Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10280.904904/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10280.904904/2009-15
anomes_publicacao_s : 201512
conteudo_id_s : 5554300
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-000.375
nome_arquivo_s : Decisao_10280904904200915.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 10280904904200915_5554300.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6233374
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125208264704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.904904/200915 Recurso nº Embargos Resolução nº 1302000.375 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 08 de dezembro de 2015 Assunto Diligência Embargante CENTRAIS ELÉTRICAS DO PARÁ S/A CELPA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 90 4/ 20 09 -1 5 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.375 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO CENTRAIS ELÉTRICAS DO PARÁ S/A CELPA, já qualificada nos autos, opôs embargos contra decisão proferida pela extinta 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento. O Acórdão nº 1101001.127 foi conduzido por voto de lavra desta Conselheira, proferido na sessão plenária de 04 de junho de 2014, e está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DA REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Regimento Interno do CARF determina a observância das decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal proferidas no rito da repercussão geral. ALCANCE DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621. Ao estabelecer o prazo para ajuizamento de ações, o Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no art. 168, I do CTN, afetando o direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. A interpretação veiculada na Lei Complementar nº 118/2005 deve ser aplicada aos pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. Nestes casos, o direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. As antecipações convertemse em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito tributário passível de restituição ou compensação. INDISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. NÃOHOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. A partir de 09/06/2005, indevida é a compensação formalizada depois de ultrapassados 5 (cinco) anos do encerramento do período no qual teria sido apurado saldo negativo. DEMONSTRAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO EM DCOMP. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. INOCORRÊNCIA. A demonstração integral do direito creditório em DCOMP não se presta a interromper o prazo prescricional previsto em lei para pedido de restituição de indébito, pois a manifestação de vontade contida em DCOMP limitase à afirmação do crédito utilizado para liquidação dos débitos compensados. Os embargos foram admitidos conforme despacho de fls. 293/295, do qual se extrai: Os autos seguiram para a Unidade de origem que postou o acórdão na caixa postal eletrônica do sujeito passivo, verificandose a sua ciência em 27/07/2015 (fls. 277/279). A contribuinte opôs embargos tempestivamente em 03/08/2015 (fls. 282/289), no qual aponta omissão do Colegiado em relação aos limites do pedido recursal e à Fl. 297DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.375 S1C3T2 Fl. 4 3 caracterização de reformatio in pejus, tal como exposto nos parágrafos 47, 48 e 65 do recurso voluntário. A embargante relata que o direito creditório utilizado em compensação foi reconhecido parcialmente, não se admitindo o cômputo de estimativas parceladas e compensadas, observandose, também, que parte do crédito estaria prescrito. Pleiteado o reconhecimento integral do crédito em manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora de 1ª instância teria reconhecido que as estimativas parceladas poderiam ser utilizadas na medida em que as respectivas parcelas fossem pagas. Já o Colegiado embargado, apreciando o recurso voluntário, teria afastado a possibilidade de a EMBARGANTE aproveitar as estimativas parceladas, no limite dos pagamentos, sob a alegação de prescrição. Cita julgados administrativos contrários à reformatio in pejus e pede que seja sanada a omissão apontada, de modo que se reconheça que as estimativas parceladas dão direito ao crédito em discussão, na medida do pagamento das respectivas parcelas. Acerca do tema, constou do voto condutor do acórdão embargado que: De outro lado, se novas parcelas do direito creditório formaramse a partir da quitação das estimativas parceladas, cumpriria à contribuinte demonstrar este crédito separadamente, e não vincular as compensações àquele que informou constituído em 31/12/2004. Referida observação, porém, não alcançou integralmente o argumento assim exposto no recurso voluntário: 48. Nesse sentido, tendo a RFB pleno controle dos pagamentos realizados pela Recorrente no âmbito do parcelamento de suas estimativas, impunhase ao v. acórdão recorrido reconhecer, quando menos, o direito à compensação do seu saldo negativo na proporção das estimativas já recolhidas no parcelamento. [...] 65. Subsidiariamente, caso entendase que a compensação das estimativas parceladas dependa do seu efetivo recolhimento no curso do parcelamento, requerse, ao menos, o reconhecimento do direito de crédito proporcional às parcelas já recolhidas pela Recorrente. Nesse particular, requerse a conversão do julgamento em diligência para apuração do respectivo valor do crédito." Sob a premissa de que o direito creditório se formou em 31/12/2004, o Colegiado firmou o entendimento de que em 25/10/2010, data da apresentação da DCOMP não homologada, não seria mais possível a utilização daquele indébito. Todavia, a decisão não aborda a necessidade/possibilidade de se verificar a data de pagamento das estimativas parceladas, eventualmente computadas no saldo negativo na data da compensação em litígio. Confirmase, portanto, a omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, razão pela qual, neste juízo de cognição sumária, com fundamento no art. 65, §2o, e no art. 49, §6º, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, são ADMITIDOS os embargos de declaração opostos pela recorrente, com sua consequente distribuição para relatoria por esta Conselheira. O litígio presente nos autos tem em conta Declarações de Compensação DCOMP apresentadas de 07/04/2005 a 25/10/2010, para utilização de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2004. As primeiras DCOMP foram homologadas com o direito creditório parcialmente reconhecido. A não homologação recaiu sobre a DCOMP apresentada em 25/10/2010 que, além de se valer de crédito superior ao apurado pela autoridade fiscal, foi apresentada depois do prazo legal estipulado no art. 168 do CTN. A análise do direito creditório demonstrado pela contribuinte resultou nas seguintes glosas: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.375 S1C3T2 Fl. 5 4 O crédito de R$ 8.692.808,17 foi suficiente para liquidar as demais DCOMP apresentadas, e ainda restou a parcela de R$ 1.619.567,67 que, embora correspondente a antecipações confirmadas, não pôde ser imputada à DCOMP apresentada em 25/10/2010, porque ultrapassado o prazo legal (fls. 98/103). Referida DCOMP, por sua vez, relacionou débitos a compensar no valor original de R$ 9.159.925,09 (fls. 94/97). Afirmada a prescrição do direito creditório ante o decurso do prazo de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN, consoante interpretação expressa pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, dado que não houve apresentação de pedido de restituição, mas apenas de declarações de compensação para utilizações parciais do indébito, o voto condutor do julgado concluiu ser desnecessário adentrar aos demais argumentos da recorrente acerca da regularidade das demais estimativas e retenções questionadas no despacho decisório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.375 S1C3T2 Fl. 6 5 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O voto condutor do julgado firmou a contagem do prazo prescricional referente ao saldo negativo de IRPJ apurado anocalendário 2004 sob as seguintes premissas: Dispõe o Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I na hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] É a seguinte a redação do art. 165 do CTN in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Nestes termos, o contribuinte dispõe de 5 (cinco) anos para pleitear restituição de eventual crédito, e esse prazo é contado da data da extinção do crédito tributário, representada, no caso de indébito correspondente a saldo negativo de IRPJ, pela data de encerramento do período de apuração, na medida em que não se trata de mero pagamento indevido ou a maior de tributo antes apurado, mas sim de recolhimentos ou retenções antecipados durante o período de apuração, que ao final deste são confrontadas com o tributo incidente sobre o lucro, convertemse em pagamento e se mostram superior ao débito apurado. No regime anual, este encontro de contas se dá no último dia do anocalendário, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96, que novamente se transcreve: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.375 S1C3T2 Fl. 7 6 II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (negrejouse) Vejase que, desde a edição do Ato Declaratório SRF nº 03/2000, a Receita Federal admite a utilização do indébito correspondente a saldo negativos a partir de janeiro do ano subseqüente ao período de apuração correspondente: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (negrejouse) Assim, se verificado eventual crédito, já no primeiro dia subseqüente ao encerramento (in casu, 01/01/2001) [e neste caso 01/01/2005] é possível pleitear a sua restituição, ou utilizar tal valor em compensação. Neste sentido, também, é o art. 5o da Instrução Normativa SRF nº 600/2005: Art. 5º Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I – na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II – na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Ainda, a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, atualmente vigente, apenas acresce a esta interpretação a hipótese de contagem em caso de eventos especiais: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10280.904904/200915 Resolução nº 1302000.375 S1C3T2 Fl. 8 7 I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Portanto, encerrado o período de apuração, as antecipações convertemse em pagamento e, quando superiores ao tributo incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação, deflagrandose, neste momento, o prazo para o sujeito passivo agir, nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN. O prazo de 5 (cinco) anos, assim, teve como termo inicial 01/01/2005 por partir do pressuposto que as antecipações se verificaram ao longo do anocalendário 2004 e se converteram em indébito em 31/12/2004. Contudo, no caso presente, a contribuinte parcelou estimativas, cuja quitação pode ter se verificado em momento posterior, ampliando o prazo para utilização do indébito. No acórdão embargado esta Conselheira observou que cumpriria à contribuinte demonstrar em separado eventual direito creditório formado a partir da quitação das estimativas parceladas, e não vincular as compensações ao crédito que informou constituído em 31/12/2004. Porém, esta análise não considerou que a DCOMP com demonstrativo do crédito foi retificada em 2008 e a última DCOMP apresentada foi entregue em 2010, momentos em que outras parcelas do crédito podem ter se formado com a quitação das estimativas parceladas, mas ainda assim correspondendo a saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004. De outro lado, consta do despacho decisório que os parcelamentos estariam em curso ou o débito ainda não teria sido quitado. A recorrente, por sua vez, pediu a conversão do julgamento em diligência para confirmação, pela Receita Federal, do pagamento da estimativas parceladas. Assim, para melhor julgamento da lide, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento dos embargos em diligência para que se apure junto ao controle de crédito tributário da Receita Federal se alguma parcela das estimativas de IRPJ parceladas no anocalendário 2004 foi paga até o momento da apresentação da DCOMP não homologada, mediante informação, nestes autos, dos débitos parcelados em cada processo administrativo indicado às fls. 100/101 e do resultado da imputação dos correspondentes pagamentos promovidos pela contribuinte. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004146/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA.
Quanto o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, HÉLCIO LAFETÁ REIS, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. Quanto o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11610.004146/2007-47
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5577577
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-002.852
nome_arquivo_s : Decisao_11610004146200747.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 11610004146200747_5577577.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente. MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, HÉLCIO LAFETÁ REIS, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6323727
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125258596352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1854; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 409 1 408 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.004146/200747 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.852 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2016 Matéria Denúncia espontânea Recorrente ETEO EMPRESA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA DO OESTE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. Quanto o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, HÉLCIO LAFETÁ REIS, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 41 46 /2 00 7- 47 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão de fls. 398/400 dos autos, cujo teor abaixo se transcreve: Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que manteve o lançamento de multa de mora isolada incidente sobre a contribuição ao PIS e a COFINS por recolhimento fora do prazo acrescido somente de juros. O Relatório da decisão recorrida expõe em síntese que: 1) Em auditoria fiscal eletrônica constatouse recolhimento de "Multa paga a menor" da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS (P.A. 07/2004 a 12/2004), declarados na DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração para constituir crédito tributário de multa de mora isolada, com o seguinte enquadramento legal: Art. 160 da Lei n° 5172/66; Arts. 43 e 61 e par 1 e 2 da Lei n° 9430/96; Art. 9 e parágrafo único Lei n° 10426/02. 2) em impugnação a Contribuinte alegou que, em 16/06/2004, apresentou Consulta Formal perante a Superintendência Regional da Receita Federal em São Paulo (Processo Administrativo n° 19679.008501/200421), questionando a aplicação do regime da cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas advindas de contrato de concessão de transmissão de energia elétrica concedida pela ANEEL, firmado em 12 de maio de 2000, pelo prazo de 30 anos, em vista das disposições da Lei n° 10.833/2003 (doc. 03, fls. 2634). 2.1) considerando a demora no julgamento da mencionada Consulta, que, ainda estava pendente de apreciação à época da intimação do lançamento (doc. 04, fl. 35), entendeu por bem promover a retificação das DCTFs (3° e 4º Trimestres de 2004 — Período compreendido de julho a dezembro de 2004 — doc. 04A, fls. 3651), enquadrando as mencionadas receitas na sistemática não cumulativa de recolhimento da Contribuição ao PIS e a COFINS. 2.2) o recolhimento se deu no âmbito da denúncia espontânea; 2.3) em agosto de 2006, fora intimada a efetuar o recolhimento da multa de mora supostamente devida pelo pagamento do PIS e da COFINS efetuado após a data do vencimento, por meio de Termo de Intimação n° 00711670 (doc. 35, fls. 108109), datado de 02/08/2006, e que inconformada, protocolou petição esclarecendo ser descabida a multa de mora na pendência de consulta fiscal, requerendo o cancelamento da exigência, o que deu origem ao Processo Administrativo no 11610.010737/200672 (doc. 36, fls. 110113), que, à época da impugnação encontrase pendente de apreciação perante a Equipe de Controle e Cobrança de Créditos Tributários — DERAT — SPO, conforme comprovou pelo extrato do seu andamento processual (doc. 37, fl. 114). 2.4) alega no mérito que a "consulta fiscal" eficaz protege o consulente da aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada a partir da data de seu protocolo até o 30° dia seguinte ao da ciência da decisão que a soluciona; 2.5) todos os valores foram declarados em DCTFs dos Terceiro e Quarto Trimestres foram integralmente recolhidos; Fl. 410DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11610.004146/200747 Acórdão n.º 3301002.852 S3C3T1 Fl. 410 3 2.6) a Consulta apresentada pela Impugnante (Processo Administrativo n° 19679.008501/200421) ainda não havia sido apreciada pela Superintendência Regional da Receita Federal em São Paulo, assim como, o Processo Administrativo no 11610.010737/200672, no qual requereu o afastamento da multa de mora exigida pelo Termo de Intimação n° 00711670 também, não fora julgado, o que acarreta o reconhecimento da suspensão da exigibilidade da multa ora exigida da Impugnante nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, conforme reproduzido. A decisão proferida nos autos do Processo Administrativo de Consulta n° 19679.008501/200421, Despacho Decisório n° 150/1997 de 06/09/1997, foi juntada às fls. 292301, tendo sido a Contribuinte intimada em 01/10/1997. Os fundamentos da manutenção do auto de infração estão consubstanciados na ementa do Acórdão n° 1624.993 9' Turma da DRJ/SP1, de 15/04/2010: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 CONSULTA INEFICAZ EFEITOS. A consulta declarada ineficaz não produz quaisquer efeitos, não gerando direitos em favor do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o teor desta última decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 23/12/2010 (vide fls. 339 a 356 dos autos), por meio do qual alegou, resumidamente, que: (i) mesmo nos casos de consulta ineficaz, o contribuinte possuiria o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência da decisão que lhe foi desfavorável, para proceder ao recolhimento do tributo sem qualquer penalidade (o art. 48 do Decreto nº 70.235/72 não faria distinção entre consulta eficaz e ineficaz) (ii) independentemente do acolhimento dos argumentos dispostos no tópico anterior, que a multa de mora não poderia ser aplicada em razão do disposto no art. 138 do CTN (denúncia espontânea); (iii) ressaltou que, não obstante se trate de hipótese envolvendo tributo sujeito ao lançamento por homologação, o valor em questão não fora declarado pela Recorrente em sua DCTF original (a Recorrente havia apurado a COFINS relativa ao 3º e 4º trimestres de 2004 sob o regime cumulativo e somente em junho de 2005 optou por retificar tais DCTF´s para consignar um novo valor, com base no regime nãocumulativo, efetuando, nesta mesma oportunidade, ou mesmo em datas anteriores, o recolhimento complementar das diferenças). O processo, então, foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para fins de análise do recurso voluntário interposto. É o que havia de relevante para relatar. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 4 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como se denota do exposto acima, resta incontroverso nos autos que: (i) o Recorrente apresentou em 16/06/2004 consulta formal para fins de esclarecer a sua dúvida sobre o regime a que vinculado para fins de recolhimento do PIS e da COFINS sobre as receitas advindas de contrato de concessão de transmissão de energia elétrica concedida pela ANEEL; (ii) antes de obter qualquer resposta quanto a esta Consulta, e antes do início de qualquer procedimento fiscal, o Recorrente entendeu, em denúncia espontânea, por retificar as suas DCTF´s apresentadas, procedendo nesta oportunidade, ou mesmo em datas anteriores, ao recolhimento da diferenças identificadas; (iii) em 15/03/2007 foi lavrado auto de infração por meio do qual se exigia multa moratória em razão de tal pagamento extemporâneo (vide fl. 26 dos autos); (iv) em decisão datada de 06/09/2007, a consulta foi declarada ineficaz. Apesar dos fatos incontroversos acima narrados, a DRJ em São Paulo entendeu por julgar improcedente a impugnação do contribuinte, mantendo integralmente a exigência cobrança no auto de infração em tela, sob o fundamento de que a consulta declarada ineficaz não produz quaisquer efeitos, não gerando direitos em favor do contribuinte. É válido ressaltar que a referida decisão atevese à análise de tal fundamento (denúncia espontânea inefizaz inapta para afastar a exigência da multa), não tendo analisado o caso sob o aspecto da denúncia espontânea, ou seja, se esta seria apta a afastar a imposição da multa neste caso concreto. Com a interposição do Recurso Voluntário por parte do contribuinte, imprescindível, então, que este Conselho se manifeste nesta oportunidade sobre tal fundamento, essencial à solução desta lide. Como é cediço, acerca da denúncia espontânea, o art. 138 do Código Tributário Nacional expressamente dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medido de fiscalização, relacionados com a infração. Da análise de dito dispositivo legal extraise que há duas condições para que a denúncia espontânea seja reconhecida: (i) que esta seja acompanhada do pagamento do tributo; (ii) que ela se dê antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. No caso dos presentes autos, constatase que ambas as condições acima dispostas foram observadas pelo contribuinte, visto que: (i) o contribuinte, quando procedeu à retificação das suas DCTF´s, efetuou nesta mesma oportunidade, ou mesmo Fl. 412DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11610.004146/200747 Acórdão n.º 3301002.852 S3C3T1 Fl. 411 5 em datas anteriores, o recolhimento das diferenças identificadas; (ii) o envio das DCTF´s retificadoras seguido dos pagamentos se deram antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. De outro norte, importante mencionar que, consoante destacou o Recorrente, o valor em questão não fora declarado em sua DCTF original. A Recorrente havia apurado a COFINS relativa ao 3º e 4º trimestres de 2004 sob o regime cumulativo e somente em junho de 2005 optou por retificar tais DCTF´s para consignar um novo valor, com base no regime não cumulativo, efetuando, nesta mesma oportunidade ou mesmo em datas anteriores, o recolhimento complementar das diferenças devidas. Logo, resta caracterizada de forma inconteste a denúncia espontânea neste caso concreto, inclusive nos moldes da decisão do Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrita, submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 6 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) (Grifos apostos). Ressaltese, outrossim, que nos casos de decisões submetidas ao regime do art. 543C do CPC, o Regimento Interno do CARF atualmente vigente (Portaria MO nº 343 de 09 de junho de 2015) autoriza até que seja afastada a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, consoante teor a seguir transcrito: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional , lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, n os termos do art. 103A da Constituição Federal; (Fl. 20 do Anexo II da Portaria MF nº , de de de 2015.) b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 54 3C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; Nesse contexto, ainda que tivesse entendido o julgador de primeira instância administrativa que a consulta ineficaz não teria o condão de afastar a cobrança da multa, deveria têla afastado em razão da denúncia espontânea, nos moldes do que determina o art. 138 do CTN. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 11610.004146/200747 Acórdão n.º 3301002.852 S3C3T1 Fl. 412 7 Por oportuno não é demais trazer à baila decisão proferida por este Conselho Administrativo Fiscal em 19/01/2016, por meio da qual afasta a imposição de multa de mora em caso de denúncia espontânea: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. RESTITUIÇÃO. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, surge o direito de restituição, até o limite dos pagamentos comprovados, pois a multa moratória deve ser excluída pela denúncia espontânea. (Processo nº 10980.010765/200538 Acórdão nº 1201001.269). Com base nos fundamentos acima expostos, entendo que merece reforma a decisão de primeira instância administrativa, para fins de afastar em sua integralidade a cobrança da multa de mora imposta neste caso concreto, em razão da denúncia espontânea devidamente caracterizada neste caso concreto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para fins de determinar que seja integralmente exonerado o crédito tributário objeto dos presentes autos. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Fl. 415DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000450/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
Ementa:
CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente.
FRETE DE INSUMOS OU PRODUTOS INACABADOS. ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas de frete junto a outra pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos da própria contribuinte dentro do contexto do seu processo produtivo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na manifestação de inconformidade, a não ser quando foi objeto da decisão recorrida.
Numero da decisão: 3402-002.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas ao frete de madeira de eucalipto produzidas na área florestal entre as unidades do contexto produtivo da recorrente (floresta, triagem, depósito ou indústria). Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento em maior extensão para reverter as glosas quanto aos combustíveis e aos gastos com aluguéis de máquinas e equipamentos. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galcowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que acompanharam a Conselheira Valdete, exceto quanto aos combustíveis. Sustentou pela recorrente o Dr. Luciano Ogawa, OAB/SP 195.564.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. FRETE DE INSUMOS OU PRODUTOS INACABADOS. ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas de frete junto a outra pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos da própria contribuinte dentro do contexto do seu processo produtivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na manifestação de inconformidade, a não ser quando foi objeto da decisão recorrida.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15578.000450/2009-81
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5571627
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.912
nome_arquivo_s : Decisao_15578000450200981.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 15578000450200981_5571627.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas ao frete de madeira de eucalipto produzidas na área florestal entre as unidades do contexto produtivo da recorrente (floresta, triagem, depósito ou indústria). Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento em maior extensão para reverter as glosas quanto aos combustíveis e aos gastos com aluguéis de máquinas e equipamentos. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galcowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que acompanharam a Conselheira Valdete, exceto quanto aos combustíveis. Sustentou pela recorrente o Dr. Luciano Ogawa, OAB/SP 195.564. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6297138
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125262790656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 848 1 847 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15578.000450/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.912 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria Compensação Cofins Recorrente ARACRUZ CELULOSE S/A (INCORPORADA PELA FIBRIA CELULOSE S/A, CNPJ: 60.643.228/000121) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. FRETE DE INSUMOS OU PRODUTOS INACABADOS. ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas de frete junto a outra pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos da própria contribuinte dentro do contexto do seu processo produtivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na manifestação de inconformidade, a não ser quando foi objeto da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 04 50 /2 00 9- 81 Fl. 848DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas ao frete de madeira de eucalipto produzidas na área florestal entre as unidades do contexto produtivo da recorrente (floresta, triagem, depósito ou indústria). Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento em maior extensão para reverter as glosas quanto aos combustíveis e aos gastos com aluguéis de máquinas e equipamentos. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galcowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que acompanharam a Conselheira Valdete, exceto quanto aos combustíveis. Sustentou pela recorrente o Dr. Luciano Ogawa, OAB/SP 195.564. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro I que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Por retratar os fatos que sucederam no presente processo até a apresentação da Manifestação de Inconformidade, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Relatório Trata o presente processo de declarações de compensação lastreadas em créditos oriundos da incidência não cumulativa da Cofins, nos moldes da Lei n° 10.833/03 e posteriores alterações, cujo ressarcimento apontado nestes autos atinge a soma de R$ 13.464.011,73 (treze milhões, quatrocentos e sessenta e quatro mil, onze reais, setenta e três centavos), concernente ao período de apuração 4º trimestre de 2005. O Parecer Seort/DRF/VIT/ES/Nº 1414/2009 e o despacho decisório (fls. 148/172) reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 8.696.651,87, e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. O Parecer apurou o que se segue: 1. Do valor devido de Cofins não cumulativa Os débitos apurados pelo contribuinte foram admitidos sem qualquer ajuste, já que as diferenças apuradas foram objeto de lançamento. 2. Bens utilizados como insumos Nesta rubrica as exclusões ficaram por conta dos combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações (transporte de papel e celulose), por, nessa condição, não se qualificarem Fl. 849DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 849 3 como insumo, visto sua influência indireta no processo produtivo. Também foram excluídos os insumos agrícolas utilizados na operação florestal, que tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pelos Decretos nºs 5.195/04 e 5.630/05, e do carvão mineral utilizado para geração de energia, que também teve sua alíquota reduzida a zero por força do art. 2° da Lei n° 10.312/01. O óleo lubrificante mobilcult 122 mobil (cód. material 37664), utilizado na retifica das facas do picador de cavacos, agente de limpeza renew 7154 (cód. 202827), agente de limpeza EZ231D contech (cód. 203013) e agente hidrofilico renew SC7101 hércules (cód. 202828), aplicados na limpeza das máquinas do processo produtivo, foram glosados ao entendimento que sua aplicação no processo industrial se faz de maneira indireta, não atendendo requisito primordial para sua configuração como insumo. Também foram objeto de estorno as notas fiscais representativas de importação de insumos sob o regime aduaneiro de drawback, que, como tal, não sofrem a incidência, na nacionalização, das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins não cumulativos. Sua identificação na planilha respectiva se dá pelo CFOP 3.127. 3. Serviços utilizados como insumos No que concerne aos serviços, para serem considerados insumos, devem necessariamente ser aplicados diretamente na produção, não se confundindo com aqueles prestados na área de produção. Esta compreensão decorre, por exemplo, da interpretação contida em soluções de divergência exaradas pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, tais como a SD Cosit nºs 15 e 17, ambas de 2008. Os itens glosados estão listados no Parecer Seort/DRF/VIT/ES/Nº 1414/2009. Por derradeiro, restaram os serviços relacionados ao transporte e movimentação de mercadorias e despesas correlatas, alguns deles, inclusive, referentes a fretes marítimos, ferroviários e rodoviários, que merecem especial exame, ao passo que nem todos serão admitidos no cálculo dos créditos da não cumulatividade. As despesas relativas a serviços de carga, descarga, baldeio, de empilhadeiras e manuseio de mercadorias em elaboração e/ou insumos, enfim, a movimentação destes materiais dentro do estabelecimento da pessoa jurídica requerente, bem como, o transporte entre suas unidades, não garantem crédito da não cumulatividade, por não se enquadrarem no conceito de insumo, pois não aplicados diretamente na produção, e também porque não subsumíveis as espécies de fretes admitidos, cuja aceitação é textual para aqueles incidentes sobre as vendas e implícita, como custo de aquisição, para aqueles cobrados sobre as compras, desde que, em qualquer caso, seja tal gasto arcado pelo requerente. Em linha semelhante, por não guardarem referência com o conceito de serviço prestado como insumo, as despesas de Fl. 850DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 carregamento (carga, descarga e movimentação), as despesas com pedágios, taxas de utilização portuária, limpeza e conservação de armazéns, empilhadeiras, marcação de fardos, mão de obra de terceiros relacionados a tais atividades, que foram expurgadas em sua integralidade. 4. Despesas de energia elétrica A energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica requerente é admitida como insumo no cálculo das contribuições não cumulativas. O crédito se perfaz à vista do documento que demonstra a efetividade do gasto, isto é, a fatura emitida pela concessionária do serviço público. No entanto, as despesas de consultoria prestada no mercado livre de energia, as contribuições para a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia — ABRACE e as Taxas de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica TFSEE cobrada pela Agencia Nacional de Energia Elétrica — ANEEL, por não se qualificarem como gastos específicos com energia elétrica e, também, por falta de previsão legal para sua absorção como crédito da não cumulatividade, não podem ser admitidas no cômputo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins. 5. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas Neste item foram glosados os lançamentos relativos à locação de veículos, ambulâncias e o arrendamento de veículos para transporte de pessoal, por não se enquadrarem tais despesas no conceito estreito de aluguel de máquinas e equipamentos como ficou estampado na Solução de Divergência Cosit nº 15, de 30 de maio de 2008. 6. Outros valores com direito a crédito Esta rubrica tem nítido caráter residual, de tal maneira que os lançamentos nela efetuados, em tese, refletem as despesas que geram crédito, porém, não se enquadram nas demais categorias. Contudo, não parece ser o caso de boa parte dos valores apropriados, a partir das contas do razão utilizadas para apropriação, tais como: despesas com hospedagem de empregados, material de escritório, proteção ao trabalhador, manutenção de móveis e utensílios, programa de formação profissional, materiais de escritório e propaganda e publicidade, porquanto as despesas do gênero não são passíveis de inclusão por inexistência de permissivo legal, razão que por si só justifica seu expurgo, tal como estampado nas Soluções de Divergência Cosit nºs 15/2008 e 17/2008. A DRF VITORIA emitiu o PARECER SEORT/DRF/VIT/ES Nº 2211/2009, em complementação ao PARECER Nº 1414/2009, com o objetivo de se manifestar a respeito da retificação da DCOMP 19932.10576.200206.1.3.090000 efetuada por meio da DCOMP 22892.56247.130509.1.7093783. A DRF conclui pelo indeferimento da retificação, já que a lei impede a retificação com o objetivo de incluir novo débito ou aumentar o valor do débito anteriormente informado. A interessada foi cientificada em 11/01/2010 (fls. 196) e apresentou manifestação de inconformidade em 10/02/2010 (fls. 200/ 212), alegando em síntese: Fl. 851DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 850 5 Entendese por insumo toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final. Desde a fase de preparação do viveiro até a introdução da madeira no ciclo de produção, a Impugnante utiliza caminhões, máquinas e diversos equipamentos operados em sua quase totalidade por terceiros, que irão formar o custo de produção da celulose. Tais custos integram a cadeia de produção de forma indireta por representarem ora custos de formação da matéria prima, ora insumos consumidos para a realização do objeto social da empresa; O combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pela Impugnante são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área da Impugnante e exclusivamente para a Impugnante, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o combustível mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pelo autuante, de indiscutível essencialidade no processo produtivo da Impugnante. Cita as Soluções de Consulta nº 260 e 85, ambas de 2008 e a Solução nº 72 de 2006. Resta completamente assentado que não se pode impedir o creditamento presumido do IPI, bem como no caso em tela da COFINS em razão do fato de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento destas contribuições. Encerra a manifestação solicitando que seja confirmada a homologação da compensação constante no Processo nº 10783.721.311/200946 e que seja também HOMOLOGADO todo o ressarcimento de crédito de COFINS constante no processo N.° 15578.000450/200981. Caso não seja esse o entendimento imediato deste julgador, REQUER ARACRUZ CELULOSE S.A seja o presente processo administrativo fiscal convertido em DILIGENCIA, para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados e ao final seja CONFIRMADA A HOMOLOGAÇÃO na integralidade da compensação constante do Processo n°15578.000450/200981. É o relatório. Mediante o Acórdão nº 1251.536, de 19 de dezembro de 2012, a 16ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DILIGÊNCIA AUSÊNCIA DE NECESSIDADE INDEFERIMENTO. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Havendo nos autos elementos necessários à convicção do julgador administrativo, deve ser indeferido o pedido de diligência formulado pelo impugnante. INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃO CUMULATIVIDADE. Na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações, tais como: consumo; desgaste; dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. BENS ADQUIRIDOS COMO INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. As aquisições de produtos com alíquota reduzida a zero, tais como insumos agrícolas e carvão mineral para geração de energia, não geram crédito da nãocumulatividade. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. INSUMOS. TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Os gastos com transporte do produto, acabado ou em elaboração, entre estabelecimentos industriais ou distribuidores da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa, por não se classificarem como insumos do produto. ENERGIA ELÉTRICA. O valor admitido para crédito da não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins é aquele efetivamente cobrada pelas concessionárias e fornecedoras de energia elétrica, não se estendendo as demais despesas vinculadas a este insumo, como consultorias, taxas e mensalidades cobradas em função de sua aquisição. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS VEICULOS. Somente geram direito ao desconto de créditos, as despesas com aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, pagos a pessoa jurídica, não se enquadrando no dispositivo as despesas com aluguéis de veículos automotores. OUTROS VALORES COM DIREITO A CRÉDITO INSUMOS. As despesas com hospedagem de empregados, programas de formação profissional, proteção ao trabalhador, materiais de escritório, propaganda e publicidade, eventos, etc. não geram crédito da não cumulatividade. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 851 7 A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 12/04/2013. Em 06/03/2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, mediante o qual alega, em síntese, que: a) É manifesto o equívoco quanto ao indeferimento dos créditos da COFINS, com base nas INs SRF nos 247/02 e 404/04, por desconsiderar vários bens e serviços abarcados pelo conceito de insumo, inclusive os dispêndios necessários à produção florestal, isto é, custos para a formação e manutenção de florestas destinadas à fabricação de celulose, pelo que neste particular, deve ser acolhido o presente Recurso Voluntário. Na verdade, as INs RFB n.os 247/02 e 404/04 trazem em seu bojo equivocado conceito de insumo, pois adotam analogicamente o conceito de insumo relativo a não cumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da Recorrente. b) Insumo e custo possuem o mesmo sentido e refletem a mesma realidade, razão pela qual, todos os itens que compõem o custo de produção da Recorrente, ensejam o direito ao crédito, no caso de COFINS, a menos que sejam vedados expressamente pela Lei n.° 10.833/03, como é o caso, por exemplo, de custos incorridos com a aquisição de bens e serviços de pessoa física ou de pessoas jurídicas estrangeiras (§ 3o, do art. 3o). c) No caso dos autos, os créditos que foram glosados decorrem de bens e serviços adquiridos que representam efetivamente um custo de produção, pois são eles utilizados como insumo e indispensáveis à produção dos produtos destinados à venda pela Recorrente, sendo, portanto, legítimo o crédito apropriado, razão pela qual deve ser reformado o v. Acórdão de fls. 257/272, para reconhecer na integralidade o crédito pleiteado, homologandose as compensações declaradas. d) No caso das empresas de celulose, os custos de produção se iniciam com o desenvolvimento de mudas de eucalipto, se intensificam na formação das florestas e, se encerram após a transformação da madeira em celulose, conforme se verifica do descritivo do processo produtivo anexo (Doc. 04). A Recorrente apresenta laudos técnicos relativos com a descrição de diversos bens utilizados como insumo na produção de celulose (Doc. 05). e) Os documentos apresentados demonstram de forma incontroversa de que o processo de produção de celulose se inicia com a atividade agrícola, sendo a etapa industrial apenas a parte final do processo. Isso porque, para a produção da celulose se faz necessário inicialmente produzir a madeira através da formação de florestas, com todos os bens e serviços necessários para tanto. Desta forma, todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita, transporte das toras de madeira possuem a natureza jurídica de insumo, visto que são indispensáveis à elaboração da pasta de celulose, que é o produto final da Recorrente destinado à venda. f) A Lei é clara ao estabelecer que é objeto de crédito o valor relativo a combustíveis e lubrificantes, sendo referidos itens dispêndios indispensáveis à atividade realizada pela Recorrente para a produção de celulose e sua venda, devendo ser, portanto, reconhecido, como insumo, gerando direito a crédito, não havendo o porquê de ter sido glosado. O combustível e o óleo lubrificante são utilizados, em veículos e embarcações, para o transporte de papel e celulose, objeto do contrato social da Recorrente. Em sessão de maio de 2012, o CARF já reconheceu em outro processo de interesse da Recorrente (PA n.° Fl. 854DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 11543.100053/200521) exatamente o crédito ora glosado, demonstrando o manifesto equívoco aqui debatido, razão pela qual se impõe a reforma da decisão recorrida. g) Na rubrica de "serviços utilizados como insumo" foram glosados créditos referentes a serviços de limpeza, serviço de queima de resíduo, de reprografia, de inventário florestal, serviço de transporte de madeira, entre outros, listados no Parecer da SEORT. Entretanto, tais glosas não devem subsistir, uma vez que referidos serviços são indispensáveis à produção, sendo classificados como custo de produção, isto é, gastos incorridos necessários à produção, sem os quais, com, por exemplo, o serviço de inventário florestal, não há o resultado final, qual seja, a celulose. h) A Recorrente transporta, por necessário ao seu processo produtivo, toras de madeira de eucalipto produzidas na área florestal, entre as suas unidades de triagem e armazém (depósitos) e as unidades suas unidades industriais. Tal como o frete pago na aquisição de insumos, o CARF já reconheceu que o frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte de produtos em elaboração também integram o custo do produto, estando assegurado o direito ao crédito de PIS e COFINS, conforme acórdão n° 330100.424 (Processo n° 11080.003380/200440) e Acórdão 1o CC 10182.937/92. i) A glosa perpetrada de despesas de energia elétrica não merece prosperar, tendo em vista que os créditos de energia elétrica são conferidos de forma ampla aos estabelecimentos da Recorrente, segundo preconiza o art. 3º, inciso III da Lei 10.833/03. Para justificar essa glosa argumenta a fiscalização de forma equivocada que: "foram glosadas as despesas de consultoria prestada no mercado livre de energia, as contribuições para a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia ABRACE e as Taxas de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica TFSEE cobrada pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, por não se qualificarem como gastos específicos com energia elétrica e, também, por falta de previsão legal para sua absorção como crédito da não cumulatividade". No entanto, esse entendimento é distorcido da realidade tendo em vista que todas essas parcelas compõem, inegavelmente, o custo referente à energia elétrica, sendo assim, "qualificados como gastos específicos com energia elétrica", indispensável à produção de celulose realizada pela Recorrente. j) Também não deve prevalecer a glosa sobre aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, ao entendimento de que os lançamentos glosados são relativos à locação e arrendamento de veículos e ambulâncias para o transporte de pessoal, pois são todos eles utilizados nas atividades da empresa, não fazendo o inciso IV, do artigo 3º da Lei n° 10.833/03 qualquer distinção sobre que tipo máquina que deve ser alugada ou arrendada. Têmse que os mesmos configuram legítimos insumos, uma vez que os veículos, que transportam pessoas, são utilizados para verificação da plantação, análise, como por exemplo, monitoramento de plantas daninhas e pragas, pulverização e até fertilização por aspersão, bem como a prevenção e combate a incêndios florestais. k) No mesmo sentido das razões acima explanadas e por total amparo da Lei n° 10.833/2003, as demais despesas incorridas pela Recorrente para sua produção e venda de celulose, são obrigatórias à atividade da Recorrente, sendo, pois, tidas como insumos, tais como: hospedagem de empregados, material de escritório, proteção ao trabalhador, manutenção de móveis e utensílios, programa de formação profissional, material de escritório e propaganda e publicidade, porquanto as despesas do gênero "outros valores" geram, outrossim, crédito de COFINS, em consonância ao princípio da não cumulatividade. l) A Recorrente teve o cuidado de demonstrar e comprovar cada lançamento contábil de bens, serviços e outras despesas que compuseram o DACON, referente ao 4º Fl. 855DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 852 9 trimestre de 2005, entretanto, a diligência e a perícia são necessárias para a comprovação da real natureza de cada bem e serviço adquiridos pela Recorrente, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito da Recorrente e para se buscar a verdade material. m) Ainda que não sejam homologadas as compensações efetuadas, o que se admite apenas para argumentar, os débitos compensados atinentes às estimativas mensais de IRPJ não podem ser exigidos da Recorrente. Ocorre que, findo o anocalendário em que deveriam ser efetivados os recolhimentos do IRPJ e da CSLL sob o regime de estimativa, incabível em período posterior exigir o pagamento destes valores, conforme dispõem expressamente os artigos 15, 16 e 49, da Instrução Normativa do SRF n° 93/1997. Parte dos débitos compensados no presente caso referemse à débitos de estimativas mensais de IRPJ, sendo vedada a sua cobrança, sob pena de violar os artigos referidos da Instrução Normativa n° 93/97, bem como a pacífica jurisprudência administrativa, que foi refletida na Súmula CARF nº 82. n) Ainda que os débitos de estimativa de IRPJ pudessem ser exigidos, o que se admite apenas para argumentar, não haveria a incidência de juros e multa de mora sobre os mesmos. No caso em análise, não há que se falar em mora no pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), eis que os fatos geradores destes somente ocorrerão ao final do período anual (31 de dezembro), de acordo com a sistemática de apuração do Lucro Real Anual, mediante a forma de arrecadação por estimativa. Somente a obrigação líquida não cumprida no vencimento constitui o devedor em mora de pleno direito (artigo 397 do Código Civil). A Câmara Superior de Recursos Fiscais do exConselho de Contribuintes (atual CARF), deixa claro, no Acórdão CSRF/0105.875 (PA 10384.000638/200479, Relator Marcos Vinícius Neder de Lima, Data da Sessão: 23/06/2008), o posicionamento firmado no âmbito administrativo, de que os fatos geradores da CSLL e do IRPJ ocorrem quando o lucro é apurado em 31 de dezembro. Posteriormente foi juntado ao processo o Laudo/Parecer Técnico acerca da cadeia produtiva do sistema agroindustrial de produção de celulose. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da sucessora da contribuinte, pelo que dele se toma conhecimento. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último na maior parte dos argumentos, pois não foram apresentados anteriormente. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições, a manifestante somente tinha contestado, de forma bem singela, as glosas referentes a combustíveis e peças de Fl. 856DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 reposição e de manutenção adquiridos, os quais seriam totalmente consumidos em máquinas e veículos do seu processo produtivo, bem como a glosa referente a equipamentos de segurança. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta algumas outras glosas informadas no Parecer da Seort da DRF/Vitória, quais sejam, aquelas relativas a combustíveis e lubrificantes; serviços de limpeza, serviço de queima de resíduo, de reprografia, de inventário florestal, serviço de transporte de madeira, entre outros listados no Parecer da Seort; frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte; despesas de energia elétrica; aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas; bem como as glosas referentes a hospedagem de empregados, material de escritório, proteção ao trabalhador, manutenção de móveis e utensílios, programa de formação profissional, material de escritório e propaganda e publicidade. Considerando que a Delegacia de Julgamento pronunciouse sobre as glosas ora contestadas, apesar de não terem sido objeto de defesa expressa na manifestação de inconformidade, tomo conhecimento das novas alegações no recurso voluntário com base no art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Passase a analisar o recurso voluntário segundo os itens do Relatório acima, que sintetizou as alegações da recorrente: Conceito de Insumo: itens "a", "b" e "c" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656 (julgado em 28/11/2013, Relator Rosaldo Trevisan), cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe Fl. 857DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 853 11 ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) Com relação à insurgência genérica ao conceito de insumo aplicado às glosas, devese ressaltar que o fato de este Colegiado ter entendimento divergente da autoridade de primeira instância no que concerne ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas não acarreta, de forma alguma, a revisão total das glosas mantidas pela decisão recorrida, a qual foi legitimamente emitida em conformidade com a regulamentação trazida pelas referidas Instruções Normativas. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 Não há que se olvidar que cada órgão julgador age, dentro da sua esfera de competência, segundo o princípio da livre persuasão racional. Com efeito, incumbe a este CARF analisar as glosas expressamente contestadas no recurso voluntário. Fase agrícola para a produção da celulose: itens "d" e "e" Com relação à alegação da recorrente de que seu processo industrial se inicia no viveiro florestal, é de se esclarecer que o entendimento da fiscalização não é dela divergente. A fiscalização considerou que os custos incorridos na fase agrícola da produção são insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas. Com efeito, registrou a fiscalização que a DRF/Vitória já havia formulado consulta à Divisão de Tributação desta Superintendência quanto à correta interpretação do art. 66 da IN SRF 247/02 em relação às pessoas jurídicas que realizam atividades agroindustriais, a qual solucionou a questão em abono quase integral da proposta submetida por aquela Unidade, conforme trecho abaixo extraído do Despacho Decisório: (...) É pertinente registrar a realização de consulta à Divisão de Tributação desta Superintendência quanto à correta interpretação do art. 66 da IN SRF 247/02 em relação às pessoas jurídicas que realizam atividades agroindustriais, cujos termos se transcrevem na íntegra: "DESCRIÇÃO DETALHADA DA QUESTÃO Em procedimento de verificação de ressarcimento de créditos da não cumidatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, realizada junto a pessoa jurídica que exerce atividade de fabricação de celulose juntamente com a produção de toras de eucalipto, esta a principal matériaprima na industrialização daquele produto, deparouse a fiscalização com dúvidas acerca do real alcance do termo "insumo " para fins de apropriação de créditos daquela natureza na operação realizada pela empresa. Assim como na atividade sucroalcooleira, é comum no setor de fabricação de celulose que as indústrias desenvolvam o cultivo de eucalipto para garantia do fornecimento de matériaprima, o que a caracteriza como típica agroindústria. (...) SOLUÇÃO PROPOSTA PELA CONSULENTE Quanto ao primeiro questionamento, entende esta Unidade que, sendo princípio comezinho de direito que a lei não utiliza palavras vãs, os termos "produção" e fabricação" possuem sentidos distintos, não podendo serem tomados como sinônimas no contexto legal sob enfoque. O vocábulo "fabricação", sem maiores controvérsias, guarda relação com "industrialização" na concepção do art. 4o do RIPI/02, aprovado pelo Decreto n° 4.544/02, segundo o qual corresponde a "qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo". Tanto assim que a IN SRF 247/02 buscou a noção de insumo no Parecer CST 65/79 que demarca os conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e de embalagem, indiscutivelmente espécies do gênero "insumo ". Produção, por sua vez, não se enquadra como industrialização, ainda que do ponto de vista econômico o possa ser. Este entendimento encontrase pacificado na seara administrativa, tendo, inclusive, o próprio Conselho de Contribuintes firmado posição neste sentido, quando, ao analisar o direito ao crédito presumido de IPI da Lei n° 9.363/96 a pessoa jurídica exportadora de café em grão, reafirmou a inexistência de qualquer processo industrial, do ponto de vista legal, que lhe fosse possível conferir o beneplácito, uma vez que as operações Fl. 859DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 854 13 se resumiam a limpar, secar, classificar e ensacar o produto (café) destinado ao mercado internacional (vide acórdãos 20179.068 e 201.79.070). (...) Nesta senda e já adentrando à segunda indagação, encarada a produção como algo distinto de industrialização, temse que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 conferiram, sim, o direito ao aproveitamento de créditos incidentes sobre insumos bens e serviços utilizados na produção, no caso em apreço, entendida como a atividade rural empreendida como acessória à industrialização de celulose, [grifos não estão no original] não se erigindo em óbice a tal conclusão a simples omissão da IN SRF 247/02 em conceituar os bens utilizados como insumos em relação à produção, mesmo porque ao definir serviços como insumos estipulou que seriam aqueles aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação de bens destinados à venda. Não faria sentido lógicojurídico que se permitisse a apropriação de créditos na produção, exclusivamente em relação serviços tomados como insumos, refutada quanto aos bens, o que leva a crer que houve certa mistura terminológica, em princípio, nada impedindo que, adotando uma interpretação sistemática, apliquese a analogia in bonam partem para se concluir que é possível, na atividade agroindustrial, a tomada de créditos pela utilização de bens e serviços que são consumidos/aplicados na produção. Outrossim, não parece haver dúvida que, acaso a operação florestal fosse realizada em pessoa jurídica distinta e não em processo integrado, como sói ocorrer, os créditos em comento poderiam ser apropriados sem qualquer censura. Isto posto, resta a terceira questão, qual seja, admitidos os créditos, quais seriam os insumos passíveis de admissão no cômputo da apuração dos créditos. Em relação aos bens, dúvida não surge quanto aos herbicidas, fertilizantes e corretivos de solo, eis que consumidos diretamente na produção de toras de eucalipto; entretanto, a mesma facilidade não se repete no que concerne aos serviços, de forma que aqueles relacionados à silvicultura, assim entendido como o cultivo de árvores florestais, e de topografia, visando o levantamento das áreas a serem cultivadas, haveriam de ser admitidos no cálculo. Já os serviços de manutenção de estradas para escoamento da produção e os serviços de satélite para acompanhamento das áreas cultivadas, assim como, a vigilância patrimonial e a construção de cercas divisórias, o mesmo raciocínio não seria aplicável porquanto são serviços que, nada obstante a utilidade na atividade desenvolvida, não se aplicam diretamente na produção, mas apenas de maneira indireta. Nesta linha exegética, "o termo 'insumo' não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço" (SC SRRF/7a RF/Disit n° 69/2007). Na Solução de Consulta SRRF/7" RF/Disit n° 05/2007, destaca se que "( ...) segundo a nova sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os contribuintes a elas sujeitos podem apurar um crédito correspondente à aplicação das respectivas alíquotas sobre determinados custos, para ser abatido do que for devido, num mesmo período, a título das referidas contribuições. Como a utilização desse crédito resultará em redução da contribuição Fl. 860DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 devida, equivalendo a uma renúncia de receita, cumpre salientar o dever de obediência ao princípio da interpretação literal, sendo vedada a extensão da norma a casos nela não previstos, consoante o disposto no art. 111 da Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional." Com estas considerações, submetese o posicionamento retro a esta Divisão de Tributação para que o referende ou, caso contrário, forneça a interpretação mais consentânea com o direito posto, pugnandose desde já, na medida do possível, por uma breve solução, em razão da pendência de análise de pedidos de ressarcimento. " Em abono quase integral da exegese submetida, referida Divisão solucionou a questão no sentido proposto, à exceção dos serviços topográficos, que não vislumbrou hipótese para seu aproveitamento, por falta de respaldo legal, isto é, não se verificava ali a prestação de um serviço diretamente realizado na produção. [grifos não são do original] (...) Não obstante isso, consta que, no presente processo, foram efetuadas glosas relativas aos "insumos agrícolas utilizados na operação florestal, que tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pelos Decretos nºs 5.195/04 e 5.630/05", em face da vedação legal de creditamento disposta no art. 3º , §2º, II da Lei 10.833/2003, para a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. No entanto, sobre essa questão a recorrente não se manifestou, devendo, portanto, a glosa ser mantida. Combustíveis e lubrificantes: item "f" A fiscalização glosou, sob a rubrica "bens utilizados como insumo", os créditos relativos a "combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações (transporte de papel e celulose), por, nessa condição, não se qualificarem como insumo, visto sua influência indireta no processo produtivo". Sob a rubrica "serviços utilizados como insumo" glosou também os créditos decorrentes de aquisições de combustíveis para utilização em veículos da empresa, não pelo equívoco da classificação (bem x serviço), mas por não possuir este combustível a natureza de insumo, haja vista sua não utilização direta no processo produtivo. Alega a recorrente que, sendo os combustíveis e lubrificantes indispensáveis à produção de celulose e sua venda, a lei seria clara ao estabelecer o direito ao crédito. O combustível e o lubrificante seriam, segundo ela, utilizados em veículos e embarcações para o transporte de papel e de celulose, objeto do contrato social da Recorrente, cabendo, a seu ver, o referido creditamento, conforme já reconhecido pelo CARF em outro processo de interesse da Recorrente. Desta forma, são objeto de controvérsia neste CARF somente os combustíveis e lubrificantes utilizados nos veículos e embarcações da contribuinte para o transporte de papel e de celulose, os quais, segundo alega a recorrente, seriam indispensáveis à produção de celulose e sua venda. O art. 3º da Lei nº 10.833/2003 assim estabelece o direito ao creditamento da Cofins sobre combustíveis e lubrificantes: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 861DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 855 15 (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Este CARF, em interpretação do dispositivo acima, tem entendido pelo direito ao creditamento dos combustíveis e lubrificantes especificamente ligados ao contexto produtivo da empresa, como, por exemplo, para transporte de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, conforme precedente abaixo: Acórdão nº 3403002.91 3ª Seção/ 4ª Câmara/ 3ª Turma Ordinária, Relator: ROSALDO TREVISAN, Sessão de 24 de abril de 2014. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao Fl. 862DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos de passeio, motocicletas, e “kombis” que eventualmente transportam funcionários. [negrito desta Relatora] Embora esta Relatora, interpretando o dispositivo de lei em conformidade com precedente acima, pudesse reconhecer o crédito decorrente dos combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos ou embarcações em relação ao transporte ou manuseio de insumos ou produtos inacabados dentro do contexto do processo produtivo da recorrente, nele incluído a fase agrícola, neste caso específico, tratandose de despesas relativas ao transporte do produto já acabado (papel ou celulose) não vislumbro o direito ao creditamento das contribuições não cumulativas relativas como insumo. Pelo que entendo que deve ser mantida glosa relativa a combustíveis e lubrificantes. Serviços utilizados como insumo: itens "g" e "h" Contesta a recorrente, na rubrica de "serviços utilizados como insumo", as glosas dos créditos referentes a serviços de limpeza, serviço de queima de resíduo, de reprografia, de inventário florestal, serviço de transporte de madeira, entre outros, listados no Parecer da SEORT, eis que, a seu ver, os referidos serviços seriam indispensáveis à produção, sendo classificados como custo de produção, isto é, gastos incorridos necessários à produção. No entanto, essas alegações da recorrente são de ordem muito genérica, sem a especificação de como esses serviços seriam indispensáveis à produção da celulose, nem tampouco em qual parte do processo produtivo. A recorrente não fez a necessária correlação dos serviços glosados recorridos com o descritivo do processo produtivo. Assim, diante da ausência de determinação da discordância e dos seus correspondentes fundamentos de fato e de direito respaldados em provas, conforme exige o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, essas alegações não são hábeis a reformar a decisão recorrida. Alega também a recorrente que transporta, por necessário ao seu processo produtivo, toras de madeira de eucalipto produzidas na área florestal, entre as suas unidades de triagem e armazém (depósitos) e suas unidades industriais e que, tal como o frete pago na aquisição de insumos, o CARF já teria reconhecido que o frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte de produtos em elaboração também integram o custo do produto, estando assegurado o direito ao crédito de PIS e COFINS, no que tem razão a recorrente. No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um Fl. 863DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 856 17 bem para revenda; bem como sobre despesas com iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Assim, deve ser revertida a glosa relativa ao frete de madeira de eucalipto produzida na área florestal entre as unidades do contexto produtivo da recorrente (floresta, triagem, depósito ou indústria). Energia elétrica: item "i" Sobre a glosa de energia elétrica, argumentou o julgador de primeira instância que: (...) A energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica requerente é admitida como insumo no cálculo das contribuições não cumulativas. O crédito se perfaz à vista do documento que demonstra a efetividade do gasto, isto é, a fatura emitida pela concessionária do serviço público. No entanto, as despesas de consultoria prestada no mercado livre de energia, as contribuições para a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia — ABRACE e as Taxas de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica TFSEE cobrada pela Agencia Nacional de Energia Elétrica ANEEL, por não se qualificarem como gastos específicos com energia elétrica e, também, por falta de previsão legal para sua absorção como crédito da não cumulatividade, não podem ser admitidas no cômputo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins. (...) Alega a recorrente que "os créditos de energia elétrica são conferidos de forma ampla aos estabelecimentos da Recorrente, segundo preconiza o art. 3º, inciso III da Lei 10.833/03" e que "todas essas parcelas compõem, inegavelmente, o custo referente à energia elétrica, sendo assim, "qualificados como gastos específicos com energia elétrica", indispensável à produção de celulose realizada pela Recorrente". No entanto, considerando que os referidos dispêndios não se qualificam como bens ou serviços, para o creditamento como insumo, nem tampouco como energia elétrica, não se vislumbra possibilidade de reforma da decisão recorrida nesta parte. Aluguéis de máquinas e equipamentos: item "j" Alega a recorrente que não deveria prevalecer a glosa sobre aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, ao entendimento de que os lançamentos glosados são relativos à locação e arrendamento de veículos e ambulâncias para o transporte de pessoal, pois todos eles seriam utilizados nas atividades da empresa, nos termos do art. 3º, IV da Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 864DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Ocorre, no entanto, que, como já consignou da decisão recorrida, veículos e ambulâncias não estão incluídos no conceito de máquinas e equipamentos, conforme já esclareceu a Solução de Consulta nº 155/2003 da DISIT da 9ª RF, no sentido de que "Tampouco se admite o crédito em relação ao aluguel pago pela locação de veículos, por não se equipararem, legalmente, a máquinas e equipamentos". Razão pela qual entendo que a referida glosa deve ser mantida. Outros Valores com direito a Crédito: item "k" Alega a recorrente que as demais despesas incorridas para a produção e venda de celulose são obrigatórias a sua atividade, sendo, pois, tidas como insumos, tais como: hospedagem de empregados, material de escritório, proteção ao trabalhador, manutenção de móveis e utensílios, programa de formação profissional, material de escritório e propaganda e publicidade, porquanto as despesas do gênero "outros valores" geram, outrossim, crédito de COFINS, em consonância ao princípio da não cumulatividade. No entanto, essas alegações da recorrente são de ordem muito genérica, sem qualquer especificação de como esses itens seriam essenciais à produção da celulose e em que parte do processo produtivo, para a devida verificação se enquadrarseiam no conceito de insumo adotado neste Voto. Assim, diante da ausência de determinação da discordância e dos seus correspondentes fundamentos de fato e de direito respaldados em provas, conforme exige o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, essas alegações não são hábeis a reformar a decisão recorrida. Diligência e perícia: item "l" Requer a recorrente a realização de diligência e perícia, pois, seriam necessárias para a comprovação da real natureza de cada bem e serviço adquiridos, como eles são empregados no processo produtivo, que são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o seu direito e para se buscar a verdade material. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. No entanto, essas previsões legais não existem com o propósito de suprir a deficiência na argumentação da defesa ou do ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas em face dos argumentos e das provas já trazidas ao processo pela requerente. Há que se esclarecer que está preclusa, neste momento processual, a produção de novas provas, nos termos do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, salvo nas exceções nele previstas. É por ocasião da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade que a recorrente deveria ter produzido a prova necessária à comprovação das suas alegações. Diligências e perícia existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não Fl. 865DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 857 19 para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Razões pelas quais deve ser indeferido o pedido de diligência ou perícia. Estimativas mensais de IRPJ: itens "m" e "n" Não conheço das alegações da recorrente acerca dos débitos compensados atinentes às estimativas mensais de IRPJ e da incidência de juros e multa de mora sobre esses valores por se caracterizarem como completa inovação recursal, a qual também não foi tratada na decisão recorrida. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das regras do Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 866DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio. Nesse sentido, este Colegiado, como no julgado cuja ementa ora se transcreve, tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância: Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. DECADÊNCIA. Tendo a contribuinte sido cientificado no transcurso do quinquênio legal não há que se falar em decadência. NULIDADE DO MPF. Tendo sido realizadas as prorrogações e inclusões no procedimento de fiscalização, não há que se acolher a nulidade do procedimento. Recurso Voluntário conhecido em parte e na parte conhecida Improvido Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e perícia e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter somente as glosas relativas ao frete de madeira de eucalipto produzidas na área florestal entre as unidades do contexto produtivo da recorrente (floresta, triagem, depósito ou indústria). É como voto. (assinatura digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 867DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15578.000450/200981 Acórdão n.º 3402002.912 S3C4T2 Fl. 858 21 Fl. 868DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 27/02/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000484/2008-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9101-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, 1) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido. 2) Quanto ao mérito, por maioria de votos, recurso provido em parte, com retorno dos autos à Câmara a quo para análise das demais matérias, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
EDITADO EM: 08/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum declarou-se impedido.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.000484/2008-18
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5559954
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9101-002.153
nome_arquivo_s : Decisao_16327000484200818.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 16327000484200818_5559954.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido. 2) Quanto ao mérito, por maioria de votos, recurso provido em parte, com retorno dos autos à Câmara a quo para análise das demais matérias, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Adriana Gomes Rêgo - Relatora EDITADO EM: 08/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum declarou-se impedido.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6258970
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125278519296
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-01-08T12:42:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-01-08T12:42:57Z; Last-Modified: 2016-01-08T12:42:57Z; dcterms:modified: 2016-01-08T12:42:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:d62df547-a72f-4617-9180-f8d3e335dcc3; Last-Save-Date: 2016-01-08T12:42:57Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-01-08T12:42:57Z; meta:save-date: 2016-01-08T12:42:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-01-08T12:42:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-01-08T12:42:57Z; created: 2016-01-08T12:42:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2016-01-08T12:42:57Z; pdf:charsPerPage: 1987; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-01-08T12:42:57Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.000484/200818 Recurso nº 173.764 Voluntário Acórdão nº 9101002.153 – 1ª Turma Sessão de 8 de dezembro de 2015 Matéria TRAVA DE 30% Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste previsão legal para se proceder à compensação de prejuízos (trava), além do percentual de 30% do lucro real, ainda que a pessoa jurídica esteja no encerramento das suas atividades. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido. 2) Quanto ao mérito, por maioria de votos, recurso provido em parte, com retorno dos autos à Câmara a quo para análise das demais matérias, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Adriana Gomes Rêgo Relatora EDITADO EM: 08/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 84 /2 00 8- 18 Fl. 506DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000484/200818 Acórdão n.º 9101002.153 CSRFT1 Fl. 3 2 de Moura, Lívia de Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum declarouse impedido. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 271/287, contra Acórdão nº 140200.063, de 10 de dezembro de 2009, fls. 266/268, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário impetrado por SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, nos seguintes termos “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE DOS 30% DO LUCRO REAL. INAPLICABILIDADE. Inexiste amparo para se proceder a limitação da compensação de prejuízos (trava), no percentual de 30% do lucro real, a que se reporta o artigo 15 da Lei n° 9.065, no encerramento das atividades da empresa. Recurso Provido.” Alega a recorrente divergência jurisprudencial em relação ao Acórdão nº 910100.401, que recebeu a seguinte ementa: “COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL LIMITAÇÃO DE 30 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. 0 prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa." Ao detalhar os fundamentos para a reforma do acórdão, a Fazenda destaca dois temas contra os quais se insurge: Limitação à Compensação de Prejuízos Fiscais e Responsabilidade da Sucessora em relação à Multa de Ofício; por fim, pede pela reforma do acórdão recorrido e que se restaure o inteiro teor da decisão de primeira instância. Por meio do Despacho Presi nº 140000.311, fls. 322/324, a Presidente da Câmara a quo dá seguimento ao recurso, analisando apenas a divergência jurisprudencial apontada no tocante à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. Na seqüência, o contribuinte apresenta Contrarrazões onde, em apertada síntese, requer a manutenção do acórdão recorrido, aduzindo que o recurso especial não pode ser admitido haja vista que o acórdão ora guerreado tratou apenas da limitação à compensação de saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL na hipótese de incorporação, que a PGFN não apresentou embargos para sanear a omissão relativa à multa aplicada na sucessora e, por conseguinte, ficou impossibilitada de demonstrar a divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000484/200818 Acórdão n.º 9101002.153 CSRFT1 Fl. 4 3 No mérito, ressalta que os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, limitam a compensação, mas permitem que ela ocorra nos anos seguintes e traz decisões do Antigo Conselhos de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça neste sentido, para concluir que, nos casos de incorporação e conseqüente extinção da personalidade jurídica, como não é possível essa compensação em períodos seguintes, tem que haver a compensação integral, sob pena de terem, as sociedades incorporadas, “tributado não o seu lucro mas, na verdade, o seu patrimônio”. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo O recurso é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. No que diz respeito ao mérito, entendo que assiste razão à recorrente, vez que a Lei nº 9.065/95 é muito clara no sentido de estabelecer a trava sem qualquer exceção, senão vejamos: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Produção de efeito (Vide Lei nº 12.973, de 2014) Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Produção de efeito Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Se a lei ofende ou não ao art. 43 do CTN, não compete a este Colegiado tal juízo, pois é vedado a este tribunal afastar lei vigente. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000484/200818 Acórdão n.º 9101002.153 CSRFT1 Fl. 5 4 Contudo, apenas para título de argumentação, se a trava de 30% estivesse afastando o conceito de renda, ela não estaria o fazendo apenas para a situação de extinção da pessoa jurídica, já que no que diz respeito ao fato gerador do IRPJ/CSLL, que tem delimitação temporal, ela está limitando a compensação dos prejuízos no período, independe de qualquer evento societário. Na esteira desse raciocínio, convém trazer à colação voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, segundo o qual: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer “credito” contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa nos anos anteriores.” E é na linha da “benesse tributária” que o Supremo Tribunal Federal tem tratado a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, como se depreende dos RE 344.994/PR e 545.308/SP, e demais julgados posteriores daquele tribunal. Por oportuno, transcrevo: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. ( RE 545.308, 8/10/2009, Rel. P/ acórdão Min. Cármen Lúcia) Fl. 509DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.000484/200818 Acórdão n.º 9101002.153 CSRFT1 Fl. 6 5 EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Demonstrações financeiras. Saldos de prejuízos fiscais do IRPJ e das bases negativas da CSLL. Natureza de benefício fiscal. Correção monetária. Revogação. Questão infraconstitucional. Ausência de previsão legal. Impossibilidade de atuação do Poder Judiciário como legislador positivo. Precedentes da Corte. 1. A questão alusiva à revogação da correção monetária pelo art. 4º da Lei nº 9.249/95 repousa na esfera da legalidade. A afronta ao texto constitucional, se ocorresse, seria meramente reflexa ou indireta. 2. Nos julgamentos do RE nº 344.994/PR e do RE nº 545.308/SP, o Tribunal concluiu que a dedução de prejuízos de exercícios anteriores da base de cálculo do IRPJ e a compensação das bases negativas da CSLL constituem favores fiscais. 3. Impossibilidade de atualização monetária do saldo a ser compensado em períodos futuros, por ausência de previsão legal. 4. Agravo regimental não provido. (AgR no RE 807.062, 2/9/2014, Rel. Min. Dias Tóffoli) É oportuno também ponderar que, se quisesse o legislador ressalvar a possibilidade de, na incorporação, permitir a compensação integral, teria feito de forma expressa, como o fez por ocasião do art. 1º da Lei nº 9.065/95, em relação às empresas inseridas no Befiex. Assim, inexiste fundamentação legal que autorize este colegiado a afastar os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995 ao caso concreto. No que diz respeito à multa de ofício aplicada na sucessora, como foi dado o recurso voluntário da contribuinte no tocante à multa, esta não foi analisada pelo colegiado a quo, motivo pelo qual manifestome pela devolução dos autos ao colegiado a quo, para manifestarse sobre o assunto, já que a autuação está sendo restabelecida. Em face do exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional no tocante à inobservância à trava de 30%, e doulhe provimento para manter o limite legal de 30% na compensação de prejuízo fiscal e bases negativas da CSLL, e devolver os autos à turma ordinária para julgamento da multa na sucessora. Adriana Gomes Rêgo Relatora Fl. 510DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004477/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como a COFINS, aplica-se o artigo 173, I do CTN quando não há pagamento. Entendimento já pacificado pelo e. STF a partir do julgamento do RE 973.733.
NORMAS PROCESSUAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF SEGUNDO O RITO DO ART. 543 DO CPC
Consoante o § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF baixado pela Portaria MF 343/2015 (RICARF), "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF."
NORMAIS PROCESSUAIS. OBRIGATORIEDADE DE APLICAÇÃO DE ENTENDIMENTO CONSUBSTANCIADO EM SÚMULA DO CARF
Determina o art. 72 do RICARF: "As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF".
SÚMULA CARF Nº 02
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE.
A multa aplicável nos casos de lançamento de ofício da COFINS por falta de recolhimento e declaração é a prevista no art. 44 da Lei 9.430, a cuja aplicação a autoridade administrativa está vinculada nos termos do art. 142 do CTN.
Numero da decisão: 3401-003.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como a COFINS, aplica-se o artigo 173, I do CTN quando não há pagamento. Entendimento já pacificado pelo e. STF a partir do julgamento do RE 973.733. NORMAS PROCESSUAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF SEGUNDO O RITO DO ART. 543 DO CPC Consoante o § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF baixado pela Portaria MF 343/2015 (RICARF), "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." NORMAIS PROCESSUAIS. OBRIGATORIEDADE DE APLICAÇÃO DE ENTENDIMENTO CONSUBSTANCIADO EM SÚMULA DO CARF Determina o art. 72 do RICARF: "As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF". SÚMULA CARF Nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A multa aplicável nos casos de lançamento de ofício da COFINS por falta de recolhimento e declaração é a prevista no art. 44 da Lei 9.430, a cuja aplicação a autoridade administrativa está vinculada nos termos do art. 142 do CTN.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.004477/2008-58
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572432
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.004
nome_arquivo_s : Decisao_19515004477200858.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JULIO CESAR ALVES RAMOS
nome_arquivo_pdf_s : 19515004477200858_5572432.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6300217
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125308928000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2103; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 366 1 365 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004477/200858 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.004 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria COFINS Recorrente GREEN LINE SISTEMA DE SAÚDE LTDA Recorrida DRJ SÃO PAULO I ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como a COFINS, aplicase o artigo 173, I do CTN quando não há pagamento. Entendimento já pacificado pelo e. STF a partir do julgamento do RE 973.733. NORMAS PROCESSUAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS PELO STF SEGUNDO O RITO DO ART. 543 DO CPC Consoante o § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF baixado pela Portaria MF 343/2015 (RICARF), "as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." NORMAIS PROCESSUAIS. OBRIGATORIEDADE DE APLICAÇÃO DE ENTENDIMENTO CONSUBSTANCIADO EM SÚMULA DO CARF Determina o art. 72 do RICARF: "As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF". SÚMULA CARF Nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 44 77 /2 00 8- 58 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 A multa aplicável nos casos de lançamento de ofício da COFINS por falta de recolhimento e declaração é a prevista no art. 44 da Lei 9.430, a cuja aplicação a autoridade administrativa está vinculada nos termos do art. 142 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O julgamento deste recurso voluntário se iniciou em fevereiro de 2014, ocasião em que o relator propôs sua conversão em diligência para que a unidade preparadora certificasse se os débitos nele lançados estavam mesmo parcelados no âmbito das disposições da Lei 11.941, como alegara o recorrente. Retornam agora com informação elaborada pela DIORT da DERAT SP, segundo a qual, embora o contribuinte tenha mesmo solicitado a inclusão dos débitos deste processo, deixou de cumprir os requisitos normativos, especialmente quanto à desistência do recurso administrativo. Sua conclusão é, pois: 5) Concluindo, em resposta ao questionamento do CARF, informamos que os débitos do presente processo não foram parcelados e não poderiam ter sido parcelados no parcelamento especial lei 11.941/2009. Proponho o encaminhamento do presente processo ao CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para suas providências. Como o relator original, Conselheiro Fernando Cleto, deixou o CARF, o recurso foi sorteado a mim para relatar. Aproveito, em seqüência, o relatório já elaborado pelo dr. Fernando: Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa GREEN LINE SISTEMA DE SAÚDE LTDA em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, mantendo o crédito tributário constituído. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.004477/200858 Acórdão n.º 3401003.004 S3C4T1 Fl. 367 3 A matéria em discussão referese a créditos tributários devidos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativos a valores não declarados e não recolhidos, referentes aos anos de 2003 a 2005. O auto de infração exige pagamento a título de contribuição, juros de mora e multa, no total de R$ 6.836.148,41. (...) Devidamente intimada, a contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário (fls. 269 a 276) a este Conselho, alegando, em apertada síntese: a) preliminarmente, a ocorrência de fato superveniente à interposição da impugnação, qual seja a adesão da recorrente ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/09, no qual foi incluído o crédito tributário objeto do presente processo administrativo, havendo, portanto, extinção do crédito tributário pelo pagamento; b) sustenta a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao período de janeiro a maio de 2003, nos termos do art. 150, §4º; e c) alega que a multa no importe de 75% tem caráter nitidamente confiscatório. O fisco não apresentou contrarrazões, tendo os autos sido encaminhados para este Conselho para análise e julgamento. É o relatório. Acresço que: a) a ciência do lançamento foi dada em 20 de agosto de 2008, sendo que o período de apuração mais antigo incluído no lançamento corresponde ao mês de janeiro de 2003; b) a ausência de recolhimentos já foi atestada pela DRJ por ocasião do julgamento de primeiro grau e não foi contestada pelo contribuinte, que postula a aplicação do art. 150 do CTN mesmo assim. Os argumentos do recurso quanto à decadência e à inaplicabilidade da multa são os mesmos já expendidos na impugnação apresentada. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 368DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Rejeitada por meio da diligência a alegação de extinção do crédito tributário aqui discutido, restam apenas duas outras no recurso apresentado: a decadência parcial e a inconstitucionalidade da exigência, especialmente da multa aplicada. Ambas também são de rejeição obrigatória por força de disposições regimentais: o § 2º do art. 62 e o art. 72 da Portaria MF 343, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. É que, quanto à decadência, o STF já decidiu a questão na sistemática do art. 543C. Tratase, como bem sabido do RE 973.733, de relatoria do ministro Luiz Fux. De sorte que aqui apenas nos resta reproduzir sua ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.004477/200858 Acórdão n.º 3401003.004 S3C4T1 Fl. 368 5 Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Por sua vez, as alegações de inconstitucionalidade da disposição legal que estipula o percentual da multa art. 44 da Lei 9.430 não podem ser acolhidas em razão da Fl. 370DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 existência de Súmula em sentido contrário. Refirome à Súmula CARF de nº 02 a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que respeita aos demais argumentos que tentam enquadrar a multa como "ilegal", bastam os fundamentos expostos pelo relator da decisão recorrida, que peço vênia para aqui transcrever, dado que deles em nada discrepo e o recurso também em nada inova com respeito a sua impugnação: Da multa aplicada. 35. Alega a defesa, que a multa no importe de 75% viola o art. 37 da Constituição Federal, tem caráter confiscatório, além de consubstanciar ilegalidade. 36. Argumenta ainda, que o contribuinte não deixou de lançar o débito, contudo o fez em DIPJ e não em DCTF. Assim, não visou ludibriar o fisco, incorrendo em mero erro, sendo que deveria lhe ser aplicada a multa de 20%, passível nos casos de declaração espontânea, nos termos do disposto no art. 909 do Decreto 3.000/99, que regulamenta o IR. 37. Cumpre esclarecer, que ao contrário do que informa a impugnante, os valores de COFINS informados na DIPJ não constituem o crédito tributário, pois este documento tem natureza meramente informativa, e não representa confissão de dívida, por falta de fundamento legal nesse sentido. 38. Já os débitos declarados em DCTF, por expressa disposição legal, constituem confissão de dívida, conforme se verifica no § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124/1984, e nos art. 2º e 6º, inciso VII, da IN SRF nº 255/2002, sendo que estes estabelecem a obrigatoriedade, respectivamente, da apresentação da DCTF, e da informação da COFINS na DCTF. Assim temos: DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5°. (...) 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. IN SRF nº 255/2002: Art. 2º As pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, deverão apresentar trimestralmente a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. (...) Art. 6º A DCTF conterá informações relativas aos seguintes impostos e contribuições federais: (...) Fl. 371DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.004477/200858 Acórdão n.º 3401003.004 S3C4T1 Fl. 369 7 VII Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); (...) 39. No presente caso, não houve declaração espontânea, como informa a defesa. O contribuinte não declarou em DCTF os débitos de COFINS dos anos calendário de 2003, 2004 e 2005, e não recolheu aos cofres públicos, os tributos devidos, e em decorrência desta falta de recolhimento e declaração foi lavrado o Auto de Infração em epígrafe e aplicada a multa de ofício, prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 40. A impugnante postula a aplicação da multa de 20%, passível nos casos de declaração espontânea, nos termos do disposto no art. 909 do Decreto 3.000/99, que regulamenta o IR, a seguir transcrito: Art. 909. A pessoa física ou jurídica submetida à ação fiscal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data do recebimento do termo de início da fiscalização, o imposto já declarado, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 47, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 70, II). 41. A multa de mora, aplicável nos casos em que o contribuinte espontaneamente recolhe o tributo devido, porém após a data do vencimento da obrigação estão disciplinados no art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) Fl. 372DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 42. Ocorre, que como informa a própria defesa, o dispositivo citado (art. 909 do Decreto 3.000/99) é aplicado nos casos de declaração espontânea, e no caso em tela, não houve a declaração em DCTF dos débitos de COFINS dos anos calendário de 2003, 2004 e 2005, fato que não permite a aplicação da multa de mora, mas sim, da multa de ofício. 43. Ademais, nos termos do caput do art. 138 do CTN, a responsabilidade somente é excluída pela denúncia espontânea quando acompanhada do pagamento do tributo devido. 44. Portanto, a multa ao percentual de 75% aplicada sobre o valor de contribuições exigido em lançamento de ofício está em consonância com o que determina o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, acima citado, devendo ser mantida. (...) Reitero, por fim, que não há mais no recurso insurgência quanto aos juros. Com tais considerações, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 373DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 12466.723910/2011-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 02/08/2006 a 06/09/2006
Ementa:
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 02/08/2006 a 06/09/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12466.723910/2011-37
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572378
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.071
nome_arquivo_s : Decisao_12466723910201137.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 12466723910201137_5572378.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6300163
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125317316608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.723910/201137 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.071 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria Multa Aduaneira Recorrente GEMAX TRADING COMPANY S/A E ZONA LIVRE LOGISTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/08/2006 a 06/09/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 39 10 /2 01 1- 37 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A como importador e de ZONA LIVRE LOGISTICA LTDA, como real adquirente. A GEMAX registrou declaração de importação DI na modalidade direta (por sua própria conta e ordem) no período de 2005 a 2006. Inicialmente, foi aberto procedimento especial de controle aduaneiro e de revisão de habilitação no comércio exterior, tendo a GEMAX não apresentado documentos que demonstrassem a origem e aplicação dos recursos financeiros, razão pela qual foi instaurado o procedimento previsto na IN SRF 228/2002, de acordo com o §3º do artigo 21 da IN SRF nº 650/2006. Em procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, previsto na IN SRF 228/2002, apurouse a prática de ocultação do real adquirente ZONA LIVRE , mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, em razão do seguinte: 1. A GEMAX não possuía capacidade financeira e econômica para fazer frente ao volume de importações por ela transacionado devido a: a. movimentação em torno de R$ 30.000.000,00 de 2005 a 2007, para capital social da ordem de R$ 50.000,00 (aumentados para R$ 400.000,00 no quarto trimestre de 2006, decorrentes de lucros acumulados); b. aumento de capital social por reavaliação de bens, adquiridos por R$ 45 mil e reavaliados para R$ 2.774.000, em datas próximas, não havendo qualquer aumento de disponibilidade financeira; b. lucro líquido auferido no período foi em torno de R$ 980.000,00, muito inferior ao volume transacionado; c. Inexistência de quaisquer empréstimos e financiamentos tomadas de terceiros, conforme confirmados pela recorrente; 2. As operações somente puderam ser viabilizadas mediante adiantamentos de caixa recebidos pelos reais adquirentes para liquidação de contratos de câmbio e pagamentos dos tributos pagos no registro da DI, configurando a aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002; 3. Por várias vezes, a emissão das notas fiscais de venda era realizada no mesmo dia da emissão das notas fiscais de entrada, revelando giro imediato do estoque, indicando a encomenda da mercadoria; 4. A GEMAX é uma empresa de pequeno porte que atua, basicamente, como prestadora de serviços de comércio exterior, incluindo logística e financeiros, conforme Fl. 835DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 4 3 informação colhida no próprio site da empresa, que jamais importa com ânimo próprio, mas por conta e ordem ou por encomenda; 5. As vantagens financeiras oferecidas pela GEMAX em seu site se coadunam com os objetivos pretendidos com a prática da ocultação do real adquirente: ausência de agregação de margem de lucro, implicando redução de carga tributária, redução de 33,3% no ICMS, com menor alavancagem dos tributos subsequentes (PIS, Cofins, ICMS), menor alavancagem do IPI, com recolhimento feito pela GEMAX sobre o custo da mercadoria e não sobre o preço de venda ao consumidor final. 6. Todas as vendas eram realizadas pelo custo das mercadorias pagas ao exportador, acrescido dos tributos pagos na importação e nacionalização e incidentes na venda ao mercado interno; 7. Todo o lucro obtido pela GEMAX decorre do FUNDAP que consiste em diferimento no pagamento do ICMS incidente na importação, financiamento de longo prazo de cerca de 70% do ICMS recolhido, com juros fixos a 1% a.a., com carência de 5 anos e mais 20 anos para amortização e realização de leilões de recompra de dívida, com existência de liquidação de contratos, por 10 a 15% do saldo devedor, em média; 8. A ocultação da ZONA LIVRE propiciaria: sua não equiparação a industrial para evitar a incidência de IPI; diminuir receitas de vendas sujeitas a PIS/Pasep, Cofins, IRPJ, CSLL e ICMS; usufruir indiretamente dos benefícios do FUNDAP (incentivo fiscal no âmbito do ICMS no Espírito Santo); não se submeter aos procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior, fugir ao controle quanto à avaliação de risco (parametrização), em função do perfil histórico e cadastral. Ao final foi elaborada representação fiscal para fins penais. Em impugnação, a GEMAX pediu: "a1) restou comprovado que a Impugnante tinha origem de recursos para suas operações, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% (FUNDAP) mais lucro operacional médio de 3% e que o capital social das S.A. não guarda relação direta com a origem dos recursos utilizados no comércio exterior; a2) Também porque a Receita não comprovou que houve adiantamentos por parte do destinatário em relação a maior parte das Dl's e, em relação à Dl n° 06/11657958, restou comprovado que a Impugnante tinha origem para a operação, decorrente de receita .financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3%; a.3)Também porque os valores depositados na conta da Impugnante foram posteriores aos registros da DI´s e, consequentemente, após a contratação com o exportador e o embarque dos bens, não podendo ser considerados "adiantamentos"; a4) Também pela impossibilidade de se estender as "impressões" de procedimento especial de fiscalização da IN 228/02 a todas as importações do contribuinte, nos termos do ACÓRDÃO N° 17 Fl. 836DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 5 4 38398 de 23 de Fevereiro de 2010, do ACÓRDÃO N° 1735664 de 20 de Outubro de 2009, do ACÓRDÃO N° 0715421 de 13 de Março de 2009 e do ACÓRDÃO N° 0715356 de 06 de Março de 2009 e 17¬ 52.140, de 07 de Julho de 2011 (transcritos nos itens 114 e 116 acima); a5) Também porque o artigo 27 da Lei n.° 10.637/2002 prevê uma presunção relativa da ocorrência de importação por conta e ordem quando a operação de comércio exterior for realizada mediante utilização de recursos de terceiro, presunção esta que restou afastada, haja vista que: > o Fisco não afastou a declaração e comprovação do importador de que obteve financiamento para gerir suas atividades no período em que foram realizadas as importações objeto dos autos, nos termos do Acórdão n° 0721519, de 15/10/2010, da e. 2a Turma desta e. DRJ (transcrita no item 100, acima); e, > restou comprovado que a Impugnante foi a responsável por todas as tratativas com o exportador, figurando, inclusive, nos documentos que acobertaram a operação, não tendo sido produzida qualquer prova apta a afastar a veracidade de tais informações, nos termos dos Acórdãos 1752151, de 07 de julho de 2011 e 1752.140, transcritos nos itens 307 e 114, acima; a6) Também porque a operação foi feita na modalidade por encomenda, aplícandose, em conseqüência, o disposto no artigo 417, 418 e 483 do Código Civil c/c artigo 313 do RIPI, bem como o disposto no ACÓRDÃO N° 0721519 de 15 de Outubro de 2010 (item 100) e na Solução de Consulta N° 5 de 07 de Janeiro de 2010 (item 318), razão pela qual pequenos adiantamentos não são suficientes para afastar tal modalidade, mormente se comprovada que a importadora obteve financiamento para gerir suas atividades; a7) Também porque a pena aplicável seria multa diversa (art. 33 da lei n° 11.488/2007), nos termos da Orientação COANA/COFIA/DIFIA (transcrita no item 389, acima, doc 16) e consoante Acórdãos DRJ no S 17¬ 25849, de 17/06/2008, e 17 26798, de 13/08/2008 (item 392, acima). b) Sucessivamente ao pedido (a) acima, ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração, por impedimento do AFRF, nos termos da Portaria RFB n° 11.371/2007, artigos 2o c/c 12 c/c 14 e 15, parágrafo único (transcrito nos itens 51/52, acima), nos termos do Acórdão n° 302¬ 37.093, do 3o Conselho de Contribuintes (transcrito no item 72, acima); Também porque o Auto de Infração não descreve as supostas irregularidades praticadas em todas as DIS mencionadas nos autos, violando o disposto no artigo 10, inciso III e no artigo 59, ambos do Decreto nº 70.235/72 [...] Fl. 837DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 6 5 Também porque não foi permitido o acesso aos autos do procedimento, assim como todos os livros fiscais permanecem em posse do AFRFB atuante; c) Sucessivamente ao pedido (b) acima, reconheça a decadência do lançamento em relação às DI´s, todas registradas há mais de 5 anos; d) Sucessivamente ao pedido (b) supra, que DEVOLVA o prazo para impugnação do presente auto de infração, a ser contado a partir da data em que a requerente receber de volta todos os seus livros e documentos fiscais, ora em poder da Administração, baixando o feito em diligência solicitando esclarecimentos e/documentos à Impugnante para posterior análise desta impugnação, nos termos do artigo 16, § 4o do Decreto n° 70.235/72, considerandose em especial o cerceamento do direito de defesa e a impossibilidade de juntar os livros contábeis como prova documental, por estarem de posse do fiscal autuante. A responsável solidária ZONA LIVRE COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA – EPP impugnou o lançamento alegando, conforme transcrição do relatório do acórdão recorrido: “1. Alega que o auto de infração foi lavrado em 03/10/2011 e que tomou ciência em 19/12/2011. Alega a decadência dos créditos aduaneiros lançados. Cita o art. 70 do RA. Cita doutrina sobre o tema. 2. Alega que não financiava financeiramente as importações autuadas mas apenas efetuava pagamentos parcelados de mercadorias já recebidas. Alega que forneceu o Registro de Entrada e Saída comprovando as operações comerciais entre as partes. 3. Alega que não possui qualquer relação com a capacidade financeira ou outras situações comerciais da empresa GEMAX. Alega que adquiriu as mercadorias de boafé. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. 4. Alega existir uma “regra do In Dúbio Pro Contribuinte” no art. 112 do CTN. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema. sobre o tema. 5. Alega que a autuação baseiase em mera presunção e não na verdade material. 6. Alega que não houve prejuízo ao Erário e por conseqüência ão seria aplicável a pena de perdimento. Cita doutrina sobre o tema. 7. Alega que existe incompatibilidade entre os valores depositados e o valor da importação relativo à DI nº 06/09089760. Alega que a fiscalização criou uma utopia contábil financeira. Alega que não há vinculação entre os valores e a declaração de importação. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 7 6 8. Reafirma que não ocorreu fraude e que seria incabível a pena de perdimento. Cita doutrina sobre o tema. Cita o Princípio da Legalidade e afirma que não há responsabilidade solidária no presente caso. 9. Alega que não foi intimada a rechaçar os termos fiscais e que inexiste auto de infração acerca da pena de perdimento. Cita doutrina sobre o tema. 10. Requer, por fim, que seja excluída do pólo passivo da autuação ou que seja reconhecida a decadência. No mérito peticiona pela improcedência do auto de infração. Em 16/01/2012, foi lavrado Termo de Ocorrência, no qual restou consignado a tentativa de devolução integral dos documentos e livros contábeis e fiscais à Sra. Maria Emília de Almeida e Souza, sócia e responsável pela GEMAX, que recebeu pessoalmente o Sr. Renato Felz de Oliveira, motorista da Alfândega do Porto de Vitória/ES, mas se recusou a receber a documentação após contato telefônico com terceiro, ficando voluntariamente com uma via do Termo de Devolução. A Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1653.131, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta na importação enseja a penalidade previstas no artigo 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 17/12/2013, a GEMAX interpôs recurso voluntário, tempestivamente, alegando: 1. Em preliminares, nulidade do auto de infração por negativa de acesso aos autos e obtenção de cópia, nulidade por irregularidade na emissão de MPF, decadência do lançamento relativo às DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência da autuação, necessidade de reforma por ausência de descrição específica das irregularidades, impossibilidade de utilizar conclusões de outros processos administrativos; 2. No mérito, a existência de receitas financeiras FUNDAP, imóvel avaliado em R$ 2.374.000 e capital social de R$ 400.000, suficientes a afastar a presunção relativa de incapacidade financeira, que importou em benefício próprio e depois revendeu, que não houve adiantamentos, pois os depósitos ocorreram depois de nacionalizadas as mercadorias, o caráter confiscatório da multa aplicada, a aplicação da multa de dez por cento por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 8 7 Por seu turno, a recorrente ZONA LIVRE interpôs recurso voluntário, tempestivamente, reprisando, em síntese, as alegações deduzidas na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os recursos interpostos atendem aos pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Preliminarmente, as recorrentes pugnam pela decadência das infrações relativas às DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência do Auto de Infração. A decadência para constituição de crédito relativo a multa por infrações aduaneiras é dada pelos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/1966: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. O Decreto nº 4.543/2002 – RA/2002 reproduziu a mesma disposição do artigo 139 em seu artigo 669, sem qualquer ressalva: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139) A multa aplicada decorre da conversão da pena de perdimento por não ter sido a mercadoria localizada ou ter sido consumida, nos termos do §1º1 do artigo 618 do RA/2002, por ocultação do sujeito passivo a ser considerada ocorrida no registro da Declaração de Importação, documento onde são prestadas as informações pertinentes à identificação do adquirente das mercadorias importadas. Portanto, tendo as ciências do Auto de Infração 1 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei no 37, de 1966, art. 105, e Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Fl. 840DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.723910/201137 Acórdão n.º 3302003.071 S3C3T2 Fl. 9 8 ocorridas em 21/12/2011 (relativo à GEMAX) e 21/12/2011 (relativo à ZONA LIVRE), os lançamentos referentes às DI´s registradas de 02/08/2006 a 06/09/2006 devem ser exonerados. Neste sentido, os acórdãos abaixo: Acórdão nº 3403002.865: PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei no 37/1966. Acórdão nº 3201001.884: DECADÊNCIA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para aplicação das penalidades referentes a interposição fraudulenta prevista no art. 23, Inciso V do DecretoLei nº 1.455/76 é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do registro da Declaração de Importação DI, nos termos previstos no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Provido Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 841DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003170/2006-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.003170/2006-78
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573959
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-000.380
nome_arquivo_s : Decisao_19515003170200678.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 19515003170200678_5573959.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
id : 6308197
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125321510912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 791 1 790 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003170/200678 Recurso nº 999.999 Resolução nº 1401000.380 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 01 de fevereiro de 2016 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CONSTRUTORA OAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 17 0/ 20 06 -7 8 Fl. 3664DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003170/200678 Resolução nº 1401000.380 S1C4T1 Fl. 792 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário e de Ofício no Acórdão nº 1632.919, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: 1.A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na lavratura de autos de infração de IRPJ e CSLL, relativos ao exercício de 2002, anocalendário de 2001, cuja exigência fiscal totalizou R$ 17.107.384,11, incluindo multa e juros calculados até 31/11/2006 (fls. 179/187 as folhas dos autos mencionadas neste relatório e no voto se referem à numeração do processo em papel). 2.Consta do Termo de Constatação Fiscal de fls. 169/174 que a contribuinte incorreu na inobservância da legislação tributária, conforme segue: • Excesso de diferimento do lucro parcela de lucro foi diferida em montante proporcionalmente superior à receita não recebida até a data do encerramento do balanço. O excesso de lucro diferido se refere às seguintes obras: CENTRO DE CUSTO OBRA 01192031Anel Viário Mogi das Cruzes SP 01196098Cons. Parque Novo Mundo 01198034Ampliação Aeroporto Dois de Julho 01198045Vale do Reginaldo 01199071Estrada do Coco 01200968Infra Carapicuíba •Excesso de despesas financeiras as despesas de juros concernentes ao parcelamento no âmbito do REFIS excedeu ao valor efetivamente devido. •Multa por infração fiscal o valor de multa indedutível não foi adicionada na base de cálculo da CSLL. 3.As disposições legais encontramse citadas nos atos administrativos mencionados acima. 4.Em 28/12/2006, a interessada tomou ciência dos autos de infração e, em 24/01/2007, apresentou defesa (fls. 193/248), resumidamente, •a IN SRF 21/1997 é aplicável à apuração de resultado nos contratos de construção por empreitada ou fornecimento de bens e serviços, hipótese a qual se sujeita a impugnante. •Independentemente da contratação da obra ocorrer ou não com pessoa jurídica de direito público, todo e qualquer contribuinte que desenvolva atividade de construção civil na modalidade de empreitada ou fornecimento de bens e serviços por preço predeterminado, com execução superior a doze meses, deve reconhecer seu resultado com base no progresso da obra ou serviço. O critério adotado pela impugnante obedeceu exatamente o estabelecido pela legislação vigente. •O mesmo ocorre em relação ao diferimento do lucro previsto no artigo 409 do RIR/1999, ratificado pelo item 10.5 da IN SRF 21/1997. •Relativamente à obra de ampliação do Aeroporto 02 de Julho, foram emitidas as notas fiscais de fls. 360/372, cuja receita não foi recebida no anocalendário de 2001, como se pode verificar pelo Razão. •Assim, como se pode comprovar, a parcela calculada pela Impugnante como lucro diferido do exercício de 2001 corresponde exatamente à hipótese prevista no Fl. 3665DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003170/200678 Resolução nº 1401000.380 S1C4T1 Fl. 793 3 artigo 409 do RIR/99, razão pela qual não deve prosperar a autuação atribuída pela Fiscalização à Impugnante. •Em relação aos serviços executados na Estrada do Coco, do total das receitas registradas no exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante correspondente a R$ 2.111.351,86, sendo que o valor de R$ 1.583.225,12 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. •Quanto ao Anel Viário Mogi das Cruzes, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante de R$ 9.423.804,85, sendo que o valor de R$ 2.114.325,56 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. •No que concerne à obra Vale do Reginaldo, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante correspondente a R$ 2.323.873,07, sendo que o valor de R$ 550.789,47 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. •Relativamente à Infra Carapicuíba, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante de R$ 6.345.444,18, sendo que o valor de R$ 192.774,93 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. •No que tange à obra Cons. Parque Novo Mundo, do total das receitas registradas neste centro de custo relativamente ao exercício de 2001, somente foi recebido no exercício o montante de R$ 169.652,56, sendo que o valor de R$ 63.110,75 corresponde à parcela da receita que será recebida em exercícios futuros, sendo, portanto, passível de diferimento. •Assim, como se pode comprovar, a parcela calculada pela Impugnante como lucro diferido do exercício de 2001 corresponde exatamente à hipótese prevista no artigo 409 do RIR/99, razão pela qual não deve prosperar a autuação atribuída pela Fiscalização à Impugnante. •Fato é que a Fiscalização, ao efetuar seu trabalho, adotou critério equivocado para o cálculo do valor diferido, furtandose à análise dos documentos comprobatórios dos lançamentos efetuados pela Impugnante. •Resta claro que não existe qualquer excesso de diferimento em relação ao lucro decorrente de contratos celebrados com pessoas jurídicas de direito público no exercício de 2001, razão pela qual deve ser cancelada a infração ora impugnada. •No que concerne ao excesso de despesas financeiras, a Fiscalização alega que os juros incidentes sobre o saldo consolidado em sua conta de REFIS poderia ser, no máximo, correspondente ao saldo por ela apurado. •Assiste razão à fiscalização quando considera as despesas financeiras relativas à variação da TJLP. Contudo, esta se equivocou justamente ao tentar ajustar o saldo em função dos eventos de acréscimos e decréscimos de dívidas que ocorreram na conta de REFIS da Impugnante. Fl. 3666DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003170/200678 Resolução nº 1401000.380 S1C4T1 Fl. 794 4 •Primeiramente, tais acréscimos ou decréscimos de dívida, quando inseridos no saldo da conta, já o são pelo valor final, considerandose todos os eventos ocorridos entre a data de adesão ao REFIS e a data de ocorrência do próprio evento. •Assim, não seria necessário o ajuste efetuado pela fiscalização quanto ao estorno da parcela da TJLP apropriada entre o início do exercício e a data do evento, uma vez que o próprio saldo acrescido ou decrescido à conta já considera essa variação. •Contudo, este não foi o pior equívoco cometido pela Fiscalização. No acréscimo de dívida realizado na conta de REFIS da Impugnante, em julho de 2001, no montante de R$ 19.254.413,35, há parcela de juros ali embutida. •O Razão Contábil apresentado à Fiscalização (Anexo 09), considera o valor correspondente à variação dos juros SELIC verificados em função do acréscimo de dívida, bem como toda a variação da TJLP verificada no saldo da conta de REFIS. •Assim, a diferença verificada pela Fiscalização e por ela glosada, nada mais é do que a variação dos juros SELIC e da própria TJLP incidente sobre o acréscimo ocorrido em julho de 2001. •Se os juros SELIC não receberem a característica de juros, mas sim de parcela principal de dívida (o que de fato não ocorre), estaríamos diante de uma despesa efetivamente incorrida no exercício, e, como tal, sua dedutibilidade se daria em função dos requisitos de normalidade, necessidade e usualidade previstos no artigo 299 do RIR/1999. •No tocante às multas por infração fiscal, é mister ressaltar que não há qualquer norma, geral e abstrata, que vede a sua dedução, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. •A norma inserta no artigo 41, da Lei n° 8.981/95, aplicase exclusivamente à determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, não sendo aplicável, portanto, à CSLL. •Em razão das alegações e provas alinhadas até aqui, que demonstram claramente a ausência de liquidez e certeza à autuação requisitos essenciais ao ato de lançamento, requerse o cancelamento da presente autuação a fim de evitarse futura inscrição indevida em dívida ativa. •Considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a utilização da mesma, no presente caso, com a natureza de juros de mora. • Requerse, portanto, o cancelamento dos autos de infração. 5.Em 21/06/2007, o processo foi encaminhado DEFIS/SPO/DIPAC (fls. 562/564), para realização de diligência nos livros e documentos contábeis e fiscais da interessada, com vistas à verificação do exato montante das receitas apropriadas ao resultado no anocalendário de 2001 que não foram recebidas no período e qual a parcela do lucro passível de diferimento, nos termos do artigo 409, I, do RIR/1999. 6.Efetuada a diligência, a fiscalização lavrou o Termo de Instrução Processual de fls. 575/576 e elaborou novos Anexos 2 e 3 (fls. 577/578), para neles consignar suas conclusões. 7.A interessada manifestou sua concordância com os cálculos realizados pela autoridade diligenciadora (fls. 579/582). Fl. 3667DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003170/200678 Resolução nº 1401000.380 S1C4T1 Fl. 795 5 A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE EM PARTE os lançamentos, nos termos da ementa abaixo, RECORRENDO DE OFÍCIO DA PARTE CANCELADA: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 OBRAS FATURADAS. EXCESSO DE LUCRO DIFERIDO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Constatado, após efetuada diligência fiscal, que o lucro diferido pela empresa era proporcional à receita de obras não recebida até a data do balanço de encerramento, cancelase a imposição fiscal correspondente. JUROS SOBRE DÉBITOS INCLUÍDOS NO REFIS. APROPRIAÇÃO INDEVIDA AO RESULTADO. As dívidas no âmbito do REFIS sujeitamse a juros correspondentes à variação mensal da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP, vedada a imposição de qualquer outro acréscimo. Deve ser glosada a parcela excedente de juros apropriada na apuração do lucro real. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido na data do vencimento, são exigidos juros de mora com base na taxa SELIC, na forma estabelecida em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, por ser fundamentado nos mesmos elementos de comprovação. CSLL. MULTA POR INFRAÇÃO FISCAL. Não são dedutíveis, na apuração da base de cálculo da CSLL, as multas por infrações fiscais, impostas por descumprimento de obrigações tributárias que resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na manifestação de inconformidade. No dia 08/08/2012, a 1ª Turma Ordinária da 4a Câmara da Primeira Seção deste CARF decidiu, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. Fl. 3668DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003170/200678 Resolução nº 1401000.380 S1C4T1 Fl. 796 6 Às fls. 3609/3620, consta relatório fiscal consignando os trabalhos desenvolvidos e as conclusões chegadas, no sentido de dar razão em parte à Recorrente. Às fls. 3625/3660, consta contrarrazões da Recorrente às referidas conclusões fiscais, discordando parcialmente do resultado. É o relatório. Fl. 3669DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003170/200678 Resolução nº 1401000.380 S1C4T1 Fl. 797 7 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. Os recursos atendem os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Delimitação da Diligência – RECURSO VOLUNTÁRIO A nova diligência circunscrevese ainda à glosa de valores pretensamente pagos a título de despesas financeiras (as despesas em excesso de juros concernentes ao parcelamento no âmbito do REFIS excedeu ao valor efetivamente devido). É sabido que os débitos tributários incluídos no REFIS, de acordo com o art. 1° da Lei 9.964/2000, estavam sujeitos a juros correspondentes à variação mensal da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP e que o inciso I do art. 1° da Lei 10.189/2001 veda expressamente a imposição de qualquer outro acréscimo. A Recorrente, a esse respeito, nas palavras da própria DRJ, assevera que a origem da confusão se deu porque: “(...) os juros glosados corresponderiam à variação da Taxa SELIC do período compreendido entre o fato gerador e a adesão ao REFIS e da própria TJLP incidente sobre o acréscimo da dívida realizado na conta de REFIS da Impugnante, ocorrido em julho de 2001. Esse acréscimo corresponderia a seus débitos tributários constituídos por meio de processos administrativos que versam sobre IRPJ, CSLL, IRRF e PIS. (...) 19.No demonstrativo de fl. 534, a empresa informa que parte dos juros teria sido gerada em decorrência dos lançamentos de IRPJ, COFINS, CSLL e PIS, constituídos mediante os Processos n°s 10.580.003.403/9660 e 10.580.003.491/9627. Quanto aos juros restantes, seriam incidentes do IRRF formalizado por meio dos Processos n°s 10.120.451.706/200112,10.235.450.084/200118,10.245.450.122/200113, 10.280.450.396/200186, 10.580.451.012/200168 e 10.980.450.926/200107. Para provar o alegado, acosta aos autos os documentos de fls. 527/554, ou seja telas dos sistemas da Receita Federal que comprovariam que os referidos débitos teriam sido incluídos no referido programa de recuperação fiscal. A DRJ, por sua vez, contesta a alegação apontando um fato que leva a uma contradição do que fora afirmado: 20.Contudo, consultandose a última declaração concernente ao REFIS entregue pela contribuinte (n° 0510100.2001.000791 anexada ao volume "Espelho da Declaração Processada), transmitida em 09/02/2001, não se constata que esses débitos tenham sido nela relacionados. 21.E embora a interessada tenha carreado aos autos as telas de fls.535/554, não há comprovação de quando tais débitos teriam sido incluídos no referido programa de recuperação fiscal. A DRJ ainda aponta como argumento para indeferir o pleito a falta de coincidência entre os valores apontados pela Recorrente e a Planilha de fls. 534: Fl. 3670DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003170/200678 Resolução nº 1401000.380 S1C4T1 Fl. 798 8 22.Outro ponto a se destacar é a falta de coincidência entre o montante acrescido ao REFIS no mês de julho de 2001, que perfaz R$ 19.254.413,35 (R$ 17 022 824,31 relativo ao lançamento da dívida e R$ 2.231.589,04 de TJLP fl. 166), e o total dos valores apontados na planilha de fl. 534, no qual estariam inseridos os juros em comento: Nesse contexto, na Resolução anterior n. , salientei o seguinte: Quanto ao primeiro aspecto relacionado à apontada contradição, penso que precisa ser melhor investigada, uma vez que as provas trazidas aos autos são de sistemas da própria Receita Federal e indicam a princípio possibilidade de a Recorrente ter razão. Quanto ao último aspecto, a completa não coincidência de valores não infirma o alegado pela Recorrente, uma vez que ela pode ter apenas razão em parte no alegado. A DRJ ainda chega a assumir a hipótese de a Recorrente está com a razão, mas coloca outros obstáculos, porém, todos eles, ainda suposições que a meu ver precisam ser melhor investigadas: 34.Ademais, os lançamentos no Razão (fl. 528), relativos aos juros supostamente incorridos em 2001, sequer permitem identificar como foram calculados. (...) 45.Poderseia, entretanto, aventar sobre a possibilidade de se postergar a apropriação de despesas. Todavia, devese enfatizar que a dedução de valores relativos a períodos precedentes fica sujeita à demonstração inequívoca Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, e ante a dúvidas suscitadas pelos documentos de 527/554, propus baixar o feito em diligência: Para que a fiscalização investigue melhor e esclareça a veracidade da assertiva posta alhures: “No demonstrativo de fl. 534, a empresa informa que parte dos juros teria sido gerada em decorrência dos lançamentos de IRPJ, COFINS, CSLL e PIS, constituídos mediante os Processos n°s 10.580.003.403/9660 e 10.580.003.491/9627. Quanto aos juros restantes, seriam incidentes do IRRF formalizado por meio dos Processos n°s 10.120.451.706/200112,10.235.450.084/200118,10.245.450.122/2001 13, 10.280.450.396/200186, 10.580.451.012/200168 e 10.980.450.926/200107.” Caso a assertiva acima se mostre verossímil, investigar a origem da diferença apontada pela DRJ. Se for o caso, intimar o contribuinte a demonstrar detalhadamente, mas por amostragem, os lançamentos no Razão (fl. 528), relativos aos juros supostamente incorridos em 2001, que a DRJ afirma que “sequer permitem identificar como foram calculados”. Se for o caso, considerar a possibilidade de ter havido postergação da apropriação de despesas. (...) Às fls.3609/3620 consta resultado de diligência apenas parcialmente favorável à Recorrente, que chegou à seguinte conclusão: Conforme acima demonstrado, entende esta diligência fiscal, que o excesso de juros no ano de 2007 e que deveria ter sido glosado no auto de infração é de R$ 12.860.772.34 e não os R$ 13.962.233,84. Fl. 3671DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003170/200678 Resolução nº 1401000.380 S1C4T1 Fl. 799 9 Em suas contrarrazões (fls. 3625/3660), por sua vez, a Recorrente levanta dúvidas a respeito do fiel cumprimento da Resolução do CARF, no que concerne ao primeiro quesito da diligência, nos seguintes termos: (...) Efetivamente, ao responder ao primeiro quesito formulado, a Autoridade Fiscal limitouse a afirmar que os débitos objeto dos processos n° 10580.003403/9660, 10580.003491/9627 10120.451706/200112, 10235.450084/200118, 10245.450122/200113, 10280.450396/200186, 10580.451012/200168 e 10980.450926/200107 teriam sido incluídos no REFIS pela RFB, sendo que o montante de juros de R$ 11.427.579,01, contabilizado pelo contribuinte em julho/2001, refletiria o "exato valor dos juros que efetivamente foram incluídos e consolidados" (fl. 04 do relatório de diligência fiscal). Desta forma, concluiu a Autoridade Fiscal ao analisar o segundo quesito que a divergência de valores apontada pela DIPJ corresponderia a suposto equívoco no período em que foi contabilizado pelo contribuinte a consolidação e inclusão no Refis dos processos supramencionados (julho/2001). Ocorre que a análise realizada pela Autoridade Fiscal, além de possuir lacunas relativas a informações de suma importância à resolução do presente caso, também deixa escapar o ponto fulcral da presente discussão, qual seja, o que motivou a alegada contabilização da despesa em período posterior. É o que se passa a demonstrar. (...) Frisese que a Recorrente, em observância às instruções do programa, não procedeu a opção expressa pela inclusão no REFIS quanto aos processos administrativos n° 10580.003403/9660, 10580.003491/9627, 10120.451706/200112, 10235.450084/200118, 10245.450122/200113, 10280.450396/200186, 10580.451012/200168 e 10980.450926/200107 (mencionese, uma vez mais, que o próprio despacho da diligência reconhece que todos esses processos foram incluídos no programa pela própria SRFB no ano de 2001). Assim, no anocalendário de 2000, ano de adesão ao REFIS, foram contabilizados as despesas com juros relativamente apenas aos débitos confessados pela Recorrente por meio de sua "Declaração Refis", registrada sob o n° 0510100.2001.000791. Contudo, com a consolidação levada a efeito pela Receita Federal do Brasil no ano de 2001, verificouse a inclusão de ofício no REFIS dos débitos objeto dos processos administrativos n° 10580.003403/9660, 10580.003491/9627 10120.451706/200112, 10235.450084/200118, 10245.450122/200113, 10280.450396/200186, 10580.451012/200168 e 10980.450926/200107, conforme se verifica da tabela abaixo, elaborada com base nos próprios "demonstrativos de consolidação dos débitos" acostados aos autos: (...) Considerandose que estes novos débitos não haviam composto o cálculo realizado quando da opção ao REFIS, a Recorrente, em consonância com os dispositivos legais supramencionados, procedeu a atualização destes valores de acordo com a taxa SELIC até março de 2000 e, a partir de então, com base na TJLP, efetuando ainda os devidos ajustes contábeis ao reconhecer estas despesas, no próprio ano calendário de 2001, período em que teve conhecimento da inclusão de ofício destes Fl. 3672DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003170/200678 Resolução nº 1401000.380 S1C4T1 Fl. 800 10 débitos no REFIS (Frisese, desde já, que eventual divergência quanto ao mês em que registrada a inclusão dos débitos no REFIS e a contabilização da respectiva despesa não se presta a autorizar a glosa dos juros efetivamente incidentes sobre os débitos objeto dos processos mencionados, uma vez que se tratam de despesas plenamente dedutíveis, contabilizadas dentro do mesmo ano‐calendário em que verificadas ﴾2001﴿.﴿ Ademais, reiterese, na própria resposta ao primeiro quesito formulado pelo CARF, a Autoridade Fiscal confirmou f/J que os processos administrativos supramencionados foram incluídos no REFIS de ofício pela Receita Federal do Brasil, bem como que (ii) o montante de R$ 11.427.579,01 contabilizado pela Recorrente refletia exatamente o valor dos juros consolidados referente a tais processos Desta feita, não há duvidas de que os ajustes realizados pela Recorrente a fim de reconhecer as despesas com juros no âmbito do REFIS no anocalendário de 2001, referemse aos juros calculados sobre os débitos objetos dos processos administrativos supramencionados, os quais somente foram registrados neste período (2001) pois a inclusão de ofício pela SRFB de tais débitos e o consequente conhecimento, pela Recorrente, acerca de tal inclusão apenas ocorreram no anocalendário em questão. Como se vê, embora tenha confirmado a veracidade dos valores indicados pela Recorrente a título de despesas com juros que apenas foram contabilizados em 2001, a Autoridade Fiscal deixou de reconhecer o direito da Recorrente em deduzilos, mantendose indevidamente a glosa sobre tais despesas. Ora, haveria que se considerar a plena dedutibilidade das despesas decorrentes dos juros calculados à taxa SELIC até março/00 (R$ 11.427.579,01), e TJLP (R$ 2.408.413,77), uma vez que, de fato, (i) refletem a atualização de débitos incluídos no REFIS pela SRFB em 2001, correspondentes aos processos administrativos anteriormente mencionados e (ii) tais valores não haviam sido contabilizados no momento da opção ao REFIS, anocalendário de 2000 (mencionese que toda a documentação fiscal, capaz de demonstrar os lançamentos contábeis em questão, foi devidamente entregue ao Sr. Agente Fiscal durante o procedimento de diligência). Ademais, não há dúvidas de que a contabilização pela Recorrente de tais despesas ocorreu no mesmo anocalendário em que houve a inclusão de ofício no REFIS dos processos administrativos em questão, de modo que a divergência apontada pela Autoridade Fiscal não afeta a dedutibilidade destes valores para fins de Ik "* e SLL, tributos sujeito á apuração anual. Ainda que assim não se entenda, ao menos deveria ter sido considerada a despesa com os juros do processo 10580.003403/9660, uma Vw. que, conforme se verifica pelo quadro 02 do relatório de diligência, tal processo foi incluído pela SRFB em julho/2001 e contabilizado pela Recorrente no mesmo mês . Ou seja, para esse processo não há qualquer divergência entre o período lançado de ofício pela SRFB e o mês em que a Recorrente efetuou a devida contabilização. Confirase: (...) Como se vê, são bastante plausíveis as alegações da Recorrente no sentido de que a fiscalização não foi muito conclusiva em relação ao primeiro quesito, e não infirmando a sua alegação de a diferença lançada seria justamente "a dedutibilidade das despesas decorrentes dos juros calculados à taxa SELIC até março/00 (R$ 11.427.579,01), e TJLP (R$ 2.408.413,77)", uma vez que, segundo ela, refletiriam a atualização de débitos incluídos no REFIS pela SRFB em 2001, correspondentes aos processos administrativos anteriormente Fl. 3673DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003170/200678 Resolução nº 1401000.380 S1C4T1 Fl. 801 11 mencionados e que tais valores não haviam sido contabilizados no momento da opção ao REFIS, anocalendário de 2000. Nesse contexto, o julgamento deve ser novamente convertido em diligência para averiguar todas as alegações da Recorrente feitas em suas contrarrazões ao retorno de diligência (fls. 3625/3660), não se esquecendo também de verificar se esse ajuste de atualização já não havia mesmo sido contabilizado anteriormente pela Recorrente. Apresentar outras informações ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. Se for o caso, apurar o crédito tributário remanescente, após a devida apreciação dos argumentos da Recorrente. Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas. Entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3674DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000814/2010-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO.MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. TAXA SELIC. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - RFFP. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS, PERÍCIAS E DILIGÊNCIAS.LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. MULTA MAIS BENÉFICA.
São devidas as Contribuições Seguridade Social à título de quota patronal sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais e referentes ao grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - GIILRAT, sobre a remuneração dos segurados empregados.
Na forma do artigo 17 do Decreto70/235/72, matérias não expressamente questionadas não serão objeto de análise.
Conforme Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
A Representação Fiscal para Fins Penais é ato administrativo vinculado e deve ser realizada quando verificada, em tese, uma das situações ensejadoras, legalmente1 previstas, cabendo ao Ministério Público a análise da ocorrência ou não de conduta tipificada na legislação penal.
Indefere-se o pedido de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da impugnação. As provas que possuir, salvo excludentes legais expressamente prcvistas, devem ser apresentadas no prazo para Impugnação.
Prevê o caput do art. 144 do Código Tributário Nacional - CTN que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Entretanto §1° aduz que aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN).
AÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA.
A existência de ação judicial conexa com o processo em questão não impede o julgamento pelo CARF do recurso interposto.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza, relator, na preliminar de sobrestamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente e Relator Designado
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO.MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. TAXA SELIC. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS - RFFP. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS, PERÍCIAS E DILIGÊNCIAS.LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. MULTA MAIS BENÉFICA. São devidas as Contribuições Seguridade Social à título de quota patronal sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais e referentes ao grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - GIILRAT, sobre a remuneração dos segurados empregados. Na forma do artigo 17 do Decreto70/235/72, matérias não expressamente questionadas não serão objeto de análise. Conforme Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. A Representação Fiscal para Fins Penais é ato administrativo vinculado e deve ser realizada quando verificada, em tese, uma das situações ensejadoras, legalmente1 previstas, cabendo ao Ministério Público a análise da ocorrência ou não de conduta tipificada na legislação penal. Indefere-se o pedido de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da impugnação. As provas que possuir, salvo excludentes legais expressamente prcvistas, devem ser apresentadas no prazo para Impugnação. Prevê o caput do art. 144 do Código Tributário Nacional - CTN que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Entretanto §1° aduz que aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN). AÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. A existência de ação judicial conexa com o processo em questão não impede o julgamento pelo CARF do recurso interposto. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19515.000814/2010-52
anomes_publicacao_s : 201510
conteudo_id_s : 5535563
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.198
nome_arquivo_s : Decisao_19515000814201052.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : IVACIR JULIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 19515000814201052_5535563.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza, relator, na preliminar de sobrestamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente e Relator Designado Ivacir Júlio de Souza - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
id : 6158241
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125328850944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2426; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 309 1 308 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000814/201052 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.198 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2013 Matéria LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente COR CENTRO DE ORIENTAÇÃO A FAMÍLIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO.MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. TAXA SELIC. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS RFFP. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS, PERÍCIAS E DILIGÊNCIAS.LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. MULTA MAIS BENÉFICA. São devidas as Contribuições Seguridade Social à título de quota patronal sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais e referentes ao grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT, sobre a remuneração dos segurados empregados. Na forma do artigo 17 do Decreto70/235/72, matérias não expressamente questionadas não serão objeto de análise. Conforme Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A Representação Fiscal para Fins Penais é ato administrativo vinculado e deve ser realizada quando verificada, em tese, uma das situações ensejadoras, legalmente1 previstas, cabendo ao Ministério Público a análise da ocorrência ou não de conduta tipificada na legislação penal. Indeferese o pedido de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da impugnação. As provas que possuir, salvo excludentes legais expressamente prcvistas, devem ser apresentadas no prazo para Impugnação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 14 /2 01 0- 52 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Prevê o caput do art. 144 do Código Tributário Nacional CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Entretanto §1° aduz que aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN). AÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA. A existência de ação judicial conexa com o processo em questão não impede o julgamento pelo CARF do recurso interposto. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Vencido o conselheiro Ivacir Julio de Souza, relator, na preliminar de sobrestamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Designado Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 2403002.198 S2C4T3 Fl. 310 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de fls. 276, n°16 27.200 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP1 em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, em 21 de outubro de 2010 que negou provimento à impugnação do lançamento representado pelo Auto de Infração – AI n° 37 251.6750. No Recurso em comento, a Recorrente ratificou as alegações que fizera em sede de impugnação. Alega a Recorrente que a autuação aqui tratada possui íntima e indissociável relação com as autuações contidas nos autos de infração n°s. 37.251.6742 e 37.251.6769, neste sentido, os processos, 19515.000815/201005 e 19515.000812/201063, foram reunidos, para julgamento conjunto, a fim de se evitar decisões conflitantes. São créditos lançados contra a empresa acima identificada, de contribuições devidas à Seguridade Social a título de quota patronal sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais (20%) e grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GIILRAT( 1%) incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referente às competências de 01/06 a 12/07. O montante deste crédito perfez R$ 1.821.506,59 (um milhão e oitocentos e vinte e um reais e quinhentos e seis reais e cinquenta e nove centavos), consolidado e notificado em 26/03/2010. Na forma do Relatório Fiscal de fls. 42, e do Termo de Encerramento da Ação fiscal – TEAF, fls 103, a Ação Fiscal foi iniciada em 15/10/2009 e concluída em 29/03/2010, consecutivamente. Adiante, no item 4.4. Ali os Auditores registraram que : “Verificamos que, em 18/11/2009, a empresa foi cientificada do cancelamento da isenção de contribuições sociais com efeitos desde 01/04/2003, conforme ato e aviso de recebimento em anexo, por infração aos incisos IV e V do artigo 55 da lei 8.212/1991.Apresentou recurso intempestivo em 21/12/2009. Concluo, portanto, que a empresa não possui ato declaratório de isenção válido no período de 01/04/2003 em diante.”( grifei) Às fls 36, em 09/03/2010, a Autoridade fiscal, ainda no curso da ação fiscal, quando da emissão do Termo De Constatação Fiscal e Intimação, pretendendo justificar bem como motivar a autuação, já se pronunciara referindose à intempestividade daquele Recurso razão pela qual procedera ao lançamento: “No entanto verificamos que, em 18/11/2009, a empresa foi cientificada do cancelamento da isenção de contribuições sociais a partir de 01/04/2003, conforme ato e aviso de recebimento em anexo. Apresentando recurso intempestivo em 21/12/2009. Concluo, portanto, que a empresa não possui ato declaratório de isenção válido no período de 01/01/2006 a 31/12/2007”. ( grifei) De fato, comprovando o que afirmara a Autoridade Fiscal, consta colacionado às fls 38 o ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES Fl. 779DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 SOCIAIS N.° 05 / 2009, a partir de 01/04/2003, o que – de plano, em princípio – justifica a lavratura da presente autuação. Às fls 40, referindose a cancelamento em comento, a Autoridade Administrativa comunicou à Recorrente que não receberia o seu recurso interposto em razão da expiração do prazo regulamentar para fazêlo, logo, por intempestividade: “ ENTIDADE : Centro de Orientação à Família COR CNPJ : 43.633.288/000144 ENDEREÇO : R Albina Barbosa, 54 – Aclimação São Paulo SP CEP 01530020 PROCESSOS: 18108.000836/200756 e 18108.000831/2008 12 ASSUNTO: Cancelamento de Isenção das Contribuições Sociais Prezado Presidente do COR. Face à expiração do prazo regulamentar para apresentação de recurso junto ao Conselho de Recursos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/12/2009 (vide cópia de AR, anexa), não será apreciada a documentação protocolada, em 21/12/2009, na DRF/Osasco. Desta forma, está mantida a decisão comunicada através da Intimação Gabinete/DIORT n° 64/2009 de 09/11/2009.” Precluso aquele direito, em face da vinculação direta da Notificação em apreço, a recorrente na impugnação e ratificando o procedimento no presente recurso, de forma enviesada, apresentou alegações que não se referem às razões de fato e de direito a este processo mas inerentes àquele intempestivo. Não bastasse isso para tornar inepto seus argumentos , equivocadamente assim se manifestou no item 3 da impugnação de folhas 111 e ratificada em sede recursal: “3. Pois bem, após a ação fiscal desenvolvida pela Receita Federal do Brasil, foi cancelada a isenção de contribuições sociais conferidas à Impugnante, através do Ato Cancelatório n° 05/2009, emitido em 09/11/2009. (doC. 4)”( grifei) Percebese ilógico o argumento uma vez que conforme o Termo de Encerramento da Ação fiscal – TEAF, fls 103, a Ação Fiscal foi concluída em 29/03/2010 surgindo daí uma impossibilidade temporal. Ademais, o Ato Cancelatório referido não teve origem na Ação Fiscal em tela mas sim em ação anterior em razão de Informação Fiscal que o motivou. Mantendo a impertinente linha de argumentação, continuou de forma transversa a busca de elementos no processo precluso : “Apreciando as razões apresentadas pela autoridade fiscal, a Receita Federal do Brasil, após analisar as razões de fato e de direito expendidas pela Impugnante (...) Estas, em síntese, as razões para a expedição de Ato Cancelatório de Isenção de contribuição social, que culminou Fl. 780DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 2403002.198 S2C4T3 Fl. 311 5 com a autuação que ora se combate nesta exordial impugnatória, pelas razões de fato e de direito a seguir expendidas.” ( grifei) Prosseguindo, referindose a INFORMAÇÃO FISCAL do processo cancelatório, reincidiu em argumentos de defesa dos autos transitados em julgado: “Senhor Julgador, a respeitável decisão proferida pelo Chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributária DIORT, acolhendo a Informação Fiscal da citada Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil e determinando o cancelamento da isenção das contribuições sociais, desrespeitou o direito do Impugnante. Vejamos:O ato de cancelamento da isenção fundouse nas seguintes razões: .....” ( grifei) Nesta toada, seguiu colocando alegações sempre referente àquele Ato Cancelatório com o propósito de em fazendo valer seus argumentos de que fora inválida sua emissão macular de vício material a autuação presente. Somente a partir das fls 122 até a 140 final, efetivamente opõe resistência ao lançamento argüindo a aplicação da taxa selic nos juros moratórios bem como combate as Contribuições para o Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE, relativas ao exercício financeiro de 2006 e 2007. Transitado em julgado por intempestivo, o Recurso interposto na ocasião pela ora Recorrente, não resta pendente de julgamento. Assim, o processo em comento que guardaria conexão com aquele, não se enquadra no preceituado recentemente regulamentado pelo Decreto nº 7.237/2010, que alterou a procedimentalização dos pedidos de isenção bem como os atos cancelatórios expedidos pelo ente Fiscalizador, expondo em seu art. 44 e 45, que os processos administrativos que envolvam tais questões, e que não tenham sido definitivamente julgados, sejam devolvidos a autoridade competente, para fins de análise do cumprimento das condicionantes para o usufruto da referida isenção. Vejamos o texto da Lei: “Art.44.Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único.Verificado o direito à isenção, certificar seá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei n° 12.101, de 2009. Art.45.Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente Fl. 781DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei n° 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” Desta forma, como o presente auto não tem enquadramento nas questões regulamentadas pelo Decreto e Lei supra, há que se proceder ao julgamento neste Egrégio Conselho. Abaixo, transcrevo o Relatório do voto da instância a quo onde o I. Julgador faz idêntico extrato ao acima relatado : “1.1. A ciência do Sujeito Passivo, deuse em 29/03/2010, por intermédio de representante legal. 2. O Relatório Fiscal, fls. 42/5, informa, sumariamente, o que segue. 2.1. Deram origem ao débito as remunerações dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais pagas ou creditadas pela empresa nos anos de 2006 e 2007. 2.2. Ademais, o referido relatório informa que se trata de uma Associação sem fins econômicos cujo objetivo é a promoção cultural e biopsicossocial do indivíduo e da família, que atende indistintamente e de forma gratuita, consoante plano de trabalho aprovado pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). 2.3. O Contribuinte possui registro de entidade Beneficente de Assistência social no CNAS nos anos de 2006 e 2007, além do ato declaratório de isenção, conforme previsto no art. 55, § Io , da Lei n° 8.212/91, com isenção concedida desde 04/04/97. 2.4. Em 18/11/2009, a empresa foi cientificada do cancelamento da isenção de contribuições previdenciárias, com efeitos desde 01/04/2003, por infração aos incisos IV e V, art. 55, da Lei n° 8.212/91, ato contra o qual apresentou recurso intempestivo,em 21/12/2009. 2.5. Diante do exposto, concluiu a Autoridade Autuante que o Contribuinte não possuía ato declaratório de isenção válido no período de 01/04/2003 em diante. 2.6. As informações prestadas por meio das GFIP classificam a Impugnante como isenta das contribuições patronais FPAS 639 Entidade Beneficente de Assistência Social, razão pela qual não foram ofertadas à incidência das contribuições previdenciárias as remunerações acima indicadas. Apesar do código FPAS equivocado, tendo em vista que os valores das remunerações foram corretamente declarados, subsidiaram o AI em comento. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 2403002.198 S2C4T3 Fl. 312 7 3. Foram examinados os extratos da GFIP enviados eletronicamente. 4. Em virtude dos fatos narrados, foi formalizada a correspondente Representação Fiscal para Fins Penais, haja vista a configuração, em tese, do crime previsto no art. 337A, III, do Código Penal. DA IMPUGNAÇÃO 5. Tempestivamente, consoante fls. 273/4, a Autuada apresentou impugnação, fls. 108/140, acompanhadas dos documentos fls. 141/272 (Estatuto, procuração, documentos dos patronos, cópia do AI em testilha e documentos complementares, Relatório de Atividades 2003/2004/2005/2006/2007/2008/2009), alegando, em síntese, os argumentos que se seguem: 5.1. Alega pela tempestividade do recurso. 5.2. Suscita a indissociável relação entre o presente AI e os de n° 37.251.6742 e n° 37.251.6769, solicitando a reunião destes para efeito de julgamento conjunto. 5.3. Após a ação fiscal desenvolvida, foi cancelada a isenção à qual fazia jus a Impugnante, através do Ato Cancelatório n° 05/2009, de 09/11/09. 5.4. Descreve trechos da manifestação da RFB que culminou com a emissão do indigitado Ato Cancelatório, a partir de 01/04/2003. 5.5. Ademais, expõe os motivos do cancelamento da isenção, atacando um a um, intentando, com isso, demonstrar o cumprimento aos requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91, no cerne, desconstituir o propalado cancelamento da isenção da qual gozava e, por via transversa, macular a lavratura em testilha. 5.6. Adicionalmente, ainda que remanesça a exigência de crédito tributário, a Impugnante não concorda com a incidência dos juros moratórios calculados com base na Taxa SELIC sobre os débitos objeto da autuação fiscal, suscitando a aplicação do art. 161 do CTN. Discorre longamente sobre a função dos juros moratórios e da taxa SELIC. Colaciona jurisprudência do STJ. 5.7. Em adição, afirma que a taxa SELIC assume, no crédito tributário em questão, caráter manifestamente confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 5.8. No mais, insurgese quanto ao encaminhamento da Representação Fiscal para Fins Penais RFFP à Procuradoria da República. 5.9. Independentemente do acolhimento da improcedência da imputação dos juros moratórios calculados com base na SELIC, a Impugnante protesta, adicionalmente, pela suspensão de sua incidência e exigibilidade no período compreendido entre a data da protocolização da Impugnação apresentada contra o presente AI e a data em que se proferir a decisão final do feito na esfera administrativa. Baseiase no art. 151, III, do CTN. Traça analogia, ademais, com o quanto previsto no art. 63, § 2°, Lei n° 9.430/96. Colaciona decisões judiciais. 5.10. Face ao exposto, requer o acolhimento das razões apresentadas, para o fim de declarar a insubsistência do auto de infração ora impugnado, posto que o lançamento revelase indevido, por não ser a Impugnante devedora de qualquer importância a título de contribuição para o Salário de Educação, INCRA, SESC e SEBRAE, referentes ao exercício financeiro de 2006 e 2007. 5.11. Alternativamente, a multa e os juros, ao menos, deverão ser anulados, posto que em descompasso com as respectivas legislações de regência. 5.12. Requer, ainda, a anulação da RFFP, eis que não há nos autos qualquer prova da existência de crime contra a ordem tributária. 5.13. Por fim, protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias.” É o relatório. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 2403002.198 S2C4T3 Fl. 313 9 Voto Vencido Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fls. 308, o recurso é tempestivo. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES DAS MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS Em preliminar é compulsório destacar que na forma do artigo 17 do Decreto70/235/72, matérias não expressamente questionadas não serão objeto de análise : “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997) ” (grifei) Como foi relatado, a Recorrente – tanto em sede de impugnação quanto de recurso não contestou expressamente os créditos lançados contra a própria referentes às contribuições devidas à Seguridade Social a título de quota patronal sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais (20%) e grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT( 1%) incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referente às competências de 01/06 a 12/07. Face ao exposto, as matérias não expressamente questionadas não serão objeto de análise. DO SOBRESTAMENTO Conforme registro de fls.01, ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal MPF de n° 08.1.90.002009046142, emitido em 30 setembro de 2009, consta às fls 05, que concluída a ação fiscal , a empresa foi notificada do presente lançamento em 29/03/2010. Na forma do item 2 do Relatório Fiscal, o Auditor revela que constituíramse créditos tributários em razão da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias relativas à quotaparte da empresa referentes as parcelas integrantes da remuneração dos empregados e contribuintes individuais a serviço da Recorrente: “ 2 Identificação do débito: Contribuições previdenciárias relativas à quotaparte da empresa incidentes sobre as parcelas integrantes da remuneração dos empregados e contribuintes individuais a seu serviço, informadas nas guias de recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social (GFIP). 3 Origem do débito: Remunerações pagas ou creditadas pela empresa aos seus empregados e contribuintes individuais nos anos de 2006 e 2007. ” Fl. 785DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 O Termo de Constatação Fiscal e Intimação às fls. 36, datado de 09/03/2010 abaixo transcrito revela que a empresa, fora cientificada do ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n°. 05/2009 em, 18/11/2009 no curso da ação fiscal iniciada em , 15/10/2009 que encerrada motivou o presente. Aduz que o Ato Cancelatório foi declarado com efeito ex tunc alcançando a competência 01/04/2003: “TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL E INTIMAÇÃO No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no curso da ação fiscal acima identificada, determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.90.002009 04614 2, constatamos os fatos a seguir: Ação fiscal iniciada em 15/10/2009 com a intimação para apresentação de documentos. Dos documentos apresentados concluímos que se trata de uma Associação sem fins econômicos cujo objetivo é a promoção cultural e biopsicossocial do indivíduo e da família. Possui o Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS, o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (antigo Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos) nos anos de 2006 e 2007 e, no período de 04/07/2006 em diante, renovado pela Medida Provisória n°. 446/2009, além de ato declaratório de isenção, conforme previsto no artigo 55, parágrafo 1 o , da lei 8.212/1991, com isenção concedida desde 04/04/1997. No entanto verificamos que, em 18/11/2009, a empresa foi cientificada do cancelamento da isenção de contribuições sociais a partir de 01/04/2003, conforme ato e aviso de recebimento em anexo. Apresentando recurso intempestivo em 21/12/2009. Concluo, portanto, que a empresa não possui ato declaratório de isenção válido no período de 01/01/2006 a 31/12/2007. DA AÇÃO JUDICIÁRIA Na forma do sobredito registro a Recorrente apresentou recurso intempestivo. Precluso o direito de interpor recurso na esfera administrativa, o contribuinte o fez no judiciário. Conforme documento de fls. 276, requereu ao Sr. Presidente desta Turma a retirada do referido processo da pauta e sua inclusão em sessão a ser realizada após a audiência de instrução do processo que tramita junto a 9a Vara Cível da Subseção Judiciária da Justiça Federal em São Paulo posto que teria ingressado em Juízo visando a anulação do Ato Cancelatório. Às fls. 727, reiterou o solicitado alegando conforme o abaixo transcrito: “As razões expostas na solicitação encaminhada a essa Presidência em 27 de setembro de 2011 (cópia anexa), ainda pendem de solução junto ao Poder Judiciário. Informamos a essa Presidência que a Ação Anulatória de Atos Administrativos encontrase em tramitação junto a 9a Vara Civel da Subseção Judiciária da Justiça Federal em São Paulo sob o n. 0021828 1Z2010.4.03.6.100 e a audiência de instrução foi realizada estando os autos conclusos aguardando a sentença a ser Fl. 786DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 2403002.198 S2C4T3 Fl. 314 11 prolatada pelo Exmo. Senhor Juiz responsável pelo julgamento da ação interposta pela Recorrente, conforme consulta realizada em 6 de junho p.passado (doc. anexo) . Considerando que o Processo Administrativo Fiscal incluído na pauta de julgamento do dia 20 de junho p. vindouro, é reflexo decorrente da expedição do ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS N. 05/2009, requer que o julgamento do recurso interposto nos autos do processo administrativo acima referendado ocorra após a sentença a ser prolatada nos autos da Ação Anulatória de Atos Administrativos movida pelaRecorrente contra a União. Por óbvio se a sentença a ser prolatada for favorável a Recorrente, haverá de ser declarada a improcedência dos créditos tributários que estão sendo exigidos através dos autos de infração lavrados pelo órgão fazendário.” Consulta Realizada em 12 de Julho de 2013 (18:29h) revelou que a matéria ainda não foi julgada. Leitura atenta da peça de impugnação revela que a entidade não rechaçou efetivamente as razões que motivaram o lançamento guerreando tãosomente as razões que motivaram o cancelamento de sua isenção cuja oportunidade de mostrar sua inconformidade precluiu na esfera administrativa por intempestivamente. Tal fato motivou a instância a quo a declarar matéria não impugnada e assim negar provimento ao pleito. Reiterando tal prática em sede de recurso, caberia anuir o voto a quo, entretanto, é relevante ressaltar que em sede de impugnação não consta registrado se estaria correndo ação no judiciário sobre o Ato Cancelatório. Pelo exposto, sem adentrar ao mérito, é medida conservadora retornar os autos juntamente com os vinculados AI’s de n° 37.251.6742 e n° 37.251.6769 cujos processos receberam novas respectivas numerações : 16.151.72008/201325 e 16.151.720007/201381, também de minha relatoria, para a DRF de origem para aguardar decisão sobre o processo que encontrase em tramitação junto a 9ª Vara Cível da Subseção Judiciária da Justiça Federal em São Paulo sob o n. 00218281Z2010.4.03.6.100 que versa sobre ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n°. 05/2009 para prosseguir o julgamento do presente recurso interposto após a sentença a ser prolatada nos autos daquela sobredita Ação Anulatória de Atos Administrativos . DO MÉRITO Na hipótese desta e. Turma não anuir a preliminar de sobrestamento, adentro ao mérito na forma a seguir: Do Auto de Infração – AI Relatório Fiscal de fls. 42 descreve que o lançamento foi realizado conforme o Auto de infração – AI n ° n° 37251.6750. e as fls. 16, no item 601.09, nos Fundamentos Fl. 787DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 Legais dos Acréscimos Legais, atribuíramse aos artigos 35, I, II, III da Lei n. 8.212, de 24.07.91 o suporte para efetuaremse os cálculos da multa. É cediço que os incisos, I, II, III, artigo 35 da Lei 8.212/91 à época do lançamento, 29/03/2010, já houvera sido revogado na forma da Redação dada pela Lei n ° 11.409, de 2009) : “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( Redação dada pela Lei 11.409, de 2009) ”( grifei) Tal irregularidade exposta é sanável posto que não prejudica o lançamento tendo em vista que a essência do fundamento restou preservada na medida em que é o fundamento legal para as infrações do gênero existe previsão na parte final do artigo 35 alterado : “ das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” As infrações do gênero em tela são formalizadas mediante Notificação de Lançamento de Débito – NFLD. A formalização da irregularidade em comento, mostrase inadequada tendo em vista que se utilizou de um procedimento previsto para infrações das obrigações de fazer – acessórias – que é o Auto de Infração – AI. Neste sentido, destacase, por relevante, que as fls. 16 no item 601.09, nos Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais, atribuíramse aos artigos 35,I, II, III da Lei n. 8.212, de 24.07.91 o suporte para efetuaremse os cálculos da multa: “calculo da multa: para pagamento de obrigação vencida, não incluída em notificação fiscal de lançamento”. Como se observa no artigos 10 e 11 do Decreto 70.235/72 abaixo transcrito, se fosse o caso de formalizar a irregularidade mediante Auto de Infração como procedera a Autoridade Fiscal, estaríamos analisando a PENALIDADE imputada. “ Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias;, VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 2403002.198 S2C4T3 Fl. 315 13 Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. ” Considerando, que os fatos geradores sequer foram contestados e que a forma não prejudicou a defesa do contribuinte, atento ainda ao PRINCÍPIO DA CELERIDADE ou da RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO, com assento no PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE, mesmo reconhecendo que no Código atual, o legislador não previu a fungibilidade e que tal princípio versa sobre aproveitamento de recursos, dou prosseguimento ao processo. DA TAXA SELIC No âmbito deste Egrégio Conselho, conforme a Súmula número 4, a matéria encontrase pacificada: “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS – RFFP E DO PROTESTO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS Reiterese, na integra, o julgado em primeira instância para negar provimento. Assim, a Representação Fiscal para Fins Penais é ato administrativo vinculado e deve ser realizada quando verificada, em tese, uma das situações ensejadoras, legalmente1 previstas, cabendo ao Ministério Público a análise da ocorrência ou não de conduta tipificada na legislação penal ao tempo em que indeferese o pedido de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da impugnação. As provas que possuir, salvo excludentes legais expressamente previstas, devem ser apresentadas no prazo para Impugnação. Da superveniência de legislação nova Prevê o caput do art. 144 do Código Tributário Nacional CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Fl. 789DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 14 “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada ” Entretanto, o mesmo artigo no seu § 1º preceitua que se aplicarão ao lançamento “a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização : “ (...) § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.” Diante disso, é lícita a apreciação da legislação superveniente DA MULTA MAIS BENÉFICA Tratase de matéria já enfrentada em instância “ad quod” onde muito embora no acórdão da Delegacia de Julgamento a decisão concluído por negar provimento, estou convencido da necessidade de ser revista aquela decisão em razão dos argumentos que seguem: Ao abordar o tema “Da Superveniencia de Nova Legislação. Retroação Benéfica , a instância “ad quod”assim se manifestou : “12. Tendo em vista a superveniência da MP n° 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09, deve ser analisada a questão da possibilidade de retroação benéfica, consoante prevê o art. 106, II, "c" do CTN. In verbis: Art. 106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito (...) II— tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 12.1. Em que pese a autuação em análise ter sido devidamente lançada de acordo com a legislação vigente, época em que coexistiam isoladamente as multas decorrentes de descumprimento de obrigação principal com a multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória, verificase, atualmente, nova sistemática decorrente das alterações promovidas na n° Lei 8.212/91, por meio da Lei n° 11.941/09, em especial nos dispositivos concernentes ao cálculo e aplicação da multa para o fundamento legal da infração objeto desta autuação. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 2403002.198 S2C4T3 Fl. 316 15 12.2. Pela legislação vigente à época da infração, quando a falta cometida pelo contribuinte era decorrente da não declaração em GFIP concomitante ao não recolhimento das contribuições não declaradas, existiam duas conseqüências: a aplicação de uma multa pela não declaração, consubstanciada em auto de infração por descumprimento de obrigação acessória com fundamento no artigo 32, IV e § 5o , da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 9.528/1997 e; a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei n° 8.212/1991 com a redação da Lei n° 9.876/1999, além do recolhimento do valor referente a p r o p r i a obrigação principal. 12.3. Conforme estabelecido pela na Lei n° 11.941/09, esta mesma infração ficou sujeita à multa de ofício prevista no artigo 44, da Lei n° 9.430/1996, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Ou seja, a situação descrita, que antes levava à lavratura de, no mínimo, dois autos de infração (um por descumprimento de obrigação acessória e outro levantando o quantum não recolhido com a devida multa correspondente) passou a ser abordada através de um único dispositivo, que remete à aplicação da multa de ofício. 12.4. Nestas condições, a multa prevista no art. 44, I, da referida Lei n° 9.430/96, é única, no importe de 75% e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem mensurar o que foi aplicado para punir apenas a obrigação acessória. Pela nova sistemática legal, as duas infrações, a saber, relativamente à obrigação principal e à obrigação acessória, são verificadas simultaneamente e, portanto, haverá a aplicação de apenas uma multa (de ofício). 12.5. Feitas tais considerações iniciais, cumpre ressaltar, neste ponto, que no intuito de regular a aplicação das inovações trazidas pela citada Lei n° 11.941/09, mormente quanto ao entendimento e comparação para fins da mencionada retroação benéfica desta, foi editada a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 04/12/09, que em seu artigo 3 o vaticina: Art. 3° A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei n 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4° e 5° do art. 32 da Lei n° 8.212/1991 em sua redação anterior à dada pela Lei n° 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, acrescido pela Lei n° 11.941, de 2009. 12.6. Assim, no caso em análise, as multas mensais incluídas no Auto de Infração (AI DEBCAD n° 37.251.6742), referente a Fl. 791DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 16 obrigações tributárias acessórias, deverão ser somadas às multas referentes às contribuições previdenciárias declaradas em GFIP sob o código de FPAS 639, que foram incluídas no presente Auto de Infração DEBCAD n° 37.251.6750, referente a obrigações tributárias principais, para o confronto com a multa que seria aplicada em observância ao acima transcrito. 12.7. Ocorre que, de acordo com a legislação anterior, a alíquota da multa moratória incidente sobre a contribuição previdenciária não recolhida e incluída em lançamento tributário referente à obrigação principal será definida conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é realizado. Nestes casos (especificamente relacionados à obrigação principal), o valor da multa está sujeita à data do cumprimento (recolhimento) da obrigação devida, de acordo com a graduação especificada no art. 35, incisosI, II e III, da Lei 8.212/91. 12.8. Dessa forma, somente no momento do pagamento é que a multa mais benéfica pode ser quantificada. Durante a atual fase do contencioso administrativo, de primeira instância, não há como se determinar a multa mais benéfica a ser aplicada, haja vista que o pagamento ainda não foi efetivamente postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 11.941/09, que estabelece que as multas de mora são apuradas no momento do pagamento, impedindo que a comparação seja realizada antes desse fato. Em conseqüência, determina a citada Portaria Conjunta n° 14: Art. 2" No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas serei analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966Código Tributário Nacional (CTN). 12.9. Ademais, ratifiquese, a multa do presente Auto de Infração relativo à obrigação principal deve ser apreciada em conjunto com o crédito previdenciário supracitado (obrigação acessória), sabendose que a comparação das multas aplicadas nesses lançamentos com a legislação atual, potencialmente mais benéfica ao contribuinte nos termos do artigo 106 do CTN, somente poderá ser efetivada de forma definitiva quando da liquidação do crédito, sendo que até então todos os processos deverão ter prosseguimento normal. ” ( grifei) Em síntese, como se lê no item 12.4 de sua manifestação, o I. Julgador entendeu de transformar todas as multas aplicadas em processo distintos resultante da mesma Ação Fiscal e transformálas em uma só na condição de MULTA DE OFÍCIO. Constrói seu raciocínio sobre fundamentação estranha aos autos na medida em que alude os artigos Autos de infração por descumprimento de obrigação acessória cujos artigos de regência são o 32 e 32A da 8.212, de 1991 que, efetivamente, não fundamentaram o Auto em comento. É relevante destacar, também, que o Julgador de Primeira instância , no item 12.8, a seguir transcrito, se declara naquela fase do contencioso incompetente para determinar a multa mais benéfica a ser aplicada de acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.212/91, na Fl. 792DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 2403002.198 S2C4T3 Fl. 317 17 redação da Lei n° 11.941/09, que estabelece que as multas de mora são apuradas no momento do pagamento : “12.8. Dessa forma, somente no momento do pagamento é que a multa mais benéfica pode ser quantificada. Durante a atual fase do contencioso administrativo, de primeira instância, não há como se determinar a multa mais benéfica a ser aplicada, haja vista que o pagamento ainda não foi efetivamente postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 11.941/09, que estabelece que as multas de mora são apuradas no momento do pagamento, impedindo que a comparação seja realizada antes desse fato. ” Cumpre notar que embora conclua que se tenha que imputar MULTA OFÍCIO, na parte final de seu parágrafo o próprio define que está diante de uma autuação que se subsume à multa de mora, ademais, a análise do citado artigo não revelou restrição alguma ao julgador no sentido de determinar em primeira instância multa mais benéfica : “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifei) É muito relevante ressaltar que o auto em epígrafe se subsume as preceituado no artigo 9 do Decreto 70.235/72 que determina não só a formalização mas também a aplicação de penalidade devem ser isolada em autos distintos para cada tributo ou PENALIDADE: “Decreto 70.235/72 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. ( Redação dada pela Lei n 11.941, de 2009)”( grifei) Apenas por amor ao debate, aludindo a Portaria PGFN/RFB n° 14, de 04/12/09 exortada na definição do voto em sede de impugnação, analisandose o referido art. 35A, incluído na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941, de 2009, notase que este contém previsão para casos de eventuais lançamentos de ofício relativos às contribuições referidas no artigo 35 da mesma lei. Em isso ocorrendo, havendo lançamento de ofício, aplicase o disposto no artigo 44 da Lei 9.430/96: “ Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.( incluído na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941, de 2009) ” Fl. 793DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 18 Ocorre que o artigo 35 supra não registra comando de lançamento de oficio e estabelece que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e não de ofício como define a Portaria da PGFN bem como, também, não nos termos do artigo 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, mas no preceituado art. 61 da mesma Lei , que determina multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998). Cumpre ressaltar que nos lançamentos de ofício, o sujeito passivo não participa do mesmo cabendo ao sujeito ativo tomar a iniciativa e realizar, por si só, a verificação da ocorrência do fato gerador, identificação do sujeito passivo, cálculo do montante devido, formalização do crédito e notificação do sujeito passivo para pagamento. Exemplos: IPTU e IPVA. Os elementos do conceito de lançamento são extraídos do disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." Fl. 794DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 2403002.198 S2C4T3 Fl. 318 19 Por meio do lançamento, a Administração chega ao valor devido pelo sujeito passivo, que tem oportunidade de acompanhar o procedimento, bem como impugnálo. Seus pontos essenciais são: Ato privativo da Administração, excluindo, portanto, qualquer outro ente, inclusive o sujeito passivo; Apuração da obrigação tributária, com todos seus elementos: sujeito passivo, crédito, prazo etc.. Constituição do crédito tributário, que, embora exista desde o nascimento da respectiva obrigação, somente se torna certo e exigível após a apuração; Imposição de penalidade, caso seja verificada alguma infração. É cediço que as contribuições previdenciárias estão contidos no rol dos tributos de LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO na forma do preceituado no artigo 150, caput, do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Certamente que premido pelo artigo 7 º da sua Portaria de regência MF nº 58, de 17 de março de 2006, que determinava que “O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos”, o I. Julgador äd quod” proferiu seu voto sob o comando de instrução contida na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 04/12/09, Nos julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, entretanto, na forma do artigo 62 do Regimento Interno deste Conselho : “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 795DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 20 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” À título de esclarecimento, os atos declaratórios na forma dos artigos 18 e 19, abaixo transcritos, do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a que se refere a Lei n° 10.522/2002, não se relacionam com o presente processo: “Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei n 11.033, de 2004)” Na forma do exposto, portarias da Procuradoria, da Receita Federal do Brasil e demais órgãos, não vincula este Conselho.Tal observação não significa que em certas circunstâncias não possam ser observadas para formar juízo. Entretanto, em ocorrendo eventual antinomia entre instruções, decretos e leis, prevalece nos julgados os comandos dos decretos e das leis. Às fls. 18, item 601, aduz o Relatório ACRÉSCIMOS LEGAIS – MULTA 601.09 Competências : 01/2006 a 13/2007 Lei n. 8.212, de 24.07.91, que o cálculo observou o art. 35,1, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99) ( grifei) Assim, com foco na fundamentação legal da autuação, é que enfrento a questão da multa. Lei 8.212, artigo 35 “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009)” ( grifei) Lei 9.430/96, art. 61: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 796DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 2403002.198 S2C4T3 Fl. 319 21 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ( Vide Lei n° 9.716, de 1998).” ( grifei ) A mesma lei 11.941, mediante o artigo 35A, introduziu previsão para casos de LANÇAMENTO DE OFÍCIO : “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. .( Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009)” ( grifei) Lei 9.430/96, art. 44 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: ( Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007)” ( grifei ) Da retroação mais benéfica “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” O artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Visto do prisma exposto, impõese o recálculo da multa ocorra com base no artigo 35 da Lei nº 11.941/ 2009 para comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA 22 CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, resolvo que se deva retornar os autos juntamente com os vinculados AI’s de n° 37.251.6742 e n° 37.251.6769 cujos processos receberam novas respectivas numerações : 16.151.72008/201325 e 16.151.720007/201381, também de minha relatoria, para a DRF de origem para aguardar decisão sobre o processo que encontrase em tramitação junto a 9ª Vara Cível da Subseção Judiciária da Justiça Federal em São Paulo sob o n. 00218281Z2010.4.03.6.100 que versa sobre ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n°. 05/2009 para prosseguir o julgamento do presente recurso interposto após a sentença a ser prolatada nos autos daquela sobredita Ação Anulatória de Atos Administrativos . Na hipótese de a Turma não anuir tal determinação, NO MÉRITO, DOU PROVIMENTO PARCIAL, determinando o recálculo da multa de mora na forma do comando da redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ivacir Júlio de Souza. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 19515.000814/201052 Acórdão n.º 2403002.198 S2C4T3 Fl. 320 23 Voto Vencedor Carlos Alberto Mees Stringari Relator Designado O relator posicionouse por sobrestar o julgamento, retornando o processo para a DRF de origem para aguardar decisão sobre o processo que encontrase em tramitação junto a 9ª Vara Cível da Subseção Judiciária da Justiça Federal em São Paulo sob o n. 00218281Z2010.4.03.6.100 que versa sobre ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n°. 05/2009 e prosseguir o julgamento do presente recurso interposto após a sentença a ser prolatada nos autos daquela sobredita Ação Anulatória de Atos Administrativos . Discordo desse posicionamento. Entendo que o julgamento do recurso deve ocorrer. Reconheço o vínculo entre este lançamento e o resultado da ação judicial que discute o cancelamento da isenção, porém, entendo que cabe à DRF acompanhar o desenrolar da ação judicial e tomar as providências cabíveis, conforme o resultado. Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 23/06/2015 por CARL OS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/06/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720267/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE.
Aplica-se aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova.
Numero da decisão: 1201-001.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplica-se aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10280.720267/2007-56
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5568144
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.278
nome_arquivo_s : Decisao_10280720267200756.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
nome_arquivo_pdf_s : 10280720267200756_5568144.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6283377
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125340385280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2145; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720267/200756 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.278 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ E REFLEXOS. Recorrente MICHIE COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. REJEIÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Diligências e perícias são instrumentos postos à disposição do julgador para auxiliálo na formação do seu livre convencimento, se entendêlas necessárias, e não se destinam a suprir prova que pode ser produzida pela parte interessada. A rejeição fundamentada do pedido não caracteriza cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplicase aos lançamentos reflexos ou decorrentes, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 02 67 /2 00 7- 56 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10280.720267/200756 Acórdão n.º 1201001.278 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por MICHIE COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA, contra acórdão proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/BelémPA, cuja ementa a seguir se transcreve: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334. lV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia/diligência, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação Fl. 710DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10280.720267/200756 Acórdão n.º 1201001.278 S1C2T1 Fl. 4 3 de realização de perícia para produzir provas que caberia ao autuado apresentar, ainda mais quando se trata de presunção legal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a intima relação de causa e efeito que os une.” A autuação se deu em razão da constatação de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada (art. 42 da Lei 9.430/96) no ano de 2003, e de declaração inexata de receitas operacionais auferidas no 4o trimestre deste ano. Conforme consignou a DRJ, não houve impugnação com relação à segunda infração (declaração inexata). Transcrevese a seguir excertos da impugnação do contribuinte: “[o auditor] ... não levou em consideração que a empresa tem como uma de suas atividades a intermediação de negócios, tampouco considerou os valores registrados como Receita de Vendas de Mercadorias como uma fonte de origem para os depósitos, ou seja, ele considerou todos os depósitos como recursos sem origem comprovada. A empresa quando notificada para justificar a origem dos depósitos em suas contas correntes (HSBC e Bradesco), apresentou suas justificativas para tais depósitos através da informação de que eles originaram em conseqüência de adiantamentos feitos por empresas exportadoras de outros estados da federação, para intermediação na compra de Pimenta do Reino, junto a produtores, sendo que esta intermediação tem inicio com o adiantamento (depósitos) e encerra com aquisição dos produtos (Pimenta do Reino) junto ao produtor e que na seqüência é emitido em nome desse (Produtor) a Nota Fiscal avulsa na condição de remetente para as empresas que efetuaram adiantamentos, portanto não houve a comercialização e sim a intermediação, pois a autuada não emitiu documentos fiscais, entretanto o produto não foi transportado sem documentos fiscais idôneos, uma vez que foram emitidos em nome do produtor. Ora. se a empresa não comercializou e sim intermediou a compra de produtos, o que deixou de ser declarado e registrado em livro próprio foi a Receita de comissão por serviços prestados, oriunda dessa transação, não a omissão de Receita, pelo total dos depósitos efetuados, como alegado pelo autuante (...) Para dar sustentação ao que a empresa defende (...) requer a autuada seja procedida diligência junto as empresas LICAFÉ COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA, situada (...) e RUETH SPICE LTDA, situada (...) sendo que para esta última a autuada prestou o maior número de intermediação, portanto foi a que efetuou a maior quantidade de depósitos, e assim comprovar o que se alega (defende) nesta impugnação.” A DRJ rejeitou o pedido de diligência por considerála desnecessária ao deslinde do feito e não se prestar à produção de provas que incumbia à parte produzir, e no mérito, manteve integralmente o lançamento, porque não comprovado, pela contribuinte, o vinculo das operações por ela mencionadas com os depósitos ocorridos em suas contas correntes, não logrando comprovar, portanto, com hábeis e idôneos, a origem dos valores creditados em suas contas correntes. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10280.720267/200756 Acórdão n.º 1201001.278 S1C2T1 Fl. 5 4 Cientificada desta decisão em 28/04/2010, interpôs recurso em 27/05/2010 (fls. 441 e seguintes), aduzindo, em síntese, o seguinte: Ab initio, salienta que a empresa recorrente tem entre seus objetivos sociais a Representação Comercial, consoante se verifica de seu contrato social colacionado às fls. 08 dos autos. Em sede de preliminares, alega o cerceamento do seu direito de ampla defesa pela instância primária por esta não lhe ter deferido o pedido formulado para que a Autoridade Fiscal determinasse a realização de diligências junto às empresas “para as quais o recorrente prestou serviços e foi depositário junto ao sistema bancário de seus recursos financeiros para compra de produtos agrícolas em nome daquelas”. Diz que não se pode cogitar de inversão do ônus da prova quando a parte a quem incumbe provar não puder obter os elementos ou a materialidade da prova que se encontra ao dispor da outra parte (o fisco) por determinação legal. Requer seja, in limine, descaracterizada por este colegiado qualquer declaração de preclusão levada a efeito pela instância primária, e que sejam determinadas as diligências já solicitadas. No mérito, afirma ser dever da autoridade administrativa julgadora a busca da verdade real, e que isto só pode ser concretizado, no caso, com a determinação da realização de diligências nas contas correntes das verdadeiras compradoras das mercadorias intermediadas pela Recorrente. E que, para tanto, há vasto material nos autos demonstrando os lançamentos em contas correntes com suas respectivas datas e valores. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, requer a recorrente seja descaracterizada a preclusão levada a efeito pela instância julgadora a quo. Revendo os autos, verificase que a segunda infração (declaração inexata), a que se refere o pleito da recorrente, foi assim descrita no relatório fiscal: "Por outro lado, da análise dos livros fiscais apresentados, verificase que a empresa realizou operações de envio de mercadorias para o exterior (...) Tais receitas operacionais foram devidamente escrituradas no LCX/LFIS/LAICMS, bem como, declaradas na DIPJ do AC 2003, ressalvada a inexatidão quanto ao 4º trimestre, informado (R$ 52.500,00) em valor inferior ao auferido (R$ 221.750,00), tomandose como base as NF's de saída emitidas." Fl. 712DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10280.720267/200756 Acórdão n.º 1201001.278 S1C2T1 Fl. 6 5 Revendo a impugnação apresentada, confirmase que, de fato, nenhuma alegação específica é feita contra esta acusação, aliás sequer mencionada nas peças de defesa apresentadas (impugnação e recurso). A recorrente lastreia o seu pleito de descaracterização da preclusão, portanto, apenas nos princípios da legalidade e da verdade material, entre outros, arguindo caber ao fisco agir por conta própria com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos. É pacífica a jurisprudência do CARF, no sentido de que as matérias não impugnadas em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento. A decisão da DRJ, portanto, apresentase perfeitamente hígida e correta, pois, de fato, a matéria em questão não foi objeto de impugnação, de sorte que o pleito da recorrente não merece acolhida. Ainda em sede de preliminares, requer a recorrente a declaração de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do seu direito de defesa, em razão de não ter sido deferido o seu pedido para a realização de diligências. O art. 18 do Decreto nº 70.235/72 – PAF é expresso no sentido de que cabe à autoridade julgadora determinar ou não a realização de diligências ou perícias, podendo indeferir as que considerar prescindíveis, desde que o faça fundamentadamente. E, no caso, a autoridade julgadora de primeira instância fundamentou o indeferimento, ressaltando que todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide se encontravam presentes. Ademais, é pacífico na jurisprudência do CARF que as diligências e perícias não se destinam a suprir prova que incumbe à parte interessada produzir, não caracterizando, portanto, violação do legitimo direito de defesa do contribuinte o indeferimento fundamentado de pedido de diligência formulado. Neste sentido, os seguintes precedentes: Acórdão 10192.105, Relator Sebastião Rodrigues Cabral, sessão de 03/06/1998: I.R.P.J. – PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. — A realização de perícia ou diligência, em regra, visa a produção de provas ou a coleta de elementos que permitam ao julgador formar, livremente, sua convicção a propósito dos fatos apurados O indeferimento de pedido formulado pelo sujeito passivo não implica nulidade do Ato Administrativo, por não configurado cerceamento do direito de defesa. Acórdão 10320.379, Relatora Mary Elbe Gomes Queiroz Maia, sessão de 13/09/2000: REJEIÇÃO A PEDIDO DE DILIGÊNCIA — INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – Não se configura ofensa ou violação do legítimo direito de defesa da contribuinte a rejeição a pedido de diligência quando a autoridade julgadora considerálo prescindível por os elementos Fl. 713DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10280.720267/200756 Acórdão n.º 1201001.278 S1C2T1 Fl. 7 6 constantes dos autos serem suficientes para que se proceda ao respectivo julgamento, desde que a decisão indique os fundamentos táticos e legais que motivaram a decisão e sejam plenamente assegurados o devido processo legal e prestigiados os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. Acórdão 10423061, Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa, sessão de 06/03/2008: PAF DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. No mérito, os argumentos recursais também giram em torno da necessidade de realização de diligências como forma de buscar a verdade material. Segundo a recorrente, ela própria não teria condições materiais de obter as provas necessárias à sua defesa, posto que somente o fisco possui o poder de quebrar o sigilo bancário das empresas mencionadas no recurso, e, assim, comprovar as suas alegações. Pretende, com isto, repassar ao fisco o ônus de produzir prova em seu favor, o que se revela de todo irrazoável e inadmissível. Em primeiro lugar, porque não apresenta qualquer utilidade para o deslinde do presente feito, a quebra do sigilo bancário das mencionadas empresas. A autuação, recordese, é por falta de comprovação da origem dos depósitos nas contas correntes bancárias da própria fiscalizada, e não de terceiros, logo, não há qualquer sentido na quebra do sigilo bancário das mencionadas empresas. Se a recorrente mantivesse com o devido zelo seus documentos e sua escrituração, não teria dificuldades em identificar, para cada depósito efetuado, quem teria sido o seu depositante, qual a razão do depósito, e quais os documentos que se correlacionam àquele depósito. Todas essas providências independem, em absoluto, da quebra de sigilo bancário de terceiras empresas. Portanto, em segundo lugar, não é verdade a afirmação de que somente o fisco teria o poder de obter as provas que viriam em favor da recorrente. Ao contrário, é a recorrente quem tem o dever de manter a sua escrita em condições de poder fazer prova daquilo que alega. Para que este colegiado convertesse o julgamento em diligência, seria necessário que a recorrente demonstrasse, de forma específica e com argumentos convincentes, a utilidade de alguma prova que — não por desídia ou desorganização sua — mas por efetiva impossibilidade material de obtenção, haveria de ser buscada. Ou então teria de ser capaz de produzir, no mínimo, um sentimento de dúvida no julgador quanto ao deslinde do feito, em face de argumentos convincentes, e consistentes com os elementos apresentados na defesa. Contudo, o que se tem são apenas argumentos completamente desprovidos de elementos probatórios que lhes deem respaldo. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10280.720267/200756 Acórdão n.º 1201001.278 S1C2T1 Fl. 8 7 Afirma a recorrente que “os valores que transitaram pelas contas correntes da Recorrente não lhe pertenciam, conforme exaustivamente demonstrado às fls. 157 a 202; 239 a 243; 308 a 312; 345/346; 361 a 363 e 406 a 409; valores esses contabilizados e inscritos em livro próprio na forma da lei, como se observa do ANEXO I dos autos.” A “exaustiva demonstração” consiste em cópias simples de três declarações, alegadamente firmadas pelas empresas WANDER TADEU PRESTES, DOMONDIN COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA., e AGROWAY COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, nas quais estas se apresentam como responsáveis pelos depósitos ali mencionados. A repetitiva menção aos vários número de folhas do processo são apenas reproduções dessas mesmas três declarações. Apenas para se ter uma idéia da desconexão entre as “provas” apresentadas e as alegações feitas (no sentido de que os valores depositados não lhe pertenceriam), vejase que em uma dessas declarações (AGROWAY), a declarante indica, como contrapartida aos depósitos efetuados, a emissão de notas fiscais pela própria recorrente (MICHIE), em valor que seria equivalente aos depósitos efetuados. A própria DIPJ/2004 apresentada pela recorrente, relativa ao ano calendário 2003, vem preenchida somente nas linhas relativas a receita de revenda de mercadorias, o que se revela coerente com a atividade nela informada (Comércio atacadista de outros cereais in natura, leguminosas e matérias primas agrícolas diversas), mas em choque com as alegações de recurso. E, para arrematar, vejase ainda a completa desconexão entre as três declarações apresentadas e a diligência solicitada pela recorrente, que aqui novamente se pede vênia para transcrever, verbis: “Para dar sustentação ao que a empresa defende (...) requer a autuada seja procedida diligência junto as empresas LICAFÉ COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA, situada (...) e RUETH SPICE LTDA, situada (...) sendo que para esta última a autuada prestou o maior número de intermediação, portanto foi a que efetuou a maior quantidade de depósitos, e assim comprovar o que se alega (defende) nesta impugnação.” Portanto, não se percebe um mínimo de coerência nas provas e argumentos apresentados que pudesse respaldar eventual pedido de diligência, pelo que se mostra de todo dispensável e desnecessária para a solução da lide a diligência solicitada. No âmbito da aplicação do art. 42 da Lei 9.430/96, como cediço, é ônus da fiscalizada comprovar a origem dos depósitos em suas contas bancárias. Em não o fazendo, sofre a autuação por omissão de receitas. No caso, conforme visto, a recorrente não conseguiu sequer identificar quem seriam os depositantes, quanto mais comprovar as operações relacionadas aos depósitos havidos em sua conta, por meio de documentos hábeis e idôneos. Nenhuma prova concreta produziu a recorrente de que praticaria somente a intermediação na compra de produtos juntos a produtores. O Livro Caixa, encontrado no Anexo I dos autos, é uma mera sucessão de registros de “Saque Banco...”, “Depósito Banco...”, e “Tarifa Banco...”, sem qualquer Fl. 715DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10280.720267/200756 Acórdão n.º 1201001.278 S1C2T1 Fl. 9 8 indicação da natureza das operações ou de quem seriam seus depositantes. Sua escrituração, portanto, tampouco contém qualquer demonstração que venha ao encontro de suas alegações. Diante de todo o contexto acima sinteticamente exposto, nenhum reparo merece a decisão recorrida, que confirmou a procedência do lançamento fiscal. Para finalizar, registrese que o quanto decidido com relação ao IRPJ aplica se, no que couber, aos lançamentos reflexos ou decorrentes (CSLL, PIS, e COFINS), em face da relação de causa e efeito que os une. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 716DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 02/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728738/2011-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REQUISITOS.
Na vigência do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, a falta do certificado e registro de entidade beneficente de assistência social, bem como do requerimento administrativo de isenção, impedem a qualificação da pessoa jurídica para a fruição da isenção das contribuições previdenciárias patronais.
TERCEIROS. ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. FUNDO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL (FPAS) 647. FNDE. INCRA. SESC. SEBRAE.
De acordo com o FPAS 647, a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional é obrigada ao pagamento de contribuições, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ao Serviço Social do Comércio (Sesc) e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
LEI TRIBUTÁRIA. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
(Súmula Carf nº 2).
RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA. FATOS IMPEDITIVOS. PROVA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Cabe ao sujeito passivo demonstrar a existência de fato impeditivo ao nascimento da relação jurídico-tributária, que invoca como fundamento à sua pretensão.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 2401-003.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REQUISITOS. Na vigência do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, a falta do certificado e registro de entidade beneficente de assistência social, bem como do requerimento administrativo de isenção, impedem a qualificação da pessoa jurídica para a fruição da isenção das contribuições previdenciárias patronais. TERCEIROS. ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. FUNDO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL (FPAS) 647. FNDE. INCRA. SESC. SEBRAE. De acordo com o FPAS 647, a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional é obrigada ao pagamento de contribuições, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ao Serviço Social do Comércio (Sesc) e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). LEI TRIBUTÁRIA. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2). RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA. FATOS IMPEDITIVOS. PROVA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Cabe ao sujeito passivo demonstrar a existência de fato impeditivo ao nascimento da relação jurídico-tributária, que invoca como fundamento à sua pretensão. Recurso voluntário negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12448.728738/2011-26
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5558584
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-003.988
nome_arquivo_s : Decisao_12448728738201126.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 12448728738201126_5558584.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
id : 6253369
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048125346676736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2145; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 815 1 814 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.728738/201126 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.988 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA QUE MANTÉM EQUIPE DE FUTEBOL PROFISSIONAL Recorrente FLUMINENSE FOOTBALL CLUB Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REQUISITOS. Na vigência do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, a falta do certificado e registro de entidade beneficente de assistência social, bem como do requerimento administrativo de isenção, impedem a qualificação da pessoa jurídica para a fruição da isenção das contribuições previdenciárias patronais. TERCEIROS. ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. FUNDO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL (FPAS) 647. FNDE. INCRA. SESC. SEBRAE. De acordo com o FPAS 647, a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional é obrigada ao pagamento de contribuições, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ao Serviço Social do Comércio (Sesc) e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). LEI TRIBUTÁRIA. SALÁRIOEDUCAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 87 38 /2 01 1- 26 Fl. 815DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 816 2 RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. FATOS IMPEDITIVOS. PROVA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Cabe ao sujeito passivo demonstrar a existência de fato impeditivo ao nascimento da relação jurídicotributária, que invoca como fundamento à sua pretensão. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 817 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1257.262 (fls. 708/715): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FOLHA DE PAGAMENTOS. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. GFIP. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. RECOLHIMENTOS. AUSÊNCIA. LANÇAMENTO. É procedente o lançamento e devida a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos segurados apurada na folha de pagamentos, quando não recolhida em época própria pelo sujeito passivo. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. FATO GERADOR. EXISTÊNCIA. DECLARAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO E OMISSÃO. INFRAÇÃO. MULTA. Configura descumprimento de obrigação acessória, que enseja a aplicação de penalidade, a falta de apresentação de GFIP, bem como sua transmissão com erro ou omissão de informações, quando constatada a existência de fatos geradores da contribuição previdenciária a serem declaradas pelo sujeito passivo. 2. Extraise do relatório fiscal que o processo administrativo é composto por 3 (três) Autos de Infração (AI) relacionados a obrigações principais, compreendendo o período de 01 a 12/2007, inclusive décimo terceiro, assim formalizados (fls. 44/56): i) AI nº 37.346.6790, referente às contribuições previdenciárias da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais; ii) AI nº 37.346.6803, relativo às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre o seu salário de contribuição, arrecadadas e não recolhidas pela empresa; e iii) AI nº 37.346.6811, referente às contribuições devidas a terceiros, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (FPAS 647 Terceiros 0099). Fl. 817DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 818 4 2.1 Além deles, compõe o processo outros 3 (três) AIs relativos a obrigações acessórias, nesses termos: i) AI nº 37.346.6820, por ter o contribuinte omitido fatos geradores de contribuição previdenciária em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nas competências 01, 02, 04 e 07/2007 (Código de Fundamentação Legal CFL 68); ii) AI nº 37.346.6838, devido o contribuinte ter deixado de apresentar a GFIP na competência 13/2007 (Código de Fundamentação Legal CFL 77); e iii) AI nº 37.346.6846, por ter o contribuinte apresentado a GFIP como omissão de fatos geradores, nas competências 03, 08, 09 e 12/2007 (Código de Fundamentação Legal CFL 78). 2.2 Para fins de aplicação da multa mais benéfica, consoante alínea "c" do inciso II do art. 106 do da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), foram comparadas, por competência, as multas previstas na legislação da época da infração e aquelas implementadas pela legislação superveniente, introduzida pela Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008, e convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 3. Cientificado da autuação em 5/7/2011, via postal, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 608/622). 4. Intimada em 5/8/2013, por via postal, às fls. 719, da decisão do colegiado de primeira instância, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 4/9/2013 (fls. 724/745). 4.1 Em sua peça recursal, expõe os seguintes argumentos de defesa, assim resumidos: i) tratase de uma sociedade civil sem fins lucrativos, considerada de utilidade pública federal, preenche integralmente os requisitos do art. 14 do CTN e, portanto, faz jus a imunidade a que alude o § 7º do art. 195 da Carta Política de 1988; ii) por ser uma associação organizada para fins não econômicos, e não uma empresa que exerce atividade lucrativa para a produção ou a circulação de bens ou serviços, não está submetida ao recolhimento de contribuições devidas a terceiros; iii) a contribuição para o salárioeducação, segundo o § 5º do art. 212 da Constituição da República de 1988 (CR/88), só é devida pelas empresas que visam ao lucro, sendo inaplicável a utilização do conceito amplo de empresa contido na legislação previdenciária para fins de determinação dessa sujeição passiva; Fl. 818DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 819 5 iv) da mesma forma que o salárioeducação, as contribuições ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ao Serviço Social do Comércio (Sesc) e ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), exigidas pela fiscalização, são devidas unicamente pelas empresas, e não por entidades sem fins lucrativos; e v) é indevida a contribuição dos segurados incidentes sobre verbas de natureza indenizatória pagas pela recorrente, tais como a título de terço constitucional de férias, auxíliocreche, auxíliodoença e auxílioacidente, saláriomaternidade, férias usufruídas e aviso prévio indenizado. É o relatório. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 820 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito a) Imunidade (Art. 195, § 7º, da CR/88) 6. A imunidade das contribuições para a seguridade social, em que pese a literalidade do texto mencionar o termo "isenção", vem disposta no § 7º do art. 195 da Carta Magna de 1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifei) 7. Demanda tal norma jurídica complementação pela via legal, pois incumbe à lei, segundo determinou o constituinte originário, a tarefa de detalhar os requisitos a serem atendidos pelas entidades beneficentes de assistência social para fruição do benefício. 8. No que tange ao período do lançamento fiscal, esses requisitos estavam estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Dentre eles, cabe destacar aqueles contidos no seu inciso II e no § 1º: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 820DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 821 7 II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (...) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido (grifei) (...) 9. Como se vê, o reconhecimento como entidade de utilidade pública é insuficiente para autorizar a fruição do benefício fiscal por parte da pessoa jurídica. De forma expressa, a lei exige o registro e certificado de entidade beneficente de assistência social, na forma disposta pela legislação, ficando condicionada a concessão a prévio requerimento administrativo. 10. Destarte, considerando o acervo fáticoprobatório dos autos, a falta do certificado de entidade beneficente de assistência social e do requerimento administrativo da isenção, no período do crédito tributário, impedem a qualificação da recorrente para a fruição da imunidade ("isenção") das contribuições sociais previdenciárias patronais. 11. Noutro giro, cabe anotar que é inócua a discussão na instância administrativa a respeito do instrumento legal necessário para regulamentar o § 7º do art. 195 da Carta Política de 1988, ou seja, se a regulamentação devese operar mediante edição de lei ordinária ou complementar. 11.1 Com efeito, é vedado como regra, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade. 11.2 É que argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 12. De qualquer maneira, no Recurso Extraordinário (RE) nº 636.941/RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática da repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirma o entendimento da Corte no sentido de que lei ordinária pode regulamentar requisitos formais sobre constituição e funcionamento das entidades para que usufruam a imunidade do § 7º do art. 195, a exemplo da exigência de registro e certificação como entidade beneficente de assistência social. Para melhor compreensão, reproduzo parcialmente a ementa desta decisão: (...) 15. A Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal, indicia que somente se exige lei complementar para a definição dos seus limites objetivos (materiais), e não para a fixação das normas de constituição e de funcionamento das entidades imunes (aspectos formais ou subjetivos), os quais podem ser veiculados por lei Fl. 821DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 822 8 ordinária, como sois ocorrer com o art. 55, da Lei nº 8.212/91, que pode estabelecer requisitos formais para o gozo da imunidade sem caracterizar ofensa ao art. 146, II, da Constituição Federal, ex vi dos incisos I e II, verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009); II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). (grifei) (...) b) Terceiros 13. As contribuições devidas a terceiros, assim compreendidas entidades e fundos, são tributos autônomos, distintos das contribuições previdenciárias, com hipóteses de incidência próprias. 13.1 Por isso, a delimitação do campo de sujeição passiva das contribuições destinadas a terceiros não se restringe aos empresários e às sociedades empresárias, exigindo se o exame individual da respectiva regramatriz de incidência tributária para a sua correta identificação. 14. Nesse processo administrativo, conforme indicado no AI nº 37.346.6811, impõese a cobrança de crédito tributário relativo às contribuições devidas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Incra, Sesc e Sebrae. b.1) Salárioeducação 15. A contribuição devida ao FNDE, denominada de contribuição do salário educação, possui natureza de contribuição social geral, de maneira que é alargada a sujeição passiva. 15.1 De fato, quanto à regramatriz de incidência da contribuição, dispõe o art. 15 da Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996: Art 15. O SalárioEducação, previsto no art. 212, § 5º, da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (grifei) (...) Fl. 822DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 823 9 15.2 O significado do termo "empresa" foi determinado pelo próprio legislador, conforme consta no § 3º do art. 1º da Lei nº 9.766, de 18 de dezembro de 1998, que alterou a legislação sobre o salárioeducação: Art. 1º A contribuição social do SalárioEducação, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996, obedecerá aos mesmos prazos e condições, e sujeitarseá às mesmas sanções administrativas ou penais e outras normas relativas às contribuições sociais e demais importâncias devidas à Seguridade Social, ressalvada a competência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, sobre a matéria. (...) § 3º Entendese por empresa, para fins de incidência da contribuição social do SalárioEducação, qualquer firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como as empresas e demais entidades públicas ou privadas, vinculadas à Seguridade Social. (grifouse) 16. É de verse que a recorrente, ainda que pessoa jurídica organizada sem fins econômicos, foi qualificada pela lei como um dos sujeitos passivos obrigados ao pagamento da contribuição social do salárioeducação. 17. Eventual incompatibilidade da sujeição passiva definida em lei com o § 5º do art. 212 da Carta Política de 1988, como parece suscitar a recorrente, é matéria estranha ao processo administrativo. 17.1 Como antes visto e explicado, o julgador está vinculado ao enunciado da Súmula nº 2 do Carf: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. b.2) Incra 18. A contribuição devida ao Incra exigida da recorrente encontra sua hipótese de incidência no art. 3º do DecretoLei nº 1.146, de 31 de dezembro de 1970, que manteve o adicional a contribuição previdenciária das empresas, originalmente instituído no § 4º do art. 6º da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955, e alíquota de 0,2% (dois décimos por cento) foi determinada pelo inciso II do art. 15 da Lei Complementar nº 11, de 25 de maio de 1971. A seguir, são transcritos os dispositivos citados: Lei nº 2.613, de 1955 Art 6º É devida ao S.S.R. a contribuição de 3% (três por cento) sôbre a soma paga mensalmente aos seus empregados pelas pessoas naturais ou jurídicas que exerçam as atividades industriais adiante enumeradas (...) Fl. 823DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 824 10 § 4º A contribuição devida por todos os empregadores aos institutos e caixas de aposentadoria e pensões é acrescida de um adicional de 0,3% (três décimos por cento) sôbre o total dos salários pagos e destinados ao Serviço Social Rural, ao qual será diretamente entregue pelos respectivos órgãos arrecadadores. DecretoLei nº 1.146, de 1970 Art 3º É mantido o adicional de 0,4% (quatro décimos por cento) a contribuição previdenciária das emprêsas, instituído no § 4º do artigo 6º da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955, com a modificação do artigo 35, § 2º, item VIII, da Lei número 4.863, de 29 de novembro de 1965. (grifei) Lei Complementar nº 11, de 1971 Art. 15. Os recursos para o custeio do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural provirão das seguintes fontes: (...) II da contribuição de que trata o art. 3º do Decretolei nº 1.146, de 31 de dezembro de 1970, a qual fica elevada para 2,6% (dois e seis décimos por cento), cabendo 2,4% (dois e quatro décimos por cento) ao FUNRURAL. (...) 19. A sucessão no tempo das leis que regem essa contribuição causou inúmeros debates sobre a manutenção da sua exigibilidade após a edição da Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989, e de outras que a sucederam, que vieram a modificar a legislação de custeio da Previdência Social. 20. Ao final, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou a matéria no sentido da legitimidade da cobrança da parcela de 0,2% destinada ao Incra, porquanto a contribuição não foi extinta pela Lei nº 7.787, de 1989, nem pela Lei nº 8.212, de 1991.1 21. Mais que isso, de acordo com a nova ordem constitucional, a natureza jurídica da exação corresponde a uma contribuição de intervenção no domínio econômico, com a finalidade específica de promoção da reforma agrária e de colonização, visando atender aos princípios da função social da propriedade e à diminuição das desigualdades regionais e sociais. 2 21.1 Portanto, há uma referibilidade apenas indireta quanto à sujeição passiva, em que os contribuintes eleitos pela lei não são necessariamente os beneficiários diretos do resultado da atividade estatal que se busca implementada com o tributo. 22. Exposto assim, vêse que a sujeição passiva da contribuição ao Incra não oferece maiores dificuldades, na medida em que não sofreu alteração ao longo do tempo, vinculada que 1 Nessa linha de entendimento, entre tantos outros, indico o Recurso Especial (REsp) nº 977.058/RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado pela 1ª Seção em 22/10/2008, na sistemática dos recursos repetitivos. 2 Entre outros, REsp nº 864.378/CE, relatora Ministra Eliana Calmon, julgado pela 2ª Turma do STJ em 12/12/2006. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 825 11 sempre foi, desde a sua origem como adicional da contribuição previdenciária, ao conceito amplo de empresa previsto no direito previdenciário. 23. De sorte que a recorrente, tendo em vista o parágrafo único do art. 15 da Lei nº 8.212, de 1991, enquadrase como empresa para fins de sujeição passiva da contribuição devida ao Incra. b.3) Sesc 24. Por seu turno, a contribuição devida ao Sesc encontra amparo legal no art. 3º do DecretoLei nº 9.853, de 13 de setembro de 1946, assim redigido: Art. 3º Os estabelecimentos comerciais enquadrados nas entidades sindicais subordinadas à Confederação Nacional do Comércio (art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decretolei nº 5.452, de 1º de Maio de 1943), e os demais empregadores que possuam empregados segurados no Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, serão obrigadas ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social do Comércio, para custeio dos seus encargos. (...) 24.1 A par da sujeição passiva das empresas vinculadas à Confederação Nacional do Comércio, a segunda parte do art. 3º determina que os empregadores cujos segurados vinculavamse à época ao Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários (IAPC) igualmente foram inseridos na condição de sujeitos passivos. 24.2 No caso, o inciso XIII do art. 2º do DecretoLei nº 2.122, de 9 de abril de 1940, que reorganizou o IAPC, contém a previsão de que eram segurados obrigatórios daquele Instituto os profissionais que prestavam serviços a clubes recreativos e associações esportivas. Transcrevo o dispositivo legal: Art. 2º São segurados obrigatórios do Instituto todos os profissionais maiores de quatorze anos de idade que prestem serviços remunerados, que não sejam de natureza puramente eventual, aos estabelecimentos ou instituições enumerados a seguir: (...) XIII estabelecimentos de espetáculos, de diversões públicas, cassinos, clubes recreativos e associações esportivas; (...) 25. Ao permanecer o DecretoLei nº 9.853, de 1946, irradiando seus efeitos jurídicos, a legislação ordinária transcrita confere legitimidade passiva à associação esportiva para compor um dos polos da relação tributária com o Sesc, tal como se passa com a recorrente. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 826 12 26. Em outro giro, agora como contraponto de que a jurisprudência dos Tribunais seria favorável à tese da recorrente, constato que recentemente, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.255.433/SE, da relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, o STJ assentou que as empresas prestadoras de serviços educacionais, ainda que não possuindo caráter lucrativo nem integrando a Confederação Nacional do Comércio (CNC), estão sujeitas às contribuições destinadas ao Sesc. 27. Com base nessa linha de entendimento, assim passou a decidir a Corte infraconstitucional: TRIBUTÁRIO. SENAC. CONTRIBUIÇÕES. ASSOCIAÇÃO PRESTADORA DE SERVIÇOS. ENQUADRAMENTO NO PLANO SINDICAL DA CNC. ART. 577 DA CLT. RESP REPETITIVO 1.255.433/SE. INDEPENDÊNCIA DO CARÁTER NÃO LUCRATIVO. A Primeira Seção deste STJ, ao julgar o REsp 1.255.433/SE, submetido ao rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que é legítima a exigência da contribuição destinada ao custeio do SESC e do SENAC por parte das empresas prestadoras de serviços, mesmo não possuindo caráter lucrativo, bastando, para tanto, o enquadramento no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, a teor do art. 577 da CLT. Agravo regimental improvido. (AgRg no AgRg nº REsp nº 1.466.820/PR, relator Ministro Humberto Martins, 2ª Turma, julgado em 18/11/2014) 28. Depreendese ainda dos julgados que os empregados não podem ser excluídos dos benefícios sociais quando não há entidade específica que ampare a categoria profissional a que pertencem, ainda que submetida a atividade a outra confederação, segundo o enquadramento do art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovado pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. 28.1 Confira, nesse ponto, a ementa do mencionado REsp nº 1.255.433/SE: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, do CPC). CONTRIBUIÇÃO AO SESC E SENAC. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS EDUCACIONAIS. INCIDÊNCIA. (...) 3. O entendimento se aplica às empresas prestadoras de serviços educacionais, muito embora integrem a Confederação Nacional de Educação e Cultura, consoante os seguintes precedentes: (...) 4. A lógica em que assentados os precedentes é a de que os empregados das empresas prestadoras de serviços não podem ser excluídos dos benefícios sociais das entidades em questão Fl. 826DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 827 13 (SESC e SENAC) quando inexistente entidade específica a amparar a categoria profissional a que pertencem. Na falta de entidade específica que forneça os mesmos benefícios sociais e para a qual sejam vertidas contribuições de mesma natureza e, em se tratando de empresa prestadora de serviços, há que se fazer o enquadramento correspondente à Confederação Nacional do Comércio CNC, ainda que submetida a atividade respectiva a outra Confederação, incidindo as contribuições ao SESC e SENAC que se encarregarão de fornecer os benefícios sociais correspondentes. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. 29. Transpondo o raciocínio para o caso sob exame, constatase que, embora a natureza das atividades da recorrente integre a Confederação Nacional de Educação e Cultura, de acordo com o art. 577 da CLT, não há uma entidade específica que forneça os mesmos benefícios sociais aos segurados empregados e para a qual sejam vertidas contribuições de mesma natureza daquelas devidas ao Sesc. 30. Logo, sob pena de odiosa discriminação, pareceme razoável e adequado considerar que os segurados empregados da recorrente, originalmente listados como associados do antigo IAPC, como alhures visto, não devem ser excluídos dos benefícios sociais previstos no DecretoLei nº 9.853, de 1946, exigindose da recorrente a contribuição devida ao Sesc. b.4) Sebrae 31. Segundo posicionamento dos Tribunais Superiores, a natureza jurídica da contribuição ao Sebrae consubstancia finalidade interventiva no domínio econômico, sendo exigível daqueles que se sujeitam à contribuição ao Sesc, nos termos do § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990. 31.1 É situação, portanto, a que se amolda a recorrente, independentemente da natureza jurídica ou do porte econômico.3 c) Parcelas indenizatórias 32. Os argumentos trazidos na peça recursal a respeito da não incidência da tributação sobre verbas indenizatórias, destinados a contestar, segundo a recorrente, o lançamento fiscal referente às contribuições previdenciárias pagas e descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, aparentemente estão dissociados dos fatos verificados pela fiscalização. 33. Não só o relatório fiscal, como seu Anexo I, referente à planilha das remunerações de segurados empregados e respectivas contribuições, e seu Anexo II, relativo à planilha das remunerações dos segurados contribuintes individuais e respectivas contribuições, acostados, respectivamente, às fls. 57/165 e 166/170, indicam que os valores foram obtidos a 3 AgRg no Agravo de Instrumento nº 936.025/SP, Relator Ministro Humberto Martins, 2ª Turma, julgado em 18/9/2008. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 12448.728738/201126 Acórdão n.º 2401003.988 S2C4T1 Fl. 828 14 partir das informações constantes nas folhas de pagamento de salários e nos recibos de prestação de serviços por autônomos. De modo que, além de valores reconhecidos pelo contribuinte, não há qualquer alusão ao pagamento de verbas de caráter indenizatório pela fiscalização. 34. Por outro lado, a recorrente não demonstra que dentre os valores apurados pela fiscalização há, efetivamente, parcelas pagas a título de terço constitucional de férias, auxílio creche, auxíliodoença e auxílioacidente, saláriomaternidade, férias usufruídas e aviso prévio indenizado, como só alegado. 34.1 A argumentação da recorrente é meramente teórica, sem vinculação com quaisquer nomes de segurados e/ou bases de cálculo registradas nas folhas de pagamentos e/ou nos recibos de contribuintes individuais, os quais foram usados pela fiscalização para dar suporte fático à constituição do crédito tributário. 34.2 De acordo com a tradicional repartição do ônus da prova, a demonstração da existência de fatos impeditivos ao nascimento da relação jurídicotributária, que invoca como fundamento à sua pretensão, compete à parte que alega, no caso a recorrente. 35. Portanto, mais uma vez sem razão a recorrente. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 828DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
