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Numero do processo: 14485.000198/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 20/07/2007
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE NFLD CONEXA.
A decisão definitiva, no âmbito administrativo, que reconheça a improcedência integral da obrigação principal, com fundamento na não caracterização de ocorrência dos fatos geradores apurados, implica, ipso facto, a insubsistência do Auto de Infração de Obrigação Acessória CFL 68 conexo, em virtude de não se haver efetivado, por parte do Sujeito Passivo, violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para se reconhecer a insubsistência do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.078.785-4, CFL 68, em virtude da inocorrência de violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 20/07/2007 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE NFLD CONEXA. A decisão definitiva, no âmbito administrativo, que reconheça a improcedência integral da obrigação principal, com fundamento na não caracterização de ocorrência dos fatos geradores apurados, implica, ipso facto, a insubsistência do Auto de Infração de Obrigação Acessória CFL 68 conexo, em virtude de não se haver efetivado, por parte do Sujeito Passivo, violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 20/07/2007 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. DEPENDÊNCIA DE JULGAMENTO DE NFLD CONEXA. A decisão definitiva, no âmbito administrativo, que reconheça a improcedência integral da obrigação principal, com fundamento na não caracterização de ocorrência dos fatos geradores apurados, implica, ipso facto, a insubsistência do Auto de Infração de Obrigação Acessória CFL 68 conexo, em virtude de não se haver efetivado, por parte do Sujeito Passivo, violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para se reconhecer a insubsistência do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.078.7854, CFL 68, em virtude da inocorrência de violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 01 98 /2 00 7- 15 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14485.000198/200715 Acórdão n.º 2302003.244 S2C3T2 Fl. 360 3 Relatório Período de apuração: MARÇO/2005 e MARÇO/2006. Data do Fato Gerador: 20/07/2007. Data da lavratura do Auto de Infração: 20/07/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 20/07/2007. Temse em pauta auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em razão da apresentação de GFIP com omissão de dados correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, relativas a remunerações pagas a título de PLR, nas competências março/2005 e março/2006, pagas em desconformidade com a legislação, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 11,12 e 20. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. A multa aplicada corresponde a 100 % do valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, relativas aos fatos geradores descritos no parágrafo precedente, apurados pela fiscalização. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 27/41. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I /SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1615.619, a fls. 302/316, julgando procedente o Auto de Infração e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 23 de janeiro de 2008, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 318. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 320/336, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que o julgamento do presente Auto de Infração depende do veredicto a ser proferido na NFLD nº 37.078.7862, na qual se discute a procedência das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas pagas a título de PLR; · Que a empresa preencheu todos os requisitos legais para o pagamento da PLR; · Que o elemento definidor da natureza salarial de uma remuneração é a habitualidade, e que a verba paga a título de PLR foi paga em apenas duas oportunidades no contrato de trabalho, de tal forma que não há habitualidade suficiente para se descaracterizar a verba e transmudala para uma que tenha natureza salarial. Ao fim, o Recorrente requer que seja reformada integralmente a decisão recorrida. Visando à esquiva de prolação de decisões conflitantes, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em Diligência Fiscal, sobrestandose o trâmite do presente feito até o Trânsito em Julgado da decisão relativa à NFLD n° 37.078.7862, a qual formalizou o lançamento das obrigações tributárias principais decorrentes dos mesmos fatos geradores objeto do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória, conforme Resolução nº 2302 000.097, da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, a fls. 340/343. Em cumprimento da Diligência Fiscal requestada, foi juntado a fls. 349/355 do presente processo a Decisão Definitiva referente à NFLD nº 37.078.7862, textualizada no Acórdão nº 9202002.778 – 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferida nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 14485.000199/200760. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14485.000198/200715 Acórdão n.º 2302003.244 S2C3T2 Fl. 361 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 23/01/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 22/02/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DEPENDÊNCIA DO JULGAMENTO DE NFLD CONEXA. A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na subsunção ou não dos valores pagos a título de PLR ao conceito legal de Salário de Contribuição, para os fins exclusivos de incidência de contribuições previdenciárias. A obrigação principal correspondente aos fatos geradores tratados neste Auto de Infração é objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.078.7862, lavrada na mesma ação fiscal, a qual promoveu o lançamento tributário das contribuições previdenciárias relativas a valores a segurados obrigatórios do RGPS a título de PLR, os quais, por se subsumirem no conceito de Salário de Contribuição, no entendimento da fiscalização, Fl. 363DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 deveriam ter sido declarados em GFIP e não o foram, fato que motivou a lavratura do presente Auto de Infração. O Recorrente assevera que tais verbas foram pagas em estrita consonância com a legislação de regência e, por tal motivo, não estariam inseridas no conceito de Salário de Contribuição fixado no art. 28, caput da Lei nº 8.212/91, mas, sim, abraçadas pela hipótese de exclusão prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 do mesmo Diploma Legal acima mencionado. Com efeito, o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação não se encontra instruído com os elementos necessários aptos a indicar, de forma inequívoca, se os fatos jurídicos apurados na NFLD conexa acima apontada se caracterizam, efetivamente, como fatos geradores de contribuições previdenciárias. Almejando furtarse à prolação de decisões conflitantes, houve por bem esta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF converter o julgamento do Recurso Voluntário em Diligência Fiscal, sobrestando o julgamento do feito até a proferição de decisão definitiva no âmbito da NFLD n° 37.078.7862, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 14485.000199/200760, mediante a qual se formalizou o lançamento das obrigações tributárias principais decorrentes dos mesmos fatos geradores objeto do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória. Nessa perspectiva, a eventual procedência integral do lançamento aviado na NFLD n° 37.078.7862 implica, por decorrência lógica, a procedência do presente Auto de Infração. De outro canto, qualquer improcedência, mínima que seja, no conjunto de fatos geradores apurados naquela Notificação Fiscal importará retificações nos valores da multa aplicada nesta autuação. Em atendimento à Diligência Fiscal comandada mediante a Resolução nº 2302 000.097 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, a fls. 340/343, foi coligido aos autos cópia da decisão definitiva referente à NFLD conexa n° 37.078.7862, textualizada no Acórdão nº 9202 002.778, proferida nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 14485.000199/200760, mediante a qual os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, deram provimento ao Recurso Especial interposto pela Haldex do Brasil Indústria e Comércio ltda, julgando improcedente o lançamento aviado na NFLD conexa n° 37.078.7862, por considerar que não se houveram por ocorridos/caracterizados os fatos geradores de contribuições previdenciárias apurados pela Fiscalização. Nesse contexto, o reconhecimento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais da improcedência da obrigação principal implica, ipso facto, a insubsistência do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória, em virtude de não se haver efetivado, por parte do Sujeito Passivo, violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Diante de tal panorama, há que se reconhecer a insubsistência do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.078.7854, CFL 68, em virtude da inocorrência de violação à obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14485.000198/200715 Acórdão n.º 2302003.244 S2C3T2 Fl. 362 7 É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10850.902165/2013-93
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1350; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 55 1 54 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.902165/201393 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.683 – 1ª Turma Especial Data 27 de março de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente GREEN STAR PECAS E VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 16 5/ 20 13 -9 3 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.902165/201393 Resolução nº 3801000.683 S3TE01 Fl. 56 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 421,06. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF, juntando documentação comprobatória. O processo foi encaminhado a este Conselho para fins de apreciação da lide tendo em vista a interposição de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.902165/201393 Resolução nº 3801000.683 S3TE01 Fl. 57 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges Preliminarmente, deixo consignado que o presente processo foi encaminhado conjuntamente com outros do mesmo sujeito passivo que tratam de matéria idêntica, qual seja, o direito ao crédito de PIS e COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Em atendimento ao princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual que importa é a finalidade do ato e não ele em si mesmo e considerandose os recursos interpostos nos demais processos julgados conjuntamente, tomo conhecimento do presente processo em sede de recurso voluntário. No entanto, para que se possa sanear o processo, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para a Delegacia de origem: a) Informar sobre a existência de Decisão de 1ª Instância e Recurso Voluntário interposto no presente processo, colacionandoos aos autos e, posteriormente, retornar o mesmo a este CARF para julgamento; b) caso contrário, encaminhar a Delegacia de Julgamento para análise da Manifestação de Inconformidade e demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 13963.001001/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA - CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS - - COMISSÃO PAGA SOBRE O FRETE - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVO RECURSO - NÃO CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS APRESENTADOS ANTERIORMENTE
Tendo sido proferida NOVA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, atendendo inclusive aos anseios do próprio contribuinte, oportunizando-lhe a apreciação de todos os fatos trazidos em sua impugnação, a NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVO RECURSO, mesmo devidamente cientificado no próprio acórdão para tanto, torna incabível a apreciação de qualquer argumento por parte deste colegiado, considerando que deveria o recorrente insurgir-se (apresentando novo recurso) contra a nova decisão proferida.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que votou por conhecer do recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA - CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS - - COMISSÃO PAGA SOBRE O FRETE - NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVO RECURSO - NÃO CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS APRESENTADOS ANTERIORMENTE Tendo sido proferida NOVA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, atendendo inclusive aos anseios do próprio contribuinte, oportunizando-lhe a apreciação de todos os fatos trazidos em sua impugnação, a NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVO RECURSO, mesmo devidamente cientificado no próprio acórdão para tanto, torna incabível a apreciação de qualquer argumento por parte deste colegiado, considerando que deveria o recorrente insurgir-se (apresentando novo recurso) contra a nova decisão proferida. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 10 01 /2 00 9- 81 Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que votou por conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n.37.237.5952, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais não retida pela empresa. Destacase que conforme descrito no relatório fiscal, o procedimento de auditoria em questão baseou no artigo 149 do CTN, isto 6, na existência de simulação. Como resultado da análise documental e dos procedimentos de auditoria fiscal da Receita Federal do Brasil, ficou configurado os seguintes pontos: 1. A despeito da aparente distinção formal entre o sujeito passivo e as sete pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, todas constituem única empresa, posto que exploram a mesma atividade econômica (transporte rodoviário de carga) com suas sedes sociais no mesmo imóvel, utilizandose indistintamente da mesma frota de veículos e quadro de funcionários, sob gestão centralizada do verdadeiro empregador — Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, empresa administrada pelo Sr. Valdemiro Da Rolt.. 2. Tratase de fatos que configuram simulação de negócios, mediante a utilização de empresas interpostas, para usufruir indevidamente dos benefícios estabelecidos no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, instituído pela Lei n°9.317, de 05 de dezembro de 1996 e do Simples Nacional instituído através da LC123/2006 com vigência a partir de 07/2007. 3. O emprego de simulação com evidente objetivo de elidir a contribuição previdenciária patronal retira a validade do ato formal, devendo prevalecer a real situação fática, com base no principio da verdade material. 4. É inconcebível que o sujeito passivo, que congrega tal quantidade de trabalhadores, com faturamento acima dos parâmetros legais, tenha usufruído indevidamente dos benefícios instituídos pelo sistema simplificado. 0 tratamento tributário instituído pela lei 9.317/96, não é dirigido a empreendimento deste porte. 5. Finalmente, será encaminhada representação fiscal para fins penais ao Ministério Público Federal pela ocorrência, em tese, do crime de sonegação de contribuição previdenciária. Além do sujeito passivo acima identificado foram também abrangidas pela auditoria fiscal as seguintes pessoas jurídicas: · RMG Transportes Ltda ME · RA Transportes Ltda ME · Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt Ltda ME Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 · ULIS Transportes Ltda ME · FJB Transportes Ltda ME · JCMF Transportes Ltda ME · RPRM Transportes Ltda ME Dando início ao procedimento fiscal o auditor conseguiu contatar a o R. Valdemiro Dal Rolt, administrador da empresa notificada, que disse desconhecer qualquer aspecto relacionado as empresas que prestavam serviços na empresa, responsabilizandose apenas pela empresa notificada. Foi mantido contato com o contador Sr. Pedro Rampinelli, que disse efetuar a contabilidade das empresas, mas recusouse a passar os contatos dos sócios das demais empresas, responsabilizandose por colher a assinatura dos sócios das mesmas, o que o fez em data posterior. Notese que para a empresa RMG a assinatura foi realizada por pessoa não mais integrante da sociedade. No relatório fiscal enfatiza a autoridade por meio de ampla e detalhada pesquisa, que os ditos sócios da empresas, constam apenas formalmente de suas constituições, sem contudo, ter qualquer participação efetiva, desconhecendo aspectos relacionados as mesmas. Vejamos alguns trechos do relato do auditor: A Sra. Matilde confirma que realmente a sua sobrinha Denise da Silva Gomes com sua mãe Maria da Silva Gomes estão radicados nos EUA a mais de sete anos e que Denise até já casou por !A. Assegurou que a sobrinha Denise nunca foi empregada da Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda e muito menos ter participado, de fato, na condição de empresaria ou sócia de qualquer empresa no segmento de transportes de cargas. Casualmente, no momento, passa defronte à loja o Sr. Pedro Oclides Gomes, pai de Denise, que ainda permanece na cidade de Sombrio trabalhando em escritório de despachante — Despachante Gomes. 0 Sr. Pedro ratificou as informações já transmitidas pela Sr. Matilde e destacou que esta situação, ou seja, a sua filha constar como dona de empresa, deve ter sido manobra praticada pela transportadora dos Irmãos Da Rolt. Marieta Borges de Barcelos e Fabio Juner Borges Barcelos são irndos. Ocupam formalmente as funções de administradores. Este, desde 03/2001, junto à pessoa jurídica FJB Transportes Ltda ME com 50% do capital e aquela na RMG Transportes Ltda ME, desde 04/1997, com participação de 1% do capital. Consta ainda o registro de Fábio na condição de empregado da RMG Transportes Ltda ME, no período de 12/2000 a 02/2001 na função de auxiliar de escritório. Rosanaela Vieira, companheira de Fábio Juner Borges Barcelos, era menor e foi assistida por sua mãe Maria de Lourdes Carvalho Vieira quando da constituição da pessoa jurídica FJBTransportes Ltda ME, onde assume formalmente a condição de sócia cotista, com 50% na participação societária a partir de 03/2001. Em contato mantido em 24/08/2009 na sua própria Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 4 5 residência no bairro Retiro da Unido na cidade de Sombrio, Rosangêla Vieira declarou que desconhece qualquer aspecto relacionado com a empresa FJB Transportes Ltda ME, pois sempre se dedicou aos afazeres domésticos no seu lar e na criação dos seus filhos. Lembra que somente assinou os papéis de constituição da empresa, assistida por sua mãe. Por último destaca que o seu companheiro Fábio não divide com ela assuntos relativos a sua atuação junto aos Irmãos Da Rolt. André de Souza Gonçalves protagoniza atuação polivalente. Figura na qualidade de sócio administrador das pessoas jurídicas RA Transportes Ltda ME com 99% do capital desde 04/2004 e na ULIS Transportes Ltda ME com 1% desde 02/2004. André assumiu a titulação da pessoa jurídica RA Transportes Ltda ME, no lugar do seu colega Rogério Alexandre Anastácio, que inicialmente lhe propôs o negócio. As condições e a maneira de gerir a empresa foram definidas por Valdemiro Da Rolt, conforme declaração feita pelo próprio André em depoimento prestado em 25/08/2009 Auditoria Fiscal, na Agência da Receita Federal do Brasil em Araranguá. Venicio Almeida da Silva, morador da rua do Mercado Araras, s/n, no bairro Mato Alto em Sombrio, embora tenha feito parte do quadro social da pessoa jurídica Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt Ltda, lapso de 03/1999 a 08/2000, na condição de cotista com 1% do capital, está registrado formalmente como empregado na função de mecânico, desde 01/09/1999 conforme anotação à fls. 47 (cópia anexa) do livro de registro de empregados n° 1. Ulisses Marcon figura como administrador (99%) da pessoa jurídica Ulis Transportes Ltda ME no período de 09/1999 a 02/2004 e possui registro de vinculo empregaticio com o sujeito passivo a partir de 02/2005 na função de mecânico, conforme Cadastro Nacional de Informações Social — CNIS. • João Manoel Fagundes com residência à rodovia BR101, KM 423, estrada geral, Lagoa do Caverá, bairro Sanga da Toca 1, em Ararangud, consta como sócio administrador (50%) da pessoa jurídica JCMF Transportes Ltda ME, juntamente com o Sr. Bento Costa Joaquim na função de sócio cotista, desde 12/2005. Está registrado como empregado da Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda, no período de 08/2004 a 01/2006 na função de lavador de caminhão, conforme anotado fls. 35 (cópia anexa) do livro de registro de empregados n° 1 apresentado à auditoria fiscal. Em 24/08/2009 foi realizada nova tentativa de contato com o Sr. João Manoel Fagundes, desta feita, na sede do sujeito passivo onde, conforme informações obtidas, continuava a trabalhar. Nesta oportunidade foram protagonizadas novas demonstrações a fim de obstaculizar o procedimento fiscal. 0 Sr. João Manoel Fagundes chegou a ser abordado no seu posto de trabalho (rampa — lavação e lubrificação de caminhões), sem que os auditores soubessem de quem se tratava. Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Posteriormente, por suas características (pessoa na faixa dos 40 anos, baixa estatura e peculiar marca próxima ao supercilio, entre outras), ficou claramente definida a sua identidade. Joao Manoel Fagundes, esquivandose de contato, encaminha a auditoria para o Sr. Angelo Da Rolt, um dos irmãos de Valdemiro Da Rolt. 0 Sr. Angelo, fingindo indiferença, sugere que os auditores fiscais busquem informação junto ao setor administrativo da empresa. (...)Declaração categórica da moradora Mazilda Pereira Serafim4, vizinha defronte A residência, restaura a verdade dos fatos. Assegurou aos auditores que se tratava realmente da residência da família do Sr. Joao Manoel Fagundes. Alinhou as características físicas e afiançou que ele trabalha na Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. Destacou a moradora que o Sr. João Manoel Fagundes é um trabalhador incansável no sustento de sua família e que carrega na sua roupa, suja de graxa, a marca do seu trabalho. De fato o Sr. João Manoel Fagundes trabalha na chamada rampa, nos serviços de lavagdo/lubrificação dos veículos da transportadora Da Rolt. A filha da vizinha Mazilda busca complementar as informações da mãe e esclarece que naquele dia, momento antes de ali chegarmos, o Sr. João Manoel Fagundes estava conversando com alguém numa caminhonete preta. Joaquim seria outro sócio (cotista), com 50% do capital, da pessoa jurídica JCMF Transportes Ltda ME com atuação desde 12/2005. A despeito da impossibilidade/dificuldade alegada pelo contador do sujeito passivo, Sr. Pedro Rampinelli, conseguimos manter contato com o Sr. Bento. A entrevista ocorreu defronte a sua residência, no mesmo enderego5 da sede contratual da pessoa jurídica JCMF Transportes Ltda, conforme já ilustrado na foto constante em item próprio. Tratase de pessoa modesta que, secundado por sua esposa, declarou categoricamente à auditoria fiscal que: Nunca foi dono ou fez parte de fato de qualquer empresa; Tinha conhecimento que a empresa constava em seu nome, porém nunca se considerou sócio de nada e também não recebeu nada por isto; Simplesmente assinava os papéis que lhe apresentavam; Acreditava que a sua parte na empresa teria sido transferida para o outro sócio, Sr. Joao Manoel Fagundes; Desde uns dois meses atrás está aposentado e que trabalhava para o sujeito passivo na função de borracheiro e que ratificaria suas declarações em qualquer foro ou instância em que fosse chamado. Renan Prudêncio José, 20 anos, e Raquel Pereira Matheus José, ambos residentes estrada geral s/n, bairro Lagoa do Cavera, em Ararangud, representam formalmente a pessoa jurídica RPRM Transportes Ltda ME, com 99% e 1% das cotas do capital social, a partir de 07/2007. Três meses depois, em 10/2007, Raquel Pereira Matheus • José foi registrada como auxiliar de escritório do sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda, conforme fls. 25, cópia anexa, do livro de registro de empregados n°3. No dia 04/08/2007. DOS LAUDOS E AMBIENTE DE TRABALHO Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 5 7 Os Laudos" Técnicos das Condições Ambientais do Trabalho — LTCAT's de 2009, identifica todo o grupo, ou seja, o sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transporte Importação e Exportação Ltda e demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal que constituem uma só empresa, exatamente no mesmo estabelecimento, situado na cidade de Araranguá. De resto, fica evidente a semelhança na estrutura dos documentos relativos as condições ambientais do trabalho bem como a atividade desenvolvida, endereço e funções envolvidas. Quanto aos livros de registros de empregados, constatouse que até os termos 12 de abertura e encerramento dos livros referentes tanto ao sujeito passivo quanto as pessoa jurídicas RMG Transportes Ltda ME e FJB Transportes Ltda ME foram assinadas pelo próprio administrador da Irmãos Da Rolt, empresário Valdemir Da Rolt, sob designação de "procurador". Ainda que na forma aparentam alguma distinção, a realidade demonstra que os trabalhadores laboravam num mesmo estabelecimento, dedicados a uma mesma atividade econômica, subordinados ao mesmo empregador. Concretamente, em outras palavras temos: a) Idêntica atividade econômica: Tanto o sujeito passivo quanto as pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, dedicamse a mesma atividade econômica, qual seja, o transporte rodoviário de cargas — CNAE 49.302. b) Mesmo endereço: A sede do sujeito passivo e demais pessoas jurídicas, é representada por um só estabelecimento, qual seja, a sede da empresa Irmãos Da Rolt Transportes Importação e Exportação Ltda, situada As margens da rodovia BR101, s/n, altura do KM423, bairro Sanga da Toca, na cidade de Ararangud/SC. c) Uma só empresa ou empregador Todas as provas indicam a existência de um único empregador: Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, sujeito passivo do lançamento. DA DECLARAÇÃO DO CONTADOR DA EMPRESA Embora o contador Pedro Rampinelli possua o escritório de contabilidade no centro de Sombrio, dedica o período matutino aos afazeres contábeis do sujeito passivo e demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, na própria sede da Irmãos Da Rolt Ltda em sala e com equipamentos próprios a este mister. Também da mesma forma, indagado pela auditoria fiscal a respeito da configuração da empresa e o estreito relacionamento com as demais pessoas jurídicas, o contador demonstra visível desconforto. Chegou a ponto de declarar categoricamente que aquelas pessoas jurfdicas 13 não emitem qualquer tipo de documento. Possuem apenas as folhas de pagamentos e não Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 auferem qualquer tipo de receita ou faturamento. Em resumo: Inexistira origem de recursos para suportar as despesas com a folha de pagamento. As pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, que integram visceralmente o empreendimento Dal Rolt, não possuem caminhões próprios, sede social, nem tampouco faturamento pelos serviços prestados. Os conhecimentos de fretes são emitidos pelo sujeito passivo. Demonstração clara que as pessoas jurídicas subsistem apenas no papel e são utilizadas somente para abrigar os registros de vínculos empregaticios do sujeito passivo que, desta forma, vem obtendo indevidamente o tratamento tributário favorecido com a conseqüente sonegação de contribuições previdenciárias. Diante da manifesta ilegalidade da situação, o contabilista Pedro Rampinelli reconheceu sua resignação perante os fatos, justificando que apenas cumpre as determinações do empresário Valdemir Da Rolt. Confidenciou que estava com a saúde abalada a exigir doses diárias de comprimidos. Evidente que não se trata de empresas distintas funcionando de "per si" e desenvolvendo cada qual a sua atividade na sede social respectiva. Estamos diante de um s6 empreendimento econômico a desenvolver a mesma atividade de transporte rodoviário de cargas, utilizandose da mesma frota de caminhões, quadro comum de funcionários, sob a mesma administração de fato, na pessoa do empresário Valdemir Da Rolt. Em resumo, uma só empresa. DAS RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS A pluralidade no pólo passivo das demandas, relatos de unicidade empresarial ou grupo econômico, práticas simulatórias ou abusivas, além de pagamentos extrafolhas de comissões (10%) sobre o valor do frete, são temas recorrentes nas reclamatórias processadas perante a Vara do Trabalho de Ararangué, envolvendo o sujeito passivo e pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. "Na realidade, todas as demandadas atuam no ramo de transporte de cargas e pertencem ao mesmo grupo econômico, ou melhor, aos mesmos sócios. Estas pessoas físicas se acobertam sob uma pessoa jurídica, dificultando a descoberta de quem, na verdade, responde pelas obrigações da sociedade, causando embaraço e confusão. 0 cedo é que durante o contrato mantido pelo de cujus, quem sempre comandou e lhe deu ordens foi à mesma pessoa, Senhor Valdemiro Darolt, proprietário de fato das empresas, embora na CTPS do Reclamante, no período que abaixo reclamará, conste anotações com pessoas jurídicas diferentes". Relatos acerca da unicidade empresarial, relação trabalhista extravagante e pagamento de comissões "por fora" estão presentes na reclamatória n° 186/02 proposta pelo motorista Rodrigo da Costa Matos contra o sujeito passivo — primeira reclamada, pessoa jurídica FJB Transportes Ltda ME — segunda reclamada e os • representantes legais do sujeito passivo, pessoas fisicas21 . Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 6 9 quatro rés pertencem a mesma família; não se recorda para qual empresa trabalhou, apesar de haver anotação na CTPS; na prática todas as rés constituíam uma única empresa, operando no mesmo local, com a mesma atividade; todas as rés só tem um escritório e eram dirigidas pelos irmãos da família Da Rolt, entre os quais, o Sr. Tola (Valdemiro), Angelo, Nine (Valdemir) e Neca (Valdemar); o acerto com todos os caminhoneiros era feito pelo Sr. Nino, também da família Da Rolt; ( ) na CTPS era anotado salário fixo, mas a remuneração era somente a base de comissão de 10% sobre o valor do frete". A reclamatória trabalhista n° 181/02 proposta pelo motorista Rubens Mello de Oliveira em face de FJB Transportes Ltda ME e Irmãos Da Rolt Transportes, importação e Exportação Ltda, sujeito passivo do lançamento ora relatado, versa igualmente sobre a unicidade da empresa e do indigitado pagamento de comissões "por fora". Na esteira de outras demandas: utilização de empresas interpostas, comissões pagas • "por fora" e a introdução de testas de ferro na administração dos negócios do sujeito passivo, são causas em que se funda a reclamatória trabalhista n° 399/06, proposta pelo motorista Jovelino Gomes da Rosa contra RA Transportes Ltda ME e Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. 0 trabalhador Valcirlei Casagrande, motorista, ingressou em 05/10/2006 com reclamatória trabalhista no 657/06 contra FJB Transportes Ltda ME e Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda trazendo relatos de confusão entre as empresas e prática de pagamentos de comissões de 10% do frete bruto, fora da folha. Constantino da Silva Caetano pleiteia a retificação da sua CTPS para incluir a remuneração de fato recebida, através de reclamatória trabalhista de no 568/08 de 04/08/2008 ajuizada contra FJB Transportes Ltda ME. Informa o reclamante: "( ) foi contratado em 01.09.2004, para exercer a função de motorista, com término do pacto labora! em 18/10/2006, por iniciativa da empresa, sendo que as verbas rescisórias foram calculadas com base no valor anotado na CTPS e não no valor (extrafolha) efetivamente recebido pelo autor, havendo diferenças de valores no pagamento das referidas verbas. (....) A remuneração pactuada era a base de comissões, no importe de 10%, que resultava uma remuneração média mensal de R$ 1.200,00 (hum mil e duzentos reais), em toda a contratualidade. No entanto, a CTPS foi anotada com o valor de R$ 658,00 (seiscentos e cinqüenta e oito reais), devendo ser retificada, informando a forma de recebimento de salário.". MANIFESTAÇÃO DE JUIZA DO TRT: Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 "Além disso, as reclamadas possuem o mesmo preposto, o mesmo procurador, ofereceram contestação conjunta e as citações de fls. 24 e 25 foram assinadas pela mesma pessoa que afirmou ser o sócio das demandadas, o que demonstra a relação havida entre elas. Dessarte, devem prevalecer as alegações do reclamante no sentido de que foi admitido em 20022001, ou seja, em data anterior àquela anotada na sua CTPS (1°62001), e que prestou serviço a ambas as demandadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico. Quanto a este último aspecto, como bem elucidado na sentença, o Sr. Valdomiro Da Rolt recebeu as duas citações iniciais de fls. 24/25 se dizendo sócio das empresas. De outro lado, o Sr. Rossi da Silva Gomes, na audiência de fL 26, foi o preposto nomeado pelas empresas para representálas na audiência inicial (cartas de preposição de fls. 29 e 30). Além disso, o procurador das rés é o mesmo, tendo estas contestado a ação em pega Onica". 10.0 SUJEITO PASSIVO NO ÂMBITO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALH0 22 Representação formulada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Vale do Ararangud, que noticia discriminação de trabalhador em virtude de ajuizamento de reclamatória trabalhista, não pagamento de férias e gratificação natalina e ausência do controle da jornada de trabalho, dá causa a instauração do inquérito civil público 39.2009.12.002/0 pela Procuradoria do Trabalho em Criciúma onde figura o sujeito passivo na condição de inquirido. PARTICIPAÇÃO DO SR. VALDEMIRO NA GESTÃO DAS DEMAIS EMPRESAS Valdemiro Da Rolt — Administrador do sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, pratica com freqüência atos de verdadeira comunhão administrativa com as demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, com as quais alega suposta distinção. Quer assinando termos de rescisão de contrato de trabalho, notificando empregados a respeito de férias ou firmando contrato de experiência e declaração de opção do FGTS, dentre outros atos típicos da gestão administrativa. Aliás, não pode prosperar eventual alegação no sentido de que estaria atuando na condição de procurador. De qualquer forma citamos, para ilustrar, a participação de Valdemiro Dal Rot assinando documentos como representante de outras pessoas jurídicas, com as quais alega não possuir qualquer vinculo. (VER TABELA FL. 89). E mais: As informações de remessa 24 da GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social relativas a cada uma das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal estão registradas em nome de um só responsável— Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. 0 nome da pessoa designada para contato é invariavelmente Valdemiro Da Rolt. Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 7 11 CONTRATAÇÃO DE SEGURO COLETIVO Em 02 de maio de 2007 o sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, através do seu administrador Waldemiro Da Rolt, celebrou com a Bradesco Vida e Previdência S/A contrato25 de seguro coletivo de pessoas com as seguintes coberturas: Morte, morte acidental, auxilio emergencial e inclusão de cônjuge. 0 grupo segurável abrange todos os funcionários, sócios, diretores e gerentes do estipulante — Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda e dos subestipulantes. Inusitadamente o sujeito passivo indicou como subestipulantes as seguintes pessoas jurídicas: Transportes Anva Ltda, Transportes Rodavan Ltda, RA Transportes Ltda ME, Ulis Transportes Ltda ME, RMG Transportes Ltda ME, Reforma de Carreta Da Rolt LtdaME, FJB Transportes Ltda ME e JCMF Transportes Ltda ME. Ou seja, as pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal que integradas de fato ao sujeito passivo, constituem a unicidade empresarial de Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. EXAMES ADMISSIONAIS Os atestados de saúde ocupacional abaixo discriminados, ilustram sobremaneira a unicidade do sujeito passivo. Embora os ASO's, relativos a exames admissionais e • demissionais sejam destinados a Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda, referemse a empregados com registros de contratualidade nas diversas pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. Ou seja, o sujeito passivo providencia os exames médicos, adota as providencias administrativas de praxe e distribui os empregados entre as diversas pessoas jurídicas, a fim de fragmentar a folha de pagamento, sonegando contribuições previdenciárias mediante obtenção indevida do tratamento tributário favorecido, instituído pela lei 9.317/96 — Lei do SIMPLES. CANDIDATURA A VÍNCULO DE EMPREGO Derradeiras demonstrações da unicidade empresarial do sujeito passivo podem ser verificadas nas informações prestadas (preenchimento obrigatório) pelos candidatos a emprego junto a empresa Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. MASSA SALARIAL X FATURAMENTO Quando examinada de forma isolada a empresa Irmãos Da Rolt apresenta uma evolução coerente, tanto da massa salarial quanto no número de empregados e respectivo faturamento. No conjunto, ou seja, quando se apresenta a empresa na sua real dimensão, é flagrante o contraste dos valores em comparação com as demais pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. Notese que, com exceção da pessoa jurídica Transportes e Reforma de Carretas Da Rolt ME, as demais não declaram qualquer faturamento. Com efeito, o próprio contador Pedro Rampinelli afirmou categoricamente que elas não emitem mesmo qualquer documento fiscal. Fato absurdo já que teriam, em tese, Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 que suportar com os encargos trabalhistas dentre os quais destacamse os salários (massa salarial) abaixo discriminados. Como poderiam tais empresas serem responsáveis pelo pagamento de salários e ao mesmo tempo declararem que não auferem qualquer tipo de receita? 0 emprego da simulação e da fraude produz situações inusitadas. Mesmo quanto a pessoa jurídica Transportes e • Reforma de Carretas Da Rolt Ltda ME se observa flagrante contradição na relação entre os valores com encargos da massa trabalhista, que superam os da receita declarada. CONCLUSÃO Repetese a partilha: Empregados e respectivos encargos para as optantes do SIMPLES e faturamento resguardado para o verdadeiro empregador. A constituição e a existência meramente formais das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal se destinam a: Servir de abrigo para registro da mão de obra e conseqüente encargo com a massa salarial, usufruindo indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido do sistema SIMPLES, e resguardar o faturamento para o verdadeiro empregador — Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. O que fica patente é que toda a movimentação de empregados ocorre dentro de uma • mesma empresa, ou seja, do sujeito passivo. Tratase de um só empreendimento, perseguindo a mesma atividade econômica com a utilização da mão de obra integrada na unicidade da empresa Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda. Não pode prosperar eventual alegação no sentido de que as pessoas jurídicas referidas atuam como "empresa terceirizada". A pratica da terceirização é comum no mundo moderno e no Brasil não poderia ser diferente. As empresas buscam através desta técnica administrativa maior produtividade; diminuição de custos; respostas rápidas as mudanças no mercado; foco no seu negócio; descentralização de decisões; entre outras vantagens. Desde que não constatada a fraude, a terceirização é manifestação de moderna técnica competitiva, e para tanto, deve atender aos preceitos legais vigentes em nosso pais. Foi observado anteriormente, no tópico dedicado as procurações, que o empresário Valdemiro Da Rolt estaria atuando em nome de supostas terceirizadas, o que representaria verdadeiro paradoxo, já que a finalidade precipua da terceirização é justamente o foco no seu próprio negócio. Além do mais, todos os requisitos do vinculo empregaticio são identificados na relação entre aqueles trabalhadores formalmente registrados nas pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, que realizam as atividades fins do sujeito passivo, mediante subordinação e de forma permanente. a) Pessoa física os serviços são prestados pelos próprios trabalhadores que foram treinados para as atividades de transporte rodoviário de cargas, que se constituem em atividades típicas do objetivo social do sujeito passivo. Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 8 13 b) Não eventualidade Os serviços prestados não são de natureza eventual eis que visam atender uma necessidade social permanente do sujeito passivo. c) Subordinação A própria natureza dos serviços e as condições em que são prestados não permitem garantir ao trabalhador a autonomia que afastaria o vinculo de subordinação ao sujeito passivo. Além do mais, a qualidade e o padrão dos trabalhos são definidos pelo sujeito passivo, responsável pelos seus serviços perante sua clientela. A subordinação se define independentemente da afirmação contrária das partes, ela se estabelece em função das próprias condições em que o trabalho é realizado. d) Remuneração — Ocorre com o correspondente pagamento dos salários. A existência meramente formal das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, não tem o condão de garantir a inexistência de vinculo empregaticio com o sujeito passivo. Não é suficiente para descaracterizar a relação de emprego, pois estão presentes os requisitos legais que estabelecem o vinculo. A constatação pela Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil de que determinados trabalhadores são empregados, não constitui invasão da Justiça do Trabalho. Mesmo porque a competência da Justiça do Trabalho consiste no julgamento de controvérsias entre empregados e empregadores decorrentes da relação de emprego, o que não se confunde com ato de fiscalização da Receita Federal do Brasil. É aplicável também o principio da primazia da realidade, que significa que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. É licito à Receita Federal do Brasil pesquisar a relação de trabalho para encontrar, na • sua verdadeira configuração, a relação de emprego e cobrar a contribuição legalmente devida, pois a cogência das normas de ordem pública impede que se adote regime jurídico apenas formalmente, para frustrar os objetivos nelas perseguidos, quando a prática da relação jurídica de direito material indica tratarse de relação de emprego. DAS PROCURAÇÕES Pesquisa realizada junto aos cartórios de Sombrio e Ararangud redundou em várias procurações outorgadas por pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal e por seus representantes contratuais, transferindo poderes ao Sr. Valdemiro Da Rolt, administrador do sujeito passivo. Os mandados versam sobre representações perante estabelecimentos bancários e para a completa gestão das empresas outorgantes. Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Os termos dos mandatos conforme amostragem abaixo, revelam a unicidade empresarial, onde o outorgado, representante legal do sujeito passivo, é o verdadeiro empregador.Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 10/09/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 11/09/2009. 14. PAGAMENTO POR FORA DE COMISSÕES SOBRE 0 VALOR DO FRETE Remunerar extrafolha os seus motoristas através de comissão de 10% (dez por cento) sobre o valor dos fretes realizados, é prática antiga do sujeito passivo. 0 fato é sobejamente noticiado nas reclamatórias trabalhistas e ratificado em diversos depoimentos prestados a auditoria fiscal. Tratase, infelizmente, de mecanismo perniciosamente incrustado no segmento de transportes de cargas, reconhecido pelos próprios profissionais que atuam no ramo. E pois, fato público e notório. Desta feita, entretanto, logramos êxito no desafio que imperava até então: A comprovação 410 material. Evidente que matéria relativa a remuneração extrafolha é eminentemente fáticoprobatória, posto que depende da comprovação ou não de pagamentos "por fora". No caso presente, a indigitada praxe fica comprovada a partir, principalmente, dos seguintes documentos abaixo descritos.Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 629 a 703. O recorrente anexou diversos documentos que entende pertinentes a comprovação do alegado, fl. 692 a 4588. a) Acerto de Contas Irmãos Da Rolt: Tratamse de relatórios que identificam os veículos e respectivos motoristas, data de saída e chegada da viagem. Contém ainda a discriminação das despesas (borracharia, agenciamento, outros serviços) e pedágios, valores de fretes e comissões (10% sobre o valor do frete). No final do extrato consta um campo destinado a assinatura do motorista que confirma o recebimento da comissão sobre o valor do frete. Conforme já reiteradamente manifestado ao longo do relatório, as comissões incidentes sobre o valor do frete, na aliquota de 10% (dez por cento) embora seja uma praxe do sujeito passivo já a muito tempo, são pagas em dinheiro e não figuram na folha de pagamento ou na contabilidade apresentadas a auditoria fiscal. Tratase de remuneração praticada por fora ou extrafolha, clássico exemplo de sonegação fiscal. para Controle de Viagens: Tratase de relatório juntado pelo motorista Antonio Claudino, apelido Tonhão, nos autos da reclamatória trabalhista n° 748/06 proposta contra RMG Transportes Ltda ME e Irmãos Da Roit Transportes, Importação e Exportação Ltda. 0 relatório destacase como importante elemento de prova. Intitulado Relatório para controle de Viagens Período de 01/12/2002 a 20/05/2003 — Laerte Da Rolt, foi emitido pelo próprio sujeito passivo Irmãos Da Rolt Transportes, Importação e Exportação Ltda no dia 19/05/2003 As 18:04 horas, através do Sistema de Controle de Frotas 2003 para o veiculo placa LXV8140, dirigido pelos motoristas Antonio Claudino (autor da demanda) e outro motorista de apelido Pedrão. 0 documento que contém mais de quinze colunas, revela minucioso controle das despesas e lucro incidentes sobre os Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 9 15 fretes realizados. No caso do relatório sob análise, para o valor total do frete no período — R$ 80.439,90, foi destacada uma comissão no valor total de R$ 7.353,03. Aliás, a prática ilegal de pagamento "por fora" de comissões sobre o valor dos fretes continua, conforme ficou demonstrado no extrato acostado a procedimento perante a Procuradoria do Trabalho em Criciúma, examinado anteriormente. DA BASE DE CÁLCULO DAS COMISSÕES – Diante do exposto, as bases de cálculo foram indiretamente aferidas a partir da receita mensal de prestação de serviços apurada com base nos conhecimentos de transportes (contas contábeis — 1170 a 1175 e 1185 — vendas de serviços de transportes) emitidos pelo sujeito passivo, deduzidas as despesas com selo pedágio (conta contábil 1635 selo pedágio) e fretes realizados por terceiros (conta contábil 1406 fretes e carretos de terceiros). Aos valores resultantes foi aplicada a aliquota de 10% (dez por cento) a titulo de comissão. 15. APURAÇÃO DO CRÉDITO — FATOS GERADORES LEVANTAMENTOS No auto de infração ora relatado, foram utilizados levantamentos, consoante quadro abaixo, tendo por fatos geradores: a) Levantamento SMP: Referente remunerações pagas aos segurados empregados do sujeito passivo, cujos valores foram apurados através das folhas de pagamentos confeccionadas em nome das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal, relativas ao período de janeiro/2006 a dezembro/2008, conforme em planilha anexa intitulada Demonstrativo do Salário de Contribuição, cujos valores mensais (totais) encontramse registrados no Discriminativo Analítico de Débito — DAD, que figura como anexo do lançamento. Levantamento COM: Relativo remunerações pagas por fora aos empregados do sujeito passivo, na função de motoristas, a titulo de comissões sobre o valor dos fretes realizados, cujos valores foram apurados através dos conhecimentos de frete, relativos ao período de janeiro/2006 a dezembro/2008, conforme Discriminativo Analítico de Débito — DAD, que figura como anexo do lançamento. 16. DOLO, SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO Já no primeiro contato com o sujeito passivo, na pessoa do sócio administrador Valdemiro Da RoIt, por ocasião da coleta das assinaturas nos Termos de Inicio do Procedimento Fiscal, constatouse o emprego de manobras a fim de encobrir a verdade dos fatos, revelada posteriormente no decorrer da ação fiscal. 0 representante do sujeito passivo em conluio com o contabilista buscou obstaculizar o exercício legal da atividade de fiscalização omitindo informações acerca da real configuração da sua empresa e do estreito relacionamento que mantinha com os sócios contratuais e das pessoas jurídicas abrangidas pelo procedimento fiscal. Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Foram apurados basicamente dois levantamentos: COM – COMISSÕES e SMP – FOLHA EMPRESAS ABRANGIDAS. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 10/09/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 11/09/2009. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 133 a 168. O recorrente anexou diversos documentos que entende pertinentes a comprovação do alegado, mais especificamente documentos GFIP que demonstram os recolhimento da contribuição de segurados descrita na presente AIOP nas demais pessoas jurídicas objeto da ação fiscal. A Decisão de 1 instância confirmou a procedência total do lançamento, fls. 2461 a 2474. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 2477 a 2517. Ao apreciar o recurso o CARF determinou a nulidade da Decisão de Primeira Instância, considerando a não apreciação de todos os argumentos pela autoridade julgadora de primeira instância, o que cerceia o direito de defesa do recorrente.Vejamos, a síntese do voto proferido, Acórdão 240102.224 de 19 de janeiro de 2012: Ao analisarmos os termos do recurso apresentado, que no caso em questão, digase reitera todos os argumentos apresentados na peça impugnatória, verificase que a decisão proferida, apesar de guardar consonância com o lançamento realizado, apreciando fatos quanto a simulação, acabou por julgar matéria diversa da contida na defesa, descrevendo em principio, inclusive que não houve por parte do contribuinte a impugnação expressa dos fatos geradores. Ao contrário do posicionamento adotado pela ilustre julgadora, entendo que houve por parte do impugnante o questionamento dos fato geradores lançados por aferição, bem como das contribuições dos segurados inicialmente registrados nas empresas que prestavam serviços na notificada, o que classificou a autoridade fiscal, como simulação. Ou seja, questionou o recorrente que as referida contribuições já haviam sido recolhidas pelas empresas que prestavam serviços a autuada, o que entendo não restou devidamente apreciado pela autoridade julgadora de 1 instância. Notese que o ponto central da referida decisão reportase a configuração da simulação, o que na peça impugnatória desse auto de infração não foi abordada. Após ter sido proferido nova Decisão foi intimado o recorrente dos seus termos, porém não houve a interposição de recurso. É o relatório. Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 10 17 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Conforme verificase do relatório deste voto, o presente processo foi objeto de apreciação por parte desse colegiado, quando restou decidido pela nulidade da decisão de primeira instância, face os argumentos apresentados pelo próprio recorrente de que seus argumentos não foram devidamente apreciados pelo julgador a quo. Vejamos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE NÃO CONHECIMENTO DAS QUESTÕES TRAZIDAS NA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DA DECISÃO DE 1 INSTÂNCIA. A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a questões de direito relacionadas ao procedimento fiscal realizado, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância. Ao deixar de apreciar o cerne do recurso apresentado, qual seja a identificação do sujeito passivo e dos argumentos de recolhimentos da parcela dos segurados pelas empresas interpostas a autoridade julgadora ensejou nulidade da decisão. Decisão de 1ª instância Anulada Às fls. 2558 e 2559, consta a intimação do recorrente dos termos da decisão acima citada, nos seguintes termos: “Comunicamos que o processo, em atendimento ao acórdão será encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis – DRJ/FNS, para novo julgamento.” Procedeu a autoridade de primeira instância novo julgamento, determinando a improcedência da impugnação, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AIOP DEBCAD no: 37.237.5952 DECISÃO ANULADA PELO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF. Fl. 2604DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Cabe proferir novo acórdão atinente a processo cuja decisão de primeira instância foi anulada pelo CARF. NÃO CONHECIMENTO DAS QUESTÕES TRAZIDAS NA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DA DECISÃO DE 1 INSTÂNCIA. A não apreciação das alegações do recorrente, quanto a questões de direito relacionadas ao procedimento fiscal realizado, importa cerceamento do direito de defesa, devendo ser declarada a nulidade da decisão de 1º instância. SIMULAÇÃO. EVASÃO FISCAL. A fiscalização atribuiu ao sujeito passivo as contribuições sociais que tiveram subsunção da hipótese de incidência ao fato material concretamente detectado. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ao proceder a decisão resta assim consignado no acórdão devidamente cientificado ao recorrente, fl. 2568 e 2583 Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para regularização do crédito mantido, no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Encaminhese à DRF de origem. Sala de Sessões em 20 de novembro de 2012 Conforme consta da cópia do AR constante dos autos, fl. 2584, houve a devida intimação do recorrente em 15/02/2013. Assim, a autoridade da DRFB proferiu despacho indicando a ausência de interposição de novo recurso e apenas retornando o processo para que fosse apreciado o proesso apensado: Tratase o presente de AIOP nº 37.237.5952, que teve a decisão de 1ª instância anulada pelo CARF/DF. Submetido a novo julgamento, foi proferido o Acórdão nº 0349726 (fls. 2567 a 2580), pela 5ª Turma da DRJ/Bsb, a qual manteve o crédito tributário, abrindose prazo para pagamento ou recurso. Fl. 2605DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13963.001001/200981 Acórdão n.º 2401003.523 S2C4T1 Fl. 11 19 2. O contribuinte tomou ciência do referido Acórdão em 15/02/2013 (fls 2584 a 2585) e, decorrido o prazo de 30 dias, não se manifestou a respeito, nem pagou/parcelou o crédito tributário. 3. Paralelamente, e em cumprimento à determinação de diligência do CARF/DF, foi anexado a este o processo nº 13963.001003/200971, referente AIOA nº 37.237.5910, por tratarse de assunto conexo. 4. Cumprida a diligência, proponho que os autos retornem ao CARF/DF para julgamento do recurso referente ao processo apensado. Face todos os fatos narrados entendo que a ausência de apresentação de novo recurso pelo recorrente enseja o não conhecimento de qualquer matéria por parte do colegiado em relação ao primeiro recurso já apreciado anteriormente e que determinou a nulidade da decisão de primeira instância. Conforme os termos do decreto 70235, art. 33 e seguintes caberá recurso da decisão proferida Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Art. 36. Da decisão de primeira instância não cabe pedido de reconsideração. Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nos termos da referida portaria 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o regulamento do CARF, compete aos órgãos julgadores o julgamento dos recursos de decisões proferidas em primeira instância. ANEXO II DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS COLEGIADOS (Vide Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Entendo que tendo sido proferida nova decisão, atendendo inclusive aos anseios do próprio contribuinte, oportunizandolhe a apreciação de todos os fatos trazidos em sua impugnação, a não apresentação de novo recurso, mesmo devidamente cientificado no Fl. 2606DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 próprio acórdão para tanto, torna incabível a apreciação de qualquer argumento por parte deste colegiado, considerando que deveria o recorrente insurgirse contra a nova decisão proferida. CONCLUSÃO Face as considerações acima descritas, VOTO POR NÃO CONHECER DO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 2607DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15504.014863/2009-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA
Integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica.
DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO.
Constitui-se infração deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação.
Numero da decisão: 2403-002.567
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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INCIDÊNCIA Integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO. Constituise infração deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 48 63 /2 00 9- 15 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0227.640 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DO SEGURADO. CONEXÃO. Constitui infração A legislação previdenciária, a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos apensados por conexão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 8' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação e procedente em parte do lançamento, retificando o valor da multa aplicada no Auto de Infração n°37.218.9156 para R$1.329,18. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de infração à Lei 8.212/91, artigo 30, inciso I, alínea 'a' e artigo 4° da Lei 10.666/03, tendo em vista que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto da remuneração, a contribuição de segurados empregados, conforme discriminado no Relatório Fiscal da Infração, fls. 25/27. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 28, a multa cabível está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e RPS, artigo 283, inciso I, alínea 'g', e o valor da multa aplicável corresponde a R$ 1.329,18. Contudo, ante a presença de circunstância agravante de reincidência genérica, a multa aplicada corresponde ao valor mínimo elevado em duas vezes, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 de acordo com o RPS, artigo 292, inciso IV, totalizando R$ 2.658,36. A ação fiscal teve inicio com o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal —TIPF de fls. 6/7. A interessada foi cientificada da presente autuação em 01/09/2009, conforme documento de fl. 1, e apresentou defesa, as fls. 76/85, que contém, em síntese: Quanto aos valores pagos a segurados empregados a titulo de participação nos lucros e resultados, a defesa apresenta os mesmos argumentos da defesa apresentada nos autos do processo principal 15504.014864/200951, DEBCAD 37.218.9164, lavrado na mesma ação fiscal, ao qual o presente processo está vinculado, cujo conteúdo foi relatado no Acórdão 0227.636, julgado conjuntamente com o presente processo, na mesma sessão de julgamento da 8a turma da DRJ/BHE. Alega ainda que não pode ser considerada reincidente, pois sobre a PLR não incidem contribuições previdenciárias. Requer a extinção do Auto de Infração. A DRJ afastou a circunstância agravante identificada quando do lançamento e reduziu a multa ao valor mínimo. Todavia, da análise dos autos (fls.19/24) e em pesquisa realizada ao sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, constata se que os autos de infração lavrados contra a empresa, em ações fiscais anteriores (AI n°37.025.7480 e 37.025.7499) transitaram em julgado em 13/08/2008, mas ambas autuações foram julgadas improcedentes. Assim, não há que se falar em circunstância agravante de reincidência. Portanto, a multa aplicada deve ser retificada para o valor mínimo (sem majoração), passando a mesma, à importância de R$1.329,18. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Não tem como prosperar o entendimento firmado pelo i. julgador a quo no sentido de que a participação nos lucros e resultados tenha que ser paga para todos os estabelecimentos da empresa na mesma forma e parâmetros, sendo vetado o pagamento da PLR para os funcionários de um único estabelecimento da empresa. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 4 5 · A lei não determina que a PLR tenha que ser paga para todos os empregados de todos os estabelecimentos da empresa. · A Lei 10.101/00, estipula que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante negociação direta com os empregados, formados em comissão, DELA CONSTANDO UM REPRESENTANTE DO SINDICATO da respectiva categoria ou mediante acordo coletivo. · O sistema sindical brasileiro prevê a representação dos empregados através de sindicatos com base territorial definida. · Se a empresa possui diversos estabelecimentos, ou seja, é "repartida" relativamente aos sindicatos com os quais interage, terá necessariamente, diversos acordo coletivos, alguns instituindo a distribuição de PLR, outros não, respeitando as particularidades de cada regido e de cada sindicato · A jurisprudência já é pacifica quanto a natureza não salarial da PLR quando esta é distribuída respeitandose o disposto no art.7°'XI da Constituição Federal e art. 2° da Lei 10.101/2000. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Segundo o Relatório Fiscal, a atuação foi motivada pelo fato de a empresa ter deixa do de arrecada, mediante desconto, a totalidade da contribuição dos segurados empregados. A rubrica PLR não foi tributadada. 1 0 presente Auto de Infração foi lavrado contra a empresa acima identificada, uma vez que a mesma deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados empregados, o que constitui infração ao artigo 4 0 , "caput", da Lei no 10.666/03, e artigo 30°, Inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 216, Inciso I, alínea "a", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, na redação do Decreto n° 4.729103. 2 A empresa remunerou segurados empregados, sem efetuar o desconto da contribuição previdenciária devida pelos mesmos em benefícios pagos ou creditados a titulo de Participação nos Lucros e/ou Resultados, constantes em folhas de pagamento no período de JANEIRO a DEZEMBRO DE 2005. 3 Os valores pagos aos empregados sem a realização do desconto correspondente à contribuição previdenciária encontramse relacionados no "Anexo I — Participação nos Lucros e Resultados", que se constitui parte integrante deste Relatório. A recorrente entende que seu proceder está correto e que não incide tributação sobre a PLR. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR GERAL A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando Fl. 264DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 5 7 concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 1912 2008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao Fl. 265DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 6 9 a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ Fl. 268DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 7 11 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. PLR CASO CONCRETO. A divergência entre a recorrente e o fisco é que a recorrente entende harmônico com a Lei 10.101/2000 a previsão do pagamento de PLR apenas para empregados de 1 estabelecimento e nada (nenhuma previsão) para os demais empregados da empresa, enquanto o fisco entende que para se harmonizar com a Lei 10.101/2000, devese prever PLR para toda a empresa. O relatório fiscal da obrigação principal apontou como fatos geradores das contribuições lançadas o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados, alegando que a PLR pago está em desacordo com a lei 10.101 de 19/12/2000, uma vez que o pagamento do beneficio ocorreu somente para empregados da filial de Ipatinga/MG. 2 A empresa omitiu da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social — GFIP os seguintes dados: 2.1 Benefícios pagos ou creditados a segurados empregados, constantes em folhas de pagamento no período de JANEIRO a DEZEMBRO DE 2005, a titulo de Participação nos Lucros e/ou Resultados. 2.2 Remunerações pagas a pessoas físicas, a titulo de serviços prestados na condição de autônomos no período de JANEIRO a DEZEMBRO DE 2005. 3 DETALHAMENTO DAS INFORMAÇÕES OMITIDAS 3.1 — Participação nos Lucros e/ou Resultados 3.1.1 Beneficio pago a empregados, a titulo de Participação nos Lucros e Resultados, constantes em folha de pagamento, em desacordo com a Lei 10.101, de 19/12/2000, uma vez que o pagamento do beneficio é pago somente a empregados da filial de Ipatinga/MG, conforme documento apresentado pelo contribuinte e que se encontra anexado ao processo principal — DEBCAD 37.218.9164 — protocolo 15504.014864/200951. 3.1.2 — 0 beneficio integra o salário de contribuição por não atender o disposto no § 9°, letra "j", do art. 28 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. ... Fl. 270DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 8 13 3.1.3 Portanto, estando em desacordo com a legislação, o beneficio se incorpora ao salário de contribuição dos empregados. 3.1.4 — A relação dos empregados com os respectivos valores do beneficio estão demonstrados no "Anexo I — Participação nos Lucros e Resultados". A recorrente alega que a lei não determina que a PLR tenha que ser paga para todos os empregados de todos os estabelecimentos da empresa e que seu procedimento está conforme a lei 10.101/2000, fora, portanto do alcance da tributação. Entendo correto o entendimento do fisco. Para fundamentar meu entendimento, reproduzo a Lei 10.101/2000, com suas alterações, para demonstrar que sempre se refere à “Empresa” e nunca a “Estabelecimento”. LEI No10.101, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000. Dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos doart. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 271DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. §3oNão se equipara a empresa, para os fins desta Lei: Ia pessoa física; IIa entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a)não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b)aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c)destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d)mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4oQuando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1odeste artigo:(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) I a empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação;(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) II não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 9 15 § 2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) §3oTodos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4oA periodicidade semestral mínima referida no § 2opoderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5oAs participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual.(Redação dada pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 6º Para efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada, com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 7º Na hipótese de pagamento de mais de uma parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no ano calendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 8º Os rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 9º Considerase pagamento acumulado, para fins do § 8º, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um Fl. 273DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 anocalendário. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais rendimentos.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 6oPara efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 7oNa hipótese de pagamento de mais de 1 (uma) parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no anocalendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 8oOs rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 9oConsiderase pagamento acumulado, para fins do § 8o, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um anocalendário.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 10 17 rendimentos.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 11. A partir do anocalendário de 2014, inclusive, os valores da tabela progressiva anual constante do Anexo serão reajustados no mesmo percentual de reajuste da Tabela Progressiva Mensal do imposto de renda incidente sobre os rendimentos das pessoas físicas.(Incluído dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) Art.4oCaso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: Imediação; IIarbitragem de ofertas finais. II arbitragem de ofertas finais, utilizandose, no que couber, os termos daLei no9.307, de 23 de setembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) §1oConsiderase arbitragem de ofertas finais aquela em que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2oO mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3oFirmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4oO laudo arbitral terá força normativa, independentemente de homologação judicial. Art.5oA participação de que trata o art. 1odesta Lei, relativamente aos trabalhadores em empresas estatais, observará diretrizes específicas fixadas pelo Poder Executivo. Parágrafoúnico.Consideramse empresas estatais as empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas e demais empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto. Art.6oFica autorizado, a partir de 9 de novembro de 1997, o trabalho aos domingos no comércio varejista em geral, observado o art. 30, inciso I, da Constituição. Parágrafo único.O repouso semanal remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de quatro semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras previstas em acordo ou convenção coletiva. Art.6oFica autorizado o trabalho aos domingos nas atividades do comércio em geral,observada a legislação municipal, nos termos do art. 30, inciso I, da Constituição.(Redação dada pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Parágrafoúnico.O repouso semanal Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de três semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras a serem estipuladas em negociação coletiva.(Redação dada pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Art.6oFica autorizado o trabalho aos domingos nas atividades do comércio em geral,observada a legislação municipal, nos termos doart. 30, inciso I, da Constituição.(Redação dada pela Lei nº 11.603, de 2007) Parágrafoúnico.O repouso semanal remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de três semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras a serem estipuladas em negociação coletiva.(Redação dada pela Lei nº 11.603, de 2007) Art.6oA.É permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho eobservada a legislação municipal, nos termos doart. 30, inciso I, da Constituição.(Incluído pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Art.6oA.É permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho eobservada a legislação municipal, nos termos doart. 30, inciso I, da Constituição.(Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007) Art.6oB.As infrações ao disposto nos arts. 6oe 6oA desta Lei serão punidas com a multa prevista noart. 75 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo DecretoLei no5.452, de 1ode maio de 1943.(Incluído pela Medida Provisória nº 388, de 2007)Parágrafoúnico.O processo de fiscalização, de autuação e de imposição de multas regerseá pelo disposto noTítulo VII da Consolidação das Leis do Trabalho.(Incluído pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Art.6oB.As infrações ao disposto nos arts. 6oe 6oA desta Lei serão punidas com a multa prevista noart. 75 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo DecretoLei no5.452, de 1ode maio de 1943.(Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007) Parágrafoúnico.O processo de fiscalização, de autuação e de imposição de multas regerseá pelo disposto noTítulo VII da Consolidação das Leis do Trabalho.(Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007) Art.7oFicam convalidados os atos praticados com base naMedida Provisória no1.98276, de 26 de outubro de 2000. Art.8oEsta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Congresso Nacional, em 19 de dezembro de 2000; 179oda Independência e 112oda República. Senador ANTONIO CARLOS MAGALHÃESPresidente Este texto não substitui o publicado no DOU de 20.12.2000 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 11 19 Uma vez considerado o procedimento da empresa em desarmonia com a Lei 10.101/2000, devese considerar procedente o lançamento. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 277DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.010914/00-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2000
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3101-001.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator.
EDITADO EM: 26/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 26/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 09 14 /0 0- 87 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4a. Turma da DRJ em Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra ato de não homologação de compensações pleiteadas nos autos. Pelo Despacho Decisório n°645/2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA, indeferiu o direito de compensação de débitos declarados com direito creditório relativo a contribuição para o PIS/PASEP proveniente da Ação Ordinária 1997.33.5810, na qual se discute o direito ao reconhecimento de indébito de PIS recolhido com base nos Decretoslei n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, uma vez que este mesmo crédito já tinha sido objeto de análise no processo administrativo n°10580.000290/0017, Despacho Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, para indeferilo, em razão da identidade entre os créditos pleiteados nas esferas judicial e administrativa, tendo o contribuinte optado em prosseguir com a execução. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a empresa alegou que em virtude da revogação dos efeitos suspensivos relativos aos débitos do PAF ora discutido, com impedimento à emissão de CND, ingressou com medida liminar através do processo n° 2002.33.00.0232244, na 1a. Vara da Justiça Federal, com objetivo de restaurar a suspensão, tendo sido concedida a segurança, mas cuja medida judicial o órgão de origem insiste em contrariar. No voto proferido a Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito e consignou que a partir de janeiro de 2001, passou a ser vedada a compensação de tributo objeto de discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva ação e os eventuais encontros de contas baseados em ação judicial a partir de então deveriam aguardar o desfecho da lide. Explicou que o contribuinte ingressou com o PAF n° 10580.000290/0017 visando a restituição dos valores do PIS pagos a maior tendo sido indeferido o direito pleiteado mediante o Despacho Decisório DRF/SDR n° 573, de 07/11/2008, uma vez que ficou constatada a identidade entre o crédito nas esferas judicial e administrativa, e que o contribuinte optou em prosseguir com a execução, conforme Laudo Pericial da Primeira Vara da Seção Judiciária do Estado da Bahia, na ação constante dos auto n°1997.33.5810. Nessas condições não poderia, por via obliqua, obter outro provimento jurisdicional, dado o risco de tornarse detentor de dois títulos executivos, na esfera judicial, a execução, e no processo administrativo, a restituição e compensações a esta vinculada, fato que foi levado em consideração na apreciação do processo n°10580.000290/0017, para indeferilo, sendo vedado ao interessado utilizar novamente os créditos para compensação administrativa após ter obtido judicialmente o direito à repetição dos valores pagos a maior. Notificada da decisão, em 05/02/2010, apresentou a interessada, em 09/03/2010, recurso voluntário, no qual alega que o crédito pleiteado na esfera administrativa difere consideravelmente do crédito pleiteado na ação judicial e que, para evitar possíveis prejuízos futuros, não poderia desistir da ação judicial. Discorre a respeito do princípio da irretroatividade da lei, da constitucionalidade e da verdade material para concluir que restaria comprovada a regularidade das compensações efetuadas. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10580.010914/0087 Acórdão n.º 3101001.665 S3C1T1 Fl. 4 3 Ao final, pede pelo provimento do recurso voluntário com a homologação integral das compensações formalizadas. Os autos foram encaminhados inicialmente a Primeira Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF que, em sessão de julgamento de 9 de julho de 2013, declinou a competência em favor da Terceira Seção. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator Tratase de pedido de compensação pelo qual pretende, a recorrente, o reconhecimento de direito creditório a título de pagamento indevido de PIS recolhido com base nos Decretos 2.445 e 2.449, de 1988. Como o alegado direito creditório é proveniente de decisão judicial, importanos examinar o teor da ação ajuizada pela Recorrente e seus efeitos. É incontroverso que a recorrente ajuizou uma ação ordinária, autos nº 1997.33.5810, junto à 1ª Vara Cível Federal de Salvador objetivando o reconhecimento de seu direito à restituição e posterior compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS, nos termos dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas do próprio PIS. A ação judicial já transitou em julgado e encontrase em fase de liquidação de sentença. Não restam dúvidas que o objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo: a restituição e a compensação de valores recolhidos indevidamente da contribuição PIS em face da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. É ponto pacífico que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Como o contribuinte preferiu prosseguir com a execução, prejudicado ficou seu requerimento administrativo. Isso porque a coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera Fl. 179DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por estar caracterizada a coincidência entre a matéria recursal e o objeto da ação judicial.. Sala das sessões, em 28 de maio de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 10945.001782/2008-53
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007, 2008
OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE
ATIVIDADE. PRODUÇÃO DE EFEITOS.
A opção pelo Simples Nacional efetuada por empresa em início de atividade com data de abertura constante do CNPJ anterior a 01/01/2008 produz efeitos apenas a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal.
Numero da decisão: 1802-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007, 2008 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A opção pelo Simples Nacional efetuada por empresa em início de atividade com data de abertura constante do CNPJ anterior a 01/01/2008 produz efeitos apenas a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal.
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Recorrente ÓTICA FOX LTDA – ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A opção pelo Simples Nacional efetuada por empresa em início de atividade com data de abertura constante do CNPJ anterior a 01/01/2008 produz efeitos apenas a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 17 82 /2 00 8- 53 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10945.001782/200853 Acórdão n.º 1802002.218 S1‐TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso contra decisão da autoridade fiscal, que indeferiu pedido de inclusão no Simples Nacional com data retroativa à constituição da interessada. A recorrente teve sua solicitação de opção pelo Simples Nacional deferida com efeitos a partir de 17/03/2008 e apresentou pedido solicitando que fosse deferida sua inclusão no regime com efeito retroativo à data de constituição da empresa, ocorrida em 05/10/2007. 0 pedido da interessada foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal de Foz do Iguaçu, sob o argumento de que a inclusão da empresa no Simples Nacional com efeitos a partir de 17/03/2008 foi feita conforme o disposto na alínea "a", inciso V, § 30, art. 7°, da Resolução CGSN no 4/2007 (v. Informação Fiscal e do Despacho Decisório de fls. 45 a 47). Da Impugnação Inconformada com o indeferimento, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade acompanhada de documentos, com as seguinte alegações: Alega que a empresa obteve CNPJ em outubro/2007 e teve sua inscrição estadual expedida em novembro/2007, mas não teve a mesma agilidade na obtenção do alvará municipal, o qual, embora solicitado em outubro/2007, só foi expedido em 17/03/2008. Afirma desconhecer o motivo pelo qual a Receita Federal, em vez de enquadrar a empresa no Simples Nacional desde a data da constituição da empresa, incluiua apenas a partir de março/2008, o que a impediu de apresentar a Declaração Anual do Simples Nacional DAS referente ao Exercício 2008, AnoCalendário 2007. Assevera que diante da circunstância acima relatada, a empresa poderá ser prejudicada em suas atividades normais, por estar se apresentando ao fisco em situação de irregularidade, por não ter apresentado no prazo legal a sua DAS 2008, o que acarretará o não fornecimento de certidões negativas para fins de participação em licitações públicas, obtenção de financiamentos, além de outras situações indesejáveis e danosas ao seu empreendimento, tais como a própria multa por atraso na entrega da referida declaração. Discorre sobre as normas constitucionais que determinam tratamento jurídico diferenciado e favorecido às microempresas e empresas de pequeno porte e sugere que o poder público repense sua ação e sua postura, pois ao invés de simplificar e agilizar a legalização das empresas, o país continua criando e aplicando leis e sistemas que nada contribuem nesse aspecto. Afirma que os que mais sofrem com esse inadequado e arcaico sistema são os pequenos empreendedores, que com poucos recursos financeiros têm de pagar aluguéis e outras despesas préoperacionais até que o poder público lhe dê autorização para início de suas Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10945.001782/200853 Acórdão n.º 1802002.218 S1‐TE02 Fl. 4 3 atividades regulares, o que lhe retira o ânimo de continuar investindo e criando oportunidades de trabalho. Requer, ao final, o deferimento de sua inclusão no Simples Nacional com efeito retroativo à data de sua constituição, ocorrida no mês de outubro de 2007, com a consequente permissão da entrega da DAS 2008 fora do prazo legal e sem nenhuma penalidade. Do Acórdão Em sessão de 22 de julho de 2011, a 7ª Turma da DRJ/CTA proferiu o Acórdão n.°0632.792, o qual indeferiu o pleito da recorrente, nos seguintes termos: Segundo a DRJ, a forma, o prazo e a produção de efeitos da opção das empresas em inicio de atividade pelo Simples Nacional foi disciplinada pelo Comitê Gestor do Simples Nacional, por meio da Resolução n° 4, de 30/05/2007 (art. 7 0, § 30, V): Art. 7° A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (.) 3° No caso de inicio de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do tiltimo deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; V a opção produzirá efeitos: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 10 de janeiro de 2008, desde a respectiva data de abertura, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP nos cadastros estadual e municipal, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n°29, de 21 de janeiro de 2008) Nos termos da norma transcrita, resta claro que para as empresas em inicio de atividade com data de abertura constante do CNPJ até 31/12/2007 a opção pelo Simples Nacional produz efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, exatamente esse o caso da interessada, cuja data de abertura constante do CNPJ é 05/10/2007, ou seja, anterior a 01/01/2008. Nessa situação, não há que se falar em efeito retroativo à data de constituição da pessoa jurídica, devendo a opção pelo Simples Nacional produzir efeitos tãosomente a partir da data do último deferimento de inscrição. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10945.001782/200853 Acórdão n.º 1802002.218 S1‐TE02 Fl. 5 4 Como o último deferimento de inscrição da empresa foi obtido em 17/03/2008 (Alvará da Prefeitura Municipal, fls. 09), mostrase correta a inclusão da interessada no Simples Nacional com efeitos somente a partir dessa data. De se ressaltar que o Comité Gestor do Simples Nacional (CGSN) tem competência para regulamentar a opção pelo Simples Nacional, conforme previsão expressa contida no § 6° do art. 2° e no art. 16 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006 (lei que instituiu o Simples Nacional). Portanto, as normas acima referidas foram editadas pelo órgão competente e por isso devem ser estritamente observadas por esta Turma de Julgamento, nos termos do disposto no artigo 116, III, da Lei 8.112/90 (estatuto dos servidores públicos civis da Unido), e no artigo 7° da Portaria MF no 341, de 12/07/2011 (que atualmente disciplina o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento — DRJ). A DRJ entendeu que a inconformidade manifestada pela empresa interessada não tem amparo em nenhum ato normativo específico relativo à sistemática do Simples Nacional. Suas alegações representam apenas críticas e sugestões de alterações relativos às normas e práticas vigentes, o que está fora do alcance e do objetivo do presente processo administrativo fiscal. Na verdade, o que se deve discutir e analisar no presente processo administrativo é a veracidade dos fatos que originaram a edição do ato administrativo impugnado, bem como a validade do referido ato em face da legislação aplicável. E no presente caso, conforme já demonstrado, a inclusão da pessoa jurídica interessada no Simples Nacional com efeitos somente a partir de 17/03/2008 está em plena consonância com os fatos demonstrados nos autos e com as normas aplicáveis à matéria. Portanto, votou a DRJ no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Do Recurso Voluntário Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual reiterou os termos do quanto alegado em sua Manifestação de Inconformidade e requereu o deferimento de seu pedido de reinclusão no SUPER SIMPLES NACIONAL retroativo ao mês de sua constituição, ocorrida em outubro de 2007, e lhe permita a entrega do DAS/2008, fora do prazo legal, sem nenhuma penalidade. Esse o relatório. Passo ao Voto. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10945.001782/200853 Acórdão n.º 1802002.218 S1‐TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro: Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 02/09/2011 e o Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente, em 29/09/2011. Sendo tempestivo e dotado dos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Do Mérito Tratase de recurso contra o acórdão 0632.792, da 2ª Turma DRJ/CTA, proferido em 22/09/2011, que manteve o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional com data retroativa à constituição da interessada. A recorrente teve sua solicitação de opção pelo Simples Nacional deferida com efeitos a partir de 17/03/2008 e apresentou pedido solicitando que fosse deferida sua inclusão no regime com efeito retroativo à data de constituição da empresa, ocorrida em 05/10/2007. Referido pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal de Foz do Iguaçu, sob o argumento de que a inclusão da empresa no Simples Nacional com efeitos a partir de 17/03/2008 foi feita conforme o disposto na alínea "a", inciso V, § 30, art. 7°, da Resolução CGSN no 4/2007. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, entre outros, o fato de ter obtido CNPJ em outubro/2007 e inscrição estadual em novembro/2007, mas não teve a mesma agilidade na obtenção do alvará municipal, o qual, embora solicitado em outubro/2007, só foi expedido em 17/03/2008, sendo esse o motivo do indeferimento de seu pleito. Discorre também sobre as normas constitucionais que determinam tratamento jurídico diferenciado e favorecido às microempresas e empresas de pequeno porte, e reitera seu pedido de inclusão no Simples Nacional com efeito retroativo à data de sua constituição, ocorrida no mês de outubro de 2007. Em sessão de 22 de julho de 2011, a 7ª Turma da DRJ/CTA proferiu o Acórdão n° 0632.792, o qual indeferiu novamente o pleito da recorrente, alegando serem rígidas as normas de inclusão no Simples Nacional, quanto à formalização dos atos, não comportando interpretações elásticas. De fato, a Resolução nº 4, de 30/05/2007, do Comitê Gestor do Simples Nacional, tem a seguinte redação: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10945.001782/200853 Acórdão n.º 1802002.218 S1‐TE02 Fl. 7 6 Art. 7° A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (.) 3° No caso de inicio de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do tiltimo deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; V a opção produzirá efeitos: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 10 de janeiro de 2008, desde a respectiva data de abertura, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP nos cadastros estadual e municipal, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n°29, de 21 de janeiro de 2008) O Comité Gestor do Simples Nacional (CGSN) tem competência para regulamentar a opção pelo Simples Nacional, conforme previsão expressa contida no § 6° do art. 2° e no art. 16 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006 (lei que instituiu o Simples Nacional). Portanto, as normas acima referidas foram editadas pelo órgão competente e por isso devem ser estritamente observadas por esta casa. A norma é clara no sentido de que para as empresas em início de atividade com data de abertura constante do CNPJ até 31/12/2007, a opção pelo Simples Nacional produz efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, sendo esse justamente o caso da Recorrente, cuja data de abertura constante do CNPJ é 05/10/2007, ou seja, anterior a 01/01/2008. É forçoso reconhecer que no presente caso, não há que se falar em efeito retroativo à data de constituição da pessoa jurídica, devendo a opção pelo Simples Nacional produzir efeitos tãosomente a partir da data do último deferimento de inscrição. Como o último deferimento de inscrição da empresa foi obtido em 17/03/2008 (Alvará da Prefeitura Municipal, fls. 09), mostrase correta a inclusão da interessada no Simples Nacional com efeitos somente a partir dessa data. Entendo, assim como entendeu a DRJ, que a inconformidade manifestada pela empresa interessada não tem amparo em nenhum ato normativo específico relativo à sistemática do Simples Nacional, representando apenas críticas e sugestões de alterações relativos às normas e práticas vigentes, o que está fora do alcance e do objetivo do presente processo administrativo fiscal. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10945.001782/200853 Acórdão n.º 1802002.218 S1‐TE02 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto pelo não provimento do Recurso. Esse o meu voto. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902680/2012-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 3803-006.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 26 80 /2 01 2- 31 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902680/201231 Acórdão n.º 3803006.255 S3TE03 Fl. 108 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação em 1º de junho de 2012, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 126.766,17, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação, com o seguinte argumento: “Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período.” Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 14 de outubro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 31 do mesmo mês e requereu prorrogação do prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório, alegando que o seu departamento fiscal não enviara as declarações retificadoras, sendo essa a razão da existência do presente passivo tributário. É o relatório. Voto Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902680/201231 Acórdão n.º 3803006.255 S3TE03 Fl. 109 3 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir identificados. Diante do acima relatado, constatase que o Recorrente, nesta fase recursal, altera totalmente o seu pedido, não mais pleiteando a homologação da compensação devidamente declarada, conforme fizera na Manifestação de Inconformidade, mas requerendo a dilação de prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório e para produção de provas, em razão de equívoco cometido por seu departamento fiscal, que não providenciara a retificação das DCTFs do período. Notese que a afirmativa do Recorrente de que necessita de mais prazo para apurar adequadamente o efetivo direito creditório denota, inequivocamente, que as informações constantes da Declaração de Compensação foram repassadas de forma inadvertida, sem lastro na escrituração contábilfiscal, pois, do contrário, nada haveria a ser apurado, mas apenas informado no bojo deste processo. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902680/201231 Acórdão n.º 3803006.255 S3TE03 Fl. 110 4 possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo a inovação ser afastada por se referir a matéria não exposta no momento processual devido. Além disso, mesmo que preclusão não houvesse, o interessado não trouxe aos autos nem mesmo um início de prova, tendo a instrução se dado apenas com documentos societários, nada tendo sido dito acerca da natureza do indébito utilizado em compensação. Não se pode perder de vista que a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988) ou o dever de comprovação dos fatos alegados (art. 16, inciso III, e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), não cabendo no Processo Administrativo Fiscal (PAF) a requisição de prorrogação de prazos fixados na legislação processual tributária. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19723, que regula o PAF, aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. 3 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902680/201231 Acórdão n.º 3803006.255 S3TE03 Fl. 111 5 Nesse contexto, por inovação dos argumentos de defesa, associada à ausência de qualquer elemento de prova do crédito reclamado, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11634.000325/2010-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/10/2009
PREVIDENCIÁRIO. FALTA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
O lançamento deve conter os requisitos constantes no art. 142 do CTN. A falta do MPF não constitui causa de nulidade do Auto de Infração.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos da Súmula nº 28 do CARF.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA QUE ATESTE A LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS.
Uma vez que a empresa não apresenta documento probatório da legitimidade dos créditos objetos dos pedidos de compensação, não há que se falar em direito creditório a ser reconhecido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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FALTA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O lançamento deve conter os requisitos constantes no art. 142 do CTN. A falta do MPF não constitui causa de nulidade do Auto de Infração. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos da Súmula nº 28 do CARF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA QUE ATESTE A LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS. Uma vez que a empresa não apresenta documento probatório da legitimidade dos créditos objetos dos pedidos de compensação, não há que se falar em direito creditório a ser reconhecido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 03 25 /2 01 0- 32 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000325/201032 Acórdão n.º 2403002.475 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, DEBCAD nº 37.272.8685, lavrado em 06/04/2010 (fl. 3 da numeração digital), cuja notificação ocorreu em 15/04/2010 (fl. 75 da numeração digital), em face da ASSOCIAÇÃO DOS DEFICIENTES FÍSICOS DE LONDRINA – ADEFIL, no valor de R$ 132.819,52 (cento e trinta e dois mil, oitocentos e dezenove reais e cinquenta e dois centavos), para constituição do crédito tributário relativo a glosa de compensações de supostos recolhimentos indevidos com as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à Recorrente, no período compreendido entre 05/2006 a 10/2009. Segundo o Relatório Fiscal de Infração de fls. 16/18, in verbis: “INTRODUÇÃO 1. O presente relatório é parte integrante do AUTO DE INFRAÇÃO AI com o número acima indicado. O mencionado AI tem por finalidade apurar e constituir os créditos relativos às glosas de compensação efetuadas, são provenientes de compensações declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. (...) FATO GERADOR 3. A entidade não apresentou a documentação solicitada através do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal, datados de 08/12/09 e 16/03/10; 4. A partir da competência 05/2006 o contribuinte declarou compensações em GFIP, como não houve entrega da documentação solicitada, não foi possível confirmar a regularidade dessas compensações. 5. Diante disso, efetuamos a glosa das compensações com base nos valores declarados pelo contribuinte em GFIP. 6. Os valores das compensações estão demonstrados através das GFIPs anexas ao presente levantamento.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 81/109. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaPR, por meio da 5a Turma da DRJ/CTA, prolatou o Fl. 235DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Acórdão n° 0633.360 de fls. 191/205, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/10/2009 AIOP 37.272.8685 IMUNIDADE. DISCUSSÃO INCABÍVEL EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL DE GLOSAS DE COMPENSAÇÕES Tratando os autos de lançamento de glosas de compensações, cujo direito não restou demonstrado pelo contribuinte, descabe examinar nesse processo as alegações produzidas acerca dos requisitos pertinentes à imunidade tributária da impugnante. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, cuja emissão é feita de forma exclusivamente eletrônica, ficando disponível na internet para consulta pelo sujeito passivo. Não é nulo o procedimento fiscal amparado por MPF válido, cuja ciência foi dada ao sujeito passivo por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal. MOTIVAÇÃO DAS GLOSAS A renitência do contribuinte no cumprimento de sua obrigação tributária acessória, concretizada na falta de apresentação da documentação necessária ao exame das compensações, de modo a impossibilitar à autoridade fiscal aferir a existência do crédito favorável ao sujeito passivo, constitui motivação para as glosas dessas compensações. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Não compete ao julgador administrativo de primeira instância reconhecer ou declarar a legalidade ou ilegalidade nem a improcedência da Representação Fiscal para Fins Penais instaurada em face do sujeito passivo. RETRATAÇÃO FISCAL Não compete à autoridade julgadora nem às Turmas de Julgamento impor à Auditora Fiscal autuante qualquer retratação em decorrência de informações prestadas no curso do procedimento fiscal ou no auto de infração resultante desse procedimento. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. OPORTUNIDADE. Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. Precluso o direito, devese indeferir o pedido genérico de apresentação de provas. PROVA TESTEMUNHAL Fl. 236DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000325/201032 Acórdão n.º 2403002.475 S2C4T3 Fl. 4 5 Prescinde da apresentação de prova testemunhal quando o deslinde da questão, em processo administrativo fiscal, depender exclusivamente da prova documental. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 209/223, com os seguintes argumentos, em suma: I. Pelo Mérito – Inconsistência e Ilegalidade da Apreciação e Decisão no Acórdão Recorrido Segundo a Recorrente, o relatório da DRJ foi omisso e evasivo, descontextualizando a sua impugnação. O relatório busca dar uma nova interpretação à sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança que reconheceu a imunidade a partir de novembro de 2002, supondo que caberia à AFTN e também à DRJ o “julgamento” do direito da Recorrente à imunidade, mesmo ela tendo sido declarada pelo Sr. Delegado da RFB em Londrina (fl. 120). I.I. Quanto à impossibilidade de discussão de imunidade em processo de compensação e à suposta ausência de comprovação do direito da Recorrente à Imunidade Para a Recorrente, o Relator elaborou uma tese equivocada para averiguar a inexistência do direito da Recorrente à imunidade, assim como afirmou ser incabível a discussão da imunidade em procedimento que aprecia a compensação. Para a Recorrente, essa argumentação deve ser rechaçada, pois é equivocada e ofende o devido processo legal. Isso porque o AI em tela foi lavrado num contexto de um MPF ilegal, que ignorou a imunidade tributária da Recorrente e determinando ilegal procedimento fiscal, tendente a constituir o crédito tributário sobre todas as supostas obrigações relativas às contribuições previdenciárias. A Recorrente destaca que o período de apuração constante no AI em tela está totalmente coberto e respaldado pelo Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina, que analisou todos os requisitos da Lei para expedir tal documento em favor da Recorrente e atestou estarem satisfeitos. No AI atacado, a AFRFB ignorou o Ato Declaratório do seu superior hierárquico que reconheceu a imunidade da Recorrente. Para a Recorrente, a AFRFB excedeu, ilegal e arbitrariamente a limitação do seu poder de tributar garantida pela imunidade constitucional que possui a Recorrente, ignorando os procedimentos legais aplicáveis, agindo em completo abuso de autoridade e poder. Assim como o Sr. Relator que “extrapolou a sua competência e buscou navegar fora dos limites de sua jurisdição, adentrando, inclusive, em terreno completamente hostil à sua atuação e cognição, que jamais pode ser subjetiva.” Fl. 237DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Pelas razões acima, a Recorrente entende que a fundamentação de que ela não cumpriu as obrigações previstas nos arts. 32 e 33 da Lei nº 8.212/91 devem ser repelidas. Pois, ninguém é obrigado a cumprir uma ordem manifestamente ilegal, que fere os direitos e garantias individuais constitucionalmente assegurados. O MPF não se assemelha ao que a CF denomina “devido processo legal”. O MPF foi lavrado ao arrepio do Ato Declaratório de fls. 76 e a imunidade ali conferida impede a sua expedição com o escopo que foi relatado no seu objeto. A Recorrente, verificando a arbitrariedade e nulidade do MPF, que apontava a sua total desconformidade com o devido processo legal, agindo em seu direito constitucionalmente garantido, informou à AFRFB a irregularidade e se negou a dar validade àquele procedimento. I.II. MPF – Nulidade pela ausência de juntada Sustenta a Recorrente que o entendimento do Sr. Relator, no sentido de que a juntada do MPF é dispensável, é equivocado e corporativista, pois tem a clara intenção de acobertar o erro grosseiro da Sra. AFRFB. A Recorrente alega que o MPF passou a ser indispensável por força da disposição contida no art. 2º do Decreto nº 3.724/01, que regulamentou a LC nº 105, com as alterações do Decreto nº 6.104/07. Tanto que a Portaria RFB nº 11.371/07, invocada pelo Sr, Relator na sua fundamentação, atribui a validade do MPF ao válido e vigente Procedimento Fiscal, acarretando a sua extinção se não for requerida a prorrogação do MPF, nos termos dos arts. 11 a 15 da referida norma. O MPF é o ato que autoriza e dimensiona a instauração do processo administrativo fiscal. Sem ele o processo fiscal é nulo, por ausência de legalidade, nos termos da LC nº 105, combinada com os Decretos nºs 70.235/72 e 3.724/01. Sendo o § 1º do art. 2º do Decreto nº 3.24/01 que atribuiu ao MPF o ato que demarca o termo inicial do procedimento fiscal que trata o art. 7º do Decreto nº 70,235/72. Daí a obrigatoriedade da sua juntada aos autos como requisito de validade do processo fiscal, nos termos do art. 8º do Decreto nº 70.235/72. Não há no âmbito do direito brasileiro a possibilidade de haver dois processos distintos e paralelos sobre os mesmos fatos, ainda mais sendo um virtual e outro físico, como equivocadamente afirma o Sr. Relator. Essa impossibilidade emana dos princípios da segurança jurídica e do devido processo legal. I.III. Quanto à motivação das glosas A Recorrente sustenta que com o reconhecimento definitivo da imunidade, passou a retificar as respectivas GFIP, encontrando uma série de dificuldades operacionais, posto que o sistema da RFB é muito burocrático e engessado também nesse aspecto. Entretanto, a dificuldade administrativa operacional não extingue seu crédito e, muito menos, o seu direito de ver compensado valores recolhidos indevidamente à época. Para a Recorrente, a simples alegação de inexistência de entrega de comprovantes de pagamento não pode dar sustentação à glosa como pretendeu a Sra. AFRFB, posto que materializa apropriação indébita ou enriquecimento sem causa da União. I.IV. Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais e Inconsistência (falsidade) da narrativa fática Fl. 238DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000325/201032 Acórdão n.º 2403002.475 S2C4T3 Fl. 5 7 A Recorrente se insurge em face da não apreciação do mérito da representação para fins penais, sob o argumento de que o Sr. Relator “abordou o tema de maneira totalmente equivocada e corporativa.” Segundo a Recorrente, não se verifica no contexto do procedimento fiscal, decorrente do MPF nº 09.1.02.002009017144, de 02/12/2009, a configuração de quaisquer das figuras dos arts. 168A ou 337A do Código Penal, muito menos a obrigatoriedade da Recorrente de apurar e recolher os tributos ali fiscalizados. Logo, se a Sra. AFRFB pratica ato que não contém os pressupostos legais, cabe à autoridade superior administrativa analisar, julgar a anular o ato ilegal. A Recorrente sustenta que o Sr. Relator se equivocou ao negar validade ao Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina para dizer que o sistema CONFILAM é soberano e infalível, com poder para desconstituir qualquer ato específico praticado por um delegado da RFB. Para a Recorrente, da mesma forma que a DRJ se julgou incompetente para analisar eventuais falsidades praticadas por Autoridades Fiscais, julgouse competente para desenvolver atividade típica judicial, quando decretou que a sentença de mérito obtida do Mandado de Segurança e o Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina, perderam as validades em 18/10/2005. Por esses motivos, entende que o AI deve ser anulado. I.V. Quanto à multa Sustenta a Recorrente que, neste tópico, o Sr. Relator condensou seu julgamento dos tópicos III.V e III.IV da impugnação. Para a Recorrente, os tópicos III.V e III.IV referemse à inconsistência da multa e a nulidade de seu agravamento. Para a Recorrente, o Sr. Relator sustentou que as multas aplicadas são legais e não sofreram agravamento. Sendo, portanto, arbitrário, vez que não considerou corretamente os fundamentos da impugnação. O art. 89 da Lei nº 8.212/91 não institui a multa aplicada, pois a única hipótese de aplicação da citada multa ocorre quando houver dolo, fraude ou simulação, o que não ocorreu no caso em tela. Ademais, a narrativa sucinta e genérica utilizada pela Sra. AFRFB para dar suporte à motivação fática do lançamento não pode ser aceita. I.VI. Quanto ao tópico “Pedido genérico de juntada de Provas” Sustenta a Recorrente que o Sr. Relator faz extenso arrazoado para negar o pedido formulado ad cauletam de produção de provas formulado com base no seu direito à ampla defesa e contraditório, inclusive consoante previsão específica dos §§ 4º, 5º, e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Para a Recorrente, a argumentação do Sr. Relator dá a entender que os diversos documentos apresentados com a impugnação não são passíveis de serem acatados e juntados aos autos. A Recorrente questiona: se a DRFB, no Ato Declaratório Executivo nº 19 reconhece a imunidade, como poderia a DRJ/CTA desconhecer e não acatálo? Sustenta a Recorrente que não houve qualquer ato decretando ou comunicando a perda da isenção ou imunidade. Por esse motivo, deve o AI ser anulado. DA BAIXA EM DILIGÊNCIA – DA RESOLUÇÃO Diante das informações trazidas pela Recorrente, foi proferida a Resolução nº. 2403000.118, fls. 225/232, na qual converteu o julgamento em diligência para determinar à Receita Federal que informasse eventual processo administrativo de cancelamento do gozo dos benefícios da imunidade, e caso positivo, instruísse os presentes autos com cópia integral do dito processo. DA INFORMAÇÃO FISCAL Ato contínuo, foi anexado aos autos do processo principal nº. 11634.000321/201054, informação fiscal consignando a inexistência de processo próprio de cancelamento, afirmando, inclusive, a ausência de qualquer procedimento tendente ao ato cancelatório no bojo dos autos do processo nº. 10930.005924/200811 (processo administrativo que reconheceu, através de Ato Declaratório Executivo, a isenção da empresa para o período de 10/2002 a 10/2005), entretanto esclarecendo que à época da autuação já não mais havia previsão para expedição de Ato Cancelatório de Isenção, previsto no art. 55, § 4º, da Lei nº. 8.212/91, porém revogada pela Lei nº. 12.101/09, mas que não macula a validade dos certificados que a Recorrente detém. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000325/201032 Acórdão n.º 2403002.475 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme fls. 208 e 209, da numeração digital, o recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A Recorrente pleiteia a nulidade do Auto de Infração em tela, ante a falta do Mandado de Procedimento Fiscal. Ocorre que a ausência do MPF no Auto de Infração não é causa de nulidade, até porque o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, constante na fl. 20, traz o Número do MPF e o Código de Acesso para se constatar a autenticidade do mesmo, por meio do sítio da RFB. Ademais, o lançamento deve atender as exigências contidas no art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Tendo, portanto, o lançamento atendido aos requisitos constantes no supracitado artigo, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, vez que o MPF não é elemento essencial do lançamento. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Insurge a Recorrente em face da não apreciação do mérito por parte da DRJ da Representação Fiscal para Fins Penais. Ocorre que a DRJ agiu de forma correta, vez que a Súmula nº 28 do CARF dispõe nesse sentido, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Nesse diapasão, não compete ao CARF se manifestar sobre esse tema, vez que, as Súmulas do CARF têm efeito vinculante, nos termos do art. 72, § 4º do RICARF, in verbis: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. DO MÉRITO Este processo está apensado ao Processo Principal de nº 11634.000321/2010 54, fl. 206, também de minha relatoria. Nele, votei pelo provimento do recurso para anular o lançamento em razão de vício material ali verificado. Ocorre que esse fato é irrelevante para o deslinde da questão, tendo em vista que a autuação se deu porque a Recorrente não apresentou a documentação solicitada para comprovar os créditos existentes pleiteados nas compensações. Para realizar compensações, é imprescindível que a Recorrente comprove a existência de crédito passível de compensação, uma vez que para tal procedimento consiste na prova da materialidade e certeza do crédito, que devem ser apresentados à Receita Federal, nos termos do art. 170 do CTN. Nesse sentido, vejase a jurisprudência deste conselho, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP. (CARF. Terceira Seção de Julgamento, Processo n. 11030.904985/200950, Acórdão n. 3802001.707 – 2ª Turma Especial, 20 de março de 2013) Também não há como prosperar a alegação de não lhe ser assegurado o devido processo legal, pois ele está sendo assegurado por meio deste Processo Administrativo Fiscal. Logo, mesmo reconhecido o vício material no processo principal, deve a glosa ser mantida. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000325/201032 Acórdão n.º 2403002.475 S2C4T3 Fl. 7 11 CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13884.904223/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. RELATÓRIO Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 03/03/2005 (fls. 45/49), pelo qual a Contribuinte busca o ressarcimento da COFINS, paga supostamente de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .9 04 22 3/ 20 09 -3 8 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13884.904223/200938 Resolução nº 3401000.812 S3C4T1 Fl. 321 2 modo indevido ou a maior em 15/02/2005, para compensar com débito da COFINS não cumulativa de janeiro de 2005. O crédito foi inferido sob fundamento de que o DARF indicado não foi localizado no sistema da Receita Federal (fl. 71). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.02/05) e a DRJ em Campinas/SP converteu o julgamento em diligência para que a delegacia de origem analisasse a liquidez e certeza do crédito, haja vista o fato de contribuinte já ter retificado os erros quanto às informações do DARF que impediram o reconhecimento do crédito (fls. 88/90). No relatório de diligência (fls. 249/250), a autoridade fiscal afirmou que a contribuinte não fez a retificação da DCTF, conforme alegado na manifestação de inconformidade, e não apresentou os documentos exigidos para a análise do crédito. Por fim, concluiu que, pela falta de atendimento das intimações pela Contribuinte, a análise de liquidez e certeza do crédito ficou prejudicada. A Contribuinte se manifestou acerca da conclusão da diligência, alegando que os documentos apresentados são suficientes para provar o direito creditório (fls. 260/263). Ao julgar o mérito (fls. 271/277), a DRJ manteve o indeferimento do crédito, ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, não suprido mesmo após a realização de diligência, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 05/06/2012 (fl.281) e interpôs recurso voluntário, via Correios, em 05/07/2012 , com as alegações resumidas abaixo: 1. O crédito só não foi reconhecido e as compensações homologadas por falta de apresentação das notas fiscais nºs 823 e 824, as quais estão anexadas ao recurso voluntário; 2. A falta da apresentação das notas fiscais em momento anterior se deu por motivo de força maior, por isso a juntada deste momento deve ser acolhida. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13884.904223/200938 Resolução nº 3401000.812 S3C4T1 Fl. 322 3 Ao fim, a Recorrente pediu o reconhecimento do crédito e a homologação das compensações. É o Relatório. VOTO Conselheiro Relator Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da questão consiste em matéria de fato a respeito de a apresentação das notas fiscais nºs 823 e 824 ser suficiente para provar o crédito alegado. Ocorre que, em uma das repostas à intimação, a Recorrente justificou que, apesar de sua atividade ser do regime cumulativo, quando se tratar de receita oriunda de cessão de direito de uso de software importado, a tributação deve ser pelo regime nãocumulativo. Sendo assim, as notas fiscais nºs 823 e 824 deveriam ser segregadas e tributadas com base na nãocumulatividade, o que teria causado o recolhimento a maior. Contudo, a falta de apresentação dessas notas, como já relatado, levou ao indeferimento do crédito. Em anexo ao recurso voluntário a recorrente apresentou as notas fiscais nºs 823 e 824. Como o processo administrativo tem como fim a busca da verdade material e o relatório de diligência de fls. 249/250 chegou à conclusão de impossibilidade de reconhecimento de crédito pela falta de apresentação das notas fiscais nºs 823 e 824, uma vez apresentadas essas notas, é conveniente que os autos retornem à delegacia de origem, em diligência, a fim de que sejam analisados todos os documentos já apresentados no processo, inclusive as notas fiscais ora juntadas, a fim de esclarecer as seguintes questões: 1. As notas fiscais nº 823 e 824 são referentes às operações mencionadas nas fls. 106/109? 2. Com base nos documentos apresentados, é possível concluir que houve pagamento indevido ou a maior efetuado pela Recorrente referente ao mês de janeiro de 2005? 3. Existe crédito a ser restituído? 4. Qual o valor do crédito a ser restituído? 5. O valor do crédito a ser ressarcido é suficiente para compensar os débitos declarados na PER/DCOMP? 6. Incluir informações que entenda ser pertinentes. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13884.904223/200938 Resolução nº 3401000.812 S3C4T1 Fl. 323 4 Para responder aos quesitos acima, caso julgue necessário, a autoridade fiscal poderá intimar a Recorrente a prestar esclarecimento e/ou apresentar novos documentos. Ao fim da diligência, deverá ser elaborado relatório conclusivo, do qual a Recorrente deverá ser intimada a se manifestar no prazo de trinta de dias. Passado o prazo para manifestação, os autos devem ser devolvidos a este Conselho para julgamento do mérito. Ex positis, converto o julgamento em diligência nos termos propostos acima. Jean Cleuter Simões Mendonçca Relator Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.724085/2011-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. OMISSÃO DE RECEITAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO DEVOLVIDA AO TRIBUNAL.
Matéria que não foi contestada na impugnação foi considerada como não impugnada pela DRJ. Encontra-se, portanto, preclusa e não devolvida para apreciação do CARF.
MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DO DOLO. CONDUTA DO AGENTE. CONDUTA DO AGENTE. TIPO DA NORMA TRIBUTÁRIA.
Para se justificar a qualificação da multa de ofício, há que se constatar um plus na conduta do agente, o dolo, aspecto subjetivo que ultrapassa a moldura delineada pelo tipo da norma tributária. Situação no qual as ações do contribuinte amoldam-se apenas ao tipo objetivo delineado pela infração tributária não é suficiente para demonstrar a ocorrência de dolo, razão pela qual a multa qualificada deve ser afastada.
MULTA PROPORCIONAL DE 75%. LEGALIDADE.
A multa proporcional de 75% é prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIO GERENTE. FALTA DE LEGITIMAÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA.
A circunstância de se manter a qualificação da multa não é elemento, de per se, que permita a automática ou imediata conclusão de que o sócio administrador concretizou o tipo do art. 135, III, do CTN. Deve haver plus, em relação à conduta da contribuinte, para a tipificação da hipótese de responsabilidade tributária do sócio administrador ou sócio gerente. No caso em dissídio, sequer há elementos para manutenção da qualificação da multa; a fortiori, para imputação de responsabilidade tributária ao sócio gerente da contribuinte. Legitimação tributária passiva como questão conhecível de ofício.
Numero da decisão: 1103-001.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por unanimidade para afastar a qualificação da multa, reduzindo-a ao percentual de 75%, e afastar do pólo passivo o Sr. Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior. A questão relativa à responsabilidade tributária foi conhecida de ofício mediante proposta do Conselheiro Marcos Shigueo Takata, sendo acolhida por maioria em votação preliminar, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura Relator
Assinado Digitalmente
Marcos Shigueo Takata Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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OMISSÃO DE RECEITAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO DEVOLVIDA AO TRIBUNAL. Matéria que não foi contestada na impugnação foi considerada como não impugnada pela DRJ. Encontrase, portanto, preclusa e não devolvida para apreciação do CARF. MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DO DOLO. CONDUTA DO AGENTE. CONDUTA DO AGENTE. TIPO DA NORMA TRIBUTÁRIA. Para se justificar a qualificação da multa de ofício, há que se constatar um plus na conduta do agente, o dolo, aspecto subjetivo que ultrapassa a moldura delineada pelo tipo da norma tributária. Situação no qual as ações do contribuinte amoldamse apenas ao tipo objetivo delineado pela infração tributária não é suficiente para demonstrar a ocorrência de dolo, razão pela qual a multa qualificada deve ser afastada. MULTA PROPORCIONAL DE 75%. LEGALIDADE. A multa proporcional de 75% é prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIO GERENTE. FALTA DE LEGITIMAÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. A circunstância de se manter a qualificação da multa não é elemento, de per se, que permita a automática ou imediata conclusão de que o sócio administrador concretizou o tipo do art. 135, III, do CTN. Deve haver plus, em relação à conduta da contribuinte, para a tipificação da hipótese de responsabilidade tributária do sócio administrador ou sócio gerente. No caso em dissídio, sequer há elementos para manutenção da qualificação da multa; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 40 85 /2 01 1- 90 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 577 2 a fortiori, para imputação de responsabilidade tributária ao sócio gerente da contribuinte. Legitimação tributária passiva como questão conhecível de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por unanimidade para afastar a qualificação da multa, reduzindoa ao percentual de 75%, e afastar do pólo passivo o Sr. Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior. A questão relativa à responsabilidade tributária foi conhecida de ofício mediante proposta do Conselheiro Marcos Shigueo Takata, sendo acolhida por maioria em votação preliminar, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva– Presidente Assinado Digitalmente André Mendes de Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcos Shigueo Takata – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 553/563 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Campo Grande (fls. 534/539), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 578 3 MULTA QUALIFICADA. Falta de apresentação de DCTFs durante três anos consecutivos e de pagamento dos tributos devidos nesse período caracterizam a conduta dolosa da contribuinte ensejadora da qualificação da multa. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidas pelo Poder Judiciário e os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. SÓCIOGERENTE. RESPONSABILIZAÇÃO. Estando presentes os requisitos prescritos no art. 135 do CTN, correta a responsabilização do sócio gerente. AUTUAÇÕES REFLEXAS: PIS/PASEP, COFINS E CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. INTIMAÇÕES. REMESSA AO PATRONO DO CONTRIBUINTE OU DO REPONSÁVEL. Não há previsão legal para a remessa de intimações ao patrono do contribuinte ou do responsável. I. Dos fatos da Autuação Fiscal. O Termo de Constatação Fiscal de fls. 442/446 discorre sobre o procedimento fiscal referente à Mineração Caviúna Ltda, cujo início deuse em 05/05/2011 por meio de ciência postal. Ao apreciar os livros contábeis e fiscais e as declarações, relativos ao anocalendário de 2006 (do qual fez a empresa fez a opção pelo lucro presumido), constatou a autoridade autuante que, não obstante os valores de receitas informados em DIPJ e nos Livros de Registros de Saídas do ICMS, não haviam sido recolhidos nem confessados os tributos. Quanto aos recolhimentos, verificouse apenas aqueles referentes aos código de receita 0561 (IRRF RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO) e 1708 (IRRF REMUNERAÇÃO SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA). Registrese que, após o início da ação fiscal, em 20/06/2011, encaminhou a contribuinte as DCTF, visando a confissão dos tributos devidos e não pagos, que, contudo, foi considerada extemporânea. Ainda, entendeu a autoridade autuante que restou caracterizada a conduta dolosa, atitude que teve os seguintes desdobramentos: 1) qualificação da multa de ofício (150%), consoante disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996; Fl. 578DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 579 4 2) inclusão na condição de sujeito passivo solidário o sóciogerente Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN (Termo de Sujeição Passiva Solidária de fl. 479). Foram lavrados os autos de infração (fls. 447/478) de IRPJ e os decorrentes de CSLL, PIS e Cofins, nos termos do art. 24, § 2º da Lei nº 9.249, de 1995. Foram cientificados a contribuinte e o responsável tributário em 25/10/2011. II. Da Fase Contenciosa. Foram apresentadas as impugnação de fls. 486/496, pela Mineração Caviúna Ltda, e de fls. 512, pelo responsável tributário Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior, ambas encaminhadas por via postal em 24/11/2011 (fls. 507 e 516). As defesas foram apreciadas pela 2ª Turma da DRJ/Campo Grande, em sessão realizada no dia 07/05/2013, que julgou as impugnações improcedentes, no Acórdão nº 0431.637, de fls. 534/539. Nos autos consta ciência de primeira instância: 1) para a Mineração Caviúna Ltda em 20/05/2013 (fl. 551); 2) para Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior, no qual não é possível averiguar a data de ciência, conforme “AR” de fl. 549. Em 11/06/2013, foi interposto Recurso Voluntário de fls. 553/563 pela Mineração Caviúna Ltda, no qual discorre sobre os seguintes pontos. a DCTF é declaração acessória que complementa informações já fornecidas em DIPJ, de maneira mais detalhada, no qual se indica o fato gerador de tributo, e isso somando ao fato de que sua entrega ocorreu após o início do procedimento de fiscalização não implica em conduta dolosa, porque não se consumou a omissão de nenhuma informação, ou seja, não haveria que se falar em qualificação da multa de ofício; é inconstitucional da multa aplicada no percentual de 150%, é abusiva e confiscatória; ainda que se mantenha a imputação da multa, que seja limitada ao percentual de 20% sobre o valor do tributo devido, conforme entendimento de tribunais do Poder Judiciário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura A princípio, há que se registrar que integram o pólo passivo da autuação em debate a pessoa jurídica Mineração Caviúna Ltda, na condição de contribuinte, e o sócio gerente Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior, como responsável tributário. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 580 5 Quanto ao recurso voluntário de fls. 553/563 interposto pela Mineração Caviúna Ltda, encontrase tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Antes de iniciar a apreciação do mérito, venho delimitar a matéria devolvida ao Tribunal. Analisando a impugnação apresentada pela Mineração Caviúna Ltda, entendo não haver reparos na decisão da DRJ, que, ao tratar da infração tributária omissão de receitas (art. 528 do RIR/99) tipificada pela autoridade autuante, esclarece que se trata de matéria não impugnada. Assim, apesar do pedido para que os autos sejam anulados, a matéria impugnada restringese à multa e à exclusão do sócio do pólo passivo. Não há nas impugnações nenhuma oposição relativamente aos lançamentos dos tributos, quer quanto à matéria de direito, quer à de fato, não sendo contestada a apuração, reputandose esta, portanto, como correta. (grifei) Nesse contexto, considero como matéria devolvida ao CARF, no que se refere ao recurso voluntário interposto pela Mineração Caviúna Ltda, a qualificação da multa de ofício. O Termo de Verificação Fiscal discorre sobre a penalidade de 150% nos seguintes termos: O contribuinte, por intermédio de seu agente, assumiu de forma livre e consciente o risco de omitir à tributação as receitas ora apuradas. O contribuinte efetuou a entrega da DIPJ, contudo, não complementou com a entrega da DCTF, nem efetuou os respectivos recolhimentos, fazendoo apenas após o inicio do procedimento de fiscalização (fato formalizado com a lavratura de um Termo de Constatação enviado ao contribuinte via postal). Portanto, o contexto revela a presença de conduta DOLOSA tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir as suas características essenciais, de modo a evitar o pagamento do imposto devido, o que caracteriza FRAUDE, nos termos do Art. 72 da lei 4.502/64. Com isso as infrações apuradas sujeitamse a multa de ofício QUALIFICADA, conforme item específico previsto no Art. 44, inciso II da Lei 9.430/96. "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Fl. 580DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 581 6 II – de 50% (cento e cinqüenta por cento) nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Ocorre que, para se justificar a qualificação da multa de ofício, há que se constatar um plus na conduta do agente, o dolo, aspecto subjetivo que ultrapassa a moldura delineada pelo tipo da norma tributária. E, no caso em tela, o tipo objetivo delineado pela infração tributária omissão de receitas amoldase, perfeitamente, à conduta da contribuinte, razão pela qual a tipificação adotada pela autoridade autuante não merece reparos. Contudo, não se constata na conduta do agente nenhuma ação que extrapole a moldura estabelecida pelo art. 528 do RIR/99. Incorreu, sem dúvidas, a contribuinte em atos que se encontram inseridos na hipótese de incidência definida pelo aspecto objetivo da infração tributária. E ponto. Não restou demonstrada o ocorrência de dolo. Inclusive, apesar de a ementa da decisão da DRJ referirse a conduta reiterada por três anoscalendário consecutivos, no caso em tela, os presentes autos tratam apenas do anocalendário de 2006. No que concerne às alegações de confisco da multa imputada, e que deveria ser mantido o percentual de 20%, cumpre esclarecer que a multa proporcional de 75% encontrase prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Não há que se falar em inconstitucionalidade de norma tributária consolidada no ordenamento jurídico, tanto que se trata de matéria já sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, diante do exposto, deve ser afastada a qualificação da multa de ofício, e mantida a imputação da multa proporcional de 75%. Quanto à sujeição passiva aplicada a Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior, consta nos autos, à fl. 549 , “AR” no qual o sócio gerente tomou ciência do acórdão da DRJ, que decidiu manter o responsável tributário no pólo passivo da autuação fiscal. Há que se registrar que, na digitalização dos autos processuais, a imagem referente ao “AR” em que consta a ciência postal dada ao responsável tributário não permite identificar a data de recebimento da correspondência. Contudo, não considero que seja situação que prejudique o andamento do presente processo. O “AR” de fl. 549 demonstra que Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior tomou ciência tomou ciência da decisão da primeira instância. E a informação referente à data, por sua vez, não se mostra necessária no presente caso, porque resolveu o sócio gerente não interpor recurso voluntário. Nesse sentido, tratase também de matéria não devolvida ao CARF, razão pela qual há que se manter a decisão proferida pela DRJ, qual seja, entender como correta a responsabilização tributária imputada ao sóciogerente. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 582 7 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial no recurso voluntário interposto pela Mineração Caviúna Ltda para afastar a qualificação da multa de ofício, e manter no pólo passivo o responsável tributário Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior. Assinatura Digital André Mendes de Moura Voto Vencedor Conselheiro Marcos Shigueo Takata Rendo minhas homenagens ao ilustre relator, cujo voto, ao enfrentar a matéria de fundo, é preciso. Peço vênia ao nobre relator, para dissentir, não quanto a questão de fundo ou relação de valuta, mas a uma questão prévia, cuja consequência leva ao enfrentamento de questão de fundo. Tratase da questão da responsabilidade imputada ao sócio gerente da contribuinte, o sr. Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior. A questão de legitimidade passiva tributária é a meu ver, conhecível e enfrentável de ofício, na medida em que tenha havido algum recurso, ainda que não pelo responsabilizado tributariamente (mas pela contribuinte), mesmo que não se tenha articulado tal questão. É o que se dá no caso vertente. A questão é conhecível e enfrentável de ofício, tal como a é, por ex., a de sujeição de contribuinte ao IRPJ e a CSL ao regime de lucro presumido (ao invés de o ser ao regime do lucro arbitrado), ainda que não tenha sido alegada pela contribuinte. É o que sucedeu no Acórdão nº 1103001.018, da sessão de 8/4/14, de minha relatoria, em que, por maioria de votos se reconheceu o conhecimento de ofício da referida matéria (no mais o julgado foi por unanimidade). Transcrevo a ementa desse acórdão: NULIDADE DOS LANÇAMENTOS SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL Nada há que objete serem exarados os lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, pelo fato de a exclusão do Simples não ter seu desfecho selado. Aliás, é consectário da própria exclusão do Simples a apuração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, ainda que aquela não tenha tido sua solução derradeira no processo administrativo fiscal. A questão é de prejudicialidade. Se derruído o ato de exclusão do Simples, como corolário os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins resultarão prejudicados e igualmente fulminados. EXIGÊNCIA SOB O REGIME DE LUCRO PRESUMIDO POR EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL IMPOSSIBILIDADE Fl. 582DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 583 8 A partir da vigência da Lei 9.718/98 não é possível a opção pelo regime do lucro presumido, mediante simples apresentação da atual DIPJ, muito menos por resposta a intimação para se escolher o regime de apuração. Mister se faz o pagamento de alguma parcela relativa ao primeiro período de apuração do anocalendário sob o regime de lucro presumido, para configurar a opção. Impunhase a exigência de IRPJ e de CSLL pelo lucro arbitrado, diante da exclusão da recorrente do Simples federal, e da inexistência de escrituração contábil regular. Vício substancial que fulmina os lançamentos. PIS, COFINS OMISSÃO DE RECEITAS A omissão de receitas foi apurada pela fiscalização, com base nos Livros de Registro de Apuração de ICMS. Não se está aqui diante de prova emprestada, mas de meio comprobatório de “escrituração” de débitos e, assim, de operações de venda (receitas de venda). Tal formulação probatória não foi elidida pela recorrente. Lançamentos procedentes. Como disse, o voto do ilustre relator foi preciso na apreciação da matéria de fundo – no caso, a imputação de multa qualificada. Conforme deduzido em seu voto, é necessário plus na conduta, o dolo, aspecto subjetivo que ultrapassa a moldura do tipo objetivo, para a tipificação da multa qualificada; há elemento subjetivo do tipo da qualificação da multa, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, com a redação da Lei 11.488/07. Aliás, houve erro de capitulação legal do autuante que invoca o art. 44, II, da Lei 9.430/96. Porém, sempre foi meu entendimento de que o mero erro de capitulação legal não é suficiente para conformar vício substancial que vitime o auto de infração: fundamental é o erro ou o equívoco no motivo do ato (auto de infração), que, presente, pode fulminar o ato de nulidade, por vício substancial. Se é necessário plus no comportamento para tipificação de multa qualificada, a levar à interpretação de que se encontra presente o elemento subjetivo do tipo, com maioridade de razões, plus é necessário para imputação de responsabilidade ao sócio gerente, nos termos do art. 135, III, do CTN. Esclareço. Mesmo na circunstância de se manter a qualificação da multa, isso não é elemento, de per se, que permita a automática ou imediata conclusão de que o sócio administrador concretizou o tipo do art. 135, III, do CTN1. Deve haver plus, em relação à conduta da contribuinte, para incidência do art. 135, III, do CTN, a meu ver. Não houve, no caso, demonstração de uso de artifícios por parte do sócio administrador, por ex., como indicativos de comandos pessoais para não escrituração de receitas, transferências injustificadas de recursos para sua conta pessoal, uso de interpostas pessoas. Quer dizer, de que o sócio administrador tenha orquestrado ou comandado a omissão de receitas. 1 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 584 9 Mais. No caso em dissídio, sequer há elementos para manutenção da qualificação da multa, como acentou o ilustre relator. O que se divisa aqui são praticamente inadimplementos de obrigações tributárias, e tão só. A contribuinte registrou em sua escrituração contábil as receitas objeto da autuação fiscal, e ainda as declarou em sua DIPJ/07 (além de terem sido declaradas nos Livros de Registros de Saídas de ICMS). Tudo estava à disposição do Fisco para a exigência dos tributos devidos, e que se concretizou. A contribuinte só não confessou os tributos nas DCTFs tributos decorrentes de tais receitas escrituradas contabilmente e informadas na DIPJ/07. Daí haver dito que são praticamente inadimplementos de obrigações tributárias e tão só a situação fáticojurídica objeto da autuação em discussão. Desnecessárias mais digressões a respeito, para se concluir que, sobre não haver lugar para a qualificação da multa, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, não há espaço jurídico para se imputar a responsabilidade ao sócio gerente da contribuinte. O contrário levaria ao absurdo de se dizer que o mero inadimplemento ou praticamente só o inadimplemento de obrigações tributárias principais leva à responsabilização tributária do sócio gerente – assim como à qualificação de multa à contribuinte. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial para afastar a qualificação da multa e a responsabilidade tributária imputada ao sócio gerente Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior. É o meu voto. Assinado Digitalmente Marcos Takata Fl. 584DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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