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Numero do processo: 10680.007660/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. GLOSA.
A dedução das despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação de sua ocorrência. A argumentação desprovida de provas não é suficiente para alterar o lançamento.
Numero da decisão: 2201-002.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. GLOSA. A dedução das despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação de sua ocorrência. A argumentação desprovida de provas não é suficiente para alterar o lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. GLOSA. A dedução das despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação de sua ocorrência. A argumentação desprovida de provas não é suficiente para alterar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 76 60 /2 00 8- 29 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento com Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2004 (fls.8/10), referente à glosa de R$ 16.650,00 deduzido indevidamente a titulo de despesas médicas, por falta de comprovação. O contribuinte apresentou impugnação alegando que teria apresentado todos os recibos solicitados, entretanto os recibos emitidos pelas fonoaudióloga e fisioterapeuta, nos valores, respectivamente, de R$ 8.100,00 e R$ 8.550,00, não teriam sido aceitos na auditoria. A 3ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (MG), por meio do Acórdão nº 02 31.174, entendeu ser a impugnação improcedente, mantendo integralmente o lançamento do imposto. Cientificado em 18 de abril de 2011 (fl. 45), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 16 do mês subsequente (fls. 47/49) arguindo que: a) para cumprimento do termo da notificação, teria juntado todos os documentos para comprovação do total das despesas médicas, no montante de R$ 25.347,60, dentre eles os que foram glosados, emitidos pelo fisioterapeuta Adriano Elias Franco (fls. 16 a 20) no montante de R$ 8.550,00 e pela fonoaudióloga Cynthia Oliveira Silva, no montante de R$ 5.900,00 (fls.12 a 14); b) não é lícita a exigência de quaisquer outros documentos além dos recibos, bem como não procede a alegação da falta dos endereços, pois a Receita Federal os dispõem em seu cadastro; e c) todos os pagamentos e recibos cumprem o disposto na IN RFB 15/2001. Por fim, pede que sejam reformadas as decisões das instâncias administrativas da RFB e que seja cancelado o crédito tributário lançado. Aos autos foram juntados os recibos de folhas 52 a 61. É o relatório Fl. 72DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10680.007660/200829 Acórdão n.º 2201002.362 S2C2T1 Fl. 72 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. O recorrente alega que as despesas médicas estariam devidamente justificadas e comprovadas, não sendo lícito ao fisco recusar parte dos recibos, e pede que sejam consideradas todas as deduções com as despesas médicas registradas na sua Declaração de Anual Ajuste do exercício 2004 (fl. 24). Em relação às deduções, assim está expresso na Lei nº 9.250, de 1996: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Com base na norma legal acima, não restam dúvidas que são dedutíveis os pagamentos efetuados a psicólogos e fisioterapeutas, despesas essas que se restringem aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes e limitase àqueles especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Geral de Contribuintes (CGC) de quem os recebeu. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Em principio, admitemse os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, como prova idônea de pagamento. Entretanto, havendo dúvida quanto a esses documentos, a auditoria pode solicitar provas do pagamento e também dos serviços prestados pelos profissionais. De acordo com o art. 73 e § 2º do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, se forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se não forem cabíveis, e poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Verificase nos presentes autos que as deduções com despesas médicas representam aproximadamente 20% dos rendimentos do contribuinte e que os recibos referentes à fisioterapia sequer tem o nome do beneficiário do serviço, questão não explicada pelo recorrente, apesar da negativa de aceitação do recibo pela auditoria. Por essa razão, é dever do fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, condicionando a dedução à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados ou de outras evidências da efetiva prestação do serviço. Foi isso que fez a auditoria quando expediu o termo nº 37/2007, em 27 de abril de 2007 (fl. 92), recepcionado um mês antes da lavratura do imposto suplementar. A inversão legal do ônus da prova transfere ao contribuinte o dever de comprovar e justificar as deduções declaradas. Isso implica trazer elementos que comprovem o fato questionado. Nesse caso, é responsabilidade do beneficiário do recibo comprovar que realmente efetuou o pagamento do valor nele constante, ou fazer prova do serviço prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. E, em não fazendo isso, cabe as consequências legais do não cabimento das deduções. A questão seria facilmente resolvida se o requente, atentando para a solicitação da auditoria, ou ainda, posteriormente, diante da negativa da decisão de primeira instância, tivesse juntado aos autos outros elementos que reforçasse a efetividade do serviço prestado ou do pagamento, até porque, quando a fonte pagadora é pessoa jurídica, os pagamentos são quase que na totalidade das vezes efetuados por intermédio de instituição bancária. Portanto, ainda que as despesas médicas tivessem sido pagas em espécie, teria o interessado como comprovar pelo menos os saques, coincidentes ou aproximados em datas e valores. Entretanto, ao invés de juntar aos autos provas que dirimisse a questão, o requerente se limita a contestar a decisão e a exigência de outros elementos probantes. Porém, nesse caso, não cabe ao fisco obter as provas da inidoneidade do recibo, mas, ao recorrente apresentar elementos que dirimam as dúvidas a respeito dos recibos e permitam a convicção na apreciação da prova para acatar as deduções com as despesas médicas. Ante ao exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntario. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10680.007660/200829 Acórdão n.º 2201002.362 S2C2T1 Fl. 73 5 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008727/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
BARRAS DE CEREAIS, COM OU SEM ADIÇÃO DE CACAU.
Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os Cereais em barra que não possuírem percentual de açúcar suficiente para serem considerados produtos de confeitaria classificam-se nos códigos 1904.20.00.
Recurso Voluntário Negado
O não enfrentamento de pontos específicos da impugnação não implicam nulidade, quando os fundamentos do acórdão sejam pertinentes com suas conclusões.
Não há que se falar em omissão quanto à matéria não alegada na impugnação.
Numero da decisão: 3302-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora designada. Vencido os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
Sustentação Oral: Amador Outorelo Fernandes OAB/DF nº 7100
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente e Relator AD Hoc
(Assinado digitalmente)
Fabiola Cassiano Keramidas Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 BARRAS DE CEREAIS, COM OU SEM ADIÇÃO DE CACAU. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os Cereais em barra que não possuírem percentual de açúcar suficiente para serem considerados produtos de confeitaria classificam-se nos códigos 1904.20.00. Recurso Voluntário Negado O não enfrentamento de pontos específicos da impugnação não implicam nulidade, quando os fundamentos do acórdão sejam pertinentes com suas conclusões. Não há que se falar em omissão quanto à matéria não alegada na impugnação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora designada. Vencido os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. Sustentação Oral: Amador Outorelo Fernandes OAB/DF nº 7100 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente e Relator AD Hoc (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2047; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.318 1 1.317 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.008727/200515 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.161 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de junho de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente NUTRIMENTAL S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa julgadora não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de atos legais. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O não enfrentamento de pontos específicos da impugnação não implicam nulidade, quando os fundamentos do acórdão sejam pertinentes com suas conclusões. Não há que se falar em omissão quanto à matéria não alegada na impugnação. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 BARRAS DE CEREAIS, COM OU SEM ADIÇÃO DE CACAU. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os Cereais em barra que não possuírem percentual de açúcar suficiente para serem considerados “produtos de confeitaria” classificamse nos códigos 1904.20.00. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora designada. Vencido os conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 87 27 /2 00 5- 15 Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 negavam provimento. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. Sustentação Oral: Amador Outorelo Fernandes – OAB/DF nº 7100 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente e Relator AD Hoc (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1269 a 1315) apresentado em 11 de novembro de 2011 contra o Acórdão no 0122.933, de 13 de setembro de 2011, da 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 1256 a 1262), cientificado em 13 de outubro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2003, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os Cereais em barra classificamse na posição TIPI 1704.90.90, sendo que os cereais em barra com chocolate classificamse na posição TIPI 1806.32.20. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa julgadora não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de atos. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 15 de agosto de 2005, de acordo com o termo de fls. 300 a 305. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.008727/200515 Acórdão n.º 3302002.161 S3C3T2 Fl. 1.319 3 A Primeira Instância assim resumiu o litígio: O estabelecimento acima identificado foi autuado por ter promovido saídas, nos anos de 2002 e 2003, de produtos alimentícios tipo “barra de cereal” denominados Nutry, classificandoos nos códigos 1904.20.00 da Tipi, com alíquota zero, quando o correto teria sido classificálos nas posições 1704 (código 1704.90.20) e, para os que, além do açúcar, contenham cacau, na posição 1806 (código 1806.32.20), com alíquota de 5%, tudo conforme o Termo de Verificação de Ação Fiscal das folhas 300/305. 2. Cientificada em 15.08.2005 (fl. 289), a interessada apresentou, tempestivamente, em 13.09.2005, impugnação (fls. 321/372, mais anexos) na qual, em síntese, após relatar fatos e tecer ponderações sobre a essencialidade e sobre a seletividade do IPI, destacar as regras de classificação fiscal dos produtos industrializados, descrever o processo de industrialização do produtos em questão, assevera que, no presente caso, devese utilizar a Regra Geral de Interpretação 3 (RGI 3), que leva à classificação fiscal do produto segundo a característica que lhe é essencial. Nesse sentido, propõe que o produto não possa ser caracterizado como de confeitaria, haja vista que o ingrediente que lhe dá identidade e é essencial é o cereal (fibra). 3. Em seguida, lança mão da Resolução CNNPA n.º 12/78, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA que transcreve nas folhas 222 a 226, para a definição do que entende ser “produto de confeitaria”, concluindo que o ingrediente que lhe dá identidade é o açúcar, mais precisamente, sacarose, ingrediente este que não se faz presente no produto de que se trata. Entende que, por essa razão, não se pode classificálo na posição 1704. No que tange ao produto que contém cacau em sua formulação, repudia a classificação fiscal na posição 1806 com base na mesma Resolução CNNPA n.º 12/78, afirmando que o cacau não é seu ingrediente essencial. 4. Espera elucidar definitivamente a questão, avisando que a ANVISA classifica as barras de cereais que o autuado produz como “cereais e derivados”, em virtude da sua composição e dos ingredientes que lhe dão identidade, não merecendo então prevalecer o entendimento não fundamentado do Fisco para classificar esses produtos em outra posição que não seja a 1904. Aduz ainda que o Ministério da Saúde e a ANVISA sempre concederam registro para as barras de cereais “Nutry” de industrialização do autuado como “cereais e derivados”. 5. Apresenta Parecer pela EMBRAPA (Embrapa Agroindústria de Alimentos) e um Laudo Técnico pela TECPAR (Instituto de Tecnologia do Paraná) como forma de sustentar seu entendimento. 6. Combate aplicação da multa de lançamento de ofício, no percentual de 75%, que pretende tenha natureza confiscatória, o que ofenderia o artigo 5º, inciso XXII, da Constituição Federal. Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Cita doutrina e jurisprudência do STJ sobre multa moratórias, para propugnar pela sua redução ao percentual de 20% do valor do imposto. 7. Da mesma forma, requer a inaplicabilidade da taxa Selic aos débitos fiscais, por ser a mesma inconstitucional. No recurso, a Interessada alegou inicialmente nulidade do acórdão de primeira instância, por cerceamento de defesa e violação aos princípios da instrumentalidade processual e da busca pela verdade material. Segundo a Interessada, “a r. decisão não apreciou as provas juntadas pela recorrente, não tendo observado os ditames do Parecer da Embrapa e do Laudo da Tecpar, além de não ter apreciado a totalidade de argumentos objeto da Impugnação, em especial, a não incidência do IPI sobre os descontos incondicionais.” A seguir, tratou do erro na classificação fiscal dos produtos, analisando os princípios da seletividade e essencialidade. Também analisou as regras de classificação fiscal, ressaltando a regra 3b, segundo a qual, “Nas diversas hipóteses, a classificação das mercadorias deve ser feita pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação.” Citou ementas de acórdão administrativos e judiciais sobre a questão. Na sequência, tratou do elemento essencial do produto “nutry”, de sua não classificação como produto de confeitaria sem cacau e como outras preparações alimentícias contendo cacau, de sua caracterização como cereal, do registro dos produtos na Anvisa como “cereais e derivados”, do parecer da Embrapa e do laudo da Tecpar. Ainda alegou que os descontos incondicionais teriam sido desconsiderados na autuação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walber José da Silva, Relator “AD Hoc” O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O presente voto foi lido em sessão pelo então Conselheiro Relator José Antonio Francisco, o qual adoto por ter sido designado relator ad hoc. Inicialmente, esclareçase que não há nulidade no acórdão de primeira instância. No tocante aos descontos incondicionais, não há, na impugnação de efls. 321 a 372, menção a tal matéria. Além da questão da classificação fiscal, a Interessada insurgiuse contra a multa e os juros de mora. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.008727/200515 Acórdão n.º 3302002.161 S3C3T2 Fl. 1.320 5 Mas descabe às instâncias administrativas apreciar matéria constitucional, nos termos do art. 26A do Decreto n. 70.235, de 1972. Ademais, o art. 62 do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009) traz a mesma limitação, em concordância com a Súmula Carf n. 2. As seguintes Súmulas Carf (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009) aplicamse ao caso: Súmula CARF no 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em relação ao mérito da exigência dos juros, aplicase o entendimento do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo no REsp n. 879.8441, nos termos do 1 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO EM LEI ESTADUAL. ART. 535, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 2. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de Lei Estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais. (Precedentes: AgRg no Ag 1103085∕SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04∕08∕2009, DJe 03∕09∕2009; REsp 803.059∕MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16∕06∕2009, DJe 24∕06∕2009; REsp 1098029∕SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16∕06∕2009, DJe 29∕06∕2009; AgRg no Ag 1107556∕SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16∕06∕2009, DJe 01∕07∕2009; AgRg no Ag 961.746∕SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19∕05∕2009, DJe 21∕08∕2009) 3. Raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias. 4. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 582461, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "ICMS. Inclusão do montante do imposto em sua própria base de cálculo. Princípio da vedação do bis in idem. ∕ Taxa SELIC. Aplicação para fins tributários. Inconstitucionalidade. ∕ Multa moratória estabelecida em 20% do valor do tributo. Natureza confiscatória." 5. Nada obstante, é certo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 6. Com efeito, os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702∕RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650∕SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194∕SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223∕RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637∕MG, Rel. Ministro Castro Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 art. 62A do Regimento Interno do Carf (Ricarf, anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009). Quanto aos pareceres apresentados (Embrapa e Tecpar), sua não análise e consideração não implica nulidade, pois, para efeito da classificação, basta conhecer as características dos produtos e as regras de classificação, não havendo que se contrapor cada consideração apresentada pelo contribuinte para desconsiderar a classificação por ele adotada. A respeito da classificação fiscal, primeiramente adotamse os fundamentos da ConselheiraRelatora do recurso no processo 10865.003390/200819, abaixo reproduzidos: 1 Cereais em Barra A análise da composição dos produtos Cereais em Barra – Neston Banana, Neston Morango, Neston Coco Tostado, Neston Light Damasco, Pêssego e Maçã e Neston Light Frutas Silvestres foi feita de forma criteriosa pela autoridade administrativa, verificando Nome Vulgar/Nome Comercial/Cientifico e Técnico/Denominação Legal; Marca Registrada; Aplicação, uso.ou emprego (uso alimentício); Forma de apresentação; Matéria ou material que é constituído o produto e suas percentagens em peso e processo de obtenção, consoante consta às fls. 44 a 53, volumes 1 e 2, a partir da qual se constata a inclusão de uma proporção razoável de xarope de glicose e de açúcar. Tendo em vista tal composição, a forma de apresentação e o uso ou emprego (para fins uso alimentício, destinase a consumo imediato) corroboro com o entendimento proferido pela autoridade julgadora a quo de que aos mesmos se aplica os fundamentos da Solução de Divergência COANA n° 01/2001 que tratou da classificação fiscal de produtos desta natureza (Barras de Cereais), e que foi devidamente citada pela fiscalização e reproduzida pela autoridade julgadora a quo e transcrita no relatório acima, cuja conclusão deuse pela correta aplicação das regras gerais de interpretação do SH e regras gerais complementares do NCM, esclarecidas acima, classificandoos no código 1704.90.90, ao invés do código 1904.20.00, como pretende a recorrente, tendo em vista as seguintes Notas Explicativas do Sistema Harmonizado: · as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 1704 esclarecem: Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580∕RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 7. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕2008 Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.008727/200515 Acórdão n.º 3302002.161 S3C3T2 Fl. 1.321 7 “Esta posição engloba a maior parte das preparações alimentícias com adição de açúcar, comercializadas no estado sólido ou semisólido. Em geral prontas para consumo imediato, conhecidos por produtos de confeitaria. " (grifouse) · As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 1904, pleiteada pela recorrente, relaciona entre os produtos excluídos dessa posição: “Também se excluem: a) Os cereais preparados revestidos de açúcar, ou contendoo numa proporção que lhes confira a característica de produtos de confeitaria (posição 17.04).” 1904.20.00 Cabe aqui ressalvar, tendo em vista que a recorrente traz em favor de seu argumento o Laudo CIAL n° 080/2005 emitido pelo Instituto de Tecnologia dos Alimentos, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do estado de São Paulo, cuja conclusão confirma o acerto em se adotar a posição 1904.20.20 para enquadrar "cereais em barra” que, conforme supra destacado, o órgão oficial no Brasil com competência para pronunciarse sobre classificação fiscal de mercadorias é a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB, que, relativamente à idênticos produtos, o fez por meio da referida Solução de Divergência e também, por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DIANA n° 79, de 19 de novembro de 2003, igualmente transcrita no relatório, como, também, pela Decisão SRRF10ª/DIANA nº 52, de 11 de julho de 2000, conforme ementa abaixo se transcreve: “Ementa: Código TIPI Mercadoria. 1704.90.90 Produto de confeitaria, sem cacau, composto de glicose, açúcar, mel, açúcar mascavo, maltodextrina, gordura vegetal hidrogenada,lecitina de soja, flocos de aveia, flocos de arroz, flocos de milho, castanhas, passas de uva e coco ralado, apresentado em barras ou tabletes, com peso líquido de 12 e 25 gramas, denominado "Cereal Mix". “Dispositivos Legais: RGI 1 (texto da posição 1704) e 6 (texto da subposiçao 1704.90), e RGC1(texto do item 1704.90.90), da TIPI aprovada pelo Decreto n° 2.092/1996." 2 Cereais em Barra com Chocolate Da mesma forma, a análise do uso e emprego, da composição, processo de obtenção e apresentação dos produtos Cereais em Barra com Chocolate consta às fls. 54 e 55 do volume 2, a partir da qual se verifica a inclusão de Xarope de Glicose 3840, Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Açúcar Cristal 8,838%; Massa de cacau (liquor) 2,974% e Manteiga de Cacau desodorizada 2,584%. A Nota 2 do Capítulo 18 estabelece: “2.A posição 18.06 compreende os produtos de confeitaria contendo cacau, bem como, ressalvadas as disposições da Nota 1 do presente Capítulo, as outras preparações alimentícias contendo cacau.”(grifouse) E o texto da posição 1806 é assim definido: “18.06 CHOCOLATE E OUTRAS PREPARAÇÕES ALIMENTÍCIAS CONTENDO CACAU (...).” (grifouse) E as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 1806 esclarecem: “Esta posição compreende ainda os produtos de confeitaria contendo cacau em qualquer proporção, o nogado de chocolate, o cacau em pó adicionado de açúcar ou de outros edulcorantes, os choco/ates em pó adicionados de leite em pó, os produtos pastosos à base de cacau ou de chocolate e de leite concentrado e, de um modo geral, todas as preparações alimentícias contendo cacau, exceto as excluídas nas Considerações Gerais do presente Capitulo.’(grifouse) Neste item, a autoridade administrativa já havia destacado a manifestação da RFB sobre a classificação de produto similar, por meio da Decisão SRRF/10ª RF/DIANA N° 73, de 08 de agosto de 2000, cuja ementa reproduzimos abaixo (verbis): "Ementa: Código TIPI Mercadoria 1806.32.20 Produto de confeitaria contendo cacau, composto de glicose, açúcar, mel, açúcar mascavo, maltodextrína, gordura vegetal hidrogenada, lecitina de soja, flocos de aveia, flocos de arroz, flocos de milho, castanhas,;passas de uva, coco ralado e gotas ou lascas de chocolate: misturadas à massa do xarope c cereais/ apresentado cm barras ou tabletes com pés liquido de 12 e 25 gramas, denominado CerealMix". “Dispositivos Legais RGI 1 (Notas 1 a do Capitulo 17 e 2 do Capitulo 13 c texto .da posição 1805) c 6 (texto da subposiçao.1806.32) e RGC1 (texto do item 1806 32 20) da TIPI aprovada pelo Decreto n° 2 092/1996”. Desta forma, concluise que, em face da Nota 2 do Capitulo18, os produtos de confeitaria contendo cacau em qualquer proporção estão compreendidos na posição 1806. E, O chocolate e outras preparações alimentícias contendo cacau, em tabletes, barras e paus, com peso inferior ou igual a 2kg enquadrase na subposição de primeiro nível 806.3; as preparações não recheadas classificamse na subposição de segundo nível 1806 32 e as preparações não recheadas diferentes do chocolate enquadramse no item 1806 32 20. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.008727/200515 Acórdão n.º 3302002.161 S3C3T2 Fl. 1.322 9 A respeito da classificação fiscal de tais produtos, parece haver uma questão ideológica, subjacente à caracterização de se tratar de produtos a base de cerais ou a base de glicose, o que poderia levantar questionamentos quanto à seguinte afirmação contida no Parecer da Embrapa: Estas barras constituemse principalmente de misturas de cereais, frutas e chocolate, sendo um produto alimentício de alto valor nutritivo e podendo ser consumido a qualquer hora. É uma real alternativa aos doces e tem uma grande diversidade de sabores. No parágrafo seguinte, entretanto, o Parecer diz expressamente que a glicose é um elemento essencial do produto: Têmse como receita básica, (sic) três grupos principais de ingredientes: a matéria seca, formada pela mistura de cereais, frutos secos e nozes; os ingredientes aglutinantes como os xaropes de glicose, sacarose, açúcar invertido, frutose, gordura vegetal e lecitina e por fim os aromatizantes. Entretanto, para a aglutinação da matéria seca é necessária uma quantidade tão considerável de glicose, que acaba por descaracterizar os produtos da classificação pretendida pela Interessada. O Parecer da Tecpar resolve a questão pelo seguinte critério: Os produtos de confeitaria classificados na posição 17.04 como as pastilhas, balas, caramelos, fondants, marzipãs, entre outros, conforme consulta a tabelas de composição nutricional, possuem uma composição bastante diferenciada principalmente em termos de teores de calorias e gorduras os quais são mais elevados que para as barras de cereais, enquanto que os valores para fibras alimentares são menores para aqueles doces, tendendo a zero na maioria dos produtos Entretanto, a quantidade de açúcar que deve conter o produto para ser caracterizado como de confeitaria não é o que consta dos rótulos dos produtos expressamente citados na TIPI, mas o que considera a Nota de Posição 19.04 “Também se excluem: a) Os cereais preparados revestidos de açúcar, ou contendoo numa proporção que lhes confira a característica de produtos de confeitaria (posição 17.04).” Assim, a proporção de açúcar contida no produto deve ser tal que ele tenha a característica de produtos de confeitaria. Tal característica vem expressa na nota da posição 1704, já anteriormente citada: “Esta posição engloba a maior parte das preparações alimentícias com adição de açúcar, comercializadas no estado sólido ou semisólido. [...]” Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 Ademais, o simples fato de se tratar de cereal revestido de açúcar já é suficiente para caracterizálo como produto de confeitaria. Assim, o critério não pode ser o adotado pelo parecer citado e, sim, o do acórdão: [...]a mercadoria sob análise mostra todas as características típicas de produtos de confeitaria, especialmente em vista da adição de vários tipos de açúcares [...] À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva – Relator AD Hoc Voto Vencedor CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tratase de discussão acerca da adequada classificação fiscal para “barra de cereais” denominado “Nutry”. Conforme se verifica do relatório, o que geraria a alteração da classificação fiscal é o conceito de que o produto se identifucar com “confeito”. Neste aspecto a fiscalização entendeu que a Recorrente comercializa dois tipos de barras de cereais, ambos com açúcar suficiente para serem conceituados como “produtos deconfeitaria”, sendo que um teria ianda a adição de cacau. Inicialmente registro que em relação às materias alegadas em sede de preliminar, acompanho o voto do Ilustre Conselheiro Relator. Todavia, divirjo em relação ao entendimento por ele aprsentado em relação ao mérito ora julgado. Assim como se verifica do voto proferido, adecisão do Ínclito Conselheiro Relator segue a mesma linha do acórdão recorrido, no sentido de que os produtos comercializados pela Recorrente estariam “excluídos” da posição que a empresa pretende por serem “produtos de confeitaria”, nos termos da decisão do Relator: “As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 1904, pleiteada pela recorrente, relaciona entre os produtos excluídos dessa posição: ‘Também se excluem: a) Os cereais preparados revestidos de açúcar, ou contendoo numa proporção que lhes confira a característica de produtos de confeitaria (posição 17.04).’ (...) Código TIPI Mercadoria 1806.32.20 Produto de confeitaria contendo cacau, composto de glicose, açúcar, mel, açúcar mascavo, maltodextrína, gordura vegetal hidrogenada, lecitina de soja, flocos de aveia, flocos de arroz, flocos de milho, castanhas,;passas de uva, coco ralado e gotas ou lascas de chocolate: misturadas à massa do xarope c Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.008727/200515 Acórdão n.º 3302002.161 S3C3T2 Fl. 1.323 11 cereais/ apresentado cm barras ou tabletes com pés liquido de 12 e 25 gramas, denominado CerealMix. Dispositivos Legais RGI 1 (Notas 1 a do Capitulo 17 e 2 do Capitulo 13 c texto .da posição 1805) c 6 (texto da subposiçao.1806.32) e RGC1 (texto do item 1806 32 20) da TIPI aprovada pelo Decreto n° 2 092/1996”. Desta forma, concluise que, em face da Nota 2 do Capitulo 18, os produtos de confeitaria contendo cacau em qualquer proporção estão compreendidos na posição 1806. E, O chocolate e outras preparações alimentícias contendo cacau, em tabletes, barras e paus, com peso inferior ou igual a 2kg enquadrase na subposição de primeiro nível 806.3; as preparações não recheadas classificamse na subposição de segundo nível 1806 32 e as preparações não recheadas diferentes do chocolate enquadramse no item 1806 32 20.” destaquei Percebese, claramente, que o discrímen da classificação pretendida pela Recorrente daquela imputada pela fiscalização (e mantida no voto proferido), é o conceito de que as barras de cereais são, em verdade, produtos de confeitaria. E é exatamente neste ponto que peço vênia para divergir do ilustre conselheiro Relator. É que a meu sentir, a fiscalização entende que o cacau, em qualquer proporção, justificaria a classificação do produto como sendo “confeito”. Da mesma forma, o fato de a glicose estar entre os ingredientes da barra de cereais, geraria a conclusão de que se trata de “produto de confeitaria”. Neste aspecto o Conselheiro Relator entendeu que a glicose por ser elemento aglutinador é “elemento essencial do produto”, verbis: “No parágrafo seguinte, entretanto, o Parecer diz expressamente que a glicose é um elemento essencial do produto: Têmse como receita básica, (sic) três grupos principais de ingredientes: a matéria seca, formada pela mistura de cereais, frutos secos e nozes; os ingredientes aglutinantes como os xaropes de glicose, sacarose, açúcar invertido, frutose, gordura vegetal e lecitina e por fim os aromatizantes.” destaquei Discordo do entendimento apresentado. In casu, percebo que os produtos em discussão não possuem os percentuais suficientes de açúcar que permitam sua caracterização como sendo “produto de confeitaria”. Este fato, a meu entender, per si, seria suficiente para a manutenção da classificação indicada pela Recorrente. Esclareço, ainda, que este entendimento encontra supedâneo nos laudos apresentados, os quais adoto nesta decisão como razão de decidir. Mas não é só. De acordo com a NOTA 3, do Capítulo 19, a posição adotada pela Recorrente no produto em que há adição de cacau apenas seria afastada se houvesse no produto a presença de mais de 6% de cacau, verbis: “Nota 3: A posição 19.04. não abrange as preparações que contenham mais de 6%, em peso, de cacau, calculado sobre uma base Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 totalmente desengordurada, nem as revestidas de chocolate ou de outras preparações alimentícias que contenham cacau, da posição 18.06 (posição 18.06)” – destaquei. Dos autos verificase que o produto comercializado pela Recorrente não excede este percentual de cacau. Em virtude destes fatos, peço vênia ao Conselheiro Relator para divergir de seu entendimento, para DAR PROVIMENTO ao recurso apresentado e manter as classificações fiscais indicadas pela Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 6/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10580.720020/2013-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 01/03/2012
AÇÃO JUDICIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO APENAS EM FUNÇÃO DAS MATÉRIAS DIFERENCIADAS. AS MATÉRIAS JUDICIALIZADAS ESTÃO FORA DO ALCANCE DA JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. COMPENSAÇÃO. DESRESPEITO À DIVERSAS NORMAS LEGAIS E A DETERMINAÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA APURAÇÃO DO MONTANTE COMPENSADO E DAS RUBRICAS INTEGRANTES PELA RECORRENTE. PROVAS QUE SE PODERIA E DEVERIA TER SIDO FEITA NO MOMENTO APROPRIADO E PELO MEIO ADEQUADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTOS QUE SE CONFORMAM AS EXIGÊNCIAS LEGAIS. NULIDADE . INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. PREVISÃO LEGAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente TRANSPORTADORA RENER LTDA EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 01/03/2012 AÇÃO JUDICIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO APENAS EM FUNÇÃO DAS MATÉRIAS DIFERENCIADAS. AS MATÉRIAS JUDICIALIZADAS ESTÃO FORA DO ALCANCE DA “JURISDIÇÃO” ADMINISTRATIVA. COMPENSAÇÃO. DESRESPEITO À DIVERSAS NORMAS LEGAIS E A DETERMINAÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA APURAÇÃO DO MONTANTE COMPENSADO E DAS RUBRICAS INTEGRANTES PELA RECORRENTE. PROVAS QUE SE PODERIA E DEVERIA TER SIDO FEITA NO MOMENTO APROPRIADO E PELO MEIO ADEQUADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTOS QUE SE CONFORMAM AS EXIGÊNCIAS LEGAIS. NULIDADE . INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. PREVISÃO LEGAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 00 20 /2 01 3- 01 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 329 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 330 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.034.0199, que objetiva a glosa de compensação realizada indevidamente, bem como o Auto de Infração de Multa Isolada – AIMI DEBCAD 51.003.1463, que objetiva o lançamento de multa isolada, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 14 a 29, com período de apuração de 05/2009 a 07/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 66 e 67. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 09/01/2013, conforme Folhas de Rosto dos Autos de Infração, de fls. 02 e 06. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 160 a 173, recebida, em 08/02/2013, estando acompanhada dos documentos, de fls. 174 a 218. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0433.059 4ª, Turma DRJ/CGE, em 22/08/2013, fls. 224 a 235. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 10/10/2013, conforme AR, de fls. 238. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 240, relativamente, aos dois DEBCAD’s 51.034.0199 e 51.003.1463, recebida, em 04/11/2013, com as razões recursais, as fls. 240 a 264, acompanhada dos documentos, de fls. 265 a 321, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Preliminar. · que o procedimento fiscal é nulo, pois iniciado por meio do MPF – D, recebido em 15/05/2012, porém em 26/06/2012 foi apresentado um novo documento agora MPF –F, sem contudo que o anterior estivesse extinto, este último com validade até 04/10/2012, entretanto o fisco em 03/12/2012 solicitou as varas federais informações sobre os processos que geraram os créditos, informações que o fisco já detinha, pois de posse das decisões, sentenças e acórdão fornecidos pela recorrente, sendo que a recorrente não foi cientificada de qualquer tipo de prorrogação, nos termos da legislação, gerando a autuação supressa à recorrente, pois entendia que o MPF estava extinto e a fiscalização encerrada, o que viola a legislação, uma vez que a atuação foi lavrada após esgotada a validade do MPF, sendo assim nula a autuação, declaração que desde já se requer; · que apesar de não apreciado em primeira instância, cumpre sob o manto da legalidade, asseverar que o lançamento não discrimina de Fl. 331DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 331 4 forma clara e precisa, o que foi compensado e sua respectiva fundamentação legal, pois todas as bases de cálculo deveriam estar explicitadas, uma vez que a glosa de compensação nada mais é que lançamento das contribuições do artigo 20 e 22, da Lei 8.212/91, conforme decisão da DRJ/FOR Nº 0815402, de 06/05/2009, ocorrendo cerceamento de defesa e infração ao artigo 37, da Lei 8.212/91, tendo tais vícios a natureza de vícios matérias, decidindo em casos análogos este conselho pela nulidade do lançamento, conforme decisões transcritas, ocorrendo o cerceamento de defesa teremos a nulidade do artigo 59, do Decreto 70.235/72 e do artigo 53, da Lei 9.784/99; · que o autuação é nula, pois a atuada não teve acesso ao relatórios do levantamento GC – Glosa de Compensação apesar de citados no fisco no REFISC, sendo necessário essa apresentação para que a recorrente possa verificar com clareza os critérios utilizados para a exigência do crédito, o que impossibilita verificar as rubricas das folhas de salários consideradas para apurar o crédito, bem como o fisco não discriminou as GFIP’s utilizadas e seu código de transmissão, não possibilitando verificar se foram ou não retificadas, prejudicando o contraditório e ampla defesa, o que enseja nulidade da autuação, sendo a tese acatada pelo CARF, conforme decisão transcrita, aplicandose o artigo 2º, da Lei 9.784/99 e artigo 5ª, LV, da CF/88; · que o auto de infração deve conter os requisitos do artigo 10 e 11, do Decreto 70.235/72 e 142, do CTN, devendo o auto conter a descrição dos fatos, sob pena de nulidade artigo 59, do Decreto 70.235/72 e 12, II, do Decreto 75.74/20011, assim não tendo sido apresentados os relatórios para a apuração do crédito, com a indicação das rubricas, composição da base de cálculo e códigos de transmissão das GFIP’s, devese reconhecer o cerceamento de defesa e por consequência a sua nulidade; Mérito. · que o fisco entendeu que as decisões judiciais trazidas pela recorrente vão de encontro ao que determinado pela artigo 170 – A, porém a recorrente tem o direito de se compensar dos tributos recolhidos indevidamente, sendo o direito a compensação líquido e certo, pois realizados nos termos da lei, que não exige outorga administrativa ou judicial e com fulcro no artigo 66 da Lei 8.383/91 c/c o artigo 74 da Lei 9.430/96, com valores recolhidos nos últimos cinco anos com débitos próprios vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, devido a integração realizada pela Lei 11.457/99; · que o artigo 170A, do CTN, não se aplica a tributo sujeito a homologação, assim tem direito a compensação, cita decisão do STJ AgRg no RESP 624.065/PE, cita HBM e duas decisões do TRF1; Fl. 332DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 332 5 · que as verbas com a exigibilidade suspensa por conta dos MS 002511396.2011.4.01.3300 e 002511214.2011.4.01.3300 (doc 03 e 04) devem ser abatidas da autuação, situação não analisada pela DRJ, assim nos termos da decisão judicial devem ser abatidos os valores férias, 1/3 constitucional sobre férias, os 15 primeiros dias do afastamento, aviso prévio indenizado, o décimo terceiro proporcional sobre o aviso prévio indenizado e o vale transporte convertido em pecúnia, que apesar de não havido o trânsito em julgado, estando a exigibilidade suspensa não pode o fisco exigir tais valores devendo excluílos da autuação, o que enseja o reconhecimento parcial da extinção do crédito artigo 156, I, do CTN; · que o fisco incorreu em equivoco ao aplicar a multa isolada de 150%, pois o artigo 89, § 10, da Lei 8.212/91 deve ser interpretado como parcimônia, pois a lei exige que se “comprove falsidade na declaração” e no presente caso tal prova não foi feita, devendo ser entendida a falsidade pela falta de fundamento do pleito do contribuinte, não havendo no caso a aludida falsidade, cita decisão do CARF; · que não se pode falar de imposição da multa isolada, quando a exigibilidade do crédito está suspenso, cita o artigo 63, da Lei 9.430/96, dizendo que o própria CARF assevera não haver cobrança de multa de ofício para crédito com a exigibilidade suspensa por decisão judicial, cita três precedentes, estando os valores compensados suspensos pelo MS’s; · que na expressão crédito tributário está incluída multa, artigo 113 e 112, do CTN e uma vez comprovada a insubsistência do crédito obrigação principal a multa deve ser descaracterizada, ofendendo tal multa a razoabilidade, cita SCNC e MD; AAB, tendo nítido caráter confiscatório e devendo ser declarada a sua ilegalidade, pois a multa aplicada ofende aos princípios constitucionais, tais como: direito de petição; razoabilidade; proporcionalidade e não confisco; · que os sócios só podem ser responsabilizados quando houver atos praticados com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos, situação inexistente nos atos, não havendo prova para a aplicação do artigo 135, do CTN, cita MRF, bem como decisão do CARF, requerendo a exclusão do sócio gerente do polo passivo do PAF, pois inaplicável o artigo 135, do CTN; · Conclusão: a recorrente pugna: a) pelo provimento integral do recurso, reformandose totalmente a decisão a quo; b) preliminarmente – com o reconhecimento da nulidade dos dois autos de infrações DEBCAD’ 51.034.0199 e 51.003.1463, em vista do vícios apontados; c) superada a nulidade, requer acolhimento dos argumentos de defesa, reconhecendose a improcedência parcial, pois parte do crédito está com a exigibilidade suspensa, conforme decidido nos MS’s, devendo serem abatidos tais valores do lançamento; d) pela Fl. 333DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 333 6 eventualidade requer a total improcedência da multa isolada; e) inexistência de base legal suficiente para enquadrar os sócios no polo passivo; f) pugna pela julgamento conjunto dos dois autos em razão da relação de prejudicialidade . A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 323. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 323. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 21/02/2014, Lote 01. É o Relatório. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 334 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Delimitação da lide. Inicialmente, cabe ressaltar o que pode ser objeto de conhecimento nesta decisão e o que não pode vir a ser conhecido na via administrativa em razão da concomitância de demanda administrativa e das duas demandas judiciais – MS 2511396.2011.4.01.3300, sentença, de fls. 198 a 207; 282 a 291, e, sua Apelação/Reexame Necessário, fls. 183 a 197; 295 a 309 – TRF1, bem como do MS 2511214.2011.4.01.3300, fls. 208 a 216; 312 a 320, não foi apresentada a Apelação/Reexame Necessário. Entendo, pois, que não pode ser objeto de apreciação na via administrativa, no atual momento e estágio processo 2511396.2011.4.013300, na sentença: 1. a não incidência da contribuição previdenciária sobre os 15 primeiros dias iniciais sobre o auxilio doença e acidentário; 2. o próprio direito a compensação com outras contribuições sobre a folha de salário; 3. a observação da prescrição quinquenal; 4. obediência ao artigo 170 A, do CTN; 5. direito do fisco de promover fiscalização e controle sobre a compensação. O Acórdão da Apelação/Reexame Necessário do processo 25113 96.2011.4.013300, assim decidiu. 1. manteve a prescrição em cinco anos; 2. decidiu que sobre salário maternidade e férias regulares incidem a contribuição previdenciária; 3. que não incide contribuição sobre o terço constitucional de férias; 4. que não incide contribuição previdenciária sobre os 15 primeiros dias iniciais sobre o auxilio doença e acidentário; 5. que a compensação deve observar a limitação do artigo 26, da Lei 11.457/2007, bem como do artigo 170 – A, do CTN; No que tange ao processo MS 2511214.2011.4.01.3300. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 335 8 1. reconheceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado, bem como o décimo terceiro proporcional sobre o aviso prévio indenizado; 2. reconheceu a inexigibilidade de contribuição previdenciária sobre vale transporte convertido em dinheiro; 3. o direito a compensação, com tributo da mesma espécie, art. 26, da Lei 11.457/2007; 4. aplicação do artigo 170 – A, do CTN, sem limitação de trinta por cento. Esses são os pontos que entendo não comportam mais discussão na via administrativa e assim não serão objeto de decisão, mas apenas de análise da conformação de sua observação, nos termos dos artigos artigo 126, § 3º, da Lei 8.213/91 c/c artigo 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80 c/c o artigo 87 e seu parágrafo único, do Decreto 7.574/2011. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 336 9 Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Por outro, lado há questões trazidas apenas no recurso, ou seja, no segundo grau, na forma de preliminares, que não comportam decisão no âmbito desse conselho em razão da aplicação do artigo 17, do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 58, do Decreto 7.574/2011, bem como ao artigo 302, da Lei 5.869/73. As nossas cortes superiores, assim vem decidindo sobre a inovação na fase recursal. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) Fl. 337DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 337 10 Decisão do STJ EMEN: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CRIME DE DESCAMINHO. ART. 334, DO CP. 1. WRIT DEFICITARIAMENTE INSTRUÍDO. NÃO CONHECIMENTO. 2. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. NÃO APLICAÇÃO. TRIBUTO ILIDIDO ACIMA DO PATAMAR PREVISTO EM LEI E APRECIADO PELO STJ. 3. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ENUNCIADO Nº 24, DA SÚMULA VINCULANTE DO STF. ÓBICE INTRANSPONÍVEL. INOVAÇÃO RECURSAL E SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. 4. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. "O habeas corpus, como via mandamental, bem assim o relacionado recurso ordinário, tem de vir instruído com todas as peças aptas a demonstrar o alegado constrangimento ilegal, pois, do contrário, estarseá decidindo em tese, o que não é possível à Jurisdição criminal, que deve ter sempre os olhos voltados ao caso concreto" (AgRg no RHC nº 29.899/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, DJe 5.12.13). 2. A Terceira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp nº 1.112.748/TO, representativo da controvérsia, firmou o entendimento de que é possível a aplicação do princípio da insignificância ao delito previsto no art. 334, do CP, desde que o total do tributo ilidido não ultrapasse o patamar de R$ 10.000,00 (dez mil reais) previsto no art. 20, da Lei nº 10.522/02. 3. Na hipótese, inviável a aplicação de tal princípio, tendo em vista que o próprio acórdão impugnado destacou que o quantum indevidamente apropriado pela acusada monta em importe superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), valor superior, portanto, ao limite estabelecido pelo art. 20, da Lei nº 10.522/02, e pela jurisprudência desta Corte Superior. 4. A alegada ofensa ao enunciado nº 24, da Súmula Vinculante do STF, não foi deduzida na inicial do writ, tampouco enfrentada pelo Juízo de primeiro grau ou pelo Tribunal de origem, tratandose, a um só tempo, de inovação recursal, que impede o conhecimento da matéria neste momento processual, tendo em vista o advento da preclusão consumativa e também de supressão de instância. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. EMEN: (AGRHC 201201265270, MOURA RIBEIRO, STJ QUINTA TURMA, DJE DATA:15/04/2014 ..DTPB:.) (todos os destaques são meus). A recorrente em sua peça recursal reconhece que está trazendo questões não ventiladas em primeiro grau e assim essas questões, também não vão comportar julgamento nesse conselho em observância ao devido processo legal, a preclusão administrativa e ao ônus da impugnação específica, entendo que as questões foram assim nominadas pela recorrente: 2.2 – Da Ausência de descrição dos fatos geradores – omissão na fundamentação legal do débito – preterição do direito de defesa; 2.3 Da preterição do direito de defesa – impossibilidade da composição da base de cálculo apurada pela fiscalização, conforme os esclarecimentos supramencionados os temos acima que não foram postos em primeiro grau e que inovaram na peça recursal, não serão conhecidos ante a vedação legal que se impõe. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 338 11 Preliminar. Inexistente nulidade da ação fiscal ou do procedimento fiscal em razão da alteração do tipo de MPF, ou seja, da troca de MPF de diligência para MPF de fiscalização, uma vez que cabe ao fisco decidir quando e que tipo de procedimento realizará no contribuinte, sendo possível até mesmo o início de fiscalização sem o MPF, nas condições determinados na legislação. Além do que, o MPF é mera ato interno de controle, pois quem determina a competência para a fiscalização são as Lei 10.593/2002 e 11.457/2007, não podendo a competência legal ser limitada por ato administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR EXERCÍCIO: 2002 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA AS HIPÓTESES DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO SÃO AS ELENCADAS NO ARTIGO 59 DO DECRETO 70.235, DE 1972, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM NULIDADE POR OUTRAS RAZÕES.PRELIMINAR MANDADO DE. PROCEDIMENTO FISCAL NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. AS NORMAS QUE REGULAMENTAM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF DIZEM RESPEITO AO CONTROLE INTERNO DAS ATIVIDADES DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, PORTANTO EVENTUAIS VÍCIOS NA SUA EMISSÃO E EXECUÇÃO NÃO AFETAM A VALIDADE DO LANÇAMENTO, ITR IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. SOMENTE PODE SER CONSIDERADA ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA, SEM APLICAÇÃO DE ÍNDICES DE RENDIMENTO POR PRODUTO, A ÁREA DO IMÓVEL RURAL EXPLORADA COM PRODUTOS VEGETAIS EXTRATIVOS, MEDIANTE PLANO DE MANEJO SUSTENTADO APROVADO PELO IBAMA ATÉ O DIA 31 DE DEZEMBRO DO ANO ANTERIOR AO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO ITR, E CUJO CRONOGRAMA ESTEJA SENDO CUMPRIDO PELO CONTRIBUINTE.ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA (SÚMULA CARF Nº 2). RECURSO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO, AO RECURSO NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR Conselho.Administrativo.Recursos.Fiscais; Seção.Julgamento.2;Câmara.2;Turma.Ordinária.2: Proc: 10980.003886/200612 Acórdão:20100512; 220200509. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. TÍTULO DA DÍVIDA ATIVA LÍQUIDO E CERTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Apelante alega que o ano de 1999 não poderia ter sido fiscalizado pela Fl. 339DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 339 12 autoridade administrativa, por não se encontrar descrito no Mandado de Procedimento Fiscal que impulsionou a fiscalização fazendária; 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida.(AC 200585000058685, Desembargador Federal Élio Wanderley de Siqueira Filho, TRF5 Terceira Turma, DJ Data::31/07/2008 Página::426 Nº::146.) (meus grifos) O fisco federal pode solicitar informações, a quem bem entender, independentemente, das informações de que disponha, pois pode ele a qualquer momento confirmar as informações, artigo 195, da Lei 5.172/66, bem como artigo 197, do instrumento legal citado. A recorrente não tem que ser cientificada das eventuais e possíveis prorrogações do MPF, pois a Portaria RFB Nº 11.371/2007 estabeleceu que tal documento será emitido exclusivamente de forma eletrônica e estará disponível e deve ser consultado pelo sujeito passivo no portal da RFB na rede mundial, sendo que a Portaria RFB 3.014/2011, que revogou a anterior, traz idêntica disposição, veja a transcrição da norma. Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. (os realces são meus). No presente caso o MPFF está acostada, as fls. 223, tendo sido emitido, em 06/06/2012, com prazo inicial, em 04/10/2012, com prorrogação, até 01/20/2013, tendo sido o contribuinte cientificado do lançamento, em 09/01/2013, ou seja, dentro do validade do MPF. Desta forma, não há surpresa e nem nulidade nas autuações, pois todos os regramentos legais estão atendidos, rejeito a preliminar suscitada. Mérito. O fisco entendeu como eu, também, entendo que a compensação realizada antes do trânsito em julgado da sentença, isto é, com a não observação do artigo 170 – A, da Lei 5.172/66 é procedimento irregular, pois não há direito consagrado ao contribuinte, mas, Fl. 340DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 340 13 ainda, um suposto direito em discussão judicial. Aliás, o fisco demonstrou que o Douto MM Juiz Federal, bem como o TRF1 determinaram a observação da limitação legal, assim é a decisão nas sentenças e na apelação/reexame necessário apresentados, assim se manifestou o judiciário, veja a transcrição. Apelação/Reexame Necessário Nº 002511396.2011.4.013300 BA Dispositivo da sentença 002511396.2011.4.013300 BA Fundamentação da Sentença nº 2511214.2011.4.01.3300 Fica evidente da leitura das decisões judiciais, acima, citadas que a compensação não comportava “execução provisória”, pois todas as decisões determinaram que se aguardasse o trânsito em julgado para a cristalização do suposto direito pleiteado. Assim sendo, o contribuinte recorrente não podia efetivar a compensação, bem como não podia declarála em sua GFIP, pois não havia direito reconhecido ao Fl. 341DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 341 14 contribuinte para tanto, como ficou consignado no REFISC, segue o trecho do citado documento. As decisões judiciais deixaram claro que o artigo 66, da Lei 8.383/91, tem o dever de respeitar o artigo 170 – A, da Lei 5.172/66, que lhe é posterior, bem como que o artigo 74, da Lei 9.430/96, não se aplica em razão do que determinado pelo artigo 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007, o que já esclareci no tópico Delimitação da Lide. (o realce é meu) Nos termos da Lei 5.869/73 a sentença é lei entre as partes e assim dever ser respeitada, uma outra decisão obtida por outro sujeito passivo não beneficia a recorrente e os seus efeitos não se irradiam extrapartes. O Superior Tribunal de Justiça – STJ, também, comunga da idéia e necessidade de se aguardar o trânsito em julgado para a realização da compensação veja ao decisão, inclusive, para tributos sujeito a homologação. EMEN: TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF LEIS 7.787/89 (ART. 3º, I) E 8.212/91 (ART. 22, I) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS PRAZO PRESCRICIONAL QUINQUENAL TERMO INICIAL HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA OU TÁCITA PRECEDENTES Fl. 342DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 342 15 1ª SEÇÃO. COMPENSAÇÃO LIMITES PERCENTUAIS LEIS 9.032 E 9.129/95 INAPLICABILIDADE POSSIBILIDADE DE COMPENSAR APENAS COM A FOLHA DE SALÁRIOS E APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA ART. 66 DA LEI 8.383/91 C/C ART. 170A DO CTN. JUROS (SELIC) ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95 CUMULATIVIDADE IMPOSSIBILIDADE. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional qüinqüenal para se pleitear sua restituição/compensação começa a fluir da homologação, expressa ou tácita, ainda que se trate de exação declarada inconstitucional pelo STF. Entendimento consagrado pela eg 1ª Seção no julgamento do Eresp 435.835/SC. No caso dos autos, tendo em vista a data do ajuizamento da ação (09/05/2001) e as datas dos recolhimento, não se há que falar em prescrição. Ressalva do ponto de vista do Relator. Declarada a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária a cargo da empresa sobre os pagamentos a administradores, autônomos e empregados avulsos, os valores a esse título recolhidos anteriormente à edição das Leis 9.032/95 e 9.129/95, ao serem compensados, não estão sujeitos às limitações percentuais por elas impostas, em face do princípio constitucional do direito adquirido. A compensação pleiteada pela parte com fundamento no art. 66 da Lei 8.383/91, deve restringirse aos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição patronal sobre a folha de salários, devendo ocorrer apenas após o trânsito em julgado da sentença (art. 170A do CTN). A Corte Especial do STJ, julgando incidente de inconstitucionalidade argüido no REsp. 215.881PR, acolheu, por maioria, a preliminar de nãocabimento da instauração do incidente suscitado, em acórdão publicado "in" DJ de 19.06.2000 (REsp. 215.881/PR). A eg. Primeira Seção assentou o entendimento no sentido de que incidem na compensação/repetição de tributos indevidos, recolhidos em conseqüência de lançamento por homologação, os juros equivalentes à taxa Selic, previstos no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, a partir de 1º de janeiro de 1996. Ressalva do ponto de vista do Relator (EREsp. nº 162.914PR). Sendo a taxa Selic composta de juros e correção monetária, não pode ser cumulada com qualquer outro índice de correção. Recursos especiais conhecidos e parcialmente providos. EMEN:(RESP 200400271487, FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJ DATA:08/08/2005 PG:00274 ..DTPB:.)( promovi os destaques). O fisco promoveu o lançamento da glosa das compensações baseado, exclusivamente, na compensação realizada pelo contribuinte e declarada em suas GFIP’s, conforme consta na passagem do REFISC, transcrita. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 343 16 O agente lançador assevera, ainda, que verificou as GFIP’s e Tabela de glosa apresentada pela empresa, conforme consta do Termo de Encerramento de Ação Fiscal – TEAF, de fls. 71. A recorrente se creditou de forma irregular de valores que, ainda, não possui e assim não pode beneficiarse desses valores sobre pena de burlar e lei, em enriquecimento sem causa e de beneficiarse de sua torpeza, pois compensase de forma irregular de uma certo valor e depois sustenta que o fisco não pode reaver o valor, pois este estaria com a exigibilidade suspensa. Não houve equivoco na aplicação da multa isolada prevista em lei, pois a recorrente não é detentora do direito do qual se assenhorou, haja vista que as decisões judiciais condicionaram tal direito as limitações legais e tais limitações não foram respeitadas. Dessa forma, entendeu o fisco que a declaração dos valores em GFIP com a intuito de reduzir o tributo devido, sem que o recorrente tenha o direito declarado, implica em falsidade e assim o requisito do parágrafo 10, do artigo 89, da Lei 8.212/91 está presente e demonstrado, como consta do REFISC, conforme a seguir transcrito. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 344 17 O erro do contribuinte não foi procedimental e muito menos mero erro de forma, mas sim sobre a existência do próprio direito de crédito, quanto a materialidade do direito que até agora inexiste, sempre apenas mera expectativa. O artigo suscitado pelo contribuinte, artigo 63, da Lei 9.430/96 cuida de multa de ofício e não multa isolada. As duas multas possuem fundamentações distintas, a primeira multa decorre do exercício da função fiscal, em razão da inércia do contribuinte em promover a recolhimento do tributo. A segunda advém não da inércia, mas sim da atuação do contribuinte contrária ao direito, pois beneficiase de alguma direito que não possui ou que não possui da forma que utilizado, tal como a compensação indevida. Assim, nem o artigo 63 suscitado e nem a decisões do CARF se aplicam, pois todos cuidam de multa de ofício e no presente caso temos multa isolada aplicada no percentual de cento e cinquenta por cento. Foi acima explicitado que as questões de inconstitucionalidade não seriam abordadas, assim, violação ao princípio da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco estão foram do âmbito de análise desse conselho. Mas, o contrário não, ou seja, a constitucionalidade em razão da não violação desses princípios. A multa de cento e cinquenta por cento em virtude de conduta violadora da legislação tributária e amplamente admitida pela STJ, observese os arestos transcritos, buscasse aqui apenas demonstrar o percentual e não a justificativa legal de sua implantação e aplicação. EMEN: TRIBUTÁRIO. FRAUDE. NOTAS FISCAIS PARALELAS. PARCELAMENTO DE DÉBITO. REDUÇÃO DE MULTA. LEI Nº 8.218/91. APLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE CONFISCO. TAXA SELIC. LEI Nº 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Recurso Especial contra v. Acórdão que considerou legal a cobrança da multa fixada no percentual de 150% (cinto e cinqüenta por cento) e determinou a incidência da Taxa SELIC sobre os débitos objeto do parcelamento. 2. A aplicação da Taxa SELIC sobre débitos tributários objeto de parcelamento está prevista no art. 13, da Lei nº 9.065, de 20/07/1995. 3. É legal a cobrança de multa, reduzida do percentual de 300% (trezentos por cento) para 150% (cinto e cinqüenta por cento), ante a existência de fraude Fl. 345DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 345 18 por meio de uso de notas fiscais paralelas, comprovada por documentos juntados aos autos. Inexiste na multa efeito de confisco, visto haver previsão legal (art. 4º, II, da Lei nº 8.218/91). 4. Não se aplica o art. 920, do Código Civil, ao caso, porquanto a multa possui natureza própria, não lhe sendo aplicável as restrições impostas no âmbito do direito privado. 5. A exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. 6. Recurso não provido. EMEN: (RESP 200200278487, JOSÉ DELGADO, STJ PRIMEIRA TURMA, DJ DATA:10/06/2002 PG:00162 ..DTPB:.) EMEN: TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. EXTRAVIO. RECINTO ALFANDEGADO. TRIBUTOS ADUANEIROS. PENALIDADE. ART. 44, I, DA LEI 9.430/1996. APLICAÇÃO. 1. Hipótese em que o TRF reconheceu a responsabilidade do titular do recinto alfandegado pelos tributos aduaneiros e pela penalidade por ausência de recolhimento (questões incontroversas). No entanto, entendeu que a sanção aplicada com base no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (75%) não é razoável, pois superior à multa para conduta mais grave (50% para evasão fraudulenta – art. 44, II, da mesma Lei). 2. Por ocasião do extravio e da autuação (2003), a multa para o caso de fraude, prevista no 44, II, da Lei nº 9.430/1996, era de 150%. O dobro da penalidade de 75% aplicada pela fiscalização. 3. Posteriormente, à época do acórdão recorrido (maio de 2007), o dispositivo legal deixou de prever a multa de 150% para fraude, mas, diferentemente do que decidiu o TRF, não fez referência à conduta dolosa para a aplicação da multa de 50% (redação dada pela MP 351, de 22.1.2007, convertida na atual Lei 11.488/2007). 4. Houve a criação de penalidade (art. 44, II, da Lei 9.430/1996 – redação atual), fixada em 50%, para ilícito completamente diverso e específico, sem referência ao intuito de fraude, o que afasta o fundamento do acórdão recorrido. 5. É inviável desconsiderar norma federal expressa (art. 44, I, da Lei 9.430/1996) sem declaração de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula Vinculante 10/STF. 6. Recurso Especial provido. ..EMEN: (RESP 200702176976, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:27/08/2009 ..DTPB:.) EMEN: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO ADQUIRIDO DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. ART. 74, §12, "A" E "B", DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.051/2004). APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE AO TEMPO DO AJUIZAMENTO DA DEMANDA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. ART. 18, §2º, DA LEI N. 10.833/2003 (REDAÇÃO DADA TAMBÉM PELA LEI N. 11.051/2004). 1. Segundo a jurisprudência do STJ, aplicase aos pedidos de compensação a legislação vigente na data do ajuizamento da demanda. Em se tratando de PER/DCOMP transmitida em 14.01.2005 já estava em vigor art. 74, §12º, II, "a" e "b", da Lei n. 9.430/96 (redação dada pela Lei n. 11.051/2004), que considerou não declaradas as compensações efetuadas com crédito de terceiros. 2. Cabível a multa de ofício para o caso, a teor do também vigente (em 14.01.2005) art. 18, §2º, da Lei n. 10.833/2003 (redação dada pela Lei n. 11.051/2004), que trazia Fl. 346DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 346 19 completa a hipótese de incidência da multa, mencionando a violação ocorrida (compensação não declarada) e o percentual da multa aplicável (150%). 3. Recurso especial não provido. EMEN: (RESP 201100395684, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:16/05/2011 ..DTPB:.) EMEN: TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO NÃO ANTECIPADO PELO CONTRIBUINTE. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. IMPOSTO DE RENDA. ARBITRAMENTO. DEPÓSITOS E EXTRATOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182/TFR. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA DO ART. 44, I E II, DA LEI N. 9.430/96. ACÓRDÃO RECORRIDO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME. 1. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para a modificação do julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. 2. O art. 112 do CTN, que preconiza que a legislação tributária que comine sanção ao contribuinte deve ser interpretada de forma mais favorável ao acusado, conforme hipóteses ali previstas, é aplicável "em caso de dúvida", o que não ocorreu na espécie, haja vista o convencimento do magistrado a quo acerca da serventia e suficiência de documentos que comprovam a remessa de quantias à conta bancária mantida pela contribuinte no exterior, considerando que restou incontroversa nos autos a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto. 3. É assente nesta Corte que, quando da revisão da declaração de ajuste anual apresentada a Administração Fazendária constatar a omissão de rendimentos e, consequentemente, apurar existência de imposto de renda a pagar, o prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido lançado o tributo, nos termos do art. 173, I, do CTN. 4. A jurisprudência desta Corte inaugurou novo entendimento no sentido da inaplicabilidade da Súmula 182/TFR (''é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários''), e da possibilidade de autuação do Fisco com base em demonstrativos de movimentação bancária, em decorrência da aplicação imediata da Lei n. 8.021/90 e Lei Complementar n. 105/2001, como exceção ao princípio da irretroatividade tributária. 5. Uma vez assentado, inclusive na sentença, a presença do intuito de fraude, requisito indispensável à incidência da multa de 150%, o órgão julgador manteve sua aplicação com base no art. 44, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação vigente à época dos fatos. 6. Uma análise mais acurada acerca da pretendida redução da multa moratória pelo princípio do não confisco e princípio da proporcionalidade, além de ensejar o reexame de fatos e provas, vedado pela Súmula 7/STJ, atrai a interpretação e aplicação de dispositivos constitucionais, o que não é possível na via especial, nem à guisa de prequestionamento, porquanto matéria reservada Fl. 347DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 347 20 ao Supremo Tribunal Federal, nos termos dos arts. 102, III e 105, III, da Carta Magna. Embargos de declaração parcialmente acolhidos, sem efeitos modificativos, apenas para sanar as omissões apontadas. EMEN: (EDAGRESP 201201925073, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:13/12/2012 ..DTPB:.) (todos os grifos são meus). O crédito principal não é insubsistente ou indevido, pois demonstrado que o contribuinte não faz jus a compensação, pois necessário se faz a ocorrência do trânsito em julgado da decisão, o que não ocorreu, assim sendo não existe direito creditório. De outra forma, ainda, que o direito creditório existe, o que se diz apenas para produzir o debate, a multa poderia ser aplicada, pois essa não depende do crédito principal, mas sim das circunstâncias de sua efetivação e a relação de acessoriedade na seara tributária, não tem a mesma amplitude que na seria civil, veja, o que diz o STF, sobre o assunto. As questões relativas a acessoriedade não tem no âmbito tributário a relação com que se apresenta na seara cível. O Supremo Tribunal Federal – STF no RE 250.844 – SP posicionouse a esse respeito em voto vista do Ministro Luiz Fux, que acabou acompanhado pelo relator Ministro Marco Aurélio Melo, do qual transcrevo o trecho abaixo. Vêse, assim, que o cumprimento da obrigação tributária acessória nada tem a ver com a existência, concomitante, de certa e determinada obrigação principal, ambas devidas pelo mesmo sujeito. O cumprimento de obrigações acessórias possui relevância externa e independente da relação articulada a partir do dever de pagar certo tributo. Projetase sobre outras relações jurídicotributárias, travadas ou não entre os mesmos sujeitos em torno de exações também idênticas ou não. Em verdade, toda controvérsia sobre a matéria decorre do emprego, pela legislação, de um mesmo rótulo (principal/acessória) para designar realidades distintas nos campos civil e tributário. Daí por que a terminologia “acessória”, vista em abstrato, é equívoca. Melhor seria que as mesmas fossem indicadas, pelo menos no campo justributário, por expressão mais precisa e infensa a ambiguidades, tal como “deveres instrumentais”. Sem embargo, o nomen iuris empregado pelo legislador não tem o condão de alterarlhes a essência, a qual, esta sim, deve informar o regime jurídico aplicável à hipótese. A lei que introduziu a multa foi amplamente debatida e discutida no Congresso Nacional, enquanto projeto de lei e após aprovação nas duas casas legislativas, obteve sanção presidencial e promulgação e os critérios de razoabilidade e proporcionalidade na elaboração da lei é dirigido ao legislador em sua função típica, o fisco apenas aplica a legislação em vigor e nada mais, cumprindo o que manda o artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142 e seu parágrafo único, da Lei 5.172/66. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.720020/201301 Acórdão n.º 2803003.390 S2TE03 Fl. 348 21 Extraise da peça recursal que a aplicação do artigo 135 e a sujeição passiva do sócio está mais que comprovada, pois como diz a recorrente: “só pode ser responsabilizado o sócio gerente quando há atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei...”. Como demonstrado pelo agente fiscal e a seguir transcrito o representante da empresa violou a lei ao promover a compensação sem respeitar as determinações e as decisões judiciais obtidas pela recorrente nos dois MS que são citados nos autos. Desta forma, a decisão do CARF colacionada pela recorrente não se aplica, pois nesses autos ficou demonstrada a violação à lei. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente em preliminar e em mérito, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento parcial em razão das matérias que não admitem julgamento no âmbito administrativo, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10830.015792/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
LANÇAMENTO DE DÉBITO. FATO GERADOR. MOTIVAÇÃO INCOMPLETA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE.
É nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação, restando caracterizado vício formal insanável.
A fiscalização deve realizar o lançamento fiscal com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, bem como das contribuições devidas, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, notadamente o art. 142 do CTN.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-003.764
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, ) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Redator. Sustentação oral: Rodrigo Prado Gonçalves. OAB: 208.026/SP.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator ad hoc somente para formalização
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 LANÇAMENTO DE DÉBITO. FATO GERADOR. MOTIVAÇÃO INCOMPLETA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação, restando caracterizado vício formal insanável. A fiscalização deve realizar o lançamento fiscal com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, bem como das contribuições devidas, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, notadamente o art. 142 do CTN. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Redator. Sustentação oral: Rodrigo Prado Gonçalves. OAB: 208.026/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator ad hoc somente para formalização Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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FATO GERADOR. MOTIVAÇÃO INCOMPLETA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação, restando caracterizado vício formal insanável. A fiscalização deve realizar o lançamento fiscal com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, bem como das contribuições devidas, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, notadamente o art. 142 do CTN. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Redator. Sustentação oral: Rodrigo Prado Gonçalves. OAB: 208.026/SP. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 57 92 /2 00 9- 44 Fl. 978DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator ad hoc somente para formalização Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.015792/200944 Acórdão n.º 2301003.764 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório 1. Tratase de Recurso de Oficio interposto pela julgadora de primeira instância, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) em razão de decisão que julgou procedente a impugnação e anulou o presente auto de infração trazido a litígio, exonerando o crédito tributário exigido. 2. Registrese, por oportuno, que ao presente Auto de Infração de exigência de obrigação principal – AIOP (10830.015791/20908; DEBCAD nº 37.212.7223) foram juntados por apensação os processos nº 10830.015792/200944 (DEBCAD nº 37.212.7231) e nº 10830.015785/200942 (DEBCAD 37.198.6770). 3. Trataremos dos fatos inerentes ao processo 10830.015791/200908 (DEBCAD nº 37.212.7223), o qual se refere a contribuições previdenciárias devidas pela empresa destinadas ao Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT e ao FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Sociais, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados a serviço da impugnante, no período de 05/2004 a 12/2006; do processo nº 10830.015785/200942 (DEBCAD nº 37.198.6770), que trada das contribuições dos segurados empregados devidas à Seguridade Social; e do processo 10830.015792/200944 (DEBCAD nº 37.212.7231), referente a contribuições destinadas a terceiros – FNDE (Salário Educação), SENAI, SESI, SEBRAE e INCRA incidentes sobre o salário de contribuição discriminado em folha de pagamento e não declaradas em GFIP, no período de 01/2004 a 12/2006. 4. O contribuinte foi devidamente intimado e apresentou impugnação em 29/12/2009, onde inicialmente informa que é sucessora de LUCENT TECHNOLOGIES COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA e que a impugnação é tempestiva. Alega, ainda, pelas razões de fato e de direito que “parte do lançamento já foi abrangida pelo instituto da decadência, conforme prevê o parágrafo 4º, artigo 150 do Código Tributário Nacional – CTN e, portanto, devem ser excluídas as contribuições referentes ao período de 01/2004 a 10/2004. 5. O colegiado de primeira instância entendeu que a impugnação foi procedente e anulou o lançamento fiscal, restando o julgado ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 LANÇAMENTO DE DÉBITO. FATO GERADOR. MOTIVAÇÃO INCOMPLETA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. É nulo o lançamento efetuado em desconformidade com as disposições legais e normativas que prescrevem o dever de motivação, restando caracterizado vício formal insanável. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” 6. A conclusão da decisão exarada pela autoridade julgadora de primeira instância foi a seguinte: “Oportuno salientar o fato de que a atividade administrativa, consistente na verificação da ocorrência do fato gerador, na determinação da matéria tributável e Fl. 980DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 no cálculo do montante do tributo devido, é vinculada (art. 142, caput e parágrafo único, do CTN). A administração pública, in casu, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, deve demonstrar que o seu ato está em conformidade com as prescrições legais, de modo a permitir o conhecimento e controle dos motivos que a levaram a praticálo. O lançamento em exame, na forma como foi efetuado, não atende ao disposto no artigo 37 da Lei nº 8.212/91 combinado com o artigo 243 do RPS/1999 e no artigo 142 do CTN, uma vez que não trouxe informação clara e precisa acerca da base de cálculo utilizada no levantamento NDC (Z10). Portanto, se não me é possível determinar quais são efetivamente as bases de cálculo, o que tornaria o lançamento líquido e certo, ainda que o fato gerador possivelmente tenha ocorrido, entendo que o presente auto deva ser anulado, por apresentar vício em sua forma. Diante do exposto e com base nos critérios legais noticiados, VOTO no sentido de RECEBER a impugnação apresentada, por tempestiva e ANULAR o presente Auto de Infração trazido a litígio”. 7. Justifica a autoridade julgadora o recurso de oficio conforme expressamente previsto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e da portaria MF Nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. “a autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão de exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total, lançamento principal e decorrentes, a ser fixado em ato do ministro de Estado da Fazenda”. O crédito lançado passa de 11 milhões. 8. Dessa forma, em cumprimento do dispositivo supra mencionado, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO MÉRITO 2. A decisão de primeira instância julgou por anular o lançamento fiscal, consubstanciado na conclusão de que o auto de infração trazido a litígio não teria obedecido aos ditames do artigo 142 do CTN, ante a ausência da correta determinação da matéria tributável e do cálculo do montante do tributo devido. Eis a conclusão do acórdão recorrido: “Oportuno salientar o fato de que a atividade administrativa, consistente na verificação da ocorrência do fato gerador, na determinação da matéria tributável e no cálculo do montante do tributo devido, é vinculada (art. 142, caput e parágrafo único, do CTN). A administração pública, in casu, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, deve demonstrar que o seu ato está em conformidade com as prescrições legais, de modo a permitir o conhecimento e controle dos motivos que a levaram a praticálo. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.015792/200944 Acórdão n.º 2301003.764 S2C3T1 Fl. 4 5 O lançamento em exame, na forma como foi efetuado, não atende ao disposto no artigo 37 da Lei nº 8.212/91 combinado com o artigo 243 do RPS/1999 e no artigo 142 do CTN, uma vez que não trouxe informação clara e precisa acerca da base de cálculo utilizada no levantamento NDC (Z10). Portanto, se não me é possível determinar quais são efetivamente as bases de cálculo, o que tornaria o lançamento líquido e certo, ainda que o fato gerador possivelmente tenha ocorrido, entendo que o presente auto deva ser anulado, por apresentar vício em sua forma. Diante do exposto e com base nos critérios legais noticiados, VOTO no sentido de RECEBER a impugnação apresentada, por tempestiva e ANULAR o presente Auto de Infração trazido a litígio.” 3. Com efeito, a decisão constatou diversas inconsistências na lavratura do auto de infração, as quais colocam em dúvida a certeza e a exigibilidade do crédito lançado, tais como: “No presente caso, constatamos, dentre outras inconsistências, que: i) O DD, como já exposto acima, não reflete o que está descrito no Relatório Fiscal, e as Informações apresentadas também não elucidaram o modus faciendi utilizado pelo Auditor Fiscal ; ii) Não conseguimos identificar se o fato gerador das contribuições indicadas sob o título, NDC SEG EMPREG NAO DECL GFIP COM, referese às diferenças indicadas no item 8 do RF e estariam discriminadas na planilha RELATÓRIO REMUNERAÇÃO DEFINIDA POR TRABALHADOR NA EMPRESA INCORPORADA ou se representam a indicação contida nos item 12 e 13, pois o RF é silente quanto à citação/vinculação das planilhas ao levantamento que cita. • Inicialmente há que se questionar, quais seriam os SEG EMPREG NAO DECL GFIP COM ou se essa informação referese a fatos geradores não declarados em GFIP, não há informação a esse respeito no REFISC. • Na planilha RELATÓRIO REMUNERAÇÃO DEFINIDA POR TRABALHADOR NA EMPRESA INCORPORADA (anexada ao processo principal) aparentemente estão relacionados os empregados que constam em GFIP, verifiquei por amostragem, e esta foi uma das razões que solicitei a elaboração de planilha, totalizando as diferenças observadas por competência, com a devida indicação do que se trata, e se há relação entre a citada acima e a do RELATÓRIO TOTAL MENSAL POR RUBRICA NA EMPRESA INCORPORADA (anexada ao processo principal); Esse levantamento englobaria quais verbas? Seriam PPR – Plano de Participação nos Resultados e VT – Vale Transporte pago em pecúnia? Ou outras referentes aos empregados ou fatos geradores não declarados em GFIP? • As planilhas RELATÓRIOS TOTAIS MENSAIS POR RUBRICA NA EMPRESA INCORPORADA referentes a 2004, 2005 e 2006 relacionam todas as rubricas da folha de pagamento. É de se notar que as planilhas trazem os dados referentes a todas as competências dos exercícios citados e, conforme DD, não há lançamentos para todos os meses. Qual a intenção de se relacionar dados que não dizem respeito a este AIOP? • Como aparentemente os valores lançados nesse levantamento (NDC) referemse a VT e PPR, e na tentativa de entendêlo extraí as que tratam dessas rubricas para compor a base de cálculo lançada, porém sem sucesso, uma vez que não existe valor relacionada para a competência de 12/2006. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 • Foi solicitado que se esclarecesse o RELATÓRIO REMUNERAÇÃO DEFINIDA POR TRABALHADOR NA EMPRESA INCORPORADA (o que não ocorreu), porém, tal planilha apresenta duas formatações, explicome, planilha referente ao ano de 2004 é formado por 388 folhas, sendo que até às fls. 194 as competências estavam indicadas, porém a partir da fl. 195 essa coluna foi suprimida, dessa forma não há como identificar o período da ocorrência da remuneração ali relacionada. As planilhas referentes a 2005 e 2006 apresentam as mesmas características. Somatória por competência não realizado por não estar esclarecido de que se trata. • Ainda, na tentativa de encontrar a base de cálculo, analisamos a planilha Relatório Cálculo Divergência Segurados na Incorporada, porém, os valores ali somados não guardam relação com o levantamento NDC, pois o somatório das contribuições discriminadas para a competência 12/2006 na referida planilha perfaz R$4.757,04, enquanto que no DD está lançado R$8.026,17.” (fls. 2237/2238) 4. O fiscal, por sua vez, teve oportunidade de corrigir a autuação por intermédio da realização de diligência fiscal. Contudo, ao contrário do exigido pela autoridade julgadora, preferiu justificar a manutenção do auto. 5. De maneira que, no meu sentir, deve ser mantida a decisão recorrida que anulou o lançamento fiscal, eis que não atendidos os ditames do art. 142 do CTN, prejudicando o direito de defesa do contribuinte e a exigibilidade do débito lançado. 6. Além do mais, é nítido que o lançamento efetuado está em desconformidade com as disposições legais que prescrevem o dever de motivação do ato administrativo, restando evidente o vício apontado na decisão recorrida. 7. O Regulamento da Previdência Social – RPS (Decreto nº 3.048, de 06/05/1999), ao normatizar o artigo 37 da Lei nº 8.212/1991, asseverou a necessidade de que os atos de lançamento devem conter a discriminação clara e precisa dos fatos geradores e das contribuições devidas: “Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.” 8. Com isso, meu voto é por manter a decisão recorrida, uma vez que corretamente anulou o lançamento fiscal. CONCLUSÃO 9. Nestes termos, conheço do recurso de ofício para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator ad hoc somente para formalização Fl. 983DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10830.015792/200944 Acórdão n.º 2301003.764 S2C3T1 Fl. 5 7 Fl. 984DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 11128.006874/2009-05
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/09/2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 68 74 /2 00 9- 05 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006874/200905 Acórdão n.º 3801003.285 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13819.002427/2002-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.718
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Karina Marques Machado, OAB/SP 242.615.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Karina Marques Machado, OAB/SP 242.615. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração eletrônico lavrado em 10 de maio de 2002, decorrente do processamento da DCTF do ano calendário de 1997, exigindo crédito tributário no valor de R$ 457.521,19, relativo à falta de recolhimento da Contribuição ao PIS, diante da não comprovação de processo judicial informado em DCTF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .0 02 42 7/ 20 02 -4 0 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.002427/200240 Resolução nº 3801000.718 S3TE01 Fl. 12 2 Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou sua impugnação alegando, em síntese, que incorreu em erro de preenchimento das DCTF, pois o número da ação judicial é 97.00063046, e não “97.63046”, como informado; requerendo, portanto, o cancelamento do auto de infração, da multa de ofício e dos juros exigidos, por inexistir falta de pagamento do tributo, comprovando, inclusive, a incorreção no número do processo inserto na DCTF através da apresentação de certidão de objeto e pé do processo correto. Ao analisar o feito, a DRJ de Campinas verificou que, de fato, o processo judicial mencionado transitou em julgado em 02 de junho de 2000, e que, quando da ciência do lançamento em 10 de junho de 2002, já havia ocorrido o trânsito em julgado da ação judicial, autorizando a contribuinte a compensar a Contribuição ao PIS com o próprio PIS. Porém, entendeu que a discussão judicial acerca da possibilidade de compensação não é obstáculo à formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício decorrente de revisão de DCTF em que não foi possível confirmar o número do processo judicial nos sistemas informatizados, porquanto o lançamento, consoante o art. 142 do CTN, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, ainda que a exigibilidade do crédito esteja suspensa. Argüiu também que, embora não obstaculizado o lançamento, incabível apreciação das razões de mérito da exigência relativamente ao reconhecimento do direito creditório e à admissibilidade da compensação, pois foram objeto de discussão na ação judicial. Asseverou ainda, a DRJ, ser dispensável encaminhar previamente o processo em diligência para verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito alegado, tendo em conta que, independentemente de amparo judicial e suficiência do crédito, a multa de ofício não mais prevalece em função da retroatividade benigna de legislação superveniente (art. 18 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003) Assim, a DRJ firmou entendimento no sentido de DEIXAR DE APRECIAR o mérito na parte em que há identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário, e, no mais, considerar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação para manter os valores principais lançados e exonerar a multa de ofício sobre eles aplicada, atentandose para a necessidade de verificar os efeitos, sobre o crédito tributário mantido, do trânsito em julgado de decisão judicial anterior ao lançamento, com a conseqüente necessidade de, anteriormente à cobrança e considerando outros débitos que tenham sido vinculados à mesma ação judicial, verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito reconhecido judicialmente, para fins de compensação com os débitos autuados. Inconformada, a contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário, argüindo cerceamento do seu direito de defesa, pois recebeu o Termo de Intimação 0125/2009, de modo conjunto para os processos administrativos 13819.00184/200222 e 13819.002427/200240, requerendose a apresentação de documentos que comprovassem os recolhimentos indevidos feitos a título de PIS de acordo com os Decretos 2.445/88 e 2.449/88, bem como que se elaborasse planilha dos créditos compensados. Destacava a intimação que a ausência de apresentação dos documentos solicitados inviabilizaria a análise do mérito da defesa e redundaria na cobrança de todo o crédito tributário. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.002427/200240 Resolução nº 3801000.718 S3TE01 Fl. 13 3 Assim, tratou a Recorrente de apresentar toda a documentação solicitada. Porém, esta não foi sequer juntada aos presentes autos, o que importou na não apreciação, pela autoridade julgadora, daquilo que se pretendia ser tão relevante para o deslinde da questão. Requer, assim, a nulidade do acórdão da DRJ, em face da omissão quanto aos elementos probatórios trazidos nos autos pela Recorrente. Argüiu ainda que não há que se falar em concomitância entre a ação judicial referida e este auto de infração, porquanto na ação judicial o que se questionou foi a constitucionalidade do recolhimento do PIS nos moldes dos Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88, requerendose o direito de a contribuinte se creditar de tudo o que fora recolhido a este título; e que o que se deve discutir no presente processo é se a execução do procedimento compensatório por parte da Recorrente foi feita corretamente. Destacou ainda que a autuação fiscal foi lavrada justamente por conta de suposta irregularidade no crédito indicado em face da inserção incompleta do número do processo judicial onde houve o reconhecimento desse direito. Requer, assim, que seja anulado o acórdão da DRJ. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente obteve o trânsito em julgado em 2 de junho de 2000, dois anos antes do presente lançamento, reconhecendo o seu direito de compensar os valores indevidamente pagos a título de PIS nos moldes dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88 com créditos desta mesma contribuição e, com base nessa decisão judicial, exerceu o seu direito. Em face de um erro meramente formal da Recorrente, o qual restou esclarecido e comprovado no curso do processo, através da juntada da documentação requerida pela própria Administração Fazendária, a autoridade administrativa simplesmente deixou de exercer o seu dever de analisar detidamente a compensação realizada, muito embora seja o sujeito que possui competência para esse mister. Não há, deveras, como se admitir a negativa de cumprimento do teor de uma decisão judicial transitada em julgado. O Direito não abraça essa situação. E ao manter o lançamento de um débito que foi objeto de compensação autorizada judicialmente, sem que haja qualquer apreciação da regularidade do procedimento compensatório a este atrelado, estar seá diante da discrepante situação em que o pronunciamento judicial está destituído de qualquer força normativa vinculante, ao arrepio do princípio contido no artigo 5o., inciso XXXVI, da Constituição Federal. Justificar a manutenção do lançamento à prejudicialidade da questão judicial sobre a administrativa importa em admitir a cobrança de valores compensados com base em decisão judicial transitada em julgado autorizadora dessa compensação. Justificativas dessa natureza representam a vontade do agente administrativo em sobreporse às decisões judiciais, o que é defeso ocorrer. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.002427/200240 Resolução nº 3801000.718 S3TE01 Fl. 14 4 Portanto, partindose da premissa de que a compensação é forma de extinção do crédito tributário, e que esta deve ser examinada pela autoridade administrativa (tendo em vista que tratase de atividade diretamente ligada ao lançamento tributário), é de competência privativa da autoridade administrativa a homologação do crédito compensado em declaração do contribuinte, a teor do artigo 142 do CTN. Ora, no caso presente, a decisão judicial transitada em julgado reconheceu o direito da Recorrente efetuar a compensação tributária prevista no artigo 66 da Lei no. 8.383/91, por intermédio de lançamento na escrita e anotação da compensação na DCTF entregue. Por essa razão, possui a Recorrente o direito de que sua compensação seja averiguada. Apenas após essa análise é que os débitos, caso a compensação não seja homologada, podem ser cobrados. O que se deve ter em vista, no presente processo, é se a execução da decisão judicial, pela Recorrente, foi realizada de forma regular, e, nesse caso, possui o condão de extinguir o débito compensado. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para fins de apurar o direito creditório decorrente da Ação Judicial no. 97.00063046, transitado em julgado, e havendo o direito creditório, verificar se os créditos são suficientes para a extinção dos débitos objeto do presente auto de infração. Após, abrase prazo para o contribuinte se manifestar acerca da diligência. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 576DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/06/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10665.722826/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Luiz Roberto Domingo Presidente em exercício.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 31/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Luiz Roberto Domingo Presidente em exercício. Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. EDITADO EM: 31/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Luiz Roberto Domingo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Luiz Roberto Domingo – Presidente em exercício. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 31/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Luiz Roberto Domingo. Relatório Trata o presente processo de crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado contra o estabelecimento em epígrafe (fls. 03 a 10), instruído pelos demonstrativos (fls. 11 a 22) e termo de verificação fiscal e seus demonstrativos (fls. 25 a 34), referente ao imposto sobre produtos industrializados (IPI), acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao período de apuração de 01/01/2008 a 31/12/2010. A multa de oficio aplicada, no percentual de 75%, foi dividida em duas partes: uma calculada sobre o IPI apurado e outra sobre o valor do IPI não lançado com cobertura de crédito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .7 22 82 6/ 20 12 -1 3 Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10665.722826/201213 Resolução nº 3101000.355 S3C1T1 Fl. 4 2 Foram apuradas as seguintes infrações, conforme descrição do Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal: (i) 001 – PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DE IPI – CARACTERIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL Vendas de produtos sem destaque de IPI. As notas fiscais relativas à infração foram relacionadas no Anexo 05 do Termo de Intimação Fiscal de 25/09/2012, do qual foram excluídas, para efeito de autuação, as de nº 28634, 28726, 38548, 40272, 40273, 50572, 54394, visto ter o contribuinte comprovado o lançamento do imposto em notas fiscais complementares. (ii) 002 – PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DE IPI – INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI Segundo o entendimento fiscal, após a análise dos documentos apresentados pelo contribuinte no procedimento fiscal, ficou caracterizado que a classificação fiscal adotada pelo estabelecimento industrial na saída do produto denominado “Laminado plano” estava em desacordo com a Tabela de Incidência do IPI – TIPI, por inobservância da Nota 1, alínea K do Capítulo 72, visto que foi indevidamente classificado como “Barras”. A classificação adotada pelo contribuinte foi amparada em laudo técnico produzido pelo Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais. As notas fiscais relativas à infração foram relacionadas nos Anexos 01, 02 e 03 ao Termo de Intimação Fiscal de 25/09/2012 (o anexo 03 foi modificado para exclusão de operações não caracterizadas como vendas de produção própria, conforme demonstrativo de nº01). (iii) 002 – PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DE IPI – INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI Segundo entendimento fiscal, ocorreu também a saída de produtos descritos como “Tarugo”, com classificação de “Barras”. Foi considerado pela fiscalização que a classificação fiscal seria 7211.1300 e 7211.1400, ambas relativas a ‘laminados planos, por estarem os produtos dentro das especificações da Nota 1, alínea K do Capítulo 72 da TIPI.. As notas fiscais relativas à infração foram relacionadas nos no Anexo 04 do Termo de Intimação Fiscal de 25/09/2012 e no demonstrativo de nº 02. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10665.722826/201213 Resolução nº 3101000.355 S3C1T1 Fl. 5 3 Cientificada do lançamento de ofício, a autuada, por meio dos procuradores regularmente constituídos apresentou sua impugnação, na qual, em síntese, alega que: (i) o Fisco reconstituiu a escrita fiscal, fazendo incidir tributação sobre notas fiscais canceladas, conforme relação e cópias em anexo, gerando imposto sobre o valor de R$2.142.472,04; (ii) o entendimento da fiscalização consistiria numa frontal violação ao disposto no artigo 1º, inciso I, do Decreto nº 5.697, de 08/02/2006, que estabeleceria que as “Barras” classificadas na posição “72.14” tiveram sua alíquota reduzida a zero. Citou o resultado de um laudo de avaliação por ela solicitado junto ao Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais. Afirma que a distinção entre ‘laminados planos’ e ‘barras chatas’, não pode se restringir apenas às suas dimensões, nos termos das notas explicativas do capítulo 72 da TIPI, por existir grande diferença entre os “Aços longos – barras chatas” e os “Aços planos”, e que, enquanto esses são utilizados na sua maioria na linha de fabricação automotiva e de eletrodomésticos, aqueles são utilizados na construção civil, o que, inclusive, teria sido o fator determinante para que o Poder Executivo tivesse reduzido sua alíquota a zero por meio do citado Decreto nº 5.697, de 2006. Socorreuse do art. 98 do Código Tributário Nacional para invocar a aplicação da Normatização da Siderurgia para paises do Mercosul, NM 182:99, que definiria “Barra chata”. (iii) quanto ao anexo 4, embora a mercadoria tenha sido descrita como ‘tarugo’, tratase de “barras chatas”, que, incorretamente, foram descritas de forma diversa (tarugos) nas notas fiscais de saída, e ratifica e reitera todos os argumentos expendidos no item anterior. (iv) quanto ao anexo 5 (infração 001), a impugnante concorda que realmente houve equívoco, incorrido quando da implantação do novo sistema de computação “SAP”. (v) contesta o lançamento da a multa de ofício, alegando confisco, e a aplicação da regra do art. 138 do CTN, por entender que mesmo que o valor do imposto não tenha sido lançado na nota fiscal, há, relativamente a cada período em que os créditos superam os débitos do imposto, uma denúncia espontânea da infração, uma vez que o valor do imposto, embora não lançado na nota fiscal, é pago por meio de abatimento dos créditos do período correspondente. A 3ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0943.684, de 30 de abril de 2013, por unanimidade de votos, julgando procedente o lançamento. A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Juiz de Fora, interpôs o Recurso Voluntário, onde apresenta as seguintes alegações: (i) o lançamento sobre as notas fiscais canceladas, por não ter concretizado nenhuma transação comercial, não incidindo o IPI sobre as mesmas. Requer a realização de diligência para comprovação dos fatos alegados; (ii) a classificação dos produtos como “laminados planos”, afirmando que a sua Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10665.722826/201213 Resolução nº 3101000.355 S3C1T1 Fl. 6 4 distinção entre “barras chatas” não poderia se restringir apenas às suas dimensões, nos termos das notas explicativas do Capítulo 72 da TIPI; e (iii) a aplicação indevida da multa prevista no caput do art. 80 da Lei nº 4.502/64, no caso de IPI não lançado nas notas fiscais, mas coberto com crédito do imposto. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Preliminarmente devemos apreciar a assertiva da Recorrente, também trazidas na impugnação, de que Fisco, em sua reconstituição de ofício da escrita fiscal, fez incidir tributação sobre notas fiscais canceladas, em relação aos documentos relacionadas em sua impugnação (fls. 1399 a 1401) e anexadas (fls. 1402 a 1510), gerando imposto sobre o valor de R$2.142.472,04. Sobre tal ponto, o órgão julgador a quo assim se manifestou: Na documentação apresentada pela impugnante, só se percebem cópias de uma das vias de cada nota fiscal, com aposição de um lacônico carimbo com o dizer “cancelado”. Ora, restando ausentes as demais vias, bem como a declaração do motivo que determinou o cancelamento, não há como se aceitar a argumentação de cancelamento aduzida pela autuada. Ou seja, o cancelamento das notas fiscais em tela restaria caracterizado com a demonstração de que todas as vias das referidas notas continuaram conservadas no bloco ou sanfona de formulários contínuos, com a declaração, em todas, do motivo do cancelamento, condição que não se evidencia nos autos. Com efeito, a impugnação mostrase destituída de supedâneo jurídico probatório do cancelamento alegado pela impugnante, persistindo, então, a consideração de tais notas na reconstituição de ofício da escrita fiscal. A Recorrente alega que o cancelamento das notas fiscais emitidas eletronicamente são autorizadas pela Fazenda Estadual e sob fiscalização desta, pelo não possuía a Recorrente meios de anexar à sua impugnação os “blocos” ou “formulários contínuos” de todas as vias das referidas notas, alegando ainda que tal fato poderia ter sido constatado em procedimento de diligência fiscal. Entendo que a questão merece ser melhor esclarecida, com a efetiva apuração da ocorrência ou não do fato gerador do IPI nas operações vinculadas às notas fiscais alegadamente canceladas. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10665.722826/201213 Resolução nº 3101000.355 S3C1T1 Fl. 7 5 Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA, com retorno dos autos à unidade de origem, para que a autoridade preparadora apure a ocorrência do fato gerador do IPI nas operações vinculadas às notas fiscais relacionadas pela recorrente às fls. 1399 a 1401 e anexadas às fls. 1402 a 1510, de forma a comprovar o efetivo cancelamento das mesmas, com análise de sua escrita fiscal e contábil, elaborando um parecer conclusivo acerca da alegação da recorrente de incidência de tributação de IPI sobre notas fiscais canceladas, e demonstrativo de cálculo, no caso de apuração de lançamento indevido. Do resultado da diligência deverá ser dado ciência ao contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das sessões, em 24 de abril de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 13831.000495/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 31 .0 00 49 5/ 20 07 -1 1 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13831.000495/200711 Resolução nº 2401000.342 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AI de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.076.7969, , em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 02 e seguintes, no decorrer do procedimento fiscal, foi constatado que a empresa deixou de informar nas GF1P's Guia de Recolhimento do FGTS e Informações A. Previdência Social , as remunerações dos contribuintes individuais, Cristiane Tofoli Gonçalves de Almeida, período 01/2002 a 05/2007 e Anibal Ventura Gonçalves Almeida, período 01/2006 a 05/2007, ambos sócios administradores da empresa, conforme contrato social e alteração contratual. Desta forma, a empresa deixou de informar corretamente todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV e § 5°, da Lei n° 8.212 de 24/07/91, também acrescentado pela Lei n° 9.528 de 10/12/97 combinado com o art. 225, IV, § 4 do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06.05.99. Como a empresa não informou as remunerações dos sócios nas GFIP's, folhas de pagamento e também não exibiu a contabilidade, as remunerações dos segurados contribuintes individuais foram arbitradas conforme prescreve o artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212 de 24/07/1991; o artigo 233 do Decreto n° 3.048 de 07/05/1999 e a Instrução Normativa n°03, de 14/07/2005, artigos 596 e 597. No período de 01/2002 a 12/2003, para apurar a remuneração de Cristiane Tofoli Gonçalves de Almeida, foram considerados os rendimentos atribuídos A sócia, informados na Declaração Anual Simplificada — PJ , exercício 2002 e na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, exercício 2003. No período de 01/2004 a 05/2007, na ausência de outros elementos, foi considerada para a base de cálculo, a maior remuneração paga a empregados da empresa, verificada nas folhas de pagamento. Desta forma foi apurada também a remuneração do sócio Anibal Ventura Gonçalves Almeida, no período de 01/2006 a 05/2007. Os empregados que receberam as maiores remunerações e que serviram de parâmetro para a apuração das contribuições devidas foram: Junio César Ferreira, período 01/2004 a 09/2004 e Dirceu Carvalho Ramon , período 10/2004 a 05/2007. A empresa fez opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES em 21/12/1998, data de sua constituição. Em 01/01/2002 foi excluída do sistema, dado este, verificado no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 15/10/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/10/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 33 a 34, onde alegou: Ínclitos julgadores, em que pese o respeitável e brilhante trabalho da digna sra. AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, sra. Rita Marta Marinelli Franco Maciel, não é forçoso dizer que a multa lavrada encontrase nula de pleno direito, tendo em vista que o ato Fl. 83DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13831.000495/200711 Resolução nº 2401000.342 S2C4T1 Fl. 4 3 declaratório do qual teria excluído a Impugnante do SIMPLES deixou de atender o § 30 do art. 15 da Lei 9.732 1 , de 11 de dezembro de 1988, qual seja o direito do contraditório e da ampla defesa, vindo a distorcer a aplicação da legislação para os fatos geradores no caso em tela, razão pela qual pugnase pela nulidade do presente AIIM, por encontrarse embasado em vicio de origem, sob pena de violação de vários princípios constitucionais consagrados na carta cidadã. Ademais, a Impugnante, por erro do fisco, se assim é que podemos dizer, com a devida vênia, pagou os impostos pelos SIMPLES ate 12/02, contrariando a própria decisão que a teria excluído, não podendo, portanto, transferir o erro a parte mais fraca e vulnerável da relação jurídicatributária, conforme discriminado pela SRF no documento em anexo (DOC. 1). A Impugnante sempre teve um baixo faturamento.Porém, foi excluída de forma inconstitucional, porque o que era ã época um grande faturamento, acima do teto previsto, se tornou um pequeno faturamento, já no SUPER SIMPLES, demonstrando, o reclamo da população das iniquidades do sistema. Ademais, o fato de ter tido uma sócia que possuia participação em outra empresa, digase minima, sem direito a atos de gestão, comparecendo ao ato como esposa do cotista majoritário apenas para satisfazer a legislação comercial, por meio do empréstimo de nome, mantendose a unicidade e comunhão interesse familiar em comum, não demonstraria concorrência desleal, ou infração ã lei, capaz de desvirtuar o principio da igualdade, principio este fundamental e criador do SIMPLES, a ensejar a sua exclusão. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 56 a 66. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/10/2007 AUTODEINFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos fato geradores de contribuições previdenciárias. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Empresa excluída do SIMPLES fica sujeita As normas de tributação aplicáveis As demais pessoas jurídicas. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental no contencioso administrativo previdencidrio deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de faze10 em outro momento processual. salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO FORMULADO. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13831.000495/200711 Resolução nº 2401000.342 S2C4T1 Fl. 5 4 No processo administrativo fiscal, considerase não formulado o pedido de diligência/perícia, quando o requerente não apresenta justificativas para o pedido ou não formula quesitos referentes aos exames desejados. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. Desnecessária perícia, uma vez que o lançamento se deu com base em descumprimento de requisitos da lei especifica. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. vedado à Administração Pública o exame da Legalidade e Constitucionalidade das Leis. NÃO CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE DE ATENUAÇÃO / RELEVAÇÃO DA MULTA. A não correção da falta constitui óbice à concessão da atenuação/relevação da multa. Autuação Procedente com Manutenção da Multa. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 58 a 62, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: 1. Verificase que, por medida de justiça fiscal, a r. decisão, ora guerreada deverá ser reformada integralmente em favor do contribuinte, anulandose a NFLD em testilha, tendo em vista que a matéria de direito discutida em questão no que concerne o prazo qüinqüenal para a formação do credito tributário previdenciário se extingue no prazo de 5 anos e não no de 10 anos, à partir do fato gerador do tributo Ínclitos julgadores, em que pese o respeitável e brilhante trabalho da digna sra. AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, sra. Rita Marta Marinelli Franco Maciel, não é forçoso dizer que a multa lavrada encontrase nula de pleno direito, tendo em vista que o ato declaratório do qual teria excluído a Impugnante do SIMPLES deixou de atender o § 30 do art. 15 da Lei 9.732,de 11 de dezembro de 1988, qual seja o direito do contraditório e da ampla defesa, vindo a distorcer a aplicação da legislação para os fatos geradores no caso em tela, razão pela qual pugnase pela nulidade do presente AIIM, por encontrarse embasado em vicio de origem, sob pena de violação de vários princípios constitucionais consagrados na carta cidadã. 2. Portanto, nulificado o ato, deixase, conseqüência, de existir a obrigação tributária exigida em tela, posto que os seus efeitos somente poderão atingir os atos futuros, à partir da nova decisão administrativa ou do novo ato declaratório excluindo a recorrente do SIMPLES, e estando a empresa inativa há mais de anos, nada mais deve ao Fisco em sede de obrigação principal. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 13831.000495/200711 Resolução nº 2401000.342 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl.70. Superados os pressupostos, passo ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. A decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte dos AI de Obrigação Principal lavradas durante o mesmo procedimento fiscal, mas, os quais não foi possível identificar a correlação direta com o presente AI, quais sejam: DEBCAD Nº 37.076.7985, 37.076.8000, 37.076.8027, 37.076.8035 e 37.076.8051, conforme descrito do TEAF, sendo que não se identificou decisão final a respeito da mesma nos sistemas do CARF. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível a análise tendo por base o resultado da referida NFLD Dessa forma, para que se possa proceder ao julgamento, devem ser prestadas informações acerca das AIOP conexo(s). Caso as referidas AIOP já tenham sido quitadas, parceladas ou julgadas definitivamente deve ser colacionada tal informação aos presentes autos. No caso, requer seja realizado detalhamento acerca do resultado, do período do crédito e da matéria objeto de cada AI, para que se possa identificar corretamente a correlação de cada AI com seu resultado e proceder ao julgamento do auto de infração de obrigação acessória em questão. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser prestadas as informações nos termos acima descritos. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vista ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 14033.003573/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé Relatora
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama e José Paulo Puiatti e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé – Relatora Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama e José Paulo Puiatti e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Brasília que não conheceu a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que haveria identidade entre a matéria objeto de litígio e a de ação judicial. Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Per/Dcomp (fls. 1 a 17), relacionados na Tabela 1 do relatório do despacho decisório, nos quais a empresa acima identificada compensou crédito reconhecido por sentença judicial com débitos de IRRF, Cofins e Pis no valor total de R$ 10.950.467,53. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 03 57 3/ 20 08 -8 8 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 13 2 No despacho decisório (fls. 56 a 60), a autoridade fiscal competente homologou parcialmente as declarações de compensação, porque o saldo remanescente (R$ 1.290.815,01) do quantum (R$ 11.499.393,77) do crédito apurado no processo n° 14033000196/200825 não foi suficiente para liquidar o total dos 4 débitos confessados. A contribuinte tomou ciência da decisão proferida no despacho decisório, acima citado, 2/04/2009 (AR — fl. 61v). Inconformada em 21/05/2009 apresentou a manifesta inconformidade (fls; 62 á 75), na qual transcreve os fatos; discorre sobre a abrangência da decisão judicial transitada em julgado e sobre o processo de habilitação do crédito na Receita Federal; faz quadros demonstrativos e, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: é detentor de decisão judicial, transitada em julgado, que reconheceu seu direito à compensação de indébito tributário relativo aos valores de PIS/PASE indevidamente recolhidos no período de 10 anos anteriores ao ajuizamento da ação judicial, ou seja, a partir de setembro de 1986 com tributos administrados pela Receita Federal; amparado pela decisão judicial transitada em julgado, requereu, em 28/12/06, a habilitação do valor (R$ 52.168.664,04) total do crédito atualizado, à época, conforme anexo (Doc. 3). Apesar da clareza da sentença judicial, a Receita Federal entendeu, consoante Despacho Decisório EQAJUD/DICAT/DRF/BSA n° 58, de 29/05/07, que os pagamentos indevidos alcançados pela decisão judicial foram somente os efetuados a partir de julho de 1988; em 11/05/07, respondendo a Termo de Intimação Fiscal, demonstrou, reafirmou e esclareceu ao Fisco a amplitude do seu direito creditório, de agosto/1986, pois a decisão final reconheceu que o prazo prescricional deveria ser de 10 anos, contados a partir do ajuizamento da ação, que ocorreu em setembro/1996. No entanto, ignorando a clareza da sentença judicial, esse órgão, usurpando o papel do judiciário, aplicou seu entendimento ao caso e, displicentemente, julgou que os pagamentos indevidos ocorreram apenas a partir de julho de 1988, deferindo apenas parcialmente a habilitação, no valor de R$ 44.8,41.111,52; diante dos desrespeitados à decisão proferida pelo STF, acobertada pelo manto da coisa julgada, inclusive para fina de ação rescisória, não lhe restou outra alternativa a não ser buscar seu direito novamente junto ao judiciário, ao impetrar, em 03/09/2007, o Mandado de Segurança 2007.34.00.0308022, com pedido de liminar, visando habilitação do crédito relativo ao período de setembro de 1986 a junho de 1988 que, ilegalmente, foi negada administrativamente por essa Receita Federal; com a denegação da liminar pleiteada, interpôs o Agravo de Instrumento n° 2007 01 00 0449551 acolhido pelo TRF, em julgamento realizado em 07/12/2007 (doc 4). Nessa decisão, assim se manifestou o Juizado Federal: "Nem mesmo a Súmula 121/STJ pode ser invocada como óbice à pretensão do agravante, pois, o que se busca é o direito de habilitação, perante a Receita Federal, de crédito já transitado em julgado, cujos limites temporais foram ali definidos "; Nesse contexto, resta evidente a legitimidade do direito à habilitação dos valores indevidamente recolhidos desde setembro de 1986 até junho de 1988, Fl. 378DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 14 3 tal como assegurado pela decisão transitada em julgado no Recurso Especial n. 495.980." Ante o exposto, dou provimento ao agravo de instrumento para reconhecer ao agravante o direito a habilitação nos termos em que requerida no item 3.1." é cristalino o equivoco da Receita Federal ao, ultrapassar seu papel querer delimitar o seu direito adquirido por meio de sentença proferido no RE e, além disso, confirmado pelo Acórdão do TRF no AGI. Por fim, o crédito total solicitado em dezembro de 2006 deverá set habilitado, porque é objeto de ação judicial transitada em julgado, não cabendo a essa autarquia nenhum juízo de mérito, mas apenas proceder ao seu fiel cumprimento; ademais, noscálculos .realizados pela. Receita Federal, os recolhimentos de PIS/PASEP efetuados cm 31/08/1988 e 30/09/1988, referentes aos períodos de apuração de julho e agosto de 1988, não foram acatados; as guias de recolhimentos foram devidamente entregues, em 10/03/2007, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n°. 141/2008 (Doc 5). Analisandose os documentos, é possível constatar que estão devidamente autenticados pelo Banco do Brasil e que foram recolhidos nas respectivas datas de Vencimento; não cabe ônus ao contribuinte se os valores não foram localizados por essa Receita, uma vez que o recolhimento está documentalmente comprovado. Em respeito ao principio da verdade material, as guias Apresentadas devem ser obrigatoriamente reconhecidas pelo Fisco, conforme reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes; assim, os recolhimentos de Cr$ 27.108.275,29 e Cr$ 19.116.537,67, procedidos em 31/08/1988 e 30/09/1988, devem ser considerados na determinação do valor do crédito de recolhimentos indevidos de PIS/PASEP efetuados por ela; constatou que foi incluído, no calculo do PISRepique devido, o adicional de IRPJ, o que reduziu o crédito a compensar a seu faVor. Ocorre que a lei que instituiu o PIS e que deverá ser aplicada ao caso em tela é a LC n° 07/70, especialmente o disposto pelo art. 3', "a", e §1°, que determina como sendo base de cálculo do PIS o valor devido a titulo de Imposto de Renda, deduzidos os incentivos fiscais previstos na legislação. Sobre esta base de cálculo deverá ser aplicada a aliquota de 5%; em face do disposto na LC no 7/70, a inclusão do Adicional de Imposto de Renda, para efeitos de se obter a base de calculo do Pis) é devida, pois ela estabelece que a base de cálculo do PIS seria o Imposto de Renda devido. A época da promulgação da LC n° 7/70, a legislação do IR não contemplava a figura do adicional, que só veio a partir do exercício financeiro de 1980, através do DecretoLei n° 1.704/79, assim, o IR apurado pela alíquota adicional não deve ser considerado para efeitos do cálculo do PISRepique; ademais, em 1987, a Receita Federal se pronunciou sobre a matéria, por meio de indagações formuladas ao "Plantão Fiscal", publicadas em obra intitulada "Perguntas e Respostas Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1987" o disposto acima corrobora o seu entendimento, e, tendo partido da própria Receita Federal, não pode ela proceder em contrário. Portanto, o IRPJ calculado alíquota adicional não faz parte da base de cálculo do PISRepique. Assim, no cálculo efetuado por esse Fisco, o valor do IRPJ calculado à alíquota adicional constou indevidamente na base de calculo da contribuição nos exercícios de 1993 e Fl. 379DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 15 4 .1994, o que, imerecidamente, reduziu o valor do crédito compensável pelo contribuinte; Por derradeiro, discorre sobre a base de calculo correta nos exercícios de 1988 a 1990; índices; conversão (0Th, BTN ou UF1R) e sobre o valor correto do crédito a compensar e no pedido requer o seguinte: a) esse órgão. cumpra o determinado em sentença judicial transitada em julgado, habilitando‘ o valor total dos recolhimentos indevidos. de PIS/PASEP realizados, no período de agosto de 1986 a abril de 1994, conforme já solicitado em 28/12/2006 (processo 10166.012225/200680); b) sejam corrigidas as inconsistências existentes no cálculo do crédito ao qual tem direito, conforme apontado nesta manifestação de inconformidade e que seja acolhida a Planilha 1 (Doc,6) como demonstrativo correto do crédito passível de compensação; c) as DCOMP 10017.69110 101008.1.3:546287 e 39111 57400.201008.1.3.54 0066 sejam homologadas, haja' vista a suficiência do crédito utilizado para a compensação dos débitos, consoante demonstrado; d) seja cancelada a cobrança dos débitos considerados não compensados e os encargos dela decorrentes, visto que se mostram indevidos, porquanto existem os créditos para as compensações efetuadas pelo contribuinte, conforme relatado e documentado A DRJ em Brasília não conheceu a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: Restituição de indébito Concomitância do processo judicial com o administrativo. A propositura de ação judicial antes, concomitante ou posteriormente autuação, afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da mesma pretensão. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho basicamente repetindo as razões da manifestação de inconformidade e acrescentando que jamais lhe fora dado a a oportunidade de se insurgir contra o reconhecimento apenas parcial do crédito pleiteado nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 16 5 Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, proferida nos autos do processo judicial n° 1996.34.00.185786, o qual não teria sido integralmente reconhecido pela autoridade administrativa, o que representaria ofensa à coisa julgada. A autoridade recorrida entendeu que a manifestação de inconformidade não deveria ser conhecida, com base nos seguintes argumentos: No processo administrativo fiscal n° 14033.000196/200825, a autoridade fiscal competente, com base na sentença judicial transitada em julgado apurou quantum do crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 11.499.393,77. Desse valor, R$ 10.208.578,76 foi utilizado para liquidar débitos confessados nas Dcomp homologadas naquele processo, restando saldo remanescente de R$ 1.290.815,01, compensado com os débitos confessados nas Dcomp analisadas neste processo, homologadas parcialmente. Assim, com o crédito que a contribuinte pretende discutir neste processo foi analisado nos autos do processo administrativo fiscal n° 14033.000196/200825, não cabe, aqui nos autos deste processo administrativo fiscal a discussão ou rediscussão da matéria lá examinada ou de qualquer outra pertinente a apuração daquele credito. Ao tomar conhecimento daquela decisão, à época oportuna, a interessada deveria ter se manifestado a respeito e não agora, após a definitividade da decisão proferida naquele processo de apuração do quantum do crédito compensado. Ademais, o crédito relativo ao período (set/1986 a jun/1988) pleiteado pelo sujeito passivo teve sua discussão deslocada para o Poder Judiciário, nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022, o que, caracteriza a renúncia tácita à via administrativa, e, por conseguinte, impede o exame da matéria pelos órgãos judicantes da administração. . Nesse sentido deve ser observado o disposto no artigo 26 da Portaria MF 258 de 2001, que estabelece: (...) a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Vale esclarecer que a autoridade julgadora trouxe ao presente processo apenas cópia da decisão proferida nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, no qual há o reconhecimento de crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 11.499.393,77 e a homologação total das declarações de compensação daquele processo. O ora Recorrente, por outro lado, sustenta o seguinte: Ademais, quando da cientificação ao contribuinte do Despacho emitido para o processo n° 14033.000196/200825 (Doc. 5) — ao contrário do que ocorreu no 14033.000196/200825 sequer Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3102000.312 S3C1T2 Fl. 17 6 houve menção a possibilidade e prazo para refutar o 16583.59275.100908.1.3.545774 e 09762.52438. 180908. 1.3.547408, bem como o valor integral de uma DCOMP homologada parcialmente 10017.69110.1010. 08.1.3. 546287. Até mesmo neste ponto há equívocos. Postas estas razões por ambas as partes, verifico que a documentação trazida aos autos não é suficiente para formar a convicção de que foi efetivamente oportunizado ao contribuinte o direito de se insurgir contra a decisão que reconheceu apenas parcialmente o crédito pleiteado. Com efeito, independentemente de terem sido integralmente homologadas as compensações declaradas no processo administrativo n° 14033.000196/200825, entendo que, como parte do crédito pleiteado não foi reconhecida, teria o contribuinte que ser intimado, abrindolhe oportunidade para a apresentação de recurso voluntário, sob pena de nulidade do processo ou, no mínimo, de se ter que reconhecer que não houve decisão final sobre o crédito e que, por conta disso, eventualmente poderá ser discutido em outra sede, como a presente. Da mesma forma, não se tem notícia nesses autos do desfecho do processo judicial nº 2007.34.00.0308022, o que nos impede de decidir com segurança se a decisão recorrida andou bem ao reconhecer a concomitância ou se na verdade, em face do estágio do processo, deveria ter cumprido o comando exarado pelo Poder Judiciário em caráter definitivo, como alegado pelo contribuinte em seu recurso. Neste contexto, verificando as deficiências de instrução do processo acima identificadas e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que traga aos autos (i) cópia da intimação do acórdão proferido pela DRF nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, do comprovante do seu recebimento pelo contribuinte e, ainda, em havendo intimação, se foi certificado nos autos o transcurso do prazo para apresentar manifestação de inconformidade, sem qualquer atuação por parte do contribuinte e, igualmente, (ii) certifique se o processo judicial nº 2007.34.00.0308022 transitou em julgado, bem como traga a estes autos cópia das decisões de primeira instancia, do TRF e eventualmente do STJ proferidas neste processo. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 382DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 10920.906270/2012-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 62 70 /2 01 2- 40 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906270/201240 Acórdão n.º 3801003.311 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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