Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,598)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,091)
- Primeira Turma Ordinária (16,013)
- Primeira Turma Ordinária (15,954)
- Primeira Turma Ordinária (15,925)
- Segunda Turma Ordinária d (15,763)
- Segunda Turma Ordinária d (14,358)
- Primeira Turma Ordinária (12,992)
- Primeira Turma Ordinária (12,358)
- Segunda Turma Ordinária d (12,326)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,397)
- Quarta Câmara (84,499)
- Terceira Câmara (66,899)
- Segunda Câmara (55,190)
- Primeira Câmara (19,766)
- 3ª SEÇÃO (16,091)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,685)
- Segunda Seção de Julgamen (113,914)
- Primeira Seção de Julgame (76,113)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,761)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,361)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,712)
- HELCIO LAFETA REIS (3,569)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,209)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,921)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,661)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,087)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,916)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,470)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,442)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10665.001026/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. ATO DE CONTROLE INTERNO DA ADMINISTRAÇÃO.
Consoante entendimento majoritário nesta Turma, o Mandado de Procedimento Fiscal é ato de controle interno da Administração, cuja ausência não torna nula os atos do processo, sobretudo quando não houve prejuízo ao contribuinte, com a ressalva do entendimento do Relator.
AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO AO CONTRIBUINTE. ENTREGA DOS DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. DESNECESSIDADE.
A legislação determina que os documentos que embasaram o lançamento de ofício sejam juntados aos autos de processo, não sendo necessário entregá-los ao contribuinte no momento em que se comunica a lavratura do auto de infração.
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Encontra-se adequadamente fundamentado o auto de infração que apresenta todos os dispositivos legais que embasaram a convicção fiscal.
PREJUÍZO FISCAL. LUCRO LÍQUIDO. LIMITE DE 30% DE REDUÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei que limita o valor do prejuízo fiscal que pode ser deduzido do lucro líquido (súmula n. 2 do CARF), muito embora este Conselho tenha pacificado pela sua constitucionalidade (súmula n. 3 do CARF).
IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM.
A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR INFRAÇÕES. CARÁTER OBJETIVO. BOA-FÉ. IRRELEVÂNCIA.
É irrelevante a boa-fé da contribuinte para fins de determinar a sua responsabilidade tributária por infrações, bem como para balizar o percentual da multa aplicado, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1302-001.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Cristiane Costa que cancelavam o lançamento relativo à multa isolada.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. ATO DE CONTROLE INTERNO DA ADMINISTRAÇÃO. Consoante entendimento majoritário nesta Turma, o Mandado de Procedimento Fiscal é ato de controle interno da Administração, cuja ausência não torna nula os atos do processo, sobretudo quando não houve prejuízo ao contribuinte, com a ressalva do entendimento do Relator. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO AO CONTRIBUINTE. ENTREGA DOS DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. DESNECESSIDADE. A legislação determina que os documentos que embasaram o lançamento de ofício sejam juntados aos autos de processo, não sendo necessário entregá-los ao contribuinte no momento em que se comunica a lavratura do auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Encontra-se adequadamente fundamentado o auto de infração que apresenta todos os dispositivos legais que embasaram a convicção fiscal. PREJUÍZO FISCAL. LUCRO LÍQUIDO. LIMITE DE 30% DE REDUÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei que limita o valor do prejuízo fiscal que pode ser deduzido do lucro líquido (súmula n. 2 do CARF), muito embora este Conselho tenha pacificado pela sua constitucionalidade (súmula n. 3 do CARF). IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR INFRAÇÕES. CARÁTER OBJETIVO. BOA-FÉ. IRRELEVÂNCIA. É irrelevante a boa-fé da contribuinte para fins de determinar a sua responsabilidade tributária por infrações, bem como para balizar o percentual da multa aplicado, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10665.001026/2007-90
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352446
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-001.265
nome_arquivo_s : Decisao_10665001026200790.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO
nome_arquivo_pdf_s : 10665001026200790_5352446.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Cristiane Costa que cancelavam o lançamento relativo à multa isolada. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
id : 5484090
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815204442112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 559 1 558 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.001026/200790 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.265 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de dezembro de 2013 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente DIVINOPOLIS DIESEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. ATO DE CONTROLE INTERNO DA ADMINISTRAÇÃO. Consoante entendimento majoritário nesta Turma, o Mandado de Procedimento Fiscal é ato de controle interno da Administração, cuja ausência não torna nula os atos do processo, sobretudo quando não houve prejuízo ao contribuinte, com a ressalva do entendimento do Relator. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO AO CONTRIBUINTE. ENTREGA DOS DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS. DESNECESSIDADE. A legislação determina que os documentos que embasaram o lançamento de ofício sejam juntados aos autos de processo, não sendo necessário entregálos ao contribuinte no momento em que se comunica a lavratura do auto de infração. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Encontrase adequadamente fundamentado o auto de infração que apresenta todos os dispositivos legais que embasaram a convicção fiscal. PREJUÍZO FISCAL. LUCRO LÍQUIDO. LIMITE DE 30% DE REDUÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei que limita o valor do prejuízo fiscal que pode ser deduzido do lucro líquido (súmula n. 2 do CARF), muito embora este Conselho tenha pacificado pela sua constitucionalidade (súmula n. 3 do CARF). IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 10 26 /2 00 7- 90 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 2 A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR INFRAÇÕES. CARÁTER OBJETIVO. BOAFÉ. IRRELEVÂNCIA. É irrelevante a boafé da contribuinte para fins de determinar a sua responsabilidade tributária por infrações, bem como para balizar o percentual da multa aplicado, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Cristiane Costa que cancelavam o lançamento relativo à multa isolada. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), CRISTIANE SILVA COSTA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 560 3 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração em razão de revisão da declaração de imposto de renda do anocalendário de 2004, quando verificouse deduções indevidas de retenções/antecipações de imposto não comprovadas e suposta omissão de receitas por parte da recorrente, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 299.582,92), CSLL (R$ 1.680,03) (fl. 05/11). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Termo de Verificação Fiscal (fl. 27/35): (i) Que a recorrente apurou estimativa mensal de IRPJ nos meses de agosto a setembro de 2004. Deste valor, deduziu indevidamente valor não comprovado a título de IRRF. Intimada a comprovar o IRRF utilizado para deduzir a estimativa, foram apresentados documentos que comprovaram parcialmente o valor deduzido; (ii) Que alegou a recorrente que o imposto de renda apurado por estimativa em 2004 foi compensado com o IRPJ a compensar originários dos períodos base de 1992 a 1998. O fiscal observou que não houve nenhum lançamento contábil que registrasse tais compensações e que, após MP 66/2002, seria necessária a entrega da Declaração de Compensação; (iii) Aponta o fiscal que os créditos de IRPJ a compensar dos anoscalendário de 1992 a 1998 foram objeto de pedido de compensação com outros débitos no auto n.º 10665.001297/9929; (iv) Assim, a partir da estimativa mensal devida, deduzindo o IRRF comprovado do ano de 2004, apurouse estimativa de IRPJ não recolhidas, conforme “quadro 01” (fls. 29), referente a setembro a dezembro de 2004. (v) O fiscal efetuou o lançamento de multa de isolada (art. 44, §1º, inc. IV, L. 9430/96); (vi) Relativamente ao IRPJ apurado no ajuste anual, a recorrente informou em sua DIPJ (ficha 12A) que o débito apurado foi integralmente deduzido com o valor IRRF recolhido antecipadamente (no valor de R$ 143.059,40). Por isto, foi também intimada a apresentar comprovantes do IRRF utilizados para deduzir o IRPJ a pagar; (vii) Que da análise das DIRF do ano de 2004 (fls. 183/201), em que consta a recorrente como beneficiário dos rendimentos, verificase que os valores retidos em 2004 (R$ 31.719,86) são bem inferiores ao valor deduzido pela recorrente em sua DIPJ; Fl. 561DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 4 (viii) Que a escrituração da recorrente demonstra que nao foi recolhido o IRPJ apurado no ajuste anual (R$ 143.059,40) em função das retenções do Imposto de Renda ocorridas nos anos de 1992 a 1998 (fls. 207/229); (ix) Que a recorrente foi cientificada sobre a duplicidade da utilização do crédito citado (fls. 131/165), uma vez que os valores de IRRF dos anos de 1992 a 1998 já foram utilizados no processo n.º 10665.001297/9929. Nessa oportunidade, foi solicitado que a recorrente (a) justificasse a utilização em duplicidade dos créditos apurados em 1992 a 1998; (b) manifestarse sobre a pretensão de deduzir o IRRF retido em 2004 do débito de IRPJ apurado no ajuste anual de 2004 e da estimativa mensal; (c) apresentar declaração, se for o caso, os valores do IRRF no ano de 2004 que não foram utilizados para compensação com outros débitos; (x) Que em sua resposta (fls. 173/181) a recorrente alegou que a utilização de créditos em duplicidade se deu por falha de comunição entre o contador anterior (que fez o primeiro pedido de compensação) e o atual contador (que fez o pedido dúplice), pois o último não teve acesso nem conhecimento do pedido de restituição anteriormente apresentado, já que os valores estavam ainda no ativo da empresa. Em razão disto, deuse a dupla compensação; (xi) Quando o IRRF retido em 2004, a recorrente sustentou que pretende vê lo deduzido da estimativa mensal de IRPJ e do ajuste anual, pois não houve a compensação até aquele momento. Assim, o AFRFB substituiu o valor do IRRF informado pela recorrente (R$ 143.059,40) pelo valor do IRRF comprovadamente retido em 2004 (R$ 31.719,86), o que demonstrou a compensação indevida de R$ 111.339,54; (xii) Que verificou ainda que a recorrente deixou de contabilizar receitas financeiras (rendimentos em aplicações de renda fixa), conforme DIRF das fontas pagadoras (fls. 185/199) e comprovantes apresentados pela recorrente (fls. 99/101), sendo apurado diferenças de IRPJ e CSLL, lançadas de ofício; (xiii) Como a recorrente apresenta saldo de Prejuízos Fiscais a Compensar, bem como Base de Cálculo Negativa da CSLL, foi concedida a compensação até o limite de 30% das últimas infrações apuradas. Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência do auto de infração em 14/11/2007 (fl. 315). Na sequência, apresentou impugnação em 10/12/2007 (fl. 315/431), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fl. 437/471): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2004. FALTA DE PAGAMENTO DE ANTECIPAÇÃO MENSAL. Verificada a falta de pagamento de antecipação mensal por estimativa, cabe exigir a multa isolada, que incidirá sobre o valor não recolhido. IRRF DEDUÇÃO DO IRPJ DEVIDO. Somente é dedutível na apuração do IRPJ devido o IRRF que o contribuinte comprovar que foi efetivamente retido de seus rendimentos incluídos na base de cálculo do tributo. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 561 5 OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras integram a base de cálculo da CSLL e do IRPJ para efeito de apurar o montante do tributo devido. Lançamento Procedente Intimada da decisão supratranscrita em 06/02/2009 (fl. 483), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 04/03/2009 (fl. 487/505), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Que não houve a instauração do Mandado de Procedimento Fiscal, em desrespeito ao princípio da vinculabilidade do ato administrativo e às disposições das Portarias SRF n.º 1265/99 e 6087/05; (ii) Que há contradição nas afirmações da DRJ, pois, em primeiro momento, alega que o art. 9o do Dec. 70.235/72 não determina que seja entregue uma “cópia da documentação comprobatória [do ilícito praticado] com o lançamento”. Na sequência, afirma que “todos os elementos de prova indispensáveis seja instruídos com o auto de infração” (fls. 491). No entanto, segundo a recorrente, todos os documentos comprobatórios são indispensáveis. Assim, alega que o auto não foi instruído com os elementos de prova necessários, em afronta ao Dec. 70.235/72; (iii) Que houve erro de subsunção do fato à norma, pois o item 2 do auto de infração determina a aplicação do art. 11, §3º, da Lei 9249/95, o qual remete aos artigos 76 e 77, da Lei 8981/95, e seus vários incisos, sem que haja a referência exata a que se fundamenta o lançamento, não encontrando a recorrente o motivo e a causa de sua acusação fiscal; (iv) Que é ilegal a cobrança de CSLL e IRPJ sobre as receitas financeiras sem observar a compensação integral do prejuízo fiscal apresentado pela recorrente; (v) Que a DRJ limitouse a alegar impossibilidade de discutir a inconstitucionalidade da limitação em 30%, instituída pelo art. 42, da Lei 8.981/95 e pelo art. 15, da Lei n. 9.065/95; (vi) Juntou julgado do CARF onde a limitação de 30% na compensação de prejuízos é afastada; (v) Que a aplicação da multa isolada (50%) e da multa de ofício (75%) caracteriza o bis in idem, como já se manifestou o CARF; (vi) Que diante da demonstração de boafé da recorrente, não deveria ser aplicada multa no valor de 75%, com fulcro no art. 112, do CTN; (vii) Que em virtude do princípio da capacidade econômica e a vedação ao confisco, princípios constitucionais, deve haver revisão, anulação, e ou redução/graduação da multa imposta ao contribuinte. É o relatório. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 6 Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da Ausência de MPF Neste ponto, a recorrente alega que a fiscalização não esteve acobertada pelo Mandado de Procedimento Fiscal, consoante exigem as Portarias SRF n. 1265/99 e 6087/05. De início, anoto que a primeira intimação foi expedida em 08/06/2007 (fls. 39). Ao tempo dos fatos, vigia a Portaria RFB n. 4.066/2007, que exigia a expedição da MPF nos procedimentos de fiscalização e diligência, observese: Dos Procedimentos Fiscais Art. 2 º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD).(grifo não original) Ocorre que o art. 11 da mesma Portaria RFB n. 4.066/2007 dispensava a expedição de MPF nos seguintes casos, com a importante ressalva do seu parágrafo único: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização:[...] IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais); [...] Parágrafo único. Na hipótese de realização de diligência, em decorrência dos procedimentos fiscais de que trata este artigo, deverá ser emitido MPFD. (grifo não original) O caso em tela teve início por meio do Termo de Intimação Fiscal datado de 08/06/2007, que objetivava realizar “procedimento de revisão da DIPJ [...], ano(s) calendário de 2004” (fls. 39). Este ato exigiu que fossem entregue documentos como LALUR, cópia do contrato social, balanços mensais de suspensão e redução, balancetes contábeis mensais, comprovantes de retenção de IRRF e de pagamento de IRPJ e CSLL, de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Exigiu ainda que ficassem a disposição para análise no estabelecimento da recorrente o livro diário e razão. Por fim, exigiu outras informações (existência de Dcomp, Fl. 564DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 562 7 ações judiciais e indicação de pessoa para contato durante a fiscalização). Neste ponto, o objeto recursal se limita a discutir a necessidade de MPF. Compulsando os autos, verificase que o AFRFB entendeu que os atos de revisão não exigem a expedição de MPF. É o que se percebe da seguinte passagem do “Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo”, que é acompanhada de uma nota provavelmente lançada pelo AFRFB (fl. 3): Ao que parece, o AFRFB seguiu o que consta no supramencionado art. 11, inc. IV, da Portaria RFB n. 4.066/2007. Todavia, deixou de observar o parágrafo único do mesmo dispositivo, que exige a expedição de MPFD caso sejam necessárias diligências em razão dos procedimentos de revisão de declaração. Neste contexto, o ato normativo administrativo defini “diligência” da seguinte forma: Art. 3 º Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal:[...] II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive em meio digital. (grifo não original) Portanto, não há dúvidas que a presente situação exige a expedição de MPF, o que não foi expedido/solicitado pelo AFRFB, fato que, para este Conselheiro, tem o condão de tornar nula toda a fiscalização praticada, por inobservância dos procedimentos exigidos pela própria Receita Federal do Brasil, pois se trata de ato vinculado (princípio da legalidade), cuja exigência faz nascer um novo requisito para a realização do princípio do devido processo legal na esfera do direito processual administrativo tributário. Todavia, esta Turma, por maioria, entende que o MPF é ato de controle interno da RFB, cuja ausência não importa nulidade do procedimento fiscal, nos termos do entendimento dominante, inclusive, no Conselho, observese: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 NULIDADE. MPF. DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. FALTA DO ENVIO AO CONTRIBUINTE. MERA IRREGULARIDADE. NATUREZA DO MPF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A falta de fornecimento do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não é causa de nulidade do lançamento, dada a natureza de instrumento de controle interno do MPF e a ausência de prejuízo na defesa da recorrente. (CARF. Acórdão 1801001.722. Cons. Roberto Massao Chinen. Sessão 05/11/2013). Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INEXISTÊNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE Fl. 565DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 8 NO LANÇAMENTO. Conforme entendimento jurisprudencial já fixado neste Eg. Conselho, a presença de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal, ou mesmo a sua inexistência, não possuem o condão de ensejar o reconhecimento da nulidade do lançamento, por se tratar de mero instrumento de controle administrativo. (...) (CARF. Acórdão 2402003.304. Cons. Lourenço Ferreira do Prado. Sessão 24/01/2013). IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF não se constitui ato essencial à validade do lançamento, de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei. Questões ligadas ao descumprimento do objetivo do MPF devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tornam nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do artigo 142 do CTN. (...) (CARF. Acórdão 2101 001.784. Cons. José Raimundo Tosta Santos. Sessão 14/08/2012). Sob meu ponto de vista, o entendimento está equivocado, pois os atos normativos não deixam dúvidas de que o MPF é condicionante da validade da fiscalização praticada pelo AFRFB. Da análise dos requisitos do MPF, depreendese que este tem também o objetivo de dar efetividade ao princípio da segurança jurídica e da previsibilidade dos atos da Administração Pública, pois devem ser informado previamente ao fiscalizado o seguinte (Portaria RFB n. 4066/07): Art. 7 º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso anterior; VII o nome, a matrícula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII o código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF.[...] Notese que as informações que devem ser prestadas ao fiscalizado transbordam, em muito, os limites do simples controle administrativo dos atos do AFRFB. Em última análise, fosse este um documento destinado ao mero controle interno, não haveria a necessidade de entregálo ao fiscalizado. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 563 9 Em suma, entendo que o MPF busca garantir a publicidade dos atos de fiscalização, em cumprimento ao que determina o art. 37 da CRF/88. Tanto é assim que a Lei n. 10.174/01, pretendendo incluir o §3oA no art. 11 da Lei n. 9.311/96 para regulamentar o dever de autorização de fiscalização da SRF, foi vetado sob a seguinte fundamentação: Ademais, a partir da instituição do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, por meio da Portaria SRF no1.265, de 22 de novembro de 2000, o cumprimento daqueles princípios [moralidade, legalidade, sigilo funcional e fiscal] passou a ter total transparência, pois, ao contribuinte submetido à ação fiscalizadora da Receita Federal é assegurado, desde o início do procedimento, o pleno conhecimento do objeto e da abrangência da ação, em especial em relação aos tributos e períodos a serem examinados, com fixação de prazo para a sua execução, além de possibilitar a certificação da veracidade do MPF por intermédio da Internet. Entretanto, como dito acima, esta Turma tem entendimento majoritário em sentido diverso, motivo pelo qual curvome ao entendimento majoritário com vistas a tornar mais célere o processamento dos reclamos dos contribuintes, com a ressalva de meu entendimento pessoal. Dessa forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário neste ponto. 2. Dos Documentos Comprobatórios que Embasaram o Lançamento A recorrente alega que não recebeu junto com a cópia do auto de infração os documentos que comprovam a prática dos ilícitos a ela imputados, o que afronta o art. 2o, inc. III, c.c. art. 4o, inc VII, c.c. art. 12, inc. II, todos do Código de Defesa do Contribuinte de Minas Gerais (Lei Estadual n. 12.515/00). Haveria inobservância, também, ao art. 9o do Dec. 70.235/72, segundo o qual “a exigência do crédito tributário [...] deverá ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. O argumento não prospera. De início, afasto a tentativa de aplicar o Código de Defesa dos Contribuintes do Estado de Minas Gerais, uma vez que tal ato representaria indevida ingerência do Estado de Minas Gerais nos interesses da União caso se admitisse que aquele possa criar obrigações para este. No que diz respeito ao art. 9o do Dec. 70235/72, a interpretação feita pela recorrente está equivocada, pois não há necessidade de que seja entregue ao contribuinte todos os documentos que fundamentam o auto de infração quando este é notificado do lançamento. Na verdade, o dispositivo exige que conste nos autos (no processo) tais informações, observe se: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (grifo não original) Fl. 567DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 10 Ao contribuinte deve ser dado ciência sobre a lavratura do auto de infração. Após, este poderá ter conhecimento dos documentos que embasaram o lançamento de ofício por meio da consulta dos autos do processo administrativo. Esta é a determinação legal pelo fato de que a legislação pressupor que o procedimento fiscal correu de forma pública (pelo menos em face do contribuinte). Assim, não há que se falar em ofensa ao contraditório e à ampla defesa, até porque o contribuinte teve, de fato, acesso franqueado aos autos do processo, não havendo prejuízo a ser reclamado. Portanto, neste ponto, o recurso voluntário não merece prosperar, razão pela qual voto por negar provimento. 3. Do Erro na Indicação do Fundamento Legal do Auto de Infração Em resumo, a recorrente alega que o AFRFB fundamentou seu auto de infração no art. 11, §3o, da Lei n. 9.249/95. Ocorre que o referido dispositivo remete aos arts. 76 e 77 da Lei n. 8.981/95, os quais possuem “inúmeros dispositivos” (fls. 339), o que resulta em prejuízo para a defesa, a qual, se fosse contraditar todos os incisos e parágrafos, “obedeceria critérios e linhas de raciocínios diferentes” (fls. 343). Logo, considerando que o lançamento é ato vinculado, “houve erro de direito da autoridade administrativa quanto ausência de fundamentação legal” (fls. 349). De início, anoto que a referência ao dispositivo legal consta no auto de infração do IRPJ (fls. 5 e ss), fundamentando especificamente o item 2 (deduções indevidas de retenções/antecipações de imposto não comprovadas falta de recolhimento do IRPJ ajuste anual por dedução a título de IRRF não comprovada), no qual há também menção aos seguintes artigos (fls. 9/11): Item 2 do Auto de Infração do IRPJ Arts. 231, inciso III, e 943, § 2°, do RIR/99. A referência também é feita no item 3 do auto de infração do IRPJ (multas isoladas falta de recolhimento do IRPJ estimativa mensal por dedução a título de IRRF não comprovada multa isolada), no qual há também menção aos seguintes artigos (fl. 11): Item 3 do Auto de Infração do IRPJ Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n ° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66; Arts. 231, inciso III, e 943, § 2 ° , do RIR/99; No caso do item 2, os dispositivos do RIR demonstram que é possível a dedução do IRRF do imposto apurado anualmente, desde que comprovada de sua retenção. No caso do item 3, tratase da fundamentação legal da multa isolada no caso de não pagamento das estimativas mensais. Portanto, ainda que se admitisse a procedência dos argumentos da recorrente, temse que os demais dispositivos que o AFRFB incluiu no auto de infração supririam a suposta ausência de fundamentação, o que permitiria (como de fato permitiu) a ampla defesa e o contraditório. Portanto, é desnecessário aprofundar nas reclamações da recorrente. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 564 11 Neste ponto, nego provimento ao recurso voluntário. 4. Da incidência de IRPJ e CSLL sobre Receitas Financeiras sem a Compensação Integral do Prejuízo Fiscal (trava de 30%). A recorrente alega a inconstitucionalidade da limitação de 30% na utilização do prejuízo fiscal para fins de reduzir o lucro líquido e determinar o lucro real, consoante determinam o art. 42, da Lei 8.981/95 e pelo art. 15, da Lei n. 9.065/95. Como acontece em defesas dessa natureza, a insurgência ataca a previsão abstratamente imposto pela lei. Isto significa que a procedência do recurso implicaria afastar uma lei vigente, o que somente poderia ser feito caso houvesse vício de inconstitucionalidade reconhecido por uma das formas previstas no art. 26A, §6º, Dec. 70.235/72. Ocorre que, por força da competência deste Conselheiro e do próprio CARF, tal provimento não é possível, nos termos dispostos pela súmula n. 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vale consignar que outro seria o tratamento jurídico caso fosse ventilado o desajuste entre a previsão abstrata da lei e a aplicação desta pelo agente fiscal, reclamo que se inseriria perfeitamente na competência deste Conselho (art. 1o, do Anexo I da Portaria MF n. 256/2009 – RICARF). Ademais, este Conselho tem também súmula admitindo a aplicação do referido percentual para fins de compensação de prejuízo e base de cálculo negativa, observe se: Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Tendo em vista que a recorrente se insurge contra a lei posta, e não quanto à sua aplicação, e considerando também o entendimento sumulado sobre o tema recursal, voto pelo desprovimento do recurso neste ponto. 5. Da Concomitância da Multa Isolada e da Multa de Ofício Acerca da exigência da multa isolada após o encerramento do anocalendário, quando o contribuinte apura lucro em 31 de dezembro e recolhe o importe devido aos cofres públicos, passase a expor. Como se sabe, a multa isolada de 50% é devida pelos contribuintes que optarem pelo pagamento do IRPJ e CSLL sobre estimativas mensais (art. 2º, da Lei n. 9.430/96) e incide “sobre o valor do pagamento mensal (...)” em caso de não recolhimento do tributo sobre a estimativa, “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa” para a CSLL (art. 44, inc. II, “b” Lei n. 9.430/96). Fl. 569DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 12 Assim, o antecedente da regramatriz de incidência da multa isolada prevista no art. 44, inc. II, “b” Lei n. 9.430/96 descreve a seguinte conduta: deixar de recolher o tributo sobre a estimativa mensal devida na forma do art. 2º da Lei n. 9.430/96. Tratase, portanto, de norma que aplica uma penalidade ao contribuinte, razão pela qual a atenção aos enunciados prescritos deve ser máxima, para que não se apene uma conduta não prevista na lei. De outro lado, não é possível interpretar a lei positivada de modo a construir normas jurídicas contraditórias entre si ou com o ordenamento jurídico, como já observou Marcos Vinícius Néder, quando da relatoria do acórdão 105139794, observese: Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. (CARF. Acórdão 105139794. Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima. Sessão 04/12/2006). A questão é saber se cabe a multa isolada após o encerramento do período de apuração (31 de dezembro). Antes de enfrentar o impasse, insta verificar qual o entendimento deste Conselho acerca da natureza jurídica do recolhimento de IRPJ e CSLL sobre estimativas mensais. Para tanto, valhome de recente súmula editada por este Conselho Administrativo acerca dos recolhimentos por estimativas: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. O entendimento sumulado, e, portanto, com força vinculante entre os Conselheiros do CARF (art. 72, §4º, RICARF1), guarda subjacente a noção de que as estimativas são meras antecipações do tributo. Ou seja, apenas ao final do período de apuração será possível verificar se ocorreu ou não o fato jurídico tributário (fato gerador). O fundamento legal dessa compreensão está expressamente contido na Lei n. 9.430/96, em seus artigos 2º, §3º, 282 e 303 da Lei n. 9.430/96: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, 1 RICARF. Portaria do Ministério da Fazenda n. 256/2009. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 2 Lei n. 9.430/96. Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) 3 Lei n. 9.430/96. Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 565 13 determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. (...) Assim, vêse que os valores recolhidos com base nas estimativas mensais não se tratam propriamente do IRPJ e CSLL efetivamente devidos, mas sim de uma antecipação, sobre bases “estimadas”, ou por meio balanço de suspensão e redução (que apura o quanto possa ser eventualmente devido em cada período4). Do ponto de vista do Fisco, é uma antecipação de receita, uma vez que o fato gerador do IRPJ somente se dá no encerramento do exercício. Nesse sentido afirma também Marco Aurélio Greco, para quem a estimativa “tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação — e que dele não pode se distanciar — que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n. 8.891/95)”5. Logo, as estimativas não têm natureza jurídica de tributo. Este, o tributo, é um fenômeno jurídico que somente se revela em 31 de dezembro, como já esclareceu Marcos Vinícius Neder: Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro — base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. (CARF. Acórdão 105139794. Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima. Sessão 04/12/2006). 4 Lei n. 8.981/95. Art. 35. Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. (...). 5 GRECO, Marco Aurélio. Multa Agravada em Duplicidade. São Paulo: RDDT, n. 76. Citado por Marcos Vinicius Neder no acórdão 105139794, CARF. Sessão 04/12/2006. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 14 E se não são tributos, o que são as estimativas? Entendo que as estimativas se assentam em uma presunção de que o tributo será devido. Ou seja, é uma presunção de que ocorrerá o fato jurídico tributário (fato gerador) em 31 de dezembro. Ocorre que as presunções deixam de existir no encerramento do exercício, quando possível apurar o tributo devido, não sendo possível falar em “antecipações”. Os indícios fornecidos pelas presunções perdem a sua importância quando já se sabe da efetiva ocorrência do fato jurídico tributário (fato gerador). Vale dizer, uma vez que já é possível saber se há ou não lucro na data de 31 de dezembro, é desimportante continuar dando relevância às presunções. Neste contexto, muitos defendem a aplicação do princípio da consunção (absorção) para argumentar que, em casos de aplicação concomitante da multa isolada e de ofício, a conduta meio (não pagamento das estimativas) ficaria absorvida pela conduta fim (não pagamento do tributo verificado em 31 de dezembro). Este entendimento encontra eco neste Conselho, que diversas vezes defendeu a sua aplicação, como afirma Marcos Vinícios Néder, citando Miguel Reale Junior: Segundo as lições de Miguel Reale Junior: "pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave..." E prossegue "no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave". (CARF. Acórdão 105 139794. Rel. Cons. Marcos Vinicius Neder de Lima. Sessão 04/12/2006). Neste sentido, destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que em outras oportunidades foi defendido6: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo 6 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Recurso especial provido. (CSRF. Acórdão 0105.843. Sessão de 15/04/2008). APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF. Acórdão 0105.511, sessão de 18/09/2006). Fl. 572DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 566 15 critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Ac. 910100.500 da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Rel. Leonardo de Andrade Couto, j. 25 de janeiro de 2010). Não discordo que o princípio da consunção tenha aplicação em Direito Tributário, pelo contrário, entendo pela sua plena aplicação nos casos de concomitância de multa isolada e de ofício. Porém, vou mais longe, pois, admitindo a súmula n. 82 do CARF, segundo a qual as estimativas não são devidas após o encerramento exercício, entendo que também não existe fundamento jurídico para que subsista a respectiva penalidade. Explico. Recordando as observações de Paulo de Barros Carvalho, toda relação jurídica obrigacional envolve um credor (que pode exigir que algo seja feito ou entregue) e um devedor (que deve fazer ou dar algo), razão pela qual seria impróprio falar em obrigação principal ou acessória e, ainda, em obrigação tributária e crédito tributário como faz o CTN7. Desse modo, toda prestação que o contribuinte faz em favor do Fisco é uma obrigação jurídica8. No sistema das estimativas, podem ocorrer doze relações jurídicas obrigacionais: onze relativas às estimativas e uma relativa ao recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Logo, as estimativas e o recolhimento do tributo são todas obrigações jurídicas distintas entre si. Este é justamente o ponto em que se apoiam os que defendem a incidência da multa isolada após o encerramento do ano calendário e, por consequência, quando houver cumulação com a multa de ofício. Alegase que são hipóteses de incidência distintas. 7 Assevera o autor “Em várias passagens do texto da Lei n. 5.172/66 deparamos com a estranha separação entre obrigação e crédito. Posta de lado a influência que o legislador porventura tenha sofrido da velha teoria dualista da obrigação civil, que não vem ao caso debater aqui, a verdade é que não se pode cogitar de obrigação sem crédito ou de crédito sem obrigação. O direito de crédito é a outra maneira de nos referirmos ao direito subjetivo que o sujeito ativo tem para exigir a prestação. A ele se contrapõe o débito, como o dever jurídico atribuído ao sujeito passivo de cumprir o que dele se espera. Um e outro integram o vínculo obrigacional, na condição de elementos indispensáveis. Exista o crédito em estado de incerteza ou de iliquidez, de qualquer forma é uma realidade jurídica ínsita a toda obrigação. Soa mal, portanto, quando declara o legislador, ingenuamente, que a obrigação nasce com a realização do fato gerador, mas o crédito tributário se constitui pelo lançamento. Seria o momento de indagar: que obrigação é essa que desabrocha no mundo jurídico, sem que haja, para o sujeito pretensor, o direito subjetivo de exigir a prestação? E que liame obrigacional será esse, em que o sujeito passivo não está compelido a prestar o objeto? Teria sido melhor se o legislador se ativesse as concepção tão bem elaboradas pela Teoria Geral do Direito, substituindo esse fraseado atécnico que acaba proclamando desaparecer a parte quando se extinguir o todo. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p. .297 a 298). 8 Sobre a definição de obrigações, Clóvis Bevilácqua, citado por Diniz: “A mais completa dessas definições é a de Clóvis [Beviláqua]: “Obrigação é a relação transitória de direito, que nos constrange a dar, fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável, em proveito de alguém, que, por ato nosso, ou de alguém conosco juridicamente relacionado, ou em virtude de lei, adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão”. (...) (DINIZ, Maria Helena. Direito Civil Brasileiro. 2º Vol. 16 ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 32). Fl. 573DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 16 A premissa, contudo, está parcialmente correta, pois falha por não consignar que, embora as relações jurídicas sejam distintas entre si (e por isso a hipótese de incidência é distinta), a legislação tributária expressamente as vincula, tornandoas interdependentes. É o que se conclui da súmula n. 82, do CARF (supra), que esclareceu que a estimativa é a antecipação do próprio tributo, embora constitua uma relação jurídica autônoma. Notese que a súmula não afirma que “as estimativas não são devidas somente se houver lucro”. Na verdade, as estimativas não são devidas em qualquer hipótese, desde que encerrado o anocalendário. Contrario sensu, as estimativas são devidas antes de encerrado o ano calendário. No mesmo sentido está a corrente que defende a impossibilidade de cumular as multas de ofício e isolada, para quem as multas incidiriam sobre a mesma base de cálculo9, o que prova que são obrigações correlacionadas, embora sejam relações juridicamente distintas. Logo, encerrado o anocalendário, tem lugar apenas a multa de ofício. Surge, portanto, um marco importante que evidencia a extinção das relações jurídicas decorrentes das estimativas e o surgimento de novas relações jurídicas decorrentes da ocorrência do fato jurídico tributário: 31 de dezembro. Esta é a data em que se extingue toda e qualquer obrigação relativa às estimativas. Recordese que qualquer relação jurídica está fadada ao desaparecimento10, por isso Clóvis Beviláqua afirma que as obrigações são “relações transitórias”11. No mesmo sentido está Venosa, para quem “a obrigação tem caráter de efemeridade”12. Existem diversas formas de extinção das obrigações (v. art. 156, CTN) e prazos para seu cumprimento (v.g. para pagamento, para prescrição e decadência, para cumprimento de um dever instrumental etc.). Respeitando as premissas adotadas, e tendo por certo que as estimativas e o tributo apurado em 31 de dezembro, embora representem relações jurídicas distintas, estão induvidosamente vinculados, devese admitir que a extinção de uma deve guardar coerência com o surgimento da outra. Nessa linha, concluo que em 1º de janeiro do ano seguinte13, independentemente de haver ou não lucro, ou mesmo de o contribuinte ter recolhido ou não o tributo apurado em 31 de dezembro, é impossível exigir a multa isolada sobre a parcela da estimativa não recolhida, tal como não é possível exigir a própria estimativa, pois se extinguem as relações jurídicas decorrentes dos fatos presuntivos (estimativas), surgindo em seu lugar novas relações jurídicas decorrentes do fato presumido (fato jurídico tributário). A superveniência do dia 31 de dezembro torna inexigível a conduta do contribuinte no que tange às estimativas, que deixam de ser devidas. Opera, por consequência lógica, “extinção da punibilidade” em face das multas isoladas. 9 Nesse sentido, a Cons. Susy Gomes Hoffmann: “O não recolhimento antecipado por estimativa é infração que se consubstancia, em última análise, quando da apuração da falta de recolhimento do próprio IRPJ. Se houve falta de recolhimento do IRPJ, concluise, logicamente, que houve falta de recolhimento por estimativa. Não há que se impor, ao mesmo fato, duas punições diferentes, ainda que aquele mesmo fato, em tese, aparentemente, venha a subsumirse nas duas infrações.” (CSRF. Acórdão 9101001358. 1ª Turma. Sessão 16/05/2012). 10 Pouquíssimas relações jurídicas têm capacidade para perpetuaremse. Um exemplo de imprescritibilidade são os crimes do art. 5º, XLII e XLIV, da Constituição Federal, e o dever de ressarcir o erário em ações de ressarcimento (v. REsp 1069779, STJ). 11 DINIZ, Maria Helena. Direito Civil Brasileiro. 2º Vol. 16 ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 32. 12 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil: teoria geral das obrigações e teoria geral dos contratos. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2004. p. 179. 13 Quando encerrado o período de apuração. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 567 17 Não faz sentido admitir que a conduta do contribuinte deixe de ser obrigatória (recolher estimativas), mas o seu descumprimento ainda constitui um ilícito tributário. Seria como admitir, por exemplo, que a conduta do homicida deixe de ser um injusto penal, mas ele ainda deve cumprir a pena (nulla poena sine crimine). Observese que nem mesmo o lançamento de ofício da estimativa é possível, pois a conduta do contribuinte deixa de estar em desacordo com a legislação tributária. Ao invés de exigir a estimativa, passa a ser devido o IRPJ e CSLL eventualmente apurados. De 31 de dezembro em diante, inexiste o fato “recolher estimativas” ou “deixar de recolher estimativas”. E nem se argumente que o exemplo acima decorre das estruturas principiológicas do Direito Penal, uma vez que a necessidade de existir uma conduta ilícita para que seja imposta uma punição representa um reflexo do princípio da legalidade. É relevante recordar as lições de Luciano Amaro sobre este tema: Apesar da maior gravidade da infração criminal, e, portanto, da sanção penal (geralmente restritiva da liberdade), e não obstante esta geralmente se faça acompanhar de uma “pena acessória” nada desprezível, traduzida na reprovação social, maior do que a decorrente da sanção administrativa, há alguns princípios que são comuns aos dois campos: o princípio da legalidade dos delitos e das penas (nullum crimen, nulla poena sine praevia lege), o princípio in dubio pro reo, a retroatividade benigna, o princípio do devido processo legal. (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 12 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 439). Em suma, após 31 de dezembro, extinguese o ilícito tributário (súmula 82, CARF), razão pela qual se torna impossível exigir a sanção dele decorrente. No mínimo, deve se admitir que a base de cálculo da multa isolada (estimativa), por ser inexigível, despareceu do universo jurídico, razão pela qual não é possível calcularlhe o valor. Poderseia criticar o presente entendimento alegando que nenhuma penalidade seria imposta ao contribuinte que deixou de recolher as estimativas, consoante se obrigara perante o Fisco, e que ao final do ano apurou lucro e realizou os recolhimentos devidos. Tal sensação de impunidade não deve incentivar nenhuma consequência ao contribuinte, porque o lançamento da multa isolada (pena) é possível, desde que ocorra dentro do período de apuração. Ou seja, deve ser respeitado o prazo correto de imposição. E este penalização, desde que aplicada dentro do prazo correto, reforça a manutenção da multa “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (ressalva da alínea “b”, inc. II, art. 44, da Lei n. 9.430/96.); Assim, a única possibilidade de aplicação da multa isolada é antes do encerramento do exercício, período em que ainda existe um ilícito tributário. A interpretação, neste caso, deve ser sistemática e lógica, sob pena de criar contradições internas no sistema Fl. 575DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 18 jurídico. O próprio CTN, em seu art. 11214, autoriza que seja feita interpretação mais favorável ao contribuinte quando da interpretação das normas que aplicam penalidades. No presente caso, interpretase uma norma que “comina penalidade” (art. 44 da Lei n 9.430/96) para verificar tanto a natureza e extensão do fato (art. 112m inc. II, CTN) quanto a graduação da penalidade (art. 112, inc. IV, CTN), com a consequente análise da punibilidade do contribuinte (art. 112, inc. III, CTN), como autoriza, inclusive, o Superior Tribunal de Justiça e este Conselho: (...) 2. A legislação tributária deve ser interpretada da forma mais favorável ao acusado quando houver dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável ou a sua graduação (art. 112 do CTN). 3. Recurso especial improvido. (STJ. REsp 908.394/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/03/2007, DJ 10/04/2007, p. 211) (...) LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. GRADUAÇÃO DE PENALIDADES. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. A lei tributária que cominar penalidades será interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre a natureza e a graduação da penalidade aplicável. (...) (CARF. Acórdão 2302001.447. Cons. Arlindo da Costa e Silva. Sessão 30/11/2011). Sobre o tema, calha reproduzir as palavras de Paulo de Barros Carvalho, quando, ao estudar o art. 112 do CTN, adverte que a dúvida acerca do ajustamento da conduta ao fato tipificado pode implicar ofensa ao princípio da legalidade: Não poderia ser de outra maneira. Vigendo no direito tributário o princípio da estrita legalidade, que traz consigo a necessidade de uma tipificação rigorosa, qualquer dúvida sobre o perfeito quadramento do fato à norma compromete aquele postulado básico que se aplica com a mesma força no campo do direito penal in dubio pro reo. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17 ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 109). Ressalto que em momento algum busco exonerar o contribuinte de uma penalidade possível ou infirmar a vigência de lei federal. Pelo contrário, busco conferir a maior efetividade ao direito posto, extirpando as inconsistências e incoerências. Concluise, portanto, que a aplicação de multa isolada, por falta de recolhimento mensal sobre estimativas, importa aplicação de penalidade com base em uma obrigação que não existe no universo jurídico. Assim, entendo incabível a aplicação da multa isolada após o encerramento do anocalendário, em razão do não recolhimento sobre as estimativas mensais, apuradas de acordo com a opção constante no art. 2º da Lei n. 9.430/96. Dessa forma, voto no sentido de exonerar o lançamento da multa isolada. 6. Da Multa de Ofício de da BoaFé da Recorrente A recorrente reclama a aplicação do art. 112 do CTN para fazer ponderações sobre a interpretação da lei e sobre sua boafé, objetivando afastar a multa de ofício (75%). 14 CTN. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (grifo não original) Fl. 576DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 568 19 Pugna, também, pela revisão pela revisão do lançamento, para que este seja balizado pelos princípios da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Os argumentos não prosperam. Isto porque as infrações à legislação tributária têm caráter objetivo e não dependem da intenção do contribuinte, nos termos do art. 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Em outras palavras, ainda que o contribuinte não tenha tido a intenção de infringir a legislação tributária (por exemplo, caso sua conduta seja guiada pela simples ignorância da lei), é impossível afastar a sua responsabilização pelos atos cometidos, em razão do que dispõe o art. 136 do CTN. Nesse sentido tem se posicionado este Conselho: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2010 Ementa: RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES CULPOSAS. ART. 136 DO CTN. BOAFÉ DO INFRATOR. IRRELEVÂNCIA. A boafé do contribuinte não impede a incidência de multa quando este comete sem dolo, mas culposamente, uma infração tributária. [...] (CARF. Acórdão 3403002.417. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz. Sessão 20/08/2013). Demais disso, a recorrente reclama a aplicação do princípio da vedação ao confisco e da capacidade contribuitiva para que seja revisado o lançamento. Todavia, consoante exposto no item 4 (supra), o recurso voluntário acaba por atacar a previsão em abstrato da norma, razão pela qual incide a súmula n. 2 do CARF, a qual impede que os membros deste Conselho declarem a inconstitucionalidade da lei tributária. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário neste ponto. 7. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntária, para afastar apenas a multa isolada. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo – Relator Fl. 577DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 20 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator designado Tratase de voto de divergência, acolhido por voto de qualidade, em relação ao posicionamento dado pelo relator do presente acórdão que afastava a aplicação da multa isolada sob omissões nas estimativas mensais de IRPJ e CSLL, uma vez que tais valores já foram objetos da multa de ofício aplicada sob o valor total devido anualmente. A recorrente alega que a multa de ofício sobre IRPJ e CSLL e multa isolada sobre as respectivas estimativas são incompatíveis, pois representam a incidência de dupla pena sobre a mesma infração. O relator do voto vencido acolhe os argumentos da recorrente fundado especialmente na aplicação do princípio penal da consunção, na impossibilidade de aplicação da multa isolada após encerrado o anocalendário e na impossibilidade de aplicação de duas penalidades para a mesma infração. Em que pesem os respeitáveis argumentos do Relator, a exigência da multa isolada sobre as estimativas apuradas de IRPJ e CSLL decorre de expressa disposição legal. Uma das teses que sustentam o voto vencido está amparada na aplicação do princípio penal da consunção, segundo o qual a conduta mais ampla, ou mais grave, engloba ou absorve outras condutas menos amplas e, geralmente, menos graves, as quais seriam meios necessários ou instrumentais para a execução do outro crime (mais grave). Assim, existindo um ilícito penal, em que um deles (menos grave) represente apenas o meio para a consecução do delito mais nocivo, o agente será penalizado apenas por este último. Um exemplo clássico de sua aplicação no direito penal é o do crime de lesão corporal em relação ao crime de homicídio. Para se chegar ao resultado decorrente da prática do homicídio, que é a morte da vítima, é praticamente impossível que antes desse resultado ocorrer, não tenha o autor do crime também infligido à vítima lesões corporais. No entanto, tendo em vista ser crime de maior gravidade e, portanto com maior pena, o autor somente é penalizado pelo homicídio. Esta linha de raciocínio traz em seu bojo o seguinte silogismo: a falta de recolhimento da estimativa mensal (conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo) é ação preparatória para a realização de uma conduta mais grave, consistente em não recolhimento do tributo efetivamente devido e apurado ao final do exercício, quando então violarseia um bem jurídico mais importante, qual seja a efetivação da arrecadação tributária. Nesse diapasão, a conduta mais grave englobaria a menos grave, resultando na penalização apenas pela conduta mais grave, mediante a aplicação da multa de ofício sobre os valores devidos ao final do exercício. Em que pese o esmero da argumentação contida na jurisprudência trazida para fundamentar o acórdão recorrido, entendo que é necessário verificar se é de fato cabível a aplicação no caso em tela do princípio da consunção. Examino primeiramente a questão sob o aspecto fático. Com a devida vênia, não me parece que a falta de recolhimento da estimativa mensal possa ser considerada como mera preparação para o não pagamento do tributo devido ao final do exercício. O não pagamento de (pelo menos parte) do tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o Fl. 578DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 569 21 contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. Por outro lado, o não recolhimento das antecipações mensais ficaria simplesmente sem qualquer penalidade nos casos em que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do exercício. Neste caso, não ocorrendo a conduta mais grave, segundo a tese do acórdão (falta de recolhimento do tributo devido, em face da inexistência de saldo devido), não haveria qualquer penalização pela ação menos grave (falta de recolhimento de estimativa). Mal comparando (peço vênia para voltar ao exemplo do homicídio), seria o mesmo que, naquele caso, não se consumando o homicídio o autor não ser penalizado pela lesão corporal (em caso de também ser afastada a hipótese de tentativa). Outro argumento que fundamenta a tese, e que reputo equivocado, é o que trata a obrigação de recolher o tributo antecipadamente como sendo algo de natureza distinta de tributo, o que caracterizaria a falta de seu recolhimento como uma infração menor que a do tributo apurado ao final do exercício. A definição de tributo é dada pelo artigo 3º do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. A obrigação instituída pelo artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrito se amolda perfeitamente à definição do CTN, senão vejamos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 22 § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. A definição legal dada pelo dispositivo acima citado contém todos os elementos do tributo, quais sejam: hipótese de incidência, sujeito ativo e passivo, base de cálculo e alíquota. Conquanto sejam antecipações sujeitas a ajuste no final do exercício, não resta dúvida que tais recolhimentos são tributos devidos, tanto assim que o eventual saldo favorável ao contribuinte no final do exercício se submete às regras de restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou à maior, nos termos da legislação tributária. A sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Outro aspecto a ser examinado para a aplicação do princípio da consunção é se existe de fato um conflito aparente de normas, condição necessária para a sua aplicação. Mais uma vez entendo que não. As normas que regulam a aplicação das penalidades, embora tratem em ambos os casos (multa de ofício e multa isolada) da falta de recolhimento de tributos, visam disciplinar situações completamente distintas e autônomas entre si, não existindo qualquer conflito entre elas, o que impede a aplicação do princípio. Sendo autônomas as infrações, a ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, de modo que não se pode utilizar o conflito aparente de normas para a solução da questão. A obrigação de recolher as antecipações mensais não se constitui uma mera obrigação acessória e ainda que assim o fosse não seria absorvida pelo descumprimento da obrigação tida como principal (não recolhimento do tributo devido apurado ao final do exercício). A prevalecer tese oposta, também não poderia ser cobrada a multa pela falta de apresentação da declaração de rendimentos ou da DCTF, pois também esta seria uma infração menor; mero instrumento para a consecução da infração mais grave (falta de recolhimento do tributo devido), que absorveria a menor. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 570 23 As multas pelo descumprimento de obrigação acessória não se confundem com as devidas em face da obrigação principal, convertendose também em obrigação principal, conforme dispõe o Código Tributário Nacional, no § 3º do art. 113, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Ora, se não se está diante de um conflito de normas que enseje a utilização dos princípios gerais de direito para a sua correta interpretação e aplicação, o afastamento de sua aplicação amparados nesses princípios seria uma forma indireta de aferição da sua própria constitucionalidade, o que é vedado no âmbito administrativo pela lei e pela própria jurisprudência do CARF, consolidada na súmula nº 02. Dada a clareza da norma e dos fatos a ela subsumidos também não há que se cogitar do uso da interpretação mais benéfica ao acusado, prevista no art. 112 do Código Tributário Nacional. De fato, impõese no caso a interpretação sistemática da norma, para a correta aplicação das multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Para melhor entendimento da discussão, transcrevo abaixo os dispositivos questionados (em sua redação original): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 24 Pareceme cristalino que só faz sentido a aplicação da multa isolada quando a infração é constatada após o encerramento do ano de apuração do tributo. Se fosse constatada a falta no curso do anocalendário caberia à administração tributária exigir o tributo devido (por estimativa) acrescido de multa de oficio e dos respectivos juros moratórios. Tal constatação colide frontalmente com a tese defendida no voto vencido nesta matéria de que a multa isolada só seria aplicável antes do encerramento do período de apuração. Tal proposição é materialmente impossível. Ao estabelecer a cobrança apenas da multa isolada quando detectada a falta de recolhimento da estimativa mensal, após encerrado o período de apuração, a norma visa exatamente a adequação da exigência tributária à situação fática. Senão vejamos. Se a fiscalização constata que o contribuinte deixou de recolher as antecipações mensais e já apurou o saldo de tributo devido no anocalendário (tendo recolhido este ou não), não faria sentido a norma exigir o recolhimento do tributo que fora devido por antecipação, pois já conhecido o montante efetivamente devido no exercício, sob pena de em grande parte dos casos, o tributo ser arrecadado e ato contínuo ser restituído ao sujeito passivo, o que careceria de razoabilidade. No entanto, entendeu o legislador que tal infração (falta de recolhimento da estimativa) não deve ser ignorada. Com vistas a proteção da arrecadação tributária e prestigiando os contribuintes que em situação equivalente efetuaram os recolhimentos devidos por antecipação, houve por bem o legislador estabelecer uma penalidade para aquela infração, que não se confunde de modo algum com a multa de ofício eventualmente devida pelo não recolhimento do saldo de tributo apurado no final do exercício. Assim, se, além das estimativas mensais que deixaram de ser recolhidas, a fiscalização constata que também o saldo de imposto anual devido em face da apuração do resultado do exercício não foi declarado/recolhido, ou o foi à menor, impõese a cobrança das diferenças de tributos devidas acrescidas da respectiva multa de ofício (75%), aplicada sobre o saldo de tributo devido. Ora, é princípio basilar de hermenêutica que “a lei não contém palavras inúteis”. Ao estabelecer que é devida a multa isolada ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da contribuição social, o legislador deixou muito claro que a penalidade isolada não se confunde e não pode se fundir com a multa de ofício eventualmente devida pelo saldo de tributo devido no ano. A interpretação adotada pelo voto vencido implica em negar validade ao citado dispositivo. A imposição da multa isolada visa prestigiar o contribuinte que cumpre com suas obrigações e observa um dos princípios essenciais da atividade econômica, previsto na Constituição Federal de 1988: o princípio da livre concorrência (vide Art. 170, inc IV, Art. 146A e Art. 173, § 4º). Ao impor ao infrator a penalidade isolada a lei visa desestimular comportamentos que levem a condições desiguais, pois enquanto os contribuintes que honram com suas obrigações sacrificam parte de seus fluxos de caixa para contribuir com a coisa pública, muitas vezes tendo que recorrer ao pagamento de juros a terceiros, o infrator (que deixa de recolher o tributo estimado) preserva o seu “caixa” e se coloca em situação vantajosa economicamente perante os seus concorrentes. É de conhecimento geral os efeitos que a sonegação tem sobre o equilíbrio concorrencial. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10665.001026/200790 Acórdão n.º 1302001.265 S1C3T2 Fl. 571 25 Portanto, ao se desonerar da multa isolada o contribuinte que deixa de efetuar o recolhimento por estimativa ferese, além da legalidade, o princípio da isonomia. Na linha da tese adotada pelo voto vencido, para se restaurar a igualdade, seria correto que o contribuinte que efetuasse o pagamento das estimativas e ao final do exercício encontrasse saldo de tributo pago à maior tivesse direito à restituição imediata e integral dos valores pagos como se indevidos fossem, inclusive com a incidência de Juros Selic desde a data de cada pagamento e não apenas a partir de 1º de fevereiro do exercício seguinte como prevê o §2º do art. 6º da Lei nº 9.430/1996. Tendo sido afastada a hipótese de existência do conflito de normas que permitisse a aplicação de outros princípios gerais na interpretação da norma em discussão, cabe verificar se é possível a aplicação da equidade prevista no art. 172, inc. IV do CTN, como uma forma de abrandar os efeitos da penalidade, ao presente caso. Não se verifica qualquer situação peculiar seja quanto ao sujeito passivo, seja quanto aos fatos que possam ensejar considerações de equidade e autorizar a remissão do crédito tributário lançado regularmente. Somente a lei poderia autorizar a remissão dos valores lançados a título de multa isolada, o que não existe no presente caso. O art. 97 do Código Tributário Nacional estabelece que apenas a lei pode estabelecer as penalidades para as infrações aos seus dispositivos e também para as hipóteses de sua dispensa ou redução, in verbis: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer (...) V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (grifei) Portanto, se a lei não prevê a dispensa ou redução das penalidades nela previstas, não cabe ao intérprete fazêlo. Por fim, examino a possibilidade de estarmos diante da ocorrência de um “bis in idem” sobre um mesmo fato na aplicação da multa isolada e da multa de ofício, outro argumento utilizado no voto vencido para sustentar a impossibilidade de coexistências das duas penalidades. Não vejo no presente caso como se possa defender a existência de um mesmo fato a ensejar a aplicação das penalidades. A lei é extremamente clara ao estabelecer cada uma das hipóteses em que as penalidades são aplicáveis, sendo certo que as infrações ocorrem em momentos absolutamente distintos, embora possam ser detectadas num mesmo momento pela fiscalização. Enquanto a infração pelo não recolhimento dos tributos devidos com base na estimativa mensal ocorre durante o anocalendário de sua apuração, a infração pelo não recolhimento do tributo anual devido só pode ocorrer depois de encerrado o período de apuração respectivo. São fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO 26 Conforme já demonstrei anteriormente, também não há a alegada identidade de base de cálculo entre a multa isolada e a multa de ofício. Isto só ocorreria se fosse aceita a tese de que o limite à aplicação da penalidade é o montante de tributo apurado ao final do exercício, o que já se mostrou improcedente. De outro modo, exceto no caso do período de apuração encerrado no mês de dezembro, que pode coincidir com o resultado anual apurado (no caso de levantamento de balancete de suspensão ou redução), não há identidade entre as bases. O percentual da multa isolada que antes coincidia com o mesmo percentual da multa de ofício também era comumente utilizado para justificar o alegado “bis in idem”. Porém, também não existe mais essa coincidência, em face de sua redução para 50% pela Lei nº 11.488/2007, e que passou a ser aplicada aos casos pretéritos (inclusive neste) em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, alínea “c” do CTN. Os prazos para cumprimento das obrigações em questão também são distintos em cada caso. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, inc.V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou se é excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que como já foi dito não cabe no âmbito deste colegiado. Para concluir, com a devida vênia, entendo que não passa de sofisma a comparação, utilizada recorrentemente, entre a possibilidade de aplicação das multas isolada e de ofício, ora examinadas, com a impossibilidade de aplicação da multa de ofício, cumulada da multa de mora, porque neste caso sim a penalidade decorre de um mesmo fato. O que diferencia a graduação e a aplicação de uma ou outra penalidade no caso é a postura do sujeito passivo. Se este purga sua inadimplência antes da ação do Fisco tem sua penalidade limitada à multa de mora; porém, se ao contrário, aguarda a ação do Fisco para a identificação da falta é apenado com a multa de ofício, mais gravosa. Mais uma vez é a lei que define qual a penalidade a ser aplicada em cada situação, diferenciando o recolhimento espontâneo do tributo, ainda que com atraso, da cobrança realizada de ofício pela administração tributária. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário nesta parte, mantendo a exigência da multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL, nos moldes constantes do lançamento. Sala de sessões, em 04 de Dezembro de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator designado. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721650/2011-49
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO
Comprovado nos autos que a intimação do Auto de Infração enviada por via postal não se operou nos temos da legislação pertinente, há que se considerar como data da ciência do lançamento a data da interposição da impugnação, primeiro momento em contribuinte compareceu aos autos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Não logrando o contribuinte justificar a origem de depósitos bancários, é de se manter a autuação por omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42, da lei n. 9.430.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-002.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos ACATAR a preliminar de tempestividade do recurso voluntário e, por maioria, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para acesso aos dados bancários do contribuinte. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Jimir Doniak Júnior que acolhiam a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello, Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos que a intimação do Auto de Infração enviada por via postal não se operou nos temos da legislação pertinente, há que se considerar como data da ciência do lançamento a data da interposição da impugnação, primeiro momento em contribuinte compareceu aos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não logrando o contribuinte justificar a origem de depósitos bancários, é de se manter a autuação por omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42, da lei n. 9.430. Recurso Negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10880.721650/2011-49
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364577
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.813
nome_arquivo_s : Decisao_10880721650201149.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10880721650201149_5364577.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos ACATAR a preliminar de tempestividade do recurso voluntário e, por maioria, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para acesso aos dados bancários do contribuinte. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Jimir Doniak Júnior que acolhiam a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello, Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5550271
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815217025024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2111; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 119 1 118 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.721650/201149 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.813 – 2ª Turma Especial Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria IRPF Recorrente HUMBERTO CARLOS CHAHIM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos que a intimação do Auto de Infração enviada por via postal não se operou nos temos da legislação pertinente, há que se considerar como data da ciência do lançamento a data da interposição da impugnação, primeiro momento em contribuinte compareceu aos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não logrando o contribuinte justificar a origem de depósitos bancários, é de se manter a autuação por omissão de rendimentos, com fundamento no artigo 42, da lei n. 9.430. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos ACATAR a preliminar de tempestividade do recurso voluntário e, por maioria, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para acesso aos dados bancários do contribuinte. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Jimir Doniak Júnior que acolhiam a preliminar de nulidade. No mérito, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 16 50 /2 01 1- 49 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello, Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 92/97) referente ao exercício de 2007, ano calendário de 2006, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 472.775,56, sendo: R$ 163.669,45 de imposto de renda; R$ 245.504,17 de multa proporcional e R$ 63.601,94 de juros de mora (calculados até 31/01/2011), decorrente de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, em face dos valores creditados em sua conta bancária no ano de 2006, cuja origem dos recursos utilizados nas operações não teria sido comprovada mediante documentação hábil e idônea. A decisão de 1ª instância acolheu parcialmente a Impugnação para alterar o lançamento, excluindo da tributação os valores cujas origens foram comprovadas, por não se tratarem de omissão de rendimentos, o valor de R$ 1.410,00 (fl. 384), bem como afastou a multa qualificada (fl. 383). AR devolvido sem cumprimento em 25/07/2011, com anotação de informação do porteiro Robson Jesus de que o contribuinte ora recorrente havia se mudado (fl. 389). Edital de intimação em 05/09/2011 (fl. 390) e pedido de cópia integral do processo em 09/12/11, com entrega das cópias na mesma data. Recurso Voluntário de fls. 396 e seguintes interposto pela via postal em 03/01/2012 (394), no qual o contribuinte ora recorrente defende o processamento de seu recurso, asseverando que o carteiro teria consignado declaração falsa no documento postal de fl. 389, no tocante à sua mudança de endereço e que, por isso, não foi cientificado da decisão de primeira instancia naquela ocasião. Para empregar veracidade à sua afirmação, anexa declaração firmada por Robson de Jesus Araújo, no sentido de que o recorrente, jamais se mudou do prédio e que a informação consignada no AR não corresponderia à realidade (fl. 432). Anexa, também, fatura de energia elétrica do mês de dezembro de 2011 (fl. 433) e escritura pública apontando a titularidade do apartamento localizado no endereço indicado como sendo seu domicílio. Além da questão preliminar de tempestividade, com vistas a obter a reforma do julgado, alega em síntese a ausência de motivação na qualificação da multa, que a origem dos rendimentos já teria sido apontada na própria DIRPF, bem como que a fiscalização teria deixado de considerar valores lançados no ano anterior. Alega violação de sigilo bancário, lançamento de imposto com base em renda presumida e faz considerações sobre o dever de fiscalização. Era o de essencial a ser relatado. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10880.721650/201149 Acórdão n.º 2802002.813 S2TE02 Fl. 120 3 Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Conheço do recurso por tempestivo. É evidente que a declaração constante do AR, no sentido de que o contribuinte “mudouse” não corresponde à verdade. A declaração juntada e assinada pelo porteiro Robson Jesus é suficiente, em meu entendimento, para reconhecer a tempestividade do recurso e afastar a intimação por edital realizada. O dever do contribuinte se restringe a manter seus dados cadastrais atualizados perante a Receita Federal. Não é razoável que em decorrência de declaração falsa de porteiro de prédio ou de má compreensão de informação pelo carteiro responsável pelo cumprimento do AR, o contribuinte sofra a intimação por edital. Ressalto o “sofra”, justamente por se tratar de modalidade de intimação supletiva e ficta. Posto isso, comprovado o domicílio fiscal do contribuinte e a informação errônea constante do AR, e em prol do princípio da ampla defesa e contraditório, informadores do processo administrativo tributário, aplico subsidiariamente o parágrafo primeiro do artigo 214 do CPC e conheço do recurso por tempestivo. Nesse sentido, acórdão n. 220200.396 — 2 Câmara / 2' Turma Ordinária da 2 Seção de Julgamento do CARF (v.u.), relatora a conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga: AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos que a intimação do Auto de Infração enviada por via postal não se operou nos temos da legislação pertinente, há que considerar como data da ciência do lançamento a data da interposição da impugnação, primeiro momento em contribuinte compareceu aos autos. Superada questão preliminar quanto a tempestividade, aprecio a viabilidade do julgamento do mérito do recurso, dada a matéria de fundo tratar de omissão de rendimentos em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada. A presente ação fiscal decorre da análise de informações fiscais fornecidas à RFB pelo contribuinte após intimação fiscal (fl. 3), realizada com a finalidade de verificar se os valores referente às movimentações financeiras efetuadas no ano calendário de 2006 exercício 2007, correspondem efetivamente ao movimentado nas contas bancárias de sua titularidade. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Os extratos bancários foram apresentados pelo contribuinte (fl. 24), sem necessidade de expedição de RMF, com fundamento nos artigos 927 e 928 do RIR, o que afasta qualquer discussão sobre eventual “espontaneidade” na entrega de informações protegidas pelo sigilo de dados. A entrega à autoridade fiscal após regular intimação, sem a expedição de RMF nada tem de espontâneo. Apenas adia a obtenção de tais informações pela RFB, através da expedição de RMF às instituições financeiras. Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42, da lei n° 9.430/96. Logo de início, verifico vício insanável na ação fiscal, de modo a tornar o lançamento ora sob julgamento, nulo, por vício na colheita de provas. Explico e fundamento. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei n.º 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo depósitos bancários sem origem identificada. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n.º 389.808/PR, decidiu dar interpretação conforme a Constituição aos enunciados legais relacionados, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para o acesso ao sigilo de dados do contribuinte, cuja ementa segue abaixo: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) O Supremo Tribunal Federal, portanto, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente adotou interpretação conforme a Constituição, de sorte a compatibilizar o enunciado legal com os direitos e garantias constitucionais protegidos pela CF/88. É a conclusão que se extrai do seguinte trecho do voto do Relator: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE Fl. 470DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10880.721650/201149 Acórdão n.º 2802002.813 S2TE02 Fl. 121 5 REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Em verdade, a Corte Suprema adotou técnica hermenêutica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de interpretação específica, de modo a tornar os enunciados legais analisados compatíveis com a Constituição. Importa ressaltar que a interpretação conforme a Constituição busca justamente evitar a simples declaração de nulidade de lei por incompatibilidade vertical com a Constituição. A ambigüidade da linguagem dos enunciados normativos cria vasto campo de significações possíveis, de sorte a permitir que o exegeta busque a construção de sentido mais próxima daquela prestigiada pelos princípios e regras contidos na Constituição. Ao agir desse modo, evitase a afronta à vontade popular expressada pelo texto legal e se atende ao objetivo de manutenção ou conservação das normas no ordenamento jurídico dada a presunção ainda que relativa de sua constitucionalidade. Apesar da semelhança do ponto de vista prático, a interpretação conforme a Constituição não se confunde com a declaração de nulidade sem redução de texto: (...) enquanto, na interpretação conforme a Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfälle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal1 Por isso, é de se afirmar: “interpretação conforme não é critério de aplicação de determinada lei em detrimento de outra, mas de aplicação de determinada interpretação (´critério de interpretação`) em detrimento de outra”.2 Em várias oportunidades, o STF se socorreu da “interpretação conforme” para evitar a declaração de nulidade de leis tributárias, de modo a reduzir, ampliar ou requalificar o alcance interpretativo do enunciado legal em exame (ADI n. 1.7584, RE 196.6467/RS e RE 169.7407/PR). É comum que na busca das significações possíveis de um enunciado normativo haja discordância quanto ao alcance e aplicação do texto legal em exame. É notório que a presunção de onisciência do legislador e da plenitude do sistema não passa de pressuposto lógico necessário de conhecimento do fenômeno jurídico e que não deve ser 1 MENDES, Gilmar Ferreira. Jurisdição Constitucional. São Paulo: Saraiva, 1996. p.275. 2 ALMEIDA JUNIOR, Fernando Osório de. Interpretação conforme a Constituição e direito tributário. São Paulo: Dialética, 2002, p. 18. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 levado a enésima potência. Daí que a atividade de construção de sentido do aplicador da lei pode reduzir, ampliar ou requalificar o alcance do enunciado sob interpretação, de sorte a prestigiar a compatibilidade do resultado exegético com a Constituição Federal, em detrimento de qualquer outro sentido gramaticalmente possível. A utilização desse método não é vedada aos órgãos administrativos de julgamento. Pelo contrário, é imposição do próprio ordenamento jurídico, que não permite o desprezo de sentido compatível com a Constituição quando da análise de legislação aplicável ao caso concreto posto à sua apreciação. Logo, é de se concluir: o impeditivo do artigo 26A, do Decreto n. 70.235/72, não veda aos órgãos de julgamento a utilização de interpretação conforme a Constituição, em situações nas quais a ambigüidade do enunciado em análise possa resultar em várias interpretações possíveis, ainda mais em situações nas quais o próprio STF já se pronunciou no mesmo sentido. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das informações obtidas junto às instituições financeiras por meio do acesso aos dados bancários sem prévia autorização judicial ou do(s) titular(es) das contas bancárias. Por fim, decisão do TRF da 3ª Região, tomada com fulcro no artigo 557 do CPC, da atual ministra do STJ, Regina Helena Costa, pelo reconhecimento da jurisprudência já dominante do STF sobre a impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial AGRAVO LEGAL. DECISÃO MONOCRÁTICA. ART. 557, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STF. I Nos termos do caput e §1°A, do art. 557, do Código de Processo Civil e da Súmula 253/STJ, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a negar seguimento ou a dar provimento ao recurso e ao reexame necessário, nas hipóteses de pedido inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com a jurisprudência dominante da respectiva Corte ou de Tribunal Superior. II O Supremo Tribunal Federal, conferindo interpretação conforme a Constituição da República à Lei n. 9.311/96, à Lei Complementar n. 105/2001, bem como ao Decreto n. 3.724/01, decidiu pela impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial (cf.: RE 389808/PR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.10). III Entendimento incontrastável que se adota para determinar a abstenção do fornecimento da movimentação financeira relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal constante dos autos, sem a devida autorização judicial. IV Agravo legal improvido. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10880.721650/201149 Acórdão n.º 2802002.813 S2TE02 Fl. 122 7 (TRF3, AC n.º 2001.61.08.0036460/SP, Rel. Des. Fed. REGINA COSTA, Sexta Turma, j. 06/09/2012, D.E. 21/09/2012) Sendo assim, entendo que o lançamento não pode subsistir, dada a incompatibilidade entre a colheita da prova da materialidade do fato gerador e a Constituição Federal, da forma como decidido e interpretado pelo STF. Se vencido quanto à preliminar de nulidade, passo à análise do mérito do recurso interposto. De início, esclareço que apesar de se insurgir em sede de Voluntário contra a qualificação da multa, esta já foi excluída pela DRJ. Logo, nada há a ser decidido quanto a esse ponto. De igual modo, o recorrente discorre longamente sobre a ação fiscalizadora, sem apontar de modo claro e direto, quais seriam os vícios a nulificar a ação fiscal. Somente então, busca justificar os depósitos bancários considerados pela fiscalização como rendimentos omitidos. Em primeiro lugar, de acordo com o decidido pela DRJ, descabe a assertiva de que deve ser comprovada a utilização dos valores depositados de forma a evidenciar aumento de patrimônio e os chamados sinais exteriores de riqueza para que se efetue lançamento com base em depósitos bancários. Esse é, inclusive, o entendimento pacífico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim dispõe em sua Súmula CARF n.º 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” De igual modo, improcedente a preliminar de nulidade pela ilegalidade da ausência da juntada do Relatório Circunstanciado, a que se refere o artigo 4º, §§´s 5º e 6º do Decreto 3.724/2001. Alega o recorrente que as suas informações bancárias foram obtidas sem a observância do disposto no Decreto n. 3.724/2001 e Portaria SRF n. 180/2001, dispositivos estes responsáveis pela necessária observância de procedimento e decisão devidamente motivada e fundamentada, com o fim de verificar a legalidade do procedimento de acesso a informações bancárias por ato de autoridade administrativa. Entretanto, pelo que se verifica dos autos, por se tratar de entrega de extratos bancários pelo próprio contribuinte, não há Relatório Circunstanciado a fundamentar a expedição de RMF. No mérito, o recorrente alega ser sócio de pessoa jurídica e produtor rural, sem, entretanto, individualizar os depósitos e comprovar a natureza dos rendimentos. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 A eventual compatibilidade entre os valores declarados em sua DIRF e os valores depositados em contas de sua titularidade, não é suficiente para desconstituir a presunção de omissão de receita fundada no artigo 42 da lei n. 9.430. No mais, a mera indicação de valores declarados que em tese possam justificar os depósitos de origem não comprovada, sem a indicação de datas e valores, ao menos aproximada, de igual modo, não são suficientes para ilidir acusação fiscal. Posto isso, conheço e nego provimento ao recurso voluntário interposto. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 474DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 17/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 12689.000086/2009-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 12689.000086/2009-12
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351872
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.293
nome_arquivo_s : Decisao_12689000086200912.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12689000086200912_5351872.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5481507
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815241142272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12689.000086/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.293 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria Obrigações Acessórias Recorrente WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 00 86 /2 00 9- 12 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 12689.000086/200912 Acórdão n.º 3801003.293 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001334/2008-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que tenham sido objeto de pagamento, com 150, §4º , é de cinco anos a partir do fato gerador.
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE BENS NO ATIVO PERMANENTE. PROVA PARCIAL.
Deve ser excluído do valor tributável considerado no lançamento o montante relativo a veículos adquiridos junto à Volkswagen que não estavam escriturados por serem objetos de contratos de arrendamento mercantil.
PREJUÍZO FISCAL.BASE NEGATIVA DA CSLL.COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO - A determinação de matéria tributável, em procedimento de ofício, impõe, também, o direito ao contribuinte de compensar prejuízos fiscais, de exercícios anteriores, ainda pendentes de compensação na escrituração fiscal, limitados a 30% do lucro real no caso do IRPJ e do lucro líquido ajustado em relação à CSLL.
IMPOSTO RETIDO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO.
O sujeito passivo logrou comprovar documentalmente as retenções de imposto na fonte por órgãos públicos, em sede de diligência, razão pela qual é devida sua dedução do imposto devido apurado.
Numero da decisão: 1401-001.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM ACOLHER a decadência para os três primeiros trimestre de 2003 em relação ao IRPJ e CSLL; até novembro de 2003 em relação às contribuições sociais; e, no mérito, EM NÃO CONHECER em parte do recurso, em face da preclusão. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Marcelo Baeta Ippolito que conheciam da matéria por entenderem se tratar de matéria de ordem pública. E, na parte conhecida, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1)Para excluir da base de cálculo R$ 76.604,40 e R$ 155.529,99, 2o e 3º trimestres, respectivamente; 2)Aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL no limite dos saldos previstos nos termos da diligência, sendo a trava de 30% ajustada pela nova base de cálculo ajustada pelo voto; 3)Aproveitamento das retenções feitas por órgãos públicos, esses nos termos do resultado de diligência para o IRPJ e CSLL, mas estendendo esse aproveitamento para as retenções do PIS e Cofins, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que tenham sido objeto de pagamento, com 150, §4º , é de cinco anos a partir do fato gerador. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE BENS NO ATIVO PERMANENTE. PROVA PARCIAL. Deve ser excluído do valor tributável considerado no lançamento o montante relativo a veículos adquiridos junto à Volkswagen que não estavam escriturados por serem objetos de contratos de arrendamento mercantil. PREJUÍZO FISCAL.BASE NEGATIVA DA CSLL.COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO - A determinação de matéria tributável, em procedimento de ofício, impõe, também, o direito ao contribuinte de compensar prejuízos fiscais, de exercícios anteriores, ainda pendentes de compensação na escrituração fiscal, limitados a 30% do lucro real no caso do IRPJ e do lucro líquido ajustado em relação à CSLL. IMPOSTO RETIDO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. O sujeito passivo logrou comprovar documentalmente as retenções de imposto na fonte por órgãos públicos, em sede de diligência, razão pela qual é devida sua dedução do imposto devido apurado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14041.001334/2008-94
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357159
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-001.196
nome_arquivo_s : Decisao_14041001334200894.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 14041001334200894_5357159.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM ACOLHER a decadência para os três primeiros trimestre de 2003 em relação ao IRPJ e CSLL; até novembro de 2003 em relação às contribuições sociais; e, no mérito, EM NÃO CONHECER em parte do recurso, em face da preclusão. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Marcelo Baeta Ippolito que conheciam da matéria por entenderem se tratar de matéria de ordem pública. E, na parte conhecida, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1)Para excluir da base de cálculo R$ 76.604,40 e R$ 155.529,99, 2o e 3º trimestres, respectivamente; 2)Aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL no limite dos saldos previstos nos termos da diligência, sendo a trava de 30% ajustada pela nova base de cálculo ajustada pelo voto; 3)Aproveitamento das retenções feitas por órgãos públicos, esses nos termos do resultado de diligência para o IRPJ e CSLL, mas estendendo esse aproveitamento para as retenções do PIS e Cofins, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
id : 5508128
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815265259520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2414; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 3.782 1 3.781 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.001334/200894 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.196 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2014 Matéria IRPJ/Reflexos Recorrente VIP SERVICE CLUB LOCADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. • O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que tenham sido objeto de pagamento, com 150, §4º , é de cinco anos a partir do fato gerador. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE BENS NO ATIVO PERMANENTE. PROVA PARCIAL. Deve ser excluído do valor tributável considerado no lançamento o montante relativo a veículos adquiridos junto à Volkswagen que não estavam escriturados por serem objetos de contratos de arrendamento mercantil. PREJUÍZO FISCAL.BASE NEGATIVA DA CSLL.COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO A determinação de matéria tributável, em procedimento de ofício, impõe, também, o direito ao contribuinte de compensar prejuízos fiscais, de exercícios anteriores, ainda pendentes de compensação na escrituração fiscal, limitados a 30% do lucro real no caso do IRPJ e do lucro líquido ajustado em relação à CSLL. IMPOSTO RETIDO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. O sujeito passivo logrou comprovar documentalmente as retenções de imposto na fonte por órgãos públicos, em sede de diligência, razão pela qual é devida sua dedução do imposto devido apurado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM ACOLHER a decadência para os três primeiros trimestre de 2003 em relação ao IRPJ e CSLL; até novembro de 2003 em relação às contribuições sociais; e, no mérito, EM NÃO CONHECER em parte do recurso, em face da preclusão. Vencidos os Conselheiros Alexandre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 13 34 /2 00 8- 94 Fl. 3782DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.783 2 Antonio Alkmim Teixeira e Marcelo Baeta Ippolito que conheciam da matéria por entenderem se tratar de matéria de ordem pública. E, na parte conhecida, por unanimidade de votos, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1)Para excluir da base de cálculo R$ 76.604,40 e R$ 155.529,99, 2o e 3º trimestres, respectivamente; 2)Aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL no limite dos saldos previstos nos termos da diligência, sendo a trava de 30% ajustada pela nova base de cálculo ajustada pelo voto; 3)Aproveitamento das retenções feitas por órgãos públicos, esses nos termos do resultado de diligência para o IRPJ e CSLL, mas estendendo esse aproveitamento para as retenções do PIS e Cofins, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 3783DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.784 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em BrasíliaDF. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratam os autos de lançamentos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), consubstanciados nos autos de infração às fl. 02/38, referentes aos anos calendários 2003 e 2004, com crédito tributário total de R$ 3.759.216,09, assim distribuídos: IRPJ R$ 2.380.916,65; CSLL R$ 895.768.39; Cofins R$ 370.549,73; PIS R$ 111.981,32. Consoante descrição dos fatos contida nos autos de infração e no Relatório de Verificação Fiscal (RVF) às fl. 528/530 (parte integrante daqueles), foram verificadas as seguintes irregularidades: Glosa de despesa apropriada a maior Ano 2003 Em resposta à intimação, o sujeito passivo respondeu por escrito anexando contratos de arrendamento mercantil (leasing) com a Volkswagen do Brasil referentes a 24 veículos e respectivas notas fiscais (fl. 65/99). Além disso anexou planilha indicando a aquisição total de 69 veículos em 2003 (fl. 61/62). Relativamente aos veículos adquiridos objeto de leasing, foram pagas três prestações mensais de cada contrato: 3 x (R$ 3.517,44), 3 x (R$ 6.322,59) e 3 x (R$ 7.023,87), totalizando R$ 50.591,70; sendo que foi contabilizado na conta Arrendamento Mercantil (fl. 46) o valor de R$ 249.738,00, superior à despesa efetiva em R$ 199.146,30. Este excedente foi glosado pela autoridade fiscal. Esta infração gerou lançamentos de IRPJ e de reflexo de CSLL; Omissão de receitas caracterizada pela ausência de escrituração de bens de natureza permanente (veículos) adquiridos junto à Volkswagen do Brasil nos anos 2003 e 2004 1) 2003 Conforme expediente da Volkswagen do Brasil, em resposta ao Termo de Diligência Fiscal de 15/06/2008, e a resposta do contribuinte acima mencionada,, a empresa adquiriu veículos no montante de R$ 1.488.693,67. Desse valor foram contabilizados apenas R$ ,215.057,26 na conta Veículos (fl. 47), caracterizando a falta de contabilização de bens do ativo permanente no valor de R$ 1.273.636,41, sendo devido o lançamento por omissão de receita neste montante; 2) 2004 Com referência aos 58 veículos adquiridos em 2004 no montante de R$ 1.555.031,07, confirmados pela Volkswagen do Brasil, conforme fl. 174/1777, o contribuinte não prestou esclarecimentos satisfatórios quanto à falta de escrituração dos mesmos no ativo permanente, sendo devido o lançamento de omissão de receita Fl. 3784DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.785 4 nesse montante. Esta infração gerou lançamentos de IRPJ e de reflexos de CSLL, PIS e Cofins; Falta de declaração do lucro operacional apurado na contabilidade da empresa a narração dos fatos foi a seguinte: "Na DIPJ do anocalendário 2003, a empresa apresentou todos os itens zerados, porem verificando na contabilidade Demonstração de Resultado as fls constatouse que a .empresa obteve lucro no período no valor de R$ 1.106.461,19. (Lucros não declarados)" (grifo no original). Esta infração gerou lançamentos de IRPJ e de reflexo de CSLL. Cientificado pessoalmente dos lançamentos em 03/12/2008, o sujeito passivo apresentou uma impugnação para cada lançamento em 02/01/2003, conforme segue: fl. 531/541 (CSLL), instruída com os documentos às fl. 542/636; fl. 637/645 (Cofins), instruída com os documentos às fl. 646/689; fl. 690/698 (PIS), instruída com os documentos às fl. 699/742; e fl. 743/753(IRPJ), instruída com os documentos às fl. 754/849. O teor das impugnações está resumido a seguir: IRPJ Ano 2003 Omissão de receitas por falta de contabilização de bens do permanente a autoridade fiscal considerou contabilizado apenas o montante de R$ 215.057,26 do valor total de veículos adquiridos, lançando omissão de receita de R$ 1.273.636,41. Entretanto, às fl. 209, 666 e 667 do Razão estão os lançamentos equivalentes às aquisições de 26 veículos Kombi e 24 veículos Gol adquiridos nos meses de agosto e setembro de 2003, conforme relação da Volkswagen, cujas contrapartidas estão registradas como exigibilidade na conta n° 2.1.1.01.020, às fl. 414, 417 e 427 do Razão. Ainda às fl. 209 e 661 estão contabilizadas as outras aquisições distantes na relação da *Volkswagen. Elaborou o demonstrativo à fl. 533 onde estão indicados todos os valores registrados contabilmente, totalizando R$ 1.031.157,16, que deverá ser desconsiderado do montante tributado no auto de infração como omissão de receitas; Falta de declaração de lucro operacional a fiscalização considerou como não declarado o lucro contábil de R$ 1.106.461,19 constante na Demonstração de Resultado à fl. 589 do Diário, tendo em vista que a DIPJ foi entregue zerada. Contudo, mesmo diante do erro da DIPJ, a forma de apuração do lucro foi trimestral, conforme balancetes trimestres em anexo (fl. 754/804). Do lucro líquido foram excluídos os valores não recebidos provenientes de faturas emitidas contra a Presidência da República, no total de R$ 1.979.208,87, consoante o disposto no art. 409 do RIR/99. Os lucros apurados nos 2o, 3o e 4o trimestres foram compensados com o prejuízo fiscal/base negativa apurado no Io trimestre. Apurados o imposto sobre os valores dos lucros após a compensação, o saldo a pagar foi "compensado" (deduzido) com as retenções realizadas pelos órgãos públicos. Elaborou o demonstrativo à fl. 534 indicando o exposto. Os valores apurados de IRPJ em cada trimestre foram devidamente apropriados na contabilidade, conforme fl. 284, 285, 423, 585 e 584 do Diário. Então, visto que a contabilidade registrou os valores apurados a título de IRPJ, não procede a autuação aplicada, Glosa de despesas matéria não contestada Fl. 3785DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.786 5 Ano 2004 Omissão de receitas por falta de contabilização de bens do permanente do montante de R$ 1.555.031,07, considerado omitido pela autoridade fiscal, deve ser excluído o valor de R$ 136.430,82, uma vez que as fl. 207, 208 e 212 do Razão possuem escrituração de parte das aquisições em abril, julho e agosto. Todos os veículos alcançados pela fiscalização foram adquiridos pela modalidade financeira leasing, no entanto os lançamentos não foram todos identificados em vista de que os contratos não foram localizados. Contudo, no decorrer da fiscalização solicitou as bancos o encaminhamento de cópia dos referidos documentos, conforme cópias das solicitações em anexo. Tais solicitações não foram atendidas em tempo hábil, mas os documentos serão anexados posteriormente. Como prova trouxe também cópias dos DUT de alguns veículos; Inconstitucionalidade da Multa de oficio alegou a inconstitucionalidade da multa de75%, pleiteando sua redução para 20%. No ano 2003, do valor tributável total considerado pela autoridade fiscal no lançamento, qual seja, R$ 2.579.243,90, restou impugnado o valor de R$ 2.137.618,35, havendo um valor não contestado de R$ 441.625,55, No ano 2004, o valor tributável do lançamento foi R$ 1.555.031,07, sendo impugnado R$ 136.430,82, restando um valor não contestado de R$ 1.418.600,25; Parte destes valores tributáveis não contestados devem ser compensados com o saldo não utilizado do prejuízo apurado no Io trimestre de 2003 (apurado no balancete em anexo), conforme demonstrativo à fl. 749. O imposto devido apurado com base na diferença do valor tributável após compensação, acrescido de juros e multa de 20%, deve ser "compensado" com o imposto retido na fonte por órgãos públicos (conforme anexo II fl. 805/807). Então, após todos estes ajustes, não há débito a título de IRPJ, razão pela qual é totalmente improcedente o lançamento; CSLL Os argumentos trazidos para contestar a omissão lançada em 2003 e 2004, a falta de declaração do lucro operacional apurado em 2003 e a multa de ofício são os mesmos apresentados para o lançamento de IRPJ; A contribuição devida calculada com base no valor tributável não contestado, acrescida de juros e multa de 20%, deve ser "compensado" com a contribuição retida na fonte por órgãos públicos (conforme fl. 592). Então, após todos estes ajustes, não há débito a título de CSLL, razão pela qual é totalmente improcedente o lançamento. PIS Os argumentos trazidos para contestar a omissão lançada e a multa de ofício são os mesmos apresentados para o lançamento de IRPJ; A contribuição devida calculada com base no valor tributável não contestado, acrescida de juros e multa de 20%, deve ser "compensado" com a contribuição retida na fonte por órgãos públicos (conforme fl. 700). Então, após todos estes ajustes, não há débito a título de PIS, razão pela qual é totalmente improcedente o lançamento. Fl. 3786DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.787 6 Cofins Os argumentos trazidos para contestar a omissão lançada e a multa de ofício são os mesmos apresentados para o lançamento de IRPJ; A contribuição devida calculada com base no valor tributável, não contestado, acrescida de juros e multa de 20%, deve ser "compensado" com a contribuição retida na fonte por órgãos públicos (conforme fl. 647). Então, após todos estes ajustes, não há débito a título de Cofins a recolher no montante de apenas R$ 144.803,61, conforme planilha à fl. 644. Razão pela qual é parcialmente procedente o lançamento. Requer a juntada posterior de documentos que se mostrarem necessários; É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE, por maioria de votos, os lançamentos, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 GLOSA DE DESPESAS. Matéria não impugnada. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE BENS NO ATIVO PERMANENTE. PROVA PARCIAL. Deve ser excluído do valor tributável considerado no lançamento o montante relativo a veículos adquiridos junto à Volkswagen cuja escrituração o sujeito passivo logrou comprovar quando da impugnação. FALTA DE DECLARAÇÃO DE LUCRO OPERACIONAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR. Não pode conviver em um mesmo lançamento a apuração do lucro real trimestral com a apuração anual. As infrações relativas à omissão de receitas e glosa de despesas foram corretamente lançadas considerando fatos geradores trimestrais, haja vista que o sujeito passivo não fez a opção pela apuração anual nos termos da lei. Em vista disso, não poderia ter sido incluído em 31/12/2003 o lucro operacional não declarado referente a todo o anocalendário, ou seja, adotandose a forma de apuração anual apenas para esta infração. Houve erro na identificação do fato gerador, violando o disposto no art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Nesse sentido súmula do Primeiro Conselho de Contribuintes. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DIREITO NÃO EXERCIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO PREJUÍZO FISCAL A COMPENSAR. A compensação de prejuízos fiscais é um direito do contribuinte que pode ser exercido ou não, a seu critério quanto à oportunidade. Demonstrado Fl. 3787DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.788 7 nos autos que o sujeito passivo não exerceu seu direito a compensar lucro apurado com prejuízo fiscal de período anterior, não pode a autoridade julgadora efetuar a compensação de ofício do valor tributável apurado em decorrência de infrações. Ademais, não restou comprovada existência do prejuízo fiscal a compensar. IMPOSTO RETIDO POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO INDEVIDA. O sujeito passivo não logrou comprovar documentalmente as retenções de imposto na fonte por órgãos públicos, razão pela qual não é devida sua dedução do imposto devido apurado. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. O processo foi baixado em diligência por esta Turma. A referida diligência resultou no relatório de fls. 3.752 e demais documentos que o acompanha, em que a auditoria fiscal retifica as bases de cálculos apuradas, mediante o aproveitamento dos prejuízos fiscais anteriores, assim como aproveita os tributos retidos, sendo que a Contribuinte foi intimada em 10/12/2013 das informações decorrentes da diligência empreendida, sendo instada para, em 30 (trinta) dias apresentar resposta. A Recorrente insurgese parcialmente (fls. 3758/3775) contra o resultado de diligência de fls. 3752. Reitera suas razões impugnatórias em relação à omissão de receita. Propugna pelo acolhimento parcial da decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. Alude pela primeira vez, erro no critério temporal da apuração do PIS e da COFINS. Insurge se contra o não aproveitamento do IRRF de um período trimestral para o outro. É o relatório. Fl. 3788DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.789 8 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Delimitação da lide A autuação se deveu ao cometimento de 3(três) infrações: Glosa de despesas Omissão de receitas por falta de contabilização de veículos no Ativo permanente (2003/2004) Falta de declaração do lucro operacional escriturado Estão fora da lide 2(duas) infrações: A primeira infração, glosa de despesas, pois tal e matéria não foi contestada desde a fase impugnatória, razão pela qual resta considerála fora da lide. A última infração também não faz mais parte da lide, uma vez que a DRJ canceloua. Portanto, restou para se analisada apenas a matéria relacionada à omissão de receitas. DECADÊNCIA Decadência é matéria de ordem pública daí porque passo a analisar o pedido da Recorrente que foi enunciado apenas na sua manifestação de inconformidade contra o retorno de diligência. Em relação à decadência, faço uso da tese jurisprudencial adotada pelo STJ, no sentido de entender que a aplicação do art.150, §4º, do CTN atrai a realização de um pagamento. Na ausência desse pagamento ou diante de fraude, dolo o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese também após 5 (cinco) anos, mas, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). Quanto à matéria, adoto, portanto, a posição consolidada do STJ, que na essência foi seguida pela DRJ para todos os impostos, inclusive para o caso que se cuida, o IRRF: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PETIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL ASSINADA POR ADVOGADO SEM Fl. 3789DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.790 9 PROCURAÇÃO NOS AUTOS. SÚMULA 115/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ..... 3. Nos créditos tributários relativos à contribuição previdenciária – tributo sujeito a lançamento por homologação – cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, caso em que se aplica o art. 173, I, do CTN, deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, escorreito o acórdão recorrido, o qual entendeu pela exigibilidade integral dos débitos referentes ao ano base de 1992. ..... 7. Recurso especial não conhecido.(Segunda Turma, REsp 1154592 / PR, Min. Castro Meira, Julg. 20/05/2010, DJe 02/06/2010). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando inocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de ofício substitutivo é determinado pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 2. Orientação reafirmada pela Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, sob o rito dos recursos repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C). 3. Agravo regimental improvido. (Primeira Turma, AgRg no REsp 1120220 / PR, Min. Hamilton Carvalhido, Julg. 18/05/2010, DJe 02/06/2010) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 3790DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.791 10 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). ..... 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Primeira Seção, REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, Julg. 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A Recorrente em síntese pleiteia a decadência, baseandose apenas na aplicação da regra do art. 150, §4º, do CTN. No caso concreto, houve pagamentos o que se constata através dos fontes (imposto retido por órgãos públicos). Uma vez admitida a premissa de que houve pagamentos, (ciência em 03/12/2008), pela regra do art. 150, §4º, do CTN acolhese parcialmente a decadência do IRPJ e CSLL para o 1º , 2º e 3º trimestres de 2003. Em relação às contribuições sociais cujos fatos geradores são mensais, acolhese parcialmente a decadência para o período de janeiro a novembro de 2003. 1) OMISSÃO DE RECEITAS – FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE VEÍCULOS NO ATIVO PERMANENTE 2003 E 2004 Conforme consta dos autos, entende a fiscalização que a Recorrente teria deixado de lançar em sua contabilidade no Ativo Permanente 69 (sessenta e nove) veículos "adquiridos" em 2003 e 58 (cinquenta e oito) em 2004 da Volkswagen do Brasil, o que levaria à presunção de omissão de receita. Para afastar essa acusação, a Recorrente apresentou a petição de fls. 2.495 e demais documentos que a acompanha, visando comprovar que 24 (vinte e quatro) destes veículos teriam sido "adquiridos" da VW do Brasil mediante arrendamento mercantil (leasing), e outros 30 (trinta) veículos adquiridos do Banco Safra, e por isso mesmo inexistiria obrigação para sua escrituração em contas do ativo permanente afastando, desse modo, o pressuposto básico da acusação de omissão de receita. A decisão de piso, abaixo reproduzida em parte, em síntese tenta demonstrar que os referidos contratos de Leasing se referem a outros veículos que não os considerados pela autoridade fiscal como não escriturados. Porém, como foi acolhido a decadência para os três primeiros trimestres de 2003, a matéria será tratada apenas no escopo envolvendo o 4a trimestre de 2003 em diante, senão vejamos: Fl. 3791DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.792 11 A autoridade fiscal considerou que nenhum veículo adquirido em 2004 foi escriturado no ativo permanente, considerando omitido todo o montante de R$ 1.555.031,07, conforme demonstrativo à fl. 42, (..). A análise dos fundamentos da autoridade fiscal e do contribuinte por mim efetuada seguirá a sequência dos anoscalendário, ou seja, primeiro tratarei dos lançamentos referentes a 2003, para, após, passar ao ano 2004. Ressaltese que o entendimento aqui proferido aplicase aos lançamentos de IRPJ e seus reflexos de PIS, Cofins e CSLL. (...) Por fim, no quarto trimestre está escriturado em outubro um total de R$ 215.057,26, reconhecido pela própria autoridade fiscal, que não o tributou como receita omitida, excluindoo do montante total de veículos vendidos informados pela Volkswagen. Há também um registro de R$ 350.000,00, efetuado em 30/12/2003, cujo histórico indica ser ajuste de saldo, que, portanto, não se refere a registro de veículo adquirido. Logo, tal montante não pode ser excluído do valor tributável considerado pela autoridade fiscal. Acertado o lançamento para este período de apuração, Para o 4a trimestre de 2003, nada a reparar na decisão de piso, uma vez que nada foi lançado no 4a trimestre referente à essa infração, conforme tabela às fls. 278 abaixo reproduzida, bem assim auto de infração fls. 207. Matriz Filial Total 1° Trimestre 26.941,77 0,00 26.941,77 2ª Trimestre 297.019,20 0,00 297.019,20 3o Trimestre 949.675,44 0,00 949.675,44 4o Trimestre 0,00 0,00 0,00 TOTAL 1.273.636,41 0,00 1.273.636,41 Fonte: Planilha encaminhada pela Wolkswagen do Brasil Ind de V. Automotores Ltda Obs: Valores lançados por trimestre conforme N.Fiscais fls. 69/99 Em relação ao ano de 2004, a DRJ assim manteve o lançamento: Ano 2004 Em relação ao ano 2004 o sujeito passivo alegou que escriturou parte das aquisições em abril, julho e agosto, em um total de R$ 136.430,82, e que tais lançamentos constam nas fl. 207, 208 e 212 do Razão. As cópias do Razão estão às fl. 847, 848 e 849. Em tais páginas do Razão, além de não haver qualquer indicação do número da conta a que se referem os lançamentos contábeis, estes possuem históricos que indicam que são registros de despesas com consórcio e despesas com leasing, mas não registros em ativo permanente. Então, a meu ver, tais documentos não servem como prova de escrituração de veículos em conta de ativo permanente. Não bastasse isso, há outro fato que solapa a argumentação do sujeito passivo de forma incontestável. Conforme os balancetes por ele carreados aos autos em fase de impugnação, anexados às fl. 779/804, a conta do ativo permanente referente a Fl. 3792DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.793 12 veículos não foi acrescida de qualquer montante durante o ano de 2004. Tal fato pode ser verificado especificamente às fl. 780, 786, 792 e 798. Ora, se o próprio sujeito passivo afirma, em balancete por ele elaborado para sua defesa, que não houve qualquer registro na conta Veículos durante o ano 2004, não resta qualquer dúvida de que os lançamentos nas páginas do Razão referidas anteriormente não tratam da conta Veículos. Em vista disso, cabe considerar que o sujeito passivo não comprovou a escrituração do montante de R$ 136.430,82, não havendo, em consequência, qualquer ajuste a ser feito no lançamento para este período de apuração. Essa infração foi assim distribuída temporalmente e por matriz/filial: Tabela 1 Matriz Filial Total 1o trimestre 436.070,34 0,00 436.070,34 2o trimestre 34.417,87 102.139,20 136.557,07 3o trimestre 227.220,25 599.115,48 826.335,73 4o trimestre 156.067,93 0,00 156.067,93 TOTAL 853.776,39 701.254,68 1.555.031,07 Fl. 3793DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.794 13 Tabela 2 Relação de veículos que fizeram parte autuação referente a 2004 Nota Fiscal Emissão Valor Código Descri ção Cor Modelo Chassi 24.037 23/1/2004 20.507,95 5X1LM4 GOL 1.0 8VGAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X14T083495 24.039 23/1/2004 20.507,95 5X1LM4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X34T083997 24.040 23/1/2004 20.507,95 5X1LM4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL -2004- 9BWCA05X44T083037- 24.041 23/1/2004 20.507,95 5X1LM4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X54T084567 24.045 23/1/2004 20.507,95 5X1LM4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X54T084987 33.731 17/2/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X24T099576 33.734 17/2/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X24T099626 33.736 17/2/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X84T099730 34.284 18/2/2004 29.981,61 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X74T100138 34.494 18/2/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05XX4T100358 34.608 19/2/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X24T100936 43.618 15/3/2004 29.622,64 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05XX4T112865 43.954 28/2/2004 25.806,42 3X23A4 SANTANA 1.8 GAS. PRETO NINJA 2004 9BWAC03X94P002482 44.083 16/3/2004 29.622,64 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X84T113240 46.616 11/3/2004 32.433,63 3X23C4 SANTANA 2.0 GAS. PRETO NINJA 2004 9BWAE03X84P003889 53.883 29/3/2004 34.179,60 9A22K4 POLO SEDAN 1.6 GAS. CINZA BÁLTICO 2004 9BWJB49N94P023431 83.552 22/6/2004 34.417,87 3X23C4 SANTANA 2.0 GAS. PRETO NINJA 2004 9BWAE03X34P005906 84.174 24/6/2004 25.534,80 7X21A1 KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWGB07X64P008697 84.543 24/6/2004 25.534,80 7X21A1 KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWGB07X14P008736 84.660 25/6/2004 25.534,80 7X21Al KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004- 9BWGB07X34P008785 85.228 28/6/2004 25.534,80 7X21A1 KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWGB07XX4P008833 Total PROVADO 2o Trim 76.604,40 87.416 6/7/2004 25.534,80 7X21A1 KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWGB07X74P009082 87.666 7/7/2004 25.534,80 7X21A1 KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWGB07X64P009140 87.763 7/7/2004 25.534,80 7X21A1 KOMBI 1.6 GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWGB07X94P009164 Fl. 3794DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.795 14 OBS: Nos Registros negritados acima, o contribuinte no aditivo ao seu Recurso voluntário conseguiu provar que se tratava de Leasing. O contribuinte em seu recurso aperfeiçoa sua defesa trazendo provas (aditivo ao recurso) de que alguns veículos apesar de adquiridos por compra e venda, foram objetos subseqüente de arrendamentos mercantis, desbrigandoo assim da escrituração dos mesmos no ativo imobilizado. De fato, em regra geral, o fato de um veículo que compõe o acervo patrimonial do contribuinte não estar escriturado em seu ativo imobilizado conduz à omissão de receitas, porém se o contribuinte prova que a aquisição se deu por meio de contrato de arrendamento mercantil, então a falta desse registro, não mais pode conduzir àquela ilação, uma vez que o arrendamento mercantil deve ser considerado como custos ou despesas operacionais, não sendo, portanto, escriturados no ativo permanente como comanda o dispositivo legal abaixo colacionado do RIR/99: Art. 356. Serão consideradas, como custo ou despesa operacional da pessoa jurídica arrendatária, as contraprestações pagas ou creditadas por força de contrato de arrendamento mercantil (Lei n° 6.099, de 12 de setembro de 1974, art. 11). O contribuinte no seu aditivo ao recurso voluntário em relação ao ano calendário de 2004, só consegui colacionar provas vinculando os veículos constantes da tabela acima nos casos em que o registro está em negrito. Nota Fiscal Série Emissão Valor Código Descrição Cor Modelo Chassi Estabelecimento 024.037 31 23/01/2004 20.507,95 5X1LM 4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X14T0834 95 59.104.422/002446 024.039 31 23/01/2004 20.507,95 5X1LM 4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X34T0839 97 59.104.422/002446 024.040 31 23/01/2004 20.507,95 5X1LM 4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X44T0830 37 59.104.422/002446 024.041 31 23/01/2004 20.507,95 5X1LM 4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X54T0845 67 59.104.422/002446 024.045 31 23/01/2004 20.507,95 5X1LM 4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2004 9BWCA05X54T0849 87 59.104.422/002446 033.731 31 17/02/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X24T0995 76 59.104.422/002446 033.734 31 17/02/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X24T0996 26 59.104.422/002446 033.736 31 17/02/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X84T0997 30 59.104.422/002446 034.284 31 18/02/2004 29.981,61 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X74T1001 38 59.104.422/002446 034.494 31 18/02/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05XX4T1003 58 59.104.422/002446 034.608 31 19/02/2004 30.376,81 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X24T1009 36 59.104.422/002446 043.954 44 28/02/2004 25.806,42 3X23A4 SANTANA 1.8 GAS. PRETO NINJA 2004 9BWAC03X94P0024 82 59.104.422/005704 046.616 44 11/03/2004 32.433,63 3X23C 4 SANTANA 2.0 GAS. PRETO NINJA 2004 9BWAE03X84P0038 89 59.104.422/005704 043.618 31 15/03/2004 29.622,64 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05XX4T1128 65 59.104.422/002446 044.083 31 16/03/2004 29.622,64 5X52S4 PARATI 1.6 TOTAL FLEX CINZA BÁLTICO 2004 9BWDB05X84T1132 40 59.104.422/002446 053.883 44 29/03/2004 34.179,60 9A22K4 POLO SEDAN 1.6 GAS. CINZA BÁLTICO 2004 9BWJB49N94P02343 1 59.104.422/005704 1° Trim 436.070,34 083.552 44 22/06/2004 34.417,87 3X23C 4 SANTANA 2.0 GAS. PRETO NINJA 2004 9BWAE03X34P0059 06 59.104.422/005704 2° Trim 34.417,87 095.617 44 04/08/2004 33.936,17 3X23C 4 SANTANA 2.0 GAS. CINZA COSMOS 2004 9BWAE03XX4P0064 68 59.104.422/005704 097.142 44 10/08/2004 42.596,44 9A23L4 POLO SEDAN 2.0 GAS. CINZA BÁLTICO 2005 9BWJE09N95P00162 5 59.104.422/0057 04) 111.402 31 20/09/2004 19.477,35 5X1LM 4 GOL 1.0 8V GAS. BRANCO GLACIAL 2005 9BWCA05X55T0356 14 59.104.422/002445 111.546 44 23/09/2004 42.904,37 9A23L4 POLO SEDAN 2.0 GAS. CINZA BÁLTICO 2005 9BWJE49N65P01063 1 59.104.422/00570$ Fl. 3795DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.796 15 No caso a prova se caracteriza por declarações das empresas de arrendamento mercantil atestando que o veículo em referência foi objeto de arrendamento mercantil, apesar de terem sido adquiridos da Wolksvagen. O ateste possui o seguinte modelo: Recibo de Venda Recebemos a importância de R$ 14 .128,49 ( QUATORZE MIL E CENTO E VINTE E OITO REAIS E QUARENTA E NOVE CENTAVOS) em pagamento do bem abaixo caracterizado, no estado em que se encontra e conforme examinado pelo comprador, objeto que foi do contrato de arrendamento mercantil a seguir especificado: Contrato n2 : 75.072.2932 Vendedor : SAFRA LEASING SA ARR MERCANTIL Endereço : AV. BRASIL, 78 POA SP CNPJ : 62.063.177/000194 41/ Comprador : VIP SERVICE CLUB LOCADORA LTDA Endereço : AER ST LOCADORA LT 12 LAGO SUL BRASILIA DF CNPJ/CPF : 02.605.452/000122 Características do bem CHASSIS 9BWGB07)(53P015915 : MARCA VW MODELO KOMBI TIPO KOMBI ANO 2003 COR BRANCA PLACA JGM8709 RENAVAM 811568687 (...) Declaração de Venda Declaramos para fins de obtenção do Certificado de Propriedade junto ao órgão de trânsito competente, que o veiculo acima descrito, foi objeto de arrendamento mercantil, conforme contrato acima citado. (...) Da mesma forma que a DRJ fez não se pode aceitar a prova incompleta feita pela Recorrente em sede impugnatória, onde colacionou alguns registros contábeis tentando demonstrar a existência de despesas com leasing. É que nesses casos ela não trouxe os elementos probantes que lastreariam essa prova (contratos, recibos). Faz referência ao número do contrato no registro contábil, mas não os traz para que se possa pelo menos vinculálo aos chassis dos veículos que entraram no rol da atuação. A prova nesse caso é ônus do contribuinte e não se pode alegar que não foi lhe fornecido tempo suficiente para fazêlo, dado o lapso de tempo que transcorreu entre o início de fiscalização, a apresentação de recurso e contrarrazões ao retorno de diligência. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso nesse item para excluir da base de cálculo do lançamento no anocalendário de 2004, os valores de R$ 232.134,39, sendo que R$ 76.604,40 para o 2o trimestre de 2004 e R$ 155.529,99 para o 3o trimestre de 2004. A autoridade executora desse acórdão deve fazer os ajustes necessário em relação ao aproveitamento de prejuízos e base negativa da CSLL (trava de 30%) e compensação do IRRF constante do resultado de diligência. 1.1) Aproveitamento das compensações limitadas a 30% Fl. 3796DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.797 16 A esse respeito, a Contribuinte defendeu a utilização dos seus estoques de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, não considerados pela Autoridade Fiscal quando da apuração da base de cálculo. A DRJ, negou esse aproveitamento em função da falta de demonstração dessa vontade na Declaração. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DIREITO NÃO EXERCIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO PREJUÍZO FISCAL A COMPENSAR. A compensação de prejuízos fiscais é um direito do contribuinte que pode ser exercido ou não, a seu critério quanto à oportunidade. Demonstrado nos autos que o sujeito passivo não exerceu seu direito a compensar lucro apurado com prejuízo fiscal de período anterior, não pode a autoridade julgadora efetuar a compensação de ofício do valor tributável apurado em decorrência de infrações. Ademais, não restou comprovada existência do prejuízo fiscal a compensar. Divirgi da posição adotada pela DRJ, pois a jurisprudência administrativa é pacífica no sentido do aproveitamento de ofício, se houver, de saldo de prejuízos fiscais ou bases de cálculo negativas, independente da opção ter sido expressa na declaração de rendimentos. É que a lei não distingue entre o lucro tributável declarado e o apurado em lançamento suplementar, podendo ambos, portanto, serem alvos da compensação de prejuízos fiscais, caso o contribuinte aceite. Neste sentido há ampla jurisprudência administrativa, a exemplo das ementas a seguir trasladadas: COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO A ação fiscal deve levar em conta, ao proceder o lançamento de ofício, os prejuízos declarados pelo contribuinte, compensandoos. A compensação independe de opção na declaração de rendimentos." (Ac. 1° CC 10177.400/87 Resenha Tributária, Jurisprudência do IR, Vol. 1.21, pág. 50) "PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTADA PELA FISCALIZAÇÃO A determinação de matéria tributável, em procedimento de ofício, impõe, também, o direito ao contribuinte de compensar prejuízos fiscais, de exercícios anteriores, ainda pendentes de compensação na escrituração fiscal." (Ac. 1º CC 10319820/98) Outrossim, a declaração de rendimentos foi entregue zerada não sendo possível nessa situação indicar o aproveitamento de prejuízos. Do exposto, o presente processo seguiu para diligência, de forma que os valores dos Prejuízos Fiscais e da Base Negativa da CSLL ainda não compensados, ou seja, passíveis de compensação e limitados a 30% do lucro líquido ajustado, o fossem a partir de investigação do Sapli e do Lalur. O Relatório de Diligência Fiscal cumpriu esse desiderato, de forma que quanto a esse aspecto dou provimento parcial ao recurso para considerar o aproveitamento desses prejuízos e bases negativas (com a trava dos 30%), nos moldes feitos pela fiscalização nos relatórios de fls. 3751/3754. Aproveitamento do IR Fonte do período autuado Outrossim, o sujeito passivo pleiteou também a dedução do IRPJ e da CSLL devidos apurados com base na diferença do valor tributável após compensação com o imposto Fl. 3797DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.798 17 e a contribuição retidos na fonte por órgãos públicos. Tal matéria também foi submetida à diligência. .Muito embora a fiscalização tenha se queixado de que a Recorrente não cumpriu com todas as solicitações feitas à mesma na tentativa de investigar a veracidade das referidas retenções, terminou por se utilizar dos meios de que dispunha e aproveitouas nos moldes do Relatório Fiscal de fls. 3751 e tabelas de fls. 3753 e 3754. A Recorrente em sua manifestação de inconformidade de fls. 3758/3775 contra o retorno de diligência acata apenas parcialmente o procedimento da fiscalização. Aduz que a mesma não fez a compensação de ofício dos IRRF de um trimestre para o outro. Porém, vejo que o pedido da Recorrente extrapola o escopo da diligência e pleiteia algo fora da competência da fiscalização. Como não existe pedido de compensação de imposto retido na fonte, na verdade a Recorrente pleiteia que se apure o saldos negativos de cada trimestre e faça a compensação dos mesmos. Ora, mas essa compensação é direito da pessoa jurídica que pode ser exercido ou não e tem todo um procedimento para fazêlo, principalmente após a instituição do novo regime de compensações inaugurado pela sistemática da PER/Dcomp. Toda e qualquer compensação precisa estar declarada previamente em uma Dcomp, o que não aconteceu. Outrossim, embora não tenha sido pedido no escopo da diligência, na mesma linha de raciocínio, dou provimento parcial para reconhecer as retenções de PIS e Cofins retidos nas mesmas fontes em que foram reconhecidos as retenções do IRPJ e CSLL (Órgãos públicos) que deverão ser excluídos do crédito tributário em cada período. Portanto, dou provimento parcial ao aproveitamento das retenções nos termos do resultado de diligência constante nas tabelas de fls. 3753 e 3754, estendido na forma do parágrafo anterior. Alegação de erro no fato gerador do PIS/COFINSPRECLUSÃO A Recorrente na fase impugnatória bem assim no seu recurso não se insurgiu quanto a erro no fato gerador das contribuições. Apenas nas contrarrazões ao retorno de diligência que o faz. Portanto, considero tal matéria preclusa e não conheço de suas razões. Multa confiscatória Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Fl. 3798DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001334/200894 Acórdão n.º 1401001.196 S1C4T1 Fl. 3.799 18 Como se vê, a aplicação da multa de 75% prevista em norma legal e vigente não pode ser afastada,. Quanto às alegações de ofensa a princípios constitucionais, cabe esclarecer que a a autoridade administrativa é vinculada a lei válida e vigente, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálas, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste Conselho (atual Primeira Sessão do CARF): Súmula 1ºCC nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Portanto, mantenho a multa de 75%. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção em parte das exigências lançadas por via reflexa. Por todo o exposto, acolher a decadência para os (3) três primeiros trimestres de 2003 em relação ao IRPJ e CSLL e até novembro de 2003 em relação às contribuições socias, e, no mérito, não conheço em parte do recurso, em face da preclusão e, na parte conhecida, dou provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo R$ 76.604,40 e R$ 155.529,99, 2o e 3º trimestres, respectivamente; aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL no limite de 30% nos termos da diligência; bem assim o aproveitamento das retenções feitas por órgãos públicos, sendo estendidos o aproveitamento também para o PIS e Cofins na sistemática não cumulativa, esses dois últimos provimentos nos termos do resultado de diligência e considerando o ajuste feito na base de cálculo. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3799DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13007.000332/2003-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por qualidade, conhecer parcialmente quanto à primeira e à terceira omissões alegadas. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça que conheciam integralmente dos embargos. Em segunda votação, vencidos Odassi Guerzoni, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que conheciam quanto à segunda e à terceira omissões. Quanto ao mérito, decidiu-se pelo sobrestamento com base no art. 62-A. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13007.000332/2003-27
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366708
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-000.575
nome_arquivo_s : Decisao_13007000332200327.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
nome_arquivo_pdf_s : 13007000332200327_5366708.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por qualidade, conhecer parcialmente quanto à primeira e à terceira omissões alegadas. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça que conheciam integralmente dos embargos. Em segunda votação, vencidos Odassi Guerzoni, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que conheciam quanto à segunda e à terceira omissões. Quanto ao mérito, decidiu-se pelo sobrestamento com base no art. 62-A. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
id : 5560470
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815278891008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1662; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 468 1 467 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13007.000332/200327 Recurso nº 259.737Embargos Resolução nº 3401000.575 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de outubro de 2012 Assunto PIS Embargante IPIRANGA PETROQUÍMICA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por qualidade, conhecer parcialmente quanto à primeira e à terceira omissões alegadas. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça que conheciam integralmente dos embargos. Em segunda votação, vencidos Odassi Guerzoni, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori, que conheciam quanto à segunda e à terceira omissões. Quanto ao mérito, decidiuse pelo sobrestamento com base no art. 62A. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 07 .0 00 33 2/ 20 03 -2 7 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13007.000332/200327 Resolução nº 3401000.575 S3C4T1 Fl. 469 2 Relatório Trata o presente processo de Embargos de Declaração, protocolados pela contribuinte Ipiranga Petroquimica S/A, referentes à decisão de 18.3.2010 proferida por esta câmara. Por considerar suficiente para a compreensão do processo, adoto o relatório proferido por esta Câmara, por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário da contribuinte: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação de débito do PIS, COFINS e IRRF no valor total de R$ 381.091,15 (fl.138) com crédito do PIS nãocumulativo do 3º trimestre de 2003 (fl.139). Após verificação contábil, a fiscalização constatou as seguintes irregularidades no crédito da contribuinte (fls. 157/160): 1 Falta de inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS não cumulativo, no período de dezembro de 2002 a janeiro de 2004, contrariando o art. I o da Lei n° 10.637/2002; 2 Falta de diferenciação entre os créditos oriundos de operações no mercado interno e os créditos de exportação, considerando todos os créditos como de mercado interno, o que possibilita a compensação somente com o próprio PIS dos meses subseqüentes; 3 As demais receitas foram subtraídas da base de cálculo, quando deveriam ser calculadas. Diante dessas razões, o Delegado da Receita Federal em Porto AlegreRS reconheceu parcialmente o crédito no valor de R$ 510.221,56 e a compensação foi homologada até o limite do crédito reconhecido (fl.204). Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.247/262), alegando, em resumo, que o crédito presumido do IPI é mero redutor de gasto, não configurando receita e esse entendimento se coaduna com a jurisprudência do TRF da 4ª Região, do STJ e do Conselho de Contribuintes. A DRJ em Porto AlegreRS prolatou acórdão (fls.326/327) indeferindo o pleito da contribuinte, sob fundamentação de que o PIS incide sobre qualquer receita independentemente da classificação contábil, havendo exceções somente se a lei expressamente assim determinar. Como não há lei que exclua expressamente o crédito presumido do IPI da incidência do PIS, aquele crédito compõe a base de calculo desta contribuição. A contribuinte foi intimada do acórdão em 23006/2008 (fl.350) e interpôs Recurso Voluntário em 24/07/2008 (fls.351/365), reforçando as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentando que, se o crédito presumido não é receita, não necessita de disposição expressa para sua exclusão da base de cálculo do PIS, haja vista a contribuição incidir somente sobre receita. Por fim, pediu a homologação integral da compensação. É o Relatório.” Fl. 470DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13007.000332/200327 Resolução nº 3401000.575 S3C4T1 Fl. 470 3 Em 18.3.2010, esta câmara decidiu por negar o Recurso sob o fundamento de que o PIS incide sobre qualquer receita independentemente da classificação contábil e que as possíveis exclusões devem estar previstas em lei, portanto não caberia a exclusão do Crédito do IPI, uma vez que não existe norma permissiva para tanto. Em 16.11.2011, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 17.11.2011, protocolou embargo de declaração, alegando que houve omissão, em síntese, dos seguintes pontos: a) O voto vencedor não cita os argumentos do Recurso Voluntário, ou seja, os argumentos de que a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS representa conduta própria contraditória e, especialmente, que representará ilegal e inconstitucional exigência de Contribuição para o PIS sobre receitas decorrentes de exportação; b) O ponto central do tema do julgamento também deixou de ser apreciado; c) Não restou analisada se a natureza jurídica do crédito presumido do IPI seria efetivamente receita; Por fim a contribuinte requer que sejam recebidos seus embargos de declaração, acolhidos e providos, inclusive para procederse ao préquestionamento da matéria para fins de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais, a fim de sanar omissão: a) Quanto à análise dos argumentos acerca da natureza jurídica do crédito presumido do IPI, que entende a Embargante não se tratar de receita na linha do subcapítulo 3.4 do Recurso Voluntário; b) Sobre o fundamento de que a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS encontrará óbice na vedação ao venire contra factum proprium, conforme argumentado no subcapítulo 3.5 do Recurso Voluntário; c) Quanto à análise do argumento de que restariam violados o art. 5º, Inc. I, da Lei nº 10.637/02 e também o Inc. I do parágrafo 2º do art. 149 da Constituição Federal, como exposto no subcapítulo 3.6 do Recurso Voluntário. A contribuinte requer ainda que se apliquem os efeitos infringentes aos presentes embargos de declaração, dandose provimento ao Recurso Voluntário e prestigiando se a jurisprudência que se encontrava pacificada no âmbito da presente turma. É o relatório. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 13007.000332/200327 Resolução nº 3401000.575 S3C4T1 Fl. 471 4 Voto Verificada a tempestividade da interposição destes embargos, passo a apreciá los A recorrente alega que toda a matéria não foi devidamente questionada, declarando que não foi feita a análise dos argumentos acerca da natureza jurídica do crédito do IPI, que a embargante entende não se tratar de receita. Devo ressaltar que a matéria sobre se o crédito presumido de IPI integra ou não a base de cálculo do PIS e da COFINS está sob análise do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº. 593.544, com repercussão geral já definida pela corte. Assim não pode o presente processo ser analisado nesta oportunidade, impondose o sobrestamento do julgamento em conformidade com o § 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Como consta no site daquele Tribunal na internet, consultado em 15 de outubro de 2012, o debate no RE nº. 593.544 (tema 504) versa sobre o seguinte: Recurso extraordinário, em que se discute, à luz dos artigos 149, § 2º, I, 150, § 6º e 195, I, da Constituição Federal, a possibilidade, ou não, de o crédito presumido do IPI decorrente de exportações, instituído pela Lei 9.363/96, integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. Frente a todo o exposto, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a incidência do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS. Apenas após decisão transitada em julgado sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902521/2012-45
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/11/2008
INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/11/2008 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10073.902521/2012-45
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358011
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.517
nome_arquivo_s : Decisao_10073902521201245.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10073902521201245_5358011.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5513755
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815309299712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 139 1 138 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.902521/201245 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.517 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de maio de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente VIACAO CIDADE DO ACO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/11/2008 INVALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, não há que se falar em invalidade do despacho decisório por vícios relativos à forma. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 25 21 /2 01 2- 45 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902521/201245 Acórdão n.º 3801003.517 S3TE01 Fl. 140 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902521/201245 Acórdão n.º 3801003.517 S3TE01 Fl. 141 3 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior no valor original na data de transmissão de R$ 19.401,18. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em sede preliminar, a invalidade do ato administrativo por não ter preenchido o requisito com relação à Forma, perdendo o Despacho Decisório o seu objeto; No mérito aduz que a compensação originouse de sobra de valor de COFINS pago a maior e não retificado em DCTF, sendo certo que, persistindo a não homologação do PER/DCOMP apresentado, estará sendo o contribuinte obrigado a pagar tributos duplamente, em flagrante desrespeito à legislação vigente; Tece considerações acerca da ilegalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários e sua inaplicabilidade como índice de atualização de débitos fiscais, fazendo menção a jurisprudência do Judiciário, devendo ser aplicado o percentual de 1% ao mês e sem capitalização, previsto no CTN; Da ilegalidade da multa proposta, fazendo menção a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, para enfatizar o efeito confiscatório da multa exigida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de invalidade do ato administrativo, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902521/201245 Acórdão n.º 3801003.517 S3TE01 Fl. 142 4 Data do fato gerador: 30/11/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à invalidade do ato administrativo, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação dos valores. É o Relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902521/201245 Acórdão n.º 3801003.517 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de COFINS, Código de Receita 2172, cujo período de apuração se deu em 30/11/2008 e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de invalidade do ato administrativo entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, Código de Receita 2172, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902521/201245 Acórdão n.º 3801003.517 S3TE01 Fl. 144 6 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio de forma que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no pagamento do DARF e preenchimento da DCTF e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN RFB 900/2008, vigente à época, assim como as alterações posteriores, que disciplinava o procedimento de compensação, previa no seu art. 38 que o tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10073.902521/201245 Acórdão n.º 3801003.517 S3TE01 Fl. 145 7 Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A alegação de que essa multa possui caráter confiscatório não pode ser analisada por este Conselho já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, o que é vedado, conforme entendimento consolidado por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/07/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902041/2009-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3802-003.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : null null
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10073.902041/2009-89
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358500
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.099
nome_arquivo_s : Decisao_10073902041200989.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10073902041200989_5358500.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5515182
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815317688320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1716; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 127 1 126 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.902041/200989 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802003.099 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Compensação Recorrente Samer Serviços de Assistência Médica de Resende S/C Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 41 /2 00 9- 89 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902041/200989 Acórdão n.º 3802003.099 S3TE02 Fl. 128 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902041/200989 Acórdão n.º 3802003.099 S3TE02 Fl. 129 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000511/2004-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002, 2003
CIDE-TECNOLOGIA. CONSTRUÇÃO DE CABOS SUBMARINOS. ATIVO IMOBILIZADO. Não incide o Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE-Tecnologia sobre as remessas de recursos para o exterior para a construção, em regime de consórcio, de cabos submarinos destinados a ampliação da rede de comunicações internacionais por configurarem aquisição de ativo imobilizado.
SOFTWARE - Remessa ao exterior realizada para pagamento de licença de uso de software ou aquisição de software de prateleira, ainda que cópia única, não está sujeita à incidência da CIDE, conforme manifestação expressa da Administração Pública, confirmada pela delimitação de não incidência dada pela Lei nº 11.452/2007, de caráter interpretativo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2002, 2003 CIDE-TECNOLOGIA. CONSTRUÇÃO DE CABOS SUBMARINOS. ATIVO IMOBILIZADO. Não incide o Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE-Tecnologia sobre as remessas de recursos para o exterior para a construção, em regime de consórcio, de cabos submarinos destinados a ampliação da rede de comunicações internacionais por configurarem aquisição de ativo imobilizado. SOFTWARE - Remessa ao exterior realizada para pagamento de licença de uso de software ou aquisição de software de prateleira, ainda que cópia única, não está sujeita à incidência da CIDE, conforme manifestação expressa da Administração Pública, confirmada pela delimitação de não incidência dada pela Lei nº 11.452/2007, de caráter interpretativo. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 18471.000511/2004-82
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352650
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-001.601
nome_arquivo_s : Decisao_18471000511200482.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 18471000511200482_5352650.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Luiz Roberto Domingo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5486059
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815327125504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2125; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3.390 1 3.389 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000511/200482 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.601 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria CIDE Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S/A EMBRATEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002, 2003 CIDETECNOLOGIA. CONSTRUÇÃO DE CABOS SUBMARINOS. ATIVO IMOBILIZADO. Não incide o Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDETecnologia sobre as remessas de recursos para o exterior para a construção, em regime de consórcio, de cabos submarinos destinados a ampliação da rede de comunicações internacionais por configurarem aquisição de ativo imobilizado. SOFTWARE Remessa ao exterior realizada para pagamento de licença de uso de software ou aquisição de software de prateleira, ainda que cópia única, não está sujeita à incidência da CIDE, conforme manifestação expressa da Administração Pública, confirmada pela delimitação de “não incidência” dada pela Lei nº 11.452/2007, de caráter interpretativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 05 11 /2 00 4- 82 Fl. 3391DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Por bem descrever os autos, adoto relatório de 721 e seguintes, da Resolução 310100.068, de 16/11/2009: Cuidase de recurso voluntário contra acórdão unânime da Oitava Turma da DRJ Rio de Janeiro (RJ) que julgou parcialmente procedente o lançamento da contribuição de intervenção no domínio econômico (Cide) 1 2 , acrescida de juros de mora equivalentes à taxa Selic e de multa de ofício (75%, passível de redução) 3, vinculada aos fatos geradores do período de janeiro de 2002 a outubro de 2003. A ciência dos lançamentos se deu no dia 11 de maio de 2004. Segundo a denúncia fiscal (Termo de verificação de folhas 133 a 136 e descrição dos fatos de folhas 140 e 141.) , o contribuinte fez uso de diferentes critérios para a determinação da base de cálculo da contribuição: ora nela incluindo, ora dela excluindo, serviços técnicoprofissionais prestados por residentes ou domiciliados no exterior. Consta do termo de verificação fiscal de folhas 133 a 136, que o sujeito passivo da obrigação tributária justificou somente ser devido o tributo nos casos de serviços técnicos prestados com transferência de tecnologia. Consta, também, manifestação verbal e genérica em que alega fora da incidência da Cide a aquisição de "software cópia única". Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório com as razões de folhas 173 a 190 (volume I), aditadas às folhas 354 a 356 (volume III), assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: a autuação referiuse a quatro grupos de operações; no primeiro, ela é que foi a beneficiária, conforme demonstrativo de fls. fsicj 175, e documentos de fls. 241/258, pois, recebeu divisas destas operações, em face dos serviços que prestou às empresas Cable and Wireless e Telefônica Argentina, não havendo que se falar em fato gerador da CIDE, pois, não se tratou de remessas para o exterior e sim, de recebimentos; no segundo, já havia recolhido a CIDE correspondente às operações, que estão demonstradas e apontadas às fls. 176, conforme comprovam os documentos de fls. [sic] 260; ... além disto, o tributo foi declarado na respectiva DCTF, que por si só, afastaria a multa de oficio, fls. 261/266; no terceiro, as operações que geraram a autuação referiramse à aquisição de imobilizado, isto é, as remessas correspondentes objetivaram a cobertura de despesas de construção de cabos submarinos pelas empresas Flag 1 Remessa de valores ao exterior (pagamentos de softwares e de outros serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, prestados por residentes ou domiciliados no exterior). Lei 10.168, de 29 de dezembro de 2000, artigos 2° e 3 o , com as modificações introduzidas pela Lei 10.332, de 19 de dezembro de 2001. Auto de infração às folhas 133 a 145. 2 O julgamento de primeira instância administrativa retificou a base de cálculo do tributo dela excluindo valores recebidos do exterior e considerados pela fiscalização como remessas ao exterior. 3 Enquadramento legal da multa de ofício (75%): Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, artigo 44, inciso I. Fl. 3392DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.391 3 Telecom e Britsh Telecom PLC, conforme demonstrado às fls. [sic] 177, e comprovado pelos documentos de fls. 268/304; ... em sintonia com este entendimento está a Solução de Consulta n°. 001, de 1994, (fls. 307/309), formulada pela própria, em que a SRF declara que não incide IRRF sobre remessas de valores para a aquisição de bens integrantes do ativo imobilizado; no quarto grupo, as operações referiram se à aquisição de software; deste grupo, os elencados às fls. [sic] 181, referiramse à modalidade de "software de prateleira", aquele produzido em larga escala e de maneira uniforme, colocado no mercado para aquisição por qualquer interessado, por meio de licença ou cessão do direito de uso, sem o envolvimento do direito de distribuição e comercialização pelo adquirente do direito de uso, não envolvendo, portanto, a remuneração de direitos autorais por meio de royalties; relativamente às remessas decorrentes da remuneração pela aquisição deste tipo de software, tanto a doutrina como a jurisprudência são pacíficas no sentido de não incidência tanto do IRRF como da CIDE, dado que o referido software é considerado como um bem com natureza jurídica de mercadoria, não sendo a remessa decorrente da aquisição deste software passível de incidência da CIDE, dado que as referidas remessas não têm a natureza jurídica de royalties; o próprio Fisco, conforme item 1 da Portaria MF n". 181, de 1989, entendeu que, o pagamento de direitos autorais ocorre unicamente nos casos de aquisição de programa elaborado a partir de encomenda (cópia única) e, nos casos de cessão ou licença dos direitos de uso, onde é permitida a cópia para distribuição e comercialização no Brasil, tendo os referidos pagamentos a natureza jurídica de royalties intelectuais; ... considerando que o Decreto n". 4.795, de 2002 [sic] não incluiu os contratos de licença de direitos autorais dentre aqueles sujeitos à CIDE, o Estado teria dispensado uma exigência prevista em lei; ... finalizou requerendo prazo para a juntada de declarações de seus fornecedores com o objetivo de atestar a natureza dos softwares de prateleira por ela, adquiridos. Na petição de fls. 354/356, reitera que as remessas elencadas às fls. [sic] 181 referemse à aquisição de software de prateleira, bens com natureza jurídica de mercadoria e cuja aquisição não implica no pagamento de royalties, não havendo, pois, a incidência da CIDE. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Anocalendário: 2002, 2003 Fl. 3393DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 CIDE. INCIDÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, CIDE, incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações referentes a licença de uso, aquisição de conhecimentos tecnológicos, e de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Leis n°.s. 10.168 de 2000, 10.332 de 2001, e Decreto n".4.195, de 2002. Lançamento Procedente em Parte Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Rio de Janeiro (RJ), recurso voluntário foi interposto às folhas 442 a 478 (volume III). Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. Colocado em pauta, o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução nº 310100.068, de 16/11/2009, à repartição de origem para: a) informe se houve transferência de tecnologia na aquisição dos softwares cujos valores foram adicionados à base de cálculo da contribuição no lançamento do crédito tributário ora discutido; b) informe se os softwares adquiridos eram customizados ou não customizados; c) caso tenha havido transferência de tecnologia na aquisição desses softwares, forneça elementos fáticos dessa transferência de tecnologia; d) Informe se as contrapartidas dos valores remetidos para as sociedades empresárias Flag Telecom (uma remessa) e para British Telecom PLC, (cinco remessas) foram contabilizadas como aquisições de bens do ativo permanente (imobilizado) e se tais remessas são decorrentes de contratos para construção de cabos submarino. Em resposta às diligência (fls. 634 e seguintes) a recorrente demonstra que (i) não houve transferência de tecnologia na aquisição dos software; (ii) os softwares adquiridos não eram customizados; (iii) as contrapartidas foram contabilizadas no ativo fixo na conta do Razão nº 13111310 – TEC SERV. TRANSM/REDE EXT – CAB ÓPTICO”, conforme consta o plano de contas – aquisição de cabos submarinos; Para melhor explicitar o alegado a repartição de origem intimou a Recorrente 1003 e seguinte – 1383pdf para: 1 Apresentar as folhas do Livro Diário, cujas fotocópias deverão ser fornecidas devidamente autenticadas por tabelião de notas, referentes aos lançamentos no grupo contábil ativo imobilizado conta ns 13111310 — Imobilizado Técnico Serviços Transmissão Rede de Cabos Externos Cabos Ópticos, conforme informação prestada anteriormente pela interessada no presente processo, das seguintes operações relativas à aquisição de bens do ativo imobilizado (construção de cabos submarinos): 2 Com a finalidade de confirmarmos o registro contábil dos valores acima no ativo imobilizado, solicitamos que seja preparado uma conciliação dos montante remetidos liquidados nos contratos de câmbio fornecidos pela interessada, ou seja, os valores remetidos em moeda estrangeira convertidos em reais e os respectivos lançamentos refletidos no Livro Diário. Fl. 3394DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.392 5 Destacamos que os lançamentos no Livro Diário deverão apresentar: (i) a data do registro contábil; (ii) a (s) conta (s) devedora (s); (iii) a (s) conta (s) credora (s); (iv) histórico que represente o verdadeiro significado da transação ou código de histórico padronizado, neste caso, baseado em tabela auxiliar inclusa no Livro Diário Eletrônico e (v) valor do registro contábil. 3. Apresentar os contratos firmados entre a interessada e seus fornecedores relativos à aquisição de bens do ativo imobilizado construção do sistema de cabos submarinos, incluir a tradução juramentada dos contratos firmados em outros idiomas, cujas remessas foram realizadas através dos contratos de câmbio em anexo ao presente Termo de Diligência Fiscal. 4. Apresentar as ordens de compra com a descrição detalhada dos softwares e serviços adquiridos, caso aplicável, ou documento equivalente quer demonstre a remuneração a pagar decorrente de licença de uso de software, as "invoices" emitidas pelos fornecedores com a descrição dos produtos! adquiridos, caso aplicável e os contratos de licença de software, caso tenham sido firmados entre a interessada e seus fornecedores, referentes as aquisição de softwares cópia única (softwares customizados), conforme relação preparada pela interessada e incluída na sua impugnação ao presente Auto de Infração; 5. Apresentar as ordens de compra com a descrição detalhada dos softwares e serviços adquiridos referentes as aquisição de softwares e serviços (nãocustomizados), as Declarações de Importação (Dl) e os contratos de licença de software, caso tenham sido firmados entre a interessada e seus fornecedores, conforme relação preparada pela interessada e incluída na sua impugnação ao presente Auto de Infração; 6. Apresentar a documentação comprobatória com a descrição dos produtos e serviços adquiridos relativo às demais remessas incluídas no demonstrativo anexado ao Auto de Infração e apresentado no presente termo e não relacionadas nos tópicos anteriores. 7. Informar se em alguma das operações de aquisição relacionadas na presente intimação ocorreu à transferência de tecnologia e sua averbação no INPI, caso positivo relacionar as operações. E em Relatório Conclusivo de Diligencia Fiscal a fiscalização sintetiza o quanto solicitado pela Resolução n° 310100.068, de 16/11/2009: a) Informe se houve transferência de tecnologia na aquisição dos softwares cujos valores foram adicionados à base de cálculo da contribuição no lançamento do crédito tributário ora discutido; “O contribuinte informou, (fl. 1.041), não ter ocorrido à transferência de tecnologia e a sua averbação no INPI. Ademais, o exame da documentação fornecida pelo contribuinte e relacionada no próximo item, não revelou a negociação de transferência de tecnologia na aquisição de softwares perante seus fornecedores. No entanto, o contribuinte não forneceu a documentação relativa a um conjunto de remessas ao exterior e que estão Fl. 3395DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 devidamente relacionadas no item “b” abaixo (relação das remessas ao exterior em anexo ao auto de infração não comprovada pelo contribuinte), dessa forma não pudemos examinar a natureza das citadas operações. b) Informe se os softwares adquiridos eram customizados ou não customizados; Quanto aos softwares adquiridos eram customizados ou não customizados a fiscalização dividiu em 3 blocos: 1 – O contribuinte afirmou ter encaminhado fotocópias autenticadas das ordens de compra com a descrição detalhada dos softwares e serviços adquiridos, referentes à licença de uso de software, (fl. 1.257). Examinamos a documentação fornecida, (fls. 1.264/1.341), e constatamos seguinte: • O envio de cópia de todos os contratos de câmbio referentes às remessas ao exterior listadas anteriormente; • As operações realizadas junto a Open Telecommunications limited, liquidadas em 24/01/2002, 01/04/2002 e 10/04/2002 estão suportadas pelo contrato C.DCT.2 1111/01, cujo objeto descrito na cláusula primeira referese a execução de serviço de suporte técnico ao Capacity Integrator (Cl). Quanto a liquidação de 31/01/2002, não foi fornecido o contrato C.DCT. 11713/01 que detalharia o objeto do contrato; • As operações realizadas junto a Cisco Systems, Inc estão detalhadas em duas "invoices" que apresentam uma extensa lista de itens de materiais eletrônicos adquiridos; • A operação realizada junto a MCI Worldcom International está descrita na "invoice" e no pedido de compra, tendo como objeto o desenvolvimento de software; • As operações realizadas junto a Taylor Mckenzie estão descritas nas "invoices" e no pedido de compra, com o objeto definido' na cláusula primeira, executar serviços de manutenção do Sistema FraudView Ectel. Baseados nos documentos fornecidos pelo contribuinte, concluímos que com exceção da compra realizada junto a MCI Worldcom International que aparenta tratarse de licença de uso de software, as demais compras são provenientes de serviços técnicos especializados de suporte/manutenção de sistemas informatizados e no fornecimento de diversos materiais eletrônicos (Cisco Systems, Inc). 2 – Intimamos o contribuinte a apresentar as ordens de compra com a descrição detalhada dos softwares e serviços adquiridos, referentes à aquisição de softwares e serviços (não customizados), as Declarações de Importação (DI) e os contratos de licença de software, caso tenham sido firmados entre o contribuinte e seus fornecedores, conforme relação preparada pelo contribuinte e incluída na sua impugnação do presente processo, decorrente do auto de infração CIDE: Beneficiário Data de Liquidação Valor (R$) Real Networks 14/01/2002 540.742,50 Real Networks 25/04/2002 531.562,50 Real Networks 10/07/2002 641.475,00 Real Networks 01/10/2002 216.423,90 Critical path, Inc 10/01/2003 443.670,35 Real Networks 30/01/2003 60.319,69 Scopus Network Technologies 24/02/2003 64.530,00 Fl. 3396DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.393 7 Vanguard Managed Solutions, LLC 19/03/2003 439.204,94 Vanguard Managed Solutions, LLC 28/03/2003 58.756,32 Real Networks 10/04/2003 35.943,75 Bitway S/A 30/04/2003 43.198,50 Nortel networks 28/05/2003 593.600,31 Real Networks 26/06/2003 32.452,88 Lucent Technologies 30/06/2003 176.359,96 Vanguard Managed Solutions, LLC 30/06/2003 235.555,53 Nortel networks 28/07/2003 113.687,96 Lucent Technologies 31/07/2003 78.3 13,62 Real Networks 28/08/2003 33.153,75 Vanguard Managed Solutions, LLC 28/08/2003 187. 335,79 Taylor Mckenzie, Inc 24/09/2003 1.771 .523,95 Real Networks 01/10/2003 32.445,00 Vanguard Managed Solutions,LLC 31/10/2003 52.980,20 O contribuinte somente forneceu um conjunto de pedidos de compra, (fls. 1.342/1.408), referentes na sua maioria a licenças / aquisições / fornecimentos / atualizações de softwares, incluindo a prestação de serviços técnicos especializados no suporte, manutenção e conservação de softwares e determinados equipamentos de informática. Os pedidos de compra perante o fornecedor Nortel Technologies não foram fornecidos. Quanto ao quesito formulado, ou seja, se os softwares adquiridos são ou não customizados, as cláusulas apresentadas nos pedidos de compra não nos possibilita concluir se de fato houve a customização (cópia única) ou não dos softwares (softwares de prateleira). Entretanto, o contribuinte anexou ao presente processo declarações de emissão dos seus fornecedores, (fls.863/879), atestando tratarse de aquisições de softwares não customizados. Não localizamos declaração de emissão da Bitway S/A. relativa à remessa liquidada em 30/04/2003 no valor de R$ 43.198,50. 3 Com relação às remessas ao exterior não comprovadas (fls. 137/138 do auto de infração) a partir da intimação para o contribuinte apresentar “documentação comprobatória com a descrição dos produtos e serviços adquiridos relativo às demais remessas incluídas no demonstrativo em anexo ao auto de infração (item 06 do Termo de Diligência Fiscal cientificado em 30/08/2011) e reintimação procedida através do Termo de Reintimação de Diligência Fiscal cientificado em 13/10/2011, (fls. 1.236/1.237)”, o contribuinte informou, (fl. 1.258), não possuir outros documentos para apresentar. Beneficiário Data de Liquidação Val or(R$) Cisco System, Inc 24/04/2002 1.429.858,71 Taylor Mckenzie 24/04/2002 34.132,83 Hughes Hubbard & Reed LLP 01/07/2002 85.320,00 ICS Electronics Ltd 18/07/2002 42. 253,63 L3 Communications Corporation 04/09/2002 94.714,31 Howard Douglas Black & Co. 07/10/2002 77.754,60 Open Telecommunications Limited 18/11/2002 187.576,28 Ericsson Inc. 26/11/2002 271.1252,96 Howard Douglas Black & Co. 02/12/2002 75.671,40 Eximbank 13/02/2003 259.555,06 Thrane & Thrane A/S 10/03/2003 151.273,85 Eximbank 13/03/2003 243.656,38 Cam ara de Comercio Internacional 30/05/2003 407.495,00 Fl. 3397DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Eximbank 13/08/2003 216.307,81 Cam ara de ComercioInternacional 22/08/2003 448.200,00 Eximbank 12/09/2003 205.994,50 Emerging Technologies Group 02/10/2003 1.105.281,00 c) Caso tenha havido transferência de tecnologia na aquisição desses softwares, forneça elementos fáticos dessa transferência de tecnologia. A resposta a este item é a mesma descrita no item a acima. d) Informe se as contrapartidas dos valores remetidos para as sociedades empresárias Flag Telecom (uma remessa) e para British Telecom PLC (cinco remessas) foram contabilizadas como aquisições de bens do ativo permanente (imobilizado) e se tais remessas são decorrentes de contratos para a construção de cabos submarinos. A documentação fornecida pelo contribuinte incluiu folhas do Livro Diário, cujos lançamentos finais são registrados a débito da conta contábil n° 7202000000 Instalações Técnicas, (fls. 1.075/1.235). Dessa forma, não comprovaram que as contrapartidas dos valores remetidos para as sociedades empresárias Flag Telecom (uma remessa) e para British Telecom PLC (cinco remessas ) foram contabilizadas como aquisições de bens componentes do ativo imobilizado, conforme classificação contábil no grupo ativo imobilizado indicada pelo próprio contribuinte. Outros subsídios fornecidos tais como as telas do sistema informatizado (sistema de contabilidade e de informações gerenciais) parecem demonstrar o registro contábil de determinadas operações e listagens com a composição de itens do ativo imobilizado, sem, contudo, comprovar o registro contábil no ativo imobilizado conta n° 13111310 Imobilizado Técnico Serviços Transmissão Rede de Cabos Externos Cabos Ópticos É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. O presente feito busca a delimitação do campo de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE, instituída pela Lei nº 10.168/2000, com o fim de financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação (cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo) – CIDETecnologia. A Lei estabelece que a CIDE é “devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior”. Esse era o campo de incidência originário previsto que, por conta de sua especificidade, não traria maiores controvérsias para sua identificação no universo de relações jurídicas de direito privado que as pessoas jurídicas nacionais estabelecem com pessoas residentes ou domiciliadas no exterior. Mas, posteriormente, com a edição da Lei nº 10.332/2001 e Lei nº 11.452/2007, houve ampliação do campo de incidência e exclusão expressa dos negócios jurídicos cujo objeto fosse a licença de uso ou de direitos de Fl. 3398DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.394 9 comercialização ou distribuição de programa de computador, o que trouxe diversas dúvidas acerca dos limites jurídicos a serem estabelecidos para essa incidência, que era CIDE Tecnologia, passou a ser conhecida também como CIDERoyalties, apesar de incidir sobre muitas outras remessas ao exterior. Portanto, passo a apreciar as diversas relações jurídicas contratadas pela Recorrente com pessoas residentes ou domiciliadas no exterior, explicitadas no relatório e que foram objeto da atividade fiscal consubstanciada no auto de infração, o que farei em blocos de similaridade. CIDE sobre licença de uso e aquisição de SOFTWARE Quanto à incidência da CIDE Tecnologia sobre aquisição de licenças de uso de software, meu entendimento já é de conhecimento de todos, conforme decidi no Acórdão n° 3101001.082 , de 24/04/2012, que segue: É notória a acepção que costumo ter do Direito Tributário em relação aos demais ramos do Direito. Na esteira do que ensina Paulo de Barros Carvalho, manifesteime em dissertação inédita (PUC/SP 2002): “Costumamos dizer que a relação que se pode estabelecer entre o Direito Tributário e todo o Sistema e Direito Positivo é comparável ao processo de formação de uma nuvem (o Direito Tributário) que necessita do “vapor de água” (normas jurídicas) dos rios, lagos, mares e oceanos (outros ramos do Direito) para existir, ou seja, os conteúdos e conceitos materiais captados do mundo fenomênico para criação dos tributos não são ditados e disciplinados pelo próprio Direito Tributário. Este foi construído sobre fatos jurídicos4 do Direito Privado (principalmente), de onde são retiradas as relações jurídicas sobre as quais será determinada a incidência da norma tributária. Tais relações determinarão os critérios materiais da norma de incidência e revelarão a base de cálculo do tributo. Essa relação de pertinência, do ramo do Direito Tributário, ou do subramo, para usar o termo adotado por Geraldo Ataliba, com os demais ramos do Direito, pode ser aferida em quaisquer outras relações entre os ramos do Direito. Isso reafirma e confirma que o Direito é um conjunto entrelaçado, harmônico e ordenado de normas concebidas como elementos de um sistema.” Pois bem, se estamos diante de um sistema de normas, não posso abordar a questão da licença de uso de software, sem buscar nas normas específicas a natureza jurídica do “software” e investigar como aquele que detém seu domínio se relaciona com os demais sujeitos submetidos às normas jurídicas5. 4 Não podemos deixar de citar a passagem em que Pontes de Miranda (in, Sistema de Ciência Positiva do Direito. São Paulo: Bookseller, 1ª edição Atualizada por Vilson Rodrigues Alves, 2000, Tomo II, pp. 297/298 “Para que os fatos sejam jurídicos, é preciso que regras jurídicas, isto é, normas abstratas – incidam sobre eles, desçam e encontrem os fatos, colorindoos, fazendoos “jurídicos”. Algo como a plancha da máquina de impressão, incidindo sobre fatos que se passam no mundo, posto que aí os classifique segundo discriminações conceptuais.” 5 Entendo não ser concebível que uma Relação Jurídica se estabeleça entre uma “pessoa” e um “objeto”, mas sim entre as pessoas, tendo o objeto lugar no núcleo – de interesse – da relação. Fl. 3399DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 O Direito Intelectual está dividido em dois ramos: (i) o Direito de Autor e (ii) Direito da Propriedade Industrial, cada qual com um tratamento jurídico distinto por constituírem natureza jurídica distinta. O primeiro ramo congrega as obras intelectuais definidas como “as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro” na forma do art. 7º da Lei 9.610/1998. O segundo ramo congrega as obras intelectuais definidas como invenções e modelos de utilidade, desenhos industriais, marcas, indicações geográficas, administrados pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial que conferirá a patente, registrará a marca, desenho ou designação, e registrará os contratos de licença de uso, transferência de tecnologia e de franquia. Assim é que o software, obra intelectual resultante de uma produção do conhecimento na forma de linguagem, cujas características intrínsecas se adéquam às que pudemos obter da obra acima citada, inserise no campo do Direito Autoral. A Lei n.º 9.609, de 12/02/1998, que dá ao software tratamento especial, dispõe em seu art. 1º o seguinte: Art. 1º Programa de computador é a expressão de um conjunto organizado de instruções em linguagem natural ou codificada, contida em suporte físico de qualquer natureza, de emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento da informação, dispositivos, instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica digital ou análoga, para fazê los funcionar de modo e para fins determinados. Ao tratar do regime jurídico aplicável ao software o art. 2º dispõe que “o regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei”. Portanto, não há dúvida que o software goza da proteção da legislação civil de direitos autorais e não está contemplada na legislação comercial da propriedade industrial (não suscetível ao registro no INPI, conforme art. 10, inciso V, da Lei n.º 9.279, de 14/05/1996, salvo de abertos os códigos fonte). Essa distinção em relação à natureza jurídica do software é relevante, pois a legislação da CIDE tem um traço que não pode ser desprezado, qual seja a incidência em operações no âmbito comercial. No caso dos software, em especial, a administração já manifestara a não incidência da CIDE conforme as conclusões do Parecer CONJUR/MCTPEMA n.º 72/2002, cuja ementa dispõe: Direito Tributário, Autoral e da Propriedade Industrial. Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei n.º 10.168/2000. Verificação do conteúdo da norma, consoante análise sistemática do ordenamento jurídico. Interpretação estrita da lei tributária. Parecer no sentido da não incidência do tributo sobre operações de software. (Ref. Proc. n.º 01200.001981/200299) Destaco desse parecer um ponto que esclarece a questão da acepção da locução “licença de uso” – que acolho em meu voto – expedida por órgão federal tecnicamente habilitado para se pronunciar a respeito: Fl. 3400DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.395 11 “28. A possibilidade ou não da incidência da contribuição em comento sobre os contratos de software é minudentemente analisada pela Dra. Deana Weikersheimer (5), em parecer sobre o tema. 29. Aduz a especialista, com propriedade, que das hipóteses de incidência previstas, a única que poderia ensejar alguma dúvida acerca da abrangência ou não dos contratos de software é a que trata da licença de uso. 30. No entanto, afasta a incidência da norma tributária, com esteio nos seguintes argumentos: "(iii) licença de cópia única – esta hipótese não pode se confundir com o contribuinte descrito no art. 2º da Lei n.º 10.168/2000, ou seja, pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, posto que, a licença direta de programa de computador estrangeiro tem tratamento de importação de mercadoria, determinando o desembaraço alfandegário e o pagamento de Imposto de importação e IPI sobre a mídia, caso ela esteja destacada na fatura pro forma, ou da totalidade caso o documento de cobrança seja silente." 31. O argumento supra é acolhido na presente manifestação, bem como, as demais substanciosas considerações constantes daquela peça. Não obstante, cumpre aduzir ainda uma observação destacando as possibilidades de interpretação da norma tributária. 32. A lei, ao descrever as situações ensejadoras da cobrança da exação, não deixou expressa a inserção dos contratos regidos pela lei de software em seu campo de abrangência. 33. Com efeito, valeuse o legislador da genérica fórmula "licença de uso" para determinar a hipótese de incidência. De tal expressão, não é possível inferir clara referência ao contrato previsto no art. 9º da Lei n.º 9.609/98. 34. Esse dispositivo trata do contrato de licenciamento para o uso da cópia de software. Usa para tanto, em seu parágrafo único, a expressão "licenciamento de cópia", enquanto o art. 10 referese à "remuneração do titular dos direitos de programa de computador". Tais fórmulas não foram repetidas pela lei tributária que preferiu valerse de termos como "licença de uso" e "royalties". 35. A dúvida acerca da quadratura de incidência da imposição, mais ainda restou agravada quando a MP n.º 2.15970, de 24 de agosto de 2001, ao conceder crédito referente à exação, referiu se expressamente a "royalties de qualquer natureza", excluindo assim os contratos previstos na Lei de Software. 36. Caso fosse correto que a incidência do tributo se dava também sobre tais contratos, qual a razão para a diferenciação? Estaria o legislador infraconstitucional ousando afrontar o Fl. 3401DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Princípio da Igualdade da Lei Tributária (art. 150, II da CF/88)? 37. Não parece ser esta a interpretação mais consentânea com as regras de hermenêutica constitucional e legal, não sendo razoável atribuir à norma, intelecção que lhe atribua sentido contrário a preceito de envergadura constitucional, acarretando sua invalidade no ordenamento jurídico. 38. Acresce que, se o legislador não foi feliz (ou disse precisamente o que queria) na redação da Lei n.º 10.168/00, de forma que não se infere com clareza o seu campo de abrangência, não cabe ao intérprete conferir ao dispositivo interpretação extensiva, em detrimento da segurança jurídica e dos princípios de garantia do contribuinte. Assim sendo, a remuneração de direitos autorais relativa ao licenciamento de cópia de software ou de cessão de direitos de uso de cópia, não está abrangida pela norma tributária da CIDE, instituída pela Lei nº. 10.168, de 29/12/2000. Ademais, se não há incidência da CIDE desde sua instituição, é de reconhecerse o caráter interpretativo da Lei nº 11.452/2007. Embora discutível, o Supremo Tribunal Federal já vêm reconhecendo a possibilidade de normas puramente interpretativas, como se percebe com o julgamento recente do artigo 3º da LC 118/2005, conforme voto da Ministra Ellen Gracie: Denominase “interpretação autêntica” aquela estabelecida pela mesma fonte de produção normativa que formulou a norma jurídica interpretativa. Caracterizase tanto pela sua origem, como por vir revestida da cogência própria do instrumento legislativo utilizado. [...] Admitida, assim, a possibilidade da existência de lei interpretativa, mas com as ressalvas e com o controle a que se submete qualquer outra lei, vejamos a natureza da norma constante do art. 3º da LC 118/05 e em que extensão se pode aplicála validamente. E é exatamente neste sentido que a Lei nº 11.452/07, ao estabelecer que a CIDE “não incide sobre remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador”, veio na verdade estabelecer uma interpretação que existia desde a instituição da CIDE. A interpretação da Lei nº 10.168/00 já estabelecia a não incidência da CIDE sobre software, a Lei nº 11.452/07 em nada acrescentou no ordenamento, veio apenas para estabelecer uma interpretação da lei anterior. Ora, se a norma reconhece a “não incidência” é de interpretarse que tal contribuição nunca incidiu. Tratase de uma norma interpretativa que esclarece que a operação não compõe o campo de incidência da CIDE. A CIDEtecnologia na forma da Lei 10.168/2000 teve sua hipótese de incidência fixada sobre a transferência de tecnologia, mas dispôs também a incidência sobre qualquer remessa de royalties. Fl. 3402DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.396 13 Desta forma, as remessa relacionadas no quadro do item 2 do RELATÓRIO CONCLUSIVO DE DILIGENCIA FISCAL, devem ser excluídas do lançamento, a saber: Beneficiário Data de Liquidação Valor (R$) Real Networks 14/01/2002 540.742,50 Real Networks 25/04/2002 531.562,50 Real Networks 10/07/2002 641.475,00 Real Networks 01/10/2002 216.423,90 Critical path, Inc 10/01/2003 443.670,35 Real Networks 30/01/2003 60.319,69 Scopus Network Technologies 24/02/2003 64.530,00 Vanguard Managed Solutions, LLC 19/03/2003 439.204,94 Vanguard Managed Solutions, LLC 28/03/2003 58.756,32 Real Networks 10/04/2003 35.943,75 Nortel networks 28/05/2003 593.600,31 Bitway S/A 30/04/2003 43.198,50 Real Networks 26/06/2003 32.452,88 Lucent Technologies 30/06/2003 176.359,96 Vanguard Managed Solutions, LLC 30/06/2003 235.555,53 Nortel networks 28/07/2003 113.687,96 Lucent Technologies 31/07/2003 78.3 13,62 Real Networks 28/08/2003 33.153,75 Vanguard Managed Solutions, LLC 28/08/2003 187. 335,79 Taylor Mckenzie, Inc 24/09/2003 1.771 .523,95 Real Networks 01/10/2003 32.445,00 Vanguard Managed Solutions,LLC 31/10/2003 52.Í »80,20. Quanto à alegação da fiscalização de que “Não localizamos declaração de emissão da Bitway S/A. relativa à remessa liquidada em 30/04/2003 no valor de R$ 43.198,50”, entendo que os documentos acostados às fls. 933/946, são bastantes e suficientes para demonstrar a aquisição / renovação de licença de uso de software. CIDE sobre serviços técnicos diversos, inclusive manutenção de software Quanto às demais remessas relativas à titulo de software, em especial as intituladas como sendo serviços técnico, inclusive relativos à manutenção de softwares entendo que há incidência da CIDE, em especial no que se refere ao terceiro grupo selecionado pela fiscalização, a partir das alterações trazidas pela Lei n° 10.332/2001, no art. 2° da Lei n° 10.168/2000, que passou a dispor sobre a incidência da CIDE sobre as remessas realizadas ao exterior, conforme segue: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) Fl. 3403DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) Apesar de ter explanado entendimento de que o § 2º acima não teria alcance genérico, ao me deparar com a exposição de motivos da Lei n° 10.332/2001, passei a rever meu posicionamento anterior uma vez que a redação da norma teve a intenção de trazer para a CIDE o regime jurídico do Imposto de Renda Retido na Fonte, a saber: 17. Finalmente, cabe destacar as ações de estímulo à inovação visando a ampliação da competitividade empresarial no Brasil. Ao destacar dez por cento dos recursos da contribuição criada pela Lei n° 10.168, de 2000, para tal atividade o projeto que ora lhe submetemos pretende disponibilizar recursos financeiros para estimular a pesquisa cooperativa, permitir a equalização de encargos financeiros em operações de financiamento à inovação tecnológica, incentivar a participação minoritária no capital de microempresas e pequenas empresas de base tecnológica e fundos de investimento, conceder subvenção econômica a empresas inovadoras e viabilizar a Iiquidez dos investimentos privados em fundos de investimento em empresas de base tecnológica. 18. Adicionalmente, propõemse uma destinação de recursos não inferiores ao equivalente a quarenta e três por cento da receita estimada da arrecadação do Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI incidente sobre os bens e produtos beneficiados com os incentivos fiscais previstos na Lei n° 10.176, de 11 de janeiro de 2001 ao Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, de forma a ampliar os recursos disponíveis para o estímulo à competitividade empresarial. 19. O projeto de lei prevê ainda a adequação da base de incidência da contribuição, criada pela Lei n° 10.168, de 2000, ampliando sua abrangência de forma a coincidir plenamente com a base de incidência do imposto de renda, com a redução concomitante do mesmo. 20. Cabe ressaltar que esta iniciativa permitirá uma maior eficácia no controle e fiscalização da arrecadação da Fl. 3404DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.397 15 contribuição, bem como uma maior transparência para o contribuinte dos fatos geradores da referida contribuição. 21. No mesmo sentido, destaquese a proposição de dispositivo que reitera o crédito tributário para as empresas inovadoras referente à contribuição incidente sobre royalties referentes a contratos patentes e uso de marcas, tornando mais clara a redação vigente em medida provisória em tramitação. (Diário da Câmara dos Deputados, Ano LVI, n° 150, de 09/10/2001) Pois bem, a par das eventuais irregularidade que possa conter tal alargamento da base de incidência da CIDE Tecnologia, em face da materialidade da contribuição e do quanto dispõe a Lei Complementar n° 95/1998, fato é que a norma incluída no § 2º do art. 2º da Lei n° 10.168/2000, criou uma nova Contribuição de intervenção no domínio econômico que tem materialidade idêntica a do IRRF de remessas ao exterior. Nesse diapasão os pagamentos realizados ao exterior que sejam base de incidência do IRRF também serão base de incidência da CIDE, exceção feita à “remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador” que não envolvam a transferência da correspondente tecnologia. Desta forma, afasto a incidência da CIDE dos contratos de licença de software acima referidos, mantendoa para os contratos cujos objetos são desenvolvimento de software, serviços, manutenção, etc., relacionados com a tecnologia da informação e que não se confundem com o licenciamento de software. Importante, ainda, excluir da tributação da CIDE as remessas para pagamento da CISCO Systems, Inc., em relação às quais a fiscalização constatou a partir dos documentos trazidos pela Recorrente que “As operações ... estão detalhadas em duas "invoices" que apresentam uma extensa lista de itens de materiais eletrônicos adquiridos”, não sendo, portanto, base de incidência da contribuição. Contratos de construção de cabo submarino As remessar que a Recorrente efetivou para o exterior que analiso, referemse aos pagamento da construção do cabo submarino. Como se percebe, tais valores são classificados como contraprestação de serviços de engenharia executados no exterior com o intuito de formação de infraestrutura necessária ao desempenho das atividades da Recorrente, ou seja, são investimentos que resultarão, ao final, na apropriação de bens que por conta de suas características devem ser considerados como ativos imobilizados. Pelo que se verifica dos registros contábeis e plano de contas da Recorrente, as remessas feitas ao exterior para pagamento da construção do cabo submarino, eram registradas na conta transitória do ativo imobilizado “7201000000 – Material Técnico” e, posteriormente, registrada na conta “1423000000 – Imobilizado em Construção”. Conforme os eventos contratuais os valores acumulados na conta “Imobilizado em Construção” eram transferidos para a conta “1421310000 – Imobilizado em Operação”, que atualmente, com a remodelação do plano de contas passou a ser a conta nº 13111310. Tudo plenamente demonstrado pelos documentos juntados aos autos. Fl. 3405DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 Assim, entendo suficientes os documentos e registros contábeis para exclusão dos pagamentos realizados à Britsh Telecom PLC, uma vez que se referem à aquisição do cabo submarino registrado em seu ativo fixo. Já em relação aos pagamentos realizados à Flag Telecom, conforme consta do relatório fiscal, “o contribuinte não forneceu qualquer documentação solicitada referente à operação Flag Telecom data de liquidação – 03/01/2002, no valor de R$ 113.314,72, portanto não comprovou o registro contábil no ativo imobilizado.”, motivo pelo qual mantenho a tributação sobre esta remessa. Notese que com a edição da Lei nº 10.332/2001, ao alterar o campo de incidência da CIDE para fazêla coincidir com o campo de incidência do IRRF, transformouse a CIDETecnologia numa contribuição acessória ao IRRF, de modo que, no meu entendimento, a CIDE passou a estar para o IRRF assim como a CSLL está para o IRPJ. A par das inconstitucionalidades perpetradas pela instituição da CIDE para o campo de incidência do IRRF, com o aumento da tributação para algumas materialidade e exclusão de parcela do IRRF do fundo de participação dos estados e municípios, o que não nos acabe aqui analisar ou julgar, na verdade, à CIDE foi atribuído o regime jurídico do IRRF, pela redação dada ao parágrafo 2o do art. 2o da Lei 10.168/2000, pela Lei 10.332/2001, ou seja, podemos dizer que, com exceção à aquisição de software, conforme ressalvado acima, toda vez que houver incidência de IRRF haverá incidência de CIDE em “serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior”. De modo que o tratamento jurídico da CIDE deverá seguir, para esses casos, o regime jurídico do IRRF. Nesse sentido a Solução de Consulta n° 01/1994, da SRRF 7ª Região, é expressa em admitir que as remessas realizadas para pagamento da construção do cabo submarino não estão sujeitas ao IRRF, portanto, seguindo adequação da base de incidência da contribuição, criada pela Lei n° 10.168, de 2000, ampliando sua abrangência de forma a coincidir plenamente com a base de incidência do imposto de renda, com a redução concomitante do mesmo, onde não incidir o IRRF não incidirá a CIDE. IRRF Não incide o imposto de renda na fonte sobre as remessas de recursos para o exterior para a construção, em regime de consórcio, de cabos submarinos destinados a ampliação da rede de comunicações internacionais por não configurarem rendimentos ou ganhos de capital. Outros Contratos Quanto aos pagamentos realizados ao Bank of America Securities em 06/12/2002 e 11/12/2002, nos valores de R$ 1.127.700,00 e 779.816,91, respectivamente, que constaram da tabela anexa ao auto de infração (fls. 140/141) acolho a alegação de que integraram a apuração da contribuição recolhida em 14/03/2003, conforme DARF (fl. 314) e respectivo demonstrativo de apuração (fls.314/315), confirmados pela DCTF (fls. 316/320) Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo da CIDE: Fl. 3406DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 18471.000511/200482 Acórdão n.º 3101001.601 S3C1T1 Fl. 3.398 17 as remessas realizadas para pagamento de licença de uso de software e aquisição de cópia única conforme mencionadas no voto acima (item 2 do relatório da fiscalização) e pagamento realizado à MCI Worldcom International está descrita na "invoice" e no pedido de compra prevista no item 1; as operações lançadas que já houve recolhimento da contribuição em 14/03/2003, conforme DARF (fl. 314) e respectivo demonstrativo de apuração (fls.314/315), confirmados pela DCTF (fls. 316/320); e as remessas relativas às despesas de construção de cabos submarinos destinados a ampliação da rede de comunicações internacionais, exceção feita à remessa realizada à Flag Telecom data de liquidação – 03/01/2002; e as remessas para pagamento da CISCO Systems, Inc., em relação às quais a fiscalização constatou a partir dos documentos trazidos pela Recorrente que “As operações ... estão detalhadas em duas "invoices" que apresentam uma extensa lista de itens de materiais eletrônicos adquiridos” no item 1 e 3 do Relatório, não sendo, portanto, base de incidência da contribuição. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 3407DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918342/2012-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.918342/2012-01
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363080
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.489
nome_arquivo_s : Decisao_11080918342201201.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080918342201201_5363080.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5540555
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815338659840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.918342/201201 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.489 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente ELIPSE SOFTWARE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/07/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 42 /2 01 2- 01 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918342/201201 Acórdão n.º 3801003.489 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918342/201201 Acórdão n.º 3801003.489 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918342/201201 Acórdão n.º 3801003.489 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918342/201201 Acórdão n.º 3801003.489 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da COFINS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918342/201201 Acórdão n.º 3801003.489 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000308/2005-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13975.000308/2005-01
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366372
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-003.080
nome_arquivo_s : Decisao_13975000308200501.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 13975000308200501_5366372.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5558503
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815340756992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 494 1 493 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13975.000308/200501 Recurso nº 13.975.000308200501 Voluntário Acórdão nº 3403003.080 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria PIS/PASEP PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA. transmitiu, em 21/11/2005, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº (em formulário plano), de créditos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 03 08 /2 00 5- 01 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 da apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep exportação no valor de R$ 61.916,74, referente ao terceiro trimestre de 2005. O Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 368 a 398, inicialmente, explicita os critérios adotados ante as discrepâncias verificadas entre os montantes das operações de aquisição de bens e serviços, apurados por CFOP, registrados no LRE e os consignados na memória de cálculo (referentes aos valores informados nas respectivas linhas do Dacon): (i) em sendo o valor apurado no LRE idêntico ao da memória de cálculo, adotou tal valor como base sobre a qual efetuou as glosas pelas notas fiscais desconsideradas na análise, resultando em valor ajustado pela diferença (ii) quando o valor apurado no LRE foi inferior ao da memória de cálculo, a diferença foi glosada por falta de comprovação e o valor do LRE foi adotado como base paras as glosas, e (iii) quando o valor apurado no LRE foi superior ao da memória de cálculo, sobre ele foram efetuadas as glosas dos valores das notas fiscais desconsideradas: se o valor resultante foi superior ao informado na memória, validouse o valor da própria memória para fins de determinação do máximo admissível, em relação ao CFOP em análise se o valor resultante foi inferior ao informado na memória, considerouse este como sendo o valor ajustado (e o máximo admissível). Para os montantes das operações registradas, apurados por CFOP das entradas, apuraramse os valores ajustados ou valores da memória validados na análise (máximo admissível por CFOP), cujo somatório foi adotado como o máximo admissível em relação à respectiva linha do Dacon, cujo valor do crédito compõem. A partir dessa sistemática, apurouse glosa no valor total de R$ 24.682,33 em razão das seguintes irregularidades: 1Bens utilizados como insumos: glosas relativas a aquisições de pinus em toros a pessoas físicas; glosas correspondentes ás mercadorias recebidas em consignação, constatadas através do CFOP 1917, que registra mercadorias recebidas em consignação mercantil ou industrial. 2Serviços utilizados como insumos, relativo à extração de madeira. 3Despesas de energia elétrica: glosas relativas a valores não relacionados ao consumo, tais como despesas relacionadas à doação, Cosip, devolução de juros 4Despesas de armazenagem e frete na operação de venda: glosas relativas a serviços de remoção de cont8ineres, desunitização, unitização, uso de pátio e posicionamento. A DRFBlumenauSC, por meio do Despacho Decisório de fls. 401 e 402, deferiu o pleito parcialmente, em R$ 37.234,41. Em Manifestação de Inconformidade (fls. 430 a 435), o interessado contestou o critério adotado pela Fiscalização para fixar os percentuais de receita relacionados com o mercado interno e externo, argumentando que se fez uma interpretação equivocada do Dacon, o que teria comprometido a correta fixação das receitas relacionadas aos mercados interno e externo, pois teria incluído, para fins de cálculo da proporção, receitas não tributadas no mercado interno, tais como receita tributada à alíquota zero e receita de vendas de bens do ativo permanente. Alega também que a autoridade fazendária considerou o valor das receitas auferidas informadas na coluna "receita", mas que deveria ter considerado os valores da coluna "base de calculo"; que, assim procedendo acabou por considerar em duplicidade os valores de Fl. 495DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13975.000308/200501 Acórdão n.º 3403003.080 S3C4T3 Fl. 495 3 receita, pois que, nas linhas 01 e 02 do Dacon já estão incluídos os valores relativos às linhas 04 a 11, o que acaba por elevar excessiva e erroneamente os percentuais do mercado interno. Sob o item "Das mercadorias recebidas em consignação" alega que a consignação converteuse em compra, conforme nota fiscal que junta aos autos, restando claro que a recorrente efetivou a aquisição das mercadorias consignadas. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, apenas para acatar os percentuais do mercado externo e interno propostos pelo contribuinte. O Acórdão nº 07025.523, de 5 de agosto de 2011, fls. 454 a 460, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005 MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS, NO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos previsto no âmbito das contribuições nãocumulativas para o PIS/Pasep/Cofins, na "receita bruta total" devem ser incluídas todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas ao montante de custos, despesas e encargos comuns, e não aquelas que, por sua natureza, não se caracterizem como tal, como é o caso das receitas financeiras e das receitas de vendas do ativo permanente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é anus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 486 a 491, após síntese dos fatos relacionados com a lide, recorre da manutenção da glosa dos créditos tomados sobre o valor das mercadorias recebidas em consignação – CFOP 1917 e 2917, alegando ter comprovado, por intermédio de nota fiscal, que a compra das mercadorias em comento efetivamente ocorreu, motivo pelo qual entende que não há razão para que seu crédito seja glosado, uma vez que a compra é o fato necessário para caracterizar o direito ao crédito. Entretanto, se houve um equívoco na forma de utilização dos valores, essa consignação converteuse em compra, conforme comprovado pela nota fiscal de aquisição de mercadorias. Aduz que os documentos que instruem o presente processo administrativo demonstram claramente que a recorrente não fez créditos das referidas Fl. 496DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 aquisições por duas vezes. Como mencionado anteriormente, as remessas em consignação converteramse posteriormente em venda, operação esta que foi devidamente registrada uma única vez. Entende que a Fiscalização tem o dever de diligenciar a busca da verdade real. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 486 a 491 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07025.523, de 5 de agosto de 2011. Conforme relatado, controvertese a manutenção da glosa dos créditos tomados sobre o valor das mercadorias recebidas em consignação (CFOP 1917 e 2917). A alegação recursal é de que a consignação converteuse em compra, conforme nota fiscal que junta aos autos. Com efeito, enquanto manifestante, o contribuinte aportou aos autos cópia das notas de saída de venda (CFOP 5111 vendas efetivas de produtos industrializados no estabelecimento remetidos anteriormente a titulo de consignação industrial ou 6112 vendas efetivas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, remetidas anteriormente a titulo de consignação industrial). Nada obstante, a decisão recorrida manteve a glosa sob a consideração de que o interessado não fez prova de que não tomou crédito o mesmo crédito novamente, por ocasião da compra das mercadorias antes recebidas em consignação. O caveat erigido pela decisão recorrida, a meu ver, é procedente. Levando em conta a sistemática adotada na auditoria fiscal de apuração do montante dos créditos por CFOP, com a emissão por National Starch & Chemical Industrial Ltda das notas fiscais nºs 2.894 e 3.350, ambas com CFOP 2.111 cópias às fls. 448 e 452 – para documentar a aquisição das mercadorias antes recebidas em consignação, o valor das mesmas passou a ser considerado na base de cálculo dos créditos. Assim, à toda prova, o mesmo valor serviu para a tomada de crédito por duas vezes. Se, excepcionalmente, o contribuinte retirou as referidas notas da base de cálculo, como alega ter feito, tocaria proválo, pois alegar e não comprovar o alegado equivale a nada alegar allegare nihil et allegatum non probare paria sunt. Cabe ao contribuinte, até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Fl. 497DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13975.000308/200501 Acórdão n.º 3403003.080 S3C4T3 Fl. 496 5 Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que pleiteia, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Este é o princípio fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) JCPC.333 JCPC.333.II Fl. 498DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confirase: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação Fl. 499DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13975.000308/200501 Acórdão n.º 3403003.080 S3C4T3 Fl. 497 7 jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
