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Numero do processo: 17546.000987/2007-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/10/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
SÚMULA 99 CARF
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.389
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, que julgou o lançamento improcedente devido à homologação tácita do crédito, com fulcro no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1996 a 31/10/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. SÚMULA 99 CARF Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso de Ofício Negado
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/10/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. SÚMULA 99 CARF Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso de Ofício Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício, que julgou o lançamento improcedente devido à homologação tácita do crédito, com fulcro no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 09 87 /2 00 7- 82 Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000987/200782 Acórdão n.º 2302003.389 S2C3T2 Fl. 1.146 3 Relatório Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 12/12/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 14/12/2006, e pela empresa prestadora em 19/12/2006, de contribuições previdenciárias patronais, devidas para o seguro acidente do trabalho e às destinadas aos Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados temporários cedidos, nas competências de 02/1996 a 10/1998. O Relatório Fiscal de fls. 65/72, traz que a empresa Resolve Serviços Empresariais Ltda. prestou serviços à notificada mediante a cessão de trabalhadores temporários. Como não foram comprovados os recolhimentos das contribuições previdenciárias devidas pela empresa contratada, sobre a remuneração dos trabalhadores cedidos, a TI Brasil Indústria e Comércio, tomadora dos serviços, responde solidariamente em relação a tais contribuições. Após a apresentação das impugnações, os autos baixaram em diligência, sendo que o Relatório Fiscal de Diligência, fls. 1039/1041, retificou o débito lançado , frente a apresentação de recolhimentos efetuados. Os contribuintes forma cientificados do resultado da diligência e apresentaram as respectivas manifestações. Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF, às fls. 1125/1129, julgou o lançamento improcedente devido à homologação tácita do crédito, com fulcro no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional e recorreu de Ofício a este Colegiado, devido ao valor exonerado. Posteriormente, a notificada apresentou requerimento solicitando a celeridade no julgamento. É o relatório. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Compulsando os autos é de se ver que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi cientificada ao sujeito passivo em 14/12/2006 e à prestadora de serviços em 19/12/2006, compreendendo o período de 02/1996 a 10/1998. Assim, quanto à decadência, observase que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 17546.000987/200782 Acórdão n.º 2302003.389 S2C3T2 Fl. 1.147 5 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, podese observar, às fls. 21/32, o Discriminativo RDA Relatório de Documentos Apresentados, onde constam guias de recolhimento de contribuições previdenciárias durante todo o período lançado, devendo, portanto, ser observado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tal procedimento encontra respaldo na Súmula n.º 99, do CARF: Súmula 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Portanto, mostrouse correta a decisão recorrida que pugnou pela improcedência do lançamento. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720525/2008-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo (ARL), ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à reserva legal.
Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 22/09/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratando-se de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo (ARL), ainda que apresentado ADA intempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à reserva legal. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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ÁREAS DE RESERVA LEGAL/UTILIZAÇÃO LIMITADA E PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo (ARL), ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 05 25 /2 00 8- 80 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à reserva legal. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório GENY RATIER PEREIRA MARTINS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento, em 27/11/2008 (AR fl. 07), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2004, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda São José”, localizado no município de Corumbá/MS, inscrita na RFB sob nº 2.270.7450, conforme peça inaugural do feito, às fls. 01/06, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0422.561/2010, às fls. 81/92, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 13/03/2012, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2102 001.883, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10140.720525/200880 Acórdão n.º 9202003.350 CSRFT2 Fl. 167 3 Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ITR. REQUISITOS DE ISENÇÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. ADA EXTEMPORÂNEO. A apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal de isenção de áreas no cálculo do Imposto Territorial Rural (ITR). Recurso Voluntário Provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 128/137, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 39100.037, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o entendimento inscrito no Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal/utilização limitada e preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende da requisição atempada do ADA, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Alega, igualmente, que o Acórdão guerreado malferiu os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, quanto à requisição tempestiva do ADA. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada decorre do art. 17O, § 1°, da Lei n° 6.938/1981, alinhandose com a norma que consagrou o benefício tributário (Art. 10, § 1°, II, da Lei n° 9.393/96) e apontando o meio para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para tanto que as áreas de reserva legal e preservação permanente são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de reserva legal/utilização limitada e preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente Instrução Normativa SRF n° 76/2005, c/c Decreto n° 4.382/2002. No presente caso, tratandose do exercício de 2004, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho S/N, de 14/11/2012, de fl. 146/147. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 150/162, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão guerreado, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma (Acórdão nº 391 00.037) trazido à colação, bem como a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de considerar a ausência de comprovação do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisório guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Turma recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10140.720525/200880 Acórdão n.º 9202003.350 CSRFT2 Fl. 168 5 exercício de 2001, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental – ADA quanto às áreas de reserva legal e de preservação permanente, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, Fl. 191DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de reserva legal e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludida área, como se constata nestes autos. Registrese, que a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, oferece proteção ao entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de reserva legal e preservação permanente, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admiti las para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de Fl. 192DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10140.720525/200880 Acórdão n.º 9202003.350 CSRFT2 Fl. 169 7 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, acima explicitado, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Assim, inobstante Instruções Normativas não vincularem este Órgão, tratandose de legislação mais recente impõese a sua observância, inclusive para fatos geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor do contribuinte, que apresentou ADA, às fls. 56, contemplando as áreas objeto da demanda, ainda que intempestivamente protocolizado, datado de 31/03/2005 (anterior ao início da ação fiscal), corroboradas pelo Laudo Técnico, de fls. 25/37. Por sua vez, o que torna ainda mais digno de realce relativamente à área de reserva legal, é que o contribuinte trouxe à baila documentos comprobatórios de sua existência, dando conta inclusive que a averbação à margem da matrícula do imóvel fora procedida anteriormente ao fato gerador do tributo, em 14/09/2001, como se a própria autoridade lançadora reconheceu no anexo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 02/04, nos seguintes termos: “[...] Reserva Legal: Apresentou cópia autenticada da matrícula do imóvel onde consta averbação, de 14/09/2001, informando Área de Reserva Legal no valor de 20% da área total do imóvel, o equivalente a 1.990,00 ha. Entretanto, não foi apresentado o comprovante de solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6 (seis) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10140.720525/200880 Acórdão n.º 9202003.350 CSRFT2 Fl. 170 9 meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. O comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental – ADA apresentado pelo contribuinte foi protocolizado em 31 de março de 2005, não abrangendo os exercícios 2003 e 2004.[...]” (grifamos) Nesse sentido, o certo é que a Averbação tempestiva da Área de Reserva Legal/Utilização Limitada e a informação da APP constante do ADA, mesmo intempestivo, e do Laudo Técnico, às fls. 25/37 e anexos, apresentados pela contribuinte se prestam a comprovar a existência de aludidas áreas, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material, na linha do que restou assentado no Acórdão recorrido. Partindo dessas premissas, tratandose de áreas de reserva legal/utilização limitada e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pelo contribuinte, ainda que apresentado o ADA intempestivamente, impõese o restabelecimento de referidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 195DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001931/2005-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC (art. 62-A do RICARF) .
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam o recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC (art. 62-A do RICARF) . JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso provido em parte.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF) . JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que proviam o recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 19 31 /2 00 5- 54 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001931/200554 Acórdão n.º 2202002.785 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, ELZA PAIVA MARCONDES, foi lavrado auto de infração resultante da revisão da declaração de ajuste anual da Interessada relativa ao ano calendário 2001, onde se exige Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$.47.329,66, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Da leitura do "Demonstrativo das Infrações" (fl. 16), observase que a presente autuação decorre da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos em decorrência do "processo trabalhista 971/89 da 2a Vara do Trabalho de Florianópolis ". Por ser de direito, o valor do imposto de renda retido na fonte foi alterado em razão da inclusão de valores devidamente comprovados, correspondentes aos rendimentos tributáveis omitidos. Irresignada, a Interessada apresentou a impugnação de fls. 01 a 12, na qual expõe suas razões de contestação. Aduz que por força de decisão judicial (Acórdão 7649/98 da 2 a Turma do TRT da 12a Região) o cálculo do imposto de renda foi efetuado com observância do regime de competência. Afirma que "o imposto que o fisco alega ter direito a receber, calculado sobre os rendimentos pagos acumuladamente, jamais existiu, pois antes mesmo de ocorrer o fato gerador do tributo em questão, qual seja a disponibilidade jurídica ou econômica dos rendimentos, uma decisão judicial transitada em julgado determina que o cálculo e a retenção do imposto sejam feitos de maneira diversa ". Lembra que "o ordenamento jurídico veda o enriquecimento sem causa, sendo que ao fisco, assim como quem quer que seja, é vedado o locupletamento à custa alheia ou não proveniente de justa causa ". Diz que a Receita Federal, por força da decisão judicial, não teria nada mais a receber do que o imposto j á retido pela fonte pagadora e recolhido naquele ano calendário de 2001. Cita doutrina de Hugo de Brito Machado e jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4 a Região e do Tribunal Regional do Trabalho da I a Região. Alega que o Parecer Normativo CST n° 47, publicado no DOU de 25.8.87, da Secretaria da Receita Federal, segue "o entendimento de que a tabela do imposto a ser aplicada é a vigente na data da aquisição do direito, não a da data do pagamento'". Ressalta que a própria CEF, visando provavelmente dar cumprimento aos termos da decisão judicial, "deixou de informar, no comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, os rendimentos pagos à impugnante através do processo n°971/89". Aduz que a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC, além de ofender o conceito jurídico e econômico de juros Fl. 108DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 moratório, fere o disposto no caput e no §1° do artigo 161 do Código Tributário Nacional. Afirma que a aplicação da taxa SELIC viola os princípios constitucionais da legalidade tributária, da "indelegabilidade de competência tributária" e da segurança jurídica. Assevera que "aplicar a taxa SELIC para fins tributários importa em equiparar o contribuinte ao investidor, o que é ilegal". Ressalta, citando ementas de acórdãos, que o Superior Tribunal de Justiça já reconheceu que a taxa SELIC "não pode ser aplicada como juros moratórios, pois possui natureza remuneratória" Tendo em vista as alegações apresentadas, a Interessada requereu o "cancelamento do auto de infração" e, sucessivamente, o afastamento da aplicação da taxa de juros SELIC sobre o crédito tributário. A DRJ ao apreciar os argumentos do contribuinte, entendeu que o lançamento está correto. Insatisfeito, o interessado interpõe recurso tempestivo, reiterando os mesmo argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001931/200554 Acórdão n.º 2202002.785 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Cuidam os presentes autos de lançamento efetuado sobre verbas recebidas acumuladamente (reclamatória trabalhista). Pois bem, no tange aos rendimentos recebidos acumuladamente, a autoridade lançadora aplicou à espécie o art. 12 da Lei n° 7.713/1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009), determinou que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil (CPC). Vejase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, o Superior Tribunal Justiça (STJ) ao apreciar o Resp nº 1.118.429/SP, na sistemática regime do art. 543C do CPC, assim determinou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Do exposto, verificase que o Resp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Nesse caso, devese Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10950.720436/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel, apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel, apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 10/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel, apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 10/11/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 04 36 /2 00 8- 07 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.720436/200807 Acórdão n.º 2102003.157 S2C1T2 Fl. 260 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra AGRÍCOLA E PECUÁRIA BACURI DO RIO DOCE LTDA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/05, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Estrela do Sul, com área total de 4.219,0 ha (NIRF 0.234.4890), relativo ao exercício 2004, no valor de R$ 135.857,38, incluindo multa de ofício e juros de mora. A infração imputada à contribuinte foi a falta de comprovação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado. A autoridade fiscal entendeu que o Laudo de Avaliação, fls. 20/40, apresentado pela contribuinte, durante o procedimento fiscal, não atendia às normas estabelecidas na NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), razão porque procedeu ao arbitramento do VTN, com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme extrato, fls. 10, (R$ 6.600,00/ha): ITR 2004 Declarado Apurado na Notificação 16Valor da Terra Nua R$ 7.050.000,00 R$ 27.845.400,00 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 70/75, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0425.628, de 15/08/2011, fls. 105/110. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 03/10/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 114, a contribuinte apresentou, em 18/10/2011, recurso voluntário, fls. 115/119, trazendo as seguintes alegações: que a Lei nº 9.393, de 1996, estabelece que o valor declarado pelo contribuinte é aquele considerado preço de mercado da terra nua, independentemente de qualquer tabela de sistema de preços de terras ou afins; que, em se tratando de lançamento de oficio, este somente terá fundamentação nos casos de falta de entrega do DIAT ou do DIAC, ou nos casos de prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. Caso contrário, entender como subavaliação o valor declarado pelo contribuinte em total conformidade com os artigos 8°, 10° e 11°, parágrafos e incisos, da legislação em vigor, é ferir o texto da própria lei, desrespeitando o principio da legalidade; que a Portaria n° 447 de 28 de maio de 2002, que criou, unilateralmente, o SIPT, não tem o condão de modificar ou revogar a Lei n° 9.393, de 1996, por ferir o princípio da hierarquia das leis, o princípio do contraditório, não podendo ter aplicabilidade por estar em conflito com a lei ordinária, que disciplina a matéria; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.720436/200807 Acórdão n.º 2102003.157 S2C1T2 Fl. 261 3 que o art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, só tem aplicabilidade nos casos em que houver falta de entrega do DIAT ou DIAC, de prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas e de subavaliações, que resultem em lançamento de imposto inferior ao valor mínimo estabelecido no artigo 11, §2° dessa Lei; que ficou provado pelo Laudo de Avaliação apresentado que, no exercício de 2004, a recorrente declarou o valor da terra nua em conformidade com a NBR 14.6533, da ABNT. É o Relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.720436/200807 Acórdão n.º 2102003.157 S2C1T2 Fl. 262 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de arbitramento do VTN ao valor de R$ 27.845.400,00. A autoridade fiscal entendeu que o Laudo de Avaliação apresentado pela contribuinte, durante o procedimento fiscal, não atendia às normas estabelecidas na NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), razão porque procedeu ao arbitramento do VTN, com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme extrato, fls. 10, (R$ 6.600,00/ha). Em sua DITR/2004, o contribuinte havia informado VTN de R$ 7.050.000,00 (R$ 1.671,01/ha). Já o Laudo de Avaliação, fls. 20/40, indica VTN de R$ 8.400.000,00, sem, contudo, esclarecer como chegouse a este valor. Aliás, nas Considerações Finais, o referido Laudo assim se pronuncia, sobre o tema: A coleta de dados referentes aos valores de áreas semelhantes foi prejudicada pela inexistência de áreas a venda ou que tivessem sido vendidas num período próximo passado, e que pudessem ser estatisticamente consideradas semelhantes. Por esta razão o que temos é um levantamento detalhado de todos os atributos da propriedade, e estamos apresentandoos de forma que possam ser avaliados e considerados no cálculo de atribuição de valores. Temos que considerar que para que tivéssemos dados estatisticamente aproveitáveis, (NBR 14 6533), teríamos que ter duas informações reais para cada variável de valor colocada em questão. Neste caso, pelo tamanho, localização e • outros atributos, é impossível se fazer uma avaliação ao menos razoável com no mínimo 5 variáveis, o que nos obrigaria .a ter pelo menos 10 informações reais de negócios na região em questão, e que fossem de propriedades de características ao menos próximas do imóvel em questão. Pela inexistência destas informações, não foi possível se fazer o cálculo estatístico. Estamos utilizando ainda as informações de valores regionais obtidas através da SEAB (Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento) por intermédio do DERAL (Departamento de Economia Rural), pela tabela de VALORES DE TERRAS AGRÍCOLAS NO PARANÁ, (ANEXO 1). Nesse ponto, importante dizer que no Anexo 1, a que se refere o profissional responsável pela confecção do Laudo de Avaliação, o VTN para o município de Umuarana, Fl. 262DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.720436/200807 Acórdão n.º 2102003.157 S2C1T2 Fl. 263 5 onde se localiza o imóvel rural em questão, em janeiro de 2007, é de R$ 6.272,27 (área arenosa mecanizada) e R$ 5.142,09 (área arenosa mecanizável). Como se vê, o próprio profissional, responsável pela confecção do Laudo de Avaliação, é categórico em afirma que seu trabalho não atende aos preceitos da NBR 14.6533 da ABNT. Importante lembrar que o valor utilizado pela autoridade fiscal quando do arbitramento foi extraído do SIPT, sendo certo que o valor adotado foi justamente aquele indicado pela Secretaria Estadual de Agricultura, para o município de Amuarana, com aptidão agrícola arenosa mecanizável. Logo, não procede a alegação do recorrente de que o Laudo de Avaliação, fls. 20/40, esteja em conformidade com a NBR 14.6533, da ABNT. Devese, dizer, ainda, que o arbitramento foi realizado pela autoridade fiscal nos estritos ditames do art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996: Dos Procedimentos de Ofício Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Do aqui já mencionado e dos documentos que constam dos autos restou demonstrado que o contribuinte incorreu em subavaliação, ao declarar em sua DITR que o VTN do imóvel em questão seria de apenas R$ 7.050.000,00 (R$ 1.671,01/ha). Nesse ponto, importa observar que o VTN médio calculado com base nas DITR/2004 apresentadas pelos proprietários de imóveis rurais localizados no município de Umuarana foi de R$ 4.721,54/ha. Nestes termos, correto o procedimento da autoridade fiscal, posto que a possibilidade do arbitramento do VTN consta especificamente no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF nº 447/2002, instituiu o Sistema de Preços de Terras (SIPT), o qual é alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores informados pelos proprietários de imóveis rurais nas declarações do ITR. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10950.720436/200807 Acórdão n.º 2102003.157 S2C1T2 Fl. 264 6 A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, já que considerou que o VTN indicado no Laudo de Avaliação apresentado pela contribuinte estava em ampla dissonância com os valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura para o município de Amuarana/PR. Vale lembrar que os valores da terra nua contidos no SIPT somente são utilizados quando o contribuinte deixa de comprovar o valor declarado, mediante laudo de avaliação apropriado, sendo certo que o arbitramento do VTN pode ser contraditado com a apresentação de laudo de avaliação, que atenda aos preceitos da NBR 14.6533 da ABNT. Assim, considerando que o Laudo de Avaliação, fls. 20/40, apresentado pela contribuinte, não atende aos ditames da NBR 14.6533 da ABNT, deve ser mantido o arbitramento do VTN, nos termos em que consubstanciado no lançamento. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 264DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10920.005816/2009-48
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2000
ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PROBLEMAS TÉCNICOS.
A existência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) no último dia de vencimento do prazo de entrega de declaração, equivale à situação de expediente anormal (encerramento antes do horário normal), acarretando a possibilidade de execução do ato, de forma tempestiva, no dia útil posterior.
Numero da decisão: 1803-002.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, relatora, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que acompanhou a relatora, votando, porém, pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues Relatora
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2000 ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PROBLEMAS TÉCNICOS. A existência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) no último dia de vencimento do prazo de entrega de declaração, equivale à situação de expediente anormal (encerramento antes do horário normal), acarretando a possibilidade de execução do ato, de forma tempestiva, no dia útil posterior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 58 16 /2 00 9- 48 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.005816/200948 Acórdão n.º 1803002.070 S1TE03 Fl. 42 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, relatora, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que acompanhou a relatora, votando, porém, pelas conclusões. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Relatora (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.005816/200948 Acórdão n.º 1803002.070 S1TE03 Fl. 43 3 Relatório Tratase, o presente feito, de auto de infração para cobrança de Multa por atraso na entrega da DCTF/2009, correspondente ao 1° semestre. Está sendo cobrado da empresa o valor de R$ 500,00, tendo em vista a DCTF ter sido entregue em 27.10.2009, quando o prazo final era 07.10.2009. Devidamente cientificada do lançamento, a empresa recorrente apresenta impugnação de forma tempestiva, alegando que o sistema de recepção estava fora do ar em 07.10.2009, que a SRFB somente se manifestou em 11.11.2009, por meio de ato declaratório considerando tempestiva a entrega da DCTF em 08.10.2009 e que o lançamento deve ser revisto de ofício para fins de cancelamento da multa. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento, porquanto que o lançamento fiscal foi efetuado nos termos do § 3, do art. 7, da Lei n°10.426/2002. Ademais atenta que a infração, que gerou o lançamento, está perfeitamente configurada, pois lhe basta tão só a ocorrência do atraso. Refere que no caso, o prazo de entrega se encerrou em 07/10/2009, enquanto que a entrega da declaração ocorreu apenas em 27/10/2009. Havendo atraso na entrega, fica configurada a infração à legislação tributária. Assim, embora a declaração seja recebida, ao infrator é aplicada a multa prevista no artigo citado anteriormente. No entanto, a autoridade julgador a quo afirma: " notório que houve problemas técnicos na transmissão, por parte da Receita Federal do Brasil (RFB), na recepção de DCTF no dia do vencimento de sua entrega, no caso aquela que tinha como vencimento a data de em 07/10/2009." E, completa dizendo que a SRFB editou Ato Declaratório Executivo n° 90, em 11.11.2009, constando que, de fato, o sistema de recepção das declarações apresentou problemas no dia 07.10.2009, último dia para adimplemento da obrigação. Assim, entende o julgador de primeira instância que diante dos problemas técnicos, ocorridos no último dia do prazo para entrega da declaração, o Ato Declaratório Executivo (ADE) estendeu o prazo de entrega em apenas um dia, tendo fixado o novo limite no dia 08 de outubro de 2009, tornando "sem efeito as multas aplicadas pela entrega da DCTF e do Dacon no dia 8 de outubro de 2009". O sistema de recepção/transmissão da RFB estava normal no dia seguinte ao vencimento, ou seja, em 08/10/2009, de forma que a empresa, ora impugnante, não precisava ficar esperando uma comunicação da RFB para saber como proceder à entrega da DCTF em questão. Salienta que se a empresa tivesse transmitido sua DCTF em 08/10/2009, o que era possível, apesar de ser fora de prazo, não sofreria qualquer tipo de sanção, em face da edição do referido ato declaratório. Assim, tem como incontestável o fato de a entrega ter ocorrido apenas em 27 de outubro de 2009, fora, inclusive, do prazo estendido pelo ADE (08 de outubro de 2009), de forma que não há que se cogitar de revisão de oficio do lançamento, pois inaplicável ao caso. E, considerando o atraso, a combatida Notificação de Lançamento encontra respaldo legal, sendo devida a multa. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.005816/200948 Acórdão n.º 1803002.070 S1TE03 Fl. 44 4 Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva e alegando, em apertada síntese, contrapondo se à multa e referindo os problemas técnicos, admitidos, pela SRFB. Atenta para o fato de que a empresa recorrente não pode sofrer um revés por conta de problemas técnicos e que o atraso se deu por problemas do sistema da SRFB e não da contribuinte. Do contrário, entende que razão não caberia para ser editado uma Ato Declaratório um mês após o ocorrido. Cita doutrina nesse sentido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora Tratase, o presente feito, de auto de infração para cobrança de Multa por atraso na entrega da DCTF/2009, correspondente ao 1° semestre. No caso em apreço a empresa recorrente não pode transmitir a DCTF no último dia do prazo, dado pela Secretaria da Receita Federal Do Brasil, por problemas técnicos, já admitidos em Ato Declaratório n°90, de 11.11.2009. A autoridade de primeira instância manteve o lançamento sob o fundamento de que no dia seguinte a situação que ocasionava o problema já havia normalizado, tal como disciplina o Ato Declaratório citado. Ocorre que discordo do posicionamento a quo tomando em conta que a empresa contribuinte não tinha conhecimento dos problemas técnicos da SRFB, tão pouco colaborou para o atraso e, de igual forma, não tinha como prever em que dia a situação problemática iria se normalizar. Caberia à autoridade publicar um Ato Declaratório comunicando o problema e com isso informar a ampliação do prazo para a entrega, sem a multa, da DCTF, fato que não aconteceu. Ademais, o Ato Declaratório emitido pela Secretaria da Receita Federal deve ser entendido dentro dos limites de sua competência, tal como conferida pelo art. 16 da Lei 9.779/99, ou seja, editado para reconhecer e declarar uma situação já acontecida e afastar os efeitos por ela produzidos, prejudiciais aos contribuintes até o momento de sua edição. Neste caminho, não pode o Ato em referência afastar a penalidade em decorrência da insuficiência do sistema eletrônico apenas até o dia 08.10.2009, mas sim, até a data da sua publicação, prestigiando aqui a necessidade de transparência e generalidade do ato administrativo. Cumpre lembrar que a empresa apresentou sua declaração no dia 27.10.2009, ou seja, apenas dez dias após o incidente. Isso somente corrobora com a ideia de que o sujeito passivo, no intuito de cumprir com a obrigação acessória de apresentar a DCTF, seguiu tentando cumprir com o dever imposto. Mas, não há como cobrar da empresa que esta saiba quando o problema do sistema da SRFB estará resolvido, com preciosidade de data e hora. Neste sentido, cito jurisprudência desse Egrégio Conselho (Câmara Superior de Recursos Fiscais): Fl. 44DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.005816/200948 Acórdão n.º 1803002.070 S1TE03 Fl. 45 5 DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, não acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência, tendo em vista o Ato Declaratório SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004. (Acórdão 9101001.779, 1ª Turma, Rel. Valmir Sandri, de 17.10.2013) Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Fl. 45DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.005816/200948 Acórdão n.º 1803002.070 S1TE03 Fl. 46 6 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado Conforme bem observou o voto vencido, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) foi entregue em 27/10/2009, quando o prazo final era 07/10/2009, ou seja, vinte dias após. Dispõe o parágrafo único do art. 210 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. A existência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) no último dia de vencimento do prazo de entrega de declaração equivale à situação de expediente anormal (encerramento antes do horário normal), acarretando a possibilidade de execução do ato, de forma tempestiva, no dia útil posterior. Menciono, a respeito, o art. 993,§ 3º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), que trata de situação análoga: Art. 993. [...]. §3º Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, será prorrogado para o primeiro dia útil seguinte o prazo para recolhimento do imposto cujo término ocorrer em data em que, por qualquer motivo, não funcionarem os estabelecimentos bancários arrecadadores, bem como nos casos em que for previsto o recolhimento dentro de determinado mês, e, no seu último dia, não funcionarem os mencionados órgãos arrecadadores. Ora, se por motivos técnicos não foi possível a entrega da declaração no dia 07/10/2009, o procedimento da Recorrente deveria ter sido, obviamente, entregála no dia útil subsequente (08/10/2009). Assim, não é correto pretender que o Ato Declaratório Executivo RFB nº 90, de 11 de novembro de 2009, tenha “prorrogado” o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 1º semestre de 2009, como constou do aresto mencionado pela Conselheira relatora. É juridicamente impossível “prorrogar” um prazo que já se tenha escoado. O que é possível fazer, nessa situação como o fez aquele Ato é reconhecer como: Fl. 46DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.005816/200948 Acórdão n.º 1803002.070 S1TE03 Fl. 47 7 Art. 1º [...] tempestiva a apresentação, no dia 8 de outubro de 2009, da Declaração da de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, cujo prazo final de entrega encerrouse no dia 7 de outubro de 2009. e, por decorrência, declarar: Art. 2º [...] sem efeito as multas aplicadas pela entrega da DCTF e do Dacon no dia 8 de outubro de 2009. Também não se pode entender tenha aquele ato concedido uma “anistia”, ao arrepio da reserva legal prevista no art. 150, § 6º, da Constituição Federal e no art. 97, inciso VI, do CTN. O que se deu foi a admissão, expressa, de que, à hipótese examinada, devese aplicar o contido no art. 210, parágrafo único, do CTN, já transcrito. Há que se atentar, por fim, para a circunstância de que o problema enfrentado pela Recorrente poderia ter se limitado apenas a ela, o que, por certo, não resultaria na edição de qualquer ato administrativo por parte da RFB, invalidando, por consequência, a premissa e a conclusão a que chegou o voto vencido e, ainda, o aresto por ele citado. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 47DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13808.002831/00-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/04/1998, 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/03/1999 a 31/03/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/11/1999 a 30/11/1999
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de liminar em mandado de segurança, cuja conseqüência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. Portanto, o auto de infração é instrumento hábil para constituir o crédito tributário e impor a penalidade aplicável.
Numero da decisão: 3402-002.329
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da falta de interesse recursal.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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MEDIDA JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de liminar em mandado de segurança, cuja conseqüência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. Portanto, o auto de infração é instrumento hábil para constituir o crédito tributário e impor a penalidade aplicável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da falta de interesse recursal. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente), Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Pedro Souza Bispo (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 28 31 /0 0- 91 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ, in verbis: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 12/13), lavrado contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 27/09/2000, constituindo crédito tributário no valor total de R$ 21.502,59, incluindose tributo, multa e juros de mora, estes calculados até 31.08.2000, referente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS dos meses de 01.98 a 04.98, 09.98, 01.99, 03.99, 06.99, 08.99 e 11.99, com enquadramento legal exposto As fls. 11 e 13. No Termo de Constatação de fls. 08/09 a autoridade fiscal autuante informa, em síntese, que: i) No ano calendário de 1998 ocorreram diferenças relativas aos valores do COFINS, apurados pela fiscalização, em confronto com os débitos declarados e efetivamente recolhidos pelo contribuinte. Foi apurada a diferença de R$ 1.072,69, nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril e setembro; ii) Nos meses de janeiro, março, junho, agosto e novembro de 1999 foi apurado o montante de R$ 9.688,37, referente à diferença entre os montantes declarados e efetivamente recolhidos pelo contribuinte e o apurado pela fiscalização com base nos registros dos livros fiscais; iii) Os montantes citados estão nos Quadros Demonstrativos de fls. 04 a 07. Inconformada com o lançamento, a interessada interpôs impugnação em 27.10.2000 (fls. 16 a 22), acompanhada de documento de fls. 23 a 78, onde alega, em síntese, o que se segue: As diferenças de COFINS dos meses de 01.98, 02.98, 03.98, 04.98, 09.98, 01.99 e 11.99 foram recolhidas pela impugnante em 25.10.200, com redução da multa em 50%, conforme DARF's de fls. 25 a 31, tendo em vista o irrelevante conteúdo envolvido; Por discordar das novas regras estabelecidas na lei n° 9.718/98, a empresa ajuizou Ação Ordinária n° 1999.34.00.0067254 na 14 Vara da Justiça Federal de Brasília, visando garantir seu de continuar promovendo o recolhimento da referida contribuição na forma preconizada pela Lei Complementar n° 70/91. A fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário em questão, a impugnante passou a efetuar, mensalmente, o depósito judicial do montante controverso; 6.3 Além disso, por ter promovido recolhimento a maior de COFINS, a impugnante exerceu o seu direito de compensação do referido crédito no recolhimento da mesma contribuição. Com efeito, as supostas diferenças apontadas pela fiscalização, correspondentes aos meses de 03.99, 06.99 e 08.99, foram Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13808.002831/0091 Acórdão n.º 3402002.329 S3C4T2 Fl. 355 3 devidamente recolhidas e/ou depositadas judicialmente pela impugnante; Para o mês de março de 1999 a impugnante teria recolhido montante equivalente a 2% e efetuado um depósito de R$ 6.860,02. Como o valor correspondente a 1% do valor devido era R$ 6.845,26 ainda teria restado um credito de R$ 14,76; Para o mês de junho de 1999, dos R$ 2.608,46 que a impugnante deveria recolher (montante relativo à alíquota de 2°% ,da COFINS), teriam sido recolhidos R$ 1.112,68 e compensados R$ 1.495,78 originados de pagamento em duplicidade feito em agosto de 1996. O valor correspondente à diferença de alíquota (1%) teria sido depositado, em setembro de 1999, em valor inferior porque a contribuinte deduziu, a titulo de compensação, os valores depositados a maior para os meses de março e agosto; Para o mês de agosto de 1999, dos R$ 3.389,15 que a impugnante deveria recolher (montante relativo à alíquota de 2% da COFINS), teriam sido recolhidos R$ 1.653,87 e o restante teria sido compensado com créditos oriundos de recolhimento a maior nos meses de agosto de 1996, maio de 1999 e julho de 1999. Quanto à parcela correspondente a 1%, no valor de R$ 1.694,57, a impugnante teria efetuado um depósito de R$ 2.317,17, gerandolhe um crédito de R$ 622,60; Foi efetuada a solicitação de diligência (fls. 97 a 99), para se verificar as alegações do contribuinte quanto aos depósitos judiciais e as compensações referentes aos meses de 03.99, 06.99 e 08.99. A DRF/SOROCABA efetuou a diligência solicitada e elaborou o relatório de fls. 172 a 175, no qual informa, em síntese, que: Quanto aos períodos de março, junho e agosto de 1999 tem procedência a alegação do interessado no tocante aos depósitos judiciais efetivados, bem como as compensações e os recolhimentos por ele alegados, que completam a quitação da contribuição aqui discutida; No período de apuração de março de 1999, além do depósito judicial de R$ 6.860,00 (fls. 114, 121 e 134), há também o recolhimento pelo DARF de fls. 62 (confirmado pelo SINAL, fls. 112), que completa a quitação desse período; No período de apuração de junho de 1999, há o recolhimento no valor de R$ (R$ 1.112,68 de principal + R$ 179,13 de encargos moratórios), conforme DARF de fls. 67 (SINAL fls. 113, DCTF fls. 108, Diário fls. 139). Outra parte referese ao depósito judicial de R$ 1.304,19, conforme DARF de fls. 148/149/150 (SINAL fls.114, DCTF fls. 108, Diário fls. 137). E como complemento foi efetuada a compensação no valor de R$ 1.276,83 (DARF fls. 70), valor este que complementa a contribuição no período considerado. Embora o contribuinte tenha alegado na impugnação que compensou a diferença de Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 junho de 1999 com o pagamento em duplicidade de agosto de 1996, do exame da documentação enviada à fiscalização, restou evidenciado que a compensação se deu efetivamente com o valor do DARF de fls. 70 (vide demonstrativos de fls. 123 e 171); Quanto ao período de apuração de agosto de 1999, a contribuição foi quitada: i) Parte, pela compensação no valor de R$ 1.112,68 aproveitado pelo recolhimento à maior de R$ 2.968,97, conforme DARF de fls. 159 (SINAL, fls. 113, DCTF, fls. 109, Diário, fls. 140); ii) Outra parte com o recolhimento de R$ 1.653,87, conforme DARF de fls. 153 (SINAL fls. 113, DCTF fls. 109, Diário fls. 140); iii) Última parte, que completa todo o valor da contribuição no período, é o resultado da parte do depósito judicial no valor de R$ 4.249,10, conforme DARF de fls. 76 e 154 a 157 (SINAL fls. 114, DCTF fls. 109, Diário fls. 143); Na planilha de fls. 123 constam os valores compensados, os valores efetivados como depósitos judiciais e, ainda os valores recolhidos normalmente; Os demais períodos de apuração, 01.98, 02.98, 03.98, 04.98, 09.98, 01.99 e 11.99, tiveram seus recolhimentos confirmados pelo Sistema SINAL 08.. A 9ª Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo (SP) considerou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1617.475, de 17 de junho de 2008, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/04/1998, 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/03/1999 a 31/03/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/11/1999 a 30/11/1999 LANÇAMENTO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de ação judicial ou de depósito judicial, mesmo que integral, cuja conseqüência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. DEPÓSITO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. Não é devida multa de oficio sobre o crédito tributário suspenso de conformidade com o disposto no art. 151, II do CTN. Por outro lado, o depósito do montante nãointegral não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário e enseja a aplicação da multa de oficio. Lançamento Procedente em Parte. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário onde alega que foram realizados depósitos judiciais referentes ao período de abril a dezembro de 1999 (doc.02), estando, portanto suspensa à exigibilidade nos termos do art. 151, do CTN. Uma vez comprovada à suspensão da exigibilidade do débito, Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13808.002831/0091 Acórdão n.º 3402002.329 S3C4T2 Fl. 356 5 é descabida a imposição da multa de oficio, mantida na decisão ora combatida com relação aos meses de julho e dezembro de 1999. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto. Quantos aos demais requisitos de admissibilidade passo à análise. O recorrente alega que foram efetuados depósitos judiciais referentes aos períodos de apuração 07/1999 e 12/1999, fato que ensejaria o cancelamento do auto de infração referentes a esses períodos. Entendo que esta matéria não faz parte da lide, uma vez que a Autoridade Autuante não efetuou lançamento tributário da Cofins referentes a esses períodos, conforme se pode averiguar pela simples leitura do “Termo de Constatação” de fls. 08, que abaixo transcrevo a parte que fala do ano de 1999, verbis: Foi apurado nos meses de janeiro, março, junho, agosto e novembro de 1.999, o montante de R$ 9.688,37, referente à diferença ente os montantes declarados e efetivamente recolhidos pelo contribuinte e o apurado por esta Fiscalização, com base nos registros dos livros fiscais. Ressaltado esse fato, é de conhecimento de todos que para o avanço à análise de mérito da matéria delimitada no momento da impugnação, devese investigar se foram observados os requisitos mínimos impostos por lei, cuja ausência implica a pronta inadmissão da peça recursal, sem que se investigue ser procedente ou improcedente a própria irresignação veiculada no recurso. As atividades do julgador direcionadas para aferição da presença desses pressupostos recebem o nome de juízo de admissibilidade. Esse juízo antecede lógica e cronologicamente um outro subseqüente juízo, qual seja o juízo de mérito, no qual é analisada a pretensão recursal. O professor Barbosa Moreira observa que a questão relativa à admissibilidade é, sempre e necessariamente, preliminar à questão de mérito. A apreciação desta fica excluída se àquela se responde em sentido negativo. Os requisitos viabilizadores do exame do mérito recursal são divididos pelo professor Barbosa Moreira em duas categorias: “requisitos intrínsecos (concernentes à própria existência do poder de recorrer) e requisitos extrínsecos (relativos ao modo de exercêlo)”. Alinhamse no primeiro grupo o cabimento, a legitimidade para recorrer, o interesse recursal e a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. O segundo grupo é composto pela tempestividade, a regularidade formal e o preparo. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 Temos a consciência de que nem todos os requisitos de admissibilidade devem ser observados no âmbito do processo administrativo. Contudo, ao examinar a possibilidade de seguimento do recurso, o julgador administrativo deve estar atento para alguns dos requisitos, a saber: o interesse recursal, a legitimidade, a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer, a regularidade formal e a tempestividade. Atendidos todos eles, fica permitida a análise do meritum causae. Após esse breve intróito, regressando aos autos, conforme já relatado, não há sucumbência do recorrente na matéria que trata da aplicação da multa de ofício, logo, não há interesse recursal. Nas linhas do professor Bernardo Pimentel: O requisito de admissibilidade do interesse recursal está consubstanciado na exigência de que o recurso seja útil e necessário ao legitimado. O recurso é útil se, em tese, puder trazer alguma vantagem sob o ponto de vista prático ao legitimado. É necessário se for a única via processual hábil à obtenção, no mesmo processo, do benefício prático almejado pelo legitimado. Araken de Assim define o interesse recursal: O interesse em impugnar os atos decisórios acudirá ao recorrente quando visar à obtenção de situação mais favorável do que a plasmada no ato sujeito ao recurso e, para atingir semelhante finalidade, a via recursal se mostra o caminho necessário. À luz dessa noção básica, o interesse em recorrer resulta da conjugação de dois fatores autônomos, mas complementares: a utilidade e a necessidade do recurso. A utilidade do recurso estará caracterizada quando da interposição porventura cabível há de resultar ao recorrente situação mais favorável que a defluente do ato impugnado. A necessidade do recurso resta evidente quando apenas por meio dele o recorrente pode alcançar situação mais favorável. Regressando aos autos, como dito alhures, não houve lançamento tributário para constituir os créditos da Cofins referentes aos meses de julho de 1999 e dezembro de 1999, logo, a utilidade do recurso está prejudicada, pois não haverá situação mais favorável do que já foi conferido pela decisão recorrida. Sem a utilidade do recurso, quebrase o binômio “necessidadeutilidade”, imprescindível para evidenciar o interesse recursal. Forte nestes argumentos não conheço da matéria referente à aplicação da multa de ofício por falta de interesse recursal. Sala das Sessões, em 25/02/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13808.002831/0091 Acórdão n.º 3402002.329 S3C4T2 Fl. 357 7 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 13603.723707/2012-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/01/2004
COMPENSAÇÃO. PARCELAMENTO. NATUREZA JURÍDICA. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Apresentadas declarações de compensação, e consolidados em parcelamento parte dos débitos indicados em tais declarações, antes da análise das compensações pela unidade local, os montantes parcelados não podem ser considerados como integralmente pagos, diante da natureza jurídica de suspensão (e não de extinção) do crédito tributário inerente ao parcelamento (art. 151 do CTN), e diante da ausência de certeza e liquidez (art. 170 do CTN), devendo sempre se assegurar a autoridade administrativa de que o débito não esteja sendo exigido em duplicidade.
Numero da decisão: 3403-003.318
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti, que votaram no sentido de restituir ao contribuinte a diferença entre o crédito obtido na ação judicial e o parcelamento. Sustentou pela recorrente o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibraim, OAB/MG no 110.372.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PARCELAMENTO. NATUREZA JURÍDICA. CERTEZA E LIQUIDEZ. Apresentadas declarações de compensação, e consolidados em parcelamento parte dos débitos indicados em tais declarações, antes da análise das compensações pela unidade local, os montantes parcelados não podem ser considerados como “integralmente pagos”, diante da natureza jurídica de suspensão (e não de extinção) do crédito tributário inerente ao parcelamento (art. 151 do CTN), e diante da ausência de certeza e liquidez (art. 170 do CTN), devendo sempre se assegurar a autoridade administrativa de que o débito não esteja sendo exigido em duplicidade. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti, que votaram no sentido de restituir ao contribuinte a diferença entre o crédito obtido na ação judicial e o parcelamento. Sustentou pela recorrente o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibraim, OAB/MG no 110.372. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 37 07 /2 01 2- 92 Fl. 18209DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre formalizações de declarações de compensação DCOMP (fls. 5 a 211)1, decorrentes de crédito de COFINS obtido judicialmente (Mandado de Segurança no 1999.38.00.0092722), no valor de R$ 16.368.960,68, em ação na qual se contesta o alargamento da base de cálculo promovido pela Lei no 9.718/1998, com trânsito em julgado em 15/09/2006 (fl. 309). Foram inseridos no processo telas do processo administrativo de acompanhamento da ação judicial (fls. 247 a 311), telas de DCTF (fls. 312 a 372), confirmações de pagamentos (fls. 373 a 387), documentos relativos a outras compensações no período (fls. 388 a 422), demonstrativos de resultado e de cálculo (fls. 423 a 680), termo de solicitação de esclarecimentos (fls. 681 a 687) e documentos diversos entregues em resposta ao referido termo (fls. 688 a 17446). Em 29/11/2012 é proferido o Despacho Decisório de fls. 17613 a 17619, reconhecendo direito creditório no valor de R$ 13.946.379,19, homologando compensações objeto de PER/DCOMP transmitidos até 15/09/2011 até o limite de tal crédito (na forma da tabela de fl. 17618, e em função do demonstrativo de fls. 17544 a 17546), e ainda considerando não declaradas as compensações objeto de PER/DCOMP transmitidos após 15/09/2011 (por força do disposto no art. 168 do Código Tributário Nacional CTN prazo de cinco anos do trânsito em julgado da ação judicial para pleitear a restituição). Destacase ainda no despacho decisório que “os montantes não homologados das compensações e que foram parcelados” (Lei no 11.941/2009) “não podem ser considerados como válidos, pois lhes falta o caráter de certeza e liquidez exigido pela norma contida no art. 170 do CTN”. Cientificada do despacho decisório (em 15/12/2012 fl. 17642), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 14/01/2013 (fls. 17647 a 17666), em relação às compensações não homologadas, e recurso administrativo (com base no art. 56 da Lei no 9.784/1999), a ser recebido também como manifestação de inconformidade (por força de liminar deferida em mandado de segurança fls. 18085 a 18091), em 26/12/2012 (fls. 17773 a 17801), em relação às compensações consideradas não declaradas, sendo que ambas as peças acabam por tratar ainda de temas comuns. Em relação às compensações consideradas não homologadas, alega a empresa que apresentou em 28/05/2007 “pedido de habilitação” de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, tendo a habilitação sido deferida em 29/01/2008, destacandose que segundo o entendimento da própria RFB, o pedido de habilitação suspende o prazo do direito extintivo da compensação (Solução de Consulta no 1, de 10/01/2012), o que levaria o prazo final para envio de compensações para 10/05/2012 (estando conformes/tempestivas todas as compensações presentes nos autos), e que a intempestividade apontada, ainda que existisse, não seria causa de “não declaração” prevista no § 12 do art. 74 da Lei no 9.430/1996. No que se refere às compensações não homologadas, pedese o julgamento conjunto com o recurso hierárquico, e sustentase que: (a) ao implementar a decisão judicial transitada em julgado, a autoridade fiscal refez a apuração da 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 18210DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13603.723707/201292 Acórdão n.º 3403003.318 S3C4T3 Fl. 18.210 3 COFINS no período de fevereiro de 1999 a janeiro de 2004, recalculando os débitos da contribuição e examinando os meios de pagamento utilizados (DARF, compensações e pagamentos); (b) conforme destaca o próprio fisco, a nova apuração feita confirmou os cálculos da empresa, havendo divergência somente em relação aos meios de pagamento, tendo o fisco entendido que as compensações ainda não homologadas e os parcelamentos não concluídos não poderiam ser validados, pois dependiam de verificação ulterior, não sendo “líquidos e certos”, o que acabou por gerar montante compensável inferior ao pleiteado, ocasionando a não homologação das compensações; (c) os períodos de apuração para os quais houve a realocação já não eram “modificáveis”, pois já havia homologação tácita (art. 150, § 4o do CTN); (d) a apreciação fiscal das compensações está circunscrita aos “créditos” compensados (devendo eventuais diferenças contatadas ser objeto de lançamento de ofício, conforme arts. 142 e 149 do CTN, com oportunidade de contraditório, que não existiu no procedimento de “realocação” levado a cabo pelo fisco no caso em análise); (e) a efetivação de tais alocações é proibida pela legislação de regência: Lei no 9.430/1996 e IN RFB no 900/2008 (especialmente arts. 34, § 7o, e 49 e seguintes); (f) não havia débito em aberto (um estava em procedimento de compensação,ainda não definitivamente analisado, e outro em parcelamento, que suspende a exigibilidade do crédito, e está com os pagamentos em dia), o que impossibilita a compensação de ofício, e agrava a situação da empresa, que está pagando “duas vezes” o mesmo débito; e (g) a realocação de pagamentos chama ainda a atenção porque os débitos que passaram a estar em aberto foram corrigidos, com juros e multa de mora (esta de 20%), embora jamais tenha havido mora por parte da empresa, pois todos os pagamentos/compensações/parcelamentos foram vinculados tempestivamente. Em 27/05/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 18106 a 18130), no qual se acorda unanimemente pela procedência do recurso administrativo, afastando o despacho decisório, no que se refere às compensações consideradas “não declaradas” (a DRJ acolhe um dos argumentos, o que é suficiente para afastara a “decadência”, e não analisa o outro, por ser matéria submetida à apreciação judicial), e pela improcedência da manifestação Fl. 18211DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI 4 de inconformidade no que se refere às “compensações não homologadas”, sob os seguintes fundamentos: (a) não ocorreu realocação de pagamentos, conforme demonstrativo de fls. 17461 a 17476, pois nenhum débito além dos indicados (“além do débito para o qual se destinava originalmente o recolhimento, nenhum outro débito foi amortizado”); (b) os valores/períodos de COFINS incluídos em parcelamento indicados pela própria recorrente (em documento anexo à manifestação de inconformidade) são os relacionados à fl. 18126, assistindo razão à fiscalização quando argumenta que não devem ser considerados no cálculo do direito creditório, por faltar lhes os atributos de certeza e liquidez (destacando aspectos da legislação sobre parcelamento); (c) não há que se falar em compensações pendentes de homologação, como se percebe pelo despacho decisório e pelos demonstrativos trazidos pela própria recorrente (fls. 17885/17948), pois os saldos devedores de COFINS relativos ao período pleiteado foram levados à consolidação do parcelamento (confissão irretratável de dívida); e (d) no cálculo do direito creditório a fiscalização não considerou como crédito passível de compensação os valores levados à consolidação em parcelamento, e nem abateu do direito creditório o valor correspondente aos débitos que estão naqueles parcelamentos, como equivocadamente afirma a recorrente, não havendo que se falar em cobrança em duplicidade, ou em indevidos acréscimos moratórios. Cientificada do acórdão da DRJ em 18/07/2013 (doc. de fl. 18132), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 13/08/2013 (fls. 18134 a 18155), reiterando alguns dos argumentos expressos em sede de manifestação de inconformidade (sobre homologação tácita e sobre restrição da análise das compensações aos créditos, e não aos débitos e meios de pagamento), já não tratando de outras compensações (ou melhor, fazendoo apenas a título exemplificativo), mas apenas dos débitos consolidados em parcelamento (sustentando haver dupla exigência), e acrescentando que: (a) a decisão da DRJ, ao afastar somente a “decadência”, simplesmente transformou as “compensações não declaradas” em “compensações não homologadas”; (b) o único fundamento do despacho decisório (ratificado pelo acórdão recorrido) é o de que a redução do montante do crédito compensado (De R$ 16.368.960,98 para R$ 13.946.379,19) reside “na desconsideração dos montantes incluídos no parcelamento”; Fl. 18212DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13603.723707/201292 Acórdão n.º 3403003.318 S3C4T3 Fl. 18.211 5 (c) se mantida a decisão, haverá dupla onerosidade à recorrente (na eventualidade de a recorrente não quitar integralmente o parcelamento em curso, os débitos remanescentes serão exigidos em sua totalidade, inclusive com o restabelecimento dos acréscimos legais; e, por outro lado, se mantido o despacho decisório, com a não homologação das DCOMP, os débitos vinculados a tais compensações também serão exigidos da recorrente, com os consectários legais devidos), já identificada inclusive pela RFB, na Solução de Consulta Interna COSIT no 18/2006 (já referida na manifestação de inconformidade), pelo CARF (Acórdão no 110200.373), e pela própria instância de piso; e (d) a afirmação da DRJ de que o parcelamento não impactou nem positiva nem negativamente na análise do direito creditório não faz sentido algum, pois afronta exatamente o único fundamento do despacho decisório para reduzir o direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Superada a discussão sobre as compensações consideradas “não declaradas” pelo despacho decisório, e reconhecendo que efetivamente a decisão da DRJ as converteu em “compensações não homologadas”, restaria discutir neste processo a quantificação do direito creditório e a forma de sua alocação aos débitos da recorrente. Vejase inicialmente a premissa da qual parte o despacho decisório emitido em 29/11/2012 (fl. 17617): “O anexo I do Termo de Solicitação de Esclarecimentos no 89/2012, apresentado pela interessada, mostra as novas bases de cálculo apuradas após a decisão judicial que lhe foi favorável, as quais foram aferidas, por amostragem, com base nos balancetes também apresentados e não se detectaram diferenças.” (grifo nosso) Assim, é de se esclarecer já de início que o fisco concordou com os montantes de COFINS apurados pela empresa para o período, e por ela considerados como devidos (os valores da tabela referente à COFINS apurada apresentados pela empresa fl. 721 são exatamente os mesmos apresentados pelo fisco fls. 17544/17546): Fl. 18213DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI 6 P.A. Valor devido P.A. Valor devido P.A. Valor devido fev/1999 R$ 267.953,64 out/2000 R$ 635.377,45 jun/2002 R$ 386.245,88 mar/1999 R$ 351.909,67 nov/2000 R$ 651.576,57 jul/2002 R$ 450.045,56 abr/1999 R$ 373.801,89 dez/2000 R$ 688.194,57 ago/2002 R$ 424.773,80 mai/1999 R$ 378.982,55 jan/2001 R$ 693.404,95 set/2002 R$ 528.705,09 jun/1999 R$ 449.203,82 fev/2001 R$ 745.799,95 out/2002 R$ 465.825,09 jul/1999 R$ 429.972,84 mar/2001 R$ 831.352,52 nov/2002 R$ 2.952,82 ago/1999 R$ 450.236,25 abr/2001 R$ 857.424,29 dez/2002 R$ 7.361,14 set/1999 R$ 477.045,95 mai/2001 R$ 977.356,63 jan/2003 R$ 93.621,05 out/1999 R$ 471.837,49 jun/2001 R$ 938.695,56 fev/2003 R$ 12.631,29 nov/1999 R$ 612.046,43 jul/2001 R$ 1.000.455,27 mar/2003 R$ 114.126,79 dez/1999 R$ 586.633,86 ago/2001 R$ 843.334,77 abr/2003 R$ 5.566,43 jan/2000 R$ 456.948,99 set/2001 R$ 589.057,43 mai/2003 R$ 257.249,90 fev/2000 R$ 451.323,57 out/2001 R$ 870.268,29 jun/2003 R$ 23.681,47 mar/2000 R$ 474.808,15 nov/2001 R$ 747.620,79 jul/2003 R$ 13.136,58 abr/2000 R$ 550.761,35 dez/2001 R$ 602.378,79 ago/2003 R$ 35.447,86 mai/2000 R$ 697.800,22 jan/2002 R$ 346.944,54 set/2003 R$ 13.504,45 jun/2000 R$ 641.808,89 fev/2002 R$ 326.995,24 out/2003 R$ 18.369,64 jul/2000 R$ 666.069,35 mar/2002 R$ 325.165,59 nov/2003 R$ 12.225,19 ago/2000 R$ 779.986,90 abr/2002 R$ 404.244,54 dez/2003 R$ 71.056,66 set/2000 R$ 673.252,63 mai/2002 R$ 467.058,16 jan/2004 R$ 15.454,43 Ou seja, são incontroversos os valores devidos a título de COFINS para todos os períodos em análise. Não há, assim, qualquer reexame ou recálculo pelo fisco em relação aos valores apurados e devidos pela empresa, reexame esse que, se existente, poderia ensejar a discussão trazida tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário em relação a eventual afronta ao comando do art. 150, § 4o do CTN. A Administração não questionou qualquer base de cálculo ou valor considerado como devido apurado pela recorrente. Questionou o fisco, sim, a efetividade dos pagamentos efetuados, como se percebe ainda à fl. 17617 do despacho decisório emitido em 29/11/2012: “Para a aferição do crédito suscitado pela interessada como pago a maior, tomaramse, em cada período de apuração, os valores devidos de Cofins aqui levantados e a eles vincularam Fl. 18214DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13603.723707/201292 Acórdão n.º 3403003.318 S3C4T3 Fl. 18.212 7 se os créditos válidos e confirmados declarados pela interessada, além dos pagamentos complementares efetuados em 10/10/2003. Com base nos documentos apresentados em resposta à intimação e outros originários dos arquivos da RFB e a partir do tributo efetivamente devido após a decisão judicial favorável à interessada, apurouse o valor pago a maior, conforme Demonstrativo de Aferição da Cofins Paga a Maior, às fls. 17544/17546. Confirmaramse todos os pagamentos declarados, ao passo que parte das compensações declaradas foram homologadas, sendo estes os créditos válidos aqui considerados. Ressaltese, conforme demonstrativos elaborados pela interessada (fls. 721/776), que os montantes não homologados das compensações e que foram parcelados nos moldes do parcelamento especial concedido pela Lei no 11.941, de 27/05/2009, não podem ser considerados créditos válidos, pois lhes falta o caráter de certeza e liquidez exigido pela norma contida no art. 170 do CTN.” (grifo nosso) O fisco não considerou pagos, como se vê nitidamente no despacho decisório, os montantes dos débitos incluídos no parcelamento de que trata a Lei no 11.941/2009, ao qual a empresa aderiu em setembro de 2009 (cf. fl. 751, portanto, antes do despacho decisório que analisou as compensações). E não tenho dúvidas de que o fez corretamente, visto que o parcelamento não implica considerar os pagamentos como quitados (a simples leitura da Lei no 11.941/2009, quando trata das consequências da inadimplência, referida tanto pela DRJ quanto pela recorrente) já o comprova. Não bastasse, é basilar que o parcelamento é forma de suspensão (e não de extinção) do crédito tributário, como determina o CTN, em seu art. 151. Assim, há que se destacar desde já a falta de pertinência ou relação com o caso descrito nestes autos da extensa argumentação (analógica) trazida em sede de recurso voluntário, colacionando a Solução de Consulta Interna COSIT no 18/2006, e julgados do CARF, da DRJ sobre “débitos indicados para compensação”, quando se está no presente caso a tratar de “débitos inscritos em parcelamento” (de natureza claramente diversa). A inadequação da argumentação fica evidente quando a recorrente, após apresentar a Solução de Consulta Interna COSIT no 18/2006 (que trata de “liquidação das antecipações que tenham sido feitas por meio de compensações que posteriormente foram indeferidas”) e o Acórdão CARF no 110200.373 (que trata igualmente de compensações, afirmando que “a compensação se equipara ao pagamento”), conclui que: “Ou seja, tal como acima alegado, segundo a jurisprudência administrativa, o Fisco não está autorizado a desconsiderar compensações não homologadas, ou parcelamentos ainda não concluídos, como meios de pagamento. Simplesmente porque, ao assim proceder, faz com que o contribuinte , seja onerado em duplicidade.” (grifo nosso) E não bastasse apresentar decisões sobre uma matéria para concluir analogicamente que se aplicava a instituto diverso, a recorrente colaciona ainda outra decisão Fl. 18215DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI 8 da mesma DRJ (também sobre compensação) para afirmar que “ratifica seu argumento”. Tem se aí a falácia da generalização apressada (ou acidente convertido)2. A única consequência que se pode retirar da analogia, e partese exatamente dela, é a de que não deve ser exigido um débito em duplicidade. E por óbvio, crêse que nem a parte nem o fisco discordam disso. A questão reside em saber se no presente processo efetivamente está havendo cobrança em duplicidade. A DRJ analisa a matéria (fls. 18125/18126), esclarecendo que os saldos devedores de compensações não homologadas anteriores foram levados todos à consolidação dos parcelamentos instituídos pela Lei no 11.941/2009: “Em demonstrativo juntado à Manifestação de Inconformidade, a empresa ratifica que indicou para parcelamento (Lei nº 11.941/2009) os seguintes débitos de Cofins (fl.17.712): Período de Apuração Valor Originário R$ Origem crédito Processo Set/1999 480.969,19 MS1999.38.00.0092722 13601.000067/0054 Out/1999 467.906,92 MS1999.38.00.0092722 13601.000067/0054 Nov/1999 612.046,44 MS1999.38.00.0092722 13601.000067/0054 Abr/2000 352.848,16 Crédito de IPI 13601.000192/0046 Jun/2000 106.745,71 Crédito de IPI 13601.000280/0010 Set/2000 17.342,49 Crédito de IPI 13601.000385/0070 Dez/2000 450.637,75 Crédito de IPI 13601.000016/0184 Mar/2001 120.330,12 Crédito de IPI 13601.000123/0111 Set/2001 253.897,17 Crédito de IPI 13601.000318/0152 Out/2002 465.825,08 Ressarcimento 13601.000745/0211 Mai/2003 256.285,86 Ressarcimento 13603.000858/0388 Jul/2003 13.136,58 Ressarcimento 13603.000858/0388 Set/2003 18.432,13 Ressarcimento 13603.000858/0388 Em sua defesa a Reclamante alega que o indeferimento parcial do crédito pleiteado decorreu da “desvinculação de compensações ainda não homologadas e parcelamentos em curso”, com a consequente utilização de parte dos valores compensados para cobrir os respectivos débitos de Cofins que ficaram em aberto. Contudo, fazse necessário esclarecer que, de acordo com o Despacho Decisório DRF/CON (fls. 17.613/17.619) – bem como se verifica dos demonstrativos apresentados pela própria Recorrente (fls. 17.885/17.948) – relativamente aos débitos de Cofins do período concernente ao direito creditório, não há que se falar em compensações pendentes de homologação. Do demonstrativo dos processos de compensação, elaborado pela Recorrente (fl.17.888), verificase com clareza que os 2 COPI, Irving Marmer. Introdução à Lógica. Trad. Álvaro Cabral. 2. ed. São Paulo: Mestre Jou, 1978, p.83. Fl. 18216DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13603.723707/201292 Acórdão n.º 3403003.318 S3C4T3 Fl. 18.213 9 saldos devedores de Cofins relativos ao período do crédito pleiteado (cujas compensações não foram homologadas, ou foram homologadas parcialmente) foram levados à consolidação dos parcelamentos instituídos pela Lei nº 11.941/2009. Logo, em sendo o parcelamento confissão irretratável de dívida, não existe mais qualquer pendência de homologação ou discussão administrativa acerca de tais valores.” (grifo nosso) Assim, o que se discute nestes autos é unicamente o desejo da recorrente de ver os débitos parcelados incluídos na compensação (débitos que ela própria confessou e pediu para consolidar em parcelamento antes da apreciação da compensação pela unidade local, em virtude de aproveitamento de vantagem oferecida pela Lei no 11.941/2009). O parcelamento foi efetivado antes do despacho decisório que analisava as compensações (e antes do primeiro termo de solicitação de esclarecimentos, de abril de 2012), e trata efetivamente (como reconhecem o fisco e a recorrente) de parte dos débitos compensados. Daí já ter tomado em conta o parcelamento a própria autoridade que proferiu o despacho decisório, justamente para evitar a cobrança em duplicidade, e assegurar à recorrente o tratamento mais favorável (que é a vantagem do parcelamento, com exclusão de consectários). Assim como não pode, por óbvio, exigir o fisco o débito em duplicidade, não pode a recorrente desejar as vantagens do parcelamento e ao mesmo tempo exigir que o débito esteja constando como quitado no parcelamento (como se já houvesse sido integralmente pago). E é isso que enseja a diferença entre os R$ 13.946.379,19 a que chega o fisco e os R$ 16.368.960,98 demandados pela recorrente, respondendo ao questionamento da recorrente sobre eventual contradição entre o despacho decisório (primeiro excerto reproduzido abaixo) e a decisão da DRJ (segundo excerto): “Ressaltese, conforme demonstrativos elaborados pela interessada (fls. 721/776), que os montantes não homologados das compensações e que foram parcelados nos moldes do parcelamento especial concedido pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009, não podem ser considerados créditos válidos, pois lhes falta o caráter de certeza e liquidez exigido pela norma contida no art. 170 do CTN.A vinculação dos créditos válidos (pagamentos e compensações homologadas) aos valores devidos da contribuição resultou na elaboração do já citado demonstrativo de fls. 17544/17546, o qual faz parte deste despacho decisório. (...) De tudo isso, resulta que a interessada fazia jus, em 31/01/2008, ao direito creditório de R$ 13.946.379,19, e não R$ 16.368.960,98 como informado nos PER/Dcomp sob análise.” (grifo nosso) (despacho decisório, fl. 17617) “Vale repisar que no cálculo do direito creditório a fiscalização não considerou como crédito passível de compensação valores levados à consolidação no âmbito dos parcelamentos da Lei nº Fl. 18217DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI 10 11.941/2009 e tampouco fez abater do direito creditório o valor correspondente aos débitos que estão naqueles parcelamentos, como equivocadamente afirma a Recorrente. O procedimento adotado pela autoridade fiscal seguiu o posicionamento defendido na Manifestação de Inconformidade, restringindose ao exame do crédito pleiteado; não havendo que se falar em realocações de pagamentos as quais, conforme debatido em item anterior deste Voto, não ocorreram. De forma que resta afastada a hipótese de cobrança em duplicidade já que, os demonstrativos juntados aos autos pela fiscalização não indicam que os débitos de Cofins levados à consolidação nas modalidades de parcelamento da Lei nº 11.941/2009 foram amortizados pelo direito creditório daquela contribuição, originado da decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0092722. Neste sentido, também carece de sustentação a alegada exigência de juros e multa moratória nos cálculos de imputação dos pagamentos “válidos” aos débitos que teriam ficado em aberto com as ditas “desvinculações”.” (grifo nosso) (acórdão de manifestação de inconformidade, fls. 18129/18130) A recorrente discorda da afirmação da DRJ de que o parcelamento não impactou nem positiva nem negativamente na análise do direito creditório, pois entende que afronta exatamente o único fundamento do despacho decisório para reduzir o direito creditório. Ao verificarmos o “Demonstrativo de aferição da COFINS paga a maior” (fls. 17544 a 17546), encontramos na coluna referente a valor pago a maior (atualizado em 31/01/2008) o montante de R$ 13.946.379,19. E encontramos ainda saldo de débitos, em coluna específica, na cor vermelha, nos períodos de apuração de setembro de 1999, outubro de 1999, novembro de 1999, dezembro de 1999, abril de 2000, junho de 2000, dezembro de 2000, março de 2001, setembro de 2001, novembro de 2001, dezembro de 2001, outubro de 2002, e maio de 2003 (recordese que esses saldos é que a DRJ sustenta não influenciarem o resultado, por estarem incluídos em parcelamento): “A despeito do valor do direito creditório reconhecido, neste demonstrativo também se apresentam em aberto os saldos de débitos de Cofins dos períodos de apuração Setembro/1999, Outubro/1999, Novembro/1999, Dezembro/1999, Abril/2000, Junho/2000, Dezembro/2000, Março/2001, Setembro/2001, Novembro/2001, Dezembro/2001, Outubro/2002 e Maio/2003. De se observar que, em contrário do que alega a Reclamante, das informações extraídas do “Demonstrativo de Aferição da Cofins Paga a Maior”, concluise que os débitos de Cofins nos períodos citados não interferiram na apuração do valor do crédito reconhecido pela DRF/Contagem, tendo sido tais rubricas elencadas em coluna própria. E de outro modo não poderia ser, pois, à exceção dos períodos de apuração Dezembro/1999, Novembro/2001 e Dezembro/2001, os demais períodos de apuração nos quais foram apurados saldos de débitos Cofins já se encontram em cobrança, conforme informado pela própria Recorrente (fl. 722), no âmbito do parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Fl. 18218DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13603.723707/201292 Acórdão n.º 3403003.318 S3C4T3 Fl. 18.214 11 Portanto, se no cálculo do direito creditório a fiscalização não considerou como crédito passível de compensação os valores levados à consolidação no âmbito do parcelamento da Lei nº 11.941/2009, tampouco fez abater do respectivo crédito o valor correspondente aos débitos que estão naquele parcelamento.” (grifo nosso) (acórdão de manifestação de inconformidade, fl. 18125) Somandose tais valores de saldo de débito (que a DRJ afirma não influenciarem o montante a compensar, e estarem, à exceção dos P.A. de dezembro/1999, novembro/2001 e dezembro/2001, consolidados em parcelamento) chegase a R$ 2.743.747,45, que, acrescidos aos R$ 13.946.379,19, resultam exatamente nos R$ 16.368.960,98 referidos pela recorrente. Assim, como dispõe o despacho decisório, é na não consideração como válidos dos montantes que teriam sido “pagos” em parcelamento que efetivamente reside a diferença. E a afirmação da DRJ sobre a “não interferência” do parcelamento no valor do crédito reconhecido parece derivar da conclusão de que o total apartamento dos débitos e créditos em parcelamento ocasiona a existência de débitos a menos “a compensar”, assim como créditos a menos, o que apresentaria resultado zero. Em síntese: a empresa registrou diversas compensações de débitos em virtude de créditos decorrentes de ação judicial. Mas antes que a unidade local analisasse as compensações, incluiu parte desses débitos em parcelamento, utilizandose das vantagens concedidas pela Lei no 11.941/2009. E busca em seu recurso basicamente que o valor integral de tais parcelamentos seja computado como efetivo pagamento nas imputações efetuadas pelo fisco para verificar o montante de crédito remanescente, o que como aqui já se expôs, opõese à própria natureza do parcelamento (de suspensão, e não de extinção do crédito tributário) e implica, como acertadamente concluíram o despacho decisório e o acórdão de manifestação de inconformidade, tratar como líquido e certo parcela de crédito que não o é. Entendese, assim, pela improcedência da argumentação expressa no recurso voluntário. Contudo, é relevante chamar a atenção da unidade local da RFB (que implementará a execução do disposto neste acórdão, e é ainda responsável pelo acompanhamento do parcelamento) para que não ocorra em hipótese alguma a cobrança de débitos em duplicidade. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, ressalvando que a autoridade administrativa deverá zelar para que não haja cobrança em duplicidade com débitos incluídos em parcelamento. Rosaldo Trevisan Fl. 18219DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI 12 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Estáse diante de situação que decorre da estrutura dos instrumentos formais existentes, instituídos pela Administração Tributária, e para a qual deveria existir uma forma para que se realizasse o acerto entre o contribuinte e o Fisco. De um lado, exigese do contribuinte que confesse o valor devido e permite se que promova o pagamento de um débito por meio de DARF e por compensação. Em qualquer modalidade, pagamento ou compensação, caso a Administração recuse homologação, cobra do contribuinte a parte que deixou de ser paga, devidamente atualizada e com acréscimos. Ou seja, o valor confessado terá de ser pago. De outro lado, se o contribuinte verifica que promoveu a confissão e o pagamento de valor superior ao efetivamente devido como é o presente caso, em que, conforme reconhecido em ação judicial, apenas poderiam integrar a base de cálculo as receitas de venda de mercadorias e de prestação de serviços, excluindose as demais receitas poderia utilizar a diferença (correspondente ao valor do pagamento realizado em valor maior que o devido) para utilizar em compensação com outros débitos. Neste caso, como se percebe, acontecem as duas situações ao mesmo tempo, ou mais precisamente, depois de haver a recusa da homologação das compensações utilizadas como pagamento dos débitos de contribuição nos valores originalmente confessados para o período 1999 e 2004 e incluídos em seguida em parcelamento , o contribuinte obteve o reconhecimento em juízo de que a base de cálculo deveria ser inferior àquela que havia sido declarada. Poderia ser vedada a utilização em compensação de crédito cuja composição é realizada por outra compensação anterior. Mas não existe esta vedação. Também poderia haver a vedação de parcelamento de valor de dívida resultante de compensação não homologada. Mas não existe tal vedação. O caminho mais adequado, a meu ver, neste contexto, seria a revisão do valor do total do débito parcelado. Ou seja, que houvesse a redução do valor do tributo devido, em cada fato gerador. Seria um caminho possível. Mas o contribuinte optou por pedir a diferença entre o que confessou (e que será exigido) e sua utilização para o pagamento em compensação com outros débitos. Diante desta situação, ou a Administração faz o encontro de contas, considerando o valor confessado como efetivamente pago, ou deveria aguardar a final quitação do parcelamento para decidir as compensações. Talvez a melhor solução fosse esta última, mas o Processo Administrativo Fiscal não tolera esta possibilidade, mesmo porque é deflagrado pela decisão da DRF que nega a homologação à compensação. Fl. 18220DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13603.723707/201292 Acórdão n.º 3403003.318 S3C4T3 Fl. 18.215 13 Diante disso, entendo que a solução deve ser, então, por considerarse o valor confessado como efetivamente pago para o cômputo do crédito na presente compensação. É a única forma eficaz de impedir a cobrança em duplicidade. E não acarretará prejuízo ao Fisco no sentido de que, caso sobrevenha a falta de pagamento do parcelamento, seguirseá a diligente cobrança dos valores em aberto, com o que, ao final, restará de qualquer forma recomposto o saldo de crédito que se pretende aqui utilizar. Comentese, ademais, que a compensação administrativa representa neste caso um instrumento de redistribuição dos valores recolhidos entre os diversos períodos de apuração. Ou seja, é um ajuste administrativo. Apenas redistribui os valores. Justamente porque o maquinário da Administração Tributária, com o seu cipoal de instrumentos, não indica ao contribuinte qual seria a solução oficial para a situação do contribuinte, entendo que se deve prestigiar a sua proteção, visto que o manejo dos instrumentos administrativos tal como realizou tem lógica quanto ao encontro de contas (nada obstante, como comentado acima, poderia haver outra solução mais consistente). É como voto. Ivan Allegretti Fl. 18221DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 23/10/2014 por IVAN ALLEGRETTI
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Numero do processo: 19647.006807/2007-63
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
DECADÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE RECIBO PARA O QUAL EXISTE SÚMULA ADMINISTRATIVA DECLARANDO A DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. FRAUDE. PRAZO DECADÊNCIAL CONTADO NA FORMA DO ARTIGO 173, I, DO CTN.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos da constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte.
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. SÚMULA CARF Nº 40.
A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.
MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. LEGALIDADE. LEI 9.430/1996. SÚMULA CARF Nº 2. ARTIGO 26-A DO PAF.
Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicam-se as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, no percentual estabelecido legalmente. A compatibilidade da lei com o sistema constitucional não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26-A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Ademais, conforme sua Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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APRESENTAÇÃO DE RECIBO PARA O QUAL EXISTE SÚMULA ADMINISTRATIVA DECLARANDO A DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. FRAUDE. PRAZO DECADÊNCIAL CONTADO NA FORMA DO ARTIGO 173, I, DO CTN. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos da constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. SÚMULA CARF Nº 40. A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. LEGALIDADE. LEI 9.430/1996. SÚMULA CARF Nº 2. ARTIGO 26A DO PAF. Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, no percentual estabelecido legalmente. A compatibilidade da lei com o sistema constitucional não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Ademais, conforme sua Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 68 07 /2 00 7- 63 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006807/200763 Acórdão n.º 2801003.695 S2TE01 Fl. 73 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrado, em 11/07/2007, Auto de Infração (fl. 07 e seguintes) do Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativo aos exercício de 2002, anocalendário de 2001. Observase no demonstrativo de apuração do imposto devido, que foram exigidos R$ 2.037,75 a título de imposto, R$ 3.056,62 a título de multa proporcional, no percentual de 150%, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Verificase, na “descrição dos fatos e enquadramento legal”, que a autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, em suma, que efetuou a glosa de despesas médicas, pleiteadas indevidamente, tendo em conta que mediante Ato Declaratório Executivo publicado em 18/11/2005 no Diário Oficial da União, foram declarados inidôneos, para fins tributários, os recibos emitidos pelo psicólogo Wolfran Cassiano da Silva, CPF: 152.059.75415, no período de 01/01/2000 a 31/12/2001, haja vista serem ideologicamente falsos. Considerando que o contribuinte apresentara DIRPF com a dedução do valor de R$ 7.410,00 como despesa médica efetuada com o supracitado profissional, foi levada a efeito a glosa e a apuração de imposto suplementar. Além disso, entendeu a Autoridade Fiscal pelo cabimenro da multa no percentual duplicado de 150%, como previsto no art. 44, inciso II da Lai nº 9.430, de 1996. A cópia do Diário Oficial com a publicação do Ato Declaratório encontrase nas folhas 18 e 34. Inconformado com o lançamento o contribuinte apresentou Impugnação (fl. 25) alegando que efetivamente submeterase a um tratamento psicológico com o profissional, no período de janeiro a dezembro de 2001, sendo que o mesmo é credenciado para o exercício da profissão, como atestam documentos que então anexou. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006807/200763 Acórdão n.º 2801003.695 S2TE01 Fl. 74 3 Conhecida e tratada pela DRJ/RECIFE, a impugnação teve as seguintes considerações em resumo: admitese a dedução de despesas médicas, desde que comprovadas, quando reputado necessário pela fiscalização; em relação aos serviços prestados por Wolfran Cassiano da Silva, no ano em questão, resta inconteste que a documentação produzida é inidônea, para fins tributários, a partir de 01/01/2000. Tal constatação decorre da publicação, no Diário Oficial da União, de ato oficial neste sentido. os documentos apresentados pelo contribuinte não comprovam que houve a efetiva prestação do serviço, referemse á inscrição do profissional junto ao CRP e à Prefeitura Municipal. Enfim, são documentos produzidos pelo próprio profissional que são insuficientes para ilidir o Ato Declaratório já citado. E assim deuse o resultado do Julgamento recorrido, para negar provimento à Impugnação, nos termos do Voto do Relator. Cientificado dessa decisão em 11/04/2008, conforme Aviso de Recebimento na folha 53, o contribuinte, não satisfeito, apresentou recurso voluntário, em 05/05/2008 (fl. 56), onde , em resumo, assim manifestase: 1 – citando princípios constitucionais, pede que seu recurso seja conhecido; 2 – entende pela decadência do direito de lançar, pelo Fisco, para fatos ocorridos no ano calendário de 2001, em 1º de janeiro de 2007. Ressalta que somente foi cientificado deste lançamento em julho de 2007. Baseiase no artigo 150, § 4º do CTN; 3 – no mérito, defende que o recibo apresentado é hábil para comprovar a despesa deduzida na DIRPF, pugnando pelo cancelamento da infração apontada; 4 – entende ser confiscatória qualquer multa em percentual superior a 30%, citando princípios constitucionais, jurisprudência e doutrina. Assim, REQUER que seja acolhido seu recurso para reconhecer a decadência do crédito tributário em debate. Alternativamente, que seja cancelado, considerandose a documentação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (rquivo. Pdf) Fl. 74DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006807/200763 Acórdão n.º 2801003.695 S2TE01 Fl. 75 4 DA DECADÊNCIA Conforme já decidido pelo STJ, no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial contase na forma do artigo 150, § 4º do CTN, nos casos de lançamento por homologação, quando, havendo previsão legal, existe a antecipação do pagamento do tributo, sem que haja a constatação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).(sublinhei) Se verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, mesmo que haja a antecipação do pagamento do tributo e declaração prévia, a contagem deve ser feita na forma do artigo 173, I, do CTN, deslocandose seu início para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. No caso, ocorrido o fato gerador em 31/12/2001, o lançamento só poderia ser efetuado em 2002, sendo o primeiro dia do exercício seguinte, 1º/01/2003. Portanto, o prazo decadencial findouse em 1º/01/2008. Regularmente cientificado do lançamento em 17 de julho de 2007, não há que se falar em decadência. DA CONDUTA DO CONTRIBUINTE. QUALIFICAÇÃO E LEGALIDADE DA MULTA. A constatação da conduta fraudulenta está configurada com a utilização de documento declarado tributariamente ineficaz, conforme relatado, no intuito de reduzir o montante do tributo devido. Extraio da folha 18: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N' 48, DE 16 DE NOVEMBRO DE 2005 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006807/200763 Acórdão n.º 2801003.695 S2TE01 Fl. 76 5 Declara a inidoneidade dos recibos de tratamento psicológico emitidos em nome de WOLFRAN CASSIANO DA SILVA, CPF n° 152.059.75415 Art. 1° Inidôneos, para todos os efeitos tributários, TODOS OS RECIBOS de tratamento PSICOLÓGICO emitidos ao nome de WOLFRAN CASSIANO DA SILVA, CPF 151059.75415, com endereço na Rua Lauro Leite Martins, N 78, Santo Eduardo, bairro POÇO Maceió (AL), no período de 01/01/2000 a 31/12/2001, haja vista serem ideologicamente falsos e, portanto, imprestáveis e ineficazes para dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa fisica a quaisquer usuários dos mesmos, tendo em vista o contido na Súmula Administrativa 10410005041/200537. A lei 4.502/64, art. 72, conceituou fraude como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Na lição de VENOSA: A fraude é vício de muitas faces. Está presente em um sem número de situações na vida social e no Direito. Sua compreensão mais acessível é a de todo artifício malicioso que uma pessoa emprega com intenção de transgredir o Direito ou prejudicar interesses de terceiros. A máfé encontra guarida não só na fraude, mas também em outros vícios, como dolo, coação e simulação. (VENOSA. Silvio de Salvo, Direito Civil, 4ª ed. Parte Geral. Atlas: 2004, p. 505/506) Já por dolo ou conduta dolosa entendese: “...a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos do tipo de injusto doloso... é saber e querer a realização do tipo objetivo de um delito. O dolo é, de certo modo, a imagem reflexa subjetiva do tipo objetivo da situação fática representada normativamente. A conduta dolosa é mais perigosa – e deve ser punida mais gravemente – do que a culposa.” (PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro, 6 ed. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 2006, p.113, Apud PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p. 1062) Assim, ao empregar documento declarado como tributariamente ineficaz, a fraude reduziu o valor do imposto devido e correta a aplicação da multa no percentual de 150%, como entendida pela Autoridade Fiscal. Outra não é a jurisprudência consolidada deste CARF, expressa na Súmula nº 40: Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Fl. 76DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006807/200763 Acórdão n.º 2801003.695 S2TE01 Fl. 77 6 Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.(destaquei) Segundo PAULO DE BARROS CARVALHO, “é a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade...É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco” (CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 21 ed. Saraiva, 2009, p 581) Constatada a existência de infração à legislação tributária, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Se o percentual das multas, estabelecido legalmente, atende ao sistema constitucional ou não, não é matéria a ser tratada em sede de julgamento administrativo, conforme o artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.941/2009. Ademais, diz a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A Súmula, que também é usada pelos Tribunais Judiciários, consubstancia o entendimento reiterado e uniforme da instância julgadora e traz eficiência, confiança e segurança aos julgamentos, atendendo a princípios administrativos e constitucionais. Segundo o Regimento Interno do CARF, art. 72, as Súmulas são de observância obrigatória nestes julgamentos. DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA. Conforme já assentado pelo Julgamento recorrido, a declaração de prestação de serviços (fl. 37) foi emitida pelo profissional que também emitiu o recibo, qual seja, o psicólogo Wolfran Cassiano da Silva. Ora, se o recibo foi declarado ineficaz, uma declaração do próprio emissor outra sorte não pode ter. Quanto aos seus registros profissionais no CRP e Prefeitura, não se discute que seja profissional habilitado ao exercício da profissão. Discutese se efetivamente prestou serviços ao Recorrente, no ano de 2001, e se esses serviços foram efetivamente pagos. O simples recibo, no caso, não faz prova do pagamento, conforme já estabelecido na Súmula nº 40, acima transcrita. CONCLUSÃO A contagem do prazo decadencial, constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fazse na forma do artigo 173, I do CTN. No caso da existência de declaração administrativa de documentação tributariamente ineficaz, a simples apresentação de recibo não faz prova do efetivo pagamento e enseja a qualificação da multa de ofício. Constatada a infração, aplicase os percentuais de multa legalmente previstos, não sendo a instância administrativa competente para se manifestar sobre a constitucionalidade da lei tributária. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 19647.006807/200763 Acórdão n.º 2801003.695 S2TE01 Fl. 78 7 Pelo exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 78DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10825.000374/2005-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.234
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. . Fl. 554DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10825.000374/200506 Resolução n.º 220200.234 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório O presente processo trata de auto de infração de fls. 04/16, para cobrança de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física anoscalendários 1999, 2000 e 2001, no valor de R$ 880.257,86, já acrescidos de multa de oficio de 75% e juros de mora, calculados de acordo com a legislação pertinente. A autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatada a infração Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, nos anoscalendários 1999, 2000 e 2001. Segundo a Descrição dos Fatos de fls. 6/8, a partir dos extratos bancários apresentados pelo contribuinte, solicitouse do mesmo, por meio do Termo de Intimação Fiscal, que comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos depósitos/créditos em suas contas bancárias. Para justificar os depósitos abaixo, o contribuinte alegou que sua conta bancária foi utilizada para receber a movimentação financeira do Escritório BIJOS ADVOGADOS ASSOCIADOS, e comprovou que alguns destes créditos referiamse à liberação de depósitos judiciais em reclamações trabalhistas. Desta forma, créditos referentes a transferências de conta corrente da BIJOS ADVOGADOS ASSOCIADOS para a conta corrente do contribuinte (fl. 28) e depósitos judiciais e cheques comprovadamente repassados para clientes não foram tributados, conforme demonstrativo de fls. 15/16. Cientificado em 04/03/2005, fl. 05, o contribuinte apresenta impugnação à exigência tributária em 05/04/2005, às fls. 509/517, de onde se extraem os seguintes argumentos, em resumo: a) Decaiu o direito de lançar IRPF referente ao ano calendário 1999; b) A autuação fere, diretamente, os princípios constitucionais da capacidade econômica e do não confisco; c) Sua conta bancária foi utilizada para receber a movimentação financeira do Escritório BIJOS ADVOGADOS ASSOCIADOS, e alguns destes créditos referiamse à liberação de depósitos judiciais em reclamações trabalhistas. O Impugnante também seria gestor de negócios de muitos de seus clientes. d) Nunca houve a preocupação de escriturar essa movimentação dada a confiança existente na relação advogado/cliente e porque esta movimentação era feita na conta corrente da pessoa fisica e não na do escritório, justamente porque esses recursos não representavam receitas; e) A movimentação e evolução patrimonial do Impugnante demonstram e comprovam que os valores base da tributação em questão não podem ser considerados receitas omitidas; f) Movimentação financeira, por si só, não autoriza a presunção de omissão de receitas g) A Receita Federal não pode usar as informações da CPMF para tributar o contribuinte no período; Fl. 555DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10825.000374/200506 Resolução n.º 220200.234 S2C2T2 Fl. 3 3 h) As informações requeridas estão protegidas pelo sigilo profissional do advogado; i) As receita somente poderiam ser imputadas à pessoa jurídica, e não à pessoa fisica, que não tem clientes particulares; j) Os juros não podem ser cobrados acima do teto constitucional e do estabelecido no CTN; k) A multa aplicada tem caráter confiscatório; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 OMISSÃO. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Devidamente intimado desse decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10825.000374/200506 Resolução n.º 220200.234 S2C2T2 Fl. 4 4 Voto O presente processo administrativo, versa sobre autuação com base no artigo 42, da Lei 9.430, de 1996, cujo fundamento é a omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. Tendo em vista que a partir de 21 de dezembro de 2011, os conselheiro do CARF são obrigados a observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que foi alterado pela Portaria MF n° 256 abaixo transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Desta forma, a partir de 21 de dezembro de 2011, devemos sobrestar os julgamentos em que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Neste sentido, proponho o sobrestamento do julgamento do presente caso até que o STF decida sobre a matéria de sorte a suspender o sobrestamento efetuado. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 557DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 15586.720056/2011-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA.
É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ainda que após a vigência das alterações da Lei 11.488/2007.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO.
Cabível a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio à taxa de 1% ao mês.
Numero da decisão: 1402-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão e a contradição apontadas no acórdão 1402-001.180; e confirmar o provimento parcial do recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sergio Luiz Bezerra Presta, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ainda que após a vigência das alterações da Lei 11.488/2007. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. Cabível a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio à taxa de 1% ao mês.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão e a contradição apontadas no acórdão 1402-001.180; e confirmar o provimento parcial do recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sergio Luiz Bezerra Presta, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 931 1 930 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720056/201189 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402001.825 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2014 Matéria IRPJ Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado VIAÇÃO JOANA D'ARC S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 EMBARGOS DE DLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Verificadas omissão e contradição no acórdão embargado, cumpre esclarecer a extensão do resultado do julgamento do recurso, sanando, assim, a omissão e a contradição levantadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ainda que após a vigência das alterações da Lei 11.488/2007. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. Cabível a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio à taxa de 1% ao mês. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a omissão e a contradição apontadas no acórdão 1402 001.180; e confirmar o provimento parcial do recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 56 /2 01 1- 89 Fl. 931DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.720056/201189 Acórdão n.º 1402001.825 S1C4T2 Fl. 932 2 (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Sergio Luiz Bezerra Presta, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.720056/201189 Acórdão n.º 1402001.825 S1C4T2 Fl. 933 3 Relatório VIAÇÃO JOANA D'ARC S/A recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). O recurso foi apreciado por esta 2a. Turma da 4a. Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF na sessão de 11/09/2012, sendo proferido o acórdão 1402001.180, que deu parcial provimento ao recurso apresentado para reduzir o percentual da multa de ofício para 75% e cancelar a multa isolada. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO SOCIETÁRIA. PREMISSAS. As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7o., inciso III, e 8o. da Lei 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Nesse contexto não há espaço para a dedutibilidade do chamado “ágio de si mesma”, cuja amortização é vedada, haja vista que não encontra respaldo nas normas tributárias e fere um dos princípios básicos do IRPJ/CSLL, qual seja: a incidência sobre o lucro efetivamente auferido, sendo que no caso em questão essa prática ocorreu. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. Cabível a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio à taxa Selic. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.720056/201189 Acórdão n.º 1402001.825 S1C4T2 Fl. 934 4 Recurso Voluntário Provido em parte. A Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, fls. 918/924, aduzindo omissão no acórdão quanto à exoneração da multa de ofício isolada, após a vigência das alterações da Lei 11.488/2007, e contradição quanto à aplicação dos juros sobre a multa de ofício, já que a ementa do acórdão faz referência à aplicação de taxa Selic enquanto que na conclusão do voto se fala em juros a serem aplicados à taxade 1% ao mês. É o relatório. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.720056/201189 Acórdão n.º 1402001.825 S1C4T2 Fl. 935 5 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, pelo que proponho sejam conhecidos. Aduz a embargante que houve omissão quanto à análise da multa isolada aplicada, porquanto não faz referência às alterações promovidas pela Lei 11.488/2007. Também argumenta que há contradição no acórdão embargado quanto à aplicação dos juros sobre a multa de ofício, já que a ementa do acórdão faz referência à aplicação de taxa Selic enquanto que na conclusão do voto se fala em juros a serem aplicados à taxade 1% ao mês. De fato, os embargos opostos mereçem ser acolhidos e a omissão e contradição sanadas na forma a seguir analisada. Da multa de ofício isolada, concomitante com a multa proporcional, após a vigência das alterações da Lei 11.488/2007 Conforme relatado, há concomitância das multas de oficio isoladas e proporcionais. Quanto a essa matéria, este Colegiado possui entendimento sedimentado, embora não unânime, no sentido de sua inaplicabilidade. Nesse sentido, cito, dentre outros, o acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa elucida: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: “ (...) No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 935DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.720056/201189 Acórdão n.º 1402001.825 S1C4T2 Fl. 936 6 I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos ................................................................ IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, Fl. 936DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.720056/201189 Acórdão n.º 1402001.825 S1C4T2 Fl. 937 7 por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. (...)” Reafirmo a impossibilidade da aplicação cumulativa dessas multas, mesmo após a vigência das alterações da Lei 11.488/2007. Isso porque, é sabido que um dos fatores que levou a mudança da redação do citado art. 44 da Lei 9.430/1996 foram os julgados deste Conselho, sendo que a época da edição da Lei 11.488/2007 já predominava esse entendimento. Vejamos novamente a redação de parte disposições do art. 44 da Lei 9.430/1996 alteradas/incluídas pela Lei 11.488/2007: “(...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis; (...)” Grifei. Ora, o legislador tinha conhecimento da jurisprudência deste Conselho quanto a impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de oficio, além de outros entendimentos no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, ou se o tributo tivesse sido integralmente pago no ajuste anual. Todavia, tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação, ou seja, deixou de prever a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas. E não se diga que seria esquecimento, pois, logo a seguir no parágrafo §1o, excetuou a cumulatividade de penalidades quando a ensejar a aplicação dos art. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964. Bastava ter acrescentado mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da 9.430/1996, estabelecendo expressamente essa hipótese, que aliás é a questão de maior incidência. Ao deixar de fazer isso, uma das conclusões factíveis é que essa cumulatividade é mesmo indevida. Portanto, as multas de oficio isoladas, concomitante às multas proporcionais, devem ser exoneradas, ainda que após a vigência das alterações da Lei 11.488/2007. Dos juros de mora incidentes sobre a multa de oficio Quanto a esse ponto, nada há que se alterar no voto do i. Conselherio relator no Acórdão embargado. Apenas a sua ementa é que necessita ser adaptada ao entendimento do voto para que se tenha sanada a contradição aventada. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15586.720056/201189 Acórdão n.º 1402001.825 S1C4T2 Fl. 938 8 Nesse sentido, entendo que a ementa daquele Acórdão deva ter o seguinte teor: JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. Cabível a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio à taxa de 1% ao mês. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional, para retificar e ratificar o Acórdão 1402001.180, de 11/09/2012, nos termos acima analisados, para sanar a omissão e a contradição apontadas, confirmando o provimento parcial do recurso tal qual consignado naquele Acórdão. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 938DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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