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Numero do processo: 11065.002609/2006-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. NECESSIDADE DE PRÉVIA HABILITAÇÃO.
Nos termos das IN SRF nºs 517/2005 e 600/2005, os pedidos de compensação de indébitos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado tem como requisito a prévia habilitação dos créditos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora, vencido o conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo,
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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COFINS Recorrente FEBERNATI S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. NECESSIDADE DE PRÉVIA HABILITAÇÃO. Nos termos das IN SRF nºs 517/2005 e 600/2005, os pedidos de compensação de indébitos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado tem como requisito a prévia habilitação dos créditos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora, vencido o conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, José Luiz Feistauer de Oliveira e José Fernandes do Nascimento. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 26 09 /2 00 6- 89 Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, por entender que a decisão judicial que se pretendia executar não alcançou parte do período de apuração incluído no pedido de restituição em análise. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Trata o presente processo de análise de direito creditório decorrente de ação judicial (processo n° 96.00121133), transitada em julgado em 05/03/2001, e de declarações de compensação apresentadas com base nessa demanda. Referida ação reconheceu a inconstitucionalidade das majorações das alíquotas de Finsocial, autorizando a interessada a implementar compensações dos valores recolhidos indevidamente com débitos da contribuição para a Cofins. Os créditos deveriam ser atualizados pelo BTN, expurgos inflacionários do IPC, INPC (março a dezembro de 1991), UFIR (jan/92 a dez/95), e, a partir de 01/01/1996, apenas a taxa Selic (fls.35). A DRF Novo Hamburgo proferiu o Parecer SACAT/DRF/NHO n° 508/2006 (fls.64/66), onde informa que a interessada, em cumprimento ao disposto no art. 51 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 600/2005, formalizou Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, o qual foi deferido (Despacho DRF/NHO n° 501/2006 fls.08/09). Ressalva que a decisão judicial determina que a compensação deva ser feita com os valores constantes nos DARF's acostados à petição inicial. Assim, o cálculo ficou limitado aos períodos setembro de 1989 a setembro de 1991, conforme os comprovantes (DARF's) juntados pelo contribuinte (fls.51/59). Esclarece que as bases de cálculo utilizadas foram obtidas a partir dos DARF's apresentados. Aponta diferenças nos cálculos da interessada (fls.48/50), uma vez que foram incluídos valores relativos aos períodos outubro de 1991 a março de 1992, e as bases de cálculo divergem nos períodos de 01/1991 a 05/1991 daquelas constantes das guias de recolhimento apresentadas. Reconhece como legítimo o crédito de Finsocial no valor de R$ 209.269,07, atualizado até 01/01/1996, sendo que a partir daí deverão incidir juros equivalentes à taxa Selic. No cálculo apresentado pela interessada (fls.48/50), os valores atualizados até 01/01/1996 perfazem o montante de R$ 274.940,84, incluído o montante relativo ao período 10/1991 a 03/1992. Foram enviadas Declarações de Compensação (DCOMPs fls.68/103) as quais foram homologadas pela DRF de origem (fls.112). A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls.115/123), discordando do montante creditório apurado pela DRF de origem. Pondera que apesar de não ter juntado as guias de recolhimento referentes aos períodos 10/91 a 03/92 esses teriam sido efetivamente recolhidos por meio de parcelamento (processo n° 11080.002714/9443) . Alega que Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.002609/200689 Acórdão n.º 3102002.170 S3C1T2 Fl. 11 3 impetrou outra demanda judicial (processo n° 91.00101117 fls.), onde teria sido reconhecido que o Finsocial fosse recolhido à alíquota de 0,5%, no período de 09/89 a 03/92, condenando a União a devolver os valores pagos a maior, acrescidos de correção monetária e juros de mora. Assim, acredita estar exercendo direito garantido e assegurado por lei e pelas decisões judiciais proferidas nos processos citados, ao incluir em seu cálculo o montante relativo aos períodos 10/1991 a 03/1992. Alega que existem disparidades, em quase todos os períodos de apuração, entre os valores encontrados pela DRF e aqueles que foram por ela apurados. Cita como exemplo o período 12/89, onde apurou R$ 11.014,03 e a DRF, em contrapartida, encontrou R$ 9.291,77. Afirma que utilizou os índices de correção concedidos pelo Poder Judiciário e, as diferenças encontradas pela DRF não teriam sido justificadas. Pondera ainda que o cálculo elaborado pela Receita Federal teria deixado de considerar os recolhimentos efetuados em atraso, limitandose a apurar o montante pela base de cálculo do tributo. Anexa os documentos de fls.124/235, requerendo que seja permitida a complementação dessa documentação. Junta às fls. 236/365, o restante dos documentos. Por fim, solicita a produção de perícia com o intuito de apurar a origem das diferenças verificadas entre o cálculo por ela elaborado e o confeccionado pela Secretaria da Receita Federal. A DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, por entender que a decisão judicial que se pretendia executar não alcançou parte do período de apuração incluído no pedido de restituição em análise: AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA – A decisão definitiva em ação judicial produz efeitos nos estritos termos em que foi passada. PEDIDO DE PERÍCIA Prescindível a realização de perícia quando os fatos já estiverem esclarecidos ou não forem necessários ao deslinde do processo. Com efeito, nos termos da autoridade julgadora “não é possível mesclar as duas decisões e aproveitar apenas a parte mais benéfica a interessada de cada uma delas (período abrangido por uma decisão e índices de correção concedidos por outra)”. Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário repetindo as razões da sua manifestação de inconformidade. Num primeiro momento, este processo foi distribuído neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para o Relator Nilton Bartoli, que à época compunha a 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção, o qual determinou a conversão do julgamento em diligencia, nos seguintes termos: Destarte, atento aos princípios da efetividade processual, da verdade material e, fulcrado no artigo 18, §3° do Regimento interno desta Casa, converto o julgamento em diligência a fim de que os autos sejam enviados a repartição de origem para que o contribuinte Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 seja intimado a juntar aos autos cópia de seu pedido de desistência processual da ação judicial n° 91.00.101125 , bem como a respectiva homologação judicial de sua renúncia. Devidamente intimado, o contribuinte juntou aos autos cópia do pedido de desistência e homologação judicial constantes nos autos do processo n.91.00.101125. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se restringe à definição da possibilidade de o contribuinte “executar” administrativamente, via declarações de compensação, os comandos relativos a duas ações judiciais, transitadas em julgado, nas quais, em última análise, se discutiu o mesmo direito creditório. Isso porque a ora Recorrente ingressou com duas medidas judiciais e obteve dois comandos, transitados em julgado, para afastar a exigência de Finsocial à alíquota superior a 0,5%: (i) Ação Ordinária Declaratória da Inconstitucionalidade da majoração da alíquota de 0,5% do FINSOCIAL (fls. 194/199 e 202), protocolada sob o n° 91.00.101125, apelação n° 93.04.101050, na qual foi declarada a inconstitucionalidade pretendida pelo contribuinte, relativa ao período de setembro/1989 a março/1992, cujo trânsito em julgado ocorreu em 25.04.1994 (fl.235); e (ii) Ação Ordinária Declaratória da Inconstitucionalidade da majoração da alíquota de 0,5% do FINSOCIAL e do Direito de Compensar os pagamentos a maior da alíquota de 0,5% a título do FINSOCIAL com débitos da COFINS, protocolada sob o n° 96.00121133, apelação n° 97.04.627319, na qual o contribuinte obteve o direito de compensar o FINSOCIAL com débitos da COFINS, relativo ao período de setembro/1989 a setembro/1991, cujo trânsito em 27/03/2001 (fl.43). De acordo com autoridade julgadora “não é possível mesclar as duas decisões e aproveitar apenas a parte mais benéfica a interessada de cada uma delas (período abrangido por uma decisão e índices de correção concedidos por outra)”. O contribuinte, por sua vez, sustenta que o cálculo do seu direito creditório deveria contemplar o período compreendido nas duas ações e não apenas do processo nº 96.00121133. Isso porque, no seu entendimento: (i) ajuizou as ações ordinárias de n°s 91.00.101125 e 96.00.121133, as quais foram julgadas procedentes para fins de declarar a inconstitucionalidade das majorações de alíquota da contribuição para o Finsocial acima de 0,5%; (ii) na ação n° 91.00.101125 restou assegurado o direito de reaver e na ação n° 96.001121133 restou assegurado o direito de compensar os valores recolhidos a maior com contribuições da COFINS; Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.002609/200689 Acórdão n.º 3102002.170 S3C1T2 Fl. 12 5 (iii) por um equívoco, habilitou somente o crédito referente ao processo de n° 96.001121133 tendo, entretanto, procedido nas compensações com o crédito decorrente do período total que lhe fora deferido: 09/89 a 03/92; (iv) os valores relativos ao Finsocial dos períodos de 09/89 a 03/92, foram recolhidos através do parcelamento n° 11080002714/9443, conforme documentos já anexados à impugnação; (v) a decisão a quo não procede na medida em que não admite a utilização dos créditos decorrentes da ação n° 91.00.101125 para fins de compensação, pelo fato destes não terem sido previamente habilitados pela SRF; (vi) o argumento da DRJ de que "a referida ação judicial (91.00.101125) não tratou de compensação e sim de restituição" não prospera uma vez que a decisão proferida nesta ação, por si só, já é suficiente para conferir ao sujeito passivo a possibilidade de formular pedido administrativo de restituição ou compensação; (vi) a justificativa de que não é possível mesclar as duas decisões e aproveitar apenas a parte mais benéfica de cada uma não prospera, pois tal conduta não foi adotada e, ainda que existam duas decisões a respeito do mesmo tema, se pode sim utilizar as duas naquilo em que não conflitarem entre si e observandose a que transitou em julgado primeiro; (vii) a solução da controvérsia entre ambas as decisões está no plano da eficácia da coisa julgada e da regra de conexão e, neste caso, a decisão proferida no processo n° 91.00.10112 5 transitou em julgado antes da decisão proferida no processo n° 96.0012113 3; (viii) em ambas as decisões houve pronunciamento de mérito a respeito da constitucionalidade da majoração da alíquota do Finsocial, bem como tendo transitado em julgado primeiro a decisão do processo n° 91.00.101125, temse que esta prevalece sobre a decisão proferida naquela, aplicandose, também, naquilo em que não conflitarem, o julgado n processo n° 96.00121133 , dado o fato de que em ambas as demandas houve a cognição ampla sob o rito ordinário; (ix) ao ser negado a aplicação do decidido no processo n° 91.00.101125, ocorre a violação da coisa julgada, ofendendo o disposto no art. 467 do CPC e o disposto no art. 5º, XXXVI, da CF. Pois bem. A princípio não vislumbramos qualquer impedimento para o contribuinte executar, na via administrativa, os comandos relativos às duas sentenças judiciais, transitadas em julgado, sobre a mesma matéria. Não se nega que tal procedimento possa despertar certa estranheza num primeiro momento, tendo em vista que, nos termos da lei processual, o manejo de duas ações com o mesmo objeto deve implicar o reconhecimento de litispendência pelo Poder Judiciário. Ocorre que o julgador administrativo, nos processos relativos a declarações de compensação de créditos tributários reconhecidos por sentença transitada em julgado, está adstrito a executar os comandos proferidos pelo Poder Judiciário, não lhe cabendo tecer qualquer juízo de valor a respeito do acerto ou não de tais decisões. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 Assim, a procedência ou não da pretensão da ora Recorrente requerer exclusivamente a verificação da observância, no caso concreto, dos requisitos determinados pela legislação para a compensação de créditos reconhecidos judicialmente. É o que passamos a analisar. A compensação administrativa de créditos tributários reconhecidos pelo Poder Judiciário é disciplinada pela Lei nº 9.430/96, que assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. Ao exercer a competência regulamentar que lhe foi outorgada por referido enunciado normativo, a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa SRF nº 517/05, que era a vigente à época dos autos, nos seguintes temos: Art. 3 º Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1 º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo Único desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e V – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.002609/200689 Acórdão n.º 3102002.170 S3C1T2 Fl. 13 7 hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2 º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; e IV houve a homologação pela Justiça Federal da desistência da execução do título judicial ou da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios, no caso de ação de repetição de indébito. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1 º , o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4 º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3 º , será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5 º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a IV do § 2 º ; ou II as pendências a que se refere o §3 º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6 º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. § 7º A apresentação da Declaração de Compensação, do Pedido Eletrônico de Restituição e do Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, na hipótese prevista no caput, fica condicionada à informação do número do processo administrativo no qual tenha havido o deferimento do pedido de habilitação do crédito. Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, inferese que, em regra, o sujeito passivo terá que observar alguns requisitos fundamentais para exercer o seu direito creditório pela via administrativa, tais como: (i) comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da renúncia da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução; (ii) efetuar o pagamento das custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios; (iii) realizar o prévio pedido de habilitação. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA 8 Ocorre que, compulsando os autos verificase que a ora Recorrente realizou o prévio pedido de habilitação apenas do crédito reconhecido no Processo nº 96.001121133 . Tratase, inclusive, de fato incontroverso tendo em vista que a própria Recorrente declarou expressamente que “por um equívoco, habilitou somente o crédito referente ao processo de n° 96.001121133 tendo, entretanto, procedido nas compensações com o crédito decorrente do período total que lhe fora deferido: 09/89 a 03/92”. Sendo assim, mesmo entendendo que, a princípio teria a Recorrente direito a compensar o crédito relativo ao período total que lhe fora deferido nas duas ações judiciais que manejou 09/89 à 03/92 –, como, em relação ao Processo nº 91.00.101125 não observou o procedimento prescrito para tal, na medida em que não apresentou o prévio pedido de habilitação, não há como homologar a compensação dos créditos reconhecidos apenas nesta ação judicial. Por fim, devese ressaltar, ainda, que além de não ter apresentado prévio pedido de habilitação do crédito reconhecido no Processo nº 91.00.101125, em todas as declarações de compensação transmitidas fez constar apenas o Processo nº 96.001121133 como origem do débito, o que igualmente impede esta autoridade julgadora de reconhecer o direito creditório relativo ao Processo nº 91.00.101125, sob pena de julgamento extra petita. Postas essas razões jurídicas, verifico que a decisão recorrida não merece reparos. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 12719.001705/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 02/10/2009, 09/10/2009, 30/10/2009, 04/11/2009, 17/12/2009
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS
A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação (Decreto-Lei nº 1.455/76, artigo 23, V), e à multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007.
RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL. FALTA DE OBJETO.
Não havendo contestação das razões que levaram a decisão recorrida a não conhecer da impugnação (única matéria decidida), a decisão é definitiva e não há litígio a ser apreciado e julgado pelo CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita acompanharam o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL. FALTA DE OBJETO. Não havendo contestação das razões que levaram a decisão recorrida a não conhecer da impugnação (única matéria decidida), a decisão é definitiva e não há litígio a ser apreciado e julgado pelo CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 71 9. 00 17 05 /2 01 0- 17 Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 26/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigir crédito tributário referente a multa substitutiva à pena de perdimento e à multa por cessão de nome, previstas no art. 23, inciso V, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76 e no artigo 33 da Lei nº 11.488/07, respectivamente. Pela descrição dos fatos constante do Relatório de Ação Fiscal, a Fiscalização concluiu que: a empresa Da Vinci efetuou cinco operações de importação de porcelanato por encomenda da empresa Ceramus Bahia nas DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121. a empresa Da Vinci declarava importar o porcelanato em nome próprio, ocultando a condição da empresa Ceramus Bahia de encomendante e real destinatária das mercadorias, nas DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121. a verdadeira responsável pelas operações de importação relativas As DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121 é a empresa Ceramus Bahia, uma vez que dela dependeu a aprovação das amostras encaminhadas para a consolidação das operações. a conduta da empresa Da Vinci configura a prática de ato simulado, uma vez que o verdadeiro negócio jurídico realizado, a importação por encomenda, permaneceu oculto. houve prestação de informações inverídicas à Receita Federal, no registro das declarações de importação sob fiscalização. as empresas Da Vinci (importadora) e Ceramus Bahia (encomendante) não cumpriram os requisitos estabelecidos na IN SRF n° 634, de 2006, para a realização de importações por encomenda. Portanto, as importações relacionadas as DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121 foram irregulares. Considerando todos os fatos relatados, concluise finalmente que a empresa Da Vinci ocultou o verdadeiro destinatário das Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 4 3 mercadorias importadas por meio das DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121, a empresa Ceramus Bahia S.A, configurando a prática da ocultação do real comprador e responsável pela operação, mediante simulação, por meio de prestação de informação falsa nestas declarações de importação. Tempestivamente, a contribuinte Da Vinci Brasil Ltda ME insurgese contra a exigência fiscal, conforme impugnação às fls. 447/463, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no relatório do acórdão recorrido nos seguintes termos: Primeiramente, não realiza importações "por conta e ordem" como indica a fiscalização. Consta, isso sim, como adquirente em diversas importações "por conta e ordem" realizadas por outras tradings. É que, por questões administrativas, utiliza, muitas vezes, os serviços de outras tradings, que importam mercadorias por conta e ordem. Assim, resta ainda mais claro que a autuada se dedica ao comércio de mercadorias importadas já que figura como adquirente em tantos outros processos nos quais não consta como importadora, indicando documentos em anexo para comprovar tal alegação; já quanto às importações por conta própria, não se trataram de exceção às operações normalmente realizadas pela Impugnante. Apresentase em anexo comprovantes de outros processos de importação realizados por conta própria, tanto em 2009, como no corrente ano (importação de material esportivo e de tecidos). Cai por terra, assim, a alegação da autoridade fiscal, de que a Impugnante nunca havia realizado importação por conta própria; também tem forte atuação no ramo da exportação, conforme demonstram os documentos em anexo. Assim, resta mais do que demonstrado que não se constitui numa mera prestadora de serviços, e que o seu foco principal é o comércio tanto de produtos importados, como também exportando produtos brasileiros; conforme se observa às fls. 58104 do presente processo, foi amplamente demonstrada a capacidade econômica da impugnante. Da mesma forma, a Eliane S.A. Revestimentos Cerâmicos, bem como sua subsidiária Ceramus Bahia S.A., são empresas de grande porte, tendo total capacidade financeira para realizar importação caso desejem, não havendo qualquer motivo para que o fizessem de forma oculta. No caso, sequer haveria qualquer beneficio fiscal para tanto. a partir do momento em que a Impugnante firma contrato de compra e venda de produtos junto a seu fornecedor no exterior, esta já sabe que produto e em que quantidade terá disponível para venda interna. Ora, não há necessidade de que o produto seja primeiro nacionalizado, estocado, para só então a empresa Impugnante dar início às negociações com seus clientes, internamente. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 5 4 o fato de a Impugnante negociar internamente com seus clientes os produtos que já comprou junto a seu fornecedor no exterior, antes mesmo de estes estarem embarcados, em nada altera a natureza da importação direta. No caso em destaque, quando o fabricante estava com parte da mercadoria pronta para o embarque, a Impugnante já pode solicitar que uma parcela dessa mercadoria fosse destinada ao porto de Salvador/BA, com vistas a atender a sua cliente com sede naquele Estado. seria por encomenda a importação se a empresa Ceramus Bahia S.A. tivesse procurado a ora Impugnante, indicado o produto que queria e solicitado que esta o encomendasse junto ao fornecedor. Não foi o caso. quanto ao fato de a empresa Eliane ter verificado amostras do produto, isso em nada constitui "indício" de importação realizada por encomenda. Tendo a empresa Eliane S.A. Revestimentos Cerâmicos, grande conhecimento do segmento e padrões de qualidade, a mesma prestou tal serviço à ora Impugnante, que não possui pessoal qualificado ou knowhow para proceder este tipo de verificação. Novamente, tal fato não tem o condão de modificar o tipo de importação realizada, que estava revestido de todos os requisitos legais para tanto. importantíssimo observar que todo o processo de desembaraço aduaneiro correu normalmente. Ora, o processo de desembaraço aduaneiro e nacionalização da mercadoria é fiscalizado de perto pelas autoridades fiscais. Portanto, a importação já havia sido submetida à análise da fiscalização, que nada acusou; a mercadoria foi regularmente nacionalizada. não houve qualquer beneficio fiscal para qualquer uma das empresas (inclusive, o IPI para os produtos importados está zerado), todos os tributos foram devida e integramente recolhidos, não se trata de contrabando ou descaminho de qualquer natureza, nem de lavagem de dinheiro. Notese que a Sra. Auditora Fiscal não aponta com clareza sequer mínima a possibilidade de ocorrência de qualquer desses resultados, permanecendo no campo das possibilidades. não logrou êxito a autoridade fiscal em apontar com clareza e certeza qualquer ilicitude, muito menos alguma infração de gravidade suficiente a fazer incidir a pena de perdimento da mercadoria importada, transformada em multa. por fim, considera que, estando o auto de infração embasado em fundamentos frágeis, meras alegações da autoridade fiscal, insuficientes para a configuração de qualquer tipo de fraude como pretende o auto sustentar, impõese que seja afastada a multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria importada, ante a desproporcionalidade da medida. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 6 5 A Ceramus Bahia S/A, como responsável solidária da multa substitutiva ao perdimento, foi cientificada em 23/06/2010 e apresentou impugnação no dia 29/07/2010, cujas razões foram sintetizadas pela decisão recorrida nos seguintes termos: em preliminar de tempestividade, informa que tomou ciência somente em 30/06/2010, através da Da Vinci Brasil LTDA, uma vez que a remessa feita pelos Correios não chegou às suas mãos. jamais procurou a Da Vinci Brasil para que esta lhe prestasse serviços, operacionalizando importações por encomenda. No caso, foi a Da Vinci Brasil que procurou a Eliane S.A. Revestimentos Cerâmicos, empresa da qual a impugnante é coligada, para lhe oferecer os produtos que comercializa, que tem procedência estrangeira. em momento algum, teve qualquer ingerência nas operações realizadas pela empresa Da Vinci Brasil no exterior. Todas as compras foram realizadas no mercado interno, estando as mercadorias adquiridas pela impugnante já nacionalizadas no momento do recebimento pela impugnante. tendo havido interesse por parte das adquirentes, a Da Vinci Brasil comprometeuse em disponibilizar a mercadoria adquirida pela ora impugnante no EADI Salvador/BA, como efetivamente foi feito, tendo então seguido para os depósitos da Impugnante. A relação estabelecida entre a impugnante e a Da Vinci Brasil não se enquadra em nenhum dos casos dos incisos do art. 95, acima transcritos. Isso porque a Impugnante não contribuiu, nem interferiu de qualquer forma nos processos de importação da mercadoria, bem como não a encomendou junto Da Vinci Brasil. se a penalidade aplicada tem como fato gerador a ocultação do real importador, por certo que a Impugnante não pode responder em qualquer hipótese. Como já dito, a Impugnante apenas adquiriu mercadorias da Da Vinci Brasil, já no mercado interno, tendo a oferta de tais produtos partido desta empresa, que os vendeu também para a Eliane S.A. Revestimentos Cerâmicos. as empresas intimadas não foram formalmente acusadas e sequer investigadas quanto à prática dos delitos ali listados como "possíveis objetivos". Assim, o relatório de ação fiscal ficou apenas no campo das possibilidades, sem constatar qualquer ilegalidade concreta, de forma que não pode a Impugnante ser condenada com base em simples suposições, muito menos a pagar quantia tão significativa. por fim, requer que seja considerada tempestiva a impugnação para ao fim anular o auto de infração combatido. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 7 6 A DRJ em Fortaleza CE manteve o lançamento, não conheceu da impugnação apresentada pela empresa Ceramus Bahia S/A, por intempestiva, nos termos do Acórdão no 0827.482, de 29/10/2013, cuja ementa apresenta o seguinte teor: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 02/10/2009, 09/10/2009, 30/10/2009, 04/11/2009, 17/12/2009 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V). CESSÃO DE NOME. OCORRÊNCIA. A defendente não comprovou a importação por conta própria, mantendose a caracterização da ‘Cessão de Nome’ na operação de importação objeto de autuação, devendo ser mantida a referida multa estabelecida na legislação de regência. IMPUGNAÇÃO FORA DO PRAZO. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação apresentada depois de 30 (trinta) contados da data em que foi feita a intimação da exigência, por via postal, recebida no domicílio tributário fornecido pelo sujeito passivo, para fins cadastrais, à administração tributária. Ciente da decisão de primeira instância em 13/11/2013, conforme AR, a empresa Da Vinci Brasil Ltda ME interpôs recurso voluntário em 09/12/2013, no qual repisa os argumentos da impugnação. Também ciente da decisão de primeira instância em 14/11/2013, conforme AR, a empresa Ceramus Bahia S/A interpôs recurso voluntário em 16/12/2013, no qual também repisa os argumentos da impugnação e não se manifesta sobre as razões que levaram a decisão recorrida a não conhecer da impugnação apresentada por ela Ceramus Bahia S/A. Na forma regimental, o processo foi distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário apresentado pela empresa Da Vinci Brasil Ltda ME é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Quanto ao recurso voluntário apresentado pela empresa Ceramus Bahia S/A, embora tempestivo, não merece ser conhecido pelas seguintes razões: 1º) Não se estabeleceu litígio sobre a nomeação da Ceramus Bahia como responsável solidária, posto que a sua impugnação foi apresentada fora do prazo legal e o acórdão recorrido dela não conheceu, conforme dito expressamente: A impugnação apresentada pela DA VINCI BRASIL LTDA atende aos requisitos de admissibilidade e dela tomo conhecimento para analisar as razões trazidas pela impugnante. Por sua vez, a impugnação interposta pela Ceramus Bahia S.A. não pode ser conhecida, uma vez que apresentada intempestivamente, nos termos do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de forma que não se instaura a fase litigiosa do procedimento, em relação a esta interessada, o que implica na declaração da sua revelia, conforme art. 21 do Decreto 70.235/72 (PAF). A solidária alega que tomou ciência somente em 30/06/2010, através da Da Vinci Brasil LTDA. No entanto, o aviso de recebimento constante da fl. 444 comprova que a ciência deuse no domicílio tributário do contribuinte, na data de 23/06/2010, em consonância com o estatuído pelo art. 23, II do PAF, sendo esta a data de ciência a ser considerada para contagem do prazo de interposição de impugnação, que expirou em 23/07/2010, não devendo, portanto, ser acatada a preliminar de tempestividade, posto que a impugnação foi protocolada somente em 29/07/2010, seis dias após a expiração do prazo legal. Observe, contudo, que a impugnação tempestiva por parte de um dos sujeitos passivos suspende a exigibilidade do crédito em relação ao seu solidário, até que cesse os efeitos da medida que conceda tal suspensão. 2º) no recurso voluntário a empresa Ceramus Bahia não contesta a decisão da Turma de Julgamento da DRJ de rejeitar a preliminar de tempestividade da impugnação e de não conhecer da dita impugnação. É irrefutável a prova contida nos autos de que a ciência do auto de infração ocorreu no dia 23/06/2010 e não no dia 30/06/2010, como alegara a Ceramus Bahia S/A. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 9 8 Portanto, no recurso voluntário apresentado pela empresa Ceramus Bahia S/A não há contestação do que foi decidido pelo acórdão recorrido. Inexistindo objeto, não há como conhecer do referido recurso. Isto posto, e em sede de preliminar, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário interposto pela empresa Ceramus Bahia S/A. Passemos, então, ao exame das razões do recurso voluntário apresentado pela empresa autuada: Da Vinci Brasil Ltda. A autoridade lançadora resume as infrações apuradas nos seguintes termos: a empresa Da Vinci efetuou cinco operações de importação de porcelanato por encomenda da empresa Ceramus Bahia nas DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121. a empresa Da Vinci declarava importar o porcelanato em nome próprio, ocultando a condição da empresa Ceramus Bahia de encomendante e real destinatária das mercadorias, nas DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121. a verdadeira responsável pelas operações de importação relativas às DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121 é a empresa Ceramus Bahia, uma vez que dela dependeu a aprovação das amostras encaminhadas para a consolidação das operações. a conduta da empresa Da Vinci configura a prática de ato simulado, uma vez que o verdadeiro negócio jurídico realizado, a importação por encomenda, permaneceu oculto. houve prestação de informações inverídicas à Receita Federal, no registro das declarações de importação sob fiscalização. as empresa Da Vinci (importadora) e Ceramus Bahia (encomendante) não cumpriram os requisitos estabelecidos na IN SRF n° 634, de 2006, para a realização de importações por encomenda. Portanto, as importações relacionadas as DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121 foram irregulares. Considerando todos os fatos relatados, concluise finalmente que a empresa Da Vinci ocultou o verdadeiro destinatário das mercadorias importadas por meio das DI 09/13446798, 09/13845188, 09/15098312, 09/15314210 e 09/17973121, a empresa Ceramus Bahia S.A, configurando a prática da ocultação do real comprador e responsável pela operação, mediante simulação, por meio de prestação de informação falsa nestas declarações de importação. Em conseqüência, foi aplicado as multas previstas no § 3º, do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76 e no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 10 9 A empresa recorrente alega que tinha capacidade financeira para realizar operação de importação por conta própria e que essa não foi a única operação desse tipo por ela realizada. Diz, também, que a partir do momento em que firma o contrato de compra e venda de produtos junto a seu fornecedor estrangeiro já pode negociar internamente com seus clientes e mais, no caso em tela, o desembaraço da mercadoria ocorreu normalmente. Conforme disse a decisão recorrida, o elemento central para a caracterização da interposição fraudulenta foi as negociações antecedentes à chegada da mercadoria no Brasil, como a escolha das amostras, submetidas anteriormente a Eliane S.A, além da coincidência das datas de emissão das notas fiscais de entrada e saída e a indicação do porto de chegada. Conforme se vê do resumo dos fatos que levaram à autuação, acima reproduzido, também não foi determinante para caracterizar a infração (ocultação do real importador) o fato de a Recorrente ter ou não realizado (anteriormente ou posteriormente) importação por conta própria de outras mercadorias ou de não ter capacidade financeira para realizar a operação. Aliás, a capacidade financeira foi reconhecida pela Fiscalização. Os argumentos da Recorrente nesse sentido não lhe socorre. Da mesma forma, também não se aplica ao caso o argumento da Recorrente de que, uma vez adquirido produto no exterior, pode negociar o mesmo antes da sua nacionalização. Sobre esse fato, disse a decisão recorrida: É comercialmente aceitável o argumento de que as negociações no mercado interno podem se dar após o embarque de mercadorias no exterior e antes da sua chegada no Brasil. Porém o que se verifica no caso é que as negociações se deram mesmo antes do fechamento do contrato entre o importador brasileiro e o exportador estrangeiro, caracterizando, efetivamente, a existência de um encomendante anterior à realização da importação, não importando quem, de fato, iniciou as tratativas, se a compradora ou a vendedora. Também em nada afeta a operação realizada pela Recorrente o fato de o desembaraço aduaneiro das mercadorias ter ocorrido normalmente, uma vez que as atribuições da Fiscalização não se encerram no momento do desembaraço, conforme bem disse a decisão recorrida. Quanto à prova trazida pela Fiscalização de que a validade dos contratos de compra e venda com o fornecedor estrangeira dependia da aprovação, pela Eliane S/A, das amostras fornecidas pelo exportador, argumenta a Recorrente, em resumo, o seguinte: quanto ao fato de a empresa Eliane ter verificado amostras do produto, isso em nada constitui "indício" de importação realizada por encomenda. Tendo a empresa Eliane S.A. Revestimentos Cerâmicos, grande conhecimento do segmento e padrões de qualidade, a mesma prestou tal serviço à ora Impugnante, que não possui pessoal qualificado ou knowhow para proceder este tipo de verificação. Novamente, tal fato não tem o condão de modificar o tipo de importação realizada, que estava revestido de todos os requisitos legais para tanto. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 11 10 A Recorrente tenta colocar a empresa Eliane S/A como uma simples prestadora serviço nessa operação, pelo knowhow que possui. O serviço realizado foi escolher o tipo de cerâmica que atenderia ao cliente da Recorrente, a Ceramus Bahia S/A. Esse argumento é completamente falacioso pelas seguintes razões: primeiro, porque a Recorrente não apresentou nem o contrato de prestação de serviço de assessoria técnica e nem a nota fiscal relativa ao serviço prestado pela Eliane S/A; segundo, a Eliane S/A e a Ceramus Bahia S/A são coligadas e, portanto, tinham interesse comum na operação de importação da mercadoria; terceiro, os contratos com o fornecedor estrangeiro comprovam que a realização do negócio dependia da aprovação prévia, pela Eliane S/A, das amostras das cerâmicas que foram importadas pela Recorrente; e quarto, foi a Eliane S/A quem efetuou o ressarcimento do ICMS antecipado pago pela Recorrente na simulada operação de venda das cerâmicas importadas para a Ceramus Bahia S/A, comprovando o interesse e o envolvimento direto dela na operação. Mesmo que se admitisse como verdadeira a afirmação da Recorrente, acima reproduzida, o serviço prestado pela Eliane S/A consiste em escolher o tipo de cerâmica que a atendesse à Ceramus Bahia, a quem se destinava a mercadoria. Portanto, mesmo nessa hipótese, houve a escolha prévia de uma mercadoria específica, para um cliente específico. Não houve, portanto, a compra de uma mercadoria e posterior revenda para a Ceramus Bahia, como alega a Recorrente. Também não procede o argumento da Recorrente de que não houve qualquer benefício fiscal para qualquer uma das empresas envolvidas. Isso não é verdade porque na operação apurada pelo Fisco, onde ficou provado a simulação de importação direta, uma das conseqüências dessa simulação é que o adquirente da mercadoria (Ceramus Bahia) perde a condição de contribuinte do IPI por equiparação a estabelecimento industrial, posto que passa à condição de comerciante de mercadoria importada por terceiros. Por evidente, nesse caso, como a operação de compra e venda da mercadoria importada foi simulada, o seu preço foi arbitrado pelas partes. Em consequência, o “preço de compra e venda” assim estabelecido é sempre inferior ao preço de venda praticado pelo real importador (Ceramus Bahia) no mercado interno. Com essa simulação, a base de cálculo do IPI foi reduzida e, conseqüentemente, o valor recolhido a título de IPI foi inferior ao devido, com evidente prejuízo para os cofres da União. Portanto, o despacho aduaneiro da operação de importação por encomenda, realizada pela Recorrente, não obedeceu às disposições do art. 106, § 1º, inciso I, do Regulamento Aduaneiro e da Instrução Normativa da RFB nº 634/2006, enquadrandose na hipótese prevista no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76 e, conseqüentemente, também na hipótese do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 (cessão do nome, uma vez que a Recorrente ocultou o nome do encomendante predeterminado). Por fim, ratifico e adoto, como se aqui estivessem escritos, todos os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 12719.001705/201017 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 12 11 Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002278/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LIMITE DO LITÍGIO.
O pedido para admissão de dedução de despesas representada por recibos que não foram glosados pela autoridade lançadora não integra o litígio e não se conhece do recurso voluntário nesse ponto.
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO.
O princípio constitucional do devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defender-se unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração, que nesses autos é unicamente a glosa por falta de comprovação do efetivo pagamento. As regras de direito material devem ser interpretadas em conjunto com as de direito processual, por isso que levantar como óbice à dedução a falta de endereço, somente no julgamento do recurso, é privar o contribuinte de fazer a prova nas instâncias que lhe são asseguradas no processo administrativo fiscal. Notadamente quando a autoridade julgadora de primeira instância foi omissa em analisar os cheques apresentados juntamente com os recibos.
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. RESTABELECIMENTO
In casu, o lançamento foi fundamentado erroneamente na dedução em favor dos filhos e o recorrente comprova ter pago em favor da ex-cônjuge tal como previsto na decisão judicial. Os pagamentos efetuados pelo recorrente à título de pensão alimentícia determinada judicialmente foram comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, portanto deve ser restabelecida referida dedução.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2802-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de R$7.012,00 (sete mil e doze reais) e de R$34.400,00 (trinta e quatro mil e quatrocentos reais), relativas a despesas médicas e pensão alimentícia, respectivamente, nos termos do voto do relatório e votos integrantes do julgado. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que dava provimento parcial em menor extensão. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 16/7/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LIMITE DO LITÍGIO. O pedido para admissão de dedução de despesas representada por recibos que não foram glosados pela autoridade lançadora não integra o litígio e não se conhece do recurso voluntário nesse ponto. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. O princípio constitucional do devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defender-se unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração, que nesses autos é unicamente a glosa por falta de comprovação do efetivo pagamento. As regras de direito material devem ser interpretadas em conjunto com as de direito processual, por isso que levantar como óbice à dedução a falta de endereço, somente no julgamento do recurso, é privar o contribuinte de fazer a prova nas instâncias que lhe são asseguradas no processo administrativo fiscal. Notadamente quando a autoridade julgadora de primeira instância foi omissa em analisar os cheques apresentados juntamente com os recibos. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. RESTABELECIMENTO In casu, o lançamento foi fundamentado erroneamente na dedução em favor dos filhos e o recorrente comprova ter pago em favor da ex-cônjuge tal como previsto na decisão judicial. Os pagamentos efetuados pelo recorrente à título de pensão alimentícia determinada judicialmente foram comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, portanto deve ser restabelecida referida dedução. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. Recurso parcialmente provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de R$7.012,00 (sete mil e doze reais) e de R$34.400,00 (trinta e quatro mil e quatrocentos reais), relativas a despesas médicas e pensão alimentícia, respectivamente, nos termos do voto do relatório e votos integrantes do julgado. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que dava provimento parcial em menor extensão. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 16/7/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
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LIMITE DO LITÍGIO. O pedido para admissão de dedução de despesas representada por recibos que não foram glosados pela autoridade lançadora não integra o litígio e não se conhece do recurso voluntário nesse ponto. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. O princípio constitucional do devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defenderse unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração, que nesses autos é unicamente a glosa por falta de comprovação do efetivo pagamento. As regras de direito material devem ser interpretadas em conjunto com as de direito processual, por isso que levantar como óbice à dedução a falta de endereço, somente no julgamento do recurso, é privar o contribuinte de fazer a prova nas instâncias que lhe são asseguradas no processo administrativo fiscal. Notadamente quando a autoridade julgadora de primeira instância foi omissa em analisar os cheques apresentados juntamente com os recibos. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. RESTABELECIMENTO In casu, o lançamento foi fundamentado erroneamente na dedução em favor dos filhos e o recorrente comprova ter pago em favor da excônjuge tal como previsto na decisão judicial. Os pagamentos efetuados pelo recorrente à título de pensão alimentícia determinada judicialmente foram comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, portanto deve ser restabelecida referida dedução. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 22 78 /2 00 9- 11 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO 2 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de R$7.012,00 (sete mil e doze reais) e de R$34.400,00 (trinta e quatro mil e quatrocentos reais), relativas a despesas médicas e pensão alimentícia, respectivamente, nos termos do voto do relatório e votos integrantes do julgado. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que dava provimento parcial em menor extensão. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 16/7/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que considerou parcialmente procedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 6/8, na qual se exige R$ 6.722,92 de Imposto de Renda Suplementar, R$ 5.042,19 de multa de ofício de 75%, além de acréscimos legais decorrentes da revisão da declaração de rendimentos relativa ao exercício de 2006, ano calendário de 2005. A infração se referese: Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 27.274,39, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Pela falta de comprovação de forma irrefutável do efetivo pagamento, vale dizer, do trânsito dos recursos financeiros, único meio factível de comprovação (cheques nominais compensados, DOC, TED, depósitos identificados, Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO Processo nº 10930.002278/200911 Acórdão n.º 2802002.736 S2TE02 Fl. 597 3 transferências bancárias identificadas, etc, coincidentes em datas e valores) relativamente aos beneficiários CPF 044.546.18453 no valor de R$ 6.370,00 (médico); CPF 581.481.91115 no valor de R$ 1.400,00 (psicólogo); CPF 143.273.92472 no valor de R$ 1.800,00 (dentista); CPF 540.262.61972 no valor de R$ 7.012,00 (dentista); CNPJ 60.840 .055/000484 no valor de R$ 1.510,36; OUTROS MOTIVOS: referente aos planos de saúde CNPJ 75.222.224/000147 valor de R$ 4.632,99, pela falta de discriminação dos participantes no plano; CNPJ 76.767.219/000182 valor de R$ 1.048,04 relativo a parcela de AMÉLIA DE LOURDES DE ALMEIDA não relacionada como dependente na DAA; CPF 110.807.10159 no valor de R$ 750,00, dentista com consultório no Mato Grosso MS; CNPJ 04.769.476/000142 no valor de R$ 200,00 por tratarse de clinica no Mato Grosso MS; CNPJ 15.939.861/000107 no valor de R$ 250,00 por tratarse de laboratório no Mato Grosso MS todos sem discriminação do paciente atendido; CNPJ 60.840.055/000484 no valor de R$ 1.551,00 relativo a parcela de RITA REGINA ROCHA não relacionada como dependente na DAA. CPF 668.527.57820 no valor de R$ 750,00 profissional sem inscrição no CRO. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial.Glosa do valor de R$ 34.800,00, indevidamente deduzido a titulo de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Em 1998 os filhos do casal já contavam com mais de 15 anos de idade +22 anos em 2005. Por força do art. 16 da Lei n° 6.515/1977, as disposições do acordo de separação consensual homologado judicialmente relativas à guarda e à prestação de alimentos aos filhos menores somente se estendem aos filhos maiores inválidos. Eventuais repasses financeiros efetuados pelos pais aos filhos após o atingimento de sua maioridade decorrem de liberalidade, e não de cumprimento do acordo judicial, uma vez que este não mais obriga o genitor. É irrelevante a circunstância de ser ou não o filho maior estudante universitário Apresentada Impugnação de fls. acompanhada dos documentos de fls. 9/40, a ação fiscal foi julgada procedente, sob o fundamento de que: 10. O contribuinte não impugnou a glosa de despesas médicas, no valor de R$ 15.050,15, dessa forma, é de se considerar essa parte do lançamento, conforme o disposto no art. 17 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 67 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, não litigiosa. 11. O peticionário alega que faz prova que suportou o ônus financeiro de R$ 7.012,00 com o profissional João Luiz Ayres Bordin, CPF nº 540.262.61972, pois juntou cópia dos recibos de fl. 09 e 12 e as cópias dos correspondentes cheques de fls. 10 e 11 e 13 e 14. 12. No entanto, nos recibos não constam os beneficiários por tal tratamento. 13. De fato, a legislação tributária concede ao contribuinte por ocasião da declaração anual de ajuste a possibilidade de utilizar na apuração de sua Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO 4 base de cálculo do imposto de renda, como dedução, despesas de saúde incorridas durante o ano calendário. 14. A legislação ainda exige que o contribuinte, quando intimado pelo Fisco, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. [...] 15. Percebese que a Lei 9.250/95, no §2°, III, do artigo 8°, reforça que a possibilidade de dedução prevista na alínea ‘a’ do inciso II limitasse a pagamentos comprovados. 16. Os recibos de fls. 09 e 12 apresentam uma série de lacunas, como a falta do CPF do pagador, que tipo de tratamento foi realizado e, sobretudo, quem foram os pacientes do subscritor. 17. Logo, este tópico da defesa deve ser indeferido, por ausência de prova cabal. 18. Sobre a despesa de R$ 1.551,00 com Fleury S/A, não há na prova acostada aos autos (fl. 30) a especificação de qual é a atividade realizada por essa empresa. Consta somente que houve a percepção da sobredita importância pela prestação de serviços ao contribuinte. Não há como se considerar que esta seja uma prova hábil para o que o contribuinte pretende comprovar, restando, também, indeferido este tópico. 19. Já sobre o gasto de R$ 2.911,24 pagos ao Plano de Saúde Unimed, CNPJ nº 75.222.224/000147, os recibos discriminados por beneficiário de fls. 16 a 26, frente e verso, tem força probatória suficiente para respaldar este tópico da defesa, que, por isso, se defere. 20. Por fim, a pensão alimentícia que o contribuinte diz ter origem na ordem judicial emanada no bojo do processo nº 97.00102033 da 4ª Vara de Família e Sucessões de Campo Grande às fls. 33 a 40 não está comprovada que foi suportada pelo contribuinte no decorrer do ano de 2005, pois a referida ordem foi prescrita em 21/12/1998 (fls. 39 e 40) e não há nos autos prova capaz de convencer o julgador de sua eficácia no ano calendário em questão, como, à guisa de exemplo, uma certidão de objeto e pé do mencionado processo, ou cópia da DIRPF ano base 2005 de sua ex esposa, Maria José de Almeida (CPF não informado). 21. Portanto, cabe o indeferimento deste tópico, por falta de documentação hábil para fazer prova. Em 22 de janeiro de 2013, este colegiado, por meio do Acórdão nº 2802002.061, de lavra do ilustre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, por unanimidade de votos, ANULOU PARCIALMENTE a decisão proferida pela DRJ, para que esta se manifeste expressamente sobre o pedido de reconhecimento da dedutibilidade do valor de R$ 750,00, a que se refere o item 06 do relatório do acórdão (fl. 172). A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba(PR), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão nº. 0641.048, 16 de maio de 2013, que se encontra às fls. 220225/, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO Processo nº 10930.002278/200911 Acórdão n.º 2802002.736 S2TE02 Fl. 598 5 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESAS DE INSTRUÇÃO E DEPENDENTES. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. DESPESAS MÉDICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São dedutíveis despesas médicas e a pensão alimentícia judicial, desde que devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DECLARAÇÃO DE AJUSTE. RETIFICAÇÃO. Não cabe retificação da declaração de ajuste, se não comprovado o erro de fato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência de tal julgado se deu por via postal em 13/06/2013, consoante o AR de fl. 228. À vista da decisão, foi protocolizado, em 21/06/2013, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls.238/243, no qual a recorrente, com vistas a obter a reforma do julgado, alega que: a) Nas razões de Voluntário, o Recorrente alega: a) COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS DAS DESPESAS MÉDICAS: Assevera que efetivamente pagou: A) R$ 7.012,00 ao beneficiário João Luiz Ayres Bordin CPF nº. 540.262.61972, por conta de serviços prestados aos seus dependentes , relacionados em sua Declaração de Ajuste.Remetese aos comprovantes acostados neste processo, recibos e cheques, às fls. 13 à 18 para assegurar que o pagamento foi realizado. B) R$ 1.551,00 à empresa beneficiária Fleury S/A CNPJ 60.840.055/000484, cuja atividade trata se de Laboratório de Análises Clínicas conforme o respectivo código de pagamento informado. Remetese aos comprovantes acostados neste processo, recibo e cheque, às fls. 48 à 50. C) R$ 750,00 atribuídos ao CPF 688.527.57820, os quais nem sequer fizeram parte das deduções na Declaração de Ajuste sendo desconhecido pelo contribuinte. Assegura que os comprovantes das despesas, bem como a devida prova dos desembolsos, já fazem parte do presente processo que ora é recorrido bastando este colegiado analisálos. b) DA COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS DA PENSÃO E AUSÊNCIA DA PARTILHA DE BENS Ressalta que no que tange à PENSÃO ALIMENTÍCIA, uma vez confirmada a sua destinação para a alimentanda Sra. Maria José de Almeida CPF 609.723.51191, sua ex cônjuge, fls. 51 à 58, restou ainda a circunstância da subsistência da obrigação e a fim de satisfazer então a dúvida ora suscitada pelo r. relator, ou seja, prova de continuidade de pagamentos durante o ano de 2005, bem como o questionamento quanto a ocorrência ou não da partilha de bens, da qual dependeria o encerramento da obrigação. Junta ao presente recurso, os documentos, abaixo relacionados, visando provar que não houve encerramento da obrigação: 1. Certidão emitida pela 4a Vara de Família da Comarca de Campo GrandeMS, dando conta não existir cumprimento da partilha de bens Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO 6 entre ele e a excônjuge, fato este que ainda culmina na continuidade da obrigação de "Alimentos" conforme decisão judicial, às fls. 191; 2. cópia dos comprovantes de depósitos em conta corrente por ele realizados à alimentanda (does.2, 3 e 4) que comprovam o efetivo pagamento às fls. 192 à 194 ;e por último, cópia dos DARF's referentes ao Carne Leão recolhidos pela alimentanda (does. 5 à 17) em função de tais rendimentos serem tributáveis na sua declaração, prova da efetividade dos pagamentos e da natureza do rendimento, fls. 195 à 207; Finaliza requerendo: 1. o provimento do presente Recurso Voluntário a fim de que seja admitida a dedutibilidade da pensão alimentícia paga à exconjuge Maria José de Almeida, no importe de R$ 34.800,00 e consequentemente, seja corrigido o valor do Imposto Suplementar lançado conforme Demonstrativo de Débito nº. SACAT 903/2011; 2. acolhimento do total das despesas médicas glosadas, e impugnadas, qual seja R$ 12.224,24 e não tão somente R$ 2.911,24 conforme o deferimento parcial da DRJ; 3. .que o presente processo administrativo seja baixado em diligência para saneamento do feito, nos termos do art. 16, IV, da Lei n° 70.235/72. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente cumpre ressaltar que versam os autos sobre Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 6/8, na qual se exige R$ 6.722,92 de Imposto de Renda Suplementar, R$ 5.042,19 de multa de ofício de 75%, além de acréscimos legais decorrentes da revisão da declaração de rendimentos relativa ao exercício de 2006, ano calendário de 2005. O Acórdão nº 2802002.061, proferido em 22 de janeiro de 2013, pela 2ª TE 2ª Seção, 2ª Câmara, de lavra do ilustre conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, anulou parcialmente a decisão de primeira instância, retornando os autos a DRJ CURITIBA PR, para que manifestação expressa sobre o pedido de reconhecimento da dedutibilidade do valor de R$ 750,00, a que se refere o item 06 do relatório do acórdão (fl. 172). No novo Acórdão, fls. 220/225, proferido pela 6ª Turma da DRJ/CTA(PR) nº 0641.048, de 16 de maio de 2013, por unanimidade de votos, foi considerado improcedente a impugnação, no tocante à arguição da despesa médica de R$750,00, sob o seguinte argumento: “19. Mas mesmo que o contribuinte tivesse trazido aos autos a prova da aludida despesa médica de R$ 750,00, este órgão colegiado não teria competência para tal julgamento, pois se trataria de retificação da DIRPF 2006, como o próprio impugnante deixou transparecer em sua defesa, e da Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO Processo nº 10930.002278/200911 Acórdão n.º 2802002.736 S2TE02 Fl. 599 7 análise da Declaração de Ajuste correspondente, fls. 60 a 64 (numeração digital), temse que tal despesa não constou da mencionada DIRPF. 20. O art. 147, §1o, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) e o Decret6 nº 70.235/72, assim dispõem “Art. 147(...) §1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributos, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”(Grifouse) Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. 21. Dessa forma, vêse que a pretensão do sujeito passivo, nesta fase processual, é uma tentativa de retificar a Declaração de Ajuste Anual (DAA) para reduzir o tributo devido, apurado em procedimento de ofício, não restando a este órgão julgador a análise de tal questão. 22. O impugnante não fez prova do erro de fato, portanto, não haveria como se conhecer a pretensão do contribuinte. Assim, após refeitos os cálculos o lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento de 6/8, ficou assim constituído: a) Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, ano calendário 2005, no valor R$ 5.922,34, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%. No voluntário o recorrente não contesta a glosa do valor de R$750,00. Diligência/Perícia O contribuinte requer a realização diligência, porém, conforme se verifica na exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou bastante claro em todo o contexto da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontramse nos autos. Como se sabe, vigora no processo administrativo fiscal federal o princípio do livre convencimento motivado, cabendo ao julgador o deferimento das provas que entender necessárias ao regular deslinde da controvérsia. Neste sentido, aliás, é expressa a disposição contida no art. 29 do Decreto n.º 70.235/72, in verbis: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO 8 “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Ademais, o deferimento de diligência é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção, Portanto, indefiro o pedido de perícia/diligência. No tocante ao mérito, o litígio cingese:, na comprovação das seguintes glosas: · Despesas Médicas no valor de R$ 7.012,00 com o profissional João Luiz Ayres Bordin, CPF nº 540.262.61972, · Despesa Médica no valor de R$ 1.551,00 com Fleury S/A; · Pensão alimentícia no valor de R$ 34.800,00 Pelo que consta da decisão de primeira instância, a dedução das despesas médicas e a dedução da pensão alimentícia, não foram aceitos pelos seguintes fundamentos: · Os recibos de fls. 09 e 12 – Luiz Ayres Bordin, no valor de R$7.012,00, apresentam uma série de lacunas, como a falta do CPF do pagador, que tipo de tratamento foi realizado e, sobretudo, quem foram os pacientes do subscritor; · Sobre a despesa de R$ 1.551,00 com Fleury S/A, não há na prova acostada aos autos (fl. 30) a especificação de qual é a atividade realizada por essa empresa. Consta somente que houve a percepção da sobredita importância pela prestação de serviços ao contribuinte. Não há como se considerar que esta seja uma prova hábil para o que o contribuinte pretende comprovar, restando, também, indeferido este tópico. · Por fim, a pensão alimentícia que o contribuinte diz ter origem na ordem judicial emanada no bojo do processo nº 97.00102033 da 4ª Vara de Família e Sucessões de Campo Grande às fls. 33 a 40 não está comprovada que foi suportada pelo contribuinte no decorrer do ano de 2005, pois a referida ordem foi prescrita em 21/12/1998 (fls. 39 e 40) e não há nos autos prova capaz de convencer o julgador de sua eficácia no ano calendário em questão, como, à guisa de exemplo, uma certidão de objeto e pé do mencionado processo, ou cópia da DIRPF ano base 2005 de sua ex esposa, Maria José de Almeida (CPF não informado). Portanto, cabe o indeferimento deste tópico, por falta de documentação hábil para fazer prova. Vejamos, Em relação às deduções de despesas médicas, assim está expresso na Lei nº 9.250, de 1996: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 268DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO Processo nº 10930.002278/200911 Acórdão n.º 2802002.736 S2TE02 Fl. 600 9 a) os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Assim, não há dúvidas que os pagamentos dos serviços médicos são dedutíveis. Entretanto, importa ressaltar que, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador.Não havendo prova em desfavor dos recibos, ainda que por meio de um conjunto forte de indícios e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Em relação às deduções com despesa médicas, de acordo com o art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, são dedutíveis da base de cálculo do imposto devido os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais, despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, bem como os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. A dedução restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitase a pagamentos especificados e comprovados (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu), podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO 10 Certo é que para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, torna se indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Feitas estas considerações passo a analisar a documentação apresentada: § Fls. 30, recibo no valor de R$ 1.551,00 – emitido pela empresa Fleury S/A, concordo com a decisão de primeira instância uma vez que não há na prova acostada aos autos sobre especificação de qual é a atividade realizada pela empresa emitente do recibo. § Fl. 09 e 12 – Luiz Ayres Bordin, no valor de R$7.012,00, deixo de acatar os documentos apresentados, tendo em vista que foram emitidos em desacordo com o Art. 8º, parágrafo 2º III da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995,ou seja, falta de endereço do prestador do serviço. Ressalto que o recorrente teve a oportunidade de sanear os vícios apontados nos recibos, mas limitouse a apenas alegar, sem, no entanto, apresentar os elemento de prova que pudessem socorrer suas alegações. Quanto à pensão alimentícia conforme consta na certidão passada pelo Poder Judiciário do Estado do Mato Grosso do Sul, fls. 101, está comprovado ser devida aos filhos do casal, com o depósito mensal de 30(trinta) salários mínimos até o dia 10 (dez) de cada mês, em conta bancária em nome da representante dos menores. Os recibos de depósitos fls. 192/194, comprovam o pagamento de R$34.400,00. Destarte, a certidão de fls. 101, c/c os comprovantes de depósitos fls. 192/194, atendem as exigências a que se refere o artigo 78 do RIR (lei n.º 9.250/95, art. 4º, inciso II) para fins de reconhecimento do direito à dedutibilidade dos valores pagos, ou seja R$34.400,00. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para restabelecer a dedução da despesa com Pensão alimentícia no valor de R$ 34.400,00 (Trinta e quatro mil e quatrocentos reais). (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Voto Vencedor Não obstante o merecido respeito dedicado à argumentação da Conselheira Relatora, encaminho meu voto em outros termos. 1. Despesa médica com Fleury S/A Quanto à glosa da despesa com Fleuy S/A, devese primeiramente anotar que o valor declarado foi de R$3.061,36 (fls. 43) e a glosa foi de R$1.510,36 e não de R$1.551,00. Explicase o recibo de fls. 30 foi aceito. O valor glosado referese à diferença entre o quanto foi declarado e o que foi comprovado com o recibo de fls. 30. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO Processo nº 10930.002278/200911 Acórdão n.º 2802002.736 S2TE02 Fl. 601 11 E na descrição dos fatos foi explicado que se referiu à parcela de Rita Regina Rocha que não foi relacionada como dependente na Declaração de Ajuste Anual. Desde a impugnação, a defesa limitase ao valor de R$1.551,00, de forma que não há litígio em relação ao valor glosado. Neste caso não é possível restabelecer a dedução devido à preclusão. 2.Despesa médica com Luiz Ayres Bordin Relativamente à despesas com Luiz Ayres Bordin, no valor de R$7.012,00, verificase que o lançamento ocorreu por falta de comprovação do efetivo pagamento (fls. 7). Devese concluir que o recibo fora analisado na fase de fiscalização e nenhum óbice formal foi anotado pela autoridade fiscal. Na impugnação os recibos são apresentados acompanhados de cheques nominativos, porém em nome de Cristina Menezes Bordin. A identidade de sobrenomes não pode ser de todo ignorada. A decisão de piso analisou os recibos de fls. 9 e 12 e concluiu que “apresentam uma série de lacunas, como a falta do CPF do pagador, que tipo de tratamento foi realizado e, sobretudo, quem foram os pacientes do subscritor”. Considerouse que os recibos não são “prova cabal” da despesas e apontouse novo fundamento para não admitir a dedução, sem qualquer apreciação dos cheques acostados às fls. 10/11 e 13/14. Ocorre que a legislação faculta ao contribuinte, “na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento” (art. 8º, §2º, inciso III da Lei 9.250/1995). A relatora não admite os recibos por lhes faltar o endereço. E que dizer dos cheques? Em que pese seja sensível à preocupação dos eminentes julgador de primeira instância e Conselheiros, tomo como premissa que o princípio constitucional do devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defenderse unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração, que nesses autos é unicamente a glosa por falta de comprovação do efetivo pagamento. As regras de direito material devem ser interpretadas em conjunto com as de direito processual, por isso que levantar como óbice a falta de endereço é privar o contribuinte de fazer a prova nas instâncias que lhe são asseguradas no processo administrativo fiscal. Outrossim, ainda que os cheques não tenham sido preenchidos com o nome do profissional emitente dos recibos, é inegável que pagamento houve. Nas circunstâncias acima descritas, podese considerar que, se a falta do recibo permitiria a prova do pagamento com cheque nominativo, a sua presença nos autos com deficiência unicamente quanto à falta do endereço não tida como óbices até a primeira instância, torna razoável considerar o conjunto probatório (recibos mais cheques) como hábeis a comprovar o pagamento das despesas de R$7.012,00. 3. Pensão alimentícia. A glosa de R$34.800,00 de pensão alimentícia fundamentouse no fato de que os filhos alimentandos já contavam mais de 22 anos em 2005 e que de acordo com o art. 16 da Lei 6.151/1977, as disposições do acordo de separação consensual homologado Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO 12 judicialmente somente se estendem aos filhos maiores inválidos, de forma que eventual repasse financeiro do pai para os filhos após a maioridade é mera liberalidade, sendo irrelevante que o filho seja estudante universitário. Na impugnação, o contribuinte demonstrou que a pensão é paga à excônjuge (Maria José Almeida Ribeiro) devido a sentença em ação de divórcio litigioso (fls. 33/40). Demonstrou portanto que o fundamento do lançamento estava equivocado. Qual seria o fundamento para não excluir do lançamento esta infração? A DRJ considerou que o contribuinte não comprovou que estava obrigado a cumprir a sentença no ano de 2005, pois fora ela proferida em 1998. Essa exigência (certidão de objeto e pé) não é praxe no processo administrativo, não houve essa exigência na fase de fiscalização e nem foi este o fundamento do lançamento. Desta forma, neste caso concreto, não é razoável tal rigor na fase contenciosa. Percebese que a sentença estipulava a obrigação de pagar 30 salários mínimos em favor dos filhos do casal e de 10 salários mínimos a favor do excônjuge, ambos depositados em conta bancária da excônjuge, na mesma data (dia 10 de cada mês, fls. 34). A pensão a favor da exesposa decorreria da impossibilidade, naquela ocasião, da partilha dos bens que permaneceriam em condomínio e administrados pelo varão. A partilha seria resolvida na fase de execução (fls. 34). O recurso voluntário é acompanhado de cópia de depósitos em conta corrente, dos DARF correspondentes ao carnêleão da alimentanda e certidão emitida pela 4ª Vara de Família de Campo Grande que noticia não existir cumprimento da partilha de bens. A certidão (numeração digital 191) indica ainda não ter ocorrido a partilha, o que permite dar crédito à alegação do recorrente acerca da continuidade da obrigação de pagar a pensão. Os comprovantes de depósito na conta da excônjuge somam R$34.400,00 (8 x 3.000,00 mais 4 x 2.600,00). O valor declarado e glosado foi de foi de R$34.800,00. No ano de 2005 o salário mínimo era de R$260,00 até abril e R$300,00 de maio a dezembro, conforme Medida provisória 182/2004 e Lei 11.164/2005, respectivamente. Está comprovado que o pagamento à excônjuge decorreu de sentença judicial, que ela era a própria beneficiária e não os filhos, que foi efetuado no valor de R$34.400,00 correspondente ao quanto fixado na sentença. Devese restabelecer a dedução no importe de R$34.400,00. Acompanho a relatora quanto ao item diligência/perícia. Portanto, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL para restabelecer dedução de R$7.012,00 e de R$34.400,00, relativas a despesas médicas e pensão alimentícia, respectivamente. Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 272DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /07/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CAR DOSO
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Numero do processo: 12259.000154/2008-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI N° 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e § 5º, da Lei nº 8. 212/91.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória n° 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A a Lei n° 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, 'c' do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para que a multa seja recalculada, conforme previsto no art. 32-A, I, da Lei nº. 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI N° 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e § 5º, da Lei nº 8. 212/91. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória n° 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A a Lei n° 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, 'c' do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para que a multa seja recalculada, conforme previsto no art. 32A, I, da Lei nº. 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 01 54 /2 00 8- 14 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 255 2 (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 256 3 Relatório 1. Tratase de Recurso voluntário interposto por KOLETA AMBIENTAL LTDA, em face de acórdão pela delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), que por unanimidade de votos, deu parcial provimento á impugnação mantendo parcialmente o crédito tributário, com as adequações necessárias á obediência da retroatividade da multa mais benigna. 2. A autuação se refere ás obrigações acessórias sob o entendimento de que a contribuinte teria deixado de declarar em GFIP e omitido informações à Previdência Social sobre todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (art.32, § 5º,da lei nº 8.212/91). 3. A contribuinte foi cientificado da constituição do crédito tributário e por não se conformar, apresentou impugnação fls. 30/34. 4. O acórdão de primeira instância, que julgou a impugnação apresentada pela contribuinte, restou lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/03/2002, 01/05/2002 a 31/08/2002, 01/10/2002 a 31/12/2002 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. RETIFICAÇÃO Retificase auto de infração quando a impugnação demonstra que foram incluídos valores indevidamente no cálculo da multa. CORREÇÃO PARCIAL DA FALTA. RELEVAÇÃO. Se o autuado corrige a falta dentro do prazo de impugnação, é primário e não há circunstância agravante, faz jus à revelação da multa aplicada em relação à competência integralmente corrigida. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 257 4 PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. INTIMAÇÃO DO PATRONO DA EMPRESA IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante, em endereço diverso de seu domicílio fiscal. RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparandose a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei nº 11.941/2009. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” 5. Intimado da decisão da instância a quo, em 25/04/2013, conforme se faz aviso de recebimento da ECT de fls.202, o recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário fls.203/215, alegando em síntese que: a) a decisão da impugnação não foi precisa quando computou o prazo de 5 anos para a decadência parcial do débito constituído pretendendo aplicar isoladamente o artigo 173, I, do CTN, sendo que a autuação encontrase atingida pela decadência em relação ao período de 07/2001 a 12/2001 pois se passaram 5 anos entre o lançamento da autuação e o fato gerador. b) aduz que a decisão recorrida retificou apenas a competência 03/2002, oportunidade em que a multa foi relevada, em relação às competências 09/2001, 11/2001 a 02/2001, alegando que as correções foram parciais, restando omitidas informações de contribuintes individuais. Entretanto, a recorrente retificou todas as GFIP’s apontadas inserindo as informações que entedia pertinente, para se aplicar o disposto no artigo 291, do decreto 3.048/99, anulando integralmente a autuação. c) em relação à aplicação da multa, a situação descrita levava a lavratura de, no mínimo, duas autuações, entretanto o acórdão declarou que deveria “realizar um cotejo entre os valores da multa aplicada no presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, com as multas aplicadas nas NFLD’s nº 37.051.7695 e 37.051.768”. Entretanto, no presente caso, por se tratar de infração por descumprimento de obrigação acessória, a multa aplicada deve ser aquela prevista no artigo 32A, da lei nº 8.212/91 e não a prevista no artigo 44, da lei nº 9.430/1996, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007. 6. Ao final, requer seja reformada a decisão recorrida, a fim de que seja reconhecida a total nulidade da autuação ora em debate. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 258 5 7. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados á apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 259 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA 2. O AI foi lavrado em relação ao período de 07/2001 a 12/2001, tendo o recorrente tomado ciência em 19/12/2006. O recorrente insurgese contra o referido lançamento argumentando que, tendo em vista que o Supremo reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91 e expediu a Súmula Vinculante nº8, o prazo decadencial deveria obedecer ao art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que as contribuições são tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, a obrigação acessória deve seguir o mesmo prazo decadencial da obrigação acessória. 3. Razão não assiste à Recorrente, na medida em que, as obrigações acessórias, malgrado o nome, é autônoma em relação à obrigação principal, sendo, inclusive, prescindível a existência da obrigação de pagar, mesmo assim, prevalecendo a obrigação de fazer ou não fazer. 4. A obrigação de acessória é instrumental, uma vez que a sua função é fiscalizar e apurar a existência da obrigação principal, o que justifica o seu caráter de “instrumentalidade”. Dessa forma, é forçoso reconhecer que o prazo decadencial da obrigação acessória é o mesmo da obrigação principal. 5. No caso em tela, a discussão trazida aos autos gravita na órbita de um tributo sujeito ao lançamento por homologação, que tem o seu prazo decadencial regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, que fixa como termo a quo a data da ocorrência do fato gerador, para que seja realizado o lançamento. 6. Contudo, o fato de o contribuinte não apresentar declaração e não recolher antecipadamente o tributo gera para a Fazenda Pública o poder/dever de proceder o lançamento de ofício, passando o prazo decadencial a ser regulado pelo art. 173, I, do CTN, que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” 7. O presente entendimento encontrase em sintonia com o do Superior Tribunal de Justiça, conforme demonstrado no julgado abaixo: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 260 7 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. ART. 173, I, DO CTN. MULTA. APLICAÇÃO RETROATIVA. ART. 106 DO CTN. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA283/STF. ART. 195, § 7º, DA CF/88. IMUNIDADE. EXTENSÃO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. 1. Não havendo pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial de 5 anos para a constituição do crédito tributário sujeito a lançamento por homologação tem início no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o tributo poderia ter sido constituído, consoante o art. 173, I, do CTN. Precedentes. 2. Quanto à alegada violação do art. 106 do CTN, a agravante deixou de impugnar fundamento suficiente do aresto recorrido, segundo qual a multa que se pretende aplicar, supostamente mais benéfica, diz respeito a débitos ainda não incluídos em notificação fiscal de lançamento, o que não é o caso dos autos. Incidência da Súmula283/STF. 3. A discussão em torno da extensão da regra de imunidade do art. 195, § 7º, da CF/88, não pode ser examinada em recurso especial. 4. Agravo regimental não provido. (STJ AgRg no REsp: 1257207 SC 2011/01233190, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 25/09/2012, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 04/10/2012) 8. Assim, do acórdão, colacionado não vislumbro motivo ensejador de reforma. DO CANCELAMENTO DA MULTA ACESSÓRIA 9. O recorrente alega que retificou todas as GFIP’s “apontadas como irregularidades inserindo as informações que entendia pertinente” e que, portanto, a multa aplicada deveria ser cancelada. 10. Entendo ser desarrazoado o pleito da recorrente, uma vez que a correção da falta foi parcial, sendo correta a aplicação da multa. DA RETROATIVIDADE BENÉFICA 11. O acórdão recorrido, apesar de reconhecer que a norma posterior é mais benéfica ao contribuinte, ao analisar a questão da multa, o acórdão recorrido negou provimento à pretensão da empresa, sob a seguinte alegação: “Ocorre, contudo, que as multas, de acordo com a legislação anterior, são definidas conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é realizado. Dessa forma, somente no momento do pagamento é que a multa mais benéfica pode ser quantificada definitivamente. Assim, durante a fase do contencioso administrativo, de primeira instância, não há como se determinar a multa mais benéfica, haja vista que o pagamento ainda não foi postulado pelo contribuinte, de acordo com o art. 35, da Lei nº 8.212/1991, na redação anterior à MP Fl. 260DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12259.000154/200814 Acórdão n.º 2803003.439 S2TE03 Fl. 261 8 449/2008, que estabelece que as multas de mora valem para o momento do pagamento, impedindo que a compensação seja realizada antes desse fato.” 12. O art. 5º, I, da Constituição Federal, dispõe que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.” 13. Sendo assim, entender que a comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica, nos termos do art. 106, do CTN, só é possível quando o contribuinte requerer a liquidação para pagamento, fere frontalmente o Estado Democrático de Direito, uma vez que cria obrigação inexistente em lei, observando que, além do direito acima aduzido, as obrigações tributárias devem pautarse na estrita legalidade. 14. Sendo assim, neste ponto, acolho o pleito da recorrente para determinar a aplicação da multa mais benéfica, em honra à exceção ao princípio da retroatividade da norma, se mais benéfica, nos termos do art. 106, do CTN. CONCLUSÃO 15. Pelo exposto, conheço do presente recurso voluntário e voto pelo seu provimento parcial, para, no mérito, darlhe provimento parcial para que a multa seja recalculada, conforme previsto no art. 32A, I, da Lei nº. 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Natanael Vieira dos Santos. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000024/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrente JS MAQUINAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior. Tratase de Auto de Infração nº 37.129.2344, no qual a autoridade fiscal entendeu que o sujeito passivo e terceiras empresas configuram grupo econômico, o que ensejou a representação para exclusão do Simples, bem como o lançamento, nestes autos, de contribuições previdências devidas sobre diferenças apuradas em pagamento efetuados a segurados empregados no período de janeiro de 2003 a junho de 2007. Devidamente intimado o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou a inexistência de grupo econômico, bem como a ausência de simulação entre as empresas, além de defender a sua permanência no regime simplificado de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 00 02 4/ 20 09 -3 7 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10925.000024/200937 Resolução nº 2301000.427 S2C3T1 Fl. 289 2 pagamento de tributos, sustentando, ainda, o fato de que apresentou defesa administrativa contra os atos de exclusão do citado regime. A DRJ de Ribeirão Preto manteve parcialmente a autuação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2007 CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados e contribuintes individuais. EXCLUSÃO DO REGIME SIMPLES. DECADÊNCIA. Empresa excluída do SIMPLES fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Devese lavrar o competente AutodeInfração para prevenir a decadência, tendo sua exigibilidade suspensa, enquanto não definitivamente julgado o ato excludente. AUTUAÇÃO. LEGALIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O AutodeInfração devidamente motivado, com a descrição das razões de fato e de direito, contendo as informações suficientes ao exercício do contraditório e da ampla defesa, é ato administrativo que goza de presunção de legalidade e veracidade, sendo descabida a argüição de nulidade do feito. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA EM PARTE. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Quando não há pagamento antecipado, ou na hipótese de fraude, dolo ou simulação, aplicase a regra geral disposta no art. 173, I, do CTN. EXAME DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. IRREGULARIDADES. AFERIÇÃO INDIRETA. Se no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, as contribuições devidas serão apuradas por aferição indireta, lançandose a importância que reputar devida, cabendo ao sujeito passivo o anus da prova em contrário. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. PROVA TESTEMUNHAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A prova documental no contencioso administrativo deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. No rito do processo administrativo fiscal Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10925.000024/200937 Resolução nº 2301000.427 S2C3T1 Fl. 290 3 inexiste previsão legal para audiência de instrução, na qual seriam ouvidas testemunhas; e os depoimentos deveriam ter sido apresentados sob forma de declaração escrita, juntamente com a impugnação. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO REJEITADO. Dada a existência de determinação legal expressa, as intimações são endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais. Impugnação Improcedente e Parte” Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. É o relatório. Conselheiro Adriano Gonzales Silvério. Como se depura dos autos a premissa fiscal foi a de que haveria a existência de grupo econômico entre o sujeito passivo e as empresas Idugel Industrial Ltda. E KF Montagens Industriais Ltda ME. Conseqüência desse entendimento resultou na representação para a exclusão da autuada do Simples, bem como no lançamento das contribuições previdenciárias. O sujeito passivo sustenta que se defendeu dos atos de exclusão do Simples, o que fica evidente na leitura da decisão recorrida a qual se ampara em acórdão proferido nos processos administrativos originados com a impugnação da empresa (processos 10935.002073/200823 e 10925.002252/200861). Entendo que as decisões a serem tomadas naqueles autos, podem, sobremaneira, influenciar na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, haja vista que se for decidido que o sujeito passivo deve permanecer no Simples, o presente lançamento sofrerá conseqüências, quiçá seu improvimento, se for esse o caso. Assim, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade fiscal informe se os processos administrativos 10935.002073/200823 e 10925.002252/200861 transitaram em julgado, bem como anexe as decisões nele proferidas, seja de primeira, como de segunda instâncias administrativas, intimandose, posteriormente, o sujeito passivo a se manifestar no trintídio legal.. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 15504.726790/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA.
Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa.
É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenham sido apreciadas as alegações expendidas pelo sujeito passivo a respeito do resultado de Diligência Fiscal utilizada na sua fundamentação.
Recurso de Ofício não Conhecido.
Anulada Decisão de Primeira Instância.
Numero da decisão: 2302-003.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício pela perda de objeto. Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, ao não apreciar as razões do contribuinte quanto ao resultado da diligência fiscal, consubstanciada na Manifestação em Relação a Relatório de Diligência Fiscal, a fls. 7443/7450.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revela-se o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenham sido apreciadas as alegações expendidas pelo sujeito passivo a respeito do resultado de Diligência Fiscal utilizada na sua fundamentação. Recurso de Ofício não Conhecido. Anulada Decisão de Primeira Instância.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2047; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 7.506 1 7.505 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.726790/201114 Recurso nº 003.222 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2302003.222 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP Recorrentes GERDAU AÇOMINAS S/A E OUTROS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. Revelase o direito processual administrativo fiscal refratário ao procedimento que exclua do sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. É nula a Decisão de 1ª Instância lavrada sem que tenham sido apreciadas as alegações expendidas pelo sujeito passivo a respeito do resultado de Diligência Fiscal utilizada na sua fundamentação. Recurso de Ofício não Conhecido. Anulada Decisão de Primeira Instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício pela perda de objeto. Por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa, ao não apreciar as razões do contribuinte quanto ao resultado da diligência fiscal, consubstanciada na Manifestação em Relação a Relatório de Diligência Fiscal, a fls. 7443/7450. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 67 90 /2 01 1- 14 Fl. 7562DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 7563DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726790/201114 Acórdão n.º 2302003.222 S2C3T2 Fl. 7.507 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007. Data da lavratura dos Auto de Infração: 28/12/2011. Data da ciência dos Auto de Infração: 30/12/2011. Temse em pauta Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.365.6998 e 37.665.7013, consistentes em contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, e a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre salários e remunerações pagos a segurados empregados e a contribuinte individual, bem como sobre os valores pagos a cooperados de trabalho, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 26/66. De acordo com o Relatório Fiscal, o presente lançamento é constituído pelos seguinte fatos geradores: a) Valores pagos a segurados empregados, lançados em Folha de Pagamento, a título de Abono, sob o código: 2290 ABONO ACORDO COLETIVO, no período de 01/2007 a 05/2007, 07/2007, 08/2007, 11/2007 e 12/2007, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social, cujas contribuições encontramse lançadas nos AI DEBCAD: 37.365.6998 (parte empresa) e 37.365.7013 (parte segurados empregados); b) Valores pagos pela empresa referente a benefício de Bolsa Estudo, concedido aos seus empregados, (salário indireto), no período de 01/2007 a 12/2007, registrados na conta contábil de Despesas: “430105 Gastos C/ Pessoal Assist. Social a Empregado”, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social, cujas contribuições encontramse lançadas nos AI DEBCAD: 37.365.6998 (parte empresa) e 37.365.7013 (parte segurados empregados); c) Valores pagos a segurados contribuintes individuais (diretores não empregados e membros do conselho de administração), a título de Participação nos Lucros, no período de 03/2007, 08/2007 e 09/2007 registrados nas contas contábeis: 0212000 – Participações de Administradores a Pagar (Passivo – Circulante) e 0490080 Participações dos Administradores (Resultado), não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social, cujas Fl. 7564DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 contribuições encontramse lançadas no AI DEBCAD: 37.365.6998 (parte empresa); d) Valores creditados a segurados contribuintes individuais (presidente, diretores não empregados e vicepresidentes executivos), a título de Remuneração Complementar, no período de 01/2007 a 12/2007, registrados na conta contábil de Despesas: “430031 Gastos C/ Pessoal Remuneração Complementar Comitê Executivo”, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social, cujas contribuições encontramse lançadas no AI DEBCAD: 37.365.6998 (parte empresa); e) Valores pagos a Cooperativas de Trabalho, correspondentes a notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, no período de 01/2007 a 12/2007, não considerados como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social, cujas contribuições encontramse lançadas no AI DEBCAD: 37.365.6998 (parte empresa); f) Remuneração paga ou creditada a segurados empregados a seu serviço, cuja atividade seja exercida em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física destes trabalhadores e permita a concessão de aposentadoria especial após vinte e cinco anos de contribuição, nos termos dos artigos 57 e 58 da Lei n° 8.213 de 24/07/1991, no período de 01/2007 a 12/2007, cujas contribuições encontramse lançadas no AI DEBCAD: 37.365.6998 (parte empresa). O crédito tributário ora em debate houvese por lançado em face das empresa baixo arroladas, em decorrência da responsabilidade solidária das empresas integrantes de grupo econômico de qualquer natureza prevista no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91. · Gerdau Aços Longos S.A. Coligada 07.358.761/000169 · Gerdau Aços Especiais S.A. Coligada 07.359.641/000186 · Gerdau Comercial de Aços S.A. Coligada 07.369.685/000197 · Gerdau América Latina Participações S.A. Coligada 07.430.351/000181 · Gerdau Internacional Empreendimentos Ltda Coligada 87.040.598/000120 · Seiva S.A. Florestas e Indústrias Coligada 87.043.832/000173 As empresas acima indicadas foram identificadas como coligadas, mediante exame da contabilidade: Ativo Permanente Investimentos (Conta: Em Coligadas). Fl. 7565DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726790/201114 Acórdão n.º 2302003.222 S2C3T2 Fl. 7.508 5 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 1661/1707, 1742/1788, 1823/1869, 1904/1950; 1985/2031 e 2032/2078; As devedoras solidárias ofereceram impugnação administrativa a fls. 1627/1633; 1708/1711; 1789/1792; 1870/1873 e 1951/1954. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fls. 2380/2387. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora emitiu Relatório Fiscal Complementar a fls. 4897/4903. Formalmente notificado do conteúdo do Relatório Fiscal Complementar acima mencionado, o Sujeito Passivo, no prazo que lhe fora assinalado, apresentou aditamento à impugnação a fls. 4980/6381. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou uma vez mais o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões controversas do lançamento, conforme Despacho a fls. 6384/6392. Em atendimento à diligência à segunda Diligência Fiscal comandada, a Autoridade Lançadora emitiu novo Relatório Fiscal Complementar a fls. 7228/7297. Formalmente notificado do conteúdo do Relatório Fiscal Complementar acima mencionado, o Sujeito Passivo deixou transcorrer in albis no prazo que lhe fora assinalado, sem se manifestar nos autos do processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0244.955 – 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 7309/7345, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele excluir a remuneração complementar paga a administradores, os pagamentos a título de participação nos lucros a administradores e o adicional de SAT referente aos segurados em relação aos quais restou demonstrado fornecimento e o gerenciamento do EPI apto a reduzir a intensidade dos agentes nocivos, ratificando o crédito tributário na forma exposta no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 7346/7354, recorrendo de ofício de sua decisão. O Devedor Principal foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 27/06/2013, conforme Avisos de Recebimento a fl. 7359. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Autuado interpôs recurso voluntário a fls. 7374/7450, alegando em preliminar de mérito que a decisão de 1ª Instância seria nula por terem sido desconsiderados os documentos apresentados nos autos pela empresa, bem como sua manifestação protocolizada em 21/01/2013, em resposta à intimação ocorrida em 20/12/2012, a qual teria sido recebida pela Fl. 7566DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 servidora Maria Dalva Souza Neves, na DRF de Belo Horizonte/MG, em 21/01/2013, e encaminhada por meio do Memo nº 0275/2012, requerendo, ao fim a declaração de nulidade da Decisão Recorrida. Os devedores Solidários, por seu turno, foram intimados da Decisão de Primeira Instância Administrativa no dia 08/08/2013, conforme Avisos de Recebimento a fls. 7493/7500, e, insatisfeitos com a decisão proferida pelo Órgão Julgador a quo, interpuseram Recurso Voluntário a fls. 7451/7492, requerendo a declaração de nulidade da decisão de 1ª Instância ou, alternativamente, o afastamento da responsabilidade passiva solidária das recorrentes. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 7567DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726790/201114 Acórdão n.º 2302003.222 S2C3T2 Fl. 7.509 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/06/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 25 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO SANEAMENTO DO PROCESSO. Antes de adentrarmos a cognição meritória urge ser sanada uma irregularidade de cunho eminentemente processual. No curso da instrução do processo, após o oferecimento da impugnação, o feito foi baixado em diligência fiscal para que a Fiscalização se manifestasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fls. 2380/2387. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora emitiu Relatório Fiscal Complementar a fls. 4897/4903. Formalmente notificado do conteúdo do Relatório Fiscal Complementar acima mencionado, o Sujeito Passivo, no prazo que lhe fora assinalado, apresentou aditamento à impugnação a fls. 4980/6381. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG baixou uma vez mais o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões controversas do lançamento, conforme Despacho a fls. 6384/6392. Em atendimento à diligência à segunda Diligência Fiscal comandada, a Autoridade Lançadora emitiu novo Relatório Fiscal Complementar a fls. 7228/7237, do qual o Fl. 7568DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Sujeito Passivo houvese por notificado em 20/12/2012, sendolhe concedido nesta data o prazo de 30 dias, contados a partir do primeiro dia útil seguinte à ciência do Relatório Fiscal Complementar em relevo, para que, havendo interesse, apresentasse manifestação sobre os novos cálculos a ser protocolizada na agência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em Conselheiro Lafaiete. O Chefe da Equipe de Processos Fiscais do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da RFB em Belo Horizonte/MG, emitiu Despacho datado de 17 de abril de 2013, a fl. 7308, onde declara que o contribuinte não apresentou novas alegações de defesa. Ante tal situação, os autos foram encaminhados à DRJ/BHE, que proferiu decisão administrativa de 1ª Instância, ora guerreada. Ocorre, todavia, que o Recorrente trouxe aos autos a demonstração de que, no dia 21 de janeiro de 2013, ou seja, dentro do prazo concedido pela RFB para a apresentação de manifestação em face do resultado da 2ª diligência, promoveu a protocolização de Manifestação em Relação a Relatório de Diligência Fiscal, perante a DRF/Belo Horizonte, a qual se houve por recebida pela servidora Maria Dalva Souza Neves, matr. SIAPECAD 13897, conforme carimbos de protocolo apostos na folha de rosto do referido documento, cuja cópia encontrase acostada a fls. 7443/7450 dos autos. Compulsando os autos verificamos que o documento que expressa tal manifestação não se houve por acostado aos autos. Deflui dos excertos consignados no Relatório do Acórdão guerreado, a fl. 7330, e do voto condutor, a fl. 7342, que o Órgão Julgador de 1ª Instância foi traído pela informação equivocada consignada no Despacho a fl. 7308, e pela ausência física do Documento ora em debate nos autos do processo, e proferiu o Acórdão nº 0244.955 – 8ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 7309/7345, sem levar em consideração as argumentações expendidas pelo Recorrente em sua Manifestação em Relação a Relatório de Diligência Fiscal. Relatório do Acórdão (fl. 7330) Conforme despacho de fl. 7.308 o sujeito passivo cientificado da informação fiscal e dos respectivos demonstrativos em 20/12/2012 não se manifestou. Voto condutor do Acórdão (fl. 7342) Verificase que o impugnante não se insurgiu quanto ao conteúdo da informação fiscal de fls. 7.228/7.237 que é conclusiva e explica as situações indicadas nos demonstrativos que discriminam os motivos da fiscalização ter decidido pela não atenuação do agente a que o empregado estava exposto. O proferimento de decisões administrativas sem a apreciação e avaliação das razões expendidas pelo Sujeito Passivo em sua Manifestação em Relação a Relatório de Diligência Fiscal configurou, ao nosso sentir, hipótese de cerceamento de defesa, uma vez que as argumentações expendidas pela Fiscalização, em sede da 2ª diligência fiscal, foram absorvidas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância sem a contradita da parte adversa, e tidas, obviamente, como não contestadas. Fl. 7569DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.726790/201114 Acórdão n.º 2302003.222 S2C3T2 Fl. 7.510 9 Revelase o Direito Processual Administrativo refratário à prolação de Decisões em que reste configurada qualquer modalidade de preterição ao direito de defesa, as quais já nascem sob o estigma da nulidade. Dessarte, se nos afigura ter sido violado, involuntariamente, o Devido Processo Legal, eis que a Decisão de 1ª Instância foi emitida sem a oportunidade de contradita, por parte do Autuado, aos argumentos expendidos pela Fiscalização no segundo Relatório Fiscal Complementar. A situação fática retratada no presente caso, consistente na inobservância, mesmo que involuntária, ao direito ao contraditório, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso II, in fine, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide se desenvolveram os fatos processuais aqui narrados e houve por lavrada a decisão vergastada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Nesse contexto, pautamos pela declaração de nulidade do Acórdão nº 02 44.955 – 8ª Turma da DRJ/BHE, com fulcro no art. 59, II, in fine, do Decreto nº 70.235/72, para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento competente, apreciando as alegações desfraldadas na Manifestação em Relação a Relatório de Diligência Fiscal, a fls. 7443/7450, profira novo decisório ao litígio em pauta. 3. CONCLUSÃO Fl. 7570DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Pelos motivos expendidos, voto por ANULAR a DECISÃO ADMINISTRATIVA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 7571DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10510.900462/2012-74
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 62 /2 01 2- 74 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 05/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900462/201274 Acórdão n.º 3803006.177 S3TE03 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001744/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE O PRINCIPAL. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Inteligência da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 1302-001.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos dos votos do Relator e Redator designado e, por qualidade, manter os juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos dos votos do Relator e Redator designado e, por qualidade, manter os juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
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RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 CUSTOS. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. Ao restar comprovada, em parte, a efetividade de valores contabilizados a título de custos e despesas, a glosa deve ser afastada no montante correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE O PRINCIPAL. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Inteligência da Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 44 /2 00 6- 73 Fl. 989DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 990 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos dos votos do Relator e Redator designado e, por qualidade, manter os juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0810.308 da 3ª Turma da DRJ/FOR, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constiluem em nomas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. BASE LEGAL DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argu ição de inconsiltucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. INCONSTITUCIONALIDADE E CONFLITO HIERÁRQUICO ENTRE LEIS. É defeso em sede administrativa discutirse sobrc a constitucionalidade ou conflito hierárquico das leis em vigor. MULTA CONFISCATÓRIA E IRRAZOÁVEL. Estando a multa devidamente previsia em lei, não cabe a discussão sobre a infringência desta a princípios constitucionais. A multa, para alcançar sua finalidade, deve representar um ônus significativamente pesado, de sorte a que as condutas que ensejam sua cobrahça restem efetivamente desestimuladas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 991 3 É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. São devidos juros da taxa SELIC em compensação de tributos e nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001 GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, através de documentos hábeis e idôneos, implica a glosa dos custos correspondentes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. Aplicase as exigências ditas reflexas, o que decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias procedidas de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamenlo, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. O suposto erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do lançamemo quando comprovado pela descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte, contra as imputações que lhe foram feitas, que não ocorreu qualquer prejuízo ao seu direito de defesa. Lançamento Procedente O Termo de Constatação Fiscal a fls. 303 a 305, assim descreve os fatos apurados e as conclusões do trabalho de fiscalização: “1) A empresa opera na área de prestação de serviços de informática com o licenciamento de programas (software) e fornecimento de suporte aos clientes (soluções para o atendimento às suas necessidades especificas). 2) Esses programas são fornecidas pela sua matriz no exterior (E.U.A.), denominada "Oracle Corporation" conforme especificado no Contrato de Distribuição firmado entre a matriz e a sua subsidiária no Brasil (a Fiscalizada) em 1° de junho de 2000 (cópia em anexo). 3) A matriz denominada no contrato de "ORACORP", de acordo com a cláusula 2.2 do Artigo I, concede à ORASUB (Fiscalizada) uma licença para comercializar, promover e sublicenciar os referidos programas aos seus clientes (usuário final). 4) Para cada operação acima descrita denominada de sublicenciamento, bem como sobre a Receita de Suporte, a Fiscalizada deve pagar uma taxa igual a 58% (cinquenta e oito por cento) sobre os valores líquidos reconhecidos como Receitas de Licenciamento de Programa e Receitas Fl. 991DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 992 4 de Suporte (Parte I do Anexo 1, cláusula 5.1, fls. 24 e 01 do referido contrato). 5) O Contribuinte contabilizou como custo no Ano Calendário de 2001, na conta 3300101002 — Custo de Licença, Manutenção e Suporte o valor de R$ 157.037.680,02. Intimado em 03/11/2005, o Contribuinte informou que esses valores se referem a pagamentos por ele efetuados à empresa ligada no exterior por programas de "softwares" disponibilizados a ele pela sua matriz aqui no Brasil; que esses valores são registrados como custo pelo regime de competência, que essas operações (aquisição de softwares) estão previstas no Contrato de Distribuição na cláusula 5.1; que o referido contrato não é passível de registro nem no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e nem no Banco Central do Brasil (BC); e, finalmente, que a dedução desses valores (custo de aquisição de softwares) está prevista no Art. 278, parágrafo único do RIR/99. Acrescenta que tal entendimento está evidenciado na resposta à Consulta Formal formulada pela empresa no Processo n° 13811002437/98/35, bem como, na Decisão do Processo Administrativo n° 13808001630/9999, conforme Acórdão no 108 07.262 de 29/01/2003. 6) Quanto à resposta à intimação conforme item anterior temos a informar o seguinte: a) pela disponibilização de programas de software a Fiscalizada de acordo com a cláusula 5.1 do Contrato de Distribuição deve pagar "Taxa de Sublicenciamento", ou seja, direito autoral. b) Tratase, portanto, de direito autoral e, assim o"Contrato de Distribuição" é passível de registro tanto no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) como no Banco Central do Brasil (BC). c) O faturamento da empresa é feito pelo regime de competência pois não há menção na nota fiscal de serviços de se tratar de "simples faturamento" (exemplos em anexo). d) Como relatado no item a acima a operação prevista na clausula 5.1 não é a aquisição de software e sim o sublicenciamento de programas, pelos quais a Fiscalizada deve pagar uma Taxa de Sublicenciamento (direito autoral). e) Tratandose de direitos autorais esses custos somente seriam dedutiveis desde que preenchidos os requisitos estabelecidos no Parágrafo Único do Art. 353 do RIR/99. f) Quanto aos documentos (2 e 3) juntados à resposta à intimação informamos o seguinte: f.1) a Consulta Formal efetuada pela Fiscalizada referese à incidência do IR Fonte sobre a remuneração (comissão) sobre a revenda de programas de informática nas remessas ao exterior. A resposta à consulta diz que se as remessas forem efetivamente destinadas ao pagamento de aquisições de software, ou seja, compra de mercadorias para revenda não estão sujeitas a retenção do IRFonte de que tratam os Fl. 992DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 993 5 Arts. 743 e 745 do RIR94; tratandose, no entanto, de pagamento de direitos autorais, haverá a incidência do IR Fonte. Ora, tratase, no caso, de pagamento de remuneração (comissão), portanto, de direito autoral e não de compra de mercadoria (software), havendo, portanto, a incidência do IR Fonte. f.2) no que se refere ao Acordão n° 10807.262, de 29/01/2003, tratase de provimento ao Recurso Voluntário n° 130.002 interposto pelo Contribuinte relativamente ao Auto de Infração lavrado em 09/11/99 conforme Processo Administrativo n° 13808001630/99/99. 7) Ocorre que as remessas efetuadas à matriz no período fiscalizado (Ano Calendário de 2001), como pagamento dessas taxas não foram realizadas nessas condições, ou seja, calculandose 58% (cinquenta e oito por cento) sobre os valores líquidos das Receitas de Licenciamento e Receitas de Suporte. Tais remessas foram efetuadas tendo por base os valores integrais das notas fiscais/faturas de prestação de serviços aos seus clientes emitidas nos Anos Calendários de 2000 e 2001 tomadas ao acaso e foram enviadas a título de pagamento pela "Aquisição de Softwares", tendo como recebedor no exterior a empresa "RSIB INC" e como beneficiário final a Matriz "Oracle Corporation" (exemplos em anexo). 8) Intimada, então, em 12/01/2006, a apresentar a documentação comprobatória das aquisições ou importações de software, bem como, os documentos comprovantes e os demonstrativos dos cálculos dos valores remetidos ao exterior e do IRFonte sobre essas remessas o Contribuinte: a) não apresentou os documentos comprobatórios das aquisições ou importações de software que se referem as remessas ao exterior efetuadas para a empresa ligada "Oracle Corporation" e computadas como custo na conta 3300101002 "Custos de Licença, Manutenção e Suporte", no valor de R$ 157.037.680,02 (Cento e cinquenta e sete milhões, trinta e sete mil, seiscentos e oitenta reais e dois centavos). b) Não apresentou, também, demonstrativo e nem toda a documentação que comprovasse o IRFonte sobre remessas ao exterior lançadas na conta 3300101003 "Despesas com IRFonte sobre Remessas", no valor de R$ 29.530.573,63 (vinte e nove milhões, quinhentos e trinta mil, quinhentos e setenta e três reais e sessenta e três centavos). Cabe acrescentar que mesmo apresentada a referida documentação mas desde que as remessas tenham sido efetuadas como pagamento pela aquisição de softwares o IRRF seria indedutivel visto incidirem sobre um custo inexistente. 9) De acordo com o Contrato de Distribuição (Cláusula 5 e Anexo 1) os valores passíveis de serem remetidos à sua Matriz referemse às taxas de Sublicenciamento de Programas e outras taxas como as sobre as Receitas de Suporte, ou seja, direitos autorais sobre programas conforme definido na cláusula 2.4 do referido contrato (Direito de Propriedade Intelectual) e novamente expressamente reconhecido pela Fiscalizada no Mandado de Segurança Preventivo relativo à CIDE Fl. 993DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 994 6 (Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico) no Processo n° 2002.61.00.0223606, página 2, IDos Fatos e ratificado pelo TRF da 3ª Região na Certidão de Objeto e Pé de 22/04/2005 relativa à citada ação judicial. Assim sendo, os valores computados como custos na conta 3300101001Custos de Licença de Uso, Manutenção e Suporte, no montante de R$ 157.037.680,02 (Cento e cinquenta e sete milhões, trinta e sete mil, seiscentos e oitenta reais e dois centavos), bem como, os valores contabilizados como custos na conta 3300101003 — Despesas com Imposto de Renda retido na Fonte sobre remessas, no montante de R$ 29.530.573,63 (Vinte e nove milhões, quinhentos e trinta mil, quinhentos e setenta e três reais e sessenta e três centavos), serão tributados como custos não dedutiveis na apuração do Lucro Líquido e do Lucro Real, bem como, na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido com fundamento nos Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292 e 300 do RIR 99.”. [grifo nosso] A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 29/11/2007 (cf. AR a fls. 482) e interpôs recurso voluntário (doc. a fls. 3625 e segs.) em 26/12/2007 (doc. a fls. 486 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, que: a) o Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser regularmente processado e julgado por este Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes; b) o auto de infração deve ser cancelado de plano, porquanto falho na descrição de suas razões; c) a Recorrente é sociedade prestadora de serviços de informática que sublicencia softwares e fornece suporte aos seus clientes; d) tendo em vista que os softwares sublicenciados pela Recorrente são de propriedade intelectual de sua controladora estrangeira, a Recorrente é obrigada, por força contratual, a pagar direitos autorais para a referida sociedade; e) não há compra de mercadorias, mas sim pagamentos de direitos autorais em função do sublicenciamento de softwares; f) como não há transferência de tecnologia (abertura do código fonte do software), o Contrato não se submete ao registro no INPI nem no BACEN; g) por essa razão, totalmente descabida a alegação no sentido de que os pagamentos ora discutidos referemse a custo de aquisição ou de produção de mercadorias, sendo que, os pagamentos de direitos autorais são dedutiveis conforme a legislação vigente. h) o Processo Administrativo n° 13808.001630/9999 faz prova a favor da Recorrente e confirma que os pagamentos feitos para a controladora estrangeira referemse a direitos autorais e não a royalties; i) a D. Fiscalização teve total acesso ao contrato e documentos que comprovam a natureza dos pagamentos; j) o fato de a Recorrente ter registrado as despesas de direitos autorais em conta denominada "Custo de Licença, Manutenção e Suporte" não poderia alterar a natureza das despesas, não podendo, portanto, as D. Autoridades Fiscais considerar tais valores como custo de aquisição de software; k) a dedutibilidade das despesas de licença de uso e comercialização de Fl. 994DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 995 7 software (direitos autorais) está sujeita à regra geral do artigo 299 do RIR/99, conforme confirmado pelas decisões do Conselho de Contribuintes; l) ainda que os valores em discussão pudessem ser considerados como custo de aquisição de softwares, o que se admite apenas a título de argumentação, não há razão para a D. Fiscalização falar em glosa, já que o custo comporia o preço do produto vendido aos cliente e estaria excluído da base de calculo do IRPJ e da CSL; m) todos os requisitos para dedutibilidade foram observados pela Recorrente, de modo que as despesas com os contratos de sublicenciamento de softwares eram dedutiveis de sua base de cálculo do IRPJ e da CSL; n) a Recorrente também comprovou a efetividade das despesas incorridas pela Recorrente no período de 2001; o) a análise conjunta do Contrato com os documentos fiscais da Recorrente traz fortes indícios (o que se verifica dos aspectos materiais, econômicos e lógicos das operações) de que as operações objeto da presente autuação de fato ocorreram, o que autoriza a dedutibilidade das despesas a elas relativas, conforme autoriza a jurisprudência administrativa; p) nos termos dos artigos 923 e 924 do RIR/99, os registros contábeis da Peoplesoft fazem prova a favor da Recorrente, de modo que, até prova em contrário, todos os fatos são considerados válidos e toda a documentação faz prova a favor do contribuinte; q) que à CSL são aplicadas as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, observada a legislação específica quanto às alíquota e base de cálculo, assim sendo, são válidos os argumentos de fato e de direito apresentados anteriormente, que justificam a legalidade do procedimento adotado pela Recorrente, para efeitos também da CSL; s) que a multa é abusiva, pois revestese de finalidade arrecadadora, na forma de confisco; t) que os juros de mora calculado à taxa Selic deve ser cancelada; u) que indevida a incidência de juros de mora sobre multa de ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou, a fls. 629 e segs., contrarrazões, nas quais alega, em apertada síntese, que: “...a glosa dos valores indevidamente deduzidos do lucro da empresa foi correta, eis que: O contribuinte firmou contratos de licença de uso de software com sua controladora sediada no exterior. O contrato de licença de uso de software é regido pelo direito autoral. As obrigações a titulo de direito autoral são remuneradas por royalties, de acordo com a legislação brasileira aplicável. A remessa de royalties ao exterior a título de licença de uso de software se enquadra, à perfeição, nas exigências previstas nos arts. 354/355 do RIR/99. A consequência de tais constatações culmina na aplicação das regras especiais previstas nos arts. 354/355 do RIR/99 em substituição à regra geral prevista no art. 299 do referido Regulamento.” Fl. 995DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 996 8 Em 04/11/2009, esta 2ª Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 1302 00.027 (a fls. 751 e segs.), converteu o julgamento em diligência, nos seguintes termos: “A recorrente afirma no recurso e repetiu na tribuna que trouxe aos autos a documentação que demonstraria a regularidade das remessas. Diante da dúvida suscitada, mesmo que se ultrapasse a questão da possibilidade de dedutibilidade das citadas despesas, tornase necessário que a recorrente esclareça e demonstre com documentação hábil a existência dos referidos pagamentos. Tornase necessário, portanto, que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a Unidade preparadora tome as seguintes providências: 1) Intime a recorrente a elaborar demonstrativo dos itens objeto do contrato com a ORACORP efetivamente negociados/realizados, comprovando o seu efetivo pagamento, com documentação própria, e indicando os correspondentes lançamentos na sua escrituração contábil; 2) De posse do demonstativo e da documentação referida, conferir os lançamentos contábeis indicados e documentos apresentados pela recorrente e elaborar relatório sobre o demonstrativo, discriminando os motivos de aceitação e/ou rejeição da comprovação dos custos. Após elaboração do relatório, dar ciência a recorrente para que se manifeste no prazo de trinta dias. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento ern dilgiência.”. Por meio do Termo de Verificação Fiscal a fls. 951 e segs., a autoridade preparadora respondeu à diligência nos seguintes termos: “Durante o anocalendário de 2001 foram efetuadas 8 (oito) remessas a ORACORP, conforme demonstrativo apresentado pelo contribuinte (fls. 756 a 759), constatadas por esta fiscalização através do registro em Livro Diário e respectivos recolhimentos de DARF à aliquota de 15% sobre as operações. Os contratos de câmbio apresentados são aqueles efetuados junto ao Banco de Boston em agosto, setembro, outubro e novembro de 2001 (docs: 17, 20, 23 e 26). 0 contribuinte complementou a comprovação das remessas através dos extratos bancários do Citibank (fls. 792 a 793 e 808 a 809) e Bank of Boston (fls. 838 a 845), respectivamente, sob a rubrica câmbio e débito em operação de câmbio. Portanto, sem entrar no mérito se estas despesas efetuadas são royalties, direitos autorais, licenciamento de uso e/ou preços de transferência, dedutíveis ou não, podemos constatar que o contribuinte apresentou documentação hábil e idônea que comprova o custo com a taxa de sublicenciamento geral através de remessas ao exterior no total de R$ 110.330.785,01.”. Cientificada das conclusões da dilgência, a recorrente asssim se pronunciou (doc. a fls. 954 e segs.): Fl. 996DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 997 9 5. Conforme consta das respostas às intimações datadas de 15.5.2012 e 13.3.2013, a Requerente, no anocalendário de 2001, incorreu em despesas com direitos autorais à Oracorp no total de R$ 157.037.680,02, decorrentes da aplicação de 58% sobre sua receita liquida associada às operações com softwares, nos termos do Contrato de Distribuição. Sobre a remessa de tais despesas ao exterior, incide o IRF a uma aliquota de 15%, num total de R$ 29.530.573,63. Esse valor perfaz o total de R$ 186.568.262,65 apontado no Auto de Infração. 6. Ocorre que, conforme informado, a Requerente não remeteu todos esses valores exatamente no anocalendário de 2001, por uma simples questão de caixa, sendo que a parcela não remetida no anocalendário de 2001 foi remetida em anos posteriores, embora sejam referentes ao anocalendário de 2001. 7. No entanto, um total de R$ 110.330.785,01 foi remetido ao exterior para a Oracorp no anocalendário de 2001, conforme foi documentalmente e contabilmente provado pela Requerente nas respostas à intimação datadas de 15.5.2012 e 13.3.2013. A remessa para o exterior no valor de R$ 110.330.785,01 foi expressamente reconhecida pela Fiscalização no Termo de Verificacão Fiscal datado de 21.3.2013, conforme abaixo: "Portanto, sem entrar no mérito se estas despesas efetuadas so royalties, direitos autorais, licenciamento de uso e/ou pregos de transferência, dedutiveis ou não, podemos constatar que o contribuinte apresentou documentacão hábil e idônea aue comprova o custo com a taxa de sublicenciamento aeral através de remessas ao exterior no total de R$ 110.330.785,01" 8. A Requerente também apresentou documentação hábil e idônea que comprova o recolhimento do IRF incidente sobre tais remessas, sob a aliquota de 15%, comprovando um total de R$ 19.662.899,79 recolhidos a título de IRF. 9. Portanto, do total de R$ 186.568.262,65 questionado no Auto de Infração, a Requerente comprovou um total de R$ 129.993.684,80 (R$ 110.330.785,01 + R$ 19.662.899,79), valor esse que foi expressamente reconhecido pela Fiscalizacão no Termo de Verificação Fiscal de 21.3.2013, sendo, portanto, incontroverso, de modo que a parcela da exigência fiscal apurada sobre esses valores deve ser prontamente cancelada. (c) O valor não remetido no anocalendário de 2001 10. Conforme se infere da leitura do Termo de Verificação Fiscal de 21.3.2013, a Fiscalização não reconheceu a diferença de R$ 46.706.904,01 a titulo de remessa ao exterior e de R$ 9.867.673,84 a titulo de IRF incidente sobre essas remessas, em um total não reconhecido de R$ 56.574.577,85. 11. Ocorre que, conforme informado, essas despesas foram efetivamente incorridas no anocalendário de 2001 e apropriadas segundo o regime de competência no mesmo anocalendário, muito embora só tenham sido remetidas para o exterior em anoscalendários seguintes. 12. Portanto, a parte supostamente não comprovada pela Requerente representa despesas com direitos autorais de fato incorridas no anocalendário de 2001 decorrentes da aplicação de 58% sobre a receita liquida associada às operações com softwares sublicenciados da Oracorp apropriadas pelo regime de competência. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 998 10 13. Ocorre que a remessa de valores a titulo de direitos autorais para o exterior não é condição para a dedutibilidade dessas despesas pela Requerente. Nos termos do artigo 247 do Decreto no 3.000, de 26.3.1999 ("RIR/99"), o "lucro real é o lucro liquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este decreto". 14. O artigo 274 do RIR/99, por sua vez, dispõe que o cálculo do lucro liquido de cada período de apuração deve ser feito em observância à legislação comercial. Confirase: ... 17. Por conta disso, muito embora a Requerente, por uma questão de fluxo de caixa, não tenha remetido ao exterior no anocalendário de 2001 todas as quantias devidas a titulo de direitos autorais, certo é que essas quantias representaram despesas incorridas no anocalendário de 2001, de modo que devem ser incluídas no cálculo do lucro real desse mesmo anocalendário segundo determina o regime de competência. O fato de ter havido ou não a remessa dos recursos para o exterior em nada afeta a forma de contabilização e muito menos interfere na dedutibilidade da despesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por advogado com poderes para tal, conforme procuração a fls. 534, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, fazse mister delimitar a questão posta em julgamento. Sustenta a autuação que a operação prevista na clausula 5.1 do contrato entre a recorrente e sua controladora no exterior não é para aquisição de software e sim o sublicenciamento de programas, pelos quais a recorrente deve pagar uma Taxa de Sublicenciamento, o que qualifica como direito autoral. Vejamos, então como dispõe a aludida Cláusula 5.1, in verbis: 5.1. TAXAS DE SUBLICENCIAMENTO 5.1.A. Taxas de Sublicenciamento Geral Em contraprestação por cada Sublicenciamento de um Programa (inclusive quaisquer Modificações) concedido pela ORASUB ou por uma Subdistribuidora da ORASUB nos termos deste instrumento, a ORASUB pagará à ORACORP uma taxa igual àquela especificada na Parte I do Anexo 1. 5.1.B. Taxas de Sublicenciamento de Teste Para Sublicenciamentos de Teste pelos quais a ORASUB cobrou uma taxa a uma Sublicenciada ou Subdistribuidora, a Taxa de Licenciamento de Teste devida à ORACORP será conforme especificado na Parte 1 do Anexo 1. Se a Sublicenciada que receber um Sublicenciamento de Teste obtiver uma Sublicença perpétua, a Fl. 998DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 999 11 ORASUB poderá aplicar 100% (cem por cento) da Taxa de Sublicenciamento de Teste à Taxa de Sublicenciamento devida à ORACORP com relação a essa Sublicença perpétua. Sustenta a autuação que, em se tratando de direitos autorais, esses custos somente seriam dedutiveis desde que preenchidos os requisitos estabelecidos no parágrafo único do Art. 353 do RIR/99, logo, como a recorrente não cumpriu os requisitos estabelecidos no art. 353 do RIR/99, a despesa é indedutível. Vejamos, então, como dispõe os dispositivos citados: “Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): [...] III os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: b) pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto, observado o disposto no parágrafo único; [...] Parágrafo único. O disposto na alínea "b" do inciso III deste artigo não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, sejam averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei nº 8.383, de 1991, art. 50).” A recorrente, por sua vez, sustenta que como não há transferência de tecnologia (abertura do código fonte do software), o Contrato não se submete ao registro no INPI nem no BACEN. Então, as questões postas para serem dirimidas por este Colegiado são: a) o contrato em tela previa a transferência de tecnologia?; e b) ainda que não prevista, estava obrigado o seu registro no INPI e BACEN? Com relação à primeira questão, vale a transcrição das seguintes cláusulas do referido contrato (a fls. 211/212), in verbis: “2.4. DIREITOS DE PROPRIEDADE PROGRAMAS A ORACORP reterá todos os Direitos de Propriedade Intelectual nos Programas. Quaisquer Modificações nos Programas e na Documentação criadas pela ou para a ORASUB serão consideradas um trabalho produzido para ser alugado" nos termos da lei de direitos autorais dos Estados Unidos e serão de propriedade exclusiva da ORACORP. A ORACORP terá a titularidade de qualquer dessas Modificações, exceto em certas situações em que um cliente possa possuir Modificações segundo as Políticas Legais da ORACORP. A ORASUB neste ato cede à ORACORP todo o direito, titularidade e participação nas e os Direitos de Propriedade Intelectual relativos a qualquer dessas Modificações. A ORASUB se obriga a cooperar com a ORACORP ou sua designada e a assinar qualquer cessão adicional solicitada pela ORACORP e todos os documentos razoavelmente necessários para que a ORACORP ou sua designada assegure a proteção da Propriedade Intelectual nos países apropriados com relação a essas Modificações. A ORASUB fornecerá ORACORP cópias de todas as Modificações feitas pela ou para a ORASUB. A ORASUB fará com que seus funcionários e quaisquer terceiros dedicados ã Fl. 999DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1000 12 preparação de Modificações se obriguem por escrito aos termos contidos neste instrumento e não exerçam quaisquer direitos morais com relação a qualquer dessas Modificações. 2.5. TECNOLOGIA DESENVOLVIDA PELA ORASUB A ORACORP possuirá todo o direito, titularidade e participação nos Direitos de Propriedade Intelectual relativos a qualquer produto originalmente desenvolvido, adquirido ou licenciado pela ORASUB, inclusive todas as Modificações nesse produto criadas pela ou para a ORASUB ("Tecnologia da ORASUB"). Com relação à Tecnologia da ORASUB desenvolvida, adquirida ou licenciada a pedido da ORACORP, a ORACORP remunerará a ORASUB aplicável pela Tecnologia da ORASUB a titulo de serviços técnicos prestados segundo o Contrato Principal de Prestação de Serviços. A Tecnologia da ORASUB criada pela ou para a ORASUB será considerada um "trabalho produzido para ser alugado" nos termos da lei de direitos autorais dos Estados Unidos e será de propriedade exclusiva da ORACORP ou de sua designada. A ORASUB neste ato cede à ORACORP ou ã sua designada todo o direito, titularidade e participação nas e os Direitos de Propriedade Intelectual relativos à Tecnologia da ORASUB. A ORASUB se obriga a cooperar com a ORACORP ou sua designada e a assinar qualquer cessão adicional solicitada pela ORACORP e todos os documentos razoavelmente necessários para que a ORACORP ou sua designada assegure a proteção da Propriedade Intelectual nos países apropriados com relação a essa Tecnologia da ORASUB. A ORASUB fará com que seus funcionários e quaisquer terceiros dedicados à elaboração da Tecnologia da ORASUB se obriguem por escrito aos termos contidos neste instrumento e não exerçam quaisquer direitos morais com relação a qualquer parcela da Tecnologia da ORASUB. A ORASUB neste ato se obriga a divulgar e fornecer à ORACORP todos os detalhes relativos à Tecnologia da ORASUB, inclusive todos os desenvolvimentos, tecnologia, software, invenções, processos ou knowhow relacionado à mesma.”. Prima facie, tais cláusulas podem levar à conclusão de que há transferência de tecnologia pela controladora para a contralada no Brasil, para que esta possa promover as modificações de que tratam as cláusulas acima. Todavia, fazse necessário aprofundarmos na análise, para trazermos à baila o art. 211 da Lei 9.279/96, o qual assim dispõe: “Art. 211. O INPI fará o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. A decisão relativa aos pedidos de registro de contratos de que trata este artigo será proferida no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data do pedido de registro.”. Disso não desborda o art. 11 da Lei 9.609/98, posteriormente editada para disciplinar especificamente a proteção da propriedade intelectual de programa de computador e sua comercialização no País, se não vejamos: Art. 11. Nos casos de transferência de tecnologia de programa de computador, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial fará o registro dos respectivos contratos, para que produzam efeitos em relação a terceiros. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1001 13 Parágrafo único. Para o registro de que trata este artigo, é obrigatória a entrega, por parte do fornecedor ao receptor de tecnologia, da documentação completa, em especial do códigofonte comentado, memorial descritivo, especificações funcionais internas, diagramas, fluxogramas e outros dados técnicos necessários à absorção da tecnologia. Respondida, assim, parcialmente, a segunda questão posta, ou seja, somente os contratos que impliquem em transferência de tecnologia são, por lei, obrigados a serem registrados no INPI. Ocorre que, com base no disposto no art. 211 da Lei 9.279/96, o INPI divulga, na sua página da web1, o seguinte: “Quais são os serviços que não são caracterizados como transferência de tecnologia? Por não caracterizarem transferência de tecnologia, nos termos do Art. 211 da Lei nº 9.279/96, alguns serviços técnicos especializados são dispensados de averbação pelo INPI. Segue lista não exaustiva desses serviços: Agenciamento de compras, incluindo serviços de logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária, etc.); Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos; Homologação e certificação de qualidade de produtos; Consultoria na área financeira; Consultoria na área comercial; Consultoria na área jurídica; Consultoria visando participação em licitação; Serviços de marketing; Consultoria remota, sem a geração de documentos; Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador (software); Serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software); Licença de uso de programa de computador (software); Distribuição de programa de computador (software); Aquisição de cópia única de programa de computador (software).”[grifo nosso] Ora, a customização de um software significa introduzir modificações que o tornem aderente às necessidades particulares de uma empresa ou linha de negócio, como também um esforço de implementação. Da leitura das clásulas contratuais acima, não fica claro que as modificações possíveis de serem feitas no software vão mais longe do que uma mera customização, razão pela qual, concluo que a transferência de conhecimento para realizar modificações no software em tela não é considerada pelo INPI como transferência de tecnologia. Cabe, agora, perquirir se o contrato em tela estava obrigado a ser registrado no Banco Central do Brasil. Ora, essa exigência está expressamente prevista no art. 50 da Lei 8.383/91, o qual não a limita para as hipóteses em que há transferência de tecnologia, como foi feito por lei posterior para a averbação no INPI. Ao que me parece, tal exigência reside apenas 1 http://www.inpi.gov.br/portal/artigo/contrato_de_tecnologia_1351692514525#2 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1002 14 no fato de que o beneficiário do pagamento é residente no exterior. Logo, estaria correto o autuante que a despesa não seria dedutível, já que a recorrente não registrou o contrato no BACEN. Todavia, entendo que o enquadramento feito pelo autuante não está correto, pois é conferido o regime dos direitos autorais à propriedade de software, se não vejamos como dispõe o art. 2º da Lei 9.609/98, in verbis: “Art. 2º O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei.”. Ora, assim sendo, não há falar que a cláusula 5.1 do contrato esteja tratando de royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, como dispõe o inciso III do art. 353 do RIR/99 (citado no Termo de Constatação Fiscal), cuja base legal é a alínea “e” do art. 71 da Lei 4.506/64. Essa diferenciação entre os royalties exploração de direitos autorais e os royalties de pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio fica evidente no art. 22 da própria Lei 4.506/64, in verbis: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: (Vide DecretoLei nº 2.287, de 1986) a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploração de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Assim, por força do art. 2º da Lei 9.609/98, os royalties em tela se enquadram na hipótese da letra “d”do art. 22 da Lei 4.506/64, de tal sorte que a situação fática deveria ter sido enquadrada no inciso I do art. 353 do RIR/99, cuja base legal é a alínea “d” do art. 71 da Lei 4.506/64, o qual assim dispõe: “Art. 353. Não são dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; [...]” Ora, esse era o enquadramento legal que deveria ser dado pelo autuante à situação fática ora em julgamento, pois, se assim tivesse fundamentado o auto de infração, seria irrelevante a prova dos pagamentos providenciada por esta Turma de julgamento, já que os valores seriam indedutíveis. Todavia, o autuante insistiu que se tratava de aquisição de softwares não comprovadas, tanto que, no item 8 do TCF a fls. 304/305, faz seus considerandos para, então, aplicar o seguinte enquadramento legal: Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292 e 300, do RIR/99, se não vejamos: “7) Ocorre que as remessas efetuadas à matriz no período fiscalizado (Ano Calendário de 2001), como pagamento dessas taxas não foram realizadas nessas condições, ou seja, calculandose 58% (cinqüenta e oito por cento) sobre os valores líquidos das Receitas de Licenciamento e Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1003 15 Receitas de Suporte. Tais remessas foram efetuadas tendo por base os valores integrais das notas fiscais/faturas de prestação de serviços aos seus clientes emitidas nos Anos Calendários de 2000 e 2001 tomadas ao acaso e foram enviadas a titulo de pagamento pela "Aquisição de Softwares", tendo como recebedor no exterior a empresa "RSIB INC" e como beneficiário final a Matriz "Oracle Corporation" (exemplos em anexo). 8) Intimada, então, em 12/01/2006, a apresentar a documentação comprobatória das aquisições ou importações de software, bem como, os documentos comprovantes e os demonstrativos dos cálculos dos valores remetidos ao exterior e do IRFonte sobre essas remessas o Contribuinte: a) não apresentou os documentos comprobatórios das aquisições ou importações de software que se referem as remessas ao exterior efetuadas para a empresa ligada "Oracle Corporation" e computadas como custo na conta 3300101002 "Custos de Licença, Manutenção e Suporte", no valor de R$ 157.037.680,02 (Cento e cinquenta e sete milhões, trinta e sete mil, seiscentos e oitenta reais e dois centavos). b) Não apresentou, também, demonstrativo e nem toda a documentação que comprovasse o IRFonte sobre remessas ao exterior lançadas na conta 3300101003 "Despesas com IRFonte sobre Remessas", no valor de R$ 29.530.573,63 (vinte e nove milhões, quinhentos e trinta mil, quinhentos e setenta e três reais e sessenta e três centavos). Cabe acrescentar que mesmo apresentada a referida documentação mas desde que as remessas tenham sido efetuadas como pagamento pela aquisição de softwares o IRRF seria indedutivel visto incidirem sobre um custo enexistente. 9) De acordo com o Contrato de Distribuição (Cláusula 5 e Anexo 1) os valores passíveis de serem remetidos à sua Matriz referemse às taxas de Sublicenciamento de Programas e outras taxas como as sobre as Receitas de Suporte, ou seja, direitos autorais sobre programas conforme definido na cláusula 2.4 do referido contrato (Direito de Propriedade Intelectual) e novamente expressamente reconhecido pela Fiscalizada no Mandado de Segurança Preventivo relativo à CIDE (Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico) no Processo n° 2002.61.00.0223606, página 2, I Dos Fatos e ratificado pelo TRF da 3' Região na Certidão de Objeto e Pé de 22/04/2005 relativa à citada ação judicial. Assim sendo, os valores computados como custos na conta 3300101001 Custos de Licença de Uso, Manutenção e Suporte, no montante de R$ 157.037.680,02 (Cento e cinqüenta e sete milhões, trinta e sete mil, seiscentos e oitenta reais e dois centavos), bem corno, os valores contabilizados como custos na conta 3300101003 — Despesas com Imposto de Renda retido na Fonte sobre remessas, no montante de R$ 29.530.573,63 (Vinte e nove milhões, quinhentos e trinta mil, quinhentos e setenta e três reais e sessenta e três centavos), serão tributados como custos não dedutiveis na apuração do Lucro Liquido e do Lucro Real, bem como, na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido com fundamento nos Arts. 249, inciso 1, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292 e 300 do RIR 99. E, para constar e produzir os efeitos legais, lavramos o presente Termo em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal e do qual o Contribuinte receberá uma das vias. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1004 16 Ora, da leitura do trecho acima fica claro que a autuação se baseou na falta de apresentação de documentos comprobatórios da aquisição de software, logo, entendo que não pode essa instância julgadora, agora, assumir que não se trata de aquisição de softwares e mesmo assim manter o lançamento sobre a parte não comprovada, por se trata de evidente aperfeiçoamento do lançamento, o que extrapola a competência legal do CARF. Ademais, como já salientado, a situação ora tratada devia ter sido enquadrada no art.353, I, do RIR/99, o que tornaria a despesa/custo indedutível de plano. Diante de tal constatação, concluo que o lançamento deva ser cancelado, pois não cabe a esta instância julgadora determinar às autoridades lançadoras o critério jurídico que devam adotar no lançamento. Já que o Termo de Constatação Fiscal é parte integrante do lançamento tributário, como expressamente registrado no auto de infração, fica claro que foi adotado um critério jurídico, o qual, se alterado para atender às conclusões deste julgado, significaria um possível novo lançamento e não apenas uma correção de base de cálculo. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode determinar que se refaça o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente, mesmo porque, nessa hipótese, estaríamos determinando um novo lançamento. Por essas razões, entendo que não é o caso de se baixar o processo em diligência, mas de cancelamento do lançamento tributário. Caso vencido no mérito, passo a análise dos outros pontos de defesa. Em observância ao disposto na Súmula CARF nº 2 deixo de apreciar a questão relativa a abusividade da multa de ofício e, com base na Súmula CARF nº 4, deixo de mantenho a incidência dos juros de mora calculado pela taxa Selic. No que tange a questão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, renovo o pedido de vênia aos meus pares, para reproduzir, mutatis mutandis, voto que proferi na 1ª Turma da CSRF (acórdão nº 9101001.474), o qual foi acolhido pelo voto de qualidade. De plano, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ................................................................................................................" Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1˚ e 3˚ do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Com isso, já se desconstitui qualquer argumento de ofensa ao conceito de tributo do art. 3º do CTN. Por sua vez, não procede a alegação de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Realmente, à luz do caput do Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1005 17 art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do § 1˚ do art. 161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então, agora, verificarmos se a matéria foi realmente disciplinada no art. 30 da Lei n˚ 10.522/02. Para tanto, trago à colação tanto o art. 30 como o dispositivo a que ele se remete, in verbis: "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1˚ de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. ................................................................................................................... Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Surge de plano uma questão a ser dirimida, qual seja, se a remissão feita, pelo caput do art. 30, aos débitos referidos no art. 29, limitase ou não aos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é técnica legislativa que visa abreviar o texto legal, evitando repetições desnecessárias. Todavia, há que ser cuidadosamente analisada, pois não pode levar a uma interpretação desarrazoada, resultante da absorção puramente mecânica e literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que não se observa a lógica, a razão, é o despropósito. Logo, fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio anteriores a 1995 sofreriam a incidência da taxa SEL1C, enquanto que as multas posteriores sofreriam a incidência de outra taxa de juros. Assim, entendo que a melhor exegese levanos a concluir que a remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, mas, caso vencido no mérito, voto por manter os juros sobre a multa de ofício. Alberto Pinto Souza Junior Relator Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1006 18 Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. Entendeu o ilustre Relator que teria havido alteração no critério jurídico do lançamento, motivo pelo qual conduziu seu voto para o afastamento integral da exigência. Com a devida vênia, o exame dos autos aponta em outra direção. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 391/393) descreve os procedimentos do Fisco e as tentativas de identificar e comprovar a natureza e efetividade dos dispêndios de R$157.037.680,02, contabilizados como “Custos de Licença, Manutenção e Suporte”, e R$29.530.573,63, contabilizados como “Despesas com IRFonte sobre remessas”. Acerca da natureza dos custos, a resposta da então fiscalizada foi de que se trataria de aquisição de software para revenda no mercado brasileiro (vide resposta à intimação à fl 259). Por considerar que o contrato então apresentado não cuidava de aquisição de software, e que os demais documentos apresentados no curso da fiscalização, em resposta às diversas intimações (fls. 199, 201, 261), não seriam hábeis à comprovação da efetividade dos custos e despesas sob exame, foi lavrado o auto de infração aqui discutido. De se observar que o fundamento da autuação foi a falta da comprovação da efetividade dos custos/despesas, e que não há qualquer menção ao art. 353 do RIR/99 no Termo de Verificação Fiscal nem no auto de infração. Tão somente os artigos gerais sobre dedutibilidade de despesas, em especial o art. 300 do RIR/99. Na impugnação, o contribuinte altera o que havia afirmado durante o procedimento de fiscalização, e passa a sustentar que os valores glosados se referem ao pagamento de direitos autorais, e que o contrato não se submete ao registro no INPI e BACEN por não haver transferência de tecnologia. O julgador de primeira instância, entretanto, não obstante tenha tecido comentários sobre tratarse efetivamente de direitos autorais, manteve a autuação diante da falta de comprovação dos custos. Do voto condutor do acórdão recorrido (fl. 472) se extrai o parágrafo a seguir transcrito, esclarecedor sobre o fundamento da decisão de primeira instância, absolutamente coerente com o fundamento do lançamento. Intimado a comprovar, por meio de documentação hábil, os comprovantes e os demonstrativos dos cálculos dos valores remetidos ao exterior e do 1RFonte sobre essas remessas o Contribuinte, não logrou comproválas durante a fase inquisitória, conforme Termo de Constatação acima citado, ou mencionar que se referiam a remessa de DIREITOS AUTORAIS. Já na fase impugnatória não comprova ter remetido o percentual de 58% a que teria direito a ORACORP. Ao iniciarse o julgamento do recurso voluntário interposto, em um primeiro momento, o Colegiado sentiu a necessidade de complementação das informações dos autos. Assim, deliberou pela realização de diligência (Resolução nº 130200.027, de 04/11/2009, às fls. 751/761) para que “a recorrente esclareça e demonstre com documentação hábil a existência dos referidos pagamentos”, inclusive apontando a correspondência dos demonstrativos e documentos com os lançamentos contábeis (fl. 761). O contribuinte foi, então, intimado nestes termos (fl. 770). Elaborar demonstrativo dos itens objeto do contrato com a ORACORP efetivamente negociados/realizados, comprovando o seu efetivo pagamento, com documentação própria, e indicando os correspondentes lançamentos na sua escrituração contábil. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1007 19 A resposta (fls. 772 e segs, complementada posteriormente à fl. 855), a princípio, somente comprova as remessas no anocalendário 2001 (oito remessas, R$110.330.785,01 + R$19.662.899,79 de IRRF). Não traz o vínculo entre esses valores e as notas fiscais de licenciamento de software, calculando os 58% previstos em contrato. A AuditorFiscal encarregada da diligência insistiu (nova intimação à fl. 864), determinando que fossem discriminadas as bases das remessas. Nova resposta foi apresentada, à fl. 866 e segs. Desta feita foram discriminadas as bases e o cálculo dos 58% previstos contratualmente. Mas somente são comprovadas remessas de R$110.330.785,01 (com saldo remanescente (a remeter) de R$44.454.299,96), vide quadro à fl. 869. A AuditoraFiscal examinou as respostas e documentos apresentados, e elaborou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 951 e segs. Suas conclusões: foram comprovados custos com a taxa de sublicenciamento geral através de remessas ao exterior no total de R$110.330.785,01. A AuditoraFiscal não se refere ao saldo a remeter. Como se vê, desde o princípio as discussões giraram em torno da efetiva comprovação dos valores contabilizados como custos/despesas, a reduzir o resultado tributável. A discussão acerca da natureza dos gastos, se aquisição de softwares ou royalties, foi introduzida por iniciativa do contribuinte, na impugnação ao lançamento, mas não adquiriu maior relevância posto que, como visto, o acórdão recorrido não se valeu desse fundamento para sua decisão. O julgamento do presente recurso deve, então, seguir na mesma linha, ou seja, verificar se os custos/despesas glosados estão efetivamente comprovados nos autos. Para tanto, o demonstrativo do próprio contribuinte (fl. 869), validado pela diligência determinada por este Colegiado (fls. 951/952), contém as informações indispensáveis. Restam comprovados custos de R$154.785.084,97 com a taxa de sublicenciamento geral através de remessas ao exterior. Esse total corresponde a R$110.330.785,01 + R$44.454.299,96 (ou a R$119.400.891,90 + R$35.384.193,07). O saldo de R$35.384.193,07 trazido do AC 2000 seria mera postergação de despesa, sem efeito tributário, e pode ser deduzido. De se observar que não foi questionado pela AuditoraFiscal. O saldo remanescente de R$44.454.299,96, apesar de não remetido no anocalendário 2001, é claramente custo incorrido, dedutível segundo o regime de competência. Além do valor acima, também está comprovada despesa de R$19.662.899,79, correspondente ao imposto de renda na fonte incidente sobre os valores efetivamente remetidos no anocalendário 2001. Esclareçase que o imposto na fonte que viria a incidir sobre o saldo remanescente ao final do anocalendário 2001 não foi incorrido no encerramento do período de apuração, portanto indedutível. Chegase, assim, ao total de custos/despesas comprovados de R$174.447.984,76. Esse é o valor da glosa que deve ser afastada, conclusão que se estende ao lançamento reflexo de CSLL. Nos demais aspectos do litígio, a Turma acompanhou o voto do ilustre Conselheiro Relator. Por todo o exposto, a decisão do Colegiado foi no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para retirar do valor glosado o montante comprovado de R$174.447.984,76. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001744/200673 Acórdão n.º 1302001.316 S1C3T2 Fl. 1008 20 Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10940.002060/2008-66
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido.
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, decorrentes de revisão de benefícios previdenciários, deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 20 60 /2 00 8- 66 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.002060/200866 Acórdão n.º 2801003.613 S2TE01 Fl. 48 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Por meio de Notificação de Lançamento de fls. 09/12, exigese do contribuinte R$ 4.312,59 de imposto suplementar, R$ 3.234,44 de multa de oficio de 75% e R$ 545,97 de juros de mora sobre o imposto suplementar, calculados até junho de 2008. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 11, referese à constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica quando confrontado com o informado pela finte pagadora em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) ), na base de cálculo relativa ao exercício de 2007, anocalendário de 2006. Cientificado do lançamento em 07/08/2008 (fl.18), o contribuinte apresentou tempestivamente, em 03/09/2008, a impugnação de fls.01/05, instruída com os documentos de fls. 06/07, onde alega em síntese que: 1. Os rendimentos considerados omitidos são resultado de ação revisional movida contra o INSS, processo n° 2003.70.09.0118252, que buscou o recebimento de diferenças decorrentes do incorreto cálculo efetivado pelo órgão para deferimento de sua aposentadoria; 2. A jurisprudência sobre o assunto é pacifica no entendimento de que valores obtidos através de ações revisionais não são passíveis de tributação, pois, se tivessem sido pagas no momento oportuno, mês a mês não atingiriam o valor do imposto de renda (cita jurisprudência sobre o assunto); 3. Tais rendimentos tem natureza indenizatória, conseqüentemente não podem ser tributados. Ao final, requer: 1. Seja assegurado ao Impugnante o implemento de todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive admissão das provas documentais através de fotocópia do processo revisional, outras que surgirem na decorrência do trâmite processual, provas testemunhais cujo rol será apresentado oportunamente, provas periciais, etc; Fl. 48DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.002060/200866 Acórdão n.º 2801003.613 S2TE01 Fl. 49 3 2. ... que todos os atos administrativos interligados Notificação de Lançamento (sic) ora impugnado, doravante realizados, sejam acompanhados pelo impugnante; 3. Seja cancelada a presente notificação de lançamento.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 23/28, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos A tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. A incidência do imposto de renda abrange a renda e os proventos de qualquer natureza, independentemente da denominação da receita ou do rendimento, conforme previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional. Não estando relacionado em nenhuma das hipóteses legais de exclusão da incidência do imposto, há que se considerar tributável a percepção desta verba. ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. INTERPRETAÇÃO. A isenção necessita de previsão em lei especifica do ente político tributante (Constituição Federal de 1988, art. 150, § 6°) e a sua outorga deve ser interpretada literalmente (art. 111 do Código Tributário Nacional). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo Aquela objeto da decisão. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. PRECLUSÃO. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for causada pelos motivos especificados na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 49DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.002060/200866 Acórdão n.º 2801003.613 S2TE01 Fl. 50 4 Regularmente cientificado daquele Acórdão em 12/09/2011 (AR fl. 31), o interessado interpôs o recurso de fls. 32/37, em 13/10/2011. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. Conforme Resolução 2801000.199, às fls. 42/46, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988 é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE nº 614.406). Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação judicial movida contra o Instituto Nacional do Seguro Social, objetivando a revisão de benefícios previdenciários, e cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10940.002060/200866 Acórdão n.º 2801003.613 S2TE01 Fl. 51 5 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 51DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10665.722089/2011-60
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
ESPONTANEIDADE. MULTA REGULAMENTAR.
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TAXA SELIC.
A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
NOTIFICAÇÃO PRÉVIA.
A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1803-002.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 ESPONTANEIDADE. MULTA REGULAMENTAR. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1993; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 81 1 80 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.722089/201160 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.074 – 3ª Turma Especial Sessão de 13 de fevereiro de 2014 Matéria MULTA DACON Recorrente AVIVAR ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 ESPONTANEIDADE. MULTA REGULAMENTAR. A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. A teor da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. A teor da Súmula CARF nº 46, o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 20 89 /2 01 1- 60 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório AVIVAR ALIMENTOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Belo Horizonte (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de auto de infração para exigir multa regulamentar, no valor de R$ 29.306,57, aplicada em razão do atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON relativo a dezembro de 2007, que ocorreu apenas em 05/11/2009 (fl. 20). O auto de infração foi emitido eletronicamente em 04/07/2011, o que implica a data de intimação em 19/07/2011, conforme o art. 23, §2º, III, b, do Decreto nº 70.235, de 1974. O autuado apresentou, em 15/08/2011, a impugnação de fls. 2/9, que foi considerada tempestiva. Nessa sua peça de defesa, o contribuinte, em resumo, alegou que: i) a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação da penalidade, consoante art. 138 do CTN; ii) a Constituição Federal veda o tributo com efeito de confisco e que a multa excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e equidade; iii) a taxa Selic não pode ser aplicada para a atualização dos tributos, ante a natureza da taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização; iv) é necessária a notificação do contribuinte antes da imposição de multa; v) o valor que foi utilizado como base de cálculo da multa está incorreto. A DRJ Belo Horizonte (MG), por meio do acórdão nº 0241.611, de 29 de novembro de 2011(fls. 56), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 DACON. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa por atraso na entrega. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.722089/201160 Acórdão n.º 1803002.074 S1TE03 Fl. 82 3 Ciente dessa decisão em 13/12/2011, por meio de remessa postal (fl. 32), o autuado apresentou recurso voluntário em 11/01/2012 (fls. 33/43), em que afirma que a decisão de primeira instância não analisou a alegação de erro material quando do cálculo da multa aplicada e que a simples análise do Dacon é suficiente para verificar que o valor lá informado é de R$ 147.690,28 e não de R$ 293.065,70, o que causou o erro da determinação do valor exigido. Ademais, reafirma os argumentos apresentados na impugnação. A presente Turma de Julgamento entendeu que a decisão recorrida deixou de apreciar a alegação de erro material no cálculo da multa exigida e a anulou, para que outra fosse proferida e também fossem anexados os documentos que deram suporte à decisão atacada, conforme o Acórdão nº 1803001.581, de 7 de novembro de 2012 (fls. 46/49). Retornando o processo à DRJ Belo Horizonte (MG), está prolatou o Acórdão nº 0241.611, de 29 de novembro de 2011 (fls. 56/60), em que afirma, in verbis: Data vênia, não houve preterição do direito de defesa, pois os documentos que deram suporte à decisão são declarações do próprio contribuinte. Em atendimento ao acórdão do CARF, foram anexados ao processo: Dacon, fls. 55 e DCTF, fls. 54. A informação do valor em DCTF prestase apenas a confirmar o valor da contribuição apurada no Dacon. No Dacon, os valores são apurados. Na DCTF, confessados para posterior pagamento. Por obvio que os valores devem ser iguais. Quanto ao mais, repete os termos da decisão anulada. Cientificado da novel decisão em 17/01/2013, o contribuinte volta à carga, no bojo de novo recurso voluntário encontrado às fls. 66/77, apresentado em 13/02/2013. Nesse giro, o recorrente afirma que a nova decisão do julgador a quo não supre ou corrige a falha que ensejou a anulação da primeira decisão, permanecendo o erro material na formulação da exigência e o cerceamento do seu direito de defesa. Ademais, repete os argumentos já apresentados na impugnação e no primeiro recurso voluntário. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. I. ERRO MATERIAL O recorrente alega que existe um erro no cálculo do valor da multa exigida. Afirma que o valor declarado no Dacon foi R$ 147.690,28 e é este que deve ser usado como base para o cálculo da multa, não o valor utilizado no auto de infração, de R$ 293.065,70. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Todavia, o auto de infração em análise diz respeito ao Dacon referente a dezembro de 2007 e a DRJ/Belo Horizonte fez juntar, às fls. 55, o referido Dacon, em que consta o valor devido de R$ 293.065,70, a título de COFINS, declarado pelo contribuinte. Por seu turno, o contribuinte, em nenhum momento desse processo, fez juntar qualquer documento que comprovasse a sua afirmação quanto ao valor declarado. Assim, conforme os documentos acostados nos autos, o valor exigido foi calculado corretamente. Portanto, o argumento do recorrente quanto ao suposto vício material carece de fundamento fático. II. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O recorrente afirma que a nova decisão da DRJ/Belo Horizonte não supriu a falta de apreciação de alegado erro material, ocorrido na sua primeira decisão, o que estaria causando cerceamento do seu direito. Entendo de forma diversa, pois a decisão guerreada nega a ocorrência do vício material quando afirma que o valor utilizado como base para o cálculo da multa é aquele declarado pelo contribuinte, tanto no Dacon em tela quanto na correspondente DCTF. Esses documentos foram juntados pela DRJ/Belo Horizonte nas fls. 55 e 56. Ademais, a questão fática em tela é o correto valor declarado pelo contribuinte em seu Dacon e, quanto a isso, o debate foi exaurido de ambas as partes e demonstrada a corretude do lançamento, não se vislumbrando qualquer prejuízo para a possibilidade de argumentação do interessado. Assim, afastase também essa preliminar. III. ESPONTANEIDADE O contribuinte entende que a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação de penalidade, consoante art. 138 do CTN. Todavia, a denúncia espontânea prevista no dispositivo legal supracitado aplicase somente em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias, como o presente caso de multa pelo atraso na entrega de declarações. Esse entendimento foi pacificado na presente Corte por meio da Súmula CARF nº 49, que tem o seguinte enunciado: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Também se afasta essa alegada excludente de ilicitude. IV. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.722089/201160 Acórdão n.º 1803002.074 S1TE03 Fl. 83 5 O recorrente afirma que a Constituição Federal veda o tributo com efeito de confisco e que a multa excessivamente onerosa fere os princípios da proporcionalidade e da equidade, o que tornaria inconstitucional a multa a ele aplicada. O recorrente não questiona a existência de previsão legal para a multa aplicada. Portanto, ao afirmar a inconstitucionalidade da multa está, na verdade, afirmando a inconstitucionalidade da lei que a prevê. Todavia, é defeso ao colegiado julgador administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Esse entendimento também foi pacificado na jurisprudência administrativa, por meio da Súmula CARF nº 02, que tem o seguinte enunciado: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. V. TAXA SELIC O recorrente também se levanta contra a aplicação da taxa Selic para a atualização de tributos, considerando a natureza dessa taxa e a ausência de lei que fixe sua utilização. Todavia, a aplicação da taxa Selic para o cálculo de juros sobre créditos tributários tem previsão expressa no artigo 13 da Lei nº 9.065, de 1995, o que levou este Tribunal Administrativo a pacificar seu entendimento na Súmula CARF nº 04, que tem o seguinte enunciado: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. VI. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA Por fim, o recorrente propugna pela necessidade de notificação prévia do contribuinte, como elemento preparatório da imposição de multa. A notificação prévia para a exigência de multa por atraso na entrega de declaração seria, no meu ver, antijurídica, na medida em que careceria de razoabilidade. Conforme as normas tributárias, o auto de infração em tela é gerado eletronicamente pelo mesmo software que gera a declaração, no exato momento de sua transmissão à Administração Tributária. Isso é possível porque o atraso é infração de conhecimento imediato, no momento da referida transmissão. Portanto, não há motivo suficiente para se criar um procedimento intermediário de notificação. Também não haveria proveito algum para as partes, sob o aspecto jurídico, nem para a sociedade. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 O contribuinte traz elementos retóricos para defender a sua posição, mas deixa de apresentar qualquer fundamento legal para a sua tese. Por outro lado, a jurisprudência também pacificou essa questão, no sentido de afirmar a desnecessidade dessa notificação, conforme a Súmula CARF nº 46, que tem o seguinte enunciado: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Assim, também afasto esse argumento. VII. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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