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11494067 #
Numero do processo: 10340.721076/2024-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2021 OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS EMITIDAS E NÃO CANCELADAS. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO NA ECD E ECF. PRESUNÇÃO DE REALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES. ESTORNOS CONTÁBEIS LANÇADOS EM CONTA DE CUSTO/DESPESA. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS BÁSICAS DE ESCRITURAÇÃO. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS DE DEVOLUÇÃO. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA DE IRPJ E CSLL. A emissão de notas fiscais eletrônicas ativas, desacompanhada de cancelamento regular ou de documentos fiscais de devolução, constitui elemento suficiente para caracterizar a realização das operações e a consequente omissão de receitas quando tais valores não são registrados na escrituração contábil e fiscal da recorrente. Lançamentos contábeis de estorno efetuados a crédito de contas de custo/despesa, sem lastro documental idôneo e em desconformidade com as regras elementares de escrituração, não são hábeis para demonstrar o cancelamento das operações de venda. GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. LANÇAMENTOS DE COMPRAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. MANUTENÇÃO DA GLOSA PARA FINS DE IRPJ E CSLL. Devem ser mantidas as glosas dos custos registrados em conta de estoque quando não as compras registradas estão desacompanhadas de documentos idôneos ou justificativas aptas a comprovar as aquisições de mercadorias escrituradas. A alegação de que os lançamentos corresponderiam a estornos de vendas não efetivadas não se sustenta quando desacompanhada do regular cancelamento das NF-e ou de notas fiscais de devolução, especialmente diante da utilização de lançamentos em conta de custo/despesa para neutralizar receitas decorrentes de documentos fiscais ativos. ESTORNOS CONTÁBEIS DE VENDAS. LANÇAMENTOS PARCELADOS EM CONTA DE ESTOQUE. OPERAÇÕES COM EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. PRODUTOS PERECÍVEIS. AUSÊNCIA DE VEROSSIMILHANÇA. EXPEDIENTE CONTÁBIL DESTINADO À REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO TRIBUTÁVEL. A escrituração de supostos estornos de vendas por meio de lançamentos parcelados na conta de estoque, ao longo de meses, envolvendo mercadorias perecíveis e destinatários integrantes do mesmo grupo econômico, revela falta de verossimilhança nas alegações da recorrente e reforça a conclusão fiscal de que houve utilização de expediente contábil artificial para anular os efeitos tributários das vendas a empresas ligadas, sem impedir o aproveitamento dos correspondentes custos e créditos tributários pelos destinatários. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS SEM LASTRO DOCUMENTAL. ESTORNOS EM CONTAS INADEQUADAS. PROVA INDICIÁRIA ROBUSTA, GRAVE E CONCORDANTE. SONEGAÇÃO. A qualificação da multa de ofício deve ser mantida quando o conjunto probatório evidencia conduta reiterada, coerente e convergente destinada à redução artificial do lucro tributável, mediante omissão de receitas documentadas por NF-e, ausência de cancelamento regular dos documentos fiscais, lançamentos de supostos estornos em contas inadequadas, registro de custos e despesas sem documentação idônea e majoração de tributos sem suporte demonstrativo. Tais elementos, analisados conjuntamente, afastam a tese de mero erro contábil e caracterizam ação dolosa tendente a impedir ou dificultar o conhecimento, pela autoridade fiscal, das circunstâncias materiais dos fatos geradores, subsumindo-se ao conceito de sonegação previsto no art. 71 da Lei nº 4.502/1964. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES FISCAIS. NATUREZA OBJETIVA. NECESSIDADE DE EMBARAÇO CONCRETO À FISCALIZAÇÃO. SÚMULAS CARF Nº 96 E Nº 133. INAPLICABILIDADE NO CASO CONCRETO. O agravamento da multa de ofício por não atendimento a intimações fiscais pressupõe, embora dispense dolo específico, a demonstração de que a omissão do contribuinte recaiu sobre documentos ou esclarecimentos pertinentes e necessários, causando embaraço concreto à atividade fiscal. A ausência de cooperação não autoriza, por si só, a majoração da penalidade quando o Fisco logra apurar os fatos geradores por outros meios, especialmente com base em informações extraídas da própria ECD e das NF-e emitidas pela recorrente, sem dificuldade adicional relevante decorrente do descumprimento das intimações. Aplicam-se, por analogia, as Súmulas CARF nº 96 e nº 133, que afastam o agravamento quando a omissão já serviu de fundamento para a própria apuração ou presunção fiscal. MULTAS REGULAMENTARES. ECD. ECF. OMISSÕES E INCORREÇÕES DECORRENTES DOS MESMOS FATOS QUE FUNDAMENTARAM A EXIGÊNCIA PRINCIPAL E A MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IDENTIDADE DO NÚCLEO FÁTICO. TEMA 487 DO STF. CONSUNÇÃO. NE BIS IN IDEM. AFASTAMENTO. Não subsistem as multas regulamentares relativas à ECD e à ECF quando fundadas nos mesmos fatos que deram suporte à recomposição das bases de IRPJ e CSLL e à aplicação da multa de ofício. À luz do Tema 487 do STF, a infração instrumental é absorvida pela infração material mais grave quando constitui mero instrumento, consequência ou exteriorização documental da conduta já sancionada, sob pena de violação aos princípios da consunção, proporcionalidade e ne bis in idem. EFD-CONTRIBUIÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS EM ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL. EXONERAÇÃO DO PRINCIPAL DE PIS E COFINS EM RAZÃO DE ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE CONSUNÇÃO. SUBSISTÊNCIA DA MULTA REGULAMENTAR. A exoneração das exigências principais de PIS e COFINS, em razão da sujeição das receitas à alíquota zero prevista no art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925/2004, afasta a cumulação com multa de ofício, mas não elimina a infração instrumental consistente na omissão ou imprecisão de informações na EFD-Contribuições. A obrigação acessória subsiste ainda quando o tributo devido seja igual a zero, pois sua finalidade é permitir ao Fisco conhecer corretamente a ocorrência e as circunstâncias do fato gerador. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2021 RECEITAS OMITIDAS DECORRENTES DE VENDAS DE CARNES BOVINAS E DERIVADOS. ALÍQUOTA ZERO. ART. 1º, XIX, DA LEI Nº 10.925/2004. EXONERAÇÃO. Embora subsista a caracterização da omissão de receitas, deve ser afastada a exigência de PIS e COFINS quando os próprios elementos da autuação indicam que as mercadorias constantes das NF-e estavam sujeitas à alíquota zero das contribuições, conforme o art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925/2004. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2021 RECEITAS OMITIDAS DECORRENTES DE VENDAS DE CARNES BOVINAS E DERIVADOS. ALÍQUOTA ZERO. ART. 1º, XIX, DA LEI Nº 10.925/2004. EXONERAÇÃO. Embora subsista a caracterização da omissão de receitas, deve ser afastada a exigência de PIS e COFINS quando os próprios elementos da autuação indicam que as mercadorias constantes das NF-e estavam sujeitas à alíquota zero das contribuições, conforme o art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925/2004. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por ausência de fundamentação quando a decisão de primeira instância enfrenta as questões centrais da controvérsia, ainda que de forma contrária aos interesses do contribuinte. O simples inconformismo com a conclusão adotada pelo julgador não caracteriza cerceamento do direito de defesa, especialmente quando assegurados o contraditório e a ampla defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. PARTICIPAÇÃO CONSCIENTE EM ATOS ILÍCITOS. FRAUDE, INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS E CONFUSÃO OPERACIONAL. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional exige a demonstração de interesse comum juridicamente qualificado na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, não se confundindo com mero interesse econômico reflexo ou benefício indireto. Caracteriza-se o interesse comum quando comprovada a participação consciente do terceiro na prática conjunta dos atos que integram a hipótese de incidência ou na realização de atos ilícitos diretamente vinculados ao fato jurídico tributário, tais como fraude, simulação, conluio ou interposição de pessoas, com nexo causal entre sua conduta e a constituição da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. PRÁTICA DE ATOS COM INFRAÇÃO À LEI. INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA DO RESPONSABILIZADO. A responsabilização dos sócios com base no art. 135 do CTN exige (i) a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto; (ii) a existência de nexo-causal entre o ato praticado e a obrigação tributária surgida. Ademais deve haver a individualização da conduta do administrador, não bastando para a atribuição de responsabilidade a simples indicação de que este possuía poderes de gestão.
Numero da decisão: 1201-007.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em não conhecer do recurso voluntário apresentado por Carlos Magno Frederico; conhecer dos demais recursos apresentados para rejeitar suas preliminares e, no mérito, dar-lhes parcial provimento, nos seguintes termos: (1) por unanimidade de votos: (1.1) manter os lançamentos de IRPJ e CSLL; (1.2) afastar o agravamento das multas de ofício; (1.3) exonerar os lançamentos de PIS e Cofins; (1.4) exonerar as multas regulamentares decorrentes de omissões ou imprecisões na ECD e na ECF, por aplicação do Tema 487 da repercussão geral do STF; (1.5) manter a multa regulamentar decorrente de omissões ou imprecisões na EFD-Contribuições; e (1.6) afastar as responsabilidades solidárias atribuídas a Nostro Beef Alimentos Importação e Exportação Ltda, BMG Foods Importação e Exportação Ltda, Evandro Santos, Marçal Bissoli e Jair Antônio de Lima; e (1.7) manter a Agro Trading Serviços de Apoio Administrativo Ltda. no polo passivo, como responsável solidária, diante da ausência de recurso voluntário; e (2) por maioria de votos, manter a qualificação das multas de ofício, reduzindo-as ao percentual de 100%, vencido o Conselheiro Lucas Issa Halah, que votou por afastar a qualificação. No item 1, o Conselheiro Lucas Issa Halah acompanhou o Relator pelas conclusões. A Conselheira Isabelle Resende Alves Rocha manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi - Relator Assinado Digitalmente Nilton Costa Simoes - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Raimundo Pires de Santana Filho, Isabelle Resende Alves Rocha, Marcelo Antonio Biancardi, Lucas Issa Halah, Ricardo Piza Di Giovanni (substituto[a] integral), Nilton Costa Simoes (Presidente).
Nome do relator: MARCELO ANTONIO BIANCARDI

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GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. LANÇAMENTOS DE COMPRAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. MANUTENÇÃO DA GLOSA PARA FINS DE IRPJ E CSLL. Devem ser mantidas as glosas dos custos registrados em conta de estoque quando não as compras registradas estão desacompanhadas de documentos idôneos ou justificativas aptas a comprovar as aquisições de mercadorias escrituradas. A alegação de que os lançamentos corresponderiam a estornos de vendas não efetivadas não se sustenta quando desacompanhada do regular cancelamento das NF-e ou de notas fiscais de devolução, especialmente diante da utilização de lançamentos em conta de custo/despesa para neutralizar receitas decorrentes de documentos fiscais ativos. ESTORNOS CONTÁBEIS DE VENDAS. LANÇAMENTOS PARCELADOS EM CONTA DE ESTOQUE. OPERAÇÕES COM EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. PRODUTOS PERECÍVEIS. AUSÊNCIA DE VEROSSIMILHANÇA. EXPEDIENTE CONTÁBIL DESTINADO À REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO TRIBUTÁVEL. A escrituração de supostos estornos de vendas por meio de lançamentos parcelados na conta de estoque, ao longo de meses, envolvendo mercadorias perecíveis e destinatários integrantes do mesmo grupo econômico, revela falta de verossimilhança nas alegações da recorrente e reforça a conclusão fiscal de que houve utilização de expediente contábil artificial para anular os efeitos tributários das vendas a empresas ligadas, sem impedir o aproveitamento dos correspondentes custos e créditos tributários pelos destinatários. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS SEM LASTRO DOCUMENTAL. ESTORNOS EM CONTAS INADEQUADAS. PROVA INDICIÁRIA ROBUSTA, GRAVE E CONCORDANTE. SONEGAÇÃO. A qualificação da multa de ofício deve ser mantida quando o conjunto probatório evidencia conduta reiterada, coerente e convergente destinada à redução artificial do lucro tributável, mediante omissão de receitas documentadas por NF-e, ausência de cancelamento regular dos documentos fiscais, lançamentos de supostos estornos em contas inadequadas, registro de custos e despesas sem documentação idônea e majoração de tributos sem suporte demonstrativo. Tais elementos, analisados conjuntamente, afastam a tese de mero erro contábil e caracterizam ação dolosa tendente a impedir ou dificultar o conhecimento, pela autoridade fiscal, das circunstâncias materiais dos fatos geradores, subsumindo-se ao conceito de sonegação previsto no art. 71 da Lei nº 4.502/1964. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES FISCAIS. NATUREZA OBJETIVA. NECESSIDADE DE EMBARAÇO CONCRETO À FISCALIZAÇÃO. SÚMULAS CARF Nº 96 E Nº 133. INAPLICABILIDADE NO CASO CONCRETO. O agravamento da multa de ofício por não atendimento a intimações fiscais pressupõe, embora dispense dolo específico, a demonstração de que a omissão do contribuinte recaiu sobre documentos ou esclarecimentos pertinentes e necessários, causando embaraço concreto à atividade fiscal. A ausência de cooperação não autoriza, por si só, a majoração da penalidade quando o Fisco logra apurar os fatos geradores por outros meios, especialmente com base em informações extraídas da própria ECD e das NF-e emitidas pela recorrente, sem dificuldade adicional relevante decorrente do descumprimento das intimações. Aplicam-se, por analogia, as Súmulas CARF nº 96 e nº 133, que afastam o agravamento quando a omissão já serviu de fundamento para a própria apuração ou presunção fiscal. MULTAS REGULAMENTARES. ECD. ECF. OMISSÕES E INCORREÇÕES DECORRENTES DOS MESMOS FATOS QUE FUNDAMENTARAM A EXIGÊNCIA PRINCIPAL E A MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IDENTIDADE DO NÚCLEO FÁTICO. TEMA 487 DO STF. CONSUNÇÃO. NE BIS IN IDEM. AFASTAMENTO. Não subsistem as multas regulamentares relativas à ECD e à ECF quando fundadas nos mesmos fatos que deram suporte à recomposição das bases de IRPJ e CSLL e à aplicação da multa de ofício. À luz do Tema 487 do STF, a infração instrumental é absorvida pela infração material mais grave quando constitui mero instrumento, consequência ou exteriorização documental da conduta já sancionada, sob pena de violação aos princípios da consunção, proporcionalidade e ne bis in idem. EFD-CONTRIBUIÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS EM ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL. EXONERAÇÃO DO PRINCIPAL DE PIS E COFINS EM RAZÃO DE ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE CONSUNÇÃO. SUBSISTÊNCIA DA MULTA REGULAMENTAR. A exoneração das exigências principais de PIS e COFINS, em razão da sujeição das receitas à alíquota zero prevista no art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925/2004, afasta a cumulação com multa de ofício, mas não elimina a infração instrumental consistente na omissão ou imprecisão de informações na EFD-Contribuições. A obrigação acessória subsiste ainda quando o tributo devido seja igual a zero, pois sua finalidade é permitir ao Fisco conhecer corretamente a ocorrência e as circunstâncias do fato gerador. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2021 RECEITAS OMITIDAS DECORRENTES DE VENDAS DE CARNES BOVINAS E DERIVADOS. ALÍQUOTA ZERO. ART. 1º, XIX, DA LEI Nº 10.925/2004. EXONERAÇÃO. Embora subsista a caracterização da omissão de receitas, deve ser afastada a exigência de PIS e COFINS quando os próprios elementos da autuação indicam que as mercadorias constantes das NF-e estavam sujeitas à alíquota zero das contribuições, conforme o art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925/2004. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2021 RECEITAS OMITIDAS DECORRENTES DE VENDAS DE CARNES BOVINAS E DERIVADOS. ALÍQUOTA ZERO. ART. 1º, XIX, DA LEI Nº 10.925/2004. EXONERAÇÃO. Embora subsista a caracterização da omissão de receitas, deve ser afastada a exigência de PIS e COFINS quando os próprios elementos da autuação indicam que as mercadorias constantes das NF-e estavam sujeitas à alíquota zero das contribuições, conforme o art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925/2004. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por ausência de fundamentação quando a decisão de primeira instância enfrenta as questões centrais da controvérsia, ainda que de forma contrária aos interesses do contribuinte. O simples inconformismo com a conclusão adotada pelo julgador não caracteriza cerceamento do direito de defesa, especialmente quando assegurados o contraditório e a ampla defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. PARTICIPAÇÃO CONSCIENTE EM ATOS ILÍCITOS. FRAUDE, INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS E CONFUSÃO OPERACIONAL. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional exige a demonstração de interesse comum juridicamente qualificado na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, não se confundindo com mero interesse econômico reflexo ou benefício indireto. Caracteriza-se o interesse comum quando comprovada a participação consciente do terceiro na prática conjunta dos atos que integram a hipótese de incidência ou na realização de atos ilícitos diretamente vinculados ao fato jurídico tributário, tais como fraude, simulação, conluio ou interposição de pessoas, com nexo causal entre sua conduta e a constituição da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. PRÁTICA DE ATOS COM INFRAÇÃO À LEI. INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA DO RESPONSABILIZADO. A responsabilização dos sócios com base no art. 135 do CTN exige (i) a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto; (ii) a existência de nexo-causal entre o ato praticado e a obrigação tributária surgida. Ademais deve haver a individualização da conduta do administrador, não bastando para a atribuição de responsabilidade a simples indicação de que este possuía poderes de gestão.

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NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS EMITIDAS E NÃO CANCELADAS. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO NA ECD E ECF. PRESUNÇÃO DE REALIZAÇÃO DAS OPERAÇÕES. ESTORNOS CONTÁBEIS LANÇADOS EM CONTA DE CUSTO/DESPESA. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS BÁSICAS DE ESCRITURAÇÃO. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS DE DEVOLUÇÃO. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA DE IRPJ E CSLL. A emissão de notas fiscais eletrônicas ativas, desacompanhada de cancelamento regular ou de documentos fiscais de devolução, constitui elemento suficiente para caracterizar a realização das operações e a consequente omissão de receitas quando tais valores não são registrados na escrituração contábil e fiscal da recorrente. Lançamentos contábeis de “estorno” efetuados a crédito de contas de custo/despesa, sem lastro documental idôneo e em desconformidade com as regras elementares de escrituração, não são hábeis para demonstrar o cancelamento das operações de venda. GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. LANÇAMENTOS DE COMPRAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. MANUTENÇÃO DA GLOSA PARA FINS DE IRPJ E CSLL. Devem ser mantidas as glosas dos custos registrados em conta de estoque quando não as compras registradas estão desacompanhadas de documentos idôneos ou justificativas aptas a comprovar as aquisições de mercadorias escrituradas. A alegação de que os lançamentos corresponderiam a estornos de vendas não efetivadas não se sustenta quando desacompanhada do regular cancelamento das NF-e ou de notas fiscais de devolução, especialmente diante da utilização de lançamentos Fl. 3893DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 2 em conta de custo/despesa para neutralizar receitas decorrentes de documentos fiscais ativos. ESTORNOS CONTÁBEIS DE VENDAS. LANÇAMENTOS PARCELADOS EM CONTA DE ESTOQUE. OPERAÇÕES COM EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. PRODUTOS PERECÍVEIS. AUSÊNCIA DE VEROSSIMILHANÇA. EXPEDIENTE CONTÁBIL DESTINADO À REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO TRIBUTÁVEL. A escrituração de supostos estornos de vendas por meio de lançamentos parcelados na conta de estoque, ao longo de meses, envolvendo mercadorias perecíveis e destinatários integrantes do mesmo grupo econômico, revela falta de verossimilhança nas alegações da recorrente e reforça a conclusão fiscal de que houve utilização de expediente contábil artificial para anular os efeitos tributários das vendas a empresas ligadas, sem impedir o aproveitamento dos correspondentes custos e créditos tributários pelos destinatários. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS SEM LASTRO DOCUMENTAL. ESTORNOS EM CONTAS INADEQUADAS. PROVA INDICIÁRIA ROBUSTA, GRAVE E CONCORDANTE. SONEGAÇÃO. A qualificação da multa de ofício deve ser mantida quando o conjunto probatório evidencia conduta reiterada, coerente e convergente destinada à redução artificial do lucro tributável, mediante omissão de receitas documentadas por NF-e, ausência de cancelamento regular dos documentos fiscais, lançamentos de supostos estornos em contas inadequadas, registro de custos e despesas sem documentação idônea e majoração de tributos sem suporte demonstrativo. Tais elementos, analisados conjuntamente, afastam a tese de mero erro contábil e caracterizam ação dolosa tendente a impedir ou dificultar o conhecimento, pela autoridade fiscal, das circunstâncias materiais dos fatos geradores, subsumindo-se ao conceito de sonegação previsto no art. 71 da Lei nº 4.502/1964. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES FISCAIS. NATUREZA OBJETIVA. NECESSIDADE DE EMBARAÇO CONCRETO À FISCALIZAÇÃO. SÚMULAS CARF Nº 96 E Nº 133. INAPLICABILIDADE NO CASO CONCRETO. O agravamento da multa de ofício por não atendimento a intimações fiscais pressupõe, embora dispense dolo específico, a demonstração de que a omissão do contribuinte recaiu sobre documentos ou esclarecimentos pertinentes e necessários, causando embaraço concreto à Fl. 3894DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 3 atividade fiscal. A ausência de cooperação não autoriza, por si só, a majoração da penalidade quando o Fisco logra apurar os fatos geradores por outros meios, especialmente com base em informações extraídas da própria ECD e das NF-e emitidas pela recorrente, sem dificuldade adicional relevante decorrente do descumprimento das intimações. Aplicam-se, por analogia, as Súmulas CARF nº 96 e nº 133, que afastam o agravamento quando a omissão já serviu de fundamento para a própria apuração ou presunção fiscal. MULTAS REGULAMENTARES. ECD. ECF. OMISSÕES E INCORREÇÕES DECORRENTES DOS MESMOS FATOS QUE FUNDAMENTARAM A EXIGÊNCIA PRINCIPAL E A MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IDENTIDADE DO NÚCLEO FÁTICO. TEMA 487 DO STF. CONSUNÇÃO. NE BIS IN IDEM. AFASTAMENTO. Não subsistem as multas regulamentares relativas à ECD e à ECF quando fundadas nos mesmos fatos que deram suporte à recomposição das bases de IRPJ e CSLL e à aplicação da multa de ofício. À luz do Tema 487 do STF, a infração instrumental é absorvida pela infração material mais grave quando constitui mero instrumento, consequência ou exteriorização documental da conduta já sancionada, sob pena de violação aos princípios da consunção, proporcionalidade e ne bis in idem. EFD-CONTRIBUIÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS EM ESCRITURAÇÃO FISCAL DIGITAL. EXONERAÇÃO DO PRINCIPAL DE PIS E COFINS EM RAZÃO DE ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE CONSUNÇÃO. SUBSISTÊNCIA DA MULTA REGULAMENTAR. A exoneração das exigências principais de PIS e COFINS, em razão da sujeição das receitas à alíquota zero prevista no art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925/2004, afasta a cumulação com multa de ofício, mas não elimina a infração instrumental consistente na omissão ou imprecisão de informações na EFD-Contribuições. A obrigação acessória subsiste ainda quando o tributo devido seja igual a zero, pois sua finalidade é permitir ao Fisco conhecer corretamente a ocorrência e as circunstâncias do fato gerador. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na Fl. 3895DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 4 decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2021 RECEITAS OMITIDAS DECORRENTES DE VENDAS DE CARNES BOVINAS E DERIVADOS. ALÍQUOTA ZERO. ART. 1º, XIX, DA LEI Nº 10.925/2004. EXONERAÇÃO. Embora subsista a caracterização da omissão de receitas, deve ser afastada a exigência de PIS e COFINS quando os próprios elementos da autuação indicam que as mercadorias constantes das NF-e estavam sujeitas à alíquota zero das contribuições, conforme o art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925/2004. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2021 RECEITAS OMITIDAS DECORRENTES DE VENDAS DE CARNES BOVINAS E DERIVADOS. ALÍQUOTA ZERO. ART. 1º, XIX, DA LEI Nº 10.925/2004. EXONERAÇÃO. Embora subsista a caracterização da omissão de receitas, deve ser afastada a exigência de PIS e COFINS quando os próprios elementos da autuação indicam que as mercadorias constantes das NF-e estavam sujeitas à alíquota zero das contribuições, conforme o art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925/2004. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura nulidade por ausência de fundamentação quando a decisão de primeira instância enfrenta as questões centrais da controvérsia, ainda que de forma contrária aos interesses do contribuinte. O simples inconformismo com a conclusão adotada pelo julgador não caracteriza cerceamento do direito de defesa, especialmente quando assegurados o contraditório e a ampla defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Fl. 3896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 5 No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. PARTICIPAÇÃO CONSCIENTE EM ATOS ILÍCITOS. FRAUDE, INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS E CONFUSÃO OPERACIONAL. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional exige a demonstração de interesse comum juridicamente qualificado na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, não se confundindo com mero interesse econômico reflexo ou benefício indireto. Caracteriza-se o interesse comum quando comprovada a participação consciente do terceiro na prática conjunta dos atos que integram a hipótese de incidência ou na realização de atos ilícitos diretamente vinculados ao fato jurídico tributário, tais como fraude, simulação, conluio ou interposição de pessoas, com nexo causal entre sua conduta e a constituição da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. PRÁTICA DE ATOS COM INFRAÇÃO À LEI. INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA DO RESPONSABILIZADO. A responsabilização dos sócios com base no art. 135 do CTN exige (i) a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto; (ii) a existência de nexo-causal entre o ato praticado e a obrigação tributária surgida. Ademais deve haver a individualização da conduta do administrador, não bastando para a atribuição de responsabilidade a simples indicação de que este possuía poderes de gestão. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em não conhecer do recurso voluntário apresentado por Carlos Magno Frederico; conhecer dos demais recursos apresentados para rejeitar suas preliminares e, no mérito, dar-lhes parcial provimento, nos seguintes termos: (1) por Fl. 3897DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 6 unanimidade de votos: (1.1) manter os lançamentos de IRPJ e CSLL; (1.2) afastar o agravamento das multas de ofício; (1.3) exonerar os lançamentos de PIS e Cofins; (1.4) exonerar as multas regulamentares decorrentes de omissões ou imprecisões na ECD e na ECF, por aplicação do Tema 487 da repercussão geral do STF; (1.5) manter a multa regulamentar decorrente de omissões ou imprecisões na EFD-Contribuições; e (1.6) afastar as responsabilidades solidárias atribuídas a Nostro Beef Alimentos Importação e Exportação Ltda, BMG Foods Importação e Exportação Ltda, Evandro Santos, Marçal Bissoli e Jair Antônio de Lima; e (1.7) manter a Agro Trading Serviços de Apoio Administrativo Ltda. no polo passivo, como responsável solidária, diante da ausência de recurso voluntário; e (2) por maioria de votos, manter a qualificação das multas de ofício, reduzindo-as ao percentual de 100%, vencido o Conselheiro Lucas Issa Halah, que votou por afastar a qualificação. No item 1, o Conselheiro Lucas Issa Halah acompanhou o Relator pelas conclusões. A Conselheira Isabelle Resende Alves Rocha manifestou intenção de apresentar declaração de voto. Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi – Relator Assinado Digitalmente Nilton Costa Simoes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Raimundo Pires de Santana Filho, Isabelle Resende Alves Rocha, Marcelo Antonio Biancardi, Lucas Issa Halah, Ricardo Piza Di Giovanni (substituto[a] integral), Nilton Costa Simoes (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de processo administrativo decorrente de lançamento de ofício de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e Multas Regulamentares, referente ao ano-calendário 2021. 1 DA AUTUAÇÃO A autuação encontra-se explanada no Termo de Verificação Fiscal juntado ao presente processo às folhas 2.573 a 2.608, o qual resumimos abaixo. No procedimento de fiscalização examinou-se a escrituração da recorrente relativa ao ano-calendário de 2021 e se concluiu que a empresa apresentou omissões de receitas e diversas incorreções contábeis e fiscais que reduziram artificialmente o resultado tributável e as Fl. 3898DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 7 bases de cálculo dos tributos federais. A primeira infração apontada foi a omissão de receitas decorrente da falta de registro, na Escrituração Contábil Digital (ECD), de vendas de mercadorias acobertadas por notas fiscais eletrônicas emitidas pela própria empresa. A fiscalização afirmou que o confronto entre os registros contábeis e as NF-e evidenciou receitas auferidas e não submetidas à tributação. Além disso, a autoridade fiscal glosou diversos custos, despesas e ajustes contabilizados sem documentação hábil e idônea que comprovaria da sua efetiva ocorrência. Foram considerados indevidos compras de mercadorias registradas no estoque; estornos de ICMS, PIS e COFINS; consumos de energia elétrica; serviços de armazenagem por terceiros; despesas com fretes sobre vendas; e devoluções de vendas registradas como vendas. Em todos esses casos, a fiscalização destacou que a contribuinte foi intimada a apresentar documentos, mas não os apresentou, limitando-se a solicitar prorrogação de prazo. Também foi apontada a majoração indevida dos valores de ICMS, PIS e COFINS registrados na contabilidade em relação aos valores apurados a partir das notas fiscais emitidas, circunstância que, segundo a fiscalização, reduziu artificialmente o lucro tributável. A fiscalização entendeu ainda que a ECD e a ECF de 2021 continham omissões e incorreções relevantes, justificando a aplicação de multas regulamentares por informações omitidas ou incorretas. No tocante à qualificação da multa de ofício, o TVF concluiu que as condutas se enquadram em sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, por representarem ações ou omissões dolosas destinadas a impedir ou retardar o conhecimento, pela autoridade fiscal, dos fatos geradores e de suas circunstâncias materiais. A autoridade fiscal afirmou expressamente que as ações e omissões caracterizaram fraude à fiscalização tributária e evidenciaram o dolo necessário à qualificação da multa. Quanto à responsabilidade solidária, a fiscalização sustentou que a recorrente, a Agro Trading, a Nostro Beef e a BMG Foods integrariam o chamado “Grupo Torlim”, identificado como grupo econômico de fato. Segundo o Termo, haveria interesse comum, atuação coordenada, confusão patrimonial e operacional e abuso da personalidade jurídica, circunstâncias que justificariam a responsabilização solidária com fundamento no art. 124, I, do CTN. Assim, foram apontadas como responsáveis solidárias as seguintes pessoas jurídicas: Agro Trading Serviços de Apoio Administrativo Ltda., por ser sócia majoritária da recorrente, integrar o grupo econômico apontado pela fiscalização e possuir interesse comum nos fatos geradores, apesar de estar inapta e com o CNPJ baixado; Nostro Beef Alimentos Importação e Exportação Ltda. e BMG Foods Importação e Exportação Ltda., por integrarem o mesmo grupo econômico de fato e compartilharem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária. Além das empresas, a fiscalização atribuiu responsabilidade aos administradores das sociedades, por entender configurada infração à lei na forma do art. 135, III, do CTN. Foram Fl. 3899DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 8 expressamente indicados Evandro Santos, sócio-administrador da recorrente; Carlos Magno Frederico, sócio-administrador da Agro Trading; Marçal Bissoli, sócio-administrador da Nostro Beef e da BMG Foods; e Jair Antônio de Lima, apontado como presidente da Torlim Alimentos S.A. e controlador do Grupo Torlim. Segundo a autoridade fiscal, essas pessoas deveriam ter zelado pela condução regular das empresas, mas teriam participado ou permitido a prática de evasão fiscal e das condutas consideradas dolosas, voltadas à obtenção de vantagens econômicas em prejuízo do erário. O fundamento utilizado foi a prática de atos com infração à lei e a participação na estrutura empresarial que teria viabilizado as irregularidades apuradas. 2 DA IMPUGNAÇÃO Apresentaram impugnação a recorrente e a maioria dos solidários, conforme quadro abaixo1, com os argumentos abaixo apresentados. Quanto à acusação de omissão de receitas, a defesa da recorrente (contribuinte) alegou que as notas fiscais identificadas pela fiscalização correspondiam a operações que não chegaram a se concretizar. Segundo a impugnação, tratava-se de vendas canceladas ou não efetivadas que permaneceram registradas no SPED por erro operacional, embora não tenha havido pagamento, transporte de mercadorias ou efetiva realização dos negócios. Sustentou-se que, por não ter existido ingresso patrimonial, não haveria fato gerador de IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS. Afirmou-se ainda que os produtos comercializados eram carnes bovinas sujeitas à alíquota zero de PIS e COFINS, além de ter sido requerido o reexame dos registros contábeis mediante diligência para demonstração da inexistência do débito. Em relação aos custos de aquisição de mercadorias glosados, a recorrente sustentou que os lançamentos apontados pela fiscalização correspondiam, na realidade, a ajustes contábeis vinculados a vendas não concretizadas. Argumentou que, após auditoria interna, foram identificadas operações que não haviam sido efetivamente realizadas, razão pela qual foram 1 Quadro elaborado pelo julgador da DRJ e constante do Acórdão juntado às folhas 3.444 a 3.522. Fl. 3900DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 9 efetuados lançamentos de estorno na contabilidade. Defendeu que os registros estavam devidamente refletidos na ECD, sem qualquer prejuízo ao Fisco, e que a fiscalização não considerou a conciliação completa dos lançamentos contábeis. Quanto aos estornos de ICMS, PIS e COFINS, a defesa afirmou que os valores estavam devidamente registrados e declarados na escrituração contábil e fiscal, de modo que não houve ocultação de informações nem redução indevida de tributos. Sustentou-se que todos os valores foram considerados na apuração fiscal, inexistindo dano ao erário. No tocante aos custos de energia elétrica, a recorrente alegou que os gastos eram reais e estavam amparados por notas fiscais e comprovantes de pagamento. Argumentou que a fiscalização reconheceu a existência dos lançamentos, faltando apenas a apresentação da documentação comprobatória, posteriormente juntada com a impugnação. Segundo a defesa, a infração decorreu apenas da ausência momentânea desses documentos durante a ação fiscal, atribuída a falhas internas de comunicação. Argumentação semelhante foi apresentada quanto aos custos de armazenagem. A recorrente sustentou que os serviços haviam sido efetivamente prestados e pagos, apresentando notas fiscais e comprovantes bancários para demonstrar a legitimidade dos lançamentos contábeis. Defendeu que a documentação anexada afastaria a glosa dos custos e a repercussão tributária decorrente. Por fim, a defesa requereu a conversão do julgamento em diligência para reanálise dos registros e documentos contábeis, sustentando que a busca da verdade material demonstraria a inexistência dos créditos tributários lançados. No tocante a multa qualificada a recorrente sustentou que a multa de ofício havia sido aplicada de forma indevida, pois a autoridade fiscal não teria demonstrado a ocorrência de dolo, fraude, sonegação ou conluio aptos a justificar a majoração da penalidade. Segundo a impugnante, o lançamento teria se limitado a apontar supostas irregularidades contábeis e omissões, sem identificar fatos concretos que se enquadrassem nas hipóteses previstas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964, nem descrever condutas específicas que evidenciassem o intuito deliberado de suprimir ou reduzir tributos. A recorrente também alegou que o auto de infração carecia de fundamentação individualizada, uma vez que não teria demonstrado a participação de cada envolvido nos fatos imputados nem produzido provas suficientes da prática de atos fraudulentos. Defendeu que a imposição da multa qualificada exigiria demonstração robusta dos elementos subjetivos da infração, em observância aos princípios da tipicidade e da motivação dos atos administrativos, não sendo admissível a mera presunção de comportamento doloso. Além disso, a recorrente afirmou que o não atendimento às intimações fiscais e a eventual presunção de omissão de receitas não autorizariam, por si sós, a qualificação ou o agravamento da multa de ofício. Para sustentar essa conclusão, invocou as súmulas 14, 25, 96 e 133 do CARF, defendendo que exigiriam prova do evidente intuito de fraude para aplicação da Fl. 3901DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 10 penalidade qualificada e que afastariam a utilização exclusiva da falta de apresentação de documentos ou do descumprimento de intimações como fundamento para o agravamento da multa. No que se refere à atribuição de responsabilidade solidária, os responsáveis sustentaram, em linhas gerais, que a fiscalização não demonstrou os requisitos legais necessários para a responsabilização tributária, tendo se baseado em presunções, referências genéricas a grupo econômico e elementos extraídos de outros procedimentos fiscais. Argumentaram que não houve comprovação de interesse comum nos fatos geradores, confusão patrimonial, abuso da personalidade jurídica ou atuação conjunta apta a justificar a aplicação do art. 124, I, do CTN. Também alegaram que a mera existência de relações comerciais, vínculos profissionais pretéritos ou participações societárias entre empresas não autoriza a responsabilização solidária, sendo indispensável a demonstração concreta da participação de cada autuado nos fatos que deram origem ao lançamento. As pessoas jurídicas Nostro Beef, BMG Foods e Agro Trading defenderam especificamente que mantinham personalidade jurídica própria e patrimônio autônomo, inexistindo grupo econômico de fato nos moldes descritos pela fiscalização. Alegaram que a autuação confundiu relações empresariais normais com atuação integrada e fraudulenta, sem demonstrar direção comum, subordinação, confusão patrimonial ou operacional. Sustentaram ainda que a fiscalização utilizou conclusões oriundas de outros processos fiscais e aduaneiros envolvendo terceiros para tentar justificar a sua inclusão no polo passivo, sem comprovar qualquer participação direta dessas empresas nas infrações atribuídas à recorrente. Quanto aos responsáveis pessoas físicas, Marçal Bissoli, Evandro Santos e Jair Antônio de Lima sustentaram que a fiscalização não individualizou suas condutas nem demonstrou a prática de atos com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto, requisitos indispensáveis para a responsabilização prevista no art. 135 do CTN. Alegaram que sua inclusão no polo passivo decorreu apenas de suas posições societárias ou administrativas, sem prova de dolo, fraude ou participação efetiva nos fatos geradores objeto da autuação. Defenderam, por isso, que a responsabilidade tributária não pode ser presumida nem decorrer automaticamente da condição de sócio, administrador ou pessoa relacionada às empresas apontadas pela fiscalização. 3 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Decidiu a Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 06, através de acórdão juntado às folhas 3.444 a 3.522, considerou as impugnações procedentes em parte, cujo voto, em suma, traz as conclusões seguintes. O julgador de piso inicialmente afastou o pedido de conversão do julgamento em diligência. Entendeu que não havia necessidade de produção adicional de provas, pois a própria contribuinte deixou de apresentar, durante a fiscalização, os documentos que lhe foram Fl. 3902DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 11 reiteradamente solicitados. Destacou que a alegação de necessidade de “reexame” documental era inadequada, uma vez que os documentos jamais chegaram a ser examinados pelo Auditor- Fiscal por falta de apresentação pelo contribuinte. Com base no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, concluiu que a diligência somente é cabível quando necessária ao esclarecimento de questões relevantes ao julgamento, o que não ocorria no caso. Acrescentou que o pedido configurava mera tentativa de dilação probatória extemporânea, vedada pelos arts. 15 e 16 do mesmo decreto, que exigem que a impugnação seja apresentada já instruída com as provas pertinentes. No mérito, o julgador considerou que a maior parte das alegações defensivas não era capaz de infirmar os fatos apurados pela fiscalização. Ressaltou que a autuação teve origem na constatação de omissão de receitas e na apropriação de custos, despesas, estornos, devoluções e tributos sem comprovação documental adequada, situação agravada pela ausência de atendimento às intimações fiscais. Afirmou ainda que documentos produzidos unilateralmente pelo próprio contribuinte, sem qualquer corroboração de elementos externos, não constituem prova suficiente para afastar o lançamento, aplicando o entendimento sintetizado na ementa do acórdão de que é “inaceitável como prova em favor do contribuinte um documento produzido por ele próprio”. O julgador, contudo, reconheceu parcialmente algumas razões da defesa quanto à quantificação do crédito tributário, reconhecendo a comprovação de custos com energia elétrica (R$ 712.749,89), armazenagem (R$ 673.903.59) e fretes (R$ 332.425,28) promovendo a redução dos valores exigidos dos tributos constantes da seção “Valores Devidos” do voto. Entendeu o julgado a quo que a qualificação da multa de ofício não se baseou em fraude, simulação ou conluio, mas sim na hipótese de sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, aplicada por remissão do art. 44, § 1º, inciso VI, da Lei nº 9.430/1996. O relator observou que a própria autuação indicava expressamente a ocorrência de sonegação, consistente em ações e omissões dolosas destinadas a impedir ou retardar o conhecimento, pela autoridade fiscal, da ocorrência dos fatos geradores e de suas circunstâncias materiais. Ao examinar a impugnação, o julgador afirmou que a alegação de que teriam ocorrido apenas “meros equívocos” era genérica e desacompanhada de provas. Também considerou irrelevantes os argumentos da defesa acerca de fraude e simulação, porque a autuação não havia sido fundamentada nessas figuras típicas, mas na sonegação do art. 71 da Lei nº 4.502/1964. O voto manteve integralmente as multas regulamentares por entender que as irregularidades apuradas pela fiscalização se enquadravam exatamente nas hipóteses legais de penalização previstas na legislação aplicável. O julgador rejeitou a alegação de que as multas relativas à ECD e às EFD´s somente poderiam ser aplicadas na ausência de escrituração, destacando que o art. 12, II, da Lei nº 8.218/1991 também alcança a omissão ou prestação incorreta de informações nos registros e arquivos digitais. Afastou ainda os argumentos de Fl. 3903DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 12 revogação normativa, de duplicidade de penalização, de consunção, de desproporcionalidade e de falta de subsunção dos fatos à norma, afirmando que as escriturações continham omissões e incorreções efetivamente constatadas pela fiscalização e que a autoridade tributária está vinculada ao princípio da estrita legalidade, devendo aplicar as penalidades expressamente previstas em lei quando configuradas as respectivas infrações. Quanto à responsabilidade solidária, o julgador acolheu a tese fiscal de existência de grupo econômico de fato e de interesse comum entre as empresas envolvidas, mantendo a responsabilização da Agro Trading, BMG Foods, Nostro Beef, Carlos Magno Frederico, Evandro Santos, Jair Antônio de Lima e Marçal Bissoli. Fundamentou essa conclusão nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, entendendo demonstrada a comunhão de interesses, a confusão patrimonial e a atuação conjunta das empresas, bem como a participação dos administradores nos fatos apurados. Também rejeitou as alegações de nulidade, cerceamento de defesa e ausência de motivação do lançamento. 4 DO RECURSO Irresignados, a recorrente e os responsáveis solidários Nostro Beef, BMG Foods, Evandro Santos, Marçal Bissoli, Jair Antonio de Lima e Carlos Magno Frederico apresentaram Recursos Voluntários onde apresentam sua síntese dos fatos e passaram a atacar o decisum da DRJ com os seguintes argumentos. 4.1 DAS PRELIMINARES 4.1.1 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE DOCUMENTOS E FUNDAMENTOS QUE EMBASARAM A DEFESA A recorrente sustenta que o acórdão recorrido incorreu em vício de motivação por ter simplesmente reproduzido as conclusões do auto de infração, sem efetivamente examinar as planilhas, demonstrativos contábeis, documentos fiscais e demais elementos apresentados na impugnação. Argumenta que a DRJ recusou genericamente as provas sob o fundamento de que seriam documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte, deixando de confrontá-las com os dados constantes dos sistemas oficiais de escrituração digital (ECD, ECF, EFD e SPED), em afronta aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Requer, por isso, a nulidade da decisão e o retorno dos autos à instância de origem para apreciação efetiva das provas produzidas. No mesmo sentido, Evandro Santos alegou que a DRJ desconsiderou documentos contábeis e demonstrativos apresentados pela defesa, limitando-se a reproduzir a narrativa fiscal sem exame crítico das provas, além de indeferir diligências relevantes ao esclarecimento dos fatos. Fl. 3904DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 13 A BMG Foods igualmente sustentou nulidade por cerceamento de defesa, afirmando que a DRJ rejeitou suas alegações de forma genérica, sem enfrentar os argumentos apresentados e sem indicar os fundamentos que justificariam as conclusões adotadas. 4.1.2 DA NULIDADE POR DESVIO DE FINALIDADE E DEFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO Marçal Bissoli alegou nulidade do auto de infração por desvio de finalidade e deficiência de motivação, sustentando que a fiscalização teria construído suas conclusões a partir de premissas fáticas que não autorizariam a aplicação das normas jurídicas invocadas. 4.2 DO MÉRITO No mérito, repisou as alegações da impugnação sustentando, em síntese, que as irregularidades apontadas pela fiscalização decorreriam de equívocos operacionais, reclassificações contábeis e ajustes internos regularmente refletidos na escrituração, e não de omissão de receitas ou glosa legítima de custos e despesas. Afirma que as NF-e tratadas como receitas omitidas corresponderiam a vendas não concretizadas, sem entrega de mercadorias, transporte ou recebimento, razão pela qual não teria havido acréscimo patrimonial tributável, além de invocar a alíquota zero de PIS e COFINS para carnes bovinas e derivados. Em relação aos custos de aquisição, estornos de tributos, energia elétrica, armazenagem, fretes e suposta majoração de tributos sobre vendas, defende que os lançamentos estavam lastreados em ajustes contábeis, notas fiscais, CT-e, comprovantes de pagamento e registros da ECD, alegando que a DRJ desconsiderou genericamente as provas apresentadas, sem análise concreta e em afronta à verdade material, à ampla defesa e ao dever de motivação. Por fim, sustenta possuir prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL regularmente registrados em exercícios anteriores, cujo aproveitamento deveria ser admitido até o limite legal de 30%, requerendo o cancelamento das exigências ou, subsidiariamente, a realização de diligência contábil para reanálise dos documentos e registros fiscais apresentados. 4.3 DA AUSÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO E DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A recorrente impugna integralmente a conclusão fiscal de que integraria grupo econômico de fato com Agro Trading, Nostro Beef e BMG Foods. Sustenta que a fiscalização baseou suas conclusões principalmente em fiscalizações aduaneiras pretéritas, em relações comerciais legítimas entre empresas do mesmo setor e em coincidências de fornecedores, clientes ou vínculos profissionais anteriores de determinados sócios e administradores. Argumenta que tais circunstâncias não demonstram direção unitária, confusão patrimonial ou comunhão de interesses na ocorrência dos fatos geradores. Afirma que inexistem elementos que autorizem a aplicação do art. 124, I, do CTN ou a desconsideração da personalidade jurídica das empresas envolvidas. Essa tese foi reproduzida por todos os responsáveis solidários. Fl. 3905DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 14 A Nostro Beef sustentou que não possui acesso à escrituração da recorrente e que a fiscalização não demonstrou concretamente a existência de grupo econômico, tampouco os requisitos necessários para a responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN. A BMG Foods afirmou que mantinha apenas relações comerciais ordinárias com a recorrente e que a acusação de participação em grupo econômico foi construída a partir de ilações baseadas em vínculos profissionais pretéritos de Marçal Bissoli e em operações comerciais legítimas. Defendeu que o conceito de interesse comum exige participação direta na situação que constitua o fato gerador ou em eventual ato ilícito, circunstâncias não demonstradas pela fiscalização. Marçal Bissoli alegou que a decisão recorrida presumiu interesse comum e dolo com base em meras relações societárias e comerciais, sem demonstrar qualquer ato de gestão praticado com excesso de poderes, infração à lei ou violação contratual, como exige o art. 135, III, do CTN. Jair Antônio de Lima sustentou que a fiscalização não comprovou sua participação direta na administração da recorrente nem sua atuação nos fatos geradores objeto do lançamento, baseando-se apenas em referências a procedimentos fiscais anteriores e supostas ligações com o denominado Grupo Torlim. Evandro Santos também defendeu a inexistência de grupo econômico e de responsabilidade solidária, sustentando que a fiscalização confundiu relações comerciais legítimas com comunhão de interesses tributários e não comprovou confusão patrimonial ou operacional. 4.4 DA MULTA QUALIFICADA A recorrente sustenta que não houve fraude, simulação ou dolo aptos a justificar a qualificação da multa de ofício. Argumenta que as divergências identificadas pela fiscalização decorreriam de erros contábeis, falhas operacionais e ajustes posteriormente esclarecidos por auditoria interna, sem qualquer propósito de ocultação de receitas ou evasão tributária. Defende que a autoridade fiscal não demonstrou o elemento subjetivo necessário para aplicação da penalidade agravada. Evandro Santos reproduz essa argumentação e acrescenta que a simples divergência entre registros contábeis e interpretações fiscais não autoriza a presunção de fraude. Marçal Bissoli e os demais responsáveis solidários sustentam que a decisão recorrida presumiu a existência de dolo e de atuação coordenada sem demonstração concreta de atos fraudulentos ou de participação pessoal dos recorrentes em qualquer infração dolosa. 4.5 DAS MULTAS REGULAMENTARES A recorrente sustenta que as multas regulamentares decorrentes de supostas omissões e incorreções em ECD, ECF e EFD não podem subsistir porque as irregularidades materiais apontadas pela fiscalização não existiram. Argumenta que os registros contábeis Fl. 3906DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 15 estavam devidamente escriturados e que eventual divergência decorreu da interpretação equivocada da fiscalização sobre ajustes contábeis regularmente efetuados. Evandro Santos acrescenta que as multas regulamentares não poderiam coexistir com a multa de ofício quando fundadas nos mesmos fatos, defendendo a incidência do princípio do non bis in idem. É o relatório. VOTO Conselheiro Marcelo Antonio Biancardi, Relator. 1 DA ADMISSIBILIDADE Como já relatado, foram apresentados os seguintes recursos voluntários, nas datas abaixo especificadas: Verifica-se que a Agro Trading Serviços de Apoio Administrativo Ltda/CNPJ n°07.702.840/0001-45 deixou de apresentar recurso voluntário dentro do prazo regimental, motivo pelo qual ocorreu a perempção de seu direito de recurso, conformando-se a coisa julgada administrativa em seu desfavor, aproveitando-se, tão somente do que lhe aplicar, do resultado dos recursos dos outros sujeitos passivos. No que se refere a Carlos Magno Frederico, este deixou de apresentar impugnação no prazo legal, havendo sido decretada a sua revelia (fl. 3.349), entretanto, apresentou recurso voluntário após a decisão de primeira instância. Temos que dizer que, com a verificação de sua revelia, o responsável perdeu a capacidade postulatória no âmbito do processo administrativo, de forma que também ocorreu a perempção de seu direito de recurso, conformando-se a coisa julgada administrativa em seu desfavor. Assim, não conheço de seu recurso voluntário. Destarte, os recursos voluntários da recorrente e dos responsáveis solidários Nostro Beef Alimentos Importação e Exportação Ltda/CNPJ n° 14.515.756/0001-88 e BMG FOODS Importação e Exportação Ltda/CNPJ n° 10.989.834/0001-25, Evandro Santos, Marçal Bissoli e Jair Sujeito Passivo Impugnação Data da Ciência Data limite Data RV Admissibilidade Betampex Ok 06/10/2025 05/11/2025 05/11/2025 Tempestivo Nostro Beef Ok 06/10/2025 05/11/2025 05/11/2025 Tempestivo BMG Foods Ok 06/10/2025 05/11/2025 03/11/2025 Tempestivo Evandro Santos Ok 13/10/2025 12/11/2025 12/11/2025 Tempestivo Agro Trading Ok 06/10/2025 05/11/2025 - Perempto (ver fl. 3.880) Marçal Bissoli Ok 08/10/2025 07/11/2025 07/11/2025 Tempestivo Jair Antonio de Lima Ok 13/10/2025 12/11/2025 11/11/2025 Tempestivo Carlos Magno Frederico Revel (ver. fl. 3.349) 21/10/2025 Revel 05/11/2025 Inadimissível (Perempto) Fl. 3907DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 16 Antonio de Lima são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deles conheço. 2 DAS PRELIMINARES 2.1 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE DOCUMENTOS E FUNDAMENTOS QUE EMBASARAM A DEFESA Tanto a recorrente quanto Evandro Santos alegaram que a impugnação da recorrente juntou extensa documentação, especialmente planilha elaborada por auditoria contratada, contendo a identificação dos lançamentos contábeis, notas fiscais, comprovantes de pagamento e documentos de transporte, demonstrando individualmente os pontos questionados pela fiscalização. Sustentou que a DRJ não examinou esse material, limitando-se a afirmar genericamente que os documentos eram “produzidos unilateralmente pela empresa” e, por isso, não teriam valor probatório. Argumentou que a autoridade julgadora deixou de confrontar os documentos com os demais elementos dos autos, inclusive dados extraídos de sistemas oficiais de escrituração digital (SPED, ECD e EFD), invertendo indevidamente o ônus da prova e abdicando de sua função revisora. Defendeu que a ausência de apreciação concreta das provas e dos argumentos de mérito caracterizou violação ao contraditório, à ampla defesa e ao dever de fundamentação, requerendo a anulação do acórdão para que a DRJ analisasse os documentos e fundamentos apresentados na impugnação. A alegação da recorrente não encontra respaldo no conteúdo do voto atacado. Ao contrário do que sustenta, o acórdão demonstra que a DRJ examinou especificamente a documentação apresentada na impugnação, inclusive reconhecendo parte dela como apta a comprovar determinadas despesas e, por essa razão, reduziu parcialmente o crédito tributário. Foram expressamente admitidos gastos com energia elétrica no valor de R$ 712.749,89, gastos com armazenagem no valor de R$ 673.903,59 e despesas de frete no valor de R$ 332.425,28, após análise dos documentos juntados aos autos. Tal circunstância, por si só, afasta a afirmação de que a DRJ teria simplesmente ignorado a prova documental produzida pela recorrente. O voto também registra que a recorrente apresentou "planilha em formato de Excel elaborada pela auditoria contratada", contendo a identificação dos lançamentos contábeis, notas fiscais, comprovantes de pagamento e documentos de transporte, e passa a examinar os argumentos relacionados aos diversos grupos de glosas. Assim, o julgador tinha plena ciência da documentação apresentada e a analisou no contexto de cada infração discutida. Além disso, o acórdão não desqualificou genericamente toda a documentação apresentada pela defesa. O que o voto afirmou foi que determinados documentos produzidos unilateralmente pela própria contribuinte não eram suficientes, isoladamente, para afastar as conclusões da fiscalização quando desacompanhados de documentação hábil e idônea que Fl. 3908DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 17 comprovasse as operações registradas. Essa conclusão foi alcançada após cotejo entre os registros contábeis, os documentos apresentados e os elementos colhidos pela fiscalização, não por mera recusa abstrata de valorar a prova. O voto rejeitou expressamente a alegação de ausência de provas por parte da fiscalização, afirmando exatamente o contrário: que havia "superabundância de provas acostadas pelo autor do feito". Ao enfrentar a tese relativa à multa qualificada, o julgador consignou que o auditor-fiscal havia enumerado detalhadamente as infrações apuradas e ressaltou a existência de vasto conjunto probatório constante dos autos, afirmando que a interessada não poderia alegar ignorância acerca de seu conteúdo. Também não procede a alegação de que a DRJ teria deixado de examinar os fundamentos de mérito. O voto dedica extensa fundamentação às diversas teses defensivas, enfrentando temas como omissão de receitas, compras sem comprovação documental, custos glosados, estornos de tributos, diferenças apuradas entre ECD, EFD e demais escriturações digitais, responsabilidade solidária, grupo econômico, multa qualificada e multas regulamentares. Em relação à multa qualificada, por exemplo, o julgador respondeu diretamente ao argumento de falta de individualização das condutas e de ausência de descrição dos fatos, afirmando que o auto de infração "enumera, paciente e zelosamente, as infrações cometidas pela autuada", passando a reproduzir as irregularidades descritas no Termo de Verificação Fiscal. Por fim, a própria conclusão do julgamento, repise-se, evidencia que houve efetiva apreciação das provas apresentadas pela recorrente. Se a DRJ tivesse simplesmente se recusado a analisar a documentação, o resultado lógico seria a manutenção integral do lançamento. Ocorre que o acórdão julgou a impugnação parcialmente procedente e reduziu o crédito tributário após reconhecer como comprovadas determinadas despesas, demonstrando que os documentos foram examinados e valorados, ainda que apenas parcialmente acolhidos. A discordância da recorrente quanto ao resultado da valoração probatória não se confunde com ausência de análise das provas ou falta de fundamentação do julgado. Dessarte, nota-se que não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade da decisão recorrida, visto que foram apreciadas todas as alegações contidas nas peças impugnatórias, sem omissão ou contradição, não sendo o julgador obrigado a tratar, de forma expressa e de per si, de todos os argumentos contidos na contestação, dado que o seu livre convencimento permite seja uma decisão amparada em um ou mais fundamentos, contanto que considerados suficientes ao deslinde da questão. 2.2 DA NULIDADE POR DESVIO DE FINALIDADE E DEFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO Marçal Bissoli sustentou que o lançamento seria nulo por desvio de finalidade e deficiência de motivação, pois a fiscalização teria fundamentado sua responsabilização em fatos extraídos de procedimentos fiscais e investigações envolvendo outras empresas, como Garantia Total, Corex, Torlim Alimentos, Best Boi e outras pessoas jurídicas supostamente vinculadas ao denominado Grupo Torlim. Argumentou que o Termo de Verificação Fiscal utilizou um alegado Fl. 3909DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 18 entrelaçamento societário e operacional construído a partir de contextos estranhos aos fatos geradores objeto da autuação, sem demonstrar de que forma tais elementos se relacionariam com as operações efetivamente realizadas pela recorrente ou com os tributos exigidos no presente processo. Afirmou, ainda, que a imputação de responsabilidade solidária foi construída com base em presunções decorrentes da alegada existência de grupo econômico, sem a demonstração concreta de sua participação nos fatos geradores ou de qualquer ato ilícito praticado por ele. Nesse contexto, invocou o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 4/2018 para sustentar que a responsabilidade tributária por interesse comum ou por ato ilícito exige a comprovação de vínculo efetivo entre o responsável, o contribuinte e o fato jurídico tributário, bem como a demonstração de atuação comissiva ou omissiva que tenha contribuído para a ocorrência da infração. Segundo a defesa, a fiscalização não indicou qual teria sido o ato específico praticado pelo recorrente que justificaria sua responsabilização. Com base nessas premissas, Marçal Bissoli alegou que a autuação se apoiou em elementos externos ao caso concreto, sem individualização de condutas e sem demonstração do nexo entre os fatos atribuídos a terceiros e os fatos geradores discutidos nos autos. Defendeu que a utilização de conclusões extraídas de outras fiscalizações e a ausência de motivação específica quanto à sua participação nos supostos ilícitos comprometeriam a validade do lançamento, razão pela qual requereu o reconhecimento da nulidade do auto de infração e a extinção do processo sem julgamento do mérito. É fato que a autoridade fiscal admite ter utilizado provas emprestadas de fiscalizações aduaneiras anteriores (Processos Administrativos Fiscais (PAF) n° 15444.720201/2020-37, 15444.720029/2023-64, 15444.720025/2023-86, 15444.720001/2024-16, 15165.720940/2014-17, 10111.721024/2016-78, 10111.721911/2017-27), cujos elementos (documentos utilizados) foram juntados ao presente processo. Primeiramente temos que dizer que o uso de prova emprestada, por si só, não configura cerceamento ao direito de defesa, mormente quando ao recorrente foi garantida a ampla defesa e o contraditório no âmbito do presente processo. Assim, muito embora tenha se valido a autoridade fiscal de prova produzida no curso outros de procedimentos fiscais, foi assegurado aos recorrentes demonstrar, no presente processo, a invalidade ou a improcedência das constatações neles apuradas, de forma que lhe foi garantido o contraditório e a ampla defesa. Nesse sentido é a jurisprudência deste CARF: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2008, 2009 PROVA EMPRESTADA. AUTUAÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE. Na instrução do processo administrativo fiscal são admissíveis como provas elementos, informações e documentos coletados por outros órgãos oficiais e regularmente compartilhados com a Receita Federal do Brasil, que tem plena Fl. 3910DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 19 independência para firmar sua convicção sobre a subsunção dos fatos coletados à norma tributária. (Acórdão nº 9101-004.792 de 06/02/2020. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais, mormente quanto à demonstração da alegada divergência jurisprudencial, o Recurso Especial deve ser conhecido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. PROVA LÍCITA. É possível o aproveitamento da prova emprestada de outro processo, no qual não tenha sido parte aquele contra quem se pretenda fazê-la valer, desde que garantido o contraditório por ocasião da impugnação ao lançamento. SIMULAÇÃO. RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. APROVEITAMENTO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível o aproveitamento, no contencioso administrativo, dos tributos recolhidos pela pessoa jurídica que teve seus rendimentos deslocados para a pessoa física, vez que não se pode dizer tenha o lançamento, que assim não o fez, incorrido em vício de legalidade. (Acórdão nº 9202-011.161 de 29/02/2024). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão no Acórdão embargado, precisa ser sanada PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas em outro processo do Fisco Estadual, mesmo que este ainda não tenha "transitado em julgado", são admissíveis no processo administrativo fiscal, desde que não prejudique o direito de defesa do contribuinte. (Acórdão nº 1401-001.568 de 02/03/2016) Há que se dizer ainda que a fundamentação da presente autuação não se calcou unicamente nas apurações daqueles procedimentos/processos, tendo sido procedidas intimações e apurações fiscais em fiscalização autônoma que culminou com o presente processo, de forma que a motivação do ato administrativo se encontra plenamente demonstrada. Há que se dizer ainda que o desvio de finalidade (ou desvio de poder) é um vício jurídico que ocorre quando um agente público ou uma autoridade pratica um ato formalmente legal, mas com um objetivo diferente daquele previsto em lei ou fora do interesse público. É uma modalidade clássica de abuso de poder. Assim, muito embora o recorrente tenha aventado que a autoridade fiscal teria praticado ato com desvio de finalidade, não indicou, e não se vislumbra, Fl. 3911DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 20 qual foi a finalidade pretendida pelo agente público acobertada pelo lançamento tributário, de forma que também não se pode acolher as alegações da defesa neste quesito. 3 DO MÉRITO 3.1 DA OMISSÃO DE RECEITA A autoridade fiscal identificou a falta de registro, na escrituração da recorrente (ECD e ECF), de vendas de mercadorias acobertadas por notas fiscais eletrônicas emitidas pela própria empresa. A fiscalização afirmou que o confronto entre os registros contábeis e as NF-e evidenciou receitas auferidas e não submetidas à tributação. A recorrente, por sua vez, sustenta que as notas fiscais apontadas como receitas omitidas não correspondiam a operações efetivamente realizadas. Afirma tratar-se de vendas que não chegaram a ser concretizadas, sem entrega de mercadorias, sem transporte e sem recebimento de qualquer contraprestação financeira. Afirma que tais documentos deveriam ter sido cancelados, mas permaneceram registrados em razão de erro operacional, sendo posteriormente identificados por auditoria interna. Defende que inexistiu acréscimo patrimonial apto a caracterizar receita tributável, nos termos do art. 43 do CTN. Argumenta ainda que os produtos negociados consistiam em carnes bovinas e derivados submetidos à alíquota zero de PIS e COFINS, nos termos da Lei nº 10.925/2004. Subsidiariamente, requer diligência para reanálise das provas contábeis e fiscais apresentadas. O recurso remete ao laudo acostado às folhas 2.952 a 2.968 para justificar e comprovar que aquelas vendas não existiram, muito embora admita que as respectivas NF-e não foram canceladas, permanecendo ativas no sistema SPED. Examinando as citadas justificativas, primeiramente cabe destacar que a análise procedida no laudo não é exaustiva. Muito embora o total omitido seja de R$ 7.136.568,82, conforme quadro abaixo extraído do TVF, o citado laudo limitou-se a analisar tão somente 4 (quatro) operações que somam R$ 2.541.998,11. Fl. 3912DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 21 Assim, do total de receitas omitidas apurado, R$ 4.594.570,71 restam completamente sem nenhuma comprovação e ou justificativa, a não ser pela afirmação de que tais vendas foram canceladas, muito embora as NF-e tenham permanecido ativas para todos os efeitos. Do que apresentou esclarecimentos, nota-se que a justificava apresentada é de que as citadas vendas foram “estornadas” diretamente na conta contábil de “Compras”, o que está em completo desacordo com elementos básicos das regras de escrituração contábil. Estornos devem se dar na mesma conta dos lançamentos de origem. Ressalte-se ainda, que lançamentos desse tipo são, quais sejam, lançamentos a crédito de contas de custo/despesa para “estornar” lançamentos de receita, expedientes típicos de quem pretende reduzir artificialmente o lucro. Ora, se há emissão de documento fiscal (NF-e) para terceiro que o aproveitará para todos os efeitos (custos, recuperação de tributos, etc.), impedindo, por este motivo que seu emissor o cancele, resta o artifício contábil de “criar” contrapartida de resultado com lançamentos, sem lastro, de despesas/custos, os quais anulam os efeitos das receitas que se quer omitir na apuração do lucro. É lição elementar no manual da “maquiagem” contábil. Destarte, na situação aventada pela recorrente, o procedimento de saneamento correto é demasiado simples, qual seja, o cancelamento das NF-e correspondes às vendas canceladas. Ainda assim, poder-se-ia admitir tratar-se de erro de contabilização e/ou procedimento caso os beneficiários das NF-e tivessem emitido notas de devolução, de forma que os efeitos fiscais das NF-e seriam anulados com os correspondentes lançamentos contábeis, erroneamente contidos na conta “Compras”, porém os citados “estornos”, ao que consta dos autos, não estão acobertados por notas de devolução dos supostos clientes. Note-se também que os produtos constantes das notas fiscais omitidas são perecíveis (carne in natura), já os “estornos” se deram de forma parcelada, em montantes idênticos, levando meses para a conclusão da devolução. Apenas para exemplificar, juntamos abaixo uma dessas análises: Fl. 3913DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 22 Destarte, verifica-se falta de verossimilhança nas alegações da recorrente, as quais, repise-se, estão completamente desamparadas de documentação comprobatória. A justificativa de estorno deveria vir acompanhada de lançamentos de ajuste na própria conta contábil de registro das receitas e amparadas por notas de devolução. A forma adotada pela recorrente mantém a presunção legal de existência das operações amparadas por aquelas NF-e, garantindo aos destinatários a possibilidade de apropriação dos custos e créditos dos tributos indiretos incidentes, de forma que o ônus decorrente não pode ser oposto ao Fisco em face da escrituração efetuada pela recorrente. Curial relevar também que os destinatários da integralidade das citadas vendas são empresas (ver planilha juntada folha 250) que a fiscalização comprovou fazer parte de grupo econômico da qual a recorrente é elemento integrante, de forma que o “erro” da recorrente beneficia o grupo em duplicidade: dispensa a recorrente do recolhimento dos tributos incidentes na operação; garante custos e créditos tributários para as beneficiárias das NF-e, reduzindo o ônus fiscal decorrente das suas operações. Por conseguinte, o que se tem é que as NF-e comprobatórias da omissão de receitas não foram canceladas, não existem NF-e de devolução correspondentes, a escrituração efetuada pela recorrente faz prova em seu desfavor, nos termos do art. 417 do Código de Processo Civil, os lançamentos contábeis apresentados como comprobatórios do alegado pela recorrente estão em completo desacordo com normas básicas de escrituração e desamparados de documentação comprobatória, de forma que o lançamento por omissão de receita deve ser mantido. Por outro lado, entretanto, assiste razão à recorrente no que se refere ao lançamento de PIS e COFINS decorrente da omissão de receitas. Isso porque, os produtos constantes das NF-e ensejadoras da autuação sujeitam-se à alíquota zero daquelas contribuições, conforme o art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925/2004. Essa informação também consta da planilha produzida pela Fiscalização “VENDAS DE MERCADORIAS NÃO REGISTRADAS NA ECD DE 2021” Fl. 3914DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 23 juntada como arquivo não paginável à folha 250, onde nas colunas CST PIS e CST COFINS consta a informação “TRIBUTADO ALIQ. ZERO”. Destarte, os lançamentos de PIS e COFINS decorrentes da omissão de receitas apurada devem ser exonerados. 3.2 DOS CUSTOS NÃO COMPROVADOS 3.2.1 AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS Segundo a autoridade fiscal, a recorrente foi intimada a apresentar a relação das Notas Fiscais ou Notas Fiscais Eletrônicas que acobertaram as aquisições de mercadorias destinadas à comercialização e/ou industrialização, registradas na conta 401 – Estoque de Mercadorias da Escrituração Contábil Digital (ECD) uma vez que não existiam no sistema SPED NF- e documentos correspondentes. Após várias reintimações sem que a recorrente apresentasse a documentação e/ou justificativa para os lançamentos contábeis, procedeu à depuração dos dados conforme SPED e à glosa dos referidos custos não comprovados. Abaixo seguem os montantes apurados pela autoridade fiscal: A recorrente sustenta que a glosa dos valores registrados na Conta 401 (Estoque de Mercadorias) decorreu de interpretação equivocada dos registros contábeis. Argumenta que os valores apontados como compras sem comprovação correspondiam, na realidade, a estornos de vendas não efetivadas, registrados mediante ajustes contábeis entre as contas de estoque, clientes e vendas. Afirma que auditoria interna identificou vendas que não se concretizaram e que os lançamentos questionados apenas refletiam a reversão dessas operações. Apresenta demonstrativos indicando correspondência integral entre os valores lançados na Conta 401 e aqueles registrados na Conta contábil “711 (Vendas)”, sustentando que não houve qualquer repercussão econômica ou fiscal apta a justificar a tributação. Requer o cancelamento integral das glosas ou, subsidiariamente, a realização de diligência contábil. Fl. 3915DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 24 Nota-se que argumentação trazida pela recorrente se assemelha a justificativa apresentada para a infração analisada anteriormente neste voto, ou seja, que procedeu “estornos” de vendas canceladas. Veja, as conclusões a respeito da escrituração que chegamos aqui são as mesmas já expostas anteriormente. O expediente adotado pela recorrente é típico de sonegação, pois cria artificialmente despesas para compensar receitas decorrentes de documentos fiscais que não podem (ou não se quer) ser cancelados, reduzindo indevidamente o lucro tributável e ocultando a efetiva incidência tributária. O procedimento de cancelamento de NF-e é demasiado simples e não foi adotado repetidamente pela recorrente, beneficiando a si e aos integrantes do grupo econômico da qual pertence. A relação de cotejamento (fl. 3.653) das duas contas contábeis (Receita x despesa) trazida no Recurso Voluntário da recorrente deixa a intenção da ocultação e a falta de verossimilhança das suas alegações evidente. Infere-se que as supostas NF-e que teriam sido canceladas tem numeração sequencial (com apenas alguns hiatos), começando na NF-e de nº 60 até a NF-e nº 329, ou seja, segundo a alegação da recorrente, a esmagadora maioria (quase a totalidade) de suas NF-e emitidas a partir de 31/03/2021 até o final do ano-calendário foram canceladas com lançamentos de “estorno” na conta “Compras”. Ressalte-se ainda que, da mesma forma que se vislumbrou na análise do item anterior, as “compras”, ou “devoluções” não se deram pela integralidade dos montantes das NF-e, mas de forma parcelada ao longo de meses, conforme se vê da escrituração da conta “Estoque 401” juntada aos autos através de arquivo não paginável à folha 251. Ou seja, segundo a recorrente, as vendas efetuadas exclusivamente para empresas de seu grupo econômico, foram integralmente canceladas a partir de março de 2021, porém tais cancelamentos foram operacionalizados de forma parcelada, ao longo de meses, muito embora os produtos vendidos sejam altamente perecíveis. Entendo ser mais crível a conclusão fiscal, qual seja, que a recorrente se valeu de expediente contábil para anular os efeitos tributários de suas vendas a empresas ligadas, mantendo hígido o aproveitamento de custos e tributos indiretos por aqueles beneficiários em decorrência das operações em voga. Procedeu tais “estornos” de forma parcelada para dissimular sua prática, tendo em vista que lançamentos em montantes idênticos a suas vendas facilitaria a identificação do artifício utilizado. Destarte, devem ser mantidas as glosas dos decorrentes custos na apuração do IRPJ e da CSLL. 3.2.2 ESTORNOS DE TRIBUTOS A Fiscalização apurou lançamentos de custo na conta contábil “401-Estoque” com a descrição de Estorno do ICMS, Estorno da COFINS e Estorno do PIS, havendo a recorrente sido intimada a apresentar a justificativa/comprovação. Fl. 3916DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 25 Em sua defesa a recorrente afirma que “os estornos de ICMS, PIS e COFINS registrados na ECD do exercício de 2021 constituem ajustes contábeis regulares, devidamente declarados e apurados, sem qualquer prejuízo fiscal. Esclareceu que não houve ocultação de tributos ou tentativa de reduzir artificialmente a base de cálculo, mas apenas o registro técnico de créditos e débitos tributários, efetuado em conformidade com a legislação aplicável e com os princípios da correção contábil e da competência.” Da mesma forma que nas infrações anteriores, verifica-se que a justificativa é insuficiente para afastar a autuação. Como já mencionado, os lançamentos de estorno devem ocorrer na mesma conta dos lançamentos que se quer anular. Assim, os citados lançamentos geraram custos indevidos que, ao contrário do asseverado pela recorrente, impactaram a apuração do lucro e, por conseguinte, dos tributos decorrentes. Sendo suas alegações genéricas e desprovidas de documentação comprobatória, devem ser mantidas as glosas dos referentes custos. 3.2.3 CUSTOS DE FABRICAÇÃO COM ENERGIA ELÉTRICA, CUSTOS DE ARMAZENAGEM E DESPESAS COM FRETES A recorrente alegou que as despesas com energia elétrica e custos de armazenagem foram integralmente comprovadas por notas fiscais e respectivos comprovantes de pagamento, esclarecendo que sua não apresentação durante a fiscalização decorreu apenas de falha administrativa posteriormente sanada. Sustentou que tais gastos são essenciais à atividade empresarial e, portanto, dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL, afirmando que a DRJ rejeitou genericamente as provas sem apontar inconsistências concretas, em afronta aos princípios da verdade material, da ampla defesa e da motivação das decisões, razão pela qual requereu o cancelamento da glosa ou, subsidiariamente, a realização de diligência contábil. Primeiramente temos que dizer que a recorrente não apresentou provas adicionais àquelas apresentadas na Impugnação em sede de Recurso Voluntário. Diferentemente do alegado, a DRJ procedeu a exame detalhado da documentação apresentada, havendo concluído que havia, na documentação apresentada, documentos em duplicidade ou triplicidade (NF-e, boletos, comprovantes de agendamento de pagamento, etc.), de forma que tais elementos se prestam a justificar somente uma operação. Ademais, identificou, que alguns dos documentos tinham como sacado/interessado terceiros, de forma que não os considerou como dedutíveis pela recorrente. Assim, elaborou tabelas das despesas comprovadas (fl. 3.492 a 3.495) havendo afastado parcialmente as glosas decorrentes. Como já dito, em sede de recurso a recorrente não apresentou qualquer alegação a respeito das constatações da DRJ, havendo se limitado a dizer que a documentação apresentada comprovaria as despesas pleiteadas. Nota-se claramente que o recurso não dialoga com a decisão recorrida, limitando-se tão somente a repisar argumentação já apresentada em sede de Fl. 3917DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 26 impugnação, motivo pelo qual me alinho integralmente ao voto da decisão a quo, transformando- os em meus seus fundamentos, nos termos do art. 114, §12, I do RICARF, não havendo, portanto, reforma a ser reconhecida em sede de recurso voluntário. 3.3 MAJORAÇÃO DE TRIBUTOS A autoridade fiscal identificou que a recorrente lançou despesas com tributos (ICMS, PIS e COFINS) em montantes superiores àqueles destacados/apurados conforme as NF-e de sua emissão, motivo pelo qual intimou a recorrente para que apresentasse memória de cálculo dos tributos bem como a justificativa para as diferenças apuradas sem que tenha obtido resposta justificativa, procedendo assim a glosa das despesas excedentes. A recorrente, em ambas as instâncias administrativas, apresentou alegação de “que as diferenças de valores entre a ECD e as notas fiscais apontadas pela fiscalização decorrem de reclassificação tributária e autocorreção das operações, com recolhimento dos tributos devidos nos valores efetivamente corretos”. Explicou que, durante o processo de revisão interna das escriturações fiscais, foram identificadas inconsistências de classificação entre receitas sujeitas a tributação e receitas com alíquota zero ou isentas, motivo pelo qual foram efetuados os ajustes contábeis e fiscais necessários à correta representação dos fatos econômicos. Não apresentou memória de cálculo ou documentação de suporte do alegado, limitando-se a afirmar que “a divergência verificada pela fiscalização não representa majoração de tributos nem manipulação indevida de receitas, mas mero ajuste contábil de reclassificação, que não implicou omissão, supressão ou redução do quantum tributário devido. Em suma, as diferenças observadas refletem ajustes legítimos, sem qualquer impacto fiscal indevido.” Verifica-se que as alegações da recorrente se consubstanciam em negação genérica, o que não se pode admitir como suficiente para afastar o lançamento. Como já mencionado, a autoridade fiscal fez a apuração dos tributos devidos pela recorrente conforme suas NF-e e considerou aqueles montantes como despesas na apuração do lucro real. Repise-se que as NF-e tem presunção de legitimidade e produzem seus efeitos, de forma que sua desconsideração deve vir acompanhada de documentação de suporte. A simples alegação de “reclassificações tributárias” não pode ser acatada sem a apresentação de justificativa, memória de cálculo e documentação comprobatória, elementos ausentes nas peças de defesa. Verifica-se, ao final, que a majoração dos tributos incidentes (despesas) na apuração do lucro real se insere na prática corrente e demonstrada de sonegação tributária perpetrada pela recorrente, a qual utiliza de lançamentos sem lastro em contas de despesa para anular os efeitos do auferimento de suas receitas (amparadas por NF-e) na apuração do lucro real e dos tributos decorrentes. Destarte, devem ser mantidas as glosas efetuadas com esta rubrica. Fl. 3918DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 27 3.4 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS A recorrente alegou possuir saldos de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL regularmente apurados e registrados na ECD e na ECF, defendendo o direito à compensação nos limites legais de 30% do lucro líquido ajustado. Sustentou que a fiscalização teria reconhecido a existência formal desses saldos, mas negado seu aproveitamento por suposta insuficiência documental, desconsiderando registros oficiais sem apontar inconsistências concretas, em afronta à verdade material e ao dever de motivação. Requereu, assim, o reconhecimento da compensação na apuração do crédito tributário ou, subsidiariamente, a realização de diligência para conferência dos registros contábeis e fiscais. Em sua peça de impugnação, apresentou os seguintes argumentos a respeito da compensação de prejuízos: Nota-se que, a rigor, a recorrente não impugnou a matéria, de forma que assim se pronunciou o julgador de piso em seu acórdão: Desta feita, as alegações trazidas em sede de recurso voluntário estão preclusas, não merecendo conhecimento. 3.5 DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA A autoridade fiscal aplicou a chamada “multa qualificada agravada” de 150% sobre IRPJ, CSLL, COFINS e PIS do ano-calendário de 2021, indicando como fundamento o art. 44, § 1º, VI, e § 2º, da Lei nº 9.430/1996, combinado com o art. 71, I, da Lei nº 4.502/1964. Pelo texto do TVF, a qualificação decorreu da imputação de sonegação, isto é, da prática de ações ou omissões dolosas destinadas a impedir ou retardar o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência dos fatos geradores, de sua natureza ou de suas circunstâncias materiais; já o agravamento de 50% decorreu do não atendimento às intimações fiscais. Os elementos fáticos invocados para caracterizar o dolo e, portanto, justificar a qualificação foram: a omissão de receitas por falta de registro na ECD de vendas de mercadorias acobertadas por NF-e emitidas pela recorrente; o registro de aquisições de mercadorias, estornos de tributos, consumo de energia elétrica, serviços de armazenagem, fretes sobre vendas, vendas canceladas e tributos sobre vendas majorados sem documentação comprobatória hábil e idônea, coincidente em data e valor; e a conclusão de que essas condutas reduziram indevidamente o Fl. 3919DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 28 resultado tributável e a carga de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, além de contaminarem as escriturações entregues à administração tributária. Os recursos sustentam que não houve comprovação de fraude, sonegação, simulação, conluio ou dolo específico. A Betampex e Evandro Santos alegam que a fiscalização não demonstrou conduta dolosa dirigida a impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador, nem a reduzir deliberadamente o tributo devido. Defendem que inconsistências contábeis, omissões formais, divergências entre documentos fiscais ou lançamentos considerados indevidos não bastam, por si só, para qualificar a multa. Argumentam que a multa foi mantida pela DRJ com base em presunções amplas, extraídas do conjunto de irregularidades apontadas pela fiscalização, omissão de receitas, custos e despesas não comprovados, escrituração supostamente incorreta e vínculos entre empresas, sem exame individualizado das provas apresentadas pela defesa. A Betampex afirma que apresentou documentação contábil e fiscal e que a DRJ manteve a penalidade sem demonstrar, concretamente, o elemento subjetivo exigido para a qualificação. Por isso, requereu a desqualificação da multa para o percentual ordinário de 75%. A controvérsia relativa à multa de ofício qualificada deve ser examinada à luz do conjunto probatório produzido nos autos, especialmente das constatações relativas à escrituração contábil da recorrente e à forma reiterada pela qual foram registrados lançamentos sem lastro documental apto, com impacto direto na apuração do lucro real e, por consequência, do IRPJ e da CSLL devidos. Nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, a qualificação da multa de ofício pressupõe a caracterização de conduta dolosa enquadrável nas hipóteses dos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964. No caso concreto, a hipótese que se revela pertinente é a do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, segundo o qual sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. É certo que a simples glosa de custos ou despesas, isoladamente considerada, não autoriza a qualificação da multa. Também é certo que divergências contábeis pontuais ou erros materiais ordinários, desacompanhados de outros elementos, não bastam para caracterizar o evidente intuito de fraude. Contudo, não é essa a situação dos autos. O que se verifica, a partir da análise do conjunto de fatos apurados, é a existência de conduta reiterada, coerente e convergente, voltada à neutralização artificial dos efeitos tributários de receitas documentadas por notas fiscais eletrônicas, mediante lançamentos contábeis em contas de custos e despesas sem comprovação idônea. A prova do dolo, em matéria tributária, raramente se apresenta de forma direta ou expressa. Não se exige, para a caracterização da sonegação, confissão do sujeito passivo ou documento formal que revele a intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador. A intenção Fl. 3920DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 29 dolosa pode ser extraída de prova indiciária, desde que os elementos apurados sejam graves, precisos e concordantes, conduzindo a conclusão segura quanto à existência de expediente consciente e deliberado. No presente caso, os indícios não se apresentam de forma isolada ou fragmentária; ao contrário, formam um encadeamento lógico que revela padrão de escrituração incompatível com meros equívocos contábeis. Quanto aos custos lançados na conta 401 – Estoque de Mercadorias, a recorrente alegou que os valores glosados corresponderiam a estornos de vendas não efetivadas. Sustentou que determinadas notas fiscais teriam sido emitidas sem que as operações comerciais se concretizassem, razão pela qual teriam sido efetuados ajustes contábeis entre contas de estoque, clientes e vendas. Todavia, essa justificativa não se mostra verossímil diante das constatações constantes dos autos. A relação de cotejamento entre a conta de receitas e a conta de supostos custos evidencia que as notas fiscais que a recorrente afirma terem sido canceladas apresentam numeração sequencial, com poucos hiatos, iniciando-se na NF-e nº 60 e alcançando a NF-e nº 329. Em outras palavras, segundo a própria narrativa defensiva, a esmagadora maioria das notas fiscais emitidas a partir de 31/03/2021 até o encerramento do ano-calendário teria correspondido a vendas não concretizadas, posteriormente neutralizadas por lançamentos de “estorno” na conta de compras ou estoque, ou seja, em conta diversa do lançamento original. Tal circunstância afasta a tese de erro contábil eventual. A repetição do procedimento, a sequência das notas fiscais e a magnitude dos valores envolvidos indicam expediente estruturado de compensação artificial de receitas. Além disso, os lançamentos não foram realizados pela integralidade dos valores das notas fiscais em um único ato, como seria de se esperar de um cancelamento regular ou de um ajuste contábil compatível com a não concretização da operação. Ao contrário, foram operacionalizados de forma parcelada ao longo de meses, muito embora as mercadorias envolvidas sejam produtos altamente perecíveis. Essa dinâmica não se harmoniza com a tese de cancelamento de operações comerciais, revelando-se mais compatível com a utilização de lançamentos contábeis para anular, gradualmente, de forma dissimulada, os efeitos fiscais das receitas escrituradas. Também merece destaque o fato de que o procedimento regular para cancelamento de NF-e é conhecido, simples e disponível ao contribuinte dentro dos parâmetros normativos aplicáveis. A recorrente, entretanto, não procedeu ao cancelamento das notas fiscais, mantendo os documentos fiscais hígidos perante terceiros e perante o sistema fiscal, ao mesmo tempo em que promoveu registros contábeis destinados a neutralizar seus efeitos na apuração do lucro tributável. Essa conduta permitia que os destinatários das notas fiscais, notadamente empresas relacionadas como se verá adiante, aproveitassem os efeitos fiscais e comerciais dos documentos emitidos, enquanto a recorrente reduzia artificialmente seu resultado tributável por meio de lançamentos de custos sem comprovação. No mesmo sentido, quanto aos lançamentos de “estorno” de ICMS, PIS e COFINS na conta 401 – Estoque de Mercadorias, a recorrente limitou-se a alegar tratar-se de ajustes contábeis regulares, sem apresentar documentação idônea ou memória de cálculo capaz de Fl. 3921DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 30 justificar os registros. A alegação não procede. Lançamentos de estorno devem, em regra, ocorrer na mesma conta em que registrado o lançamento que se pretende anular, precisamente para preservar a coerência e a rastreabilidade da escrituração. Ao registrar supostos estornos de tributos como custos na conta de estoque, a recorrente produziu efeito redutor indevido sobre o lucro tributável, de maneira dissimulada. Não se trata, portanto, de mero ajuste técnico neutro, mas de lançamento que impactou diretamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Da mesma maneira que nas infrações anteriores, a escrituração realizada é dissimulada, em conta diversa da receita, demonstrando claramente que se pretendeu ocultar na escrituração o efeito de anulação das receitas. Trata-se de conhecida “maquiagem contábil” que tem como objetivo suprimir tributos. As glosas relativas aos custos de fabricação com energia elétrica, serviços de armazenagem e despesas com fretes também reforçam o mesmo quadro indiciário. A recorrente alegou que tais despesas estariam comprovadas por notas fiscais e comprovantes de pagamento, afirmando que eventual ausência de apresentação durante a fiscalização teria decorrido de falha administrativa posteriormente sanada. Contudo, a decisão de primeira instância examinou a documentação apresentada e constatou a existência de documentos duplicados ou triplicados — notas fiscais, boletos e comprovantes de agendamento de pagamento, que se prestavam a justificar apenas uma única operação. Também foram identificados documentos em nome de terceiros, sem aptidão para comprovar despesas dedutíveis da recorrente. Diante disso, a DRJ afastou parcialmente as glosas quando encontrou suporte documental suficiente e manteve apenas aquelas não comprovadas. No recurso voluntário, a recorrente não enfrentou especificamente essas constatações, limitando-se a repetir a alegação genérica de que a documentação comprovaria os gastos. Esse ponto é relevante porque demonstra que a manutenção das glosas não decorreu de recusa abstrata à prova documental, mas de análise concreta da documentação apresentada. Quando houve comprovação suficiente, a glosa foi afastada. Quando os documentos eram duplicados, triplicados, insuficientes ou relativos a terceiros, a despesa foi mantida como indedutível. A ausência de impugnação específica a essas conclusões reforça a insuficiência da defesa e afasta a narrativa de que se trataria de simples incompreensão da escrituração pela autoridade fiscal. A mesma lógica se observa na rubrica de majoração de tributos. A autoridade fiscal identificou que a recorrente lançou despesas com ICMS, PIS e COFINS em montantes superiores àqueles destacados ou apurados conforme as notas fiscais eletrônicas de sua emissão. Intimada a apresentar memória de cálculo e justificativa para as diferenças, a recorrente não comprovou a origem dos valores. Em sede defensiva, limitou-se a afirmar que as divergências decorreriam de reclassificações tributárias e autocorreções internas, sem apresentar documentação de suporte, demonstrativos analíticos ou memória de cálculo capaz de validar a alegação. Tal negativa genérica não afasta o lançamento. Fl. 3922DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 31 A majoração artificial de tributos contabilizados como despesas insere-se no mesmo padrão de conduta identificado nas demais rubricas. A recorrente emitiu documentos fiscais que produzem efeitos próprios e possuem presunção de legitimidade, mas, em sua escrituração contábil, registrou custos, despesas e tributos em valores não comprovados, todos com efeito comum: reduzir o resultado tributável. Não se trata de uma irregularidade isolada, mas de uma sucessão de lançamentos convergentes para a mesma finalidade fiscal, qual seja, diminuir artificialmente o lucro real e, por consequência, os tributos devidos. A tese defensiva de que os fatos corresponderiam a meros erros contábeis não resiste ao exame do conjunto probatório. Erros contábeis ordinários tendem a ser pontuais, identificáveis, explicáveis e acompanhados de documentação apta à sua correção. No presente caso, porém, observa-se a emissão de notas fiscais em série, a ausência de cancelamento regular, a realização de lançamentos parcelados em conta de estoque para neutralizar receitas, o registro de estornos de tributos em conta inadequada, a apresentação de documentos duplicados ou em nome de terceiros para comprovação de custos e a majoração de tributos como despesas sem memória de cálculo ou suporte documental. Curial ressaltar que todos os supostos “erros” levam sempre à supressão do lucro, nunca ao seu incremento, o que não seria de se esperar em erros decorrentes de imperícia na contabilização. Esses elementos, analisados em conjunto, revelam unidade de propósito e convergência para a supressão ou redução indevida da carga tributária. A prova indiciária, nesse contexto, é suficiente para caracterizar o evidente intuito de sonegação. Os indícios são múltiplos, concordantes e convergem para a conclusão de que a recorrente adotou mecanismo contábil destinado a impedir ou dificultar o conhecimento, pela autoridade fiscal, das reais circunstâncias materiais dos fatos geradores. A escrituração foi utilizada não para retratar fielmente os fatos econômicos, mas para criar contrapartidas artificiais às receitas documentadas por NF-e, anulando seus efeitos na apuração do lucro real. Tal conduta se subsome ao art. 71 da Lei nº 4.502/1964, pois configura ação dolosa tendente a ocultar ou distorcer elementos relevantes da obrigação tributária principal. Também não procede a alegação de que a ausência de comprovação documental ou o não atendimento a intimações seriam os únicos fundamentos da qualificação da multa. A qualificação não decorre, aqui, da simples ausência de documentos, nem da mera desídia no curso da fiscalização. O que justifica a multa qualificada é o conjunto articulado de condutas: emissão de documentos fiscais, ausência de cancelamento regular, registros contábeis incompatíveis com a realidade alegada, lançamentos em contas inadequadas, duplicidade ou insuficiência documental e majoração de despesas tributárias sem suporte. A falta de atendimento às intimações reforça o cenário probatório, mas não constitui, isoladamente, a razão determinante da qualificação, muito embora tenha servido para a majoração da multa. Dessa forma, entendo caracterizada a sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964. A conduta da recorrente extrapola a mera irregularidade formal ou o erro contábil escusável. O conjunto probatório demonstra prática reiterada e consciente de escrituração Fl. 3923DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 32 destinada a reduzir artificialmente o lucro tributável, mediante a criação de custos e despesas sem lastro documental idôneo, em contrapartida a receitas formalizadas por notas fiscais eletrônicas. Por essas razões, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício, por restar demonstrado, mediante prova indiciária robusta, coerente e convergente, o evidente intuito de sonegação, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, combinado com o art. 71 da Lei nº 4.502/1964. No que se refere ao agravamento da multa, antes de ingressarmos na análise do caso concreto, impõe-se o estabelecimento de algumas premissas jurídicas relativas ao agravamento da penalidade em exame, à luz da jurisprudência consolidada no âmbito deste Conselho. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 prevê a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% sobre o valor dos tributos não pagos, a qual pode ser majorada em 50% nas hipóteses de não atendimento às intimações regularmente expedidas para apresentação de documentos ou prestação de esclarecimentos, nos termos de seu §2º. Cuida-se de medida de natureza punitiva voltada a desestimular a ausência de cooperação do contribuinte no curso da ação fiscal, distinguindo-se, sob esse aspecto, da multa qualificada, destinada a sancionar condutas dolosas de sonegação. Com efeito, enquanto a multa qualificada possui nítido caráter sancionatório em razão da prática de conduta dolosa grave, a multa agravada prevista no §2º do artigo 44 tem por finalidade assegurar a efetividade da fiscalização tributária. A ratio legis encontra fundamento no princípio da colaboração no âmbito da relação jurídico-tributária, segundo o qual incumbe ao contribuinte o dever legal de fornecer os elementos necessários à correta apuração dos fatos geradores. O descumprimento desse dever, mediante a omissão de documentos ou informações expressamente requisitados, autoriza, em tese, o agravamento da penalidade, como forma de coibir comportamentos que dificultem ou retardem os procedimentos fiscalizatórios. Trata-se, portanto, de multa de natureza objetiva, cujo núcleo reside na conduta omissiva de cooperação, prescindindo da comprovação de dolo específico por parte do contribuinte. Nesse sentido, este Conselho tem reiteradamente afirmado que, ao contrário do que ocorre com a multa qualificada, a multa agravada não exige a análise de elemento subjetivo, bastando a constatação objetiva do não cumprimento da intimação regularmente expedida. Em síntese, a multa agravada configura sanção de caráter instrumental, aplicada em razão da violação direta dos deveres de colaboração com o Fisco, desprovida de natureza penal, mas dotada de finalidade coercitiva e preventiva. Essa característica objetiva, contudo, tem suscitado debates na doutrina e na prática administrativa, notadamente quanto à eventual violação ao direito de não produzir prova contra si mesmo. Predomina, entretanto, o entendimento de que tal garantia se restringe ao âmbito penal e à confissão de ilícitos, não alcançando o cumprimento das obrigações tributárias acessórias, como a escrituração e a apresentação de documentos exigidos pela legislação fiscal. Fl. 3924DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 33 A administração tributária e a jurisprudência assentam que a pessoa jurídica está juridicamente obrigada a manter e exibir sua escrituração e os documentos fiscais correspondentes, não se tratando de hipótese de “confissão forçada”, mas do cumprimento regular de deveres instrumentais previstos em lei, a exemplo do disposto nos artigos 195 e 197 do CTN e no artigo 12 da Lei nº 8.137/90. Ademais, o Supremo Tribunal Federal já reconheceu a constitucionalidade de mecanismos de obtenção de informações independentemente do consentimento do contribuinte, como o acesso direto a dados bancários pela administração tributária, nos termos da LC nº 105/2001, entendendo que tais medidas não violam o sigilo bancário nem o direito ao silêncio, uma vez que os dados obtidos permanecem protegidos pelo sigilo fiscal e se destinam ao exercício legítimo da fiscalização. Dessa forma, o ordenamento jurídico impõe limites relativamente estritos à invocação do chamado “direito ao silêncio” em matéria tributária, não sendo lícito ao contribuinte recusar-se, sem justificativa, a exibir livros e documentos exigidos por lei. Como consequência, a multa prevista no artigo 44, §2º, da Lei nº 9.430/96 possui natureza objetiva, sendo sua aplicação condicionada à mera constatação do não atendimento à intimação, independentemente da demonstração de dolo. Tal circunstância, todavia, não autoriza sua incidência automática. A agravante somente se configura quando a falta de cooperação recai sobre elementos formalmente intimados, pertinentes e necessários à elucidação dos fatos, de modo a caracterizar embaraço concreto à ação fiscal. A controvérsia central nos casos concretos reside, portanto, na definição dos limites em que o não atendimento à intimação configura efetivo prejuízo à atividade fiscal, apto a justificar o agravamento da multa de ofício, e daqueles em que a conduta, embora censurável, não compromete a fiscalização a ponto de autorizar a aplicação da penalidade majorada. Nesse contexto, o CARF já reconheceu que a aplicação concomitante da multa de ofício e de seu agravamento, fundada no mesmo fato de não colaboração, pode configurar hipótese de bis in idem, especialmente quando a fiscalização logrou apurar o tributo devido por outros meios e quando o próprio lançamento decorreu da ausência de apresentação das informações requisitadas. Esse entendimento foi consolidado nas Súmulas CARF nº 96 e nº 133, cujos enunciados dispõem o seguinte: Súmula CARF 96 A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Súmula CARF 133 A falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa conduta motivou presunção de omissão de receitas ou de rendimentos. Fl. 3925DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 34 Em outras palavras, quando a consequência da não apresentação de documentos é a adoção de métodos presuntivos legalmente previstos, como o arbitramento do lucro ou a presunção de omissão de receitas, não se mostra legítimo o agravamento da multa de ofício. Nesses casos, o Fisco já se valeu de instrumento próprio para superar a ausência de informações, de modo que a majoração da penalidade configuraria punição duplicada pela mesma falta de colaboração. Como já visto, no presente caso a autuação se deu com base em informações extraídas da ECD e da NF-e elaboradas pela recorrente, de forma que o não atendimento às intimações no curso do procedimento fiscal não implicou em dificuldade adicional à autoridade fiscal na apuração dos fatos geradores tributários, não restando, portanto, caracterizada a situação autorizadora do agravamento da multa de ofício. No mais, traz a recorrente argumentação sobre a razoabilidade, proporcionalidade e inconstitucionalidade das multas de ofício. De plano, tem-se que, em nosso ordenamento positivo, a lei em vigor produz todos os efeitos que lhe são próprios, e, até que formalmente revogada, presume-se em harmonia com o sistema jurídico em que está inserida. Nessa linha, o controle da constitucionalidade de leis compete exclusivamente ao Poder Judiciário (incisos I, alínea “a”, e III, alínea “b”, e parágrafo 1º do art. 102 da Constituição da República Federativa do Brasil). Assim, enquanto não declarada a sua inconstitucionalidade, com a sua subsequente exclusão do mundo jurídico, a lei goza de presunção de validade, vinculando todos os atos da administração pública. Acerca do fundamento de inconstitucionalidade, o Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação que lhe deu a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009), dispõe: Art.26-A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ante a isso, as questões levantadas pela recorrente, que, ao final, versam sobre constitucionalidade e legalidade de artigo de lei, estão fora da órbita da autoridade julgadora administrativa, à qual compete verificar a correta aplicação da lei, sem, contudo, proferir juízo acerca de sua constitucionalidade ou de outros aspectos atinentes à sua validade no mundo jurídico. Ademais, a Súmula CARF n° 2 expressamente explicita este entendimento, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desse modo, não se conhece das alegações de inconstitucionalidade. Fl. 3926DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 35 Destarte, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício e afastado seu agravamento, de forma que, ao final, o percentual aplicado de 150% deve ser deve ser reduzido a 100%. 3.6 DAS MULTAS REGULAMENTARES A autoridade fiscal procedeu ao lançamento de 3 (três) multas regulamentares distintas, por omissões e incorreções na Escrituração Contábil Digital (ECD) prevista no art. 11 da IN RFB n° 1.774/2017; por omissões e incorreções na Escrituração Contábil Fiscal (ECF) prevista art. 6° da IN RFB n° 1.422/2013; e por conta de omissões nas Escriturações Fiscais Digitais (EFD's)- Contribuições prevista art. 10 da IN RFB n° 1.252/2012. Em todos os casos, as omissões ou imprecisões apontadas são as mesmas que ensejaram à constituição do crédito tributário principal, o qual, como já visto, foi acompanhado de multa de ofício. Por sua vez, os recursos sustentam que as multas regulamentares por omissões e incorreções na ECD, ECF e EFD-Contribuições deveriam ser exoneradas porque as escriturações teriam sido entregues tempestivamente e as inconsistências apontadas pela fiscalização decorreriam, no máximo, de divergências formais, reclassificações contábeis ou interpretações técnicas, sem dolo, fraude, atraso, omissão efetiva ou prejuízo fiscal; alegam, ainda, inexistência das próprias infrações materiais que deram origem às penalidades, ausência de subsunção dos fatos às normas invocadas, especialmente porque os arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218/1991 e os atos infralegais correlatos teriam como aspecto material a não apresentação ou a falta de escrituração digital, e não meros equívocos em arquivos regularmente transmitidos, invocando inclusive a revogação da IN RFB nº 1.774/2017 pela IN RFB nº 2.003/2021 e o Parecer Normativo RFB nº 03/2013; subsidiariamente, defendem a redução das penalidades por proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco, bem como o cancelamento das multas regulamentares por bis in idem, caso mantida a multa de ofício sobre os mesmos fatos. Primeiramente temos que dizer que não procedem as alegações dos recorrentes no que se referem a vigência das normas utilizadas na autuação, tendo em vista que as citadas IN´s encontravam-se vigentes a época do lançamento, tendo sua validade calcada nos dispositivos legais que regulamentam e que permaneceram vigentes, sendo irrelevante a eventual revogação posterior das instruções normativas. Da mesma maneira, como já exaustivamente demonstrado no presente voto, as incorreções que originaram os lançamentos não se referem a simples erros contábeis, mas de efetivas imprecisões e omissões de informações relevantes nas apurações tributárias decorrentes, inseridas ou omitidas de maneira dolosa nas respectivas escriturações fiscais, de forma que tais fatos se subsomem às normas ensejadoras das penalidades. Assim, no ponto ora examinado, resta a discussão da subsistência das multas regulamentares aplicadas por omissões e incorreções na Escrituração Contábil Digital (ECD), na Escrituração Contábil Fiscal (ECF) e nas Escriturações Fiscais Digitais da Contribuição para o Fl. 3927DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 36 PIS/Pasep e da COFINS (EFD-Contribuições), em cumulação com a multa de ofício qualificada que, por premissa deste voto, permanece mantida. A fiscalização aplicou multa de ofício qualificada sobre os valores exigidos a título de IRPJ, CSLL, COFINS e contribuição ao PIS, afirmando que as condutas descritas se enquadrariam na figura da sonegação, por representarem ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar o conhecimento, pela autoridade fiscal, da ocorrência dos fatos geradores e de suas circunstâncias materiais. O próprio Termo de Verificação Fiscal afirma, ao final, que as ações e omissões apuradas se inserem em contexto de fraude à fiscalização tributária e configuram o dolo necessário para a qualificação da multa de ofício. É bem verdade que as multas regulamentares ora examinadas, contudo, não foram exigidas por fatos autônomos em relação ao lançamento principal. A multa da ECD foi aplicada porque a escrituração teria sido apresentada com omissões decorrentes da falta de registro de receitas e com incorreções decorrentes da não comprovação de custos, custos de fabricação, despesas com vendas, vendas canceladas e tributos sobre vendas majorados, todos relacionados à redução do resultado do período. O mesmo se verifica em relação à ECF. A autoridade fiscal afirmou que essa escrituração teria sido apresentada com omissões por falta de registro de receitas e com incorreções em razão da não comprovação dos mesmos custos, despesas, devoluções e tributos majorados, com repercussão negativa na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Em relação à EFD-Contribuições, a fiscalização foi ainda mais explícita ao afirmar que as omissões de registro decorreram das omissões de receita e das vendas canceladas não comprovadas, isto é, dos mesmos fatos que serviram à exigência principal de PIS e COFINS. O modo de cálculo das penalidades confirma a identidade do núcleo fático. A multa da ECD foi calculada sobre o “valor da operação total” de R$ 236.495.334,98, formado pela soma do valor da omissão e dos valores de incorreção apurados nos subtotais indicados pela fiscalização, resultando em multa de R$ 5.592.380,47 após a aplicação do limite de 1% da receita bruta. A multa da ECF, por sua vez, foi calculada sobre o mesmo valor total de omissão/incorreção de R$ 236.495.334,98, no percentual de 3%, resultando em R$ 7.094.860,05. Já a multa da EFD- Contribuições tomou por base as bases de cálculo de COFINS e PIS decorrentes das mesmas omissões de receitas, além das vendas canceladas não comprovadas. Neste ponto é mister que se relembre que o lançamento de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício qualificada estão sendo mantidos no presente voto, entretanto, os lançamentos de PIS e COFINS estão sendo exonerados em face dos produtos comercializados (ensejadores da autuação) estarem submetidos à alíquota zero dos tributos, por força do art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925/2004. Desta feita, no caso da ECD e ECF, tem-se o lançamento conjunto da multa de ofício com a multa regulamentar, no caso da EFD-Contribuições, persiste tão somente o lançamento da multa regulamentar. Fl. 3928DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 37 Assim, para o primeiro caso (ECD e ECF), não se está diante de infrações formais independentes, tais como atraso autônomo na entrega de escrituração, ausência de manutenção de arquivos, ou descumprimento de dever instrumental desvinculado da infração material. O que se tem é a punição das mesmas omissões e incorreções sob dois ângulos distintos: de um lado, como suporte da exigência dos tributos e da multa de ofício qualificada; de outro, como fundamento das multas regulamentares por escrituração incorreta ou omissa. O próprio Termo de Verificação Fiscal explicita essa sobreposição ao afirmar que as infrações tributárias reduziram a carga de IRPJ e CSLL, e, simultaneamente, acarretaram a entrega de escriturações “eivadas de vícios”, razão pela qual foram aplicadas multas administrativas por omissões e incorreções. Nesse contexto, incide a diretriz firmada pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 487, de repercussão geral. No julgamento do RE 640.452/RO, o STF fixou tese segundo a qual, na aplicação da multa por descumprimento de deveres instrumentais, deve ser observado o princípio da consunção, cabendo ainda considerar parâmetros qualitativos como adequação, necessidade, justa medida, insignificância e ne bis in idem. A aplicação dessa orientação não exige, no caso concreto, a redução das multas regulamentares a determinado teto quantitativo. A questão é anterior: saber se elas podem subsistir quando a infração formal constitui mero instrumento, consequência ou exteriorização documental da infração material já sancionada de forma mais gravosa. A resposta, à luz da consunção, é negativa. A consunção impede que a infração instrumental seja sancionada de maneira autônoma quando ela é absorvida por infração mais ampla e grave, especialmente quando ambas decorrem do mesmo conjunto de fatos e tutelam, no caso concreto, o mesmo interesse fiscal. Se a multa de ofício qualificada é mantida justamente porque as omissões e incorreções foram consideradas dolosas e aptas a ocultar fatos geradores, não é proporcional manter, cumulativamente, multas regulamentares que punem as mesmas omissões e incorreções nas escriturações digitais. A conclusão também decorre do ne bis in idem. A recorrente já está sendo sancionada pela infração material, qualificada por dolo, fraude ou sonegação. A manutenção das multas da ECD e ECF faria recair nova punição sobre os mesmos fatos: as omissões de receitas, as glosas de custos e despesas sem comprovação, as vendas canceladas sem lastro e as diferenças de tributos sobre vendas, todos utilizados tanto para a recomposição das bases tributáveis quanto para a imposição das multas instrumentais. Não se nega a relevância das obrigações acessórias nem a possibilidade, em tese, de aplicação de sanções próprias pelo seu descumprimento. O que se reconhece é que, neste processo, as multas regulamentares não têm autonomia fática suficiente para subsistir ao lado da multa de ofício qualificada. A infração formal foi absorvida pela infração material mais grave, já sancionada com penalidade qualificada. Fl. 3929DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 38 Também não se trata de afastar, em abstrato, a validade dos dispositivos que preveem multas por omissões ou incorreções na ECD e ECF. O afastamento decorre da aplicação concreta do Tema 487, em sua dimensão qualitativa, diante da identidade entre os fatos que deram origem às multas instrumentais e os fatos que fundamentaram a multa de ofício qualificada mantida no lançamento. Diante do exposto, há que se dar provimento ao recurso no ponto, para afastar as multas regulamentares aplicadas por omissões ou incorreções na ECD e na ECF, com o cancelamento dos respectivos acréscimos legais, mantendo-se, quanto ao mais, a exigência principal e a multa de ofício qualificada nos termos decididos. No que se refere a EFD-Contribuições não há que se falar em consunção tendo em vista que o lançamento do principal acrescido da multa de ofício não subsiste. O que se tem é a constatação de que as receitas tributáveis constantes da EFD-Contribuições foram informadas com um decréscimo de R$ 7.136.568,82. O fato de tais receitas estarem sujeitas à alíquota zero, conforme art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925/2004, não elide a conclusão de que as informações prestadas na EFD-Contribuições continham omissão e/ou imprecisão. A função da obrigação acessória é informar ao Fisco o delineamento do fato gerador tributário, ainda que o quantum debeatur apurado seja igual a zero. Quando a recorrente, dolosamente, omite ou informa imprecisamente parcela significativa da base tributável, está dificultando a apuração fiscal, de forma que aí reside o motivo de existência da multa regulamentar, sujeitando-se, portanto, a sua aplicação. Dessarte, a multa regulamentar por omissão ou imprecisão na EFD-Contribuições deve ser mantida. 3.7 DO GRUPO ECONÔMICO A autoridade fiscal relatou a existência de um grupo econômico de fato, do qual a recorrente é parte integrante, identificado como Grupo Torlim, com atuação coordenada de pessoas jurídicas formalmente distintas, mas economicamente integradas. 3.7.1 INFORMAÇÕES TRAZIDAS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL O Termo de Verificação Fiscal registra que a análise da autoridade fiscal se baseou em diversos elementos documentais e fiscais, como bases CNPJ, contratos sociais e alterações da Betampex, Agro Trading, Nostro Beef e BMG FOODS, além de NF-e, CT-e, ECD, ECF e EFD- Contribuições do ano-calendário de 2021. A fiscalização apontou a existência de grupo econômico de fato, caracterizado por vínculos societários, interesse integrado, comunhão de interesses e atuação conjunta entre Betampex, Agro Trading, Nostro Beef e BMG FOODS, afirmando que, em 2021, a Betampex esteve sob direção, controle e administração da Agro Trading. Fl. 3930DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 39 Como elemento objetivo, destacou-se que a Agro Trading detinha 98,33% do capital social da Betampex, conforme a Décima Sétima Alteração do Contrato Social, de 11/01/2021, o que, segundo a autoridade fiscal, conferia-lhe controle praticamente absoluto sobre a sociedade. O TVF também mencionou fiscalizações aduaneiras anteriores que já haviam identificado o denominado Grupo Torlim, envolvendo empresas como Frigorífico Concepción S/A, Garantia Total, Torlim Alimentos, Best Boi, Agro Trading e Betampex, bem como a atuação de empresas formalmente distintas sob uma mesma estrutura empresarial. Quanto às relações entre Betampex, Nostro Beef e BMG FOODS, o TVF apontou intensa interdependência comercial e operacional, com vendas recíprocas expressivas e fluxos direcionados de mercadorias, especialmente carne bovina e produtos derivados. Em 2021, a Betampex vendeu à Nostro Beef R$ 233.777.618,98, correspondentes a 45,57% de suas vendas a pessoas jurídicas, ao passo que a Nostro Beef vendeu à Betampex R$ 186.182.318,03, equivalentes a 24,01% de suas vendas a pessoas jurídicas. Também foram registradas operações relevantes entre Betampex e BMG FOODS, com vendas da Betampex à BMG FOODS de R$ 24.316.233,71 e vendas da BMG FOODS à Betampex de R$ 62.443.384,81. A autoridade fiscal interpretou essas operações como indicativas de comunhão de interesses, benefício recíproco e atuação coordenada, acrescentando que lançamentos na ECD da Betampex sugeriam controle centralizado de estoque da própria Betampex e da Nostro Beef, bem como tratamento não apartado das mercadorias, o que foi considerado indício de confusão patrimonial. Em relação à BMG FOODS, o TVF afirmou que determinadas mercadorias eram formalmente registradas como vendas, mas representariam, na realidade, simples repasses, sem ônus, de mercadorias importadas pela Betampex. O TVF também apontou elementos adicionais de integração entre as empresas, como o uso do mesmo representante legal nos despachos aduaneiros da Betampex, Nostro Beef e BMG FOODS, a origem predominante das mercadorias importadas do Frigorífico Concepción S/A e do Frigorífico BFC S/A, no Paraguai, e o vínculo societário entre Nostro Beef e BMG FOODS, já que a Nostro Beef detinha 40% do capital social da BMG FOODS, enquanto Marçal Bissoli possuía 60% e exercia sua administração. A fiscalização ainda resgatou conclusões de procedimentos aduaneiros anteriores, nos quais a Nostro Beef teria sido considerada mera intermediária nas vendas do Frigorífico Concepción para empresas nacionais, com forte vínculo com Jair Antônio de Lima, controlador do Grupo Torlim. Foram apontados, ainda, produtos e exportadores comuns, compradores coincidentes, representantes comerciais comuns, vínculos empregatícios anteriores de sócios com empresas de Jair Antônio de Lima, vendas recíprocas e aquisição de mercadorias da Nostro Beef pela BMG FOODS. Com base nesses elementos, a autoridade fiscal concluiu que Betampex, Nostro Beef, BMG FOODS e Agro Trading integravam o Grupo Torlim, comandado por Jair Antônio de Lima, atuando de forma sincronizada, com confusão patrimonial e operacional, abuso da Fl. 3931DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 40 personalidade jurídica, comunhão de interesses e dificuldade de separação patrimonial, circunstâncias que fundamentariam a responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN. Para as pessoas físicas foi atribuída responsabilidade com base no art. 135, III do CTN. 3.7.2 ELEMENTOS ADICIONAIS ORIUNDOS DE OUTROS PROCEDIMENTOS/PROCESSOS ADMINISTRATIVOS A autoridade fiscal também juntou elementos e constatações de outros procedimentos/processos administrativos (fl. 1.548 a 2.316), os quais acrescentam elementos para a comprovação da existência do grupo econômico de fato. Os procedimentos anteriores relacionados à Betampex e à Agro Trading apontaram a ausência de comprovação da origem dos recursos aplicados pela Betampex em operações de comércio exterior, bem como a falta de comprovação do efetivo aporte de recursos por Carlos Magno Frederico na Agro Trading e da posterior transferência desses recursos para o capital da Betampex. Também foi indicado que a Betampex teria cedido seu nome para importações de terceiros, inclusive da própria Agro Trading, declarando importações como destinadas a “consumo” e revendendo-as de forma pontual, unívoca e integral ao sócio majoritário. Esses procedimentos registraram que a Agro Trading era destinatária de aproximadamente 54% das importações da Betampex entre janeiro de 2016 e dezembro de 2018, todas com origem no Frigorífico Concepción, além de deter cerca de 98% do QSA da Betampex desde 2015. A fiscalização anterior também apontou que as operações entre Betampex e Agro Trading não aparentavam livre mercado, mas operações preordenadas, com compras e vendas recíprocas de mercadorias dos mesmos NCM´s, ausência de agregação de valor, operações com prejuízo, empréstimos sem documentação formal, registros de saídas na Betampex sem entradas correspondentes na Agro Trading e circulação financeira rotineira entre as empresas sob rubricas de empréstimos concedidos e retribuídos, o que levou à conclusão de que a Agro Trading atuava não apenas como sócia e cliente, mas também como espécie de “instituição financeira” da Betampex. A autoridade fiscal também agregou elementos do procedimento contra a Nostro Beef, no qual foi apontado que 99,1% das exportações ao Brasil de carne, sebo e farinha de osso do Frigorífico Concepción foram direcionadas ao Grupo Torlim, sendo a quase totalidade das DI registradas por empresas do grupo importada pela Nostro Beef e pela Betampex. Nesse relatório, foi constatada íntima correlação operacional entre Nostro Beef, Betampex e BMG FOODS, com importações realizadas por uma empresa e imediatamente vendidas à outra, que revendia rapidamente a integralidade das mercadorias, tendo sido identificadas 126 DI nessa situação. Além disso, a Nostro Beef vendeu diretamente à Betampex 154 DI de carnes, correspondentes a mais de 3,7 milhões de quilos, enquanto a BMG FOODS apareceu como destinatária integral de 141 DI de carne, equivalentes a 3,5 milhões de quilos. Outro processo administrativo apontou a Betampex como interposta da Nostro Beef, ao registrar que, em 239 DI da Betampex, as mercadorias foram repassadas integralmente e, Fl. 3932DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 41 em regra, imediatamente à Nostro Beef, com margens que tornariam inviável a atuação autônoma da Betampex como importadora por conta própria. Também foi destacado o vínculo pessoal e operacional de Andressa Aparecida Pavani, indicada como pessoa de contato da Betampex, cônjuge de Marçal Bissoli, sócio da Nostro Beef, e ex-proprietária da BMG FOODS juntamente com ele. Por fim, foram incorporados elementos do procedimento contra a Corex, no qual o Frigorífico Concepción foi identificada como principal fornecedora da Corex e das demais empresas ligadas ao Grupo Torlim, com referência a Jair Antônio de Lima como presidente do Frigorífico Concepción e da Torlim Alimentos. Nesse processo, a fiscalização apontou que a Corex não possuía estrutura compatível com as operações realizadas e que as mercadorias eram remetidas diretamente do recinto alfandegado aos reais adquirentes, integrantes do Grupo Torlim, sem trânsito físico pelos estoques da importadora ostensiva. Também foram registrados suporte logístico do Grupo Torlim, utilização de veículos e transportadoras ligados ao grupo, inclusive empresa de logística relacionada a Jair Antônio de Lima, e documentos fiscais com indicação de transportadoras diferentes apesar do uso dos mesmos veículos, circunstância interpretada como possível artifício para ocultar vínculo mais intenso entre Corex e o Grupo Torlim. O procedimento concluiu, ainda, que a Corex ocultou os reais adquirentes e omitiu, nas DI cujo exportador era o Frigorífico Concepción, a vinculação entre importador ostensivo, importadores ocultos pertencentes ao Grupo Torlim e exportador estrangeiro, informação considerada indispensável ao controle aduaneiro. 3.7.3 SÍNTESE CONCLUSIVA O conjunto documental caracteriza o grupo econômico pela convergência de vários fatores: controle societário da Betampex pela Agro Trading; atuação conjunta de Betampex, Nostro Beef, BMG FOODS e Agro Trading; origem comum das mercadorias no Frigorífico Concepción e na BFC; vendas recíprocas e direcionadas; uso comum de representante legal em despachos aduaneiros; controle contábil e de estoque não apartado; circulação financeira sem lastro formal claro; vínculos pessoais, societários e profissionais entre os envolvidos; e repetição do mesmo padrão operacional em procedimentos anteriores envolvendo Corex, Garantia Total, Best Boi, Agro Trading, Nostro Beef, BMG FOODS e Betampex. Assim, a caracterização feita pela autoridade fiscal não se apoia apenas na existência de sócios ou clientes comuns, mas em um quadro de interdependência econômica, operacional, contábil, financeira e logística, no qual a Betampex aparece como parte integrante do Grupo Torlim, atuando de forma coordenada com as demais empresas para viabilizar importações, repasses, revendas e circulação de recursos dentro da mesma estrutura empresarial. Fl. 3933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 42 3.8 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Foram atribuídas responsabilidades solidárias às seguintes pessoas jurídicas e pessoas físicas: Responsável indicado Qualificação no TVF Enquadramento legal indicado Agro Trading Serviços de Apoio Administrativo Ltda. Sócia majoritária da recorrente e apontada como integrante do Grupo Torlim, com direção, controle e administração sobre a recorrente em 2021; embora inapta, a fiscalização afirmou que a pessoa jurídica continuava existente e deveria responder pelos créditos. Art. 124, I, do CTN, por interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, em contexto de grupo econômico de fato, evasão fiscal, abuso da personalidade jurídica e confusão patrimonial/operacional. Nostro Beef Alimentos Importação e Exportação Ltda. Apontada como integrante do mesmo grupo econômico de fato, com relações de interdependência e operações recíprocas com a recorrente. Art. 124, I, do CTN, por interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, em razão da atuação conjunta, comunhão de interesses e confusão patrimonial/operacional. BMG Foods Importação e Exportação Ltda. Apontada como integrante do Grupo Torlim e relacionada à Nostro Beef e à recorrente por vínculos societários, operações recíprocas e atuação integrada. Art. 124, I, do CTN, por interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, no contexto de grupo econômico de fato. Evandro Santos Sócio-administrador da recorrente. Art. 135, III, do CTN, por infração à lei atribuída a administrador de pessoa jurídica, em razão da condução das empresas em desconformidade com os parâmetros legais e em contexto de evasão fiscal. Carlos Magno Frederico Sócio-administrador da Agro Trading. Art. 135, III, do CTN, por infração à lei atribuída a administrador de pessoa jurídica, no contexto das irregularidades apuradas e da evasão fiscal identificada. Marçal Bissoli Sócio-administrador da Nostro Beef e da BMG Foods; apontado como proprietário de direito dessas empresas. Art. 135, III, do CTN, por infração à lei atribuída a administrador de pessoa jurídica. Jair Antônio de Lima Apontado como presidente da Torlim Alimentos S.A. e comandante/controlador do Grupo Torlim. Art. 135, III, do CTN, conforme listagem da fiscalização entre as pessoas naturais responsabilizadas; a motivação relaciona sua atuação à direção do grupo econômico de fato e à obtenção de resultados econômico-financeiros em prejuízo do erário. Passemos a análise individualizada de cada uma delas. 3.8.1 RESPONSABILIDADES COM BASE NO ART. 124, I DO CTN Inicialmente, analisemos a caracterização do interesse comum previsto no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, para fins de responsabilização solidária em obrigações tributárias. Nos alinhamos ao entendimento exarado no Parecer COSIT nº 4, de 12 de dezembro de 2018, segundo o qual o interesse comum deve ser compreendido como a existência de vínculo da pessoa responsabilizada com a situação que constitui o fato jurídico tributário, vínculo este que pode decorrer tanto de ato lícito, do qual emerge a obrigação tributária, quanto de ato ilícito, que venha a desfigurá-la. O dispositivo do CTN não restringe o interesse comum ao mero proveito econômico, que, embora possa constituir indício, não é suficiente para caracterizar a solidariedade. Exige-se, ao contrário, a demonstração de uma conexão material e direta com o fato gerador ou com o sujeito passivo da obrigação tributária. Afasta-se, portanto, a interpretação restritiva que limita o interesse comum a relações jurídicas formais e lícitas. Nos casos em que se verifiquem ilícitos, o vínculo jurídico surge no âmbito tributário com a imputação da responsabilidade, pois os partícipes atuam de maneira consciente e cooperativa para lesar o Fisco. Fl. 3934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 43 Para a configuração da solidariedade, é necessário comprovar que o responsabilizado manteve vínculo direto ou indireto com o fato gerador ou com o sujeito passivo, participando ativamente da prática de atos que culminaram na omissão ou redução indevida do tributo. Nessas hipóteses, é imprescindível a comprovação de elemento subjetivo doloso, entendido em sentido amplo como fraude, e que se revele a existência de nexo causal entre a conduta do partícipe e o resultado lesivo ao Erário. A interpretação do interesse comum pode ser estendida a situações em que haja realização conjunta do fato jurídico tributário ou comprovação de fraude e conluio, alcançando ainda hipóteses de abuso da personalidade jurídica, especialmente quando se verificar confusão patrimonial ou direção única, configurando grupo econômico irregular, bem como em casos de planejamento tributário abusivo. Este último se caracteriza pela adoção de estruturas artificiais e pela utilização indevida da personalidade jurídica com o propósito exclusivo de obter economia fiscal ilegítima, em desconformidade com a função social da pessoa jurídica. Entre os atos ilícitos que ensejam a responsabilização solidária, destacam-se a evasão e simulação fiscal, em especial a sonegação, a fraude e o conluio; os crimes contra a ordem tributária e correlatos, inclusive previdenciários e contra a Administração Pública com repercussão tributária; e a utilização abusiva da personalidade jurídica, mediante supressão de sua autonomia patrimonial ou operacional. A imputação da responsabilidade solidária exige, por fim, a construção de um conjunto probatório consistente, ainda que formado por provas indiciárias, capaz de comprovar a atuação consciente e coordenada dos envolvidos, o nexo causal de sua conduta e a prática de atos ilícitos em detrimento da Fazenda Pública. À luz do artigo 124, I, do CTN e, conclui-se que o interesse comum não se restringe ao proveito econômico, mas deve ser reconhecido sempre que houver cooperação material e consciente entre duas ou mais pessoas na constituição ou na desfiguração do fato gerador tributário, resultando em prejuízo à arrecadação tributária. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais segue essa orientação. A 1ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9101-006.631, julgado na sessão de 11 de julho de 2023, de relatoria da Conselheira Livia De Carli Germano, assentou que o interesse comum previsto no art. 124, inciso I, do CTN é de natureza jurídica, e não meramente econômica, devendo ser direto e imediato em relação à realização do fato gerador que deu origem ao lançamento. Segundo o precedente, a solidariedade exige a participação conjunta das pessoas na prática dos atos descritos na hipótese de incidência, seja de forma direta, seja de forma indireta, nesta última situação quando efetivamente demonstrada a confusão patrimonial. Naquele julgamento, a responsabilidade foi mantida porque a fiscalização comprovou circunstâncias concretas de confusão patrimonial, tais como o recebimento habitual de benefícios financeiros injustificados e a utilização de pessoa jurídica meramente formal para titularizar bens essenciais à atividade da contribuinte, anteriormente pertencentes a ela. O Fl. 3935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 44 precedente evidencia, portanto, que a existência de vínculo societário, econômico ou operacional não é suficiente por si só, sendo indispensável a demonstração, por meio de elementos individualizados, da participação do terceiro no fato gerador ou da confusão patrimonial relacionada às obrigações tributárias lançadas. No Acórdão nº 9303-013.315, de 18 de agosto de 2022, sendo a relatora a Conselheira Vanessa Marini Cecconello, igualmente se consignou que, para caracterizar a responsabilidade prevista no art. 124, inciso I, do CTN, deve ser demonstrado de forma inequívoca o interesse comum na situação que caracteriza o fato gerador. Por sua vez, no Acórdão nº 9202-011.166, de 29 de fevereiro de 2024, tendo como relatora a Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, a Câmara Superior reconheceu que a confusão patrimonial efetivamente comprovada pode atrair a responsabilidade solidária. O mesmo precedente, contudo, ressaltou que compete à fiscalização comprovar inequivocamente os motivos que justificam a imputação e que a responsabilidade deve ser examinada em relação aos fatos geradores dos quais teria participado o responsável solidário. Vê-se que esta é a jurisprudência dominante nas três Turmas da CSRF. Portanto, a análise não se encerra na constatação de vínculos econômicos, societários ou profissionais entre as recorrentes e outras pessoas jurídicas apontadas como integrantes do denominado Grupo Torlim. É necessário verificar se cada uma delas participou, direta ou indiretamente, das situações que deram origem às obrigações tributárias constituídas neste processo ou dos atos ilícitos empregados para ocultá-las ou desfigurá-las. O lançamento contra a BETAMPEX decorre de fatos relacionados à omissão de receitas, à falta de comprovação de custos e despesas, a estornos de tributos, a custos de energia elétrica, a serviços de armazenagem, a fretes sobre vendas, a devoluções de mercadorias e a inexatidões em escriturações contábeis e fiscais relativas ao ano-calendário de 2021. A existência de responsabilidade solidária exige que a fiscalização demonstre que havia confusão patrimonial entre a recorrente e as recorrentes solidárias e de que forma as solidárias participaram das infrações tributárias que originaram o lançamento ou dos atos ilícitos empregados para ocultar os correspondentes fatos geradores. Com base nessas premissas, passemos a análise individualizada. 3.8.1.1 AGRO TRADING SERVIÇOS DE APOIO ADMINISTRATIVO LTDA. Conforme Termo de Perempção juntado às folhas 3.880, transcorrido o prazo legal a empresa Agro Trading Serviços de Apoio Administrativo Ltda. não apresentou Recurso Voluntário, motivo pelo qual ocorreu o trânsito em julgado administrativo no que se refere a atribuição de responsabilidade solidária em seu desfavor. Fl. 3936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 45 3.8.1.2 NOSTRO BEEF ALIMENTOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. A fiscalização reuniu diversos elementos que revelam relacionamento comercial relevante entre a NOSTRO BEEF e a contribuinte principal. Foram mencionadas fiscalizações aduaneiras anteriores nas quais se teria concluído, em momentos distintos, que a NOSTRO BEEF funcionara como intermediária em importações de mercadorias provenientes do Frigorífico Concepción S/A e que, em outras operações, a BETAMPEX teria figurado como importadora interposta, sendo a NOSTRO BEEF a real adquirente e beneficiária das mercadorias. Também foram apontadas 126 operações nas quais uma das empresas teria realizado a importação, vendido imediatamente as mercadorias à outra e esta, em seguida, revendido integralmente os produtos ao adquirente final. Além disso, registrou-se que a NOSTRO BEEF teria vendido diretamente à BETAMPEX mercadorias relacionadas a 154 declarações de importação, correspondentes a mais de 3,7 milhões de quilogramas de carnes. A fiscalização destacou, ainda, o volume das operações recíprocas realizadas durante o ano-calendário de 2021. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, as vendas da BETAMPEX à NOSTRO BEEF alcançaram aproximadamente R$ 233,8 milhões, enquanto as vendas da NOSTRO BEEF à BETAMPEX corresponderam a aproximadamente R$ 186,2 milhões. Foram igualmente mencionados a utilização de representantes aduaneiros comuns, a coincidência de fornecedores estrangeiros e compradores finais, os vínculos profissionais de sócios e administradores com outras empresas relacionadas ao Grupo Torlim, bem como diligência realizada no endereço cadastral da recorrente, ocasião em que não foram encontrados funcionários ou estrutura operacional em funcionamento. Tais elementos são relevantes. Em seu conjunto, revelam estreita relação comercial e operacional entre a recorrente e a contribuinte principal e justificam o aprofundamento da investigação fiscal. Não são, contudo, suficientes para demonstrar a responsabilidade solidária em relação à integralidade do crédito tributário constituído neste processo. Isso porque, o Termo de Verificação Fiscal não individualiza a participação da NOSTRO BEEF nas infrações que deram origem ao presente lançamento. Não foram identificadas as notas fiscais omitidas pela BETAMPEX que decorreriam de operações realizadas em benefício da recorrente. Também não foi demonstrado que receitas pertencentes à contribuinte principal tenham sido recebidas, apropriadas ou desviadas pela NOSTRO BEEF. Da mesma forma, não foram apontados custos ou despesas glosados que correspondessem a documentos simulados, emitidos ou utilizados pela recorrente. Não se identificaram pagamentos de obrigações da BETAMPEX realizados com recursos da NOSTRO BEEF, contas bancárias movimentadas conjuntamente, transferências financeiras sem causa, centralização de caixa ou apropriação comum dos resultados das operações que originaram o crédito tributário. Fl. 3937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 46 As conclusões produzidas nas fiscalizações aduaneiras anteriores podem constituir prova da existência de interposição em determinadas operações de comércio exterior. Entretanto, a prática de eventual infração aduaneira não implica automaticamente a participação da recorrente nas omissões de receitas e nas inexatidões contábeis e fiscais que deram origem ao presente lançamento. Para que esses elementos pudessem fundamentar a solidariedade seria necessário demonstrar que as importações examinadas nos procedimentos anteriores correspondem às mercadorias, receitas, custos ou despesas objeto deste processo e que a NOSTRO BEEF participou conscientemente do ilícito tributário que produziu a falta de recolhimento dos tributos exigidos da BETAMPEX. Essa vinculação não foi realizada. A referência às 126 operações de importação seguidas de revenda e às 154 declarações de importação também não veio acompanhada de demonstrativo que relacionasse essas operações com as infrações que compõem o crédito tributário. Não foram identificados os valores do lançamento decorrentes de tais operações, os pagamentos realizados, o destinatário dos resultados financeiros ou a forma pela qual a recorrente teria concorrido para a não escrituração de receitas ou para o registro de custos sem documentação. O volume das operações recíprocas igualmente não basta para caracterizar confusão patrimonial. A existência de compras e vendas entre pessoas jurídicas, ainda que em valores elevados, não elimina, por si só, a autonomia patrimonial das empresas. Para tanto, seria necessária a demonstração de pagamentos cruzados, utilização indistinta de recursos, transferência de ativos sem contraprestação, assunção de obrigações de uma empresa pela outra, ausência de margens comerciais ou destinação comum dos resultados. O Termo de Verificação Fiscal menciona, ainda, registros na conta contábil 3157, denominada “Nostro Beef”, em contrapartida à conta 401, “Estoque de Mercadorias”, e deles extrai a conclusão de que existiriam estoques centralizados e repasses de mercadorias sem ônus. Essa conclusão não decorre necessariamente dos registros descritos. O débito em conta de duplicatas a receber, acompanhado de crédito em conta de estoque, pode representar contabilização relacionada a uma operação com mercadorias, mas não demonstra necessariamente transferência gratuita, pagamento realizado por terceiro ou confusão de patrimônios. A própria contabilização de valor a receber da NOSTRO BEEF revela, em princípio, o reconhecimento de um crédito da BETAMPEX contra a recorrente, circunstância que não se confunde com a utilização indistinta de patrimônios. Para confirmar a conclusão fiscal seriam necessários o exame do Razão analítico completo, dos históricos dos lançamentos, das respectivas contrapartidas, das notas fiscais, dos comprovantes de transporte, dos recebimentos bancários e da posterior destinação das mercadorias. Admite-se que a diligência realizada no endereço cadastral da NOSTRO BEEF também constitui forte elemento indiciário. A ausência de funcionários ou de estrutura Fl. 3938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 47 operacional pode indicar irregularidade cadastral ou reduzida substância empresarial, mas não comprova, sem outros elementos, que seu patrimônio se confundisse com o da BETAMPEX. Da mesma maneira, a habilitação da NOSTRO BEEF no Siscomex, sua constituição formal, seu capital social e a existência de escrituração própria tampouco comprovam sua autonomia material, entretanto, esses elementos, como visto, faltou que a fiscalização apresentasse prova suficiente do fato constitutivo da responsabilidade tributária. Os elementos reunidos demonstram relacionamento econômico intenso e permitem suspeitar da existência de atuação coordenada entre as empresas. Não demonstram, porém, que a NOSTRO BEEF participou das situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias lançadas contra a BETAMPEX ou dos atos ilícitos empregados para ocultar tais fatos. A fiscalização partiu da existência de operações recíprocas, vínculos societários, fornecedores comuns e conclusões produzidas em procedimentos aduaneiros para afirmar a existência de grupo econômico irregular. Em seguida, extraiu da existência desse grupo a responsabilidade solidária das recorrentes solidárias pela totalidade das infrações apuradas contra a BETAMPEX. Como já visto, esse raciocínio não atende aos requisitos para atribuição de responsabilidade solidária calcada no art. 124, inciso I, do CTN, conforme orientação do Parecer COSIT nº 4/2018 e da jurisprudência da CSRF. A existência de grupo econômico, ainda que irregular, não constitui hipótese autônoma de responsabilidade tributária. O grupo pode representar o contexto no qual se desenvolveu o ilícito, mas permanece indispensável demonstrar a relação entre cada pessoa responsabilizada e os fatos geradores ou atos ilícitos que originaram o crédito exigido. A responsabilidade solidária também não pode decorrer da simples soma de circunstâncias que demonstram proximidade econômica. Os indícios devem convergir para a participação da pessoa responsabilizada no fato gerador ou no ilícito que o ocultou. No presente caso, a fiscalização não demonstrou que a NOSTRO BEEF participou da decisão de omitir receitas, da elaboração das escriturações inexatas, da criação de custos sem documentação, da realização de estornos indevidos ou da falta de comprovação das despesas contabilizadas pela BETAMPEX. Também não demonstrou que a recorrente tenha recebido valores decorrentes das receitas omitidas, financiado os ilícitos, fornecido documentos inidôneos, movimentado recursos da contribuinte principal ou se apropriado do resultado econômico da redução indevida dos tributos. A responsabilidade solidária não pode decorrer da inversão do ônus da prova. Compete à autoridade fiscal demonstrar os fatos que autorizam a inclusão de terceiro no polo passivo. Somente depois de apresentada prova individualizada do interesse comum, da confusão patrimonial ou da participação consciente no ilícito é que se pode exigir do responsável indicado a produção de prova em sentido contrário. Fl. 3939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 48 Conclui-se, portanto, que os elementos constantes dos autos são insuficientes para caracterizar o interesse comum da NOSTRO BEEF nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias exigidas da BETAMPEX. Essa conclusão não significa que sejam irrelevantes os vínculos comerciais, societários e profissionais identificados pela fiscalização, nem implica reconhecer a regularidade das operações aduaneiras mencionadas no Termo de Verificação Fiscal. Significa apenas que esses vínculos e operações não foram relacionados, de maneira individualizada e causal, às infrações tributárias objeto deste processo. Destarte, deve ser afastada a responsabilidade solidária atribuída à Nostro Beef Alimentos Importação e Exportação Ltda. 3.8.1.3 BMG FOODS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. A fiscalização também reuniu elementos que revelam relacionamento comercial entre a BMG FOODS e a contribuinte principal. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, no ano- calendário de 2021 a BMG FOODS vendeu mercadorias à BETAMPEX no valor de R$ 62.443.384,81, correspondente a 23,02% das vendas da recorrente para pessoas jurídicas. A BETAMPEX, por sua vez, vendeu mercadorias à BMG FOODS no valor de R$ 24.316.233,71, equivalente a 4,37% de suas vendas para pessoas jurídicas. A fiscalização também apontou que mercadorias importadas pela NOSTRO BEEF foram posteriormente adquiridas pela BMG FOODS, que a NOSTRO BEEF possuía participação societária na BMG FOODS e que Marçal Bissoli exercia a administração da BMG FOODS, além de possuir vínculos profissionais anteriores com empresas relacionadas ao Grupo Torlim. Foram igualmente mencionados a utilização de representante aduaneiro comum e o fato de as mercadorias importadas por BETAMPEX, NOSTRO BEEF e BMG FOODS possuírem, em sua maioria, os mesmos fornecedores paraguaios, especialmente o Frigorífico Concepción S/A e o Frigorífico BFC S/A. Esses elementos demonstram que a BMG FOODS mantinha relações comerciais e societárias com pessoas vinculadas ao denominado Grupo Torlim. Não comprovam, contudo, sua responsabilidade solidária pela integralidade do crédito tributário constituído contra a BETAMPEX. Isso porque, como no caso analisado anteriormente, o Termo de Verificação Fiscal não individualiza a participação da BMG FOODS nas infrações que deram origem ao lançamento. Não foram identificadas as notas fiscais omitidas pela BETAMPEX que corresponderiam a operações realizadas em benefício da recorrente. Também não foi demonstrado que receitas pertencentes à contribuinte principal tenham sido recebidas, apropriadas ou desviadas pela BMG FOODS. Da mesma forma, não foram apontados custos ou despesas glosados que correspondessem a documentos simulados, emitidos ou utilizados pela recorrente. Não se identificaram pagamentos de obrigações da BETAMPEX realizados com recursos da BMG FOODS, contas bancárias movimentadas conjuntamente, transferências financeiras sem causa, Fl. 3940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 49 centralização de caixa, assunção recíproca de obrigações ou apropriação comum dos resultados das operações que originaram o crédito tributário. A decisão recorrida, ao examinar especificamente a situação da BMG FOODS, reconheceu que a fiscalização não afirmou que a recorrente tivesse concorrido para a prática das irregularidades atribuídas à BETAMPEX. Consignou-se que a responsabilidade decorreria do interesse da recorrente nos benefícios ilícitos supostamente obtidos pelo grupo econômico. Como já repetidamente visto, essa fundamentação não satisfaz o requisito estabelecido pelo art. 124, inciso I, do CTN. O interesse nos resultados ou benefícios econômicos obtidos por outra pessoa jurídica não se confunde com o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Também não substitui a demonstração da participação consciente no ilícito que desfigurou ou ocultou esse fato gerador. A afirmação de que a BMG FOODS poderia ter se beneficiado das irregularidades praticadas pela BETAMPEX permanece no campo do interesse econômico. Para que pudesse fundamentar a solidariedade, seria necessário demonstrar qual benefício foi recebido, de que operação decorreu, como ingressou no patrimônio da recorrente e qual sua relação com os tributos exigidos neste processo. Tal demonstração não foi realizada. As constatações produzidas nas fiscalizações aduaneiras anteriores também não conduzem à responsabilidade da recorrente pelo presente crédito tributário. O fato de mercadorias importadas pela NOSTRO BEEF terem sido posteriormente adquiridas pela BMG FOODS pode demonstrar a existência de operações comerciais entre essas empresas. Ainda que se admitisse a existência de interposição em determinadas importações, seria necessário demonstrar que a BMG FOODS participou da interposição e que esse ilícito possui relação causal com as omissões de receitas, custos não comprovados ou inexatidões contábeis que originaram o lançamento contra a BETAMPEX. A mera aquisição de mercadorias importadas por outra empresa não comprova que a adquirente tenha participado do planejamento da importação, financiado a operação, ocultado o real beneficiário ou concorrido para a prática das infrações tributárias posteriormente atribuídas à contribuinte principal. A participação societária da NOSTRO BEEF na BMG FOODS e a atuação de Marçal Bissoli na administração da recorrente igualmente não autorizam, por si sós, a imputação. A identidade ou proximidade do quadro societário constitui indício de vinculação empresarial, mas não elimina a autonomia patrimonial das pessoas jurídicas. O art. 124, inciso I, do CTN não estabelece responsabilidade automática entre controladora, controlada, coligada, sócios ou empresas submetidas a administração comum. Fl. 3941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 50 Mesmo que se considere comprovada a inserção da BMG FOODS no denominado Grupo Torlim, permanece necessária a demonstração de que a recorrente participou dos fatos geradores ou dos atos ilícitos que originaram o crédito tributário. O principal elemento utilizado para sustentar a alegada confusão patrimonial consiste nos lançamentos existentes na conta contábil nº 9635, denominada “BMG Importação e Exportação Ltda.”, vinculada à conta “Duplicatas a Receber” no ativo circulante da BETAMPEX. A fiscalização tomou como exemplo a Nota Fiscal nº 100, emitida em 30 de abril de 2021, no valor de R$ 836.089,20, correspondente à venda de mercadorias da BETAMPEX à BMG FOODS, com pagamento previsto em oito parcelas. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, foram realizados lançamentos a crédito na conta 401, “Estoque de Mercadorias”, e a débito na conta 9635, “BMG Importação e Exportação Ltda.”. A partir desses registros, a autoridade fiscal concluiu que a BETAMPEX realizava o controle do estoque da BMG FOODS e que as operações formalmente apresentadas como vendas constituíam repasses de mercadorias sem ônus. Essa conclusão não decorre necessariamente dos registros descritos. O débito em uma conta de duplicatas a receber representa, em princípio, o reconhecimento ou aumento de um crédito da BETAMPEX contra a BMG FOODS. Não representa pagamento efetuado pela recorrente. O pagamento de uma duplicata, ordinariamente, acarretaria a baixa da conta a receber mediante lançamento a crédito, e não seu débito. Da mesma maneira, o crédito em conta de estoque pode representar a saída contábil de mercadorias da BETAMPEX. Isoladamente, o registro não demonstra que a contribuinte principal controlasse o estoque pertencente à BMG FOODS, nem que as mercadorias tivessem sido transferidas sem contraprestação. A existência de nota fiscal, de conta a receber e de parcelamento é, em princípio, compatível com uma operação de venda a prazo. Para afastar essa aparência e comprovar a existência de repasse sem ônus, seria necessário examinar a integralidade dos lançamentos contábeis, suas contrapartidas, os documentos fiscais, os comprovantes de transporte, os recebimentos bancários e a posterior destinação das mercadorias. O Termo de Verificação Fiscal não demonstra que a Nota Fiscal nº 100 ou as demais notas mencionadas fossem inidôneas, que as mercadorias não tivessem sido entregues, que os valores não tivessem sido pagos ou que os pagamentos tivessem retornado à BMG FOODS. Também não se identificou que a recorrente tivesse acesso à escrituração da BETAMPEX ou participasse de sua elaboração. A existência, na contabilidade da contribuinte principal, de conta analítica destinada ao registro das operações com a BMG FOODS é procedimento ordinário de controle de clientes e não caracteriza, por si só, utilização comum da escrituração. Assim, a conclusão de que existia estoque centralizado e de que as vendas constituíam repasses sem ônus não se encontra acompanhada dos elementos contábeis e financeiros necessários à sua comprovação. Fl. 3942DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 51 O volume das operações recíprocas igualmente não basta para caracterizar confusão patrimonial. As vendas da BMG FOODS à BETAMPEX representaram 23,02% de suas vendas para pessoas jurídicas. Trata-se de percentual relevante, mas o próprio Termo de Verificação Fiscal registra que a recorrente possuía cerca de 3.320 clientes no período. Não havia exclusividade comercial. Por outro lado, as vendas da BETAMPEX à BMG FOODS corresponderam a apenas 4,37% das vendas da contribuinte principal para pessoas jurídicas, percentual que não revela dependência econômica ou identidade operacional entre as empresas. A concentração comercial pode constituir indício de proximidade entre as partes. Para convertê-la em prova de confusão patrimonial seria necessário demonstrar ausência de margens, pagamentos circulares, transferência de recursos sem causa, assunção de despesas por empresa diversa, compartilhamento de contas bancárias ou destinação conjunta dos resultados. Esses elementos não foram individualizados no lançamento. A utilização do mesmo representante aduaneiro e a aquisição de produtos provenientes dos mesmos fornecedores estrangeiros também não demonstram, isoladamente, atuação ilícita conjunta. Empresas que operam no mesmo segmento econômico podem contratar o mesmo profissional especializado e adquirir mercadorias dos mesmos produtores sem que disso resulte confusão patrimonial. Assenta-se, portanto, da mesma forma que no caso analisado anteriormente, que a fiscalização inferiu a existência de grupo econômico irregular a partir de operações recíprocas, vínculos societários, fornecedores comuns e conclusões de procedimentos aduaneiros, atribuindo, com base nisso, responsabilidade solidária à BMG FOODS pela totalidade das infrações apuradas contra a BETAMPEX. Esse raciocínio, contudo, não atende ao art. 124, inciso I, do CTN, pois a existência de grupo econômico, ainda que irregular, não constitui hipótese autônoma de responsabilidade tributária. Conforme o Parecer COSIT nº 4/2018 e a jurisprudência da CSRF, é indispensável demonstrar, de forma individualizada, a relação da pessoa responsabilizada com os fatos geradores ou com os atos ilícitos que originaram o crédito tributário. No caso, não foi comprovado que a BMG FOODS tenha participado da omissão de receitas, das inexatidões contábeis, da criação de custos sem documentação, dos estornos indevidos ou da falta de comprovação das despesas da BETAMPEX, nem que tenha recebido receitas omitidas, financiado os ilícitos, fornecido documentos inidôneos, movimentado recursos da contribuinte ou se beneficiado da redução tributária. Como o ônus dessa demonstração incumbia à autoridade fiscal, os vínculos econômicos, societários e profissionais identificados, embora relevantes como elementos indiciários, não bastam para caracterizar interesse comum, confusão patrimonial ou participação consciente nos ilícitos. Deve, portanto, ser afastada a responsabilidade solidária atribuída à BMG Foods Importação e Exportação Ltda. Fl. 3943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 52 3.8.2 A RESPONSABILIDADE PREVISTA NO ART. 135, III DO CTN Inicialmente, cuida-se de examinar os requisitos necessários à imputação de responsabilidade tributária pessoal aos administradores de pessoas jurídicas, nos termos do art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. O referido dispositivo estabelece hipótese excepcional de responsabilização, ao dispor que diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado somente respondem pessoalmente pelos créditos tributários quando estes resultarem de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A correta exegese do dispositivo revela que não se está diante de hipótese de responsabilidade objetiva, mas, ao contrário, de responsabilidade subjetiva, cuja caracterização exige a presença concomitante de requisitos específicos, os quais a doutrina e a jurisprudência consolidaram em dois elementos essenciais: o elemento pessoal e o elemento fático. O elemento pessoal refere-se à qualidade do sujeito a quem se pretende imputar a responsabilidade. Não basta a mera condição de sócio da pessoa jurídica. Exige-se que o indivíduo detenha efetivos poderes de gestão, isto é, que atue como diretor, gerente ou representante com capacidade decisória no âmbito da empresa. Assim, apenas aquele que exerce funções de administração, seja de direito ou de fato, pode ser responsabilizado, desde que comprovado que detinha poderes de direção no período de ocorrência dos fatos geradores. Nesse sentido, é pacífico que o sócio sem poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade, tampouco aquele que não exercia administração à época dos fatos. O elemento fático, por sua vez, consiste na prática de conduta qualificada, consistente em excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Trata-se do núcleo da responsabilização prevista no art. 135 do CTN, exigindo-se a demonstração de comportamento ilícito imputável ao administrador. A infração à lei não se confunde com o mero inadimplemento da obrigação tributária. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que a simples falta de pagamento de tributo não é suficiente para ensejar a responsabilização do administrador, sendo indispensável a comprovação de conduta qualificada, como fraude, sonegação ou dissolução irregular. Nessa linha, a responsabilidade apenas se configura quando o inadimplemento se apresenta de forma qualificada, isto é, acompanhado de dolo, revelando atuação contrária à ordem jurídica, como ocorre, por exemplo, nos casos de sonegação fiscal, apropriação indevida de tributos retidos ou prática de atos fraudulentos. Com efeito, a caracterização da responsabilidade exige a demonstração de que o administrador praticou ato: (i) em desconformidade com a lei, o contrato social ou o estatuto; ou (ii) além dos poderes que lhe foram conferidos. Tais hipóteses incluem, entre outras, a prática de Fl. 3944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 53 atividades vedadas pelos atos constitutivos, o exercício de funções sem autorização societária, ou a adoção de condutas ilícitas com repercussão tributária. Ademais, a responsabilidade prevista no art. 135, III do CTN pressupõe a presença de elemento subjetivo, notadamente o dolo, especialmente quando se trata de infrações como sonegação, fraude ou conluio, circunstâncias que evidenciam a intenção de lesar o Fisco. Importante ressaltar, ainda, que a análise deve ser necessariamente casuística, não sendo admissível a imputação automática de responsabilidade ao administrador sem a devida comprovação de sua participação nos atos ilícitos. A exigência de prova do elemento subjetivo impede a transformação indevida dessa responsabilidade em modalidade objetiva, sem amparo no ordenamento jurídico. Por fim, cumpre destacar que a responsabilização pode alcançar não apenas os administradores formalmente investidos no cargo, mas também aqueles que, embora não constem oficialmente como gestores, exerçam, de fato, poderes de administração, sob pena de se admitir que práticas fraudulentas sejam acobertadas por estruturas meramente formais. Diante do exposto, conclui-se que a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN somente se configura quando presentes, de forma cumulativa: (i) a condição de administrador com poderes de gestão à época dos fatos (elemento pessoal); e (ii) a prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto, dotados de conteúdo doloso, não sendo suficiente, para tanto, o mero inadimplemento da obrigação tributária. Nota-se que a autoridade fiscal atribuiu responsabilidade pessoal, com base no art. 135, III do CTN, as seguintes pessoas físicas pelos motivos expostos: Pessoa física responsabilizada Posição atribuída no TVF Ações/condutas atribuídas pela fiscalização Evandro Santos Sócio-administrador da Betampex. Também aparece como sócio minoritário da Betampex e vinculado à estrutura societária da Agro Trading. O TVF atribuiu a Evandro a condução formal da Betampex no período fiscalizado, cabendo-lhe zelar pela regularidade das operações contábeis, fiscais e empresariais da recorrente. Também reproduziu conclusão de fiscalização anterior segundo a qual Evandro e Carlos Magno não seriam os reais sócios de Agro Trading e Betampex, mas “testas de ferro” de estrutura maior ligada ao Grupo Torlim. Carlos Magno Frederico Sócio-administrador da Agro Trading, empresa apontada como controladora da Betampex. O TVF atribuiu a Carlos Magno a administração da Agro Trading, que detinha controle praticamente integral da Betampex. Também mencionou fiscalização anterior segundo a qual Carlos Magno não comprovou o efetivo aporte de recursos na Agro Trading, e a Agro Trading não comprovou a transferência efetiva de recursos para o capital da Betampex, deixando sem comprovação a origem dos recursos usados pela Betampex em operações de comércio exterior. Marçal Bissoli Sócio-administrador da Nostro Beef e da BMG FOODS. O TVF atribuiu a Marçal a condução de empresas consideradas integrantes do mesmo grupo econômico de fato da Betampex. A fiscalização relacionou a Nostro Beef e a BMG FOODS a operações recíprocas, repasses de mercadorias, interposição e confusão operacional com a Betampex. Também registrou vínculos profissionais anteriores de Marçal com empresas associadas a Jair Antônio de Lima e ao Grupo Torlim. Jair Antônio de Lima Apontado como comandante de fato do Grupo Torlim e figura central da estrutura econômica. O TVF atribuiu a Jair o comando do Grupo Torlim, do qual fariam parte Betampex, Agro Trading, Nostro Beef e BMG FOODS. Segundo a fiscalização, as empresas teriam atuado em sincronia, por meio de seus administradores e de Jair, para alcançar melhores resultados econômico-financeiros, em concomitância com as infrações tributárias apuradas. Também foi apontado vínculo com o Frigorífico Concepción e com a Torlim Alimentos. Verifica-se que as constatações da autoridade fiscal relacionam-se com o fato de aquelas pessoas figurarem nos quadros societários das empresas componentes do grupo econômico identificado, não havendo, entretanto, comprovações da ação direta dos Fl. 3945DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 54 responsabilizados na prática do crime de sonegação, ou qualquer outra infração à lei, diretamente relacionada com os fatos geradores apurados na presente autuação, de forma que faltante o elemento pessoal a ensejar a responsabilidade solidária fundada no art. 135, III do CTN. Destarte, as responsabilidades solidárias atribuídas a Evandro Santos, Marçal Bissoli e Jair Antônio de Lima devem ser afastadas. 4 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso interposto por Carlos Magno Frederico e conhecer dos demais recursos voluntários para rejeitar suas preliminares e, no mérito, dar parcial provimento para: i. Manter os lançamentos de IRPJ e CSLL; ii. Afastar o agravamento das multas de ofício decorrentes, mantida a sua qualificação, reduzindo-as ao percentual de 100%; iii. Exonerar os lançamentos de PIS e COFINS; iv. Exonerar o lançamento das multas regulamentares em decorrência de omissões ou imprecisões na ECD e ECF por aplicação do Tema 487 do STF; v. Manter o lançamento da multa regulamentar em decorrência de omissões ou imprecisões na EFD-Contribuições; vi. Afastar a responsabilidades solidárias atribuídas a Nostro Beef Alimentos Importação e Exportação Ltda, BMG Foods Importação e Exportação Ltda, Evandro Santos, Marçal Bissoli e Jair Antônio de Lima. Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Isabelle Resende Alves Rocha Apresento declaração de voto exclusivamente quanto à manutenção da qualificação da multa de ofício, ponto em que, a princípio, eu divergia, porém acompanhei o Relator após os debates realizados em sessão. Fl. 3946DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 55 Parto da premissa de que a multa qualificada exige fundamento próprio e não decorre automaticamente da comprovação da infração tributária. Nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, a duplicação da penalidade pressupõe a configuração de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964, todas marcadas pela presença do dolo. Por isso, omissão de receitas, dedução indevida de custos ou despesas, inexatidão da escrituração ou mesmo a reiteração dessas ocorrências não são, por si sós, suficientes para a qualificação. É nesse sentido que as Súmulas CARF nº 14 e 25 afastam a possibilidade de extrair o evidente intuito de fraude da própria omissão de receitas, inclusive quando decorrente de presunção legal. Para qualificar a penalidade, é necessário identificar no relatório fiscal, expressamente, elemento adicional que revele atuação consciente destinada a ocultar, dissimular ou dificultar o conhecimento das circunstâncias materiais do fato gerador pela autoridade fiscal. Dito isso, é importante registrar também que me alinho ao Conselheiro relator, no sentido de que esse elemento não depende de prova direta. Em situações de fraude ou sonegação, dificilmente haverá documento no qual o contribuinte declare expressamente a intenção de suprimir tributos. O dolo pode ser demonstrado por prova indiciária, desde que os fatos apurados sejam suficientemente precisos, concordantes e convergentes para permitir concluir pela existência de conduta deliberada, e não apenas pela ocorrência objetiva da infração. Minha ressalva inicial neste processo dizia respeito justamente à demonstração desse elemento subjetivo no lançamento. O Termo de Verificação Fiscal descreveu omissões de receitas e diversas glosas de custos, despesas e ajustes contábeis, entre elas compras de mercadorias registradas em estoque, estornos de ICMS, PIS e COFINS, gastos com energia elétrica, armazenagem e fretes, além de diferenças nos valores de tributos contabilizados. Ao tratar especificamente da qualificação, afirmou que essas condutas configurariam ações ou omissões dolosas enquadráveis como sonegação e fraude à fiscalização. A meu ver, considerada isoladamente essa fundamentação, faltou explicitar o vínculo entre as irregularidades constatadas e a intenção de impedir ou retardar o conhecimento dos fatos pelo Fisco. Esse aspecto é relevante porque, repita-se: a qualificação não pode resultar apenas da soma de várias infrações tributárias. Ainda que numerosas e de elevado valor, omissões de receitas e glosas de despesas permanecem, em princípio, fatos suficientes para a constituição do crédito e para a aplicação da multa ordinária. Porém, para alcançar a hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, deve ser possível identificar, no conjunto probatório, uma conduta dirigida à ocultação ou à apresentação distorcida da realidade à fiscalização, o que deve estar expresso no TVF, a meu ver. Contudo, a análise mais detida das circunstâncias descritas ao longo do TVF neste caso concreto, especialmente quando confrontadas com as próprias explicações apresentadas pela Contribuinte, me levou a acompanhar o Relator. Não se trata, aqui, de suprir a motivação do lançamento com fatos novos revelados apenas no julgamento, mas de reconhecer que os elementos objetivos já apurados pela fiscalização, embora não tenham sido articulados de forma Fl. 3947DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 56 satisfatória no capítulo específico da multa, revelam um padrão de atuação que ultrapassa as infrações tributárias tomadas isoladamente. O ponto mais significativo está na explicação apresentada para as receitas omitidas e para parte dos custos registrados na conta de estoque. A Recorrente sustentou que as notas fiscais identificadas pela fiscalização correspondiam a vendas que não teriam se concretizado e que, por essa razão, teriam sido realizados lançamentos contábeis de estorno. O voto do Relator demonstra, entretanto, que as NF-e permaneceram ativas, não foram acompanhadas de notas de devolução e que os supostos estornos foram registrados em contas de compras ou estoque, e não nas contas em que as receitas haviam sido originalmente reconhecidas. A forma e a extensão desses registros afastam a hipótese de um equívoco contábil pontual. Conforme destacado pelo Relator, as notas que a própria Recorrente afirma corresponderem a operações não concretizadas apresentam numeração praticamente sequencial, da NF-e nº 60 à nº 329, de modo que quase todas as notas emitidas a partir de 31/03/2021 até o fim do ano estariam, segundo sua versão, relacionadas a vendas posteriormente canceladas. Os lançamentos destinados a neutralizá-las, por sua vez, não foram realizados de uma só vez e pelos respectivos valores integrais, mas parceladamente ao longo de vários meses, embora as mercadorias fossem altamente perecíveis. Há ainda uma consequência relevante que não se explica pela simples alegação de erro de escrituração. As NF-e permaneceram válidas perante o sistema fiscal e podiam produzir efeitos para suas destinatárias, todas empresas relacionadas ao mesmo grupo econômico, enquanto a Recorrente reduzia seu próprio resultado mediante lançamentos de custos destinados a neutralizar as receitas correspondentes. Como registrou o i. Relator, a forma de contabilização permitia que os destinatários preservassem os custos e créditos tributários decorrentes das notas emitidas e, simultaneamente, que a emitente afastasse os efeitos tributários das vendas. O parcelamento dos supostos estornos, segundo a análise realizada pelo Relator, também dificultava a identificação imediata da correspondência entre os lançamentos e as receitas que estavam sendo anuladas. Outras constatações reforçam a mesma conclusão. Os estornos de ICMS, PIS e COFINS foram registrados como custos na conta de estoque, sem documentação ou memória de cálculo apta a demonstrar sua origem, produzindo efeito redutor sobre o lucro. Para comprovar despesas de energia elétrica e armazenagem, a Recorrente afirmou ter apresentado documentação integral, mas a análise revelou documentos duplicados ou triplicados e outros emitidos em nome de terceiros, tendo a DRJ reconhecido apenas as parcelas efetivamente comprovadas. Também foram identificados valores de ICMS, PIS e COFINS contabilizados como despesas em montantes superiores aos extraídos das próprias notas fiscais emitidas, sem que a empresa apresentasse a memória de cálculo ou os elementos que justificariam essas diferenças. Foi esse contexto, reforçado nos debates em sessão, que alterou minha compreensão inicial. A conduta revelada pelo desenrolar do processo não consiste apenas em Fl. 3948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.722 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10340.721076/2024-51 57 deixar de comprovar despesas ou escriturar incorretamente determinadas operações. A Contribuinte apresentou à fiscalização explicações incompatíveis com os próprios registros e documentos, atribuindo a vendas não concretizadas lançamentos que não correspondiam ao procedimento de cancelamento ou devolução, afirmando neutralidade de registros que efetivamente reduziam o resultado e oferecendo documentação que, após examinada, continha duplicidades ou se referia a terceiros. Ou seja, durante a própria fiscalização e após a instauração do contencioso, a conduta da Contribuinte se direcionou no sentido de desviar a atenção dos interlocutores para argumentos incompatíveis com a realidade. O conjunto demonstra, portanto, uma atuação dirigida não apenas à redução do tributo, mas também à criação de uma aparência contábil capaz de justificar essa redução perante a fiscalização. Por essas razões, muito embora o TVF não tenha construído claramente o elemento subjetivo de dolo na prática de sonegação, acompanhei o Relator para manter a qualificação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Isabelle Resende Alves Rocha Fl. 3949DF CARF MF Original Acórdão Relatório 1 DA AUTUAÇÃO 2 DA IMPUGNAÇÃO 3 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA 4 DO RECURSO 4.1 das PRELIMINARES 4.1.1 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE DOCUMENTOS E FUNDAMENTOS QUE EMBASARAM A DEFESA 4.1.2 DA NULIDADE POR DESVIO DE FINALIDADE E DEFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO 4.2 DO MÉRITO 4.3 DA AUSÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO E DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 4.4 DA MULTA QUALIFICADA 4.5 DAS MULTAS REGULAMENTARES Voto 1 DA ADMISSIBILIDADE 2 DAS PRELIMINARES 2.1 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE DOCUMENTOS E FUNDAMENTOS QUE EMBASARAM A DEFESA 2.2 DA NULIDADE POR DESVIO DE FINALIDADE E DEFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO 3 DO MÉRITO 3.1 DA OMISSÃO DE RECEITA 3.2 DOS CUSTOS NÃO COMPROVADOS 3.2.1 AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS 3.2.2 ESTORNOS DE TRIBUTOS 3.2.3 CUSTOS DE FABRICAÇÃO COM ENERGIA ELÉTRICA, CUSTOS DE ARMAZENAGEM E DESPESAS COM FRETES 3.3 MAJORAÇÃO DE TRIBUTOS 3.4 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS 3.5 DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA 3.6 DAS MULTAS REGULAMENTARES 3.7 DO GRUPO ECONÔMICO 3.7.1 Informações trazidas no Termo de Verificação Fiscal 3.7.2 Elementos adicionais oriundos de outros procedimentos/processos administrativos 3.7.3 Síntese conclusiva 3.8 DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 3.8.1 RESPONSABILIDADES COM BASE NO ART. 124, I DO CTN 3.8.1.1 Agro Trading Serviços de Apoio Administrativo Ltda. 3.8.1.2 Nostro Beef Alimentos Importação e Exportação Ltda. 3.8.1.3 BMG Foods Importação e Exportação Ltda. 3.8.2 A RESPONSABILIDADE PREVISTA NO ART. 135, III DO CTN 4 CONCLUSÃO Declaração de Voto

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Numero do processo: 10783.902983/2017-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2014 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ APRECIADO EM PROCESSO ANTERIOR. RETIFICAÇÃO DE DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora e de novo PER/DCOMP não afasta decisão administrativa anterior que reconheceu a inexistência de crédito apto à compensação. Não comprovados o erro na declaração retificada nem a liquidez e certeza do crédito, nos termos da Súmula CARF nº 164 e do art. 170 do CTN, deve ser mantida a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1102-002.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton - Relatora Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Cassiano Romulo Soares, Cristiane Pires McNaughton, Gabriel Campelo de Carvalho, Gustavo Schneider Fossati, Lizandro Rodrigues de Sousa, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE PIRES MCNAUGHTON

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/04/2014 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ APRECIADO EM PROCESSO ANTERIOR. RETIFICAÇÃO DE DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora e de novo PER/DCOMP não afasta decisão administrativa anterior que reconheceu a inexistência de crédito apto à compensação. Não comprovados o erro na declaração retificada nem a liquidez e certeza do crédito, nos termos da Súmula CARF nº 164 e do art. 170 do CTN, deve ser mantida a não homologação da compensação. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton – Relatora Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Fl. 4964DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.100 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10783.902983/2017-61 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Cassiano Romulo Soares, Cristiane Pires McNaughton, Gabriel Campelo de Carvalho, Gustavo Schneider Fossati, Lizandro Rodrigues de Sousa, Fernando Beltcher da Silva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se o presente processo, na origem, de pedido de restituição (PER) nº 26180.07160.290816.1.2.04-0840 e de declaração de compensação (Dcomp) nº 23873.84271.251016.1.3.04-8090, com fundamento em pagamento indevido de IRPJ, com a utilização de crédito relativo ao período de 31/03/2014. O Despacho Decisório n. 123251089 (fl. 15), não homologou as compensações declaradas, bem como indeferiu o pedido de restituição, pois o montante comprovado das parcelas de composição do crédito foi insuficiente para respaldar integralmente o valor do saldo negativo alegado pela Recorrente: Cientificada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 18/21, 37/40, 56/59 e 75/78) na qual impugnou os fundamentos da decisão administrativa, sustentando que as divergências apontadas são improcedentes. Ao analisar a defesa apresentada pela Recorrente, os membros da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 08, proferiram o acórdão n. 108-000.153 (fls. 94/99), no qual por unanimidade de votos, decidiram por julgar improcedente a manifestação de inconformidade ora apresentada. Em síntese, a DRJ entendeu que o crédito utilizado na PER nº 26180.07160.290816.1.2.04-0840 e na DCOMP nº 23873.84271.251016.1.3.04-8090 já havia sido objeto de análise anterior, por ocasião da apreciação da DCOMP nº 11403.23086.300714.1.3.04- 0347, cuja compensação não foi homologada por meio do Despacho Decisório nº 098615920. Destacou que a manifestação de inconformidade apresentada contra esse despacho foi Fl. 4965DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.100 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10783.902983/2017-61 3 considerada intempestiva, não tendo sido encaminhada para julgamento pela DRJ, circunstância que tornou definitiva a decisão administrativa quanto à inexistência de crédito remanescente. Consignou, ainda, que a apresentação de novo PER e de nova DCOMP, amparados no mesmo direito creditório anteriormente rejeitado, não seria meio adequado para rediscutir matéria já decidida, ressaltando que eventual inconformismo deveria ter sido veiculado mediante a impugnação tempestiva do despacho decisório originário. Observou, ainda, que a retificação da DCTF, promovida após a perda da espontaneidade, não possui eficácia suficiente para comprovar, por si só, a existência do crédito alegado, sendo indispensável a apresentação de escrituração contábil e documentação de suporte aptas a demonstrar o alegado erro de fato e a liquidez e certeza do crédito, nos termos do art. 170 do CTN. Por fim, com fundamento na ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado e citando precedentes do CARF acerca da necessidade de comprovação do erro de fato mediante documentação contábil idônea, manteve o despacho decisório recorrido, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconhecendo o direito creditório discutido. A Recorrente tomou ciência da Decisão da DRJ em 05/12/2023. Irresignada, interpôs Recurso Voluntário em 03/01/2024 (fls. 4.957/4.960), no qual, em síntese: 1. Alega que, em 21/05/2014, transmitiu a DCTF original (doc. 02) referente ao mês de março de 2014, na qual informou o valor de IRPJ a recolher de R$ 576.849,23, montante que afirma ter sido recolhido tempestivamente em 30/04/2014 (doc. 03). 2. Sustenta que, em 10/04/2015, após a transmissão da DCTF, constatou que o valor do IRPJ informado a recolher havia sido superior ao efetivamente devido em R$ 51.473,70. 3. Afirma que, em 29/07/2014, utilizando-se do crédito decorrente do recolhimento a maior de IRPJ mencionado no item anterior, efetuou compensação no valor de R$ 52.858,34, já acrescido de atualização monetária, por meio da DCOMP nº 11403.23086.300714.1.3.04.0347 (doc. 04), com débito de IRPJ referente ao 2º trimestre de 2014. 4. Aduz que, em 25/03/2015, tomou ciência do Despacho Decisório nº 098615920, por meio do qual não foi homologada a DCOMP nº 11403.23086.300714.1.3.04.0347 (doc. 06). 5. Informa que, em 10/04/2015 (doc. 05), após constatar que não havia retificado tempestivamente a DCTF relativa ao mês de março de 2014, promoveu sua retificação, alterando o valor do IRPJ para R$ 525.375,53. 6. Reconhece que a Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório nº 098615920 foi considerada intempestiva, por ter sido protocolada em 25/08/2015. 7. Afirma que, em 31/03/2016, efetuou o pagamento do débito objeto do Despacho Decisório nº 098615920 (doc. 07). Fl. 4966DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.100 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10783.902983/2017-61 4 8. Sustenta que, após a retificação da DCTF, realizada em 10/04/2015 (doc. 05), permaneceu com saldo credor no valor de R$ 51.473,70, correspondente ao IRPJ recolhido a maior, conforme demonstrado pelo comprovante de arrecadação (doc. 03). 9. Aduz que, mesmo após efetuar o pagamento exigido pela Receita Federal do Brasil (doc. 07), permaneceu disponível o crédito decorrente do recolhimento a maior. 10. Afirma que, em 25/10/2016, diante das circunstâncias anteriormente narradas, apresentou nova declaração de compensação, por meio da DCOMP nº 23873.84271.251016.1.3.04-8090 (doc. 08), utilizando os créditos que entende disponíveis perante a Receita Federal do Brasil. Relata que essa compensação também não foi homologada, conforme Despacho Decisório nº 123251089, de 07/06/2017, do qual tomou ciência em 19/06/2017 (doc. 09). É o relatório. VOTO Conselheira Cristiane Pires McNaughton, Relatora. 1 ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais para sua admissibilidade. Portanto, o conheço. 2 MÉRITO Verifica-se que o direito creditório objeto do PER nº 26180.07160.290816.1.2.04- 0840, posteriormente utilizado na DComp nº 23873.84271.251016.1.3.04-8090, já havia sido previamente submetido à apreciação da Administração Tributária quando da análise da DComp nº 11403.23086.300714.1.3.04-0347. Naquela oportunidade, foi proferido o Despacho Decisório de Rastreamento nº 098615920, regularmente cientificado à contribuinte em 25/03/2015, por meio do qual a compensação foi considerada não homologada. Embora a contribuinte tenha apresentado manifestação de inconformidade, esta não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento em razão de sua intempestividade, tornando-se definitiva, na esfera administrativa, a decisão que afastou a existência do crédito então invocado. Posteriormente, em 29/08/2016, a Recorrente protocolizou novo Pedido Eletrônico de Restituição, formalizando, em 25/10/2016, a correspondente Declaração de Compensação, após promover a retificação da DCTF relativa ao débito de IRPJ. Em decorrência dessa retificação, Fl. 4967DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.100 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10783.902983/2017-61 5 o débito originalmente confessado, no montante de R$ 576.849,23, foi reduzido para R$ 525.375,53. Ao examinar o novo PER/DCOMP, a Autoridade Fiscal concluiu que o crédito informado permanecia vinculado aos mesmos pedidos anteriormente apreciados, relativamente aos quais já havia decisão administrativa reconhecendo a inexistência de saldo credor remanescente apto a amparar novas compensações ou pedidos de restituição. A decisão foi integralmente mantida pela DRJ. Em sede recursal, a Recorrente não logra demonstrar a existência de erro material na DCTF retificadora, nos termos da Súmula CARF nº 164, tampouco apresenta elementos capazes de comprovar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado, requisito indispensável ao reconhecimento do direito creditório, conforme dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. A mera apresentação de declaração retificadora não possui o condão de infirmar decisão administrativa anteriormente definitiva nem de restabelecer crédito cuja existência já foi afastada pela Administração Tributária, sobretudo na ausência de prova idônea apta a demonstrar a efetiva ocorrência do indébito. Não se verifica, portanto, qualquer elemento novo capaz de justificar a reforma da decisão recorrida. 3 DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton Fl. 4968DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 Admissibilidade 2 Mérito 3 dispositivo

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Numero do processo: 16327.901161/2017-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 19/11/2012 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas operacionais) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência das contribuições ao PIS e COFINS sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades constituem receita de natureza operacional, decorrente de atividade meio para realizar o objeto social da respectiva sociedade.
Numero da decisão: 3102-003.956
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer o Recurso Voluntário e negar-lhe provimento. Vencidas as conselheiras Joana Maria de Oliveira Guimarães e Sabrina Coutinho Barbosa que davam provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-003.954, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 16327.901159/2017-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 19/11/2012 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas operacionais) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência das contribuições ao PIS e COFINS sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades constituem receita de natureza operacional, decorrente de atividade meio para realizar o objeto social da respectiva sociedade. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer o Recurso Voluntário e negar-lhe provimento. Vencidas as conselheiras Joana Maria de Oliveira Guimarães e Sabrina Coutinho Barbosa que davam provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-003.954, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 16327.901159/2017-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.956 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.901161/2017-26 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o PER/DCOMP apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 19/11/2012 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas operacionais) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência das contribuições ao PIS e COFINS sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades constituem receita de natureza operacional, decorrente de atividade meio para realizar o objeto social da respectiva sociedade. A Recorrente tomou ciência da decisão de Primeira Instância e apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: I. Apenas a atividade típica do contribuinte pode ser computada como receita tributável para a COFINS/PIS, o que exclui juros sobre capital próprio. II. O STJ em repercussão geral já decidiu sobre o tema nos termos do REsp nº1.104.184/RS, afastando a tributação sobre JCP. Fl. 179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.956 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.901161/2017-26 3 Por fim, apresenta o seguinte pedido: Pelo exposto, requer o Recorrente a reforma da decisão proferida pela DRJ, com o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Este é o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade de forma que dele tomo conhecimento. A única questão discutida neste contencioso é sobre a inclusão de receitas de Juros sobre Capital Próprio (JCP), em face à declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. A Recorrente alega que as receitas de JCP não fazem parte de sua atividade finalística, a qual não envolve deter participação em outras sociedades, e ainda que o Superior Tribunal de Justiça teria determinado no julgamento do REsp 1.104.184/RS, submetido ao rito do art. 543-C, do antigo CPC, que a cobrança de PIS/COFINS sobre receitas de JCP careceria de base legal. O Acórdão 3302-005.399, prolatado em sessão do dia 18 de abril de 2018, tratou exatamente deste tema, conforme reproduzo abaixo: Conforme relatado, o cerne da questão diz respeito à inclusão dos valores recebidos a título de juros sobre capital próprio na base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos. A matéria objeto da presente lide já foi enfrentada pelo STJ no REsp 1.104.184, submetido ao regime do art. 543C do CPC, de Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, quando foi decidido pela incidência das contribuições não cumulativas em relação ao juros sobre capital próprio, conforme a seguir ementado. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC c/c ART. 2º., § 1º. DA RES. STJ 8/2008). PROCESSUAL CIVIL.ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, II DO CPC. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA, TENDO EM VISTA A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PELO STF, DO ART. 3º., § 1º. DA LEI 9.718/98 (RE's 346.084/PR, 357.950/RS, 390.840/MG e 358.273/RS). POSSIBILIDADE QUE SOMENTE SE AFIGURA APÓS A EDIÇÃO DAS LEIS 10.637/02 E 10.833/03, JÁ NA VIGÊNCIA DA EC 20/98, QUE AMPLIOU A BASE DE CÁLCULO DO PIS/CONFINS PARA INCLUIR A TOTALIDADE DAS RECEITAS AUFERIDAS PELA PESSOA JURÍDICA. PRECEDENTE: 1a. TURMA, RESP. 1.018.013/SC, REL. MIN. Fl. 180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.956 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.901161/2017-26 4 JOSÉ DELGADO, DJE 28.04.2008. PARECER DO MPF PELO IMPROVIMENTO DO RECURSO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. Inicialmente, sói destacar que a anunciada violação ao art.535, II do CPC não ocorreu, tendo em vista o fato de que a lide foi resolvida nos limites necessários e com a devida fundamentação. Todas as questões postas a debate foram efetivamente decididas, não tendo havido qualquer vício que justificasse o manejo dos Embargos de Declaração. Observe-se, ademais, que o julgamento diverso do pretendido, como na espécie, não implica ofensa à norma ora invocada. 2. Destaca-se, ainda, que, tendo encontrado motivação suficiente para fundar a decisão, não fica o órgão julgador obrigado a responder, um a um, todos os questionamentos suscitados pelas partes, mormente se notório seu caráter de infringência do julgado. Precedente: 1a. Turma, AgRg no AREsp 12.346/RO, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 26.08.2011. 3. A Lei 9.718/98 (regime cumulativo) estatui que a base de cálculo do PIS/CONFINS é o faturamento, sendo este equiparado à receita bruta da pessoa jurídica, tal como apregoam os arts. 2º. e 3º. Este último preceito normativo estava acompanhado do § 1º., que dizia: entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tal dispositivo legal fundamentava a inclusão, pelo Fisco, dos juros sobre capital próprio JCP no conceito de receita financeira, fato que permitiria a cobrança do PIS/COFINS sobre ele. 4. Todavia, a técnica adotada pelo legislador ordinário e posteriormente ratificada pelo Fisco foi definitivamente rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do alargamento do conceito de faturamento empreendido pelo art. 3º., § 1º. da Lei 9.718/98, tendo em vista o quanto disposto no art. 195 da CRFB, inconstitucionalidade essa que não foi afastada com as modificações efetuadas pela EC 20/98, a qual, grosso modo, constitucionalizou o conceito legal de faturamento ao incluir no Texto Magno, como base de cálculo do PIS/CONFINS, também, a receita (RE's 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG). 5. Sendo assim, antes da EC 20/98, a definição constitucional do conceito de faturamento envolvia somente a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, não abrangendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, tal como o legislador ordinário pretendeu. Somente após a edição da referida emenda constitucional é que se possibilitou a inclusão da totalidade das receitas incluindo o JCP como base de cálculo do PIS, circunstância materializada com a edição das Leis 10.637/02 e 10.833/03. 6. Em suma, tem-se que não incide PIS/COFINS sobre o JCP recebido durante a vigência da Lei 9.718/98 até a edição das Leis 10.637/02 (cujo art. 1º. entrou em vigor a partir de 01.12.2002) e 10.833/03, tal como no caso dos autos, que se refere apenas ao período compreendido entre 01.03.1999 e 30.09.2002. Precedente: 1ª. Turma, REsp. 1.018.013/SC, Rel.Min. JOSÉ DELGADO, DJe 28.04.2008. 7. Parecer do MPF pelo improvimento do recurso. 8. Negado provimento ao Recurso Especial. Feito submetido ao rito do art. 543C do CPC c/c art. 2º., § 1º. da Resolução STJ 8/2008. Ante os fundamentos acima demonstrados e considerando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF por força do 1 §2º do artigo 62 do RICARF, adota-se como razão de decidir a citada decisão para o fim Fl. 181DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.956 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.901161/2017-26 5 de manter a inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos dos valores recebidos a título de juros sobre capital próprio. (Acórdão nº 3302-005.399, Conselheira Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar, 2ª Turma Ordinária, 3ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), Sessão de 18/04/2018) O voto acima reproduzido refere-se a uma empresa de participações, o que poderia levar novamente à discussão de que deter participações em outras empresas seria o objeto principal do contribuinte, atraindo a condição de faturamento para o JCP. No entanto, a Câmara Superior de CARF também tratou do mesmo assunto sobre o caso de uma grande varejista, nos seguintes termos: (...) O recorrente alega que os juros sobre o capital próprio têm a mesma natureza dos dividendos e, por consequência, não poderiam sofrer a incidência do PIS e da Cofins. Não há como confirmar esse entendimento. Os dividendos tem natureza diversa do JCP, pois advém do lucro e não correspondem a uma despesa para quem os paga. Já o JCP, para quem os paga trata-se de uma despesa e, para quem os recebe, caso da recorrente, corresponde a uma receita tributável pelo PIS e pela Cofins pois não existe previsão legal para sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Assim, confirmo o entendimento das decisões recorridas, com os mesmos fundamentos. Destaca-se, dessa forma, disposição literal constante do art. 1º, inc. I do Decreto nº 5.442/2005, em vigor na data do lançamento: Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; II aplica-se às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Se os JCP não estão excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins por qualquer dispositivo legal e se a eles não se aplica a alíquota zero estabelecida no Decreto, evidente que sua tributação dá se de forma normal, nos termos dos art. 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Além do mais, o STJ, sob a sistemática do art. 543C do CPC, no julgamento do RESP 1104184, decidiu ser possível a tributação dos juros sobre capital próprio pela Cofins e pela Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, após a edição da EC nº 20. (...) 3. A Lei 9.718/98 (regime cumulativo) estatui que a base de cálculo do PIS/CONFINS é o faturamento, sendo este equiparado à receita bruta da pessoa jurídica, tal como apregoam os arts. 2º. e 3º. Este último preceito normativo estava acompanhado do § 1º., que dizia: entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tal dispositivo legal fundamentava a inclusão, pelo Fl. 182DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.956 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.901161/2017-26 6 Fisco, dos juros sobre capital próprio JCP nº conceito de receita financeira, fato que permitiria a cobrança do PIS/COFINS sobre ele. 4. Todavia, a técnica adotada pelo legislador ordinário e posteriormente ratificada pelo Fisco foi definitivamente rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do alargamento do conceito de faturamento empreendido pelo art. 3º., § 1º. da Lei 9.718/98, tendo em vista o quanto disposto no art. 195 da CRFB, inconstitucionalidade essa que não foi afastada com as modificações efetuadas pela EC 20/98, a qual, grosso modo, constitucionalizou o conceito legal de faturamento ao incluir nº Texto Magno, como base de cálculo do PIS/CONFINS, também, a receita (RE's 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG). 5. Sendo assim, antes da EC 20/98, a definição constitucional do conceito de faturamento envolvia somente a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, não abrangendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, tal como o legislador ordinário pretendeu. Somente após a edição da referida emenda constitucional é que se possibilitou a inclusão da totalidade das receitas incluindo o JCP como base de cálculo do PIS, circunstância materializada com a edição das Leis 10.637/02 e 10.833/03. 6. Em suma, tem-se que não incide PIS/COFINS sobre o JCP recebido durante a vigência da Lei 9.718/98 até a edição das Leis 10.637/02 (cujo art. 1º. entrou em vigor a partir de 01.12.2002) e 10.833/03, tal como no caso dos autos, que se refere apenas ao período compreendido entre 01.03.1999 e 30.09.2002. Precedente: 1a. Turma, REsp. 1.018.013/SC, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJe 28.04.2008. (REsp 1104184 RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 29/02/2012, DJe 08/03/2012) Por fim, desprovido de qualquer fundamento o argumento do contribuinte de que a decisão do STJ não teria entrado no mérito a respeito de que o JCP teria a mesma natureza dos dividendos. Ao concluir pela possibilidade de sua tributação o fez no exato sentido em que é tratado na legislação tributária. Nesse ponto, em sede de embargos ao acórdão anterior, o recorrente alega que houve omissão pelo fato de não ter sido considerado o decidido pela 2ª Seção do STJ no REsp 1373438, julgado na sistemática dos recursos repetitivos e que teria decidido que a natureza jurídica dos JCP é de distribuição de lucros. Neste sentido, transcrevo abaixo a ementa do REsp 1373438: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. EMPRESARIAL E PROCESSUAL CIVIL. TELEFONIA. COMPLEMENTAÇÃO DE AÇÕES. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. CUMULAÇÃO COM DIVIDENDOS. CABIMENTO. PEDIDO IMPLÍCITO. DECORRÊNCIA LÓGICA DO PEDIDO DE COMPLEMENTAÇÃO DE AÇÕES. INCLUSÃO NO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA SEM PREVISÃO NO TÍTULO EXECUTIVO. OFENSA À COISA JULGADA. 1. Para fins do art. 543C do CPC: 1.1. Cabimento da cumulação de dividendos e juros sobre capital próprio. 1.2. Nas demandas por complementação de ações de empresas de telefonia, admitese a condenação ao pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio independentemente de pedido expresso. 1.3. Descabimento da inclusão dos dividendos ou dos juros sobre capital próprio no cumprimento da sentença condenatória à complementação de ações sem expressa previsão no título executivo. 2. Caso concreto: 2.1. Inviabilidade de se alterar, na fase de cumprimento de sentença, o valor patrimonial da ação definido expressamente nº título executivo, sob pena de ofensa à coisa julgada. Fl. 183DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.956 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.901161/2017-26 7 2.2. Descabimento da inclusão dos juros sobre capital próprio no cumprimento de sentença sem previsão expressa no título executivo. 2.3. Incidência do óbice da Súmula 211/STJ no que tange à alegação relativa ao termo 'ad quem' dos dividendos. 2.4. "Não são cabíveis honorários advocatícios pela rejeição da impugnação ao cumprimento de sentença". 2.5. "Apenas no caso de acolhimento da impugnação, ainda que parcial, serão arbitrados honorários em benefício do executado, com base no art. 20, § 4º, do CPC" (REsp 1.134.186/RS, rito do art. 543C). 3. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. É de se destacar que no REsp 1373438, cuja ementa está acima transcrita, não houve qualquer decisão de natureza tributária no sentido da possibilidade ou não da incidência do PIS e da Cofins sobre os JCP. E ao contrário do que disse o contribuinte, não houve conclusão de que os JCP teriam natureza de distribuição de lucros para fins tributários. Abaixo transcrevo trecho do voto do relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino: (...) Desse modo, optando-se por um conceito único de JCP, sacrificams-e, necessariamente, ou os propósitos tributários da Lei 9.249/95, ou os princípios societários, protegidos pelas Deliberações CVM nº 207/96 e 683/12. A melhor solução, portanto, é a cisão dos efeitos produzidos pelo instituto jurídico para efeitos tributários e para efeitos societários. Mas, como pode um ente ter, ao mesmo tempo, duas naturezas opostas? Na verdade, ontologicamente, os JCP são parcela do lucro a ser distribuído aos acionistas. Apenas por ficção jurídica, a lei tributária passou a considerar que os JCP tem natureza de juros. Ressalte-se que o Direito Tributário não é avesso a ficções jurídicas, que alteram a natureza de institutos jurídicos. Definida essa natureza ambivalente dos JCP, passa-se à análise das questões afetadas ao rito do art. 543C do Código de Processo Civil. (...) Portanto, da leitura da ementa e do voto que foi aprovado por unanimidade, evidente que não se decidiu esta matéria da natureza dos JCP em sede de aplicação do art. 543C. Mas mesmo, se fosse o caso, o julgado decidiu pela possibilidade de que os JCP possam ter dois tipos de natureza, uma para fins societários e outra para fins tributários, sendo que para esse último, tem natureza de juros, portanto receita tributável pelo PIS e Cofins por disposição expressa da lei tributária. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte nessa matéria. (Acórdão nº 9303-006.689, Conselheiro Relator Andrada Márcio Canuto Natal, 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 12/04/2018) Vemos pelo teor das decisões acima transcritas que não assiste razão à Recorrente, e que há jurisprudência no CARF suficiente para se considerar o JCP como receita tributável para o PIS/COFINS. Diante de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e negar-lhe provimento. Fl. 184DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.956 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.901161/2017-26 8 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer o Recurso Voluntário e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 185DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13161.901536/2017-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2016 a 30/09/2016 CRÉDITO BÁSICO. PIS/COFINS. VENDAS COM SUSPENSÃO À COOPERATIVAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso II, do § 4º, da Lei nº 10.925/2004, impede o aproveitamento de créditos básicos de PIS/COFINS, pelas pessoas listadas no § 1º, do art. 8º, desta mesma Lei.
Numero da decisão: 3102-004.146
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-004.125, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 13161.720278/2017-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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PIS/COFINS. VENDAS COM SUSPENSÃO À COOPERATIVAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso II, do § 4º, da Lei nº 10.925/2004, impede o aproveitamento de créditos básicos de PIS/COFINS, pelas pessoas listadas no § 1º, do art. 8º, desta mesma Lei. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-004.125, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 13161.720278/2017-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). Fl. 1774DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.146 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.901536/2017-08 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a suposto crédito de PIS-PASEP/COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: 1. NÃO CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DAS AQUISIÇÕES. VEDAÇÃO LEGAL. É vedado à empresa cerealista o aproveitamento de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. 2. SOJA EM GRÃOS. POSIÇÃO 12.01 DA TIPI. VENDAS. SUSPENSÃO. LEI Nº 12.865/2013. A partir da vigência da Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013, fica suspensa a incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre as receitas de vendas de soja classificada na posição 12.01 da TIPI, qualquer que seja o destinatário, não se lhe aplicando mais as disposições dos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004. A Recorrente tomou ciência da Decisão de Primeira Instância e apresentou Recurso Voluntário. Em seu Recurso Voluntário alega o seguinte: I. Aproveitamento de créditos em relação a vendas com suspensão (art. 8º, Lei 10.925/2004) – houve pagamento das contribuições na etapa anterior da cadeia produtiva, de forma que o crédito é devido, e ainda, que o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 teria sido revogado tacitamente pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004. II. Aproveitamento de créditos em relação a vendas com suspensão (art. 8º, Lei 10.925/2004) – não adquiriu insumos para produtos agropecuários, de forma que não há o que estornar. Por fim, apresenta o seguinte pedido: DO PEDIDO Fl. 1775DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.146 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.901536/2017-08 3 Ante o exposto, requer dignem-se Vossas Senhorias em receber o presente Recurso Voluntário, dando-lhe provimento, para o especial fim de reformar a decisão de 1ª instância, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Este é o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento. O litígio decorre de glosa procedida pela Autoridade Tributária, em seu Despacho Decisório de análise da PER/DCOMP, identificadas no relatório acima, onde apontou que seria indevida a apropriação de créditos decorrentes da aquisição de grãos por empresa cerealista. A Informação Fiscal de e-fls 1.618 a 1622, assim descreveu a razão das glosas: Nos anos de 2012 a 2016, o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro real. Adquiriu, para revenda, milho e soja em grãos (códigos dos itens 1005.90 e 12.01, respectivamente) assumindo, assim, a condição de cerealista. Todos os grãos adquiridos tem a finalidade exclusiva de revenda no mercado interno. Nesse período, o interessado apura créditos básicos de PIS/Pasep e Cofins, no regime de incidência não-cumulativa dessas contribuições e vinculados a operações de saída não tributadas. Referente aos bens para revenda, o contribuinte efetuou as saídas com suspensão com base nos artigos 8° e 9° da Lei 10.925/04 e Instrução Normativa SRF n° 660/2006(atualmente revogada pela IN RFB 1.911/2019). A possibilidade de manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência na Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS tem, como regra geral, previsão no art. 17 da Lei n° 11.0333/2004. Entretanto, conforme será demonstrado, no caso específico do interessado, não há direito a manutenção desse crédito. (...) A vedação às cerealistas do aproveitamento do crédito presumido, contida no inciso I, §4°, art. 8° é decorrência natural da própria condição de cerealista. Sendo ela uma mera revendedora do grão, não haveria que se falar em crédito presumido, o qual é direcionado exclusivamente às aquisições como insumo num processo de industrialização. Já o inciso II do mesmo parágrafo estipula que quando a cerealista vende com suspensão não pode manter créditos correspondentes àqueles grãos. Assim, os créditos tomados nas aquisições relacionados a essas revendas deverão ser estornados. Trata-se, portanto, de vedação à manutenção de crédito pela cerealista que revenda o grão com suspensão, mas que tenha apurado créditos na aquisição. Frise-se que quando esse inciso II, do §4° fala em crédito (e não crédito presumido, como trata o inciso I), refere-se a todo e qualquer crédito, incluídos, evidentemente, aqueles previstos no art. 3° das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Trata-se, portanto, Fl. 1776DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.146 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.901536/2017-08 4 de vedação à manutenção de qualquer crédito pela cerealista que revenda o grão com suspensão, mas que tenha apurados créditos na aquisição. Já o Recurso Voluntário assim descreve o objeto da glosa: No caso da Recorrente, as suas saídas foram efetuadas com suspensão das contribuições, baseadas nos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 e Instrução Normativa nº 660/2006. As aquisições, referentes ao que aqui se faz relevante, foram realizadas com a incidência dos tributos na etapa anterior. Não se trata o presente caso de pedido de ressarcimento dos créditos presumidos, onde sabe-se que não houve a tributação na cadeia anterior. Os créditos objeto do Pedido de Ressarcimento foram vinculados conforme rateio proporcional à receita bruta, aplicando-se a eles a relação percentual existente entre aquela sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Perceptível, pois, que a aquisição de produtos tributados, carrega a inerente cumulatividade à Recorrente, que deve ser anulada com a possibilidade de ressarcimento conforme foi pleiteado e erroneamente indeferido pela Auditora- Fiscal. Também alega que o art. 17, da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, teria revogado tacitamente o inciso II, do § 4º, do art. 8º, da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Temos então que a Autoridade Tributária glosou créditos decorrentes da aquisição de bens para a revenda, notadamente, milho e soja em grãos (NCM 1005.90 e 1201, respectivamente), e que posteriormente foram vendidos com suspensão pela aplicação dos artigos 8º e 9º, da Lei nº 10.925/2004. A Recorrente alega que houve incidência das contribuições de PIS/COFINS no ato de aquisição. Vejamos do que se trata o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, nos seus incisos e parágrafos de interesse para esta questão: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, Fl. 1777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.146 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.901536/2017-08 5 todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (...) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I - de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I - aplica-se somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Faço uma observação pois entre os anos de 2005 e 2013, também constava no inciso I, do § 1º, acima reproduzido, o código 12.01 (soja em grãos), cuja redação veio a ser alterada pela Lei nº 12.865/2013. Os períodos de apuração abrangidos foram de 2012 a 2016. A interpretação dada pela Autoridade Tributária foi de que o inciso II, do § 4º, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, afastaria o direito ao crédito do cerealista que vende-se grãos com suspensão do pagamento do PIS/COFINS. O art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 dá direito ao crédito presumido na aquisição por cooperativas agropecuárias, ou seja, o ato de adquirir os produtos listados no caput deste artigo, de fornecedores que não estariam sujeitos à incidência do PIS/COFINS, por serem pessoas físicas, cooperados ou não. E também quando adquirirem os produtos listados no inciso I, do seu § 1º, de fornecedores que sejam cerealistas. Quando analisados o § 1º, do art. 8º, deparamo-nos com uma extensão do benefício tributário concedido às cooperativas pela ampliação das hipóteses de operações que dão direito ao crédito presumido para além da aquisição de produtos de fornecedores pessoas físicas (caput), incluindo também outras hipóteses de aquisição de produtos que não seriam Fl. 1778DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.146 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.901536/2017-08 6 sujeitos às contribuições, neste caso as hipóteses dos incisos de I a III, deste mesmo § 1º, todos beneficiados com suspensão do pagamento do PIS/COFINS quando destinados às cooperativas. É muito clara a redação do inciso II, do § 4º, de que não cabe o crédito referente às receitas de revendedores cerealistas às pessoas descritas no caput do art. 8º, quando feitas por suspensão do PIS/COFINS. Em outras palavras: o cerealista não pode utilizar-se do crédito presumido previsto no caput do art. 8º, o que significa dizer o crédito presumido na aquisição de insumos de fornecedores pessoas físicas, e não pode beneficiar-se de créditos, previstos nos incisos dos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, quando vender produtos com suspensão para cooperativas descritas no caput do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004. Também entendo que a Lei nº 10.925/2004 é específica para os fatos por ela regidos, notadamente as hipóteses de crédito presumido, de suspensão do pagamento das contribuições do PIS/COFINS nas hipóteses que especifica, por outro lado, o art. 17, da Lei nº 11.033/2004 trata da regra geral para os créditos básicos e outras hipóteses não previstas em Leis específicas. Socorrendo-me no Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, em seu artigo 3º, entendo que não cabe falar de revogação tácita do § 4º, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, conforme podemos determinar pela leitura do art. 2º, da Lei de Introdução ao Direito Brasileiro, abaixo reproduzido. Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Por último, a exigência de estorno combatida em Recurso Voluntário e decorrente da IN SRF nº 660, de 17 de julho de 2006, de fato está direcionada à venda de produtos para servirem de insumos às cooperativas agropecuárias. Mas novamente temos de considerar o texto do caput do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, pois a exigência de aquisição de insumos refere-se exclusivamente à possibilidade de utilização de crédito presumido por cooperativas, mas a vedação ao aproveitamento do crédito básico decorre do § 4º, deste mesmo artigo, e é muito clara em relação aos cerealistas, de forma que valho-me dos fundamentos já discutidos acima neste voto. Fl. 1779DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.146 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13161.901536/2017-08 7 Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 1780DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10380.906145/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 23 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 PAGAMENTO INDEVIDO. CRÉDITO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Comprovado o pagamento feito a maior é de se reconhecer o direito creditório pleiteado nos termos do art 165, Inciso I, do CTN e homologar as compensações declaradas em Dcomp até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1402-007.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe provimento, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 139.883,02 e homologar as compensações declaradas até o limite do montante reconhecido. Assinado Digitalmente Alexandre Iabrudi Catunda - Relator Assinado Digitalmente Sandro de Vargas Serpa - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Sandro de Vargas Serpa (Presidente), Maria Angelica Echer Ferreira Feijo (substituta integral).
Nome do relator: ALEXANDRE IABRUDI CATUNDA

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CRÉDITO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Comprovado o pagamento feito a maior é de se reconhecer o direito creditório pleiteado nos termos do art 165, Inciso I, do CTN e homologar as compensações declaradas em Dcomp até o limite do crédito reconhecido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe provimento, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 139.883,02 e homologar as compensações declaradas até o limite do montante reconhecido. Assinado Digitalmente Alexandre Iabrudi Catunda – Relator Assinado Digitalmente Sandro de Vargas Serpa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Sandro de Vargas Serpa (Presidente), Maria Angelica Echer Ferreira Feijo (substituta integral). Fl. 329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.782 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.906145/2012-94 2 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). Ao final, farei as complementações necessárias: Trata o presente processo da DCOMP eletrônica nº 42011.54882.300311.1.3.048706, transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$ 9.501.530,53, recolhido em 31/03/2010. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico, no qual a Delegacia de origem, após constatar a improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, não reconheceu o valor do crédito pretendido e decidiu NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada. Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas contrarrazões alegando haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a compensação do(s) débito(s) declarado(s). Em 31 de janeiro de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) negou provimento à manifestação de inconformidade. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PEDIDO DE PERÍCIA É de se indeferir o pedido de perícia quando considerada prescindível à solução do litígio. Cientificada (fls.70), a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 72/102, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da manifestação de inconformidade e requer a juntada dos documentos de fls. 104/161 para comprovação do crédito pleiteado. Em sessão realizada no dia 22/06/2023, esta Turma converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência, Resolução nº 1402-001.755, para que a DRF de origem informe a correção do direito creditório alegado pelo contribuinte, intimando-o para juntada de documentação que entender necessária. Em seguida, intimar o contribuinte para querendo, se manifestar, no prazo de 30 dias. Os resultados da diligência realizada foram apostos na Informação Fiscal nº 2.126/2024 /EQAUD-DEVAT03/DRF TERESINA, fl 307. Fl. 330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.782 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.906145/2012-94 3 Após ciência da citada informação fiscal a recorrente apresenta sua manifestação às fls 316/319. Concluída a diligência, após a manifestação da recorrente sobre seus resultados os autos retornaram a essa Turma para prosseguimento do julgamento. VOTO Conselheiro Alexandre Iabrudi Catunda, Relator Da tempestividade e admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e, por possuir todos os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Do mérito Conforme exposto no relatório, trata o presente processo DCOMP eletrônica nº 42011.54882.300311.1.3.048706, transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$ 9.501.530,53, recolhido em 31/03/2010. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico, no qual a Delegacia de origem, após constatar a improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, não reconheceu o valor do crédito pretendido e decidiu NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada. Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou manifestação de inconformidade alegando haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a compensação do(s) débito(s) declarado(s). A decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte por entender que a DCTF constitui confissão de dívida não podendo ser retificada após o despacho decisório e que a demonstração do erro deveria estar comprovada pelos documentos contábeis não bastando a mera retificação da DCTF. Confira-se: O caso dos autos trata de suposto excesso de pagamento de crédito tributário constituído por declaração do próprio contribuinte: a DCTF. Nesses casos, a apuração de tributos é realizada na contabilidade do contribuinte, sendo seu valor informado à Administração Tributária por meio de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), declaração que constitui confissão de dívida nos termos do artigo 5º, § 1º, do Decreto-lei nº 2.124/84, que dispõe que “o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito”. Fl. 331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.782 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.906145/2012-94 4 Além de confessar o débito nos valores constantes da DCTF, o contribuinte tomou a iniciativa de quitá-lo via pagamento do montante integral. Nesse caso, é incontestável que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pelo contribuinte até a data entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Após a transmissão do formulário PERDCOMP que se analisa, a interessada tomou a iniciativa de retificar sua DCTF, reduzindo o valor do débito declarado. Resta então avaliar se a simples retificação da DCTF é suficiente para comprovação do direito da requerente ou se pode o julgador, ao analisar o caso concreto, manter o indeferimento do direito creditório pretendido quando essa retificação não vem acompanhada de provas que atestem o cometimento de erro no preenchimento da DCTF retificada. Analisando o tema sob o prisma das normas regulamentares que tratam da DCTF e da DCOMP encontramos um aparente conflito. Se por um lado a norma que regula a DCTF informa que a retificadora “terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados” (grifei), por outro lado a norma que regula a Declaração de Compensação estabelece que “a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito”. Naturalmente, com a instauração do litígio, a competência para decisão acerca do pedido da contribuinte se transfere para a DRJ e a apresentação dos documentos comprobatórios deve se dar no momento processual fixado pelo art. 16, do Decreto nº 70.235/72. Podemos citar, de forma não exaustiva, alguns fundamentos jurídicos capazes de justificar com bastante robustez a aplicação da disposição regulamentar que garante à autoridade competente o poder-dever de buscar a comprovação da existência de erro no preenchimento da DCTF retificada, para só então reconhecer a existência do direito creditório invocado: O primeiro desses fundamentos é a incerteza quanto a existência do crédito pretendido. Antes da retificação da DCTF havia um débito declarado, cujo valor fora confirmado pelo pagamento, ou seja, havia, de certa forma, uma dupla afirmação do sujeito passivo quanto á existência daquele débito e naquele valor exato. As circunstâncias em que se deu a retificação faz com que o crédito que o sujeito passivo alega ter contra o fisco fique carente dos requisitos essenciais da liquidez e certeza; Ainda a favor da aplicação da norma estatuída na regulamentação da Dcomp, citada acima, milita o princípio da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do crédito tributário. É evidente que as normas mencionadas carregam consigo um conflito de interesses entre o Estado e o contribuinte, conflito que se resolve pela aplicação da norma que garante maior Fl. 332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.782 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.906145/2012-94 5 proteção ao interesse público e ao crédito tributário, que no caso está sendo reduzido com a retificação da DCTF. Temos que ter em mente que esse procedimento de aferição da liquidez e certeza do crédito buscado pela manifestante não é um procedimento de homologação, ou não homologação, do lançamento realizado pela contribuinte. Trata-se, na verdade, de um ato em que a Administração busca a comprovação da existência do direito creditório passível de restituição para ao final homologar, ou não, a Declaração de Compensação. (...)Ficou claro, então, que é totalmente regular, e até mesmo obrigatório, o ato de buscar nos autos a comprovação da liquidez e certeza do crédito solicitado em restituição, cabendo ao interessado, uma vez que nos encontramos no rito do PAF, carrear aos autos a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é aquele declarado na DCTF retificadora (entregue após a transmissão do PER/DCOMP). Entretanto, a contribuinte limitou-se a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil ou quaisquer outros documentos fiscais hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial juridicamente válido para a busca da verdade material. A Recorrente, em seu recurso voluntário, alega que recolheu o valor de R$ 9.352.820,69 à título de IRPJ do exercício. Entretanto, realizada a revisão dos seus lançamentos contábeis para o período detectou erros na apuração do valor devido declarado em sua DCTF. Assim, da análise da apuração constante da DIPJ, corroborada pelos seus lançamentos contábeis, verificou crédito no valor originário de R$ 139.883,02, efetuando a compensação do valor atualizado de R$ 153.955,55. No entanto, em razão da ausência de retificação do valor original a receita ao fazer o cruzamento do valor do DARF com a DCTF original não homologou a compensação. Intimada do despacho decisório apresentou manifestação de inconformidade na qual juntou a DCTF retificadora para comprovação do crédito. A DRJ/JFA, no entanto, indeferiu a manifestação por entender que a mera apresentação da DCTF retificadora não seria suficiente para comprovar o crédito. Irresignada a Recorrente apresentou o recurso voluntário, no qual juntou os seguintes documentos: Fl. 333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.782 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.906145/2012-94 6 a) Planilha de apuração do IRPJ do Ano-calendário 2009; b) Parte A do Lalur 2009; c) Informações apresentadas nas DIRF das fontes pagadoras relativas ao ano- calendário de 2009; d) Lançamentos contábeis do IRPJ do Ano-calendário de 2009; e) Planilha de atualização pela SELIC do crédito pleiteado. Esse conselho tem se manifestado favoravelmente a possibilidade da apresentação da DCTF após ter sido proferido r. Despacho Decisório, em respeito ao princípio da busca da verdade material, desde que acompanhada de documentos contábeis que comprovem o erro de fato (erro material) cometido e o direito creditório, conforme se verifica pelo teor da Súmula CARF nº 168 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 168 Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. Além disso, o Parecer Normativo COSIT nº 2, de 28 de agosto de 2015 autoriza a retificação da DCTF, desde que as informações não conflitem com outras declarações prestadas à RFB tal como a DIPJ, por exemplo. Confira-se: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento Fl. 334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.782 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.906145/2012-94 7 integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não- homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Em razão da documentação acostada aos autos pela recorrente e pelos dispositivos acima citados esta Turma converteu o julgamento em diligência para que a DRF de origem informasse a correção do direito creditório alegado pelo contribuinte. Os resultados da diligência efetuada foram consubstanciados no Informação Fiscal nº 2.126/2024 /EQAUD-DEVAT03/DRF TERESINA, fls 307/309, corroborando as alegações da recorrente e confirmando o pagamento a maior de IRPJ efetuado no ano calendário de 2009, nos seguintes termos: Relatório de Diligência A 2ª Turma da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou a realização de diligência para que a DRF de origem informe a correção do direito creditório alegado pelo contribuinte, intimando-o Fl. 335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.782 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.906145/2012-94 8 para juntada de documentação que entender necessária e em seguida intimar o contribuinte para querendo, se manifestar, no prazo de 30 dias. No caso, se trata de crédito de pagamento a maior referente ao pagamento de DARF referente a IRPJ do ano calendário 2009, exercício 2010, indeferido por improcedência do crédito. O contribuinte alega que transmitiu a DCTF retificadora após a emissão do despacho decisório e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para compensação do débito declarado. A Recorrente, em seu recurso voluntário, alega que recolheu o valor de R$ 9.352.820,69 à título de IRPJ do exercício. Entretanto, realizada a revisão dos seus lançamentos contábeis para o período detectou erros na apuração do valor devido declarado em sua DCTF. Assim, da análise da apuração constante da DIPJ, corroborada pelos seus lançamentos contábeis, verificou crédito no valor originário de R$ 139.883,02, efetuando a compensação do valor atualizado de R$ 153.955,55. No entanto, em razão da ausência de retificação do valor original a receita ao fazer o cruzamento do valor do DARF com a DCTF original não homologou a compensação. Intimada do despacho decisório apresentou manifestação de inconformidade na qual juntou a DCTF retificadora para comprovação do crédito. A DRF, no entanto, indeferiu a manifestação por entender que a mera apresentação da DCTF retificadora não seria suficiente para comprovar o crédito. Irresignada a Recorrente apresentou o recurso voluntário, no qual juntou os seguintes documentos: a) Planilha de apuração do IRPJ do Ano-calendário 2009; b) Parte A do Lalur 2009; c) Informações apresentadas nas DIRF das fonte pagadoras relativas ao anocalendário de 2009; d) Lançamentos contábeis do IRPJ do Ano-calendário de 2009; e) Planilha de atualização pela SELIC do crédito pleiteado. Foram anexadas DIPJ original e retificadora, DCTF´s do pagamento do DARF pleiteado e estimativas e o relatório da DIRF atualizado, para análise juntamente com os documentos anexados pelo próprio contribuinte. O pagamento se refere ao IRPJ anual, portanto para verificar a correção do direito creditório deve ser verificado a apuração na DIPJ retificadora ativa, quanto ao alcance da auditoria realizada, no presente caso, por se tratar de caso similar a uma apuração de saldo negativo e que a auditoria de créditos para reconhecimento do direito creditório relacionado a declaração de compensação está disciplinada pela Portaria Conjunta Suara/Sufis nº 1, de 21 de dezembro de Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.782 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.906145/2012-94 9 2016, será feita uma análise com base na Auditoria de Conformidade mais simplificada. Portanto a análise partirá da DIPJ retificadora - Ficha 12 A - Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real - P J em Geral - tendo em vista que serão analisados apenas os valores de imposto de renda retido na fonte e as antecipações de estimativas, no pressuposto que o restante dos valores será considerado correto, pois sua apuração demandaria uma auditoria detalhada que foge do escopo da diligência. Os valores de imposto de renda retido na fonte estão corretos conforme Relatório da DIRF atualizado, quanto aos valores de antecipação de estimativas, em março e junho de 2009 ocorreram divergências entre os valores de DCTF e pagamentos, porém os pagamentos a maior não foram objeto de PER/DCOMP, logo foram confirmados o imposto de renda mensal pago por estimativa. Diante do exposto, o valor de Imposto de Renda a pagar é R$ 9.212.937,67, portanto houve pagamento a maior no período de R$ 139.883,02, pois o valor principal pago foi R$ 9.352.820,69. Pelo que consta no relatório de diligência acima colacionado a recorrente apurou no ano calendário de 2009 o valor de R$ 34.908.695,02 de IRPJ devido, confirma os montantes de Fl. 337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.782 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.906145/2012-94 10 R$ 10.031.443,23 de IRRF e R$ 10.386.870,27 de pagamento antecipado por estimativa. Além disso, reputa como correto as demais informações constantes na DIPJ. Assim, conclui o relatório que o total de IRPJ a pagar foi de R$ 9.212.937,67, enquanto o valor pago foi de R$ 9.352.820,69, resultando em um pagamento a maior de R$ 139.883,02. conforme requer a recorrente. Desta forma é de se confirmar o direito creditório, nos termos do art 165 do CTN1, conforme requer a recorrente. Conclusão Sendo assim, por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 139.883,02 e homologar as compensações declaradas até o limite do montante reconhecido. Assinado Digitalmente Alexandre Iabrudi Catunda 1 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual fôr a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 338DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10950.726332/2013-65
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 CARTORÁRIOS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIA AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS). O notário, tabelião, oficial de registro ou registrador, ainda que admitido em serventia extrajudicial antes da edição da Lei nº 8.935/1994 e mesmo que vinculado a regime próprio de previdência social, é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuinte individual, por força da Emenda Constitucional nº 20/1998, nos termos do art. 12, V, h, da Lei nº 8.212/1991, do Decreto nº 3.048/1999 e da Instrução Normativa RFB nº 971/2009.
Numero da decisão: 2004-000.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso apresentou declaração de voto. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora Assinado Digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA

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REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIA AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (RGPS). O notário, tabelião, oficial de registro ou registrador, ainda que admitido em serventia extrajudicial antes da edição da Lei nº 8.935/1994 e mesmo que vinculado a regime próprio de previdência social, é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuinte individual, por força da Emenda Constitucional nº 20/1998, nos termos do art. 12, V, “h”, da Lei nº 8.212/1991, do Decreto nº 3.048/1999 e da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso apresentou declaração de voto. Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora Assinado Digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Fl. 170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.505 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10950.726332/2013-65 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por MARIA DAS GRACAS CORDEIRO CUSTODIO contra o acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo-se o crédito tributário lançado decorre de contribuições previdenciárias devidas por contribuinte individual, relativas ao período de 01/01/2009 a 31/12/2012, incidentes sobre remuneração auferida pelo exercício de sua atividade por conta própria, considerado como segurado obrigatório de RGPS. Em sua defesa inaugural (f. 119/121) esclarece exercer a função de cartorária no Cartório do Distribuidor da Comarca de Ivaiporã, tendo auferido rendimentos de pessoas físicas e jurídicas. Argumenta ter deixado de efetuar os recolhimentos junto ao INSS, tendo optado pelo RPPS – ParanaPrevidência. Ao apreciar os motivos de insurgência, chancelado não haver [d]úvida (...) quanto à vinculação dos titulares de cartório ao RGPS a partir da publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. E, considerando que a legislação antes citada se encontra em plena vigência e, portanto, de aplicação obrigatória pela Administração, não há controvérsia de que a autuada é segurada obrigatória do RGPS. Cientificado da decisão da DRJ em 11 de setembro 2019 (f. 142), apresentou, em 26 de setembro de 2019 (f. 144), recurso voluntário (f. 145/153), acrescendo, [a] título de reforço argumentativo, (...) que a própria Autarquia Federal Previdenciária, em seu sito eletrônico alerta aos contribuintes acerca do risco de bitributação, informando a possibilidade de utilização dos valores recolhidos ao RPPS junto do INSS, inclusive para servidores em outros países, ora, se o INSS admite o aproveitamento ao RGPS aos servidores vinculados ao RPPS em outros países, mais razão assiste á recorrente, que recolheu valores ao RPPS religiosamente, cujos valores, ex lege, são compensados financeira e atuarialmente Disse ser [i]njusto, desarrazoado e desproporcional seria manter a autuação fiscal e exigir à contribuinte recorrente que novamente pagasse o que já pagou (sobre o mesmo fato gerador), visto que cumpriu seu dever fundamental de recolher tributo, ainda mais quando a legislação prevê que basta às entidades de previdência realizarem a mera compensação financeira e atuarial. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.505 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10950.726332/2013-65 3 VOTO Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, cinge-se a controvérsia em analisar a obrigatoriedade do recorrente em recolher as contribuições previdenciárias ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), tendo em vista estar aposentado pelo Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Paraná (Paranaprevidência), sustentando, assim, que não haveria responsabilidade pelo recolhimento das contribuições ao INSS, mesmo ainda no exercício da atividade laborativa cartorária. Como bem aclara a DRJ que a Emenda Constitucional nº 20/1998 modificou a situação trazida pelos artigos 48 e 51 da Lei nº 8.935/1994 ao dar uma nova concepção aos Regimes Próprios de Previdência Social. Confira-se o disposto no art. 40 da Carta Constitucional: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (sublinhas deste voto) A recorrente não é servidora titular de cargo público, mas sim titular de serviços notariais, e, portanto, não se enquadra como optante pelo regime próprio, mesmo tendo ingressado antes de 1994. Como bem narrado pela DRJ, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI nº 2.791/PR, declarou inconstitucional a inclusão de serventuários não remunerados pelos cofres públicos na Paraná Previdência. De igual modo, o Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Ordinário em Mandado de Segurança nº 28.650/RS, firmou jurisprudência no sentido de que o delegatário de cartório está sujeito ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). A verdade é que o recorrente é contribuinte individual obrigatório, nos termos dos artigos 3º da Lei nº 8.212/91 c/c art. 12, inciso V, alínea “h”, Lei nº 8.212/1991 c/c Decreto nº 3.048/99. Confira-se, no que importa, a ementa de alguns julgados, todos proferidos por este eg. Conselho, em situação análoga a ora sob escrutínio: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CARTÓRIO EXTRAJUDICIAL DO ESTADO DO PARANÁ. NÃO OFICIALIZADO JÁ AO TEMPO DO ADVENTO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. TITULAR. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. Fl. 172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.505 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10950.726332/2013-65 4 Nos anos de 2006 a 2009, o titular de serviço notarial e de registro não oficializado filia-se ao Regime Geral de Previdência Social por não ser ocupante de cargo público efetivo. (acórdão nº 2401-011.918) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. NOTÁRIOS. TABELIÃES. OFICIAIS DE REGISTRO E REGISTRADORES. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIA AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL A PARTIR DE 16/12/1998. O notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, mesmo que amparados por Regime Próprio de Previdência Social, a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuintes individuais. (acórdão nº 2005-000.064) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. INCIDÊNCIA COMPULSÓRIA NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL A PARTIR DE 16/12/1998. Os titulares de serviços notariais e de registro — notários, tabeliães e oficiais de registro — ainda que investidos antes de 20 de novembro de 1994 e vinculados a Regime Próprio de Previdência Social, passaram, a partir de 16 de dezembro de 1998, em razão da Emenda Constitucional nº 20/1998, à condição de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na categoria de contribuintes individuais. (acórdão nº 2003-006.813) Registro que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Ordinário em Mandado de Segurança nº 28.650/RS, decidiu que deve o delegatário estar sujeito ao sistema geral de aposentadoria da Previdência Social, assegurando-se a contagem recíproca de tempo de serviço e resolvendo-se atuarialmente a compensação ou complementação dos recolhimentos já efetuados entre o INSS e o órgão gestor previdenciário da unidade federada. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. Fl. 173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.505 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10950.726332/2013-65 5 Assinado Digitalmente Ludmila Mara Monteiro de Oliveira DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso Com o devido respeito ao bem fundamentado voto da relatora, consigno razão adicional que adoto para fundamentar meu voto pelo não provimento do recurso. O cerne das alegações da recorrente é que “não usufruiu das benesses do RPPS, de modo que, com a decisão da Suprema Corte houve a exclusão da reclamante do RPPS, permitindo, nos moldes do art. 96, VI, da Lei na 8.213/93, a emissão da Certidão de Tempo de Contribuição _ CTC junto ao RPPS para fins de averbação junto ao RGPS/INSS”. Todavia, o recurso voluntário confunde a previsão de “compensação ou complementação dos recolhimentos já efetuados entre o INSS e o órgão gestor previdenciário da unidade federada” com o aproveitamento de contribuições feitas ao RPPS para deixar de pagar as contribuições previdenciárias que são devidas por ser contribuinte individual do Regime Geral da Previdência Social. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 174DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto

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Numero do processo: 12420.006128/2019-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014 LANÇAMENTO FUNDADO EM DIVERGÊNCIA ENTRE ECF E DCTF. PAGAMENTOS RECONHECIDOS EM PARTE PELA DRJ. AUSÊNCIA DE PROVA DE PAGAMENTO REFERENTE À COMPETÊNCIA MANTIDA. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE NÃO CUMPRIDO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. O pagamento é causa de extinção do crédito tributário (art. 156, I, do CTN), independentemente de retificação da DCTF. Contudo, compete ao sujeito passivo comprovar, período a período, o recolhimento que alega ter efetuado. A reapresentação, em sede de recurso voluntário, dos mesmos documentos já examinados pela DRJ, sem a indicação de recolhimento correspondente à competência do 3º trimestre de 2014 para o IRPJ, não é apta a infirmar o acórdão recorrido, que já reduziu o lançamento na exata medida dos pagamentos comprovados nos autos. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. PRECEDENTES DO STF INVOCADOS QUE NÃO GUARDAM PERTINÊNCIA COM A MATÉRIA. INAPLICABILIDADE DO ART. 99 DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), o que alcança a alegação de efeito confiscatório da multa de ofício. Ademais, os precedentes do STF invocados pela Recorrente (ADI nº 551/RJ, AI nº 727.872/RS e RE nº 882.461/MG - Tema 816) não tratam da multa de ofício comum de 75% aplicada no caso concreto (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96): a ADI nº 551/RJ versa sobre lei estadual específica; o AI nº 727.872/RS não é decisão proferida em repercussão geral; e o RE nº 882.461/MG (Tema 816) trata de multa moratória municipal e de questão de ISS estranha aos autos. Inexistindo decisão de mérito do STF ou do STJ, transitada em julgado, em repercussão geral ou recursos repetitivos, que verse sobre a multa de ofício não qualificada de 75%, não incide o art. 99 do RICARF.
Numero da decisão: 1102-002.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton - Relatora Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Cassiano Romulo Soares, Cristiane Pires McNaughton, Gabriel Campelo de Carvalho, Gustavo Schneider Fossati, Lizandro Rodrigues de Sousa, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE PIRES MCNAUGHTON

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PAGAMENTOS RECONHECIDOS EM PARTE PELA DRJ. AUSÊNCIA DE PROVA DE PAGAMENTO REFERENTE À COMPETÊNCIA MANTIDA. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE NÃO CUMPRIDO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. O pagamento é causa de extinção do crédito tributário (art. 156, I, do CTN), independentemente de retificação da DCTF. Contudo, compete ao sujeito passivo comprovar, período a período, o recolhimento que alega ter efetuado. A reapresentação, em sede de recurso voluntário, dos mesmos documentos já examinados pela DRJ, sem a indicação de recolhimento correspondente à competência do 3º trimestre de 2014 para o IRPJ, não é apta a infirmar o acórdão recorrido, que já reduziu o lançamento na exata medida dos pagamentos comprovados nos autos. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. PRECEDENTES DO STF INVOCADOS QUE NÃO GUARDAM PERTINÊNCIA COM A MATÉRIA. INAPLICABILIDADE DO ART. 99 DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2), o que alcança a alegação de efeito confiscatório da multa de ofício. Ademais, os precedentes do STF invocados pela Recorrente (ADI nº 551/RJ, AI nº 727.872/RS e RE nº 882.461/MG – Tema 816) não tratam da multa de ofício comum de 75% aplicada no caso concreto (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96): a ADI nº 551/RJ versa sobre lei estadual específica; o AI nº 727.872/RS não é decisão proferida em repercussão geral; e o RE nº 882.461/MG (Tema 816) trata de multa moratória municipal e de questão de ISS estranha aos autos. Inexistindo decisão de mérito do STF ou do STJ, transitada em julgado, em repercussão Fl. 85DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.102 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12420.006128/2019-33 2 geral ou recursos repetitivos, que verse sobre a multa de ofício não qualificada de 75%, não incide o art. 99 do RICARF. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton – Relatora Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Cassiano Romulo Soares, Cristiane Pires McNaughton, Gabriel Campelo de Carvalho, Gustavo Schneider Fossati, Lizandro Rodrigues de Sousa, Fernando Beltcher da Silva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se, na origem, de Auto de Infração (Fls. 02/10) lavrado com a finalidade de exigir Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), em razão de insuficiência de declaração e de recolhimento dos tributos, relativamente ao ano-calendário de 2014, apurada a partir do cotejo entre as informações prestadas na Escrituração Contábil Fiscal (ECF) e os débitos informados em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e Declarações de Compensação (DCOMP/PER/DCOMP). Segundo a fiscalização, a contribuinte deixou de declarar, ou declarou a menor, os valores de IRPJ e CSLL devidos nas declarações que constituem confissão de dívida, bem como deixou de efetuar o respectivo recolhimento, o que ensejou o lançamento de ofício dos tributos não confessados Em relação ao IRPJ, foi constituído crédito tributário no montante de R$ 183.484,69. Quanto à CSLL, foi constituído crédito tributário no valor de R$ 85.268,99. Fl. 86DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.102 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12420.006128/2019-33 3 O valor individualizado do lançamento do crédito tributário, bem como o respectivo enquadramento legal da infração, encontra-se devidamente discriminado no Auto de Infração. Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou Impugnação às fls. 14 a 34, na qual sustentou a improcedência das exigências fiscais. Às Fls. 42/44, em sede de revisão de ofício de lançamento, foi expedido Relatório Fiscal, nos seguintes termos: (...) 7 – No presente caso, houve o lançamento de ofício pela Autoridade Administrativa, visto não ter havido a declaração de débitos relativos a IRPJ e CSLL em DCTF, por parte do sujeito passivo, em todo o período fiscalizado. 8 – O sujeito passivo não vinculou os recolhimentos, anteriormente relacionados, a débitos de IRPJ e CSLL nas DCTF por ele transmitidas à RFB. 9 – Conclui-se que não há questões de fato que ensejem a retificação do presente lançamento. 10 – O presente despacho abrange tão somente as questões de fato suscitadas na impugnação, não alcançando as questões de direito também levantadas pelo sujeito passivo, que serão analisadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Posteriormente, ao apreciar a defesa apresentada, os membros da 2ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 09, proferiram o Acórdão nº 109-022.469 (fls. 51/61), por meio do qual, por unanimidade de votos, julgaram-na parcialmente procedente. Em síntese, a DRJ entendeu que a fiscalização promoveu os lançamentos com fundamento na divergência entre os valores de IRPJ e CSLL apurados na ECF e aqueles declarados em DCTF. Entretanto, reconheceu que a Recorrente comprovou o recolhimento de parte dos tributos exigidos, cujos pagamentos foram confirmados nos registros da Receita Federal, concluindo que o pagamento constitui modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inciso I, do CTN, independentemente de retificação da DCTF. Em razão disso, cancelou os lançamentos referentes aos tributos comprovadamente quitados (IRPJ e CSLL relativos ao 2º e ao 4º trimestre de 2014) e manteve apenas as exigências correspondentes aos valores cuja quitação não foi demonstrada (IRPJ do 3º trimestre de 2014, reduzindo, ainda, a exigência de CSLL do 3º trimestre para R$ 11.304,76). A DRJ rejeitou as alegações de nulidade do lançamento, de necessidade de diligência, de caráter confiscatório da multa de ofício e de nulidade das intimações dirigidas ao endereço da Recorrente. O acórdão restou assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2014 Fl. 87DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.102 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12420.006128/2019-33 4 INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DO PROCURADOR. MATÉRIA DISCIPLINADA NO PAF. FALTA DE PREVISÃO. De acordo com a disciplina instituída no PAF, as intimações devem ser encaminhadas ao endereço do sujeito passivo, sem previsão para o envio de correspondências para o endereço do procurador da empresa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2014 LUCRO PRESUMIDO. DIVERGÊNCIA ENTRE ECF E DCTF. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTOS. EXIGÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPROCEDÊNCIA. Reduz-se o lançamento de IRPJ, lucro presumido, fundado em divergência entre valores informados em ECF e declarado em DCTF, quando o contribuinte alega que houve pagamentos, que devem ser considerados, independentemente de retificação da DCTF, devendo a cobrança permanecer para os débitos não quitados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Recorrente tomou ciência da Decisão da DRJ em 17/09/2024. Irresignada, interpôs Recurso Voluntário em 15/10/2024 (fls. 73/82), no qual, em síntese: no qual, em síntese: (a) reitera que os valores de IRPJ e CSLL do 3º trimestre de 2014 foram efetivamente recolhidos, juntando novamente telas de arrecadação, e invoca o art. 149, VII, do CTN para sustentar a ilegitimidade da cobrança por erro de fato; e (b) requer, sucessivamente, a redução da multa de ofício de 75%, sob a alegação de que seu caráter confiscatório violaria os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da capacidade contributiva, invocando a ADI nº 551/RJ, o AI nº 727.872/RS e o RE nº 882.461/MG, este último ainda pendente de conclusão à época da peça recursal. É o relatório. VOTO Conselheira Cristiane Pires McNaughton, Relatora. 1 ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais para sua admissibilidade. Portanto, o conheço. Fl. 88DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.102 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12420.006128/2019-33 5 2 MÉRITO 2.1 DA MANUTENÇÃO DO IRPJ E DA CSLL DO 3º TRIMESTRE DE 2014 A controvérsia remanescente restringe-se à parcela do lançamento mantida pela DRJ relativamente ao 3º trimestre de 2014 (IRPJ integralmente mantido, no valor de R$ 39.701,95, e CSLL reduzida a R$ 11.304,76). Assiste razão à decisão recorrida quanto à premissa de que o pagamento é causa de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, I, do CTN, sendo irrelevante, para esse efeito, a existência ou não de retificação da DCTF – tanto assim que a própria DRJ, aplicando esse entendimento, cancelou parte expressiva do lançamento em benefício da Recorrente. Não há, portanto, qualquer reparo a fazer nesse ponto, tampouco foi ele impugnado pela Fazenda Nacional. O que se exige, contudo, é que o pagamento alegado seja efetivamente comprovado nos autos, ônus que compete ao sujeito passivo, a teor dos arts. 15 e 16, III, do Decreto nº 70.235/72, c/c o art. 373, I, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Não basta a alegação genérica de que "todos os trimestres foram pagos"; é necessário demonstrar, período de apuração a período de apuração, o recolhimento correspondente. Ocorre que o exame da tabela juntada ao Recurso Voluntário – que, registre-se, são os mesmos documentos já submetidos à apreciação da DRJ – não serve como comprovante de arrecadação, como destaca o próprio documento. A tabela tampouco indica nenhum DARF de código de receita 2089 (IRPJ) referente ao período de apuração de 30/09/2014. Todos os recolhimentos de IRPJ constantes da relação dizem respeito às competências de 30/06/2014 e de 31/12/2014, já consideradas e abatidas pela decisão recorrida no cancelamento dos lançamentos do 2º e do 4º trimestres. Da mesma forma, quanto à CSLL (código de receita 2372), o único DARF com período de apuração 30/09/2014 é o recolhimento de R$ 5.652,38, efetuado em 31/10/2014 – exatamente o valor que a DRJ já havia identificado e utilizado para reduzir a exigência da CSLL do 3º trimestre de R$ 16.957,14 para R$ 11.304,76. A Recorrente não trouxe, portanto, nenhum elemento de prova novo ou adicional apto a demonstrar recolhimento diverso ou complementar para essa competência. Em outras palavras, a decisão recorrida já emprestou aos documentos dos autos o máximo alcance que deles se podia extrair em favor da Recorrente, reduzindo o lançamento na exata medida dos pagamentos comprovados. O Recurso Voluntário limita-se a reiterar, em caráter genérico, teses de mérito e de erro de fato (art. 149, VII, do CTN) já enfrentadas na origem, sem impugnar especificamente o Fl. 89DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.102 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12420.006128/2019-33 6 fundamento central da manutenção parcial – a ausência de comprovante de pagamento correspondente à competência do 3º trimestre –, tampouco apresentar prova nova ou requerimento de diligência apto a suprir essa lacuna probatória. Nesse contexto, não há erro de fato a ser corrigido nos termos do art. 149, VII, do CTN, pois a autoridade fiscal, na revisão de ofício, e a DRJ, no julgamento da impugnação, examinaram individualizadamente cada competência e cada comprovante de pagamento apresentado, cancelando e reduzindo o lançamento onde cabível. A ausência de reconhecimento em relação ao 3º trimestre decorre da simples inexistência, nos autos, de comprovante de recolhimento correspondente a essa competência – e não de desconsideração de prova existente. Por tais razões, voto por manter, no ponto, o acórdão recorrido, negando provimento ao Recurso Voluntário quanto à manutenção do IRPJ e da CSLL do 3º trimestre de 2014. 2.2 DA MULTA DE OFÍCIO E DA ALEGADA NATUREZA CONFISCATÓRIA Quanto ao pedido sucessivo de redução da multa de ofício de 75%, sob o argumento de violação aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, a matéria já foi corretamente enfrentada pela DRJ à luz da Súmula CARF nº 2, segundo a qual "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". A alegação de efeito confiscatório da multa, ainda que veiculada sob o rótulo de "equidade" ou "razoabilidade", constitui, em essência, arguição de inconstitucionalidade da norma que fixa o percentual da penalidade (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96), motivo pelo qual não pode ser conhecida por este Colegiado. Ainda que superado esse óbice sumular, os precedentes invocados pela Recorrente não autorizariam solução diversa, por absoluta falta de identidade com a matéria destes autos: (i) a ADI nº 551/RJ examinou a constitucionalidade de dispositivos específicos de lei do Estado do Rio de Janeiro, em sede de controle concentrado, não se tratando de precedente vinculante em repercussão geral ou recursos repetitivos, pressuposto de aplicação do art. 99 do RICARF; (ii) o AI nº 727.872/RS é decisão proferida em agravo de instrumento, não submetida à sistemática da repercussão geral, não vinculando os julgadores do CARF nos termos do art. 99 do RICARF; e (iii) o RE nº 882.461/MG, Tema 816 da repercussão geral, tem por objeto a incidência de ISSQN sobre operação de industrialização por encomenda e o teto da multa moratória municipal – matéria estranha ao IRPJ/CSLL e à multa de ofício vinculada a lançamento (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96), que não se confunde com a multa moratória examinada naquele precedente. Registre-se, por oportuno, que o único tema de repercussão geral do STF a versar especificamente sobre limites percentuais de multa de ofício vinculada a lançamento é o Tema Fl. 90DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.102 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12420.006128/2019-33 7 863 (RE nº 736.090/SC), julgado em 03/10/2024, que fixou o teto de 100% (ou 150%, em caso de reincidência) exclusivamente para a multa qualificada, aplicável nas hipóteses de sonegação, fraude ou conluio (art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96). A multa exigida no presente processo é a multa de ofício comum, no percentual de 75%, sem imputação de qualificadora, de modo que, mesmo se admitida a aplicação analógica desse teto – o que não é o caso –, o percentual aplicado estaria dentro do limite reconhecido pelo próprio STF como não confiscatório. Não havendo, portanto, decisão do STF ou do STJ, transitada em julgado, em repercussão geral ou recursos repetitivos, que verse sobre a multa de ofício comum de 75% ora discutida, não se configura a hipótese do art. 99 do RICARF, permanecendo hígida a aplicação da Súmula CARF nº 2 ao caso concreto. Voto, assim, por manter a multa de ofício tal como aplicada no lançamento e mantida pelo acórdão recorrido. 3 DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton Fl. 91DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 Admissibilidade 2 mérito 2.1 Da manutenção do IRPJ e da CSLL do 3º trimestre de 2014 2.2 Da multa de ofício e da alegada natureza confiscatória 3 dispositivo

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Numero do processo: 15956.720237/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 25 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em prescrição quando o processo administrativo fiscal está em curso, pendente de final administrativa, por estar a exigibilidade do crédito está suspensa nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, nos termos da Súmula CARF nº 11. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza-se omissão de rendimentos sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Lei n. º 9.430/96. SIGILO BANCÁRIO. Permanecem protegidas por sigilo, nos termos do artigo 198 do Código Tributário Nacional, as informações obtidas mediante procedimento de fiscalização, nos termos do artigo 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2.001, não configurando violação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEITA DE ATIVIDADE RURAL. Demonstrado que os recursos são oriundos de receita de atividade rural não oferecidas à tributação é efetuado o lançamento de ofício observada a opção do contribuinte na DIRPF. Lei n. º 9.430/96.
Numero da decisão: 2202-012.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela - Relatora Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson - Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: ANDRESSA PEGORARO TOMAZELA

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PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em prescrição quando o processo administrativo fiscal está em curso, pendente de final administrativa, por estar a exigibilidade do crédito está suspensa nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, nos termos da Súmula CARF nº 11. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza-se omissão de rendimentos sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Lei n. º 9.430/96. SIGILO BANCÁRIO. Permanecem protegidas por sigilo, nos termos do artigo 198 do Código Tributário Nacional, as informações obtidas mediante procedimento de fiscalização, nos termos do artigo 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2.001, não configurando violação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEITA DE ATIVIDADE RURAL. Fl. 817DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.061 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.720237/2013-11 2 Demonstrado que os recursos são oriundos de receita de atividade rural não oferecidas à tributação é efetuado o lançamento de ofício observada a opção do contribuinte na DIRPF. Lei n. º 9.430/96. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela – Relatora Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Thiago Buschinelli Sorrentino, Ronnie Soares Anderson (Presidente). RELATÓRIO Com a finalidade de resumir o presente caso, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata-se de Auto de Infração, fls. 02/10, lavrado contra o contribuinte acima identificado em decorrência de omissão de rendimentos de atividade rural e de depósitos bancários de origem não comprovada correspondente ao ano calendário de 2009. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 719/734, a contribuinte informou ganhos de atividade rural na proporção de 50% das receitas e das despesas e seu cônjuge Renata Hotz Camargo Pinto, outros 50%. Fl. 818DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.061 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.720237/2013-11 3 No entanto, a movimentação financeira do casal foi havida por incompatível com os rendimentos declarados. A contribuinte foi intimada do início da ação fiscal em 22/02/2012 para que apresentasse os documentos relacionados às fls. 720. Os documentos apresentados depois de analisados demandaram nova intimação em 14/03/2012 para apresentação de planilhas, livro razão ou outro que demonstrativo das vendas de produtos agrícolas. A informação consta às fls. 720. A autoridade administrativa relata que enviou nova intimação em 24/03/2013 com anexo dos extratos bancários para que esclarecesse a origem dos créditos relacionados no termo. A resposta foi que responde em conjunto com o cônjuge José Antonio Habib Camargo Pinto e que toda a documentação estaria no Termo que diz respeito a ele. Relata que depois de analisar os documentos excluídos os créditos de mesma titularidade, empréstimos particulares, entre outros, restaram valores creditados que careciam comprovação de origem. As contas bancárias informadas em conjunto foram consideras a base de 50% para cada titular e as receitas de atividade rural, declaradas separadamente pelo casal, na mesma proporção. Entre os créditos não comprovados, constaram um valor de R$ 50.000,00 e outro igual em 06/03/2009 além de outros de R$ 60.000,00 e R$ 40.000,00 de 11/11/2009 feitos junto ao Banco Credicitrus, que alegou serem decorrentes de empréstimos junto ao Sr. Sergio Aparecido Veraldi, conforme Ação de Execução de Título extrajudicial com base em dois cheques de R$ 10.000,00 e outro de R$ 15.000,00. Por se tratar de valores incompatíveis, não foram aceitos em função da falta de outros elementos idôneos, como contrato etc. O Auditor reporta, no que diz respeito à atividade rural, não teriam sido apresentados documentos hábeis e idôneos com datas e valores compatíveis tendo restado demonstrada movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Os valores oriundos de atividade rural foram segregados e tributado conforme normas especificas considerando 20% da receita bruta. Em conclusão, efetuou o lançamento em três itens, conforme fls. 811/812: - Receita de Atividade Rural; - Outros rendimentos no contexto de omissão caracterizada por depósitos sem origem comprovada; O crédito tributário apurado foi de R$ 214.778,06, incluindo multa de oficio de 75% e juros de mora consolidados em 24/07/2013. A ciência ocorreu em 31/07/2013. O contribuinte apresentou impugnação protocolada em 23/08/2013, mediante instrumento de fls. 738/753 no qual, depois de resumir os fatos, faz alusão uma exclusão do Simples. Fl. 819DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.061 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.720237/2013-11 4 A seguir contesta o lançamento de omissão de receita caracterizada na movimentação bancária sustentando que não teria havido aumento de renda ou ganho real de capital e que seria mera presunção. Menciona dificuldade em obtenção dos documentos em poder do banco depositário, que não seria obrigado a guardar tais dados e teria declarado em DIRPF os saldos correspondentes. Alega que haveria necessidade da comprovação do consumo da renda e acrescenta que pelo artigo 110 do CTN a presunção não poderia alterar o conceito de renda. Prosseguindo seu arrazoado, alega quebra de sigilo bancário e fiscal aduzindo que seria imprescindível existência de procedimento fiscal. Afirma que o Auto de Infração estaria fundamentado em legislação equivocada e indaga quais seriam os elementos de prova utilizados e que o TRF 3 teria decidido pela vedação a utilização do sigilo. Por fim, suscita diferença de imposto alegando que a atividade rural limita a proporção de 20% da base de cálculo. Requer a improcedência do lançamento, de outro modo sua revisão conforme planilhas indicadas. A DRJ negou provimento à Impugnação da contribuinte em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza-se omissão de rendimentos sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Lei n. º 9.430/96. SIGILO BANCÁRIO. Permanecem protegidas por sigilo, nos termos do artigo 198 do Código Tributário Nacional, as informações obtidas mediante procedimento de fiscalização, nos termos do artigo 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2.001, não configurando violação. NULIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Fl. 820DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.061 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.720237/2013-11 5 Não estando presentes nenhuma das hipóteses que ensejam nulidade do lançamento, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Outras irregularidades, incorreções ou omissões não implicam em nulidade do lançamento e podem ser sanadas, se o sujeito passivo restar prejudicado. Decreto 70.235/72. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEITA DE ATIVIDADE RURAL. Demonstrado que os recursos são oriundos de receita de atividade rural não oferecidas à tributação é efetuado o lançamento de ofício observada a opção do contribuinte na DIRPF. Lei n. º 9.430/96. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. A doutrina e jurisprudências não vinculam o julgamento, pois não trazem conteúdo normativo positivo, exceto as decisões do Supremo Tribunal Federal declarando inconstitucionalidade de norma que seja afastada do ordenamento jurídico. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, alegando que o crédito tributário estaria extinto pela prescrição e pela prescrição intercorrente. No mais, repete os mesmos argumentos utilizados por ocasião da Impugnação, especificamente contra a presunção legal, sob a alegação de que deveria haver comprovação de que se trata de renda para que fossem tributados os valores movimentados em sua conta bancária, bem como que não pode haver quebra de sigilo bancário sem motivo justificado. Aduz ainda que a legislação utilizada pelas autoridades fiscais está equivocada e que o percentual de 20% deve ser aplicado no caso de atividade rural. É o relatório. VOTO Conselheiro Andressa Pegoraro Tomazela, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O Recorrente alega ter havido a prescrição para a cobrança do crédito tributário por meio de ação judicial, com base no artigo 174 do Código Tributário Nacional, eis que passados Fl. 821DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.061 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.720237/2013-11 6 mais de 5 (cinco) anos desde a sua constituição. Sendo assim, alega que o crédito tributário estaria extinto, com base no artigo 156, inciso V, do mesmo diploma legal. Vide artigos abaixo: Código Tributário Nacional Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V - a prescrição e a decadência; (...) Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Contudo, nos termos do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional, há a suspensão da exigibilidade do crédito tributário durante o curso do processo administrativo fiscal. Sendo assim, a Fazenda Nacional está impedida de ajuizar ação judicial para a cobrança do crédito tributário até que se encerre o presente processo administrativo. Dessa forma, não há que se falar em prescrição para a cobrança judicial do crédito tributário, justamente porque o prazo para a referida cobrança está suspenso. Na sequência, o Recorrente alega que houve prescrição intercorrente, em razão de o julgamento da Impugnação pela DRJ ter sido realizado após mais de 5 (cinco) anos da constituição do crédito tributário. Porém, a prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo tributário, conforme dispõe a Súmula CARF nº 11, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Com relação aos demais argumentos, muito bem analisou a DRJ no seguinte sentido: Depósitos Bancários. Da hipótese de incidência Em que pesem os argumentos do impugnante o lançamento goza de higidez uma vez que o que se tem no caso é a presunção, legalmente estabelecida conforme fundamentos expostos no Auto de Infração, de omissão de rendimentos de qualquer natureza. A tributação contempla aspectos objetivos em relação ao fato gerador e, quanto à forma de tributação, uma vez não demonstrado de forma inequívoca sua natureza, se ganho de capital, aluguéis, etc., forçosamente incide a regra geral de tributação de imposto de renda aplicável ao caso. O fato gerador é a renda ou proventos de qualquer natureza consubstanciados na disponibilidade econômica nos moldes do artigo 43 do Código Tributário Nacional: Fl. 822DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.061 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.720237/2013-11 7 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) A fiscalização realizou o trabalho com base nos documentos do contribuinte que foi oportunamente intimado a prestar esclarecimentos. Neste cenário, se as informações prestadas não foram suficientes para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos, cabe o lançamento. É imperioso considerar que estamos diante de ato administrativo complexo, visto que integra procedimento preparatório anterior, gozando, portanto, dos atributos jurídicos de presunção de legitimidade e veracidade, esta diz respeito aos fatos. No dizer de Maria Sylvia Zanella di Pietro: “a presunção de veracidade inverte o ônus da prova;” (Direito Administrativo, p. 184, 20ª ed. - São Paulo, Atlas, 2007) O lançamento com base em depósitos ou créditos bancários tem como fundamento o artigo 42 da Lei 9.430 de 1996. Trata-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos contra o contribuinte titular da conta que não lograr comprovar a origem destes créditos. A citada norma, que embasou o lançamento, assim dispõe acerca da presunção de omissão de rendimentos relativos aos valores depositados em conta cuja origem não seja comprovada: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 823DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.061 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.720237/2013-11 8 §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Desta forma, o legislador estabeleceu, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários condicionada, apenas, à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram em nome do contribuinte em instituições financeiras, ou seja, permitiu que se considerasse ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não o vinculando a necessidade de demonstrar os sinais exteriores de riqueza requeridos pela Lei nº 8.021, de 1990 ou acréscimo patrimonial. A existência do fato jurídico (depósito bancário) foi comprovada pela Fiscalização através dos dados bancários do contribuinte. Portanto, não há presunção. O que a autoridade fiscal presume, com base em lei e em razão do contribuinte não se desincumbir de seu ônus é a natureza de tal fato, ou seja, presumir que tal fato (o fato cuja ocorrência foi provada) seja gerador de rendimentos ou proventos de qualquer natureza. É a própria lei quem define como omissão de rendimentos esta lacuna probatória em face dos créditos em conta. Deste modo, ocorrendo os dois antecedentes da norma: créditos em conta e a não comprovação da origem quando o contribuinte tiver sido intimado a fazê-lo; o consequente é a presunção da omissão. Reitere-se ainda, que não se trata de considerar os depósitos bancários como fato gerador do imposto de renda, que se traduz na aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza (artigo 43 do CTN), mas a desproporcionalidade entre o seu valor e o dos rendimentos declarados constitui indício de omissão de rendimentos e, estando o contribuinte Fl. 824DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.061 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.720237/2013-11 9 obrigado a comprovar a origem dos recursos nele aplicados, ao deixar de fazê-lo, dá ensejo à transformação do indício em presunção. Nesse contexto, pode-se afirmar que os depósitos bancários são utilizados como instrumento de determinação dos rendimentos presumidamente omitidos, não se constituindo, em si, objeto de tributação. Do sigilo bancário A arguição de nulidade sob alegação de violação ao sigilo bancário não se sustenta. O procedimento fiscal regularmente instaurado não configura quebra de sigilo visto que o Auditor Fiscal está legalmente obrigado à sua manutenção como descrito mais abaixo. A Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2.001, ao dispor sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, determinou: “Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: [...] III – o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; [...] Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços [...] § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5º As informações a que se refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor.” Importa mencionar que o acesso às informações bancárias, mormente do contribuinte sob ação fiscal independe de autorização, repise-se, não constitui quebra de sigilo, pois, de outro modo, sequer haveria possibilidade da autoridade administrativa ter acesso às contas “Caixa” e “Bancos” nos procedimentos de Auditoria Fiscal ou receber informações dos contribuintes através das Declarações de Imposto Retido na Fonte ou ainda, receber e ter em sua guarda as Declarações de Rendimentos, onde consta relação de bens e direitos etc. Nesse contexto, é imperioso demarcar que todas as informações recebidas e processadas pelo fisco permanecem protegidas por sigilo, a teor do expresso na Lei 5.172, de 1.966 (CTN) em seu artigo 198 que veda sua divulgação para qualquer fim, por parte da Fazenda Pública Nacional ou de seus funcionários, sem prejuízo do disposto na legislação criminal: Fl. 825DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.061 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.720237/2013-11 10 Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 1o Excetuam-se do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes: (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (destaquei!) § 2o O intercâmbio de informação sigilosa, no âmbito da Administração Pública, será realizado mediante processo regularmente instaurado, e a entrega será feita pessoalmente à autoridade solicitante, mediante recibo, que formalize a transferência e assegure a preservação do sigilo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal na decisão plenária acerca do RE 601.314/SP restou o seguinte Acórdão de 24 de fevereiro de 2016: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, em conhecer do recurso e a este negar provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Do procedimento fiscal Para execução dos trabalhos, foi emitido o MPF. O procedimento de fiscalização foi previamente instaurado e teve início com a ciência do sujeito passivo conforme fls.11, em 22/02/2012, portanto, não procede, portanto, a alegação de não cumprimento do artigo 6º da Lei Complementar 105/2001. Fl. 826DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.061 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.720237/2013-11 11 O Auditor relata uma sequência de eventos, esclarecendo a constatação de dissonância entre as declarações apresentadas pelo contribuinte e seu cônjuge, e a movimentação financeira no ano de 2009, uma vez que as informações são colhidas pelos sistemas informatizados da Receita Federal. Entretanto, tais informações não são detalhadas, se faz necessário intimar o titular das contas para apresentar documentos para fins de esclarecimentos. Sendo assim, mediante procedimento fiscal regularmente instaurado, cientificado o contribuinte, não há que se falar, portanto, em nulidade. Receitas de atividade rural O impugnante não apontou divergência de lançamento, tão-somente se limitou a citar a legislação: “a falta da escrituração implicará arbitramento da base de cálculo à razão de 20% da receita bruta do ano-calendário (Lei 9.250/1995, art. 18, §2º)”. Entretanto, conforme demonstrativo de fls. 04/05 e esclarecido no Relatório Fiscal, fls. 722/723, o Auditor efetuou o lançamento incluindo na recomposição somente a diferença dos valores omitidos observando a forma da DIRPF apresentada como se verifica às fls. 716, observando a opção do contribuinte da proporção de 20%. Portanto, as alegações da impugnante não são hábeis a afastar o lançamento. Concordo com a decisão da DRJ, motivo pela qual adoto seus fundamentos como razão de decidir, nos termos do artigo 114, § 12º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023. Por fim, importante mencionar que a Súmula CARF nº 222 dispõe o seguinte sobre o tema: No lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) com base na aplicação da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, quando não comprovada a origem individualizada dos depósitos bancários, não é cabível a redução da base de cálculo da autuação a 20%, ainda que o contribuinte afirme exercer exclusivamente a atividade rural. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. Assinado Digitalmente Andressa Pegoraro Tomazela Fl. 827DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-012.061 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15956.720237/2013-11 12 Fl. 828DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10480.722049/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE PARCELAMENTO. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL DA DÍVIDA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A adesão a um programa de parcelamento implica em confissão irretratável da dívida, desistência do recurso voluntário e renúncia ao direito sobre o qual ele se funda.
Numero da decisão: 2101-003.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos - Relatora Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Débora Fófano dos Santos, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS

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CONFISSÃO IRRETRATÁVEL DA DÍVIDA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A adesão a um programa de parcelamento implica em confissão irretratável da dívida, desistência do recurso voluntário e renúncia ao direito sobre o qual ele se funda. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos – Relatora Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Débora Fófano dos Santos, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Fl. 236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.940 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722049/2009-61 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (fls. 195/205) interposto contra decisão no acórdão exarado pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 167/174), que julgou a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário formalizado no Auto de Infração – DEBCAD 37.191.160-5, consolidado em 08/09/2009, no montante de R$ 32.259,56, já incluídos juros, multa de mora e multa de ofício (fls. 02/37), referente contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), identificados pelos Levantamentos LN9 — Contribuição Terceiros Acordos Trabalhistas; LN1 — Auxílio-creche; LN2- Bolsa-estágio; LN3- Remuneração folha de pagamento; LN7 — Pagamentos rubricas rescisão; LN8 — Outras Remunerações; RN7 — Remuneração salário-família, remunerações essas identificadas no auto de infração parte empresa - DEBCAD 37.191.159-1 (processo 10480.722048/2009-17), acompanhado do Relatório Fiscal (fls. 38/41). Do Lançamento Adoto para compor o presente relatório o seguinte excerto do acórdão recorrido (fls. 168/169): Trata-se de Auto de Infração lavrado pela fiscalização em relação ao contribuinte acima identificado, destinado ao lançamento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), incidente sobre as seguintes parcelas remuneratórias: - Auxílio Creche, cujos valores foram obtidos na conta 3.3.01.02.0015 do livro Razão, sem a apresentação dos documentos demonstrativos de sua regularidade; - Bolsa Estágio, cujos valores foram obtidos na conta 3.3.01.02.0012 do livro Razão, sem a apresentação dos documentos demonstrativos de sua regularidade; - Remuneração constante em folha de pagamento; - Verbas rescisórias, cujos valores foram identificados na conta ‘3.3.01.02.0009 – Indenizações’, sem que fossem apresentados documentos demonstrativos da efetiva origem dos referidos pagamentos; - Outras remunerações, assim denominadas as parcelas identificadas no livro razão em conta relativa a ‘processos trabalhistas’, sem a apresentação dos documentos comprobatórios de que tais parcelas se tratavam efetivamente de valores pagos em decorrência de ação trabalhista; - Salário Família, sem a apresentação dos documentos que geraram os pagamentos efetuados a esse título. - Pagamentos decorrentes de acordos em processos trabalhistas – esclarece, a autoridade autuante, que os valores constam na conta 3.3.01.02.0010 – Processos Trabalhistas e, apesar dos recolhimentos efetuados em GPS código 2909, a empresa deixou de faze-lo (sic) em relação às contribuições de terceiros. Fl. 237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.940 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722049/2009-61 3 Esclarece, a autoridade autuante, ser aplicável ao caso o prazo decadencial previsto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional conforme detalhado no Auto de Infração ao qual este se encontra apensado (NFLD nº 37.191.159-1). Consta, naquele processo, a constatação da conduta dolosa do sujeito passivo, decorrente da falta de recolhimento e de declaração em GFIP das remunerações pagas; da presunção da omissão de receitas com reflexos nas contribuições previdenciárias; uso de históricos em sua contabilidade que não refletem a realidade da efetiva operação realizada; dos pagamentos efetuados a pessoas físicas registrados na contabilidade como se fosse a pessoas jurídicas e não declarados na GFIP; de fatos geradores não lançados em títulos próprios, mas, sim, dissimuladamente em outras contas na contabilidade e também não declarados em GFIP, além da sistemática recusa da falta de apresentação de livros/documentos da escrituração comercial. (...) Da Impugnação O contribuinte foi cientificado pessoalmente do lançamento em 23/09/2009 (fl. 02) e apresentou impugnação em 23/10/2009 (fls. 122/138), acompanhada de documentos (fls. 139/144), com os seguintes argumentos, extraídos do acórdão recorrido (fls. 169/172): (...) IMPUGNAÇÃO Por não concordar com os termos da autuação a empresa, por seu procurador constituído, apresentou impugnação ao débito alegando, em síntese, o que segue. Aduz, inicialmente a tempestividade da impugnação apresentada. Em seguida, afirma ter acostado aos autos do processo nº 37.191.159-1 documentos contábeis suficientes à comprovação da inexistência de infração à legislação tributária. Assim, entende ser fundamental que todos os autos de infração lavrados nessa ação fiscal sejam julgados de maneira concomitante, possibilitando a análise dos documentos anexados ao auto de infração mencionado. Decadência Aduz a decadência do crédito apurado nas competências de janeiro a agosto de 2004. Afirma ter declarado por meio de GFIP e efetuado o recolhimento dos créditos devidos em todo o exercício de 2004 e que eventual crédito suplementar deveria ser lançado no prazo de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, de acordo com o artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Argumenta não ser aplicável o prazo previsto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional por existir regra específica para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso presente. Fl. 238DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.940 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722049/2009-61 4 Ressalta ainda que houve o pagamento antecipado por parte da impugnante, ainda que eventualmente a menor; que não há indícios de dolo, fraude ou simulação; e que não houve anulação por vício formal de lançamento anterior, razão pela qual entende ser aplicável o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Da conexão com os lançamentos 37.191.159-1 e 37.191.161-3 Invoca as razões e documentos apresentados nos processos administrativos mencionados, considerando que caso sejam julgados improcedentes, não haverá obrigação legal de pagamento de multa por descumprimento de obrigação acessória. Requer, assim: a) A reunião dos processos administrativos relacionados no MPF nº 0410100.2008.00939 para julgamento simultâneo; b) O reconhecimento da decadência parcial dos lançamentos realizados; c) A total improcedência do lançamento consignado no presente auto de infração. DILIGÊNCIA FISCAL Em 26 de novembro de 2013, os autos foram encaminhados à unidade de origem para manifestação da autoridade autuante, considerando a diligência solicitada nos autos do processo nº 10480.722048/2009-17, ao qual este se encontra apensado. Em decorrência, foi anexada a estes autos a Informação Fiscal de fls. 151/155, com o seguinte conteúdo: 2. AUXÍLIO CRECHE (LEVANTAMENTO LN1): 2.1 Na ação fiscal a empresa foi notificada para comprovar os pagamentos efetuados a título de Auxílio Creche, constantes em sua contabilidade, na conta 3.3.01.02.0015, nada apresentando no prazo estipulado pela fiscalização. Sendo assim, tais pagamentos foram considerados como salário de contribuição. 2.2 Em sua impugnação, a autuada acostou ao processo apenas o resumo da folha de pagamento da competência 12/2004 e cópia da Convenção Coletiva de Trabalho, datada de 06/12/2004, onde em sua cláusula sexta há a previsão de reembolso de certo valor aos empregados que utilizarem creches e escolas para seus dependentes. 2.3 Observamos que tais documentos acostados NÃO são suficientes para descaracterizar o argumento do fiscal autuante, sendo tal rubrica, a nosso ver, caracterizada como salário de contribuição. 2.4 Os valores lançados pelo Auditor Fiscal no levantamento LN1 devem ser mantidos. 3. BOLSA ESTÁGIO (LEVANTAMENTO LN2) Fl. 239DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.940 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722049/2009-61 5 3.1 A empresa foi notificada para comprovar os pagamentos efetuados a título de Bolsa Estágio, constantes em sua contabilidade, na conta 3.3.01.02.0012, nada apresentando no prazo estipulado pela fiscalização. Sendo assim, tais pagamentos foram considerados como salário de contribuição. 3.2 Em sua impugnação, a autuada acostou folhas de pagamento dos estagiários que prestaram serviços na empresa durante todo o ano de 2004, além de declarações e acordos de cooperação e termos de compromisso de estágio, confeccionados pelo Centro de Integração Empresa Escola Pernambuco. 3.3 Observamos que tais documentos acostados são SUFICIENTES para descaracterizar o argumento do fiscal autuante. Não se caracterizando, dessa forma, Salário de Contribuição, os valores constantes da contabilidade, na conta 3.3.01.02.0012. 3.4 Os valores lançados pelo Auditor Fiscal no levantamento LN2 NÃO devem ser mantidos, ou seja, devem ser zerados. 4. REMUNERAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO (LEVANTAMENTO LN3) 4.1 Conforme o auditor notificante, as contribuições apuradas tiveram por base as remunerações inseridas nas folhas de pagamento apresentadas pela empresa, deduzindo-se o que foi recolhido pela mesma em suas guias de recolhimento do período, guias estas constantes do relatório “conta corrente” da autuada. 4.2 A empresa não apresentou, em sua defesa, documentos que descaracterizassem o levantamento efetuado. 4.3 Os valores lançados pelo Auditor Fiscal no levantamento LN3 devem ser mantidos. 5. PAGAMENTOS RUBRICAS RESCISÃO (LEVANTAMENTO LN7) 5.1 Trata-se de valores pagos a empregados a título de rescisão de contrato de trabalho, constantes do livro razão da empresa, no ano de 2004, na conta 3.3.01.02.0009. 5.2 Em sua impugnação, a autuada acostou ao processo as Rescisões de Contrato de Trabalho do Período. 5.3 Observamos nos citados documentos acostados, que as parcelas consideradas como Salário de Contribuição pelo fiscal autuante são, de fato, partes indenizatórias das Rescisões de Contrato de Trabalho. Não se constituindo base de cálculo de contribuições previdenciárias. 5.4 Os valores lançados pelo Auditor Fiscal no levantamento LN7 NÃO devem ser mantidos, ou seja, devem ser zerados. 6. OUTRAS REMUNERAÇÕES (LEVANTAMENTO LN8) 6.1 Trata-se de valores pagos a empregados em Processos Trabalhistas, constantes do livro razão da empresa, no ano de 2004, na conta 3.3.01.02.0010. Fl. 240DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.940 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722049/2009-61 6 6.2 Em sua impugnação, a autuada acostou ao processo cópias dos Termos de Conciliação/Sentença Trabalhista e Guias de Recolhimento código 2909. 6.3 Observamos que tais documentos acostados são SUFICIENTES para descaracterizar o argumento do fiscal autuante. Não se constituindo tal rubrica, a nosso ver, base de cálculo de contribuições previdenciárias. 6.4 Os valores lançados pelo Auditor Fiscal no levantamento LN8 NÃO devem ser mantidos, ou seja, devem ser zerados. 7. REMUNERAÇÃO SALÁRIO FAMÍLIA (LEVANTAMENTO RN7) 7.1 A empresa foi notificada para comprovar os pagamentos efetuados a título de Salário Família, nada apresentando no prazo estipulado pela fiscalização. Sendo assim, tais pagamentos foram considerados como salário de contribuição. 7.2 Em sua impugnação, a autuada acostou documentos referentes às cotas de salário família pagas pela empresa no ano de 2004. 7.3 Observamos que tais documentos acostados são SUFICIENTES para descaracterizar o argumento do auditor fiscal, quanto à não comprovação por parte da empresa no que diz respeito ao pagamento do salário família aos segurados empregados. Não se constituindo tal rubrica, a nosso ver, base de cálculo de contribuições previdenciárias. 7.4 Os valores lançados pelo Auditor Fiscal no levantamento RN7 NÃO devem ser mantidos, ou seja, devem ser zerados. Cientificada sobre o conteúdo da diligência fiscal realizada, o contribuinte deixou de se manifestar. (...) Da Decisão da DRJ A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, em sessão de 31 de julho de 2019, no acórdão nº 14-97.160 (fls. 167/174), julgou a impugnação procedente em parte para retificar a base de cálculo lançada, com a exclusão dos lançamentos abaixo relacionados, restando mantidos os demais levantamentos fiscais (LN1 – AUXÍLIO CRECHE, LN3 - REMUNERAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO e LN9 - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS ACORDOS TRABALHISTAS) devido à insuficiência na apresentação dos elementos demonstrativos da não inclusão deles no conceito de salário de contribuição (fl. 174): - LN2 - BOLSA ESTAGIO - devido à apresentação de documentos comprobatórios da conformidade de tais pagamentos com a legislação que rege a matéria. - LN7 - PAGTO RUBRICAS RESCISÃO - por restar demonstrado que as parcelas consideradas pela fiscalização como remuneratórias, referiam-se a verbas indenizatórias em rescisões de contrato de trabalho. Fl. 241DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.940 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722049/2009-61 7 - LN8 - OUTRAS REMUNERAÇÕES - devido à demonstração de que os valores lançados referem-se a remunerações decorrentes de processos trabalhistas com as guias de recolhimento respectivas (código 2909). - RN7 - REMUNERAÇÃO SALÁRIO FAMÍLIA - devido à apresentação dos documentos demonstrativos do efetivo pagamento das cotas no ano de 2004. Segue abaixo reproduzida a ementa ao acórdão (fl. 167): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EQUÍVOCO NOS VALORES LANÇADOS. RETIFICAÇÃO. Constatada a existência de equívoco no lançamento fiscal, resultante da inclusão indevida de valores na base de cálculo, impõe-se a retificação do crédito tributário. DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra a decadência do crédito tributário, quando, identificada a existência de conduta dolosa do sujeito passivo, o lançamento é realizado no prazo de cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído, mediante aplicação do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. INDEPENDÊNCIA DOS PROCESSOS LAVRADOS EM UMA MESMA AÇÃO FISCAL. Os processos resultantes de uma mesma ação fiscal são independentes entre si e devem ser formalizados com todos os elementos de prova necessários ao seu correto entendimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário O Recorrente tomou ciência do acórdão da DRJ em 29/04/2021 (AR de fl. 206) e interpôs recurso voluntário em 17/05/2021 (fls. 195/205), com os argumentos sintetizados nos tópicos abaixo: I. DA TEMPESTIVIDADE II. DO BREVE RESUMO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO III. DA NECESSIDADE DE REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO III.1. DA DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DOS MESES DE JANEIRO/2004 A AGOSTO/2004 Fl. 242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.940 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722049/2009-61 8 III.2. DA IMPROCEDÊNCIA DOS LANÇAMENTOS: PROVA EM CONTRÁRIO ÀS ACUSAÇÕES DO AUTO DE INFRAÇÃO E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. III.2.1. DO AUXÍLIO-CRECHE III.2.2. DA REMUNERAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO III.2.3. DA CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - ACORDOS TRABALHISTAS IV. DOS PEDIDOS 27. Diante das razões antes expostas, a RECORRENTE nesse ato recorre do Acórdão nº 14-97.160 da 9ª Turma da DRJ/RPO e, respeitosamente, requer ao CARF seja: (i) considerando a ausência de dolo, fraude ou simulação, seja reconhecida a decadência de parte dos lançamentos realizados (janeiro a agosto de 2004), nos limites indicados pela RECORRENTE em suas razões e nos termos do disposto no art. 150, §4º, do CTN; e (ii) por fim, julgado totalmente improcedentes os lançamentos relativos às rubricas LN1 - AUXÍLIO CRECHE; LN3 -REMUNERAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO; e LN9 - CONTRIBUIÇÕES TERCEIROS ACORDOS TRABALHISTAS. Por meio do Despacho nº 2101-000.029 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA, de 14 de novembro de 2025 (fls. 211/212), o presente processo foi encaminhamento à unidade de origem para que a mesma, mediante termo circunstanciado, acompanhado de documentação como telas de sistemas de informação da RFB e outras que julgar apropriadas, prestasse esclarecimentos acerca da eventual inclusão do DEBCAD 37.191.160-5 (objeto do presente processo) em algum parcelamento, assim como, a atual situação do débito, tendo em vista que, quando do julgamento pelo CARF do processo 10480.722048/2009-17, referente ao DEBCAD 37.191.159-1 - contribuição parte da empresa, ocorrido em sessão de 3 de outubro de 2024, no acórdão nº 2401-012.019, foi mencionada a existência de telas do SICOB anexadas àquele processo que indicavam que a empresa “tinha incluído em parcelamento na modalidade RFB/PREV - artigo 1º da Lei 11941/2009 e a modalidade foi cancelada por inadimplência conforme consulta efetuada no sistema HOD/PAEX”, os seguintes DEBCAD: 37.191.159-1 (10480.722048/2009-17), 37.191.160-5 (objeto dos presentes autos), 37.191.161-3 (objeto do PAF final 2009-96, apenso aos autos 10480.722048/2009-17) e 37.191.12-1 (objeto do PAF final 2009- 31, apenso aos autos 10480.722048/2009-17). Em atendimento ao solicitado foram prestados esclarecimentos por meio do Termo de Informação nº 203/2026 - EQPAR/RF04/RFB (fl. 233 e pág. PDF 231), acompanhado de cópias de documentos (fls. 216/232 e págs. PDF 216/230). Tendo em vista o cumprimento do disposto no despacho de diligência (fls. 211/212) o processo retornou para prosseguimento. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.940 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722049/2009-61 9 VOTO Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, todavia não merece ser conhecido em razão da inclusão do débito em parcelamento, o que acarretou sua confissão e consequente renúncia ao contencioso administrativo. Por meio do Despacho nº 2101-000.029 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA, exarado em 14/11/2025, os presentes autos foram encaminhados à unidade de origem para que a mesma, mediante termo circunstanciado, acompanhado de documentação, prestasse esclarecimentos acerca da eventual inclusão do DEBCAD 37.191.160-5 (objeto do presente processo) em algum parcelamento, assim como, a atual situação do débito (fls. 211/212). Em atendimento ao solicitado, por intermédio da Informação nº 203/2026 — EQPAR/RF04/RFB (fl. 233 e pág. PDF 231), acompanhada de documentos (fls. 214/232 e págs. PDF 214/230), a unidade informou que o DEBCAD 37.191.160-5 foi objeto de parcelamento, em 18/09/2009, pela Lei nº 11.941 de 2009, conforme se extrai do excerto abaixo reproduzido: (...) 2. A respeito de parcelamento e situação do DEBCAD 37.191.160-5, informamos que o mesmo foi parcelado em 18/09/2009, pela lei 11.941/2009, na Receita Federal do Brasil, pela modalidade previdenciária do Art. 1º. (grifos nossos) 3. O contribuinte efetuou pagamentos no código de DARF 1233, de 30/11/2009 a 13/05/2011, conforme fls. 226/227. 4. Em 13/02/2024 o parcelamento foi cancelado por inadimplência de parcelas, conforme extratos fls. 219/224. 5. De acordo com a fl. 216, esse parcelamento não entrou no conta-corrente, pois não temos disponibilizados no sistema os dados da consolidação. Na fl. 223 aparece que o parcelamento foi consolidado em 29/06/2011, mas tanto na suíte/opcóes da lei 11.941, quanto no HOD/PAEX não temos essas informações da consolidação do parcelamento. Somente através de consultas no sistema, não pudemos descobrir qual foi o motivo dessa não inclusão no conta-corrente. Mas podemos concluir que o DEBCAD 37.191.160-5 foi parcelado na Lei 11.941/RFB/PREV/ART1º através de tela do sistema SICOB, na fl. 217, tendo como data de inclusão no parcelamento o dia 15/07/2011 e exclusão em 07/12/2018. (grifos nossos) 6. Hoje a situação do debcad é Aguardando Expedição do Acórdão, conforme fl. 214. (...) Fl. 244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.940 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722049/2009-61 10 Convém trazer à colação a disposição contida no artigo 5º da referida Lei nº 11.941 de 20091: Art. 5º A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vide Lei nº 13.043, de 2014) Extrai-se do artigo 133 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634 de 21 de dezembro de 2023: Art. 133. O recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. (...) § 6º Após iniciado o julgamento, a definitividade do crédito tributário, e a insubsistência de eventuais decisões favoráveis ao sujeito passivo, serão declaradas pelo Colegiado. 1 LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009. Altera a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários; concede remissão nos casos em que especifica; institui regime tributário de transição, alterando o Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972, as Leis n os 8.212, de 24 de julho de 1991, 8.213, de 24 de julho de 1991, 8.218, de 29 de agosto de 1991, 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 9.430, de 27 de dezembro de 1996, 9.469, de 10 de julho de 1997, 9.532, de 10 de dezembro de 1997, 10.426, de 24 de abril de 2002, 10.480, de 2 de julho de 2002, 10.522, de 19 de julho de 2002, 10.887, de 18 de junho de 2004, e 6.404, de 15 de dezembro de 1976, o Decreto-Lei n o 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e as Leis n os 8.981, de 20 de janeiro de 1995, 10.925, de 23 de julho de 2004, 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 10.833, de 29 de dezembro de 2003, 11.116, de 18 de maio de 2005, 11.732, de 30 de junho de 2008, 10.260, de 12 de julho de 2001, 9.873, de 23 de novembro de 1999, 11.171, de 2 de setembro de 2005, 11.345, de 14 de setembro de 2006; prorroga a vigência da Lei n o 8.989, de 24 de fevereiro de 1995; revoga dispositivos das Leis n os 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e 8.620, de 5 de janeiro de 1993, do Decreto-Lei n o 73, de 21 de novembro de 1966, das Leis n os 10.190, de 14 de fevereiro de 2001, 9.718, de 27 de novembro de 1998, e 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.964, de 10 de abril de 2000, e, a partir da instalação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Decretos n os 83.304, de 28 de março de 1979, e 89.892, de 2 de julho de 1984, e o art. 112 da Lei n o 11.196, de 21 de novembro de 2005; e dá outras providências. Fl. 245DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5869.htm#art348 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5869.htm#art353 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5869.htm#art354 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12865.htm#art17 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art33%C2%A710 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13043.htm#art33%C2%A710 http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2011.941-2009?OpenDocument D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.940 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.722049/2009-61 11 A adesão a um programa de parcelamento implica em confissão irretratável da dívida e, por conseguinte, desistência do recurso voluntário e renúncia ao direito sobre o qual ele se funda. Conforme informado pela unidade de origem, a adesão ao parcelamento ocorreu em 18/09/2009, ou seja, em período bastante anterior ao do julgamento de primeira instância, ocorrido em 31/07/2019 (fls. 167/174). Em vista dessas considerações, com base na disposição contida no artigo 133, § 6º do RICARF, deve ser declarada a definitividade do crédito tributário no âmbito administrativo, bem como a insubsistência da decisão da DRJ. Conclusão Por todo o exposto e por tudo mais que consta dos autos, vota-se por não conhecer do recurso voluntário. Assinado Digitalmente Débora Fófano dos Santos Fl. 246DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10850.908423/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 10 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3102-000.642
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3102-000.584, de 17 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10850.905835/2011-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3102-000.584, de 17 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10850.905835/2011-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).

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Vencidos os conselheiros Jorge Luís Cabral e Fábio Kirzner Ejchel. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3102-000.584, de 17 de abril de 2026, prolatada no julgamento do processo 10850.905835/2011- 61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luís Cabral, Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Restituição apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Fl. 134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.642 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908423/2011-83 2 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A Recorrente tomou ciência da Decisão de Primeira Instância e apresentou Recurso Voluntário, alegando o seguinte: I. Alega que a falta de retificação da DCTF não poderia implicar na recusa ao reconhecimento do crédito decorrente de pagamento indevido a maior em razão do STF ter considerado inconstitucional o § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. II. Nulidade do Despacho Decisório – alega que a Autoridade Tributária não teria investigado as circunstâncias materiais do fato e não intimou a Recorrente a prestar esclarecimentos em desacordo com as prerrogativas da mesma Autoridade previstas na IN RFB nº 1.300/2012. III. Nulidade do Acórdão Recorrido – o Acórdão de Primeira Instância não teria apreciado o conjunto probatório apresentado aos autos, incorrendo em cerceamento do direito de defesa da Recorrente por não ter determinado diligências. IV. Falta de retificação da DCTF não é suficiente para negar o direito ao crédito pleiteado. V. Esclarece que o balancete juntado aos autos com a Manifestação de Inconformidade faz prova inconteste de que foram contabilizadas receitas que não fariam parte da hipótese de incidência do PIS/COFINS, pois não se tratavam de vendas de mercadorias ou de prestação de serviços. VI. Faz uma extensa descrição da base de cálculo do PIS/COFINS. Por fim, apresenta o seguinte pedido: Em face de todo o exposto, a recorrente postula o conhecimento e provimento do presente recurso. Requer-se, inicialmente, seja reconhecida a nulidade do trabalho fiscal e do acórdão recorrido. No entanto, considerando a robusta documentação apresentada pela ora recorrente nos autos, considerando o art. 59 do Decreto n. 70235, é possível a superação das nulidades acima apontadas, para que seja reformada a r. decisão recorrida, de modo que seja determinado o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Termos em que, Pede deferimento. Este é o relatório. Fl. 135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.642 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908423/2011-83 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado na resolução paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada na resolução paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto à tempestividade e às preliminares, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento. Nulidade do Despacho Decisório A Recorrente cita que a IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 76: Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Alega que este artigo obrigaria à Autoridade Tributária um escrutínio profundo de todos os fatos envolvidos para a apreciação do pedido de restituição/ressarcimento, mas a mesma Autoridade apenas verificou o débito declarado em DCTF e o pagamento apresentado como a maior. O caso que está sendo julgado neste processo é um pedido de restituição de pagamento indevido e a maior em razão de recolhimento de PIS com base no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo STF. A Recorrente apresentou o pedido sem retificar a sua DCTF que, a princípio, registra o débito para o período de apuração apontado contendo o débito que seria indevidamente reconhecido pelo contribuinte. Ao não retificar a DCTF o pagamento realizado encontrava-se integralmente alocado ao débito confessado e não estaria disponível para restituição. Desta forma, por omissão da própria Recorrente a Autoridade Tributária apurou devidamente os fatos que eram disponíveis à época da elaboração do Despacho Decisório e não há nada a retificar em seu trabalho. Fl. 136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.642 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908423/2011-83 4 O artigo 76, da IN RFB nº 1.300/2012, ao contrário da interpretação da Recorrente, não obriga a Autoridade Tributária à uma forma específica de proceder, ao contrário, lista as prerrogativas que a mesma Autoridade pode aplicar na busca pelo valor do crédito devido, e no caso em questão, como já foi dito acima, a omissão do contribuinte em retificar a DCTF ocasionou a recusa em homologar o pedido. Não reconheço nestes autos nenhum dos requisitos da nulidade previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de forma que entendo sem razão à Recorrente. Nulidade da Decisão de Primeira Instância Em segundo julgamento, após o primeiro ter sido anulado pelo CARF, a DRJ consigna que a Recorrente não se manifestou novamente a respeito deste novo julgamento após a Decisão do CARF. Desta forma, o conjunto probatório que havia para ser avaliado era o mesmo apresentado na Manifestação de Inconformidade inicial. A Recorrente alega que a DRJ não analisou os documentos acostados aos autos e que apresentou balancete consignado em seu Livro Diário e, portanto, teria cerceado o seu direito de defesa. Já a DRJ entendeu que a documentação não seria suficiente para fazer prova do direito creditório pleiteado pela Recorrente. Vejamos. Nas e.fls. 19 a 22, encontramos, de fato, folhas destacadas do Livro Diário, referentes ao período de 1º de janeiro de 1999 a 30 de junho de 1999. No entanto, a simples apresentação destas cópias de folhas do Livro Diário, não é de fato suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado em ressarcimento. É pressuposto que os valores pleiteados em restituição precisam ter sua certeza e liquidez confirmados pela Autoridade Tributária, sendo a certeza a confirmação da validade jurídica do crédito, neste caso, uma receita que tenha gerado um débito de PIS, indevidamente pago a maior em razão de sua classificação contábil e tributária não poder ser considerada como base de cálculo para esta contribuição, e a liquidez representando o valor efetivamente pago a maior. Entendo que a Autoridade Julgadora de Primeira Instância está correta na sua avaliação que a simples apresentação de páginas dos livros contábeis não é suficiente para fazer a demonstração de certeza e liquidez do valor pretendido em restituição. O fato de uma operação constar nos livros contábeis como receita financeira, p.ex., precisa do devido lastreio em documentos que comprovem a operação, a contabilidade regular somente faz prova a favor do contribuinte se devidamente Fl. 137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.642 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908423/2011-83 5 acompanhada dos documentos comprobatórios, como notas fiscais, contratos, ou comprovantes de pagamento ou de depósitos bancários. Desta forma, afasto a arguição de nulidade pois não reconheço nestes autos nenhum dos requisitos da nulidade previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de forma que entendo sem razão à Recorrente. Quanto ao mérito, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com todas as vênias, entendo que o processo não está maduro para julgamento e, por isso, divirjo do i. Relator. O processo trata de restituição (despacho decisório eletrônico), e o crédito não foi integralmente confirmado porque alocado para pagamento: As premissas adotadas pela DRJ para manutenção do despacho recorrido foram: (i) Falta de provas; (ii) Ausência de retificação da DCTF. Quanto as provas, esclarece a DRJ “O interessado deveria ter fornecido os livros Diário e Razão completos, para que fosse possível apurar qual a base de cálculo total e, após, apartado o montante afastado pela ampliação da Lei nº 9.718/98.”. Em recurso voluntário, o i. Relator adota como razões de decidir a insuficiência de provas e esclarecimentos, explicando: A Recorrente não retificou a sua DCTF, a qual é confissão de dívida, e não traz aos autos uma demonstração minimamente razoável da natureza jurídica e contábil das receitas que ensejaram o recolhimento a maior, como contratos, comprovantes de depósitos ou outros documentos que pudessem validar o registro contábil apresentado através de cópias dos Livros Diário e Razão, apresentados tanto em Manifestação de Inconformidade, como em Recurso Voluntário. Assim também não lhe socorre juntada posterior de folhas do Livro Razão, por ocasião do segundo Recurso Voluntário, e.fls 352 a 369, pois continua não sendo suficiente. (...)” (destaques nossos) Fl. 138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.642 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.908423/2011-83 6 Como dito anteriormente, a Recorrente tomou conhecimento do indeferimento do crédito por meio de despacho eletrônico. Tão logo foi alertada pela DRJ quanto à necessidade de produção de provas, apresentou, em recurso voluntário, os documentos por ela indicados, com o fito de contrapor os fatos (alínea “c”, § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72). Nesse sentido, em homenagem aos princípios da verdade material e do formalismo moderado, a realização de diligência confirmaria a certeza e a liquidez do crédito, à luz do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Pelo exposto, voto na conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem analise as provas carreadas aos autos à luz do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e do RE nº 585.235 julgado na sistemática de repercussão geral. Sendo necessário, intime a recorrente para prestar esclarecimentos e apresentar documentação complementar, em auxílio aos trabalhos fiscais. Encerrados os trabalhos, seja elaborado relatório conclusivo de diligência informando se há crédito restituível, dando-se prazo de 30 (trinta) dias para que a recorrente se manifeste. Vencido o prazo, sejam os autos devolvidos ao CARF para conclusão do julgamento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 139DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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