Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 35464.002327/2004-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 150, § 4º.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS EM DESACORDO COM A LEI 10.101/00. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO VIGENTE.
A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.
O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência e declarar extinto o crédito tributário da competência 03/1999. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fez sustentação oral a Drª Adriana Pastre Ramos- OAB/SP 131584.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 150, § 4º. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS EM DESACORDO COM A LEI 10.101/00. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO VIGENTE. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 35464.002327/2004-85
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5526251
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.979
nome_arquivo_s : Decisao_35464002327200485.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 35464002327200485_5526251.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência e declarar extinto o crédito tributário da competência 03/1999. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fez sustentação oral a Drª Adriana Pastre Ramos- OAB/SP 131584. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 6135119
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123931099136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 4.837 1 4.836 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35464.002327/200485 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.979 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente COGNIS BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 150, § 4º. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS EM DESACORDO COM A LEI 10.101/00. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO VIGENTE. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. O método de pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados está de acordo com a Lei n.º 10.101/2000, pois a lei pretende privilegiar a livre negociação entre as partes na fixação das regras atinentes ao pagamento da PLR, e que as regras acordadas sejam claras e objetivas, podendo inclusive AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 23 27 /2 00 4- 85 Fl. 4836DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 estarem escritas em documento apartado, desde que haja menção ao mesmo no acordo ou convenção coletiva. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência e declarar extinto o crédito tributário da competência 03/1999. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fez sustentação oral a Drª Adriana Pastre Ramos OAB/SP 131584. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 4837DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 2403002.979 S2C4T3 Fl. 4.838 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls.4.765/4.774, interposto em face de Acórdão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, fls. 2.770/2.822, que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário no valor de R$ 2.486.881,56, consubstanciado no DEBCAD 35.669.7975. A presente autuação almeja o recolhimento de crédito tributário referente às contribuições correspondentes à parte da empresa, GILRAT e contribuições para terceiro, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurado, à título de participação nos lucros, por não atenderem aos pressupostos previstos na Lei 10.101/2000, conforme parte do Relatório Fiscal, fls. 53/63, cujos trechos pertinentes encontramse colacionados abaixo: 2. Período de lançamento do débito: 03/99, 04/00, 03/01, 04/01, 04/02, 02/03, 03/03,03/04 e 04/04. 3. Participações da empresa: A Cognis opera com a distribuição de três tipos de participação nos seus resultados: Target Dialogue (Para segurados de nível hierárquico superior), Programa de Metas (Para segurados de nível hierárquico intermediário) e PPR (Para segurados de nível hierárquico inferior). Os acordos de 1998 a 2003 só comportam, de acordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000, o PPR; bem seus anexos, só detalham cálculos, critérios e metas para os níveis hierárquicos inferiores. (Cópias acordos anexas) 4. Fatos geradores do lançamento: Os fatos geradores ocorreram com os pagamentos da PRL discricionária (Target e Programa de metas). Demonstro a seguir, as infrações detalhando as exigências previstas na Lei abaixo transcrita: “Art. 2º: A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre as empresas e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos; escolhidos pelas partes de comum acordo: I – Comissão escolhida pelas partes, integrada também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categora. II – Convenção ou acordo coletivo. Parágrafo 1º periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerado, entre outros, os seguintes critérios e condições: I – Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa. II – programa de metas, resultados e prazos, pactuados previamente Fl. 4838DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. 4.1 Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação de direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismo de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo: ocorre que, nos acordos de 1998 a 2003, a cláusula “Dos Empregados Inelegíveis” lista do item f os Diretores, Gerentes, Supervisores, Chefes e Equivalentes, mas,, a mesma cláusula no seu parágrafo único versa que: “a empresa salvaguardado seu direito discricionário, poderá eleger os empregados definidos na letra f desta cláusula, utilizandose de critérios próprios..”.Estes empregados recebem participações intituladas Target e Programa de Metas, cujas regras são completamente estranhas ao acordo seguindo discricionariedade e critérios próprios da empresa. Não foram previstas regras claras e objetivas nos acordos para estes empregados, nenhum anexo aos acordos apresentados indica como foram negociados previamente valores e direitos, ou a ciência destes pelos participantes. As planilhas de cálculo/metas do Target e Programa de Metas, requisitadas não nos foram apresentadas, com a justificativa de serem “ambos corporativos”(fls. 32). Isto demonstra que, são planos independentes do PPR negociado, inclusive não obedecendo aos valores de limites máximos estipulados nos acordos, com datas diferentes de pagamento e sem a antecipação prevista nas negociações. Em síntese, a autoridade autuou a recorrente pelo pagamento do Programa de Metas e Target Dialogue pelo fato de, repitase, segundo entendimento da fiscalização, ser ter sido paga a PLR em desacordo com a legislação vigente pelos seguintes fatos: a) As regras dos programas seriam completamente estranhas ao acordo seguindo discricionariedade e critérios próprios da empresa; b) Não teriam sido previstas regras claras e objetivas nos acordos para estes empregados; c) Nenhum anexo aos acordos apresentados indicaria como foram negociados previamente valores e direitos, ou a ciência destes pelos participantes. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, o contribuinte contestou a autuação fiscal por meio do instrumento de fls. 349/373. DA DILIGÊNCIA O setor de Serviço de Análise de Defesas e Recursos da antiga Receita Previdenciária, em decisão de fls. 1819/1827 decidiu por converter o julgamento em diligência, para a verificação dos documentos juntados na impugnação. Em atendimento à decisão, a autoridade lançadora afirmou que os programas Target Dialogue Guideline foram anexados em inglês, e se referem unicamente aos anos 2000/2001 (fls. 384 a 392 – numeração física), 2002 (fls. 564/568 – numeração física) e 2003 (fls. 715 a 719 – numeração física), de forma que esses documentos inexistem, pois não foram Fl. 4839DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 2403002.979 S2C4T3 Fl. 4.839 5 apresentados na língua oficial do país através de tradução juramentada, além de não estarem datados ou assinados. Foi então lançada a Decisão Notificação, fls. 1840/1862, dando procedência ao lançamento. DO JULGAMENTO Inconformada, a recorrente interpôs Recurso Administrativo requerendo a reforma da decisãonotificação, fls. 1871/1895, que não foi reconhecido ante a ausência do depósito de valor equivalente a 30% da exação fiscal questionada, entretanto, acabou por ser reconhecido posteriormente ante a apresentação de mandado de segurança. Nas fls. 2380/2399, foram apresentadas contrarazões ao recurso, propondo à 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social o não provimento ao Recurso, mantendo a procedência da autuação. A 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, anulou a decisão de 1ª instância, fls. 2401/2413, um vez que o contribuinte não foi cientificado da diligência realizada, conforme ementa abaixo colacionada: EMENTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/03/1999 A 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DE DN Não cientificação do recorrente acerca de diligência efetuada cerceamento de defesa, nula a decisão de 1ª instância DECISÃO RECORRIDA NULA DA DECISÃO DA DRJ Tendo em vista a decisão, o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, nova impugnação, presente nas fls. 2439/2471. Nas fls. 2.770/2.822, consta o Acórdão da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, DRJ/SP1 a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário incólume, conforme se percebe da ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA Fl. 4840DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Considerase saláriodecontribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a legislação específica, integra o salário de contribuição. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SUMÚLA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispões a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias, mencionadas no art. 2º da Lei 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. CIÊNCIA. O MPF – Mandado de Procedimento Fiscal será emitido por ocasião do início do procedimento fiscal, e dele será dada ciência ao representante legal, ao mandatário, ou ao preposto do sujeito passivo. É facultado, à administração a emissão de quantos mandados forem necessários para a perfeita execução do procedimento fiscal. FORMALIDADES LEGAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vistas a demonstrar sua razão no litígio. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 4841DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 2403002.979 S2C4T3 Fl. 4.840 7 Em face da decisão acima ementada, o recorrente apresentou Recurso Voluntário de fls. 4.765/4.774, requerendo a reforma do acórdão, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1 De que os pagamentos efetuados estão de acordo com o disposto na MP 794/94 e posteriores edições, bem como com a Lei nº 10.101/00 2 A decadência do período de março de 1999, pelo art. 150, § 4º É o Relatório. Fl. 4842DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 4.834, tenho que o Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais Fl. 4843DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 2403002.979 S2C4T3 Fl. 4.841 9 órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Conforme Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, fls. 49, foram examinadas GFIPs, bem como comprovantes de recolhimento por parte do sujeito passivo, e, uma vez que não há fraude, dolo ou conluio por parte do sujeito passivo, entendo estar extinto o crédito tributário da competência de março de 1999, haja vista o contribuinte ter tomado ciência do Auto de Infração pessoalmente em 12/07/2004, conforme documento de fl. 03. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Os Acordos de Participação nos Lucros e Resultados firmados nos períodos anteriores à Lei nº 10.101/00 encontramse devidamente abarcadas pela Medida Provisória 794/94 e suas posteriores reedições, que estabelece os mesmos critérios da lei previamente citada, são eles: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, Fl. 4844DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. § 3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. § 4o A periodicidade semestral mínima referida no § 2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. Fl. 4845DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 2403002.979 S2C4T3 Fl. 4.842 11 § 5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Dessa forma, percebese que a PLR paga de acordo com a legislação deve, conforme bem sintetizado pelo Conselheiro Elias Sampaio Freire (CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS à luz da jurisprudência do CARF, São Paulo: MP, 2012, p. 22), cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; Verificase da imputação fiscal que sua motivação para o lançamento da contribuição reside no item ‘b’, que refere as regras estipuladas não serem claras nem objetivas. A fiscalização chega inclusive a afirmar que o plano de participação nos resultados da empresa para os dirigentes, coordenadores e equiparados, chegaria a se tratar de um plano próprio, que não se confundiria com o PPR, que não foi objeto de tributação, e que é pago aos empregados em geral (exceto os dirigentes, coordenadores e equiparados), Na autuação, a autoridade lançadora analisou os três programas utilizados pela recorrente: a) PPR; b) Programa de Metas e; c) Target Dialogue. No entanto, apenas o primeiro, que é aquele para segurados de nível hierárquico inferior, estaria em perfeito acordo com a Lei acima, como apontado pela própria fiscalização, os funcionários dos demais níveis hierárquicos, por sua vez, não recebem o PPR como se pode ver por trecho retirado de Acordo Coletivo de Trabalho, fls. 81/91: Cláusula IX Dos empregados inelegíveis. Não serão contemplados com o pagamento estipulado na cláusula VI os empregados abaixo definidos: a) exempregados dispensados por justa causa; Fl. 4846DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 b) estagiários, aprendizes e trainees; c) guardinhas; d) empregados temporários, contratados no regime da 6.019; e) empregados de terceiros; f) diretores, gerentes, supervisores, chefes e equivalentes. # único: A empresa, salvaguardando seu direito discricionário, poderá eleger os empregados definidos na letra "f" desta cláusula, utilizandose de critérios próprios, com base no desempenho individual e no atingimento de resultados gerais, ao pagamento de valor a título de "Participação nos Resultados", considerados os resultados positivos alcançados. Estes funcionários integrantes da letra ‘f’ da Clausula IX dos Acordos Coletivos colacionados, por sua vez, eram aqueles que recebiam a participação através de metas específicas constantes no Target Dialogue e Programa de Metas. Quando da impugnação, o sujeito passivou juntou ao processo o Target Dialogue Guideline, com critério de metas estabelecido pela empresa para os programas Target Dialogue e o Programa de Metas. O próprio contribuinte em sua impugnação afirma que as metas são estabelecidas pela matriz, no exterior e encaminhadas aos funcionários. Ocorre que ao contrário da conclusão chegada pela fiscalização, entendo que a empresa possui um único plano de Participação nos Resultados, que está disposto em convenção coletiva, possuindo apenas critérios de metas diversas a depender da responsabilidade pela qual determinado funcionário possui. A jurisprudência do CARF tem se inclinado no sentido de aceitar que estão em conformidade com a Lei os instrumentos de negociação que mencionem documento apartado que apresente regras que serão utilizadas na fixação dos valores a serem repassados a título de PLR. É o que se pode ver de decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, consubstanciada no Acórdão n. 9202003.105, de 25/03/2014: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 28/02/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Fl. 4847DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 35464.002327/200485 Acórdão n.º 2403002.979 S2C4T3 Fl. 4.843 13 Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. A exigência de outros pressupostos, não inscritos objetivamente/literalmente na legislação de regência, como a necessidade de pagamentos igualitários a todos os empregados, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites das normas específicas em total afronta à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretado de maneira ampla e não restritiva. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE ACORDO PREVENDO REGRAS PARA PAGAMENTO DA VERBA. MAIOR ESPECIFICIDADE EM SISTEMA DE GESTÃO DE DESEMPENHO DA PRÓPRIA EMPRESA. VALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Constatandose que a empresa concedeu Participação nos Lucros e Resultados com base em Acordo Coletivo com a explicitação de regras claras e objetivas, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias, ainda que a contribuinte tenha instrumentalizado aludido regramento em ato próprio denominado Sistema de Gestão de Desempenho, o qual contempla com maior especificidade as condições e fórmula de cálculo para concessão de referida verba, mormente quando fora devidamente informado aos beneficiários, os quais tem comissão permanente para tratar da matéria. Recurso especial negado. No mesmo sentido, cabe destacar novamente, trechos da obra CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS à luz da jurisprudência do CARF, São Paulo: MP, 2012, p. 19, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, in verbis: Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivas obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. A objetividade e a clareza exigidas pelo parágrafo primeiro do art. 2º da Lei n. 10.101/00, nada mais representam do que uma forma de se garantir que não haja dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: há uma integração entre o capital e o trabalho, pela recompensa com a participação nos lucros ou resultados por parte do trabalhador e a empresa ganha em aumento da produtividade. Fl. 4848DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 A jurisprudência das Câmaras do 2º Conselho de Contribuintes e, atualmente, das Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com incumbência de julgar recursos referentes às contribuições previdenciárias é no sentido de que a lei n. 10.101/2000 – assim como a MP n. 794/1994 e suas reedições – não traz regras detalhadas, justamente porque privilegiam a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente pro intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. Entendo que o PLR que é pago aos funcionários descritos na alínea ‘f’ da Cláusula IX (diretores, gerentes, supervisores, chefes e equivalentes), é o mesmo que está descrito nos Acordos Coletivos de Trabalho que foram juntados aos autos, por possuírem disposição expressa naquele documento, estabelecendo que a forma de propositura das metas e sua aferição seria de forma diversa, dada a responsabilidade que é conferida a estes empregados na consecução dos objetivos da empresa estabelecidas pelos seus sócios. Por isso, os programas Target Dialogue e o Programa de Metas individuais estão de acordo com a legislação apta a afastar a contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, j da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço o Recurso Voluntário para, preliminarmente, declarar extinto o crédito tributário da competência 03/1999, e, no mérito, darlhe provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 4849DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 07/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000080/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16561.000080/2007-62
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573499
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-000.313
nome_arquivo_s : Decisao_16561000080200762.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 16561000080200762_5573499.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
id : 6307331
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123949973504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 838 1 837 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000080/200762 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.313 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 03 de março de 2016 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente CARITAL BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .0 00 08 0/ 20 07 -6 2 Fl. 838DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000080/200762 Resolução nº 1301000.313 S1C3T1 Fl. 839 2 Relatório PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL), apontada como responsável solidária, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), PIS, COFINS e Multa Isolada, relativas aos anos calendário de 2003 e 2004, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: ausência de comprovação de despesas e omissão de receitas caracterizada por passivo não comprovado. Aproveito fragmentos do relatório constante na decisão de primeiro grau para descrever os fatos apurados e as razões de impugnação trazidas pela responsável solidária. Em ação fiscal realizada na empresa em epígrafe foram apuradas, conforme relatado no "Termo de Verificação Fiscal" (fls.335 a 341), as seguintes infrações: DESPESAS NÃO COMPROVADAS A fiscalização declara que a Contribuinte, "não apresentou documentos que comprovassem a necessidade e a efetividade, das despesas operacionais, bem como das despesas nãooperacionais, debitadas ao resultado dos exercícios fiscalizados e informados nas DIPJ, bem como não decompôs as contas do razão integrantes das mesmas, o que ensejou a glosa total das respectivas despesas, conforme demonstrado abaixo": ... MÚTUOS NÃO COMPROVADOS OMISSÃO DE RECEITA A fiscalização informou que "a caracterização do mútuo não é necessariamente a entrega da coisa mutuada, fisicamente considerada, mas a entrega do domínio sobre essa coisa. E é essa entrega de domínio que não se verifica no presente caso. Afinal, em nenhum momento fica comprovada a entrega do valor financeiro a qualquer das partes envolvidas ou que alguém depositou valor em algum lugar a mando de outrem ou mesmo que alguém pagou coisa a mando de outrem". "Resta, portanto, incomprovada a assunção da obrigação registrada no passivo da empresa, posto que em nenhum momento foram disponibilizados os instrumentos contratuais e tão pouco a comprovação de que recursos que teriam sido mutuados tenham estado à disposição do contribuinte". "Fica, assim, caracterizada a infração prevista no artigo 281 do Regulamento de Imposto de Renda/99". O detalhamento, dos mútuos não comprovados, está na fl. 339 e totalizam as valores de R$ 262.108.826,23 para o anocalendário de 2002 e R$ 202.019.390,72 para o anocalendário de 2003. 2. Em decorrência do mencionado, o total das despesas não comprovadas de R$ 1.076.071.546,16 e dos mútuos, também, não comprovados de R$ 464.128.216,95 Fl. 839DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000080/200762 Resolução nº 1301000.313 S1C3T1 Fl. 840 3 foram tributados de oficio. Foram lavrados os seguintes autos de infração, em 27/07/2007, com os enquadramentos legais descritos nos mesmos (fls. 349 a 389): ... 3. A fiscalização entendeu configurada solidariedade passiva de Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos CNPJ n°. 89.940.878/000110, pois apurou administração interdependente das "Empresas Parmalat", caracterizando interesse comum. 4. Foi solicitado e obtido parecer da PFN (Anexo, III, fls. 500 a 506 e 509 a 516) sobre o assunto, sendo que a mesma entendeu pela aplicabilidade da responsabilização solidária e concluiu pelo dever do fisco lançar as obrigações tributárias contra a Carital e contra a Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, com base no artigo 124, I, do CTN. 5. Em 27/7/2007, foi dada ciência da autuação à autuada "Carital Brasil Ltda., CNPJ n°. 44.764.595/000127" e em 30/07/2007 à responsável solidária "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos, CNPJ n°. 89.940.878/000110". 6. Não foi apresentada impugnação em nome da autuada "Carital Brasil Ltda.,". 7. Em 29/08/2007 a autuação foi impugnada apenas pela responsabilizada solidariamente, "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos". Foi apresentando resumidamente o seguinte: 7.1. alega que é pessoa jurídica distinta da autuada, não tendo acesso a informações e documentos para defenderse do mérito da acusação, o que invalida sua condição de responsável solidária; 7.2. alega que a ligação entre a Impugnante e a Carital deixou de existir em 1999, quando a Carital, então denominada Parmalat Participações Ltda., teve seu controle cedido para terceiros, deixando de integrar ao mesmo grupo societário da Impugnante; 7.3. informa que na época em que havia alguma ligação com a Carital, a relação era baseada no controle minoritário da Impugnante pela Carital na ordem de 10% das ações. Além disso, alega que as atividades eram totalmente distintas; 7.4. alega que a solidariedade poderia parecer menos absurda se a fiscalização tivesse demonstrado algum tipo de beneficio auferido pela Impugnante em decorrência das operações realizadas pela Carital; 7.5. diz que o auto de infração é nulo, pois, atendendo ao princípio da legalidade estrita e tipicidade cerrada a fiscalização afirma o cometimento da infração pela Carital, porém, não aponta o fundamento material do vinculo que justificaria a sujeição passiva da Impugnante; 7.6. alega que glosa de despesa, não é situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal. Diz que neste caso o fato gerador é a aquisição de acréscimo patrimonial. Pergunta como pode se defender, demonstrando que não tinha interesse comum em algo que sequer conhece? Alega que o mesmo se aplica à pretensa omissão de receita; 7.7. diz que, "em vista do exposto, o cerceamento de defesa é inarredável. Há uma completa ausência da indicação do fato fenomênico que potencialmente poderia ser utilizado como pressuposto fático para aplicação da norma jurídica contida no artigo 124, I do CTN"; Fl. 840DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000080/200762 Resolução nº 1301000.313 S1C3T1 Fl. 841 4 7.8. informa que está em recuperação judicial deferida em 04/07/2005, e desde 26/5/2006 sob controle de Lácteos do Brasil S.A.; 7.9. informa que tem decisão transitada em julgado que impossibilita atribuição de responsabilidade solidária sobre obrigações da Carital; 7.10. alega que os artigos 60 e 141 da Lei 11.101/05 afastam a sucessão tributária da recuperanda; 7.11. informa que, em 21/11/2006, o juizo da recuperação declarou que a Lácteos do Brasil S/A não se constitui como sucessora de qualquer obrigação de quaisquer outras empresas. Que em decorrência da postulação, em sede de embargos de declaração, foi substituído o nome da "Lácteos do Brasil S/A" por "Parmalat Brasil S/A Indústria de Alimentos"; 7.12. pede a exclusão da relação tributária por ilegitimidade passiva, reconhecida judicialmente; 7.13. diz que está previsto no artigo 124, I do CTN, que para haver a solidariedade é necessário haver "interesse comum" que configure um vinculo direto com o fato gerador. Alega "para que prevalecessem as pretensões da autoridade fiscal, haveria de ter restado comprovado, de maneira irretorquível e irrefutável, o vínculo direto entre esta última e os fatos geradores imputados à primeira, consubstanciando na figura do interesse comum"; 7.14. alega que os documentos apresentados pelo Sr. Francisco Mungioli à fiscalização nada provam para a imputação, pela fiscalização, da responsabilidade solidária da Impugnante; 7.15. alega que o Parecer da PGFN não daria respaldo à responsabilização, havendo vício na aplicação do artigo 124. Que o escopo do parecer se aplicaria ao caso especifico das remessas de recursos ao estrangeiro, logo, não se aplicaria aos fatos levantados no presente processo; 7.16. alega que tem direito à ampla defesa com apreciação de suas alegações, conforme Lei 9.784/99 e decisões do CC. Declara "ser totalmente descabido qualquer argumento no sentido de que a análise da responsabilidade tributária atribuída a terceiros seria de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional e, por conseguinte, do Poder Judiciário, razão pela qual as razões de defesa da lmpugnante não poderiam ser analisadas por esta C. Turma de Julgamento"; 7.17. alega que "ad argumentandum", não cabe aplicar multas em eventual responsabilização solidária, conforme art 5° XLV da CF, doutrina e decisões do CC acostadas, sobre pessoalidade penal, culpabilidade, limites de responsabilidade sucessória. A já citada 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1618.195, de 22 de agosto de 2008 pela procedência dos lançamentos e da imputação de RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA formalizada pela Fiscalização. O referido julgado foi assim ementado: PRECLUSÃO. Intimada, a autuada não contestou o lançamento, tendo prosseguido o julgamento, em decorrência da impugnação apresentada pela empresa responsabilizada solidariamente. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000080/200762 Resolução nº 1301000.313 S1C3T1 Fl. 842 5 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se aplica a nulidade do auto de infração quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação. Havendo no lançamento informações e justificativas que permitem ao contribuinte oferecer impugnação fundamentada e completa, não se caracteriza situação de cerceamento ao direito de defesa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Sendo comprovado o interesse comum nos negócios da autuada e sendo comprovada a reorganização societária com a finalidade de isolar contingências nestas empresas, desonerando a "Parmalat", é aplicável o previsto no art. 124, I do CTN. O interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, previsto no art. deve ser interpretado como sendo nas operações da empresa ligada onde foi gerado o fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. É do Poder Judiciário a prerrogativa de determinar as obrigações a serem cumpridas pela contribuinte em processo de recuperação judicial, quando da possível execução da divida. No julgamento administrativo o foco é a regular constituição do crédito tributário e a responsabilidade solidária. A responsabilização solidária no caso de recuperação judicial é aspecto inerente execução do débito. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A multa lançada neste caso não se compara com a situação de sucessão. Na solidariedade as empresas são coresponsáveis pelas infrações cometidas, incluindo as penalidades. Irresignada, PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS interpôs recurso voluntário, fls. 605/648, por meio do qual, renovando argumentos expendidos na peça impugnatória, tece considerações acerca sobre a sua evolução enquanto sociedade empresária, e, adiante, sustenta: a nulidade dos autos de infração, em razão de cerceamento do direito de defesa; o reconhecimento judicial da impossibilidade de ela ser responsabilizada por débitos da pessoa jurídica fiscalizada; a inaplicabilidade do art. 124, I, do CTN, ao presente caso; a impertinência da cominação de solidariedade passiva com relação a multas sancionatórias impostas à Carital; a necessidade de cancelamento dos juros de mora calculado com base na taxa SELIC; e a ilegalidade da incidência dos juros SELIC sobre a MULTA. É o Relatório. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000080/200762 Resolução nº 1301000.313 S1C3T1 Fl. 843 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), PIS, COFINS e Multa Isolada, relativas aos anos calendário de 2003 e 2004, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: ausência de comprovação de despesas e omissão de receitas caracterizada por passivo não comprovado. A contribuinte fiscalizada e autuada, CARITAL BRASIL LTDA, não impugnou as exigências formalizadas. O litígio foi instaurado a partir da interposição de impugnação por parte de PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS, apontada como responsável tributária pelos créditos tributários constituídos, com amparo nas disposições do art. 124, I, do Código Tributário Nacional. Analisando o Termo de Verificação e Constatação de fls. 335/348, constato que a autoridade fiscal concluiu pela inclusão da PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS no pólo passivo da obrigação tributária formalizada com base nos seguintes elementos: i) declaração prestada pelo Sr. FRANCISCO ESTEVÃO RINCON MUNGIOLI; e ii) Parecer expedido pela Procuradoria da Fazenda Nacional em resposta à consulta a ela formalizada. O referido Termo de Verificação e Constatação assinala que o inteiro teor da consulta formalizada, bem como a resposta da Procuradoria da Fazenda Nacional, foram anexados ao citado Termo. A decisão exarada em primeira instância, de igual forma, fundamenta a manutenção da responsabilidade tributária da PARMALAT BRASIL S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS na declaração do Sr. FRANCISCO ESTEVÃO RINCON MUNGIOLI e no PARECER expedido pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Faz referência, também, a documento entregue pelo referido senhor acerca de correspondência enviada pelo Gerente Executivo Jurídico da PARMALAT à CARITAL. Em que pese a informação constante do Termo de Verificação e Constatação em sentido contrário, não localizei nos autos a CONSULTA e o PARECER expedido pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Por outro lado, tanto o despacho de fls. 561 como a decisão de primeira instância, ao fazerem referência ao PARECER em questão, afirmam que ele compõe o ANEXO III/III fls. 508 a 516 na decisão, fls. 500/516 no despacho. Quanto à correspondência enviada pelo Gerente Executivo Jurídico da PARMALAT à CARITAL, a informação que consta da decisão de primeiro grau é de que ela encontrase no ANEXO I/III, fls. 32/39. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16561.000080/200762 Resolução nº 1301000.313 S1C3T1 Fl. 844 7 Diante de tais circunstâncias, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que sejam aportados ao processo os ANEXOS correspondentes ao procedimento fiscal levado efeito, especialmente os de nºs I e III. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 844DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.006647/2010-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO.
A presunção da Lei n° 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
Deve-se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos não recolhidos.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento.
Numero da decisão: 1401-001.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NEGAR provimento de ofício; e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro (Relator). Designado para redigir voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto; II) por unanimidade de votos, negar provimento em relação às demais matérias.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Redator do Voto Vencedor
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. A presunção da Lei n° 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. Deve-se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos não recolhidos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10935.006647/2010-38
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5522049
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-001.116
nome_arquivo_s : Decisao_10935006647201038.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MAURICIO PEREIRA FARO
nome_arquivo_pdf_s : 10935006647201038_5522049.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NEGAR provimento de ofício; e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro (Relator). Designado para redigir voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto; II) por unanimidade de votos, negar provimento em relação às demais matérias. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Redator do Voto Vencedor Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
id : 6127108
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123953119232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 4.837 1 4.836 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.006647/201038 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.116 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria LUCRO REAL Recorrente TAPEVEL AUTOMOTIVA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. A presunção da Lei n° 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. Devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos não recolhidos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, NEGAR provimento de ofício; e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, negar provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro (Relator). Designado para redigir voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto; II) por unanimidade de votos, negar provimento em relação às demais matérias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 66 47 /2 01 0- 38 Fl. 4837DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.838 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Redator do Voto Vencedor Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento). Relatório Tratase de recurso de ofício e recurso voluntário interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou procedente em parte o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: “Trata o processo dos autos de infração de fls. 2/32, em que se exigem: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica 1RPJ, no valor de R$ 1.581.048,45, lavrado exigindo o imposto apurado pelo lucro real trimestral devido à omissão de receitas, evidenciada por depósitos bancários não contabilizados e que a contribuinte, intimada, não logrou justificar que se referissem a valores tributados, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou ainda de outra origem justificada; períodos de apuração 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006; base legal no art. 149 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966; art. 40 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992; art. 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 249, II, 251 e parágrafo único, 279, 282, 287, 288 e 841, VI do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999); b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no valor de R$ 576.192,96, em decorrência da mesma omissão de receitas descrita; períodos de apuração; 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006; base legal nos arts. 1º , 2º e §§ da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 20 e 24 da Lei n° 9.249, de 1995; art. I o da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Fl. 4838DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.839 3 c) contribuição ao Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 132.408,02, referente a: c.l ) apuração reflexa sobre receitas não declaradas, apurada com incidência não cumulativa; fatos geradores mensais de 01 a 12/2006; base legal no art. Io da Lei Complementar n° 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 1º a 4º da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002; arts. 23, 59, 63 e 79 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002; c.2) apuração reflexa sobre as receitas omitidas, por incidência não cumulativa; fatos geradores mensais de 01 a 12/2006; base legal no art. I o da Lei Complementar n° 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 1ºo a 4ºda Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002; arts. 23, 59, 63 e 79 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002; d) contribuição ao Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 609.856,48, referente a: d.l ) apuração reflexa sobre receitas não declaradas, apurada com incidência não cumulativa; fatos geradores mensais de 01 a 12/2006; com base legal no art. I o da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; arts. 1º , 2º , 3º e 5º da Lei n° 10.833, de 28 de dezembro de 2003; d.2) apuração reflexa sobre as receitas omitidas, por incidência não cumulativa; fatos geradores mensais de 01 a 12/2006; base legal no art. I o da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; arts1º , 2º , 3º e 5º da Lei n° 10.833, de 28 de dezembro de 2003. 2. Foi aplicada multa de oficio de 75% do art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, e juros de mora segundo o art. 61, § 3 o da Lei n° 9.430, de 1996. 3. Às fls. 33/43, descrição dos procedimentos e autuação, no Termo de Verificação Fiscal e às fls. 44/103 Anexos de I a XII, detalhando a apuração dos valores lançados. 4. O autuante informou que apresentou Representação Fiscal para Fins Penais IRPJ, processo n° 10935.006649/201027. 5. A empresa foi cientificada dos autos de infração em 22/10/2010 e, tempestivamente, em 23/11/2010, apresentou a impugnação de fls. 1.112/1.143, por meio de seus representantes legais, fl. 1.144, com os documentos relacionados de fls. 1.145/1.518. 6. Afirma que a exigência é indevida, pois a base de cálculo de depósitos bancários, sem qualquer indício ou exteriorização de riqueza, não é real e constitui inovação no sistema jurídico. 7. Afirma ser necessária prova cabal da omissão para consubstancial lançamento fiscal e que os autos se apoiam em meras presunções resultantes de indícios, portanto, a exigência fiscal não teve sua materialidade provada e é nula; que inexistem presunções absolutas, portanto uma imposição fiscal baseada nas mesmas é ilegal; lembra que o fato gerador é a situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência da obrigação tributária, e no caso do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica ou de proventos de qualquer natureza; assim, sem ter ocorrido evento previsto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Fl. 4839DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.840 4 como gerador da obrigação tributária, esta não pode ser declarada existente, pelo simples desejo do intérprete da lei, afrontando os arts. 112 e 107 do CTN. 8. Ressalta que cabe à fiscalização demonstrar e comprovar os motivos da exigência, o que não foi feito e, conforme art. 142 do CTN, o ônus da prova pertence exclusivamente à autoridade administrativa. 9. Aponta a impossibilidade de autuação com base apenas em extratos bancários, faltando apuração mais criteriosa; transcreve acórdãos da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF nesse sentido; explica que é notório que uma empresa necessita de capital de giro para operar e que as taxas de juros no País são estratosféricas, além de serem exigidas garantias, o que empurra as pequenas empresas para a informalidade, tendo que apelar a agiotas; tais empréstimos informais não são contabilizados, porém não constituem renda passível de tributação, não podendo ser bases de cálculo de tributos; por isso a autuação deve ser anulada. 10. Para a eventualidade de a DRJ entender por manter o lançamento fiscal baseado na presunção de omissão de receitas correspondentes a depósitos bancários recebidos, junta comprovações de depósitos recebidos nos itens anexos 01 a 39, que descreve às fls. 1.121/1.131. 11. Reclama de ter sido aplicada a multa de ofício de 75%, acusando que possui intuito arrecadatório e feição de tributo disfarçado, dado que não foi caracterizada conduta ilícita do contribuinte, eis que não se pode conceber a imposição de multas quando a conduta praticada está estribada na própria legislação e a autuação se fundamenta em mera presunção, não sendo decorrente de fato incontroverso; mas, caso mantida pelo julgador, que seja reduzida a percentuais razoáveis, pois o percentual aplicado é incompatível com os baixos índices inflacionários do momento e se caracteriza como confiscatório e viola o princípio constitucional da capacidade contributiva do art. 145, § 1º da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988; transcreve jurisprudência do Supremo Tribunal Federal STF, que entende relativa ao caso; aponta que poderseia adotar como parâmetro o Código de Defesa do Consumidor que fixou o teto máximo de 2% para a punição; lembra que a administração tributária pode revogar ou anular seus atos, consoante Súmula 473 do STF e arts. 145 e 149 e incisos do CTN. 12. Acusa ilegalidade de cobrança de juros de mora acumulados mensalmente pela taxa Selic incidentes sobre a multa de ofício; disserta que a lei determina a aplicação de juros de mora sobre débitos decorrentes de "tributos e contribuições" e que estes são diversos de atos ilícitos, não podendo ser confundidos; que, se o legislador pretendesse que os juros também incidissem sobre a multa, como ocorreu no presente caso, teria utilizado a expressão "débitos de qualquer natureza" e transcreve trechos de leis que se referem a contém essas expressões; portanto, os juros de mora do § 3º do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, incidem apenas sobre "tributos e contribuições"; requer a excluída a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, em face da ilegalidade e inconstitucionalidade de tal exigência. 13. O processo consiste em 6 (seis) volumes.” Em face de tais argumentos, por unanimidade de votos, os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA julgaram procedente o lançamento em parte, nos termos do voto condutor. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 4840DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.841 5 Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. FINANCIAMENTOS. NOTAS FISCAIS FATURA. CRÉDITOS BANCÁRIOS JUSTIFICADOS. Cabe excluir da autuação os valores de depósitos/créditos bancários justificados como financiamentos e notas fiscais faturas escrituradas recebidos, comprovados por documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006,31/12/2006 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinada expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Descabida a reclamação se os juros de mora foram apurados exclusivamente sobre os tributos e contribuições exigidos de ofício, não incidindo sobre a multa de ofício aplicada. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Fl. 4841DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.842 6 Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face do referido acórdão a TAPEVEL AUTOMOTIVA LTDA. interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto Vencido Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O presente Recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. Conforme exposto no Relatório, versa o presente caso sobre Auto de Infração referente a IRPJ, CSLL, PIS, e COFINS exigidos devido a suposta omissão de receitas evidenciada por depósitos bancários não contabilizados, e sem a origem comprovada, e que a contribuinte intimada em sede de fiscalização, não teria logrado êxito em justificar se tais depósitos se referiam a valores tributáveis ou não tributáveis. Em decorrência do julgamento parcialmente procedente da Impugnação apresentada pelo contribuinte, este recorre quanto aos valores mantidos, bem como suscita a impossibilidade de quebra de sigilo bancário sem ordem judicial, impossibilidade de existência da referida presunção, inaplicabilidade de multa no patamar de 75%, e a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa. Por outro lado, recorre a DRJ de ofício quanto ao crédito tributário exonerado. Fl. 4842DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.843 7 Dito isto, passarei a analisar os pontos e fundamentos presentes no Recurso de Ofício e do Voluntário de forma separada. Do Recurso de Ofício Parte do crédito tributário foi exonerado tendo em vista que a DRJ aceitou parte das justificativas e documentos apresentado pelo contribuinte, no sentido de comprovar a origem de parte dos depósitos bancários efetuados. Neste ponto, entendo que a decisão não merece reforma, tendo em vista que as justificativas apresentadas pelo contribuinte, e acatadas pela DRJ, estão corretas, contudo, com o fito de prestigiar o princípio da economia processual, cada item objeto de deposito questionado será analisado de maneira conjunta com os questionamentos do contribuinte junto a análise do Recurso Voluntário, para que não haja necessidade repetir a tabela. Do Recurso Voluntário Da Impossibilidade de discussão acerca de Inconstitucionalidade de Lei. Primeiramente, insurgese a Recorrente alegando a impossibilidade de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Ocorre que tal matéria não pode ser apreciada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista o óbice expressamente consignado na Súmula nº 2, que assim dispõe: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, como este Egrégio Conselho não é competente para julgar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, não merece prosperar o pedido de extinção do crédito tributário quanto a este tópico. Da presunção sobre os depósitos bancários e a utilização de extratos bancários Alega a Recorrente que os fundamentos embasados no Auto de Infração em referencia possuem suporte em meras presunções extraídas de conclusões vagas e hipotéticas, não podendo admitir nesses fundamentos aparentemente superficiais e desprovidos de substância. Isto porque, segundo a Recorrente existiriam meras presunções simples que não teriam supedâneo de constituir o crédito tributário, cabendo a União o dever de provar cabalmente que os depósitos nas contas bancárias da empresa são receitas tributáveis. Entendo que não assiste razão a Recorrente. Vejase o que determina a legislação pertinente a omissão de receita calcada em depósitos bancários, qual seja a lei 9430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 4843DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.844 8 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (...) I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Sobre a presunção legal de omissão de receitas, é oportuno um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, a fim de aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. A Lei n° 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou o seguinte: "Art. 6.°. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) §5.°. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Grifouse.) " À vista de tais regras, temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte; a omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ser disciplinado de forma diferente do previsto na Lei n.° 8.021, del990: foi promulgada a já transcrita Lei n.° 9.430, de 1996, que no art. 42, e 88, XVIII, com a alteração do art. 4 o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, que, conforme art. 150, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF, de 1988 c/c o art. 105 do CTN, aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997, e que revogou a o §5.° do art. 6.° da Lei n.° 8.021, de 12 de abril de 1990. Dessa forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos; não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte; há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Fl. 4844DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.845 9 Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei n° 8.021, de 1990, condicionavase à falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei n° 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência do fato gerador; contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador as chamadas presunções legais – como no caso em tela, a produção de tais provas é dispensada, e cabe ao contribuinte apresentar provas que elidam a presunção de omissão resultante. Nessa linha, as presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato, pela dedução tirada de outro fato, ou de um direito, por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções júris et jure e em relativas, condicionais ou presunções juris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem impugnação; os fatos ou atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, conseqüentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, verificase não se tratar de simples indício de omissão de receitas, porquanto havendo uma presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, cabendo à contribuinte a produção da prova de que não teria ocorrido a omissão de receitas. Logo, tratandose de presunção juris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, caberia à interessada comprovar a sua improcedência, mediante provas que apresentasse. Assim, tratando o caso em tela de presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, pois a autoridade administrativa fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico sujeito à incidência do imposto de renda; nesse caso, cabe à contribuinte a produção da prova de que o fato presumido não existe, ou seja, de que não teria ocorrido a omissão de receitas apontada pela fiscalização com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. Da análise específica dos depósitos bancários Quanto à análise de cada depósito bancário, entendo que a DRJ realizou um trabalho exemplar, cotejando todos os documentos envolvidos no presente caso, motivo pelo qual entendo pela manutenção dos depósitos que foram reconhecidos, bem como pela Fl. 4845DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.846 10 manutenção daqueles que não tiveram provas suficientes para desconstituir o lançamento tributário. Assim, valhome da tabela elaborada pela DRJ: Fl. 4846DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.847 11 Fl. 4847DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.848 12 Fl. 4848DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.849 13 Fl. 4849DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.850 14 Assim, os argumentos trazidos pela Recorrente não passaram de mera repetição dos argumentos utilizados quando da Impugnação, não sendo juntadas novas provas ou elementos que tivessem força para alterar a decisão de primeira instância. Fl. 4850DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.851 15 De igual forma, não merece reparo a parte dos depósitos que tiveram a origem reconhecida, devendo ser negado provimento ao Recurso de ofício Interposto. Da aplicação da Multa de Ofício no Patamar de 75% Insurgese também o contribuinte no que tange a aplicação da multa de ofício no patamar de 75%, por ser esta, supostamente, exorbitante. Contudo, tal irresignação não merece acolhimento tendo em vista que o artigo 44 da Lei 9430/6 é expresso ao prever a aplicação da multa de 75%, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos não recolhidos. Dos Juros de Mora sobre a Multa de Ofício No que tange a impossibilidade da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício assiste razão a Recorrente, devendo nesta parte ser julgado procedente o seu apelo. Por fim, voto para negar provimento ao Recurso de Ofício, e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para não incidir os juros de mora sobre a multa de ofício, e manter o lançamento quanto a não comprovação os demais depósitos bancários. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Vencido Fl. 4851DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.852 16 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redator do Voto Vencedor A minha divergência restringese apenas ao cancelamento do juros de mora sobre a multa de ofício. Não procede a alegação da recorrente no sentido de ser indevida a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício . No ataque à essa questão geralmente se utiliza do argumento a contrario sensu. Ou seja, como a única hipótese de incidência de juros sobre multa está consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96, deve, por exclusão, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1º do art. 161 do CTN. Ora, como todo argumento a contrario sensu, devese usálo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (em havendo multa de ofício isolada) > (implica) “q” (implica o cálculo de juros de mora sobre ela). Isso não que dizer que se negarmos “p” (no caso da multa de ofício sobre tributo, pois não se trata de multa isolada) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo de juros de mora sobre essa multa). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Fl. 4852DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10935.006647/201038 Acórdão n.º 1401001.116 S1C4T1 Fl. 4.853 17 Assim, não procede o argumento no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa , poder seia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Assim, mantenho os juros sobre a multa de ofício e nego provimento ao recurso voluntário nesse aspecto também. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 4853DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917862/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.917862/2011-15
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556075
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.751
nome_arquivo_s : Decisao_10830917862201115.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830917862201115_5556075.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6242965
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123960459264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.966 1 2.965 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917862/201115 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.751 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria COFINS DCOMP Eletrônico Recorrente HUNTER DOUGLAS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 62 /2 01 1- 15 Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.726, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 57/63 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 30720.64574.100506.1.2.040900, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917862/201115 Acórdão n.º 3402002.751 S3C4T2 Fl. 2.967 3 A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 06/12/2013 (fl. 66). Inconformada, a mesma apresentou, em 17/12/2013, o Recurso Voluntário (fls. 68/88), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.199 (fls. 125/127),), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.199 (fls. 125/127), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917862/201115 Acórdão n.º 3402002.751 S3C4T2 Fl. 2.968 5 A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal (resultado da solicitação Diligência) às fls. 2.909/2010 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 30720.64574.100506.1.2.040900, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 3.273,63 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 06/2002, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 6.914.004,39, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 6.702.724,07, concluise que Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 integrou a base de cálculo o montante de R$ 108.152,78 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 108.152,78. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 3.244,58. Em sua manifestação (fls. 2.915/2.918), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.917: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido (parcialmente) indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido (parte), não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 3.244,58, referente a parcela de crédito da COFINS, para este processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917862/201115 Acórdão n.º 3402002.751 S3C4T2 Fl. 2.969 7 Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917835/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.917835/2011-42
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556066
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.748
nome_arquivo_s : Decisao_10830917835201142.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830917835201142_5556066.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6242947
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123963604992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.970 1 2.969 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917835/201142 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.748 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria PIS/Pasep DCOMP Eletrônico Recorrente HUNTER DOUGLAS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, abrigado pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional, possibilita que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 35 /2 01 1- 42 Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.702, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 56/62 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 23840.97043.100406.1.2.042378, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de PIS/Pasep. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917835/201142 Acórdão n.º 3402002.748 S3C4T2 Fl. 2.971 3 contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 24/01/2014 (fl. 65). Inconformada, a mesma apresentou, em 30/01/2014, o Recurso Voluntário (fls. 67/87), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.175 (fls. 131/133),), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.175 (fls. 131/133), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917835/201142 Acórdão n.º 3402002.748 S3C4T2 Fl. 2.972 5 ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal (resultado da solicitação Diligência) às fls. 2.915/2.916 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 23840.97043.100406.1.2.042378, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 424,89 referente a crédito de PIS/PASEP relativo ao período de apuração 09/2001, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 4.314.717,7, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 3.894.573,94, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 94.293,76 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da PIS/PASEP totalizam R$ 94.293,76. Assim, a parcela de PIS/PASEP relativa a essas receitas somam R$ 612,91. Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Em sua manifestação (fls. 2.921/2.924), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.923: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 424,89, referente a parcela de crédito da COFINS, solicitado neste processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721586/2012-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
NORMAS GERAIS. INOVAÇÕES E AUSÊNCIAS NA DECISÃO. NULIDADE.
A decisão deve enfrentar integral e somente as acusações constantes da acusação contida no lançamento, quanto ao descumprimento de obrigação tributária principal.
A ausência de análise e a inovação nos fundamentos pela decisão de primeira instância acarreta o cerceamento de defesa e, segundo o que determina o Decreto 70.235/1972, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
No caso, houve a ausência de enfrentamento e a inovação de argumentos na decisão de primeira instância, motivo de nulidade da decisão, devido ao cerceamento de defesa.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-004.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (Relator), Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para a apresentação do voto vencedor o conselheiro Marcelo Oliveira.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Marcelo Oliveira Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NORMAS GERAIS. INOVAÇÕES E AUSÊNCIAS NA DECISÃO. NULIDADE. A decisão deve enfrentar integral e somente as acusações constantes da acusação contida no lançamento, quanto ao descumprimento de obrigação tributária principal. A ausência de análise e a inovação nos fundamentos pela decisão de primeira instância acarreta o cerceamento de defesa e, segundo o que determina o Decreto 70.235/1972, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, houve a ausência de enfrentamento e a inovação de argumentos na decisão de primeira instância, motivo de nulidade da decisão, devido ao cerceamento de defesa. Decisão Recorrida Nula.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15504.721586/2012-98
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572454
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.895
nome_arquivo_s : Decisao_15504721586201298.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 15504721586201298_5572454.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (Relator), Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para a apresentação do voto vencedor o conselheiro Marcelo Oliveira. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Marcelo Oliveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6300239
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123966750720
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-02-22T14:38:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-02-22T14:38:55Z; Last-Modified: 2016-02-22T14:38:55Z; dcterms:modified: 2016-02-22T14:38:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:3b4164f5-6cd9-4ba8-8085-7e529256d455; Last-Save-Date: 2016-02-22T14:38:55Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-02-22T14:38:55Z; meta:save-date: 2016-02-22T14:38:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-02-22T14:38:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-02-22T14:38:55Z; created: 2016-02-22T14:38:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2016-02-22T14:38:55Z; pdf:charsPerPage: 1682; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-02-22T14:38:55Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.591 1 1.590 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.721586/201298 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.895 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FORNAC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NORMAS GERAIS. INOVAÇÕES E AUSÊNCIAS NA DECISÃO. NULIDADE. A decisão deve enfrentar integral e somente as acusações constantes da acusação contida no lançamento, quanto ao descumprimento de obrigação tributária principal. A ausência de análise e a inovação nos fundamentos pela decisão de primeira instância acarreta o cerceamento de defesa e, segundo o que determina o Decreto 70.235/1972, são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, houve a ausência de enfrentamento e a inovação de argumentos na decisão de primeira instância, motivo de nulidade da decisão, devido ao cerceamento de defesa. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 15 86 /2 01 2- 98 Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (Relator), Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para a apresentação do voto vencedor o conselheiro Marcelo Oliveira. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Marcelo Oliveira – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721586/201298 Acórdão n.º 2402004.895 S2C4T2 Fl. 1.592 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 02 45.374 de lavra da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os Autos de Infração – AI a seguir: a) AI n.º 37.329.3801: exigência das contribuições patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre remunerações não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, além de glosas de saláriofamília; b) AI n.º 37.329.3852: exigência da contribuição retida dos segurados não declarada na GFIP; c) AI n.º 37.329.3860: exigência da contribuição dos segurados não retida, nem declarada na GFIP; d) AI n.º 37.329.3844: exigência das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos incidentes sobre as remunerações não declaradas em GFIP; e) AI n.º 37.329.3844: aplicação de multa em razão da conduta de não declarar na GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Nos termos do Relato Fiscal, 36/47, a apuração fiscal deuse mediante a utilização de diversos levantamentos, os quais podem ser resumidos como a seguir: a) FP e FP1: valores constantes nas folhas de pagamento e não declarados em GFIP, conforme discriminado no Anexo I. b) PL e PL1: pagamentos a título de participação nos lucros em desconformidade com a Lei n.º 10.101/2000. Os valores em questão encontramse apresentados no Anexo III. Afirma o fisco que o Acordo de PLR se apresenta omisso quanto às regras que fixam direito ao recebimento da verba e aos parâmetros de mensuração para fins de avaliação de cumprimento do acordado. Assim resta descumprido o § 1.º do art. 2.º da referida Lei. c) PT e PT1: fornecimento de alimentação sem que a empresa estivesse inscrita no PAT, conforme Anexo V. d) SF e SF1: glosa de dedução do saláriofamília repassado aos empregados em desobediência à legislação de regência, conforme demonstrado no Anexo VIII. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 e) SE, SL, SL1, ST, ST1: os Anexos II, IV e VI apresentam os valores devidos a título contribuição dos segurados não descontada, a qual foi calculada pela alíquota mínima, em razão de se poder individualizar a base de cálculo relativa ao fornecimento de alimentação. f) AP e AP1: referemse às quantias descontadas dos segurados e não repassadas à Seguridade Social, as quais estão relacionadas no Anexo VII. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta para o conjuntos das autuações, levandose em consideração as mudanças promovidas pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Há também a ressalva que no período da apuração não há o que se falar em decadência, uma vez que a empresa não declarou na GFIP as remunerações que serviram de base para a apuração. Foi lavrada Representação Fiscal Para Fins Penais para a autoridade competente, em tese, pela prática de crimes contra Seguridade Social e contra a Ordem Tributária. Cientificada dos lançamentos em 29/02/2012, a empresa apresentou impugnação na qual inicialmente afirma haver quitado o AI n.º 37.329.3852. Depois alega que as refeições fornecidas aos seus empregados não pode sofrer a incidência de contribuições, posto que não se caracteriza como remuneração. Sustenta que os pagamentos a título de PLR foram efetuados em total consonância com a Lei n.º 10.101/2000, portanto, não podem ser tributados. Afirma que as diferenças entre folha de pagamento e GFIP referemse a diferenças de 13.º Salário para os empregados que recebiam remuneração variável em 2007. Esclarece que o segurado Antônio Minelvino possuía múltiplos vínculos e já recolhia contribuição pelo teto legal. O órgão de primeira instância determinou a realização de diligência fiscal, para que a Autoridade Lançadora apreciasse os argumentos da defesa e documentos juntados. O fisco se pronunciou, sugerindo alteração da base de cálculo para a competência 12/2007, por reconhecer que houve a apuração de contribuição sobre descontos efetuados a título 13.º pago a maior. Acerca dos valores pagos ao trabalhador Antônio Minelvino, o Auditor informou que não houve a apuração da contribuição do segurado, posto que havia documentos demonstrado que este já recolhia pelo teto do saláriodecontribuição. A empresa tomou ciência da informação fiscal e se pronunciou para reiterar os termos da defesa e pedir o cancelamento das lavraturas. O órgão de primeira instância decidiu acatar em parte as razões da defesa. Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721586/201298 Acórdão n.º 2402004.895 S2C4T2 Fl. 1.593 5 Os levantamentos PT, PT1, ST e ST1 foram excluídos da apuração em razão do que dispõe o Ato Declaratório nº 3 de 20/12/2011 pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, publicado no DOU, página 00036 em 22/12/2011, o qual manifesta o entendimento de que não há a incidência de contribuições sobre o fornecimento de alimentação in natura, independentemente da inscrição da empresa no PAT. Foi promovida a retificação da base de cálculo para a competência 12/2007, conforme sugerido pelo fisco em sua resposta à diligência fiscal. Acerca do Plano de PLR, a DRJ concluiu que este estaria em desconformidade com a lei de regência, posto que não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos princípios, critérios e condições para o efetivo pagamento da participação nos lucros ou resultados, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Aduz que o acordo para pagamento da verba não foi firmado previamente ao início do período aquisitivo do direito, bem como houve a quebra da periodicidade legal, posto que houve pagamento em 12/2007 e em 03/2008, desrespeitando o intervalo legal de seis meses entre os pagamentos a título de PLR. Inconformado com essa decisão, o sujeito passivo apresentou recurso, no qual inicialmente postula pelo reconhecimento da sua tempestividade, além de mencionar a quitação do AI n.º 37.329.3852. Depois afirma que, ao contrário dos fundamentos lançados no acórdão recorrido, a empresa cumpriu as regras da Lei da PLR. Os valores pagos a esse título decorreram de Acordo Coletivo de Trabalho ACT firmado entre a FORNAC e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Metalúrgica, Mecânica e Material Elétrico de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas, após exaustivo processo de análise de resultados. O referido ACT foi formalizado em 05/11/2007, após intensa negociação com o Sindicato representativo da categoria dos seus empregados e teve como parâmetros índices de produtividade apurados até o mês de novembro daquele ano, as projeções de lucro e o quantitativo de empregados, o que demonstra que os requisitos constantes no art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000 foram cumpridos. Não há na Lei exigência para que o acordo seja assinado antes de iniciado o período aquisitivo do direito, bastando que haja parâmetros a serem aferidos posteriormente pelas partes, o que ocorreu in casu. Reconhece que, malgrado os critérios para pagamento da PLR terem sido negociados, os mesmos não foram transladados no corpo do ACT, optandose por uma redação resumida, onde se enfatiza que o Acordo foi elaborado conforme as regras legais aplicáveis. Advoga que os pagamentos efetuados em 12/2007 e 03/2008 não ferem a regra legal de periodicidade. Menciona que o ACT para pagamento da PLR foi devidamente registrado no Ministério do Trabalho e Emprego. Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Conclui que todas as regras da Lei da PLR foram cumpridas e na esteira da jurisprudência do CARF e do STJ deve ser afasta a incidência de contribuições sobre a verba em questão. É relatório. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721586/201298 Acórdão n.º 2402004.895 S2C4T2 Fl. 1.594 7 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que atende aos requisitos de tempestividade e legitimidade. Da incidência de contribuições sobre a PLR Dos termos do recurso, percebese que a única questão trazida a esse Colegiado referese à incidência de contribuições sobre as verbas pagas a título de PLR. A participação nos lucros ou resultados é uma benesse constitucional prevista no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n.º 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n.º 10.101/2000. O art. 1.º desse diploma normativo dispõe: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Pois bem, essa Lei veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Para o legislador a PLR sempre deve resultar de negociação entre trabalhadores e patrões, conforme se pode ver do dispositivo abaixo, o qual transcrevo com a redação vigente no período da ocorrência dos fatos geradores: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Além da obrigatoriedade de negociação, a Lei traz exigências acerca da formalização do instrumento de negociação, deve conter a clareza necessária para que as partes, principalmente os empregados, possam identificar os critérios e condições que devem ser observados para pagamento da verba, bem como a forma de mensuração dos mesmos. Eis o texto legal: §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. O relatório fiscal indica que o ACT firmado pela recorrente e o sindicato que representa os seus trabalhadores não cumpre o § 1.º acima, posto que carente das regras que norteariam procedimento de pagamento da verba. Dito de outro modo não teria havido a estipulação de qualquer meta, resultado ou índice de melhoria empresarial que, uma vez atingidos, daria direito ao recebimento da PLR. A empresa, por sua vez, alega que negociou com os empregados os índices e metas que seriam aferidos para fins de verificar o direito ao pagamento da verba, todavia, por um deslize, os parâmetros deixaram de ser transcritos no instrumento que formalizou o ACT. Para comprovar suas alegações apresentou o ACT 2007 firmado com o Sindicato das Indústria Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas, ver fls. 430/431. Nesse documento verificase a existência de quatro cláusulas. A Primeira definindo os valores de PLR a serem pagos e as datas dos pagamentos. No seu § 1.º consta os critérios de proporcionalidade em função do tempo de serviço na empresa e o § 2.º menciona que a verba não tem natureza salarial. Na Cláusula Segunda há a ressalva de que não incidem encargos trabalhistas ou previdenciários sobre a verba. A Cláusula seguinte estipula que o acordo tem a vigência até 31/12/2007. E, por fim, a Cláusula Quarta traz tema estranho à PLR, ao tratar de compromisso da empresa de não reajustar o valor da refeição cobrado dos empregados. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721586/201298 Acórdão n.º 2402004.895 S2C4T2 Fl. 1.595 9 Nada mais foi apresentado, demonstrando, assim que o fisco acertou ao concluir que o comando inserto no § 1.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000 foi desrespeitado, pelo fato do ACT não apresentar qualquer condição ou critério a ser alcançado para que os trabalhadores fossem agraciados pela verba em questão. Apesar da empresa garantir que houve negociação acerca das metas, nada é apresentado em socorro a esta tese. Atas de reuniões das negociações, formulários de aferição das metas, etc., nada disso foi colacionado, mas apenas o instrumento e a comprovação de que o mesmo foi registrado no órgão competente. Verificase, assim, que, ao não incluir no ACT as metas e critérios que dariam direito ao pagamento da PLR a empresa violou o § 1.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000. A Lei n. 8.212/1991, na que a alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a imunidade previdenciária sobre a participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n. 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) A única conclusão possível é a de que, tendo havido o pagamento em desrespeito à Lei 10.101/2000, a verba deve ser considerada saláriodecontribuição, tendo o fisco demonstrado acerto em seu proceder. É nessa linha que tem se manifestado a jurisprudência do CARF, conforme se vê do Acórdão n.º 2301002.859, de 19/06/2012, cujo processo contou com a relatoria do Ilustre Conselheiro Leonardo Henrique Pires e que teve a ementa assim redigida: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. VALOR FIXO PAGO DESVINCULADO DO ATINGIMENTO DE METAS OU RESULTADOS. IRREGULARIDADE. INCLUSÃO NO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O Programa de Participação nos Lucros e Resultados PLR tem como finalidade integrar os empregados nos resultados positivos da empresa e incentiválos a buscar o melhor desempenho, sendo a previsão de metas ou alcance de lucro ou resultados, individuais ou coletivos, requisitos necessários à regularidade do PLR. A previsão de pagamento de um valor fixo desvinculado Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 do atingimento de qualquer meta ou resultado configurase como remuneração para efeito de incidência da contribuição previdenciária, por não se coadunar com o propósito constitucional do instituto. AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE DESPESAS COM FACULDADE. POSSIBILIDADE. O art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/1991 prevê a exclusão do salário de contribuição dos valores pagos aos empregados para custeio de despesas com educação básica e superior, incluindo neste cursos de graduação ou de especialização. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Feitas essas considerações, encaminho pela negativa de provimento ao recurso. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.721586/201298 Acórdão n.º 2402004.895 S2C4T2 Fl. 1.596 11 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado Com todo respeito ao nobre relator, por quem tenho admiração, divirjo de sua decisão. Na análise do recurso, que apresenta razões para não incidência de contribuição sobre parcelas relativas a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), verificamos que a decisão traz aos autos outras razões para a tributação da verba PLR, que não estão na acusação. No lançamento há a seguinte acusação para a tributação da verba PLR: 23 Em atendimento ao solicitado a empresa apresentou o Acordo Coletivo para Participação nos Lucros e/ou Resultados, cópia em anexo, cuja redação é deficiente quanto ao estabelecimento de disposições expressas e objetivas em seus diversos aspectos, notadamente quanto aos direitos e aos parâmetros de mensuração para fins de avaliação de cumprimento do acordado. 24. Pelos termos da LEI Nº 10.101/2000 a clareza e a objetividade devem nortear a fixação tanto dos direitos substantivos dos participantes quanto das correlatas regras instrumentais, as quais devem encerrar critérios quantitativamente mensuráveis, como forma de avaliação. 25. A não observância do disposto no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000,qualifica a parcela distribuída a título de “PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS” com natureza salarial, autorizando a incidência da contribuição previdenciária. Já na decisão recorrida, no voto, há a seguinte fundamentação para a tributação do PLR: Conforme relatório fiscal e alegações apresentadas na defesa, concluise que: Não houve o estabelecimento prévio de metas e resultados, pois a PLR, como “instrumento de integração entre capital e o trabalho e como incentivo a produtividade”, deve buscar o envolvimento efetivo dos funcionários na busca dos resultados. Houve apenas a determinação do valor a ser pago como participação nos lucros ou resultados, sem o envolvimento efetivo dos funcionários na busca dos resultados. Contrariando o disposto no §1º do artigo 2º da Lei 10.101/2000, não constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos princípios, critérios e condições para o efetivo pagamento da participação nos lucros ou resultados, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 O acordo coletivo foi firmado em 5/11/07, com vigência estipulada em 1 ano, iniciando em janeiro/2007 e com término em 31/12/07, e restou fixado o pagamento a título de PLR em duas parcelas: em 15/12/07 e em 31/3/08. Ora, como falar em integração entre capital e trabalho e incentivo à produtividade se o acordo para o pagamento da verba foi feito pouco antes do pagamento e não antecedeu o período a que se atribui o lucro a ser distribuído. O acordo deve ser assinado antes do início do cumprimento das metas, ou seja, antes de iniciado o período de apuração da PLR, não se aceitando a assinatura depois que parte das metas já foram cumpridas ou quando os resultados já são conhecidos. Acrescentese que o pagamento da PLR em 15/12/07 e em 31/3/08 também não respeitou o intervalo mínimo de seis meses entre as parcelas, conforme Lei 10.101/00, art. 3o, § 2o. Portanto, correto o procedimento fiscal que apurou as contribuições sociais devidas incidentes sobre os valores pagos aos empregados a título de participação nos resultados, devendo ser mantidos os levantamentos PL e PL1 (AI 37.329.3801 e AI 37.329.3844) e levantamentos SL e SL1 (AI 37.329.3860). Como está claro, q decisão recorrida fundamenta sua decisão por motivos outros, que não constam da acusação, lançamento, que é, somente, a existência de redação deficiente, quanto aos direitos e aos parâmetros de mensuração para fins de avaliação de cumprimento do acordado. Ao motivar sua decisão em outros argumentos, para a tributação da PLR, a decisão recorrida: 1. Não enfrenta de forma direta a acusação contida no lançamento, retirando instância para o exercício de defesa pela contribuinte; e 2. Inova nos motivos para a manutenção do lançamento, cerceando, novamente, o exercício de defesa do contribuinte, pois, como determinado pelo devido processo legal, o acusado tem direito há acusação certa, clara e precisa. Devido ao exposto, voto pela nulidade da decisão de primeira instância, pois o Art. 59, do Decreto 70.235/1972 determina que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digit almente em 24/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000024/2011-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 01/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso Especial do Procurador provido
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15540.000024/2011-90
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5571587
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.796
nome_arquivo_s : Decisao_15540000024201190.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 15540000024201190_5571587.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 01/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
id : 6296078
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123977236480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1801; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 327 1 326 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15540.000024/201190 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.796 – 2ª Turma Sessão de 17 de fevereiro de 2016 Matéria Multa retroatividade benigna Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAND SERVIÇOS EIRELI EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 01/03/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 00 24 /2 01 1- 90 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Autos de Infração de Obrigação Principal, exigindose Contribuições Previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa a segurados contribuintes individuais, referentes a parte patronal, custeio da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT, além da contribuição devida sobre o valor pago aos segurados contribuintes individuais e terceiros, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, respectivamente. Embora a Contribuinte tenha sido excluída do SIMPLES a partir de 1º/01/2003, manteve a declaração como optante do referido regime diferenciado, no período de 01/2006 a 06/2007. Em sessão plenária de 13/03/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2803002.170 (fls. 231 a 239), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando no Relatório Fiscal do Auto de Infração e nos seus anexos há clara identificação dos valores lançados, com todas as informações indispensáveis para contestar o débito. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº. 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para aplicar a multa, caso seja mais benéfica, prevista no art. 35, da Lei nº. 8.212/91, combinada com o art. 61, § 2º, da Lei nº. 9.430/96.” O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional em 05/04/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 240) e, na mesma data, foi interposto o Recurso Especial de fls. 241 a 257 (Despacho de Encaminhamento de fls. 294), com fundamento no 67, do Anexo II, do Fl. 328DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15540.000024/201190 Acórdão n.º 9202003.796 CSRFT2 Fl. 328 3 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir o recálculo da multa, para efeito de aplicação da retroatividade benigna. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 294/2012, de 06/06/2012 (fls. 319 a 325). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: o artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária; para a solução destes questionamentos, devese lembrar que 'não se interpreta o Direito em tiras, aos pedaços. (...) um texto de direito isolado, destacado, desprendido do sistema jurídico, não expressa significado normativo algum" (Grau, Eros Roberto. Ensaio e Discurso sobre a Interpretaçc5o/Aplicação do Direito. 2° edição. São Paulo: Melhoramentos, pág. 40); nesse contexto, impende considerar que a Lei n° 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP n° 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" a redação do art. 35A é clara: efetuado o lançamento de oficio das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido e não declarou no documento próprio (GFIP) todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias (a respeito, ver as fls. 38/39 do Relatório Fiscal), cumpre à fiscalização realizar o lançamento de oficio e aplicar a respectiva multa (de oficio) prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996; por outro lado, como sói ocorrer com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei n° 9.430, de Fl. 329DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 1996, ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de oficio, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; assim, no lançamento de oficio, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata, é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de oficio; a multa de oficio será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário; a incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso); essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP n° 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei n° 11.941, de 2009; é o que se percebe pela simples leitura do art. 35A da Lei n° 8.212, cuja literalidade se pede vênia para repisar: "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". logo, diante da redação explícita da norma, fica claro que, tratandose de lançamento de oficio, considerandose que não houve no caso a declaração de todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas (no presente caso concreto, repisese não houve essa declaração em GFIP), nem o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996; a multa de mora, diante da novel sistemática, tanto no microssistema previdenciário, quanto de acordo com a disciplina da Lei n° 9.430 aplicável em relação aos demais tributos federais, não terá lugar nesse lançamento de oficio; a multa de mora e a multa de oficio são excludentes entre si, e deve prevalecer, na hipótese de lançamento de oficio, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de oficio prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, diante da literalidade do art. 35A; nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento sendo o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei n° 8.212, de 1991 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996; logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei n° 8.212, de 1991 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS; Fl. 330DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15540.000024/201190 Acórdão n.º 9202003.796 CSRFT2 Fl. 329 5 aqui cabe consignar o que o paradigma deixou registrado sobre o tema: "Quanto às alterações trazidas pela MP 449, a recorrente apresenta a tese de que com a nova redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/1991, as contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. De acordo com o citado dispositivo, a limitação da multa se daria em 20% que é o percentual que a recorrente pretende que seja aplicado com a retroação benigna da lei. Ocorre que a MP 449, além de alterar o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, "Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996". 0 inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. A meu ver, a forma de cálculo que o contribuinte pretende que seja aplicada em seu favor é utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea. Entretanto, se ocorreu o lançamento de oficio que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior aos 50% previstos na antiga redação do art. 35 da Lei n° 8.212/1991, inciso II, alínea "d" que corresponde ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância, porém anterior à inscrição em divida ativa. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância." a tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP n° 449, de 2008 (convertida na Lei n° 11.941, de 2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei n° 8.212, de 1991, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido, houve isto sim, lançamento de oficio, logo, inarredável a aplicação das disposições específicas da legislação previdenciária; por pertinente, cabe trazer à baila voto do Il. Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, proferido nos autos do processo administrativo n° 35464.003731/200395 (acórdão n° 230100.282) que corrobora, na parte abaixo transcrita, o entendimento ventilado no presente recurso, verbis: "Comparando com o artigo 44 da Lei n°9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de oficio dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: (....) Outra diferença é que as multas do artigo 44 se justificam pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento / recolhimento / declaração; sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de oficio não é cumulativa com a multa de mora. (...) Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas panes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos as penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o paaamento/recolhimento antes do procedimento de oficio, ou a multa de oficio, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de oficio e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores 6 MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de oficio. por fim, cumpre voltar a atenção para o disposto na Instrução Normativa RFB n° 971 de 13/11/2009, sobre as regras a serem observadas em razão do advento da MP n° 449, de 2008 posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 2009: “Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Fl. 332DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15540.000024/201190 Acórdão n.º 9202003.796 CSRFT2 Fl. 330 7 I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.” caso se entenda pela diversidade de natureza das multas, também não se poderia falar na espécie em retroatividade benigna entre a multa prevista no art. 35 da norma revogada e na novel redação emprestada ao mesmo dispositivo pela Lei n° 11.941; nessa linha de raciocínio, a NFLD em testilha deve ser mantida, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP n° 449/2008, atualmente convertida na Lei n° 11.941/2009. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido, no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei n° 8.212, de 1991 (na atual redação conferida pela Lei n° 11.941, de 2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei n° 8.212, de 1991, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade, a Contribuinte quedouse silente (fls. 323 a 326). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Autos de Infração de Obrigação Principal, exigindose Contribuições Previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa a segurados contribuintes individuais, referentes a parte patronal, custeio da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT, além da Fl. 333DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 contribuição devida sobre o valor pago aos segurados contribuintes individuais e terceiros, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, respectivamente. Embora a Contribuinte tenha sido excluída do SIMPLES a partir de 1º/01/2003, manteve a declaração como optante do referido regime diferenciado, no período de 01/2006 a 06/2007. Na decisão recorrida, determinouse o recálculo da multa, com base na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, ao artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que eventual retroatividade benigna seja aferida comparandose o dispositivo legal aplicado com o art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. A retroatividade benigna encontrase efetivamente prevista no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), conforme a seguir: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." No presente caso, os fatos geradores ocorreram à luz de legislação posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve ser levada a cabo mediante comparação da redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores, com a sua nova redação, conferida pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15540.000024/201190 Acórdão n.º 9202003.796 CSRFT2 Fl. 331 9 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Confrontados os textos de lei, constatase que, no caso do acórdão recorrido, comparouse, para efeito de aplicação da retroatividade benigna, a multa que fora exigida por meio do Auto de Infração de Obrigação Principal, com a multa tipificada na nova redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, que não demanda lançamento de ofício, eis que se trata de simples mora. Nesse passo, esclareçase que, independentemente da denominação que se dê à penalidade, há que se perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga redação do art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido após o vencimento, porém espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Além disso, tanto os demais tributos como as contribuições previdenciárias têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina que a exigência tributária tem de ser formalizada por meio de lançamento, como também especifica as respectivas modalidades: lançamento por homologação, lançamento por declaração e lançamento de ofício. Cada uma dessas modalidades está ligada ao grau de colaboração verificado por parte do sujeito passivo. No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido e efetuar o seu recolhimento, independentemente de prévia ação por parte da Autoridade Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento, claramente são visualizadas duas formas de recolhimento fora do prazo estabelecido: aquele efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa. Assim, embora a antiga redação do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora” para as contribuições previdenciárias, não há dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 15540.000024/201190 Acórdão n.º 9202003.796 CSRFT2 Fl. 332 11 condutas tipificadas nos dispositivos legais que regulavam os demais tributos federais: pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do CTN. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a penalidade, nos termos em que figurou no lançamento (Relatório Fiscal de fls. 65 a 68), que já aplicou a norma mais benéfica (art. 35, II, da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores, ou a multa do art. 35A, incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, sendo que a soma das multas por descumprimento de obrigações principal e acessória deve ser limitada a 75%). MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/0 3/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000300/2003-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada
vigente na data de sua apreciação em segunda instância, a teor da súmula CARF nº 103.
Recurso Negado
Numero da decisão: 9303-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, a teor da súmula CARF nº 103. Recurso Negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 19740.000300/2003-12
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5524755
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-003.250
nome_arquivo_s : Decisao_19740000300200312.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 19740000300200312_5524755.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
id : 6131280
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124013936640
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-09-15T16:39:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-09-15T16:39:46Z; Last-Modified: 2015-09-15T16:39:46Z; dcterms:modified: 2015-09-15T16:39:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:351a2fcc-da6f-45ed-adcb-a998303c53a7; Last-Save-Date: 2015-09-15T16:39:46Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-09-15T16:39:46Z; meta:save-date: 2015-09-15T16:39:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-09-15T16:39:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-09-15T16:39:46Z; created: 2015-09-15T16:39:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2015-09-15T16:39:46Z; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-09-15T16:39:46Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 429 1 428 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.000300/200312 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.250 – 3ª Turma Sessão de 03 de fevereiro de 2015 Matéria Limite de Alçada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SUL AMERICA CAPITALIZACAO SA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, a teor da súmula CARF nº 103. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 03 00 /2 00 3- 12 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 430 2 Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3403000.907, de 7 de abril de 2011, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, cujos membros, por unanimidade de votos, não conheceram do recurso de ofício interposto pela DRJ Rio de Janeiro I/RJ contra sua própria decisão. A DRJ recorreu de ofício de sua decisão, em face do disposto na Portaria MF nº 333, de 1997, que estabelecia o limite de R$ 500.000,00 para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das DRJs. O acórdão recorrido foi assim ementado: Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Período de Apuração: Ano calendário 1998. Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA. Valor de alçada se revela pressuposto necessário ao conhecimento do reexame oficial, de modo que, constatado que valor é inferior ao fixado por Portaria n° 3 do CARF, implica em não conhecimento. Cientificada do acórdão, inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especia,l no qual requer que o recurso de ofício seja conhecido. Para fundamentar seu recurso discorreu: I) Síntese dos fatos; II) Do cabimento do recurso e da divergência jurisprudencial; III) Dos fundamentos para a reforma do acórdão recorrido, onde argumenta que norma posterior não poderia impedir o conhecimento do recurso, pois se trataria ato processual perfeito e acabado, sob pena de afronta à proteção constitucional ao ato jurídico perfeito (art. 5°, XXXVI), sustenta ainda que, conforme jurisprudência do STJ citada, a norma em vigor à época do advento da decisão recorrida deve reger o juizo de admissibilidade recursal; e finalmente IV) Pedido para que seja admitido e provido seu recurso. O recurso especial foi admitido, vide despacho de fls. 404/405. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 431 3 Conforme demonstrado no relatório, a DRJ Rio de Janeiro I/RJ recorreu de ofício de sua própria decisão, por ter desonerado o sujeito passivo de créditos tributários (principal e multa de ofício), no valor de R$ 988.382,13 (novecentos e oitenta e oito mil e trezentos e oitenta e dois reais e treze centavos). Nos termos da Portaria MF nº 375, de 07 de dezembro de 2001, vigente à data em que proferida a decisão, 15/02/2007, o limite de alçada importava em R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). No entanto, aquele limite foi alterado por meio da Portaria MF nº 03, de 07 de janeiro de 2008, estabelecendose a obrigatoriedade do recurso de ofício para exoneração superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Vejamos os termos dessa portaria: “Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo.” Assim, a partir de 07 de janeiro de 2008, o limite de alçada passou a ser de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Com isso, desde essa data, o recurso de ofício está reservado a desonerações que ultrapassarem esse valor. De outro lado, observase dos autos que o julgamento do recurso de ofício objeto destes autos foi realizado no dia 7 de abril de 2011, data em que já vigia o novo limite de alçada. Neste sentido, o Colegiado recorrido decidiu por não conhecer do recurso de ofício, visto que, a competência do órgão julgador ad quem, no caso concreto, seria conferida pela devolutividade do recurso, e, no presente caso, esta não teria ocorrido, em razão de não haver sido atendido o requisito essencial à validade do recurso de ofício, qual seja, a exoneração acima do limite de alçada, limite este que deveria ser aferido, no entender do colegiado recorrido, na data do julgamento do recurso e não na de sua apresentação, conforme defende a recorrente. Esse entendimento encontra arrimo na jurisprudência do CARF, como é exemplo o acórdão nº 310100.435, cuja ementa abaixo se transcreve. AC. 310100.435 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFICIO LIMITE DE ALÇADA.A exoneração do sujeito passivo da obrigação tributária do pagamento de tributos e encargos de multas superiores ao limite de alçada fixado em ato do ministro da Fazenda impõe ao órgão judicante de primeira instância administrativa a obrigação de recorrer de oficio Na instância ad quem, o exame de admissibilidade é levado a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento do recurso.Recurso de Oficio não conhecido. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 432 4 Em suma, a jurisprudência deste Colegiado caminhava no sentido de que a verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, seria levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Este relator também comungava desse entendimento e, por diversas vezes, assim se manifestou. Todavia, recentemente, quando da discussão das propostas de súmulas a serem examinadas no próximo pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, percebi que estava equivocado, pois a posição mais consentânea com as normas processuais seria no sentido de que a verificação do limite de alçada, ensejador da interposição necessária do recurso de ofício, deveria ser aferido, no momento em que a decisão fora prolatada, e não no momento em que o recurso for julgado. A seguir, passo a expor a razões que me levaram a mudar o entendimento sobre essa questão. As normas de Direito Processual e o Direito Intertemporal Os processos instaurados na vigência da lei nova não oferecem maiores dificuldades, pois serão por ela disciplinado, tampouco há dificuldade de entender os efeitos da lei nova sobre processos findos, que estão acobertados pelo manto da coisa julgada. Todavia, o mesmo não se pode dizer da situação em que, no curso do processo, há alteração da lei processual, pois não há na legislação processual qualquer regulamentação de como e em que fase processual irá ocorrer a incidência da nova lei. Três teorias tentaram solucionar o problema. Teoria da unidade processual. Os adeptos dessa teoria consideram o processo como um todo, uma unidade, desdobrado em atos diversos. Essa característica unitária, faria com o processo por uma única lei, a nova ou a velha, mas como, em 1regra, a lei não retroage, a lei antiga deve se impor, de modo a evitar a retroação da nova, que acarretaria prejuízo dos atos já praticados até a sua vigência. Teoria das fases processuais. Essa corrente, ao contrário da anterior, o processo seria constituído de fases (postulatória, instrutória e de julgamento) autônomas, cada uma disciplinada pela lei vigente ao seu tempo. Teoria do isolamento dos atos processuais, segundo os defensores dessa corrente, a lei nova não alcançaria os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, aplicandose apenas aos atos que vierem a ser praticados após sua vigência, sem limitações quanto às fases processuais. Em síntese, por essa teoria, a lei nova, em relação ao processo pendente, confere eficácia aos atos processuais já realizados, e passa a disciplinar os demais a partir de sua vigência, respeitando o ato jurídico perfeito (acabado) e o direito adquirido de praticar um ato processual iniciado e ainda pendente. Na linha desse raciocínio, temse que, se um processo foi iniciado sob a égide de uma lei processual e, em seu curso, nova lei foi publicada, o ato praticado sob os auspícios da lei antiga terá validade, sob pena de se vulnerar os princípios do direito adquirido e do ato jurídico perfeito, cláusulas pétreas presentes na Carta Política da República. 1 Regra geral, a lei produz efeitos para frentes, à exceção da lei penal mais benéfica e da que for meramente interpretativa. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 433 5 Não se pode olvidar ainda, alguns Princípios norteadores do sistema processual brasileiro, o Princípio da Imediatividade, o Princípio da Irretroatividade da Norma Processual, e o Princípio do Tempus Regit Actum. Pelo primeiro, entendese que, uma vez vigente, a norma passa a valer para todos os processos pendentes e futuros a partir de então, como previsto no 2art. 1.211 do CPC, já pelo segundo, o da irretroatividade da lei processual, temse a impossibilidade da norma processual nova alcançar ato processual praticado sob o abrigo da lei antiga, por força do primado constitucional da defesa do direito adquirido e da proteção aos efeitos do ato jurídico perfeito, e, finalmente, pelo terceiro, que na da mais é do que a síntese dos dois primeiros, impõese a observância dos atos praticados sob a égide da lei revogada, bem como dos seus efeitos, vedandose a retroação da lei nova. Sob esse prisma, a lei em vigor na data da decisão regula os recursos cabíveis contra o ato decisório, assim o direito de impugnar surge com o ato lesivo ao interesse do sucumbente e os requisitos recursais regulase pela lei da data da publicação do decisum. Hoje, encontrase apascentado, na doutrina e na jurisprudência, o entendimento de que o sistema processual brasileiro abraçou a Teoria do Isolamento dos Atos Processuais, segundo a qual, os atos processuais são realizados durante o curso normal do processo e, uma vez inserida norma processual nova no ordenamento jurídico, em relação a processos pendente, essa novel legislação regerá apenas os atos que ainda deverão ser praticados. Esse isolamento dos atos processuais garante que a lei nova não alcançará os efeitos produzidos por atos já realizados até aquela fase do processo, por ato préexistente à nova lei. É por demais óbvio que, para os processos iniciados após a vigência da norma nova, não há que se falar em isolamento, e todos os atos do processo, desde o início, serão regido por essa nova legislação. Sobre o tema, Galeno Lacerda3, ensina que a lei nova "não pode atingir situações processuais já constituídas ou extintas sob o império da lei antiga, isto é, não pode ferir os respectivos direitos processuais adquiridos. O princípio constitucional de amparo a esses direitos possui, aqui, também, plena e integral vigência". Nelson Nery Junior4, diferencia a situação em que há alteração legislativa entre o dia do julgamento e a data da interposição do recurso, para ele, a regra do isolamento dos atos processuais deve ser particularizada quando se tratar de recurso, de modo que a lei vigente no dia em que foi proferido o julgamento é a que determina o cabimento do recurso; a lei vigente no dia em que foi efetivamente interposto o recurso é a que regula o seu procedimento Cândido Dinamarco Rangel5, um dos maiores expoente da Teoria Geral do Processo, ensina que a lei nova processual não tem aplicação imediata nas situações seguintes: quando atingir o próprio direito de ação, de modo a impor ao sujeito novas competências ou priválo dos meios antes postos a sua disposição para a obtenção da tutela jurisdicional; 2 Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes 3 O novo direito processual civil e os feitos pendentes, Rio de Janeiro, Forense, 1974, p. 13. 4 Nelson Néri Junior, Princípios Fundamentais – Teoria Geral dos Recursos, RT, São Paulo: 2000, pg. 426. 5 DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. I. 5ª. ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2005, pág 120 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 434 6 quando retirar a proteção jurisdicional antes outorgada à determinada pretensão, excluindo ou comprometendo radicalmente a possibilidade do exame desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente prometida; quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas; quando haja redução da possibilidade de ampla defesa, quando crie novas competências ou tornem irrelevantes as já existentes; A síntese doutrinária sobre o direito intertemporal, o entendimento predominante é no sentido de que a lei vigente no dia em que foi proferido o julgamento é a que determina o cabimento do recurso, isso porque, não se pode perder de vista que se deve observar o direito adquirido e a coisa julgada, garantias constitucionais fundamentais (art. 5º, inc. XXXVI). Em outro giro, no âmbito dos tribunais, o entendimento não discrepa do da doutrina, como se pode ver do enunciado da Súmula 26 do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, abaixo transcrita. SÚMULA 26/TRF1ªREGIÃO. A lei regente do recurso é a que está em vigor na data da publicação da sentença ou decisão. O Superior Tribunal de Justiça também abraçou a Teoria do Isolamento dos Atos Processuais nos termos seguintes: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. ACÓRDÃO PROFERIDO POR MAIORIA.AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS INFRINGENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 207/STJ. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. 1. A adoção do princípio tempus regit actum pelo art. 1.211 do CPC, impõe o respeito aos atos praticados sob o pálio da lei revogada, bem como aos seus efeitos, impossibilitando a retroação da lei nova. Sob esse enfoque, a lei em vigor à data da sentença regula os recursos cabíveis contra o ato decisório, por isso que o direito de impugnar surge com o ato lesivo ao interesse do sucumbente e o prazo para recorrer regulase pela lei da data da publicação do decisum. Distinção que evita tratamento antiisonômico na hipótese em que causas passíveis da mesma impugnação tem os seus arestos publicados em datas diversas. 2. Hipótese em que o acórdão de apelação, muito embora tenha sido publicado somente em 04.02.2003, foi proferido na sessão de 17.10.2001, data anterior à reforma engendrada pela Lei 10.352/2001, que entrou em vigor em 27.03.2002, e deu nova redação ao art. 530, do CPC. ("Cabem embargos infringentes quando o acórdão não unânime houver reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente ação rescisória. Se o desacordo for parcial, os embargos serão restritos à matéria objeto da divergência."). Fl. 434DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 435 7 4. O direito de recorrer nasce com o julgamento que em segundo grau se completa com a divulgação do resultado (art. 556, do CPC) (Lição de Galeno Lacerda in "O Novo Direito Processual Civil e os Feitos Pendentes", p. 6869). 5. Consectariamente, a lei da data do julgamento regula o direito do recurso cabível, (Pontes de Miranda, in "Comentários ao Código Processual Civil", Forense, 1975. T. VII, p. 44) 6. A ausência de interposição de embargos infringentes contra acórdão proferido por maioria de votos configura o não esgotamento da instância a quo, de modo a impedir o manejo de recurso especial.Incidência da Súmula nº 207/STJ. 7. Precedente: RESP n.º 602.916/DF, deste relator, publicado no DJ 28.02.2005. 8. Agravo Regimental desprovido.” (AgRg no REsp 663.864/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 26/09/2005, p. 205) Essa orientação da Primeira Turma da Seção de Direito Público STJ foi confirmada pela Corte Especial, em sede de Recurso Repetitivo, como demonstra a ementa transcrita linhas acima. REsp 1144079 / SP RECURSO ESPECIAL2009/01103794 Relator Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador CE CORTE ESPECIAL Data do Julgamento 02/03/2011 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. SENTENÇA DESFAVORÁVEL À FAZENDA PÚBLICA. REMESSA NECESSÁRIA. CABIMENTO. LEI 10.352/01 POSTERIOR À DECISÃO DO JUÍZO MONOCRÁTICO. 1. A incidência do duplo grau de jurisdição obrigatório é imperiosa quando a resolução do processo cognitivo for anterior à reforma engendrada pela Lei 10.352/2001, porquanto, à época, não havia a imposição do mencionado valor de alçada a limitar o cabimento da remessa oficial6. 6 (Precedentes: EREsp 600.874/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, CORTE ESPECIAL, julgado em 01/08/2006, DJ 04/09/2006; REsp 714.665/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/04/2009, DJe 11/05/2009; REsp 1092058/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/05/2009, DJe 01/06/2009; REsp 756.417/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 27/09/2007, DJ 22/10/2007; AgRg no REsp 930.248/PR, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, SEXTA TURMA, julgado em 21/06/2007, DJ 10/09/2007; REsp 625.224/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 29/11/2007, DJ 17/12/2007; REsp 703.726/MG, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/08/2007, DJ 17/09/2007) Fl. 435DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 436 8 2. A adoção do princípio tempus regit actum, pelo art. 1.211 do CPC, impõe o respeito aos atos praticados sob o pálio da lei revogada, bem como aos efeitos desses atos, impossibilitando a retroação da lei nova. Sob esse enfoque, a lei em vigor à data da sentença regula os recursos cabíveis contra o ato decisório e, a fortiori, a sua submissão ao duplo grau obrigatório de jurisdição. 3. In casu, a sentença foi proferida em 19/11/1990, anteriormente, portanto, à edição da Lei 10.352/2001. 4. Recurso especial provido, determinandose o retorno dos autos ao Tribunal a quo, para apreciação da remessa oficial. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Tendo sido a questão decidida pelo STJ, na sistemática de recurso repetitivo, prevista no art. 543C do CPC, impõese a reprodução do julgado às decisões deste Colegiado, por força do art. 62A do RICARF. Não se alegue que a matéria objeto do julgado no STJ – duplo grau obrigatório, também chamado de recurso de ofício ou de remessa necessária seria diferente da aqui discutida – recurso de ofício, pois, tanto lá como aqui o que se discute é a aplicação da norma processual no tempo, o chamado direito intertemporal. Lá se decidiu qual lei regula os recursos cabíveis, se a em vigor no momento da sentença ou se a lei nova retroagiria para alcançar recursos já apresentados. Fazendose as devidas adaptações, na essência, é exatamente a matéria aqui tratada, qual lei deve ser aplicada ao recurso de ofício, no âmbito do processo administrativo fiscal, se a vigente no momento da decisão recorrida ou se a lei posterior deveria retroceder para alcançar o recurso já apresentado. Registrese ainda que o Regimento Interno do CARF, como não poderia deixar de ser, adota o Princípio do Tempus Regit Actum ao criar regra de transição7 dispondo que os recursos interpostos com fundamento nos Regimentos Internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais seriam processados de acordo com esses regimentos, ou seja, nos termos regimentais vigentes à época da decisão recorrida. De todo o exposto, a conclusão inexorável a que se chega é no sentido de que o recurso interposto, ainda que não mais existente ou cabível, deve ser apreciado e julgado, pois a lei regente do recurso é a que vigia na data da publicação da decisão recorrida. 7 Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009) Art. 5º As negativas de admissibilidade dos recursos especiais exaradas até a data de publicação desta Portaria observarão o rito estabelecido no art. 17 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007. CAPÍTULO III DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 6ºFicam recepcionados e convalidados todos os atos e procedimentos das câmaras e turmas dos Conselhos de Contribuintes e das turmas da CSRF, bem como aqueles realizados com base na Portaria MF nº 41, de 17 de fevereiro de 2009. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 19740.000300/200312 Acórdão n.º 9303003.250 CSRFT3 Fl. 437 9 Todavia, em sentido oposto ao ora defendido por este conselheiro, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 08 de dezembro de 2014, aprovou a súmula 103, em sentido diametralmente oposto ao aqui exposto, conforme ver da descrição linha abaixo. Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Diante do exposto, resguardo meu entendimento mas, premido por determinação regimental, que veda ao conselheiro votar contra disposição de súmula, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 437DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/09/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000006/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004
FALTA DE DECLARAÇÃO / PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor informado em DIPJ e o declarado/pago.
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIPJ. ADEQUAÇÃO.
A DIPJ é meio de prova apto a basear o lançamento, quando a contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil ou a prestar qualquer informação à autoridade fiscal.
Numero da decisão: 3401-003.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004 FALTA DE DECLARAÇÃO / PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor informado em DIPJ e o declarado/pago. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIPJ. ADEQUAÇÃO. A DIPJ é meio de prova apto a basear o lançamento, quando a contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil ou a prestar qualquer informação à autoridade fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11634.000006/2009-93
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5567649
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3401-003.007
nome_arquivo_s : Decisao_11634000006200993.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11634000006200993_5567649.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Júlio César Alves Ramos - Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6278678
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124019179520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2003; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000006/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.007 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria PIS e COFINS Recorrente PRODUTORA E COMERCIAL AGRÍCOLA ARAPONGAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 31/12/2004 FALTA DE DECLARAÇÃO / PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor informado em DIPJ e o declarado/pago. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIPJ. ADEQUAÇÃO. A DIPJ é meio de prova apto a basear o lançamento, quando a contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil ou a prestar qualquer informação à autoridade fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004 FALTA DE DECLARAÇÃO / PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor informado em DIPJ e o declarado/pago. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIPJ. ADEQUAÇÃO. A DIPJ é meio de prova apto a basear o lançamento, quando a contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil ou a prestar qualquer informação à autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Júlio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 00 06 /2 00 9- 93 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuida este processo do auto de infração de COFINS e do auto de infração do PIS para exigir essas contribuições para os períodos de apuração: janeiro a julho de 2004 e outubro a dezembro de 2004 para a primeira e janeiro a julho de 2004 e setembro a dezembro de 2004 para a segunda. A autoridade fiscal constatou falta de pagamento e declaração das contribuições sociais ao confrontar as informações sobre elas conforme constam da DIPJ e DCTF do ano de 2004. A contribuinte impugnou os lançamentos, argumentando, conforme resumo do relator do julgamento de primeiro piso, que reproduzo: o irregularidades formais contidas no auto de infração, que, a seu ver, ensejaria sua extinção o a fiscalização baseouse em informações contidas na Declaração de Rendimentos DIPJ para efetuar o lançamento, mas que, desde 1998, essa declaração não se configura em instrumento hábil nem mesmo para confissão de dívida, sendo mera declaração de informações de interesse da administração tributária, não servindo, por si só, como base para lançamento de tributos. Acrescenta que, considerando o sistema de nãocumulatividade do PIS e Cofins a que está adstrita, há necessidade de auditoria contábil a fim de que se possa aferir o valor realmente devido de tais contribuições, considerando eventuais créditos de insumos e produtos adquiridos para industrialização e comercialização, conforme previsão legal. o que, no caso concreto, houve a informação pela empresa das estimativas de faturamento, as quais não se concretizaram, entretanto a administração pública as considerou como válidas; o que essas informações prestadas na DIPJ não podem sustentar o lançamento, e que lhes falta a verificação dos documentos hábeis por parte da autoridade lançadora. A Respeitável 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba considerou a impugnação improcedente e manteve os lançamentos. O Acórdão n.º 06 37.080 por ela proferido na sessão de 29/05/2012 ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 31/12/2004 FALTA DE DECLARAÇÃO / PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11634.000006/200993 Acórdão n.º 3401003.007 S3C4T1 Fl. 3 3 É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor informado em DIPJ e o declarado/pago. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIPJ. ADEQUAÇÃO. A DIPJ é meio de prova apto a basear o lançamento, quando a contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil ou a prestar qualquer informação à autoridade fiscal. PIS. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. A faculdade estabelecida para o aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS, na sistemática de nãocumulatividade, deve ser exercida pela pessoa jurídica e demonstrada em instrumento próprio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004 FALTA DE DECLARAÇÃO / PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É procedente o lançamento de ofício da diferença apurada entre o valor informado em DIPJ e o declarado/pago. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. DIPJ. ADEQUAÇÃO. A DIPJ é meio de prova apto a basear o lançamento, quando a contribuinte deixa de apresentar a escrituração contábil ou a prestar qualquer informação à autoridade fiscal. PIS. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO A CRÉDITO. A faculdade estabelecida para o aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS, na sistemática de nãocumulatividade, deve ser exercida pela pessoa jurídica e demonstrada em instrumento próprio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte, inconformada, ingressa com recurso voluntário, através do qual retoma as razões apresentadas na impugnação, sublinhando que é razão de nulidade o lançamento desprovido de auditoria contábil para aferir o valor realmente devido, considerando eventuais créditos de insumos e de produtos adquiridos para industrialização e comercialização. Solicita seja declarada a improcedência das autuações e reformada a decisão de 1º grau. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Consultando os documentos e atos que instruem este processo verifico que a contribuinte foi intimada e reintimada (fls. 3 a 7 e 38/39) a apresentar para a autoridade fiscal os livros Diário e Razão de 2004, 2005 e 2006 e, também, a apresentar esclarecimentos a respeito da falta de informação em DCTF e do não recolhimento integral do IRPJ, CSLL do Fl. 156DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 PIS e da Cofins. Mas a contribuinte nada apresentou para atender essas intimações. A autoridade fiscal, assim, se utilizou das informações prestadas pela própria contribuinte para realizar os lançamentos em discussão. A contribuinte afirma que o lançamento se baseia em estimativas de receita, e não em dados da receita real. Entretanto, para atacar os lançamentos e o acórdão de 1º piso a contribuinte traz apenas argumentos. Ela não oferece, para instruir seu recurso, quaisquer elementos, documentos, livros contábeis, que demonstrem os valores reais e permitam corrigir os que ela explica seriam estimativas. Na ausência de escrituração contábil e fiscal regular, as declarações fiscais prestadas formalmente pela contribuinte podem constituir fonte para se apurar a ocorrência do fato gerador e as bases para se calcular os valores devidos. Assim, contrariamente ao que crê a contribuinte, a falta de recolhimento das contribuições a ela imputado tem base em fato: informações fiscais prestadas pela contribuinte em DCTF e DIPJ, confrontadas entre si. Constituem essas informações meios de provas, e devem ser consideradas válidas, enquanto a contribuinte não lograr afastar a presunção de sua veracidade. O lançamento é resultante de procedimento fiscal, em que a contribuinte foi previamente intimada a explicar e justificar a constatação de falta de recolhimento e declaração dessas contribuições no período sob exame, e foi intimada a apresentar sua escrita contábil e fiscal, para que a autoridade fiscal pudesse examinála e verificar os valores. À contribuinte não foi suprimida a oportunidade de demonstrar a sua real receita e apresentar as declarações fiscais e os valores que consideraria corretos e devidos dessas contribuições. Desnecessária auditoria fiscal para nova verificação. Não constato que o lançamento tenha descumprido qualquer elemento necessário para sua validade, inclusive nos termos dispostos pelo artigo 9, 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Onde concluo, não se dá razão para a nulidade dos autos de infração, como pretende a contribuinte. Decreto n. 70.235, de 1972: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) .... Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. ....... Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 11634.000006/200993 Acórdão n.º 3401003.007 S3C4T1 Fl. 4 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Medida Provisória nº 367, de 1993) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A contribuinte ainda reclama que o auto de infração chegou a valor devido das contribuições sem fazer um levantamento detalhado de crédito e débito, em respeito ao fato dela ser declarante pelo lucro real, e ter direito à não cumulatividade dessas contribuições, pelas aquisições de insumos e produtos. Os direitos de creditamento e de desconto das contribuições se daria com base no que regem as Leis n.º 10.637/2002 e n.º 10.833/2003. Ocorre que a própria contribuinte deixa de apresentar as provas do que alega. A contribuinte não traz documentos hábeis a comprovar que houve operações e que elas justificariam créditos a serem computados na apuração do PIS e da COFINS devidos. Ademais, buscando as informações fiscais prestadas pela contribuinte, nada se encontra nas bases de dados da Receita Federal. A contribuinte transmitiu, conforme informam os julgadores a quo, a DACON (Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais) apenas do 1º trimestre de 2004, mas sem qualquer informação. Nos períodos seguintes, a contribuinte não transmitiu esse tipo de declaração à Receita Federal, o que permitiria conhecer o resumo por ela feito das suas operações que poderia gerar direito a crédito, e se poderia supor refletir os seus controles internos. A contribuinte deixa de instruir suas alegações com prova de seu alegado direito a crédito na apuração dos valores devidos de PIS e COFINS. Parecemme corretas a argumentação e a conclusão dos julgadores de primeiro piso e não merecem reparo. Concluo propondo a este Colegiado, pelas razões expostas, que não seja dado provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15540.000496/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
Os atos praticados no procedimento fiscal são válidos, por restar evidenciado que a autoridade autuante foi regularmente designada para executar os procedimentos definidos no Mandado de Procedimento Fiscal, caso em que não ocorre a hipótese de nulidade.
LUCRO ARBITRADO. COOPERATIVA. . FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS.
Mantém-se o arbitramento se não elididos os fatos que lhe deram causa. A hipótese falta de entrega da escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real, com base no art. 530. inciso III, por si só é suficiente para ensejar o arbitramento. No caso de se agregar um outro fundamento para o arbitramento (principal ou subsidiário), mesmo que seja invalidado não macula o outro fundamento que por si só já seria suficiente para sustentar o arbitramento.
PIS/PASEP. COFINS. COOPERATIVA. INCIDÊNCIA.
A MP n° 1.858-7, de 1999, determina a forma de apuração do PIS/Pasep e da Cofins pelas sociedades cooperativas, a partir do mês de novembro de 1999.
Numero da decisão: 1401-000.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a prejudicial de mudança do critério jurídico. Vencidos Maurício Pereira Faro (Relator) e Cristiane Silva Costa. No mérito, por unanimidade, negar provimento. Designado para redigir voto vencedor quanto à prejudicial o Conselheiro Antonio Bezerra Neto.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Redator do Voto Vencedor
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido.
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Cristiane Silva Costa, Mauricio Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Os atos praticados no procedimento fiscal são válidos, por restar evidenciado que a autoridade autuante foi regularmente designada para executar os procedimentos definidos no Mandado de Procedimento Fiscal, caso em que não ocorre a hipótese de nulidade. LUCRO ARBITRADO. COOPERATIVA. . FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS. Mantém-se o arbitramento se não elididos os fatos que lhe deram causa. A hipótese falta de entrega da escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real, com base no art. 530. inciso III, por si só é suficiente para ensejar o arbitramento. No caso de se agregar um outro fundamento para o arbitramento (principal ou subsidiário), mesmo que seja invalidado não macula o outro fundamento que por si só já seria suficiente para sustentar o arbitramento. PIS/PASEP. COFINS. COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. A MP n° 1.858-7, de 1999, determina a forma de apuração do PIS/Pasep e da Cofins pelas sociedades cooperativas, a partir do mês de novembro de 1999.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15540.000496/2008-47
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5522060
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1401-000.969
nome_arquivo_s : Decisao_15540000496200847.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MAURICIO PEREIRA FARO
nome_arquivo_pdf_s : 15540000496200847_5522060.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a prejudicial de mudança do critério jurídico. Vencidos Maurício Pereira Faro (Relator) e Cristiane Silva Costa. No mérito, por unanimidade, negar provimento. Designado para redigir voto vencedor quanto à prejudicial o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Redator do Voto Vencedor Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Cristiane Silva Costa, Mauricio Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
id : 6127451
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048124023373824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 878 1 877 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.000496/200847 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401000.969 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2013 Matéria LUCRO ARBITRADO Recorrente PLUS LIFE COOPERATIVA DE TRABALHO DE PROFISSIONAIS DA AREA DE SAÚDE E APOIO LTDA. EM LIQUIDAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Os atos praticados no procedimento fiscal são válidos, por restar evidenciado que a autoridade autuante foi regularmente designada para executar os procedimentos definidos no Mandado de Procedimento Fiscal, caso em que não ocorre a hipótese de nulidade. LUCRO ARBITRADO. COOPERATIVA. . FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS. Mantémse o arbitramento se não elididos os fatos que lhe deram causa. A hipótese falta de entrega da escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real, com base no art. 530. inciso III, por si só é suficiente para ensejar o arbitramento. No caso de se agregar um outro fundamento para o arbitramento (principal ou subsidiário), mesmo que seja invalidado não macula o outro fundamento que por si só já seria suficiente para sustentar o arbitramento. PIS/PASEP. COFINS. COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. A MP n° 1.8587, de 1999, determina a forma de apuração do PIS/Pasep e da Cofins pelas sociedades cooperativas, a partir do mês de novembro de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a prejudicial de mudança do critério jurídico. Vencidos Maurício Pereira Faro (Relator) e Cristiane Silva Costa. No mérito, por unanimidade, negar provimento. Designado para redigir voto vencedor quanto à prejudicial o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 04 96 /2 00 8- 47 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 879 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Redator do Voto Vencedor Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 16.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que o relator Maurício Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencido. Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Cristiane Silva Costa, Mauricio Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento). Fl. 879DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 880 3 Relatório Tratase de autos de infração que exigem da interessada as seguintes exações: o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 316.768,59 (fls. 05/13); a Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 25.969,82 (fls. 14/21); a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 119.860,96 (fls. 22/29); e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 115.066,55 (fls. 30/36). Sobre esses valores incidiram ainda a multa de ofício no percentual de 7 5% e os juros de mora. Segundo a descrição dos fatos do auto de infração de IRPJ e o termo de fls. 09/10, a infração apurada é essa: Receita Operacional Omitida (Atividade não imobiliária). Prestação de Serviços. Os fatos geradores do IRPJ se referem aos quatro trimestres de 2005. Consta que o lucro desses períodos foi arbitrado, consoante os fundamentos identificados no termo de fls. 09/10, o qual vem assim vazado: 1. A sociedade cooperativa epigrafada, tem atualmente como objetivo principal a atuação na área de saúde e em estabelecimentos de saúde. 2. Efetuou a sua Declaração de Renda da Pessoa Jurídica, opcionando e se declarando como isenta. 3. Da análise desenvolvida após a apresentação dos livros pela fiscalizada, verificouse, que foi apresentado um Mandado de Segurança (Processo 2006.51.01.0062531), concedido a FEBRACOOP FEDERAÇÃO DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO E SERVIÇOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, da qual o sujeito passivo da obrigação tributária é filiado, com a suspensão da exigibilidade da contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS, bem como da contribuição para o PIS e da contribuição social sobre o lucro CSLL, sobre os atos cooperativos, na forma do artigo 151, IV, do CTN. 4. O Mandado de Segurança acima, em 27/08/2008, teve a segurança pleiteada denegada. 5. O Termo de Início de Fiscalização (14/09/07) foi recebido no endereço acima, constante nos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil, pela zeladora, sendo constatado ser a sala de segurança do prédio. O atendimento a seus cooperados ocorre na rua Maxwell, 200, Vila Isabel, Rio de Janeiro, RJ. 6. O ato cooperativo, além de ser praticado na consecução dos objetivos sociais, necessariamente deve ser praticado entre cooperativas e seus associados. 7. E ato não cooperativo, o fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 881 4 8. Em relação ao Imposto de Renda, o tratamento tributário das sociedades cooperativas está regulamentado nos arts. 182 e 183 do Decreto n° 3.000, de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). 9. O imposto de renda das sociedades cooperativas em geral nas operações com não associados será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos trimestrais. Para efeito de pagamento, a sociedade cooperativa poderá deduzir do imposto apurado, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. 10. Como se verifica, não estão cobertos pela não incidência os resultados obtidos por sociedades cooperativas em operações diversas de ato cooperativo. A base de cálculo do imposto de renda será determinada segundo escrituração contábil que apresente destaque das receitas tributáveis e os correspondentes custos, despesas e encargos, e, na sua falta, mediante arbitramento a fim de apurar o lucro a ser oferecido à tributação. 11. No razão apresentado pelo sujeito passivo da obrigação tributária, observouse não existir contabilização destacada das operações com não associados, de forma a permitir o cálculo dos tributos. 12. Para os valores a serem considerados na base de cálculo do PIS e da COFINS, a legislação considera a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, permitidas algumas exclusões, que não é o caso deste contribuinte. 13. A sociedade apresentou apenas o livro Razão. Não apresentou o livro Diário e Lalur. 14. Para efeitos de arbitramento e base de cálculo do PIS e da COFINS, são os que seguem: MÊS RECEITA BRUTA MENSAL Janeiro 55.411,95 Fevereiro 10.757,11 Março 13.783,67 Abril 14.302,29 Maio 510.019,73 Junho 428.828,97 Julho 433.443,11 Agosto 434.391,47 Setembro 440.787,23 Outubro 441.513,77 Novembro 767.412,92 Dezembro 444.715,00 3.995.367,22 Fl. 881DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 882 5 15. No arbitramento efetuado neste auto de infração com as bases de cálculo contidas no item anterior, foram consideradas as exclusões dos valores informados pelas DIRFs em relação ao IRPJ, conforme se demonstra no Demonstrativo do Imposto Retido, parte integrante deste Termo. Os lançamentos da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins se valeram da mesma material tributária, conforme se pode ver nos campos próprios de cada um dos autos de infração antes referenciados. A fundamentação legal de cada auto de infração pode ser vista no campo específico desses lançamentos. Impugnação Em 07/11/2008, a impugnante, por meio da peça de fls. 223/242, e mediante os documentos apresentados em anexos (4 pastas e 6 livros) apresentou sua impugnação ao lançamento, alegando, em síntese, o que se segue: Preliminar. Irregularidade do MPF a) que houve irregularidade na execução do MPF em razão da extrapolação do prazo de validade e da matéria, bem como não houve emissão de MPF Complementar; b) que somente um MPF Complementar autorizaria a prorrogação de prazo do MPF e da inclusão da fiscalização da CSLL entre os tributos fiscalizados na execução do MPF; c) que esse entendimento é corroborado por decisões administrativas e doutrina que cita; Do arbitramento d) que embora o auditorfiscal tenha efetuado o arbitramento sob a alegação de que não teria entregue os livros e documentos de sua escrituração, esse mesmo auditor informa ter tido acesso ao Livro Razão e outros documentos bancários e contábeis; e) que os livros Diário e Lalur foram entregues ao auditorfiscal durante a fiscalização, e foram por ele analisados, mas este omitiuse no dever de dar recibo dessa entrega, o que era sua obrigação; f) que dado que o arbitramento é medida excepcional, como estipula a jurisprudência administrativa, este deve ser cancelado, pois foi ele irregular; g) que, em vista disso, anexa os livros e documentos para que seus tributos sejam apurados em procedimento normal; Do mérito. Tratamento tributário do ato cooperativo h) que o apoio e o incentivo ao cooperativismo é princípio constitucional; Fl. 882DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 883 6 i) que seus associados (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas) é que prestam os serviços de saúde aos clientes, configurando a cooperativa mero suporte, mero instrumento de coordenação operacional para essa prestação de serviços, conforme define seu estatuto; j ) que esse suporte aos associados é o único serviço que presta, vez que, com relação aos clientes, quem presta os serviços são os associados; k) que a jurisprudência administrativa que cita segue esse entendimento: 1) que a cooperativa de trabalho não se apropria da mãodeobra de seus sócios para executar ela o serviço; m) que os ingressos da cooperativa de trabalho são atos cooperativos, vez que os serviços são prestados pelos associados e dizem respeito à sua atividade econômica, sendo irrelevante o fato de o usuário final não compor o quadro de associados; n) que os atos cooperativos, por não gerarem acréscimo patrimonial que se caracteriza como lucro, não sofrem a incidência do IRPJ e da CSLL; o) que pelo fato de receber ingressos e não auferir receitas, não sofre a incidência do PIS e da COFINS. Em face de tais argumentos, entendeu a DRJ/RJ1 considerar improcedente a impugnação apresentada mantendose a incidência dos Créditos Tributários objetos da manifestação de inconformidade apresentadas pelo Contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. MPF. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Rejeitamse as alegações de nulidade se demonstrado que o MPF atendeu aos pressupostos normativos. ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LUCRO ARBITRADO. COOPERATIVA. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS. Mantémse o arbitramento se não elididos os fatos que lhe deram causa. Anocalendário: 2005 PIS/PASEP. COFINS. COOPERATIVA. INCIDÊNCIA. A MP n° 1.8587, de 1999, determina a forma de apuração do PIS/Pasep e da Cofins pelas sociedades cooperativas, a partir do mês de novembro de 1999. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 883DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 884 7 Em face do referido acórdão de Primeira Instância a Plus Life Cooperativa de Trabalho de Profissionais da Área de Saúde e Apoio Ltda. interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto Vencido Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Preliminar. Irregularidade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Alegouse que a autoridade não observou os prazos de validade do Mandado de Procedimento Fiscal, nem teria ela apresentado MPF Complementar, de modo a incluir a CSLL também como tributo fiscalizado, o que tornaria nulo o procedimento. Ora, não é verdade que tenha havido alguma solução de continuidade no procedimento fiscal controlado pelo MPF F n° 07.1.02.002007003945. Como se vê às fls. 01, o referido MPF, cuja data de início se deu em 05/09/2007, com validade de até 03/01/2008 (120 dias) foi cientificado ao contribuinte em 14/09/2007. Após, tal documento sofreu sucessivas prorrogações, como se pode ver de novo às fls. 02, in fine, sempre dentro do prazo máximo de 60 dias. Do acima exposto, inferese que a prorrogação do prazo do MPF pode ser feita tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias. Porém, essa prorrogação deve se dar por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação está disponível na Internet, a qual pode ser consultada pelo sujeito passivo, dispensando completamente a ciência. O que importa dizer é Fl. 884DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 885 8 que, quando da ciência do lançamento em 08/10/2008, o referido MPF encontravase prorrogado até 29/10/2008, como se pode ver igualmente às fls. 02. além disso, o referido MPF foi sim complementado pelo MPF Complementar cuja alteração ali feita era justamente no sentido de ampliar os tributos e contribuições fiscalizados, ampliar os períodos de apuração e prorrogar a data final do mandado (fls. 02). Dessa forma, também por isso não merece razão os argumentos da Recorrente. Ademais, ainda que houvesse a suposta extinção do MPF por decurso de prazo, não caberia interpretar que uma expiração de prazo de MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma Portaria), possa acarretar a nulidade do lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública. Diante do exposto, concluise que os atos praticados no procedimento fiscal são válidos, evidenciado que a autoridade autuante foi regularmente designada para executar os procedimentos definidos no Mandado de Procedimento Fiscal de fl. 01, não ocorrendo a hipótese de nulidade suscitada pela Recorrente, em decorrência de suposta irregularidade na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal. Do Arbitramento O auditorfiscal fundamentou o arbitramento no fato de que o Impugnante não teria apresentado os livros Diário e Lalur. Por seu turno, sustentou a Recorrente que teria apresentado tais documentos bem como o razão. Ao analisar a questão, entendeu o órgão julgador a quo que o auditorfiscal, apesar de ter referenciado que a impugnante não tinha apresentado os livros Diário e Lalur, o verdadeiro fundamento para o arbitramento residiu no fato de tratarse de sociedade cooperativa de trabalho que não discriminou o que são atos cooperados e atos não cooperados, do que a não apresentação de livros. Portanto, ao julgar improcedente a impugnação do Recorrente, alterou o órgão julgador a quo o fundamento para a adoção da excepcional medida de aplicar o arbitramento no presente caso. Pois bem, a jurisprudência desta Eg. Turma é pacífica no sentido de admitir o arbitramento do lucro quando a fiscalização demonstrar, cabalmente, a impossibilidade de se confiar na escrituração do contribuinte e/ou quando a mesma se revelar imprestável para a apuração do Lucro Real, isto nos termos do artigo 530, inciso II, do RIR/1999, que diz: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revela indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 886 9 a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou b) determinar o lucro real.” Todavia, o arbitramento do lucro há de ser afastado nas hipóteses em que as irregularidades apontadas são pontuais e identificáveis, situações nas quais se deve proceder à tributação específica segundo as infrações detectadas, no caso presente, por redução indevida do lucro líquido, via glosa de custos não comprovados. Por certo, se as irregularidades são passíveis de individualização e quantificação, inexistem motivos legais e lógicos para que a escrituração do contribuinte seja tachada de imprestável. Entendo que esse é o caso que ocorreu no presente caso. Isso porque, a Autoridade Fiscal, ao invés de proceder a análise da documentação apresentada pela contribuinte, inclusive os valores retidos a título de Imposto de Renda, limitouse a justificar o arbitramento em razão da falta de apresentação de documentos. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento buscou convalidar o arbitramento alterando o fundamento do mesmo, na medida que alterou a justificativa da adoção de referida medida, sustentando sua pertinência em razão da falta de segregação dos atos cooperados pelo contribuinte. Ora, a falta de fundamento razoável para o arbitramento, confirmada pela DRJ, não pode ser retificada pelo referido órgão julgador. Dessa forma, afasto a preliminar e dou provimento ao recurso voluntário para cancelar o auto de infração. MÉRITO Por ter sido vencido na prejudicial do mérito, tenho que me posicionar em relação às demais matérias de mérito e, nesse sentido, acompanho o voto DRJ, mantendo a incidência da CSLL, pois independentemente do alcance da definição do ato cooperativo, prevista no art. 79 da Lei n° 5.764/71, ou das características peculiares das sociedades cooperativas ressaltadas na defesa, não restam dúvidas quanto à incidência da CSL que sofrem tais sociedades sobre a totalidade de seus resultados. Da mesma, acompanho a DRJ quanto à incidência do PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que as receitas omitidas apuradas pela fiscalização representam matéria tributável por tais contribuições, não havendo que se falar em isenções dessas contribuições para os períodos posteriores a partir de novembro de 1999. Nesse ponto, bem assim com relação à incidência da CSLL em sociedades cooperativas, faço minhas as palavras da DRJ, como se aqui estivessem transcritas. (assinado digitalmente) Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Vencido Fl. 886DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 887 10 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Redator do Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Redator Designado Ouso discordar o eminente relator em relação à prejudicial de mérito, no que concerne à necessidade de arbitramento. PREJUDICIAL DE MÉRITO ARBITRAMENTO O relator invalidou o arbitramento no seu voto por dois motivos: por mudança de critério de jurídico e, pelo fato, de a hipótese que o relator tomou como a “mais importante” para o fiscal manter o arbitramento teria sido o fato de que a cooperativa não promoveu a segregação contábil de suas receitas cooperadas ou não cooperadas e como suas receitas são oriundas de atos não cooperados, mostrarseia adequada a utilização dos parâmetros de arbitramento por esse prisma. No caso, foi solicitada pela autoridade fiscal a apresentar a sua escrituração contábil (Livros Razão, diário) e não foi lhe entregue, conforme comprovado pela análise da documentação existente no presente feito, sendo descabida a alegação vazia de que teria sido entregue tais livros, uma vez que a Recorrente não traz nenhuma prova de que protocolizou referida entrega, conforme bem explanado pela DRJ. A não apresentação dos livros comerciais obrigatórios e auxiliares e os livros fiscais, onde se acham transcritas as operações da empresa, implica na impossibilidade do conhecimento e da apuração da receita e/ou despesa da empresa sob fiscalização, impedindo, portanto, a apuração do lucro real ou do lucro presumido. Na verdade, o arbitramento é uma medida de salvaguarda do crédito tributário, não cabendo ao fiscal autuante permanecer à espera de que o contribuinte cumprisse suas obrigações fiscais quando lhe fosse conveniente. A autoridade fiscal, então, acertadamente, arbitrou o lucro no inciso III do art. 530 do RIR/99: “Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Fl. 887DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 888 11 Em relação ao seu argumento de que arbitramento é uma medida extrema, apesar de concordar que o arbitramento deva ser utilizado com parcimônia, principalmente naqueles casos em que a Lei apesar de delimitar objetivamente as situações que ensejariam o arbitramento, deixa margem para alguma subjetividade, como é o caso de se considerar a “escrituração imprestável”, no caso concreto, não há margem para subjetividade, não se aplicando ao caso esse argumento de que foi utilizado medida extrema. A hipótese de arbitramento por falta de entrega dos livros contábeis é fechada e objetiva, não comportando margem a dúvidas e ela por si só já da conta da necessidade do arbitramento. Acontece que o fiscal ainda trouxe um outro fundamento (subsidiário) para :justificar o arbitramento e, ao meu ver, foi mal avaliado pela DRJ e pelo relator, pois o primeiro fundamento por ser, como já se colocou, bastante fechado e objetivo (a entrega ou não dos livros contábeis/fiscais obrigatórios – art. 530, inciso III do RIR/99) não haveria, em princípio, necessidade de carrear um outro fundamento, mas a DRJ entendeu que isso aconteceu. em relação ao fato de que a cooperativa não promoveu a segregação contábil de suas receitas cooperadas ou não cooperadas e como suas receitas são oriundas de atos não cooperados, mostrarseia adequada a utilização dos parâmetros de arbitramento por esse prisma, por apontar por uma escrita que seria imprestável (outro fundamento para o arbitramento). Ora, vejo de forma diferente da DRJ, no que se refere a sua valoração de qual fundamento seria mais importante para o arbitramento. E faço isso por dois motivos. Primeiro, se por hipótese, o fiscal utilizase de duas condições não cumulativas para fazer o arbitramento (uma coisa ou outra), basta que uma delas seja verdadeira para que seu fundamento ainda continue verdadeiro, sendo desnecessário valorar uma condição mais do que outra. Por último, mas não menos importante, o fundamento consignado no auto de infração é apenas um único (art. 530, inciso III do RIR/99 (falta da apresentação dos livros obrigatórios). Eis o teor da descrição dos fatos consignado no auto de infração: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso III, do RIR/99. Isso significa que o que a DRJ e o Relator interpretou, a partir do teor do TVF, como o fundamento mais importante um argumento, a meu ver, subsidiário e que aqui neste voto será desconsiderado, pois não vejo como suficiente para lastrear o arbitramento se visto de forma autônoma. Então, independente de o relator ter colocado em “xeque” a segunda condição (falta de segregação das receitas), o primeiro permanece incólume (falta da entrega dos livros obrigatórios). Tratase de regra comezinha da lógica clássica de Aristóteles e modernamente tratada nas chamadas”tabelas verdades”: (V ou V = V; V ou F = V e F ou V = V.). Traduzindo a simbologia: Se a primeira condição é verdadeira e a segunda é verdadeira, se estamos a tratar de duas condições alternativas, a proposição é verdadeira. Mesmo que uma delas seja falsa, basta uma ser verdadeira para a proposição final ser verdadeira. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15540.000496/200847 Acórdão n.º 1401000.969 S1C4T1 Fl. 889 12 Como já se disse, a DRJ já trilhou caminho diferente avaliou as duas condições e por qualquer uma delas, afirmou o arbitramento deveria ser mantido (primeira situação descrita no parágrafo anterior – V ouV – V). Eis suas palavras: 17. Pelo exposto, entendo que o arbitramento do lucro, tanto pelo fato de não ter a impugnante identificado de forma segregada suas receitas cooperadas e não cooperadas, como também pelo não apresentação de parte essencial de sua escrita contábil, acabou por se mostrar próprio para o fim de levantar o IRPJ devido pela impugnante. Dessa forma, mantémse como lançado o auto de infração de IRPJ em exame. Porém, se o segundo fundamento for analisado como um argumento subsidiário, ou mesmo como um fundamento autônomo, a DRJ não discrepou muito do que foi posto pelo fiscal, não havendo que se falar em inovação ou mesmo mudança de critério jurídico. Ora, a avaliação deve ser sempre feita a partir da descrição dos fatos posta pelo fiscal. Se a DRJ acrescenta algum fundamento ao mesmo e ao mesmo tempo invalida o fundamento do auto de infração é que estaríamos diante de uma inovação, o que a evidência não foi o caso, pois como já se viu a DRJ deixou incólume o fundamento principal que consta do auto de infração (falta da entrega dos livros fiscais) e ratificou o fundamento auxiliar (falta de segregação das receitas). Apenas atribuiu, a meu ver equivocadamente, essa última condição uma valoração maior, e essa inversão de valorações é que conduziu a que se desse margem para entendimento diverso por parte do relator do voto vencido. Portanto, com esses fundamentos afasto a prejudicial de mérito acolhido pelo relator, mantendo assim o arbitramento para o IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 889DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
