão foi inclusive abordada no voto do Ministro Relator Dias Toffoli, no julgamento do RE nº 841.979/PE, nos seguintes trechos: “Como se viu, o texto constitucional não estipulou qual seria a técnica da não cumulatividade a ser observada no tratamento da contribuição ao PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Também se consignou, nas passagens anteriores, que o fato gerador dessas contribuições é deveras distinto dos fatos geradores do ICMS e do IPI. Com efeito, o ICMS pressupõe a circulação de mercadorias ou a prestação de certos serviços (isso é, serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação); e o IPI, a existência de produtos industrializados. Por seu turno, a contribuição ao PIS e a COFINS pressupõem a existência de faturamento ou de receita. Cabe ainda destacar, como já o fez Marco Aurélio Greco, que o processo formativo de um produto ou de uma mercadoria muito se diferencia do processo formativo da receita, a qual, aliás, por estar vinculada a determinado contribuinte, não se submete, propriamente, a um ciclo econômico. O mesmo se aplica quanto ao faturamento. Nesse contexto, anote-se, por exemplo, que, para a formação de receita ou de faturamento, o contribuinte poderá incorrer não só em gastos relacionados com aquele processo formativo de produtos, mas também em outros quanto a bens ou serviços imprescindíveis ou importantes para o exercício de sua atividade econômica.” Partindo de tal concepção, entendo que se equivoca a DRJ quando fundamenta a manutenção da glosa no suposto fato de que a existência dos terminais não afetaria a qualidade nem a constituição dos produtos, apenas facilitaria a logística e geraria ganho financeiro, sem participar do processo produtivo. Quando demonstrado pelo contribuinte que os serviços prestados em tais estabelecimentos são essenciais e relevantes para a sua atividade econômica de produção em sentido amplo, estes devem ser reconhecidos como insumos, nos termos do inciso II retro mencionado. Diante de tais considerações, vejamos as explicações trazidas pela Recorrente em relação a cada um dos serviços específicos: A) SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO INDUSTRIAL, SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM EQUIPAMENTOS/INSTRUMENTOS PRESTADOS EM TERMINAIS E DEPÓSITO Fl. 2905DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 16 4.3.20. Para que a produção e comercialização dos seus diversos produtos finais se desenvolva regularmente, é imprescindível que a Recorrente mantenha todas as suas plantas em perfeito estado de funcionamento, sempre com vistas a otimizar os processos ali desenvolvidos e minimizar os riscos inerentes às suas atividades, conservando assim seus terminais e depósitos em situação adequada para armazenar seus insumos até sua remessa para os estabelecimentos fabris, bem como os produtos acabados até sua venda. 4.3.21. Por esta razão, é essencial que a estrutura física das referidas unidades (terminais), bem como de todo o maquinário, equipamentos que guarnecem tais instalações, sejam submetidos a regulares e periódicos serviços de monitoramento, manutenção, higienização e eventuais reparos. 4.3.22. Nestas circunstâncias é que se tem por fundamental relevância a contratação de diversas empresas para, de acordo com suas respectivas especialidades, manter a unidade, em sua integralidade, apta ao perfeito exercício da atividade econômica nela desenvolvida, conforme atestam a título exemplificativo os contratos de prestação de serviços já devidamente anexados aos autos (vide doc. 06 da Manifestação de Inconformidade). 4.3.23. Ressalta-se, ademais, que tal manutenção perpassa não somente pelas máquinas, equipamentos e acessórios das unidades mencionadas, mas também pela estrutura física (civil) nas quais estão instaladas. 4.3.24. Desse modo, os serviços de manutenção industrial e os serviços de manutenção em equipamentos pressupõem primeiramente a inspeção física de todas as instalações, checagem das estruturas, identificação dos locais que merecem reparos/substituições, por parte de empresas altamente especializadas, que, em seguida, procedem à execução dos serviços propriamente ditos de conservação. 4.3.25. Por este motivo, é notório o quão imprudente é a interpretação restritiva que o órgão julgador de piso tenta incutir, ao desconsiderar a grande complexidade atinente aos processos produtivos. B) SERVIÇOS DE CALDEIRARIA PRESTADOS NAS INSTALAÇÕES FABRIS E TERMINAIS 4.3.26. A fim de comprovar a essencialidade, para o processo produtivo da Recorrente, dos serviços de caldeiraria, cabe elucidar que os mesmos consistem em área de competência da engenharia mecânica, através dos quais são fabricados, montados e conservados equipamentos em geral. 4.3.27. Tais serviços são executados a partir da conformação de barras metálicas ou chapas metálicas planas ou a preparação e manutenção de soldas e também composições que resultam em ligas metálicas. 4.3.28. Em outras palavras, trata-se de um serviço executado com vistas à manutenção corretiva e preventiva em equipamentos estáticos, como, por exemplo, em tanques e estruturas metálicas e elétrica, tais como painéis, motores, transformadores. Fl. 2906DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 17 4.3.29. Os serviços de caldeiraria, inequivocamente, se enquadram no conceito de insumo, por se tratarem de operações essenciais a boa conservação dos estabelecimentos fabris e também dos terminais da ora Recorrente. 4.3.30. Isso porque os serviços em tela são contratados, pela Recorrente, com o intuito de promover a manutenção dos equipamentos utilizados tanto em suas plantas fabris como em seus terminais, que são parte essencial à consecução dos processos produtivos e do escoamento dos produtos acabados, permitindo-lhe a continuidade. 4.3.31. Por tais razões, deve ser assegurado, à Recorrente, o direito de se creditar dos valores despendidos na contratação dos serviços em referência, sem os quais, veria seus equipamentos presentes nos terminais em constante e irreversível deterioração tendente à forçosa interrupção das atividades industriais. C) SERVIÇOS DE PINTURA INDUSTRIAL EM TERMINAIS 4.3.32. No exercício de suas atividades, a Recorrente necessita incorrer em custos com pintura industrial. 4.3.33. A chamada “pintura industrial” representa os serviços executados por terceiros relativamente à realização de pintura especial e aplicação de revestimento anticorrosivo nos diversos equipamentos e tubulações existentes nas suas unidades – dentre as quais, os terminais, cujos equipamentos e tubulações são submetidos a condições ambientais, como sol intenso, chuvas, umidade relativa do ar, presença de produtos químicos na atmosfera, dentre outros que provocam desgaste, trincas e danos nas camadas de tinta. 4.3.34. Veja-se que não se trata de pintura para mero embelezamento, mas sim serviço indispensável à conservação, evitando que a ação de agentes corrosivos deteriore o maquinário utilizado nos terminais da Recorrente. 4.3.35. A pintura é feita com tinta especial para proteção de processos corrosivos por agentes externos, e também tem a função de sinalizar e identificar o equipamento/tubulação, bem como o produto que o contém, indicando se este é tóxisco ou inflamável, por exemplo. 4.3.36. Tais serviços são fundamentais ao bom funcionamento do seu parque fabril, pois essa pintura promove a conservação dos diversos dutos e tubos que guarnecem os equipamentos e maquinários presentes nos terminais, e que também interconectam esses estabelecimentos aos terminais às unidades fabris, permitindo seu contínuo suprimento de matérias primas gasosas. 4.3.37. Eis porque, à luz da jurisprudência do CARF, o serviço em questão é insumo cuja aquisição dá, necessariamente, direito a crédito. D) ISOLAMENTO TÉRMICO PRESTADO EM TERMINAIS 4.3.38. Além dos já citados serviços, a Recorrente ainda contrata os serviços executados por terceiros relativos a isolamento térmico de equipamentos, estruturas e instalações existentes nos terminais. 4.3.39. Tais serviços têm como objetivo precípuo preservar a continuidade operacional dos terminais, cujas instalações têm contato físico com produtos Fl. 2907DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 18 químicos, solventes e resinas, capazes de deteriorar e desgastar referidas guarnições. 4.3.40. Sem tais serviços, toda infraestrutura e equipamentos integrantes dos terminais não tardariam a se exaurir, reduzindo sobremaneira sua vida útil; por isso, são essenciais à estrutura operacional das suas unidades, tendo a função primordial de segurança, de caráter fundamental para a proteção ao contato com superfícies quentes. 4.3.41. Ademais, a não utilização de materiais isolantes ainda importa em acidentes de trabalho potenciais, causados por queimaduras ao pessoal alocado na produção, decorrentes do vazamento de calor dos equipamentos e tubulações. 4.3.42. Ressalte-se que a execução dos serviços de isolamento térmico é feita por empresas terceirizadas, que fornecem inclusive o material aplicado para este fim. 4.3.43. Assim, na linha da argumentação já escandida nos tópicos anteriores, tais serviços não podem ser caracterizados senão como insumos, em vista de sua essencialidade e do custo assumido pela Recorrente para a conservação dos seus terminais. E) SERVIÇOS DE LIMPEZA E MANUTENÇÃO DE SILOS PRESTADOS EM TERMINAIS 4.3.44. A Recorrente costuma enviar para os seus terminais os produtos por si industrializados, tendo em vista que as plantas fabris não possuem capacidade suficiente para armazenar todos os seus produtos até à venda. 4.3.45. Alguns desses produtos são armazenados em silos, de modo que é essencial a realização periódica de serviços de limpeza e manutenção em tais construções, a fim de garantir o adequado armazenamento e conservação dos produtos neles depositados. 4.3.46. Caso a Recorrente não contratasse tais serviços, as sujidades presentes nos silos acabariam por contaminar os produtos finais, tornando-os imprestáveis para comercialização, por estarem fora das especificações técnicas mínimas necessárias a sua colocação no mercado consumidor. 4.3.47. Com efeito, os produtos comercializados pela Recorrente têm larga utilização para fabricação de produtos alimentares e farmacêuticos, como em embalagens diversas, sacos, sacolas, na produção de produtos de limpeza etc., justamente por se tratar de um material atóxico e inerte química e biologicamente, como faz prova informação obtida no sítio eletrônico “Mundo do Plástico” (https://mundodoplastico.plasticobrasil.com.br), canal de conteúdo da feira “Plástico Brasil - Feira Internacional do Plástico” (doc. 03 da Manifestação à Diligência Fiscal). 4.3.48. Inegável, portanto, que os produtos finais devem estar intactos e puros, não servindo para utilização na cadeia de plásticos se estiverem contaminados por impurezas e umidade, 3.3.49. Neste espeque, forçoso concluir que tais serviços geram inegável direito ao crédito das contribuições em voga, equivocadamente glosado pelo preposto fiscal. F) SERVIÇOS SUBAQUÁTICO EM TERMINAIS Fl. 2908DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 19 4.3.50. Referidos serviços são também cruciais para o bom e regular funcionamento das unidades terminais da ora Recorrente. 4.3.51. Os serviços de manutenção e inspeção subaquática atendem tais estabelecimentos, e tem como objetivo a inspeção e a avaliação da integridade do muro de contenção e das bombas do TEGAL (um dos terminais que integram o parque fabril da Recorrente), que são responsáveis pelo bombeamento de produtos petroquímicos básicos, em estado líquido, por meio de dutos, até os tanques e caminhões de onde seguem para os seus adquirentes. 4.3.52. 4.3.53. Desse modo, é inequívoco o direito a crédito em tais circunstâncias. (...) G) DEMAIS SERVIÇOS PRESTADOS EM TERMINAIS 4.3.58. Além dos serviços acima indicados, cumpre ainda apontar a descrição dos seguintes serviços prestados em terminais, conforme abaixo: Em resumo, analisando o processo produtivo da Recorrente, verifica-se que todos os serviços mencionados guardam relação direta com a atividade produtiva da Recorrente (em sentido amplo), atendendo aos critérios de essencialidade e relevância. Os terminais operados pela Recorrente exercem papel indispensável no ciclo produtivo, funcionando como extensão das plantas industriais, responsáveis pelo recebimento, medição, armazenamento e distribuição de insumos em conformidade com as especificações técnicas exigidas, viabilizando o abastecimento contínuo e adequado das unidades fabris. Os serviços de manutenção industrial e de equipamentos garantem o funcionamento ininterrupto das estruturas e máquinas, evitando falhas e preservando a qualidade dos produtos. Os serviços de caldeiraria, por sua vez, são essenciais para a fabricação, montagem e reparo de equipamentos metálicos e tanques, prevenindo a deterioração e assegurando a continuidade da produção. A pintura industrial, de caráter técnico e anticorrosivo, preserva a integridade de equipamentos e tubulações, além de atender a requisitos de segurança e Fl. 2909DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 20 identificação. O isolamento térmico mantém a eficiência operacional, prolonga a vida útil dos equipamentos e previne acidentes decorrentes de contato com superfícies quentes. A limpeza e manutenção de silos assegura a pureza e a conformidade dos produtos armazenados, evitando contaminações que inviabilizariam sua comercialização, especialmente por se destinarem também a setores alimentício e farmacêutico. Os serviços subaquáticos garantem a integridade de estruturas e bombas responsáveis pelo transporte de produtos petroquímicos básicos, prevenindo vazamentos e paralisações. Dessa forma, constata-se que todos os serviços e despesas elencados representam insumos necessários à manutenção da atividade produtiva, cuja ausência comprometeria a continuidade das atividades, a qualidade dos produtos e a segurança das operações, preenchendo, portanto, os requisitos de essencialidade e relevância definidos pelo STJ. Pelo exposto, entendo que devem ser revertidas as glosas quanto aos serviços de (i) manutenção Industrial, serviços de manutenção em equipamentos/instrumentos prestados em terminais e depósito; (ii) caldeiraria prestados nas instalações fabris e terminais; (iii) pintura industrial; (iv) isolamento térmico prestado em terminais; (v) serviços de limpeza e manutenção de silos prestados em terminais; (vi) serviços subaquáticos em terminais; (vii) manutenção de manômeros; (viii) manutenção em válvula de bloqueio; (ix) manut. em válvulas – Estáticos; (x) manutenção elétrica em motores; (xi) transporte de resíduos; (xii) manutenção em válvula de bloqueio; e (xiv) manutenção em válvulas – estáticos. Das despesas de energia elétrica No que se refere aos gastos com energia elétrica, sustenta a Recorrente que algumas das aquisições efetuadas pela Recorrente ocorrem sob o regime da Substituição Tributária do ICMS, cuja regulamentação é dada pela Lei Complementar n.º 87/96, segundo a qual é possível a antecipação do imposto, pelo vendedor, da operação posterior, cujo valor será repassado ao adquirente na Nota Fiscal correspondente. Afirma que o valor recolhido pelo substituto tributário, a título de ICMS-ST, é repassado inteiramente ao adquirente da energia elétrica, compondo a totalidade dos custos de aquisição desta. A respeito da incidência das contribuições ao PIS e à Cofins sobre o valor referente ao ICMS-ST, foi, recentemente, firmada a tese na ocasião do julgamento do REsp nº 1896678 / RS, na sistemática dos repetitivos, nos seguintes termos: O ICMS-ST não compõe a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS devidas pelo contribuinte substituído no regime de substituição tributária progressiva. Nesse contexto, não há dúvida de que, por força do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, justamente por não estar sujeito ao pagamento das Fl. 2910DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 21 referidas contribuições, não é possível a apuração do crédito sobre o ICMS-ST destacado na nota fiscal de fornecimento de energia elétrica. Esse entendimento, embora não vinculante, vem sendo adotado pelo STJ. A título exemplificativo, destaco a ementa a seguir: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES A ICMS SUBSTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DA SEGUNDA TURMA DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Trata-se de Agravo Interno contra decisão que não conheceu do Recurso Especial, ante o óbice da Súmula 83/STJ (fls. 451-457, e-STJ). 2. Consoante a orientação jurisprudencial da Segunda Turma do STJ, "o ICMS-ST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e § 2º, da Lei 10.637/2002 e 10.833/2003", de modo que "o valor do ICMS-ST não pode compor o conceito de valor de bens e serviços adquiridos para efeito de creditamento das referidas contribuições para o substituído, exigido pelos arts. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003" (AgInt no REsp 1.937.431/SC, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 12.11.2021). Nesse sentido: AgInt nos EDcl no REsp 1.881.576/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 18.3.2021; AgInt no REsp 1.515.092/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 6.4.2021; REsp 1.456.648/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.6.2016. 3. Ausente a comprovação da necessidade de retificação a ser promovida na decisão agravada, proferida com fundamentos suficientes e em consonância com entendimento pacífico da Segunda Turma do STJ, não há prover o Agravo que contra ela se insurge. 4. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.054.861/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 21/9/2023.) Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. Das despesas com armazenagem de mercadoria e frete nas operações de venda Quanto às despesas com armazenagem de mercadoria e frete nas operações de venda, a decisão de piso manteve as glosas efetuadas sobre os créditos relativos às despesas com fretes computadas na apuração dos créditos de PIS/COFINS relativas às operações de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica e destes para empresas de armazenamento/depósitos e terminais de cargas. No entanto, a questão restou definitivamente superada por este Conselho, por meio da Súmula CARF nº 217, redigida nos seguintes termos: Súmula CARF nº 217 Fl. 2911DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 22 Aprovada pelo Pleno da 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. Pelo exposto voto por manter as glosas relativas à transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. Das despesas com descargas de caminhões, sobrestadia de caminhões e emissão de vale pedágio Quanto às despesas com descarga de caminhões, sobrestadia de caminhões e vale-pedágio, a DRJ manteve as glosas promovidas pela fiscalização, sob o fundamento de que inciso IX do artigo 3º da lei nº 10.833/2003 é claro ao determinar que somente as despesas com frete na venda de mercadorias podem originar créditos de PIS/COFINS, não havendo nenhuma previsão para a inclusão de outras despesas relacionadas ao transporte de mercadorias na base de cálculo dos créditos não cumulativos. A Recorrente, por sua vez, sustenta que o contrato de transporte apenas se consuma quando o objeto a ser transportado é efetivamente entregue ao destinatário, de modo que os valores adicionais derivados da eventual impossibilidade de entrega da mercadoria, no local e tempo pactuados, devem ser agregados ao preço do frete, em virtude da própria lógica do contrato de transporte. Ademais, defende que o serviço contratado para pagamento do pedágio pelos veículos de carga é ônus obrigatório e de responsabilidade contratante do serviço de transporte, devendo ser considerado como insumo. Sem razão à Recorrente. A possibilidade de creditamento de frete/armazenagem na operação de venda é disciplinada pelo art. 3º, IX, da Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. No presente caso, as despesas com descarga e sobrestadia por não integrarem o conceito de frete e não se enquadrarem como armazenagem, não dão direito ao crédito nos termos do referido art. 3º, inciso IX. Ademais, nos termos do art. 2º da Lei nº 10.209/01, o valor do Vale-Pedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Fl. 2912DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 23 Diante da referida exclusão, não há dúvida a respeito da aplicação do disposto no art. 3º, § 2º, da Lei nº 10.637/2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) I - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Nesse sentido, destaco o entendimento adotado, por unanimidade de votos, pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, no Acórdão nº 3402-009.384, de relatoria do Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS SOBRE VALE-PEDÁGIO. Não havendo incidência das contribuições sociais não-cumulativas sobre o valor do vale-pedágio, conforme determina o art. 2º da Lei nº 10.209, de 2001, não há autorização para a tomada de crédito sobre os dispêndios relacionados, a teor do inc. II do § 2° do art. 3° das leis nº 10.637/2002, e nº 10.833/2003. (3402-009.384 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Conselheiro Relator Lázaro Antônio Souza Soares - Sessão de 27 de outubro de 2021) Dessa forma, entendo que devem ser mantidas as glosas quanto a este ponto. Das despesas com frete na devolução de produtos por clientes No caso em análise, a DRJ manteve a glosa do crédito sob o fundamento de que o frete relativo à devolução de produto ocorre em momento posterior à entrega ao adquirente, não se enquadrando na hipótese de “frete na operação de venda” prevista no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Todavia, tal entendimento não se sustenta. O referido dispositivo legal assegura ao contribuinte o direito de se creditar das contribuições não cumulativas incidentes sobre os custos de frete na operação de venda, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor. No caso concreto, restou incontroverso que a Recorrente, nas vendas realizadas, assume integralmente o custo do frete, e, nas hipóteses de devolução por iniciativa do cliente, também suporta, na condição de vendedora, o ônus do transporte de retorno da mercadoria. A devolução, ainda que ocorra posteriormente à entrega, não descaracteriza a natureza de operação de venda para fins de creditamento, pois se trata de Fl. 2913DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 24 desdobramento da própria relação comercial originária. O frete de retorno integra o mesmo negócio jurídico e, consequentemente, mantém-se vinculado à operação de venda que lhe deu causa, configurando-se como custo necessário e indissociável para a recomposição do estoque e regularização da operação. Assim, por se tratar de despesa com frete suportada pelo vendedor e diretamente relacionada à operação de venda, enquadra-se na hipótese legal prevista no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, devendo ser revertida a glosa e reconhecido o direito da Recorrente ao crédito correspondente. Dos créditos extemporâneos Em relação às glosas relativas aos créditos extemporâneos, sustenta a DRJ que a Recorrente não teria apurado corretamente os créditos extemporâneos, já que para que um crédito apurado e reconhecido no mês de sua competência possa ser aproveitado em meses subsequentes, caso não seja utilizado em sua competência originária, devem ser efetuadas as devidas retificações nos Dacon e DCTF correspondentes ao período de origem. A Recorrente, por sua vez, sustenta que a legislação permite que os créditos das contribuições sejam aproveitados fora do mês de competência, não sendo necessário a retificação dos documentos mencionados, desde que o contribuinte seja capaz de demonstrar que não os utilizou em duplicidade. Sobre a possibilidade de aproveitamento extemporâneo de créditos decorrentes do regime da não-cumulatividade do PIS e da Cofins, é importante destacar os arts. 3º, § 4º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes. Extrai-se do referido dispositivo, que não há na legislação em vigor qualquer disposição que vede o aproveitamento de créditos de forma extemporânea, bem como inexiste qualquer exigência de retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), conforme defendido pela DRJ. Nesse sentido, é o entendimento adotado pelos Acórdãos nºs 9303-008.635 e 9303-006.248, proferidos pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL- COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. SEM NECESSIDADE PRÉVIA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. POSSIBILIDADE. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei n.º 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não-cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos Fl. 2914DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 25 meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. (Acórdão nº 9303-008.635 – 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais –Conselheiro Relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Conselheira Redatora Designada Érika Costa Camargos Autran - Sessão de 15 de maio de 2019) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL- COFINS Ano-calendário:2007 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, §4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFD PIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). (Acórdão nº 9303-006.248 – 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Conselheiro Relator Charles Mayer de Castro Souza – Sessão de 25 de janeiro de 2018) Vale destacar que a necessidade de retificação das declarações originais tem como fundamento o fato de que, o contribuinte, ao assim proceder, é capaz de comprovar o não aproveitamento em duplicidade do crédito pleiteado. Não se nega a importância de tal preocupação. A retificação, porém, não pode ser considerada como a única forma de demonstração inequívoca de que o aproveitamento, afora do mês em que o gasto incorrido, não teria gerado um duplo aproveitamento de créditos. Dessa forma, desde que o direito ao crédito reste comprovado e esteja no prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, deverá ser reconhecido o direito do contribuinte ao aproveitamento de créditos extemporâneos. No caso em análise, a Recorrente afirma ter juntado aos autos, a título ilustrativo, alguns dos CTRCs cujos créditos foram glosados, bem como os respectivos Livros Registro de Entrada de ICMS – LRE’s (docs. 11 e 12 da Manifestação de Inconformidade), os quais demonstram que tais CTRCs não foram registrados fiscalmente na época própria. Em que pese a verossimilhança de suas alegações, não há nos autos qualquer documento capaz de demonstrar inequivocamente que tais créditos não teriam sido utilizados anteriormente. Tratando-se de processo de iniciativa do contribuinte, é dele o ônus de comprovar as suas alegações. Não tendo, portanto, a Recorrente se desincumbido do seu ônus probatório quanto a este item, deve ser mantida a glosa realizada pela autoridade fiscal. Projeto 1521658 – Planta de Butadieno II Fl. 2915DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 26 Quanto ao Projeto PJ 1521658 – Planta de Butadieno II, a fiscalização constatou que aproximadamente 74% do valor registrado como passíveis de gerar créditos pela sistemática da depreciação acelerada correspondia a serviços de construção civil, e não à aquisição de máquinas ou equipamentos. Com base nisso, reclassificou tais valores para depreciação normal, com prazo de dez anos, conforme o inciso III do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. A DRJ entendeu que o próprio contribuinte teria reconhecido que tais serviços se destinaram à construção da planta fabril e não à aquisição de bens prontos. Ressaltou que a legislação tributária é expressa ao restringir a depreciação acelerada ao custo de aquisição de máquinas e equipamentos, não abrangendo serviços de construção, montagem ou comissionamento. A recorrente, por sua vez, argumenta que a posição da fiscalização ignora a natureza e a complexidade do projeto, pois plantas industriais desse porte demandam serviços especializados para que os bens existam e funcionem. Defende que muitos ativos imobilizados são formados internamente com peças, equipamentos e serviços, e que, em projetos petroquímicos, é comum os serviços representarem cerca de 70% dos custos devido à alta integração dos sistemas. No caso concreto, alega que a construção da nova planta no Polo Petroquímico do RS, com parte dos bens importados da China, elevou proporcionalmente o peso dos serviços. Vejamos: 10.52. No que tange especificamente aos serviços glosados pela Fiscalização, relacionados no “Anexo XV - Demonstrativo de glosas - Projeto PJ 1521658” do Termo de Verificação Fiscal, não restam dúvidas de que estes foram aplicados na consecução do “PROJETO BUTADIENO II” - tal como expressamente reconhece a fiscalização - e que, conforme bem explicitado no decorrer do procedimento fiscalizatório, consistiu na construção de uma nova planta industrial para produção de 103,5 mil toneladas/ano do produto Butadieno, na Unidade de Insumos Básicos da Recorrente, situada no Polo Petroquímico do Rio Grande do Sul. 10.53. Daí já se extrai a impropriedade da DRJ ao argumentar que não estaria demonstrado nos autos que os gastos com o projeto em análise fossem utilizados para viabilizar a instalação das máquinas e equipamentos. 10.54. Como não poderia ser diferente, seguindo a trilha acima narrada, a ora Recorrente contratou, da Construtora Norberto Odebrecht, serviços de construção, de gerenciamento de empreendimento, de montagem industrial, de engenharia de detalhamento, de diligenciamento e inspeção, de suprimento e de comissionamento, com o propósito de desenvolver o plano de construção da referida planta industrial, conforme contrato e notas fiscais ora anexados (docs. 03 e 04), cuja parcela dos créditos da contribuição em voga foi indevidamente glosada pela Fiscalização. 10.55. Cumpre esclarecer, mais uma vez, que o serviço de comissionamento consiste no processo de assegurar que os sistemas e componentes da unidade industrial estejam projetados, instalados, testados, operados e mantidos de acordo com as necessidades e requisitos operacionais do proprietário. Fl. 2916DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 27 10.56. Em vista do quanto acima aclarado, é comum, e até mesmo natural que a construção de uma planta petroquímica típica possua distribuição de custos que se desdobram em cerca de 30% para aquisição de materiais (peças e equipamentos) e 70% para a contratação de serviços, sendo mais relevantes, portanto, os gastos com os serviços necessários para planejar, construir, montar, pôr em operação, testar e manter/conservar, que aqueles dispendidos com a aquisição das peças, motores, máquinas e equipamentos, como demonstra o vídeo anexado aos autos (doc. 10 da Manifestação à Diligência Fiscal, em que se visualiza a montagem de uma planta fabril). Especificamente sobre esse ponto, a FIPECAFI, em seu parecer técnico, assim se manifestou: (...) Ademais, a recorrente, na tentativa de demonstrar a legitimidade do aproveitamento dos créditos oriundos da aquisição dos serviços glosados pela Fl. 2917DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 28 fiscalização, apresentou memoriais descritivos e conceituais (doc. 10 da Manifestação de Inconformidade) que evidenciam o objetivo do projeto e comprovam que tais serviços foram empregados na formação de equipamentos, máquinas e estruturas incorporadas ao parque fabril, para sua ampliação e modernização. Exatamente por isso, tais gastos foram registrados contabilmente como parte do custo dos bens do ativo imobilizado, na classe “Máquinas e Equipamentos”, conforme a relação de gastos do projeto (doc. 05), que também evidencia a transferência da conta “Projeto em andamento” para “Imobilizado – Máquinas e Equipamentos”. Afirma que esse procedimento seguiu estritamente as normas do CPC 27 – Ativo Imobilizado, em especial os itens 16 e 17, que tratam da incorporação de custos diretamente atribuíveis à aquisição ou construção de ativos. O CPC 27 estabelece que o custo de um item do ativo imobilizado inclui não apenas o preço de aquisição, mas também impostos não recuperáveis, custos diretamente atribuíveis para colocá-lo em condições de uso e estimativas de desmontagem e restauração do local. Assim, o custo de uma máquina vai além do seu valor de compra, abrangendo todos os gastos necessários para que funcione conforme o planejado. A legislação de PIS/COFINS também considera esse conceito de custo, de modo que créditos fiscais não se restringem ao preço de aquisição, mas incluem todos os custos capitalizados no ativo. No caso em questão, a recorrente seguiu corretamente o CPC 27, registrando os serviços vinculados ao projeto na conta “Máquinas e Equipamentos”, o que respalda o aproveitamento dos créditos da forma realizada. Ou seja, seguindo o mesmo tratamento dos bens do ativo imobilizado vinculados ao “Projeto Butadieno II”. Diante do exposto, voto por reverter tal glosa. Projeto 103281 (Unidade de MVC/PVC em Alagoas) e os Projetos PJ0622915, PJ060282 e PJ062825. Quanto a estes dois pontos, a fiscalização e a 6ª Turma da DRJ08 utilizaram os mesmos argumentos aplicados anteriormente no caso do Projeto Butadieno II para justificar as glosas: (i) proporção elevada de gastos com serviços (construção, montagem, comissionamento, gerenciamento de obra) em comparação com aquisições de peças e máquinas; (ii)classificação contábil inadequada desses serviços no imobilizado; e (iii) impossibilidade de apropriação de créditos no prazo de 12 meses conforme o art. 1º da Lei nº 11.774/2008, por não se tratar de aquisição de máquinas e equipamentos. Em seu Recurso Voluntário a recorrente demonstra que todos esses fundamentos já foram amplamente rebatidos na defesa relativa ao Projeto Butadieno. Fl. 2918DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 29 Diante das considerações expostas, reitero integralmente os fundamentos adotados no item anterior, aplicando-os ao presente caso, para reverter as glosas referentes aos serviços de obras de construção civil ora em análise. Do sistema SAP (parametrização anterior) – SAP legado Projetos parada manutenção PABA 0100011 – operação ETENO I e PABA 0100077 – operação ISOPROPENO Quanto a este ponto, a fiscalização glosou créditos de PIS/COFINS relacionados a diversos projetos industriais, fundamentando-se, principalmente, em dois aspectos: (i) a existência de lapso temporal entre a emissão das notas fiscais e o início da apropriação dos créditos, sem comprovação de que não houve aproveitamento anterior; e (ii) a natureza dos gastos, entendendo que despesas com manutenção e serviços não se enquadrariam como “aquisição de máquinas e equipamentos”, condição necessária para utilização do método de depreciação acelerada previsto na legislação. A Recorrente, por sua vez, sustenta que muitos dos bens incorporados ao seu ativo imobilizado são formados internamente, a partir de peças adquiridas em momentos distintos, sendo a ativação contábil realizada apenas quando entram efetivamente em operação. Destaca que uma mesma nota fiscal pode atender a diversos projetos, cada qual com seu próprio tempo de conclusão e ativação. Entre a aquisição e a ativação, há um processo complexo que envolve montagem, testes e ajustes — etapa imprescindível na indústria petroquímica, dada a complexidade dos equipamentos e os riscos inerentes, como explosões e desastres ambientais. Argumenta, ainda, que serviços de engenharia, construção e montagem são indispensáveis para a formação ou recuperação de maquinários, sendo natural a ocorrência de intervalo entre a aquisição dos componentes e sua ativação, momento em que se inicia a apropriação dos créditos. Situação semelhante se verifica nas paradas de manutenção, nas quais a compra de peças pode ocorrer muito antes da efetiva substituição. Nesse sentido, a Recorrente menciona o Laudo FIPECAFI corroboram integralmente o referido entendimento: Fl. 2919DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 30 De fato, como bem argumenta a Recorrente, o intervalo de tempo entre a emissão das notas fiscais e a ativação dos projetos não causa prejuízo ao Fisco, pois apenas adia o aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS, já que seus sistemas estão parametrizados para calcular tais créditos apenas após a ativação e início da depreciação. Durante a fase pré-operacional, os gastos ficam contabilizados como “Projeto em Andamento – Empreendimentos” e só depois são transferidos para “Máquinas e Equipamentos”, momento em que os créditos passam a ser apurados. Para comprovar que não houve apropriação indevida de créditos antes da ativação, a Recorrente apresentou documentação referente ao Projeto 0100011 – Operação Eteno I, incluindo relatórios do SAP Legado, DACONs e planilhas de PIS, que demonstram ausência de créditos vinculados a esse projeto entre 2006 e novembro de 2009. Vejamos: * conforme sinalizado pela própria fiscalização, tem-se como data de emissão das notas fiscais os anos de 2006 e 2007, sendo que o início de apropriação dos créditos ocorreu em 01/12/2009; * registre-se, que os gatos relativos ao Projeto em voga compõem as planilhas referentes ao Sistema SAP Legado (parametrização anterior); * objetivando demonstrar que não apropriou créditos no intervalo entre 2007 e 2009, a Recorrente apresentou os seguintes documentos: ➢ Relatórios consolidados denominados “PIS MÊS ANO BR10” e “PIS MÊS ANO BR35” (vide doc. 16 da Manifestação de Inconformidade), cujos somatórios dos créditos informados correspondem às bases de cálculos informadas nos DACONs: Tomando como exemplo o mês de janeiro/2008 (compreendido no intervalo entre 2007 e 2009), tem-se o seguinte cenário: Fl. 2920DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 31 ➢ Ficha 06A do DACON de janeiro/2008 (vide doc. 17 da Manifestação de Inconformidade), que evidencia uma base de cálculo no montante de R$ 21.157.500,39 referente à rubrica Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação), conforme evidencia a imagem abaixo: Aplicando-se a alíquota de 1,65% sobre a base de cálculo de R$ 21.157.500,39 informada no DACON, apura-se um crédito de R$ 349.078,76, valor correspondente àquele resultante do somatório do mês de janeiro/2008 dos relatórios consolidados denominados “PIS MÊS ANO BR10” e “PIS MÊS ANO BR35”; ➢ Relatório do SAP Legado, apenas com os documentos fiscais referentes ao Projeto PABA 0100011– Operação Eteno I (vide doc. 08 da Manifestação de Inconformidade), cujas Colunas “AI” e “AJ” evidenciam que houve não apropriação de crédito de PIS/COFINS, não apenas no mês de janeiro/2008, mas como em todo o período de 2006 a 11/2009. ➢ DACON 2008/2009, sem apropriação de créditos do ativo imobilizado (vide doc. 19 da Manifestação de Inconformidade). Registre-se, que o Relatório do SAP Legado ora apresentado, corresponde a um “corte” da planilha global do referido Sistema, tendo em vista que contempla, conforme acima mencionado, apenas as operações referentes à Operação Eteno I, para melhor análise do exemplo exposto. Neste contexto, considerando: (i) que os créditos informados Relatórios consolidados denominados “PIS MÊS ANO BR10” e “PIS MÊS ANO BR35”, correspondem, mensalmente, ao somatório daqueles abertos nas planilhas de cada Sistema; (ii) considerando que na planilha referente ao Sistema SAP Legado não há destaque de créditos de PIS/COFINS em relação às notas fiscais vinculadas ao Projeto Operação Eteno I, conforme evidencia o anexo relatório filtrado apenas com tais documentos; Fl. 2921DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 32 Outra não pode ser a conclusão senão de que não houve apuração e apropriação de créditos de PIS / COFINS, referente ao Projeto Parada para Manutenção PABA 0100011 – Operação Eteno I, no intervalo compreendido entre 2006 e 11/2009. Isto porque, conforme constatado pela própria fiscalização, as notas fiscais em questão só tiveram seus gastos incorporados ao ativo imobilizado em dezembro/2012, quando, então, a Recorrente passou a se apropriar mensalmente dos créditos correlatos. Ademais, conforme mencionado nos tópicos anteriores, ao contrário do que entendeu a DRJ, serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e outros que aumentem a sua vida útil podem ser ativados e, justamente por comporem o custo do ativo, se enquadram também no benefício da depreciação acelerada. Diante de tais explicações, entendo que a Recorrente logrou êxito em comprar suas alegações, devendo tal glosa ser também revertida. Da reclassificação de receitas A fiscalização apontou que diversas vendas realizadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback não faziam jus à suspensão ou isenção de PIS/COFINS, por apresentarem notas fiscais sem a indicação correta do benefício, com informações incompletas, acima do limite permitido ou não registradas no Siscomex. A empresa defendeu que o registro no Siscomex é obrigação do adquirente e que todos os atos concessórios foram apresentados, além de sustentar que a ausência de algumas informações não alteraria a natureza da operação. A DRJ entendeu que a legislação (IN-RFB nº 845/2008) exige expressamente a menção ao regime e ao Ato Concessório Drawback nas notas fiscais, e o descumprimento dessas formalidades inviabiliza o direito à suspensão. Contudo, em diligência, parte das glosas foi revertida, como nos casos em que se comprovou a indicação da suspensão (Notas Fiscais nº 462419 e emitidas à PACIFIL BRASIL) ou em operações de venda de ativo imobilizado, cujas receitas não integram a base de cálculo das contribuições (Notas nº 77005 e 103351). Por outro lado, permaneceram as glosas em situações em que as notas fiscais traziam correções indicando tributação (nºs 201712 e 202220), em operações cuja natureza não foi ajustada corretamente (como a Nota nº 79379) ou em documentos não vinculados formalmente entre si (como nº 79474). Também foi afastada a validade de simples planilhas de controle apresentadas pela defesa, consideradas insuficientes para afastar as conclusões fiscais. Assim, ao final, apenas as inconsistências comprovadamente corrigidas foram revertidas, enquanto as demais glosas foram mantidas. A Recorrente, por sua vez, sustenta que apresentou aos autos os Atos Concessórios e planilhas de controle de vendas no regime Drawback, comprovando que respeitou os limites autorizados e que seus procedimentos Fl. 2922DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 33 foram lícitos. Defende que, pelo princípio da instrumentalidade das formas, a finalidade dos atos foi plenamente atingida, sem prejuízo às partes ou ao interesse público, e que privilegiar formalismos sobre a substância representaria injustiça. Quanto a este ponto, porém, entendo que a fiscalização ao analisar os documentos trazidos, entendeu ser possível a correção de tais erros, quando devidamente comprovados. Não tendo, portanto, a Recorrente, trazido novos documentos capazes de demonstrar que se tratavam se de mero erros materiais, devem ser mantidas as referidas glosas. Do aproveitamento de créditos vinculados à receita de exportação para dedução da contribuição devida A Recorrente alega que a fiscalização deu destinação incorreta aos seus créditos de importação vinculados às receitas de exportação, utilizando-os para deduzir contribuições mensais e, com isso, esvaziando saldos que deveriam permanecer disponíveis para uso em períodos futuros. Sustenta que esse procedimento configurou uma compensação de ofício irregular, realizada sem intimação prévia, em desacordo com a legislação (CTN, IN RFB nº 1.300/2012 e Decreto nº 70.235/72), violando o devido processo legal e a legalidade estrita. Segundo a Recorrente, o correto seria a autoridade fiscal limitar-se a analisar os pedidos de ressarcimento e compensação conforme formulados, podendo negar o crédito ou não homologar compensações, mas jamais manipular os saldos para abater débitos sem lançamento formal. O equívoco teria causado efeitos nocivos em anos posteriores (2015, 2017 e 2018), gerando autuações e glosas adicionais pela ausência de créditos que haviam sido consumidos indevidamente. A Recorrente reforça que, em casos assim, o Fisco deve lançar de ofício eventuais diferenças de tributo devido, em vez de compensar arbitrariamente créditos, sob pena de ilegalidade. Não assiste razão à Recorrente. A compensação de ofício decorre do reconhecimento, pela própria Administração Tributária, de que o contribuinte recolheu valor superior ao devido e, por isso, adquiriu o direito à restituição. Tal instituto encontra amparo no Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997, que assim dispõe: Art. 6° A compensação poderá ser efetuada de ofício, nos termos do art. 7° do Decreto-Lei n° 2.287, de 23 de julho de 1986, sempre que a Secretaria da Receita Federal verificar que o titular do direito à restituição ou ao ressarcimento tem débito vencido relativo a qualquer tributo ou contribuição sob sua administração. § 1° A compensação de ofício será precedida de notificação ao sujeito passivo para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. Fl. 2923DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 34 Essa realidade se distingue substancialmente do aproveitamento de créditos no regime da não cumulatividade, que constitui mera operação escritural: os créditos autorizados pelas hipóteses legais são descontados do valor da contribuição apurado mensalmente, reduzindo diretamente o montante do tributo a pagar. No caso concreto, a fiscalização não promoveu qualquer compensação de ofício — instituto que, como já visto, exige a prévia existência de indébito e procedimento próprio. O que se verificou foi tão somente a recomposição da escrita fiscal, necessária para refletir corretamente o valor do tributo a pagar em determinado mês. Essa recomposição decorre da própria essência da não cumulatividade do PIS e da Cofins, a partir da qual o contribuinte apura a contribuição devida no período e, do valor apurado, desconta os créditos calculados sobre custos, despesas e encargos autorizados em lei. Assim, quando há a glosa de créditos indevidamente apropriados ou, ao contrário, o reconhecimento de novos créditos, impõe-se a revisão da apuração. Somente após essa utilização regular é que poderá haver saldo credor passível de aproveitamento em ressarcimento ou compensação. Assim, a correta imputação dos créditos dentro da própria apuração mensal constitui requisito prévio e indispensável para qualquer direito posterior de compensação ou ressarcimento. Pelo exposto, não há qualquer reparo ao procedimento adotado pela fiscalização. Quanto à preliminar de diligência para verificação de creditamento extemporâneo, aos pedidos referentes à retificação das EFD-Contribuições, à reversão da glosa sobre ativo imobilizado na aquisição da COPESUL e à exclusão dos valores recebidos do REINTEGRA da base de cálculo das contribuições, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com as vênias de estilo, em que pese o voto muito bem fundamentado da Conselheira Relatora Marina Righi Rodrigues Lara, ouso dela discordar quanto à sua decisão de acolher (i) a preliminar de diligência para verificação de creditamento extemporâneo, e (ii) os pedidos referentes à retificação das EFD- Contribuições, à reversão da glosa sobre ativo imobilizado na aquisição da COPESUL e à exclusão dos valores recebidos do REINTEGRA da base de cálculo das contribuições. Explico. Preliminar de diligência para verificação de creditamento extemporâneo A relatora afirma o seguinte em seu voto: 2.7. Dos créditos extemporâneos Em relação às glosas relativas aos créditos extemporâneos, sustenta a DRJ que a Recorrente não teria apurado corretamente os créditos extemporâneos, já que para que um crédito apurado e reconhecido no mês de sua competência possa ser Fl. 2924DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 35 aproveitado em meses subsequentes, caso não seja utilizado em sua competência originária, devem ser efetuadas as devidas retificações nos Dacon e DCTF correspondentes ao período de origem. (...) No caso em análise, a Recorrente afirma ter juntado aos autos, a título ilustrativo, alguns dos CTRCs cujos créditos foram glosados, bem como os respectivos Livros Registro de Entrada de ICMS – LRE’s (docs. 11 e 12 da Manifestação de Inconformidade), os quais demonstram que tais CTRCs não foram registrados fiscalmente na época própria. Em que pese a verossimilhança de suas alegações, não há nos autos qualquer documento capaz de demonstrar inequivocamente que tais créditos não teriam sido utilizados anteriormente. Tratando-se de processo de iniciativa do contribuinte, é dele o ônus de comprovar as suas alegações. Tendo em vista que a própria relatora afirma que não há nos autos qualquer documento capaz de demonstrar inequivocamente que tais créditos não teriam sido utilizados anteriormente, e sendo do contribuinte o ônus de comprovar as suas alegações, não há como acolher essa preliminar de diligência, que não pode se prestar a suprir carências probatórias, a cargo do contribuinte ou da Fazenda Nacional. Pedido de acolhimento da retificação das EFD-Contribuições A relatora afirma o seguinte em seu voto: A Recorrente sustenta a plena validade das retificações das EFD-Contribuições realizadas em 2017, ainda que após o início do procedimento fiscal, uma vez que tiveram finalidade exclusiva de registrar créditos não escriturados em tempo hábil, a fim de evitar a decadência. Ressalta-se que tais retificações não implicaram em redução de débitos já confessados, tampouco alteraram os créditos especificamente examinados nos PER/DCOMPs referentes ao 1º trimestre de 2013. Nessa linha, aduz que não incide a vedação do art. 11, §2º, incs. I e III, da IN RFB nº 1.252/2012, pois (i) os débitos confessados permaneceram inalterados — motivo pelo qual não houve retificação das DCTFs — e (ii) os PER/DCOMPs apresentados não foram retificados, preservando-se integralmente os valores compensados e submetidos ao crivo fiscal. (...) Ao proceder tomando como base as declarações retificadoras, limitando-se a considerar os créditos consumidos nos exercícios de 2014 a 2016 e desconsiderando o aumento do crédito apurado em 2013, igualmente oriundo das mesmas retificações, ignorou a diferença existente entre os dois tipos de procedimentos. O simples fato de existir procedimento fiscal não pode servir de óbice ao exercício de um direito creditório cujo prazo decadencial ainda não se exauriu. Restrições dessa natureza configuram limitação indevida ao direito do contribuinte, contrariando os princípios da legalidade e da segurança jurídica. Fl. 2925DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 36 No caso concreto, a própria autuação reconhece que os créditos declarados superam as contribuições apuradas. Assim, as retificações, ao registrarem apenas créditos extemporâneos, não reduziram débitos nem afetaram a base de cálculo das contribuições. Elas apenas se somaram ao direito creditório do contribuinte e foram transportadas para períodos de apuração seguintes. Portanto, não haveria razão para vedar seu reconhecimento. Pelo exposto, entendo que deve ser reformada a decisão de piso, quanto a este ponto. Como se verifica, o contribuinte, após o início de procedimento fiscal, retificou suas declarações para registrar créditos extemporâneos. Trata-se de fato incontroverso nos autos. Nesta hipótese, existe vedação prevista no art. 11, § 2º, inciso III, da IN RFB 1.252/2012: Art. 11. A EFD-Contribuições, entregue na forma desta Instrução Normativa, poderá ser substituída, mediante transmissão de novo arquivo digital validado e assinado, para inclusão, alteração ou exclusão de documentos ou operações da escrituração fiscal, ou para efetivação de alteração nos registros representativos de créditos e contribuições e outros valores apurados. (...) § 2º O arquivo retificador da EFD-Contribuições não produzirá efeitos quanto aos elementos da escrituração, quando tiver por objeto: (...) III - alterar créditos de Contribuição objeto de exame em procedimento de fiscalização ou de reconhecimento de direito creditório de valores objeto de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação. Nesse contexto, é flagrante que essa retificação efetuada é vedada pela legislação. Pedido de reversão da glosa sobre ativo imobilizado na aquisição da COPESUL A relatora afirma o seguinte em seu voto: 2.8.3. Do sistema EMS COPESUL (LEGADO) No que tange ao Sistema EMS Copesul, a fiscalização desconsiderou créditos de PIS/COFINS por falta de comprovação adequada. Sustentou que as planilhas apresentadas pela empresa, relativas a aquisições de ativo imobilizado da antiga Copesul (incorporada pela Braskem em 2008), foram consideradas pouco confiáveis. A fiscalização identificou ainda atrasos de dois a cinco anos entre a aquisição dos bens e o início da apropriação dos créditos, e, de uma amostra de 105 notas fiscais solicitadas, o contribuinte apresentou a contabilização de apenas uma, o que foi considerado insuficiente. Ademais, entendeu que não ficou comprovado que os bens foram incorporados ao ativo imobilizado, tampouco que as transferências contábeis ocorreram nas datas informadas ou que os créditos não haviam sido apropriados anteriormente. Fl. 2926DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 37 O contribuinte alegou que muitos bens e serviços eram utilizados em vários projetos, justificando a adoção de rateio de custos. A DRJ reconheceu a plausibilidade do argumento do rateio, mas ressaltou que cada gasto deveria estar vinculado a nota fiscal específica e devidamente discriminado. Diante da insuficiência dos documentos para sanar as inconsistências, concluiu-se pela manutenção das glosas. No entanto, conforme demonstra a Recorrente, embora o processo de contabilização envolva peculiaridades que dificultam a correspondência exata entre notas fiscais e depreciação, os créditos de PIS/COFINS referentes ao ativo imobilizado foram corretamente apurados. Sustenta que, por vezes, um mesmo lote de bens é distribuído entre diferentes projetos ou que partes e peças adquiridas em momentos distintos são posteriormente reunidas para compor um equipamento, o que exige a utilização de critérios de custo médio e rateio contábil. Dessa forma, eventuais divergências apontadas pela fiscalização decorreriam dessas práticas normais de gestão contábil, devidamente refletidas em seus sistemas e relatórios. Os relatórios entregues — respaldados em sua contabilidade e confirmados em parecer técnico da FIPECAFI —contêm informações detalhadas (como centro de custo, número do projeto, fornecedor, classe do imobilizado e data de início da depreciação) suficientes para comprovar a legitimidade dos créditos. Ademais quanto ao suposto aproveitamento em duplicidade dos créditos, a Recorrente apresenta relatório elaborado pela Deloitte, que analisou as informações contábeis da Copesul e da Ipiranga Petroquímica, concluindo que os créditos utilizados pela Braskem em 2010 foram apurados de forma correta e sem sobreposição com valores já aproveitados pelas incorporadas em 2007 e 2008. Segundo a auditoria, a Braskem expurgou montante superior ao necessário, afastando qualquer duplicidade. Diante de tal conjunto probatório, entendo que não tendo a fiscalização em nenhum momento apontado qualquer tipo de fraude ou falsidade das informações contábeis demonstradas pela Recorrente – que foram inclusive analisadas por auditores independentes e pela FIPECAFI –, não há motivo para manutenção da glosa realizada, que deve, portanto, ser revertida. O Recurso Voluntário, por sua vez, aborda a questão nos seguintes termos: DO SISTEMA EMS COPESUL (LEGADO) 10.119. Com relação aos créditos vinculados aos gastos objeto do Sistema EMS Copesul (legado), a fiscalização fundamentou a glosa realizada nas seguintes assertivas: (...) 10.120. Cumpre destacar, contudo, que, também neste ponto, o entendimento adotado pela fiscalização e mantido pela DRJ não merece prosperar, pelo que compete à Recorrente, por ora, demonstrar, primeiramente, (i) as razões pelas quais os prepostos fiscais não lograram promover o “casamento” entre as notas fiscais e os valores incorporados ao ativo, e, na sequência, evidenciar (ii) os motivos Fl. 2927DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 38 que justificam o intervalo de tempo entre a data de emissão das notas fiscais e o início de apropriação do crédito. 10.121. Inicialmente, vale ressaltar que a Recorrente não desconhece que o ônus de provar os fatos que embasam o direito creditório incumbe ao contribuinte. Contudo, é preciso ter em mente que a prova do direito creditório pode ser feita com base em diversos elementos. 10.122. Não custa lembrar, neste contexto, que o processo administrativo é regido pelo princípio da busca da verdade material. (...) 10.127. Feitas tais considerações introdutórias, cumpre à Recorrente alertar para determinadas peculiaridades que rondam a formação dos seus ativos, cruciais ao bom e devido entendimento das informações registradas nos relatórios apresentados à fiscalização. 10.128. Com efeito, conforme já narrado noutros itens e cuja repetição se afigura compulsória para propiciar a correta compreensão da contabilização dos seus ativos, os bens e os serviços que compuseram o seu ativo muitas vezes foram aproveitados em diversos projetos de ampliação/modernização do seu parque fabril, razão pela qual o seu custo foi rateado pelos sistemas que gerenciam sua contabilidade, dentre as diversas subcontas de ativo imobilizado e de depreciação constantes de sua escrita contábil. 10.129. Imagine-se, por exemplo, a seguinte situação: a Recorrente adquiriu um lote de um determinado bem “X”, contendo 100 unidades. Destas 100 unidades, 30 foram destinadas para a formação de um ativo, 20 para outro e 50 para outro. 10.130. A título exemplificativo, é o que se observa da Nota Fiscal n.º 118398 (doc. 06), cujo valor total dos bens adquiridos - R$ 160.354,26 - foi devidamente rateado entre alguns itens do ativo imobilizado afetados à área de produção (PRD1), conforme consta dos relatórios já apresentados (doc. 20 da Manifestação de Inconformidade), cujo recorte relativo ao aludido documento fiscal a Recorrente ora apresenta, para melhor apreciação deste E. Conselho (doc. 07). 10.131. Outrossim, é relativamente comum que a Recorrente adquira, separadamente e em meses esparsos, diversas peças que, somente mais tarde, comporão um equipamento ou maquinário; ocasião em que serão então “ativadas”. 10.132. Nestas circunstâncias, é usual que a Recorrente se valha do custo médio da aquisição dos itens para fins de apuração dos créditos relacionados à aquisição dos bens do ativo imobilizado e à sua depreciação. 10.133. Do mesmo modo, nas situações em que a Recorrente monta os seus equipamentos valendo-se de partes e peças adquiridas em períodos distintos, vale- se do mesmo critério para calcular os créditos sobre os bens que foram ativados. 10.134. Por estas razões, é bastante difícil relacionar com exatidão o valor da nota fiscal de aquisição dos bens que integram o ativo imobilizado à respectiva depreciação, conforme traduzido pelo FIPECAFI, por meio do multicitado Parecer Técnico, desprezado pelo DRJ08: Fl. 2928DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 39 (...) 10.135. Tais “aparentes” divergências, no entanto, não resistem a uma análise mais detida considerando que os sistemas integrados da Recorrente, que promovem os lançamentos contábeis relativos às referidas aquisições, já se encontram parametrizados para refletir as peculiaridades acima mencionadas, procedendo aos devidos rateios dos valores constantes das notas fiscais de aquisição entre os diversos projetos classificados em seu ativo. 10.136. Desse modo, tais singularidades já estão devidamente reportadas nos relatórios entregues à fiscalização, estando tais documentos inequivocamente respaldados em sua contabilidade, conforme também constatado pelo FIPECAFI em seu Parecer Técnico: (...) 10.138. Ora, Nobres Julgadores, sendo a antiga Copesul, uma grande indústria petroquímica, é de se questionar: será que ao longo de 12 meses (período fiscalizado), ela não teria gerado, de fato, créditos relativos à aquisição de bens do seu ativo imobilizado ou aos encargos de depreciação? 10.139. A resposta negativa parece-nos intuitiva, em vista do porte da antiga Copesul, sociedade incorporada pela Recorrente. 10.140. E mais, não sendo os documentos fiscais, contábeis e gerenciais apresentados hábeis à comprovação da existência dos créditos de COFINS em análise, questiona-se: o que provaria, então, a origem e apuração dos créditos relativos aos encargos de depreciação do ativo imobilizado? 10.141. Seria, a rigor, inviável reunir nesse processo todas as notas fiscais de aquisição dos bens e serviços empregados no seu ativo imobilizado, sobre os quais a Recorrente apurou créditos, em vista do seu enorme volume, eis que o Relatório extraído de seus sistemas “Legado” contempla informações sobre documentos fiscais em mais de 199.000 linhas que se apresentam em planilha de Excel. 10.142. Decerto que sendo impossível reunir tamanho volume de documentos nesses autos, obviamente que não se pode infirmar a idoneidade do Relatório apresentado, que contém as informações principais sobre os aludidos créditos. (...) 10.144. Longe de se configurar uma mera alegação defensiva da ora Recorrente, a conclusão aqui alcançada pode facilmente ser constatada por essa d. Turma a partir da análise dos referidos relatórios, que foram inadvertidamente desconsiderados pela fiscalização já anexados (em Excel), em sua forma completa, para melhor compreensão destes Nobres Julgadores (doc. 20 da Manifestação de Inconformidade). (...) 10.148. Sem razão, portanto, a DRJ, eis que desprezou os robustos relatórios apresentados, que refletem de maneira satisfatória e bastante completa as informações lançadas em seus sistemas, oriundos dos dados dos Sistemas Legado apropriado da COPESUL após a sua incorporação. (...) Fl. 2929DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 40 10.150. Vencida tal premissa, cumpre ainda demonstrar que, contrariamente ao quanto aduzido pela fiscalização - escorada imprudentemente na extemporaneidade da apuração/apropriação dos créditos frente aos respectivos documentos fiscais que acobertam as aquisições de bens/serviços atrelados ao ativo imobilizado - de que não haveria provas de que a Recorrente não se apropriou dos respectivos créditos em períodos anteriores como aquisições do ativo imobilizado. 10.151. Nesse sentido, vale trazer à luz Relatório elaborado pela Deloitte Touche Tohmatsu - Auditores Independentes (doc. 21 da Manifestação de Inconformidade) que afasta cabalmente a descabida afirmação sustentada pelos prepostos fiscais. (...) 10.156. Dessa análise, verificou a Deloitte que a COPESUL aproveitou um total de créditos, entre janeiro de 2007 a setembro de 2008, de R$7.964.460,04, tendo constatado, em paralelo, que a Braskem, ora Recorrente, expurgou, do cálculo dos valores que foram apropriados extemporaneamente em 2010, um total de R$15.577.067,80, muito superior, portanto, ao quanto deveria ter sido por si subtraído no momento do aproveitamento a destempo. 10.157. Amparando-se em tais constatações, a Deloitte inferiu que não houve duplicidade na apropriação dos créditos realizada em 2010. Conforme se verifica nos excertos acima transcritos, tanto a ilustre relatora quanto a defesa do contribuinte reconhecem que há grande dificuldade em realizar a perfeita demonstração de todos os requisitos necessários para o aproveitamento de créditos sobre encargos de depreciação, tendo em vista a complexidade dos empreendimentos na COPESUL, adquirida pela Braskem, empresa recorrente. Obviamente, isso não pode ser um empecilho ao creditamento, mas, por outro lado, é evidente que a prova da correta apuração da depreciação é muito mais complexa, muito mais difícil de ser produzida. Essa dificuldade não pode ser oposta ao Fisco como justificativa para o não atendimento das exigências das autoridades tributárias. As alegações do contribuinte em relação à particularidade de sua operação, por se tratar de uma grande empresa petroquímica, tais como a aquisição única de bens que, apesar de comporem uma única nota, são divididos para utilização em diversos equipamentos distintos, bem como o fato do bem adquirido não ser imediatamente ativado, em razão do interstício temporal até o equipamento no qual foi utilizado entrar em operação, foram levadas em consideração pela Fiscalização. Ocorre, entretanto, que, apesar de tais fatos não serem negados e inclusive serem admitidos pela Fiscalização, isso não justifica a ausência da correta comprovação dos fatos alegados através de documentos hábeis a tanto. O contribuinte busca tal comprovação tão somente com planilhas internas elaboradas sem o necessário grau de detalhamento que uma operação tão complexa exige. O principal documento da defesa é o doc. 20 da Manifestação de Inconformidade: Fl. 2930DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 41 A Fiscalização se debruçou sobre tais planilhas para tentar comprovar os valores lançados, porém concluiu que não havia como assegurar, com a certeza exigida pela legislação, a comprovação do direito creditório do contribuinte. Vejamos o que consta do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1657/1659: 2.6.3.- Sistema EMS Copesul (legado) As planilhas enviadas pelo contribuinte foram consolidadas, utilizando a importação de arquivos TXT do Contágil. Tendo em vista a grande quantidade de linhas, os valores que representavam créditos inferiores a R$ 1,00 (um real) foram excluídos. A base de dados com a consolidação da Cofins foi utilizada para análise do crédito apropriado em 2013. O resumo desta base de dados agrupada por nome fornecedor, definição do projeto, nº do documento de referência, data de referência do primeiro lançamento encontra-se em planilha a ser anexada ao processo eletrônico de análise dos pedidos de ressarcimento, arquivo não paginável. As planilhas-Sistema EMS Copesul (legado) apresentam aquisições de ativos imobilizado relacionados à Copesul – Companhia Petroquímica do Sul, empresa incorporada pela Braskem em 11/09/2008. As planilhas entregues à fiscalização apresentaram um grau de confiabilidade das informações muito pequeno, a cada questionamento da fiscalização, novas versões de planilha foram apresentadas. Em reunião com o contribuinte em 04/04/2017, para esclarecimentos sobre divergências nas planilhas que demonstravam a aquisição de ativo imobilizado, foi relatado à fiscalização, por uma preposta do contribuinte, que as divergências encontradas nas planilhas devia-se a controle inadequado, pela incorporada, das aquisições de ativo imobilizado. Para uma melhor compreensão da auditoria realizada nas informações apresentadas pelo contribuinte nas planilhas legado (todos os sistemas legado), será reproduzida na tabela abaixo a descrição/explicação do conteúdo das principais colunas dos relatórios apresentados (detalhamento apresentado pelo contribuinte em 20/09/2016). Fl. 2931DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 42 Mediante analise dos valores apresentados nas planilhas, confirma-se o relato do contribuinte de controle precário das informações prestadas nas planilhas. Conforme demonstrado na tabela abaixo, os valores apresentados na coluna imobilizado em andamento, os quais representam o somatório dos valores de aquisições do projeto (vide tabela acima) que deveriam ser “incorporados” ao ativo imobilizada na data de início do cálculo da depreciação, divergem bastante da soma dos valores de aquisição das notas fiscais relacionadas ao projeto. Diante das inconsistências, em 30/01/2017, mediante Termo de Intimação n° 7, o contribuinte foi intimado a apresentar explicações para o interstício temporal elevado, 2 a 5 anos, entre a data de aquisição/contabilização do bem/serviço adquirido e a data de início da apropriação do crédito nas aquisições incorporada ao ativo imobilizado, sendo solicitado inclusive à apresentação de documentação hábil que comprovasse a efetividade dos prazos por meio de lançamentos contábeis. Como já relatado anteriormente, em resposta a este item da intimação, em 20/03/2017, o contribuinte após 50 dias da solicitação da informação, com 2 pedidos de prorrogação de prazo, alegou que a extemporaneidade entre a data de emissão da nota fiscal de aquisição de bens/serviços e a data de início de apropriação dos créditos ocorria devido ao tempo decorrido entre a aquisição do item e a ativação do imobilizado ao qual este está vinculado, ou seja, somente começaria a apropriar o crédito decorrente da aquisição do ativo imobilizado no momento em que este bem é incorporado ao ativo imobilizado (transferência da conta de Projeto em andamento para Imobilizado - Máquinas e equipamentos). Quanto à apresentação de comprovação contábil para demonstrar a alegação que apenas inicia a apropriação de crédito no momento em que o bem e ativado no imobilizado, de uma amostra solicitada pela fiscalização de 105 notas fiscais, referente ao Sistema EMS Copesul (legado), o contribuinte realizou a “amostra da amostra” das notas solicitadas pela fiscalização, apresentando a contabilização de apenas 1 nota fiscal. Cabe ressaltar que nos pedidos de prorrogação de prazo para atendimento desta intimação, todos deferidos por esta fiscalização, havia a justificativa na quantidade de informações solicitados neste item da Intimação. Fl. 2932DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 43 Tendo em vista os argumentos acima expostos, o contribuinte não conseguiu comprovar que as aquisições referentes às notas fiscais associadas a estes projetos foram incorporadas ao ativo imobilizado e mesmo que tivessem sido incorporadas ao ativo imobilizado, não comprovou que as transferências de valores da conta contábil projeto em andamento para conta contábil máquinas e equipamentos ocorreram na data informada na planilha para início da apropriação dos créditos. Com as informações apresentadas pelo contribuinte, não há, inclusive, nenhuma evidência ou comprovação que os créditos referentes às notas fiscais listadas nas planilhas não tiveram seus créditos apropriados em períodos anteriores como aquisições de ativo imobilizado ou serviços utilizados como insumos. Cabe ressaltar que em pedidos de ressarcimento/compensação incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para obtenção do crédito pleiteado. Portanto, o desconto de crédito referente ao Sistema EMS Copesul (legado) será considerado apropriação indevida, tendo em vista o regramento trazido inciso VI do art. 3°, da Lei nº 10.833/2003. O contribuinte sustenta que não é crível a afirmação de que uma empresa do porte da COEPSUL não tenha créditos decorrentes de encargos de depreciação. Contudo, o que a Fiscalização deixa claro no relato acima não é a inexistência de créditos, mas a carência probatória a cargo do contribuinte na quantificação, em cada período correto de apuração, do montante do crédito a que tem direito. Verifico, pela descrição dos fatos, narrada no TVF, que houve sim um esforço da Fiscalização em possibilitar ao contribuinte a correta comprovação de suas alegações, inclusive concedendo diversas prorrogações de prazo, e tentando obter a comprovação das informações contidas na planilha a que se refere o doc. 20 da Manifestação de Inconformidade. Contudo, transcrevo novamente o trecho em que resta demonstrado o não atendimento às solicitações da Autoridade Fiscal: Quanto à apresentação de comprovação contábil para demonstrar a alegação que apenas inicia a apropriação de crédito no momento em que o bem e ativado no imobilizado, de uma amostra solicitada pela fiscalização de 105 notas fiscais, referente ao Sistema EMS Copesul (legado), o contribuinte realizou a “amostra da amostra” das notas solicitadas pela fiscalização, apresentando a contabilização de apenas 1 nota fiscal. Quanto à alegação de que um relatório produzido por empresa de auditoria contratada pela própria recorrente, juntado à Manifestação de Inconformidade, teria comprovado que não houve duplicidade na apropriação dos créditos realizada em 2010, deve-se ter em conta que suas conclusões são inoponíveis perante o Fisco, cuja atuação goza da presunção de legitimidade e veracidade própria dos agentes públicos, que agem de forma desinteressada. A perícia, qualquer que seja, em especial a contábil, para produzir efeitos, deve atender aos requisitos do art. 16, 18 e 20 do Decreto-lei nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 2933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 44 IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 20. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, a designação de servidor para proceder aos exames relativos a diligências ou perícias recairá sobre Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O contribuinte, sem seguir as regras contidas no referido diploma legal, produziu sua própria perícia, em desacordo com o que prevê a legislação. A despeito desse fato, ao analisar as conclusões da empresa contratada pelo recorrente, observo que elas trazem um entendimento diametralmente oposto ao da Fiscalização, que não participou da elaboração dessa perícia. Mais uma vez, gozando a Autoridade Tributária da presunção de legitimidade e veracidade, o entendimento da Fiscalização deve prevalecer. Os quesitos e as provas que devem ser atendidos e apresentadas são aqueles solicitados pelos peritos da Receita Federal, os Auditores-fiscais, e não os de uma empresa de auditoria independente. Nesse contexto, deve ser mantida essa glosa. Pedido de exclusão dos valores recebidos do REINTEGRA da base de cálculo das contribuições A relatora afirma o seguinte em seu voto: A fiscalização, ao comparar as informações da Escrituração Contábil Digital (ECD) com a EFD-Contribuições, concluiu que a empresa não declarou como receitas Fl. 2934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 45 tributáveis, no ano de 2012, os créditos obtidos pelo REINTEGRA. Baseou-se na Solução de Consulta COSIT nº 88/2016, segundo a qual até 18 de julho de 2013 esses valores deveriam compor a base de cálculo das contribuições, sendo a exclusão permitida apenas a partir da Lei nº 12.844/2013. A DRJ manteve esse entendimento. (...) Reduções de passivo ou recomposições de custo não atendem a esse requisito e, portanto, não se subsumem ao conceito de receita previsto no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal. Esse foi o entendimento adotado no julgamento do AgRg nos EDcl no REsp 1.443.771/RS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, em 19/05/2015, por meio do qual decidiu-se que os valores provenientes do REINTEGRA, assim como os créditos presumidos de ICMS, não possuem natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos, razão pela qual não devem integrar a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Diante desse contexto, entendo que a edição da Lei nº 12.844/2013, ao incluir o § 12 no art. 2º da Lei nº 12.546/2011, não inovou no ordenamento jurídico, mas apenas reconheceu, de forma expressa, que os valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA não compõem a base de cálculo das contribuições, por não configurarem receita. Seu caráter seria, portanto, meramente interpretativo. (...) Diante do exposto, concluo que os valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA não se caracterizam como receita ou faturamento, mas como incentivo fiscal de recuperação de custos, razão pela qual não deveriam integrar a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Com todas as vênias à ilustre relatora, devo divergir desse entendimento, pois o art. 44 da Lei nº 4.506/64 expressamente dispõe em sentido contrário às suas conclusões: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I - O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II - O resultado auferido nas operações de conta alheia; III - As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV - As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Corrobora esse entendimento o precedente do STJ: i) AgInt no REsp. 1.782.172/CE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 21/05/2019: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. VALORES RESSARCIDOS NO ÂMBITO DO REINTEGRA INSTITUÍDO PELA LEI Nº 12.546/11. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. ART. Fl. 2935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 46 44 DA LEI Nº 4.506/64. INCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. POSSIBILIDADE ATÉ O ADVENTO DA LEI Nº 12.844/13. PRECEDENTES. INAPLICABILIDADE DO ENTENDIMENTO FIXADO NO ERESP Nº 1.517.492/PR. DISTINGUISHING. 1. Segundo o entendimento adotado pela Segunda Turma desta Corte nos autos dos EDcl no REsp 1.462.313/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 19/12/2014 e do AgRg no REsp 1.518.688/RS, de minha relatoria, DJe 07/05/2015, os valores do REINTEGRA são passíveis de incidência do imposto de renda, até o advento da MP nº 651/14, posteriormente convertida na Lei nº 13.043/14, de forma que a conclusão lógica que se tem é a de que tais valores igualmente integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, que é mais ampla e inclui, a priori, ressalvadas as deduções legais, os valores relativos ao IRPJ e à CSLL, sobretudo no caso de empresas tributadas pelo lucro real na sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS instituída pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, cuja tributação se dá com base na receita bruta mensal da pessoa jurídica, a qual, por expressa disposição do art. 44 da Lei nº 4.506/64, alhures mencionado, abrange as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões e as subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2. Somente com o advento da Lei nº 12.844/13, que incluiu o § 12 no art. 2º da Lei nº 12.546/11, é que os valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA foram excluídos expressamente da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. A inaplicabilidade, aos valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA, do precedente desta Corte tomado no EREsp nº 1.517.492/PR, de relatoria do Ministro Og Fernandes, relatora para acórdão Ministra Regina Helena Costa, no sentido da exclusão dos créditos presumidos de ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É que naquele caso entendeu-se que a incidência de IRPJ sobre os créditos presumidos de ICMS representaria violação do princípio Federativo por intromissão da União em política fiscal dos Estados-Membros, o que não ocorre no presente caso, eis que todos os custos ressarcidos tratam de tributos federais. 4. Agravo interno não provido (AgInt no REsp. 1.782.172/CE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 21.5.2019) A Solução de Consulta COSIT nº 88/2016, usada pela fiscalização como fundamento para o Despacho Decisório que reconheceu apenas parcialmente os créditos de COFINS pleiteados, segue no mesmo sentido: EMENTA: REINTEGRA. CRÉDITOS. BASE DE CÁLCULO. REGRAS DE INCLUSÃO E DE EXCLUSÃO APLICÁVEIS AO LONGO DO TEMPO. O valor dos créditos apurados no âmbito do Reintegra constitui receita da pessoa jurídica (Solução de Consulta Cosit nº 240, de 2014) que, em regra, deve ser incluída na base de cálculo da COFINS. No regime de apuração cumulativa, o valor dos créditos apurados no âmbito do Reintegra não integra a base de cálculo da COFINS. No regime de apuração não cumulativa, o valor dos créditos apurados no âmbito do Reintegra: a) até 18 de julho de 2013, integrou a base de cálculo da COFINS, dada a inexistência de norma excludente de base de cálculo; b) a partir de 19 de julho de 2013, não mais integra a base de cálculo da COFINS, dada a exclusão de base de cálculo promovida pelo art. 13 da Lei nº12.844, de 2013 Fl. 2936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.075 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.901494/2016-16 47 (que incluiu o § 12 no art. 2º da Lei nº 12.546, de 2011), pelo § 5º do art. 22 da Medida Provisória nº 651, de 2014, e pelo § 6º do art. 22 da Lei n° 13.043, de 2014. Considerando que o período em discussão é o 1º trimestre de 2013, entendo correta a decisão da Receita Federal de incluir os valores referentes ao REINTEGRA na base de cálculo da COFINS. Pelo exposto, voto por negar provimento a estes quatro pedidos. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter a glosa das despesas com tintas e solventes, com Amina Neutralizante; Antiespumante; Antipolimerizantes EC-3214A, EC-3001, EC-3002, EC-3003, EC- 3004, EC-3005, EC-3006, EC-3007, EC-3008, EC3009, EC-3010, EC-3267A, EC-3376, EC-3377, EC- 3378, EC-3379, EC-3380, EC-3381, EC-3382, EC-3383, EC-3384, EC-3385, EC-3335A; DA-2604 - Inibidor RED OIL; DORF – UNICOR J; DORF CI 2003; Inibidor Polimer Petroflo 20Y3103; Hidrazina; Polieletrólito, com projetos de parada para manutenção, com o Projeto 1521658 – Planta de Butadieno II e com os projetos 103281 (Unidade de MVC/PVC em Alagoas), PJ0622915, PJ060282 e PJ062825, bem como para reverter as glosas dos créditos apurados no sistema SAP LEGADO com as plantas de Eteno I e Isopreno, assim como a glosa sobre serviços prestados em terminais e das despesas de frete na devolução de vendas. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Fl. 2937DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 12448.733977/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Sun Jan 11 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1995 CRÉDITO. DECISÃO JUDICIAL. HABILITAÇÃO. O deferimento da habilitação de créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado não implica o reconhecimento de seu valor, o que apenas pode ocorrer quando da análise dos processos de compensação.
Numero da decisão: 3101-004.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: LAURA BAPTISTA BORGES

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DECISÃO JUDICIAL. HABILITAÇÃO. O deferimento da habilitação de créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado não implica o reconhecimento de seu valor, o que apenas pode ocorrer quando da análise dos processos de compensação. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão proferido pela C. 6ª Turma da DRJ/BHE, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório, o qual reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, referente a pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de janeiro de 1989 a Fl. 455DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.346 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.733977/2011-06 2 dezembro de 1995, homologando integralmente 06 (seis) Declarações de Compensação (Dcomp), homologando parcialmente 1 (uma) e não homologando outras 19 (dezenove) Dcomp. Pela clareza com que expôs os fatos, transcrevo parte do relato do acórdão da C. DRJ: “1 Despacho Decisório De acordo com a Informação Fiscal nº 012/2013, às fls. 206 a 209: - O processo trata de Dcomp nas quais os débitos informados foram compensados com créditos de PIS reconhecidos nos autos da Ação Ordinária nº 95.0001467-0. - O pedido de Habilitação de Crédito foi protocolizado em 21/05/2009 e deferido em 21/07/2011. - A Ação Ordinária mencionada visou o reconhecimento de inexistência de relação jurídico-tributária que obrigasse a Interessada a recolher o PIS nos termos do Decretos- Lei nº 2.445, de 1988, e nº 2.449, de 1988, e à autorização para compensar valores recolhidos indevidamente a título de PIS nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, com a inclusão dos expurgos inflacionários. - A decisão transitada em julgado em 20 de fevereiro de 2006 reconheceu a inconstitucionalidade dos referidos Decretos-Lei, autorizando a compensação de parcelas pagas a maior a título de PIS, com aplicação do expurgo de 42,72% em janeiro de 1989, IPC de fevereiro de 1989 a janeiro de 1991, INPC de fevereiro a dezembro de 1991, UFIR entre janeiro de 1992 e dezembro de 1995 e Selic a partir de janeiro de 1996. - A empresa é exclusivamente prestadora de serviços; portanto, a base de cálculo da contribuição deve ser o Imposto de Renda devido e a alíquota a ser aplicada deve ser de 5%, conforme a Lei Complementar nº 7, de 1970 (PIS-Repique). - Para apuração do crédito, foram utilizados os DARF de fls. 102 a 126 do processo administrativo nº 15471.002068/2009-09 (habilitação) e o quadro demonstrativo do cálculo do Imposto de Renda obtido das DIPJ às fls. 167 a 177 deste processo. Os pagamentos foram confirmados. - Refez-se a base de cálculo da contribuição, apurou-se os valores devidos de PIS- Repique (fls. 184 e 185) e, ao fim, chegou-se a um valor de crédito de R$ 147.566,36 em 31 de dezembro de 1995 (fls. 186 a 199), aplicando os expurgos inflacionários determinados pelo Poder Judiciário. - Constatou-se, então, que o crédito foi suficiente para quitar os seguintes débitos: Fl. 456DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.346 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.733977/2011-06 3 ” Inconformada, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 250/270) e, posteriormente, em 25 de agosto de 2014, requereu a desistência parcial de sua defesa, devido à adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 12.996, de 2014. Neste contexto, Recurso Voluntário assim bem delimita as declarações de compensação que ainda são objeto de discussão no presente processo: “14. Contudo, no ínterim que compreende o protocolo e o julgamento da manifestação de inconformidade, houve adesão ao parcelamento instituído pela Lei n.º 12.996/2014, ensejando a desistência da defesa no que tange às DCOMPs de fls. 59; 62; 65; 68; 71;74; 78; 81; 84; 87; 90; 93; 96; 99; 108 e 118. 15. Além disso, a Recorrente realizou o pagamento dos débitos consubstanciados nas DCOMPs de fls. 128, 211 e 214, gerando, de igual modo, a desistências destas DCOMPs, conforme petição de fls. 289/290. 16. Por sua vez, a DCOMP de fls. 29 teve seu erro material reconhecido e sanado pela Receita Federal do Brasil, culminando na sua homologação total, adicionando R$ 80.143,00 ao crédito atualizado reconhecido, complemento que fora utilizado no abatimento do saldo remanescente da DCOMP de fls. 75. 17. Diante do exposto, a manifestação de inconformidade chegou aos cuidados da DRJ restando somente duas DCOMPs pendentes, sendo as de fls. 75 (parcialmente homologada) e de fls. 111 (não homologada).” Ato contínuo, a C. 6ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 457DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.346 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.733977/2011-06 4 Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1995 PROVA. PLANILHAS APRESENTADAS PELO FISCO. PRESUNÇÃO RELATIVA DE VERACIDADE. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. As planilhas apresentadas pela Fazenda Nacional possuem valor probatório e têm presunção juris tantum de veracidade, podendo ser elidida por prova em sentido contrário a cargo do sujeito passivo, que deverá demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1995 CRÉDITO. DECISÃO JUDICIAL. HABILITAÇÃO. O deferimento da habilitação de créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado não implica o reconhecimento de seu valor, o que apenas pode ocorrer quando da análise dos processos de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual alega a nulidade do Despacho Decisório em razão da ofensa ao contraditório e à ampla defesa e, no mérito, o deferimento da habilitação do crédito por decisão transitada em julgado. É o relatório. VOTO Conselheira Laura Baptista Borges, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. 1. DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. Alega a Recorrente que o despacho decisório seria nulo na medida para a d. Autoridade Fiscal, ao negar o direito ao crédito teria utilizado cálculos gerados por programas informatizados da Receita Federal, os quais não são acessíveis aos contribuintes, além de não fornecer informações claras sobre os critérios que foram empregados. Fl. 458DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.346 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.733977/2011-06 5 Aduz que já havia apresentado seus próprios cálculos no momento do pedido de habilitação, os quais não foram analisados pela RFB e que, ao apresentar novos cálculos gerados automaticamente pelos sistemas da Receita Federal, a d. Autoridade Fiscal nega à Recorrente a possibilidade de revisar esses valores, tornando impossível a verificação da conformidade dos cálculos feitos pela administração tributária em relação aos critérios estabelecidos pela sentença que originou o crédito. conclui sua tese de nulidade expondo que: “31. Todavia, retornando ao Despacho Decisório, verifica-se que o i. auditor se limitou a informar quais aplicativos foram utilizados para apuração dos valores informados. 32. No parágrafo 9º há menção ao aplicativo CTSJ como meio utilizado para apuração do crédito. Já no parágrafo 11, é mencionado o aplicativo SAPO. Ocorre que esta afirmação somente confirma que foram utilizados tais aplicativos para o cálculo do crédito, sem o fornecimento de demonstrativos que revelem de forma clara e objetiva quais as fórmulas ou algoritmos utilizados em ambos. 33. Diante das questões expostas alhures, merece ser anulado o despacho decisório ora impugnado, visto a caracterização do cerceamento de defesa, na medida em que se utiliza cálculo obscuros para fundamentar a não homologação das compensações declaradas pela Recorrente, baseada nos pressupostos de fato e de direito, critério essencial, ao qual a Administração Pública deve obediência, nos termos do art. 2º, VII, da Lei 9.784/1999.” Ao analisar a nulidade suscitada, a C. DRJ entendeu por rejeitá-la, nos seguintes termos: “Desta forma, as planilhas produzidas pelo Fisco são dotadas de presunção relativa de veracidade, que pode ser elidida por prova em sentido contrário a cargo do sujeito passivo, que deverá demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda Nacional. Compulsando os autos, verifica-se que: a) o Auditor-Fiscal fez constar no Despacho Decisório a forma de atualização do crédito determinada na decisão judicial, a forma de cálculo do PIS-Repique, bem como quais documentos foram utilizados nos cálculos, com indicação das páginas dos autos onde se encontram; e b) às fls. 144 a 205 e 327 a 332 constam todos os cálculos realizados pela Autoridade fiscal. Fl. 459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.346 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.733977/2011-06 6 Possuindo todas essas informações, a Manifestante poderia, se quisesse, revisar o cálculo realizado pela RFB e demonstrar, se fosse o caso, o não atendimento à forma de atualização de créditos determinada na decisão judicial. Entretanto, limitou-se a levantar suspeitas sobre o cálculo tão-somente porque os valores dele resultantes não coincidem com aqueles por ela apresentados. Reclama ainda a Interessada que a Autoridade fiscal não apontou os erros existentes em seus cálculos. Nesse ponto, cumpre esclarecer que a fiscalização não revisa os cálculos realizados pela empresa e não tem obrigação de fazê-lo, cabendo a ela realizar seus próprios cálculos. Mas nada impede que a Manifestante realize o cotejo das planilhas (suas e da fiscalização) para localizar possíveis erros existentes. Em verdade, se tivesse ela revisto seus cálculos, facilmente verificaria alguns erros cometidos, que resultaram em valor mais elevado que aquele a que tem direito. Senão vejamos: a) na planilha constante de fls. 100 a 101 do processo administrativo nº 15471.002068/2009-09 (habilitação), onde consta a listagem dos pagamentos realizados no período a que se referem os créditos, não foi realizada a dedução dos valores de PIS-Repique devidos; e b) na planilha de fl. 5 do mesmo processo (onde a Manifestante fez constar o valor de R$ 2.665.362,09 como sendo seu crédito atualizado), além de também não haver a dedução dos valores devidos de PIS-Repique, consta crédito original em valor muito superior àquele informado na planilha de fls 100 a 101. Importante também observar que as planilhas de nº 01 a 14, citadas na planilha de fl. 5 como sendo a fonte da base de cálculo dos créditos, não foram juntadas ao processo, impossibilitando a análise de sua correção. Assim, sem adentrar nas minúcias dos cálculos, já se verifica fortes indícios de que o valor apresentado pela Manifestante está equivocado. Constata-se, outrossim, que a Interessada juntou ao processo de habilitação vários comprovantes de recolhimento de PIS que não lhe pertencem (fls. 77 a 99, 132 a 154 e 207 a 225), o que também constitui forte indício de que os valores a eles referentes foram inseridos na planilha de fl. 5, contribuindo para que o cálculo nela constante esteja superestimado. Pelo exposto, não se vislumbra o alegado cerceamento de direito de defesa, razão pela qual deve ser indeferido o pedido de nulidade do Despacho Decisório.” Fl. 460DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.346 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.733977/2011-06 7 Neste contexto, importante se faz a análise do Despacho Decisório, para verificarmos se, de fato, foram apresentados à Recorrente elementos suficientes para que esta pudesse entender o montante do crédito reconhecido e exercer o seu constitucional direito ao contraditório e ampla defesa. A fundamentação utilizada para o reconhecimento do crédito está assim exposta pelo Despacho Decisório (fl. 207), nos seguintes termos: “5. Decisão transitada em 20 de fevereiro de 2006 reconheceu a inconstitucionalidade dos referidos Decretos-Leis, autorizando a compensação de parcelas pagas a maior a título de PIS nos termos da Lei 8.383/91, com a aplicação do expurgo de 42,72% em janeiro de 1989, IPC entre fevereiro de 1989 a janeiro de 1991, INPC entre fevereiro a dezembro de 1991, UFIR entre janeiro de 1992 a dezembro de 1995 e a SELIC a partir de janeiro de 1996. 6. Conforme quadro demonstrativo de receita líquida obtida da DIPJ's às fls. 144 a 146, a empresa é exclusivamente prestadora de serviços, portanto, a base de cálculo a ser aplicada deve ser o Imposto de Renda devido e a alíquota deve ser de 5% conforme LC 07/70 (PIS- repique). 7. Para apuração do crédito do contribuinte, utilizamos os seguintes documentos: os DARF’s às fls. 102 a 126 do processo administrativo nº 15471.002068/2009-09 e o quadro demonstrativo do cálculo do imposto de renda obtida da DIPJ's às fls. 167 a 177. Os pagamentos foram confirmados conforme fls. 136 a 142 e 147 a 166. 8. Utilizando-se do quadro demonstrativo do cálculo do imposto de renda às fls. 167 a 177, refizemos a base de cálculo e apuramos os valores devidos a título de PIS- Repique às fls. 184 e 185. 9. Utilizando o aplicativo CTSJ, apuramos que a interessada tem o crédito de R$ 147.566,36 em 31 de dezembro de 1995 (fls. 186 a 199), aplicando os expurgos inflacionários determinados pelo Poder Judiciário.” Neste contexto, temos que que o Despacho Decisório demonstra de forma clara a metodologia utilizada para o cálculo do crédito reconhecido, bem como indica detalhadamente os documentos, citando, inclusive, as fls. às quais cada um deles se encontra. E, conforme muito bem pontuado pela C. DRJ, a Fiscalização não revisa os cálculos realizados pela empresa e não tem obrigação de fazê-lo, cabendo a ela realizar seus próprios cálculos. Mas nada impede que a Recorrente realize o cotejo das planilhas (suas e da Fiscalização) para localizar possíveis erros existentes, o que optou por não fazer. Pelo exposto, entendo que o Despacho Decisório dispôs de todos os elementos necessários para que a Recorrente exercesse o contraditório e a ampla defesa, não se verificando Fl. 461DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.346 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.733977/2011-06 8 as hipóteses do artigo 59, do Decreto n.° 70.235/1972, motivo pelo qual rejeito a alegação de nulidade. 2. DO DEFERIMENTO DA HABILITAÇÃO DO CRÉDITO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Alega a Recorrente que o acórdão recorrido traria grave violação à segurança jurídica, visto que o saldo creditório originário já havia sido habilitado nos autos do processo n.° 15471.002068/2009-09. Neste ponto, o cerne da discussão é a possibilidade ou não da d. Autoridade Fiscal rever o crédito tributário objeto de habilitação quando da análise do pedido de compensação. À época do pedido de habilitação do crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, regia o instituto a Instrução Normativa da SRF de n.° 900/2008, que assim dispunha: “Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I - o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo VIII, devidamente preenchido; II - certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; III - na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução ou cópia da petição de renúncia à execução do título judicial protocolada na Justiça Federal; IV - cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; Fl. 462DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.346 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.733977/2011-06 9 V - cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; VI - cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VII - procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a VII do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência da intimação. § 3º No prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 2º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I - o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II - a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III - houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV - o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V - na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I - as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II - não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. Fl. 463DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.346 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.733977/2011-06 10 § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.” (meus grifos) Os dispositivos legais acima transcritos deixam claro que a habilitação do crédito simplesmente indica a sua admissibilidade como apto para sua utilizado em compensação com débitos tributários, através de transmissão de DCOMP por via eletrônica. O parágrafo sexto acima transcrito é expresso ao dispor que o deferimento do pedido de habilitação não significaria, em qualquer hipótese, que eventual compensação do valor habilitado estaria homologada. Neste exato sentido é a jurisprudência pacífica deste C. CARF: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2007 PEDIDO DE HABILITAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO EM DECISÃO JUDICIAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O deferimento do pedido de habilitação do crédito não se confunde com a homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Na habilitação do crédito, a análise da fiscalização restringe-se à verificação do atendimento aos requisitos para a interessada apresentar seu pleito de compensação, restituição ou ressarcimento, o qual será posteriormente analisado pela fiscalização, inclusive em relação aos valores reconhecidos judicialmente.” (3003-002.516 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária) *** “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 14/04/1989 a 31/12/1995 COMPENSAÇÃO HABILITAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO NA VIA JUDICIAL. DIREITO ADQUIRIDO. IMPOSSIBILIDADE O pedido de habilitação tem como objetivo a análise dos requisitos preliminares sobre a existência do crédito, da legitimidade do sujeito passivo e da inexistência de ação judicial de execução da sentença, além da verificação de ocorrência de prescr4ição do direito do sujeito passivo. O deferimento da habilitação e o valor habilitado como crédito apenas indica que o crédito está apto para ser utilizado em Fl. 464DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.346 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.733977/2011-06 11 compensação com débitos tributários, a qual deve ser objeto de procedimento específico, para análise da compensação e sua posterior homologação ou não, por despacho decisório sujeito ao contencioso administrativo” (3301-005.560 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 3ª Seção) 3. DA CONCLUSÃO. Ante o todo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, não acolher a preliminar de nulidade de despacho decisório e, no mérito, negar provimento. É como voto. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges Fl. 465DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10380.729272/2014-25
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 RETENÇÃO E RECOLHIMENTO POR EMPRESA TOMADORA. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Para que a empresa tenha direito a compensação de valores retidos, deve demonstrar que efetuou o destaque dos 11% da retenção na nota fiscal ou fatura, com a devida retenção e recolhimento dos valores devidos pela tomadora de serviços, ou seja, deve comprovar a origem do seu crédito. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. Ao contestar situações apuradas pela fiscalização em documentos apresentados pelo próprio contribuinte, cabe a este último o ônus da prova de suas alegações, nos termos do artigo 333, inciso II do Código de Processo Civil. DIFERENÇA DE GILRAT. É devida a cobrança da diferença de alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), em razão da atividade econômica principal exercida pela empresa, conforme classificação na tabela de Classificação Nacional das Atividades Econômica (CNAE) vigente à época dos fatos geradores. AFERIÇÃO INDIRETA - OCORRÊNCIA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente por parte da empresa, pode a fiscalização, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, resultando no lançamento por arbitramento, que encontra amparo no § 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social. Constitui infração deixar de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições, quantias descontadas, contribuições da em presa e totais recolhidos. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com as normas estabelecidas na legislação específica. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constitui infração à legislação previdenciária. Deixar a empresa de prestar à Receita Federal do Brasil, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, constitui infração à legislação previdenciária. Constitui infração deixar a empresa cedente de mão-de-obra de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Constitui infração a empresa apresentar a GFIP com informações incorretas ou omissas, conforme previsto na lei 8.212/91, art.32-A, inciso II, acrescentado pela MP 449, de 04/12/2008. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL. CFL 23. IMPROCEDÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA LEI N° 8.218/91. SÚMULA CARF N° 181. No âmbito das contribuições previdenciárias, é incabível lançamento por descumprimento de obrigação acessória, relacionada à apresentação de informações e documentos exigidos, ainda que em meio digital, com fulcro no caput e parágrafos dos artigos 11 e 12, da Lei nº 8.218, de 1991.
Numero da decisão: 2002-009.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para tornar improcedente o AIOA 51.055.296-0 (CFL 23). Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA

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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Para que a empresa tenha direito a compensação de valores retidos, deve demonstrar que efetuou o destaque dos 11% da retenção na nota fiscal ou fatura, com a devida retenção e recolhimento dos valores devidos pela tomadora de serviços, ou seja, deve comprovar a origem do seu crédito. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. Ao contestar situações apuradas pela fiscalização em documentos apresentados pelo próprio contribuinte, cabe a este último o ônus da prova de suas alegações, nos termos do artigo 333, inciso II do Código de Processo Civil. DIFERENÇA DE GILRAT. É devida a cobrança da diferença de alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), em razão da atividade econômica principal exercida pela empresa, conforme classificação na tabela de Classificação Nacional das Atividades Econômica (CNAE) vigente à época dos fatos geradores. AFERIÇÃO INDIRETA - OCORRÊNCIA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente por parte da empresa, pode a fiscalização, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, resultando no Fl. 612DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 2 lançamento por arbitramento, que encontra amparo no § 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social. Constitui infração deixar de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições, quantias descontadas, contribuições da em presa e totais recolhidos. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com as normas estabelecidas na legislação específica. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constitui infração à legislação previdenciária. Deixar a empresa de prestar à Receita Federal do Brasil, todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, constitui infração à legislação previdenciária. Constitui infração deixar a empresa cedente de mão-de-obra de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Constitui infração a empresa apresentar a GFIP com informações incorretas ou omissas, conforme previsto na lei 8.212/91, art.32-A, inciso II, acrescentado pela MP 449, de 04/12/2008. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES EM MEIO DIGITAL. CFL 23. IMPROCEDÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA LEI N° 8.218/91. SÚMULA CARF N° 181. No âmbito das contribuições previdenciárias, é incabível lançamento por descumprimento de obrigação acessória, relacionada à apresentação de informações e documentos exigidos, ainda que em meio digital, com fulcro no caput e parágrafos dos artigos 11 e 12, da Lei nº 8.218, de 1991. ACÓRDÃO Fl. 613DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para tornar improcedente o AIOA 51.055.296-0 (CFL 23). Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo às contribuições previdenciárias referentes a parte patronal, segurados e as destinadas aos TERCEIROS, além da aplicação de multas por descumprimento de obrigações acessórias (CFL 23; CFL 30; CFL 34; CFL 37; CFL 38; CFL 59; e CFL 78), no período de 01/01/2011 a 31/12/2012, consubstanciados nos seguintes DEBCAD´s: - AIOP 51.070.435-2 - Valores das contribuições sociais a cargo da empresa (CONTRIBUIÇÃO PATRONAL) devidos e não recolhidos em época própria, apurados através de Folhas de Pagamento, Contabilidade, RAIS e DIRF, não declarados em GFIP, no valor consolidado de R$ 344.901,27. - AIOP 51.070.436-0 - Valores das contribuições sociais a cargo da empresa devidos e não recolhidos em época própria, apurados a partir de Folhas de Pagamento, Contabilidade, RAIS e DIRF, não declarados em GFIP – CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS, no valor consolidado de R$ 71.066,56. - AIOP 51.070.437-9 - Valores das contribuições sociais a cargo da empresa devidos e não recolhidos em época própria, apuradas a partir de Folhas de Pagamento, Contabilidade, RAIS e DIRF, não declarados em GFIP – TERCEIROS, no valor consolidado de R$ 29.298,41. Fl. 614DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 4 - AIOA 51.055.296-0 - Deixar a empresa que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal deixar de cumprir o prazo estabelecido pela RFB para apresentação dos respectivos arquivos digitais e sistemas – Código Fundamento Legal 23, no valor de R$ 151.820,34. - AIOA 51.055.297-8 - Deixar a empresa de preparar as folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB – Código Fundamento Legal 30, no valor de R$ 1.812,87. - AIOA 51.070.430-1 - Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos – Código Fundamento Legal 34, no valor de R$ 18.128,43. - AIOA 51.070.431-0 - Deixar a empresa cedente de mão-de-obra de destacar na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços recolhidos – Código Fundamento Legal 37, no valor de R$ 1.812,87. - AIOA 51.070.432-8 - Deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, e apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira – Código Fundamento Legal 38, no valor de R$ 18.128,43. - AIOA 51.070.433-6 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço – Código Fundamento Legal 59, no valor de R$ 1.812,87. - AIOA 51.055.434-4 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas – Código Fundamento Legal 78, no valor de R$ 13.000,00. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 9/30), extrai-se que os fatos geradores e as respectivas contribuições sociais declaradas em GFIP, as quais seguem discriminadas no “ANEXO – GFIPs Válidas no Sistema WEB”, foram levantados em papel de trabalho denominado DG – VALORES DECLARADOS EM GFIP, sendo: CI – GLOSA DE COMPENSAÇÕES DECLARADAS EM GFIP. Neste caso, verificou-se pelos documentos entregues pela empresa, que apesar de haver sido lançado crédito de INSS a compensar na contabilidade de 2010 (conta 11405.0006 – INSS A COMPENSAR), esta não efetuou o destaque da retenção nas notas fiscais emitidas em 01 e 02/2011, não lançou em sua contabilidade os valores supostamente retidos pelo tomador dos serviços e não constam recolhimentos sobre retenções em nome do contribuinte, conforme o Fl. 615DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 5 RELATÓRIO CONRET PLENUS - CONSULTA VALORES DE RETENCAO 11% DECLARADOS x RECOLHIDOS. O contribuinte, portanto, deixou de confirmar em documentos hábeis e idôneos a existência de retenções de 11% sobre as notas fiscais emitidas relativas a serviços prestados, conforme previsto na Lei 9.711/98, e Instruções Normativas nºs 900/2008 e 1300/2012, as quais são base para as compensações declaradas em GFIPs. Neste caso, foram considerados os recolhimentos existentes no conta corrente da empresa, de maneira a abater as contribuições devidas apuradas com base nos fatos geradores das GFIPs válidas no sistema antes do início da ação fiscal. Com relação aos fatos geradores não declarados em GFIP, a auditoria constatou que o contribuinte se enquadrou no código CNAE “7820-5/00 – LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA” durante o período fiscalizado, no entanto, não está registrado para funcionar como empresa de trabalho temporário no Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, conforme previsto nos artigos 5º da Lei nº 6.019/1974 e 4º do Decreto nº 73.841/74, e tendo por base o ANEXO V do Decreto nº 3.048/99, com redação do Decreto nº. 6.042, de 12/02/2007, desta forma, deveria ter informado como CNAE FISCAL e PREPONDERANTE o código CNAE “7810-8/00 - SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃO-DE-OBRA”, o qual representaria o correto enquadramento da empresa, conforme a Comissão Nacional de Classificação – CONCLA (consulta em anexo). A princípio, tal erro não alteraria a aplicação de alíquota RAT, contudo, para o período fiscalizado, o contribuinte declarou em GFIP a alíquota de 2% quando deveria utilizar 3%. O valor referente ao RAT devido e não recolhido foi levantado em papel de trabalho denominado ST – Contribuição Destinada ao RAT. Foram verificados, ainda, pela análise das informações constantes nas Folhas de Pagamento entregues em meio papel, valores pagos através das rubricas “893 –Gratificação”, “800 – Outros Rendimentos” e “896 – Outros Rendimentos Ocupacional” que, apesar de identificadas como proventos, não foram consideradas parcelas integrantes do salário de contribuição dos segurados empregados nas Folhas nem nas GFIP, cujos valores seguem discriminados no Relatório Fiscal, e foram denominados nos seguintes papéis de trabalho: AB- VALORES PAGOS ATRAVÉS DA RUBRICA “800 – OUTROS RENDIMENTOS”, CD – VALORES PAGOS ATRAVÉS DA RUBRICA “ 896 – OUTROS RENDIMENTOS OCUPACIONAL”, EF – VALORES PAGOS ATRAVÉS DA RUBRICA “893 – GRATIFICAÇÃO”. Verificou-se, ainda, após análise dos históricos dos lançamentos contábeis, pagamentos a pessoa física contabilizados nas rubricas “34201.0028 – DESPESAS DIVERSAS” e “34201.0069 – SERVIÇOS PRESTADOS PF”, os quais não foram considerados fatos geradores de contribuiçoes previdenciárias. A auditoria, por meio do TIF nº. 05, solicitou ao contribuinte os documentos que embasaram todos os lançamentos nas citadas rubricas, contudo, não houve atendimento à solicitação, tendo o Sr. Eliseu Batista informado que não dispunha dos referidos documentos. Fl. 616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 6 Deste modo, com base nos fatos acima e na legislação vigente, (artigo 33, §§ 3º e 5º da Lei 8212/91 e parágrafo único do artigo 233 do Decreto 3.048/99) a auditoria considerou que os valores relacionados a históricos que tratam de prestação de serviços foram destinados ao pagamento de serviços prestados por segurados contribuintes individuais não oferecidos à tributação pelo contribuinte. Os fatos geradores acima foram levantados em papéis de trabalho denominados: P1 - VALORES PAGOS E CONTABILIZADOS NA CONTA “34201.0069 - SERVICOS PRESTADOS PF”, P2 - CONTR SEGURADOS SOBRE VALORES PAGOS E CONTABILIZADOS NA CONTA “34201.0069 - SERVICOS PRESTADOS PF” , PD - VALORES PAGOS E CONTABILIZADOS NA CONTA “34201.0028 – DESPESAS DIVERSAS” e PT – CONTR SEGURADOS SOBRE VALORES PAGOS E CONTABILIZADOS NA CONTA “34201.0028 - DESPESAS DIVERSAS”, e estão registrados nas planilhas constantes do Relatório Fiscal. Foram lavrados, ainda, os seguintes Autos de Infração pelo descumprimento de Obrigações Acessórias: - AUTO DE INFRAÇÃO - DEBCAD N° 51.055.296-0 – Código Fundamento Legal - CFL 23 A autuada, apesar de utilizar sistema de processamento eletrônico de dados para elaborar a sua Contabilidade e Folhas de Pagamento de 2011 e 2012, conforme comprovado pela análise dos Livros DIÁRIO e RAZÃO e Folhas apresentadas, as quais foram entregues em meio papel e anexadas por amostragem a este Auto, passado os prazos previstos nos termos de intimação, apenas o arquivo MANAD com as informações da contabilidade de 2012 foi apresentado, o que constitui infração à Lei n° 8.218, de 29/08/1991, art. 11, §§ 1º, 3º e 4º, com a redação dada pela MP nº 2.158-35, de 24/08/2001. - AUTO DE INFRAÇÃO - DEBCAD N° 51.055.297-8 – Código Fundamento Legal - CFL 30 Conforme informado neste Relatório, após a análise das Folhas de Pagamento, Contabilidade e GFIPs, a auditoria constatou que não foram incluídos nas Folhas de Pagamento apresentadas pelo contribuinte os totais das remunerações pagas e das contribuições devidas dos segurados, bem como se constatou a existência de rubricas que, apesar de identificadas como proventos, não foram consideradas parcelas integrantes do salário de contribuição dos segurados empregados. Tal conduta constitui infração à Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. - AUTO DE INFRAÇÃO - DEBCAD N° 51.070.430-1 – Código Fundamento Legal - CFL 34 Após análise dos históricos dos lançamentos contábeis, a auditoria constatou valores pagos a contribuintes individuais entre pagamentos não tributáveis contabilizados nas rubricas “34201.0028 – DESPESAS DIVERSAS” (em anexo), de forma que o contribuinte deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas e as contribuições da empresa. Tal conduta constitui infração à Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, Fl. 617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 7 II, e §§13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. - AUTO DE INFRAÇÃO - DEBCAD N° 51.070.431-0 – Código Fundamento Legal - CFL 37 Após análise dos documentos apresentados, constatou-se que o contribuinte deixou de destacar nas notas fiscais de serviços emitidas em JANEIRO E FEVEREIRO de 2011 o percentual de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços, relativos à retenção para a Previdência Social, prevista na legislação. Tal infraçao está prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 31, § 1°, na redação dada pela Lei n° 9.711, de 20/11/1998 e pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009, combinado com o art. 219, §4°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. - AUTO DE INFRAÇÃO - DEBCAD N° 51.070.432-8 Código Fundamento Legal - CFL 38 Foram solicitados durante a ação fiscal diversos documentos e esclarecimentos ao contribuinte, através de Termos de Intimação, os quais não foram entregues, sendo: Livro Razão de 2011, MEMÓRIA DE CÁLCULO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS EM GFIP apresentada não atendeu às especificações solicitadas no TIPF, TIFs nºs. 02 e 03 e Documentos de caixa que embasaram os lançamentos contábeis das rubricas “34201.0028 - DESPESAS DIVERSAS” e “34201.0069 - SERVIÇOS PRESTADOS PF”, constantes na contabilidade de 2012, o que caracteriza infração à Lei n° 8.212. - AUTO DE INFRAÇÃO - DEBCAD N° 51.070.433-6 – Código Fundamento Legal - CFL 59 Conforme informado neste Relatório, a análise das Folhas de Pagamento, da contabilidade e GFIPs, demonstrou que o contribuinte deixou de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, cujos valores constam do Relatório de Lançamentos. Tal conduta constitui infração à Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput" e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a". - AUTO DE INFRAÇÃO - DEBCAD N° 51.070.434-4 – Código Fundamento Legal - CFL 78 A empresa deixou de considerar como integrante do salário de contribuição diversas parcelas remuneratórias, deixando também de incluí-las nas remunerações declaradas nas GFIP’s. Tais fatos resultaram em divergências entre as contribuições apuradas nesta fiscalização e as contribuições declaradas em GFIP, o que constitui infração prevista na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Após apresentação da impugnação foi proferido Acórdão n° 06-53.750 - 5ª TURMA da DRJ em Curitiba/PR de efls. 545/568, a qual julgou procedente o lançamento. Inconformado com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso (efls. 581/606), repisando às alegações da defesa inaugural, motivo pelo qual adoto o relatório da decisão recorrida: Fl. 618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 8 4.1. Primeiramente, em relação à Glosa de Compensação em GFIP, competências 01 e 02 de 2011, aduz que os §§1º, 5º e 6º da Lei 8.212/91, que tratam da cessão de mão de obra, (retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços que a empresa tomadora de serviços deve recolher em nome da empresa cedente de mão de obra), conjugadas com o do art. 33, parágrafo 5º, (o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei), ratificam o entendimento de que a natureza dessa obrigação é de subrogação do tomador de mão-de obra, para com o cedente. Cita doutrina e Julgado administrativo no sentido de demonstrar que a falta de retenção/recolhimento, independentemente do destaque pela contratada, implica, apenas, o lançamento desses valores contra a contratante. 4.2. Mesmo que os fundamentos acima não prosperassem, esclarece que as retenções foram efetuadas, conforme se constata na documentação fornecida pela contratante, (fls.523/539), sendo que esta afirma categoricamente que os valores foram recolhidos na forma de parcelamento. 4.3. Ademais, observa que a empresa lançou na contabilidade, conta 11405.0006 - INSS A COMPENSAR - ano de 2010, créditos que seriam suficientes para respaldar a compensação efetuada pelo impugnante. (...) 4.5. Quanto a diferença de alíquota RAT, o fiscal afirma que a empresa enquadrou-se equivocadamente no CNAE 7820-5/00 - LOCAÇÃO DE MÃO-DE- OBRA TEMPORÁRIA, quando, em verdade, por não registrar como tal no Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, deveria ter se enquadrado no CNAE 7810-8/00 - SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃO-DE-OBRA. 4.6. Ocorre que tal erro não merece procedência, haja vista que a empresa exerce efetivamente a atividade de cessão de mão de obra, sendo o registro no MTE mera obrigação administrativa que a empresa possui e que não macula a atividade por ela exercida, ensejando efeitos apenas na esfera administrativa/trabalhista e não na esfera fiscal/tributária. 4.7. E, embora, a alíquota para ambos os CNAE, seja de 3%, atualmente, tal alteração no percentual do RAT veio com a alteração do Decreto 3.048/91, realizada por intermédio do Decreto 6.957/09 veiculado de forma unilateral e ilegalmente por parte do Poder Executivo e na redação original do Decreto 3.048/91 - Anexo V, a alíquota prevista é aquela declarada pelo contribuinte em GFIP, 2%. 4.8. Não se nega a possibilidade de o Poder Executivo alterar as alíquotas por intermédio de Decreto, mas apenas que não obedeceu aos requisitos necessários Fl. 619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 9 impostos na legislação que permite tal função, ou seja, o disposto no art. 22, parágrafo 3º da Lei 8.212/91 (ausência de demonstração de dados estatísticos e em inspeção que justifiquem a alteração de tal natureza). Cita doutrina e jurisprudência. 4.9. Quanto aos pagamentos efetuados a segurados empregados não tributados em Folhas de Pagamento, serviços prestados por Pessoa Física e valores de despesas contabilizadas, os quais não estavam declarados em GFIP, entende que o fiscal ao levantar tal base de cálculo, deixou de lado seu dever de investigação e busca da verdade material. Cita Doutrina sobre o assunto. E, sendo o lançamento decorrente de atividade plenamente vinculada, nos termos do artigo 142 do CTN, a presunção da fiscalização de que “despesas diversas” e ‘serviços prestados PF “são proventos e possuem denominações típicas de parcelas integrantes de salário de contribuição foi feito ao arrepio da lei, uma vez que não há qualquer dispositivo legal autorizando a fiscalização presumir fatos geradores. 4.10. O arbitramento autorizado pelo art. 148 do Código Tributário Nacional tem por objeto o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos que sejam base de cálculo, ou seja, proceder ao arbitramento do 148 do CTN, a fiscalização deveria, em primeiro lugar, provar a existência dos fatos geradores das contribuições. Cita julgados de Trbunais Federais e doutrina sobre a matéria. 4.11. Mas tal prova não existiu; o que houve foi a simples presunção da fiscalização de que "despesas diversas" e "serviços prestados PF" são proventos e possuem denominações típicas de parcelas integrantes de salário de contribuição. 4.12. Esclarece, sob outro aspecto, que basta confrontar os seus livros fiscais com os contratos firmados com o município para se verificar que todo o seu faturamento provém destas prestações de serviços. Assim, já que a contratante era obrigada a efetuar as retenções das contribuições (11%), não faria sentido algum a defendente manter pagamentos a título de proventos não declarados. 4.13. Com relação ao AIOA Debcad nº 51.055.296-0, (CFL23), o Regulamento da Previdência Social - RPS, o Decreto n. 3.048/99, no art. 283, II, "b", com redação dada pelo Decreto n. 4.862/03, tratou a Lei n. 10.666/03 como NORMA ESPECIAL no que se refere a Contribuições Previdenciárias, tanto que traz a multa a ser aplicada pelo descumprimento de Obrigação Acessória, pelo contido no artigo 8º da Lei n. 10.666/03, logo errou a fiscalização ao entender que a impugnante descumpriu os preceitos da Lei n° 8.218/91, art. 11, parágrafos 1º, 3º e 4º, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, bem como com a decorrente multa pelo art. 12, III e parágrafo único da Lei n° 8.218/91, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, devendo no caso, diante da capitulação equivoca da infração ser anulado o presente auto por vício material. 4.14. Quanto aos AIOAs Debcads nº 51.070.430-1, 51.055.297-8, 51.070.431-0, 51.070.433-6, 51.070.434-4, a autuada informa que tais multas estão Fl. 620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 10 estritamente ligadas com os fundamentos já expedidos em relação aos autos de infração por descumprimento de Obrigação Principal. 4.15. De acordo com a fiscalização, os documentos que não foram apresentados no AIOA Debcad nº 51.070.432-8, (CFL 38), livro Razão 2011, Memória de Cálculo das Compensações Declaradas em GFIP e documentos caixa que embasaram os lançamentos contábeis das rubricas “Despesas Diversas e “ Serviços prestados PF”, não estão relacionados diretamente com contribuições previdenciárias, ou seja, não são documentos de exibição obrigatória pela legislação tributária, portanto, errada está a tipificação da multa. Ao fim, os recorrentes pugnam que seja julgado totalmente improcedente o presente Auto de Infração, com o cancelamento da integralidade do crédito tributário. É o relatório. VOTO Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. A presente autuação compreende as contribuições previdenciárias e as destinadas a Terceiros, não recolhidas e nem declaradas em GFIP, referentes a: (i) glosa de compensações indevidas; (ii) Pagamentos não declarados em GFIP creditadas a segurados contribuintes individuais e empregados, verificadas na contabilidade do sujeito passivo, RAIS, DIRF e Folhas de Pagamento, aferidos indiretamente, conforme §§ 3º e 5º do art.33 da Lei 8.212/91, iii) erro na aplicação da alíquota SAT, além de imposição de penalidades decorrentes da não contabilização de fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios de sua contabilidade, falta de apresentação de documentos relacionados a fatos geradores, por não arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, omissão de contribuições previdenciárias em GFIP e deixar de destacar 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços na nota fiscal. Por seu turno, a recorrente, em relação ao mérito das contribuições lançadas, se insurge sobra a glosa de compensação, diferença da alíquota RAT e diferenças de rubricas, além dos autos de obrigação acessória cujo os quais são intimamente ligados a obrigação principal. Sobre os temas, tendo em vista que a recorrente transcreve, em seu recurso, ipsis litteris, a sua impugnação, enxertando apenas alguns comentários sobre a decisão recorrida, opto por reproduzir no presente voto, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordo e mantenho em sua integralidade. É de se ver: Glosa de Compensação Indevida – Competências 01 e 02/2011. Fl. 621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 11 8. A empresa defende, em sua impugnação, que deveria ser acatado o seu direito de proceder à compensação dos créditos em questão, informados em suas GFIP’s, que afirma serem decorrentes da retenção de 11% sobre o valor de seu faturamento, e sustenta que seria ilegítima a pretensão da fiscalização de exigir dela, como prestadora de serviço, contribuições previdenciárias, sendo tal obrigação subrogada ao tomador de mão de obra. 8.1. Cumpre mencionar, no entanto, que, para o exercício do direito à compensação de valores retidos, a empresa contratada deve destacar as retenções nas notas fiscais emitidas, elaborar suas GFIP distintas para cada tomador e verificar se tais informações foram veiculadas na forma normatizada no Manual da GFIP vigente à época do cumprimento da obrigação. E, ainda, em linhas gerais, observa-se que na falta de destaque, a empresa contratada somente poderá efetuar a compensação se comprovar o recolhimento do valor retido pela empresa contratante, conforme, alguns dispositivos transcritos a seguir: (...)8.2. No caso concreto, a auditoria fiscal com o intuito de verificar a regularidade das compensações efetuadas em GFIP, solicitou ao contribuinte os Contratos de Prestação de Serviços, Notas Fiscais emitidas e o Demonstrativo Mensal das notas fiscais de prestação de serviços, elaborado por contratante e contrato, tal qual previsto na IN RFB 971/2009. Também solicitou a MEMÓRIA DE CÁLCULO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS EM GFIP, conforme especificações descritas no TIPF e TIFs nºs. 02 e 03, fls. 64, 66/67. 8.3. E, analisados tais documentos, a auditoria pode verificar que o contribuinte não efetuou o destaque da retenção nas notas fiscais emitidas em 01 e 02/2011, não lançou em sua contabilidade os valores supostamente retidos pelo tomador dos serviços, e que não constam recolhimentos sobre retenções em nome do contribuinte, conforme o RELATÓRIO CONRET PLENUS - CONSULTA VALORES DE RETENCAO 11% DECLARADOS x RECOLHIDOS, fls. 76/83. 8.4. Do mesmo modo, não comprovou até a data do encerramento da ação fiscal, embora intimada, (TIF nº 03), que teria créditos a compensar, relativos ao ano anterior, 2010, lançados na conta 11405.0006 – INSS a compensar”, os quais segundo a defesa, seriam suficientes a respaldar a compensação efetuada pelo impugnante. 8.5. Ademais, tem-se que a autuada também não trouxe com sua defesa, documentos hábeis a afastar os lançamentos realizados pela fiscalização, como cópias de notas fiscais ou faturas de prestação de serviços emitidas por ela com o destaque de 11% (onze por cento) do seu valor bruto a título de retenção, com base no artigo 31 da Lei n.º 8.212/91, e os respectivos registros contábeis, evidenciando as devidas retenções de 11%, e nem provas de que teria ocorrido o recolhimento destes valores pela tomadora de serviço. Dessa forma, não demonstrou o cumprimento dos requisitos necessários exigidos pela legislação para realizar a compensação em questão, ou seja, não comprovou a existência do alegado crédito, devendo, por consequência, ser mantido tal levantamento. Fl. 622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 12 8.6. Vale observar, que caberia ao contribuinte o ônus da prova em contrário, no sentido de provar que o critério utilizado pela autoridade fiscal encontra-se equivocado, mediante a prova de fato impeditivo ou extintivo da pretensão do fisco (Código de Processo Civil, art. 333, inciso II). 8.7. E, estando os serviços prestados sujeitos ao destaque e à retenção obrigatória, deve ser mantido, ainda, o Auto de Infração lavrado pelo Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD nº 51.070.431-0, por infraçao ao art. 31, § 1°, na redação dada pela Lei n° 9.711, de 20/11/1998 e pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009, combinado com o art. 219, § 4°, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. Da Diferença de Alíquota RAT 8.8. Inicialmente, cabe observar que a exigência da contribuição a cargo da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre o total das remunerações dos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestaram serviços vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, tem amparo no artigo 22, inciso II da Lei nº 8.212/91, e no artigo 202 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. 8.9. Com efeito, o referido artigo estabeleceu a contribuição para financiamento das prestações por acidente do trabalho (SAT ou RAT), no percentual de 1%, 2% e 3%, conforme o risco correspondente à atividade preponderante exercida pela empresa seja considerado leve, médio ou grave, respectivamente, bem como delegou ao Executivo o enquadramento das empresas, conforme se observa no § 3º, do art. 22 da Lei nº 8.212/91, E os regulamentos aprovados pelos Decretos nº 356/91, 612/92, 2.173/97 e 3.048/99, que se seguiram à edição da Lei, simplesmente deram operacionalidade à referida exação, em nada alterando com relação aos elementos essenciais, limitando-se a conceituar a atividade econômica preponderante e o enquadramento das empresas nos graus de risco acidentário, ou seja, apenas adequando e delimitando conceitos necessários à aplicação concreta do comando previsto na Lei nº 8.212/91, sem extrapolar o comando legal. 8.10. Acerca do tema, ressalte-se que o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, devendo ser feito mensalmente, de acordo com sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, prevista no Anexo V do RPS. 8.11. A competência funcional da autoridade fiscal limita-se a verificação do correto auto-enquadramento por parte do Contribuinte e, na inocorrência deve promovê-lo. 8.12. No caso, a fiscalização constatou que o contribuinte não está registrado para funcionar como empresa de trabalho temporário no Ministério do Trabalho e Fl. 623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 13 Emprego – MTE, fls.109, conforme o previsto nos artigos 5º da Lei nº 6.019/1974 e 4º do Decreto nº 73.841/74, tendo por base o ANEXO V do Decreto nº. 3.048/99, com redação do Decreto nº. 6.042, de 12/02/2007, e que, portanto, deveria ter informado como CNAE FISCAL e PREPONDERANTE o código CNAE “7810-8/00 - SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃO-DE-OBRA”, o qual representaria o correto enquadramento da empresa, conforme a Comissão Nacional de Classificação – CONCLA. (...) 8.13. A Resolução nº 01, de 04/09/2006, da Comissão Nacional de Classificação – CONCLA, prescreve que o enquadramento no CNAE-FISCAL 7820-5/00 deve ser feito por empresa que coloque mão-de-obra temporária à disposição de outras empresas clientes para complementar o seu quadro de pessoal por tempo determinado. Conforme a legislação trabalhista, os trabalhadores encaminhados são temporários e remunerados como tal, estando a supervisão dos mesmos na responsabilidade do cliente, ou seja, da empresa tomadora do serviço . 8.14. No caso, a defesa, não comprova que exerceu as atividades do CNAE 7820-5- 00, e não apresenta provas nesse sentido, devendo, portanto, prevalecer a argumentação fiscal quanto a ausência de registro no Ministério do Trabalho e Emprego a demonstrar o enquadramento no CNAE 7810-8/00. 8.15. A princípio, este erro quanto a uso do CNAE PREPONDERANTE não levaria, a erro na aplicação de alíquota RAT, haja vista ambos os CNAEs apresentarem a mesma alíquota, 3%, conforme a legislação. Contudo, para o período fiscalizado, o contribuinte declarou indevidamente em GFIP a alíquota de 2%, sendo, portanto, devidas as diferenças destinadas ao RAT para o período fiscalizado, conforme demonstrado na planilha constante do Relatório Fiscal. 8.16. E, contrário do entendimento da autuada, tanto o Ministério do Trabalho e Emprego – MTE – quanto o Ministério da Previdência e Assistência Social – MPAS – utilizam-se da tabela de Classificação Nacional de Atividades Econômicas-Fiscal, CNAE-Fiscal, instrumento de identificação econômica das unidades produtivas do País nos cadastros e registro das três esferas da administração pública brasileira, uniformizado nacionalmente, seguindo padrões internacionais definidos no âmbito da ONU, sendo que a tabela de códigos CNAE-Fiscal foi aprovada e divulgada pela Comissão Nacional de Classificações-CONCLA, órgão com a incumbência de promover no País a padronização das classificações utilizadas no sistema estatístico e nos cadastros e registros da Administração Pública. 8.17. Por fim, a discussão acerca da correta avaliação do grau de risco da atividade empresarial desenvolvida pela Impugnante não pode ser travada no âmbito do procedimento de fiscalização. Aquele que se sentir prejudicado com a classificação imposta tem além da via administrativa a judicial para fazer valer suas teses e assim conseguir rever sua classificação. 8.18. Assim, não merece reparo o trabalho da Auditoria-Fiscal. Fl. 624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 14 • Dos pagamentos a Segurados Empregados não tributados em Folhas de Pagamento e não declarados em GFIP. • Dos valores pagos e contabilizados a título de “Despesas Diversas” e “Serviços Prestados PF” não declarados em GFIP. 8.19. Após a análise das informações constantes nas Folhas de Pagamento entregues em meio papel, constatou-se valores pagos através das rubricas “893 – Gratificação”, “800 – Outros Rendimentos” e “896 – Outros Rendimentos Ocupacional” que, apesar de identificadas como proventos, não foram consideradas parcelas integrantes do salário de contribuição dos segurados empregados nas Folhas nem nas GFIP. 8.20. Conforme atestado pela auditoria, através do TIF nº. 04, foi solicitado esclarecimentos sobre a natureza dos pagamentos, contudo, o Sócio- administrador da empresa afirmou não saber o motivo do pagamento de tais valores. No prazo de defesa, também não apresentou provas de que tais verbas não seriam base de cálculo de contribuições. 8.21. Deste modo, considerando a ausência de colaboração por parte do sujeito passivo, bem como pelo fato de tais rubricas estarem identificadas em Folhas de Pagamento como proventos e possuírem denominações típicas de parcelas integrantes de salário de contribuição, tais valores foram corretamente aferidos nos termos do artigo 33, §§ 3º e 5º, da Lei 8212/91 e artigo 233, parágrafo único do Decreto 3.048/99(...)8.23. Deste modo, por deixar de preparar as folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB, deve, ainda, ser mantida a multa aplicada pelo descumprimento de Obrigação Acessória, através do AIOA Debcad nº. 51.055.297-8 (CFL 30), por infração ao à Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, além dos lançamentos decorrentes de obrigação principal. 8.24. Tem-se, ainda que, da análise dos históricos dos lançamentos contábeis a auditoria constatou pagamentos a pessoa física contabilizados nas rubricas “34201.0028 - DESPESAS DIVERSAS” e “34201.0069 – SERVIÇOS PRESTADOS PF”, conforme planilha constante do Relatório Fiscal. 8.25. Assim, com o objetivo de identificar os fatos geradores e verificar a consistência dos registros contábeis, a Fiscalização intimou o contribuinte, por meio do TIF nº. 05, fls.71, para que apresentasse os documentos que embasaram todos os lançamentos nas citadas rubricas. No entanto, decorrido o prazo previsto, não houve atendimento à solicitação, segundo consta do Relatório Fiscal. 8.26. Deste modo, diante da recusa da empresa em apresentar a documentação solicitada, a autoridade fiscal não teve alternativa a não ser lançar de ofício a importância que reputou devida, considerando a totalidade dos pagamentos Fl. 625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 15 registrados nos lançamentos contábeis discriminados, com fundamento no artigo 33, §§ 3º e 5º, da Lei 8212/91, invertendo o ônus da prova do fato gerador. 8.27. Ressalta-se que produção de prova neste momento processual é imperativa para formar a convicção do julgador, assim cabe a prova a quem alega. O Auditor provou a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e forneceu os elementos probatórios suficientes para formação do convencimento do julgador, por sua vez aduz a Impugnante inexistência da ocorrência do fato gerador e não produz a prova capaz de desconstituir os lançamentos. 8.28. E, diante da recusa da autuada em apresentar todos os documentos solicitados através dos Termos de Intimação, (i) Livro Razão de 2011; (ii) MEMÓRIA DE CÁLCULO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS EM GFIP , (iii) Documentos de caixa que embasaram os lançamentos contábeis das rubricas “34201.0028 – DESPESAS DIVERSAS” e “34201.0069 - SERVICOS PRESTADOS PF”, constantes na contabilidade de 2012, os quais, diferentemente do que entende a autuada, são indispensáveis à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias, deve ser mantido a penalidade aplicada através do AIOA Debcad nº 51.070.432-8 (CFL 38), por infração à Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. 8.29. Do mesmo modo, demonstrado o caráter remuneratório das rubricas consideradas fatos geradores de contribuições previdenciárias pela fiscalização, deve ser mantido o AIOA 51.070.433-6 (CFL 59), uma vez que o contribuinte deixou de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, o que constitui infração à Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 30, I, "a", e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput" e Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, "a". 8.30. E, pelo fato do contribuinte ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas e as contribuições da empresa, foi corretamente lavrado o Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD 51.070.430-1, CFL 34, por infração Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, o qual deverá ser mantido. Pois bem! Especificamente quanto a glosa de compensação, caberia a contribuinte o ônus da prova em contrário, no sentido de provar que o critério utilizado pela autoridade fiscal se encontra equivocado, mediante a prova de fato impeditivo ou extintivo da pretensão do fisco, o que, como visto, não foi feito. Fl. 626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 16 A autuada também não trouxe com sua defesa, documentos hábeis a afastar os lançamentos realizados pela fiscalização, como cópias de notas fiscais ou faturas de prestação de serviços emitidas por ela com o destaque de 11% (onze por cento) do seu valor bruto a título de retenção, com base no artigo 31 da Lei n.º 8.212/91, e os respectivos registros contábeis, evidenciando as devidas retenções de 11%, e nem provas de que teria ocorrido o recolhimento destes valores pela tomadora de serviço. Dessa forma, não demonstrou o cumprimento dos requisitos necessários exigidos pela legislação para realizar a compensação em questão, ou seja, não comprovou a existência do alegado crédito, devendo, por consequência, ser mantido tal levantamento. No que diz respeito a diferença da alíquota RAT, in casu, a recorrente não comprova que exerceu as atividades do CNAE 7820-5-00, e não apresenta provas nesse sentido, devendo, portanto, prevalecer a argumentação fiscal quanto a ausência de registro no Ministério do Trabalho e Emprego a demonstrar o enquadramento no CNAE 7810-8/00. De início, este erro quanto a uso do CNAE PREPONDERANTE não levaria, a erro na aplicação de alíquota RAT, haja vista ambos os CNAEs apresentarem a mesma alíquota, 3%, conforme a legislação. Contudo, para o período fiscalizado, o contribuinte declarou indevidamente em GFIP a alíquota de 2%, sendo, portanto, devidas as diferenças destinadas ao RAT para o período fiscalizado, conforme demonstrado na planilha constante do Relatório Fiscal. No que concerne a constatação dos valores pagos através das rubricas “893 – Gratificação”, “800 – Outros Rendimentos” e “896 – Outros Rendimentos Ocupacional” que, apesar de identificadas como proventos, não foram consideradas parcelas integrantes do salário de contribuição dos segurados empregados nas Folhas nem nas GFIP. Conforme bem delineado pela autoridade lançadora, bem como pela decisão de piso, foi solicitado esclarecimentos sobre a natureza dos pagamentos, contudo, o Sócio administrador da empresa afirmou não saber o motivo do pagamento de tais valores. No prazo de defesa, também não apresentou provas de que tais verbas não seriam base de cálculo de contribuições. Deste modo, considerando a ausência de colaboração por parte do sujeito passivo, bem como pelo fato de tais rubricas estarem identificadas em Folhas de Pagamento como proventos e possuírem denominações típicas de parcelas integrantes de salário de contribuição. AIOA 51.055.296-0 (CFL 23) A multa é decorrente do descumprimento da obrigação acessória por não ter a empresa apresentado dentro do prazo arquivos e sistemas em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, in casu, mais especificamente as folhas de pagamento em meio digital, conforme previsto na Lei n° 8.218, de 29.08.1991, art. 11, §§ 3º e 4°, com redação da MP n° 2.158, de 24.8.2001. Fl. 627DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 17 A apresentação dos arquivos digitais à fiscalização previdenciária passou a ser obrigatória com a edição da MP nº 83/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.666/2003, que assim dispõe: Art. 8º A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. A fiscalização aplicou a multa prevista no art. 12, III, e parágrafo único, da Lei nº 8.218/91. Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3º poderão ser expedidos por autoridade designada pela Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...) III - multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano-calendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) O fundamento legal da referida multa pode ser encontrado também no art. 33 da Lei n 8.212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no Fl. 628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 18 parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2° A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). E, nos termos do art. 92 da Lei nº 8.212/91, a infração a qualquer dispositivo da Lei nº 8.212/91, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, será verificada na forma que dispuser o Regulamento da Previdência Social. Nesse sentido, assim prevê o art. 283, II, alínea “j”, do Decreto nº 3.048/99: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicando-se lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II - a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentá-los sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; No âmbito das contribuições previdenciárias, há penalidade específica para a apresentação de documentos que não atendem as formalidades exigidas. Fl. 629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.923 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10380.729272/2014-25 19 Entretanto, a multa imposta tomou como base o art. 11, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pela MP nº 2.158-35/ 01, tendo sido calculada com base no art. 12, da Lei nº 8.218/91. A Medida Provisória nº 2.158-35/ 01 dispõe, essencialmente, sobre a “legislação das Contribuições para a Seguridade Social COFINS, para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e do Imposto sobre a Renda”. Cabe destacar, ainda, que a multa prevista na Lei nº 8.218/91 utiliza como base de cálculo a “receita bruta da pessoa jurídica” no ano-calendário, que era uma base de cálculo não utilizada para as contribuições previdenciárias, em situações como a do presente processo. Destarte, inexiste fundamento para que seja aplicada a referida legislação quando se está tratando sobre contribuição previdenciária (e respectivos deveres instrumentais), tendo em vista que esta possui regra de incidência totalmente dissociada do PIS e da COFINS, além do fato de que, como dito acima, possui legislação específica a penalizar a conduta descrita no Auto de Infração. Neste diapasão, deve ser improcedente o Auto de Infração aplicado com base na legislação geral. Para afastar qualquer dúvida a esse respeito foi editada a Súmula CARF n° 181, que assim dispõe: No âmbito das contribuições previdenciárias, é incabível lançamento por descumprimento de obrigação acessória, relacionada à apresentação de informações e documentos exigidos, ainda que em meio digital, com fulcro no caput e parágrafos dos artigos 11 e 12, da Lei nº 8.218, de 1991. Assim, improcedente o auto de obrigação acessória com Código de Fundamentação Legal 23. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento apenas para tornar improcedente o AIOA 51.055.296-0 (CFL 23). Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 630DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10880.940106/2011-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2003 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Constatado o erro material no acórdão embargado deve ser sanado o vício suscitado.
Numero da decisão: 3002-003.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração opostos pelo contribuinte, para sanar a omissão e a contradição identificadas, sem atribuir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon – Relator Assinado Digitalmente Renato Camara Ferrro Ribeiro de Gusmao – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Gisela Pimenta Gadelha, Adriano Monte Pessoa, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi (substituto [a] integral), Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente).
Nome do relator: NEIVA APARECIDA BAYLON

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração opostos pelo contribuinte, para sanar a omissão e a contradição identificadas, sem atribuir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon – Relator Assinado Digitalmente Renato Camara Ferrro Ribeiro de Gusmao – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Gisela Pimenta Gadelha, Adriano Monte Pessoa, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi (substituto [a] integral), Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente).

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(SUCESSORA DE SADIVE S.A DISTRIBUIDORA DE VEICULOS). INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2003 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Constatado o erro material no acórdão embargado deve ser sanado o vício suscitado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração opostos pelo contribuinte, para sanar a omissão e a contradição identificadas, sem atribuir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon – Relator Assinado Digitalmente Renato Camara Ferrro Ribeiro de Gusmao – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Gisela Pimenta Gadelha, Adriano Monte Pessoa, Fl. 163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.960 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.940106/2011-02 2 Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi (substituto [a] integral), Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente). RELATÓRIO Cuida-se de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 3302-002.410, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do CARF, referente ao processo que versa sobre pedido de restituição da Contribuição para o PIS/PASEP relativo ao mês de junho de 1999, sob o fundamento de recolhimento indevido sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento. O contribuinte tomou ciência do acórdão em 15/03/2023, tendo protocolado os presentes embargos em 20/02/2023, portanto dentro do prazo de cinco dias previsto na legislação tributária, sendo os embargos, assim, tempestivos. A embargante alega que o acórdão embargado padece de omissão quanto à análise das provas documentais acostadas aos autos, especialmente aquelas constantes das fls. 75 a 78, consistentes em registros contábeis e demonstrativos de cálculo destinados a comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Sustenta que, conforme demonstram os referidos documentos, as receitas consideradas indevidas à base de cálculo do PIS/PASEP foram devidamente registradas contabilmente e identificadas como receitas estranhas ao conceito de faturamento, razão pela qual o indébito seria comprovado. Afirma que, embora o pedido de restituição tenha sido indeferido sob o fundamento de ausência de comprovação do crédito, o conjunto probatório não foi objeto de análise específica pela Turma julgadora, nem no acórdão originário (Acórdão nº 3302-000.882, de 19/09/2019), nem no julgamento dos embargos de declaração anteriormente opostos (Acórdão nº 3302-002.410, de 04/11/2022*). Alega ainda que há obscuridade e contradição nas decisões proferidas, uma vez que o primeiro acórdão indeferiu o pedido com base na suposta alteração da origem do crédito, reconhecendo que o contribuinte teria informado crédito de natureza diversa daquela declarada no PER/DCOMP; enquanto o acórdão de embargos, por sua vez, passou a fundamentar a negativa na ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito, sem esclarecer se as provas trazidas aos autos foram efetivamente analisadas. A embargante defende que o vício persiste, pois as decisões anteriores não demonstraram as razões pelas quais as provas apresentadas seriam insuficientes, tampouco indicaram os fundamentos técnicos para a rejeição dos documentos contábeis apresentados. Fl. 164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.960 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.940106/2011-02 3 Diante disso, requer o reconhecimento do vício de omissão e a consequente anulação do acórdão recorrido, com retorno dos autos à DRJ de origem, a fim de que seja proferida nova decisão devidamente fundamentada quanto à apreciação das provas. É o relatório. VOTO Conselheira Neiva Aparecida Baylon, Relatora. Atendidos os pressupostos de admissibilidade, conheço dos Embargos de Declaração opostos pela contribuinte, com fundamento no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em face do Acórdão nº 3302-002.410. A embargante sustenta que o acórdão embargado padece de omissão e contradição, por não haver examinado as provas contábeis e demonstrativos de cálculo apresentados às fls. 75 a 78 dos autos, os quais comprovariam que as receitas indevidamente incluídas na base de cálculo do PIS não compunham o conceito de faturamento. Alega, ainda, que há inconsistência entre as decisões proferidas: o Acórdão nº 3302- 000.882 teria negado o pedido sob o fundamento de alteração da origem do crédito, ao passo que o Acórdão nº 3302-002.410 limitou-se a reafirmar o ônus probatório do contribuinte, sem esclarecer se os documentos apresentados foram efetivamente analisados e valorados. Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, cabem embargos de declaração quando a decisão contiver omissão, contradição ou obscuridade, ou quando for necessário esclarecimento sobre ponto essencial ao julgamento. O exame das decisões anteriores revela que, de fato, não houve manifestação expressa acerca dos documentos apresentados pelo contribuinte às fls. 75 a 78, os quais, segundo alega, demonstrariam a origem e a composição das receitas indevidamente incluídas na base de cálculo da contribuição. O Acórdão nº 3302-000.882, ao negar provimento ao recurso voluntário, fundamentou-se principalmente na alteração da origem do crédito, apontando divergência entre a informação prestada no PER/DCOMP e a posterior alegação de que o crédito decorreria de decisão judicial. Fl. 165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.960 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.940106/2011-02 4 Por sua vez, o Acórdão nº 3302-002.410 limitou-se a reafirmar o dever do contribuinte de comprovar a liquidez e certeza do crédito, sem, contudo, proceder à análise específica dos elementos probatórios constantes dos autos. Essa ausência de enfrentamento das provas apresentadas configura omissão relevante, uma vez que a apreciação da suficiência ou insuficiência das provas deve decorrer de valoração explícita dos documentos, sob pena de ofensa aos princípios da motivação das decisões administrativas e da ampla defesa, previstos no art. 2º, parágrafo único, incisos VII e X, da Lei nº 9.784/1999. Cumpre lembrar que o art. 59, §1º, inciso II, do mesmo diploma legal, exige que a decisão administrativa indique de forma clara os fatos e fundamentos jurídicos que a embasam, de modo a possibilitar o controle de legalidade e a compreensão do raciocínio decisório. Não obstante, verifica-se que os demonstrativos de cálculo apresentados às fls. 75 a 78, por si sós, não comprovam a liquidez e certeza do crédito pleiteado, razão pela qual não há alteração do resultado do julgamento anterior. Conclusão Diante do exposto, acolho parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, com fundamento no art. 65, inciso II, do Anexo II do RICARF, para sanar a omissão e a contradição identificadas, mantendo-se, contudo, inalterado o resultado do julgamento. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon Fl. 166DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11185344 #
Numero do processo: 12965.000826/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF. COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A compensação do IRRF sobre rendimentos pagos a acionistas controladores, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado está condicionada à comprovação do seu efetivo recolhimento.
Numero da decisão: 2301-011.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Andre Barros de Moura (substituto integral), Carlos Eduardo Avila Cabral e Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL

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COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A compensação do IRRF sobre rendimentos pagos a acionistas controladores, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado está condicionada à comprovação do seu efetivo recolhimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Andre Barros de Moura (substituto integral), Carlos Eduardo Avila Cabral e Diogo Cristian Denny (Presidente). Fl. 218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.871 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12965.000826/2008-15 2 RELATÓRIO Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 08/11) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006 (e-fls. 26/30), onde se apurou a Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF de R$ 18.217,44 referente à fonte pagadora Fiori Cerâmica Ltda. A Impugnação (e-fls. 02/04) foi julgada Improcedente pela 4ª Turma da DRJ/JFA em decisão assim ementada (e-fls. 32/34): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO. RETENÇÃO NA FONTE DE SÓCIO. PROVA DO RECOLHIMENTO. Na situação em concreto, onde o contribuinte é sócio administrador da própria fonte pagadora e tendo o lançamento se motivado em razão da ausência de recolhimento de suposto imposto retido, há que se demonstrar, de forma cabal, que o aduzido imposto retido efetivamente fora recolhido, para efeito de considerá-lo. Cientificado do acórdão de primeira instância em 30/08/2010 (e-fls. 147), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 13/09/2010 (e-fls. 37/43, 148) contendo os argumentos a seguir sintetizados: - Sustenta que, conforme comprovante de retenção apresentado, sofreu da fonte pagadora Fiori Cerâmica Ltda descontos de Imposto de Renda da Pessoa Física no valor total de R$ 18.217,44, sendo inquestionável o direito de compensar o referido montante em sua declaração de ajuste anual. Alega que o recolhimento do imposto, na forma da lei, cabia à pessoa jurídica encarregada da retenção. - Defende que a falta de pagamento ou a compensação irregular do tributo retido na fonte diz respeito tão somente à pessoa jurídica Fiori Cerâmica Ltda. e à Receita Federal do Brasil. - Aduz que, sendo a fonte pagadora, por força de lei, responsável pelo recolhimento do tributo regularmente retido, nada pode ser exigido do contribuinte de fato, ou seja, daquele que sofre o desconto. - Reconhece que, na hipótese de ser devido o imposto e deixar a fonte pagadora de promover a retenção, o Fisco pode exigir o tributo do próprio contribuinte de fato. No entanto, afirma que na situação concreta o sujeito passivo sofreu, comprovadamente, o desconto do Imposto de Renda no valor de R$ 18.217,44, não sendo possível atribuir a ele a responsabilidade pelo seu recolhimento. Fl. 219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.871 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12965.000826/2008-15 3 - Alega que, conforme comprovantes em anexo, a Fiori Cerâmica Ltda. aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a fim de liquidar todos os seus débitos de tributos federais, entre os quais o Imposto de Renda retido no caso em exame. A 2ª Turma Extraordinária da 2ª Seção do CARF converteu o julgamento do Recurso Voluntário em Diligência (Resolução nº 2002-000.217) para que a Unidade de Origem elaborasse relatório conclusivo indicando se o crédito tributário devido pela empresa Fiori Cerâmica Ltda referente ao ano calendário 2005 havia sido integralmente quitado e se o IRRF de R$ 18.217,44 declarado pelo contribuinte para a fonte pagadora estaria incluído nesse montante (e-fls. 149/151). Em atendimento, foram anexados aos autos os seguintes documentos: Informação nº 11/2021-RFB/DEVAT/EQREV/REVFAZPJ elaborada pela autoridade fiscal (e-fls. 187/189) e Resultado da Consulta de Inscrição Localizada emitido pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (e-fls. 193/200). VOTO Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extrai-se do art. 87 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99), vigente à época dos fatos, que a compensação do IRRF somente é permitida se os rendimentos correspondentes forem incluídos na base de cálculo do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual e se restar comprovada a retenção efetuada pela fonte pagadora. No entanto, tratando-se de acionista controlador, diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, que efetua a retenção do imposto e informa o valor correspondente à Receita Federal do Brasil - RFB, torna-se necessária também a comprovação do efetivo recolhimento do imposto retido, haja vista a responsabilidade solidária prevista no art. 723 do RIR/99: Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (Decreto-Lei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringe- se ao período da respectiva administração, gestão ou representação (Decreto-Lei nº 1.736, de 1979, art. 8º, parágrafo único). Nesses casos, não basta a indicação da retenção do imposto no comprovante de rendimentos ou na DIRF apresentada pela fonte pagadora, devendo ser demonstrado também o Fl. 220DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del1736.htm#art8 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.871 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12965.000826/2008-15 4 seu efetivo recolhimento para que o contribuinte possa realizar a compensação em sua Declaração de Ajuste Anual. Na situação em exame, a autoridade fiscal procedeu à glosa do IRRF em litígio por não ter sido identificado o seu recolhimento pela empresa Fiori Cerâmica Ltda, da qual o contribuinte é sócio administrador (e-fls. 09). O julgamento de primeira instância manteve o lançamento pelo mesmo motivo (e- fls. 33). Em vista dos argumentos e elementos de prova trazidos pelo recorrente, a 2ª Turma Extraordinária da 2ª Seção do CARF encaminhou os autos em Diligência para que a Unidade de Origem informasse se o crédito tributário devido pela empresa Fiori Cerâmica Ltda referente ao ano calendário 2005 havia sido integralmente quitado e se o IRRF de R$ 18.217,44 declarado pelo contribuinte para a fonte pagadora estaria incluído nesse montante (e-fls. 149/151). Da leitura da Informação nº 11/2021-RFB/DEVAT/EQREV/REVFAZPJ elaborada pela autoridade fiscal (e-fls. 187/189) e do Resultado da Consulta de Inscrição Localizada emitido pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (e-fls. 193/200), acostados ao processo em atendimento à Resolução nº 2002-000.217, verifica-se que a fonte pagadora, de fato, efetuou o recolhimento do valor declarado em DIRF a título de IRRF, não merecendo prevalecer a compensação indevida apurada. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 221DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11186033 #
Numero do processo: 12448.901888/2014-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NULIDADE DE DESPACHO DECISÓRIO. Não enseja a nulidade do ato administrativo, quando esse esteja fundamentado de forma a viabilizar a compreensão dos fatos imputados, permitindo ao contribuinte uma defesa coerente com a adequada subsunção. IPI. MATERIAL INTERMEDIÁRIO, MATÉRIA-PRIMA E INSUMOS. O regime da não cumulatividade do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados permite o creditamento sobre materiais intermediários que, mesmo não se integrando ao produto final, sejam necessariamente consumidos no processo fabril. INDÚSTRIA DE CIMENTO. COQUE DE PETRÓLEO. O coque de petróleo é um material intermediário consumido integral e imediatamente no processo de produção do clínquer e assegura o direito ao creditamento de IPI. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. O Tema nº 198 dos Repetitivos do E. STJ, conjugado com o CPC 27, excluem a possibilidade de apropriação de créditos de IPI sobre peças e partes de máquinas e equipamentos, salvo aqueles que entram em contato direito com o produto no processo de industrialização. REFRATÁRIOS. FORNOS DE CLINQUERIZAÇÃO. Na industrialização do cimento, os refratários entram em contato com a matéria prima e se desgastam pelo uso no processo produtivo direto do cimento assegurando direito ao creditamento de IPI. EXPLOSIVOS. FASE DE EXPLORAÇÃO MINERAL – MATÉRIA-PRIMA. Os explosivos aplicados na fase primária de extração de matéria prima não ensejam direito a creditamento do IPI por se tratar de fase que antecede a industrialização.
Numero da decisão: 3001-003.826
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar-lhe parcial provimento, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-003.823, de 27 de novembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 12448.901886/2014-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Rachel Freixo Chaves (substituto[a] integral), Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA

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Não enseja a nulidade do ato administrativo, quando esse esteja fundamentado de forma a viabilizar a compreensão dos fatos imputados, permitindo ao contribuinte uma defesa coerente com a adequada subsunção. IPI. MATERIAL INTERMEDIÁRIO, MATÉRIA-PRIMA E INSUMOS. O regime da não cumulatividade do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados permite o creditamento sobre materiais intermediários que, mesmo não se integrando ao produto final, sejam necessariamente consumidos no processo fabril. INDÚSTRIA DE CIMENTO. COQUE DE PETRÓLEO. O coque de petróleo é um material intermediário consumido integral e imediatamente no processo de produção do clínquer e assegura o direito ao creditamento de IPI. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. O Tema nº 198 dos Repetitivos do E. STJ, conjugado com o CPC 27, excluem a possibilidade de apropriação de créditos de IPI sobre peças e partes de máquinas e equipamentos, salvo aqueles que entram em contato direito com o produto no processo de industrialização. REFRATÁRIOS. FORNOS DE CLINQUERIZAÇÃO. Na industrialização do cimento, os refratários entram em contato com a matéria prima e se desgastam pelo uso no processo produtivo direto do cimento assegurando direito ao creditamento de IPI. Fl. 356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 2 EXPLOSIVOS. FASE DE EXPLORAÇÃO MINERAL – MATÉRIA-PRIMA. Os explosivos aplicados na fase primária de extração de matéria prima não ensejam direito a creditamento do IPI por se tratar de fase que antecede a industrialização. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar-lhe parcial provimento, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-003.823, de 27 de novembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 12448.901886/2014-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Rachel Freixo Chaves (substituto[a] integral), Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a suposto crédito de IPI. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Cientificado do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, em que reitera os termos da sua manifestação de inconformidade, aduzindo, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório em virtude do suposto descumprimento da busca à verdade Fl. 357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 3 material, a suspensão da exigibilidade enquanto perdurar o processo administrativo e, no mérito a assunção de todas as glosas ao conceito de matéria-prima, ou material intermediário para fins de creditamento do IPI. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1. Tempestividade. O presente recurso é tempestivo, sendo a matéria do mesmo de competência para essa Turma Extraordinária apreciar nos termos do art. 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. 2. Conhecimento. 2.1 Preliminar de nulidade de despacho decisório e acórdão da DRJ. Argui a recorrente a nulidade do despacho decisório acórdão guerreado em razão da suposta ocorrência de cerceamento de defesa, dada a negativa de realização de diligência para uma maior verificação concreta dos fatos narrados pelo contribuinte. Aduz que o ato administrativo fustigado se negou a buscar a verdade material tributária do caso concreto. Aponta para a ocorrência de afronta direta ao quanto dispõem os artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, uma vez que os motivos da negativa em relação à diligência não teriam sido apontados pelas respectivas autoridades julgadoras. Ocorre que no caso concreto fica evidente do acórdão que a fundamentação está apontada. Do relato se nota que a Autoridade Fiscal, além de promover a verificação in loco, em diligência realizada no estabelecimento da Fiscalizada, considerou as informações prestadas quanto à descrição do processo produtivo e a relação dos insumos e respectivas utilizações, prestadas em resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal. E baseando-se em tais verificações e informações promoveu a indicação dos itens cujo creditamento foi considerado indevido em face da legislação de regência, e respectivas motivações das glosas, que se encontram detalhados de forma Fl. 358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 4 objetiva no Anexo I integrante da Informação Fiscal anexa ao despacho decisório. Discriminação objetiva e direcionadora da insurgência. De outra sorte, as descrições realizadas pelo contribuinte apontam de forma detida a fase de aplicação e outros detalhes sobre o seu processo produtivo de forma a viabilizar um juízo adequado do item e sua aplicação no processo produtivo, de forma a dispensar a necessidade premente de realização de outras diligências. Cumpre de toda sorte esclarecer que nenhum requisito de nulidade daqueles previstos no artigo 59 do Decreto 70.235/72 se apresentam no caso concreto. Entendo que a combinação até aqui exposta seja suficiente para verificar que não houve cerceamento de defesa no caso concreto. Tanto assim que o contribuinte bem identificou a acusação e de forma clara e fundamentada, vem se defendendo contra justamente essa imputação. Tanto o despacho decisório e documentos que o guarnece, quanto o acórdão da DRJ deixam clara a situação concreta, inclusive no que toca aos fatos determinantes que levaram ao entendimento pela ausência de necessidade de outras diligências no processo. Não há que se falar em preterição de defesa no caso concreto, visto que o contribuinte teve asseguradas todas as suas manifestações e suas provas carreadas aos autos foram todas analisadas. Por outro lado, não se pode inferir afronta ao artigo 142 do CTN, uma vez que o fato de a autoridade, de acordo com as provas de que já dispõe, entender que uma diligência faz-se desnecessária ao adequado deslinde e apreciação do feito não constitui uma nulidade reflexa e imediata. No caso houve verificação de forma a que as autoridades, com aquilo que já havia sido produzido e visto, entenderam pela desnecessidade de outros elementos probatórios, o que aponta para o atendimento do quanto insculpido no artigo 142 do CTN. Nesse sentido, não enseja a nulidade do ato administrativo quando esse esteja fundamentado de forma a viabilizar a compreensão dos fatos imputados, permitindo ao contribuinte uma defesa coerente, inclusive por conta de descrições técnicas e visitas in loco. Assim, não conheço dessa preliminar. 2.2 Suspensão da exigibilidade enquanto durar o PAF. O contribuinte recorrente requer expressamente que a exigibilidade do crédito em questão fique com a sua suspensão da exigibilidade enquanto perdurar o processo administrativo fiscal subjacente. Em primeiro plano Fl. 359DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 5 destaco que não há, nos autos, qualquer informação que aponte para o fato de o crédito subjacente ao processo em voga esteja sem essa anotação. Logo não parece haver pleito resistido sobre o tópico de forma a validar o estabelecimento de um litígio sobre a questão. Mesmo não havendo qualquer indicação de que a Fazenda vem agindo de forma contrária ao quanto estabelecido como direito e garantia do contribuinte no inciso III do artigo 151 do CTN, trata-se de um direito do contribuinte. Assim, a despeito de se tratar de um direito do contribuinte, não há qualquer indício de que o referido direito não esteja sendo observado pela Fazenda no caso concreto e, portanto, não conheço do pedido. 3. Não cumulatividade do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados. A despeito de mais limitado do que o creditamento que se aplica às contribuições sociais, a não cumulatividade do IPI, nos termos do artigo 11, da Lei 9.779/99 combinado com o artigo 256 do RIPI/2010 estabelecem a amplitude autorizada para a tomada de créditos, a saber: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. ****** Art. 256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3 o , inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1 o Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2 o (Lei n o 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único , e Lei n o 9.779, de 1999, art. 11). § 2 o O saldo credor de que trata o § 1 o , acumulado em cada trimestre- calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da Fl. 360DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 6 imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269 , observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Por sua, vez, o artigo 226 do RIPI/2010 também estabelece, adicionalmente, que embora não integre fisicamente o produto em fabricação, a matéria-prima, o produto intermediário e a embalagem passíveis de creditamento devem ser consumidos no processo de industrialização. Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; No caso concreto, a fiscalização glosou créditos decorrentes de aquisições dos seguintes insumos:  COMBUSTÍVEL (COQUE CALCINADO DE PETRÓLEO)  PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS: correias transportadoras, chapas de aço inox, tronco, ancoragens, duto central, chute de descarga, acessórios para revestimento, cilindro, diafragma, eixo, elo transportador, suportes, registros, materiais de consumo diversos, parafusos, palhetas, raspadores, caçambas, mangas filtrantes, eletrodos consumíveis, entre outros;  MATERIAL REFRATÁRIO: tijolos, concreto e argamassa;  MATERIAL EXPLOSIVO: utilizados na extração (fase pré-industrial) do calcário (produto NT, principal matéria-prima do cimento), tais como, espoletas, explosivos, cordéis detonantes, etc; Fica evidente, da legislação de regência, que o direito à tomada de créditos está restrita às aquisições relacionadas a aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, sempre que não integrem o ativo imobilizado. O contato direito e a integração física ao produto não são predicados essenciais ao gozo do direito a creditamento, uma vez que a norma assegura tais créditos, desde que as aquisições sejam aplicadas na industrialização e nessa sejam consumidos. Fl. 361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 7 Pois bem, a questão sobre quais materiais e bens ensejam, ou não, direito a crédito de IPI já foi muito discutida, tendo o E. STJ proferido acórdão na sistemática de Recurso Repetitivo, vinculam ao CARF e seus Conselheiros, sobre esse tema (Tema 198): PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp n. 1.075.508/SC, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/9/2009, DJe de 13/10/2009.) Com base na conjugação do quanto acima exposto, bem como nas provas carreadas aos autos, passo à verificação de cada um dos itens glosados. Fl. 362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 8 3.1 Coque de petróleo. O coque de petróleo é combustível consumido na geração de calor no forno de clinquerização, conforme descrito pelo contribuinte. O processo de clinquerização, que se vale, necessariamente, da calcinação dos insumos sólidos, é uma das etapas do processo produtivo do cimento. Além da descrição técnica do seu processo produtivo, outros estudos e análises do processo produtivo do cimento no Brasil, como o parecer e laudo do IPT e Parecer Jurídico do Prof. Humberto Ávila no PAF 12448.901888/2014-33, podem ser utilizados como prova emprestada sobre o processo produtivo do cimento, nas matérias submetidas ao presente processo. O coque de petróleo atende ao critério de consumo integral e imediato no processo produtivo. Todo processo produtivo é composto de etapas encadeadas de forma a viabilizar a produção de determinado bem, como o cimento no caso concreto. Assim, o processo produtivo normalmente é composto de diversas etapas, todas geradoras de créditos, quando obedecidas as premissas acima destacadas no Tema 198 do E. STJ. O parecer do Professor Humberto Ávila, prova emprestada do PAF 12448.901888/2014-33 naquilo em que se aplica ao caso, ao analisar a possibilidade, ou não, de creditamento do coque justamente na indústria de cimento, é muito esclarecedor e merece transcrição: 3.1 A interpretação conferida pelo Supremo Tribunal Federal adotou uma concepção material-funcional de crédito para a não cumulatividade do IPI. Sendo assim, são dois os critérios para a definição acerca do direito de crédito de um determinado infirmo para fins de creditamento de IPI: o primeiro, o critério da vinculação do produto adquirido ao processo de industrialização que abrange os produtos que são materialmente incorporados aos produtos industrializados (integração); e, o segundo, o critério da vinculação do produto adquirido ao processo de industrialização que abrange os produtos que são materialmente consumidos no processo de industrialização (consumição). 3.2 O coque de petróleo cumpre estes dois critérios com relação à indústria de cimento. Em primeiro lugar, o coque de petróleo cumpre com o critério de integração, porque é materialmente incorporado ao produto industrializado (cimento) durante o processo produtivo. O coque de petróleo ê um subproduto da destilação do petróleo cru e é utilizado preponderantemente como combustível, tendo em vista sua propriedade de fácil liberação de energia no processo de combustão. Na industrialização do cimento, o coque de petróleo é utilizado como combustível dos fornos de produção de produção de clínquer, sendo essencial nesta e lapa da Fl. 363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 9 produção. E, como o material se integra ao clínquer durante o processo industrial normal de queima e entra em contato direto com a matéria- prima, os resíduos decorrentes do seu desgaste acabam fazendo parle do produto final. 3.3 Em segundo lugar, o coque de petróleo cumpre com o critério da consumição, porque além de se integrar ao produto industrializado, é consumido durante o processo de fabricação de cimento. Devido à sua natureza química e à elevada temperatura do processo, todo o coque de petróleo acaba sendo consumido na etapa de clinquerização. Nu momento da combustão do coque de petróleo, e justamente para produzir este efeito durante a sua participação dileta na fabricação do clinquer, o coque sofre imediata alteração, com desgaste e perda de suas propriedades físicas e químicas. Carbono e hidrogênio presentes no coque são consumidos no processo de queima, com geração de calor capaz de manter a temperatura de clinquerização, enquanto que os componentes das cinzas são incorporados ao clínquer. Sua utilização, portanto, passa necessariamente pelo seu consumo no processo industrial, ao longo de toda cadeia de produção do cimento. 3.4 Assim, o coque de petróleo cumpre tanto o critério da integram o, como o critério da consumição, Isso significa dizer que o direito de crédito da indústria de cimento com relação à aquisição de coque de petróleo independe da adoção de uma concepção material-funcional ou material- corpórea da não-cumulatividade do IPI, uma vez que este material preenche ambos os requisitos para o reconhecimento do direito de crédito — tanto aquele vinculado à concepção restrita de não-cumulatividade, como aquele vinculado à concepção restritíssima de não-cumulatividade. 3.5 As considerações anteriores demonstram que o coque de petróleo caracteriza-se como produto intermediário, na definição adotada pela legislação e pela interpretação conferida a ela pelo Superior Tribunal de Justiça, na medida em que é bem consumido e integrado ao processo de industrialização, 0 que não pode ser caracterizado como bem do ativo fixo, exatamente cm decorrência de seu desgaste e consequente integração ao produto industrializado. Nesse sentido, o coque de petróleo preenche todos os requisitos estabelecidos pela legislação e pela jurisprudência dos Tribunais Superiores, inexistindo qualquer fundamento jurídico para o afastamento do direito de crédito na sua aquisição enquanto insumo essencial para a atividade de produção de cimento. Por sua vez, o Estudo Técnico do IPT constante do mesmo PAF acima apontado, ora emprestado, aponta para o consumo imediato e integração, ainda que em parte (cinzas e outros elementos químicos residuais) do coque de petróleo ao clinquer, que de toda sorte é também insumo qualificado do processo fabril do cimento. Fl. 364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 10 A clinquerização também pode ser realizada utilizando-se energia elétrica como fontes de energia alternativa. Entretanto, por razões de viabilidade econômica, essa opção não é praticada em escala industrial, limitando-se à aplicação em estudos de clinquerização em escala laboratorial. Neste processo, as cinzas e outros elementos gerados na queima do coque e dos outros combustíveis são incorporados ao clinquer, resultante da reação destes compostos presentes nas cinzas com os compostos presentes na farinha. A literatura indica a ocorrência de integração das cinzas decorrentes da queima do coque no clinquer, com elevado grau de incorporação (CH2MHILL, 2002). Esta mesma referência aponta que os fomos de cimento, diferentemente de outros fornos e caldeiras industriais, têm como característica a interação entre matéria-prima e gases de combustão, possibilitando que grande parte do enxofre e de metais presentes nas cinzas do coque seja incorporada ao clinquer durante a queima, reduzindo o impacto da emissão de fumos gerados no forno, que são constituídos da mistura de gases e material particulado resultante parcialmente da queima do coque, e que pode conter cinzas que, por sua vez, contém metais. Nesse ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte, uma vez que o coque de petróleo, além de integrar em parte o insumo “clinquer”, produzido em etapa inicial da efetiva industrialização do cimento, é consumido de forma integral nesse processo industrial. 3.2 Partes e peças de máquinas. No ponto em foco são as partes e peças que integram máquinas e equipamentos que o contribuinte deseja se apropriar de créditos de IPI. Segundo o Tema nº 198 do E. STJ, tais elementos, ainda que indispensáveis ao processo produtivo, uma vez que integram máquinas e equipamentos destinados ao processo fabril, não dão direito ao creditamento de IPI. De fato, tais peças e partes não integram o conceito de matéria-prima, insumo, ou material intermediário, nos termos exigidos pelo artigo 11 da Lei 9.779/99 e RIPI/2010 (arts. 226 e 256) mas, como indica a norma do Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC nº 27 no seu parágrafo 13, integram a mesma classificação do bem principal a que integram. 13. Partes de alguns itens do ativo imobilizado podem requerer substituição em intervalos regulares. Por exemplo, um forno pode requerer novo revestimento após um número específico de horas de uso; ou o interior dos aviões, como bancos e equipamentos internos, pode exigir substituição diversas vezes durante a vida da estrutura. Itens do ativo imobilizado também podem ser adquiridos para efetuar substituição recorrente menos frequente, tal como a substituição das paredes interiores de edifício, ou para efetuar substituição não recorrente. Segundo o princípio de Fl. 365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 11 reconhecimento do item 7, a entidade reconhece no valor contábil de um item do ativo imobilizado o custo da peça reposta desse item quando o custo é incorrido se os critérios de reconhecimento forem atendidos. O valor contábil das peças que são substituídas é baixado de acordo com as disposições de baixa deste Pronunciamento (ver itens 67 a 72). De acordo com a descrição não refutada do processo produtivo em questão, algumas peças e partes, no entanto, entram em contato direto com o produto enquanto o mesmo é industrializado, desgastando-se por esse contato direito e, via de regra, se integrando ao produto final, ainda que de forma residual. Nesse sentido, integram o conceito de produto intermediário para fins ade creditamento pelo IPI. Os itens que, classificados pela Fiscalização no grupo de partes e peças que, contrariamente ao quanto foi mantido pelo acórdão da DRJ, deve ensejar direito ao creditamento do IPI são: a) Caçamba; entra em contato direito com o produto final, desde a sua fase inicial de industrialização; b) Chapa Desgaste / Suporte / Palheta: placas que revestem os moinhos e que sofrem desgaste pelo contato direto com o produto em fase de industrialização; c) Ancoragem especial / Suporte de ancoragem/ Placa / Tecido: materiais que entram em contato direito com o produto em suas fases de industrialização, destinada à fixação de material refratário que fica dentro do forno de clínquer; d) Aditivos para Moagem: materiais que são adicionados já na fase final de produção do cimento e que integral o produto final (matéria-prima). Nesse sentido, dou provimento parcial a esse tópico. 3.3 Material refratário (tijolo, argamassa, massa e concreto). O contribuinte argui que o material refratário aplicado dentro dos seus fornos é um material intermediário, uma vez que é consumido no processo produtivo e entra em contato direto com o produto, incorporando-se ao produto final cimento, uma vez que o forno é utilizado na fase de clinquerização. A despeito de ser aplicado ao forno, que é um equipamento, diferentemente das partes e peças, esse material entra em contato direito com o clínquer, matéria-prima elementar e principal do cimento, como bem descrito o processo produtivo. Ao ponto em que mantém as altas temperaturas na face de contato, os refratários possuem a característica Fl. 366DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 12 de amenizar, na forma de isolante térmico, as altas temperaturas a que é submetido. O C. CARF já possui entendimento no mesmo sentido, ainda que possa haver algum ruído sobre o tema: Numero do processo: 10166.905399/2013-19 Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção Câmara: Terceira Câmara Seção: Terceira Seção De Julgamento Data da sessão: Tue Dec 20 00:00:00 UTC 2022 Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2023 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. SÚMULA CARF Nº 163. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a prova pericial é produzida com a finalidade de suprir a deficiência de conhecimento técnico especializado da autoridade julgadora. 2. O indeferimento da produção da prova pericial não configura vício de nulidade da decisão, por cerceamento ao direito de defesa, se a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que tal prova era prescindível para a formação de sua convicção sobre os elementos probatórios. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS. REsp 1.075.598/SC. As matérias-primas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização. O conceito de insumos, no contexto do IPI, pressupõe que os bens nele subsumidos sejam consumidos e aqui consumo assume um sentido amplo de desgaste, desbaste, perda de propriedades, etc. em contato direto com o produto em fabricação, e desde que não integrem o ativo permanente. Nessa linha, não se afiguram como matériaprima ou produto intermediário, para fins de creditamento do IPI, os bens que forem utilizados apenas indiretamente na produção ou não consumidos em contato direto com o produto em fabricação. Trata-se do conceito de insumos encapsulado pelo REsp 1.075.508/SC, submetido ao rito previsto no art. 543C do antigo CPC e de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, por força do que dispõem o art. 62, §2º, e 72 do ANEXO II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. REFRATÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os materiais refratários que revestem os fornos e equipamentos das indústrias siderúrgicas, que se consumam em contado direto com o produto e que Fl. 367DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 13 não devam ser contabilizados em Ativo Imobilizado, podem gerar crédito de IPI. Aplicação vinculante do REsp 1075508/SC. Numero da decisão: 3302-013.168 Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter a glosa dos créditos relacionados aos materiais refratários e coque de petróleo, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3302- 013.164, de 20 de dezembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10166.905402/2013-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a), Walker Araujo, Fabio Martins de Oliveira, Jose Renato Pereira de Deus, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Mariel Orsi Gameiro. Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Assim, o material refratário se consome e desgasta quando colocado em contato com o material durante o processo de calcinação. O desgaste é imediato e direto, no processo produtivo do cimento, além de resultante de contato direito com o produto, integrando o produto final ainda que de forma residual, atendendo aos requisitos legais e normativos aplicáveis, incluído o Tema nº 198 do E. STJ para o creditamento de IPI. Nesse ponto, dou provimento ao recurso para assegurar o direito de creditamento do IPI sobre os materiais refratários (Concreto Refratário, Tijolo Refratário, argamassa Refratária). 3.4 Material explosivo. O contribuinte requer a possibilidade de se creditar de IPI incidente sobre o material explosivo que aplica na fase de mineração de parte da matéria- prima que utiliza na produção do cimento. Ainda que esse direito a crédito possa ser assegurado, em tese, para as contribuições sociais, dada a extensão da não cumulatividade aplicável às mesmas, com o IPI a não cumulatividade tem menor extensão, dada a sua limitação ao processo de industrialização. A extração de matéria-prima é atividade relacionada ao setor primário da economia, a extração, etapa que antecede à industrialização propriamente dita e que ocorre no setor secundário. Só a partir do momento em que essa matéria-prima entra em processo de industrialização é que os seus Fl. 368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.826 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.901888/2014-33 14 custos tributários com IPI estarão na dinâmica da não cumulatividade, o que não ocorre com a sua fase de extração. Na fase de extração a obtenção é de recursos naturais em estado bruto, sem nenhuma transformação característica ao processo industrial propriamente dito. Nessa longarina, dou provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas relativas ao coque de petróleo e materiais refratários, mantendo as relacionadas aos explosivos e a partes e peças, salvo, entre essas, a Caçamba; Chapa Desgaste / Suporte / Palheta; Ancoragem especial / Suporte de ancoragem/ Placa / Tecido; Aditivos para Moagem. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar-lhe parcial provimento. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Redator Fl. 369DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 15746.720215/2022-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2018 a 31/12/2018 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. O princípio da ampla defesa é prestigiado na medida em que o contribuinte tem total liberdade para apresentar sua peça de defesa, com os argumentos que julga relevantes, fundamentados nas normas que entende aplicáveis ao caso, e instruída com as provas que considera necessárias. MULTA ABUSIVA. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É defeso na esfera administrativa o exame de constitucionalidade de lei, bem como o da violação pelo ato normativo a princípios constitucionais, entre eles o do não confisco da multa. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O não recolhimento ou recolhimento a menor do imposto, detectado em procedimento de fiscalização, fundamenta o lançamento de ofício e impõe ao contribuinte o pagamento dos valores devidos, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, a partir de abril de 1995. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência negado. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2018 a 31/12/2018 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. DEFINIÇÃO. Somente dão origem a crédito na apuração não cumulativa da Cofins os bens e serviços essenciais ou relevantes ao desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, nos termos da decisão proferida pelo STJ nos autos do RESP nº 1.221.170/PR, da Nota SEI n° 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018 e da IN/RFB nº 2.121/2022. PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. MATÉRIAS-PRIMAS. EMBALAGENS. EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. São passíveis de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os dispêndios relativos aos serviços de frete que são aplicados no processo produtivo da empresa, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002. Os serviços de transferência de matérias-primas, embalagens e equipamentos de produção entre filiais são essenciais ao processo produtivo quando este esteja distribuído nos vários estabelecimentos da empresa APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. UTILIZAÇÃO. Obrigatoriedade de retificação das obrigações acessórias para tomada de créditos extemporâneos. RECEITA FINANCEIRA. TRIBUTAÇÃO. Incide a PIS/COFINS sobre receita financeira decorrente do recebimento de juros, nos termos da legislação aplicável. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2018 a 31/12/2018 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. DEFINIÇÃO. Somente dão origem a crédito na apuração não cumulativa da Cofins os bens e serviços essenciais ou relevantes ao desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, nos termos da decisão proferida pelo STJ nos autos do RESP nº 1.221.170/PR, da Nota SEI n° 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018 e da IN/RFB nº 2.121/2022. PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. MATÉRIAS-PRIMAS. EMBALAGENS. EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. São passíveis de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os dispêndios relativos aos serviços de frete que são aplicados no processo produtivo da empresa, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002. Os serviços de transferência de matérias-primas, embalagens e equipamentos de produção entre filiais são essenciais ao processo produtivo quando este esteja distribuído nos vários estabelecimentos da empresa APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. UTILIZAÇÃO. Obrigatoriedade de retificação das obrigações acessórias para tomada de créditos extemporâneos. RECEITA FINANCEIRA. TRIBUTAÇÃO. Incide a PIS/COFINS sobre receita financeira decorrente do recebimento de juros, nos termos da legislação aplicável.
Numero da decisão: 3201-012.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter a glosa de créditos em relação aos fretes na movimentação de material de embalagem e, (ii) por maioria de votos, para manter a glosa de créditos em relação aos créditos extemporâneos, vencidas as conselheiras Flávia Sales Campos Vale e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam tal glosa. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Flavia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira(substituto[a] integral), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Participou de forma remota o conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira (Substituto), que substituiu o conselheiro Marcelo Enk de Aguiar.
Nome do relator: RODRIGO PINHEIRO LUCAS RISTOW

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter a glosa de créditos em relação aos fretes na movimentação de material de embalagem e, (ii) por maioria de votos, para manter a glosa de créditos em relação aos créditos extemporâneos, vencidas as conselheiras Flávia Sales Campos Vale e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam tal glosa. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Flavia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira(substituto[a] integral), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Participou de forma remota o conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira (Substituto), que substituiu o conselheiro Marcelo Enk de Aguiar.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-12-18T11:28:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-12-18T11:28:55Z; Last-Modified: 2025-12-18T11:28:55Z; dcterms:modified: 2025-12-18T11:28:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-12-18T11:28:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-12-18T11:28:55Z; meta:save-date: 2025-12-18T11:28:55Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-12-18T11:28:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-12-18T11:28:55Z; created: 2025-12-18T11:28:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 51; Creation-Date: 2025-12-18T11:28:55Z; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-12-18T11:28:55Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 15746.720215/2022-18 ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 14 de outubro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE CBA ITAPISSUMA LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2018 a 31/12/2018 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. O princípio da ampla defesa é prestigiado na medida em que o contribuinte tem total liberdade para apresentar sua peça de defesa, com os argumentos que julga relevantes, fundamentados nas normas que entende aplicáveis ao caso, e instruída com as provas que considera necessárias. MULTA ABUSIVA. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É defeso na esfera administrativa o exame de constitucionalidade de lei, bem como o da violação pelo ato normativo a princípios constitucionais, entre eles o do não confisco da multa. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O não recolhimento ou recolhimento a menor do imposto, detectado em procedimento de fiscalização, fundamenta o lançamento de ofício e impõe ao contribuinte o pagamento dos valores devidos, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 4729DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 2 Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso, a partir de abril de 1995. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi- las, quando prescindíveis ou impraticáveis. Pedido de diligência negado. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2018 a 31/12/2018 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. DEFINIÇÃO. Somente dão origem a crédito na apuração não cumulativa da Cofins os bens e serviços essenciais ou relevantes ao desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, nos termos da decisão proferida pelo STJ nos autos do RESP nº 1.221.170/PR, da Nota SEI n° 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018 e da IN/RFB nº 2.121/2022. PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. MATÉRIAS-PRIMAS. EMBALAGENS. EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. São passíveis de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os dispêndios relativos aos serviços de frete que são aplicados no processo produtivo da empresa, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002. Os serviços de transferência de matérias- primas, embalagens e equipamentos de produção entre filiais são essenciais ao processo produtivo quando este esteja distribuído nos vários estabelecimentos da empresa APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. UTILIZAÇÃO. Obrigatoriedade de retificação das obrigações acessórias para tomada de créditos extemporâneos. RECEITA FINANCEIRA. TRIBUTAÇÃO. Incide a PIS/COFINS sobre receita financeira decorrente do recebimento de juros, nos termos da legislação aplicável. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 4730DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 3 Período de apuração: 01/02/2018 a 31/12/2018 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. DEFINIÇÃO. Somente dão origem a crédito na apuração não cumulativa da Cofins os bens e serviços essenciais ou relevantes ao desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, nos termos da decisão proferida pelo STJ nos autos do RESP nº 1.221.170/PR, da Nota SEI n° 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018 e da IN/RFB nº 2.121/2022. PIS/COFINS. TRANSFERÊNCIA ENTRE FILIAIS. MATÉRIAS-PRIMAS. EMBALAGENS. EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. FRETE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. São passíveis de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os dispêndios relativos aos serviços de frete que são aplicados no processo produtivo da empresa, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002. Os serviços de transferência de matérias- primas, embalagens e equipamentos de produção entre filiais são essenciais ao processo produtivo quando este esteja distribuído nos vários estabelecimentos da empresa APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. UTILIZAÇÃO. Obrigatoriedade de retificação das obrigações acessórias para tomada de créditos extemporâneos. RECEITA FINANCEIRA. TRIBUTAÇÃO. Incide a PIS/COFINS sobre receita financeira decorrente do recebimento de juros, nos termos da legislação aplicável. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter a glosa de créditos em relação aos fretes na movimentação de material de embalagem e, (ii) por maioria de votos, para manter a Fl. 4731DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 4 glosa de créditos em relação aos créditos extemporâneos, vencidas as conselheiras Flávia Sales Campos Vale e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam tal glosa. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Flavia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira(substituto[a] integral), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Participou de forma remota o conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira (Substituto), que substituiu o conselheiro Marcelo Enk de Aguiar. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada e manteve parcialmente o crédito tributário. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, para exigência da Cofins incidência não-cumulativa, relativa aos períodos de apuração 02/2018 a 12/2018 (fls. 2.940 a 2.946), com multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 03/2022, totalizando R$ 32.174.957,91, sendo R$ 16.707.733,39 correspondentes à contribuição. Também foi lavrado auto relativo ao PIS incidência não-cumulativa, para os períodos de apuração 01/2018 a 12/2018, com os mesmos acréscimos legais (fls. 2.947 a 2.953), totalizando R$ 7.072.750,46, sendo R$ 3.671.690,34 correspondentes à contribuição. Foi, ainda, lavrado auto de infração para exigência de multa regulamentar por descumprimento do prazo estabelecido para a apresentação da EFD-Contribuições, no valor de R$ 4.006.584,92 (fls. 2.954 a 2.960). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 2.912 a 2.939) a autoridade lançadora informa, em resumo, que: Fl. 4732DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 5 O fiscalizado é pessoa jurídica de direito privado, formalizada sob a forma de sociedade empresarial de responsabilidade limitada. Enquadrava-se, no ano de 2018, no regime exclusivamente não-cumulativo da contribuição para o PIS e da COFINS. Apresenta como CNAE principal o código CNAE principal: 2441-5-02 Produção de laminados de alumínio; DOS FATOS RELATIVOS À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO Do Envio da EFD-Contribuições de 2018 ao Ambiente do SPED Verificou-se que o contribuinte não enviara as Escriturações Fiscais Digitais do PIS e da COFINS – EFD-Contribuições do ano de 2018 ao ambiente SPED. Assim, foi intimado a fazê-lo, apresentando, em resposta, as EFD-Contribuições apenas dos meses de janeiro a março de 2018. A empresa foi, então, reintimada, e apenas em 12/11/2021 enviou as EFD-Contribuições de abril a dezembro de 2018; DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES Da Divergência entre as Bases de Cálculo das Contribuições Constantes nas NF-e e nas EFD-Contribuições de 2018 A Fiscalização calculou os valores mensais de base de cálculo do PIS e da COFINS utilizando-se das Notas Fiscais Eletrônicas - NF-e emitidas pelo contribuinte no ano de 2018, selecionando todos os itens registrados com os códigos CFOP relacionados. Os totais mensais obtidos foram contrapostos aos valores de base de cálculo das contribuições escriturados na EFD-Contribuições, nos registros C170, verificando-se divergências em alguns meses, decorrentes da não escrituração nas EFD-Contribuições, como tributáveis, de NF-e emitidas, conforme relação; Intimado a justificar as diferenças no valor de R$ 548.986,33 e R$ 1.777,44, o contribuinte informou que as notas fiscais foram inadequadamente indicadas como não tributadas, procedendo-se à retificação da EFD-Contribuições. Assim, essas notas fiscais foram adicionadas à base de cálculo apurada; Da Divergência entre as Bases de Cálculo das Contribuições Constantes nas ECD e nas EFD-Contribuições de 2018 Verificou-se que o contribuinte escriturou receitas financeiras nos registros F100 das EFD-Contribuições, tendo sido intimado a apresentar os demonstrativos das receitas financeiras sujeitas ao PIS e à COFINS no ano de 2018, referenciando os valores com as contas contábeis da Escrituração Contábil Digital - ECD. Em resposta, apresentou apenas o demonstrativo do mês de janeiro. Reintimado, apresentou os demonstrativos requisitados; A Fiscalização, tomando por base as contas contábeis apontadas pelo contribuinte como integrantes das receitas financeiras em seu demonstrativo, elaborou o demonstrativo de receitas financeiras. Contrapondo-se os valores obtidos de receitas financeiras constantes da ECD com valores informados pelo contribuinte em seu demonstrativo e os valores informados a mesmo título nos registros F100 Fl. 4733DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 6 da EFD-Contribuições, foram apuradas diferenças nos meses de fevereiro e setembro, conforme planilha, a partir da qual verificou-se que o contribuinte não escriturou em sua EFD-Contribuições parte das receitas financeiras dos referidos meses. Assim, esses valores foram adicionados às bases de cálculo apuradas; Considerando o apurado nos itens anteriores, a Fiscalização recalculou os valores das bases de cálculo do período, com os reparos relatados nesses itens, antes do desconto de créditos (e ICMS destacado), conforme planilhas; O contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 5000298- 41.2017.4.03.6126, no qual pleiteou “o direito líquido e certo das Impetrantes de não serem compelidas ao recolhimento de PIS/COFINS sobre o ICMS devido na venda de mercadorias, bem como à compensação do respectivo indébito tributário em relação aos últimos cinco anos para a ARCONIC RODAS e desde 1º de julho de 2016 para a ARCONIC METAIS e, eventualmente, durante o trâmite desta ação, atualizados pela Taxa SELIC”; Inicialmente, foi concedida liminar. Em 31/05/2017 foi proferida sentença julgando procedente o pedido e autorizando a compensação pleiteada. Em sede de remessa oficial e apelação interposta pela União, parcialmente providas, foi mantido o provimento às impetrantes, determinando-se que seja observado o regime da lei vigente ao tempo da propositura da ação, aplicando-se a prescrição quinquenal, nos termos da LC 118/2005, e, quanto aos tributos compensáveis, o disposto nos artigos 74 da Lei 9.430/1996, 170-A do CTN, e 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007, acrescido o principal da taxa SELIC, exclusivamente; Cabe destacar que, em julgamento de embargos de declaração interpostos em face de acórdão do RE nº 574.706/PR, foi pacificada, sob o regime de repercussão geral, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim, em consonância com os artigos 19, VI c/c 19-A, III, e § 1º, da Lei nº 10.522/2002, e nos termos do Parecer SEI nº 7698/2021/ME, foi excluído da base das contribuições o valor do ICMS destacado nas notas fiscais; DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS Dos Créditos de Frete não Vinculados a Operações de Venda O contribuinte tomou crédito de fretes nas operações de venda, nos registros D101, com base em Conhecimentos de Transporte Eletrônico – CT-e. Verificando tais documentos foi constatado que muitos não se referiam a fretes nas operações de venda, mas sim a remessas de vasilhame; remessas para industrialização por encomenda; remessas para conserto; remessas de amostra grátis; remessas em bonificação, doação ou brinde; remessas para demonstração; remessas para depósito fechado ou armazém geral; devoluções de compra; devoluções de vasilhame ou sacaria; devoluções de venda; retornos de mercadoria - industrialização por encomenda; retornos de conserto; retorno demonstração; transferências; industrializações efetuada para outra empresa; Fl. 4734DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 7 outras entrada; outras saídas; compra para industrialização; compra para revenda; compra de ativo imobilizado e compra para uso e consumo; Conforme artigos 3°, IX e 15, II da Lei n° 10.833/2003, a despesa de frete ensejadora de crédito é aquela decorrente de operações de venda. Como demonstrado, os fretes listados pela Fiscalização na planilha não se subsomem a essa hipótese. Portanto, a apuração de créditos sobre tais valores é irregular. Assim, esses valores foram glosados da base de cálculo dos créditos das contribuições, conforme planilha; Dos Créditos de Períodos Distintos aos das EFD-Contribuições O contribuinte, em sua EFD-Contribuições, informou documentos fiscais de períodos diversos aos que se referiam a escrituração, os quais correspondem a fretes nas operações de venda, aquisição de bens para revenda, aquisição de bens utilizados como insumos, aquisição de serviços utilizados como insumos e devolução de venda. O contribuinte foi intimado a justificar tais valores, informando que as notas fiscais relacionadas pela Fiscalização não tinham sido escrituradas nas competências. Assim, a empresa escriturou as notas fiscais, conforme validado nas obrigações entregues, no caso EFD-Contribuições e SPED Fiscal ICMS/IPI, realizando o pagamento das multas por atraso na entrega das obrigações; A Fiscalização elaborou planilhas na quais são demonstrados analiticamente todos os documentos extemporâneos registrados na EFD-Contribuições de 2018. É possível a apropriação de créditos referentes a dispêndios de períodos anteriores, nos termos dos artigos 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003. Todavia, a legislação determina o procedimento a ser adotado pelo contribuinte que deseja efetuar alterações nos créditos informados em EFD-Contribuições anteriores, conforme IN/RFB nº 1.252/2012 (art. 11). Assim, para utilização dos valores de créditos constatados a posteriori, o contribuinte deveria retificar as EFD-Contribuições dos períodos de apuração desses créditos; Desse modo, os valores utilizados como base de cálculo de créditos de períodos anteriores foram excluídos das EFD-Contribuições aos quais não se referiam, conforme planilhas; INFRAÇÕES APURADAS Insuficiência de Declaração/Recolhimento do PIS Conforme já explanado, a Fiscalização recalculou os créditos e as contribuições apuradas de PIS do período, após constatações das irregularidades acima. Descontando-se o crédito disponível da contribuição apurada, chegou-se ao PIS a recolher, conforme planilha. Verificou-se se o contribuinte havia informado esses débitos nas DCTF, constando valor declarado apenas para o mês de fevereiro, estando os demais meses zerados; Fl. 4735DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 8 Em consulta ao sistema DCTF, verificou-se que o contribuinte enviou declaração com código de arrecadação 6912- PIS, após o início do procedimento fiscal, conforme planilha, as quais não produziram efeitos, nos termos do artigo 9º da IN/RFB n° 1.599/2015; A Fiscalização verificou também se o contribuinte havia informado débitos da contribuição por meio de PER/DCOMP, tendo em vista o disposto no § 6° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Verificou-se que foram enviadas três declarações com débitos do PIS do ano de 2018. Todavia, uma dessas foi enviada após o início do procedimento fiscal, ou seja, após a exclusão de espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do artigo 138 do CTN. Assim, foram considerados apenas os débitos confessados antes do início do procedimento fiscal, conforme planilha; Insuficiência de Declaração/Recolhimento da Cofins A Fiscalização recalculou os créditos e as contribuições apuradas de Cofins do período, após constatações das irregularidades acima. Descontando-se o crédito disponível da contribuição apurada, chegou-se ao PIS a recolher, conforme planilha. Verificou-se se o contribuinte havia informado esses débitos nas DCTF, constando valor declarado apenas para o mês de fevereiro, estando os demais meses zerados; Em consulta ao sistema DCTF, verificou-se que o contribuinte enviou declaração com código de arrecadação 5856- Cofins, após o início do procedimento fiscal, conforme planilha, as quais não produziram efeitos, nos termos do artigo 9º da IN/RFB n° 1.599/2015; A Fiscalização verificou também se o contribuinte havia informado débitos da contribuição por meio de PER/DCOMP, tendo em vista o disposto no § 6° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Verificou-se que foram enviadas cinco declarações com débitos de Cofins do ano de 2018. Todavia, uma dessas foi enviada após o início do procedimento fiscal, ou seja, após a exclusão de espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do artigo 138 do CTN. Assim, foram considerados apenas os débitos confessados antes do início do procedimento fiscal, conforme planilha; Descumprimento do Prazo Estabelecido para a Apresentação da EFD- Contribuições Conforme já dito acima, o contribuinte não enviara as EFD do PIS e da COFINS – EFD-Contribuições do ano de 2018 ao ambiente SPED, tendo sido, por isso, intimado a apresentá-la. Em resposta, após solicitação de prorrogação de prazo, o contribuinte apresentou as EFD-Contribuições apenas dos meses de janeiro a março de 2018. Foi, então, reintimado, sendo que o prazo da última reintimação findou em 28/04/2021 e as escriturações não foram enviadas. Apenas em 12/11/2021, o contribuinte enviou as EFD-Contribuições de abril a dezembro de 2018; Fl. 4736DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 9 A apresentação de obrigações acessórias pelo contribuinte está disciplinada no artigo 16 da Lei n° 9.779/99, no artigo 10 da IN/RFB n° 1.252/2012 e no artigo 12- III da Lei nº 8.218/91; Tendo em vista que o contribuinte enviou as EFD-Contribuições de 2018, o próprio sistema emitiu notificações de lançamento pelo descumprimento de prazo para entrega das escriturações. Todavia, verificou-se que a multa lançada pelo sistema foi reduzida em 50%; No parágrafo único do artigo 12, consta a possibilidade de redução da multa por descumprimento de prazo para entrega das escriturações. A redução à metade ocorre no caso de o contribuinte apresentar as escriturações antes de procedimento de ofício, e a redução a 75%, ocorre se a entrega ocorrer no prazo concedido na intimação; As multas lançadas pelo sistema foram reduzidas à metade, entretanto o contribuinte encontrava-se sob procedimento de ofício, não se aplicando tal redução. As escriturações dos meses de janeiro a março de 2018 foram enviadas no prazo da intimação, passíveis de redução de 25%, nos termos do inciso II do artigo 12 da Lei nº Lei n° 8.218/1991. Já as escriturações dos meses de abril a dezembro de 2018 foram entregues após o prazo da intimação, não se aplicando a citada redução. Assim, descontados os valores de multa já autuados pelo sistema, tem-se os valores de complementação de multa a serem lançados, conforme planilha; O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 18/03/2022 (fls. 2.965 e 2.966) e apresentou impugnação tempestiva em 12/04/2022 (fls. 2.972 a 3.030), alegando, em resumo, que: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Vício Material Decorrente da não Indicação Precisa dos Fundamentos da Autuação A Fiscalização, ao recompor a base de cálculo para apurar o débito tributário devido, trouxe as receitas de operações de terceiros e a prestação de serviços à baila, sem qualquer justificativa (fl. 2.918). As receitas decorrentes dessas operações não foram objeto de qualquer glosa por parte da fiscalização. Não consta em qualquer parte do processo administrativo fiscal (nem mesmo no Termo de Fiscalização) o fundamento para que tais receitas gerassem a diferença apurada para efeitos de recomposição da base das contribuições; Além do mais, a Fiscalização apurou o crédito do PIS e da COFINS em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo para o período de 2018 e fixou a receita financeira (SELIC) que seria incidente sobre tal crédito (fl. 2.921). Não consta no processo quais os parâmetros para cálculo da receita financeira (qual o termo inicial para cômputo da SELIC? Qual o termo final? Quais as bases usadas para o cálculo?); Além disso, a Fiscalização, ao justificar a glosa dos créditos de frete (fl. 2.922), apenas listou determinados CFOP que, em tese, não teriam o condão de gerar Fl. 4737DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 10 crédito, sob o fundamento de que as operações não seriam vinculadas a operações de venda. No entanto, não explicou as operações e não apontou a razão pela qual os créditos não poderiam ser caracterizados como insumo em razão da sua relevância e essencialidade, considerando a atividade industrial da Impugnante (os créditos decorrentes das operações de envio das mercadorias para conserto e para industrialização deixam evidente a necessidade de se considerar tais créditos como legítimos); Ademais, mesmo tendo o Auditor-Fiscal ciência do envio de declarações e retificações após o início da fiscalização (fato admitido em várias passagens do Termo de Fiscalização, como à fl. 2.935), mesmo considerando a verdade material que deve nortear o trabalho da Fiscalização, não foram considerados tais documentos; Observe-se a falha de fundamentação do auto de infração. As bases mínimas para compreensão do trabalho da Fiscalização dependem da análise das planilhas juntadas e do Termo de Verificação e, ainda assim, não se consegue extrair todos os elementos para correto exercício do contraditório, concluindo-se pela inobservância do art. 9º do Decreto nº 70.235/72; Não se consegue capturar ou justificar a reconstituição da base de cálculo das contribuições a partir do raciocínio exposto pelo Auditor-Fiscal. Há itens que são tidos como divergentes sem que se explique o porquê de a suposta divergência existir. Cabe ao Auditor-Fiscal demonstrar os fundamentos da autuação, a metodologia de cálculo utilizada, as evidências que amparam a constatação de suposto ilícito. Sem tais elementos, há vício insanável, conforme jurisprudência do Carf citada; A ausência de motivação implica inobservância a requisito essencial de validade do lançamento, conforme estabelecido no art. 142 do CTN e, por conseguinte, necessária a declaração de nulidade por vício material; PEDIDO EXPRESSO DE NOVA DILIGÊNCIA Verdade Real e Retificação de Obrigações Acessórias Deve-se determinar a realização de diligência, para que sejam consideradas as retificações apresentadas pela Impugnante. Mesmo informada pela Impugnante que determinadas obrigações acessórias estavam sendo retificadas com pagamento de multa (por exemplo, inclusão de notas fiscais em EFD- Contribuições – vide fl. 2.917), houve a manutenção do débito fiscal. A Fiscalização não se dignificou a buscar a verdade real, causando evidente prejuízo à Contribuinte; Conforme retificações efetuadas antes da conclusão da fiscalização, e ora apresentadas, necessário recompor a apuração fiscal, para excluir os itens que a própria Impugnante retificou em suas obrigações acessórias, ajustando as informações para correta apuração das contribuições; Fl. 4738DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 11 A Impugnante traz elementos de prova que evidenciam a configuração de insumo para créditos glosados pela Fiscalização sob o argumento de que não seria frete para venda. Nesse sentido, a diligência será útil para que seja possível a apresentação de laudo indicando a caracterização do crédito a partir das operações indicadas pelo Auditor-Fiscal; A prevalência da verdade material no processo administrativo fiscal impõe não só a conversão de julgamento em diligência, mas, a consideração dos créditos extemporâneos, pois nem a Fiscalização colocou em dúvida a legitimidade dos créditos reconhecidos fora do prazo legal, reconhecendo que as operações subjacentes, que deram ensejo à tomada dos créditos (exceto para o frete para venda), eram válidas e legítimas; O ônus da prova em relação à ilegitimidade de tais créditos é da Administração e, não entendendo os julgadores pela legitimidade e validade dos créditos extemporâneos, necessário, ou declarar a nulidade do auto de infração por falta de motivação relativamente à invalidade dos créditos, ou determinar a realização de diligência para verificação de sua legitimidade e validade. Cita-se jurisprudência do Carf sobre a questão; Glosar os créditos só porque não foram reconhecidos no momento oportuno, só porque não foram retificadas nas obrigações acessórias, representa gravíssima violação aos direitos da Impugnante e desrespeito aos valores que se extraem do sistema, inclusive da verdade real; ÔNUS DA PROVA Cabe ao Fisco Provar os Fatos que Motivaram o Lançamento Fiscal Nos termos dos artigos 142 do CTN e 9º e 10 do Decreto 70.235/1972, no caso de autuação fiscal, o ônus probatório cabe à Fiscalização, que, se entende que há ilícito fiscal, deverá demonstrar as razões e fundamentos que justificam suas conclusões a partir das provas que deve apresentar. Cita-se jurisprudência do Carf; Não foi alegada pela Administração a ausência de legitimidade e de validade dos créditos extemporâneos, sendo que tais valores devem ser tidos como líquidos e certos; como de fato são. Não é possível a descaracterização dos créditos. Além disso, os créditos glosados por não constituírem operação de frete para venda deveriam ter sido objeto de fundamentação adequada, com a comprovação de que as operações não poderiam gerar crédito também considerando o conceito de insumo. As meras alegações, em desprestígio da verdade material inclusive, não podem ser tomadas como verdades absolutas, devendo ser observadas as retificações elaboradas pela Impugnante; DOS DOCUMENTOS JUNTADOS PELA IMPUGNANTE Demonstração da Verdade sobre os Fatos/Necessidade de Cancelamento da Autuação Fiscal A autuada relaciona os documentos ora juntados ao processo, restando evidente que a autuação não se sustenta. Há erros graves da Fiscalização que prejudicam a Impugnante, inclusive no seu direito de defesa. O Auditor-Fiscal não considerou as Fl. 4739DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 12 retificações realizadas pela Impugnante, bem como as questões jurídicas relacionadas à receita financeira, glosa dos gastos com frete, glosa dos créditos extemporâneos e a indevida multa por atraso na entrega das EFD-Contribuições, conforme se passa expor; O REGIME NÃO CUMULATIVO PARA AS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E À COFINS O contribuinte traz um histórico da legislação aplicável à apuração do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, assim como da evolução do conceito de insumos, incluindo a decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170- PR; DAS ATIVIDADES REALIZADAS PELA IMPUGNANTE Processo de Produção de Lâminas de Alumínio No período da autuação fiscal, a então controladora das unidades fabris (ARCONIC, anteriormente pertencente ao grupo ALCOA) possuía três unidades fabris principais e um depósito específico (para atender aos clientes da região sudeste). As 03 unidades fabris atuavam na produção de laminados e extrudados. A autuação considera os negócios de laminados, cuja unidade de produção está localizada em Itapissuma – PE; de extrudados e tampas, localizados em Santo André - SP e Santa Catarina - SC. A produção industrial é complexa e contém diversas etapas que, bem compreendidas, ajudam na compreensão do litígio; O processo industrial de Itapissuma se inicia com a aquisição da matéria prima (alumínio primário, em lingotes), seu recebimento e estocagem na unidade fabril. Além dos lingotes, a unidade recebia outros itens consumidos no processo industrial (anteligas, ferro, silício, titânio). Recebidos os produtos, o alumínio primário passava por diversos processos industriais, destacando-se o processo de fusão de lâminas, os lingotes passavam por diversas etapas, conforme relacionado; Após, há o processo de fundição da lâmina, em que o metal em estado líquido passa por máquina específica (caster), para se transformar em lâmina de alumínio. Por fim, finalizada essa etapa, as lâminas de alumínio são enroladas em bobinas por máquina específica, para transporte e venda; As unidades fabris de Santo André - SP (CNPJ 23.637.697/0098-34) e de Tubarão – SC (CNPJ 23.637.697/0020-74) realizavam o processo industrial de extrusão para extração de produtos de alumínio comercializados para indústria. O processo de extrusão consiste nos passos relacionados; Serviam as unidades (além de um armazém específico em SP) como depósito para atender aos clientes das respectivas regiões. As unidades fabris realizavam operações para gerar a receita ao grupo. Especificamente, vários dos fretes glosados estão neste contexto de remessa de mercadorias para atender aos interesses do grupo, conforme se verá. A descrição das atividades também é importante para afastar qualquer futura alegação de invalidade dos créditos glosados por extemporaneidade; Fl. 4740DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 13 INVIABILIDADE DA GLOSA DOS CRÉDITOS DE FRETE Itens Essenciais à Atividade da Impugnante A análise das atividades desenvolvidas pela Impugnante, considerando não só o ciclo de produção, mas a dinâmica de atuação entre as unidades então pertencentes a uma só controladora, evidencia a caracterização de insumos para os diversos itens de frete glosados pelo Auditor-Fiscal; Reitera-se a análise absolutamente superficial da Fiscalização. Na verdade, a autuação no ponto deve ser cancelada. Os gastos com frete foram glosados de forma indiscriminada apenas, considerando o código das operações, conforme indicado em nota fiscal (fl. 2.922). Não buscou compreender o Auditor-Fiscal a operação subjacente, que justificou a tomada de crédito nas hipóteses fixadas, no contexto da atuação das unidades fabris; Todos os fretes e dispêndios para transporte de insumos entre os estabelecimentos da empresa devem gerar crédito, já que compõem o custo de produção, nos termos do art. 3º, II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Não se equiparam à frete de venda, porque este é posterior à produção (inc. IX, do art. 3º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), e aqueles anteriores; Os fretes e todos os dispêndios para transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, inclusive de produtos inacabados, são essenciais para o desenvolvimento dos negócios e configuram insumos. Portanto, todos as transferências realizadas entre os estabelecimentos da empresa geram gastos que configuram insumos. A autuação fiscal deve ser cancelada no ponto; O mesmo raciocínio vale para os gastos com frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda. Nesses casos, há essencialidade para operação (os materiais são industrializados em outros estabelecimentos para posterior venda); No mesmo sentido de existência de crédito, tem-se a compra para a revenda e, principalmente, os gastos com fretes entre os estabelecimentos ou para armazéns ou depósitos (já que caracterizam insumo que viabiliza a produção e venda); No contexto de operações da Impugnante, os gastos com frete relacionados a remessas de vasilhame entre estabelecimentos, e mesmo para os clientes, remessas para conserto dos produtos e posterior devolução ou venda, devem ser considerados insumos, já que imprescindíveis às operações industriais, do que resulta o auferimento de receita; Já os gastos de transporte com as remessas de amostra grátis ou mesmo as poucas remessas em bonificação, doação ou brinde, e as remessas para demonstração foram fixadas no contexto de promoções de venda. Além disso, dentro das notas apontadas pela Fiscalização há operações indicadas com tais CFOP, mas que correspondem a remessa entre estabelecimentos da Impugnante; Os gastos com transporte nas operações de devolução de compra, devoluções de vasilhame ou sacaria, devoluções de venda, retornos de mercadoria – Fl. 4741DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 14 industrialização por encomenda e retornos de conserto são todos essenciais para produção da Impugnante, resultando em vendas posteriores dos produtos recebidos; Portanto, há itens apontados e glosados pelo Auditor-Fiscal (porque não configurariam frete de venda) que, contudo, configuram insumo. A Impugnante junta aos autos cópia do espelho das notas fiscais mencionadas pelo Auditor fiscal, sendo possível constatar o erro incorrido pela Fiscalização. Na verdade, houve glosa de frete relacionado a operações absolutamente imprescindíveis no contexto de produção industrial e mesmo de venda; Diversas das operações retratam simples vendas de insumos para as unidades fabris. Outras operações revelam industrialização por encomenda e transferências entre estabelecimentos da empresa. A Fiscalização deveria ter aprofundado a análise dos itens. Há evidente erro da Fiscalização que justifica, pelo menos, uma diligência específica. De toda forma, não é possível glosar os gastos com transporte de itens que, entendida a operação, configuram insumos; INVIABILIDADE DA GLOSA DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS Reconhecimento da Validade e Legitimidade dos Créditos/Ausência de Qualquer Prejuízo ao Fisco O Auditor-Fiscal não coloca em dúvida a legitimidade ou validade dos créditos. Glosa-os em razão de atraso no seu reconhecimento, pois, para o aproveitamento dos créditos, a Impugnante deveria ter, antes, retificado suas obrigações acessórias, e não simplesmente lançado os créditos no período posterior; O auto de infração não pode prevalecer na medida em que não há restrição ao uso de crédito extemporâneo em lei. Ao contrário, o § 4º, do art. 3º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, fixa que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes”. Onde a lei não fez restrição, não cabe ao ato infralegal da RFB limitar o direito do contribuinte. Quer isso dizer que o crédito, ainda que extemporâneo, se válido, não pode ser glosado. Cita-se jurisprudência do Carf e judicial; Assim, a lei não impediu o aproveitamento do crédito extemporâneo, conforme dito. Além disso, não pairam dúvidas sobre a validade e legitimidade dos créditos. Por fim, os créditos não foram utilizados em períodos anteriores e a vedação do crédito extemporâneo, além de gerar enriquecimento ilícito ao erário, vai contra a ideia de não cumulatividade; NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E DA COFINS SOBRE A SELIC Sobre a Suposta Receita Financeira Apurada pela Fiscalização O Auditor-Fiscal incluiu na base de cálculo das contribuições a suposta receita financeira indicada à fl. 2.918, considerando divergência nas obrigações acessórias (ECD versus EFD e Demonstrativos do Contribuinte), no valor de R$ 100.071,59, para fevereiro de 2018, e R$ 1.698.991,90, para setembro de 2018, e à fl. 2.921, Fl. 4742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 15 considerando a SELIC incidente sobre o indébito tributário (sobre o crédito de PIS e COFINS decorrente de mandado de segurança); As receitas de R$ 1.698.991,90 e R$ 100.071,59 decorrem juros incidentes em créditos judiciais recuperados pela Contribuinte. O Contribuinte fazia parte do Grupo Alcoa no Brasil e, não obstante constar nestas demandas o nome da Alcoa como parte litigante, os créditos foram efetivamente repassados à Impugnante, já que são seus por direito; A Impugnante junta aos autos o acordo celebrado entre a ALCOA e a ARCONIC (razão social da Impugnante à época), evidenciando que o valor do depósito levantado pela ALCOA seria transferido à ARCONIC; que a receita financeira (SELIC) calculada sobre o depósito judicial seria (e foi) tributada por PIS e COFINS; a comprovação de que, de fato, a receita financeira (R$ 1.781.847,61) foi tributado por PIS e COFINS; razão pela qual a Impugnante recebeu o valor líquido relacionado à transferência do depósito. Neste contexto, absolutamente inviável nova tributação sobre o mesmo valor (doc. 06); Quando da recuperação do valor depositado nos autos da demanda fiscal, houve a apuração das contribuições ao PIS e da COFINS sobre a receita financeira e o seu devido recolhimento pela ALCOA; o que se verifica que, ainda que se tomasse como válida a incidência das contribuições sobre a SELIC aplicada ao indébito tributário (o que se rechaça aqui), ainda assim não seria possível a manutenção da autuação fiscal; Não se pode admitir a incidência das contribuições sobre juros e correção monetária (SELIC) que incidem sobre o indébito tributário recuperado já que não há configuração de receita; Considerações sobre os Juros Atualmente Calculados pela Taxa Selic: sua Natureza Jurídica O contribuinte traz longa consideração acerca da natureza, composição e evolução da taxa Selic, concluindo que a recuperação do indébito não configura receita, e nem é possível a configuração de renda a partir do reconhecimento de crédito tributário pela Fiscalização para recomposição da base de cálculo, tal qual realizado pela Fiscalização; Trata-se de recuperação do tributo indevidamente pago por força de decisão judicial, em mandado de segurança. Não gera aumento patrimonial e, por isso, e por orientação da própria Receita Federal (ADI/SRF nº 25/2003), não configura receita. Não é tributado por imposto de renda ou pelas contribuições; São inexigíveis as contribuições sobre os juros e as correções (portanto, a SELIC) incidentes sobre restituição de tributos pagos indevidamente, aproveitamento de créditos escriturais, ressarcimento de créditos, levantamento de depósitos judiciais e extrajudiciais, recebimento de indenização, recuperação de custos, despesas e indébitos. Em todos estes casos o principal não configura receita. E, por essa razão, o acessório não pode configurar receita; Cita-se decisão judicial relativa à não incidência do IRPJ e da CSLL sobre a taxa Selic incidente sobre o indébito tributário; Fl. 4743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 16 Base de Cálculo das Contribuições ao PIS e da Cofins No regime não cumulativo – como é o caso da Impugnante –, a base de cálculo das contribuições é o total das receitas auferidas pelo contribuinte no mês, independentemente da sua denominação ou classificação contábil. Decorre da base de cálculo ampla do regime não cumulativo a incidência das contribuintes inclusive sobre as receitas financeiras, ainda que o contribuinte não tenha atividade financeira no seu objeto social. Até 2015 era estipulada alíquota zero para as receitas financeiras, o que foi alterada a partir do Decreto nº 8.426/2015; Os Juros não Configuram Receita: não Incidência das Contribuições A receita (financeira ou não) resta caracterizada quando o acréscimo patrimonial gerado se agrega ao patrimônio do contribuinte de maneira definitiva, como resultado da sua atividade ou como fruto de algum elemento que conste do seu patrimônio; Na hipótese de pagamento indevido de tributo ou de repetição de crédito tributário, ao propor demanda judicial, o contribuinte busca apenas recuperar o valor indevidamente pago. O indébito tributário obtido não constitui receita. Representa apenas a recomposição do patrimônio para o contribuinte; Os juros também indenizam o contribuinte pela indisponibilidade do crédito no período do processo, durante o período de indisponibilidade do crédito tributário, o contribuinte muitas vezes se vê obrigado a se endividar em razão da ausência dos valores. A indisponibilidade do indébito representa para o contribuinte desfalque no seu patrimônio. Daí a incidência dos juros surge para reparar o dano decorrente; ILEGALIDADE DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE EFD- CONTRIBUIÇÕES Pagamento da Multa com Desconto O Contribuinte, após auditoria interna, verificou que as EFD-Contribuições não foram entregues no prazo e iniciou sua transmissão no ambiente SPED para o ano de 2018, já com atraso. As declarações dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2018 foram entregues em 14/10/2020. Contudo, se deparou o Contribuinte com multa absolutamente desproporcional e ilegal, razão pela qual realizou pedido de consulta que, infelizmente, restou ineficaz; Para atender à Fiscalização e regularizar a informação fiscal, em 12/11/2021, a Impugnante transmitiu as EFD-Contribuições para os meses de abril a dezembro de 2018, conforme apontado pelo próprio Auditor Fiscal (à fl. 2.936). Como consequência do envio com atraso, o próprio sistema gerou os lançamentos para pagamento das multas. Ao pagar as multas, o sistema automaticamente aplicou os descontos fixados na legislação, conforme constava na notificação de lançamento; Não obstante os lançamentos da própria Receita Federal e o recebimento do pagamento, considerando que a Fiscalização foi iniciada em 15/09/2020, entendeu o Auditor Fiscal que não seria possível a aplicação do desconto conferido à Impugnante, reduzindo os descontos conferidos para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2018 e anulando os descontos para os demais meses (fl. 2.938), sob o argumento de que a Impugnante teria perdido a espontaneidade; Fl. 4744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 17 Preliminarmente: Impossibilidade de Revisão do Lançamento por Erro de Qualificação A multa por atraso na entrega das EFD-Contribuições já havia sido lançada e a Impugnante já havia realizado o pagamento, nos termos do lançamento. O ato do Auditor-Fiscal, de revisar o lançamento fiscal efetuado, só poderia ter sido realizado nas hipóteses restritas previstas em lei; O art. 145 do CTN impede a alteração do lançamento fiscal, salvo nos casos previstos no art. 149 do CTN. Ao analisar os incisos do referido artigo, não se encontra nenhuma hipótese que dê guarida ao comportamento do Auditor-Fiscal. Não houve dolo, simulação, fraude; não houve omissão de informação; não houve erro. Houve lançamento e pagamento da multa, nos termos exatos da notificação; Assim, não pode o Auditor-Fiscal requalificar a multa já lançada. Não se trata sequer de revisão de lançamento, mas de novo lançamento sem que fosse desconstituído o anterior. Ainda que o lançamento da multa tenha sido automático, não é possível contrariar a legislação para revisão do lançamento, sem fundamento legal; O que torna a autuação neste ponto absolutamente ilegal é que não houve revisão de lançamento, mas novo lançamento. É evidente o vício, que gera a necessidade de cancelar a autuação no ponto; Da Ilegalidade da Multa por Atraso na Entrega de EFD-Contribuições O cálculo da multa foi baseado na Lei nº 8.218/1991, conforme redação dada ao artigo 12, III, pela Lei nº 13.670/2018 (publicada em 30/05/2018). A aplicação da multa com base na Lei nº 8.218/1991 decorre da determinação prevista no artigo 10, da IN/RFB nº 1252, de 01/03/2012; Não obstante: a multa mais gravosa não poderia ser aplicada retroativamente (para período anterior a maio/2018); a determinação para aplicar a multa do art. 12, III, da Lei nº 8.218/1991 foi fixada com a IN/RFB 1876, de 14/03/2019 (que alterou o art. 10 da IN/RFB 1252, de 01/03/2012); Conforme demonstrado no quadro anexo, tem-se como impossível a aplicação da referida multa para o período anterior a maio/2018, pois sequer a legislação que estabeleceu o novo parâmetro de multa existia. Não se trata de validade ou eficácia da norma, mas da própria existência; Ademais, também não é possível a aplicação da multa para 2018, já que a Instrução Normativa que viabiliza a aplicação da multa, na forma estabelecida pela Lei nº 13.670/2018, só foi publicada em 2019; Não havendo norma possibilitando a aplicação retroativa da multa mais gravosa, o que é vedado para o sistema brasileiro, necessário cancelar a autuação fiscal no que se refere à multa; sem prejuízo de a Impugnante buscar a repetição do valor indevidamente pago; Da Ilegalidade da Multa por Excesso e Efeito Confiscatório A obrigação acessória é fixada no interesse da fiscalização, a partir da legislação tributária (CTN, art. 113, § Fl. 4745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 18 2º). Deve ser adequada, razoável e proporcional, a fim de que seja possível à Administração ter acesso às informações necessárias à verificação do cumprimento das obrigações (principais) tributárias, sem onerar demasiadamente o contribuinte; Se a obrigação acessória pode ser fixada a partir da legislação, a imputação de sanção, ainda que por descumprimento de obrigação acessória, depende de previsão em lei stricto sensu (CTN, art. 112). Ademais, a sanção tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte (CTN, art. 112, incisos I a IV); pode ser aplicada retroativamente apenas para favorecer o contribuinte (CTN, art. 106, II, c); atrai à sanção o regime jurídico próprio dos tributos (CTN, art. 113, III), inclusive em relação aos princípios constitucionais e às garantias de proteção concedidas ao contribuinte; Cita-se jurisprudência do STF sobre a questão; No caso concreto, a não entrega das EFD-Contribuições implicou multa (ilegal, porque sem base legal!) no valor total de R$ 9.494.333,65 (fl. 2.937). Sendo que a Fiscalização já tinha acesso à receita da Impugnante e aos valores pagos a título do PIS e da COFINS por meio de outras obrigações acessórias, inclusive em razão das próprias notas fiscais eletrônicas. Se a Fiscalização já possuía as informações, é evidente que a multa é totalmente desarrazoada; Além disso, a Impugnante pagou os tributos em relação ao período, inclusive, as contribuições, ainda que haja divergência considerando as glosas do crédito extemporâneo e dos fretes. Nada justifica penalizar a Impugnante considerando o valor absurdo da multa por falta de entrega das EFD-Contribuições, razão pela qual é necessário cancelar a atuação; IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA Existência de Dúvida – Aplicação dos Artigos 100, Parágrafo Único, e 112 do CTN Da leitura dos itens de defesa acima, bem como, a observância da jurisprudência administrativa sobre as questões, verifica-se que, no mínimo há dúvida razoável sobre os fundamentos da autuação, pois: o STF, em julgamento de recurso extraordinário com repercussão geral, indicou que não configura receita financeira os juros incidentes sobre o indébito tributário; os vários itens glosados a título de frete geram crédito de PIS e COFINS, conforme julgados do CARF e legitimidade dos créditos extemporâneos; a multa cobrada pela entrega com atraso das EFD-Contribuições é claramente ilegal; Assim, caso se decida pela manutenção dos lançamentos, no mínimo, tem- se que se considerar que há dúvida razoável quanto à ocorrência das infrações apontadas pelo Auditor-Fiscal. A existência de acórdãos do Carf favoráveis à Impugnante implica reconhecer a insubsistência da multa, já que tais decisões Fl. 4746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 19 poderiam constituir normas complementares (CTN, art. 100, II) ou, ao menos, gerar determinada expectativa (legítima) de que não seria autuado. O Contribuinte teve seu comportamento protegido pelo entendimento jurisprudência e, assim, não pode ser penalizada; Como a exigência de valores a título de penalidade não se coaduna com a dúvida, conforme artigos 110, parágrafo único, e 112 do CTN, não será possível a aplicação da multa contra a Impugnante, ainda que por hipótese não haja o cancelamento do auto de infração. Dessa maneira, ainda que mantido o lançamento, requer-se sejam afastadas as multas aplicadas; ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Os juros calculados com base na taxa SELIC não podem incidir sobre a multa de ofício lançada, por ausência de previsão legal. O art. 13 da Lei nº 9.065/1995 faz remissão ao artigo 84, da Lei nº 8.981/1995, que, por sua vez, estabelece a incidência dos juros sobre tributos. Como tributo não se confunde com multa, inviável a incidência da SELIC sobre a multa; Não se conformando com a Súmula 108 do Carf, caso não sejam acolhidos os demais argumentos para cancelar a autuação fiscal, a Impugnante requer o cancelamento da SELIC aplicada pelo Auditor-Fiscal sobre a multa de ofício (fls. 2.945 e seguintes). Em 13/12/2022 foi proferida por esta 16ª Turma de Julgamento a Resolução nº 107-000.673 (fls. 4.379 a 4.403), determinando o retorno destes autos à unidade local para a realização de diligência, nos seguintes termos: Considerando o acima exposto, e analisando especificamente os fretes objeto de glosa na presente autuação e expressamente contestados pelo contribuinte, constatou-se o que se segue, relativamente aos serviços de frete especificados. Quanto ao frete no retorno de mercadoria - industrialização por encomenda e nas remessas para industrialização por encomenda (CFOP 5901 e 6901), tem razão a autuada, considerando que se trata de transporte que se dá no curso do processo produtivo da empresa, ainda que a industrialização seja efetuada por terceiros. Ressalve-se que no retorno de mercadoria para industrialização inclui-se apenas o retorno dos bens enviados pela autuada para industrialização por encomenda por terceiros, para posterior utilização em seu próprio processo produtivo, e não o retorno de bens por ela recebidos para industrialização e posterior utilização no processo produtivo de outra empresa. Considerando que foram registrados apenas os CFOP 5902, 5903, 6902 e 6903, não cabe o reconhecimento do crédito, visto que se trata de “remessas, pelo estabelecimento industrializador, dos insumos recebidos para industrialização e incorporados ao produto final, por encomenda de outra empresa” (5902 e 6902) e “remessas em devolução de insumos recebidos para industrialização e não aplicados no referido processo” (5903 e 6903). Fl. 4747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 20 Quanto à compra para revenda (CFOP 3102), também tem razão a autuada, visto que se trata de frete na aquisição de bem para revenda, incluindo-se, portanto, no custo de aquisição de bens adquiridos para revenda (artigo 3º, I, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003). Da mesma forma, a compra para industrialização (CFOP 3101). Sendo assim, entendo que devem ser reconhecidos ao contribuinte os créditos decorrentes das despesas com os seguintes serviços de frete: remessa para industrialização por encomenda (CFOP 5901 e 6901), compra para revenda (CFOP 3102) e compra para industrialização (CFOP 3101). A autoridade fiscal elaborou a planilha NF-E VINCULADOS A CT-E – FRETE EM OPERAÇÕES NÃO VENDA (fls. 2.594 a 2.652), na qual constam as chaves dos CT-E e das NF-E glosadas, assim como o respectivo CFOP, não constando, no entanto, o valor da operação. Na planilha FRETE EM OPERAÇÕES DE NÃO-VENDA (fls. 2.653 a 2.697) constam a chave do CT-E e o valor da operação, mas não consta o respectivo CFOP. Em consequência, em razão da grande quantidade de registros informados nas citadas planilhas, voto por converter o julgamento em diligência à unidade local, para que a autoridade fiscal elabore nova planilha apurando os valores das glosas mensais a serem revertidas, relativas às despesas com os fretes vinculados aos CFOP acima relacionados, com os respectivos valores de PIS e Cofins. Dar ciência desta resolução e de seu resultado ao contribuinte para, se assim desejar, apresentar impugnação complementar a eles relativa, no prazo de trinta dias. A seguir, retornar os autos a esta DRJ para julgamento. Em resposta, foi elaborada pela Fiscalização a planilha de fl. 4.407, cientificada ao contribuinte em 29/05/2024 (fl. 4.418). Em relação à diligência determinada por esta Turma, a empresa apresentou o requerimento de fls. 4.412 a 4.416 em 16/02/2023, com as seguintes alegações, em resumo: Além de demonstrar a incorreção do procedimento fiscal em relação aos créditos relacionados ao frete, a impugnante apontou que a Fiscalização não procedeu a qualquer análise relacionada a eventual (e inexistente) duplicidade de aproveitamento dos créditos extemporâneos. Não há dúvida de que os créditos extemporâneos foram aproveitados apenas uma vez; Há pedido expresso na impugnação para que, havendo dúvida quanto ao aproveitamento dos créditos extemporâneos, deve-se proceder à devida diligência para averiguação. Cita-se decisão do Carf; Assim, considerando que a impugnante utilizou os créditos extemporâneos apenas uma vez, reitera-se o pedido para que, uma vez que há determinação de diligência, seja estendido o escopo para esclarecimentos em relação ao uso do crédito extemporâneo, em prestígio à verdade material; Tal questão não é controversa, pois o próprio agente fiscal não nega que a impugnante tomou o crédito extemporâneo apenas uma vez, autuando a empresa apenas porque constatou que o crédito foi reconhecido fora do prazo correto. Mas, considerando a existência de determinação de diligência, a Fl. 4748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 21 declaração expressa de que o crédito extemporâneo foi reconhecido apenas uma vez é importante e vai ao encontro do princípio da verdade material que se deve buscar. Em relação à apuração fiscal na diligência, a empresa apresentou impugnação complementar em 28/06/2024 (fls. 4.420 a 4.432), com as seguintes alegações, em resumo: Na diligência realizada foram desconsideradas operações de frete que deveriam gerar crédito, realizadas no contexto de envio de itens para industrialização; Tais operações correspondem à remessa ou retorno dos seguintes itens: perfis de alumínio para anodização, pintura; rack de ferro (ou descrito como caixa de ferro), para conclusão da industrialização, separação dos perfis em lotes e envio ao cliente; papel, plástico bolha e fita adesiva para embalagem do produto e, com isso, finalização do processo industrial e envio ao cliente; lona plástica, para proteção do produto, notadamente quando do envio ao cliente final; espulas, para que fosse possível utilizar as bobinas de alumínio no processo industrial, possibilitando a inserção em máquinas da Tetra Pack; caixas de madeira e paletes, para transporte dos materiais e embalagem; vergalhão de alumínio para industrialização em processo específico (trefilado); silício metálico, utilizado como insumo no processo de refusão de lingotes de alumínio; O contribuinte junta planilha e fotos que justificariam a apuração dos créditos em questão; No caso dos perfis de alumínio, trata-se de operação típica de remessa para industrialização, sendo, na maioria das vezes, remetidos ao cliente. Apesar da descrição mais genérica no documento fiscal (remessa de vasilhame ou sacaria), há aqui operação para industrialização (no caso, pintura). O frete desta operação gera crédito, pois é essencial ao processo fabril; No caso dos racks de ferro, seu transporte é essencial à produção, pois sem eles não é possível dividir os perfis em lotes e transportá-los aos clientes. Os racks são enviados à empresa que industrializa para que seja possível completar o processo. Sem eles não se pode finalizar o processo de industrialização, devendo o frete gerar crédito; Quanto aos materiais para proteção, embalagem e manuseio do produto, são remetidos para finalizar o processo de industrialização, com o envio do produto ao cliente. O frete decorrente do envio desses materiais deve gerar crédito, pois são itens utilizados no processo industrial, sendo sua remessa essencial, cabendo o crédito do frete; As espulas são itens essenciais para industrialização, pois possibilitam o encaixe das bobinas de alumínio nas máquinas que produzem as embalagens Tetra Pack. Assim, se não se considerar o frete a partir da remessa do item para industrialização, deve-se tomar o frete como operação dirigida ao cliente final. Nesse caso, ter-se-ia que conceder crédito sobre o frete pago, afastando-se a glosa; Quanto ao vergalhão de alumínio, há operação específica de remessa do item para industrialização, sendo o resultado o trefilado, vendido ao cliente final. Neste contexto, é evidente a necessidade de conceder crédito sobre o valor dispendido com o frete; Quanto ao silício metálico, trata-se de insumo utilizado para determinar a propriedade do lingote de alumínio, inclusive, quanto à sua Fl. 4749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 22 consistência e rigidez. O envio do produto para industrialização é essencial para produção do lingote com a especificação técnica demandada pelo cliente, devendo o frete do envio gerar crédito. A decisão recorrida julgou parcialmente procedente a Impugnação e conforme ementa do Acórdão nº 107-026.707 – 16ª TURMA/DRJ07 apresentando o seguinte resultado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2018 LANÇAMENTO DE OFÍCIO – NULIDADE – IMPROCEDÊNCIA - Não procede a alegação de nulidade do lançamento quando nele constem todos os elementos de fato e de direito que fundamentam a exigência. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – MULTA DE OFÍCIO – INCIDÊNCIA – Mantida a exigência do tributo apurado em lançamento de ofício, correta a exigência da respectiva multa proporcional. ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE – Não compete ao julgador administrativo apreciar alegações relativas à ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA – Considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada pelo sujeito passivo, tornando-se definitiva a exigência dela decorrente. DILIGÊNCIA – NECESSIDADE – APRECIAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA – Não cabe a determinação de diligência quando já constam nos autos elementos suficientes à convicção do julgador. MULTA PELA APRESENTAÇÃO DA EFD-CONTRIBUIÇÕES FORA DO PRAZO FIXADO – EXIGÊNCIA – Correta a exigência da multa pela apresentação da EFD- Contribuições fora do prazo fixado em norma, quando comprovada sua transmissão após o referido prazo. EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA – LANÇAMENTO COMPLEMENTAR – POSSIBILIDADE – Correta a exigência de crédito tributário por meio de lançamento complementar àquele anteriormente realizado, quando atendidos os requisitos legais (arts. 145- III e 149 do CTN), respeitado o prazo decadencial. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/02/2018 a 31/12/2018 COFINS - APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA - BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS - DEFINIÇÃO - Somente dão origem a crédito na apuração não cumulativa da Cofins os bens e serviços essenciais ou relevantes ao desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, nos termos da decisão proferida pelo STJ nos autos do RESP nº 1.221.170/PR, da Nota SEI n° 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018 e da IN/RFB nº 2.121/2022. COFINS - APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO – UTILIZAÇÃO – O direito de crédito deve ser informado na escrituração fiscal do contribuinte no respectivo período de apuração. Havendo saldo de crédito não Fl. 4750DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 23 utilizado, deve este ser informado na escrituração dos períodos subsequentes, até sua utilização de fato, respeitado o prazo prescricional. COFINS – RECEITA FINANCEIRA – TRIBUTAÇÃO – Incide a Cofins sobre receita financeira decorrente do recebimento de juros, nos termos da legislação aplicável. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2018 PIS - APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA - BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS - DEFINIÇÃO - Somente dão origem a crédito na apuração não cumulativa do PIS os bens e serviços essenciais ou relevantes ao desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, nos termos da decisão proferida pelo STJ nos autos do RESP nº 1.221.170/PR, da Nota SEI n° 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018 e da IN/RFB nº 1.911/2019. PIS - APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO – APURAÇÃO – O direito de crédito deve ser informado na escrituração fiscal do contribuinte no respectivo período de apuração. Havendo saldo de crédito não utilizado, deve este ser informado na escrituração dos períodos subsequentes, até sua utilização de fato, respeitado o prazo prescricional. PIS – RECEITA FINANCEIRA – TRIBUTAÇÃO – Incide o PIS sobre receita financeira decorrente do recebimento de juros, nos termos da legislação aplicável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma tempestiva, reproduzindo os argumentos apresentados em sede de impugnação, com ênfase na falta de análise dos créditos extemporâneos, com alteração do critério jurídico. É o relatório VOTO Conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Das preliminares Dos equívocos do acórdão recorrido A Recorrente alega preliminarmente que o acórdão da DRJ conteve alguns equívocos que causariam a nulidade, a principal alegação é de que teve alteração do critério jurídico, visto que a autuação é baseada na falta de retificação do EFD-contribuições dos créditos Fl. 4751DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 24 extemporâneos tomados pela Recorrente, porém segundo entendimento da Recorrente o acórdão recorrido alterou o critério jurídico para que teve um duplo creditamento, necessária a glosa dos créditos extemporâneos. Contudo o acórdão recorrido deixa claro que mantém a autuação em relação aos créditos extemporâneos devido a falta de retificação das obrigações acessórias, conforme se pode verificar do trecho abaixo: “Vê-se, portanto, que a utilização de créditos extemporâneos é, de fato, possível, conforme previsão contida no § 4º do artigo 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, devendo o contribuinte, no entanto, atender os requisitos estabelecidos na norma acima, a fim de possibilitar a verificação:  da existência de saldo de crédito no período de apuração;  de sua não utilização em períodos anteriores (posteriores ao de apuração);  de sua utilização no prazo prescricional. Ainda que tais requisitos não sejam atendidos, ou seja, que não sejam efetuadas as retificações previstas na norma, entende-se possível a utilização destes créditos, desde que comprovada documentalmente sua disponibilidade. No presente caso, a empresa não comprova se tais créditos não foram de fato utilizados nos respectivos períodos de aquisição, não trazendo aos autos as correspondentes apurações, nem tampouco a documentação contábil e fiscal a elas relativa. Sendo assim, ainda que seja possível a apuração e utilização extemporâneas de créditos da não cumulatividade, e ainda que as despesas relacionadas pelo contribuinte (ou parte delas) sejam de fato passíveis de creditamento, não há nos autos documentação comprobatória de que tais créditos não foram utilizados nos respectivos períodos de aquisição, não sendo possível o reconhecimento do direito de crédito decorrente do registro, em 2018, dos documentos fiscais emitidos em períodos anteriores.” Portanto a análise realizada pela instância a quo foi de que a falta de retificação já não permitiria a utilização dos créditos extemporâneos, porém analisa a outra argumentação trazida pela agora Recorrente que trouxe a argumentação que apesar da fala de retificação das obrigações acessórias, a Recorrente não utilizou os créditos em períodos anteriores e portanto não teve duplo creditamento nem prejuízo ao erário, fato que segundo o entendimento do julgador naquele momento não existia documentação comprobatória. Assim não existiu uma alteração no critério jurídico, somente uma análise dos argumentos apresentados na Impugnação da Recorrente, e mantendo a glosa, tanto por falta de retificação das obrigações acessórias bem como caso entendesse que fosse permitido tal creditamento extemporâneo nesse formato, a documentação não seria concreta para aceitar tais créditos. Fl. 4752DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 25 Da nulidade do lançamento Preliminarmente, suscita a Recorrente a nulidade do Auto de Infração por – suposta – violação ao direito de defesa, com fundamento no artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972, bem como no artigo 142 do CTN. Em sede de processo administrativo fiscal as nulidades estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, ao passo que o artigo seguinte, traz as hipóteses de outras irregularidades, passíveis de serem sanadas, e que não acarretam nulidade do auto de infração, senão vejamos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas nº artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. O Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente, contém a descrição dos fatos, acompanhada da capitulação legal, e cumpriu com todos os requisitos insculpidos no artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, observando estritamente o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), não se cogitando tampouco, a hipótese de cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Ainda, a Recorrente foi cientificada do Auto de Infração, tendo-lhe sido facultado o prazo regulamentar para apresentar impugnação com as razões de defesa que entendeu pertinentes, inclusive a produção das provas admitidas em direito (art. 36 da Lei nº 9.784/1999 c/c 373, inciso II do CPC), tudo de acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Desse modo, entendo que o lançamento tributário atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, havendo a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, bem como a observância do contraditório e do amplo direito de defesa da contribuinte, de modo que restam afastadas quaisquer hipóteses de nulidade do lançamento. Assim, rejeito as preliminares suscitadas, e esclareço que as demais alegações tecidas pelo Recorrente, por se confundirem com o mérito, serão adiante apreciadas. Do ônus da prova Para finalizar a alegação da Recorrente de nulidade que incumbe ao fisco ônus da prova cabal da insuficiência de créditos de PIS/COFINS, com detalhamento das razões de fato e de Fl. 4753DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 26 direito, com demonstração do nexo de causalidade com os elementos que utilizou, sendo que foram somente apresentada presunção e indícios. Mais uma vez, como já mencionado anteriormente, o fisco apresentou em seu relatório fiscal a base de cálculo obtida através das obrigações acessórias da própria Recorrente e dos documentos apresentados durante a fiscalização, realizando o confronto da base de cálculo do crédito apurada pelo fisco com a base de cálculo do crédito apresentada pela Recorrente em sua apuração fiscal, fica claro que não existia lastro para tais créditos, sendo, portanto, cobrado os impostos sobre tal diferença. E verificando a discussão em tela, é claro que o ônus da prova nesses casos é da Recorrente, visto que a fiscalização somente pode se basear nos documentos que foram apresentados a ela, mostrando que caso aceitasse tais valores de crédito sem nenhum lastro correspondente estaria presumindo valores e agindo ilegalmente. Posto o quanto apresentado, nego provimento ao Recurso Voluntário quanto as preliminares arguidas pela Recorrente. Do mérito Da glosa de créditos de frete A Recorrente apresenta a mesma argumentação para o tema no quanto apresentado em sua Impugnação, e por entender que a decisão proferida pela instância a quo seguiu o rumo correto, em relação ao aproveitamento de crédito do frete, utilizo sua ratio decidendi como se minha fosse, nos termos do §12° do art. 114 do RICARF, in verbis:. “O contribuinte alega que as despesas com frete glosadas pela autoridade fiscal devem ser caracterizadas como insumos, em razão de seu ciclo de produção e da dinâmica de atuação entre as unidades então pertencentes a uma só controladora. Entende que todos os fretes para transporte de insumos entre os estabelecimentos da empresa devem gerar crédito, pois compõem o custo de produção, nos termos dos artigos 3º, II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e que tais despesas não se equiparam ao frete na venda, por serem anteriores a esta operação. Alega que os fretes para transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa, inclusive de produtos inacabados, são essenciais para o desenvolvimento dos negócios e configuram insumos. Entende que o mesmo raciocínio se aplica aos gastos com frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, sendo a operação essencial. Também entende que geram crédito a compra para revenda e os fretes entre os estabelecimentos ou para armazéns ou depósitos, pois viabilizam a produção e a venda. Alega que devem ser considerados insumos os fretes relacionados a remessas de vasilhame entre estabelecimentos, e para os clientes, remessas para conserto dos produtos e posterior devolução ou venda, pois são imprescindíveis às operações industriais, do que resulta o auferimento de receita. Fl. 4754DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 27 Alega que os fretes vinculados às remessas de amostra grátis ou remessas em bonificação, doação ou brinde, e às remessas para demonstração foram fixados no contexto de promoções de venda. Ressalta que nas notas apontadas pela Fiscalização há operações indicadas com tais CFOP, mas que correspondem a remessa entre estabelecimentos da Impugnante. Também o frete nas operações de devolução de compra, devoluções de vasilhame ou sacaria, devoluções de venda, retornos de mercadoria – industrialização por encomenda e retornos de conserto são essenciais para produção, resultando em vendas. A autoridade fiscal efetuou a glosa dos fretes vinculados a notas fiscais nas quais constam informadas as seguintes operações, considerando o CFOP nelas registrado: remessas de vasilhame (5920 e 6920), remessas para industrialização por encomenda (5901 e 6901), remessas para conserto (5915 e 6915), remessas de amostra grátis (5911 e 6911), remessas em bonificação, doação ou brinde (5910 e 6910), remessas para demonstração (5912 e 6912), remessas para depósito fechado ou armazém geral (5905), devoluções de compra (5201, 5202, 5556, 6201, 6202, 6411, 6553, 6556 e 6557), devoluções de vasilhame ou sacaria (5921 e 6921), devoluções de venda(2201), retornos de mercadoria - industrialização por encomenda (5902, 5903, 6902 e 6903), retornos de conserto (6916), retorno demonstração (5913), transferências (6151, 6152, 6155, 6552 e 6557), industrializações efetuadas para outra empresa (5124, 5125, 6124 e 6125), outras entradas (3949), outras saídas (5949, 6949 e 7949), compra para industrialização (3101), compra para revenda (3102), compra de ativo imobilizado (3551) e compra para uso e consumo (3556). Entende que o direito de crédito decorrente de despesas com frete está previsto nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/2003 e, considerando que as operações relacionadas não correspondem a fretes na venda, efetuou a glosa. O contribuinte pretende o enquadramento das despesas com frete aqui analisadas nos artigos 3º, II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, ou seja, serviços utilizados como insumos, alegando sua essencialidade e relevância para a realização de suas atividades. Alega que não se aplica aqui o previsto nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/2003, como entendeu a autoridade fiscal. Sendo assim, faz-se necessário trazer ao voto o histórico da definição de insumo aplicável à apuração não cumulativa do PIS e da Cofins. Sobre tal questão, a RFB estabeleceu os limites por meio das IN/SRF nºs 247/2002 e 404/2004. No entanto, as definições trazidas pelas IN citadas foram objeto de julgamento pelo STJ, nos autos do REsp nº 1.221.170-PR (2010/0209115-0), em sede de recurso repetitivo, concluindo aquele Tribunal nos seguintes termos (acórdão publicado em 24/04/2018): (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis Fl. 4755DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 28 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Em consequência, a PGFN editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, por meio da qual delimitou a extensão e o alcance deste julgado, viabilizando a adequada observância da tese por parte da RFB, nos termos previstos nos §§ 4º, 5º e 7º do artigo 19 da Lei nº 10.522/2002 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Destacam-se abaixo os trechos mais relevantes para o presente caso: r) conceito de insumo tal como empregado nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 para o fim de definir o direito (ou não) ao crédito de PIS e COFINS dos valores incorridos na aquisição. Resumo: o STJ decidiu que é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004, na medida em que comprometeria a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Observação 1. Observa-se que o STJ adotou a interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância. Vale destacar que os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, a) “constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Observação 2. Se, por um lado, a decisão do STJ, no RESP nº 1.221.170/PR, afastou o critério mais restritivo adotado pelas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004, por outro lado, igualmente, repeliu que fosse adotado critério demasiado elastecido, o qual iria desnaturar a hipótese de incidência das contribuições do PIS e da COFINS. Entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não-cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na Fl. 4756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 29 legislação do Imposto de Renda. Desse modo, não serão todas as despesas realizadas com a aquisição de bens e serviços para o exercício da atividade empresarial precípua do contribuinte direta ou indiretamente que serão consideradas insumos. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade desenvolvida, sob um viés objetivo. A análise da essencialidade deve ser objetiva, dentro de uma visão do processo produtivo, e não subjetiva, considerando a percepção do produtor ou prestador de serviço. Observação 3. Conquanto o STJ tenha entendido pela ilegalidade da interpretação restritiva do conceito de insumo, não proibiu toda e qualquer regulamentação feita em âmbito administrativo. O que o julgado estabeleceu é que a regulamentação levada a efeito pelas Instruções Normativas da SRF nº 247/2002 e 404/2004 fere a lógica da sistemática da não-cumulatividade prevista na legislação de regência para as contribuições ao PIS e da COFINS. Observação 4. Ressalvam-se do entendimento firmado pelo STJ, as vedações e limitações de creditamento previstas em lei. Destarte, as despesas que possuem regras específicas contidas nas Leis nº 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, as quais impedem o creditamento de PIS/COFINS, não devem ser abrangidas pelo conceito de insumo, mesmo que, eventualmente, utilizando-se os critérios de essencialidade e relevância ao objeto social do contribuinte, pudesse ser defendida sua importância para o processo produtivo. Observação 5. Destaque-se que tanto o Procurador da Fazenda Nacional como o Auditor-Fiscal que atuam nos processos nos quais se questiona o enquadramento de determinado item como insumo ou não para fins da não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS estão obrigados a adotar o conceito de insumos definido pelo STJ e as balizas contidas no RESP nº 1.221.170/PR, mas não estão obrigados a, necessariamente, aceitar o enquadramento do item questionado como insumo. Deve-se, portanto, diante de questionamento de tal ordem, verificar se o item discutido se amolda ou não na nova conceituação decorrente do Recurso Repetitivo ora examinado. Precedente: RESP nº 1.221.170/PR (temas 779 e 780) (Grifou-se)Pelo visto acima, a ilegalidade dos atos normativos foi reconhecida pelo STJ, considerando aquele Tribunal que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade e da relevância do bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica, esclarecendo, ainda, os critérios para definição da essencialidade e da relevância. Dessa forma, como destaca a Nota acima transcrita, a decisão não acatou a tese trazida pelo contribuinte naquele julgado, na medida em que não entendeu que o conceito de insumo corresponde exatamente ao conceito de "custos e despesas operacionais", utilizado na legislação do IRPJ. Fl. 4757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 30 Definiu o STJ que a essencialidade se caracteriza pelo "item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, a) “constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou b) “quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por sua vez, a relevância “é identificável nº item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Desta forma, vê-se que o STJ restringiu a aplicação de tais critérios e, em consequência, a caracterização de um bem ou serviço como insumo, ao processo produtivo de cada empresa, ou ao serviço por ela prestado. Assim, não são todas as despesas realizadas com a aquisição de bens e serviços e necessárias para o exercício da atividade empresarial que serão consideradas insumos para fins de não cumulatividade das contribuições. A PGFN destaca tal aspecto da decisão, observando que, ainda que haja despesas importantes para a empresa (para o exercício de sua atividade e sucesso empresarial), nem todas são necessariamente essenciais ou relevantes, relativamente à atividade desenvolvida, do ponto de vista objetivo, nos termos em que analisado pelo Tribunal. A essencialidade deve ser analisada de forma objetiva, relativamente ao processo produtivo desenvolvido pelo contribuinte, e não de forma subjetiva, considerando a percepção do produtor ou prestador de serviço. Posteriormente à decisão do STJ e à manifestação da PGFN, a RFB editou o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17/12/2018, com a seguinte ementa: Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça nº Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; Fl. 4758DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 31 a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Em 15/10/2019 foi publicada a IN/RFB nº 1.911, que consolidou, no âmbito administrativo, as definições trazidas pelo STJ no julgamento acima citado, revogando expressamente as IN/SRF nºs 247/2002 e 404/2004, passando a definir que: Art. 172. Para efeitos do disposto nesta Subseção, consideram-se insumos os bens ou serviços considerados essenciais ou relevantes, que integram o processo de produção ou fabricação de bens destinados à venda ou de prestação de serviços(Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 37; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, inciso II, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, art. 21). (...)Atualmente, encontra-se me vigor, dispondo sobre a matéria, a IN/RFB nº 2.121/2022. Conforme se depreende dos textos legais e normativos acima reproduzidos, o reconhecimento de créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços utilizados como insumos está vinculado à sua utilização no processo produtivo da empresa ou no serviço por ela prestado, ainda que de forma indireta, conforme se confirma pelo trecho do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018, abaixo reproduzido: 15. Neste ponto já se mostra necessário interpretar a abrangência da expressão “atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto essa expressão, por sua generalidade, possa fazer parecer que haveria insumos geradores de crédito da não cumulatividade das contribuições em qualquer atividade desenvolvida pela pessoa jurídica (administrativa, jurídica, contábil, etc.), a verdade é que todas as discussões e conclusões buriladas pelos Ministros circunscreveram-se ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços desenvolvidos pela pessoa jurídica. 16. Aliás, esta limitação consta expressamente do texto do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, que permite a apuração de créditos das contribuições em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Fl. 4759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 32 17. Das transcrições dos excertos fundamentais dos votos dos Ministros que adotaram a tese vencedora resta evidente e incontestável que somente podem ser considerados insumos itens relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros, o que não abarca itens que não estejam sequer indiretamente relacionados com tais atividades. 18. Deveras, essa conclusão também fica patente na análise preliminar que os Ministros acordaram acerca dos itens em relação aos quais a recorrente pretendia creditar-se. Por ser a recorrente uma indústria de alimentos, os Ministros somente consideraram passíveis de enquadramento no conceito de insumos dispêndios intrinsecamente relacionados com a industrialização (“água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e (...)equipamentos de proteção individual – EPI”), excluindo de plano de tal conceito itens cuja utilidade não é aplicada nesta atividade (“veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (...), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões”). Grifou-se O Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018 afasta a necessidade de aplicação ou consumo direto no serviço prestado para a caracterização, como insumo, do serviço contratado, conforme entendimento definido pelo STJ. No entanto, tanto a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN- MF, emitida pela PGFN, como o referido Parecer, deixam claro que a análise da essencialidade e relevância do serviço contratado para sua caracterização como insumo deve se restringir ao processo produtivo do contribuinte, ou ao serviço por ele prestado. É nesse sentido que deve ser interpretada a expressão “atividade econômica praticada pelo contribuinte”, conforme demonstram os trechos grifados das referidas normas, acima transcritas. Esse entendimento mostra-se correto, na medida em que o próprio STJ define, preliminarmente ao julgamento do mérito, que o conceito de insumo, no caso das contribuições, não é tão amplo como aquele aplicável pela legislação do IRPJ (custos e despesas), conforme demonstram os trechos abaixo transcritos: “o conceito de insumo, para a contribuição ao PIS e a COFINS, não é tão amplo como o da legislação do Imposto sobre a Renda, nem tão restrito como o do Imposto sobre Produtos Industrializados, devendo analisar-se cada caso específico, já que o processo produtivo é bastante distinto entre as empresas”(Voto-vista da Ministra Regina Helena Costa)Consoante demonstrado pelo Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, o conceito de insumo, para fins de creditamento do PIS/Cofins, não se identifica com o conceito adotado na legislação do IPI, visto que excessivamente restritivo(conforme excertos do voto- vogal reproduzidos acima), assim como não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais", utilizados na legislação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), porquanto demasiadamente elastecidos. Fl. 4760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 33 (Voto-vista da Ministra Assusete Magalhães)Assim, não são todas as despesas e custos que geram direito a crédito no regime não cumulativo do PIS e da Cofins, ainda que, de fato, sejam relevantes para o funcionamento da pessoa jurídica. A caracterização do insumo deverá sempre ser feita em análise específica do serviço contratado relativamente ao serviço prestado pelo contribuinte, sob os aspectos da essencialidade e relevância, porém, restringindo-se tal análise ao serviço prestado (ou ao processo produtivo). Os trechos abaixo transcritos, extraídos do julgado do STJ, demonstram que esse foi o entendimento aplicado por aquele Tribunal, quando utiliza a expressão “atividade econômica”: Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. (Voto-vista da Ministra Regina Helena Costa) (Grifou-se)Tem-se, portanto, um conceito de insumos que se extrai da teleologia da própria norma para os casos ali não expressos. Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (Voto do Ministro Mauro Campbell Marques) (Grifou-se)“a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável nº item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal”(Voto- vista da Ministra Assusete Magalhães) (Grifou-se) A necessidade de uma análise casuística da despesa, isto é, a avaliação da sua condição de insumo inserida na atividade praticada pela empresa (processo produtivo ou serviço prestado) resta clara no trecho abaixo, que resume o Fl. 4761DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 34 resultado do julgamento feito pelo STJ, nº aditamento ao voto do Ministro Mauro Campbell Marques: Registro que o provimento do recurso deve ser parcial porque, tanto em meu voto, quanto no voto da Min. Regina Helena, o provimento foi dado somente em relação aos "custos" e "despesas" com água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e, agora, os equipamentos de proteção individual - EPI. Ficaram de fora gastos com veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. Resta claro, portanto, que a análise feita por aquele Tribunal foi específica em relação ao processo produtivo da empresa que havia ajuizado a ação, atuante na indústria alimentícia, não tendo sido reconhecida a condição de insumo para despesas não vinculadas àquele processo. Sobre a questão dos gastos posteriores ao processo produtivo, dispõe o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018 da seguinte forma: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (...)Também a IN/RFB nº 2.121/2022 dispõe sobre a questão: Art. 176. (...)§ 1º Consideram-se insumos, inclusive: (...) VIII - serviços de transporte de insumos e de produtos em elaboração realizados em ou entre estabelecimentos da pessoa jurídica; (...)§ 2º Não são considerados insumos, entre outros: (...)V - serviços de transporte de produtos acabados realizados em ou entre estabelecimentos da pessoa jurídica; Fl. 4762DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 35 (...)Por sua vez, os dispositivos legais considerados pela autoridade fiscal (Lei nº 10.833/2003) dispõem que: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...)II - nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (...)Considerando o acima exposto, passa-se a analisar especificamente os fretes objeto de glosa na presente autuação e expressamente contestados pelo contribuinte. Quanto às transferências entre estabelecimentos da empresa, o entendimento da RFB é no sentido de que apenas dão direito a crédito as despesas com transporte de produtos em elaboração ou insumos, não havendo possibilidade de creditamento em relação ao transporte de produtos acabados, ainda que seja para centro de distribuição. Em consequência, devem ser mantidas as glosas relativas às seguintes operações: remessas para depósito fechado ou armazém geral, devoluções de venda. Quanto ao frete no retorno de mercadoria - industrialização por encomenda e nas remessas para industrialização por encomenda (CFOP 5901 e 6901), tem razão a autuada, considerando que se trata de transporte que se dá no curso do processo produtivo da empresa, ainda que a industrialização seja efetuada por terceiros. Ressalve-se que no retorno de mercadoria para industrialização inclui-se apenas o retorno dos bens enviados pela autuada para industrialização por encomenda por terceiros, para posterior utilização em seu próprio processo produtivo, e não o retorno de bens por ela recebidos para industrialização e posterior utilização no processo produtivo de outra empresa. Considerando que foram registrados apenas os CFOP 5902, 5903, 6902 e 6903, não cabe o reconhecimento do crédito, visto que se trata de “remessas, pelo estabelecimento industrializador, dos insumos recebidos para industrialização e incorporados ao produto final, por encomenda de outra empresa” (5902 e 6902) e “remessas em devolução de insumos recebidos para industrialização e não aplicados no referido processo” (5903 e 6903). Quanto à compra para revenda (CFOP 3102), também tem razão a autuada, visto que se trata de frete na aquisição de bem para revenda, incluindo-se, portanto, no custo de aquisição de bens adquiridos para revenda (artigo 3º, I, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003). Da mesma forma, a compra para industrialização (CFOP 3101). Fl. 4763DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 36 Quanto aos fretes entre estabelecimentos ou para armazéns e depósitos, não cabe o reconhecimento do crédito, conforme analisado acima. Quanto ao frete para remessa de vasilhame entre estabelecimentos, a empresa não esclarece o tipo de vasilhame transportado, nem tampouco se sua utilização se dá em seu processo produtivo ou após o encerramento deste, não sendo possível a apuração do crédito. Em relação à remessa de vasilhames para clientes, tratando-se de despesa posterior à venda, não gera direito a crédito. No caso das remessas para conserto e posterior devolução ou venda, o contribuinte não esclarece do que se trata o serviço contratado, se o conserto se refere a produto acabado ou intermediário, ou ainda bem para revenda, ou qualquer outro bem da empresa, não sendo possível a apuração do crédito. Quanto aos fretes com remessas de amostra grátis, bonificação, doação, brinde e para demonstração, trata-se de transporte de produto acabado, não gerando direito a crédito, conforme entendimento estabelecido nas normas acima. Além disso, não se trata de venda, o que também impossibilita o creditamento previsto para esta operação. Quanto às devoluções de vasilhame ou sacaria, de venda e retornos de mercadoria de conserto, também não geram direito a creditamento, visto que, a princípio, se referem a produtos acabados e ocorrem após a venda, não tendo sido trazidos maiores esclarecimentos acerca de tais operações, especialmente o atendimento ao inciso VIII do artigo 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, no caso de devolução de vendas. No caso das devoluções de compra, a autuada também não esclarece qual o produto devolvido, se relacionado, ou não, a seu processo produtivo, não havendo previsão, no entanto, para o creditamento nas operações de devolução de compra. Quanto ao frete na compra de ativo imobilizado, a apuração do crédito correspondente está prevista no inciso VI do artigo 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, determinando-se seu valor nos termos do § 1º, III, do mesmo artigo, com base nos encargos de depreciação, o que não foi feito pelo contribuinte. Quanto ao frete na compra para uso e consumo, não há maiores esclarecimentos da empresa acerca da utilização dos bens adquirido, e nem em qual atividade são consumidos, não sendo possível o creditamento. A autuada não se manifesta expressamente em relação às seguintes despesas com fretes: retorno demonstração, transferências, industrialização efetuada para outra empresa, outras entradas, outras saídas. Sendo assim, não havendo contestação expressa às glosas, ou qualquer esclarecimento acerca destes serviços, considero estas definitivas, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Relativamente aos fretes com CFOP 5901, 6901, 3101 e 3102, foi determinada por esta 16ª Turma a realização de diligência, nos termos da Resolução nº 107- 000.673, para apuração dos respectivos valores, tendo sido, em consequência, elaborada a planilha constante do Relatório Fiscal de fls. 4.406 a 4.408, não Fl. 4764DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 37 contestada pelo contribuinte em sua manifestação de fls. 4.412 a 4.416. Em sua manifestação de fls. 4.422 a 4.432, a empresa alega que não foram consideradas na diligência despesas de frete vinculadas a operações de remessa/retorno de itens para industrialização, conforme relacionados, juntando aos autos os documentos fiscais de fls. 4.433 a 4.560. Os documentos juntados pelo contribuinte correspondem a conhecimentos de transporte eletrônicos – Ct-e nos quais constam os seguintes CFOP: 5352 e 6352 (prestação de serviço de transporte a estabelecimento industrial), 5353 (prestação de serviço de transporte a estabelecimento comercial) e 6932 (prestação de serviço de transporte), além de notas fiscais de saída de itens de seu estabelecimento relativas às seguintes operações: remessa/devolução de vasilhame/sacaria (5920 e 6920), remessa p/ indust. cta/ord. adq. merc. (5924), remessa p/ industrialização por encomenda (5901 e 6901), outra saída merc./prest. serv. não especificado(5949), retorno de embalagens (6921), dev. compra de matéria-prima (6201). Os itens transportados são, segundo a empresa, perfis de alumínio, racks de ferro, espulas, vergalhões de alumínio e silício metálico, sendo tais itens utilizados em sua linha de produção, conforme descrito. Além disso, relaciona também como itens transportados materiais para embalagem e acondicionamento: papel, plástico bolha e fita adesiva, lona plástica, caixas de madeira e paletes. Considerando os documentos fiscais apresentados (notas fiscais de saída), constatase que, em sua maioria, não correspondem à operação de remessa para industrialização, com posterior retorno para utilização como insumo em sua linha de produção, que o contribuinte alega ter efetuado, conforme comprovam as operações acima descritas, constantes dos referidos documentos, com a exceção das remessas para industrialização por encomenda, cujo crédito já foi apurado na diligência. A própria empresa observa em sua manifestação que nos documentos fiscais constam descrições genéricas da operação. Na verdade, não se trata de “descrição genérica”, mas de operação que não corresponde àquela que o contribuinte alega ter de fato ocorrido (remessa para industrialização), uma vez que constam nas notas fiscais destacadas pela empresa em sua alegação as operações de remessa de vasilhame/sacaria e remessa p/ indust. cta/ord. adq. merc., sendo que neste último caso o encargo da operação é suportado pelo adquirente do produto, e não pelo fabricante. E relação à “outra saída merc./prest. serv. não especificado” não há a especificação do serviço realizado. O caso de “dev. compra de matéria-prima” já foi analisado acima. Assim, em relação aos perfis de alumínio, racks de ferro, espulas, vergalhões de alumínio e silício metálico, ainda que tais produtos sejam utilizados no processo produtivo do contribuinte, os documentos fiscais que respaldaram sua saída do estabelecimento industrial não comprovam a remessa para industrialização e nem permitem identificar a operação de fato realizada e sua real natureza, não sendo Fl. 4765DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 38 possível, em consequência, considerar para fins de creditamento a despesa de frete vinculada a estas operações. No caso dos materiais para embalagem e acondicionamento (papel, plástico bolha e fita adesiva, lona plástica, caixas de madeira e paletes), o contribuinte alega que são utilizados para embalagem, proteção e transporte do produto, com seu envio ao cliente. Destaque-se que não se trata aqui de remessa para industrialização, mas do transporte de materiais utilizados nº acondicionamento dos produtos fabricados pela empresa para transporte e envio a seus clientes, utilizados, portanto, após a finalização de seu processo produtivo. Tais despesas não geram direito a crédito, nos termos do artigo 176, § 2º, inciso II da In/RFB nº 2.121/2022. Pelo acima exposto, considero parcialmente procedentes as alegações da autuada, revertendo as glosas relativas aos seguintes serviços de frete: nas remessas para industrialização por encomenda (CFOP 5901 e 6901), na compra para revenda (CFOP 3102) e na compra para industrialização (CFOP 3101), conforme valores apurados em diligência, mantendo as demais glosas.” Em confirmação ao quanto aceito pela decisão de primeira instância a súmula CARF 217, não é permitido o crédito de frete de produtos acabados entre os estabelecimentos dos contribuintes. Súmula CARF nº 217 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. Todavia existem créditos decorrente de fretes na movimentação de material de embalagem os quais reverto as glosas, mantendo a glosa relacionado aos demais créditos de frete mantidos pelo acórdão recorrido. Dos créditos extemporâneos Nesse ponto como já visto anteriormente a decisão de primeira instância mantem a glosa tanto pela falta de retificação das obrigações acessórias, quanto a alegação da Recorrente de que não teve duplicidade do crédito, nem de prejuízo ao erário. Em complementação a essa alegação, foi publicada recentemente a súmula CARF 231, na qual deixa clara a necessidade da retificação das obrigações acessórias para aproveitamento do crédito extemporâneo. Súmula 231 Fl. 4766DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 39 O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes. Apesar da súmula tratar de DACON, o caso em concreto é similar, visto que a EFD- contribuições substituiu a antiga DACON, sendo, portanto, necessária a retificação de todas as obrigações acessórias. Da não incidência de PIS/COFINS sobre SELIC Nesse ponto a Recorrente traz os mesmos argumentos trazido na Impugnação, sem trazer nenhuma outra prova ou argumento. Assim, por entender que a decisão proferida pela instância a quo seguiu o rumo correto, em relação a incidência de PIS/COFINS sobre tal receita, utilizo sua ratio decidendi como se minha fosse, nos termos do §12° do art. 114 do RICARF, in verbis:. “O contribuinte afirma que a autoridade fiscal incluiu na base de cálculo das contribuições valores referentes à taxa Selic incidente sobre indébito tributário (crédito de PIS e Cofins decorrente de mandado de segurança), nos meses de fevereiro e setembro, sendo as receitas tributadas decorrentes, portanto, de juros incidentes sobre créditos judiciais recuperados pela empresa, que fazia parte do Grupo Alcoa no Brasil. Alega que, apesar de constar nestas demandas o nome da Alcoa como parte litigante, os créditos foram efetivamente repassados à impugnante, sendo seus por direito. A autuada junta aos autos o acordo celebrado entre a ALCOA e a ARCONIC (sua razão social à época), evidenciando que o valor do depósito levantado pela ALCOA seria transferido à ARCONIC, e que a receita financeira calculada sobre o depósito judicial (R$ 1.781.847,61) seria tributada pelas contribuições. Alega demonstrar que a referida receita financeira foi de fato tributada pelas contribuições, tendo a autuada recebido o valor líquido relacionado à transferência do depósito, sendo, portanto, inviável nova tributação sobre tal valor. A empresa alega que a recuperação do indébito não configura receita, e que não é possível a configuração de renda a partir do reconhecimento de crédito tributário pela Fiscalização para recomposição da base de cálculo, como feito nestes autos. Entende que a recuperação do tributo indevidamente pago por força de decisão judicial não gera aumento patrimonial, não configurando receita, conforme ADI/SRF nº 25/2003, não cabendo a tributação pelo IRPJ ou pelas contribuições. Acrescenta que não cabe a incidência das contribuições sobre juros e correção incidentes sobre restituição de tributo pago indevidamente, uma vez que o valor principal não configura receita. Alega, ainda, que a receita (financeira ou não) resta caracterizada quando o acréscimo patrimonial gerado se agrega ao patrimônio do contribuinte de maneira definitiva, como resultado da sua atividade ou como fruto de algum elemento que conste do seu patrimônio, e que o indébito tributário apenas Fl. 4767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 40 representa a recomposição de seu patrimônio. Destaca que os juros também indenizam o contribuinte pela indisponibilidade do crédito no período do processo, reparando o dano decorrente do tempo. Conforme já visto em item anterior deste voto, as receitas financeiras mencionadas pelo contribuinte constam no item 2. DA DIVERGÊNCIA ENTRE AS BASES DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES CONSTANTES NAS ECD E NAS EFD- CONTRIBUIÇÕES DE 2018 do Termo de Verificação Fiscal. A Fiscalização, considerando as contas informadas pela empresa constantes de sua ECD, comparou tais valores com aqueles informados nos demonstrativos apresentados e aqueles informados nos registros F100 da EFD-Contribuições, concluindo que parte das receitas financeiras auferidas nos meses de fevereiro (R$ 100.071,59) e setembro (R$ 1.698.991,90) não foi escriturada na EFD-Contribuições pelo contribuinte, incluindo tais valores na base de cálculo das contribuições. Conforme documentação juntada aos autos pela empresa (fls. 3.118 a 3.131), constata-se que o valor de R$ 1.698.991,90, referente ao mês de setembro, foi recebido pela autuada (cuja razão social à época era Arconic Ind. e Com. de Metais Ltda) em decorrência de acordo firmado com a Alcoa Alumínio S/A (CNPJ 23.637.697/0001-01), considerando o recebimento por esta empresa de créditos vinculados ao processo judicial nº 0001931-66.2005.4.02.5110 (valor total de R$ 3.005.908,28), tendo por objeto indébito tributário relativo ao IPI. Pelo acordo, a autuada recebeu parte deste crédito (R$ 2.923.052,37), repassado pela Alcoa Alumínio S/A. O valor tributado, R$ 1.698.991,90, corresponde à taxa Selic incidente sobre o crédito recebido pela Alcoa Alumínio S/A e repassado à autuada, e foi por ela excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins (Conta 84007.140.000). Abaixo transcrevem-se as disposições do referido contrato: (Fls. 4601) Como se vê, a Alcoa Alumínio S/A se compromete a recolher os tributos incidentes sobre o valor recebido por determinação judicial: IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, transferindo à autuada o valor líquido. Cabe esclarecer inicialmente, portanto, que aqui se trata da tributação de receita decorrente de juros sobre indébito tributário, e não da tributação do próprio indébito. Ao contrário do que quer fazer crer a autuada, tais valores, para efeitos tributários, devem ser analisados de forma separada, uma vez que possuem naturezas completamente diversas. No caso específico dos juros, tal receita possui inegavelmente natureza financeira, tendo sido, inclusive, registrada contabilmente pelo contribuinte nesta condição, e assim considerada pela autoridade fiscal. Sobre a tributação das receitas financeiras dispôs o Decreto nº 8.426/2015 da seguinte forma: Art. 1º Ficam restabelecidas para 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 4% (quatro por cento), respectivamente, as alíquotas da Contribuição para os Fl. 4768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 41 Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes sobre receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge , auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não-cumulativa das referidas contribuições. § 1º Aplica-se o disposto no caput inclusive às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de apuração não-cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. § 2º Ficam mantidas em 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS aplicáveis aos juros sobre o capital próprio. § 3º Ficam mantidas em zero as alíquotas das contribuições de que trata o caput incidentes sobre receitas financeiras decorrentes de variações monetárias, em função da taxa de câmbio, de: I - operações de exportação de bens e serviços para o exterior; e II - obrigações contraídas pela pessoa jurídica, inclusive empréstimos e financiamentos. § 4º Ficam mantidas em zero as alíquotas das contribuições de que trata o caput incidentes sobre receitas financeiras decorrentes de operações de cobertura ( hedge ) realizadas em bolsa de valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de balcão organizado destinadas exclusivamente à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas quando, cumulativamente, o objeto do contrato negociado: a) estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; e b) destinar-se à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2015. Dessa forma, a partir de 01/07/2015 as receitas financeiras, inclusive juros recebidos, passaram a ser tributadas com as alíquotas de 4% - Cofins e 0,65% - PIS, totalizando 4,65%, exatamente o percentual especificado no contrato firmado pela autuada, acima reproduzido. Observe-se que não há qualquer ressalva na norma relativa aos juros recebidos, ou a qualquer hipótese de recebimento deste tipo de receita, cabendo, portanto, sua tributação pelas alíquotas normais nela previstas. A autuada alega que não caberia nova apuração do PIS e da Cofins sobre este valor, uma vez que já teria havido a incidência de tais tributos quando do seu recebimento pela Alcoa Alumínio S/A, conforme compromisso assumido no contrato. Na verdade, tal alegação demonstra, ao contrário do que pretende a empresa, a correção da incidência destas contribuições sobre o valor a ela repassado pela Alcoa Alumínio S/A, visto que o fato gerador do PIS e da Cofins é o Fl. 4769DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 42 auferimento de receita, no caso, a financeira, pelo sujeito passivo. Tratando-se do recebimento de receita financeira pela Alcoa Alumínio S/A, correta a incidência das contribuições sobre o valor a ela pago por determinação judicial a este título, como de fato se comprometeu a fazer. Nesse caso, o contribuinte é a Alcoa Alumínio S/A, pelo auferimento de receita financeira recebida em decorrência de provimento judicial transitado em julgado. No entanto, parte da receita financeira recebida pela Alcoa Alumínio S/A foi repassada à autuada, não tendo esta transferência alterado sua natureza. Sendo assim, ocorrendo o auferimento de receita financeira pela autuada, caberá a incidência novamente do PIS e da Cofins, em razão da transferência de tal valor do patrimônio da Alcoa Alumínio S/A para o patrimônio da autuada, ocorrendo inquestionavelmente o fato gerador da obrigação principal. Nesse caso, o contribuinte é a autuada, pelo auferimento de receita financeira recebida de terceiros, e não decorrente de provimento judicial, cuja beneficiária é a Alcoa Alumínio S/A. Vê-se, assim, que se trata aqui de dois fatos geradores distintos:  Contribuinte: Alcoa Alumínio S/A – fato gerador: auferimento de receita financeira decorrente de provimento judicial.  Contribuinte: CBA Itapissuma Ltda – fato gerador: auferimento de receita financeira repassada por terceiros. Correta, portanto, a incidência do PIS e da Cofins também no recebimento da receita em questão pela autuada, uma vez que, em ambas as situações, constata- se o auferimento de receita financeira, destacando-se que o repasse do valor pela Alcoa Alumínio S/A à autuada se deu por acordo privado, ou seja, por opção de ambas as empresas, não afetando, portanto, a ocorrência dos fatos geradores acima demonstrados. A autuada prossegue, discorrendo sobre a natureza tributária do indébito tributário, pretendendo estender aos juros incidentes sobre o indébito recebido a mesma natureza deste, alegando que a natureza do acessório seguiria a do principal. Tal entendimento é equivocado do ponto de vista tributário, visto que cada receita deve ser analisada pela Fiscalização de acordo com a sua natureza específica, e tributada conforme previsto na legislação. Assim, a receita financeira, no caso os juros incidentes sobre indébito tributário, deve ser tributada como tal: receita financeira, independentemente da eventual natureza diversa do indébito tributário recebido ao qual está vinculada. O ADI/SRF nº 25/2003, citado pela autuada, estabeleceu que: Art. 1º Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fl. 4770DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 43 Art. 2º Não há incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente. Art. 3º Os juros incidentes sobre o indébito tributário recuperado é receita nova e, sobre ela, incidem o IRPJ, a CSLL, a Cofins e a Contribuição para o PIS/Pasep. (...)Como visto, o entendimento da RFB é no sentido de que os juros incidentes sobre o indébito tributário recuperado constituem receita nova, cabendo a incidência do PIS e da Cofins. Quanto à decisão do STF citada na impugnação, se refere especificamente à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, caso diverso destes autos. Destaque-se a manifestação do STJ sobre a questão, no Tema nº 1237 (REsp 2065817 e outros), em sede de recurso repetitivo, nos seguintes termos, em desfavor do entendimento defendido pela autuada: Os valores de juros, calculados pela taxa SELIC ou outros índices, recebidos em face de repetição de indébito tributário, na devolução de depósitos judiciais ou nos pagamentos efetuados decorrentes de obrigações contratuais em atraso, por se caracterizarem como Receita Bruta Operacional, estão na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS cumulativas e, por integrarem o conceito amplo de Receita Bruta, na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas. Também não procede a alegação relativa à inexistência de acréscimo patrimonial nº presente caso, visto que é incontestável o fato de que o valor recebido a título de juros passou a integrar o patrimônio da autuada, como resultado de um direito do qual era detentora perante outra empresa, na qualidade de receita financeira, distinta do indébito. Quanto à natureza indenizatória dos juros recebidos, independentemente de seu caráter indenizatório, tal receita está incluída no rol das receitas financeiras passíveis de tributação pelo PIS e pela Cofins, nos termos do Decreto acima transcrito. Pelo exposto, voto pela manutenção da tributação das receitas financeiras auferidas pelo contribuinte em set/2018, no valor de R$ 1.698.991,90. Quanto ao valor tributado em fev/2018, R$ 100.071,59, a autuada não traz qualquer esclarecimento ou documentação a ele relativos, apesar de mencioná-lo no início de sua argumentação (item 76 da impugnação), sendo o valor da receita financeira por ela informado, R$ 1.781.847,61 (item 78 da impugnação), correspondente aos juros repassados (R$ 1.698.991,90), acrescidos do PIS e da Cofins incidentes (R$ 29.400,49 – PIS e R$ 53.455,43 – Cofins), conforme registrado pela Alcoa Alumínio S/A, não havendo referência ao valor de R$ 100.071,59 em nenhuma parte da documentação apresentada. Sendo assim, voto por considerar definitiva sua tributação, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. “ Fl. 4771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 44 Diante do quanto posto, nego provimento ao Recurso Voluntário nesse ponto. Da multa por atraso na entrega de EFD-Contribuições Nesse ponto a Recorrente traz os mesmos argumentos trazido na Impugnação, sem trazer nenhuma outra prova ou argumento. Assim, por entender que a decisão proferida pela instância a quo seguiu o rumo correto, em relação a incidência de PIS/COFINS sobre tal receita, utilizo sua ratio decidendi como se minha fosse, nos termos do §12° do art. 114 do RICARF, in verbis:. “Do Pagamento da Multa com Desconto Preliminarmente: Impossibilidade de Revisão do Lançamento por Erro de Qualificação O contribuinte observa que a multa por atraso na entrega das EFD-Contribuições já havia sido lançada e paga, nos termos da notificação de lançamento emitida, alegando que a revisão do lançamento efetuado só poderia ter sido realizada nas hipóteses restritas previstas em lei, citando os artigos 145 e 149 do CTN, no qual não haveria hipótese que fundamente a revisão feita. Acrescenta que não se trata de revisão do lançamento, mas de novo lançamento sem a desconstituição do anterior, e que, ainda que se trate de lançamento automático, deve ser obedecida a norma legal. Pretende a nulidade do lançamento neste ponto. A autoridade fiscal cita os artigos 16 da Lei nº 9.779/99, 10 da IN/RFB nº 1.252/2012 e 12-III da Lei nº 8.218/91, informando que o sistema EFD- Contribuições emitiu automaticamente notificações de lançamento para exigir a multa prevista nas normas acima, em razão do descumprimento do prazo para entrega das escriturações. Observa que a multa lançada foi reduzida em 50%, em razão do disposto no parágrafo único do referido artigo 12. No entanto, ressalta que o contribuinte se encontrava em procedimento fiscal, não cabendo, portanto, esta redução. Informa que, para os meses de janeiro a março de 2018, as escriturações foram transmitidas no prazo da intimação encaminhada pela Fiscalização, aplicando-se, em consequência, a redução de 25% da multa. No caso dos demais meses de 2018, as escriturações foram transmitidas após o prazo da intimação, não se aplicando qualquer redução. Sendo assim, efetuou o lançamento de ofício da diferença da multa que entende devida para cada mês do ano de 2018. Os dispositivos aplicáveis ao presente caso dispõem da seguinte forma: IN/RFB nº 1.252/2012 Art. 10 A não apresentação da EFD-Contribuições no prazo fixado no art. 7º, ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, das multas previstas no art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, sem prejuízo das sanções administrativas, cíveis e criminais cabíveis, inclusive aos responsáveis legais. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1876, de 14 de março de Fl. 4772DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 45 2019)Lei nº 8.218/91 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pela prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...)Art. 12 - A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...)III - multa equivalente a 0,02% (dois centésimos por cento) por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período a que se refere a escrituração, limitada a 1% (um por cento) desta, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos registros e respectivos arquivos. (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) Parágrafo único. Para as pessoas jurídicas que utilizarem o Sistema Público de Escrituração Digital, as multas de que tratam o caput deste artigo serão reduzidas: (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) I - à metade, quando a obrigação for cumprida após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; e (Incluído dada pela Lei nº 13.670, de 2018) II - a 75% (setenta e cinco por cento), se a obrigação for cumprida no prazo fixado em intimação. (Incluído dada pela Lei nº 13.670, de 2018) Já os artigos 145 e 149 do CTN, citados pela autuada, estabelecem que: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: (...)III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...)VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Constata-se, portanto, a ocorrência de lançamento efetuado pelo próprio sistema da RFB que controla a apresentação das EFD-Contribuições pelos contribuintes, para exigência da multa prevista no artigo 12-III da Lei nº 8.218/91, realizado de forma automática a partir da transmissão da escrituração, pela empresa, após o prazo estabelecido em norma, por meio de notificação de lançamento (fls. 1.444 a 1.467). No entanto, tratando-se de lançamento automático, as notificações emitidas não levaram em conta o fato de que o contribuinte já se encontrava sob Fl. 4773DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 46 procedimento fiscal, aplicando, em consequência, de forma automática e indevida, a redução prevista no parágrafo único, I, do artigo 12 da mesma Lei. A autoridade fiscal, tendo constatado tal incorreção no curso do procedimento fiscal, uma vez que as EFD-Contribuições do ano de 2018 somente foram transmitidas pelo contribuinte após a intimação da Fiscalização, durante, portanto, a verificação de ofício, efetuou novo lançamento, relativo à diferença indevidamente não exigida nas notificações de lançamento, por meio de auto de infração constante deste processo. Trata-se, portanto, de lançamento complementar ao originalmente efetuado de forma automática, obedecendo-se o prazo decadencial, decorrente de revisão de ofício realizada no curso do procedimento fiscal, nos termos em que autorizado pelo artigo 145-III do CTN. Cabe destacar que o lançamento original foi efetuado de forma automática e cientificado ao sujeito passivo, o qual, inclusive, já havia efetuado o respectivo pagamento. Nesta hipótese, o referido artigo 145-III autoriza sua revisão por ato de ofício da autoridade administrativa, nos casos relacionados no artigo 149 da mesma norma. Quanto às hipóteses previstas no artigo 149 do CTN, que fundamentam e autorizam a revisão do lançamento já efetuado, constata-se, no presente caso, a ocorrência da situação prevista em seu inciso VIII, uma vez que, tratando-se de notificação de lançamento emitida de forma automática, não levou em conta situação fática excludente da redução da multa, qual seja: o contribuinte já estava sob fiscalização quando da transmissão das EFD- Contribuições. Em consequência, constatou-se devida a exigência de crédito tributário complementar àquele já lançado de forma automática, formalizando-se tal exigência por meio de auto de infração complementar ao lançamento original. Não procedem, portanto, as alegações da autuada, visto que o auto de infração em análise decorre de revisão de ofício efetuada pela autoridade fiscal nas notificações de lançamento anteriormente realizadas de forma automática, com fundamento nos artigos 145-III e 149-VIII do CTN, constituindo o complemento do crédito tributário devido pelo contribuinte (auto de infração complementar), não havendo, em consequência, impedimento à coexistência de ambos os lançamentos, visto que complementares, constituindo, cada um, parte do mesmo crédito tributário. Destaque-se que, considerando a informação da autuada de que já teria efetuado o pagamento das notificações, aquelas parcelas dos lançamentos encontram-se, nessa hipótese, extintas por pagamento. Assim, afasto a nulidade do lançamento da multa em questão, pretendida pelo contribuinte. Da Ilegalidade da Multa por Atraso na Entrega de EFD-Contribuições Fl. 4774DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 47 A autuada prossegue, observando que a multa exigida fundamentou-se na redação dada ao artigo 12, III, pela Lei nº 13.670/2018, decorrendo de determinação prevista no artigo 10 da IN/RFB nº 1.252/2012. Alega que a multa mais gravosa não poderia ser aplicada retroativamente (para período anterior a maio/2018) e que a determinação para aplicar tal multa foi fixada com a IN/RFB nº 1.876/2019 (que alterou o artigo 10 da IN/RFB nº 1.252/2012). Afirma que a legislação que estabeleceu o novo parâmetro de multa não existia anteriormente a maio/2018. Acrescenta que tal aplicação também não é possível para 2018, já que a Instrução Normativa que viabiliza a aplicação da multa, na forma estabelecida pela Lei nº 13.670/2018, só foi publicada em 2019. Conclui que não havendo norma que possibilite a aplicação retroativa da multa mais gravosa, o que é vedado para o sistema brasileiro, deve-se cancelar a autuação fiscal no que se refere à multa. Conforme demonstram os textos legais e normativos acima transcritos, a multa ora exigida decorre da alteração do artigo 12-III da Lei nº 8.218/91, trazida pela Lei nº 13.670, de 30/05/2018. Por sua vez, o artigo 10 da IN/RFB nº 1.252/2012 teve sua redação alterada pela IN/RFB nº 1.876, de 14/03/2019, passando a prever a aplicação da multa estabelecida no citado artigo 12. Anteriormente, a multa aplicável era a prevista no artigo 57 da Medida Provisória nº 2.158/2001. O contribuinte, erroneamente, entende que se trata aqui de aplicação retroativa de norma que lhe é mais prejudicial, considerando para tanto o ano de 2018, relativo aos fatos geradores das contribuições objeto da fiscalização. No entanto, o fato gerador da contribuição(2018) não se confunde com o fato gerador da penalidade aqui analisada, a qual decorre da apresentação extemporânea da EFD- Contribuições, que somente se deu em 2020 e 2021, no curso do procedimento fiscal. Portanto, na data da ocorrência do fato gerador (2020 e 2021), e também da verificação da infração pela autoridade fiscal, já estava em vigor a alteração trazida pela Lei nº 13.670/2018, e também a prevista na IN/RFB nº 1.876/2019. Correta, portanto, a exigência da multa nesse aspecto, visto ter sido aplicada a legislação vigente à época da ocorrência do correspondente fato gerador. Da Ilegalidade da Multa por Excesso e Efeito Confiscatório O contribuinte alega que a penalidade tributária deve ser adequada, razoável e proporcional, devendo ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte e podendo retroagir apenas para favorecê-lo, aplicando-se à sanção o regime jurídico próprio dos tributos, inclusive em relação aos princípios constitucionais e às garantias de proteção concedidas ao sujeito passivo. Alega que, no presente caso, quando da aplicação da multa, a Fiscalização já tinha acesso à receita da empresa e aos valores pagos de PIS e Cofins por meio de outras obrigações acessórias e das notas fiscais eletrônicas, o que tornaria a multa desarrazoada. Acrescenta que a divergência na apuração das contribuições não justifica punir o contribuinte, considerando o valor absurdo da multa. Fl. 4775DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 48 Tais alegações não podem prosperar no âmbito administrativo de análise do contencioso tributário, uma vez que as alegações relativas à ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência tributária não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, pois sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação à Constituição, ou a outro dispositivo legal, relativas às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, são competentes para julgar em primeira instância, por meio de suas turmas, processos relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB. Entretanto, sua competência se limita a examinar se os atos praticados pelos agentes da Administração Tributária estariam de acordo com a legislação tributária. Consequentemente, falta-lhes competência para se pronunciar a respeito da conformidade da lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanados da Constituição Federal ou previstos na legislação, a ponto de reconhecer-lhe a inaplicabilidade a caso expressamente nela previsto. O controle da constitucionalidade das leis é matéria reservada, também por força de dispositivo da Carta Magna, aos órgãos do Poder Judiciário, assim como sua adequação aos demais dispositivos legais. Sendo assim, cabe ao julgador administrativo acatar as normas legais vigentes à época do fato gerador que ensejou a exigência fiscal, promovendo sua aplicação nos estritos limites de seu conteúdo, não podendo afastar a incidência de determinada lei por considerá-la contrária aos princípios constitucionais ou a legislação. A apreciação dessas questões acha-se reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois, como dito, ao julgador é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional. Tal limitação decorre da disposição expressa do parágrafo único do artigo 142 do CTN, bem como do princípio da legalidade, pelo qual devem se pautar todos os atos da Administração Pública. No mesmo sentido, cita-se a Súmula nº 2 do Carf: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, a multa em análise está prevista nas normas acima transcritas, sendo sua constituição e exigência, portanto, atos vinculantes para a autoridade fiscal, destacando-se que a imposição desta penalidade não está condicionada à discricionariedade da autoridade administrativa, nem a qualquer outra ponderação, decorrendo unicamente de fato concreto: a apresentação da EFD- Fl. 4776DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 49 Contribuições após o prazo previsto nas normas, sendo este fato necessário e suficiente para a cobrança. Além disso, a incidência da multa não está vinculada à apuração ou pagamento das contribuições, ou mesmo ao acesso da autoridade fiscal à documentação contábil e fiscal da empresa, mas meramente à apresentação extemporânea das declarações a que estava obrigada. Assim, também nesse aspecto, não procede a pretensão da autuada. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA Da Alegada Existência de Dúvida – Aplicação dos Artigos 100, Parágrafo Único, e 112 do CTN O contribuinte argumenta que as questões discutidas nestes autos, relativas ao mérito dos lançamentos, demonstram que há dúvida razoável sobre os fundamentos da autuação, ainda que se decida pela manutenção dos lançamentos. Alega que as decisões do Carf trazidas na defesa implicam reconhecer a insubsistência da multa, já que tais decisões poderiam constituir normas complementares (CTN, artigo 100, II) ou, ao menos, gerar determinada expectativa(legítima) de que não seria autuado. Entende que teve seu comportamento protegido pela jurisprudência e, assim, não pode ser punido. Conclui, alegando que a imposição de penalidade não se coaduna com a dúvida (artigos 110, parágrafo único, e 112 do CTN), cabendo o afastamento das multas aplicadas, ainda que seja mantida a exigência. Apesar de o contribuinte não especificar a qual multa se refere, considerando o teor da alegação, conclui-se que se refere, em princípio, à multa de ofício proporcional à contribuição exigida, aplicada pela autoridade fiscal com fundamento no artigo 44-I da Lei nº 9.430/96. A pretensão da autuada não encontra qualquer amparo, visto que, como dito, a referida multa é vinculada e proporcional à contribuição apurada de ofício. Nessa situação, mantida, total ou parcialmente, a exigência da contribuição ao final da lide administrativa, cabível a exigência, também, da multa de ofício proporcional ao valor mantido. Por outro lado, caso a exigência seja considerada improcedente, a multa a ela vinculada deixa de existir. Assim, não há qualquer fundamento lógico ou jurídico para a pretensão da empresa neste momento processual, uma vez que somente ao final do processo administrativo fiscal restará definido o crédito tributário mantido, exigindo-se a multa de ofício proporcional a tal valor. Quanto ao artigo 100-II do CTN, as decisões do Carf não se incluem em tal hipótese legal, visto que não há lei que lhes atribua eficácia normativa de forma geral, mas tão-somente às súmulas emitidas por aquele Colegiado. Sendo assim, o conteúdo de eventuais decisões do Carf favoráveis ao contribuinte não o isenta da imposição da multa de ofício prevista em lei. Quanto ao artigo 112 da mesma norma, não há que se falar no presente caso em nenhuma das dúvidas estabelecidas pelo dispositivo. Apurando-se a contribuição devida em ato de Fl. 4777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 50 ofício, ainda que passível de contestação e análise pelos órgãos julgadores administrativos, faz-se necessária a imposição da multa proporcional, por expressa previsão legal, vinculante para a Administração. Pelo exposto, considero improcedente a alegação. “ Como bem analisado pelo fiscal autuante as fls 2936 a 2938, foram verificadas as reduções e as multas já lançadas pelo sistema para cobrança dos valores cobrados no presente Auto de Infração, portanto negado provimento ao Recurso Voluntário nesse item. Dos juros sobre a multa A Recorrente alega ainda que “a cobrança de juros sobre as multas carece de fundamento legal, porque o parágrafo 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, em consonância com o artigo 161 do Código Tributário Nacional, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora apenas sobre o valor do tributo (principal) lançado”. Contudo, trata-se de matéria sumulada neste CARF, in verbis: “Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.” (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, afasta-se a alegação sob comento. Do pedido de diligência A Recorrente requer a realização de uma nova diligência para que se comprove o quanto argumentado principalmente aos créditos extemporâneos, todavia como apresentado acima e seguindo o entendimento da súmula CARF 231, tal comprovação não alteraria o entendimento do quanto decidido, portanto, não havendo necessidade de nova diligência. Dessa forma, indefiro o pedido de conversão do julgamento em diligência, nos termos do arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, por considerá-lo prescindível a resolução do feito. Da conclusão Diante do exposto conheço do Recurso Voluntário para negar provimento quanto as preliminares suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso voluntário para reverter a glosa de créditos em relação aos fretes na movimentação de material de embalagem. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow Fl. 4778DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.644 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720215/2022-18 51 Fl. 4779DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11183821 #
Numero do processo: 10880.948130/2017-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2012 SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO DAS PARCELAS. É ônus do contribuinte comprovar as retenção na fonte dos valores utilizados na composição do saldo negativo.
Numero da decisão: 1202-002.176
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente André Luis Ulrich Pinto – Relator Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Andre Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Mauricio Novaes Ferreira, Leonardo de Andrade Couto(Presidente).
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2012 SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO DAS PARCELAS. É ônus do contribuinte comprovar as retenção na fonte dos valores utilizados na composição do saldo negativo. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente André Luis Ulrich Pinto – Relator Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Andre Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Mauricio Novaes Ferreira, Leonardo de Andrade Couto(Presidente). RELATÓRIO Fl. 910DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.176 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.948130/2017-77 2 Por bem resumir os fatos que permeiam o presente processo passo a transcrever o relatório integrante do acórdão de manifestação de inconformidade. A interessada apresentou, em 22 de agosto de 2014, a Declaração de Compensação (DCOMP) nº 03518.58046.220814.1.7.03-5226, alegando dispor de direito creditório contra a Fazenda da União, alicerçado em saldo negativo de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurado no exercício de 2013. Após examinar tal Declaração, a Delegacia da Receita Federal (DRF) de origem prolatou o Despacho Decisório nº 125905671, datado de 4 de setembro de 2017, nos seguintes termos (fl. 26): Consta ainda das Informações Complementares da Análise de Crédito o demonstrativo denominado “Análise das Parcelas de Crédito – Contribuição Social Retida na Fonte – Parcelas Confirmadas” (fls. 27 a 68), no total de R$ 331.749,84, seguido da relação de “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas” (fls. 42, infra, a 67), totalizando R$ 1.218.646,59 (valores indicados na DCOMP), R$ 704.588,67 (parcelas confirmadas) e R$ 514.057,92 (parcelas não confirmadas). Oportuno acrescentar que todas as retenções estão classificadas pelo código 6190 (“SERVIÇOS - RETENÇÃO EM PAGAMENTO POR ÓRGÃO PÚBLICO”). Cada uma destas glosas recebeu uma das seguintes observações: (a) “Retenção na fonte não comprovada”, (b) ”Retenção na fonte comprovada parcialmente” ou (c) “Retenção na fonte comprovada parcialmente com outro CNPJ”. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente em 12 de setembro de 2017 (fls. 881), a interessada apresentou, em 10 de outubro de 2017 (fl. 5), a manifestação de inconformidade de fls. 9 a 21, como segue. Sob o título “III.1. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE REALIZADAS SOB OS CÓDIGOS DE RECEITA 6190 (ÓRGÃOS PÚBLICOS)”, recorda que incumbe ao “órgão público reter na fonte, os montantes concernentes ao Imposto de Renda e à Contribuição Social Sobre o Lucro tomador do serviço prestado” e “emitir o correspondente Informe de Rendimentos ao prestador dos serviços”, com Fl. 911DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.176 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.948130/2017-77 3 menção do valor retido, além de apresentar a “Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), indicando, mês a mês, o somatório dos valores pagos e o total retido, por contribuinte e por código de recolhimento”. Salienta que [...] a própria Receita Federal do Brasil, por meio das DIRFs apresentadas pelos órgãos públicos, tem condições de, por si só, apurar se o contribuinte prestador de serviços a órgãos públicos teve retido na fonte valores concernentes ao IR e a CSLL, os quais devem ser abatidos da base de cálculo dos tributos a serem recolhidos pela empresa. Ressalva que [...] a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF – não pode ser utilizada como único ou principal critério para fins de definição do crédito da empresa, sob pena de imotivada subtração do patrimônio do contribuinte, caso haja o um descumprimento de obrigação acessória pelo tomador dos serviços, em prática acerca da qual a pessoa que sofre a retenção na fonte não ostenta qualquer ingerência ou responsabilidade jurídica. Considera que, “pela análise do Despacho Decisório, sequer é possível apurar se a divergência entre os valores apontados pela Requerente [...] e aqueles confirmados pela Receita Federal” seria devida “à ausência de entrega, ou entrega com equívocos, das DIRFs pelos órgãos públicos [...] ato sobre o qual não possui nenhum controle ou responsabilidade”. Afirma que, “apesar das várias tentativas em obter os referidos documentos fiscais, até o momento os Órgãos Públicos não os disponibilizaram à Requerente” e que deveria ser “considerada a documentação a ser apresentada pela Requerente, apta a demonstrar que ocorreram efetivamente as retenções”. Supõe que talvez “o cruzamento de informações feito quando da emissão do Despacho Decisório” não haja considerado “o imposto retido no nome de empresas incorporadas pela Requerente”, sugerindo se realize “nova verificação, em sede de diligência fiscal”. Pede a “juntada da anexa planilha (Doc. 05), a qual relaciona o CNPJ do órgão público tomador do serviço, o valor da operação, os montantes relativos aos tributos (IR e CSLL) que foram retidos”, além da “escorreita declaração pela Requerente, dos mencionados valores em sua DIPJ (Doc.06)”. Diz que “o Informe de Rendimento é o documento comprobatório da retenção do IRRF e da CSLL, em casos tal como o presente”, mas ressalva que a jurisprudência administrativa reconheceria a validade probante “da escrituração contábil do contribuinte, e de outros documentos fiscais que suportem as informações prestadas”. Prossegue: Assim, em prestígio ao Princípio da Verdade Material, a Requerente protesta pela ulterior juntada de outros documentos que demonstrem, tal Fl. 912DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.176 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.948130/2017-77 4 como a planilha ora anexada, que, dos valores recebidos no período a título de contraprestação pelos serviços prestados a órgãos públicos, foram retidos os montantes concernentes à CSLL, que compôs o saldo negativo cuja compensação postula-se no presente feito. Caso se entenda que as provas colacionadas aos autos não são suficientes à comprovação das retenções sofridas pela Requerente, requer-se sejam os presentes autos baixados em diligência, como autoriza o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, para que a Fiscalização possa, inclusive, intimar os Órgãos Públicos cujas retenções são objeto da presente lide para apresentar os competentes Informes de Rendimentos, a que faz jus à Requerente para a comprovação do seu direito creditório. [...] É evidente que o contribuinte não pode ser penalizado com o indeferimento de seu pedido de compensação/restituição, pela desídia do órgão público em emitir e lhe repassar o competente Informe de Rendimento relativamente aos serviços tomados haja vista que a Fiscalização dispõe de todos os meios necessários para averiguar se, de fato, os valores foram efetivamente retidos pelo órgão público, já que tais Entes são obrigados a transmitir declaração acerca de todas as retenções efetuadas no decorrer do ano-calendário. Veja-se que no caso de ter havido a retenção “não comprovada”, e ainda ser negada, no presente processo, a utilização dos valores retidos para a composição do saldo negativo da CSLL, estar-se-á diante da cobrança em duplicidade de um mesmo tributo, que implicará o enriquecimento sem causa da União Federal, o que é vedado em nosso ordenamento jurídico. Volta a sugerir, em seu pedido final, “a conversão do julgamento em novas diligências”, com vistas à “ratificação do direito de crédito da Requerente, que desde já protesta pela juntada posterior de documentos”. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade diante da ausência de provas para comprovação das retenções utilizadas pela Recorrente na composição do saldo negativo pleiteado. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em síntese, a comprovação das retenções na fonte e sobre a responsabilidade da fonte pagadora entregar DIRF, invocando a aplicação da Súmula CARF nº 143 e, subsidiariamente, pleiteia a conversão do julgamento em diligência para o cruzamento entre as informações contidas no Sistema DIRF e na planilha juntada como documento 5 da manifestação de inconformidade (fls. 319 - 341). É o relatório. Fl. 913DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.176 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.948130/2017-77 5 VOTO Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. Cinge-se a controvérsia sobre parcela não confirmada de CSLL retida na fonte, no valor de R$ 514.057,92. A Recorrente alega estarem comprovadas as retenções na fonte e sobre a responsabilidade da fonte pagadora entregar DIRF, invocando a aplicação da Súmula CARF nº 143 e, subsidiariamente, pleiteia a conversão do julgamento em diligência para o cruzamento entre as informações contidas no Sistema DIRF e na planilha juntada como documento 6 da manifestação de inconformidade. Em primeiro lugar, deve-se dizer que é certo que recai sobre a fonte pagadora a obrigação de informar em DIRF o valor dos tributos retidos na fonte. Também não se olvida que esse Conselho possui entendimento consolidade, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 143, no sentido de que “a prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”. No entanto também não se pode perder de vista que a Recorrente não apresentou notas fiscais ou quaisquer outras provas da prestação de serviços ou dos valores retidos pelos Órgãos Públicos apontados nos anexos do despacho decisório (parcelas não confirmadas ou parcialmente confirmadas). O único documento relativo às retenções apresentado pela Recorrente não pode ser considerado hábil para a confirmação das parcelas em análise, por se tratar de planilha elaborada unilateralmente pela própria Recorrente. Dessa forma, não tendo a Recorrente apresentado qualquer indício ou elemento de prova, entendo ser prescindível a conversão do julgamento em diligência. Diante do exposto, entendo que o despacho decisório deve ser mantido. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente André Luis Ulrich Pinto Fl. 914DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Conclusão

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11183997 #
Numero do processo: 13161.720346/2016-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 RESSARCIMENTO. PRAZO PRESCRICIONAL. TERMO INICIAL. O prazo prescricional tem início a partir do momento em que o direito material se torna juridicamente exercitável, não podendo correr em período anterior à sua constituição.
Numero da decisão: 3302-015.399
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini e Wagner Mota Momesso de Oliveira, que negavam provimento por entenderem que ocorreu a prescrição do direito do sujeito passivo. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Wagner Mota Momesso de Oliveira (substituto integral), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: MARINA RIGHI RODRIGUES LARA

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini e Wagner Mota Momesso de Oliveira, que negavam provimento por entenderem que ocorreu a prescrição do direito do sujeito passivo. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Wagner Mota Momesso de Oliveira (substituto integral), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).

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PRAZO PRESCRICIONAL. TERMO INICIAL. O prazo prescricional tem início a partir do momento em que o direito material se torna juridicamente exercitável, não podendo correr em período anterior à sua constituição. ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini e Wagner Mota Momesso de Oliveira, que negavam provimento por entenderem que ocorreu a prescrição do direito do sujeito passivo. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Francisca das Chagas Lemos, Wagner Mota Momesso de Oliveira (substituto integral), Louise Lerina Fialho, Marina Righi Rodrigues Lara e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). Fl. 1836DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.399 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720346/2016-01 2 RELATÓRIO Trata-se de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos da Contribuição para a COFINS, no regime não cumulativo, relativos às operações no mercado interno, concernentes ao 1º trimestre de 2011, no valor de R$ 1.624.079,83, vinculado às respectivas Declarações de Compensação. Ocorre que, o Despacho Decisório nº 198/2018 considerou intempestivo Pedido de Ressarcimento Eletrônico apresentado, tendo em vista que o protocolo ocorreu em 12/04/2016, embora o prazo limite para sua apresentação fosse 31/03/2016. Isso porque, nos termos do § 2º do art. 29-C da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, o pedido de ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados por pessoas jurídicas importadoras ou produtoras de álcool somente poderiam abranger créditos referentes aos cinco anos anteriores à data do requerimento. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: (i) a IN RFB nº 1.300/2012 carece de respaldo legal, por inovar no ordenamento ao fixar como termo inicial da contagem do prazo prescricional, o momento da apuração do crédito, parâmetro não previsto na legislação de regência; (ii) somente com a edição da Lei nº 12.859/2013 foi possibilitado às empresas produtoras de álcool utilizar os saldos credores acumulados nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, mediante pedidos de ressarcimento ou compensação, de modo que não haveria que se falar em prazo prescricional anterior baseado em norma infralegal; (iii) na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativos, o saldo credor consolida-se apenas com a entrega do DACON correspondente; (iv) o DACON do 1º trimestre de 2011 foi transmitida no final de abril de 2011, razão pela qual esse seria o termo inicial do prazo quinquenal. Assim, o prazo final se estenderia além de 12/04/2016, data de apresentação do PER, afastando a alegação de prescrição. A DRJ, contudo, por meio do Acórdão de nº 101-010.892, julgou improcedente a Manifestação apresentada, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2011 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DE PIS OU COFINS. DECURSO DE PRAZO. O saldo de créditos do PIS e da Cofins apurado pelas pessoas jurídicas importadoras ou produtoras de álcool na forma do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, poderá ser solicitado somente para créditos apurados até cinco anos anteriores, contados da data do pedido. Fl. 1837DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.399 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720346/2016-01 3 Devidamente intimada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando as alegações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. VOTO Conselheira Marina Righi Rodrigues Lara, relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, a controvérsia cinge-se à alegada intempestividade do Pedido de Ressarcimento Eletrônico (PER) apresentado pela contribuinte. A Fiscalização sustenta que o pedido foi apresentado fora do prazo previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, sob o argumento de que os créditos teriam sido apurados no encerramento do trimestre de referência, em 31/03/2011. Afirma que o ressarcimento estaria limitado aos créditos constituídos nos cinco anos anteriores à data do protocolo do Pedido de Ressarcimento Eletrônico (PER), o que não teria sido observado no caso concreto. A Recorrente, por sua vez, defende que a limitação temporal imposta pela IN extrapola os limites legais, ao inovar indevidamente no ordenamento jurídico, uma vez que o direito ao ressarcimento dos saldos credores de PIS e COFINS somente foi instituído pela Lei nº 12.859/2013, posteriormente regulamentada pelo Decreto nº 8.212/2014. Assiste razão à Recorrente. Nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/1932, a prescrição quinquenal tem início a partir do ato ou fato do qual se origina o direito. No caso concreto, embora as apurações das contribuições sob o regime não cumulativo sejam relevantes para a formação dos créditos, elas não foram suficientes, por si sós, para gerar o direito ao ressarcimento. O direito material ora discutido somente ingressou no ordenamento jurídico com a edição da Lei nº 12.859/2013, que conferiu às empresas produtoras de álcool a possibilidade jurídica de pleitear o ressarcimento dos saldos credores acumulados. Cuida-se, portanto, de típica hipótese prevista no art. 116, II, do Código Tributário Nacional, segundo o qual, tratando-se de situação jurídica, considera-se ocorrido o fato gerador quando esta se encontra definitivamente constituída nos termos da lei aplicável. Assim, o nascimento do direito não se confunde com a apuração pretérita dos créditos, mas com a edição da norma que autoriza sua fruição. Tal conclusão encontra sólido respaldo na teoria da actio nata, amplamente reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual o prazo prescricional somente se inicia quando surge, para o titular, a pretensão juridicamente exigível. Nesse sentido, o STJ já Fl. 1838DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.399 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.720346/2016-01 4 assentou que “(...) de acordo com o princípio da actio nata, o prazo prescricional apenas pode começar a ser contado a partir do momento em que surge, para a parte, o direito de exigir do outro o cumprimento de sua obrigação, vale dizer, a pretensão.” (RESP 1028592, Rel. Ministra Eliana Calmon) Dessa forma, não há falar em fluência de prazo prescricional em momento no qual o contribuinte não dispunha de qualquer possibilidade jurídica de exercer o direito, sob pena de se admitir prescrição fundada em inércia fictícia. Cumpre ainda destacar que é irrelevante o fato de a lei permitir o aproveitamento de créditos apurados em períodos anteriores à sua vigência. Isso não significa que o direito tenha existido antes da lei, mas apenas que o legislador autorizou seu exercício retroativo. A possibilidade legal de utilizar créditos formados em exercícios passados não retroage o nascimento do direito nem desloca o marco inicial da prescrição para datas anteriores à criação da própria situação jurídica. Admitir entendimento diverso significaria impor a perda de um direito antes mesmo de seu surgimento, resultado incompatível com a própria finalidade do instituto da prescrição, que visa sancionar a inércia do titular diante de um direito já exercível. Nesse contexto, o § 2º do art. 29-C da IN RFB nº 1.300/2012, ao limitar o ressarcimento a créditos apurados nos cinco anos anteriores ao pedido, contando-se esse prazo de período anterior à própria criação do direito, restringe indevidamente direito assegurado por lei, inovando na ordem jurídica e contrariando o art. 1º do Decreto nº 20.910/1932. Reconhecido, portanto, que o direito ao ressarcimento foi constituído apenas com a edição da Lei nº 12.859/2013, conclui-se que o prazo prescricional quinquenal teve início a partir desse marco. Assim, o Pedido de Ressarcimento transmitido em 12/04/2016 foi apresentado dentro do prazo legal, não havendo que se falar em intempestividade. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara Fl. 1839DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11184362 #
Numero do processo: 10280.002643/95-87
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 203-00.708
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SEBASTIÃO BORGES TAQUARY

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RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 16 de setembro de 1998 ~ã~&o)~sT~ '-I Relator U. / eaal/mas 1 • Processo Diligência Recurso Recorrente : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10280.002643195-87 203-00.708 103.599 CLÁUDIO VAZ MARINHO RELATÓRIO •• O contribuinte, ora recorrente, no dia 22 de maio de 1995, protocolizou sua impugnação à Notificação de Lançamento do ITR/94, mais os acréscimos legais, aos argumentos de que houve acréscimo de 18.000% no VTN do seu imóvel, além de que está o mesmo a 100 km de Uraim-PA e a ISO Km do asfalto, fatores que determinam a revisão dessa exigência fiscal. A autoridade monocrática, através da Decisão de fls. 12113, julgou procedente a exigência, mercê dos fundamentos assim ementados: "A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo - VTNm que vier a ser questionado pelo contribuinte." O Recurso Voluntário compreende, aqui, de um requerimento de encaminhamento (fls. 15) e de razões recursais (fls. 16), e veio no prazo legal, reeditando os argumentos da impugnação, para postular, como postulou, fosse feita a revisão do lançamento, inclusive, negando a legalidade da exigência concernente às contribuições sindicais. A Procuradoria da Fazenda Nacional manifestou-se às fls. 23 É o relatório. 2 I • tA ~ Processo Diligência MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10280.002643195-87 203-00.708 31 • VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SEBASTIÃO BORGES TAQUARY Verifico, preliminarmente, que a noúficação de lançamento não está nos autos e que as razões recursais não foram assinadas, pelo ilustre recorrente. Por oportuno, no entanto, esclareço que o ilustre Julgador em Primeira Instáncia considerou como equivalente a essa peça básica (noúficação) os espelhos de fls. 9/10, eis que a eles se referiu às fls. 12 (la parágrafo in tine). Entendo, porém, que aqueles espelhos (extratos de DITR fls. 09/1O) não se prestam como substitutos da noúficação de lançamento, que é peça básica, como também, é o auto de infração, para a exigência do crédito tributário, máxime, por não conter aqueles espelhos a ordem de inúmação do sujeito passivo, entre outras omissões de requisitos essenciais (Decreto na 70.235/72, art. \O e seus incisos). Também, entendo que se faz não dispensável a assinatura na lauda onde se encontram as razões recursais. Nem mesmo o fato de estar aquele requerimento assinado (fls. 15) torna dispensável aquela assinatura, ausente a fls. 16. Por todo o exposto e por todo o mais que dos autos consta, preliminarmente, voto no senúdo de ser o presente julgamento convertido em diligência, para que, na repartição de origem, sejam adotadas as seguintes providências saneadoras do feito: a) - que seja juntada aos autos a noúficação de lançamento do ITR/94 e b) - que seja o contribuinte intimado para vir assinar o Recurso de fls. 16, no prazo de 10 (dez) dias, a contar da respectiva inúmação, sob pena de ser o recurso voluntário ser considerado inexistente. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de setembro de 1998. J2..,iJ.L - hRh'"l.. Q-~~~ JEBASTIAO B(\r~S TAQUARY f 3 00000001 00000002 00000003

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