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Numero do processo: 16327.720977/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
Decadência. Art. 173 do CTN. Fato Extintivo. Constituição do Crédito Tributário.
A decadência prevista no art. 173 do CTN é fato extintivo do direito de constituir crédito tributário mediante lançamento, não se podendo cogitar de decadência enquanto não se materializar o fato gerador da obrigação tributária.
Ágio. Carteira de Clientes, Fundos e Contratos. Fundamento Econômico. Fundo de Comércio, Intangíveis e Outras Razões Econômicas. Indedutibilidade.
É indedutível para fins do IRPJ o ágio que tenha como fundamento econômico a carteira de clientes, bem como fundos e contratos administrados pela empresa adquirida, pois, de acordo com a classificação legal, essa situação não se caracteriza como rentabilidade futura, mas se enquadra como fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas.
Desmutualização. Entidade sem Fins Lucrativos. Cisão. Devolução de Patrimônio. Incidência de IRPJ.
A cisão de entidade sem fins lucrativos que implique a transferência de seu patrimônio para entidade empresarial, com a conseqüente modificação de títulos patrimoniais em ações ou quotas de capital, dá ensejo à incidência de IRPJ sobre a diferença de valor do título patrimonial e das ações ou quotas.
Multa Vinculada ao Tributo. Multa Isolada. Cumulação. Impossibilidade.
A multa isolada é cabível especificamente nos casos em que o contribuinte não realizou os recolhimentos calculados por estimativa, não se aplicando à hipótese de omissão de receita, para a qual existe multa específica, que não pode ser cumulada com a multa isolada.
Juros Moratórios. Incidência sobre Multa. Cabimento.
Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
Amortização de Ágio. Disciplina Legal Lançamento Reflexo. Inaplicabilidade à CSLL.
Não se aplica de forma reflexa o lançamento à CSLL, ante a ausência de previsão de adição das despesas com a amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, sob pena de ferir o princípio da legalidade.
Numero da decisão: 1301-002.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência de CSLL na infração de ágio e a exigência de multas isoladas, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento integralmente, e o Conselheiro Roberto Silva Junior, que dava provimento em menor extensão. Os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram pelo provimento integral; o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza votou pelo provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. ART. 173 DO CTN. FATO EXTINTIVO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A decadência prevista no art. 173 do CTN é fato extintivo do direito de constituir crédito tributário mediante lançamento, não se podendo cogitar de decadência enquanto não se materializar o fato gerador da obrigação tributária. ÁGIO. CARTEIRA DE CLIENTES, FUNDOS E CONTRATOS. FUNDAMENTO ECONÔMICO. FUNDO DE COMÉRCIO, INTANGÍVEIS E OUTRAS RAZÕES ECONÔMICAS. INDEDUTIBILIDADE. É indedutível para fins do IRPJ o ágio que tenha como fundamento econômico a carteira de clientes, bem como fundos e contratos administrados pela empresa adquirida, pois, de acordo com a classificação legal, essa situação não se caracteriza como rentabilidade futura, mas se enquadra como fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas. DESMUTUALIZAÇÃO. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. CISÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. INCIDÊNCIA DE IRPJ. A cisão de entidade sem fins lucrativos que implique a transferência de seu patrimônio para entidade empresarial, com a conseqüente modificação de títulos patrimoniais em ações ou quotas de capital, dá ensejo à incidência de IRPJ sobre a diferença de valor do título patrimonial e das ações ou quotas. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. MULTA ISOLADA. CUMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada é cabível especificamente nos casos em que o contribuinte não realizou os recolhimentos calculados por estimativa, não se aplicando à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 77 /2 01 2- 46 Fl. 2141DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.142 2 hipótese de omissão de receita, para a qual existe multa específica, que não pode ser cumulada com a multa isolada. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA. CABIMENTO. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DISCIPLINA LEGAL LANÇAMENTO REFLEXO. INAPLICABILIDADE À CSLL. Não se aplica de forma reflexa o lançamento à CSLL, ante a ausência de previsão de adição das despesas com a amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, sob pena de ferir o princípio da legalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência de CSLL na infração de ágio e a exigência de multas isoladas, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo, que negavam provimento integralmente, e o Conselheiro Roberto Silva Junior, que dava provimento em menor extensão. Os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto votaram pelo provimento integral; o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza votou pelo provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.143 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por BRAMBRADESCO ASSET MANAGEMENT S.A. DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1143.476 (fls. 1.892 a 1.916) da 3ª Turma da DRJ Recife, que negou provimento à impugnação na qual a recorrente questionava os autos de infração de IRPJ e de CSLL contra si lavrados. Três foram as infrações apuradas no lançamento: a) deduções indevidas de quotas de amortização de ágio na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; b) omissão de ganhos auferidos em devolução de patrimônio decorrente do processo de desmutualização do CETIP; e c) falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, infração que deu ensejo à aplicação de multas isoladas. Em relação à glosa das contrapartidas de amortização de ágio, a autoridade fiscal apontou dois fatos distintos e autônomos para motivar o lançamento. O primeiro se refere ao fundamento econômico do ágio, que, a juízo da autoridade lançadora, não seria a "expectativa de rentabilidade futura", mas o fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Esse entendimento sobressai da leitura do Termo de Verificação (fls. 1.520 a 1.552), de onde se extrai o seguinte enunciado: a) O fundamento do pagamento do sobrepreço (ágio) na compra do DBI foi a existência de fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, consubstanciados na sua carteira de clientes, e em suas carteiras e fundos administrados, além dos contratos existentes; (g.n.) (fl. 1.534) O segundo motivo para glosaremse as deduções com ágio é o emprego de "empresa veículo" e a existência de operações de incorporação de empresas sem propósito negocial. Sobre esse ponto, assim se manifestou a autoridade lançadora: Ainda que não se permita o enquadramento do fundamento do ágio em tela como tendo origem em rentabilidade futura, maculandose portanto de vício, qualquer tentativa futura de proceder a sua amortização, devemos ainda tecer considerações sobre o processo utilizado pelo contribuinte na aquisição do DBI através da utilização da empresa Alvorada Participações. (g.n.) Uma vez que este processo demonstra claramente que não havia propósito negocial na utilização desta empresa, a qual era inativa, nunca chegou efetivamente a receber a clientela e fundos do DBI e ainda foi, em ato imediatamente posterior, extinta, demonstrando, portanto, a sua utilização como mero veículo para transferência do ágio para a BRAM. (g.n.) (fl. 1.543) As operações que redundaram no ágio, posteriormente amortizado e deduzido das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, podem ser assim resumidas: Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.144 4 Em fevereiro de 2002 foi firmado um contrato de compra e venda de ações e outras avenças, pelo qual Alvorada Participações Ltda., empresa do grupo Bradesco, adquiriu as ações do Deutsche Bank Investimentos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DBI). O grupo Bradesco optou por fazer a aquisição do Deutsche Bank Investimentos (DBI) por intermédio de Alvarada Participações, a qual, para esse fim específico, foi capitalizada pelo Bradesco. O preço de aquisição foi de R$ 33.647.910,03, dos quais R$ 30.587.345,03 excediam ao valor patrimonial da empresa adquirida e, por isso, foram registrados contabilmente como ágio. Adquirida a totalidade das ações do Deutsche Bank Investimentos (DBI), a denominação foi alterada para Alvorada Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. DTVM. Posteriormente a Alvorada Participações incorporou a Alvorada Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. DTVM (antigo Deutsche Bank Investimentos). Depois disso, a Alvorada Participações foi incorporada por BramBradesco Asset Management Ltda., que, por sua vez, veio a ser incorporada por BESBoavista Espírito Santo Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A. A BESBoavista Espírito Santo Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A alterou a denominação, que passou a ser BRAMBRADESCO ASSET MANAGEMENT S.A. DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, que é a recorrente. Entendeu a Fiscalização que tais operações eram desprovidas de propósito negocial e que Alvorada Participações Ltda. fora criada apenas para viabilizar a transferência do ágio gerado na operação de compra do Deutsche Bank Investimentos (DBI), tendo em vista que Alvorada Participações jamais realizou qualquer operação e tampouco recebeu os ativos do DBI, que foram diretamente transferidos para a BramBradesco. No que concerne à segunda infração, o ganho decorrente da devolução de patrimônio, assim se manifestou a Fiscalização no termo de verificação: Em 29.05.2008, foi aprovada em Assembléia Geral Extraordinária a desmutualização da CETIP e como consequência de um processo de reestruturação, houve uma série de alterações na estrutura societária da CETIP Associação, denominada desmutualização, que por meio de cisão parcial, entre outras alterações, transformou a CETIP Associação (associação sem fins lucrativos) em CETIP S/A Balcão Organizado de Ativos e Derivativos (sociedade com finalidade lucrativa), que recebeu 99,84% do patrimônio cindido. De acordo com o Instrumento de Protocolo e Justificativa de Operação de Cisão Parcial da CETIP, as decisões só produziram efeitos a partir de 1º de julho de 2008. Observandose que quando foi feito o Protocolo acima citado, em 14/04/2008, tomouse por base o Balanço levantado em 31/03/2008, no qual foi apurado o valor da cisão como sendo de R$ 201.698.400,00 que, dividido pela quantidade de títulos emitidos (496) dá o valor da devolução do título R$ 406.650,00. (fl. 1.547) (...) Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.145 5 Portanto, o entendimento da Receita Federal do Brasil é de que, no processo de desmutualização, houve a devolução do patrimônio da CETIP Associação para seus associados, na forma de ações da CETIP S/A. Deste modo, impõese revisar o lançamento do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido efetuado pelo contribuinte para recalcular a base tributável. O valor a ser tributado é, portanto, o representado pela diferença entre o valor recebido pela BRAM, na forma de ações da CETIP S/A, e o valor por ela entregue para a formação do patrimônio da CETIP Associação (custo de aquisição dos títulos), ou seja, a valorização dos títulos patrimoniais ocorrida ao longo do tempo. Sendo assim, o ganho apurado com a desmutualização da CETIP perfaz a diferença entre R$ 446.474,58 (valor das ações recebidas) e R$11.500,41 (custo de aquisição do titulo CETIP), R$ 434.974,17. O qual não foi oferecido à tributação e deverá ser adicionado ao Lucro real. (grifo do original) (fl. 1.548) No cálculo do crédito tributário relativo ao ganho oriundo da desmutualização da CETIP, a Fiscalização entendeu inaplicável a Portaria MF nº 785/1977, porque o referido ato administrativo cuida do evento "constituição de reserva com acréscimos no valor nominal dos títulos", que não se confunde com o evento objeto de lançamento, ou seja, a "devolução do patrimônio das bolsas às suas associadas", alcançado pelo artigo 17 da Lei n° 9.532/1997. A contribuinte se insurgiu contra o lançamento, apresentando impugnação, à qual a DRJ REC negou provimento, em acórdão cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2007, 2008, 2009, 2010 ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. DESMUTUALIZAÇÃO. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES EM NOVA EMPRESA. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. Sujeitase à incidência do IRPJ a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houverem sido entregues para formação desse mesmo patrimônio. A subscrição de ações em nova empresa não caracteriza mera transformação de títulos em ações. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. FUNDAMENTO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas de amortização de ágio, nos termos do art. 386, III, do RIR, de 1999, não prescinde da comprovação de que o ágio teve por fundamento a expectativa de rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão de resultados de exercícios futuros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL ANOCALENDÁRIO: 2007, 2008, 2009, 2010 ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. DESMUTUALIZAÇÃO. SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES EM NOVA EMPRESA. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. Sujeitase à incidência da CSLL a diferença entre o valor dos bens e direitos recebido de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.146 6 sido entregue para a formação desse mesmo patrimônio. A subscrição de ações em nova empresa não caracteriza mera transformação de títulos em ações. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. FUNDAMENTO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas de amortização de ágio, nos termos do art. 386, III, do RIR, de 1999, não prescinde da comprovação de que o ágio teve por fundamento a expectativa de rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão de resultados de exercícios futuros. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2007, 2008, 2009, 2010 ABUSO DE DIREITO. ATO ILÍCITO. ESFERA TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DO NEGÓCIO JURÍDICO. Caracterizado abuso de direito, os efeitos do negócio jurídico maculado pelo ato ilícito não são oponíveis na esfera tributaria. CSLL. IRPJ. APURACÃO. NORMAS. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, inclusive as concernentes à apuração da Base de Cálculo. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa exigida em face do não recolhimento das estimativas mensais concomitantemente com a multa proporcional referente ao IRPJ devido e não pago ao final do período, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. A formalização do crédito relativo à multa isolada podese dar após o respectivo ano calendário, uma vez que inexiste impedimento legal nesse sentido. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Uma vez que os juros incidentes sobre a multa de oficio não compõem a lide, dado que cabíveis apenas quando da cobrança do crédito tributário, não compete a esta instância julgadora manifestarse sobre o assunto. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, pleiteando a desconstituição do crédito tributário, com base nas seguintes alegações de fato de direito: Preliminarmente alegou a preclusão (ou decadência) do direito de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio, bem como os respectivos registros contábeis, tendo em vista que tais atos e registros ocorreram em 2002. Embora o ágio tenha sido amortizado nos anosbase de 2007 a 2010, o fato contábilsocietário que deu origem a ele ocorrera no ano de 2002. Considerando que a ciência do auto de infração pela recorrente deuse em 16/08/2012, concluiu ter transcorrido o prazo decadencial de cinco anos. Ainda em caráter preliminar, alegou a recorrente que o acórdão da DRJ REC aduziu novos fundamentos à autuação, ao afirmar que o lançamento se justifica, entre Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.147 7 outras razões, por “abuso de direito” nas operações relativas à aquisição do DBI. O termo de verificação fiscal, entretanto, não faz qualquer menção a esse vício. Além disso, outro ponto em que se verifica inovação por parte da DRJ está na suposta desqualificação do laudo de avaliação econômicofinanceira que embasou o ágio. O termo de verificação omite qualquer referência a esse fato. Quanto à origem do ágio, disse a recorrente que Alvorada Participações Ltda. adquiriu as 2.080.000 ações ordinárias do DBI, representativas de 100% do capital social. No contrato de compra e venda, acordouse que, em 01/03/2002, o DBI, na qualidade de administrador e gestor dos fundos e carteiras, transferiria e cederia ao Banco Bradesco S.A. ou à BRAM Bradesco Asset Management Ltda. ("BRAM") seus direitos e obrigações referentes à administração e gestão de fundos de investimentos, carteiras de investimentos e contratos. O preço de aquisição do DBI foi determinado pela rentabilidade futura do investimento, conforme consta do documento denominado "DBI Avaliação Econômico Financeira por Fluxo de Caixa Descontado", elaborado pelo Banco Bradesco S.A., em novembro de 2001. No caso concreto, o que ocorreu foi a aquisição do controle acionário do DBI, e não uma aquisição de ativos. Ressaltou que a escolha, dentre as empresas do grupo, daquela que seria utilizada para a aquisição do investimento é opção do contribuinte, dentro da liberdade de iniciativa e da autonomia da vontade. A capitalização da Alvorada Participações Ltda., com o objetivo de adquirir as ações do DBI, e a transferência dos ativos para a BRAM, foi a fórmula encontrada pelo Grupo Bradesco para que a referida aquisição não provocasse impacto nas atividades correntes da BRAM. Além disso, era natural que a gestão e administração dos fundos e carteiras de investimento, então pertencentes ao DBI, fosse transferida à BRAM, empresa do Grupo Bradesco responsável pelas atividades de gestão de fundos e carteiras de investimento para os diversos segmentos do mercado. Por isso, não cabe a alegação de que Alvorada Participações fosse mero veículo, sem propósito negocial, utilizado somente permitir a dedução do ágio. Para fins tributários, o § 2º do art. 20 do DecretoLei n° 1.598/1977, posteriormente reproduzido pelo art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, determina que o lançamento do ágio deve indicar um dos seguintes fundamentos econômicos: 1) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; 2) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; ou 3) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. O dispositivo legal não estabelece ordem lógica, nem hierarquia entre os fundamentos econômicos. A escolha de um deles é decisão que cabe exclusivamente ao adquirente. Não compete ao Fisco estabelecer o fundamento econômico que dá suporte ao ágio. Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.148 8 No caso concreto, o ágio pago na aquisição do DBI não se deve a "intangíveis e fundo de comércio", mas aos resultados futuros que se esperava obter com o investimento. Não houve aquisição das carteiras, fundos de investimento e contratos do DBI de forma individualizada e independente. Não se atribuiu, no momento da venda das ações do DBI, um valor econômico às carteiras, fundos ou contratos, individualmente considerados, mas tão somente se apurou, com base em laudo de avaliação, qual seria a lucratividade futura esperada daquele conjunto de bens, que faziam parte da empresa adquirida. Não foi pago um preço que refletisse a soma dos preços individuais das carteiras, fundos e contratos; o pagamento do ágio não tem origem em fundo de comércio identificável e mensurável. Pagouse um valor global, que espelhava a lucratividade que se esperava obter no futuro, em decorrência da exploração econômica daqueles ativos como um todo. Disse ainda, baseado na doutrina do professor Eliseu Martins, que para calcular o valor de qualquer tipo de ativo, tangível ou intangível, é possível fazer uma projeção acerca da expectativa de rentabilidade. Ou seja, a expectativa de rentabilidade, que nada mais é que a determinação dos possíveis resultados futuros de um bem, pode ser usada para se obter o valor de qualquer ativo da empresa. Segundo a doutrina comercial acerca do que é fundo de comércio, e os ensinamentos contábeis sobre o que é um ativo, parece claro que o art. 385 do RIR traz como possíveis fundamentos do ágio gerado na aquisição de empresa controlada ou coligada dois elementos componentes do ativo das empresas (ativos tangíveis ou intangíveis e fundo de comércio), ou um componente que serve à valoração desses ativos, a expectativa de rentabilidade futura. Os incisos I e III do § 2º do art. 385 do RIR/99 trazem como fundamento para o ágio elementos do ativo da empresa adquirida, enquanto o inciso II (expectativa de rentabilidade) traz não um elemento do ativo, mas uma forma de valoração de todos esses elementos. Ao separar os fundamentos do ágio em a) elementos do ativo, e b) forma de valoração desses ativos, pretendeu o legislador que, para justificar e conferir o correto tratamento ao ágio, pode ser importante analisar os ativos, ou pode ser importante analisar o fundamento que justificou a valoração da aquisição. O DecretoLei n° 1.598/77, que introduziu o art. 385 do RIR, pretendeu conferir um tratamento específico a todo ágio cujo fundamento decorra de avaliação da empresa adquirida pelo método da expectativa de rentabilidade futura, não importando qual o elemento do ativo que justifica aquela expectativa. Em todas as situações em que o contribuinte esteja efetuando uma aquisição com ágio fundado na expectativa de rentabilidade da empresa adquirida, há de se dar o tratamento conferido ao inciso II do § 2º, do art. 385 do RIR. A expectativa de rentabilidade futura nada mais é que uma forma de mensurar o valor de um ativo. Não há como existir a expectativa de rentabilidade futura de Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.149 9 algo que não faça parte de um conjunto de bens de uma empresa ou que não seja a própria empresa. Conclui a recorrente: sempre que uma aquisição com ágio estiver respaldada na expectativa de rentabilidade, há de se aplicar o tratamento conferido ao fundamento previsto no inciso II, § 2º do artigo 385 do RIR/1999, independentemente do elemento que sustente aquela expectativa. O fundamento do ágio deve espelhar o real motivo que levou ao seu pagamento. Além disso, tratandose de ato administrativo vinculado, como é o lançamento tributário, o agente administrativo está obrigado a agir de acordo com o que determina a lei, não podendo decidir segundo seu juízo de conveniência e oportunidade. A Fiscalização, por outro lado, não provou que o ágio englobaria algum elemento correspondente ao fundo de comércio e intangíveis, e tampouco qual seria a parcela desse montante que comporia o total do preço de aquisição. O Agente Fiscal não segregou os valores de "fundo de comércio" ou de "intangíveis" do montante classificado pela recorrente como expectativa de rentabilidade futura, nem desqualificou o laudo apresentado durante o procedimento de fiscalização. A Fiscalização não se preocupou, como pretendeu o legislador, com a identificação dos elementos que compõem o fundo de comércio e os intangíveis da sociedade adquirida (DBI). Limitouse apenas a dizer que a clientela, que os direitos de administração das carteiras e fundos, e que os contratos seriam as possíveis causas do ágio, sem identificar cada um desses elementos e, assim, valorálos de forma individualizada. O ágio foi fundamentado pela recorrente na expectativa de rentabilidade futura, e atribuído como um todo à empresa adquirida. Não se mensurou, com base na expectativa de rentabilidade futura, cada um dos bens que formariam o fundo de comércio e os intangíveis, identificandoos para, assim, atribuirlhes um valor de forma individualizada. Se isso não foi feito pela recorrente e pelos avaliadores contratados, não pode a Fiscalização afirmar que todo o valor do ágio, baseado na expectativa de rentabilidade, fosse atribuível ao fundo de comércio ou a alguns intangíveis, sem antes realizar análise acerca da identificação e mensuração dos bens que compõem o fundo de comércio e intangíveis. A Fiscalização não desconstituiu a prova apresentada pelo Recorrente, para fundamentar a glosa da despesa realizada, o que seria imprescindível para a validade e lisura dos lançamentos ora combatidos. A recorrente, por outro lado, contestou a alegação de falta de propósito negocial e de utilização de empresa veículo. Disse que mesmo sem utilização de empresa veículo, o resultado fiscal, quanto ao aproveitamento do ágio, teria sido o mesmo. Havendo norma autorizadora que permita à pessoa jurídica realizar uma operação de determinada maneira, não se pode proibir que assim o faça, por razões de cunho exclusivamente arrecadatório, sob pena de afrontar a liberdade contratual, a liberdade de exercício da atividade econômica e a autonomia da vontade das partes contratantes. Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.150 10 Aduziu a recorrente que não foi apontado qualquer dispositivo legal para fundamentar a suposta necessidade de adição, da despesa com ágio, à base de cálculo da CSLL, o que macula a validade do lançamento, por ofensa ao princípio da legalidade. Dentre os ajustes, que delimitam a base de cálculo da CSLL, nada se vê sobre a obrigatoriedade de adição de despesas de amortização do ágio na aquisição de investimentos. Assim, uma eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada não dedutível da base de cálculo da CSLL se houver previsão expressa em lei, o que não ocorre no caso específico. Portanto, mesmo que não se considere dedutível a amortização fiscal do ágio para fins de apuração do IRPJ, o lançamento, quanto à CSLL, não terá base legal. Quanto à desmutualização da CETIP, disse a recorrente que, nos termos da Portaria MF n° 785/1977, a atualização dos títulos patrimoniais da CETIP Associação, que estavam registrados na conta "reserva de atualização dos títulos patrimoniais", do grupo Reserva de Capital, situada no patrimônio líquido, estava sujeita ao método de equivalência patrimonial, previsto na Lei n° 6.404/1976. Os títulos eram avaliados com base na oscilação do patrimônio líquido da CETIP Associação. Ocorre que os membros da CETIP deliberaram, na Assembleia Geral Extraordinária (AGE), de 29 de maio de 2008, que suas atividades passariam a ser exercidas sob a forma de sociedade anônima. Em conformidade com esse propósito, fezse a cisão parcial da CETIP Associação e a subsequente incorporação da parcela cindida por outra sociedade, a CETIP S.A., que passou a realizar as atividades operacionais anteriormente desenvolvidas pela associação. Em decorrência dessa reestruturação societária, os títulos patrimoniais da CETIP, que a recorrente detinha, foram transformados em ações da CETIP S.A., conforme deliberado na AGE, em operação denominada desmutualização. Segundo o entendimento da autoridade fiscal, expresso no termo de verificação, a diferença entre o custo de aquisição do título e o seu montante atualizado, correspondente ao valor das ações nas quais os títulos foram transformados, representaria um ganho para a recorrente, já que a transformação dos títulos deveria ser tida como devolução do patrimônio investido na associação. Assim, de acordo com a manifestação da Receita Federal na Solução de Consulta n° 10/2007, a diferença entre o valor do título e o das ações deveria ser tributada nos termos do artigo 17 da Lei n° 9.532. A recorrente, entretanto, afirma que na desmutualização da CETIP não houve devolução de patrimônio, mas simples troca de denominação do mesmo ativo. A transformação dos títulos em ações decorreu de operação societária de cisão parcial da associação civil e posterior incorporação da parte cindida por uma sociedade por ações; operação, segundo a recorrente, expressamente prevista no art. 2.033 do Código Civil de 2002. Ressaltou que o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso em exame, já que não houve aqui dissolução da associação, mas simples transformação em sociedade anônima. A suposta extinção não ocorreu de fato, nem de direito, pois nenhuma corretora ou distribuidora foi convocada para receber seus ativos de volta. Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.151 11 Após a alteração da estrutura societária da associação, a entidade continuou a existir e a operar, porém sob a forma de sociedade anônima e, em consequência, os títulos transformaramse em ações. A operação de desmutualização implicou mera mudança na denominação de um direito, pela qual um determinado bem (título) veio a ser transformado em outro de igual valor (ações). Concluiu a recorrente reiterando a tese de que inexistiu devolução de patrimônio. Aduziu que o art. 17 da Lei n° 9.532 seria inaplicável ao caso, pois não existiria disponibilidade passível de tributação. Não se poderia cogitar de fato gerador do IRPJ e da CSLL em 31/07/2008, já que a atualização do título patrimonial não era tributável, por força da Portaria MF n° 785/1977. Segundo o ato normativo do Ministro da Fazenda, as atualizações dos títulos, quando positivas, não estariam sujeitas à tributação pelo IRPJ. Confirase: "O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital." Não se pode falar em realização de qualquer ganho por parte da recorrente, uma vez que inexistiu pagamento em dinheiro por ocasião da desmutualização. Foram recebidas ações de valor total idêntico ao do título, que já estava contabilizado na conta títulos patrimoniais, não havendo ganho tributável. Ainda que se entenda que, no momento da transformação em ações, a atualização do valor dos títulos pelo regime jurídico da equivalência patrimonial representasse ganho de capital, certo é que o ganho não foi realizado, uma vez que não ocorreu a disponibilidade econômica do valor, passível de ser tributada. Portanto, mesmo que a atualização do título representasse acréscimo patrimonial, o momento de incidência tributária ocorreria apenas quando o acréscimo se mostrasse disponível, e não quando fosse quantificado. A quantificação é relevante para mensurar a dívida, jamais para indicar o momento em que o tributo é devido. A ausência de disponibilidade econômica impede o surgimento do fato gerador, que só ocorreria quando da venda dos títulos. Acresce ainda o fato de que as atualizações efetuadas até o ano de 2006 já não poderiam ser alcançadas pelo IRPJ e pela CSLL, pois teria ocorrido decadência do direito de constituir os respectivos créditos tributários, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN. No caso, o auto de infração foi lavrado em 16/08/2012, mas parte das atualizações do título patrimonial (que seriam, segundo a autoridade lançadora, o fato gerador), ocorreu entre os anos de 2001 e 2006, de onde se conclui que, relativamente a tal período, o lançamento foi realizado após o transcurso do prazo decadencial. A recorrente alegou ainda erro na apuração da base de cálculo. É que, entre a data do balanço, 31/03/2008, e a efetiva cisão, 01/07/2008, o patrimônio líquido da CETIP Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.152 12 Associação sofrera variação positiva, de modo que no momento da desmutualização o valor atualizado do título era R$ 446.474,58, e não R$ 406.650,00. Isso fez com que a Fiscalização tributasse o montante de R$ 434.974,17, correspondente à diferença entre o custo de aquisição do título (R$ 11.500,41) e o valor total das ações nas quais o título fora transformado (R$ 446.474,58), considerado em 01/07/2008. Ocorre que, em 01/07/2008, o título e depois as ações permaneceram registradas na contabilidade da recorrente pelo montante de R$ 406.650,00, motivo pelo qual a Fiscalização deveria ter considerado este valor, efetivamente contabilizado, e não R$ 446.474,58. As ações permaneceram registradas contabilmente pelo valor de R$ 406.650,00 até novembro de 2011, quando foram vendidas. Porém, ao apurar o ganho de capital, oferecido à tributação no momento da venda das ações, considerouse como custo o valor de R$ 406.650,00, e não o de R$ 446.474,58. Portanto, caso se mantenha o valor de R$ 446.474,58 como base para cálculo do crédito tributário, haverá tributação em duplicidade, pois a diferença, no valor de R$ 39.824,58 (R$ 446.474,58 R$ 406.650,00), já compôs a base de cálculo do ganho de capital submetido à tributação no momento da venda das ações. Quanto à multa isolada, alegou ser descabida. Primeiro, porque seria inaplicável após o encerramento do ano base a que se referem as estimativas não recolhidas. O fato gerador do IRPJ e o da CSLL são apurados no final do ano, quando se conhece o quantum definitivo de ambos os tributos, pois, a despeito de as estimativas serem mensais, os fatos geradores permanecem sendo anuais, consumandose somente em 31 de dezembro. Os recolhimentos efetuados com base em estimativa nada mais são do que antecipação do tributo devido no encerramento do período anual. Assim, a multa isolada somente poderia ser exigida caso o Fisco verificasse a falta de recolhimento ou o recolhimento insuficiente das estimativas mensais, antes do término do respectivo ano base. Verificado o fato após o encerramento do período, já não será possível a imposição de multa isolada, a qual só caberia se a irregularidade fosse constatada no curso do ano base. Além disso, ainda que a recorrente tivesse recolhido valor inferior ao devido a título de estimativa de IRPJ e de CSLL, não poderia haver, sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade. No caso, verificase que há cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício, sobre os mesmos valores exigidos a título de IRPJ e de CSLL, caracterizando dupla incidência sobre a mesma materialidade, uma vez que o valor da estimativa mensal é a totalidade ou diferença do tributo, apurada quando da inclusão no cálculo do ajuste anual, do suposto ganho obtido em outubro de 2008. A recorrente, por fim, se insurgiu contra a incidência de juros de mora sobre a multa, alegando inexistência de amparo legal para tal exigência. Firme nessas razões, pugnou pelo provimento integral do recurso. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN ofereceu contrarrazões, com base em que requereu o não provimento do recurso. É o relatório. Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.153 13 Voto Vencido Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Indedutibilidade da amortização de ágio Quanto à glosa das deduções de ágio, a recorrente arguiu, preliminarmente, decadência do direito de constituir o crédito tributário; e contra o acórdão da DRJ, alegou nulidade, por inovar os fundamentos da autuação. Decadência A recorrente alegou a perda do direito de reexaminar e questionar os registros contábeis relativos ao ágio; ágio esse que teve origem em 2002. Sobre questão semelhante, tive oportunidade de discorrer em outro processo da seguinte forma: A decadência prevista no art. 173 do CTN é fato extintivo do direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento. E tem por pressuposto a inércia do titular do direito. Por isso, para que se pronuncie a decadência, é preciso verificar, primeiro, se havia crédito tributário a ser constituído; depois, na hipótese de existir o direito, se transcorreu o prazo legal, sem que a autoridade competente tivesse realizado o ato que lhe cabia. No caso de ágio indevidamente contabilizado e da posterior dedução, também indevida, de quotas de amortização desse mesmo ágio, só se pode cogitar de decadência, à luz do art. 173 do CTN, a partir do momento em que o crédito tributário seja, no todo ou em parte, afetado. Nesse linha de raciocínio, podese afirmar que o mero registro contábil do ágio, mesmo que oriundo de atos fraudulentos, não produz qualquer efeito sobre a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. E se, desse registro contábil incorreto, não decorrer diretamente efeito tributário, a Fiscalização nada poderá fazer. Tal situação se prolonga no tempo, a despeito da gravidade da fraude, enquanto perdurar a ausência de repercussão no plano tributário. Não importa se o erro contábil vem em detrimento de investidores, de acionistas minoritários, da veracidade dos balanços ou das demonstrações financeiras. Nenhuma dessas situações autoriza lançamento de IRPJ e de CSLL, porque de nenhuma delas, em princípio, decorre obrigação de pagar tributo. Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.154 14 A repercussão no âmbito do IRPJ e da CSLL do ágio inexistente só ocorrerá no momento em que se proceder à sua amortização. Porque o que reduz o tributo não é o registro do ágio, mas a dedução como despesa dos valores amortizados. A par dessas razões, no caso em exame, o erro não estaria no registro do ágio, mas na sua amortização e, na consequente redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Portanto, a cada amortização que interfira na apuração do quantum devido surge uma nova infração, que deflagra a contagem do prazo decadencial, sendo irrelevante se períodos anteriores não foram objeto de fiscalização e lançamento. Indeferese, portanto, a preliminar. Inovação dos argumentos pelo Acórdão recorrido Contra o acórdão recorrido, foi alegada a existência de inovação nos fundamentos do auto de infração. O órgão julgador de primeira instância teria acrescido, como motivo para glosa das deduções de ágio, o "abuso de direito" nas operações societárias envolvendo a compra do Deutsche Bank Investimento (DBI); e a desqualificação do laudo de avaliação econômicofinanceira que indicava como causa do ágio a rentabilidade futura. No termo de verificação, a autoridade lançadora afirmou que a compra do DBI pela empresa Alvorada Participações Ltda. (acusada de ser simples empresa veículo) e o caminho percorrido posteriormente (com sucessivas incorporações de empresas) até que o ágio chegasse à recorrente era um arranjo de operações desprovidas de propósito negocial, pois se buscava exclusivamente a economia de tributos. Nesse sentido é que se empregou a expressão "abuso de direito". Quanto ao laudo, é importante ressaltar que ele indicava como fundamento econômico do ágio a rentabilidade futura. A autoridade lançadora, entretanto, entendeu que a origem do ágio não era propriamente a rentabilidade futura, mas o fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, e assim adotou conclusão distinta daquela estampada no laudo. Essa é a razão pela o acórdão da DRJ afirmara ter ocorrido a "desqualificação" do laudo. O que ocorreu, no dois casos, foi mera imprecisão terminológica; porém, em nenhuma hipótese, tais imprecisões podem ser alçadas à condição vício por alterar a fundamentação do lançamento. Fundamento econômico do ágio A glosa das deduções do ágio se fez com fulcro em dois motivos distintos e autônomos. O primeiro se refere à utilização de empresa veículo e à falta de propósito negocial das diversas operações que, em curto lapso de tempo, se seguiram à aquisição das ações do Deutsche Bank Investimentos DBI. O segundo motivo consiste no fundamento econômico do ágio, que, ao contrário do que afirma a recorrente, não seria a expectativa de rentabilidade do investimento, mas o fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.155 15 A utilização de empresa veículo e a transferência de ágio entre empresas do mesmo grupo econômico, desde que não haja vício na formação e no registro do ágio, são práticas que vêm sendo aceitas como válidas por esta Turma; e, assim, não justificariam a glosa dos valores deduzidos e o subsequente lançamento de crédito tributário. A autoridade fiscal não questionou a existência, nem a validade do negócio jurídico de que decorreu o ágio. A transação envolveu partes independentes, não foi levantada qualquer dúvida acerca do efetivo pagamento do preço, nem quanto à ausência de confusão patrimonial. Em situações semelhantes esta 1ª Turma Ordinária já se posicionou pela dedutibilidade do ágio, como se verificou no Acórdão nº 1301002.239. Do voto condutor da decisão se pode transcrever o seguinte trecho: A autoridade fiscal reconhece que a lei não proíbe, de forma expressa, a transferência do ágio por meio de empresaveículo. É verdade. A lei não contém nenhum dispositivo que expressamente proíba ou autorize a transferência do ágio entre entidades empresariais do mesmo grupo econômico. A questão, pois, é saber se o silêncio da lei deve ser interpretado como uma proibição ou como autorização. Diante dos princípios da livre iniciativa, da liberdade contratual, da liberdade de contratar e da liberdade de organização que se confere às entidades empresariais, o correto talvez seja reconhecer que, diante do silêncio da lei, permitese a transferência do ágio entre entidades integrantes do mesmo grupo empresarial, ainda que o seja com uso daquilo que se convencionou chamar empresaveículo. A validade dessa transferência e da posterior dedutibilidade das quotas de amortização do ágio têm como pressuposto a existência e a validade do próprio ágio, que deve ter origem em negócio celebrado entre partes independentes, com efetivo pagamento do preço, ausência de simulação e confusão patrimonial. Ademais, o ágio deve ter por fundamento econômico a expectativa de rentabilidade do investimento adquirido. Essa estimativa de lucros futuros, por sua vez, há de estar respaldada em elementos objetivos reunidos em documento (que poderia assumir a forma de laudo) contemporâneo à transação, o qual dará suporte ao registro do ágio. No caso em exame, nenhum desses requisitos foi questionado pela Fiscalização, nem mesmo o laudo, que é posterior à data de aquisição da empresa Indiana Seguros S/A (janeiro de 2008), com bem anotou a PFN. A Fiscalização considerou que não havia problemas com ágio. A preocupação da autoridade fiscal foi exclusivamente com a transferência desse ágio entre duas empresas do grupo econômico. A transferência do ágio entre empresas do mesmo grupo, desde que não haja acréscimo do valor, deve ser considerada como um comportamento lícito, que, dentre tantos outros, pode ser adotado, inclusive como forma de economia de tributo. Com fulcro nessas mesmas razões, afastase o primeiro motivo indicado pela autoridade fiscal para glosar as deduções. O segundo motivo foi o fundamento econômico do ágio. A Fiscalização entendeu que a origem do ágio não era a expectativa dos lucros a serem apurados em exercícios futuros, mas fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.156 16 O Regulamento do Imposto de Renda – RIR, no art. 385 (cuja matriz legal é o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977), assim conceitua ágio, dispondo também sobre seu registro: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Ágio, segundo os dispositivos transcritos, é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. Pode ter sua origem vinculada a um dos três fundamentos: a) valor de mercado de bens do ativo superior ao custo registrado na contabilidade da empresa adquirida; b) expectativa de rentabilidade da empresa adquirida; e c) fundo de comércio e intangíveis da empresa adquirida e outras razões econômicas. O tratamento tributário conferido ao ágio depende de seu fundamento econômico. Daí a relevância de definir, em cada caso, a origem do ágio. A definição do fundamento econômico, por gerar efeitos tributários, não pode ficar ao talante nem do Fisco, nem do contribuinte. Embora cabendo a este último eleger o respectivo fundamento, essa escolha longe está de ser arbitrária. Precisa ser feita em conformidade com as circunstâncias do caso concreto, de modo a refletir a realidade econômica subjacente aos fatos. A liberdade que é Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.157 17 deferida ao contribuinte não lhe permite fazer escolhas despregadas da realidade apenas para obter economia de tributos. A lei, sem estabelecer hierarquia ou ordem de preferência, define três fundamentos econômicos inconfundíveis entre si, a despeito de estar presente em todos eles a expectativa de um ganho, que, no fundo, é o que impele o comprador a pagar preço mais elevado do que o valor patrimonial do investimento, registrado na contabilidade. Apesar de o ganho ser um dado comum, os fundamentos são diferentes. Sobre a distinção entre os diversos fundamentos do ágio, o termo de verificação fiscal traz um comentário do Professor Luis Eduardo Schoueri, que é oportuno reproduzir: Segundo Luis Eduardo Schoueri, em sua obra "Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários)": A pedra de toque para distinguir o inciso II (rentabilidade futura) dos demais é o enfoque no resultado. A hipótese do inciso I considera ativos tangíveis. A avaliação se faz de modo individual, considerando cada item e seu valor de mercado. A hipótese do item III (fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas) considera os intangíveis. Ainda assim eles são individualizados e valorados. Temse a ideia de que se adquiriu algo que permanecerá indefinidamente nas mãos do adquirente; a perspectiva já não é mais o retomo do investimento em determinado período, já que esse continuará com o mesmo valor. Descreverseá o investimento adquirido. Tecerseão considerações sobre a clientela, seu potencial de compra e sua capacidade de honrar compromissos, mostrando sua fidelidade à empresa e evidenciando que ela não desaparecerá por conta de sua aquisição... Em síntese, enquanto nas hipóteses I e III se procura avaliar, exclusivamente, o investimento, por conta de seus ativos (contabilizados ou não), o inciso II busca antecipar os lucros a serem gerados... Nos primeiros (incisos I e III), o comprador paga o preço por algo que ele recebe, no ato, no último caso, o preço contempla algo que ele espera venha a ser concretizado. (fl. 1.542 e 1.543) Essa perspectiva deixa evidente a diferença entre os fundamentos rentabilidade futura de um lado, e fundo de comércio e intangíveis de outro. Quando o ágio é baseado em fundo de comércio e intangíveis a coisa pela qual o investidor se dispõe a pagar o ágio existe e é recebida de imediato. Quando o fundamento é a rentabilidade futura, o ágio é pago por algo que ainda não existe de forma concreta e não é (nem poderia ser) entregue ao investidor no ato da compra, mas que ele espera receber no futuro. Em suma, no primeiro caso, o investidor paga o ágio pelo que ele efetivamente recebe; no outro, pelo que espera receber. No que concerne ágio lastreado em fundo de comércio e intangíveis existe o problema de mensurar o valor dos respectivos elementos, que não se refletem nos registros contábeis da empresa. O critério de mensuração do fundo de comércio e dos intangíveis pode ser a rentabilidade futura. Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.158 18 Essa é a linha de argumentação do Professor Marco Aurélio Greco, citado também no termo de verificação fiscal, no trecho abaixo reproduzido: Socorrendose ainda ao artigo (sic) "Ágio por expectativa de rentabilidade futura: Algumas Observações", de Marco Aurélio Greco temos que: "Um dos pontos complexos referentes ao fundo de comércio e intangíveis é determinar quanto eles valem para fins de aquisição. Ou seja, novamente identificar critérios que permitam aportar a um determinado "preço" da "compra". No caso do fundo de comércio, um dos critérios possíveis para aferir o seu valor para fins de determinação do preço de aquisição é através da previsão do seu desempenho econômico num horizonte de tempo. Vale dizer, o valor do intangível ou do fundo de comércio pode ser determinado também pela previsão de resultados futuros. Nestes casos, a expectativa de rentabilidade futura surge como um dos critérios possíveis para aferição do preço relativo à aquisição do fundo de comércio ou dos intangíveis e corresponde a elemento que também serve para determinar o respectivo valor atual em certa data." (g.n.) (fl. 1.542) Segundo tal linha de interpretação, a expectativa de rentabilidade comparece tanto no inciso II do § 2º do art. 385 do RIR, quanto no inciso III do mesmo parágrafo. A diferença, entretanto, é que no inciso II a expectativa de rentabilidade é a própria causa do ágio, enquanto no inciso III, é critério de mensuração do fundo de comércio e dos intangíveis, cujos valores não se refletem nos registros contábeis. Embora imbricada nos dois incisos, a expectativa de rentabilidade só pode ser tomada como fundamento do ágio, no inciso II. Não sendo assim, o inciso III tornarseia letra morta, inaplicável na prática; e os fundamentos do ágio estariam reduzidos a apenas dois: valor dos bens do ativo e rentabilidade futura. Entretanto, essa interpretação, que reduz a dois os fundamentos econômicos do ágio, deve ser rechaçada por ser contrária à lei. Estabelecidos esses marcos, examinese o caso concreto. O Banco Bradesco S.A., em 14 de novembro de 2011, respondendo a um comunicado do Deutsche Bank S.A., manifestou interesse em participar do processo de alienação de ativos (fundos de investimentos e carteiras administradas) do Deutsche Bank Investimentos DBI. Observese o conteúdo da carta enviada pelo Banco Bradesco ao Deutsche Bank. Em atenção à correspondência que recebeu de V.Sas em 10/10/2001, o Banco Bradesco SA, doravante "Bradesco", vem manifestar seu interesse em participar do processo de alienação de ativos (fundos de investimento e carteiras administradas) da Deutsche Bank Investimentos Distribuidora de Valores e Títulos Mobiliários S.A., doravante denominada "DBI". Com base e fundamento nas informações econômicofinanceiras fornecidas por V.Sas, foi procedida análise e avaliação das posições transmitidas, o que está ensejando a apresentação de proposta firme para aquisição dos ativos administrados pela "DBI", conforme segue: 1. Descrição dos ativos a serem adquiridos: Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.159 19 1.1 Inicialmente o objeto da aquisição pretendida pelo Bradesco, compreende somente os ativos administrados pela DBI (base 31.07.2001), doravante denominados "Ativos", que abrangem todos os fundos de investimento e a totalidade das carteiras administradas, inclusive aos clientes private e de intermediários; 1.2 O Bradesco poderá incluir na proposta final de compra, após análises fiscal e societária, a serem efetuadas em due diligence e em comum acordo com Deutsche Bank S.A., a absorção do controle acionário da DBI na sua figura jurídica atual. 2. Valor Econômico para os Ativos: 2.1 Baseado nos dados recebidos de V.Sas, deliberamos apresentar a seguinte proposta, que consiste num intervalo caracterizado entre: a) Valor Máximo: R$ 37.700.000,00 (trinta e sete milhões e setecentos mil reais), equivalente a US$ 14.500.000,00 (quatorze milhões e quinhentos mil dólares dos Estados Unidos) e o b) Valor Mínimo: R$ 31.200.000,00 (trinta e um milhões e duzentos mil reais) equivalente a US$ 12.000.000,00 (doze milhões de dólares dos Estados Unidos), respeitadas as seguintes condições: A negociação, como se vê, estava direcionada à aquisição de ativos do DBI, a saber, fundos e carteiras de clientes. O DBI, conforme consta do documento intitulado Avaliação Econômico Financeira, produzido pelo próprio Bradesco, tinha apenas vinte "funcionários", e utilizava a infraestrutura do Deutsche Bank, nela incluídas as atividades de suporte, tais como, controles operacionais, informática, assessoria fiscal e jurídica, administração de riscos de crédito e recursos humanos (fl. 369). Vale dizer, o DBI se resumia àqueles ativos (carteira de clientes, fundos e contratos), pois nem estrutura física possuía. Notese que a proposta formalizada pelo Bradesco se reportava aos ativos, ou seja, fundos de investimento e a totalidade das carteiras administradas, inclusive as referentes aos clientes private e intermediários. O limite máximo de R$ 37.700.000,00 e o mínimo de R$ 31.200.000,00, fixados pelo Bradesco, se referiam àqueles ativos e não às ações do DBI. Uma vez definido que a venda dos ativos seria feita para o Bradesco, a decisão de concretizar o negócio mediante aquisição da totalidade das ações do DBI foi uma escolha meramente formal, explicada pelos efeitos tributários que o comprador poderia obter dessa forma jurídica. O valor efetivamente pago (R$ 33.647.910,03), fixado dentro do intervalo que tinha como limites trinta e sete e trinta e um milhões de reais, foi a contrapartida pela transferência dos ativos para o Grupo Bradesco. O montante pago tem como causa a existência e o conteúdo da carteira de clientes, dos fundos e dos contratos. Então, se ágio existiu, ele só pode ter por fundamento econômico os fatos previstos no inciso III do § 2º do art. 385 do RIR. Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.160 20 Na peça recursal, existe alusão a um comentário do Professor Luis Eduardo Schoueri acerca do ágio lastreado em fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Eis o texto: De modo geral, o ágio fundamentado no fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas busca representar situações que não estão adequadamente refletidas na contabilidade da investida, tais como nome comercial, marcas de indústria e comércio, lista de clientes, knowhow, expressão ou sinal de propaganda entre outras." (g.n.) (fls. 1.967) Aqui a expressão lista de clientes, se não tem o mesmo sentido, tem sentido próximo ao de carteira de clientes. E, ao rol exemplificativo do Professor Schoueri, podem ser acrescidos fundos de investimentos e contratos. De tudo quanto se disse, é possível inferir que, no caso concreto, o ágio não teve por fundamento econômico a rentabilidade futura, não obstante ela possa ter sido o critério adotado para fixar o preço dos ativos. Cabe ainda uma última ponderação a propósito do tema. O inciso III do § 2º do art. 385 do RIR cita as seguintes situações como fundamento do ágio: 1) fundo de comércio, 2) intangíveis e 3) outras razões econômicas. É vago o sentido da expressão outras razões econômicas. O grau de indeterminação é alto. Várias situações cabem nessa moldura. Cabe, por exemplo, a hipótese de aquisição, com ágio, de uma empresa, cujo valor intrínseco seja pequeno, mas que se mostre importante para o investidor viabilizar o ingresso em determinado mercado, ou para impedir que um concorrente ingresse nele, ou para assegurar o fornecimento de insumos utilizados na produção de certo bem. Enfim, são inúmeras as hipóteses, que só diante do caso concreto podem ser identificadas. No caso dos autos, chama a atenção, no laudo de avaliação econômico financeira (fls. 368 a 384), elaborado pelo próprio Bradesco, a advertência contida na fl. 379, assim exposta: Não foram consideradas (no laudo) instituições estatais (Banco do Brasil e CEF) como potenciais compradoras. Na hipótese de o Itaú absorver a DBI a diferença no mercado total entre Itaú e Bradesco avançaria para R$ 2,6 bilhões. (g.n.) (fl. 379) Instituições Vencedoras Instituição Atual Bradesco Itaú HSBC Citibank Unibanco Santander B. do Brasil 1º 1º 1º 1º 1º 1º 1º Itaú 2º 3º 2º 2º 2º 2º 2º Bradesco 3º 2º 3º 3º 3º 3º 3º CEF 4º 4º 4º 5º 4º 4º 4º HSBC 5º 5º 5º 4º 5º 5º 5º Citibank 6º 6º 6º 6º 4º 6º 6º Unibanco 7º 7º 7º 7º 7º 7º 7º Santander 8º 8º 8º 8º 8º 8º 8º Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.161 21 Não apenas a advertência, mas também o quadro acima, demonstram a importância estratégica, para o Bradesco, de adquirir os ativos oferecidos ao mercado pelo Deutsche Bank. O quadro mostra os diversos cenários, considerando os possíveis adquirentes dos ativos. A maior preocupação do Bradesco, entretanto, era impedir que o concorrente direto (Banco Itaú), mediante aquisição dos ativos do Deustche Bank, ampliasse a vantagem que, naquela época, já existia. Não há dúvida de que a disputa por fatias de mercado impeliu a recorrente ao pagamento do ágio. Em suma, o fundamento econômico do ágio está no inciso III, do § 2º do art. 385 do RIR. Entretanto, mais importante do que essa conclusão é constatar, como fez a autoridade lançadora, que o ágio não está baseado em rentabilidade futura e, portanto, não comporta amortização dedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Adição à base de cálculo da CSLL A recorrente sustenta que, mesmo na hipótese de o ágio ser não dedutível da base de cálculo do IRPJ, essa regra não se aplicaria à CSLL dada a falta de previsão legal expressa. Não haveria norma determinando a adição do ágio amortizado à base de cálculo da contribuição. Várias são as razões a respaldar entendimento contrário ao da recorrente. A primeira delas é a identidade de bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; regra geral afastada apenas nas hipóteses expressamente ressalvadas na lei. Aqui se adotam os fundamentos retirados do voto do ilustre Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, no Acórdão nº 1201 001.462: A CSLL é originalmente prevista pela Lei nº 7.689/88, que em seu artigo 2º estabelece que a base de cálculo da contribuição será o resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda: Art. 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1o Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; O comando acima aproxima a estrutura da CSLL à do IRPJ, tema bastante discutido desde a criação da contribuição e que, de forma majoritária, tem receptividade na doutrina e na jurisprudência dos tribunais superiores. Na esteira de tais manifestações não podemos olvidar, ainda no plano normativo, o comando exarado pelo artigo 57 da Lei nº 8.981/95, com a redação dada pela Lei nº 9.065/95: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.162 22 mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. A leitura do dispositivo nos leva a concluir que a metodologia e as regras de apuração para o imposto de renda são aplicáveis ao cálculo da CSLL (o que se infere da dicção "mesmas normas de apuração") e que o preceptivo só perderia eficácia se houvesse norma específica, relativa à contribuição, em sentido diverso. Aliás, os demais parágrafos do artigo 57 corroboram a tese de semelhança entre as duas figuras: § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. Igual raciocínio se aplica, ainda, para fins de compensação, conforme dispõe o artigo 58 do mesmo diploma legal: Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Além de fixar idêntica trava para a compensação das bases negativas (em relação ao IRPJ), o comando expressamente menciona que a base de cálculo será o lucro líquido ajustado, ou seja, o legislador estabelece para a CSLL o mesmo ponto de partida previsto para o cálculo do lucro real, afinal o lucro é "ajustado" pelas adições e exclusões previstas na legislação do Imposto de Renda (artigos 250 e 510 do Decreto nº 3.000/99). Não se trata, portanto, de integração por analogia, figura vedada pelo artigo 108 do CTN no que se refere à exigência de tributos. O que se tem, de fato, é a identidade, prevista em lei, quanto às sistemáticas de apuração da base de cálculo das duas figuras. Também não se cuida de omissão, pois a lei expressamente configura a base de cálculo do tributo e a aproxima, por equivalência, às regras do IRPJ. Além dos dispositivos já mencionados não podemos olvidar a regra veiculada pelo artigo 28 da Lei n. 9.430/96: Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei n° 12.715, de 2012) A pertinência dos comandos normativos ao caso sob análise foi bem delineada pela Fazenda Nacional (grifado no original): E cumpre ressaltar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, tal disposição importa vedação à dedutibilidade das despesas com pagamento de royalties, na medida em que determina aplicação do art. 1º da Lei n. 9.430/96 à Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.163 23 CSLL, que dispõe sobre a apuração do IRPF, estabelecendo que "a partir do ano calendário de 1997", o tributo será determinado com observância da "legislação vigente", com as alterações introduzidas pela Lei. Não há dúvida de que o art. 71 da Lei n. 4.506/64 era norma vigente ao tempo da edição da Lei n. 9.430/96 e, pois, pela disposição dos artigos 28 e 1º da Lei nº 9.430/96, tornouse aplicável à CSLL. Ante o exposto, resta claro que as regras de dedutibilidade da legislação do IRPJ são integralmente aplicáveis na apuração da base de cálculo da CSLL. (...) Em nome da coerência e de postulados lógicos fundamentais, ou um objeto guarda identidade com outro ou não guarda. Não existe espaço para manobras ou variações ao sabor do intérprete, vale dizer, a CSLL não pode ser suficientemente parecida com o IRPJ para que se aplique as regras dos tratados e, ao mesmo tempo, suficientemente diferente para que as regras de dedutibilidade sejam distintas. O valor do raciocínio está na pertinência e coerência com o sistema e não em modulações de acordo com o interesse em jogo e a vontade do intérprete. O segundo argumento vem de recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no Acórdão nº 9101002.549, cuja ementa está abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ADIÇÃO A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Com fundamento no art. 13 da Lei nº 9.249/95, as despesas de amortização de ágio devem ser adicionadas à base de cálculo da CSLL. Este é o dispositivo legal citado na ementa: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; No voto vencedor, da lavra do ilustre Conselheiro Luís Flávio Neto, entendeuse que, "conforme a interpretação explicitada pelo RIR/99, a norma do art. 13, III, da Lei nº 9.249/95, é ampla o suficiente para tutelar a dedutibilidade (sic) da amortização de “bens e direitos”, tanto em relação à base de cálculo do IRPJ quanto da CSLL". O terceiro argumento está nas contrarrazões da PFN, em que se defende a tese da inexistência de norma autorizando deduzir da base de cálculo da CSLL a amortização Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.164 24 de ágio. Vale dizer, o ponto a ser examinado não deve estar na regra que determina a adição do ágio, mas sim na regra autoriza a sua dedução. Estas as razões da PFN: No caso da apuração da base de cálculo da CSLL, como não há norma expressa que autoriza a dedução da despesa com amortização de ágio, não há que se falar nessa renúncia fiscal. Assim, ao contrário do que defende o recorrente, a dedutibilidade na CSLL da despesa com a amortização de um ágio não é assegurada em face da ausência de norma que preveja a adição dessa rubrica, a despesa com a amortização de um ágio, mesmo dedutível para fins de IRPJ, não é dedutível para a CSLL porque não há previsão legal a autorizando. A premissa levanta pelo recorrente aqui tratada, e com a qual se concorda, na verdade não é subsidiária do pleito do contribuinte, mas sim da União. Destarte, a autonomia legislativa entre o IRPJ e a CSLL não impede a glosa na apuração da CSLL do ágio considerado indedutível para fins do IRPJ, mas impede o aproveitamento fiscal na apuração da CSLL do ágio considerado dedutível para o IRPJ. Devese se ter em mente que, uma vez que a dedução de uma despesa na base de cálculo da CSLL importa renúncia de receita do Estado, seu cálculo pelo sujeito passivo se encontra condicionado a expressa previsão legal. Em suma, uma dedução na apuração da base de cálculo de um tributo não pode ser autorizada em face do silêncio da lei, mas sim em decorrência de norma autorizativa expressa. A regra é a indedutibilidade das despesas, a sua dedutibilidade é a exceção que deve vir expressamente prevista. (grifos do original) (fl. 2.093) Observese, no caso em exame, que os valores deduzidos da base de cálculo da CSLL a título de amortização de ágio são idênticos aos deduzidos da base de cálculo do IRPJ. A recorrente, sem hesitar, se valeu das mesmas regras destinadas ao IRPJ, para, com suporte nelas, deduzir o ágio da base de cálculo da CSLL. A evidência desse fato está nos valores constantes do auto de infração. São idênticos para ambos os tributos: R$ 284.632,24 por mês, como se constata examinando as fls. 1.574 a 1.576 e 1.592 a 1.594 dos autos de infração. Isso revela que, em relação à CSLL, a dedução do ágio se deu segundo normas tributárias que a própria recorrente sustenta terem aplicação restrita ao IRPJ. Assim, também por esse motivo, o lançamento nesse ponto deve ser mantido. Em resumo, qualquer uma das razões acima expostas, individualmente consideradas, conduz à mesma conclusão de indedutibilidade do ágio da base de cálculo da CSLL. Desmutualização Acerca da incidência de IRPJ e de CSLL sobre o patrimônio devolvido em decorrência do processo conhecido por desmutualização, a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em recente decisão, formalizada no Acórdão nº 9101002.462, se manifestou pelo cabimento da tributação. Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.165 25 Naquele oportunidade, prevaleceu o voto do relator, o ilustre Conselheiro André Mendes de Moura, cujos fundamentos são aqui adotados como razão de decidir. A matéria devolvida encontrase no contexto do evento denominado "desmutualização". A BOVESPA e a BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS (BM&F) eram entidades do mercado de capitais constituídas sob forma de associações civis, sem finalidade lucrativa. A captação de recursos, desde a criação da instituição mutualizada Bolsa de Valores de São Paulo, em 1960, deuse por meio da emissão de títulos patrimoniais, que legitimava os adquirentes, pessoas jurídicas e físicas, a atuar nas operações intermediadas do mercado. Seguindo uma tendência internacional, em 2007, as bolsas de valores empreenderam um processo de mudança, deixando de operar na forma de associação civil sem fins lucrativos, para uma sociedade por ações. Transcorreramse reorganizações, com a cisão parcial da BOVESPA e da BM&F, criandose novas sociedades por ações. Ao final, consumouse a integração das sociedades Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e a Bolsa de Valores de São Paulo, resultando na criação da BM&FBovespa S.A. Bolsa de Valores Mercadorias e Futuros. Fato é que as entidades que detinham títulos patrimoniais da BOVESPA e BM&F foram transformadas em acionistas da nova sociedade por ações criada. E a Contribuinte era detentora de títulos patrimoniais das associações civis BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS (BM&F) nas modalidades Membro de Compensação (MC), Corretora de Mercadorias (CM) e Sócio Efetivo (SE), e Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). No decorrer do ano de 2007, em razão da desmutualização de títulos da BM&F e da BOVESPA, efetuouse a substituição dos títulos das entidades por ações da nova companhia. Entendeu a autoridade autuante que, a partir da cisão da BOVESPA e BM&F (associações civis sem fins lucrativos), teria ocorrido a devolução dos títulos patrimoniais aos associados, e, por isso, caberia a tributação da devolução do patrimônio de entidade isenta (art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997): Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. (...) § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. Contesta a Contribuinte a interpretação dada pela Fiscalização, fundamentando sua divergência nos dois pontos devolvidos para apreciação do Colegiado: (1) possibilidade de aplicação do instituto de cisão para as associações civis, e (2) atualização no valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos nos moldes do MEP fora da incidência de tributação. Entendo que a interpretação dada pela recorrente não merece acolhida. Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.166 26 Na realidade, pretende a Recorrente que a legislação empresarial destinada às sociedades com fins lucrativos seja estendida para as associações sem fins lucrativos nas situações em que lhe parecer mais conveniente. Não se pode desconsiderar as bases que sustentam a formação das diferentes espécies de pessoas jurídicas. Vale recorrer à abalizada doutrina de (Orlando) GOMES: Caracterizamse pela qualidade da iniciativa de sua criação. Tanto faz que se constituam para a realização de obra de interesse coletivo como para a consecução de fins particulares. Importa que sejam fruto da iniciativa privada. A distinção é importante porque se diferenciam, conforme o modelo adotado, a posição jurídica dos membros, seus direitos e obrigações, sua responsabilidade e a vinculação entre eles. A própria estrutura de cada qual ostenta traços inconfundíveis. É, no entanto, mais fácil distinguilas pelo fim para que se constituem e pela vinculação entre as pessoas agrupadas ou incorporadas. Na sociedade, o fim colimado é o proveito comum dos sócios, na associação, o fim é ideal (religioso, cultural, político, assistencial, esportivo) e na fundação, é o propósito de atender a interesses de caráter geral ou de uma categoria particular de indivíduos. Quanto à vinculação, somente a sociedade estabelece, entre os sócios, direitos e obrigações recíprocas. Na associação, os sócios não se encontram nessa relação de prestações correlatas e a fundação é antes um conjunto de bens do que de pessoas. As realidades diferentes entre associações e sociedades, naturalmente, são reproduzidas no Código Civil. Logo no art. 53, delimitamse com clareza as distinções apresentadas pelo inolvidável doutrinador. Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Diante de tais premissas, em que o fim colimado é o ideal da entidade (religioso, cultural, político, assistencial, esportivo, dentre outros), tanto que não há entre os associados direitos e obrigações recíprocos, e que é organizada para fins não econômicos, ou seja, não lucrativos, a associação, para a consecução dos seus objetivos, recebeu tratamento especial do ramo tributário, gozando de isenção de tributos. Nesse contexto, a própria dissolução de uma associação regese por regras próprias, conforme art. 61 do Código Civil. Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.167 27 § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. Observase que o remanescente do patrimônio da associação é destinado para (1) entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou (2) para instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. E, no caso de associação, a previsão é de que, caso tenha sua atividade descontinuada, que seja dada baixa de seus atos no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Não se fala em "transformação" da associação. Se resolver descontinuar suas atividades, o caminho é a sua dissolução. E o seu patrimônio, acumulado em razão da consecução da sua finalidade, com eventual superávit blindado da tributação, não por acaso deve ser destinado para entidades da mesma natureza, ou seja, sem fins econômicos. Não há como ignorar a lógica do sistema. Por sua vez, o fim colimado pela sociedade é o proveito comum dos sócios, razão pela qual entre eles existem direitos e obrigações recíprocas. Nesse contexto, o art. 981 do Código Civil não poderia ser mais didático: Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Na sociedade, sendo de proveito comum dos sócios, e com fins lucrativos, há a partilha dos resultados. Cenário completamente diferente da associação, cujo patrimônio e resultados obrigatoriamente não podem ser partilhados e caso extinta, devem ser direcionados para uma outra entidade sem fins lucrativos. Por isso que, no escopo de uma sociedade empresária, são permitidos os efeitos de metamorfose societária. Não interessa se o resultado positivo será destinado aos sócios ou para aumentar o capital da própria sociedade. Tratase de decisão dos sócios, vez que o fim colimado da sociedade é o proveito comum deles. A transformação (a sociedade muda o seu tipo societário), a incorporação, a fusão e a cisão não alteram a finalidade de auferir lucro, pelo contrário, são reorganizações que visam, em tese, otimizar a operacionalização das atividades. Não por acaso, os eventos de transformação, incorporação, fusão e cisão são tratados pelo Código Civil como exclusivos de sociedades. CAPITULO X Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.168 28 Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converterse. Portanto, resta evidenciada situação completamente desvirtuada a defendida pela Contribuinte, para que se admita que, em uma cisão, parcela de uma associação sem fins lucrativos, possa ser transformada em uma sociedade empresária, cuja finalidade essencial seria o lucro, sem nenhuma prestação de contas de todo o patrimônio que foi acumulado no decorrer de anos sob a premissa de uma finalidade social, isenta de tributação. É precisamente nesse contexto que se insere o art. 17 da Lei n° 9.532, de 1997, situação que prevê a tributação em razão da devolução do patrimônio de entidade isenta. E o art. 2.033 do código não estende para as associações civis o mesmo tratamento dado às sociedades. Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Ora, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas do art. 44 (associações, sociedades, fundações, organizações religiosas, partidos políticos e empresas individuais de responsabilidade limitada) e sua transformação, incorporação, cisão ou fusão regemse pelo disposto no Código Civil. E o que dispõe o código? Restringe os institutos da transformação, incorporação, cisão ou fusão às sociedades empresárias, conforme arts. 1.113 a 1.122. E a exceção disposta em lei especial é precisamente a Lei n° 6.404, de 1976 (Lei da S.A.), aplicada às sociedades anônimas de capital aberto ou fechado. Portanto, considerando que o caso concreto trata, na realidade, de uma extinção de associações sem fins lucrativos, e a criação de outras pessoas jurídicas com fins lucrativos, aplicase o disposto no art. 17 da Lei n° 9.532, de 1997, vez que se consumou a devolução do patrimônio de entidade isenta à recorrente por meio de ações de sociedades empresárias. Resta apreciar, na sequência, qual o valor do custo de aquisição do título patrimonial. Defende a Contribuinte que cabe a atualização no valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos nos moldes do MEP, conforme metodologia imposta pelos princípios contábeis e pelo BACEN e a CVM, e o tratamento disciplinado na área fiscal pela Portaria MF u° 758/77. Ocorre que o MEP é instituto previsto na mencionada Lei n° 6.404, de 1976, que não trata de associações, mas sim de sociedade por ações que visam o lucro. É método de atualização de investimentos da controladora em controladas e coligadas. Ou seja, a investidora reflete, no seu patrimônio líquido, as variações positivas ou negativas do patrimônio líquido de suas investidas. Eventual variação positiva no investimento da investidora não é submetida à tributação, porque se trata de reflexo dos lucros das investidas destinados ao aumento do seu capital social, que já foram tributados nas próprias investidas (coligadas ou controladas). Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.169 29 Por outro lado, as associações civis, enquanto se mantiverem nessa condição, e a quem pretende a recorrente equiparar às controladas ou coligadas, são isentas de tributação. Ou seja, não se tributa nem a investida (associação sem fins lucrativos), nem o investidor (detentor do título patrimonial). Por isso, o contexto em que insere a Portaria MF n° 785, de 1977 é o de conferir transparência à evolução patrimonial das bolsas, que eram associações sem fins lucrativos. Resta evidente, portanto, a distorção ao se pretender equiparar a variação de investimento prevista por meio do MEP à atualização de títulos patrimoniais decorrentes de variações no patrimônio das bolsas de valores prevista na mencionada portaria ministerial. Ademais, analisandose como a lei societária conceitua as sociedades controladas e coligadas (art. 243 da Lei n° 6.404, de 1976), tornase ainda mais improvável compreender que os detentores dos títulos patrimoniais de uma associação sem fins lucrativos possam ser assemelhados a investidores com poder de decisão sobre a administração da investida, vez que não são detentores de um investimento relevante e tampouco exercem influência significativa. Os arts. 116 e 243 da Lei n° 6.404, de 1976, deixam claro o vetor que direciona a relação entre as empresas do grupo: o poder de deliberar sobre o destino da empresa. Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. ............................................................................................................................. Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício. (...) § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. Vale transcrever a parte da Exposição de Motivos que versa sobre o § 2º do art. 243: "(...) O conceito de sociedade controladora corresponde ao de acionista controlador, do parágrafo único do art. 116, com as adaptações necessárias para Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.170 30 compreender quaisquer formas de sociedades controladas (e não apenas a de companhia) e a possibilidade de controle indireto, através de cadeia ou pirâmide de sociedades. Além disso, não se requer, no caso de sociedades, o efetivo exercício do poder de dirigir as atividades das sociedades controladas, que se presume nas relações intersocietárias." Como não poderia deixar de ser, o Código Civil de 2002 ratifica o entendimento: Art. 1.098. É controlada: I a sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou da assembléia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores; II a sociedade cujo controle, referido no inciso antecedente, esteja em poder de outra, mediante ações ou quotas possuídas por sociedades ou sociedades por esta já controladas. Martins (Eliseu Martins), no Manual de Contabilidade Societária, ao tratar da consolidação das demonstrações contábeis, discorre sobre os aspectos relevantes para se caracterizar o controle. Dessa forma, os aspectos relevantes para se caracterizar o controle são: Poder sobre a investida: provém de direitos que conferem ao investidor a capacidade para dirigir as atividades relevantes da investida (aquelas que afetam significativamente seu desempenho). Um investidor pode ter poder sobre uma investida mesmo que outra entidade tenha direitos que lhe garanta a capacidade de participar da gestão de atividades relevantes, como é o caso da influência significativa. Contudo, um investidor que tenha somente direitos de proteção sobre uma investida não tem poder sobre a investida e, portanto, não controla sua investida. Exposição (ou direitos) a retornos variáveis em razão de seu envolvimento com a investida: o que ocorre na medida em que os retornos do investidor provenientes do seu envolvimento com a investida variam em função do desempenho da investida e da participação da investidora no capital da investida. Capacidade para utilizar seu poder sobre a investida para afetar seus rendimentos sobre o investimento: o que implica que o investidor tem poder sobre a investida e usa esse poder para influenciar o retorno sobre o seu investimento por meio do seu envolvimento com a investida. Como se pode observar, a determinação do controle baseiase no poder (sobre as atividades relevantes da investida), nos retornos (para o investidor) e na relação entre eles (o uso desse poder para obter retornos sobre o investimento), Como se pode observar, a equiparação entre os proprietários de títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos a controladoras de uma sociedade empresária por ações, com fins lucrativos (controlada ou coligada) não encontra nenhuma sustentação jurídica. A propriedade de títulos patrimoniais não confere nenhum poder sobre os destinos da associação, os associados não tem direitos e obrigações recíprocos, o fim colimado não é o proveito comum dos sócios, mas sim o ideal da associação. Por outro lado, o MEP reflete a valorização de ações que a empresa possui, de participações societárias de empresas controladas ou coligadas, sobre as quais exerce poder de decisão. Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.171 31 Propriedade de títulos patrimoniais X propriedade de ações de empresas controladas e coligadas são situações que não se comunicam, sob qualquer enfoque que se analise a questão, tanto no direito empresarial (Código Civil), quanto no direito contábil (Lei u° 6.404, de 1976) ou no direito tributário. E, não havendo de se falar em MEP, não se aplica o disposto no art. 418, § 1º do RIR/99. Como se considerar como valor contábil do bem aquele que estiver registrado na escrituração do contribuinte, se a atualização do valor deuse em desacordo com as normas de vigência? O caso tratado nos autos é de devolução de patrimônio de entidade isenta, tratada pelo art. 17 da Lei n° 9.532, de 1997. A PGFN, em contrarrazões, enfrenta com lucidez a questão (efls. 771/773), inclusive esclarecendo o contexto da edição da Portaria MF n° 785, de 1977: Nesse teor, cabe refutar o entendimento no sentido de que seria aplicável o método da equivalência patrimonial (MEP) para a avaliação do titulo patrimonial das bolsas de valores. Ora, o MEP foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei n° 6.404, de 1976, e deve ser aplicado de acordo com os preceitos firmados por este diploma legal. Assim, o primeiro aspecto que deve ser ressaltado é que a Lei n° 6.404, de 1976, tem como destinatárias as sociedades por ações, que possuem natureza jurídica totalmente diversa das associações. Com efeito, basta lembrar que a BOVESPA e a BMF foram instituídas como associações sem fins lucrativos, enquanto as sociedades por ações servem para o desenvolvimento de atividades empresariais cujo objetivo é proporcionar lucro aos seus sócios. Desse modo, fica evidente a incompatibilidade da Lei n° 6.404, de 1976, com o regime jurídico das associações. Não obstante, nada impede que uma lei possa autorizar que as associações civis utilizem as regras previstas para as sociedades empresárias. Apesar das inúmeras disparidades entre as sociedades empresárias e as associações civis sem fins lucrativos, se a lei previsse que estas poderiam ser regidas pelas normas da Lei n° 6.404, de 1976, caberia apenas obedecer ao comando legal. Entretanto, não existe tal suporte pois os dispositivos do Código Civil que regulamentam as associações não trouxeram norma com este conteúdo, tampouco a Lei n° 6.404, de 1976. Por sua vez, cumpre destacar que a Portaria n° 785/1977, do Ministro de Estado da Fazenda, regulamentou a tributação dos acréscimos patrimoniais auferidos pela BOVESPA e pela BMF. Ocorre que a mencionada Portaria em momento algum determinou a utilização da Lei das Sociedades por Ações para contabilização dos acréscimos de valor dos títulos patrimoniais das Bolsas. Confirase: Portaria n° 785, de 20 de dezembro de 1977 O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições e, com, fundamento no que dispõe o art. 223, ''m", do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 76.186/75: Resolve: I. Os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.172 32 II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no DecretoLei n° 1.109/70, art. 3º, § 3° (RIR, art. 237). Inicialmente, chama a atenção que a citada Portaria foi editada para regulamentar a alínea "m" do art. 223 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 76.186/75. Significa dizer que o Portaria n° 785, de 1977, retirou fundamento de validade de uma norma anterior ao próprio surgimento do MEP que passou a vigorar apenas a partir da Lei n° 6.404, de 1976. Dessa forma, fica patente que a interpretação ministerial explicitada na mencionada Portaria não se referia ao MEP. Para confirmar essa constatação, vejamos o que dispunha a alínea "m" do art. 223 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 76.186/75: Art. 223. Serão excluídos do lucro real para os efeitos de tributação: (...) m) o valor das ações, quotas ou quinhões de capital, recebidos em decorrência dos aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos 197, §§ 6º e 9º, 223, alínea l, 223, § 31, 236, 243, alínea d, 250, 254, § 3º, 283, 297, 577, 578 e 583 (Decretolei n° 1.096/70, art. 1º, §§ 6º e 7º, Lei n° 4.862/65, art. 49, Decretolei n° 1.260/73, art. 4º, Decretolei n° 1.109/70, art. 3º e § 1º, Lei n°4.357/64, art. 3º, § 6º, Decretolei n° 756/69, art. 25, Decretolei n° 1.338/74, art. 15, § 4º, Decretolei n° 1.191/71, art. 9º, § único, Decretolei n° 221/67, art. 80, § 4°, Lei n° 5.508/68, art. 36, Decretolei n° 756/69, art. 24, § 4º, Decretolei n° 1.346/74, arts. 6º, § 3º, e 11, e Decretolei n° 1.370/74, art. 2º, § 3º); Dessa forma, percebese que a norma acima tratava dos quinhões ou frações ideais recebidas pelos associados em decorrência de meros aumentos de capital da bolsa de valores. Assim, não há que se confundir a situação tratada nos referidos atos normativos com o MEP. Não merecem prosperar, igualmente, alegações no sentido de que o Ofício Circular CVM n° 325/1979, e a Circular do Banco Central do Brasil n° 1.273/1987 teriam obrigado as sociedades corretoras de valores a avaliarem seus títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) pelo MEP. Com efeito, inferese da leitura do art. 248 da Lei n° 6.404, de 1976, que o MEP só se aplica aos investimentos em sociedades controladas ou coligadas. Diante disso, não se pode admitir que o Poder Regulamentar conferido à CVM, pela Lei n° 6.404 de 1976, possa servir para autorizar a extensão do MEP para as Bolsas de Valores constituídas sob a forma de associação civil. Isso porque o art. 4º da referida lei evidencia que as normas expedidas pela CVM sujeitam apenas as companhias abertas. Por outro lado, se o Ofício Circular CVM n° 325/1979, e a Circular do Banco Central do Brasil n° 1.273/1987 conferiram tal prerrogativa às corretoras, o fizeram desrespeitando o art. 248 da Lei n° 6.404, de 1976. Isso porque o citado dispositivo legal restringe a aplicação do MEP para avaliação de investimentos em sociedades coligadas ou controladas. Ora, Srs. Conselheiros, é possível conceber que as corretoras eram coligadas ou controladoras das Bolsas de Valores? Se prevalecer o entendimento de que as corretoras poderiam avaliar seus títulos patrimoniais nas Bolsas de Valores pelo MEP, restaria desconfigurada ou simplesmente ignorada a natureza jurídica das próprias Bolsas de Valores. Significa dizer que o MEP serviria para associados avaliarem sua participação no patrimônio da associação o que é totalmente incompatível com a finalidade e a estrutura de uma associação sem fins lucrativos. Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.173 33 Observase que é inevitável constatar a natureza jurídica das sociedades por ações e os institutos decorrentes, dentre os quais o MEP. Não há que se falar em modificação societária (transformação, cisão, fusão ou incorporação) entre entidades cuja finalidade social é completamente diferente, de um lado, associação civil sem fim lucrativo, e de outro, sociedade empresária que visa o lucro. Qualquer caminho diferente da extinção da associação civil e da devolução do patrimônio da entidade mostrase completamente dissociado da legislação empresarial e tributária. Da mesma maneira, tampouco se aplica a atualização do valor dos títulos patrimoniais nos moldes do MEP, instituto próprio das sociedades anônimas. Correto, nesse sentido, o entendimento da autoridade fiscal, ao adotar o custo de aquisição do título como referência para apuração da base de cálculo tributável. Enfim, mostrase imprescindível comentar a respeito da Solução de Consulta Cosit n° 10, de 26/10/2007, formulada pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores, e respondida pela Receita Federal antes de se consumar a desmutualização, no qual esclareceu que a cisão é instituto aplicável apenas às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade, e que as bolsas de valores, na condição de associações, sujeitamse ao regime jurídico estatuído pelos arts. 53 a 61 do Código Civil. Ainda, predicou que as corretoras nunca estiveram autorizadas a avaliar as cotas ou frações ideais dos seus títulos patrimoniais pelo MEP, mas, sim a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidas, que se consumaria, dentre outras situações, a partir da extinção das associações sem fins lucrativos. Verificase, portanto, que as conclusões apresentadas foram solenemente ignoradas pela Contribuinte. Em relação à incidência da CSLL, o § 4º do art. 17 da Lei n° 9.532, de 1997, dispõe expressamente sobre a tributação da contribuição social. Com base nesses argumentos, afastamse as alegações contra o lançamento, na parte relativa ao ganho oriundo do processo de desmutualização da CETIP. Ainda sobre essa infração, a recorrente acusou a existência de erro de cálculo. Entretanto, se erro existiu, não foi no lançamento, nem pode ele ser imputado à Fiscalização. A recorrente afirmou que as ações da CETIP S.A. permaneceram em seu patrimônio, registradas contabilmente por R$ 406.650,00, pois não teria sido acrescentada a esse valor a variação positiva de R$ 39.824,58, verificada entre 31 de maio a 1º de julho de 2008. A diferença, entretanto, teria sido tributada quando da alienação das ações em 2011. O fato aludido pela recorrente está fora do período coberto pela verificação fiscal. A alegada venda das ações se deu em momento posterior, mais precisamente, no ano de 2011. Não se pode exigir da autoridade lançadora que examine fatos ocorridos depois do período compreendido no mandado de procedimento fiscal. O lançamento deve estar em conformidade com as circunstâncias existentes no tempo do fato gerador. Nessa linha de raciocínio se conclui que o lançamento é válido. Se existiu erro, ele ocorreu em 2011, quando a recorrente deixou de computar um custo ao direito alienado. Portanto, a correção se tiver de ser feita, o será pelos meios adequados, perante a autoridade tributária do domicílio fiscal da recorrente, e não neste processo, que não foi afetado pelo suposto erro. Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.174 34 Por fim, não procede a alegação de decadência. Isso porque, para haver decadência, é preciso que se materialize o fato gerador do tributo, associado à possibilidade de efetuar lançamento, pois só a partir desse instante é que se pode cogitar de inércia do Fisco, pressuposto indispensável para que se consume o referido fato extintivo. Os valores correspondentes à atualização de títulos patrimoniais da Bolsa de Valores e de entidades assemelhadas só poderia ser tributado quando da devolução do patrimônio vertido pelo sócio para uma daquelas entidades isentas. No caso em exame, a devolução de patrimônio só ocorreu em 2008. O lançamento é de 2012. Por conseguinte, é forçoso concluir que decadência não houve. Concomitância da multa isolada com a multa vinculada ao tributo Várias vezes examinei essa matéria, votando sempre pelo cabimento das duas multas concomitantemente, por entender que as infrações eram autônomas, cada qual ensejando sanção distinta. Mas, revi esse entendimento. A multa isolada não se destina a apenar casos de omissão de receita, deduções indevidas de despesas, exclusões não autorizadas do ou falta de adição ao lucro líquido. Para essas infrações, aplicase a multa que é cobrada juntamente com o tributo, do qual ela (a multa) é um acessório, pois só tem existência se houver também tributo devido (principal). Por isso alguns denominam essa multa de "vinculada", em oposição à outra que é "isolada". A multa isolada foi instituída para punir os contribuintes que, tendo optado pelo lucro real anual para cálculo do IRPJ e da CSLL, deixavam de recolher as estimativas mensais. É que, findo o ano base, já não era juridicamente possível exigir as estimativas, pois elas tinham natureza de antecipação do tributo a ser apurado no final do período. Se o período já estava encerrado, o Fisco só podia exigir o valor devido e não as antecipações. Vale dizer, as estimativas só poderiam ser exigidas no curso do respectivo período de apuração. A norma que determinava o recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, aos que optassem pelo lucro real anual, na prática, não tinha imperatividade, pois destituída de sanção para o seu descumprimento. Enfim, recolher estimativa reduziuse a mera recomendação, a que o contribuinte atendia se quisesse. É nesse contexto que surge a figura da multa isolada, com o propósito específico de punir o descumprimento da norma que impõe, aos que optaram pelo lucro real anual, o recolhimento mensal por estimativa ou, opcionalmente, o levantamento de balancete de verificação, visando a suspender ou reduzir a estimativa do mês. Essa, em linhas gerais, é a finalidade da multa isolada. Para tais situações foi concebida. Aplicála a casos de omissão de receita ou de glosa de despesas, como ocorre no processo em exame, é uma forma de exacerbar a penalidade sem previsão legal. Ademais, existe entendimento de que a aplicação da multa vinculada afastaria, pelo princípio da consunção, a multa isolada. O E. STJ tem decisões nesse sentido, das quais é exemplo a proferida no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.576.289/RS. Do voto condutor da decisão, da lavra do eminente Ministro Herman Benjamin, se pode extrair o trecho abaixo: Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.175 35 Conforme assentado na decisão agravada, a Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996. Confiramse: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 28/9/2015). PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430 96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.176 36 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 24/3/2015). A natureza de cada uma das multas e o entendimento pela prevalência do princípio da consunção foram suficientemente debatidos no REsp 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins. Transcrevo, por oportuno, os fundamentos declinados por Sua Excelência: Não prospera a pretensão recursal, na medida em que não reconheço a possibilidade de exigência cumulativa de tais multas. A multa do inciso I é aplicável nos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". A multa do inciso II, entretanto, é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n° 11.488, de 2007)". Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativotributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, a cobrança da multa de forma conjunta. Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.177 37 Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. Firmado nesses fundamentos, afastase a exigência das multas isoladas de IRPJ e de CSLL. Juros de mora sobre a multa No que concerne à incidência de juros sobre a multa proporcional aplicada em lançamento de ofício, esta 1ª Turma Ordinária tem posição firmada, se inclinando pela validade dessa incidência. O fundamento legal estaria nos art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do CTN. Nessa linha de interpretação, emprestase um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos", constante do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, de modo a abarcar tanto o tributo, quanto a multa. Nesse mesmo sentido, decidiu esta 1ª Turma Ordinária no Acórdão nº 1301 002.154, cuja ementa, naquilo que diz respeito ao ponto a aqui tratado, tem a seguinte redação: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Portanto, com base nesses fundamentos, ressalvado o meu entendimento pessoal, não acolho a pretensão da recorrente. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Quando os lançamentos de IRPJ e de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.178 38 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe parcial provimento, excluindo as multas isoladas. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Voto Vencedor Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Redator Designado Em que pese a clareza do voto do ilustre relator, divirjo quanto a incidência de CSLL na infração de ágio. A decisão da DRJ entendeu que há previsão legal no sentido de aplicarse à CSLL as mesmas regras de apuração e pagamento do IRPJ, inclusive no que diz respeito à apuração da Base de Cálculo, nos termos do art. 57 da Lei nº 8.981/95, bem como do art. 28 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Lei nº 8.981/95 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas,inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Lei n° 9.430/96 Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1o a 3o, 5o a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) Corroborando este entendimento, o voto condutor entendeu que quando os lançamentos de IRPJ e de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão. Desse modo, aplicariamse as conclusões relativas ao julgamento do IRPJ, em razão da relação de causa e efeito existente entre os fatos que geraram esses lançamentos. No entanto, a Recorrente se insurge alegando que não há previsão legal para adição das despesas com a amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, razão pela qual não deve persistir o lançamento para a CSLL. Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.179 39 Nesse ponto, com a devida vênia, me posiciono diferente ao voto condutor. Vejamos. Não obstante as regras gerais para IRPJ e CSLL serem as mesmas, tais como os períodos de apuração, de pagamento, prestação de informações, cobrança, penalidades, etc, cada qual, contudo, possuem a sua própria base de cálculo e respectiva alíquota. Nesse caso, se a despesa afetou o resultado (lucro líquido), ela pode ser deduzida, a menos que haja vedação legal específica, o que não acontece no presente caso. Em matéria tributária vige o princípio da estrita legalidade e, por conta de seus efeitos é que a obrigação tributária é constituída em numerus clausus, ou seja, as hipóteses de tributação devem vir descritas em Lei em hipóteses fechadas. Não existe em nosso ordenamento pátrio a tributação por analogia e é justamente essa conduta que o princípio da legalidade visa coibir, até porque a falta de previsão legal geraria insegurança jurídica, vez que o contribuinte nunca saberia ao certo quando pagar ou não o tributo. Tendo em vista que a CSLL tem regras que lhes são próprias, não deve aplicar para fins de composição de base de cálculo desta regras que são próprias do IPRJ, sob pena de afrontar o princípio da legalidade. Este Colegiado já se manifestou nesse sentido confirase: “(…) CSLL – LANÇAMENTO DECORRENTE. As regras de dedutibilidade de despesas, dirigidas expressamente à apuração do lucro real, não se aplicam de forma reflexa à Contribuição Social sobre o Lucro. Por isso, na inexistência de dispositivo legal que determine a adição de determinada despesa para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, não há como exigila. (Ac. 1401000.962 10/04/2013). Desse modo, ante a ausência de previsão de adição das despesas com a amortização do ágio na base de cálculo da CSLL, entendo, portanto, que deve ser cancelada a exação fiscal nesse ponto. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigências fiscais no tocante à CSLL. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 16327.720977/201246 Acórdão n.º 1301002.432 S1C3T1 Fl. 2.180 40 Fl. 2180DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721504/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, , por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização analise todos os documentos juntados aos autos, nos termos do voto vencedor da Resolução n. 1202-000.252.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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Resolvem os membros do Colegiado, , por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a fiscalização analise todos os documentos juntados aos autos, nos termos do voto vencedor da Resolução n. 1202000.252. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. RELATÓRIO Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da Resolução nº 1202 000.252, da extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF, completandoo ao final: Trata o processo de lançamentos fiscais formalizados em Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, relativamente ao anocalendário de 2006, em razão da ocorrência de depósitos nas contas bancárias da autuada sem comprovação da origem dos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 21 50 4/ 20 09 -7 4 Fl. 4826DF CARF MF Processo nº 10166.721504/200974 Resolução nº 1201000.260 S1C2T1 Fl. 4.826 2 recursos, conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls. 03 a 57 do eprocesso. Aos tributos exigidos foi aplicada a multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora, com base na taxa Selic. Segundo se depreende dos autos a fiscalizada, após sucessivas intimações e prorrogações de prazo, deixou de entregar cópias dos seus extratos bancários no Banco Bradesco, os quais foram obtidos pela fiscalização mediante emissão da Requisição de Informações sobre a Movimentação FinanceiraRMF, fls.1082. De posse dos extratos bancários, a fiscalização intimou o contribuinte a comprovar, com a respectiva documentação, a origem dos depósitos em sua conta bancária, fls. 66 e seguintes do eprocesso. Regularmente intimada, a interessada entregou a fiscalização uma série de documentos para análise fiscal (contratos de prestação de serviços, contratos de mútuo, recibos, etc.) deixando de comprovar, entretanto, mediante documentação hábil e idônea, parte da origem dos recursos financeiros depositados no Banco Bradesco discriminados nas planilhas das fls. 30 a 54 do eprocesso, o que caracterizou a presunção da omissão de receita, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. No anocalendário de 2006, a empresa autuada apurou o seu lucro com base na sistemática do lucro presumido, de modo que a fiscalização adotou a mesma sistemática para efetuar os lançamentos fiscais. O contribuinte impugnou as exigências apresentando as alegações que foram assim resumidas no relatório do Acórdão nº 0335.886 da DRJ/Brasília, de fls. 3902 a 3922 do eprocesso, o qual adoto e passo a transcrever na parte que mais interessa: “Dos Fatos. Em razão do desenvolvimento de suas atividades, a impugnante recebe centenas de depósitos mensais em sua conta corrente, bem como realiza uma série de transferências bancárias, de modo a promover a acordada gestão de ativos e recebíveis de seus clientes, bem como em razão de realizar cobranças em geral, por conta e ordem de seus clientes. Portanto, decorre do exercício de sua atividade social a existência de um grande número de entradas e saídas de numerário de suas contas correntes. [...] Contudo, a origem dos depósitos que não puderam ser comprovados no momento da Fiscalização é facilmente comprovada através da análise da documentação que demonstra qual a atividade desenvolvida pela impugnante. Ou seja, tais valores são resultado, também, da prestação de serviços de administração e custódia de valores pertencentes a terceiros, serviço este desenvolvido pela impugnante em consonância com seu objeto social, atividade esta cujo exercício não foi, em momento algum, questionado pela Fiscalização, tendo sido, portanto, por ela aceito. Ademais, a Fiscalização não buscou apurar a origem dos montantes ora tributados, esquivandose de seu dever funcional de fiscalizar, o que se alcançaria com a simples análise dos extratos bancários comparados com os contratos de prestação de serviços Fl. 4827DF CARF MF Processo nº 10166.721504/200974 Resolução nº 1201000.260 S1C2T1 Fl. 4.827 3 firmados, os quais, inclusive, foram em sua maioria apresentados pela Impugnante no curso da ação fiscal e que, neste momento, apresentase novamente (Anexo I Contratos). Da Nulidade. Ofensa ao Art. 142 do CTN e ao Princípio da Verdade Material. A Fiscalização não promoveu as verificações necessárias ao bom desenvolvimento de seus trabalhos, na medida em que deixou de considerar não apenas a atividade realizada pela impugnante, bem como deixou de considerar a natureza das transações ocorridas em suas contas correntes. Deveria ter a autoridade fiscal agido em conformidade com o artigo 142 do CTN, contudo, optou pela via mais fácil, a presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, que não pode ser aplicada indistintamente. Foi ofendida a verdade material, na medida em que a Fiscalização desconsiderou as conclusões auferidas da análise da documentação que lhe foi apresentada, quais sejam, de que faz parte da atividade da empresa créditos de valores de clientes em suas contas correntes e que, portanto, esta é a origem dos diversos depósitos efetuados em suas contas. [...] Mérito. Inexistência de Omissão de Receitas por Depósitos Bancários. A Natureza da Atividade do Contribuinte e a Comprovação das Origens dos Créditos em Conta. A origem dos valores creditados nas contas correntes da impugnante vem dos contratos de gestão de ativos celebrados com o GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A, VEJA COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA LTDA, BRASILIENSE FUTEBOL CLUBE S/C LTDA, DATA CONSTRUÇÕES E PROJETOS LTDA, CLEUCY MEIRELES DE OLIVEIRA E LUIZ ESTEVÃO DE OLIVEIRA NETO, e dos contratos de mútuo celebrados com a LCC CONSTRUTORA LTDA, PARK WAY AUTOMÓVEIS LTDA e BOK ADMINISTRAÇÃO, PARTICIPAÇÕES E FOMENTO MERCANTIL S.A. Assim, em razão de tais contratos é que ocorreu o trânsito de valores de terceiros (clientes) na contas correntes questionadas. A Impugnante acosta à presente defesa todos estes contratos, separados em um Anexo especial, para melhor visualização pelos D. Julgadores (Vide Anexo I). Tais instrumentos, juntamente com a documentação trazida nos Anexos II a XIII (cada um relativo a um mês do ano de 2006) comprovam de forma inquestionável a origem dos valores, além da natureza dos créditos objeto do questionamento ora em discussão (contratos e documentação suporte extratos, cheques, boletos de cobrança, etc).[...] Mérito. Da Indevida Presunção de Omissão de Receitas. A Fiscalização fundamenta o presente lançamento, de omissão de receitas, no disposto no art. 528 do RIR/99. Considerando que desde o procedimento de fiscalização a Impugnante comprovou que exerce atividade de gestora de recursos e de prestação de serviços de cobrança por conta e ordem de terceiros, aliado ao fato de que a origem dos depósitos bancários está comprovada documentalmente, concluise que não há materialidade para a aplicação de presunção legal de omissão de receitas. Utiliza a Fiscalização premissas equivocadas para o lançamento em discussão, sendo que a legislação determina que, em caso de dúvida, em face de circunstâncias materiais do fato (admitindose que, no caso, dúvida houvesse), impõese a observância do disposto no artigo 112 do CTN, ou seja, no caso de dúvida, deve se interpretar em favor do réu, inclusive em conseqüência Fl. 4828DF CARF MF Processo nº 10166.721504/200974 Resolução nº 1201000.260 S1C2T1 Fl. 4.828 4 do princípio da estrita legalidade tributária, que não admite dúvida sobre o perfeito enquadramento do conceito do fato ao conceito da norma. [...] Mérito. Do Conceito de Renda/Receita. Ao presumir que os depósitos bancários seriam renda da impugnante, e, ainda, a suposta existência de saldo credor, passível de tributação, o Fisco, além de fazer uso inadequado das presunções, alterou, também, indevidamente, o próprio conceito de renda/receita, previsto no texto constitucional. [...] Mérito. Dos Erros de Fato da Presente Autuação. A autuação padece de vícios de fato, porque a autoridade fiscal, ao se deparar com a grande quantidade de depósitos efetuados na conta corrente da impugnante, lançou valores que não correspondem sequer a depósitos realizados por terceiros, mas apenas a transferências entre contas de titularidade da Impugnante, inclusive resgates de conta poupança para conta corrente, não constituindo, portanto, base de cálculo para os tributos ora exigidos. Como um exemplo, é possível citar o montante de R$ 9.962,21 crédito em 26/05/06 que corresponde a mera transferência entre conta de mesma titularidade, conforme documentação apresentada no Anexo VI. Outro exemplo é o crédito de R$ 5.810,00 em 09/03/06 que se refere a depósito derivado de conta poupança da própria Impugnante e que, por óbvio, não corresponde nem mesmo a um simples ingresso de valores em sua conta corrente, sendo apenas uma operação de rotina da instituição Financeira. Mérito. Da Autuação Reflexa. Os lançamentos decorrentes devem seguir a sorte do principal. Assim, um vez reconhecida a insubsistência da autuação principal, essencial que sejam canceladas as autuações reflexas. Dessa maneira, seguindo a sorte do principal, devem as autuações concernentes à CSLL, ao PIS e a Cofins serem canceladas. Mérito. Da Contribuição ao PIS e da Cofins. Os valores recebidos em razão dos contratos de locação próprios, dos contratos de mútuo e os valores recebidos por conta e ordem de terceiros, decorrente de contratos de gestão e administração imobiliária, não podem servir de base de cálculo das contribuições em epígrafe. A Impugnante sujeitase à apuração por meio das normas constantes na Lei nº 9.718/98, visto ser optante pela apuração pelo lucro presumido, a qual determina que o fato gerador das contribuições é o faturamento. Além da decisão definitiva do STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins (Recursos Extraordinários n° 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084), também o Conselho de Contribuintes já se pronunciou sobre a matéria. Da Multa. A multa, em si mesma, segue a sorte do tributo principal que, uma vez inexigível, acarreta inexigibilidade daquela. Dos Juros – Da Não Aplicação da Taxa SELIC. Resta indevida a aplicação da taxa SELIC, que possui natureza remuneratória e não indenizatória, própria dos juros de mora. Das Provas Apresentadas e da Necessidade De Sua Apreciação Por Força do Princípio da Verdade Material. É imperioso que se analise detalhadamente não apenas a documentação apresentada junto à Fl. 4829DF CARF MF Processo nº 10166.721504/200974 Resolução nº 1201000.260 S1C2T1 Fl. 4.829 5 presente Impugnação, como também todos os documentos que vierem a ser posteriormente apresentados pela Impugnante. [...] Do Pedido. Assim, requer a Impugnante (i) seja dado integral provimento à presente Impugnação, determinandose, seja em face das patentes nulidades que permeiam o presente lançamento, seja em face da comprovação da origem dos depósitos bancários questionados, determinandose o imediato cancelamento do Auto de Infração relativo ao IRPJ e seus reflexos, quais sejam, CSLL, PIS e Cofins; (ii) seguindo a sorte da autuação principal, os valores lançados a título de multa e juros deverão igualmente ser cancelados, não subsistindo fundamento para sua manutenção. Outrossim, ressaltase o pedido para produção de todas as provas em Direito admitidas, especialmente a posterior juntada de documentos, caso seja necessário. Em seguida, apresentou a requerente em 16/11/2009, petição de fls. 3678/3688. Apoiada nos documentos acostados às fls. 3689/3900, discorre sobre o ponto relacionado a seguir. Juntada de Documentação Depois do Prazo Impugnatório. A jurisprudência administrativa há muito aceita a juntada de documentação, mesmo após a apresentação de impugnação, em respeito ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo. Nesse sentido a impugnante apresenta documentos que comprovam as origens de lançamentos que não puderam ser comprovados anteriormente apenas em razão da grande quantidade de créditos questionados e a consequente inviabilidade temporal de obtenção e organização de toda a documentação, para encaminhamento concomitante à apresentação da impugnação. Esclarece que a natureza dos documentos ora apresentados é idêntica àqueles já anexados à sua impugnação, sendo apresentados também planilhas demonstrativas dos créditos cuja origem é comprovada, visando facilitar a análise da documentação. Nos Anexos de 01 a 12, cada qual correspondente a um mês do ano de 2006, apresentase um demonstrativo indicando os valores que se comprova a origem, além das explicações constantes na impugnação complementar às fls. 3679/3688. Uma vez analisada a documentação em comento, não restará dúvidas quanto à insubsistência da inclusão destes valores na base do lançamento impugnado, razão pela qual a impugnante reitera seu pedido de que o mesmo seja prontamente cancelado. É o relatório.” Na seqüência, foi emitido o Acórdão nº 0335.886 da DRJ/Brasília, de fls. 3902 a 3922 do eprocesso, julgando procedente em parte a impugnação, com o seguinte ementário: PETIÇÃO. REQUISIÇÃO PARA APRESENTAR PROVAS A POSTERIORI. TEMPESTIVIDADE. Resta precluso o direito de apresentação de documentação probatória após a impugnação, salvo no caso da ocorrência de uma das hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 de Decreto nº 70.235/1972 PAF. NULIDADE. LANÇAMENTO. PREVISÃO LEGAL. Fl. 4830DF CARF MF Processo nº 10166.721504/200974 Resolução nº 1201000.260 S1C2T1 Fl. 4.830 6 Tendo adotado a Fiscalização, no curso do procedimento fiscal, todas as providências previstas na legislação, visando apurar os fatos, tomando como base o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, comando legal que vincula a atuação da autoridade fiscal, foram efetuados os lançamentos de ofício,atendidos plenamente os requisitos previstos no artigo 142 do CTN, não cabendo discutir qualquer hipótese de nulidade. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. PERÍODO DE APURAÇÃO. O artigo 528 do RIR/99 esclarece que, sendo constatada a omissão de receitas, o montante omitido deverá ser tributado de acordo com o regime a que estiver submetida a contribuinte no anocalendário, para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Presumese ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante apresentação tempestiva de documentação hábil e idônea. APRECIAÇÃO DE LEGALIDADE. Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade de norma tributária prevista em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Por expressa previsão legal, os juros de mora equivalem à Taxa SELIC. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL– o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRITÉRIOS TEMPORAL E QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE APURAÇÃO MENSAL. Fl. 4831DF CARF MF Processo nº 10166.721504/200974 Resolução nº 1201000.260 S1C2T1 Fl. 4.831 7 O lançamento de ofício da Cofins, ao adotar equivocadamente período de apuração trimestral, ao invés do mensal, afronta os critérios temporal e quantitativo previstos no artigo 142 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRITÉRIOS TEMPORAL E QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO.INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE APURAÇÃO MENSAL. O lançamento de ofício do PIS, ao adotar equivocadamente período de apuração trimestral, ao invés do mensal, afronta os critérios temporal e quantitativo previstos no artigo 142 do CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em suma, o Acórdão nº 0335.886 da DRJ/Brasília, ao apreciar a impugnação e os documentos acostados, decidiu por manter parcialmente os lançamentos fiscais do IRPJ e da CSLL e cancelar integralmente as exigências fiscais relativos ao PIS e à Cofins, recorrendo de ofício dessa decisão. Contra a decisão de primeira instância, o contribuinte impetrou recurso voluntário, de fls. 3980 a 4024 do eprocesso, juntamente com os documentos das fls. 4025 a 4659 do eprocesso, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Em sessão de 2 de outubro de 2012, esta Turma de Julgamento emitiu a Resolução nº 1202000136, sobrestando o julgamento do recurso, com fundamento no disposto no art. 62A, § 1º do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 e Repercussão Geral no RE n° 601314, que trata de matéria referente a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Na seqüência, foi publicada a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, a qual revogou os §§s 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Por essa razão, os autos retornaram a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. A Resolução ao norte mencionada determinou o retorno dos autos à unidade de jurisdição do domicílio fiscal da contribuinte para que a autoridade administrativa competente faça valer o pedido de diligência requerido pelo Colegiado, incluindo aí a análise pela fiscalização de todos os documentos juntados aos autos após o prazo de impugnação. A Divisão de Fiscalização da DRF/Brasília/DF, por meio do Despacho de fls. 4.808/4.809, devolveu os autos a este Colegiado com o seguinte teor, verbis: Em relação à diligência encaminhada pelo Carf a esta DRF, constante da Resolução 1202000.252, da 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, entendemos que, por se tratar de matéria de julgamento, não cabe à fiscalização apreciar as alegações das partes, conforme solicitado nos Fl. 4832DF CARF MF Processo nº 10166.721504/200974 Resolução nº 1201000.260 S1C2T1 Fl. 4.832 8 itens de A) a F) da referida resolução, tendo em vista que não se pode decidir questão de direito em procedimento de diligência. Adicionalmente, em virtude de a aplicabilidade do princípio da verdade material não estar definitivamente julgada neste processo (inexistente Acórdão decidindo esta questão de direito, bem como ainda possível o tema ser analisado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais), e, portanto, a autoridade tributária não estar vinculada a aplicação deste princípio, os documentos apresentados em desacordo com os prazos processuais não devem ser considerados, tendo em vista o entendimento da RFB de que não é possível a flexibilização da preclusão contida no Decreto nº 70.235/72, art 16, §4, no presente caso (entendimento este que não pode ser suplantado por Resolução, que se trata de decisão interlocutória sem efeito vinculante nos termos do Regimento Interno do CARF). Por fim, consideramos que, caso o CARF julgue quanto à documentação apresentada após a impugnação, sem que a mesma seja integralmente analisada e julgada pela Delegacia de Julgamento, estaria ocorrendo supressão de instância administrativa. Diante do exposto, proponho o retorno deste processo ao Carf para o prosseguimento processual. Os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. VOTO Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomase conhecimento. A matéria aqui discutida trata de tributação de omissão de receitas apurada com base na presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, falta de comprovação da origem dos depósitos bancários efetuados em contacorrente de titularidade da pessoa jurídica autuada ou a ela imputada pela fiscalização. Os autos foram encaminhados para diligência, conforme Resolução nº 1202 000.252 deste Colegiado, para que a autoridade fiscal analise todas as provas apresentadas pela recorrente após o prazo de impugnação. A Divisão de Fiscalização da DRF/Brasília/DF devolveu os autos para o CARF sem analisar as provas apresentadas pela contribuinte, sustentando, em seu despacho, ao norte transcrito, que : a) não se pode decidir questão de direito em procedimento de diligência; b) a autoridade tributária não está vinculada a aplicação do princípio da verdade material; Fl. 4833DF CARF MF Processo nº 10166.721504/200974 Resolução nº 1201000.260 S1C2T1 Fl. 4.833 9 c) os documentos apresentados em desacordo com os prazos processuais não devem ser considerados, tendo em vista o entendimento da RFB de que não é possível a flexibilização da preclusão contida no Decreto nº 70.235/72, art 16, §4; d) caso o CARF julgue quanto à documentação apresentada após a impugnação, sem que a mesma seja integralmente analisada e julgada pela Delegacia de Julgamento, estaria ocorrendo supressão de instância administrativa. Inicialmente, trago a colação o trecho do voto condutor da decisão de 1ª instância que entende que ocorreu a preclusão processual para a juntada de novas provas: Contudo, fazse pertinente analisar o pedido apresentado por meio da petição de fls. 3678/3688, cujo recebimento deuse em 16/11/2009. Requer a peticionária que sejam apreciados os documentos acostados às fls. 3689/3900, em respeito ao princípio da verdade material e citando jurisprudência administrativa que corrobora entendimento de que seria cabível a juntada de documentos e pareceres em toda a fase instrutória do processo administrativo. Alega que não teria apresentado todos os documentos em razão da grande quantidade de depósitos bancários questionados, que tornou impossível a obtenção e organização de toda a documentação probatória no prazo previsto para a apresentação da impugnação. Tratase de questão processual, razão pela qual vale recorrer, inicialmente, ao artigo 69 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, inclusive tendo sido citado pela jurisprudência apresentada na petição: Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger se por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Nesse contexto, o processo administrativo fiscal, previsto no Decreto nº 70.235/1972, prevê, em seu artigo 16, o seguinte: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 4834DF CARF MF Processo nº 10166.721504/200974 Resolução nº 1201000.260 S1C2T1 Fl. 4.834 10 Observese que o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece que as provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da impugnação. Caso as provas não sejam apresentadas nessa ocasião, essa faculdade processual fica preclusa. As únicas exceções admitidas ocorrem nos casos em que o contribuinte demonstra, irrefutavelmente, a impossibilidade de apresentação das provas por ocasião da impugnação, por motivo de força maior, ou por se referir a fato ou a direito superveniente, ou ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Vale ressaltar que a juntada de prova documental, no curso da tramitação do processo, em tempos remotos foi prevista, por ocasião da redação dada pela art. 1º da Lei nº 8.748/1993 ao artigo 17 do PAF: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, admitindose a juntada de prova documental durante a tramitação do processo, até a fase de interposição de recurso voluntário. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Contudo, a previsão para a juntada de prova documentação durante a tramitação do processo foi revogada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997, ao conferir nova redação ao artigo 17 do PAF, atualmente em vigor, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Não por acaso cuidou também o artigo 67 da Lei nº 9.532/1997, ao incluir os §§ 4º e 5º ao art. 16 do PAF, de estabelecer expressamente que a prova documentação deve ser apresentada na impugnação, excetuandose situações numerus clausus previstas. Ou seja, a análise histórica da norma em questão ratifica o entendimento de que a juntada de provas a posteriori, após a impugnação, sem a ocorrência de nenhuma das hipóteses do § 4º do art. 16 do PAF, não encontra nenhum respaldo legal. No caso em tela, a petição apresentada pelo sujeito passivo não comprovou nenhum dos motivos que impediriam a apresentação de outras provas, quando da apresentação da peça impugnatória do lançamento fiscal. Assim, em relação a novas juntadas de provas na primeira instância de julgamento, entendo que já ocorreu a preclusão processual. Portanto, a decisão de piso analisou a petição do sujeito passivo de fls. 3.678/3.688 quanto a apresentação de provas após a impugnação e entendeu que elas não deveriam ser consideradas por estarem preclusas. Assim, resta claro que não houve a alegada supressão de instância administrativa reclamada pela DRF de origem, quando o CARF entendeu de modo diverso e baixou o processo em diligência. Fl. 4835DF CARF MF Processo nº 10166.721504/200974 Resolução nº 1201000.260 S1C2T1 Fl. 4.835 11 Quanto à apresentação de prova extemporânea, trago a colação trecho do voto condutor da Resolução nº 1302000.467, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, sessão de 14 de fevereiro de 2017, verbis: Pois bem. Quanto à apresentação de prova extemporânea, e por bem sintetizar as perspectivas, respectivamente, passada (2010) e atual (2016) deste Conselho, cito estudo realizado por Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini1, e reiterado por Maria Rita Ferragut2, donde revelam, nas palavras desta última, que: (...) encontramos três grandes correntes: (i) a que não aceita a apresentação de provas após a impugnação; (ii) a que aceita, desde que apresentadas até o julgamento em primeira instância (se as informações forem complementares); e, (iii) a que aceita a apresentação de documentos em qualquer fase do julgamento administrativo, inclusive em segunda instância. Com o intuito de representar o mais fielmente os pensamentos de Lopes e Bianchini, quanto à terceira corrente, registro que falam em apresentação de provas até a fase recursal. Diverso do apontado por Ferragut, que a retrata até a segunda instância. Ponto que não será enfrentado nestes autos. Dito isto, após registrar cada uma das três correntes, Ferragut conclui por entender de modo semelhante ao segundo posicionamento, ou seja, que as provas apresentadas depois da impugnação podem ser aceitas – com ressalvas. Já as primeiras autoras, Lópes e Bianchini, defendem a produção probatória em um modelo mais flexível de análise temporal. E para explicar tal elasticidade, irretocável são suas palavras, segue: Parecenos, portanto, que a tendência das decisões da Câmara de Recursos Fiscais está na aplicação de critérios de pertinência e utilidade na aceitação da documentação apresentada (...). Acertadas estão as decisões que, a depender da documentação juntada pelo contribuinte, se posicionem alternativamente, ora no sentido de aplicarem a literalidade da restrição do artigo 16 do PAF, ora no sentido de caracterizarem a inocorrência da preclusão, adequando a situação como excepcionais e em conformidade com as exceções elencadas no dispositivo legal e, para tanto, deve existir uma prévia análise dos documentos juntados, mesmo que para se recusar a documentação, em respeito a livre convicção do julgador na apreciação das provas, conforme determina o artigo 29 do Decreto n. 70/235/72. (Sem grifo no original) Neste momento, tocam em ponto peculiar desta análise, referemse ao conhecimento/cabimento de tais provas. Em outras linhas, seria a ‘abertura do envelope’, para somente após, ser possível tomar conhecimento do que dentro consta. Com isto, temse que para as duas últimas correntes, nas palavras das duas juristas, “ainda que o contribuinte faça a juntada de documentos após o prazo legal, parece inconteste que deve existir uma prévia análise destes, mesmo que para se recusar a documentação, já que determinados documentos comprobatórios podem ser aceitos a qualquer momento por se referirem a fatos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador” (sem grifo no original). Não Fl. 4836DF CARF MF Processo nº 10166.721504/200974 Resolução nº 1201000.260 S1C2T1 Fl. 4.836 12 parece logicamente possível realizar a desconstrução deste raciocínio, para ambas as correntes. Raciocínio contrário implicará no entendimento de ser possível aferir os documentos, sem deles se conhecer, ou, em outras palavras, conhecer o teor da carta, sem abrir o envelope. Uma consequência, nada irrelevante, diz respeito à – possibilidade de influência da prova, na formação de uma posição, independente do conhecimento de tal dado pelo corpo de julgadores. Não há como se negar tal fato. Claro que esta abordagem comporta restrições, em razão do teor do anexo juntado, o que não parece ser o caso dos autos, seja pela procedência ou improcedência deste crédito tributário. Ainda quanto à formação da convicção do julgador, temse que a lei prescreve (art. 29) a possibilidade de este solicitar a realização de diligências. Pois bem. Aqui falase em oportunidade de o julgador solicitar diligências com o fito de sanar eventuais dúvidas, sempre com fins a proceder a uma decisão segura; e noutro giro tem se a preclusão temporal (art. 16), que pode ser compreendida como uma norma de comportamento, que, voltada à regulação da conduta da contribuinte, estabelece prazos rígidos à apresentação de provas. Seria possível entender aqui, que há uma “preclusão” para a contribuinte, e outra para a “autoridade julgadora”? Não parece um absurdo pensar assim, já que tal premissa, neste caso, toma como referência partes do processo. No entanto, não seria mais compatível com o ordenamento jurídico entender que o enfoque não deve, necessariamente, estar nas partes, mas sim no objeto que se pretende conhecer? Por hora, parece o caminho mais viável. Retornando à necessidade de comunicação entre os artigos 16 e 29, temse que sua ausência poderia levar à situação em que a contribuinte apresenta uma prova que o julgador entende necessária à sua convicção, porém, ele não poderia fazêlo, já que fora do prazo legal, e esta é rejeitada; em contrapartida, tal prova poderia ser requerida pelo julgador, por este entendêla indispensável. Tal ocorrência é perfeitamente possível, o que poderia, inclusive, ser o caso dos autos. Assim sendo, adoto a forma de sistematização dos dispositivos legais defendida por Lópes e Bianchini, ou seja, que a análise da pertinência probatória deve ser realizada caso a caso. Outra especificidade há de ser esclarecida, o documento em questão é um parecer técnico contábil, ou seja, “apesar de ainda ser entendimento majoritário no julgamento em segunda instância a aplicação do prazo de preclusão para a apresentação de provas, verificase a tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, como exemplo a apresentação de laudo ou de parecer jurídico, considerando que estes não podem ser tidos como ‘prova’ no conceito estabelecido pelo parágrafo 4o do artigo 16 do PAF, por ser complemento da impugnação ou dos argumentos apresentados nesta”. No caso em tela, não há como negar a possível influência exercida pela juntada da documentação que comprovaria a origem dos depósitos, afastando a presunção de omissão Fl. 4837DF CARF MF Processo nº 10166.721504/200974 Resolução nº 1201000.260 S1C2T1 Fl. 4.837 13 de receita, apresentada após a impugnação, seja para confirmar, ou infirmar a imputação debatida. Nestes termos, se tal documento é hábil a permitir a formação da convicção, sabendo se possível a extensão dessa discussão via Poder Judiciário, não parece – juridicamente – coerente não conhecer e acolhêlas. Assim, entendo plenamente possível a apresentação de documentos, como no caso em tela, antes do julgamento em segunda instância, de acordo com o solicitado pela contribuinte. Nessas condições, VOTO para que os autos retornem à unidade de origem, haja vista que a diligência requerida na Resolução nº 1202000.252, às fls. 4.776/4.787, não foi realizada pelo Fisco. Nesse sentido, deve a fiscalização analisar todos os documentos juntados aos autos após o prazo de impugnação emitindo parecer conclusivo com planilha indicativa dos correspondentes valores que, porventura, devam ser excluídos da tributação com as suas respectivas justificativas. Após, cientificar o contribuinte do parecer supra para que este possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim o desejar, com o posterior retorno a este colegiado para julgamento do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 4838DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901134/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.662
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 11 34 /2 00 9- 31 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13558.901134/200931 Acórdão n.º 3201002.662 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.444. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13558.901134/200931 Acórdão n.º 3201002.662 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13558.901134/200931 Acórdão n.º 3201002.662 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.724932/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/08/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. JULGAMENTO EXTRA PETITA.EMENTA.PRELIMINAR DE NULIDADE NÃO SUSCITADA.
Caracteriza-se como extra petita a decisão que julga pedido não formulado no recurso.
Comprovado o julgamento de preliminar de nulidade não suscitada no recurso, deve ser reformado o acórdão embargado para adequar a ementa do julgado.
Numero da decisão: 3302-004.282
Decisão: Embargos Acolhidos em Parte
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/08/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. JULGAMENTO EXTRA PETITA.EMENTA.PRELIMINAR DE NULIDADE NÃO SUSCITADA. Caracteriza-se como extra petita a decisão que julga pedido não formulado no recurso. Comprovado o julgamento de preliminar de nulidade não suscitada no recurso, deve ser reformado o acórdão embargado para adequar a ementa do julgado.
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decisao_txt : Embargos Acolhidos em Parte Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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COMEX Embargante KUEHNE+NAGEL SERVICOS LOGISTICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/08/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. JULGAMENTO EXTRA PETITA.EMENTA.PRELIMINAR DE NULIDADE NÃO SUSCITADA. Caracterizase como extra petita a decisão que julga pedido não formulado no recurso. Comprovado o julgamento de preliminar de nulidade não suscitada no recurso, deve ser reformado o acórdão embargado para adequar a ementa do julgado. Embargos Acolhidos em Parte Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 49 32 /2 01 1- 40 Fl. 229DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela Recorrente com o objetivo de sanar supostas omissões no Acórdão nº 3803006.943, de 18 de março de 2015, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto perante este E. Conselho, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/08/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO.SUSPOSTA AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO CLARA DOS FATOS E DE ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. (sic). O auto de infração atende suficientemente aos requisitos previstos nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/1972. Inferese ampla descrição dos fatos apontados pela fiscalização, bem como a minuciosa indicação dos dispositivos legais e normativos inerentes ao caso, inclusive, com específica menção do fundamento legal para a aplicação da multa ante o descumprimento de obrigação acessória. Cerceamento de defesa inexistente. COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica Art.64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10711.724932/201140 Acórdão n.º 3302004.282 S3C3T2 Fl. 132 3 Cientificada do referido acórdão, tempestivamente, apresentou embargos de declaração, em que alegou vícios de omissão em relação às seguintes matérias trazidas em sede recursal: 1) contradição e obscuridade em relação ao início do despacho aduaneiro; 2) omissão e obscuridade quanto à aplicabilidade do §3º do art. 612 do Regulamento Aduaneiro; e 3) erro de fato quanto à suposta alegação de nulidade formal. O Despacho de Admissibilidade reconheceu parcialmente os embargos de declaração opostos, apenas em relação ao julgamento extra petita referente à nulidade formal do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado erro de fato. Do alegado erro de fato Assiste razão à recorrente, visto que se observa que o acórdão embargado tratou, na ementa, de uma preliminar de nulidade formal do auto de infração, não suscitada no recurso voluntário, portanto não submetida ao colegiado. Observese que por força do artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, principal norma que trata do Processo Administrativo Fiscal – PAF, no âmbito federal, a impugnação tempestiva instaura o litígio na via administrativa, ensejando por consequência a tramitação do processo na via contenciosa administrativa, cuja decisão pelos órgãos que integram o contencioso observará as regras do artigo 31 do referido ato legal: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)(grifei). Notese que as matérias postas em litígio estão emolduradas pela impugnação apresentada, ex vi do art. 17 Decreto nº 70.235, de 1972, portanto à exceção das questões de Fl. 231DF CARF MF 4 ordem pública, os órgãos colegiados que integram a estrutura do contencioso decidem as matérias submetidas a julgamento. No caso em apreço, restou constatado que houve o julgamento de matéria não submetida ao colegiado, visto que não suscitada pelo recorrente em sua peça recursal, houve portanto o julgamento extra petita, que na dicção da doutrina especializada, consiste na decisão proferida fora dos pedidos ou autor. Pontua 1Daniel Amorim que segundo o artigo 460 do CPC, o juiz não pode conceder diferente ou a mais do que for pedido pelo autor. Tratase do princípio da congruência, também conhecido como princípio da correlação ou adstrição. Na mesma linha de raciocínio decidiu a CSRF, no acórdão nº 9303003.394, de 25/01/2016, a seguir ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 JULGAMENTO EXTRA PETITA. VEDAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONCEITO. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DA PROVA. Incabível o julgamento extra petita segundo a legislação que rege os processos administrativos fiscais, uma vez que cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, considerandose como não impugnada a parte do lançamento não expressamente contestada. Destacase a seguir os seguintes excertos do voto: A decisão administrativa que decide fora dos limites do pedido formulado pelo contribuinte não satisfaz o disposto nos art. 128 e 460 do Código de Processo Civil, Lei nº 5.869/73, que se aplicam subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, nos termos abaixo transcritos: Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Nesse sentido, a ementa do acórdão embargado, passa a ter a seguinte redação, com a exclusão da preliminar de nulidade não suscitada no recurso voluntário: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS 1 Neves, Daniel Amorim Assumpção, Manual de Direito Processual Civil, 3ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, pág.516. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10711.724932/201140 Acórdão n.º 3302004.282 S3C3T2 Fl. 133 5 Data do fato gerador: 10/08/2008 COMÉRCIO INTERNACIONAL MARÍTIMO. REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil tanto pelo transportador quanto pelo agente de cargas em decorrência do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003. Advento do Controle Aduaneiro Informatizado, que moderniza os procedimentos fiscalizatórios, mediante lei específica Art.64 da Lei 10.833/2003. Norma cogente. Definição das formas de prestar as informações disciplinadas pela IN RFB 800 de 27 de dezembro de 2007, com efeitos a partir de 31 de março de 2008 (art. 52). Prazos para a prestação de informações, na forma do artigo 22 da IN RFB 800/2007 somente entrariam em vigor em 1º de janeiro de 2009, na forma do caput do art. 50 IN RFB 800/2007, posteriormente alterado pela IN RFB 899/2009, que prorrogou os prazos para 1º de abril de 2009. Expressa previsão de regra provisória, na forma do § único do art. 50 da IN RFB 800/2007), a ser observado durante o tempo de vacância do art. 22 da mesma Instrução Normativa. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do art. 37 c/c o art. 107, ambos do Decreto lei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Assim, por todo o exposto, voto pelo acolhimento parcial dos embargos de declaração opostos pelo embargante, para rerratificar o acórdão embargado, excluindo da ementa a preliminar de nulidade formal do auto de infração, como acima destacado. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 233DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.004490/99-03
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE DE APRECIAÇÃO EM 01/10/2002. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL PARA CONTAGEM DO PRAZO LEGAL.
Conforme o §4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pela Lei nº 10.637/2002, os Pedidos de Compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertem-se em Declaração de Compensação para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do §5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contados da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considera-se tacitamente homologada a compensação efetuada. De acordo com as próprias Instruções Normativas da Receita Federal, IN SRF nº 460/2004, IN SRF nº 600/2005, IN RFB nº 900/2008 e IN RFB nº 1300/2012, a data de início da contagem do prazo de homologação tácita, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido.
Numero da decisão: 9101-002.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro André Mendes de Moura, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE DE APRECIAÇÃO EM 01/10/2002. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL PARA CONTAGEM DO PRAZO LEGAL. Conforme o §4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pela Lei nº 10.637/2002, os Pedidos de Compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertemse em Declaração de Compensação para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do §5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contados da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considera se tacitamente homologada a compensação efetuada. De acordo com as próprias Instruções Normativas da Receita Federal, IN SRF nº 460/2004, IN SRF nº 600/2005, IN RFB nº 900/2008 e IN RFB nº 1300/2012, a data de início da contagem do prazo de homologação tácita, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro André Mendes de Moura, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 44 90 /9 9- 03 Fl. 2290DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 3 2 Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente ao reconhecimento de homologação tácita para Pedido de Compensação que foi convertido em Declaração de Compensação, por força do §4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1101000.964, de 08/10/2013, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de, entre outras questões, por unanimidade de votos, reconhecer a homologação tácita de um dos pedidos de compensação constantes destes autos, que foi apresentado pela contribuinte em 08/11/2000, com despacho denegatório a ela cientificado em 18/07/2006. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. Admitese na formação do saldo negativo as antecipações liquidadas mediante compensação entre tributos de mesma espécie, mormente se elas estão informadas em DIPJ e o direito creditório utilizado foi reconhecido ao sujeito passivo em outro processo administrativo em montante suficiente para sustentar as utilizações alegadas. RETENÇÕES. Integram o saldo negativo as retenções de imposto devidamente comprovadas pelo sujeito passivo, e correspondentes a rendimentos computados no lucro tributável do período. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DAS ANTECIPAÇÕES. A correção monetária do imposto retido na fonte e das estimativas efetivamente pagas ao longo dos meses de 1996, segundo a variação da UFIR e consoante a mecânica estatuída na Lei nº 8.981/95, art. 37, § 4º, reafirmada na Instrução Normativa SRF nº 11/96, pode ser incluída Fl. 2291DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 4 3 como item de dedução do imposto apurado no encerramento do ano calendário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADO HÁ MAIS DE CINCO ANOS DA DATA DE CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. HOMOLOGAÇÃO. Inexistindo ressalvas ao pedido de compensação apresentado pela interessada em manifestação de inconformidade, a data de protocolo nele expressa demarca o prazo para sua não homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às antecipações computadas no saldo negativo; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às retenções sobre serviços prestados; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao imposto retido em razão de comissões e corretagens; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente às retenções incidentes sobre rendimentos de aplicações financeiras e renda variável; e 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à homologação tácita do pedido de compensação de fl. 930, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A PGFN afirma que a decisão do CARF deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: o acórdão recorrido considerou que o prazo para homologação da compensação é de 5 (cinco) anos contados da data do protocolo do pedido, independentemente de este ter sido realizado antes ou após a MP N.° 135, de 30/10/2003, embasando tal entendimento em interpretação do art. 74, § 5º, da Lei n.° 9.430/96; ocorre que a Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuinte, analisando o mesmo dispositivo legal, fixou exegese diversa da esposada pela e. câmara a quo, sob o fundamento de que o prazo de 5 anos para homologação, disposto no art. 74, §5º, da Lei n° 9.430/96, com a redação conferida pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apenas se aplica a partir de 30/10/2003: Acórdão n.° 20311.648 [...] COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 5 4 compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. [...] apresentase, portanto, clara divergência entre a e. câmara a quo e a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes relativamente ao âmbito de aplicação do art. 74, §5º, da Lei n.° 9.430/96, visto que, com base em situação tática similar em ambos os feitos pedido de compensação efetuado anteriormente a 30 de outubro de 2003 , há interpretações jurídicas díspares; se, por um lado, o acórdão ora recorrido, com fulcro no art. 74, § 5° da Lei n.° 9.430/96, considera ter havido homologação tácita da compensação, pelo decurso de mais de cinco anos entre o pedido e a ciência do despacho decisório, o acórdão apontado como paradigma, de outra banda, considera que o lapso de cinco anos, por incidência do mesmo dispositivo legal acima citado, só pode ser contado a partir de 30 de outubro de 2003, data da alteração legislativa, visto que, antes de tal marco, não havia para a administração tributária qualquer prazo limite para a homologação; antes da Medida Provisória n.° 135/2003, não havia que se cogitar de qualquer prazo para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação; quando do pedido de compensação formulado nos presentes autos, em 08/11/2000, não estava a administração, por lei, obrigada a cumprir qualquer lapso findo o qual estaria caracterizada a homologação do referido pleito. De fato, como visto, a obrigação de cumprimento de prazo somente surgiu com a edição da Medida Provisória n.° 135/2003, de 30 de outubro de 2003. Entendimento diverso do aqui esposado conduziria à situação esdrúxula de ser a administração tributária literal e sumariamente surpreendida com a repentina fluência de um prazo que, quando do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, sequer existia; a correta exegese exige que o prazo para homologação (5 anos) apliquese tão somente aos pleitos formulados após o marco de 30 de outubro de 2003, data da edição da Medida Provisória n.° 135/2003, posteriormente convertida na Lei n.° 10.833/2003, visto que, antes disso, não havia qualquer limitação temporal para a respectiva apreciação pela administração fiscal; outrossim, ainda que se pretendesse aplicar o referido prazo de 5 anos para homologação aos pleitos anteriores, pendentes de apreciação à época da edição da MP N.° 135, de 30 de outubro de 2003, então, que fosse o referido lapso, em tais hipóteses, contado a partir do mencionado marco, sendo qualquer outra exegese contrária ao princípio da irretroatividade da lei tributária e ofensiva ã legislação de regência; oportuno registrar, a esse respeito, que Cândido Rangel Dinamarco, ao tratar da Teoria do Isolamento dos atos processuais, correlacionada ao princípio da retroatividade das leis ("tempus regit actum"), ambos consagrados em nosso ordenamento jurídico, nega aplicação imediata da lei processual nova quando esta retirar a proteção antes outorgada a determinada pretensão, excluindo ou comprometendo radicalmente a possibilidade do exame desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 6 5 prometida. O referido autor, ademais, rejeita a aplicação imediata da lei processual quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas antes inexistentes; no caso vertente, não se verifica qualquer das hipóteses elencadas no art. 106 do CTN, não sendo autorizada a retroatividade da lei para alcançar fatos pretéritos; são elucidativas as ponderações encartadas no voto condutor do acórdão paradigma (transcrição contida no recurso); o instituto da compensação tem, no Direito Tributário, tratamento diverso do que lhe é dado pelo Direito Privado, mais especificamente o Direito Civil, mormente em face do princípio da legalidade, conforme esclarecer o Parecer PGFN/CDA/CAT Nº 1499/2005 (transcrito no recurso); tendo em vista o princípio da legalidade e a regra de que o fato regulase juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência (irretroatividade das leis), conclui se ser imperiosa a reforma do julgado pelos seguintes motivos: a) a Declaração de Compensação foi protocolada em 08/11/2000, anteriormente, portanto, à alteração legislativa inaugurada pela MP N.º 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n.º 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que alterou a redação do art. 74, § 5º, da Lei n.º 9.430/1996, introduzindo, somente a partir de então, o prazo de cinco anos para homologação da compensação; b) considerando o disposto no item “a”, não há que se cogitar, no presente caso, de homologação tácita, ainda que decorridos mais de cinco anos entre a data de protocolização da declaração e a ciência do respectivo despacho decisório, pelo fato de que, à época do pleito, marco definidor da legislação aplicável, não estava a administração tributária obrigada ao cumprimento de qualquer prazo para referida apreciação; c) por fim, a pessoa jurídica contribuinte não preencheu, objetivamente, os requisitos normativos constantes dos arts. 170, do Código Tributário Nacional e 74 da Lei n.º 9.430/1996, necessários à homologação da compensação; em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente Recurso Especial para que seja reformada, nesse ponto, a decisão recorrida. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 27/01/2016, deu seguimento ao recurso especial com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] A compulsação de documentos presentes no acórdão recorrido mostra que o pedido de compensação foi protocolizado junto à repartição de origem na data de 08/11/2000, conforme reprodução abaixo (fls. 930 dos autos – numeração manuscrita): [...] Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 7 6 Em outra ponta, o acórdão paradigma cuida de pedidos de compensação relativos aos períodos de 1989 a 1995, com protocolos em 19/11/1999, 10/12/1999, 10/01/2000, 12/02/2000, 10/07/2000 e 25/08/2000. Neste trilho, em um ou outro caso, estando pendentes da devida apreciação pela autoridade administrativa, os pedidos de compensação existentes quando da entrada em vigor da nova redação do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, ou seja, 1º/10/2002, foram convertidos em “declaração de compensação”, verbis: [...] Assim, os quadros estampados são semelhantes, cuidando de pedidos de compensação formulados antes da vigência das novas normas legais trazidas pelos parágrafos acrescidos ao artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, com decisões diferentes, o recorrido entendendo que o prazo para a homologação tácita fluiria desde o protocolo realizado, tendo em conta que “os débitos indicados à fl. 930 somente foram cadastrados em 20/09/2006 porque, embora recepcionado o correspondente pedido de compensação em 08/11/2000, não foi providenciada anteriormente a sua vinculação a estes autos”, e o paradigma pontuando que “até a edição desse ato legal, portanto, não havia prazo limite para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação então entregues pelos contribuintes, de maneira que toda DCOMP entregue anteriormente a 30/10/2003 e cuja análise ou apreciação pela autoridade administrativa tenha se dado em período superior a cinco anos, contado a partir da data de sua protocolização, não pode ser considerada, tenha sido homologada tacitamente, a teor do parágrafo § 5° acima reproduzido”. Pela leitura dos autos e dos votos condutores restou inquestionável, diante de cenários semelhantes, que os Acórdãos antepostos chegaram a conclusões divergentes. Pois bem, como o escopo do Recurso Especial é a uniformização da jurisprudência administrativa, e estando constatada a divergência suscitada, entendo cumpridos os preceitos estampados no artigo 67, do Anexo II, do vigente RICARF. Assim, satisfeitos os requisitos de sua admissibilidade em relação à mencionada matéria, proponho seja DADO SEGUIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Em 25/02/2016, a contribuinte foi considerada cientificada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 11/03/2016, ela apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA ACÓRDÃO INDICADO COMO PARADIGMA TRATA DE QUESTÃO NÃO TRATADA NO ACÓRDÃO RECORRIDO E QUE SEQUER PODERIA SER CONHECIDA PELO E. CARF o recurso especial interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional nestes autos tem como objetivo apenas a reforma do capítulo do v. acórdão recorrido que Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 8 7 reconheceu a homologação tácita do pedido de compensação de fl. 930 dos autos, apresentado em 08/11/2000, mais de 5 (cinco) anos antes da data de ciência do despacho decisório em 18/07/2006; isto com base na suposta divergência entre o referido capítulo do v. acórdão recorrido e o acórdão paradigma n° 20311.648, segundo o qual o termo inicial do prazo de homologação tácita para pedidos de compensação seria 30.10.2003, data da edição da Medida Provisória 135/2003 que incluiu, entre outros, o §5° no art. 74 da Lei 9.430/96; importante esclarecer que foi a D. DRJ (e não a C. Turma a quo) que decidiu que o termo inicial do prazo para homologação tácita de pedidos de compensação é a data de apresentação do respectivo pedido, e não a data em que a Medida Provisória 135/2003 foi editada; com base nisso a D. DRJ decidiu que deveriam ser homologados tacitamente todos os pedidos de compensação apresentados pelo Recorrido antes de julho de 2001 isto é, mais de 5 (cinco) antes da data de ciência do despacho decisório em 18/07/2006; diante disso, a D. DRJ declarou a homologação tácita das compensações de fls. 803 (apresentado em 16/08/2000), 805 (em 23/05/2000), 927 (em 31/07/2000), 929 (em 18/09/2000), 931 (em 30/03/2001), 932 (em 05/04/2001), 933 (em 05/04/2001) e 934 (em 04/07/2001); por erro de fato, a D. DRJ deixou de declarar também tacitamente homologado o pedido de compensação de fl. 930 (apresentado em 08/11/2000); para o pedido de compensação de fls. 930, a D. DRJ levou em consideração a data em que o pedido foi vinculado ao presente processo administrativo no sistema PROFISC, isto é, 20/09/2006; tratase de mero erro de fato porque, de acordo com as razões de decidir da D. DRJ, também este pedido de compensação de fl. 930 deveria ter sido declarado homologado; foi justamente esta a questão decidida pelo v. acórdão recorrido, conforme o voto da relatora; a questão devolvida ao conhecimento da C. Turma recorrida envolve exclusivamente matéria de fato decidir qual a data do protocolo do pedido de compensação de fls. 930, se a data do carimbo nele aposto ou a data em que ele foi cadastrado no PROFISC; a C. Turma recorrida não tratou da questão de direito subjacente, qual seja, se o termo inicial do prazo para homologação tácita de pedidos de compensação corresponde à data de protocolo do pedido ou se este termo inicial ocorre em outra data (e.g. a data da edição da MP 135/2003, como decidido no acórdão utilizado como paradigma); quem decidiu esta questão de direito subjacente foi a D. DRJ e isto é de suma importância em um processo que trata de pedido de restituição e pedidos/declarações de compensação, regidos pelo art. 74 da Lei 9.430/96; Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 9 8 em razão do que determina o §10 do art. 74 da Lei 9.430/96, somente cabe recurso ao E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de decisão que julga improcedente a manifestação de inconformidade; nos termos do referido §10, não há hipótese que permita a devolução e o conhecimento pelo E. CARF de questão veiculada em manifestação de inconformidade acolhida pela D. DRJ (no caso dos autos, o termo inicial do prazo para homologação tácita dos pedidos de compensação); este óbice legal ao conhecimento da matéria discutida no recurso especial da Fazenda Nacional não foi, com a devida vênia, abordado no r. despacho S/N de 27.01.2016, que julgou presente a divergência e admissível o recurso especial; se a questão jurídica subjacente ao reconhecimento da homologação tácita do pedido de compensação de fl. 930 não foi tratada no v. acórdão recorrido e nem poderia ser conhecida, porque não devolvida, não é possível reconhecer qualquer divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão indicado como paradigma; FALTA DE INTERESSE RECURSAL E INAPTIDÃO DAS RAZÕES RECURSAIS PARA REFORMAR A DECISÃO DE HOMOLOGAR O PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE FL. 930 além de não ser possível reconhecer divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão trazido como paradigma no recurso especial, também falta interesse recursal à Fazenda Nacional; isto porque, ainda que seja afastada a homologação tácita do pedido de compensação de fl. 930, isto em nada alterará o resultado do julgamento proferido pela Turma a quo que, no mérito, deu provimento quase integral ao crédito pleiteado pelo Recorrido nestes autos; o crédito reconhecido no v. acórdão recorrido é mais do que suficiente para amparar a compensação de fl. 930, apresentada em 08/11/2000; nos termos em que deferido pelo v. acórdão recorrido, o crédito é suficiente para amparar todas as compensações apresentadas nos autos, salvo uma pequena porção da compensação objeto do pedido de fls. 925, apresentado em 23/08/2001 (última compensação pleiteada com base no crédito ora reconhecido); o recurso especial não traz qualquer fundamento para modificar esta conclusão limitase a rediscutir o termo inicial do prazo para homologação tácita do pedido de compensação de fl. 930, questão decidida pela D. DRJ; em outras palavras, ainda que fosse admitido e provido, o provimento do recurso especial da Fazenda Nacional não lhe traria utilidade alguma a situação do pedido de compensação de fl. 930 permaneceria a mesma, isto é, ele seria homologado; diante do exposto e com a devida vênia ao r. despacho S/N de 27.01.2016, o recurso especial não merece ser admitido; RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 10 9 por tudo o que se expôs até agora, não há o que modificar no v. acórdão recorrido porque o recurso especial versa sobre matéria não tratada (e que sequer poderia ser conhecida) na instância recorrida. Para prover o recurso da Fazenda Nacional a C. Primeira Turma da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais teria que alterar a decisão da D. DRJ o que não pode ocorrer; mas ainda que o recurso especial seja admitido, o que se admite para argumentar, seus fundamentos de mérito não podem prevalecer; sustenta a Fazenda Nacional que antes da Medida Provisória 135/2003 não havia prazo para que a administração tributária homologasse pedidos de compensação; apenas com a edição de referida Medida Provisória é que passou a existir prazo de homologação para as declarações de compensação apresentas pelo contribuinte; deste modo, de acordo com a Fazenda Nacional, para os pedidos de compensação anteriores a esta alteração legislativa, somente faria sentido que o prazo de 5 (cinco) anos passasse a contar a partir da edição da Medida Provisória 135/2003 isto é, a partir de 30/10/2003, consoante reconheceu o acórdão utilizado como paradigma no recurso especial; a Fazenda Nacional não leva em consideração que os pedidos de compensação efetuados sob a égide da Instrução Normativa 21/97 sofreram modificações significativas em sua natureza jurídica, impostas por seguidas alterações na legislação tributária; dentre estas modificações legislativas, a Medida Provisória 66/2002, convertida na Lei 10.637/2002, incluiu o §4° no art. 74 da Lei 9.430/96; por determinação de referido §4°, todos os pedidos de compensação pendentes de análise na edição da Medida Provisória 66/2002 deveriam ser considerados declarações de compensação, desde a data do protocolo do pedido; também em razão da edição da Medida Provisória 66/2002, incluiuse o §2° do art. 74 da Lei 9.430/96, com a seguinte determinação: "Art. 74. (...) §2°. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação." nesse passo, ressaltese que já havia prazo determinado na legislação tributária para créditos extintos sob condição resolutória de ulterior homologação, consoante previsão geral contida no CTN, no conhecido art. 150, §4°; quanto a isto, com a devida vênia à D. Procuradoria da Fazenda Nacional, ressaltese que não é correto afirmar que não existia prazo para homologação tácita de pedidos de compensação antes da Medida Provisória 135/2003; de fato, a Medida Provisória 135/2003, convertida na Lei 10.833/2003, fez incluir dispositivo específico no §5° do art. 74 da Lei 9.430/96 que tratou a matéria da mesma forma como a tratava a regra geral do art. 150, §4°, do CTN; Fl. 2298DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 11 10 uma vez que a Medida Provisória 66/2002 determinou que os efeitos da conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação retroagissem à data do protocolo do pedido, devese considerar que a partir do protocolo do pedido de compensação já havia compensação a homologar, e isto deveria ocorrer no prazo máximo de 5 (cinco) anos previsto pelo art. 150, §4°, do CTN e corroborado pelo §5° do art. 74 da Lei 9.430/96, incluído pela Medida Provisória 135/2003; deste modo, combinando o §4° com o §5° do art. 74 da Lei 9.430/96 (e com o §4° do art. 150 do CTN), mesmo nos casos de pedidos de compensação apresentados antes da edição da Medida Provisória 135/2003, o marco inicial para fluência do prazo de que dispõe o Fisco para homologar a compensação é a data do protocolo do respectivo pedido; a jurisprudência das EE. Turmas da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais é uníssona quanto a esta conclusão (ementas transcritas); diante do todo exposto, tem razão a D. DRJ ao considerar que o termo inicial do prazo para homologação tácita de pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação ocorre na data em que eles foram protocolizados, e tem razão a Turma a quo em aplicar referido entendimento ao pedido de compensação de fls. 930; assim, deve ser mantida a declaração de homologação tácita do pedido de compensação de fls. 930, protocolado em 08/11/2000, mais de 5 (cinco) anos antes de o Recorrido ter sido intimado do respectivo despacho decisório em 18/07/2006; diante do exposto, pede o Recorrido que o recurso especial da Fazenda Nacional não seja admitido, seja pela ausência de divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão indicado como paradigma, seja pela falta de interesse recursal e inaptidão das razões recursais para reformar o v. acórdão recorrido; caso o recurso especial seja conhecido, o que se admite para argumentar, pede o Recorrido que a ele seja negado provimento, para que seja mantida a declaração de homologação tácita do pedido de compensação de fl. 930, em virtude da aplicação conjunta dos §§ 4º e 5º do art. 74 da Lei 9.430/96 e também do §4° do art. 150 do CTN e da ampla jurisprudência da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator O presente processo tem por objeto Pedido de Restituição no valor original de R$ 1.423.570,81 a título de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1996, apresentado em 17/12/1999 (fl. 01), cumulado com Pedidos de Compensação de débitos próprios, constantes das fls. 803 (reproduzido à fl. 928), 805 (reproduzido à fl. 926), 925, 927, 929, 930, 931, 932, 933 e 934. Ao examinar esses pedidos, a Delegacia de origem não reconheceu o direito creditório, e indeferiu tanto a restituição quanto as compensações. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, e a decisão de primeira instância administrativa exarada pela Delegacia de Julgamento DRJ manteve a negativa em relação ao direito creditório. Entretanto, reconheceu ter havido homologação tácita para a maioria dos pedidos de compensação, com exceção dos pedidos de fls. 925 e 930. Houve apresentação de recurso voluntário, e a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) deu provimento parcial a esse recurso, para fins de reconhecer o saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário 1996 no valor de R$ 1.420.014,37, e também para "declarar a homologação tácita do pedido de compensação juntado à fl. 930, referente aos débitos de COFINS e Contribuição ao PIS apurados em setembro/2000". A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito à divergência jurisprudencial em relação ao reconhecimento da homologação tácita para esse pedido de compensação de fls. 930, que foi apresentado pela contribuinte em 08/11/2000, com despacho denegatório a ela cientificado em 18/07/2006. A PGFN pretende reverter essa parte do acórdão recorrido, sustentando a tese de que o prazo de homologação tácita aplicase tão somente aos pleitos formulados após 30/10/2003, data da edição da Medida Provisória n° 135/2003, que introduziu o §5º no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ainda de acordo com a PGFN, mesmo que se pretendesse aplicar o referido prazo aos pleitos anteriores, pendentes de apreciação à época da edição da MP nº 135, de 30/10/2003, esse prazo deveria ser contado somente a partir do mencionado marco temporal, sendo qualquer outra exegese contrária ao princípio da irretroatividade da lei tributária e ofensiva à legislação de regência. Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta duas preliminares de não conhecimento do recurso especial da PGFN. Na primeira delas, ela alega a inexistência de divergência, porque o acórdão recorrido não teria tratado (e nem poderia tratar) da questão abordada no paradigma, ou seja, da Fl. 2300DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 13 12 definição do termo inicial do prazo para homologação tácita de Pedidos de Compensação que foram convertidos em Declaração de Compensação. Para desenvolver essa preliminar, a contribuinte alega, em síntese: que foi a DRJ (e não a C. Turma a quo) que decidiu que o termo inicial do prazo para homologação tácita de pedidos de compensação é a data de apresentação do respectivo pedido; que a DRJ decidiu que deveriam ser homologados tacitamente todos os pedidos de compensação apresentados pelo Recorrido antes de julho de 2001; que, por um erro de fato, a DRJ deixou de declarar também tacitamente homologado o pedido de compensação de fls. 930 (apresentado em 08/11/2000), e que foi justamente esta a questão decidida pelo v. acórdão recorrido, conforme o voto da relatora; que a questão devolvida ao conhecimento da C. Turma recorrida envolve exclusivamente matéria de fato decidir qual a data do protocolo do pedido de compensação de fls. 930, se a data do carimbo nele aposto ou a data em que ele foi cadastrado no PROFISC; que nos termos do §10 do art. 74 da Lei 9.430/1996, não há hipótese que permita a devolução e o conhecimento pelo E. CARF de questão veiculada em manifestação de inconformidade acolhida pela DRJ (no caso dos autos, o termo inicial do prazo para homologação tácita dos pedidos de compensação); e que se a questão jurídica subjacente ao reconhecimento da homologação tácita do pedido de compensação de fls. 930 não foi tratada no acórdão recorrido e nem poderia ser conhecida, porque não devolvida, não é possível reconhecer qualquer divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão indicado como paradigma. A primeira preliminar é improcedente. Realmente, a decisão de primeira instância administrativa (DRJ) entendeu que a regra de homologação tácita seria aplicável aos pedidos de compensação pendentes de análise quando essa regra foi introduzida, e também que o termo inicial de contagem do prazo para homologação tácita seria a data de apresentação do respectivo pedido. Com base nesse entendimento, foi reconhecida a homologação tácita para a maioria dos pedidos de compensação (deferimento parcial da manifestação de inconformidade). Entretanto, especificamente em relação ao pedido de fls. 930, não houve acolhimento da manifestação inconformidade, ao contrário do que alega a contribuinte. Tanto é assim, que a contribuinte apresentou recurso voluntário tratando não só do reconhecimento do alegado direito creditório, mas também do não reconhecimento da homologação tácita para esse pedido específico. E foi apenas com o julgamento do recurso voluntário (por meio do acórdão ora recorrido), que a homologação tácita acabou sendo reconhecida também para o pedido de compensação de fls. 930. Ocorre que, ao recorrer ao CARF, a contribuinte submeteu a esse tribunal administrativo todas as questões suscitadas e discutidas no processo relativas ao pedido de compensação de fls. 930, cabendo também lembrar que o recurso devolve ao tribunal o Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 14 13 conhecimento dos vários fundamentos que embasam a pretensão das partes, conforme está disposto nos §§ 1º e 2º do art. 1.013 do atual Código de Processo Civil CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. §1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. §2º Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. Vale ainda lembrar que o que faz coisa julgada é apenas a parte dispositiva da decisão, e não os seus motivos, conforme o art. 504, I, do mesmo CPC: Art. 504. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; Portanto, especificamente em relação ao pedido de compensação de fls. 930 (que era objeto do recurso voluntário), é incorreto entender que não foi devolvido ao CARF o conhecimento de alguns dos fundamentos empregados pela Delegacia de Julgamento, por serem favoráveis à contribuinte (quais sejam, a possibilidade, em tese, de aplicação da regra de homologação tácita aos pedidos de compensação, e a definição, também em tese, do termo inicial para a sua contagem). A Delegacia de Julgamento, por entender que não havia nenhum direito creditório em favor da contribuinte, e também por entender que não havia transcorrido 5 anos entre a data que considerou como sendo a de apresentação do pedido e a data da ciência do despacho decisório da Delegacia de origem, negou o reconhecimento da homologação para o pedido de compensação de fls. 930. Foi a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) que reconheceu a homologação tácita para o pedido de compensação de fls. 930, e, ao fazer isso, encampou os fundamentos mencionados acima, que já eram favoráveis à contribuinte. Desse modo, pode a PGFN suscitar divergência jurisprudencial em relação à decisão de segunda instância administrativa, no que toca à possibilidade, em tese, de aplicação da regra de homologação tácita a pedidos de compensação apresentados antes da introdução dessa regra, e também à definição, em tese, do termo inicial para a contagem do prazo de homologação tácita desses pedidos. Ao analisar especificamente o pedido de compensação de fls. 930, protocolizado em 08/11/2000, o acórdão recorrido encampou o entendimento de que a regra de homologação tácita seria a ele aplicável, e que o termo inicial para a contagem da homologação tácita era a data de sua protocolização, enquanto que o acórdão paradigma, examinando pedido de compensação em condições semelhantes, entendeu que a regra de homologação tácita não poderia ser aplicada, por força do princípio da irretroatividade, e que, se fosse aplicada, o prazo Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 15 14 de 5 (cinco) anos para homologação tácita somente poderia ser contado a partir de 30/10/2003, quando esse prazo foi criado pela MP nº 135/2003. É essa a divergência a ser aqui examinada, e que foi devidamente caracterizada pela PGFN. Cabe, portanto, rejeitar a primeira preliminar de não conhecimento do recurso. Como segunda preliminar de não conhecimento do recurso, a contribuinte alega falta de interesse recursal da PGFN, com base nos seguintes argumentos: ainda que seja afastada a homologação tácita do pedido de compensação de fls. 930, isto em nada alterará o resultado do julgamento proferido pela Turma a quo que, no mérito, deu provimento quase integral ao crédito pleiteado pelo Recorrido nestes autos; nos termos em que deferido pelo v. acórdão recorrido, o crédito é suficiente para amparar todas as compensações apresentadas nos autos, salvo uma pequena porção da compensação objeto do pedido de fls. 925, apresentado em 23/08/2001 (última compensação pleiteada com base no crédito ora reconhecido); ainda que fosse admitido e provido, o provimento do recurso especial da Fazenda Nacional não lhe traria utilidade alguma a situação do pedido de compensação de fls. 930 permaneceria a mesma, isto é, ele seria homologado. Já foi mencionado que dos R$ 1.423.570,81 pleiteados no Pedido de Restituição a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, o acórdão recorrido reconheceu o direito creditório no valor de R$ 1.420.014,37. E o valor do crédito reconhecido não é objeto do presente recurso especial, que trata apenas da homologação tácita do pedido de compensação de fls. 930. A argumentação da contribuinte, portanto, parece ser procedente, mas há um problema em relação a essa segunda preliminar. É que embora tenha sido reconhecida quase a totalidade do direito creditório reivindicado no Pedido de Restituição que embasou os vários Pedidos de Compensação tratados nestes autos, o encontro de contas envolve uma série de procedimentos típicos da fase de execução de acórdão, como por exemplo o controle do saldo de crédito após cada compensação, o cômputo de acréscimos legais sobre os créditos e os débitos até o momento do encontro de contas, etc., e não há como, nesse momento, confirmar a alegação de que o crédito reconhecido "é suficiente para amparar todas as compensações apresentadas nos autos (inclusive a constante do pedido de fls. 930), salvo uma pequena porção da compensação objeto do pedido de fls. 925". Isso demandaria uma execução prévia do acórdão recorrido, antes do julgamento do presente recurso especial, o que não é cabível. O que está em questão nesse momento é a parte do acórdão recorrido que, independentemente do montante e da suficiência do crédito reconhecido, aplicou a regra de homologação tácita para o pedido de compensação de fls. 930. Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 16 15 Em relação a isso, já esclarecemos que a divergência jurisprudencial está devidamente demonstrada, o que enseja o conhecimento do recurso sobre esse ponto. Nesse contexto, a segunda preliminar também dever ser rejeitada. O exame de admissibilidade do recurso especial foi feito corretamente, e ele deve mesmo ser conhecido. Para o exame das questões sobre a homologação tácita do pedido de compensação de fls. 930, é interessante transcrever o conteúdo do acórdão que serviu como paradigma de divergência, na parte que trata da matéria em pauta: Acórdão n.° 20311.648 [...] COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. [...] Voto [...] foram feitas novas alterações no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, merecendo destaque para o presente caso a do parágrafo 5°, a saber: "§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" (redação dada pelo artigo 17 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, conversão da MP n° 135, de 30/10/2003). Até a edição desse ato legal, portanto, não havia prazo limite para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação então entregues pelos contribuintes, de maneira que toda DCOMP entregue anteriormente a 30/10/2003 e cuja análise ou apreciação pela autoridade administrativa tenha se dado em período superior a cinco anos, contado a partir da data de sua protocolização, não pode ser considerada tenha sido homologada tacitamente, a teor do parágrafo § 5° acima reproduzido. Se, de um lado, o alcance temporal do § 4° acima mencionado está claramente delineado quando diz que "Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo (...)", o mesmo não se pode dizer, de outro, do § 5°, que deixa no ar uma ambigüidade por mim posta nos seguintes termos: retroagiria e alcançaria a todos pedidos de compensação convertidos Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 17 16 em DCOMP entregues em data anterior a 30 de outubro de 2003, ou se aplicaria somente às DCOMP entregues após referida data? Essa minha suposição quanto à ambigüidade presente no referido §5º parece não existir se interpretados literalmente os enunciados dos artigos 29 e 70, da IN SRF 460, de 18/10/2004 que regulavam os procedimentos da autoridade administrativa para a análise das Declarações de Compensação, após as alterações acima mencionadas, senão vejamos: "Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados". § (...) "§ 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação". "Art. 70. A data de início da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido na SRF". Ou seja, a própria Secretaria da Receita Federal admitiu o efeito retroativo do citado parágrafo 5°. Tenho comigo, porém, que a segunda das alternativas deve prevalecer, haja vista a aplicação do princípio da irretroatividade das leis, ou seja, em princípio, os fatos regulamse juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência. Em princípio, pois o Código Tributário Nacional trata das hipóteses em que é possível a aplicação de lei nova a fatos ocorridos em momento anterior ao de sua vigência. Tais hipóteses estão previstas no artigo 106, incisos I e II, quais sejam, quando as leis forem interpretativas, ou quando, se referindo a atos ou fatos não definitivamente julgados, deixar de definilos como infração; deixar de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão; e quando lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. E para o caso em que estamos debruçados nenhuma dessas hipóteses ocorreu. Invoco julgado do Superior Tribunal de Justiça em que, embora tenha tratado de matéria envolvendo a decadência de ato administrativo, bem pode servir de lume para o presente caso, senão vejamos a sua ementa: "MANDADO DE SEGURANÇA N° 9.115DF (2003/01018996). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. REVOGAÇÃO. VANTAGEM FUNCIONAL DECADÊNCIA. LEI N° 9.784/99. DIREITO ADQUIRIDO. A Lei n°9.784/99, que disciplina Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 18 17 o processo administrativo, estabeleceu em seu art. 54, o prazo de cinco anos para que a Administração Pública possa revogar seus atos. Contudo, dentro de uma lógica interpretativa, esse lapso temporal há de ser contado da vigência do dispositivo, e não da data em que o ato foi praticado, sob pena de se emprestar efeito retroativo à citada Lei. (destaques meus) Dito isto, podese afirmar que o argumento da interessada, ainda que formulado mediante a indicação de dispositivo legal inapropriado, não procede, ou seja, aquele seu pedido de compensação entregue no dia 19/11/1999, por força de dispositivo legal convertido em DCOMP, não foi homologado tacitamente, ainda que entre a data de sua protocolização e a data de sua apreciação tenha transcorrido o prazo de cinco anos. Vêse que o acórdão paradigma reconhece que a própria Secretaria da Receita Federal admitiu o efeito retroativo do citado §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 (introduzido pela MP nº 135/2003) para os pedidos de compensação pendentes de apreciação, conforme os artigos 29 e 70 da IN SRF nº 460/2004, e mesmo assim defende tese contrária (não aplicação desse efeito retroativo). Vale registrar que a mesma regra contida na IN SRF nº 460/2004 (acima transcrita), tratando do efeito retroativo do prazo de homologação tácita para os Pedidos de Compensação que foram convertidos em Declaração de Compensação, foi sucessivamente reproduzida nas IN SRF nº 600/2005, IN RFB nº 900/2008 e IN RFB nº 1300/2012, o que corrobora a decisão manifestada pelo acórdão recorrido. O fato é que a Lei nº 10.637/2002, quando introduziu os §§ 2º e 4º no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, estabeleceu que a declaração de compensação extinguiria o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e que os pedidos de compensação pendentes de apreciação seriam considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos no referido art. 74: Lei nº 9.430/1996 Art. 74 [...] § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002) [...] §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002) O efeito de extinção do crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação, não foi introduzido pela MP nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), mas sim pela MP nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 19 18 Cabe destacar que a condição resolutória, nessa situação que trata de extinção de crédito tributário pelo contribuinte, não poderia ficar eternamente em aberto (vigente), o que afrontaria a própria lógica do sistema. Nesse contexto, o que a referida MP nº 135/2003 fez foi apenas definir um termo para a extinção da condição resolutória, seguindo a trilha já traçada pelo próprio Código Tributário Nacional para os casos de lançamento por homologação (CTN, art. 150, §§ 1º e 4º). A diferença é que lá a extinção se dá pelo pagamento antecipado, e aqui se dá pela apresentação de pedido/declaração de compensação. Não há dúvida de que algum prazo, legal ou jurisprudencial, seria definido para a extinção da mencionada condição resolutória, por exigência da própria lógica do sistema. O que é importante perceber é que a Lei nº 10.637/2002 introduziu uma regra central e bastante inovadora para o mecanismo de compensação tributária, que apenas foi complementada pela Lei nº 10.833/2003. A Lei nº 10.637/2002, ao estabelecer que a declaração de compensação extinguiria o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (§2º acima transcrito), deixou bem claro no referido §4º que os pedidos de compensação pendentes de apreciação seriam considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, inclusive para o efeito previsto no §2º. O texto introduzido pela Lei nº 10.637/2002 determina expressamente que os pedidos de compensação pendentes de apreciação extinguem, desde o seu protocolo, o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Posteriormente, a Lei nº 10.833/2003 definiu o termo para a extinção dessa condição resolutória (homologação tácita). Apesar de surgirem em momentos distintos, os §§ 2º e 5º introduzidos no art. 74 da Lei nº 9.430/1996 fazem parte de um todo indissociável, e a sistemática traçada nesses dispositivos deve ser aplicada aos pedidos de compensação pendentes de apreciação, desde a data de seu protocolo, por força do §4º que também integra o mesmo art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Esse é o conteúdo expresso da lei, e não cabe a esse órgão administrativo segregar o §5º dos §§2º e 4º, para fins de afastar sua aplicação a casos como o presente, nem pelo fato de o §5º ser posterior aos §§ 2º e 4º do mesmo artigo, e nem por afronta ao princípio da irretroatividade das leis, ou a qualquer outra norma jurídica. Não era necessário que o legislador dissesse novamente, na edição da Lei 10.833/2003, que o §5º também deveria ser aplicado aos pedidos de compensação pendentes, desde a data de seu protocolo, porque o §4º já estendia (e continua estendendo) a esses pedidos todos os efeitos previstos no art. 74 da Lei 9.430/1996 (que abarca o referido §5º). Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 13804.004490/9903 Acórdão n.º 9101002.846 CSRFT1 Fl. 20 19 Diante das considerações acima, concluo que a regra de homologação tácita é aplicável ao pedido de compensação de fls. 930, e que o termo inicial para a contagem do prazo de homologação é a data de seu protocolo, ou seja, 08/11/2000. Como a ciência do despacho decisório da Delegacia de origem somente ocorreu em 18/07/2006, está mesmo caracterizada a homologação tácita do referido pedido. As sucessivas Instruções Normativas da Receita Federal, conforme já mencionado, corroboram esse entendimento, o que reforça a conclusão de que o acórdão recorrido não merece reparo. Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2308DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720193/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.947
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 93 /2 01 2- 77 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11516.720193/201277 Acórdão n.º 3302003.947 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.594. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11516.720193/201277 Acórdão n.º 3302003.947 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11516.720193/201277 Acórdão n.º 3302003.947 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11516.720193/201277 Acórdão n.º 3302003.947 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11516.720193/201277 Acórdão n.º 3302003.947 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 195DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.000265/2009-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens - bens ou serviços - utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.017
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DITZEL & SANCHES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803002.907, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, consignando a seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 02 65 /2 00 9- 69 Fl. 576DF CARF MF Processo nº 12571.000265/200969 Acórdão n.º 9303005.017 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da sociedade e as despesas com manutenção de veículos da frota própria, empregados no processo produtivo ensejam o creditamento da Contribuição Social não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO Os encargos de depreciação sobre semireboque, peças para caminhão e outros relacionados, incorporados ao ativo imobilizado, e empregados no processo produtivo, adquiridos depois de 30/04/2004, ensejam direito a crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo que: · Para efeito de crédito do tributo, a legislação esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, salvo se compreendidos no ativo permanente; · No caso concreto, os insumos glosados pela autoridade fiscal, embora não sejam bens do ativo permanente e tenham tido alguma relação com o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, não se enquadrando, portanto, na condição de insumo para o aproveitamento do crédito da contribuição. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros argumentos: · Que deve ser mantido o entendimento do colegiado do acórdão recorrido, eis que proveu o recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos referentes aos gastos com combustíveis e Fl. 577DF CARF MF Processo nº 12571.000265/200969 Acórdão n.º 9303005.017 CSRFT3 Fl. 4 3 lubrificantes utilizados em veículos da empresa e às despesas com manutenção de veículos da frota própria, fundamentando que para a caracterização do bem ou serviço como insumo, é suficiente o seu emprego no processo de produção, ainda que não haja contato direto com o produto em fabricação; · Os combustíveis e lubrificantes utilizados, seja no transporte dos produtos destinados à venda, seja no transporte da matériaprima utilizada em seu processo produtivo, geram direito a crédito, já que atendem aos critérios de pertinência e essencialidade; · As despesas com bens e serviços de manutenção de veículos utilizados no transporte de produtos destinados à venda e de matériaprima geram direito a crédito, haja vista que tais bens, ainda que indiretamente, são aplicados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.003, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 12571.000207/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.003): Da Admissibilidade "O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que, confrontando os conceitos de “insumo” empregados pelos arestos envolvidos é irrefragável a confirmação do dissídio jurisprudencial. Quanto às Contrarrazões apresentadas, devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Designoume a Presidência para a redação do acórdão já que a proposta da relatora, de negar provimento ao recurso da Fazenda, não restou acolhida. Frisese, desde logo, que a decisão combatida já aplicou entendimento de que as Instruções Normativas da SRF, ao equipararem o Fl. 578DF CARF MF Processo nº 12571.000265/200969 Acórdão n.º 9303005.017 CSRFT3 Fl. 5 4 conceito de insumo para fins das contribuições ao do IPI o restringiram em excesso. Sendo sua aplicação, porém, o objeto do recurso da Fazenda Nacional, natural começar pelos motivos que me levam a rejeitar tal exigência, uma vez que, embora nisso não divirja da i. relatora, essa rejeição, para mim, leva a diferente conclusão. É que, acredito já seja de conhecimento amplo, também não adiro à tese de que o conceito de insumos que permitem a tomada de créditos, nos termos do art. 3º da Lei 10.637, para o PIS e do art. 3º da Lei 10.833, para a COFINS, seja tão restrito quanto o pretendido por elas. Mas apenas rejeitar o critério da IN SRF também não nos leva muito longe. Parece igualmente óbvio que permitir a inclusão de toda e qualquer despesa, desde que aceita pela legislação do IRPJ, tampouco está em conformidade com o texto legal, que tanto se esmerou em enunciar as hipóteses ensejadoras. Por isso, para avançar na fixação de um critério para tal conceito que seja suficientemente flexível para permitir a análise de qualquer item, fixeime na expressão legal "bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviço e na produção ou fabricação..."1. Dessa expressão, algumas conclusões se impõem de plano; a) os beneficiários do crédito podem ser fabricantes, mas também "produtores", e mesmo prestadores de serviço; b) um serviço pode se enquadrar como tal, e mesmo que "utilizado na prestação de serviço". Essas observações preliminares já são suficientes para rejeitar a pretensão de utilizar o critério há muito aceito para o IPI: que o bem candidato a gerador de crédito entre em contato físico com o bem que está sendo industrializado. Por óbvio, ela não se aplica nem à "prestação de serviço", nem a um serviço como insumo. Mas uma atenta leitura do §4º do art. 8º da IN 4042 deixa igualmente claro que a SRF não o pretendeu aplicar aos serviços em qualquer das "pontas". Pretende fazêlo, porém, sempre que se estiver cuidando de "produção ou fabricação", aparentemente tomando as duas expressões como sinônimas. E é aí, a meu ver, que começam os problemas. Por primeiro, não me parece que o legislador da 10.833 (assim como o da 10.637) tenha buscado equiparar as expressões, atento que estava à 1 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; 2 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 579DF CARF MF Processo nº 12571.000265/200969 Acórdão n.º 9303005.017 CSRFT3 Fl. 6 5 possibilidade de que a "produção" ensejadora de crédito no âmbito das contribuições não corresponda a uma efetiva industrialização nos termos do IPI. Como é cediço, fora daquele contexto produção pode se referir, e no mais das vezes se refere, a um conjunto de atividades bem maior, que inclui, entre outras, a atividade agropecuária, bem como a agroindustrial. Ainda assim, como em todos os casos há um produto físico gerado ao final de um processo produtivo, pareceria, em princípio, razoável a adoção daquele critério mesmo quando de industrialização em sentido estrito não se tratasse. O problema, entretanto, é que o critério do Parecer Normativo CST 65/79 destinase a definir o que se poderia enquadrar no conceito de "produto intermediário" apenas referido mas não definido no art. 25 da Lei 4.502/643 . Ou seja, ele não é destinado à definição do que seja insumo, mas do que seja produto intermediário, ou mais precisamente, de qual seria o critério para considerar um bem como consumido no processo produtivo. Sobre esse ponto, peço licença para reproduzir considerações que expendi em julgamento realizado ainda no antigo Conselho de Contribuintes, no já distante ano de 20084: Como se disse no relatório, o contribuinte recorre de decisão que lhe negou o ressarcimento de saldo credor originado no registro de créditos de IPI em relação às aquisições de energia elétrica, produto considerado pelo IPI como nãotributado. Entende possível incluir a energia elétrica consumida no processo produtivo entre os “produtos que, embora não se integrando ao produto final, são consumidos no processo produtivo, desde que não compreendidos entre os bens do Ativo Permanente”, consoante redação do art. 147 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 (atual art. 164 do Regulamento baixado em 2002). A SRF considera, com base no Parecer Normativo CST nº 65/79, entre outros, que não, visto não ter contato físico com o produto em elaboração. Para mim, a decisão recorrida não merece reparos. É que, embora lastreada na orientação do Parecer Normativo, a que está vinculada, e com a qual não concordo inteiramente, o que fez foi dar correta aplicação ao princípio da nãocumulatividade. Para melhor compreensão, necessário um registro, ainda que breve, da evolução legislativa da matéria. Como se sabe, a Lei nº 4.502/64, foi a última a regular o extinto Imposto Sobre o Consumo instituído pelo Decretolei nº 7.404/45 e transformado no IPI. Na evolução legislativa daquele imposto é que se vai encontrar pela primeira vez tentativa de aplicação do princípio 3 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; 4 Julgamento do recurso voluntário nº 147.752, no Processo 10830.000989/200474, sessão de agosto de 2008 Fl. 580DF CARF MF Processo nº 12571.000265/200969 Acórdão n.º 9303005.017 CSRFT3 Fl. 7 6 de tributação sobre o valor agregado. Tratase, como é de sabença geral, da disposição do art. 213 da Lei nº 3.520/58: Art. 213 ... 2º Os fabricantes pagarão o impôsto com base nas vendas de mercadorias tributadas, apuradas quinzenalmente, deduzido, no mesmo período o valor do impôsto relativo às matérias primas e outros produtos adquiridos a fabricantes ou importadores ou importados diretamente, para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados; Após ser regulamentada pelo Decreto 45.422/59, essa lei foi alterada pela de nº 4.153, já em 1962, na qual se promoveu grande ampliação do instituto. Vejamos: Art. 34. O artigo 148 do atual Regulamento do Imposto de Consumo aprovado pelo Decreto nº 45.422, passa a vigorar com as seguintes alterações: a) As palavra As palavras "nas vendas de mercadorias tributadas" são substituídas pelas seguintes: "nas entregas a consumo de mercadorias tributadas"; b) Para os fins do art. 148, entendemse como adquiridos para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados: na fabricação as matérias primas ou artigos e produtos secundários ou intermediários que, integrando o produto final ou sendo consumidos total ou parcialmente no processo de sua fabricação, sejam utilizados na sua composição, elaboração, preparo, obtenção e confecção, inclusive na fase de aprêsto e acabamento. Portanto, além das matérias primas, davam direito de abatimento do valor devido as aquisições dos chamados produtos secundários e intermediários. Na busca de distinção entre eles, confirmouse a definição mais ou menos consensual de que produtos intermediários são os que partilham com as matérias primas o caráter de se integrarem fisicamente aos produtos fabricados, delas diferindo apenas pelo fato de já serem produtos prontos, passíveis, assim, de utilização adicional. Já os produtos secundários é que consistiam naqueles que, embora não se integrando ao produto final, fossem consumidos, total ou parcialmente, no processo de fabricação. Ocorre que a Lei nº 4.502/64 suprimiu a referência a produtos secundários como possibilitadores de dedução do IPI devido pelas saídas. Confiramse os artigos da Lei 4.502 que cuidaram da matéria: Art. 25. Para efeito do recolhimento, na forma do art. 27, será deduzido do valor resultante do cálculo. I o impôsto relativo às matériasprimas produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na industrialização e no acondicionamento de produtos tributados; Fl. 581DF CARF MF Processo nº 12571.000265/200969 Acórdão n.º 9303005.017 CSRFT3 Fl. 8 7 II o impôsto pago por ocasião do despacho de produtos de procedência estrangeira ou da remessa de produtos nacionais ou estrangeiras para estabelecimentos revendedores ou depositários. Art. 27. A importância a recolher será: I no caso do inciso I do artigo anterior a resultante do cálculo do impôsto; II No caso do inciso II a necessária à manutenção de saldo suficiente para cobertura do impôsto devido pela saída dos produtos; III no caso do inciso III a resultante do cálculo do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento produtor na quinzena anterior, deduzida: a) do valor do impôsto relativo as matérias primas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos no mesmo período, quando se tratar de estabelecimento industrial; b) do valor do impôsto pago por ocasião do despacho ou da remessa, quando se tratar de estabelecimento importador, arrematante ou revendedor, considerados, para efeito da apuração, os capítulos de classificação dos produtos. § 1º Será excluído do crédito o impôsto relativo às matérias primas, produtos intermediários e embalagens que forem objeto de revenda ou que forem empregados na industrialização ou no acondicionamento de produtos isentos e não tributados. § 2º O devedor remisso, sujeito ao recolhimento antecipado, utilizar seá do crédito de impôsto, mediante adição ao seu saldo. § 3º O impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos a revendedores não contribuintes, será calculado, para efeito de crédito mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sôbre 50% (cinqüenta por cento) do seu valor constante da nota fiscal. § 4º Em qualquer hipótese, o direito ao crédito do impôsto será condicionado às exigências de escrituração estabelecidas nesta lei e em seu regulamento, e, quando não exercido na época própria, só poderá sêlo, cumprida a formalidade do inciso I do art. 76 ou quando o seu valor fôr incluído em reconstituição de escrita, efetuada pela fiscalização. § 5º Quando ocorrer saldo credor numa quinzena, será êle transportado para a quinzena seguinte, sem prejuízo da obrigação do contribuinte apresentar ao órgão arrecadador, dentro do prazo legal previsto para o recolhimento, a guia demonstrativa dêsse saldo. Ainda assim, o primeiro regulamento do IPI já editado após a Lei 4.502 – Decreto 56.791/65 – ao “regulamentar” o dispositivo acima, estabeleceu: Art. 27. Para efeito do recolhimento, será deduzido do valor resultante do cálculo, na forma do art. 29: I o impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na Fl. 582DF CARF MF Processo nº 12571.000265/200969 Acórdão n.º 9303005.017 CSRFT3 Fl. 9 8 industrialização e no acondicionamento de produtos tributados, compreendidos, entre os primeiros, aquêles que, embora não se integrando no nôvo produto, são consumidos no processo de industrialização; Ou seja, mantevese a possibilidade de dedução do imposto pago sobre os produtos secundários, agora “apelidados” de produtos intermediários. Ainda mais, sua redação irrestrita parece permitir que aí se incluíssem mesmo os produtos para uso e consumo e os constituintes de máquinas e equipamentos, visto que nem mesmo quanto a estes houve qualquer restrição. Tal largueza de conceitos, porém, não vinha sendo aceita pelo Fisco, o que suscitou diversos questionamentos ao Poder Judiciário quanto à abrangência do conceito de produtos intermediários. Em diversos julgados proferidos, a partir de 1966, no âmbito do STF (RMS 19.625GB, julgado em 20/6/1966, relator Ministro Victor Gomes; Recurso Extraordinário 18.661PE, julgado pelo Pleno em 16/10/1968 sob relatoria do Ministro Aliomar Baleeiro), firmouse o entendimento de que a expressão poderia sim englobar produtos que fossem apenas consumidos no processo industrial, desde que cumpridos, porém, dois requisitos primordiais: que os produtos consumidos fossem essenciais e específicos à fabricação em questão (vide votos condutores das decisões mencionadas). Pelo primeiro, requerse que o processo produtivo não se possa completar na ausência daquele “produto intermediário”; pelo segundo, que não sejam eles de uso comum, indiscriminado a todo e qualquer processo industrial. Destarte, o primeiro requisito determinava a exclusão, entre outros, da energia elétrica usada para iluminação, ainda que do ambiente onde se realizasse a produção, que poderia perfeitamente prosseguir sem a sua presença (salvo, talvez, situações muito específicas de ausência completa de iluminação natural).Também dos combustíveis empregados para acionamento de máquinas e equipamentos (em que também se pode utilizar a eletricidade). Pelo segundo, afastouse a aplicação ao desgaste de equipamentos físicos (depreciação de máquinas, equipamentos e instrumentos), componentes da estrutura física do estabelecimento, porque comuns a praticamente todo processo industrial. Tentando, ao meu ver, dar aplicação a essas restrições impostas pelo Judiciário é que o Regulamento seguinte, baixado pelo Decreto 70.163/72, acresceu a necessidade de que o consumo se desse de forma “imediata e integral”, bem como incluiu a restrição aos bens integrantes do ativo permanente. Suscitou, porém, novos questionamentos judiciais (Recurso Extraordinário ao STF nº 79.601RS, de 1974, também relatado pelo Ministro Aliomar Baleeiro e, no extinto Tribunal Federal de Recursos, a Apelação Cível nº 44.781SP, de 1978, relatada pelo Ministro Carlos Velloso). Em ambos, ratificaram os Tribunais Superiores os critérios estabelecidos nos julgamentos anteriores, Fl. 583DF CARF MF Processo nº 12571.000265/200969 Acórdão n.º 9303005.017 CSRFT3 Fl. 10 9 mesmo com a mudança de redação introduzida no Regulamento do Imposto. Daí, viuse o Poder Executivo instado a alterar novamente a redação dos decretos regulamentares posteriores, que deixaram de trazer a restrição quanto ao consumo imediato e integral. Essa ausência, então, suscitou a edição do mencionado Parecer Normativo nº 65/79, pela Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, que vincula a possibilidade de crédito ao emprego sobre o produto em elaboração.Tratase de nova tentativa de dar aplicação aos critérios aceitos no Poder Judiciário5. Embora imprecisa, tal definição, a meu ver, atinge o cerne da discussão, ao menos para a grande maioria dos processos industriais. É que, salvo honrosas exceções que têm de ser comprovadas caso a caso, não vemos, em princípio, como considerar essenciais e específicos ao processo artigos que sequer entrem em contato direto com o produto em elaboração. De todo modo, restringindose a discussão do presente feito, à energia elétrica, dúvida não tenho de que, de ordinário, ela não pode ser considerada produto intermediário mesmo nessa mais ampla 5 O que resulta claro nos itens 8 a 10 do citado Parecer Normativo: 8. No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão "incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização" é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do art. 27 do Decreto nº 56.791/65, inciso I do art. 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários stricto sensu, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que, embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1. A norma constante do direito anterior (inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia, restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito ao crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2. O dispositivo vigente (inciso I do art. 66 do RIPI/79), por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9. Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matériasprimas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). Fl. 584DF CARF MF Processo nº 12571.000265/200969 Acórdão n.º 9303005.017 CSRFT3 Fl. 11 10 acepção. Há, por certo, situações em que a energia elétrica cumpre aqueles requisitos: tratase daqueles processos que requerem a separação molecular, via eletrólise, para que o processo possa continuar. Presentes aí a essencialidade e a especificidade, mas também a aplicação sobre o produto em elaboração como requer o Parecer. Assim, não demonstrado nos presentes autos que a energia elétrica é empregada dessa forma, ou de alguma similar, não vejo como acatar sua inclusão no conceito de produtos intermediários, mesmo na mais ampla definição que a eles se deu nos últimos regulamentos do IPI. E isso bastaria à negativa de provimento do recurso do contribuinte. Mas, como disse, esse é apenas o primeiro dos requisitos, e a energia elétrica também não cumpre o segundo: não há IPI algum para gerar crédito. Deveras, a energia elétrica está fora do campo de incidência do imposto, merecendo na TIPI a expressão NT – de não tributado. É certo que há outra linha de questionamento judicial, esta mais recente, que diz respeito a essa necessidade de que tenha havido destaque de IPI na aquisição feita. Mas esses questionamentos, normalmente, a isso se resumem, sendo indiscutível o enquadramento do produto adquirido na condição de matéria prima ou produto intermediário. Por isso, o “quase ineditismo” deste recurso, a que fiz referência no relatório. Nele se discutem os dois requisitos. Com efeito, aqui se tem um produto que, segundo as disposições do Parecer Normativo, não é matéria prima, produto intermediário nem material de embalagem e que também não sofreu o gravame do imposto. E quanto a esse último aspecto, da forma mais importante, isto é, não está sequer no seu campo de incidência. Da leitura das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições não chego à conclusão de que, para elas, também se precise demarcar o que significa "ser consumido no processo produtivo". Seja porque a expressão legal não é essa, como também porque não se está a definir produto intermediário, mas sim insumo. Já se vê daí que, com as escusas sempre necessárias, não tenho como partilhar a premissa de sua excia. o ministro Herman Benjamim, citado no voto do dr. Henrique. É que, a meu ver, a legislação do IPI não identifica o conjunto formado por matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ao conceito de insumo. Para tanto, é óbvio, não basta dizer que aquele conjunto é insumo; é preciso, mais, dizer que só ele o é. Mas, longe disso, a este último não é dada qualquer definição formal naquela legislação, a começar pela Lei 4.502/64 em que sequer se encontra o vocábulo "insumos". Mesmo nos decretos regulamentares, o que se diz ou sempre se pode ler é que aquele conjunto é insumo; nada há sobre a recíproca. Assim, pareceme, mesmo para o legislador do IPI, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem formam um subconjunto do conjunto mais amplo dos insumos. Aliás, de não ser assim, desnecessárias seriam as diversas ressalvas a itens passíveis de enquadramento no conjunto maior. Especialmente, no artigo definidor dos créditos não se precisaria especificar que ele se restringe Fl. 585DF CARF MF Processo nº 12571.000265/200969 Acórdão n.º 9303005.017 CSRFT3 Fl. 12 11 àquele subconjunto; bastaria autorizálo aos "insumos", que seria a mesma coisa. A consequência lógica dessa divergência é que não se precisa pensar em legisladores tributários distintos. Mesmo admitindo que o conceito de insumos deva ser uno para todos os efeitos tributários, nada há que impeça usarse o que proponho aqui: bem utilizado no processo produtivo e aí "consumido" ainda que não por um contato físico com o produto em elaboração. Mas é preciso demarcar bem quando começa o processo produtivo, pois, como já reiterou suficientemente a doutrina, não se está aqui limitado aos "produtores" no sentido do IPI, isto é, a lei não está a cuidar apenas de processos industriais, stricto sensu, embora seja aqui o caso. Destarte, quando o produto final gerado (e a ser vendido) depende de uma etapa prévia, ainda não exatamente industrial, mas que seja realizada pela mesma empresa, não vejo nenhuma incompatibilidade com a lei em considerar também integrante do processo essa etapa prévia, como ocorre em diversas cadeias produtivas, a exemplo da celulose, do álcool etc. Embora irrelevante para o presente caso, o critério genérico há de ser, portanto, o do início das operações que culminarão com a obtenção daquilo que gerará a receita da empresa, esta que será a base de cálculo da exação. E em se tratando aqui de uma simples operação industrial, parece fácil identificálo com o início das operações tipicamente industriais como o faz também a IN SRF. Assim, nesses casos de empreendimentos tipicamente industriais minha única divergência com o critério da IN SRF se prende à exigência de que os insumos tenham contato físico com o produto final, o que já excluiria, de plano, todos os serviços, mas não só. Por ele, também ficariam de fora todos os itens normalmente glosados no IPI embora participantes efetivos do processo, onde se desgastam, também sem controvérsia, mesmo sem ter "contato" com o produto em elaboração. De outra banda, não adiro à noção de essencialidade que é por muitos advogada. Como primeiro contraargumento, porque, preservada a premissa econômica de racionalidade do empresário, seria difícil encontrar algum item efetivamente empregado no processo, e portanto gerador de custo, sem que haja necessidade para tal, no mínimo, para que o produto final seja aceito pelo consumidor. De fato, esse critério apenas nos leva a uma nova dificuldade, qual seja, a delimitação do grau de necessidade do item em consideração: seria ela estritamente técnica ou também econômica, no sentido acima? A primeiro opção nos levaria a ter de nos embrenhar nas minúcias de cada processo produtivo; a segunda, a aceitar praticamente todo e qualquer gasto. Em segundo lugar, porque há inúmeros itens, especialmente de serviços, que são "essenciais ao", mas não "utilizados no", processo produtivo. Além desse requisito, considero igualmente excluídos pela expressão "utilizados no processo produtivo" os bens que devem compor o ativo permanente, o que significa que, em meu entender, a legislação das Fl. 586DF CARF MF Processo nº 12571.000265/200969 Acórdão n.º 9303005.017 CSRFT3 Fl. 13 12 contribuições preservou este específico óbice existente quanto ao IPI. E assim concluo porque, quanto a eles, a legislação permitiu a dedução da despesa de depreciação e desde que o bem ativado seja efetivamente empregado no processo produtivo o que inviabiliza a tomada de crédito sobre o valor integral da aquisição de uma só vez. Rejeitados, assim, os demais critérios, o da IN, o da essencialidade e o da apropriação de custos nos termos da legislação do IR, analiso cada item candidato a insumo sob o duplo ponto de vista: a) participa efetivamente do processo produtivo? b) aí se desgasta em menos de um ano, de modo a não ser ativado? Respostas afirmativas a ambas levamme a aceitálo. Passando, então, ao caso concreto, vêse que se debate a despesa com combustíveis e lubrificantes empregados em frota própria, que é utilizada para transportar a matéria prima e os produtos elaborados. Conforme se comprova da simples leitura da passagem transcrita, a lei apenas deferiu o creditamento com esses itens "quando utilizados como insumo na fabricação de produtos ou prestação de serviços". Necessário, pois, que elas se refiram a atividades que ocorram durante o processo produtivo, o que não se dá tanto no transporte de matérias primas a serem nele empregadas, nem com respeito a transporte de produtos finais dele decorrentes. O segundo item objeto de polêmica referese a bens utilizados na manutenção de tais veículos. A negativa tem o mesmo respaldo, ainda que aqui com mais intensidade, pois sequer estão eles mencionados em qualquer dos incisos do ato legal. Com efeito, o legislador apenas autorizou o creditamento, no que se relaciona aos bens do ativo permanente, quando se trate de depreciação. Não há, pois, tal direito em ambas as situações para os que, como este conselheiro, advogam a tese acima exposta. Com tais considerações, entendeu o colegiado descabido o creditamento deferido na decisão recorrida, e deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 587DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721284/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
CESSÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. DISPENSA DE RETENÇÃO NO REEMBOLSO OU RESSARCIMENTO DE CUSTOS DO CEDENTE.
A cessão de empregado de sociedade de economia mista, que permanece na folha de pagamento do cedente, não se enquadra como cessão de mão de obra, desde que haja termo de cessão estabelecendo o prazo determinado da cessão e que não haverá remuneração, mas apenas no reembolso ou ressarcimento pelo cessionário dos custos do cedente com o empregado.
Diante da inexistência de cessão de mão de obra, não há que se falar em falta de entrega de obrigação acessória relativa à cessão de mão de obra.
Numero da decisão: 2301-004.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente.
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
EDITADO EM: 13/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo - Presidente. Alexandre Evaristo Pinto - Relator. EDITADO EM: 13/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
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DISPENSA DE RETENÇÃO NO REEMBOLSO OU RESSARCIMENTO DE CUSTOS DO CEDENTE. A cessão de empregado de sociedade de economia mista, que permanece na folha de pagamento do cedente, não se enquadra como cessão de mão de obra, desde que haja termo de cessão estabelecendo o prazo determinado da cessão e que não haverá remuneração, mas apenas no reembolso ou ressarcimento pelo cessionário dos custos do cedente com o empregado. Diante da inexistência de cessão de mão de obra, não há que se falar em falta de entrega de obrigação acessória relativa à cessão de mão de obra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente. Alexandre Evaristo Pinto Relator. EDITADO EM: 13/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 12 84 /2 01 0- 01 Fl. 434DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0231.987, de 19/04/2011, (fls. 204 a 212). O processo se iniciou com o ato de infração nº 37.237.7963, lavrado em 28/05/2010 (fls. 4 a 14), no qual foi constituída multa tributária de R$ 1.410,79 em decorrência da ausência de retenção de 11% sobre pagamentos de empregados cedidos pela Cemig e Petrobrás, no período de 01 a 12/2007. Na impugnação (fls. 144 a 148), foi alegado que não há cessão de mão de obra nos termos do artigo 219, §2°, XV, do Decreto 3.048/99 com a respectiva obrigação de retenção de 11%, mas apenas cessão de contrato de trabalho pela CEMIG, que não tem lucro com a operação, sendo que a GASMIG se responsabiliza pelo pagamento de todos os custos com os empregados, por meio de reembolso, assim como é importante lembrar que a Lei Estadual 8.655/1984 do Estado de Minas Gerais, em seu art. 2°, §3°, determina que "é permitida a transferência de empregados entre a CEMIG e suas subsidiárias e controladas, mantidos os direitos assegurados legalmente e em acordos coletivos de trabalho", sendo que tanto a GASMIG quanto a CEMIG são sociedades de economia mista, de modo que seus empregados somente poderiam ser contratados mediante a realização de concurso público. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 RETENÇÃO DOS 11% (ONZE POR CENTO). INFRAÇÃO. Constitui infração o fato de o contribuinte deixar de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente de mãodeobra, a importância retida. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. Enquadramse como cessão de mãodeobra, nos termos do Regulamento da Previdência Social, os serviços de manutenção de equipamentos. A caracterização da figura do empregador se (Id pela simples constatação de quem se posta no pólo passivo da relação empregatícia formada. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO OU CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA DE DÉBITOS. AUTO DE INFRAÇÃO. A existência de certidão negativa ou de certidão positiva com efeitos de negativa de débitos não suprime o lançamento de contribuições previdenciárias devidas em função de constatação da ocorrência do fato gerador. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10680.721284/201001 Acórdão n.º 2301004.957 S2C3T1 Fl. 435 3 DILAÇÃO PROBATÓRIA A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, salvo as exceções previstas na legislação. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Desnecessária a perícia, devendo ser indeferida, quando o processo contém todos os elementos para a formação da livre convicção do julgador e não restar comprovada a necessidade de conhecimento técnico especifico para os questionamentos apresentados. O pedido de perícia deve obedecer aos requisitos legais para o deferimento de sua realização. OITIVA DE TESTEMUNHAS Não hi previsão no Decreto n° 70.235/72 que autorize a realização da oitiva de testemunhas. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 227 a 233) reiterando as alegações anteriormente feitas na impugnação, assinalando inclusive que não há qualquer contrato ou nota fiscal de cessão de mão de obra, assim como a existência de folha de pagamento e da respectiva GRPS quitada em nome da CEMIG demonstra que a contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento foi recolhida. Em 18 de abril de 2013, o julgamento do recurso foi convertido em diligência uma vez que o Recurso Voluntário não havia sido incluído no processo eletrônico, conforme a Resolução n º 2301000.378 da 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A GASMIG é sociedade de economia mista controlada pela CEMIG, também sociedade de economia mista controlada pelo Estado de Minas Gerais. O regime jurídico das sociedades de economia mista faz com que a GASMIG tenha um regime jurídico de contratação não muito flexível, que se dá mediante a realização de concurso público. Nesse sentido, há disposição específica no artigo 2º, §3º, da Lei Estadual 8.655/84 do Estado de Minas Gerais, permitindo a transferência de empregados: Fl. 436DF CARF MF 4 É permitida a transferência de empregados entre a CEMIG e suas subsidiárias e controladas, mantidos os direitos assegurados legalmente e em acordos coletivos de trabalho. Como instrumento hábil para viabilizar tal tipo de transferência, nasce o instituto da cessão de contrato de trabalho. Sobre a cessão de contrato de trabalho, Gustavo Adolpho Vogel Neto faz as seguintes ponderações: A cessão é instituto jurídico pouco estudado na esfera do Direito do Trabalho. Isso se justifica, basicamente, pelo fato de ter suas origens ligadas ao serviço público, onde é comum transferirse o servidor, a título precário, de um para outro órgão do Estado. Inexistem disposições legais, de caráter sistêmico, acerca da matéria. E tanto a doutrina quanto a jurisprudência não oferecem elementos satisfatórios para que se possa determinar o efeito jurídico da mudança temporária do destinatário da prestação de serviços. (Rev. Jur., Brasília, v. 8, n. 83, p.168179, fev./mar., 2007) Assim, diferentemente da cessão de mão de obra que é fartamente regulada, não há dispositivo expresso regulando a cessão do contrato de trabalho. Com relação à cessão de mão de obra, sobre a qual o cessionário deverá efetuar a retenção de 11% de contribuição previdenciária, vale destacar que os §3º e 4º do artigo 31 da Lei nº 8.212/92 assim a definem: Art. 31 (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Ademais, os artigos 115 a 118 da Instrução Normativa RFB nº 971/09 também traz o conceito de cessão de mão de obra: Art. 115. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10680.721284/201001 Acórdão n.º 2301004.957 S2C3T1 Fl. 436 5 § 1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. § 2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. § 3º Por colocação à disposição da empresa contratante, entendese a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. (...) Art. 118. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra, observado o disposto no art. 149, os serviços de: (...) XIV manutenção de instalações, de máquinas ou de equipamentos, quando indispensáveis ao seu funcionamento regular e permanente e desde que mantida equipe à disposição da contratante; XV montagem, que envolvam a reunião sistemática, conforme. (...) Art. 119. É exaustiva a relação dos serviços sujeitos à retenção, constante dos arts. 117 e 118, conforme disposto no § 2º do art. 219 do RPS. Parágrafo único. A pormenorização das tarefas compreendidas em cada um dos serviços, constantes nos incisos dos arts. 117 e 118, é exemplificativa. Diferentemente da cessão de mão de obra, na cessão de contrato de trabalho, ainda que haja reembolso pelo cessionário da remuneração paga ao empregado da cedente, não há intuito de lucro, sendo que o reembolso visa apenas custear os gastos que o cedente do contrato do trabalho teve para com aquele empregado. Assim, o empregado cedido permaneça registrado como empregado da cedente, ainda que ele efetue o seu trabalho no cessionário por prazo determinado conforme termo de cessão de empregado. No caso em tela, os Termos de Cessão de Empregados da CEMIG para a GASMIG (fls. 166 a 170) tinham previsão de cessão por tempo determinado. daqueles empregados, que continuariam a ser pagos pela cedente (CEMIG), no entanto, o ônus pelo pagamento caberia a cessionária (GASMIG), que reembolsaria a cedente sem adição de qualquer lucro. Fl. 438DF CARF MF 6 Ainda que os serviços prestados por alguns dos empregados cedidos sejam relacionados a manutenção de equipamentos, não há como enquadrar o mero pagamento de reembolso de despesas com salários dos empregados cedidos pelo cedente como o pagamento por uma prestação de serviço prestado por empregados cedidos. Dessa forma, a cessão de empregados de sociedade de economia mista, que permanecem na folha de pagamento do cedente, não se enquadra como cessão de mão de obra, desde que haja instrumento formalizando a cessão, na qual esteja previsto o prazo determinado da cessão, assim como conste a informação de não haverá remuneração pela cessão, mas apenas ressarcimento pelo cessionário dos custos do cedente com os empregados. Ante o exposto, considerando que não há a necessidade de retenção de 11% de contribuições previdenciárias sobre o valor ressarcido a título de cessão de contrato de trabalho, não há que se falar em ausência de entrega de obrigações acessórias relativas a tal questão. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 439DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.900601/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.537
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 06 01 /2 00 9- 75 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13896.900601/200975 Acórdão n.º 1402002.537 S1C4T2 Fl. 329 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (presidente). Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13896.900601/200975 Acórdão n.º 1402002.537 S1C4T2 Fl. 330 3 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13896.900601/200975 Acórdão n.º 1402002.537 S1C4T2 Fl. 331 4 5. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 6. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 7. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos de 2000 a 2003 (doc. nos autos), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência, comprovam que não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13896.900601/200975 Acórdão n.º 1402002.537 S1C4T2 Fl. 332 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13896.900601/200975 Acórdão n.º 1402002.537 S1C4T2 Fl. 333 6 Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13896.900601/200975 Acórdão n.º 1402002.537 S1C4T2 Fl. 334 7 Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. É como voto. Brasília (DF), 18 de maio de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13896.900601/200975 Acórdão n.º 1402002.537 S1C4T2 Fl. 335 8 Fl. 335DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.902291/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.810
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 22 91 /2 01 1- 92 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10140.902291/201192 Acórdão n.º 3302003.810 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.241. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902291/201192 Acórdão n.º 3302003.810 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902291/201192 Acórdão n.º 3302003.810 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902291/201192 Acórdão n.º 3302003.810 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902291/201192 Acórdão n.º 3302003.810 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 98DF CARF MF
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