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Numero do processo: 16327.001437/2006-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário: 2000, 2001, 2002, 2004
PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apresentando nítido caráter de provisão.
Numero da decisão: 1803-000.895
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Sérgio Luiz Bezerra Presta e Meigan Sack Rodrigues votaram pelas conclusões.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apresentando nítido caráter de provisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Sérgio Luiz Bezerra Presta e Meigan Sack Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 180300.895 S1TE03 Fl. 375 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima, conforme termo de verificação de fls. 1317, foi constatada apuração incorreta da CSLL em razão de não adição da CPMF na base de cálculo para os anoscalendário 2000 a 2002 e 2004, sendo então lavrado o auto de infração de fls. 0306, integrados pelos termos, demonstrativos e documentos neles mencionados. O crédito tributário lançado, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculado até 31/08/2006, perfaz o total de R$ 525.359,31. 2. A empresa impetrou o MS 1999.61.00.0278280 com pedido liminar, objetivando reconhecimento de inexigibilidade da CPMF, alegando inconstitucionalidade da EC 21/99. A liminar foi concedida e a sentença concedeu a segurança. Os autos subiram ao TRF que negou provimento à remessa oficial e rejeitou embargos de declaração (fls. 19). A União opôs recursos especial e extraordinário, os quais não foram admitidos. A impetrante interpôs agravos contra essa decisão. O STJ deu provimento ao agravo porém retornou o processo à instância anterior tendo em vista julgamento de processo conexo que negou provimento a recurso especial da mesma empresa. No STF foi negado seguimento ao agravo, havendo no sítio da instituição notícia de trânsito em julgado dessa decisão (fls. 185 196). 2.1. Posteriormente, a autuada impetrou o MS 2002.61.00.0119750 com pedido liminar, objetivando reconhecimento de inexigibilidade da CPMF, alegando inconstitucionalidade da EC 37/2002. A liminar foi concedida para reconhecer o direito da impetrante à aliquota zero da CPMF, tendo a União oposto agravo de instrumento requerendo efeito suspensivo contra a liminar, o qual foi deferido. Em agravo de instrumento oposto pela impetrante foi deferido efeito suspensivo para autorizar a realização de depósitos das quantias questionadas. A sentença reconheceu o direito da impetrante à aliquota zero, e posteriormente houve decisão deferindo o levantamento dos depósitos, tendo a União interposto agravo regimental (fls.2021). Apelando a União, os autos subiram ao TRF que deu parcial provimento à remessa oficial, porém negando provimento à apelação e ao agravo regimental, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 180300.895 S1TE03 Fl. 376 3 incluindo como sujeitas à aliquota zero da CPMF as atividades que especifica (fls. 198204). 3. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 22/09/2006, a contribuinte apresentou em 23/10/2006 a impugnação de fls. 81118, documentos anexos às fls. 119183, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. Afirma que para o anocalendário de 2004 considerou o valor de CPMF na base de cálculo da CSLL, de acordo com o art.50 da IN 390/2004, efetuando recolhimento em 11/05/2005 com juros e multa conforme Darf de fls. 186. Aduz, então, ser improcedente o lançamento para o período 02 a 12/2004, por ter sido efetuado o recolhimento correspondente. 3.2. Diz que a base de cálculo utilizada para o lançamento do ano de 2004 está equivocada, pois é a mesma que suportou o recolhimento de IRPJ, referindose ao ano todo, quando deveria se referir apenas ao período de 02 a 12/2004, eis que a IN 390/2004 foi publicada somente em 02/02/2004, passando a vigorar no mês de 02/2004, razão pela qual não atinge os períodos anteriores autuados. 3.3. Afirma que, apesar de a autoridade fiscal considerar que o tributo com exigibilidade suspensa possui característica de provisão, adicionandoo na base de cálculo da CSLL, tal entendimento não encontra previsão em lei, constituindo ofensa ao princípio da estrita legalidade (art.97 do C'TN). Explica que tais valores não caracterizam provisões, mas sim despesas da empresa. Expõe jurisprudência, decisões do Conselho de Contribuintes e CSRF e a doutrina sobre o tema. Menciona art.242 do RIR194, art.16 do decretolei 1.598/77 e artigos 7.° e 8.° da lei 8.541/92. Cita o § 1° do art.41 da lei 8.981/95, o qual entende vedar a dedução de despesa de tributos apenas para efeito do lucro real, mas não para o lucro líquido. Diz que o art.57 da mesma lei determina a manutenção da base de cálculo da CSLL prevista na legislação em vigor, de forma que não se sustenta o entendimento de que as normas de apuração da base de cálculo do IRPJ seriam aplicáveis à CSLL. 3.4. Repisa que a natureza dos tributos é de despesa, certa e determinada, mesmo que sua exigibilidade esteja suspensa. Afirma que o tributo levado ao crivo do Judiciário é considerado devido antes que decidido de maneira contrária. Conclui que, ocorrida a situação que originou a despesa, a mesma será computada pelo regime de competência, assim como as receitas, mesmo que o desembolso para seu pagamento efetivo aconteça posteriormente. Discorre sobre despesas e provisões. Transcreve item de Boletim Central da COSIT n.21 de 25/02/93 no sentido de que tributos e contribuições não dedutíveis para efeitos de IRPJ, por força do art. 7.° da lei n.° 8.541/92, não serão adicionados para efeitos da base de cálculo da CSLL. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 180300.895 S1TE03 Fl. 377 4 3.5. A adição dos valores de tributos com exigibilidade suspensa à base de cálculo da CSLL não deriva de lei, violando o art. 97 do CTN e 150, I, da CF. 3.6. Explica que para haver incidência da CSLL é necessário haver acréscimo patrimonial e, sendo o tributo verdadeira despesa, sua adição na base de cálculo dessa contribuição extrapola a delimitação de lucro, estipulado como materialidade pela CF (art.195). Dessa forma, conclui que houve violação à materialidade da CSLL. 3.7. Alega que a incidência da CSLL sem a dedução da despesa em debate, sobre um valor que não representa lucro, implica ferir a capacidade contributiva da empresa, indo além do lucro tributável. 3.8. Cita jurisprudência, decisões do Conselho de Contribuintes e a doutrina sobre o tema. 3.9. Pede o cancelamento da exigência, eis que a vedação à dedução da base de cálculo da CSLL de tributos com exigibilidade suspensa, além de não ter amparo legal, afronta vários preceitos constitucionais, inclusive o fato imponível da própria contribuição”. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada: “DESPESA COM TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS. INDEDUTIBILIDADE PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais não podem ser deduzidos para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE/ ILEGALIDADE DE NORMAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade/ ilegalidade de normas.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações (fls. 334/371): a) De início, impende esclarecer que a autoridade julgadora incorreu em pequeno equívoco constante no quadro "DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAIS", as fls. 224, da decisão, a medida em que nele não constam os valores exonerados pelo próprio julgador. b) A decisão é expressa ao reconhecer "(...) verificase que o auto de infração utilizou como base de cálculo da CSLL para 2004 o mesmo valor informado em tais Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 180300.895 S1TE03 Fl. 378 5 documentos (fls. 04). Aplicandose a alíquota da CSLL para os valores da CPMF suspensa referentes aos períodos de 02/2004 a 12/2004 temse o valor R$ 144.793,12, mesmo valor depositado para o principal no DARF de fls. 181. Tal valor foi recolhido após o prazo de vencimento da contribuição, com acréscimos legais (...) O DARF de fls. 181 deverá ser deduzido do total lançado para o período de 2004, efetuando sua alocação ao respectivo débito, e realizando a cobrança da CSLL restante." c) Pontuese, por oportuno, que o demonstrativo do débito que acompanha a intimação da presente decisão procedeu a exclusão dos valores excluídos nos termos do entendimento externado pela D. Autoridade Fiscal, revelando, assim, o patente equívoco cometido às fls. 244. d) Superada a extinção do débito tributário relacionado aos meses de fevereiro a dezembro de 2004, insta à Recorrente demonstrar o desacerto da D. Autoridade Julgadora e manter a exigência sobre os valores correspondentes aos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e ao mês de janeiro de 2004. e) No que tange a Instrução Normativa 390/2004, a Recorrente assevera a total impossibilidade de fundamentar a presente autuação, na medida em que, esta, somente entrou em vigor no mês de fevereiro de 2004, e como reconhecido pela própria D. Autoridade Julgadora, os valores a partir de tal mês foram devidamente recolhidos. f) De acordo com a legislação relativa à base de cálculo da CSLL, as provisões, excluídas as excetuadas no inciso I, do art. 13, da Lei n° 9.249/95, são indedutíveis, ou contrariamente, deverão ser adicionadas para a apuração da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. g) Verificase que o entendimento externado pela D. Autoridade Julgadora acerca de que os tributos com exigibilidade suspensa possuiriam características de provisões e, portanto, seria imperiosa a sua adição na base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, não pode prevalecer. Tal entendimento, no entanto, não se compatibiliza com a verdadeira natureza dos valores relativos ao pagamento de tributos com exigibilidade suspensa, perfazendose em uma interpretação extensiva com o nítido propósito de majorar a base de cálculo da contribuição sobre o lucro, sem a existência de lei que assim preveja, em clara ofensa ao princípio da estrita legalidade. h) Os tributos que estão com exigibilidade suspensa, não caracterizam provisões contábeis, mas sim verdadeiras despesas da Recorrente. Realmente, não há que se confundir ou colocar numa vala comum "valores" que se originam de eventos diferentes e possuem natureza diversa, sob a rubrica de "provisões". i) Mister se faz perquirir a natureza e origem do "encargo" que demandará a reserva de recursos, para se apurar se trata de efetiva provisão, na sua acepção científicocontábil, ou se aquele valor provisionado relacionase a uma despesa efetivamente incorrida pela pessoa jurídica, o qual se submeterá a tratamento distinto da primeira hipótese. j) Dúvida alguma pode surgir quanto à natureza de despesa dos tributos quando estes estão com exigibilidade suspensa. Isto porque, o tributo levado ao crivo do Poder Judiciário é devido antes que decidido de maneira contrária. Ou seja, até o final da demanda existe presunção da constitucionalidade das normas, razão pela qual a despesa Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 180300.895 S1TE03 Fl. 379 6 existe — visto estar consolidada a obrigação tributária pela concretização da situação hipotética descrita na norma ainda que sua cobrança esteja suspensa pelo litígio. k) A despesa com tributos, oriunda do nascimento da obrigação tributária no átimo da ocorrência do fato imponível no mundo fenomênico, é certa e determinada, mesmo que seu pagamento esteja protraído, pela espera de uma decisão judicial. l) Os tributos discutidos judicialmente não se enquadram na condição de provisão pois, em face do princípio da legitimidade e da presunção de legalidade das normas, tal exação é considerada devida desde a ocorrência de seu fato gerador, até que decisão judicial transitada em julgado declare o contrário, razão pela qual não representam diminuição patrimonial futura, mas atual e quantificável, consubstanciandose, portanto, em verdadeira despesa incorrida e necessária à manutenção da atividade empresarial. m) Segundo o entendimento exposto inicialmente pela própria Receita Federal os tributos e contribuições não dedutíveis para apuração do Lucro Real, base de cálculo do Imposto Renda das Pessoas Jurídicas, não deveriam ser adicionados a composição da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro. Ora, é incogitável supor, neste momento e através de manejos de interpretação, que a natureza jurídica de tributos e contribuições estaria alterada em razão do que dispõe o art. 13 da Lei n° 9.249/95. n) A postura de não adicionar a despesa de tributos com exigibilidade suspensa na conformação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, está absolutamente consentânea até mesmo com a disposição do parágrafo primeiro do artigo 41 da Lei n° 8.981/95, a qual veda, tãosomente, a sua dedução para efeito do lucro real, mas não para o lucro líquido. o) As "normas de pagamento" a que se refere tal dispositivo nada mais são do que as normas procedimentais a serem observadas pelo Fisco, porém, sem o condão de influenciar ou mesmo alterar a base de cálculo da CSLL. Além do que, da simples leitura do preceptivo em epígrafe, constatase que embora aplicáveis as ditas normas de apuração à CSLL, determinase a manutenção da base de cálculo da CSL prevista na legislação. p) Constituindose os tributos verdadeira despesa, a sua adição na base de cálculo da contribuição social sobre o lucro extrapola a delimitação de lucro, estipulado como materialidade pela Carta Magna (art. 195), na medida em que há um aumento fictício do mesmo, que alcançará o valor da própria despesa que não pôde ser deduzida. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 180300.895 S1TE03 Fl. 380 7 A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 17/04/2009 (AR de fls. 237). O recurso foi protocolado em 12/05/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A matéria controversa cingese à exigência sobre os valores de CPMF com exigibilidade suspensa, deduzidos nos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e ao mês de janeiro de 2004, visto que a Delegacia de Julgamento determinou a dedução dos valores pagos, no período de 02/2004 a 12/2004, do total lançado (fls. 181), excluindo a multa de ofício correspondente. A exigência tem por fundamento o entendimento de que são indedutíveis da base de cálculo da CSLL os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa. Primeiramente, a contribuinte insurgese contra a utilização da Instrução Normativa n° 390/2004 para fundamentar a autuação, um vez que ela apenas entrou em vigor no mês de fevereiro de 2004, sendo que a partir de tal mês os valores devidos foram recolhidos. Justificase a menção à IN n° 390/2004, pois na autuação foram abrangidos fatos geradores ocorridos posteriormente à sua edição. No entanto, mais importante como fundamentos da exigência são os textos legais envolvidos na discussão, quais sejam, o § 1°, do art. 41 da Lei n° 8.981/95 e o inciso I, do art. 13, da Lei n° 9.249/95. Aduz a recorrente que não pode prosperar o entendimento de que os tributos com exigibilidade suspensa possuem características de provisões. Isto porque, são verdadeiras despesas, uma vez que até o final da demanda existe presunção da constitucionalidade das normas. A exação é considerada devida desde a ocorrência de seu fato gerador, representando diminuição patrimonial autal e quantificável, e, portanto em verdade despesa incorrida e necessária à manutenção da atividade empresarial. Para enfrentar a questão, entendo ser suficiente trazer à colação voto do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, o qual reflete integralmente meu posicionamento: “O mesmo não pode ser dito acerca do direito aplicado. Entende a apelante a determinação prevista no § 1°, artigo 41 da Lei 8.981/95 não alcançaria a contribuição social; aliás, nem este dispositivo e nem o que dispõe (artigo 13 da Lei 9.249/95) ser vetada qualquer provisão não prevista em lei, pela circunstância de que o tributo, mesmo com exigibilidade suspensa, constitui "obrigação a pagar” e não provisão. Realmente, se o único texto normativo a ser interpretado fosse o § 1°, artigo 41 da Lei 8.981/95, entendo que o sujeito passivo estaria correto. Todavia, temos que enfrentar o dispositivo que estabelece a proibição de provisionar valores não autorizados por lei. O apelante considera que os tributos com exigibilidade suspensa não são uma provisão, mas sim uma obrigação, pois é imposta por lei. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 180300.895 S1TE03 Fl. 381 8 Entendo, porém, que a mera imposição por lei não é critério de distinção entre obrigação e provisão. Afinal, toda obrigação, mesmo a contratual, ainda que indiretamente, decorre de lei. Com efeito, contratos que versem sobre objetos ilícitos, não obrigam justamente por força de lei, e o contrário também é verdadeiro. Contratos com objeto lícito, analisados apenas por esta circunstância, obrigam as partes por força de lei, no caso, por força do Código Civil. Ou seja, não existem "obrigações naturais", não existe algo que deva ser provisionado pela empresa como pagamento a outrem que não seja imposto pelo ordenamento jurídico. Se a imposição por lei não distingue então obrigação de provisão, o que o faria? A certeza! Obrigações são passivos (dívidas) que apresentam certeza sobre sua própria exigibilidade, sobre seu valor (liquidez) e sobre sua data de liquidação. Assim, salários vencidos são efetivamente obrigações, pois são exigíveis e há certeza quanto a seu montante e sua data de pagamento. O mesmo, porém, não se diga das férias. A dívida é certa, o montante também; mas a data de pagamento, não. Por isso, a legislação a trata de provisão e expressamente autoriza sua dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSSL. Estabelecidos estes critérios, podemos claramente constatar que os tributos, cuja exigibilidade está suspensa por medida judicial, classificamse como provisões e não como obrigações. Não é possível precisar se serão ao final da disputa judicial realmente devidos, qual o montante que será devido e muito menos a data de sua liquidação. Dessarte, devem ser adicionados para fins de determinação da base de cálculo da CSSL. Aliás, essa é a jurisprudência pacifica deste Tribunal Administrativo. Transcrevo abaixo acórdãos a titulo exemplificativo: Número do Recurso: 135395 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10680.0180121200211 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Recorrente: BANCO MERCANTIL DO BRASIL S.A. Recorrida/Interessado:4° TURMA/DRJBELO HORIZONTE/MG Data da Sessão: 20/09/2006 00:00:00 Relator:Valmir Sandri Decisão: Acórdão 10195727 Resultado:DPPM DAR PROVIMENTO PARCIAL POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da exigência as importâncias de R$... e R$..., nos anos de 2000 e 2001, respectivamente. Vencido o Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior que Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 180300.895 S1TE03 Fl. 382 9 também admitiu a dedutibilidade dos juros sobre os valores provisionados. Ementa:CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS —TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutiveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Número do Recurso: 119249 Câmara: SÉTIMA CÂMARA Número do Processo: 13921.000147/9792 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS íl Recorrente:BEVEL BELTRÃO VEÍCULOS LTDA. Recorrida/Interessado: DRJFOZ DO IGUAÇU/PR Data da Sessão:17/08/1999 00:00:00 Relator: Carlos Alberto Gonçalves Nunes Decisão: Acórdão 10705713 Resultado: DPPU DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da tributação a quantia de R$..., referente a novembro de 1994. Ementa: CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA JUDICIAL Sob a égide do art. 8°, da Lei 8.541/92, vigente e eficaz à época do fato gerador do imposto, são indedutíveis o valor do tributo ou contribuição cuja exigência estiver suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A restrição opera enquanto não houver trânsito em julgado da sentença prolatada. Voto, pois, por negar provimento ao recurso voluntário.(Acórdão n° 10323037, sessão em 24/05/2007). Por conseguinte não merece acolhida a argumentação da recorrente de que a adição dos valores de CPMF com exigibilidade suspensa, na base de cálculo da CSLL extrapolaria a delimitação de lucro, estipulado como materialidade pela Carta Magna (art. 195), pois os tributos com exigibilidade suspensa possuem nítido caráter de provisão. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001437/200611 Acórdão n.º 180300.895 S1TE03 Fl. 383 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 15/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13609.721736/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA EM VIGOR NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 103
Como o propósito dos presentes embargos de declaração é o de ver apreciado recurso ofício, cujo valor da redução do crédito tributário que o motivou está abaixo do limite de alçada em vigor na data de hoje, voto por não conhecer dos embargos de declaração, em cumprimento da Súmula CARF n° 103.
Embargos Não Conhecidos
Numero da decisão: 3301-003.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos, nos termos do voto do relator.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA EM VIGOR NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 103 Como o propósito dos presentes embargos de declaração é o de ver apreciado recurso ofício, cujo valor da redução do crédito tributário que o motivou está abaixo do limite de alçada em vigor na data de hoje, voto por não conhecer dos embargos de declaração, em cumprimento da Súmula CARF n° 103. Embargos Não Conhecidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos, nos termos do voto do relator. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 17 36 /2 01 1- 89 Fl. 4139DF CARF MF Processo nº 13609.721736/201189 Acórdão n.º 3301003.230 S3C3T1 Fl. 4.140 2 Relatório Tratase de embargos opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão CARF n° 3301002.372, em processo com origem em Auto de Infração mediante o qual a Fiscalização exige Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – relacionado a fatos geradores compreendidos entre janeiro de 2007 e dezembro de 2008 e acréscimos legais (juros e multa), no montante de R$ 9.506.238,04 (fl. 3193). Segundo informação contida na autuação, o lançamento decorreu dos seguintes fatores (fls. 3189/3192): 1 – IPI sobre as vendas de produtos de fabricação própria – Não foi justificado motivo pelo qual a empresa deixou de destacar, em suas notas fiscais de saída, o valor do IPI sobre produtos de sua fabricação própria. Assim, não havendo dado para comprovar o efetivo recolhimento do tributo, foram lançados valores de IPI no período, considerando as alíquotas relacionadas aos Códigos NCM relacionados a cada um dos produtos da recorrente; 2 – IPI sobre transferência de produção para estabelecimento da mesma empresa – Como a recorrente não indicou, nas notas fiscais de saída de seu estabelecimento, que as transferências de mercadorias/produção estavam contempladas pela suspensão do IPI, nem se preocupavam em apontar a base legal dessa suspensão, a fiscalização lavrou o competente auto; 3 – Aproveitamento de créditos simples – Foram aproveitados, para a apuração do IPI devido, todos os créditos descritos na planilha apresentada em resposta ao Termo de Intimação 01, relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. 4 – Após a confrontação dos débitos e créditos apurados, o valor de IPI devido, segundo a fiscalização, foi lançado por meio de Auto de Infração juntamente com os consectários legais pertinentes. Apresentada impugnação (fls. 3206/3229), mediante a qual alega que (i) a fiscalização não considerou, de forma integral, os débitos de IPI decorrentes da aquisição de insumos para fabricação própria; (ii) foram indevidamente desconsiderados os créditos de IPI decorrentes das saídas de produtos NT, alíquota zero e imunes; (iii) deve ser afastada a exigência do tributo decorrente da transferência de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa; e (iv) pede a redução da multa qualificada (150%). A DRJ de Juiz de Fora (fls. 4089/4096) proveu parcialmente a impugnação da recorrente apenas para reduzir a multa qualificada. É o que se extrai da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2007 IPI. SAÍDAS COM SUSPENSÃO. CONDICIONANTES. Fl. 4140DF CARF MF Processo nº 13609.721736/201189 Acórdão n.º 3301003.230 S3C3T1 Fl. 4.141 3 Somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas regulamentares e as medidas de controle expedidas pela SRF. IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. IPI.CRÉDITOS BÁSICOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE MATERIALIDADE. A Lei nº 9.779/99 confere o direito de creditamento do IPI nas aquisições que derem origem a saídas isentas ou tributadas à alíquota zero; porém há de haver comprovação de que a autoridade fiscal, ao computar os créditos legítimos, teria omitido tais valores. IPI. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LEGITIMIDADE. INOCORRÊNCIA DE AÇÃO TÍPICA. A falta de destaque na nota fiscal do IPI devido na operação não caracteriza ocultação da ocorrência do fato gerador, nem mesmo alteração de sua natureza, o que afasta a caracterização de conduta tipificadora de sonegação. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 4105/4123, mediante o qual, quanto às razões de mérito, repisa os mesmíssimos fundamentos deduzidos em sua impugnação. Apenas no tocante à multa reduzida, que entende ser ainda extorsiva em vista da situação da empresa (em recuperação judicial), traz as mesmas doutrinas e violações constitucionais aos princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva. O CARF , por meio o Acórdão nº 3301002.372, de 28/05/2014 (fls. 4.128 a 4.132), negou provimento em análise do Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, cuja ementa transcrevo:. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZAD OS IPI Exercício: 2007, 2008 IPI.CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE PROVA QUANTO AO NÃO APROVEITAMENTO PARA APURAÇÃO DO CRÉDITO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. O aproveitamento integral, pela Fiscalização, de planilha de crédito apresentada pela própria Contribuinte pressupõe a consideração , no processo de apuração de todos os créditos a que teria direito. Eventual crédito não inserido em planilha apresentada Fl. 4141DF CARF MF Processo nº 13609.721736/201189 Acórdão n.º 3301003.230 S3C3T1 Fl. 4.142 4 pela própria Contribuinte exige demonstração cabal da sua existência e origem, o que não se verificou. Recurso Voluntário cuja fundamentação, por ser genérica, não il ide as razões da decisão recorrida. Fundamentação deficiente. IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. IPI. SAÍDAS COM SUSPENSÃO. CONDICIONANTES. FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO DEFICIENTE. Não se conhece de recurso quando de sua fundamentação não se puder constatar o objeto da controvérsia dos autos. Fundamentação deficiente. Ausência de insurgência quanto aos fundamentos da decisão rec orrida . MULTA DE OFÍCIO. A falta de destaque na nota fiscal do IPI devido na operação não caracteriza ocultação da ocorrência do fato gerador, nem mesmo alteração de sua natureza, o que afasta a caracterização de conduta tipificadora d e sonegação. O processo retornou ao CARF para julgamento do recurso de ofício, em consequência da solicitação da Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas/MG, transcrita abaixo: (...) Tendo em vista que: 1. A DRJ/JFA por meio do Acórdão nº 0940.026, de 20/04/2012 (fls. 4.089 a 4.097), deu provimento parcial à impugnação protocolada pelo contribuinte em epigrafe contra o Auto de Infração (IPI, ex. 2007) controlado pelo presente processo, reduzindo a multa de ofício de 175% para 75%. 2. Em respeito ao disposto na Portaria MF nº 03/2008, houve Recurso de Ofício, proclamado no próprio ato decisório de primeira instância administrativa, dado que o valor eximido por este ser superior ao limite estabelecido pela Portaria acima citada 3. Contra o Acórdão DRJ retrocitado foi apresentado pelo contribuinte Recurso Voluntário (fls. 4.105 a 4.123) Fl. 4142DF CARF MF Processo nº 13609.721736/201189 Acórdão n.º 3301003.230 S3C3T1 Fl. 4.143 5 4. O CARF , por meio o Acórdão nº 3301002.372, de 28/05/2014 (fls. 4.128 a 4.132), negou provimento em análise do Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo. 5. O presente processo foi encaminhado a esta ARF para que fosse dada ciência ao contribuinte em tela. Dado que houve a interposição do Recurso de Ofício, conforme acima descrito, contra o Acórdão DRJ nº 0940.026, e tendose que o CARF a respeito dele não se pronunciou no presente processo, proponho seu encaminhamento para análise e adoção das providências cabíveis. A solicitação da Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas (MG) foi recebida como embargos de declaração, em razão de o colegiado do CARF não ter julgado o recurso ofício interposto pela DRJ em Juiz de Fora (MG). O Presidente da 1° Turma Ordinária da 3° Câmara da 3° Seção emitiu despacho admitindo os embargos É o relatório. Fl. 4143DF CARF MF Processo nº 13609.721736/201189 Acórdão n.º 3301003.230 S3C3T1 Fl. 4.144 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas O Presidente da 1ª Turma da 1° Câmara da 3° Seção do CARF admitiu os embargos de declaração opostos pela Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em face do Acórdão CARF n° 3301002.372. A DRJ alegou que o colegiado do CARF teria deixado de apreciar o recurso de ofício, o que configuraria omissão e, nos termos do art. 65 da Portaria MF n° 343/15 (RICARF), justificaria a oposição dos embargos. A DRJ/JFA por meio do Acórdão nº 0940.026, de 20/04/2012 (fls. 4.089 a 4.097), deu provimento parcial à impugnação, reduzindo a multa de ofício de 150% para 75%, o que redundou numa redução do crédito tributário de R$ 2.424.275,52 que ensejaria recurso de ofício ao CARF. Na decisão de primeira instância, foi consignada a interposição de recurso ofício, uma vez que a exoneração tributária ultrapassou o limite de alçada de R$ 1.000.000,00, estabelecido pela Portaria n° 03/08, em vigor em 29/05/2014, data em que houve a apreciação de 2ª instância. Por sua vez, o contribuinte também contestou a citada decisão, apresentando recurso voluntário. O CARF proferiu decisão, negando provimento ao recurso voluntário. Contudo, o respectivo colegiado não apreciou o recurso de ofício. Contudo, em 10/02/17, foi publicada a Portaria MF n° 63/2017, alterando o limite de alçada para R$ 2.500.000,00. E assim dispõe a Súmula CARF n° 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." Como o propósito dos presentes embargos de declaração é o de ver apreciado o mencionado recurso ofício e o valor da redução do crédito tributário que o motivou é de R$ 2.424.275,52, isto é, está abaixo do limite de alçada em vigor na data de hoje, voto por não conhecer dos embargos de declaração, em cumprimento da Súmula CARF n° 103. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 4144DF CARF MF Processo nº 13609.721736/201189 Acórdão n.º 3301003.230 S3C3T1 Fl. 4.145 7 Fl. 4145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11968.001192/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/11/2008
OPERADOR PORTUÁRIO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. PENALIDADE.
O cumprimento intempestivo da obrigação acessória de prestar informação sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, sujeita o operador portuário ao pagamento da multa prevista na legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Cleber Magalhães - Relator.
Também participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira; Mércia Helena Trajano Damorim; Cassio Schappo; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo; Pedro Rinaldi de Oliveira e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/11/2008 OPERADOR PORTUÁRIO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. PENALIDADE. O cumprimento intempestivo da obrigação acessória de prestar informação sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, sujeita o operador portuário ao pagamento da multa prevista na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente. Cleber Magalhães Relator. Também participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira; Mércia Helena Trajano Damorim; Cassio Schappo; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo; Pedro Rinaldi de Oliveira e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 11 92 /2 00 8- 25 Fl. 48DF CARF MF 2 Trata o presente processo de discussão sobre auto de infração referente à multa prevista no art.107, inciso IV, "f" do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, em face da intempestiva prestação de informação, por parte do operador portuário, relacionada a operações por ele executadas, no âmbito de procedimento simplificado jungido ao regime de trânsito aduaneiro. Reproduzo o relatório feito pela DRJ/Fortaleza quando do julgamento do feito por aquela Unidade. A Alfândega do Porto de Suape. visando franquear otimização quanto aos procedimentos relativos ao trânsito de mercadorias entre os recintos alfandegados sob sua jurisdição aduaneira, com esteio no parágrafo único do art. 288 do então vigente Decreto n° 4.543/2002, resolveu expedir a Portaria n° 33, de 11/03/2008 (fls. 13/15). O beneficiário deverá, consoante os termos do § 3o do art. 3o desse diploma, promover a apresentação de documento próprio, denominado Informação de Transferência de Carga ITC, à unidade aduaneira, até o primeiro dia útil sequente à conclusão da operação. Porém (...)o beneficiário, operador portuário em tela, no que tange à execução da transferência atinente ao ITC n° 223, relacionada à carga, procedente do exterior por meio da embarcação denominada "Copacabana", não laborara em sintonia com os moldes prescritos. O momento da conclusão da operação datou de 13/11/2008, restando, portanto, o dia 14/11/2008, como marco final à apresentação do ITC mencionado. No entanto, o operador portuário somente promovera a entrega da documentação certificadora da operação em 17/11/2008, ferindo, portanto, os ditames da Portaria em análise. À vista disso, a fiscalização aduaneira, diante da intempestividade da comunicação formal, efetuou a exigência da penalidade pecuniária correspondente, resultando na exação em tela. Da impugnação (...) a autuação, em seu alicerce, ofende o princípio da estrita legalidade, visto que, no direito brasileiro, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei; em seara tributária, reza o inciso I do art. 150 da CF/88 que a exigência ou o aumento de tributo não prescinde de lei que o estabeleça; o Sistema Tributário Nacional pautase pelo princípio da estrita legalidade, descabendo, assim, qualquer obrigação legalmente desabrigada; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 11968.001192/200825 Acórdão n.º 3201002.634 S3C2T1 Fl. 3 3 obrigação emanada por "mera Portaria do Inspetor da Alfândega do Porto de Suape" não tem o condão de provocar imposição de natureza tributária; somente a lei, sob ângulo formal, pode inaugurar obrigação, carecendo legitimidade, desse modo, a Portaria ALF/SPE n° 33/2008 para introduzila de forma originária; sob outro prisma, à luz do princípio da eventualidade, o auto de infração, igualmente, não merece ser acolhido, posto que nulo, tendo em vista ocorrência de equívoco quanto ao enquadramento da suposta infração cometida. Para acolher a tipificação apresentada pelos fatos, pelo menos em tese, a fiscalização, ao revés de haver consignado a alínea "f' do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37/66 como fundamento legal da penalidade, deveria têlo feito sob o molde da alínea "f", ou mesmo a "g", do inciso VII do mencionado dispositivo legal. A 7ª Turma da DRJ/FOR no acórdão 0815.606, de 29 de maio de 2009, julgou improcedente o pedido da Recorrente, minutando nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/11/2008 OPERADOR PORTUÁRIO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.INTEMPESTIVIDADE. PENALIDADE. O cumprimento intempestivo da obrigação acessória de prestar informação sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, sujeita o operador portuário ao pagamento da multa prevista na legislação tributária. Lançamento Procedente Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual pede a anulação do auto de infração, alegando, em síntese: DO DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE: No caso concreto do auto de infração impugnado, é certo que a obrigação prevista em mera Portaria do Inspetor da Alfândega do Porto de Suape não pode implicar em imposição de obrigação de natureza tributária, visto que esta somente pode ser veiculada no mundo jurídico através de lei em sentido estrito. Ou seja, por lei formal, editada pelo Poder Legislativo, através do processo legislativo previsto na Constituição Federal de 1988. Portaria é instrumento normativo de caráter infralegal, o que significa dizer que suposta infração a uma determinada obrigação prevista na Portaria ALFSPE n.° 33/2008, não têm o condão de impor à empresa Autuada uma penalidade, visto que esta só pode Fl. 50DF CARF MF 4 ser imposta através do instrumento legal próprio, que é a Lei em sentido formal. Diante desse evidente desrespeito ao princípio da estrita legalidade, é evidente que o auto de infração impugnado não reúne a mínima condição de ser mantido. O argumento sustentado no acórdão recorrido de que a Recorrente ao aderir ao sistema simplificado de movimentação de cargas previsto na Portaria em questão estaria igualmente aderindo às penalidades impostas em razão do eventual descumprimento dessa norma não legitimam a imposição da penalidade. Neste sentido, é importante observar que somente a lei, e não a vontade da Autoridade Alfandegária ou do contribuinte, pode criar obrigações pecuniárias e penalidades a serem impostas de forma coercitiva contra os sujeitos passivos da obrigação. O tributo, ou em analogia, a penalidade não pode ser criada pela vontade das partes. Pelo menos não no que concerne a administração pública. A autoridade alfandegária, portanto, não tem competência para criar a penalidade, nem mesmo para extrair da realidade a fato típico que acaso verificado imporá ao responsável a penalidade. Essa atribuição foi reservada à lei pela Constituição Federal de 1988. Por tal razão, é imperioso concluir que a penalidade objeto do auto de infração impugnado não tem sustentação legai e por isso deve ser rechaçada. DO EQUIVOCADO ENQUADRAMENTO DA SUPOSTA INFRAÇÃO COMETIDA: Conforme se depreende pela leitura do respectivo auto de infração, o Auditor Fiscal responsável pela sua lavratura fundamentou a imposição da penalidade no art. 107, inciso IV, alínea T, do Decretolei n° 37/66, que prevê multa de R$ 5.000,00 para o operador portuário que deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federai, aplicada ao depositário ou ao operador portuário. Ocorre, no entanto, que caso se admita que a Recorrente tenha de fato cometido a infração descrita, ela deveria ser punida com a penalidade prevista no art. 107, inciso VII, alínea 'f ou 'g', do Decretolei n° 37/66, que prevê o seguinte: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: Vil de R$ 1.000,00 (mil reais): j) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; e g) por dia, pelo descumprimento de condição estabelecida para utilização de procedimento aduaneiro simplificado; Conforme se verifica pelos dispositivos legais acima transcritos, e caso se entenda que a Recorrente de fato tenha praticado a infração descrita no auto de infração impugnado, é certo que a Fl. 51DF CARF MF Processo nº 11968.001192/200825 Acórdão n.º 3201002.634 S3C2T1 Fl. 4 5 penalidade imposta deve ser aquela prevista ou na alínea 'f ou na alínea 'g' do inciso VII do art. 107 do Decretolei n° 37/66, e nunca aquela penalidade prevista no inciso IV, 'f. Por fim, o presente processo me foi distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Passemos à análise das duas questões levantadas pelo Recorrente no intuito de ver anulado o auto de infração contra ela lavrado: 1. DO DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE: A multa aplicada ao Recorrente está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "f' do Decretolei n° 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003: Art, 107, Aplicamse ainda as seguintes multas: []IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...]f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário (girfei); Por sua vez, o § 3o do art. 3o da Portaria ALF/SPE n° 33/2008 assim estabelece: Art. 3° Encontrase automaticamente autorizada a transferência de unidades de carga entre recintos alfandegados que atenda as seguintes condições: (...) §3º O operador portuário responsável pela entrega da carga deverá apresentar a ITC na Alfândega/SA VIG até o primeiro dia útil seguinte à conclusão da operação, Tratase aqui do regime especial de trânsito aduaneiro, que permite o transporte da mercadoria, sob controle aduaneiro, de um ponto a outro do território nacional, com suspensão do pagamento de tributos. Fl. 52DF CARF MF 6 Assim dizia sobre o tema, o art. 288 do Decreto 4.543/2002, o Regulamento Aduaneiro então vigente: DO TRÂNSITO ADUANEIRO Ari. 288. Poderá ser objeto de procedimento especial de trânsito aduaneiro, na forma a ser estabelecida pela Secretaria da Receita Federai (...) Parágrafo único. Poderá ter procedimento simplificado, a ser estabelecido pela autoridade aduaneira local, o trânsito aduaneiro que tiver os locais de origem e de destino jurisdicionados à mesma unidade. No mesmo sentido vai a Instrução Normativa SRF n° 248, de 25/11/2002. que dispõe sobre a aplicação do regime de trânsito aduaneiro: Ari. 83. O titular da unidade da SRF poderá estabelecer procedimento simplificado para as operações de trânsito aduaneiro cujos locais de origem e de destino estejam a ele subordinados, dispensando, no sistema, as etapas correspondentes. Inicialmente, em relação ao alegado desrespeito ao princípio da reserva legal, verifica se que o caso em tela revelase claramente como uma aplicação da chamada “norma aberta”, ou seja, aquela que depende de previsão normativa posterior. A base legal para a autuação foi a alínea '"f" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/03, haja vista o descumprimento da obrigação acessória prevista no § 3o do art. 3o da Portaria ALF/SPE n° 33/2008. No caso, tratase da complementação de uma norma penal em branco. Normas penais em branco são normas nas quais o preceito secundário (cominação da pena) está completo, permanecendo indeterminado o seu conteúdo. Tratase, portanto, de uma norma cuja descrição da conduta está incompleta, necessitando de complementação por outra disposição legal ou regulamentar. No caso em tela, é uma norma penal em branco em sentido estrito, porque o complemento provém de fonte formal diversa; a lei é complementada por ato normativo infralegal. Assim, não há ofensa à reserva legal, pois a estrutura básica do tipo está prevista em lei. Não há problemas em deixar que sua complementação seja feita por ato infralegal. O que importa é que a descrição básica esteja prevista em lei, como ocorre no caso em tela. DO EQUIVOCADO ENQUADRAMENTO DA SUPOSTA INFRAÇÃO COMETIDA: O Recorrente alega que houve erro no enquadramento legal da infração que teria sido por ele cometida, por parte da fiscalização. Diz que ao invés de se enquadrar o ato infracional na Fl. 53DF CARF MF Processo nº 11968.001192/200825 Acórdão n.º 3201002.634 S3C2T1 Fl. 5 7 alínea “f”, do inciso IV, do art. 107 do Decretolei 37, de 66, o correto seria a utilização ou da alínea “f” ou da “g” do inciso VII, do mesmo art. 107. Transcrevo os dispositivos citados para melhor esclarecimento da matéria. Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...]IVde RS 5.000,00 (cinco mil reais): f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; [...]VII de R$ 1.000,00 (mil reais): [...]f) por dia, pela descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; e g) por dia, pelo descumprimento de condição estabelecida para utilização de procedimento aduaneiro simplificado;(destaquei) Não vejo como prosperar a tese apresentada pelo Recorrente. As alíneas “f” e “g”, do inciso VII, do art. 107, referem a descumprimento de requisitos, condições ou normas para executar as atividades portuárias ou condição para a utilização de procedimento aduaneiro simplificado. No caso em tela, não houve ataque à própria utilização do procedimento aduaneiro simplificado, tampouco de pressuposto à operação de atividades de mercadorias sob controle aduaneiro. O que houve foi, tão somente, o deixar de prestar informação sobre as operações executadas, situação que se encaixa à perfeição ao dispositivo legal utilizado ao tipificar a inação do Recorrente no auto de infração agora atacado, qual seja, a alínea “f”, do inciso IV, do art. 107 do Decretolei 37/66. Aplicase, então, ao caso concreto, a legislação mais específica, conforme determina o princípio da especialidade, já há muito assentado no direito pátrio. Assim, por todo o exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o crédito tributário. Cleber Magalhães Relator Fl. 54DF CARF MF 8 Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.723156/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/05/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.530
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/05/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 31 56 /2 01 2- 41 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10711.723156/201241 Acórdão n.º 3201002.530 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujo principal argumento de defesa foi assim sintetizado pela DRJ: Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.105. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10711.723156/201241 Acórdão n.º 3201002.530 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10711.723156/201241 Acórdão n.º 3201002.530 S3C2T1 Fl. 5 4 Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.721981/2014-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. ALIENAÇÃO A PRAZO. DECADÊNCIA.
O fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital, no caso de alienação a prazo, somente se completa quando do efetivo recebimento do valor referente à venda do bem ou direito, momento a partir do qual se inicia a contagem do prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, em que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. FATOS GERADORES DISTINTOS.
Constituem fatos geradores distintos do IRPF incidente sobre o ganho de capital os recebimentos de valores referentes à venda do bem ou direito ocorridos em datas diferidas, não havendo necessariamente a vinculação da decisão administrativa relativa ao IRPF incidente sobre o recebimento ocorrido em um mês à futura apuração do IRPF relativo ao recebimento ocorrido em outro mês.
CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES.
É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A divergência na qualificação jurídica do fato não pode ser equiparado ao evidente intuito de fraude para efeito de aplicação da multa qualificada prevista no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2202-003.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que acolheram as preliminares de decadência e de existência de coisa julgada administrativa. No mérito: a) por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à infração de Omissão/Apuração Incorreta de Ganhos de Capital, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que deram provimento ao recurso; b) por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%; c) por maioria de votos, manter a incidência dos juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio (Relatora), Martin da Silva Gesto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que a excluíram. Foi designado o Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencida a Relatora. O Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto informou que apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Redator designado.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (suplente convocado).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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FATO GERADOR. ALIENAÇÃO A PRAZO. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital, no caso de alienação a prazo, somente se completa quando do efetivo recebimento do valor referente à venda do bem ou direito, momento a partir do qual se inicia a contagem do prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, em que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Constituem fatos geradores distintos do IRPF incidente sobre o ganho de capital os recebimentos de valores referentes à venda do bem ou direito ocorridos em datas diferidas, não havendo necessariamente a vinculação da decisão administrativa relativa ao IRPF incidente sobre o recebimento ocorrido em um mês à futura apuração do IRPF relativo ao recebimento ocorrido em outro mês. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 19 81 /2 01 4- 66 Fl. 1619DF CARF MF 2 Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A divergência na qualificação jurídica do fato não pode ser equiparado ao evidente intuito de fraude para efeito de aplicação da multa qualificada prevista no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Theodoro Vicente Agostinho (Suplente Convocado), que acolheram as preliminares de decadência e de existência de coisa julgada administrativa. 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(Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e Theodoro Vicente Agostinho (suplente convocado). Relatório Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.617 3 Tratase de lançamento de crédito tributário do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF relativo aos anoscalendário 2010 e 2011, efetuado por meio do Auto de Infração lavrado em 14/03/2014 (fls. 105/112), em face do contribuinte acima identificado, no montante de R$ 19.093.142,47, sendo R$ 6.839.742,96 de imposto, R$ 1.993.785,07 de juros de mora calculados até 03/2014 e R$ 10.259.614,44 de multa proporcional calculada sobre o principal. Consistiu a infração apurada na Omissão/Apuração Incorreta de Ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas não Negociadas em Bolsa de Valores, cujo respectivo Imposto de Renda exigido referese aos anos de 2010 e 2011. A ação fiscal teve como escopo a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactual S/A, CNPJ nº 30.306.294/000145, de propriedade do sócio Gilberto Sayão da Silva, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, as quais detinham todas as ações do Banco Pactual. Conforme relata a Recorrente, as mencionadas ações foram alienadas ao grupo UBS pelo preço total de R$ 1.111.647.540,24, do qual a primeira parcela foi recebida em 2006, a segunda em 2009 e o saldo restante do preço foi pago em quatro parcelas de R$ 39.335.344,69, recebidas nos meses de março e setembro de 2010 e março e julho de 2011. O presente lançamento se refere às parcelas recebidas nos anos de 2010 e 2011. Os valores recebidos em 2006 foram objeto do Auto de Infração lavrado em 16.12.2009 (Processo nº 12898.002335/200931) e a parcela de 2009 também foi objeto de outro auto de infração lavrado em 23.10.2011 (Processo nº 12448.735359/201192) A referida reorganização consistiu na extinção das holdings que detinham participação societária no Banco, por meio de sucessivas incorporações às avessas, culminando com a alienação das ações do Banco Pactual diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. De acordo com o relatório fiscal, verificouse majoração ilícita do custo das ações alienadas, gerando, como conseqüência, a redução indevida do ganho de capital tributável obtido pelo acionista pessoa física. Isso porque, os sócios pessoas físicas providenciaram uma reestruturação societária no anocalendário 2006, mediante incorporações às avessas das holdings controladoras do Banco, para permitir que a transferência das ações do Banco Pactual S.A. ao UBS AG fosse feita diretamente pelos sócios pessoas físicas. Em 28/12/2004 e em 31/12/2005, foram realizados os aumentos do capital social de Pactual Participações Ltda nos montantes de R$ 210.000.000,00 e R$ 130.000.000,00, respectivamente, passando de R$ 125.000.321,05 para R$ 335.000.321,71 em 28/12/2004 e R$ 465.000.320,61 em 31/12/2005, mediante capitalização de parte dos lucros retidos na conta lucros acumulados da sociedade. Em 31/12/2005 a Pactual Participações Ltda é incorporada por Pactual Participações S/A, cujo capital social passou de R$ 26.969.514,00 para R$ 70.118.786,40 (aumento de R$ 43.149.272,40). Posteriormente, a Pactual Participações S/A transformouse em Nova Pactual Participações Ltda. Fl. 1621DF CARF MF 4 Em 13/10/2006, foi realizado o aumento do capital social da Nova Pactual Participações Ltda no montante de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade. Em 13/10/2006 a Pactual Holdings S/A, aumentou seu capital social em R$ 202.500.000,00, mediante a capitalização de créditos detidos contra a sociedade e a capitalização da reserva legal da Companhia. Em 13/10/2006 a Pactual Holdings S/A é incorporada por Pactual S/A, passando o capital social da incorporadora de R$ 34.498.190,25 para R$ 64.248.147,47. Também nesta data, a Nova Pactual Participações Ltda é incorporada por Pactual S/A, cujo capital social passou de R$ 64.248.147,47 para R$ 97.841.295,93. Em 01/11/2006, o capital social da Pactual S/A foi aumentado em R$ 3.862.542,92, passando para R$ 101.698.838,85, com a conseqüente emissão de duas ações preferenciais subscritas pelos acionistas André Santos Esteves e Gilberto Sayão da Silva e integralizadas mediante a capitalização de créditos por eles detidos contra a sociedade. Em 03/11/2006 a Pactual S/A aumenta seu capital social em R$ 996.087.876,00, passando este para R$ 1.097.786.714,85, mediante a capitalização de créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia. Em 01/12/2006 a Pactual S/A é incorporada pelo Banco Pactual S/A, sendo vertido para o incorporador o patrimônio líquido da incorporada, de R$ 1.149.597.660,18. A partir deste último evento societário, os acionistas pessoas físicas passaram a ter participação direta no Banco Pactual S/A, detendo as ações que, posteriormente, foram alienadas. Observase um padrão nos eventos societários. Após o incremento dos respectivos Patrimônios Líquidos das companhias em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial originados pelo lucro do Banco Pactual S/A, todas as companhias Investidoras (Nova Pactual Participações Ltda, Pactual Holdings S/A e Pactual S/A) tiveram seus lucros e reservas capitalizados e posteriormente foram incorporadas pelas suas Investidas. De acordo com a fiscalização, nos processos de incorporação reversa houve majoração irregular no custo das ações alienadas, tendo em vista que o processo de extinção das holdings Pactual Participações Ltda, Nova Pactual Participações Ltda e Pactual Holdings S/A, com a anterior capitalização de dividendos nos valores de R$ 210.000.000,00, R$ 130.000.000,00, R$ 43.149.272,40, R$ 202.500.000,00, R$ 686.000.000,00, não poderiam gerar o aumento no custo das ações alienadas do Banco Pactual S/A, uma vez que, posteriormente, houve acréscimo cumulativo do custo das aludidas ações alienadas com a incorporação do acervo líquido da Pactual Holdings S/A e da Nova Pactual Participações Ltda e, mais tarde, a capitalização dos dividendos da companhia Pactual S/A, anteriormente à sua incorporação pelo Banco Pactual S/A, no montante de R$ 1.063.293.524,60, que representa a soma das parcelas R$ 29.749.957,22, R$ 33.593.148,46, R$ 3.862.542,92 e R$ 996.087.876,00. Com o evento de incorporação, todo o acervo líquido da Pactual S/A (PL), no montante de R$ 1.149.610.206,41, foi incorporado pelo Banco Pactual S/A. As ações ou quotas recebidas pelo sócio ou acionista, em decorrência do aumento de capital subscrito pela sociedade fundida, incorporada ou cindida, continuam sendo basicamente as mesmas de antes, ainda que qualitativamente tenha sofrido alteração, da mesma forma como se aceitaria indiscutivelmente como inalterada a participação societária dos sócios ou acionistas que participavam em uma sociedade que tenha incorporado patrimônio de outra. Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.618 5 Concluise que o custo da ação alienada por cada acionista tem como base a participação de cada um deles no capital social da Pactual S/A, em 01/12/2006. Todavia, o contrato firmado na compra e venda do Banco Pactual S/A determinava que, entre a data da celebração do negócio e a data da efetivação do mesmo, os lucros auferidos seriam objeto de distribuição aos antigos proprietários, de tal forma, que em 22/02/2007, os acionistas alienantes, àquela época exacionistas, receberam de dividendos o montante de R$290.754.000,06. Tal montante, portanto, referese a lucros auferidos até 01/12/2006 e, para que pudessem ser distribuídos deveriam estar incluídos no patrimônio líquido da Pactual S/A. Por isso, esta parcela deve ser deduzida do custo de aquisição apurado. Com isso, chegase ao custo das ações alienadas pelo Contribuinte, que é de R$ 183.194.183,97, correspondente a 21,20% do total da sociedade. O que evidencia a irregularidade é que o sujeito passivo recebeu novas ações em troca das extintas, por ocasião da extinção da Nova Pactual Participações Ltda, mantendo assim, em sua propriedade a mesma parcela que detinha indiretamente do Banco Pactual S/A, entidade que concentrava a efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial, como também aumentou o custo de aquisição de tais ações por meio de dividendos não distribuídos. Os dividendos capitalizados são os mesmos, na medida em que as Reservas e Lucros capitalizados por Nova Pactual Participações Ltda e Pactual S/A nada mais são do que o Resultado da Equivalência Patrimonial do Banco Pactual S/A. O cerne do trabalho fiscal reside no fato de que as operações engendradas pelas citadas sociedades empresariais, em relação à questão da incorporação de lucros e dividendos, somente encontra lastro jurídicocontábilfinanceiro relativamente àqueles gerados pelo Banco Pactual S/A, com repercussão na controladora Pactual S/A. Isso porque, eventuais ajustes promovidos pelo Banco Pactual S/A em função de acréscimos patrimoniais ocorridos nas sociedades Pactual Participações Ltda e Nova Pactual Participações Ltda nada mais eram do que a própria riqueza gerada pelo Banco Pactual S/A, as quais já haviam sido consignadas no patrimônio de Pactual S/A. Diante de todo exposto, conclui a fiscalização que, em razão dos procedimentos acima descritos, os exacionistas informaram no Demonstrativo de Ganho de Capital de suas Declarações de Ajuste Anual o custo majorado de suas ações, inserindo elementos inexatos com o fim de pagar menos imposto de renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso. Cientificado do Lançamento em 18/03/2014, conforme Aviso de Recebimento dos Correios de fl. 143, o Contribuinte, por meio de seu advogado, apresentou Impugnação em 11/04/2014 (fls. 1237/1297), trazendo, em síntese, as seguintes alegações: a) Preliminares A Impugnante, ora Recorrente, alegou duas preliminares: a.1) Decadência do lançamento, pois no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a decadência se dá no prazo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do IRPF incidente sobre ganho de capital é a alienação do bem ou direito; e esta ocorreu em 01/12/2006; teriam decorridos mais de 7 anos entre esta data e a da ciência pelo Impugnante do Lançamento, em 18/03/2014. Seria irrelevante, para fins de Fl. 1623DF CARF MF 6 contagem do prazo decadencial, que o pagamento do preço de venda tenha sido feito de forma parcelada ou à vista. Alega, ainda, que o crédito tributário exigido estaria extinto por decadência mesmo que caracterizada fraude, dolo ou simulação, hipótese em que o termo inicial do prazo decadencial é deslocado para o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador, nos termos do art. 173, I, do CTN. Isto porque, o prazo decadencial terseia iniciado em 01/01/2007 (primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador, que ocorreu em 01/12/2006) e terminado em 01/01/2012. a.2) Existência de Coisa Julgada Administrativa, uma vez que, em 16/04/2012, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ªSeção do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário apresentado pelo Impugnante, tendo cancelado integralmente o Auto de Infração de 2009, por entender que a apuração do ganho de capital na venda das ações foi realizada nos exatos termos da Lei. De acordo com a Impugnante, o Acórdão n° 210201.938 tornouse definitivo em 29/11/2012 e fez coisa julgada administrativa, encerrando a discussão quanto à apuração do ganho de capital auferido na alienação dos investimentos do Impugnante, uma vez que a situação versada nos Autos de Infração de 2009, 2011 e no presente é uma só: o ganho de capital auferido pelo Impugnante na venda das ações, realizada em 2006. b) Mérito Em relação ao mérito, a Impugnante, ora Recorrente aduz o seguinte: b.1) O Grupo Pactual era composto por diversas holdings, existentes há mais de 10 anos e constituídas em uma época em que os acionistas sequer cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual. Os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e propiciar uma distribuição adequada de seus resultados. Dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as holdings se tornassem totalmente desnecessárias. b.2) O caminho trilhado pelos acionistas para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico dentre todos disponíveis, sendo o acréscimo do custo de seus investimentos mera consequência de aplicação das normas em vigor. b.3) A Lei n° 6.404/1976 (LSA) define, em seu art. 227, a incorporação como a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Como regra, cabe à incorporadora aumentar seu capital social, sendo o aumento realizado pelo patrimônio líquido da incorporada e tocando aos acionistas desta última as ações representativas desse aumento de capital (art. 224, inciso I). b.3) A parcela do patrimônio líquido da incorporada representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação. Por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados. b.4) As capitalizações de lucros verificadas antes das incorporações não representaram mero artifício para elevação do custo dos investimentos dos acionistas, pois (i) essa elevação ocorreria independentemente da capitalização prévia dos lucros e, no caso concreto, (ii) era essencial à adequada distribuição dos lucros de Participações. Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.619 7 b.5) Em se tratando da alienação de quotas ou ações e em sendo o alienante uma pessoa física, o custo de aquisição corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros capitalizados, nos termos do § 1º do art. 130 e do art. 135 do RIR. As distorções apresentadas através dos quadros demonstrativos do TVF decorrem do texto da lei. b.6) Os ganhos de equivalência patrimonial integram o resultado do exercício da investidora e, conforme estabelece o §6° do art. 202 da LSA, os lucros do exercício devem ser integralmente distribuídos, ressalvada a possibilidade de serem retidos, nos termos dos arts. 193 a 197 da mesma lei. b.7) O art. 22 da Lei n° 9.249/95, admite que, nas extinções de pessoas jurídicas, os bens de sua propriedade sejam restituídos a seus sócios ou acionistas pelos correspondentes valores contábeis. c) Nulidade do lançamento Alega ainda que a base de cálculo utilizada no lançamento está incorreta, pois o montante dos lucros capitalizados somase o custo dos investimentos a que correspondem, ainda que eles tenham sido reconhecidos em razão da aplicação do MEP. Assim, após a capitalização dos lucros existentes em Participações, o custo dos investimentos do Impugnante atingiu R$ 287.834.315,41. Esse é, pois, o valor que deveria ter servido de ponto de partida para quantificação do ganho de capital auferido na venda das ações do BANCO, caso os efeitos da Reestruturação fossem negados. d) Redução da multa de 150% Alega ainda a inexistência de dolo ou fraude , pois a Reestruturação não foi realizada com o propósito exclusivo de economia fiscal e seria levada a efeito, independentemente desta. O Auto não nega efeitos à Reestruturação, apenas rejeita um dos efeitos fiscais, qual seja, o cômputo no custo dos investimentos dos lucros capitalizados por Participações. Assim, não há que se falar em fraude à lei, abuso de forma ou ilícito semelhante, mas sim em aplicação inadequada das normas legais que versam sobre a determinação do custo de investimentos, para efeitos de determinação de ganhos de capital. Como conseqüência requer a redução da multa de 150%, pois sua aplicação só justificase quando há evidente intuito de fraude, ou seja, quando o contribuinte age de má fé e com claro propósito de violar conscientemente a lei. e) Não incidência da multa sobre juros Por fim, alegou a Impugnante ser descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação (fls. 1416 à 1453) em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 1625DF CARF MF 8 ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constarem do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. GANHO DE CAPITAL. FATO GERADOR. ALIENAÇÃO A PRAZO. DECADÊNCIA. O fato gerador do IRPF incidente sobre o ganho de capital, no caso de alienação a prazo, somente se completa quando do efetivo recebimento do valor referente à venda do bem ou direito, momento a partir do qual se inicia a contagem do prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário, exceto no caso de dolo, fraude ou simulação, em que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. FATOS GERADORES DISTINTOS. Constituem fatos geradores distintos do IRPF incidente sobre o ganho de capital os recebimentos de valores referentes à venda do bem ou direito ocorridos em datas diferidas, não havendo necessariamente a vinculação da decisão administrativa relativa ao IRPF incidente sobre o recebimento ocorrido em um mês à futura apuração do IRPF relativo ao recebimento ocorrido em outro mês. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.620 9 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É aplicável a multa qualificada quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do Contribuinte no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Cientificado (fls. 1455) da decisão, o contribuinte apresentou o competente Recurso Voluntário, no qual reitera as alegações feitas quando da sua impugnação. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao Recurso Voluntário reiterando as alegações expostas pela fiscalização e pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O Recorrente juntou parecer do Prof. Heleno Torres datado de julho de 2016, em virtude da qual requereu que o processo fosse retirado de pauta. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1 PRELIMINARES Conforme exposto no relatório, o Recorrente alega duas preliminares: Decadência e existência de coisa julgada administrativa em relação ao fato gerador objeto do presente lançamento. Analisaremos cada uma delas a seguir. 1.1) DECADÊNCIA. Em relação a alegação de decadência suscitada pela Recorrente é fundamental que se investigue qual o momento da ocorrência do fato gerador nas operações relativas ao ganho de capital da pessoa física. Fl. 1627DF CARF MF 10 De acordo com a Recorrente, o fato gerador, nesse caso, ocorreria no momento da alienação, pois tratase de fato gerador instantâneo, no qual o tributo é devido no momento em que o sujeito passivo pratica a conduta típica. A DRJ, por sua vez, entendeu que, em razão do regime de caixa aplicável às pessoas físicas, o aspecto temporal do fato gerador ocorreria no momento do efetivo recebimento. Ao analisar a jurisprudência deste Conselho, constatase que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 16 de fevereiro de 2016, Acórdão 9202003.770, firmou o entendimento de que o ganho de capital, nas hipóteses de venda a prazo, se dá no momento do efetivo recebimento dos valores por parte da pessoa física: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA OMISSÃO DE RENDIMENTOS GANHO DE CAPITAL. Ganho de capital auferido na alienação do imóvel rural o fato gerador se dá no momento do efetivo ganho de capital. Em sendo o pagamento parcelado o fato gerador também será tomado a cada parcela separadamente. Nesse sentido, merece transcrição o voto da Conselheira Relatora Ana Paula Fernandes: Ora, estamos tratando de ganho de capital, desse modo, por uma questão deinterpretação lógica e respeitando a interpretação sistemática do conjunto de normas que compõem o arcabouço legal aplicável ao caso, não resta dúvida, se o pagamento ocorre a prazo o ganho de capital também ocorre a prazo e conseqüentemente o fato gerador se "renova" a cada parcela, observese os arts. 2 e 21, § 2 da Lei 7.713/88. LEI Nº 7.713, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1988. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º (...) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. ......... Art. 21. Nas alienações a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.621 11 considerandose a respectiva atualização monetária, se houver. Não há dúvidas de que a tributação do IRPF segue o regime de caixa – o fato gerador ocorre na medida do recebimento de rendimentos. De modo que assiste razão a fazenda nacional quando alega que a ocorrência do fato gerador ou fato imponível faz nascer a obrigação tributária. A alienação de bens, por si só, não faz nascer a obrigação de pagar tributo, portanto, somente a alienação não constitui fato gerador. É fato gerador o recebimento de rendimentos decorrentes de ganho de capital produzido na alienação. Portanto, o fato gerador não ocorre na data de alienação, mas sim, quando do recebimento das parcelas que representam o ganho de capital Da mesma forma que a decisão supra transcrita, entendo que o legislador, ao adotar o regime de caixa, elegeu como aspecto temporal do fato gerador no caso do imposto de renda pessoa física o momento do efetivo recebimento. Sendo assim, rejeito a preliminar de decadência. 1.2) EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. Ainda no âmbito das preliminares ao mérito, o Recorrente requer o reconhecimento da existência de coisa julgada administrativa em seu favor, uma vez que a situação versada nos Autos de Infração de 2009, 2011 e, no presente, é uma só: o ganho de capital auferido pelo Impugnante na venda das ações, realizada em 2006. Verificase que o pressuposto essencial para o reconhecimento da existência de coisa julgada aplicável a esses autos é o mesmo utilizado para a primeira preliminar, qual seja, o de que a ocorrência do fato gerador na apuração do ganho de capital se daria do momento da alienação, ocorrida em 2006, ainda que o pagamento tenha ocorrido de forma parcelada. Sendo assim, ao adotar a premissa de que a ocorrência do fato gerador do imposto de renda da pessoas físicas ocorre no momento do efetivo recebimento, há que se admitir a existência de fatos geradores distintos para os distintos recebimentos. Como já demonstrado no tópico relativo à decadência, no presente lançamento, foram glosados os ganhos de capital apurados em março e setembro de 2010 e em março e julho de 2011, ao passo em que no processo 12898.002335/200931 discutiase a parcela recebida à vista pelo contribuinte em virtude alienação das ações do Banco Pactual. Dessa forma, não há identidade invocada pelo Recorrente como apta a caracterizar a mencionada “coisa julgada administrativa”. Há fatos geradores distintos, como distintas bases de cálculo e aspectos temporais de ocorrência. Ademais, como bem ressaltado pela Procuradoria da Fazenda, há que se ter em mente que a Administração não pode simplesmente deixar de exercer o controle de legalidade dos seus atos. A coisa julgada administrativa a que faz menção o recorrente apenas importa no não cabimento de recurso na própria via administrativa. Assim, esgotados as instâncias de discussão relativamente ao processo 12898.002335/200931, não mais é dado à administração alterar o que ali ficara decidido. A decisão proferida pela turma julgadora Fl. 1629DF CARF MF 12 naquele processo, relativamente à situação específica ali tratada, é irretratável para a administração, pois exauridas todas as possibilidades de recurso. Todavia, coisa distinta é pretender que a administração não tenha mais a possibilidade de apreciar situação que lhe seja correlata, mas não a mesma, no âmbito de um outro processo administrativo fiscal. Em face do exposto, rejeito a preliminar: 2) MÉRITO 2.1) INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 135 RIR E AS CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICAS DO PROCESSO A controvérsia exposta se refere qual a interpretação a ser dada ao artigo 135 do RIR/99. Isso porque, tanto as alegações do Recorrente, quanto as razões expostas pela fiscalização e pela DRJ giram em torno do alcance do referido dispositivo legal que está assim disposto: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Como já exposto pelo próprio Recorrente, a reestruturação societária realizada por ele e demais sócios do Banco Pactual foi objeto de diversas autuações. Alguns processos decorrentes dessas autuações já foram julgados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Nesse sentido, citese, exemplificativamente, o decidido no Acórdão 9202 003.700: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ANOCALENDÁRIO: 2006, 2009 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.622 13 inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS DE MORA POR APLICAÇÃO DE NORMA INFRALEGAL. INOCORRÊNCIA. Somente é cabível a exclusão da imposição de penalidades e da cobrança de juros de mora quando há comprovada aplicação do disposto em normas complementares às leis. Hipótese em que a alegada observância da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, não tem o condão de afastar essa imposição, porque tal normativo não trata especificamente do caso discutido nos autos e, consequentemene, não pode dar suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada O voto do conselheiro relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos, merece transcrição pela clareza e completude com que aborda a questão. Antes de fazer a análise das alegações do Recorrente, o conselheiro faz a delimitação do problema, nestes termos: Com base nesse dispositivo, o aumento de capital, realizado por uma pessoa jurídica, por incorporação de lucros, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, conseqüentemente, de diminuir o ganho de capital. Dessa forma, de uma maneira simples e apressada, poderseia concluir que qualquer capitalização de lucros implicaria um aumento do custo da correspondente participação societária. Ocorre que essa interpretação, no entender deste conselheiro, é literal e, considerando exclusivamente o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações. Fl. 1631DF CARF MF 14 Para ilustrar a questão, vejamos uma situação, em tudo semelhante à anterior, porém em que os sócios tenham decidido criar uma holding controladora da pessoa jurídica operacional, que por sua vez, passaria a ser subsidiária integral da holding. Nesse caso: inicialmente teríamos os sócios, como proprietários da Holding, e esta reconhecendo em seu ativo uma participação societária na pessoa jurídica operacional, avaliada em R$ 1.000,00 por equivalência patrimonial; em seguida, com a pessoa jurídica operacional auferindo lucros de R$ 100,00, a Holding (por equivalência patrimonial) iria refletir esse lucro no valor de sua participação societária, o que resultaria no reconhecimento de lucros, também no valor de R$ 100,00; prosseguindo, a holding capitalizaria o lucro por ela reconhecido por equivalência patrimonial e, consequentemente, os proprietários atualizariam o valor da participação societária, para R$ 1.100,00; em momento posterior, a pessoa jurídica operacional incorporaria a holding, mantendo porém os lucros, de R$ 100,00, em seu patrimônio líquido e, somente então, capitalizaria esses lucros, permitindo que os proprietários atualizassem, mais uma vez, o valor da participação societária, agora para R$ 1.200,00;por fim, com os proprietários alienando sua participação societária por R$ 1.500,00, seria apurado um ganho de capital de apenas R$ 300,00. Repare que, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, alienado essa participação societária por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não foi de R$ 500,00, nem de R$ 400,00, mas de apenas R$ 300,00. Isso ocorreu porque os lucros de R$ 100,00, reconhecidos na Holding por equivalência patrimonial foram capitalizados, aumentando o custo de aquisição da participação societária e, posteriormente, os mesmos lucros de R$ 100,00, auferidos pela pessoa jurídica operacional, em função de suas atividades, também foram capitalizados, aumentando mais uma vez o custo de aquisição da participação societária. Consequentemente, vemos aqui o ganho de capital reduzido duas vezes.Ora, essa situação é – em essência – igual à anterior: (a) uma participação societária adquirida por mil reais, (b) a correspondente empresa – operacional – que aufere 100 reais de lucro e (c) a venda dessa participação societária por mil e 500 reais. Mas apenas pela interposição de uma holding na estrutura societária do grupo econômico, o ganho de capital ficaria reduzido. E o pior, se – ao invés de uma holding – existissem duas ou mais, o ganho de capital seria mais reduzido ainda. Portanto, essa aplicação direta do parágrafo único a qualquer incorporação de lucros leva à incoerente conclusão de que, em se existindo várias holdings interpostas entre os proprietários e a pessoa jurídica, o ganho de capital pode ficar artificialmente reduzido, até a zero ou ainda a valores negativos.(grifamos) Esclarecida a operação, o conselheiro passa a descrever a finalidade dos institutos da capitalização de lucros prevista no artigo 135, bem como do método de equivalência patrimonial, nesses termos: Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.623 15 Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e conseqüentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. (...) A propósito, lembramos que, no procedimento de consolidação, para apresentação da efetiva situação patrimonial, os lucros refletidos por equivalência patrimonial no patrimônio das investidoras devem ser eliminados. Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. (...) Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. (...) Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de Fl. 1633DF CARF MF 16 aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para não tributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.624 17 capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. (...) Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez A conclusão acima é inevitável, porque:as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas,após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional;os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, conseqüentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. A exposição acima transcrita, deixa claro que a interpretação literal do artigo 135 do RIR pretendida pelo Recorrente, na situação dos autos, não encontra respaldo no arcabouço normativo que lhe serve de suporte além de criar um benefício fiscal sem causa. Como bem observou a Procuradoria da Fazenda, a adoção da interpretação literal pretendia pelo Recorrente teve como conseqüência o aumento do custo de aquisição das ações do Banco Pactual em 233,71% quanto patrimônio líquido do Banco aumentou em 84,45%. 2.2) DA BASE DE CÁLCULO ADOTADA NO LANÇAMENTO Alega ainda o Recorrente que a base de cálculo utilizada no lançamento está incorreta, pois o montante dos lucros capitalizados somase o custo dos investimentos a que correspondem, ainda que eles tenham sido reconhecidos em razão da aplicação do MEP. Fl. 1635DF CARF MF 18 Assim, após a capitalização dos lucros existentes em Participações, o custo dos investimentos do Impugnante atingiu R$ 287.834.315,41. Entendo, todavia, que a referida alegação não merece prosperar. Isso porque, como já demonstrado, o lucro existente no grupo Pactual era um só, produzido pelo Banco e refletido nas demais empresas em razão do MEP. No entanto, tal lucro ainda não tinha sido distribuído e estava integralmente contabilizado no Banco Pactual, podendo servir de base para distribuição de dividendos ou de capitalização no próprio Banco, o que de fato ocorreu. O lucro do Banco Pactual foi distribuído entre os acionistas da empresa, beneficiando, inclusive, os próprios alienantes e autuados. Constou do contrato de venda do Banco Pactual que os antigos acionistas receberiam dividendos provenientes do lucro produzido pelo Banco no ano de 2006. Dessa forma, se o lucro do Banco Pactual serviu de fundamento para distribuição de dividendos a seus acionistas não poderia ser utilizado em capitalizações realizadas nas holdings, que não têm receita própria, mas apenas refletem, pelo MEP, o lucro gerado pelo próprio Banco. 2.3) DA MULTA QUALIFICADA O Recorrente se insurge, também, quanto a aplicação da multa qualificada de 150% por entender que: a) não foi comprovado o "evidente intuito de fraude", uma vez que não foram identificados documentos inidôneos; b) todas as operações foram escrituradas e declaradas; c) a divergência na interpretação de dispositivo legal (art. 135 do RIR) não poderia ser qualificada como fraude. Nesse ponto, entendo correta a alegação do Recorrente. Por mais que se reconheça a prática de planejamento fiscal não oponível ao fisco, uma vez que a Recorrente se abrigou na literalidade normativa para obter efeitos fiscais em oposição da teleologia dos institutos jurídicos analisados, entendo que não está configurada a fraude penal necessária a aplicação da multa agravada. Como esclarece MARCO AURÉLIO GRECO em sua obra planejamento fiscal: Outra observação a ser feita é a de que a incidência do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca do intuito fraudulento. Vale dizer, não é toda e qualquer hipótese de falta de pagamento, etc. prevista no inciso I que vai levar a multa em dobro. Se não houve o intuito de enganar, esconder, iludir, mas se, pelo contrário, o contribuinte agiu de forma clara, deixando explícitos seus atos e negócios, de modo a permitir a ampla fiscalização pela autoridade fazendária, e se agiu na convicção e certeza de que seus atos tinham determinado perfil legalmente protegido que levava ao enquadramento em regime ou previsão legalmente mais favorável não se trata de caso regulado pelo inciso II do artigo 44, mas sim de divergência de qualificação jurídica dos fatos; hipótese completamente distinta da fraude a que se refere o dispositivo. A multa agravada só tem cabimento se o elemento subjetivo do tipo for a fraude no sentido de enganar, esconder, iludir etc. Hipóteses de razoável e justificável divergência de qualificação jurídica não configuram a "fraude" a que se refere o incido II. Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.625 19 Poderão em tese configurar fraude civil ou fraude à lei, mas esta não está alcançada pelo inciso II. (grifamos) Além disso, o artigo 112 do Código Tributário Nacional é claro ao dispor que " A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato". Nesse caso, entendo que a dúvida quanto a correta compreensão do alcance do artigo 135, II do RIR pode ser constatada a partir da decisão proferida no processo 12898.002335/200931 no qual foi dado provimento ao recurso do contribuinte, por unanimidade de votos. Em face do exposto, entendo que a multa de ofício deverá ser reduzida para o percentual de 75%. 2.4) DA EXCLUSÃO DA MULTA SOBRE JUROS Discorda a recorrente da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, os quais pede, caso não seja cancelado o crédito tributário, sejam excluídos. Este Conselho já apreciou a presente matéria, no Acórdão nº 110200.060 (julgado na sessão de 28/08/2009), a Conselheira Sandra Maria Faroni, bem sintetiza o argumentação que permite a conclusão não incidência dos juros sobre a multa de ofício, vejamos: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, Fl. 1637DF CARF MF 20 art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 10 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN.” A fim de demonstrar o entendimento majoritário do CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 20216.397, sessão de 14.07.2005). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007). INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008). Inclusive há decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pelo Acórdão 910100.722 (1a. Turma da CSRF), julgado na sessão de 8 de novembro de 2010, de relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias: Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.626 21 RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. A fundamentação do referido acórdão da 1a. Turma da CSRF é de que a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre ‘débitos decorrentes de tributos e contribuições’, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão é de que a taxa SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97. Por tais razões, afasto a incidência dos juros aplicáveis sobre a multa de ofício. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o percentual da multa para 75% e afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Em que pese o bem fundamentado voto da ilustre Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, peço vênia para divergir, tão somente em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Sobre essa questão, entendo que o §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ao se referir aos juros incidentes sobre os débitos para com a União, incluiu o tributo e a multa de ofício, pois a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 1639DF CARF MF 22 §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Nesse sentido é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. (Acórdão nº 9202001.806, data de publicação: 29/11/2011, relator: Gustavo Lian Haddad, redator designado: Elias Sampaio Freire). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.191, data de publicação: 17/10/2011, relatora: Karem Jureidini Dias, redator designado: Claudemir Rodrigues Malaquias). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 9101000.539, data de publicação: 02/07/2014, relator: Valmir Sandri, redatora designada: Viviane Vidal Wagner). No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem firmado entendido de que são devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende das ementas abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.627 23 INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (grifei) (REsp nº 1.129.990PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 1º/09/2009). Portanto, é de se subsistir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator designado Declaração de voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Decadência: A despeito do excelente voto proferido pela i.Relatora, entendo ser necessário divergir em relação à aplicação da decadência in casu, tendo em vista o momento do fato gerador e as regras aplicáveis para o IRPF. Para corretamente identificar o fato gerador é preciso uma breve explanação sobre o fato jurídico que leva à imposição do IRPF sobre o ganho de capital: alienação. O ganho de capital, conforme a legislação pátria, incide sobre a alienação, a qualquer título, de bem ou direito. Nesse sentido, a alienação decorrente de doação gera ganho de capital (se o bem for recebido por valor superior ao valor originalmente declarado). Mais fácil é a apuração do ganho de capital nos casos de alienação decorrente de compra e venda, quando a base de cálculo será o preço. Como se sabe, o Código Civil de 2002 estabeleceu o contrato de compra e venda como consensual, fazendo nascer, na data do seu aperfeiçoamento, duas obrigações de dar: pelo vendedor, a coisa vendida, e pelo comprador, o preço (art. 481 e seguintes). Em outras palavras, aperfeiçoado o contrato, nasce imediatamente um créditos para cada uma das partes. Fl. 1641DF CARF MF 24 Ainda é importante registrar que o mesmo diploma legal já prevê regras aplicáveis quando a venda não é à vista. Segundo o seu art. 491, o vendedor não é obrigado a entregar a coisa vendida antes de receber o preço. Esse artigo excepciona os casos de venda a crédito, quando o vendedor não pode se opor à entrega pelo simples fato de não ter efetivamente recebido o preço. Isso porque o preço é certo, ainda que não exigível e, exatamente por não ser exigível ainda não foi quitado. Diferente é a alienação da coisa vendida a menos que igualmente tenha prazo , que já é certa e exigível desde o momento do aperfeiçoamento do negócio. Conforme registrou a própria autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal: "Segundo consta do CONTRATO, a compra e venda das ações foi firmada em 09/05/2006, porém o controle acionário somente foi transferido à Adquirente (UBS AG) com o evento denominado “Fechamento”, o qual necessitava de diversas providências a serem previamente cumpridas antes da efetiva transferência das ações ao Adquirente (Capítulo VII do CONTRATO), entre as quais estavam as (i) “Aprovações Regulatórias Necessárias” – que incluíam desde a aprovação do CADE e do BACEN até os arquivamentos das alterações contratuais/estatutárias nos órgãos competentes; e (ii) as obrigações da Adquirente, da Controladora (Pactual S/A antes da reorganização societária) e dos sócios (após a reorganização societária) – que visavam a obtenção de declarações, garantias e certificados de ambos os contratantes, além de outras providências operacionais. Para esse período entre, aproximadamente, a data de celebração do CONTRATO e a data de “Fechamento”, cunharam a denominação de “Período Intermediário”, durante o qual o controle acionário permaneceria com os alienantes das ações do Banco Pactual S/A. Conforme previsão contratual (Cláusula 1.2), a “Contraprestação do Fechamento em Dinheiro” (primeira parcela do pagamento pela venda das ações do Banco Pactual S/A) ficou definida para ser paga aos sócios pessoas físicas (uma vez que as holdings deveriam ser extintas durante o “Período Intermediário”) na “Data do Fechamento”. De fato, o recebimento dessa primeira parcela em função do “Fechamento” da compra e venda das ações ocorreu em dez/2006, conforme consta da Declaração de Imposto de Renda do sócio pessoa física. O “Pagamento Diferido” foi a parcela restante que integrou a “Contraprestação Total" (valor de alienação das ações do Banco Pactual S/A). Sua previsão contratual está contida na Cláusula 1.3 do CONTRATO, para ser pago em data posterior ao “Fechamento” da compra e venda das ações. O montante do “Pagamento Diferido” convencionado deveria variar com base no desempenho econômico do Banco Pactual S/A, especificado no CONTRATO, e sua quantificação estaria submetida a limites máximos e mínimos de valores." fl. 117 Depreendese, portanto, que foi firmado em 09/05/2006 um contrato de compra e venda da integralidade da participação, a crédito e sujeito a condição suspensiva. O evento condicionante ("fechamento") foi observado em dez/2006, levando à alienação da Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.628 25 participação acionária (entrega da coisa vendida) e ao surgimento do crédito referente ao preço. Parte desse crédito foi quitado imediatamente, enquanto o restante do preço já acordado e definido, ainda que não líquido nem exigível foi diferido para momento posterior. Repisase: não há qualquer indício de que tenham sido realizadas diversas vendas, cada uma sobre parte da participação acionária, e mediante o pagamento referente a cada negócio, mas sim um único negócio jurídico de compra e venda e, mais relevantemente, uma única alienação da participação acionária, com pagamento parcelado. Questionase: no momento do "fechamento", nasceu o crédito em prol dos alienantes? Sim. O recebimento de um crédito pode ser considerado como rendimento? Sim, posto que há disponibilidade econômica e jurídica (o alienante poderia ter feito operações bancárias, por exemplo, para liquidar antecipadamente o seu crédito). É relevante, para a constatação do fato gerador (alienação do bem ou direito) o efetivo recebimento da contraprestação (preço) ou a sua exata medida? Não, inclusive é o que se extrai de informações prestadas pela própria Receita Federal: "563 Como devem ser tributados os resultados obtidos em alienações de participações societárias quando o preço não pode ser predeterminado? Quando não houver valor determinado, por impossibilidade absoluta de quantificálo de imediato (ex.: a determinação do valor das prestações e do preço depende do faturamento futuro da empresa adquirida, no curso do período do pagamento das parcelas contratadas), o ganho de capital deve ser tributado na medida em que o preço for determinado e as parcelas forem pagas. Não obstante ser indeterminado o preço de alienação, tomase como data de alienação a da concretização da operação ou a data em que foi cumprida a cláusula preestabelecida nos atos contratados sob condição suspensiva. Contudo, alertese que o tratamento descrito deve ser comprovado pelas partes contratantes sempre que a autoridade lançadora assim o determinar." (grifamos)1 Ora, a própria Receita Federal, nas suas instruções ao público, já esclarece o momento do fato gerador: "tomase como data de alienação a da concretização da operação ou a data em que foi cumprida a cláusula preestabelecida nos atos contratados sob condição suspensiva". Ora, se o fato gerador é a alienação, e há o fato gerador sempre que a coisa é alienada, independentemente da causa, então o fato gerador na compra e venda a prazo é o mesmo fato gerador da compra e venda a vista ou mesmo da doação: a alienação. Não se pode confundir (1) a data do fato gerador do tributo, (2) com a data da apuração do tributo, nem (3) com a do pagamento do tributo. No caso de venda a prazo, apenas a data do pagamento do tributo é que é diferida. Efetivamente, o art. 140 do RIR/1999 é claro em afirmar que: Art. 140. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das 1 Disponível em: https://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2015/perguntao/assuntos/ganhode capital.htm, acessado em 11/01/2017. Fl. 1643DF CARF MF 26 parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei nº 7.713, de 1988, art. 21). Assim, ao estabelece apuração "como venda à vista", o regulamento deixou claro que a apuração do quantum debeatur deve ser feita da mesma forma, sendo a compra e venda a prazo ou à vista, ratificando o quanto afirmando antes que o fato gerador é um só, a alienação. Não poderia ser outra a solução, diante do quanto estabelece o art. 116 do CTN: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (grifamos) Ora, alienação de um bem ou direito é um ato jurídico de disposição, que pode ser causado por diversos outros fatos (em especial, mas não exclusivamente, negócios jurídicos), mas que não se altera em função da sua causa. Assim, a alienação é sempre alienação; é o ato de transferir a outrem, "alheio", pouco importando se decorre de doação ou de compra e venda; se provém de compra e venda à vista ou a prazo. Nesse sentido, como se observa do transcrito art. 116, o fato gerador (ganho de capital) decorrente da alienação se considera ocorrido "desde o momento em que esteja definitivamente constituída" a "situação jurídica", i.e., desde o momento em que a coisa, lato sensu, é alienada. Como já explicado, considerase alienado o bem ou direito no instante em que se transfere a sua propriedade, pouco importando se há uma contraprestação, e se ela foi ou não adimplida, integral ou parcialmente. Argumentar em sentido contrário (de que só há ganho de capital no momento em que um pagamento é feito), implica necessariamente em afirmar que não há ganho de capital na doação, mesmo quando o valor declarado é aquele de mercado e não o contábil. Isso porque, apesar de haver uma alienação, não haveria qualquer disponibilidade jurídica ou financeira. Mais, o complemento "tributado na proporção das parcelas recebidas", por sua vez, serve apenas para deixar claro que a cobrança do tributo, i.e., a sua exigibilidade não a ocorrência do fato gerador deve ser parcelada no mesmo ritmo dos pagamentos, quando há um preço. A justificativa será exposta abaixo. Para ratificar essa posição de que o fato gerador nasce no instante em que se aperfeiçoa o negócio, e não no momento em que o preço é pago, rememoramos o fato de que a oferta de desconto, no pagamento da dívida de bens alienados a prazo não dá azo a diminuição do valor tributável. Ora, se o fato gerador do tributo fosse o recebimento do pagamento, então a base de cálculo do ganho de capital seria o valor efetivamente pago, e não o preço acordado na data do negócio jurídico. Igualmente, havendo incidência de juros que venha a aumentar o valor das parcelas pagas após o negócio jurídico, esses valores não são incluídos na apuração do ganho de capital, mas sim no ajuste anual. Mais uma vez: se o fato gerador do ganho de capital fosse o efetivo recebimento das parcelas futuras, então a base de cálculo seria o valor efetivamente pago, e não o preço acordado na data do negócio jurídico. Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.629 27 O ordenamento pátrio criou a figura do ganho de capital diferido não para mutilar o fato gerador, destrinchandoo em cada parcela paga, mas sim para facilitar o pagamento do tributo devido devido, registrase, desde o aperfeiçoamento do negócio. Seria, pois, muito difícil concluir um negócio de compra e venda parcelada se a integralidade do ganho de capital fosse exigível no momento em o contrato se aperfeiçoasse. O vendedor exigiria, como regra, uma entrada suficiente para cobrir integralmente o valor do IRPF; essa imposição, em muitos casos, tornaria proibitivo o negócio para o adquirente, que parcela o débito (em geral) por não ter disponibilidade financeira para grandes pagamentos a vista. O pagamento diferido do imposto de renda sobre o ganho de capital é diferente, por exemplo, do contrato de locação, no qual os alugueres se tornam devidos a cada ciclo (diário, mensal, anual etc.). Neste, o negócio se aperfeiçoa no momento em que foi firmado, mas só nasce a obrigação de pagar (o débito) quando se observa um ciclo. Por exemplo, um contrato de locação residencial pode ser firmado por prazo certo de 1 mês, de 30 meses ou mesmo por tempo indeterminado; ainda assim, só haverá rendimento à medida que se passar cada mês. O locatário não é devedor dos alugueres dos 30 meses ab ovo, bem como o locador não tem direito à totalidade do valor que pode ser recebido caso o contrato perdure por todo esse período. Diferentemente, na compra e venda a prazo o comprador já deve a integralidade do valor desde o primeiro momento. O pagamento é parcelado apenas porque o débito, apesar de existente, é inexigível. Frisase, não há que se falar em regime de caixa ou regime de competência quando o pagamento do preço de uma compra e venda é parcelado: como já dito alhures, a disponibilidade jurídica e econômica surge no momento em que o negócio jurídico se aperfeiçoa, adquirindo o vendedor um crédito contra o comprador. Há, meramente, diferimento da exigibilidade do débito fiscal (o fato de tornarse "cobrável" a obrigação) para gerar facilidade financeira para o alienante e, consequentemente, facilitar os negócios da vida social. Tomando a questão ainda por outro ângulo, não se pode confundir o critério temporal do fato gerador de um tributo com o momento em que o débito perante a fazenda pública se torna exigível. O primeiro e mais claro exemplo é o próprio IRPF na sua modalidade de ajuste anual: o fato gerador (complexo) tem como referência o dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Ainda assim, a sua liquidação só ocorre depois, quando da entrega da declaração anual ao fisco ou do lançamento de ofício. Enfim, somente com a liquidação do débito tributário do IRPF que pode ocorrer por qualquer uma dessas hipóteses é que se torna exigível, não podendo o Contribuinte ser constrangido judicialmente em momento anterior. São as três datas: o fato gerador (auferimento da renda), a apuração (declaração ou lançamento), e a exigibilidade (prazo estabelecido para o pagamento). Outros exemplos podem ser dados, tais como o ICMS e o ISS. Em ambos, o critério temporal do fato gerador é o momento em que se aperfeiçoa o fato jurídico, i.e., a circulação da mercadoria ou a prestação do serviço. O fato de o pagamento ser feito em outro momento, ou de forma parcelada, não altera a data do fato gerador. In casu, o critério temporal do fato gerador do IRPF sobre ganho de capital é a alienação. O pagamento parcelado e o estabelecimento de um preço ilíquido, não alteram o critério temporal do fato gerador, apenas postergam o momento da liquidação ou da exigibilidade do débito, que já existe. Efetivamente, é o que se extrai do art. 2º da Lei nº 7.713/1988: Fl. 1645DF CARF MF 28 Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (grifamos) Nem se argumente que, tomando esse posicionamento, tornase impossível à Receita Federal fiscalizar tempestivamente os negócios com pagamentos parcelados em período superior a 5 (cinco) anos. A verdade é que a alienação de bens e direitos deve ser declarada no momento em que se aperfeiçoa, ainda que o pagamento seja diferido. O fato de o pagamento ser parcelado não implica em afirmar que o preço seja desconhecido (ou impossível de liquidação). Efetivamente, o Código Civil dedica ao menos cinco artigos às regras de estabelecimento do preço na compra e venda (arts. 485 a 489), deixando claro que o contrato se torna sem efeito ou é nulo quando não houverem normas claras que permitam a sua quantificação. Nesse sentido, inclusive, outra instrução da Receita Federal: 576 Como se tributa a alienação de bem imóvel com recebimento de seu valor em bens móveis a serem entregues parceladamente? Essa operação equiparase à venda a prazo, devendo o ganho de capital ser apurado no mês da transação e tributado na medida em que as parcelas (valor dos bens) forem recebidas. Caso o preço efetivo da operação tenha sido contratado pelas partes, considerase como valor recebido dos bens móveis no mês de seu efetivo recebimento aquele que foi contratado originalmente. Caso a operação não tenha sido expressa em dinheiro, considerase como valor recebido dos bens móveis o seu valor de mercado no mês do efetivo recebimento, sendo que se este for superior ao valor de mercado do mês da operação, este acréscimo sujeitase ao recolhimento mensal obrigatório (carnê leão), se recebido de pessoa física, ou à retenção na fonte, se pago por pessoa jurídica, e, também, ao ajuste na Declaração de Ajuste Anual. (grifamos)2 Ora, a instrução é clara: o tributo nasce e é apurado (sempre que possível) no momento em que ocorre a alienação (fato gerador); apenas a cobrança do tributo (já existente e devido) é que é parcelada. Mais: caso o preço seja pago em bens móveis (que não pecúnia), mas o preço tenha sido estabelecido no contrato, então não se considerará o valor efetivo da coisa entregue no momento do pagamento, mas sim o valor representativo da coisa entregue em relação ao preço acordado, no momento da alienação. E.g., se uma fazenda é vendida pelo preço de R$ 100.000,00, mediante a entrega de 100 vacas em dez parcelas iguais e mensais, então o ganho de capital nasce e é apurado com a alienação. O pagamento parcelado (entrega das vacas) apenas torna exigível o tributo que já é devido. Importa o preço da vaca no momento da tradição? Não. Se as vacas entregues na primeira parcela forem de melhor estirpe, valendo mais do que R$ 1.000,00 a cabeça, então o tributo será majorado nessa primeira parcela? Não. Se as vacas entregues na sexta parcela forem magras e, portanto valerem menos do que R$ 1.000,00 a cabeça, então o tributo seja minorado nessa sexta parcela? Também não. O que é mais: o fato de não haver, nas alienações decorrentes de doação, um preço definido que delimite o valor do ganho de capital não impede a tributação nem a fiscalização do imposto. Nestas hipóteses, a despeito de inexistir verdadeira disponibilidade 2 Disponível em: https://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2015/perguntao/assuntos/ganhode capital.htm, acessado em 11/01/2017. Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.630 29 econômica (em relação ao aumento do valor do bem), mas meramente jurídica, há tributação. Portanto, tampouco pode ser obstáculo à apuração e à fiscalização a inexistência de um preço líquido e préestipulado quando decorre de compra e venda a prazo. Enfim, com essa declaração entregue pelo Contribuinte , o Fisco já tem notícia da ocorrência do fato gerador (a alienação) e das informações mínimas necessárias para iniciar a fiscalização imediatamente, visando, eventualmente, corrigir o autolançamento dos Contribuintes. Portanto sempre respeitando o esforço dos nobres auditores fiscais, e reconhecendo as dificuldades decorrentes da falta de estrutura e de pessoal , não pode o cidadão ser penalizado pela mora do Estado, ficando em situação de eterna pendência. É notório, nesse contexto, retardamento dos procedimentos de fiscalização, lavrando autos de infração reiteradamente nos últimos meses do prazo decadencial, quando a Fazenda Pública dispôs de 5 (cinco) anos para fazêlo. Portanto, o simples fato de que o pagamento do tributo só é feito em momento posterior não é suficiente para justificar a mora do Estado em iniciar a fiscalização quando da notícia do fato gerador. Admitese, efetivamente, uma tendência na CSRF de julgar a questão em desfavor do Contribuinte. Contudo, é importante ressaltar que os julgamentos têm sido proferidos por maioria, como nos casos dos acódãos nº 9202003.820 e nº 9202003.770. Outrossim, é importante frisar que não se trata de posicionamento firme e antigo, vez que podem ser encontrados julgamentos em sentido diametralmente opostos, reconhecendo a decadência em casos similares, proferidos pela própria CSRF, como: Acórdão CSRF nº 920202.014, de 20/03/2012 IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. A legislação considera que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens ocorre no dia da alienação, diferindose o pagamento do tributo para o momento do recebimento de cada uma das parcelas do contrato. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Esse acórdão da CSRF apresenta a questão de forma simples e direta, merecendo transcrição: Cabe ressaltar, também, que no caso de ganho de capital em vendas a prazo o fato gerador ocorre no momento da alienação e não no pagamento das parcelas, por expressa determinação legal. Lei 8.981/1995: Fl. 1647DF CARF MF 30 Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. Essa é a inteligência de disposição contida em norma regulamentar da Receita Federal. Instrução Normativa 084/2001: Art. 31. Nas alienações a prazo, o ganho de capital é apurado como se a venda fosse efetuada à vista e o imposto é pago periodicamente, na proporção da parcela do preço recebida, até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Parágrafo único. O imposto devido, relativo a cada parcela recebida, é apurado aplicandose: I o percentual resultante da relação entre o ganho de capital total e valor total da alienação sobre o valor da parcela recebida; II a alíquota de quinze por cento sobre o valor apurado na forma do inciso I. A Instrução Normativa acima difere, de forma correta, ocorrência do fato gerador (apuração) com pagamento do tributo. Portanto, como a alienação, que difere do recolhimento do tributo, ocorre com a formalização do negócio jurídico, no caso em questão o fato gerador do tributo ocorreu com a pactuação da venda e não com o pagamento das parcelas. É de grande valia, ainda, a leitura do acórdão nº 10249.427, de 16/12/2008, proferido pelo CARF nos autos do mesmo processo no qual foi proferido o acórdão da CSRF supratranscrito: IRPF. GANHO DE CAPITAL AUFERIDO NA ALIENAÇÃO DE BEM A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. A legislação considera que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens ocorre no dia da alienação, diferindose o pagamento do tributo para o momento do recebimento de cada uma das parcelas do contrato. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Esse precedente traz interessante questionamento, mormente com a recente alteração das alíquotas aplicáveis para o ganho de capital: "De fato, se considerássemos a ocorrência de vários fatos geradores em decorrência de uma única venda e compra a prazo, terseia de admitir a aplicação de cada uma das leis Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 12448.721981/201466 Acórdão n.º 2202003.737 S2C2T2 Fl. 1.631 31 vigentes ao tempo de cada fato gerador, o que exigiria diferentes formas de apuração do imposto para parcelas decorrentes de um mesmo contrato, o que tornaria ainda mais complexo o nosso sistema, principalmente em se tratando de alienação de imóveis a prazo, cuja legislação prevê critérios de redução de base de cálculo que levam em conta os meses decorridos entre a data de aquisição e a data de alienação." O mesmo questionamento também foi suscitado pela i.Consª. Maria Teresa Martínez López, em sua declaração de voto no acórdão CSRF nº 9202003.770: "Isto porque, em apertada síntese, não há, no momento do recebimento de cada uma das parcelas, nova apuração do tributo, à luz da lei vigente ao tempo do efetivo pagamento do preço, o que seria necessário se a lei considerasse como momento da ocorrência do fato gerador a data do recebimento de cada uma das parcelas, como se o lucro fosse aferido sob o regime de caixa. Em se admitir que o fato gerador ocorre no momento do recebimento (CAIXA), haveria sim que se proceder a uma nova apuração do imposto devido, segundo a lei então vigente." Ora, se se entende que o fato gerado nos casos de ganho de capital por alienação decorrente de compra e venda é o recebimento de cada parcela, então devese aplicar para as parcelas vincendas, nos termos do art. 105 do CTN, as novas alíquotas da Lei nº 13.259/2016, o que, para dizer o mínimo, geraria enorme insegurança jurídica. De qualquer sorte, esse não foi o único processo no qual se reconheceu que o marco inicial para a contagem da decadência é a alienação, e não o recebimento das parcelas. Por todos, enumeramos: Acórdão CARF nº 2201002.172, de 19/06/2013 IRPF. GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE IMÓVEL A PRAZO. FATO GERADOR. DATA DA OCORRÊNCIA. O fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda a prazo de bens imóveis ocorre no dia da alienação. A data do fato gerador deve ser a mesma tanto para efeitos de contagem do prazo decadencial como para apuração do imposto devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Acórdão CARF nº 330100.030, de 05 de março de 2009: GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE QUOTAS DE CAPITAL INICIO DO PRAZO DECADÊNCIAL Fl. 1649DF CARF MF 32 Para fins de apuração do ganho de capital não se pode admitir que, numa mesma situação, existam datas distintas de ocorrência do fato gerador, uma para efeitos de decadência e outra para efeitos de apuração do tributo devido. Nesse entendimento, o critério temporal do imposto em referência é justamente o momento da alienação e o dies a quo do prazo decadencial, a data da celebração do contrato. Preliminar acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da 3" Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Portanto, é meu entendimento que o lançamento deve ser extinto por existência de decadência, tendo em vista que o fato gerador ocorreu em dezembro de 2006, mas que o Contribuinte só foi cientificado do lançamento em 18/03/2014 (fl. 143). Efetivamente, ainda que se considere o prazo decadencial pelas regras do art. 173, I, do CTN haja vista a existência de multa qualificada devido a acusada de fraude , está caduco o direito de a fazenda publica lançar tributo sobre esse fato gerador. (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 1650DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000519/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PRECLUSÃO. NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL.
O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido.
ILEGITIMIDADE PASSIVA PARA RESPONDER POR EVENTUAIS MULTAS DEVIDAS PELA SUCEDIDA.
É oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543-C do Código de Processo Civil (CPC), que A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.
Dessa forma, considerando o disposto no art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão.
Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir:
Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.
CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES
Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo trabalhador pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato.
REMUNERAÇÃO INDIRETA -
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre valores pagos aos seus empregados, relativos a salário-utilidade.
INDENIZAÇÃO
As rubricas intituladas Indenização e Indenização Especial, pagas em desacordo com a legislação previdenciária e sem a comprovação de que se referem a verbas indenizatórias, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial
ABONO - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E MULTAS MORATÓRIAS/PUNITIVAS.
A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.
Numero da decisão: 2301-003.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da indenização e indenização especial, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao recurso, na questão da ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do chamado abono indenizatório, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em conhecer da questão sobre ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não conhecer do recurso nesta questão; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que conheciam da questão.
João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão.
Andréa Brose Adolfo redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PRECLUSÃO. NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. ILEGITIMIDADE PASSIVA PARA RESPONDER POR EVENTUAIS MULTAS DEVIDAS PELA SUCEDIDA. É oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543-C do Código de Processo Civil (CPC), que A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Dessa forma, considerando o disposto no art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados REMUNERAÇÃO - CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo trabalhador pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato. REMUNERAÇÃO INDIRETA - A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre valores pagos aos seus empregados, relativos a salário-utilidade. INDENIZAÇÃO As rubricas intituladas Indenização e Indenização Especial, pagas em desacordo com a legislação previdenciária e sem a comprovação de que se referem a verbas indenizatórias, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial ABONO - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E MULTAS MORATÓRIAS/PUNITIVAS. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da indenização e indenização especial, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao recurso, na questão da ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do chamado abono indenizatório, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em conhecer da questão sobre ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não conhecer do recurso nesta questão; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que conheciam da questão. João Bellini Júnior Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Andréa Brose Adolfo redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
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NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. ILEGITIMIDADE PASSIVA PARA RESPONDER POR EVENTUAIS MULTAS DEVIDAS PELA SUCEDIDA. É oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que “A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão”. Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 19 /2 01 0- 50 Fl. 256DF CARF MF 2 Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição devida aos Terceiros, incidente sobre a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo trabalhador pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato. REMUNERAÇÃO INDIRETA A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre valores pagos aos seus empregados, relativos a salárioutilidade. INDENIZAÇÃO As rubricas intituladas “Indenização” e “Indenização Especial”, pagas em desacordo com a legislação previdenciária e sem a comprovação de que se referem a verbas indenizatórias, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial ABONO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA PELOS TRIBUTOS E MULTAS MORATÓRIAS/PUNITIVAS. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da indenização e indenização especial, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao recurso, na questão da ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do chamado abono indenizatório, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em conhecer da questão sobre ilegitimidade passiva na responsabilidade sobre multas, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em não conhecer do recurso nesta questão; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13864.000519/201050 Acórdão n.º 2301003.738 S2C3T1 Fl. 3 3 não conhecer da questão sobre a retificação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior, que conheciam da questão. João Bellini Júnior – Presidente e redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Andréa Brose Adolfo – redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 258DF CARF MF 4 Relatório Conselheiro João Bellini Júnior Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Bernadete de Oliveira Barros, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas às Terceiras Entidades e Fundos, FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração dos segurados a seu serviço. Conforme Relatório Fiscal (fls. 76), o fato gerador das contribuições lançadas é o pagamento, pela empresa a seus empregados, de verbas intituladas “Indenizações” e “Indenização Especial” (levantamentos I1, P e P1), “Abono Indenizatório” (lev H), “PLR” (lev T) e “Insuficiência de Saldo” (levantamentos C eC1). Integram ainda o AI as contribuições incidentes sobre pagamentos realizados a pessoas físicas enquadradas como segurados empregados pela fiscalização (levantamentos E e E1). O agente autuante informa que a empresa pagou valores a título de PLR em desacordo com a Lei 10.101/2000, pois inexistiram regras claras e objetivas, mecanismos de aferição, periodicidade e período de vigência, entre outros listados. A autoridade lançadora explica que o crédito apurado foi lançado em levantamentos distintos, a fim de separar os períodos em que a multa é mais venéfica ao contribuinte, sendo ora a legislação anterior, ora a atual. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0533.967, da 7a Turma da DRJ/CPS (fls. 905, vol. V, do processo 13864.000536/201097), julgou a impugnação procedente em parte, mantendo, em parte, o crédito tributário, excluindo os levantamentos C, C1, por entender tratarse de parcelas isentas, e E e E1, ao argumento de que não restou caracterizado o vínculo empregatício entre a empresa e os seguranças que lhe prestaram serviços. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.197, vol. XIX, do processo 13864.000536/201097), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, requer o julgamento conjunto de todos os Autos de Infração lavrados contra a recorrente na mesma ação fiscal, para se evitar decisões divergentes sobre o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13864.000519/201050 Acórdão n.º 2301003.738 S2C3T1 Fl. 4 5 No mérito, faz breve síntese da legislação que rege a matéria, frisando que nem todo valor pago ao trabalhador integra a base de cálculo do tributo, mas apenas as remunerações destinadas a retribuir o trabalho, não se constituindo em remuneração valores pagos pela empresa que ostentem natureza indenizatória, ou verbas que apresentem um caráter assistencial. Sustenta que qualquer importância recebida pelo trabalhador que não encontre uma vinculação direta com o trabalho prestado não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Entende que a NFLD é nula em razão da não comprovação da efetiva ocorrência dos fatos geradores da contribuição, e que a decisão recorrida pretendeu justificar a ação ilegal em dispositivos não aplicáveis ao caso, que não justificam a inversão pretendida de ônus da prova. Assevera que a simples identificação de rubricas em folha de pagamento como “férias indenizadas” e “abono indenizatório” não justifica a imposição tributária , sendo o lançamento discutido temerário e desprovido de fundamento legal, e lista princípios jurídicos envolvidos na matéria procedimental administrativa. Aduz que a Auditora Fiscal buscou constituir o crédito pelo critério arbitrário da exclusão, presumindo simplesmente que como os valores não foram lançados sob a rubrica “Férias Indenizadas” então teriam natureza salarial, e insiste na assertiva de que caberia à autoridade autuante o exame da natureza dos lançamentos efetuados, sendo descabida a presunção de que todos os pagamentos efetuados aos empregados listados nas planilhas “Indenização” e “Indenização Especial” corresponderiam à remuneração.. Entende que caberia à fiscalização comprovar a ocorrência do fato gerador, mediante demonstração clara e objetiva de que tais verbas se enquadram no conceito de salário de contribuição, caracterizada pela habitualidade do seu pagamento, destacando que não há qualquer indício de habitualidade na concessão dos valores pagos pela recorrente, sendo que os pagamentos em tela configuramse em verdadeiras gratificações/indenizações eventuais dos seus beneficiários. Conclui que, não havendo previsão contratual e/ou habitualidade no pagamento de determinado valor ou na concessão de determinada utilidade ao empregado, não restará configurada a natureza salarial dessa prestação, e transcreve o item “7”, da alínea “d”, do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91, para tentar demonstrar a não incidência de contribuições sobre verbas recebidas a título de gratificações não eventuais. Insiste na ausência de caráter remuneratório da PLR, e reitera que as determinações legais foram regulamente atendidas pela recorrente, firmando em acordo coletivo os critérios, valores e forma de pagamento, com a devida participação do sindicato, e que a decisão recorrida inova quanto aos requisitos de dedutibilidade de PLR, indo além do quanto previsto na Lei 10.101/2000. Alega natureza indenizatória do abono pago aos empregados, que foi concedido como compensação pela alteração nos critérios de concessão de outros benefícios, em uma única parcela, em um valor fixo indiscriminadamente a todos os empregados. Fl. 260DF CARF MF 6 Inova em relação à defesa, alegando a ilegitimidade da recorrente para responder por eventuais multas devidas pela sucedida, destacando a inocorrência de preclusão e a necessária avaliação do tema, diante do princípio da verdade material que rege o processo administrativo. Finaliza requerendo que sejam acolhidas as suas razões, para dar integral provimento ao recurso voluntário, a fim de que seja cancelado integralmente o Auto de Infração que originou o presente processo. É o relatório. O processo foi distribuído para este redator ad hoc em 15/03/2017. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13864.000519/201050 Acórdão n.º 2301003.738 S2C3T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro João Bellini Júnior, redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Bernadete de Oliveira Barros, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Preliminarmente, a autuada requer o julgamento conjunto de todos os Autos de Infração listados, a fim de se evitar decisões divergentes sobre o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. Porém, os autos cujos objetos tratam de matérias conexas foram apensados, e serão julgados conjuntamente. Contudo, os processos que tratam de matéria cuja análise independe da apreciação do mérito do presente recurso, podem ser julgados em separado, pois o resultado de um não interfere no outro. É o caso, por exemplo, dos lançamentos da retenção de 11% sobre as notas fiscais de prestação de serviços, ou da contribuição incidente sobre fretes e serviços prestados por contribuintes individuais. Tais matérias não tem relação com os presentes autos, que tratam de contribuição incidente sobre verbas pagas pela empresa a segurados empregados, consideradas remuneratórias pela fiscalização. Portanto, apenas as matérias conexas serão analisadas em conjunto. Dessa forma, passo à análise do mérito, registrando o que se segue. Verificase que a recorrente não nega que tenha realizado os pagamentos apontados pela fiscalização. Ela apenas tenta demonstrar que as verbas pagas não possuem natureza salarial e não integram o salário de contribuição. Porém, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Fl. 262DF CARF MF 8 Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar as verbas pagas da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Cumpre observar que o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês...” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Nem toda utilidade fornecida ao trabalhador tem caráter contraprestacional, sendo necessário distinguir a utilidade fornecida como retribuição pelo trabalho, que se caracteriza “salárioutilidade” e que deve ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, daquela fornecida como instrumento de trabalho, ou para o trabalho, que não se caracteriza salárioutilidade, eis que meramente instrumental para o desempenho das funções do trabalhador. Na doutrina, há várias correntes; porém, a que tem maior aplicação determina que a regra geral é que, se o trabalhador paga pela utilidade, essa não constitui salário. Se, por outro lado, aumentar seu patrimônio ou for fornecida gratuitamente, então integrará o salário para todos os efeitos legais. A CF menciona “os ganhos habituais”, ou seja, todos os ganhos de cunho remuneratório, sejam eles em dinheiro ou utilidades. E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. Portanto, as gratificações e comissões, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou o pagamento de verbas denominadas “Indenização” e “Indenização Especial”. Apesar de intimada por meio de TIF, a recorrente não esclareceu a origem de tais pagamentos, se limitando a informar que tratamse de férias indenizadas. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13864.000519/201050 Acórdão n.º 2301003.738 S2C3T1 Fl. 6 9 Ocorre que a autoridade lançadora verificou, e comprovou nos autos, que as férias indenizadas são pagas em título próprio, sob rubrica de mesmo nome, constante das folhas de pagamento. Ademais, a empresa não comprovou suas afirmações. Não apresentou, à fiscalização, elementos que demonstrassem que os pagamentos em comento se referiam a férias indenizadas. Assim, constatase que a empresa paga verbas intituladas “Indenização” e “Indenização Especial”, não esclarece a que se refere tais pagamentos, e defende que cabe à fiscalização comprovar que tais verbas não seriam indenizatórias. Porém, entendo que cabe à recorrente, e não à fiscalização, comprovar suas alegações, ou seja, que as rubricas em tela são de cunho indenizatório. Contudo, não o fez, insistindo em afirmar apenas que não há habitualidade no pagamento, e que esses pagamentos se configuram em gratificações/indenizações. Todavia, conforme exposto acima, gratificação é remuneração, e deve integrar o salário de contribuição. Cumpre ressaltar que o conceito de indenização pressupõe a reparação de um dano sofrido pelo trabalhador. No caso em tela, a recorrente não comprovou a existência desse dano. Assim, resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de “Indenização” e “Indenização Especial” em favor dos seus segurados empregados não se trata de reparação de um dano, ou de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição aos Terceiros É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do segurado ao receber tais quantias. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária e às terceiras entidades, como bem entendeu a fiscalização e os julgadores de primeira instância. A recorrente cita o art 28, § 9o, “e”, “7”, para tentar demonstrar que tais valores não podem integrar a base cálculo da contribuição previdenciária, por serem pagamentos eventuais. Contudo, constatase que a recorrente não comprovou que estamos diante de um pagamento eventual, já que não esclareceu a origem desses pagamentos. Ela precisaria demonstrar a que se referem essas rubricas, uma vez que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. Fl. 264DF CARF MF 10 Por todo o exposto, e como a recorrente não comprovou tratarse de ganho eventual, entendo que tais rubricas devam integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. Quanto ao PLR, a recorrente tenta demonstrar ausência de caráter remuneratório da referida verba, alegando que as determinações legais foram regulamente atendidas pela recorrente, firmando em acordo coletivo os critérios, valores e forma de pagamento, com a devida participação do sindicato, e que a decisão recorrida inova quanto aos requisitos de dedutibilidade de PLR, indo além do quanto previsto na Lei 10.101/2000. Porém, a fiscalização verificou que o PLR da empresa não estabelece critérios a serem cumpridos, como também observou a ausência de regras claras e objetivas na fixação dos direitos da participação. De fato, da leitura do acordo coletivo (fls. 558), verificase que não há estabelecimento de critérios ou metas a serem cumpridas, sendo que os valores pagos a título de PLR foram previamente estabelecidos. A Lei 10.101/00 estabelece que: Art.2º (...) § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente . (grifei) Dessa forma, a empresa descumpriu o disposto no parágrafo primeiro do citado dispositivo legal, ao deixar de fazer constar, no acordo pactuado, regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, bem como os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, a decisão recorrida não inovou quanto aos critérios estabelecidos na lei, pois o Relator do acórdão combatido deixou claro que o débito seria mantido pois a empresa não observou o § 1º, transcrito acima. Por tudo que foi exposto acima, concluo que a verba intitulada Participação nos Resultados foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. E, como a alínea “j”, do § 9º, do art. 28 da Lei 8.212/91, isenta de contribuição previdenciária apenas a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei nº 10.101/99, a referida verba, paga pela autuada em desacordo com o mencionado diploma legal, integra o salário de contribuição. A recorrente alega, ainda, natureza indenizatória do abono pago aos empregados, que foi concedido como compensação pela alteração nos critérios de concessão de Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13864.000519/201050 Acórdão n.º 2301003.738 S2C3T1 Fl. 7 11 outros benefícios, em uma única parcela, em um valor fixo indiscriminadamente a todos os empregados. Em relação a essa matéria, é oportuno observar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 16/2011, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”, Assim, como o pagamento em tela se enquadra no conceito de abono único, pois era pago apenas uma vez, e estava previsto em acordo coletivo, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o pagamento da verba intitulada “Abono Indenizatório”, por não integrar o salário de contribuição, uma vez que foi pago sem habitualidade. Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que deva ser dado provimento ao recurso, pelo fato de o Seguro de Vida em Grupo não integrar o salário de contribuição. A recorrente inova em relação à defesa, alegando a ilegitimidade da recorrente para responder por eventuais multas devidas pela sucedida, destacando a inocorrência de preclusão e a necessária avaliação do tema, diante do princípio da verdade material que rege o processo administrativo. Contudo, tal questionamento não foi trazido perante a primeira instância administrativa, tendo sido feito somente em sede recursal. O Decreto 70.235/72 é claro ao estabelecer que “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” E a recorrente não comprovou a ocorrência das hipóteses contidas no § 4º, do art. 16, do mesmo normativo legal, que determina que: Art. 16 (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente Fl. 266DF CARF MF 12 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, considerando que encontrase precluído o direito à discussão de matéria trazida de forma inovadora na segunda instância administrativa, em razão do que dispõe o art. 17 do referido Decreto, transcrito acima, entendo que não deva ser conhecida a parte do recurso que trata de tal matéria. Porém, caso assim não entenda a maioria do colegiado, e ainda que não se considere ocorrida a preclusão, é oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que “A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão”. Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Com relação à multa, esta Relatora não desconhece que a maioria dos membros deste Colegiado retroagem a norma para aplicar a multa de mora mais benéfica, observando o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Contudo, tal matéria não foi trazida no recurso voluntário e, por entender que não se trata de matéria de ordem pública, não há que conhecêla de ofício. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO e, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, no mérito, para excluir do débito, por improcedência, os valores relativos ao ABONO INDENIZATÓRIO. É como voto. ASSIM VOTOU A CONSELHEIRA NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior Redator ad hoc na data da formalização do acórdão. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13864.000519/201050 Acórdão n.º 2301003.738 S2C3T1 Fl. 8 13 Voto Vencedor Andréa Brose Adolfo – redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, redator original para o voto vencedor, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o voto deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Peço vênia a i. Conselheira Relatora, mas divirjo quanto ao não conhecimento da matéria suscitada pela Recorrente, qual seja, ilegitimidade da recorrente para responder por eventuais multas devidas pela sucedida. Em contraponto ao decidido pela i. Relatora, entendo que o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dito isso, conheço da matéria suscitada. Quanto ao mérito da questão, acompanho o entendimento da i. Relatora: [...] Porém, caso assim não entenda a maioria do colegiado, e ainda que não se considere ocorrida a preclusão, é oportuno esclarecer que o STJ decidiu, no Resp 923.012/MG, submetido à sistemática dos Recursos Repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que “A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão”. Dessa forma, considerando o disposto no art. 62A, do Regimento Interno do CARF, e do conteúdo do Resp 923.012/MG, transitado em julgado em 04/06/2013, entendo que a sucessora deve suportar as multas, moratórias ou punitivas, relativas a fatos geradores ocorridos antes da sucessão. Fl. 268DF CARF MF 14 Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da súmula CARF 47, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. É como voto. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. Andréa Brose Adolfo – redatora ad hoc para o voto vencedor na data de formalização do acórdão. Fl. 269DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.916315/2011-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.939
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ANOCALENDÁRIO: 2002 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 15 /2 01 1- 04 Fl. 68DF CARF MF 2 Por trazer clara síntese do processo até a interposição da Manifestação de Inconformidade, adoto o relatório da decisão de primeira instância, no Acórdão da DRJ em Florianópolis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC decidiu indeferilo (...), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados se referem a pagamentos a maior originados da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005. A contribuinte alega, ainda, a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de diligência sobre o crédito pleiteado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008." (grifei) A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente naquela oportunidade, tendo sido o referido acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Intimada pessoalmente desta decisão, foi apresentado Recurso tempestivo no qual a Recorrente alega, em síntese, a validade do crédito de PIS objeto do Pedido de Restituição, vez que calculado com base nas receitas não operacionais auferidas pela empresa, que não podem ser consideradas como base de cálculo do PIS e da COFINS como reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840. Alega ainda a nulidade do despacho decisório, por ausência de diligência prévia para verificação da validade do crédito. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13971.916315/201104 Acórdão n.º 3402003.939 S3C4T2 Fl. 3 3 Anexou ao Recurso Voluntário cópia do livro razão e planilha com a composição do crédito apurado. Em seguida, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.923, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13971.916330/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.923): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Em recente julgado desta turma relatado pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, foi reconhecimento o cabimento dos pedidos de restituição que, tal como o presente, se respaldam na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Tratase do acórdão n.º 3402003.399, ementado nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF." (Número do Processo 10980.911525/201010. Data da Sessão 29/09/2016 Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz. Acórdão n.º 3402003.399) A situação trazida sob julgamento nos presente autos é idêntica àquela julgada naquela oportunidade, razão pela qual Fl. 70DF CARF MF 4 adoto integralmente as razões delineadas por aquela Ilustre Conselheira Relatora, à luz do art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99, cujo voto foi acompanhado por unanimidade por esta Turma: "A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.916315/201104 Acórdão n.º 3402003.939 S3C4T2 Fl. 4 5 Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; concluise pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento2. Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 72DF CARF MF 6 preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, torna se imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.916315/201104 Acórdão n.º 3402003.939 S3C4T2 Fl. 5 7 antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Fl. 74DF CARF MF 8 PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.916315/201104 Acórdão n.º 3402003.939 S3C4T2 Fl. 6 9 exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerê la em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo Fl. 76DF CARF MF 10 caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." (grifos no original) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei n.º 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS")." Importante consignar que os documentos analisados no julgamento do paradigma (razão e planilha de apuração) encontram correspondência com os documentos juntados ao presente processo, variando apenas o período de apuração e os valores envolvidos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS"). 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13971.916315/201104 Acórdão n.º 3402003.939 S3C4T2 Fl. 7 11 assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.721986/2009-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 19 86 /2 00 9- 08 Fl. 319DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2302003.453, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em 17/09/2009, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 22/09/2009, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispunha o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 09/2004 a 12/2004, todos os valores pagos ao segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 105/110, não foram informadas em GFIP as remunerações dos diretores não empregados Denis Gerard Marie Fievet, Laurent Andre Bernard Schun, Michel Charles Aristide Merolli e Francesco Tadonnio, identificados através da escrituração contábil da recorrente. Aduz o relatório que os valores foram obtidos nas contas contábeis "6110 001 SALÁRIOS e " "6120 001 OUTRAS COMPENSAÇÕES DIRETAS". Como os históricos dos lançamentos não identificavam os diretores beneficiários dos pagamentos, a autuada foi devidamente intimada através do Termo de Intimação Fiscal, datado de 14/08/2009, para que apresentasse os documentos que embasaram tais lançamentos. A falta dos esclarecimentos necessários originou a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 37.215.1355 CFL 35 (PAF 10480.721982/200911), por descumprimento ao artigo 32, inciso III, da Lei n.º 8.212/91. A constatação de que todos os valores contabilizados não haviam sido informados em GFIP, originou a presente autuação. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, constam também desta autuação as remunerações pagas a pessoas físicas que prestaram serviço à autuada, na condição de contribuintes individuais, cujos valores foram escriturados numa única conta contábil, que engloba pagamentos efetuados a pessoas físicas e pessoas jurídicas, em afronta ao disposto Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10480.721986/200908 Acórdão n.º 9202005.075 CSRFT2 Fl. 10 3 pelo artigo 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 37.215.1345 CFL 34(PAF 10480.721981/200977). Aduz que a escrituração contábil também não era discriminada por CNPJ. Por derradeiro, o Fisco informa que foi lavrado o Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 37.215.1361CFL 38 (PAF 10480.721983/200966), porque no exercício de 2004, foram efetuados diversos lançamentos contábeis nos Livros diário de números 142 a 163, sem constar o histórico dos mesmos, ou utilizandose de históricos genéricos, impedindo a visualização da natureza dos pagamentos efetuados e de seus beneficiários. A falta de comprovação por parte da autuada da natureza dos pagamentos lançados na sua contabilidade para os diretores não empregados e que outros vários pagamentos não se referem a pessoas físicas, permitiu o lançamento do valor total apurado como base de incidência contributiva previdenciária, com arrimo no artigo 33, parágrafo 3º, da Lei n.º 8.212/91 e consequentemente, o presente auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. O Contribuinte apresentou impugnação às fls. 150/167, discordando dos motivos ensejadores do AI. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ –, às fls. 197/208, julgou o lançamento do crédito procedente. O Contribuinte, apresentou Recurso Ordinário, aduzindo, em síntese, que houve equívoco por parte do Fisco na compreensão do seu Plano de Contas; que a multa extrapola o limite do razoável; e que a negativa do pedido de diligência e perícia afronta o princípio do contraditório, porque a perícia é necessária para apurar a regularidade dos recolhimentos. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 275/289, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 Ementa: AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Fl. 321DF CARF MF 4 Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 290/297, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido para analise, pois se verificou que no acórdão paradigma o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91. Às fls. 298/303, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência arguida, uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando a divergência jurisprudencial apontada. O acórdão paradigma versa sobre o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Verificouse que no acórdão paradigma consignouse que o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 310/316, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. O contribuinte insurgiuse contra o conhecimento do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional alegando a não existência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Não assiste razão ao contribuinte, pois a discussão que justifica o recebimento do recurso interposto pela Fazenda é a divergência no critério jurídico aplicável ao Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10480.721986/200908 Acórdão n.º 9202005.075 CSRFT2 Fl. 11 5 caso, qual seja a discussão acerca da multa aplicada no caso de descumprimento de obrigações principais e acessórias. Sendo assim conheço do recurso e passo ao mérito. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à multa por descumprimento de obrigação acessória, no qual se verificou que no acórdão paradigma o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: Fl. 323DF CARF MF 6 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10480.721986/200908 Acórdão n.º 9202005.075 CSRFT2 Fl. 12 7 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 325DF CARF MF 8 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10480.721986/200908 Acórdão n.º 9202005.075 CSRFT2 Fl. 13 9 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 327DF CARF MF 10 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10480.721986/200908 Acórdão n.º 9202005.075 CSRFT2 Fl. 14 11 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000490/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Não padece de nulidade a autuação que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito.
Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. Alegada eventual irregularidade, cabe à autoridade julgadora verificar se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar-se do princípio da informalidade do processo administrativo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
Para o ano calendário de 2005, ocorreu em 31/12/2005. Cientificado da autuação em 26/02/2010, não havia decorrido o período decadencial, portanto.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO. ANÁLISE INDIVIDUALIZADA.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
As conclusões baseadas no dispositivo legal, artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não podem se dar por indícios e em termos genéricos, isso porque a análise de depósitos bancários (créditos), para fins de aplicação do supracitado artigo, deve ser feita individualizadamente, para efeito de determinação da receita omitida, a teor de seu § 3º.
Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.
DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS.
Não cabe à Administração determinar a realização de perícias para suprir prova, ou instrução insuficiente, que o recorrente deveria fazer constar dos autos, desde a impugnação. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Precedentes da CSRF. Acórdão nº 9303-002.548, 3ª Turma.
DOLO E FRAUDE. MULTA QUALIFICADA.
A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. Precedentes da CSRF. Acórdão nº 9202-003.128, 2ª Turma.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e indeferir o pedido de perícia. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os seguintes valores: R$ 287.500,00, em 26/06/2006; R$ 400.000,00 em 30/03/2006; R$ 200.000,00 em 22/09/2006 e R$ 286.000,00, em 28/09/2006, todos do Banco Santander. Vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negaram provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não padece de nulidade a autuação que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. Alegada eventual irregularidade, cabe à autoridade julgadora verificar se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar-se do princípio da informalidade do processo administrativo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Para o ano calendário de 2005, ocorreu em 31/12/2005. Cientificado da autuação em 26/02/2010, não havia decorrido o período decadencial, portanto. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO. ANÁLISE INDIVIDUALIZADA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As conclusões baseadas no dispositivo legal, artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não podem se dar por indícios e em termos genéricos, isso porque a análise de depósitos bancários (créditos), para fins de aplicação do supracitado artigo, deve ser feita individualizadamente, para efeito de determinação da receita omitida, a teor de seu § 3º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Não cabe à Administração determinar a realização de perícias para suprir prova, ou instrução insuficiente, que o recorrente deveria fazer constar dos autos, desde a impugnação. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Precedentes da CSRF. Acórdão nº 9303-002.548, 3ª Turma. DOLO E FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. Precedentes da CSRF. Acórdão nº 9202-003.128, 2ª Turma. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e indeferir o pedido de perícia. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os seguintes valores: R$ 287.500,00, em 26/06/2006; R$ 400.000,00 em 30/03/2006; R$ 200.000,00 em 22/09/2006 e R$ 286.000,00, em 28/09/2006, todos do Banco Santander. Vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negaram provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
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Não padece de nulidade a autuação que seja lavrada por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. Alegada eventual irregularidade, cabe à autoridade julgadora verificar se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Para o ano calendário de 2005, ocorreu em 31/12/2005. Cientificado da autuação em 26/02/2010, não havia decorrido o período decadencial, portanto. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO. ANÁLISE INDIVIDUALIZADA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 04 90 /2 01 0- 42 Fl. 4310DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.311 2 regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As conclusões baseadas no dispositivo legal, artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não podem se dar por indícios e em termos genéricos, isso porque a análise de depósitos bancários (créditos), para fins de aplicação do supracitado artigo, deve ser feita individualizadamente, para efeito de determinação da receita omitida, a teor de seu § 3º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Não cabe à Administração determinar a realização de perícias para suprir prova, ou instrução insuficiente, que o recorrente deveria fazer constar dos autos, desde a impugnação. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Precedentes da CSRF. Acórdão nº 9303 002.548, 3ª Turma. DOLO E FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. Precedentes da CSRF. Acórdão nº 9202003.128, 2ª Turma. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e indeferir o pedido de perícia. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os seguintes valores: R$ 287.500,00, em 26/06/2006; R$ 400.000,00 em 30/03/2006; R$ 200.000,00 em 22/09/2006 e R$ 286.000,00, em 28/09/2006, todos do Banco Santander. Vencidos os Conselheiros Rosemary Figueiroa Augusto e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negaram provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fl. 4311DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.312 3 Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 779), complementandoo ao final: Para LUIZ AUGUSTO DO VALLE DE LIMA. já qualificado nos autos, foi lavrado em 22/2/2010 o Auto de Infração de fls. 1/11, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no valor de RS 8.757.681,9, sendo R$ 3.151.252,85 de imposto de renda pessoa física (código 2904), R$ 4.726.879,27 de multa proporcional (passível de redução) e R$ 879.549,47 de juros de mora calculados até janeiro/2010. Decorreu o citado lançamento da ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte, relativamente aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, exercícios financeiros de 2006, 2007 e 2008, quando foi detectada infração representada por omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tudo conforme pormenorizado no Relatório Fiscal de fls. 12/53 e nas planilhas de fls. 54/75. Cabe transcrever os seguintes trechos do citado Relatório Fiscal: A presente ação fiscal foi determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 06104002009001753, instituído em função de demanda externa requisitória, parar realização das verificações previstas nas operações IRPF — Variação Patrimonial,, IRPF — Sinais Exteriores de Riqueza e Movimentação Financeira Incompatível, referentes aos anos calendário de 2005, 2006 e 2007. 3) OPERAÇÃO RELUZ O Ministério Público Federal ofereceu Denúncia contra LUIZ AUGUSTO DO VALLE DE LIMA E OUTROS, que foi protocolada na 2° Vara Federal Criminal de São Paulo/.SP sob n° 2007.61.81.0072940, conforme cópias de parte do processo, extraídas com autorização Juíza Federal Silvia Maria Rocha, e que constituirão os Anexos I a XVII que acompanham o Processo Administrativo Fiscal. No Relatório Fiscal do Inquérito Policial n° 12014012007, Processo n° 2007.61.81.0066800, elaborado pela Superintendência Regional da Polícia Federal no Estado de São Paulo, gire embasou a Denúncia oferecida pelo Ministério Público, são relatados fados que mostram ai ligação de Luiz Augusto com a Fábrica de Cigarras Fl. 4312DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.313 4 Fenton Indústria e Comércio de Cigarros Imp. Exp. Lidar, que possui uni histórico de ilicitudes (falsificação de selos de IP1, contrabando de mercadorias, crimes contra a ordem tributária) descritas naquele Relatório. Nas investigações efetuadas pela Polícia Federal ficou evidenciado que Luiz Augusto era um dos articuladores de lavagem de dinheiro dos denunciados, utilizando para tal a empresa PIONEIRA CONSULTORIA FINANCEIRA LTDA. 6) CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA A Delegada de Polícia Federal, Dra, Maria Lúcia Wünderlich dos Santos já indiciou Luiz Augusto do Valle de Lima por Crime contra a ordem tributaria nos termos do artigo 1 ° II, da Lei nº 8.137/90. ... [destaques do original] Não foi lavrada, portanto, a Representação Fiscal para Fins Penais contra o peticionário. Aplicouse, todavia, sobre o imposto apurado, multa proporcional qualificada de 150%, por ter ocorrido, em tese, crime contra a ordem tributária. O contribuinte apresenta a impugnação de fls. 445/483 (instruída pelos elementos de fls. 515/724 e pelo Anexo 1), na qual solicita o cancelamento do auto de infração, cuja síntese é a que segue. I — Do lançamento. Relata a motivação do lançamento. II — Da decadência parcial da pretensão fazendária. O IRPF corresponde a tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo prazo decadencial encontrase previsto no art. 150, § 4°, CTN. Tendo o impugnante tomado ciência do auto de infração em 26/2/2010, efetivamente já se operou a decadência, no que tange aos supostos fatos geradores ocorridos em janeiro/2005. Transcreve o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que trata da tributação da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e menciona acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. III — Da improcedência do lançamento fiscal. IIIa) Do incorreto lançamento a título de depósitos bancários de origem não comprovada. Requer que o lançamento fiscal seja trazido aos seus efetivos contornos, de modo a se refutar a exigência em questão de acordo com os elementos analisados no decorrer da fiscalização, haja vista que as demais questões que envolvem o contribuinte já estão sendo discutidas e rebatidas em outra alçada, motivo pelo Fl. 4313DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.314 5 qual não caberia o seu debate no âmbito dos órgãos julgadores administrativos do Ministério da Fazenda, cuja competência é a verificação da ocorrência, ou não, de infrações contra as normas de caráter tributário. Faz, a seguir, um histórico das respostas fornecidas pelo impugnante em atendimento aos Termos de Intimação de ns. 01 a 04, onde está evidenciado o vasto documentário apresentado à Fiscalização, juntamente com os esclarecimentos pertinentes, destacandose que tais elementos se referem aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007. Nesse histórico, percebese que o requerente não deixou de prestar os esclarecimentos pertinentes em nenhuma das intimações. muito pelo contrário. enviou diversos elementos de prova aliados aos esclarecimentos correspondentes, de modo a comprovar a origem dos valores que transitaram por suas contascorrentes nos anos calendário de 2005 a 2007. Em que pese o reconhecimento parcial da comprovação dos créditos, quanto aos demais valores examinados a autoridade fiscal se posicionou no sentido de que esses não teriam sido devidamente comprovados, pelo que efetuou o lançamento. Ocorre que as justificativas adotadas pela Fiscalização para fins de amparar o lançamento fiscal não se demonstraram como de todo suficientes para afastar os diversos elementos de prova trazidos aos autos pelo impugnante. IIIb) Dos depósitos com recursos próprios. Transcreve a "frágil" justificativa fiscal para afastar a comprovação dos depósitos oriundos da distribuição de lucros efetuada pela empresa Pioneira Consultoria Financeira Ltda. Pela simples leitura dos argumentos despendidos pela agente lançadora não é possível vislumbrar quais foram os reais motivos que a levaram a, peremptoriamente, infirmar as justificativas apresentadas pelo impugnante, ainda mais se a própria Fiscalização reconhece que na movimentação bancária do autuado e na contabilidade da Pioneira Consultoria Financeira Ltda (empresa da qual o contribuinte é sócio e que também fora objeto de fiscalização) restaram identificados os valores pagos a este requerente como provenientes de lucros distribuídos. Afastouse a fiscalização do emprego da presunção legal para amparar o lançamento tãosomente com base em indícios, o que afronta a busca pela verdade material dos fatos. O indício como meio de prova é incapaz de gerar certeza, só suscitando dúvida, uma vez que sequer foram apontados quais dos elementos de prova apresentados pelo impugnante não teriam sido suficientes para justificar a origem dos valores que transitaram por suas contascorrentes. Fl. 4314DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.315 6 IIIc) Das operações realizadas com Fenton, Huss Willians, Cibrasa e Itaba. No próprio Relatório Fiscal restam identificadas as justificativas apresentadas pelo impugnante no sentido de que essas operações correspondiam a compras de Títulos de Dívida Pública ao Portador no Mercado de Balcão, sobre as quais o contribuinte recebia uma comissão equivalente a 2% a 3%. conforme o caso. Os elementos de prova e as justificativas apresentadas pelo impugnante foram de todo desconsideradas e sequer devidamente analisadas pela autoridade fazendária, uma vez que esta optou por valorar apenas os fatos narrados no Inquérito Policial n° 12 0146/2007. Na hipótese de provarem inexistentes as acusações contidas no Inquérito Policial, qual seria a motivação para a manutenção da exigência relativa a tais operações? Por óbvio que a resposta positiva levaria à completa perda de objeto da exação, ainda mais tendo em vista inexistir outra motivação a amparar o lançamento fiscal neste particular. Ressaltese, ainda, que no próprio conteúdo do Inquérito Policial, reproduzido no Relatório Fiscal, consta que naquele procedimento foi utilizada prova emprestada de outros autos, quando ali se afirma que mediante "a obtenção de prova emprestada dos autos da denominada Operação Bola de Fogo, obtivemos cópias dos documentos apreendidos na SUDAMAX na data de 10/1012003 ... " Prova emprestada de prova emprestada é subjetivismo e, consequentemente, prova maior da inconsistência das razões que ampararam a presente exigência. A investigação realizada pelo Inquérito Policial apontou por diversas vezes o trânsito de valores de terceiros nas contas bancárias do impugnante, o que afastaria a pretensão fazendária de imputálos como rendimentos omitidos pelo contribuinte, nos termos do art. 42, § 5° da Lei n° 9.430/96. Nesse caso. a determinação dos rendimentos omitidos não poderia ter levado em consideração valores que a própria Fiscalização tinha conhecimento que eram de terceiros, o que culmina na nulidade/improcedência do lançamento tributário, uma vez que tais depósitos jamais poderiam ter sido incluídos no cômputo da exigência fiscal. Caberia ao Fisco efetuar a depuração de tais valores (visto que da responsabilidade dos depositantes). concretizando a pretensa exigência apenas sobre o saldo remanescente. Sendo apresentados os elementos de prova (como de fato restou caracterizado nos autos) o ônus de prova, que até então era do contribuinte por imposição legal, passa a ser de responsabilidade do Fisco. cabendo ao agente lançador infirmar os esclarecimentos prestados, o que não se vislumbra na apuração sob exame. Fl. 4315DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.316 7 Demonstrado o flagrante equívoco do lançamento fiscal, neste aspecto, deve ser ele considerado improcedente. IIIc.1) Da comprovação da origem dos depósitos. De modo a complementar os elementos de prova já acostados aos autos, bem como ratificar a efetiva origem dos valores que transitaram pelas suas contascorrentes, o impugnante irá identificar as operações por ele realizadas através do documentário pertinente. Com esse propósito apresenta o Anexo 01, no qual constam os elementos de prova acerca da origem dos valores que foram objeto da autuação ora combatida. (A seguir o contribuinte passa a explanar sobre a documentação mencionada, que intitulou de Documentos 01 a 09). IV — Da comprovação dos empréstimos efetuados entre o impugnante e seu pai — Enock Aloysio Muzzi de Lima. Restou justificado pelo impugnante que os valores em questão correspondem a operações financeiras efetuadas com Enock Aloysio Muzzi de Lima, sem o objetivo de lucro, no âmbito familiar pai/filho, estando, inclusive, devidamente informadas nas declarações de rendimentos de ambos. A Fiscalização aceitou como comprovada a origem da importância de R$ 100.000,00, cujo depósito foi efetuado em espécie, em detrimento de outros valores justificados nos extratos bancários através de transferências bancárias entre contas (TEDs). Na planilha elaborada pela autoridade lançadora, constante do item 4.3 do Relatório Fiscal, resta evidenciado que todos os valores glosados correspondem a transferências entre as contas correntes de pai (Enock) e filho (Luiz Augusto) efetuadas através de TEDs, ou seja, devidamente identificadas nos correspondentes extratos bancários. No período sob análise, houve de Enock para Luiz Augusto as seguintes transferências de numerários: 1) no valor de R$ 550.000,00 para a compra de um veículo no ano calendário de 2007, conforme lançado nas declarações anuais simplificadas, em anexo; 2) doação/empréstimo no montante de R$ 100.000.00, informado na declaração de rendimentos do doador, em anexo; 3) pagamento em razão de empréstimo feito (pelo próprio Luiz Augusto) no anocalendário de 2006, cuja origem reportase à aquisição de uma propriedade rural, no valor de R$ 550.000,00, situação informada na declaração de rendimentos de Enock, em anexo. V — Da incorreta aplicação da multa qualificada. Fl. 4316DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.317 8 De modo a encontrar uma razão plausível para a absurda aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, a Fiscalização buscou imputar ao contribuinte a prática de atos que pudessem ser passíveis de dar margem á majoração da penalidade de ofício, sem, no entanto, lograr êxito nesta tentativa, pois, tãosomente com base em fatos pendentes de apreciação definitiva em outras esferas de julgamento, desconsiderou os legítimos e válidos elementos de prova apresentados pelo impugnante. Não restam dúvidas de que o correto, se cabível, seria a aplicação de multa de ofício no percentual de 75%. Há de ser considerado o fato de que o impugnante efetivamente prestou todos os esclarecimentos devidos, sendo estes, inclusive, parcialmente considerados pela Fiscalização. A não aceitação da totalidade das justificativas apresentadas anteriormente à lavratura do auto de infração não pode ser utilizada como fator preponderante para a majoração da penalidade. VI — Do requerimento de perícia. Em face de toda a argumentação exposta, o impugnante entende como primordial a realização de perícia, a qual será capaz de demonstrar que o lançamento fiscal foi efetuado sobre valores que indubitavelmente não correspondem a rendimentos auferidos pelo contribuinte. Por esta razão apresenta os quesitos que considera como necessários para o deslinde do feito, que deverão ser respondidos através da perícia, indicando como seu perito o Sr. Antônio Carlos de Almeida Franco, a seguir qualificado. VII — Conclusão. Por todo o exposto solicita o cancelamento do auto de infração e o arquivamento deste processo administrativo. Em seu socorro o peticionário menciona Acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a Súmula n° 14 do 1° CC, texto da lavra de Luis Eduardo Schoueri e manifestação do "Exmo. Ministro Marco Aurélio" proferida na ADIN n° 5511/RJ. Ao julgar a manifestação do contribuinte, a DRJ em Juiz de Fora/MG, decidiu pela improcedência da impugnação, apresentando em suma as seguintes razões: 1 o prazo decadencial deve ser contado na forma do artigo 173, I, do CTN, quando se constata a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ainda que se contasse o prazo na forma do artigo 150, § 4º, do CTN, o mesmo não teria expirado, no caso. 2 defende a aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tratando da presunção legal e da inversão do ônus probatório. Rebate as justificativas apresentadas pelo contribuinte para determinados depósitos, que basicamente repetem aquelas justificativas que foram apresentadas à fiscalização. Considera correto o procedimento fiscal. Fl. 4317DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.318 9 3 entendeu cabível ao caso a qualificação da multa, para 150%, pela ocorrência de dolo com evidente intuito de fraude, como explica em seu voto. 4 negou o pedido de perícia, considerandoa prescindível. Cientificado dessa decisão em 30/06/2010, conforme Aviso de Recebimento na fl. 806, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/07/2010, com protocolo na fl. 807. Em sede de recurso, em suma, assim se manifesta: 1 o contribuinte sempre se colocou à disposição da fiscalização para prestar os esclarecimentos necessários. Os fatos apurados e citados no âmbito de Inquérito Policial correspondem ao esforço do agente lançador para validar a qualificação da multa sobre o crédito tributário lançado, mas não se correlacionam com os atos praticados no decorrer do procedimento fiscal. Foi elaborado um quadro demonstrativo para evidenciar as intimações do Fisco e as respostas do contribuinte, nas fls. 814 e ss. 2 existe decadência parcial do lançamento, relativa aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2005, uma vez que tomou ciência da exigência em 26/02/2010. 3 existem depósitos identificados pelo recorrente que se referem à distribuição de lucros da empresa Pioneira Consultoria Financeira Ltda. Não entende porque a fiscalização, ao reconhecer o movimento financeiro entre a empresa e ele, considerou os depósitos como de origem não comprovada. O critério adotado carece de razoabilidade. 4 em relação a operações realizadas com FENTON, HUSS WILLIANS, CIBRASA e ITABA, correspondiam a compras de Títulos da Dívida Pública do Portador no Mercado de Balcão, sobre os quais o contribuinte recebia comissão de 2% a 3%. A origem foi comprovada e a fiscalização baseouse em prova emprestada de outros autos (o inquérito policial) para desconsiderar suas justificativas. Esses valores são pertencentes a terceiros, como restou demonstrado. Trata especificamente de documentos que numerou de 01 a 09, envolvendo essa empresas. 5 foram comprovados empréstimos efetuados entre o recorrente e seu pai Enock Aloysio Muzzi de Lima. 6 está incorreta a aplicação da multa qualificada, porque o recorrente efetivamente prestou os esclarecimentos pertinentes. Transcreve jurisprudência do CARF e a Súmula nº 14. 7 requer a realização de perícia, para informar quais valores considerados no lançamento efetivamente lhe pertencem e quais pertencem a terceiros. Indica perito. PEDE a decadência parcial do lançamento e, no mérito, o afastamento completo da exigência. Na fl. 846 consta a Resolução 2202000.459, de 12 de março de 2012, que decidiu pelo sobrestamento do julgamento, em vista da decisão do STF no sentido de reconhecer a repercussão geral do tema baseado no acesso aos dados bancários do contribuinte, pelo Fisco. Fl. 4318DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.319 10 Superadas as razões do sobrestamento, o processo retorna à pauta de julgamentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquela existente após a digitalização do processo, transformado em arquivo magnético (arquivo .pdf) NULIDADE DA AUTUAÇÃO. O contribuinte, em sua conclusão, pugna pela nulidade do procedimento fiscal porque a fiscalização teria "cometido equívocos" no lançamento fiscal. No Relatório Fiscal, que consta das fls. 15 e seguintes, o Auditor Fiscal analisa toda a documentação que lhe fora apresentada até então, e motiva individualizadamente porque aceitou ou não cada documento. Os mesmos argumentos que foram declinados na impugnação e posteriormente no recurso encontramse ali tratados, sendo exposto o convencimento fiscal. Conforme relatado, também o julgador de 1ª instância apresentou decisão motivada, relatando a autuação e a impugnação. De acordo com os artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar que instaura a fase litigiosa do procedimento. Entendo no mesmo sentido em que leciona LEANDRO PAULSEN, de que o reconhecimento de vício formal depende de se observar eventual prejuízo à defesa. Vejamos: “Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar se do princípio da informalidade do processo administrativo.” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) Não verifico nenhuma nulidade no Auto de Infração, do qual o contribuinte deveria defenderse. Não padece de nulidade a autuação que seja lavrada por autoridade Fl. 4319DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.320 11 competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. DECADÊNCIA No recurso também é aventada decadência do direito de lançar relativo a fatos geradores ocorridos em 01/2005. O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 26/02/2010, conforme ciência pessoal na fl. 06. Diz a Súmula CARF nº 38: Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário.(destaquei) Assim, não ocorrem, no caso, fatos geradores mensais, decorrentes da omissão de depósitos, sendo toda ela levada ao ajuste anual, quando ocorre o fato gerador periódico, por ficção, em 31/12/2005, no caso. Em 26/02/2010 não haviam se passado cinco anos, portanto, quer se conte na forma do § 4º do artigo 150, quer se conte na forma do artigo 173, I, ambos do CTN. MÉRITO O lançamento foi lastreado no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados. A partir dos extratos bancários, o Auditor Fiscal intimou o contribuinte a justificar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados. A situação particular destes autos é que a fiscalização decorre de uma extensa investigação policial que culminou em denúncia do Ministério Público contra este contribuinte e outras pessoas. As infrações penais estão relacionadas com contrabando/descaminho de cigarros e a comercialização irregular de insumos e de cigarros produzidos em território nacional. O inquérito encontrase anexado aos autos deste processo e houve uma significativa parte copiada no Relatório Fiscal. Conforme se destaca, este contribuinte seria "um dos articuladores da lavagem de dinheiro dos denunciados, utilizando para tal a empresa Pioneira Consultoria Financeira Ltda."(fl. 19) O inquérito aponta que primeiro a empresa Fenton e depois a Huss Willians celebraram contratos com Luiz Augusto e outro denunciado para, através de cessão de direitos creditórios e apólices da dívida pública realizar lavagem de dinheiro. Chama a atenção o tópico "movimentação do dinheiro", que consta da folha 35: " A movimentação de valores nas contas de Luiz Augusto passou a ser expressiva no ano de 2003. Já na Pioneira, a Fl. 4320DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.321 12 movimentação era inexistente até 2003, registrando, contudo cifras milionárias a partir de 2004. No ano de 2006, foram movimentados 10 milhões de reais nas contas de Luiz Augusto/Pioneira. As panilhas apreendidas em poder de Luiz Augusto (anexo 18...) corroboram a prova de que a movimentação do dinheiro de Willian passava pelo controle de Luiz Augusto, como podemos ver os valores milionários nelas descritos.(sublinhei) Conforme antes referido, os canhotos de talões de cheques das contas mantidas por Luiz Augusto revelam pagamento de contas de Willian e saques em nome do mesmo. (...) Em poder de Luiz Augusto apreendemos diversos comprovantes de depósitos de cheques e TED's da Huss Willians para sua conta pessoal (fls..., do anexo 18) e para a conta da Pioneira. Nenhum desses depósitos ou transferências é identificado no razão analítico da Huss, apreendido ....(sublinhei) (...) Como vimos acima, são inúmeros os depósitos e transferências feitos da conta da Huss para as contas de Luiz Augusto. Desta forma, para integralizar o dinheiro em seu patrimônio, Luiz Augusto se valia de contratos falsos de compra e venda de títulos ao portador. (sublinhei) Nas folhas 4288 e seguintes, consta também um relatório de Pesquisa e Investigação, do Escritório na 10ª Região Fiscal, que em linhas gerais busca demonstrar que a empresa Huss Willians foi constituída para "driblar" a tributação na distribuição de cigarros das fábricas Itaba e Sudamax. Transcrevo (fl. 4291): A avaliação que se pode fazer, até o momento, aponta para um conluio entre as fábricas de cigarros ITABA e SUDAMAX com a atacadista HW no sentido de elidir o pagamento de tributos, os quais dificilmente poderão ser cobrados pela Fazenda Nacional, uma vez que as fábricas alegarão que estavam cumprindo ordem judicial para não destacar o imposto e que não o teriam repassado ao contribuinte de fato. (sublinhei) Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 4321DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.322 13 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (efetuei destaques) Quanto a matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, fundada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, não é necessário, na hipótese legal, o Fisco efetuar demonstração de que os depósitos foram consumidos ou que são receitas novas para o contribuinte. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de Fl. 4322DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.323 14 tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Regina Helena Costa e Misabel Derzi ensinam que o legislador, para tornar viável a aplicação da lei, muitas vezes cria presunções, ficções, padronizações, dentro do que as autoras definem como "praticabilidade da tributação" (COSTA, Regina Helena, Praticabilidade e justiça tributária. Exequidade de Lei Tributária e Direitos do Contribuinte. São Pauto: Malheiros, 2007, p.52 e DERZI, Misabel. Princípio da Praticabilidade do Direito Tributário, in Revista de Direito Tributário nº 47. São Paulo: Malheiros, janmar/1989, p.166179) Assim, os extratos bancários constantes dos autos são suficientes para a comprovação dos depósitos bancários e sobre estes é correta a aplicação da presunção de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, regularmente intimado, não demonstra, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. Alegações genéricas não podem ilidir a presunção legalmente estabelecida. Vejamos a recente jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Acórdão 9202003.823, de 08 de março de 2016 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. (...) Entretanto, destaco o contido no § 2º do artigo 42, em comento: § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Assim, o dispositivo que visa a dar praticabilidade à legislação tributária, não pode ser empregado para conferir simplicidade ao procedimento fiscal ou como uma panacéia. Deve ser empregado quando não seja possível identificar quem depositou e também porque depositou recursos na conta do contribuinte fiscalizado. Porque, do contrário, bastaria ao contribuinte calarse, para evitar a tributação. Esclareço que a acepção da palavra origem utilizada no artigo 42 da Lei n. 9.430/96, não significa simplesmente demonstrar quem é o responsável pelo depósito, mas, principalmente, identificar e comprovar a natureza da operação que deu causa ao crédito. Quando, no curso do procedimento fiscal, como se constata no Relatório, a fiscalização dispõe de informações suficientes para identificar que determinado depósito (a lei fala "individualizadamente") foi proveniente de contratos, ainda que se reputem fraudulentos, Fl. 4323DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.324 15 com identificadas empresas, para lavagem de dinheiro decorrente de operações com cigarros, que representaram acréscimos patrimoniais e vantagens ao contribuinte, deveria "submetêlos às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos". No Relatório Fiscal, temos que, em resumo, o contribuinte apresentou à auditoria fiscal as seguintes explicações, para sua movimentação financeira (fl. 48): Na análise das respostas apresentadas, constatamos que o contribuinte atribui os créditos bancários aos seguintes depositantes: • RECURSOS PRÓPRIOS • PIONEIRA — ANTECIPAÇÃO DE LUCROS • ENOCK ALOYSIO MUZZI DE LIMA • MOLINS DO BRASIL MÁQUINAS AUTOMÁTICAS LTDA • CIBRASA • FENTON • HUSS WILLIANS • ITABA A seguir passaremos a analisar cada argumento apresentado. No recurso, como se procurou identificar e resumir, o contribuinte insiste na questão da distribuição de lucros da Pioneira, nos empréstimos entre pai (Enock) e filho e nas operações com Cibrasa, Fenton, Huss Willians e Itaba. 1 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DA PIONEIRA A Fiscalização primeiro analisou a renda tributável declarada do contribuinte. Depois verificou valores declarados como "isentos e não tributáveis" que seriam decorrentes de distribuição de lucros. Em relação distribuição de lucros da Pioneira, que justificaria a manutenção de "recursos próprios" a subsidiar depósitos bancários, disse que (fl. 49): A empresa Pioneira está sob ação fiscal determinada pelo MPF 06104002009001761, tendo sido a mim designada esta fiscalização. Conforme pode ser constatado na Planilha LUCROS DISTRIBUÍDOS POR PIONEIRA que acompanha este relatório, a distribuição de lucros efetuada pela empresa tem como contra partida as contas bancárias dos bancos Bradesco e Santander. Nesta planilha estão identificados os históricos dos extratos bancários da Pioneira e os depósitos efetuados nas contas bancárias mantidas por Luiz Augusto. Fl. 4324DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.325 16 Os históricos obtidos nos extratos bancários da Pioneira se referem a depósitos em contas correntes de Luiz Augusto ou a operações em conta de terceiros (cheques compensados, TED's). Na ação fiscal desenvolvida na empresa Pioneira foram expedidas Requisições sobre Movimentação Financeira para os bancos Bradesco e Santander solicitando cópias de diversos cheques emitidos pela fiscalizada. Na planilha LUCROS DISTRIBUIDOS POR PIONEIRA — BENEFICIÁRIOS OBTIDOS A PARTIR DE CÓPIAS DE CHEQUES estão relacionados os cheques contabilizados na conta Antecipação de Lucros (260045) e seus beneficiários. Os valores contabilizados pela Pioneira como Antecipação de Lucros foram depositados em contas bancárias de Luiz Augusto ou em conta de terceiros e, portanto, não prestam para justificar depósitos em dinheiro ou disponibilidade financeira em mãos do fiscalizado.(destaquei) Assim, a fiscalização não desconsiderou sem causa essas origens apontadas. De fato existiu distribuição de lucros da Pioneira, mas, conforme registros contábeis, foram feitos depósitos pela empresa nas contas bancárias do fiscalizado. Portanto, dizer que possuía dinheiro em mãos que era decorrente dessa distribuição e que posteriormente foi depositado não possui lógica. Deveria demonstrar então que sacou o dinheiro das distribuições (quando, onde está no extrato) e depois o depositou novamente. Somente um dos depósitos relacionados, de R$ 2.000,00 foi identificado como oriundo da empresa Pioneira e consequentemente excluído da apuração. Assim, não têm cabimento as alegações do recurso (fl. 821): Ora, pela simples leitura dos argumentos despendidos pelo agente lançador, não é possível vislumbrar quais foram os reais motivos que o levaram a peremptoriamente infirmar as justificativas apresentadas pelo Recorrente, ainda mais se a própria fiscalização reconhece que na movimentação bancária e na contabilidade da PIONEIRA CONSULTORIA FINANCEIRA LTDA. empresa da qual o contribuinte é sócio e que também fora objeto de fiscalização restaram identificados os valores pagos ao mesmo como provenientes de lucros distribuídos. É possível sim verificar as razões da fiscalização, conforme acima demonstrado, que não foram especificamente rebatidas no recurso. Já em relação a "antecipação de lucros da Pioneira", existe um item específico no relatório fiscal, que trata de uma lista de valores transferidos, especialmente TED, que foram contabilizados pela empresa e, por isso, entendeuse "comprovada sua origem", já pela fiscalização. Verificase que não há ausência de critério nem falta de motivação. Estando a empresa Pioneira também sob fiscalização conduzida pela mesma Auditora Fiscal, foi possível Fl. 4325DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.326 17 confrontar as alegações de distribuição de lucros com os depósitos bancários. Onde se verificou que havia o registro da distribuição e a transferência de valores da empresa para as contas do contribuinte, excluise o depósito (fl. 50), entretanto, onde não existe plausibilidade entre ter dinheiro em espécie (fl. 48/9), porque a distribuição, quando existiu, deuse diretamente "conta a conta", não se reputou considerada a origem. 2 OPERAÇÕES REALIZADAS COM ENOCK ALOYSIO MUZZI DE LIMA. Enock é pai do recorrente. Na folha 50 existe uma listagem de valores cuja origem foi justificada como proveniente de operações (empréstimos e doações) feitas entre os dois. Todos os depósitos ocorreram no segundo semestre de 2007, salvo um, de R$ 100.000,00, realizado em 18 de janeiro de 2007. A fiscalização constatou que: O fiscalizado declara uma doação a seu pai no valor de R$ 550.000,00 no anocalendário de 2006, conforme pode ser verificado em sua Declaração de Imposto de Renda. No anocalendário de 2007 ele altera a natureza da operação para empréstimo de R$550.000,00. Declara ainda uma dívida de 100.000,00 para com seu pai. Conforme pode ser verificado às folhas 1129 a 1133 do Anexo VI, Enock adquiriu a propriedade denominada Fazendinha San Diego por R$ 550.000,00 em 04/08/2006 e na mesma data firmou compromisso de compra e venda com Luiz Augusto (f1s.1135). Conforme apurado nas investigações da Polícia Federal, LUIZ AUGUSTO utilizou seu pai ENOCK ALOYSIO MUZZI DE LIMA para ocultação de seu patrimônio, registrando em nome dele diversos veículos importados e a Fazendinha São Diego. Nos extratos bancários do Banco Bradesco, os depósitos efetuados através de TED (Transferência Eletrônica de Dinheiro) apresentam o nome do depositante, não restando dúvidas de que foram efetuados por Enock. Se considerarmos que os Mandados de Busca e Apreensão da Operação Reluz foram efetivados em junho 2007, fica evidente que, s.m.j., Enock movimentou os recursos de Luiz Augusto no segundo semestre daquele ano tese corroborada pelo falta de movimentação financeira nas contas bancárias de Luiz Augusto neste período. Portanto tais valores serão considerados como omissão de receita pela não comprovação da natureza da operação que lhes deu origem. Considero comprovado o depósito de R$ 100.000,00 efetuado em 18/01/2007 no banco Santander (valor declarado).(destaquei) Fl. 4326DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.327 18 Pelo que se constata, a partir de determinado momento, o segundo semestre de 2007, Enock começou a realizar depósitos nas contas de Luiz Augusto, que não se verificaram no restante do período fiscalizado (salvo um). Como se disse alhures, comprovar a origem, para fins da inteligência do artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, não significa identificar quem foi o depositante, mas também identificar a natureza da operação que deu causa a tais depósitos. A justificativa da fiscalização para não considerar como comprovada a origem foi justamente essa: Nos extratos bancários do Banco Bradesco, os depósitos efetuados através de TED (Transferência Eletrônica de Dinheiro) apresentam o nome do depositante, não restando dúvidas de que foram efetuados por Enock. (...) Portanto tais valores serão considerados como omissão de receita pela não comprovação da natureza da operação que lhes deu origem. (sublinhei) No recurso, o contribuinte diz que (fl. 835 e ss.) as operações estão "inclusive devidamente informadas nas declarações de rendimentos" e aponta para "um empréstimo familiar". Na DIRPF de 2006, nas fls. 80 e 81, não verifico nenhum registro de direitos ou dívidas frente a Enock. Na DIRPF de 2007(fl. 84), consta "doação feita a meu pai ...no valor de R$ 550.000,00" Conforme se apurou na investigação policial, Enock adquiriu uma fazenda, em 2006, por R$ 550.000,00 e firmou compromisso de compra e venda com Luiz Augusto, na mesma data. Consta do relatório: Conforme pode ser verificado às folhas 1129 a 1133 do Anexo VI, Enock adquiriu a propriedade denominada Fazendinha San Diego por R$ 550.000,00 em 04/08/2006 e na mesma data firmou compromisso de compra e venda com Luiz Augusto (f1s.1135). Se "doou" dinheiro a seu pai, não se esperava que o mesmo fosse devolvido em 2007, para justificar depósitos em suas contas correntes. Mas na DIRPF 2008 (fl. 87 e ss.) a natureza dessa operação é alterada para "empréstimo" e consta que houve um "empréstimo de Enock ... no valor de R$ 100.000,00". Por isso, verificando depósitos feitos por Enock na conta corrente do fiscalizado, a Auditora Fiscal concluiu por excluir esse valor de R$ 100.000,00. As alegações do recurso, de que "existem operações declaradas" entre pai e filho são insubsistentes para basear depósitos feitos por Enock, primeiro porque não se sabe se os R$ 550.000,00 foram doação ou empréstimo, segundo porque ele não comprova que Enock possuía disponibilidade financeira declarada para emprestarlhe 650.000,00 no ano de 2007, Fl. 4327DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.328 19 terceiro porque o Inquérito policial constatou a compra da fazenda, com coincidência de datas entre essa operação e a transferência dos valores. A listagem de valores que foram depositados por Enock, que consta da folha 50, soma mais de R$ 1.000.000,00. Portanto, entendo que não bastaria, neste caso, identificar quem depositou mais identificar, e declarar corretamente, a origem das operações que deram causa aos depósitos, mesmo tratandose de operações entre pai e filho. De fato verificamse na jurisprudência deste Conselho decisões no sentido de abrandar os rigores de comprovação documental, no caso de operações, como empréstimos e doações, envolvendo pessoas tão próximas quanto pai e filho, mas existe nestes autos todo um arcabouço documental e fático demonstrando a utilização de contas do pai para ocultar dinheiro e aquisição de patrimônio do filho, o que faz com que seja exigido rigor na questão do registro das operações e quantificação de valores, o que não existe, como se procurou acima argumentar. 3 OPERAÇÕES REALIZADAS COM FENTON, HUSS WILLIANS, CITRASA E ITABA. Registrou a fiscalização que (fl. 52): Os depósitos que tiveram suas origens atribuídas a Fenton Indústria e Comércio de Cigarros Importação e Exportação Ltda, Huss Willians Com. Dist. Import. e Exp. De Bebidas e Cigarros Ltda, Itaba Indústria de Tabaco Brasileira Ltda e Cibrasa Indústria e Comércio de Tabacos Ltda, estão relacionados na planilha DEPÓSITOS EFETUADOS POR FENTON, HUSS WILLIANS, CIBRASA E ITABA, que acompanha este relatório. Em sua resposta aos Termos de Intimação Fiscal lavrados, o contribuinte alega que os valores relacionados referemse a depósitos para compra de Títulos da Dívida Pública ao Portador no Mercado de Balcão, e que Luiz Augusto recebia uma comissão equivalente a 2% ou 3% dos valores depositados.(destaquei) Esclarece que os contratos de Prestação de Serviços para aquisição dos títulos, firmados entre as empresas e o fiscalizado, provavelmente se encontram com os documentos apreendidos no decurso da operação Reluz e que não conseguiu a comprovação junto às empresas. Informa, também, que a maior parte dos depósitos efetuados são de terceiros, porém por conta e ordem das empresas. (...) A análise de tais contratos não pode ser efetuada de forma individualizada, sem levar em conta todos os elementos de prova colhidos durante a investigação, (escuta telefônica, interceptação de emails e demais documentos) que levaram a autoridade policial a concluir que se tratam de vendas fictícias Fl. 4328DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.329 20 com o objetivo de lavagem de ativos da "organização criminosa". Face aos fatos descritos neste Relatório, considero como não comprovada a origem dos depósitos atribuídos a Fenton Indústria e Comércio de Cigarros Importação e Exportação Ltda, Huss Willians Com. Dist. Import. e Exp. De Bebidas e Cigarros Ltda, Itaba Indústria de Tabaco Brasileira Ltda e Cibrasa Indústria e Comércio de Tabacos Ltda, que serão considerados como rendimentos omitidos. Neste ponto, discordo da autoridade fiscal e da aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, àqueles depósitos que o contribuinte identificou a origem e a operação (os contratos de compra/venda de títulos). Observese, como tratado nas considerações iniciais deste voto, que o inquérito policial, transcrito em parte no Relatório Fiscal, constata a utilização das contas do contribuinte para o trânsito de valores que pertenciam a terceiros. Entretanto, com isso não se pode excluir ou "anular" toda a operação fiscal, porque existe justamente um dispositivo legal que lhe dá suporte, estabelecendo uma inversão de ônus da prova, baseada em presunção relativa, para conferir 'praticabilidade' à tributação. Mas em relação àqueles depósitos em que o contribuinte aponta, individualizadamente, a origem e a operação, devese excluir da apuração. Para os demais, alegações genéricas de que "pertencem a terceiros", não podem ilidir a presunção legal. Colho do recurso, nas folhas 823 e ss: ... relativamente aos depósitos bancários relacionados pela fiscalização na Planilha DEPÓSITOS EFETUADOS POR FENTON, HUSS WILLIANS, CIBRASA E ITABA, resta claro também que os elementos de prova e as justificativas apresentadas pelo Recorrente foram de todo desconsideradas, e sequer devidamente analisadas pela autoridade fazendária, uma vez que esta optou por valorar apenas os fatos narrados no Inquérito Policial n° 12014612007, .... (...) Fora anexado aos presentes autos o competente recibo de adiantamento do percentual pactuado no valor de R$ 287.500,00 (duzentos e oitenta e sete mil e quinhentos reais) cujo pagamento se deu por meio do cheque n°. 0029742 da agência 3390 da conta 009200 do Banco Bradesco S.A, emitido por ITABA IND. DE TABACO BRASILEIRA LTDA O contrato entre a Pioneira e a ITABA está nas fls. 532 e ss. Na folha 540 conta um "adiantamento" de R$ 287.500,00 a ele ligado. Na listagem dos depósitos considerados pela fiscalização, fl. 76, consta um depósito em cheque no caixa, nesse exato Fl. 4329DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.330 21 valor, no dia 26/06/2006. O cheque foi emitido pela ITABA em 28 de março, mesma data da emissão do recibo de adiantamento e está copiado na fl. 541. De fato, as operações entre a ITABA e a Pioneira estão sob suspeita. Mas o origem desse depósito e a operação que lhe deu causa estão identificadas. Se era lavagem de dinheiro ou se a operação tratouse de outra e fezse simulação, caberia à fiscalização aplicar o disposto no § 2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, já que na fase que precedeu à lavratura do auto de infração, essas justificativas já lhe haviam sido ofertadas, como se verificou no trecho transcrito acima, do relatório fiscal. Prosseguindo (fl. 831): Contrato firmado entre ITABA INDÚSTRIA DE TABACO BRASILEIRA LTDA. e PIONEIRA CONSULTORIA FINANCEIRA LTDA., por meio do qual restou pactuada a seguinte prestação de serviços de consultoria e análise contábil: (...) Como prova cabal dos pagamentos foram anexadas aos autos as cópias de 05 cheques recebidos de ITABA INDÚSTRIA DE TABACO BRASILEIRA LTDA., nos seguintes valores: a) R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) — cheque n°.0029777 da agência 3390 da conta 009200 do Banco Bradesco S.A, emitido por ITABA IND. DE TABACO BRASILEIRA LTDA.; b) R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) — cheque n°. 0029769 da agência 3390 da conta 009200 do Banco Bradesco S.A, emitido por ITAB IND. DE TABACO BRASILEIRA LTDA.; C) R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) — cheque n°. 000490PH da agência 01414 da conta 0008557 do Banco Safra S.A. emitido por ITABA IND. DE TABACO BRASILEIRA LTDA.; d) R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) — cheque n°. 000489PH da agência 01414 da conta 0008557 do Banco Safra S.A. emitido por ITABA IND. DE TABACO BRASILEIRA LTDA., e e) R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) — cheque n°. 000488PH da agência 01414 da conta 0008557 do Banco Safra S.A. emitido por ITABA IND. DE TABACO BRASILEIRA LTDA.; e) R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) — cheque n°. 000488PH da agência 01414 da conta 0008557 do Banco Safra S.A. emitido por ITABA IND. DE TABACO BRASILEIRA LTDA.; O contrato entre as empresas está na folha 543, seguido de diversos documentos e planilhas. Os cheques da Itaba constam das folhas 646 (29 de março de 2006), 647 (29 de março), 648, 649 (30 de março) e 650 (31 de março). Na listagem de fls. 76, é possível identificar "depósito em cheque" no valor de R$ 400.000,00, na data de 30/03/2006, na conta do contribuinte. Depois, não se identificam mais depósitos em cheque, no valor de R$ 200.000,00 cada, relativos aos outros três cheques. O recurso não os aponta, como seria seu ônus. Em que conta e em que data foram efetivamente depositados nas contas do contribuinte consideradas pela auditoria fiscal? Fl. 4330DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.331 22 Na terceira alegação, o contribuinte diz que (fl. 833): Contrato Particular de Cessão de Direitos Creditórios firmado entre FENTON INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CIGARROS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. e VETOR SERVIÇOS FINANCEIROS E ADMINISTRATIVOS LTDA., cuja remuneração acertada, conforme Cláusula Segunda, correspondeu ao montante de R$ 437.028,00 (quatrocentos e trinta e sete mil e vinte e oito reais). Mas esse valor foi efetivamente depositado nas contas bancárias do contribuinte sob auditoria fiscal? Quando, onde? é preciso que se correlacione essa suposta origem com o crédito na conta. Não se pode simplesmente excluir do total R$ 437.028,00, por que a análise é "individualizada". Tanto o referido contrato quanto algumas ordens judiciais que se anexaram em seguida aos autos datam de 2002, e estamos analisando depósitos em 2005 a 2007. Nada a excluir da apuração, por essas razões. A quarta alegação repousa sobre um contrato particular firmado entre Flavia Caroline Peixoto Rezende e a empresa Pioneira, tendo por objeto a cessão de apólices da Dívida Pública Federal. Aqui também o recorrente não indica quando e quais parcelas da referida transação teriam transitado por suas contas correntes, para que se verifique a compatibilidade da mesma com os depósitos considerados pela fiscalização. A quinta alegação é no mesmo sentido. Aqui a Pioneira, cedente, transferiu a Romilda Oliveira, cessionária, em 17 de março de 2003, apólices no valor de R$ 3.000,00 (cláusula terceira, fl. 695). Onde está o depósito correspondente? Na sexta alegação temos que: Contrato firmado entre CIBRASA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE TABACOS S.A. e VETOR SERVIÇOS FINANCEIROS LTDA. que implicou pagamento no valor de R$566.998,83 (quinhentos e sessenta e seis mil novecentos e noventa e oito reais e oitenta e três centavos), correspondente a 15% do valor de face da apólice negociada (R$3.779.992,20) pagos em 10 (dez) parcelas por meio de cheques de compradores de produtos da CIBRASA, ou em espécie.(destaquei) É preciso, repito à exaustão, no caso de fiscalização que constata a ocorrência de depósitos bancários e intima o contribuinte a comprovar a origem dos mesmos, que se faça a correlação individualizada entre a justificativa e o depósito, em pelo menos razoável coincidência de datas e valores. Ter firmado um contrato com a CIBRASA de cessão de títulos públicos onde consta uma "expectativa de direito creditório" não significa que o valor contratado foi efetivamente depositado nas contas da pessoa física do recorrente. Vejamos que a quantia é mesmo incerta: "Pela cessão ora ajustada a CONTRATANTE pagará à CONTRATADA o equivalente a 15% (quinze por cento) do valor de face da apólice cedida, no valor máximo de R$ 566.998,83 (quinhentos e sessenta e seis mil novecentos e noventa e oito reais e oitenta e Fl. 4331DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.332 23 três centavos)" (fl. 712). Ou seja, R$ 566.998,83 era um "valor máximo", o que significa que poderia ser menos. E mais: 0 pagamento do preço mencionado será feito em 10 (dez) parcelas iguais e sucessivas de R$ 56.699,88 (cinqüenta e seis mil seiscentos e noventa e nove reais e oitenta e oito centavos). A primeira parcela será paga 48 (quarenta e oito) horas após o cumprimento da carta precatória exarada da Vara da Justiça Federal competente, endereçada à Agência do Instituto Nacional de Seguridade Social, da jurisdição do domicilio fiscal da contratante. As demais 9 (nove) parcelas serão pagas mensalmente, iniciandose 30 (trinta) dias após o pagamento da primeira. Quando foi emitida a Carta Precatória? Quando foram depositadas essas parcelas? Qual a correspondência com os depósitos bancários em análise? Observese, conforme acima destacado, que esse valor poderia ser pago à Vetor com cheques de terceiros ou em moeda. Como excluílo "em bloco" de depósitos considerados um a um nas contas da pessoa física? As alegações que são baseadas nos intitulados "docs 07 e 08" seguem o mesmo raciocínio e lhes cabe a mesma resposta. Contratos que foram firmados entre Pioneira e Cibrasa "abrangendo a quantia de R$ 5.000.000,00"; cópia de petição inicial contra a Eletrobrás, onde a CIBRASA teria pago à Pioneira o equivalente a R$ 750.000,00. Onde está a sentença? Houve sentença? Quando o Juiz mandou efetivamente pagar esse valor e quando os 15% sobre o direito creditório "que seria discutido" foram depositados em contas do recorrente. Por fim, temos que: Autorização concedida por HUSS WILLIANS COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO, IMPORTAÇÃO, E EXPORTAÇÃO DE BEBIDAS E CIGARROS LTDA., para SUDAMAX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CIGARROS LTDA, determinando o pagamento do valor de R$ 486.000,00 (quatrocentos e oitenta e seis mil reais) ao Recorrente Luiz Augusto do Vale de Lima, como quitação parcial pela venda de títulos públicos.(fl. 748) (...) ... mediante depósito bancário em sua Conta Corrente n° 01 0100302, Agência n° 0179, Banco BANESPA, para quitar parte do pagamento pela venda que o beneficiário lhe fez de Títulos Públicos conforme contrato entre partes. Essa autorização data de 18 de setembro de 2006. Verifico que nos dias 22/09 e 28/09, respectivamente, o contribuinte recebeu em sua conta bancária no Santander, dois TED, um de R$ 200.000,00 e outro de R$ 286.000,00, perfazendo portanto os exatos R$ 486.000,00 indicados. Fl. 4332DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.333 24 Assim, apenas para ratificar o raciocínio, essa questão da negociação de títulos públicos foi apresentada à fiscalização, que, entretanto, entendeu por considerar todos os depósitos como omissão de receitas porque com lastro em inquérito policial (fl. 53): A análise de tais contratos não pode ser efetuada de forma individualizada, sem levar em conta todos os elementos de prova colhidos durante a investigação, (escuta telefônica, interceptação de emails e demais documentos) que levaram a autoridade policial a concluir que se tratam de vendas fictícias com o objetivo de lavagem de ativos da "organização criminosa". Mas não é o que diz o § 2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.(sublinhei) Portanto, aqui se fez uma análise individualizada dos documentos que foram apresentados desde a impugnação e alegações do recurso e, onde foi apontada a origem, deve se excluílos da apuração com base em depósitos "sem origem comprovada" porque a fiscalização, ciente disso, deixou de fazer a análise individualizada que competia. Para outros depósitos, entretanto, a origem é incerta, o contribuinte sequer documenta se os valores foram efetivamente pagos, uma vez que os contratos eram submetidos a cláusulas de "sucesso" em ações judiciais das quais sequer foi anexado o trânsito em julgado ou a expedição do precatório. E, principalmente, não foi possível concluir que efetivamente transitaram pelas contas bancárias. No recurso (fl. 835), mesmo o contribuinte aponta que: Inclusive, por amostragem, restou também comprovado através dos respectivos cheques, cuias cópias se encontram anexadas aos DOC's 01 e 02 , que nas planilhas elaboradas pela fiscalização se encontram discriminados valores que efetivamente tiveram sua origem comprovada, qual seja, aqueles provenientes de pagamentos efetuados pela ITABA INDÚSTRIA DE TABACO BRASILEIRA LTDA..(destaquei) Mas não se pode ilidir a presunção legal por amostragem. Onde esteve demonstrado, com documentação, há de ser excluído o depósito, porque a forma de tributação deveria ser outra, onde não esteve demonstrado, é de se manter a apuração fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA A prova, segundo as regras do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), será apresentada juntamente com a impugnação (arts. 14 e 15). Neste caso, a prova é exclusivamente documental, pois o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, diz que os depósitos deverão ser comprovados "com documentação hábil e idônea". Fl. 4333DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.334 25 Os documentos que foram trazidos pelo recorrente foram analisados pela fiscalização, pela DRJ e neste voto, pormenorizadamente. Eventual diligência seria para sanar alguma dúvida da autoridade julgadora sobre algum documento ou aspecto do processo. Não há que se determinar perícia que vá produzir prova a favor do recorrente, porque essa prova já deveria estar aqui, no caso. Caso entendesse necessário, o recorrente deveria ter trazido laudo ou explicações elaboradas pelo profissional que aponta e acostado aos autos, como subsídio de sua impugnação. De acordo com o artigo 18 do PAF, as diligências ou perícias servem para sanar dúvidas do julgador, dentro daquilo que entende imprescindível para formar sua convicção, não para que a autoridade administrativa faça provas das alegações do contribuinte. Neste caso, entendo que deva ser indeferido pedido nesse sentido. MULTA QUALIFICADA O recorrente parece confundir a multa agravada com a multa qualificada, previstas no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato é compreensível, mas a base para aplicação de uma não se confunde com a outra. A multa é agravada em razão de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou documentos. Nessas hipóteses, previstas no § 2º, ela será "aumentada de metade". Não foi aplicada nestes autos. Portanto, o contribuinte defender que não cabe a multa aplicada porque sempre atendeu às intimações da fiscalização e colocouse à disposição para prestar esclarecimentos, não tem cabimento, neste caso. Por outro lado, a multa poderá ser qualificada, pela constatação de dolo, fraude ou simulação, condutas qualificadoras da infração apurada pela fiscalização. Neste caso, a multa "será duplicada", conforme o § 1º do dispositivo. Assim, considerando a previsão de aplicação de multa de 75% às infrações a legislação tributária, ela foi qualificada, pelas condutas previstas na Lei nº 4.502, de 1964, arts. 71, 72 e 73, que se encontram descritas na fl. 55/6 do Relatório Fiscal, e duplicada a 150%. Pelo todo que está descrito no relatório, de fato entendo que se constata a ocorrência do dolo, na ocultação de patrimônio e movimentação de recursos, e da fraude. O inquérito policial é farto em evidenciar essas condutas. Vejamos: 1.WILLIAN e LUIZ AUGUSTO, que além da administração de parte da produção da fábrica FENTON investiram os lucros obtidos ilicitamente com o negócio na montagem da distribuidora de cigarros e bebidas denominada HUSS WILIANS e numa nova fábrica de cigarros, denominada FIRST. 2. A HUSS WILIANS é uma empresa de fachada, constituída em nome de JOSE EDNO COSTA e ANDRÉ SALGUEIRO DE MORAES, que serviu para instrumentalizar a sonegação fiscal praticada por fábricas de cigarro e ainda, foi utilizada na lavagem dos ativos dos crimes perpetrados pelos sócios de fato LUIZ AUGUSTO e WILLIAN. Fl. 4334DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.335 26 3. LUIZ AUGUSTO, através de sua empresa "oficial", a PIONEIRA, providenciava a lavagem dos ativos mediante vendas fictícias de títulos públicos. 8. LUIZ AUGUSTO, por seu turno, utilizou seu pai ENOCK ALOYSIO MUZZI DE LIMA para ocultação de seu patrimônio. A lei 4.502/64, art. 72, conceituou fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Na lição de VENOSA: A fraude é vício de muitas faces. Está presente em um sem número de situações na vida social e no Direito. Sua compreensão mais acessível é a de todo artifício malicioso que uma pessoa emprega com intenção de transgredir o Direito ou prejudicar interesses de terceiros. A má fé encontra guarida não só na fraude, mas também em outros vícios, como dolo, coação e simulação. (VENOSA. Silvio de Salvo, Direito Civil, 4ª ed. Parte Geral. Atlas: 2004, p. 505/506) Vejamos o Acórdão 9202003.128 CSRF, 2ª turma, que trata especificamente da matéria: A fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteia na ocorrência do fato gerador ou retarda o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. (...) A multa qualificada não é aplicada somente quando existem nos autos documentos com fraudes materiais, como contratos e recibos falsos, notas frias etc., decorre também da análise da conduta ou dos procedimentos adotados pelo contribuinte que emergem do processo. (Acórdão 9202003.128, CSRF, 2ª Turma, de 27 de março de 2014)(destaquei) Que a conduta foi realizada de forma consciente com o objetivo de driblar a tributação, não há dúvida. Vejamos o que disse o relatório de pesquisa e investigação ESPEI, da Receita Federal (fl. 4288): Conforme já constou de nossos relatórios anteriores, HUSS WILLIANS tratase de uma pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas e que atua no comercio atacadista de cigarros e bebidas. Fl. 4335DF CARF MF Processo nº 10640.000490/201042 Acórdão n.º 2202003.692 S2C2T2 Fl. 4.336 27 Sua inserção como empresa distribuidora das fábricas ITABA e SUDAMAX para os antigos e habituais clientes destas teve como finalidade elidir o pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI com base pauta fiscal a que estão sujeitos os cigarros. Ao transcrever a Súmula CARF nº 14, esqueceuse o recorrente de sublinhar a segunda parte: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. E existe também uma Súmula que é específica para o caso de depósitos bancários: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No caso, entendo que estão presentes os pressupostos para a qualificação da multa, pelo que consta dos autos e da descrição feita no Relatório Fiscal, com o dolo e a fraude, conforme aqui definida. CONCLUSÃO Em face do exposto, VOTO por rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da apuração os seguintes depósitos: R$ 287.500,00, em 26/06/2006; R$ 400.000,00, na data de 30/03/2006; R$ 200.000,00 em 22/09/2006 e R$ 286.000,00, em 28/09/2006, todos no Banco Santander (fl. 76). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 4336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912804/2009-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/03/2005 COOPERATIVAS EM GERAL. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE SOBRE FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE.
Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/03/2005
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO:
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/03/2005
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3201-001.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Daniel Mariz Gudiño
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2005 COOPERATIVAS EM GERAL. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE SOBRE FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE. Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1987; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 160 1 159 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912804/200941 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.256 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2013 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente FEDERAÇÃO INTERFEDERATIVA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2005 COOPERATIVAS EM GERAL. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE SOBRE FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE. Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 28 04 /2 00 9- 41 Fl. 160DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.09144.K7AI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Acompanhou o julgamento a representante da contribuinte, Dra. Letícia Fernandes de Barros, OABMG 79562. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 27/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, transcrevo abaixo o relatório da decisão recorrida, bem sua ementa e as razões recursais: DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 08), referente ao PER/DCOMP nº 07124.78453.121205.1.3.041932. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$381,98, representado por Darf recolhido em 15/04/2005 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 161DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.09144.K7AI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 3201001.256 S3C2T1 Fl. 161 3 Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 50, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Por sua vez, a DRF de origem se manifesta a respeito da tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada. A instância a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa do Acórdão nº 0238.067, de 20/03/2012, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Fl. 162DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.09144.K7AI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, no qual argumenta que: a) a decisão recorrida, repetindo o erro do despacho decisório, parte da premissa equivocada de que não houve recolhimento a maior, pois desconsiderou que a própria Receita Federal reconheceu expressamente a não sujeitação da Recorrente ao PIS Folha na Solução de Consulta nº 412/2004; b) a cobrança concomitante do PIS Folha e do PIS Faturamento é ilegal, pois a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança do PIS Folha (até porque tais deduções dizem respeito à cooperativas de produção, e não de trabalho); c) o Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha sobre deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não está prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; d) mesmo assim, a Recorrente não deduziu da base de cálculo do PIS Faturamento qualquer parcela referente a sobras, tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne da divergência motivadora do recurso em exame é a existência, ou não, de pagamento de PIS a maior, tendo em vista que, na visão da autoridade preparadora, posteriormente confirmada pela instância a quo, estaria acertado o recolhimento havido como a maior pela Recorrente. Fl. 163DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.09144.K7AI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 3201001.256 S3C2T1 Fl. 162 5 Ocorre que, em suas razões recursais, a Recorrente informa que o recolhimento referiuse a PIS Folha, ou seja, contribuição que, na sua visão, não seria devida pelas razões já expostas no relatório. Dentre essas razões, destacase a existência de uma solução de consulta proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, cuja parte dispositiva transcrevese a seguir: À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade. Se é verdade que a solução de consulta vincula o consulente, não é menos verdade que essa vinculação restringese ao objeto da consulta. Com efeito, na medida em que o objeto da consulta é a aplicação do art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, motivada pelo fato de a Recorrente ser uma associação, verificase que não há incompatibilidade com o art. 15 do mesmo diploma legal, que assim dispõe: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. [...] § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; [...] A partir da análise dos termos da solução de consulta, verificase que a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal não se pronunciou sobre o art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, pelo que o fundamento para a Fl. 164DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.09144.K7AI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 exigência do PIS Folha não foi albergado pelo efeito vinculante da consulta formulada pela Recorrente. Sobre a ilegalidade da cobrança concomitante do PIS Folha e do PIS Faturamento, tratase de uma alegação que merece ser ponderada. Na realidade, a Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, prevê, sim, a possibilidade de uma mesma pessoa jurídica recolher o PIS com base na folha de salários e com base no faturamento. Contudo, não se deve confundir incidência concomitante com tributação bis in idem. Esta última exige que um mesmo tributo seja cobrado do mesmo contribuinte sobre mesmo fato gerador. Com efeito, a leitura do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, permite concluir que a tributação das sociedades cooperativas segue a tributação das pessoas jurídicas em geral, salvo no tocante às operações previstas nos incisos I a V do caput, que não sofrem a incidência do PIS Faturamento, sujeitandose, portanto, à incidência do PIS Folha. Por essa razão, não há que se falar de ilegalidade da cobrança concomitante do PIS Folha e do PIS Faturamento. Aliás, diferenciar o tipo de incidência de acordo com o tipo de operação não é raro na legislação tributária brasileira. Convém lembrar que a Lei nº 10.637, de 2002, prevê a incidência do PIS não cumulativo sem prejuízo de manter o regime cumulativo para determinadas operações e atividades. Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha sobre deduções de sobras, também não merece amparo a Recorrente. Com efeito, o referido decreto apenas estabelece, em seu art. 32, uma nova hipótese de exclusão de base de cálculo na apuração do PIS Faturamento, qual seja, o valor das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. Naturalmente, se o valor das sobras poderia ser excluído da base de cálculo do PIS Faturamento, caberia a incidência cumulativa do PIS Folha, a exemplo das demais exclusões já previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Portanto, o decreto em questão apenas tratou de explicitar algo que já estava implícito na própria norma que tratava das demais exclusões de base de cálculo do PIS Faturamento. É preciso ressaltar, ainda, que a exclusão do valor das sobras referidas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 2002, é decorrência do art. 36 da Medida Provisória nº 66, de 2002. Confirase o seu teor: Art. 36 . As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 , as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput, somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas. Fl. 165DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.09144.K7AI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 3201001.256 S3C2T1 Fl. 163 7 § 2º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.858 10, de 26 de outubro de 1999. É bem verdade que esse dispositivo não foi aproveitado no processo de conversão da referida medida provisória na Lei nº 10.637, de 2002, que limitouse a informar que as receitas das sociedades cooperativas continuariam sujeitas ao regime cumulativo de apuração do PIS Faturamento. Contudo, para essa exclusão específica, foi editada a Medida Provisória nº 101, de 2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.676, de 2003, com teor praticamente idêntico ao do art. 36 da Medida Provisória nº 66, de 2002, a saber: Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.858 10, de 26 de outubro de 1999. Desse modo, não há qualquer ilegalidade na previsão contida no Decreto nº 4.524, de 2002, ou nas Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, pois sempre tiveram algum amparo legal. Não há violação ao princípio da legalidade porquanto não há no caso concreto exigência de tributo sem previsão legal. Finalmente, no tocante à alegação de que a Recorrente não deduziu da base de cálculo do PIS Faturamento qualquer parcela referente a sobras, tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998, trata se de uma questão de prova. Embora seja possível relativizar a regra preclusiva do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o princípio da verdade material não é absoluto, como, aliás, nenhum princípio é. Nesse sentido, a Recorrente não pode pretender que a instância julgadora de 2ª instância analise balancetes parciais que instruíram o seu recurso voluntário como se os membros deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pudessem refazer a sua apuração do PIS Faturamento para verificar se as sobras de que trata o art. 32 do Decreto nº 4.524, de 2002, foram ou não excluídas da respectiva base de cálculo. Fl. 166DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.09144.K7AI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Com efeito, a decisão recorrida também não merece reforma nesse aspecto. A propósito, convém transcrever o seguinte trecho do voto proferido pelo relator do colegiado da instância a quo: Feitas estas considerações e diante da fragilidade dos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, que sequer traduziram os efetivos motivos para indeferimento do direito creditóiro, cabe assinalar que também a documentação anexada aos autos pelo manifestante, essencialmente constituída de cópia do comprovante de arrecadação, da Dcomp e do seu estatuto social, por si só, não é suficiente para comprovar a existência de pagamento indevido de PIS – Folha de Salário. Ainda nesse particular, convém transcrever também alguns precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que ilustram bem o entendimento ora adotado, in verbis: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PROVA DAS ALEGAÇÕES. Nos pedidos de restituição e compensação de tributos, ao autor/contribuinte incumbe o ônus da prova, quanto aos fatos constitutivos do seu direito. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferilo ao Fisco. Atribuir ao Fisco este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos à instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parteautora COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A compensação requer a existência de crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Nacional. Se não há tal crédito, não há como operar a compensação. (Acórdão nº 3202000.422, Rel. Cons. Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Sessão de 26/01/2012) ......................................................................................................... PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009). (Acórdão nº 3801001.000, Rel. Cons. José Luiz Bordignon, Sessão de 26/01/2012) Fl. 167DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.09144.K7AI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.912804/200941 Acórdão n.º 3201001.256 S3C2T1 Fl. 164 9 ......................................................................................................... DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. (Acórdão nº 3403001.320, Rel. Cons. Domingos de Sá Filho, Sessão de 10/11/2011) ......................................................................................................... PEDIDO RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. Tratandose de crédito restituição, ressarcimento ou compensação, o ônus de provar o crédito alegado é do contribuinte, que o reclama, não sendo dever da Administração Tributária produzir tal prova. (Acórdão nº 3401001.585, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, Sessão de 01/09/2011) ......................................................................................................... PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Cabe a quem alega o direito de repetir provar a certeza e liquidez do seu alegado crédito. (Acórdão nº 3402001.426, Rel. Cons. Silvia de Brito Oliveira, Sessão de 09/08/2011) ......................................................................................................... ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. [...] PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. (Acórdão nº 3803001.070, Rel. Cons. Alexandre Kern, Sessão de 02/02/2011) ......................................................................................................... PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 168DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.09144.K7AI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 ÔNUS DA PROVA.Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, quando este não demonstrar nos autos a existência do crédito apontado como compensável. O ônus da prova é do contribuinte. (Acórdão nº 3302000.782, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, Sessão de 08/12/2010) Como se vê, é farta a jurisprudência administrativa no sentido de que o interessado deve provar o seu direito. Não tendo logrado êxito a Recorrente em provar que deixou de fazer as exclusões das sobras na base de cálculo do PIS Faturamento, de modo a não haver dúvidas de que o pagamento do PIS Folha fora indevido, o crédito por ela alegado não atende aos pressupostos de liquidez e certeza que a compensação tributária exige na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional. Diante de todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário integralmente. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 169DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.1119.09144.K7AI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DANIEL MARIZ GUDINO em 27/04/2013 15:28:58. Documento autenticado digitalmente por DANIEL MARIZ GUDINO em 27/04/2013. Documento assinado digitalmente por: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO em 22/07/2013 e DANIEL MARIZ GUDINO em 27/04/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/11/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.1119.09144.K7AI Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 81823D41A4843782FD106AA94A4D149193CF9F83 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10680.912804/2009-41. 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