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Numero do processo: 13805.002672/98-69
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 26 72 /9 8- 69 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (fls. 197 a 215) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 189 a 193) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e determinou o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem para apreciação das matérias de mérito. A presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 13/03/1998, de parcelas pagas a título de contribuição para o FINSOCIAL de setembro de 1989 a outubro de 1991 (fls. 01 a 06). Referida solicitação foi indeferida, inicialmente, através do r. Despacho Decisório de fls. 74, tendo sido apontado como razão de decidir o transcurso do prazo previsto no artigo 168, inciso I, do CTN. De se destacar, a propósito, que a Colenda Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para considerar o pedido de restituição tempestivo e reconhecer o indébito (fls. 119 a 121). A ementa do v. acórdão recorrido, impugnado através do presente recurso extraordinário, é a seguinte: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL. PRAZO PARA REQUERER A RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Resguardada minha opinião, adoto, no caso presente, a jurisprudência pacificada por esta Turma no sentido de que, o Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13805.002672/9869 Acórdão n.º 9900000.951 CSRFPL Fl. 136 3 prazo de cinco anos para requerer a restituição ou a compensação dos valores indevidamente recolhidos a titulo de contribuição ao Finsocial, deve ser contado a partir da data da publicação da MP n°1.110, de 31 de agosto de 1995. Recurso especial negado. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso extraordinário, apontando, em síntese, que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, prescreve com o recurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. Para tanto, apresentou como paradigma v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da relatoria da Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 218 a 219. Sem contrarrazões. É o relatório Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 4 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13805.002672/9869 Acórdão n.º 9900000.951 CSRFPL Fl. 137 5 (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por Fl. 259DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 6 este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 260DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA Processo nº 13805.002672/9869 Acórdão n.º 9900000.951 CSRFPL Fl. 138 7 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição formulado em 13/03/1998, de parcelas de contribuição para o FINSOCIAL de setembro de 1989 a outubro de 1991 (fls. 02 a 06). Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreende se que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em setembro de 1999 e outubro de 2001, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi formulado em 13/03/1998, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, e tendo em vista especificamente as parcelas referentes a setembro de 1999 e outubro de 2001, ele afigurase tempestivo. Por conseguinte, em face de todo o exposto, e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, sem retorno dos autos para os órgãos a quo de julgamento porquanto já foi proferida decisão quanto ao mérito do pedido de restituição. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 261DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA 8 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727952/2010-24
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 16/08/2010 a 16/08/2010
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL
O art. 22, IV da lei 8.212/91, que fundamentava a contribuição sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595838/SP, afastando assim as contribuições previdenciárias daí advindas e, via de consequência, as infrações acessórias relacionadas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-004.142
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 16/08/2010 a 16/08/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL O art. 22, IV da lei 8.212/91, que fundamentava a contribuição sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595838/SP, afastando assim as contribuições previdenciárias daí advindas e, via de consequência, as infrações acessórias relacionadas. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
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COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL O art. 22, IV da lei 8.212/91, que fundamentava a contribuição sobre a contratação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no RE 595838/SP, afastando assim as contribuições previdenciárias daí advindas e, via de consequência, as infrações acessórias relacionadas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Eduardo de Oliveira. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 79 52 /2 01 0- 24 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.727952/201024 Acórdão n.º 2803004.142 S2TE03 Fl. 3 2 Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.727952/201024 Acórdão n.º 2803004.142 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a falta de declaração em GFIP de fatos geradores de contribuição previdenciária. O r. acórdão – fls 124 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da exação já decidida pela Suprema Corte. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.727952/201024 Acórdão n.º 2803004.142 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A recorrente foi autuada por ter apresentado Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Não foram declarados os valores de pagamentos efetuados às cooperativas de trabalho. Tal contribuição foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que afasta não apenas as contribuições principais, mas igualmente as infrações por descumprimento de obrigação acessória daí advindas. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 595838 / SP, com repercussão geral reconhecida, considerou o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, inconstitucional. O art. 62A do Regimento Interno do CARF informa: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa feita, considerada a lei que justifica a autuação como em descompasso com a Constituição Federal, desaparece o fundamento jurídico que sustenta o auto lavrado, devendo assim o mesmo ser desconstituído Igualmente não há como prosperar o lançamento efetuado com base em presunção de falta de registro, por conta de sobra de recolhimento quando do batimento GPS x GFIP. Tal informação, de forma isolada, sem outros elementos caracterizadores de omissão, não tem o condão de configurar a falta. Senão vejamos. CTN, art. 142 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.727952/201024 Acórdão n.º 2803004.142 S2TE03 Fl. 6 5 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; grifamos A seguir, entendimento deste Conselho. "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Tratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese reincidência." (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Assim, para a correta configuração do fato gerador, o auditor autuante deveria ter demonstrado as situações que demonstram omissão na declaração.. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10580.727952/201024 Acórdão n.º 2803004.142 S2TE03 Fl. 7 6 Sem essas informações essenciais, tenho como não configurada a omissão considerada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720028/2013-23
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009
SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide contribuições previdenciárias sobre os serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal ao analisar o RE n. 595.838.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-004.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Oliveira e Gustavo Vettorato..
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
(Assinado digitalmente)
Ricardo Magaldi Messetti Redator designado
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuições previdenciárias sobre os serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal ao analisar o RE n. 595.838. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Oliveira e Gustavo Vettorato.. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator (Assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Redator designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 221 1 220 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720028/201323 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.178 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de março de 2015 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente USINA PAINEIRAS SOCIEDADE ANOMINA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2008 A 01/01/2009 SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuições previdenciárias sobre os serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal ao analisar o RE n. 595.838. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Oliveira e Gustavo Vettorato.. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator (Assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti – Redator designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 28 /2 01 3- 23 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 222 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.391.1866, o qual objetiva a cobrança da contribuição social previdenciária devida pelo tomador de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme consta do Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 11 a 20, com período de apuração de 01/2008 a 12/2008, segundo o Termo e Início de Ação Fiscal TIAF, de fls. 60 e 61. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 31/01/2013, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03. O contribuinte apresentou petição de defesa com razões impugnatórias acostadas, as fls. 109 a 116, recebida, em 04/03/2013, acompanhada dos documentos, de fls. 117 a 165. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 166. A DRJ/RPO emitiu o Acórdão nº 1447.044 17ª, datado de 28/11/2013, fls. 169 a 176, por meio do qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 17/01/2014, conforme AR, de fls. 178. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 179, recebido, em 17/02/2014, com razões recursais, as fls. 180 a 192, acompanhado do documento, de fls. 193 a 217. As razões recursais sumariadas estão apresentadas a seguir. Preliminar. · que o auto de infração é irregular, o que foi demonstrado na impugnação, mas, ainda, assim a autuação foi mantida, assim a decisão recorrida não merece permanecer, transcreve a decisão; · que a decisão a quo limitouse a dizer que o auto é regular, citando a legislação tributária, sem fundamentar as razões de ter afastado os argumentos da recorrente, pois a citação de dispositivos legais, sem fundamentar o indeferimento do pleito da recorrente, demonstra a insubsistência do auto; · que o auto nada diz sobre a suposta conduta da recorrente, nada falando sobre quais são os serviços; quais as cooperativas; quais os valores pagos a cada cooperativa, em agressão ao princípio da ampla defesa, sendo que a própria decisão recorrida mais uma vez viola esse preceito ao restringir “a amplitude semântica do termo” “AMPLA” , Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 223 3 devendo a lavratura do auto de infração permitir que o autuado produza sua defesa, cita Humberto Ávila; · que para o Estado imputar a pecha de irregular ao contribuinte deve ele instaurar o devido processo legal concedendo direito ao contribuinte de se defender de forma digna, ocorrendo o contrário no presente caso, pois a recorrente não consegue precisar quais as supostas irregularidades foram imputadas pelo fisco, o que fere de morte a ampla defesa; Mérito. · que a recorrente não tomou serviços de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho em especial a UNIMED que não possui contrato com a impugnante, haja vista que tal cooperativa mantinha contrato diretamente com os empregados da recorrente, com as seguintes características: a) nem empresa em nem empregado pagam mensalidade; b) que o plano apenas garante aos trabalhadores beneficiários o direito de pagar consultas/procedimentos pelo valor de tabela da cooperativa; c) a impugnante não arca e nunca arcou com qualquer custo em relação a UNIMED, salvo a necessária retenção de valores sobre os salários para repasse a cooperativa, não tomando a recorrente os serviços da cooperativa, mas apenas viabilizando a comercialização do plano desta com os empregados da recorrente, ficando prejudica a defesa da recorrente, pois o autos não tem discriminação dos montantes representativo dos serviços tomados da UNIMED, bem como do montante dos serviços supostamente tomados da COOPERATIVA DE TRANSPORTE, em evidente prejuízo a defesa; As alegações referentes a AUSÊNCIA DE CRIME NA ESPÉCIE não será sumariada e nem analisada, o que se explicará no voto. · Da conclusão e do requerimento: a) procedência total dos pedidos formulados na impugnação de primeira instância; b) bem como no presente recurso; c) reforma da decisão administrativa recorrida, anulandose os lançamentos, declarando extintos os créditos tributários. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 218 e 219. O processo foi remetido ao CARF, fls. 219. O sorteio e distribuição a esse conselheiro ocorreu, em 11/09/2014, Lote 09, conforme, fls. 220. É o Relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 224 4 Voto Vencido Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminar. Equivocado o entendimento da recorrente quanto o auto de infração ser irregular, bem como de que a decisão a quo limitouse a afirmar essa regularidade, sem contudo fundamentar suas razões, pois é simples a constatação do contrário no presente processo administrativo fiscal. Percebese da leitura do Voto, fls. 171 a 176, que não só a DRJ ressaltou de forma direta e explicita quais as normas que se aplicam a formalização dos créditos previdenciários, bem como indicou as peças processuais que apresentam as informações reclamadas pela recorrente e que estão presentes compondo os autos de infração desde seu lançamento, tais como Relatório Fiscal, Discriminativo de Débito – DD, Relatório de Lançamentos – RL, baseados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, notas fiscais/faturas e escrituração contábil. Novamente, a recorrente está equivocada, pois a conduta está declinada de foram clara, simples e objetiva, bem como as cooperativas são taxativamente declinadas, estando determinado o valor de cada cooperativa por competência, as transcrições abaixo demonstram o que se diz. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 225 5 Relatório de Lançamento – RL. Desta forma, todos os dados e informações necessários ao desenvolvimento da ampla defesa e contraditório estão presentes no auto. Mais uma vez a recorrente está equivocada. O procedimento de fiscalização ou ação fiscal, é direito potestativo do fisco e o contribuinte não tem participação em sua produção, salvo quanto ao dever de tolerar a ação do Estado e colaborar com sua realização, assim diz a lei, a jurisprudência e a doutrina, veja as transcrições abaixo. Lei 5.172/66 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 226 6 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. PIS. OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ATO FINAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo omitese no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), iniciandose o prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). 2. Se a Fazenda Pública notifica o contribuinte do auto de infração no prazo de cinco anos a que alude o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito tributário. 3. O direito de lançar é potestativo. Logo, iniciado o procedimento fiscal com a lavratura do auto de infração e a devida ciência do sujeito passivo da obrigação tributária no prazo legal, desaparece o prazo decadencial. 4. Súmula TFR 153: "Constituído, no qüinqüênio, através de auto de infração ou notificação de lançamento, o crédito tributário, não há que se falar em decadência, fluindo, a partir daí, em princípio, o prazo prescricional, que, todavia, fica em suspenso, até que sejam decididos os recursos administrativos". 5. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso especial. (EDRESP 200900655845, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 14/02/2011) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 227 7 lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 228 8 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. (AGRESP 201001395597, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, 24/11/2010) TRIBUTÁRIO IOF DECADÊNCIA TERMO INICIAL FATO GERADOR DRAWBACK SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE IRRELEVÂNCIA PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO POTESTATIVO AO LANÇAMENTO. 1. O IOF não é tributo inerente à atividade de importação/exportação e não integra, em regra, o Termo de Compromisso, forma de constituição do crédito tributário prevista na legislação aduaneira. 2. O fato gerador do IOF na operação de câmbio é a a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este, nos termos do art. 63, II, do CTN. 3. A decadência, direito potestativo, não se interrompe, nem se suspende, de modo que o regime aduaneiro de drawback é irrelevante na fixação do termo inicial do prazo para a constituição do crédito tributário. 4. Recurso especial provido. (RESP 200702726133, ELIANA CALMON, STJ SEGUNDA TURMA, 18/02/2009) xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Para uma melhor compreensão, podese citar o estado de sujeição em que se encontra o contribuinte ao lançamento tributário, não lhe sendo possível impedir o direito de a Fazenda Pública lançar o tributo. Efetuado o lançamento, no entanto, o sujeito passivo poderá simplesmente não realizar o pagamento, frustrando, então, a pretensão da Fazenda. Nesse caso, o prazo para o Fisco efetuar o lançamento tributário (direito potestativo), segundo essa tese, seria de decadência. Já o prazo para a cobrança do crédito tributário não pago (direito a uma pretensão) de prescrição. 1 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx O processo de determinação e exigência do crédito tributário, ou processo de acertamento, ou simplesmente o lançamento 1 HABLE, José. Decadência e prescrição no direito civil em confronto com o direito tributário. Jus Navigandi, Teresina, ano 13, n. 1941, 24 out. 2008. Disponível em: http://jus.uol.com.br/revista/texto/11878. Auditor tributário da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, graduado em Agronomia pela UFPR, Administração de Empresas pela FAE e em Direito pela CEUB, pósgraduado em Direito Tributário pelo ICAT, mestre em Direito Internacional Econômico pela UCB, professor de Direito Tributário é autor do livro: "A Extinção do Crédito Tributário por Decurso de Prazo" Fl. 242DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 229 9 tributário, dividise em duas fase: (a) unilateral ou não contenciosa e (b) bilateral, contenciosa ou litigiosa. Este processo também tem recebido a denominação de ação fiscal. A fase não contenciosa é essencial no lançamento de ofício de qualquer tributo. A fase não contenciosa ou unilateral termina com o termo de encerramento de fiscalização, que será acompanhado de um auto de infração nos casos em que alguma infração da legislação tributária tenha sido constatada. Denominase auto de infração o documento no qual o agente da autoridade da Administração tributária narra a infração ou as infrações da legislação tributária atribuídas por ele ao sujeito passivo da obrigação tributária, no período abrangido pela ação fiscal. 2 (todos os grifos são meus). Aliás, o artigo 14 c/c o artigo 15, ambos, do Decreto 70.235/72 é claro em estabelecer que a fase contenciosa só se inaugura com a apresentação da impugnação e sendo essa tempestiva. Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A recorrente se contradiz em sua própria peça recursal, basta ler o que diz abaixo em contraposição as passagens transcritas. Diz a recorrente: “...A RECORRENTE NÃO CONSEGUE PRECISAR AS SUPOSTAS IRREGULARIDADES IMPUTADAS PELA FISCALIZAÇÃO.” Porém, a recorrente abre o capítulo de mérito de seu recurso assim se pronunciando. Verificase do que acima apresentada que a recorrente tem conhecimento da infração ao contrário do que alega. 2 Machado, Hugo de Brito Curso de Direito Tributário 13 Edição Editora Malheiros 1998, pág. 336 e 337. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 230 10 E não é só isso, a recorrente afirma que o auto não tem a informação sobre quais são as cooperativas, mas no capítulo de Mérito em varias passagens cita textualmente a UNIMED, observese. A recorrente, também, cita a segunda cooperativa do lançamento em passagem de seu recurso. Desta forma, o que da própria peça recursal consta fica claro que a recorrente tinha a prefeita compreensão da autuação, bem como de que todas as informações necessárias a defesa estão presentes nos autos. Razão pela qual rejeito a preliminar. Mérito. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 231 11 Podese verificar das faturas, de fls. 77 a 89, referentes a Cooperativa Brasileira dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Norte Fluminense Ltda, que em todas elas consta a Usina Paineiras S/A como sacado, qual o motivo da Usina pagar as fatura se não foi o tomador dos serviços e por qual motivo se obrigaria como sacado? Situação idêntica ocorre com a Unimed Sul Capixaba Cooperativa de Trabalho Médico, pois nos Recibos do Sacado, de fls. 90 a 101, consta a Usina Paineiras novamente como sacado. Os valores dos montantes de cada cooperativa já foi desmistificado pelo conteúdo do Relatório de Lançamentos – RL como foi supramencionado, demonstrado e transcrito, não havendo prejuízo a defesa quanto a esse aspecto. A questão referente ao suposto crime não foi sumariada e nem será analisada, pois o CARF, nos termos do Súmula 28, a seguir exposta. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Contudo, no que tange a contribuição em razão da cooperativa de trabalho médico, cabe esclarecer que a exação em tela vinha sendo objeto de muitas discussões no âmbito do contencioso administrativo e até pouco tempo atrás me posicionava ao lado de sua validade. Todavia, após novas reflexões e análise de vários elementos passei a adotar novo entendimento, o qual discorro e explicito a seguir. Realmente, de um olhar mais aguçado verifico que a questão em tela não se subsume ao que consta do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observese os esclarecimentos. O citado texto legal diz que “...relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados...”, e, como bem disse a recorrente os serviços não são prestados a ela recorrente, mas sim aos seus trabalhadores. A diferença pode ser sutil, mas implica em uma significativa mudança de direção. Um exemplo, talvez, possa por luz sobre a matéria. Imaginese uma cooperativa de trabalho típica – como a de carregadores e descarregadores de carga, em uma empresa transportadora. Ora a transportadora vai contratar e a cooperativa colocará nas dependências desta ou de terceiros indicados por aquela, os cooperados que realizarão os serviços. Ou seja, uma pessoa jurídica contrata uma cooperativa e recebe serviços dos cooperados por intermédio da cooperativa, serviços esses que trarão à contratante desempenho e desenvolvimento de suas atividade operacionais, com a consequente geração de riqueza, hipótese da Lei 8.212/91, artigo 22. IV. No caso dos autos a empresa contrata a cooperativa que disponibilizará os cooperados que prestarão os serviços, nos seus consultórios próprios ou nas dependências de hospitais e clínicas conveniadas e os serviços serão prestados aos trabalhadores pessoas físicas Fl. 245DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 232 12 e não a empresa contratante, que não terá nenhum benefício direito decorrente da prestação dos serviços pelos cooperados e muito menos produção de riqueza. Além disso, ainda, se pode indagar, por que a contratação de uma cooperativa ensejaria a contribuição do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 e a contratação de uma empresa comercial de assistência a saúde não ensejaria esta contribuição, mas apenas as contribuições convencionais. E por que a empresa que fornece assistência à saúde a seus empregados por intermédio de cooperativa não pode beneficiarse da isenção do artigo 28, § 9º, alínea “q”, sendo que a que contrata empresa comercial de assistência à saúde faria jus a esta isenção. Destarte, penso que se tem duas possibilidades que excluem a exação ou a situação não se amolda ao artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, pois o serviço não é prestado a favor da empresa contratante, mas sim dos empregados ou a empresa que presta assistência à saúde a seus trabalhadores dentro das determinações legais independentemente do tipo de prestador contratado faz jus a isenção do artigo 28, § 9º, alínea “q”, como citado. Qualquer que seja a tese que se abrace a exação tornase indevida, isto é, deixa de ter suporte e substrato a sua exigência, relativamente, a cooperativa UNIMED, mas não a cooperativa de transportadores. Trago apenas para constar que o STF declarou a inconstitucionalidade da contribuição que supostamente daria suporte a essa multa, esclarecendo, ainda, que os embargos de declaração que pedia modulação dos efeitos foi rejeitado, sendo que a ação não transitou em julgado, ainda. EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com Fl. 246DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 233 13 evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07102014 PUBLIC 08102014) (grifei). Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, rejeitou os embargos de declaração. Ausentes, justificadamente, os Ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.12.2014 No entanto, a decisão do Supremo Tribunal Federal – STF, ainda, não é aplicável em razão da falta de trânsito em julgado da decisão. Assim sendo, o levantamento em razão da cooperativa de transportadores deve ser mantida. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso parcialmente, para no mérito da parte conhecida, darlhe provimento parcial, considerando a exação em relação a Cooperativa Unimed improcedente, uma vez que o fato dos autos não corresponde a hipótese de incidência da norma, inexistindo a exação. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 234 14 Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Não Incidência de Contribuições Sobre os Serviços Prestados por Cooperativas de Trabalho Em que pese o aprumo e galhardia com que o conspícuo relator proferiu seu voto, sempre corporificando o arquétipo de justiça tributária perseguida por este Conselho, não vislumbro como não aplicar a decisão proferida pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, ao analisar o Recurso Extraordinário n. 595.838, de relatoria do Ministro Dias Toffoli, com repercussão geral reconhecida, declarando inconstitucional o inciso IV, do art. 22, da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 9.876/99, o que, em tese, vincularia esta Colenda Turma Especial, nos termos do art. 62A do RICARF. Ocorre que, salvo melhor juízo, compartilho com o entendimento de que a vinculação determinada no RICARF somente pode ser exigida após o trânsito em julgado do recurso extraordinário, o que, consultando o sítio virtual do STF, ainda não ocorreu. Não obstante isso, penso que o entendimento exarado pelo Plenário da Suprema Corte já está pacificado, uma vez que os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional com o objeto de modular os efeitos da decisão foram rejeitados, encontrandose os autos, hodiernamente, na Procuradoria Geral da República para, após, ser confirmado seu trânsito em julgado. Ademais, não vislumbro qualquer razão para somente após o trânsito em julgado adotarmos o posicionamento do STF em julgamento proferido por unanimidade, até porque, se assim agíssemos, poderíamos privilegiar aqueles recursos que, por qualquer razão, tramitaram por mais tempo na esfera administrativa. Assim sendo, trago à colação a ementa do RE n. 595.838 para fundamentar o presente voto. EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15586.720028/201323 Acórdão n.º 2803004.178 S2TE03 Fl. 235 15 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Destarte, entendo que provimento merece o recurso voluntário da contribuinte, para afastar a incidência de contribuições sociais incidentes sobre os serviços prestados por todos os tipos de cooperativa de trabalho e seus reflexos. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, afastando a incidência de contribuições previdenciárias sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho e seus reflexos. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti – Redator designado Fl. 249DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 11/04/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assi nado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.000937/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO.
A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
RECEITA BRUTA APURADA. LIVROS FISCAIS. DEDUÇÕES E ABATIMENTOS.
É legítimo o lançamento levado a efeito pela fiscalização federal fundamentado em provas colhidas em livros fiscais de escrituração obrigatória perante a legislação tributária de outro ente federativo. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova da existência de outras deduções da receita bruta, além daquelas constatadas pelo fisco na análise dos referidos livros.
CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO.
A apuração da da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no caso de contribuinte sujeito ao lucro arbitrado, deve ser feita na forma do regime cumulativo, tendo por base de cálculo o faturamento, deduzidas as exclusões previstas em lei.
CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE AS VENDAS.
Não há previsão legal para a exclusão, da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, do ICMS incidente sobre as vendas próprias, mas tão somente do ICMS devido na condição de substituto tributário.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-001.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e de suspensão do processo, indeferir o pedido de realização de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declararam-se impedidos os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Jackson Mitsui, e Joselaine Boeira Zatorre.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. RECEITA BRUTA APURADA. LIVROS FISCAIS. DEDUÇÕES E ABATIMENTOS. É legítimo o lançamento levado a efeito pela fiscalização federal fundamentado em provas colhidas em livros fiscais de escrituração obrigatória perante a legislação tributária de outro ente federativo. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova da existência de outras deduções da receita bruta, além daquelas constatadas pelo fisco na análise dos referidos livros. CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO. A apuração da da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no caso de contribuinte sujeito ao lucro arbitrado, deve ser feita na forma do regime cumulativo, tendo por base de cálculo o faturamento, deduzidas as exclusões previstas em lei. CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE AS VENDAS. Não há previsão legal para a exclusão, da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, do ICMS incidente sobre as vendas próprias, mas tão somente do ICMS devido na condição de substituto tributário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício. Recurso voluntário negado.
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INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, situações inocorrentes no caso. JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. COMPETÊNCIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O julgamento em primeira instância compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Demonstrado nos autos que os fatos que deram origem à tributação estão perfeitamente descritos no trabalho fiscal, e que o contribuinte, por sua vez, defendeuse plenamente, demonstrando saber exatamente as razões de autuação, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Cabe à autoridade julgadora determinar ou não a realização de diligências ou perícias, podendo indeferir as que considerar prescindíveis, desde que o faça fundamentadamente, sem que isto caracterize qualquer violação do legitimo direito de defesa do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 09 37 /2 01 0- 78 Fl. 671DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 3 2 As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. RECEITA BRUTA APURADA. LIVROS FISCAIS. DEDUÇÕES E ABATIMENTOS. É legítimo o lançamento levado a efeito pela fiscalização federal fundamentado em provas colhidas em livros fiscais de escrituração obrigatória perante a legislação tributária de outro ente federativo. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova da existência de outras deduções da receita bruta, além daquelas constatadas pelo fisco na análise dos referidos livros. CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. LUCRO ARBITRADO. REGIME CUMULATIVO. A apuração da da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no caso de contribuinte sujeito ao lucro arbitrado, deve ser feita na forma do regime cumulativo, tendo por base de cálculo o faturamento, deduzidas as exclusões previstas em lei. CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE AS VENDAS. Não há previsão legal para a exclusão, da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, do ICMS incidente sobre as vendas próprias, mas tão somente do ICMS devido na condição de substituto tributário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 4 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e de suspensão do processo, indeferir o pedido de realização de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declararamse impedidos os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregório, Jackson Mitsui, e Joselaine Boeira Zatorre. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por PEGASUS INDUSTRIA DE PEÇAS PARA MOTOS LTDA, contra acórdão proferido pela 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba – DRJ/CTA, que julgou improcedente a impugnação contra o lançamento de ofício efetuado. A empresa teve contra si lavrados os autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 1.585.174,10, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 150%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 34/38, a empresa havia sido excluída da sistemática do Simples, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CVL no 23, de 9 de julho de 2007, com efeitos a partir de 01 de janeiro de 2004 (fl. 8), sujeitandose, portanto, a partir daquela data, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A empresa foi intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrita comercial e fiscal relativos aos anos de 2006 e 2007, entre eles os Livros Diário e Razão, ou Livro Caixa, conforme o caso, os Livros de Registro de Entradas e de Saídas, e o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR. A empresa atendeu apenas parcialmente a solicitação. Em resposta dada em 27.07.2009, afirmou (fls. 14, sic): “Os Livros Diários e Razões, não estão sendo enviados uma vez que a contabilidade não se encontra regular, por motivo de discussão da empresa sob a forma de tributação.” Considerando que os Livros de Registro de Entradas e de Saídas denotavam movimentação no período, que não houve a entrega de nenhum tipo de declaração à Receita Fl. 673DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 5 4 Federal referente aos anos em questão e nem tampouco qualquer recolhimento de imposto de renda, tornou a intimar a empresa a apresentar os referidos livros contábeis, bem como a apurar o IRPJ pelas regras do Lucro Real Trimestral e a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR (fls. 15 a 17). A empresa respondeu (fls. 19, sic): “... por motivos de inteira responsabilidade da empresa, não temos como cumprir as exigências contidas no presente termo de intimação fiscal ora em pauta.” A fiscalização, então, arbitrou o lucro da contribuinte, apurando a sua receita a partir dos lançamentos constantes dos Livros de Registro de Saídas e de Apuração do ICMS apresentados, considerando as vendas e respectivas devoluções, e aplicando o percentual de 9,6%, vez que a atividade da empresa era de “Indústria de Peças e Acessórios para Motocicletas e Similares”. A multa aplicada foi de 150%, em razão do evidente intuito de sonegar os tributos devidos. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 83 a 143), alegando, em síntese, o que segue: o pedido da fiscalização, para que apresentasse a escrituração contábil em condições de apurar o lucro real trimestral no prazo de vinte dias, é um pedido impossível e abusivo; os valores arbitrados não correspondem com a realidade de mercado da recorrente, nem condizem com a realidade de nenhuma empresa comercial ou industrial; esse tipo de arbitramento sacrifica direitos da recorrente e o auto de infração padece de ilegalidade; a empresa impetrou o Mandado de Segurança nº 2009.70.04.0001173, na 1ª Vara Federal de Umuarama/PR, para discutir os efeitos da exclusão do Simples, sendo inaplicável a retroatividade; uma vez deferida a segurança, o presente auto de infração perderá seu objetivo e finalidade; a fiscalização teria que aguardar o julgamento da exclusão para lavrar os autos de infração; o levantamento fiscal é incorreto, pois não levou em conta as bonificações a clientes e vendas canceladas; o PIS e a COFINS foram apurados na forma cumulativa, mas o próprio fisco afirmou que a apuração deveria ser pelo lucro real trimestral, em que o PIS e a COFINS são não cumulativos; o auto de infração é nulo, pela ineficácia da intimação do sujeito passivo; Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 6 5 os efeitos retroativos do Ato Declaratório Executivo DRF/CVL no 23 são ilegais; o lançamento é nulo, em razão de o agente fiscal, de forma simplória e facilitada, ter aferido o quantum debeatur a partir da simples análise dos livros fiscais de mercadorias; a prova emprestada não figura, jamais, como prova plena do fato jurídico em sentido estrito; o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS; os autos são nulos por falta de demonstração do enquadramento legal a ser contestado, caracterizando cerceamento de defesa, bem como por falta de indicação dos motivos de fato; os autos são nulos por terem sido lavrados fora do local do domicilio do sujeito passivo; os autos são nulos por falta de habilitação técnica do fiscal, que não é bacharel em contabilidade; a taxa Selic, como indexadora de débitos tributários, é inconstitucional; a multa de oficio não poderia ser aplicada no patamar de 150%, por não ter havido reincidência; o dispositivo que permite a duplicidade da multa foi revogado pela Lei nº 11.488/07; a multa aplicada é confiscatória, viola os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, e outros que aponta; no caso em tela não existiu sonegação ou fraude; se a multa de oficio não for afastada, deve ser reduzida para o patamar de 50%, nos termos da nova redação do art. 44, da Lei n° 9.430/96, em virtude da alteração feita pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007; se a multa de oficio não for afastada, deve ser reduzida para o patamar máximo de 30%, conforme a jurisprudência dominante; entendendo o julgador não ter competência para julgar a inconstitucionalidade de norma, deveria suspender o processo e levar a questão ao judiciário para que se manifeste sobre a matéria, de modo a preservar o contraditório e a ampla defesa; para que se tenha a verdade real é imprescindível nos autos a realização de perícia, para a qual indica perito e onze quesitos a serem respondidos. Finaliza requerendo a insubsistência do lançamento, em razão das nulidades e das razões de mérito aduzidas, ou senão a realização da perícia para a correta aferição dos Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 7 6 valores devidos, bem como o cancelamento das multas aplicadas ou sua redução aos percentuais indicados, ou, ainda, a suspensão do processo e envio ao judiciário, no caso de o julgador entender não ter competência para julgar a inconstitucionalidade de norma. A DRJ/CTA, por meio do Acórdão n° 0635.143, de 6 de janeiro de 2012, rejeitou as preliminares de nulidade e de cerceamento do direito de defesa, indeferiu o pedido de perícia, e julgou improcedente a impugnação. A ementa encontrase assim redigida: “Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. NULIDADE. ATOS PRIVATIVOS DE CONTADOR OU DE AUDITOR CONTÁBIL. AUDITORFISCAL. COMPETÊNCIA. A competência do AuditorFiscal para o lançamento inclui o exame de livros e documentos contábeis, atividade que não se confunde com o exercício das profissões de contador ou de auditorcontábil, cujas atribuições estão especificadas em legislação federal própria. AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA. NOTIFICAÇÃO PESSOAL. SÓCIO ADMINISTRADOR Legal e eficaz a intimação relativa a auto de infração, efetuada da forma pessoal, provada com a assinatura da sócia administradora da empresa autuada. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deve ser lavrado no local de verificação da falta, que pode ser o estabelecimento do infrator, a repartição fiscal, ou outro local, não ensejando, por conseguinte, a nulidade do lançamento ex officio lavratura de auto de infração fora do estabelecimento do contribuinte. VENDAS ESCRITURADAS NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. Constitui prova direta de omissão de receita a constatação de vendas escrituradas no Livro Registro de Apuração do ICMS e não declaradas à Receita Federal. RECEITAS ESCRITURADOS. LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. PROVA Os valores registrados e atestados como verídicos ao fisco estadual, mediante declaração firmada no Livro Registro de Apuração do ICMS, fazem prova de receitas da empresa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DO ENQUADRAMENTO LEGAL e INFRAÇÕES AUTUADAS. Inexiste cerceamento do direito de defesa nem se encontra inquinado de vício o feito, se o crédito tributário lançado apurado em conformidade com a legislação de regência informada nos autos de infração, os fatos que ensejaram o lançamento estão Fl. 676DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 8 7 claramente descritos e constam do processo todas as informações necessárias ao exercício do contraditório. SUSPENSÃO DOS AUTOS E ENVIO PARA O PODER JUDICIÁRIO Não há previsão legal para que o julgador administrativo, por não possuir competência para julgar ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação, suspenda por esse motivo o curso do processo e o encaminhe ao Poder Judiciário para decisão, sendo prerrogativa do contribuinte socorrerse junto a este último. PERÍCIA DESNECESSÁRIA. Inexistindo a necessidade de realização de perícia face à clareza das provas contidas nos autos, negase o pedido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. Considerandose a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da obrigação tributária, aplicase multa de ofício qualificada de 150% sobre os correspondentes impostos e contribuições sociais exigidos. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada aplicável é aquele determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. LEGISLAÇÃO. EXAME DA VALIDADE, LEGALIDADE E/OU CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade, legalidade ou constitucionalidade. INTERPRETAÇÃO MAIS BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA EM CASO DE DÚVIDAS, ART. 112 DO CTN. Se, diante das provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vinculado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 LUCRO ARBITRADO. PERCENTUAL. INDUSTRIA E COMÉRCIO. A apuração do lucro real mensal apurado por estimativa e do lucro presumido de empresa industrial e comercial se fazem pela aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta e, no caso do arbitramento, tal percentual é acrescido de vinte por cento, resultando em nove por cento e seis décimos. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 9 8 BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. IPI. VENDAS PARA O EXTERIOR No que tange às receitas financeiras, IPI, vendas para o exterior cuja dedução pleiteia, é evidente que não foram incluídas na receita bruta se esta foi apurada a partir do livro RAICMS que, conforme as descrições das operações, se referem a vendas de produção do estabelecimento, para o mercado interno. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO DE DEVOLUÇÕES DE VENDAS E MERCADORIAS DEVOLVIDAS. As devoluções de vendas e as mercadorias devolvidas foram excluídas da base de cálculo e descontos incondicionais não foram identificados nem o contribuinte apresentou provas dos mesmos, para que pudessem ser deduzidos da base de cálculo. IRPJ. CSLL. LUCRO ARBITRADO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Apenas na situação em que este tributo é cobrado do comerciante adquirente, na qual o vendedor é depositário, no regime de substituição tributária a teor do parágrafo único do art. 31 da Lei nº 8.981, de 1995, é que o ICMS pode ser deduzido da receita bruta para a apuração do lucro presumido ou arbitrado. PIS. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Somente é dedutível da base de cálculo do PIS e Cofins o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. PIS.COFINS, LUCRO ARBITRADO. Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vigentes anteriormente à instituição da incidência não cumulativa as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado. PIS, COFINS, CSLL. DECORRÊNCIA. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal.” Cientificada desta decisão em 13.02.2012, conforme AR de fls. 584, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 14.03.2012, fls. 586 a 658, no qual, em síntese, reprisa os argumentos expostos na inicial e acrescenta ainda, o seguinte: o julgamento deveria ser suspenso até o julgamento definitivo do Mandado de Segurança nº 2009.70.04.0001173; o julgamento deveria ser suspenso até o julgamento final da Ação Declaratória de Constitucionalidade – ADC no 18 pelo Supremo Tribunal Federal, na qual se discute a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins; a decisão recorrida deve ser declarada nula por falta de competência do agente para proferila, pois tal ato é privativo do ocupante do cargo de Delegado da Receita Federal. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 10 9 Na sessão de dezembro de 2012 o julgamento foi sobrestado em vista do disposto nos §§ 1o e 2o do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria “inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins” encontrarse em julgamento no STF, pela ADC18, sem decisão definitiva até aquele momento. Com a revogação dos citados parágrafos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, retornam os autos à presente pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminares de suspensão do julgamento Conforme relatado, tendo em vista a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Regimento Interno do CARF, a despeito de o STF não ter ainda proferido decisão definitiva na Ação Declaratória de Constitucionalidade no 18, na qual se discute a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, não há mais motivos para o sobrestamento do julgamento, que era um dos pleitos da recorrente, e que fora anteriormente acolhido por meio da Resolução 1102000.134. Com relação à suspensão do julgamento até que se aguarde o julgamento definitivo do Mandado de Segurança no 2009.70.04.0001173, cumpre fazer os seguintes registros, após consultas feitas às páginas eletrônicas da Justiça Federal do Paraná, do TRF4, do STJ e do STF. Do relatório da decisão judicial de primeira instância, extraio o seguinte excerto, para conhecimento do pedido (grifos acrescidos): “Tratase de ação proposta por BIG MOTOS COMÉRCIO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA MOTOS LTDA e PEGASUS INDÚSTRIA DE PEÇAS PARA MOTOS LTDA ME em face da UNIÃOFAZENDA NACIONAL, com pedido, inclusive em sede de antecipação de tutela, de declaração de nulidade do processo administrativo em que foi declarada a sua exclusão do SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte e, conseqüentemente, a anulação do ato declaratório de exclusão, bem como do respectivo auto de infração. Transcrevo o pedido em seus exatos termos: "(...)Seja confirmada a liminar concedida (tutela antecipada) e julgar procedente o pedido das autoras para declarar a nulidade do ato declaratório nº 22 e 23/2007 (anexos) por não terem obedecido o devido processo legal (contraditório) em desfavor das autoras e , Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 11 10 conseqüente, declarar a nulidade dos créditos tributários constantes dos autos de infração n.º 10.935.003344/200768 (Lucro Arbitrado), Auto de Infração DEBCAB n.º 37.171.3900 (Contribuição Previdenciária falta de retificação da GFIP em razão da exclusão do SIMPLES), Auto de Infração DEBCAB n.º 37.171.3919 (Contribuição Previdenciária Valores de GFIP não alterados), Auto de Infração DEBCAB n.º 37.171.3897 (Diferenças de Contribuições Previdenciárias em razão do desenquadramento do SIMPLES), em nome da primeira Autora, e também os Auto de n.º 10.935.003340/200780 (Lucro Arbitrado), advindo em razão exclusão do SIMPLES e auto de Infração DEBCAB n.º 37.143.7326 (cobranças de contribuições previdenciárias de 01/2004 a 07/2007) relativos a segunda autora, referentes á diferença entre o recolhimento tributário normal e o recolhimento pelo SIMPLES, apurada nas anos calendários de janeiro de 2004 a julho de 2007, frente a afronta ao princípio do contraditório, consubstanciado ma falta do devido processo legal". Sustentam, em suma, a nulidade dos Atos Declaratórios nº 22/2007 e nº 23/2007, por ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, pois primeiro veicularam sua exclusão do SIMPLES e só depois abriram prazo para defesa. Mencionam a necessidade de indicação, no ato fiscal, de todos os dispositivos legais infringidos, sob pena de nulidade. Afirmam que a referida exclusão, sem prévia oportunidade para defesa, também configura ofensa à proporcionalidade, à razoabilidade e à moralidade pública, bem como abuso de direito.” Analisado o pedido, foi proferida a seguinte decisão: “Ante o exposto, resolvo o mérito do processo, com fulcro no art. 269, I, do Código de Processo Civil, julgando TOTALMENTE IMPROCEDENTE o pedido das autoras.” Em 21/09/2010 foi proferida decisão pelo TRF4, negando provimento, por unanimidade, à apelação. O TRF4 também inadmitiu os Recursos Extraordinário e Especial. O STF, em 12/05/2012 e 28/11/2013 negou seguimento ao recurso extraordinário, com baixa definitiva dos autos em 14/02/2014. O STJ, em 05/12/2011 (decisão republicada em 08/02/2013), não conheceu do recurso especial. Após sucessivos agravos e embargos, o acórdão transitou em julgado em 18/11/2013. Portanto, não há quaisquer óbices ao prosseguimento do julgamento. Nulidades Aduz a recorrente que a decisão recorrida deve ser declarada nula por falta de competência do agente para proferila, pois tal ato seria privativo do ocupante do cargo de Delegado da Receita Federal, e transcreve ementa de acórdão do extinto 3o Conselho dos Contribuintes que afirma tal atividade ser privativa dos ocupantes do cargo de Delegado da Receita Federal de Julgamento. Não lhe assiste razão. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 12 11 Desde a edição da Medida Provisória n.º 2.11330, de 26/04/2001, o art. 25 do Decreto n.º 70.235/1972 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, tem a seguinte redação: Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (Redação dada pelo art. 64 da Medida Provisória n.º 2.11330, de 26/04/2001 – atual Medida Provisória n.º 2.15835, de 24/08/2001) Somente nas redações anteriores do referido artigo é que tal competência era privativa dos Delegados da Receita Federal (redação original) ou dos Delegados da Receita Federal de Julgamento (redação dada pela Lei nº 8.748/1993). O acórdão recorrido foi proferido em 6 de janeiro de 2012. Com relação às alegações de nulidade envolvendo o ato de exclusão do Simples, ou os efeitos desta exclusão (irretroatividade dos efeitos do ato, necessidade de aguardar o julgamento da exclusão para lavrar os autos de infração, perda de objetivo e finalidade do auto de infração ao ser deferida a segurança), são questões que ou não estão sequer em julgamento no presente processo administrativo (o ato de exclusão do Simples em si) ou se encontram superadas com o trânsito em julgado do Mandado de Segurança no 2009.70.04.0001173 ou ainda de outro Mandado de Segurança que a seguir será comentado, em que tais razões foram aduzidas, tendo o Poder Judiciário se manifestado contrariamente às pretensões da recorrente. Nada obstante, aparentemente os autos de infração discutidos no presente processo administrativo não fizeram parte direta da discussão judicial, uma vez que lavrados posteriormente ao citado Mandado de Segurança. De fato, o relatório da sentença judicial menciona apenas o processo 10935.003340/200780, que também versaria sobre o arbitramento dos lucros da recorrente em anos anteriores. De qualquer sorte, portanto, ainda que se entenda que o pronunciamento judicial não importe renúncia à instância administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 1, abaixo transcrita, à alegação recursal de necessidade de se aguardar o julgamento definitivo da exclusão para se lavrar os autos de infração opõese a Súmula CARF nº 77, também abaixo transcrita: “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 77 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 13 12 A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.” E à alegação de irretroatividade dos efeitos do ato de exclusão (que foi editado em 9 de julho de 2007), há que se observar, em primeiro lugar, que tais efeitos são expressamente regulados pela Lei no 9.317/1996, no seu art. 15. E, no caso, os efeitos do ato retroagiram a 1o de janeiro de 2004. O lançamento nos presentes autos abrange os anos de 2006 e 2007. Ademais, conforme esclarecimento contido no voto da decisão recorrida, a contribuinte também impetrou o Mandado de Segurança nº 2007.70.05.0034063/PR (não citado pela própria contribuinte nos presentes autos), no qual pleiteou, entre outras coisas, a suspensão dos efeitos do ADE nº 23/2007 quanto à sua retroatividade para fins de exclusão do Simples, a concessão de segurança para determinar a ilegalidade/nulidade do ADE nº 23/2007, e o cancelamento em definitivo do auto de infração do citado processo administrativo 10935.003340/200780. E, conforme registrou a decisão recorrida, o referido Mandado de Segurança teve a sua baixa definitiva em 31/07/2008, após ter sido a liminar indeferida, e a sentença de mérito proferida ter sido inteiramente desfavorável às suas pretensões. Assim, a retroatividade dos efeitos da exclusão (ainda que em relação a outros anos, que não 2006 e 2007) foi julgada definitivamente pelo Poder Judiciário de modo desfavorável à recorrente. Por fim, conforme registrou a decisão recorrida, a exclusão do Simples em si (que, conforme já dito, sequer faz parte do presente processo administrativo), foi objeto do Mandado de Segurança nº 2007.70.05.0034063/PR, o que importa, portanto, renúncia à instância administrativa com relação a esta matéria, nos termos da já transcrita Súmula CARF nº 1. A recorrente aduz ainda outras nulidades, a saber: a) nulidade do lançamento, por ter sido aferido o quantum debeatur a partir da simples análise dos livros fiscais de mercadorias; b) nulidade do lançamento por falta de demonstração do enquadramento legal a ser contestado, caracterizando cerceamento de defesa, bem como por falta de indicação dos motivos de fato; c) nulidade do lançamento por terem os autos de infração sido lavrados fora do local do domicilio do sujeito passivo; d) nulidade do lançamento por falta de habilitação técnica do fiscal, que não é bacharel em contabilidade. Cediço que, nos termos do PAF, Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Eventuais erros ou equívocos na apuração dos tributos, ou no enquadramento dos fatos à hipótese tributária prevista na norma, devem ser enfrentados como matéria de mérito, mas não importam a nulidade da autuação. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 14 13 Noutro giro, verifico que os autos de infração contém todos os requisitos formais exigidos, e que os fatos estão adequadamente descritos, tendo a recorrente demonstrado compreendêlos, defendendose contra as imputações que lhe foram feitas. Afastamse, assim, as nulidades alegadas em ‘a’ e ‘b’. A nulidade alegada em ‘c’ é afastada pela seguinte súmula: “Súmula CARF nº 6 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” E a nulidade alegada em ‘d’ é afastada pela seguinte súmula: “Súmula CARF nº 8 O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.” Por fim, registrese que não houve a renovação da alegação feita em sede de impugnação, no sentido da nulidade do lançamento em razão da suposta ineficácia da intimação do sujeito passivo, a qual, de qualquer sorte, já foi adequadamente refutada pela decisão recorrida. Afastadas todas as nulidades alegadas, prosseguese no exame das demais alegações. Pedido de perícia/diligência Aduz a recorrente ser necessária a realização de perícia, em face da complexidade da matéria, que demandaria o exame por pessoas especializadas, e que impedir a realização da prova pericial seria o mesmo que retirar da recorrente seu direito de ampla defesa. Não lhe assiste razão. O procedimento pericial pressupõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, visando à solução de dúvidas que não possam ser resolvidas pelo julgador a partir de provas documentais que podem ser acostadas aos autos. Portanto, a perícia deve ser indeferida quando o fato probante puder ser demonstrado pela juntada de documentos por parte do interessado, a quem incumbe a prova. Ademais, é pacífico na jurisprudência do CARF que as diligências e perícias constituem instrumentos postos à disposição do julgador para auxiliálo na formação do seu livre convencimento, se entendêlas necessárias, de sorte que não caracteriza qualquer violação do legitimo direito de defesa do contribuinte o indeferimento fundamentado do pedido por ele formulado. Neste sentido, os seguintes precedentes: Fl. 683DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 15 14 Acórdão 10192.105, Relator Sebastião Rodrigues Cabral, sessão de 03/06/1998: I.R.P.J. – PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. — A realização de perícia ou diligência, em regra, visa a produção de provas ou a coleta de elementos que permitam ao julgador formar, livremente, sua convicção a propósito dos fatos apurados O indeferimento de pedido formulado pelo sujeito passivo não implica nulidade do Ato Administrativo, por não configurado cerceamento do direito de defesa. Acórdão 10320.379, Relatora Mary Elbe Gomes Queiroz Maia, sessão de 13/09/2000: REJEIÇÃO A PEDIDO DE DILIGÊNCIA — INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – Não se configura ofensa ou violação do legítimo direito de defesa da contribuinte a rejeição a pedido de diligência quando a autoridade julgadora considerálo prescindível por os elementos constantes dos autos serem suficientes para que se proceda ao respectivo julgamento, desde que a decisão indique os fundamentos táticos e legais que motivaram a decisão e sejam plenamente assegurados o devido processo legal e prestigiados os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. Acórdão 10423061, Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa, sessão de 06/03/2008: PAF DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. Pelos mesmos motivos acima discorridos, entendendo estarem presentes todos os elementos necessários à convicção deste relator, e tampouco havendo nas questões postas a julgamento qualquer matéria cuja complexidade demande conhecimento especializado de que não disponha este colegiado, também concluo ser desnecessária a realização de diligência ou perícia para a adequada solução da lide. Ilegalidades e inconstitucionalidades Todas as alegações que digam respeito a supostas inconstitucionalidades da lei, ou ilegalidades, em razão de suposta abusividade ou de violação a outros direitos do contribuinte, ou a princípios constitucionais, devem ser de plano rejeitadas, em face da impossibilidade de apreciação de tais questões na esfera administrativa, nos termos da seguinte súmula: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Corolário desta súmula, as leis tributárias devem simplesmente ser aplicadas pelo julgador administrativo ao caso concreto. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 16 15 E este entendimento está absolutamente consolidado no âmbito do CARF, não tendo qualquer procedência, portanto, o pedido da recorrente para que, no caso de se considerar o julgador administrativo incompetente para apreciar tais questões, o processo administrativo deveria ser suspenso, e o próprio julgador deveria levar essas questões ao judiciário para que este se manifestasse sobre a matéria. Afastamse, portanto, os seguintes argumentos do contribuinte, tendose em conta que os procedimentos seguiram o quanto prescrito em lei: de que o pedido da fiscalização para que apresentasse a escrituração contábil em condições de apurar o lucro real trimestral no prazo de vinte dias seria um pedido impossível e abusivo; de que os valores arbitrados não corresponderiam à realidade de mercado; de que o arbitramento levado a efeito sacrificaria direitos da recorrente; de que a multa aplicada seria confiscatória e violaria diversos princípios; de que a taxa Selic, como indexadora de débitos tributários, seria inconstitucional. Mérito No mérito, aduz a recorrente que o levantamento fiscal seria incorreto, pois não teria levado em conta as bonificações a clientes e vendas canceladas. Aduz também que a prova emprestada não constituiria, jamais, prova plena do fato jurídico. Entretanto, conforme já relatado ao norte, a fiscalização arbitrou o lucro da contribuinte, apurando a sua receita a partir dos lançamentos constantes dos Livros de Registro de Saídas e de Apuração do ICMS apresentados, tendo considerado as vendas e respectivas devoluções ali registradas. Assim, acaso houvesse quaisquer outros valores que devessem ser deduzidos da receita assim apurada pela fiscalização, incumbiria à fiscalizada trazer as provas que embasassem as suas alegações. Contudo, a recorrente nada trouxe aos autos, apenas meras alegações, desacompanhadas de qualquer prova, limitandose a requerer perícia para a correta apuração dos valores (pedido o qual já foi ao norte rejeitado). Não procede, igualmente, o argumento relativo à alegada “prova emprestada”, mesmo porque não se trata, no caso, de nenhuma prova “emprestada”, senão de apuração direta, pelo fisco, a partir de elementos constantes da escrituração fiscal da própria recorrente, ainda que a referida escrituração seja aquela exigida pela legislação tributária de outro ente federativo. Ademais, cediço que o fisco podese valer das mais diversas formas para obter os dados necessários ao lançamento de ofício, podendo fazer uso tanto de provas diretas quanto indiretas, quanto de presunção legal. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 17 16 Não há nenhum óbice, portanto, à utilização de informações constantes de livros escriturados pelo próprio contribuinte por obrigação legal decorrente da legislação tributária estadual. Neste sentido é a jurisprudência do CARF, consubstanciada nas ementas a seguir transcritas: Acórdão no 10196387, relator José Ricardo da Silva, sessão de 18/10/2007: IRPJ – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCO ESTADUAL – PROVA EMPRESTADA – É legítimo o lançamento levado a efeito pela fiscalização federal fundamentado em provas colhidas em informações prestadas ao Fisco Estadual. Acórdão no 10323588, relator Antonio Bezerra Neto, sessão de 15/10/2008: PROVA EMPRESTADA. FASE OFICIOSA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas do Fisco Estadual na fase de fiscalização são admissíveis no processo administrativo fiscal, por serem submetidas a novo contraditório e não prejudicarem o direito de defesa do contribuinte. Acórdão no 10708467, relator Natanael Martins, sessão de 23/02/2006: IRPJ – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – APURAÇÃO PROVA EMPRESTADA – As informações sobre as vendas informadas para o Fisco Estadual podem ser aproveitadas no lançamento de tributos federais quando a contribuinte se recusa a apresentar seus livros e documentos contábeis. Sem qualquer procedência a alegação de irregularidade na utilização do regime cumulativo para a apuração do PIS e da COFINS, em oposição ao regime não cumulativo, que deveria ter sido aplicado. O regime cumulativo é aquele expressamente previsto em lei no caso de empresas submetidas ao lucro arbitrado, como é o caso concreto. E o recurso ao arbitramento dos lucros, no caso, encontrase plenamente justificado, uma vez que a empresa não apresentou à fiscalização os livros da escrituração comercial e fiscal necessários à apuração do lucro por qualquer uma das outras formas possíveis de tributação. O pleito de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS também deve ser rejeitado. A este respeito, assim dispõe a Lei n° 9.718/1998, em seus artigos 2o e 3o: “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3°. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 18 17 (...) § 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I – as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário;” Conforme transcrição acima, fica claro que, na receita bruta para fins de apuração do PIS e da COFINS, no que diz respeito ao ICMS, só não se inclui o ICMS por substituição, mas não o ICMS incidente sobre as vendas. Este conceito de receita bruta, aliás, está em perfeita consonância com o conceito de receita bruta desde há muito consagrado pela legislação do imposto de renda, ora consolidada no artigo 224 do RIR/99, e que possui a seguinte redação: “Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único).” Os impostos “não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário”, pela própria redação do dispositivo, compreendem, por exemplo, na legislação federal, o IPI, e na legislação estadual, o ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. De se ressaltar, ainda, que este conceito também foi adotado pela legislação da CSLL, a teor do disposto no art. 20 da Lei nº 9.249/95. Tratase, portanto, de um conceito adotado, de forma coerente e consistente, pela legislação de todos os tributos federais discutidos nos presentes autos. Na verdade, o ICMS incidente sobre as vendas, ao ser subtraído da receita bruta, dá origem à receita líquida, consoante conceito consagrado na legislação tributária desde há muito tempo, a teor do disposto no art. 12 do Decreto Lei no 1.598/77: “Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 19 18 § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas.” Em conclusão, não há qualquer previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Multa qualificada Com relação à multa, aduz a recorrente, em síntese, que: a multa de oficio não poderia ser aplicada no patamar de 150%, por não ter havido reincidência; o dispositivo que permite a duplicidade da multa foi revogado pela Lei no 11.488/07; no caso em tela não existiu sonegação ou fraude; se a multa de oficio não for afastada, deve ser reduzida para o patamar de 50%, nos termos da nova redação do art. 44, da Lei no 9.430/96, em virtude da alteração feita pela Medida Provisória no 351, de 22/01/2007; se a multa de oficio não for afastada, deve ser reduzida para o patamar máximo de 30%, conforme a jurisprudência dominante; O conjunto dos fatos, contudo, conduz à conclusão da correção do procedimento fiscal de qualificar a multa de ofício. Conforme bem sintetizou a decisão recorrida, não apenas houve a falta de apresentação de qualquer tipo de declaração à Receita Federal referente aos anoscalendários 2006 e 2007, discutidos nos presentes autos, como também sequer houve a apresentação de qualquer tipo de declaração com relação aos anos anteriores de 2004 e 2005, conforme restou demonstrado no aqui já citado processo administrativo nº 10935.003340/200780, e também no ano de 2003 (processo administrativo nº 10935.003339/200755). Tampouco houve o recolhimento de qualquer tributo devido nos períodos fiscalizados, nada obstante a vultosa receita omitida apurada pelo fisco, que, em todos os anos referidos, extrapolou o limite admitido para que a empresa permanecesse no Simples. A circunstância de o contribuinte apresentarse reiteradamente omisso com relação às declarações de rendimentos, ou de apresentálas com valores zerados ou muito inferiores ao do efetivo montante de suas receitas auferidas, e, por consequência, de suas obrigações tributárias devidas, sem qualquer justificativa plausível, denota a intenção dolosa do contribuinte de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária federal, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, prática esta definida como sonegação à luz do art. 71 da Lei n° 4.502/64, o que implica a qualificação da multa de ofício. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 20 19 Este é o entendimento majoritário assente neste Conselho, consoante as ementas a seguir transcritas da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como precedente desta própria Turma de julgamento: Acórdão 910100.362, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 01/10/2009: “MULTA QUALIFICADA DE 150%. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9430/96, vigente à época. O fato de o contribuinte ter apresentado ao fisco federal, de forma reiterada, declaração com valores significativamente menores do que o apurado a partir de documentação obtida junto ao fisco estadual, bem como ter omitido receitas para se manter no regime do SIMPLES, legitima a aplicação da multa qualificada.” Acórdão 910100.417, relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, sessão de 03/11/2009: “MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível quando o Contribuinte presta declaração, em três anos consecutivos, com os valores zerados, não apresenta DCTF nem realiza qualquer pagamento. Este conjunto de fatos demonstra a materialidade da conduta, configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo.” Acórdão 1102000.916, sessão de 07 de agosto de 2013, relator Antonio Carlos Guidoni Filho: MULTA DE OFÍCIO. A prática de ocultar do fisco, mediante a não apresentação ou a apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. A alegação de que o dispositivo que permitiria a “duplicidade” da multa teria sido revogado pela Lei nº 11.488/07 é completamente desprovido de fundamento. A referida lei não instituiu, majorou, ou revogou a penalidade aplicada aos fatos aqui descritos, mas tão somente realocou as penalidades, que já se encontravam previstas desde a edição original da Lei nº 9.430/1996, entre os incisos e os parágrafos do seu artigo 44. Os pleitos de que a multa de ofício deveria ser reduzida, ou para 50%, nos termos da nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430/96, dada pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, ou para 30%, nos termos da “jurisprudência dominante”, também devem ser rejeitados. A citada Medida Provisória nº 351/2007, destaquese, é a que foi posteriormente convertida na Lei nº 11.488/07. A multa de 50% a que se refere a recorrente nada tem a ver com a hipótese dos autos. Conforme dito, a multa de 150% nos casos de fraude, sonegação e conluio, sempre teve expressa previsão legal, desde a redação original da Lei nº 9.430/1996. O que houve, ao longo do tempo, foram apenas realocações, entre os incisos e os parágrafos do seu artigo 44, da penalidade em questão. Deve ser mantida, portanto, a multa qualificada. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10935.000937/201078 Acórdão n.º 1102001.307 S1C1T2 Fl. 21 20 Conclusão Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e de suspensão do processo, indefiro o pedido de realização de perícia, e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 690DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/ 03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 19515.001454/2006-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF no.29).
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2202-002.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado).
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Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 14 54 /2 00 6- 20 Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, RONALDO LOMONACO, foi lavrado o Auto de Infração tendo sido apurados os valores de R$ 1.337.164,15 de imposto, R$ 1.002.873,10 de multa proporcional de oficio (75%) e R$ 598.269,28 de juros moratórios calculados até 30 de junho de 2006, totalizando R$ 2.938.306,53 de crédito tributário. O lançamento ocorreu em face de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, nos anoscalendário 2001 a 2004. A descrição das infrações e o enquadramento legal encontramse às fls. 908 a 910. O enquadramento legal relativo à multa proporcional e aos juros de mora encontrase à f. 906. Como se vê nos autos, durante todo o procedimento de fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar documentos e a prestar esclarecimentos. O Termo de Verificação Fiscal (f. 898 a 901), parte integrante do auto de infração, evidencia com detalhes todo o procedimento efetuado. A ciência quanto ao lançamento ocorreu, por via postal (AR à f. 918), em 22 de agosto de 2006. Inconformado, o autuado, por meio de procuradora (cópias de instrumento de mandato e de documentos pessoais da procuradora às f. 981 e 982), apresentou impugnação em 15 de setembro de 2006 (f. 919 a 963, anexos às f. 964 a 982), na qual, após relato dos fatos, aduz, em apertada síntese, que: a) ocorreu decadência quanto aos fatos geradores dos meses de janeiro de 2001 a julho desse mesmo ano, em face de o lançamento do tributo ser por homologação e os fatos geradores ocorrerem mensalmente; b) houve cerceamento do direito de defesa, uma vez que todas as contas das quais o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos tinham mais de um titular; c) não houve motivação para a quebra do sigilo bancário; d) devem ser excluídos da tributação os depósitos de valores iguais ou inferiores a doze mil reais e que, no ano, não ultrapassem oitenta mil reais; e) se não foram intimados todos os cotitulares das contas bancárias, não há como se saber se os depósitos relativos ao autuado não se encontravam dentro do limite estabelecido no art. 42, § 3o, inciso II, da Lei n. 9.430/96; f) os rendimentos considerados como omitidos e tributados, valem como prova para justificar depósitos posteriores; g) não se pode aplicar a multa de ofício de 75% no caso de lançamento calcado em presunção; h) houve várias transferências entre contas, recebimentos por conta de vendas de imóveis, resgates de aplicações financeiras e cheques devolvidos, não considerados pelo autuante; i) ocorreram vários erros de cálculo nas consolidações, conforme demonstrado. Ao final, o autuado requer o cancelamento do Auto de Infração com base em todo o alegado, em especial pelo descumprimento da disposição legal que exige a intimação de todos os co titulares das contas bancárias. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001454/200620 Acórdão n.º 2202002.800 S2C2T2 Fl. 3 3 A DRJ julgou o impugnação procedente, nos termo da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE. CONTAS CONJUNTAS. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado A autoridade julgadora recorre de ofício. É o relatório. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício esta dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A autoridade julgadora afastou o lançamento pois as conta seriam conjuntas. Não há dúvidas de que nas hipóteses de contas conjuntas, deve ser observado o comentado do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, acrescentado pela Lei nº 10.637/2002. Mas, deve ele ser interpretado conjuntamente com seu caput: “Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. .... “§ 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” (grifouse) Tratase, pois, de um comando impositivo e incondicional, que prevê um critério objetivo de quantificação da base de cálculo, justamente para conferir critérios de liquidez, certeza e justiça ao lançamento. Constatese que há dois requisitos exigidos pelo dispositivo retrotranscrito: 1º. que os titulares da conta conjunta tenham apresentado declaração de rendimentos em separado; 2º. que todos os titulares da conta corrente sejam intimados para, querendo, comprovarem a origem dos depósitos bancários. É dever da Fiscalização, pois, observado o prazo decadencial, intimar o outro titular da referida conta bancária para que ele, na condição de cotitular e contribuinte do IRPF, comprove a origem dos depósitos, independentemente do percentual de sua real participação em tal conta, e do motivo pelo qual participa como cotitular, o que, todavia, como visto, não foi feito no caso concreto, nas situações de ambas as contas bancárias. Aliás, esse é o posicionamento desse Conselho, como se da recente Súmula do CARF aprovada: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento(Súmula CARF No. 29). Conforme pode ser visto na planilha de f. 888, todas as contas tinham mais de um titular, algumas inclusive com oito deles. Não há nos autos nenhum indício de que os cotitulares tenham sido intimados para comprovarem a origem dos depósitos nas aludidas contas bancárias. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.001454/200620 Acórdão n.º 2202002.800 S2C2T2 Fl. 4 5 Logo, entendo que não tem como subsistir o lançamento das contas conjuntas, por desrespeito ao comando cogente do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, supratranscrita, uma vez que a conta corrente cujos depósitos não tidos como não comprovados são de titularidade conjunta, não bastando, apenas, reduzir o montante tributável pelo número dos titulares. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727514/2011-38
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA.
Pode-se aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO.
Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitando-se, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32-A, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA. Pode-se aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO. Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitando-se, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32-A, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA. Podese aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO. Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 75 14 /2 01 1- 38 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727514/201138 Acórdão n.º 2803003.803 S2TE03 Fl. 258 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Via Park Comercial de Alimentos LTDA, em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, quando presentes todos os requisitos necessários à sua lavratura e a exata compreensão da exação por parte do contribuinte, que dispôs de todos os elementos indispensáveis ao exercício do contraditório e da ampla defesa. VALE ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O fornecimento de alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA Nº 60 DA ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO. Nos termos da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, não incide a contribuição previdenciária sobre os valores de vale transporte pagos em dinheiro. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça. DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES. BATIMENTO DE GFIP X FOLHA DE PAGAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. Uma vez que a recorrente deixou de impugnar expressamente o lançamento de contribuições decorrentes da comparação de valores em folhas de pagamento e os constantes em GFIP, o lançamento torna se incontroverso devendo, portanto, ser mantido incólume. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” De acordo com o Relatório Fiscal, tratase de Auto de Infração referente crédito tributário de contribuições previdenciárias, contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), tendo como fato gerador os pagamentos realizados pelo sujeito passivo, constatado através da análise das folhas de pagamento, não declarados em GFIP, de acordo com as rubricas: premiação, Dissídio Retroativo Outros, Adicionais de Férias Alimentação fornecida in natura, Vale Transporte pago em pecúnia A Fiscalização identificou, ainda, através da análise das folhas de pagamento e das GFIP, a existência de remuneração paga a segurados empregados, cujos fatos geradores não foram informados em GFIP. Após devidamente intimado do lançamento em 26/10/2011 o contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 204/224, aduzindo, em apertado escorço: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 a) a nulidade da autuação por ter apresentado o auditor relatório dos fatos genéricos, ficando a cargo da descriminação dos fatos geradores apenas a Planilha de Lançamento, em que todas as situações foram lançadas numa planilha comum, sem distinção, o que impossibilita destacar o que realmente foi aplicado; b) que o fato puro simples da empresa não estar inscrita no PAT não é suficiente para considerar a alimentação como sendo integrante do salário de contribuição; c) que o pagamento do vale em transporte em pecúnia não desvirtua sua finalidade, não podendo assim ser considerada verba previdenciária; d) que cumpri rigorosamente com seus compromissos, sendo que a não declaração excepcionalmente na GFIP ocorreu por falha e não por dolo, porém o que era devido foi pago. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza acolheu parcialmente as razões apresentadas na impugnação da contribuinte, excluindo do lançamento os valores referentes à incidência previdenciária sobre auxílio alimentação pago em pecúnia e os valores referentes ao pagamento de auxílio transporte pagos pela recorrente (fls. 232/241). Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 247/252), alegando, de forma frívola, em síntese: a) Preliminarmente alega que os lançamentos se revestem de ilegalidades que acarretam sua nulidade diz que no auto de infração foram tecidas maiores considerações acerca do “grupo econômico”, relatandose genericamente os fatos que impuseram a aplicação das penalidades, sem diferenciar as situações de cada caso. Aduz que a fiscalização fez pequena síntese do que considera irregularidade e, em seguida fez o seu relatório de lançamento colocando todas as situações na mesma situação. b) Afirma que cumpre rigorosamente com seus compromissos e não deixa de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus trabalhadores, sendo que, em determinados casos, e excepcionalmente por algum lapso, pode ter deixado de declarar tais importâncias em GFIP. Diz que a não declaração ocorreu por falha e não por dolo e que o valor devido foi pago diz que nesses casos como não haveria que se falar em débito principal, a multa, que é acessória, deveria deixar de existir c) Alega que no que tange ao dissídio e as férias retroativas houve um engano do auditor fiscal, já que a CCT, em sua cláusula primeira, prevê o aumento apenas em 1/11/2008. Conclui que, portanto, inexistiu retroatividade. d) Assevera que, na remota hipótese de não serem acatadas as teses alinhavadas, devese levar em consideração o disposto na Lei nº 11.941/2009 quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias, devendo ser revisto os autos de infração. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727514/201138 Acórdão n.º 2803003.803 S2TE03 Fl. 259 5 Ao final, Requer a declaração de nulidade dos autos de infração e das multas a elas aplicadas. reformando o acórdão impugnando. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Inexistência de Nulidade Aduz a recorrente que os autos de infração não foram confeccionados e atendimento aos requisitos mínimos exigidos, por não se observar a fiel descrição do fato infringente. Contudo, diferentemente do que entende a recorrente, não há nulidade no presente processo. Devo concordar com a decisão a quo, visto ser totalmente improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. Da análise dos autos depreendese que a autoridade fiscal descreveu os fatos e apresentou o enquadramento legal. Ademais, os dados baseiamse em arquivos e dados prestados pela própria autuada, constantes de sua escrita fiscal, não pode a recorrente alegar que desconhece os valores constantes das informações inconsistentes. Deste modo, rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, em face da inexistência de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Valores pagos de acordo com a Convenção Coletiva Aduz a recorrente que no tocante ao dissídio e férias retroativas, houve engano do auditor fiscal, visto que a previsão de aumento deuse somente em 01.11.2008, não havendo o que falar em retroatividade. Analisando os autos, observase que equívoco há nas alegações lançacadas pela recorrente, visto que os pagamentos realizados na competência 12/2008 com a rubrica Dissidio retroativoela análise na CCT(679/691), que foi assinada somente em dezembro de 2008, os efeitos do aumento alcanc ariam o dia 1/11/2008 e as diferenc as seriam pagas em 12/2008. Observase, com baseno DD de fls. 46/56 e no demonstrativo Anexo XII (fls. 401/450) que, corretamente, essa foi aúnica compete ncia em relac ão a qual, a fiscalizac ão apurou contribuic ões relativas à retroac ãodos efeitos do dissídio, utilizandose para tanto do código de levantamento DI nos autos. Assim, não há o que prover no presente tópico. Da Multa Aplicada Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727514/201138 Acórdão n.º 2803003.803 S2TE03 Fl. 260 7 No que tange ao valor da multa aplicada, essa matéria deve ser revista de ofício tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 264DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727514/201138 Acórdão n.º 2803003.803 S2TE03 Fl. 261 9 II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades Fl. 265DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727514/201138 Acórdão n.º 2803003.803 S2TE03 Fl. 262 11 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. Das demais alegações As demais alegações lançadas pela recorrente são extremamente genéricas, não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, razão pela qual não pode este conselheiro acolhelas, mormente porque a recorrente limitase a informar que se não há o principal, não há que se falar em obrigação acessoria, “uma vez que o acessório segue o principal”. Ora, a extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão do recurso voluntário apresentado pela recorrente, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 12 A exata configuração do efeito devolutivo resulta na análise de dois aspectos: o primeiro concerne à extensão do efeito; o segundo, à sua profundidade. Delimitar a extensão do efeito devolutivo é precisar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem; medirlhe a profundidade é determinar com que matéria há de trabalhar o órgão ad quem para julgar. Ademais, a decisão recorrida tem o seu objeto: pode haver julgado o mérito da causa (sentença definitiva), ou matéria preliminar ao exame do mérito (sentença terminativa). Devese analisar se a decisão do tribunal cobrirá ou não área igual á coberta pela do juiz a quo. A questão é analisada aqui do ponto de vista horizontal. Por outro lado, a decisão recorrida tem os seus fundamentos: o órgão de primeiro grau, para decidir, precisou enfrentar e resolver questões, isto é, pontos duvidosos de fato e de direito suscitados pelas partes ou apreciados de ofício. Cumpre averiguar se todas essas questões, ou nem todas, devem ser reexaminadas pelo Conselho, para proceder, por sua vez, ao julgamento; ou ainda se, porventura, hão de ser examinadas questões que o órgão a quo, embora pudesse ou devesse apreciar, de fato não apreciou. Aqui o problema é tratado em perspectiva vertical. Assim, não recorredo a contribuinte especificamente dos termos decididos pela DRJ, não pode este Conselho fazer as vezes de advogado e tratar temas inexistentes no recurso. Razão pela qual não enfrento os demais lançamentos efetuados pela fiscalização e mantidos no acórdão a quo. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso, para darlhe parcial provimento, para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, I, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 268DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 10980.009314/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
A falta de indicação precisa dos fatos que motivaram o lançamento, bem como da origem do crédito tributário lançado, fulminam o lançamento por nulidade por vício material, afastando, por conseguinte, a aplicação do art. 173, II do CTN.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-003.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Carolina Wanderley Landim Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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OMISSÃO. A falta de indicação precisa dos fatos que motivaram o lançamento, bem como da origem do crédito tributário lançado, fulminam o lançamento por nulidade por vício material, afastando, por conseguinte, a aplicação do art. 173, II do CTN. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 93 14 /2 00 7- 10 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Carolina Wanderley Landim – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10980.009314/200710 Acórdão n.º 2401003.840 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, apresentados pela FAZENDA NACIONAL contra o Acórdão nº 240102.103, proferido por esta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, no dia 26 de outubro de 2011. A Embargante alega que o acórdão embargado está maculado pelo vício da omissão. O acórdão embargado acolheu a decadência do lançamento, em virtude de a Recorrente ter sido cientificada da NFLD em 28/05/2007, conforme atesta o AR juntado às fls. 21, e as contribuições exigidas referiremse às competências de 09/1999 a 12/1999. Para tanto, foi reconhecida a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/91, com respaldo na Súmula Vinculante nº 8 do STF, e declarada a decadência total do lançamento independente do critério adotado para o início da contagem do prazo decadencial art. 150, § 4º ou art. 173, I do Código Tributário Nacional CTN. A Embargante alega, no entanto, que o acórdão embargado está maculado pelo vício da omissão, pois não apreciou questão indispensável ao deslinde da controvérsia, que consiste no fato de o lançamento que originou o presente PAF ter sido lavrado em substituição à NFLD de n° 35.514.3259, anulada pela DecisãoNotificação no 14.401.4/0163/2005, que foi colacionada aos Embargos e juntada aos presentes autos às fls. 132 às 136. Alega a Embargante que a nulidade reconhecida pela Decisão Notificação no 14.401.4/0163/2005 foi decretada por vício formal do lançamento consubstanciado na NFLD de n° 35.514.3259, razão pela qual a verificação da decadência na espécie deveria ter como parâmetro a regra estampada no art. 173, inciso II, do CTN, ou seja, o termo a quo do prazo decadencial seria a data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Diante disso, a Embargante (Fazenda Nacional) requer que os aclaratórios ora apreciados sejam recebidos e acolhidos, a fim de que seja sanada a defendida omissão. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Analisando o acórdão embargado, observase que, de fato, essa decisão foi realmente omissa ao deixar de analisar a decadência do lançamento aqui apreciado sob a ótica do art. 173, II do CTN, pelo que me posiciono no sentido de que os aclaratórios em análise devem ser admitidos por essa Douta Turma, para que seja suprida tal omissão. No entanto, o acolhimento destes embargos depende da análise da natureza do vício que motivou a decretação da nulidade, ou seja, se a NFLD 35.514.3259 estava maculada por um vício formal ou material, pois a interrupção do prazo decadencial prevista no art. 173, II do CTN apenas tem cabimento quando a nulidade for motivada por vício formal. Deste modo, passo a analisar a natureza do vício que motivou a nulidade da NFLD 35.514.3259, decretada pela DecisãoNotificação no 14.401.4/0163/2005, tendo em vista que a referida decisão não definiu a natureza do vício que maculava a NFLD 35.514.325 9. Como se sabe, os vícios formais são passíveis de saneamento, de modo que é permitido, a depender do caso (e do tipo de vício formal), corrigir o erro durante o próprio processo, desde que oportunizado o exercício do contraditório e da ampla defesa pelo autuado, ou até mesmo se socorrer das disposições do art. 173, inciso II do CTN, através de nova constituição do crédito tributário com o objetivo de sanar o vício formal que maculou o lançamento anterior: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. No entanto, para que se subsuma à hipótese prescrita no inciso II do art. 173 do CTN, fazse necessário que o novel lançamento restrinjase tão somente a “corrigir” o vício formal que o anulou. Ou seja, o suporte fático, fatos geradores, base de cálculo, sujeito passivo, enfim, os aspectos relevantes da relação tributária sejam exatamente os mesmos, corrigindose apenas a formalidade anteriormente não atendida. Daí falarse em “Lançamento Substitutivo” para correção de vício formal. Analisando a DecisãoNotificação no 14.401.4/0163/2005, observase que a nulidade ali declarada decorreu da ausência de correta identificação dos fundamentos de fato e de direito no lançamento, visto que apresentou erro na qualificação do fato gerador da obrigação previdenciária, e consequente erro na indicação dos seus fundamentos legais. Ocorre que a ausência de descrição precisa dos fundamentos de fato e de direito que ensejaram o lançamento tributário afeta a sua motivação e acaba por cercear o direito de defesa do contribuinte. Tal vício no lançamento não afeta unicamente a sua forma, mas sim o seu conteúdo, e implica na sua nulidade material. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10980.009314/200710 Acórdão n.º 2401003.840 S2C4T1 Fl. 4 5 Portanto, ao ser proferida a DecisãoNotificação no 14.401.4/0163/2005, persistiram dúvidas nos julgadores quanto à motivação do lançamento, à origem do crédito tributário cobrado, que são pressupostos intrínsecos ao lançamento e, portanto, essenciais para a sua validade. Deste modo, não houve, na presente situação, ocorrência de vício formal, mas sim vício material, pois a nulidade envolveu aspectos intrínsecos ao lançamento. Sendo certo que a interrupção do prazo decadencial prevista no art. 173, II do CTN apenas tem cabimento quando a nulidade for motivada por vício formal, a meu ver, essa norma de caráter excepcional não se aplica ao presente caso, pois é claramente material a natureza do vício que motivou a nulidade da NFLD 35.514.3259, decretada pela Decisão Notificação no 14.401.4/0163/2005. Não é outro o entendimento perfilhado por esse Egrégio Conselho, a exemplo do acórdão abaixo ementado: NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO MATERIAL O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. A nulidade do lançamento por vício material, não permite lançamento substitutivo escudado no artigo 173,II, do Código Tributário Nacional. (CARF. Acórdão 2302003.295 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária. Sessão de 13 de Agosto de 2014) Portanto, tendo em vista que no presente caso a notificação foi lavrada em maio de 2007, conforme se verifica do AR juntado às fls. 21 e as contribuições exigidas referemse às competências do período de 09/1999 a 12/1999, não há que se falar em direito do fisco de constituir o lançamento, pois, seja qual for o critério utilizado para a contagem do prazo, art. 150, IV ou 173, I do CTN, encontrase extinto o crédito tributário. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração para sanar a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Carolina Wanderley Landim. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13962.000775/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 62 .0 00 77 5/ 20 08 -1 4 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13962.000775/200814 Resolução nº 2401000.461 S2C4T1 Fl. 400 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 07 27.565 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.204.7254. O crédito em questão referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT. De acordo com o relatório fiscal de fls. 57/60 os fatos geradores que deram ensejo à lavratura foram as remunerações de segurados empregados relacionadas em folhas de pagamento, cujas contribuições não foram recolhidas nem declaradas em GFIP em razão da indevida informação de opção ao Simples; Informa que em 27/11/2008 a autuada foi excluída do Simples Federal pelo Ato Declaratório n.º 59 (processo n.º 13962.000731/200894) e do Simples Nacional pelo Ato Declaratório n.º 60 (processo n.º 13962.000732/200839), ambos por constituição de pessoa jurídica por meio de interpostas pessoas, conforme cópias dos citados Atos Declaratórios e das correspondentes Representações Administrativas juntadas ao AI. Os efeitos da exclusão da empresa do Simples retroagiram a 01/01/2004. Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária n.º 01, fl. 55, arrolando como devedora solidária pelo crédito lançado a empresa Kaekós Confecções Ltda, posto que esta supostamente efetuaria o controle gerencial, financeiro e administrativo do grupo econômico de fato denominado Grupo Pedrini, composto também pela autuada e pela empresa Olga Betinelli Pedrini ME. Acerca da existência do grupo econômico, a autoridade lançadora concluiu: "Definindose grupo econômico como sociedades juridicamente independentes submetidas unidade de direção e compondo um conjunto de interesses comuns, é fato que os elementos encontrados em ação fiscal nas empresas mencionadas fornecem provas de que a administração da representada é exercida pelos empregados e dirigentes da KAEKÓS CONFECÇÕES LTDA." Cientificada do lançamento em 15/12/2008, a autuada apresentou impugnação, fls. 61/89, na qual alegou inicialmente que a auditoria extrapolou os limites materiais do MPF, haja vista que este apenas autorizava a verificação das obrigações relacionadas às contribuições previdenciárias, jamais a averiguação da sua regularidade perante o Simples. Asseverou ainda que a sua exclusão do sistema simplificado com data retroativa fere a segurança jurídica e prejudica a continuidade da empresa, o que inadmissível, até porque sequer houve trânsito administrativo dos feitos em que se discute as exclusões do Simples. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13962.000775/200814 Resolução nº 2401000.461 S2C4T1 Fl. 401 3 Depois apresenta vários argumentos para afastar a solidariedade imputada a empresa Kaekós, a qual também apresentou defesa com argumentos semelhantes aqueles apresentados pela autuada. A DRJ exarou acórdão que carregou a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 29/02/2008 AI nº 37.204.7254, de 15/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo de matéria distinta da constante do processo judicial. PRELIMINAR DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é mero instrumento de controle gerencial interno da SRF, não influenciando na legitimidade do Ato de Exclusão do Simples. Não representa extrapolação aos limites do MPF que ordena auditoria para verificação de contribuições previdenciárias a elaboração de representação administrativa noticiando autoridade competente a respeito de fatos que, em tese, ocasionariam à exclusão da fiscalizada do Simples. SOLIDARIEDADE. PESSOAS EXPRESSAMENTE DESIGNADAS EM LEI. Na hipótese de haver indicação expressa em lei das pessoas que devem responder solidariamente pelo crédito tributário, não há que falar em demonstração de interesse comum da responsável solidária na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. SIMPLES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS IMPUGNAÇÃO. Transcorrido o prazo de impugnação, somente é permitida a produção de provas se o impugnante demonstrar o atendimento das condições estabelecidas no Decreto nº 70.235/1972 para sua aceitação. Impugnação Improcedente Apenas a empresa autuada interpôs recurso, fls. 387/395, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) a autoridade de fiscalização se excedeu no seu ofício, porquanto procedeu à fiscalização de atos que não estavam previstos no MPF, o que nulifica todo o procedimento; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13962.000775/200814 Resolução nº 2401000.461 S2C4T1 Fl. 402 4 b) ao contrário do que restou decidido pela DRJ, a nulidade que há sobre o MPF é capaz de nulificar todo o ato administrativo, por haver vício na origem, fulminando todos os atos subsequentes, em especial, o lançamento tributário; c) os critérios norteadores da obrigação solidária, em sede de direito tributário, são aqueles previstos no Código Tributário Nacional, e não aqueles previstos no art. 30 da Lei 8.212/1991; d) as pessoas jurídicas Olga Betinelli Pedrini, Lavanderia Pedrini e Kaekós militam em ramos de atuação diversos, possuem pessoas diversas em seus quadros societários, bem como, contam com autonomia administrativa, financeira e contábil; e) assim, a recorrente nunca almejou qualquer interesse na ocorrência de fatos geradores tributáveis perante as demais pessoas jurídicas, principalmente no tocante às contribuições devidas ao INSS; f) nesse caso, não havendo interesse comum na situação que configura o fato gerador, deve ser afastada por completo a pretendida solidariedade; g) o art. 981 do Código Civil tem como requisito para existência de grupo econômico a existência de sociedades, o que não se verifica na espécie posto que a recorrente é uma empresa individual (sic!); h) ademais não há a demonstração da existência de interesse comum entre as empresas, haja vista que cada uma cuida apenas de seu faturamento e correspondente lucro; i) por outro lado, não há qualquer compartilhamento de informações, tecnologia ou material humano entre as pessoas jurídicas, tampouco há pessoa jurídica controlada, controladora ou de simples participação; j) a bem da verdade, a única coincidência que há é o grau de parentesco entre os sócios das pessoas jurídicas, cujo fato não é vedado por lei; k) as pessoas jurídicas sob enfoque possuem pessoal próprio e suficiente para o desenvolvimento de suas atividades, não se verificando trabalhadores prestando serviço a mais de uma empresa; l) demais disso, possuem maquinário e bens próprios para atender às demandas de sua clientela, não havendo espaço para se falar em conluio para fraudar o fisco; m) a recorrente é uma empresa de grande porte, prestando serviços de beneficiamento a várias empresas da cidade e região, conforme amplamente demonstrado nos documentos juntados aos autos; n) como se pode constatar nos livros contábeis e fiscais acostados nas manifestações de inconformidade, as empresas possuem plena autonomia, não havendo como se identificar o suposto grupo econômico; o) enquanto a Kaekós é empresa que atua no mercado de confecções de tecidos planos, na sua maioria jeans, a Tinturaria Pedrini, explora além da lavação, o tingimento de Fl. 402DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13962.000775/200814 Resolução nº 2401000.461 S2C4T1 Fl. 403 5 malhas e moletom em rolo, serviços estes prestados para diversas industrias de malhas da região. Por fim, requer o provimento integral do recurso, com reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13962.000775/200814 Resolução nº 2401000.461 S2C4T1 Fl. 404 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O AR colacionado à fl. 383 não permite a visualização da data do recebimento da decisão de primeira instância pelo sujeito passivo. Também não há nos autos qualquer manifestação acerca da tempestividade do recurso. Por outro lado, não é possível a visualização da data de protocolização do recurso, ver fl. 387. Assim, não sendo possível aferir a tempestividade do recurso, devemos converter o julgamento em diligência, para que os autos remetidos retornem à origem, de forma a se dirimir a dúvida em questão. Em adição a isto, verifico na espécie que o deslinde da presente contenda reclama a solução de dois outros processos administrativos que sabemos ainda não foram concluídos. Tratase dos processos n.º 13962.000731/200894 e n.º 13962.000732/200839, que se referem à discussão acerca da exclusão do sujeito passivo do Simples Federal e Simples Nacional, respectivamente. Assim, tendose em conta o caráter de prejudicialidade dos mencionados processos de exclusão do Simples frente à lavratura sob apreciação, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente subam para apreciação por esse Colegiado, quando se tenha o trânsito em julgado dos processos em que se discute a situação da recorrente perante os regimes simplificados de recolhimento. Facultese aos interessados o prazo legal para manifestação acerca do resultado da diligência. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que: a) emitase informação conclusiva sobre a tempestividade do recurso; b) os autos fiquem sobrestados na origem até que se tenha uma decisão definitiva sobre os processos de exclusão do Simples acima mencionados. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 14098.000510/2008-15
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA.
A multa isolada é devida sempre que a compensação de débitos se realizarem com base em ação judicial inexistente ou decorrente de créditos de terceiros. Tem-se a qualificação da multa em decorrência o evidente intuito de fraudar quando a empresa deixa de responder às intimações para a apresentação da origem dos créditos judiciais.
Numero da decisão: 1803-002.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva- Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. A multa isolada é devida sempre que a compensação de débitos se realizarem com base em ação judicial inexistente ou decorrente de créditos de terceiros. Tem-se a qualificação da multa em decorrência o evidente intuito de fraudar quando a empresa deixa de responder às intimações para a apresentação da origem dos créditos judiciais.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. A multa isolada é devida sempre que a compensação de débitos se realizarem com base em ação judicial inexistente ou decorrente de créditos de terceiros. Temse a qualificação da multa em decorrência o evidente intuito de fraudar quando a empresa deixa de responder às intimações para a apresentação da origem dos créditos judiciais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 05 10 /2 00 8- 15 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14098.000510/200815 Acórdão n.º 1803002.425 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues. Relatório Tratase, o presente feito, de lançamento de multa de oficio de 150%, exigida isoladamente, por meio do auto de infração de fls. 02 a 08, referente a compensações consideradas não homologadas no âmbito do processo administrativo n° 14090.000047/2006 10, em face de declarações de compensação nas quais houve a utilização de Outros Créditos — Oriundos de Ação Judicial, que teriam sido reconhecidos por sentença judicial, transitada em julgado, no processo n° 1059/57, junto à 3ª Vara do Superior Tribunal de Justiça. Porém, não se comprovou que a empresa recorrente tenha apurado crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, ou que tenha ação judicial transitada a seu favor. Em vista disso, a autoridade a quo proferiu o despacho decisório de fls. 11 a 15, cuja ementa se transcreve: “AÇÃO JUDICIAL INEXISTENTE. DECORRENTE DE CRÉDITOS DE TERCEIROS. INSERÇÃO DE DADOS FALSOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. INDÍCIOS DE FRAUDE. Ação judicial n°1059/57 — STJ/3 a Vara não consta em pesquisa realizada no sitio do Superior Tribunal de Justiça. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA” Assim, a conclusão foi no sentido de que a empresa recorrente agiu deliberadamente com a intenção de evitar, ou ao menos, postergar, o pagamento de tributos devidos. Foi considerada fraude, nos termos do art. 72 da Lei 4.502/64. E foi formalizada representação fiscal para fins penais, apensado ao presente feito. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta de forma tempestiva, suas razões em seara de impugnação. Argumenta que a autuação não merece prosperar, tendo em vista que se fundamenta na possível inexistência do processo judicial n° 1059/57, não coadunando com a realidade, posto estar anexado às folhas 224 a 226 o espelho de seu protocolo junto à Justiça Federal. Prossegue argumentando que fraude nãos e presume, mas sim se prova e que deveria estar identificada e quantificada, bem como apontada a efetiva participação de cada um nos atos tidos como fraudulentos. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14098.000510/200815 Acórdão n.º 1803002.425 S1TE03 Fl. 113 3 Adverte a recorrente que foram protocolizadas a desistência do pedido de compensação e a confissão de dívida dos tributos, tendo solicitado o parcelamento dos referidos débitos. E, contrapõese à multa aplicada, citando jurisprudências deste Egrégio Conselho. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a autuação. Atenta para o fato de que as discussões referentes à caracterização das compensações consideradas não homologadas e da regularidade dos atos administrativos consequentes (o Despacho Decisório DRF/CBA n° 206/2007, fls. 11 a 15), não podem ser abordadas no âmbito deste processo, posto que tal matéria, objeto do processo administrativo n° 14090.000047/200610, já foi apreciada pela repartição fiscal competente e considerou, por meio do citado Despacho Decisório, não homologadas as compensações pleiteadas pela interessada. Afere que a origem do crédito, pleiteado para estas declarações de compensação também já tinha sido objeto de apreciação pela autoridade competente, que concluiu pela inexistência da ação judicial informada nas DCOMPs e a compensação, lá pleiteada, foi considerada não homologada. Prossegue salientando que o mencionado despacho decisório não foi objeto de recurso, de modo que as alegações da recorrente, em sua impugnação, acerca de eventual validade do crédito que entende possuir e que daria azo à sua pretensão nas compensações (DCOMPs) apresentadas, não podem nesta ocasião serem rediscutidas. Entende que deve aterse à impugnação dirigida à aplicação da penalidade que lhe foi exigida no Auto de Infração. Observa, o julgador a quo, que a recorrente alega que o Despacho Decisório teria negado as compensações com base na possível inexistência do processo judicial n° 1059/57, o que não se coadunaria com a realidade, tendo em vista cópia do espelho do seu protocolo junto à Justiça Federal (fls. 224 a 226). Atenta para o fato de que a recorrente apresentou 27 PER/DCOMP. Analisando os referidos extratos conclui o julgador que há incorreções quanto às informações prestadas nas DCOMP, posto que a ação n° 1059/57 não tramitou no Superior Tribunal de Justiça, como afirmou nas DCOMP, nem na Justiça Federal, como afirmou na impugnação, mas sim na Justiça Estadual do Estado do Paraná. Afere que em 18 DCOMP afirmou que os créditos seriam próprios e não de terceiros, e os extratos de fls. 224/226 não confirmam que a empresa autuada é parte no processo n° 1059/57. Frisa, o julgador de primeiro grau, que o alegado crédito do autor da ação judicial mencionada seria contra o Estado do Paraná e não contra a União Federal, bem como de que os alegados créditos não seriam de natureza tributária, contradizendo a informação das DCOMP. Atenta para o fato de o processo judicial encontrarse extinto e arquivado, com a conclusão de inexistência de crédito em face do Estado do Paraná. Neste caminho, entende que a decisão da autoridade administrativa de que inexistiria a ação judicial informada nas DCOMP devese ao fato de que a recorrente, ao preencher as DCOMP, informou dados incorretos. Ademais, a desistência do pedido de compensação e o cancelamento das DCOMP produzem efeitos apenas para demonstrar o reconhecimento, por parte da recorrente, da inexistência do crédito pleiteado, evidenciando, dessa forma, tratarse de compensação indevida. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14098.000510/200815 Acórdão n.º 1803002.425 S1TE03 Fl. 114 4 Ressalta que o parcelamento dos débitos indevidamente compensados, tal como alegado pela recorrente, não restou comprovado e tão pouco em consulta aos sistemas da Receita Federal. Mas, aponta que mesmo que comprovasse tais alegações, não eximiria a recorrente das consequências advindas do fato de haver compensado créditos que não logrou comprovar. Em vista disso, alternativa não restou à autoridade senão a de não homologar as DCOMP apresentadas e lavrar representação fiscal para lançamento da correspondente multa isolada. Em ato contínuo, o julgador infere, dos autos, que somente após o despacho não homologatório dessas DCOMPs e lavratura deste auto de infração é que a recorrente alega que a ação judicial existiria e teria tramitado na Justiça Estadual do Paraná. Contudo, a empresa não junta documento que comprove o direito e o valor a que diz ter direito, não apresenta cópia de sentença judicial. O julgador refere que pelo extrato de julgamento judicial, o alegado crédito seria de terceiros, não seria de natureza tributária e nem seria em desfavor da União Federal. Conclui o julgador a quo que os supostos créditos utilizados não se enquadram na prerrogativa legal do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002, já que não foram por ela apurados, não são relativos a tributos ou contribuições administrados pela SRF, não são passíveis de restituição ou ressarcimento pela SRF e não preenchem o requisito de que a compensação seja efetuada por quem apurou os créditos para a compensação de débitos próprios. Entendeu que a empresa recorrente pretendia mudar a natureza do pretenso crédito, alterando, em sede de recurso, o próprio objeto das DCOMP, o que não é legalmente possível, posto que para tanto se necessitaria a apresentação de novas DCOMP para que possa então, se cabível, efetuar a compensação pretendida, razão pela qual revelase correto o procedimento adotado no despacho decisório e no presente auto de infração. No que tange à multa isolada, objeto da presente autuação, baseouse nos dispositivos legais que passa a elencar. Referindo que a multa se aplica sempre que a compensação se perfaz de forma indevida e no caso em concreto por se tratar de compensação com créditos de terceiros, já estipulado pela SRF como indevido, não poderia ter realizado, cabendo a aplicação da multa. Aduz, de igual forma, que nos casos de compensação não homologada, houve uma alteração na norma sancionadora, mas o percentual aplicável da penalidade permaneceu o mesmo (150%), sendo que o fato relativo a compensação de débitos com créditos de terceiros permaneceu punível com multa de oficio de 75%, seja de forma isolada, seja de modo vinculado, desde o nascedouro da MP n° 2.15835/2001 até hoje. Assim, concluise que a multa isolada foi exigida com correção. Em relação ao artigo 10 da Lei Complementar n° 95/1998, esclarecese que o caput de um artigo apenas determina uma regra geral (na espécie, a compensação não homologada), podendo os seus parágrafos estipularem uma regra especial ou uma situação excepcional (como é o caso da compensação não declarada). Quanto ao percentual da multa de 150%, refere o julgador que restou configurada, nos autos, a intenção deliberada da recorrente em efetuar uma compensação ao arrepio da legislação, com utilização de créditos que não possuía, na compensação de valores de tributos e contribuições federais. Assim, considera como de máfé a atitude da recorrente, materializada na sua insistência ilegal em evitar o pagamento de seus débitos, tratandose de Fl. 280DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14098.000510/200815 Acórdão n.º 1803002.425 S1TE03 Fl. 115 5 uma conduta deliberada, intencional em fraudar a Fazenda Nacional, talvez apostando na inércia do aparelho fiscalizador do Estado. Salienta que a recorrente não dispunha de créditos e mesmo assim transmitiu eletronicamente sua compensação por meio de DCOMP, de maneira inadequada e ilegal. Verifica que a mesma está equivocada em seu entendimento quanto a não comprovação da ocorrência de fraude, tendo em vista que ao compensar e deduzir, indevidamente, os valores de débitos declarados, realizou ação que se não impediu ou retardou a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, excluiu ou modificou as suas características essenciais pela redução do montante do imposto devido, além de evitar ou diferir seu pagamento na parte indevidamente compensada ou deduzida. Dispõe que a presença da intenção dolosa se caracteriza no fato de que a recorrente não detinha crédito a utilizar para fins de compensação, e, ainda assim, por meio de declaração de compensação insistiu, de maneira ilegal e reiterada, na compensação de seus débitos. Entende que o procedimento adotado se amolda à fraude, nos termos do art. 72 da Lei 4502/64, passível de aplicação de penalidade de ofício duplicada (150%) de que trata o inciso II do art. 44 da lei 9.430/96, visto que as DCOMP apresentadas tiveram, como já evidenciado, por escopo obstar a Receita Federal do Brasil no prosseguimento da cobrança dos valores devidos. Discorre sobre o conceito de fraude. Ainda, atenta para à alegação da recorrente, quando citou jurisprudência, aparentemente com o fim de alegar a impossibilidade da concomitância da multa isolada lançada neste processo, com a multa de mora por atraso no pagamento dos débitos tributários, frisando que a multa de mora a que se refere a impugnante, ao citar jurisprudência, é decorrente do pagamento fora do prazo de vencimento de tributo ou contribuição, sendo prevista pelo art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996. E, conclui que o fato gerador da multa de mora é o não pagamento no prazo de vencimento de tributo ou contribuição devidos e a base de cálculo é o próprio tributo ou contribuição não pagos. Alude que a multa isolada de que trata o presente processo não se confunde com a falta de recolhimento, não tendo por fato gerador tal infração. Reportase a multa isolada à utilização indevida do instrumento que a lei instituiu para efetuar compensações, em hipótese em que ela é considerada não homologada, nos casos dispostos pelo § 12, II, do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, tendo por base de cálculo o débito indevidamente compensado (o que inclui eventuais multas e juros também compensados). E, finaliza o julgador de primeira instância referindo que o fato gerador da multa de mora, bem como a sua base de cálculo, diferem dos da multa isolada, não havendo conexão entre uma e outra. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresentar suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo sinteticamente o já disposto na impugnação. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14098.000510/200815 Acórdão n.º 1803002.425 S1TE03 Fl. 116 6 Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de lançamento de multa de oficio de 150%, exigida isoladamente, por meio do auto de infração, referente a compensações consideradas não homologadas, no âmbito do processo administrativo n° 14090.000047/200610, em face de declarações de compensação nas quais houve a utilização de Outros Créditos — Oriundos de Ação Judicial, que teriam sido reconhecidos por sentença judicial, transitada em julgado, no processo n° 1059/57, junto à 3ª Vara do Superior Tribunal de Justiça. Ocorre que a empresa recorrente não comprova a decisão judicial, transitada em julgado, dos créditos para a devida compensação. Ainda, a empresa recorrente admite serem os créditos oriundos de processo junto ao Estado do Paraná, sem caráter tributário, cuja a União não faz parte de nenhum polo do litígio, seja ativo ou passivo. Por derradeiro, a autoridade julgadora a quo verificou tratarem, os pretensos créditos, de créditos de terceiros, cuja a compensação é vedada veementemente pela legislação. Nesse contexto, a autuação da multa isolada de 150% se encontra em consonância com a legislação. Evidente, a meu ver, restou o intuito de fraudar, não só pelas intimações para a juntada do pleito judicial, cuja finalidade era comprovar os créditos, como o próprio ato de compensar débitos, através da via eletrônica, com créditos que não lhe pertenciam, ainda passíveis de discussão junto ao Poder Judiciário, sem acostar qualquer documento. O dolo, com razão, é muito mais difícil de comprovar, até porque se trata da intenção do agente praticante da ação. Ocorre que a prova desse dolo, no caso em apreço, se perfaz através do descumprimento deliberado de norma há muito disciplinada, assumindo o risco de fazêlo. De igual modo, se demonstra o ato volitivo doloso quando a empresa recorrente, tendo todas as oportunidades de esclarecer a sua compensação, demonstrando não só a origem do crédito, como a sua real existência, mas também por ter sido disponibilizado a mesma a oportunidade de comprovar o equívoco. Mas, em todas as oportunidades a empresa limitase apenas a reafirmar que o dolo não pode se presumir, não adentrando ao mérito ou juntando documentos. Assim, no meu entender, a empresa recorrente buscou, de forma volitiva ou mesmo assumindo o risco, fraudar o fisco, quando apresentou, de forma eletrônica, compensação de seus débitos, com créditos que não lhe pertenciam. E, nos casos de conduta tomada ao arrepio da lei, há muito já disciplinada na legislação pátria, há que se manter a multa de 150%. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 282DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 14098.000510/200815 Acórdão n.º 1803002.425 S1TE03 Fl. 117 7 Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 283DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16327.904951/2012-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
IOF. PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
PAF. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na Lei que rege o processo administrativo fiscal. A diligência não pode ser utilizada para suprir deficiência probatória, ofertando novo momento para a apresentação de provas.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-004.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 IOF. PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PAF. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na Lei que rege o processo administrativo fiscal. A diligência não pode ser utilizada para suprir deficiência probatória, ofertando novo momento para a apresentação de provas. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 324 1 323 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.904951/201259 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.067 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria PER/DCOMP IOF Recorrente ITAU SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 IOF. PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PAF. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na Lei que rege o processo administrativo fiscal. A diligência não pode ser utilizada para suprir deficiência probatória, ofertando novo momento para a apresentação de provas. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 49 51 /2 01 2- 59 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Trata o presente processo de DCOMP eletrônica n° 00308.44939.151210.1.3.041988 (fls. 17/22), onde o Recorrente declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito de pagamento indevido ou a maior de IOF: data de arrecadação: 06/05/2008, com crédito original utilizado nesta DCOMP de R$ 92.305,07. A Recorrente informa que o crédito decorre de DARF recolhido em 06/05/2008, no valor de R$ 1.157.993,55, código 3467. A DRJ não deu provimento à manifestação de inconformidade, mantendo o que foi decidido no Despacho Decisório nº 031094609, emitido em 04/09/2012, pelos mesmos fundamentos (fl. 15). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fl. 15, nº de rastreamento 031094609, emitido em 04/09/2012, o julgamento teve a seguinte fundamentação: “A análise do direito creditório está limitado ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, correspondente a R$ 92.305,07. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte,não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Segundo o despacho, o crédito teria sido utilizado integralmente na quitação do débito de IOF, código 3467, PA 30/04/2008, no valor de R$ 1.157.993,55. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 14/09/2012, fls. 73. Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 16/10/2012, fls. 02/08, alegando: que efetuou recolhimento indevido de IOF no valor de R$ 92.305,85,; que houve erro na DCTF original, que foi entregue sem a discriminação do valor do crédito;. que tal erro não pode ser fundamento para a não homologação da compensação, vez que houve um recolhimento indevido de IOF, naquele valor, constante do DARF de R$ 1.1157.993,55, Fl. 325DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.904951/201259 Acórdão n.º 3802004.067 S3TE02 Fl. 325 3 gerando um crédito em favor da manifestante, devidamente contabilizado; o crédito em questão decorre de valores recolhidos indevidamente pela manifestante a título de IOF sobre operações de seguros do cód 3467 no 3º decêndio de abril de 2008, vez que a responsabilidade tributária pelo recolhimento era do Itaú Unibanco, CNPJ 60.701.190/000104; nos termos da legislação vigente, Dec. 6.306/2007 e IN 907/2009, a responsabilidade pelo recolhimento do IOF é da instituição financeira estipulante encarregada da cobrança do prêmio, in casu, do Itaú Unibanco, que recolheu o imposto devido, cf. tabela de fls. 5, comprovados pelos demonstrativos da conta transitória 4997.080.073.000* (doc. 7), razão (doc. 8) e DARFs (doc. 9); que a manifestante recolheu indevidamente o IOF, no montante de R$ 92.305,85 (Doc.5); o extrato de conta corrente comprova que o Itau Unibanco repassou os valores das apólices líquidas (sem o IOF) à manifestante; a manifestante assumiu o encargo financeiro, condição para fazer jus à restituição do valor recolhido indevidamente, cf. art. 166 CTN; o erro de preenchimento da DCTF não pode ser utilizado como fundamento para não reconhecimento do crédito e deve prevalecer a verdade material; requer sejam alteradas de oficio as informações na DCTF, a fim de contemplar integralmente o crédito não homologado. Requer, in fine, a reforma da decisão proferida e o cancelamento da cobrança efetivada neste processo administrativo. É o relatório. Em 21/01/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fl. 104). Inconformado com a decisão da DRJ, em 05/02/2014, apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 106/110), no qual argumenta em suas razões, que: a) a não homologação do PER/DCOMP em referência, ocorreu por conta de um erro da Recorrente, qual seja, a entrega da DCTF original sem a contemplação do valor do crédito. No entanto, efetuou recolhimento indevido de IOF (código 3467) sobre os repasses dos prêmios de operações de seguros, ocorridos no dia 24/04/2008, no valor de R$ 92.305,07, e que tal erro não pode ser fundamento para a não homologação da compensação, vez que houve um recolhimento indevido de IOF, naquele valor, constante do DARF de R$ 1.157.993,55, gerando um crédito em favor da manifestante, devidamente contabilizado; b) a responsabilidade pelo recolhimento do IOF, nos termos do art. 20 do Decreto nº 6.306/2007 e art. 9º da IN RFB nº 907/2009, é da instituição financeira estipulante, no caso o Itaú Unibanco, CNPJ nº 60.701.190/000104, encarregado da cobrança do prêmio dos segurados; c) não obstante o responsável tributário (Itaú Unibanco) ter efetivamente retido e recolhido o IOF, a Recorrente por equívoco também o fez sobre o repasse dos prêmios, ocorridos em 24/04/2008 (no 3º decêndio de abril de 2008), no montante de R$ 92.305,07. Apresenta documentação contábil da Recorrente – extrato de contas do Livro Razão, conta Fl. 326DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 recolhimento 4801.035.000.000 – Provisão e Baixa do DARF de R$ 1.157.993,55 e conta 1914.351.000.000IOF a compensar; d) em observância a legislação, o Itaú Unibanco, na qualidade de estipulante do contrato de seguro firmado com a seguradora, ora Recorrente, recolheu o IOF incidentes sobre as operações de seguros do período de 31/03/2008 a 20/04/2008, na medida em que os prêmios eram pagos (conforme demonstrado no corpo do recurso) e que os demonstrativos dos montantes contabilizados na conta transitória 4997.080.073.000, com a movimentação diária divididas por decêndio e os DARFs pertinentes aos eventos comprovam que os valores foram recolhidos pelo Itaú Unibanco; e) a fim de comprovar o ora alegado e permitir o cotejo entre os recolhimentos, a Recorrente junta aos autos: telas sistema interno da Recorrente, nas quais constam os dados das apólices que motivaram o recolhimento indevido do IOF; cópia da 2ª via, emitida, por amostragem, em 23/01/2014, das apólices de seguros firmadas entre a Recorrente e o Itaú Unibanco e bases de dados analítica dos clientes segurados e conciliação com os aditamentos de apólices emitidos pela Itaú Seguradora com base nos repasses dos Prêmios que geraram a duplicidade de recolhimento de IOF pela Recorrente. f) com efeito, a Recorrente assumiu o encargo financeiro, condição para fazer jus à restituição do valor recolhido indevidamente, conforme artigo 166 do CTN; g) quanto a alegada divergência de períodos de apuração do IOF apontada no acórdão recorrido, não merece prosperar, tendo em vista que o recolhimento do IOF ocorre em dois momentos sobre o mesmo fato gerador, quais sejam, sobre os Prêmios pagos das operações de seguros do período de 31/03/2008 a 20/04/2008, pelo Itaú Unibanco, e sobre o repasse, em 24/04/2008 (no 3º decêndio de abril de 2008), pela Recorrente. Por fim, ante todo o exposto, a considerando o Princípio da Verdade Material, visto que o direito da Recorrente à compensação resta devidamente comprovado nos autos, o acórdão recorrido deve ser reformado, homologandose, por conseguinte, a compensação pretendida. O recurso voluntário apresentado foi apreciado por este colegiado do CARF, decidindo no seguinte sentido (Resolução nº 3802000.258, de 17/09/2014 – fls. 242/247): Neste caso, considerandose a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal e visando uma melhor aplicação do Direito, bem como às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, para que os autos retornassem à DRF do domicílio tributário do recorrente, para com base nos documentos anexados aos autos (fls.118/239), elabore parecer sobre: a) quanto a divergência no período de apuração referenciado, uma vez que o Recorrente pontua que decorre do fato do Itaú Unibanco ter recolhido o IOF à medida que os prêmios eram pagos (por ser o responsável tributário) e ter se equivocado e recolhido o IOF quando do repasse dos prêmios pelo Itaú Unibanco. E ainda, em que pese tal ocorrido, verificar e informar, se procede tal alegação e se ambos os recolhimentos de IOF referemse, de fato, ao mesmo fato gerador; b) quanto aos dados e informações registrados nos documentos contábeis e de controles interno anexo aos autos (contratos, DARF), visto que os mesmos foram trazidos Fl. 327DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.904951/201259 Acórdão n.º 3802004.067 S3TE02 Fl. 326 5 extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário, verificar: b.1) se, conforme alegado em seu recurso, o responsável tributário (Itaú Unibanco) ter efetivamente retido e recolhido o IOF, e por equívoco o Recorrente também o fez sobre o repasse dos prêmios, ocorridos em 24/04/2008 (no 3º decêndio de abril de 2008), no montante de R$ 92.305,07. Isto porque fazendo prova, apresenta documentação contábil – extrato de contas do Livro Razão, conta recolhimento 4801.035.000.000 – Provisão e Baixa do DARF de R$ 1.157.993,55 e conta 1914.351.000.000IOF a compensar; b.2) análise dos recolhimentos demonstrados nas telas do sistema interno da Recorrente, nas quais constam os dados das apólices que motivaram o recolhimento indevido do IOF; cópia da 2ª via, emitida em 23/01/2014, por amostragem, das apólices de seguros firmadas entre a Recorrente e o Itaú Unibanco e bases de dados analítica dos clientes segurados e conciliação com os aditamentos de apólices emitidos pela Itaú Seguradora com base nos repasses dos Prêmios que geraram a duplicidade de recolhimento de IOF pela Recorrente; c) após todo cotejo, emitir informação sobre a comprovação do direito creditório (valores) e se, comprovadamente, a Recorrente assumiu o encargo financeiro em atendimento ao artigo 166 do CTN. Em seguida, seja cientificada a Recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. Em atendimento à Resolução nº 3802000.258, de 17/09/2014, a DIORT/DEINF de São Paulo (SP) unidade de jurisdição da Recorrente, emitiu a Informação Fiscal (fls. 249/250), que no texto, a autoridade fiscal reconhece que não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado, conforme pode ser observado no trecho abaixo reproduzido: (...) O presente processo foi encaminhado a esta DEINF/SPO/DIORT pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que fosse realizada diligência, conforme Resolução nº 3802 000.258 de fls. 242 a 247, limitandose a análise aos documentos constantes dos autos em fls. 118 a 239. A recorrente apresentou a documentação de fls. 199 a 239 para justificar a origem do direito creditório no valor original de R$ 92.305,85. As operações e os valores constantes da tabela de fls. 199, e dos documentos de fls. 200 a 208 são relativos a eventos de setembro de 2009, portanto de um período fora do período a ser analisado. Não foi ainda possível estabelecer a correspondência entre as operações dos documentos de fls. 209 a 239 e os lançamentos contábeis do Banco Itaú Unibanco. Também não foi possível estabelecer a correspondência entre estas operações e os lançamentos contábeis da Seguradora Itaú Seguros. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Respondendo aos quesitos levantados pelo CARF, informamos que não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado, com base nos documentos de fls. 118 a 239. (...) De acordo. Intimese o interessado a tomar ciência da presente informação, facultado o direito de se manifestar no prazo de 20 dias. Após encaminhese o processo a 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (grifamos). Em 12/11/2014, a recorrente foi regularmente intimada da Diligência Fiscal acima (fl. 252), sendo que em 01/12/2014, protocolou sua manifestação sobre o conteúdo da Relatório mencionado (fls. 255/263), onde se insurge contra o não reconhecimento do direito de crédito requerido e para tanto alega os argumentos abaixo sintetizados: A Recorrente, preliminarmente, ressalta que, “(...) quando da apresentação do Recurso Voluntário, de fato se equivocou na juntada dos documentos de fls. 199 a 208, visto que são pertinentes a outro processo que não guarda relação com o processo ora em exame. Todavia, tal erro não tem o condão de desnaturar o crédito pleiteado, de modo que requer a Recorrente que referida documentação seja considerada quando da análise do presente caso”. a) aduz que o direito creditório decorre de pagamento a maior de IOF, referente ao 3º decêndio de abril/2008, incidente sobre os repasses dos prêmios de operações de seguros, cuja responsabilidade pelo recolhimento do imposto, nesta situação, é da instituição financeira estipulante encarregada da cobrança pelo prêmio que, neste caso, é o Itaú Unibanco S/A, conforme disposto no item 4.2 do Manuela do Segurado (reproduzido); b) No que tange a responsabilidade pelo recolhimento do IOF, importante frisar que a disposição contida no Manual mencionado encontra respaldo nos dispositivos legais que regem a matéria e que com base neste dispositivo legal (art. 20, do Decreto nº 6.306/2007), o Itaú Unibanco providenciou o recolhimento do IOF à medida que os prêmios eram pagos, sobre as operações ocorridas no período de 31.03.2008 a 20.04.2008 (elabora um demonstrativo); c) que os referidos valores recolhidos por meio de DARF apresentados nos autos, foram devidamente contabilizados pelo Itaú Unibanco na conta transitória nº 4997.080.073.000, com movimentação diária do IOF sobre operações de seguros, divididos por decêndio (demonstra). Para corroborar a devida contabilização, apresentamos nesta oportunidade, o razão contábil daquela empresa, com a provisão do IOF sobre as operações de seguros e baixa dos valores recolhidos, devidamente escriturados na conta 4801.351.000 – “TR/IOF S/SEGUROS”; d) posteriormente, conforme documentos nos autos, o Itaú Unibanco repassou os valores a Recorrente, sem a inclusão do IOF pago, posto que efetuou a retenção do tributo quando do pagamento dos prêmios; e) que apesar de todo exposto, a Recorrente, por equívoco, também efetuou o recolhimento do imposto quando do repasse dos valores pelo Itaú Unibanco, conforme DARF anexados e devidamente contabilizados, conforme razão contábil apenso aos autos; f) que tais informações, são de fácil verificação, visto que nos autos foram acostados (i) os relatórios analíticos e (ii) telas dos sistemas internos da requerente. Informa ainda que, como informado, a Recorrente procedeu o recolhimento do IOF em 05.05.2008, no Fl. 329DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.904951/201259 Acórdão n.º 3802004.067 S3TE02 Fl. 327 7 valor de R$ 92.305,07, quando do repasse, pelo responsável tributário (Itaú Unibanco), ocorrido aos 25.09.2008. Demonstra em seu recurso a Agenda Tributária, conforme ADE Codac nº 13/2008. Por fim, solicita que, caso não seja provido seu pedido, que seja o processo novamente convertido em diligência para que a unidade de origem providencie novamente a análise detalhada dos documentos juntados. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra A respectiva manifestação da Recorrente há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Como já frisado, no caso sob análise, temos que a retenção na fonte de IOF incidente sobre operações de seguro, foi efetuado pelo Itaú Unibanco, CNPJ 60.701.190/000104. Afirma a Recorrente que o montante devido no 3º decêndio de abril de 2008 foi devidamente recolhido por aquela pessoa jurídica, tendo a própria Recorrente recolhido igual valor, indevidamente, vez que a responsável legal pela retenção e recolhimento era o Itaú Unibanco na qualidade de estipulante do contrato de seguro. A controvérsia trata de questão de fato, pois quando da conclusão do Despacho Decisório, foi constatado ausência de prova reputada indispensável pela Fazenda, para fim de análise dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado na DCOMP colacionada aos autos, uma vez que, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Tal decisão, que foi integralmente mantida pelo Acórdão recorrido, fica reforçada quando foi constatado, após o retorno da diligência solicitada, que: “(...) A recorrente apresentou a documentação de fls. 199 a 239 para justificar a origem do direito creditório no valor original de R$ 92.305,85. As operações e os valores constantes da tabela de fls. 199, e dos documentos de fls. 200 a 208 são relativos a eventos de setembro de 2009, portanto de um período fora do período a ser analisado. Não foi ainda possível estabelecer a correspondência entre as operações dos documentos de fls. 209 a 239 e os lançamentos contábeis do Banco Itaú Unibanco. Também não foi possível estabelecer a correspondência entre estas operações e os lançamentos contábeis da Seguradora Itaú Seguros. Respondendo aos quesitos levantados pelo CARF, informamos que não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado, com base nos documentos de fls. 118 a 239”. Quanto a divergência dos períodos de apuração constante da decisão da DRJ acima citada, a recorrente pontua que decorre do fato do Itaú Unibanco ter recolhido o IOF à medida que os prêmio eram pagos e a Recorrente ter se equivocado e recolhido o IOF quando Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 do repasse do prêmio pelo Itaú Unibanco. Em que pese tal ocorrido, ambos os recolhimentos de IOF referemse ao mesmo fato gerador. Como visto, a autoridade administrativa não homologou a compensação efetuada pelo contribuinte pois “não é um crédito líquido e certo nos termos do art. 170 do CTN, por estar em discussão administrativa e, portanto, não é passível de reconhecimento para utilização na compensação de débitos.” A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, no momento apropriado, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão desta Turma, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem, que após os exames dos documentos que se encontra acostados nos autos, a DEINF se pronunciou da seguinte forma: (...) Respondendo aos quesitos levantados pelo CARF, informamos que não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado, com base nos documentos de fls. 118 a 239”. Como já dito, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, afim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993)” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.904951/201259 Acórdão n.º 3802004.067 S3TE02 Fl. 328 9 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art.283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Já o artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Da análise das normas supracitadas, quedase clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade. Neste escopo e como já abordado, considerando o princípio da verdade material no processo administrativo fiscal e visando uma melhor aplicação do Direito, bem como às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, para que os autos retornassem à DRF do domicílio tributário do recorrente, para com base nos documentos anexados aos autos (fls.118/239), elaborasse parecer sobre o alegado crédito. No entanto, quando do retorno dos autos para novamente ser apreciado pela Turma, restou, que não foi possível comprovar a liquidez e a certeza do indébito solicitado, pois o Fisco informa em seu relatório de diligência que “não foi possível uma verificação conclusiva a respeito do crédito pleiteado” (fl. 249). Repisando, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. E a não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos, materializada na apresentação da documentação insuficiente à verificação do direito creditório alegado, não pode redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Portanto, a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente. Do pedido para novamente converter o processo em diligência A Recorrente, alega agora que, “quando da apresentação do Recurso Voluntário, de fato se equivocou na juntada dos documentos de fls. 199 a 208, visto que são pertinentes a outro processo que não guarda relação com o processo ora em exame (...)”. O Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, em seção dedicada ao respectivo procedimento fiscal, assim dispôs sobre o pedido e processamento de diligências: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93).Negritei. No presente caso, a Recorrente requer o deferimento de nova conversão em diligência para fins de constatação da veracidade dos fatos alegados. Inicialmente, cumpre destacar que já foi realizada a diligência, conforme Resolução nº 3802000.258, de 17/09/2014, para o atendimento das verificações desejadas por este Colegiado. Como é cediço, a realização de diligências ou perícias, sendo faculdade que assiste ao julgador administrativo quando entendêlas necessárias à formação de sua convicção, se presta para dirimir suas dúvidas em relação ao conjunto probatório carreado aos autos, e não, como deseja a recorrente, para suprir o ônus que lhe cabe de juntada dos elementos de prova do direito creditório alegado. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.904951/201259 Acórdão n.º 3802004.067 S3TE02 Fl. 329 11 Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Decorre também do mencionado preceito do CTN que não faz sentido baixar novamente o processo em diligência para exame da documentação comprobatória do suposto crédito alegado, visto que tal procedimento já foi efetuado e o seu resultando proferido pela autoridade fiscal, conforme o contido no documento de fls. 249/250. Portanto, vêse que o Recorrente teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e esclarecedores e não o fez de forma satisfatória no momento oportuno. Dessa forma, indefiro nova conversão em diligência. Conclusão Pelos motivos acima expostos, e tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento apropriado, deve ser negado provimento ao recurso voluntário ora analisado. Posto isto, conheço do recurso voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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