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Numero do processo: 10882.910074/2011-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. O prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. O prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. O prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 74 /2 01 1- 92 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 34 e ss., reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10882.910074/201192 Acórdão n.º 3802002.412 S3TE02 Fl. 45 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 10/05/2013 (fls. 32), interpondo recurso tempestivo em 03/06/2013 (fls. 34). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 47DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13894.720066/2011-13
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 15), que reproduzo a seguir: “Contra o contribuinte acima identificado foi emitida, em 21/03/2011, a notificação de lançamento de fls. 3/6, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas anocalendário de 2007, em que foi constatada omissão de rendimentos do trabalho recebidos da Caixa Econômica Federal, CNPJ nº 00.360.305/000104, com compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 94 .7 20 06 6/ 20 11 -1 3 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13894.720066/201113 Resolução nº 2201000.150 S2C2T1 Fl. 39 2 do IRRF sobre a omissão, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal à fl. 4. O interessado apresentou a impugnação de fl. 2 em 11/04/2011, na qual alega, em síntese, que os rendimentos foram recebidos acumuladamente em decorrência de ação ordinária de revisão de aposentadoria ajuizada contra o INSS, solicitando aplicar decisão tomada com base no artigo 44 da Lei nº 12350, de 20/12/2010, por lhe ser benéfica.” A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil em São Paulo I julgou a impugnação improcedente (fls. 14 a 23), nos termos da ementa reproduzida a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. Os rendimentos referentes a diferenças ou atualizações de salários, proventos ou pensões, inclusive juros e correção monetária, recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, estão sujeitos à incidência do imposto de renda no mês de seu recebimento, sujeitando se ao ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado do acórdão de primeira instância em 28/05/2012 (fls. 27), o Interessado interpôs, em 14/06/2012, o recurso de fls. 29, em que requer a dedução das despesas relativas aos honorários advocatícios pagos, decorrente do recebimento dos rendimentos lançados, juntando como provas os documentos de fls. 30 a 32. Por conseguinte solicita a “apuração do novo valor do débito do IR, para que possa efetuar os pagamentos e regularizar a pendência junto à Receita Federal”. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação ordinária de revisão de renda mensal inicial de aposentadoria, como pode ser constatado pela cópia do Alvará de Levantamento de fls. 8. Tais rendimentos foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos. A constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual Fl. 39DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13894.720066/201113 Resolução nº 2201000.150 S2C2T1 Fl. 40 3 reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 13894.720066/201113 Resolução nº 2201000.150 S2C2T1 Fl. 41 4 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante do exposto acima voto por SOBRESTAR o julgamento do recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 41DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902535/2012-69
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/06/2008
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/06/2008 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 35 /2 01 2- 69 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902535/201269 Acórdão n.º 3801003.531 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902535/201269 Acórdão n.º 3801003.531 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$21.287,52. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902535/201269 Acórdão n.º 3801003.531 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 30/06/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902535/201269 Acórdão n.º 3801003.531 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 30/06/2008 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902535/201269 Acórdão n.º 3801003.531 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902535/201269 Acórdão n.º 3801003.531 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13708.001716/2003-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento do recurso para a Segunda Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento do recurso para a Segunda Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência do julgamento do recurso para a Segunda Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos, adoto o Relatório do Acórdão nº 1238.488 da DRJ/RJ1, de fls. 320 a 325, que passo a transcrever: “Tratase de auto de infração decorrente da realização de auditoria interna na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) no anocalendário de 1998 resultando na constituição do crédito tributário no valor principal de R$ 1.330.088,88 de Imposto acrescido de multa de oficio no percentual de 75%, juros de R$ 1.233.103,61 e multa isolada no valor de R$ 14.119,68. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 08 .0 01 71 6/ 20 03 -6 0 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13708.001716/200360 Resolução nº 1202000.249 S1C2T2 Fl. 723 2 A contribuinte foi cientificada da autuação em 18/08/2003, conforme cópia do AR As fls. 300. Irresignada, apresentou a impugnação de fls. 1 a 24 em 17/09/2003, aduzindo, em síntese que: a) Todos os créditos tributários foram devidamente recolhidos aos cofres públicos através de Darf; b) a multa de oficio também é indevida, pois não só os tributos foram recolhidos como também declarados em DCTF, ou seja, em momento algum;a impugnante escondeu qualquer fato da Receita Federal; c) ademais, das duas uma, ou o valor declarado em DCTF serve para a inscrição em Divida Ativa e, assim em caso de não pagamento espontâneo caberia a multa de 20%, ou então o valor declarado não serve para tal mister, sendo então devida a multa pelo não pagamento de 75% (traz à colação ensinamentos doutrinários e acórdãos do CC contendo entendimento de que tributos declarados em DCTF não devem ser objeto de lançamento de oficio); d) o auto de infração não foi lavrado com observância do que dispõe o inciso III do artigo 10 do PAF tendo em vista que a terminologia adotada na descrição dos fatos aponta todas as irregularidades possíveis dividindoas com e/ou; (transcreve ementas de acórdãos do CC reforçando sua argumentação); e) o auto de infração na forma como está apresentado, sem que sua descrição dos fatos tenha elementos suficientes que demonstrem a natureza da infração, revestese de nulidade (traz ensinamento de Hely Lopes Meirelles);” Na seqüência, foi emitido o Acórdão nº 1238.488 da DRJ/RJ1, de fls. 320 a 325, julgando procedente a impugnação, com o seguinte ementário: FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTOS. Comprovado o pagamento o tributo lançado encontrase extinto. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1998 PAGAMENTOS EFETUADOS APÓS 0 VENCIMENTO SEM ACRÉSCIMOS LEGAIS. Comprovado que o Documento de arrecadação indica período de apuração e vencimentos compatíveis e que o recolhimento se deu tempestivamente, afastase da tributação os valores apurados por cotejamento eletrônico entre informações dadas naquele documento e na DCTF, por tratarse de evidente equívoco quanto ao período de apuração. Impugnação Procedente Credito Tributário Exonerado A DRJ/RJ1 recorreu de ofício dessa decisão, por ter ultrapassado o seu limite de alçada na exoneração do crédito tributário. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13708.001716/200360 Resolução nº 1202000.249 S1C2T2 Fl. 724 3 O contribuinte não se manifestou a respeito. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Tratase do exame de recurso de ofício no Acórdão nº 1238.488 da DRJ/RJ1, que julgou o lançamento fiscal improcedente. De acordo com o Auto de Infração das fls. 42 e seguintes, o contribuinte sofreu autuação do IRRF do ano de 1998 ao serem constatadas divergências entre os valores desse imposto declarados em DCTF e aqueles recolhidos por DARF Com efeito, a análise da exoneração da exigência do IRRF, objeto do recurso de ofício, é de competência da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, nos termos do art. 3º, inciso II, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e alterações, abaixo transcrito, para melhor clareza: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – [...] II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); (destaques meus) Em vista do exposto, voto no sentido de que esta turma de julgamento da Primeira Seção decline da competência do julgamento do recurso para a Segunda Seção deste CARF, devendo o processo para lá ser encaminhado, para fins de nova distribuição e prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 726DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000004/2005-92
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF Nº 38).
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis.
CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
DEVOLUÇÃO DE CAPITAL AO SÓCIO. DISSOLUÇÃO DA EMPRESA.
Na ausência de escrituração da empresa para demonstrar a sua situação patrimonial na data da dissolução, deve ser admitido como devolução do capital social a correspondente participação do contribuinte consoante patrimônio líquido consignado na última DIPJ apresentada à Secretaria da Receita Federal.
Preliminares rejeitadas.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2801-003.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração os valores de R$ 59.564,38 e R$ 32.270,99, referentes aos anos-calendários de 2000 e 2001, respectivamente, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que davam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF Nº 38). QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 00 04 /2 00 5- 92 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 3 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. DEVOLUÇÃO DE CAPITAL AO SÓCIO. DISSOLUÇÃO DA EMPRESA. Na ausência de escrituração da empresa para demonstrar a sua situação patrimonial na data da dissolução, deve ser admitido como devolução do capital social a correspondente participação do contribuinte consoante patrimônio líquido consignado na última DIPJ apresentada à Secretaria da Receita Federal. Preliminares rejeitadas. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração os valores de R$ 59.564,38 e R$ 32.270,99, referentes aos anoscalendários de 2000 e 2001, respectivamente, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 137.464,67, referente aos exercícios de 2001 e 2002, a título de imposto (R$ 56.380,84), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 42.285,63), além de juros de mora (R$ 38.798,20). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrente do trabalho sem vínculo empregatício e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 4 3 Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que: A quebra do sigilo bancário aprovada pela Lei Complementar n° 105/2001, além de inconstitucional, não poderia ser aplicada retroativamente para atingir fatos anteriores a sua publicação, o mesmo valendo para a Lei n° 10.174/2001, que eliminou a vedação contida na Lei n° 9.311/1996 para a utilização dos dados da CPMF na constituição de crédito tributário. Caberia ao Fisco o ônus da prova da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, ou a variação patrimonial a descoberto que justifique o lançamento, não podendo equiparar os meros depósitos a rendimentos. Explicou ainda que os depósitos podem ser redepositados, podem ser empréstimos e cheques devolvidos, etc. Há erro de cálculo na soma dos depósitos de março, maio, junho e agosto de 2000 (fls. 202), cabendo anular o lançamento. As cotas da Fanta Plastics lhe haviam sido doadas por seu pai antes da sua venda, por isso o seu nome não aparece na transação, apesar do crédito ter sido efetuado a seu favor. Contestou a tese do autuante de que este fato pudesse revelar variação patrimonial a descoberto. Incorreto o método utilizado pelo autuante para determinar os rendimentos pagos por pessoa jurídica com base em uma operação de distrato social devidamente comprovada. O valor das cotas lhe foi restituído pelo valor nominal. Não caberia considerar como restituível apenas o patrimônio líquido declarado pela empresa, como fez o autuante, que assim procedeu de forma arbitrária e sem qualquer embasamento legal. A 3ª Turma da DRJ/Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 268/271, julgou procedente em parte o lançamento para corrigir os erros de cálculo apontados pelo interessado na soma dos depósitos de origem não comprovada, efetuados em março, maio, junho e agosto de 2000, alterando o correspondente montante de R$ 69.764,38 para 59.564,38. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 03/12/2008 (fl. 274), o interessado, representado por seu advogado (fl. 264), interpôs recurso voluntário de fls. 275/296, em 30/12/2008, no qual, em síntese, suscita, em preliminar, a ocorrência da decadência relativamente ao período compreendido pelos meses de janeiro a outubro de 2000. No mérito, alega violação do princípio da irretroatividade da lei, falta de comprovação da presunção legal, inconsistência matemática da base de cálculo apurada, existência de disponibilidades financeiras para cobertura dos depósitos considerados de origens não comprovadas pelo Fisco, conforme citada jurisprudência, e, ainda, com amparo da IN nº 246/2002. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 5 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No que tange à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 321DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 6 5 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, cujo teor é o seguinte: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, verificase que houve pagamento antecipado no ano calendário 2000, conforme consta da cópia da DIRPF/2001. Portanto o prazo decadencial contase a partir de 31/12/2000. Como o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 22/11/2005, não há que se falar em decadência, porquanto o lançamento se completou dentro do prazo de cinco anos previsto para constituição do crédito tributário. Em relação à alegada contagem de prazo decadencial mensal, salientese que a posição pacífica desse Conselho encontrase sumulada, a saber: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (SÚMULA CARF Nº 38). Quanto à quebra do sigilo bancário aprovada pela Lei Complementar n° 105/2001, e aplicação retroativa da a Lei n° 10.174/2001, impende registrar que o julgamento Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 7 6 de recurso especial (Resp n° 1.134.665SP), tramitado sob o procedimento dos recursos repetitivos, decidiu no seguinte sentido: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 8 7 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 9 8 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 10 9 no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De acordo com o entendimento do STJ, a utilização de informações financeiras pelas autoridades fazendárias não viola o sigilo de dados bancários, em face do que dispõe não só o Código Tributário Nacional (art. 144, § lº), mas também a Lei 9.311/96 (art. 11, § 32, com a redação introduzida pela Lei 10.174/2001) e a Lei Complementar 105/2001 (arts. 5º e 6º), inclusive podendo ser efetuada em relação a períodos anteriores à vigência das referidas leis. Ou seja, a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte anteriores a 10.01.2001, como preconiza a Lei Complementar nº 105/01, sem o crivo do Judiciário, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar nº 105/01, como a Lei nº 10.174/01, não instituem ou majoram tributos, mas apenas dotaram a Administração Tributária de instrumentos legais aptos a promover a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. Considerando que a decisão do STJ, acima mencionada, se deu na sistemática prevista no artigo 543C do CPC, devese aplicar o mesmo entendimento ao presente processo administrativo, por força do disposto no caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho. No que tange às teses defendidas relativas à tributação dos depósitos bancário e à violação de princípios constitucionais, importa esclarecer que tais matérias já estão sumuladas de forma contrária ao entendimento da recorrente, pelas Súmulas CARF nº 2 e 26, transcritas a seguir: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Por outro, verificase que, em relação aos anoscalendários de 2000 e 2001, foram considerados não justificados pela fiscalização valores inferiores a R$ 12.000,00 e cujos somatórios correspondem a R$ 59.564,38 e R$ 32.270,99, no anoscalendários de 2000 e 2001, respectivamente. Tais depósito não deverão ser considerados para efeito de determinação da Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 11 10 receita omitida, conforme expressa determinação do § 3º, inciso II, do artigo 42 da Lei º 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” (Redação inserida pela Lei nº 9.481, de 1997.) Restaram, portanto, não justificados apenas dois depósitos, quais sejam: o depósito de R$ 21.000,00 efetuado no Banco Santander S/A, em 22/02/2001, e o depósito de R$ 16.700,00 efetuado no Banco BCN S/A, em 20/12/2001, cuja tributação deve ser mantida, devido a falta de apresentação de elementos de prova que lograssem afastar a correspondente omissão de rendimentos. Ressaltese que, no presente caso, grande parte dos valores creditados em contas de depósito mantidas em instituições financeiras pelo contribuinte foram considerados justificados pelo fiscal autuante, tendo em vista os dados informados nas declarações de rendimentos do sujeito passivo juntamente com os esclarecimentos e documentos por ele fornecidos, conforme consta dos documentos juntados aos autos durante o procedimento fiscal, especialmente o Termo de Verificação Fiscal de fls. 220/224. Nesse ponto, inclusive, há de se concordar com o fiscal autuante em não aceitar como justificativa os supostos valores auferidos referentes a venda de cotas de participação na empresa Fanta Plastics, dado que na documentação apresentada pelo contribuinte não aparece o nome do sr. Miguel como vendedor destas cotas. Ademais, como bem ressaltou a decisão recorrida, as alegações de que as cotas da Fanta Plastics lhe haviam sido doadas por seu pai antes da sua venda, e que por isso o seu nome não aparece na transação, está desacompanhada de provas e não podem assim servir para comprovar a origem dos depósitos a que se refere. Quanto aos rendimentos omitidos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes da dissolução da empresa NanYa Plastic Ltda, não merece reparos a decisão recorrida, pois o recorrente não apresentou a escrituração da empresa para demonstrar a sua situação patrimonial na data da dissolução, conforme dispõe o art. 302 do RIR/1999. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13864.000004/200592 Acórdão n.º 2801003.508 S2TE01 Fl. 12 11 Assim, somente é admissível como reembolso aos seus sócios o valor constante do patrimônio líquido do balanço patrimonial constante da última DIPJ da empresa, apresentada à Receita Federal do Brasil (RFB) (fls. 188/189). Nesta DIPJ consta como patrimônio líquido da empresa o valor de R$ 573.565,51. A participação do sujeito passivo corresponde a 1/5 desse capital, portanto, equivale a R$ 114.714,10. Considerando que ele recebeu uma importância superior de R$ 180,000,00, a diferença a maior de R$ 65.285,90 deve ser considerada como rendimento tributável, conforme acertadamente entendeu a fiscalização. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração os valores de R$ 59.564,38 e R$ 32.270,99, referentes aos anoscalendários de 2000 e 2001, respectivamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 328DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11474.000249/2007-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
Quanto a divergência acerca da incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, cabe esclarecer que a decisão recorrida manteve a autuação por dois fundamentos: i ) falta de previsão em acordo ou convenção coletiva; e não disponibilidade à totalidade de seus empregados e dirigentes.
Por outro lado, o acórdão paradigma trata da possibilidade de não incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando único argumento para a constituição do crédito refere-se à ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva
É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Assim, entendo não configurada esta divergência.
Recurso especial do contribuinte parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Recurso especial da Fazenda Nacional negado.
AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO
NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA.
Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados.
Numero da decisão: 9202-003.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso do Contribuinte, e na parte conhecida, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 28/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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FAZENDA NACIONAL e SULBRASIL ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Na espécie, o tributo referente aos fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos em 31/12/2001 só pode ser exigido e lançado a partir de janeiro de 2002. Destarte, ao se aplicar a regra do art. 173, I do CTN, o prazo inicial somente tem início em 01/01/2003, com termo final em 31/12/2007. Considerando que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 02/01/2007, tenho que não estaria consumada a decadência da competência 12/2001, caso se aplique a regra do art. 173, I do CTN. Ocorre que a controvérsia acerca de parcelas que devam ou não ser consideradas como antecipação de pagamento, foi dirimida pela adoção da Súmula CARF no 99. Entendo que a competência 12/2001 deva ser declarada decadente, não pelos fundamentos do acórdão recorrido e, sim, pela aplicação do art. 150§ 4°, do CTN, de acordo com o critério sedimentado da Súmula CARF no 99. Recurso especial da Fazenda Nacional negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 47 4. 00 02 49 /2 00 7- 40 Fl. 512DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Quanto a divergência acerca da incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, cabe esclarecer que a decisão recorrida manteve a autuação por dois fundamentos: i ) falta de previsão em acordo ou convenção coletiva; e não disponibilidade à totalidade de seus empregados e dirigentes. Por outro lado, o acórdão paradigma trata da possibilidade de não incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando único argumento para a constituição do crédito referese à ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Assim, entendo não configurada esta divergência. Recurso especial do contribuinte parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso do Contribuinte, e na parte conhecida, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 17 3 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2301 01.827, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 10 de fevereiro de 2011, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, nas preliminares, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento – devido à regra decadencial expressa no art. 173, I do CTN – as contribuições apuradas até 12/2001, anteriores a 01/2002 e, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso na questão das contribuições lançadas com base nos valores relativos ao auxílio alimentação e ao seguro de vida. Seguem abaixo as suas ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso dos autos, a Fl. 514DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 recorrente pleiteou a aplicação do art. 173, inciso I. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITAS A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida, quando habituais, estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Cabe salientar, que a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração alegando contradição/obscuridade em relação ao termo inicial do prazo decadencial ao ser reconhecida a decadência da autuação em relação à competência 12/2001. Os Embargos foram rejeitados sob o argumento de que a matéria enfrentada ali poderia ser feita em sede de Recurso Especial, que foi apresentado pela Fazenda Nacional em 30/08/2011. O apelo da Fazenda Nacional visa discutir o termo inicial do prazo decadencial fundamentado no art. 173, I do CTN. Indica como paradigma o acórdão 2401 01.759, proferido pela Primeira Turma da Quarta Câmara, assim ementado: 240101.759 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2003 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO REALIZADO. Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplica se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2003 SALA RIO MATERNIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Por expresso determinação legal o salário maternidade é considerado salário de contribuição. AUDITORIA FISCAL. COMPETÊNCIA PARA VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS A ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. Os então Auditores Fiscais da Previdência Social detinham competência para verificação do cumprimento por parte das entidades beneficentes de assistência social dos requisitos necessários à fruição da isenção da cota patronal previdenciária. ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO. As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse Fl. 515DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 18 5 beneficio ao INSS, nos termos do § 1º do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido Argumenta que o impasse diz respeito à interpretação do art.173, I do CTN, em face do entendimento adotado pelo STJ ao julgar recurso representativo da controvérsia (Resp nº 973.733/SC Rel. Min. Luiz Fux) de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do art. 62A do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586/2010: enquanto o acórdão recorrido entende que o art. 62A do RICARF impõe a mera reprodução do acórdão firmado em recurso repetitivo pelo STJ, o paradigma determina a contagem da decadência regida pelo art. 173, I do CTN, nos precisos termos de sua redação, isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Afirma, porém, que, a análise detida do inteiro teor do acórdão associada ao conhecimento da jurisprudência reiterada do STJ revela que a decisão do Tribunal não colide com o disposto no art. 173, I do CTN, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...)” Compreende que a afirmação contida no acórdão, no sentido de que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no art. 173, I do CTN sendo certo que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível” vem em resposta às razões da autarquia previdenciária que sustentava que a tese de que o prazo previsto no art. 173, I do CTN somente teria início após o decurso de 5 (cinco) anos para o lançamento por homologação, o que implicaria um prazo decadencial de 10 (dez) anos a contar do fato gerador. Ressalta que o STJ, ao mencionar que o dies a quo, segundo o art. 173, I do CTN corresponderia ao primeiro dia do exercício seguinte ao fato imponível, quis afastar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173 do Código Tributário. Diz que não houve decurso do prazo decadencial para a administração pública proceder ao lançamento, relativamente à competência de 12/2001, pois para esta competência a contagem do prazo decadencial somente iniciouse em 01/01/2003, findando em 31/12/2007 sendo que o lançamento de ofício pela fiscalização foi efetuado em março de 2007. Por fim, requer o provimento do recurso especial afastandose a decadência do direito de constituição do crédito tributário de 12/2001. O Despacho 2300237/2012 deu seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões e recurso especial. Nas suas contrarrazões, argumenta que não há que se falar em alteração do posicionamento tomado no julgamento recorrido se este foi embasado seguindose postura adotada por ocasião de julgamento proferido pelo STJ no procedimento do recurso repetitivo (CPC, art. 543C). Fl. 516DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Apresenta Recurso Especial em relação à manutenção da incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a títulos de alimentação e seguro de vida que não tenham sido atingidos pela decadência. Em relação à contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de alimentação, indica o paradigma 280301.517, cuja ementa segue abaixo: FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/N° 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. BOLSAS DE ESTUDO DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. O pagamento de bolsas de estudo de graduação e pósgraduação enquadrase na exceção legal prevista na alínea "t "do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição. Diz que foi argumentado que, embora haja jurisprudência dominante do STJ que afaste a incidência da contribuição previdenciária para o pagamento de salários in natura, a posição do órgão julgador seguiu a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. Destaca que tal posicionamento diverge do adotado na decisão do paradigma que apresenta e que este tomou por base o parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 que possui a seguinte ementa: “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de19 de julho de 2002, e Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos.” Cita o art. 19, inciso II e §§ 4º e 5º da Lei nº 10.522/2002, que estabelece o seguinte: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (...) II – matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. (...) Fl. 517DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 19 7 § 4º A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. § 5º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. Afirma que, desse modo, a Receita Federal estaria obrigada a rever o lançamento efetuado, posicionamento este que já deveria ter sido tomado por ocasião do julgamento ora recorrido. Acrescenta que, mesmo que não houvesse obrigação da Receita Federal em rever seu ato, ainda assim estaria configurado o dissídio necessário para cabimento do seu recurso especial ora apresentado, uma vez que, embora a decisão recorrida tenha afirmado que a “inscrição no PAT atende à proporcionalidade pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito de isenção”, a decisão paradigma deixa claro que: “O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho – PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória.” Argumenta que o cerne da questão consiste em definir se a inscrição no PAT é condição sine qua non para a isenção de contribuições previdenciárias sobre o valor pago in natura pelo empregador a título de benefício de alimentação em favor de seus empregados ou bastaria que o empregador pagasse o benefício in natura para seus empregados, conduta praticada pela Recorrente. Acredita que deve prevalecer a tese trazida no paradigma, posto que o benefício alimentação não é uma remuneração concedida ao empregado, mas sim uma indenização pelos gastos decorrentes do pagamento da alimentação fornecida aos trabalhadores. Em relação à incidência de contribuição previdenciária sobre o seguro de vida, o recorrente ressalta que houve igual arbitramento sob o argumento de que este não se enquadraria na hipótese prevista no § 9º, inciso XXV do art. 214 do Regulamento da Previdência, que assim prevê: “Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV – o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho.” Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Neste aspecto, apresenta o paradigma 240202385, cuja ementa segue abaixo, de onde se extrai que essa exigência não é válida, posto que “não consta da Lei nº 8.212/91, mas tão somente no Regulamento da Previdência Social”. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO EM ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores despendidos pelo contribuinte a titulo de seguro de vida em grupo não devem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias pelo simples fato de não estarem previstos em acordo ou convenção coletiva. Infere que, enquanto a CSRF não definir se é válida a exigência contida no § 9º, inciso XXV do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, deve prevalecer a tese do acórdão paradigma que é a melhor adequação ao direito. O Despacho 2300467/2013 deu seguimento ao pedido em análise em relação às duas divergências apontadas. Ciente do recurso especial do contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando basicamente o seguinte: que para fins de beneficiarse da não incidência da contribuição previdenciária, deve o contribuinte satisfazer determinados requisitos exigidos na legislação de regência, dentre eles a comprovação da participação em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, mediante a sua inscrição no PAT, o que não foi cumprido pelo contribuinte; que ainda que o contribuinte estivesse regularmente inscrito no PAT, outro requisito que deveria ter sido observado por ele é que o auxílioalimentação seja pago in natura, de acordo com a expressa disposição do art. 28 da Lei nº 8.212/91 e 3º da Lei nº 6.321/76, e que, portanto a alimentação paga com cartãoalimentação/em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT; que deve incidir contribuição previdenciária sobre o seguro de vida em grupo – não previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho – devido ao disposto no art. 214 do Decreto nº 3.265/99, e que mesmo antes do advento desse decreto incidia contribuição previdenciária sobre as parcelas referentes ao seguro de vida em grupo oferecido aos empregados pela empresa, pois essa verba possui natureza salarial, não se tratando de verba indenizatória. É o relatório. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 20 9 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Recurso Especial da Fazenda Nacional O recurso especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 520DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que o acórdão recorrido concluiu que não houve antecipação de pagamento. Destarte, aplicou a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contouse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, há de se esclarecer que a controvérsia restringese a competência 12/2001, considerando que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 02/01/2007. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 21 11 Saliento que, em situações pretéritas, ao aplicar a tese contida no já citado Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, nos casos em que não há antecipação de pagamento, manifesteime no sentido de que os tributos que tiveram fato gerador ocorrido em 31/12 de um determinado ano, o termo inicial da contagem, de acordo com o entendimento do STJ acima consignado, é o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 01/01 do ano seguinte. Entretanto, sintome à vontade para adotar meu entendimento pessoal no sentido de que os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos ao período de 1º a 31/12 somente podem ser exigidas e lançadas a partir de janeiro do ano seguinte. Precedente do Superior Tribunal de Justiça, EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), Relator: ministro Mauro Campbell Marques: “EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial.” Para que fique claro que o precedente supra citado aplicou a tese contida no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, colaciono trechos do voto condutor do acórdão: “Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Fl. 522DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Confirase a ementa do julgado: (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu.” Na espécie, o tributo referente aos fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos em 31/12/2001 só pode ser exigido e lançado a partir de janeiro de 2002. Destarte, ao se aplicar a regra do art. 173, I do CTN, o prazo inicial somente tem início em 01/01/2003, com termo final em 31/12/2007. Considerando que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 02/01/2007, tenho que não estaria consumada a decadência da competência 12/2001, caso se aplique a regra do art. 173, I do CTN. No mesmo sentido, o seguinte precedente desta 2a Turma da CSRF: "TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. No caso dos autos, verificase que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais e, ainda, contribuição referente a retenção de 11% (onze por cento)prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/1991. Todos os recolhimentos realizados pelo sujeito passivo foram relacionados pela autoridade fiscal e deles não constam qualquer antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias para o período controverso, de 11/2000 a 04/2001: i) Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls. 04 a 47); ii) Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fls. 110 e 111); e iii) Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados –RADA (fls. 112 a 118). Ou seja, no caso dos autos, verificase que não houve antecipação de pagamento. Destarte, há de se aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 09/05/2006, encontravamse fulminados pela decadência somente as contribuições referentes aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/2000. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 22 13 Em situações pretéritas, ao aplicar a tese contida no já citado Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, nos casos em que não há antecipação de pagamento, manifesteime no sentido de que os tributos que tiveram fato gerador ocorrido em 31/12 de um determinado ano, o termo inicial da contagem, de acordo com o entendimento do STJ acima consignado, é o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, 01/01 do ano seguinte. Entretanto, sintome à vontade para adotar meu entendimento pessoal no sentido de que os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos ao período de 1º a 31/12 somente podem ser exigidas e lançadas a partir de janeiro do ano seguinte. Precedente do Superior Tribunal de Justiça, EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782). Na espécie, o tributo referente aos fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos em 31/12/2000 só pode ser exigido e lançado a partir de janeiro de 2001. Destarte, ao se aplicar a regra do art. 173, I do CTN, o prazo inicial somente tem início em 01/01/2002, com termo final em 31/12/2006. Considerando que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 09/05/2006, tenho que não está consumada a decadência da competência 12/2000. (Acórdão no 9202002213/200767, de 10 de maio de 2011, relator: conselheiro Elias Sampaio Freire) Entretanto, por oportuno, transcrevo excerto do acórdão recorrido que fundamenta a aplicação do art. 173, I do CTN, em detrimento do art. 150§ 4º: "Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art.150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados à reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a Fl. 524DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado." Ocorre que a controvérsia acerca de parcelas que devam ou não ser consideradas como antecipação de pagamento, foi dirimida pela adoção da Súmula CARF no 99, in verbis: "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." Portanto, entendo que a competência 12/2001 deva ser declarada decadente, não pelos fundamentos do acórdão recorrido e, sim, pela aplicação do art. 150§ 4°, do CTN, de acordo com o critério sedimentado da Súmula CARF no 99. Recurso Especial do Contribuinte Acerca da divergência que se refere ao fornecimento de alimentação sem adesão ao PAT, entendo demonstrado o dissídio jurisprudencial. Portanto, conheço o recurso especial do contribuinte nesta parte. De imediato fazse mister esclarecer que, no presente caso, a alimentação fornecida pelo recorrente é in natura, conforme relatório fiscal (fls 71): "2. Constituemse fatos geradores das contribuições Previdenciárias: 2.1 PAPEL DE TRABALHO PAT PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO 2.1.1 Os fatos geradores das contribuições apuradas através desta notificação referemse a benefícios em forma de refeições fornecidos pela empresa aos segurados empregados relativos ao PAT Programa de Alimentação ao Trabalhador, porém sem a comprovação da inscrição neste programa." Acerca desta controvérsia, em decorrência de jurisprudência pacífica do STJ, a própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se manifestou no sentido da não incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação fornecido in natura, ainda que não comprovada a inscrição no PAT. É o que se extrai do Parecer PGFN/CRJ/N° 2117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, assim ementado: “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos.” Portanto, com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido Fl. 525DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11474.000249/200740 Acórdão n.º 9202003.212 CSRFT2 Fl. 23 15 de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. Destarte, há de se reconhecer a não incidência de contribuições previdenciárias decorrentes do fornecimento de alimentação, mesmo que sem adesão ao PAT. Quanto a divergência acerca da incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, cabe esclarecer que a decisão recorrida manteve a autuação por dois fundamentos: i ) falta de previsão em acordo ou convenção coletiva; e não disponibilidade à totalidade de seus empregados e dirigentes. Nos seguintes termos: "Portanto, são requisitos da isenção: previsão em acordo coletivo e estar disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. In casu, a recorrente não demonstrou ter obedecido a ambos os requisitos, especialmente aquele apontado pela fiscalização, fls. 76, que se refere à disponibilização da utilidade a todos os empregados. Os pagamentos de seguro no período de 04 a 09/2005 foram efetuados somente para os empregados que trabalharam na obra denominada Bunge Alimentos S/A. Assim, correta a inclusão dos pagamento de seguro de vida na base de cálculo da contribuição previdenciária." Por outro lado, o acórdão paradigma trata da possibilidade de não incidência de contribuições previdenciárias relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando único argumento para a constituição do crédito referese à ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva, nos seguintes termos: "A questão em tela já foi objeto de julgamento por parte deste Colegiado, o qual entende pela improcedência do lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores fornecidos a título de seguro de vida em grupo, se o único argumento para a constituição do crédito referese à ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva. É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Assim, entendo não configurada esta divergência. Ante o exposto, voto por: i) conhecer e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e ii) conhecer em parte do recurso especial do contribuinte e, na parte conhecida, darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 526DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13819.910051/2011-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/03/2001
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.417
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/03/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/03/2001 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 51 /2 01 1- 30 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910051/201130 Acórdão n.º 3801003.417 S3TE01 Fl. 110 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910051/201130 Acórdão n.º 3801003.417 S3TE01 Fl. 111 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910051/201130 Acórdão n.º 3801003.417 S3TE01 Fl. 112 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910051/201130 Acórdão n.º 3801003.417 S3TE01 Fl. 113 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910051/201130 Acórdão n.º 3801003.417 S3TE01 Fl. 114 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910051/201130 Acórdão n.º 3801003.417 S3TE01 Fl. 115 7 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.001366/2010-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno Fajersztajn, OAB/SP nº 206.899.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno Fajersztajn, OAB/SP nº 206.899. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Sustentou pela recorrente o Dr. Bruno Fajersztajn, OAB/SP nº 206.899. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a constituição de crédito tributário de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo previsto nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, quanto a fatos geradores ocorridos entre 30/04/2005 e 31/12/2007 (fls. 266/321 – todos os números de folhas citados neste acórdão se referem à numeração do processo eletrônico). A notificação aconteceu em 26/05/2010 (fls. 275 e 289). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 36 6/ 20 10 -1 2 Fl. 5014DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.015 2 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 248/251), a Fiscalização explica que “foram detectadas divergências entre o volume de Receitas de Serviços declarados pelo contribuinte em suas DIPJ dos anoscalendários de 2005 a 2007 e aqueles indicados nas DACON dos mesmos períodos”, sendo os valores declarados em DIPJ superiores aos constantes em Dacon. As alegações do contribuinte, conforme resume o próprio Termo de Verificação Fiscal, é de que a divergência de valores entre a DIPJ e o Dacon decorreria de se ter considerado, na elaboração do Dacon, as seguintes situações (fl. 249): a) teriam sido incluídos indevidamente valores correspondentes a “variações cambiais, que nos termos do art. 90 da Lei n° 9.718, de 27.12.1998, são receitas financeiras, sujeitas a alíquota zero, conforme prevê o Decreto n° 5.614, de 30.07.2004”; b) não teria havido a necessária exclusão da base de cálculo das receitas de exportação, “que não estão sujeitos à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos do art. 5º da Lei n° 10.637, de 30.12.2002, e 6° da Lei n° 10.833, de 29.12.2003”; c) não fora devidamente computado o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo pela aquisição de “insumos utilizados na prestação de serviços, passíveis de crédito daquelas contribuições, nos termos dos arts. 3°, inciso 11, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03”; e d) não teria havido a exclusão da base de cálculo de valores correspondentes a “reversões de provisões, que não integram as bases de cálculo desses tributos, a teor do disposto nos arts. 1º, § 3°, V, "b", também das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03”. A Fiscalização entendeu que o contribuinte não apresentou a documentação necessária para comprovar as suas alegações, promovendo, então, o lançamento do valor da diferença de valores existentes entre a DIPJ e o Dacon. A Fiscalização circunstanciou o seguinte: Em resposta ao citado Termo de Intimação o contribuinte limitouse a apresentar cópias das folhas dos livros diário e razão referentes a tais operações, bem como as planilhas (fls. 230 a 232) nas quais justifica as diferenças apuradas na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS planilhas essas que foram utilizadas pela Fiscalização para apurar o valor do crédito tributário a ser lançado, uma vez que — as planilhas apresentadas não estão acompanhadas da documentação que teria dado suporte à contabilização das mesmas. Quanto à documentação necessária à comprovação de suas alegações, nada apresentou. Informou ainda, por meio de carta de 03 de março de 2010 (fls. 237) que "... diante do grande volume de informações solicitado por V. Sa no termo em referência, solicitamos a sua presença em nossas instalações, para que possamos apresentar os documentos necessários a atender esta Fiscalização" Fl. 5015DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.016 3 A Fiscalização compareceu ao estabelecimento do contribuinte para examinar a documentação que alegara possuir. Nesta ocasião somente foi apresentada uma DDE (Declaração de Exportação), de número 08/2042390001 — a qual foi emitida em nome da empresa CIA. BRASILEIRA DE ALUMÍNIO — CNPJ 61.409.892/000335, referente à exportação averbada em 25.02.2010. A esse respeito cabe registrar que a documentação apresentada não pertence ao contribuinte e referese a período diverso do objeto desta Fiscalização (o documento é do ano de 2010 e a presente fiscalização referese aos anos de 2005 a 2007). Para registrar os fatos aqui narrados, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal de 08.04.2010. As divergências apuradas na base de calculo das contribuições decorrem — parte delas de exclusões da base de cálculo por operações isentas e parte referente a créditos que o contribuinte alegara possuir — por diversos motivos, conforme explicitado em sua correspondência de 09.11.2009 (fls. 228 e 229). Entretanto, o contribuinte não apresentou a documentação que comprovaria as operações isentas e os créditos que alegara possuir, os quais explicariam as divergências apuradas na base de calculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, apesar de ter sido regularmente intimado a fazêlo — conforme intimações de 20/10/2009 (fls. 225 e 226) e 02/02/2010 (fls. 233 e 234). (grifos editados) O contribuinte apresentou Impugnação (fls. 391/413) sustentando, em síntese, o seguinte: · a decadência parcial do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos até maio de 2005, por aplicação do art. 150, § 4º do CTN, visto que a notificação da autuação só ocorreu em 26/05/2010; · a nulidade do lançamento em razão de a Fiscalização não ter promovido a devida apuração da verdade material, explicando o seguinte: No caso dos autos, os fatos narrados pelo Fisco no termo de constatação e de verificação de irregularidades fiscais, que suportam a autuação, dão a entender que a impugnante não cooperou com as investigações. No entanto, é importante deixar consignado que a impugnante colocou toda a documentação de suporte de seus lançamentos contábeis à disposição do Fisco, além de ter destacado uma sala e um profissional para o atendimento do Sr. AFRFB no que fosse necessário às investigações. A impugnante reconhece que o volume de documentos é grande e que as suas operações, por estarem relacionadas ao transporte internacional de cargas, são complexas e demandam trabalho minucioso para sua análise. Por isso mesmo, prontificou se a colaborar com a fiscalização. Fl. 5016DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.017 4 Mas o volume de documentos e a complexidade das operações não podem justificar uma a eciação superficial, tampouco autorizam a inversão do ônus da prova no presente caso. Muito pelo contrário, a situação "sub judice", diante de suas peculiaridades, justificaria um trabalho fiscal mais detalhado e minucioso, o que definitivamente não ocorreu no presente caso. Ao desconsiderar os documentos disponibilizados e presumir a ocorrência do fato gerador com base em meras suposições, a fiscalização deixou de conferir a segurança e a certeza necessários a qualquer lançamento, fato que por si s6 justifica o seu cancelamento. · a nulidade do lançamento em razão de que as informações contidas em DIPJ não implicam confissão de dívida e não poderiam ser tomadas como base de cálculo das contribuições, pois “caso pretendesse desconsiderar as informaç`oes contidas nas DCTF’s e mps DACON’s deveria o Fisco comprovar que os valores corretos a serem considerados na apuração das bases de cálculo das contribuições em questão são aqueles prestados nas DIPJs, o que não ocorrei no caso dos autos” (fl. 399); · a legitimidade dos ajustens constantes do DACON, quais sejam: 1. Variações cambiais: Como consta nas planilhas de fls. 230/233, parte das divergências apontadas pela fiscalização decorre de variações cambiais referentes a direitos e obrigações da impugnante que foram contraídos em moeda estrangeira. A impugnante é pessoa jurídica que, dentre outras atividades, se dedica à prestação de serviços logísticos, os quais estão relacionados ao transporte internacional de cargas, tais como consolidação e desconsolidação de cargas, despachos aduaneiros, supervisão e orientação no transporte, dentre outros. No desenvolvimento regular dessas atividades, considerável parcela dos direitos e das obrigações da impugnante são contratados em moeda estrangeira e, naturalmente, em uma economia de câmbio flutuante como a brasileira, estão sujeitos a variações. Tais variações são registradas separadamente para cada contrato firmado pela impugnante no exercício das suas atividades e são lançadas diariamente na sua contabilidade, conforme atestam os documentos anexos (docs. 2 a 9). Tais lançamentos contábeis estão amparados por contratos de câmbio firmados periodicamente pela impugnante e por planilhas de controle interno. A titulo exemplificativo, a impugnante apresenta alguns desses contratos de câmbio e planilhas de controle (docs. 10 a 84), mas desde já se coloca à disposição para, caso se entenda necessário, apresentar a totalidade desses documentos. Fl. 5017DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.018 5 Uma vez comprovada a natureza de variações cambiais dos referidos ajustes, deve ser aplicada a norma inserta no art. 1º do Decreto n. 5164, de 30.7.2004, segundo o qual: "Ficam reduzidas a zero as aliquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das referidas contribuições". Sendo as variações cambiais sujeitas à aliquota zero, os valores a elas correspondentes não poderiam seriam incluid s nas bases de cálculo das contribuições em questão, o que justificou os ajustes efetuados. 2. Resultados atrelados a exportações: A fiscalização parece não ter compreendido que a impugnante é um agente logístico, cuja atividade está relacionada com o planejamento e o controle do transporte internacional de cargas, bem como ao seu despacho aduaneiro. Por isso mesmo, nas operações de exportação, o nome da impugnante não figura nos registros referentes correspondentes, tais como nas DDE. É o nome do exportador (vendedor das mercadorias ao exterior) que figura em tais documentos. E como já destacado, não poderia ser diferente, pois a impugnante não é efetiva exportadora de mercadorias, mas sim uma prestadora de serviços logísticos, relacionados ao transporte de internacional de cargas. Nesse contexto, a apresentação das DDE no curso do procedimento de fiscalização tinha como único intuito demonstrar que os serviços prestados pela impugnante estavam atrelados a operações de exportação. Apenas isto. Mas não é esse o fato determinante para a aplicação das normas de não incidência previstas no art. 5°, inciso II, da Lei n. 10637/02 e no art. 6°, inciso II, da Lei n. 10833/03. Na realidade, os valores constantes nas planilhas de fls. 230/233 deixaram de ser oferecidos tributação pela impugnante porque os clientes dos serviços logísticos, em tais casos, estão no exterior e porque a contraprestação por tais serviços implicou ingresso de divisas. Para melhor compreensão, é relevante fazer algumas considerações a respeito do modelo de negócio praticado pela impugnante. Os serviços de logística por ela prestados estão inseridos no contexto do transporte internacional de cargas. No caso dos autos, os serviços logísticos prestados pela impugnante estão relacionados a exportações de mercadorias do Brasil para o exterior. No caso em análise, o frete das mercadorias exportadas é contratado na modalidade "collect". Isto significa que o pagamento pelo transporte efetuado é de responsabilidade do adquirente da mercadoria, situado no exterior. Nestas situações, em que o frete internacional fica a cargo do adquirente das mercadorias situado no exterior, é esse adquirente que possui interesse na contratação dos serviços logísticos desenvolvidos pela impugnante. E como o pagamento pelo frete internacional é feito Fl. 5018DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.019 6 pelo adquirente no exterior, assim também ocorre com os pagamentos feitos à impugnante por conta dos seus serviços logísticos. Com base nas considerações acima, é possível concluir que o contratante dos serviços logísticos prestados pela impugnante está no exterior e o pagamento correspondente, que também fica a cargo do cliente no exterior, representa efetivo ingresso de divisas, justificando a aplicação das normas previstas no art. 5°, inciso II, da Lei n. 10637/02 e no art. 6°, inciso II, da Lei n. 10833/03. Para provar esses fatos, verifiquemse os jogos de documentos anexos (docs. 85 a 126), contendo exemplos de operações de exportação contratadas na modalidade "collect". Vejase que em cada um dos jogos, a impugnante incluiu conhecimentos de transporte internacional (bill of landing), documentos que são emitidos pelo transportador da carga e nos quais constam informações sobre o remetente das mercadorias (shipper), sobre o destinatário (notify party), bem como sobre a mercadoria transportada, e a modalidade de pagamento (freight collect). A impugnante figura em tais documentos como agente do transportador (agent of the carrier). Os conhecimentos de transporte indicam que o remetente das mercadorias (shipper) está no Brasil e o destinatário (notify party) está no exterior, evidenciando tratar de exportação. Além disso, todos os exemplos indicam que a operação foi contratada na modalidade "colletct", confirmando o que foi acima exposto e comprovando que o contratante dos serviços está no exterior, assim como que é o responsável pelo pagamento. Além dos conhecimentos de transporte, cada jogo acima referido também contém outros documentos que confirmam as informações contidas nos conhecimentos de transporte e evidenciam a atividade da impugnante. (grifos editados) 3. Créditos de PIS/Cofins nãocumulativo decorrentes de insumos utilizados na prestação de serviços; Tratase de despesas incorridas junto a empresas de telecomunicações, para fins de obtenção de acesso ao sistema Siscomex, utilizado pela impugnante na sua atividade de despachos aduaneiros. Além dos gastos incorridos com o aceso ao Siscomex, a impugnante também incorre em despesas relacionadas à manutenção dos softwares utilizados na prestação dos mesmos serviços de despacho aduaneiro. Por serem imprescindíveis à efetivação dos despachos aduaneiros e, mais do que isso, por estarem diretamente relacionados com a prestação de tais serviços, é inquestionável que tais gastos podem ser considerados insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n. 10637/02 e 10833/03. (...) Fl. 5019DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.020 7 As despesas com a obtenção do direito de acesso ao sistema Siscomexa manutenção dos respectivos softwares definitivamente correspondem a bens e serviços aplicados na prestação de serviços de despacho aduaneiro, pois sem o acesso àquele sistema não há sequer a possibilidade de tal atividade ser desenvolvida. Inquestionável, portanto, que tais despesas enquadramse no conceito de insumos previsto na legislação e podem ser utilizados como créditos na apuração das contribuições ao PIS e COFINS. Por fim, vale destacar que tais despesas estão registradas nas contas contábeis 5259015, 5120001, 5422000, cujos razões são anexados aos autos (docs. 127 a 147). Além dos lançamentos contábeis, a impugnante requer a junta das faturas emitidas pelas empresas prestadoras dos serviços, as quais suportam aqueles lançamentos (docs.127 a 147). 4. Reversão de provisões. Finalmente, consta nas planilhas de fls. 230/233 que uma parcela das divergências apontadas pelo Fisco corresponde a reversões de provisões para despesas operacionais, relacionadas aos serviços logísticos prestados pela impugnante, e que estão contabilizadas na conta 4211009 "despesas provisionadas de fretes e agregados". A análise das copias dos referidos lançamentos contábeis (doc.148) não deixa dúvida de que se trata de reversões de provisões, as quais não integram as bases de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, conforme prevêem expressamente os art. 1 0, parágrafo 3°, inciso V, "b", também das Leis n. 10637/02 e 10833/03, "in verbis": (...) A norma é clara e não dá margem a dúvidas. As reversões de provisões não integram a base de cálculo das contribuições. Sendo as diferenças apontadas pela fiscalização decorrentes de tais reversões, forçoso reconhecer que não há base legal para exigência fiscal. No mais, argumenta a contribuinte que “reconhece que o procedimento por ela adotado para fins de realização dos referidos ajustes não é o mais adequado do ponto de vista formal, pois os respectivos valores deveriam ter sido lançados em campos específicos contidos no DACON e não ajustados no valor da receita bruta auferida, mediante adições e exclusões. Entretanto, não se pode perder de vista que os ajustes efetuados pela impugnante são autorizados pela legislação, de tal sorte que, quando muito, o procedimento adotado pela impugnante decorre de erro no preenchimento dos DACON's, os quais por si só, não justificam qualquer exigência fiscal” (fl. 406). Também sustenta que seria ilegal a pretensão de aplicar juros sobre a multa de ofício, por não existir amparo legal para tanto (fl. 412). Com a Impugnação, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: · fls. 416/1401 cópia do Livro Razão, com os registros das contas 3011046 – VARIAÇÃO CAMBIAL – ATIVA e 4011052 – VARIAÇÀO CAMBIAL – PASSIVA; · fls. 1402/2700 – demonstrativos e cópias de contratos de câmbio; Fl. 5020DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.021 8 · fls. 2701/3145 – demonstrativos e cópias de conhecimentos de transporte; · fls. 3146/4763 cópia do Livro Razão, com os regitros das contas 401103 – DESPESAS DIVERSAS, 5259015 – SISCOMEX X25, 5120001 – SERVIÇOS DE TERCEIROS – P. JURIDICA, 4211089 – DESPESAS PROVISIONADAS DE FRETES E AGREGADOS, e demonstrativos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1627.608, de 4 de novembro de 2010 (fls. 4777/4803), julgou procedente em parte a impugnação, conforme o seguinte entendimento resumido na sua ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há que se cogitar sobre nulidade, se os autos de infração foram lavrados em consonância com os pressupostos legais. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA.PERÍCIA. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. INTIMAÇÕES AO PROCURADOR. A legislação relativa ao processo administrativo fiscal preceitua que as intimações por via postal ou por qualquer outro meio devem ser feitas com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Destarte não é possível a intimação em endereço diverso daquele por ele fornecido para fins cadastrais. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, verificado o pagamento antecipado e ausente o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação, o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 150, § 4º do CTN. Não pode prevalecer o lançamento formalizado após esse prazo. VARIAÇÕES CAMBIAIS. ALÍQUOTA ZERO. As receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas subordinadas ao regime de incidência não cumulativa estão sujeitas à alíquota zero. Não há provas cabais de que a empresa tenha auferido receitas Fl. 5021DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.022 9 financeiras decorrentes das oscilações da taxa de câmbio e que estas estariam inseridas no montante de receitas de prestação de serviços declarado nas DIPJ, Relativamente ao anocalendário de 2005, os lançamentos contábeis evidenciam ser injustificada a exclusão feita na base de cálculo, pois as variações cambiais passivas superaram as ativas. RECEITAS DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICÍLIO NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS. A alegação de que parte das receitas auferidas seria decorrente de serviços prestados a domiciliados no exterior, que teriam representado ingresso de divisas, deve estar respaldada por documentação hábil e idônea. CRÉDITOS SOBRE INSUMOS. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Os gastos relativos a telecomunicações e manutenção de software não geram direito a créditos a serem descontados do PIS por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados diretamente na prestação de serviços. REVERSÃO DE PROVISÕES. A mera apresentação dos lançamentos contábeis relativos a reversões de provisão, sem a prova de sua veracidade e de que o montante escriturado foi agregado ao valor das receitas de prestação de serviços declaradas em DIPJ, não autoriza a sua exclusão para efeito de apuração da contribuição. ERROS DE CÁLCULO COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. Não se vislumbra incorreções nos cálculos relativos à apuração do crédito tributário, mas apenas equívocos numéricos mencionados no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais e anexos que não repercutiram na determinação da exigência. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, não cabe à autoridade julgadora manifestarse a respeito de juros sobre multa de oficio. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, verificado o pagamento antecipado e ausente o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação, o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 150, § 4°, do CTN. Não pode prevalecer o lançamento formalizado após esse prazo. Fl. 5022DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.023 10 VARIAÇÕES CAMBIAIS. ALÍQUOTA ZERO. As receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas subordinadas ao regime de incidência não cumulativa estão sujeitas à. alíquota zero. Não há provas cabais de que a empresa tenha auferido receitas financeiras decorrentes das oscilações da taxa de câmbio e que estas estariam inseridas no montante de receitas de prestação de serviços declarado nas DIPJ. Relativamente ao anocalendário de 2005, os lançamentos contábeis evidenciam ser injustificada a exclusão feita na base de cálculo, pois as variações cambiais passivas superaram as ativas. RECEITAS DECORRENTES DE SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS. A alegação de que parte das receitas auferidas seria decorrente de serviços prestados a domiciliados no exterior e que teria representado ingresso de divisas deve estar respaldada por documentação hábil e idônea. CRÉDITOS SOBRE INSUMOS. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE. Os gastos relativos a telecomunicações e manutenção de software não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados diretamente na prestação de serviços. REVERSÃO DE PROVISÕES. A mera apresentação dos lançamentos contábeis relativos a reversões de provisão, sem a prova acerca de sua veracidade e de que o montante escriturado foi agregado ao valor das receitas de prestação de serviços declaradas em DIPJ, não autoriza a sua exclusão para efeito de apuração da contribuição. ERROS DE CÁLCULO COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. Não se vislumbra incorreções nos cálculos relativos à apuração do crédito tributário, mas apenas equívocos numéricos mencionados no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais e anexos que não repercutiram na determinação da exigência. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, não cabe à autoridade julgadora manifestarse a respeito de juros sobre multa de oficio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O provimento parcial foi apenas para o reconhecimento da decadência parcial do lançamento. Fl. 5023DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.024 11 O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 4.815/4.852), no qual sustenta, em preliminar, a nulidade do acórdão da DRJ, por cerceamento do seu direito de defesa, por entender que o julgador de Primeira Instância pretende verdadeira inversão do ônus da prova, em desrespeito ao art. 142 do CTN, o qual exige que o lançamento esteja devidamente amparado na verdade material a respeito dos fatos. No mérito, reitera os mesmos fundamentos da impugnação, apresentando laudo técnico emitido pela Pricewaterhousecoopers (fls. 4855/4867), cujas análises e conclusões transcreve na petição de recurso, em reforço à sua argumentação. A propósito das diferenças correspondentes à variação cambial, o Recorrente cita o seguinte trecho do laudo técnico: '(.„) Os documentos hábeis para comprovar essas operações são os contratos de câmbio firmados, periodicamente, e mantidos em arquivo por KN. A totalidade dos contratos de câmbio está à disposição, nos arquivos de KN, sendo que cada contrato é objeto de registro contábil específico, bem como a correspondente variação cambial, apurada diariamente. Examinamos todos os lançamentos a débito e a crédito das contas de variação cambial, objeto da autuação fiscal, no período de março de 2005 o dezembro de 2007, nos Livros Razão mantidos por KN. Os saldos de variação cambial foram identificados através da soma' dos lançamentos devedores e credores nos Razões contábeis; os saldos, credores e devedores, foram ajustados nas respectivas apurações das contribuições devidas ao PIS e â COFINS. (...) Com base na metodologia por nós adotada concluímos que o montante de ajuste efetuado por KN. na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, a título de variação cambial, corresponde a valores contabilizados a esse mesmo titulo, variação cambial de direitos e obrigações em moeda estrangeira, na contabilidade'. No que se refere à receita de exportação de serviços, é citado o seguinte trecho do laudo: 'Ao desenvolver serviços de logística relacionados ao transporte internacional de cargas, KN efetua operações de exportação na modalidade collect ou seja. o pagamento pelo serviço de transporte é de responsabilidade do contratante, que. no caso. está situado fora do Brasil, ou seja, residente ou domiciliado no exterior, e que. nas circunstâncias, efetua remessa financeira ao Brasil para liquidar sua obrigação, representando efetivo ingresso de divisas. O valor recebido por KN é remuneração decorrente de exportação de serviços. (...) Como a quantidade de operações desse tipo foi elevada, e tendo em vista o período sob análise ser abrangente, foi acordado que nossos trabalhos seriam desenvolvidos com base em critério de amostragem, Fl. 5024DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.025 12 aceito cientificamente, para as operações ocorridas no período, que representou parcela significativa do total da receita de exportação, a sabei. (...) Com base nos itens por nós selecionados. KN apresentou a documentação que suportou os valores informados como receita do exportação, quais sejam: • Registros contábeis; • Conhecimentos de transporte internacional, tanto aéreo (AWB 'airway bill´) quanto marítimo (BL – bill of landing´); • Faturas comerciais (commercial invoices ou invoices); e • Cópia das telas de registro (files) dessas operações, no sistema da KN, demonstrando as receitas e custos por operação. Os dados informados nas planilhas suporte dos valores considerados como receitas de exportações, tais como números do file e da invoice. registros do AWB ou BL, unidade KN destinatária na operação, dados do emitente e saldo da operação (isto é, receita diminuída dos custos incorridos), foram cruzados com os documentos fornecidos para a amostra selecionada, a fim de identificarmos a coerência e correção das informações nessas planilhas. Os seguintes dados foram extraídos dos documentos acima citados: (i) conhecimentos de transportes internacionais (emitidos pelo transportador da carga): remetente das mercadorias, destinatário, agente do transportador (a própria KN). descrição do bem transportado, a modalidade de transporte contratada (no caso. o chamado collect; e a forma de pagamento; (ii) demais documentos: informações necessárias a comprovar a integridade dos procedimentos adotados pela KN em suas operações e nos registros das mesmas". O Recorrente destaca, então, a conclusão do laudo, de que “os documentos analisados são aptos a demonstrar que as operações correspondem, efetivamente, a serviços prestados para contratantes residentes ou domiciliados no exterior cujo pagamento representou ingresso de divisas", bem como que, "considerando os objetivos da análise amostral desenvolvida, é possível concluir que a qualidade da documentação, a natureza dos ajustes e adequação dos valores registrados a título de receitas de exportação podem ser aplicadas e estendidas á totalidade das receitas dessa natureza, deduzidas da base de cálculo do PIS e da COFINS. no período em questão, no montante global de R$ 33.091.400,00. Quanto ao direito de crédito pela aquisição de insumos utilizados na prestação de serviços, o Recorrente alega que “as despesas com a obtenção do direito de acesso ao sistema Siscomex e com a manutenção dos respectivos softwares definitivamente correspondem a serviços aplciados na prestação de serviços de despacho aduaneiro, pois sem Fl. 5025DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.026 13 o acesso àquele sistema não há sequer a possibilidade de tal atividade ser desenvolvida” (fl. 4840) e que o referido laudo técnico concluiu pela idoneidade da documentação e pela qualificação dos valores como “gastos com manutençào de softwares e com serviços de telecomunicações para provimento de acesso ao Siscomex” (fl. 4810). A propósito da reversão de provisões, o Recorrente explicou o seguinte: A fim da eliminar qualquer dúvida a respeito dos procedimentos adotados pela recorrente quanto as referidas provisões, a seguir será explicitado o critério pelo qual estas provisões são constituídas e. posteriormente, revertidas Vejamos A partir do ano de 2003. seguindo procedimentos estabelecidos de maneira uniforme para todas as empresas do grupo Kuehne Nagel espalhadas pelo mundo, a recorrente passou a constituir provisões para despesas relacionadas com fretes contratados junto a terceiros (fornecedores) O procedimento adotado era o seguinte: uma vez fechado determinado contraio de transporte, mas antes do recebimento da respectiva cobrança, a recorrente reconhecia em sua contabilidade provisões para as despesas relacionadas a tal negócio. Os lançamentos efetuados tem inquestionável natureza de provisão, haja vista que eram registrados contabilmente antes do incurso efetivo na respectiva obrigação, contraída junto aos terceiros. Uma vez concretizada a obngação referente ao transporte efetuado, a provisão anteriormente constituída deixava de existir, sendo baixada na contabilidade, dando lugar ã despesa efetiva correspondente Considerando que a recorrente praticava mensalmente milhares de operações dessa natureza, a cada mes ela baixava a totalidade do saldo das provisões constituídas no mês anterior e. posteriormente, as lançava novamente com base no saldo final das provisões do mês corrente Esse tem sido o procedimento contábil adotado mensalmente em relação às provisões desde o ano de 2003 até os dias atuais. Argumenta que, diante de tal procedimento, não pode haver dúvida de que tais reversões não podem integrar a base de cálculo das contribuições, conforme expressamente previsto no art. 1º, § 3º, V, “b”, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Acrescenta, para corroborar tal afirmativa, a transcrição do seguinte trecho do laudo técnico: "Parte das divergências apontadas pelo agente fiscalizador decorre de reversões de provisões para despesas operacionais, relacionadas aos serviços logísticos prestados pela KN. Referidas reversões foram identificadas por meio dos lançamentos descritos nos Razões contábeis, fornecidos pela KN, da conta de resultado 4211009 'despesas provisionadas de fretes e agregados'. (...) Dessa forma, concluímos que os saldos apresentados correspondem, efetivamente, a reversões de provisões operacionais e não representaram ingresso de novas receitas. Os saldos, credores e Fl. 5026DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.027 14 devedores, foram ajustados nas respectivas apurações das contribuições devidas ao PIS e à COFINS. Adicionalmente, entendemos que os Razões contábeis fornecidos foram hábeis e suficientes a comprovar os lançamentos efetuados, de forma que não identificamos divergências de valores ou inconsistências de informações nesses documentos que encontramse devidamente anexados a este laudo (Doc's 16. I7e18)". Reitera, enfim, a alegação de que não existe amparo legal que autorize a aplicação de juros sobre a multa de ofício. É o relatório Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 25/05/2011 (fl. 4815), dentro do prazo de 30 dias da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 25/04/2011 (fl. 4811). Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma ao acórdão da DRJ, conheço do recurso. O extenso material probatório apresentado com a Impugnação somado ao laudo técnico apresentado com o Recurso Voluntário convencemme da necessidade de conversão do julgamento em diligência. O Recorrente sustenta, no mérito, (1) ter direito à aplicação da alíquota zero em relação a receitas de variação cambial, (2) a não incidência das contribuições em relação às receitas de exportação, (3) ter direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo em relação à aquisição de insumos para utilização na prestação de serviços e (4) a necessidade de exclusão da base de cálculo de valores que corresponderiam à reversão de provisões. Quanto à variação cambial, tanto o acórdão da DRJ como o laudo apresentado pelo contribuinte apresentam os valores de variação cambial em valor total consolidado para o ano. O acórdão da DRJ, para desqualificar a prova apresentada pelo contribuinte, diz que os valores totais de alguns anos eram valores negativos. Ou seja, colocou em cheque a prova, insinuando que o valor negativo resultante da variação ocorrida ao longo do ano conduziria à conclusão de que não teria havido receita. O contribuinte, por sua vez, empenhase em contestar o argumento, dizendo que, diferente do que alega a DRJ, o valor de um destes anos não seria negativo, mas positivo. Também o laudo, apresentado pelo contribuinte, trabalha a partir dos valores anuais. Ocorre que se está tratando de PIS/Cofins, cujo fato gerador é mensal. Fl. 5027DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.028 15 Interessa saber, por isso, se as provas são capazes de demonstrar quais são os valores que, em relação a cada mês, correspondem exclusivamente a valores de variações cambiais (de ativos e passivos), por se referirem a direitos e obrigações fixados em moedas estrangeiras. O mesmo ocorre em perspectiva mais ampla: é necessário saber, em primeiro lugar e antes de tudo, se o valor adotado como base de cálculo pelo lançamento, em cada mês, efetivamente corresponde ao somatório do valor correspondente a cada um dos 4 fundamentos de mérito acima referidos – (1) alíquota zero, (2) receita de exportação, (3) crédito pela aquisição de insumo utilizado na produção e (4) reversão de provisões. Ou seja: (A) é possível identificar nos valores que foram apresentados pelo contribuinte e utilizado pela Fiscalização como base de cálculo do lançamento (fls. 233/235; 247; 252/265) quais valores corresponderiam aos referidos 4 fundamentos de direito? O lançamento foi realizado pela Fiscalização como decorrência da glosa destes 4 fundamentos de direito? Qual o procedimento adotado pela Fiscalização? É possível identificar no Termo de Verificação ou em outros elementos que serviram de fundamento ao lançamento fiscal qual o valor que corresponderia a cada um dos referidos fundamentos de direito, em cada mês? De outro lado, (B) os valores que o recorrente apresenta depois, em suas defesas (impugnação e recursos), para cada um dos 4 fundamentos de direito, se somados chegam ao valor da base de cálculo adotada no lançamento? Mais precisamente, parece necessário socorrerse da Delegacia de origem também para (C) conferir e informar se os valores mensais apresentados a título de “variação cambial”, inseridos na base de cálculo das contribuições, correspondem ao valor mensal da conta 3011046 – VARIAÇÃO CAMBIAL – ATIVA ou da conta 4011052 – VARIAÇÃO CAMBIAL – PASSIVA, ou do resultado do confronto destas contas; Quanto à exclusão da receita de exportação, verificase que o contribuinte sistematicamente se refere a elas com o termo “resultados” da atividade de exportação. Isto, talvez, porque alguns documentos demonstram que a empresa brasileira realiza encontros de contas sistemáticos com a controladora estrangeira, cujo efeito prático parece ser o de que apenas o valor da diferença positiva é remetido ao Brasil. Percebese, ainda, que todos os ingressos são feitos por outras “KUEHNE+NAGEL” de outros países. São apresentados contratos de câmbio que demonstram o recebimento de valores do exterior, ou seja, o ingresso de moeda estrangeira. O laudo apresentado pelo contribuinte conclui o seguinte: Fl. 5028DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.029 16 (...) (...) A respeito destas receitas de exportação, requerse à Delegacia de origem (D) confirmar se na contabilidade do contribuinte os valores recebidos do exterior são apropriados como receita de exportação e se tais valores correspondem exatamente aos valores indicados nos contratos de câmbio apresentados nestes autos. Quanto aos alegados insumos aplicados na prestação de serviços, requerse à Delegacia de origem que (E) a partir dos documentos existentes nos autos, ou de outros que entenda ser o caso de solicitar ao contribuinte, determine os valores que correspondem a cada serviço que possa ser identificado: serviço de manutenção de softwares, internet, acesso ao siscomex etc, fazendo todas as considerações que entenda cabíveis. Quanto à reversão de provisões, o laudo apresentado pelo contribuinte apurou e concluiu o seguinte: (...) Fl. 5029DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.001366/201012 Resolução nº 3403000.541 S3C4T3 Fl. 5.030 17 A este respeito, requerse à Delegacia de origem que (F) verifique e confirme se o funcionamento da conta ocorre da forma como narrada pelo contribuinte, ou seja, se é possível identificar que as referidas reversões foram ou não contabilizadas como receita anteriormente. Entendo, enfim, pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem realize as providências enumeradas nas letras de A a F, acima indicadas, sem excluir outras verificações e conclusões que entenda pertinentes. Para a realização da diligência, a Autoridade da Delegacia de origem pode intimar o contribuinte a apresentar os documentos que entender necessários, ou ainda, promover a verificação in loco, devendo ao final lavrar um termo final de diligência. Deste termo final de diligência, deve ser intimado o contribuinte para, querendo, apresentar manifestação no prazo de 15 (quinze) dias. É como voto. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 5030DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10508.000803/2010-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007
MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com a revogação dos §§ 1. e 2. do art. 62-A do CARF inexiste fundamento para que esse Conselho determine o sobrestamento de feitos cuja matéria esteja com repercussão geral no STF.
Recurso Voluntário Negado.
A participação de representante do sindicato na comissão responsável pela negociação para pagamento da participação nos lucros e resultados é formalidade legal que, uma vez descumprida, torna os pagamentos a esse título suscetíveis de incidência de contribuições sociais.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR. INCLUSÃO DE SEGURADOS EM PLANO DIFERENCIADO NEGOCIADO SEM A PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Incidem contribuições sociais sobre as parcelas pagas a grupos de empregados contemplados em plano de PLR diferenciado, que não tenha sido objeto de negociação por comissão integrada por representante do sindicato representativo dos empregados.
CUMULAÇÃO DE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA.
Nos demonstrativos do valor consolidado, o fisco refere-se a multa de mora quando trata daquela calculada com base na legislação da época dos fatos geradores e multa de ofício a que decorreu da legislação atual. Considerando-se que foi efetuado o comparativo, competência a competência, para aplicação da multa menos gravosa, inexistiu no lançamento a imposição cumulativa de multa de mora e multa de ofício.
Numero da decisão: 2401-003.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de sobrestamento. II) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para excluir a multa das competências 04 e 05/2007. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007 MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com a revogação dos §§ 1. e 2. do art. 62-A do CARF inexiste fundamento para que esse Conselho determine o sobrestamento de feitos cuja matéria esteja com repercussão geral no STF. Recurso Voluntário Negado. A participação de representante do sindicato na comissão responsável pela negociação para pagamento da participação nos lucros e resultados é formalidade legal que, uma vez descumprida, torna os pagamentos a esse título suscetíveis de incidência de contribuições sociais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR. INCLUSÃO DE SEGURADOS EM PLANO DIFERENCIADO NEGOCIADO SEM A PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sociais sobre as parcelas pagas a grupos de empregados contemplados em plano de PLR diferenciado, que não tenha sido objeto de negociação por comissão integrada por representante do sindicato representativo dos empregados. CUMULAÇÃO DE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA. Nos demonstrativos do valor consolidado, o fisco refere-se a multa de mora quando trata daquela calculada com base na legislação da época dos fatos geradores e multa de ofício a que decorreu da legislação atual. Considerando-se que foi efetuado o comparativo, competência a competência, para aplicação da multa menos gravosa, inexistiu no lançamento a imposição cumulativa de multa de mora e multa de ofício.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007 CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NÃO INCLUSÃO NO LANÇAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DAS ALEGAÇÕES. Não foram consideradas as alegações para exclusão da contribuição ao INCRA, posto que o lançamento de que trata este processo não contempla o referido tributo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. AUSÊNCIA DO SINDICATO NAS NEGOCIAÇÕES. DESATENDIMENTO À NORMA DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A participação de representante do sindicato na comissão responsável pela negociação para pagamento da participação nos lucros e resultados é formalidade legal que, uma vez descumprida, torna os pagamentos a esse título suscetíveis de incidência de contribuições sociais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. INCLUSÃO DE SEGURADOS EM PLANO DIFERENCIADO NEGOCIADO SEM A PRESENÇA DE REPRESENTANTE SINDICAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sociais sobre as parcelas pagas a grupos de empregados contemplados em plano de PLR diferenciado, que não tenha sido objeto de negociação por comissão integrada por representante do sindicato representativo dos empregados. CUMULAÇÃO DE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA. Nos demonstrativos do valor consolidado, o fisco referese a “multa de mora” quando trata daquela calculada com base na legislação da época dos fatos geradores e “multa de ofício” a que decorreu da legislação atual. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 08 03 /2 01 0- 97 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Considerandose que foi efetuado o comparativo, competência a competência, para aplicação da multa menos gravosa, inexistiu no lançamento a imposição cumulativa de “multa de mora” e “multa de ofício”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/05/2007 MATÉRIA COM REPERCUSSÃO GERAL NO STF. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com a revogação dos §§ 1. e 2. do art. 62A do CARF inexiste fundamento para que esse Conselho determine o sobrestamento de feitos cuja matéria esteja com repercussão geral no STF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de sobrestamento. II) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento parcial para excluir a multa das competências 04 e 05/2007. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000803/201097 Acórdão n.º 2401003.477 S2C4T1 Fl. 382 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 15 27.905 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Salvador (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.302.7796. O crédito em questão visa à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, cujos fatos geradores foram os pagamentos a segurados empregados a título de participação nos lucros ou resultados (levantamentos GR e GR1) em desconformidade com a legislação de regência. Conforme o relatório fiscal, fls. 15 e segs., a empresa paga à maioria dos seus empregados a rubrica PR, a qual, por estar em consonância com a Lei n. 10.101/2000, não foi objeto do lançamento. Todavia, verificouse também o pagamento da verba denominada GPR (participação nos resultados dos gestores), esta disponibilizada apenas aos funcionários lotados na área administrativa. Afirma o fisco que a verba GPR é decorrente de regras que não foram objeto de negociação entre patrão e empregados, uma vez que o Sindicato representativo das categorias dos trabalhadores sequer foi convidado a participar das negociações para definição das normas que regem o pagamento da referida parcela. Ressaltase ainda que o acordo para pagamento da GPR não é público e não contém regras objetivas conforme exige a Lei da PLR. Segundo o fisco, esta verba é paga juntamente com o IPL (índice de longo prazo), o qual é repassado aos funcionários com mais de três anos de serviço na empresa e proporcionalmente as metas estabelecidas no GPR. O IPL consiste em um número de salários anuais do empregado. Segundo o fisco, a análise documental revelou que sequer as regras do GPR são cumpridas. Para comprovar esta assertiva, apresenta exemplo de segurado que recebeu a verba em montante superior às regras constantes do programa. Assim, as verbas pagas a título de GPR e IPL foram consideradas remuneração e, portanto, sujeitas a incidência das contribuições. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovidas pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Cientificado do lançamento em 07/12/2010, o sujeito passivo ofertou defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que a declarou improcedente. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Inconformada, a empresa interpôs recurso, fls.316 e segs., no qual, em apertada síntese, apresentou os argumentos abaixo. Com base no § 1. do art. 9. do Decreto n. 70.235/1972, apresenta recurso único contras os acórdãos n. 1527.904 e 1527.905. Pugna pela tempestividade do recurso e faz um apanhado dos principais fatos do processo. Assevera que a contribuição ao INCRA é inexigível, pelos seguintes motivos: a) foi extinta pela Lei n. 7.787/1989; b) não há previsão desta contribuição nas leis previdenciárias; c) a contribuição em tela não pode ser considerada como de intervenção no domínio econômico, posto que não foi recepcionada pela Emenda Constitucional EC n. 33/2001. A seguir, passa a tratar da legislação aplicável à PLR. Sustenta que não desvirtuou o instituto da participação nos lucros ou resultados, sendo indevidas as contribuições constantes do lançamento guerreado. Garante que o programa de metas dos funcionários executivos decorre de negociação sindical, uma vez que o representante do SINDICELPA/BA, ao assinar o “Acordo de Participação nos Resultados de 2007”, concordou com o tratamento em separado da verba denominada GPR. Menciona as Cláusulas 2.2 e 2.2.1 do citado acordo, as quais fariam expressa referência ao Programa de GPR. Advoga que, caso se considere a ausência do Sindicato na definição das regras do GPR, devese ter em conta que a regra de participação do ente sindical, prevista no inciso I do art. 2. da Lei n. 10.101/2000, vem sendo mitigada pelos tribunais pátrios , quando se constata que o escopo do programa de PLR foi alcançado. Apresenta precedentes do TRF – 4.ª Região e do STJ. A interpretação mais adequada deste dispositivo é que os planos formulados unicamente pela empresa são válidos, desde que não se sobreponham a eventual norma coletiva de trabalho. Defende que não há legitimidade da Receita Federal do Brasil para desqualificar os pagamentos de PLR, com a nítida intenção de tributar a verba. Ao contrário do que afirma a auditoria, a documentação colacionada demonstra que o Programa de PLR específico para os gestores da recorrente é periódico e se submete à revisão anual das respectivas regras. Aduz que mera leitura do Manual de GPR revela a existência de regras claras, precisas e objetivas do programa, inclusive com notas e graus de avaliação final dos empregados gestores, assim como a correspondente participação nos lucros, tudo observando as metas préestabelecidas no início do respectivo exercício. A seguir passa a mencionar as regras. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000803/201097 Acórdão n.º 2401003.477 S2C4T1 Fl. 383 5 Menciona decisão da 1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF que entendeu não ser incidente a contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de PLR quando observado que os pagamentos atenderam a finalidade prevista na Lei n. 10.101/2000. Segundo esta decisão, o fato de serem pagos percentuais distintos a categorias de empregados não desnatura o plano. Também não se aceitou a tributação da PLR em razão do seu valor superar o salário anual do empregado. A verba denominada IPL é uma complementação da PLR paga aos gestores da empresa, cujas regras são as mesmas previstas para a distribuição da GPR, apenas com restrição do seu pagamento para trabalhadores com menos de três anos com a empresa. Assim, descabe a conclusão do fisco de que a citada verba seria uma espécie de gratificação por tempo de serviço. Menciona as regras para o seu pagamento constantes no Manual da GPR. A possibilidade de pagamento da parcela IPL é aferida anualmente, mas o seu pagamento somente se dá após o terceiro ano, de modo a evitar a evasão precoce dos funcionários bem avaliados nos primeiros anos de vínculo com a recorrente. Essa sistemática não é vedada pela Lei da PLR. Apresenta parâmetros utilizados no cálculo da PLR do seu então Diretor Presidente, Sr. Renato Guerron, para demonstrar que está equivocada a afirmação do fisco de que o pagamento não teria observado as regras do Manual da GPR. Apresenta outro precedente do CARF em que foi expresso o entendimento de que, embora deva ser prestigiada a relevância das regras claras e objetivas, esta exigência deve ser sopesada com a finalidade que o programa visa atingir. O inciso XI do art. 7. da Carta Magna, desde a sua promulgação, possui plena eficácia em relação à participação nos lucros, principalmente quanto à impossibilidade de tal parcela ser integrada ao salário dos trabalhadores. Apresenta acórdão proferido pelo TRF – 2.ª Região. Sobre a eficácia plena do dispositivo constitucional acima citado, enfatiza que o STF reconheceu a repercussão geral do tema no Recurso Extraordinário n. 569.441/RS. Por esse motivo, a aplicação do art. 62A da Regimento Interno do CARF exige que o julgamento do presente recurso seja sobrestado até a decisão final da Corte Suprema sobre a matéria. O entendimento do acórdão recorrido privilegia a legislação infraconstitucional em detrimento da efetividade do texto constitucional, o que não pode ser admitido. Assevera que a rígida interpretação da Lei da PLR, a ponto de ensejar a cobrança de contribuições previdenciárias sobre esta verba pelo simples descumprimento de formalidade, também viola o art. 218, § 4. , da Constituição, posto que representa um desestímulo para que as empresas permitam a participação dos trabalhadores nos seus resultados. Argumenta que a jurisprudência pátria se apresenta clara no sentido de que a norma constitucional é imperativa quanto à desvinculação da participação nos lucros ou Fl. 418DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 resultados dos salários dos trabalhadores, não podendo prevalecer o entendimento da DRJ quanto à tributação da verba GPR. Sustenta ser ilegítima a aplicação cumulativa de multa de mora e multa de ofício. Cita precedente do CARF. Ao final, postula pelo recebimento do recurso no efeito suspensivo e pede a declaração de insubsistência dos lançamentos. É o relatório. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000803/201097 Acórdão n.º 2401003.477 S2C4T1 Fl. 384 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Contribuição ao INCRA A incidência da contribuição ao INCRA não será tratada na análise do presente recurso, uma vez que o processo em tela se refere apenas às contribuições patronais para a Seguridade Social. Incidência de contribuições sobre a PLR Não posso concordar com a recorrente quando afirma que a desvinculação da participação nos lucros e resultados é norma constitucional de eficácia plena. Ao defender tal tese, o sujeito passivo, por via oblíqua, defende que as normas previstas na Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais, além de que a alínea “j” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991 também representaria uma contrariedade Carta Magna. Façamos um rápido passeio pela fundamentação legal na qual se embasou a auditoria para considerar a incidência previdenciária sobre a verba sob comento. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n. 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n. 10.101/2000. O art. 1. desse diploma normativo dispõe: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Pois bem, esse diploma veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Nesse sentido, ao entender que o pagamento dessa verba é irrestrito, não se subordinando a qualquer normatização infraconstitucional que venha a lhe impor restrições, a recorrente está indiretamente a afirmar que esses dispositivos da Lei n. 10.101/2000 são inconstitucionais. A Lei n. 8.212/1991, na que a alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a isenção previdenciária sobre a participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n. 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Da mesma forma, com a defesa da tese de que nunca haveria incidência previdenciária sobre a PLR, inevitavelmente, estarseia diante da declaração de inconstitucionalidade da Lei de Custeio da Previdência Social. Diante da tese de inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei n. 8.212/1991 e da Lei n. 10.101/2000 é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por desconformidade com a Lei Maior. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000803/201097 Acórdão n.º 2401003.477 S2C4T1 Fl. 385 9 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de leis trazidas pela recorrente. Assim, partindose do pressuposto que os dispositivos da Lei n. 8.212/1991 e da Lei n. 10.101/2000 que tratam da participação nos lucros e resultados das empresas por seus empregados são constitucionais, vejo que a tese da impossibilidade jurídica de incidência de contribuições sobre os pagamentos efetuados a título de PLR, independentemente da observância das citadas leis, não pode ser acolhida por este colegiado. Sobrestamento do feito Invocando os §§ 1. e 2. do art. 62A do RI CARF, o sujeito passivo requer o sobrestamento do feito até que sobrevenha decisão final no Recurso Extraordinário n. 569.441/RS, processado sob o rito da repercussão geral no STF. O pedido de sobrestamento não tem mais amparo legal. É que a Portaria MF n. 545, de 18/11/2013 (DOU 20/11/2013), revogou os §§ 1. e 2. do art. 62A do RI CARF. As regras da nova Portaria por serem de direito processual têm aplicação imediata, afastando a pretensão do sujeito passivo de ter o feito sobrestado. A verba GPR 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Para decidirmos acerca da incidência de contribuições sociais sobre os valores repassados aos empregados da autuada a título de “Gestão de Resultados – GPR” e Índice de Longo Prazo – ILP”, iniciemos por analisar a forma como se dava o pagamento das verbas. Consta dos autos, fls. 98 e segs., Acordos de Participação nos Resultados para 2006 e 2007, os quais foram firmados entre a autuada e comissão de empregados, com assistência do representante do Sindicato destes. Sobre os valores pagos nos termos desses acordos, não houve tributação, tendo o fisco considerado que foram atendidas as exigências legais. Os valores tomados como saláriodecontribuição dizem respeito aos pagamentos efetuados a empregados, cujas regras não constavam nos citados acordos, os quais excluíam determinados trabalhadores, como se pode ver das seguintes cláusulas: “2.2 Estão excluídos da abrangência deste acordo, os empregados: que compõem o grupo gerencial, por já possuírem um programa de resultados com metas individuais. 2.2.1 Entendese como grupo gerencial os empregados posicionados na grade 16 e acima, incluindo os coordenadores posicionados na grade 15.” A esses trabalhadores integrantes do grupo gerencial, a participação nos resultados se dava mediante o pagamento das parcelas denominadas GPR e ILP, cujas regras de aquisição do direito encontramse explicitadas na Cartilha GPR, fls. 66 e segs. Para o fisco esses pagamentos contrariam os ditames da Lei n. 10.101/2000, posto que decorreram de regras que não foram acordadas entre patrão e empregados. Aduziu ainda o fisco que não há regras claras e objetivas para o seu pagamento. Diante dessa conclusão, foram exigidas as contribuições incidentes sobre as parcelas GPR e ILP. A empresa advoga que esses pagamentos receberam a chancela do Sindicato dos empregados, posto que são mencionados no acordo geral da PLR, onde há cláusulas específicas tratando dos mesmos. Afirma ainda a autuada que: “63. Numa breve e simples leitura do Manual de GPR da Impugnante identificamse regras claras, precisas e objetivas do programa, inclusive com critérios, notas e graus de avaliação final dos empregados gestores, assim como a correspondente participação nos lucros, tudo observando as metas preestabelecidas no início do respectivo exercício. 64. O item 3 do Manual apresenta o processo de execução da GPR com 5 (cinco) etapas, conforme adiantado linhas acima: (i) contratação de metas; (ii) acompanhamento e revisão; (iii) avaliação de resultados; (iv) consolidação pelo comitê de Diretoria e Recursos Humanos; e (v) pagamento da remuneração variável.” Quando me deparo com o documento de fl. 292, onde consta a memória de cálculo da remuneração variável de curto e longo prazo (GPR e ILP) para o Diretor Presidente Fl. 423DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000803/201097 Acórdão n.º 2401003.477 S2C4T1 Fl. 386 11 da empresa, fica clara a existência da meta individual e da meta empresa, as quais eram compostas de diversos critérios. Sobre essa questão, inclusive, observo que não devo dar razão ao fisco acerca da descaracterização dos pagamentos em razão do suposto erro no pagamento das verbas GPR e ILP ao Diretor Presidente. A uma porque não se poderia desconsiderar o plano como um todo em razão de um valor individual estar em desconformidade com as regras, a duas porque a justificativa apresentada pela empresa mostrase plausível, uma vez que havia normas internas possibilitavam o pagamento de ILP proporcional para os casos de desligamento do empregado antes de completada a carência, nos casos em que a quebra do vínculo se dava por iniciativa da empresa. Essa circunstância não foi levada em conta pela autoridade lançadora. Não concordo com o fisco quando afirma que as regras não são claras e objetivas, posto que a Cartilha GPR contém todos os contornos relativos a essa remuneração variável. São apresentados os indicadores a sua influência na composição do benefício, as metas e as regras para pagamento das parcelas. O fato das regras conterem indicadores que levam em conta a avaliação individual do empregado não significa que estas seriam subjetivas. Na verdade a regra é objetiva, todavia a avaliação é que pode levar em conta fatores subjetivos do avaliador. Por exemplo, ao definir a “liderança” como um fator a ser avaliado, buscase premiar os gestores que conseguem obter de seus subordinados o comprometimento necessário ao sucesso da empresa. Assim, embora esse seja um critério qualitativo, não deixa de ser objetivo. Todavia, embora entenda que os pagamentos das verbas GPR e ILP atendem aos ditames da Lei n. 10.101/2000, quanto à existência de regras claras e objetivas necessárias a percepção do benefício, não posso deixar de dar razão ao fisco quanto ao fato dessas regras e critérios não terem sido negociados entre a empresa e os seus trabalhadores. Da Cláusula 23.ª do Acordo Coletivo de Trabalho firmado entre a autuada e o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias de Papel, Celulose, Pasta de Madeira para Papel, Papelão, Cortiça, Artefatos de Papel, Madeira e Assimilados do Estado da Bahia – SINDICELPA/BA para o período de 2006 a 2008, observase que seria obrigação da empresa formar comissão, com participação de representante do Sindicato, para estabelecer os planos, estudos e formas de se apurar a participação dos empregados nos lucros e/ou resultados da Empresa (ver fls. 239 e segs.). De acordo com os autos, houve a formação da comissão, com representante sindical, para definição do pagamento da PLR aos empregados em geral, todavia, essa mesma providência não foi adotada para os empregados de nível gerencial. A tese da empresa é que o fato do Acordo da PLR prevê a sua não aplicabilidade aos empregados com cargos de gestão e assemelhados seria suficiente para comprovar que houve a participação do sindicato dos empregados, posto que ele teria concordado com o tratamento diferenciado. Pareceme que não foi esse o objetivo do legislador. O “caput” do art. 2. da Lei n. 10.101/2000 prevê a obrigatoriedade da negociação em convenção ou acordo coletivo de trabalho ou com comissão escolhida pelas partes, que deve ser integrada por representante do sindicato da categoria. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Ora, se a negociação efetuada no âmbito da comissão expressamente prevê a exclusão de determinada categoria de empregados, para os excluídos teria que ser formada outra comissão, esta também integrada pelo representante do ente sindical. De fato, a Lei não exige que seja feito a mesma negociação para todos os empregados, mas é exigência legal que todas as regras atinentes ao pagamento da PLR siga o procedimento predeterminado, qual seja convenção, acordo ou comissão, sendo que esta deve obrigatoriamente contar com representante do sindicado dos trabalhadores. Não se mostra plausível a alegação da empresa de que a participação do sindicato é mera formalidade e que o descumprimento desse requisito não pode acarretar na desconsideração da natureza jurídica do pagamento. A presença de representante do sindicato nas negociações, antes de representar uma faculdade para as partes, constitui norma obrigatória, cujo desiderato é resguardar os interesses dos empregados mediante a assistência da sua entidade sindical. Essa exigência nada mais é que um desdobramento do que dispõe o inciso III do art. 8. da Carta Magna, o qual se reporta ao sindicato como legítimo defensor dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre os quais, inegavelmente, situase a participação nos lucros e resultados da empresa. Assim, por não ter sido objeto de negociação nos termos do art. 2. da Lei n. 10.101/2000 os valores pagos aos empregados da recorrente a título de GPR e ILP devem sofrer a incidência de contribuições sociais. Cumulação multa de ofício e multa de mora Consoante o relatório fiscal, na aplicação da multa o fisco efetuou o comparativo entre a multa calculada conforme a legislação vigente na ocorrência dos fatos geradores e aquela fixada com base na legislação atualmente em vigor. Esse procedimento foi adotado em obediência à previsão da alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, que determina a aplicação da norma ao fato pretérito quando esta comine penalidade menos severa que aquela vigente ao tempo da sua prática. Analisando o anexo de fl. 25, verificase que para as competências 01,02 e 03/2007 prevaleceram as disposições do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 (vigente à época dos fatos geradores), com imposição de multa de 24% e para as competências 04 e 05/2007, a multa prevista no art. 35A da Lei n.º 8.212/1991 (norma atual) mostrouse mais benéfica, tendo sido aplicada. Na apresentação do valor consolidado da multa o fisco denominou de “multa de mora” o valor calculado conforme a legislação anterior (competências 01, 02 e 03/2007), o qual totalizou o montante de R$ 182.674,08. A “multa de ofício” corresponde às competências 04 e 05/2007 e assumiu o valor de R$ 12.431,18. Esta foi calculada conforme a legislação atualmente em vigor. Esses valores podem ser facilmente visualizados na capa do AI, fl. 02, e no Discriminativo do Débito, fls. 05 e segs. Assim, descabe o argumento da empresa de que teria havido aplicação cumulada de “multa de mora” e “multa de ofício”. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10508.000803/201097 Acórdão n.º 2401003.477 S2C4T1 Fl. 387 13 Conclusão Voto por indeferir o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 36624.011123/2006-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 53.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 22 da Lei n° 8.213/91 c/c art. 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, deixar a empresa de comunicar acidente de trabalho ao Instituto Nacional do Seguro Social, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.774
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Arlindo da Costa e Silva. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marco André Ramos Vieira. Declarou-se impedido o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes.
Liege Lacroix Thomasi, Redatora ad hoc e Presidente (na data da formalização do acórdão)
Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. O Conselheiro Thiago D' Ávila Melo Fernandes julgou-se impedido.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 53. Constitui infração às disposições inscritas no art. 22 da Lei n° 8.213/91 c/c art. 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, deixar a empresa de comunicar acidente de trabalho ao Instituto Nacional do Seguro Social, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Arlindo da Costa e Silva. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marco André Ramos Vieira. Declarouse impedido o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes. Liege Lacroix Thomasi, Redatora ad hoc e Presidente (na data da formalização do acórdão) Manoel Coelho Arruda Júnior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 01 11 23 /2 00 6- 80 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. O Conselheiro Thiago D' Ávila Melo Fernandes julgouse impedido. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 36624.011123/200680 Acórdão n.º 2302000.774 S2C3T2 Fl. 302 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Previdência Social em 15/05/2006, onde constatouse violação ao disposto no art. 22 da Lei n. 8.213/91 c/c art. 336 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99, em razão da empresa acima identificada ter deixado de comunicar acidente de trabalho – CAT ao Instituto Nacional do Seguro Social, relativa à segurada Sandra Aparecida da Cruz, conforme relatório fiscal da infração de fls. 16, sendo certo que a referida empregada foi afastada em 10/05/2002 com o benefício de “auxílio doença “ e, após ter pleiteado revisão do benefício através do Sindicato de sua categoria, com emissão da respectiva CAT, o processo, que tomou o nº 37322.002507/2002.45, teve decisão final proferida em 17/03/2004 reconhecendo o nexo entre a doença e o trabalho, sendolhe concedida a transformação do benefício inicial de auxílio doença para auxílio doença por acidente do trabalho, com data do benefício acidentário a partir de 05/06/2002. Mediante a configuração da infração foi aplicada multa de acordo com o art. 286 do Regulamento da Previdência Social – RPS, Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, o qual se transcreve in verbis: Art. 286. A infração ao disposto no art. 336 sujeita o responsável à multa variável entre os limites mínimo e máximo do saláriode contribuição, por acidente que tenha deixado de comunicar nesse prazo. § 2º... § 3º A multa será aplicada no seu grau mínimo na ocorrência da primeira comunicação feita fora do prazo estabelecido neste artigo, ou não comunicada, observado o disposto nos art. 290 a 292. Quanto à infração de não comunicação de acidente de trabalho foi estipulada multa no valor de R$ 560,00, porém a empresa incorreu em situação agravante qual seja, “reincidência genérica” que decorreu da lavratura do Auto de Infração nº 35.591.9435, em 26/05/2003. Em relação a reincidência aplicouse o Decreto nº 3.048 – de 06 de Maio de 1999, nos seguintes termos: “Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a Gradação da multa, ter o infrator: IV... V – incorrido em reincidência. Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 III... IV – a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts 283 e 286, conforme o caso”. Como consequência da agravante identificada, o Auto de Infração teve seu valor elevado em duas vezes, sendo a multa aplicada no valor de R$ 1.120,00. A empresa contestou o auto de infração, apresentando impugnação fora do prazo de defesa, protocolo às fls. 28 e 30 e despacho às fls. 29; razões ás fls. 30/46 e documento às fls. 47/207, alegando, síntese: a) Conforme consta inclusive do relatório fiscal, a empresa apresentou defesa por não concordar com o nexo causal entre o exercício da atividade laboral e o tipo de lesão sofrida pela empregada, juntando atestados médicos de afastamentos que demonstram os motivos dos afastamentos e que a segurada empregada não sofreu qualquer “acidente de trabalho”; b) Narra a atividade da empregada, que não é causa de lesões, bem como menciona e junta reclamações trabalhistas de outras empregadas que trabalhavam nas mesmas condições da empregada Sandra, sendo que todas foram julgadas improcedentes com perícia concluindo pela não existência de nexo técnico; c) Relata o histórico de afastamentos da segurada Sandra e conclui que não há nexo técnico com o trabalho que realizava na empresa, razão pela qual, não tenho sofrido qualquer acidente do trabalho nem doença profissional, não foi emitido CAT, o que seria até uma lesão ao INSS; d) Alerta para o que pode ser um abuso de direito, transcreve artigo de perito do INSS publicado em jornal sobre concessão indevida de benefícios, acrescentando sua opinião no mesmo sentido. Reafirma que não emitiu o CAT por discordar do deferimento do auxílio doença acidentário, sem nexo causal, tendo apresentado defesa com seu inconformismo; e) Acrescenta que a segurada Sandra ingressou com reclamação trabalhista, proc. 50/04 com trâmite pela 2ª Vara do Trabalho de Bauru, na qual foi realizada perícia que concluiu que as lesões encontradas não são compatíveis com a atividade laboral e afinal a ação foi julgada totalmente improcedente, conforme transcrito e documentos juntados (inicial da reclamação trabalhista, fls. 73/95 em 13/01/04; laudo pericial, fls. 96/105, em 10/06/05; sentença, fls. 106/116, em 07/04/06), do que conclui requerendo a revisão da multa aplicada e a concessão do benefício; f) Alega nulidade no procedimento por ausência de infração, não sendo razoável nem justificável a autuação, pois a não emissão do CAT teve razão justa e foi justificada; tendo sido provocada a inexistência do nexo entre a doença e a atividade exercida, não se justifica a aplicação da multa com acolhimento das alegações apenas da empregada segurada, ferindo o princípio do contraditório e da ampla defesa e assim, o auto de infração não preenche os requisitos legais e pressupostos dos atos administrativos, bem como motivação fática, devendo ser anulado; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 36624.011123/200680 Acórdão n.º 2302000.774 S2C3T2 Fl. 303 5 g) Acrescenta que o auto de infração está fundado em presunção, faltalhe motivação, não pode subsistir validamente, transcrevendo doutrina sobre o tema; h) Reafirmando que a empresa discordava da conversão do auxílio doença em auxílio doença acidentário, tendo apresentado defesa e, portanto, não emitido o CAT; discorda da multa aumentada pela reincidência genérica e acrescenta que não foi provada a recusa em emissão do CAT, pelo contrário, através da decisão na reclamação trabalhista foi demonstrado que não existe nexo de causalidade entre a doença e a atividade exercida; Por fim, conclui requerendo a decretação da nulidade do auto de infração ou sua total improcedência. Restaram os autos conclusos à Delegacia da Receita Previdenciária, que proferiu Decisão Notificação (fls. 212/216) julgando procedente o Auto de Infração nos seguintes termos: “De tudo que consta do presente processo, acima relatado, concluise que o INSS através de perícia médica oficial reconheceu a doença do trabalho da empregada e concedeu o benefício de auxílio doença por acidente do trabalho após o pedido de revisão e emissão da CAT pelo Sindicato, tendo, a empresa Autuada, incorrido na infração por falta de comunicação de acidente do trabalho á Previdência Social, nos termos da legislação mencionada, a saber, art. 22, §§ 2º e 3º da Lei 8.213/91 e art. 336 do Decreto 3.048/99. O valor da multa aplicada está em consonância com o disposto no artigo 286, caput e § 3º c/c art. 290, V e 292, IV, todos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, conforme detalhado no relatório fiscal da multa aplicada, fls. 17/18. Dessa forma, o presente Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no “caput” do Art. 33 da Lei nº 8.212/91 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99.” Sendo assim a Delegacia da Receita Previdenciária rejeitou as argumentações suscitadas pela impugnante e declarou o contribuinte devedor à Seguridade Social do crédito previdenciário no montante de R$ 1.120,00 (um mil cento e vinte reais), consolidado em 15/05/2006. Não se conformando com a decisão, YAKULT S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, recolheu 30% da exigência fiscal nos termos da Lei nº 8.213/91 e Lei nº 9.639/98, tendo em vista a interposição de Recurso às fls. 226/243. Em suas razões recursais a recorrente aduz que, a aplicação da multa, com apenas suposições e acolhimentos das alegações da segurada Sandra, fere frontalmente o princípio do contraditório e da ampla defesa, que as provas apresentadas demonstram cabalmente a inexistência de nexo de causalidade da doença que a segurada Sandra é portadora e das atividades exercidas na empresa autuada. Alega ainda que, o agente fiscalizador, em nenhum momento provou que a recusa da emissão do CAT por parte da empresa autuada, foi injustificada ou protelatória. E conforme aduzido o Poder Judiciário, através do devido processo legal (reclamação trabalhista), atendendo os princípios constitucionais de ampla Fl. 312DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 defesa, igualdade, de não discriminação, etc., já decidiu que não existe nexo de causalidade entre a doença que a segurada Sandra é portadora e a atividade exercida na empresa autuada. Finaliza o contribuinte pugnando pelo provimento do recurso e pela decretação da nulidade do auto de infração ou sua total improcedência. A Previdência Social apresentou contrarazões (fls. 258/264) onde afirma que o Auto de Infração em questão encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no “caput” do Art. 33 da Lei nº 8.212/91 e Art. 293 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, devendo portanto ser mantido, assim como a Decisão de fls. 212/216. Reafirma ainda que restou devidamente comprovado no presente processo que o INSS através de perícia médica oficial, constatou a doença por acidente do trabalho após o pedido de revisão e emissão da CAT pelo Sindicato, tendo, a empresa Autuada, ora Recorrente, incorrido na infração por falta de comunicação de acidente do trabalho à Previdência Social, nos termos da legislação pertinente. Por fim requereu a improcedência do recurso. A 5ª Câmara de Julgamento do então Segundo Conselho de Contribuintes entendeu, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, determinando que os autos fossem remetidos à Delegacia da Receita Federal, em São Paulo, com trânsito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com o propósito de juntar aos autos informações do andamento do processo n. 50/04, em tramitação na 2ª Vara do Trabalho de Bauru/SP. Os autos foram encaminhados a Delegacia da Receita Federal, onde realizaramse as diligências requeridas (fls. 276 a 288), tendo posteriormente o contribuinte sido informado de seu resultado (fls. 293/294), porém, restou silente. Autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 36624.011123/200680 Acórdão n.º 2302000.774 S2C3T2 Fl. 304 7 Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O recurso foi interposto tempestivamente.Pressuposto de admissibilidade superado passo ao exame das questões preliminares ao mérito. 1 DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA E DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO Como dito alhures, a então 5ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes resolveu, em 20/11/2007, converter, por unanimidade de votos, o julgamento em diligência para que [fls. 271]: [...] Da leitura do relatório, verificase que a empresa Recorrente foi autuada em razão de ter deixado de comunicar acidente de trabalho CAT ao Instituto Nacional do Seguro Social, relativa à segurada Sandra Aparecida da Cruz, conforme relatório fiscal da infração de fls. 16, sendo certo que a referida empregada foi afastada em 10/05/2002 com o benefício de “auxílio doença” e, após ter pleiteado revisão do benefício através do Sindicato de sua categoria, com emissão da respectiva CAT, o processo, que tomou o nº 37322.002507/2002.45, teve decisão final proferida em 17/03/2004 reconhecendo o nexo entre a doença e o trabalho, sendolhe concedida a transformação do benefício inicial de auxílio doença para auxílio doença por acidente do trabalho, com data do benefício acidentário a partir de 05/06/2002. Em contraposição, a Recorrente colacionou cópia de reclamação trabalhista ajuizada pela Sra. Sandra Aparecida da Cruz em face da primeira [fls. 7395], onde afirma, em síntese, ter adquirido LER – Lesão por Esforço Repetitivo por conseqüência do trabalhado que exercia; (ii) laudo pericial judicial [fls. 95106], da lavra do Dr. Aron Wajngarten, médico inscrito no CRM/SP n. 43.552, que concluiu pela inexistência de nexo de causalidade entre a atividade então desenvolvida e a doença constatada; e (iii) sentença prolatada nos autos do processo n. 50/04, em tramitação na 2ª Vara do Trabalho de Bauru/SP [fls. 106116], que julgou improcedentes os pedidos deduzidos na inicial da reclamação trabalhista movida por Sandra Aparecida da Cruz. Diante de a oposição de entendimentos – administrativo e judicial , entendo necessário para o julgamento da presente peleja administrativa a prestação de alguns esclarecimentos indispensáveis: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 (i) os autos sejam remetidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo, com trânsito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para que seja juntada aos autos informação do andamento do processo n. 50/04, em tramitação na 2ª Vara do Trabalho de Bauru/SP e as decisões judiciais posteriores; (ii) intimese o sujeito passivo para, querendo, manifestese em relação a informação processual; (iii) após à realização desses procedimentos, devem os autos serem remetidos a esta 5ª Câmara para julgamento, ressalvado o disposto no §2º, do art. 308, do Decreto n. 3.048/99. Em atenção à diligência, a i Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou cópia dos andamentos da reclamatória e recursos interpostos pela Sra. Sandra Aparecida da Cruz, tendo concluído no seguinte sentido [fl. 288]: [...] 2. Em consulta ao sítio do TRT 15 – 15ª Região, verificouse que o juízo a quo denegou seguimento do recurso ordinário interposto pela reclamante contra a sentença que lhe fora desfavorável (fl. 284). Contra tal denegação foi interposto Agravo de Instrumento, ao qual foi dado provimento (fl. 279), sendo, em consequência, processado o aludido recurso ordinário. 3. Em seguida, o Tribunal julgou o recurso ordinário, negado lhe provimento e mantendo integralmente a decisão proferida em primeiro grau (fl. 282). Os autos do processo foram encaminhados à vara de origem, estando os mesmos na iminência de serem arquivados (fl. 283). Nesse sentido, restou claro que a sentença judicial mantevese inalterada, ou seja, a pretensão da Sra. Sandra Aparecida da Cruz em face da Yakult [fls. 7395] foi julgada improcedente, pois, conforme laudo pericial judicial [fls. 95106], da lavra do Dr. Aron Wajngarten, médico inscrito no CRM/SP n. 43.552, inexistiu nexo de causalidade entre a atividade então desenvolvida e a doença constatada [LER – Lesão por Esforço Repetitivo]. É certo que as decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera administrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra “Curso de Direito Processual Civil”, Ed. Forense, 2001, p. 694/695, da qual se extrai o seguinte excerto: “A imutabilidade da decisão é fator de equilíbrio social na medida em que os contendores obtêm a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido.” Fl. 315DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 36624.011123/200680 Acórdão n.º 2302000.774 S2C3T2 Fl. 305 9 A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado darlhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – NFLD – DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicílio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicílio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderálo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação física não é suficiente para desconsiderar domicílio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado” (Acórdão CARF nº 240101.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Portanto, tendo sido afastada pelo Judiciário o nexo de causalidade, não prospera a acusação fiscal por violação ao disposto no art. 22 da Lei n. 8.213/91 c/c art. 336 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99, em razão da empresa acima identificada ter deixado de comunicar acidente de trabalho – CAT ao Instituto Nacional do Seguro Social, relativa à segurada Sandra Aparecida da Cruz. CONCLUSÃO: Voto pelo conhecimento e, no mérito, pelo PROVIMENTO do recurso voluntário interposto. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 316DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Voto Vencedor A presente autuação pautouse na falta de Comunicação de Acidentes de Trabalho a qual se encontrava obrigada a autuada por força do contido no art. 22 da Lei nº 8.213/91, combinado com o art. 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do saláriodecontribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada pela Previdência Social. §1º Da comunicação a que se refere este artigo receberão cópia fiel o acidentado ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. §2º Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizála o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. §3º A comunicação a que se refere o § 2º não exime a empresa de responsabilidade pela falta do cumprimento do disposto neste artigo. §4º Os sindicatos e entidades representativas de classe poderão acompanhar a cobrança, pela Previdência Social, das multas previstas neste artigo. §5o A multa de que trata este artigo não se aplica na hipótese do caput do art. 21A. (Incluído pela Lei nº 11.430, de 2006) Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 336. Para fins estatísticos e epidemiológicos, a empresa deverá comunicar à previdência social o acidente de que tratam os arts. 19, 20, 21 e 23 da Lei nº 8.213, de 1991, ocorrido com o segurado empregado, exceto o doméstico, e o trabalhador avulso, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena da multa aplicada e cobrada na forma do art. 286. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032/2001) §1º Da comunicação a que se refere este artigo receberão cópia fiel o acidentado ou seus dependentes, bem como o sindicato a que corresponda a sua categoria. §2º Na falta do cumprimento do disposto no caput, caberá ao setor de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social comunicar a ocorrência ao setor de fiscalização, para a aplicação e cobrança da multa devida. (grifos nossos) Fl. 317DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 36624.011123/200680 Acórdão n.º 2302000.774 S2C3T2 Fl. 306 11 §3º Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizála o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. §3º Na falta de comunicação por parte da empresa, ou quando se tratar de segurado especial, podem formalizála o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032/2001) §4º A comunicação a que se refere o § 3º não exime a empresa de responsabilidade pela falta do cumprimento do disposto neste artigo. §5º A perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social poderá autuar a empresa que descumprir o disposto no caput, aplicando a multa cabível, sempre que tomar conhecimento da ocorrência antes da autuação pelo setor de fiscalização. (Revogado pelo Decreto nº 3.265/99) §6º Os sindicatos e entidades representativas de classe poderão acompanhar a cobrança, pela previdência social, das multas previstas neste artigo. O Ministério do Trabalho e Emprego instituiu Normas Regulamentadoras, citadas no Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, que regulamentam e fornecem orientações sobre procedimentos obrigatórios relacionados à segurança e medicina do trabalho, as quais são de observância obrigatória pelas empresas públicas e privadas, bem como pelos órgãos públicos da administração direta e indireta que possuam empregados regidos pela CLT. O não cumprimento das disposições legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho sujeita o empregador à aplicação das penalidades previstas na legislação pertinente, sendo certo que a recusa injustificada do empregado ao cumprimento de suas obrigações com a segurança do trabalho constitui ato faltoso. A Norma Regulamentadora nº 7, estabelece os parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem observados na execução do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, e, de acordo com o item 7.4.1 da NR7, o PCMSO deve incluir, entre outros, a realização obrigatória dos exames médicos admissional, periódico, de retorno ao trabalho, de mudança de função e demissional, compreendendo avaliação clínica, abrangendo anamnese ocupacional e exame físico e mental, além de exames complementares, realizados de acordo com os termos específicos tratados na NR citada. Quando constatada através de exames médicos a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, ou sendo verificadas, através dos exames constantes dos Quadros I e II, e do item 7.4.2.3 da NR7, alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, mesmo sem sintomatologia, cabe ao médicocoordenador ou encarregado da empresa solicitar a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho CAT; indicar, quando necessário, o afastamento do trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho; encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de Fl. 318DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho e orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho. NR 7 Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional 7.4.8 Sendo constatada a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, através de exames médicos que incluam os definidos nesta NR; ou sendo verificadas alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, através dos exames constantes dos Quadros I (apenas aqueles com interpretação SC) e II, e do item 7.4.2.3 da presente NR, mesmo sem sintomatologia, caberá ao médicocoordenador ou encarregado: a) solicitar à empresa a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho CAT; (grifos nossos) b indicar, quando necessário, o afastamento do trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho; c) encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho; (grifos nossos) d) orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho. No caso em tela, apesar de estar obrigada, por força do preceito inscrito no item 7.4.8 da NR7, a comunicar, mediante Comunicação de Acidente de Trabalho CAT, a ocorrência ou agravamento de doença ocupacional, ou alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, mesmo sem sintomatologia, a empresa deixou de comunicar acidente de trabalho – CAT ao Instituto Nacional do Seguro Social, com relação à segurada Sandra Aparecida da Cruz, conforme relatório fiscal da infração de fls. 16, sendo certo que a referida empregada foi afastada em 10/05/2002 com o benefício de “auxílio doença “ e, após ter pleiteado revisão do benefício através do Sindicato de sua categoria, com emissão da respectiva CAT, o processo, que tomou o nº 37322.002507/2002.45, teve decisão final proferida em 17/03/2004 reconhecendo o nexo entre a doença e o trabalho, sendolhe concedida a transformação do benefício inicial de auxílio doença para auxílio doença por acidente do trabalho, com data do benefício acidentário a partir de 05/06/2002. Restou devidamente comprovado no presente processo que o INSS através de perícia médica oficial, constatou a doença por acidente do trabalho após o pedido de revisão e emissão da CAT pelo Sindicato, tendo a Recorrente, incorrido na infração por falta de comunicação de acidente do trabalho à Previdência Social, nos termos da legislação vigente. A interposição de reclamação trabalhista por parte da segurada, não ilide a obrigação da empresa em comunicar o acidente de trabalho, na forma prescrita pelo artigo 22 da Lei n° 8.213/91, c/c artigo 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Tal obrigação não se configura como uma faculdade da empresa, mas se traduz numa obrigação acessória de observância compulsória, sujeitando o infrator às sanções expressamente fixadas na legislação previdenciária., mais precisamente à penalidade administrativa de cunho pecuniário prevista no art. 286 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 36624.011123/200680 Acórdão n.º 2302000.774 S2C3T2 Fl. 307 13 Art. 286. A infração ao disposto no art. 336 sujeita o responsável à multa variável entre os limites mínimo e máximo do saláriode contribuição, por acidente que tenha deixado de comunicar nesse prazo. §1º Em caso de morte, a comunicação a que se refere este artigo deverá ser efetuada de imediato à autoridade competente. §2º A multa será elevada em duas vezes o seu valor a cada reincidência. §3º A multa será aplicada no seu grau mínimo na ocorrência da primeira comunicação feita fora do prazo estabelecido neste artigo, ou não comunicada, observado o disposto nos arts. 290 a 292. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi, Redatora ad hoc. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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