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Numero do processo: 10830.720411/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que a diligência solicitada no processo prejudicial (número 16682.720173/2010-36) seja realizada, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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(assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 20 41 1/ 20 08 -6 1 Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.136 2 Relatório AMBEV BRASIL BEBIDAS S.A. (INCORPORADORA DA FRATELLI VITA BEBIDAS S.A.CNPJ Nº 73.626.293/000190), já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) DRJ/CPS (fls. 791/812), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, mantendose a nãohomologação das DCOMPs em análise. Do Despacho Decisório Segundo o Relatório do acórdão recorrido, as razões do despacho decisório foram: Trata o presente processo de análise das Declarações de Compensação Eletrônicas DCOMP, transmitidas , entre 31/08/2006 e 05/01/2010, pela empresa FRATELLI VITA BEBIDAS S.A, incorporada pela AMBEV BRASIL BEBIDAS S.A. em 01/02/2011. As referidas DCOMP utilizam crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ exercício de 2006, período de 01/01/2005 a 30/11/2005, no valor de R$ 74.148.067,08, apurado pela incorporada Indústria de Bebidas Antárctica do Sudeste S/A (CNPJ nº 55.962.385/000160). O evento de incorporação ocorreu em 30/11/2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP, em Despacho Decisório cientificado à contribuinte em 30/08/2011, HOMOLOGOU PARCIALMENTE AS COMPENSAÇÕES por ter reconhecido PARTE do SALDO NEGATIVO, sob a seguinte fundamentação: Trata o presente processo das Declarações de Compensação, discriminadas na tabela abaixo, declaradas pela FRATELLI VITA BEBIDAS S.A, as quais utilizam em suas compensações crédito de saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 74.148.067,08, período de apuração de 01/01/2005 a 30/11/2005. O crédito se refere à empresa INDUSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA DO SUDESTE S.A., CNPJ: 55.962.385/000160, incorporada pela FRATELLI VITA BEBIDAS S.A em 30/11/2005 (fls. 63355, 580609, 623625, ). A empresa FRATELLI VITA BEBIDAS S.A foi incorporada pela AMBEV BRASIL BEBIDAS S.A.em 01/02/2011, estando a incorporadora localizada no município de Jaguariúna (fls. 625628). Parte das Declarações de Compensação, constantes da tabela, são objeto dos processos 10320.003071/200607 e 10830.720412/200814, os quais foram juntados ao presente processo, conforme fls. 403, 629630. Vale dizer que o interessado apresentou primeiramente a per/dcomp nº 28308.20285.220806.1.3.027090 com detalhamento do crédito, e, após algumas retificadoras (nº 31056.91948.290906.1.7.025305, nº 32904.92571.230709.1.7.023449), por fim, transmitiu a retificadora nº 39353.73809.040110.1.7.020523. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.137 3 As retificações foram as seguintes: a. Alteração do exercício do crédito de 2006 para 2005. Apesar de ter indicado corretamente na per/dcomp retificada a data inicial e final do período: 01/01/2005 a 30/11/2005. Isto devido à situação especial de incorporação; b. Alteração do Valor do Saldo Negativo de R$ 74.138.620,07 para R$ 74.148.067,08. (...) A Declaração de Compensação encontrase amparada pela Lei n.º 5.172, de 25/10/1966, e Lei n.º 10.637, de 30/12/2002, respectivamente, assim como pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 30/12/2008, que disciplina, entre outras, a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Primeiramente é importante mencionar que, antes de ser incorporada, a empresa FRATELLI VITA BEBIDAS S.A também apresentou dcomps que utilizavam crédito de saldo negativo de CSLL, nos mesmos moldes das dcomps analisadas neste processo, ou seja, referente a crédito da incorporada INDUSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA DO SUDESTE S.A para o mesmo período de 01/01/2005 a 30/11/2005 no valor de R$ 20.970.908,02. Estas dcomps foram analisadas no processo 10830904285/200804, sendo emitido Despacho Decisório, nº de rastreamento 783785201, o qual não reconheceu o direito creditório, e, conseqüentemente, não homologou as dcomps vinculadas a este suposto crédito de CSLL (fl. 631). Com isso, a FRATELLI VITA BEBIDAS S.A, que era a interessada à época dos fatos, apresentou manifestação de inconformidade (fl. 475/476). Em análise a manifestação de inconformidade, a 5ª Turma de Julgamento da DRJ Campinas proferiu a Resolução nº 2.738 convertendo o julgamento em diligência a fim de que a DERAT/RJ, em suma, confirmasse: a composição do saldo negativo; se este integrava o patrimônio vertido no momento da referida incorporação; bem como se haveria algum reparo a ser feito em sua apuração original pela incorporada (fls. 477483). Em atendimento a esta resolução, foi emitido o Relatório de Diligência Fiscal, MPF D n° 07.1.9.00201002030 (fls. 484 a 510), que constatou inúmeras infrações tributárias, dentre elas, duas que devem ser destacadas pois são fundamentais para análise do suposto crédito tratado neste processo: A) EVENTO SOCIETÁRIO INCORPORAÇÃO "ÀS AVESSAS": Conforme descrito pela autoridade tributária, a incorporação como instituto de direito privado, deve ter finalidade distinta como, a exemplo, a otimização das estruturas empresariais com vistas a diminuição de custos e a maior competitividade do novo complexo de bens e direitos no desenvolvimento de suas atividades mercantis. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.138 4 Formalmente, foi esta a finalidade declarada da referida incorporação, conforme consta no protocolo de justificação. No entanto, concluiu a autoridade tributária que, de fato, o intuito primordial da incorporação realizada era uma manobra empresarial para se eximir ou reduzir o pagamento de tributos. Apesar de fazer parte dos autos, transcrevo abaixo trechos do Relatório de Diligência Fiscal sobre a infração em tela: “Primeiramente, conforme já relatado, observamos a relevante diferença entre o patrimônio líquido das envolvidas na operação, onde a incorporada se mostra muito maior que a incorporadora, nos seguintes termos: PL de Fratelli Vita a Valor de Mercado na Data Base R$ 27.519.330,86 Incorporadora PL de IBA Sudeste a Valor de Mercado na Data Base R$ 378.659.008,56 Incorporada Releva registrar que, em maio de 2005, mesmo ano da incorporação em tela, a Companhia Brasileira de Bebidas foi incorporada à Companhia de Bebidas das Américas(AmBev), aumentando com isso a confusão nas participações acionárias das envolvidas na operação ora em comento. Somente à guisa de ilustração, instanos trazer a lume trecho do relatório da encaminhado às autoridades americanas de regulação de mercado, a CVM dos Estados Unidos, que, em análise prismada em todo o grupo AmBev, asseverou que "Em 31 de março de 2001, a Brahma foi incorporada à Antarctica, e a Antarctica alterou sua razão social para Companhia Brasileira de Bebidas. Essa transação não teve efeito sobre as demonstrações financeiras consolidadas da AmBev, pois todas essas pessoas jurídicas eram integralmente controladas pela AmBev. A transação, entretanto, permitiu à AmBev otimizar a utilização futura de compensação de prejuízos fiscais.” Tal constatação, ainda que em mero juízo de delibação, indicanos o ânimo do grupo empresarial, que, alhures de qualquer mudança fática da estrutura de suas coligadas e controladas, visa em seu escopo, de modo incisivo, a economia tributária, mesmo que em substância os negócios jurídicos não venham a produzir os efeitos pretendidos pela norma, em sua aplicação mais próxima do tipo ideal para seus fins sociais. (…) Com base no acervo ora coligido, não se vislumbra que o evento de incorporação que deu espeque ao suposto saldo negativo alegado para extinguir débitos confessados, mediante encontro de contas amparado por Perdcomp, tenha objetivado de fato a incorporação de uma empresa maior e mais relevante, tanto no aspecto comercial e industrial, quanto no aspecto financeiro, por uma outra de porte econômico menor, e pertencente ao mesmo complexo grupo empresarial.(Grifos nossos). (…) No caso vertente, diante do acervo probatório devidamente comprovado nos autos desta diligência, chegase a cognição de que o objetivo central das operações era a execução de um plano estratégico aliado à neutralização das Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.139 5 cláusulas indesejáveis, a incorporação máxime à economia tributária. (Grifos nossos) Vale dizer, a forma é importante, não se deve ignorála pura e simplesmente, mas não é admissível fazer com a forma mágicas e tentar transformála em um único referencial da aplicação do Direito. A forma, portanto, precisa ter um sentido prático e um estreito liame com o conteúdo finalístico a ser pretendido. B) IV. UTILIZAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL DA INCORPORADA ACIMA DO PREVISTO NO DECRETOLEI N 2.341/97, REGULAMENTADO PELO ART.514, RIR/99 Transcrevo parte da descrição da autoridade tributária referente a presente infração: Da análise das demonstrações da incorporada, defluise que os prejuízos fiscais da incorporada IBA S.A., com base somente nas informações dos sistemas informatizados RFB, assim como na DIPJ do anocalendário 2005, haja vista a omissão da interessada em trazer aos autos o livro de apuração do lucro real(Lalur), foram levados ao resultado do IRPJ a pagar, assim como a base negativa de CSLL no que tange àquela contribuição, in totum, ao revés do que prevê o art.33, do DecretoLei n 2.341/97, in verbis: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Vale dizer, embora a lei civil e comercial prescreva que a incorporadora sucede a incorporada em todos os direitos e obrigações (art. 1116 do CC/02 e artigo 227 da Lei n° 6.404/1976), a restrição prevista pelo diploma acima estabelece exceção à regra do direito civil, excluindo da sucessão o direito de compensação de prejuízos fiscais. Por se tratar se norma especifica, a previsão contida na /ex tributária sobrepõese, na espécie, às regras do direito privado, o que inquina a utilização do benefício fiscal por parte da incorporadora. Ou seja, ainda que a incorporação se moldasse no tipo ideal, o que resta afastado, não haveria falar em gozo do prejuízo fiscal em tela. Esta infração foi detectada pois a autoridade fiscal aferiu que a INDUSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA DO SUDESTE S.A (IBA S.A.) não observou a trava de 30% para compensação de seus prejuízos acumulados, pois, compensou prejuízos acumulados em montante de aproximadamente 88,4% do lucro líquido ajustado, conforme informado na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) da DIPJ. Diante destas infrações, a autoridade tributária lavrou Auto de Infração reconstituindo a base de cálculo de IRPJ e CSLL do período de 01/01/2005 a 30/11/2005 (fls. 511/542). Como fundamento de sua lavratura, alegou que a redução do lucro líquido ajustado, em no máximo 30% por compensação com prejuízo fiscal acumulado, é benefício fiscal concedido por lei. Ressaltou que não há nenhum amparo legal que estabeleça exceção quanto a trava de 30% para empresas que encerrem suas atividades em decorrência de reorganização societária, como no caso de incorporação (fls. 517/520). Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.140 6 Com isso, a autoridade tributária retificou de ofício a base de cálculo do IRPJ, conforme segue (fl. 526): Portanto, a fim de apurar o suposto crédito de saldo negativo de IRPJ em questão, necessário se faz calcular o Imposto de Renda devido no período, considerando a base de cálculo retificada de ofício. Tendo em vista o Imposto de Renda devido apurado de ofício, resta a análise das deduções informadas na Ficha 12 A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real), mais especificamente (fl. 446): 1) R$ 3.809.983,58 – linha 10 (Isenção e Redução do Imposto); 2) R$ 21.403.022,32 – linha 13 (Imposto de Renda Retido na Fonte) 3) R$ 59.501.634,24 – linha 17 (Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa) Quanto ao item 1, foi constatado no item III.2 do relatório de diligência fiscal, que a INDUSTRIA DE BEBIDAS ANTARCTICA DO SUDESTE S.A mantinha filial (estabelecimento industrial), no estado do Maranhão, e que em função disso, gozava de benefícios fiscais, conforme trechos transcritos do relatório de diligência fiscal, a seguir (fls. 498500): “No curso da presente diligência, constatamos que a incorporada mantinha filial (estabelecimento industrial), no estado do Maranhão, e que em função disso, gozava dos benefícios instituídos hodiernamente pela Medida Provisória n°2.146/2001, diploma que criou a autarquia federal denominada Adene, em substituição à extinta Sudene, qual seja, a redução do lucro na exploração, somente para as atividades desenvolvidas pelo estabelecimento localizado na área incentivada. (…) Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.141 7 No caso em exame, considerando que o benefício calculado sobre o lucro da exploração está contido em um contexto de política econômica e social que visa ao desenvolvimento regional ou setorial, mediante o incremento de atividades específicas, fazse mister aferir, antes mesmo de se falar em qualquer direito creditório advindo da apuração fiscal do período (lucro real anual), como é o caso do saldo negativo do anocalendário 2005 a apuração do lucro na exploração somente da atividade desenvolvida pela filial incentivada, não se imiscuindo tal beneplácito com as demonstrações da pessoa jurídica como um todo. (grifos nossos). Considerando ainda que a interessada não apresentou os livros contábeis em papel e que nos arquivos magnéticos não há menção a qualquer rubrica específica sobre as operações empreendidas pela filial e, que, alternativamente, não foram apresentados os livros fiscais, especialmente o livro registro de apuração do ICMS (ou as declarações de informações econômicofiscais), não há como se atestar de maneira categórica se houve uma correta apuração do cálculo do lucro da exploração intrínseco somente àquele estabelecimento, e se o mesmo se destacou da apuração de todos os estabelecimentos da interessada, o que, por desdobramento causa incerteza sobre o saldo negativo do período.”(grifos nossos) Percebese que o interessado não apresentou documentos capazes de comprovar a dedução de R$ 3.809.983,58 referente a isenção e redução do imposto indicado na linha 10 / Ficha 12 A da DIPJ/2005. Ainda neste item, vale observar o que o programa DIPJ/2005 determina em suas instruções de preenchimento sobre esta linha 10 da Ficha 12 A: Linha 12A/10 ( ) Isenção e Redução do Imposto Esta linha só pode ser utilizada pelas empresas legalmente amparadas por isenção ou redução do imposto, a título de incentivo fiscal. O valor a ser indicado nesta linha corresponde ao informado na Linha 10/31, observandose que este não pode ser superior à soma algébrica das Linhas [(12A/01 + 12A/02 + 12A/03) – (12A/04 + 12A/05 + 12A/06 + 12A/07 + 12A/08 + 12A/09)].(grifos nossos) Ao analisar a Ficha 10 (Cálculo da Isenção e Redução do Imposto sobre o Lucro Real – PJ em Geral), verificouse que não constava nenhuma informação na linha 31, e, em nenhuma outra linha, ou seja, a ficha não estava preenchida (fl. 441). Logo, por todo acima exposto, não se confirma a dedução de R$ 3.809.983,58. Quanto aos itens 2 e 3, ambos devem ser analisados juntos como se demonstrará. O interessado apresentou na Ficha 11 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa) as seguintes estimativas (fls. 442/445): Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.142 8 Em consulta aos sistemas da Receita Federal, foi possível confirmar que a estimativa de janeiro foi quitada em parte, isto é, R$ 178.693,27 através de pagamento via DARF, e o restante indicado como compensado na Dcomp 21852.94128.191108.1.7.024317, vinculada a Dcomp 15271.64770.191108.1.7.026029 (fls. 632/637). Já a estimativa de fevereiro foi integralmente vinculada à própria Dcomp 15271.64770.191108.1.7.026029 (fls. 632633, 638640). Em pesquisa ao SIEFPERDCOMP, constatouse que houve reconhecimento parcial do direito creditório da Dcomp 15271.64770.191108.1.7.026029 em montante próximo do integral e suficiente para respaldar tais compensações (fls. 639640). Além destas, aferiuse que o interessado utilizou Imposto de Renda Retido na Fonte como deduções nas seguintes estimativas (fls. 442445): Na Ficha 12 A, o interessado informou o valor de R$ 21.403.022,32 de IRRF e R$ 59.501.634,24 de Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa (fl. 446). Isto porque a instrução de preenchimento da Linha 17 /Ficha 12 A (Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa) da DIPJ/2005 diz que: Esta linha deve ser preenchida somente pelas pessoas jurídicas que apuraram o lucro real anual. Somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano calendário objeto da declaração. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do imposto de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação (PER/DComp) ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf.(grifos nossos) Logo, têmse que o interessado apurou um total de IRRF de R$ 80.306.252,35, correspondente a soma de R$ 58.903.230,03 (total das deduções de IRRF nas estimativas) com R$ 21.403.022,32 (linha do IRRF da Ficha 12 A). Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.143 9 Consultando à DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte), confirmouse o total de IRRF informado pelo interessado de R$ 80.306.252,35 (fls. 547/565). Cabe dizer que o valor de R$ 59.501.634,24 na linha Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa da Ficha 12 A está correto, pois este é a somatória dos R$ 58.903.203,03 (valor deduzido de IRRF das estimativas) com R$ 598.404,21 (correspondente a soma das estimativas de janeiro e fevereiro: R$ 231.492,11 e R$ 366.912,10, respectivamente). Terminada a análise das deduções, resta a composição do saldo negativo, baseandose em todas as confirmações e constatações já descritas. Concluise, assim, pelo reconhecimento parcial do saldo negativo de Imposto de Renda no valor de R$ 16.974.995,08. Diante do exposto, considerando tudo o mais que do processo consta, DECIDIMOS: 1. Reconhecer parcialmente o direito creditório de saldo negativo de IRPJ em tela, no valor de R$ 16.974.995,08; 2. Homologar as Declarações de Compensação até o limite do crédito reconhecido. Da Manifestação de Inconformidade Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Manifestação de Inconformidade, de fls. 1/11, que aduziu os seguintes argumentos: Tendo sido cientificada em 30/08/2011, a contribuinte, por seu advogado e bastante procurador, apresentou, em 29/09/2011, manifestação de inconformidade, contestando o despacho decisório da DRF Campinas/SP, trazendo aos autos as razões adiante sintetizadas. Afirma a contribuinte que teria incorporado a empresa Fratelli Vita Bebidas S/A em 01/02/2011, sucedendoa na universalidade de seus direitos e obrigações. Informa, ainda, que anteriormente a essa operação, a empresa Fratelli teria incorporado a Empresa Indústria de Bebidas Antárctica do Sudeste S.A. Prossegue relatando que foram apresentadas pela empresa Fratelli 74 DCOMP buscando compensar débitos com créditos oriundos do saldo negativo de IRPJ apurado em 30/11/2005, no montante de R$ 74.148.067,08 das quais apenas 24 teriam restado homologadas, após reconhecimento de crédito de saldo negativo pela autoridade fiscal da DRF/Campinas no valor de R$ 16.974995,08. Aduz que a autoridade fiscal, quando da determinação do saldo negativo disponível para as presentes compensações, teria observado conclusões enunciadas em relatório de diligência fiscal, elaborado em 23/03/2011, constante dos autos do processo nº 10830.904285/200804, do qual a contribuinte não teria participado. Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.144 10 Segue discorrendo acerca de seu direito às compensações declaradas, ressaltando existirem afrontas explícitas aos princípios da legalidade e da moralidade. Argui a inconstitucionalidade dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9065 de 1995, que prevêem a limitação ao direito da contribuinte de aproveitar os prejuízos fiscais acumulados ao percentual de 30% do lucro líquido ajustado por períodobase, trazendo à colação julgados do STJ que ratificariam seu entendimento. Defende que, ainda que se considerasse constitucionais os referidos artigos, não seriam os mesmos aplicáveis ao presente caso, uma vez que não há que se confundir os efeitos da regra de diferimento da compensabilidade dos prejuízos acumulados experimentados por uma empresa em plena atividade com os de uma empresa que encerra suas atividades por força da incorporação. E complementa: Apresenta, então, decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), além de entendimentos doutrinários, no sentido ora defendido. Subsidiariamente, expõe que, caso se entenda pela aplicabilidade da limitação imposta pela Lei 9.065 ao presente caso, restaria nulo o despacho combatido, tendo em vista a desconsideração da isenção a que teria direito a Manifestante. Destaca o erro enunciado no quadro abaixo reproduzido: Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.145 11 Assevera que, uma vez observadas as exigências legais para fruição da isenção questionada, passaria ela a ter direito aos incentivos fiscais. Isto porque a legislação não fala em “hipótese” de incentivo, mas sim, em certeza deste. Entretanto, quando da apuração do benefício a que teria direito, incidiu em vários erros, razão pela qual equivocouse também quando de suas declarações em DIPJ. Alega que os documentos apresentados pela Fratelli por ocasião da fiscalização efetuada pela Receita Federal do Rio de Janeiro seriam suficientes para que se constatasse a existência dos créditos em análise. Entende a Manifestante que é obrigação da administração pública sempre buscar a aplicação da legislação, conforme a constituição e de acordo com a realidade fática. Assim, caberia à autoridade fiscal o dever de analisar todo o conteúdo probatório formador do processo Administrativo, devendo considerar os documentos anexados, ou ainda solicitar novos que possam embasar o direito à compensação já requerida. Defende, ainda, que a glosa aos incentivos fiscais não poderia ocorrer com base na diligência antes mencionada por não ter sido a Manifestante parte do procedimento de fiscalização consubstanciado no M.P.F. nº 07.1.9.00201002030. Destaca que a referida prova emprestada estaria, portanto, vedada, sob pena de ofensa ao devido processo legal, ao princípio do contraditório e à ampla defesa. Afirma que nenhum direito foi garantido à Impugnante, na apuração dos fatos e elaboração do relatório de diligência fiscal. Reproduz decisões do CARF que consideram legal o uso de prova emprestada produzida por outro órgão tributante, desde que não utilizadas as conclusões do outro órgão. A título exemplificativo, reproduzemse as seguintes ementas: (...) Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.146 12 Em julgamento realizado em 21 de março de 2012, a 5ª Turma da DRJ/CPS considerou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte e prolatou o acórdão 0537300 assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 BASE DE CÁLCULO. MATÉRIA JÁ APRECIADA. No âmbito do processo de compensação de saldo negativo, não cabe a reapreciação do mérito de lançamento de ofício, relativo à base de cálculo do tributo no mesmo período, objeto de julgamento em outro processo. PRELIMINAR. NULIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSISTÊNCIAS NA FORMULAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. É incabível a argüição de nulidade do despacho decisório, cuja lavratura esteja revestida de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos pressupostos e preceitos legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. A insuficiência de apresentação de prova inequívoca hábil e idônea, com vistas a aferir a certeza e liquidez dos créditos requeridos, acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Irresignada, AMBEV BRASIL BEBIDAS S/A, sucessora por incorporação de FRATELLI VITA BEBIDAS S/A, interpôs o recurso voluntário de fls. 926/979, em que, em apertada síntese, sustenta: necessidade de julgamento conjunto do presente processo com o de nº 16682.720173/201036; a nulidade da decisão recorrida, em virtude da falta de análise do direito creditório representado pelo saldo negativo de CSLL; a existência do direito creditório representado pelo saldo negativo de CSLL (confirmação das antecipações de CSLL e existência de cobrança em duplicidade); e a inaplicabilidade da limitação à compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas, no caso de extinção da sociedade. Posteriormente, em 22 de outubro de 2014, por meio da Resolução 1301 000.233, este Colegiado decidiu pelo sobrestamento do feito até a diligência requerida nos autos do Processo 10830.904285/200804 fosse realizada e todos eles pudessem ser julgados em conjunto. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.147 13 O Relatório de tal diligência está acostado às fls. 1.261/1.262, daqueles autos, e em síntese apresenta os valores declarados de estimativa da CSLL no ano de 2005: • verificouse que todos os pagamentos declarados foram realizados (fls.1.251 a 1.254); • o saldo restante dos débitos foi compensado nos seguintes PER/DCOMPs: 3. Em relação à solicitação ‘b’, informo que os processos 16682.720173/201036 e 10830.720411/200861 foram apensados ao presente. O recorrente, devidamente intimado, apresentou suas considerações às fls. 1.272/1.277, entendendo que reconhecida a quitação das estimativas e, consequentemente, a existência de saldo negativo de CSLL no período, deve ser reconhecido que a infração identificada no PA 16682.720173/201036, ainda que procedente, só poderia levar à exigência de crédito tributário no que superasse o montante do saldo negativo. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 26/01/2018. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/CPS e intimada ao recolhimento do débito em 02/04/2012, (AR de fl. 918), e apresentou em 02/05/2012, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 926 e ss. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.148 14 Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. Estes autos tratamse de Pedido de Compensação apresentadas pela recorrente, incorporada por AMBEV BRASIL BEBIDAS S/A, por meio das quais se pretende compensar débitos diversos com crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 2005, período de 01/01 a 30/11. Ficha 12 da DIPJ/2006/2005 apresenta um saldo negativo de IRPJ de 74.148.067,08. Em Despacho Decisório, reconheceuse parte do saldo negativo, homologando se as compensações até tal limite. O reconhecimento parcial veio em razão da recomposição da apuração da base de cálculo do imposto em virtude do contribuinte não ter observado o limite de 30% na compensações de prejuízos fiscais de períodos anteriores (matéria do PA 16682.720173/2010 36) e por não ter sido considerada comprovada a dedução promovida à título de isenção e redução do imposto (R$3.809.983,58). A DRF reconheceu o montante de R$16.974.995,08, considerando a trava de 30%: Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10830.720411/200861 Resolução nº 1301000.598 S1C3T1 Fl. 1.149 15 A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada. Assim, em razão da Resolução 1301000.233 proferida por este Colegiado, foi determinado o sobrestamento do feito até a realização da diligência requerida nos Autos do PA 10830.904285/200804. Novamente, lá naqueles autos, foi requerido sobrestamento, a fim de que a PGFN fosse ouvida em questão prejudicial, dessa forma, aqui nestes autos também sugiro que se aguarde a diligência lá requerida, para que posteriormente, sejam todos julgados juntos. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1149DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.008930/2005-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONFISSÃO FICTA.
Considerar-se-á devido o lançamento da matéria não expressamente
contestada pelo impugnante.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº2
A alegação de ofensa a princípios constitucionais diz respeito a
inconstitucionalidade da lei e a Súmula CARF nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO
Nos casos de lançamento de ofício devem ser aplicadas as penalidades expressamente previstas na legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1301-000.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Recorrente JR COMÉRCIO VAREJISTA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONFISSÃO FICTA. Considerarseá devido o lançamento da matéria não expressamente contestada pelo impugnante. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº2 A alegação de ofensa a princípios constitucionais diz respeito a inconstitucionalidade da lei e a Súmula CARF nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício devem ser aplicadas as penalidades expressamente previstas na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 26/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.008930/200551 Acórdão n.º 1301000.959 S1C3T1 Fl. 590 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jackson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Fl. 590DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 26/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.008930/200551 Acórdão n.º 1301000.959 S1C3T1 Fl. 591 3 A empresa teve contra si lavrado auto de infração da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor total de R$ 303.545,10, aí incluído inclusive acréscimos legais. Conforme descrito às fls. 05/06 dos autos "... foi constatado que o lucro líquido apurado foi escriturado conforme consta nos livros Diários e LALUR, apresentados pelo contribuinte durante a fiscalização, porém a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido devida não foi recolhida e nem declarada em DCTF, nos anos calendário de 2002, 2003 e 2004". Cientificado do lançamento aos 28/09/2005, apresentou o contribuinte impugnação tempestiva a qual insurgese contra a aplicação da multa de lançamento de ofício, levantando em síntese os princípios constitucionais da Razoabilidade, da Proporcionalidade, da Vedação ao Confisco e da Capacidade Contributiva. A 4ª Turma da DRJ/Fortaleza, por unanimidade de votos manteve o crédito tributário exigido, pelos seguintes fundamentos em síntese: que à tributação referente a falta de recolhimento da CSLL devida nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, foi apurada com base nas receitas escrituradas nos Livros Diários e LALUR. que tendo em vista que o contribuinte em sua peça de defesa não se insurge contra o referido lançamento, considerase não impugnada a matéria tributável consignada no auto de infração de fls. 04/11, com fulcro no artigo 17 do Decreto n° 70.235/72. que em relação à Multa de Ofício a fiscalização aplicou a multa no percentual de 75%, em consonância com o art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, uma vez que está obrigada ao seu cumprimento. que não cabe a recorrente alegar os princípios da razoabilidade ou proporcionalidade, dado que o legislador definiu o percentual de multa a ser aplicado, nos lançamentos de ofício. que em relação ao argumento de confisco, cumpre considerar que este princípio constitucional, antes de tudo, é dirigido aos legisladores ordinários, que devem respeitálos no processo de elaboração legislativa, e não às autoridades administrativas que estão obrigadas a aplicar as determinações legais emanadas do poder competente. que a vedação ao confisco, previsto no artigo 150, IV, da Constituição Federal, atua em conjunto com o da capacidade contributiva, artigo 145, § 1º, que também visa preservar a capacidade econômica do contribuinte, mas só devem ser apreciados pelo Poder Judiciário, tendo em vista a vinculação funcional da autoridade administrativa. que estando devidamente comprovada nos autos a infração cometida, e tendo sido aplicada a penalidade prevista na legislação tributária, não há como prosperar a argüição de violação dos referidos preceitos constitucionais. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 26/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.008930/200551 Acórdão n.º 1301000.959 S1C3T1 Fl. 592 4 Cientificado o Contribuinte do Acórdão DRJ/Fortaleza em 21/06/2007, conforme AR às folhas 173, interpôs em 02/07/2007, tempestivamente, recurso voluntário, porém, segundo se depreende da procuração juntada às folhas 179, esta não foi outorgada pelo sujeito passivo. Na tentativa de sanear o processo, intimações foram postadas para Valdilson Tavares Façanha, responsável pela empresa, folhas 197, e Guiomar Tavares de Oliveira, folhas 201, denominada outorgante, no entanto todas se mostraram improfícuas, conforme atestam os Avisos de Recebimento juntados às folhas 202 e 203. Intimação anterior enviada para a empresa, retornou com a informação de que a empresa mudouse, folhas 169, mas conforme se verifica às folhas 204 , não houve alteração no endereço do cadastro CNPJ. Apenas a intimação, folhas 198, dirigida a Pedro Henrique Araújo, que recebeu a decisão da DRJ, denominado procurador, foi bem sucedida, haja vista AR juntado às folhas 199. No entanto, até a presente data, não se constata nos autos qualquer documento que esclareça por qual razão o outorgante na procuração não é o representante legal da empresa, Sr. Valdilson Tavares Façanha. É o relatório. Voto Fl. 592DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 26/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.008930/200551 Acórdão n.º 1301000.959 S1C3T1 Fl. 593 5 Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso é tempestivo mas não preenche os requisitos exigidos pelo Decreto nº 70.235/72, porém em razão da matéria em litígio o recebo para negarlhe provimento, pelas razões expostas a seguir. Diante das informações prestadas pela SECAT e da analise dos autos, se verifica que apesar do recurso ser tempestivo, foi interposto por pessoa sem poderes para tal. A procuração outorgada pela Sra. Guiomar Tavares de Oliveira às fls. 201 é pessoal, e nem a prova de que ela é representante da Contribuinte consta dos autos. Apesar do outorgado, Sr. Pedro Henrique Araújo, ter recebido a cópia da decisão da DRJ e intimado não regularizou a representação, por economia processual, supero este fato e adentro no mérito. A razão para esta decisão é que a autuação se deu exclusivamente sobre a CSLL e em sede de impugnação a Contribuinte se restringiu a contestar a cobrança abusiva da multa regulamentar de 75%. Sendo assim a contribuinte em sua peça recursal só poderia mesmo discutir a multa uma vez que a CSLL não contestada se tornou matéria preclusa. Os princípios constitucionais arguidos neste recurso já foram devidamente apreciados e afastados pela DRJ, não podendo prosperar neste Colegiado uma vez que a Súmula CARF nº 2, determina: “Súmula nº2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.” Conforme se constata nos autos o lucro líquido apurado foi escriturado nos livros Diários e LALUR, apresentados pelo próprio contribuinte durante a fiscalização, mas a CSLL devida não foi recolhida e nem declarada em DCTF, nos anos calendário de 2002, 2003 e 2004. Portanto não há como a administração tributária se esquivar de cumprir a lei em razão de princípios constitucionais. No caso, o lançamento se coaduna com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte e se pautou exclusivamente nos pressupostos jurídicos declarados no enquadramento legal, aplicando a multa regulamentar prevista na legislação de regência, não havendo como ser modificada a decisão da DRJ. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República Federativa do Brasil). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução só podem ocorrer com suporte na legislação tributária. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, fixa: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) Fl. 593DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 26/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.008930/200551 Acórdão n.º 1301000.959 S1C3T1 Fl. 594 6 I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Sendo assim, independentemente do conteúdo do recurso voluntário que viesse a ser interposto não haveria como se modificar o que foi decidido pela DRJ, razão porque, voto no sentido de manter o crédito tributário na sua íntegra, negando provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 594DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 26/06/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10480.720456/2014-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009, 2010
REGIME NÃO CUMULATIVO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
1. O ICMS substituição tributária (ICMS-ST), pago pelo adquirente na condição de contribuinte substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria.
2. É incabível a apuração de créditos da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMS-ST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens.
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009, 2010
REGIME NÃO CUMULATIVO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
1. O ICMS substituição tributária (ICMS-ST), pago pelo adquirente na condição de contribuinte substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria.
2. É incabível a apuração de créditos da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMS-ST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens.
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-005.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 REGIME NÃO CUMULATIVO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de contribuinte substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. 2. É incabível a apuração de créditos da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 REGIME NÃO CUMULATIVO. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 04 56 /2 01 4- 00 Fl. 8100DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.100 2 1. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de contribuinte substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. 2. É incabível a apuração de créditos da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Fl. 8101DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.101 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 8.0158.044, deixando, apenas de colacionar as planilhas citadas na referida decisão: 1. COMERCIAL VITA NORTE LTDA, empresa acima identificada, foi submetida a procedimento de auditoria fiscal. Ao término dos trabalhos, a fiscalização constatou algumas irregularidades, referentes aos anoscalendário de 2009 e 2010, narradas no Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 27/80). Transcrevo trechos deste Termo relativos às irregularidades apuradas no campo do PIS/COFINS: A Registro indevido de crédito do PIS/COFINS em 01/2009. 185. Em 02/01/2009, o contribuinte registrou, na sua contabilidade, a credito da conta “266 – LUCROS ACUMULADOS", o valor de R$ 5.114.531,34, lançado a débito da conta "40 COFINS A RECUPERAR", e o valor de R$ 1.619.839,33, lançado a débito da conta "41 – PIS a RECUPERAR". 189. Em 18/10/2013, o contribuinte informou que os valores do PIS e COFINS registrados na contabilidade no dia 02/01/2009, no valor de R$ 1.619.839,33 e RS 5.114.531,34, referemse a valores registrados nos Dacon que se referiam a créditos de períodos anteriores, não contabilizados na escrituração comercial. 192. Elaboramos a planilha "Saldo Credor do Mês Anterior e Crédito Remanescente dos Dacon Ativos", onde estão demonstrados os saldos de créditos de meses anteriores e o valor do crédito remanescente de cada mês, para o PIS e para a COFINS, considerando os últimos Dacon entregues. Da análise dessa planilha, constatamos que os supostos créditos surgiram a partir do mês de 01/2008. 193. De acordo o Dacon ativo do mês dc 12/2007, ND 0000100200703848874, entregue em 29/06/2010, temos os seguintes saldos credores remanescentes: (...) 194. Por seu turno, e sem correspondência (saldo final de 12/2007 diferente do saldo inicial de 01/2008), de acordo o Dacon ativo do mês de 01/2008, ND 0000100201008126898, entregue cm 19/12/2012, temos os seguintes saldos credores de meses anteriores: (...) 195. Os saldos credores de meses anteriores de 01/2008 divergem dos saldos remanescentes do mês de 12/2007, mas deveriam ser iguais. No Dacon de 01/2008 houve um registro a maior a título de saldo credor de meses anteriores nos seguintes valores: (...) 196. Esses valores registrados indevidamente no Dacon de 01/2008 propagaramse para os Dacons dos meses subseqüentes, até que cm 01/2009 o contribuinte resolveu lançar na sua contabilidade o crédito de COFINS no valor de RS 5.114.531,34 e de PIS no valor de RS 1.619.839,33. 197. Do exposto, fica demonstrado que, em sendo expurgados os valores registrados a maior no Dacon de 01/2008, nada restará de saldo credor de meses anteriores a ser considerado no Dacon de 01/2009. Ao contrário do alegado, os Fl. 8102DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.102 4 Dacon apresentados demonstram a inexistência de créditos no início do mês de 01/2009; sendo, portanto, indevidos os lançamentos contábeis efetuados. 198. O contribuinte alegou que os valores do PIS e COFINS registrados na contabilidade no dia 02/01/2009 referemse a valores registrados nos Dacon de períodos anteriores e não contabilizados na escrituração comercial. 199. A alegação do contribuinte é inaceitável, pois, os lançamentos contábeis devem ser lastreados por documentação comprobatória da ocorrência do fato contábil. Os créditos do PIS e da COFINS são originados de operações comerciais da empresa, que devem ser registradas na sua contabilidade. 200. A maior parte dos créditos deriva das compras de mercadorias para revenda, que devem ser registradas na contabilidade em conta de estoque. No caso em análise, os créditos do PIS e da COFINS são registrados a débito de uma conta do ativo e a crédito da conta de estoque de mercadorias. 201. Outrossim, os outros créditos, a exemplo dos relativos a aluguéis, despesa de energia, fretes, e depreciações são também calculados a partir de valores registrados na contabilidade. Esses créditos devem ser lançados contabilmente a crédito da conta representativa da despesa com as contribuições (deduções da receita bruta), a exemplo de COFINS sobre vendas e PIS sobre vendas. 202. Quando do início da fiscalização, em 23/04/2013, o contribuinte havia apresentado ao SPED, cm 31/08/2010, Escrituração Contábil Digital (ECD), cujo Código HASH do arquivo é BOE8D862A520897135DBC44DF41F01761CDFD6DC, que já se encontra autenticada pela Junta Comercial do Estado de Pernambuco. Nessa ECD não constam os registros contábeis dos créditos do PIS e da COFINS."" 203. Os registros contábeis dos créditos do PIS e da COFINS somente aparecem na "nova ECD" apresentada pelo contribuinte diretamente a esta fiscalização em 05/09/2013. 204. Apesar do registro contábil dos supostos créditos do PIS e da COFINS ter sido efetuado em 02/01/2009, esses créditos só foram informados nos Dacon: a) Referente ao mês de 01/2008, entregue em 19/12/2012 (Dacon de n° 0000100201008126898); b) Referente ao mês de 01/2009, entregue em 03/04/2013 (Dacon de n° 0000100201008137591). 205. Salientamos que as informações contidas nos Dacon do contribuinte são bastante voláteis c efêmeras, pois, no período de 01/2006 a 12/2010, o contribuinte apresentou 215 demonstrativos, sendo 155 já cancelados e 60 ativos. 214. Diante de todo o acima exposto, concluímos que: a) o contribuinte não comprovou, por meio de documentação hábil e idônea, os alegados créditos do PIS e da COFINS escriturados na sua contabilidade de 01/2009; b) os Dacon do contribuinte demonstram a inexistência dos alegados créditos. (Em 01/2008 há informação de crédito inicial da COFINS no valor de R$ 6.295.454,06, sendo que o crédito no final de 12/2007 é de apenas R$ 593.194,79, havendo dessa forma um registro indevido no valor de RS 5.702.259,27. Em Fl. 8103DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.103 5 01/2008 há informação de crédito inicial do PIS no valor de RS 1.876.223,87, sendo que o crédito no final de 12/2007 é de apenas RS 128.785,71, havendo dessa forma um registro indevido no valor de RS 1.747.438,16); c) eliminandose os registros indevidos dos créditos do início de 01/2008, desaparecem os alegados créditos da COFINS, no valor dc R$ 5.246.845,26, e do PIS, no valor de R$ 1.648.565,38, no inicio de 01/2009; d) a evolução dos supostos créditos do início de 2008 ao fim de 2010 demonstra que o contribuinte, de modo geral, apura saldo devedor do PIS e da COFINS, não se justificando a acúmulo de créditos antes de 01/2008. 215. Considerando a inexistência dos alegados créditos, são glosados de ofício os créditos da COFINS, no valor de R$ 5.246.845,26, e do PIS, no valor de RS 1.648.565,38, relativos ao saldo de créditos de meses anteriores registrados nos Dacon em 01/2009. BReceita bruta de vendas de mercadorias informada em valor incorreto. 219. Em 20/09/2013 o contribuinte nos apresentou suas memórias de cálculo de PIS e da COFINS, em planilhas do Microsoft Excel, contidas nos arquivos "APURAÇÃO PIS E COFINS 2009 E 2010.xls", "APURAÇÃO PIS E COFINS CADAN 2009.xls", "APURAÇÃO PIS E COFINS CADAN 2010.xls"." 220. Da análise da memória de cálculo para apuração do PIS e da COFINS apresentada pelo contribuinte, observamos os seguintes equívocos: a) são consideradas saídas que não se referem a vendas de mercadorias, a exemplo de devolução de compras, remessa com bonificação, devolução de vasilhame ou sacaria e outras saídas; b) após somar os valores das saídas, incluindo as devoluções de compras, o contribuinte acrescenta novamente os valores relativo a devoluções de compras, encontrando, desse modo, a base de cálculo das contribuições. Não há razão para o acréscimo das devoluções de compras. 221 Nos nossos levantamentos tomamos como base as receitas de vendas registradas na contabilidade, conta 408 VENDA DE MERCADORIA, cujos valores mensais estão no quadro abaixo:(...) C Receita da revenda de mercadorias isentas, sujeitas à alíquota zero ou regime de substituição tributária. 22. Não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas decorrentes de saída isenta ou não alcançada pela incidência da contribuição ou sujeita à alíquota zero; e as auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária (incisos I e 111 do § 3º do art. 1o da Lei n° 10.637/2002, para o PIS, e incisos I e III do § 3o do art. 1o da Lei n° 10.833/2003, para a COFINS). 223. Na memória de cálculo para apuração do PIS e da COFINS, apresentada pelo contribuinte, as mercadorias ora referidas foram denominadas de isentas. 224. Em 22/11/2013 o contribuinte apresentou arquivo do Microsoft Excel denominado de "PLANILHA PIS COFINS POR PRODUTOS 2009 2010.xlsx", contendo os valores mensais de cada produto tributado à alíquota zero. Fl. 8104DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.104 6 225. Abaixo segue um quadro comparativo entre os valores das operações de venda com mercadoria; tributada à alíquota zero obtidos na planilha do contribuinte para apuração do PIS e da COFINS e os valores obtidos com base na da relação de produtos tributados à alíquota zero. (....) 226. Da análise do quadro acima, verificamos que há divergências nas informações do contribuinte, desse modo, para levantamento dos valores das operações tributadas à alíquota zero, utilizaremos as informações contidas no arquivo "PLANILHA PIS COFINS POR PRODUTOS 2009 2010.xlsx", pois, as planilhas contidas nesse arquivo são detalhadas por produto e por mês. 227.0 arquivo apresentado pelo contribuinte contém a planilha "Entradas 2009". com 6.769 mercadorias, a "Saidas 2009", com 6.769 mercadorias, a "Entradas 2010", com 6.771 mercadorias, e a "Saidas 2010", com 8.206 mercadorias. Nessas planilhas estão relacionadas as mercadorias com contribuição (chamadas de tributada pelo contribuinte) e as mercadorias sem contribuição (chamadas de não tributadas pelo contribuinte). 228. Das quatro planilhas contidas no arquivo do contribuinte, identificamos 2.954 mercadorias consideradas não tributadas. Após conferência dos códigos NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) com a TIPI (tabela do IPI) e a legislação aplicável, identificamos 194 mercadorias equivocadamente consideradas não tributadas. Essas mercadorias estão relacionadas na planilha "Mercadorias com Alíquota Zero Indevida". Nessa planilha são apontados os motivos da glosa (porque não alíquota zero) e o código da TIPI correto, quando aplicável." 229. Das planilhas de saídas constantes do arquivo do contribuinte "PLANILHA PIS COFINS POR PRODUTOS 2009 2010.xlsx" extraímos os valores das mercadorias constantes da planilha “Mercadorias com Alíquota zero indevida, que estão demonstrados na planilha “VALORES DE PRODUTOS COM ALÍQUOTA ERRADA", cujos valores mensais estão demonstrados no quadro abaixo:(...) 203. Dos valores das saídas consideradas pelo contribuinte não tributadas, diminuímos os valores das mercadorias com alíquota zero indevida e, desse modo, encontramos os valores que efetivamente se referem a saída sem contribuição, cujos valores mensais estão demonstrados no quadro abaixo:(...) D Demais receitas 231. O contribuinte obteve créditos presumidos do ICMS, registrandoos a débito da conta 30 ICMS A RECUPERAR e crédito de uma conta de despesa, 426 () ICMS, cujos valores mensais são os seguintes:(...) 232. Os créditos presumidos do ICMS recebidos pela fiscalizada deveriam ser registrados em conta de receita e, por não se tratar de subvenção para investimentos, essa receita deve ser incluída na base de cálculo do PIS, segundo o disposto no art. 1o da Lei nº 10.637/2002, e da COFINS, segundo o disposto no art. 1o da Lei n° 10.833/2003. E Créditos sobre aquisições de mercadorias para revenda 237. O contribuinte comercializa mercadorias para as quais não há direito a crédito do PIS e da COFINS pelas aquisições, pois, são sujeitas à alíquota zero ou ao regime monofásico (cuja alíquota na entrada é zero), conforme o disposto nas Fl. 8105DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.105 7 alíneas "a" e "b" do inciso I do art. 3° da Lei n° 10.637/2002 c nas alíneas "a" c "b" do inciso I do art. 3o da Lei n° 10.833/2003. 238. De modo semelhante ao que ocorreu na parte das vendas, na memória de cálculo para apuração do PIS e da COFINS apresentada pelo contribuinte, observamos os seguintes equívocos: a) são consideradas entradas que não se referem à compra de mercadorias, a exemplo de retorno de mercadoria remetida para depósito fechado ou armazém geral, entrada de bonificação, doação ou brinde, e outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada; b) após somar os valores das entradas, o contribuinte acrescentou os valores das bonificações e das devoluções de vendas, encontrando, desse modo, a base de cálculo dos créditos. Não há razão para o acréscimo das bonificações e das devoluções de vendas 239. Para encontrar os valores dos créditos do contribuinte sobre as aquisições de mercadorias, vamos inicialmente apurar o valor total de suas compras e depois abater o valor das compras de mercadorias sem direito a crédito. 240. O contribuinte registra suas compras na conta 55 MERCADORIAS PARA REVENDA MATRIZ. Nessa conta também são registradas as mercadorias recebidas em bonificações e as baixa dos valores do ICMS, do PIS, da COFINS, das saídas das mercadorias como bonificações e das devoluções de compras. Considerando que essa conta possui milhares de lançamentos (no ano de 2009 são 13.258), elaboramos um quadro comparativo entre os valores das compras apuradas com base na contabilidade e os valores apurados com base no livro de apuração do ICMS: (...) 241.Considerando que não há divergências relevantes entre os valores apurados com base na contabilidade e com base no livro de apuração do ICMS, para as compras, vamos utilizar esse livro, que contém valores mensais resumidos por CFOP (Código Fiscal de Operação). 242. Os valores das compras com base no livro de apuração ao ICMS confere com os valores das compras informadas pelo contribuinte em suas memórias de cálculos para apuração do PIS e da COFINS das planilhas do Microsoft Excel contidas nos arquivos "APURAÇÃO PIS E COFINS 2009 E 2010.xls", "APURAÇÃO PIS E COFINS CADAN 2009.xls" "APURAÇÃO PIS E COFINS CADAN 2010,xls", apresentados pelo contribuinte em 20/09/2013. FDevolução de compra 243. Do valor das compras devem ser deduzidos os valores relativos às devoluções de compras. Da contabilidade do contribuinte, conta 55 MERCADORIAS PARA REVENDA MATRIZ apuramos os valores mensais, conforme quadro abaixo: (...) 244. Os valores das devoluções levantados com base na contabilidade conferem com os valores da memória de cálculo do contribuinte. No Dacon não há informações sobre os valores das devoluções de compras, que deveriam constar da linha "ajustes negativos de créditos". G Aquisições de mercadorias para revenda sem direito a crédito Fl. 8106DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.106 8 248.O arquivo apresentado pelo contribuinte contém a planilha "Entradas 2009", com 6.769 mercadorias, a "Saidas 2009", com 6.769 mercadorias, a "Entradas 2010", com 6.771 mercadorias, e a "Saidas 2010", com 8.206 mercadorias. Nessas planilhas estão relacionadas as mercadorias com contribuição (chamadas de tributada pelo contribuinte) e as mercadorias sem contribuição (chamadas de não tributadas pelo contribuinte). 249. Das quatro planilhas contidas no arquivo do contribuinte, identificamos 2.954 mercadorias consideradas não tributadas. Após conferência dos códigos NCM (Nomenclatura Comum do Mercosui) com a TIPI (tabela do IPI) e a legislação aplicável, identificamos 194 mercadorias equivocadamente consideradas não tributadas. Essas mercadorias estão relacionadas na planilha "Mercadorias com Alíquota Zero Indevida", Nessa planilha são apontados os motivos da glosa (porque não é alíquota zero) c o código da TIPI correto, quando aplicável. 250 Das planilhas de entradas constantes do arquivo do contribuinte "PLANILHA PIS COFINS POR PRODUTOS 2009 2010.xlsx" extraímos os valores das mercadorias constantes da planilha "Mercadorias com Alíquota Zero Indevida", que estão demonstrados na planilha "VALORES DE PRODUTOS COM ALÍQUOTA ERRADA", cujos valores mensais estão demonstrados no quadro abaixo (valores cm Reais R$):(...) H Créditos sobre outras entradas 251. Como acima já mencionado, na sua memória de cálculo de apuração do PIS e da COFINS o contribuinte calculou créditos sobre outras entradas, a exemplo de retorno de mercadoria remetida para depósito fechado ou armazém geral, entrada de bonificação, doação ou brinde, e outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada. Não há previsão legal para esses créditos. 252. No caso de entradas a título de bonificações, verificamos que contribuinte registrou receitas a crédito da conta 509 BONIFICAÇÃO, e a débito da conta 55 MERCADORIAS PARA REVENDA DA MATRIZ (estoque). 253. As mercadorias recebidas em bonificações, vinculadas a uma compra, não devem ter registro contábil em separado. A compra deve ser registrada pelo seu efetivo valor. O efeito das mercadores recebidas em bonificações é a diminuição do custo unitário das mercadorias adquiridas. 254. Assim as receitas obtidas com as bonificações não serão tributadas, mas, em contrapartida, as mercadorias recebidas em bonificação não dão direito a crédito do PIS e da COFINS, pois, na realidade, o valor dessas mercadorias está embutido no preço da compra que originou a bonificação. I Outros Créditos 258. Na sua memória de cálculo de apuração do PIS e da COFINS, o contribuinte apurou créditos sobre despesas diversas. Dessas despesas, com direito a crédito do PIS e da COFINS, identificamos as de frete, com energia e aluguel de imóvel. 259. Por falta de previsão legal, não acatamos os créditos sobre as outras despesas. Na planilha "créditos do PIS e da COFINS sobre Despesas Diversas" estão demonstrados os valores com direito a crédito e os valores sem direito a crédito, resumidos no quadro abaixo: (...) Fl. 8107DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.107 9 260. As despesas com depreciação referemse a veículos, máquinas e equipamentos, computadores e periféricos e móveis e utensílios. O imóvel utilizado pela empresa é alugado. 261. As despesas com a depreciação de veículos, máquinas, equipamentos, computadores, móveis e utensílios geram créditos apenas, se a atividade da empresa for de locação desses bens, de indústria ou de prestação de serviços, que não é o caso do contribuinte (inciso VI do art. 3o, c/c inciso III do § Io do art. 3o, da Lei n° 10.637/2002; inciso VI do art. 3o, c/c inciso III do § Io do art. 3°, da Lei n° 10.833/2003). J Crédito sobre o valor do ICMS Substituição Tributária 262. O contribuinte vende mercadorias adquiridas com valores cobrados do fornecedor a título de ICMS por substituição tributária (ICMS ST). 263. Nos valores das compras do contribuinte estão embutidos os valores do ICMS ST cobrados pelos fornecedores, mas, como a seguir é demonstrado, sobre o valor desse imposto não há direito a crédito do PIS e da COFINS. (...) K Valores apurados pela fiscalização 272. Com base nos dados coletados e considerando as informações acima, elaboramos a planilha "PIS/COFINS Apurados pela Fiscalização", onde são demonstrados os valores do PIS e da COFINS: a) apurados por esta Fiscalização; b) informados pelo contribuinte nos Dacon e nas DCTF, e os valores pagos; c) relativos às diferenças entre os valores apurados pela Fiscalização e os valores informados em DCTF ou pagos pelo contribuinte. 273. Diante do acima exposto, concluímos que, no período de 02/2009 a 12/2010, o contribuinte declarou/pagou a menor os valores do PIS e da COFINS, e, portanto, são constituídos de ofício, por meio de auto de infração, os créditos tributários dessas contribuições, relativos às diferenças entre os valores apurados por esta Fiscalização e os valores informados em DCTF ou pagos, conforme quadro abaixo: (...) 2. Em face das irregularidades apuradas foram lavrados os seguintes autos de infração cientificados ao contribuinte em 29/01/2014: a Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 15/16): Valor do crédito tributário de R$ 9.357.306,55, que inclui o tributo, a multa e os juros de mora calculados até 01/2014, fundamento legal citado nas fls. 18/19; b Auto de Infração da Contribuição para o PIS/PASEP (fl. 03/04): Valor do crédito tributário de R$ 2.031.520,16, que inclui o tributo, a multa e os juros de mora calculados até 01/2014, fundamento legal citado nas fls. 06/07. 3. Conforme consta da Informação Fiscal de fls. 7.584/7.585 a fiscalização apartou parte do crédito tributário lançado de ofício, que passou a ser controlado no processo nº 10480.721310/201473. Este crédito apartado refere se à matéria objeto do Mandado de Segurança nº 001022867.2012.4.05.8300 e Fl. 8108DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.108 10 versa sobre a não inclusão do crédito presumido do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. 4. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 7.596/7.655 em 27/02/2014, na qual questiona os lançamentos de IRPJ e CSLL, controlados no processo nº 10480.720455/201457, e os lançamentos de PIS/COFINS, presentes nos autos em estudo. Passo a sintetizar os questionamentos referentes ao PIS/ COFINS: A o crédito de PIS/COFINS contabilizado em 01/2009 referese a créditos acumulados no DACON em 12/2008. Estes créditos são relativos à aquisição de mercadorias nos exercícios anteriores a 2009, conforme consta do DACON de 01/2009. Parte deste crédito decorre do estoque inicial de abertura, conforme consta do DACON de 12/2007; B a fiscalização deveria ter intimado o contribuinte a apresentar a documentação de aquisição de mercadorias realizadas em 2008 e períodos anteriores; C o artigo 53 da Lei nº 11.941/2009 determina que a prescrição tributária deve ser reconhecida de ofício, inclusive de créditos tributários; D créditos presumidos do ICMS são créditos fictícios e não se originam na entrada das mercadorias. Estes créditos têm natureza de subvenção para custeio, não de receita e não integram a base de cálculo do PIS/COFINS, pois receita, conforme determina o STJ, é o ingresso de novo recurso ao patrimônio de uma pessoa, sendo que o crédito presumido do ICMS trata de redução de custo; E a aquisição de mercadoria para revenda por meio de bonificação deve originar crédito de PIS/COFINS, pois não há vedação legal. O fato desta operação não ser onerosa não impede o creditamento; F todos os custos e despesas necessários à geração de receitas devem gerar créditos de PIS/COFINS, salvo as vedações legais. Assim devem gerar crédito as despesas com depreciação, SERASA, NAGEN, contagem de inventários, etc; G os créditos calculados sobre o ICMSST foram glosados sem embasamento legal. Estes créditos integram o custo de aquisição, conforme consta da Solução de Consulta nº 60/12 da 4ª região. O procedimento do contribuinte está acobertado por decisão judicial proferida nos autos do processo nº 000144313.2012.4.05.8302, assim a exigibilidade do crédito deveria estar suspensa; H a multa de mora constitui penalidade, assim a aplicação da multa nos termos dos artigos 136 a 138 do CTN decorre do descumprimento da obrigação tributária sendo uma penalidade; I a multa correspondente a 75% do tributo devido não é razoável e tem caráter confiscatório, devendo ser aplicada a penalidade prevista no artigo 61, § 2º da Lei nº 9.430/1996; J os juros moratórios somente poderiam ser exigidos a partir da constituição definitiva do crédito tributário, ou seja, com o trânsito em julgado administrativo; Fl. 8109DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.109 11 K a taxa SELIC remunera o capital, não foi criada por lei, seu uso viola o princípio da anterioridade, da indelegabilidade da competência tributária, da segurança jurídica, sendo ilegal sua cobrança. Os juros de mora deveriam se restringir a 1% ao mês; L requer sejam refeitos os autos de infração. Em 05 de maio de 2016, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou, por unanimidade votos, improcedente a impugnação da Recorrente, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. COMPROVAÇÃO. O crédito contabilizado deve ser comprovado com documentação hábil e idônea que demonstre a sua origem. MERCADORIAS. BONIFICAÇÃO. Mercadorias recebidas a título de bonificação sem ônus ao comprador não pode originar crédito não cumulativo de PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO. Insumo é todo bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideramse insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA (ICMSST). CRÉDITO. O ICMSST não compõe o custo de aquisição do produto, desta forma não faz parte da base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. COMPROVAÇÃO. O crédito contabilizado deve ser comprovado com documentação hábil e idônea que demonstre a sua origem. MERCADORIAS. BONIFICAÇÃO. Mercadorias recebidas a título de bonificação sem ônus ao comprador não pode originar crédito não cumulativo de PIS/COFINS. INSUMO. CONCEITO. Insumo é todo bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideramse insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. Fl. 8110DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.110 12 Intimada da decisão recorrida em 18.07.2016 (fls.8.056), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 16.08.2016 (fls. 8.0598.087), trazendo para julgamento deste Colegiado os seguintes tópicos: (i) do crédito de pis e cofins registrado em 01/2009; (ii) do direito ao crédito sobre aquisições de mercadoria recebidas em forma de bonificações; (iii) outros créditos; (iv) ICMSST Direito ao Crédito; e (v) multa punitiva confiscatória. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 18.07.2016 (fls.8.056) e protocolou Recurso Voluntário em 16.08.2016 (fls. 8.0598.087), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Do crédito de pis e cofins registrado em 01/2009 A fiscalização motivou o indeferimento do crédito apurado pela Recorrente pela ausência de comprovação da origem do crédito e da inexistência do crédito alegado, conforme se verifica na conclusão extraída do Termo de Encerramento Fiscal: 214. Diante de todo o acima exposto, concluímos que: a) o contribuinte não comprovou, por meio de documentação hábil e idônea, os alegados créditos do PIS e da COFINS escriturados na sua contabilidade de 01/2009; b) os Dacon do contribuinte demonstram a inexistência dos alegados créditos, (em 01/2008 há informação de crédito inicial da COFINS no valor de R$ 6.295.454,06, sendo que o crédito no final de 12/2007 é de apenas RS 593.194,79, havendo dessa forma um registro indevido no valor de RS 5.702.259,27. Em 01/2008 há informação de crédito inicial do PIS no valor de RS 1.876.223,87, sendo que o crédito no final de 12/2007 e de apenas RS 128.785,71, havendo dessa forma um registro indevido no valor de RS 1.747.438,16); c) eliminandose os registros indevidos dos créditos do início de 01/2008, desaparecem os alegados créditos da COFINS, no valor de R$ 5.246.845,26, e do PIS, no valor de RS 1.648.565,38, no início de 01/2009; d) a evolução dos supostos créditos do início de 2008 ao fim de 2010 demonstra que o contribuinte, de modo geral, apura saldo devedor do PIS e da COFINS, não se justificando a acúmulo de créditos antes de 01/2008. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 8111DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.111 13 A Recorrente, por sua vez, tanto em sede impugnatória quanto recursal sustenta que os créditos decorrem de aquisições de mercadorias ocorridas antes de 2009; que caberia à fiscalização intimar o contribuinte a apresentar a documentação apta para comprovar a origem do crédito; e que fiscalização deixou transcorrer o prazo de 05 (cinco) para glosar os créditos, devendo, assim, ser aceito o crédito apurado. Em relação ao ausência de comprovação da origem do crédito apurado, insta tecer que o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 8112DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.112 14 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Ressaltase, neste ponto, que a fiscalização intimou a Recorrente esclarecer e comprovar a origem do crédito apurado (vide fls.177 e ss), no entanto, tal solicitação não foi atendida. Sequer na fase impugnatória, onde é concedido ao contribuinte exercer seu amplo direito de defesa, a Recorrente deixou de comprovar/demonstrar documentalmente a origem do crédito, motivo pelo qual, correto o lançamento fiscal. Já em relação ao prazo decadencial, afirma a Recorrente que a apropriação do crédito, que é o marco inicial do prazo decadencial, ocorreu em períodos anteriores a 2008, razão pela qual devese aplicar o referido instituto e admitir o crédito apurado pelo contribuinte. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, no presente caso, entendo que o início da contagem do prazo decadencial se inicia a partir da contabilização do crédito, aqui ocorrido em 01/2009. Isto se dá justamente para impedir que o contribuinte, que não realizou nenhuma apuração de crédito nos períodos anteriores, o faça no último dia do prazo decadencial e se beneficie com exíguo tempo que a fiscalização teria para analisar seu crédito. Assim, considerando que o contribuinte contabilizou o crédito em 01/2009; que o início do prazo nos termos do artigo 173, I, do CTN, se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ser efetuado (01/2010); que o término do prazo decadencial considerando esses fatos seria 31/12/2014; e que a Recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 01/2014, afastase a aplicação do prazo decadencial. Não fosse isso, a homologação tácita ocorre apenas para as declarações de compensação, instituto esse que não se aplica aos pedidos de ressarcimento/restituição, motivo pelo qual, também, afastase os argumentos da Recorrente. Nestes termos, citase o esclarecedor voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), que afasta a aplicação do prazo decadencial para os pedidos de ressarcimento/restituição, a saber: Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 8113DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.113 15 Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Fl. 8114DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.114 16 Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. Neste cenário, deixando a Recorrente de trazer aos autos documentos capazes de comprovar a origem dos lançamentos contábeis e, afastada a aplicação do prazo decadencial, o indeferimento do pedido de ressarcimento deve se mantido. II.2 Do direito ao crédito sobre aquisições de mercadoria recebidas em forma de bonificações No Termo de Encerramento Fiscal de fls.7172, a fiscalização não admitiu o crédito apurada pela Recorrente, por entender que a mercadoria obtida a título de bonificação, por não sofrer nenhuma tributação não dá direito ao crédito, a saber: 251. Como acima já mencionado, na sua memória de cálculo de apuração do PIS e da COFINS o contribuinte calculou créditos sobre outras entradas, a exemplo de retorno de mercadoria remetida para depósito fechado ou armazém geral, entrada de bonificação, doação ou brinde, e outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada. Não há previsão legal para esses créditos. 252. No caso de entradas a título de bonificações, verificamos que contribuinte registrou receitas a crédito da conta 509 BONIFICAÇÃO, e a débito da conta 55 MERCADORIAS PARA REVENDA DA MATRIZ (estoque). 253. As mercadorias recebidas em bonificações, vinculadas a uma compra, não devem ter registro contábil em separado. A compra deve ser registrada pelo seu efetivo valor. O efeito das mercadores recebidas em bonificações é a diminuição do custo unitário das mercadorias adquiridas. 254. Assim as receitas obtidas com as bonificações não serão tributadas, mas, em contrapartida, as mercadorias recebidas em bonificação não dão direito a crédito do PIS e da COFINS, pois, na realidade, o valor dessas mercadorias está embutido no preço da compra que originou a bonificação. Em sede de impugnação o contribuinte alegou : (i) que as mercadorias foram adquiridas para revenda, mas por estratégia comercial, uma pequena parte delas foram adquiridas por bonificação de seus fornecedores em nota fiscal distinta; e (ii) se a operação não tem custo, tratase de outro fator, o qual não está estritamente previsto na legislação que embasa a devida apuração do PIS e da COFINS. Ao analisar os argumentos da Recorrente, a DRJ afastou suas alegações com base nos seguintes fundamentos: 28. O próprio contribuinte solucionou a questão posta. Tendo em vista que os bens recebidos pela pessoa jurídica em forma de bonificação “não tem custo” ou seja, não foram oferecidos à tributação não podem servir de base para o cálculo de créditos de PIS/COFINS. 29. É o que dispõe o artigo 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002: Fl. 8115DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.115 17 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (g.n.) Já em sede recursal, a Recorrente inovou suas alegações e requereu o reconhecimento do seu direito sustentando (i) que os artigos 1º, das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, estabelecem que não integram a base de cálculo do PIS/COFINS as receitas referentes a vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, o que não é o caso dos autos; e (ii) que o artigo 3º, das referidas leis excetuam o crédito apenas em relação a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, o que não é o caso aqui discutido, já que incidiram as contribuições sobre a bonificação. Pois bem. A questão nova trazida pela Recorrente sobre a operação por ela realizada não se tratar de vendas canceladas ou descontos incondicionais não merece ser analisada por este Conselho, posto que independentemente da situação (aquisição de produtos a título de bonificação) ensejar ou não sua inclusão na base de cálculo do PIS/COFINS, fato é que não houve a incidência das contribuições na referida operação, conforme afirmado pela própria Recorrente em sua impugnação e, do contrário nada se provou. Assim, correta a fiscalização e a decisão de piso em glosar o crédito apurada pelo contribuinte, considerando as Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, em seu inciso II, §2º, do artigo 3º, veda a tomada de crédito de bens adquiridos sem a incidência do tributo em questão. Assim, mantémse o lançamento fiscal na forma originária. II.3 Outros créditos Neste tópico, reproduzo novamente os fatos e fundamentos constantes no Termo de Encerramento Fiscal de fls.73 que motivaram a fiscalização não admitir os créditos apurados pela Recorrente, senão vejamos: 258. Na sua memória de cálculo de apuração do PIS e da COFINS, o contribuinte apurou créditos sobre despesas diversas. Dessas despesas, com direito a crédito do PIS e da COFINS, identificamos as de frete, com energia e aluguel de imóvel. 259. Por falta de previsão legal, não acatamos os créditos sobre as outras despesas. Na planilha "créditos do PIS e da COFINS sobre Despesas Diversas" estão demonstrados os valores com direito a crédito e os valores sem direito a crédito, resumidos no quadro abaixo: (...) 260. As despesas com depreciação referemse a veículos, máquinas e equipamentos, computadores e periféricos e móveis e utensílios. O imóvel utilizado pela empresa é alugado. Fl. 8116DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.116 18 261. As despesas com a depreciação de veículos, máquinas, equipamentos, computadores, móveis e utensílios geram créditos apenas, se a atividade da empresa for de locação desses bens, de indústria ou de prestação de serviços, que não é o caso do contribuinte (inciso VI do art. 3o, c/c inciso III do § Io do art. 3o, da Lei n° 10.637/2002; inciso VI do art. 3o, c/c inciso III do § Io do art. 3°, da Lei n° 10.833/2003). A Recorrente, por sua vez, após tecer comentários sobre a celeuma tratava nos tribunais administrativos acerca do conceito de insumo, busca a concessão do seu direito baseada nos seguintes argumentos: "Portanto, o termo "insumos, dentro da legislação do PIS e da COFINS deve ser compreendido como todos os custos e despesas operacionais incorridos, ainda que indiretamente, pelo contribuinte em sua operação. Desta forma, a possibilidade de apuração de crédito de PIS e COFINS deve ser analisada caso a caso, considerando sua essencialidade na geração de receita da empresa. No caso em questão, os créditos tomados dizem respeito às despesas indispensáveis a comercialização de bens geradores de receitas tributáveis, conforme planilha apresentada, denominada Crédito de Pis e Cofins sobre despesas diversas." Concordo com a Recorrente quando ela afirma que "a possibilidade de apuração de crédito de PIS e COFINS deve ser analisada caso a caso, considerando sua essencialidade na geração de receita da empresa". Contudo, tal análise "caso a caso" deve ser precedida de documentos que comprovem a utilização dos bens em seu processo produtivo e, principalmente, que a parte interessada informe onde são aplicados tais bens. Nada neste sentido foi realizado pela Recorrente, tratandose, pura e simplesmente de alegações genéricas que, não tem valor probatório relevante para solução do litígio. Não bastasse isso, é salutar lembrar que a legislação não prevê direito à apuração de crédito PIS/COFINS às empresas comerciais, restringindo o direito a tomada de crédito somente às empresas prestadoras de serviços e industriais, conforme previsto na letra "b", do inciso II, do artigo 3º, das Leis nº 10637/2002 e 10833/2003. Neste cenário, mantémse o lançamento fiscal nos termos inicialmente instaurado. II.4 ICMSST Direito ao Crédito Em síntese, alega a Recorrente que (i) o ICMSST como parcela do custo de aquisição de mercadoria adquirida para revenda está apto a gerar crédito das contribuintes do PIS e da COFINS, de acordo com o disposto no art. 3º, inciso I, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; (ii) que não sendo o ICMSST tributo recuperável, compõem o custo de aquisição, de forma que devia ser incluído na base de cálculo de apuração do crédito das contribuições a ser descontado; (iii) diz que seu direito esta amparado também pela Solução de Consulta nº 60/12; e (iv) suscita afronta ao princípio constitucional da nãocumulatividade e nãoconfisco. Inicialmente, é importante mencionar que de acordo com a Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei Fl. 8117DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.117 19 tributária". Nestes termos, resta prejudica a análise das matérias concernentes ao item "iv" anteriormente citado. No mais, em relação a matéria tratada neste tópico, insta tecer que essa Turma já se pronunciou desfavoravelmente ao posicionamento defendido pela Recorrente, nos autos do processo Administrativo 10480.727412/201583 (acórdão 3302005.319, de 21.03.2018), de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Assim, nos termos dos artigos 50, §1º, e 64, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 19995, adoto como fundamento de decidir e para afastar os argumentos, as razões apresentadas pelo citado julgador, o que peço vênia para reproduzir: Da glosa de créditos apropriados sobre o valor do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) De acordo com o citado Relatório de Auditoria Fiscal, a fiscalização apurou que, além da apropriação dos créditos sobre o valor de aquisição de mercadorias e material de embalagem, contabilizados nas contas “400001 – Mercadoria Nacional Compras” e “400101 – MAT EMBALAGEMCOMERCIOCOMPRAS”, a autuada também se apropriou da parcela dos créditos calculada sobre o valor do ICMSST. Para a fiscalização, essa apropriação foi indevida, pelas razões a seguir expostas, in verbis: Como é sabido, nas operações de compra e venda com substituição tributária do ICMS, o comprador (substituído tributário), paga (antecipadamente) o ICMS que será devido na (futura) operação de venda dessa mercadoria. A retenção e recolhimento deste ICMS ST é de responsabilidade do vendedor (substituto tributário). No entanto, o valor do ICMS ST, pago antecipadamente pelo substituído e retido/recolhido pelo substituto, não compõe o custo da mercadoria para o comprador (substituído), portanto, não gera crédito do PIS/Cofins na compra, e igualmente, não compõe a receita do vendedor (substituto), não é base de cálculo dos PIS/Cofins na venda. (grifos não originais) De outra parte, no recurso em apreço, a recorrente alegou que não sendo o ICMSST tributo recuperável, em consonância com o art. 289, § 3º, do RIR/1999, compunha o custo de aquisição, de forma que devia ser incluído na base de cálculo de apuração do crédito das contribuições a ser descontado. Destacou ainda a recorrente que, a teor do art. 8º, § 3º, da IN SRF 404/2004, o ICMS integra a base de cálculo das contribuições. E a norma não restringe a origem do ICMS, se oriundo da obrigação tributária do vendedor ou da antecipação das etapas seguintes de circulação. Não procedem a alegação da recorrente. A uma, porque o art. 289, § 3º, do RIR/1999, tratase de disposição normativa específica sobre a apuração de custo de mercadorias para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ. Assim, por ser 5 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. *** Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Fl. 8118DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.118 20 norma específica do IRPJ, ela não se aplica para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, no âmbito do regime não cumulativo que, sabidamente, tem norma própria e específica sobre o assunto, a saber, o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A duas, porque a previsão contida no art. 8º, § 3º, da Instrução Normativa SRF 404/2004 restringese ao ICMS normal pago pelo adquirente da mercadoria na operação de compra e a razão para essa inclusão está no fato de que, nos termos do art. 13, § 1º, I, da Lei Complementar 87/1996, o montante do ICMS (normal) integra sua própria base de cálculo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Tratase de critério de apuração denominado de cálculo “por dentro”, que faz com que o montante do imposto não possa ser dissociado do valor da mercadoria e, por essa razão, integre o seu custo de aquisição O referido preceito normativo, diferente do alegado pela recorrente, não contempla o valor do ICMS ST, cujo valor é destacado na nota fiscal de venda do contribuinte substituto e cobrado do destinatário (contribuinte substituído), porém, constitui uma mera antecipação do devido pelo contribuinte substituído. Logo, o valor do ICMSST destacado na nota fiscal não integra a base de cálculo das contribuições devidas pelo contribuinte substituto (o vendedor). Este tipo de imposto tem caráter de imposto pago antecipadamente, cujo fato gerador (presumido) ocorrerá posteriormente. Dada essa peculiaridade, o valor do ICMSST destacado na nota fiscal e recolhido antecipadamente pelo contribuinte substituto, obviamente, não pode compor o custo de aquisição da mercadoria adquirida, posto que esse valor, embutido no montante do preço pago pelo adquirente (contribuinte substituído), corresponde exatamente ao valor do imposto que o contribuinte substituído deixará de recolher aos cofres estaduais no instante em que efetuar a operação de venda. Afirmar o contrário, seria admitir a possibilidade de apuração de crédito sobre o imposto devido pelo contribuinte substituído e recolhido antecipadamente pelo contribuinte substituto. Não se pode olvidar que o ICMSST não constitui tributo devido na aquisição da mercadoria para revenda, mas imposto devido pelo adquirente, que deveria recolher o referido imposto quando da saída da mercadoria, mas não o faz, porque o valor já fora recolhido pelo contribuinte substituto na operação anterior. Assim, o contribuinte não pode se creditar de uma parcela que integra o seu faturamento, já que sobre o faturamento, há pagamento de contribuição e não desconto de crédito, os quais incidem sobre custos, despesas ou encargos, conforme estabelecido no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O contrário resultaria ausência de tributação pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins sobre o valor do ICMSST, pois, se simultaneamente à inclusão do ICMSST na base de cálculo do contribuinte substituído, fosse permitido que o mesmo valor do ICMSST compusesse a base para o cálculo dos créditos, o resultado do somatório das duas parcelas seria zero, ou seja, seria aritmeticamente equivalente a não tributar a parte do faturamento a que se refere o ICMSST. O entendimento aqui esposado está em perfeita consonância com o externado pela Administração Tributária, por meio das Soluções de Consulta Cosit 106/2014 e 99041/2017, cujos enunciados das ementas seguem transcritos: Solução de Consulta Cosit 106/2014 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. Fl. 8119DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.119 21 No regime de apuração não cumulativa, o valor do ICMS, incidente na aquisição, integra a base de cálculo da Cofins para fins de crédito, faz parte do custo de aquisição do bem ou serviço, nos termos do inciso II do § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004. A pessoa jurídica poderá descontar créditos, inclusive de ICMS, calculados com base no custo de aquisição de mercadoria adquirida para revenda, inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. Sobre a parcela do ICMSST, não poderá a pessoa jurídica descontar créditos de Cofins. Dispositivos Legais: Art. 150 da CF/88; arts. 9º, 10 e 13 da Lei Complementar nº 87, de 1996; arts. 3º e 66 da Lei nº 10.637, de 2002; art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004; Instrução Normativa SRF nº 594, de 2005; Parecer Normativo CST nº 70, de 1972 (Publicado no DOU 22.03.1972); Parecer Normativo CST nº 77, de 1986 (DOU 28/10/86). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. No regime de apuração não cumulativa, o valor do ICMS, incidente na aquisição, integra a base de cálculo da PIS/Pasep para fins de crédito, faz parte do custo de aquisição do bem ou serviço. A pessoa jurídica poderá descontar créditos, inclusive de ICMS, calculados com base no custo de aquisição de mercadoria adquirida para revenda, inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. O ICMS substituição tributária (ICMSST), pago pelo adquirente na condição de substituto, não integra o valor das aquisições de mercadorias para revenda, por não constituir custo de aquisição, mas uma antecipação do imposto devido pelo contribuinte substituído na operação de saída da mercadoria. Sobre a parcela do ICMSST, não poderá a pessoa jurídica descontar créditos de PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Art. 150 da CF/88; arts. 9º, 10 e 13 da Lei Complementar nº 87, de 1996; art. 66 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002; Instrução Normativa SRF nº 594, de 2005; Parecer Normativo CST nº 70, de 1972 (Publicado no DOU 22.03.1972); Parecer Normativo CST nº 77, de 1986 (DOU 28/10/86) Solução de Consulta Cosit 99041/2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 8120DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.120 22 É incabível a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao valor do ICMS Substituição Tributária (ICMSST) destacado na nota fiscal de aquisição de bens. [...]. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também manifestou o mesmo entendimento de que o ICMS Substituição Tributária não integra o custo dos bens e serviços, no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.456.648/RS, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/1973. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES A ICMSSUBSTITUIÇÃO (ICMSST). IMPOSSIBILIDADE. 1. Não tem direito o contribuinte ao creditamento, no âmbito do regime não cumulativo do PIS e COFINS, dos valores que, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMSsubstituição. 2. Quando ocorre a retenção e recolhimento do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ICMSST), a empresa substituta não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Nessa situação, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa substituta que se torna apenas depositária de tributo (responsável tributário por substituição ou agente arrecadador) que será entregue ao Fisco. Então não ocorre a incidência das contribuições ao PIS/PASEP, COFINS, já que não há receita da empresa prestadora substituta. É o que estabelece o art. 279 do RIR/99 e o art. 3º, §2º, da Lei n. 9.718/98. 3. Desse modo, não sendo receita bruta, o ICMSST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e §2º, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. 4. Sendo assim, o valor do ICMSST não pode compor o conceito de valor de bens e serviços adquiridos para efeito de creditamento das referidas contribuições para o substituído, exigido pelos arts. 3, §1º, das Leis n n. 10.637/2002 e 10.833/2003, já que o princípio da não cumulatividade pressupõe o pagamento do tributo na etapa econômica anterior, ou seja, pressupõe a cumulatividade (ou a incidência em "cascata") das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. 5. Recurso especial não provido. No voto condutor julgado o Ministro Mauro Campbell expôs com clareza e objetividade os fundamentos da decisão nos excertos que seguem transcritos: Quando ocorre a retenção e recolhimento do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ICMSST), a empresa substituta não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Nessa situação, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa substituta que se torna apenas depositária de tributo (responsável tributário por substituição ou agente arrecadador) que será entregue ao Fisco. Então não ocorre a incidência das contribuições ao PIS/PASEP, COFINS, já que não há receita da empresa prestadora substituta. É o que estabelece o art. 279 do RIR/99 e o art. 3º, §2º, da Lei n. 9.718/98, que trata das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS cumulativas, in verbis: Fl. 8121DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.121 23 RIR/99 Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Lei n. 9.718/98 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; [...] Desse modo, não sendo receita bruta, o ICMSST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e §2º, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Transcrevo: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Sendo assim, o valor do ICMSST não pode compor o conceito de valor de bens e serviços adquiridos para efeito de creditamento das referidas contribuições para o substituído, exigido pelos arts. 3, §1º, das Leis n n. 10.637/2002 e 10.833/2003. De observar que o princípio da não cumulatividade pressupõe o pagamento do tributo na etapa econômica anterior, ou seja, pressupõe a cumulatividade (ou a incidência em "cascata") das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. (...) Fl. 8122DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.122 24 Com efeito, o ICMSST, se fosse recolhido na sistemática normal, sem substituição, seria um tributo de ICMS devido na saída da mercadoria do estabelecimento do contribuinte substituído, ou seja, o valor correspondente representaria receita do substituído que seria tributada pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. Assim, representaria DÉBITO de contribuições ao PIS/PASEP e COFINS e não CRÉDITO, como pretende o substituído. De ver que seu CRÉDITO está restrito ao valor das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre o ICMS embutido nas mercadorias que adquire do estabelecimento anterior na cadeia e que paga como contribuinte de fato. Admitirse o creditamento também pelo ICMSST pago pelo substituto tributário seria admitir duplo creditamento ao substituído: primeiro pelo valor das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre o ICMS embutido nas mercadorias que adquire do substituto, segundo pelo ICMSST (sobre o qual não incidiram as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS) embutido no preço dessas mesmas mercadorias, criandose benefício fiscal não estabelecido em lei. Enfim, cabe ressaltar que, diferentemente do asseverado pela recorrente, a disciplina normativa do assunto foi dada pela Instrução Normativa SRF 594/2005, que dispõe sobre a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre os produtos que menciona. E para fim de apuração da base de cálculo dos créditos das citadas contribuições, o valor do ICMSST não integra o custo de aquisição dos citados bens, conforme determina o art. 26, § 6º, II, da citada IN, a seguir transcrito: Art. 26. Na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, a pessoa jurídica pode descontar, do valor das contribuições decorrente de suas vendas, créditos relativos a: (...) § 6º Para efeitos deste artigo: I o IPI incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o custo dos bens; e II o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, não integra o custo dos bens ou serviços. [...] Com base nessas considerações, resta demonstrado que, para fins de apuração da base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o valor do ICMSST não integra o valor de aquisição dos bens sujeitos ao regime de substituição tributária. Já em relação a solução de consulta trazida pela Recorrente, entendo que a decisão combatida merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos, motivo pelo qual, afasto as alegações suscitadas pela Recorrente. Fl. 8123DF CARF MF Processo nº 10480.720456/201400 Acórdão n.º 3302005.672 S3C3T2 Fl. 8.123 25 II.5 Multa punitiva confiscatória Neste ponto, a Recorrente alega ofensa ao princípio do não confisco, a teor da previsão contida no inciso IV, do artigo 150, da CF/88. Cita jurisprudência do STF sobre a matéria. A teor da Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Nestes termos, resta prejudica a análise das matérias concernentes ao efeito confiscatório da multa exigida neste processo. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 8124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36958.000882/2007-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 95 8. 00 08 82 /2 00 7- 26 Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 9202006.822 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 9202006.822 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 9202006.822 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 9202006.822 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 9202006.822 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 9202006.822 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 9202006.822 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 36958.000882/200726 Acórdão n.º 9202006.822 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 2310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10813.000214/2010-55
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
Numero da decisão: 1003-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 225, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 3. 00 02 14 /2 01 0- 55 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10813.000214/201055 Acórdão n.º 1003000.119 S1C0T3 Fl. 96 2 11.05.2010, fl. 18, com efeitos a partir de 01.08.2009, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O Delegado da Receita Federal do Brasil de Ribeirão PretoSP, no uso das suas atribuições e tendo em vista o disposto no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006 e no § 1° do art. 4° da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e do que consta no Processo Administrativo n° 10813.000214/201055, determina: 1 A exclusão da empresa SICCHIERI & OLIVEIRA LTDA ME, CNPJ n° 61.621.090/000122, situada na Avenida Padre Bernardino Post, n° 41, Centro, Pontal/SP, do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. 2 A exclusão surtirá efeito a partir de 01/08/2009. 3 Poderá a empresa, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste ADE, manifestarse por escrito, sua inconformidade relativamente ao procedimento acima, ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, nos termos do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. (grifos do original) Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1442.008, de 15.05.2013, efls. 5051: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 31.07.2013, efl. 54, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.08.2013, efls. 6592, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A respeito do motivo do ato de exclusão esclarece que: 2. Da inocorrência da infração Ilegalidade do Ato Declaratório que determinou a exclusão da recorrente do Simples Nacional A despeito das considerações feitas pelo agente de fiscalização, é fato que referidos apontamentos não se mostram suficientemente aptos para determinar a exclusão da recorrente do Simples Nacional, notadamente porque não houve a subsunção do fato à norma capaz de configurar a infração prevista no art. 29, VII, da Lei Complementar n° 123/2006. Em matéria de Direito Tributário, a subsunção precisa do fato à norma obedece ao Princípio da Tipicidade Cerrada, corolário do Princípio da Legalidade, segundo o qual, para a configuração da hipótese de incidência é necessário o Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10813.000214/201055 Acórdão n.º 1003000.119 S1C0T3 Fl. 97 3 preenchimento minucioso de todos os itens descritos no antecedente da norma tributária! [...] Todavia, não há nos autos qualquer prova de que a ia efetivamente comercializado as mercadorias apreendidas e, desta forma, realizado o tipo descrito na norma. Ao contrário, todos os elementos trazidos aos autos demonstram apenas que a mercadoria foi apreendida nas dependências da empresa. [...] Em verdade, no momento em que a Polícia Civil do Município de Pontal/SP ingressou no estabelecimento da recorrente, os maços de cigarro estava nos fundos da empresa, porquanto tinham acabado de ser adquiridos para uso pessoal dos proprietários e suas respectivas esposas, já que são fumantes altamente ativos [...]. Não estavam expostos no balcão da empresa, não contavam com etiquetas de preço e não estavam ao alcance dos olhos de qualquer cliente que pudesse entrar naquele estabelecimento. Verificase, portanto, que a fiscalização faz letra morta da legislação de regência, valendose da discricionariedade para penalizar aquilo que considerou infringência à norma, como se o tipo penal descrevesse "manter, estocar, guardar ou ter em sua posse mercadoria ou produto proveniente de contrabando ou descaminho". O simples fato de as mercadorias estarem nas dependências da recorrente, não faz presumir que fossem destinadas a comercialização. É absurda a aplicação de penalidade valendose da máxima de que "bastava a constatação objetiva da ocorrência da hipótese de exclusão de ofício do Simples Nacional". O tipo legal prevê que a realização do verbo comercializar e referida conduta não foi demonstrada pela fiscalização, tampouco efetivamente realizada pela recorrente. [...] 3. Da desproporcionalidade entre a conduta e a penalidade aplicada. A recorrente sempre foi cumpridora de suas obrigações fiscais. [...] Conforme restou demonstrado, a aquisição da mercadoria se deu pelos sócios da empresa recorrente e para o uso pessoal e exclusivo. A compra não se deu com intuito de comercializar a mercadoria, já que esta foi apreendida logo em seguida à aquisição e estava armazenada nos fundos do estabelecimento sem que pudesse ser vista ou almejada por qualquer cliente que pudesse entrar. Não houve, portanto, a subsunção do fato ocorrido ao critério material da norma descrita no tipo legal, qual seja, a realização do verbo comercializar. Neste caso, em absoluta obediência ao Princípio da Tipicidade Cerrada, como corolário do Princípio da Legalidade previsto em nossa Carta Magna (art. 5º, II), a penalidade deverá ser anulada, bem como todos os efeitos dela decorrentes. [...] Sua capacidade de adimplência se deu justamente em razão do fato de que sua empresa encontravase enquadrada no Simples Nacional, método simplificado de recolhimento de impostos. Caso seja mantida a penalidade de exclusão, a recorrente não terá condições de manter suas atividades e, ainda assim, manter sua regularidade fiscal, o que poderá importar, invariavelmente, no fechamento de suas portas. [...] O fato de os proprietários da recorrente serem fumantes altamente ativos e, neste sentido, adquirido mercadorias estrangeiras para satisfazer seus desejos Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10813.000214/201055 Acórdão n.º 1003000.119 S1C0T3 Fl. 98 4 pessoais, não pode e não deve ser considerado apto a surtir efeitos contra a pessoa jurídica. Frisese: as mercadorias apreendidas não estavam sendo comercializadas! Não houve o preenchimento minucioso da hipótese descrita na norma e, por decorrência, não há que se falar nos efeitos de seu consequente. [...] Diante de todo o exposto, bem como pelas provas que foram acostadas a este recurso e à manifestação de desconformidade, temse que a atuação do agente de fiscalização que culminou na expedição do ato declaratório de exclusão do Simples Nacional, está eivada de nulidade. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Diante de todo exposto, bem como pelas provas que foram acostadas a este recurso e à manifestação de desconformidade, temse que a atuação do agente de fiscalização que culminou na expedida do ato declaratório de exclusão do Simples Nacional. [...] Assim sendo, é o presente recurso ordinário para seja o Acórdão nº 14 42.008, proferido pela 9ª Turma da DRJ/RPO, relativamente ao Processo Administrativo 10813.000214/201055 reformado em sua totalidade, para o fin de declarar insubsistente o auto de infração, anular a penalidade imposta e, em consequência, tornar sem efeito o ato declaratório proferido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil de Ribeirão Preto, eximindo a recorrente do dever de pagamento de quaisquer importâncias relacionadas ao auto e determinando sua reintegração ao regime de recolhimento unificado de impostos do Simples Nacional. Acompanham este recurso os documentos necessários à prova das alegações da recorrente, bem como os que regularizam sua representação processual. Requer, por fim, que as futuras publicações e intimações sejam realizadas em nome dos advogados Dr. Ronny Hosse Gatto (OAB/SP 171.639) e Dr. Carlos Eduardo Martinussi (OAB/SP 190.163), cujo endereço consta do rodapé da primeira página, sob pena de nulidade. (grifos do original) É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, observado o disposto no § 3A do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, em relação aos efeitos da exclusão de ofício. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10813.000214/201055 Acórdão n.º 1003000.119 S1C0T3 Fl. 99 5 O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10813.000214/201055 Acórdão n.º 1003000.119 S1C0T3 Fl. 100 6 pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso VII do art. 29 e inciso II do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Podese entender que a prática de contrabando consiste na importação ou exportação de mercadoria proibida, atentando contra a saúde pública e administração pública. Por sua vez, a prática de descaminho é a ilusão do pagamento do tributo de mercadoria permitida, ofendendo a ordem tributária2. Porém, está pacificado no Supremo Tribunal Federal que "Não há razão para discriminação entre contrabando e descaminho, [...], quando o art. 334 do C.P. os considera sinônimas". 3 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão do Simples Nacional, no sentido de que a pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 01 02, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 2 BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p.386. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 35341/DF. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Antônio Martins Vilas Boas. Julgado em: 18 out. 1957. Publicado no DJ em: 12 dez.1957. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=10&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10813.000214/201055 Acórdão n.º 1003000.119 S1C0T3 Fl. 101 7 INTRODUÇÃO Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em RIBEIRÃO PRETO, Lavrado o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal nº 0810900/01362/09, de 01.10.09, constante do processo administrativo n° 10813 001.054/200928, ficou demonstrada a ocorrência de fatos que configuram infração punível com a exclusão do Simples Nacional, nos termos do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006. [...] DESCRIÇÃO DOS FATOS CARACTERIZADORES DO ILÍCITO No Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal supramencionado, restou demonstrado de forma inequívoca que houve a apreensão de cigarros estrangeiros no estabelecimento comercial da interessada, oriundos de contrabando, ficando, portanto, sujeita à penalidade prevista no inciso VII do art. 29 da LC 123/2006. O conjunto probatório produzido nos autos corroboram a conduta da Recorrente de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, quais sejam, cigarros de procedência estrangeira, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/01362/09, Ofício n° 1047/2009 dja, Boletim de Ocorrência n° 942/2009 e Auto de Exibição e Apreensão, fls. 0307. Especificamente no que se refere ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/01362/09 temse que houve "Apreensão de cigarros, ou charutos ou fumo de procedência estrangeira por encontrarse desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no País." Assim, este procedimento foi formalizado no processo 10813.001054/200928 e segue rito próprio e especial previsto no DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, DecretoLei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 e DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Restou comprovado que houve apreensão, efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando ou descaminho, no estabelecimento comercial da Recorrente, fato que conformase com atividade mercantil destes produtos. Demonstrado que a mercadoria foi apreendida no estabelecimento comercial da Recorrente ressai nítida a sua condição de sujeito passivo da obrigação tributária e evidencia o caráter comercial da atividade, independentemente da quantidade de itens e o modo como estão expostos à venda. Ademais, a instância judiciária penal é independente da instância administrativa. 5 Por conseguinte, há autonomia entre o trânsito em julgado da decisão judicial relativa ao crime de contrabando ou descaminho e a verificação de circunstância legal de exclusão do Simples Nacional na esfera administrativatributária. Especificamente sobre o princípio da insignificância, temse que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 33136/PR. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Nelson Hungria. Julgado em: 09 jun 1954. Publicado no DJ em: 19 set. 1954. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=11&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10813.000214/201055 Acórdão n.º 1003000.119 S1C0T3 Fl. 102 8 Estado em matéria penal – tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada esta na perspectiva de seu caráter material 6. Vale transcrever excertos de ementas de orientações firmadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que firmaram o entendimento no sentido de que a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando ou descaminho, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância: 2. Este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a introdução clandestina de cigarros, em território nacional, em desconformidade com as normas de regência, configura o delito de contrabando, ao qual não se aplica o princípio da insignificância, por tutelar interesses que transbordam a mera elisão fiscal. 7 2. Esta Corte de Justiça vem entendendo, em regra, que a importação de mercadorias de proibição relativa, como cigarros ou medicamentos, configura crime de contrabando. 8 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, o crime de contrabando de cigarros não comporta aplicação do princípio da insignificância, haja vista o elevado grau de reprovabilidade da conduta, que ofende a saúde e a segurança públicas. 9 1. Nos termos da pacífica orientação da Terceira Seção desta Corte, a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância. 10 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Habeas Corpus nº 98.152/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministro Celso de Mello. Julgado em 19 mai.2009. Publicado no DJe em 05 jun. 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%2898152%29&pagina=5&base=baseAc ordaos&url=http://tinyurl.com/ybhv4wnta>. Acesso em 05 jun. 2018. 7 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1116451/MT. Órgão Julgador: Sexta Turma. Relator: Ministro Nefi Cordeiro. Julgado em: 19 abr. 2018. Publicado no DJe em: 02 mai. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706471/PR. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Joem Ilan Paciornik. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 04.abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1226987?RJ. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 02 abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706397/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.fev. 2018. Publicado no DJe em: 28.fev. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10813.000214/201055 Acórdão n.º 1003000.119 S1C0T3 Fl. 103 9 2. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica o princípio da insignificância ao contrabando de cigarros. Tal entendimento decorre do fato de a conduta não apenas implicar lesão ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, como na hipótese de descaminho. De fato, outros bens jurídicos são tutelados pela norma penal, notadamente a saúde pública, a moralidade administrativa e a ordem pública. 11 É assente na jurisprudência desta Corte que o trancamento de ação penal ou de inquérito policial, em sede de habeas corpus, constitui medida excepcional, somente admitida quando restar demonstrado, sem a necessidade de exame do conjunto fático probatório, a atipicidade da conduta, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a ausência de indícios suficientes da autoria ou prova da materialidade. Precedentes. Consoante já assentado pelo Supremo Tribunal Federal, o princípio da insignificância deve ser analisado em correlação com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Direito Penal, no sentido de excluir ou afastar a própria tipicidade da conduta, examinada em seu caráter material, observandose, ainda, a presença dos seguintes vetores: (I) mínima ofensividade da conduta do agente; (II) ausência total de periculosidade social da ação; (III) ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento e (IV) inexpressividade da lesão jurídica ocasionada (HC n. 84.412/SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello, DJU 19/4/2004). Na espécie, inferese que o acórdão recorrido encontrase alinhado à jurisprudência desta Corte, no sentido de que a introdução de cigarros em território nacional é sujeita a proibição relativa, sendo que a sua prática, fora dos moldes expressamente previstos em lei, constitui o delito de contrabando, o qual inviabiliza a incidência do princípio da insignificância. Isto porque o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, pois visa a proteger o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional, bem como resguardar a saúde pública. 12 1. A tipicidade penal não pode ser percebida como exame formal de subsunção de fato concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade é necessária análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso, para verificação da ocorrência de lesão grave e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. 2. 11 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHCnº 89755/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em: 05 out.2017. Publicado no DJe em: 11.out. 2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHC nº 82276/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20 jun. 2017. Publicado no DJe em: 30 jun.2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10813.000214/201055 Acórdão n.º 1003000.119 S1C0T3 Fl. 104 10 Impossibilidade de incidência, no contrabando ou descaminho de cigarros, do princípio da insignificância. 13 1. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que, além do valor material, os bens jurídicos que o ordenamento jurídico busca tutelar são os valores éticosjurídicos e a saúde pública. Precedentes: HC 120550, Primeira Turma, Relator Min. Roberto Barroso, DJe 13/02/2014; ARE 924.284 AgR, Segunda Turma, Relator Min. Gilmar Mendes, DJe 25/11/2015, HC 125847 AgR, Primeira Turma, Relator Min. Rosa Weber, DJe 26/05/2015, HC 119.596, Segunda Turma, Relator: Min. Cármen Lúcia, DJe 26/03/2014. 14 O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A notificação do ato administrativo, em regra, pode ser efetivada pessoalmente, por via postal ou por meio eletrônico (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim a intimação do ato administrativo está regular, pois foi efetivada observando as determinações legais. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. Consta no Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1442.008, de 15.05.2013, efls. 5051, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Nos termos do artigo 29, inciso VII da Lei Complementar nº 123/2006, a exclusão da empresa optante pelo Simples Nacional darseá de ofício quando ela comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Conforme Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional e documentos que a instruem, a Polícia Civil do Estado de São Paulo apreendeu, no estabelecimento comercial do interessado, 142 maços de cigarros de procedência estrangeira, sem a prova de sua introdução regular no país, configurando, em tese, crime de contrabando ou descaminho. Os argumentos de defesa não procedem. Quanto ao prévio conhecimento por parte do interessado de que as mercadorias apreendidas em seu estabelecimento eram objeto de contrabando, ainda que possa ser relevante para a apuração da infração penal, não o é para o caso em análise, para o qual basta a constatação objetiva da ocorrência da hipótese de exclusão de ofício do Simples Nacional. 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 131205/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Julgado em: 06 set. 2016. Publicado no DJe em: 22 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 14 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 129382/PR. Órgão Julgador: Primeira Turma. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgado em: 23 ago. 2016. Publicado no DJe em: 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10813.000214/201055 Acórdão n.º 1003000.119 S1C0T3 Fl. 105 11 Os argumentos de que a empresa é a única fonte de renda de seu proprietário e que ela não possui nenhum débito com a União, Estado e Município, são irrelevantes para o julgamento deste processo, eis que tais circunstâncias não possuem amparo na legislação do Simples Nacional. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 15. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca s demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 225, de 11.05.2010, fl. 18, com efeitos a partir de 01.08.2009. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. No que se refere à intimação no endereço do por meio de representante legal, temse que o pressuposto é de que a intimação válida é efetivada no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972). Assim, o sujeito passivo deve ser notificado dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida na peça recursal não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. As circunstâncias de caráter privado não podem ser consideradas, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para 15 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10813.000214/201055 Acórdão n.º 1003000.119 S1C0T3 Fl. 106 12 os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.721207/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
COOPERATIVA DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
DECISÕES PROFERIDAS PELO STF EM REPERCUSSÃO GERAL
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral são de aplicação obrigatória pelo CARF e pela Administração Pública. REs 599362 e 598085.
Numero da decisão: 3201-003.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". DECISÕES PROFERIDAS PELO STF EM REPERCUSSÃO GERAL As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral são de aplicação obrigatória pelo CARF e pela Administração Pública. REs 599362 e 598085. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 12 07 /2 00 9- 92 Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10283.721207/200992 Acórdão n.º 3201003.710 S3C2T1 Fl. 508 2 Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0119.095, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a PJ acima identificada, em que foram lançados Cofins (crédito total R$ 821.406,55, incluidos nesse valor a contribuição, a multa proporcional e juros calculados até agosto de 2009 fl. 258) e PIS/Pasep (crédito total R$ 177.970,53, incluídos nesse valor a contribuição, a multa proporcional e juros calculados até agosto de 2009 fl. 268). 2. Segundo a Fiscalização (Temo de Verificação nas fls. 224/230), em síntese, a impugnante, sendo cooperativa de trabalho, apurou suas contribuições considerando que todos os seus atos seriam cooperativos, portanto isentos de Cofins e sujeitos ao pagamento do PIS/Pasep com base na folha de salários. Entretanto, a partir da edição da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, e da Medida Provisória n° 2.15835, entendeu a Autoridade que as coperativas deixaram de figurar no rol de entidades cujas receitas estão isentas de Cofins e apuram PIS/Pasep com base na folha de salários, efetuando o lançamento das diferenças. 3. Cientificada em 24.09.2009 (fls. 259 e 269) a interessada apresentou, tempestivamente (ver despacho na fl. 410), em 27.10.2009, impugnações (fls. 312/315 e 361/364), de igual teor, nas quais procura descrever o ato cooperativo com fundamento na Lei n° 5.764, de 1971, ressaltando o fato de não possuirem fins lucrativos. 4. Destaca que a Lei Complementar n° 70, de 1991, isenta, em seu art. 6°, 1, as sociedades cooperativas das contribuições, sem exigir condições, e que a revogação do referido dispositivo fere o princípio da hierarquia das leis, sendo inconstitucional. Cita ainda a existência de decisões administrativas e judiciais nesse sentido, requerendo, ao final, a improcedência do lançamento. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COOPERATIVAS Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10283.721207/200992 Acórdão n.º 3201003.710 S3C2T1 Fl. 509 3 Para os periodos de apuração de 2005, o PIS/Pasep devido pelas sociedades cooperativas deve ser calculado em conformidade com o disposto na Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinada com o disposto na Lei n° 9.718, de 1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Periodo de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COOPERATIVAS Para os periodos de apuração de 2004, a Cofins devida pelas sociedades cooperativas deve ser calculada em conformidade com o disposto na Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, combinada com o disposto na Lei n° 9.718, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercicio: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. . DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS São improfícuos os julgados trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, defendendo a (i) aplicação de decisões judiciais acerca da matéria em litígio e (ii) alegando que a base de cálculo do PIS e da COFINS das Cooperativas de Trabalho não foi apurada corretamente pela Fiscalização; requerendo o provimento total do Recurso Voluntário. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10283.721207/200992 Acórdão n.º 3201003.710 S3C2T1 Fl. 510 4 Conforme relato dos fatos, a controvérsia em exame diz respeito à composição da base de cálculo do PIS e da COFINS para as sociedades cooperativas, no caso, cooperativa de trabalho médico, no regime disciplinado pela Lei nº 9.718/98. A matéria em questão mereceu amplos debates aos longos dos anos. A Constituição Federal de 1988, prestigiando o cooperativismo, prescreveu em seu art. 146, III, c, a necessidade de se conferir, por meio de Lei Complementar, o "adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas". Historicamente, as sociedades cooperativas gozavam de isenção da COFINS, e, com relação ao PIS, estavam sujeitas à contribuição incidente sobre Folha de Salários. Todavia, com a edição Medida Provisória nº 1.8587/99, que alterou a redação das Leis nº 9.715/98 e 9.718/98, as cooperativas passaram a estar sujeitas ao regime geral de apuração, portanto, devendo incluir na base de cálculo a totalidade de seu faturamento. Inicialmente, no que tange à discussão acerca da constitucionalidade da norma que afastou a isenção da COFINS para as cooperativas, é de salientar que, por força da Súmula CARF nº 2, "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Desse modo, inócuo adentrar a tais alegações de mérito trazidas pela Recorrente. De igual modo, a dialética acerca da natureza do ato cooperativo não mercantil em face do conceito de faturamento albergado pela Lei nº 9.718/98, também é matéria de cunho constitucional. Em que pese a relevância de tal discussão em face do sistema cooperativismo, cujo incentivo é assegurado constitucionalmente, a questão já foi dirimida pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de Repercussão Geral, ao qual se submete não apenas este CARF, mas a própria administração e os órgãos judiciais. Transcrevo a ementa do julgado: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10283.721207/200992 Acórdão n.º 3201003.710 S3C2T1 Fl. 511 5 adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. (RE 599362, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10283.721207/200992 Acórdão n.º 3201003.710 S3C2T1 Fl. 512 6 REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 0902 2015 PUBLIC 10022015) Especificamente quanto às cooperativas prestadoras de serviços médicos: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.15835. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10283.721207/200992 Acórdão n.º 3201003.710 S3C2T1 Fl. 513 7 lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornandose tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10283.721207/200992 Acórdão n.º 3201003.710 S3C2T1 Fl. 514 8 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. (RE 598085, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 0902 2015 PUBLIC 10022015) Ou seja, nos termos em que assentado pelos acórdãos transcritos, a receita percebida pela Sociedade Cooperativa de terceiros, não cooperados, compreende o faturamento desta e, portanto, se sujeita à incidência das contribuições sociais. Não obstante, não se pode olvidar que a própria legislação reguladora da matéria prevê hipóteses de exclusão da base de cálculo. Após sucessivas reedições da MP nº 1.8587/99, a questão restou disciplinada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que estabelece em seu art. 15: Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10283.721207/200992 Acórdão n.º 3201003.710 S3C2T1 Fl. 515 9 Art.15.As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nosarts. 2oe3oda Lei no9.718, de 1998,excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. §1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. §2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Como relatado, a Fiscalização exigiu a tributação sobre a totalidade das receitas advindas de terceiros, contudo, não permitiu a exclusão das parcelas relativas ao repasse a cooperados, por ausência de previsão legal, conforme Relatório Fiscal (fls. 232/233): Portanto, claro está que ao promover a exclusão dos valores repassados aos cooperados (folha de produção) da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme indicadas nas referidas DACON e nas planilhas anexas à cartaresposta datada de 16/06/2009, o contribuinte o fez sem o devido amparo legal, haja vista que as exclusões permitidas às sociedades cooperativas, da referida base de cálculo, são aquelas constantes do artigo 15 da MP n° 2.15835. Essa questão foi objeto de exame pelo STF no já transcrito RE 599362, cujo trecho pertinente da ementa aqui repiso: 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10283.721207/200992 Acórdão n.º 3201003.710 S3C2T1 Fl. 516 10 exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. (RE 599362, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe027 DIVULG 0902 2015 PUBLIC 10022015) Logo, também nesse aspecto, não merece guarida o pleito da Recorrente, devendo ser aplicada à lide a solução já pacificada pelo Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 516DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.905535/2009-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade proceda à análise dos documentos acostados aos autos, quais sejam: DACON, DCTF Retificadora, Nota fiscal de energia elétrica; - Notas fiscais de gás; Balancete Contábil de 09/2007; Razão Contábil de 09/2007. Ainda, caso persista o entendimento sobre a ausência de provas sobre a legitimidade dos créditos, que especifique, mediante intimação ao contribuinte, quais os documentos necessários para a efetiva comprovação e liquidação do crédito posto em compensação, oportunizando ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal, a origem dos valores trazidos à compensação.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade proceda à análise dos documentos acostados aos autos, quais sejam: DACON, DCTF Retificadora, Nota fiscal de energia elétrica; Notas fiscais de gás; Balancete Contábil de 09/2007; Razão Contábil de 09/2007. Ainda, caso persista o entendimento sobre a ausência de provas sobre a legitimidade dos créditos, que especifique, mediante intimação ao contribuinte, quais os documentos necessários para a efetiva comprovação e liquidação do crédito posto em compensação, oportunizando ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal, a origem dos valores trazidos à compensação. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 05 53 5/ 20 09 -7 0 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10280.905535/200970 Resolução nº 3001000.083 S3C0T1 Fl. 195 2 Relatório Despacho Decisório A Recorrente buscou aproveitar crédito seu, mediante compensação, através do envio de DComp, em razão de pagamento indevido ou a maior. Ao ser submetido aos controles eletrônicos da RFB, constatouse que, a partir das características do DARF mencionado, foram localizados pagamentos que foram integralmente utilizados na quitação de débitos, não restando crédito disponível para sua utilização conforme solicitado, motivo pelo qual não se homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a recorrente alegou a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF, motivo pelo qual foi ocasionado seu crédito. DACON O valor constante na DACON, no montante de R$ 33.627,35, seria, consoante alegado, o valor correto. DCTF Já o valor declarado em DCTF, de forma equivocado, alcançaria o montante de R$ 55.457,21. Informa que retificou a DCTF. Documentos Anexados A fim de comprovar seus argumentos, juntou: Despacho Decisório, DACON e DCTF retificadora. DRJ/BEL A defesa da contribuinte foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0119.462 3.º Turma Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano Calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10280.905535/200970 Resolução nº 3001000.083 S3C0T1 Fl. 196 3 compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus da prova do seu direito. Por bem retratar a realidade fática, adoto o relatório do mencionado acórdão como referência: Tratase de declaração de compensação transmitida em 06/11/2007 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de RS 21.829,76, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 5856, do período de apuração de 09/2007, no valor originário de R$ 55.457,21. A Delegacia de origem, em análise datada de 07.10.2009 (fl. 06), constatou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, nao restando crédito disponivel para compensaçao dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 20/10/2009, a interessada apresentou, em 28.10.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fl. 17): “O débito referente ao mês de setembro/2007 é no valor de R$ 33.627,35, conforme declarado no Demonstrativo de Apuração de Contribuição Social ~ DACON, no entanto, foi declarado erroneamente na (..) DCTF no valor de R$ 55.45 7,21. Portanto, restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (___). À vista do exposto, realizamos a retificação da (.. )DC TF. De fundamental importância, transcrever os argumentos expressos no voto, que resulta no entendimento pelo qual é insuficiente a retificadora da DCTF, fazendose essencial a juntada de documentos contábeis e gerenciais, para a efetiva comprovação da ocorrência material de erro. No caso presente, ao efetivar sua compensaçao, por intermédio de DCOMP, a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 5856, do período de apuração de 09/2007. Ocorre que, em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que 0 referido DARF encontravase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito passivo, não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. Neste ponto, vale referir que o crédito tributário resulta constituído nao somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessario o lançamento de oficio. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que 0 valor pago, a conclusão imediata é que não ha valor a restituir ou Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10280.905535/200970 Resolução nº 3001000.083 S3C0T1 Fl. 197 4 compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. Assim, é condição necessária embora não suficiente ~ a que 0 sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. Esclareçase, ainda em relação ao tema, que a desconstituição do crédito tributário formalizado pelo pagamento e confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora. mas igualmente da comprovação inequívoca. por meio de documentos hábeis e idôneos. de que houve pagamento indevido ou a maior. Ou seja, para ilidir a presunção de legitimidade do credito tributário vinculado ao pagamento antecipado (lançamento por homologaçãol), não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF (ou que o tenha feito em demonstrativo de apuração de contribuições sociais DACON), fazendose necessário, notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Em especial, conclui a autoridade julgadora de primeiro piso que: Desta feita, ambas as condições devemse encontrar presentes para que possa ser reconhecida a pretensão creditória do sujeito passivo. No caso concreto, deixou a contribuinte de trazer aos autos a prova do direito que invoca, resultando notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. Recurso Voluntário Inconformada com a decisão prolatada pela DRJ/BEL, manejou defesa de mérito, após resumir os fatos. DACON como meio de comprovação de Erro no DARF Argumenta em seu favor, com base na DACON, que houve erro na emissão do DARF, havendo sido incluído o valor de R$ 10.914,89, ao invés de ter sido excluído. Ressalta que o DACON demonstra a apuração da Cofins, apontando para a apuração do Pis, este sim, realizado corretamente, ou seja, sem incluir na base de cálculo, valores de créditos. Créditos de Cofins não cumulativo O motivo da exclusão teria sido a existência de crédito de Cofins. Busca demonstrar a existência do crédito de Cofins através da juntada de documentos contábeis (listados em tópico específico). Princípio da Verdade Material Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10280.905535/200970 Resolução nº 3001000.083 S3C0T1 Fl. 198 5 Pugna pela aplicação do princípio da verdade material, no sentido de ser legítima a juntada posterior de documentos para fins de comprovação de seu crédito de Cofins. Entende, que, para isso, os documentos acostados em sede de recurso voluntário são suficientes. Documentos Anexados Foram juntados ao processo, juntamente com o Recurso Voluntário: Darf pago equivalente a R$ 55.457,21; Declaração de compensação; DACON (Demonstrativo de Apuração de Contribuição Social do 2° semestre de 2007); Nota fiscal de energia elétrica; Notas fiscais de gás; Balancete Contábil de 09/2007; Razão Contábil de 09/2007. É o relatório. VOTO Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo e tomo conhecimento apenas parcialmente, haja vista a apresentação de argumento inovador, conforme item específico abaixo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: DACON como meio de comprovação de Erro no DARF, Créditos de Cofins não cumulativo e Princípio da Verdade Material. MÉRITO DACON como meio de comprovação de Erro no DARF, Créditos de Cofins não cumulativo Princípio da Verdade Material O relevante tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Em especial, ocorre o cruzamento dos dados lançados na PER/DCOMP e na DCTF. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10280.905535/200970 Resolução nº 3001000.083 S3C0T1 Fl. 199 6 Com a lida rotineira nos processos administrativos com tal temática, percebese que gerouse, em torno do assunto, a seguinte celeuma. Muitos contribuintes, ao constatarem seus pagamentos indevidos, procedem à compensação na forma regrada pela Receita, mas acaba por não finalizar seus procedimentos de compensação com as necessárias retificações nas informações enviadas anteriormente. Neste ponto, os despachos decisórios, por basearemse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabam por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pagos a maior, terem sido alocados em débitos, também informados pelo contribuinte, e não retificados a tempo de permitir a compensação. Nestes casos, se segue à manifestação de inconformidade, na qual o contribuinte relata seu procedimento, e, na maioria das vezes, a fim de comprovar a existência do crédito, indica as declarações fiscais retificadas, derivadas das obrigações acessórias, como o meio apto para a comprovação do pagamento indevido. Ocorre, que é pacífico o entendimento esposado pelas Delegacias de Julgamento, no sentido de: exigir, como meio de prova, mais que as declarações acessórias retificadas, mas os elementos contábeis que lhe deram suporte. Ainda, que tais documentos sejam acostados aos autos ainda em sede de Manifestação de Inconformidade, dando azo ao prazo previsto nos artigos 14 e 16 do Decreto n.º 70.235/72 Diante deste breve cenário, o CARF, vem permitindo, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, a juntada de documentos após a fase da manifestação de inconformidade, ou seja, em sede de recurso voluntário. Decorre, então, três pocionamentos: Aqueles que não aceitam a juntada de documentos fora do prazo da manifestação de inconformidadeç Aqueles que aceitam a juntada de documentos, desde que haja uma demonstração inicial sobre a formação de prova, como alguma documento contábil que extrapole as declarações retificadas; e, Aqueles, que, como eu, permite a juntada a destempo de documentação, e, mais ainda, sugere proposta de diligência, a fim de viabilizar o concreto entendimento sobre a existência, ou não, de crédito hábil para a compensação declarada anteriormente. Isto porque diante de compensações submetidas ao controle eletrônico e decididas via Despacho Decisório Eletrônico, cujo teor das decisões das Delegacias de Julgamento cravam como momento oportuno para a apresentação das provas, o protocolo da manifestação de inconformidade, impossibilitando, assim, a juntada em sede de recurso voluntário, visualiza que, justamente por força desta decisão de primeira instância administrativa, se vê impedido de juntar demais documentação, diante de decisão que determinou preclusa essa oportunização. Pagamento a maior A partir então, da constatação deste apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente sua COFINS. Pois teria Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10280.905535/200970 Resolução nº 3001000.083 S3C0T1 Fl. 200 7 incluído, na base de cálculo do tributo, parcela de outra natureza, vez que adicionou aos valores ofertados à tributação, quantias tributas à alíquota zero. A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10280.905535/200970 Resolução nº 3001000.083 S3C0T1 Fl. 201 8 (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10280.905535/200970 Resolução nº 3001000.083 S3C0T1 Fl. 202 9 que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10280.905535/200970 Resolução nº 3001000.083 S3C0T1 Fl. 203 10 Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Dos Documentos efetivamente acostados Integra o rol de argumentos expressos no recurso voluntário, a informação de não ocorrência de retificação da DCTF antes da prolatação do referido despacho decisório, expressando que a mera retificação na DACON e na DIPJ, em seu entender, bastariam para comprovar a ocorrência do erro material. Das Conversões em Diligência A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10280.905535/200970 Resolução nº 3001000.083 S3C0T1 Fl. 204 11 Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10280.905535/200970 Resolução nº 3001000.083 S3C0T1 Fl. 205 12 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antrecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10280.905535/200970 Resolução nº 3001000.083 S3C0T1 Fl. 206 13 Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, no que tange aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito, e, em perfazimento à orientação acima exposta, julgo conveniente, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade proceda à análise dos documentos acostados aos autos, quais sejam: DACON, DCTF Retificadora, Nota fiscal de energia elétrica; Notas fiscais de gás; Balancete Contábil de 09/2007; Razão Contábil de 09/2007. Ainda, caso persista o entendimento sobre a ausência de provas sobre a legitimidade dos créditos, que especifique, mediante intimação ao contribuinte, quais os documentos necessários para a efetiva comprovação e liquidação do crédito posto em compensação, oportunizando ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal, a origem dos valores trazidos à compensação. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.929130/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 91 30 /2 01 1- 39 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10680.929130/201139 Acórdão n.º 1401002.456 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: O crédito pleiteado tem como origem pagamento de CSLL, referente ao período de apuração de março de 1997, realizado em razão da apuração por estimativa do regime de tributação pelo Lucro Real. Ao final do ano, apurou o saldo negativo e os valores recolhidos tornaramse indevidos e passíveis de compensação. Afirma que sua DIPJ foi homologada pela RFB, ficando evidente que a apuração do saldo negativo de CSLL abrangeu todos os recolhimentos por estimativa realizados. Acrescenta que a apuração de saldo negativo, por si só, gera o direito à compensação realizada, razão pela qual deve ela ser totalmente homologada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente uma vez que os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados, não caracterizando a existência de pagamento indevido ou a maior. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10680.929130/201139 Acórdão n.º 1401002.456 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13/04/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de março de 1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10680.929130/201139 Acórdão n.º 1401002.456 S1C4T1 Fl. 5 4 Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10680.929130/201139 Acórdão n.º 1401002.456 S1C4T1 Fl. 6 5 efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 16643.000189/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2005
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2005
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2005
IRPJ E CSLL. APURAÇÃO ANUAL. DECADÊNCIA.
Se o contribuinte optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro do ano calendário e, se a ciência do auto de infração se deu dentro do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º do CTN, não ocorreu a decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal.
Numero da decisão: 1201-002.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2005 IRPJ E CSLL. APURAÇÃO ANUAL. DECADÊNCIA. Se o contribuinte optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro do ano calendário e, se a ciência do auto de infração se deu dentro do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º do CTN, não ocorreu a decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal.
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ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2005 IRPJ E CSLL. APURAÇÃO ANUAL. DECADÊNCIA. Se o contribuinte optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro do ano calendário e, se a ciência do auto de infração se deu dentro do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º do CTN, não ocorreu a decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 89 /2 01 0- 95 Fl. 632DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 3 2 A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ sem exigência de imposto, lavrado devido à infração 001 ADIÇÕESPREÇOS DE TRANSFERÊNCIA, NÃO ADIÇÃO DE PARCELA DE CUSTOS, DESPESAS, ENCARGOS BENS, SERVIÇOS, DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR PESSOA VINCULADA, fato gerador em 31/12/2005; e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, também sem exigência da contribuição, relativa à mesma infração, págs 316/322; as autuações resultaram na redução do prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL; às págs. 323/324, Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais e da Compensação de Bases Negativas; a descrição dos fatos e da autuação consta no Termo de Verificação Fiscal, págs. 305/315. 2. Cientificado em 10/08/2010, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, págs. 428/447, que foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO, Acórdão nº 1450.899 de 11/06/2014, págs. 497/512, que a considerou improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 633DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 31/12/2005 LUCRO REAL ANUAL. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. As estimativas são antecipações do imposto devido apurado ao final do período de apuração e o fato gerador, conforme prescreve o art. 2º da Lei nº 9.430/1996, ocorre em 31 de dezembro de cada ano, de modo que o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN contase a partir dessa data. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. 3. Cientificado em 12/06/2014, pág. 516, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 518/533, em 14/07/2014, tempestivo, resumido a seguir. 4. Relata que importou peças e componentes para incorporação no processo produtivo e para revenda e, como foram adquiridos de pessoa vinculada no exterior, efetuou os cálculos previstos na Lei nº 9.430, de 1996, com base no Método Preço de Revenda menos Lucro (PRL), com a aplicação da margem de lucro de 60% e 20%, respectivamente. 5. Pleiteia a reforma integral do Acórdão recorrido e cancelamento da exigência devido à decadência parcial do lançamento fiscal e devido à ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002. 6. Quanto à decadência, diz que apurou e recolheu IRPJ/CSLL pelo regime de apuração de estimativas mensais, ao longo do ano 2005; se há pagamentos mensais, é lícito pressupor fatos geradores mensais; discorda que o fato gerador ocorre somente em 31/12 do anocalendário. Sendo tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN como a ciência da autuação foi em 16/08/2010, só pode alcançar fatos geradores ocorridos a partir de agosto/2005; cita decisões do Conselho de Contribuintes. 7. Sobre a metodologia de cálculo PRL 60, aponta que é reconhecida ilegalidade da IN SRF n° 243, de 2002. 8. Descreve que foi autuada porque utilizou a sistemática da IN SRF nº 32, de 2001, em conformidade com o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, mas que a fiscalização entendeu que deveria obedecer a IN SRF n° 243, de 2002, porque era a que estava vigente. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 5 4 9. Descreve que com a edição da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000, restou permitida a adoção do método PRL na importação de bens aplicados à produção, com a margem de lucro de 60%, calculada sobre o preço de revenda, diminuído das deduções previstas na Lei nº 9.430, de 1996 e diminuído do valor agregado no País; que essa regra foi reproduzida na IN SRF nº 113 de 19 de dezembro de 2000, e na IN SRF nº 32, de 2001; no entanto, a IN SRF nº 243, de 2002, modificou essa estrutura de cálculo, pois introduziu o cálculo de 60% sobre a venda líquida proporcional e sem inclusão do valor agregado. (...) Basicamenie, nos termos aa IN n° 243/02, seria necessário efetuar um cálculo proporcional sobre o preço líquido de venda, para somente depois determinar o valor da margem de lucro e o preço parâmetro aplicável. 22. De acordo com o artigo 12, § 11, incisos I a V, da IN n° 243/02, no caso da importação de bens aplicados à produção, o preço parâmetro do PRL seria apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de 60%. A título demonstrativo, a Recorrente expõe abaixo as etapas da metodologia prevista na IN n° 243/02: (i) tomase o preço líquido de venda, assim considerada a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; (ii) calculase o percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido, de acordo com a planilha de custos da empresa; (iii) aplicase o percentual de participação do bem importado no custo total do bem produzido sobre o preço líquido de venda, para encontrar o valor da participação do bem importado no preço de venda do bem produzido: (iv) depois, calculase a margem de lucro de 60% sobre a participação do bem importado no preço de venda do bem produzido: (v) finalmente, o preço parâmetro será equivalente à diferença entre o valor da participação do bem importado no preço de venda do bem produzido e a margem de lucro de 60%. 10. E aponta que tais disposições não estão previstas na Lei nº 9.430, de 1996, nem na Lei nº 9.959, de 2000; majora os ajustes de preços de transferência e inverte a lógica do texto legal. (...) Diferentemente da lei, que prestigia o valor agregado no país como elemento de distinção entre os métodos do PRL 20% e PRL 60%, a IN n° 243/02 exclui o valor agregado da fórmula de cálculo dos ajustes, tentando reduzir uma fórmula mais complexa a uma fórmula simples como a que é aplicada à revenda. 11. Cita julgados do CARF. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 6 5 12. Que a edição da MP nº 478, de 2009, que não foi convertida em lei, mas a MP nº 563, de 2012, foi convertida na Lei nº 12.715, de 2012, que reproduz as disposições da IN SRF nº 243, de 2002, de modo sensivelmente diverso, são indicativos da ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002 e de que só a lei e nunca uma IN pode inovar em matéria de preços de transferência; por consequência, o presente lançamento fiscal nela embasado é ilegal. 13. Sobre a utilização das margens de 20% e 60%, no cálculo do PRL, reclama que a Fiscalização partiu do pressuposto de que a Recorrente teria tratado o método PRL como dois métodos distintos, calculando os preços parâmetro com base em margens de 20% e 60% e, ao final, utilizando o que produzisse o menor ajuste, independentemente se era para agregar na produção ou para revenda, o que não ocorreu; mas ainda que se entenda que as proporções devam ser ajustadas, a metodologia não pode ser a da combatida IN. 14. Reclama da impossibilidade de aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício, que não tem natureza tributária. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1 Decadência. 15. Argui decadência de lançamentos relativos aos meses de 01 a 08/2005, ao argumento de que optou pelo regime anual, com recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, tendo sido cientificada em 16/08/2010; não anexou qualquer comprovação de recolhimento de estimativas deste ano, seja via DARF, seja via compensações homologadas. 16. Porém, descabe razão á Recorrente, dado que este lançamento trata do ajuste anual do IRPJ e da CSLL, cujo fato gerador ocorre, sempre, no dia 31 de dezembro de cada ano, conforme o art. 2º, §3º, da Lei 9.430, de 1996; assim o início da contagem do prazo decadencial foi a partir do fato gerador em 31/12/2005, concluindose em 31/12/2010, após a ciência dos autos, em conformidade com o art. 150, § 4º do CTN. 17. Destaquese que não houve lançamento de multas isoladas relacionadas a estimativas, cujos fatos geradores seriam mensais. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 20/02/2018 Nº Acórdão 1402002.884 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. IRPJ. OCORRÊNCIA PARCIAL. O IRPJ por ser tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, tratase de lançamento por homologação. É de cinco anos, a partir do fato gerador, o prazo de decadência para o Fisco constituir o crédito tributário. No Anocalendário em exame, a regra era a da apuração do lucro real trimestral, mas o contribuinte poderia optar, como optou, Fl. 636DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 7 6 pela apuração anual do IRPJ, o que implica em considerar que o fato gerador do tributo ocorreu em 31 de dezembro daquele ano. Logo, o lançamento de ofício realizado dentro dos cinco anos seguintes e após 31/12/2006 está fora do alcance da decadência. Tipo do Recurso EMBARGOS DE DECLARAÇÃO , RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 25/01/2018 Nº Acórdão 1402002.828 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 No regime de tributação referente ao lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoase apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Sendo o primeiro período objeto de lançamentos o ano calendário de 2005, a decadência consumase em 31/12/2010. Cientificada a embargante em 01/12/2010, não há que se falar em decadência. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 21/09/2017 Nº Acórdão 1302002.383 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 Ementa: IRPJ E CSLL. APURAÇÃO ANUAL. DECADÊNCIA. Tendo o contribuinte optado pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano calendário. Como a ciência do auto de infração se deu dentro do prazo quinquenal previsto no CTN, não ocorreu a decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento. 2 Entendimento da RFB. Acórdão nº 9101.002.835 da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF, de 12/05/2017. Legalidade In SRF nº 234, de 2002. 18. É de todo pertinente que se adote o racional explicitado no irretocável voto vencedor do Conselheiro André Mendes de Moura, no Acórdão nº 9101.002.835 da Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF, de 12/05/2017, que se transcreve a seguir: "Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Redator Designado. Apesar da bem fundamentada exposição do ilustre relator, peço vênia para divergir no mérito. Sobre a legalidade de IN SRF n° 243. de 2002, em face do art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996, tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 8 7 A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparai' as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase. assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm's length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries (United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016.) No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país. mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados). PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: Fl. 638DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 9 8 (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em tomo dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. E de fato. em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100. inciso I do CTN (Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...)), extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, peço vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri (SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759) 3.11 Em certos circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei n° 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei n° 9.430/9617. Os ajustes impostos Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 10 9 por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei n° 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei n° 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro principio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do principio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no principio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não falta., (grifei) 17 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF n° 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF n° 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF n° 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo ait. 18 da Lei n° 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). (GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195.) No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em eixo gramatical, no sentido de que Fl. 640DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 11 10 não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF n° 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parámetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir' a realidade da situação em análise. Por outro lado. admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF n° 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse. indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF n° 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que. por consequência, irá compor o custo total (Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.). Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11. do art 12, da IN SRF n° 243, de 2002: Fl. 641DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 12 11 § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no Pais e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro: PL: preço líquido de venda. PPart: percentual de participação dos bens. serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido. D: descontos incondicionais concedidos. I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Por sua vez. o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = ______ CTBP ou, ainda, por: CII Fl. 642DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 13 12 PPart = __________________ CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que. muna situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CIIm resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se data de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II alínea "d", item 2 da Lei n° 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CII CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12. da IN SRF n° 243, de 2002. é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL). a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the Fl. 643DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 14 13 ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF n° 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF n° 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art 18 da Lei n° 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tomado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei. o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei n° 9.430, de 1996. ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados "Preços de Transferência", de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo Fl. 644DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 15 14 preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico, (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referencia clara ao principio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF n° 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei n° 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de Janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF n° 243, de 2002, tendo o Acórdão n° 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF n° 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no Pais, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial como. por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3a Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF n° 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo n° 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI N° 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.° 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n. ° 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. IS da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 16 15 (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3a Região, em 18/2/2011. A Terceira Tunna rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN n° 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo n° 2003.61.00.006125 8/SP, da Sexta Turma do TRF3: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS N°S. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMA TIVAS/SRF N°S 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÉNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF n° 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF n ° 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF n° 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei n° 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF n° 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF n° 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto á margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço Fl. 646DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 17 16 parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF n° 32/2001 considerava o preço liquido de venda do bem produzido, a IN/SRF n° 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. A parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF n° 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF n° 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário n° 153.600 processo n° 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5a Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clóvis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação eivei n° 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF n° 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas enfie a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei n° 9.430/96, com a Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 18 17 redação dada pela Lei n° 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3aRegião, em 1/9/2011. Grifos nossos) Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF n° 243/2002. cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência." 2.1 DEMONSTRATIVO APRESENTADO PELO CONTRIBUINTE, PÁGS. 217/220. 19. Informa o autuante no termo de Verificação Fiscal que: "2 Intimada a fornecer as memórias de cálculo referentes aos produtos importados, a contribuinte forneceu os documentos de fls 95 a 129 e fls 195 a 199." 20. Essas folhas correspondem à págs. 95/130 e 205/209, na numeração eprocesso; e ainda constam os cálculos do contribuinte: PRL 20%, às págs. 209/216, e PRL 60%, às págs. 218/220, em resposta ao termo de Intimação nº 02. 21. O contribuinte apurou o Preço de Transferência PRL 60% da seguinte forma: Preço de Transferência = Receita Líquida () ((Receita Líquida Valor Agregado) x 60%), ou Preço de Transferência = 40% da Receita Líquida + 60% x Valor Agregado 22. Transcrevemse a três primeiras linhas do demonstrativo do contribuinte, pág. 217: Codigo Produlo Produto Final Qtde Consumida MP por Unidade Qlde. Total das MP consumidas nas Vendas Custo Médio de Aquisiçâo da MP no ano Custo Médio de Aquisiçâo da MP na Fórmula (b) x (c) Outros Custos (Valor Agregado) CPV Produto Final Qtde Vendida do Produto Final Receita Liquida Total Base de Calculo Margem de lucro de 60% PRL60% Total a b c 1 2 (1+2) 3 4=(32) 5=4 x 60% (35) A22884 PF1 1090001 9 54 27,07 1.462,01 175.140,18 176.602,19 6 211.564,90 36.424,72 21.854,83 189.710,07 A22884 PF1 1090002 9 18 27,07 487,34 61.056,07 61.543,41 2 69.831,56 8.775,49 5.265,29 64.566,27 A22884 PF1 1090003 9 18 27,07 487,34 58.380,06 58.867,40 2 75.606,88 17.226,82 10.336,09 65.270,79 23. Na última coluna, apurou o preço parâmetro (PRL 60% Total) para a quantidade total; se divididos pela quantidade total, temse: Codigo Produto PRL 60% Total quantidade (b) Preço Parâmetro Unitário A22884 189.710,00 54 3.513,15 A22884 64.566,27 18 3.587,01 A22884 62.270,79 18 3.626,15 24. Tendo sido os respectivos Custos Médios de Aquisição no ano R$27,07, não apurou ajuste. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 19 18 25. Se o raciocínio do contribuinte for apresentado da forma a seguir, verificase que, na forma de apuração que o contribuinte adotou, o custo total de produção, que é a soma do valor agregado no País (Outros Custos) com o Preço Parâmetro (PRL 60% Total), resulta, para os três exemplos, em (83+90)173% , (87+92)179% e (78+86)164% da Receita Líquida, o que, certamente, não vem de encontro à determinação da lei de margem de lucro de 60%!. Receita Líquida Total 211.564,90 100 % 69.831,56 100% 75.606,88 100% () Outros custos (isto é, Valor agreg no País) 175.140,18 83% 61.056,07 87% 58.867,40 78% Margem 60% 21.854,83 10% 5.265,29 8% 10.336,09 14% Preço Parâmetro 189.710,07 90% 64.566,27 92% 65.270,79 86% 26. Cabe lembrar que o conceito de margem de lucro, ou lucratividade, conforme adotado em Administração Financeira é, a relação entre o lucro (bruto, operacional ou líquido) e a receita (bruta ou líquida), não havendo o conceito de margem de lucro sobre a receita líquida deduzida de custo agregado na produção. (fonte: Princípios de Administração Financeira, Lawrence J. Gitmann), sendo improvável que a Lei nº 9.430, de 1996, pretendesse inovar o conceito, ao arrepio do art. 110 do CTN. 2.2 APURAÇÃO FISCAL . 27. Quanto aos insumos cuja apuração do contribuinte foi reproduzida neste voto, efetuouse o cálculo conforme o raciocínio fiscal, para fins de comparação: M ét od o PR L It em I m po rt ad o Pr F in al C us to m è P on de ra do T ot al C P V M éd io Pa rt ic ip aç ão C PV R el aç ão I ns um o/ P ro du to Q td e V en di da P ro du to Q td e V en di da in su m o Pr eç o L íq ui do V en da s Pa rt ic ip aç ão v en da s M ar ge m L uc ro P re ço P ra âm et ro D if er en ça A ju st e 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Marg 60% A22884 PF11090001 1.462,01 176.602,19 0,83% 9 6 54 211.564,90 1.751,45 1.050,87 700,58 761,43 761,43 Marg 60% A22884 PF11090002 487,34 64.543,41 0,76% 9 2 18 69.831,56 527,27 316,36 210,91 276,43 276,43 Marg 60% A22884 PF11090003 487,34 58.867,40 0,83% 9 2 18 75.606,88 625,92 375,55 250,37 236,97 236,97 28. A demonstração, explicitando a participação percentual, neste caso, é: Receita Líquida Total 211.564,90 100,00% 69.831,56 100,00% 75.606,88 100,00% () Outros custos (isto é, Valor agreg no País) (2)(1) 175.140,18 82,78% 64.056,07 91,73% 58.380,06 77,22% Margem 60% 1.050,87 0,50% 316,36 0,45% 375,55 0,50% Fl. 649DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 20 19 Preço Parâmetro 700,58 0,33% 210,91 0,30% 250,37 0,33% 83,11% 92,03% 77,55% 29. Observase que a soma do valor agregado no País, mais o Preço Parâmetro do insumo importado, perfaz 83,11%, 92,03% e 77,55% do Preço de Venda Líquido, respectivamente, restando Margens de Lucro de 16,89%, 7,97% e 22,45% sobre o Preço de Venda Líquido*. Isso porque o Autuante a fim de apurar a Margem de 60% sobre o insumo importado, tomou por base o valor do Preço de Venda Líquido* do insumo importado, proporcional à participação do custo do insumo importado (a preço praticado) sobre o custo total de produção. 30. A abordagem do Autuante foi apurar a ML60% relativa somente ao insumo importado, na proporção em que este participa do produto fabricado, em conformidade com as disposições da IN SRF nº 243, de 2002. 2.3 APURAÇÃO FISCAL . PRL 20% E PRL 60%. 31. A Recorrente, sobre a utilização das margens de 20% e 60%, no cálculo do PRL, reclama que a Fiscalização partiu do pressuposto de que a Recorrente teria tratado o método PRL como dois métodos distintos, calculando os preços parâmetro com base em margens de 20% e 60% e, ao final, utilizando o que produzisse o menor ajuste, independentemente se era para agregar na produção ou para revenda, o que não ocorreu; e aduz que, ainda que se entenda que as proporções devam ser ajustadas, a metodologia não pode ser a da combatida IN. 32. Consta no TVF, resumo pág. 306, totalizando ajuste de R$853.094,00, referente aos itens importados, revendidos, calculados pelo método PRL 20%; às págs. 313/314, resumo da apuração de todos os itens, tanto revendidos como utilizados na produção, totalizando R$22.290.792,65, que foi o total autuado. 33. O Autuante demonstra os valores de Preços de Transferência apurados, às págs. 368/400, nas planilhas Anexo IV e Anexo V. Cálculo Preço Transferência Importações 2005. 34. Tomouse o primeiro item do resumo à pág. 315, item DQ49871, para evidenciar a forma de cálculo do ajuste; tratase do Item importado DQ49871, cujo ajuste total foi calculado pelo autuante em R$1.546.483,89 e cujo detalhamento da apuração, consta à pág. 369: M ét od o PR L It em I m po rt ad o Pr F in al C us to m è P on de ra do C P V M éd io Pa rt ic ip aç ão C PV R el aç ão I ns um o/ Pr od ut o Q td e V en di da P ro du to Q td e V en di da in su m o Pr eç o L íq ui do V en da s Pa rt ic ip aç ão v en da s M ar ge m L uc ro Pr eç o Pr aâ m et ro D if er en ça A ju st e 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Marg 20% DQ49871 6.675,60 1 1 10.413,20 2.606,56 7.806,64 NAO HÁ Marg 60% DQ49871 6405 6.675,60 67.484,01 9,89% 1 139 139 72.445,60 7.164,87 4.298,92 2.865,95 Marg 60% DQ49871 6415 6.675,60 69.028,53 9,67% 1 304 304 85.695,86 8.286,79 4.972,07 3.314,72 Fl. 650DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 21 20 Marg 60% DQ49871 Total 6.675,60 443 443 3.173,91 Ponderação DQ49871 6.675,60 444 444 3.191,53 3.484,07 1.546.927,85 (1/2) (4 x 5) (3 x 7) (60% x 8) (89) (101) Ponderação (Somatória (10x6)) /Total Qtd vendida insumo Ao refazer se constatou que o valor do preço parâmetro R$3.191,53, foi obtido pela divisão por 443 ud, quando deveria ter sido divido por 444, o que resultaria em R$3.184,34 e ajuste unitário de R$3.491,26, maior que o apurado. 35. O Preço parâmetro do insumo é apurado pela média aritmética ponderada. 3 Juros De Mora. Taxa Selic. 36. A validade da aplicação da taxa Selic é entendimento pacífico na jurisprudência do CARF, conforme a seguir: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 4 Juros sobre multa de ofício. 37. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 38. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012) seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, /DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. 39. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Acórdão nº 1401001.578 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Ementa: (...) Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 22 21 JUROS SOBRE MULTA Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. Acórdão nº 9303003.476 – 3ª Turma Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Ano calendário:2007 Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei. Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.573– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria IRPJ. Glosa de participação nos lucros e resultados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. 40. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 41. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos (...) decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 42. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 43. E o CTN determina: Fl. 652DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 23 22 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 44. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. 5 Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 653DF CARF MF Processo nº 16643.000189/201095 Acórdão n.º 1201002.269 S1C2T1 Fl. 24 23 Fl. 654DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.000596/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL.
Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos.
Numero da decisão: 2402-006.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 05 96 /2 01 1- 73 Fl. 279DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13971.000596/201173 Acórdão n.º 2402006.208 S2C4T2 Fl. 280 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 269/271), manejado contra Acórdão de fls. 247 usque 254, emanado da 9ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Impugnação, passando o imposto devido ao valor de R$ 3.988,80, mais multa e juros. Vale que se transcreva o relatório da decisão recorrida, por bem delinear os aspectos processuais ocorridos até a interposição do recurso. Vejase: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 04/64), ano calendário 2007, 2008, 2009 e 2010. O autuado teve ciência do lançamento em 26/08/2010, e o valor do crédito tributário apurado está assim constituído (fl. 57): (em Reais) Imposto 6.290,40 Juros de Mora (cálculo até 31/01/2011) 1.797,65 Multa Proporcional 4.717,76 Total do Crédito Tributário 12.805,81 A autoridade fiscal relata que o referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração (fl. 59): Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, nos meses 09/2007, 12/2008, 06/2009, 12/2009, 06/2010 e 12/2010, conforme cálculo demonstrado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) fls. 45 a 49 – Fato Gerador Valor Tributável (R$) Multa (%) 30/09/2007 34.073,00 75 31/12/2008 1.572,60 75 30/06/2009 1.572,60 75 31/12/2009 1.572,60 75 30/06/2010 1.572,60 75 31/12/2010 1.572,60 75 A autoridade fiscal relata que, em cumprimento ao mandado de procedimento fiscal, foi aberta a fiscalização relativamente ao ganho de capital apurado nos anos calendário 2007, 2008, 2009 e 2010, proveniente da venda de um terreno no ano de 2007. Diz que o custo declarado do terreno consta informado na declaração do exercício 2008, ano calendário 2007, do cônjuge Dilnei Heinzen, CPF nº 767.708.42904, pelo valor de Fl. 281DF CARF MF 4 R$65.000,00. Todavia na escritura pública de aquisição do terreno, datada de 26/11/2001, entregue ao fisco por Dilnei Heinzen, consta informado o valor de aquisição de R$19.500,00. A contribuinte foi então intimada a: (i) justificar a divergência de valores relativa ao custo do terreno declarado e o valor de aquisição, apresentando os comprovantes dos pagamentos do valor pago na aquisição desse terreno, (ii) apresentar a cópia do recibo referente ao valor recebido na data de 22/12/2010 conforme consta no contrato de compra e venda datado de 22/09/2007 e (iii) apresentar cópia da certidão de casamento atualizada. Em resposta, a contribuinte informou que o imóvel foi comprado em 2001 e que desde a data da compra até a sua venda foi construída uma casa de alvenaria no terreno. A contribuinte foi então intimada a apresentar os comprovantes mensais do custo da referida construção sobre o terreno e alegou que “não foram encontrados os documentos referentes às despesas de construção da casa, efetuada nesse terreno”. Desta forma, verificouse que não houve a comprovação dos valores gastos na construção da casa de alvenaria sobre o terreno, ora informado como custo declarado no valor de R$65.000,00 informado na declaração de renda do exercício 2008, ano calendário 2007 do cônjuge Dilnei Heinzen. Em virtude da falta de apresentação dos comprovantes da construção, o fisco considerou os referidos comprovantes da construção como inexistentes e assim aceitou somente como custo comprovado o valor de R$19.500,00 do terreno constante da escritura pública datada de 26/11/2001. O cálculo foi efetuado em planilha anexa e pode ser assim resumido. Especificação: um terreno, lote 22, quadra 11, contendo a área de 667,00 metros quadrados, loteamento Ponte Irineu Bornhausen, no Bairro Itoupava Norte em Blumenau – SC. Data de Aquisição: 26.11.2001 Custo declarado: R$65.000,00 Custo aceito pelo fisco: R$19.500,00 Data de alienação: 22.08.2007 Valor de alienação: R$80.000,00 Ganho de capital Valor de alienação – Valor de aquisição R$80.000,00 R$19.500,00 = R$60.500,00 Redução do ganho de capital Coeficiente custo/total % 100 Valor passível de redução – Resultado 1................60.500,00 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13971.000596/201173 Acórdão n.º 2402006.208 S2C4T2 Fl. 281 5 % de redução (Lei n° 7.713/88) .............................0% Valor de redução – R$ (Lei n° 7.713/88) ................0,00 Ganho de capital Resultado 2 ................................. 60.500,00 % de redução (Lei nº 11.196, de 2005, FR1) ..........25,40% Valor de redução – R$(Lei n° 11.196/05FR1) .........15.367,00 Ganho de capital Resultado 3 ...................................45.133,00 % de redução (Lei nº 11.196, de 2005, FR1) ......... 7,07% Valor de redução – R$(Lei n° 11.196/05FR1) .........3.190,90 Ganho de capital Resultado 4 ...................................R$41.942,10 Percentual de tributação: Ganho de capital x 100 = 52,42% 41.942,10 x 100 = 52,42% Valor de alienação 80.000,00 Parcelas recebidas em reais (R$) Data Valor recebido () Valor original Reajuste de parcelas 22.09.2007 65.000,00 65.000,00 0,00 22.12.2008 3.416,90 3.000,00 416,90 22.06.2009 3.450,15 3.000,00 450,15 22.12.2009 3.553,12 3.000,00 553,12 22.06.2010 3.578,53 3.000,00 578,53 22.12.2010 3.754,14 3.000,00 754.14 Total 82.752,84 80.000,00 2.752,84 A fiscalização esclarece os critérios utilizados e diz que, em virtude de os valores recebidos a título de reajuste de parcelas terem ficado abaixo do limite mensal da tabela progressiva, não foi passível de cobrança da multa isolada do carnêleão, bem como de terem permanecido abaixo do limite da tabela anual não resultou em cobrança de imposto devido na declaração de ajuste anual. Tributação do ganho de capital sobre as parcelas recebidos (em reais) Data Valor original (x) percentual de tributação =Ganho de capital tributável 22.09.2007 65.000,00 52,42% 34.073,00 22.12.2008 3.000,00 52,42% 1.572,60 22.06.2009 3.000,00 52,42% 1.572,60 22.12.2009 3.000,00 52,42% 1.572,60 22.06.2010 3.000,00 52,42% 1.572,60 Fl. 283DF CARF MF 6 22.12.2010 3.000,00 52,42% 1.572,60 Total 80.000,00 Depois de apuradas as infrações acima, o auto de infração foi lavrado com os valores acima descritos, além da multa de ofício de 75% e acréscimos legais pertinentes sobre o imposto devido. O enquadramento legal está incluído no corpo do auto de infração. Em 25/03/2011, a autuada impugnou o lançamento em petição de fls. 67/71, acompanhada da documentação de fls. 72/122, alegando, em síntese o que se segue. Depois de sintetizar a autuação e seus motivos, esclarece que, no momento da intimação para apresentar os comprovantes dos valores gastos na construção da casa que foi construída no terreno, a impugnante não conseguiu localizálos e, portanto, não os apresentou, sendo agora penalizada por tal omissão. Entende, contudo, que nada a impede de apresentar os documentos junto a impugnação e informa a anexação das despesas por ela localizadas. Diz que nem todos os comprovantes dos valores gastos na construção da casa foram encontrados, devido ao fato do início das obras ter ocorrido em 2001, há quase 10 anos, quando da aquisição do terreno. Aduz que no nosso ordenamento jurídico vige o princípio da verdade material. Ou seja, embora não comprovado à época da impugnação os gastos decorrentes da construção da casa, esta efetivamente existe. Logo, não pode a fiscalização presumir a inexistência destas despesas e simplesmente ignorar a obra realizada no terreno. Junta doutrina. Ressalta que a casa foi de fato construída e os gastos com a obra, pelo menos em parte, estão devidamente comprovados pelos documentos em anexo. Informa que obteve o alvará perante a Prefeitura Municipal de Blumenau, sob o número 2002/07/017295, para realização da obra e que foi autorizada a construção de uma casa de alvenaria no terreno localizado na Itoupava Norte – lote nº 22, conforme processo e plantas aprovados. Diz que a existência dessa casa pode ser comprovado com os documentos e por meio de diligência no local. Assevera que devese agregar às despesas na construção da casa os valores gastos com mãodeobra e que apesar de não ter localizado os comprovantes destes gastos, é irrefutável que essa despesa existiu, tendo em vista todo o material adquirido para construção e a sua existência. Entende que o auto deve ser cancelado em razão dos gastos com a construção da obra devendo esses valores ser agregados ao valor do imóvel adquirido e estando totalmente comprovado o custo declarado do terreno no valor de R$65.000,00. Requer o acolhimento da impugnação e alternativamente, caso o cancelamento do auto de infração não seja o entendimento adotado, requer, ao menos, sejam considerados os documentos Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13971.000596/201173 Acórdão n.º 2402006.208 S2C4T2 Fl. 282 7 aqui apresentados em relação aos valores gastos na construção da casa, para agregar ao custo do imóvel declarado pelo seu cônjuge. Em seu breve recurso, argumenta a apelante que incorre em erro a decisão recorrida, uma vez que não teria observado que todos os documentos juntados aos autos se referem às despesas do imóvel, devendo ser considerados para fins do cálculo do ganho de capital na alienação da casa. Ressalta que houveram custos com a mãodeobra relacionados à construção da casa que não puderam ser comprovados, posto que as obras ocorreram há mais 10 anos. No entanto, tais custos não podem ser desconsiderados, uma vez que efetivamente existiram. Aventa que, como deve o julgador buscar sempre a verdade, deve levar em consideração outros elementos além daqueles trazidos ao processo. Cita a doutrina do mestre Celso Antonio Bandeira de Mello e de Odete Medauar que, a seu ver, sustentam sua tese da busca pela verdade material no processo administrativo. Atenta que se a existência da casa é fato incontestável, por via de consequência, as despesas com sua construção também o seriam. Dessa forma, as despesas já comprovadas devem ser cosidas aos gastos de mão de obra, no que levaria a conclusão de que não houve fato gerador para a cobrança da presente demanda. Quer, pois, o conhecimento e provimento do recurso para que, sendo parcialmente reformada a decisão recorrida, seja cancelado o lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O recurso, tempestivo, preenche os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e, por isso, dele tomo conhecimento. A irresignação não merece prosperar. Isso porque, a recorrente apenas parcialmente comprovou os gastos expendidos na construção do imóvel e todos os que poderiam ser reconhecidos o foram, sendo o lançamento retificado por decisão da DRJ para se adequar à nova realidade comprovada. Aponta a recorrente que “todos os documentos juntados se referem à construção da casa no terreno in casu e devem ser considerados pela fiscalização para fins do cálculo do ganho de capital” (fls. 270). No entanto, tal assertiva não tem qualquer fundamento. Ora, se assim o fosse, qualquer documento coligido aos autos poderia servir para comprovação, entretanto, sem que sejam hábeis e idôneos não há como tomálos em sentido probatório para desconstituir a presunção criada pelo lançamento e, registrese, não só os documentos fiscais que tem o condão de comprovar o que efetivamente gasto, mas qualquer documento que apresente segurança quanto a realidade que pretende se comprovar, o que é não é o caso de orçamentos e outros documentos que podem ser produzidos a qualquer tempo, de modo livre, não contendo nada que atribua credibilidade suficiente para tomálos como verdade inquestionável. Documentos idôneos são aqueles que demonstram, sem qualquer sombra de dúvida, o que fora efetivamente gasto com as obras e/ou mãodeobra, a ser acrescido ao valor da aquisição, no momento da venda, para o fim da tributação no ganho de capital. De tal modo, se não há comprovação, o pleito não lhe pode ser conferido, eis que, se o caso não comporta a presunção negativa, não comporta também a presunção positiva de gastos sem qualquer parâmetro de aferição confiável do que desembolsado. Não se pode ignorar, por evidente, a suposição de que tenha havido gastos com mãodeobra, posto que a casa existe e está lá registrada em documento público, no entanto, não existe, neste processo, qualquer prova que possibilite, com segurança, infirmar a conclusão da fiscalização, eis que os documentos acostados não representam prova hábil e idônea dos custos da construção alegados pela Recorrente. O recurso não trata de outras provas indiciárias referentes ao custo de mão de obra, como as tabelas CUB do SINDUSCON, por exemplo, apenas insiste na necessidade de aceitação dos recibos e comprovantes juntados aos autos, porém não considerados como hábeis e idôneos, como é o caso dos recibos de folhas 226 a 235. Dada a conformação probatória contida nos autos, não é possível atender a pretensão recursal, eis que a documentação que cabia ser admitida como prova de composição do custo já o foi. A documentação restante, cujo o Recorrente apresenta como pleito de sua insurreição, não inspira segurança para aceitação como prova da realidade dos fatos, seja por Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13971.000596/201173 Acórdão n.º 2402006.208 S2C4T2 Fl. 283 9 estar situado em outro endereço que não o da obra, seja por não gozar de idoneidade irrefutável capaz de fundamentar suas alegações. Conclusão Ante ao exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Fl. 287DF CARF MF
score : 1.0
