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Numero do processo: 10830.004146/2007-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2002
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, não há nos autos demonstração de recolhimentos parciais efetuados pelo sujeito passivo, motivo da aplicação do determinado no I, Art. 173, do CTN, e, conseqüentemente, do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, substituído pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2002 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, não há nos autos demonstração de recolhimentos parciais efetuados pelo sujeito passivo, motivo da aplicação do determinado no I, Art. 173, do CTN, e, conseqüentemente, do provimento do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, substituído pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado). (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, não há nos autos demonstração de recolhimentos parciais efetuados pelo sujeito passivo, motivo da aplicação do determinado no I, Art. 173, do CTN, e, conseqüentemente, do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, substituído pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 41 46 /2 00 7- 90 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.004146/200790 Acórdão n.º 9202003.125 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0116, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0110, que decidiu dar provimento a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 Ementa: IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, salvo nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. A Conselheira Lúcia Reiko Sakae votou pelas conclusões. Como esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre qual regra decadencial expressa no CTN, deve ser aplicada ao caso. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que não houve a necessária e obrigatória antecipação de pagamento, para aplicação da regra determinada no Art. 150 do CTN, devendo, portanto, ser aplicada a regra determinada no Art. 173 do CTN, não ocorrendo, conseqüentemente, os efeitos da decadência. Por despacho, fls. 0147, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser cumprida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 204DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.004146/200790 Acórdão n.º 9202003.125 CSRFT2 Fl. 4 5 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Cabe destacar que na análise dos autos não encontramos valores recolhidos no período que importa para a definição da regra. Portanto, como não há recolhimentos a homologar, deve ser aplicada ao caso, como determina, inclusive, o RICARF, a regra expresso no Art. 173, I, do CTN. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Logo, como o fato gerador do IRPF é complexivo, ocorrendo somente em 31 de dezembro, no caso no ano de 2001, verificase que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado foi em 01/01/2003, com a decadência, pela regra acima, consumandose em 01/01/2008. Conseqüentemente, como o lançamento foi efetuado em 2007, a decadência não produziu efeitos no presente lançamento. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 206DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10640.000825/2010-22
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA. PRONUNCIAMENTO DE OFÍCIO.
O julgador da instância ordinária pode e deve se pronunciar quanto à decadência verificada no caso submetido ao seu crivo no processo de verificação de sua legalidade, mesmo que a parte não tenha suscitado tal perda de prazo para a formalização do lançamento.
DECADÊNCIA. COFINS E PIS. RECOLHIMENTOS PARCIAIS NA MESMA COMPETÊNCIA E MULTA DE OFÍCIO NÃO QUALIFICADA. INCIDÊNCIA DO PARÁGRAFO 4º, ARTIGO 150, CTN.
Havendo prova de recolhimento parcial das contribuições, e ausente imputação de multa qualificada, a regra decadencial deve ser colhida no CTN, artigo 150, em seu parágrafo 4º, para verificar a decadência dos créditos referentes a fatos geradores anteriores a cinco anos contados da formalização do lançamento.
Numero da decisão: 1801-001.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer, de ofício, a decadência dos lançamentos relativos às contribuições ao PIS e a COFINS cujos fatos geradores ocorreram no mês de fevereiro de 2005, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Ana de Barros Fernandes (Presidente) e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: MARIA DE LOURDES RAMIREZ (Presidente), ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, LEONARDO MENDONCA MARQUES, HENRIQUE HEIJI ERBANO, ROBERTO MASSAO CHINEN.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 DECADÊNCIA. PRONUNCIAMENTO DE OFÍCIO. O julgador da instância ordinária pode e deve se pronunciar quanto à decadência verificada no caso submetido ao seu crivo no processo de verificação de sua legalidade, mesmo que a parte não tenha suscitado tal perda de prazo para a formalização do lançamento. DECADÊNCIA. COFINS E PIS. RECOLHIMENTOS PARCIAIS NA MESMA COMPETÊNCIA E MULTA DE OFÍCIO NÃO QUALIFICADA. INCIDÊNCIA DO PARÁGRAFO 4º, ARTIGO 150, CTN. Havendo prova de recolhimento parcial das contribuições, e ausente imputação de multa qualificada, a regra decadencial deve ser colhida no CTN, artigo 150, em seu parágrafo 4º, para verificar a decadência dos créditos referentes a fatos geradores anteriores a cinco anos contados da formalização do lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer, de ofício, a decadência dos lançamentos relativos às contribuições ao PIS e a COFINS cujos fatos geradores ocorreram no mês de fevereiro de 2005, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Ana de Barros Fernandes (Presidente) e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: MARIA DE LOURDES RAMIREZ (Presidente), ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, LEONARDO MENDONCA MARQUES, HENRIQUE HEIJI ERBANO, ROBERTO MASSAO CHINEN.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. SÚMULA CARF Nº. 26. Presumemse, por força de lei, advindos de transações realizadas à margem da contabilidade, os depósitos em conta corrente cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. PRONUNCIAMENTO DE OFÍCIO. O julgador da instância ordinária pode e deve se pronunciar quanto à decadência verificada no caso submetido ao seu crivo no processo de verificação de sua legalidade, mesmo que a parte não tenha suscitado tal perda de prazo para a formalização do lançamento. DECADÊNCIA. COFINS E PIS. RECOLHIMENTOS PARCIAIS NA MESMA COMPETÊNCIA E MULTA DE OFÍCIO NÃO QUALIFICADA. INCIDÊNCIA DO PARÁGRAFO 4º, ARTIGO 150, CTN. Havendo prova de recolhimento parcial das contribuições, e ausente imputação de multa qualificada, a regra decadencial deve ser colhida no CTN, artigo 150, em seu parágrafo 4º, para verificar a decadência dos créditos referentes a fatos geradores anteriores a cinco anos contados da formalização do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer, de ofício, a decadência dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 08 25 /2 01 0- 22 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 2 lançamentos relativos às contribuições ao PIS e a COFINS cujos fatos geradores ocorreram no mês de fevereiro de 2005, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Ana de Barros Fernandes (Presidente) e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: MARIA DE LOURDES RAMIREZ (Presidente), ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, LEONARDO MENDONCA MARQUES, HENRIQUE HEIJI ERBANO, ROBERTO MASSAO CHINEN. Relatório Tratase de lançamento de IRPJ e reflexos (IRPJ, R$ 126.463,07, PIS, R$ 27.670,60, CSLL, R$ 45.650,67 e Cofins, R$ 127.711,30, respectivamente), com imposição de multa de ofício em 75%, e os respectivos juros de mora. A fiscalização intimou a empresa a entregar sua escrituração, seus extratos bancários e demais documentos vinculados à tributação (notas fiscais, recibos, etc.). A pessoa jurídica formalizou resposta narrando que após o falecimento de um de seus sócios, suas atividades foram esvaziadas, e que enfrentava grande dificuldade para encontrar, organizar e entregar os livros contábeis e documentos fiscais do período demandado (2005). Afirmou que a documentação estaria no escritório do contador da empresa, declinando seu endereço e telefones. A fiscalização narra que efetuou contato com tal profissional, que informou ainda não dispor da documentação, aventando a necessidade de mais prazo. Após algumas intimações, sem resposta com entrega dos documentos e dados pela fiscalizada, foram emitidas RMF’s aos bancos em que a empresa mantinha movimentação bancária. O tratamento conferido aos dados coletados pela fiscalização, foi assim referido no item 2.5 do TVF (fl. 31 dos autos digitais): Então, recebidos dos bancos os extratos (fls.C7 ) referentes a movimentação financeira do contribuinte, listamos os depósitos/créditos havidos nas suas contascorrente, já excluídos aqueles créditos decorrentes de transferências de outras contas do próprio contribuinte, de resgates de aplicações financeiras, de estornos de débitos, de cheques devolvidos, de empréstimos bancários, etc, e intimamos o contribuinte/fiscalizado por meio do Termo de Intimação Fiscal, datado do mesmo dia 02/02/2010 (fls. /?6 . 903 ), a comprovar, no prazo de vinte dias, a origem dos recursos utilizados nessas operações de depósito/crédito, ressaltando que a não comprovação da origem dos recursos, na Fl. 378DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 10640.000825/201022 Acórdão n.º 1801001.940 S1TE01 Fl. 378 3 forma e prazo estabelecidos, ensejaria lançamento de oficio, a titulo de omissão de receita, nos termos do art. 849, do RIR/99. Nenhuma resposta da empresa nos foi dada para atender ao requerido nesse Termo de Intimação Fiscal de 02/02/2010. Foram expedidas outras intimações, concedendo novas oportunidades para que a fiscalizada pudesse, eventualmente, esclarecer as origens dos depósitos bancários, mas não houve respostas da empresa no sentido de fornecer as origens dos créditos em contas, nem para entregar os livros contábeis e fiscais. A fiscalização ainda promoveu cotejo tendente a apurar a receita omitida, ilustrada nos termos seguintes: No Anexo I a este Relatório, relacionamos todos os depósitos/créditos que foram intimados para o contribuinte comprovar a origem dos recursos, ou seja, aqueles listados no anexo ao Termo de Intimação Fiscal de 02/02/2010 (fls./01(7 07)33). No Anexo II a este Relatório, relacionamos os estornos de créditos, ou seja, os débitos efetuados nas contascorrente da empresa com o propósito de estornar créditos indevidos — tais como: devoluções de cheques depositados, estornos de depósito, devoluções de cheques descontados — a maioria dos quais não puderam simplesmente ser excluídos ou eliminados da relação do Anexo I, visto que os valores creditados, em geral, englobavam vários cheques depositados ou descontados, sendo estornados apenas valores parciais, ou seja, apenas os valores daqueles cheques depositados/descontados e que, posteriormente, foram devolvidos. Assim, os montantes mensais de estorno de créditos serão deduzidos dos valores apurados no Anexo I. Analisando os créditos relacionados no Anexo I, e comparando com a Receita Declarada (R$ 3.054.589,99), verificamos o seguinte: (i) 0 montante total dos créditos — relacionados no Anexo I — atinge o valor de R$ 5.191.825,02 (cinco milhões e cento e noventa e um mil e oitocentos e vinte e cinco reais e dois centavos). (ii) Desse montante total, acima exposto, os créditos referentes à cobranças e descontos de títulos ou duplicatas atingem um valor próximo de R$ 3.900.000,00 (três milhões e novecentos mil reais), ou seja, aproximadamente 75% do montante total dos créditos relacionados no anexo I. (iii) Esses mesmos créditos referentes à cobranças e descontos de títulos ou duplicatas tem valor total (—R$ 3.900.000,00) Fl. 379DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 4 aproximadamente 28% superior à receita declarada (R$ 3.054.589,99). Da verificação, por amostragem, das notas fiscais de saída apresentadas pelo contribuinte, constatamos a existência de muitas notas fiscais coerentes em datas e valores com créditos relacionados no Anexo I. Então, da análise dos créditos relacionados no Anexo I e da análise das notas fiscais apresentadas, concluise que existem créditos no Anexo I referentes às notas fiscais emitidas, e assim, inferese que é correto concluir e considerar que a Receita Declarada da empresa está contida no montante dos depósitos/créditos intimados, embora a escrituração não tenha sido apresentada. Dessa forma, a Receita Declarada também deverá ser deduzida dos valores dos depósitos/créditos apurados no Anexo I. No Anexo III a este Relatório, relacionamos os montantes mensais dos depósitos/créditos obtidos no Anexo I e destes deduzimos os valores dos estornos de créditos apurados no Anexo ll e deduzimos a Receita Declarada. Dessa forma, a diferença obtida (coluna "e" do anexo Ill) é o valor dos depósitos/créditos sem comprovação de origem, que corresponde ao valor da Omissão de Receita Apurada a lançar, nos termos do art. 849, do RIR/99, o qual é reprodução do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Lavramos, então, o Auto de Infração para constituir o crédito tributário do imposto de renda (IRPJ) e das contribuições reflexas (CSLL, Pis e Cofins) devido sobre a referida omissão de receita. Por fim, o autor do lançamento expõe as razões pelas quais promoveu o arbitramento do lucro (ausência de escrituração), demonstrando em seguida os procedimentos adotados para tributar a diferença decorrente de tal arbitramento por sobre as receitas antes declaradas e consignadas em DCTF. Em impugnação alegouse: “[...] Os depósitos foram tomados como um indicio de omissão de receita e ao se esbaterem com as provas aqui acostadas, não consegue formar uma situação suficiente de presunção de omissão de receita. Indício, para se tornar presunção válida, necessita obrigatoriamente de uma prova que o consubstancie, o que no caso em pauta, não aconteceu. [...] esta autuação de omissão de receita não sobreviverá, e explicase o porquê. Primeiro; o fiscal não construiu o arcabouço de provas que legitimassem a manutenção da presunção embasando a dita omissão de receita. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 10640.000825/201022 Acórdão n.º 1801001.940 S1TE01 Fl. 379 5 Segundo; não ficou demonstrado que os valores movimentados na conta da Impugnante ocorreram em decorrência de receitas. Além do mais, a Súmula 182 do TRF tem como ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. [...] referidos depósitos ocorreram em um momento em que a gerência da Impugnante era do Sr. Wander Bertoni Linares, que veio falecer, conforme Certidão de Óbito em anexo e o Contador da empresa era outro, sendo que em virtude disso não foi possível localizar os livros solicitados pelo Sr. Fiscal. A ausência dos Livros não enseja por si só, que as movimentações bancárias constantes nas contas correntes da Impugnante se referem a receitas. Todas estas questões foram esclarecidas ao Sr. Fiscal, mas este preferiu se ater aos extratos bancários e lavrar este Auto de Infração.” A d. DRJ recorrida julgou procedente o lançamento, afirmando a validade da presunção legal atrelada aos depósitos bancários não identificados, quando o contribuinte não comprove as origens, e atestando a correição do arbitramento, no caso, já que a pessoa jurídica não apresentou seus livros respectivos, nem mesmo livro caixa. Em recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteia a reforma do aresto de 1º grau, com base nas mesmas razões veiculadas na impugnação, invocando julgados antigos de Tribunal Federal e do Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. A insurgência recursal busca lastro, exclusivamente, no questionamento teórico da assunção dos depósitos bancários como signo de receitas omitidas. O debate quanto ao ônus de comprovar que os depósitos poderiam ser receitas, e mais ainda, receitas omitidas, chegou a encaminhar tal tarefa ao fisco. No entanto, com a edição do artigo 42 da Lei 9.430, em 1996, nosso ordenamento tributário implementou presunção legal, nos moldes abaixo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 6 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. A partir de então, o fisco não precisa mais demonstrar “sinais exteriores de riqueza”, ou “aplicações dos rendimentos”, correlacionados aos depósitos bancários. Passou a ser do sujeito passivo o ônus de provar que aqueles valores já foram submetidos à tributação, ou que seriam isentos ou não tributáveis, sob pena de subsunção ao comando do artigo 42 supra. Portanto, os julgados do antigo Conselho de Contribuintes e do TRF da 1ª Região, bem como enunciado do extinto TRF, não fornecem subsídio à resolução da presente lide. Nestes autos, o i. Auditor adotou a providência prescrita na lei (intimação do contribuinte para esclarecer as origens dos depósitos), mas o sujeito passivo nada trouxe a seu favor. Ademais, as exclusões e ponderações dos depósitos que representavam meras transferências entre contas de mesma titularidade, e de receitas já declaradas, foram todas realizadas na edificação da base de cálculo. O presente caso ajustase ao enunciado da Súmula nº 26, desta E. Corte Administrativa: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. De modo que a argumentação vinda com o recurso voluntário não merece acolhida, eis a matéria arguida em suas razões resta pacificada no CARF, em sentido contrário à pretensão do sujeito passivo. Há, outrossim, aspecto não suscitado no recurso, que demanda pronunciamento de ofício: a configuração de decadência de parcela do lançamento. Por ser matéria de ordem pública, os julgadores em instâncias ordinárias podem e devem reconhecer de ofício a caducidade do lançamento tributário (e.g., RESP 1.340.386/PE, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJ 08/03/2013). No processo administrativo de verificação da legalidade do lançamento, revelase pertinente o crivo da intempestividade do ato administrativo, que logo seguirá para a inscrição na Dívida Ativa. O auto de infração sob exame teve sua formalização ultimada em 25 de março de 2010 (AR na fl. 48 do processo eletrônico). Referese aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2005. Como a contribuição ao PIS e a COFINS tem conformação jurídica que aloca seus fatos geradores em períodos mensais, revelarseá a extemporaneidade dos lançamento Fl. 382DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 10640.000825/201022 Acórdão n.º 1801001.940 S1TE01 Fl. 380 7 dessas contribuições para os meses de janeiro e fevereiro de 2005, se não houver sonegação e se forem verificados recolhimentos no período respectivo. Não houve imputação de dolo, de fraude, que pudesse deslocar a regra decadencial da prescrição do par. 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. À fl. 90 dos autos eletrônicos, consta extrato de débitos confessados em DCTF, e dos recolhimentos realizados em DARF. Em janeiro de 2005 foi declarado débito, mas não houve recolhimentos de PIS, nem da COFINS. Em fevereiro de 2005 verificase que o débito confessado foi devidamente quitado. Portanto, o lançamento de ofício relativo a essas duas contribuições com referência a fevereiro de 2005, merece afastamento, por extemporâneo. Pelo exposto, voto por provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo de ofício a decadência parcial dos lançamentos, para cancelar os créditos constituídos a título de PIS e de COFINS relativos a fevereiro de 2005. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S
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Numero do processo: 11065.724033/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
SIMULAÇÃO.
A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-004.095
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que dava provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SIMULAÇÃO. A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que dava provimento. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 615 1 614 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.724033/201171 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.095 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria SIMULAÇÃO Recorrente STAMPA ARTEFATOS DE COURO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SIMULAÇÃO. A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 40 33 /2 01 1- 71 Fl. 615DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que dava provimento. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 616 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente os lançamentos tributários realizados em 10/10/2011, relativos às contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE), pela apresentação de GFIP com informações incorretas ou imprecisas e por falta de apresentação de documentos. Os lançamentos são decorrente da constatação de fatos que segundo à fiscalização denunciam uma simulação com finalidade de redução de tributo através do sistema de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido às micro e pequenas empresas SIMPLES NACIONAL de duas empresas supostamente pertencentes ao mesmo grupo econômico da autuada. Os fatos foram constatados na escrituração contábil, contratos sociais/instrumentos de alterações, verificações físicas, escrituração contábil, folhas de pagamento e outros documentos pertencentes às empresas envolvidas. Seguem transcrições do relatório fiscal: 4.1.4 A empresa STAMPA atua no mercado de bolsas, calçados, carteiras, cintos e acessórios direcionados ao público feminino, com a marca “Luz da Lua”, estando enquadrada na forma de tributação do lucro presumido para apuração do imposto de renda da pessoa jurídica. Atuando juntamente com ela na produção desses produtos, evidenciamos uma estreita relação com a empresa DY MONI Indústria de Artefatos de Couro Ltda, optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL. ... 4.1.6 Em diligência a esse endereço para lavratura do Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF, evidenciamos que ele se encontra disponível para locação, conforme fotos retiradas do local, onde colhemos informações de que a empresa DY MONI estava estabelecida no mesmo prédio atualmente utilizado como sede pela empresa STAMPA: Rua Marechal Câmara, 820, bairro Ideal, Novo Hamburgo, RS. Nesse endereço, fomos recebidos pela Sra. Maria Izabel Deves Jorge, que se apresentou como Diretora da DY MONI e Procuradora da STAMPA, assinando os TIPF dessas empresas, apensos ao presente processo. ... 4.1.8 O acesso ao prédio que abriga essas empresas tem entrada comum, através da Rua Marechal Câmara, 820, conforme fotos retiradas do local, assim como a recepção é única para elas. Compartilham dos mesmos recursos disponíveis, como, por exemplo, a sala disponibilizada à auditoria fiscal para exame da amostragem dos documentos a elas solicitados. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4.1.9 Acompanhado pelo Sr. Delmar Arcenio Bender, sócio administrador da DY MONI, que prestou as informações, realizamos diligência ao atual local onde as empresas se encontram estabelecidas. Evidenciamos não existir nenhuma separação física das empresas DY MONI e STAMPA, estando os seus empregados laborando juntos, tanto nas áreas produtivas, como nas de atividade meio. ... 4.1.11.1 Os Srs. Celso Antônio Jorge e Maria Izabel Deves Jorge são cônjuges. Ele é o sócioadministrador da STAMPA e ocupa o cargo de Diretor Industrial, enquanto ela é empregada da DY MONI, ocupando o cargo de Diretora Administrativo Financeiro. Informações prestadas em GFIP pela empresa STAMPA indicam que ela foi sua empregada até o ano de 2005 – 01/03/1995 a 10/05/2001 e 01/08/2003 a 17/06/2005, quando a deixou para se tornar empregada da DY MONI. 4.1.11.2 Os sócios Delmar Arcenio Bender e Margarida Liane Schneider Bender também são cônjuges e pais de Monia Bender, sócia da DY MONI. Ele ocupa o cargo de Diretor Comercial na DY MONI e ela, Auxiliar Administrativo na STAMPA, como Contribuinte Individual Diretor não empregado com FGTS – Categoria 05. Ele, além de ser sócioadministrador da DY MONI desde 01/02/2001, também foi empregado da empresa STAMPA, conforme informações prestadas em GFIP por esta, no período de 01/04/2000 a 17/06/2005. Os atos constitutivos da empresa STAMPA indicam que ele também já foi seu sócio através da empresa Dikecouros Comércio e Representações Ltda, a qual encerrou as suas atividades no ano de 1997. Essa empresa, inclusive, era a proprietária dos imóveis situados nas Ruas 3 de Outubro, 322 e Marechal Câmara, 811, os quais já foram da STAMPA e atualmente são da SÃO BENTO, conforme matrículas 14.829 e 14.830, respectivamente, incluídas no processo. ... 4.1.12 Essa análise incipiente dos contratos sociais, de empresas estabelecidas no mesmo local, da exploração do mesmo objeto social e da utilização dos mesmos trabalhadores, juntamente com o exame dos registros contábeis, que adiante serão demonstrados, formam nosso entendimento de que as empresas simulam uma situação, a fim de utilizar tratamento tributário diferenciado com o propósito de evadir as contribuições previdenciárias patronais. ... 4.2.3.1.3 Depreendese, pela análise dos dados, um enorme comprometimento das receitas da DY MONI com os seus custos/despesas com pessoal, que, inclusive, no ano de 2008, foram insuficientes para absorvêlos. Ao contrário, o mesmo não ocorre com a empresa STAMPA, onde se observa que essa relação é reduzidíssima, quase inexistindo. 4.2.3.1.4 Incluímos no processo planilha contendo a comparação realizada entre as Demonstrações do Resultado do Exercício do Fl. 618DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 617 5 ano de 2009 das empresas STAMPA e DY MONI, onde, pela análise visual, podemos facilmente comparar o comportamento dos registros contábeis efetuados. 4.2.3.1.4.1 Nela, por exemplo, além de visualizarmos que inúmeras contas contábeis da empresa DY MONI não receberam nenhum registro contábil durante o ano, ao contrário do que ocorreu com a empresa STAMPA, vemos que 99,2% do total de todos os seus custos e despesas realizados referiramse a custos e despesas com pessoal. Na empresa STAMPA essa relação é de 3,32%. 4.2.3.1.5 Evidenciase, na relação massa salarial x faturamento, que os custos/despesas com pessoal estão alocados de forma desproporcional nas duas empresas, onerando, quase que exclusivamente, a empresa DY MONI, optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL. 4.2.3.2.2 Os dados demonstram que a empresa teve somente receitas com a prestação de serviços, das quais 91% são direcionadas para a empresa STAMPA. 4.2.3.2.3 A empresa DY MONI nada vende, pois nada compra, haja vista que as matériasprimas utilizadas no processo produtivo são de propriedade da empresa STAMPA, que utiliza os seus serviços. A DY MONI fornece exclusivamente a mãode obra necessária para a confecção dos produtos com a marca “Luz da Lua”. Foi criada para esse objetivo. Dessa forma, a empresa STAMPA terceiriza parte das suas atividadesfins definidas em seu contrato social. 4.2.3.4.1 As máquinas e os equipamentos utilizados no processo produtivo são de propriedade da STAMPA. As demonstrações contábeis apresentadas pela empresa DY MONI não apresentam nenhum bem registrado em seu ativo não circulante, assim como nenhum custo e/ou despesa com a locação deles. 4.2.3.4.2 Assim como os gastos com água e energia elétrica, também os com a manutenção de máquinas e equipamentos estão todos apropriados na empresa STAMPA, conforme se pode observar nas Demonstrações do Resultado do Exercício apensadas ao processo, bem como na planilha a que se refere o item 4.2.3.1.4. 4.3.3 Igualmente, com base no artigo 124, incisos I e II do CTN, Lei 5.172, de 25/10/66; artigo 30, inciso IX da Lei 8.212, de 24/07/1991; artigo 222 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999 e artigo 17 da Lei 8.884, de 11/06/1994, restou caracterizada a sujeição passiva solidária da empresa São Bento Participações Ltda, CNPJ 04.229.626/000125, estabelecida na Rua 3 de Outubro, 298, bairro Pátria Nova, Novo Hamburgo, RS, uma vez que a amostragem dos fatos e provas arrolada ao longo deste relatório Fl. 619DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 fiscal evidencia a existência de grupo econômico de fato, haja vista: • O seu contrato social e alterações apresentarem os mesmos sócios da empresa STAMPA, a qual lhe deu origem, através da operação de cisão parcial, com a versão de todos os seus bens imóveis na época; • A existência de procuradores comuns às empresas STAMPA e SÃO BENTO, dotados de amplos poderes para a administração em geral, inclusive para a movimentação de contas bancárias, conforme procurações apensas ao processo; • Utilização da mesma estrutura de logística da empresa STAMPA. As GFIP entregues pela empresa SÃO BENTO, desde a sua constituição, à exceção de 04/2008, em que houve a informação de remuneração a um contribuinte individual, não apresentaram nenhuma movimentação de segurados; • A empresa STAMPA é locatária do endereço da sede da SÃO BENTO; • Gastos com energia elétrica e água de imóveis da SÃO BENTO estão registrados na contabilidade da STAMPA, conforme amostragem de documentos incluídos no processo; • Amostragem efetuada na contabilidade da empresa STAMPA, na conta “Empréstimos Concedidos”, apensa ao processo, revelou o registro de notas fiscais emitidas em nome da SÃO BENTO. Essa conta, no encerramento do exercício, teve os seus lançamentos transferidos para a conta “Lucros do Exercício”; • Os direitos correspondentes a propriedade da marca “Luz da Lua”, que identifica os produtos da empresa STAMPA, pertencem a SÃO BENTO. Em síntese, alguns sócios são representantes legais das empresas envolvidas e/ou mantêm relação de parentesco e teriam feito uso de duas empresas criadas a alguns anos antes para que nelas fossem realizadas as novas contratações de segurados ou para as mesmas fossem transferidos número expressivo de segurados pertencentes à autuada, esta com a principal receita bruta do grupo. A opção pelo SIMPLES NACIONAL pode proporcionar redução das contribuições previdenciárias, conforme seja a relação existente entre folha de salários e receita bruta. Quanto maior a folha de salários e menor a receita bruta, maior será a economia com as contribuições previdenciárias. Afirma a fiscalização que é justamente essa a situação das duas empresas do grupo mantidas no SIMPLES NACIONAL. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar o lançamento procedente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva Fl. 620DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 618 7 beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 MULTAS. VALORES. REAJUSTE. A multa variável estabelecida no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91 é reajustada nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... 3) AI n.º DEBCAD 51.006.0609, relativo ao lançamento de multa por haver deixado de apresentar, durante a ação fiscal, livros e documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, ou haver apresentado documentos e livros que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira (CFL 38). A autoridade lançadora esclarece, no subitem 5.2 do Relatório Fiscal, que a empresa deixou de apresentar os seus Programas de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA e de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO, dos anos de 2008 e 2009, solicitados através do Termo de Intimação Fiscal TIF n.º 3, de 22 de julho de 2011. Contra a decisão, os recorrentes interpuseram recursos voluntários, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Questiona, inicialmente, a aferição indireta utilizada na constituição do crédito tributário. Afirma, a um, a impossibilidade de arbitramento, porquanto fornecida toda a documentação solicitada no curso da ação fiscal; a dois, que o arbitramento deve “ser utilizado como medida de repressão a uma conduta omissa ou dolosa, contudo, esse caráter inibitório do instituto não permite sua utilização indiscriminada”; e, a três, que o arbitramento, “sob pena de nulidade, deve respeitar todos os princípios constitucionais que asseguram a tributação de acordo com a capacidade econômica do contribuinte não podendo ser realizado sob o prisma da conveniência e oportunidade da Autoridade Administrativa”. Em seqüência, analisa as observações feitas pela Fiscalização, no tocante “às alterações dos atos societários da Impugnante, bem como suas alterações de endereço”, sustentando inexistir qualquer irregularidade nessas modificações. “Incorreto seria Fl. 621DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 alterar o endereço da sede da empresa sem o competente arquivamento dos atos societários na Junta Comercial.” Quanto à inspeção local e às fotos juntadas, consigna que se verifica, no caso, “a utilização de um conjunto de prédios, entre os números 298 e 312, da Rua Três de Outubro, de nada valendo a pretensão de se utilizar de subterfúgios para tentar induzir o Julgador em erro quanto ao local, uma vez que as atividades efetivamente se desenvolveram no local indicado nos documentos oficiais”. Quanto ao exame do local onde se encontrava placa de aluguel do imóvel sede da empresa Dy Moni Indústria de Artefatos de Couro Ltda., também objeto de fiscalização, explica que “as empresas no final do ano pretérito, início do ano em curso, se encontravam em processo de mudança de endereço e readequação de seu parque industrial. Nada mais coerente do que rescindir o contrato de locação e passar a utilizar outro imóvel sem dispêndio de locativos.” Prossegue, esclarecendo, quanto à modalidade de apuração de seus resultados, que esta “não interfere no procedimento fiscalizatório uma vez que o regime de apuração é de competência da Contribuinte, previsto em lei, sendo de seu livre arbítrio decidir pela modalidade que melhor lhe aprouver”. No tocante ao acesso comum entre as empresas, pelo endereço da Rua Marechal Câmara, n.º 820, referido no Relatório Fiscal, registra ser ele transitório, “uma vez que a unidade atual encontrase em fase de licenciamento para construção”. Em seqüência, impugna, por impertinentes, na medida em que alheias ao procedimento fiscalizatório, as informações acerca da situação matrimonial das pessoas envolvidas na relação negocial, constantes do Relatório Fiscal. Ainda, quanto ao desligamento de Maria Izabel de uma empresa e seu ingresso em outra em curto espaço de tempo, entende que tal decisão não pode “ser alvo de críticas ou comentários, uma vez que o mundo do trabalho é livre e a iniciativa privada é fomentada e assegurada pela Constituição Federal”. Assim também no tocante à situação dos sócios Delmar e Margarida, pois, ao entendimento da autoridade lançadora, “os parentes não podem constituir sociedade, vindo a negar o modo como as empresas foram constituídas e contribuíram para o desenvolvimento da região coureiro calçadista”. Quanto à prática de atos simulados, apontada pela Fiscalização, assevera que tal pretensão não se concretiza, uma vez que não houve prova quanto ao alegado. Entende que tal imposição ofende o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, para definir ou limitar competências tributárias. “Verificase, de plano, uma ilegalidade, em razão da interferência do Direito Tributário no âmbito do Direito Privado.” Fl. 622DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 619 9 Entende que, no caso, não se trata de dissimulação, muito menos de simulação, “uma vez que a constituição de empresa revelase lícita e possível, assegurando a Carta Constitucional a livre iniciativa, não discriminando pessoas ou fatos”. Ainda, quanto à requalificação de atos praticados pelos contribuintes, no sentido de reduzir a carga tributária, registra, primeiro, que “a Constituição Federal determina aos contribuintes a realização de planejamento, especialmente tributário, como pode ser comprovado pelo exame de seu art. 174”; segundo, que o planejamento tributário não pode ser objeto de atos discricionários por parte da Administração, “uma vez que a própria lei permite sua implementação, especialmente quando da existência de leis que não apresentem vedação, mas que o induzem, como é o caso das empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL, uma vez que lhes foi assegurado tratamento tributário diferenciado, previsto no art. 146, III, “d”, da Constituição Federal, sem a existência de condicionantes para sua efetivação”. Refere, neste passo, ainda acerca da simulação, as disposições dos artigos 167 e 168 do Código Civil, especialmente este último dispositivo, no sentido de que, no caso, “a Fazenda Pública não poderá acusar e julgar, ao mesmo tempo, uma vez que a simulação somente poderá ser declarada pelo Poder Judiciário, a pedido do ente público. No caso, não poderá existir confusão para permitir à Fazenda constituir o crédito tributário, bem como desqualificar o ato tido por ela como dissimulado”. Aduz que “o parágrafo único do art. 116 do CTN, atropelou a previsão constante do art. 168 do Código Civil, ao investir a Autoridade Administrativa do poder de desconsiderar, de ofício, atos ou negócios jurídicos ‘dissimulados’, tendo por finalidade retirar ‘eficácia tributária’”. Ainda quanto ao parágrafo único do artigo 116 do CTN, sublinha que a sua eficácia “está atrelada ao princípio da legalidade, por remeter aos ‘procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária’, que, até o momento presente, não restou editada, estando as Autoridades Fazendárias impedidas de desconsiderar ou (re)qualificar atos ou negócios jurídicos que julgarem inquinados de simulação”. Afirma que também não há que falar em “instituição de tributo por analogia, o que é vedado pela lei brasileira”, no caso, o parágrafo 1.º do artigo 108 do CTN. Colaciona, ainda, excertos doutrinários em defesa da elisão fiscal, concluindo no sentido de que “não praticou ato simulado, muito menos dissimulado, uma vez que o planejamento tributário, se assim se pode chamar, por ela praticado, foi induzido pela lei– Lei Complementar n.º 123/06, inexistindo espaço para a requalificação dos atos praticados”. Registra que “não deixou de recolher as contribuições previdenciárias, como restou comprovado pela auditoria fiscal realizada nas empresas, não havendo registro no relatório fiscal Fl. 623DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 de ausência de recolhimento de contribuição previdenciária”. Em conseqüência, refere a juntada de cópia dos comprovantes de pagamento, “bem como ver referidos montantes abatidos da autuação”. Reitera que a Fiscalização utilizouse do instituto da aferição indireta para, mediante a utilização de presunções, apurar o “montante a ser pago a título de contribuição previdenciária que não tem o menor amparo na legislação vigente”. “Além do mais, o ônus da prova é de quem alega”. Ademais, tem que não há como “olvidar que o ato de lançamento é ato administrativo, em razão de sua emanação, devendo, portanto, atender aos requisitos de validade, estando elencados entre estes a motivação, como pode ser comprovado pelo exame do art. 2.º da Lei n.º 9.784/99”, motivação esta que “compreende a necessidade de se trazer à evidência os motivos de fato e os fundamentos jurídicos em que está apoiado o administrador para justificar a tomada de decisão”. Registra, ainda, que a intimação contida no auto de infração deixou de atender os requisitos inseridos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235/72, “que rege o processo administrativo fiscal no âmbito dos tributos federais”. Mais especificamente, dele “não consta qual o fundamento para constituição do crédito tributário, inexistindo desta forma lançamento”. Em relação à solidariedade apontada no Relatório Fiscal, entende que “tal situação não se configura, uma vez que o montante apurado da contribuição previdenciária não teve seu crédito constituído e, se tivesse sido constituído, não seria este de responsabilidade da empresa São Bento Participações Ltda., mas da Impugnante”. Assevera, no caso, que “A jurisprudência de nossos Tribunais afasta pretensões dessa natureza, por entender que a mera existência de relação de natureza societária entre empresas não tem o condão de caracterizar o interesse comum dos envolvidos, sem que se comprove que ambas têm relação direta com o fato gerador.” Ao final, postula “seja recebida, conhecida e provida a presente Impugnação para anular o pseudo auto de infração, determinando sua baixa e arquivamento, em razão de sua invalidade, bem como da ausência de lançamento. Requer, igualmente, seja apreciada sob o ângulo do préquestionamento a ausência de lançamento, contrariando os dispores do art. 142 da Lei n.º 5.172/66.” Instruem a peça impugnatória os documentos de fls. 580/583, referentes à entrega das Declarações Anuais do Simples Nacional, exercícios 2009 e 2010, da empresa Dy Moni Indústria de Artefatos de Couro Ltda., e de fls. 584/593 e 597, concernentes à representação da empresa autuada. É o Relatório. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 620 11 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 625DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Simulação Venho defendendo neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF que independentemente da existência de norma que fundamente o meio adotado, a prevalência do conteúdo sob a forma, Princípio da Verdade Material1, eleva o propósito negocial ao centro da discussão sobre a licitude ou não do planejamento fiscal2. Ainda que as pessoas jurídicas 1 NEDER, Marcos Vinícius. MARTINEZ, Maria Teresa. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3 edição. São Paulo: Dialética, 2010. página: 78. 2 JARACH, Dino. O Fato Imponível Teoria Geral do Direito Tributário Substantivo. Trad. Dejalma de Campos. 2 edição. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2004. Páginas: 164 e 165. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 621 13 envolvidas tenham sido formalmente constituídas, como demonstra o minucioso e extenso conjunto probatório, de fato, as atividades empresariais foram exercidas apenas por uma delas. A pessoa jurídica formalmente constituída com a finalidade de ser instrumento de uma simulação para a evasão tributária não apresenta a característica essencial das empresas em geral: assumir riscos. Quando somente mantém relação com empresa do mesmo grupo para proporcionarlhe economia tributária, sem qualquer outra finalidade, ainda que seja a eficiência na condução dos negócios, fica forçoso reconhecêla como uma unidade empresarial: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Meu voto condutor do acórdão n° 920201.194, de 19/10/2010 da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais traz esse entendimento: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Data do fato gerador: 30/04/2000 IRPF. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. Ementa: A ausência de propósito negocial válido e justificável advindo do conjunto de operações realizadas pelo contribuinte com redução de tributo e em prejuízo de terceiro, a Fazenda Nacional, evidencia simulação tributária. ... A ausência de propósito negocial válido e justificável advindo do conjunto de operações realizadas pelo contribuinte com redução de tributo evidencia simulação tributária. Ou nas palavras de Clovis Bevilaqua3 quando define a simulação nas relações jurídicas privadas: “ocorre simulação quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma em que o agente faz entrar nas relações da vida; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado.” ... Não se nega que, isoladamente, cada operação realizada é revestida das formalidades necessárias para sua comprovação. Sim, de fato, todas as operações foram praticadas. Os balanços patrimoniais, demonstrativos de resultados, atas de reuniões societárias e outros documentos comprovam isso; contudo, não poderia ser diferente. Na simulação, necessitase que a aparência seja notória para melhor escamotear a realidade; caso contrário, os verdadeiros propósitos seriam evidenciados e 3 Bevilaqua, Clovis. Teoria geral do direito civil. Campinas : RED livros, 2001 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 não se alcançariam os efeitos desejados. Existe simulação quando a aparência não coincide com a realidade. O natural é que as coisas aparentem o que são; para mudar isso é necessária a simulação. No que se refere aos atos isoladamente, todos estão perfeitamente formalizados; tomadas um a um encontram validade. Essa característica da forma é importante para convencer o observador de que aparência e realidade coincidem; mas, convence o “míope”, aquele que ao enxergar somente de perto só vê as partes e não o conjunto como um todo. Em conjunto, a obra é travestida. ... Merece citação a doutrina mais moderna que, com inspiração no princípio da capacidade tributária, promove uma interpretação mais alinhada com os valores da justiça tributária. Assim, o professor Ricardo Lodi Ribeiro4 identifica elementos que denunciam uma elisão abusiva: “ prática de um ato jurídico, ou um conjunto deles, cuja forma escolhida não se adapte à finalidade da norma que o ampara, ou à vontade e aos efeitos dos atos praticados esperados pelo contribuinte; intenção, única ou preponderante, de eliminar ou reduzir o montante de tributo devido; ...” Destacase, para fins de comprovação da simulação para fins de evasão tributária, que a empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL mantém quase a totalidade dos empregados e sua receita bruta é inexpressiva; enquanto, inversamente, a outra empresa do grupo que contribui sobre a folha de salários, concentra as receitas e quase não possui empregados. Por tudo, entendo que houve simulação com única finalidade de reduzir obrigações tributárias. Quanto ao descumprimento de obrigações acessórias, a recorrente não trouxe qualquer prova que contraponha a vasta comprovação das infrações juntadas pela fiscalização. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes 4 LODI RIBEIRO, Ricardo. Justiça, Interpretação e Elisão Tributária. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2003, pp. 145146. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 622 15 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10850.907498/2011-47
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 49 8/ 20 11 -4 7 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907498/201147 Resolução nº 3801000.687 S3TE01 Fl. 124 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração junho de 2000, no valor de R$ 1.481,42.. O pedido foi transmitido através do PER nº 19287.27005.090605.1.2.040082, fls. 2/4, em 09/06/2005.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907498/201147 Resolução nº 3801000.687 S3TE01 Fl. 125 3 Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 45/46). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907498/201147 Resolução nº 3801000.687 S3TE01 Fl. 126 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907498/201147 Resolução nº 3801000.687 S3TE01 Fl. 127 5 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907498/201147 Resolução nº 3801000.687 S3TE01 Fl. 128 6 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de Cofins no período de apuração apontado no pedido de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, Constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da Cofins e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 16832.000851/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Não merece reparos a decisão de primeira instância que determina a exclusão de valores relativos a transferências entre contas de mesma titularidade da base de cálculo dis tributos lançados sob acusação de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada.
MULTA QUALIFICADA - SONEGAÇÃO. Auferir vultosas receitas sem declará-las à administração tributária e com pagamento mínimo de tributos e contribuições, sem qualquer justificativa razoável, é conduta dolosa que se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71 da Lei n. 4.502/64, justificando-se a qualificação da penalidade.
DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Reconhecida a ocorrência de dolo, aplica-se ao caso o prazo decadencial na forma do art. 173, I do CTN.
OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ante sua natureza eminentemente constitucional, a discussão sobre o potencial caráter confiscatório de penalidades pecuniárias previstas em lei para as hipóteses de indeferimento de compensação refoge ao âmbito de competência desse Tribunal, a teor da Súmula Vinculante STF n. 10 e a Súmula CARF n. 2.
Numero da decisão: 1102-000.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, para restabelecer a multa qualificada e afastar a decadência. O Conselheiro José Sérgio Gomes acompanhou o restabelecimento da multa qualificada, pelas conclusões. 2) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Não merece reparos a decisão de primeira instância que determina a exclusão de valores relativos a transferências entre contas de mesma titularidade da base de cálculo dis tributos lançados sob acusação de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada. MULTA QUALIFICADA SONEGAÇÃO. Auferir vultosas receitas sem declarálas à administração tributária e com pagamento mínimo de tributos e contribuições, sem qualquer justificativa razoável, é conduta dolosa que se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71 da Lei n. 4.502/64, justificandose a qualificação da penalidade. DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Reconhecida a ocorrência de dolo, aplicase ao caso o prazo decadencial na forma do art. 173, I do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ante sua natureza eminentemente constitucional, a discussão sobre o potencial caráter confiscatório de penalidades pecuniárias previstas em lei para as hipóteses de indeferimento de compensação refoge ao âmbito de competência desse Tribunal, a teor da Súmula Vinculante STF n. 10 e a Súmula CARF n. 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 08 51 /2 00 9- 46 Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.284 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, para restabelecer a multa qualificada e afastar a decadência. O Conselheiro José Sérgio Gomes acompanhou o restabelecimento da multa qualificada, pelas conclusões. 2) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho Relatório Tratamse de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela Segunda Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 NULIDADE Comprovado que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos de nulidades apontados no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, descabem as alegações do interessado. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa unicamente ao Poder Judiciário. Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.285 3 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, exvi do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, o direito de a Fazenda Nacional constituir o lançamento extinguese após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. MULTA QUALIFICADA Incabível a aplicação de multa qualificada quando não caracterizada nos autos a pratica de dolo, fraude ou simulação. A presunção legal de omissão de receita por falta de comprovação de origem de depósitos bancários não justifica, por si só, a aplicação de multa exacerbada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO COMPROVADO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA Configurase omissão de receita o ingresso de numerários em conta corrente bancária do contribuinte, quando não comprovada a origem desses valores mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, não obstante as intimações efetuadas. Nos termos do art.42, §3°, I, da Lei n° 9.430, de 1996, para efeitos de determinação da receita omitida, devem ser excluídas as transferências bancárias entre contas de mesma titularidade. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente a decisão prolatada em relação à exigência principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o presente processo de autos de infração lavrados no âmbito da DEFIC/RJ, relativos ao ano calendário de 2004, por Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.286 4 meio dos quais são exigidos do interessado acima identificado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 12.993.589,06 (fls. 500/508), a contribuição para o programa de integração socialPIS, no valor de R$ 859.160,83 (fls.509/516), a contribuição social sobre o lucro liquidoCSLL, no valor de R$ 4.686.392,06 (fls. 517/522) e a contribuição para financiamento da seguridade socialCOFINS, no valor de R$ 3.811.229,97 (fls. 523/530), acrescidos de multa de oficio de 150% e de encargos moratórios. 2. Conforme Termo de Verificação FiscalTVF de fls. 496/498, o interessado foi intimado a apresentar os extratos bancários das contas bancárias mantidas no Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco ABN Amro Real S.A, Unibanco S/A, Banco Nossa Casa S.A, Banco had S.A, Banco Bradesco S.A e Banrisul S.A. 3. A DIPJ/2005, ano calendário 2004, apresentada indicava receita declarada igual a ZERO, contrastando com a movimentação financeira apurada pelo Fisco na grandeza de R$ 43.000.000,00. A DIPJ retificadora foi apresentada no transcorrer da auditoria fiscal, porém, em face ao disposto no § 1° do art. 7° do Decreto n° 70.235/1972, não foi considerada pela fiscalização. 4. Procedida a análise dos extratos bancários, a fiscalização elaborou demonstrativos de valores creditados, que serviram , como base para solicitações de esclarecimentos quanto A sua origem, consoante termos de intimação de fls. 67, 70 e 72. 5. Em resposta às intimações, a fiscalização alega que o interessado atevese a elencar valores depositados no Banco do Brasil S/A, Banco hall S/A, Banco Real S/A e a relacionar recebimentos de diversos clientes no ano de 2004, considerados insuficientes para comprovação do feito, o que resultou na presunção legal de omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 6. Ainda de acordo com o TVF, como a infração apurada enseja a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, definido pelos arts. 1° e 2° da Lei n°8.137/1990, foi aplicada multa de oficio de 150%, conforme art. 957, II, do RIR/1999. 7. Em decorrência, foram ainda efetuados lançamentos de PIS, CSLL, e COFINS Enquadramento legal As fls. 512, 520 e 525. 8. Irresignado, o interessado apresentou a impugnação de fls. 543/572, acompanhada dos documentos de fls. 573/823, alegando, em síntese, o que se segue: nulo, por cerceamento de defesa, visto que jamais se negou a prestar esclarecimentos solicitados; os pedidos de prorrogação de prazo deveuse A demora dos bancos para entregarem as cópias solicitadas e a dificuldade para localizar documentos que estavam de posse do antigo contador já falecido; Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.287 5 houve precipitação do auditor ao tributar totalidade dos depósitos bancários, impedindoo de apresentar a documentação necessária; foi infringido o dispositivo legal inserido no art. 42, § 3 0, I, da Lei n° 9.430/1996, solicitando a comprovação de diversos depósitos agrupados e não individualizados, como determina a citada lei; a jurisprudência é ampla no sentido de que não se pode lançar tributo baseado apenas em indícios ou presunções; a súmula 182 do extinto Tribunal de Recursos TFR restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 colide com a diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois se constata que inexiste liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido; possui escrituração no ano calendário de 2004, conforme livro Diário n° 22, todavia a fiscalização optou por uma maneira menos trabalhosa, se negando a comparar os depósitos bancários com as receitas lançadas nos livros contábeis e fiscais; na precipitação de autuar, não considerou as transferências entre as contas correntes do Banco Bradesco; aplicação de multa agravada de 150% é uma aberração fiscal, visto que os depósitos estão lançados no livro Diário e receita devidamente computada nos livros fiscais, não sendo possível alegar intuito de fraude; somente em caso de comprovação, poderá ser imposta sanções qualificadas, agravadas; cita diversos julgados dos tribunais afastada, outras em que foi mantida pelo Fisco, do intuito sonegador, fraude, administrativos em que a penalidade foi mantida.” Em síntese, o acórdão recorrido rejeitou preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, julgou parcialmente procedente a impugnação da Contribuinte, sob os fundamentos de que: (i) não haveria prova nos autos de que a Contribuinte teria tido violado seu direito de defesa, o qual se aplica para circunstâncias posteriores à lavratura do lançamento. A fase de constituição do crédito tributário se dá no regime inquisitorial, “podendo o autuante solicitar documentos e informações ao autuado ou a terceiros, aceitando ou não as justificativas, sem necessidade de conceder explicações ou aguardar informações do autuado”. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.288 6 (ii) conforme consta no TVF de fls.496/449, ainda que intimado a justificar a origem de diversos valores creditados em suas contas bancárias mantidas na Caixa Econômica Federal, Banco ABN AMRO Real S.A, Banco Nossa Caixa S/A; Banco Itaú S.A, Unibanco, Banco Bradesco, Banrisul e Banco do Brasil o interessado não logrou êxito em comprovála, restando, assim, configurada a presunção de omissão de receita na forma do art. 42 da Lei n. 9.430/96, cuja observância é obrigatória pela Fiscalização e julgador administrativo; (iii) não haveria infração ao disposto no art. 42. § 3o da Lei n 9.430/96, pois, embora a sistemática da Fiscalização “não se coadune completamente com a norma legal1, é possível identificar com facilidade, nos extratos bancários, quais os valores que correspondem ao total lançado no demonstrativo (a coluna intitulada " histórico" permite identificar a origem da transação). Prova de que não houve cerceamento ao direito de defesa extraise dos extratos bancários parcialmente juntados Pelo interessado na fase impugnatória (fls.701/749), onde o próprio identifica (anotações à lápis) os valores que somados correspondem ao valor cuja origem deveria comprovar”; (iv) é correta a exclusão de valores relativos a transferências entre contas de mesma titularidade prevista no art. 42, I da Lei n. 9.430/96; (v) não existiriam nos autos elementos suficientes para comprovar o evidente intuito de fraude, pois “não obstante, anteriormente ao inicio do procedimento fiscal, o interessado tenha apresentado DIPJ zerada, procedeu ao recolhimentos de tributos, conforme já apurado as fls. 831/840, e entregou regularmente as DCTF (f1.841). Uma vez intimado, apresentou o livro Diário contendo as operações do ano calendário de 2004 (fl.388), livro de Registro de Saídas (fl.403), bem como cópia dos balanços e demonstrativos de resultados do exercício apurados trimestralmente (fls.474/495), onde se constata que foram contabilizadas, no ano, receitas operacionais na ordem de R$ 33.000.000,00”; (vi) afastadas a sonegação e a fraude, impõese reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos até 30.06.2004 para o IRPJ e CSLL e dos fatos geradores ocorridos até 31.08.2004 para a COFINS e o PIS, a teor do disposto no art. 150, § 4o do CTN. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, seja no tocante à preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa (sob 1 Conforme anotado pelo acórdão recorrido, na elaboração dos demonstrativos dos depósitos/créditos a serem comprovados, por instituição bancária, discriminados dia a dia, com totalização mensal, a Fiscalização, no caso de duas ou mais transações com o mesmo histórico, em um mesmo dia, optou por lançar, no demonstrativo, o valor consolidado do dia. Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.289 7 alegada precipitação da Fiscalização em autuála sem que fosse concedido prazo suficiente para a apresentação de documentação relativa ao pretenso débito), seja no tocante ao mérito sob a alegação de que (a) não seria cabível o lançamento de IRPJ e reflexos com base em meros indícios ou presunções mesmo após a edição do art. 42 da Lei n. 9.430/96; e (b) a aplicação da multa qualificada pressupõe a demonstração da ocorrência de fraude, o que não ocorre no caso. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Recurso de Ofício O recurso de ofício atende os pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Conforme salientado linhas acima, o recurso de ofício versa sobre 3 (três) matérias distintas, quais sejam: (i) exclusão de valores de transferências entre contas de mesma titularidade da base de cálculo dos tributos lançados, cf. art. 42, I da Lei n. 9.430/96; (ii) qualificação da penalidade de ofício; e (iii) decadência. Quanto ao primeiro item, o recurso merece ser rejeitado, ante os termos da citada legislação e a prova constante dos autos (extratos bancários, com a indicação no próprio extrato da natureza da operação realizada entre os bancos. O recurso deve ser provido quanto aos demais itens. Filieime no passado à corrente jurisprudencial que assentava o entendimento de que a apresentação de declaração “zerada” pelo contribuinte, por si só, não seria suficiente para justificar a qualificação da multa de ofício aplicada no lançamento, independentemente do montante dos valores omitidos ou da quantidade de anoscalendário, em vista do fato de esta se caracterizar em mera “declaração inexata”. Contudo, refletindo melhor sobre a questão, pareceme que a prática de ocultar do fisco, mediante apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. No caso, nada obstante tenha movimentado volume significativo de recursos, a Contribuinte apresentou declaração “zerada” ao Fisco Federal. Apenas após seis meses do início de Fiscalização, a Contribuinte preocupouse em apresentar declaração retificadora, e, ainda assim, apurando valor de tributos devidos em valor bastante inferior àqueles que são devidos considerados os montantes de receita apurados no anocalendário fiscalizado. Não bastasse, o Contribuinte deixou de comprovar a origem de aproximadamente algumas centenas de depósitos bancários dos mais variados valores no período em referência. Essa conduta da Contribuinte levou a Fiscalização a (acertadamente) lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96, assim redigido à época dos fatos, verbis: Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.290 8 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Por sua vez, dispõem os arts. 71, 72 e 73, da Lei n. 4.502/64, verbis: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Desinfluentes os fatos de (a) a contacorrente em que verificados os depósitos ser de titularidade do próprio contribuinte, (b) o lançamento tributário ter sido lavrado em virtude da presunção legal de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei n. 9.430/96, e (c) a Fiscalização ter sido realizada em apenas um anocalendário. No meu entender, a utilização de interposta pessoa ou a dita “conduta reiterada” são apenas algumas das inúmeras formas de o julgador inferir a presença de dolo do agente no caso concreto. Na hipótese, (a) a quantidade e relevância dos depósitos cuja origem não foi comprovada, (b) os montantes apurados pela Fiscalização, (c) a entrega de declaração “zerada” ao Fisco Federal e (d) a ausência de justificativa pela Contribuinte no tocante à acusação de omissão de receitas são indicativos seguros da intenção deste de ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador; conduta esta tipificada no art. 71 da Lei n. 4.502/64. Citese, por oportuno, ementa de acórdão proferido pela extinta Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sobre o tema, verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Os argumentos da autuada para sustentar nulidade dos lançamentos devem ser rejeitados, quando as provas dos autos mostrarem o contrário do alegado. Da mesma forma este Colegiado não acolhe alegações de nulidade, quando os argumentos destoam de pacífica e conhecida jurisprudência da casa. Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.291 9 IRPJ DECADÊNCIA CONTAGEM DO PRAZO Na existência de dolo, a regra de decadência do IRPJ, deslocase do art. 150 do CTN para o art. 173 do CTN, hipótese em que o prazo tem início no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o tributo era exigível. Para os fatos geradores trimestrais, entendese por exercício, para fins de contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 173 do CTN, o anocalendário seguinte àquele em que ocorrido o fato gerador. Assim, as exigências relativas aos fatos geradores trimestrais ocorridos em 31.03.99; 30.06.99 e 31.10.99 devem ser canceladas. O tributo, cujo fato gerador ocorreu em 31.12.99, poderia ser exigido a partir de 1º de janeiro de 2000, logo o prazo decadencial inicia se 1º de janeiro de 2001. CSLL DECADÊNCIA A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. IRPJ/CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO RECEITA BRUTA CONHECIDA A PARTIR DE DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO VALIDADE É válido lançamento fiscal para exigência dos tributos e contribuições tendo como base o lucro arbitrado a partir de receitas auferidas, provadas por regulares documentos de exportação (Notas Fiscais, Conhecimentos de Embarque e Registros no Siscomex), não tendo o contribuinte apresentado elementos materiais capazes de afastar a conclusão fiscal. MULTA QUALIFICADA SONEGAÇÃO PATENTE Auferir vultosas receitas de exportação sem declarálas à administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos e contribuições, escondendo as mediante apresentação de Declaração de Inatividade é conduta dolosa que se amolda perfeitamente à figura delituosa da sonegação, justificando a qualificação da penalidade. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ nos três primeiros trimestres de 1999. Pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência da CSLL nos três primeiros trimestres de 1999, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Luiz Martins Valero (Relator) e Jayme Juarez Grotto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Marcos Vinicius Neder de Lima Presidente. Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.292 10 Reconhecida a ocorrência de dolo e restabelecida qualificação da multa de ofício, impõese a retificação do acórdão recorrido também quanto ao reconhecimento da decadência, a teor do disposto no art. 173, I do CTN. Por conseguinte, considerada a data de ciência do lançamento pelo contribuinte (22.09.2009) e a data de ocorrência dos fatos geradores (anocalendário de 2004), afastase a preliminar de decadência. Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele se toma conhecimento. A preliminar de nulidade dos lançamentos por cerceamento do direito de defesa merece ser rejeitada. A uma, pois não há comprovação nos autos sobre o alegado prejuízo ao direito de defesa da Contribuinte pela conduta da Fiscalização; a duas, pois o exercício pleno de defesa é exercido ao longo do contencioso administrativo – iniciado por intermédio de impugnação apresentada pelo contribuinte – e não no curso da fase de fiscalização, que possui natureza inquisitorial, conforme mencionado pelo acórdão recorrido. No caso, a Contribuinte exerceu seu direito de defesa mediante apresentação de extensos impugnação e recurso voluntário, além da apresentação dos documentos que entendia próprios para sustentar suas razões. No mérito, a Contribuinte sustenta que os lançamentos não poderiam ter como base apenas o valor dos depósitos em contacorrente constantes em extratos bancários, pois tais depósitos não constituíram fato gerador de tributos. Alegou a Contribuinte, nesse sentido, a ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n. 9.430/96. Ainda quanto à ilegitimidade desta exigência, a Contribuinte assevera ter efetuado a comprovação da origem dos valores relativos aos depósitos bancários em referência, mediante a apresentação de notas fiscais de serviços, entre outros documentos. Após a edição da Lei n. 9.430/96 (art. 42), não há dúvidas a respeito da legitimidade do procedimento fiscal de presumir a omissão de receitas ou rendimentos tributáveis quanto a valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesse sentido, é a remansosa jurisprudência dessa Corte Administrativa, verbis: Número do Recurso: 139536 Câmara: OITAVA CÂMARA Número do Processo: 13808.005672/200157 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ Recorrente: PLAYCENTER S.A. Recorrida/Interessado: 10ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP I Data da Sessão: 10/08/2005 00:00:00 Relator: José Carlos Teixeira da Fonseca Decisão: Acórdão 10808430 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa: IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OCORRÊNCIAS ANTERIORES A Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.293 11 1997 – A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, só produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 1997, conforme disposto no artigo 87 deste mesmo diploma legal. No mesmo sentido: Número do Recurso: 144253 Câmara: QUINTA CÂMARA Número do Processo: 10875.000137/200461 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: HIKARI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida/Interessado: 2ª TURMA/DRJCAMPINAS/SP Data da Sessão: 22/02/2006 01:00:00 Relator: José Carlos Passuello Decisão: Acórdão 10515528 Resultado: DPPU DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA PRELIMINAR DE NULIDADE Não é nulo o lançamento apoiado em valores de depósitos bancários cuja intimação para comprovação foi devidamente formalizada e que constam de anexo ao termo de constatação, somente por não ter havido ciência individual na planilha que os demonstra, mas tendo firmada a expressa ciência, tanto nas intimações quanto no termo de constatação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃODE RECEITAS O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 erigiu em legal a antiga presunção simples de que a falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária do contribuinte, objeto de expressa intimação para sua comprovação, o que não logrou fazer ou mesmo tentar, reflete omissão de receitas. (...) A Contribuinte foi intimada por diversas vezes para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos à fiscalização relativos à matéria tributada. Particularmente no que se refere aos depósitos/créditos bancários, a Fiscalização encaminhou à Recorrente intimações específicas para viabilizar o exercício do direito de defesa pela Contribuinte, pela qual detalhou as operações que estavam sendo consideradas para fins de incidência tributária e cuja origem deveria ser comprovada pela Contribuinte para ilidir o lançamento. Tais intimações encontram se arroladas no TVF de fls. 496 e seguintes dos autos. Em resposta a tais intimações, a Recorrente não logrou comprovar a origem dos valores depositados/creditados em contas bancárias de sua titularidade mantidas perante os bancos relacionados nas intimações, justificandose, assim, a procedência dos lançamentos. Conforme comezinhas lições de direito processual, “provar” não significa tãosomente trazer aos autos “elementos ou meios de prova”, mas sim compreende a atividade da parte de demonstrar a plena conexão entre o meio de prova (um documento, por exemplo) e o fato que se pretende ver provado. Trazer o documento aos autos é necessário para a atividade de provar, contudo não é suficiente. É indispensável, como se disse, indicar a relação plena entre este meio e o fato a ser provado. No caso, não basta ao Contribuinte juntar aos autos Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 16832.000851/200946 Acórdão n.º 1102000.829 S1C1T2 Fl. 2.294 12 centenas de folhas de documentos sem neles indicar minimamente onde residem suas razões de defesa e/ou as incorreções das conclusões da Fiscalização sobre a autuação. Esse é exatamente o caso dos autos. Em sede de impugnação e em recurso voluntário, a Contribuinte faz referência a “vasta documentação” para demonstrar a pretensa ilegalidade dos lançamentos, sem qualquer preocupação em relacionálos com os fatos objeto do processo (no caso, com os depósitos bancários cuja origem deveria comprovar). Em sede de recurso voluntário, a despeito de reiterar a juntada de documentos, também não houve manifestação sobre o conteúdo dos meios de prova acostados e sua pertinência com os fatos a serem provados na lide. O confronto detalhado a que se refere a Contribuinte deveria ter sido feita por ela própria, em sede de impugnação e em recurso, em virtude do ônus da prova a ela imposto face à presunção legal de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei n. 9.430/96. Não cabe falar em compensação dos tributos recolhidos no caso, já que as receitas objeto de lançamento não compreendem a integralidade das receitas da Contribuinte no período fiscalizado. Por fim, as razões aduzidas pela Contribuinte em relação à ilegitimidade da multa de ofício não merecem ser apreciadas por este Colegiado em virtude de sua índole eminentemente constitucional, ante: (i) a expressa disposição legal que determina a imposição de multa de ofício (Lei n. 9.430, art. 44); (ii) o teor da Súmula Vinculante STF n. 10, que estabelece caracterizar controle de constitucionalidade o afastamento de incidência de lei vigente, no todo ou em parte, ainda que não haja expressa declaração de sua inconstitucionalidade; e (iii) o teor da Súmula CARF n. 2, aprovada pela Portaria n. 52, de 21.12.2010, que assenta o entendimento também vinculante de que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a (in)constitucionalidade da lei tributária. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de (a) conhecer do recurso de ofício para darlhe parcial provimento para afastar a preliminar de decadência e restabelecer a qualificação da multa de ofício; (b) conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
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Numero do processo: 10480.722559/2009-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PRELIMINARMENTE. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AFRONTA AO ART. 42, DA LEI Nº 9.430/96.
Legítimo o trabalho fiscal apurado com base em relatório individualizado da movimentação financeira.
MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Há que ser realizado o lançamento por arbitramento, quando a contabilidade do contribuinte é imprestável para a determinação do lucro real (art. 530, II, b, RIR/99) e as receitas omitidas, em face as especificidades da atividade econômica do contribuinte, não refletem a sua receita bruta.
CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma matéria fática, aplica-se às exigências reflexas (CSLL, COFINS e PIS/Pasep), o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
PROVA PERÍCIA.
É incabível a realização de prova pericial sobre contabilidade que se prova imprestável.
CUMULAÇÃO DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO.
É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, b, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável.
Numero da decisão: 1103-001.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva acompanhou o Relator pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado digitalmente
Fábio Nieves Barreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PRELIMINARMENTE. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AFRONTA AO ART. 42, DA LEI Nº 9.430/96. Legítimo o trabalho fiscal apurado com base em relatório individualizado da movimentação financeira. MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Há que ser realizado o lançamento por arbitramento, quando a contabilidade do contribuinte é imprestável para a determinação do lucro real (art. 530, II, b, RIR/99) e as receitas omitidas, em face as especificidades da atividade econômica do contribuinte, não refletem a sua receita bruta. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma matéria fática, aplica-se às exigências reflexas (CSLL, COFINS e PIS/Pasep), o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. PROVA PERÍCIA. É incabível a realização de prova pericial sobre contabilidade que se prova imprestável. CUMULAÇÃO DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, b, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2072; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 5.709 1 5.708 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.722559/200939 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103001.048 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2014 Matéria IRPJ, CSLL, PIS e COFINS Recorrente LINK CELULARES E DESENVOLVIMENTO DE NEGÓCIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PRELIMINARMENTE. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AFRONTA AO ART. 42, DA LEI Nº 9.430/96. Legítimo o trabalho fiscal apurado com base em relatório individualizado da movimentação financeira. MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Há que ser realizado o lançamento por arbitramento, quando a contabilidade do contribuinte é imprestável para a determinação do lucro real (art. 530, II, “b”, RIR/99) e as receitas omitidas, em face as especificidades da atividade econômica do contribuinte, não refletem a sua receita bruta. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, aplicase às exigências reflexas (CSLL, COFINS e PIS/Pasep), o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. PROVA PERÍCIA. É incabível a realização de prova pericial sobre contabilidade que se prova imprestável. CUMULAÇÃO DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, “b”, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 59 /2 00 9- 39 Fl. 5709DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.710 2 Acordam os membros do colegiado, dar provimento, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva acompanhou o Relator pelas conclusões. Assinado digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 5710DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.711 3 Conforme Relatório de Fiscalização (fls. 4.677/4.700), a recorrente foi autuada em face do cometimento das seguintes infrações: “3.1 Depósitos bancários não contabilizados = IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS). 3.1.1 Base de Cálculo, Créditos Tributários e Fatos Geradores Omissão de Receitas Operacional caracterizada pela falta de contabilização dos depósitos bancários existente nos extratos do Banco do Brasil Ag. 36994 C/C 226114 e do Bradesco Ag 34533 C/C 120294 e Ag. 10618 C/C 233773. Para lançar os valores omitidos da escrituração, solicitamos ao contribuinte que comprovasse a origem das entradas nas contas bancárias não escrituradas através do Termo de Solicitação de Esclareci mento nº 0003 e determinasse os valores que deveriam ser estornados, como devoluções, valores creditados indevidamente, etc...O contribuinte, por sua vez, confirmou que os créditos daquelas contas se originaram da sua atividade fim e apresentou tabela com a identificação dos estornos a serem excluídos da receita omitida, porém, analisando tal documentação, não há informações que comprovem a ligação entre as devoluções e estornos a créditos dos extratos não escriturados. (...) 3.1.2 Enquadramento legal A cobrança do IRPJ com base na omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários tem como base legal o art. 24 da Lei nº 9.249/95, art. 42 da Lei nº 9.430/96, e os arts. 249, inciso II e parágrafo único, 251, 279, 287, e 288 do RIR/99: (...) 3.2 Insuficiência de recolhimento ou declaração de IRPJ = IRPJ não recolhido nem declarado. 3.1.2 Base de Cálculo, Créditos Tributários e Fatos Geradores Insuficiência de recolhimento ou declaração de imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com aqueles declarados e recolhidos, conforme batimento dos dados da DCTF do contribuinte e dos seus pagamentos efetuados com os valores encontrados em sua escrituração. Os valores indicados como receita no Livro Razão do contribuinte, não indicaram todas as suas vendas contabilizadas nas suas contas “Diversos” e “Caixa”, contas estas cujo somatório anual se aproxima do valor total dos depósitos bancários dos extratos já escriturados, entregues inicialmente. Consideramos estas contas como sendo base para o total real de sua Receita Bruta. Fl. 5711DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.712 4 Consideramos, ainda, o total do CMV de R$ 9.805.636,74, conforme tabela abaixo, pois, como o próprio contribuinte informa que os seus estoques lançados no Razão não reportaram corretamente a realizada, consideramos a conta do passivo “TIM” para usar como base de cálculo do CVM, já que o contribuinte apenas trabalha com aquela operadora, e que os valores daquela conta coincidem com os estoques do contribuinte. Além disso, utilizamos as contas registradas também na conta “TIM” para calcular os créditos mensais de PIS e COFINS do contribuinte, que totalizaram R$ 183.066,47 e R$ 843.215,26, respectivamente. Ressaltamos que não foi considerado o pagamento com destinatário diverso da TIM (R$ 90.000,00 de 05/12/2005 através do Banco Bradesco, C/C 148652). As Despesas Operacionais e Outras Despesas Financeiras continuam as mesmas já identificadas na DIPJ, ou seja, R$ 281.300,01 e R$ 35.565,70. (...) 3.3 Falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada = Multa isolada sobre o IRPJ não recolhido. 3.3.1 Bases de Cálculo, Créditos Tributários e Fatos Geradores Falta de pagamento do imposto de renda pessoa jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada e/ou balanços de suspensão ou redução, considerando os valores encontrados como Receita Bruta na escrituração do contribuinte e nos depósitos bancários não escriturados. (...)” No que tange à CSLL e reflexos, os mesmos critérios foram aplicados no lançamento fiscal, sendo também exigido da recorrente, multa de ofício. A recorrente ofertou Impugnação (fls. 1631/1650), a qual foi julgada improcedente, sendo mantido o Recurso de Ofício. A recorrente, inconformada, ofertou Recurso Voluntário (fls. 4.855/4.889), aduzindo, em síntese: i. Preliminarmente: a) Nulidade do lançamento fiscal, por afronta ao art. 42, da Lei nº 9.430/96, c.c. art. 10, do Decreto nº 70.235/72, sem prejuízo ao desrespeito aos princípio da ampla defesa e do contraditório, na medida em que a autoridade fiscal não teria individualizado as receitas omitidas. ii. Mérito: Fl. 5712DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.713 5 a) Nulidade do lançamento de ofício, por afronta ao art. 142, CTN: diz a recorrente que, na época dos fatos, a sua contabilidade era imprestável, devendo o lançamento ser realizado pelo método do Lucro Arbitrado; b) Nulidade do lançamento de ofício, por afronta ao princípio da verdade material: apesar da recorrente não ter trazido aos autos documentos que comprovassem o custo das mercadorias vendidas, sabendose que sua receita decorre de um percentual fixo de venda, disposto no contrato que mantém com a TIM, é fácil concluir que a diferença entre os valores que recebe com a sua atividade e as comissões recebidas, dão a exata dimensão dos bens adquiridos para o exercício das suas finalidades sociais; c) Direito à perícia; d) Ilegalidade da cumulação da multa de ofício e da multa e a multa isolada. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 5713DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.714 6 Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira I. Preliminarmente. Aduz a recorrente, nulidade do lançamento de ofício, porque a autoridade fiscal, contrariamente do que dispõe o art. 42, §3o, da Lei nº 9.430/96, não teria individualizado as receitas omitidas. Analisandose os autos, verificase que a predita nulidade não se configura, na medida em que nas fls. 917/1.628, estão discriminados os lançamentos bancários, individualizados, omitidos. Também no “Termo de Verificação Fiscal” há planilha discriminando, ainda que de maneira consolidada, as receitas mensalmente omitidas no período. Dessa forma, não se vislumbra a apontada nulidade. II. Mérito. Consta do “Relatório de Fiscalização”, fls. 4.677/4.700, que: “A presente ação fiscal, foi motivada por seleção interna deste órgão, determinada no Mandado de Procedimento Fiscal n° 04.1.01.002008009008 e teve sua origem no indício de movimentação financeira incompatível com receita apresentada pela empresa na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue em 2006, referente ao ano calendário de 2005, já que ele movimentou neste ano R$ 18.974.523,41 enquanto declarou R$ 357.194,90 de Receita Bruta na DIPJ. Abaixo listamos as informações coletadas sobre o contribuinte nos sistemas da RFB: (...) Os valores acima conferem com a DIPJ apresentada, exceto os de IRPJ e CSLL, pois apenas constam no Razão os valores referentes aos meses de abril e maio de 2005. As Cópias do Livro de Registro de Saídas e de Apuração de ICMS trouxeram os valores contábeis e de tributos zerados, justificados pelo Convênio ICMS 126/98 que determina que a empresa de telecomunicação deverá manter apenas um de seus estabelecimentos inscrito no Cadastro de Contribuintes do ICMS, sendo dispensados dessa exigência os demais locais onde exercer suas atividades; e que a escrituração fiscal e o recolhimento de ICMS sejam centralizados, sendo o ICMS apurado e recolhido por meio de um só documento de arrecadação pelo estabelecimento centralizador. Em síntese, o convênio demonstra que o recolhimento do ICMS deverá se dar Fl. 5714DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.715 7 através de regime de substituição tributária pelas empresas centralizadoras do serviço público de telecomunicações, no caso em questão, a Telasa Celular S/A CNPJ 02.328.592/000109, a Telpe Celular S/A CNPJ 02.336.993/000100, a Telpa Celular S/A CNPJ 02.322.271/000199, a Telern Celular S/A CNPJ 02.332.973/000153, a Teleceará Celular S/A CNPJ 02.338.114/000171, a Telepisa Celular S/A CNPJ 02.368.412/000104, que em conjunto foram denominadas TIM", conforme Contrato de Intermediação de Serviço de Distribuição de Recarga e de Habilitação de Prépagos apresentados posteriormente a esta fiscalização. Enviamos, portanto, o Termo de Solicitação de Esclarecimentos n°0001 ao contribuinte, que o recebeu através do Aviso de Recebimento dos Correios n° SQ 24529470 2 BR no dia 15/09/2008, com a solicitação de prestação de esclarecimentos sobre as diferenças entre os valores de CPMF constantes dos extratos bancários apresentados pelo contribuinte e os valores de CPMF indicados pelos Bancos, assim como de apresentação de extratos bancários diversos dos já entregues, caso existam. Em resposta ao supracitado Termo, o contribuinte apresentou nos os seguintes documentos: Extratos bancários, em papel, das contas do Banco do Brasil, Ag. 36994, C/C 226114 e Banco Bradesco, Ag. 3453, C/C 120294 e Ag. 10618, C/C 233773; e, Carta enviada a esta fiscalização, com esclarecimentos sobre diferenças de CPMF, e explicando os seguintes pontos: Que é uma empresa atacadista distribuidora de recargas para celulares pré pagos da operadora TIM que tem como clientes o varejo em geral (bancas de revistas, farmácias...); Que vende recargas físicas e eletrônicas para celulares adquiridas pela distribuidora Link Celulares junto à operadora de telefonia Tim Telecomunicações S/A; Que "as compras e vendas dos produtos virtuais não foram lançadas nos livros Diário e Razão", pois não foram faturadas pela operadora TIM Nordeste S/A para a Link Celulares; Que apresentou os seguintes valores não lançados na contabilidade: Custos das compras não lançadas: R$ 8.076.338,25 Faturamento não lançado: R$ 8.469.914,95 Despesas operacionais não lançadas: R$ 376.046,71 Receita Bruta não lançada: R$ 393.576,70 Receita Líquida não lançada: R$ 17.529,99 5 Que pagaram em 2005 os seguintes valores de impostos resultando no total de R$ 22.313,53: PIS: R$ 3.332,05 Fl. 5715DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.716 8 COFINS: R$ 15.432,03 IR: R$2.218,41 CSLL: R$ 1.331,04 Após a análise das informações acima, têmse as seguintes conclusões: Os novos extratos bancários apresentados zeram as diferenças antes verificadas, ou seja, só agora temos todos os extratos bancários do contribuinte em questão, conforme quadro abaixo. Além disso, verificamos também que o livro razão do contribuinte apenas considerou as contas bancárias do Banco do Brasil Ag. 36994 C/C 200093 e do Bradesco Ag. 34533 C/C 148952, faltando escriturar os extratos das contas bancárias do Banco do Brasil Ag. 36994 C/C 226114 e do Bradesco Ag. 34533 C/C 120294 e Ag. 10618 C/C 233773. (...) O contribuinte apresentou valores de faturamento que não foram lançados em seus livros. Além disso, os valores indicados como pagamentos não conferem com o total verificado nos sistemas RFB. Continuando a fiscalização enviamos o Termo de Solicitação de Esclarecimentos n°0002 ao contribuinte, que o recebeu através do Aviso de Recebimento dos Correios n° SQ 24529492 3 BR no dia 11/11/2008, com a solicitação de prestação de esclarecimentos, entre os quais, sobre as vendas que não foram faturadas pela Tim Nordeste S/A para a Link Celulares apesar de terem sido depositadas na conta corrente desta empresa e sobre a receita bruta declarada em DIPJ. Em resposta a este último Termo, o contribuinte apresentounos os seguintes esclarecimentos em carta: Que os recursos de vendas de recargas, mesmo sem serem faturadas pela operadora Tim Nordeste S/A, eram depositados nas contascorrentes da Link Celulares, conforme extratos apresentados; e, Que o valor de R$ 357.194,95, constante na DIPJ, já é o valor do faturamento total menos os custos de compras das mercadorias (cargas de celulares). Indicou novamente os valores de faturamento não lançado de R$ 8.469.914,95 e de custo de compras não lançados de R$ 8.076.914,95. Posteriormente, o contribuinte ainda nos apresentou, através de carta do dia 27/11/2008, o custo de compras de mercadorias de R$ 5.777.455,65 que, retirado do total de faturamento considerado na escrituração R$ 6.134.650,55, resultou na receita bruta de R$ 357.194,90 declarada; além disso, nos entregou também o Contrato de Intermediação de Serviços de Distribuição de Recargas celebrado entre a TIM Nordeste Telecomunicações S/A e a Link Celulares, a carta da TIM referente à alteração de política c ^e' ,al, com a mudança de percentual de desconto concedido aos clientes da Link Celulares (pontos de vendas) e outra com a mudança do percentual de desconto concedido na compra de recargas junto a TIM Fl. 5716DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.717 9 Nordeste Telecomunicações S/A. O contrato com a TIM apresenta o percentual de 15% nas compras a prazo e de 16,27% nas compras a vista a ser pago ao distribuidor (Link Celulares) pela TIM como remuneração pela comercialização e distribuição de Cartão pré pago, PIN number e recarga on line, percentuais estes que incidirão sobre o valor de venda de cada produto ao cliente final. As cartas de alteração de política comercial alteram de 15% para 12% o valor do desconto para o distribuidor exclusivo da TIM, tanto para pagamentos a vista ou a prazo e determinam como valor obrigatório do desconto a ser observado pelo distribuidor no repasse ao revendedor seja de 8% para as vendas a vista de 7,5% para as vendas a prazo, sobre o valor de face do cartão. Após a análise dos esclarecimentos acima, têmse as seguintes informações: 1 O faturamento de R$ 8.469.914,95 declarado como não lançado pelo contribuinte não confere com o somatório dos créditos não escriturados, efetuados nas contas correntes apresentadas posteriormente pelo contribuinte no valor de R$ 8.933.967,21 (depósitos dos Extratos Bancários do Banco do Brasil Ag. 36994 C/C 226114 e do Bradesco Ag. 34533 C/C 120294 e Ag. 10618 C/C 233773); 2 0 valor de Receita Bruta declarada de R$ 357.194,90 não coincide com o somatório dos valores encontrados no livro razão de R$ 11.656.730,84 (Conta Diversos) acrescido de R$ 23.640,00 (Conta Caixa), que totaliza R$ 11.680.370,84. (...) Analisando as informações finalmente apresentadas pelo contribuinte temos as seguintes conclusões: Quanto aos valores de depósitos bancários já escriturados na contabilidade: O valor total de Receita Bruta a ser considerado é de R$ 11.680.370,84, considerando R$ 11.656.730,84 do total da conta "Diversos" do livro Razão do contribuinte, somado a R$ 23.640,00 do total de entradas no "Caixa" referente a vendas realizadas. O total do CMV considerado foi de R$ 9.805.636,74, pois, como o próprio contribuinte informa que seus estoques escriturados no Razão não reportaram corretamente a realidade, consideramos a conta do passivo "TIM" para usar como base de cálculo do CMV, já que o contribuinte apenas trabalha com aquela operadora, e que os valores daquela conta coincidem com os estoques do contribuinte. Além disso, utilizamos as compras mensais registradas na conta "TIM" do passivo para calcular os créditos de PIS e COFINS do contribuinte, que totalizaram R$183.066,47 e R$ 843.215,26, respectivamente. Ressaltamos que não foi considerado o pagamento com destinatário diverso da TIM (R$90.000,00 de 05/12/2005 através do banco Bradesco, C/C 148652). Fl. 5717DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.718 10 As Despesas Operacionais e Outras Despesas Financeiras continuaram as mesmas já identificadas na DIPJ, ou seja, R$ 281.300,01 e R$ 35.565,70, respectivamente. Quanto aos valores de depósitos bancários não escriturados na contabilidade: O valor total de R$ 8.933.967,21, relativo aos créditos registrados nos extratos bancários posteriormente entregues, não foi escriturado no livro Razão, nem foi utilizado no cálculo dos tributos já declarados. Os descontos acaso cabíveis foram identificados pelo contribuinte, mas não foram devidamente comprovados no decorrer da presente ação fiscal, não há como achar o crédito específico de cada estorno ou devolução pois não houve documentação suficiente para tal comprovação. (...)” Destacamos. Inicio por consignar que a autoridade fiscal, ao realizar o lançamento de ofício, deverá nele consignar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso e propor a aplicação da penalidade cabível. Esse o mandamento legal do art. 142, CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” O fato gerador do imposto sobre a renda, nos termos do Código Tributário Nacional, com fundamento de validade no art. 153, III, da Constituição da República, é: “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se Fl. 5718DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.719 11 dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo”. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (RE nº 117.8876SP) pacificou o entendimento de que não é qualquer renda ou provento que importada em fato gerador do tributo, “o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, provento, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso”. E a base de cálculo do tributo, ainda conforme as regras do CTN, art. 44, é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. O lucro real, ao qual optou a recorrente, é o lucro líquido, conforme dispõe o art. 247, RIR/99: “Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º). §3º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º)” Da leitura do texto do texto de lei acima mencionado, verificase que a “base de cálculo do IRPJ é formada por uma multidão de fatos que devem ser qualificados e registrados pela contabilidade, de modo esta é a fonte formal de quase todos os elementos necessários à determinação do lucro real. É por essa razão que o denominado ‘fato gerador’ do imposto de renda é considerado é considerado complexo na medida em que se forma e se aperfeiçoa com a conjunção de inúmeros fatos que devem ser capitados pela contabilidade, essa por sua vez, serve como fonte de produção dos principais elementos que são reunidos para a apuração do lucro real.” (FILHO, Edmar oliveira Andrade. Imposto de renda das empresas – CSLL, operações de hedge, preço de transferência, planejamento tributário, reorganizações societárias, aspetos contábeis e jurídicos. São Paulo: Atlas, 2013, 10a ed. P. 72). Portanto, é a contabilidade que irá indicar a base de cálculo do tributo. Fl. 5719DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.720 12 A inexatidão da contabilidade do contribuinte, que impossibilita a apuração do lucro real, implica no dever da autoridade fiscal de promover o lançamento por arbitramento: “Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário” Da leitura do “Relatório de Fiscalização” concluise que a contabilidade da recorrente não registra a sua movimentação de bancos e também o seu registro contábil não é seguro quanto as despesas incorridas nas suas operações: “ O total do CMV considerado foi de R$ 9.805.636,74, pois, como o próprio contribuinte informa que seus estoques escriturados no Razão não reportaram corretamente a realidade, consideramos a conta do passivo "TIM" para usar como base de cálculo do CMV, já que o contribuinte apenas trabalha com aquela operadora, e que os valores daquela conta coincidem com os estoques do contribuinte. Além disso, utilizamos as compras mensais registradas na conta "TIM" do passivo para calcular os créditos de PIS e COFINS do contribuinte, que totalizaram R$183.066,47 e R$ 843.215,26, respectivamente. Ressaltamos que não foi considerado o pagamento com destinatário diverso da TIM (R$90.000,00 de 05/12/2005 através do banco Bradesco, C/C 148652). Fl. 5720DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.721 13 (...) Quanto aos valores de depósitos bancários não escriturados na contabilidade: O valor total de R$ 8.933.967,21, relativo aos créditos registrados nos extratos bancários posteriormente entregues, não foi escriturado no livro Razão, nem foi utilizado no cálculo dos tributos já declarados. Os descontos acaso cabíveis foram identificados pelo contribuinte, mas não foram devidamente comprovados no decorrer da presente ação fiscal, não há como achar o crédito específico de cada estorno ou devolução pois não houve documentação suficiente para tal comprovação.” Logo, a contabilidade da recorrente é imprestável para a determinação do lucro real, i.é, não é competente para o lucro real. E, sendo assim, o lançamento por arbitramento é medida de rigor, como já foi decido por esta Corte Julgadora, Proc. 13971.004154/200809, de relatoria do ilustre conselheiro, Orlando José Gonçalves Bueno: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 CONTABILIDADE. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE IMPRESTÁVEL. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Verificado que a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, bem como a apuração do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo. E, ainda que válida a contabilidade, o montante das receitas que transitaram na conta bancária da recorrente não teriam, na sua totalidade, natureza de receita. Há que se considerar, por outro lado, que a receita bruta, conforme texto do art. 44, da Lei nº 4.506/64, é composta: “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; Fl. 5721DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.722 14 IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais.” Consta dos autos que os valores recebidos, por força do contrato firmado com a TIM, a comissão por ela recebida, varia, dependendo da operação comercial, de 7,5%, 8%, 15% e 16,27%, como se verifica do “Termo de Verificação Fiscal”: “O contrato com a TIM apresenta o percentual de 15% nas compras a prazo e de 16,27% nas compras a vista a ser pago ao distribuidor (Link Celulares) pela TIM como remuneração pela comercialização e distribuição de Cartão pré pago, PIN number e recarga online, percentuais estes que incidirão sobre o valor de venda de cada produto ao cliente final. As cartas de alteração de política comercial alteram de 15% para 12% o valor do desconto para o distribuidor exclusivo da TIM, tanto para pagamentos a vista ou a prazo e determinam como valor obrigatório do desconto a ser observado pelo distribuidor no repasse ao revendedor seja de 8% para as vendas a vista de 7,5% para as vendas a prazo, sobre o valor de face do cartão.” Ensina José Luiz Bulhões Pedreira, que nas operações de conta alheia, como as desenvolvidas pela recorrente, “a receita bruta operacional não é constituída pelo preço dos bens ou serviços vendidos por conta de terceiros, mas da comissão ou remuneração que a empresa aufere”. (Imposto de renda. Rio de Janeiro: Justec, 1971. p. 67). Ou seja, os valores que transitam pela conta bancária não refletem a sua receita bruta. Nesse passo, como bem exposto no brilhante voto exarado pelo Conselheiro Marcos Shigueo Takata, nos autos do Proc. nº 10909.003278/200824, se deve considerar para fins da apuração do lucro real apenas os valores que integram a sua receita bruta: Não há como conceber que a receita da atividade de factoring seja o total dos depósitos bancários, com expurgo de transferências entre contas de mesma titularidade e eventualmente de créditos captados (com a exceção já apreciada alhures). Não resulta dúvida de que a receita de factoring decorrente da aquisição de créditos é a diferença entre o valor a receber ou recebido e o preço pago pela aquisição dos créditos (mesmo no maturity factoring, que não tem prática no País, predomina a doutrina de nele há transferência do risco de crédito: a diferença com o convencional é o pagamento do preço de aquisição se dar só no vencimento dos créditos). Diversamente às atividades de vendas de mercadorias ou de pura prestação de serviços ou da combinação de ambos, na atividade de factoring, o valor dos créditos bancários não representa, nem presumidamente, receita bruta. Na venda de mercadorias, receita bruta é o preço de venda, de modo que é concebível presumir os créditos bancários como a receita bruta não só auferida como recebida. Fl. 5722DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.723 15 O custo das mercadorias é contabilmente registrado em conta de resultado devedora, a conta de CMV (custo de mercadorias vendidas), ou seja, distinta do da receita. O mesmo se processa, com as devidas adaptações, na prestação de serviços pura ou mesmo na combinação dessa com a venda de mercadorias. Não por menos que o coeficiente de arbitramento do lucro (IRPJ), na venda de mercadorias (excetuados combustíveis) é de 8% da receita conhecida acrescidos de 20%. O coeficiente de lucro presumido é de 8% da receita bruta, para fins de IRPJ. Já, na prestação de serviços, em geral, o coeficiente de presunção de lucro é de 32% da receita bruta, e o de arbitramento é de 32% acrescidos de 20% (IRPJ). Não é o que se processa com a atividade de factoring, seja econômica, como contabilmente. A receita bruta da atividade de factoring decorrente da aquisição de créditos é a diferença entre o valor de face dos títulos de crédito e o preço pago por eles. É óbvio que, a par do preço de aquisição das duplicatas, que não é despesa nem custo da factoring, mas compõe a apuração da própria receita bruta dela (representada pela diferença entre o valor de face das duplicatas e o preço por elas pago), há despesas nas quais a factoring incorre. Daí que o coeficiente de presunção do lucro das factorings, independentemente de haver de receita de prestação de serviços típica de factoring (gerenciamento dos recebíveis das empresas, cuidando de seus fluxos de caixa, inclusive da cobrança de duplicatas que não sejam adquiridas pela factoring), é de 32% da receita bruta. E, portanto, o coeficiente de arbitramento do lucro, para apuração do IRPJ, é de 38,4% (32% acrescidos de 20%). (...) De todo o exposto, não vejo como se possa considerar como receitas presumidamente omitidas o total dos créditos bancários, impondose interpretar a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96 em seus devidos termos, de molde a não colidir com a realidade incontestável. Aliás, a presunção legal em questão é relativa, e no caso vertente, de atividade de factoring essa presunção se estabelece nos moldes do que se possa presumivelmente, com o perdão da redundância,considerar receita bruta. Assim, o que se pode presumir como receita omitida é o valor dos créditos bancários, feitos os devidos expurgos, com aplicação do Fator Anfac. Ou seja, é o resultado da aplicação do Fator Anfac nas suas média trimestrais sobre o valor dos créditos bancários referidos trimestrais. Portanto, sobre a questão que ora se discute, assiste razão à recorrente” Fl. 5723DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.724 16 Nessa linha de raciocinar, o lançamento de ofício que considerou receita bruta o montante integral dos valores omitidos se distancia do permissivo legal. Ao considerar a totalidade das receitas que transitaram pela conta da recorrente como receita operacional bruta, exigiuse da recorrente tributo em valor superior ao permitido por lei . Portanto, não se vislumbra outro caminho que não seja a declaração de nulidade do lançamento de ofício sob julgamento. Como conseqüência, no que se refere às contribuições ao PIS e à COFINS, deverseia aplicar o regime cumulativo, conforme mandamento da Lei nº 10.637/02, art. 8o, II, e Lei nº 10.833/03, art. 10, II, em vista do arbitramento. Este fato não ocorreu no caso dos autos, razão pela qual o lançamento reflexo também deve ser anulado. No que tange à perícia requerida pelo recorrente, fundamentada no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, para fins de apuração do lucro real, julgoo improcedente, em razão da imprestabilidade de sua contabilidade para este fim. Quanto à incidência cumulativa de multa de mora e de multa de ofício, é ilegal a sua exigência, sobre a mesma base de cálculo, conforme jurisprudência deste Conselho: “Ementa: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9A30, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art, 44, da Lei n 9,430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. Número do Recurso: 106131314 Turma: PRIMEIRA TURMA Número do Processo: 10510,000679/200219 Tipo do Recurso: RECURSO DO PROCURADOR Matéria: IRPF Recorrente:FAZENDA NACIONAL Interessado(a): CARLOS ROBERTO DA SILVA Data da Sessão: 15/06/2004 09:30:00 Relator(a): Leila Maria Scherrer Leitão Acórdão: CSRF/0104.987 Decisão: NPU NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.” Fl. 5724DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10480.722559/200939 Acórdão n.º 1103001.048 S1C1T3 Fl. 5.725 17 Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.” Desta forma, recebo o recurso voluntário, por preencher os requisitos legais, para, AFASTAR A PRELIMINAR ARGÜIDA e, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO AO RECURSO INTERPOSTO, para anular o lançamento de ofício. Assinado digitalmente Fábio Nieves Barreira Relator Fl. 5725DF CARF MF Impresso em 29/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA
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Numero do processo: 10850.721622/2011-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 16 22 /2 01 1- 89 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Adoto o relatório da DRJ por bem descrever os fatos: “Trata o presente processo da Notificação de Lançamento nº 10.87.39.71.09.8230, no valor de R$ 71.919,73, lavrada em decorrência da entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do segundo semestre de 2008. A interessada foi cientificada da exigência fiscal em 10/06/2011 e apresentou, em 27/06/2011, impugnação cujo conteúdo é resumido a seguir. Inicialmente, após um breve relato dos fatos, a interessada alega nulidade da exigência por ter havido cerceamento de direito de defesa. Diz que o auto de infração não foi devidamente instruído com os documentos que o motivaram e nem mesmo com a DCTF que originou o ilícito tributário. Alega que sem o documento fiscal que motivou a presente multa não pode se defender da autuação. Argumenta que houve cerceamento do seu direito de defesa e pugna pela anulação da multa aplicada. No mérito reclama pela aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei 5.172/66). Sustenta que apresentou a declaração de IRPJ referente ao ano de 2007 e que recolheu todos os tributos devidos que foram declarados na DCTF. No tópico seguinte a contribuinte sustenta a ilegalidade da multa por atraso da DCTF. Diz que somente a Lei pode criar obrigações acessórias e que a exigência de apresentação da DCTF, bem como a imposição de multas, não têm fundamento em lei. Na seqüência a interessada discursa sobre a natureza jurídica das obrigações acessórias, combate a delegação de competência procedida por meio do DecretoLei nº 2.124/84, dizendo que a mesma afronta os princípios da legalidade, da separação dos poderes e da indelegabilidade da competência tributária, e sustenta que as Instruções Normativas que instituem e obrigam a apresentação da DCTF não encontram amparo no ordenamento jurídico. Por fim, no último tópico, a interessada transcreve jurisprudências que, em seu entendimento, sustentam os posicionamentos por ela defendidos. Diante do exposto requer o acolhimento da impugnação, o reconhecimento da nulidade do lançamento e a suspensão da exigibilidade tributária, nos termos do inciso III, art. 151. do CTN.” A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento de que a denúncia espontânea, a teor do artigo 138 do CTN, não se presta ao afastamento de multa decorrente de não cumprimento ou cumprimento em atraso de obrigação acessória. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10850.721622/201189 Acórdão n.º 1801001.574 S1TE01 Fl. 3 3 Regularmente intimada a Recorrente apresenta Recurso Voluntário repetindo os mesmos argumentos lançados em sua impugnação, requerendo ainda subsidiariamente a aplicação de penalidade mínima por não haver imposto a pagar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo. Afasto a preliminar de nulidade por suposto cerceamento de defesa. O Auto de Infração está devidamente fundamentado tendo possibilitado à Recorrente o oferecimento de ampla defesa. O fato de a DCTF apresentada em atraso, objeto da multa, não ter sido anexada ao auto de infração não compromete em nada a defesa da Recorrente, por tratarse de documento do qual possui pleno conhecimento. No mérito a matéria tratada nos autos já foi pacificada nesta turma, assim como sumulada nesta 1º seção, conforme transcrição do voto da Ilustre Relatora, Ana de Barros Fernandes, lançado no acórdão 1801001.523. “O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade de multa, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. “ Quanto à aplicação da penalidade mínima por suposta ausência de valor a pagar na DCTF observase que a multa foi corretamente aplicada tendo por base o valor declarado na respectiva declaração, ainda que integralmente pago. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 Este é o disposto no artigo 10 da IN 695/2006: Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I – de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3 º ; . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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Numero do processo: 13603.002967/2003-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
NORMAS PROCESSUAIS - PRECLUSÃO.
A não apresentação de recurso voluntário torna definitiva a decisão de primeira instância, precluindo o direito de apresentação de recurso especial.
NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO ESPECIAL.
A perfeita comprovação do dissídio jurisprudencial é requisito inafastável para legitimar o recurso especial, sem a qual não pode o recurso ser conhecido.
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, ex-vi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. Se os autos indicam a ocorrência de pagamento, o termo inicial a ser considerado é a data do fato gerador.
ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO - COMPETÊNCIA DO CARF PARA JULGAMENTO. A identificação de co-responsáveis pelo crédito tributário constituído mediante lançamento de oficio remete o exame da atribuição de responsabilidade para o âmbito do processo administrativo tributário regulado pelo Decreto 70.235/72, cujo julgamento em segunda instância compete ao CARF
Numero da decisão: 9101-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, recurso provido com retorno à Câmara a quo. Recurso do Contribuinte: 1) Quanto ao Conhecimento: a) Por unanimidade de votos, recurso não conhecido quanto à convalidação do recurso voluntário de Clésio Wagner de Araújo. b) Por maioria de votos, recurso conhecido quanto à responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). c) Por maioria de votos, recurso não conhecido quanto à possibilidade de arbitramento. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). d) Por unanimidade de votos, recurso de Clésio não conhecido por preclusão. 2) Quanto ao Mérito: a) Por maioria de votos, o colegiado considerou o CARF competente para apreciar o mérito da responsabilidade. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) que entendiam que no caso concreto não haveria essa possibilidade. b) Por maioria de votos, o colegiado decidiu pelo retorno à Câmara a quo para manifestação sobre a responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) que votou pela análise da responsabilidade direta pela CSRF e Karem Jureidini Dias que votou pela nulidade completa da decisão. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. José Eduardo Alckmin OAB-DF 2977.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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José Marcelino de Araújo Clésio Wagner de Araújo ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 NORMAS PROCESSUAIS PRECLUSÃO. A não apresentação de recurso voluntário torna definitiva a decisão de primeira instância, precluindo o direito de apresentação de recurso especial. NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL. A perfeita comprovação do dissídio jurisprudencial é requisito inafastável para legitimar o recurso especial, sem a qual não pode o recurso ser conhecido. DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, exvi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. Se os autos indicam a ocorrência de pagamento, o termo inicial a ser considerado é a data do fato gerador. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPETÊNCIA DO CARF PARA JULGAMENTO. A identificação de co responsáveis pelo crédito tributário constituído mediante lançamento de oficio remete o exame da atribuição de responsabilidade para o âmbito do processo administrativo tributário regulado pelo Decreto 70.235/72, cujo julgamento em segunda instância compete ao CARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 29 67 /2 00 3- 30 Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, recurso provido com retorno à Câmara a quo. Recurso do Contribuinte: 1) Quanto ao Conhecimento: a) Por unanimidade de votos, recurso não conhecido quanto à convalidação do recurso voluntário de Clésio Wagner de Araújo. b) Por maioria de votos, recurso conhecido quanto à responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). c) Por maioria de votos, recurso não conhecido quanto à possibilidade de arbitramento. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). d) Por unanimidade de votos, recurso de Clésio não conhecido por preclusão. 2) Quanto ao Mérito: a) Por maioria de votos, o colegiado considerou o CARF competente para apreciar o mérito da responsabilidade. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) que entendiam que no caso concreto não haveria essa possibilidade. b) Por maioria de votos, o colegiado decidiu pelo retorno à Câmara a quo para manifestação sobre a responsabilidade de José Marcelino de Araújo. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) que votou pela análise da responsabilidade direta pela CSRF e Karem Jureidini Dias que votou pela nulidade completa da decisão. Esteve presente e procedeu à sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. José Eduardo Alckmin OABDF 2977. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Neste processo administrativo discutese exigência da contribuição para o PIS dos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000, exigida mediante auto de infração lavrado contra a empresa Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda., pela constatação de falta de recolhimento. Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 4 3 Foram arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário, os sócios José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo. Do mesmo procedimento de fiscalização resultaram, também, autos de infração relativos a IRPJ e CSLL (Processo nº 13603.002968/200384, principal) e de Cofins (Processo nº 13603.002966/200395). Inicialmente, apresentaram recurso voluntário, nos três processos PLR (dizendose sucessora de Garantia), Clésio e José Marcelino. Anulados os atos processuais (nos três processos) a partir da decisão de primeira instância, inclusive, foi prolatada uma segunda decisão. Dessa segunda decisão apresentaram recurso voluntário: (i) no processo de IRPJ/CSLL, PLR e José Marcelino; (ii) nos processos de PIS e COFINS, apenas Garantia. Nos três processos apresentaram recurso especial Garantia, José Marcelino e Clésio. Os atos processuais assim se desenvolveram Quando do julgamento da impugnação apresentada pela autuada e pelos responsáveis solidários, primeiramente a DRJ em Belo Horizonte o converteu em diligência com a finalidade de ser verificado se se consolidara a incorporação da empresa Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda. pela empresa PLR Comércio e Importação Ltda., tendo a autoridade fiscal encarregada da sua realização chegado à conclusão de que a referida incorporação não se consumara. A partir das informações constantes do relatório da diligência então realizada, a DRJ em Belo Horizonte considerou procedente o lançamento, consoante Acórdão DRJ/BH n° 10.080/2005, tendo a extinta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, mediante Acórdão n° 10322.807, de 06 de dezembro de 2006, anulando essa decisão para que outra fosse proferida, por considerar caracterizado o cerceamento do amplo direito de defesa e do contraditório, em virtude de não ter sido dada ciência do resultado da diligência ao sujeito passivo, impossibilitando sua manifestação a respeito, se fosse do seu interesse. Nova decisão foi prolatada pela DRJ/BH, através do Acórdão n° 02 14.552/2007, mantendo o mesmo entendimento da decisão anterior e, dentre outras matérias, apreciou a responsabilidade pelo crédito tributário sob a égide dos artigos 124, I e 135, II e III, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Dessa nova decisão, apenas a empresa autuada, Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda., apresentou recurso voluntário. Os arrolados em termo de responsabilidade não apresentaram recurso. Em sessão de 26 de junho de 2008 os membros da extinta Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão n° 10196.812 acordaram em, (i) por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento, e ACOLHER a decadência quanto aos fatos geradores até o mês de novembro de 1998, inclusive. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de oficio a 75%. Em face dessa decisão, a representação da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fls. 1.975/77), sendo os mesmos rejeitados por meio do Despacho em Embargos n° 462 (fl. 1.993). Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 5 4 Passo seguinte, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial questionando a decisão no que se refere à decadência. Alega a PGFN que, tendo sido verificada total ausência de pagamento quanto aos créditos tributários em questão, a contagem do prazo decadencial deveria ter sido realizada com base no disposto no art. 173, I, do CTN, e não no art. 150, § 4º do mesmo diploma legal. Junta aos autos, como prova da divergência jurisprudencial alegada, as ementas de dois acórdãos exarados por outros colegiados do Conselho de Contribuintes (Ac. 20401182 e Ac. 10321.025), ambos manifestando a interpretação de que, havendo absoluta falta de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial deve ser realizada com base no disposto no art. 173, I, e não no art. 150, § 4º, ambos do CTN. O recurso especial da PGFN foi admitido, conforme despacho de fls. 2015. Ciente da decisão do Conselho, Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda. ingressou recurso especial nos seguintes termos: “Como razões de Recurso Especial, informa a recorrente que se reporta às razões apresentadas em recurso voluntário e que foi vencida no acórdão recorrido. 0 presente feito tratase de exigência de PIS via tributação reflexa, cujos autos principais são o de número 13603.002968/200384 (IRPJ/CSLL), que ainda se encontram em tramitação perante o CARF, conforme movimentação processual em anexo. Informa a empresa recorrente que as razões de Recurso Especial serão ofertadas quando da interposição de Recurso Especial nos autos principais. “ Nas razões de recurso especial apresentadas pela autuada no processo de IRPJ, alega a recorrente divergência do acórdão recorrido com acórdãos paradigmas, no que tange ao arbitramento de lucros. Diz que “ O acórdão recorrido entendeu que o arbitramento de lucros era possível diante da falta de apresentação de notas fiscais de entrada, restando inviabilizada a verificação do custo das mercadorias vendidas.”, aduzindo que “No acórdão paradigma (em anexo), verificase que a dedutibilidade das despesas deve ser restaurada quando apresentados os documentos fiscais hábeis para tal.” Anexou o Acórdão 110100.069. Aviaram embargos de declaração os responsabilizados José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo, sendo os mesmos rejeitados. Tais sujeitos passivos também aviaram recursos especiais de divergência, além de contrarrazões, requerendo o improvimento do REsp da Procuradoria da Fazenda Nacional. O recurso especial de divergência dos arrolados como sujeitos passivos solidários foi apresentado em conjunto, numa mesma peça, para os três processos (principal, de IRPJ e CSLL, e decorrentes, de PIS e de Cofins), suscitando 4 matérias, cujas interpretações postulam serem levadas à CSRF para uniformização, a saber: . (i) falta de apresentação de recurso voluntário pelo Sr. Clésio Wagner de Araújo; (ii) não conhecimento das razões de recurso do Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 6 5 Sr. José Marcelino de Araújo referentes à declaração de nulidade do Termo de Responsabilidade; (iii) apuração do crédito tributário por arbitramento versus glosa de custos; (iv) eleição da base de cálculo do PIS e da Cofins por dispositivo declarado inconstitucional pelo STF. Pelo despacho 110100.043, de 08/07/2011 (fls. 2153 e seguintes), o Presidente da 1º Câmara da 1ª SEJUL, inicialmente, negou seguimento ao recurso especial das pessoas físicas. Ante o pedido de revisão do despacho, que reclamou de a apreciação dos processos (matriz e decorrentes) ter sido feita de forma independente, o novo Presidente da 1ª Câmara encaminhou os autos ao antigo presidente, prolator do despacho agravado, solicitando sua manifestação a respeito. O autor do despacho agravado proferiu despacho saneador conjunto para os três despachos anteriores, propondo sua anulação, por ter a análise da admissibilidade sido realizada como se autônomos fossem, pois “admitida a decorrência, aplicarseia aos procedimentos reflexivos, no que couber, a mesma decisão dada ao processo matriz.” Afinal, assim se manifestou: “ (...) entendo que o Despacho n° 1101 00.044, datado de 08/07/2011, deve ser retificado apenas quanto à. constatação de que se trata do processo matriz, cuja decisão, quanto à. admissibilidade do recurso especial, no que couber, deve ser estendida aos processos decorrentes, acima enumerados, permanecendo inalterada a rejeição ao seguimento da 4ª divergência, supra transcrita, por falta de previsão regimental, devendo o novo Despacho dessa Presidência da 1ª Câmara instruir o processo principal e os decorrentes.” Aduziu considerações a respeito da 4ª divergência, pela importância do tema, mesmo sem a matéria ter sido préquestionada (inaplicabilidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998). Pondera que é inquestionável o motivo regimental que impõe a inadmissibilidade, mas que também inquestionável o direito que os recorrentes têm de se ver desonerados de ônus fiscal sabidamente indevido. Sugeriu que as autoridades competentes reflitam sobre a viabilidade da regulamentação desse procedimento, que poderia ser feita através da introdução de dispositivo regimental. E assim concluiu seu despacho: Feitas essas considerações, entendo que à luz do atual Regimento Interno do CARF não deve ser dado seguimento à divergência em causa, mantendose o que foi posto no precitado Despacho n° 110100.044, quanto a esse aspecto. O Presidente da 1ª Câmara concordou com o parecer em todos os seus termos, e manteve a decisão exarada no Despacho n° 110100.044, de 08/07/2011, quanto ao seguimento parcial do recurso especial, negando seguimento apenas à 4ª divergência, pela falta de previsão regimental, determinado que o Despacho saneador instruísse os processos decorrentes, aplicandoselhes o mesmo juízo de admissibilidade do processo matriz, no que couber. Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Do Recurso da Fazenda Nacional. O recurso da Fazenda Nacional atende os pressupostos que o legitimam, devendo ser conhecido. A Fazenda Nacional se insurge contra o acórdão na parte que assim decidiu: “ (...) com a exclusão da multa qualificada, viuse que restou afastada a hipótese de ocorrência de "dolo, fraude ou simulação" prevista no art. 150, § 4°, do CTN, o que remete o termo inicial da contagem do prazo decadencial para a data da ocorrência do fato gerador, conforme previsto no mesmo dispositivo legal. Assim, considerandose que a ciência do lançamento ao sujeito passivo se deu em 19/12/2003, devese reconhecer a decadência do direito de constituir o credito tributário relativo aos fatos geradores até novembro de 1998. “ Assenta o voto condutor que o Conselho acolhe o entendimento, apoiado em ampla e conhecida jurisprudência, pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de que o direito do Fisco de constituir o crédito tributário é regulado pelo comando do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, independentemente da apresentação de declarações ou da realização de pagamentos. Apenas se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN. Demonstra a PGFN que essa interpretação diverge da assumida por outros colegiados, que entendem que, na ausência de pagamento, mesmo em se tratando de tributos cuja legislação específica preveja lançamentos por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o previsto no art. 173, I, do CTN. A tese de irrelevância do fato de ter ou não havido pagamento encontrase totalmente superada pela recente jurisprudência deste CARF que, em comprimento ao art. 62A do Regimento, acolhe o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 8 7 I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); II Nas demais situações: II.a Se houve pagamento antecipado: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); II.b Se não houve pagamento antecipado: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); No caso concreto, o crédito relativo aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 1998 poderiam ser lançados nesse mesmo ano, e o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o dia 1º de janeiro de 1999, esgotandose em 31/12/2003. Uma vez que a ciência do lançamento ao sujeito passivo se deu em 19/12/2003, temse por não materializada a decadência, devendo ser provido o recurso da Fazenda Nacional. Do Recurso de Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda. O recurso especial interposto por Garantia Indústria e Comércio Ltda. se reporta às razões declinadas no processo matriz, que tratam de arbitramento dos lucros, não tendo pertinência com a exigência discutida neste processo. Isto posto, não conheço do recurso especial. Do Recurso interposto por José Marcelino de Araújo e Clésio Wagner de Araújo. As pessoas físicas arroladas como responsáveis não apresentaram recurso voluntário. Dispõe o inciso I do art. 42 do Decreto nº 70.235. de 1972, que são definitivas as decisões de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Em princípio, não haveria como conhecer do recurso especial interposto pelas pessoas físicas, uma vez que para elas operouse a preclusão. Ocorre que, no despacho saneador do exame de admissibilidade, admitiuse inadequada a tramitação dos autos de infração matriz e decorrentes em processos separados, e determinouse que o mesmo juízo de admissibilidade do processo matriz fosse aplicado nos decorrentes, no que couber. Assim, aplicando o princípio da decorrência a solução adotada deve ser a mesma do processo matriz, a saber: Não conhecer o recurso especial interposto por Clésio, em razão da preclusão. Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 13603.002967/200330 Acórdão n.º 9101001.937 CSRFT1 Fl. 9 8 Quando ao recurso de José Marcelino, não conhecer no que se refere á primeira matéria (falta de apresentação de recurso voluntário pelo Sr. Clésio Wagner de Araújo) e conhecer e julgar procedente o recurso quanto à segunda matéria (não conhecimento das razões de recurso referentes à declaração de nulidade do Termo de Responsabilidade). A terceira matéria (lucro arbitrado versus glosa de custos) não tem pertinência como o auto de infração de PIS. A quarta matéria (eleição da base de cálculo do PIS e da Cofins por dispositivo declarado inconstitucional pelo STF) não foi admitida , descabendo qualquer análise. Contudo, registro que a matéria arguida não tem pertinência fática com o lançamento litigado, uma vez que os valores que serviram de base de cálculo para o PIS e a COFINS, conforme planilhas constantes dos autos de infração, são aqueles escriturados nos Livros Diário e Razão como receita de venda de mercadorias e de prestação de serviços, e estão de acordo com os valores informados nas DIRPJ. Os valores referentes a “outras receitas”, considerados para fins de lançamento do IRPJ e da CSLL, não foram computados na base de cálculo do PIS e da COFINS. Pelas razões expostas, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para declarar não ocorrida a decadência, não conheço dos recursos interpostos por Garantia Indústria, Comércio e Importação Ltda. e por Clésio Wagner de Araújo, e conheço e dou provimento ao recurso de José Marcelino de Araújo quanto à responsabilização, determinando o retorno dos autos à 1ª SEJUL, para apreciar essa matéria. É como voto. BrasíliaDF, em 15 de maio de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LU IZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002188/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos os depósitos ou investimentos existentes na instituição financeira em relação aos quais o responsável pelo depósito, intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os depósitos ou investimentos existentes na instituição financeira em relação aos quais o responsável pelo depósito, intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia, Odmir Fernandes (Suplente convocado). Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional: Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 88 /2 00 3- 18 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Tratase de Recurso Voluntário da decisão da DRJ de Salvador/BA, que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, do exercício 1998, sobre (a) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e (b) omissão de rendimentos de aluguéis. Autuação a fls.361 a 366. Termo Fiscal a fls. 354 a 360. Decisão recorrida a fls. 415 a 420 manteve a autuação, com a seguinte ementa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. RETROATIVIDADE. As normas que autorizam a comunicação à Receita Federal de informações bancárias e a sua utilização para fins de lançamento do crédito tributário, referindose à produção de provas e aos poderes de investigação, aplicamse aos procedimentos atuais, ainda que relativos a fatos anteriores à promulgação destas normas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o responsável, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso Voluntário a fls. 431 a 452, onde sustenta, em preliminar, nulidade e caducidade da autuação pela falta de observância dos prazos de reintimação do MPF a cada 30 dias, previsto pela Portaria SRF n. 3007/01, quebra do sigilo bancário e decadência. No mérito, sustenta ilegalidade da tributação dos depósitos bancários por não constituírem renda e confisco na fixação da multa. Anoto que o recurso foi admitido e sobrestado na forma do Par. 1º e 2º, do art.62A, Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho. Com a revogação desse dispositivo, pela Portaria n° 545, de 18.11.2013, os autos retornam a julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Tratase de autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, do exercício 1998, sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e omissão de rendimentos de aluguéis. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.002188/200318 Acórdão n.º 2201002.375 S2C2T1 Fl. 3 3 A decisão recorrida manteve a autuação. Não se questiona no recurso a omissão de rendimento de alugueis. Vamos ao exame da omissão de rendimento caracterizada pelos extratos bancários, fornecidos pelo autuado (fls. 23 e sgts. e 171 e segts.) e obtidos por meio de requisição, via Requisição de Movimentação Financeira MPF (fls. 47/48). Em preliminar, sustenta a) nulidade e caducidade da autuação pela falta de observância dos prazos de reintimação do MPF a cada 30 dias, previsto pela Portaria SRF n. 3007/01, b) quebra indevida do sigilo bancário e decadência. Não há qualquer nulidade da autuação pela inobservância dos prazos de intimação da Requisição de Movimentação Financeira RMF. É formalidade que não traz prejuízo ao autuado, pelo menos nada é alegado e demonstrado nesse sentido. E não se pronuncia nulidade sendo ela relativa, isto é que não depende para sua validade da substancia do ato, se dela não resultar prejuízo ao autuado. Também não há nulidade pela quebra do sigilo bancário, matéria de índole constitucional. As Súmulas 2 e 35 deste Conselho afastam a existência de qualquer nulidade no âmbito da administração. Confirase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 35 (Vinculante): O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Afastadas as prejudiciais ao desenvolvimento válido e regular do processo, passase ao exame da decadência, preliminar que envolve o próprio mérito. A exigência é do IRPF, sujeito a ajuste anual, do ano calendário de 1998. A notificação do lançamento (autuação) ocorreu em 16.06.2003 (fls. 360) O início do prazo decadencial, com a existência de pagamento, é o dia 01.01.1999. Confirase: Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Entre 01.01.1999 e a notificação do lançamento, em 16.06.2003, mesmo que se admita haver pagamento, prazo mais favorável ao autuado, não transcorreu lapso temporal superior a cinco anos para se operar a decadência. Afasto assim a decadência. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES 4 No mérito, faz diversas e exaustivas considerações doutrinárias para sustentar a ilegalidade da tributação da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários, por não constituírem renda. Os depósitos bancários podem até não constituir renda, mas se o contribuinte, intimado, não comprovar a origem desses depósitos temos a presunção legal que caracteriza renda, mediante a inversão do ônus da prova, na forma do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996. Confirase na Súmula CARF nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem Não é necessária toda digressão doutrinária feita pelo autuado, a matéria é unicamente de fato, basta comprovar que os depósitos não correspondem a rendimento tributável para se eximir da autuação, mas nada fez, preferiu o poder da exaustiva argumentação sem qualquer comprovação. A multa também não possui reparo. A análise do confisco da multa envolve, necessariamente, o exame constitucionalidade da sua instituição, matéria que foge ao âmbito de competência deste Conselho, a teor da Sumula 2, confirase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, pelo meu voto, nego provimento ao recurso. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 10247.000126/99-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3301-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Bernardo Motta Moreira, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Helder Massaaki Kanamaru e Andrada Márcio Canuto Natal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 47 .0 00 12 6/ 99 -5 9 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10247.000126/9959 Resolução nº 3301000.181 S3C3T1 Fl. 297 2 RELATÓRIO Em 21/12/1999, o contribuinte protocolizou o pedido de compensação, fls. 01/02, com créditos de PIS no valor de R$ 10.613.598,10, para compensar com débitos de IPI vinculado a importação e do imposto de importação que relaciona em seus pedidos. O pedido de compensação veio cumulado com a formulação de denúncia espontânea, fls. 04/11, por meio do qual solicita a extinção das obrigações tributárias, excluindo inclusive a multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN. Informa que questionou judicialmente a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, obtendo êxito nos autos da Ação Rescisória nº 95.01.262545/DF. Contudo como não houve a devolução espontânea dos valores recolhidos indevidamente, a contribuinte ingressou com a ação declaratória cumulada com repetição de indébito, processo nº 1999.34.000201702/DF. A Inspetoria da Receita Federal em Monte Dourado/PA, por meio do Despacho Decisório nº 006/2000, indeferiu o pedido de compensação com a constatação de que o contribuinte não teria obtido a antecipação de tutela no processo nº 1999.34.000201702/DF e também que no processo administrativo nº 10247.000023/9754, o contribuinte pede os mesmos créditos de PIS para os períodos de maio/92 a março/95. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade ressaltando o seu direito, garantido por decisão judicial. A DRJ/Belém do Pará, após solicitar diligências a respeito do andamento do processo judicial, indeferiu a manifestação de inconformidade proferindo acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1999. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto f 70.235/1972 (incluído pela Lei n° 11.196/2005). ASSUNTO: NORMAS ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1999 COMPENSAÇÃO. LIMITAÇÃO JUDICIAL. Se a decisão judicial limitou a possibilidade de compensação com débitos alusivos exclusivamente ao PIS, não pode o contribuinte requerer administrativamente a compensação com débitos do Imposto de Importação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1999 DATA DA DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. MANDADO DE SEGURANÇA. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10247.000126/9959 Resolução nº 3301000.181 S3C3T1 Fl. 298 3 O artigo 170A do CTN (incluído pela Lei nº Complementar n° 104, publicada em 11/01/2001) veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão jurisdicional. Tal dispositivo do CTN tem natureza processual, pois criou uma uma nova hipótese de efeito suspensivo aos recursos judiciais. Logo, possui aplicabilidade imediata. Nesse passo, as unidades da Receita Federal devem admitir a compensação autorizada por decisão judicial vigente, proferida a partir de 11/01/2001, e ainda não transitada em julgado, apenas quando a referida decisão possuir cumulativamente os seguintes requisitos em sua parte dispositiva: (a) determinação do direito ao crédito do sujeito passivo para com a União relativo a tributo administrado pelo fisco federal; (b) reconhecimento, de forma expressa, do direito à compensação de débitos com o referido crédito, antes do trânsito em julgado, ou seja, com o afastamento da aplicação do artigo 170A do CTN.Caso contrário, a compensação deve esperar o trânsito em julgado. Solicitação Indeferida Não concordando com citada decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, reafirmando o seu direito alegando em síntese que tem decisão judicial favorável ao seu direito, que o art. 170A não estava em vigor quando apresentou o pedido de compensação. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10247.000126/9959 Resolução nº 3301000.181 S3C3T1 Fl. 299 4 VOTO Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Consultando o site do STJ, constatei que o processo judicial do contribuinte teve o trânsito em julgado em 12/02/2009, sendo válida a decisão do TRF cuja ementa transcrevese abaixo: "TRIBUTÁRIO. PIS. INEXIGIBILIDADE. COMPENSAÇÃO. CABIMENTO.PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que o direito de pleitear a compensação, ou a restituição do indébito, ocorrerá após cinco anos do fato gerador, acrescidos de mais cinco a partir da homologação tácita. 2. As controvérsias acerca da constitucionalidade das alterações introduzidas pelos Decretosleis n. 2.445 e n. 2.449/88 foram dirimidas pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE n. 148.7542/RJ, DJ 10.09.93, Relator Ministro Carlos Velloso. 3. A base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, conforme redação do parágrafo único do art. 6º da LC 7/70, até a edição da MP 1.212/95. 4. O Superior Tribunal de Justiça entendeu ser possível ao poder judiciário declarar a compensação entre créditos relativos ao pagamento de indébito tributário com débitos oriundos de outros tributos. 5. Por não ser a correção monetária um plus, devem incidir os chamados expurgos inflacionários. 6. Apelação da União e remessa oficial providas, em parte. 7. Recurso adesivo dos autores desprovido." (fl. 264) Em verdade o provimento judicial, smj, foi dado no sentido de reconhecer a não exigibilidade do PIS nos termos dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 e o reconhecimento do direito à compensação das diferenças pagas a maior da exação em comparação com as regras previstas na Lei Complementar nº 07/70, até o período de fevereiro/96, quando entrou em vigor a MP nº 1.212/95. Também o reconhecimento do prazo prescricional de dez anos para o pedido de restituição do indébito, contados a partir do fato gerador. Sem dúvida a jurisprudência deste tribunal administrativo já vem reconhecendo pacificamente esses direitos, conforme se depreende de recente Acórdão proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, processo de relatoria do eminente Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei Fl. 314DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10247.000126/9959 Resolução nº 3301000.181 S3C3T1 Fl. 300 5 complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recursos negados.(Acórdão CSRF nº 9303002.304 3ª Turma, 20/06/2013). Em relação à forma de apuração do PIS devido nos termos da Lei Complementar nº 07/70, matéria já pacificada por meio da Súmula Carf nº 15: Súmula CARF nº 15 (VINCULANTE): A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Portanto o contribuinte protocolou o presente processo de pedido de compensação em 21/12/1999, alegando a existência de créditos de PIS recolhidos indevidamente com base nos Decretos Leis declarados inconstitucionais pelo STF. Estes créditos de PIS seriam referentes aos períodos de apuração de julho/1988 a setembro/1995. No caso o contribuinte só teria direito a pedir os valores pagos a maior a partir do fato gerador de dezembro/1989 até setembro/1995, em face do prazo prescricional de 10 anos. Quanto ao pedido formulado pelo contribuinte, de afastamento das multas de mora, relativas aos débitos tributários a serem compensados, manifesto inicialmente minha discordância, porém esta questão será objeto de deliberação desta turma por ocasião do retorno do processo da diligência. De acordo com o caput do art. 170 do CTN para que a autoridade administrativa possa autorizar a compensação é necessário a existência de créditos líquidos e certos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Compulsando os autos constatase que não há nenhuma prova de que os créditos tributários demandados pelo contribuinte sejam líquidos e certos. Pelo contrário há informações do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação de que o contribuinte havia pedido créditos dos mesmos fatos geradores no processo administrativo nº 10247.000023/9754. Assim, com o objetivo de resguardar eventuais direitos do contribuinte e também no sentido de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, voto no sentido de transformar o julgamento do recurso em diligência para que a autoridade preparadora tome as seguintes providências: 1) intimar o contribuinte a apresentar planilha demonstrativa detalhada dos valores pagos a maior do PIS do período solicitado. Esclarecendo inclusive os critérios de apuração dos valores, fazendo acompanhar de todos os elementos comprobatórios suficientes à verificação e conferência das bases de cálculo e pagamento. Esta providência é de suma importância para verificação da liquidez e certeza do crédito tributário objeto do pedido de compensação; Fl. 315DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10247.000126/9959 Resolução nº 3301000.181 S3C3T1 Fl. 301 6 2) de posse das informações apresentadas pelo contribuinte em atenção ao item 1, elaborar relatório circunstanciado no sentido de verificar se os valores apresentados pelo contribuinte são consentâneos com a realidade e, em havendo créditos favoráveis ao contribuinte se são suficientes para quitar os débitos constantes do pedido de compensação. Conferir se esses créditos não foram objetos de compensação em outros processos administrativos a exemplo do processo administrativo nº 10247.000023/9754, noticiado pelo Despacho Decisório de origem; 3) Dar ciência ao contribuinte do relatório circunstanciado do item 2, abrindo lhe prazo para manifestação complementar, se assim lhe convier. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 17/ 12/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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