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Numero do processo: 13161.001944/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições.
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA.
A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.
1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro.
2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.
VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 19 44 /2 00 7- 88 Fl. 349DF CARF MF 2 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 49 3 Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 351DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao crédito pleiteado referente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, e, manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto. Em sede de Embargos Declaratórios foram acolhidos os argumentos da Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua plenitude, diante de omissão quando da análise procedida que resultou num Acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302003.310. O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal, o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos realizados pela contribuinte: “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 50 5 IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a matéria circunscrevese a questão se Recorrente é considerada agroindustrial ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); VI. Deferimento dos créditos básicos vinculados às operações de exportações realizados no período.” Do relatório fiscal constatas as razões das glosas: 1. CRÉDITO BÁSICO 1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins sobre as compras de pessoa jurídica. Através do Termo de Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo do Dacon. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM O contribuinte apurou créditos da contribuição para Pis e da Cofins sobre os fretes de operações de venda/armazenagem, transferência e compras de mercadorias. Conforme será demonstrado, apenas os fretes vinculados a operações de venda geram direito a apuração de crédito da contribuição para Pis e da Cofins. 1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao crédito da nãocumulatividade das contribuições para o Pis e da Cofins se for comprovado que o ônus foi suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso II e art. 93) Através do Termo de Intimação Fiscal 003 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento a título de fretes sobre venda/despesa de armazenagem as pessoas jurídicas. Fl. 353DF CARF MF 6 Pela análise da documentação solicitada, a contribuinte comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de 2007, foi a responsável pelo pagamento dos serviços de fretes contratados. Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou seja, o ônus foi suportado pela vendedora. 1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA As transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte implicam em mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores. Portanto, não integram a “operação de venda” referida no art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para o consumidor final, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins. Cumpre registrar que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, consoante entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), exarado na Solução de Divergência nº 11, de 27 de setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB na internet. A exclusão das transferências de mercadorias foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito. As mercadorias transportadas nos fretes das operações de compra foram fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto, nos fretes de operações de compra não existe a apuração do crédito. A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.3 ENERGIA ELÉTRICA Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 51 7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins contratadas com pessoa jurídica domiciliada no País, incorridas a partir do período de apuração de fevereiro de 2004 (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição conforme os registros da memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA É permitida a apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o Pis e da Cofins sobre os valores relativos as despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados na atividade da empresa (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IV). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos decorrentes de despesa com aluguéis. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04) 1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da não cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País ou importados, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso II do § 3º). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos de aquisição de imobilizado. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA A luz do dispositivo transcrito, o enquadramento legal para utilização do crédito presumido decorre das seguintes condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que os produtos fabricados sejam destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 355DF CARF MF 8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estabeleceu os capítulos de classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal que dão direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela contribuinte foram soja NCM 1201.90.00 e milho NMC 1005.90.10. Assim, referidos produtos estão classificados entre os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º da Lei 10.925/2004, com a regulamentação reproduzida na alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660. 2.2 AGROINDÚSTRIA A Lei nº 10.925, de 2004, não faz nenhuma menção explícita a atividade de agroindústria. O art. 8º do referido diploma legal aponta a necessidade de produção de mercadorias para apuração do crédito presumido, nos seguintes termos: “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal […]”. Grifouse O termo agroindústria foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e (...) Grifouse Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que produza mercadoria. O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o direito de apurar o crédito presumido nele previsto aplicase também nas aquisições efetuadas de pessoa de cooperativa de produção agropecuária. 3.3 DESTINAÇÃO À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em resposta a intimação fiscal a contribuinte limitouse a reproduzir o disposto no Regulamento Técnico Anexo a Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, a afirmar que “ Como visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, as mercadorias relacionadas no Caput do Art. 8º da lei 10.925/2004, produzidas pela contribuinte estão dentro nos padrões a serem destinadas a alimentação humana ou animal, atendendo todos os requisitos para apuração do Crédito Presumido de Pis e Cofins. A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na maior parte dos casos pode inviabilizar a comprovação de tal Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 52 9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit). 2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifouse 3. CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO Os créditos relativos ao mercado interno não tributado estão vinculados as seguintes operações: vendas suspensas; vendas com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a operações não tributadas no mercado interno foram integralmente indeferidos. 4.1 – VENDAS SUSPENSAS Conforme analisado no subitem 3.2, a Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista. Assim, nas operações realizadas no período a contribuinte faz jus a suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º Tabela 04). 4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO A partir do mês de agosto/2004 os insumos vendidos pela contribuinte aos associados (adubos, fertilizantes e sementes) tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero (art. 1º da Lei 10.925/2004). Entretanto, a venda de insumos a associados deve ser registrada como exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de Fl. 357DF CARF MF 10 agosto de 2001 e não como uma venda não tributada sujeita à alíquota zero. O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o Pis e da Cofins. Portanto, ao registrar indevidamente as exclusões de base de cálculo como vendas sujeitas à alíquota zero, houve a manutenção indevida dos créditos vinculados a estas operações. O valor do crédito vinculado as operações de venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) 4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO O legislador estabeleceu tratamento diferenciado para operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas operações, o procedimento previsto é o de excluir os valores respectivos das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Nesta sistemática, NÃO existe previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo. O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a contribuinte manteve indevidamente o direito a crédito nas operações de entradas vinculadas as exclusões de base de cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 215835/01 e art 17 leis 10.684/03). O valor do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) O julgado encontrase resumido a ementa: ACÓRDÃO. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Deve ser apreciada como embargos de declaração a manifestação do contribuinte na qual se alegue omissão quanto a questões suscitadas na defesa ou impugnação, acerca das quais o órgão julgador deveria ter se pronunciado. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA. Não se homologa compensação quando o direito creditório não ficar comprovado. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins depende da comprovação documental do respectivo direito. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 53 11 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. REQUISITO. O crédito presumido destinado às cooperativas agroindustriais beneficiam apenas aquelas entidades que realizam algum processo que possa ser consideração como industrialização, observadas nas exclusões contidas na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, vedada a compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido. JUROS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos: 1. Créditos de aquisições de insumos, comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 2. Créditos de aquisições de energia elétrica – comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 3. Fretes sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos; 4. Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; 5. Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas, processo produtivo; 6. Forma de utilização do crédito presumido, restrições da colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento; 7. Manutenção dos créditos vinculados as receitas com suspensão de incidência de PIS e Cofins; 8. Receitas sujeitas a alíquotas zero, reclassificação indevidas das vendas efetuadas pela fiscalização considerando como venda de bens a associados; Fl. 359DF CARF MF 12 9. Ressarcimento de créditos vinculados as receitas sem incidência de PIS e Cofins, exclusões permitidas as sociedades Cooperativas; 10. Previsão legal para incidência da SELIC. Inicialmente, faz introdução quanto aquisições de matéria prima e do processo produtivo: “O critério da nãocumulatividade permite a realização de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, tudo descrito no Art. 3o das respectivas Leis (10.637 e 10.833). Para o exercício regular de suas atividades, dentre os custos, despesas e encargos suportados, a contribuinte adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços utilizados como insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) para a produção de mercadorias classificadas na NCM nos Capítulos 8 a 12, constantes do Caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3 das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva, onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência das denominadas Contribuições ao Fundo de Participação no Programa de Integração Social PIS (Lei Complementar n° 7, de 7.9.70) , e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo diesel, caminhões, colhedeiras, máquinas, peças, ferramentas, etc. Daí, o direito ao crédito sobre as aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, ser presumido, conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art. 8 o da Lei 10.925/2004. Os créditos sobre os bens e serviços utilizados como insumos conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme Inciso I do parágrafo 1 o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o parágrafo 2o do art. 8o da lei 10.925/2004, independente da finalidade que se dará a mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.” Considerando que estes 56 (cinqüenta e seis) processos estão vinculados ao MPF 0140200.2011.00053 e: a) que possuem igual teor, pois o mérito discutido é o mesmo em todos os processos; b) considerando os princípios da economia e celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações apresentadas para cada processo); d) o tempo utilizado pelo julgador para análise individual de cada processo; e) a possibilidade de julgamento simultâneo. Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56 vezes), os mesmos documentos que intencionam evidenciar seu direito, discorrer longamente em cada processo em 56 Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 54 13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas cada uma, sobre os fundamentos que entende lhe assegurar o direito a crédito complementar; em ANEXAR todos os documentos, bem assim, EM APRESENTAR na versão estendida da manifestação de inconformidade todos os fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para todos os processos mencionados na página inicial, no processo n. 13161.001928/200795, conforme consta anexado nas folhas 84 à 267 do referido processo” Em síntese argumenta em suas razões que: III DAS RAZÕES DE REFORMA Fundamentos legais, discorre sobre o tema: “DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 DAS PREMISSAS DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS E SUA INTERPRETAÇÃO Para o adequado enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumprenos trazer a baila, as premissas que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos de enunciação do direito positivo, constantes respectivamente das Justificativas dos Senhores Ministros da Fazenda, por ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) 3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES Tanto a lei 10.637/2002 quanto a lei 10.833/2003, determinam que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados, créditos calculados sobre os itens relacionados no Art. 3o de ambas as Leis. Sendo inicialmente autorizado o ressarcimento dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o PIS no Art. 5 o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6 o da Lei 10.833/03. Portanto, partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente. Ao contrário, importaria em afirmar que incidem as referidas contribuições quando da realização de exportações, pois, não teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que incidiu nas etapas anteriores ao ato de exportar, o que representaria custo, ônus tributário, o que é vedado pelo Legislador Constitucional e, que contraria a prática internacional de não exportar tributos. 3.1.3 DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO. Fl. 361DF CARF MF 14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser utilizado para ressarcimento ou compensação, a parcela de créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao que as Leis (10.637 e 10.833) denominaram de isenção conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6 o da lei 10.833/2003 para a Cofins. Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins, conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi editada a medida provisória 206/2004, posteriormente convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17. Portanto, resta muito claro que o art. 17 da lei 11.033/2004 confirmou o direito a manutenção dos créditos apurados na forma do art. 3 o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às receitas nele mencionadas. Assim, também partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não cumulatividade, evitando o efeito cascata, ou seja, a cumulatividade. Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos (saldo credor), mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. 3.1.4 DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins, possuiu sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI. No caso, não estamos tratando de apuração de créditos IPI, estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e Cofins é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de créditos de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. IV Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB No período analisado, em conformidade com o art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos. Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 55 15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado devendo ser considerada encerrada a fase probatória. Todavia, não concorda a contribuinte, pois estas aquisições como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas. Ressaltase, que a fiscalização durante sua análise teve várias maneiras e oportunidades de efetivamente comprovar a existência destas aquisições, uma vez que todos os livros e registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado em atendimento as diversas intimações, sejam por meio dos documentos físico ou digital. Assim, considerando que para o caso em questão há documentos que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o crédito deve ser deferido, em observância ao principio da verdade material. 4.1.1 AQUISISÕES DE INSUMOS Mencionase que a fiscalização indeferiu parte dos créditos apurados sobre as aquisições de insumos utilizados na produção, sob o argumento que parte destas aquisições não foram comprovadas, uma vez que, segundo seu entendimento, não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais (documento físico) relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, e que ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo ao recurso. Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização. Registrese que estas aquisições, constam registradas na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. Assim, considerando que estas Notas Fiscais de aquisições de insumos foram devidamente registradas e escrituradas, a fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas aquisições, uma vez que, estas informações estão relacionadas em documentos, tais como: livros digitais de entradas e saídas, razões contábeis, arquivos contábeis, arquivos digitais de entradas e saídas formato SINTEGRA, todos apresentados a fiscalização pela contribuinte em atendimento as intimações recebidas. Para além disso, todos os comprovantes que evidenciam a ocorrência da efetiva aquisição dos insumos referente as notas Fl. 363DF CARF MF 16 fiscais relacionadas Tabela 05 elaborada pela fiscalização anexa ao Relatório Fiscal, seguiram no ANEXO I da manifestação de inconformidade então protocolada para melhor análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n° 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos de demais registros, conforme podese observar nos documentos constantes nas folhas 166 a 225 do processo 13161.001928/200795, e que ora, para melhor analise deste colegiado, novamente são apresentados anexo a este recurso, confirmando o direito ao crédito. Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de insumos anteriormente desconsideradas pela fiscalização, conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao Relatório Fiscal para ciência, requer a contribuinte a manutenção do crédito sobre estas as aquisições. 4.1.2 DA ENERGIA ELÉTRICA Relativo às despesas de energia elétrica, da mesma forma que manifestou entendimento sobre as aquisições de insumos, entendeu a fiscalização que algumas aquisições não estariam comprovadas, argumentando que não teriam sido apresentadas pela contribuinte as faturas relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuja ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, indeferindo desta forma, o crédito apurado sobre estas faturas. Todavia s.m.j., o argumento da fiscalização está equivocado, pois tais notas fiscais, foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentou cópia digitalizada destes documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004 onde a contribuinte apresentou os originais destes documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a existência destes documentos, juntamente com manifestação de inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ, contribuinte apresentou novamente as faturas de energia elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05 elaborada pela fiscalização), conforme pode ser verificado nos documentos (ANEXO II) constantes nas folhas 226 a 267 do processo 13161.001928/200795, e que ora, em virtude de não terem sido considerados no julgamento da DRJ, no intuito de facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os apresenta, anexo, a este recurso. Assim, considerando o principio da verdade material, uma vez que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e, que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 56 17 não apresentação da documentação, requer a contribuinte a manutenção do crédito de PIS e Cofins apurados sobre a totalidade das despesas com Energia Elétrica. 4.2 DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS DE MERCADORIAS Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no inciso IX do art. 3o estão relacionados ás despesas de armazenagem e frete na operação de venda. Todavia, ao efetuar a verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que não seria possível apurar créditos sobre os fretes, relativo às transferências de insumos, mercadorias entre estabelecimentos, entendendo que estas operações não integrariam as operações de venda, argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias. Ocorre que este "deslocamento" como denominado pela fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude de diversos fatores interligados a operação de produção e venda destas mercadorias. O fato é que estas transferências representam custos necessários a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados, pois nenhuma empresa almeja ter seus custos e despesas majorados sem que realmente seja estritamente necessário. Portanto, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos também fazem parte dos custos de produção necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir todas as etapas de produção, não podendo a mercadoria ser comercializada, enviada para o destino. 4.3 DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E SEMENTES A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para revenda, dentre as quais fertilizantes e sementes sujeitas a alíquota 0% de PIS e Cofins. Sobre a aquisição de sementes e fertilizantes não houve aproveitamento de crédito, pois a contribuinte observou o disposto no § 2o do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que veda o aproveitamento de crédito sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda, é necessário que estas mercadorias sejam transportadas do Fl. 365DF CARF MF 18 estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento do comprador, para isso, é preciso contratar os serviços de transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas mercadorias até o seu destino. Logo, quando o ônus desta despesa é suportado pelo adquirente, (caso da recorrente) esta despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida. Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa anterior, pois para a pessoa jurídica que prestou o serviço de frete, estas operações representam sua receita/faturamento, portanto base de calculo das contribuições nesta fase da operação. Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão e, sim, operação regularmente tributada de PIS e Cofins, daí a não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente. Ou seja, uma coisa é a mercadoria outra coisa é o frete. Que apesar de ser custo de aquisição, todavia, são operações distintas, de fornecedores igualmente distintos, mediante Notas Fiscais específicas. O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito nas aquisições de fretes aplicados no transporte de mercadorias tributadas a alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso II do Parágrafo 2 o do art. 3 o da Lei 10.833/2003. Neste fundamento, claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente, este não é o caso. Posto que, os fretes são alcançados pelas Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o direito ao crédito nos serviços contratados (fretes) e aplicados no transporte daquelas mercadorias. 4.4 DO CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL – PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM. A Contribuinte diante da mecânica do PIS e da COFINS não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004. Todavia entendeu a fiscalização que a contribuinte não se enquadraria como empresa produtora, por conseguinte e não faria jus a apuração do referido crédito. Mas vejamos mais informações. 4.4.1 ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CONCEITO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 57 19 A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF 660 exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no artigo 5º da referida IN. 4.4.3 AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO A Contribuinte adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural insumos, utilizados no processo produtivo em conformidade com o inciso II do art.3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660. Ressaltamos que os produtos agropecuários resultantes da atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6), resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da NCM Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3 o da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833). Portanto, faz jus a Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação. 4.4.4 DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O contribuinte é equiparado a estabelecimento produtor de acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65: Art. 4o Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei n° 34, de 1966) (grifo acrescido) Por conseguinte, realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para o comércio.” Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte, confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência para que fosse anexada cópia integral dos autos do processo administrativo 13161.001928/200795, ao argumento de que as provas capazes de nortear a decisão teriam sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem. Fl. 367DF CARF MF 20 Retorna os autos para apreciação das matérias, registrase, em que pese a diligência determinada, restou esclarecido, posteriormente, que os documentos objeto da determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente. Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. O debate encontra focado em glosas. No tocante aos créditos básicos oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação. O deferimento parcial dos créditos se refere aos insumos: ENERGIA ELÉTRICA, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS, FRETE e AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO, EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC. A fiscalização reconhece o direito a apropriação de créditos para as contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições de insumos aconteceu por meio do “Termo de Intimação – 003”, atendido, o contribuinte apresentou diversos documentos, entretanto, insuficientes a comprovar totalidade do crédito almejado, cabendo glosar parte. É cristalino o direito de tomar crédito relativo as contribuições a descontar referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal. Em resposta a Interessada sustenta que os livros de registros de entrada estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido. Registrase, na fase inicial o julgador de piso determinou diligência no sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa total pelo fato da contribuinte deixar de apresentar documentação ao fundamento da incapacidade de pessoal, vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação. Concluído os trabalhos fiscais, o resultado mostrou existência de crédito o que foi reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões advém o voluntário, o que passase a examinar item a item: 1. DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS. As glosas em sua totalidade, como se vê do relatório fiscal aconteceu por insuficiência documental a título de comprovação. Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados junto com o voluntário fazem parte do rol da documentação examinado pela fiscalização em trabalhos diligenciais, visto que, o relatório fiscal menciona o número das planilhas (tabela), entretanto, essas planilhas não encontram nos autos. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 58 21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes, cujo crédito foi glosado, devese reconhecer o direito de descontar crédito das contribuições com ressalvas, visto que, no caso da energia o relatório fiscal menciona ter reconhecido parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o reconhecimento ao direito de apurar credito se restringe se as faturas anexadas aos autos, não sendo as mesmas aferidas pela fiscalização. Assim, sou inclinado reconhecer o direito a tomada do crédito das notas de aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem pertinentes a atividade da cooperativa, bem como, relacionadas com as faturas de energia, desde que não sejam as mesmas incluídas no rol daquelas que serviram para deferimento parcial pela fiscalização. 1.1 DA GLOSA DOS INSUMOS. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF FORNECEDOR VALOR 23/03/05 10161 EURO GRAOS LTDA 281.400,00 14/04/05 467141 AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE 493.884,30 26/04/05 7771 KAZU CEREAIS LTDA 290.000,00 26/04/05 13951 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 286.000,00 08/08/05 40721 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 269.898,44 13/10/05 288801 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 650.000,00 19/12/05 29481 D'OESTE CEREAIS LTDA 409.500,00 15/03/06 112421 PROCOMP AGROPECUARIA LTDA 271.238,49 20/03/06 3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 416.800,00 14/03/07 18731 KAZU CEREAIS LTDA 273.400,00 11/04/07 73311 KASPER E CIA LTDA 1.490.000,00 20/04/07 658241 LR AGROPECUARIA LTDA 363.635,39 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter conseguido encontrar parte das notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua escrituração contábil e fiscal, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 166/225), as cópias das notas fiscais de nºs 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara tais documentos aos presentes autos. Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que foram apresentados os referidos documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, as demais cópias de documentos apresentados não se prestam para comprovar a respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a Fl. 369DF CARF MF 22 comprovar as supostas operações de aquisição. A cópia da nota fiscal de nº 2948 não fora localizada nos autos. Assim, os créditos relativos as notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331 devem ser restabelecidos. 1. 2 GLOSA DE ENERGIA. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição de energia elétrica foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF CNPJ FORNECEDOR VALOR 09/08/04 27643 15.413.826/000150 12.632,67 13/08/04 273527 15.413.826/000150 14.016,00 19/08/04 28157 15.413.826/000150 35.147,35 19/08/04 28159 15.413.826/000150 31.133,05 20/08/04 28160 15.413.826/000150 10.689,13 01/09/04 28444 15.413.826/000150 40.973,62 09/09/04 616170 15.413.826/000150 14.040,33 14/09/04 28948 15.413.826/000150 42.539,70 14/09/04 28950 15.413.826/000150 29.725,81 14/09/04 910115 15.413.826/000150 17.213,00 06/12/04 758100 15.413.826/000150 12.143,06 10/12/04 841834 15.413.826/000150 11.270,00 14/12/04 987063 15.413.826/000150 32.906,66 21/12/04 92633 15.413.826/000150 30.573,39 07/01/05 406656 15.413.826/000150 11.001,64 15/03/05 58958 15.413.826/000150 21.085,00 16/03/05 149601 15.413.826/000150 20.394,47 16/03/05 149599 15.413.826/000150 19.717,11 06/06/05 604193 15.413.826/000150 18.076,86 06/07/05 541925 15.413.826/000150 14.470,31 26/09/05 317457 15.413.826/000150 20.696,10 03/10/05 579804 15.413.826/000150 19.708,12 04/10/05 579814 15.413.826/000150 34.273,16 08/09/06 576517 03.747.565/000125 19.361,01 19/02/07 233576 15.413.826/000150 10.158,24 08/03/07 1924 15.413.826/000150 10.123,00 19/03/07 151839 15.413.826/000150 30.148,74 10/04/07 605375 03.747.565/000125 10.026,33 08/05/07 316013 15.413.826/000150 11.167,38 20/07/07 24102 15.413.826/000150 10.043,49 21/08/07 19789 15.413.826/000150 10.132,90 21/08/07 19928 15.413.826/000150 10.076,62 01/10/07 41729 15.413.826/000150 30.678,69 3389 15.413.826/000150 13.561,00 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre valor de aquisição da energia elétrica acobertado pelas notas fiscais discriminadas na referida Tabela não podia ser desconsiderado, porque tais documentos foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004, em que apresentara os originais dos citados documentos, inclusive as faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 59 23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 226/267), as cópias das notas fiscais discriminadas na citada Tabela. E para melhor análise, anexara tais notas fiscais aos presentes autos. De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas. Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925. 1.3 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA. O motivo da glosa deuse ao fundamento de que tratase de meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, implicaria em mero deslocamento com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, motivo pelo qual, entendeu não integrar operação de venda. Ao contrário da posição do fisco, sustenta o contribuinte tratarse de transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos, não há dúvida de que seriam evitados. Não há como ignorar que algumas atividades a armazenagem dos insumos são necessários, bem como, o seu remanejamento posterior. É de conhecimento notório, constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento das safras de grão. A imprensa, repetidamente, divulga que no auge da colheita de grãos os produtores são obrigados a estocar os grãos em carrocerias de caminhões e em outros locais muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas por intermédio das publicações dos periódicos. Essa Turma é sensível ao entendimento da necessidade de estocagem de insumos e sua transferência posteriormente para outro estabelecimento, desde que, não se revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede e ou outro estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, nesses casos os custos de transferência configura insumo necessário a atividade da empresa. Bem afirmou a Recorrente, o frete nesses casos de transferência possui o único objetivo é de concluir todas as etapas de produção, pois a soja colhida no campo e adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação. Não pode esquecer, que tratase de agroindústria, cuja atividade industrial se refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao consumo humano ou animal. Fl. 371DF CARF MF 24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratarse de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao destino dos insumos, inclino no sentido de afastar a glosa e reconhecer o direito quanto aos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06” que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização. 1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Tratase de glosa de crédito oriundo do frete de transporte de mercadoria pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o direito. O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratarse de frete de operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime não cumulativo. Não se pode perder de vista que o inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 realmente fixa alíquota igual a zero, sendo assim, para aqueles insumos veda o crédito de produto adquirido justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 60 25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. A transferência direcionada a estabelecimentos da mesma pessoa jurídica com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente que o ônus foi da cooperativa recorrente. Recentemente, em voto impa proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, 2ª T. 3ª Câmara, 2ª Seção, processo administrativo nº 10925.720202/201415, afastou glosa em caso semelhante. Considerando à ausência das “tabelas 04 e 06 nestes autos, confiante na consignação da fiscalização, afasto também glosa, para reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete. 1.5 ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA. A glosa procedida decorreu de análise da documentação apresentada e julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratarse de valores inferiores ao montante declarado pela Interessada. Nestes autos não se enxerga resistência a glosa, sendo assim, mantémse intacta a decisão de piso nesta parte. 1.6 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado. Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa glosa. 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido apontado pelo contribuinte restou glosado ao fundamento da inexistência de comprovação da atividade agroindustrial, e, pela ausência de comprobação da destinação, isso é, se era para alimentação humana e/ou animal, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Consta que o contribuinte teria sido intimado para comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em síntese teria a recorrente sido considerada tãosó cooperativa de produção agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigandoa proceder o estorno dos créditos da não cumulatividade, e, não podendo apurar crédito presumido nos moldes ocorrido. Fl. 373DF CARF MF 26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratarse de produtos classificados no CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, por essa razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º da Lei nº 10.825/2004, gozam do direito de descontar o crédito oriundo das aquisições de insumos, para tanto, basta produzir as mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal. A Interessada justifica sua condição agroindústria, sustentando tratarse de exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscarse a saber se o beneficiamento dispensado a soja, milho e o trigo enquadram no rol das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM. Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in natura. O beneficiamento de grãos e sementes é realizado por máquinas projetadas com base em uma ou mais características físicas do produto e dos contaminantes a serem retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as propriedades físicoquímicas, permitindo acondicionamento e armazenagem resguardar qualidade. A pesquisa universitária divulgada notícias que o beneficiamento se revela etapa importante na qualidade dos grãos e sementes: “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos, rachados ou partidos; sementes de ervas daninhas, material inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e qualidade.” No processo de beneficiamento surge a padronização e classificação, essa última configura prática obrigatória em todos os segmentos de marcado, seja interno ou externo. A comercialização do produto depende do tratamento após colheita, tornando indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as transações. Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto. Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância: “Nos países desenvolvidos, os problemas de colheita, armazenamento e manuseio (secagem, limpeza, movimentação, etc.)de grãos, constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar a vida comercial dos produtos. Uma prioridade das nações mais pobres deve ser a redução do trágico desperdício que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados, secagem mal processada, transporte inadequado, controle de qualidade, etc. ...” Recentemente foi noticiado pela imprensa a união das duas maiores indústrias de beneficiamento da América Latina, Camil Alimentos, beneficiadora de arroz e Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 61 27 feijão e Cosan Alimentos, dona das marcas de varejo de açúcar união e da Barra, e, capitaneadas pela Gávea Investimentos. O destaque dáse em razão da união de duas maiores indústrias de beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim, não dúvida alguma de as atividades desenvolvidas pela Recorrente enquadraa na qualidade agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004. As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura uma etapa da industrialização, motivo pelo qual deve a interessada ser considerada agroindústria. De modo que resta assegurado pelo legislador ordinário o direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS e a COFINS em favor agroindústria, que realizar exportações, podendo compensar os referidos créditos com os débitos das contribuições ou com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal. Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante o CARF. Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÕES VINCULADO VENDA COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. Outro ponto de discórdia se refere ao direito a manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista. Sustenta a Interessada, passado apenas cinco dias do inicio da vigência do parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004, dispositivo que vedava às pessoas jurídicas o aproveitamento do crédito, foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de 2004, publicada em 09.08.2004. É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206, convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Em sendo, assim, inexiste óbice a manutenção de crédito proveniente de aquisições com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Fl. 375DF CARF MF 28 Assim, impõe restabelecer esse direito de manutenção de crédito a Recorrente. DIREITO DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO VENDA A ASSOCIADOS INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO No que tange a manutenção do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa. É de conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.15835 de 2001, a sociedades cooperativas passaram a ser tributadas sobre a totalidade de suas receitas conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº 9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens. Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da Contribuição Social para o PIS/PASEP e a COFINS, são explícitas em relação aos créditos, não deixam dúvida que só podem ser utilizados para desconto dos valores da contribuição apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Todas as vezes que a intenção do legislador foi no sentido de se manter o crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição, salvo expressa disposição legal. O exemplo mais comum é o crédito apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, manifestamente a legislação pertinente autoriza. No caso específico tratase negócio com o associado da cooperativa, também possui caráter de alienação, assim sendo, encontra respaldo legal na norma prevista pelo art. 17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a possibilidade legal do respectivo crédito, é vedado quando não se verificando esses pressupostos. Assim, dou provimento para modificar a decisão recorrida e assegurar o direito de manutenção do crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC DECORRENTE DE ÓBICE DA ADMINISTRAÇÃO. No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial no 1.037.847RS, julgado na Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 62 29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lídima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; REsp 613.97/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; REsp 52.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; REsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para: 1 em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas Fl. 377DF CARF MF 30 fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, e (ii) da energia de elétrica, exceto das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925; 2 afastar, também, glosa dos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se refere à exclusão de transferência entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização; 3 reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete, cujos insumos adquiridos não geram créditos; 4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratarse de agroindústria; 5 afastar glosa e manter o crédito proveniente de aquisições vinculado a venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS; 6 – tornar sem efeito glosa dos créditos das aquisições de mercadorias vendidas aos associados da cooperativa; 7 – reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic tendo em razão ter havido oposição do Fisco à compensação/restituição. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, cabe consignar que a controvérsia cingese (i) a glosa de créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa Selic sobre a parcela do crédito pleiteado. A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS As glosas dos créditos básicos foram motivadas por falta de comprovação, falta de cumprimento de requisitos legais e por falta de amparo legal, conforme a seguir demonstrado. De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por: I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 63 31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Tabela 03 e 04); [...]. O órgão colegiado de primeiro grau manteve, integralmente, as referidas glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório fiscal. Inconformada com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a manutenção das referidas glosas. Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator, a saber: a) em relação aos créditos básicos, a totalidade da glosa das despesas com fretes relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota zero; b ) crédito presumido agroindustrial. I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS. A glosa parcial dos créditos básicos realizada pela fiscalização está relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens destinados à venda não comprovadas; b) parte do custo de aquisição de energia elétrica não comprovada; c) parte das despesas com aluguéis da pessoa jurídica não comprovada; d) a totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, por falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não comprovada. Aqui será analisada apenas a questão referente à totalidade da glosa das despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero). De acordo com citado relatório fiscal, por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado. No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, Fl. 379DF CARF MF 32 bem como os gastos com frete sobre as operações de compras de bens que geram direito a crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição dos bens. De outra parte, não gera direito a crédito os gastos com frete relativos aos serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores; e b) nas compras de mercadorias que não geram direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004. O entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302003.207, de onde se extrai os excertos pertinentes, que seguem transcritos: No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...]§ 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 64 33 §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. [...] Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou Fl. 381DF CARF MF 34 fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. 2 Com base nesse entendimento, rejeitase as alegações da recorrente de que gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo a: a) transferências das mercadorias entre estabelecimentos, porque representava uma etapa intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque os fretes sobres essas compras estavam oneradas pelas citadas contribuições, estando desta forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo com fretes sobre tais aquisições. Por essas considerações, por falta de amparo legal, deve ser mantida integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização. II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. A falta de amparo legal foi o motivo da glosa do valor integral do crédito presumido agroindustrial apropriado pela recorrente no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302003.207, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 65 35 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Da leitura do referido preceito legal, extraise que não são todos os produtos de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de crédito presumido agroindustrial, mas apenas aqueles destinados à alimentação humana ou animal. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária, uma vez que a sua atividade econômica limitavase a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura”, atividade típica de cerealista, que a própria Lei 10.925/2004 havia excluído do conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcrevese os excertos pertinentes extraídos do relatório fiscal: Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que exerceu a atividade de produção de mercadorias (agroindústria). Em resposta a intimação fiscal, a contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode 3 A atual redação do inciso é a seguinte: "I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 383DF CARF MF 36 ser sintetizado nas seguintes etapas: 1º ETAPA: Recebimento e Classificação; 2º ETAPA – Descarga das Mercadorias; 3º ETAPA – Prélimpeza dos Grãos; 4º ETAPA – Secagem; 5º ETAPA – Póslimpeza; 6º Armazenagem e Controle de Qualidade; 7º ETAPA Expedição. As etapas produtivas descritas subsumemse as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura. A própria Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da Lei 10.925/2004). Para a fiscalização, para que fosse considerada cooperativa de produção agroindustrial, a recorrente deveria receber a produção de seu cooperado, industrializála e vender o produto industrializado, o que não fora feito. De outra parte, a contribuinte alegou que desenvolve o processo produtivo/atividade econômica de beneficiamento, por meio do qual eram alteradas as características originais e obtidos os grãos aperfeiçoados/beneficiados a serem comercializados/exportados. Nos excertos a seguir transcritos, a recorrente expõe as razões pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão: As aquisições de matériasprimas (produtos resultantes da atividade rural) realizadas junto a pessoas físicas ou jurídicas com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das mercadorias soja beneficiada, trigo beneficiado, e milho beneficiado, classificados na NCM respectivamente nos capítulos 12 e 10. Não há que se falar em mercadorias classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que tenhamos as matériasprimas provenientes da atividade rural, que são o principal "insumo" destas mercadorias. Como se vê, as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS e da COFINS nãocumulativa, tem fundamento para apuração o crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002 e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Do cotejo entre o entendimento da fiscalização e o da recorrente, fica evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou seja, se a atividade por ela exercida era de produção agroindustrial ou, simplesmente, de produção agropecuária. A Lei 10.925/2004 não contém a definição da atividade de produção agroindustrial nem da atividade de cooperativa de produção agropecuária, no entanto, nos termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base nessa competência, por meio da Instrução Normativa SRF 660/2006, o Secretário da RFB definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 66 37 I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e [...] As atividades de produção de que trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990, são as atividades rurais típicas, não exercidas pela recorrente, conforme se infere dos elementos coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontramse mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos créditos, tinha a seguinte redação: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5 [...](grifos não originais) No período de apuração dos créditos presumidos em apreço, os produtos exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM. Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na 4 "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) 5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 385DF CARF MF 38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº 20, que tem o seguinte teor, in verbis: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Assim, por se tratar de comercialização/exportação de produto in natura, a atividade de produção realizada pela recorrente representa típica atividade de beneficiamento de produtos agropecuários, que não se caracteriza como operação de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura de origem vegetal (grãos), conforme definição estabelecida no art. 3º, § 1º, III, da Instrução Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...] (grifos não originais) Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da recorrente limitase a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chegase a conclusão de que a recorrente não exerce a atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária. E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a atividade de beneficiamento e atividade de industrialização encontrase nitidamente Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 67 39 evidenciada, por exemplo, no art. 15, IV, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzido: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] (grifos não originais) Outro dado relevante que ratifica a conclusão de que a recorrente exercia a atividade de produção agropecuária, em vez da atividade de produção agroindustrial, está no fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado processo nº 10010.031138/041361), as receitas de venda no mercado interno dos referidos produtos de origem vegetal sob regime de suspensão6, regime de tributação não aplicável às cooperativas de produção agroindustrial, mas às cooperativas de produção agropecuária, nos termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1odo art. 8odesta Lei; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifos não originais) Assim, se acatada a pretensão da recorrente, o que se admite apenas por hipótese, ela seria duplamente beneficiada, pois, além de não submeter a tributação das referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às referidas receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004, a seguir analisado. Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com 6 Os valores e o percentual de participação da receita submetida ao regime de suspensão encontramse discriminados na Tabelas de nº 03 (fls. 644/645), integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), apenso a este processo. Fl. 387DF CARF MF 40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitamse ao regime de tributação normal das citadas contribuições. Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de grãos encontravase disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e pelas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois, diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada essa finalidade específica, certamente, tais preceitos normativos não têm qualquer relevância para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço. Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária, independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito presumido em apreço, conforme determina o art. 8º, § 4º, I, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º [...] § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente. III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03 e 04 (fls. 643/653), integrantes do processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a fiscalização propôs o deferimento apenas dos valores dos créditos básicos vinculados às receitas de exportação. No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas no mercado interno, a fiscalização manifestouse pelo indeferimento integral, sob o argumento de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno não sujeitas à tributação, especificamente, as receitas de venda com suspensão e sujeitas à Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 68 41 alíquota zero, bem como as exclusões da base de cálculo permitidas, exclusivamente, às sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas. Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo. III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas Com Suspensão. Segundo a fiscalização, na condição de cooperativa agropecuária de produção, as operações de venda realizadas pela recorrente no mercado interno estavam amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, em decorrência, ela deveria ter providenciado o estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do art. 8º do citado diploma legal. Art. 8º [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que a restrição contida no citado preceito legal fora revogada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, nos termos do § 1º do art. 2º da Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sem razão a recorrente, porque, embora tenha entrado em vigor posteriormente, o novo preceito legal não é incompatível e tampouco regula inteiramente a matéria disciplinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que instituiu o crédito presumido agroindustrial e as vedações às manutenções tanto do referido crédito presumido quanto dos créditos vinculados as receitas de venda efetuadas com suspensão por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária. Diferentemente do alegado, como o citado art. 17 da Lei 11.033/2004 instituiu norma de nítido caráter geral sobre manutenção, pelo vendedor, dos créditos Fl. 389DF CARF MF 42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ao caso em apreço, aplicase o disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a lei nova não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda se encontra em vigor, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Com base nessas considerações e tendo em conta que ficou anteriormente demonstrado que a recorrente, no período de apuração dos créditos, exercia atividade de cooperativa de produção agropecuária, com respaldo no inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados as receitas de venda com suspensão. III.2) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas de Venda Excluídas da Base de Cálculo. De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS”, conforme estabelece o art. 17 da Lei 11.033/2004. Por decorrência, não havia suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo. Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que tanto a base de cálculo e o fato gerador destas contribuições correspondiam ao faturamento total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004. Para a recorrente, posteriormente ao advento da Medida Provisória 1.858 6/1999, cuja redação definitiva foi mantida na vigente Medida Provisória 2.15835/2001, os dispositivos que asseguravam isenção das citadas contribuições foram revogados, passando desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998. Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo da não incidência, logo o resultado obtido das exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável. Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência das referidas contribuições, ou em razão das respectivas operações de venda estarem fora do campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato Fl. 390DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 69 43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões, especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção agropecuária. E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de manutenção do crédito das referidas contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados à base cálculo zerada, em razão das exclusões da base de cálculo das referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos glosados. IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: Fl. 391DF CARF MF 44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.7 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a sua pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. VI) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, em relação às questões aqui analisadas, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 70 45 Voto Vencedor 2 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à reversão total da glosa relativa aos créditos vinculados às vendas de adubos, fertilizantes e sementes pela recorrente aos seus associados, as quais tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei 10.925/2004. Salientase que tais créditos foram glosados originalmente por falta de apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; [...] No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos vinculados a exclusões do artigo 15 da MP nº 2.158 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acrescentou ainda que tais operações são atos cooperativos conforme definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações de compra e venda, conforme extraise do excerto abaixo do relatório fiscal: "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”): Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Grifouse. Fl. 393DF CARF MF 46 A luz do dispositivo legal, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Por decorrência, não há suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo." Verificase, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos, fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido, impende8 reproduzir a recente decisão do STJ no REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 13161.001944/200788 Acórdão n.º 3302003.310 S3C3T2 Fl. 71 47 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, tais operações não podem ser consideradas como mercantis, e, portanto, não se tratam de vendas, configurando operações não incidentes e não receitas de vendas não incidentes. Salientase que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. Destarte, entendo ser inaplicável o referido artigo para efeito de vinculação de créditos a estas parcelas. Porém, a glosa pura e simples dos créditos vinculados a estas operações, conforme realizada pela autoridade fiscal, pareceme equivocada. É que tais créditos referemse a custos, despesas e encargos comuns que foram vinculados a estas parcelas mediante rateio entre receitas. Assim, não sendo tais operações receitas de vendas, também não podem compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas, devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento. Frisese que a decisão não se refere às aquisições específicas de adubos, sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaramse à alíquota zero, como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral. É como voto. Fl. 395DF CARF MF 48 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 396DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.730552/2012-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovando-se a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Comprovando-se a prestação de serviço por pessoa física, presume-se ocorrido o fato gerador de contribuições previdenciárias, cabendo a exigência das contribuições correspondentes, a menos que o sujeito passivo consiga comprovar a inexistência de remuneração.
REGISTROS CONTÁBEIS TÍPICOS DE PAGAMENTO A PESSOAS FÍSICAS. FALTA DE ESCLARECIMENTOS DO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Havendo registros contábeis típicos de pagamentos a pessoas físicas pela prestação de serviços e não tendo a empresa apresentado os esclarecimentos necessários à investigação dos fatos geradores, tem o fisco a prerrogativa de apurar as contribuições correspondentes, cabendo ao contribuinte demonstrar a improcedência destas.
DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO.
Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica.
APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996.
Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. CABIMENTO.
A discussão jurídica sobre a possibilidade de repasse aos clientes da obrigação de pagar a comissão pelo serviço prestado à empresa imobiliária afasta o intuito de fraude e sonegação fiscal, justificando a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS EM TERCEIROS PARA ESCLARECER FATOS RELACIONADOS À AÇÃO FISCAL. FALTA DE INTIMAÇÃO DA EMPRESA AUTUADA. VALIDADE DAS PROVAS.
São válidas as provas produzidas em sede de diligências fiscais realizadas em terceiros, que tenham alguma relação com o fato gerador dos tributos lançados, independentemente de ciência prévia da empresa autuada, desde de que o fisco, no relatório fiscal, esclareça a origem das referidas provas.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS RELEVANTES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos relevantes da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie. Não está obrigado o julgador a enfrentar questões que não tenham o condão de interferir no destino da lide.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO A CONTRIBUIÇÕES NÃO ADIMPLIDAS. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO.
A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento dessa espécie tributária.
SOLIDARIEDADE.GRUPO ECONÔMICO.
A caracterização do Grupo Econômico de Fato gera a solidariedade passiva previdenciária para as empresas que o integra. (Art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991).
GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO.
Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle X subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração.
Numero da decisão: 2201-003.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da qualificadora da multa de ofício. Vencidos os conselheiros Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado) e Carlos César Quadros Pierre (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovando-se a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Comprovando-se a prestação de serviço por pessoa física, presume-se ocorrido o fato gerador de contribuições previdenciárias, cabendo a exigência das contribuições correspondentes, a menos que o sujeito passivo consiga comprovar a inexistência de remuneração. REGISTROS CONTÁBEIS TÍPICOS DE PAGAMENTO A PESSOAS FÍSICAS. FALTA DE ESCLARECIMENTOS DO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Havendo registros contábeis típicos de pagamentos a pessoas físicas pela prestação de serviços e não tendo a empresa apresentado os esclarecimentos necessários à investigação dos fatos geradores, tem o fisco a prerrogativa de apurar as contribuições correspondentes, cabendo ao contribuinte demonstrar a improcedência destas. DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. CABIMENTO. A discussão jurídica sobre a possibilidade de repasse aos clientes da obrigação de pagar a comissão pelo serviço prestado à empresa imobiliária afasta o intuito de fraude e sonegação fiscal, justificando a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS EM TERCEIROS PARA ESCLARECER FATOS RELACIONADOS À AÇÃO FISCAL. FALTA DE INTIMAÇÃO DA EMPRESA AUTUADA. VALIDADE DAS PROVAS. São válidas as provas produzidas em sede de diligências fiscais realizadas em terceiros, que tenham alguma relação com o fato gerador dos tributos lançados, independentemente de ciência prévia da empresa autuada, desde de que o fisco, no relatório fiscal, esclareça a origem das referidas provas. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS RELEVANTES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos relevantes da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie. Não está obrigado o julgador a enfrentar questões que não tenham o condão de interferir no destino da lide. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO A CONTRIBUIÇÕES NÃO ADIMPLIDAS. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO. A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento dessa espécie tributária. SOLIDARIEDADE.GRUPO ECONÔMICO. A caracterização do Grupo Econômico de Fato gera a solidariedade passiva previdenciária para as empresas que o integra. (Art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991). GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle X subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração.
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GARZON EUGENIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE VENDA DE IMÓVEIS POR CORRETOR QUE ATUA EM NOME DA IMOBILIÁRIA. PAGAMENTO DA COMISSÃO DIRETAMENTE PELO CLIENTE. IRRELEVÂNCIA PARA CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Independentemente do fato do cliente pagar a comissão diretamente ao corretor de imóveis, comprovandose a existência de vinculo de trabalho deste para com a imobiliária, é esta que deve responder pelas obrigações tributárias decorrentes do serviço prestado. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE REMUNERAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Comprovandose a prestação de serviço por pessoa física, presumese ocorrido o fato gerador de contribuições previdenciárias, cabendo a exigência das contribuições correspondentes, a menos que o sujeito passivo consiga comprovar a inexistência de remuneração. REGISTROS CONTÁBEIS TÍPICOS DE PAGAMENTO A PESSOAS FÍSICAS. FALTA DE ESCLARECIMENTOS DO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Havendo registros contábeis típicos de pagamentos a pessoas físicas pela prestação de serviços e não tendo a empresa apresentado os esclarecimentos necessários à investigação dos fatos geradores, tem o fisco a prerrogativa de apurar as contribuições correspondentes, cabendo ao contribuinte demonstrar a improcedência destas. DOCUMENTAÇÃO QUE NÃO APRESENTA DADOS SUFICIENTES PARA VERIFICAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 05 52 /2 01 2- 59 Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.784 2 DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao exibir documentos e esclarecimentos insuficientes para verificação de sua regularidade fiscal, o sujeito passivo abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido, sendo do contribuinte o ônus de fazer prova em contrário. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. CABIMENTO. A discussão jurídica sobre a possibilidade de repasse aos clientes da obrigação de pagar a comissão pelo serviço prestado à empresa imobiliária afasta o intuito de fraude e sonegação fiscal, justificando a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS EM TERCEIROS PARA ESCLARECER FATOS RELACIONADOS À AÇÃO FISCAL. FALTA DE INTIMAÇÃO DA EMPRESA AUTUADA. VALIDADE DAS PROVAS. São válidas as provas produzidas em sede de diligências fiscais realizadas em terceiros, que tenham alguma relação com o fato gerador dos tributos lançados, independentemente de ciência prévia da empresa autuada, desde de que o fisco, no relatório fiscal, esclareça a origem das referidas provas. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS RELEVANTES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos relevantes da impugnação com fundamento nos fatos presentes nos autos e no direito aplicável à espécie. Não está obrigado o julgador a enfrentar questões que não tenham o condão de interferir no destino da lide. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO RELATIVO A CONTRIBUIÇÕES NÃO ADIMPLIDAS. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUMENTO IDÔNEO. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.785 3 A partir da aplicação das normas procedimentais e processuais do Decreto n.º 70.235/1972 às contribuições sociais, o Auto de Infração é instrumento idôneo a constituir o crédito tributário decorrente da falta de recolhimento dessa espécie tributária. SOLIDARIEDADE.GRUPO ECONÔMICO. A caracterização do Grupo Econômico de Fato gera a solidariedade passiva previdenciária para as empresas que o integra. (Art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991). GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle X subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da qualificadora da multa de ofício. Vencidos os conselheiros Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado) e Carlos César Quadros Pierre (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/BSB (Fls. 1605), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de crédito tributário, constituído em desfavor da empresa M. GARZON EUGENIO EMPREENDIMENTOS Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.786 4 IMOBILIÁRIOS LTDA, por intermédio dos seguintes autos de infração de obrigação principal: – AIOP DEBCAD 37.342.043 9, no valor de R$ 1.426.104,39 (hum milhão, quatrocentos e vinte e seis mil, cento e quatro reais e trinta e nove centavos) e o AIOP DEBCAD 37.342.0447, no valor de R$ 781.938,31 (setecentos e oitenta e hum mil, novecentos e trinta e oito reais e trinta e hum centavos), relativos às contribuições previdenciárias devidas pela empresa, parte patronal e parte dos segurados contribuintes individuais, respectivamente, incidentes sobre as remunerações pagas a Corretores de Imóveis Autônomos e sobre as remunerações pagas por serviços prestados pelas demais pessoas físicas, lavrados em 03/07/2013. O procedimento fiscal levado a efeito na empresa, abrangeu o período de agosto/2007 a junho/2012, porém este processo é relativo ao período de janeiro/2008 a dezembro/2008. Os fatos geradores objeto dos presentes lançamentos se referem: aos pagamentos de remuneração a corretores de imóveis autônomos pelos serviços de intermediação imobiliária prestados a Empresa, no período fiscalizado (Levantamento CV). pagamento de remuneração a contribuintes individuais (pessoas físicas) pelos serviços de natureza diversa (assessoria, jardinagem, bufett, manutenção, entre outros) prestados a empresa no período fiscalizado e registrados na conta contábil “SERVIÇOS TERCEIROS PESSOA FÍSICA”, código 4201010036 (Levantamentos SI E SN). A M Garzon Eugenio Empreendimentos Imobiliários Ltda., com início de atividades em 10/08/2007, tem por objeto social as seguintes atividades: intermediação na compra, venda, permuta e aluguel de imóveis; a prospecção e avaliação de terrenos para incorporação imobiliária; a aproximação e assessoria para negócios entre proprietários de imóveis, incorporadores e einvestidores em geral; a administração de bens próprios e de terceiros; e a participação no capital de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras, empresárias ou não, na qualidade de sócia, acionista ou cotista. O contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (TIPF) e de outros Termos específicos emitidos no transcorrer do procedimento fiscal , a apresentar documentos da Empresa e dos responsáveis, documentos contábeis, patrimoniais e financeiros; demonstrativo dos empreendimentos imobiliários comercializados; contratos de prestação de serviços de corretagem firmados com corretores de imóveis, pessoas físicas, para intermediação da venda de unidades imobiliárias; folhas de pagamento e outros documentos relativos aos segurados contribuintes individuais, todos referentes ao período de 10/08/2007 a 31/12/2009. Posteriormente, em 08/02/2013, tendo em vista a ampliação do período de abrangência da fiscalização até a competência 06/2012, o contribuinte foi intimado a complementar as Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.787 5 informações anteriormente prestadas, o qual, além dos documentos e esclarecimentos complementares requeridos, apresentou novo CD/R contendo os oarquivos dos lançamentos contábeis do período: 01/2010 a 06/2012. A auditoria fiscal constatou, da análise da documentação apresentada, assim como dos esclarecimentos prestados, que a M Garzon Eugênio não declarou nas GFIPs do período fiscalizado os pagamentos efetuados a corretores de imóveis e às demais pessoas físicas que lhes prestaram serviços no período fiscalizado, como também não reteve as contribuições de responsabilidade desses segurados (contribuintes individuais), conforme determina o art. 4º da Lei nº 10.666/2003, nem recolheu as contribuições sociais decorrentes desses pagamentos devidas a Seguridade Social. Para a formação de convicção que levou à constituição deste crédito, a fiscalização efetuou diligências junto a empresas construtoras/incorporadoras para as quais a M Garzon Eugênio prestou serviços de intermediação imobiliária e a pessoas físicas adquirentes de imóveis com a intermediação dessa mesma Empresa, com o objetivo de prestar informaçõesve esclarecimentos de interesse do fisco. Com relação as pessoas jurídicas diligenciadasv(construtoras/incorporadoras), a motivação para a realização desse procedimento fiscal deuseva partir da informação prestada pela M Garzon Eugênio, em resposta à intimação da auditoria, “que não possui contratos de prestação de serviços firmados com construtoras/incorporadoras, haja vista que são realizados de forma verbal”, conforme item 35 do Relatório Fiscal às fls. 1.122. Diante dessa informação a fiscalização efetuou diligências junto às construtoras/incorporadoras responsáveis pelos empreendimentos comercializados pela M Garzon Eugêncio, obtendo das empresas contratantes, contrariamente ao afirmado acima, contratos assinados com esta imobiliária. Entre as empresas contratantes, devidamente diligenciadas, estão: Brasal Incorporações e Construções de Imóveis Ltda. (CNPJ 00.323.063/000189), Arquitetura e Lazer Ltda. (CNPJ 10.450.445/000127) e Brookfield MB Empreendimentos Imobiliários S/A (CNPJ 04.123.616/000372). No que se refere às diligências realizadas junto a adquirentes de imóveis pessoas físicas, com a intermediação imobiliária da M Garzon Eugênio, estas foram motivadas na resposta apresentada pela Empresa a à intimação da auditoria de apresentar os contratos de prestação de serviços de corretagem firmados com corretores de imóveis, “que não possui nenhum tipo de contrato de prestação de serviços de corretagem, ora descrito no item 11 do TIPF, porquanto se trata de serviço autônomo, no qual os corretores são remunerados diretamente pelos clientes/compradores”, conforme item 38 do Relatório Fiscal às fls. 1.122. Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.788 6 Segundo as diligências realizadas, a auditoria fiscal apurou que a situação de fato não corresponde as alegações da Empresa, pois da análise, por amostragem, de 9 adquirentes de imóveis diligenciados, todos afirmaram que: o imóvel foi adquirido por intermédio da empresa imobiliária M Garzon Eugênio; o corretor, autor da venda, não foi contratado por ele (comprador); o corretor apresentouse como representante da imobiliária M Garzon Eugênio, usando crachá da empresa com a sua identificação pessoal. Os documentos obtidos por meio dessas diligências, as informações e os esclarecimentos prestados pelos diligenciados encontramse apensados ao Relatório Fiscal. De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa foi intimada a apresentar demonstrativo consolidado dos empreendimentos imobiliários comercializados no período sob fiscalização e relação de todas as unidades vendidas pela Empresa, especificando, por exercício o número e data da proposta de compra e venda; a denominação do empreendimento, unidade, localidade e preço de venda da unidade comercializada; o nome, CPF/CNPJ do comprador; o nome e número do CPF e registro no CRECI do corretor responsável pela venda e o valor da comissão paga ao corretor. Em resposta, a Empresa apresentou o demonstrativo consolidado dos empreendimentos comercializados e no que se refere à relação das unidades vendidas no período, solicitou prorrogação do prazo de 20 dias, alegando que “não foi possível concluir o levantamento das informações requeridas diante da sua complexidade”. Foi estabelecido novo prazo, dentro do qual, a empresa apresentou planilha sobre as unidades vendidas no período de apuração, porém não informou os campos relativos à proposta de compra, sob a alegação que tais propostas são descartadas após a venda. Também não preencheu os campos da planilha destinados a informação relativa a corretagem, ou seja, identificação do corretor responsável pela venda e o valor da comissão, alegando que “não possui informações a respeito da corretagem – última coluna da planilha – porquanto se trata de serviço autônomo, no qual os valores são transacionados diretamente entre cliente e corretor”. Com relação a intimação a prestar informação sobre o fluxo das atividades de prestação de serviços de intermediação imobiliária praticado no âmbito da Empresa, bem como o nome e o CPF do responsável pela gestão dessas atividades, a empresa limitouse a informar que “os corretores são autônomos, não possuindo qualquer vínculo com a empresa, o que a impossibilita de prestar tais informações”. A empresa foi reintimada a apresentar descrição do fluxo das atividades de prestação de serviços de intermediação imobiliária, detalhando como ocorre o processo de venda, o engajamento dos corretores envolvidos, a definição da comissão do corretor, os formulários utilizados, o pagamento do sinal e da Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.789 7 comissão do corretor, o relacionamento com o cliente, e outras informações, a Empresa esclareceu, após prorrogação do prazo solicitada pelo contribuinte, que “cabe à contribuinte a gestão da carteira de imóveis fornecida pela construtora, bem como a disponibilização de formulários quando esta não o fizer. Da mesma forma a construtora é quem disponibiliza o valor do sinal em sua tabela de vendas. Já a comissão dos corretores são negociadas diretamente com o cliente, porquanto faz parte da “carteira de clientes” do próprio corretor, sendo as comissões baseadas nas determinações do Conselho Regional de Corretores de Imóveis – CRECI”. Quanto ao responsável pela gestão das atividades de intermediação imobiliária no âmbito da Empresa, esclareceu que o administrador Marcos Fabrício Moraes Garzon, CPF 031.943.28743, consoante o descrito no contrato social da empresa, é o “responsável pela consultoria e gestão de disponibilização de unidades imobiliárias no mercado”. Informou também que as atividades de seleção, credenciamento e treinamento de corretores de imóveis, como também as de supervisão das atividades desenvolvidas pelos corretores “não fazem parte das atividades da empresa, pois esta se limita à gestão das unidades imobiliárias”. Diante desses esclarecimentos, a auditoria fiscal concluiu que a empresa se comportou perante o fisco sem compromisso com a verdade, pois em contatos presenciais da fiscalização junto ao estabelecimento sede da M Garzon Eugênio, constatou que a Empresa mantém um departamento de vendas com corretores para atendimento do público interessado na aquisição de imóveis, inclusive, do lado externo do prédio, a Empresa mantém uma placa anunciando “CORRETORES DE PLANTÃO AQUI”. Ainda, segundo o Organograma Operacional da empresa apresentado ao Fisco, a Empresa informou que conta com um Administrador Central (Marco Fabrício M. Garzon – CPF 031.943.28743), um Administrador de Desenvolvimento (Arnaldo Frattini – CPF 031.943.28743), um Gerente de Vendas, um Gerente de RH e um Gerente Administrativo Financeiro, sem informar o nome e CPF dos respectivos ocupantes. Cada gerente, para o exercício de suas funções, conta com um supervisor e um assistente. O organograma desenhado pela Empresa deve estar compatível com o volume de negócios a que se propôs realizar. Portanto, as unidades em funcionamento na M Garzon Eugênio pressupõese que estão compatíveis com o volume de vendas efetivado no período fiscalizado. De acordo com as informações e documentos disponibilizados ao fisco, somente a conta contábil “SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA – Código 3101050001” registra aproximadamente 8.828 lançamentos contábeis, sendo que muitos dos lançamentos representam mais de uma unidade imobiliária vendida. Em volume financeiro, estes lançamentos representam R$ Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.790 8 48.687.631,79 de comissão imobiliária recebida pela empresa pela prestação de serviços de corretagem de imóveis no período fiscalizado. A maioria desses lançamentos está acobertada por um Nota Fiscal de Serviços, de emissão da M Garzon Eugênio, cuja descrição do serviço é “Serviço de Intermediação Imobiliária referente ao empreendimento tal...” ou “Comissão pela intermediação de venda do empreendimento...” tendo por tomador do serviço o adquirente da unidade imobiliária (pessoa física ou jurídica).. Como se não bastasse, o contrato de prestação de serviços de intermediação imobiliária firmado com as construtoras/incorporadoras que a Empresa recusouse a apresentar ao fisco, demonstra uma situação bem adversa das alegações da empresa, pois os contratos firmados prevêem, entre outras, as seguintes obrigações da M Garzon Eugênio: a) A comercialização propriamente dita, objeto deste contrato. b) Manter no plantão de vendas corretores autônomos de imóveis, nos horários indicados pela contratante. c) Nomear um supervisor de vendas, responsável no stand, exercendo as seguintes funções: orientar o trabalho dos corretores, levar e manter material publicitário e de apoio no stand de vendas, bem como tabelas, recolher as propostas, atender os clientes compradores. d) Efetuar o pagamento dos corretores autônomos de imóveis mediante a emissão do correspondente RPA, não havendo, pois, nenhuma relação entre estes e a contratante, devendo manter da contratante indene de qualquer reclamação de seus corretores. e) Atuar junto ao planejamento dos empreendimentos como um todo, incluindo sem se limitar, a definição do produto, campanha publicitária, tabelas de preços e treinamento geral das equipes que atenderão os clientes. f) Responsabilizarse pelo pessoal especialmente treinado e capacitado, para atuar no período de 08:00 as 20:00 hs, de segundafeira a domingo, nos Stands de Vendas, instalados junto aos canteiros de obras, entre... g) Zelar pelo nome da contratante, exigindo que seus profissionais e prepostos empreendam todos os esforços, no sentido de alcançar as metas de vendas que sejam apresentadas pela contratante. h) Responsabilizarse pelas obrigações trabalhistas, sociais e tributárias de seus respectivos profissionais e empregados, mantendo a contratante isenta de qualquer responsabilidade. Para o desenvolvimento das atividades de intermediação imobiliária, a M Garzon Eugênio firmou contrato de prestação de serviços de planejamento e vendas com Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.791 9 construtoras/incorporadoras responsáveis por empreendimentos definindose, nesses nstrumentos particulares, as bases de sustentação da relação contratual estabelecida entre as partes. O fisco constatou que a Empresa fez declarações a fiscalização que não corresponde a verdade dos fatos, uma vez que, quando intimada, não apresentou ao fisco os referidos contratos, sob o argumento de não possuílos, uma vez que tais acordos são realizados de forma verbal. Para ilustração da prática adotada pela Empresa, objetivando a transferência do pagamento da comissão de venda para o comprador do imóvel, observe o caso do adquirente da sala nº 149 e da vaga de garagem nº 157 do Edifício Barão do Rio Branco, no SIG, Quadra 01, Brasília/DF, Sr. Felipe Guarconi Pereira, devidamente intimado pela auditoria fiscal para apresentar documentos e prestar esclarecimentos, apresentou documentos que demonstram que ele pagou o valor total de R$ 277.000,99, sendo R$ 251.454,76 pela sala 149 e R$ 25.546,23 pela vaga de garagem nº 157. Foram pagos ao corretor responsável pela venda, mediante cheques do Banco do Brasil, as importâncias referente ao sinal da sala 149, no valor de R$ 23.697,32 e ao sinal da vaga garagem 157, no valor de R$ 2.407,50, ambos os cheques nominativos a Porto Engenharia. Pagou também as importâncias referentes a comissão de intermediação imobiliária da sala 149, no valor de R$ 11.848,65 e da vaga de garagem 157, no valor de R$ 1.203,75, ambos os cheques nominativos a M Garzon, conforme cópias entregues à fiscalização. No documento “COMUNICAÇÃO DE VENDA” emitido pela M Garzon Eugênio para a construtora/incorporadora responsável pelo empreendimento, informando a venda das unidades acima, estão registrados os dados do empreendimento, os dados cadastrais do adquirente, os dados financeiros, as condições de pagamento, o controle interno da imobiliária (M Garzon Eugênio) e a comissão de intermediação imobiliária e sua respectiva destinação, conforme quadro no item 79 do Relatório Fiscal. O citado documento “COMUNICAÇÃO DE VENDA” expedido pela M Garzon Eugênio, registra para a sala 149 o valor de venda R$ 263.303,40 e o valor do contrato R$ 251.454,80; para a vaga de garagem 149 o valor de venda é de R$ 26.749,68 e o valor do contrato é R$ 25.546,25. A diferença entre o valor de venda e o valor do contrato corresponde exatamente ao valor da comissão de venda pago “por fora”. Semelhante ao caso acima relatado, a auditoria fiscal apurou documentação comprobatória de outros adquirentes de imóveis de diferentes empreendimentos, todos devidamente intimados a prestar esclarecimentos relativos aos imóveis adquiridos com a intermediação da M Garzon Eugênio. Referidos adquirentes, responderam também a um questionário versando sobre questões relativas ao processo de aquisição do respectivo Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.792 10 imóvel, através dos quais a maioria confirma, em síntese, as seguintes questões: que o imóvel a que se refere a documentação apresentada foi adquirido com a intermediação imobiliária da M Garzon Eugênio; que o valor da Proposta de Compra com Recibo de Sinal assim como do Contrato de Promessa de Venda e Compra não contemplam o valor da comissão de venda, cujo valor foi pago “por fora” diretamente ao corretor; que o corretor responsável pela venda identificouse como representante da empresa de intermediação imobiliária M Garzon Eugênio. No item 86 do Relatório Fiscal consta quadro com o resultado das diligências realizadas junto a compradores de imóveis com o valor da proposta mais o valor da comissão de venda, demonstrado a comissão paga “por fora”. De acordo com os contratos de prestação de serviços de intermediação obtidos pela fiscalização, a M Garzon Eugênio receberá a comissão de 4% sobre o valor de cada venda, a ser pago no ato da assinatura do contrato de compra e venda, pelo comprador do imóvel e descontado do corpo do contrato de compra e venda da unidade vendida. No que se refere a comissão da empresa imobiliária, via de regra, está acobertada pela emissão de nota fiscal de serviços tendo por tomador do serviço o adquirente da unidade comercializada, cujo valor está contabilizado na conta SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA, código 3101050001. Diante do relatado, a fiscalização concluiu pela existência de prática fraudulenta arquitetada pela M Garzon Eugênio com o claro objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal decorrente dessa prestação de serviço. Como conseqüência do não reconhecimento da empresa do vínculo com o corretor de imóveis que lhe presta serviço de intermediação imobiliária, transferindo a responsabilidade pelo pagamento da comissão de venda que lhe é devida para o comprador do imóvel, a Empresa não inclui o corretor na folha de pagamento, não declara na GFIP, não contabiliza em títulos próprios de sua contabilidade e tampouco efetua o recolhimento das contribuições previdenciárias, cuja omissão caracteriza, em tese, crime de sonegação fiscal previsto no art. 337A do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 07/12/1940) com a redação dada pela Lei nº 9.983, de 14/07/2000. A Empresa também estava obrigada a descontar da remuneração dos corretores de imóveis e dos demais trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços, o valor correspondente às contribuições por estes devidas e repassálas Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.793 11 à Previdência Social, conforme determina o art. 4º da Lei nº 10.666, de 08/05/2003. DO ARBITRAMENTO Para o arbitramento do valor da base de cálculo da contribuição devida, a fiscalização utilizou os critérios definidos na Tabela de honorários divulgada pelo CRECI 8ª Região – Distrito Federal. Os valores recebidos pela M Garzon Eugênio pela prestação de serviços de intermediação imobiliária, por unidade vendida, considerados como base de cálculo do presente lançamento, foram informados pela Empresa por meio de arquivo digital, cujos valores estão lançados na contabilidade da Empresa, contas “SERVIÇOS PRESTADOS A VISTA”, código 3101050001 (MATRIZ), 3101050003 (Filial 01 – Campo Grande/MS), 3101050004 (Filial 02 – Cuiabá/MT) e 3101050005 (Filial 03 – Goiânia/GO). Os valores da comissão imobiliária contabilizados nas contas citadas estão acobertados por notas fiscais de serviços emitidas pela M GARZON EUGÊNIO tendo por tomador dos serviços o adquirente do imóvel. Dos adquirentes diligenciados pela fiscalização, a Empresa apresentou as notas fiscais relativas a: Felipe Guarçoni Pereira (NF 000679, valor R$ 5.397,72), João Batista Coelho de Morais (NF 000452, valor R$ 5.851,09) e Ubirajara Jesus de Oliveira e Silva (NF 000351, valor R$ 6.719,59). Comparandose o valor dessas NFs com o da comissão recebida pelo corretor que efetuou a venda, verificase plena aderência do critério de aferição utilizado pela fiscalização com base na Tabela de Honorários do CRECI/DF. O critério de arbitramento utilizado pela fiscalização também teve por base a Tabela de Honorários do CRECI/DF. Para o lançamento de ofício, os dados foram organizados nos seguintes levantamentos: Código SI: Serviços Prestaods – PF, que trata de pagamento contabilizado na conta 4201010036 – Serviços Prestados Pessoa Física (exceto vendas de imóveis), cujo levantamento identificou o prestador do serviço pelo nome e CPF (Anexo 17). Código SN: Serviços Prestados – PF (prestador não identificado) que se refere a pagamento contabilizado na mesma conta acima, em cujo levantamento o prestador do serviço não foi identificado por nome e CPF (Anexo 18). Código CV – Comissão de Venda – PF (Corretagem), que trata da comissão de venda paga a corretores de imóveis autônomos pelos serviços de intermediação imobiliária, cujos pagamentos não foram identificados pela Empresa (nome, CPF e CRECI) (Anexos 19, 20, 21 e 22). Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.794 12 O cálculo da contribuição do segurado não observou o limite máximo do salário de contribuição, uma vez que a Empresa não identificou os beneficiários dos pagamentos efetuados, exceto os do levantamento SI, que foram identificados nos documentos apresentados pela Empresa. Nestes casos, a fiscalização observou o limite previdenciário. DA MULTA DE OFÍCIO Esclarece ainda o autuante que, em razão das alterações trazidas pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e tendo em vista o disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN e a redação do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a multa calculada na ação fiscal geradora deste auto foi a resultante do confronto entre a multa de ofício de 75% com a multa capitulada no Código de Fundamentação Legal 68 (apresentar a empresa a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias), somada à multa de mora de 24%, prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, sobre as contribuições devidas e não recolhidas, resultando como mais benéfica ao sujeito passivo, nas competências 02/2008 a 06/2008, 10/2008 e 11/2008 a multa definida na legislação anterior (CFL 68 + multa de 24%) e nas competências 01/2008, 07/2008, 08/2008 e 09/2008 a multa menos severa foi a multa de ofício prevista na legislação atual (75%), conforme quadro comparativo no item 129 do Relatório Fiscal. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A fiscalização, com base nos documentos e esclarecimentos apresentados ao fisco, como também nas informações constantes dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil e da Previdência Social, apurou os fatos descritos no item 181 do Relatório Fiscal e concluiu que restou caracterizada, com base na legislação, relativamente ao crédito previdenciário objeto do lançamento de ofício de que trata o presente Relatório Fiscal, a sujeição passiva solidária das pessoas jurídicas abaixo relacionadas, como também dos respectivos sócios e/ou administradores responsáveis pela gestão dos negócios dessas sociedades: M Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ 02.850.273/000150), com sede no SHCS, Quadra 507, Bloco C, Loja 10/11, Comércio Residencial, Asa Sul, CEP 70351530, BrasíliaDF; Polis Desenvolvimento Imobiliário Ltda (CNPJ 08.627.579/000129), com sede à Avenida das Nações Unidas, n° 8501, Cobertura, Pinheiros, CEP 05425070, São PauloSP; Eugênio Participações Ltda (CNPJ 03.332.644/000175), com sede no Brejo Alegre, n° 500, Cobertura, Brooklin Paulista, CEP 04557051, São PauloSP; Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.795 13 Ferfratt Marketing Estratégico Empresarial S/C Ltda (CNPJ 04.126.668/000130, com sede na Alameda dos Cravos, n° 83, Q. 09, L.05, Murada das Flores, Aldeia da Serra, CEP 06519500, Santana de ParnaíbaSP; MGE Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ 14.256.922/000179) com sede no SHCS, Quadra 507, Bloco C, Loja 10/11, Parte A, Comércio Residencial, Asa Sul, CEP 70351530, BrasíliaDF; Brasil Brokers Participações S/A (CNPJ 08.613.550/000198), com sede na Avenida das Américas, n° 500, Bloco 19, Salas 303 e 304, CEP 22640904, Rio de JaneiroRJ; Marcos Fabrício Moraes Garzon, brasileiro, casado, corretor de imóveis, portador da Carteira de Identidade de Corretor CRECI n° 5.500 e do CPF 031.943.28743, residente e domiciliado na SQS, Quadra 307, Bloco K, Apto. 603, Asa Sul, CEP 70354110, BrasíliaDF (endereço atualizado pela 6a alteração contratual); Arnaldo Frattini, brasileiro, solteiro, bacharel em Direito, portador da Carteira de Identidade RG n° 33.055.4773/SSPSP e do CPF 285.031.04172, residente e domiciliado à Alameda dos Cravos n° 83, Aldeia da Serra, Alphaville Comercial, CEP 06453053, BarueriSP; Maurício Eugênio, brasileiro, casado, publicitário, portador da Carteira de Identidade RG n° 15.584.4106/SSPSP e do CPF 075.129.54859, residente e domiciliado à rua Dr. João Pinheiro, 474, Jardim Paulista, CEP 01429000, São PauloSP. Para os responsáveis solidários acima especificados, a fiscalização emitiu os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária, anexos ao Auto de Infração. DAS IMPUGNAÇÕES DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA EMPRESA M. GARZON EUGÊNIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA: A autuada apresentou impugnação tempestiva às fls. 1.420 a 1.457, com as seguintes alegações, em síntese: A responsabilidade solidária atribuída mostrase absolutamente desarrazoada e desproporcional, devendo ser preliminarmente afastada. O que teria desencadeado a imputação de responsabilidade aos devedores solidários seria a relação societária imbricada que há entre eles e a devedora principal (M Garzon Eugênio Empreendimentos Imobiliários Ltda.), interligados pelas participações societárias detidas pelos Srs. Marcos Fabrício Marcos Garzon, Arnaldo Frattini e Maurício Eugênio. Ocorre que, essa simplificação societária pretendida pela Fiscalização, ao desconsiderar a personalidade jurídica de cada uma das sociedades empresárias, Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.796 14 argumentando tratarse de um único "grupo econômico", afronta a "regra de ouro" que normatiza a imputação de responsabilidade tributária, contida no art. 128 do CTN, a qual condiciona a transferência de responsabilidade a terceiros à vinculação destes com o fato gerador da respectiva obrigação. Afirma que o simples fato de supostamente pertencerem a um mesmo “grupo econômico” não enseja, por si só, a imputação da responsabilidade solidária, não se justificando a extensão dessa responsabilidade aos devedores solidários com base em qualquer dos incisos do art. 124 do CTN, ao contrário do suscitado pela Fiscalização, pelo que deve ser afastada a sua aplicação. Cita decisão do STJ. Entende que o art. 135 do CTN também não pode ser utilizado para justificar a Sujeição Passiva Solidária das pessoas arroladas no termo lavrado pela Fiscalização, especialmente das pessoas físicas que lá constam. Isso porque, como se denota do caput daquele dispositivo, a responsabilidade pessoal do sócio da pessoa jurídica contribuinte do tributo somente será possível nos seguintes casos: (i) atos praticados com excesso de poder; (ii) infração de lei; ou (iii) em contrariedade ao contrato social ou estatuto. Consoante estabelece o art. 135 do CTN, a responsabilidade dos sóciosgerentes, diretores e demais sócios caracterizase por ser pessoal e ter como fundamento a conduta dolosa do agente, ou seja, é modalidade de responsabilidade tributária eminentemente subjetiva, considerando que nasce a partir da constatação da realização de um ilícito. Conclui que a Fiscalização deixou de demonstrar pormenorizadamente as condutas que ensejaram a responsabilidade solidária de cada uma das pessoas arroladas no "Termo de Sujeição Passiva Solidária". Alega inaplicabilidade dos arts. 30, inciso IX da Lei n9 8.212/91 e art. 222 do RPS, os quais estendem a responsabilidade pelo pagamento das contribuições previdenciárias inadimplidas aos integrantes de um mesmo "grupo econômico". A configuração do grupo econômico pressupõe a existência de pelo menos uma relação de coordenação entre os entes coligados, de forma que resulte numa orientação empresarial comum. Desse modo, é necessário que as atividades exercidas tenham algum grau de complementaridade, a fim de possibilitar a maximização no uso dos recursos. Cita doutrina, afirmando que a fiscalização não demonstrou a unicidade de comando entre as pessoas acrescidas ao pólo passivo da obrigação tributária, concluindo ser inexistente esse grupo econômico suscitado pela Fiscalização, especialmente por não se enquadrar no conceito contido nos arts. 265 e seguintes da Lei nº 6.404/76. Nulidade Alega nulidade decorrente da ausência de descrição dos fatos imponíveis, por infringir o disposto no art. 10, inc. III, c/c art. 59, inc. II, ambos do Decreto nº 70.235/72, pois a fiscalização deixou de descrever o fato que encetou a incidência de contribuições previdenciárias sobre valores supostamente Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.797 15 pagos a contribuintes individuais, não observando que estava lançando tributo sobre pagamentos, por exemplo, a Pessoas Jurídicas. Não demonstrou os indícios que a levaram a desconsiderar, por exemplo, a personalidade jurídica da empresa Ferfratt Marketing na competência 05/2008 nos valores de R$ 12.403,29 e R$ 7.181,49. Decadência não houve qualquer falsidade nas declarações transmitidas pela Impugnante, tampouco a sonegação de contribuições previdenciárias ou evidente intuito de fraude, eis que ausente qualquer elemento de dolo nas suas ações (o que se comprova pelo fato de ter a Impugnante cooperado ao longo de toda a Fiscalização). O que se verifica na presente hipótese é tãosomente a aplicação de interpretação legal diversa daquela entendida como correta pela Fiscalização. Cita decisões do CARF, concluindo que não existindo dolo, fraude ou simulação, deve ser ser reconhecida a decadência parcial das contribuições lançadas de ofício referentes às competências 01/2008 a 06/2008, porque, sendo as contribuições previdenciárias tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial previsto no CTN, artigo 150, § 4º se sobrepõe àquele previsto no mesmo diploma, artigo 173, inciso I. Desta forma, considerando que a Impugnante somente veio a ser cientificada da lavratura dos autos de infração ora impugnados em 10/07/2013, os fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos (ou seja, aqueles referentes às competências 01/2008 a 06/2008) consideramse decaídos. Discorre a respeito da natureza jurídica da corretagem, entendendo que não há prestação de serviços previstas no inciso III do art. 22 da Lei 8.212/91. Cita arts. 593 a 609 e 722 a 729 do Código Civil, afirmando que contrato de prestação de serviços e ontrato de corretagem são espécies distintas. Cita doutrina que entende corroborar seu entendimento. Alega que houve equívoco na identificação do sujeito passivo, pois resta amplamente demonstrado no presente procedimento administrativo, a partir de toda a documentação fornecida pela Impugnante que de fato o pagamento das comissões de venda foi realizado diretamente pelo comprador do imóvel, não tendo a Impugnante qualquer relação sobre esse fato. Entende que a exigência tributária não pode subsistir em face da Impugnante, já que a relação de prestação de serviços não ocorre entre Impugnante (tomador) e o corretor autônomo (prestador), mas sim entre o adquirente do imóvel (tomador) e o corretor autônomo (prestador). Alega que não há incidência de contribuições sobre “Ganhos Eventuais”, entendendo que os pagamentos aos corretores autônomos deramse de forma eventual, sem habitualidade. Cita o item 7 da letra “e” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Discorre sobre o tema, citando doutrina e decisões que entende reafirmar seu entendimento. Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.798 16 Arbitramento – afirma que a fiscalização equivocouse com relação a cobrança da contribuição que deveria ter sido retida dos segurados, por não levar em consideração o teto do salário decontribuição, violando o disposto no art. 21 c/c/ art. 28, inc.III e § 5º da Lei 8.212/91. Requer: a) Preliminarmente: seja reconhecida a improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária para os seguintes sócios, administradores e Pessoas Jurídicas a seguir indicadas: M. GARZON EUGÊNIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., POLIS DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA., FERFRATT MARKETING ESTRATÉGICO EMPRESARIAL S/C LTDA., EUGÊNIO PARTICIPAÇÕES LTDA., ARNALDO F RATTI NI e MAURÍCIO EUGÊNIO; cumulativamente pede seja reconhecida a inexistência de dolo, fraude ou simulação nas operações realizadas pela impugnante, afastandose, por consequência, a cobrança de multa de ofício majorada e reconhecendose a decadência parcial das contribuições referentes às competências 01/2008 a 06/2008; também cumulativamente, pede seja reconhecida a improcedência parcial dos débitos lançados a título de contribuição previdenciária dos segurados, em razão da desmotivada inobservância do teto do saláriodecontribuição, e; por fim, impõese o reconhecimento da nulidade formal das autuações lavradas, em decorrência da insuficiência na descrição dos fatos geradores. b) No mérito requer seja conhecida a presente Impugnação, devendo ser a mesma julgada procedente, para acolher os fundamentos desenvolvidos, a fim de declarar totalmente insubsistentes os Autos de Infração n. 37.342.0439 e 37.342.0447 DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA EMPRESA M. GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. A empresa apresentou impugnação tempestiva às fls. 1.557 a 1.576, com as seguintes alegações, em síntese: Alega que o fato de a M Garzon integrar o quadro societário da M Garzon Eugênio e compartilharem o mesmo endereço, por si só, não configura que haja grupo econômico, pois para essa configuração há de se ter presente a figura de um controlador, que em nenhum momento é indicado pela fiscalização. Transferência de empregados é possível não apenas quando há grupo econômico. Afirma que o art. 2º, § 2º da CLT citado pela fiscalização teve seu alcance e interpretação restringidos, pois o artigo citado está a dizer que há responsabilidade solidária do Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.799 17 mesmo grupo para fins de relação de emprego, mas não que transferência de empregados de uma empresa só pode ser feita entre grupo econômico. O fato de haver transferência de empregados da M Garzon Eugênio para a MGE também não é suficiente para configurar formação de grupo econômico. Afirma que a fiscalização baralha conceitos e não consegue dizer se está diante de um Grupo Econômico ou de uma Dissolução Irregular de Sociedade que responsabilizaria pessoalmente o sócio gerente ou administrador por força do art. 135. Cita jurisprudência. A responsabilidade dos sócios, na forma do art. 135 do CTN, só pode ocorrer na hipótese em que eles tiverem agido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato e estatuto, atos que devem ser provados pelo Fisco por meio de procedimento administrativo próprio, que garanta o contraditório e ampla defesa. Alega que a solidariedade passiva do art. 124 do CTN pressupõe a multiplicidade de sujeitos coobrigados pela dívida, não mais na condição de responsável, mas na de sujeito passivo ao lado do contribuinte, ou no seu lugar. Afirma que os incisos I e II do art. 124 são complementares, de forma que o inciso I que diz respeito à solidariedade por interesse comum não está separado do inciso II, que prevê necessidade de lei para que possa ser aplicada a solidariedade. Não é o simples fato de ser sócio de uma empresa – interesse econômico – que possibilita a invocação do art. 124 do CTN sob o argumento de interesse comum. Cita doutrina e jurisprudência. Discorre a respeito do direito das empresas se constituírem, dissolverem, serem liquidadas, transformadas, incorporadas, fundidas e cindidas, citando os art.s 1.033 a 1.091, 1.102 a 1.122 do Código Civil. Cita ainda os arts. 132 e 133 do CTN, concluindo que o CTN prevê a responsabilização tributária para todo o produto, todo tipo de empresa, que derivar de transação feita entre sociedades, inclusive dissolução irregular, não sendo dado à Fazenda criar novos modelos de responsabilidade. Requer sua exclusão do rol de sujeitos passivos solidários dos autos referenciados, por: não ter sido demonstrado que há formação de grupo econômico e interesse comum na situação do fato gerador aptos a atrair a incidência da responsabilidade solidária dos arts. 124 do CTN e 30, IX da Lei 8.212/91; não incidir a responsabilidade por ato ilícito do art. 135 do CTN, vez que o artigo se destina tão somente a pessoa física, mas ainda que se destinasse a pessoa jurídica, não houve indicação de qual ato teria sido praticado com excesso de poderes ou contrário à lei, contrato ou estatuo; por nulidade do relatório fiscal ante a falta de devida fundamentação que justifique a responsabilização de terceiros. Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.800 18 DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELO SÓCIO MARCOS FABRÍCIO MORAES GARZON O sócio Marcos Fabrício Moraes Garzon apresenta impugnação tempestiva, às fls. 1.578 a 1.599, com as seguintes alegações em síntese: Não é o simples fato de ser sócio de uma empresa – interesse econômico que possibilita a invocação do art. 124 do CTN sob o argumento de que há interesse comum, que deve ser jurídico. O impugnante tem interesse econômico, mas em nenhum momento se configura seu interesse jurídico. Então o art. 124 não pode ser invocado contra o sócio sem a prova cabal de que ele tem interesse comum. Não está citado no relatório fiscal qual a lei que expressamente autoriza o sócio de ser responsabilizado solidariamente pelo pagamento do tributo. A possibilidade de o sócio gerente ou administrador ser responsabilizado pelo pagamento de tributo da empresa ocorre somente na forma do art. 135 do CTN, e não se trata de responsabilidade solidária, mas sim de responsabilidade pessoal por ato ilícito. A responsabilidade dos sócios, na forma do art. 135 do CTN, só pode ocorrer na hipótese em que eles tiverem agido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato e estatuto, atos que devem ser provados pelo Fisco por meio de procedimento administrativo próprio, que garanta o contraditório e ampla defesa. Repete os demais argumentos da impugnação apresentada empresa M. GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Requer sua exclusão do rol de sujeitos passivos solidários dos autos referenciados, por: ilegalidade no relatório fiscal que não indicou de forma fundamentada a conduta ilícita do sócio que ensejasse a aplicação do art. 135 do CTN – responsabilidade por ato ilícito; não ter aberto procedimento administrativo específico para que o sócio pudesse se defender das acusações de ato ilícito, o que configura violação ao art. 5º, LV da Constituição Federal; não existir solidariedade passiva por inadimplemento de obrigações tributárias principais nem acessórias; e não estar configurada a dissolução, nem regular nem irregular, da M Garzon Eugênio. DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ 08.613.550/000198: A empresa BROKERS PARTICIPAÇÕES S.A. apresentou impugnação tempestiva, às fls. 1.183/1.215, com as seguintes alegações, em síntese: Afirma que nunca integrou grupo econômico da Empresa Autuda, posto que jamais deteve, direta ou indiretamente, Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.801 19 qualquer participação societária na Empresa Autuada. Discorre a respeito de “grupo econômico” e “responsabilidade solidária”, afirmando que nunca deteve participação societária na empresa autuada, sendo que passou a deter 60% do capital social da MGE, e que os 40% restantes são detidos por pessoas naturais que detinham, indiretamente, participação na empresa autuada. Os sócios naturais participam da Empresa Autuada por intermédio das empresas POLIS DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA. e M. GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., detendo, direta e indiretamente participações societárias nessas empresas. Não se pode concluir que a Brasil Brokers, que só passou a participar da MGE em janeiro de 2012, faz parte de grupo econômico da empresa autuada, mormente para responsabilizá la por débitos tributários cujos fatos geradores ocorreram de janeiro de 2008 a dezembro de 2008. Cita decisões judiciais e a Súmula 7/STJ, entendendo que a posição do STJ não deixa margem para qualquer dúvida: a principal característica de um grupo econômico é estarem diversas empresas sob o comando de uma única direção. No presente caso, a empresa autuada jamais esteve sob o comando da impugnante, como esta sequer detém ou deteve qualquer participação societária no capital daquela. Mesmo que pudesse ser responsabilizada, é certo que em relação as contribuições exigidas sobre os supostos pagamentos de comissões de vendas a corretores o lançamento deve ser cancelado, pois nunca efetivou qualquer pagamento de comissão a corretor, não tendo ocorrido o fato gerador da obrigação tributária; O pagamento das comissões aos corretores é uma ilação da autoridade fiscal construída a partir de premissas não fundamentadas de que uma empresa que realiza intermediação imobiliária de imóveis toma o serviço de todos os corretores autônomos envolvidos em uma operação de venda. A fiscalização constatou que o pagamento da comissão é feito pelo adquirente da unidade ao corretor, mas pretende desconsiderar esse fato, e exigir tributos sobre um fato que reconhece que não ocorreu, este consistente no pagamento da remuneração pela empresa autuada, mas que se tivesse ocorrido teria gerado o nascimento da obrigação tributária. A impugnante afirma que o que a fiscalização chama de “procedimento fraudulento” é uma prática de mercado, adotada em todas as operações de intermediação imobiliária envolvendo dois ou mais corretores. Cita o art. 722 e 728 do Código Civil e enfatiza o caráter autônomo da atividade do corretor. A impugnante contesta o arbitramento das bases de cálculo das contribuições lançadas, reafirmando que o corretor recebe sua comissão diretamente do adquirente da unidade, citando o art. 148 do CTN. Afirma que a escrituração contábil não foi desqualificada e nem considerada inidônea, que efetivamente não registra pagamentos a corretores autônomos, porque a empresa autuada não efetuou tais pagamentos. Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.802 20 Ainda que alguma contribuição previdenciária devesse ter sido retida, é certo que tal retenção deveria ser feita observandose o limite do salário de contribuição e não sobre todo o valor; Cita o art. 28, III, combinando com o § 5º da Lei 8.212/91. Ainda que algum crédito possa vir a ser exigido, é certo que não é cabível a aplicação da multa prevista no art. 32, parágrafos 4º e 5º da Lei nº 8.212/91. A fiscalização aplicou a multa de 75% de forma retroativa em algumas competências, resultantes da comparação efetuada, no entanto não cabe imputar essa penalidade, que sequer é moratória, mas sim uma penalidade por descumprimento de obrigação acessória, de forma, que, se mantido algum débito, deve ser aplicada apenas a penalidade de 24%. Requer, por fim: sua imediata exclusão do auto de infração, por não haver qualquer hipótese de responsabilidade solidária com a empresa autuada; caso a Brasil Brokers não seja excluída do auto de infração, seja o lançamento cancelado, por não ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária; não havendo o cancelamento pelo reconhecimento da não ocorrência do fato gerador, seja cancelado porque na aferição da base de cálculo não foi respeitado o limite do salário de contribuição; e caso o auto não seja cancelado, seja determinada a redução a penalidade moratória para 24%. Os patronos da Impugnante informam que recebem intimações no escritório situado na Av. Presidente Wilson, 231, 27º andar, Centro, Rio de Janeiro, CEP 20030021. DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA MGE INTERMEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA LTDA., CNPJ 14.256.922/000179: A empresa MGE INTERMEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA LTDA. Apresentou impugnação tempestiva, às fls. 1.300/1.332, com as seguintes alegações, em síntese: Não é responsável solidária por débitos da empresa autuada, seja porque não integra grupo econômico da autuada, seja porque não é sua sucessora. Discorre a respeito de “grupo econômico” e “responsabilidade solidária”, afirmando que a MGE foi constituída no final de 2011, sendo que em janeiro de 2012 houve aquisição de 60% do capital social da MGE pela sociedade Brasil Brokers Participações S.A, e que com a aquisição a Brasil Brokers, que não participava da Empresa Autuada, passou a ser a controladora da MGE. Não se pode concluir que a MGE faz parte de grupo econômico da empresa autuada, mormente para responsabilizála por débitos Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.803 21 tributários cujos fatos geradores ocorreram de janeiro de 2008 a dezembro de 2008, período anterior à constituição da MGE. Os sócios naturais participam da Empresa Autuada por intermédio das empresas POLIS DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA. e M. GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., detendo, direta e indiretamente participações societárias nessas empresas. Poderseia afirmar que a MGE integra o grupo econômico da Brasil Brokers, porque é esta empresa que a controla, mas não o grupo econômico da empresa autuada. Verificase que a MGE jamais poderia ser responsável solidária por débitos da empresa autuada, por não se enquadrar em nenhuma hipótese legal de responsabilidade tributária, e muito menos nas hipóteses relacionadas pela fiscalização. Cita os arts. 123, 134 e 135 do CTN, afirmando que: em relação ao art. 124 do CTN a MGE não teve qualquer interesse na situação que constitui o fato gerador e também não é uma pessoa expressamente designada pela lei em relação ao art. 135 do CTN, que deve ser interpretado em linha com o art. 134, verificase, também, que não existe qualquer possibilidade de extrair qualquer responsabilidade solidária da MGE, pois esse dispositivo determina a responsabilidade das pessoas mencionadas no art. 134; dos mandatários, prepostos e empregados; e dos diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica, e isso quando há infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos.Para invocar a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN seria necessário, primeiro, demonstrar a infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos, o que não ocorreu. Entretanto, mesmo admitindo que houve infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos, ainda assim nenhuma responsabilidade poderia ser imputada à MGE. A MGE não poderia ser responsabilizada pelo inciso II porque não é, e nunca foi, "mandatária, preposta ou empregada" da Empresa Autuada. Da mesma forma, também não caberia responsabilização pelo inciso III por não ser ou ter sido "diretor, gerente ou representante" da Empresa Autuada. Por fim restaria a responsabilidade por integrar o mesmo grupo econômico, mas, como visto acima, a MGE não faria parte do "grupo econômico" da Empresa Autuada nem no mais amplo conceito de "grupo econômico". Cita decisões judiciais e a Súmula 7/STJ, entendendo que a posição do STJ não deixa margem para qualquer dúvida: a principal característica de um grupo econômico é estarem diversas empresas sob o comando de uma única direção. No presente caso, a empresa autuada jamais esteve sob o comando da impugnante, como esta sequer detém ou deteve qualquer participação societária no capital daquela. Apenas a título argumentativo, porque a autoridade fiscal não invocou esse dispositivo para fundamentar a autuação, e porque, se tivesse invocada a responsabilidade seria subsidiária e não solidária, cumpre mencionar que no caso em tela também não se Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.804 22 aplicam as disposições do art. 133, que tratam da responsabilidade do adquirente por fundo de comércio ou estabelecimento industrial. Ainda que o fiscal autuante tenha sugerido que a MGE foi criada para ser a sucessora da Empresa Autuada o fato é que a Empresa Autuada continua existindo, e não houve, por parte MGE, qualquer aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento da empresa autuada, de forma que não se aplicam as disposições do art. 133. É pacífico na doutrina e na jurisprudência que o simples fato de uma nova empresa operar na mesma localidade de uma outra empresa não torna a segunda sucessora da primeira. Repete as demais argumentações da impugnação apresentada pela empresa BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S.A. Requer, por fim: sua imediata exclusão do auto de infração, por não haver qualquer hipótese de responsabilidade solidária com a empresa autuada; caso a MGE não seja excluída do auto de infração, seja o lançamento cancelado, por não ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária; não havendo o cancelamento pelo reconhecimento da não ocorrência do fato gerador, seja cancelado porque na aferição da base de cálculo não foi respeitado o limite do salário de contribuição; e caso o auto não seja cancelado, seja determinada a redução a penalidade moratória para 24%. Os patronos da Impugnante informam que recebem intimações no escritório situado na Av. Presidente Wilson, 231, 27º andar, Centro, Rio de Janeiro, CEP 20030021. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AIOP DEBCAD nº 37.342.0439 (PATRONAL) 37.342.0447 (SEGURADOS) CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.805 23 São devidas pela empresa e equiparadas as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais que lhes prestem serviços. DESCONTO DA CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pelo que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei, nos termos do parágrafo 5º do art. 33 da Lei 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação solicitada, a Receita Federal do Brasil pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Para fixação do prazo decadencial, ocorrendo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação devese aplicar o disposto no inciso I, do art. 173 do CTN. SOLIDARIEDADE.GRUPO ECONÔMICO. A caracterização do Grupo Econômico de Fato gera a solidariedade passiva previdenciária para as empresas que o integra. (Art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991). GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle X subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS/ADMINISTRADORES São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, conforme preceitua o art. 135 do Código Tributário Nacional. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de notificação decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal não definitivamente julgada, Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.806 24 aplicase a lei superveniente, na ocorrência do pagamento, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PUBLICAÇÕES E COMUNICAÇÕES ENDEREÇADAS AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais ou eletrônico autorizado. Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Cientificada em 14/03/2014 (Fls. 1644), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/04/2014, como se verifica às fls. 1647 a 1680, reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Pelo que se verifica nos autos (Fls. 1695 a 1703) os devedores solidários: ARNALDO FRATTINI, BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S/A, EUGÊNIO PARTICIPAÇÕES LTDA, FERFRATT MARKETING ESTRATÉGICO EMPRESARIAL S/C LTDA, MARCOS FABRÍCIO MORAES GARZON, MAURÍCIO EUGÊNIO, M GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, MGE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA e POLIS DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA, foram regularmente intimados. Em 30/04/2015 (fls. 1706) a empresa MGE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIOS LTDA, interpôs Recurso Voluntário (fls.1735 a 1760), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Em 30/04/2015 (fls. 1731 a 1756) a empresa BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S.A, interpôs Recurso Voluntário (fls.1735 a 1760), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Não constam nos autos a interposição de Recurso Voluntário dos devedores solidários: ARNALDO FRATTINI, EUGÊNIO PARTICIPAÇÕES LTDA, FERFRATT MARKETING ESTRATÉGICO EMPRESARIAL S/C LTDA, MARCOS FABRÍCIO MORAES GARZON, MAURÍCIO EUGÊNIO, M GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA e POLIS DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.807 25 Nulidade da decisão de recorrida Postula o sujeito passivo o reconhecimento da nulidade da decisão de primeira instância, em razão de nos Autos de Infração não pormenorizar a relação descrevendo precisamente o fato que encetou a incidência dos débitos de contribuições sociais. Afirma que ao lançar as contribuições previdenciárias incidentes sobre valores supostamente pagos a contribuintes individuais, a Fiscalização não observou que estava lançando tributo incidente sobre pagamentos realizados, por exemplo, a Pessoas Jurídicas, entidades não abrangidas pelo manto da proteção previdenciária e, portanto, não inseridas dentro do conceito de segurados. Informa que não há no relatório fiscal uma linha sequer que descaracterize a natureza da Personalidade Jurídica "Butterfly". Para que houvesse o lançamento das contribuições previdenciárias sobre esses valores, caberia à Fiscalização demonstrar os indícios que a levaram a desconsiderar sua personalidade jurídica, o que, definitivamente, não foi feito no presente caso. Alude que, no presente caso, deveria o Auditor Fiscal ter aferido a relação em si, demonstrando, inequivocamente, que o pagamento realizado à empresa "Butterfly", na verdade, decorre da simulação de relação de prestação de serviços havida entre Pessoa Jurídica (Recorrente) e Pessoa Física (segurado contribuinte individual), de forma a permitir à Recorrente, ante o inconformismo, contraditar a descaracterização, provando a inexistência do fato declarado. O ato administrativo cerceia as franquias constitucionais e legais do contraditório e da ampla defesa asseguradas à Recorrente, pois sem conhecer a imputação, não dispõe de meios para promover a contestação. A nulidade por falta de enfrentamento de todos os argumentos veiculados na defesa é tese que não tem merecido acolhimento nessa Turma de Julgamento. É que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou apreciar, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. Nesse sentido: “O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.808 26 das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: ´Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento.´(AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados" (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Portanto, descabe a alegação de nulidade pelo fato do órgão recorrido supostamente não ter enfrentado todas as alegações apresentadas pelo sujeito passivo na sua defesa. A recorrente alega ainda a nulidade decorrente da ausência de descrição dos fatos imponíveis, por infringir o disposto no art. 10, inc. III, c/c art. 59, inc. II, ambos do Decreto nº 70.235/72, afirmando que a fiscalização deixou de descrever o fato que encetou a incidência de contribuições previdenciárias sobre valores supostamente pagos a contribuintes individuais, não observando que estava lançando tributo sobre pagamentos, por exemplo, a Pessoas Jurídicas. Não demonstrou os indícios que a levaram a desconsiderar a personalidade jurídica da empresa “Butterfly”. Neste ponto, comungo com o voto da 5ª Turma da DRJ/BSB no acórdão 03 59.066, (Fls.1637): "Não houve descaracterização da personalidade jurídica. Os pagamentos considerados pela fiscalização estão contabilizados na conta 4201010036 – SERVIÇOS TERCEIROS PESSOA FÍSICA. Os fatos estão descritos pormenorizadamente no Relatório Fiscal, com a fundamentação legal de todos os procedimentos efetuados pela fiscalização. A planilha 02, às fls. 969/977, traz a descrição dos valores pagos a pessoa física, conforme a própria empresa informou contabilizando esses valores na conta 4201010036 – SERVIÇOS TERCEIROS PESSOA FÍSICA. Os valores lançados na referida conta é que foram considerados pela fiscalização como pagamentos a pessoa física." Rejeito, portanto, as preliminares de nulidade. Dos fatos geradores relativos aos corretores/consultores imobiliários De acordo com o fisco, a autuada era contratada por construtoras/incorporadoras para efetuar as vendas de imóveis, geralmente na planta, e se utilizava de corretores para concretizar as operações de venda com os clientes. Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.809 27 A prestação de serviço na venda das unidades imobiliárias foi considerada pelo fisco fato gerador de contribuições previdenciárias, pressupondose que os corretores prestavam serviço à imobiliária autuada e eram remunerados mediante pagamento de comissões. A empresa, para se livrar tributação, advoga que o serviço prestado pelos corretores tinha como destinatários os compradores dos imóveis, que eram responsáveis pelo pagamento das comissões diretamente aos profissionais, inexistindo, portanto, vínculo entre a imobiliária e os corretores. No intuito de esclarecer essa questão, o fisco diligenciou junto às empresas construtoras/incorporadoras e clientes que transacionaram com a autuada e obteve a informação de que os corretores atuavam em nome da imobiliária, conforme se extrai de excerto do relatório fiscal: “34. Nesse sentido, em 11/04/2011, a empresa M Garzon Eugênio informou, em resposta à intimação do fisco, "que não possui contratos de prestação de serviços firmados com construtoras/incorporadoras, haja vista que são realizados de forma verbal" (anexo 01, fls, 11). 35. Diante dessa resposta, a auditoria fiscal julgou provedente checar referida informação por meio de diligências junto às construtoras/incorporadoras responsáveis pelos empreendimentos comercializados pela M Garzon Eugênio, obtendo das empresas contratantes, contrariamente às afirmações acima, contratos assinados com essa imobiliária. ... (...) "38.Segundo as diligências realizadas, a auditoria fiscal apurou que a situação de fato, mais uma vez, não corresponde com as alegações da Empresa, pois da análise por amostragem, dos adquirentes de imóveis diligenciados todos afirmaram que o imóvel foi adquirido por intermédio da Imobiliária M Garzon Eugênio; o corretor, autor da venda, não foi contratado por ele (comprador); o corretor apresentouse como representante da imobiliária M Garzon Eugênio, inclusicve usando cracha da empresa com sua identificação pessoal.”. Diante desses dados, concluiu o fisco: “63. Ainda, como se não bastasse, os compradores de imóveis diligenciados pela auditoria fiscal, conforme consta dos respectivos Termos de Atendimento à Intimação, responderam que o corretor responsável pela venda do imóvel identificouse como representante da M Garzon Eugênio e que eles (adquirentes) não contrataram os serviços desses profissionais, ou seja, os corretores encontravamse nos stands de vendas instalados nos locais do empreendimento à disposição dos interessados. Os esclarecimentos prestados pelos compradores estão registrados no Termo de Atendimento à Intimação. (Anexo 11, fls. 7, 8, 44, 45, 68, 69, 98 e 99) Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.810 28 64. Outro documento de prova cabal do vínculo de prestação de serviço entre o corretor e a M Garzon Eugênio tratase do documento "Proposta de Compra Com Recibo de Sinal. 65. Referido documento inicia o processo de venda no âmbito da Empresa, identificando o proponente, o imóvel objeto da proposta, as condições de pagamento, o recibo de pagamento do sinal e outras condições inerentes ao contrato de promessa de compra e venda a ser firmado entre as partes, sendo que os signatários desse documento são o "proponente comprador" e o "corretor" que age em nome da M Garzon Eugênio na operação imobiliária. Os Anexos 11 e 11A trazem cópias das "Propostas de Compra Com Recibo de Sinal" referentes às operações imobiliárias efetivadas com os compradores diligenciados. Observese que os formulários utilizados na operação (Proposta de Compra e Recibo), emitidos pelo corretor responsável pela venda, contém a logomarca da Empresa da M Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda, empresa detentora de 50% (cinqüenta por cento) do capital da empresa fiscalizada. (Anexo 11, fls. 13, 21, 72 e Anexo 11 A, fls. 7) 66. Diante de todos esses fatos, respaldados em documentos que integram o presente Relatório, não há como negar o vínculo de prestação de serviço existente entre os corretores de imóveis que compõem as equipes de vendas e a M Garzon Eugênio, lembrando que a principal atividade que constitui o objeto social dessa Empresa é a prestação de serviços de intermediação imobiliária e como tal a Empresa não tem como se prescindir de uma equipe de corretores que leve adiante a sua atividade principal, ou seja, a venda de imóveis.”. Coletadas essas informações nos autos, já é possível expor o meu entendimento sobre a celeuma. Para mim, o principal argumento utilizado pela recorrente, de que os serviços eram destinados unicamente aos clientes, é a repetição de uma estratégia utilizada no afã de se livrar do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os serviços que lhes foram prestados pelos corretores. Não há como esconder que as construtoras/incorporadoras efetuavam contrato com a imobiliária para venda dos imóveis e esta o fazia mediante o trabalho de captação de clientes realizado pelos corretores. Sendo que estes atuavam como representantes da autuada, conforme demonstrado nos autos. As informações coletadas em sede de diligências fiscais realizadas juntos às construtoras/incorporadoras e aos clientes não deixam dúvida de que o pagamento da comissão efetuado pelos clientes diretamente aos corretores representava apenas uma forma de tentar esconder do fisco a ocorrência do fato gerador. Consigo fazer uma analogia deste caso com os representantes comerciais autônomos que vendem produtos para determinada empresa mediante o pagamento de comissão. Pergunto: se a comissão for paga aos representantes diretamente pelo comprador, Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.811 29 esse fato afastará o vínculo de prestação de serviço entre este e a empresa que representa? É evidente que não. Foge à razoabilidade o argumento de que era a corretora que captava os clientes e os direcionava para corretores com os quais não mantinham qualquer vínculo. Não consigo enxergar que transações imobiliárias possam ser efetuadas mediante pessoas que sequer tinham contrato escrito com a imobiliária. Também não se sustenta a afirmação de que uma empresa imobiliária possa manterse no mercado sem o concurso de corretores, profissionais cuja participação na intermediação de compra, venda, permuta e locação de imóveis é obrigatória, conforme previsto na Lei n. 6.530/1978 e no Decreto n. 81.871/1978. Assim, resta claro que o fato gerador da contribuição previdenciária, consistente na prestação de serviço remunerado por pessoa física sem vínculo de emprego, configurouse, posto que fartamente demonstrado que os corretores prestaram à autuada o serviço de intermediação na venda de imóveis mediante o pagamento de comissão. O artifício de firmar com os compradores dos imóveis acerto para pagamento das comissões diretamente aos corretores não tem o condão de afastar a responsabilidade da autuada, nos termos do art. 123 do CTN, segundo o qual, as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública para afastar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária. Embora o pagamento tenha sido efetuado pelo comprador, a prestação de serviço de intermediação na venda dos imóveis foi feita no interesse da imobiliária, posto que essa é a sua principal atividade. Sem esquecer que os profissionais atuaram em nome da empresa recorrente. A jurisprudência colacionada pela recorrente diz respeito à impossibilidade de caracterização de corretores como empregados da imobiliária. Ocorre que no presente lançamento não houve a caracterização de vínculo empregatício, posto que os corretores foram tratados como trabalhadores autônomos. Assim, as decisões invocadas tratam de tema diverso daquele presente no processo sob julgamento. Já que falei em jurisprudência, devo trazer a colação precedente apresentado pelo Conselheiro Elias Freire, que com muita propriedade trouxe à baila entendimento sumulado do STJ em situação similar a que é posta à apreciação: Súmula n. 458: A contribuição previdenciária incide sobre a comissão paga ao corretor de seguros. Esse entendimento consagra a tese defendida no julgamento do AgRg no Ag 1186813 (2009/00863509 02/02/2010), no qual o relator Ministro Benedito Gonçalves assim argumentou: "De fato, muito embora a pessoa física também seja beneficiada pela atuação do corretor, não há como negar a prestação de efetivos serviços à seguradora, uma vez que o preenchimento de propostas/formulários, a realização de simulações, o cálculo dos prêmios, entre outras atividades, seguem critérios estabelecidos exclusivamente pelas companhias. Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.812 30 A propósito, é notório que os corretores participam de treinamentos institucionais promovidos pelas empresas, com vistas a incrementar argumentos de vendas e a atrair o maior número de consumidores para o mercado. Recebem, inclusive, premiações pelos resultados positivos de seu trabalho. Logo, não há como deixar de reconhecer que as seguradoras utilizam a prestação de serviço (intermediação) dos corretores, e dela diretamente se beneficiam, para conseguirem os seus objetivos sociais. As regras de experiência afastam o argumento das seguradoras de que os corretores atuam por conta e ordem dos segurados. Antes, ao contrário: os segurados não possuem qualquer controle ou ingerência sobre a retribuição devida aos corretores de seguros. Apenas lhes é informado o montante do prêmio a ser pago pelo eventual negócio jurídico a ser celebrado.” Esse entendimento nos deixa, sem dúvida, mais confortáveis para encaminhar pela procedência desse levantamento. Aferição indireta da base de cálculo Passo agora a análise da alegação relativa ao descabimento da aplicação do método aferição indireta para obtenção de bases de cálculo utilizadas na presente apuração. O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que fisco solicitou a documentação relativa aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais, não tendo a empresa disponibilizado todos os elementos. Ora, o mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados à autuada serviços de intermediação na venda de imóveis, serviços administrativos, contábeis e Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.813 31 jurídicos e outros registrados na contabilidade, sem que a empresa apresentasse os documentos e esclarecimentos necessários à quantificação do saláriodecontribuição. Assim, não teve o fisco como verificar diretamente o montante desses pagamentos, estando diante da impossibilidade de concluir o seu trabalho apenas com esteio nos elementos apresentados. Tal fato passou a ser um obstáculo intransponível para que se possa aferir diretamente a partir dos documentos apresentados a remuneração paga para execução da obra em questão. Entendo, portanto, que na espécie estão presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da remuneração paga pela prestação dos serviços, haja vista que a empresa descumpriu com seu dever de colaboração para com a auditoria fiscal, deixando de apresentar documentos essenciais à quantificação da matéria tributável. Vejo, então, que a auditoria fiscal não se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, as quais foram oportunamente mencionadas tanto no relatório do AI, quanto no anexo Fundamentos Legais do Débito. Observo ainda que os critérios utilizados para fixação da base de cálculo não fogem ao razoável. Vejamos. Para a remuneração dos corretores foi tomado o valor das comissões informados pela recorrente na DIMOB, posto que é praxe que a comissão paga pelas transações imobiliárias sejam distribuídas metade para a imobiliária e metade para o corretor, conforme Tabela de Honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8.ª Região (CRECI/DF). Verificase que a empresa embora demonstre inconformismo quanto às bases de cálculo adotadas não se utilizou da prerrogativa de fazer prova em contrário, preferindo utilizar a estratégia de negar a ocorrência dos fatos geradores. Portanto, entendo que os parâmetros adotados para a definição do saláriode contribuição encontramse em consonância com as normas de regência, não se mostrando dezarrazoados. Das multas aplicadas Com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.814 32 Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Foi esse o procedimento adotado pelo fisco que comparou a soma das multas aplicadas pela sistemática anterior (24% da contribuição devida + 100% da contribuição não declarada, limitada ao teto) com o procedimento atual (75% da contribuição devida). Do comparativo efetuado, fl. 98, concluise que apenas nas competências 09 e 11/2008 a sistemática de cálculo atual é mais benéfica ao sujeito passivo. Ao contrário do que afirmou a recorrente o fisco observou na definição do teto previsto no § 4. do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 a faixa de 6 a 15 segurados, de modo que a multa do AIOA calculada conforme o § 5. do mesmo artigo ficou limitada a R$ 1.524,43 (valor mínimo previsto na Portaria Interministerial MPS/MF n. 407, de 14/07/2011). Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.815 33 Também não se justifica o argumento de que a multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória relativa à GFIP deve ser calculada globalmente e não por competência. É que a entrega da guia informativa é mensal, considerandose ocorridas as infrações a cada competência em que ocorrem omissões ou incorreções. A consolidação da multa em um único AI tem razão de ser apenas na economia processual. Requer o sujeito passivo que a multa seja limitada a 20%, observandose a nova redação dada ao dispositivo em questão pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, que trouxe ao art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O referido art. 61 da Lei n. 9.430/1996 assim prescreve: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) Ocorre que a aplicação retroativa a que se refere dispositivo acima somente tem lugar quando se está diante de pagamento espontâneo, ou seja, não objeto de lançamento de ofício. Às situações em que houve o sujeito passivo deixou de declarar os fatos geradores e recolher as contribuições, levando o fisco a constituir o crédito tributário, a regra da novel legislação é o art. 44, I, da Lei n. 9.430/2006, conforme previsão do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzida pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2008: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.816 34 De se concluir que a multa foi aplicada em consonância com a legislação de regência não devendo ser retificada. Qualificação da multa Aplicando o permissivo do § 1. do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996 a multa foi imposta em 150% em razão da suposta existência de sonegação fiscal. O sujeito passivo questiona a qualificação da multa, sustentando que não incorreu na conduta apontada pelo fisco, uma vez que apresentou a documentação que possuía, além de que inexistiu a prestação de serviço pelos corretores, posto que a comissão foi paga pelos clientes, a quem o serviço dos profissionais foi direcionado. Vejamos os dispositivos que autorizam a qualificação da multa. O § 1. do art. 44 da Lei 9.430/1996 prevê a aplicação da multa de ofício em dobro na ocorrência dos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964, conforme se segue: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” Isto é quando presentes os casos de sonegação, fraude ou conluio, devese exasperar a multa ao patamar de 150%. Na situação sob enfoque, verificase que a motivação do fisco para aplicar a qualificadora foi a ocorrência de sonegação fiscal, a qual se encontra conceituada no art. 71 da Lei n. 4.502/1964, conforme a seguir: Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.817 35 “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” A nossa conclusão quando apreciamos a discussão acerca da ocorrência do fato gerador foi no sentido de que o sujeito passivo utilizouse do artifício de impor ao comprador dos imóveis o pagamento em separado da parcela correspondente à comissão do corretor, no intuito de impedir que o fisco viesse a tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador. A bem da verdade a hipótese de incidência se concretizou quando houve a prestação de serviço do corretor para imobiliária, todavia, utilizandose do ardil de impor ao cliente o pagamento em separado da parcela do corretor, a autuada buscava esconder de seus demonstrativos contábeis o pagamento da comissão sobre a qual incidiriam as contribuições previdenciárias. Assim, no meu entender resta comprovada a conduta estampada no art. 71 da Lei n. 4.502/1964, sendo justificada imposição de multa qualificada. DOS COOBRIGADOS Pelo que se verifica nos autos dos responsáveis solidários M Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ 02.850.273/000150), Polis Desenvolvimento Imobiliário Ltda (CNPJ 08.627.579/000129), Eugênio Participações Ltda (CNPJ 03.332.644/000175), Ferfratt Marketing Estratégico Empresarial S/C Ltda (CNPJ 04.126.668/000130), MGE Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ 14.256.922/000179), Brasil Brokers Participações S/A (CNPJ 08.613.550/000198) e Marcos Fabrício Moraes Garzon e Arnaldo Frattini, Maurício Eugênio, somente duas empresas apresentarão Recurso voluntário: Em 30/04/2015 (fls. 1706) a empresa MGE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIOS LTDA, interpôs Recurso Voluntário (fls.1735 a 1760), reforçando os argumentos contra a sua sujeição passiva solidária apresentados quando da impugnação. Em 30/04/2015 (fls. 1731 a 1756) a empresa BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S.A, interpôs Recurso Voluntário (fls.1735 a 1760), reforçando os argumentos contra a sua sujeição passiva solidária apresentados quando da impugnação. Neste ponto adoto na integra o voto da 5ª Turma da DRJ/BSB, abaixo transcrito, (fls.1632 a 1634): DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A Fiscalização demonstrou com bastante clareza a relação da autuada com as empresas: M GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., CNPJ 02.850.273/000150, POLIS Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.818 36 DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA., CNPJ 08.627.579/000129, EUGÊNIO PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 03.332.644/000175, FERFRATT MARTKETING ESTRATÉGICO EMPRESARIAL S/C LTDA., CNPJ 04.126.668/000130, MGE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., CNPJ 14.256.922/000179, BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 08.613.550/000198 e também com as seguintes pessoas físicas: MARCOS FABRÍCIO MORAES GARZON, CPF 031.943.28743, ARNALDO FRATTINI, CPF 285.031.04172 e MAURÍCIO EUGÊNIO, CPF 075.129.54859. Para caracterizar a responsabilidade solidária entre as pessoas físicas e jurídicas relacionadas acima, a fiscalização, além da análise dos documentos apresentados, efetuou diligência junto à MGE Intermediação Imobiliária LTDA., CNPJ 14.256.922/0001 79, descrevendo os motivos fáticos que levaram à conclusão sobre a existência de solidariedade no Relatório Fiscal, itens 129 a 170, apresentando ainda no item 171, letras “a” a “j” o resumo dos fatos que não deixaram dúvidas da existência da responsabilidade solidária das pessoas físicas e jurídicas relacionadas acima, conforme transcrito abaixo: “171. EM SÍNTESE, A AUDITORIA FISCAL, COM BASE NOS DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS APRESENTADOS AO FISCO, COMO TAMBÉM NAS INFORMAÇÕES CONSTANTES DOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL E DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APUROU OS SEGUINTES FATOS: A) ESTÁ CARACTERIZADA A DESATIVAÇÃO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL DAS EMPRESAS M GARZON EUGÊNIO E M GARZON EMPREENDIMENTOS E A CONSOLIDAÇÃO DA MGE COM A TRANSFERÊNCIA DA ESTRUTURA FÍSICA E OPERACIONAL, DOS EMPREGADOS, DA CARTEIRA IMOBILIÁRIA, DO modus operandi E DO ENDEREÇO DE FUNCIONAMENTO PERTENCENTES AS SUAS ANTECESSORAS. B) OS SÓCIOS E/OU ADMINISTRADORES MARCOS FABRÍCIO MORAES GARZON E ARNALDO FRATINI SÃO OS RESPONSÁVEIS PELOS NEGÓCIOS DA EMPRESA FISCALIZADA (M GARZON EUGÊNIO) E DA MGE NA CONDIÇÃO DE SÓCIOPRESIDENTE E SÓCIOVICE PRESIDENTE, RESPECTIVAMENTE, E JUNTAMENTE COM O SENHOR MAURÍCIO EUGÊNIO SÃO OS RESPONSÁVEIS PELA ADMINISTRAÇÃO DA M GARZON EUGÊNIO, COM OUTORGA NOS ATOS CONSTITUTIVOS DESTA SOCIEDADE PARA GERIR, ADMINISTRAR E DIRIGIR TODOS OS NEGÓCIOS SOCIAIS. OBSERVESE QUE TAMBÉM SÃO OS RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO DAS EMPRESAS M GARZON EMPREENDIMENTOS, POLIS DESENVOLVIMENTO, EUGÊNIO PARTICIPAÇÕES E FERFRATT, SEJA NA CONDIÇÃO DE SÓCIO ADMINISTRADOR, SEJA NA DE ADMINISTRADOR NÃO SÓCIO, E OS ATOS POR ELES Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.819 37 PRATICADOS NESSAS SOCIEDADES SÃO DO CONHECIMENTO DOS DEMAIS INTEGRANTES DO QUADRO SOCIETÁRIO DESSAS EMPRESAS. C) NO CURSO DA FISCALIZAÇÃO DAS EMPRESAS M GARZON EUGÊNIO E M GARZON EMPREENDIMENTOS, OS RESPECTIVOS SÓCIOS/ADMINISTRADORES PLANEJARAM E EFETIVARAM A TRANSFERÊNCIA DOS ATIVOS DAS REFERIDAS EMPRESAS (MÓVEIS, UTENSÍLIOS, EQUIPAMENTOS, ENTRE OUROS) COMO TAMBÉM DOS EMPREGADOS E DA CARTEIRA IMOBILIÁRIA PARA A NOVA EMPRESA (MGE) CONSTITUÍDA EM 10/09/2012 COM O MESMO OBJETO SOCIAL. A MGE É INTEGRADA, ENTRE OUTROS, PELOS MESMOS SÓCIOS E/OU ADMINISTRADORES JÁ IDENTIFICADOS E TAMBÉM PELA BRASIL BROKERS QUE DETÉM 60% DO CAPITAL SOCIAL. ESSA ESTRATÉGIA EVIDENCIA UMA FORMA IRREGULAR DE DISSOLVER, PAULATINAMENTE, TAIS SOCIEDADES, E ESTE PROCEDIMENTO SOMENTE SE MANIFESTOU APÓS O INÍCIO DAS RESPECTIVAS AÇÕES FISCAIS. D) O TERMO DE DOAÇÃO DE ATIVOS FIRMADO ENTRE AS PARTES ABRANGEU TANTO OS SÓCIOS E/OU ADMINISTRADORES DAS EMPRESAS ANTECESSORAS (M GARZON EUGÊNIO E M GARZON EMPREENDIMENTOS) COMO TAMBÉM TERCEIROS NÃO INTEGRANTES DESSAS DUAS EMPRESAS (CARLOS AUGUSTO D'ELIA VALLADÃO FLORES E ODEMIR APARECIDO PUTINI), MAS PARTICIPANTES DO QUADRO SOCIETÁRIO DA EUGÊNIO PARTICIPAÇÕES, QUE É SÓCIA DA POLIS DESENVOLVIMENTO, QUE POR SUA VEZ É SÓCIA DA M GARZON EUGÊNIO, EMPRESA SOB FISCALIZAÇÃO. E) A DOAÇÃO DE ATIVOS SEM QUE HAJA O PAGAMENTO CORRESPONDENTE POR PARTE DOS CESSIONÁRIOS É UM PROCEDIMENTO ATÍPICO NA ATIVIDADE EMPRESARIAL QUE TEM POR OBJETIVO O "LUCRO". F) A MOVIMENTAÇÃO DE EMPREGADOS ENTRE AS EMPRESAS ANTECESSORAS (M GARZON EUGÊNIO E M GARZON EMPREENDIMENTOS) E A MGE, SEM A CORRESPONDENTE RESCISÃO CONTRATUAL, CONFORME OCORREU NO PRESENTE CASO, É PERMITIDA APENAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA OU EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. G) NÃO HOUVE, ATÉ A PRESENTE DATA, A LIQUIDAÇÃO FORMAL DAS EMPRESAS ANTECESSORAS, CONFORME DETERMINA A LEGISLAÇÃO VIGENTE, O QUE EVIDENCIA UMA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DE SOCIEDADE. H) A FORMA ADOTADA PELOS SÓCIOS/ADMINISTRADORES PARA DISSOLVER REFERIDAS SOCIEDADES CARACTERIZA PROCEDIMENTO CONTRÁRIO À LEI, EVIDENCIANDO, ENTRE OUTRAS, A Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.820 38 REDUÇÃO PROGRESSIVA DA SUA CAPACIDADE DE PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DEVIDOS. I) IGUALMENTE, CARACTERIZA PROCEDIMENTO CONTRÁRIO À LEI (EM TESE CRIME DE SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS), AQUELE ADOTADO PELOS ADMINISTRADORES DA M GARZON EUGÊNIO DE NÃO INCLUIR NAS FOLHAS DE PAGAMENTO, NAS GFIP E NA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RELATIVOS À REMUNERAÇÃO PAGA AOS CORRETORES DE IMÓVEIS. E TAMBÉM DE NÃO INCLUIR EM FOLHA DE PAGAMENTO E EM GFIP AS REMUNERAÇÕES PAGAS AOS DEMAIS TRABALHADORES AUTÔNOMOS QUE LHE PRESTARAM SERVIÇOS NO PERÍODO FISCALIZADO. J) TAMBÉM CARACTERIZA PROCEDIMENTO CONTRÁRIO À LEI O FATO DA EMPRESA NÃO DESCONTAR DA REMUNERAÇÃO DOS CORRETORES DE IMÓVEIS E DOS DEMAIS TRABALHADORES AUTÔNOMOS A SEU SERVIÇO A CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA POR ESTES DEVIDAS E RECOLHÊLAS À PREVIDÊNCIA SOCIAL JUNTAMENTE COM AS CONTRIBUIÇÕES A SEU CARGO. E, AINDA, NÃO REGISTRAR NOS TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE DA EMPRESA AS QUANTIAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS OU AS DEVIDAS PELO EMPREGADOR, CONFORME APURADO PELA AUDITORIA FISCAL E AMPLAMENTE DESCRITO NO PRESENTE RELATÓRIO FISCAL.” Pelos elementos fáticos carreados e a prova documental juntada pela fiscalização ao presente processo restou indubitável que há uma estreita ligação de interesses entre as impugnantes. O Relatório Fiscal, nos itens já mencionados traz a necessária análise da questão e o correto enquadramento jurídico dos fatos, com submissão à previsão abstrata da legislação, ou seja, à presente situação se aplica o disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº8.212/91, o qual dispõe que “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”. Nesse compasso, a abrangência da disposição “de qualquer natureza” do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 é bem mais ampla de que a prevista na Lei nº 6.404/76, não necessitando se revestir das modalidades jurídicas típicas do Direito Comercial e Econômico. Não se exige, sequer, a prova de sua formal institucionalização cartorial: podese acolher a existência do grupo desde que surjam evidências probatórias de que estão presentes os elementos de integração interempresarial. No Direito Empresarial, a definição de grupo econômico está contida nos artigos 265 e seguintes da Lei nº 6.404/76. Tal grupo resulta de convenção, ou contrato, constituído nos termos do art. 269, da citada Lei, sem que se constitua pessoa jurídica diversa das sociedades agrupadas, sendo que cada sociedade agrupada Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.821 39 conserva sua personalidade e legitimidade processual independente: Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º . A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. Conforme se depreende da análise do dispositivo legal acima transcrito, este alude aos grupos econômicos de direito, formalmente constituídos, por vontade dos sócios e/ou acionistas, para o fim a que se destinam. Observase, então, que o grupo de sociedade caracterizase pela reunião de várias empresas, cada uma com personalidade e patrimônio próprios, que se obrigam a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. O art. 2º, § 2º, da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), estatui que: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de que qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. E a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009, assim trata do tema: Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. É visível a similitude de redação entre o dispositivo inserto na CLT e o constante da Instrução Normativa mencionada, sendo viável que os conceitos doutrinários trabalhistas sejam utilizados na seara previdenciária. A respeito do assunto assim ensina DÉLIO MARANHÃO (in "Instituições de Direito do Trabalho." 14ª ed., LTr, 1993, 1º vol., p. 283): "O legislador não disse tudo quanto pretendia dizer. Mas a lei deve ser aplicada de acordo com os fins sociais a que se dirige. O parágrafo citado fala em 'empresa principal e empresas Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.822 40 subordinadas'. Para que se configure, entretanto, a hipótese nele prevista não é indispensável a existência de uma sociedade controladora (holding company). Vimos que a concentração econômica pode assumir os mais variados aspectos. E, desde que ao Juiz se depare esse fenômeno, o dever lhe impõe a aplicação daquele dispositivo legal. O controle sobre diferentes sociedades pode ser exercido por uma pessoa física, detentora da maioria de suas ações, e, em tal caso não há por que deixar de aplicarse o § 2º da Consolidação." “a solidariedade não se presume, pois resulta da lei ou da vontade das partes, mas a existência do grupo do qual, por força da lei decorre a solidariedade, provase, inclusive, por indícios e circunstâncias. Tal existência é um fato, que pode ser provado por todos os meios que o direito admite. Uma coisa é a lei presumir a existência de um fato (presunção juris tantum ou juris et de jure), o que dispensa a prova; outra é o interessado provar essa existência por presunção (hominis), que é um meio de prova (art. 136, V, do CC)". O professor Jorge Lobo assim define o denominado "grupo de sociedades"(in “Grupo de Sociedades” Rio de Janeiro, Forense, 1978): "o grupo de sociedades é uma técnica de gestão e de concentração de empresas, que faz nascer um interesse novo, externo e superior ao de cada uma das sociedades isoladas, o qual, muitas vezes, não coincide nem com o interesse perseguido pela sociedade dominante, nem com os propósitos das sociedades dominadas. As sociedades componentes do grupo, mantendo, cada uma, personalidade e patrimônio próprios e autônomos, ao invés de constituírem uma nova entidade econômicofinanceira, reúnemse sob uma direção única, para, somando esforços e valores de várias naturezas, alcançar objetivos comuns, o mais das vezes de difícil consecução pelas sociedades isoladas" De acordo com a legislação e doutrina mencionadas verificamos que, para se afirmar a existência de formação de grupo econômico de fato deve estar demonstrada a relação de domínio exercida sobre as empresas integrantes do aludido grupo. Além disso, tem de estar demonstrada a utilização de recursos ou esforços comuns para a realização dos objetivos empresariais das empresas do grupo (aproveitamento de materiais, de estrutura física, recursos humanos, sistemas de distribuição, vendas, etc). Neste caso, a fiscalização demonstrou os seguintes fatos: A nova empresa constituída MGE Intermediação Imobiliária Ltda. foi estabelecida no mesmo endereço no qual se encontram instaladas as empresas M.Garzon Eugênio (fiscalizada) e M. Garzon Empreendimentos (sócia da M.Garzon Eugênio). O contrato de locação do imóvel usado pela MGE é o mesmo exibido ao fisco pela M Garzon Eugênio, quando esta Empresa Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.823 41 também foi intimada a se pronunciar a respeito. Observouse que a pessoa jurídica locatária do referido imóvel não é a M Garzon Eugênio (empresa fiscalizada) e nem a MGE (empresa diligenciada), mas sim a empresa M Garzon Emprendimentos, que é sócia da M Garzon Eugênio com 50% da participação societária. Assim, as três empresas citadas estão instaladas no mesmo endereço comercial. A integralização do valor de aumento do capital social de R$ 1.000,00 para R$ 901.838,00 da nova empresa (MGE)), foi feito com bens móveis, conforme alteração contratual apresentada pela MGE na qual consta o rol dos bens móveis utilizados pelos sócios para integralização do capital (Anexo 13) e também dos instrumentos de cessão de ativos firmados entre os cessionários e as empresas cedentes, M. Garzon Empreendimentos Imobiliários Ltda, no valor de R$ 490.307,84 e a M. Garzon Eugênio Empreendimentos Imobiliários Ltda, no montante de R$ 411.530,16 (Anexo 13). A lista dos bens oferecidos evidencia tratarse de uma estrutura completa para o funcionamento da nova empresa (MGE), pois incluem móveis e utensílios de escritório em geral, bebedouros, tendas de vendas, refrigeradores, aparelhos de arcondicionado, aparelhagem telefônica, máquinas e equipamentos de som e imagem, centro de processamento de dados, enfim, toda a estrutura física necessária à continuidade do negócio empresarial, aliás, não houve sequer desarranjo da estrutura funcional anterior tendo em vista que a MGE, conforme dito acima, está instalada no mesmo endereço comercial das suas antecessoras (M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos). Na alteração contratual apresentada pela MGE arquivada na Junta Comercial do Distrito Federal em 16/01/2012, os sócios decidiram abrir três (3) filiais nas cidades de Campo Grande/MS, Cuiabá/MT e Goiânia/GO, no mesmo endereço no qual estavam instaladas as filiais da M Garzon Eugênio, sendo que em 04/02/2013, a M Garzon Eugênio resolveu, por meio da 6ª alteração contratual, extinguir os três estabelecimentos filiais da empresa nas localidades citadas, permanecendo em atividade no local apenas as filiais vinculadas à MGE. Outro fato apurado pela fiscalização diz respeito ao quadro de empregados da MGE, o qual foi constituído a partir da transferência dos empregados das empresas M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos, conforme registram as GFIPs das citadas empresas. Conforme documento apresentado ao fisco, referida transferência deuse mediante "Termo de Anuência de Transferência de Contrato de Trabalho" firmado com os respectivos empregados. Referida transferência foi efetivada, conforme consta das GFIP consultadas, com o código de movimentação N2, que traduz a "transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.824 42 sem que tenha havido a rescisão do contrato de trabalho". Essa modalidade de transferência utilizada pelas empresas acima, ou seja, sem que haja a rescisão dos respectivos contratos de trabalho, segundo a CLT, somente é possível em se tratando de movimentação entre estabelecimento da mesma empresa ou pertencendo as empresas envolvidas a um mesmo grupo econômico (art. 2º, § 2º da CLT). Nesse sentido, consta do Termo de Anuência de Transferência de Contrato de Trabalho firmado com os empregados apresentado pela M Garzon Eugênio que a movimentação realizada tratase de "transferência para empresa do mesmo grupo econômico", em consonância, portanto, com as leis trabalhistas. Outro aspecto observado pela auditoria fiscal, diz respeito ao volume de negócios efetivados pelas empresas M Garzon Eugênio, M Garzon Empreendimentos e MGE, nos exercícios de 2010, 2011 e 2012. De acordo com as DIMOB (Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias) transmitidas à Receita Federal, constatouse, ao longo desses três anos, uma queda considerável no volume de vendas realizadas pelas empresas M Garzon Eugênio e M Garzon Empreendimentos, o que evidencia, por um lado, a desativação gradativa das atividades de ambas as empresas e, por outro, a consolidação da MGE no mercado imobiliário. A fiscalização constatou, conforme quadro no item 179 do Relatório Fiscal que, enquanto a MGE registrou no exercício de 2012 um volume de vendas de R$ 334.666.080,27, a empresa sob ação fiscal (M Garzon Eugênio) registrou queda de 98% nas vendas em relação ao ano anterior (2011) e o desempenho da M Garzon Empreendimentos no ano 2012 foi nulo. Portanto, embora a empresa M Garzon Eugênio Empreendimentos Imobiliários Ltda., não tenha sido extinta formalmente, a fiscalização demonstrou que a nova empresa MGE Intermediação Imobiliária Ltda. assumiu de fato a continuidade das atividades da M Garzon Eugênio que foi sendo desativada gradativamente. Com relação à responsabilidade solidária das pessoas físicas, a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) em seu art. 124, prevê: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as Pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. O art. 135 da mesma lei determina que “são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.825 43 II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Ficou demonstrado no Relatório Fiscal a participação na administração e no capital das empresas da seguinte forma: A M Garzon Eugenio é gerida pelas seguintes pessoas físicas: Marcos Fabrício Moraes Garzon, administrador desde a constituição em 10/08/2007; Arnaldo Frattini, administrador desde 09/07/2008; e Maurício Eugênio, administrador desde 09/07/2008. M GARZON EUGÊNIO EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA CNPJ 08.985.966/000137 A M Garzon Empreendimentos, empresa sócia da M Garzon Eugênio é constituída pelos sócios: Marcos Fabrício Moraes Garzon, na qualidade de sócioadministrador com 99% do capital social e Jocy Santana de Morais, com participação societária de 1%. M GARZON EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA CNPJ: 02.850.273/000150 A Polis Desenvolvimento, outra pessoa jurídica sócia da M Garzon Eugênio, com 50% do capital social desta, é constituída por duas pessoas jurídicas: EUGÊNIO PARTICIPAÇÕES LTDA e FERFRATT MARKETING ESTRATÉGICO EMPRESARIAL S/C LTDA, com 45% cada uma de participação no capital social; e por uma pessoa física, FELIPE DE ALMEIDA PEDROSO, na condição de sócioadministrador com 10% do capital social. POLIS DESENVOLVIMENTO IMOBILIÁRIO LTDA CNPJ: 08.627.579/000159 A Eugênio Participações, que é sócia da Polis Desenvolvimento com 45% do capital social, é constituída por MAURÍCIO EUGÊNIO, sócioadministrador (75%), ODEMIR APARECIDO Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.826 44 PEDROSO (15%), FELIPE ALMEIDA PEDROSO (5%) e CARLOS AUGUSTO D'ELIA VALLADÃO FLORES (5%). EUGENIO PARTICIPAÇÕES LTDA CNPJ 03.332.644/0001 75 A empresa FERFRATT, também sócia da POLIS DESENVOLVIMENTO com 45% do capital social, está constituída pelos sócios ARNALDO FRATTINI (90%) e MÁRCIA REGIA CÁCERES (10%). FERFRATT MARKETING ESTRATÉGICO EMPRESARIAL S/C LTDA CNPJ 04.126.668/000130 A partir de 08/09/2011, data em que a M Garzon Eugênio encontravase sob ação fiscal foi constituída a empresa MGE INTERMEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA LTDA. com o nome fantasia “M Garzon” e, posteriormente, como o ingresso na sociedade da Brasil Brokers Participações S/A, o nome fantasia foi alterado para “M Garzon Brasil Brokers”. A MGE também foi constituída com os mesmos objetivos empresariais das empresas acima identificadas (compra, venda, aluguel, avaliações e administração de imóveis entre outros). Em 23/09/2011, a MGE fez a primeira alteração contratual aumentando o capital social de R$ 1.000,00 para R$ 902.838,00, subscrito e integralizado pelos sócios da seguinte forma: MGE INTERMEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA LTDA – CNPJ 14.256.922/000179 Em 16/01/2012 a MGE arquivou na Junta Comercial do DF a segunda alteração contratual para admitir na sociedade a BRASIL BROKERS PARTICIPAÇÕES S/A, cuja entrada deuse a partir da transferência pelos atuais sócios da MGE, de parte das quotas de capital que cada um possui na empresa, os quais transferiram o total de 54.170.280 quotas, ao valor nominal de R$ 0,01 (um centavo), correspondendo a R$ 541.702,80, cujas quotas representam 60% (sessenta por cento) do capital social da MGE. Além do ingresso da nova empresa na sociedade, a alteração tratou também do aumento do capital social em R$ Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.827 45 1.600.000,00, subscrito e integralizado em moeda nacional pelos atuais sócios na proporção em que cada um participa da sociedade, conforme quadro abaixo: MGE INTERMEDIAÇÃO IMOBILIÁRIA LTDA – CNPJ 14.256.922/000179 Portanto, resta demonstrada a formação de grupo econômico e interesse comum de todos os responsáveis solidários citados no Relatório Fiscal na situação do fato gerador, devidamente fundamentado. Conclusão Voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Com a devida vênia, ouso discordar do caríssimo e ínclito Conselheiro Relator quanto ao cabimento da multa qualificada. Explico. Não obstante seja patente que a conduta ensejadora da penalidade exacerbada, nos dizeres vigentes à época dos fatos, devesse ser a prática de ato com evidente intuito de fraude, assim entendida uma das condutas previstas nos artigo 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, entendo que a conduta praticada pelo contribuinte no presente caso não se amolda ao tipo sancionador imputado pela Autoridade Fiscal. Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.828 46 Esse o ponto fulcral da divergência entre o meu entendimento e o esposado pelo eminente Relator. Consta do robusto voto do Conselheiro Carlos César Quadros Pierre: "A nossa conclusão quando apreciamos a discussão acerca da ocorrência do fato gerador foi no sentido de que o sujeito passivo utilizouse do artifício de impor ao comprador dos imóveis o pagamento em separado da parcela correspondente à comissão do corretor, no intuito de impedir que o fisco viesse a tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador. A bem da verdade a hipótese de incidência se concretizou quando houve a prestação de serviço do corretor para imobiliária, todavia, utilizandose do ardil de impor ao cliente o pagamento em separado da parcela do corretor, a autuada buscava esconder de seus demonstrativos contábeis o pagamento da comissão sobre a qual incidiriam as contribuições previdenciárias. Assim, no meu entender resta comprovada a conduta estampada no art. 71 da Lei n. 4.502/1964, sendo justificada imposição de multa qualificada." (destaquei) O entendimento do colegiado sobre o negócio jurídico praticado entre a Recorrente e seus clientes, foi, no sentido de que a intermediação dos imóveis realizada foi demandada pela Recorrente, ou seja, a prestação de serviços de corretagem se deu no interesse da Recorrente, e não do cliente, do comprador da unidade. Não obstante o resultado da decisão colegiada, não observo na conduta realizada pelo contribuinte que tal prática foi concebida como uma fraudulenta simulação, ou seja, como uma ação tendente e impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador ou de sua natureza. Não vejo que a conduta seja uma ação simulada que vise a desnaturação do fato gerador e menos ainda que seja realizada no sentido de afastar o conhecimento da Administração Tributária de sua ocorrência. Inegável que existe no mundo da intermediação de imóveis a contratação pelo adquirente do profissional habilitado para o exercício dessa intermediação. Mister realçar que a contratação pelo adquirente do corretor de imóveis é mais comum do que se imagina. Diria até que, para imóveis usados, tal conduta é a mais corriqueira. Ora, sendo um negócio usualmente praticado no mercado imobiliário não se pode imputar a quem se socorre de tal prática a pecha da simulação, em que pese a decisão tomada no caso em concreto. Novamente elucido: a prática ocorrida no caso em apreço não poderia, e não foi, convalidada pelo Fisco. Porém, imputar a tal conduta o peso de uma simulação fraudulenta não me parece apropriado. A uma, porque houve o efetivo pagamento do cliente para o corretor. Tal constatação é importante para se faça uma distinção entre eventual vício no negócio jurídico da Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.829 47 corretagem e outra, quanto aos efeitos tributários de tal negócio. É dizer: o que se firmou no julgamento em tela é que a corretagem foi empreendida no interesse, por encomenda, do Recorrente, o que, por todo o decido, imputa a este o dever tributário decorrente da contratação da pessoa física para a prestação pessoal de serviços. Outra coisa, diversa, é que a remuneração percebida pelo corretor tenha sido paga pelo devedor principal. Ou seja, não houve simulação quanto à remuneração paga, quanto à base de cálculo do tributo. Tanto assim o é que tal base de cálculo foi obtida por meio de arbitramento realizado pelo Fisco. Dito de maneira diversa: considerando que as partes firmaram um negócio jurídico válido, a intermediação de imóveis, não houve simulação dentro desse negócio jurídico, o que, de per si, afasta a conduta fraudulenta e simulada com vistas à ocultar a ocorrência do fato gerador ou sua natureza Tal entendimento, que reconheço bastante difícil em razão da complexidade da definição do interesse de cada uma das partes no negócio jurídico denominado intermediação de imóveis, não passou ao largo do judiciário. Como sabido, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça, validou, sob o rito dos recursos repetitivos e por decisão unânime (REsp 1551951, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino), que a intermediação de imóveis seja suportada pelo consumidor, pelo adquirente do imóvel. Excerto da notícia extraído do sítio oficial do Superior Tribunal é elucidativo: "STJ reconhece validade da corretagem de imóvel, mas declara taxa Sati abusiva A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por unanimidade, decidiu que é válida a cláusula contratual que transfere ao consumidor a obrigação de pagar comissão de corretagem na venda imóveis. Em julgamento realizado nesta quartafeira (24), o colegiado entendeu, entretanto, ser abusivo impor ao comprador o pagamento da taxa de Serviço de Assessoria TécnicoImobiliária (Sati). A taxa Sati é o valor cobrado pelas construtoras com base em 0,8% sobre o preço do imóvel novo adquirido pelo consumidor. A quantia é destinada aos advogados da construtora por terem redigido o contrato de compra e venda, além de corresponder a serviços correlatos do negócio." (sublinhados não constam da página da internet) Ora tal entendimento, que em nada desnatura a decisão tomada pelo colegiado, posto que não analisa os efeitos tributários de tal forma de contratação, demonstra que o negócio jurídico pode ser firmado no sentido pretendido pelo sujeito passivo quanto aos efeitos do custo da contratação e que tal análise sobre sua validade foi tão discutida que restou julgado no rito dos repetitivos pelo STJ. Assim, podemos entender que a própria discussão jurídica sobre a forma de contratação da intermediação de imóveis desnatura a imputação de que a conduta adotada pelo Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10166.730552/201259 Acórdão n.º 2201003.331 S2C2T1 Fl. 1.830 48 Recorrente deva ser considerada como uma fraude, praticada com evidente intuito de simular a ocorrência do fato gerador tributário ou seu conhecimento pela Administração. CONCLUSÃO Do exposto, voto por afastar a qualificadora sobre a multa de ofício, reduzindo o valor dessa para o percentual de 75%. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Fl. 1832DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.728137/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE.
Não são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física valores pagos a título de pensão alimentícia em decorrência de acordo homologado judicialmente quando não haja dissolução da sociedade conjugal ou o responsável pelo pagamento da pensão mantenha residência em comum com os alimentandos, pois tais valores são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro aos familiares e não do dever obrigacional de prestar alimentos. A pensão paga em desconformidade com as normas do Direito de Família constitui mera liberalidade.
O pagamento de pensão alimentícia, por liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98.
JUROS E MULTA DE MORA. TERMO INICIAL PARA A FLUÊNCIA
Não há incidência de multa de mora em relação a créditos tributários decorrentes de lançamento de ofício.
O termo inicial para a fluência de juros de mora está relacionado ao vencimento do prazo para o pagamento do tributo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e por maioria negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira De Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e por maioria negar-lhe provimento, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que dava provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira De Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física valores pagos a título de pensão alimentícia em decorrência de acordo homologado judicialmente quando não haja dissolução da sociedade conjugal ou o responsável pelo pagamento da pensão mantenha residência em comum com os alimentandos, pois tais valores são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro aos familiares e não do dever obrigacional de prestar alimentos. A pensão paga em desconformidade com as normas do Direito de Família constitui mera liberalidade. O pagamento de pensão alimentícia, por liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98. JUROS E MULTA DE MORA. TERMO INICIAL PARA A FLUÊNCIA Não há incidência de multa de mora em relação a créditos tributários decorrentes de lançamento de ofício. O termo inicial para a fluência de juros de mora está relacionado ao vencimento do prazo para o pagamento do tributo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 81 37 /2 01 1- 54 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e por maioria negarlhe provimento, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que dava provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira De Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10166.728137/201154 Acórdão n.º 2402005.494 S2C4T2 Fl. 169 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – DRJ/SP1, que julgou procedente Auto de Infração relativo a lançamento de Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF), fls. 2/10, ano calendário 2006 / exercício 2007, o qual resultou em imposto suplementar no valor de R$ 23.915,03 (vinte e três mil, novecentos e quinze reais e três centavos). De acordo com o Auto de Infração, o crédito foi constituído em razão da glosa de valores deduzidos a título de pensão alimentícia, de R$ 86.963,76 (oitenta e seis mil, novecentos e sessenta e três reais e setenta e seis centavos), por falta de falta de previsão legal para a sua dedução. Ainda de acordo com o Auto de Infração, o contribuinte reduziu a base de cálculo do IRPF em sua declaração relativa ao exercício 2007, informando deduções, a título de pensão alimentícia judicial, aos filhos Andersen Othon Rocha Fernandes (R$ 14.493,96), Alysson Fabio Rocha Fernandes (R$ 14.493,96), Aline Ursula Rocha Fernandes (R$ 14.493,96); e à esposa Aldenir Dutra Rocha Fernandes (R$ 43.481,88) Informa a autoridade autuante, para justificar tais deduções, o contribuinte apresentou acordo homologado pela Justiça em que ficou acertado pagamento de pensão à esposa e aos filhos e que, pelos documentos apresentados, nunca houve separação ou divórcio. Além disso, os filhos, beneficiários da pensão, completaram em 2006 as seguintes idades: Anderson, 27 anos; Aline, 29 anos; e Alisson, 31 anos. O Recorrente apresentou impugnação (fls. 2/18), em 21/12/2011. Por bem retratar as alegações apresentadas pelo contribuinte na peça impugnatória, reproduzse o trecho correspondente do Acórdão nº 1651.873 da 15ª Turma da DRJ/SP1: a pensão foi paga aos filhos maiores de idade e à esposa e conforme consta da petição inicial do acordo, foi esclarecido ao Poder Judiciário que o casal morava sob o mesmo teto, sendo relevante frisar que essa situação fática não foi levada em consideração pelo juiz para fins de homologação do ajuste, porque o que importavam eram outros fatores existentes entre o relacionamento do casal, que buscava a homologação do acordo com o intuito de prevenir quanto ao resultado de discordâncias, tendo entendido que, dessa forma, estariam resguardados os interesses dos filhos, caso viesse ocorrer o insucesso conjugal de seus progenitores, que esteve em risco por diversas vezes; o casal se empenhou e se esforçou bravamente para não se separar, buscando, por todas as forças e meios, manter o casamento e a estabilidade da família, apenas na aparência, como forma exclusiva para apoiar e propiciar plena estabilidade, estrutura e formação moral de seus filhos; Fl. 170DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 4 na verdade as pessoas estão separadas de fato, situação jurídica essa, que data vênia, não autoriza interpretação que objetive diferenciála dos casos homologados por decisão judicial ou escritura pública, uma vez que os efeitos jurídicos e legais só se farão presentes por ocasião de eventual partilha de bens do casal; na forma da legislação de regência, os beneficiários da pensão tinham a incumbência do recolhimento normal das parcelas mensais devidas do imposto de renda, o que significa dizer que lhes foi transferido o ônus da responsabilidade fiscal, não havendo prejuízo aos cofres públicos; é de causar espécie verificar que, na via administrativa, um parecer técnico, baseado em Acórdãos da própria Secretaria da Receita Federal desconsidere o teor e os efeitos legais decorrentes de uma sentença judicial transitada em julgado; a coisa julgada pode ser modificada, porém a discussão da matéria deve ser agitada em nova relação processual, tão somente na via judicial, e não no âmbito administrativo, que não tem competência legal para negarlhe vigência; não cabe ao intérprete da norma restringir o que o legislador não o fez; a jurisprudência pátria vem se posicionando nesse sentido. Traz à colação aresto do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o qual se encaixa como luva no caso em exame; nos termos dos seus arts. 4º, inciso II, e 8º, inciso II, alínea “f”, que estabelece que tão somente que são passiveis de dedução os valores pagos a título de pensão alimentícia, por força de decisão judicial, fundada em normas do Direito de Família, não fazendo restrição quanto a qualquer espécie de condição para a validade do abatimento dos citados valores; as próprias orientações da Secretaria da Receita Federal do Brasil são claríssimas quanto à possibilidade da dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia, sequer fazendo alusão sobre essa estranha figura de liberalidade, como realmente não poderia fazer, por não ter base legal para tanto; impende trazer à baila a jurisprudência dominante nas Cortes Superiores de Justiça, consagrando, de forma clara e induvidosa, o pleno usufruto do direito consubstanciado nas normas legais vigentes no país, segundo as quais, no contexto atual, não existem quaisquer atos que impeçam ou restrinjam a dedução objeto desta impugnação. Transcreve julgados do TRF da 1ª Região sobre o tema; é importante esclarecer que em 10/02/2010, a situação do postulante foi objeto de exame dessa Secretaria da Receita Federal, da lavra de Auditor Fiscal diferente do atual, tendo sido expedida a respectiva notificação de lançamento, determinando a correção do procedimento para a dedução da parcela referente ao 13º Salário, no valor de R$ 3.636,53, do montante da pensão alimentícia, por ter sido considerado indevido o Fl. 171DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10166.728137/201154 Acórdão n.º 2402005.494 S2C4T2 Fl. 170 5 abatimento do imposto de renda, uma vez que se trata de quantia sujeita a tributação exclusiva; após a aludida análise, o auditor fiscal considerou como regular a dedução do valor da pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda. A matéria em apreço não comportaria nova apreciação, porque, em 10 de fevereiro de 2010, essa Secretaria da Receita reconheceu, após seu acurado exame, a correção e a legalidade dos procedimentos até então adotados; por fim, requer que seja acolhida a impugnação. A DRJ/ SP1, julgou a impugnação improcedente (Acórdão de Impugnação de fls. 43/51), por entender “que não tendo o contribuinte deixado de coabitar com sua cônjuge e com seus filhos, a prestação de alimentos, ainda que homologada judicialmente, foi prestada por mera liberalidade”. Por ocasião do recurso voluntário (fls. 80/162), o contribuinte reitera as razões da impugnação e acrescenta que: a) a afirmação que consta do acórdão, de que não existe divórcio nem separação judicial do casal pode não condizer com a realidade, pois desarrazoado se afirmar isso sem ter a convicção do que realmente acontece com o relacionamento das pessoas; b) o acordo foi homologado em estrita observância do rito próprio, com pleno amparo no Código Civil, sem subterfúgios ou qualquer espécie de enganação; c) tendo em vista que o acordo se encerrava em um procedimento consensual, não havia necessidade de serem declinados os motivos que levaram o casal a propôlo; d) é possível a prestação de alimentos entre cônjuges casados e filhos que coabitam com os provedores de alimentos. Transcreve arestos doutrinários acerca do tema; e) causa estranheza o fato de que parecer técnico (Solução de Consulta Interna Cosit nº 3, de 8 de fevereiro de 2012) e acórdão de primeira instância administrativa tentem desconsiderar o teor e os efeitos legais decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, que, com amparo na Constituição, fez coisa julgada, princípio constitucional protegido como direito fundamental pelo ordenamento jurídico pátrio; f) a coisa julgada somente pode ser modificada em nova relação processual, pela via judicial; g) inexiste norma legal vedando o procedimento adotado pelo Recorrente, não sendo permitido ao intérprete da norma restringir o que o legislador não o fez; h) a jurisprudência pátria vem se firmando pela possibilidade de abatimento da base de cálculo do Imposto de Renda dos pagamentos referentes a pensão alimentícia. Transcreve decisões judiciais a esse respeito; i) sobre os questionamentos acerca do pagamento de pensão aos filhos de idade elevada, não existe procedência porque para a oferta de alimentos entre parentes não há limitação legal que impeça pessoas adultas de se socorrerem Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 6 por essa via. O art. 1.694 do Código Civil não estabelece limite de idade para os beneficiários de alimentos, nem faz referência à sua capacidade civil; j) a jurisprudência reconhece que a maioridade não é motivo para que o pai fique desonerado de prestar alimentos aos filhos, quanto mais pela necessidade de se dar integral cumprimento a acordo judicialmente homologado; k) a lei e as orientações da Secretaria da Receita Federal do Brasil são pela possibilidade da dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia e não fazem restrição a limite de idade; l) decisões reiteradas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF são também pela possibilidade da dedução da pensão. Transcreve trechos de decisões relativas ao direito de dedução de pensão alimentícia; m) invoca os institutos jurídicos do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada para respaldar sua pretensão que, segundo afirma, se equipara as situações reconhecidas pelas decisões do CARF; n) a medida imposta pela Secretaria da Receita Federal do Brasil significa a cassação, pela via administrativa, de acordo homologado por medida judicial, pela nulidade de seus efeitos no que tange o direito de o Recorrente deduzir a pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF; o) embora as decisões judiciais e administrativas não tenham o condão de beneficiar àqueles que não integram a lide, servem para acenar que a legislação pátria deve ser respeitada quanto às finalidades para as quais foram instruídas; p) a Solução de Consulta Interna Cosit nº 3, de 8/2012, que balizou a decisão da DRJ/SP1, somente se aplicaria às situações surgidas a partir de sua publicação (8/2/12), mas, mesmo assim, não se prestaria a anular a eficácia da decisão judicial que ampara a dedução em apreço. Cita o art. 6º, § 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, e decisão judicial a respeito da impossibilidade de retroatividade de normas legais; q) é da essência do Direito de Família que os pagamentos dos alimentos amparados por acordo homologado judicialmente, são integralmente dedutíveis da base de cálculo do IRPF, pois impossibilidade de dedução implicaria em bis in idem; r) a discussão da glosa das deduções ainda se encontram na esfera administrativa, não sendo justo que se impere a imposição de sanção, com amparo nos princípios da ampla defesa e do contraditório, não havendo nos autos demonstração quanto à demora no pagamento do tributo a ensejar a aplicação de multa de mora, aplicandose o mesmo aos juros de mora; s) ao contrário do que se teria afirmado na decisão de primeira instância, os alimentos foram efetivamente repassados aos beneficiários que, inclusive, recolheram o IRPF respectivo; t) caso mantida a glosa das deduções, que o imposto pago pelos alimentandos seja deduzido do saldo imposto a pagar, indicado na fl. 52, como forma de se evitar bis in idem; u) não houve a mínima preocupação nos pareceres do fisco quanto à possibilidade de ser considerada a esposa do recorrente como sua dependente legal e ao abatimento de suas despesas médicas e odontológicas da Declaração de Ajuste Anual – DAA do Recorrente; Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10166.728137/201154 Acórdão n.º 2402005.494 S2C4T2 Fl. 171 7 v) a Receita Federal do Brasil, mediante procedimento fiscal realizado em 2010, teria validado a conduta adotada pelo contribuinte, o que não comportaria nova análise, por contrariar os princípios constitucionais da segurança e da certeza jurídica. Requer, por fim, que seja cancelada a Notificação de Lançamento. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 8 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Do Mérito No que se refere à possibilidade de dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF, o inciso II do art. 4º e a alínea “f” do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõem: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: [...] II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; [...] Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Grifei) O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR), regulamenta a hipótese de dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia, nos seguintes termos: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10166.728137/201154 Acórdão n.º 2402005.494 S2C4T2 Fl. 172 9 § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). (Grifei) Da leitura das disposições normativas encimadas, verificase que as deduções a título de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF visam substituir os abatimentos realizados em relação ao imposto, relativos aos dependentes, suas despesas médico odontológicas e com educação, dentre outros, por ocasião do rompimento da sociedade conjugal. Nesse sentido, tornase relevante ao deslinde das controvérsias objeto da presente lide o conceito de dependente para os fins da legislação do Imposto de Renda. A esse respeito, dispõe o art. 35 da Lei nº 9.250/95: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 10 VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. [...] De se notar que as normas que disciplinam as hipóteses de dedução de despesas com pensão alimentícia na Declaração de Ajuste Anual – DAA determinam que essa dedução deve obedecer cumulativamente aos seguintes requisitos: i) a comprovação do efetivo pagamento aos alimentandos; ii) que esses pagamentos decorram do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual; iii) que a pensão tenha sido paga em face das normas do Direito de Família; e iv) que os alimentos se destinem a substituir as despesas havidas com os dependentes do contribuinte no contexto da sociedade conjugal. No caso que ora se analisa, temse que o contribuinte deduziu de sua DAA valores relacionados a pensões alimentícias decorrentes de acordo homologado judicialmente, destinado aos filhos, todos de idade superior ao definido na legislação do imposto de renda e sem outras características que lhes possam atribuir a qualidade de dependente; e à esposa. Outro fato suscitado na Notificação de Lançamento é que o acordo de oferta de alimentos foi implementado sem dissolução da sociedade conjugal. Ações de oferta de alimentos podem ter por base o art. 24 da Lei nº 5.478, de 25 de julho de 1968, que dispõe: Art. 24. A parte responsável pelo sustento da família, e que deixar a residência comum por motivo, que não necessitará declarar, poderá tomar a iniciativa de comunicar ao juízo os rendimentos de que dispõe e de pedir a citação do credor, para comparecer à audiência de conciliação e julgamento destinada à fixação dos alimento a que está obrigado. Vejase que para esse tipo de ação, ainda que a lei não exija que a parte responsável pelo sustento da familiar declare o motivo que a fez deixar a residência da família, exige que a deixe pela seguinte razão: remanescendo a coabitação, não existem motivos para pagamentos de alimentos. No presente caso, entretanto, o contribuinte optou por ingressar com ação de oferta de alimentos para que fossem homologadas judicialmente as pensões que se propunha a pagar aos filhos e à esposa, sem rompimento da unidade familiar, o que evidencia a falta de conexão entre objeto pretendido pelo art. 24 da Lei 5.478/68 e o fim alcançado pelo acordo judicial. Assim, subsiste o dever de sustento familiar, o que não se confunde com o de prestar alimentos. Nesse sentido, irretocáveis as conclusões extraídas do acórdão da DRJ/SP1 as quais se faz mister reproduzir: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10166.728137/201154 Acórdão n.º 2402005.494 S2C4T2 Fl. 173 11 No caso em questão, o contribuinte é casado e decidiu ingressar com Ação de Ofertas de Alimentos, com fundamento no art. 24, da Lei 5.478/68, para que fosse homologada judicialmente a pensão que se propunha a pagar. A Lei não exige que a parte responsável pelo sustento da família declare o motivo que a fez deixar a residência, mas sim que a deixe! Pelo simples motivo lógico que se os cônjuges coabitam, não haveria razão para pagamentos de alimentos. Maria Helena Diniz (Curso de Direito Civil Brasileiro, 5° Volume, Direito de Família, Editora Saraiva, 2002) assim leciona: “o genitor que deixa de conviver com o filho deve alcançar lhe alimentos de imediato: ou mediante pagamento direto e espontâneo, ou por meio da ação de oferta de alimentos. Como a verba se destina a garantir a subsistência, precisam ser satisfeitas antecipadamente. Assim, no dia em que o genitor sai de casa, deve pagar alimentos em favor do filho. O que não pode é, comodamente, ficar aguardando a propositura da ação alimentar e, enquanto isso, quedarse omisso e só adimplir a obrigação após citado.” É inerente à natureza dos alimentos que a unidade familiar tenha se rompido e que o responsável pelo sustento do lar tenha se ausentado da residência comum. Pois, do contrário, não se pode dizer que se trata de prestações alimentares, mas sim de obrigações próprias entre os pais e os filhos e entre os cônjuges. Mais uma vez socorrese do magistério da professora Maria Helena Diniz: “Não se deve confundir a obrigação de prestar alimentos com os deveres familiares de sustento, assistência e socorro que tem o marido em relação à mulher e viceversa e os pais para com os filhos menores, devido ao poder familiar, pois seus pressupostos são diferentes”.(obra citada, pág. 460) Importante, portanto, fixar esta distinção entre os deveres decorrentes do poder de família e os deveres obrigacionais de prestar alimentos. O dever de sustento dos cônjuges toma a feição de obrigação de prestar alimentos, por ocasião do rompimento da união do casal, mesmo antes da dissolução da sociedade conjugal. E o dever de sustentar os filhos é substituído pelo dever de prestar alimentos quando o filho não se encontra albergado pelo genitor responsável pelo seu amparo financeiro. Salientese que, tanto em relação ao cônjuge quanto aos filhos, a fronteira entre o dever de sustento e o dever de prestar alimentos se encontra na saída da residência comum do cônjuge responsável pelo seu sustento. [...] Devese restar claro que “deixar a residência” expresso no art. 24, da Lei 5.478/68 tem um sentido maior do que uma mera transferência profissional de um dos cônjuges. Deixar a Fl. 178DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 12 residência pressupõe um animus de rompimento da convivência, fato que não ocorreu no caso concreto. Assim, mantida a unidade familiar e não caracterizada, conforme estabelecido pelo art. 24, da Lei 5.478/68, a saída da residência do responsável pelo sustento da família, as despesas a que o contribuinte faz jus para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda são aquelas inerentes aos deveres familiares, quais sejam: dedução com os dependentes (cônjuge, filhos, etc), despesas médicas e despesas com instrução por serem estas mais específicas. O fato de existir a homologação judicial do acordo não altera a natureza de suas despesas, em razão de não ter havido saída efetiva nem tampouco o animus de o contribuinte deixar a residência em comum com sua família. São estas características do fato concreto em exame que demonstram, às claras, que os pagamentos efetuados não possuem a natureza própria das despesas com pensão alimentícia e não podem se beneficiar de deduções irrestritas da base de cálculo do imposto. Assim, não pode ser admitida a dedução de pensão alimentícia, uma vez que o contribuinte e seu cônjuge continuaram a coabitar, conforme afirmado na própria impugnação. Ainda com relação à prestação de alimentos, verificase que tal incumbência está fundada no binômio necessidade do alimentando e possibilidade do alimentante, nesse sentido, os arts. 1.694, 1.695 e 1699 do Código Civil dispõem: Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. [...] Art. 1.699. Se, fixados os alimentos, sobrevier mudança na situação financeira de quem os supre, ou na de quem os recebe, poderá o interessado reclamar ao juiz, conforme as circunstâncias, exoneração, redução ou majoração do encargo. Apercebase que a oferta de alimentos pressupõe não somente o suprimento das necessidades dos alimentandos para que esses possam viver de modo compatível com sua condição social, mas também apresenta como requisito o rompimento da unidade familiar. Essa é a lógica adotada tanto pelo art. 24 da Lei 5.478/1968, quanto pelos arts. 1.702 e 1.703 do Código Civil: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10166.728137/201154 Acórdão n.º 2402005.494 S2C4T2 Fl. 174 13 Art. 1.702. Na separação judicial litigiosa, sendo um dos cônjuges inocente e desprovido de recursos, prestarlheá o outro a pensão alimentícia que o juiz fixar, obedecidos os critérios estabelecidos no art. 1.694. [...] Art. 1.704. Se um dos cônjuges separados judicialmente vier a necessitar de alimentos, será o outro obrigado a prestálos mediante pensão a ser fixada pelo juiz, caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação judicial. Parágrafo único. Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de alimentos, e não tiver parentes em condições de prestálos, nem aptidão para o trabalho, o outro cônjuge será obrigado a assegurálos, fixando o juiz o valor indispensável à sobrevivência. Das asserções extraídas da petição apresentada em juízo que resultou no acordo sobre alimentos (fls. 15/17), notase que inexiste intenção para a dissolução da sociedade conjugal. Aliás, o acordo judicial foi homologado no ano 1991 (vide sentença acostadas aos autos (fl. 18), os fatos objeto da presente lide referemse a 2007 e até a presente data não se tem notícia de que a sociedade conjugal tenha se dissolvido, tampouco de que o Recorrente e os destinatários dos alimentos tenham deixado de coabitar. Reiterase que o dever de sustento somente se converte em obrigação de prestar alimentos com o rompimento da unidade familiar, independentemente dissolução da sociedade conjugal. Por certo, o intento da Lei nº 9.250/95 (expresso na alínea “f” do inciso II do art. 8º), ao estabelecer a hipótese de exclusão dos valores pagos a título de pensão alimentícia da base de cálculo IRPF, foi o de albergar as situações advindas do Direito de Família. Assim, para fazer jus à isenção tributária não basta comprovar o efetivo pagamento de pensão aos alimentandos e que esse pagamento decorre do cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, é necessário comprovar que a prestação de alimentos se destina a suprir as necessidades dos alimentandos para que esses possam viver de modo compatível com a sua condição social, após o rompimento da unidade familiar. Na linha da decisão textualizada no acórdão de primeira instância administrativa, entendo que a homologação do acordo judicial não altera a natureza das despesas suportadas pelo sujeito passivo, eis que, mantida a unidade familiar, não restaram caracterizadas as circunstâncias previstas no art. 24 da Lei 5.478/68 ou nos arts. 1.702 e 1.703 do Código Civil, ou seja, os alimentos ofertados à esposa e aos filhos do sujeito passivo não estão sendo pagos de acordo com as normas do Direito de Família, condição essencial para sua dedução da base de cálculo do IRPF, prevista expressamente nos arts. 4º e 8º da Lei nº 9.250/95. Especificamente com relação ao pagamento de pensão aos filhos, cujas idades são superiores a 24 (vinte e quatro anos), há um fator impeditivo adicional à sua dedução na DAA. Consoante se esclareceu acima, a dedução de valores relacionados a oferta de alimentos, decorrente do rompimento do contrato matrimonial, objetiva substituir o Fl. 180DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 14 abatimento de despesas relacionadas aos dependentes, decorrentes da obrigação de sustento, assistência e socorro próprias do convívio familiar. Desta feita, para que seja lícita a dedução dos alimentos da base de cálculo do IRPF, os destinatários da pensão precisam se revestir da condição de dependentes do contribuinte à luz do que dispõe o art. 35 da Lei nº 9.250/95. Uma vez que inexistente a relação de dependência, a aspiração para se valer da isenção tributária falece de amparo legal. Ademais, diferentemente do que afirma o sujeito passivo, não se tem conhecimento de qualquer orientação da Secretaria da Receita Federal do Brasil pela possibilidade de dedução na DAA de valores pagos sob a forma de alimentos a filhos de contribuintes de faixa etária superior àquela definida em lei para que esses sejam considerados dependentes. Asseverase que não se trata de caçar decisão judicial homologada ou de afastar sua aplicação, tampouco de ignorar princípios constitucionais como o direito adquirido, o ato jurídico perfeito ou a coisa julgada, até porque, o acordo judicial sob análise trata exclusivamente da pensão que deve ser paga aos filhos e à esposa do Recorrente, não havendo na sentença qualquer menção a eventuais reflexos tributários. Convém destacar que não restou evidenciada qualquer circunstância em que a autoridade autuante ou os julgadores de primeira instância tenham se imiscuído em questões relacionadas a Direito de Família no que respeita à obrigatoriedade de prestação de alimentos. Não compete aos órgãos integrantes da administração tributária emitir juízo quanto a regularidade de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, mas tão somente examinar se tais valores obedecem aos requisitos definidos em lei para que possam ser deduzidos da base de cálculo do IRPF. Além disso, ao revés do que defende o Recorrente, não está fundado no Direito de Família que os pagamentos dos alimentos amparados por acordo homologado judicialmente são integralmente dedutíveis da base de cálculo do IRPF. O Direto de Família pertence ao Ramo do Direito privado e se dedica a regular as relações entre as pessoas. É de percepção elementar que matérias afetas a isenção de impostos tratamse de diretrizes de atuação do Estado, no uso de seu poder de império, em relação aos particulares, ou seja, essas matérias são tratadas no âmbito do Direito Público, mais especificamente do Direito Tributário. No que diz respeito à assertiva de que decisões reiteradas do CARF são pela possibilidade de dedução dos valores pagos a título de alimentos da base cálculo do IRPF, é preciso fazer um comentário: não somente as decisões do CARF, mas a legislação tributária e o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil são pela possibilidade da dedução, desde que os alimentos ofertados estejam de acordo com as normas do Direito de Família e seus destinatários se revistam da condição de dependentes do alimentante, o que não é o caso. Sobre as sentenças judiciais trazidas à colação pelo contribuinte, tais decisões encerram circunstâncias fáticas próprias, com conjunto probatório específico e, por essas razões não podem produzir efeitos para além das partes envolvidas na demanda para beneficiar ou prejudicar terceiros, conforme assentado na decisão da DRJ/SP1. Observe que não se trata de ignorar a interpretação das normas à luz do que entendem os tribunais, mas de considerar que tais decisões foram adotadas à luz de contextos fenomênicos absolutamente diversos, razão pela qual não podem servir de parâmetro para a tomada de decisão em relação ao caso em exame. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10166.728137/201154 Acórdão n.º 2402005.494 S2C4T2 Fl. 175 15 Sobre a Solução de Consulta Interna Cosit nº 3, de 8/2012, que o Recorrente diz ter balizado a decisão de primeira instância, impende asseverar que essa não trouxe qualquer inovação com relação à legislação tributária e nem poderia fazêlo em face do princípio da legalidade. Esse instrumento (Solução de Consulta Interna) se prestou tão somente a revelar o entendimento da Administração Tributária em relação à matéria em apreço, com o fim de uniformizar os procedimentos a respeito da isenção no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não representando sequer mudança de entendimento na interpretação das normas afetas à lide. Assim, carece de fundamento a alegação do contribuinte de que a interpretação veiculada por meio da Consulta Interna Cosit teria aplicação somente a partir da data de sua publicação, com base no 6º, § 2º da Lei de Introdução ao Código Civil e em jurisprudência do STF. Referido dispositivo de lei tem por finalidade a definição do aspecto temporal de vigência das normas legais, não se lhe aplicando a instrumentos voltados exclusivamente para interpretação da legislação tributária. O mesmo se prescreve em relação à jurisprudência suscitada que se volta para irretroatividade de lei apta a prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito ou a coisa julgada. De mais a mais, situações como a analisada no presente processo, em que a instituição da pensão não resulta da aplicação das normas relacionadas ao Direito de Família, pressupõem que os pagamentos a esse título foram feitos por mera liberalidade o que impossibilita sua de dedução na DAA. A esse respeito, vejamos o que dispõe a Súmula CARF nº 98, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. No que tange à solicitação de que, mantida a glosa, seja descontado do valor do imposto devido as quantias pagas pelos alimentandos a título de IRPF, sob pena de bis in idem, não há como atender ao pedido do Recorrente. Importa esclarecer que bis in idem, instituto vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, ocorre quando o mesmo ente tributante cobra um tributo do mesmo contribuinte e sobre o mesmo fato gerador mais de uma vez. Na situação sub examime, o contribuinte resolveu por repassar, por mera liberalidade, parte de seus rendimentos aos filhos e ao cônjuge e, uma vez tendo havido a transferência de titularidades dos recursos, esses passaram a integrar o patrimônio de seus destinatários, estando sujeitos à incidência do IRPF, nos termos da legislação de regência. Relativamente à ausência de preocupação do Fisco quanto à possibilidade de considerar a esposa do contribuinte como sua dependente legal e de abatimento de suas despesas médicas e odontológicas da DAA, cumpre informar que essa é uma faculdade do sujeito passivo quando do preenchimento da declaração, não cabendo aos órgãos da administração tributária interferir no exercício dessa opção. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 16 Aduz ainda o contribuinte que mediante procedimento fiscal realizado em 2010, a Secretaria Receita Federal do Brasil teria validado a conduta por ele adotada, o que não comportaria nova análise, por contrariar os princípios constitucionais da segurança e da certeza jurídica. As asserções apresentadas pelo Recorrente ambicionam demonstrar que a o órgão da administração tributária federal teria homologado a sistemática por ele engendrada para reduzir a base de cálculo do IRPF, entretanto, os documentos trazidos aos autos em nada justificam suas alegações. A Notificação de Lançamento emitida automaticamente em 2010 (fl. 161) prestouse exclusivamente a intimar o contribuinte para o pagamento de restituição indevidamente recebida em razão de retificação da DAA referente ao exercício 2008, ou seja, não houve nenhuma manifestação da Secretaria da Receita Federal do Brasil quanto à regularidade da dedução de despesas de pensão alimentícia pagas em desacordo com as normas do Direito de Família. A esse respeito, não merece reparos os apontamentos feitos no acórdão da DRJ/SP1, in verbis: Em relação à alegação de que a matéria não comportaria nova apreciação porque em 10 de fevereiro de 2010, a RFB teria reconhecido, após acurado exame, a correção e a legalidade dos procedimentos até então adotados, cabe assinalar que não houve qualquer manifestação favorável da RFB sobre o pleito do contribuinte nessa data ou em oportunidade posterior. Apenas em 17/02/2010, foi emitida Notificação Automática de Lançamento, requerendo a devolução de restituição indevida do exercício 2008, anocalendário 2007, em razão da apresentação de declaração retificadora, esta sim de 10/02/2010, referente ao anocalendário 2007, exercício 2008, em que restou alterado o resultado do ajuste anual desse período, de imposto a restituir para imposto a pagar (confira cópia da citada Notificação a fl. 40). Posteriormente a essa notificação automática, é que houve o exame do caso, pela Equipe de Malha Fiscal da Delegacia de origem, culminando com a lavratura da Notificação de Lançamento do Exercício 2008, anocalendário 2007, com a glosa da dedução da pensão judicial, objeto do presente processo. Por todo o exposto, não pode ser admitida a dedução das pensões alimentícias, uma vez que não houve dissolução da sociedade conjugal, bem assim não há qualquer indício de prova que demonstre que o Recorrente tenha deixado manter residência em comum com seus familiares beneficiários dos alimentos. Acrescentase que, com relação aos 3 (três) filhos, todos tinham mais que 24 (vinte e quatro anos) e não possuíam outras características que os definissem como dependentes do sujeito passivo por ocasião do lançamento. Da Incidência de Multa e Juros de Mora No que concerne ao pedido de afastamento da multa de mora, cabe esclarecer que não há na Notificação de Lançamento valores lançados a esse título. Em se tratando de lançamento de ofício, não há incidência de multa de mora, mas da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430. de 27 de dezembro de 1996. Quanto aos juros de mora, o art. 161 do Código Tributário Nacional estabelece como termo inicial para sua fluência o vencimento do tributo. Vejamos: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10166.728137/201154 Acórdão n.º 2402005.494 S2C4T2 Fl. 176 17 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Nessa esteira, o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96 não deixa dúvidas de que o termo inicial para sua incidência está relacionado ao vencimento do prazo para o pagamento da exação: 61. [...] [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Desse modo, a despeito dos argumentos apresentados pelo Recorrente, não há amparo legal para que a incidência de juros se inicie a partir da conclusão do processo administrativo. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13431.000084/2002-23
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano calendário: 1997
EMENTA: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o
prazo dos trinta dias seguintes a ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70 235/72
Numero da decisão: 1802-000.390
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conheceram do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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I 3 ;II MINISTÉRIO DA FAZENDA 11.g, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo 11° 13431.000084/2002-23 Recurso n° 165.594 Voluntário Acórdão n° 1802-00.390 — 2' Turma Especial Sessão de 11 de março de 2010 Matéria IRPJ E OUTRO Recorrente CONSTRUTORA SANTANA LTDA Recorrida 5a.Tunna/DRJ/Recife/PE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 1997 EMENTA: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes a ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70 235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, não conheceram do recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ER MARQUES LINS DE SOUSA — Presi. - - e Relatora. EDITADO EM: 08 ABR 2011 Participaram.. a sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente de Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Sérgio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, João Francisco Bianco (Vice Presidente de Turma). Relatório Por economia processual e bem representar a lide adoto o relatório da decisão de primeira instância que a seguir transcrevo: Trata-se de pedido de restituição de valores recolhidos a titulo de COFINS, bem como tributos retidos por órgão público, no valor de R$ 1021,02, cumulado com pedido de compensação com débito de COF1NS, no valor de R$ 3.233,26. 2.Através do Despacho -Deciidriii- de fls. 36/40, ao final aprovado por autoridade delegatária, a parecerista, depois de tratar da legislação aplicável à espécie, propôs o não- reconhecimento do direito creditório e a não-homologação da compensação vinculada, com base no seguinte fundamento: 2.1.0 contribuinte não utilizou como compensação, na Declaração de IRPJ — DIPJ de 1998, a retenção de imposto de renda por órgão público, embora pudesse fazê-lo com tributos da mesma espécie, nos termos do art. 50 da Instrução Normativa SRF/STN/SFC n.° 04, de 1997; 2.2.Na apuração do valor da COF1NS a pagar, verificada na D1PJ de 1998, não se vislumbra a aplicação de dedução de compensação efetuada com valores retidos por órgão público 24). Dos valores apurados nos meses de novembro e dezembro, foram efetuados pagamentos apenas quanto ao último mês; 2.3.Houve retenção de IRAI, CS7 I , P1S/PASEP e COFINS, de acordo com o art. 64 da Lei n.° 9.430, de 1996, com o código 6147 (fls. 04/09); 2.4.De acordo com o §40 do art. 64 da Lei ri.° 9.430, de 1996, o valor retido, relativamente ao imposto de renda e a cada contribuição social, somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto e contribuição (cita, também, o art. 231 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 1999); 2.10 imposto de renda retido na fonte em anos-calendário anteriores deveria ter sido utilizado como dedução nas respectivas DIPJs. Na hipótese de não-utilização, é facultada ao contribuinte a sua retificação, observado o prazo decadencial; 2.6.0 contribuinte já utilizou valores retidos por órgão público para compensar IRAI e CSLL, nos meses de novembro e dezembro do ano-base de 1997 (fls. 21/22); 2.7.0 contribuinte deveria efetuar a compensação do imposto retido na fonte na D1PJ referente ao ano-calendário correspondente, o que não foi realizado. 3.No prazo legal, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 49/50), na qual aduz, depois de elaborar 2 Processo n° 13431.000084/2002-23 S1-TE02 Acórdão o.° 1802-00390 Fl. 2 quadro-resumo dos valores de imposto e contribuição envolvidos no pedido: 3.1.0s valores mencionados foram retidos pela FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, nos mesmos montantes que deveriam ter sido recolhidos através de DARFs. Por isso, entendeu-se que não se deveria pagar o que havia sido retido; 3.2.Entende que um imposto não compensa outro, como consignado na Carta de Cobrança. Não pode ser penalizada por um débito se não foi beneficiado pelo crédito; "para agregar na compreensão de que os valores cobrados ficaram retidos poderiam ser considerados pois a empresa já se encontra bafrada desde 23/06/1999"; 3.3.Procedeu-se à retificação da DIPJ do ano-base de 1997, conforme orientação desta Secretaria. Não foi possível identificar onde descrever a compensação da COF1NS e do PIS, tendo sido feito apenas quanto ao IRPJ e à CSLL; 3.4.Anteriormente, foi enviado o extrato da conta 0758.003.565- 3, no qual os valores recebidos são diminuídos dos retidos pela citada Fundação; 3.5.A empresa está ao inteiro dispor para apresentação de documentos que comprovem a veracidade das informações. Para tanto, colocam-se à disposição os Livros Diário e Razão, devidamente registrados na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte e visados pelo Juiz da Comarca. O contribuinte foi cientificado da decisão proferida mediante o Acórdão n° 11-20.291, de 19/09/2007, da nurma da DRJ/Recife/PE, fls.96/100, conforme Aviso de Recebimento (AR), fi.102, em 04/11/2007,domingo, e, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes, em 27/12/2007, f1.103. Na peça recursal a Recorrente, resumidamente, requer sejam consideradas as alterações efetuadas mediante as Declarações Retificadoras e outros documentos fls.104/157, e, requer orientação para pagamento dos débitos. • É o relatório. 3 Voto Conselheira Relatora ESTER MARQUES UNS DE SOUSA Conforme relatado acima, a interessada foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão n° 11-20.291, de 19/09/2007, da r.Turma da DRERecife/PE, fls.96/100, conforme Aviso de Recebimento (AR), fl.102, em 04/11/2007, domingo, e, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes, somente em 27/12/2007, 11.103, portanto, apesar do prazo inicial começar a contar em 06/11/2007, a peça recursal fora apresentada após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância,- nos tennos-do art.33 do -Decreto n° 70.235/72, que teria como prazo fatal o dia 05/12/2007 para a apresentação do referido recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual voto por não conhecê-lo. ster • arques Lins de 4
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Numero do processo: 10930.903679/2012-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 20/10/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 79 /2 01 2- 95 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903679/201295 Acórdão n.º 3402003.646 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06046.019, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903679/201295 Acórdão n.º 3402003.646 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903679/201295 Acórdão n.º 3402003.646 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903679/201295 Acórdão n.º 3402003.646 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10930.903679/201295 Acórdão n.º 3402003.646 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001439/2006-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/06/1999 a 28/06/2002
DECADÊNCIA. CPMF. AUTO DE INFRAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ENTENDIMENTO EMITIDO PELO STJ QUANDO DA APRECIAÇÃO DO REsp 973.733
Não cabe aplicar o entendimento trazido pelo STJ quando da apreciação do REsp 973.733 nos casos em que não houve antecipação do pagamento do tributo, vez que o sujeito passivo detinha liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário e a exigência do r. tributo estava sendo debatida no âmbito de judiciário.
No presente caso, deve-se aplicar o art. 150, § 4º, do CTN para se definir o termo inicial do prazo decadencial, eis ser predominante o critério trazido pelo CTN - se se trata ou não de tributo sujeito a lançamento por homologação. O que, se tratando, resta a sua aplicação.
Numero da decisão: 9303-004.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que apresentará declaração de voto, e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho votaram pelas conclusões.
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Júlio César Alves Ramos
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/06/1999 a 28/06/2002 DECADÊNCIA. CPMF. AUTO DE INFRAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ENTENDIMENTO EMITIDO PELO STJ QUANDO DA APRECIAÇÃO DO REsp 973.733 Não cabe aplicar o entendimento trazido pelo STJ quando da apreciação do REsp 973.733 nos casos em que não houve antecipação do pagamento do tributo, vez que o sujeito passivo detinha liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário e a exigência do r. tributo estava sendo debatida no âmbito de judiciário. No presente caso, deve-se aplicar o art. 150, § 4º, do CTN para se definir o termo inicial do prazo decadencial, eis ser predominante o critério trazido pelo CTN - se se trata ou não de tributo sujeito a lançamento por homologação. O que, se tratando, resta a sua aplicação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que apresentará declaração de voto, e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho votaram pelas conclusões. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama - Relatora Júlio César Alves Ramos Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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CPMF. AUTO DE INFRAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ENTENDIMENTO EMITIDO PELO STJ QUANDO DA APRECIAÇÃO DO REsp 973.733 Não cabe aplicar o entendimento trazido pelo STJ quando da apreciação do REsp 973.733 nos casos em que não houve antecipação do pagamento do tributo, vez que o sujeito passivo detinha liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário e a exigência do r. tributo estava sendo debatida no âmbito de judiciário. No presente caso, devese aplicar o art. 150, § 4º, do CTN para se definir o termo inicial do prazo decadencial, eis ser predominante o critério trazido pelo CTN se se trata ou não de tributo sujeito a lançamento por homologação. O que, se tratando, resta a sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que apresentará declaração de voto, e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 39 /2 00 6- 19 Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIY AMA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Júlio César Alves Ramos Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340100.304, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que: · Em relação à decadência: a) por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso para reconhecêla para os períodos de apuração de 30 de junho de 1999 a 31 de dezembro de 2000; b) por maioria de votos, e, de ofício, reconheceu para os períodos de apuração de 01 de janeiro a 19 de setembro de 2001; · Em relação às demais matérias, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Colegiado, então, consignou acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/06/1999 a 28/06/2002 DECADÊNCIA. CPMF. TERMO DE INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DE CINCO ANOS. AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIY AMA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.001439/200619 Acórdão n.º 9303004.116 CSRFT3 Fl. 565 3 Nos termos da Súmula Vinculante 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação é a do § 4 o do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. SÚMULA N° 2. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Tendo, por conseguinte, como voto vencedor: “CONSELHEIRO DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Redator Com o devido respeito, ouso divergir de parte do voto do Ilustre Conselheiro relator quanto aos períodos considerados decaídos para efeito de lançamento, pois entendo aplicável a espécie o artigo 150, parágrafo 4 do CTN, e, não, o artigo 173, I, do mesmo diploma legal. E assim o faço com fundamento em face de decisão a que chegou o Colegiado Pleno do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, à larga maioria e ao final do ano de 2008. Portanto, entendo decaídos os períodos objeto do lançamento relativos aos apuração de 30 de junho de 1999 a 31 de dezembro de 2000, e, de ofício, reconheço a decadência para os períodos de apuração de 1º de janeiro de a 19 de setembro de 2001. É como voto.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o Acórdão 340100.304, requerendo que seja afastada a decretação de decadência do direito de Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIY AMA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Fazenda Pública de lançar a CPMF no período compreendido entre 12/2000 a 09/2001, em razão do disposto no art. 173, inciso I, do CTN. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do Despacho de fls. 1172/1173. O sujeito passivo, por sua vez, trouxe à Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo documento de fls. 1179/1180: “[...] 2. Em 07.03.2008, nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0278280 impetrado pela ora Requerente, que tramitou perante a Seção Judiciária de São Paulo/SP transitou em julgado decisão (DOC1) que afastou a exigibilidade da cobrança da CPMF de junho/1999 a junho/2002, incidente sobre contacorrente de depósito em geral (incluindo, portanto, aquelas relativas às despesas administrativas e aquelas referentes às atividades operacionais da Arrendadora). 3. Ademais, em 03.05.2011, nos autos do Mandado de Segurança nº 2002.61.00.0119750 também impetrado pela ora Requerente, transitou em julgado acórdão (DOC. 02) que confirmou a incidência da CPMF com alíquota zero para apenas os débitos em contacorrentes referentes às despesas operacionais da Requerente, que são objeto do presente Recurso Voluntário. 4. Neste diapasão, resta claro que qualquer decisão a ser proferida pelo CARF no processo administrativo em epígrafe, deve se curvar inteiramente ao entendimento exposto na decisão e no acórdão transitados em julgado anteriormente referidos, a fim de que as decisões sejam conformes, no que tange à inexigibilidade da CPMF no período compreendido entre junho/1999 e junho/2002. O sujeito passivo apresentou ainda Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que o recurso não merece ser conhecido e que, caso assim não entenda, lhe seja negado provimento – declarandose extinto o crédito tributário. É o relatório. Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIY AMA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.001439/200619 Acórdão n.º 9303004.116 CSRFT3 Fl. 566 5 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que deva ser admitido, pois tempestivo e observa os requisitos de admissibilidade de recursos, vez que resta comprovado o dissenso entre os arestos. Eis que a controvérsia suscitada cingese à aplicação da regra para a contagem da decadência. O que restou comprovada a divergência quando não há pagamento antecipado do tributo, pois nos acórdãos paradigmas encontrase a aplicação do art. 173, inciso I, do CTN. Ventiladas as breves considerações, passo a discorrer sobre o período em lide – para fins de aplicação do art. 150, § 4º, do CTN ou do art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal – em relação à CPMF supostamente devida no período de 1.1.2001 a 19.9.2001. Períodos objeto do presente Recurso Especial. Para melhor elucidar, importante recordar o que segue: · O Auto de Infração foi lavrado contra o sujeito passivo em 22/09/2006, relativo à CPMF dos períodos de apuração de 30 de junho de 1999 a 31 de dezembro de 2000, cujo crédito tributário, nele incluídos o principal e os juros de mora, montou a R$ 518.162,40; · Segundo a fiscalização, não foi constituída a multa de ofício e a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa, por força da existência de medida liminar na ação n° 1999.61.00.0278280, em que a autuada discute a constitucionalidade da exigência da | CPMF com alíquota positiva sobre sua movimentação financeira em contas correntes bancárias, por tratarse de empresa de leasing; Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIY AMA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 · O auto de infração abrangeu a cobrança da CPMF supostamente devida no período de 30.6.1999 a 28.6.2002; · Referida cobrança já foi afastada por decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas nos autos dos mandados de segurança nº 1999.61.00.0278780 e nº 2002.61.00.0119750, as quais ao equipararem o sujeito passivo à Instituição Financeira, reconheceram a aplicação da alíquota zero para fins de incidência do tributo, nos termos do art. 8º, inciso III, da Lei 9.311/96; · Foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, com aplicação do art. 150, § 4º, do CTN – reconhecendo a decadência para o período de 30.6.1999 s 31.12.2000 e, de ofício, para o período de 1.1.2001 a 19.9.2001 Cumpre observar, antes de se adentrar sobre a decadência do período ora em discussão – as decisões transitada em julgado. Depreendendose da análise dos autos do processo, vêse que a cobrança dessa contribuição foi definitivamente afastada com o trânsito em julgado da decisão monocrática e de acórdão proferidos, respectivamente, nos autos dos mandados de segurança (MS) nº 1999.61.00.0278280 e nº 2002.61.00.0119750. Nos termos da decisão transitada em julgado nos autos do MS nº 1999.61.00.0278280 – afastouse a exigibilidade da CPMF sobre a conta corrente de depósito em geral, incluindo, aquelas relativas às despesas administrativas e aquelas referentes às atividades operacionais. O acórdão do TRF2 transitado em julgado nos autos do MS nº 2002.61.00.0119750 reconheceu que o sujeito passivo se equipara às Instituições Financeiras e que, portanto, possui o direito à alíquota zero da CPMF incidente sobre suas atividades operacionais, nos termos do art. 8º, inciso III, da Lei 9.311/96. O que entendo que essa discussão na esfera administrativa quanto à exigibilidade da CPMF é inócua, pois o judiciário já declarou que o sujeito passivo Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIY AMA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.001439/200619 Acórdão n.º 9303004.116 CSRFT3 Fl. 567 7 faz jus à alíquota zero para fins de incidência da exação. Devendo assim, extinguir o crédito tributário, nos termos do art. 156, inciso X, do CTN (Grifos Meus): “ Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. [...]” Não obstante, caso seja ignorada os efeitos da decisão para fins de análise da decadência do período compreendido entre 1.1.2001 e 19.9.2001, importante trazer que a Fazenda Nacional entende ser aplicável a contagem do prazo previsto no art. 173, inciso I, do CTN, por não ter havido pagamento antecipado da CPMF nesse período. Em relação à essa discussão, tenho que para essa análise não seria aplicável o decidido no REsp 973.733 – apreciado na sistemática de recursos repetitivos. Lembro que o STJ expressou no item 1 de sua ementa quando da apreciação do REsp nº 973.733SC o que segue: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIY AMA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos daquela jurisprudência, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); I Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). O que, regra geral, para os casos “comuns”, a discussão acerca da contagem para o prazo decadencial não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. O que, por conseguinte, se o STJ decidiu que o pagamento antecipado ou declaração de débito são relevantes para caracterizar o lançamento por homologação, a princípio, poderia se entender para o caso em comento pela aplicação do art. 173, inciso I, do CTN – vez que o sujeito passivo não trouxe comprovante do pagamento da CPMF no período em discussão. Não obstante, entendo que a situação descrita nos autos do processo é diferente daquela apreciada pelo STJ, tendo em vista que aquele Tribunal quando da apreciação do REsp 973.733 não havia contemplado os casos em que o contribuinte teve seu crédito tributário extinto por decisão judicial transitada em julgado e que, por conseguinte, com tal decisão definitiva restaria impossível a comprovação do pagamento antecipado do referido tributo. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIY AMA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.001439/200619 Acórdão n.º 9303004.116 CSRFT3 Fl. 568 9 Sendo assim, para essa Conselheira, somente seria aplicável o decidido no REsp. 973.733 nos casos em que os sujeitos passivos têm o DEVER de antecipar o pagamento sem que haja prévio exame da autoridade administrativa. No presente caso, o sujeito passivo não teve a obrigação de antecipar o pagamento do tributo ora em debate, pois estava discutindo sua exigência no âmbito do judiciário e ainda detinha liminar à época – não promovendo nenhum pagamento à autoridade fazendária. E, por fim, obteve até decisões transitadas em julgado afastando a exigência da referida contribuição reconhecendo a aplicação da alíquota zero para fins de incidência do tributo, nos termos do art. 8º, inciso III, da Lei 9.311/96. O que resta claro, a meu ver, que não há que se falar em aplicar o entendimento trazido pelo STJ quando da apreciação desse REsp, devendose já aplicar o art. 150, § 4º, do CTN para se definir o termo inicial do prazo decadencial, vez ser predominante para esses casos o critério trazido pelo CTN – se se trata ou não de tributo sujeito a lançamento por homologação. O que, se tratando, ignorando o fato de o sujeito passivo ter obtido decisão judicial promovendo alíquota zero da CPMF aos eventos aqui discutidos, é de se aplicar o art. 150, § 4º, do CTN Considerando todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendo o decidido no acórdão recorrido. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Declaração de Voto Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIY AMA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Conselheiro Júlio César Alves Ramos Julguei necessário esclarecer por que acompanhei, pelas conclusões, o voto da dra. Tatiana, visto que em muitas outras ocasiões já deixei consignado que a regra decadencial prevista no art. 150, § 4º só tem aplicação quando efetivamente ocorrido algum recolhimento, como, aliás, decidido pelo STJ no Resp 973.733. Não partilho, portanto, a visão da n. relatora, bem exposta em seu substancioso voto, de que a inexistência de obrigação de recolher, por si só, baste para que seja afastada a disposição do art. 173, I do CTN. Segundo esse ponto de vista se é que consegui compreendêla corretamente caso o próprio contribuinte, ao realizar as providências previstas no art. 150, conclua que não deve recolher o tributo relativo àquele fato gerador, digamos porque entendeu submetido a alíquota zero, mas essa conclusão se mostrar incorreta, ainda assim não haveria que se falar na aplicação do art. 173, I. Pareceme que tal entendimento equivale a tornar letra morta a exigência de prévio recolhimento para a aplicação do dispositivo. É que, exceto no caso de comprovado dolo, sempre caberá tal alegação, aliás, única que justificaria o nãorecolhimento sem dolo. Poderia apenas mudar a fundamentação: em alguns casos, o "problema" estaria na alíquota, em outros em possível imunidade ou não ocorrência do fato gerador etc. Ora, a previsão do art. 150, sempre me pareceu, foi instituída tem em mira os tributos que, como regra, não comportariam tal tipo de discussão ou que, comportandoa, traziam na própria legislação o remédio a adotar em tais circunstâncias. É o caso do IPI, primeiro tributo, que eu saiba, a adotar a sistemática do lançamento por homologação, cuja lei original já previa a não produção de efeitos de tais providências caso resultassem na indevida falta de recolhimento do tributo. Ainda que os tributos posteriormente incluídos nessa sistemática não tenham em suas matrizes legais norma equivalente, parece razoável supor ser essa a lógica do dispositivo, a menos que se entenda como efetivamente entenderam muitos antes do julgamento do RESp acima que o a§ 4º do art. 150 era sempre aplicável, independentemente de haver recolhimento. Não cabendo mais tal entendimento em face das disposições regimentais que nos vinculam às decisões emanadas dos tribunais superiores na forma do art. 543 do CPC, forçoso é admitir sua aplicabilidade restritiva: apenas quando alguma parcela do tributo devido é efetivamente recolhida recolhimento em DARF é que se pode submeter o direito de lançar à regra do art. 150. No caso concreto, contudo, acompanhei a relatora por notar que havia, já quando da ocorrência dos fatos geradores em discussão, decisão judicial que mandava a instituição financeira nada recolher. É essa determinação, a meu ver, que autoriza a contagem do prazo na forma do § 4º do art. 150, até porque dela tem plena ciência o sujeito ativo, a quem cabe, desde logo, tomar as providências acautelatórias de seus interesses. Registro a importância de a liminar ser concomitante aos fatos aqui analisados. Fosse ela posterior, a meu ver, a obrigação existiria e, como tal, somente o recolhimento levaria a regra decadencial para o art. 150. Foi com base nisso que a acompanhei. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por TATIANA MIDORI MIGIY AMA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720028/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
RAZÕES DE RECURSO. MATÉRIAS ESTRANHAS À AUTUAÇÃO.
Não se toma conhecimento de alegações acerca de matérias estranhas à autuação.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o Dr. Carlos Leonardo Brandão Maia, OAB/BA 31353.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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MATÉRIAS ESTRANHAS À AUTUAÇÃO. Não se toma conhecimento de alegações acerca de matérias estranhas à autuação. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o Dr. Carlos Leonardo Brandão Maia, OAB/BA 31353. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 00 28 /2 00 8- 98 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza Relatório Contra a contribuinte acima qualificada, foi lavrada Notificação de Lançamento nº 05102/00007/2008, de fls. 02/06, emitida em 18/02/2008, intimando a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2004, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Caraíba”, cadastrado na RFB sob o nº 2.757.8208, com área declarada de 20.354,9 ha, localizado no Município de Jaguarari – BA. O crédito tributário apurado pela fiscalização compõese de diferença no valor do ITR de R$ 252.522,89 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 28/02/2008 (R$ 123.256,42) e da multa proporcional (R$ 189.392,16), perfaz o montante de R$ 565.171,47. O Termo de Intimação Fiscal de fls. 11, foi recepcionado em 18/10/2007 (fls. 13), intimando a Contribuinte a apresentar, para comprovar o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2004, Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sob pena de arbitramento de novo VTN, com base no SIPT da RFB. Por não ter sido apresentado o laudo de avaliação então exigido, a autoridade fiscal resolveu lavrar a presente Notificação de Lançamento, em que foi rejeitado o VTN declarado, de R$ 344.812,01 ou R$ 16,94/ha, e arbitrado o valor de R$ 1.607.426,45 ou R$ 78,97/ha, correspondente ao referido VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2004, para o citado município, com consequente aumento do VTN tributável, disto resultando imposto suplementar de R$ 252.522,89. Resumo da Autuação: Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado 17. Valor Total do Imóvel 3.704.596,01 4.967.210,45 18. Valor das benfeitorias 3.359.784,00 3.359.784,00 19. Valor das Culturas, Pastagens Cultivadas e Melhoradas e Florestas Plantadas 0,00 0,00 20. Valor da Terra Nua (17 18 19) 344.812,01 1.607.426,45 Cientificada do lançamento, em 07/04/2008 (fls. 125), a autuada, protocolou sua impugnação, em 06/05/2008, anexada às fls. 16/37, instruída com os documentos de fls. 38/123. Em síntese, alega o seguinte: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720028/200898 Acórdão n.º 2301004.784 S2C3T1 Fl. 249 3 que é notório o excesso de erros de direito e de fato, conforme fundamentado nos itens que se seguem, violando o princípio da segurança jurídica e da ampla defesa, maculando de nulidade o lançamento, como tem sido decretado pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, e pelo Judiciário; que o Judiciário tem se pautado pela nulidade quando o auto de infração não oferece segurança desde o nascedouro. O ato administrativo de lançamento deve ser formal, solene, estritamente vinculado à Lei e privativo da autoridade fiscal (art. 142 do CTN); que a exorbitância de falhas cometidas pela fiscalização, apresentadas abaixo, nunca dará a plena certeza de que a contribuinte está exercendo seu direito de defesa de forma ampla como determinou o Constituinte (LV, art. 5º da Constituição da República); que deve a Notificação ser anulada para que novo lançamento possa melhor expressar os elementos factuais do lançamento e com uma correta base jurídica, dentro das formalidades da Lei estritamente atribuídas privativamente aos agentes fiscais; que os equívocos perpetrados pelo Fisco violam os princípios da legalidade e da verdade material, alicerces de todo o Sistema Tributário, além da segurança jurídica e da ampla defesa no que se refere ao excesso de falhas, nos termos apresentados na preliminar de nulidade; que o crédito tributário decorrente de arbitramento de valor ou preço, goza de presunção de liquidez e certeza, mas por se tratar de presunção juris tantum, podem ser contraditados por avaliação administrativa ou judicial, como prescreve o art. 148 do CTN, in fine; que o valor arbitrado pode ser revisto com base em Laudo de Avaliação, ainda que tardiamente apresentado. O descumprimento da sobredita intimação não obsta a impugnação dos critérios e do valor atribuído pela Fazenda; que o VTN arbitrado, com base no SIPT, está equivocado, conforme faz prova os documentos acostados à sua impugnação, especialmente o Laudo de Avaliação da EBDA, firmado por dois Engenheiros devidamente habilitados, em consonância, inclusive, entendimento favorável do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF; que tratase de terras totalmente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, localizadas na região mais árida do Brasil e numa das mais miseráveis, pertencentes ao Polígono das Secas; 9.393/96, isto é, grau de utilização superior a 80%, observada a área total do imóvel e aplicar a alíquota de 0,45% e não 20%; que é juridicamente absurda, irrazoável e ininteligível a interpretação adotada pela Fazenda Nacional de que a presença dos dois requisitos constantes da alínea “c”, do inciso II, do par. 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96 (imprestabilidade e interesse ecológico), deva ser cumulativa para se admitir a exclusão das terras imprestáveis da área tributável do imóvel, base de cálculo do ITR; que o Conselho de Contribuintes, atual CARF, já exarou diversos Acórdãos que consagraram a imprestabilidade total das terras da Fazenda Caraíba e da Fazenda Pila que são terras contíguas utilizadas na exploração da mina de cobre. A prefeitura de Jaguarari Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 também atesta que a exploração do minério de cobre vem ocupando a terra há décadas, o que impede sua exploração com outras atividades; que a interpretação do disposto na citada alínea “c” deve ser sempre coadjuvada ou complementada pelo aspecto teleológico da norma. Se a função social da propriedade é o princípio constitucional estruturante do ITR, não há razões para tributar terras imprestáveis com a alíquota máxima de 20%, só porque elas não atendem ao requisito do interesse ecológico; que a tributação nos termos efetuados fere o princípio constitucional de vedação de tributo com efeito de confisco (inciso IV, do art. 150 da CF), além do que a progressividade do ITR só é concebida constitucionalmente para desestimular a improdutividade (par. 4º, do art. 153, da CF), sendo defeso cobrar o tributo sobre terra imprestável, onde inexoravelmente é impossível tornála aproveitável nas condições atuais, que o laudo da EBDA e demais provas trazidas aos autos demonstram que a função social da terra está sendo muito bem cumprida com a extração mineral do cobre, destacando os benefícios sociais e econômicos decorrentes dessa atividade; que enquanto o laudo de avaliação apurou um VTN de R$ 344.932,00 ou R$ 16,94/ha, a preços de março de 2004, a RFB, arbitrou o valor de R$ 1.607.426,45, utilizando o VTN/ha apontado no SIPT (Portaria SRF nº 447/2002), de R$ 78,97 (366% superior); que as terras possuem características desfavoráveis e para comprovar, não só o laudo de avaliação da EBDA, com informações precisas e detalhadas, mas também as fotos da citada fazenda e demais documentos acostados; além de que as vendas, à míngua, registradas no único Cartório existente na cidade, dão conta de que os preços são substancialmente inferiores aos adotados pela Fazenda Nacional e estão compatíveis com os constantes do laudo de avaliação da EBDA, destacando e transcrevendo parte das informações dos técnicos da EBDA, no item 4, do referido laudo; que a prevalecer o preço arbitrado pela RFB, restará caracterizada a cobrança do ITR com nítido caráter de confisco, defesa pela Magna Carta; além de nitidamente irreal, o SIPT é impreciso, pois não conta com uma atualização sistemática e criteriosa que possa atribuirlhe maior convicção, seja por ausência de avaliadores in loco, seja pelas raras negociações de terras na região; que as características particulares adversas das terras da Fazenda Caraíba, localizada em pleno sertão agreste, região inóspita, das mais secas do Brasil; com base no laudo apresentado, elaborado em março de 2004, por técnicos da EBDA, está segura que o preço correto é de R$ 16,94/ha, perfazendo o montante de R$ 344.932, para a área total de 20.362,0 ha; sendo que, o valor contábil da terra nua está contabilizado há vários anos por aproximadamente R$ 9.000,00. Esse diminuto valor bem retrata os baixos preços por que foram adquiridas; o próprio Conselho de Contribuinte já consagrou a imprestabilidade das terras contíguas correspondentes à Fazenda Caraíba (Mina) e da Fazenda Pilar (Vila Pilar de trabalhadores e suas famílias), conforme destacado nas ementas dos Acórdãos 30331.811 e Acórdão 30333.596; que as adversidades da Fazenda Caraíbas, conforme registrado no laudo elaborado pela EBDA, nas partes transcritas; por não existir área aproveitável, passível de exploração, torna impróprio e injusto, e porque não dizer jurídica e matematicamente Fl. 273DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720028/200898 Acórdão n.º 2301004.784 S2C3T1 Fl. 250 5 inexistente, o percentual de aproveitamento do solo atribuído pela RFB, de até 30% de Grau de Utilização – Tabela anexa à Lei 9.393/96; que a distribuição das áreas do imóvel, devidamente classificadas, com suas respectivas dimensões, conforme item 3.2 do laudo, comprovando a utilização da terra com as atividades de mineração do cobre; que caso prevaleça a alíquota de cálculo de 20% sobre o VTN para cálculo do ITR, em cinco anos terseia recolhido um ITR equivalente ao preço total da Fazenda, se adotado o preço da terra nua da impugnante, numa condição em que toda a área está disponibilizada para a plena atividade de exploração mineral; que se consideradas todas as áreas de pesquisa autorizadas pelo DNPM, destinadas à extração do minério de cobre, não haveria como desenvolver quaisquer outras formas de exploração do solo, de vegetação ou pastoril; que o critério de tributar terras utilizadas com a produção mineral, como no caso da Mineração Caraíba, contraria a determinação da CF art. 153, § 4º, cujo comando autoriza onerar apenas terras improdutivas. Há que se aplicar o mandamento literalmente expresso no § 1º do art. 11, da Lei 9.393/96, isto é, grau de utilização superior a 80% (oitenta por cento), observada a área total do imóvel, cuja alíquota cai para 0,45%; que a função social da propriedade rural, citando trecho extraído da obra de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Direito Administrativo, 21ª ed., Atlas, SP, 2008, pag. 118; que o ITR, previsto no art. 153, VI, da Constituição da República, é nitidamente um instrumento de política fundiária, com função extrafiscal. Depois de discorrer sobre o assunto, citando, inclusive, Ricardo Cunha Chimenti, in Direito Tributário, Saraíva, 9ª ed. 2006, pág. 214, diz que não seria justo tributar de forma agravada, as propriedades que se dedicam a outras atividades, distintas das atividades agrícolas, pastoris e extração vegetal, como a lavra de minas em geral; que a lavra de minas de cobre nunca poderia descaracterizar a plena produtividade das terras. Caso contrário poderseia aduzir à absurda possibilidade de desapropriação de terras que se encontrassem em fase de plena exploração das jazidas minerais; que art. 10 da Lei 8.629/93, que trata da reforma agrária, e ao art. 50 do Estatuto da Terra, com a redução dada pelo art. 1º da Lei 6.746/79, alínea “c” § 4º, diz que não se pode exigir produtividade das áreas inaproveitáveis, seja ela imprestável para qualquer tipo de exploração agrícola, pecuária, florestal ou extrativa vegetal, ou mesmo sob efetiva exploração mineral; que não há condicionamento de que a imprestabilidade deva estar cumulada com o interesse ecológico, para que a área de terra seja retirada do campo de abrangência da reforma agrária. Isto porque a simples natureza da imprestabilidade justifica completamente sua improdutividade no momento; 10, da Lei 9.393/96 (binômio imprestabilidade e interesse ecológico), como condições cumulativas. É de clareza solar que qualquer uma das situações vistas individualmente seria suficiente para impossibilitar, em absoluto, a utilização produtiva da terra e dispensála do ITR, por total inaptidão para utilização; Fl. 274DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 que a tributação do imóvel com base na alíquota máxima de 20% possui efeito confiscatório, acarretando, inclusive, a perda da propriedade em poucos anos; que é irrazoável exigir produtividade de uma terra imprestável quando ausente o interesse ecológico, bem como é desproporcional aplicarlhe a alíquota mais gravosa de 20%, se não é viável e possível sua exploração nas atividades essencialmente rurais e, principalmente, se a atividade de exploração mineral não suporta qualquer outra; que se as terras não podem ser exploradas por imprestabilidade, não há como lhes exigir função social produtiva outra que não a exploração mineral, que é, no momento, sua única vocação, transcrevendo parte dos esclarecimentos constantes do item 3.3 do laudo elaborado pelos técnicos da EBDA; que o texto da Lei 9.393/96, que trata do assunto (áreas imprestáveis/interesse ecológico), diz que a falta da conjunção aditiva “e” ou da conjunção alternativa “ou”, não impede que se perquira o sentido e o alcance da norma, através de uma visão sistemática da legislação do ITR, observado o seu aspecto teleológico e principalmente o princípio social da propriedade, acrescentando: Se o legislador quisesse tributar quando não houvesse o interesse ecológico teria usado a conjunção “e”, ou expressões simples como “desde que declaradas”; que a Lei 8.847/94, que vigeu até o advento da Lei 9.393/96, não tratava de forma cumulativa as exigências de interesse ecológico e a imprestabilidade das terras, posto que as duas condições são completamente dissociadas; que as qualidades “interesse ecológico e imprestabilidade” não têm nexo entre si para determinar se o imóvel está ou não cumprindo a função social estabelecida no art. 5º, XXIII, da Constituição da República. Nem a cumulação das duas condições deve influenciar a incidência do ITR ou sua progressividade determinada pelo legislador constitucional, com o fito de desestimular as propriedades improdutivas (art. 153, § 4º da Constituição da República); que a tributação nestes termos fere o princípio constitucional de vedação de tributo com o efeito de confisco (inciso IV, do art. 150 da CF); insiste que a manutenção da alíquota de cálculo de 20% sobre o VTNt para cálculo do ITR, em cinco anos terseia recolhido um ITR equivalente ao preço total da Fazenda; e, se considerado o VTN arbitrado, supervalorizado pela RFB em 366%, a perda total do investimento ocorreria com uma única Notificação de Lançamento, isto é, pelo recolhimento de apenas um ano de ITR, caracterizando o efeito de confisco da conduta fiscal; que o ITR é um imposto real, ao contrário dos impostos pessoais, não é dosado pela capacidade contributiva pessoal, pouco importando, no caso, se a atividade de exploração de cobre dote a empresa de condições econômicas que viabilizem o recolhimento do tributo. O importante é que as terras são improdutivas para as atividades elencadas na Lei 9.393/96, e que, na moldura desta acepção, é inviável e impossível reverter essa situação natural do imóvel, o que classifica a ilegalidade da cobrança impugnada, e por Ao fim, requer: 1. a nulidade do lançamento, por erro de direito caracterizado pelo excesso de equívocos de aplicação dos critérios jurídicos de apuração do imposto, e na apuração dos fatos, especialmente a falha quanto a fixação do Grau de Utilização previsto no item VI, do par. 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96, a errônea interpretação da alínea “c”, do inciso II, do par. 1º, do art. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720028/200898 Acórdão n.º 2301004.784 S2C3T1 Fl. 251 7 10, da Lei 9.393/96, ao exigir a cumulatividade dos dois requisitos (imprestabilidade e interesse ecológico), não sendo excluída, para efeito de apuração da área tributada do imóvel, as áreas que efetivamente se destinam à exploração mineral (cobre), além de o erro implicar na aplicação da alíquota de 20%, ao invés de, na hipótese, 0,45%, determinada expressamente pelo par. 1º do art. 11 da Lei 9.393/96; 2. caso seja rejeitada a preliminar de nulidade, que se dê provimento à impugnação pela improcedência do lançamento, devido ao direito da impugnante ao enquadramento da área total do imóvel no conceito da alínea “c”, do inciso II, do par. 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96, por ser imprestável para a exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, e 3. não acatado o pedido antecedente, que seja dado provimento parcial à impugnação, por considerar inexistente o Grau de Utilização, previsto no item VI, do par. 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96, por imprestabilidade das terras da Fazenda Caraíba, inaproveitável de exploração (item IV, do par. 1º, do art. 10, da Lei 9.393/96), aplicandose a alíquota de cálculo de 0,45% (par. 1º, do art. 11, da Lei 9.393/96), sobre o VTN apurado por meio do laudo técnico de avaliação da EBDA, apenas sobre as áreas não utilizadas diretamente para a exploração mineral do cobre (4.200,0ha + 6.962,0ha = 11.162,0 ha). A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DO PROCEDIMENTO FISCAL E DA APURAÇÃO DO IMPOSTO O procedimento fiscal foi instaurado e realizado em conformidade com as normas vigentes, além de não ter sido constatada qualquer irregularidade na apuração do imposto suplementar lançado pela fiscalização, que pudesse implicar na nulidade da correspondente Notificação de Lançamento. DECLARAÇÃO RETIFICADORA PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO.DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. ÁREA DESTINADA À MINERAÇÃO Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Por ausência de disposição legal, as áreas destinadas à mineração não podem ser excluídas de tributação, a não ser que seja comprovado nos autos a existência de ato específico do órgão ambiental federal ou estadual reconhecendo tais áreas como de interesse ambiental, além de comprovada a exigência relativa ao ADA. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, correspondente ao VTN/ha médio, constante do SIPT, para o município de localização do imóvel, exigese a apresentação de Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, que atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir Grau II de fundamentação e precisão, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2004), observadas as suas características particulares. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do Acórdão 0352.006 1ª Turma da DRJ/BSB em 17/06/2013 (fl. 157). Sobreveio recurso voluntário (fls. 158/189) em 17/07/2013. Em suas razões alega que: que a terra é imprestável para exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, segundo laudo expedido pela EBDA; o VTN por hectare adotado pelo SIPT está equivocado, pelo fato de contemplar terras localizadas no entorno do Município de Jaguarari, com melhor qualidade e de maior valor, anexando aos autos, documentos dos registros do Cartório de Imóveis, sanando quaisquer dúvidas sobre os preços praticados na região; enfatiza que “as constatações dos peritos, a título de contribuição, eis que o Laudo é suficiente como prova” demonstrando o valor do Laudo técnico questionado pela DRJ; demonstra que no item 6 do Laudo técnico apresentado, os peritos realizam analogia da evolução/involução dos preços do VTN de 1993 até 2004, chegando no valor de R$ 16,94/ha, o que completa R$ 344.932,00, como valor da área total da Fazenda, indicando que houve uma queda nos preços; Por fim, protocolou petição em 22/10/2013 (fl. 216) que em suma, requer: “Ex positis, pleiteia a V.Sa. que seja fornecido todos os valores individuais que formaram a média do preço de mercado de R$ 78,97/ha, bem assim, a localização geográfica e tamanho de cada propriedade registrado no SIPT, no exercício de 2004, oportunizando à autuada, contraditalo, com dados concretos, produzindo provas da impertinência dos referidos valores” (fls. 218/219). É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720028/200898 Acórdão n.º 2301004.784 S2C3T1 Fl. 252 9 Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. Primeiramente, a fim de esclarecer e delimitar a controvérsia, frisase que a autuação se deu por entender a autoridade fiscalizadora que o Valor da Terra Nua VTN, atribuído para o exercício em questão, estava subavaliado. Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Pregos de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Lei n° 9.393/96, artigos 8 0 ,§1 0 e 2°, 10, 11 e 14. Portaria SRF no 447/2002. Quanto as demais matérias alegadas pelo contribuinte em sede recursal, deixo de enfrentálas por serem objeto estranho à autuação. No que se refere tão somente à autuação, a autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação do VTN, rejeitando o valor declarado de R$ 344.812,01 ou R$ 16,94/ha, arbitrando o valor de R$ 1.607.426,45 ou R$ 78,97/ha, correspondente ao referido VTN médio, por hectare, apontado no SIPT, exercício de 2004, para o citado município, com consequente aumento do VTN tributável. A Turma Julgadora de Primeira Instância, entendeu que o laudo técnico apresentado não preenchia os requisitos da NBR 14.6533 da ABNT, mantendo a tributação do imóvel com base no VTN apontado na SIPT. Com efeito, o parágrafo 2° do artigo 8° da Lei n° 9.393, de 1996, dispõe que o VTN deve refletir o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR. A auto avaliação do valor da terra nua a preço de mercado efetuada pelo contribuinte em sua DITR está sujeita à fiscalização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e, caso verificada a subavaliação, com base na tabela SIPT, será procedida a correção do valor declarado, conforme disposto no art. 14, abaixo transcrito: Fl. 278DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Como se vê, por força do estabelecido no § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Confirase a transcrição do referido artigo, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.18356, de 2001: Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e cessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Analisandose o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir que o levantamento do VTN, levando em conta a média dos VTNs constantes nas DITRs, não tem suporte legal, pois o arbitramento do valor Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720028/200898 Acórdão n.º 2301004.784 S2C3T1 Fl. 253 11 da terra nua com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola. Ainda que conste à fl. 14 (Tela SIPT CONSULTA) não há como saber se foram atendidos todos os parâmetros legais para o cálculo do VTN, de modo que não pode ser utilizada a SIPT para proceder o arbitramento do valor da terra nua. No Estado de Direito deve sempre imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa conforme estabelecido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário. Ora, se a fixação do VTN não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTN adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo. O VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Nesse sentido, cabe transcrever o julgado abaixo, acórdão nº 2102003.137, da 1ª Câmara da 2ª Turma da 2ª Seção deste Egrégio Conselho, o qual ratifica o entendimento desta relatora. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido Na mesma esteira trilha o Acórdão 220201.269, Processo 10.183.005183/200525, Relatora Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, do qual subtraio apenas excerto da ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 [...] Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). INCABÍVEL AUTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO NA DITR. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. [...] Não é outro entendimento da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF ao proferir o Acórdão nº 9202003.749 abaixo ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. ____________________________________________________ Processo nº 10218.721049/200792 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.993 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2016 Matéria ITR Recorrente COMPANHIA AGRO PASTORIL DO RIO TIRAXIMIM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720028/200898 Acórdão n.º 2301004.784 S2C3T1 Fl. 254 13 disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Assim, o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências determinadas pela legislação de regência. Ademais, a contribuinte acostou o Laudo de Avaliação, de fls. 80/89 e anexos, elaborado pela EBDA, sob a responsabilidade técnica dos Engenheiros Agrônomos Airton Jose de Souza e Solange Brito da Silva, com ART devidamente anotada no CREA/BA (fl. 89), em que consta que o VTN/ha é de (R$ 16,94/ha) fl. 83. Apenas a título de argumentação, consta do referido Laudo, informações acerca das características peculiares do imóvel, de modo que servem a corroborar o entendimento de que não é possível o arbitramento em VTN tão somente com base na SIPT Sistema de Preços de Terra da SRF, pois essa reflete somente o preço médio das terras, não considerando características específicas de cada área. Observamos que as características do regime de chuva a deficiência hídrica, acidez, solos rasos com afloramento rochosos, torna o desenvolvimento da atividade agrícola, granjeira, aquícola, pecuária e florestal inviável devido imprestabilidade da terra; pois para tornálo explorável haveria necessidade de irrigação, o que e descartado devido a distancia do rio São Francisco, e a necessidade de implementação de técnicas muito avançadas alem de uma grande quantidade de fertilizantes tornando a exploração inviável. Ainda, o próprio Conselho de Contribuintes decidiu de forma favorável à contribuinte em processos envolvendo a mesma área rural e mesma matéria, conforme destacado nas ementas dos Acórdãos 30331.811 e Acórdão 30333.596. PROCESSO N° : 13530.000057/9811 SESSÃO DE : 27 de janeiro de 2005 ACÓRDÃO N° : 30331.811 RECURSO N° : 127.192 RECORRENTE : MINERAÇÃO CARAíBA LTDA. RECORRIDA : DRJ/RECIFE/PE ITR/1995. PRELIMINAR DE NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO. Em face do disposto no art.59,§3°, do Decreto 70.235/72, deixa se de considerar a preliminar de nulidade. IMPRESTABILIDADE DA ÁREA RURAL. Os laudos elaborados por engenheiro agrônomo credenciado e pela ( Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola — EBDA vinculada à Secretaria de Agricultura da Bahia, concluem pela imprestabilidade da terra para a exploração agrícola, pecuária, Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 aqüícola, granjeira e florestal. Os laudos técnicos apresentados, com suporte em dados da região e fotografias específicas do imóvel são idôneos para atestar a impossibilidade de aproveitamento produtivo do imóvel, bem como para confirmar a utilização da Fazenda Pilar como suporte de infraestrutura à atividade de mineração, servindo de residência para os administradores e empregados na atividade de mineração desenvolvida pelo mesmo proprietário na Fazenda vizinha, cujo registro e autorização de lavra para o período examinado foram confirmados pelo DNPM vinculado ao Ministério das Minas e Energia. A notificação de lançamento que aponta 0% de utilização é improcedente. Recurso Voluntário Provido. ____________________________________________________ Processo n° : 13530.000060/0012 Recurso n° : 132.322 Acórdão n° : 30333.596 Sessão de : 18 de outubro de 2006 Recorrente : MINERAÇÃO CARAÍBA S/A. Recorrida : DRJ/RECIFE/PE ITR196. LAUDO TÉCNICO COMPETENTE. GRAU DE UTILIZAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ALIQUOTA APLICÁVEL. A sucessão de indícios representados pelo laudo técnico do Eng Agrônomo, pelo Laudo da EBDA, pela Certidão do DNPM, pela declaração da Prefeitura de Jaguari/BA e o novo laudo técnico apresentado, no seu conjunto, constituem prova suficiente e satisfazem em grande medida às exigências deste processo. O Laudo elaborado pela EBDA leva à conclusão de que a exploração mineral de superficie praticada no caso é atividade produtiva que inviabiliza a utilização para qualquer finalidade agrícola, pecuária, aquicola, granjeira e florestal. A área utilizada em mineração de superfície, neste caso, deve ser considerada imprestável, sendo passível de exclusão da base de cálculo do ITR. Sobre a área do imóvel passível de tributação pelo ITR deverá incidir o VTN de RS 22,17/hectare demonstrado tecnicamente pela EBDA. O grau de utilização da propriedade, considerada a sua dedicação quase integral à atividade mineral de superficie é de aproximadamente 94,74%, e a área total do imóvel é de 20.362,0 hectares, o que leva à alíquota a ser aplicada indicada na Tabela anexa à Lei 8.847/94 não agravada. Recurso voluntário provido. Assim, tendo em vista que o valor informado pela contribuinte é o mesmo constante do Laudo Técnico de Avaliação, deve ser restabelecido o Valor da Terra Nua informado na DITR pelo contribuinte de R$ 16,94/ha, totalizando R$ 344.812,01 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10530.720028/200898 Acórdão n.º 2301004.784 S2C3T1 Fl. 255 15 Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso restabelecer o valor da Terra Nua declarado. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10925.720884/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Caso o sujeito passivo formule desistência total no processo administrativo, em razão de inclusão em parcelamento do crédito em discussão, as decisões proferidas nos autos serão consideradas insubsistentes, ainda que lhe sejam favoráveis, nos termos do art. 75 do Anexo II do RICARF
Numero da decisão: 1401-001.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM os Embargos inominados com efeitos infringentes para ANULAR o Acórdão, ante o pedido de desistência formulado pelo sujeito passivo anterior ao julgamento
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aurora Tomazini de Carvalho - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguilar Villas Boas, Julio Lima Souza Martins e Aurora Tomazini de Carvalho.
Nome do relator: AURORA TOMAZINI DE CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM os Embargos inominados com efeitos infringentes para ANULAR o Acórdão, ante o pedido de desistência formulado pelo sujeito passivo anterior ao julgamento (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguilar Villas Boas, Julio Lima Souza Martins e Aurora Tomazini de Carvalho.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Caso o sujeito passivo formule desistência total no processo administrativo, em razão de inclusão em parcelamento do crédito em discussão, as decisões proferidas nos autos serão consideradas insubsistentes, ainda que lhe sejam favoráveis, nos termos do art. 75 do Anexo II do RICARF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHERAM os Embargos inominados com efeitos infringentes para ANULAR o Acórdão, ante o pedido de desistência formulado pelo sujeito passivo anterior ao julgamento (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguilar Villas Boas, Julio Lima Souza Martins e Aurora Tomazini de Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 08 84 /2 01 1- 13 Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10925.720884/201113 Acórdão n.º 1401001.637 S1C4T1 Fl. 11 2 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (fls. 900/903) em que a Fazenda Nacional alega OMISSÃO no Acórdão nº 1401001.005, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (fls. 883/898), relativamente ao pedido de desistência formulado pelo sujeito passivo por conta da inclusão dos débitos discutidos nestes autos em programa de parcelamento (fl. 881). Alega a Embargante que o acórdão embargado incorreu em inexatidão material ao não se manifestar sobre o pedido de desistência formulado pelo contribuinte (fl. 901) após o julgamento do recurso voluntário: Como se trata de pedido superveniente e que influi diretamente no interesse recursal da União, imprescindível a integração do acórdão para a análise do pedido de parcelamento, no sentido de tornar o acórdão (1401001.055) proferido sem efeito. Tal manifestação revela omissão do acórdão recorrido, apta, inclusive, a ensejar a aplicação do artigo 661 do Regimento Interno do CARF, Portaria MF no 256/2009. Em síntese, alegase, na peça recursal, que esta E. Corte se manifeste expressamente quanto à anulação do acórdão 1401001.055 em que a União restou sucumbente, tendo em vista a posterior desistência formulada pelo contribuinte. Os Embargos de Declaração foram admitidos como Embargos Inominados, nos termos do art. 66 do Anexo II do RICARF. É o relatório Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10925.720884/201113 Acórdão n.º 1401001.637 S1C4T1 Fl. 12 3 Voto Conselheira Aurora Tomazini de Carvalho – Relatora De acordo com o art. 66 do Anexo II do RICARF, “as alegacõ̧es de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão”. Percebese, assim, que podem ser admitidos como Embargos Inominados os recursos nos quais se alegue inexatidão material na decisão embargada. Seu provimento, por outro lado, está condicionado à efetiva existência de inexatidão material na decisão embargada. No presente caso, alegase que a inexatidão material consistiria no fato de o acórdão embargado não fazer referência ao pedido de desistência formulado pelo contribuinte tendo em vista a inclusão do débito constituído nestes autos em programa de parcelamento. Ocorre que, como bem ressaltou a Embargante (fls. 901), o pedido de desistência formulado pelo contribuinte foi apresentado nos autos após o julgamento do recurso voluntário. Portanto, não se poderia afirmar, em princípio, que o acórdão padece de qualquer inexatidão material, dada a impossibilidade de manifestarse sobre questão não posta nos autos à época do julgamento. Vejamos, porém o que dispõe o art. 75 do Anexo II do RICARF: Art. 75. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobranca̧, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Como se vê, o enunciado prescreve, expressamente, que caso o sujeito passivo formule desistência total no processo administrativo, as decisões proferidas nos autos serão consideradas insubsistentes, ainda que lhe sejam favoráveis. No presente caso, o acórdão embargado deu parcial provimento ao recurso do contribuinte para reconhecer a decadência para o primeiro trimestre de 2006 e, no mérito, para desqualificar a multa de ofício: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, para ACOLHEREM parcialmente a decadência para o primeiro trimestre de 2006, e no mérito, por maioria de votos, DERAM provimento parcial para desqualificar a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 913DF CARF MF Processo nº 10925.720884/201113 Acórdão n.º 1401001.637 S1C4T1 Fl. 13 4 Vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. Tal decisão, porém, tornouse insubsistente ante o pedido de desistência formulado nestes autos, nos termos do art. 75, retro mencionado. Por esta razão, voto pelo provimento dos presentes Embargos Inominados, de modo a declarar insubsistente o acórdão embargado ante o pedido de desistência formulado nestes autos (fl. 881). CONCLUSÃO Diante do exposto, voto pelo PROVIMENTO dos Embargos Inominados para declarar insubsistente o acórdão embargado ante o pedido de desistência formulado pelo sujeito passivo (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho Fl. 914DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904211/2009-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 11 /2 00 9- 73 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904211/200973 Acórdão n.º 9303004.076 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3303002.498, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904211/200973 Acórdão n.º 9303004.076 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904211/200973 Acórdão n.º 9303004.076 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904211/200973 Acórdão n.º 9303004.076 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904211/200973 Acórdão n.º 9303004.076 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904211/200973 Acórdão n.º 9303004.076 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904211/200973 Acórdão n.º 9303004.076 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19647.008503/2008-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 85 03 /2 00 8- 11 Fl. 280DF CARF MF Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 9202004.760 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 9202004.760 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 9202004.760 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 283DF CARF MF Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 9202004.760 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 9202004.760 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 285DF CARF MF Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 9202004.760 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 9202004.760 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 287DF CARF MF Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 9202004.760 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 19647.008503/200811 Acórdão n.º 9202004.760 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 289DF CARF MF
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