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Numero do processo: 13855.001121/2006-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE.
No âmbito da Lei nº 9.363/96 é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência de recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG) aplicado ao caso nos termos do Regimento Interno do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. INSUMOS DO VAPOR E DA ÁGUA. PRODUTOS UTILIZADOS EM LABORATÓRIO NO PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, os conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI.
O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização, bem como que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa.
A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que tratava o artigo 543-C do CPC/73, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno.
Os insumos que sofrem alterações em função de ações exercidas diretamente na água (ETA) na caldeira, mas que não exerçam uma ação direta sobre os produtos em fabricação (açúcar e álcool), não geram direito ao crédito presumido de que trata Lei n° 9.363/96.
Os produtos químicos utilizados em laboratório para análises químicas e físicas feitas no produto acabado não se enquadram no conceito de matéria-prima ou de produto intermediário para fins de crédito presumido do IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA SEM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
Somente é considerada como venda com o fim específico de exportação passível de compor a receita de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N. 9.363/96. PRODUTOS NT. RESSARCIMENTO. INCABÍVEL.
Para a fruição do benefício do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 deve a empresa satisfazer cumulativamente a duas condições - ser produtora e ser exportadora.
Em conformidade com a determinação da própria Lei nº 9.363/96, o conceito de "produção" deve ser buscado na legislação do IPI, de forma que "empresa produtora" é aquela que possui ao menos um "estabelecimento produtor", assim considerado "todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto [IPI]".
Assim, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI a exportação de produtos com notação "NT" (Não Tributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), eis que estão excluídos do campo de incidência do IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS NT. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PORTARIA MF 38/97.
No cálculo do crédito presumido de IPI de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos com notação NT incluem-se na composição da Receita Operacional Bruta utilizada para o cálculo do coeficiente de exportação.
CRÉDITO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DATA DE EMBARQUE.
Para efeito do cálculo do percentual do crédito presumido correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (coeficiente de exportação), o valor das exportações a ser considerado deve ser determinado pela conversão de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior.
Recurso Voluntário provido em parte
Direito Creditório reconhecido em parte
Numero da decisão: 3402-004.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas/ajustes relativos às aquisições de matéria-prima de pessoas físicas e à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, considerando-se as receitas das exportações ao câmbio vigente na data dos respectivos embarques; e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do valor dos insumos utilizados na fabricação de produtos não tributados (NT) na TIPI. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que irá apresentar declaração de voto acerca desse item.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIAPRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE. No âmbito da Lei nº 9.363/96 é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência de recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG) aplicado ao caso nos termos do Regimento Interno do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. INSUMOS DO VAPOR E DA ÁGUA. PRODUTOS UTILIZADOS EM LABORATÓRIO NO PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, os conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização, bem como que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que tratava o artigo 543C do CPC/73, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 11 21 /2 00 6- 63 Fl. 2376DF CARF MF 2 acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno. Os insumos que sofrem alterações em função de ações exercidas diretamente na água (ETA) na caldeira, mas que não exerçam uma ação direta sobre os produtos em fabricação (açúcar e álcool), não geram direito ao crédito presumido de que trata Lei n° 9.363/96. Os produtos químicos utilizados em laboratório para análises químicas e físicas feitas no produto acabado não se enquadram no conceito de matéria prima ou de produto intermediário para fins de crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA SEM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente é considerada como venda com o fim específico de exportação passível de compor a receita de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N. 9.363/96. PRODUTOS NT. RESSARCIMENTO. INCABÍVEL. Para a fruição do benefício do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 deve a empresa satisfazer cumulativamente a duas condições ser produtora e ser exportadora. Em conformidade com a determinação da própria Lei nº 9.363/96, o conceito de "produção" deve ser buscado na legislação do IPI, de forma que "empresa produtora" é aquela que possui ao menos um "estabelecimento produtor", assim considerado "todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto [IPI]". Assim, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI a exportação de produtos com notação "NT" (Não Tributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), eis que estão excluídos do campo de incidência do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS NT. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. PORTARIA MF 38/97. No cálculo do crédito presumido de IPI de que tratam a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97, as receitas de exportação de produtos com notação NT incluemse na composição da Receita Operacional Bruta utilizada para o cálculo do coeficiente de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DATA DE EMBARQUE. Para efeito do cálculo do percentual do crédito presumido correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (coeficiente de exportação), o valor das exportações a ser considerado deve ser determinado pela conversão de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. Recurso Voluntário provido em parte Direito Creditório reconhecido em parte Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.377 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas/ajustes relativos às aquisições de matériaprima de pessoas físicas e à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, considerandose as receitas das exportações ao câmbio vigente na data dos respectivos embarques; e, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do valor dos insumos utilizados na fabricação de produtos não tributados (NT) na TIPI. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que irá apresentar declaração de voto acerca desse item. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO CARACTERIZADOS COMO MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM. Somente as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. Fl. 2378DF CARF MF 4 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS UTILIZADOS EM PRODUTOS EM ELABORAÇÃO E ACABADOS MAS NÃO VENDIDOS. EXCLUSÃO NO ÚLTIMO TRIMESTRE DO ANO E INCLUSÃO NO PRIMEIRO TRIMESTRE DO ANO SEGUINTE. Deve ser excluído da base de cálculo do benefício, no último trimestre de um ano, o custo dos insumos empregados em produtos em elaboração e acabados mas não vendidos, e incluído no primeiro trimestre do ano subseqüente. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS NT. A receita de vendas de produtos não tributados, ou seja, fora do campo de incidência do imposto, é insuscetível de cômputo na apuração da receita de exportação, ainda que o produto resulte de industrialização. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDA SEM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente é considerada como venda com o fim específico de exportação, e, portanto, passível de composição da receita de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. A habilitação ao crédito presumido pressupõe o emprego de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem na industrialização (produção) na própria empresa; a venda para o exterior de produtos adquiridos de terceiros não compõe a receita de exportação. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ENQUADRAMENTO. ATIVIDADE DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. A atividade de definição de classificação fiscal é de jaez tributário, não técnico; vale dizer, consiste na aplicação da norma tributária ao fato. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. No caso de compensação indevida de débitos, a cobrança de acréscimos moratórios tem base legal. (...) Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre o PER/DCOMP nº 37601.55276.271103.1.5.017554, cujo direito creditório é decorrente de crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº 9.363/96 e na Portaria MF nº 38/97, no montante de R$1.881.875,26, relativo ao 4º trimestrecalendário de 2001. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o pedido no valor de R$331.892,69, em face das seguintes glosas/exclusões/ajustes: 1) Canadeaçúcar adquirida de pessoas físicas e transferida de filiais; 2) Aquisições de insumos não caracterizados como matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem; 3) Exportações de produto não tributado: álcool etílico hidratado para fins carburantes, código 2207.10.00 Ex 01 da Tabela de Incidência do IPI; Fl. 2379DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.378 5 4) Exportações indiretas realizadas por meio de empresa comercial exportadora sem o fim específico de exportação: vendas paras a empresa Jardest S/A Açúcar e Álcool, CNPJ 50.735.281/000107. No corpo da nota fiscal e no CFOP constam os dizeres “Futura Exportação”, tendo sido os produtos remetidos para o endereço da empresa: Via Anhanguera, km 340, Jardinópolis/SP), e Indústria de Produtos Alimentícios Cory Ltda., CNPJ 51.665.073/000133, conforme cópias de notas fiscais de fls. 155 e 156; 5) Exportações de produtos adquiridos de terceiros, conforme cópia de balancete analítico (fl. 165). Houve o ajuste do valor da receita de exportação e da receita operacional bruta, com a admissão somente dos montantes consignados nas notas fiscais de saída emitidas dentro do ano de 2001, mesmo que não efetuados os respectivos embarques, nos termos do demonstrativo das fls. 139/145. Foi também ajustado o valor do estoque de insumos existentes em produtos em elaboração e em produtos não vendidos: inclusão no início de 2001 dos valores excluídos ao final de 2000 e correção dos valores excluídos pela requerente ao cabo de 2001 em virtude da metodologia equivocada utilizada por esta (planilhas de fls. 88 e 89), conforme os demonstrativos insertos na informação fiscal (fl. 172). A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: a) houve cerceamento do direito de defesa em virtude do prazo exíguo para impugnação do indeferimento parcial do pleito (menos de 30 dias), pois fora intimada em 27/07/2006, mas somente obteve vista dos autos em 14/08/2006; a nulidade do processo deve ser reconhecida, devendo ser reaberto o prazo de trinta dias para a defesa; b) não pode ser utilizada a amostragem para a aferição dos créditos, por afronta à Constituição Federal, art. 5º, LIV; a verificação dos livros e documentos fiscais pela autoridade fiscal foi insuficiente; c) há vício de motivação na informação fiscal, porque não há respaldo técnico para a desconsideração de insumos porque não agem diretamente sobre o produto; d) a metodologia utilizada pela autoridade fiscal para a avaliação do estoque no final do ano de insumos utilizados em produtos em elaboração e em produtos acabados mas não vendidos é arbitrária e sem fundamento normativo, sendo em bases anuais e não mensais como deve ser; o critério adotado pela requerente corresponde ao disposto na Portaria MF nº 38/97, art. 3º, § 7º; e) quanto às aquisições de pessoas físicas, a legislação não traz nenhuma restrição e atos normativos não podem exorbitar da competência regulamentar; tratase de ilegalidade confirmada por precedentes administrativos e judiciais; Fl. 2380DF CARF MF 6 f) houve, por erro da autoridade fiscal, a falta de inclusão de aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas nos meses de outubro e novembro de 2001; g) não existe restrição na legislação quanto ao conceito de insumo utilizado no processo produtivo: a exclusão de aquisições de insumos sem utilização direta na produção não tem amparo legal; h) as operações de exportação de produtos não sofrem incidência de IPI e portanto não há fato gerador, sendo o momento do embarque dos bens o critério correto para a determinação da receita de exportação; i) o crédito presumido está vinculado à tributação do Pis e da Cofins e não à tributação do IPI, sendo indiferente se o produto exportado for não tributado (NT); além disso, os auditores fiscais não têm “o conhecimento técnico ou competência funcional para efetuar a classificação fiscal de produtos”, sendo nula de pleno direito a reclassificação fiscal efetuada pela autoridade fiscal, sem processo administrativo regular, quanto ao álcool hidratado: de 22.07.10.00, com alíquota zero, para 22.07.10.00 Ex 01, com a notação NT; mantida a exclusão, que haja também exclusão na receita operacional bruta j) quanto às exportações indiretas, uma das notas fiscais foi cancelada (fl. 155), fato ignorado pela autoridade fiscal, e a outra nota fiscal (fl. 156), uma “notamãe”, se refere a venda para entrega futura (exportação futura), sendo que as notas fiscais de simples remessa (“notasfilhas”) denotam que a mercadoria foi destinada a entreposto aduaneiro para exportação, por conta e ordem da empresa Jardest, o que caracteriza o fim específico de exportação previsto na norma; k) não houve exportação de produtos adquiridos de terceiros, mas sim de produtos de produção própria e a interessada requer a realização de prova pericial contábil para esclarecimento desse tópico; l) mesmo que não seja revertidas as exclusões, é indevida a exigência de multa, juros e correção pela Selic. Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para que seja reformada a decisão e deferido o crédito presumido, com o protesto por prova do alegado por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova oral, documental e pericial, sendo quanto à ultima indicado o perito e formulados os quesitos; e que as intimações sejam feitas em nome dos patronos da requerente. O julgador não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: As pessoas físicas não são contribuintes de PIS e de Cofins, espécies tributárias cujas bases de cálculo consistem na receita bruta, de qualquer natureza, auferida pelas pessoas jurídicas, e, por conseguinte, as compras de insumos de produtores rurais não podem ser utilizadas para efeito de determinação da base de cálculo do estímulo fiscal em causa. Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.379 7 Foram corretas as glosas dos itens que não exercem ação direta sobre os produtos, mas têm apenas contato indireto: há alterações por conta somente de contato direto com a água (estação de tratamento de água – ETA) e no âmbito da caldeira. Também há substâncias e artefatos para uso em laboratório de análises, sem relação nenhuma com a produção propriamente dita. O Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, elucida a correta exegese do inciso I do art. 66 do RIPI/79, que correspondia aos artigos 82, I do RIPI/82; 147, I do RIPI/98 e 164, I do RIPI/2002. A metodologia adotada pela requerente no levantamento do montante a ser excluído no final de 2001 é errônea, pois somente o próprio crédito presumido é calculado mensalmente de forma acumulada, sendo deduzidos do total acumulado em cada trimestre os montantes referentes a pedidos de trimestres anteriores. Para a exclusão no final do ano, há que ser feita uma espécie de retrato instantâneo no último dia do ano das MP, PI e ME empregados em produtos em elaboração e em produtos acabados, mas não vendidos. Foi o que fez a autoridade fiscal ao estabelecer um percentual de produtos acabados produzidos em estoque no final do ano, aplicável ao total de insumos admitidos e adquiridos durante o ano, conforme a seguinte divisão: [(Estoque Final de Produtos no Ano – Estoque Inicial de Produtos no Ano)/Produção no ano]. A diferença do preço existente entre a data de saída do produto e a data do embarque constitui variação cambial, ou seja, uma receita de índole financeira que não integra a receita de exportação. Tal diferença também não compõe a receita operacional bruta que abrange somente a venda de bens e serviços. Nesse sentido dispõe a Portaria MF nº 38, de 1997, art. 3º, § 15. Os produtos discriminados em códigos da TIPI aos quais correspondam a notação NT não estão incluídos no campo de incidência do IPI, nada importando que tais produtos possam ser considerados, para outros efeitos não relacionados com o IPI, como produtos industrializados. Somente os contribuintes do IPI têm direito ao crédito presumido a que se refere a Lei nº 9.363, de 1996. No caso concreto, na Tabela de Incidência do IPI, o código 2207.10.00 Ex 01 faz referência específica no texto respectivo a álcool para fins carburantes e que corresponde à notação NT. Não há margem a dúvidas, mesmo porque, pelas Regras Gerais Para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), a classificação das mercadorias, para os efeitos legais, é determinada, em primeiro lugar, pelos textos das posições (Regra Geral nº 1). Na apuração da base de cálculo do crédito presumido de IPI não podem ser incluídas aquisições para revenda, pois, para a hipótese, inexiste o emprego de insumos na industrialização (produção) na própria empresa que dê azo à habilitação ao benefício fiscal, exclusiva de produtoresexportadores, à luz da legislação de regência, conforme expendido exaustivamente no item precedente. A perícia contábil solicitada pela requerente é dispensável. À luz da Portaria MF nº 38, de 1997, art. 3º, § 15, III, é reputada como venda com o fim específico de exportação a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. A nota fiscal nº 115.425 (fl. 155) emitida para a empresa Cory referese a venda sem fim específico de exportação, além do que, há a aposição de carimbo com os dizeres “CANCELADO” na cópia da nota fiscal apresentada e a requerente não trouxe aos autos a comprovação de que a nota fiscal de venda não consta do livro Registro de Saídas e, por conseguinte, do Livro Registro de Apuração do IPI. Quanto à nota fiscal nº 116.266 (fl. 156) emitida para a empresa Jardest, alegadamente para exportação futura, a interessada não carreou aos autos cópias das supostas notas fiscais de simples remessa vinculadas à nota fiscal para simples faturamento. Cientificada dessa decisão em 13/12/2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/01/2013, mediante o qual repisou as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentou outras, sob os seguintes tópicos: II Razões de nulidade do V. Acórdão Fl. 2382DF CARF MF 8 Cerceamento do direito de defesa Análise por amostragem Indeferimento da prova documental pericial III Razões de reforma do V. Acórdão Insumos adquiridos de pessoas físicas Créditos de pessoas jurídicas que não foram computados Insumos que são caracterizados como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem Produtos em elaboração e acabados, mas ainda não vendidos Receita operacional bruta e receita bruta de exportação Receitas de Exportação de produto classificado como "Não tributado" (NT) na TIPI Exportações indiretas realizadas por meio de empresas comerciais exportadoras Exportação de produtos supostamente adquiridos de terceiros Inexigibilidade de multas e dos juros de mora constantes das cartas cobrança É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Alegou a recorrente na impugnação que teria havido cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que teve seu prazo para impugnar reduzido em face de ter obtido vista dos autos somente em 14/08/2006, o que não foi acatado pelo julgador a quo, nestes termos: (...) A requerente teve ciência da intimação em 27/07/2006, conforme cópia de comprovante de recebimento (AR) nos autos. Desde tal data, em vez de 14/08/2006, poderia ter exercido o direito à vista processual. Não há prova nos autos de que o órgão preparador tenha oferecido obstáculos à consulta processual. O trintídio legal foi devidamente estipulado na intimação recebida pela empresa. (...) No recurso voluntário sustenta a recorrente que não haveria como ela produzir a prova de que o órgão preparador tenha oferecido obstáculos à consulta processual, sendo que a única detentora de tal prova seria a autoridade fiscal, além do que a intimação do despacho decisório teria sido feita em nome de outro contribuinte, "Açúcar e Álcool Oswaldo R. de Mendonça Ltda.", sendo que ela sequer detinha a certeza de que tal intimação era válida e referente a este processo. Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.380 9 Conforme consta na fl. 204, a contribuinte solicitou em 09/08/2006 (quarta feira) cópia integral do presente processo e de mais outros 5 processos, as quais foram entregues (fl. 210) em 14/08/2006 (segundafeira), razão pela qual não houve qualquer demora no atendimento (3 dias úteis). Caso a contribuinte tivesse solicitado vistas nos autos na própria repartição, certamente que teria sido imediatamente atendida. A contribuinte parece ter confundindo o pedido de vistas no processo com o pedido de cópias do mesmo. O fato de ter solicitado cópia integral do processo não é impeditivo para que a contribuinte tivesse conhecimento dos autos na própria repartição para preparar sua impugnação. Também não representou cerceamento do direito de defesa o mero equívoco na identificação da empresa na Informação Fiscal (fl. 170), na qual constou o seu CNPJ correto, e que foi acompanhada de despachos decisórios, comunicações e carta cobrança com a denominação correta da recorrente, mormente quando se referia a processo em nome da recorrente e continha dados específicos acerca de seu pleito de ressarcimento/compensação e de seus documentos fiscais. Relativamente à análise pela fiscalização dos documentos fiscais por amostragem, melhor sorte não assiste à recorrente, não havendo que se falar em ofensa aos arts. 142 e 148 do CTN, eis que não se trata de lançamento, nem tampouco de arbitramento da base de cálculo de imposto. Por certo, não é viável que a fiscalização descreva nos autos, caso a caso, a análise de todos os documentos fiscais da contribuinte, bastando que o faça detalhadamente para algumas delas de forma a especificar o modus operandi da contribuinte em relação ao universo das operações, sem prejuízo, obviamente, da possibilidade de contraposição da manifestante/recorrente no sentido de que alguns dos documentos fiscais eventualmente não se enquadrariam na situação retratada pela fiscalização. Também não incorreu em qualquer nulidade a decisão recorrida ao indeferir, motivadamente, nos termos dos arts. 18 e 28 do Decreto nº 70.235/72, o requerimento de produção de prova documental e pericial da então manifestante, vez que tal providência era, na convicção do julgador a quo, desnecessária para o deslinde da controvérsia, além de estar preclusa a produção de prova após a apresentação da defesa em conformidade com o art. 16 do mesmo Decreto. Acrescentase ainda que diligências e perícias não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela manifestante. Como se sabe, incumbe à manifestante, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo do despacho decisório que glosou o direito creditório pleiteado. Assim, rejeitase as preliminares suscitadas pela recorrente e passase à análise de mérito. Insumos adquiridos de pessoas físicas Quanto à possibilidade de se incluir as aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96, é consabido que o tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ, que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: Fl. 2384DF CARF MF 10 A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. O REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que é, portanto, vinculante nos julgamentos deste Conselho Administrativo por força do seu Regimento Interno, tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. (...) 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.381 11 (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Dessa forma devem ser revertidas as glosas relativas à "matériaprima (cana de açúcar) adquirida de pessoas físicas", reconhecendose o direito creditório correspondente. Créditos de pessoas jurídicas que não foram computados Sobre tal questão, a DRJ rechaçou o argumento da então impugnante no sentido de que deveriam ser inseridos no cálculo dos créditos presumidos de IPI os valores referentes à aquisição de canadeaçúcar de pessoas jurídicas em outubro e novembro de 2001, nos seguintes termos: (...) De todas as aquisições de cana de açúcar, somente foram excluídas da base de cálculo do benefício fiscal em tela as aquisições de cana de açúcar de pessoas físicas. A menção na informação fiscal à admissibilidade de compras do produto hortícola de pessoas jurídicas é apenas informativa. Tem esse caráter também o demonstrativo de aquisições de pessoas jurídicas de fls. 90/95, ainda que incompleto (sem os meses de outubro e novembro de 2001). Já integrantes da base de cálculo apurada originalmente pela requerente, as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas não haviam sido incluídas pela autoridade fiscal; e, pelo mesmo raciocínio, não houvera a falta de inclusão das notas fiscais cujas cópias foram carreadas pela manifestante às fls. 1.296/1.395. A inclusão do montante indicado pela interessada na manifestação de inconformidade (R$7.531.322,77) implicaria a duplicidade de valores concernentes aos meses de outubro e novembro de 2001 na apuração do estímulo fiscal. Fl. 2386DF CARF MF 12 Na planilha de apuração do crédito presumido elaborada pela autoridade fiscal (fl. 169), com os ajustes necessários, não há referência expressa à inclusão de compras de cana de açúcar de pessoas jurídicas. (...) No recurso voluntário aduz a recorrente meramente que: "Conforme já mencionado, o v. acórdão recorrido deixou de incluir no cômputo do crédito presumido de IPI as aquisições de canadeaçúcar de pessoas jurídicas nos meses de outubro e novembro de 2001 (fls. 171), medida de direito que se impõe, conforme reconheceu o próprio aresto vergastado, mas que não foram computados por um erro, que deve ser retificado, inclusive com a produção da prova pericial já requerida e que será realizada com a anulação do v. acórdão recorrido". Conforme consta expressamente na Informação Fiscal na fl. 174 (fl. 171 na numeração original), não foram glosados os créditos pleiteados relativos às aquisições de cana deaçúcar de pessoas jurídicas: Incumbe à decisão de primeira instância analisar a insurgência da contribuinte em face do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de ressarcimento e/ou não homologou as compensações declaradas. Ora, se não houve glosas relativas às aquisições pessoas jurídicas, é óbvio que não há, no despacho decisório, qualquer parcela pertinente de crédito presumido no indeferimento parcial do ressarcimento e/ou compensações não homologadas que pudesse ser objeto de reforma pela DRJ ou por este CARF. Assim, rejeitase, por desnecessário, o pedido da recorrente de produção de prova pericial, bem como de inclusão dos valores das aquisições de pessoas jurídicas no cálculo do crédito presumido de IPI em outubro e novembro de 2001. Insumos que são caracterizados como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem Conforme definido no artigo 3° da Lei nº 9.363/96, abaixo transcrito, os conceitos de MP, PI e ME aplicáveis na apuração do crédito presumido previsto nessa Lei nº 9.363/96 são os mesmos daqueles definidos na legislação do IPI: Lei 9.363/96: Art.3oPara os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Fl. 2387DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.382 13 Parágrafo único.Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. [grifei] Com efeito, o art. 147, I do RIPI/981, vigente à época dos fatos geradores, dispõe que os estabelecimentos industriais e os equiparados podem creditarse do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Também os Pareceres Normativos CST nº 65/79 e nº 181/74, que são atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, nos termos do art. 100, I do CTN, auxiliam na determinação do sentido e alcance das normas legais e do regulamento acerca de quais insumos ensejam aproveitamento de créditos do IPI. Não obstante a técnica da não cumulatividade do IPI tenha amparo no art. 153, §3° da Constituição Federal, esse dispositivo, por si só, não assegura o direito ao crédito do IPI sobre os produtos adquiridos, havendo a necessidade de lei, regulamento e normas complementares (art. 100 do CTN) que tragam as condições e as formas para que esse crédito possa ser aproveitado pelo contribuinte. Assim, em consonância à lei, ao regulamento do IPI e aos atos normativos acima mencionados, o aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, assim considerado como o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização, bem como que não estejam compreendidos no ativo permanente da empresa. Nesse mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este colegiado consoante regra contida no art. 62, §2° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O RECURSO ESPECIAL Nº 1.075.508 SC (2008/01532905), representativo de controvérsias, traz a seguinte ementa: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto 1 Dispõem no mesmo sentido os arts. 66, I do RIPI/79; 82, I do RIPI/82; e 164, I do RIPI/2002. Fl. 2388DF CARF MF 14 Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; (...) 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nesta esteira, em julgamento anterior deste Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3302002.475, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta 3ª Seção de Julgamento, cuja ementa segue abaixo, foi adotado o entendimento do referido Recurso Especial: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. O cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado No caso, a fiscalização glosou o crédito relativos aos insumos relacionados no demonstrativo "RELAÇÃO DOS INSUMOS NÃO ADMITIDOS PELA LEGISLAÇÃO DO IPI" (fls. 120/121 ou fls. 117/118 na numeração original), sob a seguinte motivação: "os insumos relacionados no demonstrativo de fls. 117/118, sofrem alterações em função de ações exercidas diretamente na água (ETA), na caldeira ou são utilizados em laboratórios de análises. Ou seja, embora estes insumos tenham sido consumidos no processo de industrialização do açúcar e do álcool, NÃO há uma ação direta sobre os produtos em fabricação, mas, apenas um contato Fl. 2389DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.383 15 indireto, por intermédio da água e da caldeira, no processo industrial, inexistindo, portanto o direito ao crédito presumido de que trata Lei nº 9.363/96". Como se vê, o entendimento da fiscalização está em consonância com o conceito de insumo para fins de creditamento do IPI exposto acima neste Voto. No Parecer Técnico juntado pela contribuinte nas fls. 1347/1407, sustenta o Engenheiro Químico que: (...) Neste particular, encontramse nos processos de fabricação do álcool e açúcar: As águas condensadas advindas da condensação de vapor de quaisquer naturezas e as águas empregadas para diluição de produtos intermediários de processo, diluição / preparo de produtos químicos dosados no processo produtivo, lavagem e preparo de matéria para fins de assepsia e adequação ao uso. O que prevalece na situação acima exposta, é a "adequação ao uso pretendido", para que o efeito desejável da utilização do insumo, seja alcançado. Desta forma a utilização de águas condensadas, somente poderá ser empregada, como insumo na fabricação de açúcar e álcool, se a mesma, for advinda da condensação de vapor que foi tratado por agente neutralizante ou inibidor de corrosão e ou que tenha sido gerado por água tratada por agentes químicos, que incorporados na mesma, dão a produção do vapor, o seu uso pretendido. (...) Dessa forma, embora a utilização dos produtos glosados na condensação do vapor ou na água seja essencial para a atividade produtiva de açúcar e álcool como um todo, na medida que deixam o vapor e água condensada nas características desejadas, não se poderia dizer que tais produtos (utilizados para tratamento da água/vapor) teriam uma ação direta sobre o açúcar e álcool em fabricação. Também não se cogita de incluir no conceito de insumo para fins de creditamento do IPI os produtos utilizados em laboratório de análises para atestar a qualidade e as propriedades fitossanitárias dos produtos para serem aptos à comercialização, conforme pretende a recorrente, eis que são aplicados no produto acabado (açúcar e álcool). Produtos em elaboração e acabados, mas ainda não vendidos Alega a recorrente que o critério adotado por ela estaria de acordo como o §7º do art. 3º da Portaria MF nº 38/97, abaixo transcrito, o qual prevê a apuração da quantidade de insumos utilizados em seu processo produtivo será feita mês a mês, e não em bases anuais, como pretende fazer crer a autoridade fiscal: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 3º No último trimestre em que houver efetuado exportação, ou no último trimestre de cada ano, deverá ser excluído da base de Fl. 2390DF CARF MF 16 cálculo do crédito presumido o valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. [negritei] § 4º O valor de que trata o parágrafo anterior, excluído no final de um ano, será acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre em que houver exportação para o exterior. § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. § 6º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá manter sistema de controle permanente de estoques, no qual a avaliação dos bens será efetuada pelo método da média ponderada móvel ou pelo método denominado PEPS, no qual se considera que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque. § 7º No caso de pessoa jurídica que não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será apurada somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências. § 8º Na hipótese do parágrafo anterior, a avaliação das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção, durante o mês, será efetuada pelo método PEPS. (...) No caso, a fiscalização entendeu que não era correta a metodologia adotada pela contribuinte para se apurar o montante a ser excluído, relativamente ao valor dos insumos utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos, razão pela qual apurou tal montante segundo o seguinte critério: (...) De acordo com o demonstrativo denominado: "Estoque de produtos acabados em reais" fls. 86, é possível de se determinar qual o valor do açúcar e do álcool produzido na safra, bem como o saldo destes produtos em 31 de dezembro de 2001. Desta forma, será apurado o percentual de produtos produzidos na safra, mas que se encontravam em estoque no final do ano, mediante a divisão do saldo dos produtos em 31/12, pelo valor produzido na safra. Este coeficiente será aplicado ao valor total dos insumos utilizados na produção, e desta forma será obtido o valor dos insumos utilizados na produção de produtos acabados e não vendidos: (...) Fl. 2391DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.384 17 No entanto, não se trata de apuração de insumos como bases anuais, como crê a recorrente, mas somente uma forma de cálculo do valor dos insumos utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos, que deve ser excluído da base de cálculo do crédito presumido somente no último trimestre do ano em que realizada exportação, utilizandose do valor do Estoque final de produtos acabados. Como bem esclareceu a decisão recorrida, o critério adotado pela contribuinte não reflete o valor do montante a ser excluído da base de cálculo do crédito presumido: (...) Por outro lado, com certeza, a metodologia adotada pela requerente no levantamento do montante a ser excluído é errônea, pois somente o próprio crédito presumido é calculado mensalmente de forma acumulada, sendo deduzidos do total acumulado em cada trimestre os montantes referentes a pedidos de trimestres anteriores. Para a exclusão no final do ano, há que ser feita uma espécie de retrato instantâneo no último dia do ano das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados em produtos em elaboração e em produtos acabados, mas não vendidos. Foi o que fez a autoridade fiscal ao estabelecer um percentual de produtos acabados produzidos em estoque no final do ano, aplicável ao total de insumos admitidos e adquiridos durante o ano, conforme a seguinte divisão: [(Estoque Final de Produtos no Ano – Estoque Inicial de Produtos no Ano)/Produção no ano]. Os arts. 7º e 8º da Portaria MF nº 38, de 1997, dispõem apenas sobre o método de apuração de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na produção mensalmente. Não há referência ao cálculo percentual do estoque final de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos em elaboração e em produtos acabados, mas não vendidos. As planilhas de fls. 88 e 89 elaboradas pela requerente, com percentuais mensais, não são adequadas. (...) Receita operacional bruta e receita bruta de exportação A fiscalização e a decisão recorrida divergem do valor adotado pela recorrente a título de receita de exportação, pois considera que essa deve ser mensurada no momento de saída da mercadoria do estabelecimento do produtorexportador, enquanto a recorrente reconheceu as receitas de exportação na data de embarque do produto. Sobre a receita de exportação e a receita operacional bruta assim dispõe a Lei nº 9.363/96: Art.2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) Fl. 2392DF CARF MF 18 Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Art.6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Como se vê acima, a Lei nº 9.363/96 determinou a utilização subsidiária da legislação do Imposto de Renda para se determinar o conceito de "receita operacional bruta" e deixou a "definição de receita de exportação" a cargo do Ministro da Fazenda. Não prospera a interpretação adotada pela fiscalização no sentido de que, para o conceito de "receita operacional bruta" deverseia utilizar a legislação do IPI, eis que o parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363/96 faz uso do termo "respectivamente" e "e de" para separar os conceitos para os quais se deve usar a legislação do IR daqueles que seguem a legislação do IPI, de forma que: legislação do IR > conceito de "receita operacional bruta" e legislação do IPI > conceito de "produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem" (IPI). Esse entendimento se confirma pelo disposto expressamente no §16 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97, nestes termos: "§Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI". O art. 3º da Portaria MF nº 38/97, no seu §15, traz a seguinte delimitação para "receita operacional bruta" e para "receita bruta de exportação": Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; (...) Fl. 2393DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.385 19 De outra parte, a Portaria MF nº 356/88 (DOU de 07/12/1988) já havia definido no âmbito do Imposto sobre a Renda, o "critério de conversão de moeda estrangeira para efeito de registro da receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais", tendo em vista a isenção de IRPJ de que tratavam os arts. 290 e 293 do RIR/80, na seguinte forma: I A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. II As diferenças decorrentes de alteração na taxa de câmbio, ocorridas entre a data do fechamento do contrato de câmbio e a data do embarque, serão consideradas como variações monetárias passivas ou ativas. (...) Inclusive, no Acórdão nº 1401001.552– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 1º de março de 2016, no âmbito de IRPJ (omissão de receitas) decidiuse no sentido de que a Portaria MF nº 356/88 apenas ratifica o entendimento vigente de que a receita de produtos manufaturados deve ser reconhecida no momento do embarque, conforme Voto Condutor do Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, abaixo transcrito: (...) Em sua peça recursal, a contribuinte insistiu na tese de que a divergência apontada pela fiscalização decorre da aplicação da Portaria MF nº 356/88, por parte da contribuinte. Segundo a recorrente, as notas fiscais efetivamente devem ser emitidas em função do fato gerador do IPI ou do ICMS (saída do estabelecimento). No entanto, por força da aludida Portaria MF nº 356/88, a receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais deve ser determinada pela conversão, em moeda nacional, pela taxa de câmbio vigente na data de embarque dos produtos para o exterior (data averbada na Guia de Exportação ou documento equivalente). (...) Analisando a matéria, considero que a razão situase ao lado da contribuinte, ora recorrente. Sobre o tema, devese levar em conta o disposto no art. 22 da IN SRF nº 243/2002, verbis: IN SRF 243/2002 Art. 22. A receita de vendas de exportação de bens, serviços e direitos será determinada pela conversão em reais à taxa de câmbio de compra, fixada no boletim de abertura do Banco Central do Brasil, em vigor na data: I de embarque, no caso de bens; II da efetiva prestação do serviço ou transferência do direito. Deve ter em conta que a Portaria 356/88, invocada pela decisão de piso, apenas regulamenta os artigos 290 e 293 do RIR/80, que Fl. 2394DF CARF MF 20 trata de isenção do IRPJ sobre o lucro na exportação de manufaturados. A citada Portaria ratifica (não inova, até porque a portaria não teria esse poder) o entendimento de que a receita de produtos manufaturados deve ser reconhecida no momento do embarque. Essa era a sua única finalidade, expressamente posta. Assim, não faria sentido se referir às exportações em geral. Assim sendo, temos que para fins de utilização da taxa de câmbio do dia do embarque, revelase irrelevante a natureza dos bens exportados (industrializados ou não). Pelas razões expostas, considero que em relação ao presente tema o recurso voluntário merece ser provido. (...) Assim, diante da ausência de outra regulamentação específica sobre a matéria, deve ser acatado o entendimento veiculado pela Portaria nº 356/88 para, no cálculo do crédito presumido do IPI, "a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador" sejam mensuradas em relação às exportações na data de embarque dos produtos. Nessa linha já foi decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9303004.709– 3ª Turma, de 21 de março de 2017, sob o Voto do Conselheiro Relator Júlio César Alves Ramos, nestes termos: (...) O ato regulamentar que embasou o raciocínio da dra. Angela, embora explicitamente direcionado ao IRPJ e à CSLL, nada mais fez, a meu sentir, do que aplicar os princípios contábeis geralmente aceitos à sempre controvertida questão do reconhecimento da receita obtida com a venda de produtos para o exterior. E vale desde logo repetir que o seu desiderato é definir: critério de conversão de moeda estrangeira para efeito de registro da receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais Ele não se limita, pois, a definir, simplesmente, "receita de exportação", mas a apurar a receita de vendas decorrente de uma exportação. Como é de conhecimento geral, os princípios contábeis sempre preconizaram, entre outras coisas, que a) a contabilidade deve ser elaborada em moeda nacional, b) a receita deve ser reconhecida quando todos os custos e despesas a ela necessários já possam ser confiavelmente reconhecidos e c) já tenham sido transferidos ao comprador os riscos mais relevantes relacionados a sua propriedade. É o que, em suma, preceitua hoje o CPC 30, no que, entretanto, apenas repete diversos normativos anteriores. Ora, quando se trate de uma venda no mercado interno, a aplicação desses critérios não traz, regra geral, maiores dúvidas, que ficam restritas, quase sempre, às exceções relacionadas a antecipações de pagamento ou postergações de entrega. Em se tratando, porém, de uma venda contratada em moeda estrangeira, e dada a oscilação do valor da moeda nacional em relação a ela, crucial estabelecerse quando a primeira deve ser convertida na segunda. Foi o que fez, e bem, o ato expedido pelo Ministro da Fazenda. Com efeito, os critérios acima mencionados somente se perfazem, como regra geral, quando a mercadoria é efetivamente embarcada para o exterior. Realmente, é somente Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.386 21 aí que os riscos mencionados são afinal transferidos e é também somente aí que o valor contratado (ao menos nos contratos gravados com a cláusula FOB) é, por inteiro e indubitavelmente, de direito do vendedor. Como sempre, há exceções, mas que não afetam significativamente o raciocínio adotado na Portaria ministerial. É que nas exportações com cláusula CIF o segundo requisito só se aprimora mesmo em momento ainda posterior a chegada da mercadoria no porto indicado no contrato. Nunca, porém, ao que saiba eu, ele ocorre na saída do estabelecimento exportador: isso requereria que o comprador no exterior de algum modo assumisse o risco de buscar a mercadoria aí. Concluo, assim, que o ato ministerial corretamente aplicou os princípios contábeis à hipótese. (...) É que, como já mencionado acima, a parcela aqui discutida integra sim "o produto da venda para o exterior". E isso porque, ao constatála, a exportadora é obrigada a emitir nota fiscal complementar na qual a destaca "como complemento de preço". Repito, não há registro de variação cambial a esse título. A obrigatoriedade dessa emissão, até onde sei, provém das legislações estaduais de ICMS, mas podese perfeitamente entendêla contemplada também na legislação do IPI3, embora seja certo que o dispositivo não foi concebido pensando numa exportação, que nunca foi tributada, stricto sensu, por aquele imposto. (...) Não vejo sentido, pois, concessa venia, no argumento de que a parcela não poderia ser considerada por ser "receita financeira". (...) Receitas de Exportação de produto classificado como "Não tributado" (NT) na TIPI O crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor do PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as aquisições de insumos, é assegurado pela Lei nº 9.363/96, nos seguintes termos: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor Fl. 2396DF CARF MF 22 das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. [negritei] Para entender a amplitude do benefício, importa determinar o conteúdo e alcance do termo "empresa produtora". Deixase de lado a questão da necessidade de a empresa ser também "exportadora", que não é objeto de controvérsia nos presentes autos. O parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363/96 determina que se deve utilizar subsidiariamente a legislação do IPI para o estabelecimento do conceito de "produção", e como a Lei nº 9.363/96 não apresenta qualquer definição ou noção nesse sentido, o intérprete deve se socorrer integralmente das normas do IPI. A utilidade desse conceito está justamente na determinação de quem é o sujeito (pessoa jurídica) responsável pela "produção", qual seja, a "empresa produtora", mesmo porque a Lei nº 9.363/96 não menciona o vocábulo "produção" em qualquer outro dispositivo além do art. 3º, parágrafo único. Com efeito, a Lei nº 4.502/64 traz a definição de "estabelecimento produtor" no seu art. 3º, abaixo transcrito: Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o consêrto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; Il o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; III O preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. (Incluído pelo DecretoLei nº 1.199, de 1971) IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. (Incluído pela Lei nº 9.493, de 1997) [negritei] Dessa forma, para fins da legislação do IPI, o "estabelecimento produtor" deve atender a dois requisitos concomitantemente: industrializar produtos + dar saída a produtos sujeitos ao IPI. Na sequência, conforme mandamento do próprio art. 3º, parágrafo único da Lei nº 4.502/64, o conceito de "industrializar" deve ser entendido como o verbo relativo a "qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.387 23 acabamento ou apresentação do produto", salvo as exceções especificadas, matéria regulamentada nos arts. 3º ao 7º do Regulamento do IPI/2002. Voltando a Lei nº 9.363/96 vemos que o direito ao crédito presumido é assegurado à "empresa" (pessoa jurídica) como um todo, sendo que a sua apuração é esclarecida no seu art. 2º na seguinte forma: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) § 2º No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (...) [negritei] Mais tarde, de forma razoável, no art. 15 da Lei nº 9.779/992 determinouse que a apuração do crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 deveria se dar, obrigatoriamente, de forma centralizada3, seguindo o mesmo procedimento das Contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins que o incentivo pretende ressarcir. Assim, em conformidade estrita com a interpretação determinada na própria Lei nº 9.363/96, "empresa produtora" é aquela que possui ao menos um "estabelecimento produtor", assim considerado "todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto [IPI]". Dessa forma, a Lei nº 9.363/96, embora não tenha determinação expressa nesse sentido, contém dispositivos que conduzem à interpretação precisa de que o direito ao crédito presumido tem como pressuposto que o produto exportado tenha sido industrializado na forma estabelecida pela legislação do IPI, bem como que esse produto esteja dentro do campo de incidência desse imposto. 2 Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996; III a apuração e o pagamento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servido Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; 3 Matéria consolidada no art. 183 Regulamento do IPI/2002: Art. 183. A apuração do crédito presumido do imposto será efetuada, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica (Lei nº 9.363, de 1996, art. 2º, § 2º, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 15, inciso II). Fl. 2398DF CARF MF 24 Conforme determinação expressa do art. 6º da Lei nº 10.451/2002, consolidado no art. 2º do RIPI/98, abaixo transcritos, os produtos com notação "NT" estão excluídos do campo de incidência do IPI: Art. 6º O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). Art. 2º [RIPI/98] O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). Nessa esteira nada há a reformar na decisão recorrida que concluiu acertadamente que a então impugnante não fazia jus ao crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 em relação à aquisição de insumos utilizados em produtos NT, nestes termos: (...) A conclusão de que o produto deve sofrer processo de industrialização pela empresa que o exporta decorre das expressões “empresa produtora e exportadora” e “para utilização no processo produtivo” constante do art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996, assim como do disposto no parágrafo único do seu art. 3°, que determina a utilização da legislação do IPI para definir “produção”. Como determina a Lei n° 9.363, de 1996, o benefício visa ressarcir a incidência do PIS/Pasep e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no “processo produtivo”, entendendose como “processo produtivo” o conjunto de ações das quais resulta a “produção” da empresa exportadora, ou da empresa que vende a mercadoria para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Cabe asseverar, sobretudo, que os produtos discriminados em códigos da TIPI aos quais correspondam a notação NT não estão incluídos no campo de incidência do IPI, nada importando que tais produtos possam ser considerados, para outros efeitos não relacionados com o IPI, como produtos industrializados. (...) Requer também a recorrente neste tópico, em caráter subsidiário, a exclusão das receitas de exportação de produtos NT da receita operacional bruta para fins de cálculo do coeficiente de exportação para a obtenção do valor do crédito presumido de IPI, vez que, do contrário, o denominador do coeficiente (receita operacional bruta) seria Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.388 25 aumentado, diminuindo o percentual a ser aplicado para se determinar o montante do crédito presumido. O pleito da recorrente não prospera. Conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9303005.172, de relatoria do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, em sessão de julgamento de 17 de maio de 2017, para fins de cálculo do coeficiente de exportação para obtenção do valor do crédito presumido, no conceito de receita operacional bruta "estão compreendidas todas as receitas auferidas pelo contribuinte, inclusive as decorrentes da exportação de produtos considerados não industrializados ou NT, que devem portanto compor a Receita Operacional Bruta para fins de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96". O Conselheiro Relator assim fundamentou sua decisão: (...) Entendo que, na vigência da Portaria MF nº 38/97, as receitas decorrentes de exportação de mercadorias nacionais, aí incluídas a exportação de produtos revendidos (não industrializados pelo próprio contribuinte), compõem a Receita de Exportação (RE) e também a Receita Operacional Bruta (ROB). Isto, por disposição da própria Lei nº 9.363/96, que assim dispôs em seu art. 6º, in verbis: Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. Fundamentado em tal dispositivo legal, o Ministério da Fazenda regulamentou o aproveitamento do crédito presumido de IPI na Portaria MF nº 38/97, que assim dispunha a esse respeito: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; Fl. 2400DF CARF MF 26 V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: a) utilizados para compensação com o IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do parágrafo anterior. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. (...) Portanto resta evidente que ao adotar a expressão mercadorias nacionais, a norma abarcou tanto a exportação de produtos industrializados quanto os não industrializados. Da mesma forma, há que se deixar claro que o conceito adotado pela Portaria MF nº 38/97, no inc. I do § 15, é exatamente o previsto no Regulamento do Imposto de Renda, art. 279 do Decreto nº 3.000/99: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Neste conceito estão compreendidas todas as receitas auferidas pelo contribuinte, inclusive as decorrentes da exportação de produtos considerados não industrializados ou NT, que devem portanto compor a Receita Operacional Bruta para fins de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Concluise então que as receitas de exportação de produtos não industrializados pelo próprio contribuinte compõem tanto o numerador (RE) quanto o denominador (ROB). Como foi exatamente este o entendimento consubstanciado no acórdão recorrido, nego provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. (...) Dessa forma, não prospera o pleito da recorrente quanto ao ressarcimento de crédito presumido em relação aos insumos utilizados em produtos NT, nem tampouco o seu pedido subsidiário de ajuste no cálculo do coeficiente de exportação relativamente à exclusão das receitas de exportação de produtos NT da receita operacional bruta, que compõe o denominador desse coeficiente. Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.389 27 Reclama também a recorrente, nesta parte do recurso voluntário, da "reclassificação" que teria efetuado o AuditorFiscal em relação ao álcool etílico hidratado vendido por ela. Ocorre que não houve reclassificação fiscal, mas apenas enquadramento no Ex Tarifário (Ex 01) da Tipi: Ex 01 Para fins carburantes, com as especificações determinadas pelo DNC; que tem a notação NT (Não Tributado) na TIPI. Como se vê, o referido enquadramento é imediato, com a mera leitura do Ex e a verificação das características do produto, e o processo administrativo para discutilo é o presente. No entanto, como a interessada não apresentou na impugnação, nem no recurso voluntário, qualquer elemento de mérito para afastar o enquadramento no EX 01, não há que se falar em falta de motivação da decisão recorrida, a qual deve ser mantida. Exportações indiretas realizadas por meio de empresas comerciais exportadoras A fiscalização entendeu que duas operações não tinham o "fim específico para exportação, excluindoas da base de cálculo do crédito presumido, sob os seguintes fundamentos: (...) O conceito de "com o fim especifico de exportação" foi dado pelo art. 39, § 2° da Lei no 9.532/97, in verbis: "Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados a exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 2° Consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora." (grifamos) Contudo, verificamos nas notas fiscais relacionadas nas fls. 152/153, que a contribuinte vendeu produtos para as empresas JARDEST S/A AÇUCAR E ÁLCOOL, CNPJ 50.735.281/0001 07, e Indústria de Produtos alimentícios Cory Ltda, CNP] 51.665.073/000133, SEM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO, senão vejamos: a) Consta no corpo da nota fiscaL no 116.360, bem como no CFOP, que a venda destinase a "Futura Exportação", e os produtos são remetidos para o endereço da empresa JARDEST (Via Anhanguera, Km 340, Jardinópolis/SP). Ou seja, os produtos não foram remetidos para o embarque ou para recintos alfandegados; b) Com relação a nota fiscal no 115.425 tratase de uma venda no mercado interno, ou seja, sem o fim especifico de exportação. Desta forma, serão excluídos das receitas de exportações, os valores referentes às vendas de produtos sem o fim especifico de exportação: Fl. 2402DF CARF MF 28 (...) Acerca da Nota Fiscal nº 115.425 (fl. 155) emitida para a empresa Cory Ltda, alega a recorrente que ela foi cancelada e não representa operação nenhuma, concluindo que a glosa seria insustentável, já que a recorrente sequer utilizou estes valores no cômputo da base de cálculo de crédito presumido de IPI. Ocorre, no entanto, que a fiscalização excluiu tal operação do cálculo da "receita de exportação apurada pela fiscalização" e não daquela apresentada pela contribuinte, como se observa no quadro transcrito acima. Conforme consta na Informação Fiscal (fl. 181), a fiscalização obteve a receita de exportação com o demonstrativo por ela elaborado das fls. 139/145 (fls. 136/142 na numeração original), onde se verifica que a referida nota fiscal foi mesmo computada no cálculo da fiscalização da receita de exportação, razão pela qual foi correta a exclusão efetuada. Com relação à outra operação, independentemente da questão de não haver a inscrição na nota fiscal acerca do fim específico para exportação, as alegadas operações para exportação futura não atendem aos requisitos do art. 39, §2º da Lei nº 9.532/97. No caso, as mercadorias deveriam sair do estabelecimento industrial da recorrente diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa exportadora/adquirente. Se a contribuinte vendeu as mercadorias para Jardest S/A Açúcar e Alcool, de CNPJ nº 50.735.281/000107, e esta vendeu para outros destinatários, ainda que estes últimos tenham efetuado posteriormente a exportação dos produtos, não está cumprido o requisito de uma venda com "fim específico de exportação" que daria direito ao crédito presumido, eis que a exportação não foi efetuada pela primeira adquirente (Jardest S/A Açúcar e Alcool), não se tratando, portanto, de uma remessa direta da contribuinte para embarque ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa exportadora. Exportação de produtos supostamente adquiridos de terceiros A fiscalização excluiu da base de cálculo de crédito presumido as receitas de exportação relativas a produtos produzidos por terceiros (revendas), sob os seguintes fundamentos: (...) O art.1º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, norma que autoriza o beneficio pleiteado, reza o seguinte referente aos insumos que geram direito ao crédito presumido: "Art. 12 A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.390 29 de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo." Ou seja, somente terá direito ao crédito presumido a empresa produtora e exportadora. A contribuinte no mês de setembro de 2001, conforme balancete analítico de fl. 162, exportou produtos produzidos por terceiros (revendas de produtos — mercado externo), que não sofreram nenhuma operação de industrialização nos estabelecimentos da contribuinte, no valor total de R$1.521.964,00. Portanto, estas receitas de exportações, oriundas de produtos adquiridos de terceiros, serão excluídas das receitas de exportações para se obter a base de cálculo do crédito presumido: (...) A DRJ rejeitou o argumento da impugnante de que teria havido exportação de produtos de produção própria e indeferiu a realização de prova pericial contábil, nestes termos: (...) Na apuração da base de cálculo do crédito presumido de IPI não podem ser incluídas aquisições para revenda, pois, para a hipótese, inexiste o emprego de insumos na industrialização (produção) na própria empresa que dê azo à habilitação ao benefício fiscal, exclusiva de produtoresexportadores, à luz da legislação de regência, conforme expendido exaustivamente no item precedente. A perícia contábil solicitada pela requerente é dispensável, conforme abordado em tópico específico deste voto, pois a cópia do balancete analítico de fl. 165 inclui rubrica especifica de vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros. Não há, portanto, dúvida razoável. (...) No recurso voluntário, não foi apresentado qualquer elemento que colocasse em dúvida o balancete analítico da fl. 155, que aponta, para o mês de setembro/2001, o saldo atual de R$1.521.964,00 para Revendas de Produtos (conta 3.1.01.02) no Mercado Externo (conta 3.1.01.02.0002). Como dito, a perícia não se presta a suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos aos autos. Assim, nada há a reformar na decisão recorrida nesta parte. Inexigibilidade de multas e dos juros de mora constantes das cartas cobrança Requer a recorrente a exclusão da incidência de juros e multa do eventual saldo devedor, ou, em caráter subsidiário, que se determine a aplicação dos juros de mora apenas sobre o valor do principal, não incidindo os juros de mora, por conseguinte, sobre o valor das multas. No entanto, tratando o processo de ressarcimento/compensação, não houve exigência fiscal de multa da recorrente, mas apenas os acréscimos legais sobre os débitos confessados cuja compensação não foi homologada, conforme se vê na Carta Cobrança da fl. 279 que assim alerta a contribuinte: "caso o pagamento seja efetuado após a data de validade Fl. 2404DF CARF MF 30 indicada na guia Darf, o montante de juros deve ser atualizado nos termos do art. 61, parágrafo 3º da Lei nº 9.430/96 (taxa Selic)". De forma que, tratandose dos acréscimos com previsão expressa em lei, inclusive com a sua legitimidade ratificada nas Súmulas CARF abaixo transcritas, não há como acolher o pedido da recorrente: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas aos seguintes itens: i) à matériaprima adquirida de pessoas físicas e ii) relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, considerandose as receitas das exportações ao câmbio vigente na data dos embarques. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.391 31 Declaração de Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Como tive a oportunidade de apontar na sessão de julgamento, não concordei com o raciocínio traçado pela I. Conselheira Relatora especificamente para a manutenção do item 4 do Despacho Decisório ("4 — EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT (NÃO TRIBUTADOS)" efls. 181/183) por considerar correta a inclusão na definição das receitas de exportação dos valores das mercadorias vendidas para o exterior não tributadas (NT) pelo IPI. Inclusive, essa turma já havia externado esse posicionamento, por maioria de votos, no Acórdão 3402.003.840, de 20/02/2017, de minha relatoria. Com efeito, o crédito presumido sob análise foi instituído pela Lei n.º 9.363/1996 com a finalidade de incentivar as exportações, em prol das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, nos seguintes termos: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." (grifei) Ao fazer menção à garantia do crédito sobre mercadorias nacionais, a lei conseguiu englobar todas as mercadorias produzidas, sejam elas tributadas ou não pelo IPI. A condição de incidência sobre as aquisições foi feita, apenas, para o PIS e a COFINS, contribuições de que tratam as Leis Complementares 7 e 8/704. De fato, o crédito presumido é para ressarcimento do valor do PIS e da COFINS devidos pelas empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. A forma de apuração e aproveitamento deste crédito foi relacionado ao IPI, cuja legislação foi adotada de forma subsidiária quanto aos conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nos termos da lei: "Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. 4 Cumpre mencionar que como sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial Repetitivo n.º 993.164/MG (Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010), "sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS". Fl. 2406DF CARF MF 32 § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Art. 4o Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente." Contudo, e ao contrário do que entendeu o Despacho Decisório no presente caso, a lei não faz qualquer exigência de tributação pelo IPI para o gozo do crédito, sendo certo que basta que sejam adquiridos matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem (nos termos da legislação do IPI, sejam eles tributados ou não por este imposto) para a produção de mercadorias nacionais (tributadas ou não pelo IPI). Com efeito, não há qualquer exigência legal no sentido de que o produto exportado pela beneficiária do crédito presumido seja um produto tributado pelo IPI. Esse raciocínio vem sendo traçado, há muito, por este Conselho, como se depreende do julgamento do Conselho Superior exarado em 2003: "IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da Lei nº 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e da COFINS em favor da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Referindose a lei a “mercadorias” foi dado o benefício fiscal ao gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos “produtos industrializados”, que são espécie do gênero “mercadorias”. (...) Recurso ao qual se dá parcial provimento. (...) VOTO DO CONSELHEIRO DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA RELATORDESIGNADO (...) Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI , (Decreto n° 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as "mercadorias" exportadas pela interessada (produtos de origem animal impróprios para o consumo humano, utilizados na preparação de produtos farmacêuticos — fl. 143) sobre os quais houve incidência de PIS e COFINS , são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado "A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI — Hipóteses de Conflito": "(..) Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultadáfinal deste ato — o produto. . Assim não fosse, Fl. 2407DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.392 33 estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: "... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso."8 Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não. (.)." Feitas essas considerações, é possível afirmar que as "mercadorias" exportadas pela interessada são sim "produtos industrializados", mesmo que não tributados Mas, a meu entender, não é essa a questão central que se encontra em debate. E a propósito da discussão central travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o beneficio do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre "produto industrializado não tributado" e "produto industrializado tributado", pois tanto um como outro são "mercadorias" e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei n° 9.363/96. Daí, sim, se autorizado o pleito de ressarcimento para produtores de produtos NTs, como na hipótese dos autos. Aliás, o crédito presumido em análise tem por objetivo o ressarcimento das contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, no caso o PIS e a COFINS, não importando se o produto é ou não tributado pelo IPI na saída final" (CSRF, Processo 13005.000689/9861, Data da Sessão 13/08/2003 Relator Henrique Pinheiro Torres Nº Acórdão 20215016 grifei) Em consonância com o entendimento do voto acima transcrito, entendo que não importa para fins de aferição do crédito presumido da Lei n.º 9.363/1996 a tributação pelo IPI seja na entrada para a produção, seja na saída para exportação. Ainda que existam posições mais recentes da CSRF em sentido contrário ao aqui proposto, entendo que o entendimento pela desnecessidade de tributação pelo IPI para o gozo do crédito presumido, anteriormente veiculado por aquela Câmara Superior, que deveria prevalecer. Vejamos alguns julgados anteriores: "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da Lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Decisão Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento. Fl. 2408DF CARF MF 34 (...) Nesse sentido, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. " (CSRF, Número do Processo 11077.000253/200367 Data da Sessão 30/05/2011 Relatora Nanci Gama Acórdão n.º 9303001.438 grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos e destacados nas notas fiscais por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo. TAXA SELIC. SÚMULA nº 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Relator), Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento parcial quanto à exportação de produtos NT. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama." (CSRF, Processo 11610.021746/200265 Data da Sessão 31/05/2011. Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho Nº Acórdão 9303001.469 grifei) "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise o valor correspondente à exportação de produtos NT. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. ART. 62A do RI do CARF. REPETITIVO DO STJ. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais e Recurso Repetitivo do STJ. Além disso, deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 13855.001121/200663 Acórdão n.º 3402004.986 S3C4T2 Fl. 2.393 35 este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Com efeito, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda revestese em violação aos princípios da razoabilidade e da isonomia. Portanto, aplicase a taxa Selic desde o protocolo do pedido até seu efetivo pagamento ou até a data da consolidação das compensações a ele vinculadas. REP Negado e REC Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, : I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (...) No entanto, no tocante ao mérito, o mesmo, a meu ver, não merece provimento, e para tanto peça vênia para reproduzir as razões do voto do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres, acórdão no. 930301.606, da sessão de 30 de agosto de 2011, que adoto como razão de decidir: No tocante à inclusão no cálculo da receita operacional bruta dos valores correspondentes às vendas para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, para determinação da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, ao meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela inclusão de tais valores tanto no cálculo da receita de exportação quanto no da receita operacional bruta. Explico: a Lei 9.363/1996, ao instituir o benefício, mesclou conceitos próprios do IPI com outros do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica “emprestados” às contribuições, senão vejamos: (...) Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação são conceitos afeitos ao impost o de Renda da Pessoa Jurídica e, por empréstimo, às contribuições, enquanto a definição de matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem, produção e produtor intrínseca ao IPI. Em razão disso, a norma do parágrafo único desse artigo determina a aplicação subsidiária da legislação desses tributos na conceituação dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, de matéria prima, de produtos intermediários e de materiais de embalagem (...) Por outro lado, a Portaria MF 129/1995, de 05 de abril de 1995, em seu art. 2º, § 2º, inc. II definiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, a receita de exportação como o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais. Com essa definição, não se pode inferir que as vendas para o exterior de produtos não industrializados diretamente pelo produtor/exportador devam ser expurgadas do cálculo da receita de exportação, pois o texto legal não faz qualquer distinção no tocante à tributação dos produtos, ao contrário, trataos de forma genérica, condicionando apenas que sejam "mercadorias nacionais". Em termos econômicos, também não faz sentido essa exclusão, a não ser que a parcela fosse de igual maneira excluída da receita operacional bruta, de forma a evitar distorção no índice a ser aplicado sobre o valor das aquisições, pois do contrário, estarseia alterando artificialmente, sem respaldo legal, a relação entre a receita de exportação e a operacional bruta. Esclareçase, por oportuno, que não se está aqui reconhecendo direito ao crédito presumido pertinente às aquisições desses produtos, que, sem qualquer industrialização adicional efetuada pelo adquirente, são por ele exportados. Uma coisa é estabelecerse o coeficiente entre a receita de exportação e a operacional bruta, outra bem diferente é definir os insumos em que predito coeficiente será aplicado para determinação das “aquisições incentivadas”." (CSRF, Processo n.º 13811.005178/200214 Data da Sessão 20/02/2014 Relatora Nanci Gama Acórdão n.º 9303002.889) Fl. 2410DF CARF MF 36 Nesse sentido, por entender que Lei n.º 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário neste ponto para restaurar as glosas correspondentes ao item 4 do Despacho Decisório. É como declaro meu voto. Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 2411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001810/2003-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 2001
Embargos Declaratórios. Fundamentos. Omissão.
Cabem embargos declaratórios para eliminar omissão, quando o acórdão embargado, embora devendo se manifestar sobre determinado ponto, deixa de fazê-lo.
Compensação não Homologada. Lançamento para Prevenir Decadência. Multa de Ofício.
Não cabe multa de ofício em lançamento visando prevenir decadência, nos casos de compensação não homologada, apresentada até outubro de 2003.
Numero da decisão: 1301-002.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 2001 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. FUNDAMENTOS. OMISSÃO. Cabem embargos declaratórios para eliminar omissão, quando o acórdão embargado, embora devendo se manifestar sobre determinado ponto, deixa de fazêlo. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe multa de ofício em lançamento visando prevenir decadência, nos casos de compensação não homologada, apresentada até outubro de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 18 10 /2 00 3- 37 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10855.001810/200337 Acórdão n.º 1301002.920 S1C3T1 Fl. 270 2 do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, em face de omissão existente no Acórdão nº 19100.108, da extinta Primeira Turma Especial do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. A decisão embargada rejeitou a preliminar de nulidade por ausência de mandado de procedimento fical MPF e, no mérito, manteve o lançamento, afastanto, porém, a multa de ofício. Embora o Colegiado tenha dado parcial provimento ao recurso, para excluir a penalidade, o voto vencedor não declinou as razões pelas quais a multa de 75% havia de ser afastada. A omissão levou a PFN a opor embargos declaratórios, que foram admitidos no despacho de fls. 265 a 267, pelos seguintes fundamentos: Verificandose os termos do acórdão recorrido, destacamse os seguintes trechos: Relatório “...a fim de impedir a decadência do crédito tributário, houve lançamento do crédito tributário, sendo o contribuinte apenado com a multa de 75%...” Voto Vencedor “Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração por ausência do Mandado de Procedimento Fiscal.” Resultado “ACORDAM os Membros da primeira turma especial do primeiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade por ausência de MPF, vencido o Conselheiro Roberto Armond Ferreira da Silva (Relator) que acolhia. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni quanto à preliminar, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Observo que, somente nos termos relativos ao resultado do acórdão constou a exclusão da multa de ofício. Todavia, não se verifica em todo o acórdão as razões e os fundamentos pelos quais se concluiu pela exclusão da multa de ofício. Assim sendo, frente à demonstração objetiva da omissão, proponho que os embargos sejam conhecidos. A proposta foi acolhida pela então Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10855.001810/200337 Acórdão n.º 1301002.920 S1C3T1 Fl. 271 3 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. No caso em exame, os embargos foram motivados por omissão, já que o acórdão embargado, embora afastando a chamada multa de ofício, se absteve quanto aos respectivos fundamentos. Por conseguinte, cumpre fornecer as razões para afastarse a multa de 75%. De plano, é preciso dizer que o lançamento não foi motivado por infração cometida pelo contribuinte. Não há referência a omissão de receitas, despesas não dedutíveis ou não comprovadas, excesso de compensação de prejuízo, falta de adição ao lucro líquido, ou qualquer outra conduta ilícita. O lançamento teve por escopo exclusivamente prevenir a decadência e viabilizar a cobrança do débito que o contribuinte pretendeu, sem sucesso, compensar, fazendoo numa época em que a declaração de compensação ainda não tinha efeito de confissão de dívida. Isso fica muito claro da leitura do relatório da DRJ Ribeirão Preto, que assim se referiu ao problema: O lançamento foi efetuado com base na Medida Provisória MP n° 2.158, de 2001, art. 90; Lei n° 8.212, de 1991, art. 45; Decreto n° 1.041, arts. 856, 889, I e IV e 890; Lei n° 9.430, de 1996, arts. 44, I e 61, § 3o. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Sorocaba indeferiu, mediante o despacho decisório n° 960, de 1998 o pedido de compensação do débito do imposto com pretenso crédito relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), pleiteada no processo n° 10855.002319/98 (fls. 12/13), sendo igualmente indeferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Campinas. Além disso, pelo contido no despacho de fl. 20, que informa ter sido provido o recurso da contribuinte no segundo Conselho de Contribuintes, mas apresentado Recurso Especial pela Fazenda (fl. 15). Assim, de modo a evitar a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, tendo em vista o instituto da decadência, foi lavrado o auto de infração. (g.n.) (fl. 130) Se o lançamento, como admitiu a DRJ, foi feito apenas para evitar a decadência, ele não comportava sanção que tivesse por pressuposto a prática de ilícito tributário. Por essa razão, não cabe multa de 75%. O valor do tributo fica sujeito apenas aos acréscimos moratórios, a saber, juros e multa de mora. Além disso, por força do caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, a multa nos casos de compensação está restrita às hipóteses de falsidade da declaração. Confirase: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10855.001810/200337 Acórdão n.º 1301002.920 S1C3T1 Fl. 272 4 Art. 18º O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Essa norma, embora publicada posteriormente aos fatos aqui examinados, tem aplicação retroativa, nos termos do art. 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional. Portanto, ainda que fosse possível a aplicação da multa aqui examinada, ela não subsistiria à aplicação retroativa do art. 18 da Lei nº 10.833. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos, para, sem efeitos infringentes, suprir a omissão apontada pela embargante. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907606/2011-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Recorrente OCC ONCOLOGIA CLINICA DE CAMPINAS SOCIEDADE EMPRESÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO LUCRO PRESUMIDO ATIVIDADES HOSPITALARES ANOSCALENDÁRIO 2003, 2004, 2005, 2006 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados. A DCTF é que se constitui, de fato, em confissão de dívida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 76 06 /2 01 1- 10 Fl. 1093DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o seu direito creditório. Por economia processual passo transcrevo parcialmente o relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “O interessado transmitiu a Dcomp nº 25365.47183.161007.1.3.040480, visando compensar os débitos nela declarados com crédito relativo a pagamentos indevidos ou a maior do IRPJ; A DRF/Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que: a) DA INEFICÁCIA DO DESPACHO DECISÓRIO REFUTADO; b) DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA ALTERAR A APURAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA PESSOA JURÍDICA; c) SERVIÇOS HOSPITALARES – POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE 8% NA APURAÇÃO DE IRPJ PELO LUCRO PRESUMIDO – LEI Nº 9.249/95, Art. 15, § 1º, III, “a”; d) DO PAGAMENTO INDEVIDO DE IRPJ E A POSSIBILIDADE DE SE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. A expressão “serviços hospitalares” somente abrange aqueles prestados por estabelecimentos qualificados como “hospital”, portanto, somente esses podem apurar o lucro presumido no percentual de 8% da receita bruta. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 3 3 Direito Creditório Não Reconhecido” No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator O presente processo tratase de retorno de diligência, conforme decisão deste egrégio Conselho, em 27/11/2014. Por economia processual reproduzo parcialmente o voto do relator: O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III Fl. 1095DF CARF MF 4 do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anoscalendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 4 5 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens –excluídas as simples consultas e outras atividades de cunhoadministrativo. [...] (Grifouse) Fl. 1097DF CARF MF 6 Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poder se restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 5 7 à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas Fl. 1099DF CARF MF 8 em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 6 9 “Seguindo este raciocínio, pacificouseno âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta Fl. 1101DF CARF MF 10 consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, deve se avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 7 11 (...) Frisese: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além isso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tão somente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Fl. 1103DF CARF MF 12 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 8 13 No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; Fl. 1105DF CARF MF 14 c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pela ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Reproduzo a seguir, resumidamente, o relatório da diligência realizada pela unidade de origem: Portanto à luz da interpretação da forma objetiva, qual seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, conclui se que, de acordo com os documentos e informações disponibilizadas referente ao período diligenciado (2003 a 2006), há fortes indícios que a mesma tenha prestado serviços relacionados ao tratamento de quimioterapia, com equipamentos específicos (de quimioterapia), possuindo custos diferenciados do simples atendimento médico, e os indícios também apontam que a mesma exerceu (no período) atividade tipicamente hospitalar. A análise da rubrica “Honorários Médicos” não foi conclusiva devido a especificidade e a natureza da prestação de serviços de quimioterapia, ficando a cargo do julgador o que entender ser correto. Embora, em sua conclusão, o agente tenha mencionado que a análise da rubrica “honorários médicos” não tenha sido conclusiva e que ficaria a cargo do julgador o que “entender ser o correto”, no próprio relatório da diligência efetuada há a menção de que os honorários são uma parte pequena do faturamento da clínica, conforme reproduzo: Das informações e documentos coletados não temos como estabelecer se os “Honorários Médicos” teriam sido consultas médicas dissociadas ou não do tratamento de quimioterapia. O que é cediço é que os “Honorários Médicos” constituem uma parcela menor do faturamento da clínica, e que devido as características e as especificidades da prestação de serviços de quimioterapia, é bem plausível que estejam relacionados com o tratamento como um todo. Portanto, por todo o exposto, como indica, claramente, o resultado da diligência, fica evidente que os serviços prestados pela recorrente foram de natureza hospitalar. Entretanto, observase que na correspondente sessão de julgamento, cujo processo foi convertido em diligência, não foi tratado o fato de a Recorrente apenas ter retificado a DIPJ, originalmente, entregue, sem ter efetuado a correspondente retificação da DCTF que, como bem afirmou a autoridade julgadora de primeira instância. Em seu recurso voluntário, a recorrente alegou, além das questões relativas à sua atividade, já tratadas acima, que: · o erro de fato no preenchimento da DCTF não poderá, à luz da verdade real, obstar o direito à restituição e compensação do crédito de IRPJ indevidamente recolhido. Subsequentemente, em uma petição, anexada aos autos , a recorrente alega de acordo com o Parecer Normativo COSIT 2/2015 "a não retificação da DCTF não impede que o crédito informado seja comprovado por outros meios". Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10830.907606/201110 Acórdão n.º 1001000.475 S1C0T1 Fl. 9 15 Na verdade, o referido parecer normativo indica o contrário, como veremos mais adiante. No entanto, é cediço que a DCTF constituise, de fato, em confissão de dívida (constitui o crédito tributário) e não a DIPJ, como já decidido em outras sessões nesta turma.. Reproduzo aqui parte da decisão da DRJ: Como se pode verificar não consta na IN SRF nº 127/98, que cuida da DIPJ, dispositivo segundo o qual o saldo a pagar, relativo aos débitos apurados, será inscrito em Dívida Ativa, tal como consta nos atos que cuidam da DCTF, especialmente no art. 1º da IN SRF 077/98, que transcrevo: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (grifei) Assim temos que a DIPJ é uma declaração meramente informativa, enquanto a DCTF constituise em confissão de dívida, o que torna sem efeito a alegação da necessidade de lançamento tributário. O Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, assim dispõe: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. A súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça STJ assim enunciou: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. Assim, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 1107DF CARF MF 16 Fl. 1108DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.724128/2016-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Cabe ao CARF o controle da legalidade do lançamento. A nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo deve ser reconhecido de ofício por ser matéria de ordem pública.
Numero da decisão: 2002-000.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e declarar de ofício a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, em razão da insuficiente descrição dos fatos na autuação.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. LIVROCAIXA. Recorrente JORGE LUIZ WINCKLER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Cabe ao CARF o controle da legalidade do lançamento. A nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo deve ser reconhecido de ofício por ser matéria de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e declarar de ofício a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, em razão da insuficiente descrição dos fatos na autuação. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 41 28 /2 01 6- 10 Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201610 Acórdão n.º 2002000.148 S2C0T2 Fl. 2.898 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2013, ano calendário 2012, tendo em vista a apuração de dedução indevida de livrocaixa (fl.7). O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/112 e 1.617/2.828), alegando que o valor contestado corresponde a despesas comprovadas por meio de documentos legíveis, datados e contendo identificação e assinaturas dos emitentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 2.831/2.833), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 LIVRO CAIXA. DESPESAS. IMÓVEL. EMPRESA. Não podem ser deduzidas no livro Caixa despesas vinculadas a imóvel onde funciona empresa da qual o contribuinte é sócio. Cientificado dessa decisão em 2/8/2016 (fl.2.836), o contribuinte formalizou, em 29/8/2016 (fl.2.838), seu Recurso Voluntário (fls. 2.838/2.892), no qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Lista as glosas que entende indevidas, consignando seus argumentos: TV NET R$1.316,36 Cita o Parecer Normativo CST nº 60, de 1978, para defender a dedutibilidade de despesas com internet e TV por assinatura, disponibilizados na sala de espera do consultório. Condomínios Salas 301 e 302 R$9.760,79/Energia Clínica R$4.957,39/IPTU Clínica R$1.135,04 Afirma ser o responsável pelas despesas do local de funcionamento de seu consultório médico. Indica a juntada das matrículas 75227 e 75228, comprovando a propriedade dessas salas. Cita a Constituição Federal e o Manual do IRPF, para defender que faz jus a deduzir as despesas registradas em livrocaixa. Serviços Médicos Prestados por Terceiros sem Vínculo Empregatício e Documentos Ilegíveis ou Inábeis Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201610 Acórdão n.º 2002000.148 S2C0T2 Fl. 2.899 3 Explica que é médico cooperado da Unimed Porto Alegre e realiza alguns procedimentos médicos que envolvem despesas. Indica os emolumentos pagos referentes à manutenção de aparelhos médicos e de sistema de software e à acompanhamento profissional necessário aos pacientes submetidos a exames nos aparelhos que especifica. Cita o item 384 do Manual do IRPF, para defender que essas despesas são necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Ressalta que as despesas escrituradas podem ser deduzidas independentemente de as receitas serem oriundas de serviços prestados como autônomo a pessoa física ou jurídica. Documentos Ilegíveis ou Inábeis Indica que todos os comprovantes acompanham seu recurso, de forma a afastar a afirmação de que seriam ilegíveis. No tocante a sua dedutibilidade, aponta que se trata de material de escritório/consultório e de conservação e limpeza. Explica que são gastos efetuados para aquisição de bens próprios para consumo, tais como material de escritório, de conservação, de limpeza e de produtos de qualquer natureza usados e consumidos nos tratamentos, reparos, conservação. Indedutíveis R$828,03 Diz que esse item, mencionado como roupa de cama, referese a lençóis e fronhas utilizados pelos pacientes na realização de alguns exames. No seu entendimento, tais despesas são necessárias ao aferimento da receita pelo contribuinte e, portanto, dedutíveis. Telefone Clínica R$3.654,91 Reproduz o artigo 75 do RIR, alegando que as despesas feitas pelo titular com planos de telefonia, exclusivamente para fins profissionais, são dedutíveis a título de despesa de livrocaixa. Ao final do seu recurso, reconhece como corretas as glosas das despesas de aluguel, condomínio, energia, telefone, IPTU e despesas diversas, referentes à sala 304, pertencente À Clínica Moinhos. Requer o restabelecimento de despesas no montante de R$72.329,62. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.2.895). É o relatório. Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201610 Acórdão n.º 2002000.148 S2C0T2 Fl. 2.900 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Nulidade da Notificação de Lançamento O litígio recai sobre a dedução de despesas com livro caixa. Embora a legalidade do ato administrativo não tenha sido questionada pelo recorrente, entendo que se trata de matéria de ordem pública, cabendo sua análise nestes autos. Nesse sentido, cabe transcrever decisão do E.STF sobre o assunto: "O Supremo Tribunal já assentou que diante de indícios de ilegalidade, a Administração deve exercer seu poderdever de anular seus próprios atos, sem que isso importe em contrariedade ao princípio da segurança jurídica. Nesse sentido, as súmulas 346 e 473 deste Supremo Tribunal: 'A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos' (Súmula 346).'A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial' (Súmula 473)." (AO 1483, Relatora Ministra Cármen Lúcia, Primeira Turma, julgamento em 20.5.2014, DJe de 3.6.2014)” De início, cabe destacar que, na autuação (fl.7), a autoridade fiscal consigna a glosa das despesas da pessoa jurídica, despesas de sócios do contribuinte na PJ, não comprovadas através de nota fiscal ou recibo, de terceiros, de comprovantes sem identificação do contribuinte, sem identificação a que se refere à despesa, ilegíveis, despesas não dedutíveis conforme legislação, de faturas/guias de recolhimento sem comprovação do efetivo pagamento/recolhimento, de comprovantes sem data da emissão, de recibos sem a identificação da pessoa física que o emitiu (quem assinou e de recibos sem assinatura do emitente). Do exame da DIRPF do recorrente (fls.115/128), constatase que ele deduziu a título de livro caixa o montante de R$394.186,91. A autoridade fiscal apontou a glosa de R$186.536,12, sem no entanto especificar exatamente quais seriam as despesas glosadas e sob quais fundamentos. Consta, à fl. 1.611, informação fiscal contendo a relação dos valores das despesas que teriam sido acatadas pela autoridade fiscal. Não há qualquer indicação dos Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201610 Acórdão n.º 2002000.148 S2C0T2 Fl. 2.901 5 valores não acatados e a correspondente justificativa. Cabe registrar ainda que esse documento não acompanha a Notificação de Lançamento. Ora, a descrição dos fatos é requisito essencial da autuação e a sua ausência ou deficiência pode caracterizar o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, assim como impossibilitar a análise adequada da matéria pelos julgadores. No caso, verificase que, diante da Notificação de Lançamento recebida, o contribuinte apresentou uma impugnação lacônica. Na apreciação da defesa apresentada, a DRJ elaborou quadro contendo as despesas consideradas indedutíveis ou não comprovadas por ela, discriminandoas nos seguintes itens: aluguel (PJ), IPTU (PJ), serviços médicos prestados por terceiros sem vínculo empregatício, telefone clínica (PJ), energia clínica (PJ), TV Net (PJ), condomínio (PJ), sem nota fiscal, aquisição de equipamentos, documentos ilegíveis ou inábeis ou sem identificação da despesa, despesa da clínica Moinhos, indedutíveis e despesas congresso (fls. 2.831/2.833). Vêse que, somente em face da decisão de piso, a qual buscou discriminar individualmente as despesas glosadas e a correspondente justificativa para tal, o recorrente pode se defender adequadamente. Por sua vez, depreendese que a DRJ, em um trabalho hercúleo, buscou desvendar as despesas glosadas. Entretanto, é forçoso observar que diante dos poucos elementos oferecidos pela autoridade fiscal, a decisão de piso acabou por se equivocar na apreciação da lide. Vejamos. Do exame da DIRPF apresentada, do relatório fiscal mencionado e da decisão de piso, chegamos aos valores a seguir indicados: MÊS DECLARADO (A)* ACATADO (B)** GLOSADO NA AUTUAÇÃO (AB) GLOSA MANTIDA NA DRJ*** JAN 24.031,84 12.170,12 11.861,72 7.196,55 FEV 27.346,33 12.104,62 15.241,71 9.435,26 MAR 33.347,35 12.208,42 21.138,93 16.016,91 ABR 35.955,37 11.600,44 24.354,93 11.108,51 MAI 42.607,37 22.404,49 20.202,88 27.966,17 JUN 31.506,56 15.022,65 16.483,91 8.130,69 JUL 31.364,96 13.941,76 17.423,20 10.950,98 AGO 31.192,31 14.880,68 16.311,63 5.522,14 SET 29.963,79 19.124,66 10.839,13 8.279,79 OUT 38.839,83 25.286,77 13.553,06 4.821,83 NOV 27.731,97 27.055,68 676,29 8.421,55 DEZ 40.299,23 21.850,50 18.448,73 9.961,96 TOTAL 394.186,91 207.650,79 186.536,12 127.812,34 *DIRPF às fls. 115/128 **Informação Fiscal à fl.1.611 ***Demonstrativo às fls. 2.832/2.833 Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201610 Acórdão n.º 2002000.148 S2C0T2 Fl. 2.902 6 Vejase que, para os dois meses em destaque acima, maio e novembro, as glosas apontadas pela DRJ superam as glosas levadas a efeito na autuação. Na tentativa de entender a autuação e o julgamento de primeira instância, encontramse outras incongruências. No mês de janeiro, por exemplo, a decisão de piso aponta a glosa de R$700,32, consignando que se trata de despesa com aquisição de equipamento. De fato, a teor da legislação citada na autuação, despesas dessa natureza não são dedutíveis. Do exame do livro caixa à fl.137, constatase que o lançamento nº4, referese à aquisição de computador, no valor de R$700,32. Entretanto, do exame do resumo do livro caixa do mês de janeiro à fl. 140, verificase que o total informado para janeiro, de R$24.031,84, não inclui a despesa indicada, considerada corretamente como não dedutível na escrituração do contribuinte. Portanto, a glosa desse valor se mostra indevida, uma vez que não foi deduzida pelo recorrente. Buscouse com a análise desses fatos demonstrar que a autuação prejudicou não só a capacidade de defesa do contribuinte, mas também a análise do feito pela autoridade a quo. Nesse tocante, cabe transcrever os artigos 10 e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente”: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: (....) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (destaques acrescidos) Acrescentese o artigo 142 do CTN: Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 11080.724128/201610 Acórdão n.º 2002000.148 S2C0T2 Fl. 2.903 7 Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O artigo 142 do CTN dispõe que o lançamento é o procedimento administrativo que visa a determinar, dentre outros elementos, a matéria tributável e o montante do tributo devido, acrescentando, em seu parágrafo único, que tal atividade é vinculada à lei. Assim, a notificação de lançamento/auto de infração deve conter os motivos que levaram à conclusão sobre o valor adotado para base de cálculo do tributo exigido, e tais motivos devem estar em consonância com a legislação, não havendo espaço para atuação discricionária da Administração. Isto posto, considerando que a autuação se mostrou incompreensível, acarretando prejuízo concreto à defesa do sujeito passivo, e que cabe a este Colegiado a revisão e controle da legalidade do ato administrativo, entendo ser nula a notificação de lançamento em análise. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e declarar de ofício a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, em razão da insuficiente descrição dos fatos na autuação. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 2903DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720361/2014-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO.
A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusando-se de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS.
Se os sócios de fato do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra, com o nítido propósito de não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária a todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO.
O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS.
Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplica-se também à CSLL, ao PIS e à COFINS.
Numero da decisão: 1401-002.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO. A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusando-se de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Se os sócios de fato do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra, com o nítido propósito de não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária a todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplica-se também à CSLL, ao PIS e à COFINS.
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CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE FRAUDE, SONEGAÇÃO E CONLUIO. A redução contumaz de tributos que seriam devidos à fazenda nacional, efetuada a partir de estratagema montado por quem deveria ter o dever de cautela (sócios de fato), escusandose de suas obrigações por meio de interpostas pessoas e empresas inexistentes de fato, causa descompasso no primado da concorrência leal e intenta contra a ordem estabelecida no ordenamento jurídico, indo ao encontro das condutas de fraude, sonegação e conluio, o que enseja indubitavelmente a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Se os sócios de fato do grupo econômico criaram empresas de fachada e incluíram pessoas físicas que figuraram como interpostas pessoas, com o desígnio de transmudar o faturamento de uma empresa para outra, com o nítido propósito de não serem alcançados pelo fisco federal, configurada está a prática de atos com excesso de poderes e contrários à lei, bem como resta caracterizado o interesse comum decorrente do grupo econômico corretamente qualificado pelo fisco, o que impende aplicar perfeitamente a responsabilidade solidária a todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 61 /2 01 4- 02 Fl. 3144DF CARF MF 2 De acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. O arbitramento do lucro não é punição, e sim mais uma forma de apuração do lucro a ser tributado. Independentemente da opção adotada pela empresa, a falta de apresentação de documentos contábeis e fiscais provoca o arbitramento do lucro do sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA POR OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL, PIS E COFINS. Por decorrerem dos mesmos elementos de fato, a decisão prolatada para o IRPJ aplicase também à CSLL, ao PIS e à COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 3145DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.144 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1458.571, de 26 de maio de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 66.818,88, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 49.719,27, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 138.109,11 e Contribuição para o PIS no valor de R$ 29.923,62, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 784.364,36 (fl. 02), em virtude de omissão de receita da atividade (revenda de mercadorias), conforme detalhadamente relatado no Relatório Fiscal – Grupo Restum e no Termo de Verificação Fiscal nº 0001 que fazem parte dos autos de infração lavrados. Para fins de apuração do IRPJ e da CSLL foi o lucro arbitrado com fulcro no art. 530, III, do RIR/99, tendo em vista que a contribuinte, regularmente intimada, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração. Foram relacionados como responsáveis solidários pelo crédito tributário as seguintes pessoas jurídicas e físicas: EMPRESA CNPJ/CPF TOPREADY COMÉRCIO E CONFECÇÕES LTDA 01.921.290/000179 SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA 02.067.055/000144 PLANETGIRLS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 04.740.881/000138 TRADE SPORT COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA ME 05.096.118/000189 HOTMAXI COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 05.515.378/000141 HOTONE COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 05.524.336/000177 COMPANYFASHION CONFECÇÕES LTDA – EPP 07.251.783/000125 HOT BARÃO COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA – EPP 08.691.953/000155 PORT COMPANY PARTIC. E EMPREENDIMENTOS LTDA ME 10.528.300/000100 J. E. LOGISTICA E TRANSPORTE LTDA 10.692.696/000118 PLANET COSMETICS COMERCIAL E REPRESENTAÇÃO LTDA 11.769.712/000196 POLO WEAR COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 11.774.839/000101 PLANET GIRLS COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.154.102/000140 PLANETBARUERI COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.234.601/000148 HOTMAXI SHOPPING COMERCIO DE CONFECÇOES LTDA 12.484.212/000170 PLANETOUT LET COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.538/000160 POLO WEAR OUTLET COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.484/000132 HOTNUMBERONE COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.506/000164 BARÃOPLANET COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.523.522/000157 ROBERTO RESTUM 043.261.15840 ADRIANA RESTUM 120.853.19807 VANESSA RESTUM 215.012.64869 FELIPE ROBERTO RESTUM 215.012.76875 DANIELE RESTUM TRALDI 215.012.73850 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.165.435/000175 PLANETJUNDI MAX COMERCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.372.145/000100 Fl. 3146DF CARF MF 4 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA 07.693.822/000144 AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.595.364/000140 Foram ainda lavrados autos de infração contra as empresas abaixo relacionadas, integrantes do Grupo empresarial denominado “Restum”, e para melhor compreensão do procedimento fiscal do qual resultou os Autos de Infração mencionados fazse necessário uma leitura cuidadosa do Relatório Fiscal – Grupo Restum (fls. 525/571), o qual relata minuciosamente os fatos verificados, o modus operandi do grupo empresarial, as provas coletadas e a conclusão fiscal. EMPRESA CNPJ Processo nº INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA 07.693.822/000144 19311.720395/201499 AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.595.364/000140 19311.720365/201482 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.165.435/000175 19311.720362/201449 HOTNUMBERONE COMERCIO DE CONFECCOES LTDA 12.523.506/000164 19311.720363/201493 BARAOPLANET COMERCIO DE ROUPAS LTDA 12.523.522/000157 19311.720364/201438 FASHIONROUPAS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.113.554/000184 19311.720361/201402 POLO WEAR OUTLET COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.484/000132 19311.720368/201416 PLANETOUT LET COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.523.538/000160 19311.720366/201427 HOTMAXI SHOPPING COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.484.212/000170 19311.720397/201488 PLANETJUNDI MAX COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA 12.372.145/000100 19311.720398/201422 1 – SÍNTESE DO RELATÓRIO FISCAL – GRUPO RESTUM Para melhor compreensão do procedimento fiscal do qual resultou os Autos de Infração mencionados fazse necessário uma leitura cuidadosa do Relatório Fiscal – Grupo Restum (fls. 128/174), o qual relata minuciosamente os fatos verificados, o modus operandi do grupo empresarial, as provas coletadas e a conclusão fiscal. Conforme “Relatório Fiscal – Grupo Restum” (fls. 128/174) o denominado Grupo Restum é constituído por um aglomerado de empresas (centenas de sociedades empresárias autônomas relacionadas no Anexo I) que atuam nos ramos de roupas, sapatos e acessórios, utilizandose de diversas marcas próprias, entre elas destacamse a Planet Girls, Hot Point, Venom, Polo Wear, A.R. Store, SMK, com o fulcro de atingir o mais variado público consumidor. Para tanto, o Grupo utilizase de importações e de encomendas de industrialização junto a terceiros, revendendo os produtos em sua grande maioria através de lojas próprias e uma pequena parcela para revendedores varejistas. No cada uma das lojas é constituída como uma empresa autônoma, possuindo ato constitutivo e CNPJ distintos, sendo que a pulverização do grupo em inúmeras empresas distintas teve como objetivo desmembrar seu faturamento, encobrindo seu real potencial econômico e mantendo o Fisco à margem de suas atividades, uma vez que os baixos faturamentos apresentados por cada unidade não despertam o interesse fiscal. A autoridade fiscal relacionou no Relatório Fiscal alguns procedimentos, a seguir sintetizados, que teria o grupo utilizado para ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores tributários: 1 Cada uma das empresas componentes cumpriam as obrigações acessórias de entrega de declarações, porém, o faziam inicialmente com valores “zerados” e, Fl. 3147DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.145 5 num segundo momento, classificavam suas receitas de forma errônea com aplicação incorreta do coeficiente do lucro presumido, diminuindo sobremaneira os valores dos tributos a pagar, dando ao Fisco a equivocada idéia de que as empresas eram cumpridoras do seu dever fiscal; 2 O Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas e para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade; 3 O grupo utilizavase de interpostas pessoas, seja para constituir a empresa, seja para operar fraudulentamente, seja para proteção patrimonial quando do encerramento, com a cíclica constituição de novas empresas em nome de “laranjas” e/ou “testas de ferro”; 4 Essas empresas, conforme sua função dentro do Grupo, por vezes eram transferidas aos reais titulares (família Restum), por vezes eram operadas em nome das interpostas pessoas e por vezes eram transferidas a estas quando de seus encerramentos, assim a responsabilidade tributária daí decorrente recairia sobre os “laranjas”, havendo, inclusive, ações judiciais movidas por terceiros contra o Grupo no sentido de verem seus nomes afastados das empresas componentes com a alegação do uso indevido de seus nomes; 5 As empresas próprias (aquelas em que a família Restum aparece no quadro societário) importavam e/ou industrializavam produtos e revendiam tais mercadorias a empresas fictas (empresas do Grupo constituídas em nome de interpostas pessoas) por valores que praticamente correspondiam aos custos de importação e/ou produção, assim, as empresas próprias não apuravam Lucro e apuravam o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas vendiam estas mercadorias às empresas varejistas do Grupo por valores que se aproximavam muito do preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaíam sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas pudessem se creditar dos tributos nãocumulativos (notadamente ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaía às empresas próprias do Grupo. 6 As empresas JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 13.385.771/000196, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.374.212/000118, IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.431.673/000185, SPR IMPORT BRASIL LOJISTICA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ 12.431.674/000120 e JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA – CNPJ 12.755.478/0001 00 teriam sido constituídas em nome de interpostas pessoas e funcionaram de anteparo formal para acobertar fatos geradores tributários praticados pelo Grupo, cujo real beneficiário seria a empresa INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 07.693.822/0001 44; 7 As empresas fictícias não possuíam sequer espaço físico, constituindose em mera formalidade e, desta forma, a importadora do grupo revendia quase a totalidade dos produtos e matérias primas para as empresas fictas as quais mandavam industrializar as matérias primas e revendiam os produtos para as lojas varejistas do Grupo, lojas estas que se creditam dos tributos não cumulativos e que Fl. 3148DF CARF MF 6 tem pouco ou quase nenhum lucro. O passivo tributário recaía quase que totalmente às intermediárias fictícias. 8 Foram criadas novas empresas que praticaram também fatos geradores tributários, porém os valores destas operações decorrentes não foram oferecidos à tributação, tendo sido inclusive escondidos do Fisco Federal na tentativa de serem beneficiados pelo instituto da decadência; 9 Os bens necessários à percepção das receitas da atividade não eram registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais, propositalmente, não praticam fatos geradores tributários, objetivando que seu patrimônio não pudesse ser alcançado em uma execução fiscal; 10 Os imóveis que sediam as diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na atividade encontramse registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144, além de esparsamente também estarem registrados em nome das lojas do Grupo. 1.1 Do Grupo Restum e Suas Operações Comerciais Segundo a fiscalização, o Grupo utilizavase de pessoas ligadas para a constituição de novas empresas, destacandose o Sr. Milson Cesar da Silva – CPF 247.107.34844, empregado com vínculo desde 01/10/2012 da J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, empresa pertencente ao Grupo, cujos sócios registrados são Jacques Nehme Rostom e Daniele Restum. Em setembro de 2013 o Sr. Milson era responsável junto à RFB por 47 (quarenta e sete) empresas do Grupo e após um determinado período o controle destas sociedades foi transferido para os sócios de fato e em agosto de 2014 o Sr. Milson passou a constar como sócio de novas empresas do Grupo, conforme mostra os Anexo II e III. O Sr. Nivaldo Sancana Rocha, CPF 120.702.06807, é outra pessoa ligada que aparece como sócio administrador de várias empresas do Grupo, o qual se apresenta como “Controller” do Grupo, informação esta, que estaria corroborada pela outorga de procuração do Sr. Roberto Restum ao Sr. Nivaldo para atender às demandas no curso dos procedimentos fiscais executados pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí (SEFIS/DRF/JUN). O Sr. Nivaldo seria o responsável pelo preenchimento nas DIPJ´s apresentadas à RFB referentes às empresas oficiais do Grupo (aquelas em que aparecem como sócios o Roberto e Adriana Restum) sendo que todas essas declarações foram apresentadas utilizandose do mesmo endereço IP. Rastreando este endereço IP foram encontradas outras empresas do Grupo, além daquelas chamadas oficiais, que foram constituídas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”) ou em nome de familiares dos Restum (Anexo IV). Visando melhor esclarecer como operou o Grupo no ano de 2011 a fiscalização elaborou o diagrama abaixo (Figura 1), no qual as empresas com a inscrição “Própria” têm em seu quadro societário o Sr. Roberto Restum e/ou a Sra. Adriana Restum, já aquelas com a inscrição “Laranjas” tem o quadro societário composto por interpostas pessoas. Os valores sobre as setas representam as vendas realizadas em milhões de Reais e os números abaixo dos nomes das empresas são os CNPJ´s básicos. Segundo a fiscalização, naquele ano a empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (anteriormente chamada Telesa Importação e Exportação Ltda.) era responsável pelas importações do Grupo, bem como pela compra de produtos no mercado interno, seja de matérias primas para Fl. 3149DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.146 7 industrialização (própria ou por conta e ordem), seja de produtos acabados para revenda. Já as empresas JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/000118 e Jos COMÉRCIO de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196, ambas constituídas em nome de interpostas pessoas, compravam tanto de terceiros no mercado interno como da Invictus, revendendo diretamente para lojas do grupo ou para a SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120 e para a ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185, as quais por sua vez vendiam seus produtos para as lojas do grupo. A Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100, naquele ano, apesar de estar registrada como comércio, não efetuou nenhuma compra, vendendo, entretanto, vultosas quantias para as lojas do grupo. Essas vendas decorrem de produtos oriundos de industrialização própria efetuada à margem da formalidade. Fl. 3150DF CARF MF 8 Destacou a autoridade fiscal o fato de que coube às empresas cujos quadros societários são compostos de “laranjas” a apropriação da mais valia da operação comercial, conforme vemos na Figura 2 acima, onde compras (custo) no valor total de R$ 83.000.000,00 (oitenta e três milhões de reais) chegam às lojas do Grupo com um custo de R$ 317.000.000,00 (trezentos e dezessete milhões de reais). Assim, de uma receita total estimada de R$ 317.000.000,00 o Grupo reconheceu como base de cálculo a somente R$ 83.000.000,00, havendo uma sonegação de 74% dos tributos totais devidos já que o núcleo do esquema (Jos Comércio, JosConf, Jurecê, SPR Import e Import Dalamari) nunca recolheu os tributos devidos, sem contar o não recolhimento dos tributos reconhecidos pelo Grupo. Por outro lado, as lojas do Grupo puderam se creditar dos tributos não cumulativos gerados pelo núcleo do esquema. No anocalendário 2012 o modus operandi do Grupo teria permanecido o mesmo, mas seguindo a linha de ação de criação constante de novas empresas, houve alteração nos atores, como mostra a Figura 3 abaixo reproduzida. Assim à Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/0001 44 coube basicamente lidar com as importações enquanto que à HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175 coube o mercado interno. A fiscalização chamou atenção para o fato que houve uma reestruturação gerencial inclusive, já que em 2011, com exceção da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 que operou somente no mercado interno, todas as outras empresas do núcleo negociaram com produtos importados e oriundos do mercado nacional, já em 2012, coube à Invictus importar e revender à ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda. (atualmente denominada AGR Importação e Comércio de Confecções Ltda.) CNPJ: 12.595.364/000140, Jos Comércio e Jurecê, às quais recaiu o lucro da operação, e à HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175 coube gerenciar as operações de mercado interno. Ocorreu uma departamentalização. Fl. 3151DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.147 9 No tocante aos tributos federais, até 2011 a prática era da não transmissão de declarações ou quando havia transmissão estas declarações eram “zeradas”. Após 2012, como já dito anteriormente, algumas das lojas passaram a transmitir declarações, porém classificando sua receita bruta no coeficiente de 1,6% (destinado a comerciantes de combustível – Lucro Presumido). A fiscalização destacou a forma adotada para salvaguardar o patrimônio do Grupo: “Utilizandose do conceito de autonomia das pessoas jurídicas e da limitação de responsabilidade ao capital social (art. 1052 da Lei 10.406/02 – Código Civil), uma vez que as empresas operacionais possuem nenhum ou mínimo patrimônio, o Grupo concentra seu patrimônio em duas empresas, a saber: Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144. Estas empresas praticamente não executam atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), tentando assim manterse distante dos fatos geradores tributários. Essa segregação constituise tão somente de outro ardil do Grupo, já que tal patrimônio está intrinsecamente ligado às operações deste, sendo composto, basicamente, de imóveis onde estão localizadas as lojas, de veículos utilizados nas operações comerciais e de suas marcas e patentes. Logicamente há também imóveis e veículos não afetados pelas operações, entretanto, os recursos utilizados na sua aquisição provêm das operações e por conseguinte de créditos tributários sonegados, devendo portanto servir para satisfazer as pretensões fiscais.” Além do Grupo utilizarse de abertura e encerramento de inúmeras empresas, mantendo, inclusive, “estoque” de novas empresas a serem utilizadas em tais operações, bem como da criação de empresas cujo quadro societário é composto por interpostas pessoas, ainda utilizase de estratagemas envolvendo incorporação de empresas, assim descritas pela autoridade fiscal: A empresa Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 11.066.160/0001 50, em 22/10/2010 teve seu quadro societário alterado na JUCESP (Anexo VIII), havendo o ingresso de César Augusto Costa CPF 216.211.04826 (pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo) no lugar da Sra. Adriana Restum, bem como a alteração de seu endereço para Avenida Jurecê, 667, Cj 03, Indianópolis, São Paulo – SP (sobre este endereço ver relato sobre a empresa Jurecê Comércio de Confecções Ltda. do item 2. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS abaixo). Esta foi a última alteração contratual informada à RFB, assim, até a presente data a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. encontrase ATIVA no CNPJ. Contudo, em 23/08/2010, registrouse na JUCESP a incorporação de 42 (quarenta e duas) empresas do Grupo tendo a Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda como incorporadora. Na mesma data retirouse da sociedade o Sr. Roberto Restum, sendo admitido em seu lugar Célio Martins de Oliveira – CPF 218.260.75879 (outra pessoa sistematicamente utilizada como “laranja” pelo Grupo). Na data de 27/02/2012 ocorre outra alteração societária, ingressando Allan Borges de Melo – CPF 385.402.37822 e Rodrigo Vieira Rezende – CPF 374.871.71809 em substituição aos anteriores sócios. Em 03/09/2012 é protocolado o Distrato Social, dissolvendo assim a incorporadora. Desta feita, estas operações culminam com o Fl. 3152DF CARF MF 10 desaparecimento das 43 (quarenta e três) empresas do Grupo, entretanto, a grande maioria destas empresas encontrase ativa no CNPJ, conforme vemos na Tabela 1 abaixo. (...) Em pesquisas nos sistemas da RFB constatouse que várias dessas empresas apresentaram DIPJ e GFIP e tiveram movimentação financeira após a sua exclusão do mundo jurídico. (...) Informação adicional considerável é o fato de a empresa Planet Girls Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 04.740.881/0001 38 que consta no CNPJ como ATIVA, DISSOLVIDA na JUCESP e BAIXADA no SINTEGRA teve a maior movimentação bancária entre as empresas do Grupo em 2013, apresentando DIRF e GFIP regularmente. Esta informação fecha o entendimento de que todas as empresas formalmente constituídas pelo Grupo são, na verdade, uma só, tendo sido criadas em demasiado número com o intuito de despistar o Fisco, já que os recursos, sejam financeiros, sejam patrimoniais, circulam indistintamente entre elas, não havendo estanqueidade, senão, de que outra forma uma empresa dissolvida movimentaria tamanho recurso? Como explicar que empresas com emissão milionária de notas fiscais não tenham movimentado um Real sequer em instituições financeiras? A resposta a tais indagações já foi dada. Adiante, na análise detida dos procedimentos fiscais realizados pelo SEFIS/DRF/JUN, traremos adicionais informações que corroboram, de maneira inequívoca, com a conclusão já tirada de que muitas das empresas do Grupo são constituídas em nome de interpostas pessoas, porém, há complementar informação que reafirma tal conclusão. A Sra. Paula Cristina Alves Einchenberger – CPF 215.807.088 97 foi funcionária de duas empresas do Grupo entre 1999 e 2004 e constou como sócia da empresa PlanetPink Comércio de Confecções Ltda. de 29/10/2003 a 21/06/2004, sem, contudo, haver recebido qualquer quantia, seja a título de prólabore, seja a título de dividendos da empresa onde pretensamente era sócia. Esta empresa está bloqueada judicialmente, conforme breve relato da JUCESP (Anexo IX), tendo em vista que a Sra. Paula ingressou em juízo a fim de ver seu nome afastado da sociedade, alegando que o sócio de fato é o Sr. Roberto Restum. Atualmente consta no quadro societário a Sra. Daniele Restum Traldi. Tal esquema pode ser observado na Figura 4 abaixo. Em remate, o Grupo Restum utilizase das mais variadas maneiras com um único propósito: eximirse do pagamento de tributos. 1.2 Dos Procedimentos Fiscais Fl. 3153DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.148 11 Segundo a fiscalização, apurouse do procedimento fiscal junto às empresas do chamado núcleo do esquema, bem como das lojas circunscritas pela DRF/JUN, em suma, o que se segue: Primeiramente, há que se dizer que não restou qualquer dúvida de que as empresas constituídas em nome de interpostas pessoas foram assim criadas a mando dos administradores do Grupo. Seria bastante para manter tal afirmação o fato de que estas empresas têm a integralidade de suas operações relacionadas com o Grupo, seja vendendo produtos de suas marcas, seja mandando matéria prima para que terceiros realizassem a industrialização, porém mais provas desta relação foram coletadas. Da análise dos documentos arquivados na JUCESP referentes às empresas do núcleo (Anexo X), verificase muitas semelhanças entre tais empresas, desde o valor do capital social (R$ 100.000,00 em todas elas), endereço das empresas, até os seus sócios, que se alternam entre as empresas. Curioso notar também que quando há troca de sócios, o sócio dissidente e o sócio ingressante, em muitas vezes, possuem o mesmo endereço, endereços esses que foram visitados pelos AuditoresFiscais e se mostraram inservíveis para localizar tais pessoas. Verificouse inclusive que alguns deles sequer são residenciais. Ainda analisando esses documentos, notase que as assinaturas destas pessoas, por vezes, não são iguais, demonstrando que sequer assinaram tais documentos, muito menos geriram efetivamente as empresas. Esta conclusão decorre também da análise subjetiva dos sócios, que são pessoas de pouca capacidade econômica e baixa instrução, o que reforça a conclusão de serem tão somente pessoas interpostas, conforme se verifica na Tabela 6 abaixo que mostra a movimentação financeira das interpostas pessoas constantes nos quadros societários das empresas fictas do núcleo. DIMOF Valores a crédito Pessoa 2010 2011 2012 2013 ANTONIO MARIANO R$ 15.470,81 R$ 133.869,43 ISABELA LIMA FAGUNDES JOÃO SILVA DE MORAES R$ 30.387,00 R$ 0,00 JOELITON ALVES DOS SANTOS R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 LEILA MARIA BISPO R$ 8.377,00 R$ 60.584,93 R$ 31.386,95 ROGERIO DA SILVA R$ 7.120,03 R$ 18.240,90 R$ 65.085,45 R$ 2.300,00 Outra semelhança está na pessoa do advogado que assina tais documentos, que na maioria das vezes é o Sr. José Ricardo Clerice, CPF 082.586.44882, OAB 170.855/SP. Notese que este advogado assina tanto os documentos das empresas em nome de “laranjas” como das empresas em nome dos administradores do Grupo. Aliás, essa não é a única semelhança entre tais documentos, visto que muitas das testemunhas também permeiam entre eles, bem como o fato de que suas assinaturas se alterem de documento para documento. Fl. 3154DF CARF MF 12 Os primeiros procedimentos fiscais iniciados foram aqueles referentes às lojas varejistas do Grupo. Em todos os casos o Sr. Roberto Restum estabeleceu procuração ao Sr. Nivaldo Sancana Rocha para atender às demandas fiscais. Quando do início da fiscalização das empresas do núcleo, não tendo os AFRFB logrado êxito na localização dessas pessoas jurídicas “laranjas”, inquiriuse o Sr. Nivaldo quanto a tais empresas com quem o Grupo mantinha relação tão estreita: como era de se esperar, o Sr. Nivaldo negou qualquer responsabilidade sobre elas, declarando apenas que quaisquer informações sobre tais contribuintes deveriam ser buscadas com o Sr. Nelson Oliveira dos Santos – CPF 007.260.04898, o qual, segundo o Sr. Nivaldo, seria o contabilista responsável por todas as procuradas. O Sr. Nelson foi convidado a prestar esclarecimentos, havendo comparecido às dependências da Superintendência da Receita Federal na cidade de São Paulo–SP. Suas alegações foram tomadas a termo (Anexo XI). Em resumo, disse que prestava serviços ao Grupo Restum, realizando os trâmites burocráticos de abertura de empresas, atuando junto à JUCESP, Posto Fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e Unidades da RFB. Afirmou que quando iniciou seus trabalhos junto ao Grupo a maioria das empresas do núcleo já estava “aberta”, tendo participado da abertura tão somente da Jos Comércio de Confecções Ltda. e/ou JosConf Comércio de Confecções Ltda. Disse ainda que não foi responsável pela emissão de Notas Fiscais de quaisquer dessas empresas, nem foi detentor de seus certificados digitais (o que possibilitaria a entrega de declarações e emissão de documentos fiscais). Afirmou que os serviços lhe eram passados no escritório do Grupo situado à Rua do Consórcio, São Paulo – SP, que tinha contato com vários funcionários do Grupo e que era remunerado sempre em dinheiro recebido das mãos do Sr. Nivaldo ou do Sr. Paulo Fagundes. Ademais relatou que também prestou serviços de encerramento de empresas, as quais eram encerradas para evitar problemas trabalhistas, sendo que em seus lugares eram abertas novas empresas. Quando confrontado com os nomes dos sócios das empresas do núcleo, o Sr. Nelson reconheceu alguns, entre eles o do Sr. Joeliton Alves dos Santos, João Silva de Moraes, Antônio Mariano e Rubens Barros Marinho. Disse que os via eventualmente no escritório do Grupo, em períodos de 30 ou 40 dias, que estes não desenvolviam atividades profissionais e que todos possuíam problemas de alcoolismo. Ao final, reforçou que desconhecia os montantes negociados pelo Grupo, seus fornecedores, clientes, etc. já que não tinha qualquer papel administrativo dentro do Grupo, limitandose a serviços burocráticos de formalização e encerramento de empresas. Fl. 3155DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.149 13 De tais afirmações, concluise que estas pessoas periodicamente recebiam do Grupo quantia em dinheiro em troca da utilização de seus nomes. Outras informações relevantes apuradas no curso dos procedimentos fiscais são os montantes de movimentação financeira de cada uma das empresas do núcleo, como se vê na Tabela 7 abaixo. CNPJ Razão Social Situação Mov. Fin. 2010 Mov. Fin. 2011 Mov. Fin. 2012 Mov. Fin. 2013 12.165.435/000256 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA Própria 0,00 114.117,66 6.426.538,89 5.768.716,97 12.165.435/000175 HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA Própria 277.058,96 6.136.221,13 4.220.867,82 4.298.960,53 12.595.364/000140 AGR IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE CONFECCÇÕES LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 17.755.478/000100 JURECÊ COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.431.674/000120 SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.431.673/000185 IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 12.374.212/000118 JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 13.385.771/000196 JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA "Laranjas" 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000306 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000225 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 0,00 0,00 0,00 0,00 07.693.822/000144 INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Própria 52.365.830,18 30.239.404,58 25.758.022,85 31.519.478,07 Percebese que somente as empresas próprias possuem movimentação financeira. Quando comparamos a movimentação financeira com a emissão de notas fiscais, notase uma proporção inversa. Do somatório de informações até aqui apresentadas, chegase à conclusão de que as empresas fictas do Grupo simplesmente não existiam fisicamente, sendo meras emissoras de notas fiscais, documentos esses que serviam para acobertar operações comerciais reais efetivadas pelo Grupo (empresas próprias). 1.3 Breve descrição do que foi apurado nas empresas do grupo. 1.3.1 Invictus Importação e Exportação Ltda / Telesa Importação e Exportação Ltda CNPJ: 07.693.822/000144 ; Período fiscalizado: 2011, 2012 Endereço: Rua Professor João Brito, 105, 2º andar, sala 02, Vila Nova Conceição, São PauloSP, CEP: 04535080 Fl. 3156DF CARF MF 14 Constam no quadro societário o Sr. Roberto Restum e Felipe Roberto Restum. O AFRFB responsável pelo procedimento compareceu ao endereço acima e foi informado pelos funcionários da loja Pólo Wear, localizada nesse endereço, que a Invictus ficava no nº 150, para onde se dirigiu e foi atendido pela advogada Giselle Ap. Gennari Palumbo, que representa as marcas Planet Girls, Pólo Wear, Venom, Hot Point, SMK Rio de Janeiro, Planet Star e AR Adriana Restum. No citado nº 150, situase a loja da Planet Girls Comércio de Roupas Ltda., CNPJ 12.154.102/000140. Apresentou DIPJ do anocalendário 2011 pelo Lucro Presumido com informações nulas. Em 2012, apresentou DIPJ com valores ínfimos (Receita Bruta de R$ 317.664,67), esta com o uso indevido do coeficiente de 1,6% do Lucro Presumido. A DCTF de 2011 consta com informações nulas. Quanto à DCTF de 2012, foi enviada retificadora após início do procedimento fiscal informando pagamentos mediante DARF, os quais não constam dos sistemas da RFB. No curso do procedimento apresentou Livros Registro de Entradas (LRE), de Saídas (LRS) e de Apuração do ICMS, relativos ao anocalendário 2012, de uma das filiais (CNPJ 07.693.822/000225). Nenhum outro livro da escrituração contábil e fiscal foi apresentada até a presente data. Destes livros, das informações prestadas pelo sujeito passivo à SEFAZ/SP, no preenchimento da GIAICMS, e dos dados constantes nos sistemas internos da RFB, extraíramse os seguintes valores: AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 23.341.988,76 6.212.097,70 10.560.793,90 24.003.343,18 2012 24.369.199,08 4.948.653,23 6.140.092,40 633.173,27 20.827.654,65 26.173.799,52 Analisandose as NFe percebese que as vendas para PJ do grupo correspondem a 85% do total de vendas (Jos Comércio de Confecções – CNPJ 13.385.771/000196, JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118, Água Mista Comércio de Roupas Ltda. – CNPJ 12.595.364/000140, Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/000100). Os 15% restantes foram para o Grupo Walmart. O Grupo Walmart (Walmart, Lojas Leader, WMS Supermercados, Bom Preço Supermercados) comprou anualmente em torno de R$ 3.500.000,00 em mercadorias (calças jeans, bermudas, camisetas) da Invictus/Telesa em 2011 e 2012, tendo sido intimada a prestar esclarecimentos quanto a essas compras. Em resposta, informou que não tem informações sobre as marcas constantes na etiqueta, pois as compras foram para revenda, que os pagamentos eram efetuados mediante transferências bancárias (TED) na conta da Invictus (Banco Itaú, Ag. 0350, CC 797825 – Rua Joaquim Floriano, 736, Itaim Bibi, São Paulo/SP) e que as mercadorias eram transportadas pelo fornecedor. Fl. 3157DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.150 15 Apresentou cópia de acordo comercial assinado em 22/02/2011. Neste documento, aparecem como contatos financeiro e comercial da Invictus a Sra. Paula Serra – Av. Benedita Quina da Silva, 586, Jundiaí/SP, CEP 13.212141 (ana.serra@hotpoint.com.br) e o Sr. Valter Pereira – Rua Mendes Junior, 474, São Paulo/SP, CEP 03013011 (phs@venom.com.br), respectivamente. Importante notar que o endereço da Sra. Paula é o mesmo de uma das filias da SPR Import (empresa em nome de “laranjas”) e o do Sr. Valter é o mesmo de uma das filiais da Import Dalamari (outra empresa em nome de “laranjas”). Atentar também para os emails (Hot Point e Venom). No mesmo endereço cadastral da Invictus, foi aberta na JUCESP a empresa Planet Girls Itaim Comércio de Roupas Ltda. (Constituição 07/11/2012; Ativa; NIRE 35225056142), no entanto, a mesma não foi cadastrada no CNPJ. Também se diligenciou à empresa Terra do Sol Manufatura e Confecção de Roupas Eireli – ME, CNPJ: 01.054.356/000170, já que houve remessas para industrialização em 2011 de aproximadamente R$ 1.200.000,00. Em resposta à intimação, informou que beneficiou e industrializou peças jeans, que tais as peças retornavam ao encomendante sem finalização de acabamento, portanto, sem etiquetas, que os tecidos eram enviados pela Invictus e retornavam para Av. Gerônimo Monteiro, 1000, Centro, Vitória/ES, que o transporte era por conta do remetente. Alegou não ser possível informar nomes de pessoas com os quais tratava na Invictus pois contatavam muitas do departamento comercial. Afirmou não possuir contrato de prestação de serviço. Reintimada a prestar informações quanto à etiqueta dos produtos industrializados, com fulcro no que estabelece o art. 213 do Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/2002), respondeu ter cometido erro na resposta anterior e anexou cópia de modelo de etiqueta onde consta o CNPJ 07.693.822/000144 da Invictus. Como em outras diligências realizadas nas empresas terceirizadas, notase que suas respostas foram extremamente cuidadosas no sentido de não implicar seu cliente, indicando inclusive que o Grupo Restum teve conhecimento de tais diligências e orquestrou as respostas. Contudo, registrese que, segundo o portador que trouxe a documentação, Sr. Célio Fernandes Santos, a empresa localizavase inicialmente em Jundiaí e atualmente está em Indaiatuba e presta serviços exclusivamente para o Grupo Planet Girl e Hot Point. Afirmou que como é motorista da diligenciada, ele próprio retira os tecidos em Jundiaí, em São Paulo e municípios vizinhos, os leva a Indaiatuba para Fl. 3158DF CARF MF 16 industrialização e posteriormente entrega os produtos acabados na Planet Girl que se localiza no Distrito Industrial de Jundiaí. Diligências efetuadas pelos AFRFB comprovam que o centro de distribuição do Grupo localizase no Distrito Industrial de Jundiaí, situado à Av. Benedita Quina da Silva, 586, endereço este que aparece em várias empresas do Grupo, sejam próprias, sejam de “laranjas”, o que nos leva a dar crédito às afirmações do Sr. Célio Fernandes Santos. 1.3.2 Jos Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196; Período Fiscalizado: Anoscalendários 2011 e 2012. Endereço: Av. Benedito Quina da Silva, 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, Jundiaí – SP. Quadro societário composto por Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890, sócia administradora com 50% das cotas de capital, endereço cadastral junto à RFB à Alameda Dino Bueno, Apto. 4, Campos Elísios, CEP 01217 000 São PauloSP, e Leila Maria Bispo, CPF 406.612.67822, sócia com 50% das cotas de capital, endereço cadastral à Rua Madalena de Madureira, nº 306, Sítio do Morro, CEP 02551040, São Paulo SP. Consta como ATIVA no CNPJ, porém na JUCESP está conforme distrato social registro nº 176.771/128, de 07/05/2012. Com o distrato social, a sócia administradora Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890 ficou responsável pela guarda dos documentos da empresa. No SINTEGRA tem o status de Inapta. No mesmo local funciona a empresa NET PLANET Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, empresa que tem o quadro societário composto pelos Srs. Milson César da Silva CPF 247.107.34844 e Paulo José Pinto CPF 042.744.31568. Veja que a Net Planet é a loja virtual do Grupo (www.planetgirlsstore.com.br). Para o período fiscalizado, anoscalendário 2011 e 2012, a empresa apresentou um faturamento bruto de R$ 118.000.000,00, sendo R$ 88.000.000,00 em 2011 e R$ 30.000.000,00 em 2012 tendo vendido somente para empresas do Grupo Restum, segundo suas NFe. Não apresentou DIPJ e DCTF para os anoscalendários 2011 e 2012, não tendo efetuado nenhum pagamento a título de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL para o período fiscalizado. Em diligência ao domicílio fiscal cadastrado, à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212 141, JundiaíSP, não se encontrou a empresa JOS Comércio de Confecções Ltda., porém constatouse que se trata de um galpão industrial, localizado em condomínio comercial fechado, com intenso movimento de pessoas e mercadorias. No local funciona a expedição de produtos comercializados pela Água Mista para as demais empresas do grupo Restum. Na ocasião da diligência, o AFRFB fora recebido pela Sra. Adriana Restum – CPF 120.853.19807, a qual informou à Fiscalização que trabalha como “designer” do Grupo, Fl. 3159DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.151 17 desenvolvendo os modelos das coleções lançadas periodicamente. Disse também que o seu escritório funciona naquele local, tendo recebido a fiscalização diretamente em sua sala de trabalho. Disse ainda não ter informações sobre a empresa JOS Confecções, colocando o AFRFB em contato com o advogado, Sr. Gelson, que ficou de retornar a ligação com informações sobre a empresa, fato que não ocorreu. Como a empresa não foi localizada no domicílio tributário cadastrado, os termos e intimações do procedimento fiscal foram enviados para o endereço da sócia administradora, responsável pela guarda de documentos, Sra. Alyne Luana Santos Braga, CPF 381.754.83890, com domicílio à Alameda Dino Bueno, nº 568, Apto. 4, Campos Elíseos, CEP 01217000 – São PauloSP, sendo que tais correspondências foram devidamente entregues pelos Correios, mas as intimações não foram atendidas, bem como não houve nenhum contato da Sra. Alyne com a Fiscalização. As sócias Alyne Luana Santos Braga e Leila Maria Bispo não possuem capacidade patrimonial para figurarem no quadro societário de empresa com o movimento da JOS Comércio, tampouco receberam dividendos e/ou tiveram movimentação financeira compatível. 1.3.3 JosConf Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.374.212/0001 18; Período Fiscalizado: Anocalendário 2011. Endereço: Rua do Consórcio, nº 55, no Bairro Vila Nova, São Paulo – SP. Empresa constituída em 11/08/2010 e dissolvida na JUCESP em 13/05/2011. Baixa do CNPJ na RFB datada de 26/05/2011. Todavia, o contribuinte se encontra como Não Habilitado no cadastro Sintegra/ICMS desde sua inscrição em 13/08/2010. Expediu Notas Fiscais de Saídas (DWSPED) na ordem de R$65,8 milhões, com entradas de R$29,5 milhões; não entregou declarações (DIPJ, DACON e DCTF) para o ano fiscalizado. O Sócio Administrador da empresa à época e atual Responsável pela guarda de seus livros e documentos, João Silva de Moraes CPF 733.595.21820, não pôde ser encontrado pelos Correios em seu endereço cadastral, na Rua Maria de Paula, nº 122 Apto. 609, na Bela Vista São Paulo SP. Este responsável foi então cientificado do Termo de Início do Procedimento Fiscal e Termo de Reintimação mediante edital, porém não atendeu à fiscalização até agora. Os indícios apurados quanto a sua falta de capacidade econômica, inatividade profissional e múltiplos endereços configuram hipótese de interposição de pessoa, isto é, mero “laranja” para ocultar os reais beneficiários. O outro Sócio Administrador à época, Rogério da Silva CPF 093.656.18827, foi alternativamente intimado em seu respectivo domicílio tributário, na Av. São João, nº. 1740 Apto. 33, em Santa Cecília São Paulo SP, porém também não foi Fl. 3160DF CARF MF 18 localizado, restando ainda indícios similares de se tratar de interposta pessoa. Em pesquisa ao banco de dados creditício da Serasa Experian, esta pessoa física já assumiu 7 (sete) outros endereços posteriores àquele informado à Receita Federal do Brasil. Diligenciamos ainda até o último endereço oficial da pessoa jurídica, localizado na Rua do Consórcio, nº 55, no Bairro Vila Nova, São Paulo SP, onde se encontra o prédio da Venom Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.746.273/000104, cujos funcionários afirmaram desconhecer a procurada Jos Conf, ressaltando que aquele ponto é reconhecido há muito tempo como uma das sedes do Grupo Hot Point (o piso térreo de nº 57 ora comporta a loja Venom e uma porta contígua de nº 55 dá acesso aos escritórios operacionais do grupo nos dois andares superiores). Vale frisar que um folder promocional ali coletado indica dois locais de showroom da marca Venom: um neste próprio endereço visitado e o outro na Rua Mendes Júnior, nº 472 (logradouro também tido como showroom da marca Hot Point no supracitado site www.hotpoint.com.br). Quando questionado por esta fiscalização, o contador Nivaldo Sancana Rocha (preposto do Sr. Roberto Restum) disse não representar a JosConf, recomendandonos para tanto procurar o Sr. Nelson Oliveira dos Santos CPF 007.260.04898, que seria o efetivo contador das seguintes empresas: Import Dalamari Lojística e Comércio Ltda., Jos Comércio de Confecções Ltda., JosConf Comércio de Confecções Ltda., SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. O Sr. Nelson foi diligenciado e suas alegações já constam deste relatório. No intuito de se obter adicionais informações, diligenciouse às empresas Lantana Comércio, Confecções e Presentes Ltda. CNPJ 08.251.691/000108, identificada mediante notas fiscais de Remessa para Industrialização por Encomenda CFOP 5901, emitidas pela JosConf. Através deste procedimento verificouse que os Romaneios para Saída de Tecido emitidos pela JosConf com destino à Lantana eram registrados em formulário com cabeçalho em nome de “Planet Girls A grife das estrelas”, sendo ainda a maioria deles carimbados e assinados por “William Hoffman Gerente Planet Girls RG 32.534.8546”. As notas fiscais de Retorno de Mercadoria CFOP 5902 emitidas pela Lantana tendo como destinatário a JosConf, supostamente sediada na Rua do Consórcio, nº 55, em São Paulo, muitas vezes trazem a seguinte especificação no campo Informações Complementares: “Endereço de Entrega: Av. Benedita Quina da Silva, 586 Jd. Ermida Jundiaí” (local do supracitado centro de distribuição do grupo). Bem assim, detectamos vários canhotos de recebimento dessas mercadorias pela JosConf sendo de fato assinados por Letícia Cristina de Souza Pinto (funcionária registrada à época na Planet Controle Assessoria Empresarial Ltda. CNPJ 12.772.739/000109), Dircélio Timoteo dos Santos (também da Planet Controle) e ainda Maria Cristina da Silva Fl. 3161DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.152 19 (vinculada à J.E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118. Quando questionado sobre as pessoas habitualmente contatadas na JosConf, o prestador de serviços declarou que: “Não havia uma pessoa específica. Na época, os contatos eram feitos com o departamento de estilo/comercial, pelo telefone +55 (11) 4525 6800.” (central telefônica também apontada pelas empresas Aquarela do Brasil Beneficiadora Têxtil Ltda., Havan Lojas de Departamentos Ltda. e Dimalkon Comércio do Vestuário Ltda. como pertencente à HotBrás, empresas estas diligenciadas no curso do procedimento fiscal na própria HotBrás,conforme relatado no item 2.8 deste relatório). Importante informar que, durante busca à JosConf, caminhando pela Rua do Consórcio e também no lado oposto dessa quadra pela Rua João Brito, encontrouse estabelecimentos de várias marcas adotadas pelo Grupo Restum, a saber: Planet Girls, Venom, Polo Wear e AR Adriana Restum, verificandose ainda os logotipos de todas essas marcas e ainda da SMK, Glamour Rock e HotPoint estampados na fachada da Invictus Importação e Exportação Ltda. (principal importadora do grupo). O endereço de abertura da JosConf na JUCESP, situado na Avenida Professor Alcebíades Delamare, nº 301, em São Paulo SP, é o mesmo adotado por outras empresas associadas ao Grupo Restum, a saber: • FortalezaISA Serviços de Confecções Ltda. NIRE 35225056797, em nome de Roberto e Adriana Restum; • ISAFortaleza Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35224611151, em nome de Isabella Lima Fagundes, João Silva de Moraes e Rogério da Silva; • ImportDalamari Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.673/000185, em nome de Antonio Mariano, Joeliton Alves dos Santos, Rogério da Silva, João Silva de Moraes e Maria do Socorro Bispo; • SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.674/000120, em nome de Isabella Lima Fagundes, Rogério da Silva e João Silva de Moraes (destacase que, além do endereço idêntico, o CNPJ da SPR tem número imediatamente sucessor ao da ImportDalamari, indicando que ambas foram abertas simultaneamente); • R. Preto Comércio e Confecções Ltda. NIRE 35213165014, em nome de Márcia Estela Freitas da Costa, Sidnei Piva de Jesus e Alves Roque da Silva. Outro endereço adotado pela JosConf foi na Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, em Jundiaí, onde também são encontradas as seguintes pessoas jurídicas: Fl. 3162DF CARF MF 20 • NetPlanet Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, em nome de Milson César da Silva, Paulo José Pinto, Roberto Restum e Adriana Restum; • NetPlanet Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35225231661, em nome de Letícia Cristina de Souza Pinto e Paulo José Pinto; • J.E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, em nome de Daniele Restum e Jacques Nehme Rostom; • ÁguaAzul Comércio de Roupas Ltda. NIRE 35227113810, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum; • JOS Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/0001 96, em nome de Aline Luana Santos Braga e Leila Maria Bispo; • Balfa Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35226553735, em nome de João Guilherme Balota e Ronaldo José Faga. No último endereço da JosConf, na Rua do Consórcio, nº 55, em São Paulo, encontramse também as seguintes empresas: • Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. CNPJ 12.696.628/000132, em nome de João Silva de Moraes e Rogério da Silva; • Planet Controle Assessoria Empresarial Ltda. NIRE 35224809660, em nome de Cleusson Faria da Silva, Rodrigo Lourençon, Pierre Nehmi Rostom e Nivaldo Sancana Rocha; • Planet RH Assessoria Empresarial Ltda. NIRE 35224913637, em nome de Cilene Regina Grossi Teixeira e Milson César da Silva; • Consorte Importação e Exportação Ltda. NIRE 35225143592, em nome de Adilson Bernardo Dias, Mariane de Souza Gomes e Roberto Restum; • Telesa Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (registrada inicialmente no nº 54), em nome de Fábio Pontes, Felipe Roberto Restum e Roberto Restum; • Venom Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.746.273/000104 (em sala contígua de nº 57), em nome de Adriana Restum e Roberto Restum; • Venom Itaim Comércio de Roupas Ltda. NIRE 35227113755 (em sala contígua de nº 57), em nome de Adriana Restum e Roberto Restum. Nota: Na Rua do Consórcio, encontramos ainda no nº 86 a Planet Girls Comércio de Confecções CNPJ 04.740.881/0001 38 (em nome de Adriana Restum, Ataíde Quaresma dos Santos Júnior e Eduardo Bueno) e a Planet Shoes Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.154.257/000187 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum), e no nº 169 outras 3 empresas: Station Sports Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 09.124.696/000132 (em nome de Adriana Restum, Felipe Roberto Restum e Roberto Restum), VNPS Serviços de Fl. 3163DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.153 21 Confecções Ltda. NIRE 35225057203 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum) e Glamour Rock. • Comércio de Confecções Ltda. NIRE 35227113828 (em nome de Adriana Restum e Roberto Restum). Além dos mesmos endereços compartilhados entre diversas empresas estreitamente ligadas ao Grupo Restum, detectamos ainda que os sócios “laranjas” da JosConf também figuram no quadro societário de diversas outras empresas, conforme resumo abaixo: • Antonio Mariano: consta também da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 (detalhada mais abaixo), da HOP Jabaquara Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.862.039/000105 e da Import Dalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.673/000185; • Joeliton Alves dos Santos: consta também da Import Dalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.673/000185; • Rogério da Silva: consta também da SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ 12.431.674/000120, da Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. – CNPJ 12.696.628/000132 e da Import Dalamari Comércio de confecções Ltda. – CNPJ 12.431.673/000185; • João Silva de Moraes: consta também da Caparão Lojística e Distribuição Ltda. CNPJ 12.431.686/000154, da Silva & Silva Logística e Qualidade Ltda. – CNPJ 12.696.628/000132, da Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/0001 00, da SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. – CNPJ 12.431.674/000120 e da Import Dalamari Comércio de confecções Ltda. – CNPJ 12.431.673/000185. O Contador Responsável (Rubens Barros Marinho CPF 769.460.53834) e o correio eletrônico (rubenscontdata@hotmail.com) cadastrados no CNPJ da Jos Conf são os mesmos indicados pelas já citadas empresas Hot Brás, PlanetBarueri e Silva & Silva Lojística. Tal contador também aparece no cadastro da Polo Wear Net, porém neste caso o correio eletrônico indicado é o de nivaldo.rocha@planetgirls.com.br. Assim, percebese mais uma vez a confusão entre empresas representadas por Roberto Restum, Adriana Restum e o preposto Nivaldo Sancana Rocha e aquelas outras em nome de “laranjas”. 1.3.4 ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda CNPJ: 12.431.673/000185; Período fiscalizado: 2011 Endereço: Av. Alcebíades Delamare, nº 301, Conjunto 10, Cidade Jardim, São Paulo/SP, CEP 05671020. Observação: Situase no mesmo endereço da SPR Import e de diversas outras empresas associadas ao Grupo Restum, conforme relatado acima. Fl. 3164DF CARF MF 22 Empresa constituída em 16/08/2010 e dissolvida em 19/12/2011, ficando a guarda de livros e documentos sob responsabilidade de Maria do Socorro Bispo CPF 257.482.34866, de acordo com registros na JUCESP. Encontrase ainda Ativa no cadastro CNPJ. Não entregou DIPJ, DACON e DCTF e não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados em consulta à DIRF. No intuito de dar início ao procedimento fiscal, enviouse primeiramente o TIPF à Maria do Socorro (Rua Madalena Madureira, 306, casa, Sítio do Morro, São Paulo/SP), porém correspondência retornou com a informação “Mudouse”. Intentouse então a ciência no endereço do outro sócio, Sr. João Silva de Moraes (Rua Maria Paula, 122, cj. 609, Bela Vista, São Paulo/SP), havendo a correspondência retornado com a informação “Desconhecido”. Finalmente encaminhouse correspondência ao sócio Rogério da Silva (Av. São João, 1740, ap. 33, Santa Cecília, São Paulo/SP), sendo que esta retornou com a informação “Mudouse”. Desta forma, foi dada a ciência do início do procedimento fiscal à Maria do Socorro Bispo mediante edital. Vêse que os sócios da referida empresa são pessoas recorrentemente utilizadas pelo Grupo, já que atualmente, apesar da dissolução na JUCESP, constam como sócios no CNPJ o Srs. Rogério da Silva CPF 093.656.18827, João Silva de Moraes CPF 733.595.2182 e Maria do Socorro Bispo, CPF 257.482.34866. Já à época da constituição da PJ constavam Joeliton Alves dos Santos CPF 456.307.04591 e Antonio Mariano CPF 766.489.82853, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP: 01317001 (notar que este endereço é utilizado por vários “laranjas”). Verificouse que não apresentou declarações e tampouco teve movimentação financeira, porém emitiu notas fiscais no montante de R$ 115.514.947,47, como se vê na tabela abaixo. AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 0,00 115.514.947,47 Curial informar que as NFe apontam vendas somente para PJ´s do Grupo (lojas varejistas). No mesmo endereço constam abertas na JUCESP as PJ abaixo, no entanto tais empresas não constam do CNPJ: • ISAFortaleza Comércio de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/08/2010 (Ativa); NIRE: 35224611151; no endereço foi informado como cj.18; Sócios: Rogério da Silva, CPF 093.656.18827 e Isabella Lima Fagundes, CPF 033.003.15700, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP: 01317001. Em 25/02/2011 houve a inclusão de João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182 (Residente na Rua Maria Paula, Fl. 3165DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.154 23 122, apto. 609, Bela Vista, São Paulo/SP) e a exclusão da sócia Isabella Lima Fagundes; • FortalezaISA Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225056797; no endereço foi informado como cj.18; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Em diligência ao endereço, verificouse tratar de imóvel residencial. O vigia da rua ao lado, Sr. Antonio, que há 30 anos trabalha no local, informou que há aproximadamente 1 (um) ano o imóvel está fechado e que a empresa que ali estava permaneceu por um período aproximado de 8 meses. Não soube dizer ao certo qual era a atividade da empresa. Informou que a proprietária do imóvel, Sra. Cecília não recebia os aluguéis em dia e que o fornecimento de água e luz já foi cortado. A vizinha do imóvel, que reside no local há 40 anos também confirmou que a empresa ficara por 7/8 meses, mas não soube dizer a sua atividade. Outra empresa fictícia do Grupo, a SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda, também está cadastrada neste endereço. Há diversas PJ do grupo cadastradas neste endereço, mas supostamente em conjuntos diferentes, contudo o endereço referese a um único imóvel aparentemente residencial. No mesmo endereço da filial que fica na Rua Prof. João Brito, 85, Vila Nova Conceição, São Paulo/SP constam abertas na JUCESP as empresas abaixo, no entanto estas não foram cadastradas no CNPJ: • SMK Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 11/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225056207; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • SMK Itaim Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113836; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Há também no mesmo endereço a PJ abaixo, esta constante do CNPJ: • SMK Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.154.256/0001 32; JUCESP: Constituição 07/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224204814; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. No mesmo endereço da filial que fica na Rua dos Italianos, 55, Bom Retiro, São Paulo/SP constam abertas na JUCESP as PJ abaixo, no entanto não há cadastro no CNPJ: • Bom Retiro Planet Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 12/01/2011 (Ativa); Fl. 3166DF CARF MF 24 NIRE: 35225057181; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • Planet Girls Bom Retiro Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113852; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Há também no mesmo endereço a PJ abaixo, esta cadastrada no CNPJ: • Planet Bom Retiro Confecções Ltda. CNPJ: 12.167.004/0001 48; JUCESP: Constituição 07/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224204881; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. Finalmente, constam no mesmo endereço da filial que fica na Rua Mendes Junior, 474, Brás, São Paulo/SP as seguintes empresas sem cadastro no CNPJ: • Brás Hot Serviços de Confecções Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 13/01/2011 (Ativa); NIRE: 35225057882; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807; • Hot Point SP Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: não há; JUCESP: Constituição 07/11/2012 (Ativa); NIRE: 35227113887; Sócios Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. 1.3.5 SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda CNPJ: 12.431.674/000120; Período fiscalizado: 2011 Endereço: Av. Alcebíades Delamare, 301, cj. 10, Cidade Jardim, São Paulo/SP, CEP 05671020. Observação: situase no mesmo endereço da Import Dalamari. Empresa constituída em 16/08/2010 e dissolvida em 22/08/2011, ficando a guarda de livros e documentos sob responsabilidade de João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182, de acordo com registros na JUCESP. Encontrase Ativa no cadastro CNPJ. Não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados em consulta à DIRF. Na tentativa de se iniciar o procedimento de fiscalização, encaminhouse o TIPF ao Sr. Rogério da Silva (Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP), porém a correspondência retornou com a informação “Mudouse”. Desta forma, o Sr. Rogério da Silva foi cientificado do início do procedimento fiscal através de edital. Atualmente constam como sócios no CNPJ os Srs. Rogério da Silva, CPF 093.656.188 27, João Silva de Moraes, CPF 733.595.2182 e Isabella Lima Fagundes, CPF 033.003.15700, entretanto, à época da constituição da pessoa jurídica constavam somente Rogério da Silva e Isabella Lima Fagundes, ambos residentes na Av. Brigadeiro Luis Antonio, 1645, Bela Vista, São Paulo/SP, CEP 01317001. Importante informar que em 07/10/2010 foram abertas filiais na Rua Benedita Quina da Fl. 3167DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.155 25 Silva, 586 A, Jd. Ermida, Jundiaí/SP (não tem CNPJ) e na Rua Barão de Jundiaí, 844 A, Centro, Jundiaí/SP (não tem CNPJ), ambos endereços utilizados fisicamente pelo Grupo. Não apresentou declarações (DIPJ, DACON, DCTF) e tampouco teve movimentação financeira, entretanto expediu notas fiscais no valor de R$ 55.120.419,56, conforme tabela abaixo: AC Mov. Financeira GIAEntrada GIASaída LRE LRS NfeSaída 2011 0,00 55.120.419,56 Curial informar que as NFe de vendas foram emitidas exclusivamente para as lojas varejistas do Grupo, havendo também simples remessas para tais lojas no montante total de R$ 14.035.160,34. No mesmo endereço da filial que fica na Rua Barão de Jundiaí, 844, Centro, Jundiaí/SP, consta aberta na JUCESP a PJ abaixo, com CNPJ: • BarãoPlanet Comércio de Roupas Ltda. Abertura CNPJ: 12.523.522/000157; JUCESP: Constituição 09/04/2010 (Ativa); NIRE: 35224205241; Sócios: Roberto Restum, CPF 043.261.15840 e Adriana Restum, CPF 120.853.19807. 1.3.6 Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100; Período fiscalizado: 2011 e 2012 Endereço: Avenida Jurecê, nº. 667, Conjunto 13, no bairro Indianópolis em São Paulo (SP) CEP 04.080012. Empresa constituída na JUCESP em 07/07/2010, em nome de Antonio Mariano e José Balbo Júnior, sendo este último substituído em 18/10/2010 por João Silva de Moraes. Omissão na apresentação de declarações, expediu Notas Fiscais de Saídas (DWSPED) na ordem de R$48 milhões em 2011 e R$40 milhões em 2012, com entradas correspondentes de zero e R$1 milhão, respectivamente. Efetuouse diligência ao endereço da empresa oficialmente cadastrado na RFB, qual seja, Avenida Jurecê, nº. 667, Conjunto 13, no bairro Indianópolis em São Paulo (SP) – CEP 04.080 012, porém a mesma não foi localizada naquele local, ora completamente ocupado por um prédio residencial em construção identificado como Cyrela Essenza Moema, e não obtivemos quaisquer informações quanto a seu atual paradeiro em consulta à vizinhança. Em buscas pela Internet, encontramos apenas que o número 667 daquela rua anteriormente pertenceu a uma lavanderia da rede DryClean USA International. Nessas circunstâncias, as ciências do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do posterior Termo de Reintimação Fiscal foram Fl. 3168DF CARF MF 26 concretizadas mediante Edital, sem qualquer manifestação do sujeito passivo até o momento. Alternativamente, emitimos um Termo de Ciência e de Reintimação Fiscal e outro Termo de Reintimação, com ciência postal do seu sócio administrador Antonio Mariano – CPF 766.489.82853 em seu domicílio tributário, na Rua Wetecindo Garcia de Freitas, nº 300, em Franco da Rocha, porém também não fomos atendidos dessa forma. Todos os administradores encontrados nos quadros societários da Jurecê apresentam indícios de interpostas pessoas sem efetiva capacidade econômica nem profissional, conforme análises anteriores, configurando hipótese de meros “laranjas” para ocultar os reais beneficiários das operações. Corroborando com a tese de empresa inexistente de fato, constatamos que a Jurecê não possui quaisquer vínculos de empregados ou prestadores de serviços registrados nos cadastros do Ministério do Trabalho e Emprego, da Previdência Social nem tampouco da Receita Federal do Brasil, segundo consulta aos bancos de dados do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), GFIP (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e DIRF (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte). De modo análogo ao caso da JosConf, quando questionado, o contador Nivaldo Sancana Rocha (preposto do Sr. Roberto Restum) disse também não representar a Jurecê, recomendando nos para tanto procurar o Sr. Nelson Oliveira dos Santos CPF 007.260.04898, valendo aqui todas aquelas considerações e declarações anteriores. O endereço cadastral da pessoa jurídica Jurecê Comércio, situado na Avenida Jurecê, nº 667, em Indianópolis São Paulo, é o mesmo adotado na JUCESP por outras empresas associadas ao Grupo Restum, a saber: • Venom Ibirapuera Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 11.066.160/000150, citada inicialmente pelo fato de ter incorporado a Box Fashion e dezenas de outras empresas do mesmo grupo econômico em diferentes Estados e ser então subitamente dissolvida, não antes de substituir seus sócios originais, Roberto e Adriana Restum, pelos supostos “laranjas” César Augusto Costa, Célio Martins de Oliveira, Allan Borges de Melo e Rodrigo Vieira Rezende, além da indicação do endereço fictício em tela para a guarda dos documentos de seu Distrato Social; • Planet Plaza Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 10.766.191/000150, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, substituídos pelos pretensos “laranjas” Célio Martins de Oliveira e César Augusto da Costa antes de formalizar evento de incorporação (sem as devidas justificativas e competente laudo de avaliação) e transferir seu domicílio para o aludido endereço fictício; Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.156 27 • Ibirá Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.431.650/0001 70, em nome de Isabella Lima Fagundes e João Batista de Araújo Brito, tendo ainda três filiais na conhecida Rua do Consórcio, nos números 57A, 86A e 169ª. Destacase que o suposto “laranja” Célio Martins de Oliveira CPF 218.260.75879 figura ainda como responsável na JUCESP pelos livros e documentos de duas empresas com significativas transações dentro do Grupo Restum: a Hot Bob Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 69.149.862/000187 e a Hot Barão Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 08.691.953/000155, ambas abruptamente dissolvidas para abrigar novas pessoas jurídicas do grupo em seus respectivos endereços. Por sua vez, o supracitado Milson César da Silva CPF 247.107.34844 é mero empregado da J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118, admitido com vínculo de CLT desde 01/10/2012 até hoje, ao mesmo tempo em que passou a figurar como sócio administrador de dezenas de empresas do Grupo Restum. 1.3.7 AGR Importação e Comércio De Confecções Ltda CNPJ: 12.595.364/000140; Período fiscalizado: Anocalendário 2012 Endereço: Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Galpão A1, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP. Empresa constituída na JUCESP em 16/04/2010, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, estando ATIVA no CNPJ. Antes do início do procedimento fiscal, a referida empresa chamavase ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda, tendo com endereço cadastral Rua Luiz Pelizzari, 345, Gleba 3A1, Bairro do Poste, CEP: 13.213230, JundiaíSP. Neste mesmo endereço funciona a empresa Água Mista Serviços de Confecções Ltda., com objeto social de confecção de peças do vestuário, exceto roupas íntimas e as confeccionadas sob medida, com capital social integralizado de R$ 30.000,00, e quadro societário composto por Roberto Restum CPF 043.261.15840 – Sócio Administrador (participação: 50% capital) e Adriana Restum CPF 120.853.19807 (participação: 50% capital), registrada na JUCESP em 11/01/2011 NIRE: 35225056789, porém não cadastrada no CNPJ. Para o período fiscalizado, anocalendário 2012, a empresa apresentou um faturamento bruto de R$ 131.652.969,57, sendo R$ 92.874.249,34 para o estado de SP, e R$ 38.778.720,23 para outros estados, conforme se apura da análise de suas NFe. Vendeu somente para empresas do Grupo Restum, tendo entradas de mercadorias no valor aproximado de R$ 21.000.000,00. Apresentou DIPJ com valores zerados, optando pelo Regime do Lucro Presumido, não havendo apresentado DCTF para o período, por conseguinte não efetuou nenhum pagamento a título de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL para o período. Fl. 3170DF CARF MF 28 Para a Fiscalização, apresentou tão somente os Livros Fiscais de Entrada, Saída e Apuração do ICMS. Em diligência ao domicílio fiscal cadastrado à época (Rua Luiz Pelizzari, 345, Gleba 3 A1, Bairro do Poste, CEP: 13.213230, JundiaíSP) constatouse que se tratava de um galpão industrial, com pouco movimento de pessoas e mercadorias. No local funcionava a expedição de produtos negociados através de comércio eletrônico, bem como a emissão das notas fiscais para transporte dos produtos vendidos pela então Água Mista para as demais empresas do grupo. Obtevese a informação que apenas a emissão das notas era feita naquele local, visto que os produtos eram expedidos/distribuídos através do depósito localizado em condomínio comercial fechado, à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP. Informações prestadas pelo funcionário, Sr. Wallace Wantuel Garcia CPF 332.020.21893 dão conta de que no local funciona “apenas a logística do papel”, e que os produtos são efetivamente distribuídos pelo outro depósito. No curso do procedimento fiscal houve a alteração do endereço para a citada Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP, bem como a alteração da razão social, ratificando, assim, à informação acima colhida. Consulta aos sistemas de informação da RFB demonstram que, no anocalendário 2013 o Sr. Wallace Wantuel Garcia recebeu pagamentos através da empresa NET PLANET Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. CNPJ 13.756.495/000125, com domicílio tributário à Avenida Benedito Quina da Silva, nº 586, Jardim Ermida II, CEP 13.212141, JundiaíSP, empresa que tem o quadro societário composto pelos Srs. Milson César da Silva CPF 247.107.34844 e Paulo José Pinto CPF 042.744.315 68. Observese que o endereço de localização da NETPLANET é o mesmo onde funcionava a empresa JOS Comércio de Confecções, e onde funciona hoje a Transportadora do grupo, e de onde são distribuídos os produtos com notas fiscais emitidas pela Água Mista. 1.3.8 HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/0001 75; Períodos fiscalizados: Anoscalendário 2011 e 2012. Endereço: Rua Mendes Jr., 474, Brás, São Paulo – SP. Empresa constituída na JUCESP em 07/04/2010, em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, estando ATIVA no CNPJ. Não apresentou declarações em 2011. Em 2012, apresentou DIPJ com valores ínfimos, esta com o uso indevido do coeficiente de 1,6% do Lucro Presumido. O sócio administrador Roberto Restum nomeou como seus prepostos o contador Nivaldo Sancana Rocha, com escritório na Rua Senador Fonseca, nº 535 sala 11 em Jundiaí e o advogado Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.157 29 Gelson de Stefano, com escritório na Praça Tomás Morus, nº 81 11º andar, em São Paulo. Em diligência inicial ao escritório do contador Nivaldo, constatamos que ele não podia ser localizado no aludido endereço. Após tentativas de contato via telefone, obtivemos então o endereço correto no nº 1035 da mesma rua. O Livro Registro de Saídas apresentado converge, em 2011, para os valores declarados em GIAICMS, no montante de R$4,9 milhões. Em 2012, o Livro Registro de Saídas indica vendas de R$1,18 bilhão, porém com devoluções de R$1,06 bilhão, resultando numa Receita Tributável de R$122 milhões. As NFe’s constantes do SPED ratificam as vendas e as devoluções mencionadas. O contribuinte não forneceu à Fiscalização sua escrituração contábil. Procedeuse circularizações perante alguns prestadores de serviços, identificados mediante notas fiscais de Remessa para Industrialização por Encomenda CFOP 5901 emitidas pela Hot Brás, ou ainda clientes de operações de Venda de Mercadoria, destacandose que: • Addobbo Indústria e Comércio de Artigos do Vestuário Ltda. – CNPJ 07.655.684/000109: este fornecedor declarou textualmente que a natureza dos serviços prestados era: “corte, costura e bordado de artigos do vestuário” e ainda que a marca de fantasia estampada nos produtos era: “POLO WEAR”. As notas fiscais apresentadas de “Industrialização Efetuada para Outra Empresa”, emitidas pela Addobbo com destino à Hot Brás (em São Paulo), tiveram seus canhotos de recebimento assinados por Adriano Aparecido da Silva – RG 41.577.2850, oficialmente registrado à época como Almoxarife CBO 4141 na J. E. Logística e Transporte Ltda. CNPJ 10.692.696/000118 (em endereço tido como o centro de distribuição do grupo em Jundiaí). As remessas de itens para industrialização e os correspondentes retornos nunca têm a devida especificação do veículo de transporte (somente a indicação de frete por conta do emitente da NF) e na maioria das vezes não existe nem a declaração do peso bruto da carga; • Aquarela do Brasil Beneficiadora Têxtil Ltda. CNPJ 64.781.073/000140: o prestador de serviços declarou que seu contato habitual com a Hot Brás era feito através da Sra. Ana Paula Serra Fone (11) 45256801 e email: ana.serra@hotpoint.com.br, a qual de fato era empregada da HotOne Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 05.524.336/000177 (também em Jundiaí) naquele período; • Havan Lojas de Departamentos Ltda. CNPJ 79.379.491/002399: o cliente consignou que adquiria “calças e bermudas jeans masculinas; (...) marca: HOT POINT”, tendo como contatos comerciais “Juliana ou Vitória (11) 45256801” (telefone em Jundiaí também citado pela Aquarela); • Dimalkon Comércio do Vestuário Ltda. CNPJ 03.729.837/000245: o cliente atesta que a natureza de suas operações com a Hot Brás era compra de mercadorias (calças e Fl. 3172DF CARF MF 30 camisetas polo) para comercialização, sendo a “marca de fantasia estampada nos produtos: HOT POINT”, com indicação dos seguintes fabricantes nas etiquetas internas de industrialização: o “Camisas Pólo: Importado por Telesa Importação e Exp. Ltda., CNPJ 07.693.822/000144, Produzido na China” (a principal importadora do grupo, rebatizada como Invictus); o “Calças: Hot Point, Fabricado no Brasil, CNPJ 13.385.771/000196” (não por coincidência, este CNPJ pertence oficialmente à ficta Jos Comércio de Confecções Ltda.); • Dentre os contatos comerciais apresentados, encontramse novamente os telefones (11) 45256801 e 45256830 (em Jundiaí) e também os seguintes endereços eletrônicos: mônica.silva@planetgirls.com.br, ivanice.silva@hotpoint.com.br, valterpereira.hot@terra.com.br, monica.souza@hotpoint.com.br e erica.cavalcanti@planetgirls.com.br, evidenciando mais uma vez a integração entre as diferentes marcas. Em adição, os comprovantes de pagamento fornecidos pela Dimalkon em favor da Hot Brás indicam o endereço desta como sendo na Rua do Rosário, nº 519 em Jundiaí (sede da antiga HotWay Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 69.049.617/000106). Em novas consultas aos bancos de dados da JUCESP, nesse caso encontramos 5 (cinco) contribuintes pretensamente diferentes no endereço cadastral da Rua Mendes Júnior, nº 474, no Brás, em São Paulo SP, novamente com atividades em períodos concomitantes, conforme quadro abaixo: Empresa NIRE CNPJ Constituição Encerramento Sócios HotWorld Comércio de Confecções Ltda 35217728463 05.277.729/000123 10/09/2002 30/06/2010 Roberto e Adriana Restum HotBrás Comércio de Confecções Ltda 35224204920 12.165.435/000175 07/04/2010 Roberto e Adriana Restum Brás Hot Serviços de Confecções Ltda 35225057882 não aberto 13/01/2011 Roberto e Adriana Restum Hot Point SP Comércio de Roupas Ltda 35227113887 não aberto 07/11/2011 Roberto e Adriana Restum Venom Brás Comércio de Confecções Ltda 35227737317 18.785.616/000180 30/08/2013 Felipe e Vanessa Restum Em diligência ao endereço da matriz da empresa fiscalizada, a mesma não foi localizada na Rua Mendes Júnior, nº 474, São Paulo, tampouco no mais recente, nº 466, constante na JUCESP. Neste endereço, funciona desde 30/08/2013 a Venom Brás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 18.785.616/000180, pertencente ao mesmo grupo econômico (foi encontrado um carimbo da antiga HotBrás na atual loja Venom). O cadastro do Sintegra/ICMS indica o CNPJ 12.165.435/000175 como Não Habilitado desde 15/01/2014 para a Secretaria da Fazenda Estadual. A ciência do TIPF foi então dada à advogada do Grupo Planet Girls, Giselle Aparecida Gennari Palumbo CPF 124.033.128 27, encontrada na sede da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. CNPJ 07.693.822/000144 (principal Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.158 31 importadora do grupo), situada na Rua Professor João Brito, nº 150, em São Paulo. O site da Hot Point na Internet, www.hotpoint.com.br, indica que o showroom da marca se localiza na Rua Mendes Júnior, nº 466F/472, em São Paulo (SP). Constatouse a indicação do CNPJ 12.165.435/000175 como fabricante em inúmeras etiquetas internas de industrialização de roupas de diferentes marcas do grupo (camisetas Hot Point, jaquetas Venom, etc.); O Contador Responsável pela HotBrás, Rubens Barros Marinho CPF 769.460.53834, é o mesmo cadastrado para a Polo Wear Net Comércio de Roupas e Acessórios Ltda. – CNPJ 15.399.036/000167 e também para a JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118. Neste ponto, destacase que tanto a HotBrás quanto a Polo Wear Net estão em nome de Roberto Restum e Adriana Restum, enquanto a Jos Conf está em nome de “laranjas”. A filial de CNPJ 000256, situada na Rua Antonio Perutti (ou Peruche), nº 111, no Bairro Honório Fraga em Colatina (ES), encontrase muito próxima a 5 (cinco) significativos fornecedores de remessas para industrialização: Mandin S Indústria de Comércio e Conf Ltda. – CNPJ 05.801.793/000161, Pubi Ind e Com de Confecções Ltda.EPP CNPJ 04.572.052/000193, Dian Confecções Ltda.EPP CNPJ 39.378.989/000107, Tutti Fruti Indústria de Confecções Ltda. ME CNPJ 14.954.020/000106 e Palare Ind. de Confecções LtdaME CNPJ 07.729.721/000186. 1.3.9 Lojas Varejistas Além das empresas do núcleo, o SEFIS/DRF/JUN também fiscalizou as lojas varejistas circunscricionadas, a saber: Hot Maxi Shopping Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.484.212/000170, PlanetJundi Max Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.372.145/000100, HotNumberOne Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.523.506/000164, Barão Planet Comércio de Roupas Ltda. – CNPJ 12.523.522/000157, Planet Out Let Comércio de Confecções Ltda., Polo Wear Outlet Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.523.484/000132 e FashionRoupas Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.113.554/000184. Nos mesmos endereços das sociedades acima havia empresas baixadas pertencentes ao Grupo, motivo pelo qual foram abertas, simultaneamente, diligências nas seguintes: HotMaxi Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 05.515.378/000141, PlanetMaxi Comércio de Confecções Ltda. – EPP – CNPJ 08.325.725/000161, HotOne Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 05.524.336/000177, Hot Barão Comércio de Confecções Ltda. – EPP – CNPJ 08.691.953/000155, Planet Outlet Comércio de Confecções Ltda. – ME – CNPJ 10.666.719/0001 10 e Venom Outlet Comércio de Confecções Ltda. Fl. 3174DF CARF MF 32 Em todos os procedimentos, o sócio administrador Roberto Restum nomeou como seu preposto o contador Nivaldo Sancana Rocha para atender as demandas fiscais. De um modo geral, o que se apurou nesses procedimentos é que os contribuintes não entregaram DIPJ ou as entregaram “zeradas”, entretanto apresentaram GIA à SEFAZ/SP indicando receitas de vendas. No curso do procedimento entregaram DCTF´s retificadores não espontâneas, consignando valores de tributos e indicando que os mesmos foram recolhidos através de DARF, entretanto não constam registro dos referidos pagamentos nos sistemas internos da RFB. Apresentaram Livros Registro de Saída cujos valores estão idênticos ou muito próximo das GIA´s. Não apresentaram escrituração contábil (Livro Caixa e/ou Diário e Razão). 1.4 Da Conclusão da Fiscalização Em síntese, assim concluiu a fiscalização: Assim, considerando a extensa dilação probatória supra postada, convicto se queda de que efetivamente existe o nomeado Grupo Restum, grupo este comandado por Roberto Restum CPF 043.261.15840 e Adriana Restum CPF 120.853.19807, porém composto por toda a família Restum, o qual se utiliza de diversos artifícios com o fulcro de suprimir o pagamento de tributos, seja dissimulando o fato gerador, seja omitindo o patrimônio que poderia servir para satisfazer o crédito tributário. Abaixo vemos diagrama dos titulares do Grupo. (...) Em resumo, verificouse que o referido Grupo, ao invés de constituirse formalmente como uma unidade (matriz e filiais), optou por individualizar cada uma de suas parcelas operacionais. É bem verdade que esta opção, por si só, não configura nenhuma ilegalidade, apesar de não constituir a praxe administrativa, motivo pelo qual deve o Órgão Tributante respeitar tal opção no momento da tributação, entretanto, vai além o contribuinte, utilizase dessa fragmentação para enganar o Fisco, ou ao menos tenta. Valese da formalidade, dos diversos órgãos e cadastros existentes para criar confusão e impedir ou retardar que o Fisco tenha conhecimento do fato gerador do tributo, assim, constitui incontáveis empresas, parte cadastra em todos os órgãos (JUCESP, RFB, SEFAZ, etc.), parte não, da mesma forma age na dissolução, desta feita o órgão tributante é levado a erro, seja na análise da capacidade contributiva do contribuinte, seja no conhecimento do fato gerador antes de decorrida a decadência, seja na identificação correta do sujeito passivo. Mas não se limita a este ardil, utilizase também de interpostas pessoas que constituem empresas a serem empregadas pelo Grupo. Variedade também se verifica no que tange às interpostas pessoas, já que estas por vezes têm seus nomes utilizados sem consentimento e/ou sem participação administrativa (“laranjas”) e em outros casos são pessoas ligadas que emprestam seus nomes (“testas de ferro”). Neste Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.159 33 relatório limitamonos a analisar as interpostas pessoas ligadas às chamadas empresas do núcleo, entretanto há uma infinidade de nomes e empresas utilizada pelo Grupo (Anexo VIII). Esta, aliás, é uma constatação que não deve ser esquecida, tudo o que se apurou e consta deste relatório, é apenas uma parte, estática, referente aos anoscalendário 2011 e 2012, das ações do Grupo. Concentrouse no núcleo do esquema, mas há indícios de outras práticas ilícitas, da existência de outras empresas, outros “laranjas”. Como se viu, a prática engendrosa e ilícita do contribuinte é sobremaneira dinâmica, havendo constante alteração nos atores e ações. Retomando a questão das interpostas pessoas, verificouse que estas são utilizadas para constituir a mais diversa gama de empresas. Parte existe fisicamente, parte inexiste, constituise mera formalidade que acoberta operações comerciais reais. É o que se verificou nas empresas fictícias do núcleo. No anocalendário de 2011, percebese claramente que as empresas Jos Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 13.385.771/000196, JosConf Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.374.212/000118, ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda. CNPJ: 12.431.673/000185 e SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda. CNPJ: 12.431.674/000120 compuseramse de puro anteparo, estratagema, avatar para as operações da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, já que aquelas adquiriram quase que a integralidade das vendas desta e depois repassaram tais mercadorias, adicionadas a compras realizadas, às lojas varejistas do Grupo. Assim, toda a mais valia, bem como o ônus tributário, recaíram sobre as fictas, livrando as empresas em nome próprio da obrigação tributária daí decorrente. Corrobora ainda com tal afirmação o fato que as empresas fictas não possuíram movimentação financeira, não contrataram funcionários, seus sócios não possuem capacidade patrimonial, suas vendas se deram exclusivamente às empresas do Grupo, seus fornecedores indicam que negociaram efetivamente com o Grupo (diligências), seus sócios constam também do quadro societários de outras empresas do Grupo, algumas delas inclusive registradas utilizando como razão social as marcas do Grupo. Coube a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 comercializar os produtos produzidos pelo próprio Grupo através de remessas para industrialização a terceiros. Verificouse claramente no procedimento fiscal que estas operações se deram com a organização administrativa do Grupo Restum. Da mesma forma, os clientes da Jurecê não integrantes do Grupo, minoria das comercializações, já que a grande maioria das vendas foram realizadas para lojas do Grupo, textualmente afirmaram que compraram produtos com as marcas do Grupo, havendo negociado diretamente com este. Fl. 3176DF CARF MF 34 De fato, o que se verifica é que também a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 12.755.478/000100 é anteparo da Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, não tendo havido a formalização de compras/vendas entre as empresas, porém a Jurecê era o braço nacional da Invictus, tanto é assim que no anocalendário de 2012 já houve o registro de várias operações comerciais entre ambas, colocandose a Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 claramente na posição de empresa ficta interposta da Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144. Então, os fatos geradores formalmente atribuídos às empresas fictícias em verdade foram praticados pela Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, a quem se atribuiu o ônus da quitação do crédito tributário. No anocalendário de 2012, mantevese o modus operandi do Grupo, entretanto, houve a mudança de alguns atores. Destarte, pelos mesmos motivos já apontados para o anocalendário anterior, é seguro e certo afirmar que as empresas Jos Comércio de Confecções Ltda. – CNPJ 13.385.771/000196 e Jurecê Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.755.478/000100 constituíramse de meros avatares da empresa Invictus Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 07.693.822/000144, sendo, portanto, esta última aquela que efetivamente praticou o fato gerador dos tributos. Já as empresas ÁguaMista Comércio de Roupas Ltda. CNPJ: 12.595.364/000140 e HotBrás Comércio de Confecções Ltda. CNPJ 12.165.435/000175, constituídas em nome próprio do Grupo, também sonegaram tributos, entretanto, como não há falsidade em sua constituição, respeitouse a opção do contribuinte em fragmentar o Grupo em diversas empresas, sendo, portanto, a cada uma delas atribuídas as respectivas obrigações tributárias e seus decorrentes créditos tributários. Por todo o exposto, também se conclui que há evidente confusão patrimonial entre as empresas do Grupo, ademais de os bens estarem abrigados por empresas que não praticam corriqueiramente atos de comércio. Viuse que tal situação nada mais é que ardil no sentido de intentar impedir que se alcance o patrimônio do Grupo para satisfazer o crédito tributário, muito embora tais bens estejam diretamente ligados às operações comerciais do Grupo, já que são, em suma, imóveis, veículos e as marcas utilizadas por este; assim, as empresas Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144 devem também responder pelos créditos tributários vencidos e vincendos do Grupo com base no art. 124, I da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN). Da mesma forma, devem os sóciosadministradores do Grupo Restum responder com seu próprio patrimônio pelos créditos tributários vencidos e vincendos decorrentes das operações do Grupo com fundamento no art. 135, III do CTN, haja vista a abundante prática de atos ilegais por eles adotada. Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.160 35 Posto isto, concluise o presente relatório com a certeza da vontade sonegadora do Grupo, fato que levou a sua autuação fiscal com a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, I e § 1° da Lei 9.430/96. Esta é a síntese do “Relatório Fiscal – Grupo Restum”. 2 Do Procedimento Fiscal junto à Empresa FASHIONROUPAS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 2283 em diante), em 01/10/2013 foi realizada diligência ao endereço cadastral da empresa acima qualificada, sendo então dada ciência pessoal do Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado na mesma data à gerente da loja Diana de Oliveira F. Rostom – CPF 226.242.56806, por meio do qual foi a contribuinte intimada a apresentar seus livros contábeis e fiscais relativos ao período de 01/01/2010 até 31/12/2012, acompanhados de seus dados societários e da indicação das pessoas habilitadas a atender à presente fiscalização. Em 17/10/2013, compareceram ao Setor de Fiscalização da DRF/Jundiaí os Procuradores Nivaldo Sancana Rocha e Gelson de Stefano, conforme Instrumento de Procuração assinado em 14/10/2013 por seu sócioadministrador Roberto Restum, vindo a entregar os Livros de Entradas, Saídas e Apuração do ICMS de 2010 até 2012, o Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências de nº 01 e cópias do seu Contrato Social datado de 30/03/2010. Foi então lavrado o Termo de Retenção e Reintimação Fiscal, com ciência pessoal do contador Nivaldo Sancana Rocha em 30/10/2013, registrando o recebimento dos documentos supracitados e ao mesmo tempo reintimando o sujeito passivo a apresentar seus Livros Diário e Razão completos (ou alternativamente Livro Caixa com toda a sua movimentação financeira no período). Em 04/12/2013 foi a contribuinte novamente intimada, na pessoa de Nivaldo Sancana, e foi ressaltado que o não atendimento à reintimação ensejaria o lançamento de ofício com as informações de que se dispusesse, em consonância com os arts. 841 e 845 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), sem prejuízo de outras sanções legais cabíveis; e que a não apresentação de sua escrituração contábil obrigaria a adoção do regime de tributação com base no Lucro Arbitrado na apuração do IRPJ e CSLL, segundo o inciso III do art. 47 da Lei 8.981/95, bem como a sistemática da cumulatividade para o PIS e da COFINS, prescrita pelo art. 8º, inciso II, da Lei 10.637/02 e art. 10, inciso II, da Lei 10.833/03. Em 09/12/2013, a empresa solicitou prorrogação de prazo por mais 30 dias, o que foi deferido, e mesmo assim não atendeu à intimação, e assim foi emitido o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal, assinado pelo Procurador Nivaldo Sancana Rocha em 25/02/2014, consignando a reiterada omissão do sujeito passivo e o reintimando a fornecer sua escrituração contábil completa, sob pena das implicações tributárias discriminadas nos termos fiscais anteriores. Em 04/04/2014 foi expedido o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal, com ciência postal por Aviso de Recebimento confirmado em 16/04/2014, ocasião em que foi registrado mais uma vez o caráter imprescindível da documentação requisitada para o bom andamento da ação fiscal. Posteriormente foi lavrado novo Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal, com ciência pessoal da gerente Maria Aparecida dos Santos em 03/06/2014, quando a fiscalização constatou que: Fl. 3178DF CARF MF 36 1) Antes do início desta fiscalização, o contribuinte sob análise não havia espontaneamente confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF quaisquer valores devidos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nos anosbase 2010, 2011 e 2012; 2) Uma vez iniciada a presente ação fiscal, foram constatadas significativas divergências no batimento das informações prestadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (omissa em 2010 e 2011 e parcial em 2012) e Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON (omisso em ambos os períodos) em comparação com a Base de Cálculo Tributável da ordem de R$4,6 milhões apurada nos Livros Fiscais fornecidos a esta fiscalização, tal como evidenciado em planilha demonstrativa anexa; 3) Adicionalmente detectamos que, nos raros períodos em que a pessoa jurídica declarou em DIPJ a ocorrência de alguma receita tributável (somente no 3º e 4º trimestres de 2012), estranhamente adotou o percentual mínimo de 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita auferida dentro do regime do Lucro Presumido, em flagrante discordância com sua Atividade Econômica: CNAE 47.814/00 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios; 4) Não foi possível verificar os lançamentos contábeis da empresa nos anoscalendário em comento, em razão de sua negativa no fornecimento de sua escrituração contábil, ainda que reiteradamente notificada; 5) Entre os dias 14 e 30/05/2014, o fiscalizado transmitiu diversas DCTF's à Receita Federal do Brasil, reconhecendo como devidas obrigações tributárias não antes declaradas ao fisco. Por oportuno, ressaltamos que os valores confessados de forma não espontânea, ou seja, após o início do procedimento fiscal ocorrido em 01/10/2013, seriam objeto de lançamento de ofício com a multa determinada no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, combinado com o art. 7º, §1º, do Decreto 70.235/72, sem prejuízo de outras sanções legais cabíveis. Nessas circunstâncias, o contribuinte foi reintimado a: I) Apresentar DCTF retificadora vinculando débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS exatamente compatíveis com os valores espontaneamente recolhidos em DARF para tais tributos, a fim de sanar erro de fato e viabilizar seu abatimento no lançamento de ofício das diferenças não oferecidas à tributação; II) Justificar por escrito as divergências constatadas entre os valores espontaneamente declarados pela empresa e as bases de cálculos extraídas de seus livros fiscais discriminadas na citada planilha; III) Apresentar toda a documentação pendente, notadamente quanto a sua escrituração contábil completa, conforme implicações tributárias ressaltadas nos termos fiscais anteriores. Em 21/07/2014 foi lavrado o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal (ciência por AR em 25/07/2014), alertando que sua reiterada Fl. 3179DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.161 37 negativa ensejaria lançamento de ofício com as informações de que se dispusesse por determinação dos arts. 841 e 845 do RIR/99, Além da notificação endereçada à pessoa jurídica, tentouse em vão contato direto com seu sócioadministrador Roberto Restum, a quem foram encaminhadas cópias do termo fiscal anterior com o resumo das pendências acumuladas, porém este responsável legal não foi localizado em seu endereço oficial, conforme anotação de “Mudouse” no comprovante dos Correios. Foi emitido o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal de 03/09/2014, retratando todo o contexto exposto, com ciência concretizada em 19/09/2014 pessoalmente ao Domicílio Tributário Eletrônico DTE do administrador Roberto Restum, em consonância com o art. 23, inciso III, alínea "a", do Decreto nº 70.235/1972 e a Lei nº 11.196/2005. Por último, foi lavrado o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal datado de 29/10/2014, reportando os recentes contatos e as consequências tributárias da omissão do fiscalizado, cuja ciência postal foi confirmada em 06/11/2014. Após todos esses procedimentos, foram lançados de ofício os créditos tributários adiante justificados. 2.1 Da Constituição do Crédito Tributário Omissão de Receitas de Vendas. Constatouse que a contribuinte sob análise se encontrava na condição de omisso quanto à entrega de suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ referentes aos anoscalendário 2010 e 2011, tendo transmitido à RFB tão somente sua DIPJ relativa ao anobase 2012 (ND 1511446) ainda com valores ínfimos e restritos ao 2º semestre do período, ou seja, com as demais fichas completamente zeradas, manifestando essencialmente sua opção de tributação pela sistemática do Lucro Presumido. Com relação à DCTF, o sujeito passivo transmitiu em maio de 2014 diversas declarações de modo não espontâneo, tendose em vista o prévio início desta fiscalização levado a efeito em 01/10/2013. Constatouse também que o sujeito passivo omitiu as receitas auferidas, não recolheu os tributos devidos, não manteve escrituração contábil nos termos da legislação comercial, descumprindo as obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos anoscalendário 2010, 2011 e 2012. O lançamento do IRPJ foi pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado tendo em vista que o sujeito passivo não apresentou sua escrituração contábil nos termos da legislação comercial (Livro Diário e Razão), nem alternativamente seu Livro Caixa, inviabilizando a perfeita a verificação das receitas tributáveis, dos custos incorridos e das despesas dedutíveis. Nessas circunstâncias, considerou completamente prejudicada a apuração tributária tanto no regime do Lucro Presumido quanto no Lucro Real, assim como a averiguação de sua regularidade fiscal, e aplicouse o arbitramento do lucro com fulcro no art. 47, inciso III, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. As receitas brutas omitidas nos anoscalendário de 2010, 2001 e 2012 encontramse demonstradas no Anexo 1 Apuração da Receita Bruta, que discrimina detalhadamente cada uma das receitas extraídas dos Livros de Registro de Saídas fornecidos pela própria empresa, sobre as quais foi aplicado o percentual correspondente a seu Código da Atividade Econômica (CNAEFiscal): 47.814/00 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios. Fl. 3180DF CARF MF 38 Para o cálculo do IRPJ devido, aplicouse a alíquota de 15% (quinze por cento) sobre as bases de cálculo trimestrais extraídas do quadro anterior, mais o adicional de 10% (dez por cento) sobre a parcela que exceder a R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) em cada trimestre, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.249/95. Na apuração da infração reflexa da CSLL, sobre a receita omitida foi aplicado o percentual do lucro arbitrado de 12% na determinação da base de cálculo da Contribuição, sobre a qual será aplicada a alíquota de 9%. Na apuração das infrações reflexas da Contribuição para o PIS e da COFINS, sobre a receita omitida forma aplicadas as alíquotas do regime cumulativo de 0,65% e de 3%, respectivamente. Sobre os tributos e contribuições devidos foi aplicada a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por entender a fiscalização que, conforme circunstanciadamente relatado no Relatório Fiscal Grupo Restum anexo, teria restado caracterizada a ocorrência, em tese, de condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, bem como no art. 1° da Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990, o que exigiu a Representação Fiscal para Fins Penais, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº 2.439/10, com alterações trazidas pela Portaria RFB nº 3.182/11. Considerando os fatos apurados e minuciosamente detalhados no Relatório Fiscal Grupo Restum foi atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário entre as empresas do Grupo Restum em consonância com o art. 124, I do CTN, outrossim dos sócios gerentes com base no art. 135, III do mesmo diploma legal. 3 Da Impugnação. Inconformados, tanto o sujeito passivo quanto os responsáveis solidários, todos intermediados por seu procurador (doc. 01), apresentaram impugnação aduzindo como razões de defesa o seguinte: I – Imputações Alegou que a fiscalização partiuse de constatações genéricas para individualizar tanto um arbitramento, despropositado, como solidarizações fundadas apenas nos dispositivos legais, sem que tenha havido a necessária descrição da conduta de cada contribuinte solidarizado, simplesmente ignorando as disposições legais aplicáveis à espécie e as autônomas personalidades jurídicas. Acrescentou que a Fiscalização não demonstrou, ao menos concretamente em cada auto de infração, quer a viabilidade do arbitramento, quer a possibilidade de solidarização das demais Impugnantes. II – Impossibilidade e inaplicabilidade do arbitramento do lucro Alegou que não havia motivo para o arbitramento do lucro, pois não houve imputação de total ausência de declarações e escrituração e a fiscalização teve inegável acesso a parte da documentação fiscal e contábil, de sorte que nada há que justifique a excepcional medida de arbitramento do lucro, pois era plenamente possível aferir a correta base tributável. Ademais, a desconsideração da opção pela forma de apuração adotada pelo contribuinte esbarrou na legislação de regência e nos precedentes administrativos, que condicionam a adoção do lucro arbitrado quando, devidamente comprovado pela Fiscalização, a impossibilidade de apuração pelo regime indicado pelo contribuinte. Acrescentou que: Observese assim, qualquer qualquer que seja o caso que queira analisar, ainda que se esteja diante de indícios de eventual omissão de receitas, é que: i) o arbitramento é medida excepcional; ii) é inarredável a Fl. 3181DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.162 39 comprovação de que seria impossível aferir a base tributável pela modalidade escolhida pelo contribuinte. Solicitou “que seja afastada no caso concreto a possibilidade de arbitramento, julgandose improcedentes os autos de infração, porquanto a contribuinte apresentou elementos que possibilitavam à Fiscalização adicionar eventual valores tidos por omitidos sem a necessidade de valerse do expediente adotado.” III Solidarização e responsabilização Alegou que a fiscalização arrolou as empresas e os sócios do que seria um conglomerado econômico, aludindo o que dispõem os artigos 124 e 135, do Código Tributário Nacional, e simplesmente os colocou na posição de devedores solidários, sem qualquer imputação especificada, em relação a qualquer dos solidarizados. No entender da impugnante não se pode conceber a solidarização de dezenas de contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, ao mero argumento de que todas participaram de um “grupo econômico”, nem mesmo a dita constatação de que haveria intuito de suprimirse a tributação autorizaria a solidarização pura e simples, era mister da Fiscalização, reafirmese, demonstrar a participação individualizada de cada um que reputou solidário ou responsável. Deveria a Fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização. Alegou que em relação ao Impugnante “Roberto” fora responsabilizado nos termos do artigo 135, III, do CTN, e neste ponto específico, além da mesma imputação genérica, a Fiscalização novamente incorreu em equívoco interpretativo sofrível, porquanto assinalou um evidente dispositivo que cuida de responsabilidade por pagamento de crédito de terceiros, como se tratasse de solidariedade. Solicitou que, caso prevaleçam os impugnados autos de infração, que sejam excluídos do polo passivo da presente obrigação tributária todos quantos foram solidarizados e/ou responsabilizados, reconhecendose que a Fiscalização não demonstrou na espécie os motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim, na legalidade. IV Inaplicabilidade da multa qualificada. Alegou que a multa de 150% revelase confiscatória e desproporcional, visto que não apresenta característica de razoabilidade e Justiça e revela imensa discrepância entre o suposto desrespeito à norma tributária e sua conseqüência jurídica e viola expressamente o princípio constitucional disposto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal V Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Alegou que ainda que se considerasse procedente a autuação, não se poderia fazer incidir a taxa de juros sobre a multa aplicada, haja vista a previsão legal expressa, a que alude o art. 84 da Lei nº 8.981/1995, de acréscimo de juros apenas aos valores referentes a tributos e contribuições sociais (art. 84 da Lei nº 8.981/1995) Argumentou que deve se ter clara a distinção entre multa e tributo, eis que a primeira é sinônimo de sanção imposta por descumprimento da obrigação tributária, enquanto o segundo se refere a toda prestação pecuniária compulsória, que não Fl. 3182DF CARF MF 40 constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada (artigo 3º do Código Tributário Nacional). A multa, assim, é a sanção que decorre, por exemplo, do não pagamento do tributo, com este não se confundindo. Este é o motivo de os juros incidirem apenas sobre o principal, pois a previsão legal estende a sua aplicação somente aos tributos e contribuições sociais, excluindo de sua abrangência a multa. Por derradeiro, alegou que a Lei nº 9.430/96, de igual forma, não autoriza a aplicação de juros sobre a multa de ofício, tratando apenas do caso de multa isolada, consoante jurisprudência acima posta, o que não se verifica nestes autos, evidenciado, portanto, não haver base legal para a aplicação de juros sobre a multa, tal como lançados nos autos de infração, sendo forçoso o seu cancelamento. VI – Julgamento conjunto Requereu a reunião dos 10 (dez) processos cujos autos foram lavrados sob o amparo do mencionado “Relatório Fiscal Grupo Restum”, tratandose, portanto, dos mesmos fatos e fundamentos jurídicos, a fim de que tramitem conjuntamente e sejam conjuntamente julgados, homenageandose, desta forma, o princípio constitucional da razoável duração do processo e evitandose a prolação de decisões conflitantes VII – Dos pedidos Requereu que seja conhecida a impugnação para os fins de julgar insubsistente o Auto de Infração reconhecendo a inaplicabilidade do arbitramento do lucro e, ainda, em pleito alternativo e em caso de prevalência das imputações lançadas acima, que sejam os contribuintes solidarizados devidamente excluídos do polo passivo da obrigação tributária aqui constituída e, de forma igualmente alternativa, requereu a redução da multa aplicada ao patamar mínimo regulamentar, afastandose a multa qualificada; É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1458.571, de 26 de maio de 2015, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE. Comprovado a omissão de receita mediante o confronto entre a DIPJ e as informações extraídas dos Livros Fiscais Registro de Saídas e Apuração do ICMS, combinada com registros das notas fiscais eletrônicas constantes no SPED Sistema Público de Escrituração Digital , e não havendo qualquer contestação quanto à omissão apurada, mantémse o lançamento. ARBITRAMENTO. LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez que a empresa, mesmo intimada, não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, nem mesmo o livro Caixa contendo sua movimentação financeira e bancária, cabível o arbitramento do lucro. Fl. 3183DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.163 41 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. (art. 153 e 124, I, do CTN). MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada eletronicamente da decisão da DRJ na data de 15/06/2015, e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 29/06/2015, juntamente com os responsáveis solidários, todos em uma só peça recursal, os quais repetiram basicamente os argumentos apresentados na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Fl. 3184DF CARF MF 42 Delimitação da Lide Analisando as razões de recurso voluntário, percebo que a recorrente não "gastou muitas tintas" para combater os fundamentos da DRJ, limitandose apenas em reproduzir os argumentos já apresentados em sede de impugnação, quais sejam: 1) o arbitramento do lucro; 2) a responsabilidade solidária; 3) a multa qualificada de 150%; e 4) a cobrança de juros sobre a multa. MÉRITO Preliminarmente, convém rebater os argumentos iniciais da recorrente de que "os fatos, descritos de forma tendenciosa e complexa pela fiscalização, terminam por impressionar e podem redundar em uma conclusão equivocada". Ora, o método dialético tem como desígnio estabelecer a verdade por meios de argumentos fundamentados, atestados de lógica e razão. Assim, devemse apartar os argumentos apenas emocionais, que somente servem para hesitar o avaliador. A partir dessa premissa, deve o julgador formar sua convicção por meio dos elementos de fato e de direito constantes no processo, corroborados por prova inequívoca de suas ocorrências. Não obstante, o espectro que se extrai de um lado e de outro da dialética inevitavelmente é imbuído do emocional: no debate tributárioprocessual, por exemplo, o fisco afirma que o sujeito passivo deve pagar tributo e tenta convencer o avaliador disso; o sujeito passivo, em antítese, entende que a forma escolhida para pagar menos tributo, ou não pagar, é legal e também se serve de seu domínio de convencimento. Deste preceito de cada um entender que está na razão é que surge a dialética processual. Assim, cabe ao avaliador extrair dos argumentos de ambas as partes aquilo que mais se encaixa como verdade, cuja avaliação principia, mesmo que involuntariamente, alicerçada neste trecho musical1: "Há tantos quadros na parede Há tantas formas de se ver o mesmo quadro" E, para se alcançar a verdade, impõese interpretarmos a dialética como aferiu Aristóteles, ao afirmar que ela é a lógica do provável, daquilo que parece ser aceitável a todos ou à maioria, mesmo quando não se pode demonstrar, já que exige apenas que não seja possível eliminar o candidato à verdade. 1 Música de Humberto Gessinger: NinguéM = NinguéM Fl. 3185DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.164 43 Desta forma, independentemente das acusações impostas pela fiscalização, o que deve prevalecer no caso é um julgamento baseado nas provas acostadas ao processo, que dão suporte à descrição das razões de fato e de direito que induziram a fiscalização a efetuar o lançamento fiscal e ao sujeito passivo a contraargumentar as acusações lhe impostas. II.1 IMPOSSIBILIDADE E INAPLICABILIDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO A recorrente alega que o arbitramento é medida excepcional e de que é inarredável a comprovação de que seria impossível aferir a base tributável pela modalidade escolhida pelo contribuinte. Não entendo ter razão a recorrente. O arbitramento é uma das formas de apuração do IRPJ e da CSLL, e não se trata de punição ao sujeito passivo; é apenas uma forma de apuração do lucro fiscal quando não há elementos suficientes para apurar o lucro de acordo com a configuração escolhida pela empresa. E foi o que ocorreu no caso concreto. A recorrente optou pela forma de tributação pelo lucro presumido. A lei do presumido obriga a manutenção, pelo sujeito passivo, dos livros comerciais, ou, opcionalmente, do livro caixa (Lei 8.981/1995): “Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária.” Conforme divulgado no Termo de Verificação Fiscal, embora regularmente intimada pela fiscalização, a empresa autuada não apresentou livro diário e/ou razão nem no meio papel, tampouco no formato do SPED nem livro caixa. Assim, não há como verificar a apuração correta da movimentação contábil e fiscal da recorrente. Fl. 3186DF CARF MF 44 Como não apresentou os livros, restou aplicar o arbitramento do lucro conforme Lei nº 8.981/1995, que é a base legal do art. 530, III, do RIR/99: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; A base de presunção do IRPJ de 9,6% (20% sobre a base de 8%) foi aplicada corretamente pela fiscalização, conforme teor dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.249/1995: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. A base de presunção da CSLL (12%) foi efetuada corretamente com fundamento no art. 20 da Lei nº 9.249/1995 c/c art. 27 da Lei nº 9.430/1996, in verbis, respectivamente: Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (...) Art. 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: A imputação da contribuição para o PIS e da COFINS seguiu rigorosamente o mandamento legal que dispõe sobre a tributação pelo regime cumulativo, nos termos dos artigos 8º da Lei nº 10.637/2002 (Pis) e 10 da Lei 10.833/2003 (Cofins), reproduzidos abaixo: Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (VideMedida Provisória nº 497, de 2010).” Fl. 3187DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.165 45 ____ Art. 10 Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010). Desta forma, correta a apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro arbitrado, e do Pis e da Cofins, por conseguinte, pelo regime cumulativo. III – DA SOLIDARIZAÇÃO E RESPONSABILIZAÇÃO Os recorrentes alegam que ".... as solidarizações foram efetivadas sem o menor critério de imputação ....”; que a Fiscalização apenas indicou as pessoas e transcreveu os artigos 124 e 135 do CTN". Aduz que não foi realizada uma única imputação e/ou descrição das condutas e que a fiscalização ignorou a personalidade jurídica de empresas regularmente constituídas. Nessa linha, constrói raciocínio de que o que interessa é analisar a modalidade de sujeição passiva por solidarização na modalidade contribuinte. Invocando o art. 121 do CTN, argumenta que há necessidade de demonstração de que a pessoa tenha relação direta e pessoal com o fato gerador do tributo, conforme regra do art. 124, I, do CTN. Antes de adentrar no ponto central aqui ventilado a individualização das condutas , mister observar que a recorrente preparou um única peça recursal para todos os lançamentos tributários lavrados em desfavor de todas as empresas do grupo, alterando apenas o nome das recorrentes. Essa constatação é percebida quando se lê a peça recursal. Ou seja, a recorrente replica seus argumentos para todos os fatos imputados em relação a todos os lançamentos tributários aplicados em relação ao Grupo Restum. Pois bem. Como se viu, a fiscalização apurou a responsabilidade solidária com base no art. 124, I, e art. 135, III, ambos do CTN. Veja a redação legal de ambos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 3188DF CARF MF 46 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A responsabilidade tributária prevista no art. 124, I, pressupõe a comprovação do interesse comum em praticar a conduta tipificada com crime. Há muito se discute sobre a interpretação da terminologia "interesse comum", pois sua exegese pode desencadear a atribuição de responsabilidade solidária a determinada personalidade. Muitos entendem que o interesse ali descrito é o interesse jurídico, daquele que tenha participado da ocorrência do fato gerador, o que muitos interpretam como aqueles que estejam em um mesmo lado da cadeia da prática do fato gerador, excluindose, por exemplo, empresas que adquirem bens e mercadorias mesmo que sejam daqueles que efetivamente omitiram fato gerador de tributo. Dessa interpretação, mesmo que determinado sujeito passivo tenha se beneficiado economicamente, este fato, por si só, não é capaz de concretizar o interesse comum tratado no art. 124, I, do CTN, e a ele ser imputada a responsabilidade solidária. O tributarista Marcos Vinicius Neder de Lima, em obra que versa sobre o critério de aplicação do art. 124, I, do CTN, interpretou o interesse comum inerente à solidariedade de fato: “Solidariedade de Fato (...) 6.2. Conceito de interesse comum O termo “interesse” contém, vários significados, o que dificulta sua exata delimitação semântica na seara jurídica. Um dos desafios mais importantes para todo o desenvolvimento deste ensaio é solucionar a seguinte questão: “Qual significado deveríamos atribuir à expressão ‘interesse comum’ utilizada no art. 124 do CTN?” (...) A palavra interesse, segundo Alf Ross, pode ser tomada em sentido amplo e em sentido estrito. O sentido amplo abrange todo o estado de consciência que encerra uma atitude. Nesse sentido, estamos interessados em tudo aquilo a respeito do que experimentamos; uma atitude positiva ou negativa. Por outro lado, quando dizemos que uma ação nasce dos interesses de uma pessoa, a palavra é tomada em sentido estrito. E prossegue o mestre dinamarquês, os interesses são atitudes baseadas em necessidades, que geram um impulso no sentido de seu atendimento, ao contrário das atitudes morais, que são baseadas em necessidades (desinteressadas). No campo processual, interesse, observa Cândido Dinamarco, associase à idéia de utilidade, de modo que o provimento jurisprudencial postulado pela parte deve ser efetivamente útil ao demandante, operando uma melhora em sua vida comum. O interesse processual, é por essência instrumental. Como o que nos inquieta é o interesse na situação jurídica subjacente ao fato gerador, cumpre examinar o seu significado à luz de uma relação jurídica privada (...). Recorremos, então, aos ensinamentos de Pontes de Miranda para quem os direitos subjetivos surgem apenas a partir da incidência de regras jurídicas que são os veículos aptos a distribuir bens da vida, ou alterar sua distribuição. Se há interesse subjacente a tal distribuição, não pertencem à dimensão jurídica, mas à dimensão política, salvo onde esse interesse á regra jurídica entendeu caber proteção. Assim, Fl. 3189DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.166 47 ensina o Mestre, os direitos subjetivos como produto da incidência de regra jurídica, protegem determinados interesses. Nos direitos de crédito particular, um dos interesses tutelados, tanto do lado do credor como do lado do devedor, é extinção regular da relação jurídica pelo adimplemento da obrigação pactuada. A partir dessas várias acepções para o vocábulo “interesse”, é possível extrair um elemento significante comum, qual seja: interesse é uma atitude voltada ao atendimento de uma necessidade (v.g., econômica, moral e social) e, no campo obrigacional, estruturamse direitos subjetivos que tutelam tais interesses. (destacouse) Resta, ainda, discorrer a respeito da qualificação “comum” conferida pela lei, ou seja, examinaremos quais as hipóteses em que o “interesse” será considerado “comum” na situação jurídica privada que constitua o fato gerador. No plano das situações jurídicas, defrontamonos com relações em que participam pluralidade de sujeitos e, por conseguinte, surge uma pluralidade de titulares de direitos (...). Nessas situações, para que se verifique interesses comuns que se irradiam dessa relação jurídica. Alf Ross, com muita habilidade, faz a distinção entre os interesses comuns e coincidentes. Nos primeiros, as pessoas interessadas são vinculadas por circunstâncias externas formadoras de solidariedade (consciência de grupo) que os une; enquanto, nos coincidentes, o vínculo visa apenas atender a uma necessidade específica (tarefa). Nos negócios jurídicos privados de compra e venda mercantil com pluralidade de pessoas, por exemplo, podemos encontrar entre os contratantes interesses coincidentes, contrapostos e comuns. Afinal, vendedores e compradores têm interesse coincidente na realização do negócio (tarefa), mas interesses contrapostos na execução do contrato (necessidades opostas). Já os interesses comuns situamse em cada um pólos da relação: entre o conjunto de vendedores e, de outro lado, entre os compradores. (...) Não é outro entendimento de Paulo de Barros Carvalho, que sustenta que, nas ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se, e somente se, for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. Também a esta conclusão chegou Hugo de Brito Machado: “O fato de serem partes em um contrato apenas significa que o legislador pode, por disposição expressa, instituir solidariedade entre elas (...). Uma coisa é duas ou mais pessoas terem interesse na situação. Outra é terem duas ou mais pessoas interesse comum na situação. Comprador e vendedor têm interesse na compra e venda, mas não ser trata de interesse comum e sim de interesses contrapostos”. Concluise, portanto, que o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e deveres comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. (Neder, Marcos Vinícius, in Responsabilidade Tributária / Coordenadores Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder, São Paulo, Dialética, 2007, p. 39/42). (sublinhei) Fl. 3190DF CARF MF 48 Na mesma linha aqui trazida, o STJ, no julgamento do REsp 884.845SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, entendeu que há necessidade de que as pessoas solidariamente responsabilizadas devem ter dado ensejo à ocorrência do fato imponível: 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isso porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. E assim, firmou sua posição ao concluir o seguinte: 9. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." Aplicando tais interpretações ao caso concreto, vêse que o interesse comum jurídico entre as empresas do Grupo Restum, as pessoas físicas e a ora recorrente restou caracterizado, com exceção da responsável solidária Isabelle Restum, sobre a qual tratarei mais adiante. Como amplamente tratado no relatório fiscal preparado pela fiscalização, ficou comprovada a participação de todos os envolvidos, tanto nos fatos geradores dos tributos aqui discutidos, como no deslocamento de faturamento e do lucro a serem tributados, com o nítido intento de transferir para empresas de terceiros ("laranjas) nomeados pelos tutores do Grupo Restum, para que o patrimônio dos solidários pessoas físicas (Família Restum) não fosse alcançado. A confusão patrimonial entre todas as empresas também serve como prova do interesse comum jurídico passível de responsabilização solidária. Outro ponto, é que muitas empresas estavam localizadas em um mesmo endereço perante a Junta Comercial e à Receita Federal. Este fato, por si só, não é capaz de formular prova contundente da caracterização de grupo econômico. Mas, quando converge com outros indícios trazidos ao processo, tornase prova relevante da modelagem de grupo econômico. A recorrente alega falta de demonstração, na espécie, dos motivos que possibilitariam a solidarização, esbarrando assim na legalidade. Não entendo que tal raciocínio se deve aplicar ao caso concreto. Como bem trazido pela DRJ em seu voto, a delegacia de piso apresentou a conduta dos responsáveis tributários, servindose corretamente do relatório fiscal elaborado pela fiscalização, que, digase, está rico de provas contundentes da conduta praticada pelas pessoas físicas e jurídicas do Grupo Econômico nominado "Grupo Restum". Fl. 3191DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.167 49 Como se vê do teor do recurso voluntário, a recorrente replicou todos os argumentos já ventilados em sede de impugnação. Desta forma, não restando configurada a dialética processual, proponho também reproduzir a decisão constante no acórdão da DRJ no que se refere à imputação da responsabilidade solidária, exceto quanto a Isabelle Restum, por bem elaborado e por concordar com seus fundamentos, tudo isso suportado pelo dispositivo legal constante no Regimento Interno do CARF (RICARF), reproduzido abaixo: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (negritei) Em relação ao interesse comum, cuja base legal é o art. 124, I, do CTN, assim consignou a delegacia de piso: (início da transcrição do voto da DRJ) Em síntese, o que a fiscalização apurou foi que o Grupo denominado Restum (composto por Roberto Restum, Adriana Restum e família) é constituído por centenas de empresas autônomas, algumas tendo membros da família Restum no quadro social (empresas próprias) e outras constituídas por pessoas interpostas (empresas fictas) as quais são utilizadas para constituir a mais diversa gama de empresas. As empresas próprias, entre elas a INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, revendem as mercadorias a empresas fictas por valores que praticamente correspondem aos custos de importação e/ou produção e, assim, as empresas próprias não apuram lucro e apuram o mínimo de tributos sobre o consumo (ICMS, IPI, PIS, COFINS, etc). Por sua vez, as empresas fictas, entre elas a JOS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA, JOSCONF COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA e SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA, compram tanto de terceiros no mercado interno como da “Invictus” e revendem diretamente Fl. 3192DF CARF MF 50 para lojas do grupo (lojas que pertencem ao Grupo Restum) ou para a SPR IMPORT BRASIL LOJÍSTICA E COMÉRCIO LTDA e para a IMPORTDALAMARI COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA, as quais por sua vez vendem seus produtos para as lojas varejistas do grupo por valores que se aproximam muito do preço praticado ao consumidor final, de sorte que todo o lucro operacional e o passivo tributário dos tributos sobre consumo recaem sobre as empresas “laranjas”, permitindo inclusive que as lojas varejistas (próprias) possam se creditar dos tributos nãocumulativos (notadamente o ICMS). Desta forma, praticamente nenhum passivo tributário recaem sobre as empresas próprias do Grupo, mas sim sobre as empresas fictas. Mas estas, além de mudarem constantemente de “laranjas” e/ou “testa de ferro”, também não cumprem com suas obrigações tributárias, nem mesmo acessórias, não tem movimentação financeira e algumas sequer possuem espaço físico. Os bens necessários à percepção das receitas da atividade não são registrados em nome de seus reais utilizadores, mas sim em nome de empresas patrimoniais (holdings) as quais não praticam fatos geradores tributários. Os imóveis utilizados como sede das diversas empresas do Grupo bem como os veículos utilizados na atividade são, em parte, registrados em nome das empresas PORT COMPANY PARTICIPAÇÕES E EMPREEENDIMENTOS LTDA – 10.528.300/000100 e SUN BLOOM PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 02.067.055/000144. Diante do que foi apurado, a fiscalização atribuiu responsabilidade solidária às empresas próprias do grupo, relacionadas no Auto de Infração, além dos dirigentes Roberto Restum, esposa e filhos, pelo crédito tributário apurado em cada uma das empresas do grupo. Os impugnantes não contestaram objetivamente qualquer dos fatos acima mencionados, limitandose a alegar, com relação à solidarização atribuída às pessoas físicas e jurídicas, que o argumento da fiscalização de que todas participaram de um “grupo econômico” não é suficiente para atribuir a solidarização, nem mesmo a dita constatação de que haveria intuito de suprimirse a tributação, e que deveria a fiscalização demonstrar que houve, individualmente para cada solidarizado, interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e que todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação. Ao analisar o processo de interesse INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA este Relator chegou à seguinte conclusão em relação às empresas fictas: Da análise dos autos e especial dos documentos arquivados na JUCESP (Anexo X), verificase muitas semelhanças entre as empresas do núcleo (Jos Comércio, JosConf, Jurecê, SPR Import e Import Dalamari), desde o valor do capital social (R$ 100.000,00 em todas elas), endereço das empresas, até os seus sócios que se alternam, nunca recolheram os tributos devidos, sequer possuíam espaço físico, não possuíam qualquer patrimônio, não contrataram funcionários, suas vendas se deram exclusivamente às empresas do Grupo Restum, omitiram suas operações do conhecimento da RFB, não tiveram movimentação financeira (Anexo VII) embora emitiram milhões em notas fiscais, os sócios das empresas fictas do núcleo são pessoas de pouca capacidade econômica e baixa instrução, o que reforça a convicção de que são interpostas pessoas. As empresas fictas adquiriam quase que a integralidade das vendas da INVICTUS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e depois repassaram tais mercadorias, adicionadas a compras realizadas, às lojas varejistas do Grupo, de modo que o ônus tributário recaíam sobre as fictas e que nada recolhiam, livrando as empresas em nome próprio da obrigação tributária daí Fl. 3193DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.168 51 decorrente. Tal modo de proceder, não deixa dúvida de que essas empresas fictas serviram para acobertar operações comerciais reais efetivadas pelas empresas próprias do Grupo, ou seja, as empresas próprias do Grupo são as reais operadoras comerciais. Não há dúvida de que todas as empresas do Grupo se beneficiavam do artifício doloso na medida não recolhiam os tributos devidos. Do conjunto de provas trazidas aos autos chego à conclusão de que, de fato, tratase de um grupo empresarial, comandado por Roberto Restum e Adriana Restum, porém composto por toda a família Restum, e todas as empresas às quais foi atribuída responsabilidade solidária foram formalmente constituídas pelo Grupo mas, na verdade, é uma só, e os recursos, sejam financeiros, sejam patrimoniais, circularam indistintamente entre elas, e todas elas se beneficiaram do esquema montado com o objetivo de não pagar tributo, ou seja, todas têm ou tiveram interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Por essa razão, elas devem ser igualmente responsáveis solidariamente pelo crédito tributário, com fulcro no art. 124, I, do CTN, inclusive as pessoas físicas relacionadas (Roberto Restum; Adriana Restum; Vanessa Restum; Felipe Roberto Restum; Daniele Restum Traldi e Isabelle Restum), pois estas tinham interesse comum nos negócios e deles se beneficiaram. As empresas Port Company Participações e Empreendimentos Ltda. – CNPJ 10.528.300/000100 e Sun Bloom Participações Ltda. – CNPJ 02.067.055/000144, também participantes do mesmo Grupo empresarial, praticamente não executaram atos negociais (exceção é a compra e venda do patrimônio), no entanto, foi em nome destas registrado o patrimônio do Grupo (bens necessários à percepção das receitas das empresas operacionais, bem assim os imóveis e veículos), ficando as empresas operacionais sem nenhum ou o mínimo de patrimônio. Esse modo de proceder é, sem dúvida, uma tentativa de manter essas empresas distante dos fatos geradores tributários. No entanto, pela mesma razão que as demais, devem responder solidariamente pelo crédito tributário. Da análise de todos os elementos constantes dos autos chego à conclusão que de fato ficou caracterizado o grupo empresarial e também ficou evidenciado a utilização de empresas fictas, abertas em nome de “laranjas”, cujo esquema foi montado dolosamente com o fim de não pagar tributo, seja dissimulando o fato gerador, seja omitindo o patrimônio. Chego à essa conclusão independentemente da declaração prestada por Nelson Oliveira dos Santos, o qual atuou como contabilista na abertura de várias empresas, tais como JOS Comércio De Confecções Ltdda, JOS – Comércio de Confecções Ltda, e também no enceramento de várias outras, o qual confirmou, em declaração tomada a termo (fl. 1067), que as empresas JOS Comércio de Confecções Ltdda, JOS – Comércio de Confecções Ltda, Jurece Comércio de Confecções Ltda, ImportDalamari Comércio de Confecções Ltda e SPR Import Brasil Lojística e Comércio Ltda são do Grupo Restum e que estas são distribuidoras do grupo, responsáveis por aquisições de mercadorias para revenda para lojas do grupo, e que o escritório em Itaim tinha o total controle sobre estas empresas e confirmou que parte do quadro societário destas empresas era composta por laranjas que freqüentavam, esporadicamente, o escritório do Itaim. (término da transcrição do voto da DRJ) Desta forma, proponho manter a responsabilidade solidária, que teve como base o 124, I, do CTN, de todas as pessoas jurídicas e pessoas físicas, exceto de Isabelle Restum. Fl. 3194DF CARF MF 52 Isto porque não há prova material da participação de Isabelle Restum na prática dos fatos geradores que decorreram de fraude perpetrada pelo Grupo Restum. No relatório fiscal do Grupo Restum, ela somente é citada por ser filha de Roberto Restum, mas não há indicativo algum de que tenha participado do esquema ou tenha se beneficiado dele. E isto tem uma razão de ser: Isabelle Restum é menor de idade data de nascimento de 29/04/2005. Como a responsabilidade solidária depende de atos intencionais de fraudar o fisco, tornase complexa a prova de que ela tenha praticado algum ato fraudulento. No Acórdão 1302001.962, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara desta 1ª Seção do CARF, de 11 de agosto de 2016, que julgou o processo lavrado em desfavor da empresa HOTBRÁS COMÉRCIO DE CONFECÇÕES, também pertencente ao grupo econômico Restum, convém reproduzir os motivos que levaram também à exoneração da responsabilidade Isabelle Restum, os quais passo a adotar como razões de decidir: Da responsabilização solidária, contudo, deve ser retirada apenas a pessoa física Isabelle Restum, CPF 417.896.25823, tendo em vista que a sua condição de menor de idade na época dos fatos que levaram a cabo a presente autuação. Explico. Em que pese a patente diferença entre a capacidade tributária independer da capacidade civil das pessoas físicas para sua imposição, isto é, mesmo sendo possível que o menor incapaz seja enquadrado como contribuinte para fins tributários, no caso em espeque, o interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo reclama a celebração de negócios jurídicos que importem no intuito de fraudar o erário. Destarte, verificase que Isabelle Restum, nascida em 24/09/2005, à época dos fatos sob análise tinha menos de dezesseis anos, o que lhe caracteriza como absolutamente incapaz (art. 3º, I, Código Civil). Sendo assim, a incapacidade civil, embora seja dispensável para a imposição tributária, é causa suficiente para a nulidade do negócio jurídico pactuado pela incapaz, não havendo que se falar em obrigação tributária. Portanto, apenas em relação a responsabilidade solidária das pessoas físicas, divirjo da Relatora por entender que os elementos probatórios carreados aos autos são suficientes para imputar a responsabilidade às pessoas físicas relacionadas, à exceção de Isabelle Restum, pois sendo o nulo o negócio jurídico por si pactuado, não há que se falar em obrigação tributária. Assim, voto pela manutenção das pessoas físicas como responsáveis solidárias perante a obrigação tributária em comento, excluindo da lide, unicamente a menor Isabelle Restum, CPF 417.896.25823. Desta feita, proponho dar provimento quanto ao recurso de Isabelle Restum (CPF 417.896.25823). Quanto à responsabilidade solidária com relação ao art. 135, III, do CTN, convém destacar a participação das pessoas físicas na prática das condutas apresentadas pela fiscalização: Como visto, tratase de pessoas ligadas a Roberto Restum, que, pela descrição dos fatos apontados pela fiscalização, juntamente com Adriana Restum, é o mentor de toda a fraude cometida aos cofres públicos. Não obstante sua liderança, seus familiares também participaram do arquétipo perpetrado pelo Grupo Restum, mesmo não pertencendo aos quadros societários de Fl. 3195DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.169 53 algumas empresas, não cabendo a eles alegarem negligência ou imperícia na condução dos negócios, mormente por se tratarem de pessoas entendedoras do ramo de confecções e do empresariado, o que denota que eram sabedores de suas obrigações. O art. 135, III, do CTN, trata da responsabilidade solidária decorrente da prática de conduta excessiva: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A DRJ também manteve a responsabilidade solidária com base no art. 135, III, em relação a todas as pessoas físicas. Como já dito alhures, permitome apenas não concordar com a responsabilidade tributária atribuída a Isabelle Restum, pelos motivos acima já expostos. Entretanto, com relação aos demais, adoto também o que foi deliberado pela delegacia de piso: (início da transcrição do voto da DRJ) Também não resta dúvida quanto a existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, pois ficou comprovado que a pessoa jurídica, na pessoa de seus sóciosadministradores omitiu receita, com evidente intuito de fraude, com o fim de não pagar ou pagar menos tributo. Todos os fatos apurados e já descritos são causa suficiente à atribuição de responsabilidade aos sóciosadministradores do Grupo Restum, pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social, nos termos do art. 135, III, do CTN. Há nos autos material probatório dos ilícitos apurados, de modo que está plenamente fundamentada a responsabilização dos sócios. É indubitável que a falta de recolhimento do tributo devida à constatação de omissão de receitas constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias, fato agravado pelas circunstâncias que levaram à qualificação da multa e à formalização do processo de representação fiscal para fins penais. (término da transcrição do voto da DRJ) Desta forma, não há dúvidas de que as pessoas físicas Roberto Restum (CPF 043.261.15840), Adriana Restum (CPF 120.853.19807), Vanessa Restum (CPF 215.012.648 69), Felipe Roberto Restum (CPF 215.012.76875) e Daniele Restum Traldi (CPF 215.012.73850) praticaram condutas com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, devendo ser mantidas as responsabilidades solidárias a elas imputadas. Assim, proponho dar provimento ao recurso de Isabelle Restum e negar provimento ao recurso voluntário da ora recorrente e de todos os demais responsáveis solidários pessoas físicas e jurídicas, as quais estão relacionadas no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. Fl. 3196DF CARF MF 54 IV – INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA A recorrente alega que a multa se aplica somente quando se comprova fraude. Assim, como a fiscalização imputou genericamente a conduta à recorrente, a multa é desproporcional e confiscatória, violando expressamente o princípio constitucional disposto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Convém destacar, de plano, que a Súmula nº 2 do CARF decreta que este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por outro lado, não entendo que toda falta de pagamento de tributo deve ser avaliada como fraude. Ao contrário, há que se diferenciar, nesse emaranhado de interpretações, o inadimplente do sonegador. Prefiro devanear que o inadimplente compõe a regra. É aquele sujeito passivo que cumpre suas obrigações fiscais, mesmo que somente as obrigações acessórias de apresentar livros e de declarar tributos. Penso que o contribuinte se torna inadimplente por carecer de maiores recursos para manter "de pé" sua atividade. Sabese que as obrigações de um empresário são tamanhas (funcionários, estoques, liquidez) que por vezes se vê obrigado a deixar de recolher os tributos que lhe seriam devidos para deslocar os recursos para a manutenção da sua atividade empresarial. Todavia, como se trata de pessoas de boa índole e cumpridoras de suas obrigações, declaram seus tributos mesmo que não tenham condições momentâneas de recolhêlos. Já o sonegador não se importa com os malefícios que traz para a sociedade. Este, em sua visão deturpada do capitalismo, apenas e tão somente busca pelo bem que mais lhe traz prazer, o dinheiro. Para tanto, cria todo tipo de ardil capaz de gerar riqueza, mesmo que sua conduta esteja inserida na legislação penal tributária. Este sonegador, em uma das acepções do verbete romano de "dar a César o que é de César", deve ser punido veementemente com todos os rigores da Lei. E a lei tributária, ciente deste imperativo, demarcou que a multa qualificada deve ser imputada em decorrência da prática das condutas descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, conforme ditado pelo inciso § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 3197DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.170 55 Lei nº 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Sempre digo em meus votos que é difícil adentrar à mente do praticante da conduta para saber efetivamente se restou caracterizado o elemento subjetivo do núcleo do crime de sonegação fiscal (em sentido amplo), que é o dolo. Isto se deve principalmente porque estamos sempre a avaliar as condutas praticadas no passado; às vezes, um passado bem remoto. Maria Rita Ferragut muito bem define o poderdever de investigar da administração e de angariar provas da veracidade dos fatos: Assim, tem a Administração Pública o poderdever de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção hominis de forma alguma significa que a tributação ocorrerá baseandose em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do ponto de vista jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível2. Assim, há que se investigar, com as ferramentas que instrumentalizam o processo administrativo fiscal, se os atos praticados e os resultados auferidos subsumem à prática delituosa de crime contra a ordem tributária. 2 Presunções no Direito Tributário, 2ª Edição, Editora Quartier Latin, São Paulo, 2005, página 193. Fl. 3198DF CARF MF 56 Como se vê do Relatório Fiscal Grupo Restum, anexado a este processo, o grupo econômico planejou e executou formas de ludibiriar o fisco e recolher menos tributos em relação aos que deveria recolher caso suas declarações condizessem com o que ocorrera no mundo fenomênico. A maneira pela qual foi arquitetado todo o arquétipo empresarial com criação de inúmeras empresas em nome de "laranjas", algumas com endereços diversos, com fornecedores e clientes pertencentes, direta ou indiretamente, aos mesmos donos evidencia a máfé patente no caso aqui a ser julgado. No caso concreto, vêse que a empresa, e todo o Grupo Restum, apresentavam declarações com valores zerados ou valores reduzidos, digase, bem inferiores aos efetivamente praticados (como o valor do faturamento, por exemplo). A quantidade de empresas, com intuito de repartição das receitas auferidas pelo Grupo Restum denota a intenção dolosa em se omitir a grandeza do Grupo, a fim de não chamar a atenção do fisco. Tanto é que, somente após o início dos procedimentos fiscais imputados às empresas do grupo, é que algumas empresas entregaram DIPJ retificadora e, mesmo assim, os valores estavam bem aquém daqueles apurados efetivamente por elas, conforme se depreende do cotejo entre a informação contida nas notas fiscais eletrônicas extraídas do SPED e os valores informados nas DIPJs retificadoras. Outro ponto a se destacar é que as empresas do grupo Restum eram constituídas e encerradas com o intuito de obstar o conhecimento do fisco quanto aos fatos geradores praticados, ou, também, a impedir que fossem responsabilizados os verdadeiros arquitetos da fraude fiscal, quais sejam, seus sócios de fato, quando delegavam a "laranjas" a atribuição de figurarem como sócios de direito nas empresas de "fachada". Vejase nos trechos do Relatório Fiscal que a empresa praticou várias condutas que se subsumem ao conceito de sonegação, fraude e conluio (efl. 129): Mas não é só aí que reside a fraude. Além de possuir um grande número de empresas ativas, o Grupo constituía e encerrava constantemente novas empresas (usamos o verbo no passado já que os fatos apurados correspondem aos períodos de 2010, 2011 e 2012, se bem que há fortes indícios que o modus operandi perdure hodiernamente). Desse modo, quando determinada empresa começava a “interessar” ao Fisco, esta era sumariamente encerrada e uma outra era colocada no seu lugar. Para viabilizar estas operações de troca de empresas, o Grupo mantinha verdadeiro estoque de sociedades constituídas inicialmente na JUCESP, porém sem cadastro no CNPJ; assim, quando do encerramento das atividades de determinada empresa cadastrada junto a RFB, imediatamente já se realizava novo cadastro no CNPJ de empresa estocada na JUCESP, não havendo qualquer prejuízo na operação da unidade. Em conclusão, no caso dos autos, todas as provas acostadas ao processo, seguidas de descrição detalhada sobre o modus operandi desenvolvido e praticado por todo o grupo econômico Restum, em relevo por seus sócios de fato, levamnos a concluir pela procedência da imputação perpetrada pela autoridade fiscal.. Dessa forma, mister se faz necessária a manutenção da multa qualificada. V – ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Fl. 3199DF CARF MF Processo nº 19311.720361/201402 Acórdão n.º 1401002.315 S1C4T1 Fl. 3.171 57 Alega que não há previsão legal de incidência de juros de mora (taxa Selic) sobre a multa de ofício, mas tão somente em relação a tributos e contribuições sociais. Não entendo possuir amparo a alegação da recorrente. O art. 161 do CTN determina que ao crédito vencido e não pago acrescese de juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Já a parte final da redação do supra dispositivo legal define que a incidência de juros de mora não prejudica a imposição de penalidades. O art. 142 do CTN, por sua vez, apresenta a definição de crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Conforme se extrai da cláusula legal, o crédito tributário é composto pelo montante do tributo devido e pela penalidade cabível. Da intersecção dos dois dispositivos acima, concluise que ao tributo e à multa de ofício (crédito tributário) incidem os juros de mora. Desta forma, aplicase o art. 30 da Lei 10.522/2002, que determina a incidência da Selic como taxa referencial para a atualização do crédito tributário. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Desta forma, nego o pedido quanto ao afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. VI – JULGAMENTO CONJUNTO A recorrente pede pelo julgamento em conjunto de dez processos lavrados em desfavor do "Grupo Restum", por tratarem dos mesmos fatos e fundamentos jurídicos. Fl. 3200DF CARF MF 58 Com relação a este pedido, convém ressaltar que a recorrente não logrou comprovar que os processos em questão tratam da exigência de mesmo crédito tributário, ou que seja o seu pedido fundamentado em fato idênticos, razão pela qual o pedido da recorrente tornase insubsistente. Não obstante, informo que 9 (nove), dos 10 (dez) processos do Grupo Restum, serão julgados em conjunto, já que 1 (um) deles já havia sido julgado pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, na sessão de 11/08/2016 processo nº 19311.720362/201449, empresa HotBrás Comércio de Confecções Ltda. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário de Isabelle Restum e NEGAR provimento ao recurso voluntário da recorrente e dos demais responsáveis solidários (pessoas físicas e jurídicas) relacionados no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, parte integrante do auto de infração lavrado. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 3201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901909/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 09 /2 00 8- 96 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.901909/200896 Acórdão n.º 3401004.960 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.641, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901909/200896 Acórdão n.º 3401004.960 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901909/200896 Acórdão n.º 3401004.960 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.901909/200896 Acórdão n.º 3401004.960 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.901909/200896 Acórdão n.º 3401004.960 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.731891/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 31 89 1/ 20 14 -2 7 Fl. 3605DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Resolução nº 2401000.672 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório FUNDAÇÃO MÉDICA DO RIO GRANDE DO SUL, contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, Acórdão nº 0833.307/2015, às efls. 2.767/2.784, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias devidas ao INSS, referente aos valores pagos aos segurados contribuintes individuais e obrigação acessória, em relação ao período de 01/2010 a 12/2011, conforme Relatório Fiscal, às fls. 2.372/2.413 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado nos seguintes Autos de Infração: a) DEBCAD 51.045.1152 contribuição patronal incidente sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, III. BE – BOLSA DE EXTENSÃO; BP – BOLSA DE PESQUISA. (fatos geradores do ano 2010) b) DEBCAD 51.045.1160 contribuição patronal incidente sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, III BE – BOLSA DE EXTENSÃO; BP – BOLSA DE PESQUISA. (fatos geradores do ano de 2011) c) DEBCAD 51.045.1179 contribuição patronal incidente sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, III. CH – CONTR HOSPITAIS E UNIVERSIDADE. (fatos geradores de 2010 e 2011 oriundos de contratos firmados com hospitais) d) DEBCAD 51.045.1195 contribuição patronal incidente sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, III. CE – BOLSA PESQ ESPECFICOS. (fatos geradores de 2010 e 2011 citados no item 16 do Relatório Fiscal – Casos Específicos) e) DEBCAD 51.045.1187 CFL 35 Deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto na Lei nº 8.212/1991, art. 32, III e §11, combinada com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Fl. 3606DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Resolução nº 2401000.672 S2C4T1 Fl. 4 3 Conforme seu estatuto, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul constituise em fundação de apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre – HCPA, enquanto hospital escola da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, mediante credenciamento junto a Ministério da Educação – MEC e ao Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT. Foi constatado que a Fundação remunera, a título de bolsas, professores médicos, médicos pesquisadores e outros vinculados à área de saúde, os quais compõem o corpo docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul concomitantemente. Tais bolsas são denominadas “bolsas de pesquisa” e “bolsas de extensão”. As Bolsas de Pesquisa são valores pagos pela Fundação para desenvolvimento de projetos de pesquisa apresentados por empresas diversas, geralmente laboratórios farmacêuticos, mediante contratos de pesquisa firmados, em sua maioria, entre a Fundação, o Hospital das Clínicas de Porto Alegre, o laboratório interessado na pesquisa e o Pesquisador/Investigador vinculado à Fundação. Pela análise dos contratos referentes às Bolsas de Pesquisa, vêse que têm o caráter de prestação de serviços, com a propriedade das invenções pertencendo aos laboratórios, que têm direito de monitorar os estudos e o ambiente no qual se desenvolvem, além de definir a forma como são efetuadas as pesquisas, dentre outras características. O fato de a totalidade dos dados gerados, descobertas e invenções, bem como quaisquer direitos de propriedade intelectual relacionados a essas descobertas, ser de propriedade do laboratório denota que a pesquisa reverte em benefício do contratante. As Bolsas de Extensão são valores pagos pela Fundação a professores/médicos e outros profissionais vinculados à área de saúde que compõem o corpo docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mediante convênio entre a Fundação e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, respectivamente denominados convenente e concedente. Entre 2010 e 2011 encontravamse em vigor os seguintes convênios: Convênio Operacional nº 001/2010 e 001/2011 – Programa de Extensão de Preceptoria de Residência Médica; Convênio Operacional nº 004/2010 e 004/2011 – Programa de Docência em Residência Integrada Multiprofissional em Saúde; Convênio Operacional nº 005/2010 e 005/2011 – Programa de Extensão de Atividades Didáticas Complementares, de Gestão de Informações Hospitalares e de Qualidade Assistencial no Hospital de Clínicas de Porto Alegre; Convênio Operacional nº 006/2010 e 006/2011 – Programa de Extensão em Odontologia. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRS oferece cursos de graduação e pósgraduação na área de saúde (Medicina, Enfermagem e Odontologia), todavia não dispõe de estrutura hospitalar própria capaz de viabilizar o desempenho das atividades práticas na área de saúde. Para preencher tal lacuna a UFRS estabeleceu ser o Hospital de Clínicas de Porto Alegre seu Hospital Escola, o qual disponibiliza suas instalações e seus pacientes para o exercício das atividades acadêmicas práticas. Conforme os contratos firmados, os professores da UFRS vinculados à Fundação Médica exercem atividades de preceptoria dos médicos residentes/enfermeiros/dentistas e também são responsáveis pelas internações e procedimentos efetuados nos pacientes do Hospital das Clínicas atendidos pelos residentes. Os serviços objeto dos convênios são realizados por médicos/enfermeiros/dentistas membros da Fundação Médica, os quais assinam um documento padrão, com cláusulas iguais para os quatro convênios. A variação ocorre apenas no que tange ao objeto do convênio e o valor da bolsa. Fl. 3607DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Resolução nº 2401000.672 S2C4T1 Fl. 5 4 É padronizado também o documento intitulado “Relatório do Bolsista”, no qual são discriminados a carga horária, a área de atuação, o tipo de atividade realizada, dentre outras informações. Os tipos de atividades são iguais para todas as especialidades médicas no Convênio 001. Para os demais convênios esse formulário não foi apresentado, apesar de solicitado por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 3, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração com Código de Fundamentação Legal nº 38. Constitui parte integrante das atividades dos bolsistas vinculados à Fundação a prestação de serviços médicos a pacientes atendidos no Hospital de Clínicas de Porto Alegre pelo Sistema Único de Saúde – SUS. A Auditoria entende que as bolsas de extensão concedidas configuramse como pagamento pela prestação de serviços médicos, odontológicos, de enfermaria e de controle de qualidade do Hospital executados por membros da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, juntamente com o treinamento dos médicos residentes. Em resposta a consulta formulada, o Ministério da Educação emitiu a Informação nº 0001/2001, na qual conclui que os professores da Universidade não estão obrigados ao exercício de atividades assistenciais no âmbito do Hospital, pois os deveres inerentes ao cargo de magistério na área de saúde não abrangem a prestação de assistência aos pacientes e as atividades assistenciais na área de saúde integram os fins institucionais do Hospital e não da Universidade. No documento do Ministério da Educação foi declarado que os professores da área de saúde da UFRS podem ser contratados pela Fundação para prestar serviços assistenciais no Hospital e que essas relações de trabalho são estabelecidas com exclusividade entre eles e a Fundação. A bolsa recebida deve ser caracterizada como contraprestação de serviços prestados no âmbito do Hospital para cumprimento das obrigações de atendimento ambulatorial e assistencial à população atendida pelo SUS. Nesse sentido já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta SRRF/10 a RF/DISIT nº 18, provocada pela Fundação Médica, na qual foi dito que por ter a característica de contraprestação por serviços prestados, a bolsa de extensão está em desacordo com o disposto no caput do art. 6º do Decreto nº 5.205/2004. Os objetos dos contratos vigentes em 2010 não podem ser considerados doação civil, pois têm natureza eminentemente comercial e o valor é repassado em contraprestação a um serviço prestado. Assim, foi descumprido o disposto no Decreto nº 5.205/2004. Para o período de 2011 foi descumprido o art. 2º da Lei nº 8.958, alterado pela Lei nº 12.349/2010, que determina para as fundações a observância do princípio da publicidade. É necessária a divulgação integral em sítio na rede mundial de computadores dos instrumentos contratuais e dos relatórios semestrais de execução dos contratos, entretanto os contratos em questão têm normas de confidencialidade extremamente rigorosas. Em consulta ao sítio da Fundação, a Auditoria constatou o descumprimento à disposição legal. Ademais, o Decreto nº 7.423/2010 impôs também, no seu art. 6º, §1º, que nos planos de trabalho que embasam o projeto devem estar precisamente definidos os participantes vinculados à instituição apoiada autorizados a participar, bem como o valor das bolsas concedidas e os pagamentos previstos a pessoas físicas e jurídicas, o que não foi observado pelo sujeito passivo. Fl. 3608DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Resolução nº 2401000.672 S2C4T1 Fl. 6 5 Assim, o pagamento das bolsas de pesquisa e as bolsas de extensão em tela constituem fato gerador das contribuições previdenciárias, sendo os médicos e pesquisadores caracterizados como contribuintes individuais. A Fundação interpôs a Ação Ordinária 501531185.2010.404.7100/RS, em face da Fazenda Nacional, objetivando a declaração de não obrigatoriedade do recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a professores e pesquisadores vinculados a projetos de pesquisa e extensão. A MM. Juíza Federal, na sua sentença, disse que o último decreto apresenta maiores restrições e condições a serem observadas no desenvolvimento dos projetos do que o anterior, não mais caracterizando como doações civis as bolsas, com evidente possibilidade, a qual já existia por força da própria Lei nº 9.250/1995, de que assuma caráter remuneratório. Acrescenta a MM. Juíza, que o Decreto nº 7.423/2010, ao prever a proporcionalidade com relação à remuneração do beneficiário e ao estabelecer aplicabilidade do teto constitucional aos valores, evidencia o caráter remuneratório das bolsas percebidas pelos docentes. A par dos contratos analisados até aqui, há outros com características distintas, mas que descumpriram o art. 6º, §4º, do Decreto nº 5.205/2004 ou o art. 6º, §1º, do Decreto nº 7.423/2010. O Contrato 001767 (contratante: APAE de Caxias do Sul) foi assinado em 1º/03/2003 e mantido até o ano de 2011, contrariando o art. 1º do Decreto nº 5.205/2004 e o art. 1ºB da Lei nº 8.958/1994 que prevêem prazo determinado. A possibilidade de renovações sucessivas dos contratos contraria o Decreto nº 7.423/2010, que veta a reapresentação reiterada. Os contratos visam ao apoio a projeto de pesquisa, mas também atendimento assistencial aos pacientes da APAE, configurando contraprestação de serviços e objeto genérico (Decreto nº 7.423/2010, art 8º). Não há nos contratos definição expressa de valor, periodicidade, duração e beneficiários da bolsa de pesquisa (Decreto nº 5.205/2004, art. 6º, §4º). Não há nos contratos execução limitada no tempo, definição precisa dos resultados esperados e metas, quem são os participantes autorizados e o valores das bolsas a serem concedidas, pagamentos previstos a pessoas físicas e jurídicas (Decreto nº 7.423/2010, art. 6º). 25. Em alguns contratos, o objeto é uma doação com a finalidade específica de custear um evento promovido pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Alguns também incluem financiamento para participação em outros eventos no exterior e até mesmo objetos genéricos, como no contrato com a Shire de 13/09/2011. Esses contratos não são destinados a um projeto de pesquisa nos termos da legislação que rege a matéria. No Contrato 004308 (Elsa), não foram especificados os beneficiários e os valores das bolsas. Foi citado o valor total a ser pago a bolsistas e estagiários, sem identificação de quantos seriam e quanto receberiam. Há referência a trinta e seis bolsistas não nominados, que receberão bolsa em valor determinado por 36 meses, todavia consta planilha com os valores mensais recebidos por cerca de 40 a 70 bolsistas. Há um Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória (Código de Fundamento Legal 68) com decisão transitada em julgado administrativamente dentro dos últimos cinco anos (Auto de Infração 37.385.1324). O Auto de Infração nº 51.045.1187 (Código de Fundamentação Legal 38) foi lavrado por não terem sido apresentados todos os documentos solicitados, o que caracteriza a conduta de deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições Fl. 3609DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Resolução nº 2401000.672 S2C4T1 Fl. 7 6 previstas na Lei nº 8.212/1991. Não foram apresentados todos os contratos em que houve pagamentos no período fiscalizado, conforme planilha 22, e não foram apresentados os Relatórios dos Bolsistas relacionados também nessa planilha. Foi aplicada a reincidência genérica, com a elevação do valor da multa em duas vezes. Inconformada com a Decisão recorrida, autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 2.812/2.837, procurando demonstrar sua improcedência, repisando em número, grau e gênero as razões da impugnação, motivo pelo qual, neste aspecto, adoto o relatório da DRJ, em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, suscita o que segue: 1. Não há prestação de serviços, adequandose as bolsas de estudo ao disposto na Lei nº 8.958/1994. Tais doações, inclusive, já passaram pelo crivo do Tribunal de Contas da União e da Procuradoria Geral das Fundações de Apoio (órgão do Ministério Público Estadual), que atestaram a inexistência de qualquer relação de prestação de serviço que acarretem vantagem para a impugnante. 2. O próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF já examinou a relação jurídica estabelecida entre os médicos preceptores dos projetos de pesquisa e de residência médica do HCPA e chancelou a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física dos professores, por entender que a bolsa recebida da Fundação Médica tem caráter de doação e não decorre de contraprestação de serviços, tampouco acarreta vantagem para o doador. 3. Ainda que se admita ter havido prestação de serviços, a relação teria como sujeitos de um lado os professores da UFRS, de outro, o Hospital de Clínicas e as outras entidades patrocinadoras, que seriam os beneficiários. No relato da Auditoria, em momento algum a impugnante foi descrita como beneficiária dos “serviços” ou destinatária do seu resultado econômico, tampouco como titular da disponibilidade utilizada para o seu financiamento (não efetua pagamento, mas apenas repassa os valores doados). 4. A relação de prestação de serviços é regulada pelo Código Civil, envolvendo tomador e prestador. O sujeito passivo da contribuição previdenciária prevista no art. 22, III, é sempre o credor do serviço (tomador). Do próprio relatório fiscal, concluise que os financiadores e tomadores dos serviços prestados são as entidades, como o Hospital de Clínicas de Porte Alegre e os laboratórios, sendo a impugnante mera repassadora dos valores pagos. Houve, pois, erro crasso por parte da fiscalização quando indicou a impugnante como sujeito passivo do lançamento. 5. Em 1998, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 32.722.3111, contra o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, com a exigência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos a título de bolsas de pesquisa e extensão (doações) que não cumpriram os requisitos da legislação. Os pressupostos de fato e de direito foram os mesmo agora suscitados pela fiscalização. O Hospital teve êxito na Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 1999.71.00.0266656, processo judicial no qual foi reconhecida a nulidade da NFLD por ausência de vínculo empregatício. O Judiciário Fl. 3610DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Resolução nº 2401000.672 S2C4T1 Fl. 8 7 entendeu que não há subordinação do corpo docente da UFRS com o Hospital, permanecendo a relação estatutária do corpo funcional com a Universidade. Se a fiscalização entendeu que houve a prestação de serviços, deveria ter agora autuado o Hospital e não a Fundação, o que seria mais coerente. 6. Além de o Auditor Fiscal ter, por equívoco, desconsiderado os depósitos judiciais, errou no cômputo da base de cálculo. A quantia por ele apurada corresponde ao valor efetivamente gasto com cada bolsista, porém nesse montante estão inclusos o valor líquido da bolsa, a retenção de 11% depositada em Juízo (valor que varia caso o bolsista comprove reter por outras fontes), a retenção de Imposto sobre a Renda de 27,5% depositado em Juízo e a contribuição previdenciária patronal depositada em Juízo. O valor da contribuição patronal deve incidir sobre o valor da bolsa consideradas as retenções (R$ 6.000,00) e não sobre o valor que a Fundação despende com cada bolsista (R$ 7.200,00). Deve, pois, ser efetuada diligência, para que sejam revistos os valores lançados. 7. A impugnante interpôs a Ação Declaratória nº 5015311 85.2010.404.7100, requerendo que fosse declarada a isenção do Imposto sobre a Renda e a não incidência das contribuições previdenciárias sobre as bolsas de ensino, pesquisa e extensão doadas no âmbito da Lei nº 8.958/1994 e regulada pelo Decreto nº 5.205/2004. A sentença de primeiro grau determinou a extinção da ação judicial sem resolução de mérito, em virtude da alteração da legislação objeto de questionamento e da impossibilidade de proferir declaração em abstrato, o que foi mantido pelo Tribunal Regional Federal – TRF da 4ª Região. A ação encontrase pendente de análise do Recurso Especial interposto pela Fundação (nº 1.437.578). 8. Nesse ínterim, desde 2011, a impugnante realiza depósito judicial dos valores referentes às contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a título de bolsa de extensão, os quais são objeto do lançamento. Dessa forma, desde 2011, a impugnante não está em mora, não havendo motivo para a imputação de multa e juros. Transcritas as preliminares argüidas, passaremos a dispor sobre os fundamentos de mérito, senão vejamos: 9. A Fundação age como intermediária entre o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (IFES apoiada) e as entidades públicas e privadas que desejam utilizar a sua estrutura para desenvolvimento de pesquisas e extensão. 10. Os projetos de extensão são desenvolvidos por meio de 4 (quatro) convênios operacionais firmados anualmente entre o Hospital e a Impugnante. Os programas são financiados com verbas recebidas pelo Hospital do Ministério da Educação, destinadas a ações que integrem as rotinas hospitalares à formação profissional dos médicos residentes do Hospital (Programa de Residência Médica). Tais quantias são utilizadas para a contratação de bolsistas (professores da UFRS) que conduzem os residentes em reuniões de equipe, quando se discutem os casos de responsabilidade de cada aluno. Fl. 3611DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Resolução nº 2401000.672 S2C4T1 Fl. 9 8 11. As atividades do professor preceptor (supervisor) não se confundem com o atendimento ambulatorial a pacientes, efetivado pelos residentes e médicos do hospital. O Hospital tem uma estrutura de mais de 700 (setecentos) médicos contratados cuja função é atender aos milhares de pacientes do SUS. Apesar de esses médicos contratados poderem interagir com os residentes nos atendimentos realizados no âmbito do Programa de Residência Médica, a sua função não se confunde com a dos professores membros da Fundação, que é o ensino prático do médico residente. 12. Nos projetos de pesquisa, os pesquisadores (membros da Fundação), juntamente com os médicos residentes e alunos da graduação (Hospital e UFRS) encampam pesquisas nas áreas de sua especialidade e de acordo com as necessidades dos pacientes do SUS atendidos no Hospital e buscam patrocínios de instituições públicas e privadas para custeio dos projetos. 13. O projeto de pesquisa tem finalidade acadêmica e científica e seus efeitos alcançam toda a comunidade médica na construção de novos medicamentos e tratamentos na área de saúde, beneficiando toda a sociedade, podendo contemplar os patrocinadores de forma indireta. Há estudos científicos, publicações de artigos, apresentação dos resultados em eventos acadêmicos, etc. 14. Assim, a impugnante entende, com base na singularidade das relações nos projetos de pesquisa, que o pagamento dos profissionais em forma de bolsa está em total conformidade com o art. 4º da Lei nº 8.958/1994 e regulamentação. 15. O Tribunal de Constas da União auditou todos os convênios, contratos e termos de concessão de bolsas firmados pela Fundação e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, tendo concluído que se enquadram no que determina a Lei nº 8.958/1994 e no Decreto nº 5.205/1994. Além de demonstrar a boa fé da impugnante, tal decisão evidencia que ela sustentouse em uma análise técnica de um órgão jurisdicional vinculado ao ente responsável pela tributação. 16. O CARF chegou às mesmas conclusões no Acórdão nº 2801 003.779, quando examinou a isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física sobre as bolsas recebidas. 17. As tarefas de análise de indicadores de eficiência do hospital, análise de prontuários, análise de críticas e sugestões dos funcionários e pacientes, busca de aperfeiçoamento dos processos licitatórios, auditoria dos exames, dos óbitos e das prescrições medicamentosas e análise de solicitações de estágios encaminhadas ao hospital encaixamse no conceito de “desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da IFES apoiada” previsto no §3º do art. 6º do Decreto nº 5.205/2004. 18. Ao contrário do que disse a Auditoria, as pesquisas científicas realizadas pelos membros da Fundação não constituem prestação de serviços no interesse exclusivamente comercial dos laboratórios patrocinadores e outras entidades. Os contratos se originam de interesse público de produção de conhecimento e de sanar as necessidades do SUS. Os próprios pesquisadores buscam os Fl. 3612DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Resolução nº 2401000.672 S2C4T1 Fl. 10 9 patrocínios, que são concedidos por instituições públicas e privadas, as quais fornecem seus medicamentos gratuitamente, entre outros subsídios. 19. O pesquisador não desenvolve fórmulas medicamentosas, não opina profissionalmente sobre elas e não influencia na montagem dos remédios pesquisados, não sendo responsável pelos lucros que o laboratório patrocinador possa vir a ter caso o medicamento venha a ser comercializado. 20. As cláusulas de confidencialidade e propriedade intelectual suscitadas pela autoridade fiscal como caracterizadoras da prestação de serviços não decorrem de exigência contratual, mas sim por força do art. 6º e seguintes da Lei nº 9.279/1996 e das normas éticas relativas aos sujeitos do experimento (paciente, formulação química dos fármacos e dados do fabricante). 21. A existência de vantagem econômica nos contratos de patrocínio firmados com os laboratórios é mera presunção da fiscalização, não comprovada nos autos e discordantes com os seguintes fatos: a. Há projetos que não estão vinculados ao teste de medicamentos; b. Alguns dos medicamentos utilizados já são comercializados e fornecidos gratuitamente pelos laboratórios; c. Muitas das pesquisas constatam a ineficácia dos fármacos testados, não trazendo lucro algum para o fabricante; d. Os estudos produzidos não garantem o registro e a distribuição dos medicamentos fabricados, que devem respeitar uma série de normas impostas pela Lei nº 6.390/1976 e avaliação da Anvisa. 22. O descumprimento das obrigações acessórias de publicidade das informações dos contratos e no sítio da Fundação não é suficiente para extirpar as bolsas do regime jurídico aplicável a elas. Ademais, não foi provado esse fato para os contratos de 2010 e 2011. Em todos os termos de Concessão de Bolsa e contratos anexados ao Auto de Infração, há especificação dos valores doados e das bolsas, período de vigência do contrato, etc. Quanto ao sítio da Fundação na internet, este foi examinado somente em 02/10/2014, após mais de 3 (três) anos dos períodos fiscalizados, não se prestando a provar a falta de publicidade. 23. Mesmo tendo sido revogado o Decreto n 5.205/2004, a natureza das verbas não se altera enquanto estiverem de acordo com a Lei nº 8.958/1994 e não haverá prestação de serviços. Ao final, a recorrente requer: (a) seja recebido e provido o seu recurso, com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; (b) seja cancelado o Auto de Infração em face da sua ilegitimidade passiva; (c) não acolhido o pedido anterior, seja cancelado o lançamento por as atividades se enquadrarem na Lei nº 8.958/1994, afastando o caráter de remuneração das bolsas doadas. (d) se for mantida a autuação, que seja efetuada diligência, para a exclusão da contribuição exigida a maior. Não houve apresentação de contrarrazões. Fl. 3613DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Resolução nº 2401000.672 S2C4T1 Fl. 11 10 Em 25/10/2017, a contribuinte apresentou 'Complemento ao Recurso" às fls. 2.892/2.898, explicitando o que segue: Esclarece que a hipótese normativa tributária da contribuição previdenciária, como é cediço, tem como materialidade uma relação jurídica estabelecida entre tomador e prestador. Se a prestação de serviço existe (fato gerador), nascem as respectivas obrigações tributárias, tanto para o prestador de serviço (limitada ao salário de contribuição), como para o empregador (incidente sobre a remuneração paga ao prestador de serviço). Se não existe, não nascerá nenhuma relação tributária, conforme princípio lógico do terceiro excluído. No caso em tela, os preceptores/pesquisadores vinculados à Recorrente irresignados com o posicionamento da RFB que lhes exigia tanto o IRPF, como a contribuição do INSS sobre as bolsas ajuizaram ações perante a Justiça Federal em Porto Alegre, através das quais buscaram o reconhecimento de que sua atividade não configura prestação de serviço à Recorrente e, consequentemente, não está sujeita ao IRPF nem à contribuição para o INSS . Analisando os pleitos ajuizados pelos preceptores/pesquisadores, que têm como objeto a percepção das bolsas repassadas pela Recorrente, o Poder Judiciário reconheceu a procedência, de modo definitivo, de TODAS as ações, cristalizando a inexigibilidade da contribuição para o INSS, pela inexistência da contraprestação de serviços, que constitui a materialidade do crédito tributário ora discutido, anexando documentação. Aduz que o Poder Judiciário definiu, com caráter de definitividade, o regime jurídico aplicável ao caso , fixando que: (i) as bolsas administradas pela FMRS caracterizam doação; (ii) não há benefício econômico à FMRS; e (iii) a atividade desenvolvida pelos preceptores/pesquisadores constitui regime jurídico próprio inconfundível com a prestação de serviços, razão por que não está sujeita ao recolhimento de INSS. Repisar que, embora não tenham sido propostas pela Recorrente, as decisões advindas das ações propostas pelos “pretensos prestadores de serviços” qualificam, de modo definitivo, a natureza jurídica das bolsas a eles repassadas pela Recorrente (objeto do presente lançamento). Se a Administração Fazendária deve respeitar decisão judicial transitada em julgado na esfera trabalhista reconhecendo a inexistência de vínculo empregatício em reclamatória proposta pelo pretenso empregado (processo no qual a Fazenda sequer foi parte), com maior razão deve respeitar as decisões judiciais proferidas em processos ajuizados pelos preceptores/pesquisadores, nos quais a Fazenda foi ré, cujas decisões reconheceram a inexistência de prestação de serviços deles à Recorrente. Explana quando a nova redação do art. 9° da Lei n° 10.973/04 e, mais uma vez, insurgese quanto a legitimidade passiva. É o relatório. Fl. 3614DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Resolução nº 2401000.672 S2C4T1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, prejudicando, dessa forma, a análise do mérito da questão nesta oportunidade, senão vejamos. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, os Autos de Infração sob análise referemse a exigência de crédito tributário concernente às contribuição previdenciária incidentes sobre as parcelas que atribui a professores universitários e pesquisadores vinculados aos programas e projetos de pesquisa e extensão levados a efeito pela entidade. Com efeito, a Recorrente impetrou Ação Ordinária n° 5015311 85.2010.404.7100/RS, perante a 2° Vara Tributária de Porto Alegre/RS, em face da União, visando a declaração de inexigibilidade de pagamento de imposto de renda e contribuição previdenciária incidentes sobre as parcelas que atribui a professores universitários e pesquisadores vinculados aos programas e projetos de pesquisa e extensão levados a efeito pela entidade. Entrementes, inobstante constar dos autos a informação de que a contribuinte se valeu do Judiciário com o fito de discutir a matéria objeto do presente lançamento, não fora acostado ao processo a documentação pertinente à aludida discussão judicial, o que inviabiliza verificar se há, efetivamente, concomitância entre as discussões administrativa e judicial. Ora, como a contribuinte registra a discussão judicial da regularidade/legalidade da presunção, o qual fora adotado na conclusão da fiscalização, impõese tomar conhecimento do teor do pedido formulado nos autos da Ação Ordinária, bem como das eventuais decisões e/ou recursos apresentados até o presente momento, tendo em vista que podem guardar similitude com as razões recursais da entidade, o que inviabilizaria o conhecimento de tais alegações em face da concomitância, na esteira do disposto na Súmula CARF nº 01, ou mesmo a necessária observância por parte desse Colegiado na hipótese de rechaçar o Ato Cancelatório. No entanto, somente com o conhecimento do inteiro teor da exordial, bem como dos demais atos processuais e/ou decisões proferidas no decorrer do processo judicial em epígrafe é que este Conselheiro poderá se manifestar sobre o assunto, com a segurança que o caso exige, buscando evitar, sobretudo, proferir eventual voto contrário à Súmula CARF nº 01. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária intimar a contribuinte à apresentar cópia do Mandado Judicial e certidão de objeto e pé, nos autos do processo judicial sob nº 501531185.2010.404.7100/RS. Inclusive, se for de interesse da contribuinte, manifestese acerca dos documentos solicitados. Fl. 3615DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Resolução nº 2401000.672 S2C4T1 Fl. 13 12 Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade fazendária competente acoste aos autos, a partir de intimação a contribuinte, a integra Ação Ordinária n° 501531185.2010.404.7100/RS, bem como, caso entenda necessário, se manifestar sobre uma eventual concomitância, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 3616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721337/2017-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. NECESSIDADE DE SENTENÇA OU ACORDO JUDICIAL HOMOLOGADO.
RECURSO CONHECIDO. NEGADO PROVIMENTO.
O contribuinte deve provar a origem de sua dedução a título de pensão alimentícia, especialmente se determinada através de decisão judicial.
Numero da decisão: 2002-000.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez- Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. NECESSIDADE DE SENTENÇA OU ACORDO JUDICIAL HOMOLOGADO. RECURSO CONHECIDO. NEGADO PROVIMENTO. O contribuinte deve provar a origem de sua dedução a título de pensão alimentícia, especialmente se determinada através de decisão judicial.
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score : 1.0
Numero do processo: 10380.906945/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2022; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.906945/201124 Recurso nº 1 Embargos Acórdão nº 1301003.093 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria Embargos de Declaração Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado IMAGEMAMA DIAGNÓSTICO POR IMAGEM LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 69 45 /2 01 1- 24 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10380.906945/201124 Acórdão n.º 1301003.093 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10380.906945/201124 Acórdão n.º 1301003.093 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10380.906945/201124 Acórdão n.º 1301003.093 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10380.906945/201124 Acórdão n.º 1301003.093 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.001480/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2002, 2003, 2004
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarse-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.221
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Carlos Pelá
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A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 14 80 /2 00 5- 31 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11070.001480/200531 Acórdão n.º 1402001.221 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto por Leni Teresinha Portolan, contra decisão da DRJ Recorrida, que manteve auto de infração lavrado contra a Recorrente, em razão da sua exclusão do SIMPLES. Em procedimento de fiscalização concluído em 2005 a DRF de Santa Maria/RS constatou que, em procedimento apartado, a Contribuinte foi excluída do SIMPLES e lançou valores relativos a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos ACs de 2002 a 2004, acrescidos de juros e multa de lançamento de oficio. O Ato Declaratório Executivo nº. 27 que excluiu a Contribuinte do SIMPLES é de 20/06/2005, com efeitos a partir de 01/01/2002. A Contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, contestando sua exclusão do SIMPLES, em virtude de ausência de vedação, bem como em razão da retroação dos efeitos da exclusão para o AC de 2002 e seguintes. Alega que a exigência é exagerada em virtude da sua incapacidade de arcar com os tributos devidos. A DRJ não conheceu da alegação contra a exclusão do SIMPLES, uma vez que o assunto foi tratado em outro processo. No mérito, entendeu devida a exigência, uma vez que a exclusão do SIMPLES se deu em conformidade com o artigo 24 da IN 355/2003, que determina, na hipótese em questão, que os efeitos são verificados no mês seguinte ao da prática do ato que dá ensejo a ela. Além disso, entendeu correta a apuração dos impostos na forma aplicável às demais pessoas jurídicas, em conformidade com a jurisprudência deste CARF. Manteve a aplicação da multa de oficio e os juros de mora. Inconformada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário, em que sustenta tãosomente seu direito de permanência no SIMPLES, em razão de ter exercida atividade vedada esporadicamente. Alega de novo que não tem condições de arcar com a cobrança. E finaliza requerendo que a exclusão não seja retroativa a 2002. Já no CARF, o julgamento foi convertido em diligência, para que se verificasse o resultado do processo nº. 11070.001475/200529, que discutia a exclusão da Contribuinte do Simples (fls. 175/176). Em diligência apurouse que o processo em questão encontravase arquivado na DRF/Santa Maria/RS desde 25/07/2008. Extraiuse dos autos cópia do inteiro teor do Acórdão n°. 187.303, proferido pela 2º Turma da DRJ/STM, em 29 de junho de 2007 (fls. 179/185). Não consta dos autos ter a Contribuinte apresentado recurso ao acórdão em referência, razão pela qual, transcorrido o prazo recursal, os autos foram arquivados (fls. 189). Após, vieram os autos conclusos para julgamento. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA Processo nº 11070.001480/200531 Acórdão n.º 1402001.221 S1C4T2 Fl. 4 3 É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Da atenta leitura do relatório verificase que a o recurso voluntário apresentado pela Contribuinte sustenta, tão somente, (i) seu direito à permanência no SIMPLES, e (ii) a impossibilidade de sua exclusão retroativa. Ora, a matéria foi discutida nos autos do processo nº. 11070.001475/200529, quando ficou decidido pela manutenção de sua exclusão de forma retroativa do SIMPLES, tendo havido decurso de prazo sem que a Contribuinte apresentasse recurso. Assim, tais razões deveriam ter sido discutidas naquela oportunidade, não cabendo serem analisadas aqui. Nesse passo, vale notar que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar seá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Com efeito, como não houve qualquer defesa para as infrações imputadas no Termo de Constatação Fiscal (fls. 78/82), devem ser mantidos os lançamentos em sua integralidade. Lembrando que, aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto para manter as exigências fiscais. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 193DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por CARLOS PELA
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