Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
10548176 #
Numero do processo: 11080.729645/2017-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/11/2013 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.397
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jul 20 09:00:00 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202405

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/11/2013 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 11080.729645/2017-58

anomes_publicacao_s : 202407

conteudo_id_s : 7100144

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 1201-006.397

nome_arquivo_s : Decisao_11080729645201758.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

nome_arquivo_pdf_s : 11080729645201758_7100144.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2024

id : 10548176

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Jul 20 09:47:17 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1805090919073972224

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-07-18T12:42:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-07-18T12:42:42Z; Last-Modified: 2024-07-18T12:42:42Z; dcterms:modified: 2024-07-18T12:42:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-07-18T12:42:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-07-18T12:42:42Z; meta:save-date: 2024-07-18T12:42:42Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-07-18T12:42:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-07-18T12:42:42Z; created: 2024-07-18T12:42:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2024-07-18T12:42:42Z; pdf:charsPerPage: 1384; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-07-18T12:42:42Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11080.729645/2017-58 ACÓRDÃO 1201-006.397 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 13 de maio de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE IRB-BRASIL RESSEGUROS S.A. RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/11/2013 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.397 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729645/2017-58 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve o auto de infração alegando que o lançamento seria mera decorrência da não homologação das compensações, razão pela qual deveria seguir a mesma sorte. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.397 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729645/2017-58 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.397 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729645/2017-58 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.397 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.729645/2017-58 5 Fl. 173DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito

score : 1.0
10548687 #
Numero do processo: 11080.731181/2018-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2018 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.476
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jul 20 09:00:00 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202405

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2018 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 11080.731181/2018-21

anomes_publicacao_s : 202407

conteudo_id_s : 7101230

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 1201-006.476

nome_arquivo_s : Decisao_11080731181201821.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

nome_arquivo_pdf_s : 11080731181201821_7101230.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2024

id : 10548687

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Jul 20 09:47:18 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1805090919075020800

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-07-18T12:55:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-07-18T12:55:55Z; Last-Modified: 2024-07-18T12:55:55Z; dcterms:modified: 2024-07-18T12:55:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-07-18T12:55:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-07-18T12:55:55Z; meta:save-date: 2024-07-18T12:55:55Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-07-18T12:55:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-07-18T12:55:55Z; created: 2024-07-18T12:55:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2024-07-18T12:55:55Z; pdf:charsPerPage: 1419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-07-18T12:55:55Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11080.731181/2018-21 ACÓRDÃO 1201-006.476 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 13 de maio de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SOFTLINE INTERNATIONAL BRASIL COMERCIO E LICENCIAMENTO DE SOFTWARE EIRELI RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2018 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.476 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.731181/2018-21 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve o auto de infração alegando que o lançamento seria mera decorrência da não homologação das compensações, razão pela qual deveria seguir a mesma sorte. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.476 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.731181/2018-21 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.476 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.731181/2018-21 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.476 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.731181/2018-21 5 Fl. 115DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito

score : 1.0
4833625 #
Numero do processo: 13601.000385/00-70
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. CONEXÃO SUSCITADA E NÃO OBJETO DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA PELA DECISÃO RECORRIDA. A falta de manifestação expressa pela decisão recorrida acerca da conexão entre processos suscitada pela contribuinte não causa nulidade do ato praticado pela autoridade julgadora, quando a referida conexão foi reconhecida por ocasião da transformação do julgamento em diligência. Preliminar rejeitada. IPI - CRÉDITO PRESUMIDO. DESPESAS Havidas com ENERGIA ELETRICA, SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES E SERVIÇOS DE TRANSPORTES ESTADUAIS E INTERESTADUAIS. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica, os serviços de telecomunicações e os serviços de transportes estaduais e interestaduais não caracterizam matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. Em relação ao frete, não restando comprovado que as empresas transportadoras são coligadas, controladas ou controladoras ou interligadas das empresas vendedoras dos insumos, ou que tenha sido cobrado ou debitado do comprador, deve ser excluído da base de cálculo do crédito presumido. Recurso negado.
Numero da decisão: 204-01.084
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade e; II) no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda que davam provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS

dt_index_tdt : Sat Jul 20 09:00:00 UTC 2024

anomes_sessao_s : 200602

ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. CONEXÃO SUSCITADA E NÃO OBJETO DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA PELA DECISÃO RECORRIDA. A falta de manifestação expressa pela decisão recorrida acerca da conexão entre processos suscitada pela contribuinte não causa nulidade do ato praticado pela autoridade julgadora, quando a referida conexão foi reconhecida por ocasião da transformação do julgamento em diligência. Preliminar rejeitada. IPI - CRÉDITO PRESUMIDO. DESPESAS Havidas com ENERGIA ELETRICA, SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES E SERVIÇOS DE TRANSPORTES ESTADUAIS E INTERESTADUAIS. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica, os serviços de telecomunicações e os serviços de transportes estaduais e interestaduais não caracterizam matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. Em relação ao frete, não restando comprovado que as empresas transportadoras são coligadas, controladas ou controladoras ou interligadas das empresas vendedoras dos insumos, ou que tenha sido cobrado ou debitado do comprador, deve ser excluído da base de cálculo do crédito presumido. Recurso negado.

turma_s : Quarta Câmara

dt_publicacao_tdt : Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006

numero_processo_s : 13601.000385/00-70

anomes_publicacao_s : 200602

conteudo_id_s : 7100348

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 204-01.084

nome_arquivo_s : 20401084_131674_136010003850070_008.PDF

ano_publicacao_s : 2006

nome_relator_s : NAYRA BASTOS MANATTA

nome_arquivo_pdf_s : 136010003850070_7100348.pdf

secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade e; II) no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bernardes de Carvalho, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda que davam provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006

id : 4833625

ano_sessao_s : 2006

atualizado_anexos_dt : Sat Jul 20 09:47:25 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1805090919076069376

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-05T20:59:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-05T20:59:34Z; Last-Modified: 2009-08-05T20:59:34Z; dcterms:modified: 2009-08-05T20:59:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-05T20:59:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-05T20:59:34Z; meta:save-date: 2009-08-05T20:59:34Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-05T20:59:34Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-05T20:59:34Z; created: 2009-08-05T20:59:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-08-05T20:59:34Z; pdf:charsPerPage: 2345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-05T20:59:34Z | Conteúdo => ; , awtr ? -.21 22 CC-MF Ministério da Fazenda n. ":1 tO t Segundo Conselho de Contribuintes contdb"s conselho,,a- da Unta° Processo n2 : 13601.000385/00-70 sa•—tAF-9,911— tio jp, — Recurso ni : 131.674 a•P---w31°11 Acórdão n2 : 204-01.084 Non n-• Recorrente : TEKSID DO BRASIL LTDA. Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE CONEXÃO SUSCITADA E NÃO OBJETO DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA PELA DECISÃO RECORRIDA. A falta de manifestação expressa pela decisão recorrida acerca MIN. DA FAZENDA - 2° CC da conexão entre processos suscitada pela contribuinte não causa nulidade do CONFERE Iro ato praticado pela autoridade julgadora, quando a referida conexão foi1:5S,R;GIMItt reconhecida por ocasião da transformação do julgamento em diligência. BRASLIA aí tAt Preliminar rejeitada. VISTO / IPI - CRÉDITO PRESUMIDO. DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELÉTRICA, SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES E SERVIÇOS DE TRANSPORTES ESTADUAIS E INTERESTADUAIS. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matéria-prima de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica, os serviços de telecomunicações e os serviços de transportes estaduais e interestaduais não caracterizam matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final Em relação ao frete, não restando comprovado que as empresas transportadoras são coligadas, • controladas ou controladoras ou interligadas das empresas vendedoras dos insumos, ou que tenha sido cobrado ou debitado do comprador, deve ser excluído da base de cálculo do crédito presumido. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TEKSID DO BRASIL LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade e; II) no mérito, • negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Bemardes de Carvalho, . Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda que davam provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2006. < 244,~' enríque Pinheiro To-S", Presidente Na a1/4113ast s anatta Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Júlio César Alves Ramos. 1 „ Mn 21CC-MF iistério da Fazenda 1,..1 -2Ztj” Segundo Conselho de Contribuintes MIN. DA FAZENDA 2° rn n. , e coNFERE,Qm EIRASP IAQh11.. / .. ,Processo n2 : 13601.000385/00-70 06 Recurso n2 : 131.674 Acórdão n2 : 204-01.084 Recorrente : TEKSID DO BRASIL LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de ressarcimento relativos de créditos do IN acumulados no terceiro trimestre de 2000 decorrente de vendas no mercado interno e de crédito presumido do TI. Foi também apresentado pedido de compensação. A Fiscalização propôs o indeferimento do pedido em virtude de: 1. irregularidades na apuração do crédito presumido do IPI tanto no cálculo da receita de exportação quanto na apuração dos valores relativos a matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem usados no processo produtivo; 2. o estabelecimento se aproveitou de créditos do IPI irregulares, tendo considerado crédito em duplicidade, além de ter lançado R$ 8.785.049,52 sem o devido amparo legal nos meses de abril/2002 a setembro/2003. Em conseqüência a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal da contribuinte encontrando em alguns periodos saldo credor maior que o apontado pela contribuinte e em outros saldo devedor, sendo que o último sobrepujou o primeiro, razão pela qual foi lavrado auto de infração exigindo o crédito tributário que deixou de ser recolhido, formalizado no Processo Administrativo n° 13603.000972/2004-99. O pedido foi deferido parcialmente pela DRF em Contagem - MG, tendo sido homologada a compensação até o limite do crédito concedido no valor de R$ 102.986,06, tendo a contribuinte apresentado manifestação de inconformidade, alegando em sua defesa: 1. faz jus ao total dos créditos do IPI por ela apurados; 2. há necessidade de conexão entre o presente processo e o de n° 13603.000972/2004-99, em virtude de o último ser uma autuação decorrente de glosa de crédito do IPI e reconstituição da escrita fiscal da contribuinte, tendo sido apresentada impugnação; 3. as receitas que a fiscalização entendeu decorrentes de venda de produtos adquiridos de terceiros em verdade são receitas de exportação de produtos por ela industrializados para clientes no exterior que não integram o seu grupo empresarial; 4. foi indevida a exclusão de insumos referentes a aquisições de energia elétrica, serviços de telecomunicações e serviços de transportes estadual e interestadual; 5. portaria n° 38/97 não restringe a aquisições dos insumos glosados pelo Fisco; 6. o Parecer Normativo CST n° 181/74, versando sobre créditos normais do IPI, não menciona aquisições de energia elétrica, serviços de telecomunicações e serviços de transportes estadual e interestadual ; 7. a legislação do LPI não exige que o insumo seja consumido fisicamente no processo industrial para que seja garantido o direito ao crédito do tributo; vèr),/ 2 s. E , . stWs:ss P CC-MF..:..,,, mie Ministério da Fazenda miN. DA FAZENDA - 29 CC Fl. "nrg-kt• Segundo Conselho de Contribuintes '%; "fri-tf > CONFERE CÇ O riGiNib BRASILIA_ra .. 0/ Ivo Processo n2 : 13601.000385/00-70 Recurso n' : 131.674 visto Acórdão n' : 204-01.084 8. as normas subsidiarias para os conceitos constantes das normas que regem o crédito presumido do IPI devem ser aquelas que tratam do PIS e da Cofins, pois o art. 1° da Lei n° 9363/96, citado no caput do art. 3° da referida lei menciona tais contribuições; 9. se aquisições de não-contribuintes do PIS e da Cofins geram direito ao crédito presumido do 1PI, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes, maior razão para se considerar no cálculo do benefício a aquisição de produtos que sofrem a incidência destas contribuições; 10.a Lei n° 9363/96 não prevê as exclusões que o Fisco efetuou; 11. a legislação do PIS e Cotins não cumulativo prevê a energia elétrica e transportes como insumos; 12.a própria fiscalização admitiu que o transporte integra o custo de aquisição do produto quando incluído no seu preço final, sendo que o fiscal apenas segregou os códigos CFOP relativos aos transportes estaduais e interestaduais, sem demonstrar que o custo dos transportes glosados se referem a aquisições FOB, bem como não comprovou que os referidos valores glosados de transportes não integram o custo da mercadoria; e 13. a separação do frete no Livro de Apuração do IPI pode decorrer da não incidência do IPI sobre o frete e da necessidade de se reconhecer o crédito do ICMS sobre o transporte. O processo foi baixado em diligência face à documentação juntada aos autos e a conexão deste processo com o de n° 13603.000972/2004-99, que, por sua vez, foi baixado em diligência. Em resposta à diligência proposta a fiscalização informou, fls. 128/140, que: 1. a fiscalização, para proceder a recomposição da contra gráfica do IPI, apresentou soma de débitos apurados em decorrência da recomposição do crédito presumido do IPI, regulado pela Lei n° 9363/96 e dos débitos decorrentes de glosa de crédito de entradas isentas, não tributadas ou sujeitas à alíquota zero. Todos os valores objeto de pedidos de compensação foram considerados como não compensáveis e devolvidos à empresa mediante crédito na sua escrita; 2. ao final do terceiro trimestre de 2003 a contribuinte possuía um saldo credor de IPI de R$ 2.411.547,90 na sua escrita fiscal e, ainda assim apresentou • PER/DCOMP no valor de R$ 1.636.143,45. Para que pudesse se utilizar deste valor na compensação com outros tributos federais havia a necessidade de estorno do mesmo diretamente no Livro Registro de apuração do IPI, mas ao efetua-lo a contribuinte lançou o valor de R$ 1.636.408,86. O saldo credor ao final do 3° trimestre de 2003, na reconstituição da escrita fiscal da contribuinte, foi de R$ 1857.832,83, superior, portanto, ao solicitado, tendo sido deferido pela DRF em Contagem o valor solicitado (R$ 1.636.143,45). Assim, no mês de dezembro/03, período de apuração em que foi feito o estorno pela empresa, j(foi efetuado lançamento de R$ 1.636.408,86 a título de crédito e o mo valor 3 , . - • „" Z'',% 20 CC-MF -•::,;',,,,-; Ministério da Fazenda Anthi. DA FAZENDA . 2Q ét _ 1,- n. t:.z..,"" Segundo Conselho de Contribuintes CONFEREX O ISI., 4,-;e5.,>;'> BRASILIA i Akv Processo n2 : 13601.000385100-70 Recurso n2n2 : 131.674 VISTO Acórdão n2 : 204-01.084 de R$ 1.636.143,45 a título de débito, visando corrigir o lançamento de estorno feito em valor diferente do objeto de pedido de ressarcimento; 3. para o saldo credor de R$ 540.165,79 apurado no quarto trimestre de 2003, na reconstituição da escrita fiscal da contribuinte não foi adotado o mesmo critério anteriormente mencionado em virtude de o estorno só ter sido feito pela empresa na primeira quinzena de março/04, período este não objeto da reconstituição da escrita contábil da empresa; 4. realmente a glosa efetuada pela fiscalização decorrentes de venda de produtos adquiridos de terceiros, em verdade, são receitas de exportação de produtos industrializados pela contribuinte para clientes no exterior que não integram o seu grupo empresarial, tendo sido, portanto, feita a inclusão de tais receitas no cálculo da receita de exportação; 5. nos meses de novembro e dezembro/02 houve efetivamente receita de exportação no valor de, respectivamente, R$ 16.950.476,34 e R$ 21.345.124,46, tendo sido apurado o crédito presumido do IN para estes meses consolidado no demonstrativo de fl. 143. "No entanto, diferentemente do que foi alegado pelo contribuinte em sua impugnação, ou seja, de que a glosa dos valores da receita de exportação teria acarretado um não aproveitamento de crédito presumido de R$ 515.810,77 e R$ 475.660,81 para os meses de novembro e dezembro de 2002, respectivamente, os registros efetuados no RIPI no primeiro decêndio de janeiro de 2003 comprovam ter havido uma utilização efetiva do crédito presumido de IN nos valores de R$ 316.547,44 e de R$ 230.957,89."; •6. discorre sobre cada uma das linhas constantes das tabelas elaboradas para o cálculo da apuração do crédito presumido do TI, sua função e a quais registros contábeis se referem; 7. em função dos novos valores de glosa do crédito presumido do IPI foram efetuados lançamentos destes valores a título de débito na reconstituição da . escrita fiscal do IPI, anexada ao auto de infração, tendo sido encontrados novos saldos para cada período de apuração, sendo alguns credores e outros devedores, indicando os valores que devem ser, ainda, objeto de cobrança no auto de infração; 8. os novos saldos credores existentes no final de cada trimestre que foram objeto de pedido de ressarcimento de 1PI restam demonstrados na tabela de fl. 136, discriminando em seguida o procedimento adotado e os valores lançados e estornados em cada período e o saldo credor que deve ser deferido em cada pedido de ressarcimento; 9. o saldo credor encontrado para o trimestre calendário, após a reconstituição da escrita fiscal, foi de R$ 102.986,06, observando-se que este valor permaneceu inalterado mesmo após a realização da diligência, ou seja, as receitas de exportações consideradas na diligência não afetaram o saldo credor deste trimestre calendário. "efetuei no primeiro decêndio de outub de 000 o 4 • É-ra, Ministério da Fazenda tv.,N. DA FAZENDA - 2 2 CC 22 CC-MF n. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE ST O i*GINALD •sev.t..5>it BRASILIA 4fjp:fr•f_ Processo n2 : 13601.000385/00-70 ti. .•44.4.to Recurso n* : 131.674 VISTO Acórdão n2 : 204-01.084 lançamento de R$ 163.213,90 a título de crédito, por se referir ao valor do estorno que havia sido efetuado e lancei o valor de R$ 102.986,06 como débito, que deve ser o valor a ser ressarcido relativo ao segundo pedido de ressarcimento"; 10. discorre detalhadamente sobre todos os períodos analisados e os valores a serem ressarcidos por trimestre calendário; 11. os novos saldos de IPI apurados para cada período, quando devedores, continuaram a ser cobrado por meio do auto de infração e, quando credores, foram objeto de ajustes para apuração dos valores a serem deferidos em cada pedido de ressarcimento. A DRJ em Juiz de Fora - MG indeferiu a solicitação da contribuinte por considerar que os custos havidos com energia elétrica, serviços de telecomunicações e serviços de transportes estaduais e interestaduais não podem integrar o cálculo do crédito presumido do IPI, nos moldes estabelecidos pela Lei n° 9363/96. Cientificada em 29/09/05 a contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/10/05 alegando em sua defesa as mesmas razões da inicial acerca das glosas efetuadas em relação a energia elétrica, serviços de telecomunicações e serviços de transportes estadual e interestadual, acrescendo ainda: 1. nulidade da decisão recorrida por não ter sido tratada a conexão suscitada pela empresa do presente processo com o de n° 13603.000972/2004-99, que se refere a auto de infração do IPI referente a ajustes efetuados nas apurações fiscais do tributo, sendo que as glosas efetuadas pela fiscalização serão julgadas defmitivamente no auto de infração, razão pela qual o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI fica atrelado à sorte daquele processo; e 2. a DRJ não se manifestou sobre a conexão suscitada, o que constitui cerceamento de direito de defesa e supressão de instância. É o relatóriU • \lin 5 # ". Ministério da Fazenda MIN. DA FA7.EtT3A - 29 CC CC-MF n. t ,‘" Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE Ari l.1 0,, •RLS;pkos,L BRASEis C/ 4.10 Processo n2 : 13601.000385/00-70 Recurso no : 131.674 - Acórdão n2 : 204-01.084 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANATTA O recurso apresentado encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Em relação à nulidade suscitada pela recorrente é de se observar que, embora na decisão recorrida a autoridade a quo não tenha se manifestado expressamente sobre a conexão suscitada pela recorrente do presente processo com o que n° 13603.000972/2004-99, talsconexão foi acatada deste a fase do processo em que a autoridade julgadora de primeira instância determinou a realização de diligência para que fosse verificada a situação do Processo n° 13603.000972/2004-99, tendo, inclusive, acatado as conclusões da diligência efetuada naquele processo como razões de decidir do presente litígio. Assim sendo, descabe a argüição de nulidade suscitada pela recorrente. Observe-se que a referida conexão embora existindo de fato o direito creditório há de ser apreciado nos processos de ressarcimento/compensação. Se os créditos utilizados pela recorrente forem considerados devidos, desaparece a razão de ser da autuação. Por outro lado, se o direito creditório pretendido for considerado inexistente a autuação há de prosperar. • Assim sendo, o processo referente ao auto de infração só há de ser julgado após o julgamento defmitivo dos processos de ressarcimento/compensação que são aqueles em que se verá analisado o direito creditório. A matéria versando sobre a inclusão de energia elétrica no cálculo do crédito presumido do IPI, foi magistralmente enfrentada pelo ilustre Presidente e Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, quando do julgamento do RV 122.347, razão pela qual adoto o voto no que diz respeito à presente lide. (. . .)Em relação às exclusões efetuadas pela autoridade fiscal quando da apuração dos insuntos consumidos no processo produtivo da reclamante, verifica-se que estas se referem às despesas havidas com energia elétrica. Este Colegiado tem-se nutnifestado, reiteradamente, contra a inclusão na base de cálculo • do crédito presumido das despesas havidas com energia elétrica por não integrar o produto final ou não se desgastar em contato direto com este, por entender que, para efeito da legislação fiscal, a energia eletrica não se caracteriza como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. "De outro modo não poderia ser, senão vejamos: o artigo I° da Lei n° 9.363/96 enumera expressamente os insurnos utilizados no processo produtivo que devem ser considerados na base de cálculo do crédito presumido: matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. A seu turno, o parágrafo único do artigo 3° da Lei n° 9.363/96 determina que seja utilizada, subsidiariamente, a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados — IP! para a demarcação dos conceitos de matérias-primas e produtos intermediários, o que é confirmado pela Portaria ME n° 129, de 05/04/95, em seu artigo 2°, § Preditos conceitos, por sua vez, encontramos no artigo 82, I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 87.981/82, (reproduzido pelo inciso Ido art. 147 do Decreto n° 2.637/1988— RIPI/1988), assim definidos: \IM 6 e• Mal DA . 2 , ce CC-MF `-t-,:‘,,w Ministério da Fazenda t Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE C CR;GlO4.8 •?MUJA 0,,,,z4 Processo n2 : 13601.000385/00-70 Recurso ne : 131.674 Acórdão n2 : 204-01.084 "Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se: 1 — do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de alíquota zero e os isentos, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrializacão salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente." (grifamos) Da exegese desse dispositivo legal tem-se que somente se caracterizam como matéria- prima e ou produto intermediário os insumos empregados diretamente na industrialização de produto final ou que, embora não se integrem a este, sejam consumidos efetivamente em seu fabrico, isto é, sofram, em função de ação exercida efetivamente sobre o produto em elaboração, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. A contrário senso, não integrando o produto final ou não havendo o desgaste decorrentes do contato físico, ou de uma ação direta exercida sobre o produto em fabricação, predito insumo não pode ser considerado como matéria-prima ou produto intermediário. Na esteira desse entendimento já trilhava a Coordenação-Geral do Sistema de Tributação da Receita Federal que, por meio do Parecer Normativo CST n° 65/1979, explicitou quais insumos que mesmo não integrando o produto final podem ser caracterizados como matéria-prima ou produto intermediário: "hão de guardar semelhança com as matérias-primas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida". Verifica-se, portanto, ser incabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido das despesas havidas com energia elétrica já que esta não pode, legalmente, para fins de apuração do benefício em análise, enquadrar-se como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não incide diretamente sobre o produto em fabricação. De igual forma, também não se incluem no cálculo do crédito presumido do TI os custos havidos com serviços de telecomunicações e serviços de transportes estaduais e interestaduais exatamente por não se enquadrarem no conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem trazidos pela legislação do IPI, ou seja não são consumidos, não se desgastam em contato direto com o produto de fabricação. Em realidade estes custos representam despesas operacionais da empresa, que não se confundem com matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, únicos custos que podem ser incluídos no cálculo do crédito presumido do IPI, de acordo com a lei de regência sobre a matéria. No que diz respeito ao frete, é de se observar, ainda que, o art. 15 da Lei n° 7.798/89 introduziu modificações no art. 14 da Lei n°4.502/64, permitindo a inclusão do frete no valor tributável do IPI quando debitado ou cobrado pelo contribuinte ao comprador ou destinatário ou quando realizado ou cobrado por firma coligada, controlada ou controladora ou interligada do estabelecimento contribuinte ou por firma com a qual o contribuinte tenha relação de interdependência, ainda que o frete seja subcontratado. riêt1 7 Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENOA - 2 9 CO CC-MF tkf E.Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE Á;tii CRIGINg, ttlit;eV> BRASIL IA 11...2ea Processo n9 : 13601.000385/00-70 Recurso n9 : 131.674 VISTO -Acórdão n2 : 204-01.084 Todavia a recorrente não trouxe aos autos qualquer comprovação de que o frete tenha sido debitado ou cobrado do comprador, nem que tenha sido realizado ou cobrado por firma com a qual seja coligada, controlada ou controladora ou interligada ou ainda por firma com a qual tenha relação de interdependência. Dissociadas de provas materiais que as sustentem as razões de defesa da contribuinte tomam-se meras alegações e não hão de ser consideradas no julgamento do litígio tratado. Observe-se que a recorrente não apresentou as provas relativas à possibilidade de inclusão do frete no cálculo do crédito presumido do in nem na fase anterior do julgamento — manifestação de inconformidade, nem na fase recursal, embora a DRJ em Juiz de Fora - MG tenha inferido o pleito em relação a esta matéria exatamente por falta de provas que pudessem sustentar as alegações da contribuinte. Ainda assim, a recorrente não trouxe as referidas provas na fase recursal. Desta sorte, não restando comprovado que a empresa transportadora é coligada, controlada ou controladora ou interligada da empresa vendedora dos insumos, nem que tenha sido cobrado ou debitado do comprador, consoante o disposto no art. 15 da Lei n o 7.798/89, não pode ser incluso o frete na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2006. 4%S ATTA. • 8 Page 1 _0071400.PDF Page 1 _0071500.PDF Page 1 _0071600.PDF Page 1 _0071700.PDF Page 1 _0071800.PDF Page 1 _0071900.PDF Page 1 _0072000.PDF Page 1

score : 1.0
10545605 #
Numero do processo: 12571.720368/2012-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. ISENÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SOCIEDADES COOPERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATO COOPERADO. Conforme entendimento pacífico do Poder Judiciário, as exclusões da base de cálculo das contribuições, permitidas pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35/01 e pelo art. 17 da Lei nº 10.684/2003, não se enquadram como uma “isenção parcial” nem como hipótese de “não incidência tributária”. Não é possível apurar créditos relacionados a estes valores recebidos pelas sociedades cooperativas, porém excluídos da base de cálculo, tornando inaplicável ao caso o art. 17 da Lei nº 11.033/2004. O contribuinte não faz jus a créditos da não cumulatividade sobre os custos de aquisição incorridos nos atos cooperativos típicos (aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais), da mesma forma que não deve incluir os valores referentes a estas operações no cálculo do rateio dos créditos, tendo em vista que o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, conforme preceitua o art. 79 da Lei 5.764/71 e já decidido no REsp nº 1.141.667/RS. Logo, não gera “receitas de vendas” mas meros ingressos financeiros. Aplicação imediata e direta da tese fixada no REsp nº 1.141.667/RS: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, nos termos da lei nº 10.637/2002. DIREITO DE CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÃO DE SEMENTES E MUDAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. Nos termos do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.711/2003. A Lei nº 10.711/2003 não estabelece como requisito para fruição do benefício fiscal a indicação de “registro das sementes” na nota fiscal, mas sim o número de inscrição do produtor no RENASEM. O descumprimento de qualquer dos requisitos previstos na Lei nº 10.711/2003 torna a respectiva operação comercial, bem como fornecedores e adquirentes, sujeitos às penalidades e responsabilidades previstas na legislação, e não autoriza a tomada de crédito das contribuições. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. IPI RECUPERÁVEL. O IPI, quando recuperável, não compõe o custo de aquisição e, portanto, não integra a base de cálculo dos créditos das contribuições. O fato do IPI ser recuperável não depende do tratamento a ele conferido pelo contribuinte, mas sim do que fora estabelecido pela legislação, pois a lei não exclui o “IPI efetivamente recuperado”, mas sim o “IPI recuperável”. A lei confere ao contribuinte o direito a recuperar esse valor de IPI na aquisição de insumos; se o contribuinte opta por não faze-lo, isso não altera a natureza jurídica do tributo. Tem o contribuinte direito de pleitear a restituição do IPI pago a maior por conta de não ter, eventualmente, escriturado a crédito o IPI incidente em suas aquisições, desde que dentro do prazo prescricional. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. ICMS – SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA (ICMS-ST). O ICMS-ST não é tributado pelas contribuições, pois não se configura como receita do substituto tributário, que age como mero arrecadador/intermediário do ICMS devido pelo substituído, para repassá-lo ao Estado. Se não houve tributação na etapa anterior, não há como considerar esta parcela do custo de aquisição no cálculo dos créditos da não-cumulatividade. Nesse sentido é a posição pacífica da 2ª Turma do STJ. CONCEITO DE INSUMOS. MATERIAIS DE EMBALAGEM. Os sacos de polipropileno são essenciais à atividade econômica de fabricação e comercialização de ração animal, na medida em que são utilizados como embalagem deste produto. CONCEITO DE INSUMOS. LENHA. ENERGIA TÉRMICA. BENS PARA REVENDA. A lenha utilizada para alimentar as caldeiras que produzirão vapor para secagem de grãos pode ser classificada como insumo do processo de obtenção de grãos secos para armazenagem ou como energia térmica, gerando créditos das contribuições, desde que não seja adquirida de pessoas físicas. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. Os serviços de corte e baldeação de lenhas, realizados nas florestas, são essenciais e relevantes para o processo produtivo de obtenção de lenha para alimentar as caldeiras que irão gerar vapor para secagem dos grãos. CRÉDITO. FRETE ENTRE A COOPERATIVA E OS COOPERADOS. A remessa de produtos entre a cooperativa e seus cooperados, com a utilização de frete contratado junto a terceiros não cooperados, tem natureza jurídica de ato cooperativo típico, ou seja, não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo não há incidência das contribuições, nos termos do quanto decidido no julgamento do REsp 1.141.667/RS, julgado sob o rito previsto para os recursos repetitivos. O frete entre a cooperativa e seus cooperados não pode ser considerado como insumo da cooperativa, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois este dispositivo legal trata da prestação de serviços e da produção de bens destinados à venda, que é operação de mercado, com natureza jurídica distinta do ato cooperativo típico. Inaplicável, na espécie, a hipótese do inciso IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03, que trata de frete na operação de venda, uma vez que não ocorreu venda alguma, mas tão somente uma operação entre cooperados e cooperativa, ato cooperativo típico. CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. É cabível a tomada de créditos sobre encargos de depreciação de itens como balanças, costuradora, carro plataforma, máquinas de limpeza, sistema de captação, filtros de impurezas, secadores e transportadoras, utilizados em estabelecimentos onde é feita a secagem de grãos, desde que não tenham sido adquiridos de pessoas físicas ou não sejam bens usados.
Numero da decisão: 3302-014.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em (i) rejeitar a preliminar de “nulidade do acórdão da DRJ por ausência de motivação” e, (ii) no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter a glosa de créditos referentes a (ii.1) material de embalagens e etiquetas; (ii.2) aquisição de lenha de pessoas jurídicas; (ii.3) serviços aplicados nas fazendas de lenha e na produção de bovinos; e (ii.4) encargos de depreciação, exceto aqueles relacionados à aquisição de bens usados, adquiridos de pessoas físicas, ou de código nº 10844, 10915 e 11149/11193. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jul 20 09:00:00 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202406

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 12571.720368/2012-44

anomes_publicacao_s : 202407

conteudo_id_s : 7099033

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 3302-014.552

nome_arquivo_s : Decisao_12571720368201244.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

nome_arquivo_pdf_s : 12571720368201244_7099033.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em (i) rejeitar a preliminar de “nulidade do acórdão da DRJ por ausência de motivação” e, (ii) no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter a glosa de créditos referentes a (ii.1) material de embalagens e etiquetas; (ii.2) aquisição de lenha de pessoas jurídicas; (ii.3) serviços aplicados nas fazendas de lenha e na produção de bovinos; e (ii.4) encargos de depreciação, exceto aqueles relacionados à aquisição de bens usados, adquiridos de pessoas físicas, ou de código nº 10844, 10915 e 11149/11193. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2024

id : 10545605

ano_sessao_s : 2024

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. ISENÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SOCIEDADES COOPERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATO COOPERADO. Conforme entendimento pacífico do Poder Judiciário, as exclusões da base de cálculo das contribuições, permitidas pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35/01 e pelo art. 17 da Lei nº 10.684/2003, não se enquadram como uma “isenção parcial” nem como hipótese de “não incidência tributária”. Não é possível apurar créditos relacionados a estes valores recebidos pelas sociedades cooperativas, porém excluídos da base de cálculo, tornando inaplicável ao caso o art. 17 da Lei nº 11.033/2004. O contribuinte não faz jus a créditos da não cumulatividade sobre os custos de aquisição incorridos nos atos cooperativos típicos (aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais), da mesma forma que não deve incluir os valores referentes a estas operações no cálculo do rateio dos créditos, tendo em vista que o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, conforme preceitua o art. 79 da Lei 5.764/71 e já decidido no REsp nº 1.141.667/RS. Logo, não gera “receitas de vendas” mas meros ingressos financeiros. Aplicação imediata e direta da tese fixada no REsp nº 1.141.667/RS: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, nos termos da lei nº 10.637/2002. DIREITO DE CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÃO DE SEMENTES E MUDAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. Nos termos do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.711/2003. A Lei nº 10.711/2003 não estabelece como requisito para fruição do benefício fiscal a indicação de “registro das sementes” na nota fiscal, mas sim o número de inscrição do produtor no RENASEM. O descumprimento de qualquer dos requisitos previstos na Lei nº 10.711/2003 torna a respectiva operação comercial, bem como fornecedores e adquirentes, sujeitos às penalidades e responsabilidades previstas na legislação, e não autoriza a tomada de crédito das contribuições. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. IPI RECUPERÁVEL. O IPI, quando recuperável, não compõe o custo de aquisição e, portanto, não integra a base de cálculo dos créditos das contribuições. O fato do IPI ser recuperável não depende do tratamento a ele conferido pelo contribuinte, mas sim do que fora estabelecido pela legislação, pois a lei não exclui o “IPI efetivamente recuperado”, mas sim o “IPI recuperável”. A lei confere ao contribuinte o direito a recuperar esse valor de IPI na aquisição de insumos; se o contribuinte opta por não faze-lo, isso não altera a natureza jurídica do tributo. Tem o contribuinte direito de pleitear a restituição do IPI pago a maior por conta de não ter, eventualmente, escriturado a crédito o IPI incidente em suas aquisições, desde que dentro do prazo prescricional. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. ICMS – SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA (ICMS-ST). O ICMS-ST não é tributado pelas contribuições, pois não se configura como receita do substituto tributário, que age como mero arrecadador/intermediário do ICMS devido pelo substituído, para repassá-lo ao Estado. Se não houve tributação na etapa anterior, não há como considerar esta parcela do custo de aquisição no cálculo dos créditos da não-cumulatividade. Nesse sentido é a posição pacífica da 2ª Turma do STJ. CONCEITO DE INSUMOS. MATERIAIS DE EMBALAGEM. Os sacos de polipropileno são essenciais à atividade econômica de fabricação e comercialização de ração animal, na medida em que são utilizados como embalagem deste produto. CONCEITO DE INSUMOS. LENHA. ENERGIA TÉRMICA. BENS PARA REVENDA. A lenha utilizada para alimentar as caldeiras que produzirão vapor para secagem de grãos pode ser classificada como insumo do processo de obtenção de grãos secos para armazenagem ou como energia térmica, gerando créditos das contribuições, desde que não seja adquirida de pessoas físicas. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. Os serviços de corte e baldeação de lenhas, realizados nas florestas, são essenciais e relevantes para o processo produtivo de obtenção de lenha para alimentar as caldeiras que irão gerar vapor para secagem dos grãos. CRÉDITO. FRETE ENTRE A COOPERATIVA E OS COOPERADOS. A remessa de produtos entre a cooperativa e seus cooperados, com a utilização de frete contratado junto a terceiros não cooperados, tem natureza jurídica de ato cooperativo típico, ou seja, não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo não há incidência das contribuições, nos termos do quanto decidido no julgamento do REsp 1.141.667/RS, julgado sob o rito previsto para os recursos repetitivos. O frete entre a cooperativa e seus cooperados não pode ser considerado como insumo da cooperativa, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois este dispositivo legal trata da prestação de serviços e da produção de bens destinados à venda, que é operação de mercado, com natureza jurídica distinta do ato cooperativo típico. Inaplicável, na espécie, a hipótese do inciso IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03, que trata de frete na operação de venda, uma vez que não ocorreu venda alguma, mas tão somente uma operação entre cooperados e cooperativa, ato cooperativo típico. CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. É cabível a tomada de créditos sobre encargos de depreciação de itens como balanças, costuradora, carro plataforma, máquinas de limpeza, sistema de captação, filtros de impurezas, secadores e transportadoras, utilizados em estabelecimentos onde é feita a secagem de grãos, desde que não tenham sido adquiridos de pessoas físicas ou não sejam bens usados.

atualizado_anexos_dt : Sat Jul 20 09:47:12 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1805090919116963840

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-07-10T12:24:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-07-10T12:24:17Z; Last-Modified: 2024-07-10T12:24:17Z; dcterms:modified: 2024-07-10T12:24:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-07-10T12:24:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-07-10T12:24:17Z; meta:save-date: 2024-07-10T12:24:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-07-10T12:24:17Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-07-10T12:24:17Z; created: 2024-07-10T12:24:17Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 88; Creation-Date: 2024-07-10T12:24:17Z; pdf:charsPerPage: 2095; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-07-10T12:24:17Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 12571.720368/2012-44 ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 18 de junho de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE FRISIA COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. ISENÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SOCIEDADES COOPERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATO COOPERADO. Conforme entendimento pacífico do Poder Judiciário, as exclusões da base de cálculo das contribuições, permitidas pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35/01 e pelo art. 17 da Lei nº 10.684/2003, não se enquadram como uma “isenção parcial” nem como hipótese de “não incidência tributária”. Não é possível apurar créditos relacionados a estes valores recebidos pelas sociedades cooperativas, porém excluídos da base de cálculo, tornando inaplicável ao caso o art. 17 da Lei nº 11.033/2004. O contribuinte não faz jus a créditos da não cumulatividade sobre os custos de aquisição incorridos nos atos cooperativos típicos (aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais), da mesma forma que não deve incluir os valores referentes a estas operações no cálculo do rateio dos créditos, tendo em vista que o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, conforme preceitua o art. 79 da Lei 5.764/71 e já decidido no REsp nº 1.141.667/RS. Logo, não gera “receitas de vendas” mas meros ingressos financeiros. Aplicação imediata e direta da tese fixada no REsp nº 1.141.667/RS: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, nos termos da lei nº 10.637/2002. Fl. 785DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 2 DIREITO DE CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÃO DE SEMENTES E MUDAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. Nos termos do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.711/2003. A Lei nº 10.711/2003 não estabelece como requisito para fruição do benefício fiscal a indicação de “registro das sementes” na nota fiscal, mas sim o número de inscrição do produtor no RENASEM. O descumprimento de qualquer dos requisitos previstos na Lei nº 10.711/2003 torna a respectiva operação comercial, bem como fornecedores e adquirentes, sujeitos às penalidades e responsabilidades previstas na legislação, e não autoriza a tomada de crédito das contribuições. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. IPI RECUPERÁVEL. O IPI, quando recuperável, não compõe o custo de aquisição e, portanto, não integra a base de cálculo dos créditos das contribuições. O fato do IPI ser recuperável não depende do tratamento a ele conferido pelo contribuinte, mas sim do que fora estabelecido pela legislação, pois a lei não exclui o “IPI efetivamente recuperado”, mas sim o “IPI recuperável”. A lei confere ao contribuinte o direito a recuperar esse valor de IPI na aquisição de insumos; se o contribuinte opta por não faze-lo, isso não altera a natureza jurídica do tributo. Tem o contribuinte direito de pleitear a restituição do IPI pago a maior por conta de não ter, eventualmente, escriturado a crédito o IPI incidente em suas aquisições, desde que dentro do prazo prescricional. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. ICMS – SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA (ICMS-ST). O ICMS-ST não é tributado pelas contribuições, pois não se configura como receita do substituto tributário, que age como mero arrecadador/intermediário do ICMS devido pelo substituído, para repassá- lo ao Estado. Se não houve tributação na etapa anterior, não há como considerar esta parcela do custo de aquisição no cálculo dos créditos da não- cumulatividade. Nesse sentido é a posição pacífica da 2ª Turma do STJ. Fl. 786DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 3 CONCEITO DE INSUMOS. MATERIAIS DE EMBALAGEM. Os sacos de polipropileno são essenciais à atividade econômica de fabricação e comercialização de ração animal, na medida em que são utilizados como embalagem deste produto. CONCEITO DE INSUMOS. LENHA. ENERGIA TÉRMICA. BENS PARA REVENDA. A lenha utilizada para alimentar as caldeiras que produzirão vapor para secagem de grãos pode ser classificada como insumo do processo de obtenção de grãos secos para armazenagem ou como energia térmica, gerando créditos das contribuições, desde que não seja adquirida de pessoas físicas. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. Os serviços de corte e baldeação de lenhas, realizados nas florestas, são essenciais e relevantes para o processo produtivo de obtenção de lenha para alimentar as caldeiras que irão gerar vapor para secagem dos grãos. CRÉDITO. FRETE ENTRE A COOPERATIVA E OS COOPERADOS. A remessa de produtos entre a cooperativa e seus cooperados, com a utilização de frete contratado junto a terceiros não cooperados, tem natureza jurídica de ato cooperativo típico, ou seja, não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo não há incidência das contribuições, nos termos do quanto decidido no julgamento do REsp 1.141.667/RS, julgado sob o rito previsto para os recursos repetitivos. O frete entre a cooperativa e seus cooperados não pode ser considerado como insumo da cooperativa, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois este dispositivo legal trata da prestação de serviços e da produção de bens destinados à venda, que é operação de mercado, com natureza jurídica distinta do ato cooperativo típico. Inaplicável, na espécie, a hipótese do inciso IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03, que trata de frete na operação de venda, uma vez que não ocorreu venda alguma, mas tão somente uma operação entre cooperados e cooperativa, ato cooperativo típico. CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. É cabível a tomada de créditos sobre encargos de depreciação de itens como balanças, costuradora, carro plataforma, máquinas de limpeza, sistema de captação, filtros de impurezas, secadores e transportadoras, utilizados em estabelecimentos onde é feita a secagem de grãos, desde Fl. 787DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 4 que não tenham sido adquiridos de pessoas físicas ou não sejam bens usados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em (i) rejeitar a preliminar de “nulidade do acórdão da DRJ por ausência de motivação” e, (ii) no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter a glosa de créditos referentes a (ii.1) material de embalagens e etiquetas; (ii.2) aquisição de lenha de pessoas jurídicas; (ii.3) serviços aplicados nas fazendas de lenha e na produção de bovinos; e (ii.4) encargos de depreciação, exceto aqueles relacionados à aquisição de bens usados, adquiridos de pessoas físicas, ou de código nº 10844, 10915 e 11149/11193. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente processo do Despacho Decisório nº 307/2012 e anexos (fls. 501/543), emitido em 17/12/2012, por meio do qual DRF–Ponta Grossa deferiu parcialmente pedido de ressarcimento veiculado por meio do PER nº 41726.67306.180311.1.1.10-9061 (fls. 02/06), referente a crédito de PIS/Pasep não-cumulativo – Mercado Interno (vendas efetuadas com alíquota zero, não incidência, isenção, ou suspensão das Contribuições), originado no 1º trimestre de 2010, no valor de R$56.348,66. O fundamento para o indeferimento de parte do crédito pleiteado foi exposto no referido despacho decisório, e decorre, em apertada síntese, de glosas de créditos sobre (i) aquisições de bens para revenda, (ii) aquisições de bens e serviços não enquadrados como insumos, (iii) despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda, (iv) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; bem como em razão da reapuração feita pela fiscalização do índice de rateio proporcional aplicado aos custos, despesas e encargos comuns (relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total). Fl. 788DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 5 A decisão contida no Despacho Decisório foi exarada nos seguintes termos, em síntese: RESUMO DO CRÉDITO O contribuinte apurou um crédito total, conforme Dacon, no valor de R$ 205.612,92 tendo descontado o valor referente ao PIS a pagar no montante de R$ 50.378,02, resultando em um crédito total de R$ 155.234,90. Em virtude das glosas o montante do crédito apurado pelo contribuinte teve uma redução no valor de R$ 40.817,97, sendo apurado um montante no trimestre de R$164.794,95. Considerando o saldo do crédito de aquisição no mercado interno, no valor de R$834.949,51, referente ao trimestre anterior, e apropriação de crédito presumido no valor de R$ 32,60, conforme demonstrativo acima, e após as devidas deduções da própria contribuição a pagar, no montante de R$ 50.378,02, temos um saldo remanescente ao final do trimestre, no valor de R$949.399,04, sendo que R$917.474,83, a título de mercado interno tributado, sendo o mesmo passível de compensação somente com débitos da própria contribuição para o PIS; e R$ 31.924,23 a título de mercado interno não tributado, em razão de vendas efetuadas com alíquota zero, não incidência, isenção, ou suspensão das contribuições, passível de ressarcimento/compensação. 3. DECISÃO Com base no parecer retro, que aprovo, faço uso da competência delegada pela Portaria DRF/PTG n° 21, de 11 de abril de 2011, para deferir parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS não cumulativo, mercado interno não tributado, do 2° trimestre de 2010, no valor de R$31.924,23 (Trinta e um mil novecentos e vinte e quatro reais e vinte e três centavos), passível de ressarcimento/compensação, sem atualização monetária, conforme disposto no § 5° do art. 83 da IN/SRF n° 1300/2012, bem como para homologar às compensações até o limite do crédito reconhecido. Regularmente cientificada, a empresa apresentou a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE de fls. 564/609. Em julgamento datado de 27/05/2019, a DRJ-Ribeirão Preto (DRJ-RPO) exarou o Acórdão nº 14-95.213, às fls. 687/712, através do qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com a seguinte Ementa: RESSARCIMENTO. RATEIO. MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO. Para a apuração do índice de rateio no caso de ressarcimento, as exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito segundo o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, não podem ser consideradas como se fossem relativas a receitas do mercado interno não tributadas. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. Somente há que se falar em insumos para geração de créditos a descontar na apuração do PIS/Pasep devido segundo a modalidade não cumulativa quando se tratar de bem que integre o processo produtivo ou de fabricação. Fl. 789DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 6 IPI. RECUPERÁVEL. CRÉDITO. O valor do IPI incidente na aquisição quando recuperável não integra o valor do custo dos bens para efeito de apuração de créditos a descontar no cálculo do PIS/Pasep devido segundo a modalidade não cumulativa, ainda que, no caso concreto, a contribuinte opte por não aproveitar o crédito relativo a esse imposto. ICMS-SUBSTITUIÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. No cálculo do PIS/Pasep devido segundo a modalidade não cumulativa, a contribuinte não pode descontar créditos apurados sobre a parcela do ICMS- Substituição. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado em pedido de ressarcimento é da contribuinte. FRETE. TRANSPORTE ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. Despesas com fretes relacionados ao transporte entre estabelecimentos da contribuinte não dão direito a crédito na apuração do PIS/Pasep sob a modalidade não cumulativa. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. O desconto de créditos no cálculo do PIS/Pasep não cumulativo decorrentes de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado só é possível quando esses bens são adquiridos novos e utilizados na produção dos bens destinados à venda, na prestação de serviços ou para locação a terceiros. CRÉDITO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO BEM ADQUIRIDO. NOTA FISCAL. Para a análise do cabimento ou não do desconto de crédito na apuração do PIS/Pasep devido sob a modalidade não cumulativa, a classificação fiscal do bem adquirido a ser considerada é sempre a que consta na nota fiscal. CEREALISTA. CRÉDITO PRESUMIDO. A compra de cereais classificados nos códigos 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30 da NCM, e soja (1201) efetuadas de cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura gera direito apenas a crédito presumido na apuração do PIS/Pasep com incidência não cumulativa. O contribuinte, tendo tomado ciência da decisão da DRJ em 24/08/2020 (conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, à fl. 715), apresentou Recurso Voluntário em 23/09/2020, às fls. 719/781. É o relatório. Fl. 790DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 7 VOTO Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. I - ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. II – DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Sustenta o recorrente que, apesar de ter cumprido com seu ônus de apresentar provas do seu direito ao crédito, os julgadores de piso mantiveram o indeferimento parcial sob a alegação de carência probatória. Em seu entender, a DRJ não analisou os documentos juntados aos autos e, assim, seria evidente a ausência de motivação na decisão, com a sua consequente nulidade. Apresenta os seguintes fundamentos, em apertada síntese: Em outras palavras: houve vasta dilação probatória, pela qual se gerou justa e fundada expectativa à Recorrente de que seu direito de crédito estava devidamente comprovado nos autos, pois grande parte da documentação foi exigida pela própria Ilma. autoridade administrativa, por duas ocasiões, somada a diligências na própria sede da empresa. Logo, os fundamentos do acórdão recorrido teriam cabimento, quando muito, nas hipóteses em que o contribuinte, mesmo devidamente intimado, se nega ao fornecimento de informações e documentos, o que, repita-se, não resta configurado no presente caso. O que se infere no presente caso, portanto, é uma mera recusa dos Ilmos. julgadores de primeira instância de analisarem as provas produzidas nos autos, que asseguravam o direito de crédito da Recorrente, sob o pretexto da alegada ausência de prova nos autos. Ora, uma vez apresentada a documentação exigida, caberia à Administração Pública a análise da documentação fiscal alusiva ao direito creditório da Recorrente, ainda que por amostragem, deferindo-o acaso constatada a conformidade do pedido com a sistemática da não-cumulatividade particular das contribuições sociais. Em não tendo agido desse modo, a decisão recorrida violou as normas contidas no artigo 31 do Decreto n.º 70.235/72 e artigos 2.º e 50 da Lei 9.784/99, que convergem, necessariamente, com a máxima contida no art. 93, IX da CF/88. E a deferência obrigatória à regra de motivação das decisões é preceito inafastável no âmbito processual administrativo, como bem ressalta a doutrina nacional: (...) Fl. 791DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 8 Assim, comprovada a ausência de motivação da decisão objurgada, impõe-se a decretação de nulidade do acórdão recorrido por vício material, de sorte que seja confirmada, via de consequência, a higidez do crédito que se pretende ver ressarcido. Vejamos os motivos apresentados no acórdão da DRJ para negar provimento à Manifestação de Inconformidade: A solução de consulta mencionada pela contribuinte foi juntada aos autos às fls. 639/650, e de sua leitura se percebe que, não obstante todo o arrazoado ali tecido, em nenhum momento ela vinculou expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, os valores relativos às receitas de revenda de bens a associados e a receita de prestação de serviços aos associados. De igual modo, em nenhum momento essa solução de consulta tratou da possibilidade de ressarcimento dos créditos e muito menos da forma de rateio cabível. Veja-se a sua conclusão: (...) Por outro lado, a Solução de Consulta Cosit nº 65, de 10 de março de 2014, deixou estabelecido que as exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas. Por sua vez, o Parecer PGFN/CAT nº 1425/2014, comentando o entendimento dessa solução de consulta da Cosit, assim dispôs: (...) Desse entendimento da Coordenação Geral de Tributação deflui que, para a apuração do índice de rateio, não há como considerar nenhuma das exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito segundo o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, como se fossem relativas a receitas do mercado interno não tributadas. (...) Diante disso, não há reparos a ser feito no método de rateio adotado pelo auditor-fiscal para apropriação dos créditos. Com relação à glosa de créditos decorrentes da aquisição de sementes, a contribuinte alega que o auditor-fiscal não teria se manifestado sobre a exigência de registro para que essas aquisições se sujeitem à alíquota zero, nos termos do inciso III do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004: (...) Contudo, a manifestante não trouxe aos autos nenhum documento que corroborasse sua alegação de que somente se apropriou de créditos referentes a aquisições de sementes não certificadas. (...) Fl. 792DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 9 Por outro lado, as notas fiscais juntadas às fls. 231, 243 e 244 demonstram que, ao contrário do que afirma a manifestante, ela apropriou sim créditos decorrentes de sementes registradas no Sistema Nacional de Sementes e Mudas, pois na descrição do produto nesses documentos consta o respectivo número no Registro Nacional de Sementes e Mudas – Renasem. Desse modo, conclui-se que não merece nenhum reparo o procedimento do auditor-fiscal ao glosar os créditos relativos às aquisições de sementes, uma vez que esses produtos estão sujeitos à alíquota zero da contribuição. Ressalte-se que a manifestante nada contrapôs especificamente em relação às glosas de outros bens sujeitos à alíquota zero e do produto Áureo, não havendo, pois, litígio em relação a elas. (...) No que tange aos materiais de embalagem, a manifestante alega que os sacos de polipropileno seriam essenciais não apenas para a armazenagem, mas também para a consecução da atividade de venda, razão pela qual, segundo ela, sua aquisição deveria gerar direito ao desconto de crédito na apuração da contribuição devida. Para ela, a classificação da embalagem como destinada a transporte ou ao aformoseamento do produto nada importa para fins de seu enquadramento enquanto insumo. Contudo, conforme acima dito, os critérios da essencialidade e da relevância são aplicados para a determinação dos insumos no processo produtivo. E a distinção entre embalagem de transporte e de apresentação do produto é necessária justamente para definir se ela integra ou não o processo produtivo. No caso concreto, os materiais de embalagem cujos créditos foram glosados são utilizados para transporte da mercadoria e, portanto, não integram o processo produtivo porque são utilizadas após o término deste e, por isso, não podem ser enquadrados como insumo, não importando que sejam essenciais a etapas posteriores. Logo, sua aquisição não gera direito a desconto de créditos. Quanto à lenha, foram dois os motivos da glosa do auditor-fiscal: 1. ela é utilizada indiretamente no processo de fabricação da ração, o que contraria o disposto na Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004; e 2. ela é utilizada na atividade de cerealista exercida pela contribuinte, atividade essa que não se enquadra como industrialização. O primeiro motivo deve ser afastado em face do conceito de insumo estabelecido pelo STJ, uma vez que, embora aplicada indiretamente, a lenha utilizada na alimentação das caldeiras que geram vapor para redução de possíveis micro- organismos é essencial ao processo produtivo, pois a sua falta priva a ração produzida da necessária qualidade. Todavia, o segundo motivo, que não foi diretamente contestado pela manifestante, permanece válido, ou seja, a aquisição de lenha utilizada na Fl. 793DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 10 atividade de cerealista exercida pela contribuinte não pode gerar direito a desconto de créditos, pois essa atividade não se enquadra como industrialização, razão pela qual não há que se falar em insumos. Noutros termos, só se pode falar em insumos quando se trata de processo produtivo, e, como a atividade de cerealista não envolve nenhum processo produtivo ou de fabricação, a lenha utilizada simplesmente para secar os grãos que serão revendidos não pode gerar direito a desconto de créditos na apuração da contribuição devida. Diante disso, e tendo em conta que os documentos carreados aos autos não permitem fazer a necessária distinção entre as finalidades da lenha adquirida, não há como acatar as alegações da contribuinte, devendo ser mantidas as glosas efetuadas pelo auditor-fiscal de todo o crédito decorrente da aquisição de lenha. (...) Ressalte-se que a alegação relativa a créditos vinculados a lenha que se referem a notas fiscais emitidas pela própria manifestante não tem pertinência com o presente processo administrativo, pois não houve essa motivação nas glosas efetuadas pelo auditor-fiscal. O mesmo entendimento acima é aplicado à questão das glosas referentes a despesas com à prestação de serviço de corte e baldeação de lenhas, porque, também em relação a esses custos, seria preciso fazer a distinção entre as finalidades da lenha, uma vez que, como visto, se ela for utilizada na atividade de cerealista não gera direito a desconto de créditos na apuração da contribuição devida. Dessa forma, também nesse ponto, devem ser mantidas as glosas efetuadas pelo auditor-fiscal. Quanto à glosa referente à despesa com prestação de serviços aplicados na produção de bovinos, o auditor-fiscal a fundamentou no fato de que se trata de serviços não aplicados diretamente na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, como a comercialização de cereais ou fabricação de rações. A manifestante, por sua vez, somente reitera os argumentos sobre o conceito de insumo e diz que um dos principais produtos fabricados por seus cooperados é justamente o leite. No entanto, a produção de leite dos cooperados não pode ser justificativa para que ela desconte créditos sobre serviços aplicados na produção própria de bovinos. Ela deveria ter demonstrado que a sua produção de bovinos tem finalidade de venda de produto final, o que ela não faz. O valor muito baixo desses serviços não permite inferir que se trate de uma produção com finalidade de venda de produto final. Note-se, ainda, que o auditor-fiscal glosou expressamente porque esses serviços não são aplicados na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Assim, mais uma vez não há como acolher as alegações da interessada. Fl. 794DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 11 Diga-se que a manifestante nada contrapôs à glosa de aquisições com alíquota zero. Quanto à glosa do crédito integral e o aproveitamento de crédito presumido sobre as compras de produtos in natura de origem vegetal adquiridos de empresas que exerceram a atividade de cerealista, a contribuinte argumenta que o auditor-fiscal não teria observado que no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 2009, consta a expressão “nas hipóteses em que é aplicável”, o que remeteria aos demais requisitos necessários para que seja possível a aplicação da suspensão regulamentada por esse normativo. E o requisito que, segundo a manifestante, seria necessário e não estaria presente no caso em tela seria a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins”, com especificação do dispositivo legal correspondente, que deveria constar da nota fiscal de venda, nos termos do § 2º do art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. Ocorre que a determinação constante do § 2º do art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, é tão somente uma obrigação acessória, a qual, nos termos do art. 113, § 2º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, é aquela obrigação que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Ou seja, a obrigação de que deva constar nas notas fiscais a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins”, com especificação do dispositivo legal correspondente, diz respeito a questões de arrecadação e fiscalização dos tributos, e não de requisitos para que a suspensão se dê, como crê a manifestante. (...) O caso concreto se enquadra perfeitamente no inciso I do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, trata-se de vendas de cereais e soja (Capítulo 10 da Nomenclatura Comum do Mercosul e posição 1201, respectivamente) por pessoa jurídica que exerce a atividade de cerealista, razão pela qual obrigatoriamente a venda deve ser feita com suspensão do PIS/Pasep e da Cofins. A manifestante alega também que o auditor-fiscal não teria comprovado que as empresas seriam cerealistas, mas aqui, mais uma vez, deve-se recordar que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, sendo que, no presente caso, o ônus da prova de que não se trata de cerealista é da contribuinte, para que se demonstre a certeza e a liquidez de alegado direito. Não sendo essa prova produzida nos autos, indefere-se o pleito. Além disso, no processo nº 12571.720364/2012-66, cujo objeto é o pedido de ressarcimento relativo à Cofins do 3º trimestre de 2010, o auditor-fiscal glosou créditos integrais decorrentes de aquisições efetuadas da empresa Antônio Lobascz, a mesma cujos créditos integrais foram aqui glosados. Ocorre que lá a glosa ocorreu também em relação a aquisições em que nas notas fiscais constava Fl. 795DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 12 a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins”, com especificação do dispositivo legal correspondente, isto é, a Lei nº 10.925, de 2004, e a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, o que demonstra que essa empresa exerce atividade de cerealista. Deve-se dizer ainda que, ao contrário do que parece ter entendido a contribuinte, o auditor-fiscal não desconsiderou essas aquisições como se os bens comprados não fossem insumos. Tanto é assim, que ele aproveitou o crédito presumido sobre os valores dessas aquisições. (...) No que se refere ao Imposto sobre Produtos Industrializados, o § 3º, inciso I, do art. 66 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, estabelece que esse tributo incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens para a apuração de créditos a descontar na apuração da contribuição devida: (...) A manifestante alega que, por mais que, em regra, o IPI seja recuperável, ele sempre foi tratado, por ela, como não recuperável, pois não teria escriturado nenhum crédito relativo a esse imposto. O equívoco da contribuinte é entender que a vedação do § 3º do art. 66 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, diria respeito a imposto recuperado, e como, segundo ela, essa recuperação não ocorria, ela poderia apurar créditos sobre o valor desse tributo. Contudo, a redação desse inciso deixa claro que essa vedação se reporta a imposto recuperável, isto é, aqui se diz respeito à natureza do imposto de ser recuperável, nada dizendo da efetiva recuperação ou não em cada caso concreto. Por essa razão, a manifestante não aproveitar os créditos de IPI a que tem direito não altera o fato de que esse imposto, no presente caso, é recuperável, como aliás ela própria reconhece quando afirma que essa é a regra. (...) No que diz respeito ao ICMS-Substituição, a Solução de Consulta nº 106, de 2014, da Coordenação Geral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Cosit) já estabeleceu o entendimento de que esse imposto não integra o valor das aquisições de mercadorias, razão pela qual a pessoa jurídica não pode descontar créditos na apuração da contribuição devida. Veja-se a ementa dessa solução de consulta: (...) Em relação aos fretes referentes a transporte entre as filiais da contribuinte, diga-se que a Solução de Divergência nº 2, de 24/01/2001, da Cosit, já estabeleceu que essas despesas não dão direito a desconto de créditos na apuração da contribuição devida: Fl. 796DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 13 (...) Note-se que a manifestante nada contrapôs especificamente contra as glosas de créditos decorrentes de fretes em razão do transporte se caracterizar como atos cooperativos, que não implicam operação de mercado, e de fretes com números de documentos fiscais utilizados mais de uma vez, não havendo, pois, litígio sobre essas questões. Por fim, quanto aos bens do ativo imobilizado, o art. 3º, inciso VI, da Lei nº 10.637, de 2002, dispõe: (...) No caso concreto, o auditor-fiscal glosou créditos de depreciação relativos a máquinas e equipamentos que não se encontram em unidades produtoras da contribuinte. A glosa efetuada foi descrita expressamente no despacho decisório como se referindo apenas a unidades não produtoras, o que demonstra a improcedência da alegação da manifestante de que ela atingiria eventualmente bens alocados na fábrica de rações. Logo, mais uma vez correto o procedimento do auditor-fiscal, já que esses bens não se enquadram na hipótese do inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, porque não são utilizados na produção de bens destinados à venda. Com referência à aquisição de bens usados que foram incorporados ao ativo imobilizado, a Instrução Normativa SRF nº 457, de 17 de outubro de 2004, que disciplinou a utilização de créditos calculados em relação a encargos de depreciação, dispôs expressamente que é vedada a utilização de créditos nessa hipótese: (...) A razão desse entendimento é o fato de que o § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, dispõe que não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Veja-se que a Solução de Consulta nº 196, de 08/06/2009, da Superintendência Regional da Secretaria da Receita Federal do Brasil – 8ª Região Fiscal, citada pela manifestante, trata de caso diverso do presente, ou seja, de depreciação de bens adquiridos para locação a terceiros, atividade essa que não é exercida pela interessada. E mesmo nesse caso, se os bens adquiridos para locação a terceiros forem usados, não dão direito à apuração de créditos. Esclareça-se, ainda, que, ao contrário do que parece crer a manifestante, os bens imobilizados vendidos pela Com. Ind. Brasileiras Coimbra S.A. não sofreram a incidência da contribuição, pois, nos termos do § 3º, inciso VI, do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, as receitas não operacionais decorrentes da venda de ativo permanente não integram a base de cálculo: (...) Fl. 797DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 14 Assim, verifica-se que agiu corretamente o auditor-fiscal ao glosar os valores decorrentes de depreciações relativas a bens adquiridos usados. No tocante aos bens do imobilizado adquiridos de pessoas físicas, a interessada nada contrapôs em sua manifestação de inconformidade, não havendo, pois, litígio quanto a essa questão. Em relação aos itens do imobilizado denominados “Cláudio”, o auditor-fiscal efetuou a glosa decorrente da depreciação deles porque a contribuinte não logrou definir a composição/descrição dos itens de cada código dos bens. Nesse ponto específico, a manifestante alegou que não existiria nenhum dispositivo legal que a obrigasse a demonstrar individualizadamente os custos incorridos na edificação. Não obstante não haja na legislação determinação expressa para que se demonstre os custos individuais incorridos em edificação, essa demonstração é necessária para que se comprove o valor da edificação e se faça jus ao desconto de créditos decorrentes de sua depreciação. Com efeito, a simples atribuição de um valor total a uma edificação, sem a descrição e comprovação dos custos que compuseram esse valor, não pode ser aceita como prova do direito ao crédito decorrente da depreciação. Como alhures dito, a escrituração da contribuinte deve estar fundamentada em documentos que comprovem as operações registradas. No caso, o valor das edificações deve ser escriturado com a discriminação individualizada dos seus custos, devidamente fundamentados em documentos. Se a contribuinte escriturou corretamente os custos das edificações, poderia tê-los descritos de forma individualizada, para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, o que não logrou fazer. Assim, novamente conclui-se pela correção do procedimento do auditor-fiscal ao efetuar as glosas. Conforme se extrai dos excertos acima transcritos, houve uma extensa fundamentação da decisão a quo, na qual todos os argumentos apresentados pelo recorrente foram analisados e julgados, embora não com o resultado desejado pelo contribuinte. O ponto central de cada motivo para a manutenção do indeferimento parcial foi negritado, para uma melhor identificação, e facilmente se observa que quase todas as razões de decidir foram embasadas em questões de direito, e não em questões de fato, relacionadas a carência probatória. Mesmo quando o colegiado identificou uma ausência de produção de provas, ou produção insuficiente, mantinha a glosa com base também em um argumento “de direito”, ou descrevia a prova apresentada, demonstrando que os documentos juntados faziam prova contrária ao que pretendia o recorrente, como, por exemplo, no caso das sementes, onde a decisão expressamente consignou que “as notas fiscais juntadas às fls. 231, 243 e 244 Fl. 798DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 15 demonstram que, ao contrário do que afirma a manifestante, ela apropriou sim créditos decorrentes de sementes registradas no Sistema Nacional de Sementes e Mudas”. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de “nulidade do acórdão da DRJ por ausência de motivação”. III – DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO GLOSADO – APLICAÇÃO AO CASO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 342/2010 Alega o recorrente que fez constar em sua apuração a rubrica “Receitas da Solução de Consulta”, relacionadas à Solução de Consulta nº 342/2010, pela qual a Receita Federal lhe garantiu o enquadramento de parte de suas receitas decorrentes de ato cooperado como isentas. Afirma que a referida consulta teve por objetivo esclarecer à Recorrente quanto à possibilidade de equiparar à isenção as receitas decorrentes do ato cooperado, nos termos dos art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 e art. 16 da Lei nº 11.116/2005. O objetivo do contribuinte neste tópico, ao defender a equiparação das receitas decorrentes do ato cooperado à isenção, nos termos dos art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, é garantir o seu cálculo de rateio original, permitindo assim um maior percentual de créditos passíveis de ressarcimento, tendo em vista que o Despacho Decisório contestou esse cálculo nos seguintes termos: Na apresentação do rateio utilizado no preenchimento da DACON a contribuinte considerou as receitas da revenda de bens a associados e receita da prestação de serviços aos associados, conforme quadro abaixo: (...) Em relação as receitas de prestação de serviços a própria empresa considera como custos dos serviços prestados as receitas da prestação de serviços aos associados e armazenagem de produção do associado (quadro acima), conforme consta nos arquivos digitais Base NF xx-2009: "Por se tratar de rateio de custos dos serviços prestados e não prestação de serviços, a Cooperativa não emite notas fiscais, sendo que estes valores estão registrados em contas contábeis especificas como segue". O recorrente analisa o fundamento invocado pela DRJ para negar provimento a este pedido, rejeitando-o pelos seguintes argumentos, verbis: Assim, as receitas descritas nas hipóteses acima foram devidamente segregadas das demais receitas do ato cooperado, passando a compor o cálculo do rateio juntamente com outras receitas desoneradas da contribuição. E, dentre os bens adquiridos para revenda nesses termos, encontram-se as sementes, adubos, defensivos agropecuários, produtos químicos orgânicos, todos indevidamente glosados pela Ilma. autoridade administrativa de primeira Fl. 799DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 16 instância, em desacordo com o que prevê a referida Solução de Consulta n.º 342/2010. Impugnada essa questão por meio da manifestação de inconformidade apresentadas nos autos, a argumentação trazida no acórdão recorrido foi no sentido de que (fl. 698): “[...] em nenhum momento ela vinculou expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, os valores relativos às receitas de revenda de bens a associados e a receita de prestação de serviços aos associados. De igual modo, em nenhum momento essa solução de consulta tratou da possibilidade de ressarcimento dos créditos e muito menos da forma de rateio cabível”. Porém, tal entendimento não merece prosperar, deflagrando o primeiro ponto de reforma do entendimento adotado em primeira instância. Ora, ao contrário do que consignado no acórdão recorrido, a Consulta em questão teve por objeto central justamente solucionar se a “exclusão da base de cálculo” aludida no art. 15 da Medida Provisória n.º 2.158-35/2001, se enquadraria nas hipóteses dispostas no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004. E as conclusões lá adotadas, consoante transcrito linhas acima, deixa clara a vinculação das “receitas de revenda de bens a associados” e “receita de prestação de serviços aos associados” ao mencionado art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, ao contrário do que consignado no acórdão recorrido. É o que também se pode observar a partir da fundamentação apresentada na Solução de Consulta em referência, consoante abaixo transcrito: 7. Na realidade, o primeiro ponto a ser enfrentado é o seguinte: art. 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, autoriza manter os créditos vinculados às operações de venda nele descritas [...] 11. Já o art. 15, inciso II, da Medida Provisória n.º 2.158-35, de 2001, fala em: “receita de venda de bens e mercadorias a associados”. A cooperativa poderá descontar créditos (ainda não se está falando de ‘mantê-los’) nos termos do art. 3.º, inciso I, das Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 [...] 12. o art. 15, inciso III, da Medida Provisória n.º 2.158, de 2001, trata de: “receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural [...]”. A cooperativa poderá descontar créditos (repisa-se: ainda não se está falando de ‘mantê-los’) nos termos do art. 3.º, inciso II, das Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 [...] 15. Em primeiro lugar o art. 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, fala em vendas [...] 17. O inciso II do art. 15 da Medida Provisória n.º 2.158, de 2001, fala em “receita de vendas”, o que não gera discussão. Mas o inciso III fala em prestação de serviço, daí a questão: o art. 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, abrange também as prestações de serviços? [...] Em suma, fora da interpretação literal, não há motivos para restringir o art. 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, às vendas de mercadorias, de modo que ele se aplica também às prestações de serviços. Fl. 800DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 17 E, ainda que referida Solução de Consulta não tenha tratado especificamente “forma de rateio cabível”, cuja regra advém da literalidade da lei, a irresignação da Recorrente exposta em sua manifestação de inconformidade está relacionada à completa desconsideração do Ilmo. auditor fiscal às previsões constantes em tal Consulta, para fins de realização da forma de rateio. (...) Portanto, é cogente a aplicação da Solução de Consulta n.º 342/2010 ao presente caso, de modo a afastar, quando do rateio proporcional, a desconsideração pela Ilma. autoridade fiscal das receitas incluídas pela Recorrente, por força do entendimento externado pela própria Receita Federal do Brasil que respaldou a sua conduta. Apesar do inconformismo do recorrente, observo que tem razão o colegiado de piso ao afirmar que a referida Solução de Consulta não tem qualquer relação com o critério de rateio dos custos, despesas e encargos, que é baseado (i) na apropriação direta por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração ou (ii) no rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. É o que determina o art. 3º, § 8º, da Lei nº 10.637/2002: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. A Solução de Consulta n° 342 - SRRF09/Disit, anexada às fls. 621/632, possui a seguinte ementa: COOPERATIVAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. Entre outras hipóteses e respeitados os requisitos do art. 23 da IN SRF n° 635, de 2006, a cooperativa pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, bem como manter, créditos calculados em relação a: a) bens para revenda a associados, adquiridos pela cooperativa e de não associados; b) aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços especializados Fl. 801DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 18 utilizados como insumo na prestação de serviços aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural formação profissional e assemelhadas e na industrialização da produção do associado; e c) armazenagem da produção do associado. Todavia, a cooperativa não pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, tampouco manter, os créditos calculados em relação a: a) repasse de valores aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; e b) receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras. A dúvida apresentada e a conclusão foram redigidas nos seguintes termos, litteris: Relatório A interessada, acima identificada, formula consulta a esta Superintendência sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 2. Em síntese, pergunta se, em termos de créditos, as saídas beneficiadas com exclusão da base de cálculo das referidas contribuições merecem o mesmo tratamento das saídas beneficiadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não- incidência desses mesmos tributos. Fundamentos 3. A consulente informa que suas saídas são beneficiadas pela exclusão da base de cálculo da as contribuições em comento, em função do art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001: (...) 4. Basicamente, a dúvida é se essa "exclusão da base de cálculo" se enquadra no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004: (...) Conclusão 36. À vista do exposto, conclui-se que: 36.1. Entre outras hipóteses e respeitados os requisitos do art. 23 da IN SRF n° 635, de 2006, a cooperativa pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, bem como manter, créditos calculados em relação a: a) bens para revenda a associados, adquiridos pela cooperativa e de não associados; b) aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços especializados utilizados como insumo na prestação de serviços aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas e na industrialização da produção do associado; e c) armazenagem da produção do associado. Fl. 802DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 19 36.2. Todavia, a cooperativa não pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, tampouco manter, os créditos calculados em relação a: a) repasse de valores aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; e b) receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras. Essa conclusão tem por fundamento as exclusões da base de cálculo previstas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24/08/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. Logo, correta a decisão de piso, no sentido de que a referida Solução de Consulta não trata do critério de rateio. No entanto, sendo dever deste Conselho verificar a legalidade dos atos administrativos, inclusive de ofício, deve-se verificar se a legislação permite que o rateio seja calculado da forma pretendida pelo contribuinte, ou se o Auditor-Fiscal estava com a razão em sua apuração. O objetivo do legislador ao estabelecer critérios de rateio no art. 3º, § 8º, da Lei nº 10.637/2002, foi garantir que apenas os insumos efetivamente utilizados em produtos ou serviços sujeitos ao regime não-cumulativo gerassem créditos. Esse rateio se faz necessário pois o contribuinte, por exemplo, pode adquirir insumos através de uma única nota fiscal e utiliza-los para gerar receitas vinculadas tanto à cumulatividade quanto à não-cumulatividade. Além disso, o rateio é necessário porque nem todos os créditos gerados são passíveis de compensação ou ressarcíveis em dinheiro, mas tão somente aqueles vinculados a receitas de exportação ou apurados na forma do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, conforme preceitua a legislação: LEI Nº 10.637/2002 Fl. 803DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 20 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. LEI Nº 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004 estabelece que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Se os valores recebidos por conta de atos cooperativos típicos puderem ser considerados como “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência”, como pretende o contribuinte, teremos duas consequências: a primeira, a possibilidade de que os custos associados a estes ingressos de valores possa gerar créditos; a segunda, a alteração do rateio, de forma que um percentual maior dos créditos apurados possa ser utilizado para ressarcimento, seja através de compensação ou recebimento em dinheiro. Ocorre que o Poder Judiciário vem decidindo, de forma reiterada, que as exclusões da base de cálculo das contribuições devidas pelas sociedades cooperativas não possuem natureza Fl. 804DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 21 jurídica de “isenções parciais” ou sejam “casos de não incidência”. Nesse sentido, os seguintes precedentes: i) Recurso Especial nº 2.076.664/RS, Relatora Ministra REGINA HELENA COSTA, julgamento em 23/06/2023: Trata-se de Recurso Especial interposto por COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL NOVA ALIANÇA LTDA, contra acórdão prolatado, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fl. 340e): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. DIREITO AO APROVEITAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/04 E ART. 16 DA LEI 11.116/05. 1. O STJ reconheceu, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC, a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos típicos (REsp n. 1.164.716/MG, Primeira Seção, julgado em 27/4/2016, DJe de 4/5/2016). 2. As exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS, previstas no art. 15 da MP 2.158/01 e no art. 16 da Lei 10.684/03, não podem ser equiparadas à não incidência ou isenções parciais para fins de apuração de créditos de PIS/COFINS com base no art. 17 da Lei 11.033/04, e não geram direito ao aproveitamento do saldo credor respectivo, amparado no art. 16 da Lei 11.116/05. (...) Feito breve relato, decido. (...) O Tribunal de origem, por sua vez, não afastou completamente a tributação sobre todos os atos da ora Recorrente, mas tão somente sobre os atos cooperativos típicos, "[...] aqueles realizados entre a cooperativa e seus associados, e vice-versa e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, sendo todos os outros atos sujeitos à tributação. São os chamados atos cooperativos típicos ou próprios" (fls. 343e). Assim, concluiu que as exclusões questionadas são apenas ajustes para delimitar a incidência das contribuições sobre as receitas que não decorram de atos cooperativos típicos (fl. 344e): as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS previstas em lei para as cooperativas de produção agropecuária têm o objetivo de limitar a materialidade da incidência das contribuições sobre as receitas que não decorram de atos próprios da cooperativa, tanto é assim que o inciso II do §2º do art. 15 da MP 2.158/01 dispôs que tais operações deveriam ser contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Fl. 805DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 22 A Corte de origem compreendeu, portanto, que tais exclusões não se enquadram no conceito de suspensão, não incidência, isenção ou alíquota zero, previstas no art. 17 da Lei n. 11.033/2004, para efeito de aproveitamento de créditos (fls. 346/347e): [...] Conclui-se, dessa maneira, que a manutenção de créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e o correspondente direito ao ressarcimento estabelecido no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 não guardam qualquer relação com as hipóteses de ajustes da base de cálculo das cooperativas agroindustriais. [...] as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS, previstas no art. 15 da MP 2.158/01 e no art. 16 da Lei 10.684/03, não podem ser equiparadas à não incidência ou isenções parciais para fins de apuração de créditos de PIS/COFINS com base no art. 17 da Lei 11.033/04, e não geram direito ao aproveitamento do saldo credor respectivo, amparado no art. 16 da Lei 11.116/05. [...] A análise de tais exclusões e deduções permite concluir que não se caracterizam como suspensão, não incidência, isenção ou alíquota zero. Essa separação resta clara na IN 635/2006, que prevê separadamente as referidas exclusões e deduções da base de cálculo (art. 11), em relação às suspensões (art. 34), não incidências (art. 35) e isenções (art. 36). Com efeito, o tribunal a quo asseverou que "as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS previstas em lei para as cooperativas de produção agropecuária têm o objetivo de limitar a materialidade da incidência das contribuições sobre as receitas que não decorram de atos próprios da cooperativa, tanto é assim que o inciso II do §2º do art. 15 da MP 2.158/01 dispôs que tais operações deveriam ser contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas" (fl. 343e). (...) Consoante se observa, a Corte de origem busca efetivamente demonstrar que o procedimento de exclusão questionado está relacionado, exclusivamente, com a separação do faturamento da cooperativa para definir o que pode ou não ser tributado, enquanto a Recorrente defende, apenas genericamente, que tal entendimento estaria permitindo a tributação sobre ato cooperativo típico. Desse modo, verifica-se que as razões recursais apresentadas se encontram dissociadas daquilo que restou decidido pelo tribunal de origem, o que caracteriza deficiência na fundamentação do recurso especial e atrai, por analogia, os óbices das Súmulas 283 e 284, do Supremo Tribunal Federal, as quais dispõem, respectivamente: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a Fl. 806DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 23 decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles”; e “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia”. ii) Recurso Especial nº 2.073.859/PR, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, julgamento em 29/05/2023: Trata-se de Recurso Especial interposto, com fulcro no art. 105, III, "a", da Constituição da República, contra acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL. ATOS PRÓPRIOS OU TÍPICOS. NÃO INCIDÊNCIA. DIREITO AO APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. ART. 17 DA LEI 11.033/04 E ART. 16 DA LEI 11.116/05. NÃO CONFIGURADO. 1. O STJ reconheceu, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC, a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos típicos (REsp n. 1.164.716/MG, Primeira Seção, julgado em 27/4/2016, DJe de 4/5/2016). 2. Por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº 1.894.741/RS e n° 1.895.255/RS (tema 1.093), sob o regime dos recursos repetitivos, o STJ pacificou o entendimento no sentido de que a não-cumulatividade do PIS/COFINS não se aplica em situações nas quais não existe dupla ou múltipla tributação. Inaplicabilidade ao caso do art. 17, da Lei 11.033/2004. (...) É o relatório. Decido. (...) Ao dirimir a controvérsia, a Corte regional consignou (fls. 315-318, e-STJ): (...) O STJ reconheceu, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC, a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos típicos, pois não implicam operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, nos seguintes termos: (...) Com relação à incidência do PIS sobre os atos cooperativos próprios, o STJ também já decidiu que esses atos "não geram faturamento ou receita para a sociedade cooperativa. Ausência de base imponível para o PIS. Não-incidência pura e simples. Já os atos não cooperativos revestem-se de nítida feição mercantil e geram receita à sociedade, razão pela qual devem ser tributados" (STJ, EDcl nos EDcl no REsp 718.001/MG, SEGUNDA TURMA, DJe de15/05/2009). Fl. 807DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 24 Portanto, como bem ponderou a sentença de primeira instância, a jurisprudência está pacificada no sentido de que os atos cooperados não geram receita ou faturamento tributável pelo PIS e pela COFINS, caracterizando hipótese de não incidência das contribuições. Apuração de créditos de PIS/COFINS. A impetrante pretende obter o reconhecimento do direito à compensação ou ressarcimento dos créditos, com fundamento nas Leis nºs 11.033/04 e 11.116/05. Como visto alhures, não há incidência de PIS e COFINS sobre os atos cooperativos próprios praticados pela apelante. Deste modo, não há que se falar em direito ao creditamento, pois este pressupõe, fática e juridicamente, incidências múltiplas, que não existem conforme a legislação aplicável ao setor de atividade econômica da parte impetrante. Por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº 1.894.741/RS e n° 1.895.255/RS (tema 1.093), sob o regime dos recursos repetitivos, o STJ pacificou o entendimento no sentido de que a não-cumulatividade do PIS/COFINS não se aplica em situações nas quais não existe dupla ou múltipla tributação. (...) No caso dos autos, considerando que sequer resta configurada receita ou faturamento nos atos próprios praticados pela impetrante, não há como reconhecer a existência do direito ao creditamento por ela pleiteado. (...) Da leitura atenta do Voto condutor, vê-se que o Colegiado originário se manifestou de maneira clara e embasada acerca das questões relevantes para o deslinde do conflito, inclusive daquelas que a recorrente alega terem sido omitidas. Ademais, observa-se que a questão foi decidida após percuciente apreciação dos fatos e das provas relacionados à causa. Diante do arcabouço documental colacionado aos autos, o órgão julgador reconheceu que a recorrente sequer possuía direito ao creditamento do PIS e da COFINS, porque praticados atos cooperativos próprios, os quais não geram receita ou faturamento ─ ou seja, não há incidência de contribuição. Para modificar o entendimento firmado no aresto recorrido, seria necessário exceder as razões nele colacionadas, o que demanda incursão no contexto fático- probatório dos autos, vedada em Recurso Especial conforme dispõe a Súmula 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Os fatos são aqui recebidos tais como estabelecidos pelo Tribunal a quo, senhor na análise probatória. E, se a violação do dispositivo legal invocado perpassa pela necessidade de fixar premissa diversa da que consta do decisum impugnado, inviável o apelo nobre. Fl. 808DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 25 iii) AgInt no Recurso Especial nº 1.239.600/RS, Relator Ministro SÉRGIO KUKINA, julgamento em 04/02/2021: Trata-se de recurso especial fundado no CPC/73, manejado por Cooperativa Agrícola Mista General Osório Ltda., com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fls. 421/422): (...) Opostos embargos declaratórios, foram acolhidos, sem efeitos modificativos, para sanear erro material, em acórdão assim sumariado (fl. 445): (...) As exclusões de base de cálculo da contribuição da COFINS e do PIS previstas no art. 15 da MP n° 2.158-35/2001 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003 e arroladas no art. 11 da IN n° 635/2006, não se afiguram "isenções parciais". O artigo 17 da Lei n° 11.033/04 restringe-se ao regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO). (...) É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. (...) Com relação aos arts. 17 da Lei 11.033/2004; e 16 da Lei 11.116/2005, nota-se que os referidos dispositivos legais não contêm comando capaz de sustentar a tese recursal de que "as exclusões de base de cálculo do PIS e da COFINS ora em análise são, inegavelmente, hipóteses de isenção parcial" (fl. 459), ou mesmo de "não incidência tributária" (fl. 464) nem de infirmar o juízo formulado pelo acórdão recorrido, de maneira que se impõe ao caso concreto a incidência da Súmula 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia."). Por oportuno, destacam-se os seguintes precedentes: AgRg no AREsp 161.567/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26/10/2012; REsp 1.163.939/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2011. iv) Recurso Especial nº 1.253.174/RS, Relatora Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, julgamento em 31/08/2018: Trata-se de Recurso Especial, interposto por COOPERATIVA DOS SUINOCULTORES DO CAÍ LTDA, em 23/11/2010, mediante o qual se impugna acórdão, promanado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: "TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA. PIS E COFINS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15 DA MP: Nº 2.158-35/01, 17 DA LEI Nº 10.684/03 E 11 DA IN SRF Nº 635/06. ISENÇÃO PARCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/04. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 809DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 26 1. As exclusões de base de cálculo das contribuições PIS e COFINS previstas no art. 15 da MP nº 2.158-35/01 e no art. 17 da Lei nº 10.684/03 e arroladas no art. 11 da IN nº 635/06, não se afiguram 'isenções parciais'. 2. O âmbito de incidência do art. 17 da Lei nº 11.033/04 restringe-se ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária - REPORTO, como decorre do texto do diploma legislativo onde inserido tal artigo. 3. Sentença reformada para denegar a segurança" (fl. 181e). No Recurso Especial, manejado com base na alínea a do permissivo constitucional, alega-se violação aos arts. 17 da Lei 11.033/2004 e 16 da Lei nº 11.116/2005. (...) Recurso Especial admitido (fls. 216/217e). O presente recurso não merece prosperar. Encontra-se pacificado, na jurisprudência do STJ, o entendimento de que inexiste direito a creditamento do PIS e da COFINS, no regime não-cumulativo, caracterizado pela incidência monofásica do tributo, porquanto inocorrente, nesse caso, o pressuposto lógico da cumulação. À guisa de mero exemplo, as seguintes ementas: (...) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4°, II, do RISTJ, nego provimento ao Recurso Especial. Como destacado nos precedentes acima colacionados, por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº 1.894.741/RS e n° 1.895.255/RS (tema 1.093), sob o regime dos recursos repetitivos, o STJ pacificou o entendimento no sentido de que a não-cumulatividade do PIS/COFINS não se aplica em situações nas quais não existe dupla ou múltipla tributação: EMENTA: 1. Há pacífica jurisprudência no âmbito do Supremo Tribunal Federal, sumulada e em sede de repercussão geral, no sentido de que o princípio da não cumulatividade não se aplica a situações em que não existe dupla ou múltipla tributação (v.g. casos de monofasia e substituição tributária), a saber: (...) 2. O art. 17, da Lei n. 11.033/2004, muito embora seja norma posterior aos arts. 3º, § 2º, II, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, não autoriza a constituição de créditos de PIS/PASEP e COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto- Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, contudo permite a manutenção de créditos por outro modo constituídos, ou seja, créditos cuja constituição não restou obstada pelas Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003. (...) Fl. 810DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 27 10. Teses propostas para efeito de repetitivo: 10.1. É vedada a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica (arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). 10.2. O benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, não se restringe somente às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO. 10.3. O art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. 10.4. Apesar de não constituir créditos, a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não é incompatível com a técnica do creditamento, visto que se prende aos bens e não à pessoa jurídica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos à não cumulatividade em incidência plurifásica, os quais podem lhe gerar créditos. 10.5. O art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica. No presente caso, não há tributação em fase alguma, em consequência das regras estabelecidas no art. 79 da Lei nº 5.764/71, no art. 15 da MP nº 2.158-35/01 e no art. 17 da Lei nº 10.684/03, deixando ainda mais evidente a impossibilidade do creditamento pleiteado: Lei nº 5.764, de 1971 Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. MP nº 2.158-35, de 2001 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Fl. 811DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 28 I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Lei nº 10.684/03 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1º da Medida Provisória nº 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Embora o texto legal seja expresso nesse sentido, o STJ já confirmou, no julgamento do REsp nº 1.141.667/RS, sob o regime dos recursos repetitivos, a não incidência das contribuições nos atos cooperativos, portanto, nas relações desta cadeia de negócios, envolvendo os atos praticados entre as cooperativas e seus associados, bem como entre estes e aquelas. O ato cooperativo sequer pode ser considerado operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhe-se da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus Fl. 812DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 29 próprios associados (fls. 124), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O Parecer do douto Ministério Público Federal é pelo provimento parcial do Recurso Especial. 5. Recurso Especial parcialmente provido para excluir o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos típicos e permitir a compensação tributária após o trânsito em julgado. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Assim sendo, aplica-se ao caso o art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que vedam a constituição de créditos na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Conforme as teses fixadas em repetitivo pelo STJ, o art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos), não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica, e diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor. Assim, conclui-se que o contribuinte não faz jus a créditos da não cumulatividade sobre os custos incorridos nos atos cooperativos típicos, da mesma forma que não deve incluir os valores referentes a estas operações no cálculo do rateio dos créditos, tendo em vista que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo não gera “receitas de vendas”, mas meros ingressos financeiros. Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. IV – DA GLOSA RELATIVA A AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA Fl. 813DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 30 IV.1 – DA AQUISIÇÃO DE BENS SUBMETIDOS À ALÍQUOTA ZERO E ADQUIRIDOS EM BONIFICAÇÃO, DOAÇÃO OU BRINDE – DIREITO DE CRÉDITO – INAPLICABILIDADE IN CASU DO ART. 3º, § 2º, II, DA LEI Nº 10.833/2003 Alega o recorrente que a aquisição de bens cujas saídas do fornecedor tenha sido escriturada à alíquota zero não está abarcada pelas hipóteses de vedação ao creditamento de PIS/COFINS elencadas no art. 3°, §2º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, notadamente porque a submissão da receita à alíquota zero não se equipara ao não pagamento do tributo, nem sequer à isenção. Vejamos os fundamentos destas alegações, in litteris: A sistemática não-cumulativa das contribuições sociais busca fundamento no artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que autoriza o desconto de créditos calculados em relação à aquisição de bens para revenda: (...) Outrossim, consta no mesmo dispositivo a restrição ao aproveitamento de crédito apontada pela autoridade julgadora, vide o seu § 2º, inciso II: § 2º Não dará direito a crédito o valor: [...] II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) Vale dizer que a única menção feita à alíquota zero pelo dispositivo supracitado é aquela constante da sua parte final, que trata da vedação de creditamento sobre a aquisição de produtos isentos – hipótese diversa do caso concreto – posteriormente empregados na produção de bem ou serviço que se encontre submetido à alíquota zero na saída do estabelecimento adquirente, situação geralmente observada no regime monofásico das contribuições. O que se verifica no caso concreto é que a aquisição de “adubos, defensivos, fertilizantes e sementes” se dá com a efetiva incidência das contribuições na etapa anterior, não obstante seja submetida à alíquota de 0%. Por conseguinte, a vedação contida no artigo 3º, §2º, II da respectiva lei de regência não atinge a hipótese relatada, mas apenas aquela decorrente da aquisição de bens que não se encontram sujeitos ao pagamento do tributo (como a não incidência, isenção ou imunidade) – evento diverso do não recolhimento. Situação semelhante à alíquota zero, são os produtos adquiridos de bonificação, doação ou brinde (5910), em que há a incidência do PIS/COFINS, porém o resultado financeiro encontrado é zero, em decorrência da desoneração da base de cálculo. Fl. 814DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 31 (...) E, caso entendido que as remessas em bonificação não estariam interligadas com as demais aquisições pela Recorrente, deve ser destacar que o entendimento adotado pela Receita Federal do Brasil é o de que aquela configuraria receita de doação do adquirente, sobre a qual haveria a incidência do PIS/COFINS. Não assiste razão ao recorrente. O art. 3°, §2º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 é expresso ao vedar o creditamento sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Ora, se o bens adquiridos eram tributados à alíquota zero, obviamente não ocorreu pagamento algum. A essência da não-cumulatividade é justamente impedir a incidência de nova tributação sobre os tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, deduzindo-se do tributo apurado na etapa posterior aquele pago na etapa anterior. Da mesma forma, no caso dos produtos adquiridos em bonificação, doação ou brinde, o próprio contribuinte afirma que há a incidência do PIS/COFINS (à alíquota zero), mas que também há desoneração da base de cálculo (justamente por conta da alíquota zero), o que conduz ao mesmo resultado, a inexistência de qualquer pagamento da contribuição. Quanto à sua tese sobre a tributação das receitas de doação, apesar de estar correta, chamo a atenção de que o creditamento ocorre sobre as aquisições do contribuinte, e não sobre suas receitas. No presente caso, resta evidente que não existiu essa dupla tributação, não havendo a possibilidade de ocorrer uma “tributação em cascata”. Não há sequer tributo na etapa anterior a ser utilizado para compensar o tributo incidente na etapa posterior. Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. IV.2 – DA AQUISIÇÃO DE SEMENTES – PRODUTOS NÃO SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO – POSSIBILIDADE DE CRÉDITO Alega o recorrente que teria direito ao creditamento porque grande parte das sementes por ele adquiridas não estavam registradas no RENASEM e, portanto, não estavam submetidas à alíquota zero, pois o art. 1º, III, da Lei nº 10.925/2004 dispõe que apenas terá esse benefício as sementes em conformidade com a Lei nº 10.711/2003, ou seja, que tenham registro e certificação no Sistema Nacional de Sementes e Mudas. Apresenta as seguintes razões para sua irresignação, verbis: Nesses termos, a ora Recorrente pautou sua análise com base nos termos dos referidos artigos, quando da aquisição de sementes, com a verificação das notas fiscais de saída dos estabelecimentos produtores, para fins de verificação de sua conformidade no Registro Nacional de Sementes e Mudas – RENASEM. Entretanto, as suas alegações foram afastadas pela DRJ de Ribeirão Preto, mantendo-se a glosa em relação às sementes sem a certificação em questão, sob Fl. 815DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 32 o argumento que “[...] a manifestante não trouxe aos autos nenhum documento que corroborasse sua alegação de que somente se apropriou de créditos referentes a aquisições de sementes não certificadas” (fl. 700 - grifou-se). Essa conclusão, todavia, merece reforma. Ora, nos presentes autos, a ora Recorrente juntou todas as notas fiscais de saída do estabelecimento produtor, pelas quais é possível verificar a efetiva segregação entre aquelas sementes em conformidade com o RENASEM e outras que não atenderam aos critérios da referida Lei n.º 10.711/2003. De fato, basta uma simples análise das notas fiscais anexas ao presente processo administrativo, para constatar a inexistência de registro das sementes adquiridas, principalmente diante da responsabilidade do produtor de indicá-lo, como acima mencionado. A título exemplificativo, confira-se as seguintes notas fiscais: (...) Infere-se que a Nota Fiscal n.º 794 não possui qualquer menção a respeito da certificação das sementes ali descritas. Já na Nota Fiscal n.º 3059 apenas consta a expressão de que se tratam de “sementes fiscalizadas”, mas tampouco há qualquer indicação do Termo de Conformidade de Semente e o respectivo RENASEM. Tais situações forçosamente fazem concluir que as sementes relacionadas às NFs n.º 794 e 3059 não possuíam qualquer certificação e, assim, não estariam submetidas à alíquota 0% de PIS/COFINS. Vejamos, inicialmente, o que consta da Lei nº 10.925/2004: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (...) III - sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.711, de 5 de agosto de 2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção; A Lei nº 10.711/2003, por sua vez, estabelece as seguintes regras: Art. 1º O Sistema Nacional de Sementes e Mudas, instituído nos termos desta Lei e de seu regulamento, objetiva garantir a identidade e a qualidade do material de multiplicação e de reprodução vegetal produzido, comercializado e utilizado em todo o território nacional. (...) Art. 3º O Sistema Nacional de Sementes e Mudas - SNSM compreende as seguintes atividades: I - registro nacional de sementes e mudas - Renasem; Fl. 816DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 33 (...) Art. 7º Fica instituído, no Mapa, o Registro Nacional de Sementes e Mudas - Renasem. Art. 8º As pessoas físicas e jurídicas que exerçam as atividades de produção, beneficiamento, embalagem, armazenamento, análise, comércio, importação e exportação de sementes e mudas ficam obrigadas à inscrição no Renasem. (...) Art. 18. O Mapa promoverá a organização do sistema de produção de sementes e mudas em todo o território nacional, incluindo o processo de certificação, na forma que dispuser o regulamento desta Lei. Art. 19. A produção de sementes e mudas será de responsabilidade do produtor de sementes e mudas inscrito no Renasem, competindo-lhe zelar pelo controle de identidade e qualidade. Parágrafo único. A garantia do padrão mínimo de germinação será assegurada pelo detentor da semente, seja produtor, comerciante ou usuário, na forma que dispuser o regulamento desta Lei. Art. 20. Os padrões de identidade e qualidade das sementes e mudas, estabelecidos pelo Mapa e publicados no Diário Oficial da União, serão válidos em todo o território nacional. Art. 21. O produtor de sementes e de mudas fica obrigado a identificá-las, devendo fazer constar da respectiva embalagem, carimbo, rótulo ou etiqueta de identificação, as especificações estabelecidas no regulamento desta Lei. Art. 22. As sementes e mudas deverão ser identificadas com a denominação "Semente de" ou "Muda de" acrescida do nome comum da espécie. Parágrafo único. As sementes e mudas produzidas sob o processo de certificação serão identificadas de acordo com a denominação das categorias estabelecidas no art. 23, acrescida do nome comum da espécie. Art. 23. No processo de certificação, as sementes e as mudas poderão ser produzidas segundo as seguintes categorias: I - semente genética; II - semente básica; III - semente certificada de primeira geração - C1; IV - semente certificada de segunda geração - C2; V - planta básica; VI - planta matriz; VII - muda certificada. (...) Fl. 817DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 34 Art. 30. O comércio e o transporte de sementes e de mudas ficam condicionados ao atendimento dos padrões de identidade e de qualidade estabelecidos pelo Mapa. Parágrafo único. Em situações emergenciais e por prazo determinado, o Mapa poderá autorizar a comercialização de material de propagação com padrões de identidade e qualidade abaixo dos mínimos estabelecidos. Art. 31. As sementes e mudas deverão ser identificadas, constando sua categoria, na forma estabelecida no art. 23 e deverão, ao ser transportadas, comercializadas ou estocadas, estar acompanhadas de nota fiscal ou nota fiscal do produtor e do certificado de semente ou do termo de conformidade, conforme definido no regulamento desta Lei. Art. 32. A comercialização e o transporte de sementes tratadas com produtos químicos ou agrotóxicos deverão obedecer ao disposto no regulamento desta Lei. (...) Art. 37. Estão sujeitas à fiscalização, pelo Mapa, as pessoas físicas e jurídicas que produzam, beneficiem, analisem, embalem, reembalem, amostrem, certifiquem, armazenem, transportem, importem, exportem, utilizem ou comercializem sementes ou mudas. § 1º A fiscalização de que trata este artigo é de competência do Mapa e será exercida por fiscal por ele capacitado, sem prejuízo do disposto no art. 5o. § 2º Compete ao fiscal exercer a fiscalização da produção, do beneficiamento, do comércio e da utilização de sementes e mudas, sendo-lhe assegurado, no exercício de suas funções, livre acesso a quaisquer estabelecimentos, documentos ou pessoas referidas no caput. (...) Art. 39. Toda semente ou muda, embalada ou a granel, armazenada ou em trânsito, identificada ou não, está sujeita à fiscalização, na forma que dispuser o regulamento. (...) Art. 41. Ficam proibidos a produção, o beneficiamento, o armazenamento, a análise, o comércio, o transporte e a utilização de sementes e mudas em desacordo com o estabelecido nesta Lei e em sua regulamentação. Parágrafo único. A classificação das infrações desta Lei e as respectivas penalidades serão disciplinadas no regulamento. (...) Art. 43. Sem prejuízo da responsabilidade penal e civil cabível, a inobservância das disposições desta Lei sujeita as pessoas físicas e jurídicas, referidas no art. 8º, às seguintes penalidades, isolada ou cumulativamente, conforme dispuser o regulamento desta Lei: Fl. 818DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 35 (...) Parágrafo único. A multa pecuniária será de valor equivalente a até 250% (duzentos e cinquenta por cento) do valor comercial do produto fiscalizado, quando incidir sobre a produção, beneficiamento ou comercialização. (...) Art. 45. As sementes produzidas de conformidade com o estabelecido no caput do art. 24 e denominadas na forma do caput do art. 22 poderão ser comercializadas com a designação de "sementes fiscalizadas", por um prazo máximo de 2 (dois) anos, contado a partir da data de publicação desta Lei. A tese da defesa é de que existem (i) sementes e mudas vendidas com alíquota zero para o PIS/Cofins, caso possuam registro e certificação no Sistema Nacional de Sementes e Mudas e (ii) sementes e mudas vendidas com alíquota normal para o PIS/Cofins, caso não possuam tal registro e certificação. Nesse contexto, o recorrente teria adquirido parte de suas sementes e mudas sem registro e certificação, o que lhe permitiria o creditamento sobre o valor de aquisição de tais produtos. Contudo, ao analisar a analisar a Lei nº 10.711/2003, observa-se que não existe tal opção. O art. 8º determina que todas as pessoas físicas e jurídicas que exerçam as atividades de produção, beneficiamento, embalagem, armazenamento, análise, comércio, importação e exportação de sementes e mudas ficam obrigadas à inscrição no Renasem; e o art. 21 estabelece que o produtor de sementes e de mudas fica obrigado a identificá-las, devendo fazer constar da respectiva embalagem, carimbo, rótulo ou etiqueta de identificação, as especificações estabelecidas no regulamento da Lei nº 10.711/2003. O art. 31, por sua vez, determina que as sementes e mudas deverão ser identificadas, constando sua categoria, e deverão, ao ser transportadas, comercializadas ou estocadas, estar acompanhadas de nota fiscal ou nota fiscal do produtor e do certificado de semente ou do termo de conformidade. Como se verifica, não há qualquer dispositivo legal que estabeleça a obrigatoriedade de constar na nota fiscal o registro das sementes. O art. 31 da Lei nº 10.711/2003 estabelece apenas que as sementes e mudas deverão, ao ser transportadas, comercializadas ou estocadas, “estar acompanhadas de nota fiscal ou nota fiscal do produtor e do certificado de semente ou do termo de conformidade”. O documento comprobatório do atendimento às regras estabelecidas na Lei nº 10.711/2003 e em seu regulamento é o “certificado de semente” ou o “termo de conformidade”. Em verdade, sequer existe um “registro das sementes”; o que a Lei nº 10.711/2003 determina, em seu art. 8º, é a obrigatoriedade do fornecedor estar inscrito no Renasem, e no art. 21 impõe que o produtor de sementes e de mudas fica obrigado a identificá-las, devendo fazer constar da respectiva embalagem, carimbo, rótulo ou etiqueta de identificação (e não na nota fiscal), as especificações estabelecidas no regulamento desta Lei. Fl. 819DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 36 A tese do contribuinte também não se sustenta porque a Lei nº 10.711/2003 proíbe a produção, venda, transporte, etc., de sementes e mudas que não estejam em conformidade com as regras lá estabelecidas, conforme consta dos arts 30 e 41, que transcrevo mais uma vez: Art. 30. O comércio e o transporte de sementes e de mudas ficam condicionados ao atendimento dos padrões de identidade e de qualidade estabelecidos pelo Mapa. (...) Art. 41. Ficam proibidos a produção, o beneficiamento, o armazenamento, a análise, o comércio, o transporte e a utilização de sementes e mudas em desacordo com o estabelecido nesta Lei e em sua regulamentação. Ora, não há como interpretar que o descumprimento de uma obrigação legal, à qual o adquirente também está submetido, por força do disposto nos arts. 37 e 41, possa lhe beneficiar com o direito ao crédito de PIS/Cofins enquanto outros contribuintes que cumprem com as referidas regras ficam impedidos de tal creditamento. Observe-se que o art. 41 determina expressamente que “fica proibida a utilização de sementes e mudas em desacordo com o estabelecido nesta Lei e em sua regulamentação”. Tal situação iria se constituir numa violação ao princípio geral de direito segundo o qual “ninguém pode se beneficiar da própria torpeza” – nemo auditur propriam turpitudinem allegans. Se realmente o recorrente adquiriu sementes em desconformidade com as regras da Lei nº 10.711/2003, a consequência não é a obtenção do direito ao creditamento, mas sim sua sujeição à multa pecuniária de valor equivalente a até 250% do valor comercial do produto, sem prejuízo da responsabilidade penal e civil cabível, tudo nos termos do art. 43 da Lei nº 10.711/2003. O Decreto nº 5.123, de 23/07/2004, regulamentou em seu anexo a Lei nº 10.711/2003. Analisando os dispositivos do referido decreto, verifica-se de imediato a inexistência de qualquer regra determinando que deva constar da nota fiscal algum tipo de “atestado de conformidade” nem muito menos algum “registro das sementes”. Tal comprovação de conformidade com a Lei nº 10.711/2003 se dá através de outros elementos, no caso, a embalagem e/ou os já referidos “certificado de semente” ou o “termo de conformidade”. Senão vejamos na literalidade do Decreto nº 5.123/2004: CAPÍTULO V DA PRODUÇÃO E DA CERTIFICAÇÃO DE SEMENTES OU DE MUDAS Art. 24. O sistema de produção de sementes e de mudas, organizado na forma deste Regulamento e de normas complementares, tem por finalidade disponibilizar materiais de reprodução e multiplicação vegetal, com garantias de identidade e qualidade, respeitadas as particularidades de cada espécie. Fl. 820DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 37 Art. 25. A produção de sementes e de mudas deverá obedecer às normas e aos padrões de identidade e de qualidade, estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, publicados no Diário Oficial da União. Art. 26. As atividades de produção e certificação de sementes e de mudas deverão ser realizadas sob a supervisão e o acompanhamento do responsável técnico, em todas as fases, inclusive nas auditorias. Parágrafo único. A emissão do termo de conformidade e do certificado de sementes ou de mudas será, respectivamente, de responsabilidade do responsável técnico e do certificador. Art. 27. A certificação do processo de produção de sementes e de mudas será executada por certificador ou entidade certificadora, mediante o controle de qualidade em todas as etapas da produção, incluindo o conhecimento da origem genética e o controle de gerações, com o objetivo de garantir conformidade com o estabelecido neste Regulamento e em normas complementares. Art. 28. A certificação da produção será realizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pela entidade de certificação ou certificador de produção própria, credenciados na forma do art. 7º deste Regulamento. (...) Art. 30. As sementes e as mudas deverão ser identificadas com a denominação: "Semente de" ou "Muda de", acrescida do nome comum da espécie ou, quando for o caso, do nome científico. Parágrafo único. As sementes e as mudas produzidas sob o processo de certificação serão identificadas de acordo com a denominação das categorias estabelecidas, respectivamente, nos arts. 58 e 60 deste Regulamento, acrescidas do nome comum da espécie ou, quando for o caso, do nome científico. Art. 31. A identificação do certificador deverá ser expressa na embalagem, diretamente ou mediante fixação de etiqueta, contendo: nome, CNPJ ou CPF, endereço e número do credenciamento no RENASEM. (...) Seção I Da Produção de Sementes (...) Art. 39. A identificação das sementes deverá ser expressa em lugar visível da embalagem, diretamente ou mediante rótulo, etiqueta ou carimbo, escrito no idioma português, contendo, no mínimo, as seguintes informações: (...) Fl. 821DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 38 § 1º Deverão também constar da identificação o nome, CNPJ ou CPF, endereço e número de inscrição no RENASEM do produtor de semente, impressos diretamente na embalagem. § 2º Quando se tratar de embalagens de tipo e tamanho diferenciados, as exigências previstas no § 1º poderão ser expressas na etiqueta, rótulo ou carimbo. (...) CAPÍTULO VII DO COMÉRCIO INTERNO DE SEMENTES E DE MUDAS (...) Art. 89. Na comercialização, no transporte ou armazenamento, a semente ou muda deve estar identificada e acompanhada da respectiva nota fiscal de venda, do atestado de origem genética, e do certificado de semente ou muda ou do termo de conformidade, em função da categoria ou classe da semente ou da muda. (...) Art. 91. No que se refere a este Regulamento, a nota fiscal deverá apresentar, no mínimo, as seguintes informações: I - nome, CNPJ ou CPF, endereço e número de inscrição do produtor no RENASEM; II - nome e endereço do comprador; III - quantidade de sementes ou de mudas por espécie, cultivar e porta-enxerto, quando houver; e IV - identificação do lote. (...) Seção V Do Processo de Produção e de Certificação (...) Art. 163. A identificação das sementes e das mudas das espécies previstas neste Capítulo, sem prejuízo do estabelecido nos arts. 39 e 53 deste Regulamento e normas complementares, dar-se-á em lugar visível da embalagem, por rótulo, etiqueta ou carimbo, contendo as seguintes informações em língua portuguesa: (...) CAPÍTULO XIII DAS PROIBIÇÕES E DAS INFRAÇÕES (...) Fl. 822DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 39 Art. 181. Além das proibições previstas nos arts. 176, 177 e 178 deste Regulamento, as pessoas referidas no seu art. 4o estão sujeitas às seguintes proibições, que serão consideradas infrações de natureza gravíssima: (...) III - alterarem, subtraírem ou danificarem a identificação constante da embalagem de sementes ou de mudas, em circunstâncias que caracterizem burla à legislação; IV - alterarem ou fracionarem a embalagem de sementes, ou substituírem as sementes ou as mudas, em circunstâncias que caracterizem burla à legislação; O art. 91 do Decreto, acima transcrito, especifica quais os elementos obrigatórios que devem constar da nota fiscal: (i) nome, CNPJ ou CPF, endereço e número de inscrição do produtor no RENASEM; (ii) nome e endereço do comprador; (iii) quantidade de sementes ou de mudas por espécie, cultivar e porta-enxerto, quando houver; e (iv) identificação do lote. Não há qualquer menção a um suposto “registro das sementes”, “referência à certificação das sementes” ou “atestado de conformidade”. Quanto à alegação de que houve tributação pelo PIS/COFINS em relação as algumas operações, devo ressaltar que, ao contrário do que ocorre com o IPI e o ICMS, as contribuições não tem o seu valor destacado em nota fiscal. O pagamentos destas não ocorre por conta de valores destacados, mas sim por conta da inclusão do valor da operação no faturamento da empresa, base de cálculo sobre a qual deverão incidir as respectivas alíquotas. Logo, a existência de qualquer menção à incidência do PIS/COFINS em nada altera a sua natureza jurídica e não traz qualquer certeza de que o fornecedor tenha realmente feito incidir as contribuições. Para tanto, seria necessário intima-lo a apresentar sua escrituração contábil-fiscal e refazer sua apuração destes tributos, o que não se justifica nem mesmo em sede de diligência, face à total ausência de provas neste sentido. Além disso, deve-se ter em mente que a nota fiscal é um instrumento que, regra geral, formaliza uma operação comercial entre vendedor e comprador; trata-se de uma convenção particular estipulada entre essas partes. Contudo, o art. 123 do CTN não permite que regras definidoras da sujeição passiva sejam alteradas por acordos entre as partes interessadas. Se o vendedor não é sujeito passivo de uma obrigação tributária, não pode passar a ser em decorrência de cláusulas contratuais ou estipulações feitas em documentos fiscais: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Por fim, devo destacar que, mesmo superados todos o argumentos até aqui expostos, ainda assim verifica-se que a afirmação do recorrente de que “as Notas Fiscais indicadas no despacho decisório, das quais resultou a glosa indevida dos créditos, as Notas Fiscais de fls. Fl. 823DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 40 195-212, 214, 229-230, e 232-242, não possuem qualquer informação quanto à certificação” não é totalmente verdadeira. Analisando a nota fiscal nº 00221 (fl. 210), citada expressamente no Recurso Voluntário, verifiquei que o fornecedor indicou o número do registro no RENASEM (PR- 02263/2007), ao contrário do que afirma o recorrente (mesma situação das notas fiscais às fls. 211, 212 e 242, que possuem o mesmo número do registro no RENASEM): Igualmente, com a NF nº 19.075, à fl. 214, na qual o fornecedor indicou o número do registro no RENASEM (MS-00619/08): Do mesmo modo com a NF nº 00176, à fl. 241, na qual o fornecedor indicou o número do registro no RENASEM (PR-01093/2006): Deve ser destacado também que as notas fiscais nº 195/196, 198/204, 229-230 e 232/239 não se referem a sementes, mas sim a aveia para consumo animal: Fl. 824DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 41 Pelo exposto, voto por negar provimento ao pedido. V – DA DIFERENÇA DE CLASSIFICAÇÃO E A NECESSIDADE DE SE ASSEGURAR O DIREITO DE CRÉDITO DA RECORRENTE Alega o recorrente que as glosas foram motivadas unicamente pela escrituração errônea das notas de saída, equívoco imputável unicamente ao remetente da mercadoria, pois indicou NCMs equivocados nas Notas Fiscais de saída, em desconformidade com o produto objeto daquelas operações. Afirma que a diferenciação entre o NCM constante nas Notas Fiscais (3105 e 3402) e aquele escriturado pela Recorrente (3824.90) diz respeito exclusivamente à composição de cada um dos produtos. E seria precisamente isto, a composição do produto, e não a classificação indicada na Nota Fiscal, que é efetivamente relevante. Destaca que a situação acima se repete em relação aos demais produtos indicados no despacho decisório, os quais são soluções de produtos que contém manganês e zinco, o que implica a sua classificação na NCM 3824.90.77. Trouxe aos autos o seguinte exemplo: A autuação teve o seguinte fundamento: 2.2.1. Aquisições de bens para revenda O inciso I do artigo 3°. da Lei n° 10.833/2003, autoriza o creditamento sobre bens adquiridos para revenda, adquiridos no mês, que assim dispõe: (...) Em relação a alguns insumos ocorreram divergências de classificação fiscal, como por exemplo: Adubo F Profol (fl. 228), classificação na Nota Fiscal 3105.90.19 e nos arquivos digitais 3824.90.77. Em relação aos produtos 3105 e 3808 não há possibilidade de creditamento em virtude de aquisição de produto com alíquota zero, conforme Lei 10.925/2004. Já em relação aos produtos 3824 a princípio Fl. 825DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 42 deveria ocorrer o direito ao creditamento, no entanto, os mesmos foram glosados em virtude da informação errônea da classificação fiscal, conforme notas fiscais elencadas. O simples erro material, sem alterar a característica do produto como insumo do processo produtivo, não pode ser motivo para sua glosa. Como exemplo, o adubo (fertilizante) é insumo para o recorrente, pouco importando se ele contém “zinco ou manganês” ou “nitrogênio (azoto), fósforo e potássio”. Por outro lado, em relação aos produtos classificados na NCM 3105 e 3808 não há possibilidade de creditamento em virtude de aquisição de produto com alíquota zero. Quanto ao produto classificado na NCM 3824, apesar de superada a questão meramente formal, esbarra na dúvida sobre o correto enquadramento. Tivesse o recorrente trazido aos autos provas de que o produto em questão era o 3824.90.77, como um laudo técnico, seria possível superar a questão referente ao erro material no preenchimento das notas fiscais (ou dos arquivos digitais). O laudo técnico deveria determinar, em primeiro lugar, se os adubos adquiridos são “foliares” ou “minerais/químicos”. A simples indicação de composição química não é suficiente para definir a correta classificação, como alegado pelo recorrente. Vejamos um texto extraído através do link “https://www.petz.com.br/blog/plantas/o-que-e-adubo-foliar/”, acesso em 29/08/2023, para observarmos as diferenças: No geral, existem três tipos diferentes de adubação mais utilizados: a orgânica, a mineral e a organo-mineral. Devido à baixa fertilidade da grande maioria dos solos brasileiros, adubar a terra é parte importante do processo de plantação, a fim de garantir qualidade para a planta. O uso de fertilizantes e adubos faz com que as plantas passem a atender às exigências do solo e, consequentemente, a interferir no crescimento delas. Para saber qual é o principal tipo de produto a ser utilizado, é importante realizar a análise do solo. Confira a seguir o que é adubo foliar e como aplicá-lo na sua plantação. O que é adubo foliar? Mas afinal, o que é adubo foliar e no que ele se difere dos outros? Ao contrário da grande maioria de fertilizantes utilizados, que devem ser aplicados no solo, a fertilização foliar ocorre nas folhas e é recomendada também quando a planta apresenta deficiências nutricionais. Assim, os nutrientes do adubo foliar são absorvidos pelas partes aéreas das plantas, como as folhas, e não pelas raízes. Esse processo é considerado uma prática complementar na nutrição dos vegetais, garantindo a adição de micronutrientes essenciais para as plantas. Para fazer a aplicação foliar, deve-se dissolver os fertilizantes em água e, com a mistura homogênea obtida, aplicá-la diretamente nas folhas das plantas. O Fl. 826DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 43 processo de adubação das plantas é indispensável para melhorar a resistência das plantas a pragas e a qualquer tipo de doença que pode acometê-las. Além de saber o que é adubo foliar, se você está se perguntando se fertilizante foliar pode ser usado no solo, a resposta é não. Esse tipo de produto é voltado apenas para a aplicação nas folhas. Para a adubação convencional, é importante analisar a qualidade do solo e obter o produto mais adequado para os cuidados. Na ausência de tal prova, entretanto, persiste a dúvida sobre qual a correta classificação fiscal entre as duas NCMs em questão, sendo que a 3105 é tributada à alíquota zero, enquanto a 3824 é tributada com alíquota positiva. Uma vez que, nos termos do art. 170 do CTN, a homologação da compensação depende da utilização de créditos líquidos e certos, e considerando que o art. 373, I, do CPC determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, voto por negar provimento a esse pedido. VI – DA INCLUSÃO DO IPI E DO ICMS-ST NA BASE DE CRÉDITO DO PIS/COFINS Alega o recorrente que sempre tratou o IPI incidente sobre suas industrializações como imposto não recuperável, uma vez que não se aproveitava dos créditos vinculados às aquisições de produtos tributados pelo referido imposto, ainda que recuperável, e essa situação permitiria, em seu entender, a inclusão desses valores de IPI dentro da base de crédito das contribuições PIS e COFINS. Suas alegações são assim fundamentadas, in litteris: Como demonstrado em sua manifestação de inconformidade, a ora Recorrente tem como principais produtos industrializados a ração animal, mais especificamente aquelas destinadas à alimentação de bovino (NCM 23099010), suíno (NCM 23099010) e galináceos/aves (NCM 23099010), tendo produzido, ainda, por um curto período de tempo - até fevereiro/2010), ração destinada à alimentação de cães e gatos (NCM 23091000). Especificamente em relação às alíquotas de IPI das rações destinadas à alimentação de suínos, bovinos e galináceos, estas eram todas tributadas à alíquota 0% de IPI, conforme se depreende da leitura do Decreto n.º 6.006/06, vigente de 1.º de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2011. Já a ração para cães e gatos (NCM 23091000), referido Decreto previa a tributação à alíquota 10%. Em todos esses casos (rações para suínos, bovinos, galináceos, cães e gatos) a Recorrente não escriturava crédito algum de IPI, mesmo existindo previsão legal para tanto. Tratava-se de posicionamento por ela adotado, tendo em vista que grande parte dos seus produtos industrializados (rações para suínos e bovinos) eram tributados à alíquota zero. E mesmo nas hipóteses em que os produtos eram tributados pelo IPI à alíquota de 10%, caso das rações de cães e gatos, ainda assim a Recorrente não tomou crédito algum, tendo recolhido, sem qualquer dedução ou compensação, o valor Fl. 827DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 44 do IPI incidente na operação, conforme demonstram os documentos de fls. 670/680. Em outras palavras, a Recorrente sempre tratou o IPI incidente sobre suas industrializações como imposto não recuperável, uma vez que não se aproveitava dos créditos vinculados às aquisições de produtos tributados pelo referido imposto, ainda que recuperável. É justamente essa situação que permite a inclusão desses valores de IPI dentro da base de crédito das contribuições PIS e COFINS. Isso porque, ao não aproveitar os créditos de IPI, fez com que esses valores integrassem o custo de aquisição, o que, por consequência, permitiu o aproveitamento de crédito da contribuição em questão destacada na respectiva Nota Fiscal de compra. Em relação ao ICMS-ST, o recorrente alega que o fato de ser permitida a exclusão, da base de cálculo das contribuições, do valor referente ao ICMS-ST, não significa que automaticamente estará vedada, ao adquirente da mercadoria, a apropriação de crédito relativo a esse custo. Em suas palavras, conforme consta do Recurso Voluntário: Ora, referido imposto é cobrado do fornecedor da mercadoria, referente ao ICMS que iria incidir na circulação do atacadista ou varejista, para o consumidor. Trata- se, portanto, de uma antecipação do fato gerador, mas não de uma despesa antecipada, motivo do equívoco adotado na SC Cosit n.º 106/2014, invocada no acórdão recorrido. (...) E vale lembrar que, em recente decisão, o STJ apreciou a questão por meio do REsp n.º 1.428.247, pelo qual definiu ser possível a inclusão do valor correspondente ao ICMS-ST na base de cálculo do crédito do PIS/COFINS, tendo em vista que referido imposto representa custo de aquisição ao adquirente revendedor. A esse respeito, confira-se a ementa abaixo colacionada: (...) Finalmente, deve ser destacado, ainda, que o art. 66, §3.º da IN/SRF n.º 247/2002 não identifica qual seria o ICMS a ser descontado, se aquele decorrente da obrigação tributária do vendedor ou, então, relacionado à responsabilidade por substituição. Não assiste razão ao recorrente em nenhuma das matérias. No que diz respeito ao IPI, o contribuinte, em momento algum, questiona o fato de que, quando recuperável, este tributo não compõe o custo de aquisição e, portanto, não integra a base de cálculo dos créditos de Cofins. Sua tese é a de que, a despeito deste fato, como não tratava este tributo como recuperável, uma vez que não o utilizava para deduzir ou compensar o IPI devido em suas próprias saídas de produtos, isso lhe permitiria incluir tais valores de IPI dentro da base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. Fl. 828DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 45 Ocorre, entretanto, que a lei não permite ao contribuinte fazer tal opção. O fato do IPI ser recuperável não depende do tratamento a ele conferido pelo contribuinte, mas sim do que fora estabelecido pela legislação. E a lei não exclui o “IPI efetivamente recuperado”, mas sim o “IPI recuperável”. A lei confere ao contribuinte o direito a recuperar esse valor de IPI na aquisição de insumos; se o contribuinte opta por não faze-lo, isso não altera a natureza jurídica do tributo. Observe-se, inclusive, que o contribuinte tem o direito de pleitear a restituição do IPI pago a maior por conta de não ter, eventualmente, escriturado a crédito o IPI incidente em suas aquisições, desde que dentro do prazo prescricional. Quanto ao ICMS-ST, a tese do contribuinte de que seu valor representa custo de aquisição e, por isso, possibilita a tomada de créditos, parte de uma premissa equivocada. O indeferimento do pedido de crédito não tem qualquer suporte na questão sobre o ICMS-ST compor ou não o custo de aquisição; a questão que ressalta se refere ao fato de esta parcela do custo não é tributada pelo PIS/Cofins e, portanto, não pode compor a base de cálculo dos créditos. As leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 tratam expressamente dessa questão no art. 3º, § 2º, II: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Esta norma legal decorre diretamente da própria essência da regime da não- cumulatividade, cuja finalidade é impedir a incidência de tributo sobre tributo, ou tributação “em cascata”, ao longo da cadeia produtiva. Para tanto, compensa-se o tributo devido em uma etapa com o tributo incidente na etapa anterior. No caso do ICMS-ST, esta parcela não sofre tributação, pois não se configura como receita do substituto, que age como mero arrecadador/intermediário do ICMS devido pelo substituído, para repassá-lo ao Estado. Ora, se não houve tributação na etapa anterior, não há como considerar esta parcela no cálculo dos créditos da não-cumulatividade, o que teria por consequência desvirtuar o regime. Nesse sentido é a posição pacífica da 2ª Turma do STJ, conforme o seguinte precedente: Recurso Especial nº 2.046.771–PE, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, publicação em 21/03/2023: EMENTA Fl. 829DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 46 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES A ICMS-SUBSTITUIÇÃO (ICMS- ST). IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO (ART. 932, IV, CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, II, RISTJ). (...) Alega a recorrente que houve violação aos seguintes dispositivos legais: art. 301, §3º do RIR (Dec. 9580/19); art. 3°, incisos I e II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Alega que, na condição de substituída, possui direito líquido e certo à apropriação de créditos de PIS e COFINS sobre as parcelas pagas a título de ICMS-ST pelo substituto, porquanto entende que o reembolso do imposto estadual faz parte do custo de aquisição dos produtos que adquire do substituto para revenda. Procura demonstrar o dissídio (e-STJ fls. 259/287). Sem contrarrazões nas e-STJ fls. 315/317. Recurso regularmente admitido na origem (e-STJ fls. 361). É o relatório. Passo a decidir. 1 - Do creditamento de valores referentes ao ICMS-SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA (ICMS- ST) pelo substituído, dentro da sistemática das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não - cumulativas. Devidamente prequestionados os dispositivos legais tidos por violados, conheço do especial quanto ao tema epigrafado. No mérito que se examina, pretende o PARTICULAR, em síntese, ver reconhecido o direito de creditamento de PIS e COFINS, na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, sobre os valores que, na qualidade de contribuinte substituído, destinados ao vendedor - contribuinte substituto - a título de reembolso do ICMS por esse recolhido em regime de substituição tributária "para frente", sustentando tratar-se de custos com a aquisição de mercadorias para revenda. Sem razão o contribuinte. Esta Segunda Turma tem precedentes formados sobre a matéria onde restou consignado que o contribuinte não tem direito ao creditamento, no âmbito do regime não- cumulativo do PIS e COFINS, dos valores que, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS-substituição. Segue: (...) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES A ICMS-SUBSTITUIÇÃO (ICMS- ST). IMPOSSIBILIDADE. 1. A Segunda Turma do STJ entende que, "não sendo receita bruta, o ICMS-ST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e §2º, das Leis n. 10.637/2002 e Fl. 830DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 47 10.833/2003" (REsp 1.456.648/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2/6/2016, DJe 28/6/2016). 2. Recurso Especial não provido (REsp. n. 1.461.802 - RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22.09.2016). TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E À COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS VALORES REFERENTES A ICMS-SUBSTITUIÇÃO (ICMS-ST) RECOLHIDO EM OPERAÇÃO ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Segunda Turma do STJ firmou entendimento de que, "não sendo receita bruta, o ICMS-ST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e § 2º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003" (REsp 1.456.648/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 2/6/2016, DJe 28/6/2016). 2. A situação fática delineada pela própria agravante leva a compreender que sobre os valores despendidos a título de ICMS-ST não incidiram o PIS nem a COFINS. O fato de a sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS não se adequar com exatidão àquela metodologia adotada no creditamento de IPI e ICMS não autoriza fechar os olhos para situações em que nas operações anteriores não tenha havido incidência tributária e, mesmo assim, admitir creditamento fictício não previsto em lei. 3. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no REsp. n. 1.417.857 - RS, Segunda Turma, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 21.09.2017). Outro ponto de relevo é que os precedentes utilizados são específicos para o caso e não são isolados na Segunda Turma deste STJ, pois inaugurada linha jurisprudencial que tem sido rigorosamente seguida na Segunda Turma, consoante os precedentes citados na decisão monocrática, dentre outros: AgInt no REsp 1937431 / SC, Segunda Turma, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 09.11.2021; AgInt nos EDcl no REsp 1881576 / SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 15.03.2021; AgInt no REsp 1885048 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.12.2020. (...) Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, do CPC/2015 c/c o art. 255, § 4º, II, do RISTJ, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial. Pelo exposto, voto por negar provimento a estes pedidos. VII – DA AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS ENQUADRADOS COMO INSUMO Alega o recorrente que a autoridade administrativa, no despacho decisório, com base em conceito completamente restritivo de insumo e contrário ao que prevê o STJ, procedeu à Fl. 831DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 48 glosa de créditos relacionados à aquisição de bens e serviços por ele tidos como insumo. Em seguida, apresenta argumentos específicos para cada insumo glosado. VII.1 – DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM Alega o recorrente que os sacos de polipropileno são essenciais à sua atividade econômica, na medida em que permitem a armazenagem e transporte das rações por ela produzidas, principalmente no momento de destinação à venda. Sustenta ainda que, conforme Laudo apresentado, muitas das matérias-primas por ela utilizada na produção de ração também são destinadas ao “ensacamento”. A DRJ negou provimento ao pedido sob os seguintes fundamentos: No que tange aos materiais de embalagem, a manifestante alega que os sacos de polipropileno seriam essenciais não apenas para a armazenagem, mas também para a consecução da atividade de venda, razão pela qual, segundo ela, sua aquisição deveria gerar direito ao desconto de crédito na apuração da contribuição devida. Para ela, a classificação da embalagem como destinada a transporte ou ao aformoseamento do produto nada importa para fins de seu enquadramento enquanto insumo. Contudo, conforme acima dito, os critérios da essencialidade e da relevância são aplicados para a determinação dos insumos no processo produtivo. E a distinção entre embalagem de transporte e de apresentação do produto é necessária justamente para definir se ela integra ou não o processo produtivo. No caso concreto, os materiais de embalagem cujos créditos foram glosados são utilizados para transporte da mercadoria e, portanto, não integram o processo produtivo porque são utilizadas após o término deste e, por isso, não podem ser enquadrados como insumo, não importando que sejam essenciais a etapas posteriores. Logo, sua aquisição não gera direito a desconto de créditos. O Despacho Decisório, por sua vez, motivou a glosa das embalagens nos seguintes termos: Abaixo, relacionamos os itens glosados em virtude ao não enquadramento como "insumos" como prediz a legislação: a) Material de Embalagens e Etiquetas: saco poliprop 40 Kgs, 60 x 95 cms, conforme fls. 192 a 194; b) Outros itens: lenha; (...) Neste sentido, como a Batavo Cooperativa Agroindustrial se dedica ao comércio atacadista de cereais e leguminosas beneficiados e fabricação de alimentos para animais, entre outras atividades, obtém-se que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos mesmos. As instruções Fl. 832DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 49 normativas mencionadas definem como insumos os "bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado". Os itens relacionados acima não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, não sendo, todavia, computados como insumos, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para o PIS/COFINS não cumulativo. Em diligência a empresa, no dia 16 de agosto de 2012, verificou-se que as embalagens apresentadas como saco poliprop 40 kgs, entre outros, são utilizadas exclusivamente para o transportes das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido. (Decreto n° 4.544/2002, art. 40, IV, e art. 6°). Como se verifica pelos fundamentos acima colacionados, no presente caso concreto o Auditor-Fiscal não demonstrou, de forma inequívoca, que os sacos de polipropileno de 40 kg e as etiquetas se prestam exclusivamente para o transporte de mercadorias, sem desempenhar qualquer função que os torne essenciais e relevantes ao processo produtivo. Ao que consta do Despacho Decisório, “Em diligência a empresa, no dia 16 de agosto de 2012, verificou-se que as embalagens apresentadas como saco poliprop 40 kgs, entre outros, são utilizadas exclusivamente para o transportes das mercadorias”. Não há nenhuma outra informação, nem foram juntadas pelo Auditor-Fiscal provas dessa alegação, como fotografias das embalagens e dos produtos vendidos. Não se nega a presunção de veracidade dos atos administrativos. Contudo, a simples afirmação de um fato pela autoridade fiscal não pode ser tomada como verdade absoluta, ou prescindir de razoável conjunto probatório. Da mesma forma, apesar do art. 373, I, do Código de Processo Civil, determinar que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, isso não significa que determinado crédito possa ser glosado sem a devida motivação e/ou desacompanhada de provas do quanto alegado. O contribuinte informa que seu produto “ração” é vendido à granel, em caminhões, conforme fotografia acima, ou embalada em sacos. No sítio da empresa na internet, em https://lojas.frisia.coop.br/racao-pro-cavalo-mel-40-kg/p (acesso em 10/08/2023) consta foto de um destes produtos: Fl. 833DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 50 Pelo que se pode verificar a partir destes elementos de prova, os sacos de polipropileno de 40 kg são do tipo normalmente usado para venda de ração. São bens essenciais e relevantes para o processo produtivo do recorrente pois, conforme o “teste de subtração” proposto pelo STJ quando do julgamento do REsp 1.170.221/PR, sob o rito previsto para os recursos repetitivos, sem essas embalagens a única possibilidade de venda da ração seria “à granel”, por meio de caminhões. A alegação de que estes sacos são utilizados unicamente para transporte e armazenagem não são suficientes para justificar a glosa, pois é evidente que toda e qualquer embalagem irá conter em seu interior o produto fabricado, o qual deverá ficar armazenado até o momento de sua venda. Da mesma forma, todas as embalagens possuem a função de possibilitar o transporte do bem produzido até o cliente/adquirente ou consumidor final. Como seria possível imaginar a venda de um refrigerante se não for possível transportá-lo por meio de latas ou garrafas, que se constituem em sua embalagem? O recorrente, além da venda à granel, também comercializa ração em porções de 40 kg, acondicionadas em sacos de polipropileno, no qual constam informações essenciais e mesmo obrigatórias para essa comercialização. Não é possível sequer imaginar a venda de ração em porções específicas sem uma embalagem para conter o produto. Da mesma forma, as etiquetas são utilizadas para apresentar informações como data de validade do produto, estabelecimento fabricante etc. Pelo exposto, voto por dar provimento ao pedido. VII.2 – DA LENHA Alega o recorrente que utiliza referido material para secagem de seus grãos e na fabricação de rações. Quanto à fabricação de rações, a lenha é empregada no processo de “Condicionamento e peletização”, onde é utilizada como combustível para alimentação da Fl. 834DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 51 caldeira que gera o vapor úmido – aquecimento da água em caldeira –, com o fim de reduzir possíveis microrganismos contaminantes no processo produtivo da ração, facilitando, assim, o consumo para o animal e evitando uma possível segregação dos nutrientes, conforme se infere do Laudo apresentado. Informa também que a lenha é empregada na atividade de secagem de grãos, fundamental para a conservação e correto armazenamento destes, evitando o perecimento do produto, situação intimamente ligada à atividade econômica por ele exercida. Argumenta que a secagem dos grãos é atividade econômica da Recorrente e, independentemente de processo produtivo, a lenha é essencial para o exercício de sua atividade, sem a qual não será possível o correto e necessário armazenamento dos grãos. Ressalta que, ao contrário dos fundamentos do acórdão recorrido, o CARF já entendeu, em outros julgamentos, que a referida atividade está atrelada à processo produtivo. A DRJ, por sua vez, negou provimento ao pedido com base nos seguintes fundamentos: Quanto à lenha, foram dois os motivos da glosa do auditor-fiscal: 1. ela é utilizada indiretamente no processo de fabricação da ração, o que contraria o disposto na Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004; e 2. ela é utilizada na atividade de cerealista exercida pela contribuinte, atividade essa que não se enquadra como industrialização. O primeiro motivo deve ser afastado em face do conceito de insumo estabelecido pelo STJ, uma vez que, embora aplicada indiretamente, a lenha utilizada na alimentação das caldeiras que geram vapor para redução de possíveis micro- organismos é essencial ao processo produtivo, pois a sua falta priva a ração produzida da necessária qualidade. Todavia, o segundo motivo, que não foi diretamente contestado pela manifestante, permanece válido, ou seja, a aquisição de lenha utilizada na atividade de cerealista exercida pela contribuinte não pode gerar direito a desconto de créditos, pois essa atividade não se enquadra como industrialização, razão pela qual não há que se falar em insumos. Noutros termos, só se pode falar em insumos quando se trata de processo produtivo, e, como a atividade de cerealista não envolve nenhum processo produtivo ou de fabricação, a lenha utilizada simplesmente para secar os grãos que serão revendidos não pode gerar direito a desconto de créditos na apuração da contribuição devida. Diante disso, e tendo em conta que os documentos carreados aos autos não permitem fazer a necessária distinção entre as finalidades da lenha adquirida, não há como acatar as alegações da contribuinte, devendo ser mantidas as glosas efetuadas pelo auditor-fiscal de todo o crédito decorrente da aquisição de lenha. Fl. 835DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 52 Observe-se novamente que nos termos do citado art. 373 da Lei nº 13.105, de 2015, Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Portanto, cabia à contribuinte fazer a segregação entre a lenha utilizada no secador de grãos e a lenha utilizada na fabricação de rações, para demonstrar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Ressalte-se que a alegação relativa a créditos vinculados a lenha que se referem a notas fiscais emitidas pela própria manifestante não tem pertinência com o presente processo administrativo, pois não houve essa motivação nas glosas efetuadas pelo auditor-fiscal. Em relação ao argumento de que a atividade de cerealista não se enquadra como industrialização e/ou não envolve nenhum processo produtivo ou de fabricação, razão pela qual não haveria que se falar em insumos, devo discordar da Fiscalização e da DRJ. Com efeito, resta evidente o equivoco cometido tanto no Despacho Decisório quanto no acórdão de piso, pois a atividade do recorrente não se limita pura e simplesmente à revenda de grãos no mesmo estado em que adquiridos, uma vez que necessita realizar a secagem dos mesmos para que possam ser armazenados e posteriormente revendidos. O entendimento do Auditor-Fiscal e da DRJ é de que o contribuinte somente teria direito a crédito presumido sobre os bens adquiridos para revenda, caso dos grãos. A meu ver, contudo, se algum tipo de processo químico ou físico foi realizado sobre tais produtos adquiridos, não se pode falar em mera revenda, mas sim na produção de grãos secos a partir de grãos contendo umidade. Observe-se que a situação é bastante distinta de um supermercado que adquire produtos prontos para o consumo e os expõe para revenda, ou de uma loja esportiva que revende camisas, tênis, bolas, bicicletas e demais produtos também adquiridos no mesmo estado em que serão revendidos, sem sofrerem qualquer tipo de modificação. Nestes casos, sequer a embalagem é alterada. De qualquer sorte, caso não seja esse o entendimento desde Conselho, devo ressaltar que a lenha é utilizada para gerar energia térmica, conforme consta do Despacho Decisório, in litteris: Abaixo, relacionamos os itens glosados em virtude ao não enquadramento como "insumos" como prediz a legislação: a) Material de Embalagens e Etiquetas: saco poliprop 40 Kgs 60 x 95 cms, conforme fls. 193 o 194; b) Outros itens: lenha; (...) Item classificado erroneamente como bem para revenda, a lenha é utilizada indiretamente no processo de fabricação da ração, por meio da geração de vapor úmido para redução de possíveis micro-organismos contaminantes da ração. A Fl. 836DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 53 adição do vapor úmido se dá por meio do aquecimento da água em caldeiras alimentados por lenha, conforme fl. 92. Uma das atividades senão a principal atividade é o recebimento, padronização, classificação, guarda e posterior comercialização da produção de seus associados, conforme Estatuto, sendo que tais atividades são exclusivamente de cerealista. Em virtude da atividade de cerealista (secagem dos grãos), na matriz e em algumas unidades (filiais), o item lenha é utilizados nos secadores, no entanto, referida atividade não se enquadra como industrialização, não restando outra alternativa a não ser a glosa do referido item. Logo, apesar de ter classificado erroneamente parte desse crédito como sendo referente a “bem para revenda”, ou seja, no art. 3º, inciso I, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, esse não pode ser um fundamento para a sua glosa, mas tão somente para sua reclassificação como insumo de produção (art. 3º, inciso II) ou como energia térmica (art. 3º, inciso III). Destacando, por oportuno, que a energia térmica não necessita ser consumida, obrigatoriamente, em “processos produtivos ou de fabricação”, pois o texto legal estabelece o creditamento sobre energia térmica “consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica”. Por fim, ressalto que o recorrente afirma, conforme documento anexado às fls. 99/100, que também comercializa a lenha produzida (NCM 44011000). Nesse contexto, voto por dar provimento ao pedido para reverter a glosa de créditos na aquisição de lenha de pessoas jurídicas. VII.3 – DOS SERVIÇOS RELACIONADOS À LENHA E DOS SERVIÇOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE BOVINOS Alega o recorrente que o mesmo fundamento utilizado para manter as glosas relacionadas à aquisição de lenhas também foi indicado no acórdão da DRJ para negar seu direito de crédito em relação à despesa de serviço de baldeação de lenhas, sob o argumento de que: “(...) seria preciso fazer a distinção entre as finalidades da lenha, uma vez que, como visto, se ela for utilizada na atividade de cerealista não gera direito a desconto de créditos na apuração da contribuição devida”. Sustenta que lhe compete, ainda, a “extração de florestas” - conforme se infere do art. 2º, I, de seu Estatuto Social – do que resultaria a necessidade de manter as fazendas de lenha para a posterior venda, onde são empregados tanto os serviços de baldeação de lenhas, quanto de visitas técnicas. Informa que, à época, a empresa Florestal Mueller era responsável pela execução dos serviços de plantio, combate e controle de pragas, desbaste da floresta, bem como de visitas técnicas - conforme contrato anexo às fls. 681/683 e fluxograma apresentado às fls. 99/100 - Fl. 837DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 54 serviços imprescindíveis para possibilitar a sequência do processo produtivo de fabricação de lenha, com a venda ou emprego nas atividades de fabricação de ração ou secagem dos grãos. A DRJ, por sua vez, negou provimento ao pedido com base no seguinte fundamento: O mesmo entendimento acima é aplicado à questão das glosas referentes a despesas com à prestação de serviço de corte e baldeação de lenhas, porque, também em relação a esses custos, seria preciso fazer a distinção entre as finalidades da lenha, uma vez que, como visto, se ela for utilizada na atividade de cerealista não gera direito a desconto de créditos na apuração da contribuição devida. Dessa forma, também nesse ponto, devem ser mantidas as glosas efetuadas pelo auditor-fiscal. Quanto ao Despacho Decisório, seus fundamentos foram assim delineados: Entretanto na relação de notas fiscais de aquisições de mercadorias que geraram créditos de PIS/COFINS, foram incluídos serviços que não encontram enquadramento no referido inciso. Tratam-se, na verdade de despesas gerais, necessárias as operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao Pis e a Cofins. Abaixo, relacionamos os itens glosados em virtude ao não enquadramento como "insumos" como prediz a legislação e/ou aquisições com alíquota zero e com suspensão do PIS/COFINS: a) Aquisições com alíquota zero: lisina e metionina, em desacordo com a legislação conforme item 2.2.1.; b) Prestação de serviços: serviços de corte e baldeação de lenhas, fls. 339, 340, e 343 a 346; e serviço aplicado na produção de bovinos, fls. 341 e 342. (...) Em relação às prestações de serviços nas fazendas de lenha e aplicado na produção de bovinos, tratam-se de serviços não aplicados diretamente na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, como a comercialização de cereais ou fabricação de rações. Neste sentido, glosa-se os referidos serviços. Tendo em vista que no tópico anterior já foi demonstrada a desnecessidade de “fazer a distinção entre as finalidades da lenha”, como exigido pela DRJ, com a conclusão de que tanto na fabricação de rações quanto na produção dos grãos a lenha pode gerar crédito: (i) como insumo no processo de secagem dos grãos ou (ii) como energia térmica, o mesmo resultado deve ser aplicado nesta matéria. Com efeito, os serviços de corte, plantio, combate e controle de pragas, desbaste da floresta e baldeação de lenhas são essenciais e relevantes para o processo produtivo da Fl. 838DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 55 recorrente, que se inicia com a obtenção de lenha de suas florestas para as utilizações já descritas. Sem os serviços acima descritos, prestados em suas florestas, o contribuinte poderia incorrer em perda na qualidade e/ou quantidade da lenha. Em relação aos serviços aplicados na produção de bovinos, sustenta o contribuinte que o acórdão recorrido se fundamentou apenas no sentido de que teria apenas reiterado os argumentos referentes ao conceito de insumos. Todavia, diversamente do alegado, na Manifestação de Inconformidade a Recorrente impugnou de forma específica todas as glosas de créditos efetuadas no despacho decisório, dentre as quais se destaca aquela relativa aos serviços aplicados na produção de bovinos. Destaca que uma simples análise do seu Estatuto Social levaria à constatação que, além da extração de florestas, ela também exerce a atividade pecuária de leite e de corte. O leite constitui um dos principais produtos fabricados pelos seus cooperados que, inevitavelmente, está atrelado à produção de bovinos, motivo pelo qual as despesas decorrentes desses serviços devem compor a sua base de créditos. A DRJ negou provimento ao pedido com base no seguinte fundamento: Quanto à glosa referente à despesa com prestação de serviços aplicados na produção de bovinos, o auditor-fiscal a fundamentou no fato de que se trata de serviços não aplicados diretamente na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, como a comercialização de cereais ou fabricação de rações. A manifestante, por sua vez, somente reitera os argumentos sobre o conceito de insumo e diz que um dos principais produtos fabricados por seus cooperados é justamente o leite. No entanto, a produção de leite dos cooperados não pode ser justificativa para que ela desconte créditos sobre serviços aplicados na produção própria de bovinos. Ela deveria ter demonstrado que a sua produção de bovinos tem finalidade de venda de produto final, o que ela não faz. O valor muito baixo desses serviços não permite inferir que se trate de uma produção com finalidade de venda de produto final. Note-se, ainda, que o auditor-fiscal glosou expressamente porque esses serviços não são aplicados na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Para uma correta decisão, faz-se necessário verificar os exatos termos do Despacho Decisório (fl. 512): O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas tão somente aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na fabricação ou produção e prestação de serviços. Em relação às prestações de serviços nas fazendas de lenha e aplicado na produção de bovinos, trata-se de serviços não aplicados diretamente na Fl. 839DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 56 fabricação de bens ou produtos destinados à venda, como a comercialização de cereais ou fabricação de rações. Neste sentido, glosa-se os referidos serviços. Conforme se verifica, no Despacho Decisório não há qualquer detalhamento sobre a razão da glosa. O Auditor-fiscal limita-se a afirmar que os serviços não foram aplicados diretamente na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, sem explicar como chegou a essa conclusão. O recorrente, por sua vez, afirma que exerce a atividade pecuária de leite e de corte, o que se comprova do art. 2º, caput e § 1º, do seu Estatuto Social, às fls. 49/51. Da mesma forma, as notas anexadas, fls. 341/342, demonstram os serviços realizados: fotografia dos bovinos e tatuagens (serviços necessários para a identificação dos animais) e aplicação de vacina contra aftosa, que além de ser essencial para a saúde dos animais, decorre também de obrigação legal. As notas fiscais estão em nome do recorrente, Batavo Cooperativa. Pelo exposto, voto por dar provimento a este pedido, revertendo as glosas de créditos relacionados aos serviços de corte, baldeação de lenhas e aplicados na produção de bovinos. VII.4 – DAS DESPESAS COM FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA Alega o recorrente que todos os custos desconsiderados pela fiscalização estão relacionados a frentes essenciais para o exercício da sua atividade econômica. Especificamente quanto aos fretes relacionados nas Notas Fiscais de fls. 357, 358, 371, 409, 410, 418, 419, 432, 433 e 434, sustenta que todos têm por fim a remessa pelo seu estabelecimento industrial (CFOP 5352) de ração animal e óleo diesel aos seus cooperados, cujos transportes foram realizados por terceiros não cooperados e com a indicação do custo da operação. Afirma que os referidos fretes tiveram por objetivo atingir o fim social da Recorrente, como cooperativa agrícola, mediante o suporte aos seus cooperados de insumos às suas atividades econômicas, situação que acaba por se confundir com o exercício da sua própria atividade econômica. Quanto aos fretes internos especificados à fl. 360, realizados com CFOP nº 5353, estes seriam imprescindíveis à sua atividade econômica pois por meio destes remete a produção do estabelecimento industrial para os seus estabelecimentos comerciais, sem os quais não seria possível escoar a sua produção, configurando-se como etapa essencial e, assim, prestação de serviço diretamente associado à sua atividade econômica. Considerando que o presente tópico trata da possibilidade de incluir os gastos com fretes (serviços de transporte) no conceito de insumos aptos a gerar créditos das contribuições, faz-se relevante trazer à colação os termos do acórdão do STJ no julgamento do REsp nº Fl. 840DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 57 1.221.170/PR, onde ficou estabelecido o conceito de insumos para os fins das leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. O referido REsp nº 1.221.170/PR, representativo da controvérsia, foi afetado para julgamento sob o rito dos Recursos Repetitivos, e tratava de um caso concreto de empresa do ramo alimentício que pleiteava o creditamento sobre os valores relativos às despesas efetuadas com "Custos Gerais de Fabricação", englobando: água, combustíveis e lubrificantes, veículos, materiais e exames laboratoriais, equipamentos de proteção individual - EPI, materiais de limpeza, seguros, viagens e conduções, "Despesas Gerais Comerciais" ("Despesas com Vendas", incluindo combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões). O STJ, após definir, em abstrato, como deveria ser aferido o conceito de insumo, aplicou a tese jurídica ao caso concreto em julgamento, determinando o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual (EPI), excluindo a possibilidade de creditamento do frete, nos termos do voto-vogal do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, págs. 38/39 do REsp nº 1.221.170/PR: EMENTA (...) 1. Discute-se nos autos o conceito de insumos previsto no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 para fins de dedução de créditos da base de cálculo do Pis e da Cofins na sistemática não cumulativa. (...) 4. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Assim caracterizadas a essencialidade, a relevância, a pertinência e a possibilidade de emprego indireto através de um objetivo “teste de subtração”, que é a própria objetivação da tese aplicável do repetitivo, a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 5. Segundo o conceito de insumo aqui adotado não estão a priori incluídos os seguintes "custos" e "despesas" da recorrente: gastos com veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações Fl. 841DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 58 de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. É que tais "custos" e "despesas" (“Despesas Gerais Comerciais”) não são essenciais, relevantes e pertinentes ao processo produtivo da empresa que atua no ramo de alimentos, de forma que a exclusão desses itens do processo produtivo não importa a impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção e nem, ainda, a perda substancial da qualidade do serviço ou produto e não há obrigação legal para sua presença. (...) 7. ACOMPANHO O RELATOR e proponho o seguinte dispositivo: Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para determinar o retorno dos autos à origem para que a Corte a quo analise a possibilidade de dedução de créditos em relação aos custos e despesas com água, combustível, materiais de exames laboratoriais e materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual - EPI conforme o conceito de insumos definido acima, tudo isso considerando a estreita via da prova documental do mandado de segurança. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08 (ementa já alterada na conformidade dos dois aditamentos). Em outro trecho do REsp nº 1.221.170/PR, o Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, à pág. 144, esclarece o resultado do julgamento: Registro que o provimento do recurso deve ser parcial porque, tanto em meu voto, quanto no voto da Min. Regina Helena, o provimento foi dado somente em relação aos "custos" e "despesas" com água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e, agora, os equipamentos de proteção individual - EPI. Ficaram de fora gastos com veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. Originalmente o meu voto havia sido no sentido de "DIVERGIR PARCIALMENTE do Relator para CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa parte, DAR- LHE PARCIAL PROVIMENTO, com o retorno dos autos à origem". Assim o fiz na vocalização original de meu voto e no primeiro aditamento. Ocorre que, com o realinhamento do voto do Relator, Min. Napoleão Nunes Maia Filho, à tese que propusemos eu e a Min. Regina Helena, meu voto resta mantido, contudo com a observação de que agora ACOMPANHO o Relator para CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa parte, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, com o retorno dos autos à origem, conforme o explicitado (alterações já realizadas na ementa proposta no voto-vogal). Ou seja, no próprio REsp nº 1.221.170/PR, representativo da controvérsia e julgado sob o rito previsto para os Recursos Repetitivos, foi decidido que ficam de fora gastos com fretes, Fl. 842DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 59 salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Vejamos o que consta neste dispositivo legal, específico para a Cofins, cujo texto é reproduzido na Lei nº 10.637/2002, específica para o PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Observe-se que a lei concede, no inciso IX do caput do art. 3º, o creditamento sobre o frete especificamente na operação de venda, mas silencia em relação ao frete na operação de compra, de movimentação interna, ou qualquer outro tipo de operação, o que indica, à toda evidência, que seu creditamento não está permitido, como já decidido expressamente no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Inicialmente, com relação aos fretes relacionados nas Notas Fiscais de fls. 357, 358, 371, 409, 410, 418, 419, 432, 433 e 434, verifico que se trata de uma operação realizada entre a cooperativa e seus cooperados, consistente na remessa de ração animal e óleo diesel daquela para estes, remessa esta que necessitou da contratação de frete a junto a terceiros não cooperados. Ocorre que esta operação consiste num ato cooperativo típico, ou seja, não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo não há incidência das contribuições, nos termos do quanto decidido no julgamento do REsp 1.141.667/RS, com publicação em 04/05/2016, Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, sob o rito previsto para os recursos repetitivos: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543-C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica Fl. 843DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 60 operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhe-se da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 124), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O Parecer do douto Ministério Público Federal é pelo provimento parcial do Recurso Especial. 5. Recurso Especial parcialmente provido para excluir o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos típicos e permitir a compensação tributária após o trânsito em julgado. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Assim sendo, conclui-se que não ocorreu, no caso concreto, a hipótese do inciso IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03, que trata de frete na operação de venda, uma vez que não ocorreu venda alguma, mas tão somente uma operação entre cooperados e cooperativa. Entendo também que este frete não pode ser considerado como insumo do recorrente, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cuja redação é a seguinte: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Ora, tanto a prestação de serviços quanto a produção de bens destinados à venda são operações de mercado e, conforme acima transcrito REsp 1.141.667/RS, o ato cooperativo não implica operação de mercado. Portanto, não há sequer que se falar em “não-cumulatividade”. Nesse sentido vem julgando o Poder Judiciário, conforme se extrai dos precedentes indicados a seguir, nos quais decidiu-se que os créditos associados às exclusões da base de cálculo das cooperativas não geram direito ao creditamento: i) Recurso Especial nº 2.076.664/RS, Relatora Ministra REGINA HELENA COSTA, julgamento em 23/06/2023: Fl. 844DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 61 Trata-se de Recurso Especial interposto por COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL NOVA ALIANÇA LTDA, contra acórdão prolatado, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fl. 340e): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. DIREITO AO APROVEITAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/04 E ART. 16 DA LEI 11.116/05. 1. O STJ reconheceu, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC, a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos típicos (REsp n. 1.164.716/MG, Primeira Seção, julgado em 27/4/2016, DJe de 4/5/2016). 2. As exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS, previstas no art. 15 da MP 2.158/01 e no art. 16 da Lei 10.684/03, não podem ser equiparadas à não incidência ou isenções parciais para fins de apuração de créditos de PIS/COFINS com base no art. 17 da Lei 11.033/04, e não geram direito ao aproveitamento do saldo credor respectivo, amparado no art. 16 da Lei 11.116/05. (...) Feito breve relato, decido. (...) O Tribunal de origem, por sua vez, não afastou completamente a tributação sobre todos os atos da ora Recorrente, mas tão somente sobre os atos cooperativos típicos, "[...] aqueles realizados entre a cooperativa e seus associados, e vice-versa e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, sendo todos os outros atos sujeitos à tributação. São os chamados atos cooperativos típicos ou próprios" (fls. 343e). Assim, concluiu que as exclusões questionadas são apenas ajustes para delimitar a incidência das contribuições sobre as receitas que não decorram de atos cooperativos típicos (fl. 344e): as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS previstas em lei para as cooperativas de produção agropecuária têm o objetivo de limitar a materialidade da incidência das contribuições sobre as receitas que não decorram de atos próprios da cooperativa, tanto é assim que o inciso II do §2º do art. 15 da MP 2.158/01 dispôs que tais operações deveriam ser contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. A Corte de origem compreendeu, portanto, que tais exclusões não se enquadram no conceito de suspensão, não incidência, isenção ou alíquota zero, previstas no art. 17 da Lei n. 11.033/2004, para efeito de aproveitamento de créditos (fls. 346/347e): [...] Fl. 845DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 62 Conclui-se, dessa maneira, que a manutenção de créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e o correspondente direito ao ressarcimento estabelecido no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 não guardam qualquer relação com as hipóteses de ajustes da base de cálculo das cooperativas agroindustriais. [...] as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS, previstas no art. 15 da MP 2.158/01 e no art. 16 da Lei 10.684/03, não podem ser equiparadas à não incidência ou isenções parciais para fins de apuração de créditos de PIS/COFINS com base no art. 17 da Lei 11.033/04, e não geram direito ao aproveitamento do saldo credor respectivo, amparado no art. 16 da Lei 11.116/05. [...] A análise de tais exclusões e deduções permite concluir que não se caracterizam como suspensão, não incidência, isenção ou alíquota zero. Essa separação resta clara na IN 635/2006, que prevê separadamente as referidas exclusões e deduções da base de cálculo (art. 11), em relação às suspensões (art. 34), não incidências (art. 35) e isenções (art. 36). Com efeito, o tribunal a quo asseverou que "as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS previstas em lei para as cooperativas de produção agropecuária têm o objetivo de limitar a materialidade da incidência das contribuições sobre as receitas que não decorram de atos próprios da cooperativa, tanto é assim que o inciso II do §2º do art. 15 da MP 2.158/01 dispôs que tais operações deveriam ser contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas" (fl. 343e). (...) Consoante se observa, a Corte de origem busca efetivamente demonstrar que o procedimento de exclusão questionado está relacionado, exclusivamente, com a separação do faturamento da cooperativa para definir o que pode ou não ser tributado, enquanto a Recorrente defende, apenas genericamente, que tal entendimento estaria permitindo a tributação sobre ato cooperativo típico. Desse modo, verifica-se que as razões recursais apresentadas se encontram dissociadas daquilo que restou decidido pelo tribunal de origem, o que caracteriza deficiência na fundamentação do recurso especial e atrai, por analogia, os óbices das Súmulas 283 e 284, do Supremo Tribunal Federal, as quais dispõem, respectivamente: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles”; e “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia”. Fl. 846DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 63 ii) Recurso Especial nº 2.073.859/PR, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, julgamento em 29/05/2023: Trata-se de Recurso Especial interposto, com fulcro no art. 105, III, "a", da Constituição da República, contra acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL. ATOS PRÓPRIOS OU TÍPICOS. NÃO INCIDÊNCIA. DIREITO AO APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. ART. 17 DA LEI 11.033/04 E ART. 16 DA LEI 11.116/05. NÃO CONFIGURADO. 1. O STJ reconheceu, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC, a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos típicos (REsp n. 1.164.716/MG, Primeira Seção, julgado em 27/4/2016, DJe de 4/5/2016). 2. Por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº 1.894.741/RS e n° 1.895.255/RS (tema 1.093), sob o regime dos recursos repetitivos, o STJ pacificou o entendimento no sentido de que a não-cumulatividade do PIS/COFINS não se aplica em situações nas quais não existe dupla ou múltipla tributação. Inaplicabilidade ao caso do art. 17, da Lei 11.033/2004. (...) É o relatório. Decido. (...) Ao dirimir a controvérsia, a Corte regional consignou (fls. 315-318, e-STJ): (...) O STJ reconheceu, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC, a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos típicos, pois não implicam operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, nos seguintes termos: (...) Com relação à incidência do PIS sobre os atos cooperativos próprios, o STJ também já decidiu que esses atos "não geram faturamento ou receita para a sociedade cooperativa. Ausência de base imponível para o PIS. Não-incidência pura e simples. Já os atos não cooperativos revestem-se de nítida feição mercantil e geram receita à sociedade, razão pela qual devem ser tributados" (STJ, EDcl nos EDcl no REsp 718.001/MG, SEGUNDA TURMA, DJe de15/05/2009). Portanto, como bem ponderou a sentença de primeira instância, a jurisprudência está pacificada no sentido de que os atos cooperados não geram receita ou faturamento tributável pelo PIS e pela COFINS, caracterizando hipótese de não incidência das contribuições. Fl. 847DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 64 Apuração de créditos de PIS/COFINS. A impetrante pretende obter o reconhecimento do direito à compensação ou ressarcimento dos créditos, com fundamento nas Leis nºs 11.033/04 e 11.116/05. Como visto alhures, não há incidência de PIS e COFINS sobre os atos cooperativos próprios praticados pela apelante. Deste modo, não há que se falar em direito ao creditamento, pois este pressupõe, fática e juridicamente, incidências múltiplas, que não existem conforme a legislação aplicável ao setor de atividade econômica da parte impetrante. Por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº 1.894.741/RS e n° 1.895.255/RS (tema 1.093), sob o regime dos recursos repetitivos, o STJ pacificou o entendimento no sentido de que a não-cumulatividade do PIS/COFINS não se aplica em situações nas quais não existe dupla ou múltipla tributação. (...) No caso dos autos, considerando que sequer resta configurada receita ou faturamento nos atos próprios praticados pela impetrante, não há como reconhecer a existência do direito ao creditamento por ela pleiteado. (...) Da leitura atenta do Voto condutor, vê-se que o Colegiado originário se manifestou de maneira clara e embasada acerca das questões relevantes para o deslinde do conflito, inclusive daquelas que a recorrente alega terem sido omitidas. Ademais, observa-se que a questão foi decidida após percuciente apreciação dos fatos e das provas relacionados à causa. Diante do arcabouço documental colacionado aos autos, o órgão julgador reconheceu que a recorrente sequer possuía direito ao creditamento do PIS e da COFINS, porque praticados atos cooperativos próprios, os quais não geram receita ou faturamento ─ ou seja, não há incidência de contribuição. Para modificar o entendimento firmado no aresto recorrido, seria necessário exceder as razões nele colacionadas, o que demanda incursão no contexto fático- probatório dos autos, vedada em Recurso Especial conforme dispõe a Súmula 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Os fatos são aqui recebidos tais como estabelecidos pelo Tribunal a quo, senhor na análise probatória. E, se a violação do dispositivo legal invocado perpassa pela necessidade de fixar premissa diversa da que consta do decisum impugnado, inviável o apelo nobre. iii) AgInt no Recurso Especial nº 1.239.600/RS, Relator Ministro SÉRGIO KUKINA, julgamento em 04/02/2021: Fl. 848DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 65 Trata-se de recurso especial fundado no CPC/73, manejado por Cooperativa Agrícola Mista General Osório Ltda., com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fls. 421/422): (...) Opostos embargos declaratórios, foram acolhidos, sem efeitos modificativos, para sanear erro material, em acórdão assim sumariado (fl. 445): (...) As exclusões de base de cálculo da contribuição da COFINS e do PIS previstas no art. 15 da MP n° 2.158-35/2001 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003 e arroladas no art. 11 da IN n° 635/2006, não se afiguram "isenções parciais". O artigo 17 da Lei n° 11.033/04 restringe-se ao regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO). (...) É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. (...) Com relação aos arts. 17 da Lei 11.033/2004; e 16 da Lei 11.116/2005, nota-se que os referidos dispositivos legais não contêm comando capaz de sustentar a tese recursal de que "as exclusões de base de cálculo do PIS e da COFINS ora em análise são, inegavelmente, hipóteses de isenção parcial" (fl. 459), ou mesmo de "não incidência tributária" (fl. 464) nem de infirmar o juízo formulado pelo acórdão recorrido, de maneira que se impõe ao caso concreto a incidência da Súmula 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia."). Por oportuno, destacam-se os seguintes precedentes: AgRg no AREsp 161.567/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26/10/2012; REsp 1.163.939/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2011. iv) Recurso Especial nº 1.253.174/RS, Relatora Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, julgamento em 31/08/2018: Trata-se de Recurso Especial, interposto por COOPERATIVA DOS SUINOCULTORES DO CAÍ LTDA, em 23/11/2010, mediante o qual se impugna acórdão, promanado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: "TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA. PIS E COFINS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15 DA MP: Nº 2.158-35/01, 17 DA LEI Nº 10.684/03 E 11 DA IN SRF Nº 635/06. ISENÇÃO PARCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/04. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 849DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 66 1. As exclusões de base de cálculo das contribuições PIS e COFINS previstas no art. 15 da MP nº 2.158-35/01 e no art. 17 da Lei nº 10.684/03 e arroladas no art. 11 da IN nº 635/06, não se afiguram 'isenções parciais'. 2. O âmbito de incidência do art. 17 da Lei nº 11.033/04 restringe-se ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária - REPORTO, como decorre do texto do diploma legislativo onde inserido tal artigo. 3. Sentença reformada para denegar a segurança" (fl. 181e). No Recurso Especial, manejado com base na alínea a do permissivo constitucional, alega-se violação aos arts. 17 da Lei 11.033/2004 e 16 da Lei nº 11.116/2005. (...) Recurso Especial admitido (fls. 216/217e). O presente recurso não merece prosperar. Encontra-se pacificado, na jurisprudência do STJ, o entendimento de que inexiste direito a creditamento do PIS e da COFINS, no regime não-cumulativo, caracterizado pela incidência monofásica do tributo, porquanto inocorrente, nesse caso, o pressuposto lógico da cumulação. À guisa de mero exemplo, as seguintes ementas: (...) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4°, II, do RISTJ, nego provimento ao Recurso Especial. Como destacado nos precedentes acima colacionados, por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº 1.894.741/RS e n° 1.895.255/RS (tema 1.093), sob o regime dos recursos repetitivos, o STJ pacificou o entendimento no sentido de que a não-cumulatividade do PIS/COFINS não se aplica em situações nas quais não existe dupla ou múltipla tributação: EMENTA: 1. Há pacífica jurisprudência no âmbito do Supremo Tribunal Federal, sumulada e em sede de repercussão geral, no sentido de que o princípio da não cumulatividade não se aplica a situações em que não existe dupla ou múltipla tributação (v.g. casos de monofasia e substituição tributária), a saber: (...) 2. O art. 17, da Lei n. 11.033/2004, muito embora seja norma posterior aos arts. 3º, § 2º, II, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, não autoriza a constituição de créditos de PIS/PASEP e COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto- Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, contudo permite a manutenção de créditos por outro modo constituídos, ou seja, créditos cuja constituição não restou obstada pelas Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003. (...) Fl. 850DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 67 10. Teses propostas para efeito de repetitivo: 10.1. É vedada a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica (arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). 10.2. O benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, não se restringe somente às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO. 10.3. O art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. 10.4. Apesar de não constituir créditos, a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não é incompatível com a técnica do creditamento, visto que se prende aos bens e não à pessoa jurídica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos à não cumulatividade em incidência plurifásica, os quais podem lhe gerar créditos. 10.5. O art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica. Tal situação, no entanto, é totalmente distinta daquela na qual o recorrente realiza vendas para terceiros não cooperados/associados e/ou que não se caracterizam como cooperativas, ou seja, quando não realiza ato cooperativo típico. Nessas hipóteses, o valor referente ao frete na venda deve gerar créditos da não cumulatividade, em obediência ao que determina o art. 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03. Quanto aos fretes internos, referentes à remessa da produção do estabelecimento industrial para os seus estabelecimentos comerciais, neste caso específico não será possível valer- se dos critérios de essencialidade e relevância, pois, sendo o frete entre estabelecimentos do contribuinte relativo ao transporte de produto já acabado, não há como tratar este serviço como insumo do processo produtivo, tendo em vista que este já se encontra encerrado. Diferentemente seria a situação caso se referisse a frete de produtos em elaboração, por exemplo, remetidos para industrialização por encomenda, uma vez que o processo produtivo ainda está se desenvolvendo e o frete poderia ser considerado um serviço utilizado como insumo, a depender do caso concreto. Fl. 851DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 68 Da mesma forma, não é possível considerar que este dispêndio possa ser considerado “frete na operação de venda”, pelo simples fato de que os produtos aqui analisados ainda não foram vendidos, mas simplesmente transferidos entre estabelecimentos do contribuinte por questões de conveniência mercadológica. O Auditor-Fiscal não realizou nenhuma glosa de créditos originados de frete de operação de venda, mas tão somente de créditos originados de fretes “intercompany”, como reconhece o próprio contribuinte. O frete na movimentação interna de produtos acabados é um serviço que não se refere ao processo produtivo. Se o legislador quisesse incluir este serviço como fonte de crédito, haveria um dispositivo próprio, assim como existe para o frete na venda. Aliás, seria até mesmo dispensável qualificar o frete, delimitando-o como “frete na venda”; bastaria a mera referência ao serviço de “frete”, seja ele referente à venda dos produtos ou apenas à sua distribuição por questões de logística. Levar a mercadoria para locais próximos dos compradores, ou deixar que estes paguem o frete para adquirir os produtos diretamente da matriz, é meramente uma estratégia comercial do vendedor. Mesmo que se insista em caracterizar o frete intercompany como insumo, fazendo-se o “teste de subtração”, elemento balizador para os conceitos de “essencial e relevante” observo que, mesmo sem este “frete interno”, a mercadoria continuaria sendo produzida; a exclusão desse item do “processo produtivo” (para aqueles que advogam essa tese) não importa a impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção e nem, ainda, a perda substancial da qualidade do serviço ou produto e não há obrigação legal para sua presença, nos termos do julgamento do REsp nº 1.221.170/PR: VOTO TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). (...) 33. Em recente julgado, a Segunda Turma desta Corte reconheceu o direito de uma empresa que se dedica à produção e comercialização de alimentos a compensar créditos de PIS/COFINS resultantes da compra de produtos de limpeza e desinfecção e de serviços de dedetização empregados no processo produtivo, conforme se verifica na ementa: (...) 5. São "insumos", para efeitos do art. 3o., II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º., II, da Lei 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam Fl. 852DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 69 o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) 41. Todavia, após as ponderações sempre judiciosas da eminente Ministra REGINA HELENA COSTA, acompanho as suas razões, as quais passo a expor: (...) É importante registrar que, no plano dogmático, três linhas de entendimento são identificáveis nos votos já manifestados, quais sejam: (...) ii) orientação intermediária, acolhida pelos Ministros Mauro Campbell Marques e Benedito Gonçalves, consistente em examinar, casuisticamente, se há emprego direto ou indireto no processo produtivo ("teste de subtração"), prestigiando a avaliação dos critérios da essencialidade e da pertinência. Tem por corolário o reconhecimento da ilegalidade das mencionadas instruções normativas, porquanto extrapolaram as disposições das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003; e (...) 5. Segundo o conceito de insumo aqui adotado não estão a priori incluídos os seguintes "custos" e "despesas" da recorrente: gastos com veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. É que tais "custos" e "despesas" (“Despesas Gerais Comerciais”) não são essenciais, relevantes e pertinentes ao processo produtivo da empresa que atua no ramo de alimentos, de forma que a exclusão desses itens do processo produtivo não importa a impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção e nem, ainda, a perda substancial da qualidade do serviço ou produto e não há obrigação legal para sua presença. 6. Quanto aos "custos" e "despesas" com água, combustível, lubrificante, materiais de exames laboratoriais e materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual - EPI, é o caso de devolver os autos ao Tribunal de origem para que seja analisada, à luz do conceito de insumos aqui adotado, a possibilidade de dedução de créditos desses itens conforme se verifique sua pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, ainda que por aplicação indireta, consoante o “teste de subtração”. Em assim sendo, deverão ser considerados insumos na forma do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. (...) Fl. 853DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 70 Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. Veja-se que este conceito já foi tocado por Marco Aurélio Grego em passagem que transcrevemos ao enfrentar a impossibilidade de ser adotado o conceito de "insumos" próprio do IPI. O mesmo conceito foi mencionado no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, em passagem também já citada de acórdão do CARF. Neste sentido, as seguintes decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ): i) AgInt no REsp 1.890.463/SP, Relator Ministro BENEDITO GONÇALVES, Data da Publicação 26/05/2021: Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. DESPESAS COM FRETE. DIREITO A CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA. 1. Com relação à contribuição ao PIS e à COFINS, não originam crédito as despesas realizadas com frete para a transferência das mercadorias entre estabelecimentos da sociedade empresária. Precedentes. 2. No caso dos autos, está em conformidade com esse entendimento o acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região, segundo o qual apenas os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente a terceiros - atacadista, varejista ou consumidor -, e desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. 3. Agravo interno não provido. ii) AgInt no AREsp 1.804.525/RS, Relatora Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, Data da Publicação 17/06/2021: Inadmitido o Recurso Especial, foi interposto o presente Agravo. A irresignação não merece prosperar. Nos termos da jurisprudência de ambas as Turmas da Primeira Seção deste Tribunal, "as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa ou grupo, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda" (STJ, AgInt no AREsp 1.421.287/MA, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 27/04/2020). Nesse sentido: Fl. 854DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 71 (...) Ante o exposto, reconsidero a decisão de fls. 3.713/3.720e, pelo que, com fulcro no art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço do Agravo, para negar provimento ao Recurso Especial. iii) AgInt no AREsp 848.573/SP. Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial. Relator: Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Data da Publicação: 18/09/2020. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS/COFINS. DESPESAS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE INSUMO. AGRAVO INTERNO DA EMPRESA A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (...) 3. Na espécie, o entendimento adotado pela Corte de origem se amolda à jurisprudência desta Corte de que as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda (AgInt no AgInt no REsp. 1.763.878/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 1o.3.2019). 4. Agravo Interno da Empresa a que se nega provimento. iv) AgInt no AREsp 1.421.287/MA. Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial. Relator: Ministro Mauro Campbell Marques. Data da Publicação: 27/04/2020. 4. As despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa ou grupo, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.386.141/AL, Rel. Ministro Olindo Menezes (desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Primeira Turma, DJe 14/12/2015; AgRg no REsp 1.515.478/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/06/2015. v) Embargos de Divergência em Resp nº 1.710.700-RJ. Relator: Ministro Benedito Gonçalves. Data da Publicação: 28/10/2019. O caso dos autos trata de despesa de frete em relação ao deslocamento entre estabelecimentos de uma mesma empresa - ou seja, não há uma operação de venda ou revenda. Por sua vez, o acórdão apontado como paradigma tem por pressuposto uma operação de venda, realizada entre duas empresas distintas. Do voto condutor Fl. 855DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 72 proferido no RESP 1.215.773 (fls. 211/216 daqueles autos) transcrevo (com grifos) os seguintes trechos: (...) Assim, o paradigma não trata da despesa de frete referente ao deslocamento entre estabelecimento de uma mesma empresa, mas sim da aquisição efetiva de veículos novos para posterior revenda. Nesse sentido, o voto vencedor proferido no RESP 1.215.773 cuidou de distinguir os dois contextos, nos seguintes termos (grifado): Para afastar qualquer dúvida, devo ressaltar, por outro lado, que o acórdão proferido nos autos do RESP 1.147.902/RS, da Segunda Turma, Ministro Herman Benjamin, DJe de 6.4.2010, não tem pertinência com o caso em debate, não dizendo respeito a transporte de bens para revenda. O referido precedente envolve simples "transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial". Eis a ementa do julgado: (...) Como se vê, o próprio voto condutor do acórdão apontado como paradigma cuidou de apartar os contextos fáticos. Inclusive, o precedente RESP 1.147.902/RS (Segunda Turma, Ministro Herman Benjamin, DJe de 6.4.2010) permanece sendo colacionado nos julgados mais recentes sobre o tema, como é o caso do AgInt no AREsp 1237892/SP (Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2019, DJe 16/09/2019), abaixo transcrito. Por outro lado, como se depreende de precedente da Primeira Turma, de dezembro de 2015, há sintonia de entendimentos entre ambos órgãos colegiados fracionários da Primeira Seção do STJ (grifado): (...) 2. As despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Precedentes. 3. "A norma que concede benefício fiscal somente pode ser prevista em lei específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN, não se admitindo sua concessão por interpretação extensiva, tampouco analógica" (AgRg no REsp nº 1.335.014, CE, relator Ministro Castro Meira, DJe de 08.02.2013). 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 1386141/AL, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/12/2015) Fl. 856DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 73 O precedente acima continua sendo referido nos julgados mais recentes sobre o tema: (...) III. Na forma da jurisprudência dominante e atual do STJ, "as despesas de frete (nas operações de transporte de produtos acabados, entre estabelecimentos da mesma empresa) não configuram operação de venda, razão pela qual não geram direito ao creditamento do PIS e da Cofins no regime da não cumulatividade" (STJ, REsp 1.710.700/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 13/11/2018). (...) IV. A controvérsia decidida pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento, sob o rito dos recursos repetitivos, do REsp 1.221.170/PR, é distinta da questão objeto dos presentes autos, consoante admitido pela própria agravante, por petição protocolada perante o Tribunal de origem, e reconhecido também por esta Corte, nos EDcl no AgRg no REsp 1.448.644/RS (Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 18/04/2017). V. Não se aplica ao caso, por ausência de similitude fática, a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do REsp 1.215.773/RS (Rel. p/ acórdão Ministro CESAR ASFOR ROCHA, DJe de 18/09/2012), pois, além de esse precedente não ter abordado a questão objeto dos presentes autos, o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003 permite o creditamento das despesas de "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor", diferentemente do caso concreto, em que não se verifica operação de venda. (AgInt no AREsp 1237892/SP, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/09/2019, DJe 16/09/2019) Incide, na espécie, o teor da Súmula 168/STJ: "Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado." vi) Agravo em Recurso Especial nº 874.800-SP. Relator: Ministro Francisco Falcão. Data da Publicação: 16/10/2019. No caso, o Tribunal a quo adotou o fundamento de que não há direito ao creditamento a título de contribuição ao PIS e de COFINS de despesas, insumos, custos e bens, que não sejam expressamente previstos nas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, ou que não estejam relacionados diretamente à atividade da empresa. (...) Sobre a apontada violação aos arts. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, o recurso especial não comporta provimento. Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências Fl. 857DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 74 internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. A propósito: (...) 1. Fixada a premissa fática pelo acórdão recorrido de que "os custos que a impetrante possui com combustíveis e lubrificantes não possui relação direta com a atividade-fim exercida pela empresa, que não guarda qualquer relação com a prestação de serviço de transportes e tampouco envolve o transporte de mercadorias ao destinatário final, mas constitui, em verdade, apenas despesa operacional", não é possível a esta Corte infirmar tais premissas para fins de concessão do crédito de PIS e COFINS na forma do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nem mesmo sob o conceito de insumos definido nos autos do REsp nº 1.221.170, representativo da controvérsia, tendo em vista que tal providência demandaria incurso no substrato fático-probatório dos autos inviável em sede de recurso especial em razão do óbice da Súmula nº 7 desta Corte. 2. Em casos que tais, esta Corte já definiu que as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda. Não se reconhece o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa, por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.386.141/AL, Rel. Ministro Olindo Menezes (desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Primeira Turma, DJe 14/12/2015; AgRg no REsp 1.515.478/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/06/2015. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AgInt no REsp 1763878/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/02/2019, DJe 01/03/2019) vii) Recurso Especial nº 1.712.896-SP. Relator: Ministro Herman Benjamin. Data da Publicação: 28/05/2018. A recorrente, nas razões do Recurso Especial, alega que ocorreu violação dos arts. 3º, I, II e IX, e 15 da Lei 10.833/2003 e do art. 3º, caput, I e II, da Lei 10.637/2002. Defende, em suma, ter direito de descontar do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta da venda de suas mercadorias os créditos referentes às despesas com armazenagem e frete suportados nas transferências entre seus estabelecimentos. (...) Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 14.2.2018. Fl. 858DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 75 A irresignação não merece prosperar. O entendimento do acórdão recorrido está em consonância com a orientação do STJ. Com efeito, não é toda e qualquer despesa que se pode inserir no conceito de insumo para viabilizar a compensação com o PIS e a CONFINS. À guisa de exemplo, na hipótese dos autos, bem decidiu a Corte de origem ao afastar os custos de frete das despesas passíveis de compensação com as contribuições em debate. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: (...) Os Tribunais Regionais Federais também já pacificaram este entendimento, conforme os seguintes precedentes: i) Tribunal Regional Federa da 4ª Região. Apelação Cível nº 5022190- 09.2018.4.04.7107/RS, Relator: Des. Fed. Rômulo Pizzolatti, Data da Decisão 15/06/2021: VOTO 1. Preliminar de nulidade do processo (...) 2. Mérito Ao contrário do que ocorre com o IPI e o ICMS, cuja sistemática encontra-se traçada no texto constitucional, sendo de observância obrigatória, o regime não- cumulativo das contribuições sociais PIS e COFINS foi relegado à disciplina infraconstitucional, sendo de observância facultativa, visto que incumbe ao legislador ordinário definir os setores da atividade econômica que irão sujeitar-se a tal sistemática e, inclusive, em qual extensão. Diferentemente do que ocorre no caso dos impostos anteriormente mencionados, cuja tributação pressupõe a existência de um ciclo econômico ou produtivo, operando-se a não- cumulatividade por meio de um mecanismo de compensação dos valores devidos em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, a incidência das contribuições PIS e COFINS pressupõe o auferimento de faturamento/receita, fato este que não se encontra ligado a uma cadeia econômica, mas à pessoa do contribuinte, operando-se a não-cumulatividade por meio de técnica de arrecadação que consiste na redução da base de cálculo da exação, mediante a incidência sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (art. 1º das Leis n.º10.637, de 2002 e 10.833, de 2003), permitidas certas deduções expressamente previstas na legislação (art. 3º das Leis n.º 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003). Portanto, é a lei que estipula quais as despesas que serão passíveis de gerar créditos, bem como a sua forma de apuração, podendo ainda estabelecer Fl. 859DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 76 vedações à dedução de créditos em determinadas hipóteses, sem que se cogite com isso de ofensa à não-cumulatividade. Por outro lado, analisando a legislação infraconstitucional atinente ao tema, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento - submetido ao regime de recursos repetitivos - do REsp 1.221.170 / PR, firmou as teses de que (a) é ilegal a disciplinade creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns.247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal comodefinido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. O julgado paradigma restou assim sintetizado: (...) Enfim, foi publicada no DOU de 15-10-2019 (seção 1, página 27) a Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 11-10-2019, que na sua Subseção II dispôe o seguinte: (...) Como se vê, a Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 11-10-2019, a partir do seu art. 171, veio a adequar a interpretação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, no âmbito da administração pública federal, à orientação firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170 / PR, e o fez de forma razoável, em conformidade com os critérios de essencialidade e relevância, nos termos do que assentado pelo Superior Tribunal de Justiça. (...) Com efeito, o transporte de produtos acabados realizados em ou entre estabelecimentos da pessoa jurídica não se trata de serviço utilizado "na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", tal como dispõe o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Nem tampouco se trata aqui de caso de "frete na operação de venda" cujo o ônus é suportado pelo vendedor, tal como previsto no art. 3º, IX, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Conforme narrado pela demandante na inicial (capítulo "DOS FATOS), ela "realiza o transporte de suas mercadorias para suas filiais, de forma contínua",(...) "por questões logísticas e comerciais", ou seja, a autora realiza o transporte de produtos acabados entre sua matriz e suas filiais antes mesmo e independentemente de as mercadorias terem sido vendidas. Na verdade, conforme esclarece a demandante, o frete do qual pretende se creditar diz respeito à distribuição de mercadorias para filiais localizadas em outras regiões do país, com o intuito de pô-las à venda em outros mercados, não Fl. 860DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 77 dizendo respeito, portanto, à entrega de mercadorias vendidas. O frete trata-se, nesses termos, de mera despesa operacional. Em suma, não tem a demandante o direito de deduzir crédito de PIS e COFINS das suas despesas com o frete atinente ao transporte de produtos acabados entre os seus estabelecimentos. Nessa linha, a propósito, é a jurisprudência da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: (...) Sinale-se, enfim, que pouco importa tenha o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, em casos envolvendo terceiros estranhos a esta demanda, adotado a tese que o contribuinte ora defende. Apenas importa no presente caso que a União expressamente se opôs, nos autos, à tese e à pretensão da demandante, na linha , aliás, do que atualmente é previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 11-10-2019. Na verdade, se a tese da demandante viesse sendo adotada no âmbito da Receita Federal do Brasil ou do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, ela nem sequer precisaria agora buscar socorro no Poder Judiciário. Agiu com acerto o juiz da causa, dessarte, ao julgar improcedente a demanda. ii) Tribunal Regional Federa da 4ª Região. Apelação Cível nº 5002201- 71.2019.4.04.7110/RS, Relator: Des. Fed. Francisco Donizete Gomes, Data da Decisão 28/10/2020: VOTO 1. Admissibilidade A apelação interposta se apresenta formalmente regular e tempestiva. Custas satisfeitas no Evento 43. 2. Mérito As impetrantes são tributadas pelo lucro real e, por isto, apuram as contribuições ao PIS/COFINS pelo regime não cumulativo, disciplinado pelas Leis Leis nº 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS). 2.1. Não cumulatividade do PIS/COFINS (...) 2.2 Pretensão ao creditamento de PIS/COFINS sobre as despesas referentes ao frete entre seus estabelecimentos (frete interno ou intercompany) As Impetrantes fundam seu direito ao creditamento de PIS/COFINS sobre as despesas com interno (“intercompany”) nas operações de venda sobre os produtos acabados na previsão contida no art. 3º da Lei inciso IX, c/c art. 15, II, ambos da Lei 10.833/03. (...) Fl. 861DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 78 Como se observa da legislação acima transcrita, o direito ao crédito de PIS/COFINS sobre as despesas com o frete ocorre apenas nas operações de venda dos bens e serviços adquiridos para revenda quando o ônus tiver sido suportado pelo vendedor. No caso, a pretensão da autora diz respeito ao creditamento das despesas com frete no transporte das mercadorias entre a matriz e filiais ou centros de distribuição. Como não se trata de operação de venda, a situação de fato não se encaixa na previsão normativa e não há o direito ao crédito pela falta de lei específica exigida pelo art. 150, §6º, da CF. (...) Não assiste razão às impetrantes, portanto, sob esse fundamento. 2.3. Creditamento do PIS/COFINS incidente na referida operação na qualidade de insumo à sua atividade - Tema 779/STJ, Recurso Repetitivo nº 1.120.170/PR Como anteriormente referido, ao editar as Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional relacionou uma série de bens e serviços que integram cadeias produtivas, colocando-os expressamente na condição de "geradores de créditos" de PIS e COFINS na sistemática da não-cumulatividade. (...) Com efeito, não é toda e qualquer despesa que se pode inserir no conceito de insumo para viabilizar a compensação com o PIS e a Cofins. (...) No caso concreto, a par de não ser elegível pela lei como gerador de crédito - uma vez que a lei elegeu como gerador de créditos a despesa de frete relativa à operação de venda ou revenda - o frete interno ("intercompany") igualmente não atende ao critério da essencialidade ("elemento estrutural e inseparável do processo produtivo"), tampouco da relevância (seja em função das particularidades da atividade econômica da empresa ou seja em face de exigências legais), justamente porque é elemento externo ao processo produtivo, uma vez que se relaciona a produtos já acabados. Ademais, não se justifica a pretensão de apropriação de créditos a partir de conceito genérico (insumos) quando a norma de regência já estabeleceu o creditamento para a situação específica (frete), mas reduziu sua abrangência, no caso apenas ao frete da operação de venda, do que não se trata no presente caso. Somente se cogitaria de serviço de transporte como insumo caso a empresa atuasse, por exemplo, no ramo de transportes, do que aqui não se trata (empresa de beneficiamento de arroz e produtos agrícolas - Evento 1 - CONTRSOCIAL3). (...) Assim, a pretensão deve ser afastada também sob esse segundo fundamento. Fl. 862DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 79 iii) Tribunal Regional Federa da 4ª Região. Apelação Cível nº 5052701- 21.2012.4.04.7100/RS, Relator: Des. Fed. Maria de Fátima Freitas Labarrère, Data da Decisão 06/10/2020: VOTO O acórdão ora objeto de retratação, para fins de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS na sistemática da não cumulatividade, acolheu os critérios adotados pela Receita Federal nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002, 358/2003 e 404/2004. Assim, considerando a pertinência da matéria ao Tema 779/STJ, é caso de submissão do feito à sistemática da retratação (art. 1.030, II, do CPC). 2. Mérito Ao apreciar o Tema 779, o Superior Tribunal de Justiça fixou as seguintes teses: (...) Com se vê, o Superior Tribunal de Justiça acabou por adotar uma posição intermediária entre o que era pleiteado pelos contribuintes - interpretação mais ampla de insumo, considerando todos os custos e despesas relacionados ao serviço prestado ou ao processo produtivo (crédito financeiro), e o sustentado pela Receita Federal, conceito de insumo ligado à noção de crédito físico. (...) A impetrante requer o reconhecimento do seu direito ao crédito de PIS e COFINS sobre os valores despendidos a título de frete para transporte de materiais entre as suas unidades industriais localizadas em Porto Alegre e Charqueadas, ambas no Rio Grande do Sul, mais especificamente materiais auxiliares e também produtos semi-elaborados em fase de industrialização, cuja fabricação se inicia em uma unidade industrial e termina em outra unidade industrial, assim como para o transporte das embalagens que acondicionam as peças acabadas comercializadas aos seus clientes finais. A subtração do frete entre as suas unidades, não implicaria perda na qualidade do seu processo produtivo, razão que não justifica seu enquadramento na condição de insumos. Assim sendo, são despesas operacionais e não operacionais que podem contribuir para o crescimento ou manutenção da atividade econômica, mas que não são essenciais para a sua realização. Portanto, em consonância com o "teste de subtração", ainda que excluídas tais despesas, o objeto social não restaria inviabilizado. (...) Assim, as despesas com frete para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, nos termos da jurisprudência deste Regional, somente geram créditos em relação ao frete na operação de venda, ainda assim, Fl. 863DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 80 tão somente quando o ônus do pagamento for suportado pelo vendedor. Não tem o contribuinte o direito a creditamento, no âmbito do regime não-cumulativo do PIS e COFINS (Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003), dos custos com transporte de matérias-primas entre estabelecimentos próprios, justamente por não estarem intrinsecamente ligadas às operações de venda ou revenda. iv) Tribunal Regional Federa da 3ª Região. Apelação Cível nº 0014644- 68.2014.4.03.6100, Relator: Des. Fed. Carlos Muta, Publicação em 14/07/2021: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. NULIDADE DA SENTENÇA INEXISTENTE. PIS/COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. INSUMOS. ARTIGO 3º, CAPUT, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. RESP 1.221.170. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. OBJETO SOCIAL. CUSTO QUE NÃO SE REFERE À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OU FABRICAÇÃO DE BENS OU PRODUTOS DESTINADOS À VENDA. TEMAS REPETITIVOS 979 E 980. DESPESAS OPERACIONAIS. (...) 6. A jurisprudência encontra-se há muito pacificada no sentido de que a pretensão de creditamento a partir de despesas de frete entre estabelecimentos da empresa não encontra respaldo no artigo 3º, IX, da Lei 10.833/2003 (extensível ao PIS pelo artigo 15 do mesmo diploma). Com efeito, não bastasse a literalidade que rege a concessão de benefícios fiscais (artigo 111 do CTN), não há razão para, como objetiva a recorrente, desconsiderar que a legislação especificamente trata de frete na "operação de venda". Não se trata de qualificativo sem significância (como, de resto, é regra hermenêutica basilar), inclusive porque o dispositivo exige que o frete seja suportado pelo vendedor - tornando imperativa, portanto, a existência de uma avença de compra e venda. A própria exposição da apelante evidencia que o frete da fábrica até os centros de distribuição, caracterizada como transferência interna entre estabelecimentos da mesma empresa, e o frete na operação da venda ao consumidor retratam operações distintas, com tratamento tributário distinto. 7. Conforme orientação da Corte Superior quando do julgamento do REsp 1.221.170, para aplicação do regime de não-cumulatividade previsto no artigo 195, § 12, da CF/1988 e, por consequência, e reconhecimento do direito ao creditamento de tributos pagos na cadeia produtiva, deve ser cotejada a real e efetiva essencialidade do bem ou serviço com o objeto social do contribuinte, restringindo-se o direito ao creditamento somente aos imprescindíveis ou essenciais ao atingimento da finalidade empresarial, excluídos os demais, cabendo, assim, fazer distinção entre o conceito de insumos, afetos ao processo produtivo e ao produto final, de meras despesas operacionais, relacionadas às atividades secundárias, administrativas ou não essenciais da empresa. 8. (...) Aplicando-se o “teste de subtração” delineado no REsp 1.221.170, não há como autorizar creditamento sobre despesas com locação de veículos ou Fl. 864DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 81 mesmo frete para escoamento da produção, pois não se referem a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", e sim, a custo percebido em etapa econômica posterior. Precedentes. v) Tribunal Regional Federa da 1ª Região. Apelação em Mandado de Segurança nº 0008372-29.2008.4.01.3803, Relator: Des. Fed. Reynaldo Fonseca, Publicação em 24/04/2015: ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. LEIS 10.63702 e 10.833/03. EMPRESA COMERCIAL. VENDA DE CEREAIS E BENEFICIAMENTO DE ARROZ. ATIVIDADE-FIM. FRETE NA AQUISIÇÃO DOS PRODUTOS. DISTINÇÃO ENTRE INSUMOS E CUSTOS E DESPESAS. JURISPRUDÊNCIA. 1. O autor busca a declaração do direito ao crédito presumido da contribuição ao PIS e da COFINS, previsto no artigo 3° e incisos, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, em decorrência dos dispêndios/custos de frete pagos no momento da aquisição de matéria prima (arroz com casca a granel), relacionados à consecução de sua atividade. 2. Muito embora o debate apresente complexidade, uma vez que a legislação cuide de atividades de toda ordem, o que se deve verificar, in casu, é o enquadramento do objeto de dispêndio/custos indicado pelo autor (frete) como "insumos", na forma pretendida pelas citadas Leis 10.637 e 10.833. 3. E, conquanto a Instrução Normativa já referida tenha delineado o alcance das citadas Leis 10.633/02 e 10.833/03, o conceito de insumo extrapola a própria norma regulamentar, abrangendo aquilo que entra no processo produtivo e fica integrado ao produto final. 4. Como bem destacado em sentença, a referida Instrução Normativa veio tão somente regulamentar a previsão contida nas Leis nºs: 10.633/2003 e 10.833/2003, não demonstrando restrição do conceito de insumo como alega o apelante. 5. Acerca do tema cumpre acrescentar aresto do egrégio Superior Tribunal de Justiça: "(...) 2. A legislação tributária em comento instituiu o regime da não- cumulatividade nas aludidas contribuições da seguridade social, devidas pelas empresas optantes pela tributação pelo lucro real, autorizando a dedução, entre outros, dos créditos referentes a bens ou serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 3. O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado ao desempenho da atividade empresarial. As despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor. 4. Inexiste, portanto, direito ao creditamento de despesas concernentes às operações de transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial. 5. Recurso Especial Fl. 865DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 82 não provido.". (REsp 1147902/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/03/2010, DJe 06/04/2010) 6. Ademais, as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram hipóteses de não- cumulatividade para as contribuições devidas ao PIS e à COFINS, no que foram reforçadas pela Emenda Constitucional nº 42/2003, que remeteu à lei a possibilidade de definição dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes sobre a receita ou o faturamento do empregador serão não-cumulativas (art. 195, § 12º). 7. No entanto, a não-cumulatividade prevista nas mencionadas leis não foi ampla e ilimitada, como ocorreu com o IPI e o ICMS. Houve a indicação expressa dos créditos que não poderiam ser compensados, para apuração da COFINS e do PIS (art. 3º, §2º). 8. As disposições contidas nas mencionadas leis ordinárias não ofendem a Constituição Federal, que, em nenhum momento, determina a aplicação da não- cumulatividade, na forma pretendida pela impetrante, com relação à COFINS e ao PIS. O comando constitucional contido nos arts. 153, §3º, II, e 155,§2º, I, dirige-se, especificamente, ao ICMS e ao IPI, e não pode ser estendido ao PIS e à COFINS, por mera vontade do contribuinte. Para as hipóteses de IPI e ICMS, o legislador constituinte deixou traçados, fixando os limites objetivos de sua ocorrência, os critérios para que se implementasse a não-cumulatividade, dadas as características desses tributos, enquanto, para o PIS e a COFINS a lei é que deve se incumbir dessa tarefa. 9. Apelação não provida. Igualmente neste sentido, as seguintes decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): i) Acórdão nº 9303-011.782, Sessão de 18/08/2021 CRÉDITO. FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA E GASTOS CORRELATOS. IMPOSSIBILIDADE. Em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pelo STJ e do Parecer Cosit nº 5, de 2018, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição da COFINS, bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. ii) Acórdão nº 9303-011.615, Sessão de 21/07/2021: CRÉDITOS DE FRETES PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes de produtos acabados entre o estabelecimento-fabril da recorrente e centros de distribuição, posteriores à fase de produção, não geram Fl. 866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 83 direito a crédito das contribuições para a COFINS na sistemática de apuração não- cumulativa. iii) Acórdão nº 3401-008.305, Sessão de 20/10/2020. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS DE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA PARA PORTOS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. MERA OPÇÃO LOGÍSTICA. IMPOSSIBILIDADE. As despesas com a transferência de produto acabado para portos e armazéns no caso de exportações indiretas, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente a uma operação de venda, ou de exportação, mas constitui mera opção logística do produtor, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição. iv) Acórdão nº 3402-006.999, Sessão de 25/09/2019. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (...) Voto (...) No caso concreto, observa-se, pelos documentos fiscais juntados, que as despesas com fretes tratam do transporte de produtos acabados da fábrica para os centros de distribuição, em sua maioria de produtos químicos acabados denominados “Roundap” e “Glifosato Técnico”. Desta feita, o transporte de produtos acabados da fábrica para os centros de distribuição não se enquadram em nenhum dos permissivos legais de crédito citados, pois não possui qualquer identidade com aquele frete que compõe o custo de aquisição dos bens destinados a revenda, não se confunde também com o frete sobre vendas, naquele que o vendedor assume o ônus o frete e tampouco pode ser considerado insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem, já que as operações de fretes ocorrem no período pós produção. v) Acórdão nº 3302-006.350, Sessão de 12/12/2018. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. DESCABIMENTO. A sistemática de tributação não-cumulativa do PIS e da Cofins, prevista na legislação de regência Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, não contempla os dispêndios com frete decorrentes da transferência de produtos acabados entre estabelecimentos ou centros de distribuição da mesma pessoa jurídica, posto que o ciclo de produção já se encerrou e a operação de venda ainda não se concretizou, não obstante o fato de tais movimentações de Fl. 867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 84 mercadorias atenderem a necessidades logísticas ou comerciais. Logo, inadmissível a tomada de tais créditos. Pelo exposto, voto por negar provimento aos pedidos. VII.5 – DOS CRÉDITOS DO ATIVO IMOBILIZADO Alega o recorrente que a glosa desses créditos foi equivocada, e analisa cada um dos fundamentos apresentados no despacho decisório e no acórdão recorrido: (i) equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, como balanças, costuradora, carro plataforma, máquinas de limpeza, sistema de captação, dentre outros, apenas por se encontrarem em unidades da Recorrente que, em tese, não seriam produtoras de alimentos animais destinados à venda, não estando ligados diretamente à produção Em relação a este fundamento do acórdão da DRJ, o recorrente afirma que a noção restritiva de insumo empregada no acórdão recorrido acabou por afastar, de forma indevida, o seu direito de crédito pois, no exercício de sua atividade econômica, depende inteiramente de balança para pesagem dos caminhões, silos de secagem, dentre outros vários maquinários necessários à consecução de seu fim social. Entretanto, referidos bens teriam sido desconsiderados pela Fiscalização tão somente por supostamente não serem utilizados na produção de bens destinados à venda. Contudo, entende que o “processo produtivo” para fins de apuração de créditos do PIS/COFINS alcança todos os fatores necessários para, além da produção de bem/serviço, a obtenção de receita tributável. Em suas palavras: Ainda que não integrantes do estabelecimento industrial da Recorrente, os bens desconsiderados pela fiscalização são imprescindíveis para o correto exercício de suas várias atividades econômicas. Basta imaginar como seria a produção de ração, secagem e armazenagem de grãos em silos, se não houvesse uma balança de precisão. Ora, é essencial precisar a quantidade carregada ou descarregada nos caminhões, por exemplo, principalmente porque a informação do peso da carga deve constar nas notas fiscais, sob pena de sanções caso ausente ou imprecisas. Tanto é que a pesagem é etapa imprescindível e que aparece em vários momentos do processo produtivo, consoante do descritivo de fls. 82/83 e 90, o que justifica, por exemplo, o crédito sobre a depreciação das balanças rodoviárias/ferroviárias, de precisão, dentre outras. De igual modo, o mesmo problema ocorreria na ausência de filtros de impurezas no armazenamento dos produtos destinados à venda, haja vista o rigor a que está submetida à Recorrente em relação aos controles e padrões de higiene e Fl. 868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 85 saúde. No mesmo sentido, os silos para armazenagem; os secadores para o necessário e correto armazenamento dos grãos, como já anteriormente demostrado; transportadoras utilizadas para transferência de matérias-primas e produtos acabados, conforme consta do Laudo apresentado pela Recorrente (fl. 89): (...) Ora, verifica-se que os bens desconsiderados pela fiscalização não só são empregados diretamente na produção realizada pela Recorrente, como também são essenciais à sua atividade econômica. O que se verifica, no presente caso, é a glosa dos créditos pela fiscalização sem qualquer fundamento que demonstrasse que cada um dos bens não está inserido no processo produtivo da Recorrente. E ainda que assim não se entendesse, deve ser destacado que no estabelecimento matriz da Recorrente estão alocados tanto a fábrica de ração, quanto alguns armazéns secadores, sem que houvesse a devida segregação por parte da fiscalização, o que apenas evidencia a ausência de fundamentação do acórdão em referência, devendo-se garantir o direito de crédito da Recorrente em relação à depreciação de máquinas e equipamentos essenciais à sua atividade econômica. Com razão o recorrente. Conforme já analisado no tópico “VII.2 – DA LENHA”, a atividade econômica do contribuinte não está restrita apenas à fabricação de ração, mas também à produção de grãos secos, a partir de grãos contendo umidade, adquiridos dos cooperados. Este fundamento para a glosa se refere exclusivamente ao fato dos equipamentos listados nos anexos V e VI estarem localizados em estabelecimentos do contribuinte que, segundo a Fiscalização, não realizam qualquer atividade industrial, conforme consta do Despacho Decisório: Em diligência a empresa, no dia 16 de agosto de 2012, foi verificado que a unidade de fabricação de alimentos animais está instalada na matriz, CNPJ: 76.107.770/0001-08, conjuntamente, com uma unidade de secagem e armazéns. Abaixo a descrição das unidades e respectivas atividades desenvolvidas: Fl. 869DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 86 (...) Conforme os arquivos apresentados: Item 03 - Imobilizado.xls, foi verificado o creditamento de bens adquiridos de pessoa física, e também sobre diversos equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, como por exemplo: balanças, costuradora, carro plataforma, máquinas de limpeza, sistema de captação, entre outros. Os referidos bens encontram-se em unidades não produtoras de alimentos animais destinados à venda, neste caso é um equipamento incorporado ao ativo imobilizado não ligado diretamente a produção, razão pela qual efetuou-se a glosa dos bens relacionados nos Anexos V e VI. Observe-se que o Auditor-Fiscal não glosou os equipamentos em razão de sua utilização individual na empresa, mas pelo fato de estarem sendo utilizados em unidades que se destinam meramente à revenda de grãos, nas quais não ocorre nenhum processo produtivo. Tendo em vista que esse argumento já foi refutado neste voto, devem ser revertidas as glosas em questão, com exceção daquelas referentes a encargos de depreciação de bens usados ou adquiridos de pessoas físicas. (ii) bens/edificações adquiridos de pessoas físicas, o que seria vedado pela literalidade do art. 3.º das Leis n.ºs 10.833 e 10.637 Em relação a este fundamento do acórdão da DRJ, o recorrente afirma que o colegiado se limitou a indicar que não haveria impugnação específica, deixando, portanto, de demonstrar o acerto/desacerto da fiscalização nessa conclusão. Contudo, afirma que, por meio de sua Manifestação de Inconformidade, realizou a impugnação da totalidade das glosas relacionadas ao seu ativo imobilizado – “Tópico – Dos créditos do ativo imobilizado”. Sustenta, ainda, que merecem ser revertidas as glosas com esse fundamento, haja vista que as referidas leis nada dispõe a respeito da impossibilidade de aproveitamento de crédito de bens do ativo imobilizado adquiridos de pessoas física. O entendimento do recorrente mostra-se equivocado. O art. 3°, §2º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, é expresso ao vedar o creditamento sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. E o art. 1º destas mesmas leis definem que a incidência destes tributos somente ocorre com contribuintes pessoa jurídica: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nesse contexto, deve ser negado provimento a este pedido. (iii) “Apropriação de crédito de edificações/bens usados referente ao contrato de compra e venda com a empresa Com. Ind. Brasileira Coimbras S/A”, o que seria vedado pelo inciso II, §3.º, art. 1.º da IN/SRF n.º 457/2004 – Código de Bens 10077 a 10105 Fl. 870DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 87 Em relação a este fundamento do acórdão da DRJ, o recorrente afirma que o art. 3º das citadas Leis nº 10.833 e 10.637, não faz qualquer distinção quanto à condição do bem incorporado - se usado ou novo. Nesse sentido, o que se verifica, é a ilegal restrição pela referida Instrução Normativa nº 457/2004, em completo desacordo com o citado artigo das referidas leis. Sustenta ainda que, em relação ao argumento de que a operação de venda de bens usados do ativo imobilizado não está sujeita ao pagamento da contribuição em questão, nos termos do §2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2002, “remete-se aos fundamentos já apresentados no tópico “5.2.2” das presentes razões recursais”, no qual entende ter demonstrado que a aquisição de bens submetidos à alíquota zero não obsta o direito de crédito, uma vez que, por representar tributação, não é restringido pelo referido dispositivo legal. Apesar da irresignação do contribuinte, não lhe assiste razão nesta matéria. Como já esclarecido em outros tópicos, o art. 3°, §2º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, é expresso ao vedar o creditamento sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. E o art. 1º, § 3º, inciso II, dos mesmos diplomas legais, define que as receitas não operacionais decorrentes da venda de ativo permanente não integram a base de cálculo das contribuições: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) II - não-operacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; Nesse contexto, deve ser negado provimento a este pedido. (iv) Em relação ao Código de bens n.ºs 10844, 10915 e 11149/11193, entendeu a fiscalização que as planilhas enviadas pela Recorrente não seriam conclusivas em definir a composição/descrição dos itens de cada código de bem Em relação a este fundamento do acórdão da DRJ, o recorrente afirma que forneceu uma planilha contendo todas as informações necessárias para a verificação do crédito, sendo que competia à Fiscalização indicar qualquer equívoco – se existente – nos valores ali apresentados. Além disso, sustenta que não há qualquer lei que determine a demonstração individualizada dos custos incorridos na edificação, situação que deflagra direto desrespeito ao princípio da legalidade consagrado pelo art. 5º, V, da Constituição Federal. Esse fundamentado foi assim descrito no Despacho Decisório: Em relação aos bens listados no Anexo VII, evidenciamos as seguintes incorreções em relação a o creditamento sobre encargos de depreciação e amortização: Fl. 871DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.552 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720368/2012-44 88 (...) c. Cód. Bens 10844, 10915 e 11149 a 11193, conforme a planilha Edificações — Nfs, constam as seguintes informações: campos "Data de Entrada": CLAUDIO; nos campos "Notas Fiscais", "Valor em Notas", "CNPJ Fornecedor" e "Nome do Fornecedor" : nenhuma informação (campo zerado). Em contato com a empresa foi enviado outro arquivo complementar "Abertura Imobilizado — Itens Cláudio", no entanto, a planilha não é conclusiva em definir a composição/descrição dos itens de cada Cód. Bem, impondo-se desta forma a glosa. De fato, as informações solicitadas do contribuinte são essenciais para a confirmação da liquidez e certeza do direito creditório. O contribuinte afirma que que forneceu uma planilha contendo todas as informações necessárias para a verificação do crédito, contudo tal documento não foi localizado nos autos. Não há, sequer, algum documento atestando sua entrega ao órgão fiscalizador. Nesse contexto, deve ser negado provimento ao pedido, por absoluta carência probatória a cargo do recorrente. VIII - DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por (i) rejeitar a preliminar de “nulidade do acórdão da DRJ por ausência de motivação” e, (ii) no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter a glosa de créditos referentes a (ii.1) material de embalagens e etiquetas; (ii.2) aquisição de lenha de pessoas jurídicas; (ii.3) serviços aplicados nas fazendas de lenha e na produção de bovinos; e (ii.4) encargos de depreciação, exceto aqueles relacionados à aquisição de bens usados, adquiridos de pessoas físicas, ou de código nº 10844, 10915 e 11149/11193. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 872DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
10546938 #
Numero do processo: 10880.906606/2014-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. CRÉDITO COMPROVADO. Comprovada nos autos a regularidade das parcelas que compuseram o saldo negativo do IRPJ, deve ser homologada a compensação desse crédito com débitos do sujeito passivo, até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1402-006.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e a ele dar provimento, para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até o limite reconhecido. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone (Presidente). assinado digitalmente Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alessandro Bruno Macedo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza di Giovanni, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jul 20 09:00:00 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202406

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. CRÉDITO COMPROVADO. Comprovada nos autos a regularidade das parcelas que compuseram o saldo negativo do IRPJ, deve ser homologada a compensação desse crédito com débitos do sujeito passivo, até o limite do crédito reconhecido.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 10880.906606/2014-50

anomes_publicacao_s : 202407

conteudo_id_s : 7099941

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 1402-006.964

nome_arquivo_s : Decisao_10880906606201450.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : RAFAEL ZEDRAL

nome_arquivo_pdf_s : 10880906606201450_7099941.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e a ele dar provimento, para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até o limite reconhecido. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone (Presidente). assinado digitalmente Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alessandro Bruno Macedo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza di Giovanni, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2024

id : 10546938

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Jul 20 09:47:14 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1805090919147372544

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-07-18T13:43:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-07-18T13:43:32Z; Last-Modified: 2024-07-18T13:43:32Z; dcterms:modified: 2024-07-18T13:43:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-07-18T13:43:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-07-18T13:43:32Z; meta:save-date: 2024-07-18T13:43:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-07-18T13:43:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-07-18T13:43:32Z; created: 2024-07-18T13:43:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2024-07-18T13:43:32Z; pdf:charsPerPage: 1286; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-07-18T13:43:32Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10880.906606/2014-50 ACÓRDÃO 1402-006.964 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 10 de junho de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE INGREDION BRASIL INGREDIENTES INDUSTRIAIS LTDA RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. CRÉDITO COMPROVADO. Comprovada nos autos a regularidade das parcelas que compuseram o saldo negativo do IRPJ, deve ser homologada a compensação desse crédito com débitos do sujeito passivo, até o limite do crédito reconhecido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e a ele dar provimento, para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até o limite reconhecido. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone (Presidente). assinado digitalmente Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alessandro Bruno Macedo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza di Giovanni, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-006.964 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.906606/2014-50 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Da Declaração de Compensação Trata-se de processo referente ao PER/DCOMP eletrônico no qual se indicou como origem do crédito, o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2008 no valor de R$ R$ 80.576,41. Da Análise do PER/DCOMP De acordo com o Despacho Decisório eletrônico de e-fls. 68, a compensação não foi homologada, pois o direito creditório pleiteado não foi reconhecido. A Unidade de origem da RFB a validou a totalidade das retenções realizadas pelas fontes pagadoras, mas glosou parcela dos recolhimentos via DARF e de estimativas compensadas com saldo negativo de anos anteriores (SNPA): O relatório de e-fls. 71/72 mostra o resultado da análise das parcelas de antecipação do devido declaradas em DCOMP. A imagem abaixo mostra que apenas o DARF da estimativa de abril de 2008 não foi totalmente validado pois a parcela de R$ 80.576,41 não havia sido alocada em DCTF: Esta parcela de R$ 80.576,41 corresponde também ao valor do saldo negativo informado em DCOMP. A imagem abaixo mostra que as estimativas compensadas foram também glosadas parcialmente: Fl. 142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-006.964 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.906606/2014-50 3 Cientificada a contribuinte acerca do respectivo Despacho Decisório, apresentou Manifestação de Inconformidade, onde, em breve síntese, que: Esclarece que o crédito indevidamente glosado a título de pagamentos não confirmados, de R$ 80.576,41, bem como o valor de IRPJ a pagar em abril, no valor de R$ 1.985.069,16, foram claramente destacados na DIPJ AC/EX 2008/2009, nas fichas 11 e 12A. Alega que no ano-calendário 2008 estava vigente a IN RFB nº 600/2005, que somente permitia a utilização de pagamentos a maior de estimativa de IRPJ na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Aduz que apresentara a DCOMP em 23/10/2009, conforme as regras vigentes no ano-calendário de 2008. Assim, requer a reforma do decisório em questão para fins de reconhecimento do crédito decorrente do pagamento a maior da estimativa de IRPJ de abril de 2008, e total homologação dos débitos compensados na DCOMP. Em sessão de 05 de fevereiro de 2020 (e-fls.76) a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte. O relator consultou nos sistemas da RFB (e-fls. 80), constatando que o pagamento em questão (R$ 2.065.645,57) de fato apresenta o saldo não alocado de R$ 80.576,41. Verificou também que o valor total do pagamento de R$ 2.065.645,57 foi considerado na apuração da CSLL na Ficha 12 da DIPJ: “Do que se vê na DIPJ (ND nº 0001637099), ativa quando da emissão do referido decisório, embora na ficha 11 o contribuinte tenha informado o valor de R$ 1.985.069,16 referente à estimativa calculada para o mês de abril de 2008, na ficha 12A da DIPJ o contribuinte levara o valor recolhido a maior nesse mês, de R$ 80.576,41 para composição do saldo negativo de IRPJ ao final do período .” Grifei. Contudo, observou que na época da transmissão da DCOMP já era viável a transmissão de declaração de compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas. Porém, ressaltou que em razão do decurso o prazo prescricional, a recorrente já não poderia reaver este crédito. E sobre as estimativas compensadas, afirmou que “não houve contestação do contribuinte, não fazendo parte do litígio”. Fl. 143DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-006.964 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.906606/2014-50 4 Ciente da decisão de primeira instância em 29/02/2020 (e-fls. 86), o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário em 30/04/2020 (e-fls. 88), no qual expõe os fundamentos de fato e de direito que serão desenvolvidos no voto. Ao final, pede a revisão do Acórdão da DRJ no sentido de que seja deferido seu pleito. É o relatório. VOTO Conselheiro Rafael Zedral - Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. DO MÉRITO Inicialmente, é preciso esclarecer que este relator ficou responsável pela elaboração de relatório e voto sobre dois processos administrativos da recorrente INGREDION BRASIL INGREDIENTES INDUSTRIAIS LTDA: o PAF 10880.906607/2014-02 e o atual processo 10880.906606/2014-50, que versam, respectivamente, sobre saldo negativo de CSLL e de IRPJ. Em ambos os casos, ocorreu a glosa de um recolhimento via DARF da estimativa de abril de 2008 no mesmo valor do saldo negativo declarado nas Fichas 12 e 17 da DIPJ. Essa glosa resultou, nos dois casos, do fato de que a recorrente retificou a DCTF diminuindo o valor da estimativa de abril na mesma proporção do valor do saldo negativo declarado. E nos dois casos, a recorrente considerou na apuração do tributo, nas fichas 12 e 17 da DIPJ, a totalidade do recolhimento de estimativa. Portanto, embora a recorrente alegue agora em Recurso Voluntário (nos dois processos) que houve “equívoco formal na classificação do crédito que levou a RFB a não homologar parte das compensações requeridas pela Recorrente”, fica evidente que a recorrente apurou saldo negativo de CSLL e IRPJ e que a glosa da estimativa de abril decorreu da incorreta ideia de que o saldo negativo teria natureza de pagamento a maior de estimativa, levando a empresa a retificar a DCTF para reduzir o débito de abril na mesma proporção do valor declarado de saldo negativo. Assim, o crédito em questão se refere ao saldo negativo e não de pagamento indevido ou a maior, pois ainda que a estimativa de abril tenha sido declarada em valor inferior ao recolhido, a apuração do IRPJ na ficha 12 da DIPJ computou a totalidade do valor recolhido, Fl. 144DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-006.964 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.906606/2014-50 5 gerando o saldo negativo de IRPJ de R$ 80.576,41 (e-fls. 49), que foi objeto de uma DCOMP com o tipo de crédito de saldo negativo de IRPJ, na qual consta explicitamente o referido recolhimento. Logo, não há elementos nos autos que demonstre que a recorrente tinha a intenção de utilizar-se de crédito de pagamento indevido ou a maior, o que condiz com o argumento da defesa na manifestação de inconformidade (e-fls. 5): “Ressalta a Requerente que no Ano-Calendário de 2008, estava em vigência a Instrução Normativa 600, de 28/12/2005 da qual somente se permitia a compensação de pagamentos realizados à maior da CSLL (por estimativa mensal) através do ajuste final por saldo negativo quando da apuração em DIPJ, ou seja, no exercício seguinte.” Em vista dos dois processos examinados, não se pode concluir que a recorrente tenha cometido erros duplos ao recolher a maior a estimativa de dois tributos no valor do sal do negativo, que só seria verificado ao final do período em dezembro de 2008. Portanto, o valor glosado de estimativa deve ser reconhecido, pois fica evidente que a recorrente quis se valer de crédito de saldo negativo. Note-se que o valor “recolhido a maior” de estimativa coincide com o do saldo negativo apurado. Há vários casos análogos a este neste CARF em que a contribuinte apura saldo negativo de IRPJ ou CSLL, mas por entender que esse crédito tem natureza de pagamento indevido de estimativa, retifica a DCTF de algum mês, diminuindo o débito de estimativa no mesmo valor do crédito de saldo negativo. Quando os sistemas da RFB verificam as informações de pagamento, para fins de análise do crédito de saldo negativo, validam apenas parcialmente esse recolhimento, gerando a glosa das suas informações na DCOMP, resultando no indeferimento do crédito solicitado, iniciando mais um contencioso administrativo como o aqui julgado. A observação do relator da DRJ de que o saldo de pagamento de R$ 80.576,41 está não alocado a débito e que não seria mais possível a transmissão de DCOMP de Pagamento indevido reforça o entendimento de que o propósito da recorrente era utilizar o recolhimento na apuração do tributo. Também se deve considerar que este CARF editou recentemente a sua súmula 175, que acaba por permitir a correção de erros de preenchimento na DCOMP. Ainda que neste caso este relator não considere que se trata de alteração do tipo de crédito, a edição da Súmula 175 cria uma situação que possibilita a correção do erro cometido pela recorrente na retificação da DCTF que provocou a glosa do recolhimento. Das estimativas compensadas. A unidade da RFB glosou parcela das estimativas de março e agosto de 2008 que haviam sido compensadas via DCOMP: Fl. 145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-006.964 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.906606/2014-50 6 Os dois processos que controlam a discussão administrativa das duas compensações, estão descritas na tabela abaixo: PAF DCOMP crédito Débito compensado 10880.678966/2011-11 22879.00138.230408.1.3.02-4399 Saldo negativo de IRPJ / AC 2007 mar/08 R$ 483.963,76 10880.908326/2013-03 16153.47039.190908.1.3.03-8008 Saldo negativo de CSLL / AC 2007 ago./08 R$ 378.787,09 R$ 862.750,85 Considerando a súmula 1771 do CARF, entendo que o montante da estimativa compensada nas duas DCOMP deve integrar o cálculo do IRPJ, pois ainda que não tenha sido impugnado pela recorrente, a sua exclusão implicaria em enriquecimento sem causa da União, pois está comprovado em processos administrativos que a recorrente efetivamente compensou tais estimativas e que se ao final do litígio, nos respectivos PAFs, for mantida a exigência fiscal, haverá a respectiva cobrança administrativa e judicial. Ademais, destaco o julgamento proferido pela DRJ nos autos de um dos processos mencionados. No PAF 10880.908326/2013-03 a recorrente buscou compensar débitos com crédito de saldo negativo de CSLL do ano 2007, mas adotando o mesmo procedimento que fez nos presentes autos: retificar a DCTF para diminuir o montante da estimativa com o intuito de evidenciar o saldo negativo. Contudo, o relator do julgamento, que é o mesmo do caso em tela, e na mesma seção de julgamento do dia 05 de fevereiro de 2020 , adota uma decisão divergente dos casos aqui examinados: “Conforme telas acima colacionadas, observa-se que o contribuinte fez o recolhimento das estimativas de julho e de agosto de 2007 em valor superior ao informado na DIPJ e confessado nas DCTF, ativas quando da emissão do Despacho Decisório (DD) nº 048930773, de 04/04/2013. À época da transmissão da DCOMP nº 16153.47039.190908.1.3.03-8008, imperava orientação da IN RFB nº 600/2005, então vigente, que limitava a utilização o valor pago a maior ou indevidamente a título de estimativa na dedução do IRPJ ou 1 Súmula CARF nº 177: Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. (Vinculante Fl. 146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-006.964 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.906606/2014-50 7 CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento ou para compor o saldo negativo do período, verbis: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Negritou-se. Desde a edição da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que passou a produzir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, o pagamento indevido ou a maior de estimativa passou a ter tratamento de indébito tributário, conforme se infere da redação de seu art. 11, que excluiu da restrição o texto relativo à estimativa: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Essa mesma disposição também constava na IN RFB nº 1300, de 21/11/2012, que vigia à época da emissão do guerreado decisório. Vejamos: IN RFB 1300/2012 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Desse modo, ao que tudo indica, os pagamentos a maior de estimativas de CSLL não foram reconhecidos pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC) por tais pagamentos não estarem alocados aos débitos confessados nas DCTF dos respectivos períodos de apuração, tratando-se de créditos passíveis de restituição ou declaração de compensação vinculados ao tipo de crédito Pagamento Indevido ou a Maior, espécie diferente do crédito vinculado a Saldo Negativo, nos termos das orientações do programa PER/DCOMP. Não obstante a mudança de entendimento da administração tributária federal, interessa ao caso que o contribuinte exercera o direito de pleitear a compensação dentro do prazo prescricional, nos termos da IN RFB nº 600/2005, norma de natureza processual vigente à época da transmissão da DCOMP pelo contribuinte. Assim, no nosso entender, deve-se reconhecer as parcelas de pagamento a maior de estimativas de CSLL, levadas para cômputo do Saldo Negativo do período e cujos pagamentos, com saldo disponível não utilizado, restam comprovados no sistema de controle de pagamentos da RFB. CONCLUSÃO Fl. 147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-006.964 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.906606/2014-50 8 Em vista do exposto, voto no sentido de considerar procedente a manifestação de inconformidade e de homologar a compensação declarada pelo contribuinte até o limite do direito creditório reconhecido.” E-Fls. 210/2012 do PAF 10880.908326/2013-03.” Diante de todo o exposto, realizamos nova apuração do IRPJ, conforme abaixo: DCOMP DESPACHO DECISÓRIO DRJ CARF IRPJ apurado R$ 19.080.690,94 R$ 19.080.690,94 R$ 19.080.690,94 R$ 19.080.690,94 IRRF R$ 99.226,76 R$ 99.226,76 R$ 99.226,76 R$ 99.226,76 Es timativa compensada R$ 864.543,35 R$ 336.411,19 R$ 336.411,19 R$ 864.543,35 Pagamentos R$ 18.197.497,25 18.116.920,84 18.116.920,84 R$ 18.197.497,25 R$ 19.161.267,36 R$ 18.552.558,79 R$ 18.552.558,79 R$ 19.161.267,36 Sa ldo negativo -R$ 80.576,42 -R$ 80.576,42 DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, dar- lhe provimento, reconhecendo que o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2008 é de R$ 80.576,42, homologando-se as compensações até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Zedral – relator. Fl. 148DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
4837643 #
Numero do processo: 13888.001117/00-14
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedido administrativo de repetição de indébito de tributo pago indevidamente com base em lei impositiva que veio a ser declarada inconstitucional pelo STF, com posterior resolução do Senado suspendendo a execução daquela, é a data da publicação desta. No caso dos autos, em 10/10/1995, com a publicação da Resolução do Senado nº 49, de 09/10/95. A partir de tal data, abre-se ao contribuinte o prazo decadencial de cinco anos para protocolo do pleito administrativo de repetição do indébito. Recurso negado.
Numero da decisão: 204-01.024
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nayra Bastos Manatta e Júlio César Alves Ramos votaram pelas conclusões.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JORGE FREIRE

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario

dt_index_tdt : Sat Jul 20 09:00:00 UTC 2024

anomes_sessao_s : 200602

ementa_s : PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedido administrativo de repetição de indébito de tributo pago indevidamente com base em lei impositiva que veio a ser declarada inconstitucional pelo STF, com posterior resolução do Senado suspendendo a execução daquela, é a data da publicação desta. No caso dos autos, em 10/10/1995, com a publicação da Resolução do Senado nº 49, de 09/10/95. A partir de tal data, abre-se ao contribuinte o prazo decadencial de cinco anos para protocolo do pleito administrativo de repetição do indébito. Recurso negado.

turma_s : Quarta Câmara

dt_publicacao_tdt : Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006

numero_processo_s : 13888.001117/00-14

anomes_publicacao_s : 200602

conteudo_id_s : 7096652

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 204-01.024

nome_arquivo_s : 20401024_131515_138880011170014_003.PDF

ano_publicacao_s : 2006

nome_relator_s : JORGE FREIRE

nome_arquivo_pdf_s : 138880011170014_7096652.pdf

secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nayra Bastos Manatta e Júlio César Alves Ramos votaram pelas conclusões.

dt_sessao_tdt : Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2006

id : 4837643

ano_sessao_s : 2006

atualizado_anexos_dt : Sat Jul 20 09:47:25 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1805090919149469696

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-05T20:59:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-05T20:59:26Z; Last-Modified: 2009-08-05T20:59:26Z; dcterms:modified: 2009-08-05T20:59:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-05T20:59:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-05T20:59:26Z; meta:save-date: 2009-08-05T20:59:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-05T20:59:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-05T20:59:26Z; created: 2009-08-05T20:59:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-08-05T20:59:26Z; pdf:charsPerPage: 1649; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-05T20:59:26Z | Conteúdo => e. :4 .;) n::9, 22 CC-MF -I "; J -.- --i Ministério da Fazenda ..1• Fl. C' •!< Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 13888.001117/00-14 Po-segundo Conselho de Con Recurso n2 : 131.515 de prato sei Las2 rà_d Ullittes Acórdão n2 : 204-01.024 Fana 495 --ar Recorrente : SUPERMERCADO DEFAVARI LTDA. Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedido administrativo de repetição de 4 t.:4tALt.til.)A \ I C, ,OM O I31•0 ORIGIsINAL indébito de tributo pago indevidamente com base em lei ;;FERE impositiva que veio a ser declarada inconstitucional pelo STF, BRASILIA _QO .. com posterior resolução do Senado suspendendo a execução daquela, é a data da publicação desta. No caso dos autos, em 10/10/1995, com a publicação da Resolução do Senado n°49, de 09/10/95. A partir de tal data, abre-se ao contribuinte o prazo decadencial de cinco anos para protocolo do pleito administrativo de repetição do indébito. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SUPERMERCADO DEFAVARI LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nayra Bastos Manatta e Júlio César Alves Ramos votaram pelas conclusões. Sala das Sessões, em 20 de fevereiro de 2006. 4 . ...»..-• I.."...4".....;..,---„C, » enri4ue Pinheiro Torres Prer, _ , Jorge reire . Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Flávio de Sá Munhoz, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. 1 , 4 ............------------ t ; • vis FAZENDA - 29 CC 22 CC-MF•iir;:ev,/„. Ministério da Fazenda 7,21".4:-,. tG i h21. Segundo Conselho de Contribuintes . Oi -1W-it ;.•- 4 eCROANsFi LERAES O 40 n. Processo n2 : 13888.001117/00-14 Ád i Is-to Recurso n2 : 131.515 Acórdão n2 : 204-01.024 Recorrente : SUPERMERCADO DEFAVARI LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de restituição relativo aos valores recolhidos a maior no período de setembro de 1990 a janeiro de 1995 (fls. 03/05), a título de contribuição para o Programa de Integraçáo Social (PIS), de acordo com os Decretos—Leis O 2445 e 2449/88, cumulado com pedidos de compensação (fl. 02, 48, 50, 53...). A Delegacia da Receita Federal em Piracicaba - SP, em Despacho Decisório de fls. 60/70, indeferiu o pleito. A instância julgadora a quo (fls. 136/140) considerou que a empresa teve decaído seu direito de postular a restituição/compensação, pois entende que o direito à repetição administrativa de indébito decai em cinco anos contados a partir da data de , extinção do crédito tributário. I Irresignada com a decisão, a empresa interpôs o presente recurso, no qual em síntese, alega que, quanto à decadência de seu direito à repetição/compensação, defende a tese dos cinco mais cinco, com arrimo no artigo 150, § 4°, do CTN. Quanto ao cálculo da contribuição, esposa o entendimento de que sua base de cálculo é o faturamento correspondente ao faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. É o relatório.y 11( 1 2 • DA FAZENDA - : C 2° CC-MF jra. . iee- Ministério da Fazenda _,„, 141,5-j.k, Segundo Conselho de Contribuintes CoNFERE 1.(24 'ZfaP BRASILIA 0FtINACL Processo n" : 13888.001117/00-14 Recurso n2 : 131.515 STO Acórdão n2 : 204-01.024 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JORGE FREIRE No que pertine à questão preliminar quanto ao prazo decadencial para pleitear compensação de indébito, o termo a quo irá variar conforme a circunstância. Na hipótese versada nos autos, uma vez tratar-se de declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n91 2.445 e 2.449, ambos de 1988, foi editada Resolução do Senado Federal de n2 49, de 09/09/1995, retirando a eficácia das aludidas normas legais que foram acoimadas de inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Assim, havendo manifestação senatorial suspendendo a execução da normas declaradas inconstitucionais, nos termos do art. 52, X, da Constituição Federal, é a partir da publicação da aludida Resolução que o entendimento da Egrégia Corte espraia-se erga omnes. Portanto, tenho para mim que o direito subjetivo do contribuinte postular a repetição ou compensação de indébito pago com arrimo em norma declarada inconstitucional, nasce a partir da publicação da Resolução ri 2 49 o que se operou em 10/10/95. Não discrepa tal entendimento do disposto no item 27 do Parecer SRF/COSIT n 2 58, de 27 de outubro de 1998. E, conforme remansoso entendimento majoritário desta Câmara, o prazo para tal flui ao longo de cinco anos. Dessarte, tendo o contribuinte ingressado com seu pedido de compensação em 23/10/2000 (fl. 01), resta caracterizada a preclusão de seu direito à repetição administrativa de eventual indébito. Em face de tal, deixo de analisar as demais questões veiculadas no recurso. CONCLUSÃO Forte em todo exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. É assim que voto. Sala das Sessões, em 20 de fevereiro de 2006. JORGE FREIRE 1//7 • No mesmo sentido Acórdão n2 202-11.846, de 23 de fevereiro de 2000. 3 Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1

score : 1.0
4626868 #
Numero do processo: 11128.004434/99-63
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 302-01.447
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento

dt_index_tdt : Sat Jul 20 09:00:00 UTC 2024

anomes_sessao_s : 200802

turma_s : Segunda Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2008

numero_processo_s : 11128.004434/99-63

anomes_publicacao_s : 200802

conteudo_id_s : 6200822

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 302-01.447

nome_arquivo_s : 30201447_111280044349963_27022008.PDF

ano_publicacao_s : 2008

nome_relator_s : MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

nome_arquivo_pdf_s : 111280044349963_6200822.pdf

secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.

dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2008

id : 4626868

ano_sessao_s : 2008

atualizado_anexos_dt : Sat Jul 20 09:47:23 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1805090919157858304

conteudo_txt : Metadados => date: 2013-09-11T18:29:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-09-11T18:29:28Z; Last-Modified: 2013-09-11T18:29:28Z; dcterms:modified: 2013-09-11T18:29:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:2a75c218-73f9-4bed-8cdd-f778abfcae2a; Last-Save-Date: 2013-09-11T18:29:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-09-11T18:29:28Z; meta:save-date: 2013-09-11T18:29:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-09-11T18:29:28Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-09-11T18:29:28Z; created: 2013-09-11T18:29:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2013-09-11T18:29:28Z; pdf:charsPerPage: 1147; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-09-11T18:29:28Z | Conteúdo => JUDITH President AMARAL MARCONDESMARCONDES ARMANDO M RCIA HELENA T JANO D'AMORIM CC03/CO2 Fls. 149 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA 11128.004434/99-63 134.440 Solicitação de Diligencia 302-1.447 27 de fevereiro de 2008 PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRAS DRJ-SÃO PAULO/SP Processo n° Recurso n° Assunto Resolução n° Data Recorrente Recorrida • RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida. • latora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente), Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Ausente o Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. Fez sustentação oral à Advogada Micaela Dominguez Dutra, OAB/RJ — 121.248. Processo n.° 11128.004434/99-63 Resolução n.° 302-1.447 CC03/CO2 Fls. 150 RELATÓRIO A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, As fls. 67/70, que transcrevo, a seguir: "A empresa em epígrafe foi autuada pela falta de mercadoria manifestada, relativa a carga do navio GAS RISING SUN, constatada após conferencia final de manifesto. A falta de 485.462 kg de propano em bruto, liquefeito, foi apontada com base na análise da Informação de Descarga, Faltas e Acréscimos, n° 16.030 de 06/04/94 «is. 10), emitido pela da CODESP, que confrontada com a totalidade da carga manifestada, ensejou a lavratura do auto de infração, de fls. I a 8, pelo qual a autuada foi obrigada ao recolhimento do correspondente Imposto de Importação. Regularmente notificada do auto de infração, a interessada, tempestivainente, apresentou impugnação, (Wis. 18 a 33, alegando, em síntese, que: I. É flagrante a inconstitucionalidade do Decreto-lei n" 37/66, que entrou em vigor antes da Magna Carta de 1967, não sendo por ela recepcionado, uma vez que contrariava flagrantemente suas disposições; 2. A Constituição de 1967, também consignava o principio da estrita legalidade em matéria tributária, enquanto os Decretos-lei destinavam-se a regular determinadas matérias, desde que houvesse urgência ou interesse público relevante; 3. 0 executivo, a época, não justificou a urgência e o interesse público relevante que autorizavam a criação do imposto de importação por Decreto-lei; 4. Igualmente, o Decreto-lei n°37/66 não subsiste sob a égide da atual Constituição, pois, esta não prevê os Decretos-lei como espécie normativa, não havendo ainda, em qualquer dos seus dispositivos, previsão para recepcioná-los; 5. Sao totalmente inaplicáveis as disposições do art. 86 do Regulamento Aduaneiro, visto que institui tributo como sanção de ato ilícito, contrariando a definição disposta no art. 3" do Código Tributário Nacional; 6. Também são inaplicáveis os ditames do art. 87, inciso II, letra "c", pois ainda que fosse possível exigir tributo por falta de mercadorias, um mero Decreto não pode alterar o art. 19 do CTN, alterando, ao seu alvedrio, o momento da ocorrência do fato 2 Processo n.° 11128.004434/99-63 Resolução n.° 302-1.447 CC03, CO2 Fls. 151 gerador, que é a entrada do produto estrangeiro em território nacional, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal em inúmeras oportunidades; 7. Na mesma esteira, são totalmente inaplicáveis os ditames do art. 107 do Decreto n° 91.030/85, pois ainda que se admitisse que fato ilícito gerasse imposto, mesmo assim, tais disposições não prosperariam, pois ferem z frontalmente os mandamentos do art. 144 do CTN, pelo qual o lançamento reporta-se, para qualquer efeito, data da ocorrência do fato gerador e não ao contrário como pretende o Fisco; 8. A falta apontada pela autoridade fiscal não foi corretamente apurada, visto que, não houve a competente vistoria, tal como determina a lei, notificando ou convidando a impugnante para acompanhá-la; 9. É iguahnente improspercivel a assertiva de que as disposições do art. 478, § 1 0, item VI do RA aplicam-se ao presente caso, porquanto as perdas inevitáveis incluem-se dentro do conceito jurídico de força maior ou caso fortuito, e, são consideradas, independentemente de prova, pela nossa jurisprudência e doutrina, em percentuais maiores do que os 5% regulados pelo Fisco Federal; 10. É possível tecnicamente, com base nos registros dos meios de carga e descarga, condicionamento dos produtos, temperatura, umidade e eventos ocorridos desde a saída do navio até sua chegada ao porto final, comprovar que as mercadorias faltantes são consideradas como perdas inevitáveis; 11. A falta apontada pela autoridade fiscal não foi corretamente apurada; 12. Todos os indícios levam a crer que a fiscalização baseou-se unicamente nas informações de descarga fornecidas, sem que tivesse procedido ci competente vistoria, tal como determina a lei, notificando ou convidando a impugnante para acompanhá-la; 13. 0 correto procedimento de apuração consiste na realização de vistoria conjunta na mercadoria efetivamente descarregada, a fim de que possa ser detectada qualquer divergência relativa a quebra ou acréscimo; 14. Não raro, os produtos químicos embarcados sob o registro de peso total são distribuídos, na descarga, a inúmeros importadores consignatários em diferentes terminais; 15. As aferições feitas pela Receita Federal levando em conta apenas a carga a bordo e a manifestada, esquecendo as sucessivas descargas e as suas peculiaridades, resultam na oneraçã o injustificada do contribuinte; i m 16. As condições operacionais na descarga e o modo de aferição da carga possue tamanha a relewincia, que fora consagrados pelo 3 Processo n.° 11128.004434/99-63 Resolução n.° 302-1.447 CC03/CO2 Fls. 152 legislador no Decreto n" 98.097/89, não podendo ser olvidado pelo julgador na presente decisão; 17. A IN SRF 11. ° 12/76 estabelece unz limite para quebra natural de graneis, equivalente a 5% da mercadoria transportada, logo, estando a perda verificada abaixo deste limite não está caracterizado o extravio da mercadoria; 18. Ainda que a IN SRF n." 95/84 estabeleça o percentual de 0,5% para fins de exigência do imposto de importação, não pode o Fisco distinguir para efeito de tributo (ato licito) uma percentagem bem menor (0,5%), pois se para efeito de multa (ato ilícito) há tinia percentagem de 5%, posto que sendo o evento único, é obvio que só pode existir uma percentagem para a perda em questão; 19. Ê possível, via perícia indireta, comprovar que as mercadorias faltantes correspondem a perdas inevitáveis. Assim requer seja deferida esta prova pericial para comprovar que a perda inevitável, assim considerada pelo Fisco, pode, na verdade, ser considerada ein percentagem superior a 20. Está incorreto o critério utilizado pela autoridade fiscal, quando aplica, aos cálculos, a taxa do dólar e a aliquota vigente a data da notificação, visto que devem sei - tomadas a taxa e a aliquotct vigentes no momento da ocorrência do fato gerador; 21.A multa do art. 522, III, letra "d" do RA não se aplica a PETROBRA . S, face ao disposto na Lei n" 4.287/64, que declara textualmente que a PETROBRA'S esta isenta de penalidades fiscais, outrossim não há subsungão do caso em tela com o previsto na supra citada norma legal. Encaminhados o processo para a DRJ/São Paulo, a autoridade monocrática, na Resolução n" 0549/99, de fls. 51 a 53, em face das alegações do impugnante, decidiu pelo retorno dos autos à repartição de origem, solicitando alguns esclarecimentos sobre as medições estampadas na IDFA. Atendendo a solicitação efetuada, a repartição de origem anexou, ets fls 57/60, o laudo de arqueacdo de n.° 2559/94. Este é o relatório." 0 pleito foi julgado procedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/SPO II IV 12.970, de 28/07/2005, As fls. 65/75, proferida pelos membros da ia Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Sao Paulo/SP, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/07/1999 Ementa: CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO O transportador marítimo é responsável pela falta na descarga de mercadoria manifestada a granel. 4 Processo n.° 11128.004434/99-63 Resolução n.° 302-1.447 CC03,t02 Fls. 153 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/07/1999 Ementa: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Aos órgãos de jurisdição administrativa não compete pronunciar-se a respeito da conformidade da lei, validamente editada segundo o processo administrativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declarar-lhe a nulidade ou a inaplicabilidade ao caso expressamente nela previsto, matéria reservada, também por força de dispositivo constitucional, ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente." Inconformado, o interessado apresenta recurso voluntário, tempestivamente, às fls. 100/115 e documentos às fls. 116/142. Ressalta que não há qualquer infração administrativa que justifique a autuação, tendo em vista as características do transporte de granéis. E, mais, traz, corno preliminar, ilegitimidade passiva da Petrobrds de constar no pólo passivo. 0 processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até afl. 1 duatimo, y que trata do trâmite dos autos no âmbito deste Conselho. o relatório. e 5 Processo n.° 11128.004434/99-63 Resolução n.° 302-1.447 CC03, CO2 Fls. 154 VOTO Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim, Relatora Tendo em vista preliminar de ilegitimidade passiva levantada pela Petrobrds, em função de não ser proprietária ou consignatária e sim afretadora do navio "Gas Rising Sun", que a empresa comprove suas alegações de ilegitimidade passiva. Assim como, anexe o conhecimento marítimo respectivo. Diante do exposto, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGENCIA A REPARTIÇÃO DE ORIGEM, para que se intime a interessada a comprovar o que a mesma alega, bem como o que foi solicitado. • Sal das Sesso , em 27 de fevereiro de 2008 t"-N T JANUAIT--HORIM - Relatora 6

score : 1.0
10542453 #
Numero do processo: 10340.720606/2022-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 IRPJ. ARBITRAMENTO. IMPRESTABILIDADE DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Verificada a imprestabilidade da escrita contábil/fiscal após apontadas inúmeras inconsistências nos lançamentos realizados, a vultosa falta/omissão de notas fiscais de venda de mercadorias e a constatação de falta do registro de parcela relevante da movimentação bancária, impõe-se o arbitramento do lucro, tomando-se como base a receita bruta conhecida, que engloba as receitas omitidas pela contribuinte e as apuradas de ofício pela autoridade fiscal conforme o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. LUCRO ARBITRADO. PERCENTUAL. VENDA DE COMBUSTÍVEL. O coeficiente de 1,6% (acrescido de 20%), para cálculo do lucro arbitrado, só se aplica na venda de combustível feita por varejistas, ou seja, para o consumidor final. Para os distribuidores atacadistas, o coeficiente é de 9,6%. OMISSÃO DE RECEITAS. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. No caso, não houve bis in idem no lançamento de ofício porque a contribuinte não se desincumbiu de comprovar que as receitas omitidas apuradas pela fiscalização por meio dos créditos bancários não escriturados tivessem origem em receitas escrituradas e declaradas. CSLL/PIS/COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade verificada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento adotado ao IRPJ para a CSLL, para o PIS e à COFINS. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação e da fraude, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR E DO REPRESENTANTE. INFRAÇÃO À LEI. Os mandatários e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (CTN, art. 135, II e III). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 SISTEMA CUMULATIVO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. A sistemática não cumulativa, instituída pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 não é aplicável às empresas enquadradas nas sistemáticas de tributação do IRPJ e CSLL denominadas "Lucro Presumido" ou “Lucro Arbitrado”. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 SISTEMA CUMULATIVO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. A sistemática não cumulativa, instituída pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 não é aplicável às empresas enquadradas nas sistemáticas de tributação do IRPJ e CSLL denominadas "Lucro Presumido" ou “Lucro Arbitrado”.
Numero da decisão: 1401-007.012
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários, os Srs. Sérvio Túlio Fagotti Zaqueti e o Sr. Ademar Reis Picironi e de ofício, aplicar a retroatividade benigna à exigência da multa qualificada em função do disposto na Lei nº 14.689/2023.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jul 20 09:00:00 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202406

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 IRPJ. ARBITRAMENTO. IMPRESTABILIDADE DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Verificada a imprestabilidade da escrita contábil/fiscal após apontadas inúmeras inconsistências nos lançamentos realizados, a vultosa falta/omissão de notas fiscais de venda de mercadorias e a constatação de falta do registro de parcela relevante da movimentação bancária, impõe-se o arbitramento do lucro, tomando-se como base a receita bruta conhecida, que engloba as receitas omitidas pela contribuinte e as apuradas de ofício pela autoridade fiscal conforme o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. LUCRO ARBITRADO. PERCENTUAL. VENDA DE COMBUSTÍVEL. O coeficiente de 1,6% (acrescido de 20%), para cálculo do lucro arbitrado, só se aplica na venda de combustível feita por varejistas, ou seja, para o consumidor final. Para os distribuidores atacadistas, o coeficiente é de 9,6%. OMISSÃO DE RECEITAS. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. No caso, não houve bis in idem no lançamento de ofício porque a contribuinte não se desincumbiu de comprovar que as receitas omitidas apuradas pela fiscalização por meio dos créditos bancários não escriturados tivessem origem em receitas escrituradas e declaradas. CSLL/PIS/COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade verificada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento adotado ao IRPJ para a CSLL, para o PIS e à COFINS. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação e da fraude, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR E DO REPRESENTANTE. INFRAÇÃO À LEI. Os mandatários e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (CTN, art. 135, II e III). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 SISTEMA CUMULATIVO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. A sistemática não cumulativa, instituída pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 não é aplicável às empresas enquadradas nas sistemáticas de tributação do IRPJ e CSLL denominadas "Lucro Presumido" ou “Lucro Arbitrado”. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 SISTEMA CUMULATIVO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. A sistemática não cumulativa, instituída pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 não é aplicável às empresas enquadradas nas sistemáticas de tributação do IRPJ e CSLL denominadas "Lucro Presumido" ou “Lucro Arbitrado”.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

numero_processo_s : 10340.720606/2022-81

conteudo_id_s : 7096513

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 1401-007.012

nome_arquivo_s : Decisao_10340720606202281.pdf

nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

nome_arquivo_pdf_s : 10340720606202281_7096513.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários, os Srs. Sérvio Túlio Fagotti Zaqueti e o Sr. Ademar Reis Picironi e de ofício, aplicar a retroatividade benigna à exigência da multa qualificada em função do disposto na Lei nº 14.689/2023.

dt_sessao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2024

id : 10542453

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Jul 20 09:47:03 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1805090919227064320

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-06-26T14:42:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.7; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word para Microsoft 365; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; language: pt; dcterms:created: 2024-06-26T14:42:13Z; Last-Modified: 2024-06-26T14:42:13Z; dcterms:modified: 2024-06-26T14:42:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.7; xmpMM:DocumentID: uuid:418B82B0-69C9-4686-8C3A-4669E12092DB; Last-Save-Date: 2024-06-26T14:42:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word para Microsoft 365; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-06-26T14:42:13Z; meta:save-date: 2024-06-26T14:42:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-06-26T14:42:13Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; dc:language: pt; meta:author: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; meta:creation-date: 2024-06-26T14:42:13Z; created: 2024-06-26T14:42:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 77; Creation-Date: 2024-06-26T14:42:13Z; pdf:charsPerPage: 1917; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-06-26T14:42:13Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10340.720606/2022-81 ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 11 de junho de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE VETOR COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEIS LTDA RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 IRPJ. ARBITRAMENTO. IMPRESTABILIDADE DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Verificada a imprestabilidade da escrita contábil/fiscal após apontadas inúmeras inconsistências nos lançamentos realizados, a vultosa falta/omissão de notas fiscais de venda de mercadorias e a constatação de falta do registro de parcela relevante da movimentação bancária, impõe-se o arbitramento do lucro, tomando-se como base a receita bruta conhecida, que engloba as receitas omitidas pela contribuinte e as apuradas de ofício pela autoridade fiscal conforme o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. LUCRO ARBITRADO. PERCENTUAL. VENDA DE COMBUSTÍVEL. O coeficiente de 1,6% (acrescido de 20%), para cálculo do lucro arbitrado, só se aplica na venda de combustível feita por varejistas, ou seja, para o consumidor final. Para os distribuidores atacadistas, o coeficiente é de 9,6%. OMISSÃO DE RECEITAS. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. No caso, não houve bis in idem no lançamento de ofício porque a contribuinte não se desincumbiu de comprovar que as receitas omitidas apuradas pela fiscalização por meio dos créditos bancários não escriturados tivessem origem em receitas escrituradas e declaradas. CSLL/PIS/COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade verificada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento adotado ao IRPJ para a CSLL, para o PIS e à COFINS. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Fl. 6021DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 2 Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação e da fraude, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR E DO REPRESENTANTE. INFRAÇÃO À LEI. Os mandatários e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (CTN, art. 135, II e III). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 SISTEMA CUMULATIVO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. A sistemática não cumulativa, instituída pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 não é aplicável às empresas enquadradas nas sistemáticas de tributação do IRPJ e CSLL denominadas "Lucro Presumido" ou “Lucro Arbitrado”. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 SISTEMA CUMULATIVO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. A sistemática não cumulativa, instituída pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 não é aplicável às empresas enquadradas nas sistemáticas de tributação do IRPJ e CSLL denominadas "Lucro Presumido" ou “Lucro Arbitrado”. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários, os Srs. Sérvio Túlio Fagotti Zaqueti e o Sr. Ademar Reis Picironi e de ofício, aplicar a retroatividade benigna à exigência da multa qualificada em função do disposto na Lei nº 14.689/2023. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Fl. 6022DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Gustavo de Oliveira Machado (suplente convocado), Andressa Paula Senna Lísias e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente) RELATÓRIO Por bem retratar os fatos que envolvem o presente feito, reproduzo abaixo o Relatório da decisão recorrida (v. e-fls. 5.765/5.832): Trata-se de impugnações apresentadas pela contribuinte e pelos responsáveis solidários aos lançamentos fiscais relativos ao IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IRRF e Multas Regulamentares (ECD/ECF/EFD-Contribuições), anos-calendário 2018 até 2020, conforme abaixo detalhado: Fl. 6023DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 4 O crédito tributário lançado foi apurado com base no lucro arbitrado, com fundamento no art. 530, inciso II, do RIR/99, pelos motivos sintetizados pela autoridade lançadora nos autos de infrações relativos ao IRPJ e à CSLL: Tal como esmiuçado no Termo de Verificação Fiscal em anexo, constatamos, em síntese, que as EFD Contribuições não registraram todas as vendas de combustíveis, notadamente etanol, sendo que as retificadoras apresentadas em atendimento à Intimação Fiscal incluíram créditos monstruosos de PIS/Pasep e Cofins que não foram confirmados, apesar de intimado para tal; as EFD ICMS/IPI, na parte que interessa ao Fisco Federal, não refletem o estoque real de combustíveis da entidade; as ECFs contêm divergência na receita bruta informada em relação àquela apurada pelo Fisco; as ECDs de 2018 a 2020 contêm diversas incorreções e omissões que as tornam imprestáveis para fins comerciais e fiscais. Neste sentido, temos que as citadas ECDs: a) não contabilizam todo o faturamento da empresa; b) vultosas quantias foram recebidas de diversas outras empresas, notadamente postos de combustíveis e distribuidoras de combustíveis, não tendo havido a emissão de nota fiscal que amparasse a operação; c) ostentam saldo credor da conta caixa, o que gera a presunção de omissão de receitas; d) lançamentos genéricos que tiveram por objetivo reduzir a conta “2.1.09.001.1712- Adiantamento de clientes diversos”, de modo a não reconhecer a receita decorrente da operação; e) diferença de quase um bilhão de reais entre as compras e vendas de combustíveis, sendo que não há capacidade de tancagem para armazenar toda essa discrepância; f) diversas contas bancárias não foram Fl. 6024DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 5 registradas na contabilidade; e as DCTFs não confessaram os débitos devidos pela empresa, especialmente PIS/Pasep, Cofins, IRPJ e CSLL. Os SRS. ADEMAR REIS PICIRONI (CPF 253.811.489-68) e SÉRVIO TULIO FAGOTTI ZAQUETI (CPF 278.299.289-91) foram relacionados como responsáveis solidários pelos créditos tributários lançados, com fundamento no art. 135, inciso III, do CTN. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL No termo de verificação fiscal, que faz parte integrante dos autos de infração, constam os tópicos abaixo sintetizados: 1. DO CONTRIBUINTE FISCALIZADO Vetor Comércio de Combustíveis Ltda. (CNPJ: 04.677.033/0005-55) 2. DA INTRODUÇÃO A ação fiscal objetivou verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ, à CSLL, ao PIS/Pasep, à Cofins e ao IRRF, correspondentes ao período de janeiro de 2018 a dezembro de 2020, determinado pelos MPF nº 09.1.02.00-2021-00652-1. 3. DO TERMO DE INÍCIO E DO HISTÓRICO DA AÇÃO FISCAL A ação fiscal teve início, em 01/12/2021, com a requisição para que o sujeito passivo apresentasse os esclarecimentos e documentos elencados no Termo de Intimação Fiscal nº 001, às fls. 03/12. (...) Por outro lado, os demais questionamentos permaneceram sem atendimento, quais sejam: (...) Frisou-se que o citado item 19 não foi atendido, já que só foram prestadas informações sobre a movimentação bancária dos bancos Bradesco (parcialmente) e Banco do Brasil, ainda assim fora do padrão da Carta-Circular BACEN n° 3.454/2010, o que inviabilizava a tabulação e análise dos dados fornecidos. Não foram fornecidas as movimentações ocorridas nos bancos Daycoval S/A, Sofisa S/A e algumas contas junto ao Banco Bradesco (por exemplo, na agência 7699 a conta-corrente 22578; e na agência 1303 as contas-correntes 2252 e 15555, que juntas movimentaram mais de R$400 milhões no período fiscalizado. Não houve respostas aos Termos de Intimações Fiscais nºs 002, 003 e 004. 3.1. Da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) da Vetor Comércio de Combustíveis Ltda. Com base nas notas fiscais eletrônicas (NF-e) do ambiente Sped, constatou-se que a fiscalizada, atuante como distribuidora de combustíveis, apresentou, nos anos de 2018 a 2020, compras de combustíveis apuradas que superaram em muito as respectivas vendas, sendo que a firma não dispõe de capacidade de tancagem para estocar toda essa diferença, assim como não possui dinheiro em caixa para justificar uma diferença de mais de um bilhão de reais em mercadoria comprada e que ainda não tenha sido vendida, num mercado em que as compras e vendas são liquidadas em prazos curtos. O resumo destas operações de compra (fls. 5009) e venda de combustíveis (fls. 5010) é o seguinte: Fl. 6025DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 6 O confronto entre a receita bruta informada na ECD com as compras de mercadorias obtidas das notas fiscais eletrônicas (NF-e) também denota um descompasso entre as compras e vendas de combustíveis, sendo que a entidade não dispunha de dinheiro em caixa para cobrir esta diferença: Além disso, foram identificadas diversas inconsistências relacionadas com a compra e venda de combustíveis, tais como: 1) O recebimento de vultosas quantias de dinheiro de diversas outras distribuidoras de combustíveis (tais como a Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda., Petroball Distribuidora, Diamante Distribuidora de Petróleo e FB Distribuidora de Petróleo), registrados a crédito na conta contábil "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" para os anos de 2018 e 2019, sendo que não há emissão de notas fiscais que amparem estas operações tampouco registros contábeis que possam elucidar o ocorrido; 2) Lançamentos genéricos a débito (tais como "Valor Referente TRANSFERENCIA ENVIADA 53253" e "Valor Referente devolucao adto de clientes") na conta contábil "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" para o ano de 2018, extraído daECD, que reduziram esta conta, tendo como contrapartida a crédito as contas contábeis do tipo "Bancos" e conta contábil "1.1.01.001.5 - Caixa"; 3) Lançamentos genéricos a débito na conta contábil "2.1.09.001.1712 – Adiantamento de clientes diversos" para o ano de 2019, extraído da ECD, que reduziram esta conta, tendo como contrapartida, a crédito, as contas contábeis "1.1.04.013.288 - Adiantamentos a Fornecedores" e "1.1.08.003.4879 - Mercadorias - Subst Trib.", sendo que o histórico dos lançamentos contêm informações genéricas como "Valor baixa Adiantamentos ref. de" e "Valor Referente Transferência Para Melhor Qualificação"; 4) Lançamentos genéricos a débito na conta contábil "2.1.09.001.1712 – Adiantamento de clientes diversos" para o ano de 2020, extraído da ECD, que Fl. 6026DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 7 reduziram esta conta, tendo como contrapartida, a crédito, as contas contábeis do tipo "Bancos", cujo histórico dos lançamentos contempla informações genéricas como "Valor Referente Transf. Enviada... " e "Valor Referente Transf. Recebida..."; 5) Ocorrência de saldo credor de caixa para os anos de 2019 e 2020; 6) A conta Caixa recebeu diversos lançamentos a débito e a crédito com a informação no histórico de que se tratava de TED, sendo que a TED (assim como o DOC) são operações típicas de contas contábeis do tipo "Bancos", e não Caixa. A fiscalizada foi intimada a esclarecer as inconsistências apontadas acima por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 001 e a apresentar, em meio digital, no padrão da Carta- Circular BACEN nº 3.454/2010, a sua movimentação financeira. Contudo, a contribuinte não entregou a documentação solicitada, mesmo após a concessão de duas dilações de prazo para atendimento da demanda, totalizando quase 6 (seis) meses sem o fornecimento das informações devidas. Ressaltou-se que, sobre os extratos bancários parcialmente apresentados pela fiscalizada, estes foram disponibilizados no formato PDF, num total de quase 4.700 páginas, o que além de estar fora do padrão da Carta-Circular BACEN n° 3.454/2010, impossibilitou a tabulação e análise dos dados fornecidos. Pelo exposto, considerando que, apesar de adotar a apuração do imposto de renda pelo Lucro Real, a contribuinte apresentou escrituração que não estava de acordo com as leis fiscais e comerciais (a contabilidade não apresenta toda a movimentação financeira para o período de 2018 a 2020), bem como não forneceu cópia de toda a movimentação bancária da firma; e considerando que houve aquisição de combustíveis num montante muito superior às vendas e aos recursos disponíveis (as compras superaram as vendas em 30% no triénio 2018-2020), restaram atendidos os requisitos para a emissão de Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (SRMF) e as respectivas Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), às fls. 5011/5039, já que amparado pelo art. 3°, incisos V e X, do Decreto n° 3.724/2001. Os arquivos TXT fornecidos pelas instituições financeiras, no formato da Carta- Circular BACEN n° 3.454/2010, relativos aos extratos das contas-correntes, origem e destino de valores e demais informes de interesse fiscal foram juntados aos autos, às fls. 5040/5043, e compilados nas planilhas de conciliação financeira elaborada pela fiscalização, às fls. 4999, que contêm todos os recebimentos de recursos em contas bancárias da distribuidora; e origem e destino dos recursos depositados nas contas bancárias da distribuidora de combustíveis (planilha "MAD Extrato origem e destino JUNTADO - Vetor.xlsx", que aglutina as informações de todos os bancos, às fls. 5044). 4. DO EXAME DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL, FISCAL E DOCUMENTOS O exame da escrituração contábil e fiscal levou em consideração os débitos declarados nas últimas DCTF válidas, bem como as demonstrações contábeis constantes das ECD e ECF de 2018 a 2020, assim como as EFD-Contribuições e as EFD ICMS/IPI transmitidas para o período de janeiro de 2018 a dezembro de 2020, tudo conforme as fls. 5045/5056, além das demais informações obtidas junto ao sujeito passivo. Tal como consta às fls. 5268, a contribuinte é optante pelo Recob (Regime Especial de Apuração e Pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre Combustíveis e Bebidas), previsto no art. 5º, §§ 4º, 5º, 6º e 7º da Lei nº 9.718/1998, desde 01/01/2018. Assim, a apuração do PIS/Pasep e da Cofins devidos, no que diz respeito à comercialização de combustíveis, seguiu o disposto no art. 5º, § 4º, da Lei nº 9.718/98, que prevê as alíquotas específicas (ad rem) constantes do Decreto nº 6.573/2008 (etanol), Decreto nº 5.059/2004 (gasolina e diesel) e Decreto nº 5.297/2004 (biodiesel). Fl. 6027DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 8 4.1. Das demonstrações contábeis e fiscais entregues pelo sujeito passivo As demonstrações contábeis e fiscais entregues pelo sujeito passivo entre 2018 e 2020 apresentam uma série de incorreções e omissões. 4.1.1. ECD - Escrituração Contábil Digital As ECD foram escrituradas no formato G (fls. 5045), que não possui livros auxiliares A ou Z, motivo pelo qual todos os fatos contábeis deveriam estar esmiuçados na contabilidade entregue, o que não ocorreu. Constatou-se que as ECD transmitidas de 2018 a 2020 não discriminam de modo fidedigno as operações envolvendo os clientes da empresa, no que diz respeito à apuração do faturamento, o que em última análise impossibilita o correto oferecimento à tributação das vendas de combustíveis levadas a cabo. 4.1.1.1. Análise das operações mercantis registradas na ECD de 2018 1) Do controle do recebimento do dinheiro: O recebimento de numerário pela venda de combustíveis é registrado a débito nas contas bancárias da empresa (grupo de contas "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA"), enquanto a contrapartida, a crédito, é lançada na conta contábil "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos". 2) Do reconhecimento das receitas pelo regime de competência e da emissão do documento fiscal: Por seu turno, o grupo de contas "1.1.02.001 - Duplicatas a receber" registra a débito, conforme a conta do respectivo cliente, o valor que a distribuidora tem a receber, sendo que a contrapartida a crédito é uma conta de resultado, no caso "4.1.01.003.001.2655 - Vendas de Mercadorias a Prazo", que registra as receitas de vendas. Basicamente é esta conta, ao lado da conta "4.1.01.003.001.2654 - Vendas de Mercadorias a Vista", que compõem a receita bruta pela venda de mercadorias da firma. Ressaltou-se que as vendas à vista têm como contrapartida, a débito, a conta "1.1.01.001.5 - Caixa". Quando da emissão da nota fiscal pela venda dos produtos, a maior parte da conta "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" é debitada tendo como contrapartida, a crédito, a conta contábil correspondente ao cliente constante do grupo de contas "1.1.02.001 -Duplicatas a receber". Nestes casos, o histórico do lançamento vem acompanhado da informação "Valor Referente BAIXA DE RECEBIMENTO...". Neste contexto, observou-se a existência de uma diferença entre o volume de recursos recebidos a título de adiantamento e o que foi contabilizado como receita, extraído das contas de "Duplicatas a receber" e "Vendas de mercadorias", conforme quadro abaixo, que resume esta constatação relativa ao ano de 2018: 3) Do ajuste contábil para ocultar a diferença entre o efetivo recebimento de recursos e a receita bruta declarada ao Fisco: Identificou-se centenas de lançamentos que reduziram a conta "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" tendo como contrapartida, a crédito, situações registradas no histórico com informações genéricas como "Valor Referente TRANSFERENCIA ENVIADA 53253" e "Valor Referente devolucao adto de clientes", no montante total de R$ 108.012.765,16, conforme detalhado na planilha "RAZAO Fl. 6028DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 9 2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos - Vetor – Não consta BAIXA no historico 2018.xlsx", às fls. 12. A contabilização destas operações com informações genéricas tem o condão de dissimular o que realmente aconteceu com o dinheiro que foi depositado nas contas bancárias da empresa, pois a contrapartida esperada da conta "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos", a crédito, seria a conta do cliente pela entrega da mercadoria. Só que a citada contrapartida a crédito tem como destino as contas do grupo "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA" e a conta contábil "1.1.01.001.5 - Caixa". Para que a conta caixa não tivesse saldo credor, o que geraria a presunção legal de omissão de receitas, por força do art. 293, inciso I, do RIR/2018, esta conta recebeu diversos lançamentos, a débito, com o histórico indicando tratar-se de operação de TED (Transferência Eletrônica Disponível), cuja contrapartida a crédito é uma conta do tipo "Bancos". Tal constatação está registrada na aba "2018 - Lcmto de TED a debito" da planilha "RAZAO 1.1.01.001.5 - Caixa - Vetor - Informacao de TED 2018.xlsx", às fls. 12. Já a aba "2018 -Lcmto de TED a credito" da mesma planilha contêm as partidas dobradas em que a conta Caixa recebeu a crédito numerário via TED, conforme histórico do lançamento. A conta Caixa é composta pelo dinheiro em espécie em poder de uma entidade, portanto, não pode ser destinatária de transferências bancárias típicas de contas- correntes, estas sim aptas a receberem aportes de recursos via TED ou DOC. Se a conta do tipo "Bancos" recebe dinheiro (e tal operação é registrada a débito), a contrapartida, a crédito, deve ser uma conta como "Clientes" (e não Caixa). Este último lançamento conclui a operação de venda, já que a operação anterior consistiria no reconhecimento, a débito, da citada conta "Clientes" (pela venda do produto), e, a crédito, de uma conta de resultado que apuraria a receita pela venda de mercadorias: Já os lançamentos a débito da conta Caixa (com o histórico de "TED"), com a contrapartida a crédito nas contas "Bancos", denotam o contrário, ou seja, a compra de mercadorias, que usualmente seria registrada contabilmente da seguinte forma: O fato é que constatou-se a utilização de subterfúgios para dissimular o reconhecimento na contabilidade da totalidade das receitas obtidas pelas vendas de combustíveis (via lançamentos a débito na conta "Adiantamento de clientes diversos" e a crédito nas contas do grupo "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA" e conta contábil "1.1.01.001.5 - Caixa"; e lançamentos a débito nas contas do grupo "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA" e a crédito na conta contábil "1.1.01.001.5 - Caixa"), bem como omitir o registro da compra destes bens (via lançamentos a débito na conta contábil "1.1.01.001.5 - Caixa" e a crédito nas contas do grupo "1.1.01.002 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA"). Não por acaso, verificou-se que o montante das compras superou em muito as vendas de combustíveis, quando se observa tanto o volume em m3 quanto o valor em R$ negociado, o que denota a venda de produtos sem a emissão do documento fiscal competente, conforme aba "Compra e venda de combustíveis" presente nas planilhas "MAD NFe - Compra de combustivel Vetor.xlsx" (fls. 5009) e "MAD NFe - Venda de combustivel Vetor.xlsx", às fls. 5010. Fl. 6029DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 10 Destarte, considerando a enorme discrepância entre as compras de combustíveis em 2018 (R$1.035.251.413,83) em confronto com as vendas desse período (R$883.215.367,30), o que dá uma diferença de R$152.036.046,53 (valores obtidos das notas fiscais eletrônicas disponíveis no ambiente Sped); considerando que a firma não tem capacidade para estocar todo esse volume de mercadorias (consistente na diferença entre a compra e a venda de combustíveis, respectivamente de 546.439,93m3 e 418.460,95m3), uma vez que detém espaço para a guarda de 6.258m3 de combustível; e considerando que a baixa da conta "Adiantamento de clientes diversos" com lançamentos temerários é da monta de R$ 108.012.765,16 (via lançamento a crédito nas contas do grupo "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA" e conta contábil "1.1.01.001.5 - Caixa"), concluiu- se restar patente a venda de combustível sem a nota fiscal de direito, acarretando omissão de receitas e o consequente prejuízo ao erário pela falta de recolhimento dos tributos devidos sobre estas operações. 4.1.1.2. Análise das operações mercantis registradas na ECD de 2019 Feitas as mesmas observações quanto ao controle de recebimento de numerários, ao reconhecimento das receitas pelo regime de competência e da emissão do documento fiscal, mais uma vez observou-se que havia uma diferença entre o volume de recursos recebidos a título de adiantamento e o que é contabilizado como receita, extraído das contas de "Duplicatas a receber" e "Vendas de mercadorias", conforme quadro resumo: E, de forma semelhante, observou-se a existência de ajustes contábeis ocultar a diferença entre o efetivo recebimento de recursos e a receita bruta declarada ao Fisco, agora com centenas de lançamentos que reduziram a conta "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" tendo como contrapartida, a crédito, situações registradas no histórico com informações genéricas como "Valor baixa Adiantamentos ref. de" e "Valor Referente Transferência Para Melhor Qualificação", conforme planilha "RAZAO 2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos – Vetor - Nao consta BAIXA no histórico 2019.xlsx", às fls. 12. A citada contrapartida a crédito teve como destino as contas contábeis "1.1.04.013.288 - Adiantamentos a Fornecedores" e "1.1.08.003.4879 - Mercadorias - Subst Trib.", no montante total de R$315.488.925,64, sendo que a contabilização destas operações com informações genéricas teve o objetivo de dissimular o que realmente aconteceu com o dinheiro que foi depositado nas contas bancárias da empresa, já que a contrapartida esperada da conta "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos", a crédito, seria a conta do cliente pela entrega da mercadoria. Arranjou-se uma forma de, contabilmente, não deixar o saldo da conta "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" crescer infinitamente. Considerando a enorme discrepância entre as compras de combustíveis em 2019 (R$2.334.080.360,49) em confronto com as vendas desse período (R$1.700.065.652,63), o que dá uma diferença de R$634.014.707,86 (valores obtidos das notas fiscais eletrônicas disponíveis no ambiente Sped); considerando que a firma não tem capacidade para estocar todo esse volume de mercadorias (consistente na diferença entre a compra e a venda de combustíveis, respectivamente de 1.113.624,87m3 e 751.756,29m3), haja vista que detém espaço para a guarda de 6.258m3 de combustível, tal como será detalhado no tópico "4.2. Das informações prestadas pela ANP e da venda de combustíveis sem a emissão de nota Fl. 6030DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 11 fiscal"; e considerando que a baixa da conta "Adiantamento de clientes diversos" com lançamentos temerários é da monta de R$315.488.925,64 (lançamento a crédito nas contas contábeis "1.1.04.013.288 - Adiantamentos a Fornecedores" e "1.1.08.003.4879 - Mercadorias - Subst Trib."), concluiu-se que restava patente a venda de combustível sem a nota fiscal de direito, acarretando omissão de receitas e o consequente prejuízo ao erário pela falta de recolhimento dos tributos devidos sobre estas operações. Para corroborar a omissão de receitas e falta de emissão de documento fiscal, constatou-se a ocorrência de saldo credor de caixa, incorrendo o contribuinte no art. 293, inciso I, do RIR/2018, conforme aba "Saldo credor de caixa 2019" da planilha "RAZAO 1.1.01.001.5 - Caixa – Vetor 2019.xlsx", às fls. 12. Ainda sobre a conta Caixa, esta recebeu diversos lançamentos, a débito, com o histórico indicando tratar-se de operação de TED, cuja contrapartida a crédito é uma conta do tipo "Bancos". Tal constatação está registrada na aba "2019 - Lcmto de TED a debito" da planilha "RAZAO 1.1.01.001.5 - Caixa - Vetor - Informacao de TED 2019.xlsx", às fls. 12. Já a aba "2019 - Lcmto de TED a credito" da mesma planilha contêm as partidas dobradas em que a conta Caixa recebeu a crédito numerário via TED, conforme histórico do lançamento. Assim, restou configurado para o ano de 2019 que foram utilizados subterfúgios para dissimular o reconhecimento na contabilidade da totalidade das receitas obtidas pelas vendas de combustíveis (via lançamentos a débito na conta "Adiantamento de clientes diversos" e a crédito nas contas "1.1.04.013.288 - Adiantamentos a Fornecedores" e "1.1.08.003.4879 - Mercadorias – Subst Trib."; e lançamentos a débito nas contas do grupo "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA" e a crédito na conta contábil "1.1.01.001.5 - Caixa"), bem como omitir o registro da compra destes bens "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA"). 4.1.1.3. Análise das operações mercantis registradas na ECD de 2020 Feitas as mesmas observações quanto ao controle de recebimento de numerários, ao reconhecimento das receitas pelo regime de competência e da emissão do documento fiscal, mais uma vez observou-se que havia uma diferença entre o volume de recursos recebidos a título de adiantamento e o que é contabilizado como receita, extraído das contas de "Duplicatas a receber" e "Vendas de mercadorias", conforme quadro resumo: E, de forma semelhante, observou-se a existência de ajustes contábeis ocultar a diferença entre o efetivo recebimento de recursos e a receita bruta declarada ao Fisco, com centenas de lançamentos que reduziram a conta "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" tendo como contrapartida, a crédito, situações registradas no histórico com informações genéricas como "Valor Referente Transf. Enviada... " e "Valor Referente Transf. Recebida...", conforme planilha “RAZAO 2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos -Vetor - Nao consta BAIXA no historico 2020.xlsx", às fls. 12. A citada contrapartida a crédito teve como destino as contas contábeis "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA", cujo volume de lançamentos para os quais o histórico ostenta informações genéricas é da monta de R$192.964.503,66, sendo que a contabilização destas operações com informações genéricas teve o objetivo de dissimular o que realmente aconteceu com o dinheiro que foi depositado nas contas bancárias da Fl. 6031DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 12 empresa, já que o lançamento a débito na conta "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" e a crédito no grupo de contas "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA", para o ano de 2020, cumpriu duas finalidades: 1) omitir a receita efetiva da venda de combustíveis, mediante a baixa dos valores recebidos antecipadamente e assim registrados na conta "2.1.09.001.1712 -Adiantamento de clientes diversos"; 2) dissimular operações de compra de combustíveis, que deveria ter sido registradas assim: Em 2020 houve uma simplificação do processo de ocultação de receitas e compras, já que num único lançamento a débito na conta "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" e a crédito no grupo de contas "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA" reduziram-se os montantes recebidos antecipadamente (que não mantém correlação com as receitas de vendas registradas no grupo de contas "1.1.02 - Clientes" e "4.1.01.003.001.2655 - Vendas de Mercadorias a Prazo"), assim como não são registradas as compras na conta de estoques (conta contábil "1.1.08.003.4879 - Mercadorias - Subst Trib."). Considerando a enorme discrepância entre as compras de combustíveis em 2020 (R$1.085.138.451,71) em confronto com as vendas desse período (R$840.747.054,51), o que dá uma diferença de R$244.391.397,20, considerando que a firma não tem capacidade para estocar todo esse volume de mercadorias (consistente na diferença entre a compra e a venda de combustíveis, respectivamente de 497.630,37m3 e 366.156,56m3), tendo em vista que detém espaço para a guarda de 6.258m3 de combustível. Das informações prestadas pela ANP e da venda de combustíveis sem a emissão de nota fiscal"; e considerando que a baixa da conta "Adiantamento de clientes diversos" com lançamentos temerários é da monta de R$192.964.503,66 (via lançamentos a crédito nas contas contábeis do grupo de contas "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA"), concluiu-se que restava patente a venda de combustível sem a nota fiscal de direito, acarretando omissão de receitas e o consequente prejuízo ao erário pela falta de recolhimento dos tributos devidos sobre estas operações. Para corroborar a omissão de receitas e falta de emissão de documento fiscal, constatou-se a ocorrência de saldo credor de caixa, incorrendo o contribuinte no art. 293, inciso I, do RIR/2018, conforme aba "Saldo credor de caixa 2020" da planilha "RAZAO 1.1.01.001.5 - Caixa – Vetor 2020.xlsx", às fls. 12. Ainda sobre a conta Caixa, esta recebeu diversos lançamentos, a crédito, com o histórico indicando tratar-se de operação de "TED devolvida", cuja contrapartida a débito é uma conta do tipo "Bancos", conforme consta na aba "2020 - Lcmto de TED a credito" da planilha "RAZAO 1.1.01.001.5 - Caixa - Vetor - Informacao de TED 2020.xlsx". Se a conta do tipo "Bancos" recebe dinheiro por estorno (e tal operação é registrada a débito), a contrapartida, a crédito, deveria ser uma conta como "Estoque" (e não Caixa). Este último lançamento teria por objetivo estornar o lançamento primitivo, a débito, de uma conta do tipo "Estoque" (pela compra do produto), e, a crédito, de uma conta do tipo "Bancos", representando a origem do recurso para a aquisição daquele item. Diante do exposto, restou configurada para o ano de 2020 a utilização de subterfúgios para dissimular o reconhecimento na contabilidade da totalidade das receitas obtidas pelas vendas de combustíveis (via lançamentos a débito na conta "Adiantamento de clientes diversos" e a crédito nas contas contábeis do grupo de contas "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA"), bem como omitir o registro da compra destes bens (via lançamentos a débito na conta "Adiantamento de clientes diversos" e a crédito nas contas contábeis do grupo de contas "1.1.01.002 - DEPÓSITOS BANCÁRIOS A VISTA"; e lançamentos a débito nas contas do grupo "1.1.01.002 - DEPÓSITOS Fl. 6032DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 13 BANCÁRIOS A VISTA" com a informação de estorno e a crédito na conta contábil "1.1.01.001.5 -Caixa"). 4.1.1.4. Do registro incompleto da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária Conforme demonstrado no tópico "3.1. Da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) da Vetor Comércio de Combustíveis Ltda.", não foram fornecidas pelo sujeito passivo as movimentações ocorridas nas seguintes instituições financeiras, considerando movimentações acima de R$ 1 milhão: Banco Daycoval S/A; Sofisa S/A; e algumas contas junto ao Banco Bradesco (por exemplo, na agência 7699 a conta-corrente 22578; e na agência 1303 as contas-correntes 2252 e 15555, que juntas movimentaram mais de R$400 milhões no triênio 2018-2020, tal como se extrai da e- Financeira de fls. 4993). Quanto aos bancos Daycoval e Sofisa, estes nem constam da contabilidade (ECD) entregue pela empresa via Sped. Desta forma, concluiu-se que a contabilidade da empresa não continha todos os fatos contábeis que dizem respeito à firma, tornando-a imprestável para fins fiscais e comerciais. 4.1.2. ECF - Escrituração Contábil Fiscal As ECF de 2018 até 2020 indicaram a opção da contribuinte pelo lucro real anual, além de conter a demonstração do IRPJ e da CSLL devidos. Houve o cálculo de tributos a pagar para os anos de 2018 e 2019, porém nada foi confessado em DCTF. Em 2020, a ECF indicou base de cálculo negativa para o IRPJ e a CSLL. Como a base de informações para a confecção da ECF advém da ECD, e tendo sido esta última elaborada com uma série de incorreções que a condenam, concluiu-se que as ECF apresentadas também não serviriam para fins de apuração dos impostos e contribuições devidos, no caso o IRPJ e a CSLL. 4.1.3. EFD-Contribuições As EFD-Contribuições para o período de 2018 a 2020 só contêm informações de venda de combustíveis, não havendo registro de compras, conforme planilha às fls. 5269, sendo que a venda de álcool foi indevidamente classificada como sujeita ao regime monofásico, conforme Registro M400/M800 reproduzido na planilha de fls. 5271. Pelo Registro M200/M600, só houve PIS/Pasep e Cofins a recolher para o mês de fevereiro/2018, às fls. 5270. Constatou-se, também, enorme discrepância entre as vendas registradas nestas declarações e a receita bruta constante das ECD/ECF deste período, tal como reproduzido abaixo: Intimada a sanar estas inconsistências, a empresa transmitiu declarações retificadoras, que passaram a contemplar tanto a compra (vide planilha às fls. 5272) quanto a venda de combustíveis (vide planilha às fls. 5273). Acertadamente, a venda de gasolina e diesel foram enquadradas no regime monofásico (Registro M400/M800 da planilha de fls. 5275), enquanto a comercialização do álcool foi anotada como submetida a alíquota específica (já que optante pelo Recob). Porém, conforme a aba "Compra e venda de combustiveis" das planilhas às fls. 5272 e 5273, temos que não houve compra de gasolina e diesel, apesar de constar a venda destes combustíveis. Confrontando as EFD-Contribuições retificadoras com as notas fiscais eletrônicas (NF-e), encontrou-se quase um bilhão de reais em NF-e de compra de Fl. 6033DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 14 combustíveis que não foram registradas nas EFD-Contribuições, conforme planilha de fls. 5276. Por fim, apesar de constar a venda de álcool como sujeito a alíquota específica, praticamente nada de PIS/Pasep e Cofins seriam devidos (Registro M200/M600 das fls. 5274), já que a firma indevidamente apurou créditos na aquisição de álcool, em desrespeito ao art. 3°, inciso I, alínea "b", das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, e ainda contabilizou créditos de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, conforme Registro M105/M505 às fls. 5277. A contribuinte deixou de atender a intimação fiscal, às fls. 4994, para apresentar a comprovação dos alegados créditos. 4.1.4. EFD ICMS/IPI Os estoques de combustíveis ao final de cada período base declarados no Registro H005/H010 das EFD ICMS/IPI, às fls. 5278, foram os seguintes: Comparando os estoques declarados nas EFD ICMS/IPI com a diferença entre a compra e venda de combustíveis apurada a partir do confronto das notas fiscais eletrônicas (NF-e), conforme aba "Compra e venda de combustiveis" das planilhas "MAD NFe - Compra de combustivel Vetor.xlsx" e "MAD NFe - Venda de combustivel Vetor.xlsx", às fls. 5009 e 5010, constatou-se que esta declaração não reproduz a realidade fática, que denota a venda de combustíveis sem a emissão do competente documento fiscal. Resumidamente, as compras e vendas de combustíveis com base nas NF-e foram: Assim, se em 2018 a Vetor comprou R$152 milhões a mais do que vendeu, deveria ter algo próximo a isso registrado no estoque, entretanto, nas EFD ICMS/IPI, o estoque final para o mesmo exercício seria de tão somente R$2.469.287,37. O mesmo ocorre nos anos de 2019 e 2020: em 2019, o estoque deveria ter crescido em mais de R$634 milhões (a EFD ICMS/IPI apontou um crescimento de R$202 milhões); e em 2020 o estoque deveria ser aumentado em mais R$244 milhões (sendo que as EFD ICMS/IPI deram conta de que houve uma redução de mais de R$205 milhões nos estoques. 4.1.5. DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) Constatou-se tão somente a declaração em DCTF de débitos de IRRF (códigos de receita 0561, 1708, 3208 e 8045); um débito confessado de PIS/Pasep não-cumulativo (código de receita 6912), do mês de fevereiro de 2018, no valor de R$1.287,65; um débito de Cofins não-cumulativo (código de receita 5856), do mês de fevereiro de 2018, na monta de R$5.921,50; e retenções na fonte sobre pagamentos a pessoa jurídica, sob o código der Fl. 6034DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 15 receita 5952. Assim, restaria patente a omissão na apuração e confissão dos créditos tributários devidos. 4.2. Das informações prestadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e da venda de combustíveis sem a emissão de nota fiscal As autorizações para funcionamento e capacidade de tancagem da fiscalizada, nos anos de 2018 até 2020, estão sintetizadas no relatório fiscal, às 5340/5341. Por seu turno, ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), em resposta à intimação fiscal, apresentou planilha das informações prestadas pela fiscalizada através do SIMP (Sistema de Informações de Movimentação de Produtos), acerca de suas movimentações de mercadorias no período fiscalizado, às fls. 5289/5291. Analisando os dados fornecidos pela ANP, juntamente com as notas fiscais eletrônicas disponíveis no Sped, constatou-se, em ambas as fontes de dados, discrepâncias entre as compras e vendas de combustíveis, nas quais as aquisições superam em muito as comercializações. Como a capacidade máxima de armazenamento da fiscalizada era de 6.258,00 m³, seria impossível que a enorme diferença entre as compras de janeiro de 2018 a dezembro de 2020 (2.146.906,12 m³, extraídos das NF-e) e as respectivas vendas para o período (1.537.312,79 m³, extraídos das NF-e) estivessem estocadas na empresa. Neste ponto, fica evidente a ocorrência de venda de combustíveis sem a emissão da nota fiscal correspondente, já que a empresa não teria onde eventualmente alojar um volume de 609.593,33 m³ de combustíveis (diferença, em volume, das vendas subtraídas das compras). Corrobora com esta conclusão o cruzamento dos recebimentos nas contas bancárias da empresa com o CNPJ e/ou nome empresarial informado nas notas fiscais de venda de combustíveis, relativas aos anos de 2018 a 2020, cuja razão social contivesse pelo menos o substantivo "posto". É espantosa a quantidade de recebimentos por parte de firmas que ostentam a razão social de "posto de combustível" sem que tenha sido emitida nota fiscal de vendas para elas. Em síntese, foram recebidos mais de R$36 milhões de postos varejistas para os quais não foi identificada a emissão de NF-e. Indo além, comparando as notas fiscais de compra e venda de combustíveis para o período de 2018 a 2020, constatou-se certa coerência na aquisição e comercialização de gasolina e diesel, sendo que a discrepância entre compras e vendas se encontra no comércio de etanol, justamente o combustível sujeito à tributação do PIS/Pasep e Cofins por parte das distribuidoras, de modo que se conclui que a falta de emissão de nota fiscal de venda deu-se em relação ao etanol. As tabelas, às fls. 5345, sintetizam esta constatação, sendo que no caso do álcool, as compras (2.144.248,46m3) foram muito superiores às vendas (1.519.481,64m3), tanto em volume (m3) quanto em valores (R$), não existindo capacidade de tancagem que pudesse acomodar toda essa discrepância (na ordem de 624.766,82m3), o que denotaria a ocorrência de venda de álcool sem a emissão da nota fiscal competente. 4.3. Das operações comerciais envolvendo a Vetor Comércio de Combustíveis Ltda. E outras distribuidoras Constatou-se ainda operações escusas envolvendo o comércio de combustíveis entre a fiscalizada e outras distribuidoras, na medida em que sendo o Despacho ANP n° 793/2017, sucedido pelos Despachos ANP n° 903/2018, 618/2019 e 754/2020, veda a comercialização de etanol hidratado entre distribuidores de combustíveis líquidos pelo período estipulado em cada normativo. A partir das informações bancárias fornecidas pelas instituições financeiras, verificou-se que a fiscalizada recebeu mais de R$402 milhões e enviou uma cifra de R$91 milhões para a Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda., entre 2018 e 2020, sendo que só havia Fl. 6035DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 16 notas fiscais eletrônicas de venda de óleo diesel envolvendo estas empresas para o respectivo período, perfazendo um total de pouco mais de R$3,8 milhões; e recebeu mais de R$46 milhões da Petroalcool Distribuidora de Petróleo Ltda. - CNPJ 85.491.074/0002- 01, entre 2018 e 2020, sendo que não houve notas fiscais eletrônicas envolvendo estas empresas para o respectivo período. Intimada, a fiscaliza não prestou esclarecimentos acerca destas operações. O envio de recursos a outra distribuidora denota a aquisição de combustíveis, assim como o recebimento de numerário indica que houve a venda deste produto, sendo que o único combustível para o qual não havia o mínimo interesse em se fornecer nota fiscal seria justamente o álcool, já que se tratava de operação tributada entre as partes. Assim, concluiu- se que os recursos enviados pela fiscalizada tiveram como objetivo a aquisição de etanol carburante sem a emissão da respectiva nota fiscal pela compra desta mercadoria, assim como os montantes recebidos são oriundos da comercialização de álcool para terceiros, igualmente desacompanhado da nota fiscal correspondente. 4.4. Do lucro arbitrado As escriturações contábeis e fiscais da contribuinte, relativas aos anos de 2018 a 2020, são imprestáveis, tanto para representar os fatos contábeis ocorridos no período quanto para a apuração dos tributos devidos. Neste sentido, as ECF de 2018 e 2019 apuraram IRPJ e CSLL a pagar, porém nada foi confessado em DCTF; as EFD-Contribuições retificadoras apuraram indevidamente créditos na aquisição de álcool, assim como reconheceram quantias vultosas de créditos de PIS/Pasep e Cofins pela armazenagem de mercadorias, não tendo sido comprovado o aludido direito creditório; as EFD ICMS/IPI não reproduzem a realidade fática dos estoques de combustíveis da empresa; e as DCTF limitam-se à confissão, em apertada síntese, tão somente do IRRF. As ECD apresentam várias impropriedades, sem esmiuçar todos os fatos contábeis ocorridos. As ECD não discriminam de modo fidedigno as operações envolvendo os clientes da empresa, no que diz respeito à apuração do faturamento, o que em última análise impossibilita o correto oferecimento à tributação das vendas de combustíveis levadas a cabo. Ao se comparar as compras de combustíveis apuradas com base nas notas fiscais eletrônicas (NF-e) do ambiente Sped com as respectivas vendas, verifica-se que as aquisições superaram em muito as comercializações, sendo que a firma não dispõe de capacidade de tancagem para estocar toda essa diferença, assim como não possui dinheiro em caixa para justificar uma diferença de mais de um bilhão de reais em mercadoria comprada e que ainda não tenha sido vendida. Outras inconsistências relacionadas com a compra e venda de combustíveis foram observadas, tais como: 1) O recebimento de vultosas quantias de dinheiro de diversas outras distribuidoras de combustíveis (tais como a Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda., Petroball Distribuidora, Diamante Distribuidora de Petróleo e FB Distribuidora de Petróleo), registrados a crédito na conta contábil "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" para os anos de 2018 e 2019, sendo que não há emissão de notas fiscais que amparem estas operações tampouco registros contábeis que possam elucidar o ocorrido; 2) Lançamentos genéricos a débito (tais como "Valor Referente TRANSFERENCIA ENVIADA 53253" e "Valor Referente devolucao adto de clientes") na conta contábil "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" para o ano de 2018, extraído Fl. 6036DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 17 daECD, que reduziram esta conta, tendo como contrapartida a crédito as contas contábeis do tipo "Bancos" e conta contábil "1.1.01.001.5 - Caixa"; 3) Lançamentos genéricos a débito na conta contábil "2.1.09.001.1712 – Adiantamento de clientes diversos" para o ano de 2019, extraído da ECD, que reduziram esta conta, tendo como contrapartida, a crédito, as contas contábeis "1.1.04.013.288 - Adiantamentos a Fornecedores" e "1.1.08.003.4879 - Mercadorias - Subst Trib.", sendo que o histórico dos lançamentos contêm informações genéricas como "Valor baixa Adiantamentos ref. de" e "Valor Referente Transferência Para Melhor Qualificação"; 4) Lançamentos genéricos a débito na conta contábil "2.1.09.001.1712 – Adiantamento de clientes diversos" para o ano de 2020, extraído da ECD, que reduziram esta conta, tendo como contrapartida, a crédito, as contas contábeis do tipo "Bancos", cujo histórico dos lançamentos contempla informações genéricas como "Valor Referente Transf. Enviada... " e "Valor Referente Transf. Recebida..."; 5) Ocorrência de saldo credor de caixa para os anos de 2019 e 2020; 6) A conta Caixa recebeu diversos lançamentos a débito e a crédito com a informação no histórico de que se tratava de TED, sendo que a TED (assim como o DOC) são operações típicas de contas contábeis do tipo "Bancos", e não Caixa. A efetiva movimentação bancária também não está refletida na contabilidade apresentada. Assim, foi necessário o arbitramento do lucro para os anos de 2018 a 2020, nos termos do art. 602 e seguintes do RIR/2018, tendo a contribuinte incorrido nas hipóteses previstas nos incisos I, e III, alíneas "a" e "b", de seu art. 603. Outra razão para a adoção do arbitramento foi que a omissão de receitas apurada foi tão grande que a sua simples adição ao lucro real deturparia a apuração dos tributos devidos. 4.5. Da venda de combustíveis e da insuficiência do recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins Tendo em vista a atividade desempenhada como distribuidora de combustíveis, e considerando a opção pelo Recob desde 01/01/2018, a venda de combustíveis foi tributada na autuação com observância das alíquotas específicas (ad rem) constantes do Decreto nº 6.573/2008 (etanol), Decreto nº 5.059/2004 (gasolina e diesel) e Decreto nº 5.297/2004 (biodiesel). No caso em tela, a venda de gasolina, diesel e biodiesel estava sujeita à alíquota zero de PIS/Pasep e Cofins, haja vista a incidência monofásica no produtor e importador, nos termos do art. 3º da Lei nº 11.116/2005 (biodiesel) e art. 4º da Lei nº 9.718/98 (gasolina e diesel). Quanto ao álcool, inclusive para fins carburantes, o art. 5º, inciso II, da Lei nº 9.718/98, determina a alíquota de 3,75% para a apuração do PIS/Pasep e de 17,25% para a Cofins, enquanto o art. 5º, § 4º da Lei nº 9.718/98 c/c art. 2º do Decreto nº 6.573/2008 estipulam a alíquota específica, por m³, de R$19,81 para o PIS/Pasep e R$91,10 para a Cofins. Mesmo as EFD-Contribuições retificadoras apresentadas pelo sujeito passivo, sob intimação fiscal, continuaram erradas. Conforme planilhas de fls. 5272 e 5273, observou- se que não houve compra de gasolina e diesel, apesar de constar a venda destes Fl. 6037DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 18 combustíveis. Além disso, confrontando as EFD-Contribuições retificadoras com as notas fiscais eletrônicas (NF-e), encontra-se quase um bilhão de reais em NF-e de compra de combustíveis que não foram registradas nas EFDContribuições, conforme planilha de fls. 5276. Tal conduta seria até compreensível, caso contrário seria uma confissão de que houve a venda de mercadoria sem a emissão da documentação fiscal correspondente, já que estaria registrado que as compras de combustíveis superaram as vendas em quase um bilhão de reais. Por fim, apesar de constar a venda de álcool como sujeito a alíquota específica, praticamente nada de PIS/Pasep e Cofins seriam devidos, já que a firma indevidamente apurou créditos na aquisição de álcool, em desrespeito ao art. 3º, inciso I, alínea "b", das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, e ainda contabilizou créditos de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Intimada a apresentar a comprovação dos alegados créditos, a fiscalizada quedou-se inerte, o motivou a sua glosa. Ademais, houve a confissão em DCTF tão somente de um único débito de PIS/Pasep não-cumulativo (código de receita 6912), do mês de fevereiro de 2018, no valor de R$1.287,65; e um débito de Cofins não-cumulativo (código de receita 5856), do mês de fevereiro de 2018, na monta de R$5.921,50, o que motivou o lançamento de ofício das contribuições devidas que não foram oferecidas à tributação. 4.6. Da glosa dos créditos de PIS/Pasep e Cofins A adoção do lucro arbitrado impede o cálculo do PIS/Pasep e da Cofins pela sistemática da não-cumulatividade, nos termos do art. 8º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, e art. 10, inciso II, da Lei nº 10.833/2003. Ainda assim, por amor ao debate, a autoridade fiscal refutou os créditos solicitados pelo sujeito passivo em sede das EFD-Contribuições retificadoras apresentadas em atendimento à intimação fiscal. Esclareceu-se, inicialmente, que a declaração retificadora apresentada após o início de procedimento fiscalizatório, mesmo que em atendimento à intimação emanada pela Administração, não tem o condão de retornar com a espontaneidade do contribuinte, conforme dispõe o parágrafo único do art. 138 do CTN. Tecidas estas considerações, constatou-se que a empresa indevidamente apurou créditos na aquisição de álcool, em desrespeito ao art. 3º, inciso I, alínea "b", das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, e ainda contabilizou créditos de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. O ônus da prova quanto ao direito creditório pleiteado é do contribuinte, assim, deveria o sujeito passivo atender à intimação fiscal para apresentar os comprovantes de despesa e cópia dos documentos bancários que lhes dão suporte para corroborar os créditos de PIS/Pasep e Cofins que informou nas EFD-Contribuições retificadoras. Como assim não o fez, só restou à autoridade fiscal glosar o crédito pleiteado por falta de comprovação. 4.7. Da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários e da presunção legal de omissão de receitas Com base nos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, referentes aos anos de 2018 a 2020, a fiscalizada foi intimada a indicar a origem dos recursos recebidos nas suas contas bancárias, já expurgados os lançamentos de "devolução de recebimento de recursos - estorno" e "transferências financeiras entre contas de mesma titularidade". Contudo, a fiscalizada não atendeu à intimação fiscal. Assim, os aportes de recursos de origem comprovada foram tributados conforme a natureza dos respectivos recebimentos, enquanto o montante de recursos para os quais não houve a comprovação de sua origem foram tratados como receitas omitidas, nos termos do art. art. 42 da Lei nº 9.430/96. 4.8. Da base de cálculo do IRPJ e da CSLL Fl. 6038DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 19 Para os anos de 2018 a 2020, por conta do lucro arbitrado, considerou-se a receita bruta composta pelas vendas de combustíveis, identificadas pelas notas fiscais eletrônicas emitidas; e das receitas omitidas, oriundas da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. Quanto ao coeficiente de arbitramento dos lucros, para determinação da base de cálculo do IRPJ, adotou-se o percentual de 9,6% sobre a receita bruta, tendo em vista a atividade desempenhada (distribuidora de combustíveis), sob o espeque do art. 605 do RIR/2018. Já em relação à base de cálculo da CSLL para o caso em tela, a sua apuração seguiu o disposto nos arts. 26, 34 e 227 da Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017, assim como o art. 24, § 2º da Lei nº 9.249/95. 4.9. Da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins Nos anos de 2018 a 2020, tendo em vista a atividade desenvolvida pelo contribuinte e sua opção pelo Recob desde 01/01/2018, a receita bruta pela venda de etanol foi tributada conforme o art. 5º, § 4º da Lei nº 9.718/98 c/c arts. 1º e 2º do Decreto nº 6.573/2008, que estipulam a alíquota específica, por m³, de R$19,81 para o PIS/Pasep e R$91,10 para a Cofins. Em relação às receitas omitidas, oriundas da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários (considerando a adoção pelo Fisco do lucro arbitrado e considerando a opção do contribuinte pelo Recob), estas foram computadas na determinação da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins e seguiram o disposto nos §§ 2º, 5º e 6º, inciso II, do art. 24 da Lei nº 9.249/95 (já que as mercadorias adquiridas para revenda e que não foram acompanhadas de nota fiscal por ocasião de sua venda se tratam de etanol, conforme tópico "4.2. Das informações prestadas pela ANP e da venda de combustíveis sem a emissão de nota fiscal"). Em síntese: nos casos em que havia nota fiscal eletrônica de venda de etanol, aplicou- se a alíquota específica conforme o volume vendido, já que a empresa era optante do Recob (R$19,81 para o PIS/Pasep e R$91,10 para a Cofins, por m³). Em relação à receita omitida, para a qual não houve a emissão da documentação correlata e não se sabe a quantidade vendida (apesar de tratar-se de álcool carburante), utilizou-se, segundo o comando legal, as alíquotas ad valorem correspondentes àquelas fixadas por unidade de medida, no caso as previstas no art. 5º, inciso II, da Lei nº 9.718/98 (3,75% para o PIS/Pasep e 17,25% para a Cofins, incidente sobre a receita bruta). Frisou-se que, para o caso em tela, não foi possível a aplicação do disposto no Recurso Extraordinário nº 574.706, emanado pelo STF, que determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Isto porque a tributação do PIS/Pasep e da Cofins da fiscalizada se dava por alíquota específica, que incide sobre o m³ de álcool vendido, e não sobre a receita bruta. Já em relação à receita omitida, como não havia nota fiscal que amparasse a respectiva operação, por conseguinte não havia ICMS destacado passível de ser excluído da receita bruta, oriunda da omissão de receitas, que sofreu o lançamento tributário para fins de constituição do PIS/Pasep e da Cofins devidos. Nestes termos, reproduziu-se a Solução de Consulta nº 177 - Cosit, de 31/05/2019. 4.10. Do IRRF - Imposto de Renda Retido na Fonte Conforme extraído da conta contábil "2.1.11.001.1858 - Dividendos a Distribuir" das ECF apresentadas, o sócio-administrador Sérvio Túlio Fagotti Zaqueti recebeu, a título de distribuição de lucros, R$2.575.662,36 em 2018, e R$961.500,00 em 2020. Na declaração de rendimentos relativa ao ano-calendário 2018, o administrador informou o auferimento de R$2.575.662,36 a título de "Lucros e dividendos recebidos". Fl. 6039DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 20 Para o ano calendário de 2019, foi informado o auferimento de R$1.200.000,00 como "Lucros e dividendos recebidos". E, para o ano-calendário 2020, não foi informado nenhum recebimento a título de distribuição de resultados. Com base nos extratos obtidos das instituições financeiras, constatou-se que Sérvio Túlio Fagotti Zaqueti recebeu R$14.337.450,53 da empresa fiscalizada, entre 2018 e 2020. A fiscalizada deixou de responder à intimação fiscal para a esclarecer o motivo do pagamento dos R$10 milhões restantes (R$14 milhões – R$3,5 milhões) ao sócio- administrador. Nos termos do art. 238 da Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderão ser pagos ou creditados sem incidência do IRRF o valor da base de cálculo do imposto, diminuído do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que estiver sujeita a pessoa jurídica. Ocorre que, por força da apuração de ofício dos tributos devidos pelo contribuinte, não haveria valores a distribuir a título de lucros, já que o imposto e contribuições a recolher superam o montante da base de cálculo do lucro arbitrado, conforme abaixo sintetizado: Diante do exposto, e, tendo em vista a imprestabilidade da contabilidade, de modo que eventual reserva de lucros não estaria passível de utilização, não restou alternativa senão tributar todo o excesso de lucros distribuídos ao sócio-administrador como pagamento sem causa, conforme previsão contida no art. 238, § 4º da Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017, art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95 e art. 730 do RIR/2018. A base de cálculo para o imposto de renda retido na fonte de forma exclusiva e devido pela fonte pagadora (no caso a fiscalizada), nos termos do art. 61 da Lei n° 8.981/95, correspondeu à soma de todas as transferências de recursos da Vetor Comércio de Combustíveis Ltda. para Sérvio Túlio Fagotti Zaqueti, entre 2018 e 2020, obtidas dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, submetidas ainda a reajustamento. 4.11. Da multa pela entrega das EFD-Contribuições com incorreções ou omissões Conforme a aba "Compra e venda de combustíveis" das planilhas às fls. 5272/5273, constatou-se que a contribuinte não declarou a compra de gasolina e diesel, apesar de constar a venda de mais de 16.000m³ destes combustíveis. Além disso, confrontando as EFD-Contribuições retificadoras com as notas fiscais eletrônicas (NF-e), encontrou-se quase um bilhão de reais em NF-e de compra de combustíveis que não foram registradas nas EFD-Contribuições retificadoras, conforme planilha à fls. 5276. Mesmo após as correções perpetradas pelo sujeito passivo, em atendimento à intimação fiscal, foi contatada discrepância entre a receita bruta informada no Registro M210/M610 das EFD-Contribuições retificadoras (planilha de fls. 5302) com a receita bruta apurada pelo Fisco, conforme tabela abaixo: Fl. 6040DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 21 Tendo em vista as incorreções ou omissões presentes nas EFD-Contribuições formuladas pelo sujeito passivo, foram aplicadas as multas previstas no art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 1.252/2012, observando-se as alterações promovidas pela Lei nº 13.670/2018 e Instrução Normativa RFB nº 1.876/2019. Para as declarações com incorreções ou omissões, transmitidas antes da vigência da nova redação dadas às multas estipuladas pela Lei nº 13.670/2018 (que alterou o art. 12 da Lei n° 8.218/1991), foi aplicada a multa mais benigna, quando cabível, tendo em vista o princípio da retroatividade da lei mais benéfica, previsto no art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN. Como a vigência da nova redação das multas teve início em15/03/2019, data de publicação da Instrução Normativa RFB nº 1.876/2019 no Diário Oficial da União, as EFD- Contribuições entregues pelo sujeito passivo com omissões ou incorreções antes de 15/03/2019 foram sujeitas às penalidades do art. 57, inciso III, alínea "a", da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 (pela transmissão de declaração contendo informação inexata ou omissa). A partir de 15/03/2019, data da entrada em vigor da Instrução Normativa RFB nº 1.876/2019, as EFD-Contribuições entregues com omissões ou incorreções sujeitaram-se à aplicação da multa prevista no art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 1.252/2012, que faz menção ao art. 12, inciso II, da Lei nº 8.218/91. Como as EFD-Contribuições foram retificadas (exceto a do mês de janeiro/2018), tendo a contribuinte atendido à intimação fiscal, as declarações originais entregues a partir de 15/03/2019 usufruíram da redução da multa isolada prevista no art. 12, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 8.218/91, reproduzido acima. 4.12. Da multa pela entrega das ECFs com incorreções ou omissões Tendo em vista a adoção pelo Fisco do lucro arbitrado para os anos de 2018 a 2020; considerando que as ECF originais continham erro na determinação da receita bruta informada pelo contribuinte, em comparação com a receita bruta apurada pelo Fisco; e considerando que não foram entregues declarações retificadoras mesmo após o sujeito passivo ter sido intimado para sanar as irregularidades, foi aplicada a multa prevista no art. 12, inciso II, da Lei nº 8.218/1991, com a nova redação dada pela Lei nº 13.670/2018, conforme estabelece o art. 6º, § 2º, da Instrução Normativa RFB nº 1.422/2013, na redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.821, de 30/07/2018 (vigente até 31/01/2021), e art. 6º, inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 2.004/2021. Ressaltou-se que não cabe ao sujeito passivo pleitear a redução da multa isolada, invocando-se a redação do art. 12, parágrafo único, inciso II da Lei nº 8.218/91, já que, mesmo intimado, não providenciou a entrega das ECF retificadoras para os anos de 2018 a 2020. 4.13. Da multa pela entrega das ECDs com incorreções ou omissões As ECD relativas a 2018 a 2020 contêm sérias incorreções, o que implicou para o Fisco na adoção do lucro arbitrado, já que, em síntese: a) não contabiliza todo o faturamento da empresa; b) vultosas quantias foram recebidas de diversas outras empresas, notadamente postos de combustíveis e distribuidoras de combustíveis, não tendo havido a emissão de nota fiscal que amparasse a operação; c) ostentam saldo credor da conta caixa, o que gera a presunção de omissão de receitas; d) lançamentos genéricos que tiveram por objetivo reduzir a conta "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos", de modo a não reconhecer a receita decorrente da operação; e) diferença de quase um bilhão de reais entre as compras e vendas de combustíveis, sendo que não há capacidade de tancagem para armazenar toda essa discrepância; f) diversas contas bancárias não foram registradas na contabilidade. Destarte, incorre o contribuinte na sujeição à multa isolada pela entrega da Escrituração Contábil Digital com erros ou omissões, conforme a legislação de regência. Fl. 6041DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 22 Assim, incorreu a contribuinte na multa isolada pela apresentação da ECD com incorreções ou omissões, nos termos do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 1.774/2017, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.856/2018, vigente até 31/01/2021 (a partir de 01 de fevereiro de 2021, a previsão da referida penalidade passou a constar do art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 2.003/2021), e art. 12, inciso II, da Lei nº 8.218/91. Ressaltou-se que, mesmo a contribuinte tenha sido intimada para corrigir as inconsistências de suas ECD, não houve a retificação destas escriturações até aquele momento, o que ratifica a imposição da multa isolada insculpida no art. 12, inciso II, da Lei nº 8.218/91, não havendo que se falar, também, em redução da multa isolada, invocando-se a redação do art. 12, parágrafo único, inciso II da Lei nº 8.218/91. 5. DAS INFRAÇÕES FISCAIS 5.1. IRPJ - Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica Para os anos de 2018 a 2020, por conta do lucro arbitrado, observou-se o art. 529 e seguintes do RIR/99, atualmente normatizado pelo art. 602 e posteriores do RIR/2018. O cálculo do IRPJ devido encontra-se detalhadamente demonstrado na planilha anexa, às fls. 5311. 5.2. CSLL - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Aplicam-se à CSLL as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, tal como previsto na Lei nº 7.689/88 e arts. 57 a 59 da Lei nº 8.981/95. O cálculo da CSLL devida encontrar-se detalhadamente demonstrada na planilha anexa, às fls. 5311. 5.3. PIS/Pasep - Contribuição para o Programa de Integração Social Entre 2018 e 2020, por conta da opção pelo Recob a partir de 01/01/2018, aplicou- se a alíquota específica (ad rem) estipulada pelo Decreto nº 6.573/2008. Para todo o período fiscalizado, quando não foi possível identificar qual o produto vendido ou a quantidade que se refere à receita omitida, a alíquota aplicável para a apuração do PIS/Pasep foi de 3,75% (trata-se da alíquota ad valorem mais elevada devida pelas distribuidoras de combustíveis na venda de etanol e que corresponde à alíquota específica prevista no Recob), conforme art. 24, caput, e §§ 2º, 5º e 6º, inciso II, da Lei nº 9.249/95; e art. 5º, inciso II, da Lei nº 9.718/98, com a redação dada pelo art. 7º da Lei nº 11.727/2008. Já nos casos em que houve emissão de NF-e e foi possível constatar que se trata de receita da atividade operacional da firma, os produtos nela descritos foram levados em consideração para a apuração das contribuições devidas. O cálculo da contribuição devida encontra-se detalhadamente demonstrado na planilha anexa, às fls. 5311. 5.4. Cofins - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Entre 2018 e 2020, por conta da opção pelo Recob a partir de 01/01/2018, aplicou- se a alíquota específica (ad rem) estipulada pelo Decreto nº 6.573/2008. Para todo o período fiscalizado, quando não foi possível identificar qual o produto vendido ou a quantidade que se refere à receita omitida, a alíquota aplicável para a apuração da Cofins foi de 17,25% (trata-se da alíquota ad valorem mais elevada devida pelas distribuidoras de combustíveis na venda de etanol e que corresponde à alíquota específica prevista no Recob), conforme art. 24, caput, e §§ 2º, 5º e 6º, inciso II, da Lei nº 9.249/95; e art. 5º, inciso II, da Lei nº 9.718/98, com a redação dada pelo art. 7º da Lei nº 11.727/2008. Já nos casos em que houve emissão de NF-e e foi possível constatar que se trata de receita da atividade operacional da firma, os produtos nela descritos foram levados em consideração para a apuração das contribuições devidas. Fl. 6042DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 23 O cálculo da contribuição devida encontra-se detalhadamente demonstrado na planilha anexa, às fls. 5311. 5.5. IRRF - Imposto de Renda Retido na Fonte O IRRF, a título de pagamento sem causa, é devido de forma exclusiva, e devendo ser retido pela fonte pagadora à alíquota de 35%, cujo vencimento do imposto é o dia do pagamento dos recursos, conforme art. 61 e seus parágrafos, da Lei n° 8.981/95. O cálculo detalhado do IRRF devido consta da aba "IRRF" da planilha anexa, às fls. 5311. 5.6. Da multa pela entrega das EFD-Contribuições com incorreções ou omissões As EFD-Contribuições apresentadas contêm omissões ou incorreções, tornando- se objeto de multa isolada. Como a vigência da nova redação das multas teve início em15/03/2019, data de publicação da Instrução Normativa RFB nº 1.876/2019 no Diário Oficial da União, as EFD-Contribuições entregues pelo sujeito passivo com omissões ou incorreções antes de 15/03/2019 ficaram sujeitas às penalidades do art. 57, inciso III, alínea "a", da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 (pela transmissão de declaração contendo informação inexata ou omissa). A partir de 15/03/2019, as EFD-Contribuições entregues com omissões ou incorreções sujeitaram-se à aplicação da multa prevista no art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 1.252/2012, que faz menção ao art. 12, inciso II, da Lei nº 8.218/91. A apuração completa da multa lançada consta da planilha de fls. 5311, esclarecendo- se que a receita bruta foi obtida com base nas notas fiscais eletrônicas de venda de combustíveis disponíveis no Sped (para os anos de 2018 a 2020), além da presunção legal de omissão de receitas por falta de comprovação da origem dos valores depositados nas contas bancárias da empresa (anos de 2018 a 2020). 5.7. Da multa pela entrega das ECFs com incorreções ou omissões Tendo em vista o arbitramento do lucro nos anos de 2018 a 2020, e, considerando que as ECF originais contêm erro na determinação da receita bruta informada pela contribuinte, e que não foram entregues declarações retificadoras mesmo após o sujeito passivo ter sido intimado para sanar as irregularidades, foi aplicada a multa prevista no art. 12, inciso II, da Lei nº 8.218/1991, com a nova redação dada pela Lei nº 13.670/2018, conforme estabelece o art. 6º, § 2º, da Instrução Normativa RFB nº 1.422/2013, na redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.821, de 30/07/2018, e art. 6º, inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 2.004/2021. O cálculo da multa isolada pela entrega das ECF com incorreções ou omissões consta da planilha de fls. 5311. 5.8. Da multa pela entrega das ECDs com incorreções ou omissões Como as ECD de 2018 a 2020 transmitidas para o Sped contêm diversas irregularidades, tornando imprestável a contabilidade e obrigando o Fisco a adotar o lucro arbitrado, foi aplicada a multa isolada pela apresentação da Escrituração Contábil Digital com erros ou omissões, nos termos do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 1.774/2017, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.856/2018, vigente até 31/01/2021 (a partir de 01 de fevereiro de 2021, a previsão da referida penalidade passou a constar do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 2.003/2021), e art. 12, inciso II, da Lei nº 8.218/91. O cálculo da multa isolada pela entrega de ECD com incorreções consta da planilha de fls. 5311. 6. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Conforme já debatido nos tópicos "4.2. Das informações prestadas pela ANP e da venda de combustíveis sem a emissão de nota fiscal" e "4.3. Das operações comerciais envolvendo a Vetor Comércio de Combustíveis Ltda. e outras distribuidoras", o ato de Fl. 6043DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 24 promover a saída de mercadorias sem o respectivo documento fiscal constitui infração à lei tributária (arts. 1º e 2º da Lei nº 8.846/94) e penal (Lei nº 8.137/90, art. 1º, incisos II e V), assim como macula o Contrato Social da entidade, já que em nenhuma empresa há o permissivo para a prática de atos contrários à Lei. A violação à Lei e ao Contrato Social da entidade, haja vista a ocorrência de venda de combustíveis sem a emissão da nota fiscal correspondente, motivou a responsabilização solidária dos administradores da empresa à época dos fatos: Seria deles a obrigação de zelar pela correição dos negócios sob sua tutela, além de que os sócios administradores usufruíram das benesses da sonegação fiscal, já que os resultados da empresa lhes foram repassados, seja como distribuição de lucros ou resultados (Sérvio Túlio recebeu dividendos, conforme conta contábil "2.1.11.001.1858 - Dividendos a Distribuir", assim como Ademar Picironi recebeu pela venda das cotas da Vetor e fez depósitos em nome de sua firma até o final de 2018, tal como consta dos extratos bancários, seja como pagamento sem causa (em benefício de Sérvio Túlio). 7. DA MULTA QUALIFICADA No caso em tela, constatou-se a ocorrência de sonegação fiscal, definido no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, já que a empresa fiscalizada teve por objetivo, em síntese, furtar-se ao pagamento dos tributos devidos, tendo em vista a conduta dolosa de não emissão de nota fiscal por conta da venda de combustíveis, notadamente álcool (incorrendo em infração à lei tributária, nos termos dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.846/94, e penal, conforme Lei nº 8.137/90, art. 1º, incisos II e V); além de apresentar por períodos consecutivos a escrituração contábil e fiscal com diversas incorreções e omissões. Neste sentido constatou-se, em síntese, que as EFD-Contribuições não registraram todas as vendas de combustíveis, notadamente etanol, sendo que as retificadoras apresentadas em atendimento à intimação fiscal incluíram créditos monstruosos de PIS/Pasep e Cofins que não foram confirmados, apesar de intimado para tal; as EFD ICMS/IPI, na parte que interessa ao Fisco Federal, não refletem o estoque real de combustíveis da entidade; as ECF contêm divergência na receita bruta informada em relação àquela apurada pelo Fisco; as ECD de 2018 a 2020 contêm diversas incorreções e omissões que as tornam imprestáveis para fins comerciais e fiscais; e as DCTF não confessaram os débitos devidos pela empresa, especialmente PIS/Pasep, Cofins, IRPJ e CSLL. Por todo o exposto, foi aplicada a multa qualificada prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, além das repercussões na esfera penal que tal conduta dolosa desencadeará, já que o contribuinte incorreu no crime de sonegação fiscal definido pelo art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, mediante a venda de combustíveis sem a emissão da competente nota fiscal, incorrendo em infração à lei tributária, nos termos dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.846/94, e penal, conforme Lei nº 8.137/90, art. 1º, incisos II e V. 8. DOS JUROS DE MORA Os créditos tributários da União não recolhidos no vencimento sujeitam-se ao acréscimo de juros de mora estabelecido em lei, assim regulamentado pelo artigo 997 do RIR/2018. 9. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Fl. 6044DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 25 O crédito tributário constituído de ofício integra o Processo nº 10340.720606/2022- 81. IMPUGNAÇÃO - VETOR A autuada apresentou impugnação aos lançamentos fiscais, na qual constam os tópicos abaixo sintetizados: AUTO DE INFRAÇÃO Sintetiza a autuação, e alega que irá a contrapor e apontar as inconsistências e equívocos da autoridade fiscal, o que devem conduzir ou a anulação dos lançamentos ou sua profunda reforma. NULIDADE NO USO DA RMF A impugnante alega que informou à autoridade fiscal que apresentaria ela própria os extratos bancários solicitados, motivo pelo qual a Receita Federal não poderia ter oficiado diretamente às instituições financeiras para obter as informações. Relata que, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 001, a fiscalizada apresentou extratos com a movimentação bancária no período referente a parte de suas contas, às fls. 173/416, informando ainda, que estava solicitando às instituições financeiras os demais documentos solicitados. Houve, ainda, manifestação complementar, às fls. 486/487, quando foram entregues, às fls. 524/4979, mais extratos de contas movimentadas no Banco do Brasil e no Bradesco, sendo que estas contas representavam quase 90% de toda a movimentação da contribuinte. Apesar disso, a autoridade fiscal acusou que não houve atendimento dessa solicitação, como se a contribuinte nada tivesse mostrado, e ainda criticou que a entrega se deu fora do padrão estipulado pela Carta Circular Bacen 3.454/2010. Contudo, o leiaute previsto na referida Carta foi estabelecido como parâmetro a ser adotado pela autarquia federal para o préstimo de informações às autoridades competentes, quando solicitadas. Não houve embaraço ou negativa de apresentação dos extratos pela contribuinte, ao contrário, as informações estavam sendo repassadas quando, de afogadilho, a autoridade fiscal resolveu encaminhar RMF às instituições financeiras, sem que estivessem presentes os requisitos legais para tanto. A justificativa fiscal de que o uso da RMF estaria amparado nos incisos V ou X do art. 3º do Decreto nº 3.724/01 (realização de gastos ou investimentos superior à renda disponível e negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira), não se sustentam diante do que se constata nos autos e no próprio Termo de Verificação Fiscal. Não seria razoável falar em negativa da contribuinte, na medida em que os extratos apresentados pela fiscalizada seriam os relativos às contas de maior volume de movimentações. Além disso, o que se extrai do art. 3º, inciso X, do Decreto nº 3.724/01 (que fundamentou a emissão das RMF) c/c seu art. 2º, § 5º, e com o art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, é que a negativa do titular da conta é uma das situações que configura a indispensabilidade do exame tem configurada esta hipótese para uso da RMF. Mesmo que se cogitasse que no primeiro atendimento a fiscalização a contribuinte teria negado o acesso pelo requerimento direto às instituições financeiras, assim o fez esclarecendo que disponibilizaria esses dados à auditoria e, portanto, apenas exerceu a prerrogativa que se infere a partir do art. 1º, § 3º, inciso V da LC 105/01. Demais disso, a auditoria revelou-se extemporânea, pois houve uma entrega dos primeiros extratos no dia 01 de junho de 2021 e, antes mesmo que se apresentasse outra Fl. 6045DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 26 parte no dia 24 do mesmo mês, no dia 16 já havia sido precipitado encaminhamento da RMF aos bancos. Não haveria como se falar sequer em embaraço, posto este só se caracterizaria pelo não fornecimento de informações sobre movimentação financeira. Neste sentido, cita jurisprudência do CARF. Como a contribuinte estava entregando as informações bancárias, o relatório fiscal nem mesmo chega a mencionar "embaraço à fiscalização", não havendo, nesse contexto, uma negativa que justificasse a aplicação da RMF, tornando nulo o procedimento da auditoria. USO DO ARBITRAMENTO E SEUS EFEITOS O relato fiscal reitera argumentos na construção de um entendimento para demonstrar que os registros contábeis da contribuinte seriam imprestáveis, o que forçaria a adoção do arbitramento do lucro. Contudo, o que se verifica é uma alternância de momentos em que as informações de alguns demonstrativos são ora utilizadas para demonstrar uma espécie de desleixo com as obrigações acessórias (que tipicamente fundamentariam o arbitramento) ora utilizadas quando o objetivo é justificar alguma medida da autoridade fiscal (como o lançamento de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou em operações consideradas sem causa). A impugnante alega que a contabilidade não pode ser descartada por completo sob o argumento de estar eivada de vícios como a auditoria faz parecer, o que se afirma a partir do fato de que as informações do SPED foram base para levantamento da movimentação de produtos. Ao lado da constatação de que a ECD e a ECF eram incompletas, continham informações inexatas ou omitidas, foram as informações dos documentos fiscais eletrônicos que, em última análise, serviram para apuração receita bruta, a base de cálculo a partir do qual se calculou o IRPJ, a CSLL, a Contribuição ao PIS e a COFINS. Desta forma, ao usar informações das notas fiscais de venda para apurar a base de cálculo, identificando receitas omitidas a partir do cruzamento dos dados de movimentação de combustíveis em comparação com as notas fiscais de venda, só se pode chegar à conclusão de que, vindo esses dados da própria contabilidade fiscal, existia um apoio para conhecer a base imponível tanto das contribuições como para apuração do lucro real. Além disso, um segundo problema é a adoção do lucro arbitrado em paralelo a uma apuração de omissão de receitas a partir do cruzamento dos dados de movimentação de combustíveis em comparação com as notas fiscais de venda. O apoio mencionado para fundamentar que teria ocorrido a venda sem emissão de nota fiscal foi a existência de depósitos (identificados a partir dos extratos bancários) realizados por postos de combustíveis (revendedores varejistas). Nesta situação, em que a auditoria analisou os movimentos que se referem a créditos e débitos da movimentação financeira bancária, que foi utilizada para apurar a omissão de receita por (depósitos bancários sem origem comprovada na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96), não poderia (ao mesmo tempo) ser utilizados também para arbitramento do lucro por omissão de receitas na saída de produtos sem nota fiscal, sob pena de se tributar duas vezes o mesmo ingresso (a primeira vez no levantamento dos extratos e uma segunda vez pela apuração de saída sem nota). Ou seja, a impugnante alega que não ficou demonstrado o preenchimento dos requisitos para uso do arbitramento, ao mesmo tempo em que esse método não poderia ser combinado com a apuração de receitas a partir do cruzamento dos dados de movimentação de combustíveis em comparação com as notas fiscais de venda. Fl. 6046DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 27 Por fim, alegou-se, também, que o arbitramento no patamar de 9,6% discrepa enormemente de outros parâmetros para presunção de lucro na atividade de distribuição de combustíveis. Pela legislação de regência, empresas que atuem na revenda de combustíveis devem utilizar a regra geral empregando o índice de 1,6% para o IR (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, inciso I), o que implica em grande discrepância quando o arbitramento, em outra ponta atribui essa margem em 9,6%. OUTRAS OBSERVAÇÕES SOBRE O LEVANTAMENTO A planilha "Apuração - Venda de Etanol - Vetor" na aba "Vendas álcool", às fls. 5308, que foi a referência para apuração da movimentação de etanol, incluiu nos cálculos uma quantidade de etanol anidro, tributado à alíquota zero nas distribuidoras conforme o art. 5º, § 1º, inciso I, com a redação dada pela Lei nº 11.727/08. Assim, o cálculo para apuração do PIS e da COFINS sobre etanol não deveria considerar esse produto. Não se poderia, também, presumir que a totalidade das vendas (no caso da apuração de receitas omitidas) seriam de etanol hidratado carburante, pois dentre as operações de saída da contribuinte havia também as que envolvem etanol anidro, gasolina e óleo diesel, em relação aos quais não se fez qualquer ressalva. As tabelas constantes no Termo de Verificação, às fls. 5342/5344, que resumem as informações apresentadas nas planilhas dos arquivos não pagináveis, às fls. 5009, 5010 e 5292, não fazem separação por tipo de produto, somando etanol, gasolina e óleo diesel como se componentes de um estoque único. Assim, caberiam correções nestes pontos, para que ao menos seja o lançamento ficasse internamente coerente. OMISSÃO DE RECEITAS POR CRÉDITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E DOLO Por disposição legal expressa do art. 42 da Lei nº 9.430/96, criou-se a figura do crédito ou depósito bancário como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que o contribuinte, regularmente intimado, não comprove pela apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos recebidos ou utilizados na operação. Tratando-se de uma presunção, a autoridade lançadora fica desonerada de provar a ocorrência de conduta dolosa do contribuinte, o que implica efeitos em dois pontos do presente lançamento que exigiriam a caracterização desse dolo: a responsabilidade dos sócios e administradores (art. 135, inciso III do CTN) e a aplicação de multa qualificada (art. 44, inciso I e § 1° da Lei n. 9.430/96). Transcreve jurisprudência do CARF neste sentido. A utilização de presunção/arbitramento para apurar o tributo cobrado prescinde que o lançamento seja acompanhado da prova da conduta adotada pelos administradores (ausência de comprovação de dolo) razão pela qual os institutos aplicados para fins de execução do lançamento são incompatíveis tanto com a aplicação da multa qualificada quanto da responsabilidade de terceiros que devem ser excluídas. OBSERVAÇÕES SOBRE O LEVANTAMENTO DE RECEITAS A PARTIR DOS EXTRATOS BANCÁRIOS No exame do arquivo "APURACAO Total de recebimentos nas contas bancárias Vetor", às fls. 5310, observam-se uma série de depósitos que deveriam ter sido excluídos do lançamento fiscal, porque não implicam em receitas, nos termos do art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96: (a) um crédito liberado em conta decorrente de empréstimo contratado com o Bradesco em 05 de fevereiro de 2018; Fl. 6047DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 28 (b) recebimentos originários da Bradesco Administradora de Consórcios nos dias 06 de junho de 2018 e 11 de dezembro de 2020; (c) depósitos e/ou transferências entre contas próprias (evidenciadas tanto pelo nome da Vetor quanto pelo seu CNPJ nos campos relativos à origem do recurso) e que acabaram não excluídos do levantamento; (d) vários resgates de valores investidos em títulos de capitalização que aparecem registrados com o nome Brasilcap Capitlização S/A na coluna "nome da origem do recurso"; (e) operações realizadas com empresas de fomento mercantil (Mar Capital e Fomento Mercantil Ltda; Bombordo Fomento Mercantil Ltda.; Perfactoring Fomento Mercantil Ltda., Viainvest Fomento Mercantil Ltda; (f) movimentos que, pelas condições, aparentam uma inegável duplicidade assim considerados aqueles que aparecem de forma sequenciada, e registram mesma data, mesmo valor, mesmo número de documento e origem; (g) recursos originados de empresas de representação comercial; Essas operações, mencionadas de forma exemplificativa, ou mostram claramente a origem ou já autoindicam a origem dos recursos de tal maneira que o tratamento dado pela auditoria se mostra frágil já que não poderiam constar da listagem da apuração de receitas omitidas. CRÉDITOS DE PIS E COFINS NA FORMULAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS A autuada é pessoa jurídica que tem como objetivo social o comércio atacadista ou distribuições de combustíveis, optante pelo lucro real e, portanto, se sujeita à apuração não- cumulativa das contribuições ao PIS e a COFINS, posto que a tributação concentrada não se confunde com a forma de apuração das contribuições. Na autuação a autoridade fiscal realizou o lançamento do PIS e da COFINS não cumulativos devidos nos períodos de apuração, mas não apurou os créditos dessas contribuições. Submetido ao regime de incidência não cumulativa das contribuições sociais, a contribuinte deve ver garantido o direito aos créditos de PIS e COFINS. Isso porque, não obstante, os produtos estarem submetidos ao sistema monofásico, poderá ainda apurar créditos em relação às hipóteses previstas na lei. Neste sentido é a Solução de Consulta 4.002/2019, baseando-se na Solução de Consulta nº 218, de 06/08/2014. Também é incontroverso que é possível apurar créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo apesar dos produtos se sujeitarem ao sistema concentrado de arrecadação, pois ocorre o fato imponível e todos os demais elementos da hipótese de incidência tributária. Só não há valores a recolher, porque a alíquota para os principais produtos que comercializa (Gasolina e Diesel) possuem alíquota zero. Não obstante, considerando a industrialização ou mesmo produção de Gasolina C e Óleo Diesel B, nos termos da legislação federal, entendimento da própria Receita, tanto no Parecer Normativo RFB nº 5/2018 e da Solução de Consulta nº 568/17. Considerando ainda que não há controvérsia em relação ao fato de que a empresa se encontra submetido ao regime não cumulativo, reconhecido inclusive a possibilidade de apurar créditos em algumas hipóteses (incisos III, IV, V, VII e VIII do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003) e mais, que o próprio Parecer Normativo, em sua essência, analisou e buscou cumprir o comando e conceito fixado pelo STJ em relação aos insumos, resta Fl. 6048DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 29 demonstrado o direito da empresa de que sejam analisados os custos e despesas essenciais e relevantes que a empresa possui para o desenvolvimento de sua atividade, consoante o conceito de insumos definido pelo STJ, a ensejar direito ao crédito. Os créditos referentes à aquisição de matérias-primas, bem como os demais insumos essenciais ao desenvolvimento da atividade específica da empresa, não foram objeto de detalhamento na apuração da auditoria fiscal, configurando assim mais um dos motivos pelo qual o lançamento merece (se não, anulado) ao menos retificado para refazimento de forma a observar as balizas acima expostas. CRÉDITOS DE PIS/COFINS NA AQUISIÇÃO DE ETANOL A autuada se trata de uma distribuidora de combustíveis. O art. 5º da Lei nº 9.718/98, com redação dada pela Lei nº 11.727/08, prevê claramente que o PIS e a COFINS incidem tanto para o produtor/importador como para o distribuidor sobre a receita bruta auferida na venda de álcool. Trata-se do Regime Plurifásico de arrecadação das contribuições sociais, não podendo ser negado o crédito que incidiu na operação anterior, sob pena se sufrágio do princípio constitucional da não cumulatividade. A Lei nº 11.727/08 implantou o Regime não-cumulativo, com a sistemática plurifásica de arrecadação, exigindo-se o tributo também do distribuidor, chegando ao percentual de 30%, sendo que 8,4% (1,5% de PIS e 6,9% de COFINS) atribui-se ao produtor a responsabilidade pelo pagamento e mais 21% (3,75% para PIS e 17,25% para COFINS) para o distribuidor. Desta forma, somente a tributação de PIS/COFINS deste produto acresce ao preço final cerca de 30%. Assim, não permitir o crédito implicaria em violação grave ao próprio regime não cumulativo instituído, o que levaria em realidade à incidência cumulativa das contribuições sociais. A atividade da impugnante está inegavelmente submetida ao Regime não cumulativo das contribuições sociais. Desde a MP 413/08, que excluiu expressamente do Regime Cumulativo a receita bruta decorrente da venda de Álcool Carburante, implementando-se, pois, desde aquela data, o Regime não cumulativo das contribuições sociais nesta hipótese. Assim, na redação da Lei nº 11.727/08, fruto da conversão da MP, houve a revogação das normas que determinavam a aplicação do regime cumulativo à Receita bruta do álcool carburante. Logo, o Regime tributário para apuração de PIS e COFINS decorrente da receita da venda de álcool para fins carburantes, é o não cumulativo. Em face da redação dada ao art. 5º, da Lei 9.718/98, pela Lei nº 11.727/08, o sistema adotado para a incidência sobre a receita da venda de álcool carburante é o sistema plurifásico, com incidência na cadeia para o produtor/importador e para o distribuidor. Por isso, as contribuições incidem em mais de uma fase e não apenas concentrado na produção. A Constituição, por força do disposto no art. 195, § 12, determina que as empresas submetidas ao Regime não cumulativos terão direito ao crédito referente à operação anterior, em respeito ao princípio da não cumulatividade, de forma a se evitar o efeito em "cascata" da incidência. Diante do exposto, deve ser observado o direito ao crédito das contribuições sociais, referente à aquisição de álcool carburante. Esta conclusão decorre da própria lógica que deve ser observada para o presente caso. Estando submetida ao Regime não-cumulativo, sendo a tributação plurifásica, incidindo em duas etapas, qual seja: produção e distribuição. Sendo a empresa uma distribuidora de combustíveis, que revende álcool carburante. É inconstitucional a vedação ao crédito. MULTA QUALIFICADA E VEDAÇÃO DO CONFISCO Fl. 6049DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 30 Na autuação foi aplicada a multa de ofício qualificada, no percentual de 150% do imposto devido, com fundamento no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Entretanto, o STF reconheceu na ADI 551/RJ e no RE 640.452/RO (ao qual reconheceu a repercussão geral da questão constitucional debatida) e em inúmeros outros precedentes, a inconstitucionalidade de sanções pecuniárias que superam o valor da tributação, por afronta aos princípios do não confisco e da proporcionalidade. Nestes termos, requer-se a limitação da multa ao percentual do imposto descrito no auto de lançamento ou caso assim não entenda, que seja limitado ao valor do imposto. PEDIDOS Ante o exposto, a impugnante requer a anulação ou reforma do lançamento mediante: (a) o reconhecimento da nulidade do uso da Requisição de Movimentação Financeira diretamente às instituições bancárias por não caracterizada a situação do art. 3°, inciso X do Decreto n. 3.724/01 uma vez que a Contribuinte regularmente contribuía com a apresentação dos extratos; (b) o reconhecimento de que não ficou demonstrado o preenchimento dos requisitos para uso do arbitramento, notadamente diante do fato de que o lançamento baseou-se em informações do SPED ICMS/IPI (informações das notas fiscais emitidas pela contribuinte) para o levantamento das operações de saída de mercadorias; (c) subsidiariamente, em caso de se concluir que foi acertado o uso da apuração do lucro por arbitramento, o reconhecimento de que esse método não pode ser empregado, em simultâneo, com a apuração de receitas a partir do cruzamento dos dados de movimentação de combustíveis (SIMP fornecido pela ANP com o cruzamento dos dados das notas fiscais de venda emitidas); (d) também de forma subsidiária, na hipótese de manutenção do lançamento que seja determinada a exclusão das operações que visivelmente não se relacionam com a hipótese do art. 42 da Lei n. 9.430/96 conforme indicado; (e) o reconhecimento de que a utilização de presunção/arbitramento para apurar o tributo cobrado prescinde que o lançamento seja acompanhado da prova sendo assim incompatíveis tanto com a aplicação da multa qualificada quanto da responsabilidade de terceiros que devem ser excluídas; (f) que seja reformado o lançamento (i) excluindo-se, em relação às saídas de etanol, a parte referente ao anidro; (ii) que a presunção seja recalculada em ordem a desconsiderar as saídas de outros combustíveis não tributados; e (g) em caso de manutenção da exigência, pede-se a conversão do julgamento em diligência para que se determine à Autoridade Lançadora, nos termos do art. 3°, inciso II da Lei n. 10.637/02 e Lei n. 10.833/03, que apure os créditos da contribuição ao PIS e da COFINS na modalidade não cumulativas, observando-se os parâmetros da essencialidade e relevância determinados pelo STJ no julgamento do REsp 1.221.170/PR, bem como o direito a apuração de crédito na aquisição de etanol para revenda, conforme demonstrado. Fl. 6050DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 31 (h) a redução das multas punitivas aplicada ao caso para o limite que simboliza o valor do próprio imposto, sob pena de infração à regra constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco. IMPUGNAÇÃO – RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO (SÉRVIO) SÉRVIO TÚLIO FAGOTTI ZAQUETI, ao qual foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, apresentou impugnação ao lançamento fiscal, na qual constam os tópicos abaixo sintetizados: AUTO DE INFRAÇÃO Sintetiza a autuação, e alega que irá a contrapor e apontar as inconsistências e equívocos da autoridade fiscal, o que devem conduzir ou a anulação dos lançamentos ou sua profunda reforma, ou, em relação às pessoas físicas, a exclusão de sua responsabilidade por não se tratar de hipótese que autorize a aplicação da responsabilidade a que diz respeito o art. 135, inciso III, do CTN. NULIDADE NO USO DA RMF Neste tópico, o impugnante traz argumentos de igual teor ao mesmo tópico constante na impugnação apresentada pela autuada (VETOR COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEIS LTDA), que já se encontra relatada, não cabendo aqui reproduzir os mesmos argumentos que serão apreciados conjuntamente. APURAÇÕES DE TRIBUTOS EM BASES PRESUMIDAS E AUSÊNCIA DE PROVA DIRETA Na autuação, as bases para o lançamento fiscal foram: (a) receitas omitidas, oriundas da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários (presunção a que se refere o art. 42 da Lei n. 9.430/96); e (b) arbitramento do lucro mediante apuração da receita bruta identificada pelas notas fiscais eletrônicas emitidas nas operações de vendas de combustíveis. No primeiro caso, a base são os créditos bancários de origem incomprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, torna legítima inferir que valores creditados em contas bancárias significam ingressos que devam ser alcançados pela tributação. No segundo, o arbitramento foi realizado de acordo com as prescrições legais, sendo que a fonte que permitiu apurar a base de cálculo foram as informações das notas fiscais de venda. Ou seja, a autoridade fiscal considerou seguro tal parâmetro, equivalendo a assumir também que a contribuinte emitia a correspondente nota de saída para cada operação de venda realizada. Duas conclusões são inevitáveis a partir dessas premissas: no primeiro caso, que o uso de uma presunção indica que se aceita como verdadeiro de um fato que, pelas circunstâncias, parece provável, não se tratando, portanto, de prova direta da ocorrência de um fato; no segundo, que as notas fiscais de venda foram o ponto de partida para apuração das receitas e para apuração do IRPJ/CSLL segundo as regras do arbitramento. Assim, a presunção não pode ser aceita tendo o mesmo valor de uma prova direta e ao mesmo tempo parece não haver apoio nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.846/94 que tratam, respectivamente, da emissão de documento fiscal relativo à operação de venda e à presunção legal de omissão de receitas pela falta de emissão da nota. Diante do exposto, não se observa a produção de provas diretas que comprovem o dolo da venda de combustível sem a emissão de nota fiscal. Tanto assim o termo de Fl. 6051DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 32 acusação não imputa um único ato praticado intencionalmente pelo impugnante que contribuiu para os eventos. Ao lado disso, a apuração de tributos por arbitramento afasta a existência de qualquer nexo causal entre a conduta do sócio e a inadimplência tributária, uma vez que se desconsidera os fatos ocorridos para adotar uma base de cálculo auferida com base em presunção. BASE DE CÁLCULO NO ARBITRAMENTO Alegou-se que o arbitramento no patamar de 9,6% discrepa enormemente de outros parâmetros para presunção de lucro na atividade de distribuição de combustíveis. Pela legislação de regência, empresas que atuem na revenda de combustíveis devem utilizar a regra geral empregando o índice de 1,6% para o IR (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, inciso I), o que implica em grande discrepância quando o arbitramento, em outra ponta atribui essa margem em 9,6%. OMISSÃO DE RECEITAS POR CRÉDITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, DOLO E MULTA QUALIFICADA Para fins do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o legislador presume como verdadeira a omissão de rendimentos se a parte não explica a origem dos recursos. Por se tratar de uma presunção, a autoridade fiscal fica desonerada de provar a ocorrência de conduta dolosa do contribuinte, o que implica efeitos em dois pontos do presente lançamento que exigiriam a caracterização desse dolo: a responsabilidade dos sócios e administradores (art. 135, inciso III, do CTN) e a aplicação de multa qualificada (art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96). Cita jurisprudência do CARF. A utilização de presunção/arbitramento para apurar o tributo cobrado prescinde que o lançamento seja acompanhado da prova da conduta adotada pelos administradores (ausência cie comprovação de dolo), razão pela qual os institutos aplicados para fins de execução do lançamento são incompatíveis tanto com a aplicação da multa qualificada quanto da responsabilidade de terceiros que devem ser excluídas. DA NÃO APLICAÇÃO DO ARTIGO 135, INCISO III, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL A mera ausência de recolhimento de qualquer tributo não gera, por si só, a responsabilidade pessoal dos sócios-gerentes, vez que para fins de responsabilização, com base no art. 135 do CTN, deixar de recolher determinado tributo não é considerado infração de lei; e, por conseguinte, não enseja automaticamente o redirecionamento da cobrança da obrigação tributária. Neste sentido, cita jurisprudência do STJ e Súmula STJ nº 430. Além disso, não basta que o Fisco alegue suposta infringência do art. 135, inciso III, do CTN. Deve ele provar, de forma individualizada por documentos específicos, qual foi o ato praticado passível de se requerer a responsabilização pessoal do contribuinte pelos débitos tributários da empresa em que era socio. Logo, para que haja a legítima responsabilização pessoal, como disposta pelo artigo 135, é necessário verificar, a priori, se o sócio que eventualmente será responsabilizado pela dívida da empresa possuía poderes de gestão e, a posteriori, se agiu dolosamente com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Ou seja, é condição sine qua non para se fundamentar o pedido de responsabilização, nos termos do art. 135, inciso III, que o contribuinte configure como sócio da empresa fiscalização, o que nunca ocorreu, e ainda é preciso que se comprove que tenha havido ato realizado com má-fé, no intuito de lesar o Fisco; o que, no presente caso, não ocorreu. Isso porque, além do fato de não ter agido de tais maneiras (não há qualquer comprovação disso nos autos), também não existe prova efetiva entre o tributo apurado e Fl. 6052DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 33 qualquer conduta ilegal, visto que a sua base de cálculo foi fixada por arbitramento. Atribuiu-se responsabilidade solidária sem existir conexão entre a base de cálculo do tributo com qualquer conduta dolosa do impugnante, uma vez que é arbitrada e não é diretamente ligada ao fato gerador do tributo. Conforme salientado, os lançamentos têm como base duas presunções: o arbitramento do lucro e a tributação sobre receitas (movimentação bancária) presumivelmente omitidas. Desse modo, o que se busca com o direito é garantir a melhor solução ao caso concreto, sendo fundamental a análise efetiva dos fatos e dos documentos que fundamentam suas alegações. Neste sentido, uma vez verificado algum tipo de indício que possa ampliar o rol de responsáveis, a fim de se atingir o patrimônio suficiente à adimplência tributária como forma de cumprir seu mister de cobrança, deve a auditoria fiscal diligenciar para se obter provas suficientes antes de se requerer eventual imputação de responsabilidade, não havendo que compactuar com a atitude ocasionada nos autos. Não houve por parte da auditoria fiscal qualquer individualização da suposta conduta praticada pelo contribuinte apta a lhe imputar responsabilidade pessoal por débitos da pessoa jurídica, verificando-se ainda que as alegações feitas contra o contribuinte se mostram falaciosas, pois destoam dos fatos. Diante do exposto, resta devidamente demonstrado que não existe qualquer prova de ato doloso por parte do sócio (exceto o fato de constar como administrador durante a maior parte do período fiscalizado), não havendo se falar na sua responsabilidade pessoal pelo crédito correspondente às obrigações tributárias da pessoa jurídica, de modo que se requer o acolhimento da presente impugnação com a consequente ordem para que se decrete a extinção do crédito tributário em face ao impugnante. PEDIDOS Ante o exposto, o impugnante requer: (a) o reconhecimento da nulidade do uso da Requisição de Movimentação Financeira diretamente às instituições bancárias por não caracterizada a situação do art. 3º, inciso X do Decreto n. 3.724/01 uma vez que a Contribuinte regularmente contribuía com a apresentação dos extratos; (b) o reconhecimento de que a utilização de presunção/arbitramento para apurar o tributo cobrado prescinde que o lançamento seja acompanhado da prova direta da ocorrência dos fatos geradores e, sendo assim, são incompatíveis tanto com a aplicação da multa qualificada quanto da responsabilidade de terceiros que devem ser excluídas; (c) subsidiariamente, o reconhecimento de que em caso de arbitramento empresas que atuem na revenda de combustíveis devem utilizar a regra geral empregando o índice de 1,6% para o IR (art. 15, inciso I), o que implica em grande discrepância quando o arbitramento, em outra ponta atribui essa margem em 9,6%. Pede-se, ainda, por aplicação subsidiaria do art. 104, § 1º do Código de Processo Civil, a concessão de prazo de até 15 dias para juntada da procuração e a regularização da representação processual. IMPUGNAÇÃO – RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO (ADEMAR) ADEMAR REIS PICIRONI, ao qual foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, apresentou impugnação ao lançamento fiscal, na qual constam os tópicos abaixo sintetizados: Fl. 6053DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 34 DOS FATOS. O impugnante tomou ciência da autuação, em 15/09/2022, na qual o Fisco Federal busca lhe imputar a solidariedade a possíveis irregularidades tributarias praticadas pela empresa Vetor. Destacou-se que a imputação solidaria do impugnante Ademar, decorreu pelo simples fato de constar-se no contrato social como um dos sócios administradores, não tendo o Fisco comprovado que ele participou, praticou, ou beneficiou-se dos atos que deram suporte ao lançamento fiscal. Não foi comprovado, também, que ele tinha gestão empresarial, ou demonstrado que ele informou os dados tributários ao responsável técnico pelos lançamentos. O impugnante ressaltou que vendeu suas cotas sociais em janeiro de 2018, conforme documento particular de cessão de cotas, em anexo, e que a partir desta data a gestão empresarial passou a ser conduzida pelo Sr. Tulio. Ainda que a alteração do contrato social tenha efetivado definitivamente perante a junta comercial apenas em outubro de 2018, desde janeiro deste exercício o impugnante já não mais exercia qualquer papel administrativo perante a pessoa jurídica. Alegou, também, que não teve qualquer proveito econômico proveniente dos fatos e fundamentos relacionados ao auto de infração. Aduziu que obteve êxito em processo administrativo fiscal do Estado do Paraná, o qual buscava-se a responsabilização solidaria em auto de infração em decisão da junta de julgamento e confirmada pelo conselho de contribuintes, ou seja, restou comprovado que defendente Ademar não agiu em desacordo com a legislação tributária. Por fim, destacou que fora socio administrador da empresa Vetor por mais de 20 anos, sem que houvesse qualquer ato desabonador perante o fisco, assim como na época da cessão das cotas ao Sr. Tulio fora apresentada todas as certidões negativas, que foram juntadas aos autos. Desta forma, busca-se comprovar a improcedência do auto de infração em face do impugnante Ademar. DO DIREITO. A suposta infração deve ser afastada, visto que o contribuinte cumpriu todas as exigências fiscais atreladas a legislação, bem como não praticou qualquer ilícito tributário. I - PRELIMINARMENTE. DA TEMPESTIVIDADE DA DEFESA. A impugnação é tempestiva. DA INEXISTÊNCIA DE ABERTURA DE TIAF INFRINGÊNCIA DO ART. 196 DO CTN - NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O impugnante (ADEMAR REIS PICIRONI) aduz que, como não fora cientificado do início do processo administrativo, também não fora oportunizado se comprovar a inexistência de sua participação na administração da pessoa jurídica, o que ocasionou sua inserção no polo passivo do auto de infração como solidário, o que torna nulo o procedimento. Assim, o auto de infração é nulo em face do impugnante (ADEMAR REIS PICIRONI), em razão deste não ter sido cientificado da abertura do procedimento fiscal que lhe responsabilizou solidariamente pelos créditos tributários lançados, em violação ao disposto no art. 196 do CTN. DA CESSÃO DAS COTAS SOCIAIS (CONTRATO PARTICULAR) Fl. 6054DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 35 O impugnante Ademar efetuou a cessão de suas das cotas sociais, através de instrumento particular, para o socio Sr. Túlio na data de 12/01/2018, inclusive com o reconhecimento das assinaturas por verdadeiro. Assim, desde janeiro de 2018, o Sr. Tulio já praticava os atos como único sócio responsável pela administração da sociedade. Ainda que pese a alegação do fisco de que o instrumento particular não produz efeitos para a responsabilidade tributária, e límpido que a partir da data de 12/01/2018 o defendente não praticou qualquer ato perante a sociedade, portanto, não pode ser responsabilizado. O fisco não comprovou que o impugnante praticou atos de administração/gerencia da pessoa jurídica, que foi pontuado pelo fisco foi que a solidariedade do impugnante adveio por um simples motivo (foi socio da empresa Vetor entre o período de janeiro de 2018 a outubro de 2018). O Código Civil, art. 1.057, Parágrafo único, refere-se genericamente a "instrumento" de cessão de quotas, que, a partir do momento em que for averbado no Registro Público, produzirá efeitos em relação à sociedade e a terceiros. Contudo, entre os signatários, a celebração do contrato escrito marca o início da eficácia, e no presente caso não resta dúvida, ao passo que o cessionário das cotas sociais era o outro sócio da entidade empresarial, portanto ciente das modificações contratuais. A interpretação sistemática do art. 1.057, caput e parágrafo único, que determina a assinatura dos sócios anuentes, revela o real requisito de validade do instrumento de cessão de quotas, condicionando-a, contrario sensu, à aprovação de sócios que representem parcela do capital social suficiente para afastar definitivamente a possibilidade de que mais de 1/4 do mesmo capital manifeste oposição. Não basta, então, o silêncio que indique a não oposição de sócios que representem uma pequena parcela do capital social (1/4), exige-se, sim, como requisito de validade, a expressa aprovação da cessão de quotas, que deve ser retratada pela assinatura dos sócios anuentes. Verifica-se no presente caso que o impugnante cedeu a título oneroso as cotas sociais ao Sr. Tulio, conforme se depreende do instrumento particular, respeitando o diploma legal. Também resta comprovado que os atos de administração e gerência foram praticados pelo Sr. Tulio, de forma que não pode o impugnante ser responsabilizado por atos dos quais não praticou. Diante do exposto, foi requerida a improcedência do auto de infração para os fatos geradores ocorrido após 12/01/2018, tendo em vista a cessão onerosa das cotas ao socio Tulio. DA ALTERAÇÃO SOCIETÁRIA PERANTE A JUNTA COMERCIAL. O impugnante efetuou a cessão de suas cotas sociais ao sócio Tulio em 12/01/2018, todavia, a alteração contratual foi efetivada perante a junta comercial do Estado do Paraná apenas em 23/10/2018, conforme se observa no documento em anexo. Desta forma, se o julgador não entender pela inexistência de responsabilidade do recorrente Ademar a partir de 12/01/2018, deverá considerar que após a data de 23/10/2018 o defendente externou a sua cessão, não podendo mais responder pelos atos praticados após a sua retirada. Cita jurisprudência no sentido de que não haveria responsabilidade do sócio após a retirada da sociedade. DA NÃO RESPONSABILIZAÇÃO DO EX SÓCIO ADEMAR. Fl. 6055DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 36 O impugnante não pode ser solidário, seja em razão da cessão das cotas a partir de janeiro de 2018, seja por não ter praticado qualquer ato de administração ou gerência na pessoa jurídica a partir da venda das cotas que ocorreu em janeiro de 2018. Como não houve a comprovação da prática de atos de gestão por parte do impugnante Ademar, é nulo o auto de infração em face do defendente Ademar. Além disso, o STJ a muito pacificou o entendimento de que o inadimplemento da obrigação não gera responsabilidade do sócio administrador, conforme Súmula 430. DA NÃO PARTICIPAÇÃO DO IMPUGNANTE ADEMAR REIS NOS ATOS ADMINISTRATIVOS PRATICADOS OBJETOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. Destacou-se que os atos de administração/gerencia da pessoa jurídica Vetor, a partir de janeiro de 2018, foram todos praticados pelo socio Tulio, onde o impugnante figurou no contrato social até outubro daquele exercício, 2018, apenas por formalidade. As determinações de compra, venda, pagamento, negociações com credores/devedores, foram todas realizadas pelo Sr. Tulio, ou seja, o impugnante não detinha qualquer poder administrativo na gestão da empresa. Neste contexto, deve-se observar que a responsabilidade pelas dívidas tributárias de uma sociedade limitada não pode ser imputada aos seus sócios pelos simples fato de serem sócios, mas somente ao sócio que exerça a administração da sociedade. Cita doutrina e jurisprudência neste sentido. Desta forma, deve-se julgar improcedente a autuação em face do impugnante Ademar. DA INEXISTÊNCIA DE PROVEITO ECONÔMICO DO IMPUGNANTE ADEMAR REIS – IMPOSSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO SOLIDARIA. fisco não demonstrou que houve proveito econômico ou desvio de finalidade por parte do impugnante Ademar. A responsabilização dos sócios e cabível quando se comprova o proveito econômico ou ainda o desvio de finalidade por parte do sócio infrator e no caso do impugnante Ademar não restou comprovado qualquer uma das hipóteses. Desta forma, mais um motivo para se julgar improcedente a autuação em face do impugnante Ademar. DA INEXISTÊNCIA DE SOLIDARIEDADE ART. 124 DO CTN - DECISÕES RECENTES DO CARF. O impugnante não possuía interesse comum na situação, ao passo que, havia se desligado da administração da sociedade já em janeiro de 2018, logo após a cessão das cotas ao Sr. Tulio, conforme documento em anexo. O interesse contido no inciso I do art. 124 do CTN, com intuito de responsabilidade tributária, tem que guardar relação de poder entre as pessoas inseridas no contexto legal, tem que trazer direitos, vantagens prerrogativas que a uma terceira pessoa estranha a relação não tenha. Com isso, fica claro que não pode ser atribuída a chamada responsabilidade solidária a terceira pessoa sem a relação direta com o fato do qual se configurou tal como o fisco tenta de forma ilegal efetuar, pois o requerente não guarda com as empresas autuadas qualquer vínculo de poder vantagem ou prerrogativa. Cita doutrina e jurisprudência acerca do tema, concluindo que a solidariedade não se presume, se comprova, seja por interesse comum, desvio de finalidade, proveito econômico, e no presente caso não haveria qualquer comprovação por parte do fisco de qualquer hipótese que leve a inserção do impugnante Ademar a responsabilização solidaria. Fl. 6056DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 37 DO RECONHECIMENTO DO FISCO DO PARANÁ PELA INEXISTÊNCIA DE SOLIDARIEDADE DO IMPUGNANTE ADEMAR. Somente à guisa de informação, o impugnante também havia sido inserido, como solidário em auto de infração lavrado pelo fisco do Estado do Paraná. Contudo, os julgamentos de primeira e segunda instâncias foi reconhecida a inaplicabilidade da solidariedade em face do impugnante Ademar, conforme transcreve. DO DESCUMPRIMENTO DOS PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS. As irregularidades cometidas na autuação apontadas até aqui ferem os princípios primordiais da administração pública, o da legalidade e o da ampla defesa e contraditório etc. Foi desrespeitado princípio da legalidade, pois o fisco inseriu o impugnante Ademar como solidário, sem observância das diretrizes legais. Por fim, o processo administrativo deve seguir os princípios gerais do direito administrativo: princípio da legalidade objetiva, da oficialidade, do informalismo, da verdade material constatação da verdade material, ou seja, da veracidade dos fatos. DO PEDIDO. Diante do exposto requereu-se: O recebimento da presente impugnação tendo em vista sua tempestividade. Requer também o recebimento da presente impugnação e seu acolhimento, para seja anulado o auto de infração em face do Impugnante Ademar Reis Picironi nos seguintes tópicos: • Da inexistência de abertura de tiaf infringência do art. 196 do CTN - nulidade do auto de infração. • Da inexistência de solidariedade em virtude da cessão das cotas socias (contrato particular) • Da não responsabilização do ex socio Ademar • Da não participação do impugnante Ademar reis nos atos administrativos praticados objetos do auto de infração. • da inexistência de proveito econômico do impugnante Ademar reis – impossibilidade de imputação solidaria. • da inexistência de solidariedade art. 124 do CTN - decisões recentes do CARF. • Do reconhecimento do fisco do paraná pela inexistência de solidariedade do impugnante Ademar. • Princípio da legalidade. • Princípio da ampla defesa e do contraditório. As impugnações foram apreciadas pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 05 que editou o Acórdão nº 105-011.319 – 2ª Turma, de 24 de março de 2023, cuja ementa reproduzo abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Fl. 6057DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 38 Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A apresentação de escrituração contábil que não esteja na forma das leis comerciais e fiscais, ou que contenha vícios, erros ou deficiências, que a tornem imprestável para apuração do lucro real, autoriza o arbitramento do lucro. PERCENTUAL DE ARBITRAMENTO. REVENDA DE COMBUSTÍVEL DERIVADO DE PETRÓLEO. ESTABELECIMENTO ATACADISTA - 9,6%. Atuando a empresa como distribuidora de combustível para estabelecimentos varejistas, correto o arbitramento do lucro no percentual de 9,6% na revenda atacadista incidente sobre o montante da receita bruta auferida. O percentual de presunção do lucro de 1,6% sobre a receita bruta auferida aplica-se unicamente à atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural, o que não é o caso da fiscalizada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o responsável, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CSLL/PIS/COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade verificada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento à CSLL, ao PIS e à COFINS. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. É cabível o lançamento da multa qualificada, no percentual de 150%, quando constatadas condutas que configuram, em tese, os crimes capitulados no art. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. IMPUGNAÇÃO. A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais, exceto quando versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ADMINISTRADOR. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 Fl. 6058DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 39 SISTEMA CUMULATIVO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. As Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 instituíram a sistemática da não cumulatividade no ordenamento jurídico. Regra geral a sistemática não cumulativa foi aplicada apenas às empresas enquadradas na sistemática de tributação do IRPJ e CSLL denominada "Lucro Real", mantendo-se o sistema cumulativo para as empresas optantes pelo "Lucro Presumido" ou “Lucro Arbitrado”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 SISTEMA CUMULATIVO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. As Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 instituíram a sistemática da não cumulatividade no ordenamento jurídico. Regra geral a sistemática não cumulativa foi aplicada apenas às empresas enquadradas na sistemática de tributação do IRPJ e CSLL denominada "Lucro Real", mantendo-se o sistema cumulativo para as empresas optantes pelo "Lucro Presumido" ou “Lucro Arbitrado”. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 PAGAMENTO SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. IRRF. Incide imposto de renda exclusivamente na fonte sobre pagamento efetuado por pessoa jurídica a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2018, 2019, 2020 MULTA REGULAMENTAR. ECF/ECF/EFD-CONTRIBUIÇÕES. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. A apresentação de ECD, ECF ou EFD-CONTRIBUIÇÕES com informações inexatas, incompletas ou omitidas está sujeita ao lançamento de multa regulamentar. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignados com a decisão retro, a Contribuinte e os apontados como responsáveis solidários os Srs. SÉRVIO TÚLIO FAGOTTI SAQUETI e ADEMAR REIS PICIRONI apresentaram os recursos voluntários de e-fls. 5.888/5.913, 5.865/5.885 e 5.916/5.942 respectivamente. Abaixo reproduzo as alegações dos Recorrentes: 1) RECURSO VOLUNTÁRIO DE VETOR COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEIS LTDA 1) Nulidade no uso da RMF – Repete os mesmos argumentos já expendidos quando da impugnação, de que teria entregue as informações bancárias requeridas, não tendo Fl. 6059DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 40 havido qualquer tipo de "embaraço à fiscalização" nem qualquer negativa que justificasse a aplicação da RMF, o que tornaria nulo o procedimento da Auditoria; 2) Uso do Arbitramento e seus efeitos – Também neste ponto há a reprodução ipsis litteris da impugnação. Alega a Recorrente que não teria ficado demonstrado o preenchimento dos requisitos para a adoção do arbitramento do lucro, ao mesmo tempo em que esse método não poderia ser combinado com a apuração de receitas a partir do cruzamento dos dados de movimentação de combustíveis em comparação com as notas fiscais de venda. Também alega que o arbitramento no patamar de 9,6% discreparia enormemente de outros parâmetros para presunção de lucro na atividade de distribuição de combustíveis, sendo o índice de 1,6% (Lei nº 9.249/95, art. 15, inc. I) o mais correto para o caso em apreço; 3) Outras observações sobre o levantamento – Igualmente à impugnação, o levantamento das bases de cálculo por parte da Fiscalização teria incluído nos cálculos uma quantidade de etanol anidro, tributado à alíquota zero nas distribuidoras conforme o art. 5º, § 1º, inc. I, da Lei nº 11.727/08; 4) Omissão de receitas por créditos de origem não comprovada e dolo – Neste ponto, também repetitivo, alega a Recorrente que a utilização de presunção/arbitramento para apurar o tributo cobrado prescinde que o lançamento seja acompanhado da prova da conduta adotada pelos administradores (ausência de comprovação de dolo) razão pela qual os institutos aplicados para fins de execução do lançamento são incompatíveis tanto com a aplicação da multa qualificada quanto da responsabilidade de terceiros que devem ser excluídas; 5) Observações sobre o levantamento de receitas a partir dos extratos bancários – Identicamente aos tópicos anteriores, alega a Recorrente neste ponto que algumas operações bancárias (exemplificadas no recurso), por si só, seriam capazes de demonstrar a origem do crédito e, por isso, não poderiam ser computados na base de cálculo; 6) Créditos de PIS e COFINS na formulação de combustíveis – A Recorrente alega neste ponto que os créditos referentes à aquisição de matérias-primas, bem como os demais insumos essenciais ao desenvolvimento da atividade específica da empresa, não foram objeto de detalhamento na apuração da auditoria fiscal, configurando assim mais um dos motivos pelo qual o lançamento mereceria (se não, anulado) ao menos ser retificado para refazimento de forma a observar as balizas colocadas na presente impugnação; 7) Créditos de PIS e COFINS na aquisição de etanol – propugna pelo direito ao crédito das contribuições ao PIS e à COFINS incidentes em operações anteriores, pois "não permitir que o distribuidor apurasse créditos na aquisição de álcool para revenda junto a produtor ou a importador terminaria por estabelecer sobreposições da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o que, por certo, feriria o princípio da não-cumulatividade"; 8) Multa qualificada e vedação do confisco – Novamente, repete os termos da impugnação, alegando ser confiscatória a imposição da multa qualificada, sendo assim, inconstitucional. 2) RECURSO VOLUNTÁRIO DE SÉRVIO TULIO FAGOTTI ZAQUETI 1) Nulidade no uso da RMF – Repete os mesmos argumentos já expendidos quando da impugnação, de que teria entregue as informações bancárias requeridas, não tendo havido qualquer tipo de "embaraço à fiscalização" nem qualquer negativa que justificasse a aplicação da RMF, o que tornaria nulo o procedimento da Auditoria; Fl. 6060DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 41 2) Apuração de tributos em bases presumidas e ausência de prova direta – Repete os mesmos termos da impugnação para alegar que não se observariam no presente caso a produção de provas diretas que comprovassem o dolo da venda de combustíveis sem a emissão de nota fiscal; a par disso, a apuração de tributos via arbitramento afastaria a existência de qualquer nexo causal entre a conduta do sócio e a inadimplência tributária, uma vez que se desconsidera os fatos ocorridos para adotar uma base de cálculo auferida com base em presunção; 3) Base de cálculo do arbitramento – Identicamente à impugnação, o Recorrente alega que o arbitramento no patamar de 9,6% discreparia enormemente de outros parâmetros para presunção de lucro na atividade de distribuição de combustíveis, sendo o índice de 1,6% (Lei nº 9.249/95, art. 15, inc. I) o mais correto para o caso em apreço; 4) Omissão de receitas por créditos de origem não comprovada e dolo – Neste ponto, também repetitivo, alega o Recorrente que a utilização de presunção/arbitramento para apurar o tributo cobrado prescinde que o lançamento seja acompanhado da prova da conduta adotada pelos administradores (ausência de comprovação de dolo) razão pela qual os institutos aplicados para fins de execução do lançamento são incompatíveis tanto com a aplicação da multa qualificada quanto da responsabilidade de terceiros que devem ser excluídas; 5) Da não aplicação do artigo 135, inc. III, do Código Tributário Nacional – Neste ponto, também idêntico à impugnação, o Recorrente alega restar devidamente demonstrado nos autos que não existiria qualquer prova de ato doloso praticado pelo sócio (exceto o fato de constar como administrador durante a maior parte do período fiscalizado), não havendo se falar na sua responsabilidade pessoal pelo crédito correspondente às obrigações tributárias da pessoa jurídica, de modo que se requer o acolhimento da presente Impugnação com a consequente ordem para que se decrete a extinção do crédito tributário em face ao Impugnante; 3) RECURSO VOLUNTÁRIO DE ADEMAR REIS PICIRONI 1) O Recorrente repete, em grande parte, o conteúdo da impugnação. Alega, primeiramente, que não haveria nos autos qualquer prova material de que o mesmo teria praticado qualquer ato ilegal ou doloso, nem tampouco teria praticado qualquer ato administrativo após a cessão de suas cotas ao Sr. Sérvio (que se deu em 12/01/2018, conforme contrato particular de cessão de cotas); Também aduz que restaria verificado nos autos que o Recorrente cedeu a título oneroso as cotas sociais ao Sr. Túlio, bem assim que fora definitivamente comprovado que os atos de administração e gerência foram praticados pelo mesmo Sr. Túlio, ou seja, não poderia o impugnante ser responsabilizado por atos dos quais não praticou; Ainda, alega que não participou de nenhum dos atos administrativos praticados objeto do auto de infração – que o simples fato de figurar como sócio de pessoa jurídica não atrai a responsabilidade pelo recolhimento de tributo, sem que tenha ocorrido ato de mandatário; Por fim, chama a atenção que não teria sido demonstrado pelo Fisco que o Recorrente teria tido proveito econômico ou teria praticado qualquer desvio de finalidade. Apresentados os recursos voluntários, a PGFN anexou aos autos suas contrarrazões (v. e-fls. 5.976/6.018) através do qual aduz, em apertadíssima síntese, o seguinte: Fl. 6061DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 42 1) Ausência de nulidade nas requisições de informações sobre movimentações financeiras - Intimado a apresentar esclarecimentos sobre os fatos e a movimentação financeira da empresa, o contribuinte não atendeu completamente à intimação, mesmo após sucessivas dilações de prazo – que atingiu quase 6 (seis) meses da ciência do Termo de Intimação Fiscal n° 001, em 1°/12/2021 (fl. 10); as RMFs somente foram expedidas em 27/5/2022 (fls. 5.024/5.039), desmentindo a afirmação recursal de que o procedimento fiscal adotado teria sido “de afogadilho”. Além disso, a Recorrente teria descumprido o padrão estipulado pela Carta-Circular BACEN 3.454/2010, fornecendo apenas extratos parciais do Bradesco e do Banco do Brasil, tendo deixado de apresentar as movimentações realizadas nas seguintes instituições financeiras (considerando movimentações acima de 1 milhão de reais): i) Banco Daycoval S/A; ii) Sofisa S/A; e iii) algumas contas junto ao Banco Bradesco (por exemplo, na agência 7699 a conta-corrente 22578; e na agência 1303 as contas-correntes 2252 e 15555, que juntas movimentaram mais de R$400 milhões no triênio 2018-2020, v. e-fl. 5.322; Tais elementos confirmariam o caráter indispensável da requisição formulada no procedimento de fiscalização, conforme a previsão contida no inciso V do art. 3° do Decreto 3.724/2001, porque teria ficado evidenciado a aquisição de combustíveis em patamar muito superior às vendas e aos recursos financeiros declarados; 2) Legalidade do arbitramento do lucro – Diante das inconsistências e omissões na contabilidade levantadas pela Fiscalização o emprego do arbitramento estaria plenamente justificado, conforme o disposto no art. 148 do CTN. Os vícios demonstrados pela Fiscalização não teriam sido contestados pelo contribuinte, que se limitou a apontar suposta contradição entre o arbitramento do lucro e a utilização da receita bruta a partir de notas fiscais eletrônicas, o que verdadeiramente não se sustenta. Com efeito, a exclusiva utilização de dados do SPED ICMS/IPI, decorrentes de notas fiscais emitidas pelo contribuinte, em nada induz ao reconhecimento da regularidade da escritura contábil para que se possa apurar o lucro real. No presente caso, foi possível arbitrar o lucro com base na receita bruta conhecida, consoante o permissivo legal reproduzido no art. 604 c/c art. 208 do RIR/2018. Por outro lado, a Fiscalização comprovou que a contabilidade do contribuinte omite diversas operações, pois não apresenta toda a movimentação financeira para o período de 2018 a 2020. O caráter incontroverso dos fatos descritos no TVF não autoriza outra conclusão que não o reconhecimento de que estão verificadas as hipóteses de arbitramento do imposto sobre a renda previstas no art. 603, I e III, “a” e “b”, do RIR/2018; 3) Arbitramento do lucro e a inclusão de receitas omitidas apuradas de acordo com o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96 - A recorrente parte da premissa equivocada de que a autoridade fiscal teria apurado omissão de receitas com base no art. 42 da Lei 9.430/1996 e também arbitrado receitas referentes a notas fiscais não emitidas. Contudo, como visto, o que a Fiscalização fez foi utilizar notas fiscais emitidas para aferir parte da receita bruta conhecida. A essa parcela conhecida foram acrescidas as receitas presumidas de depósitos de origem não comprovada. Desse modo, tanto as receitas de depósitos de origem não Fl. 6062DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 43 comprovadas como as receitas identificadas pelas notas fiscais de venda devem compor o lucro arbitrado, na condição de receita bruta conhecida (ainda que por presunção legal, no primeiro caso). Caberia ao contribuinte se desincumbir do ônus da prova da origem das receitas dos depósitos bancários. Ao sustentar que teria havido dupla incidência tributária sobre a mesma riqueza, deveria comprovar que aqueles depósitos têm origem no produto da venda identificada em nota fiscal. Não o fazendo, se afigura irreparável o procedimento da autoridade fiscal na apuração da receita bruta conhecida: prova direta da receita omitida (notas fiscais) em concorrência com a presunção legal de receita omitida (depósitos de origem não comprovada); 4) Alíquota aplicável ao arbitramento - a recorrente aduz que “o arbitramento no patamar de 9,6% discrepa enormemente de outros parâmetros para presunção de lucro na atividade de distribuição de combustíveis” (fl. 5.899). Ora, o contribuinte busca afastar norma legal vigente sob fundamento que, em última análise, implicaria declaração de inconstitucionalidade do preceito, o que é vedado ao CARF (Súmula 2). Ademais, pretende se valer de regra aplicável à atividade de revenda, para consumo, de combustível (art. 15, I, c/c art. 16 da Lei 9.249/1995), apesar de atuar no mercado atacadista de distribuição de derivados de petróleo e álcool (art. 15, caput, da Lei 9.249/1995), o que é vedado pelo princípio da legalidade tributária; 5) Omissão de receitas por depósitos de origem não comprovada e dolo - A recorrente discorre sobre suposta incompatibilidade entre a presunção legal de omissão de receitas por créditos de origem não comprovada, de um lado, e, de outro, a responsabilização dos sócios e a qualificação da multa de ofício. O que a jurisprudência do CARF afirma é que a multa qualificada não pode estar fundamentada na simples omissão de receitas; é preciso que a autoridade fiscal produza prova da fraude, da sonegação ou do conluio. No presente caso, o art. 42 da Lei 9.430/1996 fora empregado como fundamento para apurar parte da receita bruta que compõe o lucro arbitrado. Em hipótese alguma se utilizou desse instituto para justificar a qualificação da multa de ofício. A multa qualificada é consequência, nos termos do TVF, da “conduta dolosa de não emissão de nota fiscal por conta da venda de combustíveis, notadamente álcool (incorrendo em infração à lei tributária, nos termos dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.846/94, e penal, conforme Lei nº 8.137/90, art. 1º, incisos II e V); além de apresentar por períodos consecutivos a escrituração contábil e fiscal com diversas incorreções e omissões” (fl. 5.390). Cita os termos da Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010); 6) Das supostas provas da origem dos créditos - Segundo a Recorrente, estariam comprovadas as origens dos créditos referentes a vários itens listados no arquivo “APURAÇÃO Total de recebimentos nas contas bancárias Vetor” (arquivo não paginável, fl. 5310). Por se tratar de matéria eminentemente fática e por ter sido decidida de forma escorreita pela DRJ, a Fazenda Nacional pede vênia para se Fl. 6063DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 44 reportar aos fundamentos adotados pelo julgador de primeira instância às fls. 5.814/5.818. Cumpre ainda destacar que a recorrente se limita a reiterar de forma genérica que provou a origem desses créditos, mas não traz impugnação específica à motivação constante na decisão recorrida, o que importa descumprimento do princípio da dialeticidade recursal, conforme orientação da jurisprudência do CARF. Conclui-se, portanto, que a questão da prova da origem dos créditos não merece sequer conhecimento; 7) Créditos de PIS e COFINS: a) Na “formulação” de combustíveis - Pretende o contribuinte o reconhecimento do direito à apuração de créditos do regime não cumulativo das contribuições pela produção de “Gasolina C” e “Óleo Diesel B”. Em razão da necessidade de realizar o lançamento do IRPJ e da CSLL pelo lucro arbitrado, a autoridade fazendária deixou claro que o regime de apuração das contribuições deve ser o cumulativo, por força do disposto no art. 8°, II, da Lei 10.637/2002 e no art. 10, II, da Lei 10.833/2003. A jurisprudência do CARF ratifica a impossibilidade do cômputo de créditos do PIS e da COFINS quando o contribuinte sofre tributação pelo lucro arbitrado. Diante disso, torna-se irrelevante todo o debate trazido nas razões recursais acerca dos critérios de relevância e de essencialidade dos insumos utilizados na atividade empresarial; 8) Créditos de PIS e COFINS: b) Na aquisição de etanol - A despeito do tratamento legal específico do art. 5° da Lei 9.718/1998 (com a redação dada pela Lei 11.727/2008), da adesão feita pelo contribuinte ao Recob (alíquota ad rem), e da expressa proibição dos arts. 3°, I, “b”, das Leis 10.637 e 10.833 quanto ao aproveitamento de créditos na revenda de álcool, inclusive para fins carburantes, a recorrente defende o direito ao aproveitamento de créditos, com base no princípio da não cumulatividade. No presente caso, considerando-se a atividade desenvolvida pela contribuinte e sua opção pelo Recob desde 01/01/2018, a autoridade fez incidir o PIS e a COFINS sobre a receita bruta da venda de etanol da seguinte forma: a) nos casos em que havia nota fiscal eletrônica, com base no art. 5º, § 4º, da Lei nº 9.718/1998 c/c arts. 1º e 2º do Decreto nº 6.573/2008, que estipulavam a alíquota específica, por m³, de R$ 19,81 para o PIS/Pasep e de R$ 91,10 para a Cofins; e b) em relação às receitas omitidas (depósitos de origem não comprovada), pelo fato de não ser possível aferir a quantidade vendida, a tributação se deu com base art. 5º, inciso II, da Lei nº 9.718/1998, que estipula alíquotas ad valorem de 3,75% para o PIS/Pasep e 17,25% para a Cofins. Cabem, aqui, os mesmos fundamentos expostos no tópico imediatamente anterior a respeito do dever de adotar o regime cumulativo do PIS e da COFINS quando a tributação da pessoa jurídica se der com base no lucro arbitrado. A recorrente sustenta, por sua vez, que o § 13 do art. 5° da Lei 9.718/1998 (com a redação dada pela Lei 11.727/2008) excluiu do regime cumulativo a receita bruta decorrente da venda de álcool carburante, ao estabelecer que: “O produtor, importador ou distribuidor de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeito ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, pode descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor, importador ou distribuidor”. Sucede que a vedação contida nos arts. 3°, I, “b”, das Leis 10.637 e 10.833 foi introduzida a partir da vigência da Lei Fl. 6064DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 45 11.787/2008 (posterior à Lei 11.727/2008). A norma superveniente proibiu a tomada de créditos calculados em relação ao álcool, inclusive para fins carburantes, adquirido para revenda. Assim, a permissão introduzida pela Lei 11.727/2008, vigente a partir de sua publicação, em 23/06/2008 (art. 41)4, acabou por ser revogada pela Lei 11.787/2008, cuja entrada em vigor ocorreu também a partir de sua publicação, em 25/09/2008 (art. 6°)5. Como a lei posterior é incompatível com a que se encontrava em vigor, ocorre a revogação tácita desta, nos termos do art. 2°, §1°, do Decreto-Lei 4.657/1942 (LINDB). Independentemente dessa discussão, não resta dúvida de que o lucro arbitrado impede que a pessoa jurídica faça jus ao regime não cumulativo das contribuições; 9) Impossibilidade de desqualificação da multa com base no princípio constitucional da vedação ao confisco - A pretensão de afastar a qualificação da multa de ofício se encontra fundamentada exclusivamente no princípio constitucional da vedação ao confisco (art. 150, IV, da CF). Novamente, o contribuinte busca afastar norma legal vigente com base em fundamento constitucional, o que é vedado ao CARF, consoante o Enunciado n° 2 da Súmula de jurisprudência do Conselho: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”; 10) Da Responsabilidade Tributária: a) Sérvio Túlio Fagotti Zaqueti - O recorrente afirma que não pode ser responsabilizado pela “mera ausência de recolhimento de qualquer tributo” e que o lançamento é baseado em presunção. Por tudo o que foi debatido até o momento, é evidente que o caso dos autos não é de mero inadimplemento de tributo. A Fiscalização comprovou diversos fatos que revelam o elemento subjetivo doloso dos administradores da sociedade empresária, como a falta de emissão de notas fiscais na venda de combustíveis e imprestabilidade da escrituração contábil, notadamente pela ausência de contabilização de receitas de vendas e de movimentações bancárias. As provas da infração tributária são diretas, ao contrário do que aduz o recorrente. Apenas a apuração de parte da receita bruta conhecida é que se deu com base no art. 42 da Lei 9.430/1996. É incontroverso que SÉRVIO TÚLIO atuava como administrador da empresa, no período em que ocorreram os fatos geradores. Consoante a jurisprudência do CARF, a participação de diretores e representantes em ilícitos tributários, a exemplo da sonegação, justifica a responsabilização com base no art. 135, III, do CTN. A autuação, como se percebe, encontra-se em harmonia com a jurisprudência administrativa; 11) Da Responsabilidade Tributária: b) Ademar Reis Picironi - Primeiramente, cumpre notar que se aplicam ao sócio-administrador ADEMAR as mesmas considerações anteriormente apresentadas, no que diz respeito à sonegação fiscal comprovada pela Fiscalização e, consequentemente, à incidência do art. 135, III, do CTN, pois o ilícito tributário praticado pela pessoa jurídica emana da vontade dos seus administradores. A defesa de ADEMAR REIS PICIRONI sustenta especificamente que não houve comprovação de prática de ato ilegal por parte do recorrente, no período de 1°/01/2018 a 23/10/2018, sobretudo porque ele já teria se afastado de fato da empresa, ao ceder suas cotas ao sócio SÉRVIO TÚLIO FAGOTTI Fl. 6065DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 46 ZAQUETI. De fato, não há como infirmar o fundamento utilizado pela DRJ para manter a responsabilidade do sócio cedente, até a data da averbação do instrumento contratual, tendo em vista o disposto no art. 1.057 do Código Civil, o qual condiciona a eficácia perante terceiros à implementação desse ato jurídico. Independentemente da ineficácia perante o Fisco da cessão de cotas por simples instrumento contratual sem averbação no registro competente, os documentos constantes nos autos revelam, na verdade, que o sócio ADEMAR REIS PICIRONI continuou vinculado à sociedade e praticou atos de administração, no período controvertido. ADEMAR é sócio fundador da pessoa jurídica VETOR COMÉRCIO DE COMBUSTÍVEIS e, desde então, esteve investido na função de gerente, nos termos do contrato social (cláusula terceira). O contrato de compra e venda de cessão de cotas, assinado em 4 de janeiro de 2018, previu o pagamento do valor de R$ 2.564.500,00 em 10 (dez) vezes de R$ 256.450,00 (Cláusula 3ª): Ao que tudo indica, a averbação ficou condicionada ao pagamento da última parcela de R$ 256.450,00, exatamente no mês de outubro de 2018. Nesse ínterim, os contratos sociais consolidados continuaram prevendo que a administração da sociedade cabia aos sócios ADEMAR e SÉRVIO. É o que se verifica, por exemplo, na Vigésima Alteração de Contrato Social, assinada por ambos em 16 de abril de 2018: Fl. 6066DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 47 A mesma circunstância se repete na Vigésima Primeira Alteração de Contrato Social (de 15 de maio de 2018), na Vigésima Segunda Alteração de Contrato Social (de 12 de junho de 2018) e na Vigésima Terceira Alteração de Contrato Social (de 28 de junho de 2018). Apenas a Vigésima Quarta Alteração de Contrato Social, assinada com firma reconhecida em 14 de setembro de 2018, mas registrada na Junta Comercial em 23/10/2018, contemplou a retirada do sócio ADEMAR da administração da sociedade. Como alertado pela autoridade fiscal, até o final de 2018, ainda foram encontradas movimentações bancárias entre o sócio ADEMAR e a pessoa jurídica contribuinte (fl. 5.388). É inquestionável o papel de administrador da empresa exercido por ADEMAR, mesmo após a celebração do instrumento particular de cessão de cotas. Nesse período, ele continuou assinando alterações do contrato social, dentre as quais constam abertura e mudança de endereço de filiais, o que desmente a tese de afastamento da sociedade desde janeiro de 2018. Assim, diante da ineficácia da cessão de cotas perante o Fisco sem a averbação na Junta Comercial, e da prova documental de que o recorrente continuou a praticar atos concernentes à administração da empresa, deve ser mantida a responsabilidade tributária de ADEMAR, no período sob controvérsia. Ao final, vieram os autos a este Conselheiro para relato e voto. É o Relatório. VOTO Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. Os recursos são tempestivos e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. Como vimos no Relatório, o lançamento tem origem na detecção, por parte da Autoridade Fiscal, de que a Contribuinte, atuante como distribuidora de combustíveis, teria apresentado no período fiscalizado (2018 a 2020) compras de combustíveis apuradas em notas fiscais eletrônicas (NF-e) do ambiente SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) que superariam em muito as respectivas vendas registradas e declaradas; constatou a Fiscalização que a Recorrente não teria capacidade suficiente para estocar a diferença verificada no estoque (“tancagem”), bem assim não possuiria dinheiro em caixa para justificar as diferenças apuradas, da ordem de mais de um bilhão de Reais. Teriam sido identificados, igualmente, diversas inconsistências no registro contábil das operações de compra e venda de combustíveis (v. e-fls. 5.321) sem qualquer justificativa por parte da Contribuinte. Assim, e considerando que (i) apesar de adotar a apuração do imposto de renda pelo Lucro Real, a Contribuinte teria apresentado escrituração em desacordo com as leis fiscais e Fl. 6067DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 48 comerciais (a contabilidade não apresentaria toda a movimentação financeira para o período fiscalizado), (ii) que não teria fornecido cópia da totalidade de sua movimentação bancária, (iii) que teria havido aquisição de combustíveis em montante muito superior às vendas e aos recursos disponíveis (as compras teriam superado as vendas em 30% entre os anos de 2018/2020), restariam atendidos os requisitos para a emissão de Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (SRMF) e as respectivas Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), com fundamento no art. 3º, incisos V e X, do Decreto nº 3.724/2001. De posse de todas as informações coletadas durante o procedimento fiscal, a Autoridade Administrativa apontou as seguintes infrações: 1) IRPJ e CSLL – A Autoridade Fiscal arbitrou o lucro com fundamento nos arts. 529 e seguintes do RIR/1999 e 620 e seguintes do RIR/2018. A escrita contábil/fiscal foi desclassificada e apurou-se a base de cálculo a partir da receita conhecida da revenda de combustíveis constante das notas fiscais eletrônicas emitidas, com a adição dos valores debitados em suas contas correntes bancárias sem a devida comprovação da origem dos recursos, conforme o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96; 2) PIS e COFINS – Tendo em vista a opção da Contribuinte pelo RECOB desde 01/01/2018, a receita bruta pela venda do etanol foi tributada conforme o disposto no art. 5º da Lei nº 9.718/98 e no art. 2º do Decreto nº 6.573/2008, que estipulam alíquota específica, por m3, de R$19,81 para o PIS/PASEP e R$91,10 para a COFINS; 3) PIS e COFINS – Em relação as receitas omitidas, oriundas da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários (considerando a adoção pelo Fisco do lucro arbitrado e considerando a opção da Contribuinte pelo Recob), estas serão computadas na determinação da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, conforme o disposto nos §§ 2º, 5º e 6º, inciso II, do art. 24 da Lei nº 9.249/95; e art. 5º, inciso II, da Lei nº 9.718/98, com a redação dada pelo art. 7º da Lei nº 11.727/2008 (uma vez que as mercadorias adquiridas para revenda se tratam de etanol); 4) PIS e COFINS – Glosa de créditos - a empresa utilizou de forma indevida créditos na aquisição de álcool, em desrespeito ao art. 3º, inciso I, alínea "b", das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, e ainda contabilizou créditos de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Intimada a comprovar o direito creditório pleiteado nas respectivas EFD-Contribuições, com a apresentação dos respectivos comprovantes de despesa e cópia dos documentos bancários que lhes dariam suporte para corroborar os referidos créditos informados, quedou-se inerte. Assim, não teria restado outra alternativa à Fiscalização senão glosar os créditos pleiteados por falta de comprovação. 5) IRRF – Pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado - A Auditoria Fiscal teria constatado que não haveriam valores a distribuir a título de lucros aos sócios, já que o imposto e as contribuições a recolher superariam o montante da base de cálculo do lucro arbitrado, assim como não haveriam reservas de lucros Fl. 6068DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 49 passíveis de utilização. Assim, foram tributados todos os pagamentos feitos ao sócio-administrador Sérvio Túlio, entre 2018 a 2020, como pagamento sem causa, conforme previsão contida no art. 238, § 4º da Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017, art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95 e art. 730 do RIR/2018 (equivalente ao art. 674 do RIR/99), conforme detalhado no relatório fiscal em anexo ao auto de infração; 6) Multa Regulamentar – Apresentação de escrituração contábil digital (ECD) com informações inexatas, incompletas ou omitidas. As ECDs transmitidas ao SPED de 2018 a 2020 conteriam sérias incorreções, implicando no arbitramento do lucro haja vista que: a) a Contribuinte não contabilizaria todo o faturamento da empresa; b) vultosas quantias teriam sido recebidas de diversas outras empresas, notadamente postos e distribuidoras de combustíveis, não tendo havido a emissão de nota fiscal que amparasse as operações; c) ostentariam saldo credor da conta caixa, gerando a presunção de omissão de receitas; d) lançamentos genéricos que teriam por objetivo reduzir a conta “2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos”, de modo a não reconhecer a receita decorrente da operação; e) diferença de quase um bilhão de reais entre as compras e vendas de combustíveis, sendo que não haveria capacidade de tancagem para armazenar toda essa discrepância; f) diversas contas bancárias não teriam sido registradas na contabilidade; 7) Multa Regulamentar - Apresentação de escrituração contábil fiscal (ECF) com informações inexatas, incompletas ou omitidas - Tendo em vista a adoção pelo Fisco do lucro arbitrado para os anos de 2018 a 2020 e, considerando que as ECFs originais conteriam erros na determinação da receita bruta informada pela Contribuinte, em comparação com a receita bruta apurada pelo Fisco; e considerando que não foram entregues declarações retificadoras mesmo após o sujeito passivo ter sido intimado para sanar as irregularidades, entendeu a Fiscalização ser cabível a aplicação da multa prevista no art. 12, inciso II, da Lei nº 8.218/1991, com a nova redação dada pela Lei nº 13.670/2018, conforme estabelece o art. 6º, § 2º, da Instrução Normativa RFB nº 1.422/2013, na redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.821, de 30/07/2018 (vigente até 31/01/2021), e art. 6º, inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 2.004/2021 (vigente a partir de 01/02/2021); 8) Multa Regulamentar – Apresentação de EFD-Contribuições com informações inexatas, incompletas ou omitidas - Como as EFD-Contribuições originais para o período de janeiro/2018 a dezembro/2020 só continham informações de venda de combustíveis, não havendo registro de compras, sendo que a venda de álcool teria sido indevidamente classificada como sujeita ao regime monofásico, o sujeito passivo foi intimado a sanar estas inconsistências. Em obediência à referida Intimação, a empresa transmitiu declarações retificadoras que passaram a contemplar tanto a compra quanto a venda de combustíveis. Porém, considerou a Fiscalização que a Contribuinte não teria declarado a compra de gasolina e diesel, apesar de constar a venda de mais de 16.000m3 destes combustíveis. Além disso, ao confrontar as EFD-Contribuições retificadoras com as notas fiscais eletrônicas (NFe), a Fiscalização teria encontrado quase um bilhão Fl. 6069DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 50 de reais em NF-e de compra de combustíveis que não teriam sido registradas nas EFD-Contribuições retificadoras. Por fim, mesmo após as correções perpetradas pelo sujeito passivo, em atendimento à Intimação Fiscal que inaugurou o procedimento fiscalizatório, teria sido constatada discrepância entre a receita bruta informada no Registro M210/M610 das EFD-Contribuições retificadoras com a receita bruta apurada pelo Fisco. Assim, tendo em vista as incorreções ou omissões presentes nas EFD-Contribuições formuladas pelo sujeito passivo, seria cabível a aplicação das multas previstas no art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 1.252/2012, conforme legislação vigente à época dos fatos, nos termos do relatório fiscal anexo ao auto de infração. Foram arrolados como responsáveis tributários pelo crédito lançado as seguintes pessoas físicas: SÉRVIO TULIO FAGOTTI ZAQUETI e ADEMAR REIS PICIRONI. Após o julgamento da impugnação pela DRJ 05 a responsabilidade tributária do Sr. ADEMAR REIS PICIRONI restou mantida somente em relação a fatos geradores ocorridos até 23/10/2018, data em que se efetivou sua retirada em definitivo da sociedade. Já a responsabilidade tributária do Sr. SÉRVIO TÚLIO foi mantida integralmente. Em relação ao auto de infração em si, a decisão recorrida exonerou do lançamento uma pequena parcela de valores referentes (i) ao cômputo indevido de depósitos bancários relativos a resgates de Ourocap e (ii) a transferências entre contas bancárias de titularidade da própria contribuinte na apuração da omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Apresentaram recursos voluntários a Contribuinte e ambos os apontados como responsáveis solidários. Os recursos voluntários repetem, praticamente, os mesmos termos das impugnações. No limite, deveriam ser considerados ineptos, pois não chegaram a refutar os fundamentos arrimados pelo acórdão proferido pela DRJ 05 para decidir. Em suma, não dialogaram com a referida decisão. Por essa razão, e desde já antecipando que adoto como minhas as razões de decidir já exposadas no acórdão a quo, uso da prerrogativa do art. 114, § 12, inc. I, do Regimento Interno do CARF – RICARF, para reproduzir os trechos do acórdão proferido pela DRJ 05 que mais se amoldam aos recursos interpostos pelas partes. Tendo em vista que a autuada e os responsáveis solidários apresentaram impugnações tempestivas, nas quais contestaram integralmente o crédito tributário lançado e a responsabilização solidária, seja por um ou mais de um deles, todos aproveitarão do resultado do presente julgamento, no qual as alegações serão apreciadas conjuntamente, à exceção das questões específicas pertinentes a cada um dos responsáveis solidários. DA REGULARIDADE DAS RMF Foi alegada a nulidade do auto de infração, sob a alegação de que foram utilizadas RMF para obter os extratos bancários diretamente às instituições bancárias, sem que estivesse caracterizada a situação prevista no art. 3º, inciso X, do Decreto nº 3.724, de 2001, apontada pela fiscalização para a emissão das RMF, sendo que no curso da Fl. 6070DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 51 fiscalização a fiscalizada estava contribuindo regularmente com a apresentação dos extratos. Cabe observar, entretanto, que não basta a fiscalizada informar à autoridade fiscal que apresentaria ela própria os extratos bancários, e somente apresentar parcialmente os extratos solicitados, sem cumprir integralmente o intimado. Conforme relatado e documentação anexa, a contribuinte foi intimada a apresentar os extratos bancários, em meio digital (no formato da Carta-Circular BACEN nº 3.454/2010), em 01/12/2021, no prazo de 20 (vinte) dias, e, após a concessão de diversas prorrogações, somente tinha prestado informações sobre sua movimentação bancária relativas aos bancos Bradesco (parcialmente) e Banco do Brasil, e ainda assim fora do padrão da Carta-Circular BACEN nº 3.454/2010. Não tinham sido apresentadas as movimentações ocorridas nos bancos Daycoval S/A, Sofisa S/A e algumas contas junto ao Banco Bradesco, que juntas movimentaram mais de R$ 400 milhões no período fiscalizado. Somente após transcorridos mais de 5 (cinco) meses do prazo inicial para apresentação dos extratos, sem que estes tivessem integralmente sido fornecidos pela fiscalizada, é que foi solicitada a emissão das RFM em questão, em 26/05/2022. Assim, descabida a alegação da impugnante de que a emissão das RMF estaria desautorizada, sob o argumento de que ela estava providenciando os extratos. Uma vez estabelecido prazo razoável para cumprimento da intimação fiscal, e ainda tendo sido concedidas diversas prorrogações para seu cumprimento, sem que a fiscalizada tenha apresentados os extratos bancários em sua integralidade, é de se conclui que restou caracterizada a negativa de apresentação destes, e, portanto, autorizada a emissão das RMF. Registre-se, ainda, que o requerimento fiscal para que os extratos bancários fossem apresentados em meio digital, no formato da Carta-Circular BACEN nº 3.454/2010, não se trata de uma exigência descabida. Primeiro, porque era necessário que os arquivos estivessem nesse leiaute para que fosse viável a auditoria fiscal dos dados neles constantes, especialmente porque o volume de dados era muito grande. Segundo, porque a fiscalizada poderia facilmente solicitar que as instituições bancárias lhe fornecessem neste formato, já que, conforme a própria impugnante alega, os extratos estavam sendo obtidos junto a estas instituições. Quanto à motivação da emissão das RMF, a autoridade fundamentou a solicitação com base nos incisos V e X do art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. Tem razão a impugnante ao alegar que não restou devidamente caracterizada a ocorrência da hipótese do inciso X do referido dispositivo legal. Ao menos a autoridade fiscal não esclareceu que fatos levaram a concluir pela ocorrência da “negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira”. Fl. 6071DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 52 Contudo, a solicitação foi devidamente fundamentada no inciso V, que se refere a “realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível”. A autoridade fiscal demonstrou detalhadamente, às fls. 5020/5021, que houve a aquisição de combustíveis num montante muito superior às vendas e aos recursos disponíveis (as compras superaram as vendas em 30% no triênio 2018-2020, algo em torno de 1 (um) bilhão de reais). Diante do exposto, uma vez presentes os requisitos para a emissão da RFM, descabida a alegação de nulidade da autuação sob este fundamento. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO A impugnante alegou que não ficou demonstrado o preenchimento dos requisitos para uso do arbitramento, notadamente diante do fato de que o lançamento se baseou em informações do SPED ICMS/IPI (informações das notas fiscais emitidas pela contribuinte) para o levantamento das operações de saída de mercadorias. Ou seja, a apuração da receita bruta, base de cálculo a partir do qual se calculou o IRPJ, a CSLL, a Contribuição ao PIS e a COFINS, teria sido realizada a partir das informações constantes nos documentos fiscais eletrônicos, portanto, vindo esses dados da própria contabilidade fiscal, entende a impugnante que existiria um apoio nesta para conhecer a base imponível tanto das contribuições como para apuração do lucro real. Tal argumento não procede, posto que o fato de a autoridade fiscal ter apurado a receita bruta da fiscalizada com base nas notas fiscais por ela emitidas, obtidas a partir de informações constantes no SPED ICMS/IPI, não significa que a autoridade fiscal atestou a regularidade da escrita contábil e fiscal da contribuinte. Mesmo que a receita bruta tivesse sido obtida diretamente a partir de sua contabilidade, o que não ocorreu no presente caso, ainda assim, isto não atestaria a regularidade de sua contabilidade, sendo a contabilização das receitas de vendas tão somente um dos itens da escrita contábil. Conforme detalhadamente relatado, a autoridade apontou uma série de incorreções na escrita contábil da contribuinte, que não foram objetivamente contestadas ou esclarecidas pela impugnante, e que a torna imprestável para a apuração dos tributos devidos. Em síntese, foi demonstrado: a) que não foi contabilizado todo o faturamento da empresa; b) que vultosas quantias foram recebidas de diversas outras empresas, notadamente postos de combustíveis e distribuidoras de combustíveis, registradas a crédito na conta contábil "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" nos anos de 2018 e 2019, sendo que não houve emissão de notas fiscais que amparassem estas operações tampouco registros contábeis que pudessem elucidar o ocorrido; c) a ocorrência de saldo credor de caixa nos anos de 2019 e 2020; Fl. 6072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 53 d) o registro de lançamentos genéricos que tiveram por objetivo reduzir a conta "2.1.09.001.1712 -Adiantamento de clientes diversos", de modo a não reconhecer as receitas decorrentes das operações; e) que ao se comparar as compras de combustíveis apuradas com base nas notas fiscais eletrônicas (NF-e) do ambiente Sped com as respectivas vendas, apurou-se diferença de quase um bilhão de reais entre as compras e vendas de combustíveis, sendo que não havia capacidade de tancagem para armazenar toda essa discrepância, bem como não havia dinheiro em caixa disponível para justificar uma diferença de mais de um bilhão de reais em mercadoria comprada e que ainda não tenha sido vendida; f) a falta de contabilização de diversas contas bancárias, ou seja, a efetiva movimentação bancária também não estava refletida na contabilidade apresentada; g) que a conta Caixa recebeu diversos lançamentos a débito e a crédito com a informação no histórico de que se tratava de TED, sendo que a TED (assim como o DOC) são operações típicas de contas contábeis do tipo "Bancos", e não Caixa. Desta forma, constata-se que estavam presentes os requisitos para o arbitramento do lucro para os anos de 2018 a 2020, nos termos do art. 603, incisos I e III, alíneas "a" e "b", do RIR/2018. A impugnante alegou, também, que seria indevida a adoção do lucro arbitrado em paralelo a apuração de omissão de receitas a partir do cruzamento dos dados de movimentação de combustíveis em comparação com as notas fiscais de venda. Aduz que, na medida em que a auditoria analisou os créditos e débitos da movimentação financeira bancária, que foi utilizada para apurar a omissão de receita por depósitos bancários de origem não comprovada, não poderia, ao mesmo tempo, utiliza-la também para o arbitramento do lucro por omissão de receitas na saída de produtos sem nota fiscal, sob pena de se tributar duas vezes o mesmo ingresso (a primeira vez no levantamento dos extratos e uma segunda vez pela apuração de saída sem nota). Neste ponto, cabe observar que, no presente caso, o arbitramento foi realizado com base na receita bruta composta pelas receitas de vendas de combustíveis, identificadas pelas notas fiscais eletrônicas emitidas pela contribuinte (constantes no SPED), acrescidas das receitas omitidas decorrentes dos depósitos bancários de origem não comprovada. Por certo, que na apuração de omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, sempre haverá a possibilidade de se presumir omitida uma receita já oferecida à tributação, posto que a presunção legal é a de que os depósitos de origem não comprovada constituem receita omitida, sendo que a falta de comprovação possa decorrer de motivo alheio à vontade da contribuinte, e o depósito se refira a uma receita efetivamente tributada. Fl. 6073DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 54 Entretanto, tal situação decorre da própria presunção estabelecida em lei, podendo ocorrer em qualquer uma das formas de tributação do IRPJ, seja no lucro real, no presumido ou no arbitrado. Desta forma, não há qualquer impropriedade na apuração do lucro arbitrado com base na receita bruta obtida a partir das notas fiscais de venda emitidas pela fiscalizada acrescida das receitas omitidas apuradas com base nos depósitos de origem não comprovada. Ressalte-se que o ônus de comprovar a origem do depósito bancário é do contribuinte. Assim, caberia à impugnante demostrar quais os depósitos bancários se referiam a notas fiscais de venda computada no arbitramento fiscal, ou seja, demonstrar a alegada duplicidade na composição da receita bruta. Contudo, a impugnante não trouxe aos autos nenhum documento que comprovasse a origem de qualquer um dos depósitos objeto do lançamento fiscal, nem muito menos demonstrou a vinculação dos depósitos com as notas fiscais de venda. No presente caso, inclusive, na apontada omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a autoridade excluiu mês a mês dos valores depósitos os valores correspondentes ao somatório das notas fiscais de vendas realizadas no mês (obtidas a partir do sistema SPED), ou seja, inexiste a duplicidade de lançamento alegada pela impugnante. A impugnante e o responsabilizado solidariamente (SÉRVIO TÚLIO FAGOTTI ZAQUETI) questionaram, também, a utilização do coeficiente de arbitramento do lucro de 9,6%, argumentando que o art. 15, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.249, de 1995, prevê o índice de presunção de 1,6% para as empresas que atuem na revenda de combustíveis. Entretanto, tal alegação não procede, pois o percentual de presunção de 1,6% não se aplica à atividade de distribuição de combustíveis desenvolvida pela impugnante, mas sim à atividade de “revenda, para consumo, de combustível...”, ou seja, tal percentual de presunção se aplica aos comerciantes varejistas (postos de combustível). Uma vez que a contribuinte explora o ramo atacadista na distribuição de derivados de petróleo e álcool, a venda desses produtos para comerciantes varejistas submete-se ao comando fixado no caput do citado dispositivo legal, sendo o percentual de presunção de 8%: Lei nº 9.249, de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: Fl. 6074DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 55 I - um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; ... Observando-se que, no presente caso, o lucro foi arbitrado, não presumido, motivo pelo qual este percentual é aumentado em 20%, conforme dispõe no art. 16 desta mesma lei. Ou seja, correta a apuração do lucro arbitrado mediante a aplicação do percentual de 9,6% sobre a receita bruta apurada pela autoridade fiscal. DA OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA PELOS DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A impugnante reclama que uma série de depósitos não foram indevidamente excluídos do lançamento fiscal (demonstrativo fiscal, às fls. 5310), em violação ao art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96: (a) um crédito liberado em conta decorrente de empréstimo contratado com o Bradesco em 05 de fevereiro de 2018; O citado depósito traz o histórico “DESCONTO DE CHEQUES”, que, apesar de se referir um tipo de empréstimo, tem como lastro um valor a receber da própria contribuinte, cuja origem deveria ser comprovada. Como a origem do valor consignado no cheque descontado não foi comprovada, resta presumida a omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. (b) recebimentos originários da Bradesco Administradora de Consórcios nos dias 06 de junho de 2018 e 11 de dezembro de 2020; Os citados depósitos trazem o histórico “RECEBIMENTO FORNECEDOR”, sendo que a impugnante não demonstra em que hipótese de exclusão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estes depósitos se enquadrariam. Como a origem dos valores recebidos não foi comprovada, resta presumida a omissão de receita, nos termos do citado art. 42. (c) depósitos e/ou transferências entre contas próprias (evidenciadas tanto pelo nome da Vetor quanto pelo seu CNPJ nos campos relativos à origem do recurso) e que acabaram não excluídos do levantamento; De fato, foram localizados depósitos que traziam como origem do recurso a própria impugnante: “VETOR COMERCIO C. L.”, “VETOR COMERCIO DE COMBUSTIVEIS”, “VETOR COMERCIO DE COMBUSTIVEIS LTDA” e “VETOR COMERCIO DE COMBUSTIVEIS LTDA,” (não foram considerados como sendo a impugnante os depósitos que traziam o CNPJ da impugnante, mas como nome da origem do recurso: “VETOR FOMENTOS LTDA.” e “ADVANTAGE LOG PETROLEO TRANSPORTADORES L”). Alguns deles tinham os seguintes históricos: “DEPOSITO”, “DEPOSITO EM CHEQUE” e “DEPOSITO EM DINHEIRO”, sendo que nestes casos caberia a impugnante comprovar a origem dos recursos depositados. Fl. 6075DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 56 Contudo, nos demais casos (“DEPOS ENTRE AGS DINHEIRO”, “DEPOS ENTRE AGS CH/DINH” e “REGULARIZACAO LANCAMENTO”, resta evidenciado se tratar de transferências entre contas correntes da própria impugnante, sendo cabível a exclusão do lançamento fiscal, nos valores abaixo sintetizados (detalhamento na planilha anexa “10340-720606-2022-81_APURACAO Total de recebimentos nas contas bancarias Vetor_Julgamento_TransferenciasEntreContasDaVetor.xlsx”): Fl. 6076DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 57 (d) vários resgates de valores investidos em títulos de capitalização que aparecem registrados com o nome Brasilcap Capitlização S/A na coluna "nome da origem do recurso"; De fato, foram localizados depósitos que traziam como origem do recurso a “BRASILCAP CAPITALIZACAO SA” e histórico “RESGATE OUROCAP”, restando evidenciado se tratar de resgate de título de capitalização, sendo cabível a exclusão do lançamento fiscal por omissão de receita com base no art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996 (se fosse o caso de omissão, caberia a autoridade fiscal ter lançado como omissão de receita financeira), nos valores abaixo sintetizados (detalhamento em vermelho na planilha anexa “10340- 720606-2022-81_APURACAO Total de recebimentos nas contas bancarias Vetor_Julgamento_Ourocap.xlsx”): Fl. 6077DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 58 (e) operações realizadas com empresas de fomento mercantil (Mar Capital e Fomento Mercantil Ltda; Bombordo Fomento Mercantil Ltda.; Perfactoring Fomento Mercantil Ltda., Viainvest Fomento Mercantil Ltda; As operações com empresas de fomento mercantil envolvem a cessão de direitos creditórios, assim, caberia à impugnante comprovar a origem destes direitos. Como a origem dos valores depositados não foi comprovada, resta presumida a omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 6078DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 59 (f) movimentos que, pelas condições, aparentam uma inegável duplicidade assim considerados aqueles que aparecem de forma sequenciada, e registram mesma data, mesmo valor, mesmo número de documento e origem; Coincidências de data e valor são normais de ocorrer na movimentação bancária de uma empresa, inclusive com o mesmo número de documento. Mesmo assim, não se verifica a ocorrência de registros inteiramente duplicados na planilha elaborada pela fiscalização, às fls. 5310, de forma que caberia à impugnante identificar as ocorrências de duplicidade que estava questionando, e demonstrar que se tratava de erro no levantamento fiscal dos depósitos objeto da autuação, que se deu com base nos dados obtidos via RMF, o que não foi providenciado. (g) recursos originados de empresas de representação comercial; No caso em análise, os recursos recebidos de empresas de representação comercial geralmente seriam decorrentes da intermediação entre a distribuidora e os postos de combustível, e que, portanto, seriam tributáveis. Assim, caberia à impugnante demostrar a origem dos valores recebidos ou que estes se enquadrariam em alguma das hipóteses de exclusão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o que não foi providenciado, restando presumida a omissão de receita, nos termos do art. 42. DOS LANÇAMENTOS DO IRPJ E DA CSLL Uma vez constatado o cômputo indevido de depósitos bancários relativos a resgates de Ourocap e a transferências entre contas bancárias de titularidade da própria contribuinte na apuração da omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme detalhado no tópico anterior, é cabível a reforma do lançamento fiscal para exclusão destes valores na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL suplementares exigidos. A apuração dos valores mantidos de IRPJ e CSLL está detalhada na planilha anexa “10340-720606-2022-81_APURACAO Tributos a pagar Vetor_Julgamento.xlsx”. DOS LANÇAMENTOS DE PIS/COFINS No tópico “CRÉDITOS DE PIS E COFINS NA FORMULAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS”, a impugnante alega que, por ser optante pelo lucro real, se sujeita à apuração não- cumulativa das contribuições ao PIS e a COFINS. Aduz que na autuação a autoridade fiscal realizou o lançamento do PIS e da COFINS não cumulativos devidos nos períodos de apuração, mas não apurou os créditos dessas contribuições. Esclarece que, não obstante, os produtos estarem submetidos ao sistema monofásico, poderia ainda apurar créditos em relação às hipóteses previstas na lei. Entretanto, ao contrário do que alega a impugnantes, a autoridade fiscal realizou o lançamento do PIS e da COFINS no regime da cumulatividade, conforme verifica-se nos autos de infrações às fls. 5489/5505 e 5472/5488. Isto se justifica, pois na autuação a fiscalizada foi submetida à tributação do imposto de renda com base no lucro arbitrado, Fl. 6079DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 60 conforme já analisado, e nesta sistemática a apuração do PIS e da COFINS é no regime da cumulatividade, conforme dispõe o art. 8º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 10, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2002. Diante do exposto, em razão de no regime da cumulatividade do PIS e da COFINS não haver previsão legal para a apropriação de créditos como no regime da não cumulatividade, não há que se analisar as questões trazidas pela impugnante relativas ao seu alegado direito a estes créditos na apuração do PIS/COFINS. No tópico “CRÉDITOS DE PIS/COFINS NA AQUISIÇÃO DE ETANOL”, a impugnante aduz especificamente que, desde a MP 413/08, regime tributário para apuração de PIS e COFINS decorrente da receita da venda de álcool para fins carburantes é o não cumulativo, visto que na Lei nº 11.727/08, fruto da conversão da MP, houve a revogação das normas que determinavam a aplicação do regime cumulativo à receita bruta do álcool carburante. E mais, que em face da redação dada ao art. 5º, da Lei nº 9.718/98, pela Lei nº 11.727/08, o sistema adotado para a incidência sobre a receita da venda de álcool carburante é o sistema plurifásico, com incidência na cadeia para o produtor/importador e para o distribuidor. Isso posto, alega que não pode ser negado o crédito que incidiu na operação anterior, sob pena de violação do princípio constitucional da não cumulatividade (art. 195, § 12, da Constituição Federal). Neste ponto específico, cabe observar que, tendo em vista a atividade desenvolvida pela contribuinte e sua opção pelo Recob desde 01/01/2018, a receita bruta pela venda de etanol, única que foi objeto da autuação do PIS e da COFINS, foi tributada pela autoridade fiscal da seguinte forma: a) nos casos em que havia nota fiscal eletrônica de venda de etanol, com base no art. 5º, § 4º, da Lei nº 9.718/98 c/c arts. 1º e 2º do Decreto nº 6.573/2008, que estipulavam a alíquota específica, por m³, de R$ 19,81 para o PIS/Pasep e de R$ 91,10 para a Cofins; e b) em relação receitas omitidas (depósitos de origem não comprovada), em razão de não se saber a quantidade vendida, a tributação se deu com base art. 5º, inciso II, da Lei nº 9.718/98, que estipulava as alíquotas ad valorem de 3,75% para o PIS/Pasep e 17,25% para a Cofins, incidentes sobre a receita bruta. Neste contexto, deve-se salientar que não procede a alegação da impugnante de que a Lei nº 11.727/08 teria revogado as normas que determinavam a aplicação do regime cumulativo à receita bruta do álcool carburante. Além do comando geral inserto no art. 8º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 10, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2002, que prevê o regime cumulativo no caso em que o contribuinte seja submetida à tributação do imposto de renda com base no lucro arbitrado, o § 13 do art. 5º, da Lei nº 9.718/98, incluído pela Lei nº 11.727/08, expressamente previa que o desconto do crédito relativos à aquisição deste produto para revenda somente era autorizado para o distribuidor sujeito ao regime de apuração não cumulativa, conforme abaixo reproduzido: Fl. 6080DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 61 § 13. O produtor, importador ou distribuidor de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeito ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, pode descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor, importador ou distribuidor. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Assim, estando as receitas auferidas pela impugnante na venda do álcool carburante sujeita incidência do PIS e da COFINS no regime cumulativo, não há que se investigar acerca dos alegados créditos. Diante do exposto, indefere-se também o pedido de conversão do julgamento em diligência para apurar os créditos da contribuição ao PIS e da COFINS na modalidade não cumulativas, bem como o direito a apuração de crédito na aquisição de etanol para revenda. No tópico “OUTRAS OBSERVAÇÕES SOBRE O LEVANTAMENTO”, a impugnante alegou que na apuração do PIS e da COFINS não deveria incluir o etanol anidro, conforme detalhado na planilha "Apuração - Venda de Etanol - Vetor" na aba "Vendas álcool", às fls. 5308, posto que tributado à alíquota zero nas distribuidoras, conforme previsto no art. 5º, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.718/98, com a redação dada pela Lei nº 11.727/08. Contudo, no presente caso, a contribuinte era optante do Recob desde 01/01/2018, motivo pelo qual não se beneficiou da redução prevista § 1º, inciso I, da Lei nº 9.718/98, visto que optara pelo regime especial de apuração e pagamento do PIS e da COFINS, no qual as alíquotas específicas, por m³, eram de R$ 19,81 para o PIS/Pasep e de R$ 91,10 para a Cofins, conforme previsto no art. 5º, § 4º, da Lei nº 9.718/98 c/c arts. 1º e 2º do Decreto nº 6.573/2008. Assim, não cabe reforma da autuação neste ponto. Ainda neste tópico, a impugnante alegou que no caso da apuração de receitas omitidas não se poderia presumir que a totalidade das vendas seriam de etanol hidratado carburante, pois dentre as operações de saída da contribuinte havia também as que envolvem etanol anidro, gasolina e óleo diesel. Entretanto, em relação às receitas omitidas, oriundas da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, não sendo possível identificar o produto vendido ou a sua quantidade, a alíquota aplicada será a mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme prevê o art. 24, §§ 2º, 4º, 5º e 6º da Lei nº 9.249/95. Portanto, não cabe reforma da autuação também neste ponto. Por fim, em razão de ter sido constatado o cômputo indevido de depósitos bancários relativos a resgates de Ourocap e a transferências entre contas bancárias de titularidade da própria contribuinte na apuração da omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é cabível a reforma do lançamento fiscal para exclusão destes valores na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS suplementares exigidos. A apuração dos valores mantidos de PIS e COFINS está detalhada na planilha anexa “10340-720606-2022-81_APURACAO Tributos a pagar Vetor_Julgamento.xlsx”. Fl. 6081DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 62 DO LANÇAMENTO DO IRRF A impugnante e os responsáveis solidários não contestaram objetivamente o lançamento do IRRF, somente de forma indireta quando questionaram o arbitramento do lucro, a emissão das RMF e a omissão de receitas apurada com base nos depósitos de origem não comprovada. Estes questionamentos já foram apreciados, tendo sido afastada tão somente uma pequena parcela decorrente do cômputo indevido de depósitos bancários relativos a resgates de Ourocap e a transferências entre contas bancárias de titularidade da própria contribuinte na apuração da omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, mesmo que a parcela afastada altere os limites de lucros que poderiam ser pagos ou creditados aos sócios no período autuado sem a incidência do IRRF, estes limites permaneceram negativos, motivo pelo qual não é devida qualquer reforma a ser realizada no lançamento do IRRF. DAS MULTAS REGULAMENTARES A impugnante e os responsáveis solidários não contestaram objetivamente o lançamento das multas pela entrega das ECD, ECF e EFD-Contribuições com incorreções ou omissões, somente de forma indireta quando questionaram o arbitramento do lucro, a emissão das RMF e a omissão de receitas apurada com base nos depósitos de origem não comprovada. Estes questionamentos já foram apreciados, tendo sido constatado o cômputo indevido de depósitos bancários relativos a resgates de Ourocap e a transferências entre contas bancárias de titularidade da própria contribuinte na apuração da omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é cabível a reforma do lançamento fiscal para exclusão destes valores na apuração das referidas multas regulamentares. A apuração dos valores mantidos das referidas multas está detalhada na planilha anexa “10340-720606-2022-81_APURACAO Tributos a pagar Vetor_Julgamento.xlsx”. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A impugnante e o responsabilizado solidariamente (SÉRVIO TÚLIO FAGOTTI ZAQUETI) alegam que a utilização de presunção/arbitramento para apurar o tributo cobrado prescinde que o lançamento seja acompanhado da prova da conduta dolosa, razão pela qual são incompatíveis a aplicação da multa qualificada. A impugnante alega, também, que a aplicação desta multa, no percentual de 150%, além de resultar em lesão aos princípios constitucionais do não confisco e da proporcionalidade; também é contrária aos julgados do STF, especialmente ao decidido no bojo da ADI 551/RJ e do RE 640.452/RO, nos quais foram consideradas inconstitucionais as sanções pecuniárias que superam o valor do imposto lançado. Fl. 6082DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 63 Entretanto, mesmo no caso do lançamento fundamentado na presunção de omissão de receita por depósitos de origem não comprovada, quanto no arbitramento do lucro motivado imprestabilidade da escrita contábil para apuração do lucro real, a aplicação da multa qualificada é devida, no percentual de 150%, quando constatadas condutas que configuram, em tese, os crimes capitulados no art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, tem previsão legal no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430 de 1996. No presente caso, verifica-se que a omissão por depósitos bancários de origem não comprovada foi corroborada pelo confronto entre as compras combustíveis apuradas com base nas notas fiscais eletrônicas (NF-e) do ambiente Sped com as respectivas vendas (verificou-se que as aquisições superaram em muito as comercializações, sendo que a fiscalizada não dispunha de capacidade para estocar toda essa diferença, assim como não possuía dinheiro em caixa para justificar uma diferença de mais de um bilhão de reais em mercadoria comprada e que ainda não tenha sido vendida), restando evidenciada a realização de vendas sem a emissão das notas fiscais correspondentes. Por seu turno, na escrita contábil apresentada constatou-se a falta de contabilização de notas fiscais de vendas, falta de registro contábil da movimentação de algumas contas bancárias, lançamentos de TED e DOC a débito e a crédito da conta caixa, típicas de contas “bancos”, não de conta caixa, bem como a realização de lançamentos genéricos com o objetivo de reduzir a conta de adiantamentos de clientes, de forma a não reconhecer as receitas decorrentes destas operações. Além disso, o confronto entre a receita bruta registrada nas ECD com as compras de mercadorias obtidas das notas fiscais eletrônicas (NF-e) também denotou um descompasso entre as compras e vendas de combustíveis, sendo que a entidade não dispunha de dinheiro em caixa para cobrir tais diferenças. Tais condutas dolosas, conforme apontado pela autoridade fiscal, evidenciam a ocorrência de sonegação fiscal, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, tendo em vista que o objetivo da empresa era furtar-se ao pagamento dos tributos devidos, restando caracterizada infração à lei tributária, nos termos dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.846/94, e penal, conforme Lei nº 8.137/90, art. 1º, incisos II e V. Deve-se observar, também, que é ineficaz na defesa administrativa a alegação de que a aplicação da referida multa violaria princípios constitucionais, pois foge à competência de a autoridade administrativa apreciar as alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento pátrio, por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Tal entendimento já se encontra, inclusive, sumulado pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 6083DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 64 Além disso, as decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ) somente vinculam a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após expressa manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), conforme previsto na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, que regulamenta o disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002 (alterado pela Lei nº 12.844/2013), o que não ocorreu em relação à multa aplicada no presente caso. Diante do exposto, mantém-se a exigência da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, sobre o tributo lançado. DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA A impugnante, assim como aduzido na contestação da multa de ofício qualificada, alegou que a utilização de presunção/arbitramento para apurar o tributo cobrado prescindiria da prova da conduta dolosa dos administradores, motivo pelo qual seria incompatível para fins responsabilização de terceiros. Nesta mesma linha de argumentação, o responsabilizado SÉRVIO TÚLIO FAGOTTI ZAQUETI alegou que a omissão apurada com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não tem o mesmo valor de uma prova direta da omissão de receitas pela falta de emissão da nota; e, no caso do arbitramento, a autoridade fiscal considerou segura a apuração a partir das as notas fiscais de venda, ou seja, entendeu que a contribuinte emitiu a correspondente nota de saída para cada operação de venda realizada. Assim, concluiu que não houve a produção de provas diretas que comprovem o dolo da venda de combustível sem a emissão de nota fiscal, e, ao lado disso, a apuração de tributos por arbitramento afasta a existência de qualquer nexo causal entre a conduta do sócio e a inadimplência tributária, uma vez que se desconsidera os fatos ocorridos para adotar uma base de cálculo auferida com base em presunção. Contudo, conforme exposto no tópico anterior, mesmo se tratando de omissão de rendimentos apurada com base na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e do arbitramento ter sido aplicado em razão da imprestabilidade da escrita contábil para a apuração do lucro real, a autoridade fiscal demonstrou a ocorrência de dolo da contribuinte, com o objetivo sonegar os tributos objeto da autuação. Somente reprisando, a omissão por depósitos bancários de origem não comprovada foi corroborada pelo confronto entre as compras combustíveis apuradas com base nas notas fiscais eletrônicas (NF-e) do ambiente Sped com as respectivas vendas (verificou-se que as aquisições superaram em muito as comercializações, sendo que a fiscalizada não dispunha de capacidade para estocar toda essa diferença, assim como não possuía dinheiro em caixa para justificar uma diferença de mais de um bilhão de reais em mercadoria comprada e que ainda não tenha sido vendida), restando evidenciada a realização de vendas sem a emissão das notas fiscais correspondentes. Por seu turno, na escrita contábil apresentada constatou-se a falta de contabilização de notas fiscais de vendas, falta de registro contábil da movimentação de Fl. 6084DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 65 algumas contas bancárias, lançamentos de TED e DOC a débito e a crédito da conta caixa, típicas de contas “bancos”, não de conta caixa, bem como a realização de lançamentos genéricos com o objetivo de reduzir a conta de adiantamentos de clientes, de forma a não reconhecer as receitas decorrentes destas operações. Além disso, o confronto entre a receita bruta registrada nas ECD com as compras de mercadorias obtidas das notas fiscais eletrônicas (NF-e) também denotou um descompasso entre as compras e vendas de combustíveis, sendo que a entidade não dispunha de dinheiro em caixa para cobrir tais diferenças. Ou seja, restou demonstrada a ocorrência de dolo da contribuinte, com o objetivo sonegar os tributos objeto da autuação, que é um dos requisitos para a responsabilização solidária prevista no art. 135, inciso III, do CTN. Neste ponto, o responsabilizado SÉRVIO TÚLIO FAGOTTI ZAQUETI alegou que a mera ausência de recolhimento não gera, por si só, a responsabilidade pessoal dos sócios- gerentes, visto que que tal conduta não é considerada infração de lei (neste sentido, jurisprudência do STJ e Súmula STJ nº 430). Além disso, a autoridade fiscal deveria provar, de forma individualizada por documentos específicos, qual foi o ato praticado passível de se requerer a responsabilização pessoal do contribuinte pelos débitos tributários da empresa em que era sócio. Entretanto, conforme já exposto, o lançamento fiscal não decorreu da mera inadimplência da contribuinte, foi demonstrado seu dolo em sonegar os tributos mediante a falta de emissão de notas fiscais de parte das vendas realizadas, o que foi evidenciado mediante o confronto entre as compras de combustíveis e as vendidas no mesmo período, sem que a empresa tivesse como estocar o excesso apurado das aquisições, além de irregularidades apuradas na escrita contábil da contribuinte, que deixou de contabilizar receitas decorrentes de vendas, não registrou contabilmente as movimentações bancárias de algumas contas e realizou lançamentos genéricos com o objetivo de reduzir a conta de adiantamentos de clientes, de forma a não reconhecer as receitas decorrentes destas operações. Ou seja, conforme apontado pela fiscalização, restou demonstrada a violação à lei tributária, nos termos dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.846/94, e penal, conforme Lei nº 8.137/90, art. 1º, incisos II e V. Isto posto, cabe observar que a pessoa jurídica é uma ficção da lei, não sendo capaz de implementar suas ações por si própria, mas sim por meio da atuação dos seus diretores, gerentes e representantes ou dos seus mandatários, prepostos e empregados, que demonstram capacidade de expressar vontade, elemento subjetivo necessário para caracterizar o ato ilícito, do qual resulta a responsabilidade. Assim, não há que se apontar um ato específico do administrador, de forma personalíssima, para que o responsabilize solidariamente pelo crédito tributário decorrente de ilicitude implementada pela empresa por ele administrada. Desta forma, constata-se que estavam presentes os requisitos para a responsabilização solidária dos sócios administradores pelo crédito tributário lançado, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN. Fl. 6085DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 66 Contudo, o responsabilizado solidariamente ADEMAR REIS PICIRONI trouxe questões específicas em sua impugnação, que serão apreciadas a partir deste ponto. A primeira e mais relevante questão é que ele teria se desvinculado empresa desde 12/01/2018, data em que cedeu suas cotas sociais para o sócio SÉRVIO TÚLIO FAGOTTI ZAQUETI, mediante instrumento particular, passando o este último a ser o único sócio responsável pela administração da sociedade. Aduz que somente em 23/10/2018 a alteração contratual foi efetivada perante a junta comercial, entretanto, apesar do parágrafo único do art. 1.057 do Código Civil prever que a cessão somente terá eficácia quanto à sociedade e a terceiros a partir da averbação do referido instrumento, o Sr. Túlio, em razão de ser o cessionário das cotas e sócio da empresa, estava ciente das modificações contratuais na própria data em que foi firmado o instrumento. Além disso, a autoridade fiscal não teria comprovado que o impugnante praticou atos de administração/gerência da pessoa jurídica no período autuado, restando demonstrado que os atos de administração e gerência foram praticados pelo Sr. Tulio. Conclui o impugnante que não poderia o Sr. Ademar ser responsabilizado por atos dos quais não praticou. Neste ponto, cabe observar que, conforme expôs o próprio impugnante, o parágrafo único do art. 1.057 do Código Civil prever que a cessão somente terá eficácia quanto a terceiros, no caso a Receita Federal, a partir da averbação do referido instrumento, que somente ocorreu em 23/10/2018, motivo pelo qual esta é a data a ser considerada para efeito de responsabilização do Sr. Ademar. Como a responsabilização do Sr. Ademar se deu com base em violação da lei tributária cometida pela empresa, em razão de sua condição de sócio administrador, sem que fossem apontados atos específicos praticados por ele de forma personalíssima, deve- se concluir que a sua responsabilização somente é devida até a data de sua retirada da sociedade, 23/10/2018, devendo ser afastada sua responsabilização após esta data. As demais questões suscitadas pelo Sr. Ademar não procedem: a) o impugnante alegou a nulidade a nulidade do procedimento fiscal em razão de não ter sido cientificado da abertura deste, e de não lhe ter sido oportunizado a comprovar a inexistência de sua participação na administração da fiscalizada, em violação ao disposto no art. 196 do CTN; Contudo, no presente caso, não houve qualquer violação ao art. 196 do CTN ou cerceamento ao direito de defesa do responsabilizado solidariamente. Verifica-se que foi lavrado o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 001, no qual foi dada ciência à contribuinte da abertura do procedimento fiscal, sendo descabida a ciência naquele momento do citado termo ao Sr. Ademar, até poque a existência de sua responsabilidade solidária somente foi constatada no decorrer do procedimento. Ao Sr. Ademar foi dada ciência do TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO Fl. 6086DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 67 FISCAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA, no qual constam as informações acerca de sua responsabilização, da exigência fiscal e dos meios disponíveis para ele ter acesso ao inteiro teor do processo administrativo fiscal correspondente, que descabida a alegação de cerceamento a seu direito de defesa, esclarecendo-se que esta se faz em sua plenitude na fase impugnatória, não na fase investigatória, que é eminentemente inquisitória. b) o impugnante alegou que não participou dos atos administrativos praticados objetos do auto de infração, sendo que as determinações de compra, venda, pagamento, negociações com credores/devedores, foram todas realizadas pelo Sr. Tulio, não tendo o Sr. Ademar qualquer poder administrativo na gestão da empresa; Conforme já suscitado neste voto, na responsabilização dos sócios administradores da empresa, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN, não é necessária a indicação dos atos específicos praticados por eles de forma personalíssima, visto que a pessoa jurídica é uma ficção da lei, não sendo capaz de implementar suas ações por si própria, mas sim por meio da atuação dos seus administradores, que demonstram capacidade de expressar vontade, elemento subjetivo necessário para caracterizar o ato ilícito, do qual resulta a responsabilidade. Uma vez que o Sr. Ademar foi sócio administrador da autuada até 23/10/2018, até esta data deve ser responsabilizado pelos ilícitos tributários apurados na empresa. c) alegou que o fisco não demonstrou que houve proveito econômico ou desvio de finalidade por parte do impugnante Ademar; Apesar da autoridade fiscal ter apontado como proveito econômico dos responsabilizados o recebimento de lucros distribuídos, de os valores decorrentes da venda das cotas da empresa e de pagamentos sem causa, deve-se observar que a responsabilização tributária com fundamento no art. 135, inciso III, do CTN prescinde da demonstração do proveito econômico ou o desvio de finalidade dos responsabilizados, mas sim que a exigência tributária seja resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que foi devidamente demonstrado pela autoridade fiscal, conforme já analisado neste voto. d) o impugnante alegou que não possuía interesse comum na situação constitua o fato gerador da obrigação principal, motivo pelo qual não poderia ser responsabilizado com base no art. 124, inciso I, do CTN; Contudo, o Sr. Ademar foi responsabilizado com fundamento no art. 135, inciso III, do CTN, não com base no seu art. 124. e) o impugnante alegou que havia sido inserido como responsável solidário em auto de infração lavrado pelo fisco do Estado do Paraná, mas que os julgamentos de primeira e segunda instâncias reconheceram a inaplicabilidade da solidariedade em face dele. Fl. 6087DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 68 Entretanto, os referidos julgamentos administrativos estaduais não vinculam o presente julgamento. Dessa forma, voto por considerar procedentes em parte as impugnações, mantendo em parte o crédito tributário exigido, conforme abaixo detalhado, mantendo integralmente a responsabilidade solidária atribuída a SÉRVIO TULIO FAGOTTI ZAQUETI (CPF 278.299.289-91), e mantendo parcialmente a responsabilidade solidária atribuída a ADEMAR REIS PICIRONI (CPF 253.811.489-68), se restringindo a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2018 até 23/10/2018. Fl. 6088DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 69 Fl. 6089DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 70 Fl. 6090DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 71 Fl. 6091DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 72 Fl. 6092DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 73 A decisão recorrida é muito didática ao discorrer sobre todas as práticas delituosas praticadas pela Contribuinte. Não haveria muito mais a ser dito, mesmo porque os recursos voluntários, como dito alhures, repetem os mesmos termos das impugnações. Aliás, em todas as petições apresentadas verifica-se o intuito meramente protelatório dos Recorrentes, haja vista que alguns dos principais fatos apontados pela Fiscalização e que redundaram nos respectivos autos de infração, sequer foram objeto de contestação; já não haviam sido durante todo o procedimento fiscal e continuaram sem resposta após os recursos apresentados. Cito, exemplificativamente, (i) a constatação da Fiscalização de ausência da emissão/escrituração de uma infinidade de notas fiscais de venda de mercadorias, atestada pelas compras muito superiores às vendas registradas (em valores que superam um bilhão de Reais no período fiscalizado); (ii) a imprestabilidade da escrita contábil/fiscal notadamente pela ausência de contabilização de receitas de vendas e de movimentações bancárias; (iii) falando em movimentações bancárias, a verificação da existência/movimentação de contas correntes não escrituradas nem informadas à Fiscalização quando regularmente intimada a fazê-lo; Fl. 6093DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 74 (iv) o saldo credor de caixa nos anos calendários de 2019 e 2020; (v) o recebimento de vultosas quantias de dinheiro de diversas outras distribuidoras de combustíveis (tais como a Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda., Petroball Distribuidora, Diamante Distribuidora de Petróleo e FB Distribuidora de Petróleo), registrados a crédito na conta contábil "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" para os anos de 2018 e 2019, sendo que não teria havido emissão de notas fiscais que amparassem estas operações, tampouco registros contábeis que pudessem elucidar o ocorrido; (vi) lançamentos genéricos a débito (tais como "Valor Referente TRANSFERENCIA ENVIADA 53253" e "Valor Referente devolução adto de clientes") na conta contábil "2.1.09.001.1712 - Adiantamento de clientes diversos" para o ano de 2018, extraído da ECD, que teriam reduzido esta conta, tendo como contrapartida a crédito as contas contábeis do tipo "Bancos" e conta contábil "1.1.01.001.5 - Caixa"; (vii) lançamentos genéricos a débito na conta contábil "2.1.09.001.1712 – Adiantamento de clientes diversos" para o ano de 2019, extraído da ECD, que teriam reduzido esta conta, tendo como contrapartida, a crédito, as contas contábeis "1.1.04.013.288 - Adiantamentos a Fornecedores" e "1.1.08.003.4879 - Mercadorias - Subst Trib.", sendo que o histórico dos lançamentos conteriam informações genéricas como "Valor baixa Adiantamentos ref. de" e "Valor Referente Transferência Para Melhor Qualificação"; (viii) o registro, na conta Caixa, de diversos lançamentos a débito e a crédito com a informação no histórico de que se tratariam de TED, sendo que a TED (assim como o DOC) são operações típicas de contas contábeis do tipo "Bancos", e não Caixa. As alegações em relação à emissão da RMF são completamente desprovidas de razoabilidade, na medida que a própria Contribuinte deu azo à solicitação direta das informações às instituições financeiras por conta da imprestabilidade dos documentos apresentados, além da omissão de diversas contas bancárias por ela utilizadas (p. ex.: Banco Daycoval S/A, Sofisa S/A, Bradesco, que juntas movimentaram mais de 400 milhões de Reais). Em relação ao arbitramento do lucro, nenhum reparo ao procedimento adotado pela Autoridade Fiscal, corroborado pela decisão recorrida. Diante de todas as inconsistências levantadas pela Fiscalização em relação à escrituração contábil, aliado a falta de registro de diversas contas bancárias, legítima e absolutamente escorreita a atuação da Fiscalização neste ponto. Ainda em relação ao arbitramento do lucro, também revela-se perfeita a conduta da Fiscalização ao adicionar à base de cálculo os valores apurados relativamente à movimentação bancária não comprovada. Cabia à Recorrente o ônus da prova da origem das receitas dos depósitos bancários, o que desde o primeiro momento em que instada a fazê-lo, quedou-se inerte. Por isso, descabida a alegação de dupla incidência tributária sobre a mesma riqueza, pois, à Contribuinte e, somente à ela, cabia a comprovação de que os depósitos que foram objeto de tributação teriam Fl. 6094DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 75 origem nas vendas constantes das notas fiscais utilizadas para a aferição da receita bruta conhecida, base do arbitramento realizado. Já a alíquota aplicável ao arbitramento, nenhuma dúvida paira sobre o procedimento fiscal e o decidido pela DRJ 05. Ao adotar o percentual de 9,6% para aferir a base de cálculo a ser tributada, a Autoridade Fiscal simplesmente aplicou a legislação cabível ao caso em tela (distribuidoras de combustíveis), no caso, os arts. 518, 519 e 532 do RIR/99 e dos arts. 591 e 605 do RIR/2018. Em relação às ilações concernentes à suposta incompatibilidade entre a presunção legal de omissão de receitas por créditos de origem não comprovada, de um lado, e, de outro, a responsabilização dos sócios e a qualificação da multa de ofício, também considero irretocável o disposto na decisão recorrida. Neste ponto me arrimo e me alinho às colocações feitas pela PGFN em suas contrarrazões, a seguir reproduzidas para me manter fiel ao raciocínio posto: “O que a jurisprudência do CARF afirma é que a multa qualificada não pode estar fundamentada na simples omissão de receitas; é preciso que a autoridade fiscal produza prova da fraude, da sonegação ou do conluio. No presente caso, o art. 42 da Lei 9.430/1996 fora empregado como fundamento para apurar parte da receita bruta que compõe o lucro arbitrado. Em hipótese alguma se utilizou desse instituto para justificar a qualificação da multa de ofício. A multa qualificada é consequência, nos termos do TVF, da “conduta dolosa de não emissão de nota fiscal por conta da venda de combustíveis, notadamente álcool (incorrendo em infração à lei tributária, nos termos dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.846/94, e penal, conforme Lei nº 8.137/90, art. 1º, incisos II e V); além de apresentar por períodos consecutivos a escrituração contábil e fiscal com diversas incorreções e omissões” (fl. 5.390)”. Como bem dito pela PGFN, tal matéria está, inclusive, sumulada neste Conselho, vide abaixo: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010) Entretanto, em que pese mantida a multa qualificada, a mesma deverá ser reduzida, nos termos da Lei nº 14.689/2023, para o percentual de 100%, por força da retroatividade benigna da nova lei. Os lançamentos do PIS e da COFINS são decorrentes dos lançamentos efetuados em relação ao IRPJ e à CSLL. Também em relação a esses lançamentos, nada mais há a acrescentar em relação a tudo o que discorrido na decisão a quo, a não ser reforçar o acerto do procedimento fiscal ao considerar corretamente o regime de apuração das contribuições como o cumulativo, não só pelo arbitramento efetivado, mas também pela opção da Contribuinte ao RECOB. Fl. 6095DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 76 As alegações relativas à natureza confiscatória da multa de ofício qualificada não devem ser conhecidas, haja vista a existência de disposição literal de Súmula CARF nesse sentido (Súmula CARF nº 2). Já o IRRF lançado e as multas regulamentares exigidas diante da apresentação de ECD, ECF e EFD-CONTRIBUIÇÕES com informações inexatas, incompletas ou omitidas, não foram objeto dos recursos apresentados, mas como bem dito pela decisão recorrida, foram indiretamente atacados quando se questionou o arbitramento do lucro, a emissão da RMF e a omissão de receitas apuradas com base nos depósitos de origem não comprovada. Tais questionamentos foram devidamente tratados na decisão recorrida que, inclusive, ajustou o lançamento, mesmo que discretamente, por conta do cômputo indevido de depósitos bancários relativos a resgates de Ourocap e a transferências entre contas bancárias de titularidade da própria contribuinte na apuração da omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o acórdão a quo excluiu estes valores na apuração das referidas multas regulamentares, não havendo nada mais a ser tratado nesta instância recursal a respeito dos respectivos autos de infração. Por último, chegamos à responsabilidade solidária. Assim como o decidido pelo acórdão proferido pela DRJ 05, deve ser mantida integralmente em relação ao Sr. SÉRVIO TÚLIO FAGOTTI ZAQUETI e parcialmente em relação ao Sr. ADEMAR REIS PICIRONI (de 01/01/2018 até 23/10/2018). No primeiro caso, do Sr. SÉRVIO TÚLIO, a Fiscalização foi muito hábil a comprovar diversos fatos que revelariam o elemento subjetivo doloso dos administradores da Contribuinte, a exemplo da patente falta de emissão de notas fiscais na venda de combustíveis e na imprestabilidade da escrituração contábil, que entre outras razões excluiu a contabilização de receitas de vendas e de uma infinidade de movimentações bancárias. Tais provas são diretas, não cabendo a tentativa de “colar” às mesmas qualquer espécie de obtenção por presunção. A presunção, legal, diga-se de passagem, deu-se na apuração de parte da receita bruta conhecida ao se adotar o procedimento estatuído no art. 42 da Lei 9.430/1996. Ora, é incontroverso que SÉRVIO TÚLIO atuava como administrador da empresa em todo o período fiscalizado, estando a sua responsabilização fundamentada e abalizada pela melhor jurisprudência deste Tribunal. Já em relação ao Sr. ADEMAR, a responsabilização deve ser mantida até o momento em que registrada a alteração contratual que o excluiu da sociedade no órgão de registro cabível, no caso, a Junta Comercial. Os autos nos revelam documentos que comprovam que o Sr. ADEMAR teria continuado vinculado à sociedade e praticado atos de gestão entre janeiro e outubro de 2018. Até a data em que averbada oficialmente a sua saída da sociedade na Junta Comercial, o Sr. ADEMAR permaneceu constando dos contratos sociais consolidados com poderes de administração da empresa, vejam este excerto da alteração contratual assinada em 16 de abril de 2018 (v. e-fls. 16/253): Fl. 6096DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.012 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.720606/2022-81 77 A mesma situação se repete em relação à 21ª, 22ª e 23ª alterações contratuais, esta última levada a efeito em junho de 2018. Portanto, a par de a cessão de cotas somente ter passado a valer em relação a terceiros em outubro de 2018, verifica-se que o Sr. ADEMAR participou efetivamente da gestão da empresa no período que vai até 23/10/2018, assinando as alterações contratuais citadas acima, que previam, inclusive, a abertura e mudança de endereço de suas filiais. Também restou comprovado pela Autoridade Fiscal que, até o final de 2018, ainda teriam sido encontradas movimentações bancárias entre o Sr. ADEMAR e a Contribuinte. Portanto, haja vista tudo o que dito anteriormente, deve ser mantida a Responsabilidade Tributária do Sr. ADEMAR relativamente a fatos geradores ocorridos até 23/10/2018. Por todo o exposto, voto por negar provimento aos recursos voluntários da Contribuinte e dos apontados como responsáveis solidários, os Srs. SÉRVIO TÚLIO FAGOTTI ZAQUETI e o Sr. ADEMAR REIS PICIRONI e, de ofício, aplicar a retroatividade benigna à exigência da multa qualificada em função do disposto na Lei nº 14.689/2023. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 6097DF CARF MF Original

score : 1.0
10547550 #
Numero do processo: 11080.738207/2018-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/08/2014 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.645
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jul 20 09:00:00 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202405

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/08/2014 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 11080.738207/2018-61

anomes_publicacao_s : 202407

conteudo_id_s : 7099963

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 1201-006.645

nome_arquivo_s : Decisao_11080738207201861.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

nome_arquivo_pdf_s : 11080738207201861_7099963.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2024

id : 10547550

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Jul 20 09:47:14 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1805090919242792960

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-07-18T13:25:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-07-18T13:25:02Z; Last-Modified: 2024-07-18T13:25:02Z; dcterms:modified: 2024-07-18T13:25:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-07-18T13:25:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-07-18T13:25:02Z; meta:save-date: 2024-07-18T13:25:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-07-18T13:25:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-07-18T13:25:02Z; created: 2024-07-18T13:25:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2024-07-18T13:25:02Z; pdf:charsPerPage: 1386; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-07-18T13:25:02Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11080.738207/2018-61 ACÓRDÃO 1201-006.645 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 13 de maio de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE ADECCO RECURSOS HUMANOS S.A. RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/08/2014 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.645 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.738207/2018-61 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve parte do auto de infração. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.645 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.738207/2018-61 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.645 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.738207/2018-61 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 266DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.645 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.738207/2018-61 5 Fl. 267DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito

score : 1.0
10548843 #
Numero do processo: 18220.720869/2020-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/05/2015 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.690
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Jul 20 09:00:00 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202405

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/05/2015 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 18220.720869/2020-05

anomes_publicacao_s : 202407

conteudo_id_s : 7101302

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 1201-006.690

nome_arquivo_s : Decisao_18220720869202005.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

nome_arquivo_pdf_s : 18220720869202005_7101302.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon May 13 00:00:00 UTC 2024

id : 10548843

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Jul 20 09:47:19 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1805090919244890112

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-07-18T13:23:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-07-18T13:23:18Z; Last-Modified: 2024-07-18T13:23:18Z; dcterms:modified: 2024-07-18T13:23:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-07-18T13:23:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-07-18T13:23:18Z; meta:save-date: 2024-07-18T13:23:18Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-07-18T13:23:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-07-18T13:23:18Z; created: 2024-07-18T13:23:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2024-07-18T13:23:18Z; pdf:charsPerPage: 1400; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-07-18T13:23:18Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 18220.720869/2020-05 ACÓRDÃO 1201-006.690 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 13 de maio de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE CROWN EMBALAGENS METALICAS DA AMAZONIA S/A RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/05/2015 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 241DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.690 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720869/2020-05 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve o auto de infração alegando que o lançamento seria mera decorrência da não homologação das compensações, razão pela qual deveria seguir a mesma sorte. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.690 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720869/2020-05 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.690 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720869/2020-05 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.690 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720869/2020-05 5 Fl. 245DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito

score : 1.0